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Numero do processo: 11128.004421/2009-36
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/08/2008
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 44 21 /2 00 9- 36 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.004421/200936 Acórdão n.º 3801003.281 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.004421/200936 Acórdão n.º 3801003.281 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.004421/200936 Acórdão n.º 3801003.281 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.004421/200936 Acórdão n.º 3801003.281 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.004421/200936 Acórdão n.º 3801003.281 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.004421/200936 Acórdão n.º 3801003.281 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.004421/200936 Acórdão n.º 3801003.281 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.004421/200936 Acórdão n.º 3801003.281 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.008918/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para aguardar o resultado do julgamento do Auto de Infração de Obrigação Principal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
RELATÓRIO
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Fatos Geradores Recorrente TRANSMERIDIANO TRANSP. RODOV. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para aguardar o resultado do julgamento do Auto de Infração de Obrigação Principal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 08 91 8/ 20 08 -4 3 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10830.008918/200843 Resolução nº 2302000.301 S2C3T2 Fl. 347 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 291 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: O contribuinte identificado em epígrafe, foi autuado por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, § 5°, da Lei n° 8.212/91, tendo em vista a apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, não tendo informado remuneração constante de folhas de pagamento dos segurados empregados nas competências 08/2003 a 12/2004, conforme consta do "Relatório Fiscal da Infração', fl. 08. Em decorrência da infração praticada foi aplicada a penalidade prevista no artigo 32, § 5°, da Lei n° 8.212/91, c.c. artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, reajustada conforme artigo 373 do referido Regulamento, mediante a Portaria MPS/GM n° 77, de 11/03/2008, no valor de R$ 33.799,65 (trinta e três mil setecentos e noventa e nove reais e sessenta e cinco centavos), correspondente a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada respeitado o limite do § 4° do artigo 32, da Lei no 8.212/91. A fiscalização constatou em auditoria na empresa que os valores creditados a título de Auxílio Transporte (rubrica 0070), Cesta básica (rubrica 0054), Reembolso de Combustível (rubrica 0028) e Participação nos Lucros e Resultados (rubrica 0008) foram pagos em desacordo com a legislação pertinente, sofrendo incidência de contribuições previdenciárias. Os valores lançados como remuneração complementar, não declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência SocialGFIP, foram apurados em folhas de pagamento, discriminados conforme Anexos A a E, em que constam a identificação dos segurados e as importâncias consideradas omitidas em guias GFIP, sendo que o anexo F totaliza as contribuições omitidas e demonstra o valor da multa aplicada em cada competência. Os anexos ao relatório fiscal foram gravados em mídia digital e esta anexada à fl. 11, sendo entregue ao contribuinte mediante recibo, fl.10. Consta ainda do relatório fiscal da infração que não restou configurada circunstância agravante da infração não havendo autuações anteriores em nome da empresa. Ciente da autuação em 04/09/2008, o contribuinte apresentou defesa às fls.14/45, juntando documentos, fls. 46/253 (...) Fl. 347DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10830.008918/200843 Resolução nº 2302000.301 S2C3T2 Fl. 348 3 Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 305 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: a) o valetransporte possui caráter indenizatório, e não de remuneração, motivo que o mantém fora da incidência das contribuições sociais previdenciárias; b) a recorrente encontravase inscrita no PAT na época da autuação, com fundamento no que dispõe do art. 3º da Portaria Interministerial n.º 05/99, portanto, a parcela paga pela empresa não deveria integrar o salário de contribuição; c) o reembolso combustível possui caráter indenizatório, pois visa ressarcir o empregado das despesas que teve durante as viagens realizadas; d) as contribuições sociais previdenciárias não podem incidir sobre a rubrica PLR, pois houve pagamento de acordo com a lei (inclusive no que tange à periodicidade do pagamento da PLR não poder ser inferior a um semestre), tendo em vista a existência de convenções coletivas. e) multa confiscatória; É o relatório. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10830.008918/200843 Resolução nº 2302000.301 S2C3T2 Fl. 349 4 VOTO Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Com efeito, os créditos tributários relativos às obrigações tributárias principais correspondentes aos fatos geradores referidos neste Auto de Infração foram apurados mediante os Autos de Infração constantes dos processos administrativos de n°s. 10830.008916/200854 (debcad 37.181.8753 – cota patronal) e 10830.008915/200818 (debcad 37.181.8737 – parte segurados) lavrados na mesma ação fiscal, objeto do presente Processo Administrativo Fiscal, que trata, como visto, da infração consistente na apresentação de GFIP com omissão da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais. Em consulta ao Eprocesso, verifico que o recurso voluntário relativo ao processo de n° 10830.008915/200818 (debcad 37.181.8737 – parte segurados) já foi julgado, no entanto, aquele referente ao processo de n° 10830.008916/200854 (debcad 37.181.8753 – cota patronal) ainda encontrase pendente de distribuição neste Egrégio Conselho. Por todo o exposto, diante da ostensiva relação de prejudicialidade entre todos os lançamentos, e visando à esquiva de prolação de decisões conflitantes, pugnamos pela conversão do vertente julgamento em diligência fiscal, sobrestandose o trâmite do presente feito até o trânsito em julgado das decisões relativas aos processos administrativos de n°s. 10830.008916/200854 (debcad 37.181.8753 – cota patronal) e 10830.008915/200818 (debcad 37.181.8737 – parte segurados). A diligência fiscal ora comandada deverá ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia das decisões administrativas definitivas referidas no parágrafo anterior. Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em diligência fiscal, nos exatos termos detalhados nos parágrafos precedentes. Antes de os autos retornarem a este Colegiado, deverá ser concedida a devida ciência do teor da diligência fiscal ora em realce ao Sujeito Passivo, para que este, desejando, possa se manifestar nos autos do processo no prazo normativo. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 349DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10830.907384/2011-35
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 73 84 /2 01 1- 35 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de receita tributária dos Estados da Federação, o referido imposto não faria parte da receita auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. A Recorrente, nas razões de fls. 55 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/10/2013 (fls. 63), interpondo recurso tempestivo em 04/11/2013 (fls. 55). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907384/201135 Acórdão n.º 3802002.904 S3TE02 Fl. 67 3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, a exclusão pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Votase pelo não conhecimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13603.001615/2007-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. DISTRIBUIDORES E VAREJISTAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A incidência monofásica é incompatível com o creditamento nas etapas desoneradas da contribuição, nas quais não há cumulatividade a ser evitada. A inclusão das receitas com a venda de óleo diesel e gasolina no regime não cumulativo não abarca os distribuidores e comerciantes varejistas dos produtos, que ficam impossibilitados de se creditar das despesas com frete e armazenagem vinculados à revenda de bens ou produtos.
EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Os encargos de depreciação devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem e somente pode haver a sua contabilização, no caso de benfeitorias em imóveis de terceiros, se a assunção do ônus com as obras se der em caráter definitivo.
Numero da decisão: 3803-005.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a serem submetidas ao regime de tributação do PIS/Cofins não-cumulativo as operações de revenda de produtos tributados à alíquota zero e ao creditamento de PIS/Cofins sobre custos ou despesas de frete e armazenamento nas operações mencionadas; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o conselheiro Belchior Melo de Sousa. E por unanimidade, negou-se provimento quanto aos demais pedidos.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. DISTRIBUIDORES E VAREJISTAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A incidência monofásica é incompatível com o creditamento nas etapas desoneradas da contribuição, nas quais não há cumulatividade a ser evitada. A inclusão das receitas com a venda de óleo diesel e gasolina no regime não cumulativo não abarca os distribuidores e comerciantes varejistas dos produtos, que ficam impossibilitados de se creditar das despesas com frete e armazenagem vinculados à revenda de bens ou produtos. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem e somente pode haver a sua contabilização, no caso de benfeitorias em imóveis de terceiros, se a assunção do ônus com as obras se der em caráter definitivo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. DISTRIBUIDORES E VAREJISTAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A incidência monofásica é incompatível com o creditamento nas etapas desoneradas da contribuição, nas quais não há cumulatividade a ser evitada. A inclusão das receitas com a venda de óleo diesel e gasolina no regime não cumulativo não abarca os distribuidores e comerciantes varejistas dos produtos, que ficam impossibilitados de se creditar das despesas com frete e armazenagem vinculados à revenda de bens ou produtos. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem e somente pode haver a sua contabilização, no caso de benfeitorias em imóveis de terceiros, se a assunção do ônus com as obras se der em caráter definitivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a serem submetidas ao regime de tributação do PIS/Cofins nãocumulativo as operações de revenda de produtos tributados à alíquota zero e ao creditamento de PIS/Cofins sobre custos ou despesas de frete e armazenamento nas operações mencionadas; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 16 15 /2 00 7- 91 Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 parte, o conselheiro Belchior Melo de Sousa. E por unanimidade, negouse provimento quanto aos demais pedidos. Relatório Tratase de PER/ DCOMP através do qual a Alesat busca compensar crédito de PIS, referente ao último trimestre de 2005, no valor de R$ 94.931,60 com débitos de IRPJ que totalizam o mesmo valor. O contribuinte é empresa que se dedica a atividade de comércio atacadista de combustíveis, tais como, gasolina, óleo diesel e gás natural veicular (GNV). Em razão da alteração do domicílio fiscal do sujeito passivo, o presente processo, que foi protocolizado na DRF/Contagem/MG para exame do PER/DCOMP acima, foi encaminhado a Seção de Fiscalização SAFIS da DRF/NATAL/RN, que elaborou o Termo de Informação Fiscal, cujo teor antecipou entendimento contrário ao direito creditório requerido. Após proferir entendimento preliminar, a SAFIS/DRF/NATAL, ao final do Termo de Informação Fiscal, remeteu os autos ao SAORT/DRF/NATAL para apreciação do direito creditório levando em conta a atividade da empresa e os produtos que comercializa, de conformidade com rol apresentado pelo sujeito passivo, conclui que, para verificação dos créditos seria necessária a análise da escrituração da empresa para identificar as receitas vinculadas a cada um dos regimes de apuração da contribuição para o PIS. Concluída a diligência requerida veio o Relatório Fiscal que serviu de fundamento para o Despacho decisório que, em síntese, glosou os valores referentes a: I) revenda dos derivados de petróleo em foco, devido a tributação monofásica, onde os tributos são concentrados nas refinarias. Consequentemente, o critério de rateio proporcional, adotado pela contribuinte a partir de outubro de 2005, estaria equivocado. II) armazenagem e frete de operação de venda dos combustíveis derivados do petróleo, ou de álcool para fins carburantes, fundamentando na lei n° 10.833/2003. III) despesas de aluguel e pagamentos a maior que os estipulados em contratos, não comprovados. IV) despesas de arrendamento mercantil. Reconheceu direito creditório em relação a: I) GNV. II) Óleo LCI. III) Querosene. IV) Aluguéis, demonstrados por documentação suporte. V) energia elétrica. Dispõe que, relativamente ao 4° trimestre de 2005, não restou qualquer crédito, a título de contribuição de PIS. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001615/200791 Acórdão n.º 3803005.248 S3TE03 Fl. 1.050 3 Conclui, portanto, pelo NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório no valor de R$ 94.931,60 e indeferiu o PER/DCOMP. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade a DRJ/REC. Defende poder se creditar sobre armazenagem e frete no valor original de R$ 94.931,60, constrói sua tese, alegando, em síntese: I) que o direito creditório pleiteado não se vincula aos combustíveis adquiridos (com tributação concentrada na fase anterior, "monofásica") e sim aos gastos com fretes e armazenamento decorrentes de tais receitas. II) discorre sobre a nãocumulatividade do PIS em relação a gasolina e óleo diesel. III) que o fato de as receitas se sujeitarem ao regime monofásico não significa que tais receitas não se sujeitam à sistemática da nãocumulatividade. IV) que, mesmo não afetando os créditos discutidos nestes autos, os percentuais de rateio proporcionais adotados pela recorrente a partir de outubro de 2005 estão corretos, pois tanto as receitas de óleo diesel quanto as de gasolina são computadas na sistemática nãocumulativa. V) que pratica atividade de beneficiamento da gasolina, ao misturar gasolina, tipo A, a álcool anidro, tendo como resultado gasolina tipo C. VI) que todo o processo produtivo acima qualifica a recorrente não como mera comerciante revendedora de combustíveis, mas como uma empresa que desenvolve verdadeiro e típico processo de beneficiamento de gasolina. Requer ao final que seja reconhecido o pagamento efetuado em relação às despesas de aluguel apresentadas. Pede o reconhecimento da totalidade dos créditos da contribuição para o PIS apropriados sobre despesas de armazenagem e frete, no valor total de R$ 94.931,60. A Delegacia de Julgamento deu provimento parcial a Manifestação de Inconformidade. Ementou como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.INDEFERIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Constatada a inexistência de direito creditório, o Pedido de Ressarcimento será indeferido e as Declarações de Compensação a ele vinculadas não serão homologadas, implicando a cobrança dos valores indevidamente compensados, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. DISTRIBUIDORA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A inclusão das refinarias e dos importadores de combustíveis derivados de petróleo na sistemática não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep pela Lei nº 10.865/2004 em nada alterou a situação dos distribuidores e varejistas, que continuaram tributados à alíquota zero, na condição de nãocontribuintes, sem direito a crédito, seja relativo aos custos nas aquisições dos produtos revendidos, seja referente às despesas e encargos de comercialização. A incidência monofásica é incompatível com a técnica do creditamento nas etapas desoneradas do tributo, nas quais não há cumulatividade a ser evitada, razão pela qual as receitas com a revenda de produtos cuja cadeia de produção e comercialização tem tributação concentrada em etapa anterior devem ser consideradas fora da não cumulatividade no cálculo do rateio proporcional de que trata o inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. MISTURA DE ÁLCOOL ANIDRO À GASOLINA. DISTRIBUIDOR.COMERCIANTE. O fato de os distribuidores de combustíveis misturarem a gasolina “Tipo A” com o álcool anidro, para a obtenção da gasolina Tipo “C”, não os caracterizam como estabelecimentos industriais, mas como simples comerciantes, tanto à luz da legislação do IPI como da Contribuição para o PIS/Pasep. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual afirma que, diferentemente do que ocorre no caso do IPI, há regra expressa permitindo o creditamento mesmo quando as saídas/vendas são desoneradas, previsão esta expressa no art. 3º, § 2º, II, das Leis nº10.637/2002 e nº10.833/2003. Reitera que o crédito pleiteado não é apurado em função das aquisições desses produtos para venda, que busca ver reconhecido o crédito de outras despesas e ônus suportados pela recorrente. Com isso, versa sobre o direito de creditarse de gastos referentes a fretes e armazenagem de mercadorias, por entender, serem insumos próprios da sua atividade. Ao final requer a reforma do acórdão recorrido para: Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001615/200791 Acórdão n.º 3803005.248 S3TE03 Fl. 1.051 5 a) reconhecer que o direito ao crédito de PIS, à exceção dos créditos decorrentes da aquisição de produtos sujeitos à incidência monofásica, está assegurado sempre que houver a incidência dessas contribuições sobre as receitas auferidas por terceiros correspondentes aos respetivos custos (que geram crédito) incorridos pela Recorrente; b) declarar que as receitas decorrentes das vendas de gasolina e óleo combustível pelas distribuidoras de combustíveis, como a Recorrente, passaram, desde 01/08/2004, a se submeter ao regime da não cumulatividade do PIS, determinandose, por conseguinte, a revisão da Tabela elaborada pelo auditor fiscal para fins de cálculo dos créditos comuns, de modo a incluir as aludidas receitas (inseridas na Coluna “Demais Receitas”) entre as chamadas receitas nãocumulativas, com o consequente recálculo dos créditos comuns homologados pela fiscalização; c) reconhecer o direito da empresa ao aproveitamento dos créditos de PIS de frete e armazenagem vinculados às vendas de gasolina e óleo diesel; d) reconhecer em sua integralidade o crédito representado pelo PER referente ao 4º Trimestre de 2005, para reconhecer a regularidade das compensações efetuadas, homologandoas em sua totalidade. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O Recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente é empresa que se dedica à atividade de comércio atacadista de produtos combustíveis, como gasolina, óleo diesel e gás natural veicular. Analisando as contribuição para o PIS e para a COFINS vemos que passaram a ser regidas a partir do anocalendário de 1999, pela Lei n° 9.718, de 27/11/1998 cujo art. 4° impôs regime de substituição tributária por meio do qual a contribuição para o PIS e a COFINS devida pelas distribuidoras e pelos comerciantes varejistas sobre as receitas de derivados de petróleo eram recolhidas antecipadamente pelas refinarias. O instituto da "Substituição Tributária" destinava às refinarias a função legal de recolher antecipadamente o valor das contribuições devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas, isto é, antes da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, no que diz respeito aos demais participantes da cadeia de comercialização. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Posteriormente, o art. 3° da Lei n° 9.990, de 21/07/2000 c/c o art. 42, I, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001 instituíram regime de tributação monofásico da contribuição supracitada. O modelo foi implementado com a fixação da alíquota de 0% (zero por cento) quando da ocorrência da venda desses derivados por parte dos revendedores, ou seja, dos distribuidores e comerciantes varejistas. As lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003 criaram, nas situações ali especificadas, tributação nãocumulativa em relação à contribuição para o PIS/COFINS. Quando inicialmente instituídas foram excluídas da sistemática nãocumulativa da contribuição para o PIS as operações de venda de combustíveis derivados de petróleo nas redações do art. 1°, §3°, IV; do art. 2°; do art. 3°, I e II e §§7° e 8°; e art. 8°, VII, “a” da Lei n° 10.637/2002, da mesma forma para a COFINS nas redações do art. 1°, §3°, IV; do art. 2°; do art. 3°; I e II e §§7° e 8°; e art. 10°, VII, “a” da Lei n° 10.833/2003. Em 1° de agosto de 2004, entraram em vigor novas alterações na incidência da contribuição para PIS/Cofins no que se refere aos derivados de petróleo, desta vez, trazidas pela Lei 10.865/2004. As mudanças trouxeram a sistemática não cumulativa da Contribuição para o PIS e para a COFINS, por meio dos artigos 37 e 21, respectivamente, da Lei n° 10.865/2004. Reforçando este entendimento o artigo 15 da Lei nº 10.833/03 determina expressamente que a aplicação da nãocumulatividade do PIS para o caso dos incisos I e II do parágrafo 3º do artigo 1º da mesma norma. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; Os dispositivos legais transcritos a seguir, da Lei n° 10.637/2002, com a nova redação, são de suma importância para o pleno entendimento da questão: “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero;[...] III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária;[...] IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001615/200791 Acórdão n.º 3803005.248 S3TE03 Fl. 1.052 7 IV de venda de álcool para fins carburantes; Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I – nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural;[...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos:[...] b) no § 1o do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;[...] Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o:[...] VII— as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3 do art. 1º;” Com a nova redação, a restrição do art. 8º, VII, “a” da Lei nº 10.637/2002 e no art. 10, VII, “a” da Lei nº 10.833/2003 passou a não mais abranger os derivados de petróleo de que trata a Lei 9.990/2000. O que se discute agora, visto não se tratar de um sistema cumulativo, é a possibilidade das distribuidoras se creditarem dos custos de distribuição dos combustíveis, em especial, os custos com fretes e armazenagem deste produtos. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Percebese que a lei não instituiu que as distribuidoras e varejistas não possam se creditar dos custos de distribuição, mas vedaram (à época dos fatos), expressamente, o creditamento em relação a bens adquiridos para revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária e de venda de álcool para fins carburantes. O crédito pedido pela Recorrente diz respeito ao art. 3º, IX da Lei nº 10.833/03, que, no seu entendimento, permiti o desconto de créditos de frete e armazenagem sobre os produtos que comercializa. O inciso IX do art. 3º da lei 10.833/03 dispõe que o crédito se aplica nos casos dos incisos I e II do mesmo artigo. Por sua vez, a Fazenda Nacional afirma que o contribuinte não é regulado pelos dois primeiros incisos desse artigo, uma vez que não se trata de um produtor ou prestador de serviços (inciso II) e que a alínea “b” do inciso I exclui as mercadorias e produtos referidos nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º da mesma lei, onde se encontra a gasolina e o óleo diesel. O Recorrente afirma não ser meramente um comerciante, mas sim uma empresa que desenvolve verdadeiro processo de beneficiamento da gasolina. Afirma então ser a gasolina tipo ”C” obtida após mistura de álcool anidro e gasolina tipo “A”, um típico produto industrializado. Nesta duvidosa interpretação, quer a empresa provar que o frete e armazenagem são insumos em sua atividade industrial, de forma a se enquadrar no inciso II do art. 3º da lei 10.833/03, uma vez que tal inciso referese a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. A simples mistura de dois produtos, para a adequação do combustível à legislação, não caracteriza atividade industrial. Menciono parte do voto preferido pelo relator Gilson Macedo Rosenburg Filho, por ocasião do recurso nº 504.580, processo administrativo 10865.002267/200881, julgado pela 1a turma da 4a Câmara da 3a seção: “Por outro lado, com a devida vênia, e a exemplo da Recorrente, não compartilho com a primeira parte dos argumentos utilizados pela instância de piso, qual seja, a de apoiarse na regra do inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, pois, a meu ver, e na linha do que defendera a Unidade de origem, e, agora, diferentemente do que entende a Recorrente, o correto, ou a motivação para o indeferimento é encontrada, dentre outros, na regra do inciso I, letra “a”, do mesmo dispositivo. Ou seja, uma distribuidora de combustíveis que adquire o álcool anidro com o fim exclusivo de adicionálo à gasolina “A” para obter a gasolina “C” que vende ao mercado, e isso, essa mistura, por conta de uma determinação expressa do órgão governamental regulador desse mercado1, não pode ser equiparada ou considerada como um “fabricante” ou “produtor” de bens ou produtos de que trata o inciso II acima reproduzido; bem diferente disso, tratase de um mero comerciante que, como tal, adquire bens para 1 Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001615/200791 Acórdão n.º 3803005.248 S3TE03 Fl. 1.053 9 revenda de que trata o inciso I. Como se sabe, não há nenhuma ciência no procedimento de obtenção da gasolina “C”, visto que a mesma decorre da mera adição de determinado percentual do álcool anidro à gasolina “A”, tarefa essa que é feita mediante o simples despejo da primeira no tanque reservatório da segunda. Daí, portanto, a análise do pleito da Recorrente depender da interpretação que se faz da regra contida no inciso I, do artigo 3º e não no inciso II do mesmo artigo.”Grifamos. Não resta dúvida de que o contribuinte não realiza produção ou fabricação. Por outro lado, o contribuinte defende que a referência que o inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03 faz aos incisos I e II do mesmo artigo é apenas para deixar livre de dúvidas que o frete geraria o crédito tanto nas hipóteses de revenda do produto acabado como nas hipóteses de venda do produto fabricado. Nesse ponto tem razão o contribuinte tendo em vista que a hipótese de creditamento de armazenagem e frete é expressamente prevista no inciso IX disposto da seguinte forma: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Perceba que o dispositivo remete ao caos dos incisos I e II, quais sejam, resumidamente, às hipóteses de revenda ou produção de bens ou produtos. Entendemos que a menção aos incisos I e II é tão somente para especificar as atividades desenvolvidas para o creditamento, necessitando que o ônus da armazenagem e frete sejam suportados pelo vendedor. Importa ressaltar que os produtos descritos nos incisos I e II da Lei nº 10.833/03, que por si só não tem direito a creditamento, são irrelevantes para a finalidade de gerar crédito sobre sua armazenagem e frete. Veja que são situações distintas reguladas por dispositivos distintos, uma concede armazenagem e frete e a outra impossibilita o creditamento sobre os produtos especificados (exemplo, álcool, gasolina e diesel). Em nenhuma hipótese a vedação estabelecida para o creditamento sobre tais produtos (principais) são limitativos do aproveitamento do créditos dos custos com armazenagem e frete, que, no nosso entendimento, é expressamente permitido. Caso não fosse a intenção do legislador atribuir creditamento sobre armazenagem e frete em relação aos mesmos produtos excetuados nas alíneas do inciso I do art. 3º da Lei 10.833/03, tal exceção deveria constar expressamente no próprio inciso IX que regula tal hipótese. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Por fim, claro se mostra que as exceções sobre o creditamento dos produtos referidos no incisos I e II do art. 3º da Lei 10.833/03 não são exceções de creditamento de armazenagem e frete. Ponto incontroverso é a aplicação do inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03 da COFINS para o PIS, conforme a DRJ/REC assim expresso “De toda forma, ainda que a interpretação da manifestante fosse plausível, a própria lógica da tributação concentrada, por si só, já faz a exclusão que o diligenciante viu na remissão do inciso IX da Lei nº 10.833/2003, também aplicável à Contribuição para o PIS. (G.N.)” pelo que não me oponho neste ponto específico. Portanto, em relação aos pedidos finais da recorrente expresso o seguinte entendimento: a) Em relação ao pedido de reconhecimento do direito ao crédito de PIS/COFINS sobre os custos relacionados a produtos com incidência monofásica, entendo que há direito ao crédito mesmo quando sobre a operação incida a alíquota “zero”. b) No que diz respeito ao regime de apuração e cálculo da contribuição para o PIS decorrente das vendas de gasolina e óleo combustível, entendemos que a partir das alterações introduzidas pela Lei 10.865/04 no artigo 1º, § 3º, inciso IV da Lei nº 10.637/02 as refinarias, importadores, distribuidoras e varejistas passaram e ser submetidas ao regime da nãocumulatividade para o PIS/COFINS quanto às receitas decorrentes das vendas de gasolina e óleo combustível, desta forma, revisese a tabela de cálculo efetuada pela auditoria fiscal. c) Por tudo o que foi dito, entendemos que os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, podem creditarse dos custos e despesas com frete e armazenagem decorrentes da revenda de bens ou produtos, ainda que estes bens ou produtos estejam vedados para o creditamento sobre suas próprias aquisições (alíneas “a” e “b”, incisos I, art.3º da Lei 10.833/03), as exceções previstas para o creditamento do produto principal não se aplicam ao creditamento sobre o creditamento de armazenagem e frete previstos no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03. Conclusão Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para que se revise a tabela elaborada pelo auditor fiscal para que SE CONSIDERE as receitas de revenda de óleo diesel e gasolina como receitas nãocumulativas e por e assim revise os valores dos créditos concedidos nesta nova proporção e por RECONHECER o creditamento PIS/COFINS sobre custos e despesas de armazenagem e frete. Sala das sessões, 29 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O presente voto vencedor é para consignar a divergência levantada em relação ao do entendimento do eminente Relator que sustentou o voto pelo parcial provimento Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001615/200791 Acórdão n.º 3803005.248 S3TE03 Fl. 1.054 11 ao recurso voluntário, reformando a decisão recorrida. Seu encaminhamento culminou em considerar nãocumulativas as receitas de revenda de óleo diesel e gasolina inclusas no regime monofásico, e, consequentemente, em alterar a composição da tabela de receitas elaborada pelo Auditor Fiscal, e em determinar: (i) a revisão dos valores dos créditos concedidos tomando como base a nova proporção (para fins de rateio das despesas e custos comuns) e (ii) a inclusão entre esses créditos os relativos às despesas de armazenagem e frete vinculados à revenda dos produtos. A divergência amparase na interpretação da norma do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002, que, ao dispor sobre a aferição do quantum devido na sistemática não cumulativa, excepciona a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores da regra geral contida na cabeça do artigo, à alíquota de 1,65%, incluindoa no regime monofásico, com alíquotas diferenciadas em função de cada tipo de produto derivado de petróleo. Reza o dito dispositivo legal: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1ª, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas:[grifo aqui] I – nos incisos I a III do art. 4º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural;[...][grifei] Ao excepcionar a receita auferida pelos produtores e importadores da regra geral, a norma está a dizer, no antecedente, que as bases de cálculo apuradas por esses agentes com os citados produtos, “conforme o disposto no art. 1º”, passaram a estar enquadradas na sistemática não cumulativa, aplicandose a estas alíquotas distintas. Não se está aqui a patrocinar interpretação literal do conteúdo da norma. Todavia, é elementar que o sentido de uma norma é edificado a partir da apreensão tópica do significado, do alcance ou da delimitação de vocábulos expressos e claros de que o texto se serve, e que somente podem ser mitigados ou estendidos se a construção da norma é justificada de forma consistente mediante a integração com outro(s) texto(s) do sistema. No caso presente, a norma do art. 2º, acima, é o substrato por meio do qual se visualizam os agentes da monofasia que ingressaram na não cumulatividade, uma vez ali identificados os destinatários da norma – os produtores e importadores à qual compreensão subordinamse as regras de creditamento na sistemática da não cumulatividade das aludidas contribuições, neste segmento econômico. Não há no ordenamento outro texto que a este se conjugue cuja possível norma que resulte ofereça um olhar amplo e extensivo acerca de outros destinatários submetidos à monofasia dos derivados de petróleo abarcados na sistemática da não cumulatividade. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 Assento que a norma contida no art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865/04, é a que migra a arrecadação concentrada dos produtos derivados de petróleo para o campo de apuração da sistemática não cumulativa, ao tempo em que desenha a coexistência parcial de ambos os regimes. A parcialidade reside na eleição dos sujeitos destinatários da norma, já referidos, na exclusão dos créditos sobre os ditos produtos submetidos à arrecadação concentrada e na inclusão de demais custos e despesas vinculados ao auferimento das respectivas receitas, inclusive armazenagem e frete na operação de venda. Este fundamento conjugase com o art. 1º, § 3º, I, da mesma lei, que estipula que as receitas decorrentes de saídas sujeitas à alíquota zero não integram a base de cálculo mencionada na cabeça do artigo, vale dizer, as receitas dos distribuidores e comerciantes varejistas de derivados de petróleo (sujeitas à alíquota zero) não integram a base de cálculo na sistemática da não cumulatividade, verbis: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.[...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero;[...] Assim: a) identificados os destinatários, segundo o disposto no § 1º, do art. 2º, da Lei nº 10.637/02, acima – estes, os produtores ou importadores; b) inexistente outro texto legal que permita dar a este, acima, uma significação extensiva, relativamente aos sujeitos; e c) excluídas da não cumulatividade as receitas submetidas à alíquota zero, segundo o disposto no § 1º, do art. 1º, acima, não há como se afirmar que as receitas auferidas por cada um dos demais agentes intervenientes na cadeia de circulação dos produtos derivados de petróleo submetidos ao regime monofásico (à exceção das receitas decorrentes da venda de álcool para fins carburantes) – estes, os distribuidores e os comerciantes varejistas passaram a se sujeitar, concomitantemente, à sistemática da não cumulatividade. No olhar da Recorrente o fato juridicizado pela norma trazida pela redação da Lei nº 10.865/04 são as receitas obtidas com os produtos submetidos ao regime monofásico, sendo a mensagem por ela veiculada restrita a este objeto genérico. Enxergar por esta lente é um mote para interpretar que todas as receitas com tais produtos desembarcaram na sistemática não cumulativa abarcando assim os distribuidores e os comerciantes varejistas de tais produtos, indistintamente, como destinatários da norma. Vejo que essa perspectiva de observação e apreensão é notoriamente enviesada e parcial, na medida em que, de modo deliberado, a Interessada irreleva a referência, no texto, aos produtores e importadores e, via de consequência, desconsidera o fato de que é exatamente a presença desses atores no ventre do art. 2º (que se reporta ao art. 1º, ambos da Lei nº 10.637/02) que revela a circunstância de estes sujeitos passivos operarem a apuração das contribuições na sistemática não cumulativa. Estes, e só estes operam na não cumulatividade. Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001615/200791 Acórdão n.º 3803005.248 S3TE03 Fl. 1.055 13 Construída a norma nos termos acima, desfiguramse os argumentos na defesa do suposto direito, com fulcro: a) no art. 21, II, da IN SRF 600/05, reproduzido no art. 27, II, da IN SRF 900/2008, eis que elas regram para situações fáticas abrangidas pela sistemática da não cumulatividade; b) no art. 17 da Lei nº 11.033/04, pela observação de que este artigo inscreve se na sequência de outros (art. 13 ao art. 17) que têm um destinatário específico, os beneficiários do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária – REPORTO, constituindose, por isso, em norma especial a compor a política de benefício fiscal a este setor. Não há na norma do art. 17 parâmetro algum (vocábulo ou expressão) que a conecte com as normas gerais de creditamento previstas nas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, ou até na Lei nº 10.865/04. A conexão com estas, pela técnica legislativa usual, haveria de se dar por meio de nova redação dada ao respectivo artigo de lei, com a introdução de parágrafo inscrevendo a norma permissiva. Nada obstante a técnica legislativa adotada, numa interpretação um pouco mais ampla, podese ter que a aplicação do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 a par de não estar criando novas possibilidades de créditos destinase a manter o creditamento sobre determinados insumos aplicados em produtos e mercadorias cujas receitas de vendas sofrem normalmente a incidência das contribuições, que poderiam ser utilizados caso não houvesse a adoção de alíquota zero na saída destes. c) nas disposições das medidas provisórias nºs 413/08 e 415/08, pelo fato de que elas não vieram excluir direito preexistente aos créditos pleiteados. A conclusão a se alcançar das ditas medidas provisórias é que elas vieram apenas destacar expressamente o entendimento de que não se aplica o disposto no art. 17 da Lei 11.033∕04 aos distribuidores, comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias, consoante o que já previsto no art. 2º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. A força deste entendimento está em convergir com o que já se disse no art. 17, citado. Os dispositivos das medidas provisórias interpretaram a lógica da incompatibilidade do regime monofásico dos distribuidores, comerciantes atacadistas e varejistas das ditas mercadorias com o sistema de apuração de créditos da não cumulatividade. Tal incompatibilidade não existe, como já manifestado, em relação aos produtores e importadores, que suportam a carga do tributo. Para os demais da cadeia de comercialização o que se dá é repercussão econômica do tributo. Que lógica haveria no sistema, para o âmbito das finanças públicas, que anda pari passu com o Direito Tributário, este como tributário daquelas , com a instituição de regime monofásico para diversos setores, se a Fazenda tem que permitir o creditamento a todos ao agentes da cadeia de circulação, com enorme possibilidade de sempre gerar ressarcimento aos que não apuram a contribuição, por influxo da alíquota zero? Qual a lógica, no plano da Administração Tributária, de instituir o regime concentrado de arrecadação e ocupar um arsenal de fatores de atuação para administrar ressarcimentos às pessoas jurídicas distribuidores e comerciantes varejistas, nos moldes da presente disputa? Acaso as receitas com a revenda dos referidos produtos sujeitos à tributação monofásica estivessem realmente incluídas na sistemática da não cumulatividade, gerando Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 direito aos créditos pleiteados, não seria mais pragmático, já que concentrada, operar com alíquotas menores incidentes sobre as receitas dos produtores e importadores e com isso otimizar o uso da máquina fazendária Ambas as reflexões acima não são postas aqui como fundamento da decisão, porquanto, nada obstante ser idéias subsidiárias que auxiliam a compreender o sistema, não são argumentos jurídicos. Qual a lógica (jurídica) dentro do próprio regime da não cumulatividade “ressarcir” créditos sem a contrapartida de débitos que esses outros sujeitos não apuram, quando o princípio convertido em regra da Lei nº 10.637/02 é: “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação:...”? Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 29 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10855.003234/2004-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 31/07/1999 a 31/12/2002
Ementa:
Lançamento de Ofício. Informações Fornecidas por Instituição Bancária. Falta de Recolhimento.
Informada à Administração tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição correta formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação.
CPMF. Vencimento. Multa de Mora. Cassação de Liminar.
Incide a multa de mora sobre débito tributário discutido judicialmente a partir do trigésimo dia da publicação da decisão que reverteu medida anterior suspensiva da exigibilidade.
