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Numero do processo: 16327.000655/2003-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1402-000.001
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 16327.000655/200396 Recurso n" 154.651 Voluntário Resolução n° 1402-00.001 — 4° Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2009 Matéria IRPJ - ANO CALENDARIO: 2002 Recorrente BANCO ABN AMRO REAL S/A, Recorrida 1' TURMAJDRJ-SÃO PAULO/SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relatar. et~A,„(1 LEONARDO DE ANDRADE COUTO — Presidente VALMARF6x1S CA i E ME EZES Relator EDITADO EM: (2, 1 friA 2010 Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Valmar Fonseca de Menezes, Carlos Pelá, Carlos Alberto Niza e Castro, Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Processo n° 16327,000655/200396 Resolucijo 1402-00M01 F1 2 Relatório Trata o presente processo de análise de compensação realizada pela recorrente e não homologada parcialmente pela repartição de origem. Inconformada, houve apresentação de manifestação de inconformidade, que, por sua vez, foi indeferida, conforme documento de fl. 641, decisão contendo relatório que bem descreve os fatos e cujo relatório adoto, por oportuno e suficiente. "Em conformidade com o despacho decisório de fls, 405/412, trata o processo n° 16327.000655/2003-96 de "Declaração de Compensação (DCOMP), formalizada em 28,02.2003, de débito do Imposto de Renda (IR) devido no mês de Janeiro/2003, no valor de R$ 20.893,155,76, com alegado Saldo Negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (SN IRPJ) do ano-calendário 2001, no montante de R$ 34,951,595,82" (fls. 01 a 03 e 12 a 14). Em 15/08/2003 foi juntado ao processo n° 16327.000655/2003-96, o processo n° 16327M01506/2003-44, sendo que ambos serão analisados conjuntamente na presente decisão. 1. Processo n° 16327.00065512003-96 No item "13" do despacho decisório (fis, 410), foi reconhecido pela autoridade fiscal a regular compensação do crédito do IRRF com o IR devido em 12/2001 (apurado com base em balanço ou balancete de suspensão), no valor de R$ 3.922.887,50, restando a compensar um saldo de IRRF de R$ 32,295,584,54, conforme tabela abaixo: Tabela 1 — Compensação nos termos do art. 9° da MP n° 1.807-2/1999 Sem Inclusão Com Inclusão AC 2001 Lucros Lucros Diponibilizados Disponibilizados (R$) (RS) Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos Fiscais (195.363.116,89) 16.930.659,03 (-) Compensação de Prejuízo Fiscal (1.143.109,00) Lucro Real — DIPJ/2002, Ficha 09B/31 15.787.550,03 IR Alíci. 15% 2.368.132,50 Adicional 1.554.755,00 IR Apurado 3.922.887,51 a) Imposto Pago Exterior 36.218.472,05 b) Diferença do Imposto Com e Sem Inclusão dos Lucros Auf No 3 922 887,51 Exterior c) Imposto Pago no Ext. a Compensar: o menor entre "a" e "b" 3.922.887,51 d) Saldo Imposto Pago Exterior a Compensar nos anos- 32.295 584,51 calendários seguintes A autoridade fiscal considerou indevidas as seguintes compensações (item c de fls. 412): "c I) IR de 01/2002, no valor de R$ I 196.483,92; c 2) IR de 03/2002, no valor de R$ 8.939.068,34, c 3) IR de 01/2003, no valor de R$ 20,893 155,76; c 4) de 05/2003, no valor de R$ 1 795 950,60; " 2 Processo n" I 6327.000655/200396 S1-0112 Resolução n.° 1402-00.001 Fl. 3 A autoridade administrativa assim fundamentou a não homologação da compensação efetuada pela contribuinte: "10. De acordo com a legislação pertinente, o IRRF sobre os rendimentos pagos à filial da interessada (valor efetivamente pago) não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliado em país enquadrado nas disposições do art. 245 do RIR/99, pode ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, quando os resultados de _sua filial, que contêm os referidos rendimentos, forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil_ (... ) 11. Como se vê, à compensação do referido Il?RF, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliado em país com tributação favorecida, aplicam-se as mesmas regras da compensação dos tributos pagos no país de domicílio da . filial e dos pagos relativamente a rendimento e ganhos de capital auferidos diretamente no exterior. Em consonância com a legislação, o Manual de Instalação do Programa da DIPJ/2003 e Instruções de Preenchimento, aprovado pela IN SRF n307/2003, nos itens 171.6.4 e linha 11/08 informa que referidos créditos não podem ser compensados nos recolhimentos mensais referentes aos meses de janeiro a novembro, bem como no caso de pagamento do imposto do mês de dezembro com base na receita bruta e acréscimos. Em suma, a compensação está adstrita aos débitos do imposto adicional apurados no mês de dezembro com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução e do imposto relativo a todo ano-calendário. Regra limitadora, reconheça-se, editada em harmonia com a regra de não incidência de juros SELIC sobre o crédito compensável " Além de não homologar as compensações supra, determinou a cobrança, no presente processo, dos seguintes débitos: IR relativo a 01/2002 e do PIS relativo a 05/2003 (fls. 412), A empresa apresentou manifestação de inconformidade (fis. 416/453), acompanhada dos documentos de fis. 454/603, alegando em síntese o seguinte: Dos créditos objeto da manifestação de inconformidade a) Muito embora o Despacho Decisório tenha corno número de processo apenas o relativo à compensação referente à competência 01/200.3, qual seja, 16327,000655/2003-96, também apreciou as compensações realizadas em 12/2001(Declarada na DIPJ/2002, ficha 11/08), 01/2002 (Declarada na DIPJ/2003, ficha 11/08), 04/2003 (DCOMP n" 24260.42709.310703.1.7,02-9706) e 05/200.3 (DCOMP n° 22681.45854.12060.3.13.04- 7075 Retificadora n° 26385.57681310703.1,7.04-9077), conforme consignado em seu despacho nos itens 5, 6 e 17. Cerceamento do direito de defesa b) Na capitulação legal que motivou a não homologação das compensações realizadas, há referência, apenas e tão somente, aos artigos 395 e parágrafos do RIR/99 e art. 14 e parágrafos da IN SRF 213/0 transcritos expressamente no Despacho Decisório. . , , 3 Processo n° 16327.000655/200396 SI-C412 Resolução n.° 1402-00,001 El 4 c) Não foi mencionado expressamente no Despacho Decisório qual dispositivo de lei que determina que a compensação dos referidos créditos deve ser realizada somente em dezembro. Portanto, a descrição dos fatos constantes do Despacho Decisório e sua fundamentação legal não guardam qualquer relação entre si. d) No item 17 do Despacho Decisório a Autoridade Administrativa analisa pontos que não guardam qualquer relação com o IRRF incidente sobre a remessa de juros para o exterior, sem, no entanto, apresentar qualquer fundamento para as determinações contidas no referido item. e) A fundamentação apresentada no Despacho Decisório sequer refere-se a todas as compensações efetuadas pela Requerente, o que amesquinha o seu direito de defesa. f) O Despacho Decisório está eivado de nulidade, vez que não apresenta a correta capitulação legal que ensejou o indeferimento das compensações realizadas. Da compensação do IRRE incidente sobre os juros remetidos para o exterior g) Quando a IN SRF n° 213/02 permite que o Imposto de Renda do exterior seja compensado com o IRPJ apurado em anos-calendário subseqüentes, na verdade, está permitindo que o imposto pode ser compensado com débitos do IRPJ apurados em períodos subseqüentes, independentemente de serem em virtude de antecipação ou definitivo, se no mês de dezembro. h) Aceitar interpretação diferente significa ignorar o disposto na legislação vigente, bem como as regras internacionais pré-estabelecidas que visam anular a bitributação sobre o mesmo lucro. i) As disposições do Manual de Preenchimento da DIPJ 2002 apresentadas no item 17,1.6.4, ao contrário do entendimento da autoridade administrativa, não denotam que nos meses de janeiro a novembro não se pode compensar os débitos apurados com o crédito fiscal do Imposto de Renda do exterior. j) O que se buscou deixar evidenciado é que nesses meses não se pode utilizar o Imposto de Renda do exterior pago no ano, enquanto não houver o cômputo dos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços no Lucro Real da pessoa jurídica no Brasil, porque, de acordo com a nossa legislação, tais lucros só devem ser computados no mês de dezembro, para fins de tributação, ainda que disponibilizados antes desse mês. k) Embora não exista previsão expressa em lei no sentido de que o Prejuízo Fiscal pode ser compensado nas apurações mensais do IRPJ, a autoridade administrativa, sem a menor sombra de dúvidas, admite que, na modalidade de suspensão ou redução do imposto, onde a base de cálculo é o lucro líquido contábil ajustado pelas adições e exclusões, a compensação do prejuízo é legítima, desde que observado o limite de 30%. 1) Restringir a utilização de um valor que, nos termos da própria IN SRF 213 deve ser controlado na Parte "B" do LALUR, é uma postura absolutamente contraditória, uma vez que todos os itens passíveis de registro na Parte B do LALUR podem afetar as/antecipações4 ensais relativas à modalidade suspensão/redução. _ . , 4 Processo n° 16327,000655/200396 S1-C4T2 Resolução n.° 1402-00,001 Fl 5 m) Inexiste fundamentação legal que restrinja a utilização do crédito de Imposto de Renda no exterior na compensação de débitos de IRPJ apurado como antecipação. n) Não pode a autoridade administrativa fundamentar suas decisões em interpretação de Manual de Orientação, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. o) A atividade da autoridade administrativa está vinculada ao disposto em lei, não podendo interpretar qualquer norma conforme seu interesse, mesmo que em Manual de Orientação. Da compensação do IRRF com débitos de PIS p) A Requerente, ao realizar o recolhimento do IRRF, o fez com a aplicação da alíquota de 25%, conforme reconhecido no próprio despacho decisório. q) Ocorre que, de acordo com o art. 1°, da Lei n" 9,959/00, a alíquota correta a ser aplicada para apuração do Imposto de Renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no país, era de 15%. r) Em decorrência desse recolhimento a maior (25% ao invés de 15%), a Requerente apurou o valor devido a título de IRRF com débito de PIS, bem como que está devidamente comprovado o valor recolhido a maior. Da exigência do IR mensal de 01/2003 e abusividade da cobrança de multa isolada s) Com relação ao IR mensal de 01/2003, não há como se exigir tal imposto tendo em vista que ao final do ano-calendário 2003 a Requerente apurou Imposto de Renda devido, conforme se verifica na Ficha 12B — linhas 01 e 02, sendo perfeitamente possível a compensação do IR de 01/2003. t) A aplicação da multa isolada tem caráter evidentemente confiscatório, ao arrepio do princípio constitucional da vedação ao confisco, previsto no artigo 150, IV, da CF/88, razão pela qual inexiste fundamento para o respectivo lançamento. Do saldo negativo de Imposto de Renda do ano-calendário 2001 e do IRRF por órgão público u) O valor informado pela Requerente está correto, conforme se verifica dos DARF's que comprovam o pagamento de IRRF no ano-calendário 2001 e conforme retenções efetuadas pelo INSS (doe, 6), v) O INSS não fornece o informe de rendimentos comprobatórios dos créditos oriundos da retenção na fonte de tributos federais, w) A própria SRF já se manifestou através da Solução de Consulta (4 a RF) 20/02 no sentido de que os relatórios e registros contábeis dos prestadores de serviços ou fornecedores de órgãos públicos, respaldados por nota fiscal e comprovante de depósito são capazes de demonstrar os créditos oriundos da retenção na fonte de tributos e contribuições federais. x) A compensação do IR m nsal de 04/2003, até o limite do saldo negativo de IRPJ de R$ 467.665,56, conforme d erminado pelo despacho decisório, não merece prosperar. 5 Processo n° 16327.000655/200396 S1-C4T2 Resolução n." 1402-00.001 Fl. 6 y) Esta compensação não guarda qualquer relação com o IRRF incidente sobre a remessa de juros para o exterior, relativo ao ano-calendário de 2001 que foi objeto do despacho decisório. z) A DCOMP 24260.42709.310703.1.7.02-9706 tem como objeto a compensação do saldo negativo de Imposto de Renda da ABN AMRO Brasil Participações, em decorrência da incorporação pelo Banco ABN AMRO REAL S/A e de IR Retido na Fonte sobre juros pagos à filial situada em país de tributação favorecida relativo ao ano-calendário 2002. aa) O Imposto de Renda do ano-calendário de 2001, no valor de R$ 1,455.526,55 foi, compensado com o IR incidente sobre juros sobre o capital próprio pagos no ano de 2002. bb) A glosa da compensação do IR de 04/2003 não pode prosperar, em hipótese alguma, haja vista não guardar qualquer relação com o saldo negativo de IR do ano-calendário de 2001. II. Processo n° 16327.001506//2003-44 Conforme despacho de fis, 16117, trata o processo supra mencionado de "Declaração de Compensação (DCOMP), formalizada em 30.04.2003, de débito do Imposto de Renda (IR) devido no mês de Janeiro/2003, no valor de R$ 7.612.782,66, com alegado Saldo Negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica do ano-calendário 2002, no montante de R$ 90.486.657,87 (fis. 08 a 10)". A compensação pleiteada não foi homologada, in verbis: "2. A compensação formalizada nestes autos envolve direito creditório decorrente ã IRRF, código 0481, incidente sobre remessas de juros efetuadas pelo interessado a filial domiciliado no exterior, e saldo negativo do IRPJ do ano-calendário 2002, cuja quantificação e forma de utilização foram apreciadas no processo n" 16327.001507/2003-99, na decisão acostada às fis 16 a 24 3. Em decorrência dos fundamentos adotados naquele decisório, a autoridade administrativa concluiu pela impossibilidade de o interessado utilizar referidos créditos na compensação formalizada nestes autos, Desta forma, o débito do IR mensal de 01/2003, no valor de R$ 7612.782,66, compensado indevidamente, será exigido com os acréscimos legais previstos na IN SRF n" 210/02 e art. 74 da Lei n" 9 430/96 e alterações " A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fis. 31/40), acompanhada dos documentos de fls. 41/53, alegando em síntese o seguinte: Da compensação do crédito do IRRIF sobre juros remetidos ao exterior a) O § 80 do art. 395, do Decreto IV 3.000/1998 é categórico em preceituar a possibilidade da compensação sobre o imposto devido sobre o lucro real, inexistindo qualquer distinção quanto à forma ou momento de sua apuração. b) O elemento invocado pela le "slação tributária para a compensação do crédito do IRRF em discussão é que o mesmo eja confrontado com o imposto devido sobre o lucro real, 6 Processo e 16327 000655/200396 S1-C4T2 Resolução n.° 1402-00.001 Fl. 7 isto é, elegeu-se, para fins da compensação, a submissão da pessoa jurídica à tributação do imposto pelo lucro real e não o período/forma de sua apuração, sendo defesa a distinção elaborada pela Administração. c) O pagamento mensal não desnatura a qualificação do imposto pago sobre o lucro real; antes, constitui uma sistemática de pagamento colocada à disposição às pessoas jurídicas sujeitas à tributação pelo lucro real. d) A interpretação sistêmica, prestigiada pelo Egrégio Conselho de Contribuintes, do § 8° do art. 395 c/c art. Art. 222 do Decreto if 3.000/99, corrobora, inequivocamente, a possibilidade do reconhecido crédito do IRRF ser compensado com o imposto de renda sobre o lucro real, recolhido mensalmente, e) A decisão é improcedente em vista da violação perpetrada ao princípio da legalidade, eis que a Autoridade Fiscal deveria se ater ao preceituado no § 8° do art, 395 do Decreto n° 3.000/1999. Do Aviso de Cobrança a) O aviso de cobrança recebido pela Manifestante veio acompanhado com um demonstrativo de débito que não se refere ao efetivamente discutido. b) Enquanto o procedimento Administrativo em exame se refere ao IRRF do mês de janeiro de 2003, no montante de valor R$ 7.612.782,66, o discriminativo que acompanhou o Aviso de Cobrança destaca exigência do imposto do mês de março de 2003, na quantia de R$ 4,302.583,70. c) O Aviso de Cobrança deve ser cancelado não somente em virtude da inexatidão quanto ao valor/período exigido, mas principalmente porque a apresentação da presente Manifestação de Inconformidade suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 17 da Lei n° 10.833/2003." Às fls. 680, tempestivamente, a empresa apresenta recurso voluntário, tempestivamente, onde repisa argumentos, É o relatório, no que importa, neste momento, e no interesse da economia processual. Voto Conselheiro VALMAR FONSECA DE MENEZES, Relator Verificamos, preliminarmente, que a decisão recorrida, ao apreciar os elementos de prova trazidos aos autos pela recorrente para comprovação dos seus créditos, assim se posicionou: "ii.3 Documentos de fls. 556/559 — o documento de fls. 556 é o comprovante anual de rendimentos emitido pela fonte Companhia Br.sileira de Meios de Pagamentos, em que constam os pagamentos de fls, 557/559. No co r/provante de fls. 556, não consta a Manifestante ( CNN no. ..,.) como beneficiária dos re , imentos. Apesar dos comprovantes de ^•'•r- 7 Processo n° 16327,000655/200396 S1-01.12 Resoluçào n.° 1402-00.001 Fl. fls., 557/559 indicarem como beneficiária a Manifestante, não foi localizada Dirf, em que o CNRJ do declarante seja o da Companhia Brasileira de Meios de Pagamentos ( CNN no., comforme prova a tabela de fls. 338. Tal tabela relaciona as fontes pagadoras que declararam como beneficiária a Manifestante. Logo, os documentos não podem ser aceitos como prova do valor declarado na linha 08/Ficha 12 da DIPJ/2002 (fls. 218)." (fl. 657) Tal assertiva se repete para outros itens ralativos a comprovantes de rendiernentos apresentados pela recorrente, que são os itens: ii.4 Documentos de fls. 561/562, (fl. 657) iii.Documento 4 (fis, 560),(11. 657) viii, Documento 30 (fl. 661), ix, Documento 31(fl. 661), x. Documento 32 (if 662), importante ressaltar que, nos termos do que dispõe o Decreto 70,235/72, a autoridade julgadora é livre para formar a sua convicção, na apreciação da prova. A partir desta premissa, somos impelidos a respeitar a posição da decisão a quo, que desconsiderou as provas apresentadas pela recorrente — documentos de comporovação de rendimentos emitidos por terceitos — simplesmente pelo fato de que estes terceiros não teriam apresentados — em suas a\DIRFs a interessada como beneficiária. No entanto, também temos o direito de entender que o Princípio da Verdade Material é que deve prevalecer no julgamento da lide, nos termos do que dispõe auele ato normaitvo, base do nosso Processo Administrativo Fiscal. Ora, neste sentido, temos que admitir que a interessada trouxe aos autos forte documentação que aponta para uma possível e real retenção de imposto de renda na fonte por terceiros. Não podemos, no meu entender, simplesmente desconsiderar tais documentos, que, instituídos pela Legislação Tributária, investem estes terceiros na condição de responsáveis pelo tributo retido. Entendo que a omissão na declaração de tais retenções podem implicar em hipóteses, que se poderia imaginar como, por exemplo, a infração regulamentar cometida pela fonte pagadora ou a produção de documentos inidâneos por parte da interessada na compensação de tais tributos, supostamente retidos. Este Conselheiro entende que, diante de tais elementos, antes que nos pronunciemos sobre a homologação ou não da compensação realizada, se faz necessário que a autoridade fiscal verifique a verdade material dos fatos alegados, em especial dos créditos supostamente oriundos de tais comprovações de rendimentos. Não há como se avançar no julgamento da lide sem que tenhamos segurança acerca dos elementos de prova anexados pela recorrente. Desta forma, voto no sentido de que seja o presente julgamento convertido em diligência à repartição de origem, co ! o pio ósito mencionado. F erS'A DE MENEZES 8
score : 1.0
Numero do processo: 10680.011241/2007-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RECURSO INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2403-000.405
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso
não conhecido por intempestividade.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso não conhecido por intempestividade.. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 413 a 419 e Anexo às fls. 420 a 427, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora, Acórdão nº 0215905 – 7ª Turma da DRJ/BHE, fls. 387 a 397, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.051.0283, com ciência da Recorrente em 22.12.2006, às fls. 12, com valor consolidado de R$ 23.138,84 (vinte e três mil, cento e trinta e oito reais e oitenta e quatro centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 07, a Recorrente contratou serviços da empresa prestadora Incentive House S/A, CNPJ 00.416.1261000141 e 00.416.126/000222, cuja função era administrar o sistema de estímulo ao aumento de produtividade, através dos cartões Premium Card e FlexCard. A Recorrente comunicava mensalmente os beneficiários e valores à Incentive House, que, por sua vez, creditava os referidos valores nos cartões indicados. Da análise dos Livros Razões da empresa, a AuditoriaFiscal constatou que a Recorrente contabilizou as Notas Fiscais emitidas pela empresa Incentive House S/A nas contas "Serviços Prestados por Pessoa Jurídica" / "Fornecedores, não efetuando os lançamentos das rubricas pagas aos empregados (de 04/2002 a 12/2005) e contribuintes individuais (de 01/2002 a 12/2005). Portanto, a AuditoriaFiscal concluiu que a Recorrente deixou de lançar, mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, no período de 01/2002 a 12/2005. Desta forma o Auto de Infração nº. 37.051.0283, Código de Fundamentação Legal – CFL 34, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "a" e art. 373. O Relatório Fiscal da Infração, fls. 07, registra a existência de circunstância agravante, conforme a descrição do inciso V do art. 290, do Decreto n° 3.048/1999, além de não registrar a existência de circunstância atenuante, prevista no art. 291 do Decreto n° 3.048/1999. Segundo o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 08, a multa aplicada pela infração praticada é de R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10680.011241/200719 Acórdão n.º 240300.405 S2C4T3 Fl. 430 3 No entanto, tendo em vista a ocorrência da circunstância agravante prevista no art. 290, V do RPS, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 7, a multa será elevada em duas vezes, como disciplina o art. 657, IV, da Instrução Normativa SRP 03 de 14/07/2005, publicada no D.O.0 em 15/07/2005, perfazendo o total de R$ 23.138,84 (11.569,42 x2 = 23.138,84). O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09334638F00, foi de 01/1996 a 12/2005, às fls. 06. O período objeto do Auto de Infração, conforme o Relatório Termo de Encerramento da AuditoriaFiscal, às fls. 10, é de 01/2002 a 12/2005. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 22.12.2006, conforme AR nº 102518515 BR, fls. 12. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 16 a 23, com Anexos às fls. 24 a 384. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, fls. 387 a 397, conforme a Ementa do Acórdão nº 0215905 – 7ª Turma da DRJ/BHE a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2002 A 31/12/2005 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA GFIP. Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios da sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 413 a 419 e Anexo às fls. 420 a 427, onde alega, em apertada síntese: (a) tal multa foi aplicada com base no relatório fiscal da NFLD que indicou a falta de recolhimento de contribuições previdenciárias sobre valores repassados pela Impugnante a funcionários de seus fornecedores que trabalham em suas dependências e diretamente para seus clientes consumidores e revendedores, valores estes reembolsados em virtude de despesas de deslocamentos e lanches durante o período labora!; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 (b) o relatório fiscal indica o pagamento de salário, o que na verdade nunca ocorreu, pois o que a Impugnante sempre fez foi reembolsar despesas praticadas pelos funcionários de seus fornecedores que lhe beneficiavam; (c) qualquer multa ou sanção aplicada em razão da falta de pagamento das contribuições previdenciárias, lançamento na escrituração contábil, preparação da folha quanto a estes "hipotéticos" fatos geradores ou mesmo quanto à apresentação de documentos em "desacordo" com os fatos geradores ocorridos, tornase absolutamente insubsistente, pois jamais foi paga pela impugnante qualquer remuneração por serviços prestados às pessoas citadas no relatório fiscal; (d) que todos os valores repassados às pessoas que laboram nas dependências da impugnante não ocorreram em virtude de pagamento de serviços efetuados, mas sim em razão de despesas e custos necessários à manutenção do labor; (e) que em relação aos levantamentos efetuados pela ilustre fiscal, apenas uma funcionária trabalha diretamente para a empresa. Todas as demais pessoas listadas beneficiárias dos valores constantes nesta NFLD não são funcionários da impugnante, mas sim, por funcionários de empresas fornecedoras de produtos revendidos em suas lojas; (f) estas pessoas que laboram nas dependências da impugnante não tem qualquer relação de vínculo empregatício com esta, estando ausentes a subordinação, controle e pagamento de salários, características estas inerentes à verificação do vínculo empregatício; (g) os documentos juntados comprovam cabalmente a ausência de vínculo entre estas pessoas e a impugnante, onde se pode averiguar o vínculo laboral destes funcionários com outras empresas fornecedoras de produtos para a impugnante; (h) que os valores repassados aos funcionários dos fornecedores da impugnante que laboram em suas dependências referemse exclusivamente a valores atinentes a despesas realizadas por estes funcionários com vales transporte, deslocamento para filiais da impugnante e viagens de demonstração ao interior de minas e lanches durante o período laboral; (i) as despesas de deslocamento (gasolina, álcool, etc.) dos funcionários dos fornecedores entre as filiais da impugnante, lanches no deslocamento, vales transportes e demais pequenos custos de trabalho em trânsito atinentes ao labor dos funcionários dos fornecedores da impugnante que lhe interessa para a melhoria das vendas e de um melhor atendimento são suportados pela impugnante, que repassa estes valores ao pessoal que labora em suas dependências através de cartão magnético fornecido pela empresa Incentive House; (j) outrossim, ao contrário do já noticiado por esta Notificação, rogando vênia ao entendimento fiscal, não se tratam os valores de pagamento de prêmios, gorjetas, horas extras, ou qualquer outra remuneração que integre o salário, mas sim de uma verdadeira e óbvia restituição e/ou reembolso de despesas Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10680.011241/200719 Acórdão n.º 240300.405 S2C4T3 Fl. 431 5 ocorridas no labor de funcionários de terceiros (fornecedores) que beneficiam diretamente a impugnante, pois atinge os produtos que comercializa; (k) em relação à empregada segurada da impugnante, esta recebe também os valores no cartão magnético como verba de ajuda de custo para manutenção de vestuário e despesas de deslocamento de suas filiais para a fiscalização e manutenção administrativa da empresa; (l) Cumpre ainda esclarecer que, apesar do contrato realizado entre a Recorrente constar programa de estímulo ao aumento de produtividade, o cartão jamais foi utilizado para este fim, sendo este um contrato de adesão fornecido pela empresa Incentive House S.A. para a utilização de sua tecnologia. (m) O cartão magnético sempre foi utilizado como a forma mais fácil de repassar os valores das despesas de deslocamento e lanches dos funcionários de seus fornecedores, pois o cartão dispensa o pagamento em espécie, visto que nenhum outro valor é repassado pela Recorrente a estas pessoas, não existindo qualquer outra forma de pagamento ou contracheque que pudesse ser incluído este reembolso. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls.428. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Na verificação dos requisitos de admissibilidade, em relação à tempestividade: (i) observase que a Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 11.08.2008, conforme Aviso de recebimento – AR nº 051407120BR às fls. 412; (ii) a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 15.12.2008, conforme fls. 413 a 427; Temse que o art. 33 do Decreto nº 70.235/1972 estabelece que o prazo para a apresentação de recurso voluntário é de trinta dias. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Desta forma, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário, em 15.12.2008, após a expiração do prazo de apresentação de 30 dias a partir da ciência da decisão. Anotese que às fls. 428, no item 04, a Receita Federal do Brasil observa a intempestividade do Recurso Voluntário, pela ocorrência da perempção. Assim, o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente foi intempestivo e, dessa forma, não foi cumprido requisito de admissibilidade o que impede o seu conhecimento. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso em face de sua intempestividade. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10680.011241/200719 Acórdão n.º 240300.405 S2C4T3 Fl. 432 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001776/2004-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.117
