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Numero do processo: 10074.000322/2007-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, por converter o julgamento em diligência nos termos da proposta do Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, designado para redigir o voto vencedor. Vencidas as Conselheiras Relatora e Maria Aparecida Martins de Paula que rejeitavam a diligência para adentrar no mérito. Ausente justificadamente o Conselheiro Suplente Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, por converter o julgamento em diligência nos termos da proposta do Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, designado para redigir o voto vencedor. Vencidas as Conselheiras Relatora e Maria Aparecida Martins de Paula que rejeitavam a diligência para adentrar no mérito. Ausente justificadamente o Conselheiro Suplente Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Florianópolis/SC, que declarou RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 74 .0 00 32 2/ 20 07 -2 3 Fl. 3650DF CARF MF Processo nº 10074.000322/200723 Resolução nº 3402001.378 S3C4T2 Fl. 3.651 2 improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de Imposto de Importação (“II”), Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), bem como as respectivas multas de ofício no patamar de 75% e juros de mora em razão de desconsideração pela fiscalização aduaneira do valor declarado (valor de transação) pelo importador nas importações realizadas através das Declarações de Importação (Dl) relacionadas às fls. 04 a 14. Por bem consolidar os mais importantes fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, bem como os argumentos trazidos pela Contribuinte em sede de impugnação, com riqueza de detalhes, colaciono os trechos mais importantes do relatório do Acórdão da DRJ: (...) A autoridade autuante assim descreveu os fatos, fls. 186 a 206, em síntese: Que as mercadorias foram vendidas no exterior para a "Sociéte de Telecommunications Aeronautiques" — SITA e posteriormente foram exportadas para a EQUANT Address (USA), sociedade pertencente ao mesmo grupo, que por sua vez exportou para a EQUANT Brasil (incorporadora da ClP do Brasil) sob o regime de comodato. Que o importador entregou o contrato de comodato que ampara a remessa das mercadorias pela SITA para o importador brasileiro Equant Brasil Ltda (fls. 177 a 191 do anexo XV). • Que no contrato de comodato entre o exportador e o importador consta que "os bens serão usados unicamente para implementação de centros de comutação e concentração anteriormente instalados ou a serem instalados em dependências da CIP do Brasil, de forma a permitir a interligação com a rede mundial da SITA". • Que a importação se deu sob o regime de comodato, não se aplicando, assim, o primeiro método de valoração aduaneira. • Que foi analisado criteriosamente o cabimento da aplicação de cada um dos métodos substitutivos, em ordem cronológica, do segundo ao sexto método, chegandose a conclusão de que o método a ser utilizado é aquele previsto no artigo 7° do acordo sobre valoração aduaneira, uma vez que não foi encontrada nos sistemas informatizados da RFB importação de mercadorias idênticas ou similares. • Que a alegação do importador de que o valor reduzido se deu por aplicação do desconto de 45% é incoerente com o disposto no contrato de comodato entre a Equant Brasil e a SITA SC. • Que a segunda alegação do importador de que o valor aduaneiro reduzido se deu em virtude de um desconto de 43% é inverossímil pela análise do valor da Dl em comparação com as listas de preço da CISCO. • Que o critério utilizado para se valorar as mercadorias se baseou nos valores constantes das faturas emitidas pelo exportador ao importador e considerando a primeira resposta do próprio importador de que tais valores foram reduzidos em 45% pretensamente a título de desconto para demonstração/avaliação. Fl. 3651DF CARF MF Processo nº 10074.000322/200723 Resolução nº 3402001.378 S3C4T2 Fl. 3.652 3 • Que a base de cálculo foi redefinida, desconsiderandose o desconto de 45%. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 303 a 326, alegando, em síntese: • Que não persiste o entendimento esposado pelos fiscais signatários do auto, sendo perfeitos e legítimos os valores aduaneiros declarados pela impugnante em suas importações. • Que em um primeiro momento, a Cisco Systems, por meio de urna de suas filiais (por exemplo: Malásia, México, EUA), fornece à SITA S/A, localizada nos EUA, as mercadorias. Logo, há uma operação de exportação para os EUA ou uma operação interna, nesse mesmo pais. Em tal transação, as mercadorias são comercializadas com certo desconto da CISCO para a SITA. • Que, em uma segunda etapa, a SITA promove a exportação, desde os EUA para a CIP ou para a Equant do Brasil. • Depreendese, do relatório fiscal, que a motivação da rejeição dos valores aduaneiros declarados nas 131 DI's teve por fundamento a desqualificação do valor de transação na exportação feita pela Cisco Systems à SITA. • Que as autoridades fiscais rejeitaram os valores aduaneiros praticados na exportação da SITA para a CIP do Brasil, não porque tivessem comprovado que os valores constantes das respectivas DI's não correspondessem a real transação existente entre tais empresas, mas porque, supostamente, o exportador não poderia ter adquirido as mercadorias pelo preço que as adquiriu. • Que os AFRFB pretendem desbordar de sua esfera de competência, empreendendo a fiscalização muito além dos seus limites territoriais e legais, desqualificando o negócio jurídico cuja apreciação e controle cabe a autoridade aduaneira de cada um dos países estrangeiros envolvidos. • Que independentemente de os AFRFB entenderem inválidos os descontos ajustados entre as empresas CISCO e SITA, o que não o são, ressaltese que as mercadorias ingressaram no patrimônio da SITA pelos mesmos valores por resta transferidos ao importador brasileiro. • Que não foi demonstrada no auto de infração qualquer impropriedade nas faturas comerciais que instruíram os despachos aduaneiros. • Que as autoridades fiscais não comprovaram que o importador tenha suportado quaisquer outros encargos na operação. • Que não subsiste fundamento para a autuação ora guerreada, uma vez que não se comprovou inconsistência nos valores que serviram de base de cálculo dos tributos. Ou seja, a fatura não foi descaracterizada e não houve comprovação de que tenha recaído sobre o preço das mercadorias qualquer encargo que pudesse ser atribuído ao importador. Fl. 3652DF CARF MF Processo nº 10074.000322/200723 Resolução nº 3402001.378 S3C4T2 Fl. 3.653 4 • Que a alegada divergência de preços constantes nas faturas e os que as autoridades obtiveram da "consulta ao site do fabricante/fornecedor" não tem o condão de desqualificar as bases da transação negocial havida entre o exportador e importador. • Que não procede a afirmação das autoridades fiscais acerca de inexistência de parâmetros comparativos entre as mercadorias importadas. • Que consultas ao Sistema ALICEWEB, constatase que produtos importados de idêntica classificação fiscal, dentro do mesmo período objeto do auto de infração, apresentam valores aduaneiros plenamente condizentes com aqueles que serviram de base às declarações de importação. • Que os AFRFB, indiscriminadamente, acrescem um percentual fixo a todas as operações e a todas as mercadorias, sem demonstrar em que medida esse acréscimo é adequado às conclusões de seus alegados estudos, nos quais supostamente teriam sido comparados os preços constantes das DI's com aqueles pesquisados nos "sites da intemet". • Que das 130 Dl' s objeto da autuação, 43 não se referem a vendas provenientes da CISCO. • Portanto, no tocante a essas 43 DI's não há como ser mantido o lançamento ora contestado, visto que em nada se coadunam com a questão levantada pelos AFRFB, sendo certo que não dizem respeito ao contrato analisado. • Que a importação terse dado sob a modalidade de comodato não implica que o valor aduaneiro declarado tenha de ser desconsiderado, dandose lugar a sua determinação segundo métodos alternativos. • Que resta clara a improcedência do lançamento fiscal que pretendeu acrescer a todas as mercadorias importadas o valor correspondente a 45%, sob a alegação de ser vinculado a uma condição não cumprida pelo exportador. • Defende, às fls. 316 a 325, que o valor declarado corresponde exatamente o valor da transação e, com base no AVAGATT, corroborado por decisões dos órgãos julgadores (CC e DRJ), a motivação invocada pela fiscalização para não aceitar o valor declarado como valor aduaneiro e adotar o 6° método (art. 7º do AVA) para o presente caso não se sustenta. Requer, por fim, a improcedência do lançamento. Em julgamento datado de 27 de março de 2009, a DRJ Florianópolis/SC negou provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 0715.525, fls 496 a 506), nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 20/03/2003 a 29/12/2003 VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCONSIDERAÇÃO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. Fl. 3653DF CARF MF Processo nº 10074.000322/200723 Resolução nº 3402001.378 S3C4T2 Fl. 3.654 5 Demonstrado que as transações realizadas não constituem operações de "compra e venda", primeira e principal condição para a aplicação do primeiro método, considerase correto o procedimento adotado pela fiscalização aduaneira no sentido de desconsiderar o valor declarado e estabelecer um novo valor com base nos métodos substitutivos previsto no AVAGATT 1994. VALORAÇÃO ADUANEIRA. CRITÉRIO RAZOÁVEL APLICABILIDADE. Demonstrada a impossibilidade da aplicação dos métodos 1° ao 50, previstos no Acordo (AVA/GATT 1994), correta a valoração da mercadoria pela fiscalização que adotou como critério razoável os valores constantes das faturas emitidas pelo exportador ao importador, desconsiderando o desconto de 45% alegado pelo mesmo. Irresignada a Contribuinte recorre a este Conselho (fls. 514 a 540), repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Os autos vieram então para julgamento deste Colegiado em sua antiga composição, resultando na Resolução n. 3402000.832, uma vez superado o entendimento dessa relatora pelo provimento do recurso voluntário. Nesta oportunidade, haja vista a ausência de elementos nos autos que possibilitassem a averiguação do procedimento necessário para o percurso nos métodos substitutivos de valoração aduaneira previstos no AVAGATT, a Turma entendeu por bem baixar o julgamento em diligência, com as seguintes instruções para a autoridade fiscal de origem: 1) Sejam juntadas provas (e.g. telas dos sistemas em que foi feita a busca por mercadorias similares ou idênticas) e todas as considerações pertinentes (e.g. razões pelas quais as mercadorias não foram consideradas idênticas ou similares) em parecer conclusivo da Fiscalização, para explicar porque a autoridade lançadora foi incapaz de utilizar o 2º método (valor de transação de mercadorias idênticas vendidas para o mesmo país de destino) e o 3º método (valor de transação de mercadorias similares) substitutivo da valoração aduaneira, tudo levando em consideração os critérios traçados pelo Comentário 1.1. do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira; 2) Sejam analisadas as provas acostadas aos autos pela Recorrente (pesquisa do sistema oficial ALICEWEB, em fls 359 417) sobre a existência de mercadorias idênticas/similares, as quais justificariam os preços praticados nas 131 DIs, também por meio de parecer conclusivo da Fiscalização. 3) Seja aberta vista sobre o resultado da diligência à Recorrente, para se manifestar no prazo de 30 dias. Foram cumpridas tais providências, dando origem ao Relatório de diligência de fls 3.503 a 3.586, o qual expõe os filtros estáticos e dinâmicos utilizados para a busca de bens idênticos ou similares pela Fiscalização para valoração aduaneira aplicada às importações objeto da lançamento tributário. A autoridade fiscal conclui que "considerando os citados Fl. 3654DF CARF MF Processo nº 10074.000322/200723 Resolução nº 3402001.378 S3C4T2 Fl. 3.655 6 filtros de pesquisa, foi realizada a extração dos dados com a utilização do DW Aduaneiro. Aproveitase a numeração das 131 DI, constante do auto de infração, para anexar as planilhas e telas que evidenciam a inexistência de bens idênticos ou similares aos importados". A Recorrente foi intimada para tomar conhecimento do citado relatório, tendo se manifestado sobre seu conteúdo por meio de petição de fls 3.594 a 3.611. No seu entender, o trabalho da fiscalização foi falho em diversos pontos, não se prestando a comprovar a inexistência de mercadorias idênticas ou similares àquelas objeto das importações realizadas pela Recorrente. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Haja vista que, no meu entender, há elementos suficientes nos autos para resolver o mérito do processo administrativo ora sob análise, rejeito a proposta de diligência levantada no Colegiado. Thais De Laurentiis Galkowicz Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Redator Designado. Ao examinar os argumentos trazidos pela Recorrente, em cotejo com as alegações da Autoridade Fiscal, entendo que é necessário converter o julgamento em diligência com vistas a aclarar a situação que passo a descrever. Conforme relatado, o caso em questão referese à imputação da prática de subvaloração de mercadorias em operações de importação. Tratase de procedimento de valoração de mercadorias importadas sob o abrigo de contrato de comodato. Dessa forma, para fins de valoração aduaneira, foi afastado o princípio geral do valor de transação, sendo necessário a utilização dos demais métodos previstos no AVA GATT. Destacase que a utilização do método subsequente somente pode ocorrer se demonstrada a impossibilidade de utilização do método anterior. Devese, portanto, passar à análise dos seguintes métodos substitutivos da valoração aduaneira: 2º método valor de transação de mercadorias idênticas; 3º método – valor de transação de mercadorias similares; 4º método preço de revenda de mercadorias importadas idênticas ou similares no mercado interno, deduzido o lucro e as despesas previstos no artigo 5º do AVAGATT; 5º método valor computado, baseado nos custos de produção; e 6º método – critérios razoáveis. Esta turma julgadora, em 22 de novembro de 2016, em sua antiga composição, acordou em converter o julgamento em diligência para a averiguação do procedimento necessário para o percurso nos métodos substitutivos de valoração aduaneira previstos no AVAGATT, resultando na Resolução n. 3402000.832. Ainda que o resultado da diligência tenha sido satisfatório, entendo que tal providência procurou apenas esclarecer as razões para o Fl. 3655DF CARF MF Processo nº 10074.000322/200723 Resolução nº 3402001.378 S3C4T2 Fl. 3.656 7 afastamento do 2º e do 3º método de valoração aduaneira, silenciandose sobre os subsequentes. Portanto, entendo que ainda não é possível concluir se foi cumprido ou não o procedimento necessário para continuar o percurso nos métodos substitutivos de valoração aduaneira previstos no AVAGATT, que são, repitase, de aplicação sucessiva e excludente. Diante do exposto, voto por converter novamente o julgamento do presente processo em diligência, sendo devolvidos os autos para a repartição fiscal de origem, a fim de que: 1) Sejam juntadas provas (e.g. telas dos sistemas em que foi feita a busca por mercadorias similares ou idênticas) e todas as considerações pertinentes (e.g. razões pelas quais as mercadorias não foram consideradas idênticas ou similares) em parecer conclusivo da Fiscalização, para explicar porque a autoridade lançadora foi incapaz de utilizar o 4º método (mercadorias idênticas ou similares revendidas no mercado interno); 2) Seja aberta vista sobre o resultado da diligência à Recorrente, para se manifestar no prazo de 30 dias. Após tais procedimentos, os autos deverão ser devolvidos a esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, para a continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 3656DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001321/2006-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2001
OMISSÃO DE RECEITAS. A diferença entre os valores escriturados na
contabilidade da empresa e os valores declarados ao Fisco caracteriza omissão de receitas, sendo passível de lançamento de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A redução sistemática de vultosas
receitas na transposição de valores escriturados para as declarações entregues, sem qualquer justificativa plausível, evidencia o intuito de fraude.
