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Numero do processo: 12585.000221/2010-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
RECURSO DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência com relação a matéria cuja divergência não é expressamente demonstrada.
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS.
Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica.
FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS.
Gastos no plantio e manutenção de florestas não caracterizam gastos que tenham relação direta com o produto vendido, descabendo, portanto, seu cômputo nos créditos da não cumulativiadade da contribuição.
Numero da decisão: 9303-006.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à matéria "impossibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais sobre despesas com insumos da fase agrícola da produção de celulose" e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 RECURSO DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência com relação a matéria cuja divergência não é expressamente demonstrada. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS. Gastos no plantio e manutenção de florestas não caracterizam gastos que tenham relação direta com o produto vendido, descabendo, portanto, seu cômputo nos créditos da não cumulativiadade da contribuição.
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CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência com relação a matéria cuja divergência não é expressamente demonstrada. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS. Gastos no plantio e manutenção de florestas não caracterizam gastos que tenham relação direta com o produto vendido, descabendo, portanto, seu cômputo nos créditos da não cumulativiadade da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à matéria "impossibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais sobre despesas com insumos da fase agrícola da produção de celulose" e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 21 /2 01 0- 13 Fl. 1848DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Trata o presente processo de utilização de créditos oriundos da incidência não cumulativa de Cofins, utilizados na declaração de compensação retificadora às efls. 804 a 808, na qual se pretendeu ressarcimento do montante de R$ 19.766.683,45. O despacho decisório de efls. 640 a 657 reconheceu apenas créditos no montante de R$ 6.171.926,73, suficiente para a homologação da compensação originalmente pleiteada. Resumidamente, de acordo com o despacho, houve glosa de créditos da não cumulatividade da contribuição para os seguintes itens: I despesas com a constituição da floresta por comporem o ativo imobilizado da empresa; II encargos de exaustão, incorridos sobre bens incorporados ao ativo imobilizado; e III bens ou prestações de serviços que não sofreram desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas em razão da ação diretamente sobre o produto fabricado ou que tenham sido aplicados ou consumidos nos serviços prestados pelo interessado. Cientificada do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 1165 a 1201, em 31/08/2012, para que fosse anulado o despacho decisório, por falta de motivação, ou, alternativamente, que seja ele reformado para reconhecer a integralidade do crédito pleiteado. Já a 3ª Turma da DRJCPS, no acórdão nº 0540.812, prolatado em 10/06/2013, às efls. 1318 a 1344, considerou, por unanimidade, procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer crédito adicional de R$ 74.542,93. Inconformada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, em 23/07/2013, às efls. 1348 a 138. Em apertado resumo, esgrime os seguintes argumentos: a) haveria nulidade no despacho decisório que reduziu os créditos pleiteados, pois não foram devidamente motivados; b) não seriam aplicáveis as Instruções normativas nº 247/02 e nº 404/04, quando desconsideram diversos bens e serviços como insumos, pois estas se escoram no conceito aplicável à não cumulatividade do IPI; c) todos os bens e serviços que deram origem aos créditos pleiteados são indispensáveis à produção por isso esses créditos são legítimos; Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 12585.000221/201013 Acórdão n.º 9303006.610 CSRFT3 Fl. 1.849 3 d) no caso de produção de celulose, os dispêndios com plantio, corte colheita e transporte de madeira são insumos indispensáveis e, da mesma forma que a legislação de regência não discrimina as receitas de acordo com a classificação contábil, os custos com a atividade florestal não pode ser afastado com base em parecer normativo que trata da contabilização no ativo imobilizado para fins de correção monetária de balanço; e) todos os fretes havidos até a colocação do produto à venda devem ser admitidos como custo de produção, enquadrandose no conceito de insumo; f) fretes para aquisição de bens que compõem o ativo imobilizado também relação com os produtos para elaboração, tendo também natureza de insumos, sujeitos à crédito da Cofins não cumulativa; g) todos os custos vinculados às receitas de exportação geram créditos, incondicionais, inclusive as despesas com implantação e manutenção de reservas florestais; h) fazse necessária a realização de diligência e perícia para comprovar a real natureza dos bens e serviços, demonstrando sua aplicação na produção; i) caso não se homologue os créditos para a compensação, não mais seria possível exigir o pagamento das estimativas do IRPJ e da CSLL, pois já findara o ano calendário em que eles deveriam ser recolhidos; e j) ainda que as estimativas de IRPJ e CSLL viessem a ser exigidas, não haveria que se cobrar encargos moratórios sobre elas, haja vista que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL só ocorreriam em 31/dezembro, logo inexistiria atraso das estimativas. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 10/12/2015, resultando no acórdão nº 3402002.808, às efls. 1735 a 1753, que tem as seguintes ementas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO RECURSAL. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na manifestação de inconformidade. CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. AGROINDÚSTRIA. FASE AGRÍCOLA. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. No caso das indústrias de celulose, admitese não só os gastos incorridos na produção direta da celulose, mas também na própria produção da madeira que lhe serve de insumo. Fl. 1850DF CARF MF 4 O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas (i) sobre os créditos de bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica no País utilizados como insumo na fase agrícola, considerada desde a criação de mudas, plantio e manejo até a colheita dos eucaliptos e (ii) relativas ao frete pago a outras pessoas jurídicas para o transporte de insumos ou produtos inacabados entre a floresta e os estabelecimentos da recorrente. Sustentou pela recorrente o Dr. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP nº 195.564. Recurso especial de divergência da Procuradoria Intimada do acórdão nº 3402002.808 em 04/01/2016 (efl. 1754), a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência em 21/01/2016, às efls. 1755 a 1771, no tocante a duas matérias: a) impossibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais sobre despesas com insumos da fase agrícola da produção de celulose, não caracterizados como despesas com bens do ativo permanente e b) gastos com transporte de madeira da floresta para fábrica. No tocante aos insumos da fase agrícola, o acórdão recorrido entendeu que a atividade do contribuinte deve ser vista como um todo único e indivisível, considerando a fase agrícola como parte do processo produtivo, enquanto os acórdãos paradigmas nº 330101.470 e nº 310201.272, entenderam que o custeio agrícola, ou seja, os custos na produção da madeira, devem ser contabilizados no ativo permanente e, portanto, não geram créditos de Cofins. Por essa razão, a Procuradora requereu o conhecimento e o provimento do recurso para que esta Turma reforme a decisão recorrida indeferindose o pleito nos pontos tratados. O recurso especial de divergência da Fazenda foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, às efls. 1773 a 1775, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, datado de 25/01/2016, que entendeu por lhe dar seguimento, sem ressalvas, ao vislumbrar similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma e o recurso especial cumprir os demais requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi cientificada do acórdão nº 3402002.808, do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade de efls. 1773 a 1775, em 20/06/2016 (efl. 1845), e apresentou contrarrazões em 05/07/2016, às efls. 1779 a 1795. De início, consigna que a PGFN não teria se insurgido quanto à reversão das glosas relativas ao frete pago a outras pessoas jurídicas para o transporte dos insumos e produtos acabados entre a floresta e os estabelecimentos da recorrente, insurgindose apenas quanto ao ponto do acórdão a quo, que reconheceu o creditamento de bens e serviços utilizados como insumos da fase agrícola. Relativamente à única matéria recorrida, inicia seus argumentos pela juntada de laudo da Escola Superior de Agricultura da Universidade de São Paulo, o qual descreve o processo produtivo para demonstrar a importância vital da fase agrícola da produção para Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 12585.000221/201013 Acórdão n.º 9303006.610 CSRFT3 Fl. 1.850 5 obtenção do produto final, de forma a justificar os produtos e serviços dessa fase como insumos cujos dispêndios geram direito creditório para fins da Cofins não cumulativa. Na sequência, repisa razões esgrimidas nas fases de manifestação de inconformidade e recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Do conhecimento Com a devida vênia do então Presidente da 4ª Câmara, penso que não se deva conhecer integralmente do recurso especial de divergência admitido, com relação a segunda matéria, gastos com transporte de madeira da floresta para fábrica, uma vez que, como salientou a contribuinte, não há manifestação expressa quanto a ele no recurso especial da Procuradora, e acrescento que nem mesmo nas ementas e excertos dos paradigmas citados se estabelece tal discussão, o que afastaria a existência de divergência. Já quanto a caracterização dos bens e serviços aplicados na produção florestal, a divergência ficou claramente caracterizada e seu mérito há que ser apreciado. Portanto, voto por conhecer em parte do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à matéria "impossibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais sobre despesas com insumos da fase agrícola da produção de celulose". Do mérito Inicio a análise de mérito pela matéria "impossibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais sobre despesas com insumos da fase agrícola da produção de celulose". Penso que só pode ser tomado por insumo o bem ou serviço que tenha aplicação direta ao processo produtivo, não necessariamente vinculado ao conceito de insumo da legislação do IPI, mas não tão amplo quanto o que se utiliza no conceito de custo para fins de IRPJ. Esse seria um entendimento consoante com a legislação do PIS e da Cofins, ao ver os insumos como bens e serviços passíveis de geração de créditos devem estar diretamente vinculados ao bem vendido. Diferente é o critério extraído da legislação do IRPJ, utilizado por aqueles que pretendem ver a geração de créditos por todos bens serviços necessários à produção, que, apesar de essenciais, somente de forma mediata levam à composição do produto. Fl. 1852DF CARF MF 6 Busco arrimo para esta inteligência nos critérios explanados na Solução de Divergência COSIT nº 7 de 23/08/20161, da qual se extrai: 24.No outro extremo das conclusões, verificase que não são considerados insumo, para fins de creditamento no regime da não cumulatividade das contribuições, bens e serviços que mantenham relação indireta ou mediata com a produção de bem destinado à venda ou com a prestação de serviço ao público externo, tais como bens e serviços utilizados na produção da matériaprima a ser consumida na industrialização de bem destinado à venda (insumo do insumo), utilizados em atividades intermediárias da pessoa jurídica, como administração, limpeza, vigilância, etc. 25.Certamente, diversos e plausíveis são os motivos que justificam a adoção desse entendimento restritivo acerca do conceito de insumos para fins de creditamento da não cumulatividade das contribuições em tela. 26.Em primeiro lugar, devese destacar que o legislador estabeleceu um rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004). Esse fato é evidente e mostrase muito significativo se efetuada uma comparação entre o rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação das contribuições e a definição genérica de despesas dedutíveis estabelecida pela legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ) (art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964). 27.Com base nessa inconteste diferença de técnicas legislativas adotadas nas legislação dos tributos citados acima, resta clara a correspondente diferença de objetivos/pretensões do legislador. Enquanto na legislação do IRPJ se pretendeu permitir a dedutibilidade de todas as despesas necessárias à atividade da empresa, na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins se pretendeu permitir o creditamento apenas em relação a específicos e determinados dispêndios da pessoa jurídica. 28.Outro fato importante a ser considerado é que a legislação das contribuições, de um lado, estabelece como base de cálculo das contribuições no regime de apuração não cumulativa o valor total das receitas auferidas no mês pelo sujeito passivo tomadas como um todo, independentemente das operações que ocasionaram o ingresso de receitas, salvo exclusões legais (arts. 1º e 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e arts. 1º e 2º da Lei nº 10.833, de 2003), e, de outro lado, de maneira oposta, a mesma legislação discrimina especificamente bens, serviços e operações em relação aos quais se permite a apuração de créditos, em preterição à permissão genérica de creditamento em relação a custos e despesas incorridos na atividade econômica do sujeito passivo (art. 3o da Lei no 10.637, de 2002, art. 3o da Lei no 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004). 1 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=78047 Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 12585.000221/201013 Acórdão n.º 9303006.610 CSRFT3 Fl. 1.851 7 29.Diante disso, resta claro que as hipóteses de creditamento das contribuições devem ser entendidas como taxativas e não devem ser interpretadas de forma a permitir creditamento amplo e irrestrito, pois essa interpretação tornaria absolutamente sem efeito o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação. 30.Demais disso, a permissão ampla e irrestrita de creditamento em relação a todos os gastos necessários às atividades da pessoa jurídica, como se insumos fossem, acabaria por subverter a base de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida constitucionalmente, desvirtuandoa da receita (Constituição Federal, art. 195, caput, inciso I, alínea “b”) para o lucro, o que se mostra absolutamente incompatível com a base de incidência prevista na Constituição Federal. 31.Ainda perquirindo os fundamentos da adoção de entendimento restritivo sobre os insumos que geram crédito na legislação das contribuições, cumpre analisar o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pelo art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. 32.Conforme se observa, dentre todas as hipóteses de creditamento estabelecidas, apenas duas albergam dispêndios necessária e diretamente atrelados à atividade de produção e prestação de serviços, quais sejam aquisição de insumos e aquisição ou fabricação de bens incorporados ao ativo imobilizado, bem assim apenas duas relativas a dispêndios necessária e diretamente atrelados à revenda de bens, quais sejam a aquisição de bens para revenda e a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. 33.Com efeito, insumos e bens do ativo imobilizado são utilizados nas atividades finalísticas da pessoa jurídica e participam direta, específica e inafastavelmente do processo de produção de bens e da prestação de serviços, como também bens para revenda e frete na venda participam igualmente da revenda de bens, e suas influências nos respectivos processos econômicos podem ser imediatamente percebidas. 34.Diferentemente, todas as demais hipóteses de creditamento abrangem dispêndios que, conquanto necessários ao desenvolvimento das atividades da pessoa jurídica, podem relacionarse indiretamente com a atividade de produção de bens e prestação de serviços ou revenda de bens, pois também são utilizados em áreas intermediárias da atividade da pessoa jurídica. Exemplificativamente citamse: energia elétrica e térmica; aluguéis de prédios e máquinas; arrendamento mercantil; depreciação ou aquisição de edificações e de benfeitorias em imóveis; e valetransporte, valerefeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados. 35.Deveras, tais dispêndios decorrem da utilização pela pessoa jurídica de bens e serviços necessários à manutenção de todo seu funcionamento ou mesmo de sua existência e não Fl. 1854DF CARF MF 8 especificamente à produção de bens e prestação de serviço ou à revenda de bens. 36.Daí, resta evidente que não se pretendeu abarcar no conceito de insumo todos os dispêndios da pessoa jurídica incorridos no desenvolvimento de suas atividades, mas apenas aqueles direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou a prestação de serviços. 37.Se o termo insumo tivesse sido utilizado em acepção ampliativa, para abarcar todos os gastos necessários ao funcionamento da pessoa jurídica, todas as hipóteses de creditamento estabelecidas no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, constituiriam redundância, pleonasmo, letra morta, já que poderiam ser aglomeradas no conceito ampliativo de insumo. 38.Ademais, a adoção desse conceito ampliativo de insumo geraria uma incoerência sistemática decorrente do fato de o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, concederem créditos apenas em relação aos insumos utilizados nas atividades de produção de bens e de prestação de serviços e não concederem créditos aos insumos utilizados na atividade de revenda de bens. Com efeito, se adotado esse conceito ampliativo de insumo, não parece existir qualquer fundamento para excluir as pessoas jurídicas comerciais do direito a apuração desse crédito. 39.Já a interpretação restritiva do conceito de insumo adotada nesta Solução de Divergência tem o condão de explicar o motivo da exclusão da atividade comercial do direito de creditamento em relação à aquisição de insumos feita pelos citados dispositivos. Eis que, considerandose insumos apenas os bens e serviços diretamente relacionados à atividade de produção de bens e de prestação de serviços, no caso da revenda de bens esses insumos são exatamente os bens para revenda, armazenagem e frete na operação de venda, a cuja aquisição a legislação conferiu expressamente direito de creditamento, no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e nos incisos I e IX do art. 3º, c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003. 40.Destarte, devese reconhecer que o termo insumo consignado no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de 2003, foi utilizado em sua acepção restritiva, para alcançar apenas bens e serviços direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros. (Grifos do original) O tratamento acima justifica a posição abaixo transcrita: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 12585.000221/201013 Acórdão n.º 9303006.610 CSRFT3 Fl. 1.852 9 sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matéria prima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (Negritei.) No caso, entendo que os gastos em litígio, vinculados à produção agrícola florestal, não caracterizam sequer custos necessários à produção do período, sendo despesas de serviços ou valores a serem ativados. Ressaltase ainda, no mesmo documento: 46.Outro ponto que merece destaque é que se mostra equivocada a afirmação de que a adoção da interpretação restritiva acerca do conceito de insumo na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins corresponderia à utilização da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). 47.Conforme se demonstrou acima, a adoção do conceito restritivo de insumo na legislação das aludidas contribuições decorre das regras constantes desta mesma legislação e não da adaptação da legislação de qualquer outro tributo. Fl. 1856DF CARF MF 10 48.Sem embargo, o ponto comum entre a legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, acerca do conceito de insumo, e a legislação do IPI é a exigência, mutatis mutandis, de relação direta e imediata entre o bem ou serviço em relação ao qual se pretende apurar crédito e o produto ou serviço final disponibilizado ao público externo. (Negritei.) Mais adiante, no item 56, trata de situação análoga à presente, onde se observa: Do que exposto na consulta e no recurso apresentados, conclui se que a recorrente comercializa “pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos”. Ainda, concluise que ela exerce as atividades de florestamento e reflorestamento apenas acessoriamente, objetivando produzir matériaprima para elaboração de outros produtos destinados à venda (corroborando esse entendimento, citese, exemplificativamente, trecho do item ‘c’ apresentado na consulta inicial: “florestas que resultam na madeira (insumo) empregadas na fabricação dos bens ou produtos destinados à venda”). (Negritei.) Nesse sentido, para mim é claro que todos os serviços realizada na produção agrícola florestal mantêm relação mediata com a produção do bem destinado à venda, sendo todas essas atividades, insumos do insumo madeira, que resultará no produto final pasta de celulose. Nenhum dos serviços discriminados para atividade florestal tem qualquer relação direta com o produto final a ser comercializado, pasta de celulose, apenas com a madeira, sendo essa o seu insumo. Além disso, empreendimentos florestais destinados ao corte para industrialização devem ser classificadas no ativo imobilizado. Em relação à floresta plantada, as despesas, de qualquer natureza, incorridas para a constituição da floresta, devem ser contabilizadas no ativo imobilizado. Esse bem sofrerá exaustão à medida que suas árvores forem sendo derrubadas. Também por essa ótica, sendo contabilizados no ativo imobilizado, igualmente não se podem classificar os gastos com esses serviços da áreas florestais como sendo insumos. Assim, conhecendo essa parte do recurso especial de divergência da Fazenda, voto pelo seu desprovimento, para que sejam restabelecidas as glosas dos créditos relativos aos serviços da área Florestal . CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer em parte do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, no tocante à tomada de créditos das contribuições sociais sobre despesas com insumos da fase agrícola da produção de celulose, para, na parte conhecida, darlhe provimento visando restabelecer as glosas sobre esses créditos. Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 12585.000221/201013 Acórdão n.º 9303006.610 CSRFT3 Fl. 1.853 11 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1858DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.720874/2015-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. INEXISTÊNCIA.
Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão.
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO.
É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dando-lhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecê-los e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie.
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. OCORRÊNCIA. SUBSUNÇÃO ÀS NORMAS.
Detectado, no decorrer a ação fiscal, que a fiscalizada incorreu em hipótese impeditiva de permanência no Simples Nacional, correto o procedimento fiscal que excluiu a contribuinte do regime.
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONFIRMAÇÃO. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS POR OUTRA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. INDEPENDÊNCIA.
Independe da confirmação do ato de exclusão da empresa do Simples Nacional para que se proceda de ofício o lançamento dos tributos devidos, seja por qualquer outra forma de tributação.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Para que a regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional seja aplicada aos tributos sujeitos a lançamentos por homologação é preciso que não haja recolhimentos feitos pelo contribuinte e que a fiscalização impute procedimento doloso aos atos infracionais. Não tendo o Fisco sequer qualificado a multa de ofício, a contagem decadencial subsume-se à normatização do artigo 150, § 4º, do mesmo diploma legal, ou seja, cinco anos a partir dos fatos geradores.
Decadência que se reconhece parcialmente.
PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
ASSUNTO: SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira e em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não faça prova de sua origem, com documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida.
OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA.
Caracterizam-se como prova direta da omissão de receitas, os valores escriturados pelo sujeito passivo em sua contabilidade e que não foram levados à tributação.
