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O 3 O Recurso n 'RP/3 02-0.214 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido SEGUNDA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: CIA. DE NAVEGAÇÃO LLOYD BRASILEIRO Aduaneiro. Falta de mercadoria impor- tada: responde o transportador, se não provar força maior. Cláusula apos ta ao conhecimento (FIOS - "free in and out stowed"), excludente daquela responsabilidade, não sendo ,prevista na legislação pertinente, é mera con- venção privada, inoponlvel ao Fisco (art. 123 do COdigo Tributãrio Nacio- nal). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- cais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial para de , clarar que a cláusula "FIOS" não exclui a responsabilidade do transpor tador, determinando-se a devolução dos autos â Câmara recorrida para conhecer da QV„-La matéria de merito. Vencido o Cons. Paulo César de A- 4--/ ) vila e SilvMi A n/_ e, - / Sala das Sess6es'(,DF) em 18 de março de 1983. /// -::/ -----------• ) / r-- -- fr Aum. - A1WOR owie ew-L(RNANDE2- - PRESIDENTE Y / - -;'''.--,?=- ---_,--- • ' -- .-- ' - )'.A. - DE - ÁLMEIãA '-- ' ---RELATOR -- v.v. A ) LUIZ Fr' ' NDO OLIVEIRA DE MORAES - PROCURADOR DA, FAZENDA NACIONAL U Participaram, ainda, do resente julgamento, os seguintes Conselhei ros: ENILA LEITE DE FREITAS CHAGAS, HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, SE- BASTIÃO RODRIGUES CABRAL, EDWALDO REIS DA SILVA e AGOSTINHO SERRANO DE ANDRADE (Suplente convocado). -s/.7.-- r çe :YlPilÂg SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N.9 0508/000.439/81-15 RECURSO N.° -RP/302-0.214 ACÓRDÃO N.e :CSREP/03-1.030 RECORRENTE :FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: SEGUNDA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: CIA. DE NAVEGAÇÃO LLOYD BRASILEIRO RELATÓRIO É o seguinte o voto vencedor no AcOrdão n9 28.789, proferido pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuin - tes no julgamento do Recurso n9 103.468, de Cia. de Navegação Lloyd Brasileiro, contra o qual se insurge o recurso especial: "Trata-se de falta de mercadoria transportada a granel em nível inferior aos 5% de tolerância ad mitida pela IN-SRF n9 12/76 para efeito de excluir 'a penalidade. Entendo, porem, que as razões que fundamentam a exclusão da multa justificam também a exclusão da obrigação de pagar imposto, por indevido, tendo em vista a presunção de caso fortuito ou força- -maior para as quebras na descarga de produtos transportados a granel. Alem disso, em face da cláusula FIO, sob a qual se fez o embarque, transporte e descarga do produto, dever-se-á entender que nenhuma interfe- rência teve o transportador nestas operações que foram executadas sob responsabilidade e os riscos do exportador e do importador. A cláusula FIO, no conhecimento de embarque, exclui, através de acor- do explícito entre as partes, a responsabilidade do transportador na eventualidade de faltas ou a- créscimos apurados em conferência final de manifes_ to." \ As raz8 do i ustre Procurador da Fazenda Nacio- nal recorrente são qued) 2 . L:- D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 ( \ \, , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0508/000.439/81-15 2. Acórdão n9-CSRF/03-1.030. n3. A decisão da Egrégia Câmara, para excluir a responsabilidade tributária, fundou-se em duas ale_ gaçoes da autuada, quais sejam: a) a inevitabilidade da quebra ou falta ate 5%, que teria sido reconhecida pela Instru _ ção Normativa S.R.F. n9 12/76; h) a cláusula FIO, que constava do contrato de transporte, e que isentava de responsa- bilidade o transportador. 4. Pouco teria a acrescer ao judicioso voto ven- cido, em anexo, do ilustre Conselheiro Edwaldo Reis da Silva. 5. Com efeito, o limite fixado para a aplicação da multa, prevista na alínea "d" do inciso II do art. 106 do Dec.-lei 37/66 jamais pode ter o efei- to de estabelecer, através de norma meramente com- plementar, uma hipótese de exclusão total de res- ponsabilidade, alem daquela já fixada, e atingindo o próprio tributo. 6. É antigo princípio de exegese que as normas de exceção merecem interpretação restrita. 7. O Código Tributário Nacional incorporou a seu texto este princípio, em várias normas. 8. Diz, por exemplo, em seu art. 99, que o con- teúdo e alcance dos decretos restringem-se aos da lei em função das quais sejam expedidas. 9. Este dispositivo vale também para as normas complementares, com relação às normas complementa- das... 10. O mandamento citado completa-se com a norma de interpretação do art. 111: "Art. 111: Interpreta-se literalmente a legis lação tributária sobre: I - suspensão ou exclusão do credito tribu_ -bário". 11. A desmesurada extensão que se deu à I.N. 12/ /76 não tem, pois, "data venia", a menor razão de ser. 12. Quanto à aplicação da condição FIO, para ex- cluir a responsabilidade tributária, foi feita em colisão frontal com a lei. 13. As convençaes particulares, di-lo claramente o art. 123 do CTN, não podem ser opostas à Fazenda Pública. 14. No que diz xespeito ao Fisco, a cláusula FIO-.. ou qualquer outat: condiço$ do transporte é "res in ter alios acta'///) / ,_ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0508/000.439/81-15 3. Acórdão n9-CSRF/03-1.030. 15. Significativamente, a jurisprudência anexada é de processo judicial entre particulares. 16. A obrigação de suportar tributos ou penalida- des,assumida por uma das partes, e liquidada entre elas, não interferindo a Fazenda na execução de tais avenças. 17. A propósito, vale citar BALEEIRO, em sua lição sempre clara ("Direito Tributário Brasileiro", pág. 415): "INEFICÁCIA DE CONVENÇÕES PARTICULARES. Já os Romanos estatuiam: jus publicum privato- rum pactis mutari non potest, do fragmento de Papiniano (D. 2, 14, de pactis, 38). Ninguém se escusa às prestações decorrentes de obrigação tributária, indicando pacto celebrado para substituir-se por outrem. Nenhuma conven- ção entre particulares pode ser oposta ao Fis- co para modificar a definição do sujeito passi_ vo. Entenda-se: não se libera quem deva ser sujei- to passivo, porque outrem assumiu o encargo de prestar por ele o que a lei lhe impôs. As cláu_ sulas valem apenas entre as partes." 18. A lei atribui ao transportador a responsabili- dade sobre toda a mercadoria constante do manifesto, e conduzida a bordo, seja qual for a modalidade de acondicionamento de carga. 19. A falta que resultou de confrontação do mani- festo com os registros de descarga é sua responsabi lidade, salvo caso fortuito ou força maior. 20. É, portanto, este apelo para que prevaleça o entendimento do voto vencido, seja quanto à respon- sabilidade tributária, seja quanto à forma de cál- culo do debito, com a reforma da R. decisão recorri_ da, em boaJUSTIÇA!" O voto vencido merece transcrito na íntegra, não só porque a ele se reporta o recorrente como por seu próprio conteúdo: "Trata-se de falta de mercadoria a granel, apu rada em "conferência final de manifesto", nos ter- mos do art. 39, § 19, do Decreto-lei n9 37/66, e do Decreto n9 63.431/68, que regulamenta a materia,não sendo, porta to, caso de realização de "vistoria aduaneira",// 7 :onfo 4=- , pretende a interessada e ora recorrente i ,— ' . -A \ // __, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0508/000.439/81-15 4. Acórdão n9-CSRF/03-1.030. Por outro lado, não há nos autos prova da ocor rência de caso fortuito ou força maior, carecendo portanto de base a alegação da interessada, nesse sentido. Quanto ao argumento de que o transporte, no ca so, foi contratado sob a condição "FIOS" ("free and out stowed"), rejeito-o de plano, por falta de amparo legal. Com efeito, nos termos da legislação específica, "o conhecimento de frete original, emi- tido por empresas de transporte por água, terra ou ar, prova o recebimento da mercadoria e a obrigação de entregá-1a no lugar do destino, reputando-se não escrita qualquer cláusula restritiva ou modificati- va dessa prova ou obrigação" (Decreto n9 19.473, de 10/12/30, com as alterações feitas pelo Decreto n9 19.754, de 18/03/31). Referida condição, aposta no conhecimento marí timo, é, pois, inteiramente inoperante para alterai.- a definição do sujeito passivo, como bem salientou a decisão recorrida. É convenção particular, que não interfere com a responsabilidade fiscal do transportador. Como tal, não pode ser oposta à Fa- zenda Pública,para o fim que se pretende, consoante o princípio taxativamente inscrito no art. 123 do Código Tributário Nacional, nos seguintes termos: "Art. 123. Salvo disposição de lei em con- trário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes". No presente caso -- falta ou extravio de merca dona estrangeira, apurado em conferência final de" manifesto -- a responsabilidade tributária do trans portador dimana claramente do disposto no parágra-1 fo único do art. 60 do Decreto-lei n9 37/66, "ver- bis": "Parágrafo único. O dano ou avaria e o ex- travio serão apurados em processo, na forma que prescrever o regulamento, cabendo ao res- ponsãvel, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do va- lor dos tributos que, em conseqüência, deixa- ram de ser recolhidos". E o respectivo regulamento, baixado com o De- creto n9 63.431/68, prevê expressamente, como única circunstância eximente da r9ponsabi1idade do trans portador, a prova de casoFirtuit/Y u força maior- (art. 22, parágrafo único)/ , // i SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0508/000.439/81-15 5. „ Acórdão n9-CSRF/03-1.030. „ „,,,, Quanto ã alegada inevitabilidade da perda no transporte de granel, cumpre esclarecer que a Ins- trução Normativa do S.R.F. n9 12/76, ao admití-la ,, ate o limite de 5% (cinco por cento) do total mani- festado, teve por objetivo único excluir a responsa , bilidade do transportador para efeito de aplicação da multa prevista no artigo 106, inciso II, alínea "d", do Decreto-lei n9 37/66. Deve, portanto, esse ato administrativo ser entendido nessa perspectiva, sem que nele se possa vislumbrar outro alcance, co- mo, por exemplo, o de eximir da responsabilidade pe lo tributo devido. Vale acentuar, ainda, o fato de se tratar, no caso, de "despacho antecipado", sendo a respectiva apuração feita posteriormente. No tocante â cobrança do tributo, em decorrên- cia da falta de mercadoria manifestada, trata-se de mataria disciplinada no parágrafo único do art. 23 do citado Decreto-lei n9 37/66, expressamente rela- cionado ao parágrafo único do art. 19 do mesmo di- ploma legal, com respaldo ainda nos arts. 97 (inci- , sos III e IV), 114, 116 (inciso I) e 143, da Lei n9 5.172/66 (Código Tributário Nacional). A espécie sob julgamento enquadra-se plenamente na primeira das alternativas do supracitado parágrafo único do art. 23, quando dispõe que a mercadoria ficará su- jeita aos tributos vigorantes na data em que a auto_ ridade aduaneira apurar a falta. Isto posto, como a apuração foi concluída em 23/11/81 (doc. de fl. 1), sendo cobrado o tributo vigorante naquela data, nos termos do parágrafo Uni co do art. 23 do DAre: lei n9 37/66, nego provi= , „„,,, mento ao recurso.i/ 4 Y4p , ''l Não foram apresentaes contra-razOes , :. , É o relatório. /\:, 'S\ \<K \\ , : ,, ' , , : _ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0508/000.439/81-15 6. Acórdão n9-CSRF/03-1.030. VOTO _ Conselheiro PAULO DE ALMEIDA, Relator: Tanto o voto vencido transcrito como o recurso espe- cial focalizaram adequadamente os pontos essenciais da decisão recor rida, isto e, quer no que se refere à responsabilidade pelo extra- vio, quer quanto à data de referência para o cálculo das exigências fiscais decorrentes. Efetivamente, a legislação pertinente não prevê, não se podendo portanto admitir, a exclusão da responsabilidade do trans portador, por motivo de cláusula nesse sentido constante do conheci- mento. Não tendo previsão legal, tal cláusula passa a ser convenção privada inoponível ao Fisco (art. 123 do CTN), como bem e exaustivamente exposto no voto vencido de fls. 74/75. Dou provimento, portanto,devendb, porem, o processo ser devolvido à Câmara recorrida para que seja decidida a parte do re- curso relativa à data de referência para o cálculo do tribut Brasília (DF) em 18 de março de 1983. /) , „j. PALMO"' E A<ÉEIDA /-:-RELATOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 13705.000933/88-16
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PIS/DEDUÇÀO - DECORRÊNCP\ - A soluçào da da ao litígio principal, relativo ao irj posto de renda pessoa jurídica, estende- -se ao decorrente, relativo à contribui- çào ao PIS/DEDUÇÀO. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos ter- mos do relatOrio e voto que passam a integrar o presente julgado.Ven eido o Conselheiro Sebastiào Rodrigues Cabral, que negava provimen- to ao recurso. S. . ..as SessOes (DF), em 17 de junho de 1993. - MAM , '1.7"-' - PRESIDENTE -r,or RODRIGU EUBER - RELATOR v.v. VISTOS EM fá147FEIÚ4ANDO OLIVEIRkDE , MORAES - PROCURADOR DA FAZENDA SESSÀO DE: i NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os Seguintes Conselheiros: IRINEU SIMIANER, WALDEVAM ALVES DE OLIVEIRA, VICTOR LUIZ DE SÁ FREIRE (Suplente Convocado), LEILA MARIA SCHERRER LEITÀO, AFONSO CELSO DE MA- TOS LOURENÇO, RAFAEL GARCIA CALDERON BARR4NCO, DICLER DE ASSUNÇÃO, JACK SON GUEDES FERREIRA e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. Ausentes justificadame -n- te os Conselheiros PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR, CARLOS WAL- BERTO CHAVES ROSAS, AQUILES RODRIGUES DE OLIVEIRA. i"áig of ,, , 11_ : , ' , , , ,, , , , ! , ,, , „ ,, , „ ,,,,, , , 1, ,, C , , ,, , , ,, 1„, , , , „ ,, „, , , (.: .,W._„.. . ;it'ii4ç.4‘' k - arf . SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO ii? 13705/000,938/88-16 • ' __. RECURSO N9: RP/105-0.234 ( ACORDÃO N9: CSRF/01-1.534 ., . RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: MINERAÇÀO SERRAS DO SUL LTDA. NEL,Tó•IO \ , A Procuradoria da Fazenda Nacional junto à Egregia. Quinta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes recorre à Cama- I ra Superior de Recursos Fiscais, com fulcro no art. 3 2 , inciso I, do Decreto n 2 83.304, de 28.03.79, pleiteando a reforma do AcOrdào n2 105-5,123, de 22.11.90, atrave"..s do qual, por maioria de votos, deu- -se provimento parcial ao recurso voluntario n 2 59.651, interposto por MINERAÇÀO SERRAS DO SIA:LTDA. , contra a decisão do Senhor Delega i do da Receita Federal no Rio de Janeiro - RJ. Trata-se de exigncia de PIS/DEDUÇÀO dó imposto de renda pessoa jurídica; procedimento reflexo de outro processo instau ! rado contra a contribuinte, onde se discute glosa de despesa de cor- , reçao monetaria de adiantamentó$para futuro aumento de capital, inde _ ! vidamente classificados no patrimõnio líquido, cujo recurso voluntà- ! !rio, n 2 97.214, julgado pela mesma Camara, na assentada de 20.11.90, ! ! AcOrdào n 2 105-5.026, foi parcialmente provido, e, de igual forma, ! !, objeto de recurso para esta Câmara SuperiOr. , ! . ! Como razões de discordancia do acOrdão recorrido, o ilustre Procurador aa'Fazenda Nacional reportollise aos fundamentos dell.. 'NA recurso especial interposto no processo matriz, ano por copia,f1s. I 1 ‘... J. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processa n2- 13705/000.933/88-16 3. AcOrdào n 2 CSRF/01-1.534 55/56 dos autos. , Recurso especial admitido, segundo despacho do en- tào Presidente da Quinta Câmara, fls. 60. Regularmente cientificada, fls. 63 e verso, a con4 , , tribuinte, dentro do prazo regimental, ofertou contra-razóes iden- ticas às aPresentadas no processo matriz, fls. 65/71, refutando o recurso especial para, ao final, pedir seja negado provimento ao apelo, a bem do direito e como significativa homenagem à justiça. 4 1 10 É o relatOrio. , , 1 , - i , 1 1 , 1 • I ! SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n 2 13705/000.933/88-16 4. AcOrdào n 2 CSRF/01-1.534 Ve TO Conselheiro aNDIDO RODRIGUES NEUBER, Relator: Presentes os pressuposos legais de admissibilidade do recurso especial, dele tomo conhecimento. A presente exigencia deriva de outro lançamento le vado a efeito contra a contribuinte, processo n 2 13705.000932/88-45. Esta Camara Superior de Recursos Fiscais, ao jul- gar o recurso especial interposto no referido processo, deu-lhe pro vimento para restabelecer a tributaçào sobre a verba corresponden- te a glossa de despesa de carrega() monetaria de adiantamentos para futuro aumento de capital, indevidamente classificados no patrimo- nio líquido, objeto da lide, consoante AcOrdào n 2 CSRF/01-1.533,de 17.06.93, assim ementado: "IRPJ - CORREÇÃO MONETÁRIA - Adiantamentospa ra futuro aupento de capital devem ser manti dos fora do patrimonio liquido, por serem= siderados obrigações para terceiros„podendosji exigidos, pelds titularea enquanto ..c) aumentb.: na- o se concretizar. Somente apOs efetivamente aumen tado o capitai, mediante arquivamento da teraçào contratual na Junta Comercial, admi- mite-se a sua correçào monetária. Recurso especial provido." Por se tratarde lançamento reflexo, o decidido no processo matriz aplica-se a este processo decorrente, face à inti- ma relaçao de causa e efeito entre eles existente - 4- • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n 2 13705/000.933/88-16 5. Accirdào n 2 CSRF/01-1 .534 Voto no sentido de dar provimento ao recurso e_spe cial em consonância com o decidido no processo matriz. Brasilia-DF, em 17 de julho de 1993. CA- 0 i4 RODR - UBER - RE7 E I I Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.007993/2003-69
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
PIS. GLOSA DE COMPENSAÇÃO.