A apresentação de livros e documentos fiscais, durante a fiscalização, não elide a prática dolosa anterior.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.344
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. A diferença entre os valores escriturados na contabilidade da empresa e os valores declarados ao Fisco caracteriza omissão de receitas, sendo passível de lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A redução sistemática de vultosas receitas na transposição de valores escriturados para as declarações entregues, sem qualquer justificativa plausível, evidencia o intuito de fraude. A apresentação de livros e documentos fiscais, durante a fiscalização, não elide a prática dolosa anterior. Recurso Voluntário Negado.
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A diferença entre os valores escriturados na contabilidade da empresa e os valores declarados ao Fisco caracteriza omissão de receitas, sendo passível de lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A redução sistemática de vultosas receitas na transposição de valores escriturados para as declarações entregues, sem qualquer justificativa plausível, evidencia o intuito de fraude. A apresentação de livros e documentos fiscais, durante a fiscalização, não elide a prática dolosa anterior. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 21 /2 00 6- 53 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001321/200653 Acórdão n.º 1402001.344 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório RIO VERMELHO DISTRIBUIDOR LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: (..) Durante a realização dos trabalhos de auditoria fiscal, o autuante constatou que no anocalendário de 2001, o contribuinte deixou de informar em sua DIPJ/2002 e conseqüentemente oferecer à tributação, receitas apuradas e escrituradas em seu Livro Diário, o que caracterizou a ocorrência de omissão de receitas e resultou na aplicação de penalidade qualificada, conforme Termo de Verificação de fls. 174/178. Em decorrência da falta apurada, foram lavrados os seguintes autos de infração, cientificados ao contribuinte em 05/07/06: 3.1. Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 181/182): Total do crédito tributário, R$ 2.848.207,50, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigo 528 do RIR/99. 3.2. Contribuição para o Programa de Integração Social– PIS (fls. 185/186): Total do crédito tributário, R$ 929.015,07, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigo 1º e 3o da Lei Complementar nº 07/70, artigo 2º , I, 8º, I e 9º da Lei nº 9.715/98, artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e artigo 24, § 2º da Lei nº 9.249/95. 3.3. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 193/194): Total do crédito tributário, R$ 1.538.032,03, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigo 2º e §§ da Lei nº 7.689/88, artigo 6o da MP nº 1.858/99, artigo 29 da Lei nº 9.430/96 e artigos 19 e 24 da Lei nº 9.249/95. 3.4. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 189/190): Total do crédito tributário, R$ 4.287.762,38, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigo 1º da Lei Complementar nº 70/91, artigos 2º , 3º e 8º da Lei nº 9.718/98, c/c MP nº 1.858/99 e 1.807/99 e artigo 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95. O contribuinte apresentou defesa de fls. 254/264, 274/284, 294/304 e 315/325, em 28/07/06, alegando em síntese: 4.1.o MPF é nulo, já que o tributo a ser fiscalizado deveria ser apenas o IRPJ. Assim, os lançamentos referentes ao PIS, CSLL e COFINS devem ser anulados, sob pena de ofensa aos princípios da ampla defesa, do contraditório, do devido processo legal e da legalidade; 4.2.o lançamento do crédito tributário foi atingido pela decadência; 4.3.a simples omissão de receitas devido à declaração inexata não caracteriza fraude e não dá respaldo à aplicação da multa qualificada, mesmo porque as receitas estavam escrituradas; Fl. 471DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001321/200653 Acórdão n.º 1402001.344 S1C4T2 Fl. 0 3 4.4.a qualificação da penalidade implica equiparar uma infração fiscal, de presunção legal de omissão de receitas, às infrações mais graves; 4.5.a fiscalização não justificou a aplicação da multa; 4.6.caso o entendimento fiscal prevalecesse não haveria hipótese para a aplicação de multa de ofício não qualificada; 4.7.a taxa SELIC tem natureza remuneratória e implica em majoração de tributo; 4.8.ao contribuinte que pretende repetir o indébito não lhe é facultada a utilização da taxa SELIC, destarte por isonomia igual tratamento deveria ser dispensado ao caso concreto. A decisão recorrida está assim ementada: OMISSÃO DE RECEITAS. A diferença entre as receitas escrituradas no Livro Diário e aquelas informadas na DIPJ deve ser justificada, sob pena de se considerar a ocorrência de omissão de receitas. CSLL, PIS e COFINS. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes. MULTA QUALIFICADA A ocorrência, em tese, de delito previsto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 justifica a aplicação da penalidade qualificada. Lançamento Procedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos: “(...) Em face das nulidades acima elencadas e a conseqüente demonstração de equívoco da decisão recorrida, requerer seja conhecido e julgado procedente o presente RECURSO PARA 0 FIM DE ANULAR TOTALMENTE O AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ, PIS, COFINS e CSLL DECORRENTE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL N ° 0819000/02478/05 ou DECLARAR a DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O SUPOSTO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Subsidiariamente ao pedido acima formulado, requer seja excluída a multa aplicada. (...)” É o relatório. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001321/200653 Acórdão n.º 1402001.344 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Das preliminares Do MPF A defesa alega que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) expedido seria nulo, já que o tributo a ser fiscalizado deveria ser apenas o IRPJ. Conforme consta do MPF nº 08.1.90.002005024780, fl. 01, expedido em 28/09/05, o contribuinte seria alvo de procedimento fiscal de fiscalização que abrangeria o IRPJ. Ocorre que a próprio Portaria RFB nº 4.328/05, vigente à época, previa em seu artigo 9º: “Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa”. No caso em concreto, os autos de infração do PIS, COFINS e CSLL decorrem do IRPJ, já que tem como fundamento os mesmos elementos de prova. Portanto, é de se ilidir a alegação da defesa, tendo em vista que não havia a necessidade de expressa autorização para a fiscalização do PIS, COFINS e CSLL. Ademais, os questionamentos feitos em relação aos MPF não podem ser acolhidos. Primeiramente é necessário dizer que a atribuição de competência corresponde, na verdade, ao fracionamento do poder. Esse fracionamento, como não poderia deixar de ser, começa na Constituição, que fixa as competências de forma direta ou através de delegações ao legislador ordinário, como se verifica quando o constituinte, ao disciplinar o Sistema Tributário Nacional, delega à lei complementar a fixação de normas gerais sobre lançamento (artigo 146, inciso III, alínea “b”). O Código Tributário Nacional, recepcionado pela atual Constituição como lei complementar, fixa as regras do lançamento no Segundo Livro, Título III, Capítulo II e, particularmente, no artigo 142, que atribui à autoridade lançadora o poder/dever de constituir o crédito tributário. É evidente que as autoridades devem exercitar seu poder dentro de certas regras, sob pena de resultar em ineficiência administrativa. Essa organização, necessária ao bom funcionamento da administração, não pode ser confundida com delegação de poder, até porque, não é possível delegação de poder de quem não o possui. Assim sendo, deve ficar claro que o MPF é instrumento de controle interno da administração, mais especificamente da Secretaria da Receita Federal, de forma a otimizar suas atribuições quanto aos tributos que administra. Não há dúvidas de que, em razão do princípio da hierarquia, o MPF deve ser observado pelas autoridades fiscais, contudo, sua falta pode resultar apenas em sanção administrava ao funcionário que eventualmente venha a executar ação fiscal sem estar autorizado. Jamais pode resultar na nulidade do lançamento, pois, como reza o próprio texto do Fl. 473DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001321/200653 Acórdão n.º 1402001.344 S1C4T2 Fl. 0 5 MPF, ele somente determina a execução do procedimento fiscal, não a constituição do crédito tributário, pois esta outorga de poderes é conferida pelo CTN. Diante do que foi dito, é possível concluir que a alegação da impugnante quanto a vício de forma não deve ser acolhida. Da decadência O contribuinte entende ter ocorrido a decadência quanto ao lançamento de ofício do crédito tributário O inciso I e o parágrafo único, do art. 173, do CTN, dispõem, in litteris: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” O chamado lançamento por homologação não se destina a constituir crédito tributário algum, mas tãosomente a conferir legitimidade a um recebimento que já ocorreu. A natureza procedimental do lançamento, voltado por excelência ao controle da legalidade, pode culminar ora com um ato constitutivo da exigência fiscal (lançamento de ofício e por declaração), ora com um ato administrativo homologatório da atividade do contribuinte (lançamento por homologação) no sentido de proceder ao pagamento antecipado do tributo. A proporção paga do tributo (integral ou parcial), desde então, já estará extinta (CTN, art. 150, § 1º), e o efeito produzido pelo lançamento por homologação há de possuir, tãosomente, o caráter extintivoconfirmatório, mas apenas sobre a razão efetivamente paga. Com efeito, a homologação está vinculada à correção da conduta do contribuinte, considerado estritamente aquele fato determinado e imponível sobre o qual o sujeito passivo observa corretamente a incidência da norma tributária de regência, para dali extrair o tributo que é pago antecipadamente, sem o que, o que deve haver é a não homologação, ao cabo da atividade fiscalizatória, e o conseqüente lançamento de ofício, via de regra, nos termos dos incisos V ou VI do art. 149 do CTN, com vistas a constituir o crédito tributário ainda devido. Sobre o instituto da homologação, leciona a ilustre Prof’ª Maria Sylvia Zanella Di Pietro (in Direito Administrativo – 11a Edição – Jurídico Atlas – p. 213), in litteris: “Homologação é o ato unilateral e vinculado pelo qual a Administração Pública reconhece a legalidade de um ato jurídico. Ela se realiza sempre a posteriori e examina apenas o aspecto da legalidade, no que se distingue da aprovação .” (grifei). Mediante a atividade fiscalizatória, ou a Fazenda Pública homologa a atividade do sujeito passivo, ou não a homologa e, nessa segunda hipótese, inicia a constituição Fl. 474DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001321/200653 Acórdão n.º 1402001.344 S1C4T2 Fl. 0 6 do crédito tributário efetuando o lançamento que, obviamente, não será por homologação, mas de ofício. Nos termos dos incisos V e VI do art. 149, do Código Tributário Nacional, este lançamento de ofício pode decorrer tanto da simples omissão ou inexatidão por parte da pessoa legalmente obrigada ao exercício da atividade a que se refere o art. 150, quanto em face de ação ou omissão do contribuinte, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária. Nesse diapasão, cumpre notar que a lei não prevê a hipótese de se homologar o ilícito fiscal, neste caso configurado pela falta de apuração do tributo devido. De uma maneira simplista, porém correta, devese atentar para o fato de que o caput do artigo 150 comporta a hipótese de “lançamento por homologação”, e não a hipótese de “lançamento por não homologação”. No que concerne à atividade ilícita do sujeito passivo da obrigação tributária, o que pode extinguirse é o direito (poder) de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, que será sempre de ofício, nestes casos, com vistas a constituir o crédito tributário que já deveria, inclusive, ter sido pago antecipadamente pelo contribuinte, na forma da lei. Por conseqüência, a questão em pauta subsumese ao prazo previsto no inciso I do art. 173, do Código Tributário Nacional, visto que, justamente por ser contrária à legislação, a atividade do contribuinte, objeto da autuação, não pode ser homologada. Qualquer interpretação que sustente que o ilícito pode ser “homologado” por decurso de prazo, não apenas inobserva, como vimos acima, a natureza essencial da homologação, como também discrepa dos princípios constitucionais da igualdade e da moralidade administrativa. A norma geral pertinente à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir pelo lançamento o crédito tributário fundase no paradigma adotado pelo legislador, no sentido de que o prazo decadencial não deve ser contado a partir do momento em que já seria possível efetuar o lançamento, mas via de regra, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). Destarte, considerando que o fato gerador mais antigo, considerado pela fiscalização, ocorreu em 30/09/01, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, seria o dia 01/01/03. À data do lançamento efetuado – 05/07/06– não se encontrava decaído o crédito tributário exigido. Mesmo que adotássemos a tese da defesa que entende ser aplicável o artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, outro destino não seria dado à questão. Considerando que o fato gerador mais longínquo considerado pelo autuante ocorreu em 30/09/01 (IRPJ) , o prazo disponível para o lançamento viria a se exaurir somente em 30/09/06, data posterior ao lançamento de ofício (05/07/06, fl. 196). Do mérito Conforme informações prestadas em sua DIPJ do anocalendário de 2001, ficha 14 A, item 02, fl. 81, o contribuinte apurou as seguintes receitas brutas: Fl. 475DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001321/200653 Acórdão n.º 1402001.344 S1C4T2 Fl. 0 7 trimestre receitas brutas, em R$ 3º 779.557,32 4º 1.288.727,92 Entretanto, o Livro Diário da empresa, fls. 124/173 demonstrava que a empresa havia apurado receitas em montantes superiores àqueles infomados na DIPJ/2000, a saber: trimestre receitas brutas, em R$ 3º 18.310.268,94 (fls. 125,126,130,131,135 e 136) 4º 27.195.139,45 (fls. 127,128,129,132,133,134,137,138,139,140 e 141) Tendo em vista que o contribuinte não comprovou quer na fase de fiscalização quer na fase de impugnação que as receitas apuradas no Livro Diário foram oferecidas à tributação ou que elas não retratavam a realidade dos fatos, entendo correto o procedimento fiscal que concluiu ter ocorrido omissão de receitas. Da multa qualificada A autoridade fiscal houve por bem aplicar a penalidade qualificada, por entender estar presente o intuito de fraude. Assim se manifestou o autuante no processo nº 19515.01322/200606 (representação para fins penais), apenso ao presente processo, fls. 02: “A empresa informou receitas tributáveis de sua atividade muito inferior ao constante dos registros contábeis, ficando caracterizada a omissão de informações às autoridades tributárias com a finalidade de reduzir o tributo devido” “O intuito de fraude é patente como o previsto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de 1964” A defesa sustenta que a simples omissão de receitas devido à declaração inexata não caracteriza fraude e não dá respaldo à aplicação da multa qualificada, mesmo porque as receitas estariam escrituradas; a qualificação da penalidade implicaria em equiparar uma infração fiscal, de presunção legal de omissão de receitas, às infrações mais graves. A Lei nº 4.502/64, artigo 72, conceitua fraude como sendo: “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001321/200653 Acórdão n.º 1402001.344 S1C4T2 Fl. 0 8 O fato apurado pela fiscalização se subsume, em tese, ao texto legal supracitado tendo em vista que a omissão de informações na DIPJ reduziu o montante do imposto devido. Destarte, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. O impugnante argúi que a fiscalização não teria justificado a aplicação da multa. Conforme acima discorrido, o autuante se manifestou sobre o tema no processo nº 19515.01322/200606 (representação para fins penais), apenso ao presente processo. O impugnante não pode alegar desconhecer a existência deste processo, já que ele foi expressamente citado no Termo de Verificação, fl. 177, do qual foi cientificado à fl. 196. CSLL, COFINS e PIS. A exigência do IRPJ devido à omissão de receitas resulta nos lançamentos da CSLL, COFINS e PIS, tendo em vista que decorrem das mesma provas. Assim o decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes. Dos juros de mora No tocante à exigência dos juros de mora, o parágrafo primeiro do artigo 161 do CTN determina que os juros moratórios serão de 1 (um) por cento ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso, a saber: “ Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” E valendose dessa faculdade, o legislador ordinário, por intermédio da Lei nº 9.065/1995, artigo 13, determinou que os juros de mora seriam equivalentes à taxa SELIC. Transcrevese o citado artigo: “Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente.” Por sua vez, a exigência foi embasada no parágrafo 3º, do artigo 61, da Lei 9.430/1996: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos Fl. 477DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001321/200653 Acórdão n.