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Numero do processo: 10980.720548/2008-01
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luís Cláudio Farina Ventrilho..
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luís Cláudio Farina Ventrilho.. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 168 a 178, referente aos anos calendário de 2004 e 2005, que exige R$ 70.619,60 de imposto, com multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos com base nos seguintes depósitos bancários: (...) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 20 54 8/ 20 08 -0 1 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.720548/200801 Resolução nº 2801000.210 S2TE01 Fl. 339 2 O procurador do contribuinte, fl. 147, foi pessoalmente cientificado do lançamento, em 29/12/2008 – fl. 176, e apresentou, em 27/01/2009, a impugnação de fls. 181 a 192, acompanhada dos documentos de fls. 193 a 303, acatada como tempestiva pelo órgão de origem. Afirma que a presunção legal de omissão de rendimentos deve ser interpretada com razoabilidade e proporcionalidade, evitando a exigência de provas impossíveis e considerando o lapso temporal de cinco anos existente entre o depósito bancário e a respectiva fiscalização. Ressalta que a norma legal sequer exigiria a coincidência exata de valores, somente a comprovação da origem do numerário depositado. Assim, o lançamento deveria ser considerado improcedente, em decorrência da demonstração de que o contribuinte possuía recursos disponíveis, no exercício, para suportar os depósitos bancários citados na autuação. Transcreve jurisprudência administrativa para corroborar sua alegação de que os rendimentos declarados e os já tributados de ofício serviriam para justificar valores posteriormente tributados em contas bancárias. Apresenta às seguintes justificativas e documentos para cada um dos depósitos questionados: 29/07/2004 R$ 32.000,00 venda de 40% de imóvel rural a Elisiane, conforme comprovante de saque da depositante e de depósito, além de escritura de fls. 195 a 199. 13/09/2004 R$ 16.000,00 parte do mútuo de R$ 92.000,00, obtido de Elisiane Minasse, que estaria declarado no ajuste anual de ambos. Afirma que, à época, já matinha união estável com a mutuante e que, posteriormente, contraíram núpcias. Apresenta cópia do comprovante de depósito, da certidão de casamento em 2007, das declarações de ajuste dele e da mutuante, além de registro de imóvel, onde apareceriam como adquirentes de imóvel para o casal, já em 2002, além de declaração da mutuante fls. 278 a 303. Alega que a consignação do mútuo na declaração de ajuste seria suficiente para comprovação do negócio, citando jurisprudência para corroborar sua alegação. 26/10/2004 R$ 26.000,00 venda de "muck" ou guincho a Félix Souza. Junta TED do depósito questionado com identificação do depositante e documentação da compra do suposto equipamento diretamente do fabricante, por Hiroto Minasse, que posteriormente veio a ser seu sogro e o qual firma declaração atestando a entrega daquele ao autuado, o qual aparece como sacado nos boletos de aquisição, que afirma terem sido anexados por amostragem fls. 200 a 207. Também traz cópia de anúncios de venda de caminhões, com e sem guincho, para comprovar a venda isolada do equipamento, em 26/10/2004, assinalando que o telefonte do anúncio coincidiria com o consignado no TED. Junta cópia dos documentos de transferências dos veículos anunciados fls. 208 a 215. Ressalta que, por se tratar de bem móvel, a transferência de propriedade do guincho se daria pela tradição, não necessitando de documento que formalizasse a venda. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.720548/200801 Resolução nº 2801000.210 S2TE01 Fl. 340 3 20/12/2004 R$ 60.000,00 origem em conta corrente "gráfica" de mesma titularidade, que manteria junto à Unibanco Investshop Corretora de Valores Mobiliários e Câmbio para operar com ações via "home broker" , conforme extrato e declarações fornecidos pela corretora, fls. 223 a 271. Ressalta que os recursos na corretora foram depositados em 2001 e que antes da fusão, ocorrida em 2004, a razão social era Meridional Corretora de Valores Mobiliários e Câmbio. 21/01/2005 R$ 15.000,00 origem em conta corrente "gráfica" de mesma titularidade, que manteria junto à Unibanco Investshop Corretora de Valores Mobiliários e Câmbio para operar com ações via "home broker" , conforme extrato e declarações fornecidos pela corretora, fls. 223 a 271. Ressalta que os recursos na corretora foram depositados em 2001 e que antes da fusão, ocorrida em 2004, a razão social era Meridional Corretora de Valores Mobiliários e Câmbio. 21/02/2005 R$ 30.000,00 venda de 60% de imóvel rural a Elisiane, por R$ 48.000,00, conforme comprovante de transferência bancária de R$ 30.000,00, em 21/02/2005, e escritura lavrada em 11/04/2005 fls. 216 a 222. 24/03/2005 R$ 27.000,00 parte da venda de caminhão a Arnaldo Silvano, por R$ 32.000,00. Traz Certificado de Registro de Veículos com reconhecimento de firma "verdadeira" do adquirente em 24/03/2005, além de comprovante de pagamento de emolumentos e de depósito em espécie feito pelo próprio autuado fls. 272 a 277. 18/04/2005 R$ 16.000,00 origem em conta corrente "gráfica" de mesma titularidade, que manteria junto à Unibanco Investshop Corretora de Valores Mobiliários e Câmbio para operar com ações via "home broker" , conforme extrato e declarações fornecidos pela corretora, fls. 223 a 271. Ressalta que os recursos na corretora foram depositados em 2001 e que antes da fusão, ocorrida em 2004, a razão social era Meridional Corretora de Valores Mobiliários e Câmbio. 23/05/2005 R$ 50.000,00 origem em conta corrente "gráfica" de mesma titularidade, que manteria junto à Unibanco Investshop Corretora de Valores Mobiliários e Câmbio para operar com ações via "home broker", conforme extrato e declarações fornecidos pela corretora, fls. 223 a 271. Ressalta que os recursos na corretora foram depositados em 2001 e que antes da fusão, ocorrida em 2004, a razão social era Meridional Corretora de Valores Mobiliários e Câmbio. Finaliza solicitando a improcedência do lançamento, em razão de entender que as informações e documentos apresentados comprovariam as origens dos recursos relativos aos depósitos bancários questionados.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 305/316, que restou assim ementado: JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em Fl. 340DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.720548/200801 Resolução nº 2801000.210 S2TE01 Fl. 341 4 normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REQUISITOS DE CANCELAMENTO. A presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários somente é ilidida com a apresentação de documentação hábil e idônea que justifique sua origem, devendo ser comprovado tanto o depositante como a motivação. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 13/09/2011 (AR fl. 319), o interessado, representado por seus advogados (fl. 147), interpôs o recurso de fls. 321/329, no qual, em síntese, repete os argumentos da impugnação para justificar a origem dos seguintes depósitos: R$ 16.000,00 (13/09/2004), R$ 26.000,00 (26/10/2004) e R$ 30.000,00 (21/02/2005). É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente caso, temse que o lançamento foi efetuado com base em informações solicitadas diretamente às intuições financeiras, por meio da emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), nos termos do art. 6o da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, ou seja, sem autorização judicial. Ocorre que a questão do sigilo bancário é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE 601.314), devendo o julgamento do presente processo ser sobrestado, conforme imposição do Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria nº 256, de 22 junho de 2009, com alterações introduzidas pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que determina, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a Fl. 341DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.720548/200801 Resolução nº 2801000.210 S2TE01 Fl. 342 5 ser proferida nos autos do RE n.º 601.314, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 342DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001127/2001-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1995, 1997, 1998, 1999
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RENDIMENTO COM TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. APLICAÇÕES FINANCEIRAS INOCORRÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 173, I, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, inexistindo a ocorrência de pagamento, impo-se a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento, nos termos do artigo 173, inciso I, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual estabelece a observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC.
No caso, consta às folhas 12/18 informação de que houve retenção na fonte de rendimento com tributação exclusiva, que se referem a valores do imposto de renda retido na fonte, oriundos de aplicações financeiras. Ocorre que, não se prestam a ser considerados como antecipação de pagamento para definição da regra decadencial a ser aplicada, os valores retidos na fonte decorrentes de aplicações financeiras, posto que a tributação é realizada em separado, já que são submetidas ao regime de tributação exclusiva na fonte, não integrando o ajuste anual.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.282
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho arruda Junior Relator
EDITADO EM: 08/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1995, 1997, 1998, 1999 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RENDIMENTO COM TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. APLICAÇÕES FINANCEIRAS INOCORRÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 173, I, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, inexistindo a ocorrência de pagamento, impo-se a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento, nos termos do artigo 173, inciso I, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual estabelece a observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. No caso, consta às folhas 12/18 informação de que houve retenção na fonte de rendimento com tributação exclusiva, que se referem a valores do imposto de renda retido na fonte, oriundos de aplicações financeiras. Ocorre que, não se prestam a ser considerados como antecipação de pagamento para definição da regra decadencial a ser aplicada, os valores retidos na fonte decorrentes de aplicações financeiras, posto que a tributação é realizada em separado, já que são submetidas ao regime de tributação exclusiva na fonte, não integrando o ajuste anual. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho arruda Junior Relator EDITADO EM: 08/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RENDIMENTO COM TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. APLICAÇÕES FINANCEIRAS INOCORRÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 173, I, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, inexistindo a ocorrência de pagamento, impose a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento, nos termos do artigo 173, inciso I, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual estabelece a observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. No caso, consta às folhas 12/18 informação de que houve retenção na fonte de rendimento com tributação exclusiva, que se referem a valores do imposto de renda retido na fonte, oriundos de aplicações financeiras. Ocorre que, não se prestam a ser considerados como antecipação de pagamento para definição da regra decadencial a ser aplicada, os valores retidos na fonte decorrentes de aplicações financeiras, posto que a tributação é realizada em separado, já que são submetidas ao regime de tributação exclusiva na fonte, não integrando o ajuste anual. Recurso especial provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 11 27 /2 00 1- 91 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho arruda Junior – Relator EDITADO EM: 08/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão de n° 2202 00.332, proferido em 02/12/2009, interpõe, através do seu representante legal, Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro nos artigos 67 e 68, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, visando a revisão do julgado. Ciente, formalmente, daquele acórdão em 18/01/2011, conforme Intimação constante à fl. 329, a digna representante da Fazenda Nacional protocolizou o seu Recurso Especial, tempestivamente, em 19/01/2011, isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias fixado pelo caput do artigo 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Suscita a digna representante da Fazenda Nacional que, nos termos do art. 67 do Regimento Interno, compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Em sessão plenária de 02/12/2009, a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgou o Recurso Voluntário n° 164.965, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão n° 220200.332, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999 Ementa:DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do Fl. 376DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13808.001127/200191 Acórdão n.º 9202003.282 CSRFT2 Fl. 10 3 crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4" do CTN). NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA r ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL E lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n". 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COMA RENDA DECLARADA LEVANTAMENTO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO BASE DE CÁLCULO APURAÇÃO MENSAL O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerando se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerandose o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. JUROS TAXA SELIC A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula 1" CC n" 4). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1" CC n" 2). Arguição de decadência acolhida. Recurso negado. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 A decisão foi assim resumida: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência, suscitada pelo Relator, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 1995, no que diz respeito ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O recurso está manejado quanto a discussão da possibilidade de se caracterizar divergência jurisprudencial no que diz respeito a contagem do prazo decadencial nos casos de lançamento por homologação. Seguem abaixo os acórdãos paradigmas apresentados seguidos de suas respectivas ementas: 910100.460 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 43 C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008. CSRF/0202.288 PIS. DECADÊNCIA. Por ter natureza tributária, na hipótese de ausência de pagamento antecipado, aplicase ao PIS a regra de decadência prevista no art. 173,1, do CIN. Recurso especial negado. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção resolveu dar seguimento ao Recurso Especial interposto, por meio do Despacho n. 220200.133 [fls. 338 e ss]: [...] Feitas estas considerações, passase à análise dos acórdãos paradigmas, a ver se efetivamente retrataria situação idêntica àquela verificada no acórdão recorrido. Isso porque o Julgador é livre para formar sua convicção, e esta encontrase atrelada ao conjunto probatório constante de cada processo, mormente quando se trata de matéria de prova. Verificase, que do simples confronto, entre os acórdãos recorrido e os paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal, aplicado a um mesmo fato, que no caso em questão é a discussão sobre a contagem do prazo decadencial dos tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13808.001127/200191 Acórdão n.º 9202003.282 CSRFT2 Fl. 11 5 Assim, a mera leitura dos acórdãos recorrido e paradigmas permite concluir que são acórdãos divergentes, pois tratam de matérias tributárias iguais, de fato e de direito, de forma diferente. Ou seja, tipificam tratamentos diferenciados, vez que, no acórdão recorrido entendeuse, que tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de decadência para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a teor do artigo 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional, independentemente se houve ou não pagamento antecipado. Por sua vez, nos paradigmas, ao contrário do que se concluiu no recorrido, considerouse que em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação cujo pagamento não foi antecipado pelo devedor, incide a regra do art. 173,I, do Código Tributário Nacional. Assim, observase divergência interpretativa dos artigos 150, § 4 o e 173, I, do Código Tributário Nacional, uma vez que a Câmara recorrida entendeu irrelevante a circunstância de não ter havido pagamento do tributo, para fins de aplicação do art. 173, I do Código Tributário Nacional, enquanto, os acórdãos paradigmas entenderam que tal fato conduz à aplicação do art. 173,1, ao invés do art. 150, § 4o. Intimado a se manifestar, a Contribuinte restou silente. É o relatório. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatadas pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF as divergências suscitadas pela Contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões à respeito da mesma matéria. Como dito acima, o recurso está manejado quanto à discussão da possibilidade de se caracterizar divergência jurisprudencial no que diz respeito a contagem do prazo decadencial nos casos de lançamento por homologação. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõe se a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, tem se que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 380DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13808.001127/200191 Acórdão n.º 9202003.282 CSRFT2 Fl. 12 7 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) A imperiosidade de aplicação dessa decisão do STJ, no âmbito do CARF, é inequívoca, conforme o disposto no artigo 62A do seu Regimento Interno. Desse modo, ao observar o caso concreto trazido a esta câmara superior de julgamento, notase que à recorrente assiste razão quanto ao seu inconformismo no que se refere à fundamentação do acórdão recorrido. De acordo com o julgado, foi suscitada a decadência do crédito tributário com base no disposto no art. 150, § 4º do CTN. Senão vejamos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No entanto, conforme se o observa no precedente vinculante do Superior Tribunal de Justiça, deverseá aplicar o disposto no art.173, I do CTN quando do cálculo do prazo quinquenal, mesmo nos casos de lançamento por homologação. No caso, consta às folhas 12/18 informação de que houve retenção na fonte de rendimento com tributação exclusiva, que se referem a valores do imposto de renda retido na fonte, oriundos de aplicações financeiras. Ocorre que, não se prestam a ser considerados como antecipação de pagamento para definição da regra decadencial a ser aplicada, os valores retidos na fonte decorrentes de aplicações financeiras, posto que a tributação é realizada em separado, já que são submetidas ao regime de tributação exclusiva na fonte, não integrando o ajuste anual, conforme é o entendimento desta Turma da CSRF [Ac. 9202001.967]: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). DECADÊNCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. No caso dos autos, o auto de infração apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada deve ser apurada em base mensal, mas tributada na base de cálculo anual, cujo fato gerador ocorre no encerramento do anocalendário, já que o fato gerador do IRPF é complexivo. Para os exercícios de 2000 e 2001, anos calendários de 1999 e 2000, constam na Declaração de Ajuste Anual (fls. 210/218) rendimentos com tributação exclusiva, que se referem a valores do imposto de renda retido na fonte, oriundos de aplicações financeiras. Ocorre que, não se prestam a ser considerados como antecipação de pagamento para definição da regra decadencial a ser aplicada, os valores retidos na fonte decorrentes de aplicações financeiras, posto que a tributação é realizada em separado, já que são submetidas ao regime de tributação exclusiva na fonte, não integrando o ajuste anual. Portanto, verificase que não houve pagamento antecipado, conforme consta da Declaração de Ajuste Anual dos exercícios de 2000 e 2001, anos calendários de 1999 e 2000 (fls. 210/218). Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para o período mais remoto, ano calendário 1999, dáse no dia 01/01/2001 e o termo final no dia 31/12/2005. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 07 de abril de 2005, portanto, antes de Fl. 382DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13808.001127/200191 Acórdão n.º 9202003.282 CSRFT2 Fl. 13 9 transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Recurso especial provido. [Grifo nosso] Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 15/03/2001, com a devida ciência do contribuinte constante da folha de rosto do Auto de Infração, a exigência fiscal não se encontra fulminada pela decadência, em razão dos fatos geradores referemse aos exercícios de 1995 a 1999, com o início do prazo decadencial em 01/01/1997, com encerramento em 31/12/2001, impondo a manutenção do feito, na forma pleiteada pela recorrente, devendo o processo ser remetido à Câmara de origem (recorrida) para análise das demais questões meritórias suscitadas no recurso voluntário da contribuinte, não contempladas por ocasião do julgado atacado em face do acolhimento da decadência do período em comento. DISPOSITIVO Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com a jurisprudência consolidada nos Tribunais Superiores e de observância obrigatória por este Colegiado, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, com retorno a Turma de Julgamento de origem para julgamento das questões relativas ao exercício de 1995. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 383DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 10580.723770/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DEIXAR A EMPRESA DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, OS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES, O MONTANTE DAS QUANTIAS DESCONTADAS, AS CONTRIBUIÇÕES A CARGO DOS SEGURADOS E OS TOTAIS RECOLHIDOS.