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está
sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543-B do CPC). Encaminhe-se o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 13609.900295/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1401-000.057
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 1DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11144.JOD1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0223.052, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Belo HorizonteMG. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 757724408 emitido eletronicamente em 24/04/2008 (fl. 08), referente ao PER/DCOMP nº 12157.25778.150404.1.3.040015 (fls. 01/05). DO DESPACHO DECISÓRIO O Despacho Decisório proferido pela DRF Sete Lagoas não homologou a compensação declarada, nos seguintes termos: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$705.583,97. A partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida em 15/04/2004 com o objetivo de compensar o débito código receita: 5856 1 COFINS – Não cumulativa, do mês de março de 2004, vencimento em 15/04/2004, no valor de R$ 729.997,18 (fl. 04), com crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, data de arrecadação 30/01/2004 (fl. 02). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, em 06 de maio de 2008 (fl. 09), protocolou a Manifestação de Inconformidade de fls. 14/22, documentação de fls. 23/55, com as argumentações a seguir sintetizadas: apurou crédito relativo a tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), passível de restituição ou ressarcimento. Solicitou à SRF a compensação de tais valores por meio de PER/DCOMP, no valor de R$729.997,18, nos termos da Instrução Normativa nº 414, de 30 de março de 2004. Das razões para a Reforma do Despacho Decisório equivocouse a autoridade, uma vez que verificando os documentos anexados (DARFs, PER/DCOMP e a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), percebese que a empresa faz jus à homologação do crédito, não por se tratar de pagamento indevido, mas por tratar de se saldo negativo de IRPJ. Fl. 2DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11144.JOD1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.900295/200884 Resolução n.º 140100.057 S1C4T1 Fl. 95 3 ressalta que cometeu erro no preenchimento do PER/DCOMP, ao informar como crédito Pagamento Indevido ou a Maior e o correto era crédito de saldo negativo de IRPJ. não pode ser prejudicada na compensação de saldo negativo de tributos por causa de simples erro material no preenchimento do PER/DCOMP. diz que, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes demonstra indubitavelmente que simples erro ao preencher qualquer tipo de obrigação acessória não pode acarretar no ‘perdimento do direito’, transcrevendo ementas neste sentido. erro material não afeta em nada o direito em ter o crédito declarado devidamente homologado, uma vez que o próprio Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) – art. 170, autoriza o contribuinte a compensar créditos tributários. ressalta que a legislação aplicável ao caso deve ser aquela que era utilizada na época da realização da Declaração de Compensação. tanto na lei ordinária (art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996) quanto na Instrução Normativa nº 210, de 2002, que à época disciplinava sobre a restituição e a compensação de tributos federais, não havia regra quanto a não homologação do crédito tributário por simples hipótese de erro material. o PER/DCOMP utilizado foi aprovado pela Instrução Normativa nº 376, de 2003, sendo que a referida instrução pode tãosomente fazer com que seja aplicada corretamente a lei em seu sentido estrito. ilustra o entendimento com texto do professor Antônio Carlos Rodrigues do Amaral, que diz que as instruções normativas são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam prevista na lei ou no decreto dela decorrente. aos processo tributários administrativos são aplicados inúmeros princípios constitucionais e legais que condicionam toda a atividade estatal, coibindo os procedimentos fiscais que porventura, ao exigir tributos e penalidades, não são desenvolvidos dentro dos limites legais e de acordo com os princípios inerentes do ordenamento jurídico. a Lei nº 9.784, de 1999 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, em seu art. 2º, dispõe sobre a obrigatoriedade de obediência aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa, contraditório, dentre outros. um dos princípios primordiais para melhor decisão da presente lide é o princípio da verdade material. Ressalta que a autoridade julgadora é obrigada a decidir com base nos fatos que representam a realidade vivenciada pelo contribuinte, sempre partindo dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Reforça, citando entendimento do Conselho de Contribuintes. Diante de todo o exposto, requer o recebimento e provimento in totum da Manifestação de Inconformidade, para que seja reformado o Despacho Decisório, no sentido de reconhecer integralmente os créditos declarados pelo contribuinte. É o Relatório. A DRJ INDEFERIU a solicitação, nos termos da ementa abaixo: Fl. 3DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11144.JOD1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11144.JOD1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.900295/200884 Resolução n.º 140100.057 S1C4T1 Fl. 96 5 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Em apertada síntese, a Recorrente alega que cometera erro material no preenchimento da DCOMP, uma vez que indicou equivocadamente Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior das estimativas do IRPJ ao invés de saldo negativo de IRPJ, do Exercício de 2004, anocalendário2003. Ao indicar Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, no processamento do PER/DCOMP nº 12157.25778.150404.1.3.040015 de fls. 01/05, objeto do presente processo, fezse eletronicamente, o batimento do DARF (indicado no PER/DCOMP fl. 03) com a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (fls. 55/56). Nesta análise automática de créditos informados em PER/DCOMP, considerase: pagamento a maior, a diferença entre o pagamento efetuado em Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e o valor alocado, nos sistemas de cobrança, ao respectivo débito confessado pelo sujeito passivo (DCTF). Na DCTF do 4º trimestre de 2003 (fl. 67) foi declarado, um débito de IRPJ, para o mês de dezembro, no valor de R$11.095.294,13, recolhido por meio de três DARFs: de R$4.8665,73, R$2.090.428,40 e R$9.000.000,00. O valor do DARF indicado no PER/DCOMP foi o de R$2.090.428,40. Daí, a conclusão do Despacho Decisório nº rastreamento 757724408 emitido eletronicamente em 24/04/2008, que não existia crédito, não homologando a compensação declarada (valor do DARF compõe o valor declarado em DCTF como débito de IRPJ do mês de dezembro de 2003 – fl. 67). No caso de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, o processamento eletrônico da declaração de compensação, a partir do período de apuração do saldo negativo informado pelo contribuinte no PER/DCOMP, consulta a DIPJ correspondente para confirmação da forma de tributação e de apuração no período, bem como a exatidão do saldo negativo apurado, para sua validação. A validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ e pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada pela análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP. As antecipações referentes a retenções na fonte, pagamentos por estimativa ou renda variável e estimativas compensadas são validadas mediante confronto com informações constantes nos sistemas da RFB. Dos documentos anexados aos autos (fls. 58/68), percebese, que: a estimativa do mês de fevereiro de 2003, parte foi efetivada por DARF (no valor de R$191.747,40 – fl. 63) e parte por meio de PER/DCOMP nº 01797.72797.210803.1.3.040267 (processo nº 10620.900189/200692), no valor de R$ 61.357,82, compensação ainda não homologada. a estimativa do mês de março de 2003, parte foi efetivada por DARF (no valor de R$1.518.578,99 – fl. 64) e parte por meio de PER/DCOMP nº 40595.30651.040603.1.3.046093, retificado pelo PER/DCOMP nº 18369.23226.200906.1.7.048029, no qual o direito creditório não foi reconhecido. Fl. 5DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11144.JOD1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 a estimativa do mês de abril de 2003, parte foi efetivada por DARF (no valor de R$3.687.425,76 – fl. 65) e parte por meio de PER/DCOMP nº 06723.33186.290803.1.3.020959 (processo nº 10620.900190/200617), no valor de R$ 113.551,61, compensação não homologada. Uma vez que, não foi indicado corretamente a origem do crédito tributário, no caso saldo negativo de IRPJ do Exercício de 2004, não houve a validação e a verificação da exatidão do referido saldo e consequentemente não houve o reconhecimento do direito creditório, competência do Delegado da Receita Federal do Brasil de origem do contribuinte. A DRJ, por seu turno, apesar de ter indicado inconsistências na validação de das parcelas das estimativas pagas que comprometeria o saldo negativo, dá ênfase maior para rejeição no aspecto formal inadequado pelo qual a recorrente produziu o seu pedido, negou a solicitação nos seguintes termos: Assim, a alegação de erro de preenchimento da DCOMP não pode ser admitida, eis que, a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação (artigo 56 da IN SRF nº 460 de 18/10/2004, 57 da IN SRF nº 600 de 28/12/2005 e 77 da IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que admitem a retificação da DCOMP apenas quando a mesma ainda se encontrar pendente de decisão administrativa). De fato, restou configurado que não existe pagamento a maior das estimativas pagas da IRPJ (Cod. 2364), podendo existir porém em tese, saldo negativo do IRPJ, situação esta que envolve inúmeras outras variáveis que devem ser levadas em conta para que se dê ou não a restituição/compensação. A recorrente se por um lado confundiu esses conceitos, por outro deixou inequívoco que sua intenção era mesma aproveitar o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2003. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade, devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento, o que ficou configurado no caso concreto em que há divergência facilmente perceptível entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. É que o campo “Valor Original do Crédito Inicial” no contexto da Ficha de Pagamento Indevido, no valor de R$ 1.979.094,94 (fl. 02) coincidente com o valor do Saldo Negativo do IRPJ também neste mesmo valor revela (fl.52) essa intenção e o conseqüente erro material. Nesse contexto, inclinome pela realização de uma diligência específica para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização Transmutar a situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo do IRPJ para o anocalendário de 2003, levando a PER/Dcomp a tratamento manual; Intimar, se for o caso, o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos e retificações que entender pertinentes à solução da lide; Prosseguir na validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP; Após as verificações acima, apurando a certeza e liquidez do crédito tributário em referência, verificar se ainda resta algum débito remanescente a ser coberto, refazendo todas as imputações utilizando o Sistema pertinente da Receita Federal do Brasil; Fl. 6DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11144.JOD1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.900295/200884 Resolução n.º 140100.057 S1C4T1 Fl. 97 7 A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 7DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11144.JOD1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento juntado ao processo decorrente de ato do servidor habilitado e reconhecido via certificado digital. Corresponde à fé pública do servidor. Histórico de ações sobre o documento: Documento assinado digitalmente por: VIVIANE VIDAL WAGNER em 17/02/2011 e ANTONIO BEZERRA NETO em 07/02/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 03/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP03.0520.11144.JOD1 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: A95C8F9CFCA35A6C55FA9DC3A9521F13A8C92B6A Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13609.900295/2008-84. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13116.001435/2005-39
Data da sessão: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1402-000.003
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: CARLOS PELA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente da Turma à época), Albertina Silva Santos de Lima, Carlos Pelá, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Marcos Antonio Pires e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001435/200539 Resolução n.º 140200.003 S1C4T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO SUPERMERCADO PROCASA LTDA, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa. Tratase de recurso voluntário interposto com o objetivo de reformar o acórdão nº 16.498, de 10 de fevereiro de 2006, proferido pela 2ª Turma da DRJ/BSB, que julgou procedente o auto de infração lavrado para constituir o crédito tributário de IRPJ (fls. 172/174) tendo gerado, em decorrência, os autos de infração reflexos relativos à CSLL (fls. 186/187), PIS (fls. 178/179) e COFINS (fls. 182/183), nos termos do art. 282 do Decreto nº 3.000/99. Cumpre ainda esclarecer que houve a reunião dos autos decorrentes do MPF nº 01.2.02.002004003128 em um único processo administrativo, qual seja, nº 13116.001435/200539. Assim sendo, o recurso voluntário ora julgado também objetiva a reforma no que tange aos débitos relativos ao IRPJ (fls. 172/173), CSLL (fls. 590/591) e COFINS (fls. 378/379), apurados no confronto dos dados escriturados com os dados declarados e recolhimentos efetuados pelo contribuinte, concluindose pela insuficiência de recolhimento do imposto devido. A fiscalização constatou que, na condição de Microempresa no ano de 2003 houve a aferição de receita bruta decorrente da revenda de mercadorias no montante de R$ 4.494.562,24, acrescida de R$ 23.329,89 de outras receitas registradas nos Livros Contábeis e Fiscais, enquanto a empresa apresentou Declaração de PJ Simples informando receita bruta acumulada no montante de apenas R$ 139.497,53. Desta forma, comprovado o excesso ao limite estabelecido para ingressar ou permanecer nesta sistemática, foi proposta Representação Fiscal nº 13116.000019/200513 para exclusão do SIMPLES que restou procedente e retroagiu à data da sua inclusão, visto a comprovação da diferença entre os valores apurados pela autoridade fiscal e os valores efetivamente declarados pela empresa. Sendo assim, constatou a fiscalização a falta de recolhimento dos valores devidos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, lavrando para tanto, os correspondentes autos de infração. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnações, aduzindo, em síntese, que: houve erro na forma eleita para o lançamento do imposto, em face da entrega voluntária da DIPJ 2002/03; houve comprovação efetiva da integralização do capital social, visto que, por tratarse de um pequeno supermercado estabelecido no interior do Estado de Goiás, administrado pessoalmente por seus sócios, e que a simples disponibilidade financeira por parte da sócia Dirlene de Lourdes Silva e Souza, esposa do sócio Ademir Rodrigues de Souza, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001435/200539 Resolução n.º 140200.003 S1C4T2 Fl. 3 3 bem como a transferência comprovada apenas contabilmente, no exercício de 2003, são suficientes para comprovar a integralização do capital. há crédito, referente ao exercício de 2003, de valores recolhidos na sistemática do SIMPLES que não foram considerados e compensados pela fiscalização, visto que os competentes autos de infração abrangem a totalidade dos débitos; e nulidade do auto de infração referente ao PIS, pois com a migração compulsória do contribuinte para o sistema de tributação com base no lucro real, o sistema de apuração do PIS passou a ser nãocumulativo, o que gerou crédito a seu favor. Ao julgar as mencionadas impugnações, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília (BSB) considerou o lançamento procedente, conforme ementa a seguir transcrita: Ementa: INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, o auto será devido, a não ser que a contribuinte consiga comprovar a efetividade da entrega e a origem dos recursos. RECOLHIMENTO Uma vez identificada insuficiência de recolhimento deve ser mantido o lançamento. Lançamento Procedente Cientificado do julgamento, apresentou o Recorrente, tempestivamente, recurso voluntário ratificando integralmente os argumentos expostos em suas impugnações. Também foi formalizada representação fiscal para fins penais, cuja análise não cabe a esta Egrégia Turma. Por fim, requer seja declarada a nulidade dos autos de infração discutidos por intermédio do recurso voluntário ora julgado, nos termos acima expostos. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001435/200539 Resolução n.º 140200.003 S1C4T2 Fl. 4 4 VOTO Conselheiro Carlos Pelá, Relator. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Em seu Recurso Voluntário, o Recorrente utiliza como argumentos preponderantes os seguintes: (i) houve erro na forma eleita para o lançamento do imposto, em face da entrega voluntária da DIPJ 2007/03; (ii) houve comprovação efetiva da integralização do capital social (iii) há crédito, referente ao exercício de 2003, de valores recolhidos na sistemática do SIMPLES e (iv) nulidade do auto de infração referente ao PIS, em face de saldo credor gerado em face da sistemática da nãocumulatividade. No que tange a não compensação dos pagamentos efetuados por intermédio de guia DARF à época do enquadramento na sistemática do SIMPLES, resta esclarecer que apesar de não caber a essa Egrégia Turma a referida análise, os valores supostamente recolhidos no exercício de 2003, devem ser apurados pela fiscalização e abatidos antes da lavratura do auto de infração. Desta forma, tendo em vista a disponibilidade das referidas guias de pagamento no sistema da Receita Federal do Brasil, cabe à DRF de origem o esclarecimento sobre o tema. Ainda, fazendo referência aos supostos créditos existentes em nome do Recorrente a título de PIS, diferentemente do alegado pela DRJ em seu acórdão, também não cabe a essa Egrégia Turma a referida análise, no entanto, caso esteja efetivamente comprovada a existência de saldo credor em face da sistemática de recolhimento nãocumulativa, referido saldo deve ser considerado para o cálculo do tributo efetivamente devido. Assim, cabe também à DRF de origem o esclarecimento sobre o tema. Fazse necessária a realização de diligência para que: 1) a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Anápolis/GO apure os supostos créditos gerados tanto em face dos recolhimentos de tributos efetuados antes da exclusão do Recorrente do SIMPLES, referentes ao exercício de 2003, como do saldo credor de PIS gerado em face da alteração da sistemática de recolhimento para nãocumulativa. 2) Ao final, deverá ser lavrado relatório consubstanciado dos procedimentos executados pela unidade de origem, bem com cientificado o contribuinte para, caso deseje, manifestar no prazo de 30 dias. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para realização dos procedimentos acima descritos. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10166.722765/2010-45
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1402-000.095
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator)
que dava provimento ao recurso por entender que o lançamento era insubsistente. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHÂES DE OLIVEIRA
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) que dava provimento ao recurso por entender que o lançamento era insubsistente. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator (assinado digitalmente) Antonio José Praga de Souza – Redator Designado (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO COMERCIAL DE ALIMENTOS CERES S/A recorre a este Conselho contra o Acórdão 0342.548 – 2ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal, que julgou a Impugnação procedente em parte, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). DO LANÇAMENTO Contra a recorrente foram lavrados os autos de infração de fls. 1.100 a 1.152, para formalizar o lançamento do crédito tributário de R$ 6.664.712,53, relativo aos anos calendário de 2007 e 2008, inclusive juros de mora, calculados até 30/11/2010, e multa de ofício de 150%, conforme a seguir discriminado: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ 3.818.990,04 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL 1.381.529,49 Contribuição para o PIS 261.180,09 Contribuição p/Financiamento da Seguridade SocialCofins1.203.012,91 Os Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexo CSLL decorrem da Glosa de Custos que, segundo descrição dos fatos, a contribuinte depois de intimada e reintimada, não apresentou os comprovantes de pagamento das notas fiscais que foram objeto de análise da fiscalização. Os Autos de Infração de Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins (nãocumulativas) referemse à Glosa de créditos oriundos de notas fiscais declaradas inidôneas pela Secretaria de Estado de Fazenda do Distrito Federal (SEFDF). Segundo o Termo de Verificação Fiscal (TVF), inclusive Anexos I e II (fls. 11531175), o procedimento fiscal foi aberto com o objetivo de verificar a efetividade de diversos custos com aquisições de mercadorias para revenda, visto que a fiscalização da Secretaria de Estado de Fazenda do Distrito Federal (SEF/DF) identificou que diversos fornecedores da empresa fiscalizada não existiam de fato. Afirmase que a SEF/DF apurou, de acordo com o Relatório n° 03/COINF/SUREC/05 JUN 2009 e documentos anexos, a existência de um grupo especializado na emissão e distribuição de "notas frias" com o objetivo de fraudar a Fazenda Pública; que na esfera federal essas notas inflaram os custos dos produtos vendidos, reduzindo o lucro e, consequentemente, o IRPJ e a CSLL, e, também, geraram créditos de PIS e de Cofins, uma vez que a empresa estava sujeita ao regime de apuração nãocumulativo. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 3 3 Segundo o TVF, as empresas consideradas fictícias que tiveram a inscrição no CF/DF canceladas e declarada a idoneidade de “grande parte das notas fiscais” foram as seguintes: CNPJ Empressa Notas Edital DODF Pg 08.719.009/000169 Distribuidora de Prod. Alimentícios Cosmos Ltda. Todas 54 12/05/09 37 08.417.803/000158 Distribuidora de Prod. Alimentícios Mercador Ltda. 3001 a 6000 55 12/05/09 37 09.487.324/000170 Distribuidora de Prod. Alimentícios Explendor Ltda. Todas 56 12/05/09 37 02.366.483/000178 Nova Brasília Distrib. de Prod. Alimentícios Ltda. A partir de 06/2006 52 12/05/09 37 05.878.918/000151 Cemar Indústria e Com. de Prod. Alimentícios Ltda. (antiga Macem Ind. e Com. de Prod. Aliment. Ltda.) A partir de 06/2006 53 12/05/09 37 08.273.842/000129 QNL Distribuidora de Produtos Alimentícios Ltda. Todas 50 12/05/09 36 07.416.916/000176 Califórnia Comercial de Alimentos Ltda. Todas 51 12/05/09 36/37 04.826.166/000112 Terra Com. Atacadista de Prod. Alimentícios Ltda. 1001 a 4000 17 18/05/09 56 37.079.183/000192 Comercial Oriente Ltda. 1 a 750 15 18/05/09 55 06.092.732/000135 Oestefort Com. Export, e Import, de Cereais Ltda. Todas 8 13/01/06 33 10.413.585/000125 Magalhães e Almeida Distrib. de Prod.Aliment. Ltda. Todas 35 08/05/09 40 05.498.980/000118 Plenna Com. de Alimentos e Prod. de Higiene Ltda. 2001 a 3500 57 12/05/09 37 09.269.213/000198 Comercial de Alimentos Setor Sul Ltda. Todas 35 08/05/09 40 10.188.772/000152 Satierf Comercio e Representação de Café Ltda. Todas 38 11/05/09 54 09.100.757/000121 Guga Comercial de Alimentos Ltda. Todas 35 08/05/09 40 37.059.920/000195 Tsaleah Indústria e Com. de Prod. Aliment. Ltda. após 04/2007 69 12/06/09 47 Os valores glosados pela Fiscalização, que constituem a base de cálculo do IRPJ e CSLL estão demonstrados no TVF, conforme a seguir: CNPJ Fornecedor Nome do Fornecedor 2007 2008 05.878.918/000151 Macem Ind. e Com. de Prod. Alimentícios Ltda. 1.312.906,09 0,00 04.826.166/000112 Terra Com. Atacadista de Prod. Alimentícios Ltda. 942.229,68 0,00 07.416.916/000176 Califórnia Comercial de Alimentos Ltda. 804.527,98 26.037,85 08.719.009/000169 Distribuidora de Prod. Alimentícios Cosmos Ltda. 449.554,89 280.657,01 10.188.772/000152 Satierf Comercio e Representação de Café Ltda. 0,00 547.214,51 08.417.803/000158 Distribuidora de Prod. Alimentícios Mer. Ltda.EPP. 10.408,29 484.778,77 08.273.842/000129 QNL Distribuidora de Produtos Alimentícios Ltda. 0,00 429.011,30 37.059.920/000195 Tsaleah Indústria e Com. de Prod. Aliment. Ltda. 186.909,45 144.149,79 09.100.757/000121 Guga Comercial de Alimentos Ltda. 7.950,60 1.860,16 09.487.324/000170 Distribuidora de Prod. Alimentícios Exp. Ltda. ME. 0,00 8.748,00 Total Consta ainda do TVF que a forma de tributação escolhida nos anoscalendário de 2007 e 2008 foi o lucro real trimestral, conforme pagamentos efetuados e DCTFs apresentadas; que intimação atendida parcialmente em 11/06/2010, foram apresentados os originais da grande maioria das notas fiscais, porém, sem a devida comprovação de pagamento; que em vista da ausência de comprovação e da falta de algumas notas fiscais, a solicitação foi reiterada entretanto, em resposta, a empresa informou que as notas fiscais faltantes não haviam sido encontradas e que os pagamentos haviam sido realizados parte por caixa e parte por boletos, mas que os boletos também não haviam sido localizados. A Fiscalização informa que, intimada a confirmar se utilizara créditos de PIS e COFINS (nãocumulativos) calculados sobre as notas fiscais de entrada emitidas durante os anos de 2007 e 2008 pelos fornecedores fictícios identificados pela SEF/DF, a contribuinte esclareceu que: “numa conferência sumária no prazo concedido, não identificamos nenhuma nota que não tenha sido utilizado o respectivo crédito”; que intimada e reintimada, a Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 4 4 contribuinte não apresentou os comprovantes dos efetivos pagamentos dos produtos representados por essas notas fiscais pelo que foi glosado os valores referentes aos créditos oriundos dessas notas fiscais. Acerca da aplicação da multa qualificada de 150%, consta do TVF a transcrição do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, seguida do seguinte texto: 33. Diante da conduta reiterada da pessoa jurídica de utilizar notas fiscais de entrada fictícias em sua escrituração contábil e fiscal, que não representam uma efetiva aquisição de mercadorias, resta claro que o contribuinte agiu com evidente intuito de fraude, com objetivo de reduzir os montantes dos tributos devidos. Foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais (Processo Administrativo nº 14041.000331/201058). DA IMPUGNAÇÃO Tempestivamente, a contribuinte apresenta a impugnação (fls. 1.181 a 1.199), ao lançamento, discorrendo sobre os pontos seguintes: PRELIMINARES MPF FALTA DE REQUISITOS. A então impugnante assevera nulidade do procedimento fiscal, uma vez que o MPF não atendeu aos requisitos previstos na legislação para a sua finalidade, faltandolhe formalidades a ele inerentes, tais como a ultrapassagem do prazo estipulado e a renovação reiterada sem que houvesse intimação ao contribuinte. E que, durante a fiscalização, as diligências e intimações para apresentação de documentos também não observaram a legislação, visto que os prazos eram “exíguos e incompatíveis com o cumprimento de obrigação de prestação de informações que demandavam uma quantidade enorme de documentos e pesquisas”. MÉRITO a) INIDONEIDADE DE DOCUMENTO FISCAL – NECESSIDADE DE ATO PUBLICADO A Impugnante afirma que o documento para ser inidôneo é necessário que haja publicação pela Autoridade Fiscal do Ato Declaratório da referida inidoneidade. E que, publicado o ato, ele vigora para frente não podendo retroagir em casos de documentos emitidos anterior à publicação. Os Atos Declaratórios que declararam a inidoneidade foram publicados em 2009 pela SEF/DF, pelo que não poderiam ser utilizados para notas fiscais emitidas em 2007 e 2008. Na esfera federal, sequer houve publicação de atos declaratórios tornando inaptas as empresas fornecedoras, conforme estaria previsto nos arts. 80, § 2º, e 82, da Lei n° 9.430, de 1996. A publicação do ato declaratório teria por finalidade dar a conhecer a terceiros adquirentes de mercadorias e para que possa produzir os efeitos legais, afirmando que, somente a partir da publicação formal no Diário Oficial, os atos do comércio e as implicações fiscais poderão ser imputados a terceiros adquirentes. Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 5 5 A fiscalização federal teria se utilizado de informações e declaração de inidoneidade realizada pela SEF/DF sem ter feito qualquer diligência no sentido de confirmação da circunstância, o lançamento seria nulo por contrariar a legislação vigente. b) COMPRAS EFETIVAS Afirma a recorrente, que as notas fiscais glosadas representam compras efetivas de mercadorias destinadas à sua atividade comercial, que adentraram em seu estabelecimento e foram vendidas, compondo a sua receita de venda operacional, e que eventuais irregularidades com a situação fiscal dos fornecedores não podem atingir a autuada, que agiu de boafé. Registra que parte dos fornecedores eram as empresas integrantes do TARE ou REA regimes especiais de tributação criados pelo Distrito Federal, com acompanhamento especial pelo Fisco do Distrito Federal, o que levava a supor da regularidade fiscal dos fornecedores. Conclui que a autuada, no caso, é vitima e não agente, sendo ilegítima para responder pelas eventuais irregularidades desses fornecedores. c) GLOSA DE CUSTO – SEM GLOSA DA RECEITA CORRESPONDENTE A ora recorrente, questionou o fato de ter havido glosa de custos das mercadorias vendidas e a tributação integral das Receitas de Vendas. Diz estar juntando sua DIPJ onde estão indicados os Custos das Mercadorias Vendidas e a correspondente Receita de Vendas tributadas, demonstrando a regularidade em suas margens respectivas, e que teria havido uma duplicidade excessiva de tributação. Afirma que a contabilidade do contribuinte faz prova plena daquilo que está registrado em sua escrituração comercial e fiscal e que a presente autuação baseouse apenas em informação do Fisco Distrital sobre as idoneidades, não tendo realizado os auditores desse procedimento nenhuma pesquisa ou exame desses casos específicos, para corroborar, se fosse o caso, a procedência da referida inidoneidade fiscal. Conclui, dessa forma, que o lançamento realizouse por presunção e que em dissonância com o conceito de renda do art. 43 do CTN. d) A NECESSÁRIA DEDUTIBILIDADE DOS CUSTOS DAS MERCADORIAS VENDIDAS Destaca a então impugnante, que autuação é baseada em irregularidades nas empresa emitentes dos documentos fiscais, pelas quais não pode ser responsabilizada por ser adquirente de boa fé e suas operações reais. Os custos glosados são legítimos porque estão de acordo com o RIR/99, em seus arts. 300 e 299, sendo, pois, passíveis de dedutibilidade, porquanto necessários e indispensáveis ao desenvolvimento da atividade da autuada. e) ERROS MATERIAS Ao título, a impugnante afirma que o lançamento fiscal comete erros materiais ao não considerar os prejuízos fiscais declarados em suas DIPJ e LALUR, nos respectivos trimestres, o que resultou em tributos lançados em valor superior ao devido. Afirma, também, que, da mesma forma, houve erro material no cálculo do adicional do IRPJ, inclusive nos ajustes relativos ao limite de R$ 60.000,00, cuja tributação adicional ocorre apenas no excedente. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 6 6 Alega que houve erro material no cálculo do IRPJ e da CSLL, pois a auditoria fiscal deixou de considerar, como dedutível do lucro real, os valores de PIS e COFINS lançados de ofício. Junta demonstrativos de Apuração do IRPJ lucro real (total período); e de Apuração IRPJ lucro real (trimestrais). Conclui que esses erros materiais nulificam o procedimento fiscal. f) TRIBUTAÇÕES REFLEXAS Requer sejam anulados todos os tributos lançados por reflexos do lançamento do IRPJ. g) MULTA CONFISCATÓRIA DE 150% A impugnante alude que está sendo responsabilizada por uma situação inerente à condição de suposta irregularidade do fornecedor das mercadorias e que os documentos fiscais foram escriturados regularmente em sua contabilidade e livros fiscais e prestadas todas as informações solicitadas pelo Fisco. Considera que a multa de ofício de 150% do valor do tributo é excessiva e traduz em um confisco e que ainda que prevista na legislação fiscal, não tem amparo e é inaplicável à hipótese do presente procedimento fiscal, merecendo a sua nulidade, pois tem efeito confiscatório. h) AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE DE SONEGAÇÃO OU FRAUDE. Acerca da qualificação da multa, a impugnante, depois de afirmar que o relatório fiscal, anexo ao Auto de Infração, descreve que haveria a hipótese de representação fiscal para fins penais e a multa agravada de 150%. Reitera a impugnante que os documentos fiscais foram escriturados regularmente na contabilidade da autuada e em seus livros fiscais, e foram prestadas todas as informações solicitadas pelo Fisco e que não pode ser responsabilizada por ato de outrem. Que não pode ser responsabilizada se não havia o ato de declaração da situação irregular e de inidoneidade das empresas fornecedoras e respectivas notas fiscais por ocasião da aquisição das referidas mercadorias, na forma prevista nos arts. 80 a 82 da Lei n° 9.430/96. i) IMPUGNAÇÃO DOS DADOS E ELEMENTOS AUTUADOS. No caso da autuação da CSLL, defende que não cabe a exclusão da despesa do lucro real como indedutível, uma vez que a base desta é o lucro líquido. Cita, em sua defesa, o Acórdão 107 08.297 do 1º Conselho de Contribuintes. Ao final requereu a juntada de novas provas para o deslinde da questão e requer o julgamento improcedente a ação fiscal e o seu consequente lançamento. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A matéria foi julgada em primeira instância conforme o Acórdão 0342.548 – 2ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal, assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 MPF. VALIDADE. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, são procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante. Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 7 7 INTIMAÇÃO. PRAZOS. Reputamse válidos os termos de intimação cujos prazos de atendimento são estabelecidos em consonância com o disposto na legislação de regência, qual seja, art. 71 da MP nº 2.15835/2001. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EFETIVIDADE NÃO COMPROVADA. Não restando comprovado o pagamento de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato, conforme provas colhidas por outro órgão fiscalizador, bem como o efetivo ingresso das mercadorias constantes de tais documentos, devem estes ser considerados inidôneos. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco valerse de informações e provas colhidas em outros processos, desde que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. PREJUÍZOS FISCAIS. Não há erro no cálculo do tributo devido quando, no lançamento, é efetuada a devida compensação do prejuízo declarado e constante do LALUR no período de apuração correspondente, mediante a dedução dessa quantia do valor da infração lançada, para a determinação do valor tributável e consequente imposto devido. ADICIONAL DO IRPJ. Quando resta comprovado que o lucro real constante do LALUR é inferior ao limite de isenção trimestral de R$ 60.000,00 para o cálculo do adicional do IRPJ, há que se proceder à sua concessão no auto de infração, mediante a dedução, do valor da infração apurada, da diferença ainda não utilizada pelo contribuinte. DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS DE OFÍCIO. É incabível a dedutibilidade, na determinação do lucro real, das contribuições apuradas em ação fiscal. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prática reiterada de contabilização de notas fiscais inidôneas, relativas a operações cuja efetividade não resta comprovada, constitui fato que caracteriza fraude e implica qualificação da multa de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 8 8 Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. CSLL. DESPESA INEXISTENTE. A contabilização de notas fiscais inidôneas traduzse em despesa inexistente, que enseja redução indevida tanto do lucro líquido como do lucro real, devendo ser glosada para a correta apuração do tributo devido. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual repisa as alegações da peça impugnatória e contesta as conclusões do acórdão recorrido nos termos seguintes. PRELIMINARES a) MPF – Falta de Requisitos Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 9 9 A decisão da DRJ ora recorrida, às fls. 1294, afirma que “Em vista do exposto, não existe necessidade de qualquer ato administrativo para formalizar a prorrogação, além do registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante” e que “Não existe, portanto, a irregularidade noticiada.” A recorrente contesta a afirmação sob a justificativa de que a intimação que gera efeitos patrimoniais, obrigacionais ou onerosas necessita que seja realizada de forma pessoal ou, ainda que seja por meio eletrônico, é necessária a prova do recebimento sob o amparo do art. 23, e seus incisos, do Decreto 70.235/72. b) Prazos exíguos para atendimento das intimações Alega a Decisão da DRJ que os prazos de 20 e de 5 dias foram atendidos. A recorrente contesta que os prazos estabelecidos nas normas são genéricos e destinados como regra geral cabendo ao auditor observar as quantidades e dificuldades das informações solicitadas e conceder prazos de acordo com esses parâmetros, sob pena de nulidade do procedimento, e que as listagens nos autos e as documentações solicitadas nos Termos de Intimações demonstram que a providência empresarial demandava mais tempo do que o concedido. c) a prova emprestada A decisão da DRJ quanto ao assunto, conclui que “É lícito ao Fisco valerse de informações e provas colhidas em outros processos, desde que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretende oferecer”. Para a recorrente, o que se discute na peça impugnatória foi a forma em que a prova foi utilizada pelo Fisco Federal, pois enquanto para o Distrito Federal a prova original destinavase a lançamento de créditos fiscais de ICMS, enquanto que no caso da autuação contestada a fiscalização, com o uso da prova emprestada, busca apurar o Lucro Real. Neste caso, a recorrente comprovou que as mercadorias adentraram no estabelecimento e foram vendidas compondo a Receita Operacional bruta, situação que caberia o Fisco Federal averiguar por meio de levantamentos específicos, especialmente da ‘Conta Mercadoria’ de forma a demonstrar a entrada das compras, os estoques inicial e final, e a saída pela venda, com o correspondente resultado comercial naquela operação. d) documentos inidôneos A decisão da DRJ alega que os documentos são inidôneos na forma apurada por outro órgão fiscalizador e que as empresas são inexistentes, concluído que “Não restando provado o pagamento de notas fiscais emitidas por empresa inexistentes de fato, conforme provas colhidas por outro órgão fiscalizador, bem como o efetivo ingresso das mercadorias constantes de tais documentos, devem estes ser considerados inidôneos.” A recorrente contesta a informação de que as empresas eram inexistentes trazendo como argumento que na relação fiscal há empresas integrantes do TARE ou REA regimes especiais de tributação criados pelo Distrito Federal, com rígido controle fiscal sobre a movimentação diária; que, por várias vezes, foram concedidos autorização para impressão de notas fiscais (AIDF) em quantidades consideráveis (8.000 documentos); que as Fichas Cadastrais de alterações de dados (FAC) das empresas foram acionadas várias vezes perante a Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 10 10 repartição fiscal; e que as empresas atuavam e comercializavam mercadorias de fato, pelo que era essencial o aprofundamento nos procedimentos da fiscalização, o que não ocorreu. h) necessidade de ato publicado para declarar a inidoneidade de documento fiscal. A recorrente pugna pela corresponsabilidade do Fisco na existência de empresas inidôneas isto porque é ele quem realiza as inscrições no ICMS e CNPJ, concede Alvarás, autoriza a impressão de notas fiscais e, fiscaliza (ou deveria) se estão operando de forma regular para a segurança de milhares de contribuintes. Aduz que a legislação dispõe que é necessário o Fisco declarar a inidoneidade das empresas e dos documentos fiscais, pelo que só depois da publicação de atos administrativos fiscais declarando essas situações há repercussão contra terceiros, sendo essa a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Também são citadas disposições da Lei nº 9.430/96, que determinam procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal com vistas à declaração de inaptidão de empresas. Conclui a recorrente ser adquirente de boafé uma vez que as mercadorias adentraram em seu estabelecimento, matéria que vem alegando desde as informações para o Fisco, porém, a fiscalização nunca procurou buscar a verdade real. i) Falta de declaração de inidoneidade na área federal A recorrente reitera a necessidade de a Administração Federal proceder a declaração de inidoneidade das empresas que se encontram na situação, segundo os arts. 80 da Lei nº 9.430/96, contudo isto só ocorreu por parte do Fisco do Distrito Federal. Portanto, contesta a decisão da DRJ de que os atos são declaratórios e não constitutivos. Afirma que após publicados os atos estabelecem relações e obrigações entre o Fisco e Contribuintes, sendo pois, constitutivos, nesse aspecto. g) A Recorrente prestou todas as informações fiscais A recorrente contesta a afirmação do órgão julgador de que as informações e documentos foram parciais (fl. 1295/6), informando que as primeiras vias das notas fiscais ficaram na posse do Fisco do Distrito Federal, não sendo motivo para acusação de fornecimento parcial de documentos porque foram apresentadas as vias autenticadas por aquele Fisco. No pedido, requer o aditamento de esclarecimentos ou de documentos para o deslinde da questão e o provimento do recurso para determinar a anulação do crédito tributário. É o relatório. Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 11 11 VOTO VENCIDO Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 0342.548, proferido pela 2ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal, que julgou a impugnação procedente em parte, resultando na exoneração parcial do crédito tributário do IRPJ referente aos 1º e 3º trimestres de 2008, respectivamente, nos valores de R$ 697,89 e R$ 1.302,92. Assim, o IRPJ originalmente lançado de R$ 3.818.990,04, ficou reduzido para R$ 3.816.989,23, e o total do crédito tributário de R$ 6.664.712,53, foi diminuído para R$ 6.662.711,72. O lançamento foi cientificado em 3/12/2010 e se refere aos anoscalendário de 2007 e 2008. A autoridade fiscal realizou o lançamento tendo como suporte dados fornecidos pela Secretaria de Estado da Fazenda do Distrito Federal por meio de relatório que “informou ao fisco federal a existência de um grupo organizado na emissão e distribuição de ‘notas frias’ com o objetivo de fraudar a fazenda pública”, e que, em virtude dos fatos, “as empresas fictícias tiveram a sua inscrição no Cadastro Fiscal do Distrito Federal (CF/DF) cancelada” e “declarada a inidoneidade de grande parte das notas fiscais autorizadas pela SEF/DF”. A este aspecto, integram os autos os Editais lançados com as notas fiscais declaradas inidôneas, os quais serão analisados nas razões de mérito juntamente e em complemento às informações constantes do Relatório de Verificação Fiscal. Passo à análise das alegações recorridas, na mesma sequência com que se apresentam no Recurso Voluntário. PRELIMINARES a) MPF – Falta de requisito O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) teve sua estreia pelo art. 2º da Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999, constituindose em “ordem específica” para instauração dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF executados pelos Auditores Fiscais da Receita Federal, verbis: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. (g. n) A ciência ao sujeito passivo haveria de ser dada nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), conforme dispunha o art. 4º da citada Portaria SRF nº 1.265, de 1999, verbis: Art. 4º O MPF será emitido na forma dos modelos constantes dos Anexos a esta Portaria, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 12 12 O art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, previa que a intimação do sujeito passivo poderia ser feita pessoal, por via postal ou por edital, sendo improfícuos os meios anteriores, conforme a seguir transcrito: Art. 23. Farseá a intimação I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. A intimação por edital foi substituída pelo meio eletrônico, com prova de recebimento, conforme a redação dada pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, verbis: Art. 23 (...) (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Assim sendo, o MPF, quando da sua instituição como ordem especifica para instauração de procedimento fiscal, exigia que dele fosse dado ciência ao contribuinte de forma pessoal, pelos Correios, mediante AR como prova de recebimento, ou por edital. Com a alteração da redação do art. 23 do PAF, o meio eletrônico passou a ser uma das formas de intimação do sujeito passivo. No período em que transcorreu o procedimento fiscal que resultou o lançamento objeto dos presentes autos vigia a Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, cujo art. 2º, abaixo transcrito, define tãosomente que os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), não se estabelecendo mais a sua natureza de “ordem específica” à instauração e execução do procedimento fiscal. Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). A ciência do MPF pelo sujeito passivo, segundo o parágrafo único do art. 4º da Portaria RFB nº 11.371, de 2007, a seguir transcrito, restou definida que seria por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 13 13 Art. 4º (...) Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Pela exegese da norma administrativa, uma vez que a ciência do MPF se fará nos termos do art. 23 do PAF e este dispositivo, no inciso III, prevê que a ciência por meio eletrônico exige a prova de recebimento, não se pode acolher a justificativa simplória dada no acórdão recorrido de que “não existe a necessidade de qualquer outro ato administrativo para formalizar a prorrogação, além do registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante”. Sem dúvida, que tanto o MPF inicial quanto às prorrogações, na vigência da Portaria RFB nº 11.371, de 2007, haveria de ser dado ciência ao sujeito passivo, “com prova de recebimento”. O entendimento não poderia ser outro como a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconheceu na atual regulamentação do MPF pela Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011, verbis: Art. 4º (...) Parágrafo único. A ciência do MPF pelo sujeito passivo darseá no sítio da RFB na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. A nova regulamentação não vinculou mais a ciência do MPF pelo sujeito passivo às regras do art. 23 do PAF. A ciência darseá no sítio da RFB na Internet com a utilização do código de acesso consignado no termo de início do procedimento fiscal. É como dizer ao sujeito passivo, se você quiser saber se o MPF é verdadeiro, com este código de acesso indicado no termo de início, entre no sítio da Receita Federal e confirme. Contudo, o fato de o sujeito passivo não ter sido cientificado da prorrogação do MPF não inquina o lançamento de nulidade, cujas regras essenciais para tanto são a lavratura dos atos e termos por pessoa incompetente ou os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, conforme preceitua o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim sendo, cabe não acolher a preliminar apontada pela recorrente. b) Prazos exíguos para atendimento das intimações A recorrente alega razão para nulidade do procedimento fiscal, os prazos exíguos para atendimento das intimações, ao que a autoridade julgadora considerou que eles estão em conformidade o art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, com a redação dada pelo art. 71 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que prevê o prazo de 20 dias para apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal quando do início do processo de lançamento de ofício, e de 5 dias úteis, nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 14 14 escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária. Verificase que mediante o Termo de Início de Ação Fiscal, com ciência em 11/3/2010, a contribuinte foi intimada a apresentar no prazo de 20 dias, os seguintes documentos (fl. 198/9): 1. Estatuto / Contrato Social e alterações; 2. Arquivos magnéticos referentes a seus registros contábeis e fiscais (período: 01/01/2007 a 31/12/2007), conforme discriminação abaixo, e disposições do art. 11 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, além da Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15, de 23 de outubro de 2001, e do Anexo Único do ADE 15/2001 (este último alterado pelo Ato Declaratório Executivo COFIS nº 55, de 11 de3 dezembro de 2009): 2.1 Registros Contábeis (item 4.1 do Anexo Único do ADE 55/2009) 2.2 Fornecedores e clientes (item 4.2 do Anexo Único do ADE 55/2009) 2.2.1 Arquivos de Fornecedores / Clientes (Subitem 4.2.1) 2.3 Documentos fiscais (item 4.3 do Anexo Único do ADE 55/2009) 2.3.1 Arquivo Mestre de Mercadorias/Serviços (Entradas) – Emitidas por Terceiros (Subitem 4.3.3) 2.4 Arquivos Auxiliares (item 4.9 ADE 55/2009) 2.4.1 Arquivo de Cadastro de Pessoas Jurídicas e Físicas (Subitem 4.9.1) 2.4.2 Tabela de natureza da Operação (Subitem 4.9.4) 2.4.3 Tabela de Mercadorias / Serviços (Subitem 4.9.5) 3. Registros Contábeis (item 4.1 do Anexo Único do ADE 55/2009) – período 01/01/2008 a 31/12/2009. Obs. 1: Seguir as orientações referentes à validação, autenticação e emissão de recibo descritas no Anexo Único do ADE 55/2009; Obs.2: Os arquivos deverão ser gravados em CD não regravável ou DVD não regravável e entregues no endereço abaixo especificado; 4. Livro Registro de Apuração do Lucro Real (LALUR) anocalendário 2007; 5. Cópia das folhas do Diário em que estão transcritos o Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício anos 2007 a 2009, além dos Termos de Abertura e Encerramento. Mediante a correspondência datada de 22/3/2010 (fls. 200), a ora recorrente atendeu à intimação, com a entrega dos documentos, em 30/3/2010, portanto dentro do prazo marcado pelo agente fiscal e sem pedido de prorrogação. Em 12/5/2010, mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 1, a recorrente foi intimada para apresentar no prazo de 20 dias, o seguinte: 1. Originais das notas fiscais relacionadas no Anexo I e os respectivos comprovantes de pagamento (cópias de cheques, boleto bancário, transferência entre contas etc); 2. Último balanço patrimonial e relação atualizada, impressa e em meio magnético, dos bens e direitos integrantes do ativo permanente da empresa devendo constar, Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 15 15 obrigatoriamente, o valor contábil de cada bem e direito de forma individualizada. Ambos os documentos deverão ser assinados pelo contador responsável e pelo representante legal da pessoa jurídica. Verificase que o Anexo I – Relação de Notas Fiscais corresponde às fls, 268 a 281, contendo em torno de oitocentas notas fiscais. Em 11/6/2010 (fl. 282) a recorrente entregou as notas fiscais, que se encontram nos autos às fls. 296 a 1068, e solicitou prazo de 30 dias para atender o item 2 da intimação, o que foi concedido um prazo de 20 dias. Foi entregue, ainda, à contribuinte o Termo de Intimação Fiscal nº 2, de 6/7/2010, para apresentar no prazo de 20 dias, os seguintes documentos: 1. comprovantes de pagamento (cópias de cheques, boleto bancário, transferência entre contas etc) das notas fiscais relacionadas no Termo de Intimação nº 1; 2. Originais das notas fiscais relacionadas no Anexo I deste Termo de Intimação Fiscal nº 2; 3. Último balanço patrimonial e relação atualizada, impressa e em meio magnético, dos bens e direitos integrantes do ativo permanente da empresa devendo constar, obrigatoriamente, o valor contábil de cada bem e direito de forma individualizada. Ambos os documentos deverão ser assinados pelo contador responsável e pelo representante legal da pessoa jurídica. 