Numero da decisão: 1402-002.998
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) afastar as preliminares de nulidade e cerceamento de defesa; ii) negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão da recorrente do regime do Simples Nacional; iii) dar provimento parcial ao recuso voluntário para reconhecer a decadência relativamente ao 1º Trimestre/2010 para o IRPJ e CSLL e meses de janeiro/2010, fevereiro/2010, março/2010 e abril/2010 para o PIS e a COFINS, nos valores de R$ 45.484,46, R$ 24.003,68, R$ 17.474,55 e R$ 80.838,39, respectivamente.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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INEXISTÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dandolhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecêlos e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. OCORRÊNCIA. SUBSUNÇÃO ÀS NORMAS. Detectado, no decorrer a ação fiscal, que a fiscalizada incorreu em hipótese impeditiva de permanência no Simples Nacional, correto o procedimento fiscal que excluiu a contribuinte do regime. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONFIRMAÇÃO. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS POR OUTRA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. INDEPENDÊNCIA. Independe da confirmação do ato de exclusão da empresa do Simples Nacional para que se proceda de ofício o lançamento dos tributos devidos, seja por qualquer outra forma de tributação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 08 74 /2 01 5- 96 Fl. 2856DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.856 2 Para que a regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional seja aplicada aos tributos sujeitos a lançamentos por homologação é preciso que não haja recolhimentos feitos pelo contribuinte e que a fiscalização impute procedimento doloso aos atos infracionais. Não tendo o Fisco sequer qualificado a multa de ofício, a contagem decadencial subsume se à normatização do artigo 150, § 4º, do mesmo diploma legal, ou seja, cinco anos a partir dos fatos geradores. Decadência que se reconhece parcialmente. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. ASSUNTO: SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira e em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não faça prova de sua origem, com documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. Caracterizamse como prova direta da omissão de receitas, os valores escriturados pelo sujeito passivo em sua contabilidade e que não foram levados à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) afastar as preliminares de nulidade e cerceamento de defesa; ii) negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão da recorrente do regime do Simples Nacional; iii) dar provimento parcial ao recuso voluntário para reconhecer a decadência relativamente ao 1º Trimestre/2010 para o IRPJ e CSLL e meses de janeiro/2010, fevereiro/2010, março/2010 e abril/2010 para o PIS e a COFINS, nos valores de R$ 45.484,46, R$ 24.003,68, R$ 17.474,55 e R$ 80.838,39, respectivamente. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.857 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). Fl. 2858DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.858 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 4ª Turma da DRJ/BSB em sessão de 26 de fevereiro de 2016 (fls. 2813/2825)1, que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exclusão do Simples Nacional da recorrente e os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS perpetrados pelo Fisco, anoscalendário 2010/2011 e 2012, relativamente às infrações estampadas nos autos de infração (fls. 1740/1844 e 1865/1868). DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo o TVF (fls. 1845/1861), bem resumido pela decisão recorrida, estas foram as irregularidades praticadas pela contribuinte que levaram à exclusão do Simples Nacional e aos lançamentos de ofício, sob o regime do lucro arbitrado: “A exclusão se deu em virtude de procedimento de fiscalização relativo aos anoscalendário de 2010 a 2012, levado a efeito contra o contribuinte em cumprimento ao disposto no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 09.1.05.002013005181, englobando o período de 01/2010 a 12/2012, iniciado no ‘Termo de Início do Procedimento Fiscal’ de folhas 25, de 31/10/2013, cuja ciência se deu pessoalmente na mesma data, conforme Termo de Intimação Fiscal de fls 26 e 27. As ações desenvolvidas no procedimento de fiscalização estão detalhadas no ‘Termo de Verificação da Ação Fiscal’ de fls. 1845 a 1861, lavrado na mesma data da autuação ocorrida em 28/04/2015, do qual destacase que: os documentos apresentados em atendimento aos Termos de Intimação Fiscal – TIF – no 01 a 02 subsidiaram a análise e constatação de que não estaria ocorrendo a declaração nem a escrituração contábil de créditos nas contas correntes da fiscalizada; excluindose os créditos cuja origem pôde ser determinada previamente, foi encaminhada planilha anexa ao TIF nº 03 requerendo explicações para os lançamentos ainda sem comprovação; a resposta ao TIF nº 03 em 08/09/2014, após cinco concessões de dilações de prazo, foi suficiente para justificar parte dos créditos nas contas correntes; requerida explicação para os créditos remanescentes sem comprovação por meio do TIF nº 04 e após uma concessão de dilação de prazo, a Fiscalização recebeu em 02 de dezembro, vencido o prazo, uma carta manuscrita informando a impossibilidade de oferecer mais documentos probatórios; diante da confirmação de que não estaria ocorrendo a escrituração da movimentação financeira, isto é, a manutenção das contas bancárias estaria à margem da contabilidade registrada nos Livros Diário números 09, 10 e 11 com Termos de Autenticação 11/1717710, 13/1666436 e 13/1666444 o contribuinte sujeitouse à exclusão do Simples Nacional. 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 2859DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.859 5 a prática reiterada restou caracterizada pela impossibilidade da identificação de sua movimentação financeira e pela ausência da escrituração de disponibilidades financeiras bancárias com habitualidade. Dessa forma, cada depósito em conta, descontandose aqueles que compõem receita bruta declarada e aqueles comprovados pela natureza de seus lançamentos bancários ou por documentação comprobatória, guardaria presunção legal de omissão de receita. determinouse a Exclusão do Simples Nacional pelo ‘Ato Declaratório Executivo Nº 06/2015’ de 09/03/2015 de fl. 1739, em atendimento à ‘Representação Fiscal para Exclusão de Ofício – Simples Nacional’ de fls 1737/1738. Do Lançamento do Crédito Tributário O lançamento de ofício de IRPJ, de CSLL, de PIS/PASEP e de COFINS, em desfavor da empresa deuse em conclusão ao procedimento de fiscalização relativo aos anoscalendário de 2010 a 2012, levado a efeito contra o contribuinte em cumprimento ao MPF nº 09.1.05.002013005181 iniciado no Termo de Início do Procedimento Fiscal de folhas 25, de 31/10/2013, cuja ciência se deu pessoalmente na mesma data, conforme Termo de Intimação Fiscal de fls 26 e 27 . Do ‘Termo de Verificação da Ação Fiscal’ – TVF de folhas 1845 a 1862 e dos elementos contidos nos autos, destacase que: em continuidade ao procedimento fiscal, a contribuinte foi intimada duas vezes (fls. 1733 e 1735) a optar pelo regime de tributação a ser utilizada para os anos de 2010, 2011 e 2012, haja visto que a soma dos créditos em contas correntes não comprovados com documentação hábil e idônea extrapolariam os limites de receita bruta para permanência no Simples Nacional. a ausência de opção por regime de tributação dentro dos prazos determinados na TIF no 06, e na respectiva reintimação, em conjunto com a imprestabilidade da contabilidade para fins de apuração do lucro implicou no arbitramento do lucro para fins de tributação. o crédito tributário lançado de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e de COFINS decorrentes das infrações apuradas foram acrescidos de multa de 75% e juros. Após a empresa ter sido excluída do Simples Nacional, a tributação promovida de ofício pela autoridade fiscal foi realizada com base no Lucro Arbitrado. Conforme campo ‘Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais’ que consta do Auto de Infração, a Fiscalização apurou, ao final dos trabalhos, as seguintes infrações com base nas receitas auferidas pela empresa, as quais foram tributadas pelo Lucro Arbitrado (I) Omissão de Receita por Presunção Legal – Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada; (II) Receitas da Atividade – Receita Bruta na Revenda de Mercadorias Da Manifestação de Inconformidade contra o ato que a excluiu do Simples Nacional Fl. 2860DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.860 6 Cientificada em 04/05/2015 por via postal (AR de fls. 2659 e 2660) do ‘Ato Declaratório Executivo Nº 06/2015’ de 09 de março de 2015 (fl. 1739), a pessoa jurídica excluída do Simples Nacional protocolou em 27/05/2015 a manifestação de inconformidade de fls. 2674 a 2695, assinada pelo representante legal; relatando os fatos ocorridos; citando vasta legislação, doutrina e jurisprudência; e protestando pela nulidade da exclusão com os argumentos resumidos a seguir: A) os valores utilizados no período de 2010 a 2012, cujos fatos geradores ocorreram há mais de 05 (cinco) anos, seriam inservíveis para sustentar a exclusão da impugnante do regime de tributação do Simples Nacional, haja vista estarem caducos pela decadência quinquenal, ademais, porque simples depósitos bancários não são sinônimos de renda, ou seja, atípicos para configurar receita bruta; B) reitera que depósitos bancários não seriam sinônimos de renda típicos para exigir tributo, não se prestando para serem utilizados como receita bruta auferida no período de 2010 a 2012”. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMDIADE E DA IMPUGNAÇÃO Cientificada da exclusão do Simples Nacional e dos lançamentos, a contribuinte acostou MI (fls. 2674/2695) e impugnação (fls. 2701/2724) apontando, acerca do processo excludente que, a) os valores utilizados no período de 2010 a 2012, cujos fatos geradores ocorreram há mais de 05 (cinco) anos, seriam inservíveis para sustentar a exclusão da impugnante do regime de tributação do Simples Nacional, haja vista estarem caducos pela decadência quinquenal; e, b) que depósitos bancários não seriam sinônimos de renda típicos para exigir tributo, não se prestando para serem utilizados como receita bruta auferida no período de 2010 a 2012. Sobre os lançamentos consignou, preliminarmente, a nulidade da constituição do crédito tributário, pois enquanto o ato de exclusão estiver protegido por recurso administrativo, a Receita Federal estaria impedida de efetuar lançamento de ofício para exigência de eventuais diferenças entre os valores recolhidos no Simples Nacional e os devidos pelo lucro real ou presumido e, que o lançamento de ofício datado de 04/05/2015, tendo como base de cálculo as movimentações bancárias realizadas durante o ano de 2010 a 2012 ofenderia a legislação, haja visto que todos dos fatos e acontecimentos ocorridos anteriormente à 04/05/2010 seriam inservíveis para sustentar imposições tributárias ou constituição de crédito tributário, cujo lançamento seria por homologação, incidindo, as disposições do art. 150, §4o do CTN. Já no mérito; reitera que depósitos bancários não seriam elementos suficientes para exigir tributo, não se prestando, para serem utilizados como receita bruta auferida no período do anocalendário 2010 a 2012. Depois de citar doutrina e jurisprudência, finaliza requerendo a decretação da nulidade da exclusão do Simples Nacional consubstanciada no Ato Declaratório Executivo Nº 06; o reconhecimento da preliminar suscitada de questão prejudicial externa, diante da ausência de definitividade do processo de exclusão do simples, decretanto a nulidade do lançamento e o acolhimento da decadência sobre os fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2010 a 04/05/2010, extinguindo o crédito tributário. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 2813/2825) Fl. 2861DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.861 7 Debruçandose sobre os autos, a Turma de Julgamento, unanimemente, confirmou a exclusão do Simples Nacional e, por maioria, manteve integralmente os lançamentos, havendo discordâncias de dois julgadores no sentido de acatar a decadência suscitada, conforme razões de decidir abaixo reproduzidas: “Ato de Exclusão A interessada se insurge contra o ‘Ato Declaratório Executivo Nº 06/2015’ de 09 de março de 2015 (fl. 1739), expedido pelo Delegado Adjunto da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá – PR, que a excluiu do Simples Nacional com efeitos retroativos a partir de 01/01/2010 com base no conteúdo da ‘Representação Fiscal para Exclusão de Ofício Simples Nacional’ de fls. 1737/1738, formalizada pela autoridade que executou o procedimento fiscal realizado em desfavor da manifestante. Requer na sua defesa o cancelamento da exclusão da empresa do Simples Nacional, sob os argumentos de que os valores utilizados no período de 2010 a 2012, cujos fatos geradores estariam viciados pela decadência e seriam inservíveis para sustentar a exclusão da impugnante do regime de tributação do Simples Nacional; e de que simples depósitos bancários seriam atípicos para configurar receita bruta. Não merece acolhida a pretensão requerida. Cumpre destacar inicialmente que a exclusão do Simples Nacional decorre das infrações à legislação de regência do Simples Nacional detectadas no âmbito do procedimento fiscal e apontadas na Representação Fiscal para Exclusão de Ofício – Simples Nacional. A decadência, por outro lado, opera seus efeitos, tão somente, quanto à constituição do crédito tributário, matéria estranha ao procedimento de exclusão do Simples Nacional. Como estamos analisando neste voto as duas peças de defesa, a questão da decadência será tratada oportunamente na análise da Impugnação contra os Autos de Infração. Com efeito, a redação do artigo 29 da Lei Complementar nº 123, de 2006, que traz as hipóteses exclusão do Simples Nacional no caso de: (a) tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto na própria lei; (b) houver falta de escrituração do livrocaixa ou esta escrituração não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária, de acordo com instruções expedidas pelo Comitê Gestor. (...) Conforme consta consignado no ‘Termo de Verificação da Ação Fiscal’, o Auditor Fiscal responsável pela ação apurou que a empresa elaborou escrituração contábil imprestável, impedindo a identificação da sua movimentação financeira, inclusive bancária. A prática reiterada configurou se com a ausência habitual da escrituração de disponibilidades financeiras bancárias, afastando a hipótese de erro escusável. Assim, fruto dessas constatações que evidenciam as hipóteses de exclusão da interessada no Simples Nacional, temse como correto o ato da Administração Tributária que excluiu a empresa dessa sistemática de apuração de tributos a Fl. 2862DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.862 8 partir de janeiro de 2010, mês em que incorridas as hipóteses de exclusão, conforme dispõe o parágrafo 1º, do artigo 29, da Lei Complementar nº 123 de 2006. Rejeitase, dessa forma, os pedidos apostos na Manifestação de Inconformidade contra a Exclusão do Simples Nacional. Do Lançamento de Ofício Das preliminares Da nulidade Na impugnação apresentada contra o lançamento de ofício, a empresa autuada argui, em sede de preliminares pela nulidade do lançamento com o argumento de que não houve o julgamento definitivo da defesa apresentada contra o ato administrativo que a excluiu do Simples Nacional. Não merece acolhida a nulidade suscitada. Em matéria de processo administrativo fiscal só ocorrem nulidades caso se verifiquem as circunstâncias previstas no artigo 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do processo administrativo fiscal (PAF) (...) Entretanto, em face dos argumentos apresentados na defesa, cumpre esclarecer que o lançamento realizado de ofício, qualquer que seja a forma de tributação, independe da confirmação da exclusão da empresa do Simples Nacional. No caso em tela não se verifica nenhuma das hipóteses que justificariam a nulidade do lançamento, sendo, portanto, válido. Dessa forma, rejeitase a preliminar de nulidade. Da decadência Em relação à preliminar de decadência argüida pela impugnante, a Autoridade Fiscal transcreveu o trecho do livro que apresenta as 5 regras jurídicas que regulam a decadência no Direito Tributário (fl. 1858): (...) Ocorre, todavia, que outra tese seria aplicável no caso concreto. Essa tese, também entende que o termo inicial da contagem do prazo decadencial ocorreu em 31/10/2013 nos termos do Art. 173, parágrafo único do CTN. O fundamento desta tese, entretanto, encontrase consubstanciado na (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; Fl. 2863DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.863 9 Segundo essa regra, em havendo dolo, o prazo de início de contagem para a decadência regese pelo Art. 173, parágrafo único, conforme previsão textual do Art. 150, §4º. A lógica de aplicação dessa regra exige que durante a Fiscalização, a Autoridade Fiscal tenha detectado a ocorrência de Crime contra a Administração Tributária. Os Crimes contra a Administração Tributária estão tipificados no Decreto Lei nº 2.848 de 07 de dezembro de 1940 (Código Penal) e na Lei no.8.137 de dezembro de 1990: (...) Da análise conjunta desses dispositivos, depreendese que somente haverá crime contra a ordem tributária se o agente realizar quaisquer das condutas descritas nos incisos do artigo 1º e 2º e desde que objetivem a supressão ou redução do tributo, ou contribuição social e qualquer acessório. Ocorre que para a existência de crime contra a ordem tributária, é imprescindível que haja um determinado fim de agir, o que vem a ser o elemento subjetivo do tipo. Esse determinado fim de agir caracteriza os crimes contra a ordem tributária como crimes dolosos, ou seja, exige a vontade e consciência para a prática do delito, vez que não há crime tributário culposo, por força de ausência de previsão legal. Na espécie, tendo verificado indícios de crimes contra a ordem tributária, o Fiscal elaborou a Representação Fiscal para Fins Penais (fls. 03 a 20 do Processo 10950.721042/201597, atualmente apensado a este). Em síntese, como haveria dolo pela tipificação do crime, a regência do início da contagem do prazo decadencial se daria pelo Art. 173, parágrafo único do CTN, isto é, a data da ciência da notificação ao sujeito passivo da primeira medida preparatória indispensável ao lançamento (31/10/2013). Elementos fáticos Qualquer que seja a tese aplicável no caso em tela, alguns elementos fáticos são relevantes para auxiliar a formação de convicção: 1 – Os extratos das 6 contas correntes em nome da fiscalizada totalizam 636 páginas deste processo (fls. 34 a 669) e as movimentações nelas identificadas não encontram guarida na contabilidade de folhas 1869 a 1904, ou seja, nos termos da Autoridade Fiscal “ausência total da escrituração da movimentação financeira no Livro Diário”; 2 – A Fiscalização requereu informações para explicar a movimentação financeira em 4 oportunidades, tendo, ao longo da Fiscalização prorrogado a pedido o prazo para entrega da documentação em, pelo menos, seis oportunidades; 3 – O volume de recursos omitidos da tributação ao longo dos três anos fiscalizados montam R$ 67.340.667,13. Nesse período a interessada ofereceu a tributação R$ 7.792.958,65, ou seja, uma vez considerado correto o arbitramento da Receita Bruta pela Autoridade Fiscal, significa que a Fl. 2864DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.864 10 impugnante omitiu perto de 90% da Receita Bruta Total apurada (R$ 75.133.625,78). Convicção do relator Nos termos do Art. 29 do Decreto 70.235/72 (PAF), “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Ou seja, diante do conjunto probatório oferecido neste processo e em seu apenso (10950.721042/201597), em especial os fatos destacados acima, este relator, entende que se trata de caso em que os elementos objetivos afastam de plano a tese de decadência apresentada pela contribuinte, ou por outra forma, neste caso não se aplicaria a decadência conforme o Art. 150 §4° do CTN. Nesse diapasão, as demais teses aplicáveis ao caso concreto, deslocariam a data de início da contagem da decadência para 31/10/2013 conforme o Art. 173, parágrafo único do CTN, o que inviabilizaria a pretensão da impugnante. Sendo assim, o lançamento do crédito tributário seria íntegro e válido não sendo possível descaracterizar qualquer parte dele por decadência. Rejeitase, dessa forma, a preliminar de decadência. Por conseguinte, rejeitamse todas as preliminares suscitadas. Do mérito No caso em apreço, a fiscalização detectou que a impugnante infringira a legislação do Simples Nacional, o que é motivo de impedimento para permanecer nesse regime e a intimou em duas oportunidades a optar pela forma de tributação a ser utilizada para o período de 2010 a 2012 (fls. 1733 e 1735). Na ausência de resposta quanto à forma de tributação a ser utilizada pela fiscalizada a autoridade fiscal procedeu ao lançamento de ofício com base no Lucro Arbitrado tomando o cuidado de excluir da base de cálculo os depósitos de origem comprovada. Ademais, conforme consta do ‘Termo de Verificação da Ação Fiscal’ de fls. 1845 a 1866, esse arbitramento do lucro deuse com base em extratos bancários pelo fato de a fiscalização verificar que não ocorrera a escrituração da movimentação financeira. Neste ponto, é relevante frisar que a matéria tributária objeto da autuação se socorreu dos dados da movimentação bancária da contribuinte, haja visto que as exigências se fundam na presunção de omissão de receita com base em depósitos bancários de que trata o art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996, in verbis: (...) Em suma, no que pertine à matéria contestada, as bases de cálculo da imposição fiscal foram determinadas a partir da receita bruta coligida de Fl. 2865DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.865 11 prova produzida pela própria impugnante, consubstanciada no conteúdo dos extratos bancários, sendo relevante ressaltar também que não houve no caso concreto a construção de qualquer presunção que comprometa a certeza e a liquidez do crédito tributário exigido. Pois bem, diante da falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração da impugnante que identificassem a movimentação financeira, o arbitramento se deu dentro dos limites da legislação de regência da matéria, sendo, portanto, legítimo. Como conseqüência do exposto, rejeitase o argumento de mérito. Conclusão Assim, a luz do que foi apresentado, voto no sentido de que: seja julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face da exclusão de empresa do Simples Nacional pelo ‘Ato Declaratório Executivo Nº 06/2015’ de 09 de março de 2015, ratificando a decisão da Delegacia de jurisdição da contribuinte; e seja julgada improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento de oficio, mantendose as exigências da autuação fiscal a título de IRPJ, de CSLL, de PIS/PASEP e de COFINS, mais acréscimos correspondentes”. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa EXCLUSÃO DE OFÍCIO. OCORRÊNCIA. SUBSUNÇÃO ÀS NORMAS. Detectado, no decorrer a ação fiscal, que a fiscalizada incorreu em hipótese impeditiva de permanência no Simples Nacional, perfeito o procedimento da autoridade tributária em excluir a contribuinte do Simples Nacional EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONFIRMAÇÃO. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS POR OUTRA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. INDEPENDÊNCIA. Independe da confirmação do ato de exclusão da empresa do Simples Nacional para que se proceda de ofício o lançamento dos tributos devidos, seja por qualquer outra forma de tributação. PROCEDIMENTO FISCAL. LEGITIMIDADE. É legítimo o procedimento fiscal que, após proceder a inúmeras intimações ao contribuinte e a promover diversos cruzamentos de informações, identificou receitas omitidas e corretamente apurou o imposto devido. Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.866 12 PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA OU DE RENDIMENTOS. Conforme disposição legal, caracterizase como uma omissão de receitas ou de rendimentos sujeito a lançamento de ofício os depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. RECEITA CONHECIDA. MEIO DE PROVA. Os extratos bancários fornecidos pelo sujeito passivo constituem meio de prova direta hábil para conhecimento da receita bruta auferida pelo contribuinte. LUCRO ARBITRADO. Cabível o arbitramento do lucro do contribuinte quando este não apresenta ao Fisco os livros e documentos de sua escrituração contábil e fiscal CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplicase ao lançamento das contribuições, quando decorrente do mesmo fato, o decidido em relação à exigência principal (IRPJ). Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO (fls. 2835/2851) Cientificada do R. decisum (fls. 2833), a contribuinte interpôs recurso voluntário contestando a decisão recorrida e no mérito repeliu a exclusão do Simples Nacional e os lançamentos havidos, repisando os argumentos já expendidos na impugnação inaugural. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 2867DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.867 13 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, a recorrente está corretamente representada (fls. 2735/2736) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. Preliminarmente, afasto as alegações de nulidade dos lançamentos e cerceamento de defesa, no primeiro caso porque não se verificam nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: “Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Igualmente foram atendidos os preceitos do artigo 10 do PAF2 (Decreto nº 70.235, de 1972), ratificando a inexistência da nulidade pretendida, pelo que se indefere o pleito. Sobre o segundo ponto, cerceamento de defesa, basta uma vista d´olhos dos autos para se verificar que a recorrente teve todas as oportunidades possíveis para contrapor seus argumentos ao trabalho fiscal, desde o período investigativo e de auditoria, passando pela defesa em 1º Piso e depois junto a este Colegiado de 2º Grau, juntando os documentos e aduzindo os argumentos que entendeu lhe aproveitar, pelo que, por óbvio, inexistiu a decantada barreira processual. Pedido de cerceamento de defesa inconsistente, por isso negado. Sobre as acusações, há dois pontos principais a analisar: i) a exclusão da empresa do Simples Nacional; e, ii) os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. 2 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 2868DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.868 14 Quanto ao primeiro, afasto os argumentos da recorrente de que a exclusão do Simples Nacional teria sido indevida. Na verdade, como bem pontuado pela decisão a quo a exclusão teve como fundamento a prática reiterada de irregularidade pela recorrente, infringindo o artigo 29, da LC nº 123/2006, verbis: LEI COMPLEMENTAR Nº 123, DE 14 DE DEZEMBRO DE 2006 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) V tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; (...) VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; (...) §1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. (...) (sublinhados acrescidos) A “prática reiterada” restou caracterizada pela impossibilidade da identificação de sua movimentação financeira e pela ausência da escrituração de disponibilidades financeiras bancárias com habitualidade. Ou seja, a exclusão do Simples Nacional é decorrente do cometimento de infrações à legislação de regência detectadas no âmbito do procedimento fiscal e apontadas na Representação Fiscal para Exclusão de Ofício – Simples Nacional. E esse quadro se mostrou absolutamente configurado diante da confirmação de que não estaria ocorrendo a escrituração da movimentação financeira, isto é, a manutenção das contas bancárias estaria à margem da contabilidade registrada nos Livros Diário números 09, 10 e 11. Por isso, determinouse a Exclusão do Simples Nacional pelo Ato Declaratório Executivo nº 06/2015, de 09/03/2015 (fls. 1739), em atendimento à Representação Fiscal para Exclusão de Ofício – Simples Nacional de (fls. 1737/1738): Fl. 2869DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.869 15 Quanto ao mérito da exclusão, os fatos narrados no TVF mostram a correção do procedimento fiscal e a planilha demonstrativa com os montantes declarados e omitidos é contundente (fls. 1863), mostrando que nos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, para uma receita total de R$ 75,1 milhões, foi omitido o montante de R$ 67, 3 milhões, ou seja, quase 90%. Portanto, medida – ainda que possa ser tida pela recorrente como extrema – mais que acertada. Sobre a pretensão da recorrente de que somente depois de decidida e confirmada a exclusão do Simples Nacional é que se poderiam perpetrar os lançamentos presentes nestes autos nenhuma razão. Primeiro porque há o julgamento simultâneo do ato excludente e dos referidos lançamentos, motivo pelo qual, se determinado o cancelamento do ADE, automaticamente as infrações não subsistirão. De outro lado, se estas foram tidas como indevidas, ou seja, entenderse que os lançamentos não têm suporte, nenhum prejuízo haverá à recorrente. Em suma, os dois procedimentos serão (com estão sendo) julgados em conjunto e a decisão que se lhes der aproveitará a um ou outro caso. Diante dos fatos estampados, mantenho a decisão recorrida e ratifico o ADE de exclusão. Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.870 16 Destaco, por fim, que, a teor do artigo 1º, da IN (RFB) nº 666, devem ser “objeto de um único processo administrativo: (...) III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente”, como se verifica neste processo. Portanto, nenhum reparo ao trabalho fiscal neste aspecto. Passo ao segundo tópico sob análise, cuidando aos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, estes no regime do Lucro Arbitrado, em face da exclusão havida. Antes, destaco ter sido suscitada preliminar de decadência. Em razão de se confundir com o mérito, com ele será tratada. Os lançamentos têm duas infrações: a) omissão de receitas – depósitos bancários de origem não comprovada – artigo 42, da Lei nº 9.430/1996; e, b) receitas declaradas pelo Simples Nacional e submetidas, de ofício, ao regime do Lucro Arbitrado. Não houve qualificação da multa e os valores estão assim resumidos (fls. 1866): Em relação à primeira infração, a norma violada foi o artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Embora na impugnação de 1º Grau e no RV agora apreciado a recorrente tenha focado o tema “omissão de receitas” e “depósitos bancários de origem não comprovada”, sua dissertação limitouse a aspectos teóricos e sobre possíveis inconstitucionalidades, omitindose por completo acerca das provas de que deveria se munir e apresentar para justificar a origem dos recursos que permitiram canalizar às suas contas bancárias os vultosos valores que o Fisco detectou. Diria mais, não só vultosos como absurdamente desproporcionais em relação aos valores escriturados. A planilha elaborada pelo Fisco, já com todas as exclusões que o artigo 42, da Lei n 9.430/1996, impõe, mostra o quadro (fls. 1863): Fl. 2871DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.871 17 Melhor visualizando: Anocalendário Créditos Bancários (art. 42) Receita Bruta Declarada Receita Total 2010 9.445.126,08 1.974.046,55 11.419.172,63 2011 32.534.347,44 2.568.378,10 35.102.725,54 2012 25.361.193,61 3.250.534,00 28.611.727,61 TOTAIS 67.340.667,13 7.792.958,65 75.133.625,78 Uma estarrecedora fotografia que mostra que, para cada 10 reais de receitas, 9 reais, ou seja, 90% foram mantidos à margem da escrituração e consequentemente da tributação. Nessa linha, o trabalho fiscal restou incólume e deve ser mantido, posto que a contribuinte não conseguiu afastar as acusações, embora fosse intimada de forma detalhada dos valores apontados. Em suma, aquilo que a Lei nº 9.430/1996, por seu artigo 42, impõe, ou seja, que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações mantidas junto a instituições financeiras, não se fez presente, fortalecendo a presunção adotada pela Autoridade Fiscal. Ademais, como não se admite prejuízo à incidência tributária pela impossibilidade de se produzir a prova direta da infração, a presunção de omissão de receita construída a partir de tal indício é suficiente para a exigência, até porque lastreada legalmente. Mais ainda, não se perca o entendimento de que a chamada prova indiciária é pacificamente admitida em nosso direito como ferramenta necessária para apurar eventos que não se mostram explícitos, como já decidido pelo CARF: Primeira Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 25/01/2011 Relator(a) ANTONIO BEZERRA NETO Nº Acórdão 1401000.405 ASSUNTO: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.872 18 fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. Cumpre ao Fisco, em tais circunstâncias, tão só provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a consequente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas, mantidas à margem da escrituração regular ou em poder dos sócios. A prova contrária à presunção legal, como dito, não foi fornecida pela autuada, como já enfatizado anteriormente. Assim, concretizada a hipótese abstrata prevista na lei, o Fisco pode lançar mão da figura da presunção legal, como no caso em análise, quando se presume a ocorrência de omissão de receitas se o fiscalizado, devidamente intimado, não consegue comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesse cenário, não restando elidida a presunção pela recorrente, consolida se a omissão de receita, na forma do artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996. Todavia, há necessidade de definir se a mantença será integral ou parcial, dependendo do acatamento ou não da tese de decadência aventada pela recorrente, tema que se verá adiante. De outro lado, para que não se possa pretender alegar eventual omissão neste acórdão, registrese que discussão acerca da possibilidade de o Fisco poder ou não acessar as contas bancárias dos contribuintes restou pacificada após a decisão do STF exarada no RE nº 601.314 – SP, de 24/02/2016, assim ementada: Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, em conhecer do recurso e a este negar provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, § 1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso Fl. 2873DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.873 19 de Mello. Brasília, 24 de fevereiro de 2016. Ministro EDSON FACHIN Relator. Quanto à segunda infração, tratandose de receitas declaradas pela própria recorrente os lançamentos são incontroversos, devendose como corretamente feito pelo Fisco – submetêlos ao regime de tributação assumido (Lucro Arbitrado) em face da exclusão do Simples Nacional, naturalmente com o aproveitamento dos valores já tributados (o que igualmente foi realizado pela Fiscalização). Desse modo, sem maiores delongas, mantenho os lançamentos. DO ARBITRAMENTO Como extensamente relatado no TVF e nos autos de infração, a escrituração da recorrente “é imprestável para determinação do Lucro Real em virtude ausência total da escrituração da movimentação financeira bancária”. Com isso, a submissão ao artigo 530, III, do RIR/1999 é imperiosa: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527. E a base de cálculo encontra definição no artigo 531: Art. 531. Quando conhecida a receita bruta (art. 279 e parágrafo único) e desde que ocorridas as hipóteses do artigo anterior, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do imposto correspondente com base no lucro arbitrado, observadas as seguintes regras (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, §§ 1º e 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): Conhecida a receita bruta (fls. 1863), o Fisco perpetrou os lançamentos pelo regime do Lucro Arbitrado, não sem antes deduzir os valores recolhidos pelo regime do Simples Nacional. Por fim, esclareçase, o arbitramento não é uma penalidade, e sim a única conseqüência possível a uma situação consumada, que é a nãoapresentação, para exame, dos necessários livros contábeis e fiscais para validar a autenticidade das informações prestadas ao Fisco. O arbitramento é simplesmente um critério adotado para o cálculo do lucro. Nesse sentido, perfila a jurisprudência administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CARF – órgão colegiado administrativo de julgamento em instância definitiva: “ARBITRAMENTO NÃO É PENALIDADE – O arbitramento não possui caráter de penalidade; é simples meio de apuração do lucro” (Ac. CSRF/010.123/81). DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Fl. 2874DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.874 20 Sustenta a recorrente (RV – fls. 2841 e 2844): Pois bem, que os lançamentos tratados são por “homologação” não restam dúvidas. Induvidoso também que, nesse contexto, deve ser observada a decisão do STJ, em Recurso Repetitivo, em decisão prolatada no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), relatado pelo Ministro Luiz Fux, assim ementada: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco consti tuir o crédito tr ibutário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Igualmente: TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA – DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4º E 173 DO CTN). Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da Fl. 2875DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.875 21 ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. Recurso especial improvido. (REsp 816558/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/04/2006, DJ 25/05/2006 p. 218) Consequentemente, não havendo animus doloso nos atos do contribuinte e tendo ocorrido pagamentos antecipados, a regra do artigo 150, § 4º, do CTN se confirma; caso contrário, a contagem do prazo de decadência segue o rito do artigo 173, I, do mesmo diploma. Pois bem, que há pagamentos antecipados não restam dúvidas, tanto que o próprio autuante, quando da consecução dos lançamentos, os deduziu da imputação, como relatado no TVF (fls. 1853): “Quanto à outra infração, “RECEITA BRUTA NA VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA” com código 0221.0305, a receita bruta declarada indevidamente no Simples Nacional é base para esta incidência tributária observandose na discriminação dos valores calculados nos Documentos e Arrecadação do Simples Nacional os recolhimentos ocorridos durante o exercício desta opção , com períodos de apuração nos anos de 2010, 2011 e 2012, que são aproveitados como deduções de valores devidos para cada espécie tributária: IRPJ, CSLL, Pis e Cofins neste PAF e Contribuição Previdenciária Patronal e no de nº 10950.721.001/201509 com orientações do artigo 74, § 12º, inciso II, alínea 'a' da Lei nº 9.430 e 'caput' do artigo 41 e artigo 59 da Instrução Normativa RFB nº 1.300 de 20 de novembro de 2012. As infrações de falta de recolhimento de tributo são originadas para a apuração reflexa”. (destacouse). Resta ver se houve espírito doloso no procedimento da recorrente. No TVF, há menção lacônica sobre o fato (fls. 1857: “Este lançamento obedece ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, parágrafo único, da Lei nº 5.172 CTN, segundo o qual o termo inicial do prazo decadencial flui da ciência pelo contribuinte ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, ocorrida em 31 de outubro de 2013. Nesse sentido manifestouse o Superior Tribunal de Justiça STJ no julgamento do recurso especial REsp nº 1.143.534PR, julgado em 19 de agosto de 2010, expressamente mencionado como precedente o REsp nº 766.050/PR, sendo este julgado em 2008”. Na decisão recorrida, o tema foi mais analisado, tendo o Relator declinado (fls. 2823/2824): “Qualquer que seja a tese aplicável no caso em tela, alguns elementos fáticos são relevantes para auxiliar a formação de convicção: Fl. 2876DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.876 22 1 – Os extratos das 6 contas correntes em nome da fiscalizada totalizam 636 páginas deste processo (fls. 34 a 669) e as movimentações nelas identificadas não encontram guarida na contabilidade de folhas 1869 a 1904, ou seja, nos termos da Autoridade Fiscal “ausência total da escrituração da movimentação financeira no Livro Diário”; 2 – A Fiscalização requereu informações para explicar a movimentação financeira em 4 oportunidades, tendo, ao longo da Fiscalização prorrogado a pedido o prazo para entrega da documentação em, pelo menos, seis oportunidades; 3 – O volume de recursos omitidos da tributação ao longo dos três anos fiscalizados montam R$ 67.340.667,13. Nesse período a interessada ofereceu a tributação R$ 7.792.958,65, ou seja, uma vez considerado correto o arbitramento da Receita Bruta pela Autoridade Fiscal, significa que a impugnante omitiu perto de 90% da Receita Bruta Total apurada (R$ 75.133.625,78). Convicção do relator Nos termos do Art. 29 do Decreto 70.235/72 (PAF), “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Ou seja, diante do conjunto probatório oferecido neste processo e em seu apenso (10950.721042/201597), em especial os fatos destacados acima, este relator, entende que se trata de caso em que os elementos objetivos afastam de plano a tese de decadência apresentada pela contribuinte, ou por outra forma, neste caso não se aplicaria a decadência conforme o Art. 150 §4° do CTN. Nesse diapasão, as demais teses aplicáveis ao caso concreto, deslocariam a data de início da contagem da decadência para 31/10/2013 conforme o Art. 173, parágrafo único do CTN, o que inviabilizaria a pretensão da impugnante. Sendo assim, o lançamento do crédito tributário seria íntegro e válido não sendo possível descaracterizar qualquer parte dele por decadência”. Inicialmente, destaco que a decisão prolatada na DRJ em relação à decadência foi por maioria, ou seja, houve divergência de dois julgadores que acatavam a preliminar da decadência dos fatos geradores ocorridos entre 1°/01/2010 e 04/05/2010. Como não há declaração de voto, impossível saber os motivos que levaram à divergência. Provavelmente, porém, deve ter relação direta com a figura do dolo. Feitas estas colocações, passo à minha análise do caso concreto e nessa linha, divirjo da decisão recorrida (e do entendimento fiscal). Explico. Fl. 2877DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.877 23 Induvidoso ter havido subtração de gigantesca receita da tributação, procedimento que se repetiu por três anos consecutivos e que levou, inclusive, à exclusão da recorrente do Simples Nacional. Porém, SÓ o fato de o autuante ter entendido que houve dolo e por isso ter elaborado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, MESMO QUE POSSA TER SUBSTÂNCIA para prosseguimento de eventual procedimento na esfera penal, só pode ser tomado neste círculo e não para fins de contagem do prazo decadencial. Explico. Nos lançamentos perpetrados o Fisco impôs multa de ofício de 75%, ou seja, a multa “normal”, NÃO HAVENDO QUALIFICAÇÃO, o que levaria, automaticamente, a se estar diante dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964 (cf. art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996), verbis: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis Dispositivos com a seguinte redação: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Estáse, assim, diante de situação sui generis: o Fisco entende ter havido dolo, mas não qualifica a multa! Em outro dizer, por via diversa, pugna que a decadência regerseia pelo artigo 173, I, do CTN (que exige dolo) e – ao mesmo tempo – por via diversa entende que não houve sonegação (art. 71), não houve fraude (art. 72) e não houve conluio (art. 73), ainda que possa ter infringido o Código Penal e Lei nº 8.137/1990. Nesse eito, independentemente do que vier a ocorrer com a Representação Fiscal para Fins Penais elaborada pelo Fisco, fato é que, para contagem do termo decadencial, a imputação dolosa, que permitiria o deslocamento do prazo para os ditames do artigo 173, I, do CTN, não me parece consistente. Ademais, não se perca de vista o teor das Súmulas CARF nº 14 e 25: Fl. 2878DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.878 24 Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Mais a mais, no caso de depósitos bancários, há expressa determinação de que a qualificação da multa exige a utilização de interposta pessoa, o que não se viu no caso dos autos: Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Portanto, se a qualificação da multa não foi feita (por um motivo ou outro) certo que não houve a imputação dos crimes dolosos previstos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. Não havendo acusação de dolo, fraude ou simulação (cf. Recurso Especial nº 973.733 SC 2007/01769940), não há como deslocar a contagem decadencial para o ritmo do artigo 173, I, do CTN, impondo seja seguida a regra do artigo 150, § 4º, do CTN. Em outras palavras, como enquadrarse nos ditames da Súmula CARF nº 72, “Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN”, se o autuante, ao não qualificar a multa, enquadrandoa no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, acabou por não fazer expressa imputação de dolo, fraude ou simulação? Resumindo, ainda que eventual ação penal possa ter seguimento em razão da Representação Fiscal formulada, no âmbito da contagem decadencial a acusação que pudesse levar ao fluxo do artigo 173, I, do CTN não restou caracterizada. Em outras palavras, a tipificação legal assumida deve estar em consonância com os fatos narrados, o que entendo não ter ocorrido. Com isso, tendo os lançamentos sido cientificados em 04/05/2015 (fls. 2661), RESTARAM DECAÍDOS os seguintes tributos, períodos e valores: 1. IRPJ Ø 1º Trimestre/2010 – R$ 45.484,46 2. CSLL Ø 1º Trimestre/2010 – R$ 24.003,68 3. PIS Fl. 2879DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.879 25 Ø Janeiro/2010 R$ 4.557,90 Ø Fevereiro/2010 R$ 6.128,93 Ø Março/2010 R$ 3.759,84 Ø Abril/2010 R$ 3.027,88 4. COFINS Ø Janeiro/2010 R$ 21.036,44 Ø Fevereiro/2010 R$ 28.287,35 Ø Março/2010 R$ 17.353,11 Ø Abril/2010 R$ 14.161,49 Concluindo, encaminho meu voto para: i) AFASTAR as preliminares de nulidade e cerceamento de defesa; ii) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário no que se refere à exclusão da recorrente do regime do Simples Nacional, mantendo a decisão recorrida; iii) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recuso voluntário para reconhecer a decadência relativamente ao 1º Trimestre/2010 para o IRPJ e CSLL e meses de janeiro/2010, fevereiro/2010, março/2010 e abril/2010 para o PIS e a COFINS, conforme valores acima discriminados. É como voto. Brasília (DF), em 10 de abril de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 2880DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.880 26 Fl. 2881DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000458/2009-04
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA.
Não é possível o conhecimento do recurso especial diante do julgamento de questões distintas pelos acórdãos recorrido e paradigma, impedindo o estabelecimento da divergência necessária à sua admissibilidade.
