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Numero do processo: 13982.000710/2007-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/2007
ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL E NO
CÁLCULO DO MONTANTE DEVIDO. VÍCIO MATERIAL.
OCORRÊNCIA.
A matéria tributável e o cálculo do montante devido constitui elemento
material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta de
comprovação da efetiva existência de todos os fatos geradores autuados e a
realização de cálculo equivocado constituem ofensa aos elementos
substanciais do lançamento, motivo pelo qual deve ser reconhecida sua total
nulidade, por vício material.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2402-002.390
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso por vício material.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/2007 ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL E NO CÁLCULO DO MONTANTE DEVIDO. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A matéria tributável e o cálculo do montante devido constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta de comprovação da efetiva existência de todos os fatos geradores autuados e a realização de cálculo equivocado constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, motivo pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso voluntário provido.
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ÓRGÃOS PÚBLICOS Recorrente MUNICÍPIO DE ANCHIETA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/2007 ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL E NO CÁLCULO DO MONTANTE DEVIDO. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A matéria tributável e o cálculo do montante devido constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta de comprovação da efetiva existência de todos os fatos geradores autuados e a realização de cálculo equivocado constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, motivo pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso voluntário provido. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso por vício material. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 13982.000710/200750 Acórdão n.º 240202.390 S2C4T2 Fl. 412 3 Relatório Tratase de NFLD constituída em 20/09/2007 (fls. 102/103) para exigir contribuição previdenciária cota patronal, contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), contribuições relativas à retenção de 11% sobre as notas fiscais de prestação de serviços, e de contribuição não descontada dos pagamentos realizados a contribuintes individuais, no período de 01/1997 a 02/2007. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 104/188) pleiteando pela total insubsistência da autuação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis determinou a realização de diligência (fls. 193/196). O auditor fiscal prestou informação propondo o cancelamento do lançamento, por vício insanável, para que possa ser lavrada nova NFLD (fl. 198). A Inspetoria da Receita Federal em São Miguel do Oeste apresentou nova manifestação, em atenção ao despacho de fls. 193/196, retificando o valor autuado e juntando o relatório fiscal ao processo (fls. 325/330). A Recorrente apresentou nova impugnação (fls. 338/356) reiterando os argumentos expostos anteriormente. A d. DRJ em Florianópolis, ao analisar o processo (fls. 378/383), julgou o lançamento parcialmente procedente, anulando os valores exigidos a título de RAT e parte das retenções de 11% sobre os serviços prestados mediante cessão de mão de obra, excluindo os valores informados pelo auditor fiscal às fls. 327/329, bem como extinguindo as quantias exigidas nas competências de 01/1997 a 08/2002, pela decadência. Não houve propositura de recurso de ofício. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 388/407) alegando que: (i) o lançamento deve ser anulado em sua integralidade; (ii) deve ser reconhecida a decadência de todos os créditos tributários anteriores a 07/2003; (iii) é inconstitucional a contribuição patronal e da empresa; (iv) os serviços de transporte escolar, limpeza de ruas e construção de rótulas e obras de calçamento não configuram cessão de mão de obra; (v) é indevida a contribuição incidente sobre a compra direta de agricultores, de produtos para consumo; (vi) o Município não pode ser equiparado à empresa, quer adquirente, consumidora, consignatária ou cooperativa. É o relatório. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega inicialmente que o processo deve ser anulado, por não ter identificado todos os elementos que constituem o crédito tributário. Analisando o processo, verificase que o lançamento não demonstrou claramente a efetiva existência de todos os fatos geradores autuados, bem como foi calculado de forma equivocada. Como pode se constatar no despacho de fls. 193/196, o cálculo do montante devido neste processo (planilha de fls. 63/65) não foi lançado no sistema SAFIS, sendo que seu resultado foi transportado diretamente para a rubrica “12 – empresa”, sem a devida individualização em fatos geradores declarados e não declarados em GFIP. Os valores lançados a título de retenções de 11% sobre as notas fiscais também não foram devidamente individualizados, posto que calculados juntamente com as contribuições incidentes sobre a folha de pagamento. Assim, não é possível saber quais as contribuições abarcadas pela coluna “DEVIDO” da mencionada planilha (se parte patronal, contribuinte individual, SAT/RAT ou retenções). Não houve também a individualização dos valores lançados a título de SAT/RAT, tampouco a demonstração de que as notas fiscais de prestação de serviços se referiam a casos de cessão de mão de obra e/ou empreitada, o que impossibilita saber ao certo se há a efetiva existência de obrigação de reter a contribuição previdenciária, tendo em vista os serviços elencados nos arts. 145 e 146 da IN nº 03/2005 e no art. 219, § 2º, do Regulamento da Previdência Social. O auditor fiscal, instado a se manifestar sobre os vícios contidos no lançamento, informou que utilizou tabela de cálculo aplicável somente às diferenças não lançadas em GFIP, o que seria equivocado para se calcular o montante integral lançado neste processo. Em vista disso, e somado ao fato de que seria impossível separar os valores da parte patronal do SAT/RAT, sugeriu até mesmo o cancelamento da notificação, por vício insanável, para que pudesse realizar um novo lançamento (fl.198). Ao contrário do que sugerido pelo auditor fiscal, foi dado seguimento ao trâmite deste processo, buscandose sanar os equívocos ocorridos, porém sem sucesso, o que resultou na anulação pela d. DRJ de todos os valores exigidos a título de SAT/RAT, bem como de parte das retenções exigidas, haja vista que não houve a efetiva comprovação da obrigatoriedade de se reter os 11%. Em que pese a anulação parcial da autuação pela DRJ, entendo que o lançamento deveria ter sido anulado em sua integralidade, mormente quando persistem dúvidas quanto à efetiva obrigatoriedade de retenção de 11% sobre o valor das notas fiscais de prestação de serviços. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 13982.000710/200750 Acórdão n.º 240202.390 S2C4T2 Fl. 413 5 Isto porque, não foram juntados aos autos todos os contratos de prestação de serviços relacionados com todos os fatos geradores remanescentes neste processo (listados à fl. 382), o que impossibilita verificar o tipo de prestação de serviço (se cessão de mão de obra ou empreitada), ponto este essencial para averiguar a efetiva existência de obrigações tributárias. Outrossim, pelo entendimento superveniente consignado na r. decisão recorrida (fl. 382), no que se refere aos serviços de transporte escolar, concluiuse que restou configurada a cessão de mão de obra, por se tratarem de serviços contínuos, haja vista ser inequívoca a sua necessidade permanente durante o ano escolar. No entanto, se considerada a fundamentação aplicada pelos i. Julgadores de 1ª instância, é possível entender que os serviços de transporte foram prestados mediante contrato de empreitada, haja vista que têm como objetivo um resultado pretendido, que é atender ao ano escolar. O objetivo da prestação de serviço (se para atender a um fim específico) é a principal diferença existente nos conceitos de cessão de mão de obra e empreitada, consoante definição dada pelos arts. 143 e 144 da IN nº 03/20051. Nesse sentido, considerando que o dever de se reter os 11% sobre as notas fiscais de prestação de serviços de transporte está atrelado aos casos em que tais serviços representam uma cessão de mão obra, nos termos do art. 146 da IN nº 03/2005 e do art. 219, § 2º, do Regulamento da Previdência Social, não haveria que se falar em retenção da contribuição no presente caso, considerando que, pela fundamentação dada, há fortes indícios de que se está diante de um contrato de empreitada. Assim, pela forma como o lançamento foi realizado, não é possível constatar a existência de obrigações tributárias inadimplidas pelo contribuinte. Inobstante, ainda que a d. DRJ demonstrasse posição acertada e precisa quanto à existência dos elementos fáticos aptos a configurar a obrigação de reter as contribuições previdenciárias, não restariam solucionados os vícios existentes neste processo, quais sejam, a equivocada apuração da matéria tributável e cálculo do montante devido pela autoridade fiscalizadora. Feitas essas considerações, entendo que o auditor fiscal deixou de demonstrar a efetiva existência de fatos geradores incidentes sobre as notas fiscais de prestação de serviços, bem como calculou indevidamente os valores autuados, maculando elementos 1 "Art. 143. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. § 1º Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. § 2º Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. § 3º Por colocação à disposição da empresa contratante entendese a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. Art. 144. Empreitada é a execução, contratualmente estabelecida, de tarefa, de obra ou de serviço, por preço ajustado, com ou sem fornecimento de material ou uso de equipamentos, que podem ou não ser utilizados, realizada nas dependências da empresa contratante, nas de terceiros ou nas da empresa contratada, tendo como objeto um resultado pretendido." Fl. 448DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 6 intrínsecos do lançamento, quais sejam, a matéria tributável e o cálculo do montante devido, previstos no art. 142 do CTN2. Os procedimentos previstos na referida norma fazem parte do lançamento e resultam na formação dos seus elementos materiais/intrínsecos, sem os quais não haverá a constituição do crédito tributário, posto que, caso a aferição desses elementos seja feita de forma equivocada, o lançamento resultante não estará revestido com os requisitos básicos inerentes à “construção”3 do ato, resultando na sua nulidade. Assim, quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a matéria tributável e o cálculo do montante devido), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável ao cálculo do montante devido, ou à determinação do fato gerador, etc.), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen4: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do fisco com o contribuinte. Em se tratando de vício material, o novo lançamento realizado para sanar os vícios existentes no lançamento anterior acabará alterando seus elementos substanciais, o que resultará na cobrança de um tributo diferente, ou em valor diferente, ou apurado por critérios diferentes, ou de outro sujeito passivo, assim por diante, situações que não podem se valer do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II, do CTN. Versando sobre os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 102 47829, Sessão de 16/08/2006) – destacouse Nessa mesma linha de entendimento, cabe destacar trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação 2 "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." 3 “VÍCIO MATERIAL – ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO – Padece de vício material o lançamento que altera as características do crédito tributário, modificando seus elementos. (...)” (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Acórdão n° 10248700, Sessão de 08/08/2007) 4 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 13982.000710/200750 Acórdão n.º 240202.390 S2C4T2 Fl. 414 7 do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) – destacouse Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE TOTAL PROVIMENTO, reconhecendo a nulidade do lançamento, por vício material. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 450DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003507/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/10/2004
RECURSO INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo DECADÊNCIA – ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 –
INCONSTITUCIONALIDADE – STF – SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não.
Eventuais recolhimentos efetuados pela empresa sobre a folha de pagamento não podem ser considerados antecipação de pagamento para fatos geradores não reconhecidos como tal pela empresa, cujas contribuições foram objeto de
lançamento de ofício em sua integralidade
RO Provido em Parte e RV Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-002.406
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário por intempestividade e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 173, I do CTN e não pelo artigo 150, §4° do CTN, vencidos os
conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Não se toma conhecimento de recurso intempestivo DECADÊNCIA – ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE – STF – SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Eventuais recolhimentos efetuados pela empresa sobre a folha de pagamento não podem ser considerados antecipação de pagamento para fatos geradores não reconhecidos como tal pela empresa, cujas contribuições foram objeto de lançamento de ofício em sua integralidade RO Provido em Parte e RV Não Conhecido Fl. 580DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 173, I do CTN e não pelo artigo 150, §4° do CTN, vencidos os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. . Fl. 581DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.003507/200851 Acórdão n.º 2402002.406 S2C4T2 Fl. 544 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (SalárioEducação, SESC, SENAC, SEBRAE e INCRA). Segundo o Relatório Fiscal (fls. 78/84), os fatos geradores das contribuições lançadas são os valores constantes em folha de pagamento a título de Ajuda de Custo/Diárias, os quais a auditoria fiscal entendeu que foram pagos em desacordo com a legislação pelas razões que serão expostas. A auditoria fiscal informa que apesar da autuada manter convênio de recolhimento do Salário Educação diretamente com o FNDE, não efetuou qualquer recolhimento a este título. Assim, na presente autuação foram lançados os valores correspondentes à tal contribuição incidentes sobre os valores de ajudas de custo/diárias. O presente lançamento é composto dos seguintes levantamentos: Levantamento AC1 – Salário de contribuição antes da GFIP – Compreende valores aos segurados empregados a título de Diária, no período de 06/1998 e 12/1998 Levantamento AC – Salário de contribuição não declarado em GFIP – Compreende valores pagos aos segurados empregados, a título de Diária, registrados em folhas de pagamentos separadas da folha geral da empresa, no período de 01/1999 a 10/2004. A autuada efetuava o pagamento de Ajuda de Custo a empregado transferido provisoriamente, para substituição de outro, por período superior a 15 dias, de acordo com o item 7 da Norma da EBAL de 22/07/1999. Tal norma dispunha o seguinte: 7 O empregado que for designado para substituir outro (Lotação Provisória), por período superior a 15 dias não receberá diárias. Nestes casos o empregado fará jus à ajuda de custo conforme tabela constante no Anexo III. 7.1 O empregado só terá direito à ajuda de custo pelo período de até 150 (cento e cinqüenta ) dias 7.2 O empregado que estiver recebendo Ajuda de Custo e por necessidade tiver que viajar para outro local, a serviço da empresa, receberá o equivalente ao valor da diária. A autuada teve ciência do lançamento em 01/07/2005 e apresentou defesa (fls. 422/445) onde alega o seguinte: Fl. 582DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 • A configuração da decadência em relação ao valor cobrado, tendo em vista o transcurso de mais de cinco anos entre o fato gerador e o lançamento tributário. • Os valores que foram considerados como tributáveis não o são, em razão à natureza indenizatória da parcela. • O arbitramento para a descoberta do critério quantitativo do conseqüente da regra matriz de incidência viola de morte o princípio da legalidade cerrada, haja vista a sua definição em sede de Instrução Normativa. • A multa moratória tem nítido caráter confiscatório face ao seu elevado percentual, atingindo o patrimônio da empresa. Após análise preliminar da defesa, o Serviço de Contencioso Administrativo Previdenciário – SECAP, vinculado à Secretaria da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Salvador (BA) entendeu por solicitar diligência (fls.463/464) para que a auditoria fiscal esclarecesse algumas dúvidas a respeito da planilha referente às competências de 1998. Além disso, relativamente à competência 02/2003, informa que o desconto de segurado consta no Relatório de Lançamentos no valor de R$ 13.003,94 e na planilha de folha 232, o desconto informado é de R$ 11.844,96. Questiona qual o valor correto. É informado que quanto à cobrança da contribuição relativa ao Salário Educação, a Instrução Normativa nº 100, vigente à época do lançamento dispunha que nos casos de a empresa manter convênio com o FNDE, não caberia levantamento de salário educação pela fiscalização do INSS, razão pela qual da alíquota de terceiros deve ser deduzido o percentual relativo ao Salário Educação. Foi verificado que a partir da competência 06/2003, o desconto do segurado empregado foi lançado como CCI – Contribuição Contribuinte Individual e na impossibilidade de corrigir tal equívoco, tais valores devem ser excluídos. Além disso, observouse que apesar de informada no Relatório Fiscal e na Planilha (fl. 90), a competência 03/1998 não foi lançada e na competência 02/2003 só foi lançado o desconto de segurados. Em resposta (fls. 496/498), a auditoria fiscal esclarece as questões relativas ao exercício de 1998, informa que na competência 02/2003 o valor correto do desconto de segurado é o que consta na planilha, ou seja, R$ 11.844,96. Solicita que sejam excluídos do lançamento os valores devidos ao Salário Educação e informa que efetuou lançamento complementar incluindo os valores de desconto de segurados empregados do período de 06/2003 a 10/2004 com o código de lançamento correto, uma vez que o efetuado neste lançamento foi lançado equivocadamente no código de contribuições de contribuintes individuais.Tal lançamento ainda abrangeu a competência 03/1998 e a parte patronal da competência 02/2003 não lançadas na presente autuação. O resultado da diligência foi informado à autuada que não se manifestou. Pelo Acórdão nº 1523.879 (fls. 508/515), a 5ª Turma da DRJ Salvador (BA) considerou o lançamento procedente em parte para reconhecer que ocorreu a decadência até a competência 06/2000, com fulcro no art. 150, § 4º do CTN. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.003507/200851 Acórdão n.º 2402002.406 S2C4T2 Fl. 545 5 Também foram excluídos do lançamento os valores lançados a título de Salário Educação, os valores da contribuição dos segurados da competência 06/2003 a 10/2004 por terem sido lançados com código incorreto relativo ao desconto da contribuição de contribuintes individuais. Por fim, a primeira instância reduziu para R$ 11.844,96 o desconto do segurado na competência 02/2003 que havia sido lançado a maior. De tal decisão, houve recurso de ofício. A autuada foi intimada da decisão e apresentou recurso intempestivo (fls. 527/540) onde ainda alega a decadência sob o argumento de que o termo a quo da contagem decadencial a ser considerado seria a data da retificação do lançamento, qual seja, 09/11/2006. Com base nesse entendimento, entende que a decadência deve ser declarada até 08/11/2001. Mantém a alegação de necessidade de perícia e que os valores pagos não integram o salário de contribuição. Nomeia perito e apresenta quesitos a serem respondidos pela perícia. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação dos recursos de ofício e voluntário interposto. É o relatório. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Quanto à admissibilidade dos recursos trato inicialmente do recurso voluntário. Embora a autuada alegue em seu recurso a tempestividade deste, o que se verifica é a sua intempestividade. À folha 524 dos autos consta o ARAviso de Recebimento devolvido pelos Correios onde consta que a autuada recebeu o acórdão recorrido em 19/11/2010, uma sexta feira. Assim, o prazo para recurso começou a ser contado a partir de segundafeira, dia 22/11/2010 e encerrouse em 21/12/2010. No entanto, a autuada só veio a protocolar seu recurso em 22/12/2010, sob o argumento de que a ciência teria ocorrido em 22/11/2010, o que não se comprova haja vista o AR juntado aos autos. Portanto, em razão do recurso apresentado pela autuada ser intempestivo, este não será conhecido. Quanto ao recurso de ofício, o processamento deste está condicionado ao requisito consubstanciado no fato do valor exonerado ser superior à alçada prevista em ato do Ministro da Fazenda. Atualmente o limite é de R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais) e foi estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 3 de janeiro de 2008, publicada em 7 de janeiro de 2008, conforme se verifica do trecho abaixo transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Como o valor desonerado é superior à alçada prevista, manifestome pelo conhecimento do recurso de ofício apresentado. A decisão recorrida considerou a decadência até a competência 06/2000 pela aplicação do art. 150, § 4º do CTN, haja vista a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626 e que levou à edição da Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Fl. 585DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.003507/200851 Acórdão n.º 2402002.406 S2C4T2 Fl. 546 7 É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre 04/1998 a 10/2004 e foi efetuado em 01/07/2005, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, Fl. 586DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.003507/200851 Acórdão n.º 2402002.406 S2C4T2 Fl. 547 9 DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, embora a primeira instância tenha efetuado o cálculo considerando o prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN, tratase do lançamento contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação a estes, a recorrente não efetuou qualquer antecipação. Nesse sentido, entendo que se aplica o art. 173, inciso I, do CTN, para considerar que estão abrangidos pela decadência os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 11/1999, inclusive, uma vez que a ciência do sujeito passivo ocorreu em 01/07/2005. Quanto às demais retificações efetuadas pela primeira instância, entendo que não merecem reparo. Relativamente ao Salário Educação, cumpre mencionar que o período lançado bem como o próprio lançamento ocorreram na vigência do Decreto nº 3.142/1999 que regulamentava a contribuição do Salário Educação. Na vigência do citado decreto, havia a possibilidade da empresa fazer a opção pelo recolhimento direito da contribuição ao FNDE, bem como aquele órgão detinha a prerrogativa de efetuar o lançamento das contribuições relativamente aos contribuintes que fizeram opção pelo recolhimento direto, conforme se depreende do trecho abaixo transcrito. Art.9o A fiscalização da arrecadação da contribuição social do salárioeducação será realizada pelo INSS, ressalvada a competência do FNDE sobre a matéria. §1oOs débitos dos contribuintes do salárioeducação serão objeto de notificação ou parcelamento do débito: Ijunto ao INSS, quando apurados por aquele Instituto ou a ele confessados; e IIjunto ao FNDE, nos demais casos. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 §1oOs débitos dos contribuintes do salárioeducação serão objeto de notificação, parcelamento e execução fiscal: (Redação dada pelo Decreto nº 4.943, de 30.12.2003) Ipelo FNDE, referentes aos exercícios em que a empresa seja contribuinte obrigatório pela arrecadação direta, ou tenha formalizado a opção pela arrecadação direta, ou seus empregados ou dependentes destes tenham usufruído os benefícios do SME; (Redação dada pelo Decreto nº 4.943, de 30.12.2003) IIpelo INSS, nos demais casos.(Redação dada pelo Decreto nº 4.943, de 30.12.2003) Posteriormente, o Decreto nº 3.142/199 foi revogado pelo Decreto nº 6003/2006 e a partir de então deixou de existir a possibilidade de recolhimento direto ao FNDE passando o recolhimento a ser efetuado à então Secretaria da Receita Previdenciária a quem passou a exclusiva competência para apuração dos créditos relativos aos Salário Educação, de acordo com os trechos abaixo transcritos: Art.10 As ações fiscais e demais procedimentos tendentes à verificação da regularidade fiscal relativa ao salárioeducação, inclusive para fins de expedição da certidão negativa de débito a que se refere o art. 257 do Decreto no 3.048, de 6 de maio de 1999, serão realizados pela Secretaria da Receita Previdenciária, à qual competirá a expedição do documento. §1oSem prejuízo da competência prevista no art. 1o, § 1o, o FNDE poderá monitorar e fiscalizar o cumprimento das obrigações relativas ao salárioeducação e, constatada inobservância de qualquer dispositivo, representará à Secretaria da Receita Previdenciária para as devidas providências. §2o A partir da vigência deste Decreto, os contribuintes com mais de um estabelecimento e que estavam, até então, obrigados ao recolhimento direto do salárioeducação por força do Decreto no 4.943, de 30 de dezembro de 2003, deverão eleger como estabelecimento centralizador o mesmo que já houver sido informado para esse fim à Secretaria da Receita Previdenciária e manter nele toda a documentação de interesse da fiscalização, inclusive a relativa ao Sistema de Manutenção do Ensino FundamentalSME. Portanto, agiu bem a DRJ Salvador (BA) ao excluir os valores lançados a título de Salário Educação. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de NÃO CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO face sua intempestividade. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.003507/200851 Acórdão n.º 2402002.406 S2C4T2 Fl. 548 11 CONHECER O RECURSO DE OFÍCIO e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para considerar que ocorreu a decadência do lançamento até a competência 11/1999, pela aplicação do art. 173, Inciso I, do CTN. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 590DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.005342/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jan 05 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PRELIMINAR DE NULIDADE POR CARÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA MATERIALIDADE DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. REJEIÇÃO.