A contabilização deficiente constitui infração à legislação previdenciária, conforme previsto na lei nº. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 048, de 06.05.99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DEIXAR A EMPRESA DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, OS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES, O MONTANTE DAS QUANTIAS DESCONTADAS, AS CONTRIBUIÇÕES A CARGO DOS SEGURADOS E OS TOTAIS RECOLHIDOS. A contabilização deficiente constitui infração à legislação previdenciária, conforme previsto na lei nº. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 048, de 06.05.99. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Recorrente SARTRE EMPREENDIMENTOS EDUCACIONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DEIXAR A EMPRESA DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, OS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES, O MONTANTE DAS QUANTIAS DESCONTADAS, AS CONTRIBUIÇÕES A CARGO DOS SEGURADOS E OS TOTAIS RECOLHIDOS. A contabilização deficiente constitui infração à legislação previdenciária, conforme previsto na lei nº. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 048, de 06.05.99. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 37 70 /2 00 9- 41 Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723770/200941 Acórdão n.º 2402003.499 S2C4T2 Fl. 2.302 3 Relatório Tratase de Auto de Infração DEBCAD n° 37.210.4380, que se refere a divergências localizadas pela autoridade fiscal, nas competências de janeiro a dezembro de 2005, de contribuições a cargo de contribuintes individuais e remuneração de empregados não declarada em GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 135/141, foram realizados dois levantamentos distintos: “LEVANTAMENTO DVA” (Divergência Contribuintes Individuais) e “LEVANTAMENTO DIV” (Remuneração não declarada em GFIP). No primeiro levantamento foram incluídas as contribuições incidentes sobre as parcelas remuneratórias integrantes do salário de contribuição, correspondentes a parte dos segurados. A fiscalização comparou os valores escriturados nas contas informadas com as declarações prestadas via GFIP. O comparativo resultou em divergência entre os valores contabilizados e aqueles informados à Previdência Social. No segundo levantamento a divergência foi verificada na rubrica contribuição do empregado. A empresa escriturava nas contas 272 e 160 (salário); 95 (provisões 13° Salário); 96 e 163 (provisão de férias) as remunerações pagas aos segurados empregados. Todavia, de acordo com a fiscalização, a escrituração não era feita por estabelecimento, não descrevia o fato, não discriminava os fatos geradores e descontos e o Livro Diário não estava registrado no órgão competente. Além disso, as contribuições descontadas dos segurados estavam escrituradas na conta 78 (INSS A RECOLHER) e a empresa não atendeu à intimação para discriminar por estabelecimento as contribuições descontadas. O cálculo para autuação foi feito sobre estas divergências. A multa, por sua vez, foi aplicada com base no cálculo menos gravoso ao contribuinte (fls. 139). Ante a autuação, a Recorrente apresentou impugnação (fls. 741/765), alegando, em síntese: i) Ausência do dever de manter escrituração contábil separada entre matriz e filiais; ii) Que para efetiva comprovação de que a Recorrente não lançou mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, fazse mister comprovar tais alegações, mediante juntada de prova documental incontestável, devendo o lançamento ser cancelado, vez que encontrase viciado na motivação; iii) Indevido o lançamento de contribuições previdenciárias sobre a indenização do art. 322 da CLT, aviso prévio e bolsa estágio; Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 iv) Que a Lei n° 8.212/91, em seu art. 28, § 9°, alínea “i”, prevê que não integra a base de cálculo das contribuições a “importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei n° 6.494/77”; v) A não incidência de contribuição sobre o aviso prévio é verificada em reiteradas decisões do STJ; vi) A incidência de contribuições sobre a indenização prevista no art. 322 da CLT não pode ser admitida por se tratar de hipótese de isenção prevista no art. 28, § 9° da Lei n° 8.212/91; vii) Não incidência de contribuições sobre abono salarial de férias não gozadas por necessidade do serviço e seu respectivo terço constitucional, sendo que, em relação à primeira, a exclusão se dá pela Súmula n° 125 do STJ bem como pelo seu caráter indenizatório; viii) Indevida a incidência de contribuição sobre serviços prestados por pessoa jurídica sem cessão de mão de obras; ix) Impossibilidade da imposição de multa de ofício progressiva, uma vez que esta só tem aplicação possível nos casos previstos pela Constituição, como IPTU, IR e ITR; x) Inconstitucionalidade da multa de ofício, uma vez que viola o princípio do nãoconfisco. Ainda, ressalta decisão proferida em ADI n° 5511RJ, em que ficou assentado que multas punitivas não podem ser superiores a 20% do valor exigido. Ao final, requereu a improcedência do lançamento. Ante a impugnação apresentada, a DRJ/SDR, às fls. 2256/2265, proferiu acórdão julgando procedente o lançamento sob os seguintes fundamentos: i) A empresa deve arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço mediante desconto na remuneração e recolher aos cofres públicos juntamente à contribuição a seu cargo, nos termos do art. 4° da Lei n° 10.666/03; ii) Quanto à escrituração contábil separada por estabelecimentos, apesar de não haver exigência de contabilidade apartada, deve a escrituração registrar, em contas individualizadas, as contribuições previdenciárias e os totais recolhidos por estabelecimento, obra de construção civil e tomador de serviços; iii) Em relação aos argumentos referentes à indenização do art. 322 da CLT, aviso prévio, bolsa de estágio, abono salarial de férias não gozadas por necessidade de serviço e seu respectivo terço, constatouse que a fiscalização comparou as divergências entre GFIP e contas contábeis em que são lançados valores que a própria empresa desconta e tem obrigação de recolher aos cofres públicos, não havendo como acatar os argumentos elencados; iv) Quanto à incidência de contribuições sobre serviços prestados por pessoa jurídica sem cessão de mão de obra, a empresa limitouse a apresentar como prova a cópia de seu Livro Razão, onde constam os lançamentos da conta 206, não sendo suficiente a prova de suas alegações. Ainda, a fiscalização lançou apenas as contribuições dos segurados contribuintes individuais e empregados, não sendo utilizada a conta 206 para embasar o lançamento; Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723770/200941 Acórdão n.º 2402003.499 S2C4T2 Fl. 2.303 5 v) Sobre a multa de ofício e sua aplicação progressiva, não compete à esfera administrativa a discussão acerca de constitucionalidade de tais disposições legais, nos termos do Decreto 70.235/72; vi) Sobre a multa de mora, apesar de não abordado o tema na Impugnação, deve ser aplicada a legislação mais benéfica ao contribuinte no momento do pagamento ou do parcelamento do débito, considerando todos os processos conexos. A Recorrente, às fls. 2277/2298, interpôs recurso voluntário tempestivo, reiterando os termos da impugnação. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Preliminarmente O recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual dele conheço. No Mérito Tratase de auto de infração lavrado em razão da verificação de divergências entre os valores escriturados pela empresa e os valores por ela declarados em GFIP referentes às contribuições a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais. Da Escrituração Contábil separada por estabelecimento Embora a Lei n° 8.212/91 não possua previsão expressa quanto à obrigatoriedade de escrituração própria por estabelecimento, o Regulamento da Previdência Social, em seu art. 225, prevê: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: (...) II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Assim, embora não seja exigida contabilidade separada para cada um dos estabelecimentos da empresa, deve a escrituração registrar, em contas individualizadas, as contribuições previdenciárias e os totais recolhidos por estabelecimento, não havendo razão para acolhida da pretensão da Recorrente neste ponto. Das alegações dos itens IIB e IIC Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723770/200941 Acórdão n.º 2402003.499 S2C4T2 Fl. 2.304 7 A Recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou fundamentos discutindo a incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de bolsa estágio, aviso prévio, abono salarial de férias não gozadas e seu respectivo terço, bem como sobre os valores pagos a professores que trabalham durante o período de férias ou exames da escola (art. 322, CLT). Entretanto, os argumentos da Recorrente não condizem com a matéria da autuação. A autuação se pautou apenas na divergência dos valores escriturados pela Recorrente e por ela declarados em GFIP. Ressaltese, portanto, que as informações divergentes foram elaboradas pela Recorrente, sendo que, se nos valores da autuação foram inclusas as verbas ora em discussão, foi a própria Recorrente que as incluiu. Sendo assim, descabida a análise da incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas. Das alegações de incidência da contribuição sobre serviços prestados por pessoa jurídica sem cessão de mão de obra Alega a Recorrente que a fiscalização lançou indevidamente valores constantes na conta 206 de sua contabilidade, que dizem respeito ao pagamento por serviços prestados sem cessão de mão de obra. Alega ainda ter apresentado cópia da referida conta (206) em que, segundo a Recorrente, é possível verificar que todos os lançamentos referemse a pagamento de notas fiscais de prestação de serviços e/ou aquisição de mercadorias. Os documentos acostados pela Recorrente (fls. 22492254), todavia, não são suficientes à comprovação de suas alegações. Não obstante, a presente autuação lança apenas as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, não sendo utilizada a conta 206 (Serviços Prestados PJ) para embasar o levantamento realizado. Destarte, descabida também a análise da incidência de contribuições previdenciárias sobre estes valores. Da Inconstitucionalidade da Multa de Ofício e da Ilegalidade de sua imposição progressiva A Recorrente questiona a constitucionalidade da multa de ofício. Questiona também a ilegalidade de sua aplicação progressiva. Quanto às alegações de inconstitucionalidade, não cabe aos órgãos administrativos o julgamento de qualquer que seja a legislação vigente, uma vez que a esfera administrativa está adstrita à correta aplicação da norma em plena vigência. Registrese que a instância administrativa não possui competência legal para manifestarse sobre questões em que se alega eventual colisão da legislação face à Constituição Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Federal, tendo em vista ser esta competência exclusiva do Poder Judiciário, nos termos da Constituição Federal (art. 102, I, a, e III, b; art. 103, § 2°; EC n° 3/1993). Assim, na esfera administrativa, a competência limitase a afastar aplicação de leis já declaradas inconstitucionais definitivamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo a determinação do Secretário da Receita Federal. A Recorrente também questiona a legalidade da aplicação progressiva da multa de ofício. Alega que, nos termos da Constituição Federal, a progressividade é aplicável apenas nos casos de impostos assim previstos, como o IR, IPTU e IR. No Relatório Fiscal, às fls. 138/139, todavia, a Autoridade Fiscalizadora descreve minuciosamente os termos em que a multa fora aplicada, não havendo qualquer dissonância com a legislação aplicável no caso. Da Aplicação da Multa mais benéfica ao Contribuinte Em razão da alteração da legislação no tocante às multas de mora em decorrência de lançamento de ofício pela MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei n° 11.941/09, o entendimento é no sentido de que deva ser aplicada a legislação mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106 do Código Tributário Nacional, comparandose a penalidade imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente. Conforme se observa às fls. 138/139, a fiscalização, ao calcular a multa aplicável, o fez com base nesta disposição, apresentando planilha de comparação entre a legislação atual e a anterior. Vale dizer que, conforme mencionado em decisão de primeira instância, durante a fase do contencioso administrativo, não há como se calcular a multa mais benéfica, haja vista que o pagamento ainda não foi postulado pelo contribuinte. Destarte, deve ser aplicada a legislação mais benéfica ao contribuinte no momento do pagamento ou do parcelamento do débito, considerando todos os processos conexos. Conclusão Por todo o exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário para a ele negar provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13671.000270/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2102-000.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 10/06/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
RELATÓRIO
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 10/06/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA RELATÓRIO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 10/06/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA RELATÓRIO Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/04, exigindose a importância de R$901,41, já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício2003, anocalendário 2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 71 .0 00 27 0/ 20 07 -4 4 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13671.000270/200744 Resolução nº 2102000.187 S2C1T2 Fl. 47 2 Da descrição dos fatos e do enquadramento legal, o auditor fiscal assim sintetizou os fundamentos do lançamento: DESPESAS MÉDICAS Dedução Indevida a título de despesas médicas. A DIRPF apresentada pelo contribuinte incidiu em malha fiscal,parâmetro DESPESAS MÉDICAS. Calcado no art. 73 do Dec. 3000/99 e atualizações, onde se acha explicitado que deduções exageradas estão sujeitas à efetiva comprovação a juízo da autoridade lançadora e que, nos termos do Acórdão CSRF/01 1.458/92 (DOU de 19/01/95) para gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculação dos efetivos pagamentos, o contribuinte foi intimado a apresentar Recibos e Notas Fiscais de Prestação de Serviço e comprovar os efetivos pagamentos das despesas realizadas com Valéria Marcia de Paula(CPF 663.837.30649); Luiza EliBoell Duarte (CPF 228.969.53604); Juliene Cristina Ferreira (CPF032.055.31671); Antonio de Paula Junior (529.051.44653); Liliane Madureira Ribeiro (002.333.67659). Em atendimento à Intimação, o contribuinte trouxe aos autos apenas recibos expedidos pelos profissionais acima nominados e um ESCLARECIMENTO informando:que a forma de pagamento dos referidos recibos foram feitos através de moeda corrente,lembrando queR$18.000,00 declarados em 2001 como dinheiro em espécie foi usado para quitação dos devidos recibos acima relacionados,sendo o restant esacados em contas correntes e pago também em espécie. Nenhuma cópia microfilmada de cheques ou saques em contas bancárias foi disponibilizado visando atestar a efetividade dos pagamentos declarados. Por falta de comprovação do efetivo pagamento, nos termos da intimação expedida, não foram acatados,como dedução a título de despesas médicas, os valores relacionados na declaração do contribuinte relativo aos profissionais citados,no total de R$31.000,00. O plano de saúde Sul América Serviços Médicos foi de R$3130,00. Enquadramento Legal: art. 8º, inciso II, alínea 'a', e §§2°e3º, daLei nº 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001. Cientificado do respectivo lançamento fiscal, o Contribuinte ofereceu a Impugnação de fls. 01, por meio da qual alegou em suma – que apresentou todos os recibos pertinentes as despesas médicas com assinatura e CPF dos respectivos recebedores, e que se sente lesado, não sendo obrigado por lei a apresentar cópia dos extratos bancários para comprovar os efetivos pagamentos. Na análise de suas alegações, os integrantes da 9ª Turma da DRJ/BHE decidiram, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a Impugnação apresentada, mantendose integralmente o crédito tributário exigido, em decisão através da qual se extrai a seguinte ementa: Fl. 47DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13671.000270/200744 Resolução nº 2102000.187 S2C1T2 Fl. 48 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2002 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. O direito à dedução de despesas é condicionado à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. A não comprovação, por documentos hábeis, dos efetivos pagamentos por serviços médicos enseja a manutenção dos valores glosados. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. NOTIFICAÇÃO REMETIDA PARA ENDEREÇO DIVERSO. CIÊNCIA INVÁLIDA. DEFESA CONSIDERADA TEMPESTIVA. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecidos pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Defesa acatada como tempestiva face a irregularidade na ciência do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 41/42, por meio do qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, requerendo a procedência do Recuso Voluntário interposto, ressaltando ainda: que a “dedução exagerada” prevista na legislação pátria teria vasta interpretação, e que na sua concepção, suas despesas médicas seriam totalmente compatíveis com os seus rendimentos; e que caberia ao órgão fiscalizador confirmar, perante os prestadores de serviços, a veracidade dos documentos apresentados, e não ao Contribuinte, o ônus de comprovar suas próprias alegações. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. VOTO Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 14.04.2011, como atesta o AR de fls. 39. O Recurso Voluntário foi interposto em 03.05.2011, (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de processo no qual se discute lançamento para exigência de IRPF decorrente da glosa de despesas médicas declaradas pelo Recorrente. Antes, porém, de entrar no mérito da discussão travada nestes autos, é preciso chamar a atenção para o fato de que não constam dos autos nem a DIRPF apresentada pelo Recorrente para o Exercício 2003 (na qual foram declaradas as despesas glosadas) e tampouco os recibos aparentemente apresentados pelo Recorrente em sede de fiscalização, e que suportariam as despesas cuja dedução pleiteia. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13671.000270/200744 Resolução nº 2102000.187 S2C1T2 Fl. 49 4 Sem tal documentação, a análise do processo fica impossibilitada por esta turma julgadora, razão pela qual VOTO pela CONVERSÃO deste julgamento em diligência, a fim de que seja a autoridade preparadora intimada a trazer aos autos: a) Cópia da DIRPF apresentada pelo Recorrente para o Exercício 2003, da qual constem as despesas objeto de glosa por meio do lançamento aqui examinado; b) Cópia integral do Auto de Infração; e c) Cópia dos recibos apresentados pelo Recorrente à autoridade lançadora, e que deixaram de ser aceitos por ela (os quais foram mencionados nos esclarecimentos constantes da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração). Após a manifestação da referida autoridade, deverá o contribuinte ser intimado para manifestação no prazo de 30 dias. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 49DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10875.907909/2012-05