Numero da decisão: 9101-003.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo, que conheceram do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Votou pelas conclusões do voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. Não é possível o conhecimento do recurso especial diante do julgamento de questões distintas pelos acórdãos recorrido e paradigma, impedindo o estabelecimento da divergência necessária à sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo, que conheceram do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Votou pelas conclusões do voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 04 58 /2 00 9- 04 Fl. 590DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de auto de infração de IRPJ e CSLL. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 246, vol 2) 7 O Contribuinte é beneficiário de subvenção fiscal concedida pelo governo do Estado da Bahia, instituída pela Lei Estadual no 7.980/2001, e regulada pelo Decreto Estadual n° 8.205/2002, posteriormente alterado pelo Decreto n° 8.435/2003, intitulado de Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia DESENVOLVE. O programa oferece os seguintes incentivos: 7.1 Dilação do prazo de pagamento do saldo devedor do ICMS por até 72 meses, incidindo encargos financeiros sobre a parcela financiada calculados pela taxa de juros de longo prazo; 7.2 Caso o contribuinte antecipe o pagamento da parcela devedora, terá direito a desconto de até 90% sobre a parcela do ICMS com prazo dilatado e dos encargos financeiros, conforme enquadramento na tabela do regulamento do programa. 8 A empresa fiscalizada foi habilitada no programa DESENVOLVE por meio da Resolução n° 134/2005, fls. 57/58, sendolhe concedidos os seguintes benefícios: 8.1 dilação de prazo de 72 meses para pagamento do saldo devedor do ICMS relativos às operações próprias; 8.2 fixação da parcela do saldo devedor mensal do ICMS passível do incentivo, em o que exceder a R$ 121.662,71, corrigido este valor a cada 12 meses, pela variação do IGP M; 8.3 concessão do prazo de 12 anos para a fruição dos benefícios; 8.4 sobre cada parcela do ICMS com prazo de pagamento dilatado incidirá taxa de juros de 100% da TJLP ao ano. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 9101003.471 CSRFT1 Fl. 591 3 9 O contribuinte foi enquadrado na Classe I, da Tabela I, anexa ao Regulamento do DESENVOLVE. Esta classe tem as seguintes características: 9.1 prazo de carência: 6 anos; 9.2 percentual do ICMS incentivado: 90%; 9.3 percentual de desconto por anos de antecipação: 1 ano = 30%, 2 anos = 45%, 3 anos = 80%, 4 anos = 85% e 5 anos = 90%. 10 Conforme demonstrativos apresentados em resposta à Intimação no 0003, fls. 68/80, o contribuinte usufruiu o benefício da seguinte forma: 10.1 De acordo com as regras do programa foram estabelecidos dois níveis de incentivo: o primeiro referese à média fixada pelo Estado com base em valores históricos praticados pela empresa (passaremos a chamar MÉDIA) e, o segundo, referese à diferença entre o total de ICMS apurado e a referida média (passaremos a chamar EXCEDENTE); 10.2 A empresa apura o ICMS devido no período, recolhe 20% sobre o valor da MÉDIA, e 10% sobre o valor do EXCEDENTE, diferindo 80% do valor da MÉDIA e 90% do valor do EXCEDENTE; 10.3 No próprio mês a empresa antecipa o recolhimento de 20% sobre os 80% do restante da MÉDIA e 10% sobre os 90% do restante do EXCEDENTE; 10.4 Os recolhimentos efetuados correspondem a 36% (20 + 16) do valor da MÉDIA e 19% (10 + 9) do valor do EXCEDENTE; . 10.5 A diferença entre o ICMS apurado e os recolhimentos descritos no item 9.4, que corresponde ao desconto oferecido pelo Governo da Bahia, é transferido para a conta reserva de subvenção do patrimônio líquido; 10.6 Para exemplificar, detalhamos abaixo os cálculos realizados pela empresa relativos ao DESENVOLVE no mês de janeiro de 2007: (...) 11 Consta ainda nos esclarecimentos prestados que a empresa contabilizou os valores correspondentes ao benefício fiscal como subvenção para investimentos, em conta de reserva de capital no grupo patrimônio líquido, em observância do disposto no artigo 443 do Decreto no 3.000/99; 12 O entendimento do contribuinte vai de encontro à definição de subvenção para investimento determinada pela Receita Federal do Brasil. Com efeito, o Parecer Normativo CST no 112/78 traz o conceito do que seja esta subvenção, explicado nos itens adiante transcritos: (...) Fl. 592DF CARF MF 4 13 Como se pode verificar, os dispositivos da legislação tributária acima referidos exigem que as subvenções, para se caracterizarem como de investimento, precisam apresentar características bem marcantes. A primeira, é que haja a clara manifestação do subvencionador de que os recursos relativos à subvenção sejam aplicados em investimento na implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado; a segunda característica é que os recursos correspondentes à subvenção sejam efetivamente aplicados, segundo a manifestada intenção do subvencionador, nos mencionados investimentos; 14 O benefício concedido pelo Estado da Bahia não obriga a vinculação dos valores subvencionados com a efetiva e específica aplicação destes valores na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Com efeito, o auxílio obtido com o desconto evidencia um não desembolso financeiro, o qual passa a integ rar o giro do negócio, podendo ser utilizado pela empresa como bem lhe convier. Analisando a Lei que criou o incentivo, observamos que existem algumas exigências, porém nenhuma delas cria a vinculação entre o valor subvencionado e a aplicação específica do recurso. Destacamos alguns pontos da Lei no 7.980/2001: (...) 15 Em nenhum momento a lei, e também o decreto regulador, estipula a vinculação do incentivo com a aplicação em implantação ou expansão. Também não existe a obrigatoriedade de que tais recursos sejam escriturados em conta de Patrimônio Líquido, nem disciplina a forma de utilização dos valores; 16 Pelo exposto, fica claro que o tratamento tributário dado a esse tipo de benefício é o de subvenção corrente para custeio ou operação. O artigo 392 do decreto no 3.000/99 (RIR/99) dispõe que serão computadas na determinação do lucro operacional as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. (...) O contribuinte apresentou Impugnação Administrativa (fls. 291, volume 2), decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro por julgála improcedente (fls. 394, volume 2): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. FALTA DE RECONHECIMENTO DA RECEITA. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não comprovados ao efetivo investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. ALEGAÇOES. ONUS DA PROVA. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 9101003.471 CSRFT1 Fl. 592 5 Consideramse sem efeito as alegações contestando a existência de crédito tributário regularmente constituído, se desacompanhadas de prova, eis que o ônus da prova compete ou cabe a quem alega o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, em razão da relação de causa e efeito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. fls. 420, vol 3), ao qual a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento decidiu por dar provimento, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir: SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. PROGRAMA QUE VISA INSTALAÇÃO DE NOVAS INDÚSTRIAS E EXPANSÃO DAS JÁ EXISTENTES, CONDICIONADO A INVESTIMENTOS PELO PARTICULAR, AUMENTO DA PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO. Os incentivos concedidos pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Lei nº 7.980, de 2001, que instituiu o Programa DESENVOLVE, com o objetivo de estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados se constituem em subvenções para investimentos, pois condicionadas, a novos investimentos visando aumento da produção, desenvolvimento tecnológico, competitividade, geração de empregos e integração de cadeias produtivas e de comercialização. Recurso Voluntário Provido. Em 26/07/2012, os autos foram remetidos à Procuradoria, que interpôs recurso especial em 27/08/2012. Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito da natureza do benefício estadual, que entende seja subvenção para investimento, indicando o acórdão paradigma nº 20400.420 (processo administrativo nº 10380.009536/200378), no qual se decidiu: “caracteriza como subvenção para investimento, como ocorre com a isenção e/ou redução do ICMS que evidencia, antes, um nãodesembolso financeiro, isto é, um benefício que passa a integrar o capital de giro do negócio.”. Fl. 594DF CARF MF 6 O recurso especial da Procuradoria foi admitido pela Presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção, nos seguintes termos: Para fins de análise, tem cabimento transcrever excertos do acórdão apresentado como paradigma: Acórdão nº20400.420, de 09.08.2005: (...) Examinando o acórdão paradigma verificase que traz o entendimento de que nem toda isenção e/ou redução de imposto se caracteriza como subvenção para investimento, como ocorre com a isenção e/ou redução do ICMS que evidencia, antes, um não desembolso financeiro, isto é, um benefício que passa a integrar o capital de giro do negócio. O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que os incentivos concedidos pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Lei nº 7.980, de 2001, que instituiu o Programa DESENVOLVE, com o objetivo de estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados se constituem em subvenções para investimentos, pois condicionadas, a novos investimentos visando aumento da produção, desenvolvimento tecnológico, competitividade, geração de empregos e integração de cadeias produtivas e de comercialização. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN. O contribuinte foi intimado em 08/01/2016, apresentando contrarrazões ao recurso especial em 22/01/2016. Alega, em síntese: (i) Que não haveria divergência na interpretação da lei tributária, eis que o acórdão paradigma e recorrido tratam de situações fáticas muito diferentes. O acórdão paradigma trataria de incentivos do Estado do Ceará e abordaria “o tratamento contábil das subvenções, seja de investimento ou de custeio, e, especialmente, a qualificação como receita, à luz da Lei nº 9.718/98 (trecho das contrarrazões, fls. 511); (ii) Que não teria a Recorrente efetuado o cotejo analítico, como exigiria o artigo 67, §8º, do RICARF, limitandose a “citar a ementa do julgado paradigma” para assim concluir que “as decisões são divergentes em razão de seus resultados” (trechos extraídos da petição, fls. 515); (iii) Os incentivos fiscais recebidos por meio do Programa Desenvolve (Estado da Bahia) teriam natureza de subvenção para investimento; (iv) Ainda requer não seja conhecido o recurso especial para reexame das provas. É o relatório. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 9101003.471 CSRFT1 Fl. 593 7 Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Questão de Ordem Primeiramente, esclareço que formularei proposta de resolução, mas antes da sua apreciação, analiso as condições de conhecimento do recurso especial. O Regimento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015) prescreve que: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 4º A decisão será em forma de resolução quando for cabível à turma pronunciarse sobre o mesmo recurso, em momento posterior. § 5º No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. Com efeito, esta Turma da CSRF terá competência para reapreciar eventualmente o conhecimento, quando proferir novo julgamento após o sobrestamento proposto em resolução. O §5º, do artigo 63, além de autorizar novo julgamento quanto aos temas examinados, legitima a análise de requisitos para conhecimento do recurso, em julgamento na presente oportunidade. De toda sorte, a competência desta Turma para apreciar proposta de resolução depende do conhecimento do recurso especial. Caso contrário, não sendo conhecido o recurso especial, não há razão jurídica para eventual resolução que sobreste o andamento processual. Diante disso, concluo pela análise do conhecimento antes da apreciação da proposta da resolução, lembrando que – caso acolhida a resolução – esta Turma novamente poderá avaliar o conhecimento no futuro, conforme previsão regimental. Conhecimento O recurso especial é tempestivo, tendo sido admitido com relação ao único paradigma identificado pela Recorrente (20400.420) O contribuinte apresentou contrarrazões pleiteando não seja conhecido o recurso especial da Procuradoria. Fl. 596DF CARF MF 8 O único acórdão paradigma apresentado pela Recorrente tem o seguinte contorno fático, descrito em seu relatório: Tratase de lançamento da COFINS, referente ao período de 19992000, mantido pela primeira instância. A Recorrente foi autuada por meio do Auto de Infração de fls. 04/10, referente à COFINS — Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. Notificada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação, alegando, em síntese o cerceamento de defesa (...). No mérito, aduziu a inconstitucionalidade da Lei nº9.718/98 (...), impossibilidade de utilização de Medida Provisória para instituição de tributo(...). Aduziu ainda que o Auditor não considerou a reclassificação contábil; aventou a isenção tributária de parte da exação lançada no auto de infração, nos termos do art. 14, II e IX da MP n° 215835; a inexistência de receita nos valores agregados por força de subvenção do ICMS; cobrança de valores da Cofins já recolhidos por meio de compensação; direito à redução da alíquota de 3% para 2%; erro na aplicação da base de cálculo; e princípio da capacidade contributiva. Pediu, ao final, o acolhimento da preliminar, anulandose o auto de infração e no mérito a improcedência do lançamento ou, alternativamente a realização de perícia contábil. Nesse sentido, julgou a Turma do acórdão paradigma (20400.420), analisando o artigo 3º, §2º, da Lei nº 9.718/1998: Subvenção para Investimento. Isenções e Reduções de Impostos. A redução do ICMS imposto não se caracteriza como subvenção para investimento, mas um desembolso financeiro, isto é, um benefício que passa a integrar o capital de giro do negócio, portanto, integra a base de cálculo do tributo para o presente caso. É que com a redução do ICMS a recolher a Recorrente inevitavelmente auferiu receitas decorrentes de recuperação de custos ou despesas que, como visto, não integra a lista exaustiva das exclusões da base de cálculo da contribuição em apreço no §2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, motivo pelo qual rejeito a argumentação da Recorrente. (...) No caso em discussão, a impropriedade de sua classificação como subvenção para investimento avulta da leitura da documentação acostada aos autos, da qual inequivocamente se conclui não haver qualquer exigência para que os recursos recebidos dos cofres do Estado do Ceará sejam obrigatoriamente aplicados .na aquisição de ativos necessários à implantação ou à expansão do parque fabril da autuada. A despeito do acórdão paradigma mencionar o artigo 3º, §2º, da Lei nº 9.718/1998 e tratar de COFINS, este define o que são subvenções para investimento, definição que depende de interpretação de norma comum para o IRPJ e COFINS. Tanto assim que o Fl. 597DF CARF MF Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 9101003.471 CSRFT1 Fl. 594 9 acórdão paradigma analisa o Parecer Normativo CST 112/78 e o artigo 15, do DecretoLei nº 1.598, que tratam de requisitos para a caracterização da subvenção para investimentos. Ressalto que o mesmo paradigma constou em recurso da Procuradoria julgado em 13/09/2017 (acórdão 9101003.084), em processo de minha relatoria, tratando de benefício similar do Estado da Bahia, denominado BAHIAPLAST. À ocasião, a maioria do Colegiado entendeu pelo conhecimento do recurso. Rejeito, ainda, alegação do contribuinte de falta de cotejo analítico, considerando que o Recorrente confrontou os julgamentos (recorrido e paradigma), sem que seja exigido usualmente por esta Turma da CSRF rigor excessivo no cumprimento do requisito do artigo 67, § 8º, do RICARF atual (Portaria MF nº 343/2015) e do artigo 67, §6º, do RICARF anterior (Portaria MF nº 256/2009) – vigente ao tempo da interposição de recurso especial. Por fim, não haverá reexame de prova, pois é possível a análise da legislação federal enfrentada pelos acórdãos (recorrido e paradigma), para conclusão por esta Turma a respeito da sua interpretação. Diante disso, voto por conhecer o recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, Redatora Designada Com respeito ao posicionamento da conselheira relatora, desenvolvese posicionamento distinto na análise do conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, que delimitou como objeto divergência em relação ao acórdão paradigma n. 20400.420, na medida em que, por suas palavras, "a Câmara a quo entendeu que incentivo de redução do ICMS concedido pelo Estado às pessoas jurídicas configura redução subvenção de investimento, enquanto o Acórdão Paradigma entendeu que tal incentivo configura subvenção para custeio". Para fundamentar sua colocação, deduziu argumentos no sentido de diferençar subvenção para investimento de subvenção para custeio, voltandose, ao final, ao caso concreto para concluir não haver qualquer exigência para que os recursos recebidos dos cofres do Estado da Bahia fossem obrigatoriamente aplicados na aquisição de ativos necessários à implantação ou expansão do parque fabril da autuada, devendo assim receber o tratamento de subvenções para custeio e, como tais, serem tributados pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica. Leiase: Fl. 598DF CARF MF 10 "III – DO MÉRITO Da possibilidade de tributação dos recursos oriundos do incentivo de redução do icms, ante a sua natureza de subvenção para custeio. A empresa em epígrafe é beneficiária de subvenção fiscal concedida pelo governo da Bahia referentes aos estornos do ICMS em virtude de incentivo fiscal concedido pela Lei nº 7.980/2001 e do Decreto nº 8.205/2002, conforme escriturado no livro Registro de apuração do ICMS. Ocorre que a fiscalização constatou que o contribuinte contabilizou os valores referentes à redução do ICMS como subvenção para investimento – quando o correto seria escriturar tais valores como subvenção para custeio – o que acarretou uma redução indevida do lucro tributável no períodobase de 2006, razão pela qual foi lavrado auto de infração para cobrança de IRPJ CSLL e reflexos. Irresignada, a Contribuinte impugnou a autuação, argumentando que o benefício fiscal recebido teria natureza de subvenção para investimento e que, portanto, não se sujeitaria à tributação. Como o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador a contribuinte interpôs recurso voluntário repisando os mesmos argumentos expostos na impugnação ao qual foi dado provimento. Data vênia , o acórdão proferido pela 1ª Turma não merece prosperar. Conforme restará demonstrado, a subvenção fiscal concedida pelo Estado da Bahia por meio do programa DESENVOLVE previsto na Lei nº 7.980/2001 e no Decreto nº 8.205/2002, enquadrase na modalidade de subvenção para custeio, razão pela qual deve ser computada na determinação do lucro real. Considerando que a questão em debate cingese, fundamentalmente, a saber se os estornos de ICMS têm natureza de subvenção para custeio ou de subvenção para investimento, cumpre, inicialmente, estabelecer as diferenças entre esses dois tipos de incentivo. Essa distinção revelase relevante porque o tratamento tributário dado a esses dois tipos de auxílio financeiro concedido pelo Estado é bastante diferente. Enquanto as subvenções para custeio integram o lucro operacional, sujeitando se à tributação, as subvenções para investimento podem ser excluídas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Assim, somente as subvenções para investimento terão suas verbas registradas diretamente nas contas do patrimônio líquido. Os recursos referentes às demais subvenções transitarão pelas contas de resultado, isto é, serão receitas para fins da legislação societária. É o que se depreende dos artigos 392, I, e 443 do Regulamento do Imposto de Renda. In verbis: (...) Examinando o assunto, a Coordenação do Sistema de Tributação da SRF expediu o Parecer Normativo (PN CST) nº 112/78, o qual esclarece que a legislação do imposto de renda divide as subvenções em “para custeio” e "para investimento". A primeira seria um auxílio para as despesas, a segunda, um auxílio para a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos: (...) A destinação dos recursos recebidos, portanto, é importante na determinação da aludida subvenção, que se caracteriza pela aplicação dos recursos correspondentes na implantação ou expansão de empreendimento econômico. (...) Superada a fase de conceituação dos institutos, cabe analisar as características dos benefícios fiscais – materializados na forma de redução do ICMS. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 9101003.471 CSRFT1 Fl. 595 11 A partir da leitura da documentação acostada aos autos concluise não haver qualquer exigência para que os recursos recebidos dos cofres do Estado da Bahia sejam obrigatoriamente aplicados na aquisição de ativos necessários à implantação ou à expansão do parque fabril da autuada. De forma geral, como bem ressaltou a DRJ, o tratamento tributário dado às receitas decorrentes do crédito presumido do ICMS sempre foi no sentido de que se inserem entre as subvenções para custeio e, como tal, devem ser tributadas pelo imposto de renda das pessoas jurídicas. E a Lei nº 7.980/2001 e o Decreto nº 8.205/2002, que dispõe sobre o pagamento do ICMS relativo ao recebimento, do exterior, de componentes, partes e peças destinados à fabricação de produtos de informática, eletrônica e telecomunicações, por estabelecimentos industriais desses setores, não há qualquer mecanismo de vinculação entre os valores obtidos com o benefício fiscal do ICMS e a aplicação específica desses recursos em bens ou direitos ligados à implantação ou expansão do empreendimento econômico. Inconteste, pois, que o benefício fiscal concedido pelo programa DESENVOLVE ostenta a natureza de subvenção para custeio. Assim sendo, devem ser computadas na determinação do lucro operacional, sujeitandose à tributação." O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade, que compreendeu presente a divergência apontada, nos seguintes termos: "Examinando o acórdão paradigma verificase que traz o entendimento de que nem toda isenção e/ou redução de imposto se caracteriza como subvenção para investimento, como ocorre com a isenção e/ou redução do ICMS que evidencia, antes, um não desembolso financeiro, isto é, um benefício que passa a integrar o capital de giro do negócio. O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que os incentivos concedidos pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Lei nº 7.980, de 2001, que instituiu o Programa DESENVOLVE, com o objetivo de estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados se constituem em subvenções para investimentos, pois condicionadas, a novos investimentos visando aumento da produção, desenvolvimento tecnológico, competitividade, geração de empregos e integração de cadeias produtivas e de comercialização. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN." Se retomado o acórdão recorrido, verificase que seu critério de decidir, de fato, foi a análise específica dos termos em que concedidos os incentivos pelo Programa DESENVOLVE, instituído pelo Governo do Estado da Bahia por meio da Lei n. 7.980/2001, concluindo trataremse de subvenções para investimentos, pois expressamente condicionados, como o título sugere, a novos investimentos visando ao aumento da produção, competitividade, geração de empregos e integração de cadeias produtivas e de comercialização: Fl. 600DF CARF MF 12 "Não se questionam os argumentos da recorrente de que, no caso concreto, o projeto habilitado junto ao Estado da Bahia foi o de expansão do parque industrial da INAL Nordeste S/A, que vem se ultimando no decorrer dos anos e que, só no período fiscalizado (2006 e 2007), elevou suas contas ativas de "Terrenos" de R$ 100.000,00 para R$ 1.773.752,00, de “Edifícios e Construções" de R$ 7.036.027,69 para R$ 17.540.934,20, e de "Equipamentos, Máquinas e Instalações Industriais", conforme demonstrado em suas declarações de fls. 130 a 170. Interessa definir, para o presente julgamento, é se o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica – DESENVOLVE, editado pelo Governo do Estado da Bahia, procurou estimular a instalação de novos investimentos e expansão e modernização dos já existentes, situação em que os benefícios concedidos constituiriamse em subvenções para o investimento ou se se constituem em subvenções correntes para o custeio. Neste sentido, necessário que se analise as finalidades e eventuais encargos ou obrigações determinados na Lei nº 7.980, de 2001, do Estado da Bahia, e pelo Decreto nº 8.025, de 2002, que regulamentou a referida lei. Nestes sentido, destacamse os seguintes dispositivos da lei referida: (...) Pelo que se extrai da conjugação dos arts. 1º, 3º e 8º, acima transcritos, o benefício concedido pelo Estado da Bahia tem por objetivo fomentar e diversificar a matriz industrial e agroindustrial do Estado da Bahia, assim compreendido pela instalação de novas indústrias, expansão das já existentes com aumento de investimentos permanentes de, no mínimo, 30% na produção física em relação a produção obtida nos 12 meses anteriores, retomada de estabelecimento industrial cujas atividades estejam paralisadas há mais 12 meses, modernização com incorporação de novas tecnologias que resultem aumento significativo de competitividade, além da geração de empregos, desconcentração espacial dos adensamentos industriais e integração de cadeias produtivas e de comercialização, conforme previsto no artigo 8º, incisos I, II, e III, antes transcritos. Ao se analisar o Decreto nº 8.205, de 2002, que aprovou o regulamento do Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia – DESENVOLVE, instituído pela Lei nº 7.980, de 12 de dezembro de 2001, do Estado da Bahia, verificase que cabe ao Conselho Deliberativo do citado programa aprovar os projetos propostos, estabelecendo condições e acompanhar a execução, implantação, expansão reativação e evolução dos níveis de produção e emprego. Neste sentido, destaco o que consta do artigo 7º, I e II, do referido Regulamento: (...) Verifico, ainda, que nos termos dos artigos 8º e 9º do citado regulamento, a empresa interessada em participar do programa deve apresentar Carta Consulta com informações básicas do projeto e, se acolhido, após esta deverá apresentar projeto completo do empreendimento. Mais, pelo disposto no artigo 16 do Regulamento, a manutenção dos incentivos é condicionada à comprovação contábil e física do investimento projetado, comprovado por laudo de inspeção da Secretaria Executiva do Programa. Neste sentido destaco os artigos 16 e 17, da norma antes referida, a seguir transcritos: (...) Fl. 601DF CARF MF Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 9101003.471 CSRFT1 Fl. 596 13 Por fim, ainda observo que, a teor do artigo 21 do citado regulamento, qualquer alteração no projeto que implique em modificação dos critérios inicialmente estabelecidos deverá ser comunicado à autoridade competente, para avaliação. Da análise que faço do caso concreto, os incentivos concedidos pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Lei nº 7.980, de 2001, que instituiu o Programa DESENVOLVE, não se tratam de subvenções correntes para custeio e sim subvenções para investimentos, pois condicionadas, de forma expressa, a novos investimentos visando aumento da produção, competitividade, geração de empregos e integração de cadeias produtivas e de comercialização. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento." (destacouse) Por seu turno, observase que o acórdão paradigma, seja em sua ementa que particularmente, há que se dizer, mais se assemelha ao voto proferido pela conselheira relatora Sandra Barbon Lewis, considerada vencida no resultado do julgamento e também pela introdução do redator designado, embora ambos tenham negado provimento ao recurso da contribuinte , seja nas razões do voto vencedor, não guarda paralelismo com a decisão recorrida. Vejase cada um deles: Ementa: "NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. VIA ADMINISTRATIVA. DESISTÊNCIA. A opção pela via judicial configurase desistência da via administrativa. Inexiste dispositivo legal que permita a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, a administrativa e judicial. A decisão administrativa seria inócua perante a judicial. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A análise da legalidade ou constitucionalidade de uma norma legal está reservada privativamente ao Poder Judiciário, conforme previsto nos arts. 97 e 102, III, b, da Carta Magna, não cabendo, portanto, à autoridade administrativa, apreciar a constitucionalidade de lei, limitandose tão somente a aplicála. Nos termos do art. 22A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, é defeso aos Conselhos de Contribuintes afastar lei vigente em razão de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos expressos no referido ato normativo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente serão nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com cerceamento do direito de defesa, conforme definido no inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. A autuação está perfeitamente motivada e justificada, conforme demonstram o seu teor e os documentos que a acompanham, não tendo se caracterizado prejuízo ao direito de defesa do autuado. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. A COFINS incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, nelas se incluindo as advindas de aplicações financeiras, inclusive as variações cambiais ativas, uma vez que inexiste dispositivo legal que possibilite suas exclusões da base de cálculo. As variações cambiais ativas de direitos e obrigações em moeda estrangeira compõem a base de cálculo da Cofins e, se Fl. 602DF CARF MF 14 tributadas pelo regime de competência, devem ser reconhecidas a cada mês, independentemente da efetiva liquidação das operações correspondentes. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. ISENÇÕES E REDUÇÕES DE IMPOSTOS. Nem toda isenção e/ou redução de imposto se caracteriza como subvenção para investimento, como ocorre com a isenção e/ou redução do ICMS que evidencia, antes, um nãodesembolso financeiro, isto é, um benefício que passa a integrar o capital de giro do negócio. Recurso negado." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COTECE S.A. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sandra Barbon Lewis (Relatora), Flávio de Sá Munhoz, Rodrigo Bemardes de Carvalho e Gustavo de Freitas Cavalcanti Costa (Suplente). Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o voto vencedor." (destacouse) Voto da conselheira relatora: "VOTO DA CONSELHEIRA RELATORA SANDRA BARBON LEWIS Sendo tempestivo o recurso, passo a decidir. A controvérsia cingese à eventual ocorrência de cerceamento de defesa no procedimento administrativo fiscal, bem como irregularidades no mesmo procedimento, por vício formal, o que ocasionaria a nulidade do procedimento administrativo fiscal; a inconstitucionalidade da Lei n° 9718/98 e Emenda Constitucional n° 20/98, determinação da base de cálculo do tributo em análise e benefício fiscal, o que implicaria na improcedência do lançamento. (...) Subvenções para Investimento. Isenções e Reduções de Impostos. A redução do ICMS imposto não se caracteriza como subvenção para investimento , mas, nãodesembolso financeiro, isto é, um benefício que passa a integrar o capital de giro do negócio, portanto, integra a base de cálculo do tributo para o presente caso. É que com a redução do ICMS a recolher a Recorrente inevitavelmente auferiu receitas decorrentes da recuperação de custos ou despesas que, como visto, não integra a lista exaustiva das exclusões da base de cálculo da contribuição em apreço no § 2° do art. 3° da Lei n° 9718/98, motivo pelo que rejeito a argumentação da Recorrente. Conclusão Ante o exposto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso , para manter a decisão recorrida em todos os seus termos, confirmandose o lançamento efetuado contra a Recorrente." Voto do redator designado: "VOTO DO REDATOR DESIGNADO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fui designado relator no presente processo em virtude da divergência que se estabeleceu na Câmara quanto às duas matérias de que trata o recurso da empresa, a saber, a inclusão na base de cálculo da Cofins das variações Fl. 603DF CARF MF Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 9101003.471 CSRFT1 Fl. 597 15 cambiais e dos recursos repassados pelo Governo do Estado do Ceará como incentivo à implantação de empresas. (...) Quanto à segunda matéria, se refere ao correto enquadramento contábil das subvenções e, por decorrência, à incidência da Cofins. O primeiro registro do tema pode ser encontrado na norma legal que tratava dos lançamentos contábeis para efeito de exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, antes da edição da Lei n° 6.404/76 (Lei das SA), ou seja, a Lei n° 4.506/64. Assim dispunha: Art. 44. (...) Art. 38 (...) Examinando o assunto, a Coordenação do Sistema de Tributação da SRF expediu o Parecer Normativo (PN CST) n° 112/78, que esclareceu os requisitos para que as subvenções recebidas possam ser tratadas como para investimento, permitindose o seu lançamento direto em conta de reserva de capital sem transitar pelo resultado do período. Assim, tomando como referência o PN CST n° 02/78, adotou o seguinte entendimento: 2.12 — Observase que a subvenção para investimento apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Mais adiante em seu item 2.14: ... As SUBVENÇÕES, em princípio, serão todas elas, computadas na determinação do lucro líquido: as subvenções para custeio ou operação, na qualidade de integrantes do resultado operacional; as subvenções para • investimento, como parcelas do resultado nãooperacional. Resta ainda definir se essa inclusão das subvenções no resultado operacional, se de custeio, e nãooperacional, se para investimento, implica sua tributação pela COFINS, após a edição da Lei n° 9.718/98. É que entendem algtms que, mesmo integrando o resultado operacional, não se conformariam a uni conceito de receitas, mais restritivo, que exigiria uma efetiva contraprestação em bens ou serviços por parte da recebedora dos recursos. Essa linha de raciocínio pretende estabelecer uma distinção entre acréscimo patrimonial, o gênero, e receitas, definindoas como espécie daquele, que incluiria ainda as recuperações de despesas, as subvençõese — as —doações. Podese encontrar na— literatura contábil exemplo (embora aparentemente isolado) de tal definição, na seguinte conceituação: Receita é a expressão monetária, validada pelo mercado, do agregado de bens e serviços da entidade, em sentido amplo, em determinado período de tempo e que provoca um acréscimo concomitante no ativo e no patrimônio líquido, considerado separadamente. da diminuição do ativo (ou do acréscimo do passivo) e do patrimônio liquido provocados pelo esforço em produzir tal receita. Entretanto, tal definição (ou, melhor dizendo, a interpretação que nela pretenda ver a possibilidade de excluir alguns tipos de acréscimo patrimonial) não encontra guarida nas normas técnicas de contabilidade emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), órgão legalmente habilitado a disciplinar o Fl. 604DF CARF MF 16 exercício da profissão. Com efeito, a Norma Técnica NI3T •,10 subitem 10.16, aprovada pela Resolução CFC n° 922, de 13 de dezembro de 2001 estabelece: (...) Essa determinação do órgão responsável pelo disciplinamento do exercício da , contabilidade no nosso País, ratifica, como não poderia deixar de ser, o que já vem expresso na norma legal específica do assunto, qual seja a Lei n° 6.404/76: Art. 182. (...) Guarda, além disso, e igualmente como não poderia deixar de ser, inteira coerência com as resoluções do mesmo Conselho que definem e explicam os princípios de contabilidade geralmente aceito. (...) Por tudo quanto exposto, não parece haver dúvida de que, sendo as subvenções para custeio, RECEITAS integrantes do subgrupo dos Resultados Operacionais, estão • englobadas no conjunto de elementos contábeis sujeitos à tributação pela Cofins após o advento da Lei n° 9.718/98. No caso em discussão, a impropriedade de sua classificação como subvenção para investimento avulta da leitura da documentação acostada aos autos, da qual inequivocamente se conclusão não haver qualquer exigência para que os recursos recebidos dos cofres do Estado do Ceará sejam obrigatoriamente aplicados .na aquisição de ativos necessários à implantação ou à expansão do parque fabril da autuada. Muito ao contrário, a concessão de tais recursos apenas encontra como condições: 1. a implantação do empreendimento no Estado do Ceará; e 2 uma vez implantado, a sua continuidade dentro de padrões de desempenho vagamente definidos e acompanhados pelo governo do Estado. Por conseguinte, apenas uma alegação quanto à inaplicabilidade do PN CST n° 112/78 poderia socorrer a autuada. Como é cediço, tal argumento não cabe no leque de competências deste Conselho, mormente após a inclusão em seu regimento do art. 22A. Assim, considerando que: 1. as subvenções ora sob exame são classificáveis corretamente como subvenções correntes para custeio; . 2. tais subvenções integram, na condição de receitas, o resultado operacional da empresa; e 3. o §1° do art. 3o da Lei n° 9.718/98 determina a tributação pela Cofins da . totalidade das receitas obtidas pela pessoa jurídica. Voto por negar provimento ao recurso." Observase que em todos os trechos não se está em questão a matéria delimitada como objeto do recurso fazendário, tampouco, e o que seria essencial, o julgamento do mesmo ponto analisado pelo acórdão recorrido, mas com interpretação distinta da lei tributária. Enquanto neste se apreciou as características do Programa DESENVOLVE, instituído pelo Estado da Bahia por meio da Lei n. 7.980/2001, a fim de enquadrálo como subvenção para investimento ou custeio com a conseqüente tributação pelo IRPJ, no acórdão paradigma a questão que se pôs em julgamento referiase à forma de contabilização das receitas classificadas como subvenções para custeio, a partir de incentivo de ICMS concedido pelo Estado do Ceará, no intuito de verificar a incidência da COFINS, conforme a Lei n. 9178/98. Ainda que se pudesse argüir que subjacentes a ambos estaria a forma de compreensão a respeito das subvenções para investimento e custeio, não se vê divergência de posicionamentos, em tese, sobre a classificação de tais incentivos, a exemplo de Fl. 605DF CARF MF Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 9101003.471 CSRFT1 Fl. 598 17 hipoteticamente numa decisão se compreender que haveria a necessidade de condicionamento a novos investimentos para a primeira subvenção e noutro não, mas reiterase, aqui não houve divergência de conceituação. Finalizando o exercício de suposição o que se admite mesmo apenas para fins de argumentação, uma vez que não teria sido desenvolvido no cotejo analítico requerido regimentalmente para a admissibilidade do recurso , também não foi o caso dos dois acórdãos avaliarem um mesmo incentivo ou dois exatamente com as mesma características e classificálos, diferentemente, como subvenção para custeio num e investimento, noutro. Isso certamente demandaria similitude fáctica, também não configurada na presente situação, além de que notadamente este não foi o foco do paradigma, assim como não o foi a análise da situação concreta de preenchimento de requisitos por parte das autuadas, como deixou textualmente consignado, desde o início, a decisão recorrida. Por essas razões, VOTASE POR NÃO CONHECER o recurso especial fazendário. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 606DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10972.000047/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2003, 2004
PIS. OPERADORA DE PLANOS DE SAÚDE - OPS. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA.
É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados.
Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições.
Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016).
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
COFINS. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE - OPS. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA.
É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados.
Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições.
Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016).
Numero da decisão: 3401-004.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão de não ter sido superado o limite de alçada, e da Súmula CARF. n. 103, e em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acolher as deduções referente aos valores repassados aos médicos cooperados. Sustentou pela contribuinte o advogado Aylan César de Melo Júnior, OAB/MG 112.670.
Rosaldo Trevisan Presidente
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Marcos Roberto das Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes).
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2003, 2004 PIS. OPERADORA DE PLANOS DE SAÚDE - OPS. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 COFINS. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE - OPS. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-05-01T19:54:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-05-01T19:54:20Z; Last-Modified: 2018-05-01T19:54:20Z; dcterms:modified: 2018-05-01T19:54:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:877e622e-a2b6-4eca-b08c-8430363d79d6; Last-Save-Date: 2018-05-01T19:54:20Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-05-01T19:54:20Z; meta:save-date: 2018-05-01T19:54:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-05-01T19:54:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-05-01T19:54:20Z; created: 2018-05-01T19:54:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2018-05-01T19:54:20Z; pdf:charsPerPage: 1808; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-05-01T19:54:20Z | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2.655 1 2.654 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10972.000047/200803 Recurso nº 34.010.04378 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3401004.447 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2018 Matéria PIS e COFINS Recorrentes UNIMED ARAXÁ COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2003, 2004 PIS. OPERADORA DE PLANOS DE SAÚDE OPS. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 COFINS. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE OPS. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 00 00 47 /2 00 8- 03 Fl. 2655DF CARF MF 2 É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão de não ter sido superado o limite de alçada, e da Súmula CARF. n. 103, e em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acolher as deduções referente aos valores repassados aos médicos cooperados. Sustentou pela contribuinte o advogado Aylan César de Melo Júnior, OAB/MG 112.670. Rosaldo Trevisan – Presidente André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Marcos Roberto das Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes). Relatório Trata o presente processo de autos de infração (efl. 10 e seguintes), referentes ao PIS e COFINS, de 1999 a 2004, por falta/insuficiência de seus recolhimentos, juros de mora e multa de ofício (75%). Apresentou impugnação (efls. 910 e seguintes), dizendo: 1) Jurídicoeconomicamente e não societariamente , possui roupagem de operadora de planos de saúde, embora de modo societário seja uma cooperativa de trabalho médico, mas que isto não guarda incongruência com o artigo 5°, da Lei 5.764/71; 2) As incidências do PIS/COFINS são reguladas por normas próprias, não cabendo no caso a aplicação por analogia do ato cooperativo (artigo 79 e parágrafo único da Lei 5.764/71), aplicável para os casos de IRPJ/CSLL; Fl. 2656DF CARF MF Processo nº 10972.000047/200803 Acórdão n.º 3401004.447 S3C4T1 Fl. 2.656 3 3) Houve recolhimento da COFINS, somente com relação à operação com não associados (ato não cooperado), janeiro a dezembro/99, conta 41020010005, bem como para os anos de 2000 e 2001; 4) A fiscalização utilizou base de cálculo que não se aplicava às sociedades cooperativas, como custos dos serviços de laboratórios, hospitais, clínicas, descontos concedidos e Fates; 5) Obteve liminar, e posteriormente, sentença nos autos do mandado de segurança 2000.38.02.004008, confirmando o direito ao recolhimento da COFINS, nos termos da LC 70/91, fazendo com que continuasse a recolher a referida contribuição sobre os atos não cooperados, razão pela qual as planilhas apresentadas pela fiscalização deveriam seguir a base de cálculo com as exclusões admitidas; 6) A receita da operadora, cooperativa médica, é a taxa de administração pelo agenciamento da operacionalização dos planos de saúde; 7) Decadência de 07/1999 a 12/2003, contandoa nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, vez que a Lei 8.212/91, não poderia fixar prazo decadencial por não ser LC, como é o caso do CTN, o qual possui status de LC; 8) A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS/COFINS para o período de janeiro de 1999 a novembro de 2001; 9) A legalidade da dedução das sobras da base de cálculo do PIS/COFINS, antes da destinação para a constituição do fundo de reserva e do fundo de assistência técnica, educacional e social, de acordo com o artigo 1° da Lei 10.676/2003 e artigo 28 da Lei 5.764/71, respectivamente; 10) Direito de calcular e recolher a COFINS, período de dez/2001 a dez/2004, deduzindo os eventos indenizáveis e efetivamente pagos relacionados à assistência à saúde que tem cobertura contratual, definido no Plano de Contas Padrão ANS (RN 147/07 e IN/ANS 09/2007); 11) Improcedência do auto de infração sobre as vendas de medicamentos (setembro/2003 a dezembro/2004). Aditou a impugnação às efls. 1.043 e seguintes, enfatizando: a) A decadência, por conta da Súmula Vinculante 8 do STF, estando caducas as exigências de 1992 a 2002; e, em relação aos meses de janeiro a abril de 2003, conforme reconhecido pela autora, foram feitos pagamentos parciais, devendo a contagem ser feita a partir do fato gerador, e portanto, estendida de 01/01/1999 a 30/04/2003. b) Não tributação do ato cooperativo, de acordo com o entendimento do STJ (AgRg no RESp. 823.934/MG) e do CARF (acórdãos CSRF/0104.454 e 0105.741). c) Deduções previstas no § 9°, da Lei 9.718/98 não questionadas pela fiscalização. d) A demasiada importância que o relatório fiscal do AI deu às decisões judiciais proferidas nos autos 2000.38.02.0004008 (COFINS) e 2000.38.02.0004010 (PIS). Entretanto, a inconstitucionalidade do artigo 3°, § 1°, da Lei 9.718/98 foi reconhecida pelo STF, devendo, esta, prevalecer, devendo ser a Administração Pública cumprir o verbete da Súmula, nos termos do artigo 2°, da Lei 11.417/2006. Fl. 2657DF CARF MF 4 e) Venda de medicamentos pela filial (farmácia Unimed), incluída na base de cálculo da autuação, esta foi beneficiada pela alíquota zero do PIS/COFINS, não cabendo a pretendida incidência. A DRJ de Juiz de Fora/MG, às efls. 1.084 e seguintes, à unanimidade de votos, julgou procedente em parte da impugnação, a partir da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Com a edição da Súmula Vinculante n.° 8, do STF, a constituição dos créditos da seguridade social, ai incluídos a Cofins e o PIS/Pasep, passa a obedecer as regras contidas no CTN, observando quando da existência de pagamento antecipado àquela contida no § 4° do art. 150 e, na ausência de pagamento, àquela contida no art. 173, I, do CIN. BASE DE CALCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999 a base cálculo da Cofins e do PIS/Pasep é a receita bruta proveniente de atos cooperativos e nãocooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência A saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc, para fins de apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. ALARGAMENTO DA BASE DE CALCULO. COISA JULGADA. DECISÃO DO STF SEM EFICÁCIA ERGA OMNES. A luz do Código de Processo Civil, a "sentença faz coisa julgada as Partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros". As decisões do STF, sem eficácia erga omnes, declarando a inconstitucionalidade do § 10 do art. 3° da Lei n.° 9.718/98, não tem o condão de afastar a coisa julgada feita, entre as partes, de modo diverso ao decidido pela Suprema Corte. RECEITA DE VENDA DE MEDICAMENTOS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. ALÍQUOTA ZERO. Devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições os valores relativos As receitas de venda de medicamentos, uma vez que, nos períodos em que essas receitas foram lançadas, as pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador tiveram a alíquota reduzida a zero, em virtude da sistemática de tributação concentrada. Fl. 2658DF CARF MF Processo nº 10972.000047/200803 Acórdão n.º 3401004.447 S3C4T1 Fl. 2.657 5 Às efls. 1.117 e seguintes interpôs recurso voluntário, reiterando o que já defendera em sua impugnação, no tocante: (1) valores repassados aos médicos cooperados é ato cooperado típico, e assim, não se deve tributar o PIS/COFINS; (2) devem ser deduzidos os valores repassados aos médicos, nos termos do § 9°, do artigo 3° da Lei 9.718/98 e de acordo com o AgRg no RESp. 645.261/MG; (3) devem ser deduzidos os valores efetivamente pagos. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos, relator O recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Com relação ao recurso de ofício, o valor não superou o limite de alçada, por corolário, com fundamento na Súmula CARF. n. 103, dele não se conhece. Passese a análise do mérito. I. DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO As sociedades cooperativas são reguladas pela Lei 5.764/71, recepcionada pela Constituição Federal com força de lei complementar, havendo incentivo à criação de sociedades cooperativas, nos termos dos artigos 5o, XVIII, 146, III, "c", 170 e 174, § 2°: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XVIII a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: Fl. 2659DF CARF MF 6 Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. § 2º A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo. Como é de sabido as sociedades cooperativas possuem forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil não sujeitas à falência e são constituídas para prestar serviços aos seus associados, como preceitua o artigo 4° da Lei 5.764/71. Tais sociedades são formadas por grupos de pessoas com o intuito de cooperar entre si, visando o proveito comum e sem fins lucrativos (artigo 3° da Lei 5.764/71), cujas sobras voltam, direta ou indiretamente para quem gerou a fonte de receita. Portanto, com estas brevíssimas considerações, percebese a singularidade desta espécie de sociedade, o que a diferencia, digase de passagem, das sociedades comerciais, por exemplo. II. DO ATO COOPERATIVO. A DIFERENÇA ENTRE ESTE E UMA ATIVIDADE EMPRESARIAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO DO PIS E DA COFINS O conceito de ato cooperativo, por seu turno, encontra arrimo no artigo 79 da Lei 5.764/71: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Vêse que o chamado ato cooperativo é aquele praticado entre a cooperativa e seus associados, ou seja, atos "típicos", "diretos","internos", conforme dicção do caput do artigo 79 acima, estes, não implicando operação e mercado, leiase, ato de mercancia, assim entendido, uma mudança de titularidade de um bem (material ou imaterial) a um terceiro não associado, de acordo com a exegese do parágrafo único, do mesmo dispositivo legal. Entrementes, esta disposição não é isentiva, mas declaratória da nãoincidência, como, precisamente, nos ensina o professor Renato Lopes Becho, in RDDT 41/85. Deste modo, se a Cooperativa presta um serviço para si mesma, ou melhor dizendo, para seus associados, não há se falar em faturamento1 ou receita típica para fins de incidência do PIS e da COFINS. Haverá prestação de serviços quando houver uma obrigação 1 Faturamento é o conjunto de faturas emitidas, a soma dos contratos de venda (de mercadoria e/ou serviço, por exemplo), logo, a cooperativa não realizando contratos de venda não haverá incidência do PIS e da COFINS (Renato Lopes Becho, Na Tributação das Cooperativas, Dialética, 1999). Noutro falar, somente haveria a incidência das referidas contribuições, caso a cooperativa prestasse serviço para um terceiro não associado, cujo auferimento seria oriundo de "receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza". Fl. 2660DF CARF MF Processo nº 10972.000047/200803 Acórdão n.º 3401004.447 S3C4T1 Fl. 2.658 7 de fazer, um facere para um terceiro neste caso, um terceiro tomador dos serviços, não associado da cooperativa , que, no caso, não há, repetese. A Lei 5.764/71 esclarece que ato praticado por cooperativos a terceiros não associados é renda tributável: Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar. Por outro lado, a Resolução CFC 920/2001, aprovou a Norma Brasileira de Contabilidade NBC T 10 Dos Aspectos Contábeis Específicos em Entidades Diversas Entidades Cooperativas NBC T 10.8, merecendo destaques: 10.8.1.2 – Entidades Cooperativas são aquelas que exercem as atividades na forma de lei específica, por meio de atos cooperativos, que se traduzem na prestação de serviços diretos aos seus associados, sem objetivo de lucro, para obterem em comum melhores resultados para cada um deles em particular. Identificamse de acordo com o objeto ou pela natureza das atividades desenvolvidas por elas, ou por seus associados. 10.8.1.4 – A movimentação econômicofinanceira decorrente do ato cooperativo, na forma disposta no estatuto social, é definida contabilmente como ingressos e dispêndios (conforme definido em lei). Aquela originada do ato nãocooperativo é definida como receitas, custos e despesas. Já o Poder Judiciário, por seu turno, seja pelo STJ (AgRg no Ag 1.418.104/MG, DJe 14/09/2015; EDcl no REsp. 1.382.587/ES, DJe 04/08/2015; AgRg no AREsp. 