Numero da decisão: 3302-002.546
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dá provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado Digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
EDITADO EM: 16/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 31/07/1999 a 31/12/2002 Ementa: Lançamento de Ofício. Informações Fornecidas por Instituição Bancária. Falta de Recolhimento. Informada à Administração tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição correta formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. CPMF. Vencimento. Multa de Mora. Cassação de Liminar. Incide a multa de mora sobre débito tributário discutido judicialmente a partir do trigésimo dia da publicação da decisão que reverteu medida anterior suspensiva da exigibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dá provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator. EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
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Informações Fornecidas por Instituição Bancária. Falta de Recolhimento. Informada à Administração tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição correta formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. CPMF. Vencimento. Multa de Mora. Cassação de Liminar. Incide a multa de mora sobre débito tributário discutido judicialmente a partir do trigésimo dia da publicação da decisão que reverteu medida anterior suspensiva da exigibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dá provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 32 34 /2 00 4- 43 Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotamos em parte o relatório do acórdão DRJ/CPS n° 0518.302, de 02 de julho de 2007: “Tratase de impugnação à exigência fiscal relativa à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e Créditos e Direitos de Natureza Financeira – CPMF, formalizada no auto de infração de fls. 109/121, datado de 08/12/04. O feito, relativo a fatos geradores ocorridos entre julho de 1999 e dezembro de 2002, constituiu crédito tributário no montante de R$ 10.741.181,25, incluídos principal, multa de ofício de 75% e juros de mora. Ocorre que, conforme disposto no Termo de Constatação Fiscal, a contribuinte havia impetrado mandado de segurança para discutir a inconstitucionalidade da instituição da CPMF, tendo obtido medida liminar suspendendo a exigibilidade da contribuição em 22/07/99. Em 09/08/01 o mandado de segurança foi julgado extinto, sem julgamento de mérito, perdendo definitivamente sua eficácia em 24/10/01. Posteriormente, após historiar os fatos relevantes relacionados ao caso, afirmou a contribuinte ter comunicado as instituições financeiras em que mantinha contas correntes sobre a revogação da liminar, solicitando o débito relativo à CPMF dos termos da Instrução Normativa n° 42 de 2001, inclusive para os períodos posteriores ao abrangido pela autuação. As instituições financeiras Banco do Brasil, Bradesco e Citibank acolheram o pleito da contribuinte, porém, o Bank Boston teria condicionado o atendimento da solicitação à notificação judicial acerca da revogação da liminar, notificação esta solicitada pela contribuinte. Além desta alegação, a contribuinte discorreu acerca da responsabilidade tributária dos titulares de conta corrente bancária, de forma a considerar que, uma vez que a responsabilidade da contribuinte é subsidiária na retenção da Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10855.003234/200443 Acórdão n.º 3302002.546 S3C3T2 Fl. 3 3 CPMF, o auto de infração seria improcedente, devendo este ser cabível às instituições financeiras. Em 02/08/05 a DRJ São Paulo – I, por meio da Resolução DRJ/SPO n° 78, de 2005, às fls. 427/432 determinou a realização de diligência, cujo retorno informou: a) Que procedeuse a apuração do crédito tributário remanescente referente à CPMF não paga, por fato gerador, observando o disposto no art. 61, c/c o §2°, do artigo 63, da Lei n° 9.430/96; b) Não houve débito de CPMF, relativo ao processo, nas contas correntes da interessada dentro do prazo de 30 dias após a publicação da revogação da liminar; c) Foram, portanto, efetuados cálculos do valor remanescente do crédito tributário lançado, tendo em vista a constatação de que houve débitos de CPMF em contas correntes da interessada, em datas anteriores à data da ciência do auto de infração; d) Não foram computados os valores relativos ao BankBoston Banco Múltiplo S.A, pois o débito e o recolhimento foram efetuados após a ciência do auto de infração, além disso, o recolhimento relativo à CPMF devida pelo BankBoston foi efetuado em nome da instituição financeira e não em nome da interessada. Assim sendo, esse valor não pode ser apropriado no auto de infração que foi lavrado em nome da interessada. Com base no resultado da diligência acima disposto, em 02/07/07, a DRJ de Campinas (SP), através do acórdão n° 0518.302, decidiu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte o lançamento em questão. Considerou possível a autuação contra a requerente, com base no art. 5° da Lei n° 9.311/96, que determina que, em caráter supletivo, a responsabilidade ficaria à cargo do contribuinte, no caso de não haver a retenção por parte da instituição financeira, considerando cabível a aplicação de multa pelo fato dos recolhimentos efetuados pelas instituições financeiras ocorrerem após o prazo de 30 dias da data da publicação da extinção da liminar que concedia o direito de não recolhimento da CPMF por parte da contribuinte. Desta forma, com base no apurado pela diligência, reduziu o valor relativo ao lançamento, considerando em aberto os valores relativos ao BankBoston, desconsiderando um recolhimento de R$ 4.833.165,21, sendo que o valor principal relativo ao BankBoston seria de R$ 2.290.820,63. Deixou em aberto a possibilidade de consideração do valor relativo a este DARF, desde que seja comprovada a relação deste pagamento ao lançamento de ofício em questão.” Em 19/07/07, através do aviso de recebimento às fls. 1.988, a contribuinte tomou ciência do teor da decisão acima destacada, e, inconformada, interpôs recurso voluntário de fls. 1.989/2.007 em 08/08/07, tempestivamente. Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Em sua peça, a requerente novamente requer seja realizada nova diligência para averiguar essa correlação, além de defender que tal recolhimento seria relativo à sua demanda, o que poderia ser demonstrado pela movimentação financeira acostada aos autos. Ademais, voltou a questionar a legitimidade do auto de infração, uma vez que o sujeito passivo na tributação para a CPMF seria a instituição financeira, além de que a aplicação de multa de ofício seria incabível em razão da supletividade da responsabilidade por infração de terceiros, considerando que a multa, pelo caráter punitivo que lhe fora atribuída, só poderia ser aplicada ao infrator, no caso à instituição financeira. Posteriormente, quando da análise do recurso da ora Recorrente através da Resolução nº 330200.038A, da Terceira Seção de Julgamento do CARF, converteu o julgamento do referido recurso voluntário em diligência, requisitando que, “para que a autoridade preparadora verifique nos seus sistemas informatizados do efetivo recolhimento dos valores consignados na cópia do DARF de fls. 394, e para intimar a instituição financeira sucessora do Bank Boston a apresentar instrumento de mandato necessário à constituição do procurador ou do responsável à prestação das informações consignadas nas fls. 2042 as 2052. Finalmente, para verificar se os valores constantes das planilhas apresentadas correspondem aos valores consignados em DARF, e do que corresponder, demonstrar o que foi demonstrado e o que foi pago, se restou ou não crédito tributário remanescente.” Realizada a diligência e apresentados os esclarecimentos solicitados, os autos retornaram ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Cumpridas todas as formalidades processuais, de acordo com a legislação que rege a matéria e tendo o contribuinte ingressado com recurso voluntário no prazo legal, dele tomo conhecimento. I Do Recurso de Ofício Quanto ao Recurso de Ofício, verifico tratarse de questão de prova. A DRJ reconheceu a exoneração dos saldos a partir da demonstração e da comprovação do contribuinte nos autos, portanto entendo que a decisão se mantém pelos seus próprios fundamentos. Nego, isso posto, provimento ao Recurso de Ofício. II Resultado da Diligência Após o retorno desses autos a este Colegiado, com as informações prestadas pela Recorrente, bem como pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, constato que: Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10855.003234/200443 Acórdão n.º 3302002.546 S3C3T2 Fl. 4 5 O DARF de fls. 394 foi devidamente recolhido pela Recorrente em 05.01.2005, sendo que tal valor encontrase disponível para a RFB, não tendo sido alocado nenhum crédito tributário em relação a esse valor; Intimado o sucessor da instituição financeira, BANCO ITAUBANK S.A, CNPJ 60.394.079/000104 (fl. 2165), conforme TERMO DE INTIMAÇÃO SECAT/DRF/SOR Nº 710 (AGV), de 11 de novembro de 2011 (fl. 2166). Em resposta à intimação o Banco Itaubank S.A., por meio de seu procurador esclareceu que o signatário das informações consignadas nas fls. 2125 (volume X) não mais trabalha na empresa, desde o ano de 2009, fls. 2168 a 2192. Ademais, nos termos da Informação Fiscal “...após análise das planilhas apresentadas pelo BankBoston, juntamente com as informações que constam nos autos, e confronto dos valores apurados pela fiscalização, conforme planilha de fl. 2193, entendo que há fundamento suficiente para concluir que, embora o Darf tenha sido recolhido com o CNPJ da instituição financeira, o documento corresponde ao pagamento da CPMF retida do contribuinte Flextronics International Tecnologia Ltda. Entretanto, afirmamos também, que o referido pagamento referese à CPMF devida entre o período de julho de 1999 a dezembro de 2005, ou seja, superior ao período alcançado pelo lançamento (julho de 1999 a dezembro de 2002).” Por todo exposto, filiome às informações fiscais expostas no Relatório de Diligência Fiscal (fls. 2210) e concluo no mesmo sentido, qual seja: “Concluo, assim, que após vinculação da parcela do pagamento realizado pelo BankBoston que correspondia ao crédito tributário lançado, remanesce o saldo devedor no valor de R$ 1.456.922,38, sendo R$ 607.047,81 de principal, R$ 455.285,86 de multa de ofício vinculada e R$ 394.588,72 de juros de mora, calculados até 30/1/2005.” III – Do Recolhimento Realizado pela Instituição Financeira Conforme foi possível verificar nos autos, a parcela do lançamento relativamente aos argumentos acatados pelo acórdão recorrido referese ao valor que deveria ser retido pela instituição financeira, com a aplicação de multa de ofício e juros de mora, conforme cálculo realizado e anexado aos autos. Quanto a este recolhimento, o acórdão recorrido, mesmo após a realização de diligência, não manifestou certeza quanto à correlação deste com o valor devido pela requerente, cujo recolhimento ocorrera em nome da instituição financeira. Reconheceu ainda a decisão atacada que, caso seja comprovado que tal recolhimento mantém relação com a requerente, ou no caso de envio de Redarf, o valor recolhido deveria ser abatido do valor total devido pela contribuinte. Assim sendo, a requerente anexou ao seu recurso voluntário, a cópia do DARF em questão juntamente com uma declaração da própria instituição financeira, a qual afirma que, com base no disposto na Lei n° 9.311, bem como na Instrução Normativa n° 42 de 2001, o valor recolhido em nome próprio, na verdade corresponderia à CPMF sobre a movimentação financeira da empresa FLEXTRONICS INTERNACIONAL TECNOLOGIA Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 LTDA, objeto da ação judicial mantida de 28/07/99 a 30/12/04. Tais documentos estão anexados às fls. 2042 e 2043. Desta forma, entendo que foi constituída prova mais que suficiente da relação entre o recolhimento e aos valores ainda devidos pela requerente, devendo, portanto, ser considerada a quantia efetivamente recolhida quando da apuração do quantum devido. IV – Da Responsabilidade pela Retenção/Recolhimento da CPMF Quanto ao questionamento formulado no tocante à responsabilidade pelo recolhimento dos valores relativos à CPMF, a requerente defendeu que seria de responsabilidade das instituições financeiras a retenção e o recolhimento de tais quantias, inexistindo sujeição passiva da recorrente. Outrossim, o § 3º do artigo 5º é suficientemente claro ao deixar aberta a possibilidade de, em caso de não retenção e não recolhimento da contribuição, que é o que ocorreu no presente caso, de se buscar junto ao contribuinte os valores não recolhidos. Assim está disposto o referido texto legal: “Art. 5º É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: I às instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, II e III do art. 2º; II às instituições que intermediarem as operações a que se refere o inciso V do art. 2º; III àqueles que intermediarem operações a que se refere o inciso VI do art. 2º. § 1º A instituição financeira reservará, no saldo das contas referidas no inciso I do art. 2o, valor correspondente à aplicação da alíquota de que trata o art. 7º sobre o saldo daquelas contas, exclusivamente para os efeitos de retiradas ou saques, em operações sujeitas à contribuição, durante o período de sua incidência. § 2º Alternativamente ao disposto no parágrafo anterior, a instituição financeira poderá assumir a responsabilidade pelo pagamento da contribuição na hipótese de eventual insuficiência de recursos nas contas. § 3º Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento.” Tal mandamento legal, inclusive, encontra respaldo no artigo 128 do Código Tributário Nacional, que dispõe que, verbis: "Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação". Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10855.003234/200443 Acórdão n.º 3302002.546 S3C3T2 Fl. 5 7 Importante ressaltar que o entrevero do qual resultou a inexistência da retenção e do recolhimento do tributo pelos bancos foi dado causa pelo próprio contribuinte, o que justifica a sua responsabilidade supletiva. Quanto aos erros cometidos pela instituição financeira, os quais resultaram em prejuízos à autuada, há que se invocar o disposto no artigo 123 do Código Tributário Nacional, verbis: “Art. 123. Salvo disposição de lei em contrario, as convenções particulares, relativas a responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.” De fato, a lei é silente quanto aos motivos que ensejaram o não recolhimento, sendo atribuída, em qualquer caso, a responsabilidade supletiva do contribuinte pelo recolhimento. A jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é pacífica quanto a este entendimento, senão vejamos: “EXIGÊNCIA DO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. A Lei nº 9.311/97, instituidora da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira – CPMF, expressamente prevê sua exigibilidade do contribuinte quando o responsável não promover a retenção a que está obrigado.” (Proc. 10860.006891/200210, Acórdão 20218796, Relator Antônio Lisboa Cardoso, em 14/02/2008). “RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO CONTRIBUINTE. SUJEIÇÃO PASSIVA DIRETA. Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pela instituição financeira por insuficiência de saldo na conta corrente bancária, o cliente contribuinte é responsável pelo recolhimento dessa exação fiscal, com acréscimos legais. A responsabilidade da instituição financeira pelo recolhimento da CPMF é uma responsabilidade por substituição (sujeição passiva indireta). Ou seja, o legislador liberou, de imediato, antes da ocorrência do fato gerador, o contribuinte do recolhimento da CPMF, atribuindo a responsabilidade a terceiro (instituição financeira). Entretanto, o legislador ressalvou que se o substituto tributário não efetuar a retenção e o recolhimento da CPMF, mormente quando inexistir saldo positivo na conta corrente, o cliente contribuinte deverá fazêlo supletivamente, com acréscimos legais (sujeição passiva direta).” (Proc. 10166.002510/200333, Acórdão 29100160, Relator Carlos Henrique Martins de Lima, em 09/02/2009). “CPMF. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento.” (Proc. 14041.000311/200609, Acórdão 20218609, Relatora Maria Cristina Roza da Costa, em 12/12/2007). Com base na legislação e no entendimento majoritário da jurisprudência, entendo que, apesar da argumentação por parte da requerente, foi adequado o entendimento adotado no julgamento ora atacado. V – Da Aplicação de Multa de Ofício Uma vez que restando comprovada a responsabilidade supletiva da contribuinte, bem como o pagamento posterior ao prazo de trinta dias da data da cassação da liminar, considero adequada a cobrança, com base no disposto no art. 63 da Lei n° 9.430/96, da multa de ofício e dos juros devidos. De forma a ratificar tal entendimento, já demonstrado no acórdão recorrido, tomo como base o disposto em julgado do Superior Tribunal de Justiça: “STJ SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Classe: RESP RECURSO ESPECIAL – 675192 Processo: 200401096865 UF: MG Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA Ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CPMF. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO POR FORÇA DE DECISÃO LIMINAR. POSTERIOR CASSAÇÃO. SUJEIÇÃO AOS ENCARGOS INERENTES AO NÃO CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRECEDENTES DAS TURMAS QUE INTEGRAM A PRIMEIRA SEÇÃO/STJ. 1. Constituindo o deferimento de pedido liminar decisão proferida em sede de cognição sumária, podendo ter natureza cautelar ou antecipatória, a sua posterior cassação sujeita o requerente à eficácia retroativa da decisão contrária. Assim, ‘denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária’ (Súmula 405/STF). 2. Na hipótese, os recorridos devem arcar com as conseqüências inerentes à cassação da liminar anteriormente deferida, em virtude da denegação da segurança, sujeitandose aos encargos relativos ao não recolhimento, ou mesmo ao recolhimento em atraso da exação fiscal em comento. 3. Recurso especial provido.” Isso posto, nego provimento ao recurso voluntário quanto a esse tópico. VI Conclusão Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10855.003234/200443 Acórdão n.º 3302002.546 S3C3T2 Fl. 6 9 Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para que seja abatido do auto de infração, ora combatido, o montante das retenções e recolhimentos já efetuados nos termos consignados na diligência. Ademais, mantenho o auto de infração no que concerne ao saldo remanescente devido pela Recorrente. Quanto recurso de ofício, negolhe provimento pelas razões anteriormente expostas. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de março de 2014. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 17883.000144/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. IMUNIDADE COTA PATRONAL. COMPROVADA CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
Restando comprovado que a contribuinte se enquadra como entidade imune da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, aplicável ao caso a época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à comprovação por parte da autoridade lançadora da inobservância dos pressupostos inseridos naquele dispositivo legal, não se prestando para tanto a alegação de descumprimento de condições para emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, sobretudo quando tal questão sequer fora objeto da acusação fiscal, sob pena de se adentrar à seara que não é de competência deste Órgão Julgador.
ENTIDADE BENEFICENTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A EMPRESAS NAS ÁREAS DE EDUÇÃO E SAÚDE. POSSIBILIDADE.
O simples fato de a entidade prestar serviços, in casu, nas áreas de educação e saúde, à empresa fundadora e/ou outras vinculadas ou não à contribuinte, não tem o condão de malferir os pressupostos legais para concessão e manutenção da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, mormente quando resta cabalmente demonstrado que tais serviços eram devidamente remunerados, não se cogitando, portanto, em qualquer benefício àquelas empresas contratantes. Mais a mais, inexiste acusação de que os recursos auferidos nessas atividades não estariam sendo destinados aos objetivos sociais da entidade.
IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES ONEROSAS DESTINADAS AOS SEUS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE FISCALIZAÇÃO COMPROVAR A INOBSERVÂNCIA DOS PRESSUPOSTOS DO FAVOR FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA.
O desenvolvimento de atividades onerosas pela entidade beneficente de assistência social, conquanto que de forma não ostensiva e havendo a destinação dos recursos auferidos aos seus objetivos institucionais, não representa afronta aos preceitos inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, capaz de negar o direito à fruição da imunidade contemplada naquele dispositivo legal, conforme precedentes dos Tribunais Superiores, traduzidos na Súmula nº 724 do STF, cabendo à fiscalização, se entender por bem, desconsiderar a condição de imune da contribuinte, comprovando a inobservância dos requisitos para tanto, o que não se vislumbra no caso vertente.
IMUNIDADE. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES/GERENTES CONTRATADOS. POSSIBILIDADE.
O artigo 55, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, veda o pagamento de remunerações e/ou a concessão de vantagens aos diretores estatutários, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da entidade, não contemplando a impossibilidade de pagamento de salário e/ou outras verbas salariais aos diretores/gerentes contratados, em razão e pela própria essência dos serviços prestados.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE SANEAMENTO LANÇAMENTO. INOVAÇÃO. MUDANÇA CRITÉRIO JURÍDICO.