º 1402001.344 S1C4T2 Fl. 0 9 geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (....) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.” Portanto, a única exigência para a fixação de juros de mora distintos do percentual de 1 (um) por cento ao mês é a expressa previsão legal, requisito preenchido pela Lei nº 9.065/1995 (artigo 13) e Lei 9.430/96 (artigo 61). (...) Da inconstitucionalidade Em diversas passagens de sua defesa, o impugnante alega a inconstitucionalidade de diplomas legais. Cabe discorrer sobre a falta de competência da esfera administrativa para análise de matérias que versem sobre a constitucionalidade de normas legais editadas e em pleno vigor. O parágrafo único do artigo 142 do CTN determina que: “A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Concluise de antemão que a autoridade fiscal que lavrou o auto de infração exerce atividade plenamente vinculada, assim não compete a ela analisar a constitucionalidade de ato normativo em vigor. Da mesma forma, a atividade do julgador administrativo restringese à verificação da legalidade do ato administrativo praticado pelo autuante, já que também exerce função vinculada. A PortariaMF 58/06 explicita bem o tema, em seu artigo 7o : “Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em normativos.” O artigo 116, III, da Lei nº 8.112/90, por seu turno, contém a seguinte redação: “Art. 116. São deveres do servidor: Fl. 478DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001321/200653 Acórdão n.º 1402001.344 S1C4T2 Fl. 0 10 (....) III observar as normas legais e regulamentares;” Resta claro que o julgador administrativo deve pautar sua análise no atos normativos que regulam a matéria analisada em vigor na data da ocorrência do fato gerador.” É de se registrar que tais fundamentos não foram infirmados diretamente na peça recursal, pelo que as razões de decidir da decisão recorrida podem ser perfeitamente adotados neste voto, conforme disposto no art. 50 Lei 9.784 de 1999, que se aplica subsidiariamente ao PAF(verbis): Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. (Grifei) O contribuinte alega que inexiste prova de dolo fraude ou simulação para ensejar a aplicação da multa qualificada. Consoante o enquadramento legal utilizado pela fiscal autuante, a multa qualificada no percentual de 150% tem fulcro no do art. 44, inciso II, da Lei n.o 9.430/96, que, com a redação vigente à época da autuação, assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – se setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ...” (grifei). Com o advento da Medida Provisória n.º 303, de 29 de junho de 2006, art. 18, foi dada nova redação ao art. 44 da Lei n.º 9.430/96: Art.18. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 479DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001321/200653 Acórdão n.º 1402001.344 S1C4T2 Fl. 0 11 Ide setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; IIde cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: §1oO percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ...” (grifei). Observo que para os casos de mera falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata será aplicada a multa de 75%, a menos que o fisco detecte e aponte as condutas dolosas definidas como sonegação, fraude ou conluio, consoante a Lei n.º 4.502, de 1964, arts. 71 a 73: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” (Grifei). Por sua vez, na Lei n.º 8.137, de 27 de dezembro de 1990, no âmbito do Direito Penal e, portanto, com reflexos no presente caso (aplicação de penalidade qualificada com conhecimento do Ministério Público para fins penais), a sonegação vem definida, de forma genérica, como qualquer conduta dolosa que ofenda a ordem tributária: “Art. 1o Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: I – omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II – fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...) Art. 2o Constitui crime da mesma natureza: I – fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; ...” (Grifei). O inciso I do art. 1o, bem como o inciso I do artigo 2°, supra transcritos assemelhamse ao tipo penal previsto no artigo 299 do Código Penal, o qual descreve a conduta da falsidade ideológica, que também se materializa neste crime na sua forma omissiva – omitir informação – uma vez que a omissão da verdade pode interferir significativamente no resultado tributário. A importância das declarações entregues ao Fisco fundase nas próprias bases do Direito Tributário. O Código Tributário Nacional estabelece a primazia e importância das Fl. 480DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001321/200653 Acórdão n.º 1402001.344 S1C4T2 Fl. 0 12 informações prestadas tanto pelos contribuintes como por terceiros, elementos estes decisivos no lançamento do crédito tributário. Lembro que a apresentação de declarações, sendo uma obrigação acessória, “decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.” (CTN, art. 113, § 2º). O Código Tributário Nacional estabelece que o ‘lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação’ (art. 147 CTN). Aliomar Baleeiro observa que ‘até prova em contrário (e também são provas os indícios e as presunções veementes), o Fisco aceita a palavra do sujeito passivo, em sua declaração, ressalvado o controle posterior, inclusive nos casos do art. 149 do CTN. E prossegue, ‘mas, em relação ao valor ou preço dos bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, o sujeito passivo pode ser omisso, reticente ou mendaz. Do mesmo modo, ao prestar informações, o terceiro, por displicência, comodismo ou conluio, desejo de não desgostar o contribuinte etc., às vezes deserta da verdade e da exatidão ... Daí que, ao produzir uma declaração falsa destinada ao Fisco, sendo ela capaz de reduzir ou suprimir tributo, configurase o delito, que é consumado com a entrega da declaração. Pelo exposto, com a supressão ou redução de tributo obtida através da falsidade ou omissão de prestação de informações na declaração de rendimentos e/ou bens e, concomitantemente, identificada a vontade do agente em fraudar o fisco, por afastada a possibilidade do cometimento de erro natural, independentemente de haver um outro documento falso, configurase o dolo, a fraude, o crime contra a ordem tributária, o que dá ensejo ao lançamento de ofício com a aplicação da penalidade qualificada. Não resta dúvida de que a falsidade material deixa exposto o evidente intuito de fraude, porém, o dolo elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal também está presente quando a consciência e a vontade do agente para a prática da conduta (positiva ou omissiva) exsurgem de atos que tenham por finalidade impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração. Neste caso concreto, a autoridade lançadora apontou fatos, sem que haja qualquer prova em contrário, que afastam a possibilidade de simples erro e levam à qualificação da penalidade em virtude da prática dolosa. Ora, as omissões superaram 99,5% ao longo de 3 (três) anos consecutivos. Diante de tais circunstâncias, não se concebe que outra tenha sido a intenção do sujeito passivo que não a de ocultar do fisco a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária principal, de modo a evitar seu pagamento, o que evidencia o intuito de fraude e obriga à qualificação da penalidade. Nesse sentido já se manifestou Egrégio Conselho de Contribuintes: “MULTA DE OFÍCIO MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL SITUAÇÃO QUALIFICATIVA FRAUDE O sujeito passivo, ao declarar e recolher valores menores que aqueles devidos, agiu de modo a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que a autuada incorreu na conduta descrita como sonegação fiscal, cuja definição decorre do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. A omissão de expressiva e vultosa quantia de rendimentos não oferecidos à tributação demonstra Fl. 481DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001321/200653 Acórdão n.º 1402001.344 S1C4T2 Fl. 0 13 a manifesta intenção dolosa do agente, tipificando a infração tributária como sonegação fiscal. E, em havendo infração, cabível a imposição de caráter punitivo, pelo que pertinente a infligência da penalidade inscrita no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96. Recurso ao qual se nega provimento.” (Ac. 20309129, sessão de 13/08/2003. No mesmo sentido: Ac. 20214693, Ac. 20214692 etc). “REDUÇÕES SISTEMÁTICA E REITERADA DOS MONTANTES TRIBUTÁVEIS USO DE REDUTOR NO ENTE ACESSÓRIO EXIGÊNCIA PERTINENTE Restando provada a manifesta intenção de se ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos com o objetivo de se obter vantagens indevidas em matéria tributária, mormente quando se mantém dualidade de informações de forma sistemática e reiterada , ao longo de vários períodos ao sabor da clandestinidade, impõese a multa majorada consentânea com a tipicidade que se apresenta viciada. Recurso negado.” (Ac. 10706937 de 28/01/2003. Publicado no DOU em: 24.04.2003). “MULTA QUALIFICADA – CONDUTA CONTINUADA – A escrituração e a declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária e enquadrase perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada”. ACÓRDÃO CSRF/01 05.810 em 14 de abril de 2008). A colaboração com as investigações no curso da ação fiscal não implica a inexistência de dolo por parte da contribuinte, tampouco afasta prática dolosa anterior. In casu, pelo contrário, pois a escrituração da fiscalizada comprova o dolo e a fraude cometidos quando do lançamento por homologação do tributo, isto é, quando a contribuinte, tendo o dever legal de prestar informações acerca dos fatos geradores ocorridos e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, omitiu fatos e sonegou imposto e contribuições relativos a mais de 99% das receitas escrituradas. A autuada podia até o início da ação fiscal retificar suas declarações e pagar os tributos devidos, entretanto, assim não procedeu. Houvesse a administração tributária confiado passivamente nas informações prestadas pela contribuinte à época da ocorrência dos fatos geradores, indiscutivelmente tal inércia resultaria em perda irremediável do crédito tributário exsurgido em decorrência do procedimento de ofício. A título de ilustração, cito manifestação do TRF da 4ª Região consentânea com o entendimento ora exposto: ‘PENAL. ART. 1º, I, DA LEI Nº 8.137/90. PRESTAÇÃO DE DECLARAÇÕES FALSAS DE IMPOSTO DE RENDA. SUPRESSÃO DE TRIBUTOS. MATERIALIDADE E AUTORIA. DOLO. ... 3. O dolo é genérico e inerente ao tipo penal do art. 1º, inciso I da Lei 8.137/90, que não prevê a modalidade culposa. 4. "A consumação do crime tipificado no art. 1º, caput, ocorre com a realização do resultado, consistente na redução ou supressão do tributo ou da contribuição social (evasão proporcionada pela prática da conduta fraudulenta anterior). (Andreas Eisele, em "Crimes Contra a Ordem Tributária", 2ª edição, editora Dialética, fl. 146). 5. Apelação improvida.’ (Apelação Criminal nº 2001.71.08.005548−2/RS, DJU de 29/10/2003) Fl. 482DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001321/200653 Acórdão n.º 1402001.344 S1C4T2 Fl. 0 14 Do voto condutor do referido acórdão extraio o seguinte fragmento, por esclarecedor: ‘Sustentam os apelantes, no entanto, que não houve a intenção de sonegar porque reconheceram a existência de faturamento nos dois primeiros trimestres, que se deu através do pagamento dos respectivos tributos perante o fisco municipal. Tal conduta é irrelevante para a apuração do dolo no caso concreto, pois como já se disse anteriormente o dolo é genérico, tendo o crime se consumado no momento da entrega da declaração "zerada", sabidamente falsa, cujo propósito era a supressão dos tributos federais devidos. Sobre o momento da consumação do crime, mais uma vez os esclarecedores ensinamentos da doutrina de Andreas Eisele, na obra já citada, à fl. 146: "A consumação do crime tipificado no art. 1º, caput, ocorre com a realização do resultado, consistente na redução ou supressão do tributo ou da contribuição social (evasão proporcionada pela prática da conduta fraudulenta anterior). Portanto, o crime é classificado na modalidade material (apenas se consumando com a ocorrência do resultado danoso consistente na evasão tributária), e o momento consumativo não é o da realização da conduta antecedente e preparatória (descrita nos incisos do caput), mas o da expiração do prazo para o recolhimento do tributo (ou o de seu pagamento parcial, caso ocorra antes desse momento)."’ Portanto, deve ser mantido o lançamento com a aplicação da multa qualificada sobre os débitos autuados. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 483DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10980.912250/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESTITUIÇÃO. Recorrente METROBENS AUTOMOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA PÚBLICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 50 /2 01 2- 01 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.912250/201201 Acórdão n.º 3201003.778 S3C2T1 Fl. 53 2 A interessada apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, apurado em novembro de 2006. A unidade de origem indeferiu o pleito. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 31032670 emitido eletronicamente em 04/09/12, referente ao PerDcomp nº 18904.40024.171108.1.2.045177. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor original de R$9.008,47, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 15/12/06, no valor de R$ 37.808,65. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98, que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912250/201201 Acórdão n.º 3201003.778 S3C2T1 Fl. 54 3 Constituição Federal, em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que, segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não havendo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/BHE n.º 0265.623, de 29/04/2015 (fls. 24 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 626 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, alega que o ICMS não integra o faturamento (receita bruta) da empresa, pois se trata de receita do Erário Estadual (artigo 155, inciso II, da Constituição Federal), sendo, portanto, inconstitucional a inclusão do referido imposto na base de cálculo da Cofins, conforme decidiu o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no dia 08 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário RE nº 240.7852/MG. O Tribunal também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706, de relatoria da Ministra Cármen Lúcia. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912250/201201 Acórdão n.º 3201003.778 S3C2T1 Fl. 55 4 O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912250/201201 Acórdão n.º 3201003.778 S3C2T1 Fl. 56 5 indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912250/201201 Acórdão n.º 3201003.778 S3C2T1 Fl. 57 6 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitá lo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.912250/201201 Acórdão n.º 3201003.778 S3C2T1 Fl. 58 7 Fl. 58DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660400/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.801