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2010
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 09 /2 01 2- 05 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907909/201205 Acórdão n.º 3801003.816 S3TE01 Fl. 98 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS nãocumulativo, relativo ao fato gerador de 31/05/2010. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 18/01/2013 (fl. 33), o contribuinte apresentou, em 14/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 2/11, com os argumentos a seguir sintetizados. Alega que o valor declarado na DCTF original foi recolhido a maior e, por isso, retificou a declaração, gerando um crédito a seu favor, conforme os demonstrativos que elabora. Em função disso, optou por exercer o seu direito à compensação, transmitindo Per/Dcomp. Portanto, possuía crédito para suportar a compensação pretendida. Talvez por algum desencontro de dados o crédito não foi identificado, o que não pode o prejudicar, sob pena de se ofender o Princípio da Verdade Material sobre o qual discorre, citando posições doutrinárias e decisões do CARF, bem como ocorrer o enriquecimento ilícito da União Federal. Por fim, requer seja cancelado o processo de cobrança, reconhecido o crédito utilizado, homologandose o Per/Dcomp, e, caso seja necessário, seja o procedimento administrativo baixado em diligência para apuração dos fatos pertinentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2010 RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRODUÇÃO DE EFEITOS. A retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto reduzir os débitos relativos a contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. DILGÊNCIA. PROVAS. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907909/201205 Acórdão n.º 3801003.816 S3TE01 Fl. 99 3 Não há como ser admitido o pedido de realização de diligência quando este vise, tão somente, a transferência da produção de provas para a autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907909/201205 Acórdão n.º 3801003.816 S3TE01 Fl. 100 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para o PIS que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que a retificação feita pela recorrente foi em desacordo com as normas que dispõe sobre a DCTF ao reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização e, ainda que pudesse ser aceita a DCTF retificadora, não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Conforme consta nos autos, a retificação do débito declarado na DCTF foi indeferida devido a existência de procedimento fiscal anterior, que seria uma das hipóteses impeditivas previstas no art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 dezembro de 2010. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Não há norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Quanto ao alegado impedimento para retificação da DCTF, o próprio comando inserto no art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010 , abaixo reproduzido, ao mesmo tempo que afirma que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a redução de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, abre a possibilidade para uma eventual retificação de ofício nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907909/201205 Acórdão n.º 3801003.816 S3TE01 Fl. 101 5 servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.(grifei) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907909/201205 Acórdão n.º 3801003.816 S3TE01 Fl. 102 6 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 102DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10935.902363/2012-36
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/11/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 23 63 /2 01 2- 36 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.669, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 28242.34501.260207.1.2.040678, rastreamento nº 029224075, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 1.535,73, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 8109), do período de 31/10/2002, efetuado em 14/11/2002, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2002 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902363/201236 Acórdão n.º 3802002.519 S3TE02 Fl. 122 3 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902363/201236 Acórdão n.º 3802002.519 S3TE02 Fl. 123 5 VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902363/201236 Acórdão n.º 3802002.519 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000372/2010-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2403-000.233
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1267; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 494 1 493 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17883.000372/201021 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2403000.233 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 19 de fevereiro de 2014 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FUNDACAO EDUCACIONAL ROSEMAR PIMENTEL Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 78 83 .0 00 37 2/ 20 10 -2 1 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000372/201021 Resolução nº 2403000.233 S2C4T3 Fl. 495 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1238.422 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II RJ, que julgou procedente o lançamento de obrigação tributária acessória CFL 68 AIOA nº 37.318.9206, com valor consolidado inicial de R$ 730.212,90. O Relatório Fiscal informa que o crédito lançado tem origem na declaração incorreta em GFIP da totalidade do valor das contribuições previdenciárias patronais devidas, em razão de erro de preenchimento no campo FPAS. Conforme o Relatório Fiscal, a autuada, no período fiscalizado, enquadrouse como entidade isenta da contribuição previdenciária correspondente à cota patronal — FPAS 639 , conforme informações prestadas em GFIP. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 2. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 39/54, as bases de cálculo utilizadas representam as parcelas integrantes do saláriode contribuição cujos valores foram reconhecidos pela empresa nas folhas de pagamento do período de apuração, bem como informadas em GFIP. 3. Informa o autor do lançamento que a autuada, no período fiscalizado, enquadrouse como entidade isenta da contribuição previdenciária correspondente à Cota patronal — FPAS 639 , conforme informações prestadas em GFIP. 4. No entanto, esclarece que os beneficiários das ações de assistência social da autuada não se enquadram na definição de pessoas carentes de que trata o art. 206, §§2° e 3° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, refletindose em inobservância aos ditames do art. 55 da Lei n° 8.212/91. 5. Nesse passo, foi solicitado à entidade, através do Termo de Intimação n° 02, qual o critério utilizado na concessão de bolsas de estudos, sendo que a resposta encontrase anexada aos autos, às fls. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000372/201021 Resolução nº 2403000.233 S2C4T3 Fl. 496 3 72, na qual a interessada informa adotar critério sócioeconômico, o qual visa aferir a capacidade econômicofinanceira do requerente, bem como realiza entrevistas com os interessados. 6. Com base nas informações prestadas, a empresa foi novamente intimada, em TIF datado de 23/12/2010, a fim de que apresentasse o critério e a documentação comprobatória da capacidade econômico financeira dos requerentes e de suas famílias, bem como o parecer de cada entrevistado. Porém, a empresa não apresentou as fichas financeiras dos alunos, não comprovou através de documentação que os alunos se enquadravam na situação de pessoas carentes, assim como não apresentou o parecer das entrevistas com os interessados. 7. Dentre os fatos verificados no curso da ação fiscal, destaca a concessão de bolsas com inobservância do critério de carência e necessidade, concessão de bolsas por força de acordo ou convenção coletiva, concessão de bolsas a filhos de funcionários e concessão de bolsas ou descontos a alunos irmãos. 8. Assevera o autuante que o presente lançamento segue as regras procedimentais estabelecidas pela Lei n° 12.101/2009. 9. Não restaram caracterizadas circunstancias agravantes nem atenuantes. O período do débito, conforme o Relatório Fiscal da Infração é de 01/2006 a 12/2007. A Recorrente teve ciência das autuações em 06.01.2011, conforme fls. 01 A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 10. Notificada pessoalmente do lançamento em 06/01/2011, a interessada apresentou impugnação de fls. 100/115, aduzindo as seguintes alegações: 10.1. enfatiza sua condição de entidade beneficente de assistência social e, por conseguinte, isenta (imune) aos tributos em geral, incluindose ai as contribuições previdenciárias; 10.2. afirma que a fiscalização incorre em erro ao não se definir sobre que dispositivo repousa a autuação. Nesse passo, entende que há oscilação entre os requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/91 e o procedimento estabelecido pela Lei 12.101/09; 10.3. pondera que não pode prosperar o argumento fundado no art. 206 do RPS/99, de que não são concedidas bolsas a pessoas cuja renda familiar corresponda a, no máximo, R$ 271,99, eis que tal dispositivo encontravase revogado pelo Decreto n° 7.237/2010, A época da ação fiscal; 10.4. defende a tese de que não compete à fiscalização apurar a natureza beneficente das entidades educacionais. Ao MEC compete, Fl. 496DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000372/201021 Resolução nº 2403000.233 S2C4T3 Fl. 497 4 com exclusividade, verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto n° 2.536/98 (atualmente Lei 12.101/2009), para obtenção ou manutenção do certificado. A RFB compete verificar se a entidade cumpre os requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/91; 10.5. entende que caberia à fiscalização, no limite de sua competência residual, representar perante o órgão competente para a concessão e renovação da certificação, pois não tem competência para adentrar ao mérito das bolsas de estudo concedidas; 10.6. informa que as bolsas de estudo são concedidas a famílias carentes, segundo critério sócioeconômico de avaliação das famílias pretendentes do beneficio, competência esta privativa sua, sobre a qual a fiscalização não detém ingerência por falta de respaldo legal; 10.7. salienta, conforme termos aditivos de adesão ao PROUNI anexados aos autos, que as bolsas concedidas no âmbito do referido programa alcançam beneficiários encaminhados diretamente pelo MEC, cabendo A instituição de ensino efetivar a matricula no curso indicado. Neste sentido, manifesta incompreensão sobre como poderia estar agindo ao arrepio da lei; 10.8. esclarece, ainda, que a concessão de bolsas a alunos irmãos e a filhos de funcionários não compõe a totalidade destinada A filantropia desenvolvida pela impugnante. Essa conclusão depreendese da simples leitura das notas explicativas e das informações inseridas nas contas de gratuidade educacional informadas no Demonstrativo de Resultado dos exercícios de 2006 e 2007; 10.9. tece considerações acerca do efeito vinculante da renovação do CEBAS pela MP n°446/2008, bem como a sua condição de isenta à luz da Lei n° 12.101/2009. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1238.422 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II RJ, a seguir: Acórdão 1238.422 13 Turma da DRJ/RJ1 Sessão de 13 de julho de 2011 Processo 17883.000372/201021 Interessado FUNDAÇÃO EDUCACIONAL ROSEMAR PIMENTEL CNPJ/CPF 28.577.153/000115 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000372/201021 Resolução nº 2403000.233 S2C4T3 Fl. 498 5 Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas contribuições previdenciárias, conforme o art. 32, inciso IV e § 5°, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.528/97, configura descumprimento de dever jurídico tributário instrumental, sujeito à lavratura de Auto de Infração, com vistas à constituição do crédito tributário, na forma do Art. 113, § 2°, da Lei 5.172/66 Código Tributário Nacional e Art. 33, § 7°, da Lei 8.212/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe (AI n° 37.318.9206), ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação, nos termos do relatório e voto que este decisum passam a integrar, para considerar devida a multa isolada aplicada no valor de R$ 730.212,90. À DRF VOLTA REDONDA/SACAT, para ciência à interessada do inteiro teor deste acórdão e demais providências necessárias ao seu cumprimento, intimandoa para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo s Recursos Fiscis, em igual prazo. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recursos Voluntários, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumento deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Do direito à isenção art. 55, Lei 8.212/1991 x Lei 12.101/2009 Até a recente edição da Lei 12.101/2009, a manutenção do direito a imunidade e a possibilidade de se pleitear a isenção permaneceu insculpida na Lei 8.212/91 que passou em seu artigo 55 a regular o parágrafo 7o do artigo 195 da Carta Magna, condições estas que o Recorrente cumpre conforme a documentação apresentada. (...) Assim, fazse necessário adentrar nos conceitos adotados pela fiscalização para fins de lavratura do presente auto, na medida em que não observa a legislação em vigor no período autuado (lei 8.212/91), nem muito menos a novel legislação (lei 12.101), refugiando em comandos de decreto executivo, mormente o Decreto 3048/99, estanhos á norma infraconstitucional, ao arrepio de preceito fundamental, previsto no artigo 5o da Constituição Federal de 1988. (...) Ademais, incorreu a fiscalização em ledo erro, perpetuado no v. acórdão recorrido, ao não se definir em que dispositivo se debruçar a fim de lavrar o Auto de Infração. Afirma no item 1 do Termo de encerramento de Procedimento Fscal TEPF: "Auditoria Fiscal realizada no contribuinte para verificação dos requisitos de isenção Art. 55 Lei 8212 Processo de cancelamento de Isenção Fl. 498DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000372/201021 Resolução nº 2403000.233 S2C4T3 Fl. 499 6 Lançamento da Parte Patronal referente a Massa Salarial Apurada." Já no item 9 de suas considerações a fiscalização assevera que "Considerando os fatos verificados no curso da presente auditoria fiscal, ficou comprovado que a Fundação Educacional Rosemar Pimentel gozou do benefício de isenção de contribuições destinadas à Seguridade Social sem a devida observância dos preceitos legais (???) para a sua regularidade. Dessa forma de acordo com o procedimento estabelecido pela lei 12.101/2009 está sendo lançado o crédito previdenciário correspondente à cota patronal. (ii) Das bolsas de estudo revogação do art. 206, Decreto 3.048/1999 quando da lavratura da autuação fiscalização não se define em qual comando legal se fia a fim de proceder ao levantamento fiscal. Tal ato já ensejaria a nulidade absoluta do ato, visto que não aponta qual DISPOSITIVO DE LEI teria a Recorrente desrespeitado. Simplesmente alega que "não são concedidas bolsas a pessoa cuja renda familiar mensal corresponda a, no máximo, R$ 271,99" (fato analisado detidamente adiante) e levanta o auto sob a alegação de não ser a Recorrente isenta das contribuições patronais. Porém não se atentou a fiscalização, tampouco a DRJ1 ao julgar a impugnação, ao fato de que quando da realização da fiscalização ora guerreada, o dispositivo em que se funda (artigo 206 do decreto 3048/99) encontravase expressamente REVOGADO pelo Decreto 7237/2010, jogando por terra seu único argumento, frágil por sinal, conforme será argumentado em seguida, para deslinde de toda a celeuma e o imbróglio criados (iii) Da competência para apuração da natureza beneficente das entidades educacionais representação necessária aplicação do art. 27, Lei 12.101/2009 Nesse diapasão, já cediço e remansoso o entendimento de que não compete à fiscalização apurar a natureza beneficente das entidades educacionais. Esse entendimento encontrase pacificado na douta consultoria jurídica do ministério da previdência e assistência social, que através de parecer normativo n° 2272/2000 fixa as competências específicas do INSS (entendase hoje Secretaria da Receita Federal do Brasil), assim como do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS (entendase hoje MEC). O citado Parecer determina que ao CNAS (atualmente MEC) compete, com exclusividade, verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto n° 2.536, de 6 de abril de 1998 (atualmente lei 12.101/2009), para obtenção ou manutenção do certificado de entidade de fins filantrópicos. Ao INSS (Secretaria da Receita Federal do Brasil) compete verificar se a entidade cumpre os requisitos do art. 55 da Lei n 8.212, de 24 de julho de 1991 (atualmente lei 12.101/2009), para obter a isenção das contribuições sociais. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000372/201021 Resolução nº 2403000.233 S2C4T3 Fl. 500 7 O limite da competência residual da auditoria fiscal no ato de fiscalizar a natureza beneficente das entidades de educação está na competência insculpida no artigo 7° do extinto Decreto n° 2536/98 e atualmente no artigo 27 da lei n° 12101/2009, qual seja, verificada suposta irregularidade na concessão de bolsas de estudo, cabe ao órgão fazendário "representar" perante o órgão competente para a concessão e renovação da certificação. (iv) Da inconstitucionalidade É inconstitucional, portanto, a imposição de requisito objetivando a identificação de entidade beneficente por Decreto, por ser atribuição exclusiva de Lei, ainda mais, diante da sua inexistência quanto à imposição de aplicação mínima em gratuidade ou aferição de carência. Face vedação absoluta, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar a Medida Cautelar nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 2.028, que suspendeu dispositivos da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998, por limitar o disposto no § 7° do art. 195 da Constituição da República, reconheceu o acima asseverado. (v) Da certificação da Recorrente como entidade beneficente No tocante à certificação das entidades beneficentes de assistência social, à época fiscalizada encontravase em vigor para fins de certificação a lei 8742/93 (Lei Orgânica de Assistência Social), o decreto 2536/98, regulamentado pela Resolução CNAS n° 177/2000 que definiam as regras para a certificação das citadas entidades. Por seu turno, o artigo 203 da Constituição Federal vem a dizer que a assistência social será prestada a puem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; o amparo às crianças e adolescentes carentes; a promoção da integração ao mercado de trabalho; a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiências e a promoção de sua integração à vida comunitária; a garantia de 'im salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e o Idoso que comprovem não possuir meio de prover a própria manutenção ou de têla provida por sua família. Decorre que a fiscalização assume a ficção de que a somente subsumem o conceito de carente aquelas famílias com enquadramento no artigo 206 do Decreto 3048/99 que regulamentava nova redação do artigo 55 da lei 8212/91, introduzida pela lei 9732/98, que visava "conceituar" carência, como se fácil fosse, prontamente fulminada pelo STF. Nesse sentido asseverou a fiscalização: "não são concedidas bolsas a pessoa cuja renda familiar mensal corresponda a. no máximo, R$ 271,99." e "os beneficiários acima relacionados não se enquadram na situação de pessoa carente". Fl. 500DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000372/201021 Resolução nº 2403000.233 S2C4T3 Fl. 501 8 Notadamente, nos dias de hoje a concessão de gratuidades, sejam elas na área da educação, saúde ou assistência social propriamente dita é realizada mediante uma grande demanda. Pensar o contrário seria descolar da realidade social em que se encontra o país. A suposta inexistência de critérios a que se refere a recorrente conflita justamente com o acima exposto. Interessante pontuar ainda que a Constituição Federal de 1988 elenca no capítulo II do Título I (Dos direitos e Garantias Fundamentais) o direito social a educação, entre outros, fato ignorado pela fiscalização. (vi) Da certificação no período autuado e da adesão ao PROUNI A questão parece foi pacificada quando da publicação, em 10 de setembro de 2004, da Medida Provisória n° 213, que instituiu o Programa Universidade para Todos PROUNI convertida na lei 11.096/2005, que entre suas disposições, veio a definir o que sejam entidades beneficentes de assistência social na área da educação que se dediquem ao ensino superior. Desta forma, diante da inegável participação do Recorrente no PROUNI, face documentação acostada (termos aditivos de Adesão ao PROUNI) e de sua significativa relevância no programa social educacional que garante o acesso a educação de todos não restam duvidas do caráter beneficente e assistencial do mesmo bem como de sua isenção (imunidade) das contribuições sociais, senão vejamos. A Fundação Educacional Rosemar Pimentel FERP, ora Recorrente, somente no âmbito do PROUNI, sem considerar as bolsas concedidas com recursos próprios concedeu em 2006 o montante de R$ 1.231.801,00 em bolsas integrais, o que representa em relação a receita bruta do exercício um percentual superior a 7,0 % em filantropia. Relativamente ao ano de 2007 foram R$ 1.872.931,00 em bolsas integrais, o que representa em relação a receita bruta do exercício um percentual superior a 9,3 % em filantropia. Atualmente este percentual já ultrapassa o patamar de 11%, o que pretende a fiscalização colocar em risco. Digase, bolsas essas concedidas estritamente sob as regras da lei 11.096/2005, que instituiu o programa de distribuição de bolsas de estudo em instituições privadas de ensino superior. Ressaltese que esses beneficiários são encaminhados diretamente pelo MEC, cabendo à instituição de ensino efetivar sua matrícula no curso indicado. (vii) Da Novel Legislação Do efeito vinculante da renovação do CEBAS pela MP n° 446/2008 Relativamente ao período autuado pelo presente DEBCAD (2006 e 2007) a Recorrente teve sua certificação renovada pelos Processos CNAS n° 71010.003020/2003 (triênio 2004/2005/2006) e Processo CNAS n° 71010.004516/2006 (triênio 2007/2008/2009). Fl. 501DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000372/201021 Resolução nº 2403000.233 S2C4T3 Fl. 502 9 A Medida Provisória 446 publicada no dia 10/11/2008, definiu novas regras acerca dos requisitos a serem cumpridos por parte das instituições beneficentes. Cumpre asseverar quanto à aludida legislação, o que prevêem os artigos 37 a 39. Com efeito. Através do estipulado nos comandos acima transcritos, operouse a renovação dos certificados da Recorrente acima elencados. Pretende então a fiscalização sobrepujar a competência exclusiva à época do CNAS, relativamente à renovação do CEBAS. Durante a vigência de seus efeitos, foram editadas as Resoluções do CNAS, que regularam os artigos 37, 38 e 39 da MP 446/2008. Logo, em razão da não edição de decreto legislativo previsto no art. 62, § 3 da Constituição Federal de 1988, os atos e relações jurídicos praticados mantêm sua vigência, nos moldes do preconizado no § 11° do mesmo permissivo constitucional, já que decorridos 60 dias não houve manifestação parlamentar. Para não restar dúvida quanto aos efeitos da citada MP, cumpre assinalar que o próprio Conselho Nacional de Assistência Social CNAS formulou consulta sobre os procedimentos após a rejeição da MP 446/2008 que resultou no Parecer n° 0192/2009 CJ/MDS, que concluiu que os atos praticados na vigência da MP 446/2008 produziram efeitos, restando clara a manutenção do deferimento dos Certificados por força das Resoluções emitidas pelo CNAS. Ademais, em despacho exarado pelo Sr. Advogado Geral da União Interino em 6 de outubro de 2009, foi emitida a Nota DECOR/CGU/AGU n° 180/2009JGAS, devidamente homologada, a qual dispõe em resposta à Consulta sobre os efeitos da MPV n° 446/08, formulada pelo Ministro da Previdência Social e Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, convalidando os procedimentos adotados em decorrência da vigência da referida MP e seus efeitos. (viii) Da edição da Lei 12.101/2009 Com efeito. Se pretendesse analisar o direito à isenção pela égide da Lei 12.101 em 27/11/2009, a fiscalização da Receita Federal do Brasil deveria aterse a seu art. 29 que a entidade beneficente certificada fará jus a isenção: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; Fl. 502DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000372/201021 Resolução nº 2403000.233 S2C4T3 Fl. 503 10 II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. Assim, em razão do Recorrente possuir o certificado vigente relativo aos períodos fiscalizados, logo com aplicação do art. 29 da Lei 12.101/2009 vemos que resta flagrante a isenção, sendo insubsistente o presente auto de infração lavrado em desfavor do Recorrente, uma vez cumpridos todos os requisitos previstos nos incisos do comando legal, fato este inequívoco, haja vista a fiscalização ter se encerrado sem questionálos. (ix) Do atendimento dos requisitos para a isenção Cumpre salientar que o Recorrente não só teve seu certificado renovado conforme acima citado, como assim o mantém por força do artigo 24, §2° da lei 12.101/2009. Não bastasse tal argumentação, a fiscalização quando encerrada, não definiu a fundamentação legal para a penalidade, quais seriam, a norma infraconstitucional revogada (artigo 55 da lei n° 8212/91) e/ou (???) o artigo 29 da lei 12.101/2009, em total desalinhamento à legislação que regula o processo administrativo no âmbito fiscal. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000372/201021 Resolução nº 2403000.233 S2C4T3 Fl. 504 11 Assim em razão de todo o exposto não pairam dúvidas quanto a natureza educacional beneficente do Recorrente, seja sob a ótica do cumprimento da antiga legislação (art. 55 da Lei 8212/91), seja em face da novel legislação (MP 446/2009 e Lei 12.101/2009), seja em razão da adesão ao PROUNI, que se traduzem na isenção (imunidade) a que faz jus o mesmo, demonstrando assim a insubsistência do auto de infração e também do v. acórdão recorrido. Conforme se depreende da vasta documentação apresentada, a Recorrente faz prova do cumprimento cumulativo dos requisitos previstos no artigo 55 da lei n° 8212/91 bem como da novel Legislação Lei 12.101/2009. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000372/201021 Resolução nº 2403000.233 S2C4T3 Fl. 505 12 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1238.422 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II RJ, que julgou procedente o lançamento de obrigação tributária acessória CFL 68 AIOA nº 37.318.9206, com valor consolidado inicial de R$ 730.212,90. O Relatório Fiscal informa que o crédito lançado tem origem na declaração incorreta em GFIP da totalidade do valor das contribuições previdenciárias patronais devidas, em razão de erro de preenchimento no campo FPAS. Conforme o Relatório Fiscal, a autuada, no período fiscalizado, enquadrouse como entidade isenta da contribuição previdenciária correspondente à cota patronal — FPAS 639 , conforme informações prestadas em GFIP. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Fl. 505DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000372/201021 Resolução nº 2403000.233 S2C4T3 Fl. 506 13 2. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 39/54, as bases de cálculo utilizadas representam as parcelas integrantes do saláriode contribuição cujos valores foram reconhecidos pela empresa nas folhas de pagamento do período de apuração, bem como informadas em GFIP. 3. Informa o autor do lançamento que a autuada, no período fiscalizado, enquadrouse como entidade isenta da contribuição previdenciária correspondente à Cota patronal — FPAS 639 , conforme informações prestadas em GFIP. 4. No entanto, esclarece que os beneficiários das ações de assistência social da autuada não se enquadram na definição de pessoas carentes de que trata o art. 206, §§2° e 3° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, refletindose em inobservância aos ditames do art. 55 da Lei n° 8.212/91. 5. Nesse passo, foi solicitado à entidade, através do Termo de Intimação n° 02, qual o critério utilizado na concessão de bolsas de estudos, sendo que a resposta encontrase anexada aos autos, às fls. 72, na qual a interessada informa adotar critério sócioeconômico, o qual visa aferir a capacidade econômicofinanceira do requerente, bem como realiza entrevistas com os interessados. 6. Com base nas informações prestadas, a empresa foi novamente intimada, em TIF datado de 23/12/2010, a fim de que apresentasse o critério e a documentação comprobatória da capacidade econômico financeira dos requerentes e de suas famílias, bem como o parecer de cada entrevistado. Porém, a empresa não apresentou as fichas financeiras dos alunos, não comprovou através de documentação que os alunos se enquadravam na situação de pessoas carentes, assim como não apresentou o parecer das entrevistas com os interessados. 7. Dentre os fatos verificados no curso da ação fiscal, destaca a concessão de bolsas com inobservância do critério de carência e necessidade, concessão de bolsas por força de acordo ou convenção coletiva, concessão de bolsas a filhos de funcionários e concessão de bolsas ou descontos a alunos irmãos. 8. Assevera o autuante que o presente lançamento segue as regras procedimentais estabelecidas pela Lei n° 12.101/2009. 9. Não restaram caracterizadas circunstancias agravantes nem atenuantes. Por um lado, a AuditoriaFiscal, no Relatório Fiscal às fls. 45, menciona que a utilização da Lei 12.101/2009 deve ser aplicada apenas para períodos posteriores à entrada em vigor desta Lei: 1. A Lei 12.101, de 27 de novembro de 2009 (DOU de 30/11/2009), revogou o art. 55 da Lei 8.212/91, estabelecendo novos requisitos para o gozo da isenção de contribuições destinadas à Seguridade Social. No que concerne à observância dos novos requisitos estabelecidos pela Lei 12.101/09, a sua eficácia deve ser verificada apenas a partir da entrada em vigor da referida Lei. No período anterior, deve ser aplicada a Legislação então vigente. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000372/201021 Resolução nº 2403000.233 S2C4T3 Fl. 507 14 Outrossim, por outro lado, verificase que a AuditoriaFiscal expressamente se refere à aplicação dos procedimentos da Lei 12.101/2009 para fatos geradores ocorridos de 01/2006 a 12/2007, conforme se depreende do Relatório Fiscal às fls. 49: II. Dessa forma, de acordo com o procedimento estabelecido pela Lei 12.101/2009, está sendo lançado o crédito previdenciário correspondente à Cota Patronal — considerando as Bases de Cálculo declaradas em GFIP (e Verificadas nas Folhas de pagamento) providenciada a devida notificação ao Ministério da Educação e Cultura — MEC e ao Ministério Público Federal — MPF. Tendo vista a mesma ter descumprido os requisitos do art. 55, da Lei 8212/91, conforme discriminados no item II — Lei 8.212/91 (fls. 3 e 4 deste Relatório Fiscal). No mesmo sentido, a AuditoriaFiscal no Relatório Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF, às fls. 36, também fundamenta a utilização do procedimento da Lei 12.101/2009: 9. Considerando os fatos verificados no curso da presente Auditoria Fiscal, ficou comprovado que a Fundação gozou do beneficio de isenção de contribuições destinadas à Seguridade Social sem a devida observância dos preceitos Legais para a sua regularidade. Dessa forma, de acordo com o procedimento estabelecido pela Lei 12.101/2009, está sendo lançado o crédito previdenciário correspondente à Cota Patronal considerando as Bases de Cálculo declaradas em GFIP e providenciada a devida notificação ao Ministério da Educação e Cultura MEC e ao Ministério Público Federal MPF. Cumpre ressaltar que a empresa autuada foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal TIF , datada de 23/12/2010, para que efetuasse a devida correção do código FPAS declarado em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social. 10. 0 contribuinte autuado informou em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social, de forma sistemática, no período fiscalizado, o "Código FPAS 639", declarando de forma incorreta a contribuição devida. Dessa forma, houve apresentação do referido documento com informação inexata. 10.1 A situação descrita, EM TESE, configura CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA, previsto no Inciso II, do artigo 1° da Lei 8.137, de 27/12/1990. Em conseqüência, será este fato objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS RFFP, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis. 10.2. Encaminhada Representação Administrativa ao Ministério da Educação e Cultura MEC, conforme procedimento estabelecido pela Lei 12.101/09. A controvérsia está centrada na questão do fundamento legal adotado para o procedimento de fiscalização pois, por um lado, foi considerada pela AuditoriaFiscal a utilização do procedimento formal previsto na Lei 12.101/2009 com a utilização dos requisitos materiais do art. 55, Lei 8.212/1991, por outro lado, a Recorrente aduz pela nulidade do Fl. 507DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000372/201021 Resolução nº 2403000.233 S2C4T3 Fl. 508 15 procedimento fiscal posto que o mesmo deveria ser totalmente alcançado pela legislação vigente à época dos fatos geradores, no caso a Lei 8.212/1991. Devese observar que o período do débito, conforme o Relatório Fiscal da Infração é de 01/2006 a 12/2007, sendo que a Recorrente teve ciência das autuações em 06.01.2011, conforme fls. 01. Ora, a Lei 12.101, de 27.11.2009 entrou em vigor na data de sua publicação, conforme se depreende de seu art. 45, tendo revogado o art. 55 da Lei 8.212/1991: Art. 44. Revogamse: I o art. 55 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991; (...) Art. 45. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Desta forma, é certo que no período objeto da autuação fiscal, 01/2006 a 12/2007, estava em vigor o art. 55, Lei 8.212/1991, enquanto que apenas em 27.11.2009 ocorreu a vigência e a produção de efeitos da Lei 12.101/2009. Para este caso concreto, a fim de subsidiar a decisão a ser proferida por esta Colenda Turma de Julgamento, exsurge uma Preliminar de nulidade reiterada pela Recorrente, em que pese ter sido afastada pela decisão de primeira instância, que é a da aplicação do procedimento veiculado pela Lei 12.101/2009 para fatos geradores ocorridos muito antes de sua vigência. Este ponto deve ser diligenciado para a correta aferição de em que medida a utilização do procedimento formal trazido pela Lei 12.101/2009, em conjunto com os requisitos materiais do art. 55, Lei 8.212/1991, para fatos geradores ocorridos de 01/2006 a 12/2007, implicou em um possível resultado do procedimento fiscal diferente do que, por outro lado, seria resultante do procedimento fiscal que aplicasse apenas os dispositivos da Lei 8.212/1991, ou seja, sem a utilização de qualquer dispositivo da Lei 12.101/2009. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar, para o presente processo, qual o impacto no resultado do procedimento fiscal caso a AuditoriaFiscal não utilizasse os procedimentos da Lei 12.101/2009, ou seja, fizesse apenas a utilização da legislação em vigor à época dos fatos geradores ocorridos de 01/2006 a 12/2007. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000372/201021 Resolução nº 2403000.233 S2C4T3 Fl. 509 16 CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe: (i) em que medida a utilização apenas da legislação em vigor, nos aspectos materiais e formais, à época dos fatos geradores ocorridos de 01/2006 a 12/2007, obviamente excluindose a utilização da Lei 12.101/2009, alteraria o resultado do procedimento fiscal. (ii) se com a utilização apenas da legislação em vigor à época dos fatos geradores, ocorridos de 01/2006 a 12/2007, o sujeito passivo manteria, ou não, a condição de entidade isenta de contribuições previdenciárias e quais os motivos para tal. (iii) se com a utilização apenas da legislação em vigor à época dos fatos geradores, ocorridos de 01/2006 a 12/2007, em caso de descumprimento pelo sujeito passivo de requisito(s) do art. 55, Lei 8.212/1991, qual seria o motivo para tal ou tais. (iv) para o período objeto da autuação fiscal, de 01/2006 a 12/2007, comparandose os procedimentos formais adotados pela AuditoriaFiscal, com fulcro na Lei 12.101/2009, com os procedimentos formais da Lei 8.212/1991, qual seria o impacto para o resultado da ação fiscal caso a AuditoriaFiscal adotasse os procedimentos formais da Lei 8.212/1991. (v) em que medida a utilização do procedimento formal trazido pela Lei 12.101/2009, em conjunto com os requisitos materiais do art. 55, Lei 8.212/1991, para fatos geradores ocorridos de 01/2006 a 12/2007, implicou em um possível resultado do procedimento fiscal diferente do que, por outro lado, seria resultante do procedimento fiscal que aplicasse apenas os dispositivos da Lei 8.212/1991, ou seja, sem a utilização de qualquer dispositivo da Lei 12.101/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 509DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10380.014885/2001-40
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OMISSÃO, DÚVIDA OU CONTRADIÇÃO.