4. Livro Registro de Apuração do Lucro Real (LALUR), anocalendário 2008. Verificase que o Anexo I – Relação de Notas Fiscais não Entregues corresponde a uma folha e meia (fls. 1070 e 1071) constando cerca de 80 notas. A resposta foi dada em 04/8/2010, sem pedido de prorrogação. Em 10/9/2010, a fiscalização entregou o Termo de Intimação Fiscal nº 3, para a contribuinte apresentar no prazo de 5 dias, o seguinte: 1. Confirmar a utilização integral dos créditos do PIS e da Cofins (regime não cumulativo) oriundos das notas fiscais de entrada especificadas no Anexo I do Termo de Intimação Fiscal nº 001, Caso não tenha se creditado do valor integral das referidas notas fiscais, discriminar os valores mensais considerados para fins de cálculo do crédito do PIS e da Cofins. A resposta a este termo foi prestada em 17/9/2010, portanto, no prazo de cinco dias, também sem pedido de prorrogação. Os fatos narrados constatam que a Fiscalização por três vezes intimou a ora recorrente a apresentar documentos ou esclarecimentos nos prazos de vinte dias (duas vezes) e cinco dias. O atendimento às intimações ocorreu nos prazos determinados, sendo uma vez prorrogado. Assim sendo, verificase desarrazoada a alegação de que os prazos foram exíguos para atendimento das intimações. De fato, a legislação de regência da matéria estabelece prazos de 20 e de 5 dias conforme seja a natureza da intimação. Nada impede que o fiscalizado requeira prorrogação de prazo, nem que a autoridade fiscal conceda. Constatase que os poucos pedidos de prorrogação de prazo foram atendidos por parte do fisco. Assim sendo, improcede a preliminar apresentada relativa à exiguidade de prazo para atendimento das intimações. Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 16 16 c) A Prova Emprestada Acerca do assunto, a recorrente impugnou o fato de o Fisco Federal, para apurar lucro real, ter utilizado supostas provas que o Distrito Federal colheu com o objetivo de lançar créditos de ICMS, alegando que restou comprovada a entrada da mercadoria no estabelecimento e vendidas compondo a receita operacional. A decisão de primeira instância conclui ser lícito ao Fisco valerse de informações e provas colhidas em outros processos, desde que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretende oferecer. É esta questão que, de pronto, precisa ser esclarecida. Como cediço, a prova emprestada, colhida através do traslado dos documentos que instruíram outro feito, incluise entre os meios moralmente legítimos, previstos no art. 332 do Código de Processo Civil (CPC), para provar a verdade dos fatos ou servir de elementos de convicção no lançamento de ofício de tributos. Contudo, o aproveitamento da atividade probatória anteriormente desenvolvida em outro processo, somente tem validade como meio de prova, quando já reconhecida a sua existência por sentença transitada em julgado. No caso dos autos, não há informações de que as provas utilizadas pelo Fisco Federal tenham sido extraídas de outro processo, mediante certidão ou cópias autenticadas produzidas na demanda original, mas encontramse às fl. 120, o Ofício nº 915/2010 – SUREC/SEF, de 20 de setembro de 2010 (fl. 120), procedente da Subsecretaria da Receita da Secretaria de Estado da Fazenda do Distrito Federal, assinado por Assessor – SUREC/SEF, cujo teor é o seguinte: (...) Referência: Ofício nº 393/2020/DIFIS/DRFBSA/SRRF01/RFB/MFDF Senhor Delegado Adjunto, De ordem do Subsecretário da Receita e em atenção ao ofício em epígrafe, encaminhamos, em anexo, as informações prestadas pela Diretoria de Fiscalização desta Subsecretaria, por meio do Memorando nº 336/2010 – DITIF/SUREC, bem como cópia do Relatório nº 03/COINF/SUREC/05 JUN 2009. Atenciosamente, (assinatura) Por este fato – não terem as provas sido obtidas de um processo regular , temse que as informações recebidas por meio do mencionado Relatório, constituemse em indícios apenas, não autorizando o lançamento do tributo, no âmbito federal, sem um aprofundamento das investigações por parte do Fisco Federal, o que não ocorreu, haja vista a existências de vícios materiais na determinação da matéria tributável, tema que será analisado nas razões de mérito. A prova emprestada em comento, para que seja considerada legítima, a Recorrente teria que ter sido parte no processo formalizado pelo Fisco Estadual. Entretanto, o que se revela certo, é que a autoridade fazendária do GDF encaminhou tão somente à Receita Federal do Brasil, o Relatório circunstanciado de nº 03/COINF/SUREC/05, de junho de 2009, e outros documentos dando conhecimento de que procedeu ao cancelamento da inscrição no Cadastro Fiscal do Distrito Federal – CFDF dos contribuintes, e à declaração de inidoneidade Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 17 17 de notas fiscais emitidas por diversos deles, que tinham relação com a Recorrente como empresas fornecedoras de produtos. Quando as partes envolvidas foram partícipes do processo original, no qual foi produzida a prova a emprestar, é admissível que esta prova tenha a mesma eficácia do processo original. De outra forma, quando no processo original não teve o contraditório entre os litigantes do processo em que se pretende tomar a prova emprestada, como é o caso presente, estabelecese a divergência. O lançamento e/ou decisão baseada em prova emprestada de cujo contencioso a Recorrente não tenha participado é insustentável, pois, indiscutivelmente, há a necessidade de proporcionar o contraditório e a ampla defesa no processo em que as provas originais se encontram, sob pena de ferir os princípios do devido processo legal e da ampla defesa, insculpidos no art. 5º, incisos LIV e LV, da Constituição Federal. Neste sentido, a jurisprudência dos Tribunais, a saber: AGRAVO DE INSTRUMENTO. IPERGS. LAUDO PERICIAL. PROVA EMPRESTADA. IMPOSSIBILIDADE. Não se pode utilizar prova emprestada produzida entre terceiros, mesmo que em processo similar, diante da necessidade de ser oportunizado o contraditório e a ampla defesa. AGRAVO PROVIDO DE PLANO. (Agravo de Instrumento Nº 70018868083, Terceira Câmara Especial Civel, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Túlio de Oliveira Martins, Julgado em 15/03/2007). AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO REVISIONAL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. APURAÇÃO DO VALOR DO IMÓVEL. PERÍCIA. PROVA EMPRESTADA. Impossibilidade de se utilizar prova emprestada produzida entre terceiros, mesmo que em processo similar. Imprestabilidade. Necessidade de oportunizar o contraditório e a ampla defesa. Deram provimento. (Agravo de Instrumento Nº 70007213739, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Carlos Rafael dos Santos Júnior, Julgado em 16/12/2003). O Superior Tribunal de Justiça tem se manifestado em diversos julgados, citandose como exemplo a decisão proferida em sede de Recurso Especial – Resp nº 310.210/MG (2001/00301134, DJ: 04/11/2002), no sentido de que o Fisco Federal não pode valerse de infração lavrada pela Fazenda Estadual para imputar omissão de receita, ainda que exista lei ou convênio para que ambos prestem mútua assistência ou cooperação para fins de fiscalização e informações. Sobejamente, a prova emprestada tributária, de que trata o art. 199 do Código Tributário Nacional, não serve como prova plena do fato jurídico que a fiscalização quer provar nestes autos processuais: Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Da leitura do dispositivo, verificase que os dados recebidos da Secretaria de Estado da Fazenda do Distrito Federal possuem a característica de intercâmbio de informações Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 18 18 no âmbito da Administração Pública, expressamente permitido pelo inciso II, do § 1º e pelo § 3º, acrescentados ao art. 198 do CTN pela Lei Complementar 104/01, a saber: Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Púbica ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. § 1º. Excetuamse do disposto neste artigo, além dos casos previstos no art. 199, os seguintes: I .............. II – solicitações de autoridades administrativas no interesse da Administração Pública, desde que seja comprovada a instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na entidade respectiva, com o objetivo de investigar o sujeito passivo a que se refere a informação, por prática de infração administrativa. § 2º. O intercâmbio de informação sigilosa, no âmbito da Administração Pública, será realizado mediante processo regularmente instaurado, e a entrega será feita pessoalmente à autoridade solicitante, mediante recibo, que formalize a transferência e assegure a preservação do sigilo. Da letra da norma, observase também que a prova emprestada tributária não pode ser considerada suficiente para constituir o fato jurídico tributário, ou por outra, tratase de indício que não pode ser tomada isoladamente para demonstração do fato jurídico tributário, carecendo de ser confirmada por outros elementos indicativos da ocorrência do fato gerador e/ou da conduta ilícita do sujeito passivo. Na documentação acostada ao presente processo, consta que as empresas arroladas pelo Fisco do Distrito Federal tiveram suas inscrições canceladas no Cadastro Fiscal do Distrito Federal – CF/DF e declaradas inidôneas parte de suas notas fiscais, sob o fundamento de que inexistiam de fato. A fiscalização federal tomou estas informações como absolutas e procedeu ao lançamento de ofício do IRPJ, anoscalendário 2007 e 2008, e tributação reflexa. Ocorre que, consultados os dados cadastrais daquelas empresas no sítio da Receita Federal www.receita.fazenda.gov.br – constatase que todas tem situação cadastral/fiscal ATIVA. À vista do conflito de informações, obrigatoriamente teria a Receita Federal intensificado o exame dessas provas, depurando as informações prestadas sobre os demais aspectos envolvendo a situação delituosa relatada pelo Fisco do DF, de modo a evitar que se instaurasse a insegurança no procedimento fiscal e a iliquidez e incerteza do crédito tributário. Entendo que são nulos de pleno direito, por vício de legalidade na instauração do procedimento fiscal, os lançamentos destes autos, baseados em prova emprestada, considerandose que: a) o Relatório nº 03/COINF/SUREC/05, de 2009, e documentos anexos, não poderiam ser considerados em si mesmos, por não se constituírem em fato incontestável para a incidência do IRPJ e tributação reflexa, mas apenas serem indicadores da suposta irregularidade; b) a prova emprestada nos presentes autos não se revestem das formalidades legais, ou seja, não foi extraída de processo administrativo fiscal instaurado pela Fiscalização do DF, mediante certidão ou cópia autenticada das suas peças; Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 19 19 c) para que a prova emprestada tenha validade, sua existência deve ser reconhecida por sentença transitada em julgado, o que não ocorreu no presente processo, e nem mesmo consta informação acerca de eventual contenciosos administrativos em tramitação na esfera administrativa do Distrito Federal sobre o assunto. Assim sendo, cabe acolher as razões apresentadas pela recorrente sobre a impossibilidade de utilizar as informações recebidas Fisco do DF como prova emprestada para os lançamentos de ofício de que cuidam os presentes autos. DOS VÍCIOS MATERIAIS Como enfatizado anteriormente, no Direito Tributário as provas emprestadas devem servir como indício de irregularidades, ou como ponto de partida para o procedimento fiscalizatório por parte da pessoa política que pretende dela fazer uso, de maneira que, por sua natureza precária, as provas emprestadas devem ser confirmadas por outros elementos indicativos da ocorrência do fato imponível. As informações decorrentes da mútua assistência das Fazendas Públicas são importantes para a administração tributária e para o combate às fraudes, mas não se deve olvidar que são apenas um plus utilizado na busca pela verdade material sobre o fato jurídico tributário. No presente processo, a questão da prova emprestada vem sendo abordada como incontestável, com o que a Recorrente vem discordando desde a instauração deste contencioso administrativo, inclusive porque pela falta de um aprofundamento nas investigações, a matéria tributável foi apurada em valores que comprovadamente são indevidos. O art. 142 do CTN dispõe que compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Com base na lei, que reveste o julgador do poder de autotutela, procedi à analise do conjunto probatório utilizado pela fiscalização para a lavratura dos Autos de Infração, tendo detectado que o crédito tributário está carecedor de liquidez e certeza, pois, por falta de um exame acurado das chamadas provas emprestadas, a fiscalização incorreu em erro manifesto na determinação da matéria tributável, visto que levantou a base de cálculo das exações, baseada na totalidade das notas fiscais juntadas por cópias a este processo, sem qualquer segregação quanto a sua validade documental. A partir dos Editais baixados pela Secretaria de Estado da Fazenda do Distrito Federal de nºs 08, de 2006 (DODF de 13/01/06); 15 e 17, de 2009 (DODF de 18/05/09); 35, de 2009 (DODF de 08/05/09); 38, de 2009 (DODF de 11/05/09); 50, 51, 52, 53, 54, 55, 56, 57 e 69, de 2009 (DODF de 12/05/09), apontando a numeração das notas fiscais declaradas inidôneas, podese constatar que um número significativo das notas fiscais listadas no ANEXO I – Custos Fictícios Glosados do Termo de Verificação Fiscal, não estão abrangidas pelas respectivas declarações de inidoneidade, como a seguir se demonstra: Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 20 20 Empresa TERRA COMÉRCIO ATACADISTA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. CNPJ Nº 04.826.166/000112 (fl. 791). EDITAL Nº 17, DE 15 DE MAIO DE 2009 (DODF de 18/5/09, p. 56). O GERENTE DA AGÊNCIA DE ATENDIMENTO DA RECEITA DE CEILÂNDIA, DA DIRETORIA DE ATENDIMENTO AO CONTRIBUINTE, DA SUBSECRETARIA DA RECEITA, DA SECRETARIA DE ESTADO DA FAZENDA DO DISTRITO FEDERAL, no uso de suas atribuições previstas no artigo 134, inciso XXXI, da Portaria nº 563 de 05/09/02, considerando os fatos constantes no Memorando nº 019/2009 COINF/SUREC, declara: CANCELADA, com fundamento na alínea “b” do inciso II do art. 29 do Regulamento do ICMS (Prestar Informações cadastrais falsas), a inscrição no Cadastro Fiscal do Distrito Federal – CF/DF do contribuinte TERRA COMÉRCIO ATACADISTA DE PRODUTOS, inscrita no CF/DF nº 07.430.238/00125 e CNPJ nº 04.826.166/000112. E, em cumprimento ao que determina o § 6º do mesmo artigo 29 do Regulamento do ICMS, DECLARA inidôneas as notas fiscais modelo de 1001 a 4000, autorizadas pela AIDF nº 1825 170845/2005, de 028/10/2008. Ficam os contribuintes (sic) acima relacionados proibidos de transacionar com órgãos e entidades da Administração do Distrito Federal e com instituição financeira oficial integrada ao seu sistema de crédito. (g.n) WALDIR GONÇALVES DA SILVA Notas Fiscais da Terra Comércio Atacadista de Produtos Alimentícios Ltda., CNPJ Nº 04.826.166/000112, não declaradas inidôneas, cujos valores integram indevidamente a base de cálculo do lançamento. Número Data emissão Valor 4013 02/01/2007 7.958,27 4039 03/01/2007 6.178,16 4057 04/01/2007 5.789,55 4078 05/01/2007 4.876,80 4088 06/01/2007 7.854,30 4095 06/01/2007 6.857,44 4115 09/01/2007 5.741,98 4129 11/01/2007 4.705,60 4141 12/01/2007 3.989,65 4157 13/01/2007 7.478,30 4172 15/01/2007 6.227,40 4185 16/01/2007 5.692,50 4197 17/01/2007 4.964,95 4211 18/01/2007 7.653,30 4225 19/01/2007 7.491,10 4249 22/01/2007 6.501,20 4277 24/01/2007 4.547,55 4294 25/01/2007 3.954,10 4304 27/01/2007 6.919,35 4317 29/01/2007 4.993,50 4341 01/02/2007 7.146.45 4364 02/02/2007 6.826,80 4378 03/02/2007 5.706.28 4394 05/02/2007 5.870,60 4403 05/02/2007 7.449,90 4420 06/02/2007 6.372,30 4433 07/02/2007 4.910,86 4443 07/02/2007 5.402,04 Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 21 21 4464 08/02/2007 3.991,60 4482 09/02/2007 7.547,65 4503 10/02/2007 6.191,31 4515 12/02/2007 5.974,00 4529 13/02/2007 4.625,90 4450 14/02/2007 7.374,72 4549 15/02/2007 6.337,54 4563 16/02/2007 4.663,44 4575 17/02/2007 7.329,51 4587 17/02/2007 6.717,45 4600 19/02/2007 5.973,40 4613 21/02/2007 5.934,60 4619 21/02/2007 3.983,40 4633 22/02/2007 6.523,04 4661 01/03/2007 6.046,82 4674 02/03/2007 7.652,46 4687 02/03/2007 5.113,08 4694 03/03/2007 6.171,75 4708 05/03/2007 4.707,02 4717 05/03/2007 6.974,62 4728 06/03/2007 5.346,30 4742 07/03/2007 7.540,60 4752 07/03/2007 3.997,98 4763 08/03/2007 7.123,30 4774 09/03/2007 6.447,60 4787 10/03/2007 5.765,16 4803 12/03/2007 4.987,56 4814 13/03/2007 7.809,90 4828 14/03/2007 6.678,52 4842 15/03/2007 5.737,80 4853 16/03/2007 7.506,80 4858 16/03/2007 4.738,71 4869 17/03/2007 5.999,04 4880 17/03/2007 4.859,85 4908 20/03/2007 7.525,20 4922 20/03/2007 6.781,67 4935 21/03/2007 5.416,26 4941 21/03/2007 4.364,16 4954 22/03/2007 5.988,22 4960 22/03/2007 6.475,30 4969 23/03/2007 5.839,94 4978 23/03/2007 6.654.00 4987 24/03/2007 6.389,05 4994 24/03/2007 5.689,28 5010 26/03/2007 7.924,40 5020 26/03/2007 6.593,75 5027 27/03/2007 5.915,92 5059 28/03/2007 5.425,32 5068 28/03/2007 6.759,05 5077 29/03/2007 7.847,55 5087 29/03/2007 6.549.12 5095 30/03/2007 5.804,40 Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 22 22 5107 30/03/2007 6.798,60 5116 31/03/2007 7.369,65 5122 31/03/2007 6.621,03 5129 31/03/2007 4.479,50 5138 02/04/2007 7.811,34 5149 03/04/2007 6.673,25 5155 04/04/2007 5.832,42 5162 05/04/2007 4.670,55 5169 07/04/2007 5.336,65 5178 09/04/2007 6.823,61 5190 10/04/2007 7.552,98 5199 11/04/2007 6.993,84 5208 12/04/2007 7.948,86 5210 12/04/2007 5.918,04 5220 13/04/2007 6.628,44 5231 14/04/2007 5.555,55 5237 16/04/2007 4.456,24 5243 17/04/2007 5.183,70 5255 18/04/2007 4.613,13 5369 20/04/2007 7.522,35 5282 24/04/2007 6.854,53 5289 25/04/2007 5.143,20 5295 26/04/2007 4.199,88 5308 27/04/2007 5.717,64 5319 30/04/2007 6.328,00 5325 02/05/2007 7.668,40 5337 07/05/2007 6.311,70 5356 12/05/2007 5.323,05 5358 16/05/2007 7.481,70 5365 21/05/2007 6.603,99 5376 24/05/2007 4.327,74 5385 26/05/2007 5.244,85 5340 28/05/2007 7.093,89 5402 28/05/2007 4.970,70 5404 01/06/2007 7.594,96 5410 04/06/2007 6.714,06 5417 08/06/2007 5.241,90 5429 15/06/2007 4.911,00 5433 16/06/2007 7.551,99 5445 18/06/2007 6.495,66 5457 19/06/2007 5.383,50 5459 19/06/2007 4.224,40 5467 20/06/2007 5.271,84 5469 20/06/2007 6.385,95 5477 21/06/2007 7.243,50 5486 22/06/2007 6.520,92 5497 23/06/2007 5.380,20 5510 25/06/2007 4.108,28 5522 26/06/2007 5.832,99 5526 26/06/2007 6.705,74 5536 27/06/2007 7.926,56 5547 28/06/2007 6.972,33 Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 23 23 5558 29/06/2007 5.543,53 5568 30/06/2007 7.838,76 5582 02/07/2007 7.378,75 5620 16/07/2007 6.058,96 5641 20/07/2007 5.835,28 5652 21/07/2007 7.569,76 5657 21/07/2007 6.596,12 5672 23/07/2007 5.324,24 5676 23/07/2007 4.382,40 5689 24/07/2007 5.410,38 5693 24/07/2007 6.326,52 5706 25/07/2007 7.745,98 5710 25/07/2007 6.790,76 5724 26/07/2007 5.415,69 5728 26/07/2007 4.010,49 5738 26/07/2007 5.418,89 5751 06/08/2007 7.839,75 5758 08/08/2007 4.385,68 5797 01/09/2007 7.090,95 5820 06/09/2007 6.470,71 5827 11/09/2011 5.356,79 5844 15/09/2007 6.436,26 Empresa CALIFÓRNIA COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA., CNPJ Nº 07.416.916/000176. EDITAL Nº 51, DE 07 DE MAIO DE 2009. (DODF de 12/05/2009, p. 36) O GERENTE DA AGÊNCIA DE ATENDIMENTO DA RECEITA DE TAGUATINGA, DA DIRETORIA DE ATENDIMENTO AO CONTRIBUINTE, DA SUBSECRETARIA DA RECEITA, DA SECRETARIA DE ESTADO DA FAZENDA DO DISTRITO FEDERAL, no uso de suas atribuições previstas no artigo 134, inciso XXXI, da Portaria nº 563 de 05/09/02, considerando os fatos constantes no Memorando nº 022/2009 COINF/SUREC, declara: CANCELADA, com fundamento na alínea “b” do inciso II do art. 29 do Regulamento do ICMS (Prestar Informações cadastrais falsas), a inscrição no Cadastro Fiscal do Distrito Federal – CF/DF do contribuinte CALIFÓNIA COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA., inscrita no CF/DF nº 07.467.001/00183 e CNPJ nº 07.416.916/000176. E, em cumprimento ao que determina o § 6º do mesmo artigo 29 do Regulamento do ICMS, DECLARA inidôneas as notas fiscais modelo I de 1 a 2000, autorizadas pela AIDF nº 181804804/2005, de 31/08/2005, e de 2001 a 2500, autorizadas pela AIDF nº 181802749/2007, de 18/04/2007. Fica o contribuinte acima relacionado proibido de transacionar com órgãos e entidades da Administração do Distrito Federal e com instituição financeira oficial integrada ao seu sistema de crédito. (g.n) JAMIRA LIMA BARBOSA BRANDÃO Notas Fiscais da Califórnia Comercial de Alimentos Ltda., CNPJ Nº 07.416.916/000176, não declaradas inidôneas, cujos valores integram indevidamente a base de cálculo do lançamento. Número Data emissão Valor 3755 03/01/2007 7.102,16 3782 04/01/2007 6.971,25 3803 05/01/2007 5.070,85 Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 24 24 3819 08/01/2007 4.839,25 3829 09/01/2007 4.942.20 3846 10/01/2007 7.457,70 3864 11/01/2007 6.704,81 3876 12/01/2007 5.399,94 3885 12/01/2007 3.994,62 3899 15/01/2007 4.874,40 3916 16/01/2007 7.348,16 3929 17/01/2007 6.942,47 3941 18/01/2007 3.988,58 3963 20/01/2007 4.434,63 4008 22/01/2007 7.712,15 4019 22/01/2007 6.629,04 4028 22/01/2007 5.186,70 4043 23/01/2007 4.977,60 4054 23/01/2007 7.968,33 4073 24/01/2007 6.933,53 4083 24/01/2007 6.040,31 4096 24/01/2007 4.995,95 4110 25/01/2007 3.993,80 4131 25/01/2007 6.726,56 4136 25/01/2007 5.775,00 4145 26/01/2007 7.652,84 4153 26/01/2007 4.638,00 4166 27/01/2007 6.762,91 4203 27/01/2007 5.960,65 4211 27/01/2007 7.421,50 4220 27/01/2007 4.867,35 4230 29/01/2007 3.946,49 4247 29/01/2007 6.418,50 7239 29/01/2007 7.346,76 4266 30/01/2007 5.274,75 4285 31/01/2007 4.879,76 4291 31/01/2007 5.993,20 4303 01/02/2007 7.727,40 4319 02/02/2007 6.427,44 4333 03/02/2007 5.392,70 4350 05/02/2007 4.958,60 4362 06/02/2007 4.235,10 4378 07/02/2007 7.601,50 4392 08/02/2007 5.414,16 4404 09/02/2007 6.707,00 4417 09/02/2007 3.982,35 4428 10/02/2007 7.486,44 4435 10/02/2007 6.520,32 4448 12/02/2007 5.884,71 4466 13/02/2007 6.114,78 4488 14/02/2007 5.564,17 4682 01/03/2007 6.699,48 4645 02/03/2007 7.799,31 4651 02/03/2007 4.974,90 4662 03/03/2007 5.843.69 Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 25 25 4673 05/03/2007 7.202,60 4681 06/03/2007 5.790,36 4689 06/03/2007 7.644.09 4705 08/03/2007 4.993,44 4723 12/03/2007 3.928,64 4735 13/03/2007 7.150,20 4741 14/03/2007 5.390,34 4751 15/03/2007 6.269,70 4763 16/03/2007 4.937,23 4773 17/03/2007 7.163,40 4787 20/03/2007 6.879,00 4797 21/03/2007 5.697.17 4809 22/03/2007 4.662,00 4820 23/03/2007 3.978,48 4832 24/03/2007 7.099,32 4845 26/03/2007 6.534,60 4857 27/03/2007 4.963,34 4870 28/03/2007 5.841,96 4888 30/03/2007 4.570,55 4909 03/04/2007 6.758,88 4930 05/04/2007 5.064,60 4937 07/04/2007 4.323,94 4949 10/04/2007 5.988,00 4954 11/04/2007 6.054,03 4965 13/04/2007 7.979,40 4967 13/04/2007 5.372,88 4984 16/04/2007 6.216,60 4994 17/04/2007 7.613,90 5001 18/04/2007 4.231,20 5008 19/04/2007 5.326,36 5018 20/04/2007 6.488,02 5025 23/04/2007 7.344,95 5041 25/04/2007 4.114,00 5048 02/05/2007 7.984,05 5060 03/05/2007 6.028,73 5065 04/05/2007 5.458,35 5073 08/05/2007 4.981,56 5079 09/05/2007 5.543,10 5087 11/05/2007 6.490,12 5097 12/05/2007 6.432,09 5101 14/05/2007 7.724,37 5105 15/05/2007 5.594,80 5125 16/05/2007 7.193,07 5140 17/05/2007 6.182,70 5152 18/05/2007 5.620,80 5175 21/05/2007 5.456,40 5185 22/05/2007 6.956,29 5196 23/05/2007 7.860,24 5208 24/05/2007 6.796,98 5215 25/05/2007 5.409,37 5227 26/05/2007 5.431,21 5235 28/05/2007 4.256,25 Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 26 26 5247 29/05/2007 6.518,94 5257 30/05/2007 7.864,38 5268 31/05/2007 3.448,80 5294 13/06/2007 6.981,28 5299 15/06/2007 6.546,29 5318 16/06/2007 7.527,10 5344 21/06/2007 6.860,88 5362 25/06/2007 5.022,87 5376 27/06/2007 4.084,24 5387 29/06/2007 5.291,60 5391 30/06/2007 6.610,36 5396 30/06/2007 4.427,04 5402 02/07/2007 7.194,48 5421 07/07/2007 6.399,55 5430 10/07/2007 5.195,68 5446 16/07/2007 4.219,08 5465 20/07/2007 5.565,36 5475 27/07/2007 6.321,20 5491 27/07/2007 7.453,44 5540 30/07/2007 5.384,94 5566 31/07/2007 7.402,64 5588 07/08/2007 5.608,69 5605 13/08/2007 4.409,28 5751 08/12/2007 3.139,30 5841 02/01/2008 5.062,25 5864 12/01/2008 5.067,98 5932 04/02/2008 6.349,92 5959 11/02/2008 4.441,54 5983 20/02/2008 5.116,16 Empresa DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS MERCADOR LTDA., EPP. CNPJ Nº 08.417.803/000158, EDITAL Nº 55, DE 07 DE MAIO DE 2009, (Edital nº 55, DO DF de 12/05/2009, p.37) O GERENTE DA AGÊNCIA DE ATENDIMENTO DA RECEITA DE TAGUATINGA, DA DIRETORIA DE ATENDIMENTO AO CONTRIBUINTE, DA SUBSECRETARIA DA RECEITA, DA SECRETARIA DE ESTADO DA FAZENDA DO DISTRITO FEDERAL, no uso de suas atribuições previstas no artigo 134, inciso XXXI, da Portaria nº 563 de 05/09/02, considerando os fatos constantes no Memorando nº 012/2009 COINF/SUREC, declara: CANCELADA, com fundamento na alínea “b” do inciso II do art. 29 do Regulamento do ICMS (Prestar Informações cadastrais falsas), a inscrição no Cadastro Fiscal do Distrito Federal – CF/DF do contribuinte DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS MERCADOR LTDA.,EPP, inscrita no CF/DF nº 07.481.666/00112 e CNPJ Nº 08.417.803/000158, respectivamente. E, em