Não é possível acolher preliminares de nulidade cujas teses suscitadas estão umbilicalmente atreladas a questões de natureza meritória, uma vez presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235/72 e ausentes as causas de nulidade prevista no art. 59.
NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR.
As contribuições que o empregador verte ao plano de previdência complementar do empregado não devem ser consideradas parte de sua remuneração, pois o requisito enumerado na al. p do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212.91 não fora replicado na Lei Complementar de nº 109/2001.
PLANOS ABERTOS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. BENEFICIÁRIOS.
A Lei Complementar nº 109/2001 expressamente permite sejam disponibilizados pelo empregador a grupos de uma ou mais categorias específicas dos seus empregados elencados no art. 26.
Numero da decisão: 2202-009.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ronnie Soares Anderson (Presidente), Samis Antônio de Queiroz, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sônia de Queiroz Accioly.
Nome do relator: Marcelo de Sousa Sáteles
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PRELIMINAR DE NULIDADE POR CARÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA MATERIALIDADE DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. REJEIÇÃO. Não é possível acolher preliminares de nulidade cujas teses suscitadas estão umbilicalmente atreladas a questões de natureza meritória, uma vez presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235/72 e ausentes as causas de nulidade prevista no art. 59. NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. As contribuições que o empregador verte ao plano de previdência complementar do empregado não devem ser consideradas parte de sua remuneração, pois o requisito enumerado na al. “p” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212.91 não fora replicado na Lei Complementar de nº 109/2001. PLANOS ABERTOS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. BENEFICIÁRIOS. A Lei Complementar nº 109/2001 expressamente permite sejam disponibilizados pelo empregador a grupos de uma ou mais categorias específicas dos seus empregados elencados no art. 26. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 53 42 /2 00 8- 18 Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-009.004 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.005342/2008-18 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ronnie Soares Anderson (Presidente), Samis Antônio de Queiroz, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sônia de Queiroz Accioly. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por CCB - CIMPOR CIMENTOS DO BRASIL LTDA. contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – DRJ/SPOI – que rejeitou a impugnação apresentada para manter o lançamento de R$204.535,69 (duzentos e quatro mil quinhentos e trinta e cinco reais e sessenta e nove centavos), referente às contribuições sociais devidas à Seguridade Social, de 0112004 a 1212004, correspondentes à parte da EMPRESA (20%) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho - SAT/GILRA.T (de 3% a 9%). (F. 91) De acordo com o relatório do auto de infração, as “(...) contribuições têm como fatos geradores os valores pagos pela autuada, a título de PREVIDÊNCIA PRIVADA, tendo como participantes SOMENTE ALGUNS de seus empregados” (f. 91; destaques no original). Segundo a fiscalização instituído programa de previdência que “(...) não foi disponibilizado à totalidade de seus empregados, de maneira que, o valor, efetivamente pago pela autuada, sob tal fundamento, necessariamente, integra o salário-de-contribuição (...)” (f. 91). Acrescentou que o programa só foi disponibilizado para os empregados e administradores, cujos salários, quando da instituição estivessem acima do teto do salário-de-contribuição, conforme se depreende do documento regente do programa, intitulado PROGRAMA DE PREVIDÊNCIA CIMPOR — CONTRATO DE ADESÃO, datado de 2511012000, que, às fls. II, assim se expressa: "(...) CLÁUSULA PRIMEIRA — DEFINIÇÕES (..) H) PARTICIPANTES: São as pessoas físicas que no momento de sua inscrição mantenham com as INSTITUIDORAS vínculo empregatício ou de administração, que manifestem expressamente a intenção de participar do Plano, e que tenham, no mínimo, 01 (um) ano de vínculo empregatício com as INSTITUIDORAS, e possuam Salário de Participação igual ou superior a R$ 2.100,00 (dois mil e cem reais) com base em Outubro de 2.000. O valor de salário participação para ingresso de PARTICIPANTES, no Plano será revisto periodicamente com base na variação do teto máximo do benefício, a ser estabelecido pelo Ministério da Previdência Social (...). (f. 92; sublinhas deste voto) Na peça impugnatória (f. 194/210) defendeu, preliminarmente, que houve nulidade por “ausência de materialidade da suposta obrigação tributária”, porquanto o auto de infração “(...) não evidenciou a configuração do fato descrito na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias (...).” (f. 196) Fl. 356DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-009.004 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.005342/2008-18 No mérito, sustentou, em apertadíssima síntese, que i) a LC109/2001 permitiu que os planos de previdência complementar de entidades abertas “(...) abranjam apenas algumas categorias de pessoas na empresa. E, para essas hipóteses, o seu artigo 69, §1º veio garantir que as contribuições vertidas não são objeto de incidência tributária (tanto de impostos, como de contribuições)” (f. 201); ii) o plano contratado “(...) foi instituído dentro dos limites da Lei Complementar nº 109/2001, na qualidade de Coletivo e mantido por Entidade Aberta de Previdência Complementar (razão Pela qual não deveria ser obrigatoriamente concedido a todos os empregados)” (f. 202); iii) padeceria de ilegalidade da inclusão de seus diretores no polo passivo do lançamento por meio do relatório de representantes legais (f. 205/206); iv) inaplicável a taxa SELIC (f. 206/208); e, por derradeiro, v) eivada de “ilegalidade a majoração da multa de ofício pelo decurso do tempo”, sob o argumento de que “(...) o artigo 35 da Lei n.° 8.212/91 acabou por fazer com que a multa de ofício assumisse a função compensatória que e própria e exclusiva dos juros de mora, o que acaba por configurar o malfadado bís ín ídem.” (f. 209) Ao apreciar as razões declinadas, restou o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PARTE DA EMPRESA E DO FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM DECORRÊNCIA DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. A empresa é obrigada a contribuir para a Seguridade Social sobre a remuneração dos segurados empregados a seu serviço, tanto a parte a seu cargo; quanto a parte destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em decorrência dos riscos ambientais do trabalho. PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. Para que os valores pagos pela Impugnante a título de Previdência Privada Complementar sejam excluídos do salário-de-contribuição, o respectivo programa deve estar disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. (Lei n° 8.212/91, art. 28, §9°, "p"). OS VALORES PAGOS EM DESACORDO COM A LEI N" 8.212/91 SÃO TRIBUTÁVEIS. Dispõe o Art. 142 do Código Tributário Nacional que a Autoridade Tributária deve determinar a matéria tributária, o quantum debeatur e seus consectários. Estando os desembolsos em desacordo com o estatuído pela legislação, deve ser cobrado o Crédito Tributário. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO Os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração. RELATÓRIO VÍNCULOS. RELATORIO REPLEG. Em razão de os relatórios "VÍNCULOS -Relação de vínculos" e "REPLEG - Relatório de Representantes Legais" visarem a atender o disposto na LEF - Lei de Execuções Fiscais (Lei n° 6.830/80), qualquer correção deve restringir-se aos dados referentes à pessoa, ao cargo que ela ocupava, quando da ocorrência dos fatos geradores e ao período de atuação. Fl. 357DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-009.004 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.005342/2008-18 MULTA. É devida em decorrência de pagamento extemporâneo e cobrada em virtude de determinação legal, de caráter irrelevável, conforme art. 35 da Lei n° 8.212/91. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional (art. 161, § 1°) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. O artigo 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, alude expressamente a juros (equivalentes à taxa referencial do sistema Selic), e não à correção monetária. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram previsão em normas regularmente editadas. Lançamento Procedente (f. 284/285) Intimada do acórdão, a recorrente apresentou, em 14/10/2008, recurso voluntário (f. 305/325), replicando parcela substancial das teses arguídas em sede de impugnação. Deixou de renovar a defesa de ilegalidade de inclusão dos diretores no relatório de representantes legais. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Relatora. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. I – DA PRELIMINAR: DA CARÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA MATERIALIDADE DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Insiste a recorrente padecer o lançamento de nulidade por “ausência de materialidade da suposta obrigação tributária” (f. 308), insistindo que (...) a presunção de legitimidade e legalidade de que goza o ato administrativo é relativa e a sua aplicação jamais poderia implicar no desatendimento da legislação em vigor, como pretenderam o Sr. Agente Fiscal e a Turma Julgadora (f. 308) (...) [uma vez que as contribuições sociais ora] (...) debatidas possuem como "fato gerador" a remuneração (paga, devida ou creditada) por serviço prestado ou colocado à disposição do empregador”, [restando destituídas de] (...) previsão legal e constitucional (f. 308). Fl. 358DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-009.004 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.005342/2008-18 Não me convenço das assertivas acerca da nulidade da autuação, por não vislumbrar ter sido o lançamento feito ao arrepio dos requisitos incrustados no art. 11 do Decreto nº 70.235/72 ou que tenham ocorrido quaisquer das causas de nulidade prevista no art. 59 daquele mesmo diploma. As teses ora suscitadas estão umbilicalmente atreladas a questões de natureza meritória, razão pela qual deixo de acolher a preliminar. II – DO MÉRITO: DA (NÃO) INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR Conforme já relatado, a fiscalização aplicou à espécie o disposto na al. “p” do §9 do art. 28 da Lei nº 8.212/91, segundo o qual contribuições da empresa para planos de previdência privada de seus empregados e dirigentes somente escapam à incidência de contribuições previdenciárias se estiverem disponíveis à totalidade de seus empregados e dirigentes. Malgrado não tenha sido o dispositivo expressamente revogado, consabido que a regulação da matéria sofreu substancial alteração tanto pela Emenda Constitucional nº 20/1998 quanto pela Lei Complementar nº 109/2001. É que com a retromencionada emenda deu status constitucional à não incidência de contribuição sobre as pagas pelo empregador a título de previdência privada para seus empregados. Confira-se: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado deforma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (...) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. Coube, portanto, à Lei Complementar nº 109/2001 promover a regulamentação do referido dispositivo constitucional, o fazendo nos seguintes termos: Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. (…) Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária,são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1º Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Fl. 359DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-009.004 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.005342/2008-18 O requisito enumerado na al. “p” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212.91 não for a replicado na Lei Complementar de nº 109/2001, restando claro que as contribuições que o empregador verte ao plano de previdência complementar do empregado não devem ser consideradas parte de sua remuneração e, portanto, sobre elas não devem incidir contribuições. Especificamente em relação aos planos abertos de previdência complementar, como é o caso dos presentes autos, a Lei Complementar nº 109/2001 expressamente permite sejam disponibilizados pelo empregador a grupos de uma ou mais categorias específicas dos seus empregados: Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I - individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II - coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. §1º O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2º O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo refere-se aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3º Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. A ementa colhida de julgado da eg. Câmara Superior bem sintetiza as modificações introduzidas pela Lei Complementar nº 109/2001: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS. Com o advento da Lei Complementar n° 109/2001, somente no regime fechado de previdência complementar, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade de seus empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá o empregador eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que a vantagem não seja caracterizada como instrumento de incentivo ao trabalho e não esteja vinculada a produtividade. (CARF. Acórdão nº 9202-009.256, Cons. Rel. Pedro Paulo Pereira Barbosa, sessão de 19/11/2020; sublinhas deste voto) Em igual sentido, precedente desta eg. Turma: Fl. 360DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-009.004 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.005342/2008-18 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. REGIME ABERTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A Lei Complementar n° 109/2001 alterou a regulamentação prevista na Lei nº 8.212/1991 relativa à previdência complementar, passando a admitir que no caso de plano de previdência complementar em regime aberto a concessão pela empresa a grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria não caracteriza salário de contribuição sujeito à incidência de contribuições previdenciárias, devendo o lançamento ser mantido apenas nas competências em que não foram atendidos os objetivos previdenciários previstos na Lei Complementar nº 109/2001. (CARF. Acórdão nº 2202-007.837, Cons.ª Rel.ª Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, sessão de 14/01/2021; sublinhas deste voto) Fixadas essas premissas, passo à análise da documentação carreada aos autos. O contrato de adesão ao programa de previdência CIMPOR às f. 130/187 e termo aditivo às f. 172/ 179 juntados durante o procedimento fiscal, deixam claro que o Plano Gerador de Benefícios Livres – PGBL de previdência complementar foi instituído junto à UNIBANCO AIG S/A – SEGUROS E PREVIDÊNCIA, portanto, entidade aberta. Foi delimitado que os participantes elegíveis seriam: pessoas físicas que mantivessem vínculo empregatício ou de administração com o contribuinte há pelo menos um ano, manifestassem intenção de participar do plano, recebessem salário de participação igual ou superior a R$2.100,00 (dois mil e cem reais) em out/2000, valor que seria revisado periodicamente (f. 131). O único motivo ensejador da autuação está escorado no fato de que “o programa só foi disponibilizado para os empregados e administradores, cujos salários, quando da instituição estivessem acima do teto do salário-de-contribuição” (f. 91) que, como visto, não merece prosperar. Apenas para reforçar a higidez do plano de previdência, em total conformidade com a legislação de regência, registro que nenhuma das cláusulas sinaliza se tratar de incentivo ao trabalho, concessão a título de gratificação, bônus ou prêmio. É que o pagamento do benefício estava previsto apenas nas hipóteses de aposentadoria por idade normal, antecipada ou postergada (f. 135), conforme valor e procedimento estabelecido na clausula sexta (f. 136/137). Ademais, deveriam ser cumpridos os regulamentos do PGBL às f. 150 e 161 para resgate de reserva matemática dos benefícios apenas quanto à parcela constituída por aportes próprios. (f. 150 e 161) Afasto, por esses motivos, a autuação. III – DO DISPOSITIVO Ante o exposto, dou provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 361DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-009.004 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.005342/2008-18 Fl. 362DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 18108.002197/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2007
CONTRIBUIÇÕES APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA –
POSSIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA EMPRESA
A aferição indireta é procedimento passível de ser utilizado pelo fisco no
caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua
apresentação deficiente, ou se a contabilidade da empresa não registrar os
reais valores de mão de obra utilizada, cabendo à empresa ou ao segurado o
ônus da prova em contrário
AFERIÇÃO INDIRETA – MOTIVAÇÃO – AUSÊNCIA NULIDADE
A auditoria fiscal deve motivar a utilização do procedimento de aferição
indireta para todo o período do lançamento, não se justificando a manutenção
de parte do lançamento em que nada é mencionado a respeito. É nula a parte
do lançamento em que não se justifica a utilização da aferição indireta
EFEITO SUSPENSIVO
A contestação do lançamento por meio da apresentação de impugnação que
dá início ao contencioso administrativo fiscal, por si só, já suspende a
exigibilidade do crédito tributário conforme dispõe o art. 151, inciso III, do
Código Tributário Nacional, não havendo necessidade de manifestação
expressa a respeito por parte da autoridade administrativa
DECADÊNCIA ARTS
45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE
STF
SÚMULA
VINCULANTE – DOLO
– REGRA GERAL – INCISO I ART. 173
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência
de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a
aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN.
CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório
Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a
origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.437
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário por vício material na parte do lançamento relativa ao período de 01/2006 a 04/2007
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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É nula a parte do lançamento em que não se justifica a utilização da aferição indireta EFEITO SUSPENSIVO A contestação do lançamento por meio da apresentação de impugnação que dá início ao contencioso administrativo fiscal, por si só, já suspende a exigibilidade do crédito tributário conforme dispõe o art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, não havendo necessidade de manifestação expressa a respeito por parte da autoridade administrativa DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE – DOLO – REGRA GERAL – INCISO I ART. 173 De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário por vício material na parte do lançamento relativa ao período de 01/2006 a 04/2007 Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18108.002197/200763 Acórdão n.º 2402002.437 S2C4T2 Fl. 485 3 Relatório Tratase do lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes às diferenças de contribuições da Empresa em Geral, entre os valores declarados em GFIP e os valores constantes na DIPJ — Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica pagos aos seus Sócios. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 64/73), os valores do prólabore foram apurados por aferição indireta com base nos lançamentos constantes na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — DIPJ 2002— Ano Calendário 2001— Ficha 04 A Custo dos Bens e Serviços Vendidos item 26 —Remuneração de Dirigentes de Produção dos Serviços — R$ 1.186.203,30, pagina 3 Ficha 05 A Despesas Operacionais item 01. Remuneração a Dirigentes e a Conselho de Administração R$ 234.681,45, pagina 4, com resultado final de R$ 1.420.884,75, obtida junto ao Banco de Dados da MF/SRF — Secretaria da Receita Federal, anexo. Os valores foram aferidos com base na média entre o valor acima dividido por doze competências o que totalizou um valor de R$ 118.407,06. Os valores lançados na presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foram obtidos conforme pesquisa no Banco de Dados do MF/SRF e no Banco de Dados INSS/DATAPREV, porque não foram apresentados os documentos de pagamentos de Pro Labore aos sócios diretores, DIPJ, DIRF e outros tantos documentos, inclusive a contabilidade, livros Diário, Razão, mesmo a empresa tendo sido intimada para tanto. A auditoria fiscal informa que para os anos 2002 a 2005, utilizou o valor aferido em 01/2001 a 12/2001, com base nos valores contidos DIPJ 2002— Ano Calendário 2001, porque os valores contidos na DIPJ Ano 2003 — Ano Calendário 2002 seriam discrepantes/incompatíveis com os valores declarados em GFIPs, anexo, em R$ 140.000,00. Ainda acrescentou que a DIPJ 2004 — Ano Calendário 2003, DIPJ 2005 — Ano Calendário 2004, DIPJ 2006 — Ano Calendário 2005 foram declarados a Receita Federal do Brasil como "SEM MOVIMENTO", mas as GFIP — CNIS — DATAPREV Totais de Vínculos e Massa Salarial — RAIS — GFIP comprovam, além de empregados, pagamentos de Pro Labore ate 04/2005. Da base de cálculo aferida foram retirados os valores de prólabore declarados em GFIP. A utilização do valor aferido ano 2001 para o período 01/2002 a 12/2005, deveuse às contradições/discrepâncias/inconsistências de valores declarados em DIPJs e GFIPs e indícios do não registro do movimento real dos valores pagos em Pró Labore, especialmente em DIPJs SEM MOVIMENTO. Em razão da conduta da autuada corresponder, em tese, a crime de sonegação fiscal, foi efetuada Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A autuada teve ciência do lançamento em 01/11/2007 e apresentou defesa (fls. 376/404) onde alega a ocorrências de irregularidades do lançamento efetuado por arbitramento. Argumenta que não foram observados os princípios da liquidez e certeza, da reserva legal, prova segura da existência do fato gerador, da tipicidade. Alega que o lançamento é duvidoso e que a falta de apresentação das folhas de pagamento e documentos como GFIPs e GPSs, ou mesmo a escrituração contábil e fiscal do período fiscalizado, por si só, não autoriza o agente fiscal a utilizarse da constituição de crédito tributário como instrumento punitivo, transferindo ao contribuinte o ônus da prova, principalmente quando presentes todas as características de excesso no exercício do poder de autuar. Considera que o trabalho desenvolvido pela auditoria fiscal deveria levar em consideração e, conseqüentemente, reduzir dos montantes por ele apurados, os valores "retidos da", bem como "retidos pela" IMPUGNANTE, com vistas a dar um pouco mais de segurança e certeza para o embasamento do Auto de Infração, destituindoo das características nítidas de superficialidade que o trabalho apresenta. Apresenta preliminar de decadência. Informa que tinha como atividade exclusiva a prestação de serviços de manutenção de redes telefônicas, mediante o fornecimento de mão de obra, em contratos firmados unicamente com as empresas TELESP S/A, BRASIL TELECOM S/A e TELEMAR S/A. Conclui que os dados necessários para a lavratura da NFLD poderiam facilmente ser confrontados e suportados por informações adicionais junto às empresas tomadoras dos serviços, as quais deveriam ser chamadas à responsabilidade com base no instituto da responsabilidade solidária. Quanto à Representação Fiscal para Fins Penais, alega que seria imprescindível aguardar o julgamento acerca da procedência ou não do presente lançamento. Solicita que se atribua efeito suspensivo ao recurso. Pelo Acórdão nº 1725.002 (fls. 432/439) a 10ª Turma da DRJ/São Paulo II (SP) julgou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 449/477) onde efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18108.002197/200763 Acórdão n.º 2402002.437 S2C4T2 Fl. 486 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente solicita a aplicação do efeito suspensivo em face da apresentação do presente recurso. Cumpre informar que a apresentação de defesa e posterior recurso, por si só, já conferem efeito suspensivo ao lançamento nos termos do art. 151, Inciso III, do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito. Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; No entanto, o efeito suspensivo relacionase à impossibilidade de cobrança do crédito tributário constituído, não impedindo, por outro lado, o seguimento do contencioso administrativo fiscal instaurado com a apresentação de defesa tempestiva. Requer a recorrente o reconhecimento de que a auditoria fiscal não esgotou as possibilidades para identificar a base tributável partindo para o arbitramento das contribuições previdenciárias. Conforme deixou claro no Relatório Fiscal, a auditoria fiscal, diante da negativa de apresentação de folhas de pagamentos, guias de recolhimento e GFIPS e Livros Contábeis efetuou o lançamento por meio de aferição indireta considerando os valores de pagamentos a dirigentes declarados na DIPJ 2002, Ano Calendário 2001, os quais revelaramse muito superiores àqueles declarados em GFIP. Os valores arbitrados para o exercício de 2001 foram utilizados até a competência 12/2005, em razão de os valores declarados na DIPJ serem discrepantes com aqueles informados em GFIP. Além disso, nos exercícios correspondentes ao Ano Calendário 2003, 2004 e 2006, as DIPJ foram declaradas à Receita Federal como Sem Movimento, sendo que as GFIPs demonstram não só a existência de empregados como a retirada de prólabore. Asseverese que a própria recorrente reconhece que não apresentou os documentos solicitados, inclusive os livros contábeis, porém, considera que tal fato não seria suficiente para ensejar o lançamento por aferição indireta. Ao contrário do que entende a recorrente, sua conduta está descrita na lei como razão suficiente a autorizar o lançamento por aferição indireta, conforme se verifica no art. 33, § 3º da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época do lançamento, in verbis: Fl. 495DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Portanto, o que se observa é que a auditoria fiscal teve o amparo legal e fático para a realização do procedimento de aferição indireta. No entanto, cabe ressaltar que embora o Relatório Fiscal fundamente o procedimento de aferição indireta até a competência de 12/2005, verificase no Relatório Discriminativo Analítico do Débito – DAD que a auditoria fiscal efetuou lançamentos com base no valor aferido até a competência 04/2007. Ocorre que o Relatório Fiscal nada menciona a respeito do período de 01/2006 a 04/2007 que autorizasse o lançamento por arbitramento no citado interregno, ao contrário, os trechos abaixo transcritos do Relatório Fiscal (fls. 68/69) levam à conclusão de que o arbitramento se restringiu ao período de 01/2002 a 12/2005. Os valores lançados na presente NFLD, período 01/2002 a 12/2005, foram o resultado do Valor Aferido 01/2001 a 12/2001, conforme DIPJ 2002 Ano Calendário 2001, com a diminuição dos valores contidos em GFIPs, conforme demonstra o quadro abaixo: (...) A utilização do Valor Aferido ano 2001 para o período 01/2002a 12/2005, deveuse às contradições/discrepâncias/inconsistências de valores declarados em DIPJs e GFIPs, indícios de não registrar o movimento real dos valores pagos em Pró Labore, especialmente em DIPJs SEM MOVIMENTO. Como se vê, Relatório Fiscal informa que o lançamento referese ao período de 01/2002 a 12/2005 e silencia a respeito do período de 01/2006 a 04/2007, não se justificando o lançamento no referido período. Assim, concluise que relativamente ao período de 01/2006 a 04/2007, o lançamento não foi motivado não podendo prevalecer. A recorrente solicita o reconhecimento da decadência até a competência 10/2002. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata da decadência das contribuições previdenciárias da seguinte forma: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18108.002197/200763 Acórdão n.º 2402002.437 S2C4T2 Fl. 487 7 “Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada.” Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento remanescente referese a período compreendido entre 01/01/2002 a 31/12/20053 e foi efetuado em 01/11/2007, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida Fl. 498DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18108.002197/200763 Acórdão n.º 2402002.437 S2C4T2 Fl. 488 9 pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, tratase de situação em que se caracteriza a conduta dolosa da notificada que, efetuou omitiu valores pagos a título de prólabore a dirigentes, bem como apresentou DIPJ “Sem Movimento”, quando declarou em GFIP remuneração a empregados e retirada de prólabore. Assim, na presença de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I ambos do CTN. Tal entendimento pode ser corroborado por julgados deste Conselho, conforme se verifica nos trechos transcritos: 1º Conselho – 8ª Câmara Recurso 146870 – Acórdão 10809631 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJAnocalendário: 1998 DECADÊNCIA. Para os tributos lançados por homologação, o início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN. Configurados o dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial é realizada nos termos do art. 173, inciso I, do CTN 1º Conselho – 7ª Câmara Recurso 152994 – Acórdão 10709311 Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999, 2000 IRPJ. DECADÊNCIA.. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, a contagem do prazo decadencial, de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, não se aplica aos casos de dolo, fraude ou simulação; nesses casos, a contagem do prazo decadencial segue a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. FRAUDE. ART. 173, I, DO CTN. INAPLICABILIDADE DA LEI Nº 8212/91. Em matéria de decadência, inclusive nos casos das contribuições sociais, a norma aplicável é o Código Tributário Nacional. Não pode a lei 8212/91, lei ordinária, veicular norma de decadência, afastando a regra expressa do CTN, formalmente lei complementar. MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. A falta de escrituração de parte expressiva das receitas, reiteradamente, em todos os meses de dois anoscalendário consecutivos, demonstra ter a autuada agido com dolo, caracterizando o evidente intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%.” Portanto, resta afastada a aplicação do § 4º do art. 150 para a aplicação do art. 173 inciso I, ambos do CTN e pela aplicação do segundo não se verifica decadência alguma uma vez que o lançamento compreende competências posteriores a 11/2001. A recorrente alega nulidade do lançamento face a um suposto enorme número de irregularidades que afrontariam princípios administrativos. Tal alegação tem cunho meramente protelatório e não merece ser considerada. Os elementos que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do lançamento, qual seja, contribuições apurada por aferição indireta em razão da negativa de apresentação de documentos e livros contábeis aliado à existência de comprovados pagamentos efetuados “por fora” e a empregados sem registro. Toda a fundamentação legal que amparou o lançamento foi disponibilizada ao contribuinte conforme se verifica no relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Assim, não há que se falar em ofensa a quaisquer dos princípios administrativos elencados pela recorrente. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18108.002197/200763 Acórdão n.º 2402002.437 S2C4T2 Fl. 489 11 A recorrente solicita que sejam incluídas no pólo passivo do presente lançamento, as tomadoras de seus serviços. Tal inclusão ocorreria com base no instituto da responsabilidade solidária. Cumpre dizer que o lançamento em questão não foi efetuado com base em tal instituto. A própria recorrente sofreu a ação fiscal e foi lançado o crédito tributário, cujo contribuinte também é a recorrente. De igual forma, a apuração do crédito não se deu relativamente aos segurados que prestaram serviços a este ou aquele tomador, mas referese ao prólabore arbitrado ou seja, valores relativos a pagamentos a contribuintes individuais que não poderiam de forma alguma ser atribuídos a empresa tomadora de serviços. Assim, padece de fundamento a pretensão da recorrente em trazer para o pólo passivo as tomadoras de seus serviços. Por fim, a recorrente solicita a suspensão da emissão da Representação Fiscal para Fins Penais enquanto não complementado o Processo Administrativo Fiscal, uma vez que não teria sido caracterizada a ocorrência de qualquer infração. Nesse aspecto, vale informar que não cabe a esta instância de julgamento manifestarse quanto ao momento oportuno para a realização da Representação Fiscal para Fins Penais. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para retirar do lançamento as competências de 01/2006 a 04/2007, por vício material, em razão da ausência de motivação para o lançamento arbitrado nessas competências. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 501DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11065.000382/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 03 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EMPRESAS ESTATAIS. ARTIGO 5º DA LEI 10101/2000.
A disciplina da distribuição de lucros e resultados aplicável às empresas privadas é distinta daquela aplicável às empresas estatais: às primeiras, aplica-se a regra do art. 2º da Lei nº 10101/00, enquanto às segundas, aplica-se a disciplina do art. 5º, dessa mesma lei.
Numero da decisão: 2402-010.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Francisco Ibiapino Luz, Diogo Cristian Denny e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Francisco Ibiapino Luz.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregorio Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny (suplente convocado), Renata Toratti Cassini, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente). Ausente o conselheiro Marcio Augusto Sekeff Sallem, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny.
Nome do relator: Renata Toratti Cassini
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EMPRESAS ESTATAIS. ARTIGO 5º DA LEI 10101/2000. A disciplina da distribuição de lucros e resultados aplicável às empresas privadas é distinta daquela aplicável às empresas estatais: às primeiras, aplica- se a regra do art. 2º da Lei nº 10101/00, enquanto às segundas, aplica-se a disciplina do art. 5º, dessa mesma lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Francisco Ibiapino Luz, Diogo Cristian Denny e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Francisco Ibiapino Luz. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregorio Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny (suplente convocado), Renata Toratti Cassini, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente). Ausente o conselheiro Marcio Augusto Sekeff Sallem, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 03 82 /2 00 9- 80 Fl. 199DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.556 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000382/2009-80 Relatório Trata-se de auto de infração visando à constituição de contribuições destinadas a outras entidades e fundos – TERCEIROS (INCRA e SEBRAE) a cargo da empresa, incidentes sobre valores pagos pela aos seus empregados a título de participação nos lucros e resultados no período de 01/2004 a 07/2004. Notificada do lançamento, a empresa apresentou impugnação tempestiva, bem sintetizada no relatório da decisão recorrida, nos seguintes termos: (...) - A incidência do artigo 5° da Lei n° 10.101/2000 (fls. 129/131) A Lei n° 10.101 estabelece mecanismos distintos para a distribuição de PLR pelas empresas privadas e pelas estatais. Às privadas, aplicam-se as diretrizes ajustadas em negociação coletiva, na forma do artigo 2°. Às públicas, aplicam-se as diretrizes fixadas pelo Poder Executivo: O Decreto nº 3735, de 24/01/2001 atribui essa competência ao Ministro de Estado do Planejamento (artigo 1°, inciso V), após prévia manifestação do Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais (art. 2°, II). É, portanto, da competência do .Ministro de Estado do Planejamento e Gestão fixar as diretrizes de distribuição da Participação de empregados de estatais nos Lucros e Resultados dessas empresas. O Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais (DEST), por sua vez, determina diretrizes e emite manifestação sobre o programa de distribuição de lucros, no caso específico da Impugnante, considerando a totalidade das empresas que compõem o Sistema Petrobrás. Foi nesse sentido que a PETROBRÁS, através do Oficio GAPRE 310/2004, anexo, encaminhou ao Ministério das Minas e Energia, ao qual está vinculada, “o programa de metas inerentes ao Sistema Petrobras para o ano-base de 2004”. O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, através do Oficio n° 947/.MP/SE, de 22/12/2004,, aprovou o Programa, desde que observadas as metas propostas pela PETROBRAS, também fazendo menção ao Sistema Petrobras. Por fim, o Ministério das Minas e Energia encaminhou, aos 16/02/2005, informação de que o .Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão nada teve “a opor à antecipação de parcela do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados referente ao exercício de 2004, pelas empresas do sistema PETROBRAS". Ora, dúvida não pode haver quanto ao fato de que a Impugnante integra o Sistema PETROBRAS. Afinal, no exercício social de 2004, 69,999797% do seu Capital Social era formada de ações subscritas pela Downstream Participações, que por sua vez tem por principal quotista a Petróleo Brasileiro S/A - PETROBRAS, como provam as Certidões anexas, ...dúvidas não podem subsistir quanto à sua natureza estatal diante do anexo Of N°275/2004/SE-MF, ...segue anexa instrução de voto expedida .......... ...vale destacar que metas e indicadores existiam e foram aprovados na forma da legislação pertinente pelo que não se pode reputar desrespeitada a Lei n° 10.101. Diante da ausência de fundamento para imputar crédito previdenciário sobre Participação nos Lucros pagos pela Impugnante aos seus empregados, impõe-se o cancelamento do Auto de Infração, (...) - O artigo 2° da Lei n° 10.101/2000 (fls. 132/134) Fl. 200DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.556 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000382/2009-80 ...não há na Lei que regula a PLR, obrigação, para caracterização da natureza jurídica de Participação nos Lucros, de que tenha havido acordo ou convenção prévia. O Acordo Coletivo de Trabalho é ato formal. Sua ausência não transforma a natureza da Participação nos Lucros prevista no artigo 7°, inciso XI, da Constituição da República. Tanto assim é que os Tribunais do Trabalho - a quem compete dizer da natureza jurídica da Participação nos Lucros - reforçam sua natureza desvinculada da remuneração ainda em casos anteriores à Lei n° 10.101/2000 ou mesmo pactuada deforma diversa da lei: (...) A Participação nos Lucros e a base de cálculo de contribuições previdenciárias (134/141) ...é de disposição expressa da Constituição da República - e não a Lei n° 10.101/2000 - a determinação de que a Participação dos trabalhadores nos Lucros ou Resultados da empresa é desvinculada da remuneração. ...Essa imposição foge ao âmbito das atribuições da RFB. ...nega vigência à sua própria legislação previdenciária, conforme o previsto na Lei n° 8.212, Artigo 28, § 9°, e “7” (recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário...”) e (“participação, nos lucros ou resultados”). Colaciona jurisprudências e doutrina. - A base de cálculo de contribuições previdenciárias (fls. 141/142) ...a Lei n” 8.212/91 exclui expressamente a incidência de contribuição sobre ganhos eventuais e abonos: (.. O valor do crédito previdenciário lançado (fls. 142/143) ...desconsiderou, contudo, o disposto no artigo 65 da Medida Provisória n° 449/08 que revogou esses incisos. o reconhecimento da nulidade do Auto de Infração. - O Pedido (fls. 143) ...requer a Impugnante seja revisto o lançamento e, declare inexistente o crédito previdenciário, cancelando o auto de infração em epígrafe.. ...decidindo-se então pela sua improcedência e extinguindo todo o crédito tributário. ...alternativamente, seja ele reduzido aos valores que resultam da legislação em vigor apontada. Desde já protesta pela juntada de documentação superveniente, se necessário se fizer. A impugnação foi julgada improcedente em parte pela 5ª Turma da DRJ/JFA, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004 AI DEBCAD N° 37.169.745-0 de 02/04/2009 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. TERCEIROS. INCRA. SEBRAE. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. VALOR DA MULTA APLICADA. Constatado O não recolhimento de contribuições tratadas na Lei n° 8.212/91, a fiscalização lavrará o respectivo auto de infração. O pagamento de verbas a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa em desacordo com a lei específica determina a incidência da Fl. 201DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.556 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000382/2009-80 contribuição previdenciária, devendo ter os seus valores pagos ou creditados a segurados empregados tributados e lavrados os autos de infração cabíveis. Não se considera as contribuições para Outras Entidades e Fundos no cálculo da multa de mora e da multa de 75%, na comparação das penalidades cabíveis consoante a legislação vigente antes e depois da MP 449/08 para fins de aplicação da multa mais favorável ao sujeito passivo. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A Administração Pública está sujeita ao princípio da legalidade, à obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada dessa decisão aos 09/07/10 (fls. 166), a contribuinte interpôs recurso voluntário aos 10/08/10 (fls. 168 ss.), no qual reproduz as alegações de defesa constantes de sua impugnação. Não houve contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini, Relatora. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, pelo que dele conheço. Conforme relatado, trata-se de recurso voluntário em face de decisão que julgou improcedente impugnação apresentada em face de auto de infração visando à constituição de crédito tributário de contribuições destinadas a outras entidades e fundos – TERCEIROS (INCRA e SEBRAE) a cargo da empresa, incidentes sobre valores pagos pela empresa aos seus empregados a título de participação nos lucros e resultados no período de 01/2004 a 07/2004. Relata a autoridade fiscal no Relatório da Atividade Fiscal de fls. 16 ss. que: (...) Em 02/07/2008 emiti o TIAF - Termo de Início da Ação Fiscal, do qual o contribuinte tomou ciência em 04/07/2008, solicitando entre outros documentos “Regulamento da participação nos lucros ou resultados - PLR - ano de 2004” e “Regulamento dos benefícios concedidos ao trabalhador”. Em 16 de fevereiro de 2005 a Alberto Pasqualini - REFAP S.A e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo no Rio Grande do Sul - SINDIPETRO/RS, assinaram acordo coletivo de trabalho tendo como objeto o “pagamento de antecipação da Participação nos Lucros ou Resultados, referente ao exercício de 2004”. Da análise do referido acordo constata-se que o pagamento de antecipação da participação nos lucros ou resultados não está de acordo com a legislação que rege a matéria, ou seja, o presente acordo não contém regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado e foi Fl. 202DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.556 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000382/2009-80 ajustado após o exercício (2004) ao que o mesmo se refere, portanto, o referido acordo só foi ajustado após a companhia dispor de seu resultado e sem nenhuma participação dos empregados no processo, isto é, não houve acordo ou convenção prévia. Em 27 de maio de 2005 a Alberto Pasqualini - REFAP S.A e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo no Rio Grande do Sul - SINDIPETRO/RS, assinaram acordo coletivo de trabalho tendo como objeto o “pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados, referente ao exercício de 2004”. Da análise do referido acordo constata-se que o pagamento da participação nos lucros ou resultados não está de acordo com a legislação que rege a matéria, ou seja, o presente acordo não contém regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado e foi ajustado após o exercício (2004) ao que o mesmo se refere, portanto, o referido acordo só foi ajustado após a companhia dispor de seu resultado e sem nenhuma participação dos empregados no processo, isto é, não houve acordo ou convenção prévia. Mesmo fazendo parte do sistema “PETROBRÁS”, a REFAP S.A é uma empresa com CNPJ próprio, devendo estabelecer suas próprias metas de qualidade, produtividade, lucratividade, etc. A lei 10.101/2000 não prevê, em nenhuma situação, a substituição do empregador por outra pessoa jurídica no estabelecimento das metas e na pactuação das mesmas com seus empregados. Desta forma concluo que o Programa de Distribuição de Resultados da REFAP S.A, encontra-se em desacordo com o estabelecido pela legislação vigente á época dos fatos geradores, tratando-se de mecanismo de complementação salarial e por isto caracteriza- se como fato gerador de contribuição para a seguridade social. (Destaquei) O julgador de primeira instância julgou a impugnação apresentada pela empresa improcedente e manteve o lançamento, validando os seus fundamentos. Em seu recurso, como dito, a empresa reitera as razões de defesa apresentadas em sua impugnação, alegando, em síntese, que, (a) a Lei 10101/00 estabelece mecanismos distintos para regular a distribuição de lucros e resultados em caso de empresas privadas e estatais, sendo que às privadas, aplica-se o art. 2º e às públicas, como é o caso da recorrente, aplica-se o art. 5º; (b) Nos termos do Decreto 3735/01, é competência do Ministro de Estado do Planejamento e Gestão fixar as diretrizes de distribuição da Participação de empregados de estatais nos Lucros e Resultados dessas empresas e o Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais (DEST), por sua vez, determina diretrizes e emite manifestação sobre o programa de distribuição de lucros, no caso específico da recorrente, considerando a totalidade das empresas que compõem o Sistema Petrobras; (c) Que o programa de metas do Sistema Petrobras para o ano-base de 2004 foi encaminhado pela Petrobrás ao Ministério das Minas e Energia por meio do Ofício GAPRE 310/2004, anexo à impugnação; (d) Que o programa foi aprovado pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão por meio do Ofício nº 947/MP/SE, de 22/12/04; (e) Que aos 16/02/05, o Ministério das Minas e Energia encaminhou informação recebida do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão no sentido de que nada teve “a opor à antecipação de parcela do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados referente ao exercício de 2004, para as empresas do Sistema PETROBRAS". Fl. 203DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.556 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000382/2009-80 (f) Conclui que não há dúvida de que integra o Sistema Petrobrás, pois em 2004, 69,99% do seu capital social era formado por ações da DownStream Participações que, por sua vez, tem por principal quotista a Petróleo Brasileiro S/A, como comprovam as certidões anexas; (g) Que, à época, a instrução de voto do sr. Ministro do Estado da Fazenda ao seu representante na Downstream Participações Ltda. (Processo Administrativo nº 10951.000155/2005-73, anexada à impugnação) foi para votar na assembleia geral ordinária da REFAP, “pela aprovação da proposta da Administração de destinação do lucro liquido do exercício de 2004, devendo a empresa, no que se refere ao pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados aos empregados, observar rigorosamente os termos e as condições constantes do Programa de Metas Corporativas para o Sistema Petrobras, aprovado por intermédio do Ofício nº 947/MP/SE, de 22.12.2004, e do Oficio n° 74/2005/MP/SE, de 11.02.2005”; (h) Que existiam metas e indicadores que foram aprovados nos termos das legislação, e que foram integralmente atingidas, que relaciona em quadro apresentado no recurso; (i) Alega que a lei não estabelece que somente se tiver havido prévio acordo é que o valor poderá ser pago a título de Participação nos Lucros e que o acordo coletivo é ato formal e sua ausência não transforma a natureza da participação nos lucros prevista no art. 7º, XI da CF. (j) Que a participação nos lucros, por expressa disposição constitucional, não integra a base de cálculo das contribuições à seguridade social, pois é desvinculada da remuneração do empregado. Pois bem. A participação nos lucros ou resultados trata-se de direito social garantido ao trabalhador pela Constituição Federal/88 no art. 7º, XI, nos seguintes termos: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...). Segundo decidiu o Supremo Tribunal Federal no julgamento da repercussão geral no RE nº 569441/RS, cuja ementa reproduzo abaixo, esse dispositivo tem eficácia limitada e depende de regulamentação: EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF – inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários– depende de regulamentação. Fl. 204DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-010.556 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000382/2009-80 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizou-se antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento. A regulamentação desse dispositivo constitucional ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29/12/94, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados e dá outras providências. Essa MP foi reeditada diversas vezes, até culminar na edição da Lei nº 10101/00, que, por sua vez, dispõe o seguinte nos seus arts. 2º e 5º: Art.2 o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) II-convenção ou acordo coletivo. §1 o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I-índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II-programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2 o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...). Art.5 o A participação de que trata o art. 1 o desta Lei, relativamente aos trabalhadores em empresas estatais, observará diretrizes específicas fixadas pelo Poder Executivo. Parágrafo único. Consideram-se empresas estatais as empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas e demais empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto. Da leitura em conjunto dos dispositivos acima transcritos, extrai-se que a disciplina da distribuição de lucros e resultados aplicável às empresas privadas é distinta daquela aplicável às empresas estatais: às primeiras, aplica-se a regra do art. 2º da Lei nº 10101/00, enquanto às segundas, aplica-se a disciplina do art. 5º, da mesma lei, que em seu parágrafo cuida de esclarecer quais espécies de empresas se consideram estatais. O mencionado art. 5º somente passou a ter a redação acima reproduzida na reedição da MP nº 955, de 24 de março de 1995. Nesse contexto, foi editada a Resolução CCE de nº 10, de 30/05/95 pelo Conselho de Coordenação e Controle de Empresas Estatais, que estabeleceu regras para a distribuição de lucros pelas empresas estatais, complementando o mencionado art. 5º, regras essas que se aplicam até o presente momento. Dentre essas regras, dispõem os arts. 4°, 5º e 6º da Resolução CEE nº 10/95 que: Fl. 205DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-010.556 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000382/2009-80 Art. 4° A empresa estatal, para firmar acordo com vistas à participação dos seus empregados nos lucros ou resultados, deverá submeter previamente ao CCE a respectiva proposta, encaminhada através do Ministério Setorial ao qual esteja vinculada, indicando claramente: I - a origem dos resultados ou lucros que dão margem à proposta de participação; II - o valor total que pretende distribuir; III - os ganhos nos índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa no período, que ensejaram a participação; IV - a avaliação das metas, resultados e prazos pactuados previamente para o período; V - a evolução dos índices de segurança no trabalho; VI - a evolução dos índices de assiduidade; VII - outros critérios e pré-condições definidos de acordo com as características e atividades da empresa estatal. Parágrafo único. O CCE poderá aprovar ou não, no todo ou em parte, a proposta de que trata este artigo, inclusive alterando suas condições, tendo em vista a execução da política econômica e social do Governo e da política para as empresas estatais. Art. 5° A participação se dará mediante o pagamento, de uma só vez, em moeda corrente nacional ou em ações representativas do capital social da empresa estatal, ou um misto destas. § 1° O pagamento se dará no mês imediatamente posterior à realização da Assembleia Geral Ordinária, condicionado ao efetivo pagamento dos dividendos aos acionistas. § 2° No caso das empresas públicas a distribuição de resultados se dará após a aprovação das contas pelo Conselho de Administração ou órgão equivalente. Art. 6° O empregado somente fará jus à participação convencionada com a empresa à qual está vinculado através do contrato de trabalho, independentemente da sua lotação, vedada qualquer participação nos lucros ou resultados de mais de uma empresa estatal, pertencente ou não ao mesmo grupo ou conglomerado. O recorrente afirma em seu recurso que integra o Sistema Petrobrás e, desse modo, deve observar rigorosamente os termos e as condições constantes do Programa de Metas Corporativas para o Sistema Petrobras no que se refere ao pagamento de participação nos resultados. De fato, do documento anexado a fls. 141, referente ao Processo nº 10951.000155/2005-73, cujo interessado é o recorrente, consta Despacho do Ministro do Estado da Fazenda datado de 30 de março de 2005, com o seguinte teor: Com base nos Pareceres da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, Secretaria do Tesouro Nacional e do Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais, e nos termos do art. 3° do Decreto n° 2.673, de 16 de julho de 1998, autorizo o representante da Downstream Participações Ltda. a votar, na assembleia geral ordinária da Alberto Pasqualini - REFAP S/A, a se realizar no dia 30 de março de 2005, pela aprovação da proposta da Administração de destinação do lucro liquido do exercício de 2004, devendo a empresa, no que se refere ao pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados aos empregados, observar rigorosamente os termos e as condições constantes do Programa de Metas Corporativas para o Sistema PETROBRAS, aprovado por intermédio do Oficio n° 947/MP/SE, de 22.12.2004, e do Oficio n° 74/2005/MP/SE, de 11.02.2005. Conforme documentação anexada aos autos, a recorrente se trata de sociedade de economia mista que, realmente, integra o Sistema Petrobrás, do que não discordam nem a Fl. 206DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-010.556 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000382/2009-80 autoridade fiscal autuante, nem o julgador de primeira instância, quando afirmam que “mesmo fazendo parte do sistema ‘PETROBRÁS’, a REFAP S.A é uma empresa com CNPJ próprio”. Assim, entendem que a recorrente deve estabelecer suas próprias metas de qualidade, produtividade e lucratividade e que a Lei n° 10.101/2000 não prevê, em nenhuma situação, a substituição do empregador por outra pessoa jurídica no estabelecimento das metas com seus empregados, concluindo, desse modo, que e o Programa de Distribuição de Resultados da REFAP S.A. se encontra em desacordo com a legislação vigente. Ocorre que, como acima demonstrado, nos termos do próprio art. 5º da Lei nº 8212/91, as empresas estatais se submetem a uma disciplina própria no que diz respeito à distribuição de lucros ou resultados aos trabalhadores, devendo observar as diretrizes específicas fixadas pelo Poder Executivo. Realmente, por sua natureza de empresas estatais, o seu programa de distribuição de lucros e resultados, naturalmente seria objeto de controle e eventualmente, alteração, por parte do Poder Executivo em razão, por exemplo, de necessidade de adequação à política econômica ou social do governo, conforme consta expressamente do art. 4º, p.un., da Resolução CCE nº 10/05. Nesse sentido, deve-se observar que, conforme faz prova o documento de fls. 141, o pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados pela recorrente da forma como foi feito, observando-se “rigorosamente os termos e as condições constantes do Programa de Metas Corporativas para o Sistema PETROBRAS, aprovado por intermédio do Oficio n° 947/MP/SE, de 22.12.2004, e do Oficio n° 74/2005/MP/SE, de 11.02.2005”, decorreu de determinação do Ministro do Estado da Fazenda, autoridade à qual é subordinada a própria Receita Federal do Brasil, expedido com base, dentre outros, em Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Ressalte-se que todos os documentos mencionados no Despacho do Ministro do Estado da Fazenda de fls. 141, como o Ofício de 947/MP/SE, de 22/12/04 e o Ofício 74/2005/MP/SE, estão anexados aos autos, a fls. 133 e 135, respectivamente. Quanto ao fato de que o recorrente teria celebrado acordos coletivos com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo no Rio Grande do Sul - SINDIPETRO/RS, aos 16/02/2005 e aos 27/05/05, para pagamento de antecipação da Participação nos Lucros ou Resultados e da própria PLR, descontado o valor pago a título de antecipação, respectivamente, ambos referentes ao exercício de 2004, ou seja, após a companhia dispor de seus resultados, o que contraria a legislação que rege a matéria, entendo que autoridade autuante fez uma análise dos fatos sob o prisma das empresas privadas, e não considerando a recorrente como uma empresa estatal. Com efeito, do art. 5º, § 1º da Resolução CCE nº 10/95, fica claro que os acordos coletivos foram feitos em obediência tanto à norma em questão, que dispõe que “o pagamento [da participação nos lucros ou resultados] se dará no mês imediatamente posterior à realização da Assembleia Geral Ordinária, condicionado ao efetivo pagamento dos dividendos aos acionistas, como ao Despacho do Ministro do Estado da Fazenda de fls. 141, que recomenda ao seu representante votar pelo pagamento da participação nos lucros e resultados observando-se rigorosamente os termos e condições do Programa de Metas Corporativas para o Sistema Petrobrás. Fl. 207DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-010.556 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000382/2009-80 Assim, diante de todo o exposto e de todos os documentos anexados aos autos, resta comprovado que o pagamento das participação nos lucros e resultados efetivado pela recorrente no período questionado cumpriu os requisitos da legislação a ela aplicável. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Declaração de Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz A presente exposição tem por desígnio explicitar as razões por que orientei meu voto para negar provimento ao recurso interposto, contrariamente ao bem articulado entendimento da i. Relatora - Conselheira de notória cultura tributária - a qual foi acompanhada por parte desta Turma de Julgamento. Nesse contexto, com todas as vênias que possam me conceder os nobres julgadores que proveram a pretensão da Recorrente, na hipótese vertente, vislumbro conclusão diversa, haja vista o descumprimento das exigências contidas no art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, nada nele refletindo o suposto atendimento das diretrizes destinadas às empresas estatais estabelecidas no art. 5º do mesmo diploma legal. Assim entendido, a fim de melhor destacar a compreensão daquilo que efetivamente diz a norma tributária, como se passa o que ali está dito e de que modo a situação fática a ela se subsume, cabível replicar trechos do voto condutor da decisão proferida, nestes termos: Quanto ao fato de que o recorrente teria celebrado acordos coletivos com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo no Rio Grande do Sul - SINDIPETRO/RS, aos 16/02/2005 e aos 27/05/05, para pagamento de antecipação da Participação nos Lucros ou Resultados e da própria PLR, descontado o valor pago a título de antecipação, respectivamente, ambos referentes ao exercício de 2004, ou seja, após a companhia dispor de seus resultados, o que contraria a legislação que rege a matéria, entendo que autoridade autuante fez uma análise dos fatos sob o prisma das empresas privadas, e não considerando a recorrente como uma empresa estatal. Com efeito, do art. 5º, § 1º da Resolução CCE nº 10/95, fica claro que os acordos coletivos foram feitos em obediência tanto à norma em questão, que dispõe que “o pagamento [da participação nos lucros ou resultados] se dará no mês imediatamente posterior à realização da Assembleia Geral Ordinária, condicionado ao efetivo pagamento dos dividendos aos acionistas, como ao Despacho do Ministro do Estado da Fazenda de fls. 141, que recomenda ao seu representante votar na pelo pagamento da participação nos lucros e resultados observando-se rigorosamente os termos e condições do Programa de Metas Corporativas para o Sistema Petrobrás. (Destaques no original) Fl. 208DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2402-010.556 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000382/2009-80 Nesse pressuposto, já que a decisão proferida no processo digital nº 11065.000148/2009-52 (parte patronal mais GIILRAT) tem por fundamento as iguais razões que sustentaram o decidido neste processo (contribuições destinadas a outras entidades e fundos – terceiros -, ora replico a integral Declaração de Voto lá por mim apresentada. Confira-se, iniciando pela transcrição de excerto do voto condutor daquela decisão: Relata a autoridade fiscal no Relatório da Atividade Fiscal de fls. 13 ss. que: (...) Em 16 de fevereiro de 2005 a Alberto Pasqualini - REFAP S.A e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo no Rio Grande do Sul - SINDIPETRO/RS, assinaram acordo coletivo de trabalho tendo como objeto o “pagamento de antecipação da Participação nos Lucros ou Resultados, referente ao exercício de 2004”. Da análise do referido acordo constata-se que o pagamento de antecipação da participação nos lucros ou resultados não está de acordo com a legislação que rege a matéria, ou seja, o presente acordo não contém regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado e foi ajustado após o exercício (2004) ao que o mesmo se refere, portanto, o referido acordo só foi ajustado após a companhia dispor de seu resultado e sem nenhuma participação dos empregados no processo, isto é, não houve acordo ou convenção prévia. [...] (Destaque no original) A regulamentação desse dispositivo constitucional ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29/12/94, [...]