674.512/SP, DJe 18/05/2015; REsp. 600.458/MG, DJe 17/04/2015), seja por meio do STF (RE 598.085/RJ; RE 599.362/RJ, estes julgados no mérito de repercussão geral, temas 177 e 323, respectivamente), entenderam de maneira pacificada que os atos praticados por cooperativa com terceiros não se inserem no conceito de atos cooperativos, revelandose uma atividade empresarial típica (escusas pela repetição desta expressão, também usada para ato Fl. 2661DF CARF MF 8 cooperativo, porém, de toda proposital, convencido que são atividades típicas, contudo, diversas, cada qual para seus respectivos segmentos), cuja receita auferida está no campo de incidência do PIS e da COFINS. Logo, por exclusão, não há incidência das contribuições nos atos cooperativos. De acordo com o artigo 62, § 2° do RICARF2, diante de decisões de definitivas de mérito em repercussão geral proferidas pelo STF e de repetitivos pelo STJ, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, portanto, seguem as ementas dos RE 598.085/RJ (DJe 10/02/2015, votação unânime) e 599.362/RJ (DJe 10/02/2015, votação unânime), respectivamente: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. COOPERATIVA DE TRABALHO. SOCIEDADE COOPERATIVA PRESTADORA DE SERVIÇOS MÉDICOS. POSTO REALIZAR COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (NÃO COOPERADOS) VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS SUJEITASE À INCIDÊNCIA DA COFINS, PORQUANTO AUFERIR RECEITA BRUTA OU FATURAMENTO ATRAVÉS DESTES ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS. CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE “ATO NÃO COOPERATIVO” POR EXCLUSÃO, NO SENTIDO DE QUE SÃO TODOS OS ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (COOPERADOS), EX VI, PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS TOMADORAS DE SERVIÇO. POSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL (ISENÇÃO DA COFINS) PREVISTO NO INCISO I, DO ART. 6°, DA LC Nº 70/91, PELA MP Nº 1.8586 E REEDIÇÕES SEGUINTES, CONSOLIDADA NA ATUAL MP Nº 2.158 35. A LEI COMPLEMENTAR A QUE SE REFERE O ART. 146, III, “C”, DA CF/88, DETERMINANTE DO “ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO ATO COOPERATIVO”, AINDA NÃO FOI EDITADA. EX POSITIS, DOU PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. As contribuições ao PIS e à COFINS sujeitamse ao mesmo regime jurídico, porquanto aplicável a mesma ratio quanto à definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota), a recomendar solução uniforme pelo colegiado. 2. O princípio da solidariedade social, o qual inspira todo o arcabouço de financiamento da seguridade social, à luz do art. 195 da CF/88, matriz constitucional da COFINS, é mandamental com relação a todo o sistema jurídico, a incidir também sobre as cooperativas. 3. O cooperativismo no texto constitucional logrou obter proteção e estímulo à formação de cooperativas, não como norma programática, mas como mandato constitucional, em especial nos arts. 146, III, c; 174, § 2°; 187, I e VI, e 47, § 7º, ADCT. O art. 146, c, CF/88, trata das limitações constitucionais 2 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 2662DF CARF MF Processo nº 10972.000047/200803 Acórdão n.º 3401004.447 S3C4T1 Fl. 2.659 9 ao poder de tributar, verdadeira regra de bloqueio, como corolário daquele, não se revelando norma imunitória, consoante já assentado pela Suprema Corte nos autos do RE 141.800, Relator Ministro Moreira Alves, 1ª Turma, DJ 03/10/1997. 4. O legislador ordinário de cada pessoa política poderá garantir a neutralidade tributária com a concessão de benefícios fiscais às cooperativas, tais como isenções, até que sobrevenha a lei complementar a que se refere o art. 146, III, c, CF/88. O benefício fiscal, previsto no inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, foi revogado pela Medida Provisória nº 1.858 e reedições seguintes, consolidada na atual Medida Provisória nº 2.158, tornandose tributáveis pela COFINS as receitas auferidas pelas cooperativas (ADI 1/DF, Min. Relator Moreira Alves, DJ 16/06/1995). 5. A Lei nº 5.764/71, que define o regime jurídico das sociedades cooperativas e do ato cooperativo (artigos 79, 85, 86, 87, 88 e 111), e as leis ordinárias instituidoras de cada tributo, onde não conflitem com a ratio ora construída sobre o alcance, extensão e efetividade do art. 146, III, c, CF/88, possuem regular aplicação. 6. Acaso adotado o entendimento de que as cooperativas não possuem lucro ou faturamento quanto ao ato cooperativo praticado com terceiros não associados (não cooperados), inexistindo imunidade tributária, haveria violação a determinação constitucional de que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, ex vi, art. 195, I, b, da CF/88, seria violada. 7. Consectariamente, atos cooperativos próprios ou internos são aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados) na busca dos seus objetivos institucionais. 8. A Suprema Corte, por ocasião do julgamento dos recursos extraordinários 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 15082006, e 346.084/PR, Relator Min. ILMAR GALVÃO, Relator p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 01092006, assentou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços. 9. Recurso extraordinário interposto pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), com fulcro no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal de 1988, em face de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, verbis: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COOPERATIVA. LEI Nº. 5.764/71. COFINS. MP N°. 1.858/99. LEI 9.718/98, ART. 3°, § 1° (INCONSTITUCIONALIDADE). NÃOINCIDÊNCIA DA Fl. 2663DF CARF MF 10 COFINS SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS. 1. A Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998 (DOU de 16/12/1998) não tem força para legitimar o texto do art. 3°, § 1°, da Lei nº. 9.718/98, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação, em 28 de novembro de 1998. 2. É inconstitucional o § 1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG) 3. Prevalece, no confronto com a Lei nº. 9718/98, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins o disposto no art. 2° da Lei n° 70/91, que considera faturamento somente a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. 4. Os atos cooperativos (Lei nº. 5.764/71 art. 79) não geram receita nem faturamento para as sociedades cooperativas. Não compõem, portanto, o fato imponível para incidência da Cofins. (grifei). 5. Em se tratando de mandado de segurança, não são devidos honorários de advogado. Aplicação das Súmulas 512 do STF e 105 do STJ. 6. Apelação provida. (fls. 120/121). 10. A natureza jurídica dos valores recebidos pelas cooperativas e provenientes não de seus cooperados, mas de terceiros tomadores dos serviços ou adquirentes das mercadorias vendidas e a incidência da COFINS, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”, são temas que se encontram sujeitos à repercussão geral nos recursos: RE 597.315RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 02/02/2012, Dje 22/02/2012, RE 672.215RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 29/03/2012, Dje 27/04/2012, e RE 599.362RG, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Dje13122010, notadamente acerca da controvérsia atinente à possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.15833, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1998. 11. Ex positis, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela recorrida com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Ressalvo, ainda, a manutenção do acórdão recorrido naquilo que declarou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta. Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. Fl. 2664DF CARF MF Processo nº 10972.000047/200803 Acórdão n.º 3401004.447 S3C4T1 Fl. 2.660 11 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS Fl. 2665DF CARF MF 12 não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. Cumpre informar ainda, no toada do artigo 62, § 2° do RICARF, citado acima, duas decisões do E. STJ, ambas de 2016, as quais, em sede de recurso representativo de controvérsia, também se manifestaram sobre o tema: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 124), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O Parecer do douto Ministério Público Federal é pelo provimento parcial do Recurso Especial. 5. Recurso Especial parcialmente provido para excluir o PIS e a COFINS sobre os atos cooperativos típicos e permitir a compensação tributária após o trânsito em julgado. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos Fl. 2666DF CARF MF Processo nº 10972.000047/200803 Acórdão n.º 3401004.447 S3C4T1 Fl. 2.661 13 cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. (REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). Demais disso, corrobora e vai ao encontro de tal entendimento, a exegese do artigo 3°, III, § 9°, da Lei 9.718/98 e alterações posteriores. Assim, reduzindose o raciocínio à simplicidade, temse o ponto de corte: ato cooperativo é aquele prestado pela cooperativa em prol de seus associados, por conseguinte, não mercancia, logo, nãoincidência de PIS e da COFINS. Prestação de serviços da cooperativa para terceiros não associados não é ato cooperativo, mas sim uma atividade empresarial, portanto, receita tributável para fins das citadas contribuições. Entendese que os valores repassados aos médicos cooperados são atos cooperativos, e por tal razão, não devem ser tributados pelo PIS/COFINS. Fl. 2667DF CARF MF 14 Neste particular, voto por dar provimento ao recurso voluntário. III. DAS DEDUÇÕES CONTIDAS NO § 9°, III, DO ARTIGO 3° DA LEI 9.718/98 Disse a Recorrente que o referido dispositivo legal estabelece a dedução do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago. Defende que o termo efetivamente pago indica que as deduções devem ser feitas pelo regime de caixa e não pelo regime de competência, o que não foi adotado pela fiscalização. Temse que tal arguição não fora feita expressa e explicitamente em sede de impugnação, o que, agora, neste estágio, implicaria em preclusão, de acordo com o art. 17 dd Decreto 70.235/72, o que não se pode acatar. Deste modo, neste particular, não merece acolhida às razões feitas pela Recorrente. IV. DO SUPOSTO ERRO NA DEDUÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS Diz a Recorrente que houve erro da fiscalização quanto à dedução de pagamentos efetuados (§ 9°, do art. 3°, da Lei 9.718/98), vez que fora levado em consideração dois critérios diferentes (efl. 1.124): 1°) na competência dezembro de 2003, ele deduziu os valores inscritos na coluna "DÉBITO" do balancete da recorrente (doc. anexo); 2°) nos demais meses, foram utilizados os números constantes da coluna "MOVIM PERÍODO" dos balancetes (docs. anexos). Tal argumento não fora articulado em sede de impugnação, sendo apenas agitado no recurso voluntário, logo, temse como matéria preclusa, nos termos do art. 17, do Decreto 70.235/72. Dispositivo Com essas considerações, voto em não conhecer do recurso de ofício, em razão de não ter sido superado o limite de alçada, e em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acolher as deduções referente aos valores repassados aos médicos cooperados. André Henrique Lemos Fl. 2668DF CARF MF Processo nº 10972.000047/200803 Acórdão n.º 3401004.447 S3C4T1 Fl. 2.662 15 Fl. 2669DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002133/2003-29
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
INSTRUÇÃO NORMATIVA. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. OFENSA.
O § 1 ° do art. 4 ° da IN 38/97 ultrapassou os limites legais da norma regulamentada (art. 18 da Lei n. 9.430/96). No caso, não há vedação à aplicac¸a~o do me´todo PRL aos insumos importados.
Numero da decisão: 9101-003.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Fla´vio Franco Corre^a, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Re^go, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Arau´jo, Cristiane Silva Costa, Fla´vio Franco Corre^a, Luis Fla´vio Neto, Viviane Vidal Wagner, Roge´rio Aparecido Gil (suplente convocado em substituic¸a~o a` conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 INSTRUÇÃO NORMATIVA. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. OFENSA. O § 1 ̊ do art. 4 ̊ da IN 38/97 ultrapassou os limites legais da norma regulamentada (art. 18 da Lei n. 9.430/96). No caso, não há vedação à aplicação do método PRL aos insumos importados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Flávio Franco Correâ, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Rogério Aparecido Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 21 33 /2 00 3- 29 Fl. 1488DF CARF MF 2 Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Relatório Tratase de recurso especial interposto por NOVARTIS BIOCIÊNCIAS S.A. (doravante “contribuinte” ou “recorrente”) em face do acórdão n. 140100.065 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 1a Turma Ordinária, 4a Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O acórdão recorrido negou provimento ao recurso e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PRINCÍPIOS ATIVOS IMPORTADOS. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. DETERMINAÇAÕ. Não se aplica, no período autuado, o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) para efeito de determinação do preço de transferência de princípios ativos importados utilizados na produção de medicamentos para consumo final, por configurar produca̧õ de um outro bem. Correta a aplicaca̧õ, pela fiscalização, do método PIC (Preços Independentes Comparados), em estrito cumprimento à legislaçaõ vigente. Foram opostos embargos de declaração pela então i. Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, suscitando que a Turma Ordinária não teria analisado o recurso de ofício que constam nos autos (efls. 822 e seg.). Ao analisar os aludidos embargos, a então 3a Turma Ordinária, 1 Câmara, decidiu declinar de sua competência para a 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento, em decisão assim ementada (efls. 823 e seg.): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS POR CONSELHEIRO. OMISSÃO QUANTO AO JULGAMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos termos do art. 3, §4 do RICARF, nos casos em que o acórdão embargado foi exarado em sessão de julgamento realizada anteriormente à vigência do atual RICARF, os embargos devem ser distribuídos ao Relator do processo, ainda que esteja atuando em outra Turma, desde que a especializaçaõ seja a mesma da Turma anterior. Para a aplicação dessa regra, o Conselheiro designado para redigir o voto vencedor assume a condica̧õ de Relator, devendo os embargos de declaração, portanto, ser julgados pelo colegiado em que esse Conselheiro exerce mandato. Por sua vez, a então 2a Turma Ordinária, 4a Câmara, proferiu decisão assim ementada (efls. 1351 e seg.): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO NÃO APRECIADO. OMISSÃO CONSTITUÍDA. OPOSIÇÃO DE EMBARGOS POR CONSELHEIRO DO COLEGIADO. RECURSO DE OFÍCIO JULGADO E PROVIMENTO NEGADO. OMISSÃO SANADA. SIMILARIDADE DE PRODUTOS NÃO CARACTERIZADA. Em Recuso de Ofício, a Fiscalização entendeu existente a similaridade entre dois princípios ativos (Dabon e Cloxazolan) somente baseada na função destes. Todavia, o artigo 26 da IN SRF no 38/97 nos traz o conceito (vinculante à Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 9101003.600 CSRFT1 Fl. 752 3 fiscalização) de similaridade. Prevê o dispositivo que a similaridade entre dois ou mais bens somente se constituirá quando atendidos concomitantemente os seguintes fatores: mesma natureza, substituição mútua e equivalência de especificações. Consequentemente, cabe manter a exoneração do crédito tributário, posto que a similaridade não subsistiu, já que fundamentada somente na função dos produtos. O contribuinte interpôs, então, recurso especial, requerendo a reforma dos referidos acórdãos (efls. 1377 e seg.). O referido recurso foi admitido por despacho (efls. 1467 e seg.) A PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial, nas quais, embora não se oponha ao seu conhecimento, requer lhe seja negado provimento (efls. 1473 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos para a admissibilidade do recurso especial, razão pela qual não merece reparos. Quanto ao mérito, compreendo que os acórdãos indicados como paradigmas de divergência aplicaram o melhor direito, merecendo reforma o acórdão recorrido. Nesse sentido, adoto como razões de decidir os fundamentos do acórdão n. 9101001.429, desta e. CSRF, in verbis: “A questão a ser analisada reside em saber se o § 1 ̊ do art. 4 ̊ da IN 38/97 encontra amparo na Lei n° 9.430/96, para tanto vejamos como dispõe a referida instruçaõ: "Art. 4o Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, servico̧s ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção exceto na hipótese do § 1o, independentemente de prévia comunicaçaõ à Secretaria da Receita Federal. § 1o A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pelo própria empresa importadora, na producã̧o de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam os arts. 6° e 13. ........................................................................................................" Como se verifica, o § 1 ̊ do art. 4 ̊ da IN 38/97 vedou a adoção do método PRL quando o produto importado fosse utilizado na produção de outro bem, servico̧ ou direito, pois, nesse caso, a referida instrução obrigava a adoção do método PIC ou CPL. Cabe, então, saber se tal limitaçaõ encontra amparo na norma de regência da mateŕia art. 18 da Lei n ̊ 9.430/96. De certa forma, tal questão, senão já pacificada por este Colegiado, está em vias de sêlo, pois a ilegalidade do § 1 ̊ do art. 4 ̊ da IN 38/97 é verificável ictu oculi do simples cotejo com o teor do art. 18 da Lei n ̊ 9.430/96, se não vejamos Fl. 1490DF CARF MF 4 como dispõe: determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC:...; ............................................................................................... II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: ....... ............................................................................................... III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL" O art. 18 da Lei n ̊ 9.430/96, acima transcrito na sua redação original, faculta ao contribuinte que não esteja em procedimento de fiscalização a adoção de qualquer um dos métodos ali previsto, para realizar os ajustes de preços de transferência. Da mesma forma, caso o contribuinte naõ realize espontanemente os ajustes de preços de transferência, a autoridade fiscal poderá, em procedimento de fiscalização, adotar qualquer um dos métodos do art. 18. Destarte, o § 1 ̊ do art. 4 ̊ da IN 38/97 desbordou dos limites legais da norma regulamentada, ao criar a limitação para a adoção do método PRL, em verdadeira afronta ao princípio da legalidade. Ademais, as alegacõ̧es da PFN de que haveria a impossibilidade de uso do PRL, por ele não isolar o custo do bem importado, resta baldada, quando verificamos que isso seria apenas uma questão de calibragem de percentual, o que viria a ser solucionado posteriormente com a introduca̧õ do PRL 60. Todavia, não havia a impossibilidade de aplicacã̧o do PRL para insumos importados, sendo que a eventual falta de calibragem do percentual legal não poderia justificar a vedação de tal método, pois que em total desalinho com o texto legal então vigente.” Adoto, ainda, os fundamentos do acórdão n. 9101001.429, também proferido por esta e. CSRF, in verbis: “A questão submetida à apreciacã̧o deste Colegiado cingese em saber se: i) a Lei n. 9.430/1996 veda a utilização do método PRL na apuraçaõ de eventuais ajustes de preços de transferência, referentes a insumos aplicados a ̀producã̧o; e se ii) a regra prevista no art. 4o, § 1o da IN SRF no 38/1997 está conforme o art. 18 da Lei no 9.430/1996. No que interesse a esta discussão, fazse necessária a transcrição dos seguintes dispositivos: Lei n. 9.430/1996 “(...) Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importaca̧õ ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: / Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, iden̂ticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; 1 /// Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 9101003.600 CSRFT1 Fl. 753 5 similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 1° As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e li e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. § 2° Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. § 3° Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. §4° Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5° Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 6° Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. (...)” (destacouse) Instrução Normativa SRF no 38/1997 “Art. 4o Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção exceto na hipótese do § 1°, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. § 1o A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pelo própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam os arts. 6o e 13. 2 (...) “ (destacouse) Do exame literal dos termos do enunciado do caput do art. 18 e de seus incisos e parágrafos, concluise inexistir qualquer restrição ao emprego do método PRL para apuração dos eventuais ajustes de preços de transferência, referentes à bens importados aplicados à produção. E, desta forma, a restrição prevista no art. 4o, § 1o da IN SRF 38/1997 não encontra amparo legal, indo além do que se permite aos atos normativos infralegais. Com efeito, os dispositivos citados estabelecem para o contribuinte a obrigatoriedade de adoção de um dos métodos a ser observado na dedução dos custos referentes a produtos adquiridos de empresa vinculada no exterior. No entanto, instituiu a possibilidade (faculdade jurídica – direito) do contribuinte optar por um dos três métodos de apuração do preço de transferência. Conforme a dicção do referido art. 18, "os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos". Por outras palavras, foi conferida Fl. 1492DF CARF MF 6 ao contribuinte a faculdade (direito) de optar por um dos métodos previstos na legislação aplicável e esta opção poder recair sobre o método que lhe for mais favorável, conforme dispõe o § 4o do art. 18 da Lei no 9.430/96. De fato, o legislador definiu quais seriam os critérios e regras a serem observadas na utilização dos preços de transferência, e nesse ponto não impôs qualquer condição a ser observada pelos contribuintes na escolha do método a ser utilizado. Entretanto, a IN SRF no 38/97, ato de natureza infralegal, instituiu restrição às opções facultadas pela lei ao contribuinte. Segundo o disposto no seu art. 4o, § 1o "a determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pela própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam os arts. 6o e 13". Desta forma, mesmo sem amparo legal, a norma administrativa limitou a escolha do contribuinte, para os casos de emprego, utilização ou aplicação dos bens importados na produção de outro bem, aos métodos do Preço Independente Comparado (PIC) e ao do Custo de Produção mais Lucro (CPL), não admitindo a utilização do método PRL. Como se vê, é flagrante a contrariedade entre a norma administrativa e o disposto no art. 18 da Lei, o qual deveria apenas regulamentar. Ademais, corroborando o entendimento de que inexiste qualquer restrição à opção do contribuinte pelos métodos previstos no referido art. 18 da Lei, temse que as alterações introduzidas pela Lei no 9.959/2000 não modificaram o direito à utilização do método PRL por empresas que promovam qualquer tipo de agregação de valor ao bem importado. Ao contrário, as modificações promovidas na redação do art. 18, especificamente no seu inciso II, infirmam o entendimento de que não é aplicável o método do PRL na hipótese de bens importados aplicados à produção. Ou seja, a nova redação do inciso II do art. 18 da Lei deixa claro a possibilidade de opção pelo método PRL pelas empresas que empregam na produção os bens importados de suas vinculadas no exterior. Por fim, devese consignar que este Colegiado já assentou o entendimento de que a limitação à utilização do método PRL imposta pela referida IN desafia os ditames da legalidade tributária, o que acarreta a insubsistência do lançamento que tenha sido com base nela efetuado. Neste sentido, aliás, tem se pronunciado este Colegiado. Confirase os seguintes acódãos, verbis: Acórdão no 910100.280 do Processo 10735.000486/200134 Data 24.08.2009 “PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos métodos descritos no artigo 18 da Lei no 9.430/96. Não pode haver restrição a utilização de qualquer um dos métodos pois tal imposição vai de encontro à previsão contida no capta do artigo 18 "POR UM DOS SEGUINTES MÉTODOS" e à alternativa dada no § 4o, do mesmo artigo.” Acórdão no 910100.487 do Processo 16327.003186/2003 Data 25.01.2010 “PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos métodos Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 9101003.600 CSRFT1 Fl. 754 7 descritos no artigo 18 da Lei no 9.430/96. Não pode haver restrição a utilização de qualquer um dos métodos pois tal imposição vai de encontro à previsão contida no caput do artigo 18 "POR UM DOS SEGUINTES MÉTODOS" e à alternativa dada no § 4o, do mesmo artigo. AJUSTE NA IMPORTAÇÃO. É correta a utilização, pela fiscalização, de qualquer um dos três métodos de ajuste somente quando a empresa não utilizou qualquer método de ajuste previsto na legislação. Quando a empresa efetua o ajuste e intimada, apresenta as planilhas e os documentos que lhes deram origem, cabe a fiscalização tão somente conferir a veracidade dos dados. O período de apuração dos preços médios deve ser o de ocorrência do fato gerador (trimestral ou anual).” Desta forma, conferese aplicação plena ao dispositivo legal, em detrimento das limitações fixadas pela norma hierarquicamente inferior de menor densidade normativa. No caso dos autos, deve, portanto, ser mantido os termos do acórdão recorrido, que decidiu pelo afastamento da exigência, cujo fundamento foi a vedação pela IN da adoção do método PRL pela Contribuinte. Mais recentemente, ainda, este Colegiado da CSRF, ao prolatar os acórdãos n. 9101002.420 e n. 9101002.426, adotou a mesma orientação. Voto, assim, para CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 1494DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901910/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.961
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 19 10 /2 00 8- 11 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13884.901910/200811 Acórdão n.º 3401004.961 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.642, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13884.901910/200811 Acórdão n.º 3401004.961 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13884.901910/200811 Acórdão n.º 3401004.961 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13884.901910/200811 Acórdão n.º 3401004.961 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13884.901910/200811 Acórdão n.º 3401004.961 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 23034.036582/2002-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1999 a 30/11/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. DEFINITIVIDADE DO LANÇAMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Caracterizada a renúncia, declara-se a definitividade do lançamento.