É defeso à autoridade julgadora de primeira instância, em sua Decisão, complementar o Relatório Fiscal e/ou outro anexo da autuação, trazendo as normas legais e/ou novos elementos, critérios de apuração e/ou complementação da acusação fiscal, afora aqueles utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário e que serviram como fundamento ao lançamento fiscal, sob pena de afronta ao disposto no artigo 146 do Códex Tributário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento ao recurso. O conselheiro Kleber Ferreira de Araújo apresentará declaração de voto.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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IMUNIDADE COTA PATRONAL. COMPROVADA CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Restando comprovado que a contribuinte se enquadra como entidade imune da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, aplicável ao caso a época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à comprovação por parte da autoridade lançadora da inobservância dos pressupostos inseridos naquele dispositivo legal, não se prestando para tanto a alegação de descumprimento de condições para emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, sobretudo quando tal questão sequer fora objeto da acusação fiscal, sob pena de se adentrar à seara que não é de competência deste Órgão Julgador. ENTIDADE BENEFICENTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A EMPRESAS NAS ÁREAS DE EDUÇÃO E SAÚDE. POSSIBILIDADE. O simples fato de a entidade prestar serviços, in casu, nas áreas de educação e saúde, à empresa fundadora e/ou outras vinculadas ou não à contribuinte, não tem o condão de malferir os pressupostos legais para concessão e manutenção da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, mormente quando resta cabalmente demonstrado que tais serviços eram devidamente remunerados, não se cogitando, portanto, em qualquer benefício àquelas empresas contratantes. Mais a mais, inexiste acusação de que os recursos auferidos nessas atividades não estariam sendo destinados aos objetivos sociais da entidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 01 44 /2 01 0- 51 Fl. 2927DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES ONEROSAS DESTINADAS AOS SEUS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE FISCALIZAÇÃO COMPROVAR A INOBSERVÂNCIA DOS PRESSUPOSTOS DO FAVOR FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. O desenvolvimento de atividades onerosas pela entidade beneficente de assistência social, conquanto que de forma não ostensiva e havendo a destinação dos recursos auferidos aos seus objetivos institucionais, não representa afronta aos preceitos inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, capaz de negar o direito à fruição da imunidade contemplada naquele dispositivo legal, conforme precedentes dos Tribunais Superiores, traduzidos na Súmula nº 724 do STF, cabendo à fiscalização, se entender por bem, desconsiderar a condição de imune da contribuinte, comprovando a inobservância dos requisitos para tanto, o que não se vislumbra no caso vertente. IMUNIDADE. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES/GERENTES CONTRATADOS. POSSIBILIDADE. O artigo 55, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, veda o pagamento de remunerações e/ou a concessão de vantagens aos diretores estatutários, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da entidade, não contemplando a impossibilidade de pagamento de salário e/ou outras verbas salariais aos diretores/gerentes contratados, em razão e pela própria essência dos serviços prestados. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE SANEAMENTO LANÇAMENTO. INOVAÇÃO. MUDANÇA CRITÉRIO JURÍDICO. É defeso à autoridade julgadora de primeira instância, em sua Decisão, complementar o Relatório Fiscal e/ou outro anexo da autuação, trazendo as normas legais e/ou novos elementos, critérios de apuração e/ou complementação da acusação fiscal, afora aqueles utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário e que serviram como fundamento ao lançamento fiscal, sob pena de afronta ao disposto no artigo 146 do Códex Tributário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2928DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000144/201051 Acórdão n.º 2401003.463 S2C4T1 Fl. 2.928 3 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento ao recurso. O conselheiro Kleber Ferreira de Araújo apresentará declaração de voto. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2929DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Relatório FUNDAÇÃO CSN PARA O DESENVOLVIMENTO SOCIAL E CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 11a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, Acórdão nº 1238.293/2011, às fls. 2.671/2.701, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela autuada ao INSS, correspondentes à parte destinada a Terceiros (Salário Educação, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, em relação ao período de 01/2005 a 12/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 78/107. Tratase de Auto de Infração (obrigações principais) lavrado em 26/07/2010, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Após ressaltar que a imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias deve ser objeto de requerimento da entidade, com emissão do Ato Declaratório, explicita que a contribuinte deixou de observar os pressupostos legais para fruição de aludido benefício fiscal, inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, notadamente os incisos IV e V. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 2.745/2.807, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, com arrimo no artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, pretende seja decretada a nulidade do Acórdão recorrido, o qual teria inovado os fundamentos da exigência fiscal, mantendo o lançamento por entender que a contribuinte não teria requerido a isenção mediante a emissão de Ato Declaratório, documento que em momento algum fora solicitado pela autoridade lançadora, não podendo, assim, suportar a pretensão fiscal e, bem assim, o decisório combatido, sob pena de cerceamento do direito de defesa da entidade e supressão de instância. Assevera que se a fiscalização tivesse requerido aludido documento, a contribuinte teria ofertado ao fiscal autuante o Ato Declaratório de Isenção, válido desde 1998, e que não fora objeto de cassação ou de cancelamento. Requer, igualmente, seja reconhecida a nulidade do feito, uma vez que a exigência fiscal encontrase escorada em desconsideração da condição de entidade isenta sem a devida emissão de Informação Fiscal contemplando os fatos que levaram à tal conclusão da fiscalização e, por conseguinte, acompanhada de Ato Cancelatório de Isenção, em total afronta ao disposto no artigo 206, § 8°, do Decreto n° 3.048/99. Ainda em sede de preliminar, suscita a impossibilidade de cobrança do Adicional do RAT – aposentadoria especial após 15 e 25 anos, suscitando que a autoridade lançadora não logrou comprovar e/ou demonstrar quais os motivos que a levaram a exigir tais contribuições, deixando de indicar os trabalhadores que estariam sujeitos a condições de insalubridade, ou mesmo de declinar as razões para essa conclusão, em absoluta ausência de argumentos ou fundamentos fáticos para tanto. Fl. 2930DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000144/201051 Acórdão n.º 2401003.463 S2C4T1 Fl. 2.929 5 Acrescenta que, eventualmente, somente parte dos trabalhadores do Centro de Saúde Oral é que poderiam estar submetidos a condições de insalubridade, capazes de justificar a aposentadoria especial. No entanto, ressalta que a fiscalização apresentou lançamento do adicional do SAT vinculado à matriz e outras filiais (Centro de Educação Tecnológica Edmundo de Macedo Soares e Silva, Escola Técnica Pandiá Calógeras e Centro Cultural da Fundação CSN), sem a devida motivação de tal conduta. Traz à colação histórico da Fundação CSN, explicitando as atividades, ações e projetos desenvolvidos pela entidade, bem como as certificações que possui, as quais lhe confere a condição de entidade isenta/imune das contribuições previdenciárias, registrando, ainda, que a contribuinte nunca foi e não é uma entidade voltada à formação de mão de obra qualificada para atuar na CSN ou mesmo instituída com a finalidade de reduzir os encargos sociais de sua responsabilidade, ao contrário do que restou assentado pela autoridade fiscal. Após breve relato das fases processuais, das atividades desenvolvidas pela recorrente, além dos conceitos e evolução da legislação que contempla a imunidade, assevera que, na condição de Entidade de Assistência Social, nos termos do artigo 6º da CF, é isenta das contribuições previdenciárias para a seguridade social, conforme preceitos contidos no artigo 195, § 7º, da Carta Magna. Contrapõese ao crédito previdenciário ora combatido, aduzindo para tanto que a entidade goza de imunidade em relação à cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal. Assevera que a regulamentação do benefício inserido no artigo 195, § 7º, da Constituição Federal é reservada à lei complementar, não podendo lei ordinária, qual seja, Lei nº 8.212/91, impor limitações ou exigências à fruição da isenção em comento, devendo haver observância aos artigos 9º e 14 do Código Tributário Nacional, o qual encontrase alinhado com a Carta Magna. Insurgese contra a pretensão fiscal, trazendo à colação vasta argumentação a propósito da suposta imunidade da contribuinte, elencando o histórico de suas atividades, sustentando que a entidade cumpre todos os requisitos exigidos no artigo 14 do Código Tributário, sendo totalmente improcedente o lançamento em epígrafe. Aduz que, mesmo que se entenda pela aplicação o artigo 55 da Lei n° 8.212/91, a entidade, igualmente, cumpre todos os pressupostos para concessão e manutenção da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, consoante restou devidamente comprovado pela documentação acostada aos autos. Relativamente aos fatos apontados pela fiscalização que levaram ao descumprimento dos requisitos legais para manutenção da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, suscita que a recorrente tem por objeto social, desde sua instituição em 1961, a assistência educacional, com ênfase na educação técnica profissionalizante, e o encaminhamento de seus alunos ao mercado de trabalho, bem como, a realização de ações e projetos de assistência social¸ não se enquadrando, portanto, como mera prestadora de serviços a CSN e empresas coligadas, como pretendeu fazer crer a fiscalização. Defende que não há impedimento legal para a contratação da entidade para prestação de serviços nas áreas educacional, assistencial ou de saúde, não podendo aludida atividade descaracterizar a condição de entidade imune. Fl. 2931DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Em outras palavras, registra que não há impeditivos a que uma entidade sem fins lucrativos realize atividades meio (isto é obtenha fontes de receita através da prestação de serviços ou venda de bens), desde que toda a receita obtida seja revertida às atividades de sua finalidade social, consoante já restou devidamente assentado pelo STF. Ademais, sendo os serviços prestados devidamente remunerados, com resultado positivo para a recorrente, não há se falar em qualquer tipo de vantagem. Alega que, de fato, contabilizou os valores pagos a título de prestação de serviços como doações, mas que esse simples erro contábil, igualmente, não tem o condão de macular a imunidade sob análise. No que diz respeito às receitas consideradas para fins de gratuidade, esclarece que a previsão do percentual mínimo de gratuidade não se encontra na então vigente Lei n° 8.212/91, matéria de competência da presente instância julgadora, mas sim no então vigente Decreto n° 2.536/98, que regulamentava a concessão do CEBAS, o qual era concedido, renovado e cancelado, à época, pelo CNAS, exclusivo órgão Colegiado competente para tanto, razão pela qual não cabe a este Conselho apreciar referida matéria ou mesmo ser fundamento da cassação da imunidade da contribuinte, sobretudo por ser detentora do Certificado. No entanto, ainda que considere essa questão como fundamento à exigência fiscal e de competência desse Colegiado, aduz que cumpre o percentual mínimo de gratuidade, como se verifica da documentação acostada aos autos. Quanto às atividades na área de educação, notadamente as bolsas parciais concedidas aos filhos de funcionários da CSN, assevera que o próprio Fiscal admite serem subsidiadas pela CSN, e não custeadas pela Fundação CSN. Melhor elucidando, informa que os alunos beneficiados pelo Acordo/Convenção Coletiva de Trabalho de fato pagam apenas 80% da mensalidade das escolas mantidas pela Fundação, sendo certo que os 20% restantes da referida mensalidade são efetivamente custeados pela CSN, nos exatos termos da convenção, o que demonstra que a entidade recebe 100% da importância da mensalidade dos alunos, sem qualquer prejuízo às suas atividades educacionais. Explicita, ainda, que aludidas bolsas concedidas pela Fundação e subsidiadas pela CSN não são computadas como gratuidade pela recorrente, uma vez que não há qualquer sacrifício econômico ou financeiro de sua parte. Em relação ao ensino profissionalizante ofertado pela Fundação, da mesma forma, defende que as imputações fiscais (atender a demanda por mão de obra nas áreas de interesse da CSN e empresas coligadas) não passam de presunções infundadas e sem qualquer comprovação, sobretudo quando os cursos oferecidos pela entendida são devidamente reconhecidos pela MEC e extrapolam em muito as áreas de interesse da CSN, e são voltados para a qualificação dos jovens e sua inclusão no mercado de trabalho, conforme se comprova da listagem dos cursos transcrita na peça recursal. Repisa que os serviços, eventualmente, contratados pela CSN, notadamente para ministrar cursos a seus funcionários e filhos, são devidamente remunerados, com emissão das correspondentes Notas Fiscais, como a própria autoridade fiscal reconhece em seu Relatório, sendo que esses recursos são utilizados para a consecução, manutenção e desenvolvimento de suas atividades fins, quais sejam, a assistência educacional e a assistência social. No que pertine às fichas sócioeconômicas apresentadas pela fiscalização com a finalidade de comprovar que a entidade não presta serviço assistencial, uma vez que os Fl. 2932DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000144/201051 Acórdão n.º 2401003.463 S2C4T1 Fl. 2.930 7 beneficiados não se enquadrariam na condição de público carente, argumenta que o fiscal autuante, novamente, apresenta “meia verdade”, deixando de esclarecer que os valores admitidos no lançamento dizem respeito à renda familiar total e não per capta familiar. Com mais especificidade, exemplifica que boa parte dos alunos listados vem de famílias de 4 ou 5 pessoas, o que significa dizer que uma renda familiar de R$ 1.260,00, para uma família de 5 pessoas, equivale a renda per capta de R$ 252,00, menor que um salário mínimo da época, demonstrando que a constatação fiscal teria sido tendenciosa e não levado em consideração todos os elementos colocados a sua disposição. Acrescenta que até a edição da Lei n° 12.101/2009, inexistia na legislação de regência um critério econômico positivado, a ser utilizado como parâmetro para a concessão de bolsas, tendo a recorrente, no entanto, se pautado, por analogia, nos critérios estabelecidos pela lei do PROUNI, como parâmetros para a concessão das bolsas. Quanto às atividades desenvolvidas na área de saúde, mais uma vez, os fundamentos do lançamento não podem prosperar, ao afirmar que a entidade simplesmente prestava serviços odontológicos a CSN, por meio de seu Centro de Saúde Oral, tendo em vista que não levou a efeito as demais atividades assistenciais promovidas pela recorrente, utilizandose a estrutura do próprio Centro de Saúde Oral, tais como o Projeto Sorriso e o Projeto Rindo À Toa. Infere que o Centro de Saúde Oral fora instituído como unidade de negócio, em 2006, tendo gerado resultados bastante positivos, os quais foram devidamente aplicados nas suas atividades assistenciais, não se cogitando em benefícios a CSN, eis que todos os serviços prestados foram remunerados. Destaca que a acusação fiscal de que os serviços prestados pela Fundação a CSN tem custo bem inferior aos praticados no mercado não encontra amparo em nenhum elemento comprobatório, se apresentando como simples ilação infundada. Em referência à venda de medicamentos, a partir da Farmácia mantida pela Fundação, repisa os argumentos encimados no sentido da ausência de impedimento legal de desenvolvimento de atividades meios com a finalidade de auferir receitas, as quais são revertidas nos objetivos sociais da entidade. Não bastasse isso, sustenta que os próprios funcionários do Grupo CSN é quem suportavam os custos de tais aquisições com descontos nas folhas de pagamento, sendo a CSN e/ou outras empresas simplesmente repassadoras de valores à Fundação. Em adendo, afirma que a Fundação vendia os medicamentos na Farmácia com uma boa margem de lucro, não se configurando qualquer prejuízo à Fundação. Além disso, ressalta que a recorrente promovia doações de medicamentos à entidades de assistência social, em especial o Lar dos Velhinhos de Volta Redonda e o Asilo Pousada dos Berto da Sociedade de São Vicente de Paulo, na cidade de Arcos/MG. Relativamente às demais alegações da fiscalização quanto às atividades desenvolvidas pela entidade, especialmente nas áreas sociais, reitera que estão desprovidas de qualquer elemento probatório, simplesmente se apoiando em ilações desmotivadas. Fl. 2933DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Em conclusão, no que concerne ao pagamento de Bônus ao Corpo Gerencial da Recorrente, sustenta que se destinam a gerentes contratados e não a dirigentes como pretende fazer crer a fiscalização, não havendo qualquer empecilho legal para essa prática. Informa que as denominações Bônus e Remuneração Variável refletem tão somente a denominação contábil do pagamento, laçado nos livros da Recorrente, não se prestando a caracterizar o pagamento aos funcionários como uma distribuição de resultados ou bonificações, se enquadrando, em verdade, como pagamento de remuneração, fixa e anual, de 2 salários referentes ao 1o semestre, e 2 salários referentes ao 2o semestre, aos gerentes contratados no regime celetista, em razão dos serviços prestados, tendo, inclusive, integrado o salário, bem como as demais verbas trabalhistas incidentes, não sendo considerado como PLR em nenhum momento, mesmo porque independe do atingimento de qualquer meta por parte do funcionário. Contrapõese à multa aplicada, progressiva ao longo do tempo, sob o argumento de que a penalidade a ser imputada seria aquela inscrita no artigo 61 da Lei n° 9.430/96, em observância ao disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional, por se caracterizar como mais benéfica ao contribuinte, impondo sua limitação a 20%. Disserta a respeito da responsabilidade tributária e sujeição passiva, concluindo pela impossibilidade de responsabilização dos diretores da recorrente em relação ao crédito previdenciário ora lançado, uma vez que não foram atendidos os requisitos necessários para tanto, inscritos nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, entendimento que encontra guarida na doutrina e jurisprudência pátria trazida à colação. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 2934DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000144/201051 Acórdão n.