. Essa MP foi reeditada diversas vezes, até culminar na edição da Lei nº 10101/00, que, por sua vez, dispõe o seguinte nos seus arts. 2º e 5º: Art.2 o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) II-convenção ou acordo coletivo. §1 o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I-índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II-programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2 o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...). Art.5 o A participação de que trata o art. 1 o desta Lei, relativamente aos trabalhadores em empresas estatais, observará diretrizes específicas fixadas pelo Poder Executivo. Fl. 209DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2402-010.556 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000382/2009-80 Parágrafo único. Consideram-se empresas estatais as empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas e demais empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto. (Destaque no original) Da leitura em conjunto dos dispositivos acima transcritos, extrai-se que a disciplina da distribuição de lucros e resultados aplicável às empresas privadas é distinta daquela aplicável às empresas estatais: às primeiras, aplica-se a regra do art. 2º da Lei nº 10101/00, enquanto às segundas, aplica-se a disciplina do art. 5º, da mesma lei, que em seu parágrafo cuida de esclarecer quais espécies de empresas se consideram estatais. [...] Conforme documentação anexada aos autos, a recorrente se trata de sociedade de economia mista que, de fato, integra o Sistema Petrobrás, do que não discordam nem a autoridade fiscal autuante, nem o julgador de primeira instância, quando afirmam que “mesmo fazendo parte do sistema ‘PETROBRÁS’, a REFAP S.A é uma empresa com CNPJ próprio”. Consoante se vê na transcrição supra, a Recorrente é sociedade de economia mista integrante do “Sistema Petrobrás”, com natureza jurídica de direito privado e CNPJ próprio, sujeitando-se às diretrizes estabelecidas no art. 5º da Lei nº 10.101, de 2000. Portanto, o escopo da presente Declaração será apenas esclarecer o entendimento de que a fruição do reportado benefício fiscal pelas empresas estatais está condicionada ao cumprimento tanto dos requisitos quanto das diretrizes legais estabelecidos pelos arts. 2º e 5º, respectivamente, da citada lei. A propósito, a inferência de que as estatais não se sujeitam às regras dispostas no referenciado art. 2º , ao meu sentir, não prospera sob os aspectos formais da norma e muito menos quando se adentra propriamente no seu conteúdo material. É o que se mostrará na sequência, iniciando-se pelos primeiros. Nesse pressuposto, dita análise carece ser clareada pelo regramento para elaboração, redação, alteração e consolidação de leis, presente na Lei Complementar nº 95, de 26 de fevereiro de 1998, art. 11, inciso III, alíneas “c” e “d”, abaixo destacados: Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: [...] III - para a obtenção de ordem lógica: [...] c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida; (Destaquei) d) promover as discriminações e enumerações por meio dos incisos, alíneas e itens. Como visto, o eixo estrutural do ordenamento legal em análise, por si só, já afasta a, no meu entender, equivocada hipótese das empresas estatais não se submeterem às regras impostas pelo citado art. 2º. Afinal, tanto neste artigo como no 5º do mesmo diploma, não há um único parágrafo excepcionando tais empreendimentos do cumprimento dos manifestados requisitos estabelecidos no primeiro (art. 2º), como ocorre com a pessoa física e a entidade sem fins lucrativos excepcionados pelo §3º do mesmo artigo, que ora replico para facilitar a compreensão: Art. 2 o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (Destaquei) Fl. 210DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2402-010.556 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000382/2009-80 [...] § 3 o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I - a pessoa física; II - a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: Cabível entender que, quando o legislador quis excepcionar a regra por ele imposta, assim o fez expressamente por meio do § 3º supracitado. Logo, fosse essa a sua intenção, reportado comando de exclusão estaria presente em um dos citados artigos, o que, como visto, não ocorreu. A exemplo, se fosse o caso, seguem supostas expressões possíveis: (i) no art. 2º, § X “O disposto neste artigo não se aplica às empresas de que trata o art. 5º” e (ii) no art. 5º, § Y “As empresas tratadas neste artigo não se sujeitam ao disposto no art. 2º”. Confira-se amostra transcrita da Lei nº 8.212, de 1991, por meio da qual se avista exemplo das manifestadas exceções: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria [...] [...] § 2 o O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 22 desta Lei. [...] Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento [...] [...] § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. (Destaquei) No caso dos autos, convém ressaltar, tratou-se de escolha racional e razoável, pois manifestada exceção deixou de ocorrer, porque, realmente, não poderia existir, já que a Constituição Federal de 1988 (CF, de 1988), sujeita as empresas públicas, as sociedades de economia mista e suas subsidiárias exploradoras de atividade econômica ao regime jurídico das empresas privadas, aí se incluindo os direitos e obrigações tributários. Ademais, tratando-se do gozo de privilégios fiscais, o legislador constituinte foi enfático tocante à isonomia destas pessoas jurídicas com as demais do setor privado. É o que traz o art. 173, § 1º, inciso II, § 2º, da Carta Magna, que ora transcrevo: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) [...] II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) [...] § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. (Destaquei) Antes da inferência acerca do acima exposto, adianto que, consoante se mostrará quando da análise do conteúdo material da norma, o ajuste orientador da empresa e Fl. 211DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 Fl. 14 do Acórdão n.º 2402-010.556 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000382/2009-80 empregado no sentido de incrementar a integração entre trabalho e ganho de produtividade, dividindo-se os resultados obtidos, é aquele estabelecido pelo art. 2º do ato legal estudado, onde são negociados os direitos, atribuições e métricas de aferição dos resultados. Já as diretrizes previstas no art. 5º do mesmo ato legal apenas disciplinam a autorização governamental para a estatal implementar o respectivo programa, traduzindo-se etapa antecedente ao referenciado ajuste visto no art. 2º da lei, que é comum a todas as empresas. Do desenho posto, infere-se que o legislador jamais poderia dispensar tratamento privilegiado quanto ao gozo do manifestado benefício fiscal pelas empresas estatais, dispensando-as do notoriamente desgastante enfrentamento com a representação dos empregados por ocasião da construção do suposto acordo. Afinal, o vasto interesse coletivo dos trabalhadores confrontado com os propósitos e limitações dos empregadores tem o potencial de refletir tensões decorrentes das expectativas e frustações experimentadas pelas partes durante o “jogo negocial” próprio da conjuntura vivenciada durante a definição das metas, dos instrumentos de sua aferição e da lucratividade retornada para os beneficiados. Sequenciando a análise, ainda que superado estivessem os aspectos formais da norma, o que, ao nosso entendimento não ocorreu, seu conteúdo material parece cristalino no sentido de que as estatais, tal como as demais empresas privadas, também se sujeitam às regras prescritas no art. 2º ora estudado. É o que se mostrará na sequência. A participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas traduz direito social de matriz constitucional, eis que inserto no inciso XI do art. 7º do Capítulo II - Dos Direitos Sociais - da CF, de 1988), verbis: CAPÍTULO II - DOS DIREITOS SOCIAIS Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (Destaquei) Em sintonia com a CF, de 1988, a Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, inciso I, define salário de contribuição como sendo a totalidade dos rendimentos auferidos a qualquer título pelo segurado, destinados a retribuir o trabalho, aí se incluindo os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Contudo, mediante interpretação autêntica do transcrito comando constitucional, o § 9º, alínea “j”, do mesmo artigo da reportada lei previdenciária, isentou a PLR concedida aos empregados da incidência tributária, desde que os requisitos estabelecidos na lei específica reguladora do preceito constitucional supratranscrito sejam obedecidos. Confira-se: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] Fl. 212DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9528.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9528.htm#art1 Fl. 15 do Acórdão n.º 2402-010.556 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000382/2009-80 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (Destaquei). Por oportuno, necessário lembrar que, perante a seguridade social, os órgãos e entidades da administração pública são considerados “empresa”, razão por que, relativamente aos segurados que lhes prestam serviços, quando não amparados por Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), sujeitam-se às obrigações previdenciárias principais e acessórias. Confira-se a disposição do art. 15, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 15. Considera-se: I - empresa - a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Em dito pressuposto, transcrevo excerto do voto condutor da decisão proferida, onde se vê menção expressa à necessidade das estatais efetivarem o acordo previsto no art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000. Mais especificamente, os arts. 4º e 6º da Resolução CCE nº 10, de 1995, respectivamente, trazem as expressões “para firmar acordo com vistas à participação dos seus empregados nos lucros ou resultados” e “à participação convencionada com a empresa”. Confira-se: Nesse contexto, foi editada a Resolução CCE de nº 10, de 30/05/95, pelo Conselho de Coordenação e Controle de Empresas Estatais, que estabeleceu algumas regras para a distribuição de lucros nas empresas estatais, complementando o mencionado art. 5º, que se aplicam até o presente momento. Dentre essas regras, dispõem os arts. 4°, 5º e 6º da Resolução CEE nº 10/95 que Art. 4° A empresa estatal, para firmar acordo com vistas à participação dos seus empregados nos lucros ou resultados, deverá submeter previamente ao CCE a respectiva proposta, encaminhada através do Ministério Setorial ao qual esteja vinculada, indicando claramente: [...] Art. 6° O empregado somente fará jus à participação convencionada com a empresa à qual está vinculado através do contrato de trabalho, independentemente da sua lotação, vedada qualquer participação nos lucros ou resultados de mais de uma empresa estatal, pertencente ou não ao mesmo grupo ou conglomerado. (Destaquei) Ademais, o art. 5º da Lei nº 10.101, de 2000 faz referência ao art. 1º do mesmo ato legal - “A participação de que trata o art. 1 º desta Lei” - , este, expressamente, ratificando o propósito de incentivar a produtividade por meio da integração do capital (empresa) com o trabalho (empregado), verbis: Art. 1 o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7 o , inciso XI, da Constituição. (Destaquei) Arrematando o até então posto, de um lado, citada lei não dispensou expressamente as estatais de cumprirem os requisitos dispostos em seu art. 2º, como o fez com as pessoas físicas e entidades sem fins lucrativos. Do outro, o cumprimento de tais requisitos consta, igualmente expresso, nos arts. 4º e 6º da CCE nº 10, de 1995, já que sinalizam a realização dos acordos lá previstos. De mais a mais, a suposta dispensa de obrigatoriedade das estatais obedecerem aos reportados requisitos vistos no mencionado art. 2º, implicaria um PLR imposto de “cima para baixo”, já que sem qualquer participação dos empregados no estabelecimento, aferição e acompanhamento das metas, contrariando dito modelo remuneratório. Fl. 213DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#7XI http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#7XI Fl. 16 do Acórdão n.º 2402-010.556 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000382/2009-80 Por pertinente, considerando que a tributação é a regra no exercício da competência tributária, as hipóteses de outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente, por traduzirem exceções no ordenamento jurídico. Logo, nos termos do art. 111 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – CTN -, o entendimento quanto ao cumprimento dos aspectos formais e materiais exigidos para excluir a incidência previdenciária da PLR distribuída aos empregados deve ser restritivo ao literalmente previsto na legislação retrocitada. Confira-se: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II - outorga de isenção; Cotejando supracitadas normas, infere-se que o legislador dispensou tratamento diferenciado às empresas que implementem sistema de remuneração dos seus empregados baseado no incremento de produtividade. Assim, quando atendidos os preceitos legais, a estes trabalhadores, desvinculada da remuneração, será destinada parcela dos ganhos econômicos resultantes da produtividade decorrente do respectivo trabalho. Logo, não se trata de mera gratificação franqueada deliberadamente pelo empregador, já que terá natureza jurídica de rendimento tributável quando distribuída em desacordo com os requisitos formais e materiais que suportam dita desoneração fiscal. Assim sendo, infere-se que mencionado art. 5º determina tão somente que o estabelecimento dos programa de remuneração mediante concessão da PLR das empresas estatais carece atender diretrizes específicas fixadas pelo poder executivo, o que não se aplica aos empreendimentos privados, os quais deliberaram a implementação de seus programas sem a necessidade de prévia autorização estatal. Logo, enquanto a PLR das empresas privadas sujeitam-se apenas aos requisitos previstos no citado art. 2º; o programa das estatais submete-se tanto a estes requisitos, comuns ao meio privado, como às diretrizes vistas no manifestado art. 5º. Mais especificamente, o enfrentamento da empresa – estatais e demais empreendimentos privados - com a representação dos respectivos empregados por ocasião do “jogo negocial” durante a definição das metas, dos instrumentos de sua aferição e da lucratividade retornada para os beneficiados, terá de ser balizado pelas regras do manifestado art. 2º. Contudo, tratando-se de estatais, por haver interesse público subjacente, a obtenção da autorização para implementação do referido “sistema remuneratório” carece do atendimento das diretrizes vistas no discutido art. 5º, traduzindo-se etapa antecedente ao referenciado ajuste de que trata o art. 2º da lei, que é comum a todas as empresas. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Fl. 214DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 14041.000427/2004-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 03 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/10/2004
Limite de alçada. Vigente. Data de Apreciação do Recurso.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância (Súmula CARF nº 103).
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/10/2004
Pagamento. Ausência. Prazo Decadencial. Art. 173, I CTN.
Na ausência de pagamento, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido realizado.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/10/2004
Retenção. Órgão Público. Dedução. Lançamento.
O valor retido por órgão publico qualifica-se como antecipação do tributo devido, por esta razão, devendo ser obrigatoriamente considerado na apuração em eventual lançamento de PIS/Cofins.
Numero da decisão: 3401-010.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (1) em não conhecer do recurso de ofício, e, (2) em conhecer do recurso voluntário, dando-lhe parcial provimento, para determinar, na constituição do crédito lançado, a utilização dos saldos remanescentes dos valores retidos de PIS e Cofins, em agosto de 2000, por órgão público.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente/Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Ronaldo Souza Dias
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Vigente. Data de Apreciação do Recurso. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância (Súmula CARF nº 103). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1998 a 31/10/2004 Pagamento. Ausência. Prazo Decadencial. Art. 173, I CTN. Na ausência de pagamento, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido realizado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1998 a 31/10/2004 Retenção. Órgão Público. Dedução. Lançamento. O valor retido por órgão publico qualifica-se como antecipação do tributo devido, por esta razão, devendo ser obrigatoriamente considerado na apuração em eventual lançamento de PIS/Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (1) em não conhecer do recurso de ofício, e, (2) em conhecer do recurso voluntário, dando-lhe parcial provimento, para determinar, na constituição do crédito lançado, a utilização dos saldos remanescentes dos valores retidos de PIS e Cofins, em agosto de 2000, por órgão público. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente/Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 27 /2 00 4- 78 Fl. 1107DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.245 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000427/2004-78 Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 1061 e ss) interposto contra decisão exarada pela 2 a Turma da DRJ/BSA, mediante Acórdão nº 03-27.776, de 07/11/08 (fls. 1029 e ss), que considerou parcialmente procedente a Impugnação contraposta a Auto de Infração (fls. 24 e ss, e 472 e ss), que constituiu crédito tributário a título de PIS e Cofins, com multa e juros, decorrente de insuficiência de recolhimento. I - Do Auto de Infração e Da Impugnação O relatório no acórdão de 1º grau, por sintetizar bem o contencioso, será parcialmente reproduzido abaixo: Tratam os autos de lançamentos de PIS e Cofins, consubstanciados nos autos de infração às fl. 24/43 e 472/488, referente aos anos-calendário 1998/2004, com crédito tributário total de R$ 2.581.352,025 (sendo os juros calculados até 30/11/2004). Os autos de infração foram formalizados em processos separados, os quais foram juntados em cumprimento ao disposto na Portaria SRF no. 6.129/2005, conforme despachos às fls. 447 e 881. Os lançamentos decorreram de procedimento de verificações obrigatórias, tendo sido apuradas diferenças entre os valores das contribuições escrituradas e das declaradas/pagas. Os valores utilizados como base de cálculo se constituíram de receitas de vendas de unidades imobiliárias, de prestação de serviços, de alugueres, de receitas financeiras e de variações monetárias ativas, sintetizados em demonstrativos às fl. 62/67. Na apuração das receitas de prestação de serviços, o contribuinte efetuou exclusões em 1999 e 2000 (fl. 83/84) sem permissivo legal (a MP no. 1.991-18/2000, art. 47, revogou o inciso IlI, do parágrafo 2°., da Lei no. 9.718/98, sendo entendimento da SRF, por meio do Ato Declaratório 56/2000, não caber a exclusão da base de cálculo de valores que hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica no período compreendido entre 01/02/99 e 09/06/2000). Ainda no que se refere às receitas de prestações de serviços, para aquelas oriundas de contratos com órgãos e empresas públicas foi considerada a possibilidade de diferimento estabelecida no art. 7°. da Lei no. 9.718/98. Cientificado dos lançamentos em 30/12/2004, conforme AR às fl. 44, o sujeito passivo apresentou as impugnações às fl. 350/368 e 797/812, em 28/01/2005, acostadas dos documentos às fl. 369/445 e 813/879, cujos teores resumo a seguir: Tempestividade; Decadência; (...) Das receitas tributadas em duplicidade - na planilha elaborada pela fiscalização, nos meses de dezembro de 1998 (NF 275 - R$ l14.750,00), janeiro (NF 770 – R$ 308.661,12), março (NF 338 – R$ 29.453,82) e dezembro (NF 277 - R$ 601.968,89 -_, já incluída na Base de cálculo de dezembro de 1998) de 1999, julho (NF 805 - R$ 35.382,74) de 2000 e agosto (NF 1367, 1368 e 1373 - R$ 23.664,16, R$ 5.185,62, R$ 7l.886, respectivamente) de 2002, algumas receitas foram lançadas em duplicidade; Fl. 1108DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.245 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000427/2004-78 fazendo com que a base de cálculo restasse diferente da apurada e declarada pelo contribuinte; Da desconsideração de valores retidos de PIS - no mês de agosto de 2000 possuía um crédito de RS 8.759,49, decorrente de retenções na prestação de serviços a órgãos públicos. Acontece que a fiscalização apurou como devido para agosto o montante de RS 4.362,63. Diante disso, restaria um crédito de R$ 4.396,86, suficiente para quitar completamente o débito apurado em setembro (R$ 3.923,54) e, parcialmente, o débito apurado em outubro (R$ 5.842,92); Da desconsideração de valores retidos de Cofins - no mês de agosto de 2000 possuía um credito de R$ 40.428,43, decorrente de retenções na prestação de serviços a órgãos públicos. Acontece que a fiscalização apurou como devido para agosto o montante de RS 20.293,2 l . Diante disso, restaria um crédito de RS 20.135,22, suficiente para quitar completamente o débito apurado em setembro (R$ 18.108,66) e, parcialmente, o débito apurado em outubro (R$ 26.967,31); Da receita de Terceiros - O conceito de faturamento após a Lei no. 9.718/98 foi ampliado, tendo, contudo, um significado próprio e bem preciso, inconfundível com meros ingressos que, rotineiramente, são registrados pelas pessoas jurídicas contabilmente. Nem sempre o ingresso de capitais ou recursos financeiros na sociedade representa a entrada de receitas, havendo a necessidade do efetivo ingresso de numerários e valores no patrimônio em decorrência do exercício do objeto social da sociedade. Resta evidente que o mero trânsito de valores pelos seus livros, sem representar acréscimo patrimonial, não constitui receita. No presente caso não houve “transferência” de receitas a terceiros, mas mera entrega de valores que a esses pertenciam. O procedimento adotado no sentido de não oferecer à tributação tais valores guarda perfeita consonância com o conceito de renda; Da irretroatividade das normas (apenas em relação ao PIS). A partir de janeiro de 2003, com a entrada em vigor da sistemática não-cumulativa, a alíquota do PIS foi majorada para l,65%, sendo facultado ao contribuinte apurar créditos nas hipóteses previstas no art. 3° da Lei n° 10.637/2002. Contudo, permaneceu tributando a alíquota de 0,65% as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente à janeiro de 2003, uma vez' que o fato gerador do PIS ocorreu com a contratação dos serviços, ainda sob a égide da Lei nº 9.7l8/98, embora o pagamento da contribuição pudesse ser diferido para o momento do recebimento efetivo da receita. Tal entendimento baseou-se no 2°, da MP no. 2.221/2001, no art. 30, da Lei no 8.981/9-5, no Ato Declaratório Interpretativo no. 04/2002 e em artigo do