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 00 /2 01 2- 14 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660400/201214 Acórdão n.º 3401004.801 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660400/201214 Acórdão n.º 3401004.801 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660400/201214 Acórdão n.º 3401004.801 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660400/201214 Acórdão n.º 3401004.801 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660400/201214 Acórdão n.º 3401004.801 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660400/201214 Acórdão n.º 3401004.801 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.725456/2015-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado,por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para sobrestar a apreciação do processo nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado,por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para sobrestar a apreciação do processo nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza (CE) que julgou improcedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte, para manter o crédito tributário exigido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 25 45 6/ 20 15 -6 8 Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.580 S1C4T1 Fl. 1.714 2 O contribuinte acima identificado teve contra si lavrado quatro autos de infração (fls. 1111/1214), referentes a fatos apurados nos anos de 2010 a 2012, onde foram formalizadas exigências relativas aos seguintes tributos: A autoridade fiscal produziu o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 1.472/1.457 e seguintes, onde justifica os lançamentos realizados. Conforme consta nos autos, os argumentos que serviram de embasamento para a autuação realizada, foram os seguintes: “A autoridade fiscal concluiu que o ônus financeiro de 90,91% da operação de resgate da dívida foi suportado pelo sujeito passivo, visto que tais quantias, que teriam sido utilizadas pelos sócios para a quitação da dívida vieram, na verdade, da própria empresa; além disso, aduz que o Decreto que regulamenta o chamado “bolsa garantia” restringe a utilização do mesmo à empresa beneficiária e às suas coligadas, inexistindo previsão legal para a transferência para seus sócios”. “A agente tributária aduz que não haveria propósito negocial no contrato firmado com os sócios, visto que, pela operação engendrada, a empresa deixaria de quitar suas dívidas com generoso desconto de 89%, além de permanecer devedora do montante integral, pagando a seus sócios juros anuais de 2,4%”. “A autoridade tributária conclui que o desconto obtido com a liquidação antecipada do contrato com o FOMENTAR, proporcional à parcela liquidada com recursos da própria empresa, se constitui em subvenção para custeio, devendo compor a apuração do IRPJ e CSLL”. O auto de infração ensejou lançamentos reflexos de Cofins e PIS decorrentes da infração acima exposta, conforme descrito no item C.1.7. do TVF. O feito fiscal também promoveu o lançamento de IRPJ e CSLL a título de “despesas não comprovadas”, correspondentes a juros sobre empréstimos aos sócios, decorrentes do indevido registro em contas de passivo, das quantias liquidadas antecipadamente do programa FOMENTAR, arcadas pela empresa”.” Ciente da autuação, o interessado apresenta IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA em 28/06/2015 (fls. 1.274/1.307), trazendo as seguintes razões: 1. Que “em julho de 2010, a empresa efetuou a liquidação antecipada de uma parcela da sua dívida junto ao FOMENTAR. O benefício decorrente da liquidação antecipada foi contabilizado como receita financeira do período”; 2. Que “apesar de ter o interesse de quitar antecipadamente todo o saldo do empréstimo que detinha junto ao FOMENTAR, a impugnante não tinha recursos suficientes para tanto. Os sócios, que também tinham interesse Fl. 1714DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.580 S1C4T1 Fl. 1.715 3 de efetuar tal quitação, igualmente não tinham recursos suficientes para a quitação total do empréstimo”; 3. “Ao adquirirem os ativos financeiros do FOMENTAR, os sócios da Kowalski passaram a ser credores desta última, nas mesmas condições em que ela era devedora do FOMENTAR, eis que houve verdadeira troca dos credores, sendo o FOMENTAR substituído pelos sócios da Kowalski”; 4. “Os atos de cessão de crédito formalizados pela Kowalski em favor de seus sócios foram perfeitamente realizados, respeitando a causa do negócio jurídico, qual seja, a cessão de um direito em favor do cessionário, bem como os requisitos legais para validade do ato, quais sejam, a capacidade das partes, objeto lícito, possível, determinado ou determinável, e forma prescrita ou não defesa em lei (art. 104, do Código Civil)”; 5. ”Não pode o Fisco negar os efeitos de atos privados pelo simples fato de tais atos não terem sido registrados no registro público, tendo em vista que a finalidade precípua do registro público, qual seja, dar publicidade aos documentos, foi devidamente cumprida pela escrituração contábil dos atos e pelas declarações apresentadas ao Fisco, em cumprimento de deveres acessórios das partes”; 6. “A alegação da fiscalização, de que a cessão efetuada é inoponível ao Fisco, é totalmente descabida, sendo imperioso avaliar a validade do ato para verificar sua eficácia perante o Fisco; 7. “ A interpretação da Fiscalização, no sentido de que não haveria previsão para a transferência do saldo existente no Bolsa Garantia para os sócios pessoa física, está equivocada. Isso porque a permissão de cessão do crédito para empresa coligada concedida pela legislação está relacionada à utilização, pela cessionária, do crédito para pagar dívida própria, ou seja, a cessionária recebe o depósito junto ao Bolsa Garantia para quitar dívida perante o FOMENTAR”; 8. “A situação em tela, contudo, é totalmente diferente, eis que a cessão tem o objetivo de quitar o empréstimo próprio, ou seja, a empresa que detém o depósito junto ao Bolsa Garantia cede este valor a terceiro para que seja quitado seu próprio empréstimo junto ao FOMENTAR, situação totalmente diferente daquela prevista pela norma, e, conseqüentemente, não regulamentada; tendo em vista a expressa autorização e concordância do Governo do Estado de Goiás, representado pela Superintendência do FOMENTAR, temse que as cessões de crédito detido pela Kowalski junto ao FOMENTAR foram perfeitamente válidas, não havendo, pois, qualquer vedação legal para tanto”; 9. “A conveniência da negociação em comento se comprova pelo fato de que a empresa não tinha recursos suficientes para a quitação total do empréstimo, tendo em vista que as suas sobras de caixa já estavam comprometidas para financiar o capital de giro das suas atividades. Daí Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.580 S1C4T1 Fl. 1.716 4 porque foi necessário utilizar recursos dos sócios para aproveitar dos benefícios da redução do valor do passivo com o pagamento antecipado do empréstimo. E nenhum prejuízo foi ocasionado à Kowalski, pois ela continuou devedora de empréstimo contratado a taxas mais favorecidas, inferiores àquelas praticada pelo mercado, apenas com a substituição dos credores;ou são reconhecidas as cessões de crédito e os pagamentos efetuados pelos sócios”; 10. “Após a aquisição dos ativos financeiros pelos sócios da Kowalski, aquelas pessoas físicas subrogaram se nos direitos e obrigações do FOMENTAR, firmados no contratos de empréstimo, e aditivos subsequentes, de forma que a existência de um contrato efetivo e válido é suficiente para validar a dedução das despesas com os juros incorridos; o ganho obtido com o pagamento antecipado do valor do empréstimo, representado pela redução do saldo devedor do financiamento firmado no âmbito do programa FOMENTAR, tem natureza de subvenção para investimento”. Isto porque, “no caso, há transferência de capital do Poder Público para a pessoa jurídica titular de empreendimento econômico beneficiado pelo programa, que aplica o valor atinente ao desconto na ampliação ou modernização de seu empreendimento”; 11. “O ganho supostamente auferido pela impugnante e que está sendo objeto da autuação teria natureza de receita financeira, conforme dispõe o caput do art. 373, do RIR/99 (art. 17, do Decretolei n. 1598/77). Ora, as receitas financeiras, à época dos fatos, eram sujeitas à alíquota zero das contribuições em foco (PIS e Cofins), nos termos do art. 1º do Decreto n. 5.164, de 30.7.2004; 12. “É indevida a multa de ofício lançada pela fiscalização, visto que a sua exigência contraria disposições legais expressas, quais sejam, o art. 132 do Código Tributário Nacional e o art. 5º do Decretolei n. 1598, de 30.12.1977, consolidado no art. 207 do Decreto n. 3000, de 26.3.1999 (RIR/99)”. 13. “A redação do mencionado dispositivo legal é inequívoca. Nos casos de fusão, transformação ou incorporação, o sucessor é responsável pelos tributos devidos pelo sucedido até a data do respectivo ato, isto é, impostos, taxas e contribuições, não abrangendo, consequentemente, as penalidades”. 14. “A impugnante requer que seja afastada a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício, pois a lei somente prescreve a aplicação do referido encargo sobre as multas isoladas”. O Acórdão ora Recorrido (0837.256 4ª Turma da DRJ/FOR) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. APLICAÇÃO DE RECURSOS. DESPESAS DE CUSTEIO. TRIBUTAÇÃO. Fl. 1716DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.580 S1C4T1 Fl. 1.717 5 Subvenção para investimento é a transferência de recursos destinados à aplicação em bens e direitos visando implantar e expandir empreendimentos econômicos, não sendo reconhecido como tal o incentivo que consiste na liberação de recursos destinados ao custeio da atividade econômica, que ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda. DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSÁRIAS. Consideramse desnecessárias as despesas financeiras, quando restar comprovado que os valores utilizados para a quitação do empréstimo que ensejou as despesas eram provenientes de recursos do próprio contribuinte. PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO DE EFEITOS. Descontos obtidos de empréstimos contraídos no passado não tem o condão de retroagir efeitos no sentido de qualificar os valores como subvenções para investimento, vez que ausentes os requisitos necessários previstos em legislação. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CONCESSÃO. CONDIÇÕES. É condição indispensável para a caracterização da subvenção para investimento, a existência de objetivos definidos, prazos, metas, procedimentos de controle e outras ferramentas que permitam a aferição dos resultados almejados com a implantação do empreendimento subvencionado. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No AgRg no REsp 1.335.688PR, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento das duas turmas que lhe compõem, no sentido de que “é legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, referenciando os seguintes precedentes: REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14.09.2009; e REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 02.06.2010. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. A responsabilidade dos sucessores se refere aos créditos tributários, nos quais se incluem as multas de ofício. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2010, 2011, 2012 CSLL. COFINS. PIS/PASEP. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.580 S1C4T1 Fl. 1.718 6 PIS. COFINS. FOMENTAR. DESCONTOS. CONTABILIZAÇÃO. O valor relativo ao desconto obtido na liquidação antecipada de dívida não tem natureza de receita financeira. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Conforme entendimento da turma, “No caso em análise, demonstrou a Fiscalização que, na realidade, os valores utilizados para a quitação da dívida constituída junto ao Estado de Goiás foram, em sua maioria, desembolsados pela fiscalizada, tendo por origem o “Bolsa Garantia” de sua titularidade. Conforme expõe a autoridade autuante, dos R$ 27.770.729,28 inicialmente devidos, apenas R$ 3.054.780,23 foram pagos ao Estado de Goiás, sendo que os sócios teriam efetivamente arcado com apenas R$ 277.707,43 do valor final, visto que R$ 2.777.072,80 são provenientes de créditos do “Bolsa Garantia”, ou seja, foram oriundos da KOWALSKI ALIMENTOS”. Entendeu ainda que “Ainda que se considerasse não possuir o contribuinte capital para efetuar a arrematação de suas dívidas nas condições acima expostas (o que não coaduna com a realidade), nenhum empréstimo, independentemente de quão oneroso fosse, geraria perdas sequer próximas aos valores envolvidos nas operações em destaque. Reprisese, por relevante: o contribuinte optou reconhecer uma dívida com seus sócios, no valor equivalente ao que originalmente devia ao Estado de Goiás (sem o generoso desconto previsto no programa FOMENTAR), e não manter em sua escrituração débito frente ao estado de Goiás em valor muito menor, pagável em 48 prestações, abrindo mão, dessa forma, de enormes receitas por conta do perdão operado. (...) Dessa forma, mostrase correta a quantia lançada, cabendo repisar que a autuação recaiu apenas sobre os valores oriundos do programa “Bolsa Garantia”. Em arremate, sobre a proposta contida na impugnação, no sentido de descontar das exigências imputadas valores de imposto de renda (pessoa física) pagos pelos sócios, cabe esclarecer que tal desconto (ou compensação) não tem previsão na legislação de regência da matéria, não podendo, portanto, ser realizado”. E que “em relação às operações de cessão de crédito efetuadas, observase que, contrariando qualquer lógica, a empresa autuada, ao invés de quitar os valores restantes de sua dívida frente ao Estado, optou por reconhecer um passivo muito maior junto a seus sócios, cabendo a esses quitarem algo com valores que, em sua imensa maioria, provieram do sujeito passivo. Não há como aceitar que, no sistema capitalista em que vivenciamos, uma empresa escolheria pagar quantias exageradas a terceiros (mesmo estes sendo sócios dela), apesar de possuir condições para extinguir seus débitos diretamente com o Estado. Entendeu por bem a empresa KOWALSKI ALIMENTOS abrir mão de seu direito, renunciando inclusive aos meios extremamente benéficos previstos na legislação estadual para a quitação do valor da arrematação”. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 31/03/2017 (fls. 1.645/1.624), alegando praticamente as mesmas razões apresentadas em sede de impugnação, diferenciandose apenas nos seguintes tópicos: · “5.0” – Da natureza de subvenção para custeio: Diz que “no entanto, ainda que a classificação proposta seja correta, ou seja, que o desconto obtido represente, de fato, subvenção para custeio, essa modalidade de Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.580 S1C4T1 Fl. 1.719 7 subvenção não é tributável pela contribuição ao PIS e pela COFINS (tampouco pelo IRPJ e pela CSL, como será analisado no subitem seguinte), o que justifica a reforma da decisão recorrida, com o consequente cancelamento da autuação. Vejase. O art. 195 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional n. 20, de 15.12.1998, autoriza a União Federal a instituir contribuições sociais incidentes sobre “a receita ou o faturamento”, com a finalidade de financiar a seguridade social (CF/88, art. 195, inciso I, alínea “b”). (...) Na presente situação, a subvenção corrente recebida pela recorrente representa mera transferência do Poder Público, visando a incentivar determinada atividade econômica. Em outras palavras, as subvenções governamentais de qualquer natureza são “não receitas”, dado que não decorrem de negócios jurídicos praticados pela empresa em favor do pagador, tampouco são produtos advindos de seu patrimônio. Aliás, nesse sentido, as lições doutrinárias acerca do conceito de receita convergem no seguinte aspecto: a receita remunera a pessoa jurídica, correspondendo ao benefício efetivamente resultante de suas atividades. Por isso mesmo, não são considerados como receitas os ingressos que não provém de uma fonte preexistente no patrimônio da pessoa jurídica, tais como as doações e os aumentos de capital, realizados por seus sócios/acionistas. O mesmo raciocínio aplicase às subvenções recebidas do poder público que não são provenientes de negócios jurídicos realizados pela pessoa jurídica, nem são produto advindo de seu patrimônio, razão pela qual não possuem a natureza jurídica de receita, não podendo ser alcançadas pela contribuição ao PIS e pela COFINS. As subvenções correntes assemelhamse às recuperações de custos e despesas, não constituindo receitas da pessoa jurídica, mas, sim, mera transferência patrimonial”. · “5.2” – Da não tributação pelo IRPJ e pela CSLL: Destaca que “mesmo que o desconto concedido no âmbito do FOMENTAR não constituísse subvenção para investimento, mas, sim, subvenção corrente, o que se admite para fins de argumentação, ainda assim sua tributação pelo IRPJ e pela CSLL não seria admitida. Assim, ainda que se conclua que os incentivos em apreço constituem subvenções correntes, não se pode admitir sua tributação pelo IRPJ e pela CSL, impondose a reforma do acórdão recorrido”. · “9.0” – Da não incidência de juros sobre a multa de ofício: Diz que “em decorrência do art. 3º do CTN, as multas não possuem natureza jurídica de tributo ou contribuição, o que, inclusive, é indisputado na doutrina e na jurisprudência. Logo, não cabe a aplicação do art. 61 da Lei n. 9430/96, que não previu a incidência de juros sobre as multas, mas apenas sobre o valor do principal de tributos e contribuições” (...) “Dessa forma, a penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é exatamente aquela que decorre da inobservância da obrigação acessória, sendo que somente sobre esta penalidade, que por si só consubstancia (ou se converteu em) obrigação principal, podem incidir os juros de mora, seja de 1% ao mês com base no art. 161 supra, ou seja com base na taxa SELIC como atualmente previsto no art. 43 da Lei n. Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.580 S1C4T1 Fl. 1.720 8 9430/96.Portanto, sobre a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal, exigida conjuntamente com o tributo não pago, não podem incidir juros moratórios, posto que se já estivesse incluída na expressão "crédito" sobre o qual incidem os juros de mora previstos no art. 161, do CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. · Requereu o conhecimento e integral provimento do presente recurso, de modo que, afinal, seja determinado o cancelamento integral dos autos de infração; · Subsidiariamente, requereu o afastamento da multa de ofício, com base no entendimento consagrado na Súmula n. 47 do CARF e o afastamento da incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício, pois a lei somente prescreve a aplicação do referido encargo sobre as multas isoladas. Voto Conselheiro Relator Daniel Ribeiro Silva O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. O cerne da discussão, que nos presentes autos é eminentemente de direito, e em parte reside na análise da natureza jurídica do benefício fiscal Estadual recebido pela Recorrente. De um lado, a autoridade autuante entende que se caracteriza como subvenção para custeio, cujo valor deve integrar o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Por sua vez, a Recorrente sustenta não se tratar de subvenção, em nenhuma de suas modalidades. A seu ver, tratase de renúncia de receita que, exclusivamente para fins de registro contábil, recebe o mesmo tratamento de subvenção para investimento, nos termos do artigo 443 do RIR/99 e art. 18 da Lei 11.941/09. Nesse ínterim, foi publicada a Lei Complementar 160, de 7 de agosto de 2017, a qual deu fim à discussão sobre a natureza do crédito presumido de ICMS, ao estabelecer que tais incentivos "são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo". Vejase: Art. 9o O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o: (Parte mantida pelo Congresso Nacional) "Art. 30. .................................................................................. ................................................................................................. Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.580 S1C4T1 Fl. 1.721 9 § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados." Art. 10. (VETADO). Art. 10. O disposto nos §§ 4o e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o desta Lei Complementar. (Parte mantida pelo Congresso Nacional) A partir de então, o único requisito a ser verificado para que o valor do crédito presumido de ICMS possa não ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL passou a ser aquele previsto no caput do artigo 30 da Lei 12.973/2014, qual seja, o registro em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para (i) absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou (ii) aumento do capital social. Neste cenário, é certo que, uma vez cumprido o requisito previsto no caput do artigo 30 da Lei 12.973/2014 (qual seja, a contabilização dos valores como reserva de lucros), e não questionados aspectos relacionados à eventual destinação posterior de tais valores (o que faz com que a discussão seja estranha aos autos), não prevalece o lançamento efetuado. Ocorre que, conforme se depreende da leitura do artigo 10 acima transcrito, a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30 aos benefícios anteriormente concedidos está condicionada ao atendimento das exigências de registro e depósito de novo Convênio entre os Estados, o que ainda não ocorreu. Em casos assim, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF tem resolvido sobrestar os julgamentos envolvendo o tema até que decorra o prazo para que os Estados cumpram tais exigências. Vejase neste sentido o trecho da Resolução nº 9101 000.039, que transcrevo e adoto como razões de decidir neste voto: Ademais, a Lei Complementar estabeleceu a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30, aos benefícios anteriormente concedidos, em desacordo com o artigo 155, desde que atendidas exigências de registro e depósito de novo Convênio entre os Estados, nos termos dos artigos 10 e 3º: Art. 10. O disposto nos §§ 4º e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.580 S1C4T1 Fl. 1.722 10 produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3º desta Lei Complementar.” Art. 3º O convênio de que trata o art. 1º desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1º O disposto no art. 1o desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2 º A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. 1o desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedêlos e a prorrogálos, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar: I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano; II 31 de dezembro do oitavo ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional, incluída a operação subsequente à da importação, praticada pelo contribuinte importador; III 31 de dezembro do quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o real remetente da mercadoria; IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados às operações e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura; V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto aos demais. § 3º Os atos concessivos cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas permanecerão vigentes e produzindo efeitos como normas regulamentadoras nas respectivas unidades federadas concedentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS, nos termos do § 2o deste artigo. § 4º A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato concessivo ou reduzir o seu alcance ou o montante das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais antes do termo final de fruição. § 5º O disposto no § 4o deste artigo não poderá resultar em isenções, incentivos ou benefícios fiscais ou financeirofiscais em valor superior ao que o contribuinte podia usufruir antes da modificação do ato concessivo. § 6º As unidades federadas deverão prestar informações sobre as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS e mantêlas Fl. 1722DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.580 S1C4T1 Fl. 1.723 11 atualizadas no Portal Nacional da Transparência Tributária a que se refere o inciso II do caput deste artigo. § 7º As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais referidos no § 2º deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território, sob as mesmas condições e nos prazos limites de fruição. § 8º As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais concedidos ou prorrogados por outra unidade federada da mesma região na forma do § 2º, enquanto vigentes. Diante de tais exigências, foi editado o Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, que estabelece procedimento para a remissão, a anistia e a reinstituição regrada pelo convênio: Cláusula segunda As unidades federadas, para a remissão, para a anistia e para a reinstituição de que trata este convênio, devem atender as seguintes condicionantes: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante no Anexo Único, relativos aos benefícios fiscais, instituídos por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais mencionados no inciso I do caput desta cláusula, inclusive os correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária instituído nos termos da cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ. § 1º O disposto nos incisos I e II do caput estendemse aos atos que não se encontrem mais em vigor, observando quanto à reinstituição o disposto na cláusula nona. § 2º Na hipótese de um ato ser, cumulativamente, de natureza normativa e concessiva, devese atender ao disposto nos incisos I e II do caput desta cláusula. § 3º A Secretaria Executiva do CONFAZ responsabilizase pela guarda da relação e da documentação comprobatória de que trata o inciso III do § 2º da cláusula primeira e deve certificar o registro e o depósito. O prazo para o atendimento aos requisitos está tratado pela Cláusula Terceira do Convênio: Cláusula terceira A publicação no Diário Oficial do Estado ou do Distrito Federal da relação com a identificação de todos os atos normativos de que trata o inciso I do caput da cláusula segunda deve ser feita até as seguintes datas: I 29 de março de 2018, para os atos vigentes em 8 de agosto de 2017; II 30 de setembro de 2018, para os atos não vigentes em 8 de agosto de 2017. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da identificação dos atos normativos objeto da solicitação, na forma do modelo constante no Anexo Único. Cláusula quarta O registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda, devem ser feitas até as seguintes datas: Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.580 S1C4T1 Fl. 1.724 12 I 29 de junho de 2018, para os atos vigentes na data do registro e do depósito; II 28 de dezembro de 2018, para os atos não vigentes na data do registro e do depósito. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais. Após a publicação dos atos normativos no diário oficial do Estado, como prevê o inciso I, da Cláusula Segunda, e o registro destas normas perante o CONFAZ, como estabelece o inciso II, a publicação será disponibilizada pelo próprio Portal Nacional da Transparência Tributária no prazo de 30 dias, como estabelece a Cláusula Quinta: Cláusula quinta A publicação no Portal Nacional da Transparência Tributária de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda deve ser realizada pela Secretaria Executiva do CONFAZ até 30 (trinta) dias após o respectivo registro e depósito. Os citados prazos ainda não decorreram com relação ao benefício fiscal ora analisado (Desenvolve). Ademais, pondero que não há notícias de registro e disponibilização das normas relacionadas ao citado benefício fiscal no sítio do CONFAZ. Não obstante isso, há regras claras sobre a aplicação da Lei Complementar aos processos em curso e, ainda, definidora de prazos para publicação das normas (pelo Estado) e registro perante o CONFAZ até 28/12/2018. Nesse contexto, após debates entre os componentes do Colegiado, a maioria ponderou pelo sobrestamento do processo até 29/12/2018, dia seguinte ao prazo para registro referido. Com efeito, a providência revelase cautelosa, na medida em que a própria Lei Complementar nº 160/2017 prevê a sua aplicação aos processos em curso. Assim, é razoável aguardar as providências pelos Estados da Federação para, desta forma, assegurar a aplicação regular das disposições da Lei Complementar e Convênio ICMS acima citados. A despeito da falta de previsão expressa para suspensão do processo administrativo no Decreto nº 70.235/1972 e RICARF (Portaria MF 343/2015), o sobrestamento é autorizado pelo Código de Processo Civil, verbis: Art. 313. Suspendese o processo: (...) V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo; Diante disso, voto pelo sobrestamento do processo e remessa dos autos à unidade de origem, que deve intimar o contribuinte em 29/12/2018 para que comprove o cumprimento dos Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.580 S1C4T1 Fl. 1.725 13 requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017. Por tais razões, oriento meu voto pelo conhecimento do recurso e sobrestamento até 29/12/2018, intimandose o contribuinte para que comprove o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1725DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660440/2012-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.841
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 40 /2 01 2- 58 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660440/201258 Acórdão n.º 3401004.841 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660440/201258 Acórdão n.º 3401004.841 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660440/201258 Acórdão n.º 3401004.841 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660440/201258 Acórdão n.º 3401004.841 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660440/201258 Acórdão n.º 3401004.841 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660440/201258 Acórdão n.º 3401004.841 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.901088/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 3302-005.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do recurso voluntário e anulava a decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walker Araújo.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Walker Araújo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do recurso voluntário e anulava a decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walker Araújo. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 10 88 /2 00 8- 71 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13819.901088/200871 Acórdão n.º 3302005.432 S3C3T2 Fl. 53 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 3ª Turma da DRJ de Campinas/SP assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/05/2000 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem, o recorrente apresentou, em 16.01.2004, DCOMP de nº 42336.82125.160104.1.3.044000, objetivando a compensação de suposto crédito de PIS, oriundo de pagamento indevido ou a maior dessa contribuição, realizado em 15.05.2000, relativo ao período de apuração encerrado em 30.04.2000, no valor original de R$466,441, com débito de CSLL do 4º Trimestre de 2003, no valor original de R$769,91. Sobreveio despacho decisório informando que foi localizado o pagamento informado pelo contribuinte, mas que este fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos próprios, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não sustentou a existência do crédito declarado na DCOMP não homologada, tendo apenas informado que Em 29/12/2005, a empresa temendo que a Receita Federal não processasse o citado PER/DCOMP, a mesma por sua liberalidade quitou este débito com multa e juros, através do Darf código 2372 referente ao período de apuração 31/12/2003, no valor de R$ 10.701,94, portanto não há o que se falar em valores devidos, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois foi devidamente quitado, conforme cópia em anexo.(sic) Ao fim, pediu o contribuinte, em manifestação de inconformidade, fosse feita revisão de ofício, contemplando o cancelamento da DCOMP em comento e, por via de conseqüência, cancelada a cobrança decorrente da não homologação. Os membros da 3ª Turma da DRJ de Campinas/SP acordaram por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que a desistência ou 1 O valor atualizado na data da transmissão da DCOMP 16.01.2004 era de R$776,30. (fl. 3) Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13819.901088/200871 Acórdão n.º 3302005.432 S3C3T2 Fl. 54 3 cancelamento de DCOMP possui rito próprio, sendo vedado, tanto ao contribuinte quanto à autoridade julgadora, a pretensão de desistência/cancelamento naquela fase processual. Alegaram ainda os membros da 3ª Turma da DRJ/CPS, que as questões relativas à existência ou não de pagamento do débito era matéria estranha ao julgamento administrativo da não homologação de declarações de compensação, devendo ser observada somente na etapa de cobrança do crédito tributário confessado na DCOMP. Inconformada, a contribuinte apresentou, em 15.12.2011, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde ratificou os argumentos da Manifestação de Inconformidade e alegou não ter se utilizado do crédito apontado na DCOMP, vez que promoveu o pagamento integral do débito cuja compensação se pleiteava, o que materializaria erro de fato e não ausência de pagamento. Destaca a recorrente que o pagamento integral do débito ocorreu antes mesmo da ciência quanto à não homologação da compensação declarada, não podendo ser ela compelida ao pagamento em duplicidade do citado débito. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. Não há nestes autos a comprovação da data em que ocorreu a ciência, pelo contribuinte, do acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ de Campinas/SP em sessão de 11/07/2011. Contudo, na mesma sessão, a DRJ/CPS, proferiu outros 5 (cinco) acórdãos relativos a outros processos do mesmo contribuinte, de números 13819.901092/200830, 13819.901085/200838, 13819.901075/200801, 13819.901078/200836 e 13819.901083/200849, todos com comprovação de ciência, por via postal, em 21/11/2011, e com recurso voluntário tempestivo protocolado em 15/12/2011. Destarte, tendo em vista que o acórdão recorrido foi proferido na mesma sessão da DRJ daqueles mencionados no parágrafo anterior, bem como a identidade de datas entre o protocolo dos recursos voluntários daqueles autos e o que se analisa neste processo, para evitar diligências desnecessárias, assumese o presente recurso voluntário como tempestivo, passando a analisálo. O Valor do Crédito tributário é inferior a (60) sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. 