Deve ser anulado o auto de infração que glosou compensação, decorrente de pagamento a maior de PIS, em função da inconstitucionalidade dos Decretos-lei nº 2.445 e 2.449 de 1988, reconhecida em processo judicial transitado em julgado, o qual determinou que o recolhimento se efetuasse com base na Lei Complementar nº 07/1970.
NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 08/2006. FORÇA VINCULANTE. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15.
Até fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento (Primeira Seção do STJ, Respe nº 144.708-RS e Súmula CARF Nº 15), sendo a alíquota de 0,75%.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-000.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Thiago Moura de Albuquerque Alves .
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998 PIS. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. Deve ser anulado o auto de infração que glosou compensação, decorrente de pagamento a maior de PIS, em função da inconstitucionalidade dos Decretos-lei nº 2.445 e 2.449 de 1988, reconhecida em processo judicial transitado em julgado, o qual determinou que o recolhimento se efetuasse com base na Lei Complementar nº 07/1970. NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 08/2006. FORÇA VINCULANTE. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15. Até fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento (Primeira Seção do STJ, Respe nº 144.708-RS e Súmula CARF Nº 15), sendo a alíquota de 0,75%. Recurso voluntário provido.
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GLOSA DE COMPENSAÇÃO. Deve ser anulado o auto de infração que glosou compensação, decorrente de pagamento a maior de PIS, em função da inconstitucionalidade dos Decretos lei nº 2.445 e 2.449 de 1988, reconhecida em processo judicial transitado em julgado, o qual determinou que o recolhimento se efetuasse com base na Lei Complementar nº 07/1970. NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 08/2006. FORÇA VINCULANTE. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15. Até fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento (Primeira Seção do STJ, Respe nº 144.708RS e Súmula CARF Nº 15), sendo a alíquota de 0,75%. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Irene Souza da Trindade Torres – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 79 93 /2 00 3- 69 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 (assinado digitalmente) Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Thiago Moura de Albuquerque Alves . Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração n° 0006915 as fls. 56/67, decorrente de auditoria interna nas DCTF do anocalendário de 1998, em que são exigidos, para os períodos de apuração de janeiro a dezembro de 1998, os seguintes valores: R$ 19.130,00, a título de Contribuição para o PIS; e R$ 14.347,50, a titulo de multa de lançamento de oficio de 75%, além dos encargos legais. O lançamento sob julgamento foi consequência da nãocomprovação, pelo contribuinte, da existência do Processo judicial n.° 97.00124380, que estaria autorizando a compensação declarada na DCTF. Cientificada da autuação, a ora Recorrente apresentou impugnação (fl. 01), defendendo que o auto de infração era indevido, tendo sido os autos remetidos para o julgamento da DRJ/CTA – Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba. Antes, porém de julgar a impugnação, este processo foi devolvido à DRF/CTA (despacho de fls. 127/128), no sentido de carrear aos autos informações acerca de fatos correlacionados com a matéria que motivou o lançamento. Em atendimento, a Eqcaj/Secat/DRF/CTA juntou, as fls. 173/175, informação atestando a existência da ação judicial indicada na DCTF, na qual há decisão transitada em julgado (em 01/03/2001, fl. 130) julgando ser indevido o PIS recolhido na forma dos Decretos Leis n.° 2.445 e n.° 2.449, ambos de 1988, o qual poderia ser compensado com os valores devidos a este título nos moldes da Lei Complementar n.° 07, de 1970 (fls. 101/107); aquela autoridade, ainda, valendose do Ato Declaratório PGFN n.° OS, de 2006, e após confirmar os pagamentos feitos pela interessada, além de conferir e confirmar os cálculos feitos pela contribuinte, elaborou os documentos de fls. 136/172, demonstrando que haveria créditos suficientes para amortizar os débitos do PIS objeto do auto de infração. Depois de novo envio do processo à DRF/CTA (fls. 176/177) para que procedesse aos cálculos sem levar em conta a tese da semestralidade, posto que tal matéria não teria sido objeto de pronunciamento na ação judicial indicada na DCTF, aquele órgão emitiu o despacho de fls. 182/184, no qual expõe o entendimento, com base na Nota PGFN/CRJ n.° 489, de 2007, de que o precitado AD PGFN n.° 08, de 2006, teria efeito vinculante para toda a Receita Federai do Brasil, pelo que não caberia prosseguir no lançamento. A despeito dessas informações trazidas pela DRF/CTA, no julgamento da impugnação, a DRJ/CTA julgou procedente o lançamento realizado. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.007993/200369 Acórdão n.º 3202000.676 S3C2T2 Fl. 271 3 Efetivamente, a DRJ/CTA refutou o argumento da autuada e da DRF/CTA, de que a ação judicial ou o AD PGFN n.° 08, de 2006, impediriam o lançamento, nos seguintes termos: Entretanto, em que pese o posicionamento da Eqcaj/Secat/DRF/CTA, o entendimento deste órgão julgador colegiado é diferente. Primeiramente, vejase o que dispõe o referido Ato Declaratório PGFN n.° 08, de 2006, in verbis: [...] No caso a constituição do auto de infração não decorreu da apuração do PIS em períodos de apuração sujeitos à Lei Complementar n.° 07, de 1970, posto que os períodos em litígio são regidos pela Lei n.° 9.715, de 1998, que resultou da conversão da Medida Provisória n.°1212, de 1.995, e suas reedições, conforme consta à fl. 59. Além disso, na ação judicial n.° 97.00124380, indicada nas DCTF relativas ao anocalendário de 1998, como autorizadora das compensações indicadas, não houve a discussão da tese da semestralidade da base de cálculo do PIS, ou seja, tal matéria não foi objeto de discussão e, portanto, de decisão judicial. Assim no dá para se falar na aplicação direta do AD PGFN n.°08, de 2006. Dessa forma, uma vez que na precitada ação judicial somente ficou assente a inconstitucionalidade dos precitados decretos leis de 1988, estando, em contrapartida, a interessada sujeita ao PIS com base na Lei Complementar n.° 07, de 1970, e alterações posteriores, a interpretação dada ao parágrafo único do art. 6° da referida Lei Complementar, uma vez que não foi objeto da discussão judicial, é aquela assente no âmbito administrativo, conforme, a seguir, se expõe. Tendo julgado inaplicável ao caso a ordem judicial e o AD PGFN n.° 08, de 2006, a DRJ/CTA reconheceu legalidade da base de cálculo do PIS, negando, por isso, o direito do contribuinte ao indébito que fora utilizado para compensar o PIS, lançado pela autoridade fiscal, com as seguintes palavras: Quanto à questão da "semestralidade" dos recolhimentos do PIS, que diz respeito à interpretação do parágrafo único do art. 60 da Lei Complementar n.° 07, de 1970, convém esclarecer o entendimento da Receita Federal do Brasil quanto a esse tema, posto que afeta diretamente a matéria de mérito aqui posta em discussão. Assim, para a correta compreensão da tese adotada pelos contribuintes no que se refere ao lapso temporal, há que se analisar a correta extensão do disposto no parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar n.° 7, de 1970, verbis:. [...] Fl. 272DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 Da análise de tal dispositivo, chegase à conclusão que não prospera a tese de que o fato gerador de um mês referese a uma base de cálculo do sexto mês anterior, uma vez que, ao estatuir que a efetivação do depósito no Fundo darseia a partir de I° de julho de 1971, com base no faturamento de janeiro, e assim sucessivamente nos meses seguintes, estava se estipulando, simplesmente, o prazo para recolhimento da contribuição referente ao fato gerador do mês de janeiro, e sucessivamente o dos meses posteriores. Numa interpretação ideológica, não se concebe que tenha tido o legislador a intenção de determinar que fosse a contribuição recolhida no mesmo mês caracterizado, pelos contribuintes, como de ocorrência do fato gerador. Não se concebe, também, a interpretação do parágrafo dissociada da do caput do artigo. Os arts. 114 e 116 do CFN que tratam da ocorrência do fato gerador estabelecem, verbis: [...] Dessa forma, sendo a contribuição para o PIS incidente sobre o faturarnento, tendo esse sido realizado, reputase ocorrido o seu fato gerador, haja vista que foram verificadas as condições necessárias e suficientes a sua ocorrência. Por conseguinte, como inexiste condição que subordine a ocorrência do fato gerador a evento futuro e incerto, conforme previsto no art. 117 do CTN, dentro dos próximos seis meses, não há como acatar a tese apresentada. Destarte, ao se reportar aos "depósitos", o caput do art. 6º da Lei Complementar n.° 7, de 1970, referese claramente a prazo de recolhimento, e interpretar as disposições do parágrafo único isoladamente, leva ao equívoco de entender ser o fato gerador de julho — base da contribuição a ser depositada no próprio mês de julho, segundo o caput — o faturamento de janeiro, o que não procede. [...] Posteriorrnente à Lei Complementar n.° 7, de 1970,0 prazo de recolhimento da contribuição ao PIS foi alterado pela Lei n.° 7.691, de 15 de dezembro de 1988, que em seu art. 3°, III, "h" determinou que o prazo de recolhimento da contribuição era até o dia dez do terceiro mês subseqüente ao da ocorrência do fato gerador. Destaquese que o legislador expressamente referiuse ao terceiro mês subseqüente ao fato gerador, o que infirma qualquer dúvida que o texto da Lei Complementar n.° 7, de 1970, poderia ter gerado a respeito do aspecto temporal da ocorrência do fato gerador da contribuição ao PIS. Ainda alterando o prazo de recolhimento do PIS encontramse: Lei n.° 7.799, de 10 de julho de 1989,art. 69,1V, "IP; Lei n.° 8.218, de 29 de agosto de 1991,art. 2°, IV; Lei n.° 8.383, de 30 de dezembro de 1991,art. 52, IV (e posterior redação dada pela Lei n.° 8.850, de 28 de janeiro de 1994); Lei n.° 9.069, de 29 de junho de 1995,art. 57 e Lei n.° 8.981, de 20 de janeiro de 1995,art. 83. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.007993/200369 Acórdão n.º 3202000.676 S3C2T2 Fl. 272 5 Devese ressaltar, ainda, que a declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis n's 2.445 e 2.449, de 1988, restabelecendo a cobrança da contribuição ao PIS segundo a sistemática da Lei Complementar n.° 07, de 1970, não elide a aplicação das demais normas legais existentes no ordenamento jurídico e compatíveis com a legislação restabelecida. [...] Importante também ressaltar que, uma vez que não prospera a tese de existência de lapso temporal entre a ocorrência do faturamento e respectivo fato gerador não procede também a tese de que, da contribuição devida, se deve expurgar a atualização monetária, pois essa ocorre sobre o valor devido de contribuição ao PIS em atendimento ao previsto legalmente. [...] Desse modo, sendo o prazo de seis meses a que se refere o art. 6º da Lei Complementar n.° 7, de 1970, o de recolhimento e tendo o mesmo sido alterado pela legislação superveniente, decorrendo a atualização monetária — da contribuição devida — de determinação legal, não procedendo, portanto, alegação contrária, tal corno feita na impugnação. Assim, inexistindo decisão judicial deferindo a tese da semestralidade da base de cálculo do PIS para a interessada, e uma vez que o alegado direito crediário que daria suporte às compensações indicadas nas DCTF vinculadas com o auto de infração (fls. 60/63) está estribado no reconhecimento de tal tese, a qual, como visto não é validada no âmbito administrativo, restaram sem suporte os valores indicados como crédito (que adviriam da suposta compensação) para extinguir os débitos de PIS dos períodos de apuração em litígio, tomando legítima a exigência do PIS feita por meio do auto de infração de fls. 56/67. Igualmente, o acórdão recorrido manteve a multa de ofício de 75% e a incidência de juros SELIC sobre os lançamentos impugnados. Observese: A impugnante contesta a cobrança da multa de oficio e dos juros de mora, alegando que por não haver base de cálculo do PIS, pelas razões expostas em sua impugnação, inexisti ria razão jurídica para a cobrança dessas parcelas. Assim, em relação à cobrança da multa de oficio, feita com base na legislação indicada ás fls. 59 c 64, dado que a situação fática verificada — nãorecolhimento do PIS —enquadrase na hipótese de incidência da norma, não há, em âmbito administrativo, possibilidade de se deferir pedido de sua exclusão, sendo, portanto, de se considerar correta a aplicação da multa de oficio. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 No tocante aos juros de mora, a impugnante contesta aspectos relativos à aplicação da taxa Selic, decorrentes, exclusivamente, de expressa previsão legal. [...] Dessa forma, não obstante as considerações expendidas em sentido contrário, uma vez que a legislação utilizada como base legal para a exigência dos juros de mora, em conformidade com o § 1º do art. 161 do CTN, dispôs de forma diversa, elegendo a taxa referencial Selic para títulos federais para o cálculo dos juros moratórios decorrentes, no caso, do inadimplemento do sujeito passivo no recolhimento do PIS, não pode ser acolhida a tese de ilegalidaddinconstitucionalidade, tampouco podem ser consideradas especulações quanto à sua natureza e forma de apuração. Por fim, quanto ao pedido de perícia, o acórdão o indeferiu, como se verifica do trecho abaixo: A interessada requereu pedido de perícia ((ls. 29 e 46), formulando quesitos à fl. 48, e informando que, posteriormente, indicaria perito para tal. Cabe destacar que o pedido de perícia, a teor do § I° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1° da Lei n° 8.748, de 09 de dezembro de 1993, considerase não formulado porquanto não atendidos os requisitos do inciso IV do mesmo art. 16, uma vez que, no caso, a interessada deixou de indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. Ademais, cabe observar que o pedido da interessada se mostra completamente desnecessário posto que os quesitos propostos, além de não demandarem a intervenção de perito, posto que não se trata de matéria que exija conhecimento técnico especifico, mas sim dizem respeito a questões de direito, que, em razão do que ficou assente no presente voto, já foram plenamente respondidas. Cientificada do acórdão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, defendendo a improcdência do auto de infração (fls.212 e ss.). O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator para apreciação do recurso na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Debatese, nos autos, o alcance de ordem judicial, proferida na Ação judicial n.° 97.00124380, e do Ato Declaratório PGFN n.° 08, de 2006, que reconheceram a Fl. 275DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.007993/200369 Acórdão n.º 3202000.676 S3C2T2 Fl. 273 7 inconstitucionalidade dos Decretosleis n's 2.445/88 e 2.449/88, relativos à base de cálculo do PIS, para validar ou não os créditos do contribuinte, utilizados na compensação com dívidas de PIS, vencidas em 1998, cujo encontro de contas foi anulado pela autoridade fiscal. No entender do acórdão recorrido, a ordem judicial não se aplica ao caso dos autos, porque o auto de infração diz respeito ao ano de 1998, regido pela Lei nº 9.715/1998, fruto da conversão da MP nº 1.212, de 28/11/1995, e, supostamente, não teria havido debate judicial sobre a semestralidade do PIS. Leiase: No caso a constituição do auto de infração não decorreu da apuração do PIS em períodos de apuração sujeitos à Lei Complementar n.° 07, de 1970, posto que os períodos em litígio são regidos pela Lei n.° 9.715, de 1998, que resultou da conversão da Medida Provisória n.°1212, de 1.995, e suas reedições, conforme consta à fl. 59. Além disso, na ação judicial n.° 97.00124380, indicada nas DCTF relativas ao anocalendário de 1998, como autorizadora das compensações indicadas, não houve a discussão da tese da semestralidade da base de cálculo do PIS, ou seja, tal matéria não foi objeto de discussão e, portanto, de decisão judicial. Assim no dá para se falar na aplicação direta do AD PGFN n.°08, de 2006. Entretanto, ao contrário do que assentou a DRJ, a Ação judicial n.° 97.00124380 e o AD PGFN n.° 08/2006, repercutem, sim, na análise da legalidade do auto de infração, visto que, embora a cobrança se refira ao PIS gerado em 1998, esta exigência somente será válida caso o indébito do contribuinte, utilizado na compensação e oriundo de pagamentos realizados entre 07/1988 e 11/1995, esteja amparado na mencionada ação judicial ou no citado ato declaratório. Por outro lado, ao teor da ordem judicial, de fato, verificase que foram julgados inconstitucionais os Decretosleis n's 2.445/88 e 2.449/88, determinadose o recolhimento do PIS, com base na LC 07/70 (fl. 101): SENTENÇA: b) declaro o direito de efetuar a autora a compensaçõo, nos moldes do art. 66, do Lei 8.383/91, entre os valores recolhidos a maior a título de PIS, em face da inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 (período no qual era devido com base na Lei Complementar 7/70 e alterações posteriores), e prestações vincendas do • próprio PIS, ressalvando no Fisco seu poderdever de fiscalizar e, aferindo qualquer irregularidade, autuar a contribuinte. Sobre o credito a ser compensado, incidirá correção monetária segundo a variação do BTN, IPC, INPC (em substituição à TR) e UF1R, sendo devidos os expurgos do IPC, na forma das súmulas 32 e 37 do E. TRF da 4ª Região. De 1º de janeiro de 1996 em diante, será aplicada somente a taxa SELIC, devido ao disposto no art. 39, § 4º , da Lei 9250/95, até que se efetive a compensação. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 8 A interpretação do que significa o recolhimento do PIS, com base na Lei Complementar nº 07/70, foi pacificada no AD PGFN nº 08/2006, que deixa claro que não deve ser combatida a tese de que o art. 6º da LC 07/70 trata de base de cálculo do PIS, e não de seu prazo de recolhimento, como erroneamente defendeu o acórdão ora recorrido. Vejase: ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 8, 16 DE NOVEMBRO DE 2006 DOU 17.11.2006, retific. em 20.11.2006 O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2143/2006, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, DECLARA que ficam dispensadas a apresentação de contestação, a interposição de recursos e fica autorizada a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante:"nas ações judiciais que visem obter a declaração de que o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, trata da base de cálculo e não do prazo de recolhimento da contribuição para o PIS".JURISPRUDÊNCIA: AgRg nos EDcl no REsp nº 699.890/PR (DJ 13/03/2006), REsp nº 794.884/PE (DJ 06/03/2006), RESP nº 653237/MG (DJ 11/10/04), AGResp nº 415.276/PR (DJ 27/09/04). Não bastasse esses comandos judiciais e normativos, a DRF, em diligência espécifica para o caso dos autos, constatou que o indébito utilizado na compensação decorre do pagamento a maior, fruto da aplicação ilegal dos DecretosLei 2.445/88 e 2.449/88, e que o referido valor em prol da Recorrente é suficiente para compensar o PIS lançado. Confirase o teor da diligência (fl. 176/177): DA ANÁLISE DOS CRÉDITOS DO CONTRIBUINTE Constatouse a existência da ação judicial no 9700124380, na qual o contribuinte Macopá Ltda, CNPJ 76.495.069/000150, teve reconhecido o direito de compensar os valores pagos indevidamente, decorrentes dos Decretosleis no 2.445 e 2.449 ambos de 1988, com os valores vincendos do próprio PIS. Em decorrência do Ato Declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN n o 8, de 16 de novembro de 2006, ficou estabelecido que o parágrafo único do artigo 6 0 da Lei Complementar n o 7, de 7 de setembro de 1970, trata da base de . calculo e não do prazo de recolhimento da contribuição para o PIS, ou seja para se calcular o valor do PIS de um determinado mês devese utilizar o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato Gerador sem qualquer atualização. No processo de acompanhamento judicial nº 10980.009548/97 14, constam planilhas elaboradas pelo referido contribuinte referente ao recolhimento à maior do PIS, conforme fls. 131 a 135, onde são informados os faturamentos mês a mês, o valor devido à titulo de PIS, bem como os respectivos pagamentos. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.007993/200369 Acórdão n.º 3202000.676 S3C2T2 Fl. 274 9 Efetuamos a conferência da base de cálculo do PIS, constante da referida planilha com os valores informados nas Declarações de Rendimentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, dos anos calendários 1990 a 1992, e não encontramos diferenças. Confirmamos os pagamentos realizados pelo contribuinte nas microfichas, bem como nos sistemas informatizados da SRF (Sinal09, Sincor/tratapagto). Através das fls. 136 a 172, foi demonstrado que o contribuinte possui créditos suficientes para amortizar os débitos do PIS referente ao auto de infração de que trata este processo. CONCLUSÃO Concluise ter o contribuinte obtido junto à Justiça Federal o direito de compensar os valores recolhidos à maior a titulo de PIS, com as parcelas vincendas do próprio PIS, bem como possuir créditos suficientes para amortização do PIS correspondente ao auto de infração deste processo. Propomos o retorno do presente à DRJ/Curitiba, para prosseguimento. Em resposta a outra diligência requerida pela DRJ, a DRF destacou a necessidade de a Receita Federal obedecer ao AD PGFN nº 08/2006, por força do art. 19, § 4º, da Lei nº 10.522/2002, com redação dada pela Lei nº 11.033/2004, sendo irretocável suas conclusões (fls. 184 e ss.): Entendemos que o referido Ato Declaratório tem efeito vinculante para a RFB, como será demonstrado a seguir: Em 17 de novembro de 2008, foi publicado no Diário Oficial da União, o Ato Declaratório da PGFN n° 08/2006, com o objetivo de dispensar a apresentação de contestação, a interposição de recursos e autorizar a desistência dos já interpostos em ações judiciais que visem obter a declaração de que o parágrafo único do art. 6° da Lei Complementar n° 7/70, trata da base de cálculo e não do prazo de recolhimento da contribuição para o PIS. Por força do referido ato, a RFB deverá dispensar a constituição de créditos tributários, além de rever de oficio os já lançados, com base no disposto do art. 19 da Lei n° 10.522, de 2002, com a redação dada pela Lei n° 11.033 de 2004, in verbis: Art. 19 Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: I matérias de que trata o art. 18; II matérias que, em virtude de jurisprudência pacifica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato dectaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 10 [...] § 4° A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos as matérias de que trata o inciso lido caput deste artigo. Ou seja, a partir da nova redação dada ao § 4° pela Lei n° 11.033, de 2004, não é mais necessária a edição, por parte do Secretário da Receita Federal do Brasil de ato tendente a autorizar a não constituição dos referidos créditos tributários, eis que substituída a expressão "autorizado a determinar que não sejam constituídos" por "não constituirá" . Ainda vem ao encontro de referido entendimento o disposto na Lei Complementar n° 73, de 1993, In verbis: [...] A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional editou, ainda, o Parecer PGFN/CRJ/N° 2.143/2006, bem corno a Nota PGFN/CRJ n° 489/2007, onde foi demonstrado nesta nota que os órgãos da Receita Federal do Brasil estão obrigados observância do Ato Deciaratórie n°08/2006 da PGFN (vide tis. 178 a 180). Concluímos, pois, que a partir da nova redação dada ao § 4º do artigo 19 pela Lei n° 11.033, de 2004, não é mais necessária a edição, por parte do Secretário da Receita Federal do Brasil de ato tendente a autorizar a não constituição dos referidos créditos tributários. Diante do exposto, proponho o retomo do presente processo à Delegacia da Receita Federa/ de Julgamento do Brasil em Curitiba, para as providências que julgar cabíveis. Apesar de tudo isso, a DRJ manteve o lançamento, defendendo que o art. 6º da LC 07/1970 referese a prazo de recolhimento, e não da base de cálculo como havia propalado o multicitado Ato Declaratório. Ipsis litteris: Destarte, ao se reportar aos "depósitos", o caput do art. 6º da Lei Complementar n.° 7, de 1970, referese claramente a prazo de recolhimento, e interpretar as disposições do parágrafo único isoladamente, leva ao equívoco de entender ser o fato gerador de julho — base da contribuição a ser depositada no próprio mês de julho, segundo o caput — o faturamento de janeiro, o que não procede. Todavia, conforme já exposto, tal entendimento da DRJ não merece prosperar, devendose frisar, ainda, que o tema é sumulado pelo CARF: Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Assim, merece integral reforma o acórdão da DRJ, na medida em que, ainda que por via oblíqua, decidiu de forma contrária à ordem judicial, ao AD PGFN nº 08/2006 e à Sumula CARF nº 15, ao querer rediscutir a natureza jurídica do art. 6º da LC 07/1970. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.007993/200369 Acórdão n.º 3202000.676 S3C2T2 Fl. 275 11 Deixo de examinar as demais questões trazidas no recurso voluntário, por ficarem prejudicadas, diante da improcedência da glosa da compensação efetuada. Ante o exposto, voto para DAR provimento ao Recurso Voluntário, julgando improcedente o lançamento. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 280DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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CEM LIQUIDAÇAO EXTRAJUDICIAL) ATIVAÇOES LANÇADAS COMO DESPESAS - CORREÇAO MONETARIA - DEPRECIAÇAO - Os bens e direitos ativáveis, devem ser considerados como se estivessem escriturados em conta do Ativo Permanente, para sofrerem a correspondente correção quando corrigido o balanço. Procede a correção extracontábil. Contudo, cabe igual- mente a dedução da depreciação, considerados os aspectos legais e fiscais que a envolvem, tratando-se de bens que sofreram os efeitos do desgaste ou obsolescência, inobstante escritu- rados em conta não integrante do Ativo Perma- nente. ' Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para restabelecer a tributação da correção monetária dos bens ativáveis, excluida do valor da depreciação calculada na forma da lei, nos termos do relatório e voto que passam a inte- grar o presente julgado. Sa - .,s Sesseles (DF), 22 de outubro de 1993 , •- ,IV" MAR,' - , - RELATORA E PRESIDENTE , LUIZ FERNAN'à 0, IV IRA DE MORAES - PROCURADOR DA 7 FAZENDA NACIONAL 1 MINISTERIO DA FAZENDA CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO No 10783/007.987/84-03 ACORDA() No CSRF/01-01.615 Participaram, ainda, do presente julgamentos os seguintes Conse- lheiros: SEBASTIAO RODRIGUES CABRAL, IRINEU SIMIANER, WLDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, CANDIDO RODRIGUES NEUBER, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, LEILA MARIA SCHERRER LEITO, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), CELI DEPINE MARIZ DELDUQUE, AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO, JOSE CARLOS GUIMARAES, RAFAEL CALDERON BARRANCO, DICLER DE ASSUNÇAO, JACKSON GUEDES FERREIRA E LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. Ausente o Conselheiro AQUILES RODRIGUES DE OLIVEIRA. (15 j4) / , MINISTERIO DA FAZENDA CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO No 10783/007.987/84-03 RECURSO No: RP/105-0.159 - I.R.P.J. ACORDO No: CSRF/01-01.615 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: QUINTA CAMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: SOCIEDADE CORRETORA DE CAMBIO E VALORES MOBILIARIOS LIMA LIMA LTDA. (EM LIQUIDAÇA0 EXTRAJUDICIAL) RELATORI O O Procurador da Fazenda Nacional junto à Quinta Cemara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com fundamento no inciso I, artigo 3o, do Decreto no 83.304, de 28.03.79, recorre para a Câmara Superior de Recursos Fiscais contra a decisão prolatada por aquele Colegiada que, ao apreciar o Recurso Voluntário no 91.475, de interesse da SOCIEDADE CORRETORA DE CAMBIO E VALORES MOBILIARIOS LIMA LIMA LTDA. (EM LIQUIDAÇA0 EXTRAJUDICIAL), por maioria de votos, lhe deu provimento parcial, como faz certo o Acórdão no 105-3.911, de 04/12/89, cuja ementa, na parte objeto do recurso, declara: "CORREÇAWNONETARIA DO BALANÇO - Ativo Imobilizado - A tributação de um bem do ativo imobilizado, por ter sido registrado como despesa operacional, inibe providencia semelhante em relação à correção monetária não efetuada". A posição assumida pela maioria da Câmara recorrida, está assim justificada no voto do Relatar vencedor do Acórdão Ilustre Conselheiro Afonso Celso Mattos Lourenço: "Entendo que o lançamento de um bem imobilizável como despesa operacional equivale a registrá-lo, simultaneamente, em conta do Ativo Imobilizado e uma correspondente conta de depreciação, de forma que não há como pretender-se correção monetária de um bem totalmente depreciado. Ainda que mantidas as duas contas, as correçeles monetárias de ambas, de natureza contrária, se anulari m". '4'434e) 3 ,, , , MINISTERIO DA FAZENDA CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS 'FISCAIS PROCESSO No 10783/007.987/94-03 ACORDA() No CSRF/01-01.615 Em contraposição a tal entendimento, o Recorrente em seu arrazoado de fls. 749/751, sustenta que: "A compensação dos valores lançados na conta do Ativo Imobilizado e da Depreciação só se verifica- ria após decorrido todo o período legalmente pre visto para a depreciação do bem, e se o contribuinte assim procedesse. Vale lembrar que a depreciação é uma faculdade e não um procedimento obrigatório do contribuinte. Assim, a presunção de que se valeram os votos vencedores não tem suporte legal." O recurso foi admitido pela Presidente da Cãmara recorrida através do despacho de fls. 753. Intimado, o sujeito passivo não apresentou contra-razhes. A, E o relatório. 4 MINISTERIO DA FAZENDA CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO No 10793/007.987/84-03 ACORDO No CSRF/01-01.615 VOTO Conselheira MARIAM SEIF, Relatora O recurso foi interposto com guarda do prazo legal e com observância dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Conforme evidenciado no relatório, a questão básica submetida ao deslinde desta Câmara Superior, diz respeito tributação da correção monetária de despesas ativáveis, registradas indevidamente como despesas operacionais e, por isso, glosadas e tributadas pelo Fisco. A matéria já foi alvo de inúmeras polêmicas no âmbito das diversas Câmaras integrantes do Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo merecido, por isso mesmo, aprofundados exames e estudos, levados a efeito pelos Conselheiros, membros do referido Tribunal Administrativo. Reapreciando a questão nesta instancia especial, o insigne ex-Conselheiro e ex-Presidente desta Câmara Superior, elaborou magistral voto, condutor do Acórdão no CSRF/01-01.069, de 22.11.90, do qual transcrevo parte dos fundamentos ali desta- cados, para solucionar o presente caso: "Os bens ou direitos ativáveis, segundo as normas de direito comercial, contábeis e fiscais de regência, devem ser considerados como se estivessem contabilizados no Ativo Permanente. Como, na verdade os bens não estão no Ativo, obviamente não sofreram a correção monetária quando da correção monetária do Balanço. O remédio é proceder-se à correção monetária extracontabilmente, para se achar a respectiva "receita" de correção monetária. NW 5 MINISTERIO_DA FAZENDA I CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO No 10793/007.997/84-03 ACORDO No CSRF/01-01.615 Todavia, não se perderão de vista os princípios maiores da justiça fiscal. Assim, se ê legalmente possível cobrar tributo em função de diferenças de corr ímção mone i- Aria do Ativo Permanente, feita extracontabilmente, por ;;ão efetuada pelo contribuinte, no todo ou em parte, no lugar e na época próprios, é igualmente possível e legitimo, por um principio de simetria e de Justiça desejáveis, considerar as demais conseouencias fiscais, ainda que pertinentes a faculdades jurídicas à disposi0o dos contribuintes. Nessa linha de pensamento, se os bens ou direitos ativáveis devem ser considerados como se no Ativo Permanente estivessem, essa regra tanto há de valer para a correspondente corre0o monetária credora, que é um direito do Fisco e o favorece, como para a depreciação que o bem sofreu, ou para a amotização cabivel, que constituiria uma faculdade do contri- buinte e o beneficiaria. Mesmo porque o fato de 0 bem no estar no imobilizado no significa que tenha deixado de ser utilizado pelo contribuinte, igualmente sofrendo desgaste ou atingido pela obsolescência. Nesses casos, a justiça fiscal sobreleva eventuais inobservâncias dos fundamentos técnicos da depreciagUo ou amortizaçâo. Por conseguinte, na recomposi0o dos resultados tributáveis, cumpre deduzir as depreciaçees que * em execução, forem apuradas cabíveis, à luz das regras legais de regência da instituto, sobre os bens que a autuaçXo considerou ativáveis." Na hipbtese em causa, no obstante a a00 fiscal ter alcançado dois exercícios, quais sejam, 1993 e 1984, a tributação da correção monetária restringe-se apenas ao ano em que os bens objeto da glosa foram considerados ativados, não havendo, pois, que se falar em efeitos de correçâo monetária da reserva oculta. . 074, 41! 40 Ifi?III) \ 1 1 6 _ MINISTERIO DA FAZENDA CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO Nó 10783/007.997/84-03 ACORDO No CSRF/01-01.615 Pelos fundamentos acima reproduzidos, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional, para restabelecer a tributaçbo relativa à corre0o monetária dos bens ativáveis, deferindo, contudo, à contribuinte, a deprecia0o calculada na forma da lei, sobre respectivo valor. Brasília, DF, 22 de outubro de 1993 dr; , RELATORA 4:7iír>r i'4 A .' ri?' ,,, 1 ,,,,, 7 , _j , , , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Aplica- -se a alíquota negociada no GATT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- ,cais, por unanimidade de votos, nega- provimento ao recurso esp,(a ' ill., i Sala das Sesí es . (Dr/ , g n 10 de dezembro de 1932 ii / AMADOR OULTE D \NI:U I ' E Z - PRESIDENTE/- -- PAULO aSAR et E 1:`,?r.r:' o' ' SIL A - RELATOR LUIZ FERN,i. DO O '''VkIRA DE MORAES - PROCURADOR DA_ FAZENDA NACIONAL z, Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ENILA LEITE DE FREITAS CHAGAS, HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, WILFRIDO AU GUSTO MARQUES, PAULO DE ALMEIDA, EDWALDO REIS DA SILVA e SEBASTIÃO RO- DRIGUES CABRAL. • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N.°- 0845/0 6 0 . 09 9/81-7 9 RECURSO N.° :-RP/303-0,741 ACÓRDÃO N.