EX Conselheiro do l° Conselho de Contribuintes, Edilson Carlos Fernandes. Logo, a tributação à alíquota de 1,65% não encontra respaldo jurídico; Dos créditos apurados na sistemática não-cumulativa (apenas em relação ao PIS) - a fiscalização não levou em consideração os créditos apurados e declarados no Dacon (439/443) nos meses de janeiro a dezembro de 2003; Da variação monetária ativa - Nos meses de julho a dezembro de 1999, janeiro, março, julho, novembro e dezembro de 2000, janeiro a outubro de 200l, setembro e novembro de 2002, janeiro a dezembro de 2003 e janeiro a outubro de 2004, a fiscalização adicionou à base de cálculo, indevidamente, parcela denominada de variação monetária, retirada de apurações dos valores das obras (doc. à fl.. 445). Tal parcela não se traduz em receita, pois é simples ajuste para manutenção do percentual de reconhecimento de lucro nas obras de longo prazo. Determina a legislação que o contribuinte deve manter paridade de reconhecimento de lucro no caso de apuração de obras em incorporação, ou de longo prazo. Assim, o custo diferido, conta redutora do passivo representativo de “receitas de exercícios futuros”, deve ser corrigido pela mesma proporção das variações monetárias aplicados sobre os recebíveis, para simplesmente manter a relação receita/custo prevista desde o início da obra. Os valores tributados, portanto, são apenas os que forem recebidos mês a mês. Incluir o ajuste do Fl. 1109DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.245 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000427/2004-78 custo diferido é tributar em duplicidade. Diante disso, faz-se necessária a revisão de todo o lançamento; (...) Os autos foram encaminhados para a .DRF/Brasília/DF, para que, em diligência, fossem adotadas as seguintes providências: (...) Como resultado da diligência, a autoridade fiscal autuante juntou aos autos os documentos às fl. 888/999 e elaborou o relatório de diligência à fl. 1001, sendo parte integrante deste a planilha à fl. 1000. Consta do relatório o seguinte: Em relação aos créditos utilizados para apuração do PIS não cumulativo. O contribuinte apresentou demonstrativos das despesas dedutíveis acompanhadas das cópias do Razão onde tais valores estão escriturados (fl. 907/908), cópias da Dacon e da DCTF do ano 2003 (fl. 930/945). Concluiu caber razão ao alegado pelo contribuinte nesta parte, elaborando a planilha à fl. 1000, onde considerou o abatimento dos créditos; Quanto às variações monetárias ativas, o contribuinte apresentou demonstrativos extra contábeis, acompanhados de planilhas com especificação dos valores utilizados (fl. 953 /987 c 991/999). Na planilha acima mencionada deduziu, da base de cálculo, os valores da variação monetária incluídos no lançamento; Relativamente às retenções de PIS e de Cofins por órgãos públicos, o contribuinte trouxe os comprovantes às fl. 946/948. Intimado do relatório de diligência em 26/11/2007, conforme AR à sujeito passivo não se manifestou. II – Da Decisão de Primeira Instância O Colegiado de 1º grau manteve parcialmente o lançamento, argumentou, entre outros que: Decadência (...) Em resumo, no lançamento do PIS, relativamente aos fatos geradores ocorridos de março de 1998 até novembro de 1999 (inclusive), não foram alcançados pela decadência os fatos geradores ocorridos em: dezembro/ 1998, janeiro de 1999 e fevereiro de 1999. (...) Em resumo, no lançamento da Cofins, todos os fatos geradores ocorridos de março de 1998 até novembro de 1999 (inclusive) foram alcançados pela decadência, devendo ser excluídos tais períodos. Receitas tributadas em duplicidade (...) Fl. 1110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-010.245 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000427/2004-78 Analisando o demonstrativo. elaborado pela autoridade fiscal, onde estão detalhadas as receitas de prestação de serviços consideradas no lançamento, por nota fiscal identificação da obra realizada, às fl. 45/61, verifica-se que cabe razão ao sujeito passivo. A planilha abaixo indica as notas fiscais repetidas que deverão ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins: (...) Valores retidos por órgãos públicos Aqui o sujeito passivo argumentou que possuía créditos de PIS e de Cofins retidos na fonte por órgãos públicos no mês de agosto de 2000, nos montantes de R$ 8.759,49 e R$ 40.428,43, respectivamente, os quais seriam suficientes para compensar não somente os valores apurados das contribuições para o referido mês, mas também para os meses de setembro (integralmente) e de outubro (parcialmente). A existência dos créditos mencionados é inconteste, vez que a própria autoridade fiscal reconheceu-os nos demonstrativos às fl. 64 e 509, respectivamente. Além disso, atentando para os Demonstrativos de Situação Fiscal Apurada às fl. 70 e 515, verifica-se que a autoridade fiscal efetuou a compensação dos créditos com os montantes apurados em agosto de PIS e de Cofins, respectivamente, sem compensar os saldos remanescentes com as contribuições apuradas em setembro e outubro. (...) Contudo, não consta dos autos qualquer indicação nesse sentido, restando evidente que a compensação nos meses de setembro e outubro está sendo pleiteada agora, após a ciência do lançamento. Sendo assim, esta deverá ser objeto de pedido de compensação específico (atualmente PER/DCOMP), abrangendo os acessórios (juros e multa) exigidos no lançamento. - Agiu bem a autoridade fiscal ao não fazer de oficio a compensação dos créditos, vez que tal iniciativa somente pode ser adotada em procedimentos de restituição ou ressarcimento, onde seja verificada a existência de débitos, e após a comunicação prévia ao interessado, consoante o disposto no art. 34, caput, e §§ 1° e 2”, da IN SRF n" 460/2004, vigente à época do lançamento, o que não corresponde à situação aqui tratada: (...) Receita de Terceiros Na determinação das bases de cálculo das contribuições , a autoridade fiscal não levou em consideração as exclusões das receitas brutas efetuadas pelo sujeito passivo no período de março de 1999 a 09 de junho de 2000 (indicadas nas planilhas entregues durante a fiscalização juntadas às fl. 83/84 e 524/525), referentes a valores transferidos a terceiros (outra pessoa jurídica), haja vista o entendimento da Receita Federal expressado no Ato Declaratório n° 56/2000. (...) Acertado, portanto, o procedimento da autoridade fiscal, ao não aceitar as exclusões escrituradas pelo sujeito passivo. (...) Irretroatividade das normas O sujeito passivo alegou erro na alíquota aplicada no lançamento de PIS para os anos 2003 e 2004, entendendo devido o percentual de 0,65%, pois, embora estivesse considerando como receita bruta o montante efetivamente recebido, seguindo o regime Fl. 1111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-010.245 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000427/2004-78 de caixa, consoante permissivo contido no art. 30 da Lei n° 8981/1995, no art. 2° da MP 2221/2001 e no ADI n° 04/2002, o fato gerador ocorreu no momento em que os contratos 'foram firmados, anteriormente à entrada em vigor em 2003 da alíquota de 1,65%, prevista no art. 2°, da Lei n° 10.637/2002, quando ainda vigia a alíquota prevista na Lei n° 9718/1998. (...) Então, por consequência, o fato gerador do PIS para as receitas decorrentes da atividade imobiliária é o momento do efetivo recebimento da receita. O entendimento do sujeito passivo seria aplicável para a tributação com base no regime de competência, o que não e o caso, conforme reconhecido por ele próprio em sua impugnação. (...) Em vista do exposto, não há fundamento no alegado pelo sujeito passivo, estando correta a alíquota aplicada pela autoridade fiscal. Créditos apurados na sistemática não cumulativa (PIS) (...) Conforme consta do relatório acima, a autoridade fiscal reconheceu, no relatório de diligência, a procedência do argumento do sujeito passivo, elaborando a planilha a fl. 1000, onde refez a apuração do PIS com a dedução dos referidos créditos. Em vista disso, resta-me considerar devidos os ajustes da base de cálculo do PIS referente ao ano-calendário 2003, nos valores indicados na planilha à fl. l000, já que não foram contestados pelo sujeito passivo quando da ciência do relatório de diligência. (...) Variação Monetária Ativa (...) Convencido, pois, da procedência do argumento do sujeito passivo quanto a não caber a tributação dos valores registrados a título de variação monetária de custos de obras, procedi a uma verificação da documentação trazida pelo sujeito passivo . Para tanto, elaborei a tabela abaixo, onde indico os meses/anos em que o sujeito passivo alegou a inclusão indevida da variação monetária ativa decorrente da correção de custos das obras, os valores das variações, os documentos apresentados - cópias do Razão, do Balancete Analítico e do Demonstrativo de apuração da correção -, c se deve ser efetuada a exclusão da base de cálculo do lançamento. No que se refere aos meses de julho a novembro de 1999, estes não serão objeto de análise, já que foram excluídos dos lançamentos em decorrência da decadência. (...) (...) Contudo, conforme dito antes, na descrição dos fatos dos autos de infração e no relatório de diligência, a autoridade fiscal reconheceu a inclusão das referidas variações, razão pela qual aceitei como comprovadas as variações para as quais apresentou, ao menos, cópia do Razão da conta. (...) Fl. 1112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-010.245 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000427/2004-78 III – Do Recurso Voluntário A contribuinte, devidamente cientificada, recorreu da decisão de primeiro grau, recuperando algumas razões expedidas quando de sua impugnação, argumentando em relação aos seguintes pontos: 1. Da tempestividade. 2. Da inadmissibilidade do Recurso de Ofício 3. Da decadência 4. Da Desconsideração dos Valores Retidos 5. Da Receita de Terceiros 6. Da irretroatividade das Normas 7. Dos créditos apurados na sistemática não-cumulativa no que se refere à Contribuição ao PIS 8. Da Variação Monetária Ativa Ao final pede: Considerando-se todos os fatos e os motivos de direito expostos no presente recurso, requer a Recorrente seja dado integral provimento, declarando-se a nulidade do Auto de Infração, ou, caso não seja o entendimento desta C. Corte, seja o mesmo julgado improcedente para cancelar a exigência fiscal constituída. Requer, ainda, seja negado seguimento ao Recurso de Ofício, uma vez que não alcança o limite de alçada previsto pela Portaria Ministerial ou, se este não for o entendimento desta C. Corte, seja negado provimento. Protesta, outrossim, com fundamento no artigo- 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, notadamente pela posterior juntada dos documentos que se fizerem necessários. Voto Conselheiro Ronaldo Souza Dias, Relator. Os pontos a seguir analisados estão na ordem em que aparecem no recurso voluntário. 1. Da tempestividade O Recurso Voluntário é tempestivo, conforme atestado à fl. 1105, e reúne os demais requisitos de admissibilidade; assim, dele conheço. 2. Da inadmissibilidade do Recurso de Ofício Fl. 1113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-010.245 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000427/2004-78 O Presidente da 2 a Turma da DRJ/BSA, no corpo do Acórdão nº 03-27.776, de 07/11/08 (fls. 1029 e ss), recorreu de ofício, nos termos da Portaria MF n° 03, de 03/01/2008. A Recorrente, porém, pede que o recurso seja inadmitido, pois, segundo entende “equivocou-se a d. Autoridade Julgadora, uma vez que considerou o total dos dois autos de infração, não observando, no entanto, a determinação da mencionada Portaria do Ministério da Fazenda”. Não assiste razão à Recorrente. O parágrafo único do artigo primeiro da portaria citada (P. MF 03/08) expressamente declara que o valor a ser considerado para fins de recurso de ofício é a soma de tributo e multa por processo, não por auto de infração.: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. O processo no caso compõe-se de dois autos de infração, um para o PIS e outro para a Cofins, onde foram constituídos créditos das respectivas contribuições acompanhadas de multa de ofício de 75%, a soma de tudo isto (principal + multa) deve ser considerada para confrontar com o limite imposto no caput do art. 1º, por força do seu parágrafo. Portanto, não procede a tese de se verificar o valor exonerado por auto de infração, como requer o recorrente. Observa-se ainda que o próprio Decreto nº 70.235/72 autoriza a inclusão de mais de um auto de infração no mesmo processo, quando dependem dos mesmos elementos de prova: Art. 9 o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. § 1 o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Contudo, por força da Súmula CARF nº 103, o recurso de ofício não deve ser conhecido, porquanto a Portaria MF nº 63/17, que revogou a anterior (P. MF 03/08), estabeleceu novo limite de alçada: Portaria MF 63/17 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. (...) Súmula CARF nº 103 Fl. 1114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-010.245 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000427/2004-78 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. O valor exonerado (principal + multa), considerando-se os dois autos, não supera o novo limite de alçada, portanto, o recurso de ofício não deve ser conhecido. 3. Da decadência A contribuinte havia impugnado “os valores referentes aos fatos geradores ocorridos até novembro de 1999 (inclusive)”, entendendo inexigíveis em decorrência do disposto no parágrafo 4°, do art. 150, do CTN, aplicável para fins de contagem do prazo decadencial. A decisão de primeira instância considerou a aplicação da contagem do prazo decadencial na forma do parágrafo 4°, do art. 150, do CTN, apenas quando havia pagamento (ou DCTF). Ausente os pagamentos (ou confissão), aplicou o art. 173, I, do CTN. Por esta razão, atendeu parcialmente o pleito do contribuinte. O Recurso Voluntário reafirma a aplicação da contagem do prazo decadencial na forma do parágrafo 4°, do art. 150, do CTN, citando em apoio decisões judiciais e administrativas. A Recorrente, em síntese, alega que inexistência de pagamento não altera o termo inicial da contagem do prazo decadencial, sendo obrigatória a aplicação do artigo 150, § 4 o , do Código Tributário Nacional, uma vez que se trata de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Porém, em 18 de agosto de 2008, o Ministro da Fazenda aprovou o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, que estabeleceu orientação a ser observada em relação à decadência, inclusive pelo CARF. De referido Parecer extrai-se parte de suas conclusões, in verbis: Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008 (...) d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplica-se a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplica-se a regra do § 4º do art. 150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve-se aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN; (gn) Portanto, não há reforma a ser feita na decisão de 1º grau, quanto ao ponto. 4. Da Desconsideração dos Valores Retidos No recurso voluntário, a Recorrente argumentou (vide fl. 1074) que no mês de agosto de 2000 possuía um crédito de RS 8.759,49, a título de PIS retido por órgão público, Fl. 1115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-010.245 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000427/2004-78 decorrente de retenções na prestação de serviços a órgãos públicos, que teria sido utilizado apenas em parte pela Fiscalização. Assiste razão à Recorrente. De fato, a Decisão recorrida reconheceu (v. fl. 1039) a existência do crédito no montante indicado para o PIS, citando que a própria Autoridade autuante também já havia reconhecido valores de PIS e de Cofins retidos em agosto de 2000: Aqui o sujeito passivo argumentou que possuía créditos de PIS e de Cofins retidos na fonte por órgãos públicos no mês de agosto de 2000, nos montantes de R$ 8.759,49 e R$ 40.428,43, respectivamente, os quais seriam suficientes para compensar não somente os valores apurados das contribuições para o referido mês, mas também para os meses de setembro (integralmente) e de outubro (parcialmente). A existência dos créditos mencionados é inconteste, vez que a própria autoridade fiscal reconheceu-os nos demonstrativos às fl. 64 e 509, respectivamente. Além disso, atentando para os Demonstrativos de Situação Fiscal Apurada às fl. 70 e 515, verifica-se que a autoridade fiscal efetuou a compensação dos créditos com os montantes apurados em agosto de PIS e de Cofins, respectivamente, sem compensar os saldos remanescentes com as contribuições apuradas em setembro e outubro. Conforme a IN SRF n" 21/97, vigente à época dos fatos geradores ocorridos de agosto a outubro de 2000, para que fossem efetuadas compensações dos créditos referidos com débitos de tributo de mesma espécie da própria pessoa jurídica detentora do crédito, não era necessária a apresentação de requerimento junto à Receita Federal. Então, se o sujeito passivo tivesse carreado aos autos cópia da escrita fiscal ou das DCTF, que comprovassem a iniciativa, anterior ao inicio da fiscalização-, as compensação dos créditos com os valores de PIS e Cofins apurados em setembro e outubro de 2000, restaria reconhecer ser procedente o seu argumento. (...) Contudo, não consta dos autos qualquer indicação nesse sentido, restando evidente que a compensação nos meses de setembro e outubro está sendo pleiteada agora, após a ciência do lançamento. Sendo assim, esta deverá ser objeto de pedido de compensação específico (atualmente PER/DCOMP), abrangendo os acessórios (juros e multa) exigidos no lançamento. Assim, incabível não deduzir o valor reconhecidamente retido, na apuração da contribuição devida, por ocasião do lançamento, sob o argumento que caberia a própria contribuinte compensar esse seu crédito na Escrita Fiscal. Na verdade, o valor retido por órgão publico qualifica-se como antecipação do tributo devido, por esta razão deve obrigatoriamente ser considerado na apuração em eventual lançamento, nos termos do §3º, do art. 64 da Lei nº 9.430/96: Art.64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pela fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social-COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. (...) Fl. 1116DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-010.245 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000427/2004-78 § 3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pela contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. Assim, razão assiste à Recorrente com relação aos valores retidos de PIS e Cofins em agosto de 2000, que, após ser considerados na apuração do próprio mês, devem ser utilizados nos meses subsequentes. 5. Da Receita de Terceiros Em relação ao ponto, a Recorrente alega que “não houve “transferência” de receitas da Recorrente a terceiros, mas mera entrega de valores que a esses pertenciam”. Desta forma, entende que o procedimento adotado de “não oferecer à tributação da Contribuição ao PIS e da COFINS valores pertencentes a terceiros, guarda perfeita consonância com o conceito de receita, não merecendo qualquer reparo da Fiscalização”. O art. 3°, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, permitia a exclusão, da receita bruta, para fins de determinar as bases de cálculo do PIS e da Cofins, dos valores computados como receitas que tivessem sido transferidos para outras pessoa jurídica, “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluem-se da receita bruta: (...) III - os valores que, computados como receita, tenha sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. A Decisão de 1º Grau seguiu o entendimento da Receita Federal expresso no Ato Declaratório n° 56/2000, que declarava a ineficácia da referida exclusão, enquanto não expedida a regulamentação prevista na lei. Ocorre que, em junho de 2000, o dispositivo legal fora revogado, conforme anotado no próprio AD SRF nº 56/00: ATO DECLARATÓRIO SRF Nº56, DE 20 DE JULHO DE 2000 (Publicado(a) no DOU de 26/07/2000, seção , página 10) Dispõe sobre os efeitos do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei No 9.718, de 27 de novembro de 1998. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2 o do art. 3 o da Lei N o 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória N o 1.991-18, de 9 de junho de 2000; Fl. 1117DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-010.245 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000427/2004-78 considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 o de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. No que pese a irresignação da Recorrente, a decisão recorrida andou bem quando manteve a exclusão realizada pela Fiscalização, pois, o ponto de controvérsia fora pacificado na esfera judicial, enquanto objeto do “Tema Repetitivo” nº 313 do e. STJ, que firmou a seguinte tese: i) O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. O acórdão paradigma (Tema 313), exarado nos autos do REsp nº 1.144.469 – PR, publicado em DJ 02/12/16, contou com a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO-APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158-35, de 2001. Precedentes: (...) Portanto, segue-se o entendimento do tribunal da cidadania, para manter o lançamento no ponto. 