cumprimento ao que determina o § 6º do mesmo artigo 29 do Regulamento do ICMS, DECLARA inidôneas as notas fiscais modelo I de nºs 3001 a 6000, autorizadas pela AIDF nº 181804153/2008, de 18/04/2008. Fica o contribuinte acima relacionado proibido de transacionar com órgãos e entidades da Administração do Distrito Federal e com instituição financeira oficial integrada ao seu sistema de crédito. JAMIRA LIMA BARBOSA BRANDÃO Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 27 27 Notas Fiscais da Distribuidora de Produtos Alimentícios Mercador Ltda.EPP, CNPJ nº 08.417.803/000158, não declaradas inidôneas, cujos valores integram indevidamente a base de cálculo do lançamento. Número Data emissão Valor 55 26/03/2007 561,60 69 29/03/2007 566,40 75 30/03/2007 283,20 80 31/03/2007 424,80 162 23/04/2007 375,00 156 24/04/2007 450,00 171 26/04/2007 450,00 179 27/04/2007 385,00 189 30/04/2007 405,00 366 23/06/2007 474,00 396 29/06/2007 597,60 525 23/07/2007 467,22 532 24/07/2007 440,00 585 27/07/2007 220,00 859 30/08/2007 485,82 879 32/08/2007 790,16 Total Restou claro que as notas fiscais dos demonstrativos retro não estão abrangidas pelas Declarações de inidoneidade, incorrendo a fiscalização em vício material na determinação da base de cálculo das exigências fiscais. Assim, há erros nos valores dos custos glosados, assim como, na glosa dos créditos do PIS e da COFINS, vez que apurados pela fiscalização sobre a mesma base tributável, ou seja, a totalidade das notas fiscais declaradas inidôneas. O art. 29, inciso II, alínea “b” do Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto nº 18.955, de 1997, que fundamentou a publicação dos mencionados Editais, prevê que a inscrição poderá ser cancelada quando o contribuinte prestar informações cadastrais falsas. Com base neste dispositivo, as empresas supostamente envolvidas nas irregularidades apontadas pela fiscalização do GDF tiveram suas inscrições no CFDF canceladas porque não foram localizadas nos endereços constantes dos respectivos cadastros e, por presunção, consideradas não existentes de fato. Causa espécie que ao consultar o site da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tais empresas estejam com situação cadastral ATIVA, donde se conclue que elas não foram declaradas inaptas pela Administração Tributária Federal, a despeito de ser atribuído a elas a prática dos alegados ilícitos fiscais. A Instrução Normativa RFB nº 1.183, de 2011, atualmente vigente, prevê as seguintes hipóteses de baixa de ofício da inscrição no CNPJ: Art. 27. Pode ser baixada de oficio a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica: I omissa contumaz: a que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos por 5 (cinco) ou mais exercícios, se, intimada por edital, não regularizar sua situação no prazo de 60 (sessenta) dias contados da data da publicação da intimação; Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 28 28 II inexistente de fato, assim entendida aquela que: a) não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, inclusive a que não comprovar o capital social integralizado; b) não for localizada no endereço constante do CNPJ, bem como não forem localizados os integrantes do seu QSA, seu representante no CNPJ e seu preposto; ou c) se encontre com as atividades paralisadas, salvo se enquadrada nas hipóteses dos incisos I, II e VI do caput do art. 36; III inapta: a que tendo sido declarada inapta não tenha regularizado sua situação nos 5 (cinco) exercícios subsequentes, exceto na hipótese prevista no inciso III do art. 37; IV com registro cancelado: a que esteja extinta, cancelada ou baixada no respectivo órgão de registro. Ora, se a Receita Federal não procedeu, de ofício, à baixa da inscrição das referidas empresas do CNPJ, significa que essas pessoas jurídicas estão regulares, e que nenhum impedimento legal havia à época da emissão das notas fiscais em comento. Nos Editais há a observação de que os contribuintes ficam “proibidos de transacionar com órgãos e entidades da Administração do Distrito Federal e com instituição financeira oficial integrada ao seu sistema de crédito”, restando claro que a Fiscalização do GDF admite as transações com as pessoas jurídicas de natureza privada, validando, inclusive, as operações comerciais representadas pelas notas fiscais não abrangidas pelos Editais. Para a Fiscalização do GDF, tais empresas favoreciam outras pessoas jurídicas com a emissão de notas fiscais para fins de creditamento do ICMS. Curioso é que a autuação contra a Recorrente está baseada exclusivamente na glosa de custos das mercadorias vendidas cujas notas fiscais, constantes da sua contabilidade, foram declaradas inidôneas. Ora, se a Recorrente é considerada beneficiária dos créditos de ICMS face ao destaque desse imposto nas notas fiscais declaradas inidôneas, por que a fiscalização também não glosou os respectivos valores, que também reduzem o lucro? O que se observa, é a falta de critério da autoridade fiscal na determinação da base tributável do IRPJ e tributação decorrente. Diante de todas estas inconsistências e, sendo fato que no universo das notas fiscais consideradas inidôneas há grande número que não se subsume a espécie, o crédito tributário padece de liquidez e certeza, passível de os lançamentos de ofício do IRPJ e tributação reflexa serem julgados insubsistentes, face à existência de vício material na determinação da matéria tributável ex vi do disposto no art. 142 do CTN. CONCLUSÃO Do exposto, voto por acolher a preliminar da impossibilidade de utilização da prova emprestada, posto não preencher os requisitos de legais; e dar provimento ao recurso por entender que o lançamento é insubsistente. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 29 29 VOTO VENCEDOR Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza – Redator Designado. DAS PRELIMINARES Início apreciando as preliminares, haja vista que o Relator original deste processo, conselheiro Leonardo Oliveira, foi vencido ao votar por acolher a preliminar de impossibilidade de utilização da prova empresta. Antes, porém, fazse necessário alguns esclarecimentos. Consoante registrado no Termo de Verificação Fiscal (TVF), a contribuinte tem por nome de fantasia “BIG BOX SUPERMERCADOS”, nome este utilizado por um grupo de empresas do Distrito Federal, que foram fiscalizadas em conjunto pela Receita Federal do Brasil (RFB), em face de representação do Secretaria de Estado de Fazenda do Distrito Federal (SEFDF), segundo a qual tais empresas utilizaramse de notas frias, emitidas por diversos fornecedores, com o objetivo de fraudar a Fazenda Publica. A Fiscalização da RFB aduz que na esfera das receitas estaduais, essas notas geraram créditos fictícios de ICMS, reduzindo o montante de tributos a recolher; já no âmbito Federal as notas inflaram os custos dos produtos vendidos, reduzindose o lucro e, consequentemente, o IRPJ e CSLL devidos. Segundo a Fiscalização, ainda no âmbito Federal, essas notas também geraram créditos de PIS e Cofins, uma vez que a contribuinte estava sujeita ao regime de apuração nãocumulativo dessas contribuições. Em pesquisa nos processos em julgamento neste Conselho, identifiquei 8 (oito) recursos voluntários de contribuintes do grupo “BIG BOX”, submetidos à mesma operação fiscal, cujas exigências foram mantidas integralmente na DRJ Brasilia, sendo que as peça recursais apresentam o mesmo teor e foram apresentadas pelos mesmos signatários, a saber: Item Contribuinte Processo 1 VIA PARK COMERCIAL DE ALIMENTOS S/A 10166722232201063 2 SIBERIA COMERCIAL DE ALIMENTOS S/A 10166722209201079 3 SUPERMERCADO TATA S/A 10166722455201021 4 SOLEDADE COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA 10166722189201036 5 BIG TRANS COMERCIAL DE ALIMENTOS S/A 10166722297201017 6 BRUNELA COMERCIAL DE ALIMENTOS S/A 10166722766201090 7 COMERCIAL DE ALIMENTOS CERES S/A 10166722765201045 8 COMERCIAL SÃO PATRICIO S/A 10166722945201027 Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 30 30 Os itens 1 e 3 acima, foram sorteados para a 1a. Turma desta Câmara do CARF, e foram pautados concomitantemente com os itens 4 a 8 (sorteados para esta 2a. Turma). A 1a. Turma já julgou os 3 primeiros, negando provimento aos recursos por unanimidade,enquanto a 2a. Turma converteu os demais em diligência. O item 1 acima, processo 10166.722232/201063, julgado em 16/1/2012, acórdão 140100704, recebeu as seguintes ementas e decisão: MPF. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. VALIDADE Rejeitase a preliminar de nulidade, uma vez comprovado que as prorrogações de prazo foram feitas de acordo com a legislação de regência. INTIMAÇÃO. PRAZOS. Rejeitase a preliminar de nulidade, uma vez comprovado que os termos de intimação respeitaram os prazos estabelecidos pelo art. 71 da MP nº 2.15835/2001. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EFETIVIDADE NÃO COMPROVADA. Não restando comprovado o pagamento e o efetivo ingresso das mercadorias objeto de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato, as citadas notas devem ser consideradas inidôneas. PREJUÍZOS FISCAIS. Correto o cálculo do tributo devido, uma vez realizada a devida compensação do prejuízo declarado e constante do LALUR no período de apuração correspondente, mediante a dedução dessa quantia do valor da infração lançada, para a determinação do valor tributável e consequente imposto devido. ADICIONAL DO IRPJ. Correta a apuração do adicional de IRPJ, uma vez que somente foi tributado o valor excedente ao limite trimestral de R$ 60.000,00. CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS DE OFÍCIO. INDEDUTIBILIDADE. É incabível a dedução, na determinação do lucro real, das contribuições apuradas em ação fiscal. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prática reiterada de contabilização de notas fiscais inidôneas, relativas à operações cuja efetividade não resta comprovada, enseja a qualificação da multa de ofício. LANÇAMENTOS DECORRENTES A decisão tomada em relação ao lançamento principal (IRPJ) aplicase aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS e COFINS), em razão da íntima relação de causa e efeito existente entre os mesmos. CSLL. DESPESA INEXISTENTE. A contabilização de notas fiscais inidôneas representa despesa inexistente, que deve ser deduzida tanto do lucro líquido como do lucro real, para a correta apuração do tributo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 31 31 Tal qual neste colegiado, as preliminares foram todas rejeitas, pelo que peço vencia para transcrever e adotar nessa parte os fundamentos do voto condutor do aludido acórdão, da lavra do Ilustre conselheiro Fernando Mattos, verbis: Irregularidades relativas ao MPF Preliminarmente, a recorrente arguiu a nulidade do lançamento, sob a alegação de que o MPF não atendeu os requisitos previstos na legislação para a sua finalidade. Sobre o tema, assim decidiu o acórdão recorrido, fls. 844: No caso em concreto, conforme se vê no Termo de Início de Ação Fiscal (fl. 83 e 84), a interessada foi devidamente cientificada do MPFF (Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 01.1.01.002010001392), que determinou a execução da ação fiscal. Por meio do mesmo Termo, foi cientificada do código que lhe possibilitava o acesso, via internet, a todas as informações relacionadas com o aludido mandado. As prorrogações do prazo de validade do MPF foram devidamente registradas na internet e, desse modo, não pode a interessada alegar seu desconhecimento. Ademais, a contribuinte foi informada, em termos de intimação, sobre a continuidade da ação fiscal e sobre a possibilidade de consultar o MPF no sítio da RFB na internet, por meio do aludido código de acesso. Não existe, portanto, a irregularidade noticiada. Em sua peça recursal, a contribuinte não trouxe nenhuma alegação inovadora, razão pela qual, em relação a este tema, adoto as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, retrotranscritas. Irregularidades relativas a prazos concedidos no curso da fiscalização Dando continuidade às suas razões de recurso, a contribuinte afirmou que durante os procedimentos fiscalizatórios as diligências e intimações para apresentação de documentos também não observaram a legislação, em vista de terem sido os prazos exíguos e incompatíveis com a complexidade das informações solicitadas. Mais uma vez, adoto e transcrevo as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 844845: Entretanto, o que se constata da análise dos autos é que a Fiscalização agiu em conformidade com o comando expresso no art. 71 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, in verbis: Art.71. O art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art.19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 32 32 §1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. §2º Não enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, §§ 2º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, o desatendimento a intimação para apresentar documentos, cuja guarda não esteja sob a responsabilidade do sujeito passivo, bem assim a impossibilidade material de seu cumprimento." (NR)(g.n.o) No caso em tela, no termo de início da ação fiscal e no termo de intimação nº 3, foi concedido um prazo para atendimento de 20 dias, em consonância, portanto, com o caput do art. 19, antes transcrito. Quanto aos termos nº 2, 4 e 5, as intimações efetuadas dizem respeito a informações e documentos que devem estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do contribuinte, situação que se enquadra no §1º do dispositivo reproduzido; em decorrência, foi concedido, corretamente, o prazo de 5 dias úteis ou 8 dias. Restou demonstrado, portanto, que durante os procedimentos de fiscalização todos os prazos foram concedidos em estrita conformidade com a legislação. Por esta razão, rejeito esta preliminar arguida pela recorrente. Prova emprestada Na sequência, a contribuinte discutiu a forma como a prova emprestada foi utilizada pelo Fisco Federal. Sobre o tema, assim se manifestou a recorrente: [...] não basta alegar, com fez a DRJ, que as informações foram obtidas em colaboração com outro Fisco, mas era necessário que o Fisco Federal tivesse laborado o seu ofício dentro do seu mister específico e de suas posições cadastrais, porque a falta desses demonstrativos nos autos ou de aprofundamento da fiscalização nesse sentido é causa de nulidade do procedimento fiscal. Não assiste razão à recorrente. Para demonstrar esse fato, considero suficiente transcrever pequenos trechos do acórdão recorrido (grifado): Entretanto, cumpre observar que a autoridade autuante não se limitou a acolher as conclusões expostas nos relatórios elaborados pelas autoridades competentes do fisco distrital. Foram utilizadas, sim, as constatações verificadas nas diligências, porém, a partir desses documentos, e com base nas respostas às intimações efetuadas no curso da ação fiscal, a autoridade lançadora construiu seu entendimento acerca dos fatos ocorridos. Em verdade, a autoridade lançadora, baseada nos fatos apurados, buscou novas informações junto à contribuinte, a qual não logrou êxito em comprovar os pagamentos e tampouco a entrada das mercadorias objeto das notas fiscais em análise. [...] Portanto, tentar resumir o procedimento fiscal apenas ao trabalho efetuado pelo fisco distrital é fechar os olhos à realidade dos autos. A fiscalização federal executou trabalho de auditoria fiscal, em busca da verdade material, Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 33 33 colhendo provas, intimando o contribuinte a esclarecer fatos e apresentar documentos. [...] Em vista do exposto, constatase que a autoridade autuante, com base nas informações prestadas pela Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, buscou confirmar os indícios apontados, intimando a interessada a comprovar o pagamento das mercadorias adquiridas. Logo, foi concedida à autuada a oportunidade de demonstrar sua boafé mediante a comprovação da efetividade da transação comercial. Entretanto, em vez de efetivar essa comprovação, limitouse a impugnante a argumentar em torno da possibilidade de utilização de atos declaratórios publicados na esfera distrital e de seus efeitos temporais. Nestes termos, também rejeito esta preliminar apresentada pela recorrente. Documentos inidôneos A recorrente afirmou que na relação de empresas supostamente inexistentes havia muitas empresas com operações e existências reais, inclusive integrantes de regimes especiais criados pelo Distrito Federal (TARE ou REA). Afirmou, outrossim, que por várias vezes foi concedida AIDF (Autorização para Impressão de Documentos Fiscais) para algumas dessas empresas, em quantidades razoáveis (até 8000 documentos). Além disso, diversas FAC (Fichas de Alteração Cadastral) destas empresas teriam sido acatadas pelo Fisco Distrital. Com base nestes argumentos, a recorrente afirma que “os contribuintes adquirentes foram vítimas dessas situações e não fraudadores como que a autuação impugnada”. Tais alegações se revelam totalmente desprovidas de sentido. Afinal, a declaração de inidoneidade dos documentos fiscais daquelas empresas foi apenas o ponto de partida da presente autuação. Posteriormente, foi dado à contribuinte a oportunidade de apresentar as vias originais das notas fiscais, bem como o respectivo comprovante de pagamento. A contribuinte, por seu turno, apresentou apenas parte das notas fiscais, e sem a devida comprovação de pagamento. Ora, se as empresas em questão realmente existiam e se as operações comerciais tivessem sido reais, certamente a recorrente teria apresentado todos os comprovantes solicitados, elidindo por completo a suspeita de utilização de documentos fiscais inidôneos. No item “g” das suas alegações preliminares, a recorrente alegou que apresentou apenas parte das notas fiscais solicitadas, pelo fato de as vias originais terem ficado na posse do Fisco do Distrito Federal. Tal alegação, contudo, não se encontra comprovada nos, posto que a recorrente não juntou qualquer Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 34 34 comprovante de entrega de tais documentos às autoridades fiscais distritais. Além disso, a recorrente se absteve por completo de justificar a falta de apresentação dos supostos comprovantes de pagamento relativos a tais notas fiscais. Em resumo: o fator determinante para a presente autuação não foi a mera declaração de inidoneidade da documentação emitida pelos fornecedores da contribuinte, ora recorrente. Na realidade, o fator determinante para o presente lançamento foi a ausência de comprovação, por parte da recorrente, da efetividade daquelas operações. Como facilmente se percebe, a recorrente limitouse a apresentar simples alegações, de cunho exclusivamente retórico. Com o intuito de elidir a presente autuação, a recorrente deveria ter trazido aos autos a comprovação do efetivo pagamento das supostas operações comerciais, amparadas por documentação inidônea. Diante da ausência de qualquer comprovação de pagamento, merece ser rejitada a presente alegação apresentada pela recorrente. Irretroatividade dos efeitos de ato declaratório de inidoneidade de documento fiscal e necessidade de declaração de inidoneidade também pelo Fisco Federal Em relação a este tema, a recorrente alegou que os Atos Declaratórios de inidoneidade somente foram publicados em 2009, razão pela qual não poderiam abranger as notas fiscais objeto do presente lançamento, as quais foram emitidas em 2007 e 2008. Além disso, para alguns fornecedores sequer teria havido o ato de declaração de inidoneidade. Por fim, não teria havido declaração de inidoneidade pelo Fisco Federal, mas tão somente pelo Fisco Distrital. No tocante à tais alegações, adoto e transcrevo as razões de decidir constantes do acórdão recorrido: Assim, não obstante o rito estabelecido para a declaração de inaptidão, a redação do caput do art. 82 deixa bem claro que a inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação. A Instrução Normativa RFB nº 1.005, de 8 de fevereiro de 2010, em seu art. 45, § 4º, esclarece, ainda, que, além de não excluir as demais formas de inidoneidade, a declação de inaptidão tampouco legitima os documentos inidôneos emitidos antes da publicação de tal ato, verbis: § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. Resta claro, portanto, que a consideração ou declaração de inaptidão constituise em uma das hipóteses de inidoneidade de documentos prevista na legislação, mas não a única. Ademais, devese elucidar a natureza declaratória dos atos de inaptidão da RFB, que, como o próprio nome indica, apenas declara uma situação Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 35 35 irregular que já se verificava no passado, não tendo, portanto, a característica de ato constitutivo. Dessa forma, sendo os elementos de prova acostados aos autos do processo suficientes para caracterizar a inidoneidade dos documentos fiscais, não é necessário que se aguarde a declaração de inaptidão das empresas envolvidas. E foi justamente isso que ocorreu no caso concreto e que se demonstrará mais adiante. Ainda em alusão aos atos declaratórios, aduz a impugnante que a autuação baseouse exclusivamente em declaração de inidoneidade publicada na esfera distrital, não sendo esta válida para efeito de lançamento de tributos administrados pelo fisco federal. Nesse sentido, acrescenta que cumpriria à autoridade lançadora efetuar uma melhor análise dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Entretanto, cumpre observar que a autoridade autuante não se limitou a acolher as conclusões expostas nos relatórios elaborados pelas autoridades competentes do fisco distrital. Foram utilizadas, sim, as constatações verificadas nas diligências, porém, a partir desses documentos, e com base nas respostas às intimações efetuadas no curso da ação fiscal, a autoridade lançadora construiu seu entendimento acerca dos fatos ocorridos. Em verdade, a autoridade lançadora, baseada nos fatos apurados, buscou novas informações junto à contribuinte, a qual não logrou êxito em comprovar os pagamentos e tampouco a entrada das mercadorias objeto das notas fiscais em análise. [...] Neste ponto, é importante assinalar que as provas carreadas pela fazenda distrital são de abrangência e efetividade suficientes para a formação da convicção quanto aos fatos ocorridos, o que torna prescindível a realização de novas diligências. Além disso, não há que se perder de vista que tanto o fisco distrital quanto o federal detêm o poder de polícia e suas afirmações gozam da presunção de veracidade. Dessa forma, a realização das mesmas diligências, já efetuadas em outra esfera, tornase desnecessária. Pelas razões expostas, concluo que os fatos arguidos pela recorrente são completamente inaptos para eivar de nulidade os presentes lançamentos. Por esta razão, também esta preliminar merece ser rejeitada. O ilustre conselheiro Leonardo Oliveira sustentou seu voto acerca nulidade da exigência, asseverando que haveria muitas inconsistências no procedimento fiscal e, “sendo fato que no universo das notas fiscais consideradas inidôneas há grande número que não se subsume a espécie, o crédito tributário padece de liquidez e certeza, passível de os lançamentos de ofício do IRPJ e tributação reflexa serem julgados insubsistentes, face à existência de vício material na determinação da matéria tributável ex vi do disposto no art. 142 do CTN”. Discordei veementemente desse posicionamento, isso porque a glosa dos custos não se deu em razão da inidoneidade das notas fiscais apurada pela SEFDF, e sim pela não comprovação da efetividade das operações de que tratam essas e outras notas fiscais, cujos valores foram deduzidos na apuração do lucro liquido da contribuinte (custos). Não há qualquer inconsistência no procedimento fiscal da RFB. A contribuinte foi regularmente intimada durante a auditoria para comprovar a efetividade da aquisição dos Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 36 36 produtos constantes em diversas notas fiscais emitidas pelas empresas objeto da representação do SEFDF, bem como os comprovantes pagamento aos fornecedores. Apesar de as operações superarem a casa dos milhões de Reais, nenhum comprovante de pagamento via bancária foi apresentado. À inteligência dos artigos 249, inciso I, e 259 parágrafo único do Regulamento do Imposto Renda (RIR/99), citados na base legal dos Autos de Infração, em se tratando de lucro real, cabe à contribuinte fazer prova da efetividade dos custos e despesas contabilizados, incluídos na apuração do resultado tributável. Frisese que tanto nos Autos de Infração, quanto no TVF, dos quais a contribuinte foi cientificada, está patente que o lançamento se deu pela glosa de custos em face da ausência ou insuficiência de comprovação. Portanto, no presente caso, não há que se falar em exigência fiscal calcada em prova emprestada, e sim em falta de provas, pelo que essa a preliminar deve mesmo ser rejeitada. Concluo, pois, por rejeitar todas as preliminares. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA À luz do art. 29 do Decreto 70.235 de 1972, que rege o Processo AdministrativoTributário no âmbito Federal (PAF), “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.”