Embargos de declaração que não apontam objetivamente omissão, dúvida ou contradição, mas procuram tão-somente atribuir efeito infringente ao conteúdo do Acórdão devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 3403-002.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade rejeitar os Embargos de Declaração. Esteve presente ao julgamento o Dr. Francisco Feitosa. OAB/CE nº 16.049.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
LUIZ ROGÉRIO SAWAYA BATISTA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-08-20T14:43:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-08-20T14:43:55Z; Last-Modified: 2014-08-20T14:43:55Z; dcterms:modified: 2014-08-20T14:43:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:f4c599c0-a8c2-4588-957e-e0fe8d3ea560; Last-Save-Date: 2014-08-20T14:43:55Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-08-20T14:43:55Z; meta:save-date: 2014-08-20T14:43:55Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-08-20T14:43:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-08-20T14:43:55Z; created: 2014-08-20T14:43:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2014-08-20T14:43:55Z; pdf:charsPerPage: 1721; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-08-20T14:43:55Z | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 6.142 1 6.141 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.014885/200140 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3403002.999 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante IRMÃOS FONTENELE S/A COM. IND. E AGRIC. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OMISSÃO, DÚVIDA OU CONTRADIÇÃO. Embargos de declaração que não apontam objetivamente omissão, dúvida ou contradição, mas procuram tãosomente atribuir efeito infringente ao conteúdo do Acórdão devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade rejeitar os Embargos de Declaração. Esteve presente ao julgamento o Dr. Francisco Feitosa. OAB/CE nº 16.049. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. LUIZ ROGÉRIO SAWAYA BATISTA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 48 85 /2 00 1- 40 Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Relatório Tratase de Embargos Declaratórios com efeitos infringentes apresentados pela Recorrente. Em seus Embargos a Recorrente, como primeiro embargo, a Recorrente requer o aclaramento da decisão que não lhe estendeu os efeitos desejados em relação à sua interpretação do artigo 146 do Código Tributário Nacional. De acordo com o Acórdão Embargado o artigo 146 não permitiria que novas orientações exegéticas adotadas pelo Fisco repercutam em lançamentos já realizados, nada dispondo sobre novos lançamentos. Ainda, no termos do Acórdão Embargado, estaria o Fisco por afrontar o artigo 146 somente se pretendesse rever e recusar os créditos deferidos naquele processo, relativos aos trimestres objeto daquele processo. E conclui o Acórdão Embargado no sentido de que pretendesse a Recorrente assegurar identidade de exegese oficial para novos pedidos ressarcitórios lhe assistiria formular consulta fiscal, esta sim potente a alcançar tal propósito. Afirma a Embargante que no processo administrativo nº 10380.001367/99 90, de 01.02.1990, a Autoridade Fiscal adotou critérios jurídicos aplicáveis à matéria, não tendo feito qualquer restrição ao tipo NT; muito pelo contrário, afirmou categoricamente que as amêndoas exportadas pela Embargante são do tipo “alíquota zero”. E que tal declaração no sentido de que as amêndoas teriam alíquota zero produz duas consequências: (i) a primeira, a sua imutabilidade, admitindose que seja alterado somente com base no artigo 149 do Código Tributário Nacional; (ii) a segunda, segundo a Recorrente, sobre os critérios jurídicos adotados, sendo que, segundo o seu raciocínio, fundado na leitura que faz do artigo 146 do CTN, os critérios jurídicos apenas poderiam ser alterados para fatos geradores posteriores à modificação. E por isso pretende que os critérios jurídicos adotados no processo nº 10380.001637/9990 sejam aplicáveis ao presente processo, vez que eventual modificação apenas atingiria fatos geradores posteriores. Em seu segundo embargo, requer o aclaramento de trecho do Acórdão Embargado, que, às fls. 1242, consta afirmação de que “o crédito é do IPI, é para o IPI, é para a liquidação deste específico imposto. Não vejo como se possa dissociar a figura do crédito do próprio imposto, de sua materialidade e de seus contribuintes.” Aduz a Embargante que toda a construção feita para negar o creditamento sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e suas cooperativas, a partir da IN 23/1997, dava se ao fundamento de que essas pessoas não teriam recolhido o PIS e COFINS, jamais tendose alegado que o tributo não contribuído fosse o IPI. No terceiro embargo, a Embargante menciona o disposto nas fls. 1243, no acórdão embargado, em que o relator afirma que “somente os contribuintes do IPI – isto é, os estabelecimento industriais – é que fazem jus ao benefício do crédito presumido deste Imposto.” Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10380.014885/200140 Acórdão n.º 3403002.999 S3C4T3 Fl. 6.143 3 E a Embargante afirmar que independente de qualquer outra discussão, ela seria estabelecimento industrial de produtos tributados pelo IPI, sujeitandose ao artigo 3º da Lei nº 4.502/1964. E o quarto embargo, a Embargante afirma que o acórdão embargado desconheceu do Recurso Repetitivo, de Repercussão Geral, no âmbito do STJ, citando o RESP 1.164.452MG, aduzindo que nos termos do artigo 62A do Regimento do CARF o entendimento do STJ há que prevalecer. Afirma ainda que o pleito é de 1998, bem anterior ao impedimento da Lei Complementar nº 104/2001. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, relator Os Embargos de Declaração são tempestivos e deles conheço. Pretende o Recorrente, por meio de seus Embargos de Declaração, inicialmente, modificar o Acórdão Embargado, sob o argumento de que o artigo 146 do Código Tributário Nacional impediria a modificação de critérios jurídicos quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. O Acórdão Embargado, por sua vez, no voto condutor do Relator, afirma que o citado dispositivo apenas vedaria a modificação dos critérios jurídicos no lançamento realizado, permitindose, nessa linha, que o Fisco utilize outro critério jurídico em relação a outro lançamento. Como efeito, não me parece que a interpretação da Recorrente seja a mais apropriada, vez que, em linha com o Acórdão Embargado, penso que a modificação do critério jurídico restringese apenas e tãosomente em relação ao lançamento realizado, não se permitindo que, por outros critérios de direito, tal lançamento seja revisto ou refeito. Por outro lado, não posso deixar de ressaltar, no âmbito dos presentes Embargos de Declaração, que a matéria ventilada pelo Recorrente, ao meu ver, sequer configura critério jurídico, pois a classificação fiscal de suas mercadorias, amêndoas, constitui um pressuposto fático: ou são produtos sujeitos à alíquota zero ou são não tributados. Não há como se pretender — e o artigo 146 do Código Tributário Nacional — não tem o alcance dado pela Recorrente, que decisão obtida em um processo, que menciona que as amêndoas seriam produtos de alíquota zero que esse mesmo pressuposto fático seja estendido a outros processos, sob o manto de uma suposta imutabilidade de um “critério jurídico”. Por outro lado, os denominados segundo e terceiro embargo não apontam omissão, dúvida ou contradição, mas tãosomente se referem à discordância da Recorrente com o conteúdo decisório do Acórdão Embargado, e por essa razão não podem ser conhecidos. Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 O Acórdão Embargado encontrase devidamente fundamentado quanto ao campo de incidência do IPI e a aplicação do crédito presumido, sendo que o denominado segundo e terceiro embargos não apontam, como era de ser esperar, a restrita falha decorrente de omissão, dúvida ou contradição. Por fim, relativamente ao quarto embargo, em que a Embargante aduz que o Acórdão Embargado omitiu a decisão passada no RESP 1.164.452MG, e que o pleito seria de 1998, anteriormente ao impedimento da Lei Complementar nº 104, basta verificar que o Acórdão Embargado, na realidade, considera que houve renúncia da discussão no âmbito administrativo. De acordo com o Acórdão Embargado, a Recorrente optou por debater o seu direito em Juízo, mediante a Ação nº 2001.05.00.0316769, perante a 3ª Vara Federal do Ceará, em que pleiteava afastar as restrições do artigo 2º, §2º da IN SRF nº 23/1997. Ainda, segundo o Acórdão, o ajuizamento daquela Ação significou renúncia ao debate na instância administrativa, em conformidade com a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante no processo judicial.” E daí que o Acórdão Embargado concluir que seria o caso de não se conhecer da controvérsia, decidindo, adicionalmente, que em razão do quanto disposto no artigo 170A do Código Tributário Nacional e artigo 70 da IN da RFB nº 900/2008, que vedam o ressarcimento e da compensação de créditos objeto de demanda judicial, antes do respectivo trânsito em julgado. E tal dispositivo já constava, segundo o Acórdão Embargado, da primitiva IN 21/1997 (artigo 17), vigente à época dos pedidos ressarcitórios deste processo. Ante o exposto, conheço dos Embargos de Declaração, mas lhes nego provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.721260/2011-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo impugnante, não há se falar em nulidade.
NULIDADE DA DECISÃO. ALEGAÇÃO DE FALTA DE INTIMAÇÃO PARA ACOMPANHAR O JULGAMENTO.
No Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não há previsão para intimação do sujeito passivo para acompanhar a sessão de julgamento, contudo, tal fato não caracteriza cerceamento do direito de defesa, posto que o contribuinte foi cientificado da decisão proferida, sendo-lhe proporcionado a possibilidade de recorrer da referida decisão.
LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS.
Para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda mensal, somente são dedutíveis as despesas realizadas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA.
Incabível a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
JUROS MORATÓRIOS - SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26, 27 e 28/06/2006).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer as despesas escrituradas no livro Caixa, nos valores de R$ 3.915,09 e R$ 323,00, nos anos-calendário 2006 e 2008, respectivamente, e reduzir a multa isolada ao montante de R$ 23.471,32. Vencido o conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que mantinha integralmente a multa exigida isoladamente. Julgamento realizado na sessão de 11/09/2014 às 09:00h, a pedido da parte. Fez sustentação oral a Dra. Denise da Silveira Peres de Aquino Costa, OAB/SC 10.264.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 22/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Núbia Matos Moura.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo impugnante, não há se falar em nulidade. NULIDADE DA DECISÃO. ALEGAÇÃO DE FALTA DE INTIMAÇÃO PARA ACOMPANHAR O JULGAMENTO. No Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não há previsão para intimação do sujeito passivo para acompanhar a sessão de julgamento, contudo, tal fato não caracteriza cerceamento do direito de defesa, posto que o contribuinte foi cientificado da decisão proferida, sendo lhe proporcionado a possibilidade de recorrer da referida decisão. LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda mensal, somente são dedutíveis as despesas realizadas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 12 60 /2 01 1- 06 Fl. 24588DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.589 2 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) JUROS MORATÓRIOS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26, 27 e 28/06/2006). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer as despesas escrituradas no livro Caixa, nos valores de R$ 3.915,09 e R$ 323,00, nos anoscalendário 2006 e 2008, respectivamente, e reduzir a multa isolada ao montante de R$ 23.471,32. Vencido o conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que mantinha integralmente a multa exigida isoladamente. Julgamento realizado na sessão de 11/09/2014 às 09:00h, a pedido da parte. Fez sustentação oral a Dra. Denise da Silveira Peres de Aquino Costa, OAB/SC 10.264. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Núbia Matos Moura. Fl. 24589DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.590 3 Relatório Contra FERNANDO MARTINS SERRANO foi lavrado Auto de Infração, fls. 23432/23454, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2006 a 2008, exercícios 2007 a 2009, no valor total de R$ 2.841.952,72, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 29/04/2011. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 23311/23431, foram dedução indevida de despesas de Livro Caixa e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão (multa isolada). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/CTA nº 0634.601, de 28/11/2011, fls. 24504/24532. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 22/12/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 24536, o contribuinte apresentou, em 23/01/2012, recurso voluntário, fls. 24537/24586, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Das preliminares Cerceamento de defesa/Informações insuficientes para concessão da ampla defesa/Nulidade do ato – O lançamento não ofereceu todas a informações necessárias para o exercício do direito à ampla defesa, pois não houve uma correlação adequada dos valores glosados com os lançamento do LivroCaixa. Da ausência de análise das alegações e documentos juntados na peça impugnatória – Analisando os termos da decisão recorrida, verificase que os argumentos e documentos juntados pelo contribuinte não foram analisados pelo turma julgadora, em especial a prova pericial, juntada com a impugnação e os documentos que lhe deram suporte. Da ausência de intimação para acompanhar o julgamento em primeira instância – O princípio basilar aplicável na esfera judicial e administrativa é da publicidade das sessões de julgamento. Logo, o contribuinte deveria ter sido comunicado da data da sessão de julgamento, fato que não ocorreu. Do mérito O contribuinte exerce a atividade profissional de leiloeiro oficial judicial. Os valores auferidos com as comissões são obtidos com a venda de milhares de bens móveis de baixo valor, centenas de automóveis e algumas dezenas de imóveis e para atingir tal receita há necessidade de trabalho de dezenas de pessoas, viagens de no mínimo quatro dias por semana e uso de serviços e bens de muitas empresas. Assim, pedese para análise da prova pericial realizada, que analisou o exercício da função de leiloeiro do recorrente e demonstrou que as despesas deduzidas foram inerentes e essenciais para a sua atividade. Fl. 24590DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.591 4 Locomoção e Transporte – As despesas com locomoção e transporte, no caso dos leiloeiros são despesas de custeio, necessárias à percepção da receita. Assim, deve ser acatado o pedido de equiparação com o representante comercial autônomo, por uma questão de isonomia. Mensalidade de Clube – No caso, não se trata de lazer e sim de pagamentos para utilizar o local para fazer publicidade dos leilões que realiza e assim o faz distribuindo panfletos e fazendo apresentações dos bens que serão objeto de pregão. Tal dedução é permitida pela legislação, conforme disposto no Perguntas e Respostas, (pergunta nº 400) Aquisição de bens – Pedese o deferimento da aplicação da norma contida no art. 301 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), posto que devido aos seus pequenos valores foram considerados diretamente como despesas. O valor de R$ 733,00 provavelmente se trata de parcelas de uma mesma compra e por isso foram deduzidas. Serviços de terceiros – A perícia realizada, constatou que a despesa representada pela Nota Fiscal emitida por Odara Design teve como beneficiário o contribuinte, embora na Nota conste o nome da empresa Paraná – Planejamento e Perícias Técnicas. Despesas diversas – As compras de cordas e lonas são necessárias à atividade do contribuinte, posto que utilizadas na proteção dos bens, para os quais é designado com depositário fiel. No mesmo sentido são as compras de embalagens e bolsas, as quais são utilizadas para levar equipamentos (computadores, impressoras, data show, etc) aos locais dos leilões. Em alguns lugares quando realiza os seus leilões é condicionado para não cobrar aluguel do local, mas que o recorrente doe certa quantia em dinheiro. Logo, tais doações não foram espontâneas. As agendas com sua logomarca não são brindes e sim usadas para a sua própria atividade e algumas acabam sendo utilizadas como propaganda. No ano de 2007 não foram consideradas despesas com produtos de limpeza pagas a empresa Embalagens Pantanal, localizada em Campo Grande, sob o fundamento de que essas despesas deveriam ser arcadas pelo leiloeiro que presidia o leilão. Ora, tal pagamento é decorrente do vínculo jurídico que possui com o leiloeiro oficial. Roupas especiais são aquelas utilizadas para o desempenho da função e por isso as camisetas personalizadas com a logomarca do recorrente e usadas quando da realização dos leilões são consideradas especiais. Benfeitorias e reformas em imóveis – A regra estabelecida no art. 301 não faz qualquer distinção entre pessoa física ou jurídica, portanto, reitera o pedido para que seja considerada a permissão para deduzir as despesas com benfeitorias e reformas escriturados no livro caixa, que devido aos seus valores foram considerados diretamente como despesa. Impostos, Taxas e Contribuições – O IPTU referido nos anos de 2006 e 2007 é referente ao imóvel profissional do recorrente, conforme se comprova pelos endereços que constam de contratos e demais documentos. No que tange ao INSS cumpre dizer que não ocorreu a duplicidade, pois quando transcritos os valores para a DIRPF eles foram alocados na alínea correspondente, não constando assim novamente na coluna livro caixa. As demais taxas referidas nesse tópico (Crea, Infraero, Associação dos Engenheiros Agrônomos) foram realizadas em função da atividade exercida pelo recorrente e são necessárias e essenciais, vinculadas à percepção da receita e a manutenção da fonte produtora. É dever funcional do leiloeiro fazer avaliação de bens, portanto a despesa com o Crea é dedutível, ainda Fl. 24591DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.592 5 que não se tenha nenhuma Anotação de Responsabilidade Técnica. As despesas com a Infraero são decorrentes de um avião que possui em sociedade com outra pessoa e tal aeronave é utilizada estritamente para fins profissionais. Quanto ao pagamento para a Associação dos Engenheiros Agrônomos tratase de despesa de propaganda, pois com esse pagamento fica autorizado a manter um outdoor permanente em um espaço cedido para anunciar seus leilões. Lanches e Refeições – As despesas com lanches e refeições são inerentes à atividade desempenhada pelo contribuinte, portanto, dedutíveis. Despesas com hospedagem – A autoridade fiscal entendeu por acatar apenas as despesas de hospedagens que tinham relação direta com as datas de leilões realizados, contudo, as receitas decorrentes de leilões onde ele participou apenas assessorando outro leiloeiro não foram aceitas. Há aí dois pesos e duas medidas. É fundamental e necessário que o recorrente compareça dias antes não só para analisar o processo que irá dispor o bem leiloado, mas também para verificar o local onde ocorrerá o leilão, verificar o bem e o estado que se encontra, fotografandoo, e principalmente para fazer propaganda do dia do leilão e dos bens que irão fazer parte do pregão, inclusive fazendo visitas para potenciais interessados. Despesa com serviço de vigilância – A despesa com vigilância é necessária e essencial, posto que o recorrente tem o dever de guardar e conservar os bens quando é nomeado fiel depositário, sendo certo que o contrato de depósito citado na decisão recorrida em nada interfere na despesa com segurança, pois que o contrato de depósito foi firmado para armazenar os bens existentes em Paranavaí, enquanto a empresa de segurança está localizada na cidade de Maringá/PR. Ausência de comprovação do efetivo pagamento – Não foi acatada a dedução das despesas ocorridas com as empresas A Parussolo Martins & Cia Ltda, Copiadora Massoni, Cerconvi & Cia Ltda, Copiadora Massoni, Assoni & Franco Ltda e Serviços Datilográfico União sob o argumento de que não houve prova do efetivo pagamento. Os pagamentos foram realizados com cheques recebidos de terceiros (clientes). No que tange à empresa A Parussolo Martins & Cia Ltda entendeuse que o recorrente deduziu em duplicidade