6. Da irretroatividade das Normas (PIS) A Recorrente argumenta que a partir de janeiro de 2003 entrou em vigor a contribuição não-cumulativa para o PIS, com alíquota de l,65%, sendo facultado ao contribuinte apurar créditos nas hipóteses previstas no art. 3° da Lei n° 10.637/2002, contudo, permaneceu com a alíquota de 0,65% para receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente à janeiro de 2003, uma vez que o fato gerador do PIS ocorreu com a contratação dos serviços, ainda sob a égide da Lei nº 9.7l8/98, embora o pagamento da contribuição pudesse ser diferido para o momento do recebimento efetivo da receita. Na verdade, o regime de caixa estabelecido para as pessoas jurídicas que exploram atividades imobiliárias passou a considerar receita bruta aquela efetivamente Fl. 1118DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-010.245 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000427/2004-78 recebida, deste modo, não se considera o momento do contrato, mas o momento do pagamento, para apurar o faturamento ou a receita bruta. Observe-se abaixo o art. 30 da Lei nº 8.981/95: Art. 30. As pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias relativa a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, deverão considerar como receita bruta o montante efetivamente recebido, relativo às unidades imobiliárias vendidas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, aos casos de empreitada ou fornecimento contratado nas condições do art. 10 do Decreto-lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária. MP n° 2221/2001 Art. 2o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), devidas pelas pessoas jurídicas, inclusive por equiparação, de que trata o art. 30 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, seguirão o mesmo regime de reconhecimento de receitas previsto na legislação do imposto de renda. Por este ângulo de visão, não assiste razão ao Recorrente, as receitas devem entrar na base de cálculo no momento do recebimento, conforme apurado pela Fiscalização. Corroboram o entendimento os acórdãos unânimes cujas ementas são citadas abaixo: Numero da decisão: 3401-001.420 (ac. unânime) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003. BASE DE CÁLCULO. CONSTRUÇÃO E INCORPORAÇÃO DE IMÓVEIS. VENDAS A PRAZO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Na atividade relativa a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, a receita bruta para fins de base de cálculo da Cofins é apurada segundo o regime de caixa Numero da decisão: 203-12886 PIS/FATURAMENTO. PERÍODOS DE APURAÇÃO DE 03/1996 A 30/09/2000. BASE DE CÁLCULO. CONSTRUÇÃO E INCORPORAÇÃO DE IMÓVEIS. VENDAS A PRAZO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Na atividade relativa a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, a receita bruta para fins de base de cálculo do PIS/Faturamento é apurada segundo o regime de competência, até 04/09/2001. Somente a partir de 05/09/2001, data da publicação da MP n° 2.221, de 04/09/2001, é que passou a ser adotado o regime de caixa. Embargos Acolhidos Fl. 1119DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-010.245 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000427/2004-78 Ademais, não se compatibiliza o pleito do crédito (v. tópico seguinte) com a alíquota do regime cumulativo. Mantém-se, portanto, a decisão recorrida no ponto, com base no mesmo fundamento: Então, por consequência, o fato gerador do PIS para as receitas decorrentes da atividade imobiliária é o momento do efetivo recebimento da receita. O entendimento do sujeito passivo seria aplicável para a tributação com base no regime de competência, o que não é o caso, conforme reconhecido por ele próprio em sua impugnação. Na espécie, as receitas foram efetivamente recebidas nos anos 2003 e 2004, oportunidade em que já estava em vigor a alíquota estabelecida pelo art. 2° da Lei n” 10637/2002, no percentual de 1,65%, não aplicável apenas nos casos especificados nos parágrafos Iº, l°-A, 2°, 3° e 4° deste artigo, introduzidos posteriormente pelas Leis .n° 10865/2004, n° 10996/2004, n° 11727/2008, situações que não correspondem a aqui tratada. Art. 2” Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1'Ç a alíquota de l¡65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). Em vista do exposto, não há fundamento no alegado pelo sujeito passivo, estando correta a alíquota aplicada pela autoridade fiscal. 7. Dos créditos apurados na sistemática não-cumulativa no que se refere à Contribuição ao PIS A Recorrente alegou no tópico que “a fiscalização não levou em consideração os créditos que a Recorrente apurou na DACON (Doc. 07 da Impugnação) nos meses de janeiro a dezembro de 2003”. A Recorrente equivocou-se, pois, resultou da diligência a consideração dos créditos no período citado, conforme já havias sido observado no acórdão recorrido: Nesta parte, em relação ao lançamento do PIS, o sujeito passivo alegou que a fiscalização não levou em consideração os créditos apurados e declarados em DACON nos meses de janeiro a dezembro de 2003. Conforme consta do relatório acima, a autoridade fiscal reconheceu, no relatório de diligência, a procedência do argumento do sujeito passivo, elaborando a planilha a fl. 1000, onde refez a apuração do PIS com a dedução dos referidos créditos. Em vista disso, resta-me considerar devidos os ajustes da base de cálculo do PIS referente ao ano-calendário 2003, nos valores indicados na planilha à fls. l000, já que não foram contestados pelo sujeito passivo quando da ciência do relatório de diligência. Assim, mantém-se a decisão recorrida no ponto. 8. Da Variação Monetária Ativa A recorrente alegou, por último, que “nos meses de julho a dezembro de 1999, janeiro, março, julho, novembro e dezembro de 2000, janeiro a outubro de 2004, a fiscalização Fl. 1120DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-010.245 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000427/2004-78 adicionou à base de cálculo, indevidamente. parcela denominada de “variação monetária”, retirada das apurações dos valores das obras”. Na verdade, a controvérsia já havia sido examinada pelo colegiado de 1º, que reconheceu a procedência doa argumento do contribuinte, nos seguintes termos: Na apuração do lucro líquido para fins de determinação do imposto [de renda], a correção monetária é apropriada proporcionalmente ao custo incorrido, atendendo ao critério pro rata, pois a variação monetária ativa integra o resultado. Quando do recebimento do valor da venda, este valor tributado anteriormente da variação não estará incluído no resultado a ser tributado, pois fora deduzido da conta de Resultado de Exercícios Futuros (cujo saldo é levado a resultado). Trata-se, pois, de um ajuste contábil para fins de apuração do imposto de renda, visando a tributação pra feita da correção pactuada. Ou seja, não pode ser considerado corno receita recebida para fins de tributação da Cofins e do PIS. Para estas contribuições, não há previsão de antecipação da tributação de correção monetária, sendo que todo o montante recebido após dois anos será considerado tributável por definição legal; Se tributarmos a variação monetária ativa registrada na conta Variações Monetárias de Apuração (n° 4.1.8l.01.0l.0008), estaremos tributando duas vezes o mesmo montante, pois este valor estará incluído na receita que será recebida futuramente. Embora não tenham sido anexados os contratos onde estão previstas as correções monetárias dos custos referentes às obras, há que se concluir - que os valores registrados na conta Variações Monetárias de Apuração, cujas cópias do Razão foram anexadas às fls. 983/987, são delas decorrentes, haja vista o histórico dos lançamentos contábeis (“Apuração do Custo de Obra”) e o fato de que a autoridade fiscal abateu os valores registrados a este título no ano 2003 na planilha elaborada à fl. 1000 (se não entendesse assim, não teria efetuado a exclusão). Além disso, não obstante esta planilha referir-se apenas ao lançamento de PIS, os valores registrados na conta de variação monetária integraram também o lançamento da Cofins, conforme consta da descrição dos fatos dos autos de infração à fl. 474. Credito a falta de abrangência da planilha referida, que tratou apenas do ano-calendário 2003, embora o contribuinte tenha colacionado aos autos documentos relativos aos períodos por ele mencionados na impugnação, e do lançamento de PIS, ao fato de que ele pretendeu demonstrar também a exclusão dos créditos a que fazia jus o contribuinte, os quais referiam-se apenas ao ano 2003 e ao PIS. Convencido, pois, da procedência do argumento do sujeito passivo quanto a não caber a tributação dos valores registrados a título de variação monetária de custos de obras, procedi a uma verificação da documentação trazida pelo sujeito passivo . Para tanto, elaborei a tabela abaixo, onde indico os meses/anos em que o sujeito passivo alegou a inclusão indevida da variação monetária ativa decorrente da correção de custos das obras, os valores das variações, os documentos apresentados - cópias do Razão, do Balancete Analítico e do Demonstrativo de apuração da correção -, e se deve ser efetuada a exclusão da base de cálculo do lançamento. No que se refere aos meses de julho a novembro de 1999, estes não serão objeto de análise, já que foram excluídos dos lançamentos em decorrência da decadência. (...) [tabela fl. 1046/1048] a) Para o ano-calendário 2004 não há nos autos qualquer documento anexado, seja o Razão, o balancete analítico ou o demonstrativo de apuração, razão pela qual não é Fl. 1121DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-010.245 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000427/2004-78 possível identificar o montante do valor que teria sido registrado na conta Variações Monetárias de Apuração, muito menos se este registro foi feito; b) Para os meses de janeiro a abril do ano-calendário 2003, a autoridade fiscal considerou, em sua planilha à fl. 1000, valores registrados na conta Variações Monetárias de Apuração que não correspondem à apuração de correção de custo das obras: “Rec. Adm/Financ/Não Op.”. Verificando os demonstrativos de apuração às fl. 975/977, conclui-se que tais valores não decorrem da correção do custo: janeiro - R$ 11.094,41; fevereiro - R$ 24.052,12; março - RS 12.209,93; abril - R$ 12.560,58. Por esta razão os montantes considerados na tabela acima como indevidamente incluídos na base de cálculo das contribuições estão diferentes daqueles usados pela autoridade fiscal para elaborar a planilha à fl. 1000; c) Frise-se que para alguns períodos o sujeito passivo não colacionou os autos o balancete analítico, impedindo a verificação documental da inclusão pela autoridade fiscal das variações monetárias do custos da obras na base de cálculo das contribuições, decorrente da comparação do balancete com as planilhas “Apuração do PIS/Pasep” e “Apuração da Cofins”, linha “Outras Receitas Auferidas”, às fl. 62/67 e 507/512, respectivamente, elaboradas pela autoridade fiscal quando dos lançamentos. Contudo, conforme dito antes, na descrição dos fatos dos autos de infração e no relatório de diligência, a autoridade fiscal reconheceu a inclusão das referidas variações, razão pela qual aceitei como comprovadas as variações para as quais apresentou, ao menos, cópia do Razão da conta. Adota-se o resultado da decisão recorrida com os mesmos fundamentos, quanto ao ponto das variações monetárias ativas. Do exposto, VOTO: (1) por não conhecer do recurso de ofício, e, (2) por conhecer do recurso voluntário, dando-lhe parcial provimento, para determinar na constituição do crédito lançado a utilização dos saldos remanescentes dos valores retidos de PIS e Cofins, em agosto de 2000, por órgão público. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Fl. 1122DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000209/2010-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
INFRAÇÃO – DESCUMPRIMENTO MULTA
Consiste em descumprimento de obrigação acessória deixar a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços para recolhimento ao Instituto Nacional de Seguro Social até o dia dois do mês subsequente ao da
emissão da nota fiscal.
DECADÊNCIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO
Para as infrações cuja multa independe do período em que se verificou o descumprimento da obrigação acessória, a existência de infração em uma única competência fora do prazo decadencial leva à procedência da autuação
APLICAÇÃO RETROATIVA DE INSTRUÇÃO NORMATIVA – IMPOSSIBILIDADE
A legislação tributária, na qual estão inseridas as instruções normativas, aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes.
Somente a lei pode ser aplicada retroativamente e tão somente nas situações previstas no Código Tributário Nacional
BASE DE CÁLCULO – REDUÇÃO –FORNECIMENTO DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS
Não havendo discriminação na nota fiscal, não é possível a redução da base de cálculo da retenção se o fornecimento de materiais é de responsabilidade da própria contratante e o tipo de serviço não demanda a utilização de equipamentos inerentes, ou seja, sem os quais restaria inviabilizada sua execução
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.424
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Júlio César Vieira Gomes e Jhonatas Ribeiro da Silva que davam provimento.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 INFRAÇÃO – DESCUMPRIMENTO MULTA Consiste em descumprimento de obrigação acessória deixar a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços para recolhimento ao Instituto Nacional de Seguro Social até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da nota fiscal. DECADÊNCIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO Para as infrações cuja multa independe do período em que se verificou o descumprimento da obrigação acessória, a existência de infração em uma única competência fora do prazo decadencial leva à procedência da autuação APLICAÇÃO RETROATIVA DE INSTRUÇÃO NORMATIVA – IMPOSSIBILIDADE A legislação tributária, na qual estão inseridas as instruções normativas, aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes. Somente a lei pode ser aplicada retroativamente e tão somente nas situações previstas no Código Tributário Nacional BASE DE CÁLCULO – REDUÇÃO –FORNECIMENTO DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS Não havendo discriminação na nota fiscal, não é possível a redução da base de cálculo da retenção se o fornecimento de materiais é de responsabilidade da própria contratante e o tipo de serviço não demanda a utilização de equipamentos inerentes, ou seja, sem os quais restaria inviabilizada sua execução Recurso Voluntário Negado.
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DECADÊNCIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO Para as infrações cuja multa independe do período em que se verificou o descumprimento da obrigação acessória, a existência de infração em uma única competência fora do prazo decadencial leva à procedência da autuação APLICAÇÃO RETROATIVA DE INSTRUÇÃO NORMATIVA – IMPOSSIBILIDADE A legislação tributária, na qual estão inseridas as instruções normativas, aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes. Somente a lei pode ser aplicada retroativamente e tão somente nas situações previstas no Código Tributário Nacional BASE DE CÁLCULO – REDUÇÃO –FORNECIMENTO DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS Não havendo discriminação na nota fiscal, não é possível a redução da base de cálculo da retenção se o fornecimento de materiais é de responsabilidade da própria contratante e o tipo de serviço não demanda a utilização de equipamentos inerentes, ou seja, sem os quais restaria inviabilizada sua execução Recurso Voluntário Negado Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Júlio César Vieira Gomes e Jhonatas Ribeiro da Silva que davam provimento. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000209/201054 Acórdão n.º 2402002.424 S2C4T2 Fl. 120 3 Relatório Tratase de autuação pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 31, caput, com a redação dada pela Lei n. 9.711, de 20.11.98, combinado com o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 219, que consiste em deixar a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços para recolhimento ao Instituto Nacional de Seguro Social até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da nota fiscal. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 53), a autuada contratou a empresa Renascer Construções Elétricas Ltda, reteve e recolheu somente o equivalente à metade do valor devido. A autuada teve ciência do lançamento em 19/03/2010 e apresentou defesa (fls. 57/62) onde alega que a base de cálculo foi diminuída em 50% em razão do fornecimento de equipamentos. Menciona dispositivos de instruções normativas para corroborar tal conduta. Requer que este auto de infração seja distribuído por dependência aos procedimento fiscal de n° DEBCAD 37.272.6208 e que sejam acatados todos os argumentos lançados nesta impugnação. Protesta provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidas, notadamente oitivas de testemunhas, juntadas de novos documentos, perícias, etc., o que fica desde já expressamente requerido. Pelo Acórdão nº 0929.784 (fls. 91/93) a 5ª Turma da DRJ/Juiz de Fora (MG) considerou a autuação procedente. A autuada teve ciência do acórdão em 01/07/2010 e apresentou Embargos de Declaração (fls. 96/97) para que se esclarecesse a ocorrência de decadência. A DRJ Juiz de Fora (MG), por meio do Despacho nº 578 – 5ª Turma (fl. 99) esclareceu que não existe a possibilidade de interposição de embargos de declaração. A autuada também apresentou recurso tempestivo (fls. 102/111) onde efetua a repetição das alegações de defesa e inova apresentando preliminar de decadência. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente inova em sede de recurso com a alegação de que deveria ser reconhecida a decadência nos termos do art. 150 § 4º do CTN. Ainda que se trata de matéria preclusa, cumpre esclarecer que o argumento não pode ser acolhido pelas razões que se seguem. A decadência deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000209/201054 Acórdão n.º 2402002.424 S2C4T2 Fl. 121 5 Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” No entanto, verificase que a recorrente deixou de efetuar a retenção em sua totalidade no período de 01 a 12/2005 e o lançamento ocorreu em 19/03/2010. Como a multa para o tipo de infração em tela é única e independente do tempo da infração, a caracterização do descumprimento da obrigação acessória numa única competência não abrangida pela decadência é suficiente para a procedência da autuação. Assim, não há que se falar em decadência no presente caso. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 No mérito, a recorrente alega que a diminuição da base de cálculo ocorreu face ao fornecimento de equipamentos que segundo esta seriam inerentes à execução dos serviços. Cumpre informar que não há previsão contratual de valores de tais equipamentos e tampouco a discriminação em nota fiscal. Ante a ausência de discriminação de valores de equipamentos nas notas fiscais, a recorrente alega que deveria ser aplicado retroativamente, com base no art. 106, Inciso II, alínea “c” do CTN, o art. 150 da Instrução Normativa SRP nº 03/2005, na redação dada pela Instrução Normativa SRP nº 20/2007. Convém mencionar o que dispõe o CTN a respeito. O Códex tributário estabelece o conceito de legislação tributária em seu art. 96, in verbis: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Por sua vez, podese dizer que a instrução normativa é um tipo de norma complementar pela própria definição dada pelo CTN, a qual se encontra disposta em seu art. 100, Inciso I, abaixo transcrito: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas No que tange à aplicação da lei, o CTN assim dispõe nos artigos 105 e 106: Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000209/201054 Acórdão n.º 2402002.424 S2C4T2 Fl. 122 7 Observase que a possibilidade de retroação está restrita à lei e nas condições estabelecidas no art. 106, logo, padece de fundamento o requerimento da recorrente no sentido de que haveria que se aplicar retroativamente os efeitos de alteração ocorrida em instrução normativa. De igual modo, a recorrente questiona a utilização do art. 151 da IN SRP nº 03/2005 como fundamento para decisão de primeira instância relativamente ao período anterior à vigência da citada instrução Normativa que teria ocorrido a partir de 02/08/2005. O referido dispositivo trata o seguinte: Art. 151. Não existindo previsão contratual de fornecimento de material ou utilização de equipamento e o uso deste equipamento não for inerente ao serviço, mesmo havendo discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, exceto no caso do serviço de transporte de passageiros, onde a base de cálculo da retenção corresponderá à prevista no inciso II do art. 150. Cumpre lembrar que o que levou à presente autuação e ao lançamento da diferença da retenção não foi o fato de não haver previsão contratual para fornecimento de materiais ou ausência de discriminação em nota fiscal dos valores correspondente, mas o fato de o fornecimento de materiais ser a cargo da contratante, ou seja, da recorrente, conforme se verifica no contrato de prestação de serviços firmado, cuja cláusula transcrevese: 3— CLÁUSULA TERCEIRA — MATERIAIS 3.1. A totalidade dos materiais necessários à execução dos serviços, exceto para recomposição de passeios, será fornecida pelo DME, no horário comercial, em seus Almoxarifados (.) 3.2. A CONTRATADA se obriga a manusear, com o devido cuidado, todos os materiais que lhe forem entregues pelo DME em seus Almoxarifados, sendo responsável, a partir dai, pelo uso e guarda dos mesmos, prontificandose a devolvêlos quando não empregados nos serviços ora contratados, assumindo total responsabilidade por todos eles (.) 3.3. Os materiais retirados deverão ser devolvidos desmontados e selecionados, juntamente com aqueles que não foram utilizados, nos Almoxarifados (.) Se os materiais não são fornecidos pela prestadora os dispositivos citados por esta não a socorrem. Quanto a equipamentos, não há previsão contratual do fornecimento e do valor destes, levando a inferir que se restringem a ferramentas (equipamentos manuais) não consideradas inerentes ao tipo de serviço prestado, qual seja, reforma, construção (montagem e desmontagem e manutenção de redes e linhas aéreas de distribuição de energia elétrica). Fl. 132DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Vale ressaltar que quando a legislação menciona a utilização de equipamentos inerentes à prestação dos serviços, referese à utilização de maquinário de porte para prestação de serviços como, por exemplo, terraplanagem, drenagem, pavimentação asfáltica. Assim, quando se falar que a utilização dos equipamentos é inerente aos serviços, podese concluir que sem estes não seria possível sua execução. Se a recorrente desejava abater da base de cálculo os valores dos equipamentos utilizados na prestação dos serviços, deveria ter feito constar em contrato tais valores e exigir da contratada que discriminasse os valores de tais equipamentos na nota fiscal de serviços. Além de não ter assim procedido, verificase que a própria descrição dos serviços contidas nas notas fiscais juntadas aos autos faz referência apenas a fornecimento de mão de obra. Portanto, se a prestadora não fornece materiais e os serviços prestados não demandam a utilização de equipamentos sem os quais não seria possível a prestação dos serviços, não há razão para a redução da base de cálculo efetuada. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 133DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.019274/99-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 03 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 1996
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL OU INEXATIDÃO MATERIAL DEVIDA A LAPSO MANIFESTO.
Erro material ou inexatidão material devida a lapso manifesto passível de correção via embargos de declaração consiste na incorreção do modo de expressão do conteúdo, como são o exemplo mais comum os erros de grafia. São cabíveis EDcl para sua correção.