Numero da decisão: 9202-006.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. DEFINITIVIDADE DO LANÇAMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Caracterizada a renúncia, declarase a definitividade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 03 65 82 /2 00 2- 41 Fl. 261DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata da NRD Notificação de Recolhimento de Débito nº 1.086/2003, constituída pelo FNDE Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, referente à Contribuição Social do SalárioEducação, no período de 05/1999 a 11/2002. A empresa ajuizou ação em 2001, pretendendo que fosse declarada a inexigibilidade da citada contribuição, bem como o direito de compensar o que já havia recolhido. Em 2005, foi prolatada a sentença de primeira instância, considerando improcedentes os pedidos. Em 2007 o processo transitou em julgado, mantida a decisão. A cobrança em tela foi iniciada em 06/12/2002, a Notificação para Recolhimento de Débito NRD foi emitida em 03/09/2003 e a Impugnação apresentada pela Contribuinte foi deferida parcialmente pelo FNDE. Em 30/03/2006, a Contribuinte interpôs recurso ao Conselho Deliberativo do FNDE (fls. 90 a 99), requerendo a exclusão do débito ou, ao menos, a redução da contagem dos juros durante o período de discussão administrativa. Nessa fase, por força da Lei nº 11.457, de 2007, o processo foi transferido para a Receita Federal do Brasil (fls. 105). Já no CARF, em sessão plenária de 04/12/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.882 (efls. 129 a 133), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 30/11/2002 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Apresentação de fundamentação legal insuficiente caracteriza vício material. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado." A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, para declarar a nulidade do auto de infração por vício material ante a insuficiência da fundamentação legal apresentada." O processo foi encaminhado à PGFN em 12/01/2015 (Despacho de Encaminhamento de efls. 134) e, em 13/01/2015 (Despacho de Encaminhamento de efls. 155), a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de efls. 135 a 137, suscitando a questão da concomitância do processo administrativo com a ação judicial, porém os aclaratórios foram rejeitados, conforme despacho de 15/09/2015 (efls. 157 a 159). Dessa forma, o processo foi novamente encaminhado à PGFN em 06/01/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 160) e, em 11/01/2016, foi interposto o Recurso Especial de efls. 161 a 165 (Despacho de Encaminhamento de efls. 207), visando rediscutir os seguintes pontos: Fl. 262DF CARF MF Processo nº 23034.036582/200241 Acórdão n.º 9202006.888 CSRFT2 Fl. 262 3 inexistência de nulidade no lançamento; se nulidade houve, tratase de vício formal e não material. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 22/04/2016 (efls. 209 a 214). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: verificase que o Auto de Infração às fls. 42 indica o objeto da acusação, que a base de cálculo, alíquota e crédito tributário devido foram indicados nas planilhas de fls. 46 a 48 e a contextualização da infração restou descrita às fls. 37; ademais, a própria Contribuinte nunca arguiu qualquer nulidade, restringindo sua defesa à inconstitucionalidade da exação e à existência de ação judicial; o acórdão desafiado, contudo, declarou a nulidade, por vício material, em virtude de pretensa insuficiência de tipificação legal; o entendimento esposado pelo acórdão recorrido vai de encontro à jurisprudência majoritária do CARF, visto que declara nulidade sem a comprovação de prejuízo; os arestos paradigmas pontificam que "o erro no enquadramento legal da infração encontrada não acarreta nulidade do auto de infração", bem como "o estabelecimento autuado defendese dos fatos a ele imputado, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal"; outrossim, a Contribuinte exerceu plenamente a sua defesa, nunca tendo arguido qualquer obscuridade sobre a descrição dos fatos geradores, e o acórdão recorrido também nunca apontou falha na descrição fática da acusação, mas tãosomente em face da tipificação legal; de toda sorte, o erro na tipificação legal não conduz à nulidade material, mas, quando muito, à nulidade formal; no acórdão recorrido entendese que a falha no enquadramento legal conduz à nulidade material, de outra sorte, o acórdão paradigma pontifica que o erro no enquadramento legal implica em nulidade formal, passível de revisão. Ao final, a Fazenda Nacional requer o conhecimento e o provimento do recurso, afastandose a nulidade do lançamento ou, caso assim não se entenda, declararandose a ocorrência de vício formal. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 30/08/2016 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 220), a Contribuinte, em 13/09/2016, ofereceu as Contrarrazões de efls. 222 a 257 (carimbo de efls. 222), contendo os seguintes argumentos: da análise dos autos, verificase a forma genérica com que ocorreu o lançamento tributário, sem tipificação correta, certa e adequada da Contribuição que estaria sendo exigida da Contribuinte, o que impossibilitou a devida apresentação de defesa, cerceando o seu direito; Fl. 263DF CARF MF 4 constatado o vício material, o ato realizado tornase insanável, não sendo possível a sua correção, já que ele não existiu em decorrência de sua inconstitucionalidade, pois não cumpriu a formalidade intrínseca necessária para sua legitimidade; como não ocorreu a tipificação exata da Contribuição sob exigência, não estava presente o requisito intrínseco da autuação, o que prejudicou a validade do procedimento fiscal, caracterizando o vício material, insanável, em decorrência da exigência legal (cita jurisprudência do CARF). Ao final, a Contribuinte requer seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e trata da NRD Notificação de Recolhimento de Débito nº 1.086/2003, constituída pelo FNDE Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, referente à Contribuição Social do Salário Educação, no período de 05/1999 a 11/2002. Entretanto, a empresa havia ajuizado ação, pretendendo que fosse declarada a inexigibilidade da citada Contribuição, bem como o direito de compensar o que já havia recolhido. Em 2005, foi prolatada a sentença de primeira instância, considerando improcedentes os pedidos. Em 2007 o processo transitou em julgado, mantida a decisão (fls. 138 a 154). Por outro lado, no que tange à compensação dos valores pagos, esta foi deferida pelo FNDE. A questão da concomitância entre ação judicial e processo administrativo, versando sobre o mesmo objeto, encontrase sumulada: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, nada resta a esta Segunda Turma senão dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, declarando a definitividade do lançamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 264DF CARF MF Processo nº 23034.036582/200241 Acórdão n.º 9202006.888 CSRFT2 Fl. 263 5 Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720415/2011-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correia Dias e Edgar Bragança Bazhuni.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correia Dias e Edgar Bragança Bazhuni.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correia Dias e Edgar Bragança Bazhuni. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .7 20 41 5/ 20 11 -2 4 Fl. 473DF CARF MF Processo nº 15540.720415/201124 Resolução nº 1402000.575 S1C4T2 Fl. 474 2 Relatório Adoto, integralmente o relatório do Acórdão de Impugnação nº 1260.115, proferido em 25 de setembro de 2013, pela 4ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro (RJ), complementandoo, ao final, com as atualizações processuais pertinentes. Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco dos autos de infração de fls. 56/61 e de fls. 62/65, para exigência da multa de ofício isolada em face da ausência de recolhimento de IRPJ e de CSLL sobre a base estimada, de 50%, no valor, respectivamente, de R$ 714.754,28 e 440.099,94. As razões da autuação fundamentamse na falta de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. Devidamente cientificada (fls. 60 e 66), em 08/12/2011, a interessada, em 05/01/2012, apresentou impugnação (fls. 118/123), cujo teor, em síntese, abaixo reproduzo: a) A impugnante é sócia ostensiva de outras pessoas jurídicas, denominadas Sociedades em Conta de Participação (SCP) e, por isso, sujeitase às normas do Decretolei nº 2.303/1986, artigo 7º, § único do RIR/1999, arts. 148 e 254, II da IN SRF nº 31, artigo 1º e parágrafos; b) Destarte, deve apresentar em sua declaração de imposto de renda de pessoa jurídica os resultados de sua atividade em separado dos resultados de suas SCP, podendo utilizar regimes de tributação diversos. Tal obrigação refletese também nos códigos de arrecadação do IRPJ e da CSLL. Essa distinção, todavia, passou desapercebida no exame fiscal; c) No cálculo do valor da multa isolada a cobrar, o fisco utilizouse do valor já pago do IRPJ trimestral, calculado com base no Lucro Presumido, declarado pela impugnante, mas relativo às Sociedades em Conta de Participação (SCP) das quais é sócia ostensiva, conforme indicado em suas DCTF do anocalendário de 2007 e DIPJ/2008; d) Ocorre que a impugnante, além de cumprir perante o fisco sua obrigação de representante daquelas SCP, também prestou conta, na mesma DIPJ e de forma mais abrangente, dos resultados de sua própria atividade como contribuinte, tendo utilizado, para efeito de pagamento do IRPJ por ela devido, o regime de Lucro Real apurado com base no balanço de redução/suspensão, como previsto no artigo 230 do RIR/1999 e retratado na DIPJ 2006, Fichas 11 e 16; e) Portanto, sendo responsável tributária pelas mencionadas sociedades, a impugnante apresentou à SRFB nas já citadas declarações informativas os dados correspondentes ao IRPJ e CSLL devidos exclusivamente por ela no regime de Lucro Real e, em separado, o IRPJ e a CSLL devidos pelas SCP que apuraram o tributo pelo regime de Lucro Presumido; Fl. 474DF CARF MF Processo nº 15540.720415/201124 Resolução nº 1402000.575 S1C4T2 Fl. 475 3 f) Utilizou a impugnante regime de tributação diferente do aplicado às suas SCP, como autorizado na IN SRF nº 31/2001, art. 1º, § 1º, apesar de dispor de toda a documentação solicitada, tanto em relação à impugnante quanto às sociedades em conta de participação; g) Na DIPJ a impugnante declarou ter optado pela apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL com utilização do balanço/balancete de suspensão. Na ficha 11, linha 12 foi indicado o valor do IRPJ a pagar devido pela impugnante na qualidade de contribuinte própria e na linha 13 o valor do IRPJ a pagar devido por suas SCP com base no Lucro Presumido; h) Da mesma forma procedeu quanto à CSLL; i) Assim, autuase a impugnante utilizando o regime de apuração por ela escolhido (balanço de suspensão) e aplicase indevida e gravosa multa sobre a base de cálculo incorreta (valores informado na Ficha 16, linha 12); j) Falece de legalidade a cobrança da multa isolada, eis que não há pressuposto fático de falta de pagamento de estimativas à época própria; k) Em suma, o fisco não percebeu as diferenças entre a impugnante e as sociedades em conta de participação, das quais é sócia ostensiva; entre as obrigações devidas por cada uma dessas pessoas jurídicas em função dos distintos regimes fiscais escolhidos (Lucro Real com Suspensão versus Lucro Presumido); l) As apurações da impugnante, das SCP e os respectivos pagamentos (efetuados através de DARF com códigos específicos, deduções e compensações) obedeceram às normas dos respectivos regimes. Nas DCTF e DIPJ apresentadas tempestivamente pela sócia ostensiva, foram destacadas as informações pertinentes a cada uma dessas situações. Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. A impugnação apresentada pela contribuinte não foi acolhida tendo sido mantido o crédito tributário relativo à multa isolada de 50% quanto à ausência de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, no valores, respectivamente, de R$ 714.754,28 e de R$ 440.099,94. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 SCP. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. APURAÇÃO DO RESULTADO. ESCRITURAÇÃO. As sociedades em conta de participação (SCP) são equiparadas, pela legislação tributária, às pessoas jurídicas, e podem optar pelo lucro presumido, independentemente do regime adotado pelo sócio ostensivo, devendo efetuar os recolhimentos em nome deste, mediante DARF específico, sendo que a escrituração pode ser feita tanto em livros contábeis próprios quanto nos do sócio ostensivo, neste caso, desde que de forma destacada, sobretudo quanto à apuração dos resultados e do lucro real, bem como estar à disposição da fiscalização, quando solicitado. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 15540.720415/201124 Resolução nº 1402000.575 S1C4T2 Fl. 476 4 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A exigência do lançamento de multa isolada pela falta ou insuficiência do recolhimento de antecipações mensais possui previsão estampada na Lei nº 9.430/1996, artigo 44, inciso II, alínea “b”. Inconformada com a decisão da DRJ, interpôs a contribuinte Recurso Voluntário (efls. 242 a 248), reportandose à sua impugnação, e também alegando que: b) Não houve desatendimento às intimações fiscais, como quer a Relatora, em face dos anexados recibos de entrega dos livros e documentos fiscais e da abrangente e inequívoca declaração do Autuante sobre a devolução dos mesmos; c) Os lançamentos estão fulminados pela confusão conceitual entre o regime tributário da Recorrente e o de suas Sociedades; d) O processo ilustra a dificuldade dos agentes do Fisco em lida com as normas editadas e que devem ser, de imediato , cumpridas pelos contribuintes, mas são de difícil compreensão técnico operacional para os responsáveis pela fiscalização e pelo julgamento, mesmo anos depois; e) O acórdão atacado, sobre ser desfalcada de elementos seguros e irrefutáveis, perpetua um lançamento que não resiste a um simples e competente reexame da matéria; e f) Por último, o Acórdão foi além dos limites do litígio, nos termos em que está posto, confirmando a injusta cobrança com argumento não constante das autuações e, portanto, não impugnado. Em Acórdão de Recurso Voluntário, decidiu este Conselho, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso e manter a exigência da multa isolada ao patamar de 50%. O entendimento é de que o contribuinte que deixa de recolher a estimativa está descumprindo norma específica quanto ao regime de antecipação, prevendo a lei punição para tal ato – multa isolada de 50% sobre o valor do pagamento mensal, mesmo que apurado prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL no final do exercício, como no caso em exame. Ato contínuo, interpôs a contribuinte, Embargos de Declaração (efls. 364 a 366), alegando contradição entre a contagem dos votos e a proclamação do resultado do julgamento. Alegou que, embora tenha sido negado provimento ao recurso voluntário por voto de qualidade, a quantidade de votos a seu favor ultrapassaria a quantidade de votos que mantiveram a exação. Entende que teriam votado em seu favor os conselheiros Paulo Cortez, Moisés Giacomelli, Sérgio Presta e Leonardo Couto e, por decorrência, apenas os conselheiros Fl. 476DF CARF MF Processo nº 15540.720415/201124 Resolução nº 1402000.575 S1C4T2 Fl. 477 5 Frederico Alencar e Fernando Brasil teriam votado pela manutenção da exação, perfazendo o placar de quatro a dois em seu favor. Noutro ponto, alega a embargante ter havido omissão no acórdão embargado quanto ao argumento trazido em preliminar sobre supressão de instância. Aduz que teria demonstrado que a decisão de primeira instância teria inovado ao considerar, como fundamento do auto de infração, "a não apresentação dos livros e documentos contábeis solicitados pelo Auditor Fiscal". Pede a nulidade do processo, com base no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972. Os embargos de declaração, não foram admitidos por este Conselho(efls. 397 a 399). Posteriormente, interpôs a contribuinte Recurso Especial (efls. 408 a 410), repetindo os argumentos dos Embargos de Declaração. A decisão (efls. 427 a 431) foi novamente pelo não conhecimento do recurso. Inconformada , impetrou a contribuinte Mandado de Segurança, com pedido de liminar, contra ato perpetrado pelo Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, para desconsiderar o resultado final do julgamento proferido em recurso voluntário (Acórdão nº 1402001.823) concernente ao crédito tributário controlado pelo presente processo administrativo, tendo em vista o voto de qualidade proferido pelo Conselheiro Presidente Leonardo Andrade Couto. A segurança foi concedida para declarar nulo o julgamento proferido no Recurso Voluntário interposto pelo impetrante no presente processo administrativo, bem como para determinar a realização de nova sessão de julgamento sem a possibilidade de voto dúplice pelo Presidente da sessão. É o relatório. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 15540.720415/201124 Resolução nº 1402000.575 S1C4T2 Fl. 478 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Inicialmente, é preciso ressaltar que o recurso voluntário inserto neste processo administrativo, objeto do presente julgamento, já foi julgado anteriormente por esta Turma, em sessão realizada em 24 de setembro de 2014, resultando no Acórdão nº 1402001.823, tendo por Relator o i. Conselheiro Paulo Roberto Cortez, por Redator ad hoc o i. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto e por Redator designado para a lavratura do voto vencedor o i. Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Na ocasião, participaram do julgamento os i. Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sergio Bezerra Presta, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Estava em análise o tema “Multa Isolada. Falta de Recolhimento de Estimativas” e a decisão dos membros do Colegiado, por voto de qualidade, foi no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte e manter a exigência da multa isolada. Inconformado com a decisão, o contribuinte apresentou, inicialmente, embargos de declaração, os quais não foram admitidos; na sequência, recurso especial, o qual não foi conhecido, sendolhe negado seguimento, com a consequente baixa do processo administrativo para a DRF de origem, pela inexistência de possibilidade de interposição de qualquer outro recurso na esfera administrativa. Optou o contribuinte, então, em ingressar com um Mandado de Segurança, o qual tomou o nº 100530081.2016.4.01.3400, tendo por autoridade impetrada o Ilmo. Sr. Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Deferida a liminar para a suspensão dos créditos tributários constituídos (p. 450/458), sobreveio r. sentença de p. 466/468, que confirmou a liminar deferida anteriormente, bem como concedeu a segurança para “declarar nulo o julgamento proferido no Recurso Voluntário interposto pela impetrante no bojo do Processo Administrativo nº 15540.720415/201124, Acórdão nº 1402001.823, bem como determinar a realização de nova sessão de julgamento sem a possibilidade de voto dúplice pelo Presidente da sessão”. Feito este intróito, esclarecido está o motivo do recurso voluntário de p. 242/248 e documentos anexos ter voltado à pauta de julgamento, com a ressalva que a decisão judicial está impedindo uma decisão por voto de qualidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, a questão de mérito posta pelo contribuinte em seu recurso voluntário cingese a suposto erro da fiscalização ao ignorar, durante a fiscalização, que a Recorrente é sócia ostensiva de diversas SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), que adota o regime do lucro real, e, portanto, está sujeita ao pagamento mensal de estimativas de IRPJ e CSLL, mas que as SCP’s, por serem autônomas para fins tributários, optaram pelo regime do lucro presumido. Que a fiscalização tomou por base, para lavrar as multas isoladas, o valor do IRPJ e CSLL trimestrais devidos pelas SCP’s e que tais valores constam das DCTF’s do ano de 2007 anexadas à impugnação. Que a “mesclagem” de conceitos, regras e Fl. 478DF CARF MF Processo nº 15540.720415/201124 Resolução nº 1402000.575 S1C4T2 Fl. 479 7 procedimentos promovida nos autos de infração não se sustenta, porque não há previsão legal que dê guarida a esse cruzamento de regimes entre pessoas jurídicas diversas. Buscando o fundamento das autuações, verificase na p. 58 que a fiscalização constituiu crédito tributário de multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ sobre base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanço de suspensão ou redução, fundamentando nos arts. 222 e 843 do RIR/99; 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da MP 351/07, convertida na Lei 11.488/07 e, na p. 64, pela falta de recolhimento de CSLL sobre a mesma base, fundamentando nos arts. 222 e 843 do RIR/99; 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da MP 351/07, convertida na Lei 11.488/07. Embora a Recorrente tenha sido intimada para apresentar, em cinco dias úteis, a escrituração contábil das SCP’s, no período de janeiro a dezembro de 2007, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 01, p. 110, não há, nos autos, informação de que tal escrituração tenha sido apresentada. Há, tão somente, Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal de p. 111, a lavratura dos autos de infração e a impugnação apresentada pelo contribuinte. Analisando o v. acórdão da DRJ (p. 213 a 221), observase que a i. Relatora entendeu os argumentos trazidos pela Recorrente, no sentido de que é possível que uma empresa opte por um tipo de tributação (lucro real anual) e, na condição de sócia ostensiva, também tenha escrituração contábil de SCP’s com regime tributário diferente, no caso, lucro presumido, citando a IN SRF nº 31, de 29.03.2001. Mas, a partir do termo de intimação de p. 110, conclui que não consta nos autos resposta trazida pela interessada para corroborar a escrituração contábil das SCP, demonstrando a segregação das escritas, para se ter certeza sobre os valores declarados em sua DIPJ e DCTF. Como não localizou, nos autos, comprovação das argumentações dispendidas pela Recorrente, optou a DRJ por manter a autuação, supondo o não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, conforme apontado pela fiscalização. Desta decisão, a ora Recorrente apresentou o recurso voluntário de p. 242/248, no qual anexou, à p. 249, resposta ao Termo de Intimação, disponibilizando para a fiscalização os Livros Diários e Razão referentes ao anocalendário 2007. E, na p. 250, anexou a resposta ao Termo de Intimação, apresentando a escrituração contábil, Diário e Razão das diversas SCP’s, no período solicitado, com carimbo da DRF atestando o recebimento, sem conferência, em 13.10.2011, e, nas p. 253 a 305, apresenta cópia dos Livros Diários 76, 77 e 78. Sem maiores esclarecimentos, o i. Relator Paulo Roberto Cortez, analisando o recurso voluntário interposto, apontou como razões da autuação a “falta de pagamento de IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada” e restringiu a discussão de mérito, tão somente, sobre a “possibilidade de a autoridade fiscal lançadora aplicar multa de ofício isolada no percentual de 50%, sob o argumento de o contribuinte ter deixado de recolher IRPJ e CSLL com base em estimativas mensais”. Ao ver deste Julgador, o cerne da discussão não é este. Analisando a DIPJ 2008 de p. 73/103, denotase a opção do contribuinte pela tributação pelo Lucro Real (p. 73), o reconhecimento de resultados positivos em SCP no importe de R$ 4.711.669,43 (p. 77), e, ao final do período, lucro real no importe de R$ 142.724,45, considerando a exclusão do mesmo valor de R$ 4.711.669,43, por ser receita Fl. 479DF CARF MF Processo nº 15540.720415/201124 Resolução nº 1402000.575 S1C4T2 Fl. 480 8 tributável dentro das SCP’s (p.78). E, na Ficha 12A, p. 83, foi apurado IRPJ no importe de R$ 21.408,67 e saldo negativo final de R$ 191.506,96. Na Ficha 11 (p. 79 a 82) observase que não foram apuradas base para o recolhimento de estimativas entre janeiro e agosto/07, em setembro e outubro/07 foi apurado IRPJ a recolher e, em novembro/07 também não houve estimativa e, em dezembro/07, apurou se saldo negativo de IRPJ. Na mesma Ficha 11 está apontado IRPJ a recolher, proveniente de SCP, nos meses de março, junho, setembro e dezembro. Na Ficha 16 (p. 84 a 87) observase que não foram apuradas base para o recolhimento de estimativas entre janeiro e dezembro/07, sendo que, em dezembro/07, apurou se saldo negativo de CSLL. Na mesma Ficha 16 está apontado CSLL a recolher, proveniente de SCP, nos meses de março, junho, setembro e dezembro. E, na Ficha 17, p. 88, foi apurado CSLL no importe de R$ 12.845,20 e saldo negativo de CSLL de R$ 221.390,83. Já em DCTF de p. 163/171, foram apontados os valores devidos pelo contribuinte, a título de IRPJ, no código 5993 – IRPJ – PJ optante pelo lucro real/estimativa mensal e, na p. 179/194, foram apontados em DCTF os valores devidos pelo contribuinte, a título de IRPJ, no código 2089 – IRPJ – PJ que apura o imposto pelo lucro presumido/SCP. A partir da p. 195, DCTF com os valores devidos a título de CSLL. Com a devida vênia, o julgamento anterior, realizado por esta Turma, não focou no ponto de controvérsia efetivo, que era confirmar se a Recorrente, de fato, escriturou adequadamente sua contabilidade pelo lucro real e a contabilidade das SCP’s pelo lucro presumido, mas principalmente se os valores apontados como devidos foram efetivamente recolhidos nos respectivos códigos de receita. Explicase. Se a fiscalização tomou os valores devidos a título de IRPJ e CSLL pela Recorrente na condição de sócia ostensiva das SCP’s, os quais foram apurados pela sistemática do lucro presumido e tais valores foram efetivamente recolhidos, não há “estimativa” declarada e não recolhida a ensejar a constituição de multa isolada nos moldes do art. 44, da Lei 9.430/96. Por outro lado, nos dois meses – setembro e outubro/2007 – em que a Recorrente apurou IRPJ a recolher por estimativa, tais valores foram efetivamente recolhidos, mais uma vez não há base para o lançamento da multa isolada nos moldes realizados pela fiscalização. Desta forma, proponho a conversão do julgamento em diligência para que: a) a fiscalização confirme a realização do pagamento dos valores devidos pela Recorrente, informados em DCTF no ano de 2007, nos códigos de estimativa, a título de IRPJ, nos meses de setembro e outubro/2007, ainda que por compensação, bem como o pagamento do IRPJ e CSLL devidos trimestralmente, com código de lucro presumido/SCP, nos valores informados em DCTF/2007, mediante DARF ou compensação; Fl. 480DF CARF MF Processo nº 15540.720415/201124 Resolução nº 1402000.575 S1C4T2 Fl. 481 9 b) ao final do procedimento, deverá a autoridade fiscalizadora elaborar relatório circunstanciado, cientificando o sujeito passivo do resultado da diligencia para que, querendo, se manifeste em 30 (trinta) dias, com fundamento no artigo 35, parágrafo único, do Decreto 7.574|2011. Uma vez esclarecidos esses fatos, entendo que o recurso estará em condições de ser julgado. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 481DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16151.000110/2005-09
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do Fato Gerador: 01/01/2003
NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL.