essas despesas, contudo, não há prova nos autos da duplicidade. Não existe norma legal que proíba o pagamento em espécie e muito menos que obrigue a circulação dos valores recebidos por contas bancárias. Nos leilões é comum o recebimento de cheques, que são repassados para quitar despesas. A perícia efetuada com base na análise de Ordens de Serviços e demais comprovantes de despesas de pagamento evidenciou que não houve duplicidade. Verificouse, ainda, que as receitas, decorrentes das Notas Fiscais deduzidas, foram regularmente escrituradas, conforme Livros Diário e Razão das empresas em questão juntados aos autos. Despesas sem documentação legal ou lançada em duplicidade ou a maior ou em nome de terceiros – Não houve lançamento a maior ou em duplicidade, salvo os casos já reconhecidos pela perícia. Quanto aos pagamentos efetuados para TDKOM, tratase de um site onde o recorrente divulga a realização de leilões, sendo, pois, dedutível. Fl. 24592DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.593 6 No tocante as publicações em jornais, que estavam sem nota fiscal, observase que na planilha existem pagamentos com a respectiva nota fiscal e que mesmo assim foram glosadas, portanto, requer seja acatada a dedução. Empresas jornalísticas não se utilizam de notas fiscais e em sua maioria emitem somente fatura de serviços ou recibo para cobrança das veiculações. Despesas indedutíveis – Telefone – Foi considerada dedutível apenas a quinta parte das despesas com telefone nos períodos de 2006 e 2007, tendo como fundamento a orientação do Manual de Perguntas e Resposta (pergunta nº 393). Ocorre que as despesas com telefone são decorrentes do uso exclusivo para fins profissionais do recorrente, conforme comprovou a perícia, que demonstrou não se tratar de linhas residenciais, inclusive as ligações efetuadas tanto na cidade de Campo Grande como também as recargas ocorridas nos Estados de Goiás e Rondônia são oriundas das atividades profissionais do recorrente. Serviços prestados por terceiros – Os serviços pagos a terceiros, mesmo sem vínculo empregatício, também podem ser deduzidos no livro Caixa da pessoa física, quando se caracteriza despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, conforme preceitos legais previstos no art. 6º, incisos I e III, do RIR/1999, Parecer Normativo Cosit nº 392/70 e Ato Declaratório Normativo Cosit nº 16/79. Os serviços de visitas a fornecedores e compradores e de auxílio no dia do leilão, realizados pelas pessoas citadas nas planilhas, obviamente que são imprescindíveis para a atividade do leiloeiro oficial judicial e de forma especial para o recorrente que faz disso uma regra de trabalho, tanto que não houve esse questionamento pela Fiscalização sobre a vinculação desses serviços com a sua atividade. Distinção de personalidade entre pessoa física do leiloeiro e pessoa jurídica prestadora de serviço – Restou superada a confusão entre a pessoa física do recorrente com uma das empresas contratadas para auxiliálo na realização dos leilões, pois na decisão restou reconhecido que o recorrente nunca foi sócio da empresa citada como mencionou a Fiscalização. Das multas e caracterização de confisco – Não há violação por parte do recorrente que permita a aplicação da imposição do recolhimento da diferença do imposto e ainda a multa moratória e a multa isolada, pois apenas utilizou o princípio basilar de poder deduzir as despesas incorridas, porém não deixando de pagar corretamente o imposto que lhe competia, portanto, ilegal a cobrança perpetrada pelo Fisco. Verificase, ainda, que o recorrente está sendo duplamente punido pelos mesmos fatos, pois lhe foi aplicada ao mesmo tempo tanto a multa de ofício como também a multa isolada do carnêleão. Permanecendo as duas punições estará sendo afrontado diretamente as normas legais e acarretando um enriquecimento indevido do Fisco. Além do que há evidente caráter confiscatório. A norma prevista no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal, não permite aos entes federativos instituírem encargo com efeito de confisco. Fl. 24593DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.594 7 Requer seja afastada a aplicação cumulativa das multas (de ofício e a isolada) e ainda seja reduzida a multa de 75%, se mantida esta, para 20%, bem como que sendo aplicada a taxa Selic e não sendo substituída pelo índice de 1%, que a referida taxa não seja cumulada com nenhum outro índice de juros, seja de juros moratórios ou mesmo correção monetária. É o Relatório. Fl. 24594DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.595 8 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, devese apreciar a alegação da defesa de nulidade do lançamento. Sob este aspecto, a defesa alega que o Auto de Infração não ofereceu todas as informações necessárias para o exercício do direito à ampla defesa, pois não houve uma correlação adequada dos valores glosados com os lançamentos do LivroCaixa. Contudo, tal afirmação não procede, posto que no Termo de Verificação Fiscal, fls. 23311/23431, constam discriminadas todas as despesas glosadas, com indicação da data, histórico e valor, guardando perfeita correlação com o Livro Caixa, escriturado pelo contribuinte. Como exemplo, tomese a seguinte despesa glosada: 22/01/2006 pagamento viagens estadias a Viação Garcia – R$ 110,97, no Livro Caixa, fls. 12, 22 – 9710003 Pgto. viagens e estadias a Viação Garcia – 110,97. Esse procedimento foi adotado pela autoridade fiscal com relação a todas as despesas consideradas não dedutíveis, de modo que não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, sob este aspecto. Indo além, devese dizer que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na lavratura do Auto de Infração foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e o lançamento está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. Assim, não pode prosperar a argüição de nulidade do lançamento suscitada pelo recorrente. Ainda, preliminarmente, o contribuinte suscita a nulidade da decisão recorrida, sob a alegação de que os documentos juntados pelo contribuinte não foram analisados pela turma julgadora, em especial a prova pericial, juntada com a impugnação e os documentos que lhe deram suporte. Diz, ainda, que deixou de ser intimado para acompanhar o julgamento. Mais uma vez, tal alegação não procede. A decisão recorrida analisou todas as glosas impugnadas pelo contribuinte, referindose aos documentos que constam dos autos e justificou de forma adequada a manutenção das glosas das despesas consideradas não dedutíveis. E mais, a decisão foi proferida pela Sétima Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que é, no caso, a autoridade competente para examinar a impugnação apresentada pelo contribuinte. Fl. 24595DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.596 9 Já no que pertine a falta de intimação para acompanhar a sessão de julgamento, cumpre dizer que não há previsão legal no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, para intimação do sujeito passivo ou seu representante para acompanhamento da sessão de julgamento de primeira instância. Contudo, não se pode dizer que o fato de o contribuinte não estar presente na sessão de julgamento caracterize cerceamento do seu direito de defesa. Veja que a impugnação apresentada foi devidamente analisada sobre todos os aspectos e o contribuinte foi cientificado do Acórdão proferido, sendolhe proporcionado a possibilidade de recorrer da referida decisão. Nestes termos, afastase a alegação de nulidade da decisão de primeira instância. Antes de adentrar as questões de mérito trazidas pela defesa, importar observar que o contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual, anoscalendário 2006, 2007 e 2008, que foram examinados pela autoridade fiscal, ofereceu à tributação os seguintes rendimentos (recebidos de pessoas jurídicas e físicas), respectivamente: R$ 1.141.573,76, R$ 1.988.892,26 e R$ 4.017.223,29. Nos aludidos períodos as despesas com Livro Caixa alcançaram os montantes de R$ 1.085.222,59, R$ 1.686.110,29 e R$ 3.675.506,48, respectivamente. Em termos percentuais as despesas do Livro Caixa em relação aos rendimentos tributáveis foram de 95%, 84,77% e 91,49%, respectivamente, com indicação clara de que os lucros obtidos pelo contribuinte com a atividade de leiloeiro somente alcançaram o percentual de 5% a 15%, antes de computado o pagamento do imposto de renda. Conforme restou evidenciado do relatório, no Auto de Infração foram imputadas ao contribuinte duas infrações: dedução indevida de despesas de Livro Caixa e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão (multa isolada). Muito embora no recurso, o contribuinte solicite o cancelamento total do Auto de Infração, verificase que quando da apresentação da impugnação, juntou aos autos Relatório de Perícia, fls. 23510/23558, realizada pelo PeritoContador 030308/O1, onde são analisadas todas as glosas efetivadas pela autoridade fiscal, sendo ali parte das glosas reconhecidas como procedentes. Veja que as glosas efetivadas pela autoridade fiscal alcançaram os valores totais de R$ 750.721,83, R$ 1.212.847,73 e R$ 2.673.482,66, nos anoscalendário 2006, 2007 e 2008, respectivamente, ao passo que o Perito do contribuinte reconheceu como corretas as glosas que perfizeram as quantias de R$ 25.569,71, R$ 94.745,79 e R$ 421.340,84, respectivamente. Observese que para o anocalendário 2008, o Perito chega a reconhecer como corretas 15% da glosa efetivada. Contudo, a despeito do Relatório Pericial, que foi juntado aos autos pelo próprio contribuinte, em seu recurso, assim como na impugnação, insistese na tese de que todas as deduções glosadas são improcedentes. Ao assim proceder, o contribuinte coloca em dúvida as conclusões exaradas no referido Relatório, posto que quando lhe são desfavoráveis, não as reconhece como corretas, contudo, quando o perito indica como passíveis de dedução os valores glosados pela autoridade fiscal, requer o acolhimento das conclusões do Perito como corretas. Fl. 24596DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.597 10 Feito este esclarecimento, trazse a seguir a legislação que trata sobre despesas escrituradas no Livro Caixa, que norteará, neste voto, o exame de as todas alegações trazidas pela defesa acerca da matéria (Lei nº 8.134, de 27 dezembro de 1990): Despesas Escrituradas no Livro Caixa Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1° O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9° e 10 da Lei n° 7.713, de 1988. § 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livro caixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. Assim, passase à apreciação das alegações da defesa sobre a infração de dedução indevida de despesas do Livro Caixa, respeitandose os mesmos subtítulos utilizados no recurso: Locomoção e transporte A legislação acima transcrita é taxativa ao afirmar que não são dedutíveis no Livro Caixa as despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. No recurso, o contribuinte afirma que as despesas com locomoção e transporte, no caso dos leiloeiros são despesas de custeio, necessárias à percepção da receita e solicita a equiparação com o representante comercial autônomo, por uma questão de isonomia. Todavia, conforme bem afirmado na decisão recorrida, o emprego da analogia na interpretação da legislação tributária, nos termos do art. 108 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) Código Tributário Nacional, somente é possível quando não haja previsão legal expressa e específica. No caso, conforme já aqui mencionado, temse que a legislação é bastante clara em não admitir tal dedução. Fl. 24597DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.598 11 Nestes termos, deve ser mantida a glosa de despesas com locomoção e transporte. Mensalidade de Clube O contribuinte no recurso insiste na tese de que a mensalidade de sócio que paga ao Country Club de Maringá seria despesa de propaganda, posto que utiliza o local para fazer publicidade dos leilões que realiza. Nesse aspecto, cumpre dizer que a utilização das dependências do clube para a divulgação de leilões, não tem o poder de transmutar o pagamento da contribuição mensal de sócio em despesa de propaganda, razão porque deve ser mantida a glosa. Aquisição de bens Neste tópico, a autoridade fiscal assim se pronunciou no Termo de Verificação Fiscal: Considerase aplicação de capital o dispêndio com aquisição de bens necessários à manutenção da fonte produtora, cuja vida útil ultrapasse o período de um exercício, e que não sejam consumíveis, isto é, não se extingam com sua mera utilização. Por exemplo, os valores despendidos na instalação de escritório ou consultório, na aquisição e instalação de máquinas, equipamentos, instrumentos, mobiliário, etc.Tais bens devem ser informados na Declaração de Bens e Direitos da declaração de rendimentos pelo preço de aquisição e, quando alienados, deve se apurar o ganho de capital. No recurso, o contribuinte, solicita a aplicação da norma contida no art. 301 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), que trata do custo de aquisição de bens do ativo permanente das pessoas jurídicas, não se aplicando ao caso presente. Ou seja, no caso das pessoas físicas, não há previsão legal para deduzir da base de cálculo do imposto despesas incorridas com a aquisição de bens, ainda que de pequeno valor. Assim, a glosa com aquisição de bens deve ser mantida integralmente, inclusive em relação ao valor de R$ 733,00 (Nota Fiscal nº 5623 da Aspen Informática) lançada em duplicidade (dias 15 e 16/06/2006). Serviços de Terceiros Neste tópico, a autoridade fiscal justificou a glosa no fato de constar, nas notas fiscais apresentadas, no campo destinatário a empresa Paraná – Planejamento e Perícias Técnicas. No recurso, o contribuinte afirma que a perícia realizada, constatou que a despesa representada pelas notas Fiscais emitidas por Odara Design teve como beneficiário o contribuinte, embora na nota conste o nome da empresa Paraná – Planejamento e Perícias Técnicas. Por sua vez o Relatório da Perícia conclui que os serviços foram prestados ao contribuinte, posto que nas notas fiscais nºs. 1067 e 1300, fls. 30 e 1825, o destinatário indicado é o recorrente. Fl. 24598DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.599 12 De fato, em relação às referidas notas, assiste razão ao contribuinte, contudo, não se pode dizer que em relação às demais notas fiscais, cujos destinatários sejam terceiros, que o cliente, beneficiário dos serviços e responsável pelos pagamentos das quantias indicadas nos documentos, também seja o recorrente. Assim, devese restabelecer apenas a despesa de R$ 100,00 (R$ 55,00 e R$ 45,00), no anocalendário 2006, que corresponde às notas fiscais, onde o contribuinte foi identificado como destinatário do serviço. Despesas diversas Sob esta rubrica a autoridade fiscal glosou despesa que perfazem as quantias de R$ 6.918,90, R$ 20.760,89 e R$ 34.829,91, nos anoscalendário 2006, 2007 e 2008, respectivamente, sob as seguintes justificativas: Anocalendário 2006 Tendo em vista que a legislação só permite a dedução de despesas essenciais, não é possível acatar as deduções dos pagamentos das despesas abaixo relacionadas, uma vez que não caracteriza a vinculação entre despesas e a receita. Salientamos que peças de decoração como capas para micro, tecidos, tapetes, vasos ornamentais e assemelhados não são despesas necessárias ao desempenho da atividade profissional, portanto não são dedutíveis para fins de Livro Caixa, assim como doações diversas. Os brindes (agendas) também não são dedutíveis, conforme previsão legal. Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000/1999, em seu artigo 249, inciso VIII: (...) Anocalendário 2007 Os pagamentos efetuados à empresa Embalagens Pantanal, domiciliada em Campo Grande/MS, e referemse a materiais de limpeza, foi questionado, através da Intimação Fiscal nº 13/2010, ao sujeito passivo, a divergência quanto ao endereço de entrega das mercadorias: Rua Isidoro Grinfeld, nº 713, Campo Grande e o endereço de Leilões Serrano, Av. Colombo, nº 11.101, Maringá. Em resposta o mesmo alegou que tais materiais de limpeza destinase á manutenção do auditório do Fórum, pois as vezes alguns juízes determinavam que o leiloeiro contribua com as despesas do Fórum. Considerando que na relação de comissões recebidas apresentada pelo sujeito passivo não consta realização de leilões em Campo Grande no ano de 2007 e também não há embasamento legal para considerarmos dedutíveis, as mesmas foram glosadas. Em relação a roupas, em maio/2007 foram adquiridas 34 camisa e 43 camisetas e em dezembro/2007 foram adquiridas 39 camisas e 27 camisetas, quantidade muito grande para uma só pessoa usar no decorrer do ano, considerando que tais Fl. 24599DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.600 13 vestimentas são uniforme de trabalho, e como não há embasamento legal para considerarmos dedutíveis, foram glosadas. Salientamos que não há pagamentos a terceiros com vínculo empregatício. Anocalendário 2008 Em relação a roupas, em julho/2008 foram adquiridas 33 camisas e 54 camisetes 3/4, 04 aventais e 05 toucas de microfibra, em setembro/2008 foram adquiridas 09 camisas,e 38 camisetes 3/4 e em outubro/2008 02 camisas, quantidade muito grande para uma só pessoa usar no decorrer do ano, considerando que tais vestimentas são uniforme de trabalho, e como não há embasamento legal para considerarmos dedutíveis, foram glosadas. Salientamos que não há pagamentos a terceiros com vínculo empregatícios. No recurso. o contribuinte insiste na tese de que todas as despesas relacionadas neste item são dedutíveis, esclarecendo que as cordas e lonas são utilizadas na proteção dos bens, para os quais é designado com depositário fiel; que as embalagens e bolsas são utilizadas para levar equipamentos aos locais dos leilões; que em alguns lugares onde realiza leilões não é cobrado o aluguel do espaço, mas condicionase a doação de certa quantia em dinheiro; que as agendas com sua logomarca não são brindes e sim usadas para a sua própria atividade e algumas acabam sendo utilizadas como propaganda; que as despesas com produtos de limpeza pagas a empresa Embalagens Pantanal justificase em razão do vínculo jurídico que possui com o leiloeiro oficial e que as camisetas personalizadas com a logomarca do recorrente são usadas quando da realização dos leilões. A despeito das alegações trazidas pela defesa, as quais foram de forma correta e exaustivamente rechaçadas na decisão recorrida, fato é que tais despesas não se caracterizam como necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, sendo, portanto, não dedutíveis da base de cálculo do IRPF, acrescentandose que aqui adotam se, de forma integral, todos os fundamentos exarados na decisão recorrida. Benfeitorias e reformas em imóveis Neste tópico o recorrente volta a reivindicar a aplicação da norma contida no art. 301 do RIR/1999, que trata do custo de aquisição de bens do ativo permanente das pessoas jurídicas. Contudo, conforme já aqui explicitado, tal norma somente não pode ser estendida às pessoas físicas, razão porque mantémse a glosa, nos termos em que efetivada pela autoridade fiscal. Impostos, taxas e contribuições No recurso, o contribuinte afirma que o IPTU deduzido nos anos de 2006 e 2007 é referente ao imóvel profissional do recorrente, conforme se comprova pelos endereços que constam de contratos e demais documentos. Tal alegação decorre do fato de a decisão recorrida reconhecer que a despesa seja dedutível, desde que incorrida com o imóvel utilizado na atividade profissional. Contudo, dentre os documentos juntados aos autos, impõese concluir que o contribuinte utilizava seu imóvel residencial para desenvolver sua atividade profissional. Ocorre que do comprovante de pagamento do IPTU, fls. 2791, não consta o endereço do imóvel a que se refere. Mantémse, portanto, a glosa nos termos em que efetivada. Fl. 24600DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.601 14 No que se refere ao INSS o contribuinte afirma que não ocorreu a duplicidade, pois quando transcritos os valores para a Declaração eles foram alocados na alínea correspondente, não constando assim novamente na coluna livro caixa. Tal alegação não procede. Tomese como exemplo o mês de janeiro de 2006, cujo valor total das despesas escrituradas no livro Caixa, aí incluída a despesa com INSS, alcançou o valor de R$ 43.553,94, e esta foi a quantia levada para a Declaração de Ajuste Anual, fls. 7, como dedução do livro Caixa, sem que houvesse o alegado desconto do valor do INSS. Também não procedem as alegações da defesa acerca das despesas com a Infraero, posto que conforme já afirmado neste voto, despesas com transporte e locomoção não são dedutíveis. No que tange as despesas com a Associação dos Engenheiros Agrônomos repetese a mesma situação posta quanto às