Numero da decisão: 2402-010.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o erro material apontado na decisão embargada, de modo quer passe a contar no cabeçalho do Acórdão nº 2402-005.443, como recorrente, TERRAS NOVAS ADMINISTRAÇÃO E EMPREENDIMENTOS LTDA., nos termos do voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregorio Rechmann Junior, Marcio Augusto Sekeff Sallem, Renata Toratti Cassini, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
Nome do relator: Renata Toratti Cassini
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 1996 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL OU INEXATIDÃO MATERIAL DEVIDA A LAPSO MANIFESTO. Erro material ou inexatidão material devida a lapso manifesto passível de correção via embargos de declaração “consiste na incorreção do modo de expressão do conteúdo”, como são o exemplo mais comum os erros de grafia. São cabíveis EDcl para sua correção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o erro material apontado na decisão embargada, de modo quer passe a contar no cabeçalho do Acórdão nº 2402-005.443, como recorrente, TERRAS NOVAS ADMINISTRAÇÃO E EMPREENDIMENTOS LTDA.”, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregorio Rechmann Junior, Marcio Augusto Sekeff Sallem, Renata Toratti Cassini, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente). Relatório Trata-se de requerimento apresentado pelo contribuinte em face do Acórdão de nº 2402-005.443, proferido por este colegiado aos de 16/08/16 no julgamento de seu recurso voluntário, conforme ementa abaixo reproduzida: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 92 74 /9 9- 81 Fl. 418DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.640 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.019274/99-81 REVISÃO DO VTN E EXCLUSÃO DE PARCELA DO IMÓVEL ALIENADA. As questões relativas à revisão do VTN, bem como exclusão do lançamento da parcela do imóvel alienada foram acatadas pela DRJ, descabendo o inconformismo expresso no recurso quanto a estas matérias. EXCLUSÃO DA RESERVA LEGAL. INOVAÇÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR. No lançamento não houve menção à glosa de reserva legal, assim, não poderia a DRJ, sob a justificativa da ausência de documentação exigida, determinar a desconsideração no cálculo do tributo da área de reserva legal declarada. COMPROVAÇÃO DE PRODUÇÃO VEGETAL. LAUDO TÉCNICO. Considerando as peculiaridades do caso concreto, o laudo técnico elaborado em conformidade com padrões normativos exigíveis, é suficiente para comprovar a existência de área com extração florestal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Tomando ciência dessa decisão, o contribuinte protocolizou a petição de fls. 286/289, alegando, em síntese, que o acórdão em questão fora publicado em nome da empresa Sequoia Administração e Empreendimentos Ltda., com quem não tem nenhuma relação, embora do corpo do acórdão, fique claro que o recuso voluntário então julgado fora interposto pela ora embargante, então recorrente, Terras Novas Administração e Empreendimentos Ltda. Assim, considerando que conforme comprovam os documentos que anexa, permanece atuando sob a razão social Terras Novas Administração e Empreendimentos Ltda., e não tem nenhuma relação com a empresa Sequoia Administração e Empreendimentos Ltda., requer a regularização do equívoco ocorrido, com sua regular intimação do aludido acórdão proferido por esta conselho. Considerando o evidente lapso manifesto, essa petição foi recebida como embargos inominados, nos termos do art. 66 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/15, que, admitidos, foram encaminhados para apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini, Relatora. Conforme relatado, trata-se requerimento apresentado pelo contribuinte em face do Acórdão nº 2402-005.443, proferido por este colegiado aos de 16/08/16 no julgamento de seu recurso voluntário interposto nestes autos. Tendo tomado ciência da decisão em questão, o contribuinte, ora embargante, constatou que havia sido publicada em nome de outra empresa, qual seja Sequoia Administração e Empreendimentos Ltda., com quem não tem nenhuma relação, embora do corpo do acórdão, constasse que o recuso voluntário houvera sido por ele interposto. À vista desse equívoco, o contribuinte protocolizou nos autos a petição de fls. 286/289, por meio da qual relata o ocorrido e esclarece que não tem nenhuma relação com a empresa Sequoia Administração e Empreendimentos Ltda., bem como comprova nos autos que Fl. 419DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.640 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.019274/99-81 permanece atuando sob a razão social de Terras Novas Administração e Empreendimentos Ltda., requerendo, assim, a regularização dessa incorreção. Esse requerimento foi recebido como embargos inominados contra o aludido Acórdão n° 2402-005.443, nos termos do art. 66, do Anexo II do RICARF, e admitidos, vindo os autos para análise deste conselho. O recurso de Embargos de Declaração é disciplinado pelo Regimento Interno deste Conselho no Capítulo VI da Seção I do Título II do seu Anexo II, que trata especificamente “Dos Embargos de Declaração”, e contém os seguintes dispositivos (reproduzido o art. 65 apenas em parte, no que é relevante para o deslinde deste feito): Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I - por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II - pelo contribuinte, responsável ou preposto; III - pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV - pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de decisões da delegacia da qual é titular; (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) V - pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão; ou (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) (...). Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, dar-se-á ciência ao requerente. Esse recurso também tem previsão no Código de Processo Civil, nos arts. 1022 e 1023, que dispõem: Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III - corrigir erro material. Parágrafo único. Considera-se omissa a decisão que: I - deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento; II - incorra em qualquer das condutas descritas no art. 489, § 1º. Fl. 420DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.640 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.019274/99-81 Art. 1.023. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz, com indicação do erro, obscuridade, contradição ou omissão, e não se sujeitam a preparo. (...). Nesse sentido, sobre o que seja erro material passível de correção via embargos de declaração (ou, como preferiu o art. 66 do RICARF, “inexatidão material devida a lapso manifesto”), trata-se do “erro evidente, reconhecido primu ictu oculi, consistente em equívocos materiais, sem conteúdo decisório propriamente dito. Como exemplo, mencionem-se os erros de grafia, de nome, valor, etc.”. 1 Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery ensinam que erro material “consiste na incorreção do modo de expressão do conteúdo. Os erros de grafia são o exemplo mais comum....”. 2 Por sua vez, na obra Omissão Judicial e Embargos de Declaração, Tereza Arruda Alvim Wambier, citando julgado em que o 2º TACivSP acolheu lição de Salvatore Satta, ensina que “erros materiais são ‘toda divergência ocasional entre a ideia e sua representação, objetivamente reconhecível, que demonstre não traduzir o pensamento ou a vontade do prolator’”. 3 No presente caso, verificando-se o acórdão ora embargado, de nº 2402-005.443 (fls. 249), constata-se que o nome do “Recorrente” constante do seu cabeçalho é SEQUOIA ADMINISTRAÇÃO E EMPREENDIMENTOS LTDA., conforme imagem abaixo reproduzida: Por outro lado, do primeiro parágrafo do Relatório, consta que o recurso em questão foi interposto por Terras Novas Administração e Empreendimentos Ltda., conforme imagem abaixo: Assim, fica claro que, de fato, houve equívoco no nome do contribuinte, constante do campo “Recorrente”, no cabeçalho do acórdão, até porque o próprio processo diz respeito ao contribuinte Terras Novas Administração e Empreendimentos Ltda. 1 REsp 1151982/ES, rel. Min. Nancy Andrighi, 3ª Turma, j. 23/10/2012, DJe 31/10/12 2 NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. COMENTÁRIOS AO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL - NOVO CPC - Lei nº 13.105/2015. São Paulo: RT, 2015, p. 2123. 3 p. 96 Fl. 421DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.640 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.019274/99-81 Esse equívoco trata-se de autêntico erro material, qual seja a mera substituição de nome do contribuinte-recorrente, que, por possuir natureza de erro material típico, cuja correção não altera a substância do julgado, pode ser corrigido a qualquer tempo, inclusive de ofício, pelo próprio julgador. Nesse sentido, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO CONTRA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. ERRO MATERIAL . CORREÇÃO. REVOLVIMENTO DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.1. O mero erro material pode ser corrigido de ofício.2. Inviável, em recurso especial, a revisão das premissas fático-probatórias do acórdão recorrido, por força do enunciado nº 7da Súmula do Superior Tribunal de Justiça.3. Se o especial não foi aviado pela alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, e, ademais, o agravante deixou de efetuar o cotejo analítico entre os julgados, violado, restaram, os artigos 541, parágrafo único do Código de Processo Civil e 255, §§1º e 2º, do RISTJ, inviabilizando o recurso. Agravo regimental parcialmente provido. 4 PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA182 DO STJ. ERRO MATERIAL SANÁVEL. I - Incidência da Súmula nº 182 deste eg. Tribunal, por não ter a agravante atacado os fundamentos da decisão recorrida II - O entendimento desta Corte é de que o erro material pode ser corrigido de ofício a qualquer tempo. III - Agravo regimental improvido. 5 Diante do exposto, os presentes embargos devem ser conhecidos e providos, para corrigir o erro apontado. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer e dar provimento aos presentes embargos inominados, sem efeitos infringentes, para corrigir o nome do campo “Recorrente”, constante do cabeçalho do acórdão embargado (Acórdão de nº 2402-005.443), que deverá ser substituído e passar a constar como “TERRAS NOVAS ADMINISTRAÇÃO E EMPREENDIMENTOS LTDA”. (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini 4 AgRg no Ag 1119030/BA, rel. Min. Paulo Furtado (Des. Convocado TJ/BA), 3ª Turma, j. 26/05/09, DJe 08/06/09. 5 AgRg no Ag 486697/DF, rel. Min. Francisco Falcão, 1ª Turma, j. 03/06/03, DJe 01/09/03. Fl. 422DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19839.000334/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/2000 a 28/02/2001
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA.
OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.389
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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FATOS GERADORES Recorrente ENGESONDA SOLOS E FUNDAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 28/02/2001 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Ewan Teles Aguiar. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19839.000334/201110 Acórdão n.º 240202.389 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, para as competências 04/2000 a 02/2001. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 02) a empresa deixou de declarar, ou registrou a menor, em GFIP’s os fatos geradores de contribuições previdenciárias referentes aos segurados empregados, conforme foi delineado na planilha de fls. 04. O Relatório da Multa (fl. 03) informa que o cálculo de aplicação da multa está discriminado, por competência, na planilha de fls. 04 e referemse a 100% do valor devido, relativo a contribuição não declarada, respeitando o limite mensal por número de segurados. Cientificada do procedimento fiscal em 20/12/2001, a autuada, dentro do prazo regulamentar de 15 (quinze) dias previsto no art. 293, § 1o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999, não apresentou defesa nem comprovou quitação, sendo lavrado o correspondente Termo de Revelia, que encontrase apensado aos presentes autos processuais às fls. 07 e do qual tomou ciência a empresa em 26/02/2002, conforme Aviso de Recebimento AR, de fls. 07. A Delegacia da Receita Previdenciária em São Paulo/SP – por meio da DecisãoNotificação (DN) no 21.002/0140/2002 (fls. 09/11) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso (fls. 15/22), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua alegou o seguinte: (i) nulidade do lançamento fiscal; (ii) não há demonstração do fato gerador; (iii) inconstitucionalidade/ilegalidade da Taxa SELIC; e (iv) solicita apresentação de outros meios de prova. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de Administração Tributária em São Paulo/SP encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento (fls. 91/92). É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo (fls. 14/15) e não há óbice ao seu conhecimento. O presente lançamento fiscal decorre do fato de que a Recorrente apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, relativas à remuneração dos segurados empregados que lhe prestaram serviços, para as competências 04/2000 a 02/2001. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador, que é o descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme ficou nitidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração (fls. 02/03) e na planilha de fls. 04. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/08) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei no 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei n° 8.212/1991: Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19839.000334/201110 Acórdão n.º 240202.389 S2C4T2 Fl. 3 5 Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD e no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da obrigação tributária acessória e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para configuração dos valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 02. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da multa aplicada, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/08) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. DO MÉRITO: Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, relativas às remunerações dos segurados empregados. Os valores da remuneração dos segurados foram devidamente discriminados e delineados, por competência, na planilha anexa de fls. 04. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei no 8.212/1991 Art. 32 A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto n° 3.048/1999: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19839.000334/201110 Acórdão n.º 240202.389 S2C4T2 Fl. 4 7 § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, referentes à remuneração dos segurados empregados, para as competências 04/2000 a 02/2001 – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei n° 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. A Recorrente alega que a multa aplicada, ante a sua desproporcionalidade e não razoabilidade, é confiscatória e inconstitucional. Informamos que tal alegação não compete a este foro a discussão sobre a matéria, dado que a Administração Pública é compelida a aplicar a penalidade nos moldes fixados na legislação de regência, o que foi observado no caso ora analisado, não se configurando, assim, o alegado excesso de exação, porque o Fisco agiu no estrito cumprimento do dever legal. Ademais, frisese que a análise da alegação retromencionada seria incabível na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade, ou ilegalidade, vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei n° 8.212/1991 e demais disposições da legislação vigente aplicadas ao lançamento fiscal ora analisado. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2, Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/10/2010, transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, conforme prevê o art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei n° 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. A Recorrente também insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova pericial e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito – tais como a prova testemunhal ou pericial – quando não se referir a matéria fática documental não posta nos autos, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova pericial, ou mesmo documental, que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de provimento, ou não, do recurso voluntário ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que o lançamento fiscal com seus anexos (fls. 01/08) contém de forma clara os elementos necessários para a sua configuração. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova pericial. Dessa forma, a realização de prova pericial, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235/1972) estabelecem: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/1972 – na redação dada pela Lei n° 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não Fl. 108DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19839.000334/201110 Acórdão n.º 240202.389 S2C4T2 Fl. 5 9 tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Ainda dentro do aspecto meritório e em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5°, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 32A e 35A, ambos da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento ora analisado, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei nº 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei nº 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 109DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991. Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II. tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, da Lei no 8.212/1991. Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei no 8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32A e 35A, ambos da Lei no 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. O art. 44 da Lei no 9.430/1996 dispõe o seguinte: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19839.000334/201110 Acórdão n.º 240202.389 S2C4T2 Fl. 6 11 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A regra do artigo acima mencionado tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/1991, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da Lei no 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade – a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, no caso que tenha sido lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), qual tenha sido o valor nele lançado. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A da Lei nº 11.941/2009 (nova legislação) e comparado ao cálculo anterior, aplicando o cálculo mais benéfico ao sujeito passivo, na forma do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10510.001077/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 03 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2005
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O lançamento, acompanhado do relatório fiscal e de demais anexos e discriminativo, cumpre a função de informar com precisão e clareza sobre os fatos geradores, as alíquotas aplicadas, as contribuições lançadas, os períodos a que se referem e os dispositivos legais e normativos que amparam o lançamento, permitindo o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa.
MESMAS RAZÕES DE DEFESA. ACÓRDÃO RECORRIDO. ADOÇÃO DAS RAZOES DE DECIDIR.
Por não haverem sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância e estando a conclusão alcançada pelo órgão julgador de primeira instância em consonância com o melhor entendimento da legislação que rege a matéria, adotam-se os fundamentos da decisão recorrida, através da transcrição do inteiro teor do voto condutor, nos termos do art. 57, § 3º, do Anexo II do da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).
Numero da decisão: 2402-010.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Augusto Sekeff Sallem - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Renata Toratti Cassini, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
Nome do relator: Não informado
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O lançamento, acompanhado do relatório fiscal e de demais anexos e discriminativo, cumpre a função de informar com precisão e clareza sobre os fatos geradores, as alíquotas aplicadas, as contribuições lançadas, os períodos a que se referem e os dispositivos legais e normativos que amparam o lançamento, permitindo o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. MESMAS RAZÕES DE DEFESA. ACÓRDÃO RECORRIDO. ADOÇÃO DAS RAZOES DE DECIDIR. Por não haverem sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância e estando a conclusão alcançada pelo órgão julgador de primeira instância em consonância com o melhor entendimento da legislação que rege a matéria, adotam-se os fundamentos da decisão recorrida, através da transcrição do inteiro teor do voto condutor, nos termos do art. 57, § 3º, do Anexo II do da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).
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INOCORRÊNCIA. O lançamento, acompanhado do relatório fiscal e de demais anexos e discriminativo, cumpre a função de informar com precisão e clareza sobre os fatos geradores, as alíquotas aplicadas, as contribuições lançadas, os períodos a que se referem e os dispositivos legais e normativos que amparam o lançamento, permitindo o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. MESMAS RAZÕES DE DEFESA. ACÓRDÃO RECORRIDO. ADOÇÃO DAS RAZOES DE DECIDIR. Por não haverem sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância e estando a conclusão alcançada pelo órgão julgador de primeira instância em consonância com o melhor entendimento da legislação que rege a matéria, adotam-se os fundamentos da decisão recorrida, através da transcrição do inteiro teor do voto condutor, nos termos do art. 57, § 3º, do Anexo II do da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Augusto Sekeff Sallem - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Renata Toratti Cassini, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 10 77 /2 01 0- 81 Fl. 190DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.695 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.001077/2010-81 Relatório Trata-se de recurso voluntário manejado pelo contribuinte identificado, em face à decisão de primeira instância, e-fls. 143 a 145, que julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento das contribuições previdenciárias destinadas a outras entidades e fundos (INCRA e SEBRAE), incidentes sobre as folhas de pagamentos de empregados, não declaradas em GFIP. Assim está ementada a decisão de primeira instância. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade quando o Relatório Fiscal, juntamente com os demais discriminativos e anexos que compõem o Auto de Infração, cumprem a sua função de informar com precisão e clareza sobre os fatos geradores, as alíquotas aplicadas, as contribuições lançadas, os períodos a que se referem e os dispositivos legais e normativos que amparam o lançamento, permitindo ao impugnante o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. Nas razões deduzidas na peça recursal, e-fls. 149 a 156, o recorrente apenas se limita a reiterar os termos apresentados na impugnação, pleiteando o reconhecimento da nulidade do lançamento. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Augusto Sekeff Sallem, Relator. Admissibilidade O recorrente tomou conhecimento do acórdão recorrido em 24/11/2010, e-fls. 148, e protocolizou recurso voluntário em 21/12/2010. Deve ser conhecido, portanto, o recurso que é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Lançamento O lançamento formalizado no DEBCAD 37.234.739-8, de que o recorrente tomou conhecimento em 24/3/2010, é referente à remuneração dos empregados informada nas folhas de pagamento e não declarada nas GFIPs do período de apuração de 8 a 12/2005. A apuração se deu a partir da análise das folhas de pagamento, recibos, notas fiscais, contratos de prestação de serviços, livros contábeis e documentos da empresa relacionados no Relatório Fiscal do Auto de Infração, e-fls. 43 a 48. Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.695 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.001077/2010-81 Nulidade O recorrente argumentou que o relatório fiscal não apresentou a fundamentação clara e precisa de onde as estariam efetivamente presentes as omissões que ensejaram a lavratura do lançamento. Em vista do permissivo do § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 1 , aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, por não terem sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa e estando a conclusão alcançada pelo órgão julgador de primeira instância em consonância com o entendimento deste Relator, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor. A impugnante alega a nulidade do lançamento em razão da inexistência de descrição precisa dos motivos que o ensejaram. Verificando-se os autos, entretanto, constata-se que não procede a argüição de nulidade, pois o Relatório Fiscal, juntamente com os demais discriminativos e anexos que compõem o Auto de Infração, cumprem a sua função de informar com precisão e clareza sobre os fatos geradores, as alíquotas aplicadas, as contribuições lançadas, os períodos a que se referem e os dispositivos legais e normativos que amparam o lançamento, permitindo ao impugnante o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O Relatório Fiscal, fls. 26 a 28, descreve os levantamentos nos quais foram inseridas as contribuições lançadas. Por sua vez, o Relatório de Lançamentos, fls. 31 a 43 demonstra o valor da remuneração paga aos segurados, por estabelecimento e por competência Neste relatório, informa-se o valor da remuneração, bem como o nome e o NIT de cada trabalhador remunerado pela empresa. O Discriminativo do Debito - DAD, fls. 3 a 5, indica, mês a mês, as contribuições efetivamente lançadas em cada uma das competências. Tome-se, por exemplo, a competência 09/2005. O Relatório de Lançamentos, fls. 31/32, relaciona todos os empregados cuja remuneração não foi declarada em GFIP pelo contribuinte, indicando o nome, o Número de Inscrição do Trabalhador - NIT e o valor da remuneração paga a cada um, cujo somatório alcançou o montante de R$ 26 870 24 Exatamente este valor consta do Discriminativo do Débito, fls. 3 (verso), como base de cálculo das contribuições inseridas no levantamento EMI. O mesmo relatório informa que a alíquota aplicada é de 0,8% e que o montante das contribuições apuradas na competência foi de R$ 214,96. Os itens 405 e 415 do relatório Fundamentos Legais do Debito - FLD fls. 16, demonstram os fundamentos legais que autorizam a cobrança das contribuições lançadas Percebe-se, portanto, que o Auto de Infração contém elementos que propiciam ao contribuinte o entendimento dos valores lançados, bem como dos fundamentos legais para a exigência das contribuições lançadas. Por esta razão, não acolho a preliminar de nulidade. 1 § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.695 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.001077/2010-81 Conclusão Voto em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Márcio Augusto Sekeff Sallem Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital
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