1 Das Etapas de Verificação do PER/DCOMP e da Instauração do Contencioso Administrativo. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13819.901088/200871 Acórdão n.º 3302005.432 S3C3T2 Fl. 55 4 Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. No caso em estudo, o contribuinte informou, em sua primeira oportunidade de manifestação nestes autos, ter efetuado, em 29.12.2005, por meio de DARF (fl. 14), o pagamento integral do débito que pretendia compensar, bem como pediu, de modo suficientemente claro, a revisão de ofício para fins de cancelamento da DCOMP 42336.82125.160104.1.3.044000. Assim, no que cinge ao suposto crédito de PIS do mês 04/2000, declarado na DCOMP em comento, o próprio contribuinte reconheceu sua inexistência, ainda em sede de manifestação de inconformidade, fazendo com que sequer tenha se instaurado controvérsia administrativa sobre tal matéria, não havendo que se falar em reconhecimento ou não de direito creditório, pois não há crédito em litígio. Contudo, a DRJ conheceu da Manifestação de Inconformidade e ratificou a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório, sob o fundamento de que o Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13819.901088/200871 Acórdão n.º 3302005.432 S3C3T2 Fl. 56 5 cancelamento seria vedado naquela fase processual, bem como que a questão relativa a existência ou não de pagamento seria matéria estranha ao julgamento administrativo da não homologação de declarações de compensação. No recurso voluntário, o contribuinte ratificou todos os argumentos produzidos por ocasião da manifestação de inconformidade, renovando o pedido de revisão de ofício para o cancelamento da DCOMP e, por conseguinte, da cobrança decorrente de sua não homologação. Repisese que desde sua primeira manifestação neste PAF, a empresa pugnou pela revisão de ofício, com o cancelamento da DCOMP e extinção da cobrança decorrente de sua não homologação. Segundo previsão legal do §9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, é facultado ao sujeito passivo se insurgir, por meio de Manifestação de Inconformidade, contra a não homologação da declaração de compensação. Nesse sentido, temse que a competência dos órgãos de julgamento administrativo, no que diz respeito às declarações de compensação, está adstrita ao reconhecimento ou não do direito creditório, que terá por consectário a homologação, ou não, da compensação declarada. Ocorre que o caso em estudo não versa sobre a não homologação da DCOMP, vez que o próprio contribuinte reconheceu a inexistência de direito creditório, tendo pleiteado a revisão de ofício para que fosse realizado o cancelamento da DCOMP, o que escapa à competência dos julgadores administrativos. Não estando a retificação ou o cancelamento de declarações, entregues pelo sujeito passivo, inseridos na esfera de competências do julgador administrativo, não se pode decidir sobre tal matéria. Tampouco faz sentido decidir sobre matéria não impugnada pelo contribuinte em suas peças, como é o caso do reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da DCOMP em comento, sobre o que, conforme já visto, sequer se instaurou litígio. Noutras palavras, não tendo o contribuinte pugnado pelo reconhecimento do direito creditório não homologado pelo Despacho Decisório, não há e nunca houve litígio administrativo quanto a não homologação, esvaziando a competência dos órgãos de julgamento administrativo, vez que também não podem estes decidir sobre os pedidos formulados nas peças produzidas pelo contribuinte nestes autos. 2 Do Cancelamento da DCOMP Os artigos 62 e 82, respectivamente das Instruções Normativas SRF nº 600/20052 e RFB nº 900/20083, e seus parágrafos únicos, vigentes no período dos fatos, 2 IN SRF nº 600/2005. ... Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13819.901088/200871 Acórdão n.º 3302005.432 S3C3T2 Fl. 57 6 sujeitavam a desistência da DCOMP a Pedido de Cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP, e condicionavam o seu deferimento a pendência de decisão administrativa na data de apresentação do pedido de cancelamento. Já o parágrafo único desses dispositivos, estabelecia que seria indeferido o pedido de cancelamento formalizado após a intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Ainda que o contribuinte não tenha sido intimado à apresentação de quaisquer documentos, depois de emitido o Despacho Decisório (decisão administrativa) restou configurada a impossibilidade do sujeito passivo efetuar a desistência da DCOMP por conta própria, mediante a transmissão de pedido gerado a partir do programa PER/DCOMP. Muito embora não tenha o recorrente manifestado pela desistência da DCOMP por via adequada, mediante a utilização do programa PER/DCOMP, no caso concreto restou comprovada nos autos a intenção de desistir da declaração de compensação efetuada em 16.01.2004. Vejamos. O contribuinte solicitou, ainda em sede de manifestação de inconformidade, a revisão de ofício para cancelamento da DCOMP, anexando aos autos o comprovante de pagamento de CSLL relativo ao período de contribuição envolvido na compensação. Frente às alegações do contribuinte, o Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT, da DRF de São Bernardo do Campo/SP, juntou ao processo, em 17.10.2008, cópia da DCTF referente ao tributo cujo débito se pretendia compensar (fls. 24 a 26), evidenciando que o total devido a título de CSLL do 4º Trimestre de 2003 era de R$7.089,26. A recorrente efetuou, em 29.12.2005, antes da emissão do despacho decisório, o pagamento integral do saldo devedor de CSLL declarado em DCTF, no montante original exato de R$7.089,26, conforme comprova a cópia do DARF anexado na fl 14 e o comprovante de arrecadação de fl 37, não remanescendo, portanto, saldo devedor de CSLL do referido período de apuração. Destacase que tanto a transmissão da DCTF, anexada aos autos pela própria autoridade fiscal, quanto o pagamento do tributo devido, nela declarado, foram realizados muito tempo antes da prolação do despacho decisório (quase 3 anos antes), conforme se comprova pelas fls. 14, 24 a 26 e 37, combinadas com a fl 15. compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. 3 IN RFB nº 900/2008. ... Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13819.901088/200871 Acórdão n.º 3302005.432 S3C3T2 Fl. 58 7 O Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 2014, dispõe, com efeito, ser possível a revisão de ofício dos atos realizados mediante erro de fato. Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. (grifei) Dispõe ainda o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, que Não mais sendo possível a retificação por iniciativa do sujeito passivo, esta poderá ser realizada de ofício pela autoridade administrativa da unidade local de jurisdição para reduzir os débitos a serem encaminhados ao órgão da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa, haja vista orientação contida na Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 1999, antes referida. Nos termos desta portaria, mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa, e ainda que iniciada a execução fiscal, a retificação de ofício poderá ser efetuada se comprovado o erro de fato no preenchimento da declaração. Consoante ao acima exposto, e observando ainda o contido no parágrafo nº 53 do relatório do Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, a revisão de ofício de decisão que não homologou a compensação está condicionada à não apreciação do erro de fato pelos órgãos de julgamento administrativo, em contencioso instaurado em função da apresentação anterior de manifestação de inconformidade. 53. Ressaltese que somente poderá haver revisão de ofício do despacho decisório que não homologou a compensação se o erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a DCTF e mesmo a DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL) não tiver sido objeto de apreciação dos órgãos de julgamento administrativo Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13819.901088/200871 Acórdão n.º 3302005.432 S3C3T2 Fl. 59 8 instaurado em função de apresentação anterior de manifestação de inconformidade, conforme já abordado Contudo, uma vez emitido o despacho decisório, restou comprometida a possibilidade de o contribuinte efetuar o pedido de cancelamento da DCOMP pela via adequada, tendo em vista o disposto nas instruções normativas vigentes. Assim, não vislumbrando outro caminho, decidiu o contribuinte por pedir a revisão de ofício em manifestação de inconformidade. Em homenagem ao princípio do formalismo moderado, que deve permear a tramitação dos processos administrativos, não se pode desconsiderar totalmente o pedido do recorrente apenas porque deixou de observar formalidades regulamentares. Portanto, estando presentes nos autos relevantes indícios de cometimento de erro de fato e da boa fé do contribuinte, entendo que o caso merece especial atenção, a fim de evitar que o erro cometido pelo sujeito passivo culmine em exação indevida. Não cabendo aos órgãos julgadores administrativos decidir sobre o pedido formulado pelo contribuinte em todas as suas manifestações nestes autos, e havendo previsão expressa no sentido de ser possível a revisão de ofício de lançamentos, a fim de evitar a inscrição em divida ativa e conseqüente execução de um crédito tributário indevido, o que seria contrário a princípios caros ao processo administrativo, penso que o pedido do recorrente deve ser analisado por quem detém competência para tanto. Nesse sentido o acórdão de nº 1301002.243, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 PER/DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. ERRO. CONVERSÃO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EM PEDIDO DE REVISÃO DE OFÍCIO. PN COSIT Nº 8/2014. Se o contribuinte apresenta pedido de cancelamento de ofício do PER/DCOMP manejando manifestação de inconformidade, ao argumento de que inexiste o débito declarado, por erro, a autoridade fiscal deve receber a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício. Merece destaque, ainda, o seguinte excerto do voto vencedor que deu origem ao acórdão acima citado, da lavra do ilustre conselheiro Flávio Franco Corrêa: Sou da opinião de que o pedido de “cancelamento de ofício do PER/DCOMP”deve ser entendido como pedido de revisão de ofício do despacho decisório, formulado sob o argumento de que tanto o crédito como o débito não existem. Não me atenho à inexistência do crédito, somente, porquanto, se fosse apenas isso, o contribuinte não teria motivo para contestar a decisão da autoridade fiscal. Nessa situação, o contribuinte está ciente de que o crédito declarado é irreal. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13819.901088/200871 Acórdão n.º 3302005.432 S3C3T2 Fl. 60 9 Vejo o problema por outra óptica quando o contribuinte alega que o débito antes confessado em DCOMP inexiste, mormente quando o contribuinte descobre tal fato no momento de apresentar defesa contra o despacho decisório, tal e qual o ocorrido. Nessa circunstância – vale lembrar o artigo 32, parágrafo único, da IN SRF nº 600/2005 impedia o cancelamento da DCOMP, assim como, hoje em dia, o artigo 93, parágrafo único, da IN RFB nº 1300/2012, também o impede. Consoante o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, a Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1/1999 estabelece que “qualquer débito encaminhado para inscrição em dívida ativa pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa da RFB quando o sujeito passivo apresentar provas inequívocas de cometimento de erro de fato”. Anotese que citado PN Cosit nº 8/2014 prevê a possibilidade de revisão de ofício de DCOMP “quando a compensação não é homologada por despacho decisório e, cumulativamente, tal decisão não é reformada em função de contencioso administrativo, seja pelo fato de não se ter insturado o litígio, seja em virtude de decisão administrativa definitiva, total ou parcialmente, desfavorável a ele”. No caso sob exame, não há e nunca houve litígio quanto ao crédito. Por outro lado, as DRJ e o Carf não são competentes para apreciar reclamações fundadas na inexistência do débito declarado com erro em DCOMP. Portanto, a decisão administrativa não se tornará definitiva passando por essas instâncias. Assim, pela perspectiva do PN Cosit nº 8/2014, o Despacho Decisório à fl. 23 é a decisão que se tornou definitiva e objeto do pedido de revisão de ofício. O novel Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 430/2017, dispõe ser da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (Defis), dentre outros, no âmbito da respectiva jurisdição, a competência específica para proceder a revisão de ofício e o cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo. Art. 272. À Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (Defis), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização de Comércio Exterior (Delex), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Comércio Exterior (Decex), às Delegacias Especiais da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes de São Paulo e de Belo Horizonte (Demac) compete, no âmbito da respectiva jurisdição, gerir e executar as atividades de fiscalização, de tecnologia e segurança da informação, de comunicação social, de programação e logística e de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: ... III proceder à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13819.901088/200871 Acórdão n.º 3302005.432 S3C3T2 Fl. 61 10 Diante do exposto e tendo em vista o PN Cosit nº 8/2014, voto por não conhecer do recurso, e, de ofício, anular o acórdão recorrido, encaminhando o processo à unidade competente, para que seja recebida e processada a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo Redator Designado Com o devido respeito aos argumentos do ilustre Relator, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, em especial quanto a declaração de nulidade do acórdão recorrido. Isto porque, ao contrário do entendimento explicitado pelo relator, não há na decisão recorrida vestígios de vício passíveis de nulidade, tampouco qualquer ato processual capaz de ensejar a incidência do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, a decisão recorrida analisou todos os argumentos explicitados pela Recorrente, bem como as demais questões processuais suscitadas pelas partes, ou seja, não houve nenhum vício na decisão recorrida que seja passível de nulidade. Neste esteira, entendo que a melhor solução à ser dado ao presente caso é aquela decidida por esta Turma, em outra composição, nos autos do processo 13819.901086/200882 (acórdão 3302004.648), de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, envolvendo as mesmas partes e questões fáticas, a saber: Com efeito, no recurso em apreço, a recorrente não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço. A confirmação do asseverado foi feita pela própria recorrente no demonstrativo de apuração e pagamento integral do débito da CSLL do período, colacionado na peça recursal em apreço. Assim, se não está em questão a existência ou não do direito creditório informado pela recorrente na Declaração de Compensação (DComp) colacionada aos autos e declarado inexistente pela autoridade fiscal, no âmbito do questionado Despacho Decisório, obviamente, não existe litígio a ser dirimido por este Colegiado. Em consequência, o presente o recurso, inequivocamente, perdeu o seu objeto. De toda sorte, cabe esclarecer que, caso a recorrente não tenha recolhido a parcela do débito confessado na referida DComp, obviamente, a cobrança desse valor deverá ser feita pela unidade da Receita Federal de origem, na forma da legislação vigente. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13819.901088/200871 Acórdão n.º 3302005.432 S3C3T2 Fl. 62 11 Por todo o exposto, votase pelo não conhecimento do recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. Nesse passo, considerando que a Recorrente, assim como o fez no citado processo, não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço e, que toda matéria arguida em sede recursal não faz parte do litígio, ou seja, matéria estranha, outra solução não merece o presente caso, senão o não conhecimento do recurso. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator Designado. Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.902604/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas.
O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares.