mensalidades do Country Club de Maringá, sendo certo que a contribuição para a Associação não pode ser tomada como despesas com propaganda. Já quanto às despesas com o Crea, temse que não restou demonstrado que o contribuinte tenha, no exercício da atividade de leiloeiro, efetuado Laudos de Avaliação de Imóveis, razão porque a despesa não é dedutível. Lanches e Refeições Tais despesas, conforme bem firmou a decisão recorrida, somente é dedutível quando decorrente de obrigação trabalhista. Como o contribuinte não possui empregados com vínculo empregatício, não há que se falar em despesas com alimentação. Despesas com hospedagem A respeito da glosas com despesas com hospedagem a autoridade fiscal assim se pronunciou, relativamente aos três anoscalendário examinados: As despesas com hospedagem e aluguéis de salão, abaixo relacionadas, não tem correlação com as datas dos leilões realizados, conforme relatório de comissões recebidas, apresentada pelo sujeito passivo, conforme solicitação constante na Intimação Fiscal nº 005/2010, item 2, portanto não são dedutíveis, por não serem necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Para o anocalendário 2008 a autoridade fiscal acrescenta que: ... os pagamentos efetuados à Crystal Palace Hotel em Goiânia/GO, referente à aluguel de salão, apesar de constar o nome de Fernando Martins Serrano na Nota Fiscal, o salão foi utilizado por Álvaro Sérgio Fuzo, conforme consta nos editais dos leilões, os quais anexamos alguns para exemplo (anexo III) e também não consta comissão recebida na relação de comissões recebidas, portanto não há vinculação entre a despesa e a receita. Neste ponto, o critério adotado pela autoridade fiscal está correto, posto que somente as despesas com hospedagem relacionadas às receitas de leilões reconhecidas podem Fl. 24601DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.602 15 ser dedutíveis. A alegação genérica de necessidade de chegar dias antes ou de se hospedar em cidades vizinhas somente poderia prosperar se o contribuinte demonstrasse tais necessidade. Quanto ao pagamento do aluguel do salão também agiu com acerto a autoridade fiscal. Se não houve reconhecimento de receitas decorrente do assessoramento prestado a outro leiloeiro, não se pode falar em despesas relacionadas a este assessoramento. Veja que a legislação de regência é clara ao estabelecer que somente são dedutíveis as despesas necessárias à percepção da receita. Logo, se não houve percepção de receita, não há previsão legal para dedução de despesas. Despesas com serviço de vigilância As despesas relacionadas aos serviços de vigilância, representadas pelas Notas Fiscais emitidas pela empresa Enforcer, foram glosadas sob a alegação de que não seria uma despesa essencial. Embora, não seja uma despesa essencial, assiste razão ao contribuinte quando afirma que em razão de sua condição de depositário fiel deve tomar todas as providências para a guarda dos bens a ele confiados pela Justiça. Logo, para o desempenho da função de leiloeiro as despesas com serviço de vigilância são necessárias a percepção da receita e, via de conseqüência, dedutíveis. Assim, devese restabelecer as despesas com vigilância, nos valores de R$ 1.269,00 e R$ 323,00, nos exercícios 2006 e 2008, respectivamente. Ausência de comprovação do efetivo pagamento Sobre este tópico a autoridade fiscal assim se pronunciou no Termo de Verificação Fiscal, no que se refere ao anocalendário 2006: Para os documentos abaixo listados, escriturados como despesas dedutíveis no seu Livro Caixa, nos meses indicados, o contribuinte não logrou êxito em comprovar o efetivo pagamento/desembolso pelas despesas, limitase a alegar, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 009/2009, que os valores foram efetivamente pagos com cheques de terceiros. Para a empresa A. Parussolo Martins & Cia Ltda, apresentou Contrato de Prestação Serviço de Contabilidade, porém o objeto do Contrato é: “organização, divulgação, cobranças, atendimentos, orientações, anúncios, distribuição, coletas e entrega de documentos, correspondências, malotes, material publicitário, digitação e demais serviços inerentes á função do Contratante”. Entendese que a empresa contratada realizaria todas as atividades acessórias à atividade do leiloeiro, às expensas dessa, porém, o sujeito passivo apresentou como despesas dedutíveis no Livro Caixa, despesas com divulgação, anúncios, distribuições de correspondências, malote, material publicitário, etc, sendo estas em sua maioria com comprovantes de pagamentos (depósitos em conta corrente), diante do exposto podemos concluir que o sujeito passivo deduziu tais despesas em duplicidade. Fl. 24602DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.603 16 Para as empresas Copiadora Massoni, Cerconviz & Cia Ltda, Copiadora Massoni, Assoni & Franco Ltda, alegou que referese à prestação de serviços na reprodução de materiais diversos de divulgação dos leilões, também escrituradas como despesas dedutíveis em seu livro caixa, nos meses indicados. Apresentou recibos emitidos pelas empresas. Todas as cópias tiradas no anocalendário de 2006, totalizaram 343.635 cópias, e considerando que há pagamentos com serviços e gráfica na confecção de folders de divulgação de leilões, não foi possível firmar convicção de que tais despesas realmente foram realizadas pelo sujeito passivo. Cumpre dizer que tais observações acima reproduzidas se repetiram para os anoscalendário 2007 e 2008, sendo relevante destacar que o número de cópias realizadas no anocalendário 2007 foi de 369.469. Os valores envolvidos neste item foram os a seguir discriminados: Anocalendário 2006 A. Parussolo Martins & Cia Ltda R$ 621.168,17 Copiadora Massoni, Cerconviz & Cia Ltda R$ 46.095,93 Copiadora Massoni, Assoni & Franco Ltda R$ 4.323, 50 Anocalendário 2007 A. Parussolo Martins & Cia Ltda R$ 849.720,58 Copiadora Massoni, Cerconviz & Cia Ltda R$ 28.135,37 Copiadora Massoni, Assoni & Franco Ltda R$ 20.636,60 Gráfica Massoni Assoni & Assoni Ltda R$ 59.647,54 Anocalendário 2008 A. Parussolo Martins & Cia Ltda R$ 1.378.665,69 Copiadora Massoni, Assoni & Franco Ltda R$ 9.471,61 Gráfica Massoni Assoni & Assoni Ltda R$ 137.824,07 Serviços Datilográficos União Ltda R$ 6.750,00 No recurso, o contribuinte insiste na tese de que os pagamentos foram realizados com cheques de terceiros (clientes); que não existe norma legal que proíba o pagamento em espécie e muito menos que obrigue a circulação dos valores recebidos por contas bancárias e que a perícia efetuada verificou que as receitas, decorrentes das Notas Fiscais deduzidas, foram regularmente escrituradas, conforme Livros Diário e Razão das empresas em questão juntados aos autos. Muito embora, assista razão ao contribuinte quando afirma que não exista lei que determine a utilização de contas bancárias, não parece razoável a alegação do recorrente de juntar vários cheques recebidos de clientes para então repassálo para seus prestadores de Fl. 24603DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.604 17 serviços. Muito menos, é razoável admitirse a hipótese de pagamento em dinheiro, mormente quando se fala de valores individuais bastante significativos. Observese que no caso dos pagamentos efetuados à pessoa jurídica A. Parussolo Martins & Cia Ltda, cuja denominação foi alterada em 14/06/2005 para Serrano e Martins Ltda, chegou a ocorrer um pagamento de R$ 157.725,00. Frisese que as demais despesas escrituradas no livro Caixa do recorrente, de valores bem inferiores aos aqui tratados, foram devidamente quitados mediante boletos bancários. Veja que cuidase de vários pagamentos, no caso A. Parussolo Martins & Cia Ltda, pelo menos doze em cada ano calendário, e o contribuinte não foi capaz de demonstrar o efetivo pagamento em nenhum dos casos. Causa também estranheza que a empresa A. Parussolo tenha praticamente somente o recorrente como cliente, posto que as notas fiscais escrituradas no livro Caixa tem números quase seqüenciais, sendo certo que o valor deduzido pelo contribuinte, no ano calendário 2006, a título de despesas com a A. Parussolo, corresponde a 99% do valor da receita operacional bruta anual da empresa. Para os anos subseqüentes esse percentual diminui, mas continua extremamente significativo, 89% e 77%, respectivamente. Registrese que em 2006 a empresa A. Parussolo apurou prejuízo e em 2007 e 2008 o lucro apurado alcançou os valores de R$ 174.142,96 e R$ 113.579,32, respectivamente. Vale lembrar que os sócios da pessoa jurídica A. Parussolo são os pais do recorrente. No que se refere às outras pessoas jurídicas: Copiadora Massoni, Cerconviz & Cia Ltda, Copiadora Massoni, Assoni & Franco Ltda, Gráfica Massoni Assoni & Assoni Ltda e Serviços Datilográficos União Ltda, o contribuinte informou, durante o procedimento fiscal, que os serviços por elas prestados estão relacionados com a confecção/cópias de folders, sendo certo que nos anos calendários 2006 e 2007 foram realizadas 343.635 e 369.469 cópias, respectivamente. Ora, considerando que o ano somente tenha 252 dias úteis (21 por mês), teria ocorrido a distribuição de 1466 folders por dia, no ano de 2007, que é, sem dúvida, uma quantia bastante exagerada para o caso. As circunstâncias aqui deduzidas justificam a conduta da autoridade fiscal em exigir do contribuinte, para fins de dedução, a comprovação do efetivo pagamento das despesas realizadas com as pessoas jurídicas A. Parussolo Martins & Cia Ltda, Copiadora Massoni, Cerconviz & Cia Ltda, Copiadora Massoni, Assoni & Franco Ltda, Gráfica Massoni Assoni & Assoni Ltda e Serviços Datilográficos União Ltda, dada a existência de indicação de uso de despesas fictícias. A apresentação das notas fiscais e a demonstração de que as mesmas foram registradas nos livros contábeis (Razão e Diário) das pessoas jurídicas emitentes, por si sós, não são, no caso, elementos suficientes para demonstrar a efetividade da despesa. Para admitir tais deduções seria necessário que o contribuinte trouxesse aos autos outros elementos de prova que pudessem demonstrar de forma inequívoca a efetividade dos serviços prestados e dos correspondentes pagamentos. Sem tais provas, devese manter a glosa integralmente. Despesas sem documentação legal ou lançada em duplicidade ou a maior ou em nome de terceiros No que se refere às glosas relacionadas a pessoa jurídica TDKOM e às publicações jornalísticas a autoridade fiscal justificou a glosa da despesas unicamente na Fl. 24604DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.605 18 ausência da apresentação das notas fiscais. Contudo, dos documentos apresentados pelo contribuinte para comprovar a despesa restou inequívoca a demonstração do pagamento e a natureza do serviço prestado. É bem verdade que o documento ideal para comprovar as despesas escrituradas no livro Caixa são as notas fiscais, contudo, devem ser acolhidas as despesas demonstradas por boletos bancários e cupons fiscais, desde que o documento permita a identificação da despesa e o efetivo pagamento. Cumpre dizer que na descrição das despesas aqui tratadas a autoridade fiscal chegou inclusive a discriminar o número de algumas notas fiscais no Termo de Verificação Fiscal, conforme aduzido pela defesa no recurso, restando incompreensível, nestes casos, a motivação da glosa. Nestes termos, devese restabelecer as despesas relacionadas a pessoa jurídica TDKOM e às publicações jornalísticas, no valor de R$ 2.546,09, no anocalendário 2006. Despesas indedutíveis – Telefone No caso das despesas com telefone, a autoridade fiscal seguiu a orientação contida no Manual Pergunta e Resposta – Exercício 2007 – Pergunta 394: Podem ser deduzidas despesas com aluguel, energia,, água, gás, taxas, impostos, telefone, telefone celular, condomínio, quando o imóvel utilizado para a atividade profissional é também residência? Admitese como dedução a quinta parte destas despesas, quando não se possa comprovar quais as oriundas da atividade profissional exercida. Não são dedutíveis os dispêndios com reparos, conservação e recuperação do imóvel quando este for de propriedade do contribuinte. Atenção: Em relação ao telefone, esse critério aplicase também quando a assinatura for comercial. (PN CST nº 60, de 1978) No recurso, o contribuinte insiste na tese de que as despesas com telefone são decorrentes do uso exclusivo para fins profissionais. Contudo, tal alegação carece de comprovação, razão porque devese manter a glosa, nos termos em que efetivada no lançamento. Serviços prestados por terceiros Por pertinente, sobre este tópico, transcrevese aqui os fundamentos da decisão recorrida para a manutenção da glosa perpetrada pela autoridade fiscal: Diz o impugnante que foram glosadas despesas pagas de comissões, a profissionais que trabalharam em colaboração com ele na divulgação dos leilões. Alegou que a atividade exercida Fl. 24605DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.606 19 por esses profissionais eram esporádicas e proporcionavam menores custos aos clientes, Afirma que, mais uma vez errou a fiscalização ao glosar tais despesas pelo simples fato de que esses profissionais não eram empregados do impugnante. Esqueceuse a fiscalização do item III, do artigo 6º da Lei nº 8.134/90, ou seja, de que tais despesas são necessárias à percepção da receita pelo impugnante e à manutenção da fonte produtora. Cabe razão ao impugnante ao alegar que pagamentos realizados a terceiros, mesmo sem vínculo empregatício, podem ser dedutíveis. Porém, para fazer jus a tal dedução, o contribuinte deve demonstrar que se trata de despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Para isso, é indispensável que fique demonstrada a relação entre as despesas e a atividade profissional do contribuinte. Assim, como visto para que os referidos gastos possam ser objeto de dedução no livro caixa, devem ser apresentados documentos que evidenciem a sua essencialidade para a exploração das atividades de leiloeiro. Não se pode perder de vista que a despesa deve manter correlação com a atividade, ser imprescindível, o que não é o caso das referidas despesas. Os Recibos de Pagamentos a Autônomos – RPA, juntados aos autos, embora façam menção a “execução de Serviços, Viagens, Visitas Correlatas”, não esclarecem a natureza do serviço prestado, impossibilitando verificar que se tratam de despesas de custeio necessárias. Ademais as glosas tiveram como fundamento legal, todos os incisos do art. 75 do RIR/99 e não somente o inciso I do art. 6º da Lei nº 8.134/90. No recurso, o contribuinte insiste em afirmar que as despesas são necessárias à percepção das receitas oriundas da atividade de leiloeiro, sem, contudo, demonstrar esta necessidade. Por outro lado, insta dizer que estas despesas de serviços prestados por pessoas físicas, somente veio a ocorrer no anocalendário 2008, sendo certo que nos anoscalendário 2006 e 2007, o contribuinte foi capaz de exercer sua atividade de leiloeiro, prescindindo de tais serviços, tudo a indicar que os serviços, por ventura prestados por estas pessoas físicas, não são necessários à percepção das receitas. Aqui devese registrar também que os valores envolvidos nesta rubrica totalizam a quantia de R$ 170.702,62, no anocalendário, valor bastante significativo, que somente poderia ser acolhido caso o contribuinte demonstrasse a necessidade dos serviços prestados, mormente quando se tem em mente que nos anos anteriores os serviços não foram prestados e, todavia, repitase, o contribuinte desenvolveu plenamente sua atividade. Mantémse, portanto, a glosa. Assim, consolidando as análises relacionadas à infração de dedução indevida de despesas escrituradas no livro Caixa, devese restabelecer os seguintes valores: R$ 3.915,09 e R$ 323,00, nos anoscalendário 2006 e 2008, respectivamente. Já no que concerne à infração de falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, a defesa diz que não pode prosperar a exigência da multa de ofício regulamentar concomitantemente com a multa isolada. Fl. 24606DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.607 20 Para a apreciação da questão, transcrevese a seguir o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (...) É fato, que no presente caso houve a aplicação da multa do art. 44, acima transcrito, de forma cumulativa. Ou seja, aplicouse ao imposto apurado em razão da glosa das despesas com livrocaixa a multa, no percentual de 75% (inciso I) e a multa isolada de 50% (inciso II, item a), sendo certo que a base de cálculo de ambas as multa a mesma. A questão que se impõe gira em torno de se saber se é possível, dentro do que determina o ordenamento jurídico, a imputação concomitante de ambas penalidades. Vale lembrar que antes da publicação da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, a jurisprudência mansa e pacífica deste CARF era de que a coexistência de ambas as multas não era possível por incidir sobre a mesma base de cálculo, conforme se depreende das ementas de acórdãos exarados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: Acórdão nº 9202003.163, de 06 de maio de 2014, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. (...) Acórdão nº 9202002.767, de 06 de agosto de 2013 – Relator Gustavo Lian Haddad Fl. 24607DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.608 21 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) não é legítima quando incidem sobre a mesma base de cálculo. (...) Acórdão nº 920202.196, de 27 de junho de 2012 – Relator Elias Sampaio Freire MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei no. 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Das ementas acima transcritas, resta evidente que a concomitância da multa de ofício, no percentual de 75%, com a multa isolada de 50% reside no fato de ambas possuírem a mesma base de cálculo. Ocorre que, com a alteração promovida pela MP nº 351, de 2007, a situação, no que pertine à base de cálculo permanece inalterada, posto que a nova redação em nada modificou as bases de cálculo das referidas penalidades. Logo, por uma questão de coerência não há que se falar em mudança da jurisprudência em razão da alteração da redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Digase, ainda, que outras motivações que sustentavam o posicionamento pela impossibilidade da concomitância da multa regulamentar (75%) e da multa isolada (50%), tais como proibição de bis in idem e de que a conduta de não oferecer os rendimentos apurados de ofício na Declaração de Ajuste Anual absorve a conduta de não efetuar o recolhimento do carnêleão também permanecem no novo cenário. Importa também observar a Exposição de Motivos da MP nº 351, de 2007: 8. A alteração do art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art.14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora. Como se vê, a Exposição de Motivos em nenhum momento menciona que a alteração da redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tivesse como objetivo a possibilidade de lançamento das duas multas de forma concomitante e sobre a mesma base de cálculo. Aliás, a nova redação do dispositivo legal em questão também assim não o faz, sendo certo que na nova redação não está dito que as duas penalidades devem ser aplicadas de forma cumulada. Indo além, devese dizer que da análise do novo texto legal resta cristalino que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício Fl. 24608DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.609 22 regulamentar (75%) juntamente com o imposto e multa de lançamento de oficio isolada sem tributo. Ou seja, se o lançamento do tributo é de oficio deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício regulamentar (75%) juntamente com o tributo, não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada (50%). Por outro lado, quando o lançamento de exigência tributária tratar da aplicação de multa isolada, só há espaço legal para a sua incidência sobre as bases de cálculo que não foram levantadas de ofício, a exemplo da apresentação espontânea da declaração de ajuste anual com previsão de pagamento de imposto mensal (carnêleão) sem o devido recolhimento, caso típico da aplicação de multa de lançamento de oficio isolada sem a cobrança de tributo. Ao se admitir a cobrança concomitante da multa de ofício regulamentar e da multa isolada estarseia tratando de forma distinta contribuintes que incorreram na mesma conduta, qual seja: deixar de oferecer à tributação rendimentos tributáveis. Explicase: quando um contribuinte é autuado por omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada ou por acréscimo patrimonial a descoberto aplicase tãosomente a multa regulamentar, já do contribuinte que é autuado por omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas ou de fontes situadas no exterior exigese a multa de ofício regulamentar e a multa isolada. Ocorre que ambos, incorreram na mesma conduta e, portanto, devem se submeter à mesma penalidade. Aqui ressaltese que o contribuinte que incorreu nas infrações de omissões de rendimentos, caracterizadas por depósitos bancários com origem não comprovada ou por acréscimo patrimonial a descoberto não se submeteram à antecipação do imposto, seja na forma de retenção na fonte ou de recolhimento complementar. Logo, tais contribuinte encontramse na mesma situação daquele que foi autuado por omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas ou de fontes situadas no exterior, que também não recolheram o carnêleão incidente sobre os rendimentos omitidos, deixando, portanto, de fazer a antecipação do imposto devido no ajuste anual. Aqui registrese que o carnêleão incidente sob os rendimentos recebidos de pessoas físicas e de fontes situadas no exterior, a que se reporta o art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, existe justamente para promover a justiça fiscal, igualando contribuintes que recebem rendimentos de pessoas jurídicas aos contribuinte que tem seus rendimentos advindos de pessoas físicas e de fontes do exterior. O referido dispositivo faz com que todos os contribuinte pessoas físicas estejam sujeitos à antecipação do imposto devido no ajuste anual, seja por meio de retenção na fonte, seja por pagamento do carnêleão. Logo, não pode prosperar a concomitância da multa de ofício regulamentar (75%) com a multa isolada (50%). Ocorre que, no presente caso a multa isolada não foi lançada somente sobre a diferença de rendimentos recebidos de pessoas físicas, decorrente da infração de dedução indevida de despesas escrituradas no livro Caixa. Houve, também, a exigência da multa isolada sobre os rendimentos recebidos de pessoas física declarados, posto que o contribuinte não fez nenhum recolhimento ao longo dos anoscalendário examinados. Assim, a multa isolada, exigida no lançamento, no valor de R$ 311.341,35, deve ser cancelada em parte, remanescendo o valor de R$ 23.471,32, conforme abaixo demonstrado: Fl. 24609DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.610 23 Anocalendário 2006 Valores em Reais Mês Base de cálculo declarada fls 07 Carnêleão não recolhido Multa isolada FEV 5.312,98 958,48 479,24 SET 9.767,67 2.183,52 1.091,76 NOV 63.068,76 16.841,32 8.420,66 TOTAL 9.991,66 Anocalendário 2007 Valores em Reais Mês Base de cálculo declarada fls. 23419 Carnêleão não recolhido Multa isolada ABR 12.112,18 2.805,65 1.402,82 JUN 51.071,61 13.519,50 6.759,75 SET 12.906,07 3.023,97 1.511,98 TOTAL 9.674,55 Anocalendário 2008 Valores em Reais Mês Base de cálculo declarada fls. 22940 Carnêleão não recolhido Multa isolada AGO 29.669,25 7.610,22 3.805,11 TOTAL 3.805,11 Já no que concerne à alegação do recorrente de desrespeito ao princípio constitucional do nãoconfisco, devese esclarecer que a multa, no percentual de 75%, foi exigida no lançamento com fundamento no disposto no art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996. Vale dizer que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme infere se da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 24610DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.721260/201106 Acórdão n.