º 2401003.463 S2C4T1 Fl. 2.931 9 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em sede de preliminar, bem como outras questões periféricas, as quais, inclusive, compartilho em parte, deixaremos de abordálas nesta oportunidade, com esteio no artigo 59, § 3°, do Decreto n° 70.235/72, em razão de entendermos que o mérito é favorável ao contribuinte, sendo despiciendo contemplar aludidas matérias, como passaremos a demonstrar. Destarte a autuação fiscal fora lavrada em razão de a autoridade lançadora ter desconsiderado a condição de entidade imune da contribuinte, exigindose neste lançamento as contribuições sociais correspondentes à parte destinada a Terceiros (Salário Educação, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, em relação ao período de 01/2005 a 12/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 78/107. Com mais especificidade, após ressaltar que a imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias deve ser objeto de requerimento da entidade, com emissão do Ato Declaratório, explicita que a contribuinte deixou de observar os pressupostos legais para fruição de aludido benefício fiscal, inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, notadamente os incisos IV e V, em face das seguintes constatações: a) Aduz, o fiscal autuante, que, na prática, a entidade tem como objetivo principal a prestação de serviços para sua instituidora – Companhia Siderúrgica Nacional, mormente em relação à comercialização de medicamentos, tratamento odontológico, administração e manutenção da sede social dos funcionários e serviços educacionais e profissionalizantes, proporcionando uma redução de custos muito relevante que, inquestionavelmente, caracterizamse como vantagem ou benefício, como se constata das disposições inseridas no Convênio celebrado entre a CSN e a Fundação CSN, o que contraria o disposto no artigo 55, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, o qual veda a promoção de vantagens ou benefícios a qualquer título à instituidora; b) Informa que a Fundação CSN, ao definir a receita bruta para cálculo do montante mínimo a ser aplicado em gratuidade, efetuou o abatimento do custo das mercadorias comercializadas aos funcionários da CSN e empresas coligadas (principalmente medicamentos), conduta que não encontra amparo na legislação de regência e representa redução significativa no total da receita a ser considerada; c) Explica que as atividades educacionais desenvolvidas pela Fundação, em nível médio e profissionalizante, objetivam basicamente a atender à demanda por mão de obra nas áreas de interesse da CSN e empresas coligadas, se destinando aos funcionários e dependentes do Grupo CSN, especialmente em cumprimento ao previsto em Acordo/Convenção Coletiva de Trabalho, repassando a CSN, mediante emissão de NF’s, os Fl. 2935DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 valores correspondentes às bolsas de estudos subsidiadas. Mais a mais, alega ter havido contrariedade ao disposto no artigo 206, §§ 2° e 3o, do Decreto n° 3.048/99, os quais estabelecem como público alvo das ações de assistência social as pessoas carentes, o que não fora observado na maioria dos casos pela entidade; d) Quanto aos atendimentos na área de saúde, a partir do Centro de Saúde Oral, reitera que se direcionam basicamente aos empregados e dependentes da CSN e empresas coligadas, em observância a Convenções Coletivas de Trabalho, mediante repasses garantindo o custeio das atividades desenvolvidas, com emissão das respectivas Notas Fiscais, valores que foram contabilizados como doações na escrita da entidade, mas, que, na verdade, caracterizam se como remuneração por serviços prestados ou administrados pela Fundação CSN para atender as necessidades da CSN; e) No que concerne à Venda de Medicamentos, a partir da Farmácia Comunitária, igualmente, argumenta ser direcionada aos empregados da CSN e de empresas coligadas, consumindo parcela relevante dos recursos da Fundação CSN, caracterizandose como desvio de seus objetivos institucionais, diante da obrigação de aplicar a totalidade de sua receita na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais. Defende que a entidade, mais uma vez, configurase como intermediária para redução das despesas de sua instituidora, eis que ao proporcionar a comercialização de medicamento através da Fundação CSN, garante um custo inferior ao praticado pelo mercado, pois usufrui da isenção da contribuição previdenciária incidente sobre a mão de obra utilizada e, principalmente, da CSLL, da COFINS e do Imposto de Renda; f) Em relação às Atividades na área de Ação Social, explicita que a entidade desenvolveu no período fiscalizado diversos projetos nas áreas de cultura, de esporte e lazer, cujos custos foram considerados como gratuidade, sem conquanto observar os critérios de enquadramento das atividades como ações de assistência social e a comprovação do público alvo destinatário não se enquadram nas definições de Política de Assistência Social, notadamente quando parte desses projetos tiveram como objetivo a promoção da CSN, utilizando um cunho cultural ou recreativo para fortalecer a imagem da empresa. Esclarece que os repasses recebidos pela Fundação, com emissão de NF’s, foram contabilizados como Doações. Acrescenta que a atividade desenvolvida pela Fundação CSN na administração do centro esportivo destinado aos funcionários da CSN caracterizase como desvio de seus objetivos institucionais, consumindo recursos que deveriam ser aplicados na manutenção e desenvolvimento de ações inerentes à finalidade da instituição; g) Destaca, por fim, que foi constatado o Pagamento de Bônus a Dirigentes, mais precisamente Bônus aos funcionários ocupantes de cargos gerenciais na Fundação CSN, remuneração desvinculada do salário, caracterizandose como benefício ou vantagem suplementar e, obviamente, com conotação de distribuição de recurso financeiro da empresa ou resultado operacional, afrontando, portanto, o disposto no artigo 3°, inciso VII, do Decreto n° 2.536/1998; Por sua vez, em sua peça recursal, além das questões preliminares e outras periféricas, a contribuinte sustenta ser entidade imune da cota patronal das contribuições previdenciárias, sobretudo por observar todos os requisitos legais para tanto, procurando, ainda, rechaçar pontualmente cada um dos fundamentos da autoridade lançadora, os quais contemplaremos separadamente no momento oportuno. De início, quanto aos argumentos da contribuinte a respeito da inaplicabilidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, para regulamentação da isenção em epígrafe, propugnando pela aplicação do artigo 14 do Código Tributário Nacional, peço vênia para me Fl. 2936DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000144/201051 Acórdão n.º 2401003.463 S2C4T1 Fl. 2.932 11 reportar aos substanciosos fundamentos de fato e de direito insertos no Acórdão nº 1613.990, exarado pela 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos autos do processo administrativo n° 36624.002167/200708, tendo em vista rechaçarem de uma vez por todas a pretensão da recorrente a propósito da matéria, como se extrai do excerto abaixo transcrito: “ […] 4.20. O Contribuinte alega que sendo a imunidade do art. 195, §, da CF, uma limitação ao poder de tributar, os requisitos para o seu gozo somente podem ser instituído por lei complementar, em face do disposto no art. 146, II, razão pela qual o art. 55 da Lei nº 8.212/81, por ser dispositivo de legislação ordinária, seria inconstitucional. Entretanto, entendemos que tal posicionamento não está de acordo com o Sistema Constitucional Brasileiro e, tampouco, com o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal. 4.21. Vários argumentos há para evidenciar que o dispositivo constitucional não exige lei complementar para sua regulamentação. A interpretação sistemática do disposto no artigo 195, § 7º com o disposto no artigo 146, II da Carta que exige lei complementar para regular as limitações constitucionais ao poder de tributar também não prospera. Senão vejamos: a) O artigo 150, VI, “c”, que regulamenta a imunidade de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços das entidades de assistência social e de educação sem fins lucrativos, a despeito de ser regulamentado pelo artigo 14 do CTN, igualmente foi regulamentado por uma lei ordinária, a Lei nº 9.532/98, que teve sua constitucionalidade formal questionada na ADIn 1.802, tendo o STF admitido que lei ordinária possa regulamentar a imunidade de impostos: b) A própria Carta criou exceções à regra do artigo 146, II. São elas: i) imunidade de Imposto de Renda, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, à pessoa com idade superior a 65 (sessenta e cinco) anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimento de trabalho (art. 153, § 2º, II da CF, posteriormente revogado pela EC 20); ii) imunidade do Imposto Territorial Rural sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando explore, só ou com sua família, o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, § 4º da CF, alterado pela EC 42); iii) imunidade do ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, no qual somente incidirá somente o imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro (art. 153, § da CF). Tais leis, que regulam a imunidade do IR, do ITR, e do IOF são ordinárias. A imunidade do IR a do IOF pela Lei nº 7.766 e 8.894/94. c) a Constituição Federal deve ser interpretada de forma ampla, de modo que desapareçam as aparentes contradições entre seus dispositivos quando considerados de forma isolada. Fl. 2937DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 Assim, para se fazer esta interpretação sistemática não cabe interpretar somente dois dispositivos constitucionais, e sim todos os que tratem da matéria. Deve ser salientado que contribuições sociais. Estatui o artigo 149 da Constituição Federal: “Compete exclusivamente à União instituir contribuições econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo”. De verse que às contribuições sociais, só tem aplicabilidade o inciso III do art. 146 da Carta Magna, excluindose, portanto, os incisos I e II do dispositivo em foco. d) se fosse necessária lei complementar regulamentadora o artigo 195, § 7º da Carta não teria mencionado expressamente “que atenda requisitos de lei”, visto que, por se tratar de imunidade, teria incidência a regra geral do art.146, II. È evidente que o caso em questão é uma das exceções à regra geral que exige lei complementar em tais hipóteses. e) uma da finalidades da exigência de regulamentação por lei complementar de dispositivo constitucional é estimular na legislação ordinária dos entes federados um mínimo de unidade e coerência. No caso da imunidade das contribuições da Seguridade Social isso não seria sequer necessário, porquanto somente a União pode instituir contribuições para o custeio da seguridade social da empresas privadas, dentre elas as entidades beneficentes. Estados, o Distrito Federal e os Municípios, segundo o artigo 146, § 2º da Carta, somente pedem instituir cobrança de seus servidores para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de seus servidores. Diverso é o caso dos impostos, e que é prevista competência concorrente da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sendo necessário que lei complementar regule as limitações constitucionais ao poder de tributar. 4.22. Por outro lado, em conformidade com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal só é exigível a lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, ou seja, quando a Carta Magna alude genericamente a “lei” para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende toda a legislação ordinária. 4.23. Assim, de acordo com a orientação consolidada pelo STF, quando a Constituição afirma que “são isentas de contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, § 7º), ela está exigindo que a isenção somente ocorrerá se houver efetivamente o cumprimento de requisitos estabelecidos em lei ordinária. Não há que se falar em inconstitucionalidade doa RT. 55, da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que, conforme foi acima mencionado, leis complementares somente se justificam nas hipóteses expressamente mencionadas no próprio texto constitucional, como sabidamente tem decido, há muito, o Pretório Excelso. Fl. 2938DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000144/201051 Acórdão n.º 2401003.463 S2C4T1 Fl. 2.933 13 4.24. No Mandado de Injunção 616SP, o STF discutiu o tema, figurando na relatoria o Ministro Nélson Jobim. Na oportunidade, o STF decidiu que a norma constitucional já havia sido regulamentada pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/91: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PR” CEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO”. 4.25. Recentemente, o STF manteve tal posicionamento, conforme pode ser constatado na decisão proferida pelo Ministro Sepúlveda Pertence (AG. REG no Recurso Extraordinário nº 408823), cujo teor é o seguinte: “DECISÃO: Agravo regimental de decisão pela qual, por entender não préquestionada a questão referente à ausência de regulamentação do artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, neguei provimento ao recurso extraordinário. Sustenta a agravante que a questão suscitada no RE não é a existência de regulamentação do referido dispositivo constitucional, mas a aplicação, pelo acórdão recorrido, do artigo 14 do CTN como norma regulamentadora, quando deveria ser aplicada o art. 55 da Lei nº 8.212/91. Tem razão o agravante. Reconsidero a decisão de fl. 329, e passo à análise do recurso extraordinário. Decido. RE, a, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que, em razão do disposto no art. 195, § 7º da Constituição, reconheceu à inexigibilidade de contribuição previdenciária a entidade de natureza beneficente e assistência social, preenchido os requisitos do artigo 14 do CTN. Alega o RE que, para a concessão de isenção de contribuição social, as entidades beneficentes de assistência social devem preencher os requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98, entende que o acórdão recorrido, ao afastar a aplicação dos referidos dispositivos legais, violou os artigos 97, 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal. Tem razão o recorrente. O acórdão recorrido dissente da orientação estabelecida pelo Plenário deste Tribunal no Fl. 2939DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 14 julgamento do MI 616, 17.06.2002, Nelson Jobim, assim ementado: ‘CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃOPARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO.” Na linha do precedente, dou provimento ao recurso extraordinário (art. 557, § 1A, do C. Pr. Civil). Brasília, 02 de outubro de 2006. “MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE – RELATOR.” 4.26. O Supremo Tribunal Federal, no agravo de instrumento nº 647933, publicado em 15 de março de 2007, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, novamente consolidou esse entendimento: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – MATÉRIA FÁTICA – INVIABILIDADE – DESPROVIMENTO DO AGRAVO. O Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, negou provimento ao recurso de apelação, mediante o acórdão de folhas 46 a 55, assim resumido: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ENTIDADE BENEFICENTE. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA. O § 7º do art. 195 da CF/88 aduz que não estão sujeitas à contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos previstos em lei, parâmetros estes que estão dispostos no art. 55 da Lei nº 8.212/91. É bem verdade que a imunidade constitui uma das formas de limitação constitucional ao poder de tributar, o que, nos termos do art. 146, II, CF, exigiria lei complementar para tratar do tema. Ocorre que, in casu, há regra específica a requerer tãosó lei ordinária (art. 195, § 7º, já mencionado), pois quando a Constituição faz alusão genérica à “lei”, não há necessidade de que a matéria seja disciplinada por lei complementar. Hipótese em que a associação autora não comprovou o cumprimento das exigências insculpidas na cidade lei ordinária, pelo que não merece as benesse constitucional, ainda que se entendesse aplicável ao caso a lei complementar (Código Tributário Nacional, art. 14). Fl. 2940DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000144/201051 Acórdão n.º 2401003.463 S2C4T1 Fl. 2.934 15 Apelação improvida. A recorribilidade extraordinária é distinta daquela revelada por simples revisão do que decidido, na maioria das vezes procedida mediante o recurso por excelência a apelação. Atuase em sede excepcional à luz da moldura fática delineada soberanamente pela Corte de origem, considerandose as premissas constantes do acórdão impugnado. A jurisprudência sedimentada é pacífica a respeito, devendose ter presente o Verbete nº 279 da Súmula deste Tribunal: Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. As razões do extraordinário partem de pressupostos fáticos estranhos à decisão atacada, buscandose, em última análise, conduzir esta Corte ao reexame dos elementos probatórios para, com fundamento em quadro diverso, assentar a viabilidade do recurso. A Corte de origem assentou que não houve a comprovação do enquadramento das atividades desenvolvidas pela recorrente, mesmo que se entendesse aplicável ao caso o artigo 14 do Código Tributário Nacional (folhas 49). Conheço do agravo e o desprovejo. Publiquem. Brasília, 15 de março de 2007. 4.27. Deve ser enfatizado que o art. 14 do CTN regulamenta a imunidade relativa a impostos incidentes sobre o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência sócia, sem fins lucrativos, prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal. Não é aplicável às contribuições devidas à seguridade social, que não são impostos, muito menos incidentes sobre o patrimônio, a renda e serviços. A imunidade, nos casos destas contribuições, está prevista no art. 195, § 7º, da CF e a sua regulamentação não está sujeita a lei complementar, conforme determinação do próprio legislador constituinte. 4.28. Portanto, ficam afastadas as alegações referentes à aplicação do art. 14 do CTN, no caso em questão, tendo em vista que conforme posicionamento consolidado no Supremo Tribunal Federal, os requisitos a serem cumpridos para o exercício do direito ao benefício fiscal previsto no § 7º, do art. 195, da Constituição Federal, estão previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98. 4.29. Desta forma, para terem direito à isenção das contribuições devidas à seguridade social, às entidades beneficentes de assistência social não basta o cumprimento dos requisitos previstos no art. 14 do CTN. Para tanto, é necessário Fl. 2941DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 16 o cumprimento, de forma cumulativa, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei nº 8.212/91, conforme determina a própria Constituição Federal. […]” A simples leitura da decisão encimada é capaz de refutar as alegações da recorrente, não deixando margem de dúvida quanto à aplicabilidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, contemplando os requisitos para concessão e manutenção da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, relativamente ao período objeto da autuação, impondo seja analisado o caso dos autos em confrontação com os pressupostos legais inscritos naquele dispositivo legal. Delimitada a norma a ser observada para efeito de comprovação da observância dos pressupostos para o gozo da imunidade da cota patronal dos tributos ora lançados, mister trazer à baila o disposto na legislação que regulamenta o tema. Destarte, o artigo 195, § 7º da Constituição Federal, ao conceder o direito à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, assim prescreveu: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Como se verifica, o dispositivo constitucional encimado é por demais enfático ao determinar que somente terá direito à isenção em epígrafe as entidades que atenderem as exigências definidas em lei. Ou seja, a CF deixou a cargo do legislador ordinário estipular as regras para concessão de tal benefício, a sua regulamentação. Por sua vez, o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, vigente à época, veio aclarar referida matéria, estabelecendo que somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a contribuinte/entidade que cumprir, cumulativamente, todos os requisitos ali elencados, senão vejamos: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; Fl. 2942DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000144/201051 Acórdão n.º 2401003.463 S2C4T1 Fl. 2.935 17 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.” Na hipótese vertente, conforme se extrai dos elementos que instruem o processo, especialmente Relatório Fiscal e Acórdão recorrido, a fiscalização apurou que a contribuinte teria deixado de cumprir os preceitos dos incisos IV e V, do artigo 55, da Lei n° 8.212/91, acima transcritos. Com efeito, em que pese à autoridade julgadora de primeira instância ter inferido que, igualmente, a contribuinte não teria formulado requerimento de isenção e, por conseguinte, inexistiria Ato Declaratório de Isenção, aludido fundamento não constou daqueles que ensejaram a presente autuação, sendo defeso ao julgador de primeira instância inovar nas razões do lançamento sob pena de afronta ao disposto no artigo 146 do Código Tributário Nacional. Melhor explicitando, muito embora o fiscal autuante faça referência na introdução do Relatório Fiscal que a imunidade em questão deverá ser objeto de requerimento por parte da contribuinte e, comprovado o cumprimento dos pressupostos legais, emitido o Ato Declaratório de Isenção, em momento algum inferiu que a entidade não seria portadora de aludido documento ou mesmo que tal questão teria sido um dos fundamentos do presente lançamento, razão pela qual é de se acolher à tese da contribuinte no sentido de não levar a efeito aludida discussão por não fazer parte da acusação fiscal. Da mesma forma, impõese afastar as alegações da autoridade fiscal que não são de competência deste Colegiado para analisar, tais como “I O montante da isenção usufruída”; “III – Receita considerada para cálculo do montante de gratuidade”; e outras questões que dizem respeito à concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS. Ora, como restou muito bem delineado no Acórdão recorrido, o artigo 55 da Lei n° 8.212/91, traz em seu bojo requisitos formais/objetivos (incisos I e II) e materiais/subjetivos (incisos III, IV e V), não sendo competência deste Colegiado adentrar aos aspectos intrínsecos dos requisitos formais, bastando para nossa análise que a entidade possua as certificações exigidas pela lei. O exame do percentual destinado às gratuidades, bem como a análise da cobertura das atividades prestadas pela entidade, com a conceituação das pessoas que seriam carentes, requisitos para concessão do CEBAS não podem ser objeto de discussão neste foro administrativo, por absoluta ausência de competência para tanto. Fl. 2943DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 18 Mais a mais, a acusação fiscal é que limita a discussão na esfera administrativa, tendo em vista a impossibilidade de se modificar o critério jurídico da autuação fiscal no decorrer do PAF, como acima relembrado. E, na hipótese vertente, extraise do Relatório Fiscal que a fiscalização, objetivamente, apontou inobservância aos incisos IV e V da Lei n° 8.212/91, não obstante destacar inúmeras razões que teria ensejado a perda da imunidade das contribuições previdenciárias, sem conquanto ser preciso em sua argumentação, deixando de comprovar o alegado e fundamentar na legislação de regência. Assim, analisaremos nesta oportunidade as argumentações da fiscalização quanto ao suposto descumprimento dos incisos IV e V da Lei n° 8.212/91, em confrontação com as alegações da contribuinte em sede de recurso voluntário, senão vejamos. A) DO INCISO IV DA LEI N° 8.212/91 Em suma, além do pretenso desvio do objetivo social imputado à recorrente, sobretudo em face das atividades desenvolvidas pela Farmácia da entidade, a fiscalização escora sua pretensão essencialmente no fato de a entidade prestar serviços nas áreas de educação e saúde a CSN e empresas coligadas, o que contraria o disposto no artigo 55, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, o qual veda a promoção de vantagens ou benefícios a qualquer título à instituidora. Por seu turno, a contribuinte apresenta seu insurgimento contra as conclusões fiscais, rechaçando que a finalidade precípua da entidade seria beneficiar a CSN e empresas coligadas, sustentando, ainda, que inexiste na legislação de regência vedação para a prestação dos serviços desenvolvidos pela recorrente, mormente quando o resultado auferido é destinado totalmente aos seus objetivos sociais, não havendo se falar em benefício àquelas empresas, uma vez que todos os serviços prestados foram devidamente remunerados. Destarte, quanto às atividades na área de educação, notadamente as bolsas parciais concedidas aos filhos de funcionários da CSN, assevera que o próprio Fiscal admite serem subsidiadas pela CSN, e não custeadas pela Fundação CSN. Melhor elucidando, informa que os alunos beneficiados pelo Acordo/Convenção Coletiva de Trabalho de fato pagam apenas 80% da mensalidade das escolas mantidas pela Fundação, sendo certo que os 20% restantes da referida mensalidade são efetivamente custeados pela CSN, nos exatos termos da convenção, o que demonstra que a entidade recebe 100% da importância da mensalidade dos alunos, sem qualquer prejuízo às suas atividades educacionais. Explicita, ainda, que aludidas bolsas concedidas pela Fundação e subsidiadas pela CSN não são computadas como gratuidade pela recorrente, uma vez que não há qualquer sacrifício econômico ou financeiro de sua parte. Em relação ao ensino profissionalizante ofertado pela Fundação, da mesma forma, defende que as imputações fiscais (atender a demanda por mão de obra nas áreas de interesse da CSN e empresas coligadas) não passam de presunções infundadas e sem qualquer comprovação, sobretudo quando os cursos oferecidos pela entidade são devidamente reconhecidos pela MEC e extrapolam em muito as áreas de interesse da CSN, e são voltados para a qualificação dos jovens e sua inclusão no mercado de trabalho, conforme se comprova da listagem de tais cursos transcrita na peça recursal. Repisa que os serviços, eventualmente, contratados pela CSN, notadamente para ministrar cursos a seus funcionários e filhos, são devidamente remunerados, com emissão Fl. 2944DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000144/201051 Acórdão n.