Numero da decisão: 1401-002.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 26 04 /2 01 1- 91 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10983.902604/201191 Acórdão n.º 1401002.560 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora (MG), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte apresentada em virtude de não ter reconhecido o direito creditório pleiteado e de não homologar a compensação dos débitos declarados na PER/DCOMP, para manter o crédito tributário exigido. Ao compulsar dos autos, percebese que “a matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico , exarado pela Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC, no qual não foi homologada a DCOMP, sob o argumento de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Diante disto, a Derat/SC – Florianópolis, não homologou a compensação declarada, exigindo o recolhimento dos débitos, com os respectivos acréscimos legais. Exigiu se os valores devedores indevidamente compensados. A Ciente da autuação, o interessado apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, na qual alegou: 1. PRELIMINAR: DA DECISÃO JUDICIAL QUE DECLAROU A NATUREZA HOSPITALAR DOS SERVIÇOS PRESTADOS PELA REQUERENTE AUSÊNCIA DE MOTIVO PARA A EDIÇÃO DO ATO IMPUGNADO: Diz que há uma questão prejudicial à lavratura do Despacho Decisório, tendo em vista que fora judicialmente reconhecida a natureza hospitalar dos serviços de patologia, autorizando lhes a aplicar o percentual de 8% (IRPJ) e 12%CSLL, para efeitos de determinação da base de calculo (lucro presumido)”. 2. NO MÉRITO: O contribuinte alegou haver ingressado com ação ordinária junto à 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Itajaí/SC, que recebeu o nº 500001672.2010.404.7208, objetivando o reconhecimento do direito de recolher o IRPJ e a CSLL aplicando os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta e, ainda, o direito de compensar os recolhimentos a maior já efetuados (alíquota de 32%). 3. Diz que obteve decisão judicial que suspendeu a exigibilidade em relação aos créditos tributários correspondentes. E que, uma vez reconhecida judicialmente a natureza hospitalar dos serviços prestados não restam dúvidas no sentido de que a compensação levada a efeito, cujo crédito apurado decorre de pagamentos indevidos Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10983.902604/201191 Acórdão n.º 1401002.560 S1C4T1 Fl. 4 3 de IRPJ e CSLL, pela aplicação equivocada do percentual de 32% é plenamente legítima, devendo, pois, ser homologado o procedimento de compensação. E que, partindo da premissa que o crédito utilizado para compensação é plenamente legitimo, o entendimento externado no r. Despacho Decisório, configura uma hipótese de negativa de vigência ao disposto no art. 74, da Lei n. 9.430/96”. 4. Requereu que seja: "(a) recebida a presente manifestação de inconformidade, para suspender a exigibilidade do crédito tributário objeto do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 151, inc. III, do Código Tributário Nacional; (b) decretada a nulidade do r. Despacho ...; ou, então, (c) seja este integralmente reformado, tendo em vista que fora reconhecida judicialmente a natureza hospitalar dos serviços de patologia prestados”. O Acórdão ora Recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008. DIREITO CREDITÓRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. Não encontra amparo legal a pretensão de discutir, na esfera administrativa, matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, dada a supremacia hierárquica da esfera judicial. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO. CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. 1. É vedada a compensação de débitos com direito creditório discutido judicialmente, antes do trânsito em julgado da decisão judicial. 2. Somente o trânsito em julgado da decisão judicial no processo no qual se discute a determinação do crédito do contribuinte pode atribuir a este os requisitos de liquidez e certeza sem os quais a compensação declarada não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Isto porque, segundo entendimento da Turma, a DCOMP foi transmitida anteriormente à ação ordinária, impetrada em 2010, conforme trecho da sentença anexado aos autos, de modo que o crédito, quando utilizado na compensação declarada, não tinha amparo nem fundamento na ação judicial invocada pela interessada. E que, além disso, cumpre observar que se encontra prejudicada a apreciação do mérito do direito ao crédito e de sua compensação, na medida em que não encontra amparo à pretensão de discutir, na esfera administrativa, matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, dada a supremacia hierárquica da esfera judicial”. E no que tange à possibilidade de se compensar os indébitos discutidos na ação ordinária ajuizada pela impugnante, notase que “nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional, incluído pela Lei Complementar nº 104, de 2001, citado na própria sentença, é vedada a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10983.902604/201191 Acórdão n.º 1401002.560 S1C4T1 Fl. 5 4 Conclui a turma julgadora que “somente após o trânsito em julgado de decisão judicial que reconheça direito creditório é que pode a empresa pleitear na via administrativa a compensação, observados ainda os demais requisitos da legislação pertinente”. Dessa forma, a manifestação fora julgada improcedente, culminandose com a não homologação da compensação objeto da DCOMP. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário, alegando seguintes as razões: 1. DA PROTEÇÃO DA SEGURANÇA JURÍDICA DA CONFIANÇA E DA BOAFÉ: Aduz que a compensação levada a efeito, pautouse por entendimento já preconizado pela própria administração fazendária, o acórdão recorrido acabou vulnerando os princípios da segunda jurídica, da proteção da confiança e da boafé, devendo, portando, ser modificado. 2. DA INAPLICABILIDADE DO ART. 170 A (CTN): Aduz que ao se tratar de compensação de indébito resultante de enquadramento legal equivocado, não tem aplicabilidade o disposto no art. 170A, já que nessa hipótese, para constatarse a configuração do indébito, não haverá necessidade de pronunciamento judicial. E que, em decorrência do recolhimento de tributo a maior, a recorrente tem direito ao justo ressarcimento do indébito mediante exercício do direito protestativo de compensação, independentemente de prévia autorização judicial ou administrativo. 3. DA VERIFICAÇÃO E APURAÇÃO DO INDÉBITO RELATIVO AO CRÉDITO COMPENSADO: Afirma que em razão dos amplos poderes de fiscalização da Receita Federal, a compensação levada a efeito não deveria ter sido rejeitada de plano eventualmente pela falta de retificação da DCTF em que fora declarado o tributo indevido. Informa que tal entendimento é baseado no art. 165, II do CTN, em que assegura que a restituição (no caso por compensação) do pagamento indevido mesmo quando o tributo for recolhido a maior em função de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação de alíquota aplicada, no calculo do montante de debito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento 4. Requereu o provimento do Recurso Voluntário interposto para modificar o acórdão recorrido, homologandose a compensação pleiteada. É o relatório do essencial. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10983.902604/201191 Acórdão n.º 1401002.560 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.553, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.902599/2011 16, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.553): "[...] O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia que delimita o conteúdo da lide versa sobre o direito de compensar a diferença de alíquotas do IRPJ e CSLL atribuídos por força da utilização do percentual reduzido de 8% e 12% na apuração do lucro presumido por ocasião da equiparação hospitalar, desde que o contribuinte seja constituído de fato e de direito como sociedade empresária. Não é caso novo nesse Conselho. A DRJ manteve o crédito tributário sob o entendimento de que “somente após o trânsito em julgado de decisão judicial que reconheça direito creditório é que pode a empresa pleitear na via administrativa a compensação, observados ainda os demais requisitos da legislação pertinente”. Entretanto, como bem observado pela DRJ “a DCOMP foi transmitida anteriormente à ação ordinária, impetrada em 2010, conforme trecho da sentença anexado aos autos, de modo que o crédito, quando utilizado na compensação declarada, não tinha amparo nem fundamento na ação judicial invocada pela interessada. Não é caso novo nesse Conselho a análise sobre as alíquotas aplicáveis e o enquadramento como serviços de natureza hospitalar. DO ENQUADRAMENTO DE SERVIÇOS HOSPITALARES: É cediço, que o Superior Tribunal de Justiça pacificou a matéria atinente à aplicação de alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. O critério eleito é de cunho objetivo e concerne “à natureza do serviço que deve ser relacionado à promoção da Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10983.902604/201191 Acórdão n.º 1401002.560 S1C4T1 Fl. 7 6 saúde e ter custo diferenciado, excluídas, assim, as receitas decorrentes de simples consultas médicas e demais atividades administrativas”, senão vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10983.902604/201191 Acórdão n.º 1401002.560 S1C4T1 Fl. 8 7 médicos". (STJ, REsp 1.369.763/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 24/6/2013; AgRg no REsp 1.383.586/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 1/10/2015). Coadunase ao entendimento pacificado do STJ, o seguinte julgado: Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015. Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Forçoso reconhecer, portanto, o direito da empresa recorrente ao recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido, no mesmo patamar exigido das entidades prestadoras de serviços hospitalares, previsto nos arts. 15, § 1º, III, "a" (IRPJ) e 20 da Lei n. 9.249∕95 (CSLL). Desta feita, restandolhe assegurado o direito ao recolhimento no mesmo patamar das prestadoras de serviços hospitalares, também lhe é assegurado o direito à restituição ou compensação dos valores pagos a maior. FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTES DO ADVENTO DA LEI Nº 11.727/08: Em que pese não tenha sido objeto da decisão recorrida vez que a mesma não adentrou ao mérito, cumpre enfrentar a matéria. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10983.902604/201191 Acórdão n.º 1401002.560 S1C4T1 Fl. 9 8 alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Acerca do efeito vinculante para a Administração Tributária Federal de teses jurisprudências pacificadas, fazse necessário a transcrição da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1 de 12 de fevereiro de 2014: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ...V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoe normas/documentosportaria502/listadedispensade contestarerecorrerart2ovviiea7a73oa8oda portariapgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10983.902604/201191 Acórdão n.º 1401002.560 S1C4T1 Fl. 10 9 REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendose em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014). Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10983.902604/201191 Acórdão n.º 1401002.560 S1C4T1 Fl. 11 10 Ocorre que, somente após o advento da Lei 11.727/08 é que houve a instituição do requisito legal de ser uma sociedade empresária para poder usufruir do beneficio legal da tributação favorecida. Antes de janeiro de 2009, os contribuintes poderiam estar organizados sob a forma de sociedade simples, sem que isso interferisse na obtenção do referido benefício fiscal. Não há obrigatoriedade de ser constituída como sociedade empresária para os fatos geradores ocorridos anteriormente a 01/01/2009, data em que passou a produzir efeitos o art. 29 da Lei n. 11.727/2008. Somente após esta data, é que se deve observar as alterações e imposições trazidas pelo texto legal. In casu, o auto de infração fora lavrado com exigências tributárias referentes aos anoscalendários de 2006/2007/2008, de modo que as alterações trazidas pela Lei nº 11.727/08 não podem retroagir para abarcar fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei. Ademais, admitir a modulação dos efeitos da Lei 11.727/2008 para fatos pretéritos, é aceitar uma modificação de critério jurídico vedado pelo art. 146 do CTN, na medida em que se traz eficácia retroativa aos fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (CTN). [grifase]. Outrossim, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido, inclusive tratandose acerca da irretroatividade da lei para fatos pretéritos, a saber: As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda à receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. (STJ Tema 217). [grifo nosso]. Diante do exposto, verificandose que o fiscalizada presta serviços laboratoriais de análises clínicas, serviços esses que estão inseridos no conceito de atividades hospitalares e levando em consideração a irretroatividade da Lei 11.727/08 para fatos geradores pretéritos, faz jus a contribuinte ao recolhimento do IRPJ e da CSLL às alíquotas de 8% e 12%, nos Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10983.902604/201191 Acórdão n.º 1401002.560 S1C4T1 Fl. 12 11 termos da Lei nº 9.249/95 (arts. 15, § 1º, inciso III, alínea a, e 20, caput). CONCLUSÃO: Dessa forma, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto, para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, razão pela qual lhe assiste o direito de compensar os pagamentos feitos a maior. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012704/2007-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Exercício: 2008
DECORAÇÃO DE INTERIORES. ATIVIDADE VEDADA.
Ao restar comprovado nos autos, inclusive mediante a realização de diligência, que a interessada pratica a atividade de decoração de interiores, correta a negativa de sua admissão ao Simples Nacional, por se tratar do exercício de atividade intelectual, expressamente vedada. Somente a partir de 01/01/2009 tal atividade passou a ser admitida no regime simplificado.
ATIVIDADE DE DECORAÇÃO DE INTERIORES. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI. IMPOSSIBILIDADE.
A modificação legislativa que admitiu no Simples Nacional as pessoas jurídicas que se dedicam à atividade de decoração de interiores não se aplica retroativamente, por não se tratar de obrigação tributária principal nem acessória e, ainda, porque tal opção retroativa implicaria redução no pagamento de tributos. Trata-se, tão somente, de permissivo legal para que sejam admitidas no regime simplificado as pessoas jurídicas que se dedicam a determinado ramo de atividades, e a produção de seus efeitos deve se dar conforme previsto na própria lei que promoveu as alterações. Inaplicável, à espécie, a retroatividade de que trata o art. 106, II, “b”, do CTN.
Numero da decisão: 1301-00.610
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2008 DECORAÇÃO DE INTERIORES. ATIVIDADE VEDADA. Ao restar comprovado nos autos, inclusive mediante a realização de diligência, que a interessada pratica a atividade de decoração de interiores, correta a negativa de sua admissão ao Simples Nacional, por se tratar do exercício de atividade intelectual, expressamente vedada. Somente a partir de 01/01/2009 tal atividade passou a ser admitida no regime simplificado. ATIVIDADE DE DECORAÇÃO DE INTERIORES. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI. IMPOSSIBILIDADE. A modificação legislativa que admitiu no Simples Nacional as pessoas jurídicas que se dedicam à atividade de decoração de interiores não se aplica retroativamente, por não se tratar de obrigação tributária principal nem acessória e, ainda, porque tal opção retroativa implicaria redução no pagamento de tributos. Tratase, tão somente, de permissivo legal para que sejam admitidas no regime simplificado as pessoas jurídicas que se dedicam a determinado ramo de atividades, e a produção de seus efeitos deve se dar conforme previsto na própria lei que promoveu as alterações. Inaplicável, à espécie, a retroatividade de que trata o art. 106, II, “b”, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012704/200751 Acórdão n.º 130100.610 S1C3T1 Fl. 495 2 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório RIGUS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0223.270, de 06/08/2009, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MS, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: A requerente solicitou em 10/08/2007, fl.03, opção pelo Simples Nacional a qual foi indeferida com base nos fundamentos de fato e de direito indicados, fl 03: Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006) [...] Com fundamento no parágrafo 6º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e no artigo 8º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, fica a pessoa jurídica acima identificada impedida de optar pelo Simples Nacional pro incorrer na(s) seguinte(s) situação (ões): Estabelecimento CNPJ 20.997.532/000152 Atividade econômica vedada: 46150/00 Representantes comerciais e agentes do comércio de eletrodomésticos, móveis e artigos de uso doméstico Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso XI. Estabelecimento CNPJ 20.997.532/000586 Atividade econômica vedada: 74102/02 Decoração de interiores Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso XI. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012704/200751 Acórdão n.