. Frisese que esta redação original é uma das poucas que jamais foi alterada ao longo desses 40 anos de vigência do PAF. Consoante já registrado neste voto, enquanto a 1a. Turma desta Câmara ao apreciar concomitantemente outros 3 (três) processos, oriundos da mesma operação fiscal que este, entendeu por negar provimento aos recursos, diante da insuficiência ou ausência de provas da efetividade dos custos contabilizados, que repito estão mesmo a cargo do contribuinte, o colegiado da 2a. Turma acolheu a proposta deste conselheiro para converter o julgamento em diligência para que sejam efetuadas verificações adiante detalhadas. É certo que não estamos diante de processos ou lançamentos decorrentes, isso porque, embora haja coincidência de fatos e atos, não se trata da mesma ação fiscal, muito menos do mesmo contribuinte ou coligados/sócios/cônjuges, tampouco há qualquer referência nos autos ao disposto no parágrafo único do art. 7o. do PAF. Situações que, a meu ver, implicariam na necessidade de julgamento em conjunto dos processos ou da aplicação do princípio da decorrência. Pois bem, vejamos então parte dos fundamentos de mérito do voto condutor do acórdão 140100.704: Compras efetivas Em relação a este tema, a recorrente afirmou que as notas fiscais glosadas representam compras efetivas de mercadorias destinadas a revenda. Afirmou Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 37 37 que eventuais irregularidades com a situação fiscal dos fornecedores não podem afetar/prejudicar a autuada, que agiu de boa fé. Tais alegações constituem meras repetições dos argumentos apresentados no tópico correspondente às preliminares. Naquela oportunidade, restou demonstrado que o fator determinante para a presente autuação não foi a mera declaração de inidoneidade da documentação emitida pelos fornecedores da contribuinte, ora recorrente. Na realidade, o fator determinante para o presente lançamento foi a ausência de comprovação, por parte da recorrente, da efetividade daquelas operações. Se a contribuinte, ora recorrente, efetivamente tivesse agido de boa fé, certamente teria trazido aos autos os alegados comprovantes de pagamento relativos àquelas operações. No entanto, a recorrente não apresentou nenhum elemento de prova (documentos, pagamentos, recebimentos, fretes etc.) visando sustentar sua argumentação, quer por ocasião da autuação, quer no momento da impugnação, quer no momento do recurso voluntário. A completa ausência de comprovação de tais pagamentos por parte da recorrente, aliada à declaração de inidoneidade dos documentos fiscais emitidos pelos seus fornecedores, comprovam à exaustão que as aludidas operações comerciais não existiram, razão pela qual os valores correspondentes não podem ser considerados como custos para a contribuinte. Diante do exposto, em relação a este tema a decisão recorrida merece ser confirmada. Glosa de custo sem glosa da receita correspondente No entender da recorrente, ao se proceder a glosa de custos, as autoridades fiscais também deveriam ter procedido a glosa das receitas correspondentes. Alegação totalmente desprovida de sentido. Afinal, não resta qualquer dúvida acerca da efetiva das receitas, devidamente declaradas e contabilizadas pela contribuinte. A presente autuação versa, exclusivamente, sobre a glosa de custos não comprovados, tendo em vista a ausência de comprovação do seu efetivo pagamento (cumulada com a declaração de inidoneidade dos documentos fiscais emitidos pelos seus fornecedores). Assim sendo, não merece prosperar esta alegação da recorrente. Necessária dedutibilidade do custo das mercadorias vendidas Segundo a recorrente, não foi correta a glosa dos custos, porque decorrem de operações que foram efetivamente realizadas e são necessários à empresa e à sua fonte produtora, e achamse devidamente escrituradas nos livros da autuada, o que faz prova a seu favor. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 38 38 Tratase de mera reiteração da alegação feita no item anterior, o que dispensa maiores considerações sobre o assunto. Por mera formalidade, cumpre repetir que, no presente caso, a contribuinte efetivamente não comprovou que as mercadorias entraram em seu estabelecimento, não tendo demonstrado ter agido de boafé. Importante destacar que a fiscalização atuou com fundamento em provas diretas, e não com base em indícios, suspeitas ou suposições, conforme indevidamente alegado pela recorrente. Em síntese: a insuficiência de elementos comprobatórios impede o acatamento das razões da impugnante. Não há, pois, que se falar em dedutibilidade de custos, uma vez que não restou comprovada a efetividade daquelas operações. Ônus da prova A recorrente admitiu ter o ônus da prova de comprovar a efetividade das operações comerciais realizadas com seus fornecedores. No entanto, sustentou que esta comprovação deve ser realizada por meio de seus livros contábeis. Pelo fato de manter escrituração regular, caberia ao Fisco o ônus de desconstituir as provas registradas em sua contabilidade. Alegação totalmente desprovida de sentido. Ab initio, esclareçase que a contabilidade da contribuinte não era mantida com estrita observância das disposições legais. Afinal, um dos requisitos legais é que todos os lançamentos contábeis sejam alicerçados em documentos hábeis e idôneos. No caso concreto, quando intimada a comprovar o efetivo recebimento e o efetivo pagamento das mercadorias adquiridas junto a determinados fornecedores, a contribuinte abstevese, por completo, de apresentar qualquer documento comprobatório. Sobre o tema, manifestouse com grande propriedade o acórdão recorrido: Sujeitamse, pois, à comprovação, sob pena de glosa dos valores registrados, todas as operações realizadas pela pessoa jurídica, mormente aquelas que envolvem documentos fiscais sob suspeitas de inidoneidade, porque emitidos por empresas irregulares, para fornecer o bem ou para prestar o serviço constante da nota fiscal. Dessa forma, procedeu corretamente a fiscalização à intimação da empresa para que comprovasse o efetivo pagamento dos custos contabilizados, de forma a validar as despesas computadas como dedutíveis na escrituração da empresa. Entretanto, a impugnante não apresentou nenhum elemento de prova sequer (documentos, pagamentos, recebimentos, fretes etc.), quer quando da autuação, quer no momento da impugnação, para alicerçar a argumentação vertida na peça de defesa. [...] Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 39 39 Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, consequentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Isso não obstante, em que pese a argumentação apresentada na peça impugnatória, a contribuinte não comprovou que as mercadorias efetivamente entraram em seu estabelecimento, não tendo demonstrado, dessa forma, ter agido de boafé. Pelo contrário, as provas acostadas aos autos são consistentes e inequívocas, as quais, inclusive, autorizam concluir pela ocorrência de máfé da contribuinte. Destaquese, ainda, que a fiscalização atuou com fundamento em provas diretas, e não com base em indícios, suspeitas ou suposições. Diante do exposto, considero que, em relação a este tema, o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. A partir da análise dos presentes autos, em confronto com as razões de decidir do ilustre conselheiro Fernando Mattos naquele outro processo, acima transcritas, conclui que, embora o ônus da prova seja da contribuinte, especialmente quanto aos custos contabilizados, é possível que tais custos tenham correspondência com a venda de produtos cujas receitas foram contabilizadas e tributadas. Os valores glosados variam em torno de 10% a 15% do total dos custos contabilizadas (isso em todas as empresas e períodos de apuração), logo, é possível que a contribuinte tenha mesmo adquiridos as mercadorias desses fornecedores e contabilizado as vendas, conforme alega a contribuinte. Esses percentuais também coadunam com a acusação fiscal de que não houve ingresso das mercadorias e que as receitas contabilizadas correspondem a vendas dos outros produtos efetivamente adquiridos. Justamente por serem valores significativo e, principalmente, por se tratar em sua maioria de produtos industrializados, alguns produzidos pelas principais indústrias do país, aliado ao fato de o contribuinte possuir contabilidade regular, formei convencimento da pertinência de uma diligência fiscal, priorizando a verdade material, para trazer aos autos elementos seguros quanto a efetividade, ou não, da entrada deste produtos, bem com fazer verificações que certamente irão robustecer o convencimento do Colegiado. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Fiscalização da DRF Brasilia efetue os seguintes procedimentos: 1. Identifique nas notas fiscais glosadas pelo menos 2 (dois) produtos fabricados por indústrias nacionais de grandes porte, revendidos por cada uma dos fornecedores considerados inidôneos, listados no TVF, por exemplo de Mucilon (Nestlé), Sopão Knnor, Farofa Yoki. Caso sejam identificados produtos de mesmo fabricante fornecidos por varias empresas consideradas inidôneas, a escolha deve recair sobre esses, facilitando as verificações Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Resolução n.º 140200.095 S1C4T2 Fl. 40 40 1.1 Fazer verificação in locu nas prateleiras dos supermercados BIG BOX para apurar o CNPJ dos fabricantes, bem como se os produtos são realmente vendidos nos estabelecimentos, juntando aos autos reprodução da imagem das embalagens. 2. Expedir intimações à essas indústrias (fabricantes) para informar as vendas efetuadas desses produtos, nos anos de 2007 e 2008, tanto para os emitentes das notas fiscais glosadas, quanto para o contribuinte (diretamente) solicitando informar data da venda, numero da NF, quantidades vendidas, valor unitário/total e forma de pagamento. 2.1 Solicitar também às indústrias que informem o total das vendas mensais efetuadas ao contribuinte naqueles anos, nesse caso englobando todos os produtos. 3. Escolher pelo menos 1 (um) trimestre do ano calendário 2007, e outro(s) do anocalendário de 2008, e intimar o contribuinte para que elabore demonstrativos a partir das contabilizações de estoques/entradas/devoluções e vendas desses produtos (quantidades e valores), identificando também se foram realizadas compras de outros fornecedores que não a indústria (fabricante) e das empresas glosas. 3.1 A Fiscalização deverá verificar/atestar a correção desses demonstrativos, mediante análise da escrituração contábil do contribuinte fornecida durante a auditoria fiscal. O objetivo desse item da diligência é apurar a correspondência entre a quantidade desses produtos vendidos e suas respectivas quantidades disponíveis para venda, determinando se nas quantidades vendidas incluemse as compras glosados. Certamente há meios para fazer esse batimento, haja vista que é público e notório que os cupons fiscais emitidos pelos supermercados do Grupo BIG BOX atendem a legislação, individualizando os produtos vendidos, alimentando os sistemas informatizados. 3.2 Elaborar tabela comparativa dos preços médios unitários de compra e venda dos produtos auditados, em cada trimestre (preço da Indústria, preço do fornecedor compras glosados, preço de venda ao consumidor). 4. A Fiscalização poderá realizar outros procedimentos e verificações, alem dos acima solicitados, deste que concernentes com o objetivo da diligência, qual seja, determinar se os produtos relacionados nas notas glosadas foram vendidos pelo contribuinte e compõe as receitas contabilizadas, bem com a pertinência do valor das operações. 5. Ao final, a Fiscalização deverá lavrar relatório consubstanciado, cientificando a contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Antonio José Praga de Souza Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 13931.000950/2008-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3803-000.220
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo De Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos da PIS/PASEP – mercado externo e que não puderam ser compensados com débitos das próprias contribuições decorrentes das operações no mercado interno, referente ao 1º trimestre de 2004, no valor total de R$ 19.386,30. Com fulcro no crédito informado no Pedido de Ressarcimento, a contribuinte transmitiu Declaração de Compensação. A DRF em Ponta Grossa não homologou a compensação pois, da análise da documentação apresentada pela contribuinte, constatouse a inexistência de créditos vinculados ao mercado externo. Segundo o despacho decisório recorrido, os créditos do período em questão foram apropriados somente na rubrica “Outros Valores com Direito a Crédito”, em Fl. 146DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 virtude das aquisições de grãos (milho, soja e trigo) de pessoas físicas e com a aplicação da alíquota da contribuição sobre o valor das exportações realizadas. A autoridade fiscalizadora entendeu que a Interessada não era uma empresa agroindustrial, e portanto, não poderia fazer jus ao aproveitamento do crédito pleiteado. A atividade desenvolvida pela empresa é a de comercialização de adubos, defensivos agrícolas e sementes, na matriz, e de cerealista na filial. Entendeuse, ainda, que faltava o cumprimento de outro requisito legal: “que os produtos sejam destinados à alimentação humana ou animal”. Como o crédito indicado é relativo à exportação e todos os produtos foram comercializados para empresas comerciais exportadoras, não ocorreu a destinação dos produtos à alimentação humana ou animal. A autoridade fiscal consignou que a contribuinte não faz jus ao crédito das cerealistas, tendo em vista que a partir de 01/08/2004 o crédito presumido das cerealistas está vedado pelo § 4º, do art. 8º da Lei 10.925/2004. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo o seguinte: "por tratarse de pedido eletrônico de ressarcimento de crédito, o contribuinte RATIFICA as suas razões em conteúdo na defesa dos autos processuais de n. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000". Assim, pretende que lhe seja assegurado o direito às retificações sem a incidência de penalidade, além de requerer a desclassificação do despacho decisório em virtude de manifesta nulidade das diligências em face do vício insanável do MPFF. A DRF em Curitiba reconheceu a conexão entre as demandas e apreciou todas as razões constantes nas impugnações dos processos ns. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000 que, ao seu ver, guardassem relação com os motivos para o indeferimento do pedido de ressarcimento pela autoridade fiscal. A título de esclarecimento, os processos mencionados alhures dizem respeito aos Autos de Infração lavrados para a exigência de PIS e COFINS, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das contribuições nos anos de 2003 a 2007. Verificouse, ainda, que em diversos períodos de apuração ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição, o que motivou o lançamento. Desta feita, foi analisado pelos julgadores de piso, a contestação das glosas do crédito, a nulidade alegada e o direito à retificação sem a incidência de penalidades, consubstanciada nos seguintes tópicos: “decadência”, “hermenêutica”, “créditos sobre bens para revendas”, “créditos utilizados como insumos”, “serviços utilizados como insumos”, “bens do ativo imobilizado”, “débitos apurados” , “grãos”, “das sementes” e “posição 2710 da NCM”. Por unanimidade de votos, acordaram os membros daquela DRJ, em considerar não formulado o pedido de diligência, não acatar as argüições de nulidade do procedimento fiscal e não acolher as razões de inconformidade, negando a solicitação de reforma do Despacho Decisório recorrido, de modo a manter a não homologação da compensação pleiteada. A ementa do julgado transcrevemos a seguir: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13931.000950/200831 Acórdão n.º 3803000.220 S3TE03 Fl. 2 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMPRAS DE BENS DE PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. No sistema da não cumulatividade da Cofins, não gera direito a crédito básico as compras efetuadas de pessoas físicas. CEREALISTA. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. No período de vigência do §11 do. Art .3° da Lei n.° 10.833,de2003, as empresas cerealistas somente podiam apurar crédito presumido da Cofins e do PIS em relação aos produtos in natura de origem vegetal indicados nesse dispositivo, adquirido diretamente de pessoas físicas, quando eles fossem revendidos a agroindústrias que os utilizassem como insumos na produção dos produtos especificados na lei, e , como decorrência, os produtos adquiridos de pessoas físicas exportados por cerealista não dão direito a crédito presumido das citadas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. AGROINDÚSTRIA. Somente a pessoa jurídica que produza mercadorias de origem animal ou vegetal., classificadas na legislação de regência, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculados sobre o valor dos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas residentes no País. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 NULIDADE.PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não constitui requisito de validade do lançamento, pois é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares e razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. COMPENSAÇÃO.HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Somente o corre a homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de transmissão da Dcomp. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. As instâncias administrativas são incompetente s para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DILIGÊNCIA.PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de diligência que não indica os quesitos referentes aos exames desejados. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A apresentação de provas deve ser realizada junto à impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Declarouse impedido o servidor José Ricardo Zilli, Auditor Fiscal responsável pelo despacho decisório em questão. Cientificada, apresentou recurso voluntário por meio do qual defende, em sede de preliminar, a nulidade do despacho decisório que culminou com o indeferimento do crédito, a nulidade da decisão de primeira instância por não ter autorizado o pedido de diligência fiscal bem como, quanto a impossibilidade de retificação pela autoridade fiscal de créditos e débitos anteriores a junho de 2005, tomando por vista que a glosa dos créditos e lançamento de débitos ocorreu em julho de 2010 (prescrição/decadência). No mérito, argumenta sobre a equiparação à empresa agroindustrial tendo em vista que a interessada realiza atividade de acondicionamento de grãos previamente selecionados e padronizados, após rigorosa limpeza e secagem. Defende, ainda, que o fato de a Recorrente adotar critério de apropriação do crédito presumido de PIS/COFINS baseado no valor das exportações realizadas, não retira o direito da correta apropriação dos créditos relativos às aquisições de grãos, tarefa que incumbi a à autoridade fiscal. Caso sejam superadas as alegações de prescrição/decadência, requer o direito ao crédito presumido das contribuições pela venda de grãos no período entre fevereiro e julho de 2004, argumentando seu reconhecimento pela delegacia de origem e pela DRJ. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13931.000950/200831 Acórdão n.º 3803000.220 S3TE03 Fl. 3 5 Por fim, argumenta a Recorrente que, considerando a inexistência de sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, devem ser considerados e atribuídos às receitas decorrentes das exportações, os créditos decorrentes dos outros custos ou insumos atribuídos a estas receitas pelo sistema de rateio proporcional, conforme a legislação de regência do PIS/COFINS. Reitera a observâncias dos argumentos expendidos nas impugnações constantes nos processos n. 12571.000200/201057e12571.000201/201000 e requer o acolhimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto O presente recuso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme relatado acima, trata o feito de pedido de ressarcimento e declaração de compensação de créditos da COFINS – mercado externo que não puderam ser compensados com débitos das próprias contribuições decorrentes das operações no mercado interno. A Delegacia de origem manifestouse pelo indeferimento total do crédito e a DRJ manteve o decisum. Contudo, a ora Recorrente em sua manifestação de inconformidade faz referência a defesa de outros 2 processos, os quais versam sobre a lavratura de autos de infração para a exigência de PIS e COFINS lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das contribuições nos anos de 2003 a 2007. Ademais disso, foi verificado que em diversos períodos de apuração ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo contribuinte. Da leitura do relatório do acórdão hostilizado que explicita o teor das impugnações a qual a contribuinte faz referência, observase que a ora Recorrente alegou uma série de ilegalidade e irregularidades com vistas a defender a nulidade do procedimento fiscal adotado o qual ensejou o lançamento, e portanto, a nulidade do próprio auto de infração. Observase, também, que o contribuinte se defendeu da glosa efetuada sobre a entrada de mercadorias adquiridas de pessoas físicas e dos bens e serviços utilizados como insumos, por ter o Fisco separado as atividades da matriz e da filial, sustentando que somente a cerealista poderia se creditar dos insumos. Defendeuse a ora Recorrente das glosas concernentes aos encargos com a depreciação dos bens do ativo imobilizado, crédito presumido das cerealistas, bem como a tributação dos produtos classificados na posição 2710 da NCM. Naqueles processos, pugnou a Autuada pela reforma do indeferimento dos pedidos de ressarcimento e não homologação da declaração de compensação; de forma subsidiária requereu a desclassificação da autuação para infração formal de obrigação Fl. 150DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 acessória, assegurado o direito à denúncia espontânea, bem como, a improcedência do auto de infração. Consoante preceitua o art. 103 do Código de Processo Civil, reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Neste caso, o julgador originário se torna prevento em relação a todos os processos relacionados com a matéria. Sabendose que de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal aplicamse as normas processuais civis, diligenciou este relator junto ao sítio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e verificou que os processos outrora mencionados foram julgados em 23 de maio de 2012, pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção, cuja relatoria se atribuiu ao conselheiro Antônio Lisboa. Sabendose que as causas são conexas, e que aquele colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, cujo acórdão recebeu o nº 3301001.472 e que a decisão pode assistir aos interesses da ora Recorrente, voto no sentido de que o presente feito seja baixado em diligência a fim de que se informe o inteiro teor da decisão supracitada bem como possa verificar em que extensão os autos de infração e o decisum influenciam nos Per/Dcomps que ora se aprecia. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 151DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11080.934537/2009-95
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3803-000.244
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório COMPANHIA DE GERAÇÃO TÉRMICA DE ENERGIA CGTEE formulou em papel pedido de restituição dos créditos de PIS e COFINS, relacionados ao período de novembro de 2004 a julho de 2005, no valor original de R$ 3.985.103,55 (três milhões, novecentos e oitenta e cinco mil, cento e três reais e cinqüenta e cinco centavos) objeto do processo administrativo nº 11080.003212/200969. Transmitiu ainda a Declaração de Compensação DComp nº 38319.64643.100608.1.3.048398 com vistas à extinção de débitos próprios, montantes a R$ 111.132,55, com direito creditório decorrente de pedido de restituição de indébito por pagamento a maior do que o devido, objeto do processo admnistrativo fiscal 11080.003212/200969. Neste processo, o contribuinte fundamentou seu pedido de restituição no fato de ter tributado as receitas decorrentes dos contratos de suprimento de energia elétrica com base no regime nãocumulativo, pelo PIS (1,65%), a partir de dezembro de 2002, e pela Cofins (7,6%), a partir de fevereiro de 2004, até fevereiro de 2006, quando deveria têlas tributado sob o regime cumulativo. Para tanto, retificou suas DCTF's, para constar os débitos de PIS e Cofins do período de dezembro de 2002 a fevereiro de 2006 com base no regime cumulativo, apoiandose no inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Fl. 548DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11080.934537/200995 Resolução n.º 3803000.244 S3TE03 Fl. 549 2 que previu a possibilidade de que as receitas de contratos de fornecimento de serviços a preço predeterminado, com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, pudessem ser tributadas pela sistemática da cumulatividade. A Coordenação de Tributação da Receita Federal do Brasil submeteu a matéria à apreciação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio da Nota Técnica COSIT nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, resultando na edição do Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 01 de agosto de 2007. Esse Parecer esclareceu que “contratos iniciais” e “contratos bilaterais”, empregados pelo contribuinte para a comercialização de energia, perdem o caráter de contratos de preço predeterminado, tendo em vista reajuste efetuado pelo IGPM e, pela variação tributária, portanto, não se subsumindo na exceção prevista no art. 10, XI da Lei nº 10.833, de 1003. O contribuinte formulou consulta respeito da matéria à Superintendência Regional da Receita Federal na 10ª Região Fiscal, objeto do processo 11080.006335/200951, solucionada nos termos da Solução de Consulta nº 228, de 14 de dezembro de 2009, assim ementada: CONTRATOS FIRMADOS ANTERIORMENTE A 31 DE OUTUBRO DE 2003. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE COM BASE NO IGPM. Para efeito de definir o regime de incidência da Cofins aplicável às receitas relativas a contratos com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, o cômputo do IGPM no percentual de reajuste de preços, descaracteriza a condição de preço predeterminado, ainda que nesse percentual de reajuste seja também considerada a variação de determinados custos de produção, o que implica a sujeição dessas receitas à incidência nãocumulativa. Não obstante, quando o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, não superar o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção, e desde que o referido reajuste leve em conta termos de custos de produção ou insumos, a condição de preço predeterminado não se terá descaracterizado, consoante explicitação do § 3º do art. 3º da IN SRF nº 658, de 2006. Nessa hipótese, e cumpridos os demais requisitos dessa Instrução, as receitas em questão submetemse à incidência da Cofins na forma cumulativa, até que venha a suceder a perda do caráter de preço predeterminado, ocasião em que as receitas passarão a sujeitarse à incidência não cumulativa, de modo definitivo. Com base no entendimento acima exposto e na informação Fiscal SEFIS/DRF/POA, a DRF/POA indeferiu a restituição objeto do processo 11080.003212/2009 69 e não homologou a compensação declarada na DComp nº 38319.64643.100608.1.3.04 8398, tudo nos termos do Despacho Decisório DRF/POA nº 2.132, de 05/11/2010 (fls. 388 a 393). Em Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 64), o declarante, em síntese, insistiu no entendimento de que os contratos celebrados com as sociedades contratantes de seus serviços atendem aos requisitos erigidos no inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, e por Fl. 549DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11080.934537/200995 Resolução n.º 3803000.244 S3TE03 Fl. 550 3 isso permanecem tributados no regime da cumulatividade, o que o torna detentor de créditos por indébitos recolhidos na sistemática da não cumulatividade. Refere ainda a apresentação de Recurso Especial de Divergência contra o entendimento da Solução de Consulta nº 228, proferida pela SRRF10/DISIT. Apontou a impossibilidade da cobrança dos débitos compensados com créditos referentes aos períodos de apuração janeiro e fevereiro de 2006, uma vez que esses períodos foram objeto de auto de infração (processo 11080.722655/201096), o qual estaria pendente de análise. Ao final requereu a nulidade do Despacho Decisório com reconhecimento integral do crédito e conseqüente homologação das compensações declaradas ou ainda que fosse proferida nova decisão pela DRF de origem. Alternativamente, caso não fosse declarada a nulidade do Despacho Decisório, pleiteou a sua reforma integral e o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações declaradas. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 2ª Turma da DRJ/POA. O Acórdão nº 10039.508, de 5 de julho de 2012, fls. 417 a 431, teve ementa vazada nos seguintes termos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. PIS. REGIME DA CUMULATIVIDADE. RECEITA. CONTRATOS A PREÇO PREDETERMINADO. EFEITOS. A possibilidade de manter no regime da cumulatividade do PIS receitas oriundas de contratos a preço predeterminado, celebrados anteriormente a 31/10/2003, produz efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 437 a 489, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados Fl. 550DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11080.934537/200995 Resolução n.º 3803000.244 S3TE03 Fl. 551 4 com a lide, retoma as razões já defendidas na Manifestação de Inconformidade, assim resumidas: a) A Instrução Normativa nº 658, de 4 de julho de 2006, que regulamentou a Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, criou regra não prevista em lei, o que acarretou violação do princípio da estrita legalidade em matéria tributária; b) O conceito jurídico de preço predeterminado é estabelecido mediante o uso de uma interpretação sistemática do direito civil, estando o seu emprego pelo direito tributário restrito aos limites impostos pelas regras extraídas dos arts. 109 e 110 do CTN. Assim, preço predeterminado é aquele que as partes têm conhecimento objetivo e real do preço acordado no instante da celebração do contrato, não se confundindo esse conceito com a idéia de preço fixo; c) A legislação vigente reconhece que a aplicação de cláusulas de reajuste não descaracteriza o preço predeterminado (art. 109 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, e Nota Técnica 224/2006SFF/ANEEL); d) O IGPM reflete o custo da produção e é índice de recomposição de preço, razão pela qual não descaracteriza a predeterminação do quantum fixado nos contratos da Recorrente e, tendo por escopo evitar os efeitos nocivos do tempo para a relação contratual, é índice que se amolda perfeitamente ao comando do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005; e e) O conceito econômico de preço predeterminado é contraposto ao entendimento esposado pelo acórdão atacado, uma vez que, como visto, a incidência de IGPM como índice de correção nos contratos fiscalizados não implica a alteração dos valores percebidos pela Recorrente; tal índice visa apenas a preservar os valores contratados no tempo, de modo que o importe nominalmente recebido pelos seus serviços não seja economicamente corroído ao longo de um dado período. Ao fim, requer: I. o julgamento conjunto do presente processo administrativo com o processo administrativo nº 11080.003212/200969, pois são feitos intrinsecamente relacionados, tendo por base exatamente os mesmos fatos e as mesmas razões jurídicas; II. seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário para reformar integralmente o acórdão recorrido, reconhecendose integralmente o direito à restituição dos créditos de contribuição social objetos da declaração de compensação indicada nos autos. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11080.934537/200995 Resolução n.º 3803000.244 S3TE03 Fl. 552 5 Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 437 a 489 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 10039.508, de 5 de julho de 2012. Conforme relatado, o presente processo tem como objeto, exclusivamente, o encontro de contas declarado na DComp nº 38319.64643.100608.1.3.048398. O direito creditório aventado na peça recursal, referente a Pedido de Restituição de PIS, é objeto de outro processo, de nº 11080.003212/200969, com tramitação independente e que, segundo consta do sítio do CARF, está, desde o dia 24/09/2012, na atividade RECEBER PROCESSO TRIAGEM E COMPLEMENTAÇÃO CADASTRAL@GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF. Andamentos do Processo Data Tramitação Fase Ocorrência 24/09/2012 ORDINÁRIA RECEPÇÃO RECEBER PROCESSO TRIAGEM E COMPLEMENTAÇÃO CADASTRAL Unidade: CARF Orgao Julgador: GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF A confirmação do direito creditório oposto na(s) compensação(ões) declarada(s) é questão prejudicial ao julgamento do mérito do recurso voluntário ora sub judice. Por essa razão, voto por que se converta o presente julgamento em diligência, baixandose o presente processo ao órgão fiscal da jurisdição do contribuinte, para que a Autoridade Preparadora ateste, nos autos, o resultado da decisão final do processo nº 11080.003212/200969, repercutindo seus efeitos na compensação de que se trata. Adicionalmente, a Autoridade Preparadora deverá atestar a competência do servidor que subscreve o Despacho Decisório DRF/POA nº 2.132, de 05/11/2010 (fls. 388 a 393). Após, devolvase o processo a esta 3ª TE/3ª SEJUL/CARF/MF para julgamento. Sala das Sessões, em 23 de novembro de 2012 Alexandre Kern Fl. 552DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10166.904958/2019-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/01/2013
INSTRUMENTO HÍBRIDO DE CAPITAL E DÍVIDA (IHCD). REMUNERAÇÃO E ENCARGOS. BASE DE CÁLCULO. INDEDUTIBILIDADE.
A remuneração e os encargos dos IHCD não têm natureza de despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, portanto, são indedutíveis da base de cálculo da COFINS até o advento da Lei n° 12.973/2014 que incluiu o art. 38-B no Decreto-Lei n° 1.598/77, quando tais dispêndios foram a elas equiparados.
Numero da decisão: 3301-011.249
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Divergiram os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), que votam por dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.246, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10166.904954/2019-72, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/01/2013 INSTRUMENTO HÍBRIDO DE CAPITAL E DÍVIDA (IHCD). REMUNERAÇÃO E ENCARGOS. BASE DE CÁLCULO. INDEDUTIBILIDADE. A remuneração e os encargos dos IHCD não têm natureza de despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, portanto, são indedutíveis da base de cálculo da COFINS até o advento da Lei n° 12.973/2014 que incluiu o art. 38-B no Decreto-Lei n° 1.598/77, quando tais dispêndios foram a elas equiparados.
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REMUNERAÇÃO E ENCARGOS. BASE DE CÁLCULO. INDEDUTIBILIDADE. A remuneração e os encargos dos IHCD não têm natureza de despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, portanto, são indedutíveis da base de cálculo da COFINS até o advento da Lei n° 12.973/2014 que incluiu o art. 38-B no Decreto-Lei n° 1.598/77, quando tais dispêndios foram a elas equiparados. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Divergiram os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), que votam por dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.246, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10166.904954/2019-72, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 49 58 /2 01 9- 51 Fl. 97DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.249 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.904958/2019-51 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. A instituição financeira Caixa Econômica Federal, doravante denominada Caixa, transmitiu Declarações de Compensações pretendendo compensar débitos próprios de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) com crédito de pagamento a maior de COFINS - Entidades Financeiras e Equiparadas, código de receita 7987, apurado em janeiro de 2013, no valor original de R$ 13.381.900,97. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, não foram homologadas as compensações declaradas sob a fundamentação de inexistência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Informações complementares sobre a análise do crédito e relação de valores devedores compõem o despacho decisório. Nesse passo, faz parte dos documentos complementares o Relatório Fiscal no qual o auditor-fiscal relata que a Caixa foi intimada para prestar esclarecimentos sobre os aspectos de fato e de direito, acompanhado de documentos comprobatórios do suposto montante creditório pleiteado na declaração de compensação em análise. Em resposta, a Caixa disse que "os valores compensados decorrem de reprocessamento de base de cálculo da contribuição em reconhecimento da dedutibilidade dos encargos com Instrumento Híbrido de Capital e Dívida (…) em consonância com a Lei nº 9.718/98, ao lado da definição expressa veiculada pela Lei nº 12.973/14". O auditor-fiscal aduz que o período de apuração do tributo, objeto de análise, é anterior a janeiro de 2015, data de entrada em vigor da inovação legislativa introduzida por meio da Lei nº 12.973/2014. Assim, conforme prescreve o artigo 105 do CTN, é vedada a aplicação da legislação tributária para o passado, não sendo aplicável a fatos geradores já consumados. Assim, restaram não homologadas as compensações declaradas. A ciência do Despacho Decisório deu-se por meio da Caixa Postal, considerada Domicílio Tributário Eletrônico perante a RFB. Irresignada, a Caixa apresentou, Manifestação de Inconformidade contra referida decisão, dizendo, em apertada síntese, que o reconhecimento de créditos a compensar se deu em consonância com a Lei n° 9.718/98, ao lado da definição expressa veiculada pela Lei n° 12.973/14, relativamente ao tratamento a ser dado nas bases de apuração da contribuição quanto à remuneração e aos encargos dos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD). Defende que a partir da Lei nº 12.973/14, editada no contexto da adaptação da legislação tributária ao processo de convergência da contabilidade brasileira aos padrões internacionais de contabilidade (IFRS), o ordenamento passou a dispor expressamente que tais remunerações e encargos podem ser excluídos/deduzidos da base de cálculo da(o) COFINS Fl. 98DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.249 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.904958/2019-51 como despesas de operações de intermediação financeira, ainda que tais instrumentos sejam contabilizados no patrimônio líquido por força da nova normatização contábil. Relata que as obrigações acessórias da CAIXA foram devidamente ajustadas em declarações retificadoras, de forma a espelhar os valores decorrentes do reprocessamento de origem do crédito compensado como totalmente disponíveis. Em preliminar, alega que o auditor-fiscal incluiu no Despacho Decisório a Dcomp 08782.11681.181017.1.7.04-0900 a qual não foi objeto dos procedimentos fiscalizatórios, o que importa em nulidade da decisão. Traz jurisprudência administrativa que diz se subsumir a sua linha argumentativa. Quanto ao mérito, defende a consistência do direito creditório em face do regular tratamento tributário promovido pela Caixa a respeito dos pagamentos promovidos a título de remuneração dos IHCD, regularmente constituídos e registrados em sua contabilidade. Aponta que segue os termos e disposições contidas no art. 38 do Decreto-Lei no 1.598/77, sobretudo a partir das disposições alteradas pela Lei 12.973/2014 (Conversão da MP n° 627/2013), relativamente ao tratamento contábil das despesas com emissão de ações. Externa a preocupação em relação à definição dos contornos próprios da natureza jurídica das "remunerações" pagas pela Caixa a partir de contratos firmados com a União Federal, sobretudo no que diz respeito a sua configuração juros (despesa financeira) ou dividendos (retorno patrimonial do investimento) em relação ao tratamento tributário correto. Argumenta que o tratamento contábil-tributário da "'remuneração" deve ser tratado como "custo referente a instrumento de capital ou de dívida subordinada", atraindo, assim, a consideração de que tais pagamentos possam configurar como juros pelo mútuo realizado, devendo ser, portanto, regularmente contabilizado no passivo da companhia, mesmo que os lançamentos sejam feitos em conta de Patrimônio Líquido. Aduz que a classificação está alinhada com as definições contidas nos documentos que respaldaram os contratos de mútuo firmados entre a Caixa e a União. Assim, resta verificar o impacto na questão tributária, sobretudo em relação à Cofins e ao PIS/Pasep. Nesse passo, defende que as disposições do artigo 3º da Lei 9.718/98 já considerava os referidos pagamentos como despesas, logo, a dedutibilidade já era possível, pela leitura do § 6º, inciso I, alínea "a", ou seja, seriam despesas incorridas nas operações de intermediação financeira (custos de captação). Então, as disposições apontadas na novel disposição legal vieram com o objetivo de solução definitiva da querela relativa à forma de contabilização dos referidos pagamentos. Assim, aclararam-se os procedimentos a serem observados pelos contribuintes na efetivação das respectivas retificações de registro ("estornos"), promovendo-se, então, todas as consequências daí verificadas. Ainda, aponta que a Lei nº 12.973/14 foi construída visando garantir a neutralidade tributária nas operações impactadas pelas novas formas de contabilização no contexto do processo de adaptação ao novo padrão contábil instituído pela Lei nº 11.638/2007. Nesse passo, resta claro que a mesma justificativa aplica-se ao artigo 38-B da Lei 12.793/2014 pois, em função das novas regras contábeis, o legislador buscou, em homenagem ao Fl. 99DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.249 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.904958/2019-51 princípio da segurança jurídica, ratificar que, independentemente da forma de classificação contábil adotada dos encargos com IHCD, deve aplicar-se o mesmo tratamento tributário já adotado para tais despesas (exclusão na base do IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins). Por consequência, não se trata de inovação legislativa que criou uma nova dedução na base de cálculo da COFINS, pois a efetiva natureza jurídica dos encargos com IHCD não se alterou, trata-se de despesa com mútuo (despesa de intermediação financeira), e portanto, passível de exclusão das bases de cálculo do PIS/Pasep e Cofins. Assim, não prospera a alegação do auditor-fiscal de que a Caixa efetuou aplicação retroativa da referida legislação tributária, visto que a permissão para dedução de despesas de intermediação financeira da base das contribuições sociais citadas se encontra expressa na Lei 9.718/98. A não exclusão das referidas despesas no período ocorreu em função de equívoco na apuração da contribuição devida, portanto, não guarda qualquer relação com hipótese de aplicação retroativa de legislação tributária. Ainda, aduz que o ajuste resultou também em ajustes na apuração de débitos de IRPJ e CSLL, em face da sua dedução sobre o resultado. Ao final, requer seja reconhecida a total procedência da Manifestação de Inconformidade, declarando-se a total insubsistência do despacho decisório e o reconhecimento do direito creditório relativo a todas as declarações de compensação de crédito de COFINS. Requer o reconhecimento de nulidade absoluta por vício material do despacho decisório no que diz respeito a não homologação da Dcomp 08782.11681.181017.1.7.04-0900. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, inclusive, se necessário, mediante juntada de novos documentos e outras provas que se fizerem necessárias para o deslinde da demanda. A DRJ negou provimento ao apelo, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. A nulidade não pode ser declarada se preenchidos os requisitos previstos na legislação e quando há perfeita compreensão dos atos e termos administrativos demonstrada na peça de defesa. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS ADICIONAIS. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a manifestante fazê-lo em outro momento processual, salvo as exceções constantes na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/01/2013 Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.249 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.904958/2019-51 INSTRUMENTO HÍBRIDO DE CAPITAL E DÍVIDA (IHCD). REMUNERAÇÃO E ENCARGOS. BASE DE CÁLCULO. DEDUTIBILIDADE. A remuneração e os encargos dos IHCD não tem natureza de despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, portanto, são indedutíveis da base de cálculo das contribuições PIS/Pasep e Cofins até o advento da Lei 12.973/2014 que incluiu o art. 38-B no Decreto-Lei 1.598/77, quando tais dispêndios foram a elas equiparados. Em recurso voluntário, o Banco ratifica os argumentos de sua defesa anterior. Não junta novos documentos. Requer o provimento do recurso, com a consequente homologação das compensações. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. Defende a nulidade do despacho decisório, por falta de motivação e ausência de fiscalização prévia. Não há razão no argumento, eis que acompanha o despacho decisório, o parecer fiscal, que expõe as razões da não homologação das compensações. A ementa consigna: Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Cabe ao transmitente do Per/Dcomp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita a homologação. Falta de previsão legal à época do fato gerador para exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS referentes a encargos com Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD). Consta, inclusive, que houve intimação para esclarecimentos de fato e de direito: Tratando-se, portanto, de procedimento compensatório e da espécie tributária, o contribuinte foi intimado através do Termo de Intimação Fiscal (TIF) nº 64 (fls. 08/09), com ciência eletrônica em 21/03/2019 (fls. 11/12), para prestar esclarecimentos sobre os aspectos de fato e de direito, acompanhado de documentos comprobatórios do suposto montante creditório pleiteado na declaração de compensação em análise. Ademais, contra o ato do despacho decisório cabe a manifestação de inconformidade, que instaura o contencioso administrativo tributário, nos termos do art. 14 do Decreto n° Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.249 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.904958/2019-51 70.235/72. Dessa forma, a verificação de nulidade por violação ao art. 59, do Decreto n° 70.235/72, dá-se apenas na fase contenciosa. No caso, não se vislumbra nenhuma nulidade no despacho decisório, tampouco no procedimento. Mérito A CEF apresentou pedido de compensação de COFINS, mas o despacho decisório apontou a insuficiência do crédito apontado para compensação do débito informado, pois fora afastado o direito ao crédito diante da indedutibilidade dos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD) da base de cálculo da COFINS. Assim, a origem do pagamento a maior é decorrente do tratamento a ser dado nas bases de apuração da contribuição quanto à remuneração e aos encargos dos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD), em consonância com a Lei n° 9.718/98, ao lado da definição expressa veiculada pela Lei n° 12.973/14. Em primeiro lugar, cabe esclarecer que os Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD) são formas de captação de recursos pela instituição financeira. A Resolução n° 3.444/2007, do Banco Central, no art. 8°, vigente à época, prescrevia os requisitos dos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida: I - ser nominativos, quando emitidos no Brasil e, quando emitidos no exterior, sempre que a legislação local assim o permitir; II - ser integralizados em espécie; III - ter caráter de perpetuidade, não podendo prever prazo de vencimento ou cláusula de opção de recompra pelo emissor; IV - ter o seu pagamento subordinado ao pagamento dos demais passivos da instituição emissora, na hipótese de sua dissolução; V - estabelecer sua imediata utilização na compensação de prejuízos apurados pela instituição emissora quando esgotados os lucros acumulados, as reservas de lucros e as reservas de capital; VI - prever a obrigatoriedade de postergação do pagamento de encargos enquanto não distribuídos os dividendos relativos às ações ordinárias referentes ao mesmo exercício social; VII - prever a obrigatoriedade de postergação de qualquer pagamento de encargos, caso a instituição emissora esteja desenquadrada em relação aos limites operacionais ou o pagamento crie situação de DESENQUADRAMENTO; VIII - ter o resgate ou a recompra, ainda que realizado indiretamente, por intermédio de pessoa jurídica ligada ao emissor com a qual componha conglomerado financeiro ou consolidado econômico- financeiro, condicionado à autorização do Banco Central do Brasil; IX - não podem ser resgatados por iniciativa do credor; Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.249 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.904958/2019-51 X - não podem ser objeto de qualquer modalidade de garantia; XI - não podem ser objeto de seguro, por meio de quaisquer instrumentos ou estrutura de seguros que obriguem ou permitam pagamentos ou transferência de recursos, direta ou indiretamente, da instituição emissora ou de pessoa jurídica a ela ligada com a qual componha conglomerado financeiro ou consolidado econômico-financeiro para o detentor do instrumento e que comprometam a condição de subordinação expressa neste artigo. O Banco defende que os pagamentos a título de remuneração dos IHCD regularmente constituídos e registrados em sua contabilidade, decorrentes de contratos firmados com a União, são considerados despesas de operações de intermediação financeira, nos termos do disposto no art. 3º, §6º, I, alínea "a" da Lei 9.718/98, verbis: Art. 3° O faturamento a que se refere o art. 2° compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto-Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (...) § 6° Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5°, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) I - no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158- 35, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) Logo, os pagamentos a título de IHCD seriam dedutíveis da base de cálculo da COFINS. Aduz que tal dedutibilidade sempre foi possível, mesmo antes da edição do art. 38-B do Decreto-Lei n° 1.598/77 introduzido pela Lei n° 12.973/2014: Art. 38-B. A remuneração, os encargos, as despesas e demais custos, ainda que contabilizados no patrimônio líquido, referentes a instrumentos de capital ou de dívida subordinada, emitidos pela pessoa jurídica, exceto na forma de ações, poderão ser excluídos na determinação do lucro real e da base de cálculo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido quando incorridos. § 1° No caso das entidades de que trata o § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, a remuneração e os encargos mencionados no caput poderão, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, ser excluídos ou deduzidos como despesas de operações de intermediação financeira. § 2° O disposto neste artigo não se aplica aos instrumentos previstos no art. 15 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.249 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.904958/2019-51 § 3° Na hipótese de estorno por qualquer razão, em contrapartida de conta de patrimônio líquido, os valores mencionados no caput e anteriormente deduzidos deverão ser adicionados nas respectivas bases de cálculo. Em sentido contrário, concordo com os termos da decisão de piso, que consignou que tal dedução passou a ser possível apenas após a inserção do art. 38-B no Decreto-Lei 1.598/77 pela Lei 12.973/2014: As alterações no Decreto-Lei 1.598/77, no bojo da Lei 12.973/2014, decorrem da adaptação para fins tributários dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei nº 11.638/2007, que instituiu o Regime Tributário de Transição (RTT), com o intuito de alinhar a legislação específica aos padrões internacionais de contabilidade, visando à neutralidade fiscal. Na prática, o RTT mirava a segregação da contabilidade fiscal da contabilidade societária. Nesse passo, calcada, em tese, na neutralidade tributária, a Lei nº 12.973/2014, no que se refere aos instrumentos financeiros híbridos, procurou neutralizar os efeitos tributários decorrentes da classificação contábil mediante previsão de ajustes fiscais específicos. Como dito alhures, a introdução do art. 38-B no Decreto-Lei 1.598/77 possibilitou que a remuneração e os encargos, ainda que contabilizados no patrimônio líquido, pudessem ser excluídos ou deduzidos como despesas de operações de intermediação financeira, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Assim, na hipótese de instrumentos financeiros híbridos contabilizados no patrimônio líquido, percebe-se que o legislador se afastou da neutralidade absoluta e não se fixou exclusivamente à natureza jurídica do instrumento, autorizando o contribuinte a optar pela natureza jurídica ou pela essência econômica do instrumento, ao afirmar que a remuneração e os encargos, para fins de tributação, poderão ser excluídos ou deduzidos como despesas de operações de intermediação financeira, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, quando incorridos. Esse entendimento é corroborado pelo § 3º do artigo 38-B do Decreto Lei 1.598/1977, ao estabelecer que na hipótese de estorno, por qualquer razão, do valor contabilizado em contrapartida ao patrimônio líquido, os valores já deduzidos deverão ser adicionados às respectivas bases de cálculo dos tributos. Dessarte, não é qualquer dispêndio que pode ser deduzido da base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins como despesa de operações de intermediação financeira, sendo imperioso, como primeiro passo, observar a letra da lei. O artigo 111, inc. I, do Código Tributário Nacional8, dispõe que em se tratando de suspensão ou exclusão de crédito tributário, a legislação tributária deve ser interpretada de forma literal. Nesse passo, o disposto no art. 3º, §6º, inc. I, alínea "a", da Lei nº 9.718/98, não pode ser interpretado extensivamente para assegurar à Caixa a dedução pretendida, visto que as hipóteses de exclusão do crédito tributário devem ser interpretadas literalmente e restritivamente, não comportando exegese extensiva. Assim sendo, não é possível invocar a analogia a fim de alcançar eventual isenção de crédito tributário, pois a dedução da remuneração e dos encargos dos IHCD da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins dependeria de previsão explícita, o que aconteceu somente com a inclusão do art. 38-B no Decreto-Lei 1.598/77 introduzido pela Lei nº 12.973/2014. Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.249 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.904958/2019-51 Dessa forma, a dedução das remunerações e dos encargos, referentes aos instrumentos de capital ou de dívida subordinada, poderão ser excluídos ou deduzidos como despesas de operações de intermediação financeira, para fins de determinação da base de cálculo da COFINS, somente a partir da introdução do art. 38-B no Decreto-Lei n° 1.598/77 pela Lei nº 12.973/2014, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2015. E a alteração legislativa apenas equiparou os IHCD às despesas de operações de intermediação financeira. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10508.900056/2006-11