º 2102003.117 S2C1T2 Fl. 24.611 24 Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte que não será neste voto apreciada a alegação do recorrente de ofensa ao princípio constitucional de nãoconfisco. Quanto aos juros Selic, a matéria já foi pacificada neste colegiado, conforme súmula nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que cristaliza o entendimento de que é legítima a sua aplicação: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer as despesas escrituradas no livro Caixa, nos valores de R$ 3.915,09 e R$ 323,00, nos anos calendário 2006 e 2008, respectivamente e reduzir a multa isolada ao patamar de R$ 23.471,32. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 24611DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 12571.000279/2009-82
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CRÉDITOS NÃO ESCRITURADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Aproveitam-se, no lançamento de ofício, para dedução dos débitos lançados, os créditos do imposto de que dispuser o sujeito passivo que forem alegados até a impugnação, desde que amparados em documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA À TAXA SELIC.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Numero da decisão: 3403-003.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Paulo Roberto Stocco Portes (suplente convocado), Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CRÉDITOS NÃO ESCRITURADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Aproveitam-se, no lançamento de ofício, para dedução dos débitos lançados, os créditos do imposto de que dispuser o sujeito passivo que forem alegados até a impugnação, desde que amparados em documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
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VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. DIFERENAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS EM DCTF OU PAGOS. A ausência de confissão ou pagamento dos débitos de IPI registrados na escrita contábil e fiscal do sujeito passivo enseja o lançamento de ofício, com os consectários legais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE APLICÁVEL. MODUÇÃO DO PERCENTUAL. IMPOSSIBILIDADE. A multa a ser aplicada em procedimento ex officio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 02 79 /2 00 9- 82 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CRÉDITOS NÃO ESCRITURADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Aproveitamse, no lançamento de ofício, para dedução dos débitos lançados, os créditos do imposto de que dispuser o sujeito passivo que forem alegados até a impugnação, desde que amparados em documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Paulo Roberto Stocco Portes (suplente convocado), Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório O estabelecimento industrial filial 0004 (UNIÃO DA VITORIA/PR) de INDÚSTRIAS NOVACKI S/A teve lavrado contra si de Auto de Infração (fls.69 a 72), para formalizar a determinação e exigência de crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, relativo aos períodos de apuração mediados pelas datas de 01/01/2005 e 31/12/2005, no valor total de R$3.605.554,59. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 82 a 84), o estabelecimento recolheu apenas parcialmente o imposto apurado nos meses de setembro, novembro e dezembro de 2005. Além disso, sob a rubrica créditos extemporâneos , creditou se de valores de IPI sem ter comprovado a origens dos créditos, no período de janeiro a julho de 2005. Em impugnação, fls. 89 a 151, apresentou razões de defesa, assim sintetizadas: a) a intimação por via postal cerceoulhe o direito de defesa; b) o auto de infração não é o meio para constituição do lançamento, na forma do art. 9 da Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 d dezembro de 2004, uma vez que os débitos lançados estão declarados e poderiam ser enviados para inscrição na Dívida Ativa, afirmando que o auto de infração decorre de divergência entre valores declarados/pagos em DCTF e os escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI c) o cumprimento de obrigação acessória, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui a aplicação da penalidade pecuniária, consoante art. 138 da Fl. 338DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12571.000279/200982 Acórdão n.º 3403003.258 S3C4T3 Fl. 338 3 Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN; d) os débitos ora lançados são os mesmos que foram objeto de compensação e posteriormente encaminhados a Dívida Ativa, objeto de parcelamento e ainda de revisão dos débitos devidos na Dívida Ativa, apresentando cópia de uma Declaração de Compensação, em papel, recepcionada em 29/07/2005, fl. 212; de débitos de IPI a compensar, dos períodos de janeiro a julho e novembro e dezembro de 2005, discriminados à fl. 212, com créditos constante do processo nº 13807.005615/200510, e cópia de um recibo de Pedido de Parcelamento da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, transmitido em 15/10/2009, fls. 215 a 225; e) cita os processos nº 10940.500188/200718, como sendo relativo a Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa, que englobaria competências de janeiro/2005 em diante , além de outros processos, 13807.005615/200510, apensado aos PAF 19679.009019/200590 e 19679.009020/200514 19679.009815/200522 19679.010386/200536 19679.012906/200545 e posteriormente, também objeto de pedido de revisão de inscrição em dívida ativa, através do PAF já mencionado, e dos PAF 10830.501557/200729, 11065.500341/200727 e 10940.500189/200754; f) a coluna do demonstrativo denominado glosa do crédito extemporâneo também se reporta a valores que foram compensados e foram objeto do pedido de revisão, valores que já se encontram em dívida ativa; g) o demonstrativo apresentado pela Fiscalização não apresenta a composição dos valores, nem a cópia do RAIPI de onde supostamente teriam sido extraídos os valores exigidos ou se os créditos aos quais o estabelecimento faz jus foram abatidos do montante supostamente devido; h) quanto ao direito de aproveitar créditos tributários de IPI decorrentes (i) da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem não tributadas ou tributadas com alíquota zero, (ii) de bens destinados ao Ativo Permanente e (iii) de Títulos da Dívida Pública, invoca o princípio constitucional da não cumulatividade; i) inconstitucionalidade e ilegalidade do cálculo dos juros de mora, empregando a taxa Selic; j) confiscatoriedade da multa de lançamento de ofício; A 4ª Turma da DRJ/SDR julgou a impugnação improcedente. O Acórdão nº 15032.729, de 12 de julho de 2013, fls. 229 a 252, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN 4 INTIMAÇÕES. RECEPÇÃO POR VIA POSTAL. São válidos, produzindo efeitos jurídicos, o recebimento por via postal do Termo de Início de Fiscalização, demais intimações lavradas durante a ação fiscal e o Auto de Infração, ainda que entregues a pessoa física que não seja representante legal da empresa, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciados do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. PROVA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova cabe a quem alega. Os recolhimentos e parcelamentos que a recorrente alega ter feito devem ser provados por ela e não pela autoridade julgadora. DÉBITOS NÃO CONFESSADOS OU PAGOS. A ausência de confissão ou pagamento dos débitos de IPI registrados na escrita contábil e fiscal do sujeito passivo enseja o lançamento de ofício, nos termos da legislação vigente. INSUMOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE. DIREITO AO CRÉDITO. Existe vedação legal ao crédito do imposto pela entrada no estabelecimento de bens para o ativo permanente. CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem isentas, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio, inclusive sua majoração, é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. Inexiste legislação superveniente mais benéfica, há que se manter a multa aplicada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 340DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12571.000279/200982 Acórdão n.º 3403003.258 S3C4T3 Fl. 339 5 Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/SDR. O arrazoado de fls. 257 a 292, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a arguição de nulidade do procedimento, por cerceamento do direito de defesa, em decorrência da nulidade da intimação por via postal. Também aventa a nulidade da decisão recorrida, que indeferiulhe a realização de perícia, cerceandolhe o exercício do direito de defesa. Interpõe exceção de prévia inscrição em dívida ativa dos débitos lançados, de parcelamento e de denúncia espontânea. No mérito, reclama que dispõe de créditos que não foram considerados na lançamento. Repete também a insurgência contra a penalidade aplicada e contra o acréscimo dos juros de mora, calculados pela taxa Selic. Pede provimento. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 257 a 292 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJSDR4ª Turma nº 15032.729, de 12 de julho de 2013. PRELIMINARES Nulidade da intimação por via postal Preliminarmente a interessada argüiu nulidade da intimação via postal. Para melhor compreensão da matéria, objeto do litígio, transcrevese a seguir o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67) § 2º Considerase feita a intimação: (...) II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67) (...) § 4º Considerase domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, Fl. 341DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN 6 para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. (Acrescido pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67) Pelos dispositivos acima, concluise que, para ser válida a intimação ou notificação feita por vista postal, é necessário que seja recebida no domicílio do sujeito passivo, ainda que a assinatura aposta no AR não seja do contribuinte. Esse é o entendimento do Conselho de Contribuintes manifestado em vários acórdãos, citando como exemplo o de nº 1045.476/86, cuja ementa é a seguinte: VALIDADE DA NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL – Não é necessário que a notificação de lançamento seja feita pessoalmente ao sujeito passivo, bastando que seja feita por via postal recebida no domicílio do contribuinte. No caso dos autos, está provado que a notificação do lançamento foi recebida no domicílio da contribuinte. Portanto, há que se considerar a notificação válida e eficaz. A validade da intimação por via postal, nas condições em que realizada no procedimento fiscal que resultou na lavratura do Auto de Infração, ora sub judice, foi ratificada por esta instância recursal. A Súmula CARF nº 9 assim assentou: Súmula CARF Nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Rejeito a preliminar. Nulidade por indeferimento do pedido de perícia A decisão recorrida indeferiu a realização de perícia, pois julgou que a produção de novas provas é prescindível, diante do fato de estarem reunidos nos autos todos os elementos necessários à formação da convicção do julgador. O voto condutor está estribado no art. 35 do do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011 REPAF, que expressamente confere à autoridade julgadora de primeira instância o poder de indeferir diligências ou perícias que considerar prescindíveis. Como se constata, o indeferimento foi (bem) fundamentado (fls. 237 a 239). A recorrente, por outro lado, não demonstrou o prejuízo que esse indeferimento acarretou à sua defesa. Rejeito a preliminar. MÉRITO Lançamento de débitos não confessados e não recolhidos Repisese: o procedimento fiscal decorre da constatação de divergências entre o IPI escriturado e os valores pagos ou confessados em DCTF. Do confronto entre os dados de recolhimento do imposto (devidamente considerados para abater o imposto lançado, depois de confirmados no sistema SINAL Consulta de Pagamentos fls.64 a 68) e os valores confessados em DCTF com as informações constantes do RAIPI e DIPJ – portanto, apurados Fl. 342DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12571.000279/200982 Acórdão n.º 3403003.258 S3C4T3 Fl. 340 7 pelo próprio contribuinte – constataramse divergências, concluindose que houve falta de recolhimento. O lançamento de ofício, nesses casos, nos moldes dos arts 142 e 144 do CTN, é indeclinável e imprescindível. Na impugnação, o contribuinte opôs ao lançamento a objeção de que os débitos em questão, ou já faziam parte da dívida ativa da União (ocorrendo, portanto, bis in idem), ou haviam sido incluídos em programa de parcelamento. A tergiversação não se preocupou em segregar quais débitos se referiam a cada uma das alegações, limitandose a listar um sem número de processos administrativos. Aliás, para comprovar o alegado, instruiu a impugnação apenas com a cópia de uma DComp, em papel, recepcionada em 29/07/2005 (fl. 212), época em que já vigorava a declaração de compensação eletrônica, constando débitos de IPI a compensar, dos períodos de janeiro a julho e novembro e dezembro de 2005, com créditos constantes do processo nº 13807.005615/200510, e cópia de um recibo de Pedido de Parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009, transmitido em 15/10/2009, fls. 215 a 225, sem comprovação de ter sido aprovado ou de que vem efetuando os recolhimentos corretamente do resultado do parcelamento aprovado. Esses documentos foram categoricamente rejeitados pela decisão recorrida, já que, materialmente, nada acrescentaram aos autos no sentido de comprovar a acusação de exigência dúplice e alterar o lançamento. No recurso, repetemse as mesmas alegações. Referemse os processos administrativos 19679.009019/200590, 19679.009020/200514, 19679.009815/200522, 19679.010386/200536, 19679.012906/200545, 10940.500188/200718, 10830.501557/2007 29; 11065.500341/200727; 10940.500189/200754, a maior parte referente a compensações já indeferidas e arquivados, e seus débitos, originados das compensações não homologadas, encaminhadas para a Dívida Ativa, ou então referentes a débitos de outras filiais da mesma firma. Enfim, as mesmas alegações vazias, tergiversações que acabam por atestar a procedência do lançamento. Aliás, caso se desse crédito ao pedido de parcelamento referido na peça de impugnação, tocaria reconhecer a desistência do recurso, a teor do que dispõe o § 2º do art. 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. Denúncia espontânea da infração A exceção de denúncia espontânea não prosperará. A ação fiscal iniciouse em 30 setembro de 2007, fl. 04, e, até essa data, as diferenças lançadas de ofício não constaram de DCTF retificadora, muito menos foram objeto de recolhimento. Aliás, o próprio contribuinte afirma que no período especificado, janeiro a dezembro de 2005, não ocorreram pagamentos. Não vislumbro a configuração do instituto previsto no art. 138 do CTN. Cômputo de créditos no lançamento de ofício A recorrente repetiu a reclamação de que o lançamento não considerou créditos de que dispunha o contribuinte. A propósito, o art. 191 do RIPI/2002, assegura, nos casos de apuração de créditos para dedução do imposto lançado de ofício, em auto de infração, que sejam Fl. 343DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN 8 considerados, também, como se escriturados fossem, os créditos a que o sujeito passivo comprovadamente tiver direito e que forem alegados até a impugnação. Na impugnação, o contribuinte aventou seu direito a crédito em relação à aquisição de insumos não tributados, tributados à alíquota zero e isentos; referentes aquisições de bens destinados ao Ativo Permanente, a Títulos da Dívida Pública e a Obrigações do Reaparelhamento Econômico. Abstenhome de enfrentar o mérito desse creditamento. Basta mencionar que a impugnação fezse acompanhar somente dos seguintes documentos (cfe. fl. 151): Relação de documentos: 1 Procuração e Atos Constitutivos 2 Declaração de Compensação 13807.005615/200510 3 Comprovante de solicitação de adesão ao parcelamento da Lei 11.941/2009. Assim, à falta da prova requerida pelo dispositivo recém citado, nada há a retocar no lançamento de ofício. Multa aplicada Quanto à insurgência contra multa de lançamento de ofício aplicada, basta considerar que a infração está perfeitamente tipificada e enquadrada no art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Com relação ao percentual da multa de ofício lançada, não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência, conhecer das alegações relativas ao seu caráter confiscatório. Os juízos quanto ao princípio do não confisco tributário, da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta, ou mesmo de violação a princípios constitucionais têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não à autoridade administrativa. Estando o percentual da multa fixado em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel cumprimento. Embora a recorrente entenda diferentemente, é vedado às turmas recursais do CARF pronunciarse sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária, a teor da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora A insurgência do Recorrente contra a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora terá a mesma sorte. É que o tratamento de tal matéria já tem entendimento pacificado no âmbito do CARF e do Segundo Conselho de Contribuintes, plasmado na Súmula nº 4, (DOU de 22/12/2009), que assevera ser cabível a cobrança de juros de mora sobre débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12571.000279/200982 Acórdão n.º 3403003.258 S3C4T3 Fl. 341 9 CONCLUSÃO Nego provimento ao recurso. É como voto. Sala de sessões, em 17 de setembro de 2014 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN
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