° :CSRF/0 3-1.029 RECORRENTE FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: NAUTILUS,AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA, RELATÓRIO Por seu Procurador junto ã Terceira Câmara do Ecrr. gio Terceiro Conselho de Contribuintes, recorre a Fazenda Nacional, 1 pleiteando a reforma do Acôrdão 22.514, 19 de agosto de 1982, da- quele Colegiado que, por maioria de votos, deu provimento em par- te, a recurso interposto pelo Sujeito Passivo - 'Nautilus Agência 1 Marítima LTDA„ de decisão de primeiro grau que lhe impusera o re- colhimento do imposto de importação, acrescido da multa de que tra ta o artigo 106, inciso II, alínea "d", do Decreto-lei 37/66. Os fundamentos do Ac6rdão recorrido estão assim re sumidos, conforme se depreende da respectiva ementa, "verbis": "Falta ou extravio de mercadoria importada, pa rágrafo único do art, 19 do Decreto-lei n-c..; 37/66. Na hip8tese de ser conhecida e apurada 1 a falta em ato de "conferência final de mani- festo" (Dec. n9 63,431/68, art. 25) toma,-se como referência para cálculo do tributo devi- 1 do (conversão de taxa de câmbio e aplicação de alíquotas tarifárias) a data da aludida 1 conferência, Tarifa Especial - Aplicável a a- líquota do GATT para cálculo do tributo a ser indenizado pelo transportador. Recurso provi- do em parte." No Recurso Especial, de fls.: 61 a , 64, ste.t. o D M F - RJ/1.° C - C - Sogra - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/060.099/81-79 2. Ac6rdão n9-CSRF/03-1.029 Senhor Procurador, em resumo que: 1 - o eminente Relatar entendeu, no que foi acompa- nhado pela douta maioria dos Conselheiros, que a mercadoria em ques, tão estaria amparada por tarifa es pecial, face haver sido negociada pelo "GATT". II - que a mercadoria foi desembarcada pelo importa- . dor, com pagamento de tributos, com base na alíquota normal, logo, a indenização pela falta Fazenda Nacional deva ser exatamente a- quela calculada sobre a alíquota normal, que deixou de ser recolhi- . da. III - invoca os artigos 25, 27 e 30 do Decreto n9 . 63.431/68 e enfatiza que o § 39 do artigo 112 do Decreto-lei 37/66 que estabelece: "No calculo de que trata este artigo no será consi derada a isenção ou redução do imposto que beneficia a importação". No houve apresentação de contra-ran:› É o relatôrio. : SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/060.099/81-79 3. Ac6rdão n9-CSRF/03-1.029. . VOTO Conselheiro PAULO CÉSAR DE ÁVILA E SILVA, Relator: Estou com aqueles que entendem que as reduçaes de que trata o dispositivo citado, representam concess5es outorgadas 1 pela legislação interna do país, enquanto que a aplicação da tarifa especial decorre de acordo internacional, como bem salienta a ilus- . tre relatora do Acõrdão recorrido. A mercadoria foi :Importada com isenção do C,P.A.,lo go nada mais natural do que o despacho se tenha verificado com base em tal benefício. Entretanto, tendo havido falta e como não se re- conhece que as isenç8es ou reduçaes não aproveitam essas faltas, te . mos que nos valer de algum parãmetro para indenização do tributo pe lo responsãvel. . . Ora, como a mercadoria estã negociada no GATT, colo_ ca-se bem acima de qualquer outra legislação interna, ou mesmo tari - fa normal, como já foi dito, e que encontra respaldo legal no arti- go 98, da Lei 5,172/66 - CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Isto posto e por tudo/ ma s... que dos autos consta, /nego provimento ao recurso especial, e í Brasília (DF), em 10 -. dezembro de 1982. , if / PAULOCÊSAR D Y E :Pà 1LA E SILVA - RELATOR., Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10675.906302/2009-51
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/07/2001
PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.080
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL Relator. EDITADO EM: 07/07/2012 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da nãohomologação parcial de compensação realizada com créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, de autoria da Recorrente, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). O despacho decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia – MG que vedou parcialmente o direito ao crédito de PIS da Recorrente, baseouse em manifestação da Equipe de Ações Judiciais – EQAJ daquela DRF, exarada em processo fiscal de acompanhamento do Mandado de Segurança acima aludido (Informação Fiscal n°. 0098/2010/DRF/UBE/EGAJ PAJ 10675.000306/0097), que ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que o Recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras tais como a Recorrente serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias” em geral, o que culminou na apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte. A Manifestação de Inconformidade restou indeferida através do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, que corroborou o entendimento esposado pela DRF de origem, conforme ementa abaixo transcrita, in verbis: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A fundamentação apontada pelo acórdão da DRF que sustentou a decisão pode ser extraída dos seguintes trechos: Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais, que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. (…) Ora, as chamadas operações bancárias (“spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 4 4 recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc.), se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Já os chamados serviços bancários (tarifas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), são atividades secundárias e acessórias, executadas unicamente para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Portanto, correta a autoridade administrativa ao incluir no faturamento da manifestante as receitas relativas a empréstimos, financiamentos, etc…, que são oriundas do exercício das atividades empresariais, como definido na decisão exarada no Recurso Extraordinário 401.3487Minas Gerais. Inconformada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, através do qual sustenta possuir direito ao crédito de PIS inicialmente indeferido, porquanto está devidamente amparada por decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, o qual, por sua vez, está em consonância com a decisão do Órgão Plenário do Supremo Tribunal Federal que extirpou do ordenamento jurídico o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, ao consignar que a base de cálculo do PIS está atrelada ao conceito estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em suma, alega a Recorrente em suas razões recursais que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo Supremo Tribunal Federal. À final, requer seja dado provimento ao recurso. É o Relatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 5 5 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A lide consiste em se determinar qual a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, a partir da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, da lavra do Ministro Cezar Peluso, no Recurso Extraordinário 401.348 7, de autoria da Recorrente, a seguir transcrita: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator O ponto fulcral, do presente processo, portanto, é determinar, conforme apontado no relatório e na decisão supra se, sobre os montantes recebidos pelas instituições financeiras a título de remuneração decorrente do pagamento de operações de empréstimos bancários, “spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 6 6 e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc. – as chamadas intermediações financeiras – incide ou não a contribuição para o PIS/Pasep. Isso decorre do entendimento esposado de que o significado de faturamento ao qual está obrigada a Recorrente é o de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Além desse entendimento, apontou o Ministro Relator, ainda, que seu entendimento se substancia no que foi decidido nos Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG. Lembremonos que o regime legal aplicável às instituições financeiras com relação ao PIS é o da Lei 9.718/1998 por expressa disposição do inciso I, do artigo 8º da Lei nº 10.637/20021. A norma assim define a base de incidência da contribuição: Artigo 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Artigo 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) O confronto da norma e da decisão do Min. Cezar Peluso supra citada serviram para a decisão da DRF de Juiz de Fora, ora atacada. Assim expressou a decisão da DRJ: Como se vê na decisão acima, o Ministro Cezar Peluso definiu que a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido como sendo a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação dc serviços de qualquer natureza. Logo à frente, o Exmo. Senhor Ministro esclarece que o faturamento é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 1 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983;... Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 7 7 Portanto, é necessário delimitar qual a composição do faturamento das instituições financeiras, ou para melhor se adequar à decisão transitada em julgado, qual é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais desse tipo de empresa. As instituições financeiras têm tratamento jurídico diferenciado em relação às empresas que exercem outras atividades. Seu objeto social é distinto e, por consequência, o conceito de faturamento em relação a elas deve ser examinado de forma diferenciada. No Recurso Extraordinário n° 346.0846PR, citado na Decisão em questão, o mesmo Ministro Cezar Peluso manifestou, em seu voto que o faturamento deve ser entendido resultado econômico das operações empresariais típicas, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado”. E continuou o julgador “a quo”: Então, quais seriam as receitas operacionais típicas das instituições financeiras e assemelhadas? São elas, evidentemente, as decorrentes da intermediação de operações a da prestação de serviços de natureza financeira: empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc... Configurase, assim, uma situação sui generis devido às especificidades e particularidades desta atividade econômica, totalmente diferente da atuação das pessoas jurídicas eminentemente comerciais ou das demais prestadoras de serviços. (...) Diferentemente do que afirma a manifestante, o faturamento das instituições financeiras vai muito além do que a simples receita proveniente da cobrança de tarifas (de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), abrangendo um outro universo de receitas típicas e características da atividade financeira. Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais , que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. Apesar do entendimento aparentemente conclusivo apresentado na decisão da DRJ, tenho que o exame da matéria merece maior cuidado especialmente para dar ampla segurança à relação fisco/contribuinte, quanto ao sentido dado pelo Ministro Peluso ao faturamento que abrange “as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 8 8 O PIS (Programa de Integração Social) teve sua concepção na Constituição de 1967, que, em seu artigo 158, V, previa: “Artigo 158. A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos termos da lei, visem à melhoria, de sua condição social: (...) V – integração do trabalhador na vida e no desenvolvimento da empresa, com participação nos lucros e, excepcionalmente, na gestão, nos casos e condições que forem estabelecidos.” A Emenda Constitucional nº 1/69 repetiu a previsão em seu artigo 165, V, com redação quase homônima. Com esse fundamento, foi editada a Lei Complementar nº 7/70, que instituiu o Programa de Integração Social, “destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas”. Para alcançar esse objetivo, a Lei Complementar nº 7/70 instituiu um Fundo de Participação, a ser constituído por depósitos efetuados pelas empresas – conceituadas como pessoas jurídicas nos termos da legislação do Imposto de Renda – na Caixa Econômica Federal. Até então, a Constituição Federal não previa uma basedecálculo determinada para o PIS, limitandose a falar de “participação nos lucros” da empresa. A Lei Complementar nº 7/70 determinou que a basedecálculo seria o faturamento, mas não o definiu. Diante disso, o Banco Central editou a Resolução nº 174/71, que considerou faturamento, corretamente e conforme o sentido laico, a receita operacional das empresas. A legislação do PIS sofreu alterações nos anos seguintes, por meio das Leis Complementares nºs 17/73 – que instituiu um adicional de 0,125% à alíquota incidente sobre o faturamento em 1975 e 0,25% para os anos subsequentes – 19/73 – que determinou a aplicação unificada dos recursos do PIS e do Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, instituído pela Lei Complementar nº 8/70) – e 26/75 – que criou o Fundo Unificado PIS/Pasep. De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o PIS/PASEP tinha, até a edição da Emenda Constitucional nº 8/77, natureza tributária. Com a EC nº 8/77, contudo, perdeu essa natureza, pois a Emenda incluiu um novo inciso no artigo 43 da Carta de 1969 – que tratava das atribuições do Poder Legislativo –, separando a contribuição social ao PIS/PASEP dos tributos. Em 1988, o Decretolei nº 2.445, com algumas mudanças instituídas pelo Decretolei nº 2.449, alterou a alíquota e a base de cálculo do PIS/PASEP, que passaria a ser calculado à base de “sessenta e cinco centésimos por centro da receita operacional bruta”, conceituada, naquele instrumento como “o somatório das receitas que dão origem ao lucro operacional, na forma da legislação do imposto de renda”, admitidas algumas exclusões e deduções estabelecidas no próprio decretolei. Os dois decretoslei geraram grande polêmica e terminaram por ser repelidos pelo Supremo Tribunal Federal, sob o argumento de inconstitucionalidade perante a Carta de 1969, pois, embora esta outorgasse ao Presidente da República competência expressa para Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 9 9 baixar decretoslei referentes às finanças públicas, inclusive matéria tributária, entendiase que o PIS/PASEP não tinha mais natureza tributária, ou mesmo de finanças públicas, não podendo ser objeto de decretolei. A questão da alteração da definição basedecálculo foi meramente tangenciada por alguns ministros, não constituindo a razão da inconstitucionalidade dos dois decretoslei. Analisando essa questão, o MinistroRelator Carlos Velloso apenas lembrou que a Constituição então vigente não havia especificado a basedecálculo do PIS e que, consoante a Resolução Bacen nº 174/71, o “faturamento” da LC 7/70 era, na realidade, a receita operacional, ou seja, quando se usava o termo receita operacional, esse estava sendo usado como sinônimo de faturamento, de modo que “nada teria sido alterado, portanto”. A nova Constituição Federal entrou em vigor logo em seguida, recepcionando o PIS/PASEP expressamente em seu artigo 239. A Constituição de 1988, além disso, arrolou, em seu artigo 195, as bases de cálculo que poderiam ser utilizadas para financiamento da seguridade social, como segue: “Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; III sobre a receita de concursos de prognósticos.” Em 30 de outubro de 1998 foi publicada a Medida Provisória nº 1.724, posteriormente convertida na Lei nº 9.718/1998 estando as instituições Financeiras obrigadas a tributar o PIS (e a COFINS) sob a sua égide. A discussão que se travou circundou os conceitos de receita bruta e faturamento. O conceito de faturamento já havia sido examinado pelo Pleno do STF no Recurso Extraordinário nº 150.7551, gerando acirrado debate entre, de um lado, os Ministros Carlos Velloso e Marco Aurélio – que sustentavam a inconstitucionalidade do artigo 28 da Lei 7.738/89, argumentando que “faturamento” e “receita bruta” são termos distintos – e, de outro, o Ministro Sepúlveda Pertence – que alegava que, em uma interpretação conforme a Constituição, os dois termos poderiam ser considerados equivalentes. Segundo o Ministro Sepúlveda Pertence, “a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento – cuja procedência teórica não questiono –, não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei”. Mesmo porque, arguia o Ministro, “antes da Constituição, precisamente para a determinação de base de cálculo do Finsocial, o DecretoLei 2.397, 21.12.87, já restringira, para esse efeito, o conceito de receita bruta a parâmetros mais limitados que o de receita Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 10 10 líquida de vendas e serviços, do Decreto Lei 1.589/77, de modo, na verdade, a fazer artificioso, desde então, distinguilo da noção corrente de faturamento”. Diante disso, o Ministro Carlos Velloso retrucou, afirmando que “a autorização (da CF/88) é para que a incidência seja sobre faturamento e não sobre receita bruta – é o inciso I do artigo 195. Mas S. Exa. Parece que equiparou receita bruta a faturamento, o que também não me parece adequado fazer”. Ao seu auxílio, veio o Ministro Marco Aurélio, afirmando que “não posso atribuir ao legislador a inserção de expressões, a inserção de vocábulos em preceitos de lei sem o sentido vernacular, e, aqui, mais do que o sentido vernacular, temos o sentido técnico. (...) Senhor Presidente, não posso dizer que receita bruta consubstancia sinônimo de faturamento”. O Ministro Sepúlveda Pertence então reconheceu que “há um consenso: faturamento é menos que receita bruta”, mas reiterou que a lei tributária chamou “receita bruta o que é faturamento. E aí, ela se ajusta à Constituição”. Em outras palavras, que faturamento e receita bruta são diferentes, mas a legislação