Data da sessão: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3803-000.065
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Conselheiro Belchior Melo de Sousa, designado para a redação da resolução. Vencido o relator, que negou provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE MARTINS DE LIMA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Conselheiro Belchior Melo de Sousa, designado para a redação da resolução. Vencido o relator, que negou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Henrique Martins de Lima Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator Designado EDITADO EM: 02/03/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Rangel Perrucci Fiorin. Fl. 1DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1220.14456.UE3M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10508.900056/200611 Resolução n.º 380300.065 S3TE03 Fl. 2 2 Relatório Tratase de processo de Declarações de Compensação, transmitidas pelo contribuinte, para o aproveitamento de créditos de IPI, oriundos da aquisição de insumos utilizados na fabricação de bens de informática, relativo ao terceiro trimestre de 2002 no valor de R$ 215.047,72. O pedido de compensação foi transmitido através da DCOMP n.º 01555.73338.240903.1.3.017360, indicando para serem compensados três débitos oriundos da COFINS. Também transmitiu a DCOMP n.º 34735.57303.051103.1.3.011307, indicando à compensação débitos de PIS e COFINS. Para o controle destas duas DCOMPS foi gerado o Processo Administrativo n.º 10508.900056/200611, encaminhado à SIANA para apurar a legitimidade do ressarcimento do crédito de IPI. A Receita Federal houve por bem proceder a inscrição em dívida dos valores alvo de compensação, mesmo na pendência de julgamento de impugnação. A contribuinte, através de liminar em Mandado de Segurança, conseguiu suspender a exigibilidade do crédito tributário, bem como a abstenção de ter seu nome inscrito no CADIN. A exigibilidade restou suspensa, tendo sido a manifestação de inconformidade encaminhada para julgamento, nos termos a seguir. O relatório de fiscalização apontou que houve saída de unidades de processamento digital com uso indevido de isenção, montadas com placas mãe importadas; que houve saída de unidades de processamento digital com uso indevido de isenção, montadas em placas mãe não nacionais; que houve revenda de placas mãe importadas sem emissão de nota fiscal, apurada em decorrência de auditoria de estoque; e saída de teclados, mouses e caixas de som importados e comercializados sem destaque de IPI. A DRF de Ilhéus indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações, relativo ao 3º Trimestre de 2002. Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que: os fatos pelos quais a autoridade não homologou a compensação, são objeto de contencioso administrativo e podem, dentro da esfera administrativa, serem alterados; para evitar decisões conflitantes, impõese o sobrestamento do presente processo até o final do julgamento da impugnação apresentada ao auto de infração; no momento do requerimento de ressarcimento e compensação ainda não havia decisão pelo não reconhecimento do crédito, não deve ser interpretado para o fim de indeferir se a compensação, mas sim para o efeito de determinar o sobrestamento até o final da decisão quanto a existência ou não do crédito; Fl. 2DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1220.14456.UE3M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10508.900056/200611 Resolução n.º 380300.065 S3TE03 Fl. 3 3 não se pode oferecer à compensação, crédito cuja inexistência já tenha sido declarada pelo fisco, mesmo havendo impugnação apresentada. Contudo, decisão posterior, que afasta a exigência do crédito, não pode prejudicar o pleito de compensação; a oferta nacional de placas mãe e placas de memória, durante o ano de 2002, era restrita e não pode atender a demanda das empresas fabricantes de computadores, não restando outras opções, a não ser adquirir similares importados, sob pena de paralisação de suas atividades; em relação a utilização desses insumos importados, além do permissivo legal previsto no art. 4º da portaria MCT/MCIT n.º 101, de 7 de abril de 1993, há outra norma a embasar a conduta da impugnante: o inciso II, do § 1º, do art. 1º da Portaria 48/2000 MDIC/MCT, que autoriza, até 31 de dezembro de 2003, a utilização de circuito impresso montado com componentes elétricos ou eletrônicos, até o limite anual de 10%, em quantidade, das unidades digitais de processamento, produzidas anualmente, de acordo com as portarias interministeriais MCT/MICT 101/93 e 131/93; a comprovação desses “fatores técnicos e econômicos, é atribuição exclusiva do MCT e do MCIT, portanto, quando a autoridade fiscal afastou a existência desses fatores, não só feriu a legislação como usurpou atribuição dos mInistérios citados; não faz o menos sentido se imaginar que a impugnante, embora preenchendo as condições de gozo do benefício tenha, de forma cuidadosamente planejada, renunciado ao benefício, ou seja, toda vez que utilizou placa mãe nacional, fêlo com a utilização de memória importada e toda vez que usou memória nacional, fêlo com a utilização de placa mãe importada; assim, das 11.187 UDPs que a autuação considerou como montadas em desacordo com o processo produtivo básico, devem ser retiradas 2.578, montadas com placas de memória e mãe nacionais. como a empresa poderia usar até 10% de placas importadas na montagem das UDPs, é facultado a impugnante utilizar esses insumos importados em até 1.119 UDPS, quantidade que também deverá ser retirada do total de UPs consideradas em desacordo; caso tenha ocorrido descumprimento do PPB, considerado na autuação, é evidente que não poderia ter ultrapassado a quantidade de 7.490 UDPs; por fim, requer a reforma da decisão, para deferir o ressarcimento e compensação, ou, ao menos, o sobrestamento do presente processo até o final julgamento administrativo da impugnação ao auto de infração 0510500/00408/0. A DRJ de Ilheús indeferiu o pedido de ressarcimento, não homologando a compensação pretendida e ressaltou que o crédito tributário, exigido mediante auto de infração, processo n. 10508000703/200765, foi mantido integralmente no julgamento realizado na 4 Turma, conforme Acórdão 1514.081, de 30/10/2007, e, provido parcialmente no julgamento, do recurso interposto pelo contribuinte, realizado na Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, acórdão 20219111, de 02/07/2008. Frisou ainda que após julgamento do referido processo, remanesce débito de IPI a ser exigido no citado auto de infração, inexistindo, portanto saldo credor passível de ressarcimento. Fl. 3DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1220.14456.UE3M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10508.900056/200611 Resolução n.º 380300.065 S3TE03 Fl. 4 4 Em Recurso Voluntário, a contribuinte reitera os termos de sua impugnação, destacando que a premissa maior considerada pela fiscalização para afastar o benefício fiscal foi a suposta não conformidade com o processo produtivo básico, estabelecido em portaria conjunta dos Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia e que essa não conformidade decorreu da utilização de placas de memória e placas mãe importadas. Alega também que a pura e simples utilização de componentes importados não tem o condão de caracterizar o descumprimento do PPB, eis que dependeria da existência ou inexistência de outras circunstâncias. E mais, o atendimento ao PPB não se mede por essa ou aquela operação, mas pela caracterização da efetiva industrialização de determinado produto. O que afastaria o benefício fiscal seria a utilização de peças importadas em desacordo com PPB. Segue alegando que a fiscalização usurpou as atribuições do MCT, baseandose em premissa cujo o fato se submete, por expressa previsão legal, ao julgamento de outro órgão administrativo. Continua asseverando que a RFB não teria condições de julgar se havia ou não insuficiência no fornecimento de placas de memória e placas mãe pelos fabricantes nacionais, insuficiência essa causada porque só no final de 2001 se condicionou o gozo do benefício à utilização de peças nacionais, gerando demanda maior que a oferta. Prolongase alegando que a RFB não teria condições da saber acerca da existência de fatores técnicos ou econômicos aptos a alterarem ou suspenderem determinada previsão no PPB, considerandose que não há exigência, para gozo do benefício, de prévia declaração da existência desses fatores. Junta relatório demonstrativo do cumprimento das obrigações decorrentes da fruição dos benefícios das leis 8248/91, 10176/2001 e do decreto 3.800/2001 para o ano de 2002, e que, em referido relatório nenhum descumprimento do PPB é apontado, muito menos irregularidades na origem dos insumos utilizados. Portanto, o órgão a quem incumbe a fiscalização do descumprimento do PPB não registrou qualquer irregularidade. Encerra suas razões novamente alegando haver erro no cálculo da utilização de placas mãe e de memórias nacionais e importadas, pleiteando o reconhecimento do limite de 10% de placas importadas. No pedido, requer o provimento do Recurso para se homologar a compensação requerida, ou para se determinar o sobrestamento do presente processo até o final julgamento administrativo da impugnação apresentada no auto de infração n.º 0510500/00408/0. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, e dele conheço. Fl. 4DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1220.14456.UE3M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10508.900056/200611 Resolução n.º 380300.065 S3TE03 Fl. 5 5 O presente processo trata de pedido de ressarcimento, referente ao crédito do IPI, decorrentes da aquisição de insumos utilizados na fabricação e bens de informática e automação, com fruição do benefício de isenção do IPI, de acordo com artigo 4 da Lei n. 8.248/91, e artigo 1 do Decreto n.3800 de 2001 na Portaria Interministerial n. 12 de 08/01/2002. A lei 7.232/84, que instituiu a Política Nacional de Informática, previu o implemento de benefícios fiscais, em favor de empresas nacionais, objetivando o desenvolvimento da atividade no país. Posteriormente, a lei 8191/91, instituiu a isenção de IPI. Art. 1º Fica instituída isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aos equipamentos , máquinas, aparelhos e instrumentos novos, inclusive aos de automação industrial e de processamento de dados, importados ou de fabricação nacional, bem como respectivos acessórios, sobressalentes e ferramentas, até 31 de março de 1993. Por sua vez, a lei 8.248/91, alterada pelas leis 10.176/2001 e 11.077/2004, tratou de definir a forma e os prazos para a fruição dos benefícios fiscais criados pela lei 8.191/91. Art. 4o As empresas de desenvolvimento ou produção de bens e serviços de informática e automação que investirem em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação farão jus aos benefícios de que trata a Lei no 8.191, de 11 de junho de 1991. (Redação dada pela Lei nº 10.176, de 11.1.2001) (Regulamento) § 1o O Poder Executivo definirá a relação dos bens de que trata o § 1oC, respeitado o disposto no art. 16A desta Lei, a ser apresentada no prazo de trinta dias, contado da publicação desta Lei, com base em proposta conjunta dos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Ciência e Tecnologia e da Integração Nacional. (Redação dada pela Lei nº 10.176, de 11.1.2001) § 1oA. O benefício de isenção estendese até 31 de dezembro de 2000 e, a partir dessa data, fica convertido em redução do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, observados os seguintes percentuais: (Parágrafo incluído pela Lei nº 10.176, de 11.1.2001) ) § 1oC. Os benefícios incidirão somente sobre os bens de informática e automação produzidos de acordo com processo produtivo básico definido pelo Poder Executivo, condicionados à apresentação de proposta de projeto ao Ministério da Ciência e Tecnologia. (Parágrafo incluído pela Lei nº 10.176, de 11.1.2001) Art. 9o Na hipótese do não cumprimento das exigências desta Lei, ou da não aprovação dos relatórios referidos no § 9o do art. 11 desta Lei, poderá ser suspensa a concessão do benefício, sem prejuízo do ressarcimento dos benefícios anteriormente usufruídos, atualizados e acrescidos de multas pecuniárias aplicáveis aos débitos fiscais relativos aos tributos da mesma natureza. (Redação dada pela Lei nº 10.176, de 11.1.2001) (Regulamento) O decreto 3.800/2001, que regulamentou os arts. 4º, 9º e 11 da lei 8.248/91, e os arts. 8º e 11 da lei 10.176/2001, atribuiu ao beneficiário da isenção diversas condições para fruição do benefício, sem prejuízo do ressarcimento dos benefícios usufruídos, conforme legislação de regência, nos termos da portaria interministerial MCT/MDIC/MF n.º 12 de 08/01/2002. Fl. 5DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1220.14456.UE3M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10508.900056/200611 Resolução n.º 380300.065 S3TE03 Fl. 6 6 Art. 1º As empresas de desenvolvimento ou produção de bens e serviços de informática e automação, que investirem em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, farão jus aos seguintes benefícios fiscais relativos ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI incidentes sobre os bens de que trata o § 1º deste artigo, desde que atendidos os requisitos estabelecidos neste Decreto: I nas regiões de influência da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE e da região CentroOeste, mediante projetos aprovados a partir de 12 de janeiro de 2001: a) isenção até 31 de dezembro de 2003; § 1º Os benefícios fiscais somente incidirão sobre os bens de informática e automação de que tratam os §§ 1º C e 1º do art. 4º da Lei nº 8.248, 23 de outubro de 1991, que sejam produzidos no País e que estejam em conformidade com o Processo Produtivo Básico PPB estabelecido em portaria conjunta dos Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia. Art. 3º PPB é o conjunto mínimo de operações, no estabelecimento fabril, que caracteriza a efetiva industrialização de determinado produto.. Portaria Interministerial MCT/MICT n.º 101 de 07/04/93 OS MINISTROS DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR e DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA, no uso das atribuições que lhes confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal, e tendo em vista o disposto no § 2º do art. 4º da Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, bem como os artigos 3º e 4º do Decreto nº 3.800, de 20 de abril de 2001 e no Decreto nº 3.801, de 20 de abril de 2001, resolvem: Art. 1º Estabelecer que, para os efeitos do disposto no art. 4º da Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, os bens de informática e automação, produzidos no País, possuem valor agregado local se atenderem o seguinte processo produtivo: a) montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso; b) montagem das partes elétricas e mecânicas, totalmente desagregadas, em nível básico de componentes; c) integração das placas de circuito impresso e das partes elétricas e mecânicas na formação do produto final, montadas de acordo com os itens "a" e "b" acima; d) gestão da qualidade e produtividade do processo e do produto final, envolvendo, inicialmente, a inspeção de matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, o controle estatístico do processo, os ensaios e medições e a qualidade do produto final, ressalvado o atendimento ao disposto no art. 2º desta Portaria. Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n.º 12 de 08.01.2002 Fl. 6DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1220.14456.UE3M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10508.900056/200611 Resolução n.º 380300.065 S3TE03 Fl. 7 7 OS MINISTROS DE ESTADO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA, DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR e DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhes confere o art. 2º do Decreto 3.800/2001, e considerando o que consta no processo MCT n.º 01200.004071/2001 de 02 de agosto de 2001, resolvem: Art. 1º Habilitar a empresa BITSHOP Indústria, Comércio, Exportação e Importação LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 42.034.777/000389 à fruição dos benefícios fiscais referidos no art. 1º do decreto 3.800/2001, quando da fabricação do seguinte bem: Unidade de Processador Digital de pequena capacidade, baseada em microprocessador. Art. 4º Esta habilitação poderá ser suspensa, a qualquer tempo, sem prejuízo do ressarcimento previsto no art. 9º da Lei 8.248/91, caso a empresa beneficiária deixe de atender ou de cumprir qualquer das condições estabelecidas no Decreto 3.800 de 2001. Dos dispositivos mencionados, percebese que o benefício fiscal trata da isenção de IPI a ser usufruída desde que cumpridas diversas condições, destacandose a exigência de que os bens de informática sejam produzidos no país e que estejam em conformidade com o processo produtivo básico. A fiscalização da execução dos PPB, a suspensão e o cancelamento dos benefícios são atribuições dos referidos Ministérios, mas não são necessariamente atos prévios e imprescindíveis à exigência do imposto, haja vista que em nenhum momento a legislação impõe restrições à ação do fisco. Aliás, é de se ressaltar que o decreto 3.800/2001, que tratou da competência para o acompanhamento e a avaliação do cumprimento das obrigações decorrentes do benefício, prevê que a competência do MCT não prejudica as atribuições de outros órgão da administração pública. Art. 24. Compete ao Ministério da Ciência e Tecnologia, sem prejuízo das atribuições de outros órgãos da Administração Pública, realizar o acompanhamento e a avaliação da execução da Política de Capacitação e Competitividade do Setor de Tecnologia da Informação, da fruição dos incentivos daí decorrentes, da utilização dos recursos do FNDCT, bem como fiscalizar o cumprimento das demais obrigações estabelecidas neste Decreto. Não obstante a isenção ter sido concedida por portaria conjunta do MCT e do MF, compete a RFB fiscalizar e constituir o crédito tributário no caso de descumprimento dos requisitos a que se obrigou o beneficiário, competência que tem fundamento em lei, de forma que pode ser afastada por norma de hierarquia inferior. Portanto, mesmo que o MCT permanecesse inerte frente ao dever de acompanhar o cumprimento das obrigações impostas ao beneficiário, ainda assim remanesceria incólume a competência da RFB quanto aos reflexos tributários que decorressem do inadimplemento. Dessa forma, não qualquer vício que gere nulidade, nem por incompetência da autoridade, tampouco por restrição à ação fiscal da RFB frente às atribuições do MCT, consoante restou demonstrado. A contribuinte alega que a oferta nacional de placas mãe e placas de memória durante o ano de 2002 era restrita e não pôde atender a demanda, fato este que obrigou as Fl. 7DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1220.14456.UE3M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10508.900056/200611 Resolução n.º 380300.065 S3TE03 Fl. 8 8 empresas fabricantes de produtos de informática a importar referidos produtos. Afirma que nessa situação existe permissão legal constante na Portaria MICE/MCT n.º 48 de 2000, que assim dispõe: OS MINISTROS DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR e DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA, no uso das atribuições que lhes confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal, tendo em vista o disposto no art. 4o da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, e no art. 6o, § 1o, do Decreto no 792, de 2 de abril de 1993, resolvem: Art. 1o Fica estabelecido que a operação mencionada na alínea "a" do art. 1o da Portaria Interministerial MCT/MICT no 101, de 7 de abril de 1993, para as UNIDADES DIGITAIS DE PROCESSAMENTO MONTADAS EM UM MESMO CORPO OU GABINETE (NCM/TIPI: 8471.41 e 8471.50), ficará atendida se for realizada no País a montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso, que implementem as seguintes funções: I processamento central; II memória; III controle dos periféricos (teclado e monitor de vídeo); IV controle das unidades de discos magnéticos rígidos e flexíveis; V interfaces de comunicação do tipo serial, paralela, rede local, emulação de terminais e faxmodem. § 1o Para o cumprimento do disposto no caput deste artigo, ficam temporariamente dispensados da montagem local os seguintes itens: I microprocessador montado em placa com barramento de conexão à placa mãe com mais de duzentas vias, acondicionado ou não em cartucho; II até 31 de dezembro de 2003, circuito impresso montado com componentes elétricos ou eletrônicos, até o limite anual de dez por cento, em quantidade, das unidades digitais de processamento, produzidas anualmente, de acordo com o disposto nas Portarias Interministeriais MCT/MICT no 101/93 e no 131, de 13 de maio de 1993. § 2o O limite a que se refere o inciso II do § 1o deste artigo não poderá ser utilizado para a importação de placas de circuito impresso montadas que implementem a função de processamento central, exceto no caso de placas multiprocessadas destinadas à produção de unidades digitais de processamento, desde que estas unidades venham a utilizar placas de circuito impresso montadas, que implementem a função de memória, ou gabinetes ou fontes de alimentação, produzidos no País. Art. 2o A partir de 1o de janeiro de 2001, para fazer jus ao percentual de placas de circuito impresso montadas, previsto no inciso II do § 1o do art. 1o desta Portaria, as unidades digitais de processamento produzidas de acordo com o disposto nas Portarias Fl. 8DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1220.14456.UE3M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10508.900056/200611 Resolução n.º 380300.065 S3TE03 Fl. 9 9 Interministeriais MCT/MICT nos 101 e 131, de 1993, deverão cumprir uma das condições abaixo: I – utilizar, no mínimo, vinte por cento de circuitos impressos produzidos no País; II – utilizar, no mínimo, vinte por cento de gabinetes produzidos no País; III – utilizar, no mínimo, vinte por cento de fontes de alimentação produzidas no País. § 1o Os limites mínimos indicados nos incisos deste artigo deverão ser de trinta por cento a partir de 1o de janeiro de 2002 e de cinqüenta por cento a partir de 1o de janeiro de 2003. § 2o Os percentuais mínimos previstos nos incisos e no § 1o deste artigo poderão ser cumpridos mediante a combinação de duas ou das três condições descritas. Notase pelos dispositivos invocados pela recorrente, criam condições alternativas com o intuito de viabilizar o início ou a continuidade operacional das indústrias do setor de informática que tivessem dificuldade de desenvolver suas atividades dentro das condições estabelecidas pela legislação vigente. É importante ressaltar que a contribuinte, mesmo intimada pela fiscalização, não apresentou os relatórios demonstrativos do cumprimento do PPB, portanto suas alegações carecem de maior embasamento para serem consideradas no julgamento do mérito. A fiscalização também apurou a montagem de 11.187 UDPs, sendo utilizadas 5.854 placas mãe e 2.578 placas de memória montadas no país. Considerandose a quantidade de placas mãe montadas, a fiscalização efetuou o lançamento referente à saída, sem tributação de IPI, de 5.333 unidades de UDP montadas com a utilização de placas mãe importadas, logo, em desacordo com o processo produtivo básico. Quanto às placas de memória, a contribuinte considerou que 2.578 placas de memória montadas no país foram utilizadas nas UDPs montadas, simultaneamente, com placas mãe importadas, fato este que implica a perda do benefício fiscal da isenção do IPI, pois basta a instalação de 1 tipo de placa fora das especificações ´revistas na legislação para que a montagem esteja em desacordo com o PPB. Por fim, quanto a solicitação do contribuinte, que vincula a solução deste processo à decisão final no processo administrativo n.º 10508.000703/200765, inexiste previsão legal para tal procedimento. A própria RFB já estabeleceu a impossibilidade de aproveitamento de créditos vinculados a processo judicial ou administrativo com exigência de crédito tributário do IPI, em discussão na esfera administrativa, e não definitivamente julgado, conforme instrução normativa n.º 600 de 28/12/2005. Art. 20. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e Fl. 9DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1220.14456.UE3M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10508.900056/200611 Resolução n.º 380300.065 S3TE03 Fl. 10 10 exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Destaquese ainda, a impossibilidade de sobrestar o presente processo até que seja proferida decisão definitiva nos autos 10508.000703/200765, porque o processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Além disso, o próprio CTN remete para a lei ou ato administrativo a definição das condições para autorizar a compensação de créditos tributários, conforme arts. 170 e 170 A, in verbis: Art. 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Logo, se nem mesmo a contestação judicial de um tributo tem condão de tornar o crédito líquido e certo para fins de compensação, tanto menos a contestação administrativa no âmbito do processo 10508.000703/200765. Por fim, deve ressaltar que o crédito tributário, exigido mediante o auto de infração, processo n. 10508000703/200765, foi mantido integralmente na DRJ e provido parcialmente neste Conselho. Vale frisar que , após julgamento do referido processo, remanesce débito de IPI a ser exigido no citado auto de infração, inexistindo, saldo credor passível de ressarcimento. Diante ao exposto voto por NEGAR PROVIMENTO a pretensão aduzida no recurso voluntário. Carlos Henrique Martins de Lima, Fl. 10DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1220.14456.UE3M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CARLOS HENRIQUE MARTINS DE LIMA em 10/03/2011 16:42:00. Documento autenticado digitalmente por CARLOS HENRIQUE MARTINS DE LIMA em 10/03/2011. Documento assinado digitalmente por: CARLOS HENRIQUE MARTINS DE LIMA em 10/03/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 16/12/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP16.1220.14456.UE3M Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 83D033D42FFB4B39786AA964B947239DCD802305 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10508.900056/2006-11. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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