º 130100.610 S1C3T1 Fl. 496 3 Estabelecimento CNPJ 20.997.532/000748 Atividade econômica vedada: 74102/02 Decoração de interiores Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso XI. Inconformada, a requerente em 05/09/2007 apresentou a impugnação, fl. 01, com as alegações abaixo sintetizadas. Argúi que [...] a atividade econômica exercida pela empresa, é a de Representante Comercial por conta própria [...] representa outros, comprando e vendendo a mercadoria destes; e não intermediando negócios como é o caso dos representantes comerciais em geral. A representação comercial por conta própria, não é atividade impedida de opção pelo Simples Nacional. (grifos acrescentados) Esclarece que a atividade econômica de decoração de interiores nunca foi exercida. Em face do exposto requer o deferimento da opção. Tendo em vista o Despacho DRJ/BHE nº 116, de 13 de março de 2008, fls. 24/26, houve solicitação de realização de diligência, com observância do disposto no art. 10, § 8º do art. 15 e § 2º do art. 22 da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, para retorno do processo à unidade de origem para identificar a prestação do serviço que a pessoa jurídica exerce mediante a qual a receita bruta é auferida a partir de 01/01/2004, inclusive em relação à mencionada atividade de compra e venda de mercadorias, nos termos do inciso XI do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006. Cientificada do Relatório Fiscal em 02/07/2009, fls. 178, a interessada apresentou novas razões de defesa em 27/07/2009, fls. 181/182. Faz um breve histórico dos fatos alegando que alterou suas atividades econômicas excluindo do contrato social as atividades impeditivas. Suscita que o estudo e planejamento de ambientes não é prestação de serviços de decoração. Explica que a finalidade do estudo é a funcionalidade e aproveitamento de espaço para melhor adequação à necessidade do cliente. Acrescenta que na diligência restou esclarecido que pode optar pelo Simples Nacional. Lembra que o desenvolvimento da atividade empresarial depende do seu enquadramento. Em face do exposto reitera a solicitação do deferimento da opção. A 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MS analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0223.270, de 06/08/2009 (fls. 193/196), indeferiu a solicitação com a seguinte ementa: Assunto: Simples Nacional Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012704/200751 Acórdão n.º 130100.610 S1C3T1 Fl. 497 4 Exercício: 2008 Opção Decorador ou designer se dedica à prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual e não pode recolher tributos na forma do Simples Nacional por vedação expressa. Ciente da decisão de primeira instância em 25/08/2009, conforme Aviso de Recebimento à fl. 196v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 23/09/2009 conforme carimbo de recepção à folha 201. No recurso interposto (fls. 203/219), a recorrente busca a reforma da decisão a quo por duas vertentes argumentativas, a seguir sintetizadas. Sustenta que não há fato impeditivo para seu ingresso no SIMPLES Nacional, “eis que a recorrente não desenvolve atividade de decoração ou design como equivocadamente assinalado na r. decisão”. A interessada afirma que a decisão recorrida se teria baseado em esclarecimentos buscados na Classificação Brasileira de Ocupações – CBO – acerca da atividade de designer de interiores, o que não traduz a atividade por ela desenvolvida. Acrescenta que as alterações que promoveu em seu contrato social foram tão somente para adequações formais à atividade que realmente desempenhava, a permitir seu ingresso no Simples Nacional. Tais atividades, lembra, não devem se ater a simples codificações ou registros, “devendose ser perscrutada a verdade real dos fatos”. A recorrente descreve a atividade que afirma efetivamente exercer nos seguintes termos (grifos no original): A Recorrente trabalha na comercialização de móveis, em geral planejados para o espaço previamente apresentado pelo cliente (ou profissional apontado por este último) por meio de projeto detalhado, cuidando ainda de toda a instalação, adequação e montagem. Para tanto, dispõe em seu quadro profissional de funcionários com as seguintes funções: promotora de vendas, auxiliar de projetos, vendedor, assistente de obras, assistente administrativo, serviços gerais, recepcionista, motorista, auxiliar de contabilidade, ajudante de montador, assistente financeiro, supervisor de obras, montador (doc.3 Cópia autenticada dos Registros de todos os empregados da empresa, na matriz e filiais). [...] O trabalho desenvolvido pela Recorrente se baseia exclusivamente nos projetos de decoração que lhes são enviados, completamente prontos, por seus clientes. Com base nos projetos enviados, os funcionários da empresa (geralmente aqueles que desempenham a função de auxiliar de projetos), apenas traduzem as idéias que foram previamente enviadas pelo cliente para a linguagem da empresa, mormente em relação aos materiais com os quais a Recorrente trabalha, produzindo, exclusivamente de acordo com as projeções mandadas pelos clientes, a adequação dos móveis a serem comercializados com o projeto de solução de espaço interno que lhe foi enviado. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012704/200751 Acórdão n.º 130100.610 S1C3T1 Fl. 498 5 [...] A função da Recorrente é, a partir do projeto enviado pelo cliente (por meio de seu decorador ou mesmo arquiteto) apenas apresentar as possibilidades de acordo com os materiais que dispõe, não lhe cabendo qualquer sugestão para solução do espaço interno. Com isso, entende restar comprovado que não exerce qualquer atividade de natureza intelectual e, em especial, não exerce a atividade de decorador ou designer, a impedir seu ingresso no Simples Nacional. Colaciona jurisprudência administrativa que entende apoiar sua tese. Acrescenta, finalmente, que as notas fiscais emitidas e acostadas aos autos que assinalam o serviço prestado como sendo “estudos de decoração” se referem exatamente aos serviços cuja natureza e escopo foi anteriormente especificado. A descrição que consta das notas seria incorreta, até mesmo por terem sido preenchidas por pessoas sem o devido preparo. Em nome do princípio da eventualidade, caso seu argumento anterior não seja aceito, a recorrente aduz que “a alteração promovida pela LC 128/2008 assinala expressamente a possibilidade de opção pelo regime, atraindo a aplicação do artigo 106, II, b do CTN”. A interessada traz à luz, neste ponto, o parágrafo 5ºC do art. 18 da Lei Complementar nº 123/2006, com a redação dada pela Lei Complementar nº 128/2008. Com essa modificação legislativa, a recorrente afirma que teriam sido afastados quaisquer óbices à adesão ao sistema simplificado por parte de empresas que se dedicam à decoração de interiores (o que admite apenas como hipótese argumentativa). Diante disso, entende plenamente aplicável o art. 106, II, b do Código Tributário Nacional. Colaciona jurisprudência administrativa e do Superior Tribunal de Justiça que considera adequadas à hipótese. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. A interessada teve sua opção pelo Simples Nacional indeferida, por entender a Autoridade Administrativa, com base na legislação aplicável, que duas atividades praticadas pela interessada seriam impeditivas, a saber, a representação comercial e a decoração de interiores. Quanto à primeira, já se estabeleceu consenso em momento processual anterior, e não mais integra a lide. A discussão, então, é sobre a natureza da atividade efetivamente exercida pela interessada: se decoração de interiores, conforme sustentou a Autoridade Administrativa, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012704/200751 Acórdão n.º 130100.610 S1C3T1 Fl. 499 6 no que foi acompanhada pela Turma Julgadora em primeira instância; ou se, como alega a recorrente, tal atividade nunca foi de fato exercida. O Contrato Social (fls. 34 e segs.), datado de 1979, estabelece em sua cláusula segunda: O Objeto Social consiste na indústria, comércio, compra e venda, importação, exportação e representações, por conta própria ou de terceiros, de utensílios de ferro esmaltado e aparelhos de calefação, móveis de metal, madeira e fórmica, eletrodomésticos em geral, peças e componentes, bem como a prestação de serviços, a assistência técnica a manutenção da produtos relativos à industria e ou ao seu comércio ou a eles correlatos. Já mais próximo dos fatos aqui apreciados, a 28ª Alteração Contratual (fls. 40 e segs.), datada de 31/07/2006, dispõe (grifo no original): O objeto social da Empresa passa a ser a representação comercial por conta própria dos produtos constantes abaixo nesta clausula, elaboração de estudos e orientação de decoração de ambientes, comercio de móveis de madeira, fórmica ou laminados plásticos e metal, aparelhos eletrodomésticos, objetos de decoração, compra e venda, montagem, reforma e manutenção destes produtos. Finalmente, a 29ª Alteração Contratual (fls. 10 e segs., fls. 47 e segs.), datada de 16/07/2007, consigna como objetivo social: Comércio de móveis de madeira, fórmica ou laminados plásticos e metal, aparelhos eletrodomésticos e objetos de decoração. Representação comercial por conta própria Estudo de planejamento de ambientes, para instalação de armários e/ou outros móveis, Serviços de montagem, instalação e manutenção de móveis em geral em madeira, fórmica ou qualquer outro material. Desde que surgiu controvérsia acerca da real natureza dos “estudos e orientação de decoração de ambientes”, ou “estudos de planejamento de ambientes”, foi determinada a realização de diligência com o objetivo de apurar qual seria a atividade efetivamente exercida. Tratase, como deseja a interessada, da busca da “verdade real dos fatos”. Em cumprimento da diligência, foram trazidos aos autos (por amostragem) numerosas Notas Fiscais de Serviço de emissão da interessada (fls. 62/151), nas quais a descrição dos serviços prestados é “serviços de estudo de decoração ...”. O período abrangido vai de janeiro de 2004 (fl. 62) até outubro de 2008 (fl. 99). Nas notas fiscais emitidas posteriormente a esse período, a descrição dos serviços se altera, passando a ser “serviços de instalação de móveis ...”. As provas nos autos apontam no sentido de que a atividade efetivamente exercida pela interessada era a de decoração de ambientes, apoiada não apenas em seu objeto Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012704/200751 Acórdão n.º 130100.610 S1C3T1 Fl. 500 7 societário, livremente declarado em seu contrato social, mas também na descrição dos serviços que fez apor nas notas fiscais emitidas até outubro de 2008, mais de um ano após o início da vigência do Simples Nacional. A alteração contratual de julho/2007, supostamente levada a efeito para adequação formal ao sistema simplificado de pagamentos, trocou a expressão “estudos de decoração” por “estudos de planejamento de ambientes”, mas os serviços prestados se mantiveram inalterados, como se vê nas notas fiscais emitidas. A alegação da interessada de que seus estudos se dariam sobre projetos elaborados pelos próprios clientes, seus arquitetos ou decoradores, tão somente para adequar os projetos recebidos aos produtos e materiais de que dispunha não encontra sustentação nos autos. Não foi juntado um único desses alegados projetos recebidos, não obstante oportunidades para tanto não tenham faltado, inclusive durante a realização da diligência determinada em primeira instância. Diante disso, não merece reparos a decisão recorrida, em sua conclusão de que a atividade de decoração de ambientes decorre do exercício de atividade intelectual e que, em tais condições, a opção pelo Simples Nacional é expressamente vedada. A seguir, a interessada aduz argumento subsidiário, que deve também ser apreciado. Sustenta que, na hipótese de não acolhimento de seu argumento anterior, “a alteração promovida pela LC 128/2008 assinala expressamente a possibilidade de opção pelo regime, atraindo a aplicação do artigo 106, II, b do CTN”. Com isso, entende que não mais haveria qualquer óbice à sua adesão ao Simples Nacional, inclusive retroativamente. Fazse necessária, a esta altura, breve revisão das disposições legais e alterações supervenientes, no que tange à atividade em questão. Originalmente, a vedação à atividade de decoração de ambientes, entendida como exercício de atividade intelectual, estava prevista no art. 17, inciso XI, da Lei Complementar nº 123/2006, nos seguintes termos: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] XI – que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; A Lei Complementar nº 128, de 19/12/2008 (publicada no DOU de 22/12/2008) introduziu variadas modificações na Lei Complementar nº 123. De especial interesse os dispositivos a seguir transcritos: Art. 2º A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, passa a vigorar com as seguintes modificações: “Art. 17. ....................................................................... Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012704/200751 Acórdão n.º 130100.610 S1C3T1 Fl. 501 8 ............................................................................................. [...] § 1º As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades referidas nos §§ 5oB a 5o E do art. 18 desta Lei Complementar, ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo. ...................................................................................” (NR) "Art 18................................................................................ § 5ºC. Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, as atividades de prestação de serviços seguintes serão tributadas na forma do Anexo IV desta Lei Complementar, hipótese em que não estará incluída no Simples Nacional a contribuição prevista no inciso VI do caput do art. 13 desta Lei Complementar, devendo ela ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes ou responsáveis: I construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada; [...] Art. 14. Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, salvo em relação: I ao art. 1º, que produz efeitos desde 1º de julho de 2007; II aos arts. 3º a 5º e ao inciso II do caput do art. 13, os quais produzirão efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, com exceção dos dispositivos dos arts. 3º e 4º especificados no inciso III deste artigo; III – aos §§ 1o a 3o do art. 4o, arts. 18A a 18C, § 4o do art. 25, art. 36A e § 6o do art. 38 da Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006, os quais produzirão efeitos a partir de 1o de julho de 2009. Dois pontos merecem destaque: (i) o art. 2º da LC 128/2008 não introduziu qualquer modificação atinente à atividade de decoração de interiores; (ii) o art. 14 da LC 128/2008 dispôs expressamente sobre a entrada em vigor de suas várias disposições; especialmente, o art. 2º (introduzindo o § 5ºC no art. 18 da LC 123/2006) entraria em vigor na data da publicação da LC 128/2008, ou seja, a partir de 22/12/2008. A mesma LC 128/2008, em seu art. 3º, modificou o § 5ºC do art. 18 da LC 123/2006, que havia sido introduzido por seu art. 2º. A nova redação é a que segue: Art. 3º A partir de 1º de janeiro de 2009, a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, passa a vigorar com as seguintes modificações: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012704/200751 Acórdão n.º 130100.610 S1C3T1 Fl. 502 9 "Art 18............................................................................... § 5ºC. ........................................................................... I construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, execução de projetos e serviços de paisagismo, bem como decoração de interiores; Aqui, cumpre ressaltar: (i) a atividade de decoração de interiores passou a ser expressamente excepcionada das vedações ao Simples Nacional; (ii) essa alteração produz efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, conforme art. 14, inciso II, da LC 128/2008, anteriormente transcrito. Não obstante a clara disposição legal de que a atividade de decoração de interiores somente poderia ser admitida no Simples Nacional a partir de 01/01/2009, a interessada pleiteia a aplicação retroativa da lei, baseada no art. 106, inciso II, “b”, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Com a devida vênia daqueles que pensam diferente, creio não ser essa a melhor aplicação do texto legal. As alíneas “a” e “c”, acima, tratam de situações em que a lei incide sobre a obrigação tributária principal, tendo por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (CTN, art. 113, § 1º). Se determinada conduta deixa de ser considerada infração, ou se a penalidade a ela cominada se torna menos severa, aplicase retroativamente a lei menos gravosa. A interpretação sistemática leva à conclusão de que a alínea “b” cuida das obrigações tributárias acessórias, as exigências de ação ou omissão ou, na dicção do art. 113, § 2º, do CTN, as “prestações, positivas ou negativas”. Se determinada conduta, ativa ou omissiva, deixa de ser imposta ao contribuinte, também aqui cabe a aplicação retroativa da lei, desde que ausentes a fraude e a falta de pagamento de tributo. E este ponto deve ser destacado: em nenhuma hipótese a conduta ou obrigação sob questão pode implicar falta de pagamento de tributo. No caso concreto, entendo que não se trata de qualquer dessas hipóteses, mas tão somente de permissivo legal para que contribuintes dedicados a determinado ramo de atividades possam optar pela tributação simplificada, o que era, até então, vedado. Não se cuida Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012704/200751 Acórdão n.º 130100.610 S1C3T1 Fl. 503 10 de infração à lei, nem de penalidade, nem de obrigação acessória, mas da possibilidade de optar pela forma de tributação mais favorecida. A tributação na forma estabelecida pela Lei Complementar nº 123/2006 é claramente um benefício fiscal, um “tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte”, nos termos de seu art. 1º. Como tal, cumpre sua interpretação literal (CTN, art. 111), inclusive no que toca às restrições e vedações impostas pela lei que a instituiu. Se o legislador, ao introduzir o § 5ºC no art. 18 da LC 123/2006, apesar de fazêlo mediante um único diploma legal (a LC 128/2008), teve o cuidado de separar uma redação no art. 2º, com vigência na data de publicação, e outra no art. 3º, a produzir efeitos em data determinada, descabe aqui ampliar a extensão do benefício fiscal, aplicando retroativamente as alterações empreendidas em favor de pessoas jurídicas anteriormente por ele não alcançadas. Finalmente, ainda que, exclusivamente por amor ao debate, se pudesse considerar que as alterações promovidas na LC 123/2006 pela LC 128/2008 pudessem ser tidas como tratamento “contrário a qualquer exigência de ação ou omissão”, deve ser observado que, da opção pelo Simples Nacional decorre o pagamento de tributos em montante inferior àquele devido pelas demais pessoas jurídicas, o que é da própria natureza de um benefício fiscal. Também por este motivo, então, fica demonstrada a inaplicabilidade, ao caso sob exame, da retroatividade da aplicação da lei a que se refere o art. 106, II, “b”, do CTN. Em conclusão, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914200/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.891
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 00 /2 01 2- 51 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914200/201251 Acórdão n.º 3201003.891 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.825, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914200/201251 Acórdão n.º 3201003.891 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.914200/201251 Acórdão n.º 3201003.891 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.914200/201251 Acórdão n.º 3201003.891 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 56DF CARF MF
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