infraconstitucional restringiu tanto o conceito de receita bruta que terminou por equiparálo ao conceito de faturamento, não infringindo, portanto, a Constituição. A divergência persistiu, mas a maioria dos Ministros terminou optando pela posição do Ministro Sepúlveda Pertence. Assim, o acórdão foi tomado por maioria de votos, no sentido de “dar provimento ao recurso para declarar a constitucionalidade do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, considerada a expressão “receita bruta” como correspondente a “faturamento”. Mas, o que havia naquele momento era o entendimento que se restringiu de tal forma a receita bruta que, apesar de ser nominada desse modo, tratavase, na verdade, de faturamento. É como se houvesse a determinação de incidir um tributo sobre carros de passeio e se fizesse incidilo sobre automóveis, tendo um, por sinônimo de outro. Assim dispunha o artigo: “Artigo 28. Observado o disposto no artigo 195, § 6º, da Constituição, as empresas públicas ou privadas, que realizam exclusivamente venda de serviços, calcularão a contribuição para o FINSOCIAL à alíquota de meio por cento sobre a receita bruta.” O que entendeu o Supremo é que o termo “receita bruta” constante no artigo significava faturamento, nada mais, nunca disse, portanto, que receita bruta e faturamento são a mesma coisa. Esse é o primeiro cuidado que devemos tomar. Assim, tendo o STF acatado a equiparação entre “faturamento” e “receita bruta” para os fins do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, pretendeuse estender esse entendimento errôneo ao PIS/PASEP, por meio da edição da Lei nº 9.718/98, que alterou a base de cálculo do PIS/PASEP no seguinte sentido: “Art 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 11 11 calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Tentando evitar que a polêmica entre os conceitos de “receita bruta” e “faturamento” fosse reavivada – num ato de confissão de incapacidade de planejamento – o Congresso Nacional resolveu dar maior respaldo constitucional à Lei nº 9.718/98 e fêlo por meio da Emenda Constitucional nº 20/98, que alterou o artigo 195 da Carta Maior, incluindo a “receita” expressamente entre as possíveis bases de cálculo para as contribuições sociais, como segue: Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a partir da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, a Constituição Federal passou a autorizar a União a tributar a (totalidade da) receita dos contribuintes, ou seja, modificada a Constituição, não mais se discute que, a partir de 16/12/1998, o legislador federal passou a ter competência para editar uma nova lei instituindo contribuições sociais com base de cálculo composta por qualquer receita da pessoa jurídica. Após a EC 20/98, a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS não mais estão limitadas ao faturamento das empresas. Porém, considerando que a Lei nº 9.718/98 foi publicada antes da promulgação da Emenda Constitucional nº 20/98, que modificou a redação do artigo 195 da Constituição Federal para outorgar competência à União Federal para instituição de contribuição social sobre receita, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional aquele § 1º do artigo 3º da referida Lei nº 9.718/98, valendo transcrever o seguinte excerto da ementa do acórdão proferido no RE nº 390.485: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 12 12 “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada.” (grifo nosso). Com base nesta decisão, os diversos processos pendentes de julgamento perante o Supremo Tribunal Federal passaram a ser julgados monocraticamente por seus Ministros, com fundamento no artigo 557, § 1ºA do CPC. Ocorre, porém, que nos processos de sua Relatoria, o ilustre Ministro Cezar Peluso tem proferido decisões do seguinte teor: “2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento das recorrentes, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas em proporção.” (grifos nossos). Do mesmo modo seguiu a decisão que baliza o presente processo, ante citada. A decisão tomou por referência o julgamento do RE nº 390.840MG com idêntico teor dos demais citados e tem por núcleo a noção de faturamento conforme a redação original do artigo 195, I, b, da Constituição Federal. No acórdão, o Supremo Tribunal Federal concluiu pela declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/1998: “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 13 13 por ela exercida e a classificação contábil adotada pelas receitas”, cujo caput prescreve: “O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”. Em questão estava a constitucionalidade da correspondência estabelecida pela Lei entre faturamento e receita bruta, nos termos em que essa fora definida.” A análise daquele RE foi baseada exclusivamente na violação do princípio da supremacia da Constituição, conforme o voto do Ministro Cezar Peluso, as duas razões teriam ocorrido para a inconstitucionalidade. A uma: de ordem material, pelo conteúdo do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, que ampliava o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”. O sentido dado ao conceito afrontaria a noção de faturamento pressuposta no artigo 195, I, b da Constituição Federal. A duas: de ordem formal, pois, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social, não agiu em conformidade com o artigo 154, I da Constituição Federal2. Quanto à inconstitucionalidade formal, diz o Ministro Peluso, em seu voto vista, que, na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º, não houve usurpação de competência (incompetência orgânica), mas violação do disposto no artigo 154, I, c/c o disposto no artigo 195, § 4o (incompetência procedimental). Afinal, se, de um lado, à época, o artigo 195, I, da CF não previa a receita como fonte, o legislador ordinário, se quisesse prevê la, poderia terse valido do § 4º do artigo 195, mas desde que c/c o artigo 154, I, cujo preceito, porém, descumpriu. Quanto à inconstitucionalidade material, teria havido desconformidade entre a definição adotada na Lei para receita bruta, cujo sentido violava a significação adotada pela jurisprudência do STF como equivalente a de faturamento. Porém, ao final, o voto conferiu, mediante interpretação conforme a Constituição, ao termo receita bruta, (constante do caput do artigo 3º e nele equiparado a faturamento), o sentido de receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviços, de acordo com jurisprudência anterior do STF. A questão nuclear da inconstitucionalidade está, pois, localizada no sentido atribuído pelo legislador ao conceito de receita bruta, ao qual a expressão constitucional faturamento fora equiparada. Em seu voto, o Ministro Cezar Peluso examinou o sentido de receita bruta, primeiro, para distinguilo do de faturamento, e, assim, declarar inconstitucional o referido § 1º do artigo 3º e, ao depois, para equiparar um ao outro conforme o sentido atribuído a faturamento na jurisprudência anterior do STF, a fim de manter o caput do artigo 3º mediante interpretação conforme a Constituição. Ao fazêlo, no entanto, o Ministro Peluso estabeleceu a referida equiparação nos seguintes termos: “Quanto ao caput do artigo 3º, julgoo constitucional para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a 2 Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 14 14 meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” (grifei). O posicionamento mencionado parece conduzir ao entendimento de que receita bruta e faturamento não se confundem. Nem receita bruta, em termos de faturamento, se reduz a receita, pois nem toda receita é operacional. Mas, se, sob receita operacional, para efeito de significado estrito de receita bruta, entendese receita bruta de vendas e serviços, que significa: ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas. O problema suscita um prévio exame de questões referentes à determinação de um conceito. Primeiro, é preciso entender a congruência entre o sentido de receita bruta e de faturamento em termos de venda de mercadoria e de prestação de serviços, de modo a permitir a equivalência: “ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais típicas”. “Mas o acórdão rechaçou também o argumento que aceitava uma espécie de “constitucionalidade superveniente”, por força da EC nº 20/98, que alterara o artigo 195, I da Constituição Federal. Aqui aparece também um problema de determinação do conceito. Afinal, essa nova formulação constitucional (a receita e o faturamento) conduz à necessária distinção que se há de fazer, para o futuro, entre faturamento e receita. Essa atual distinção constitucional há de ser compatível com o sentido que foi atribuído pelo acórdão para conferir, mediante interpretação conforme, constitucionalidade à expressão receita bruta constante do caput do artigo 3º da Lei nº 9.718/98.” Daí a seguinte questão: se, na formulação vigente (pós EC nº 20/98), a Constituição admite duas fontes distintas, a receita ou o faturamento, qual a diferença entre receita bruta, equiparada a faturamento pelo voto do Ministro Peluso, e a receita, conforme a nova expressão constitucional? Becker3 explica que “não existe um legislador tributário distinto e contraponível a um legislador cível ou comercial. Os vários ramos do direito não constituem compartimentos estanques, mas são partes de um único sistema jurídico, de modo que qualquer regra jurídica exprimirá sempre uma única regra (conceito ou categoria ou instituto jurídico) válida para a totalidade daquele único sistema jurídico. Essa interessante fenomenologia jurídica recebeu a denominação de cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Com toda razão, o Professor da Universidade de Roma, Emilio Betti, especialista em hermenêutica, roga atenção para o deplorável fato de grande parte dos juristas ainda não terem demonstrado o mínimo indício de conhecer e compreender esse fundamental cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Da fenomenologia jurídica acima indicada decorre o seguinte: uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o direito; salvo se o legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão. Portanto, quando o legislador tributário fala de 3 Teoria Geral do Direito Tributário, p. 122/123, com itálicos do original. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 15 15 venda, de mútuo, de empreitada, de locação, de sociedade, de comunhão, e incorporação, de comerciante, de empréstimo, etc., devese aceitar que tais expressões têm dentro do direito tributário o mesmo significado que possuem no outro ramo do direito, onde, originariamente, entraram no mundo jurídico. Lá, por ocasião de sua entrada no mundo jurídico, é que houve uma deformação ou transfiguração de uma realidade préjurídica (exemplo: conceito de Economia Política; instituto da Ciência das Finanças públicas). Recomenda Luigi Vittorio Berliri o abandono, de uma vez para sempre, do arbitrário expediente de atribuir ao legislador tributário (como se fosse um outro legislador e, ainda por cúmulo, ignorante de direito) uma linguagem sua própria que atribuiria a palavra ou expressão que tem um bem preciso e conhecido significado jurídico, um esquisito significado novo de Direito Tributário. O “marido” de direito tributário – com razão adverte Luigi Vittorio Berliri – não pode ser outro que o marido do direito civil e canônico, isto é, aquele que é unido à mulher pelo vínculo do matrimônio. O “grau de oficial” ao qual se refere o artigo 7º da lei do imposto de renda, não pode ser outro que aquele decorrente dos regulamentos militares. Exatamente como a “maltose”, o “tártaro” e o “cróton” aos quais as normas tributárias fazem referência (a propósito do imposto de fabricação sobre glicose e sobre os óleos de sementes), não podem ser senão a maltose, o tártaro e o cróton da merceologia. Tanto não é possível pensar em um marido (“de direito tributário”), em uma enfiteuse, em uma servidão, em uma hipoteca (“de direito tributário”), em um oficial, em um domínio útil, em um débito quirografário (“de direito tributário”), quanto impossível seria pensar em uma maltose, um tártaro e um cróton (“de direito tributário”). As definições provocadas por Becker correspondem, conforme exemplifica, às significações diuturnas e técnicas do termo, dentro do sentido que lhe dá a norma. Entretanto, o genial doutrinador peca por entender que o legislador toma as normas realizando uma deformação ou transfiguração de seu sentido. Certamente não. Têm, na norma jurídica formalizada, o mesmo sentido que têm em cada um dos seus usos normais. Se o legislador viesse a criar um imposto incidente sobre o uso de cadeiras, apenas exemplificando para fins didáticos, “cadeira” seria tomada no sentido comum do termo, peça do mobiliário e nenhum outro sentido senão o comum. Quando a lei fala em comprar, vender, emprestar ou alugar não é necessário fazer qualquer outra definição senão a praticada ordinariamente, salvo se o termo por si só seja técnico. Essa prática, de se entender que todos os termos têm um significado jurídico ao serem empregados na norma, é uma prepotência da ciência, clara e compreensível, oriunda mais de uma necessidade de precisão científica do que da realidade, mas não é uma provável verdade da norma. Decerto o legislador oriundo de diversas formações não se preocupa em entender os termos técnicos empregados na norma antes de propôla. Se, por ex., o legislador tivesse que determinar o uso obrigatório de uma calça por uma categoria profissional em épocas diferentes seguramente se referiria ao termo de época, determinaria o uso de calça jeans ou blue jeans em um momento histórico, calça de brim azul em outro ou, como era conhecida antigamente, calça rancheira. Por isso, fizemos o pressuposto ligado à linguagem e ao tempo. Por outro lado, um termo técnico como enfiteuse, elisão ou evicção seria tomado no seu sentido técnico porque nenhum outro sentido poderia ser usado senão esse, mas atentemos que, em caso de existir um termo de significado corrente e um significado técnico, o termo pode ser tomado em qualquer significado – digamos que seja “transfusão”, referindose à Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 16 16 necessidade de que se usem equipamentos descartáveis para a coleta de sangue e transfusão do mesmo, por ex., mas é importante lembrar que ninguém precisa de um conhecimento técnico para saber o que significa “transfusão”. Assim, a linguagem do legislador é meramente comum, não técnica, não havendo, portanto, qualquer necessidade de se definir o termo “tributo” na lei porque o termo já é conhecido pela linguagem comum, ou seja, todos sabemos a que se refere quando a lei fala em tributo ou, em outro giro, qual é a acepção tomada pelo legislador no uso do termo. Entretanto, no caso do conceito dado ao elemento receita para fins de incidência do PIS (e da COFINS) a questão não é tão simples. Receita é um termo plurívoco mesmo na linguagem comum. Tem diversos significados e alcances. Pode referirse à culinária aonde corresponde a indicação minuciosa sobre a quantidade dos ingredientes e a maneira de preparar um prato salgado ou doce; pode se referir à farmácia aonde compreende uma fórmula para preparação de um medicamento; à medicina, que corresponde à própria prescrição; ou, àquilo que nos interessa, ao conceito contábil. A questão da definição de faturamento em termos de receita bruta gira, pois, em torno do sentido conotativo (qualificação do conceito: atributos que lhe são próprios) e do seu sentido denotativo (delimitação do conceito: extensão de objetos abrangidos). Sob esses dois aspectos é que se deve entender o sentido conferido à significação da expressão receita bruta como equivalente a faturamento. Sobre isso, voltarei ao que foi decidido no Recurso Extraordinário nº 150.7551 aonde ficou claro que receita e faturamento são distintos e que faturamento é menos que receita bruta. Portanto, tomoos como distintos. Pela nova dicção do artigo 195, por força da referida Emenda, passou a Constituição Federal a determinar como fonte das contribuições o faturamento ou a receita. A expressão “incidentes sobre a receita ou o faturamento” aponta, agora, para diferentes hipóteses de incidência ou fatos geradores distintos. Assim, ainda que, ad argumentandum, se admitisse que a intenção do constituinte derivado pudesse ter sido “espletiva”, objetivamente, a nova redação constitucional não equiparou os conceitos. Apenas estendeu a possibilidade da base de cálculo, antes restrita ao faturamento, também para a receita. Nesse sentido, observese, inicialmente, que, no caso em tela, pela nova redação, o “ou” tem função disjuntiva e não conjuntiva, como se observa pelo uso dos demonstrativos (“a receita ou o faturamento”). Destarte, o novo dispositivo, trazido pela Emenda Constitucional, ao contrário do que se possa pensar, reforça a tese de que, na Constituição Federal, mormente para efeitos fiscais, faturamento e receita são conceitos distintos, ainda que ou um ou outro possam configurar base de cálculo de contribuição social. Faturar, conforme diapasão do próprio Supremo é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 17 17 O conceito de faturamento advém além do conceito contábil, da Lei nº 5.474/68, segundo a qual a fatura tem a função de documentar a efetivação de vendas mercantis ou de prestações de serviços. Nesse sentido, o termo “faturamento” referese tanto ao ato de expedição do documento que representa a venda da mercadorias ou a prestação de serviços, como à própria receita proveniente dessas operações. Fora dessas duas atividades, não há que se falar em faturamento. Conforme ante examinado, o uso da expressão faturamento, antes da EC nº 20/98, tem seu sentido conotativo determinado por venda: “vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza”. Nesses termos, alcança o sentido estrito de receita bruta. Ou seja, receita bruta, desde que tomada em sentido estrito, pode ser equiparada à expressão constitucional faturamento. Já com a introdução da expressão “receita”, porém, o seu conceito deve ser devidamente separado do de faturamento. A receita há de se entender esta como as quantidades de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nesse sentido, a receita, constante da nova redação do art. 195, I, à diferença de o faturamento, passa a constituir um conceito “alargado”, qualquer valor auferido, que abrange a classe genérica da receita como base de cálculo. Como classe genérica, receita passa a referirse às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nessa classe genérica está o conceito lato de receita bruta, que, então sim, incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc. Mas não as incorpora no conceito estrito de receita bruta. E nisso se distingue de faturamento, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas. Pareceme, diante disso, que o entendimento da questão exige uma consideração mais detalhada do termo receita bruta, mormente quando referida a receita operacional, para adequála ao faturamento no sentido constitucional. Com efeito, o tratamento do termo faturamento como “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” generalizouse com o advento da LC nº 70/91, que assim o definiu em seu artigo 2º. Porém, como disse o Min. Carlos Britto (em seu voto no RE nº 346.084–6 PR): “Tudo estaria pacificado não fosse o advento da Lei Ordinária nº 9.718, de 1998 (...), que equiparou os termos ‘faturamento’ e ‘receita bruta’, não exclusivamente operacional”. Receita operacional, segundo o Ministro Carlos Britto, remete ao mencionado Decretolei nº 2.297/1987, artigo 22, § 1º, alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda”. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 18 18 E completa: “receita operacional é a receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc.”. Nesse passo, é inevitável o recurso ao sentido técnico dos temos. A expressão receita está diretamente vinculada ao resultado da empresa. A formação do resultado decorre dos processos de mutação patrimonial das diversas categorias que compõem os elementos do custo e da receita4. Receita definese, segundo o autor, como a “quantidade de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado” 5. Mais especificadamente esclarece Bulhões Pedreira que receita “é o valor financeiro cuja propriedade é adquirida por efeito do funcionamento da sociedade empresária. As quantidades de valor financeiro que entram no patrimônio da sociedade em razão do seu financiamento e capitalização não são receitas; na transferência de capital de terceiros a sociedade adquire apenas o poder de usar o capital; na de capital próprio adquire a propriedade de capital destinado a aumentar seu capital estabelecido” 6. Nesses termos, receita e resultado não se confundem: o segundo é mais extenso (conceito denotativo) que o primeiro. Ou seja, por força dessa distinção será possível dizer que receita tem a ver com valores cuja propriedade, sendo adquirida por força do funcionamento da empresa (atividade típica, receita operacional), excluiria a receita não operacional. Já a receita bruta designa a contraprestação da venda de bens e serviços, enquanto valor financeiro cuja disponibilidade a empresa adquire com a venda de bens ou a prestação de serviços. Nesse sentido, distinguese da receita líquida, que é aquele valor, “diminuído de deduções e abatimentos e dos tributos cujo fato gerador seja a venda dos bens ou o fornecimento dos serviços” 7. Só a receita bruta nesse sentido estrito é que equivale a faturamento. Já o conceito de receita, como a nova fonte instituída pela EC nº 20/98, é que significaria quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado: todas as receitas operacionais. Afinal, da receita operacional se excluem os valores que constituem a receita não operacional, os que entram no patrimônio da sociedade por força de financiamento e capitalização, o capital de terceiros do qual a empresa tem apenas o uso. Desse esclarecimento técnico decorre, então, que receita bruta e receita operacional não se identificam inteiramente. 4 cf. Bulhões Pedreira: Finanças e demonstrações financeiras da companhia – conceitos fundamentais, Rio de Janeiro, Forense, 1989, passim. 5 pág. 455, grifei. 6 pág. 456, grifei. 7 Bulhões Pedreira, p. 457. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 19 19 O próprio Ministro Peluso ao se referir às diversas espécies de receita no seu votovista no RE 390.840MG8 apontou que distinguemse, pelo menos, quatro modalidade de receita: i) Receita bruta das vendas e serviços; ii) receita líquida das vendas e serviços; iii) receitas gerais e administrativas (operacionais); iv) receitas não operacionais. A norma do artigo 187 da Lei nº 6.404/76 (referida pelo Ministro Peluso, no RE 390.840MG), ao disciplinar a “Demonstração do Resultado do Exercício” mostra, em sede legal, a diferença. Mais precisamente, no artigo 22, § 1º, do Decretolei nº 2.397/87, determina se a incidência do FINSOCIAL sobre: alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;”. Seguese, alínea “b”, “as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas”; alínea “c”, “as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas”. Assim, se a receita, constante da nova redação do art. 195, I, passa a constituir um conceito “alargado” correspondendo a qualquer valor auferido abrangendo a classe genérica da receita como base de cálculo e referindo às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado que incorporam outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc., conforme o tipo de atividade por ela exercida, mas, à diferença de o faturamento, nisso dele se distingue, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas, é correta interpretação do Ministro Carlos Britto, quando restringe a expressão receita operacional àquela obtida mediante a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza. Afinal, de outro modo ficaria obscura a distinção entre a receita ou o faturamento conforme a nova dicção constitucional, bem como o reconhecimento de que a nova redação não é expletiva. Como obscuro ficaria também o argumento, segundo o qual a inconstitucionalidade declarada do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98 também decorreria de uma questão de ordem formal, posto que, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social (receita), não teria agido em conformidade com o art. 154, I da Constituição Federal. Por óbvio, não há como se supor que em uma mesma operação a contrapartida do tomador do empréstimo fosse “despesa financeira”, sendo para o concessor “receita operacional” e não “receita financeira”, transmudandose a natureza da relação. Por todo o exposto, há de se concluir, em suma, que receitas oriundas da atividade típica da pessoa jurídica – receitas operacionais – não podem ser consideradas 8 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=261694 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 20 20 faturamento para efeito de incidência da contribuição para o PIS (e COFINS) sob a égide da Lei nº 9.718/98 (afastado por inconstitucional o § 1º do seu art. 3º). Esta resposta não se altera em função da empresa envolvida ser uma empresa comercial, uma prestadora de serviços, uma “holding” ou uma instituição financeira. Não é o fato de determinada receita resultar da exploração do objeto social da pessoa jurídica que, determina estarmos diante de faturamento. Receita é gênero do qual faturamento é espécie. Restaria examinar em que sentido se toma o conceito de serviço na definição de receita bruta como a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza. Serviço, em sentido vulgar, é qualquer esforço humano que tenha por objetivo propiciar a outrem um proveito, uma utilidade, um benefício, uma vantagem, até um obséquio ou favor. Em termos econômicos, tratase de fornecimento de trabalho, de locação de bens móveis, de cessão de direitos, ou seja, atividades que constituem bens incorpóreos na circulação de mercadorias. Para efeitos constitucionais e tributários (CF, art. 150, I), o termo passa pelo uso jurídico, consistindo em atividade de fazer com vistas a um resultado útil a terceiro9. Não dispensa, assim, a ideia de trabalho e, nesses termos, de um facere destinado a outrem. Por consequência, não há serviço na atividade útil em favor do próprio prestador. Na linguagem jurídica em geral, anota Maria Helena Diniz, serviço quer dizer o “exercício de qualquer atividade intelectual ou material com finalidade lucrativa ou produtiva.” 10 Com sua costumeira precisão, registra De Plácido e Silva11: SERVIÇO. Do latim servitium (condição de escravo), exprime, gramaticalmente, o estado de que é servo, encontrandose no dever de servir; ou de trabalhar para o amo. Extensivamente, porém, e expressão designa hoje o próprio trabalho a ser executado, ou que se executou, definindo a obra, o exercício do ofício, o expediente, o mister, a tarefa, a ocupação ou a função. Por essa forma, constitui serviço não somente o desempenho de atividade ou de trabalho intelectual, como a execução de trabalho ou de obra material. Aires Fernandino Barreto, em excelente monografia sobre o ISS, parte da idéia do trabalho, como um fazer, um conceito mais amplo, e doutrina com inteira propriedade: É lícito afirmar, pois, que serviço é uma espécie de trabalho. É o esforço humano que se volta para outra pessoa; é fazer desenvolvido para outrem. O serviço é, assim, um tipo de trabalho que alguém desempenha para terceiro. Não é esforço desenvolvido em favor do próprio prestador, mas de terceiros. Conceitualmente parece que são rigorosamente procedentes 9 cf. Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Rio de Janeiro, 1964, tomo XVIII, p. 9 10 Maria Helena Diniz, Dicionário Jurídico, Saraiva, São Paulo, 1998, pág. 311 11 De Plácido e Silva, Vocabulário Jurídico, Forense, Rio de Janeiro, 1987, vol. IV, pág. 215. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 21 21 essas observações. O conceito de serviço supõem uma relação com outra pessoa, a quem se serve. Efetivamente, se é possível dizerse que se fez um trabalho “para si mesmo”, não o é afirmarse que se prestou serviço “a si próprio”. Em outras palavras, pode haver trabalho, sem que haja relação jurídica, mas só haverá serviço no bojo de uma relação jurídica. (Aires Fernandino Barreto, ISS na Constituição e na Lei, Dialética, São Paulo, 2003, pág. 29) Como se vê, há claramente em todas as definições de serviço a idéia de atividade destinada a atender diretamente necessidades humanas. No serviço há sempre uma atividade que consiste em servir a outrem, em atender necessidades de outrem. É o próprio agir, a própria atividade ou esforço humano, que serve, que atende a necessidade de outrem. É certo que a expressão de qualquer natureza pode ser vista como indicativa de ampliação do alcance da referida norma. Mas é certo também que o ser de qualquer natureza o serviço não nos autoriza a entender como tal uma atividade que serviço não seja. Como se sabe o STF julgou inconstitucional a inclusão de “locação de bens móveis” na lista de serviços anexa ao DL nº 406/68 (RE nº 116.121). A decisão se substanciou na distinção entre præstare ou facere e dare. Nessa mesma linha podese entender que instituições financeiras também prestem serviços, como o serviço de cobrança de duplicatas, o serviço de emissão de talões de cheque e outros do mesmo gênero. Mas isso não faz das atividades financeiras um serviço. Na verdade, independentemente da questão referente à definição constitucional de serviço, o problema relativo às contribuições para o PIS ou para COFINS, seja qual for o sentido atribuído a serviço de qualquer natureza, está antes na definição de faturamento. Ou seja, é o conceito constitucional de faturamento que autoriza a inclusão nele do conceito de receita bruta em sentido estrito, e não o contrário. É no tratamento dado à receita da venda de serviços como receita bruta em sentido estrito e, por força disso, equiparável a faturamento em seu sentido constitucional que está a questão. Ou em outro giro: não se trata de saber se o conceito de serviço financeiro integra a expressão serviços de qualquer natureza, conforme a definição legal de receita bruta, mas se faz parte da definição constitucional de faturamento. Recorro de novo ao Ministro Pertence, ao esclarecer que, quando a lei ordinária chama de receita bruta (em sentido estrito) o que é faturamento, é aí que ela se ajusta à Constituição. Nesses termos, ainda conforme o mesmo Ministro, “a partir da explícita vinculação genética da contribuição social de que cuida o artigo 28 da Lei 7.738/89 ao FINSOCIAL, é na legislação desta, e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam”. E nessa legislação (DecretoLei nº 2.397/87, art. 22, § 1º), como já exposto, está disposto que receita bruta é das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza (alínea a), dela distinguindose as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (alínea b), bem como as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas (alínea c). Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 22 22 Vale dizer, ainda que se entenda que o conceito constitucional de serviço possa admitir como tal os serviços efetivamente prestados pelas instituições financeiras, as demais receitas operacionais das instituições financeiras (receitas financeiras e outras) estão excluídas do conceito de receita bruta em sentido estrito para efeito de sua subsunção ao conceito constitucional de faturamento. Não há, pois, como subsumilas à expressão: serviços de qualquer natureza. Muito bem, além de todo exame supra realizado, é preciso examinar, no contexto a nós apresentado a quê corresponde a expressão receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, usada na decisão do Recurso Extraordinário 401.3487, evitandose a superficialidade com a qual o tema foi abordado no acórdão combatido. Tomo, somente para fins didáticos, a liberdade de repetir a decisão do Ministro Peluso no Recurso Extraordinário em foco, grifando alguns pontos para destacar: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator Obviamente, não estamos diante de um voto claro suficiente, mas estamos diante elementos suficientes para que se possa esclarecêlo. No voto do Ministro Peluso, falase, pois, de receita bruta de venda de mercadoria e da prestação de serviço, isto é, do sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza; falase, assim, de soma das Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 23 23 receitas; em alusão ao artigo 187 da Lei nº 6.604/197612, de receita como gênero abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial; por fim, dentro do gênero, das receitas operacionais; donde, receita bruta como produto do exercício de atividades empresariais típicas. Não me parece que o Ministro Peluso quis rever o conceito de faturamento, até então consagrado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, o conceito de “ faturamento” não mais seria a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza” mas “qualquer outra receita, desde que oriunda das atividades empresariais”. Primeiramente porque não foi objetivo do STF, ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, redefinir o conceito constitucional de faturamento, mas sim o de rechaçar a definição legal de receita bruta estabelecida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, por ser esta inadequada àquela expressão constitucional. Depois porque, a mais simples interpretação sistemática do voto em foco, nos leva a entender que o que se pretende é tributar o faturamento cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza. Veja que o voto em exame utilizase da fórmula sintática “ou seja”, se utiliza de uma paráfrase que faz o desenvolvimento de um texto sem alteração do seu sentido original, nesse rumo, não pode desempenhar outro papel na frase, senão de conector para convencer o interlocutor acerca de sua validade preliminar13 – o faturamento pressuposto na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais – equivalendo (1) faturamento, (2) receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza e (3) receita das atividades empresariais. A decisão faz equiparação do conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, através da locução “ou seja” ao termo soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Não substitui um pelo outro, como se fez fazer crer. 12 Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. § 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) 13 FUCHS, C. La paraphrase. Paris: Presses universitaires de France, 1982, pág. 55. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 24 24 Repete, ainda, o voto a expressão faturamento – excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente – e quando fala em receita estranha ao faturamento não se refere a nenhuma outra, senão a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, reforçando a idéia da definição constitucional de faturamento, senão o voto se limitaria a apontar a receita, mas ao se referirse a faturamento informa que toma a “receita” no sentido de faturamento, conforme até aqui expus. Por último, o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, nº 358.273RS e nº 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme o seu teor, da maneira que se pode ver por meio da abreviatura “cf”. Conforme já visto anteriormente esses Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Assim, referendou o Ministro o entendimento do próprio STF de que o faturamento se cinge à receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, independentemente de sua posição pessoal, mesmo porque, julgando nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil não poderia têlo feito, se em sentido distinto da jurisprudência dominante do STF. Considerando isso, quer pela óptica constitucional, quer pela óptica doutrinária ou ainda, pela interpretação primária do próprio voto, tenho que não há como se tomar as intermediações financeiras sujeitas à incidência da contribuição Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 25 25 Voto Vencedor Conselheiro Flávio de Castro Pontes Redator designado Ainda que respeitáveis as razões do ilustre relator, discordase de seu entendimento. Consignese, de imediato, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é o fórum adequado para se discutir a violação de coisa julgada. Ora, se a recorrente tivesse absoluta certeza dos efeitos da coisa julgada material, deveria pleitear ao órgão jurisdicional, que possui os meios necessários de tornar eficaz uma decisão judicial, o seu cumprimento. Assim sendo, não há contrariedade à coisa julgada, visto que a decisão transitada em julgado não definiu a composição da base de cálculo da contribuição PIS para as instituições financeiras. Incontestavelmente o cerne do litígio consiste em interpretar a coisa julgada na referida atividade jurisdicional. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre a coisa julgada in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 630: (...) a coisa julgada material corresponde à imutabilidade da declaração judicial sobre o direito da parte que requer alguma prestação jurisdicional. Portanto, para que possa ocorrer coisa julgada material, é necessário que a sentença seja capaz de declarar a existência ou não de um direito.(grifouse) Como bem relatado, o Excelso Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão monocrática do Relator, Ministro Cezar Peluso, recurso extraordinário 401.348, processo originário 2000.38.03.0007782/MG, decidiu não incluir na base de cálculo do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 26 26 excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(grifouse) Outrossim, sabese que o STF no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR declarou inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Neste julgamento, o Ministro César Peluso esclareceu o seu ponto de vista a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. A propósito, o art. 2º e o caput do art. 3º da Lei 9.718/98 mantiveramse incólumes pela decisão do STF: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". (grifouse) Necessário é lembrar que a decisão judicial declarou inconstitucional o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, garantindose o direito da recorrente de apurar a contribuição PIS com base no faturamento, assim entendido a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviço de qualquer natureza, isto é, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Destarte, resta definir o que seja a soma das receitas oriundas das atividades empresariais. Tenhase presente que o conflito de interesses referese a um ramo peculiar da atividade econômica, o do sistema financeiro. O conceito de instituição financeira está definido no art. 17 da Lei 4.595/1964: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.(grifouse) Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 27 27 Configurase que as atividades de uma instituição financeira estão relacionadas com a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros, a exemplo de operações de créditos e aplicação em títulos e valores mobiliários. Percebese que as instituições financeiras transferem recursos para os diversos agentes econômicos. Como exemplo típico de uma receita de operação financeira, citase o spread, em regra, a diferença que as instituições financeiras pagam na captação de recursos e o que elas cobram dos clientes. É certo que a natureza dessa receita é operacional e está vinculada à atividade econômica da instituição financeira. A partir destes conceitos, podese inferir que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Neste contexto, as receitas oriundas das operações bancárias (receitas operacionais) compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições, nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98. Como bem assentado pelo Ministro Cezar Peluso, a inclusão ou não de eventuais receitas financeiras no conceito de receita bruta tem como variável a atividade empresarial. Assim, as receitas operacionais das instituições financeiras amoldamse ao conceito de faturamento estabelecido no art. 2º e no caput do art. 3º da Lei 9.718/98, de sorte que as aludidas operações caracterizam uma peculiar prestação de serviços de qualquer natureza. Nesta esteira, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, também adotou o entendimento de que as receitas decorrentes das atividades financeiras integram a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins como prestação de serviços. Por oportuno, colacionase alguns trechos do citado Parecer, inclusive a conclusão: “(...) 55. Assim, as operações bancárias consistem em prestação de serviços. Efetivamente, é possível considerar o conjunto da atividade exercida por um banco comercial, para fins tributários (definição da base de cálculo da COFINS) como prestação de serviços. (...) 60. (...) O resultado da atividade de intermediação financeira, apesar de não sujeita à ação de faturar, constituindo ato de comércio e decorrendo da própria atividade negocial da empresa, integra o seu faturamento para os efeitos fiscais de concretizar o fato gerador da COFINS/PIS. 61. O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 28 28 não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras.(...) 66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: (...) d) o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliou o conceito de receita bruta para abarcar as receitas não operacionais foi considerado inconstitucional pelo STF nos RREE n. 346.084, 357.950, 358.273, 390.840;(...) h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); (...) 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” (grifouse) Convém ressaltar que nas demonstrações de resultado dessas instituições, as questionadas receitas são classificadas como receitas operacionais da atividade financeira, por conseguinte de prestação de serviços nos termos da tese acima esposada. E, mais, cabe acrescentar que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região também está consolidando esse entendimento, conforme recentes decisões judiciais, a exemplo do acórdão abaixo: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. LEI N. 9.718/1998, ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DO EXERCÍCIO DO OBJETO SOCIAL. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. 1. (...)2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, n. 390.840/MG, n. 358.273/RS e n. 346.084/PR. 3. No caso concreto, a questão vai além da simples declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998. Tratase, também, de definir o alcance do termo "faturamento", base sobre a qual incide o tributo. 4. Quando do julgamento dos Recursos Extraordinários mencionados, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS . Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 29 29 prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. 5. Os impetrantes são instituições financeiras, que obtém receitas mediante as atividades de "coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros" (art. 17, da Lei n. 4.595/1964). Neste caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços. 6. Deve ser reconhecida a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, para que a impetrante possa apurar a COFINS tendo por base de cálculo o faturamento, correspondente à receita bruta decorrente do exercício do objeto social ao qual se dedica. (...)(grifouse) (Processo: 001092848.2005.4.03.6100, eDJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2012) Com efeito, o voto vencedor do Desembargador Federal Márcio Moraes entendeu de forma explícita que compõe o faturamento das instituições financeiras todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, conforme excerto abaixo: É certo que, quando do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS. Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. (...) Nesse caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços.(grifouse) Não é outro o entendimento dos Tribunal Regional Federal 2ª Região, segundo se depreende do acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. PIS E COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPENSAÇÃO. I O § 1º do art. 3º da lei nº 9718/98, que Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906302/200951 Acórdão n.º 380101.080 S3TE01 Fl. 30 30 alterou a base de cálculo da COFINS e do PIS, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. II As instituições financeiras devem recolher o PIS e a Cofins incidentes sobre seu faturamento, este entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas nãooperacionais é que será indevida, ensejando a compensação dos valores que eventualmente tenham sido recolhidos a esse título. III – Embargos de declaração parcialmente providos. (Processo: 2005.51.01.0117643 , E DJF2R Data:04/04/2011) (grifouse) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. É indubitável a capacidade econômica das instituições financeiras, portanto devem suportar a incidência da contribuição PIS sobre suas receitas operacionais. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza a exclusão das aludidas receitas da tributação em referência. De modo que em face das razões acima, as receitas operacionais de instituições financeiras são para fins tributários consideradas como prestação de serviços e estão sujeitas a incidência da contribuição PIS. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.003690/2008-42
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO (APD). TABULAÇÃO DE RECURSOS E DISPÊNDIOS.
A omissão de rendimentos tributáveis, arbitrada com base em acréscimos patrimoniais a descoberto, deve estar calcada na tabulação dos recursos comprovados pelo contribuinte e dos dispêndios apurados pela fiscalização. O simples cotejamento entre a situação patrimonial declarada no final do ano-calendário com a do início do mesmo ano, não se presta à caracterização do APD.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada e justificada, presume-se a ocorrência de omissão de rendimentos tributáveis.
MULTA AGRAVADA. INTIMAÇÕES ATENDIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
A resposta do contribuinte às intimações do agente fiscal impossibilita a majoração da multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-001.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para afastar a exigência do item 02 da autuação e reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente).
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TABULAÇÃO DE RECURSOS E DISPÊNDIOS. A omissão de rendimentos tributáveis, arbitrada com base em acréscimos patrimoniais a descoberto, deve estar calcada na tabulação dos recursos comprovados pelo contribuinte e dos dispêndios apurados pela fiscalização. O simples cotejamento entre a situação patrimonial declarada no final do ano calendário com a do início do mesmo ano, não se presta à caracterização do APD. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada e justificada, presumese a ocorrência de omissão de rendimentos tributáveis. MULTA AGRAVADA. INTIMAÇÕES ATENDIDAS. IMPOSSIBILIDADE. A resposta do contribuinte às intimações do agente fiscal impossibilita a majoração da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para afastar a exigência do item 02 da autuação e reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 90 /2 00 8- 42 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2004 e 2005, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 295/299, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.773.299,19. A fiscalização apurou: i omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI, em 2003. A autoridade fiscal aplicou a multa de 112,50%; ii omissão de rendimentos tendo em vista variação patrimonial a descoberto, relativo ao anocalendário de 2003. A autoridade fiscal aplicou a multa de 112,50%; iii omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituição financeira, em relação aos quais o sujeito passivo, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A autoridade fiscal aplicou a multa de 112,50%. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação (fls. 302/314), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Por entre o relato dos fatos, ressalta que o autuado é sócio da pessoa jurídica Dynatech Comércio Import. Export. Ltda., CNPJ nº 67.117.499/000192, possuindo 50% das quotas do capital social da empresa. A citada sociedade foi autuada pela RFB consoante processos administrativos nº 10880.589633/200643 e 19515.002198/200698, cujos créditos atualmente encontramse inscritos no Cadastro da Dívida Ativa Federal, sob o fundamento de omissão de receitas no montante total de R$ 1.574.406,86, referente aos exercícios fiscais de 2002 e 2003. Face às distribuições de lucro para o impugnante pela sociedade mencionada, inclusive declaradas pelo autuado em 2004 e 2005, a autuação é insubsistente. Direito/Preliminares/Pressupostos do Auto de Infração: Transcreve art. 5º, LV, da Constituição Federal (contraditório e ampla defesa), argumentando que tal garantia constitucional Fl. 359DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.003690/200842 Acórdão n.º 2201001.576 S2C2T1 Fl. 3 3 compreende a adoção escorreita das formalidades legais essenciais e implica o afastamento de pretensões inválidas; cita doutrina sobre princípios do procedimento tributário, destacando o princípio da fundamentação; cita o art. 2º, VII, da Lei nº 9.784/99 (obrigatório apontamento dos pressupostos de fato e de direito da decisão administrativa) e Decreto nº 70.235/72, a partir do art. 7º (normas voltadas para a obtenção da verdade real), para alegar que, apesar das prescrições legais (arts. 3º e 4º do CTN) impingirem o dever de clareza, correção e completude, os valores relacionados pelo auditor como bases de cálculo não correspondem às rendas do impugnante e nem mesmo à mera circulação financeira nas suas contas e cartões de crédito, conforme se dessume dos extratos juntados, já que pela simples soma das bases de cálculo obtêmse valor distinto dos informados pelos ingressos constantes dos documentos de apoio. Como a base de cálculo não está corroborada por documentação precisa, o que será demonstrado por perícia simplíssima, eivada está a exação por deturpar o pressuposto da estrita legalidade, sendo a base de cálculo inaproveitável ao fim desejado e, consequentemente, imperiosa a anulação do auto de infração. Mérito: Prevalência da realidade na matéria tributária: O impugnante informou, tempestiva e legitimamente, rendimentos advindos de lucros e dividendos distribuídos pela empresa acima aludida na DAA/2004 (R$ 798.875,00) e na DAA/2005 (R$ 115.000,00), que são suficientes para explicar a evolução patrimonial do contribuinte e justificar sua movimentação financeira. A própria RFB determinou base de cálculo excedente quanto ao lucro da pessoa jurídica da qual o contribuinte é sócio nos exercícios 2002 e 2003. Cita artigos 841 e 845 do RIR/99 para argumentar que o arbitramento e demais métodos presuntivos não podem ser adotados no caso porque o contribuinte já havia declarado o recebimento dos dividendos. Jamais se poderia ter ignorado os documentos juntados pelo impugnante ou arbitrar bases de cálculo irreais quando a mesma repartição havia apurado lucros pela pessoa jurídica pagadora dos dividendos. Cita doutrina sobre presunções e sobre o princípio da proporcionalidade, sintetizando afinal que é irregular a exigência guerreada posto que apoiada em arbitramento indevido e incapaz de suprir a realidade factual, a uma por preterir informações escorreitamente prestadas pelo contribuinte através de declarações de ajuste do IRPF, a duas por olvidar as próprias manifestações contidas nos processos administrativos e autos de infração aplicados em face da empresa, descabendo quaisquer críticas ao aproveitamento dessa base de cálculo para distribuição do lucro, primeiro porque fixada pela própria RFB, e segundo porque expressa à base de 8% das receitas, portanto dispensando escrita contábil administrativa, já que atinente a empresa sujeita à sistemática do lucro presumido. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Inexistência de dolo: quaisquer infrações porventura cometidas o foram sem dolo ou culpa, sem intenção de lesar o fisco ou qualquer outro órgão ou consumidor. Multas: o percentual de 112,5% aplicado ultrapassa o parâmetro para um quantum razoável, máxime quando o contribuinte não praticou condutas evasivas, informou fatos verossímeis e portouse com diligência, devendo ser excluída a multa agravada em função da desproporcionalidade e porque a presente hipótese diverge das situações tipificadas como ensejadoras de tal sanção, preferencialmente sancionando apenas pela mora simples. A 4ª Turma da DRJ – São Paulo/SPO II julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: PRELIMINAR. NULIDADE. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se cogitar em nulidade. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, com a redação da Lei nº 8.748/93. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação e decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais são de competência exclusiva do Poder Judiciário, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.003690/200842 Acórdão n.º 2201001.576 S2C2T1 Fl. 4 5 A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal. Caracterizado nos autos o não atendimento, no prazo, de intimação efetuada em conformidade com os ditames legais, é de se manter o agravamento da multa de ofício. Intimado da decisão de primeira instância em 21/05/2009 (fl. 346), Rafael Merino Gomes apresenta Recurso Voluntário (fls. 350/356), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos o lançamento é decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário 2004; acréscimo patrimonial a descoberto, referente ao ano calendário de 2003 e omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI, também relativa ao anocalendário de 2003. Inicialmente deve ser reproduzida a ressalva feita pela autoridade recorrida: “O impugnante deixou de impugnar a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI em 2003. As matérias não contestadas pelo interessado consolidam administrativamente os créditos tributários a elas correspondentes, que ficam, portanto, definitivamente constituídos”. Feita a consideração inicial, passase à análise da preliminar aventada pelo recorrente. Alega o suplicante, preliminarmente, nulidade do auto de infração, pois, segundo seu ponto de vista, a inadequada e confusa constituição da exigência ocasionou prejuízos a ampla defesa e ao contraditório. Pois bem, em relação ao APD – Acréscimo Patrimonial a Descoberto (item 2 do Auto de Infração) a questão será enfrentada no mérito. Quanto à exigência relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, penso que sua constituição se deu de forma correta. Em verdade, constatase na planilha de fl. 224 que a autoridade fiscal totalizou os créditos de origem não comprovada, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário 2004. Por sua vez, subtraiu deste montante os créditos comprovados e os rendimentos declarados no ano de 2004 (fls. 197 e 202). Assim, sem muito esforço, é possível identificar o rol dos créditos bancários de origem não comprovada. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Assim sendo, em relação a esse item da autuação os procedimentos fiscais produzidos estão devidamente elaborados, devidamente fundamentados e com as descrições necessárias, possibilitando uma razoável compreensão dos fatos ali relatados, pelas pessoas habilitadas à sua apreciação. Portanto, ausente prejuízo à defesa do autuado e preenchidos os requisitos exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, não procede à alegação de nulidade, relativamente item 3 do Auto de Infração Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. Passemos, então, a análise do mérito. Acréscimo Patrimonial a Descoberto De início, impende ressaltar que a exigência relativa ao acréscimo patrimonial a descoberto está embasada na presunção legal prevista no art. 55, inc, XIII do RIR/1999: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°, § 4°, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2°, inciso IV, e 70, § 3°, inciso I): (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; (...) Da leitura dos dispositivos legais acima mencionados, depreendese que se devem confrontar, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para se apurar a evolução patrimonial do contribuinte. Contudo, não é o que ocorre nestes autos. O demonstrativo fiscal de fls. 288/289 é por demais deficiente e não permite essa confrontação. O procedimento fiscal apenas cotejou a situação patrimonial informada em sua DIRPF em 31/12/2003 com a declarada 31/12/2004. A bem da verdade, no trabalho fiscal não foi realizada a tabulação mensal dos recursos e dispêndios necessária à caracterização do APD. Com efeito, o procedimento fiscal que apura a omissão de rendimentos relativo Acréscimo Patrimonial a Descoberto deve ser estruturado em períodos mensais, conforme ampla jurisprudência deste Órgão Administrativo: IMPOSTO DE RENDA ACRÉSCIMO PATRIMONIAL — APURAÇÃO MENSAL — A presunção legal que tem por objeto identificar a renda auferida com suporte na evolução patrimonial positiva, em respeito ao aspecto temporal da hipótese de incidência, somente pode ser estruturada em períodos mensais. (Acórdão n° 10247.232) Em face dessa deficiência, congregada ao entendimento majoritário do CARF, no sentido que esse tipo de apuração é incorreto, resta propugnar pelo cancelamento da exigência constituída a título de acréscimo patrimonial a descoberto. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.003690/200842 Acórdão n.º 2201001.576 S2C2T1 Fl. 5 7 Omissão de Rendimentos Provenientes de Depósitos Bancários A tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários pautouse no art. 42 e parágrafos, da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, e pelo art. 58 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (grifei) Pelo que se depreende da leitura do dispositivo legal acima, o legislador estabeleceu, a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, desde que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Assim, o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável, invertendo, portanto, o ônus da prova, característica das presunções relativas, que admite prova em contrário. No caso concreto sob exame alega o recorrente, em linhas gerais, que “Os valores que transitaram em suas contas correntes devem ser considerados como lucros distribuídos pela empresa da qual o Recorrente é titular (...) a referida empresa foi autuada pela Receita Fiscal do Brasil e teve seu lucro arbitrado (...) Ora, por expressa disposição legal, o lucro arbitrado na pessoa jurídica considerase distribuído em favor dos sócios, na proporção da participação do capital social”. Inicialmente, deve ser registrado que o recorrente em momento algum faz qualquer vinculação dos depósitos bancários havidos nas diversas contas correntes com os valores recebidos a título de distribuição de lucros. Com efeito, é necessário que o contribuinte aponte quais os lançamentos contábeis, relativo a lucros distribuídos, que justificam os depósitos ocorridos em suas contas. Frisese, ainda, que como se trata de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, a comprovação não pode ser feita de forma genérica com indicação de uma receita ou rendimento informado em um determinado documento a comprovar um ou vários créditos em conta. Ademais, o fato de o contribuinte ser sócio de empresa não permite concluir que todos os depósitos efetuados em suas contas pessoais referemse a lucros distribuídos. Portanto, sem outros elementos de prova não há como dar guarida à alegação do recorrente. Por fim, o autuado insurge contra o agravamento da exigência, alegando, que “... foram prestados todos os esclarecimentos necessários e não houve qualquer óbice à lavratura do Auto de Infração”. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 De acordo com a autoridade fiscal a multa de ofício foi agravada em função da reiterada omissão do fiscalizado na apresentação dos documentos e esclarecimentos. A multa de ofício deve ser agravada quando o contribuinte deixar de prestar esclarecimentos solicitados pela Fiscalização visando dificultar ou impossibilitar a auditoria fiscal. No presente caso, não me parece configurada, na espécie, a tentativa de dificultar ou impossibilitar a auditoria fiscal, pois o recorrente apresentou respostas, ainda que parciais, as intimações da fiscalização, conforme se colhe dos Termos de Respostas constantes às fls. 13, 16, 19, 20 e 23. Assim, entendo, pois, que deve ser aplicada tão somente à multa de ofício no percentual de 75%. Ante ao exposto, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito dar parcial provimento ao recurso para afastar o item 2 do auto de infração (acréscimo patrimonial a descoberto), bem como reduzir a multa de ofício para 75%. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 365DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.003690/200842 Acórdão n.º 2201001.576 S2C2T1 Fl. 6 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 19515.003690/200842 Recurso nº: 500.204 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.576. Brasília/DF, 18 de abril de 2012 ______________________________________ Pedro Paulo Pereira Barbosa Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 366DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Transporte efetuado em "container" des carregado intacto no Porto de destino, sem constar de Termo de Avaria, com in tearidade dos dispositivos de seguran- ça originais e conhecimento emitido com as ressalvas "House to Pier" e "Ship- per's Load and Court" não caracteriza responsabilidade fiscal do transporta- dor por falta de mercadoria(volume) ne_ le contido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autosde recurso interposto por AGÊNCIAS MUNDIAIS LTDA.: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos ter- mos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os Cons. João Holanda Costa e Itamar Vieira da Costa que negavam provimento ao recurso. -ala el.s SessOes(DF), em 23 de agosto de 1991. MARI A d_ F - PRESIDENTE ,/'L 7 P LO AFF N ECA DE : A RRII: F. JUNIOR - RELATOR -----: IRAN DE LIMA - PROCURADOR DA FAZENDA NACIO v.v NAL ./ emirra/nr- SECOS N 084/90 ----- 894. Parti-ci-parPja, ainda, d9 PX'e4enté ros.: FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO,......JOSÉ ALVES DA'1',-)NSECA, CAMPEIO NETO é:SEBASTTÃO RODRT:GUES dABRAL..„ \ • • • - • tYln SSCRe SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N° 10283/006.242/87-01 RECURSO P49 : RD/301-0.133 ACORDA() P12 : CSRF/031.774 RECORRENTE: AGENCIAS MUNDIAIS LTDA RECORRIDA: PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO_ A RECTE., insurge-se contra decisão adotada pelo Acórdão 301-26.139 de 25.01.90 por falta de mercadorias apurada quando do desembaraço aduaneiro que estavam dentro de um "contai- ner" lacrado e selado e sem sinais de violação, entendendo que es- se equipamento é uma parte ou acessório do navio, não sendo embala gem do produto, baseando-se no ART. 59 do Decreto 80.145/77 e no ART. 478, § 19, VI, do RA. Fundamenta-se o Recurso (f is. 385 a 392), que leio em sessão, que a carga estava coberta por conheóimento com cláusula "house to pier", comlacre e selo perfeitos, além decadea- do, estribando-se nos ARTS. 19 e 20, VI, da Lei 6288/75 e 479 do RA, citando-se em apoio a sua tese os Acórdãos 302-31.707 e ... 302-31.246, alem de decisão do Poder Judiciário e pede areforma do "decisum". A douta Procuradoria da Fazenda Nacional adota os argumentos do Acórdão recorrido- x, LIN DAMEFP/DF- SECOS N 2 065/90 J.N.' sEniçoNnicoffoEuL PROCESSO N9 10283/006.242/87-01 3. Acórdão n9-CSRF/a3-n1,774 A divergência jurisprudencial alegada foi acolhi- da e dado seguimento ao apelo. JÉ o Relatório. )A. \ , sEmmoNnwomERAL PROCESSO N9 10283/006.242/87-01 4. Acórdão n9-CSRF/03.01,774 VOTO_ _ Conselheiro PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR, relator. O "container" estava lacrado e selado sem sinais de violação. No Conhecimento Marítimo de Carga constem as cláu- sulas de transporte "House to Pier" e "Shipper's Load and Court", o que demonstra haver sido carregado e lacrado pelo expedidor. Nessas condições, não tendo sido lavrado Termo de Avaria do próprio "container n , por ocasião da descarga, tem-se , que admitir estarem íntegros naquele momento e até sua desova seus dispositivos de segurança originaiS (lacre, cadeado, etc.). O transportador não pode responder por faltas que não tenham ocorrido durante o transporte. O Decreto 80.145/77 que regulamenta aLei 6.288/75 (unitização, movimentação e transporte, inclusive intermodal, de mercadorias em unidades de carga) em seu ART. 30 exonera a empre sa transportadora de toda responsabilidade pelas perdas ou danos , aos bens quando ocorrer uma ou mais das circunstâncias inseridas nos seus incisos. A este caso aplicam-se o I=,. erro ou negligên- cia do exportador, expedidor, importador ou destinatário, e o VI-,. estar a mercadoria em "container", que não esteja sob contro_ le do transportador e que não possua documentação em ordem. Adi- te-se ainda os termos do ART. 478 do RA. Face ao exposto, do provimento ao Recurso. 42,---"-Q) ' ,-----=-,‘--75; PAULO AFFONSECA DE BARRO F IA JONIOR-RELATOR ,, 14\ , ,,,,, '4' . ,,,,,, I .,, , _ Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FROTA OCEÂNICA BRASILEIRA. , ACORDAM os Membros da Cãmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos ter mos do relatOrio e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ubaldo Campeio Neto, Paulo AffonsecadeBar ros Faria Júnior e Sebastião Rodrigues Cabral, que davam provimento ao recurso. , - .as Ses/Oes (DF), em 22 de agosto de 1991. "3-. ",..e...0.0- • I AI ' r- ;pndo, 111111rr - PRESIDENTE .' 1/1 / 'Á 7 , / -É A/„L". DA FONSECA - RELATOR /' rRAN DE LIMA - PROCURADOR DA FAZENDA NA- CIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei ros: ITANAR VIEIRA ,DA COSTA, FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO e ,-JOÃo1 HOLANDA COSTA .i ON t fl 1 j í : neum2/nr- SECOS NI 064/90 J.H, nvtco PUBLICO r EDEPAL PROCESSO N 2 10845-005856/87-17. RECURSO N2 RD/301-0.120 ACÓRDÃO CSRF/03-01.740 RECORRENTE : FROTA OCEÂNICA BRASILEIRA. RECORRIDA : 1 2 CÂMARA DO 3 2 CONSELHO DE CONTRIBUINTES. RELATÓRIO Recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais a empresa em referôncia, pleiteando a reforma do acórdão n 2 301-26.041, de 20/09/89, prolatado pela 1 g Câmara do 3 2 Conselho de Contribuintes, cujo teor foi assim ementado: Conferência final de manifesto. 1. O transportador é responsável pelo imposto de importaçao quando transportar mercadoria sob con trole aduaneiro (art.32, I e art.60, parágrafo único do Decreto-lei n 2 37/66 e art. 476, 478, § 1 2 do Regulamento Aduaneiro). 2. Tratando-se de mercadoria a granel sólido (sal ) a tolerância de quebra se situa em 1% (um porcen to) na forma estabelecida na IN-SRF n 2 95/84. 3. Recurso negado. A recorrente, inicialmente, argumenta que a falta apontada nos autos decorre de uma quebra inevitável do produto transportado a granel. Relata que teve indeferido , pela 1 g Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, seu pedido de consulta ao I.N.T., sob o argumento de que os índices estipulados na IN 095/84 são inexcedíveis. Como paradigmas de seu recurso trouxe os acórdãos n 2 s 303- 23.117 que expõe entendimento diferente sobre a matéria, reconhecendo os limites previstos nos laudos do INT, para excluir a responsabilida de do transportador sobre faltas apuradas até aquele limite, e 302-31.239 que considera o disposto na IN 012/76 não apenas para dis pensa das penalidades, mas também dos tributos devidos. - Entende a peticionária que, de acordo com os diferentespro nunciamentos a respeito, os índices previstos na IN 095/84 nãosão deto do inquestionáveis. O fato de que tal IN deve ater-se às normas hierar fr sERvico PueLico FEoEfRAL PROCESSO N9 10845/005.856/87-17 3. quicamente superiores fundamenta a jurisprudência tomada como para digma. O Imposto de Importação, prossegue, é disciplinado pelo D.L. n g 37/66 e pelo Decreto n g 91.030/85, onde é respeitado o prin- cípio de que respondem por infrações aqueles que lhe deram causa. Decorre daí, continua, ser livre o seu direito de produzir provas demonstrando que neste caso, em particular, circunstância alheia sua vontade causou a falta de mercadoria constatada. Entende a recorrente que, uma vez comprovado que a infra ção apontada decorreu, de fatos relacionados com a própria natureza do produto transportado, os índices estabelecidos na IN 095/84 devem ser entendidos como um limite mínimo e não um teto para as perdas ocorri das durante o transporte de granéis. Porém, no seu caso, a consulta ao INT, que produziria as referidas provas, foi considerada dispensável, deixando-se, pois, de admitir-se a quebra natural acima dos limites da referida InstruçãoNor mativa. Assim, espera,a recorrente seja provido seu recurso. A Procuradoria da Fazenda Nacional defende a confirmação do acórdão recorrido, por seus próprios fundamentos. /P\ 111,44 41 1° É o relatório. s.r nviço r-urn 1( o rrnEgAL PROCESSO 1\19 10845/005.856/87-17 4. VOTO Entendo correta a decisão recorrida, inclusive quanto a rejeição da consulta do INT- Instituto Nacional de Tecnologia. É bom que se obseve que quando a Secretaira da Receita Federal baixou a IN-SRF 95/84 ela não agiu discriminariamente. Para fixar aquele percentual ela consultou a órgãos especializados como o instituto citado pela recorrente,e o percentual de 1% (um por cen to) foi fixado em obediencia ao determinado pelo artigo 483 do RA. Assim sendo, entendo correto o percentual máximo fixa- do, que além de ter sido determinado pelo órgão competente, repre- senta um sumário de conclusões de vários institutos especializa dos e não apenas de um só. Nego provimento ao recurso. Sala das sessões, 22 de agosto de 1991. José Alves da Fonseca Relator 14,) Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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