º 2401003.463 S2C4T1 Fl. 2.936 19 das correspondentes Notas Fiscais, como a própria autoridade fiscal reconhece em seu Relatório, sendo que esses recursos são utilizados para a consecução, manutenção e desenvolvimento de suas atividades fins, quais sejam, a assistência educacional e a assistência social. Quanto às atividades desenvolvidas na área de saúde, mais uma vez, aduz que os fundamentos do lançamento não podem prosperar, ao afirmar que a entidade simplesmente prestava serviços odontológicos a CSN, por meio de seu Centro de Saúde Oral, tendo em vista que não levou a efeito as demais atividades assistenciais promovidas pela recorrente, utilizandose a estrutura do próprio Centro de Saúde Oral, tais como o Projeto Sorriso e o Projeto Rindo À Toa. Infere que o Centro de Saúde Oral fora instituído como unidade de negócio, em 2006, tendo gerado resultados bastante positivos, os quais foram devidamente aplicados nas suas atividades assistenciais, não se cogitando em benefícios a CSN, eis que todos os serviços prestados foram remunerados. Destaca que a acusação fiscal de que os serviços prestados pela Fundação a CSN tem custo bem inferior aos praticados no mercado não encontra amparo em nenhum elemento comprobatório, se apresentando como simples ilação infundada. Em referência à venda de medicamentos, a partir da Farmácia mantida pela Fundação, repisa os argumentos encimados no sentido da ausência de impedimento legal do desenvolvimento de atividades meios com a finalidade de auferir receitas, as quais são revertidas nos objetivos sociais da entidade. Não bastasse isso, sustenta que os próprios funcionários do Grupo CSN é quem suportavam os custos de tais aquisições com descontos nas folhas de pagamento, sendo a CSN e/ou outras empresas simplesmente repassadoras de valores à Fundação. Em adendo, afirma que a Fundação vendia os medicamentos na Farmácia com uma boa margem de lucro, não se configurando qualquer prejuízo à Fundação. Além disso, ressalta que a recorrente promovia doações de medicamentos a entidades de assistência social, em especial o Lar dos Velhinhos de Volta Redonda e o Asilo Pousada dos Berto da Sociedade de São Vicente de Paulo, na cidade de Arcos/MG. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, constatase que a argumentação da contribuinte merece prosperar, impondo seja afastada a pretensão fiscal, pelos fundamentos de fato e de direito que passamos a desenvolver. O tema em debate envolve grande celeuma no âmbito dos julgamentos neste Colegiado. De um lado, a fiscalização por vezes entende que uma entidade sem fins lucrativos não poderia prestar serviços sob pena de desvirtuar de seus objetivos sociais, escorando seu entendimento, inclusive, em Parecer n° 3.272/2004, da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, o qual contempla o fornecimento de mãodeobra por parte de entidades beneficentes. No entanto, impende analisar com o devido cuidado cada caso posto em debate. Primeiro, aludido Parecer não vincula este Órgão Colegiado. Segundo, porque a jurisprudência administrativa vem aceitando a prestação de serviços por parte das entidades beneficentes, ainda que mediante cessão de mãodeobra, conquanto que não extrapole os limites razoáveis ou haja o seu desvirtuamento com a simples locação de mãodeobra. Fl. 2945DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 20 No caso vertente, onde sequer há cessão de mãodeobra, mas, simplesmente mera prestação de serviços nas áreas de educação e saúde, com oferecimento de cursos de capacitação profissional e outros aos funcionários e dependentes da CSN e empresas coligadas, bem como atendimento odontológico àqueles segurados, não há se falar em desvirtuamento da finalidade da entidade. Aliás, observase que a própria autoridade lançadora reconhece que tais cursos e atendimentos contratados pelas empresas junto à entidade recorrente são devidamente remunerados, com emissão de Notas Fiscais de prestação de serviços. Registrase, que não logrou a fiscalização comprovar que tais serviços foram prestados em valores inferiores aos praticados pelo mercado, tendo suscitado essa questão tão somente para a venda de Medicamentos por parte da Farmácia da recorrente, sem trazer qualquer comprovação do alegado. Igualmente, o fato de os serviços educacionais e/ou de saúde prestados pela entidade as empresas em questão constarem de Acordos/Convenções Coletivas entre os Sindicatos dos empregados e àquelas empresas, por si só, não tem o condão de comprovar qualquer benefício destinado a elas. Mesmo porque, aludido fato simplesmente atribui dever das empresas contratantes de oferecer serviços dessa natureza a seus funcionários, seja a partir da contratação da entidade recorrente ou qualquer outra do ramo. Não há, pois, qualquer impedimento legal para a conduta da contribuinte, inexistindo qualquer benefício comprovado àquelas empresas, especialmente a CSN, tendentes a demonstrar ter havido contrariedade ao disposto no artigo 55, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, como pretende fazer crer a autoridade fiscal. Da mesma forma, o fato de a entidade registrar na contabilidade as Notas Fiscais de prestação de serviços como “doações” também não oferece guarida à pretensão do Fisco, se apresentando como um mero erro formal contábil, não alterando a essência de tais pagamentos, reconhecida pela própria fiscalização. B) DA FARMÁCIA DA ENTIDADE Relativamente à Venda de Medicamentos, a partir da Farmácia Comunitária, suscita a fiscalização ser direcionada aos empregados da CSN e de empresas coligadas, consumindo parcela relevante dos recursos da Fundação CSN, caracterizandose como desvio de seus objetivos institucionais, diante da obrigação de aplicar a totalidade de sua receita na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais. Defende que a entidade, mais uma vez, configurase como intermediária para redução das despesas de sua instituidora, eis que ao proporcionar a comercialização de medicamento através da Fundação CSN, garante um custo inferior ao praticado pelo mercado, pois usufrui da isenção da contribuição previdenciária incidente sobre a mão de obra utilizada e, principalmente, da CSLL, da COFINS e do Imposto de Renda; Por outro lado, a contribuinte repisa os argumentos encimados no sentido da ausência de impedimento legal do desenvolvimento de atividades meios com a finalidade de auferir receitas, as quais são revertidas nos objetivos sociais da entidade. Não bastasse isso, sustenta que os próprios funcionários do Grupo CSN é quem suportavam os custos de tais aquisições com descontos nas folhas de pagamento, sendo a CSN e/ou outras empresas simplesmente repassadoras de valores à Fundação. Fl. 2946DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000144/201051 Acórdão n.º 2401003.463 S2C4T1 Fl. 2.937 21 Em adendo, afirma que a Fundação vendia os medicamentos na Farmácia com uma boa margem de lucro, não se configurando qualquer prejuízo à Fundação. Além disso, ressalta que a recorrente promovia doações de medicamentos à entidades de assistência social, em especial o Lar dos Velhinhos de Volta Redonda e o Asilo Pousada dos Berto da Sociedade de São Vicente de Paulo, na cidade de Arcos/MG. Mais uma vez, os fundamentos da fiscalização não merecem prosperar, devendo ser acolhido o recurso da contribuinte, por se tratar da melhor aplicação da legislação de regência sobre o tema. Aliás, a jurisprudência administrativa e Judicial restou pacificada, a partir do momento em que o STF consolidou o entendimento de que as entidades beneficentes podem desenvolver atividades com objetivo de auferir lucros, conquanto que utilizados na execução do objeto social da entidade. A rigor, já existe, inclusive, Súmula sobre o assunto, editada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, oriunda do leading case sobre a matéria, RE nº 237.718, DJU de 14.09.2001, confirase: “Súmula 724 – Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades.” A fonte de custeio das Entidades, aptas a receberem o tratamento benéfico da Constituição, portanto, não é apenas aquela proveniente das rendas obtidas pela execução de suas atividades sociais, mas sim dos meios utilizados para a obtenção de rendas, desde que totalmente aplicadas na execução de seu objeto social, nos termos da Lei. Aplicar o preceito Constitucional de forma diversa, seria denegarse validade a própria inteligência da norma, qual seja, a promoção da assistência social. Somente a título de reflexão, estarseia diante de afronta ao princípio da isonomia e da livre concorrência, se a entidade não revertesse os lucros auferidos com as atividades desenvolvidas aos objetos sociais contemplados em seu estatuto, ou mesmo se os distribuísse aos seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, que daria ensejo à sua própria descaracterização como entidade beneficente de assistência social. Em outras palavras, o que se proíbe não é a obtenção de lucro, mas sim a sua distribuição aos diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, ou mesmo quando este é a finalidade precípua da pessoa jurídica de direito privado, o que não é o caso dos autos. Igualmente, o Superior Tribunal de Justiça vem reconhecendo o direito à imunidade em relação aos imóveis vagos das entidades beneficentes de assistência social, como segue: “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMPOSTO PREDIAL E TERRITORIAL URBANO. INSTITUIÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SEM FINS LUCRATIVOS. IMÓVEL VAGO. DIREITO À IMUNIDADE TRIBUTÁRIA COMPROVADO. Fl. 2947DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 22 1. O imóvel objeto do lançamento é utilizado para o desenvolvimento das atividades educacionais, isto é, está destinado à finalidade essencial da instituição, qual seja a filantropia. 2. De acordo com o inciso lI do art. 333 do CPC, o ónus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 3. Agravo regimental desprovido.” (AgRg 849.285/MG — Rel. MM. Denise Arruda — Primeira Turma J. 17/04/2007 — DJ. 17/05/2007). Na hipótese dos autos, o fato de a contribuinte desenvolver atividade mercantil de venda de medicamentos aos funcionários da CSN e demais empresa, com obtenção de lucro, não tem o condão de desnaturar sua condição de entidade imune, notadamente quando a fiscalização não logrou comprovar que os valores auferidos se destinavam a atividades diversas ao atingimento do objetivo social da recorrente. No mesmo sentido, muito embora afirme que os medicamentos seriam comercializados com preços inferiores aos de mercado, a autoridade lançadora não ofertou qualquer prova tendente a demonstrar o alegado, de maneira a comprovar que houve benefício a CSN e demais empresas. Em verdade, o ponto nodal da presente demanda se fixa exatamente neste ônus. Destarte, a fiscalização apresenta inúmeras alegações quanto às atividades desenvolvidas pela recorrente, defendendo ter havido desvio de finalidade da entidade e benefício as empresa contratantes dos serviços, sem conquanto apresentar provas cabais de tais alegações. E, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, afora os casos das presunções legais, onde a própria legislação atribui ao contribuinte o ônus da prova, é dever do Fisco comprovar o alegado/imputado, na esteira do disposto no artigo 142 do CTN, sob pena de improcedência do feito. Isto a fiscalização não logrou comprovar, mormente quando resta incontroverso a condição de imune da entidade, só podendo ser desqualificada na hipótese de demonstração da inobservância dos pressupostos legais de tal benefício fiscal por parte da autoridade lançadora, o que não se constata nos autos. A corroborar esse entendimento, é de bom alvitre esclarecer que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar caso da mesma natureza, achou por bem afastar a tributação sobre imóvel de propriedade de entidade beneficente, sob o fundamento de que, restando incontroversa a imunidade da contribuinte, presumidamente todo seu patrimônio e o produto dos seus serviços se destinam ao seu fim estatutário, impondo ao Fisco o dever de comprovar o contrário, in verbis: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMUNIDADE. ENTIDADE ASSISTENCIAL. IPTU. O caráter benemérito da recorrida jamais foi questionado pelo recorrente, devendose presumir que todo seu patrimônio, bem como o produto de seus serviços está destinado ao cumprimento de seu mister estatutário. [...]” (2a Turma do STF – Relatora: Ministra Ellen Gracie – Recurso Extraordinário n° 251.7721 SP – Julgamento em 24/06/2003 – DJ de 29/08/2003) (grifamos) Fl. 2948DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000144/201051 Acórdão n.º 2401003.463 S2C4T1 Fl. 2.938 23 Nessa toada, também quanto a este ponto, na esteira da jurisprudência dos nossos Tribunais Superiores, corroborada pelo entendimento inscrito nas decisões administrativas, impõese restabelecer a ordem legal no sentido de afastar a exigência fiscal tendo em vista que a autoridade fazendária não logrou comprovar a inobservância dos requisitos da imunidade da contribuinte. C) DO PAGAMENTO DE BÔNUS Por derradeiro, a autoridade fiscal destaca a constatação de Pagamento de Bônus a Dirigentes, mais precisamente aos funcionários ocupantes de cargos gerenciais na Fundação CSN, remuneração desvinculada do salário, caracterizandose como benefício ou vantagem suplementar e, obviamente, com conotação de distribuição de recurso financeiro da empresa ou resultado operacional, afrontando, portanto, o disposto no artigo 3°, inciso VII, do Decreto n° 2.536/1998. Em outra via, inconformada com a alegação fiscal, a contribuinte explicita que tais pagamentos se destinavam a gerentes contratados e não a dirigentes como pretende fazer crer a fiscalização, não havendo qualquer empecilho legal para essa prática. Informa, ainda, que as denominações Bônus e Remuneração Variável refletem tão somente a denominação contábil do pagamento, laçado nos livros da Recorrente, não se prestando a caracterizar o pagamento aos funcionários como uma distribuição de resultados ou bonificações, se enquadrando, em verdade, como pagamento de remuneração, fixa e anual, de 2 salários referentes ao 1o semestre, e 2 salários referentes ao 2o semestre, aos gerentes contratados no regime celetista, em razão dos serviços prestados, tendo, inclusive, integrado o salário, bem como as demais verbas trabalhistas incidentes, não sendo como PLR em nenhum momento, mesmo porque independe do atingimento de qualquer meta por parte do funcionário. Consoante se positiva dos autos, concluise que as razões de defesa da contribuinte, novamente, são capaz de rechaçar a pretensão fiscal, senão vejamos. Em primeiro plano, conforme já relatado alhures, a legislação que contempla os requisitos para emissão e manutenção do CEAS não podem ser utilizados como fundamento à empreitada da fiscalização na esfera do processo administrativo fiscal. Com efeito, os fatos que foram apurados por ocasião da emissão e/ou manutenção do Certificado de Entidade de Assistência Social dizem respeito exclusivamente aos processos pertinentes que anteriormente tramitavam perante o Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS e, hodiernamente, no Ministério correspondente, in casu, da Educação – MEC. Na esteira desse entendimento, se o CNAS e, posteriormente, o MEC, conferiram à entidade o Certificado de Entidade de Assistência Social, levaram a efeito todo um estudo pautado nos elementos de prova constantes dos processos específicos, não cabendo a este Colegiado adentrar a seara que não lhe compete. Não é demais relembrar que a presente autuação, em face da desconsideração da condição da contribuinte como entidade isenta/imune, não se deu por conta da ausência de aludido Certificado, o que reforça a tese de que não podemos rediscutir fatos e pressupostos legais para a sua concessão. Fl. 2949DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 24 Aliás, a autoridade julgadora de primeira instância, talvez tentando preencher lacuna na acusação fiscal, aduziu que a conduta da contribuinte também malferiu os ditames contidos no artigo 55, inciso V, da Lei n° 8.212/91. Entrementes, como explicitado alhures, é defeso ao julgador recorrido procurar sanear o lançamento ou mesmo mudar o critério jurídico do ato administrativo fiscal, sob pena de afronta ao artigo 146 do Código Tributário Nacional. Dessa forma, de plano, impõese afastar a pretensa contrariedade aos preceitos do artigo 3°, inciso VII, do Decreto n° 2.536/1998, como fundamento do procedimento fiscal, o que, por si só, já seria capaz de rechaçar qualquer argumento da fiscalização quanto a este ponto. Não bastasse isso, a contribuinte, desde a ação fiscal, deixou claro que tais pagamentos se davam em razão dos trabalhos realizados pelos beneficiários, ocupantes de cargos gerenciais, integrando o salário de contribuição para fins trabalhistas e previdenciários, fato que não fora contestado pela fiscalização, que simplesmente se pautou no dispositivo legal supra para escorar sua tese. E, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito previdenciário, o artigo 55, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, veda o pagamento de remunerações e/ou a concessão de vantagens aos diretores estatutários, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da entidade, não contemplando a impossibilidade de pagamento de salário e/ou outras verbas salariais aos diretores/gerentes contratados, em razão e pela própria essência dos serviços prestados, senão vejamos: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: [...] IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; [...]” Aliás, restando incontroverso que se tratavam de gerentes contratados pela entidade, mesmo porque a fiscalização nada declinou em sentido contrário, não faria nenhum sentido inexistir remuneração ou mesmo o pagamento de outras verbas salariais acordadas entre as partes, sobretudo em face dos serviços prestados. Destarte, o pagamento do salário e/ou outras rubricas é inerente à própria relação laboral entre os gerentes/diretores contratados e a entidade, não se cogitando em afronta à legislação que regulamenta a concessão e manutenção da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias. Referidos pagamentos, portanto, destinados aos gerentes/diretores contratados, não podem ser confundidos com eventual concessão de remuneração e/ou outras vantagens aos diretores estatutários em razão deste cargo, isto sim vedado pelo dispositivo legal retro. Ademais, é consabido que em inúmeros casos a fiscalização considera pagamentos dessa natureza como salário indireto, sobretudo quando concedidos as eventuais hipóteses de não incidência, isenção ou imunidade constantes da legislação de regência, o que me parece ser o caso que ora analisamos. Fl. 2950DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000144/201051 Acórdão n.º 2401003.463 S2C4T1 Fl. 2.939 25 A rigor, a própria contribuinte deixou claro se tratar de salário indireto, fazendo constar da folha de pagamento (item VIII. 3. do Relatório Fiscal), procurando rechaçar qualquer entendimento de se tratar de alguma espécie de distribuição de dividendos, bonificações ou mesmo pagamento de PLR. Ora, sendo salário indireto, o máximo que se pode fazer é tributálo na forma de remuneração, se a contribuinte não tiver procedido dessa maneira, lançando a diferença apurada. Não se pode, no entanto, inverter o entendimento sempre conduzido pela fiscalização, para tentar caracterizar como PLR ou pagamento de outro benefício qualquer, de maneira a atacar a imunidade da contribuinte. Alfim, no que concerne às demais acusações fiscais, como relatado acima, não passam de inúmeras alegações desprovidas de qualquer prova ou fundamentadas em dispositivos legais impertinentes, não sendo, portanto, capazes de rechaçar a imunidade da entidade. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO E DARLHE PROVIMENTO, decretando a improcedência total do lançamento. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2951DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 26 Declaração de Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Inobstante aos bem fundamentados argumentos que levaram o Ilustre Relator e os colegas que o acompanharam a dar provimento ao recurso do sujeito passivo, deixarei aqui expresso o meu posicionamento contrário, de modo a contribuir com o debate nesse tema complexo e controvertido, que é a imunidade das entidades beneficentes de assistência social. A recorrente, Fundação CSN para o Desenvolvimento Social e Construção da Cidadania foi instituída pela Companhia Siderúrgica Nacional – CSN, em 1961, e se constitui em pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos. A fundação tem por objetivo a realização de atividades de interesse social nas áreas de educação, saúde, assistência social, alimentação, cultura, meio ambiente, esporte e lazer em geral. O lançamento em questão teve como motivação a falta de cumprimento dos requisitos do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, hoje revogado pela Lei n. 12.101/2009. A primeira desconformidade apreciada pelo órgão recorrido foi o § 1. do referido dispositivo, tendo concluído que a entidade fiscalizada não detinha o Ato Declaratório de Isenção emitido pelo INSS e, assim, não poderia usufruir da imunidade. Contra esse requisito o sujeito passivo conseguiu se contrapor satisfatoriamente, posto que apresentou à fl. 3.815 o referido Ato Declaratório, emitido em 12/05/1998, pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização do INSS em Volta Redonda/RJ. Todavia, outros requisitos da Lei n. 8.212/1991 foram apontados como descumpridos, dentre estes os incisos IV e V do art. 55, os quais vale a pena transcrever: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (...) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (...) É especificamente sobre essas acusações que irei me ater, haja vista que o meu dissenso em relação ao entendimento majoritário da turma nesta lide reside exatamente na apreciação dessas possíveis desconformidades apontadas na peça acusatória. Fl. 2952DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000144/201051 Acórdão n.º 2401003.463 S2C4T1 Fl. 2.940 27 Observase o termo de verificação fiscal que as infrações legais decorrem de prestação de serviço à instituidora, mais precisamente de atividades que tinham como finalidade beneficiar os empregados desta. Das palavras da autoridade lançadora, posso ressaltar as seguintes atividades que desvirtuariam os objetivos da autuada enquanto entidade beneficente de assistência social: a) prestação de serviços no interesse da CSN; b) que as atividades de educação eram direcionadas majoritariamente a atender funcionários da CSN e seus filhos; c) prestação de serviços de saúde aos funcionários da CSN e suas coligadas a um preço inferior ao de mercado; d) prática da atividade de venda de medicamentos, indicativa de que a entidade não aplicava o seu resultado integralmente nos seus objetivos institucionais; e) as atividades sociais não eram direcionadas ao atendimento de necessidades básicas de pessoas carentes Para o Ilustre Relator, o exercício de atividades remuneradas pela entidade autuada não seria causa de perda de sua imunidade, desde que os lucro obtido fosse revertido na consecução de seus objetivos estatutários. Para corroborar seu entendimento trouxe à colação a Súmula STF, que carrega a seguinte redação: “Súmula 724 – Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades.” Em tese, não posso deixar de concordar com o Conselheiro Rycardo Henrique de Oliveira. Se fossem fechadas todas as portas para que as entidades beneficentes de assistência pudessem angariar fundos para promoção das atividades assistenciais, certamente grande parte dessas instituições teria que fechar suas portas, deixando de concretizar o seu papel fundamental no alívio do sofrimento da parcela menos aquinhoada da população brasileira. Estaria esvaziado assim o comando inserto no § 7. do art. 195 da Carta Magna. Todavia, não podemos fechar os olhos aos desvios de finalidade que tem ocorrido nesse segmento. Devese sempre na análise dessas questões ter em conta que a imunidade ora tratada foi instituída pelo legislador constitucional para que as entidades beneficentes pudessem atuar em colaboração com o Poder Público na realização prestação das atividades de assistência social, esta prevista no art. 203 da Constituição Federal. Diante do caso concreto, cabe ao intérprete avaliar se efetivamente as atividades desenvolvidas pelas instituições que se declaram beneficentes de assistência social estão a cumprir os objetivos institucionais traçados na Lei Maior. Deparandose com situações em que a entidade, malgrado formalmente se apresente em conformidade com as disposições que regem a matéria, atua para satisfazer interesses outros que aqueles constitucionalmente delimitados, cabe ao julgador dar a interpretação que mais se aproxime da realização do bem comum. Fl. 2953DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 28 No caso sob apreciação, vejo que a Fundação CSN tem sua atuação voltada para cumprimento da responsabilidade social da sua instituidora, principalmente no atendimento de necessidades de seus empregados e daqueles das empresas vinculadas nas áreas de educação, saúde e lazer e, por vezes, até provendo a capacitação que a CSN requer para o seu quadro funcional. A meu ver não é esse o objetivo da norma. Ao demonstrar nos autos que a entidade autuada na realidade tinha como atividades principais aquelas desenvolvidas no interesse de sua instituidora, o fisco deixoume convicto de que a lavratura está em total consonância com as regras que tratam da imunidade das entidades beneficentes de assistência social, mormente os incisos IV e V da Lei n. 8.212/1991. É dever desse colegiado prestigiar o princípio da verdade material e, diante das considerações acima, manter a lavratura, posto que a entidade, por se dedicar precipuamente a atividades que estão fora o campo de atuação traçado pelo legislador constitucional e ordinário, não pode seguir usufruindo da desoneração da cota patronal previdenciária. É inadmissível que se tenha como entidade beneficente de assistência social, uma instituição que atua majoritariamente para atender aos funcionários de sua instituidora, chegando ao ponto de ser a responsável pela manutenção do clube social destinado ao lazer dos empregados da CSN. De todo o exposto, posicionome pela negativa de provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 2954DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10850.722582/2012-73
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA.
A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).
SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf).
Numero da decisão: 1801-001.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 25 82 /2 01 2- 73 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Adoto o relatório da DRJ por bem descrever os fatos: “Trata o presente processo da Notificação de Lançamento nº 19.28.15.86.10.3298, no valor de R$ 9646,98, lavrada em decorrência da entrega em atraso da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF de janeiro de 2010. A interessada foi cientificada da exigência fiscal em 08/08/2012 e apresentou recurso, em 23/08/2012, impugnação cujo conteúdo é resumido a seguir. Inicialmente, após um breve relato dos fatos, a interessada alega nulidade da exigência por ter havido cerceamento de direito de defesa. Diz que o auto de infração não foi devidamente instruído com os documentos que o motivaram e nem mesmo com a DCTF que originou o ilícito tributário. Alega que sem o documento fiscal que motivou a presente multa não pode se defender da autuação. Argumenta que houve cerceamento do seu direito de defesa e pugna pela anulação da multa aplicada. No mérito reclama pela aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei 5.172/66). Sustenta que apresentou a declaração de IRPJ referente ao ano de 2007 e que recolheu todos os tributos devidos que foram declarados na DCTF. No tópico seguinte a contribuinte sustenta a ilegalidade da multa por atraso da DCTF. Diz que somente a Lei pode criar obrigações acessórias e que a exigência de apresentação da DCTF, bem como a imposição de multas, não têm fundamento em lei. Na seqüência a interessada discursa sobre a natureza jurídica das obrigações acessórias, combate a delegação de competência procedida por meio do DecretoLei nº 2.124/84, dizendo que a mesma afronta os princípios da legalidade, da separação dos poderes e da indelegabilidade da competência tributária, e sustenta que as Instruções Normativas que instituem e obrigam a apresentação da DCTF não encontram amparo no ordenamento jurídico. Por fim, no último tópico, a interessada transcreve jurisprudências que, em seu entendimento, sustentam os posicionamentos por ela defendidos. Diante do exposto requer o acolhimento da impugnação, o reconhecimento da nulidade do lançamento e a suspensão da exigibilidade tributária, nos termos do inciso III, art. 151. do CTN.” A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade ao argumento de que a denúncia espontânea, a teor do artigo 138 do CTN, não se presta ao afastamento de multa decorrente de não cumprimento ou cumprimento em atraso de obrigação acessória. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10850.722582/201273 Acórdão n.º 1801001.576 S1TE01 Fl. 3 3 Regularmente intimada a Recorrente apresenta Recurso Voluntário repetindo os mesmos argumentos lançados em sua impugnação, requerendo ainda subsidiariamente a aplicação de penalidade mínima por não haver imposto a pagar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Relator Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo. Afasto a preliminar de nulidade por suposto cerceamento de defesa. O Auto de Infração está devidamente fundamentado tendo possibilitado à Recorrente o oferecimento de ampla defesa. O fato de a DCTF apresentada em atraso, objeto da multa, não ter sido anexada ao auto de infração não compromete em nada a defesa da Recorrente, por tratarse de documento do qual possui pleno conhecimento. No mérito a matéria tratada nos autos já foi pacificada nesta turma, assim como sumulada nesta 1º seção, conforme transcrição do voto da Ilustre Relatora, Ana de Barros Fernandes, lançado no acórdão 1801001.523. “O cerne do litígio está em aplicarse, ou não, o instituto da denúncia espontânea preceituado no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN) à mora no cumprimento das obrigações acessórias e exonerar o agente da imposição de penalidade de multa, in casu, multa pelo atraso na entrega de DCTF. O benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN não socorre à recorrente, neste caso. Em face a inúmeros julgados relativos a esta matéria, foi consolidada de forma mansa e pacífica a jurisprudência administrativa, resultante na edição da Súmula nº 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. “ Quanto à aplicação da penalidade mínima por suposta ausência de valor a pagar na DCTF observase que a multa foi corretamente aplicada tendo por base o valor declarado na respectiva declaração, ainda que integralmente pago. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 4 Este é o disposto no artigo 10 da IN 695/2006: Art. 10. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimada a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I – de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega dessa declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3 º ; . Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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Numero do processo: 10283.720639/2007-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .7 20 63 9/ 20 07 -1 4 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10283.720639/200714 Resolução nº 1802000.514 S1‐TE02 Fl. 3 2 Relatório DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO Trata o processo de lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e de multa isolada, no montante de R$ 204.201,24. Fundamentouse a imputação na inexistência de saldo referente a depreciação IPC/BTNF (adicionada em 1991 e 1992) e de prejuízos a compensar, além da falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada (fls. 167 a 170). DA IMPUGNAÇÃO A interessada apresentou impugnação tempestiva em 18/01/2008, alegando, em síntese: que, para evitar decisões conflitantes, deverseia sobrestar o presente feito, relativamente à exigência do IRPJ no anocalendário de 2002 até que seja proferida decisão definitiva nos autos do Processo Administrativo Fiscal n° 10283.006756/200429, porque a decisão proferida nos autos daquele processo refletirá diretamente no presente caso, vale dizer, a aceitação dos argumentos da ora impugnante no primeiro caso deverá necessariamente acarretar o cancelamento desta parcela da presente autuação; que, caso não se entenda pela necessidade de sobrestar o presente feito, dever seia atentar que o acórdão proferido nos autos do Processo Administrativo Fiscal n° 10283.006756/200429 indevidamente desconsiderou o prejuízo fiscal apurado no anobase de 1989, relativo às exportações incentivadas no valor de Cr$ 15.228.503,00 (1.397.225,4397 UFIRs). Nessa medida, caso os cálculos da diferença do IPC/BTNF fossem elaborados sobre o montante total dos prejuízos fiscais incorridos pela impugnante em 1989, é certo que, ao contrário do quanto decidido nos autos daquele primeiro Processo Administrativo Fiscal, haveria saldo suficiente de prejuízos fiscais após 1997; que, sendo aplicável o disposto no artigo 44, parágrafo 1 0, inciso IV, da Lei 9.430/96 na redação anterior à edição da Lei n° 11.488/2007, resta evidente a impossibilidade de aplicação da multa isolada pelo suposto não recolhimento das estimativas mensais de 2002 após o encerramento do anocalendário, já que a atual redação do referido dispositivo legal somente seria aplicável no presente caso no que tange ao percentual da multa punitiva, por ser menos gravoso, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea "c", do CTN, mas nunca à aplicação da multa isolada em relação às estimativas supostamente não recolhidas, tendo em vista o encerramento do anocalendário, conforme pacífica jurisprudência do E. Primeiro Conselho de Contribuintes; que deveria ser reconhecida a extinção da multa isolada, relativa aos meses de outubro e novembro de 2002, pois transcorrido mais de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador do tributo cujo inadimplemento ensejou a aplicação da multa isolada (vale dizer, o Fl. 698DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10283.720639/200714 Resolução nº 1802000.514 S1‐TE02 Fl. 4 3 seu fato gerador da multa isolada) e a ciência do auto de infração, que somente ocorreu em 20/12/2007; que o procedimento adotado pela impugnante para a compensação das estimativas no anocalendário 2002 foi aquele previsto no artigo 66 da Lei n° 8383/91, o qual não foi revogado pela Lei n° 10637/2002, motivo pelo qual não há que se falar na necessidade de apresentação de Declarações de Compensação. DO ACÓRDÃO DA DRJ Em 29/1/2008, a 1ª Turma da DRJ/BEL proferiu Acórdão n° 0112.883, votando pela procedência dos lançamentos impugnados, nos seguintes termos: em relação ao pedido do sobrestamento do feito até que seja proferida decisão definitiva nos autos do Processo Administrativo Fiscal n° 10283.006756/200429, decidiu a DRJ que não se fazia necessário, uma vez que a Turma da DRJ/BEL já se pronunciara sobre o caso, concluindo pela existência de um saldo disponível de R$ 612.497,06, já integralmente utilizado no anocalendário 2001. a autoridade fiscal indicou também, que o interessado recorreu da decisão acima, não tendo sido todavia julgado o recurso pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. em relação à decadência do lançamento, na parte atinente à exigência de multa de ofício isolada (meses de outubro e novembro de 2002), a autoridade fiscal rejeitou o pleito. em relação à alegação de inaplicabilidade da multa isolada, em razão do encerramento do anocalendário quando da lavratura do auto de infração, decidiu a DRJ por sua improcedência, haja vista o atendimento à Lei n° 9.430/96 e à Instrução Normativa n° 93/97. em relação ao pleito de validade do procedimento adotado para a compensação das estimativas do anocalendário de 2002, entendeu a autoridade fiscal que a legislação vigente à época permitia dois tipos de compensação: (a) a compensação entre tributos da mesma espécie (Lei 8.383/91 e art. 14 da IN SRF 21/97) onde a compensação era feita pelo próprio contribuinte em sua escrituração contábil mas apenas em relação a período subseqüente, e independia de comunicação à SRF e (b) a compensação entre tributos de espécies diferentes (art. 12 da IN SRF 21/97) que dependiam de pedido à SRF. Entendeu, ainda, que a partir de 01 outubro de 2002, a IN SRF 21/97 deixou de regular o artigo 66 da Lei n° 8383/91, tendo esta função a IN SRF 210/2002, que determinou o necessário encaminhamento à SRF da "Declaração de Compensação". Deste modo, já não era mais possível a partir de 01 de outubro de 2002, conforme art. 45 da IN SRF 210/2002, a compensação feita pelo próprio contribuinte em sua escrituração contábil sem requerimento, como antes permitia a IN SRF 21/97. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 699DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10283.720639/200714 Resolução nº 1802000.514 S1‐TE02 Fl. 5 4 Inconformada, a interessada apresentou Recurso Voluntário em 15/4/2009, no qual alegou resumidamente o quanto segue: que o fisco apurou duas infrações: (a) suposta insuficiência de recolhimento de IRPJ, decorrente da glosa da diferença de correção monetária entre os índices IPC e BTNF e (b) suposto não recolhimento de estimativas mensais do IRPJ nos meses de outubro, novembro e dezembro do anocalendário de 2002; que o auto todo improcede por ter sido desconsiderada pela autoridade fiscal, a apuração de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002, que não apenas afasta a exigência da quota de ajustes de IRPJ (primeira infração), como também afasta a possibilidade de exigência da multa isolada pela suposta falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ (segunda infração). que em sua DIPJ de 2002, por um equívoco, utilizou a título de antecipações pagas (estimativas mensais de IRPJ), o valor de R$ 187.749,64. Entretanto, a própria autoridade fiscal reconheceu durante o processo de fiscalização, o valor de R$ 292.509,68, a título de estimativas mensais da interessada (valores de janeiro a setembro, validados pela autoridade). que em respeito ao Princípio da Verdade Material, o erro material cometido pela Recorrente deveria ter sido ultrapassado pela D. Autoridade Fiscal e pela C. Turma Julgadora, para que, ao invés de serem exigidos montantes manifestamente indevidos, fossem realizados os ajustes necessários, apurandose saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002. alega a interessada que com essa revisão de valores, terseia apurado saldo negativo de IRPJ em 2002, o que cancelaria, de plano, a autuação em discussão. ultrapassada essa questão preliminar, passa a interessada a contestar os pontos em discussão, mormente a questão do sobrestamento do presente processo. Informa que o Auto de Infração foi lavrado com o objetivo de prevenir a decadência do crédito tributário nele consignado, tendo em vista que a manutenção da exigência dependerá de decisão final proferida nos autos do Processo Administrativo n° 10283.006756/200429, no qual se discute matéria idêntica. Nesse contexto, embora tenha reconhecido que há Recurso Voluntário naquele processo pendente de apreciação, entendeu a C.1ª Turma manter a exigência, recusando a análise dos argumentos apresentados pela Recorrente. Alega a interessada que a Turma Julgadora não poderia, sob o argumento de que a matéria já teria sido analisada, furtarse, sem qualquer fundamento legal, à análise das razões da Recorrente, para manter a autuação. No mínimo, deveria a C. Turma Julgadora ter, assim como requerido pela Recorrente na peça de Impugnação, determinado o sobrestamento desta parcela da autuação até que fosse proferida decisão definitiva nos autos do mencionado Processo Administrativo n° 10283.006756/200429. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10283.720639/200714 Resolução nº 1802000.514 S1‐TE02 Fl. 6 5 E mesmo que não se entendesse pelo sobrestamento do feito, não poderia a C. Turma Julgadora manter o lançamento sem qualquer análise das razões de mérito apontadas pela Recorrente, mas sim deveria ter proferido decisão fundamentada, apontando as razões de fato e os dispositivos legais que seriam aptos a embasar a manutenção do lançamento. Esse o Relatório. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10283.720639/200714 Resolução nº 1802000.514 S1‐TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira , Relator. DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO É fato que não há como decidir este processo sem a decisão do anterior – processo 10283.006756/200429, uma vez que a decisão a ser tomada ali é premissa deste caso, pois será decidida a própria existência de saldo de prejuízo acumulado em 2001, e sua consequente sobra, para ser – ou não validamente utilizada em 2002. Analisando o sistema de processos do CARF, confirmei que o processo 10283.006756/200429 foi de fato julgado e objeto de Acórdão 110200.143 da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara em sessão de 29/01/2010, o qual deu provimento integral ao recurso do contribuinte, com a seguinte ementa: “Comprovado (sic) a existência do prejuízo fiscal decorrente das exportações incentivadas realizadas no anobase 1989 é lícito adicionálo ao valor total do prejuízo fiscal do período”. Para melhor entendimento da questão, reproduzo abaixo o teor do voto proferido pelo Conselheiro João Carlos de Lima Junior, que incorporo ao presente Voto: “Conforme demonstrado na DIPJ apresentada pela recorrente o prejuízo fiscal relacionado à atividade incentivada para o ano de 1989 foi de Cr$12.873.727,00 (...) sendo efetivamente registrado no quadro 4 – “Demonstração do Lucro da Exploração”, Item 13 “Parcela Correspondente à Exploração Incentivada e/ou a Ela Equiparada” (Fl.83). Contudo, no anocalendário de 1991 a recorrente retificou a declaração entregue em 1990 (anobase 1989) para, dentre outras providências, alterar o cálculo do Lucro da Exploração e o rateio do novo prejuízo apurado entre atividades isentas e aquele decorrente de exportações incentivadas, o que alterou o saldo de Cr$12.873.627,00 (...) para Cr$15.228.503,00 (...). A declaração retificadora foi entregue em formulário relativo ao exercício financeiro de 1991 (diverso da versão original apresentada em 1990) versão que sofreu alterações em seus formulários e na forma de preenchimento, não prevendo mais linhas específicas para as exportações incentivadas. Não havendo linha específica o valor de Cr$15.228.503,00 (...) foi informado no Quadro 4 “Demonstrações do Lucro da Exploração” no item 15 – “Parcela correspondente às demais atividades” conforme se verifica à fl. 87. O prejuízo fiscal de exportação incentivada foi registrado em conformidade com o Ato Declaratório Normativo nº 16, publicado em novembro de 1990, pelo o Coordenador do Sistema de Tributação (ADN/CST 16/90) o qual autoriza a compensação dos Fl. 702DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10283.720639/200714 Resolução nº 1802000.514 S1‐TE02 Fl. 8 7 prejuízos fiscais das exportações incentivadas, apurados até o períodobase encerrado em 1989 contra o Lucro Real e não mais apenas contra os lucros da mesma atividade. (...) Não resta dúvida que o valor relativo ao prejuízo fiscal decorrente das exportações incentivadas compõem o valor total do prejuízo fiscal do período de 1989, valor que foi ignorado no cálculo apresentado na decisão recorrida, e deverá ser considerado para cálculo do prejuízo fiscal, sendo certo que, uma vez incluído constitui saldo negativo suficiente para as compensações realizadas no ano de 1997 e subsequentes. Cumpre esclarecer que não é objeto de discussão deste recurso a existência ou não do prejuízo fiscal, pois uma vez declarado o saldo negativo no período competente cabe à autoridade fiscalizadora analisalo dentro do período decadencial, o que não fez. Assim, os saldos declarados em 1991 (declaração retificadora) somente poderiam ser questionados até o anocalendário de 1.996. Face o exposto, considerando correto o cálculo do prejuízo fiscal apresentado pela recorrente, dou provimento ao recurso voluntário apresentado, reformando a decisão recorrida a fim de cancelar o valor exigido no auto de infração.” Fazendo minhas as razões do D. Conselheiro, e tendo em vista o demais disposto acima, voto por dar provimento ao recurso do contribuinte, uma vez que, reconhecido como correto o cálculo do prejuízo fiscal apresentado pelo recorrente na declaração do ano base 1989, entregue em 1990 e retificada em 1991, tudo conforme acórdão retromencionado, devese estender ao processo ora analisado, todos os efeitos decorrentes do mencionado reconhecimento. Cabe, portanto, à autoridade fiscal recalcular toda a posição fiscal do contribuinte, de modo a confirmar ou não a existência de eventuais débitos ou créditos de tributos, fazendo os lançamentos ou tomando as providências necessárias para a sua regularização. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para atendimento do quanto solicitado acima. Chamo atenção, ainda, à questão trazida pela interessada no Recurso Voluntário, de que erro material na DIPJ 2002 cometido por ela própria, quando do lançamento de valores a título de antecipações pagas, em valor menor ao que fora reconhecido pela própria autoridade fiscal – o qual, se corrigido, redundaria em anulação do presente auto de infração. Com base nos fundamentos e no meu voto acima, entendo superada essa questão, por desnecessária sua análise. Esse o meu voto. (assinado digitalmente) LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA Fl. 703DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10283.720639/200714 Resolução nº 1802000.514 S1‐TE02 Fl. 9 8 Fl. 704DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.004801/2008-83
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Tratase de notificação de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2004, anocalendário 2003, com redução do valor a restituir de R$22.815,42 para R$1.146,16, decorrente de glosa de R$28.361,65 compensado a maior a título de Imposto Retido na Fonte (IRRF) referente a rendimentos recebidos em virtude de ação trabalhista. A autoridade fiscal consignou que o valor correto é de R$15.364,47 (fls. 15). Na impugnação o contribuinte alegou que o valor de IRRF considerado na autuação corresponde somente ao valor incontroverso liberado em 2001, quando o correto é RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 04 80 1/ 20 08 -8 3 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.004801/200883 Resolução nº 2802000.157 S2TE02 Fl. 328 2 computar o recolhimento ocorrido em 29/10/2003 (R$95.462,11) menos o valor descontado em 2001 (R$51.735,99). A impugnação foi indeferida por acórdão que adotou como fundamento a falta de previsão legal para compensar no anocalendário 2003 a parcela efetivamente paga em 2003 (incluída no valor de R$95.462,11) que decorre da atualização do imposto retido e não recolhido na época devida. Ciência da decisão em 13/04/2009. Peça recursal protocolada em 13/05/2009. Requerida prioridade de tramitação prevista na Estatuto do Idoso. Os argumentos recursais são idênticos aos desenvolvidos na impugnação. É o relatório. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Discutese o valor de IRRF a que o contribuinte tem direito de compensar no anocalendário 2003. O valor possível de compensação é aquele comprovadamente retido e não o valor recolhido por parte da fonte pagadora. Essa distinção deve ser destacada porque o argumento do recorrente parte do valor recolhido pela fonte pagadora em 29/10/2003, conforme consta do DARF de fls. 310, sendo que esse valor não corresponde somente ao valor retido correspondentes aos rendimentos recebidos no mesmo anocalendário. Como demonstrado pela autoridade fiscal (fls. 5), o valor recolhido pela fonte pagadora em 29/10/2003 foi apurado sobre o total dos rendimentos da ação trabalhista atualizados até 29/10/2003 e que não corresponde ao imposto efetivamente retido, e sim ao imposto retido sobre a parcela recebida em 2001 e sobre a parcela de 2003 acrescido da atualização. A autoridade fiscal chegou ao valor do imposto retido a partir da base de cálculo de R$348.673,43 (montante da ação trabalhista), concluindo que a diferença entre o valor do imposto retido sobre o total e o valor da retenção já compensado em 2001, ambos atualizados para a data de 16/09/2002, conforme os cálculos judiciais. Com isso o imposto a compensar foi de R$15.364,47. A tese do contribuinte é: computar o recolhimento ocorrido em 29/10/2003 (R$95.462,11) menos o valor descontado em 2001 (R$51.735,99). A diferença em relação ao entendimento da autoridade fiscal é que esta levantou a diferença entre o valor retido sobre o total e o retido em 2001, a partir de uma proporcionalidade entre as bases de cálculo dos anos de 2001 e 2003. Como se trata de definir o valor correto, a discussão exige antes um cálculo que não pode prescindir de definição da forma de apurar o imposto nos casos de rendimentos pagos de forma acumulada. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.004801/200883 Resolução nº 2802000.157 S2TE02 Fl. 329 3 Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 130DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10580.724104/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
AUXÍLIO-EDUCAÇÃO.
Os valores relativos ao plano educacional oferecido aos segurados e seus dependentes não integram o salário de contribuição quando vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. Os valores relativos ao plano educacional oferecido aos segurados e seus dependentes não integram o salário de contribuição quando vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial. Recurso Voluntário Provido.
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Os valores relativos ao plano educacional oferecido aos segurados e seus dependentes não integram o salário de contribuição quando vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 41 04 /2 00 9- 20 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal de 06/08/2009 de contribuições previdenciárias sobre auxílioeducação pago aos dependentes de segurados empregados por empresa que atua na atividade de ensino. O crédito é relativo à parcela dos segurados empregados. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CUSTEIO. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. BOLSA DE ESTUDOS PARA DEPENDENTES. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. As hipóteses de não incidência de contribuição sociais destinadas à Seguridade Social sobre os pagamentos efetuados pelos empregadores aos segurados com os quais mantenha relação jurídica laboral estão definidas no art. 28, parágrafo 9°, da Lei 8.212, de 1991, não se incluindo entre estas as bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos empregados da empresa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... O relatório fiscal traz também a informação de que há previsão do benefício para os segurados da área pedagógica, mas não para os demais beneficiários. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações iniciais: Depois de se qualificar, discorrer a respeito dos fatos que motivaram o lançamento, o contribuinte afirma que a autuação sob julgamento não tem possibilidade de prosperar, uma vez que contribuições previdenciárias não podem incidir sobre valores relativos a concessão de bolsas de estudo aos dependentes dos seus empregados, pelos seguintes fatos: Primeiramente porque não há subsunção do fato concreto à norma tributária apontada como infringida; não há como se admitir a incidência de uma norma tributária sobre uma situação hipoteticamente; ainda que se admitisse que estes Fl. 261DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.724104/200920 Acórdão n.º 2402003.898 S2C4T2 Fl. 260 3 ganhos são do empregado, a concessão de bolsas de estudos pelo empregador aos dependentes dos seus empregados carece do requisito essencial da habitualidade, razão pela qual não pode ser incorporado ao saláriodecontribuição para efeito de incidência de contribuições previdenciárias; subsidiariamente a todos os argumentos supra referidos, ressalva que a isenção prevista no artigo 28, parágrafo 9°, alínea "t" da Lei 8.212, de 1991, abarca ganhos obtidos com bolsas de estudo concedidas a dependentes dos empregados das pessoas jurídicas. Em item denominado da não incidência das contribuições previdenciárias objeto do lançamento fiscal, o contribuinte, mencionando o art. 22, inciso II, alínea "a", da Lei n° 8.212, de 1991, art. 195, inciso I, alínea "a", art. 201, parágrafo 11º, os dois últimos da Constituição Federal, discorre a respeito de saláriodecontribuição. O contribuinte alega ausência de ganho financeiro por parte dos segurados empregados e inexistência do requisito da habitualidade nas concessões de bolsas de estudo aos dependentes daqueles segurados empregados (ressaltando que a regra matriz tributária ora tratada não fala em incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social sobre ganhos auferidos de forma eventual e/ou transitória). Reportandose à doutrina, jurisprudências e do art. 458 da CLT, o contribuinte prossegue discorrendo a respeito de ganhos habituais. Afirma que, de acordo com a autoridade fiscal, a lista trazida pelo parágrafo 9° do artigo 28 da Lei 8.212, de 24/07/1991, é exaustiva e a alínea "t" engloba apenas os gastos com a educação dos empregados, não admitindo interpretação extensiva para os dependentes destes, por se tratar de uma norma isentiva que, conforme dispõe o artigo 111, inciso II, do CTN, deve ser interpretada de forma literal (prossegue citando e transcrevendo doutrina a respeito deste tema, bem como jurisprudência). Alegando equívoco cometido no cálculo dos juros, o contribuinte afirma que se fundamentou o cálculo na previsão legal contida no art. 34 da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 239, inciso II, alíneas "a", "b" e "c", parágrafos 1º, 4º e 7º, e art. 242, parágrafo 2°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999 (transcreve o dispositivo mencionado). Questiona que, se o art. 34 da Lei n° 8.212, de 1991, está revogado, há de se aplicar a disposição trazida pela lei federal atualmente em vigor, não há de se aplicar um por cento no mês do vencimento, mas apenas a Taxa Selic a partir do mês seguinte ao vencimento e mais um por cento no mês do pagamento, tal como determina a Lei n° 9.430, de 1996. Por fim, requer a improcedência do Auto de Infração sob julgamento. Todavia, considerando a remota hipótese de a total improcedência do presente auto de infração não ser reconhecida, pugna que seja julgado parcialmente improcedente, Fl. 262DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 tendo em vista que os juros aplicáveis devem ser calculados conforme previsão do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, e não, com base no art. 34 da Lei n° 8.212, de 1991, uma vez que esteja se encontra revogado. É o Relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.724104/200920 Acórdão n.º 2402003.898 S2C4T2 Fl. 261 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade dos recursos, passo ao exame. Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 264DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Portanto, rejeitamse as preliminares suscitadas. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.724104/200920 Acórdão n.º 2402003.898 S2C4T2 Fl. 262 7 No mérito Auxílio Educação A motivação do lançamento cingese à incidência sobre o auxílioeducação quando o segurado empregado é o beneficiário indireto, uma vez que são os seus dependentes que recebem da própria recorrente o serviço de ensino na forma de concessão de bolsa. Não se discute a disponibilidade do benefício a todos os segurados e dirigentes e nem o grau de escolaridade ou outra característica. Portanto, o caso aqui é de estabelecimento de ensino que concede aos seus funcionários e respectivos dependentes bolsas de ensino, sendo o lançamento relativo apenas aos dependentes. Entende a fiscalização que, ao contrário do benefício oferecido aos próprios segurados, quando o beneficiário é o dependente a empresa não teria nenhum ganho com isso. A regra do benefício é prevista no artigo 28 da Lei nº 8.212/91 e no §2o do artigo 458 da CLT: Art. 28. Entendese por salário de contribuição: (...) § 9° Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; ... Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...) § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (g.n.) Fl. 266DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Sendo que na regra atual do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, redação da Lei nº 12.513, de 2011, a extensão do benefício aos dependentes passou a ser expressa e não mais se exigiu que o benefício fosse oferecido à totalidade dos segurados e dirigentes: Art. 28. Entendese por salário de contribuição: (...) § 9° Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Sempre se discutiu qual regra prevaleceria, a do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, pelo critério da especialidade, ou a do §2o do artigo 458 da CLT, por ser esta posterior àquela. Acredito que agora esteja superada a divergência. A nova regra na Lei nº 8.212/91 prevalece por ambos os critérios. Entendo que a nova regra também promove interpretação autêntica acerca da isenção do benefício. Afora os cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa que oferecem ganho direto às empresas na forma de desenvolvimento e aperfeiçoamento de sua mãodeobra, todo e qualquer contribuição com o desenvolvimento do empregado oferece algum ganho às empresas, mesmo que indiretamente. É somente para os cursos mais especializados se exige a vinculação com as atividades da empresa. Não acredito que seja essa a finalidade do benefício, mesmo porque sempre se enfatizou, e ainda é assim, a educação básica, que é o grau mínimo de escolaridade para a cidadania. Para mim, o que se deseja com a isenção nada mais é do que o atendimento do direito social à educação. Esperase que a sociedade e a família também contribuam para o desenvolvimento da educação. Vêse que na Constituição Federal estão as finalidades: desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho: Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.724104/200920 Acórdão n.º 2402003.898 S2C4T2 Fl. 263 9 No momento que a educação não tenha como finalidade apenas a qualificação para o trabalho, não vejo diferença para o cumprimento do dever constitucional o oferecimento do benefício também aos dependentes econômicos do segurado, mesmo porque nessa condição os dependentes necessitam que seus estudos sejam custeados pela família. A nova regra oferece uma interpretação autêntica que prestigia esse entendimento. É de todo justo que sejam aqui transcritos trechos do brilhante voto proferido pelo Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo: No caso em tela, os requisitos para a aplicação da regra de isenção estavam previstos no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.711/1998, que eram: (i) o valor não poderia ser utilizado em substituição de parcela salarial; e (ii) o plano educacional deveria ser disponibilizado a todos os empregados e dirigentes. Posteriormente, houve alteração dessa regra pela Lei 12.513/2011, modificando os requisitos para a obtenção da isenção, inclusive não exigiu mais o requisito de que o acesso ao plano educacional deveria ser extensivo a todos os empregados e dirigentes (requisito ii). Assim, considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. ... Fica consignado ainda que há precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendendo que o auxílioeducação constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado, conforme transcrição abaixo. PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. In casu, a bolsa de estudos é paga pela empresa para fins de cursos de idiomas e pósgraduação. 3. Agravo Regimental não provido. (STJ, AgRg no AREsp 182495/RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 07/03/2013). ... Nesse passo, de acordo com o § 2o do art. 458 da CLT, os valores pagos a título de educação não compreendem salário Fl. 268DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 pago aos funcionários, bem como que não há amparo legal para se exigir contribuição sobre esta rubrica. Consolidação das Leis do Trabalho (CLT): Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...) § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (g.n.) ... Diante desse contexto fático e jurídico, entendese que os valores apurados no “levantamento UED Utilidade Educação” devem ser excluídos do presente lançamento fiscal, eis que o auxílio educação, concedido pela Recorrente aos segurados empregados, constitui investimento na qualificação de seus empregados, não podendo ser considerado como salário utilidade. Esse entendimento está consubstanciado na regra prevista no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 12.513/2011, c/c as regras do art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b”, e do art. 112, incisos I e II, ambos do Código Tributário Nacional (CTN); bem como está em consonância com os precedentes jurisprudenciais do Superior Tribunal de Justiça (STJ). (Acórdão CARF nº 2402003.847, de 20/11/2013) Assim, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 269DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.724104/200920 Acórdão n.º 2402003.898 S2C4T2 Fl. 264 11 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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