Só há nulidade da decisão de primeira instância se for observada a ocorrência de erro in procedendo. Não sendo constatado erro de forma ou no proceder instrumental, tampouco a prática de ato por órgão incompetente, decisão citra petita ou preterição do direito de defesa, não se verificando, ainda, quaisquer das hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, ou outros vícios formais, é hígido o decisório a quo afastando-se a preliminar de nulidade.
PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA IRRETROATIVIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. PARTICIPAR A PESSOA JURÍDICA DO CAPITAL DE OUTRA COM MAIS DE DEZ POR CENTO E A RECEITA BRUTA GLOBAL ULTRAPASSAR O LIMITE LEGAL. FATO JURÍDICO NÃO OBSERVADO. ATOS SOCIETÁRIOS. REGISTRO. EFEITOS A PARTIR DO ARQUIVAMENTO A DEMONSTRAR INEXISTÊNCIA DE SIMULTANEIDADE NA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATO DE EXCLUSÃO CANCELADO.
Os documentos de alteração social das pessoas jurídicas deverão ser apresentados a arquivamento no órgão de registro, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder.
Arquivado o ato societário no órgão de registro competente, deve-se respeitar os seus efeitos. A inexistência de eventual comunicação obrigatória para a administração tributária, em relação ao arquivamento, não tem o condão, enquanto descumprimento de obrigação instrumental, de afastar os efeitos publicizados pelo ato de registro da alteração societária que desligou o sócio da pessoa jurídica, ainda mais quando a Instrução Normativa invocada na decisão vergastada e que prevê a comunicação obrigatória é posterior ao fato.
Inexistindo fato jurídico de participar a pessoa jurídica do capital de outra com mais de dez por cento e não tendo sua receita bruta global ultrapassado o limite legal, deve ser mantida no Simples, conforme opção exercida, cancelando-se o ato de exclusão. O vetor deontológico da segurança jurídica, que se irradia por todo o ordenamento jurídico, através de limites objetivos, impõe a correta aplicação da norma individual e concreta por ocasião da decisão do contencioso administrativo tributário. O axioma que sustenta as legítimas expectativas do contribuinte e da administração tributária impõe observar a regular aplicação do direito, conferindo previsibilidade razoável para as decisões, harmonizando-se a relação Estado-Cidadão.
Recurso Voluntário Provido
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.211
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: 00962070432 - CPF não encontrado.
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do Fato Gerador: 01/01/2003 NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. Só há nulidade da decisão de primeira instância se for observada a ocorrência de erro in procedendo. Não sendo constatado erro de forma ou no proceder instrumental, tampouco a prática de ato por órgão incompetente, decisão citra petita ou preterição do direito de defesa, não se verificando, ainda, quaisquer das hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, ou outros vícios formais, é hígido o decisório a quo afastando-se a preliminar de nulidade. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA IRRETROATIVIDADE. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. PARTICIPAR A PESSOA JURÍDICA DO CAPITAL DE OUTRA COM MAIS DE DEZ POR CENTO E A RECEITA BRUTA GLOBAL ULTRAPASSAR O LIMITE LEGAL. FATO JURÍDICO NÃO OBSERVADO. ATOS SOCIETÁRIOS. REGISTRO. EFEITOS A PARTIR DO ARQUIVAMENTO A DEMONSTRAR INEXISTÊNCIA DE SIMULTANEIDADE NA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATO DE EXCLUSÃO CANCELADO. Os documentos de alteração social das pessoas jurídicas deverão ser apresentados a arquivamento no órgão de registro, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Arquivado o ato societário no órgão de registro competente, deve-se respeitar os seus efeitos. A inexistência de eventual comunicação obrigatória para a administração tributária, em relação ao arquivamento, não tem o condão, enquanto descumprimento de obrigação instrumental, de afastar os efeitos publicizados pelo ato de registro da alteração societária que desligou o sócio da pessoa jurídica, ainda mais quando a Instrução Normativa invocada na decisão vergastada e que prevê a comunicação obrigatória é posterior ao fato. Inexistindo fato jurídico de participar a pessoa jurídica do capital de outra com mais de dez por cento e não tendo sua receita bruta global ultrapassado o limite legal, deve ser mantida no Simples, conforme opção exercida, cancelando-se o ato de exclusão. O vetor deontológico da segurança jurídica, que se irradia por todo o ordenamento jurídico, através de limites objetivos, impõe a correta aplicação da norma individual e concreta por ocasião da decisão do contencioso administrativo tributário. O axioma que sustenta as legítimas expectativas do contribuinte e da administração tributária impõe observar a regular aplicação do direito, conferindo previsibilidade razoável para as decisões, harmonizando-se a relação Estado-Cidadão. Recurso Voluntário Provido Sem crédito em Litígio
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1965; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 154 1 153 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16151.000110/200509 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.211 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria Simples Exclusão Recorrente REIFER COMERCIO DE FERRAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do Fato Gerador: 01/01/2003 NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. Só há nulidade da decisão de primeira instância se for observada a ocorrência de erro in procedendo. Não sendo constatado erro de forma ou no proceder instrumental, tampouco a prática de ato por órgão incompetente, decisão citra petita ou preterição do direito de defesa, não se verificando, ainda, quaisquer das hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, ou outros vícios formais, é hígido o decisório a quo afastandose a preliminar de nulidade. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA IRRETROATIVIDADE. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. PARTICIPAR A PESSOA JURÍDICA DO CAPITAL DE OUTRA COM MAIS DE DEZ POR CENTO E A RECEITA BRUTA GLOBAL ULTRAPASSAR O LIMITE LEGAL. FATO JURÍDICO NÃO OBSERVADO. ATOS SOCIETÁRIOS. REGISTRO. EFEITOS A PARTIR DO ARQUIVAMENTO A DEMONSTRAR INEXISTÊNCIA DE SIMULTANEIDADE NA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATO DE EXCLUSÃO CANCELADO. Os documentos de alteração social das pessoas jurídicas deverão ser apresentados a arquivamento no órgão de registro, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 00 01 10 /2 00 5- 09 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 155 2 Arquivado o ato societário no órgão de registro competente, devese respeitar os seus efeitos. A inexistência de eventual comunicação obrigatória para a administração tributária, em relação ao arquivamento, não tem o condão, enquanto descumprimento de obrigação instrumental, de afastar os efeitos publicizados pelo ato de registro da alteração societária que desligou o sócio da pessoa jurídica, ainda mais quando a Instrução Normativa invocada na decisão vergastada e que prevê a comunicação obrigatória é posterior ao fato. Inexistindo fato jurídico de participar a pessoa jurídica do capital de outra com mais de dez por cento e não tendo sua receita bruta global ultrapassado o limite legal, deve ser mantida no Simples, conforme opção exercida, cancelandose o ato de exclusão. O vetor deontológico da segurança jurídica, que se irradia por todo o ordenamento jurídico, através de limites objetivos, impõe a correta aplicação da norma individual e concreta por ocasião da decisão do contencioso administrativo tributário. O axioma que sustenta as legítimas expectativas do contribuinte e da administração tributária impõe observar a regular aplicação do direito, conferindo previsibilidade razoável para as decisões, harmonizandose a relação EstadoCidadão. Recurso Voluntário Provido Sem crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 135/149) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios Fl. 155DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 156 3 processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 125/132), proferida em sessão de 18 de dezembro de 2008, consubstanciada no Acórdão n.º 1619.937, da 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP (DRJ/SPOI), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação (efls. 09/21) que pretendia desconstituir o Ato Declaratório Executivo (ADE) Derat/SPO n.º 571.349, de 02 de agosto de 2004 (efl. 06), que excluiu a contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Federal, na forma do inciso IX do artigo 9.º; artigo 12; inciso I do artigo 14; inciso II do artigo 15, todos da Lei n.º 9.317, de 5 de dezembro de 1996; inciso IX do artigo 20; artigo 21; inciso I do artigo 23; inciso II e parágrafo único do artigo 24, todos da Instrução Normativa SRF n.º 355, de 29 de agosto de 2003, com efeitos a partir de 01/01/2003, por participar o sócio ou titular de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no ano calendário de 2002 ter ultrapassado o limite legal, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade da Decisão exarada pelo órgão de competência originária quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. DILIGÊNCIA. Não se justifica a realização de diligência, quando os fatos puderem ser comprovados nos autos, pela apresentação de documentos. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 SÓCIO DE OUTRA EMPRESA. PARTICIPAÇÃO MAIOR QUE 10%. RECEITA BRUTA GLOBAL. ULTRAPASSAGEM DO LIMITE LEGAL. EXCLUSÃO. Constatado que o sócio participa de outras empresas com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global, no ano calendário de 2002, ultrapassou o limite legal, é cabível a exclusão da sistemática do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2003. Solicitação Indeferida Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o presente processo, formalizado em 09/09/2005, de exclusão do Simples, em razão da emissão, em 02/08/2004, do Ato Declaratório Executivo Derat/SPO n.º 571.349 (fl. 4), tendo por situação excludente a existência de sócio ou titular participante de outra empresa com mais de 10% e o fato de a receita bruta global no anocalendário de 2002 ter ultrapassado o limite legal (CPF 151.901.58870, CNPJ 05.315.226/000103), com data de ocorrência em 31/12/2002 (evento 311 do CNPJ), tendo a interessada optado pelo Simples em 01/01/1999. A exclusão foi fundamentada nos artigos 9.º, inciso IX, 12, 14, inciso I, e 15, inciso II e § 3.º, da Lei n.º 9.317, de Fl. 156DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 157 4 05/12/1996; art. 73 da Medida Provisória n.º 2.15834, de 27/07/2001; artigos 20, inciso IX, 21, 23, inciso I, 24, inciso II e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n.º 355, de 29/08/2003. Cientificada do ADE em 26/08/2004 (fl. 6), inicialmente a interessada apresentou, em 17/09/2004, a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS fls. 1 a 60), com a alegação de que o sócio Sr. Marcelo de Camargo Teixeira Panella (CPF 151.901.58870) desligouse do quadro societário da recorrente em 28/12/2001, passando a integrar o quadro societário da empresa Thiollier e Advogados (CNPJ 05.315.226/000103) somente em 27/09/2002. A solicitação foi considerada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, em despacho exarado em 07/06/2005, nos seguintes e exatos termos (fl. 2): "ADE N.º 571.349 (137) EXCLUSÃO MANTIDA por seus fundamentos legais. Nenhum erro de fato foi detectado nem foi apresentada prova documental contradizendo às informações constantes em nossos sistemas de processamento de dados. No exercício apontado, foi detectada participação de sócio ou titular com mais de 10% em outra(s) empresa(s), cujo somatório de receita bruta adicionado à receita bruta da própria solicitante ultrapassou o limite de valor permitido." Cientificada do resultado da SRS em 14/06/2005 (fl. 3), a requerente apresentou manifestação de inconformidade ao despacho denegatório em 08/07/2005 (razões às fls. 65 a 85). Alega, em síntese, que: Da Nulidade da Decisão Administrativa. O Decreto n.º 70.235/1972 e suas alterações regulam o processo administrativo federal. Mas, considerandose as suas diversas lacunas concernentes às regras e ritos processuais, constitui tese pacífica que as normas do Código de Processo Civil aplicamse subsidiariamente ao processo administrativo fiscal federal. Tal entendimento é sedimentado no próprio Conselho de Contribuintes, que usualmente se socorre ao Código de Processo Civil diante da inexistência de normas de caráter processual no Decreto n.º 70.235/1972 (colaciona aos autos ementas de julgados do Conselho de Contribuintes às fls. 70 e 71). Assim, para gozar eficácia e estarem aptas a produzir efeitos no mundo jurídico, as decisões administrativas assim como as judiciais, devem reunir pressupostos e condições intrínsecas e formais expressamente exigidas pelo Código de Processo Civil, em especial o que determina o seu art. 458 (transcreve o referido artigo à fl. 73). Contudo, a Decisão recorrida não preenche, sequer, o mínimo legal exigido à sua existência e validade (transcreve a Decisão indicada no item 4 do Relatório), pois encontrase em total desacordo com os requisitos exigidos pelo art. 458 do CPC. Não há, sequer, o relatório e a fundamentação jurídica exigidos pelos incisos I e II do citado artigo. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 158 5 Ao tratar do assunto, Humberto Theodoro Júnior, em seu "Curso de Direito Processual Civil", manifestou que "as formalidades prescritas pelo Código são substanciais, de modo que sua inobservância leva à nulidade da sentença". Entendimento no mesmo sentido foi exarado pelo Superior Tribunal de Justiça, ao declarar que "é nula a sentença que não obedeceu ao disposto no art. 458 e incisos do Código de Processo Civil" (transcreve a ementa do Acórdão unânime da 3ª Turma do STJ, de 18/05/1993, no REsp. n.º 31.235/AL, à fl. 75). Inexorável constatar que a Decisão recorrida não preenche os requisitos legais mínimos à sua existência e validade, visto que a mesma mais parece um carimbo do que um ato proveniente de um Órgão Julgador, sendo cabível a sua anulação. Mérito. Afora as razões acima pontadas, as quais por si só já seriam suficientes à nulidade da Decisão recorrida, fazse mister ressaltar, ainda, que quanto ao mérito melhor sorte não lhe assiste. O sócio Sr. Marcelo de Camargo Teixeira Panella (CPF 151.901.58870) desligouse do quadro societário da recorrente em 28/12/2001, conforme faz prova data grafada pela Junta Comercial do Estado de São Paulo na Alteração Contratual juntada aos autos (anexou documento às fls. 21 a 27). O sócio em comento jamais integrou simultaneamente os quadros societários da recorrente e da empresa Thiollier Advogados (CNPJ 05.315.226/000103), passando à condição de sócio da última somente em 27/09/2002. Frisese que as afirmações acima declinadas não se tratam de divagações doutrinárias ou jurisprudenciais acerca do tema. São fatos irrefutáveis e documentalmente comprovados, que demonstram cabalmente que a ora recorrente jamais dispôs em seu quadro societário de sócio com participação em outra empresa, sendo cabível a anulação do ADE que se discute. A receita bruta da contribuinte, no anocalendário 2002, atingiu R$ 1.101.898,64, conforme informado em sua Declaração Simplificada, situandose abaixo do limite de R$ 1.200.000,00 imposto pela legislação da sistemática simplificada, não havendo que se falar, portanto, na sua exclusão do Simples em virtude de excesso de receita. Em síntese, na Impugnação (efls. 09/21) a contribuinte defendeu a ocorrência de erro de fato no enquadramento na situação vedada, a saber, participação do sócio ou titular da empresa optante pelo Simples Federal em outra sociedade com mais de 10% (dez por cento) possuindo as duas empresas receita bruta global superior ao limite legal estabelecido para as Empresas de Pequeno Porte – EPP; afirmou que dita situação não se verificou na hipótese dos autos; argumentou que a receita bruta da empresa impugnante, no período fiscalizado, estava abaixo do limite legal. Todavia, a tese de defesa não foi acolhida pela DRJ/SPOI (efls. 125/132), de cuja decisão a contribuinte foi intimada, via Carta com Aviso de Recebimento (efl. 134), na data de 13 de março de 2009. No recurso voluntário, protocolado em 03 de abril de 2009 (efls. 135/149), o contribuinte, irresignado com a decisão de primeira instância, reiterou os argumentos Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 159 6 deduzidos na impugnação, alegando, ademais, que o Juízo a quo, nas suas razões de decidir, aplicou regulamentação infralegal superveniente para fatos pretéritos. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando as questões prévias (eventuais preliminares e prejudiciais) e se superadas estas adentrar no juízo de mérito para, ao final, concluir com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (notificação em 13/03/2009, efls. 133/134, e protocolo em 03/04/2009, efl. 135), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, trata de exclusão do Simples, desvinculada do crédito tributário. Eventual crédito tributário não é exigido nestes autos, bem como não visualizo qualquer critério que justifique a vinculação destes autos a eventual processo de exigibilidade do crédito tributário, não verificando a aplicação de quaisquer das formas de vinculação constantes do art. 6.º, § 1.º, do Anexo II, do RICARF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Preliminar ao conhecimento do mérito Antes de adentrar no mérito, importante apreciar a alegada nulidade da decisão proferida pela DRJ. Aduz o recorrente que o decisum é nulo, haja vista que a primeira instância teria exarado decisão contraditória frente a prova dos autos ao reconhecer que foi acostado ao caderno processual cópia de alteração social que comprova a saída do Sr. Marcello de Camargo Teixeira Panella dos quadros societários da recorrente (efls. 24/30), saída ocorrida em data de 01/11/2001, com registro efetivado na JUCESP em 28/12/2001, antes dele ingressar em outra pessoa jurídica, no caso na sociedade que ele constituiu em 03/09/2002 (efls. 42/65) e que foi aprovada na forma de seu registro em 27/09/2002. A nulidade também decorreria da aplicação retroativa da IN/SRF n.° 748, de 28/07/2007, o que violaria o princípio constitucional da irretroatividade. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 160 7 Pois bem. Em que pese os argumentos da defesa, entendo que tais alegações não cuidam de erro in procedendo a culminar em decisório nulo. Não visualizo erro de forma ou no proceder instrumental, a prática do ato em minha ótica é formalmente hígida, isto é, regular quanto aos requisitos formais necessários para o sua feitura. Eventual nulidade teria que partir, por exemplo, da lavratura do ato por órgão incompetente, por decisão citra petita, por preterição do direito de defesa, vale dizer, especialmente pelas causas destacadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. De mais a mais, importante anotar que, quanto a matéria constitucional e de legalidade invocada relativa a irretroatividade, a Súmula CARF n.º 2 impede a apreciação ao enunciar que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdão n.º 10194876, de 25/02/2005, Acórdão n.º 10321568, de 18/03/2004, Acórdão n.º 105 14586, de 11/08/2004, Acórdão n.º 10806035, de 14/03/2000, Acórdão n.º 10246146, de 15/10/2003, Acórdão n.º 20309298, de 05/11/2003, Acórdão n.º 20177691, de 16/06/2004, Acórdão n.º 20215674, de 06/07/2004, Acórdão n.º 20178180, de 27/01/2005, Acórdão n.º 20400115, de 17/05/2005. Por corolário lógico, não há que se admitir matérias que pretendem discutir constitucionalidade, limites constitucionais e controle de legalidade de atos normativos, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum de norma infraconstitucional, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar o enunciado sumular destacado. Observese, igualmente, o disposto no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009, que enuncia o mesmo entendimento ao dispor que: "No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Sendo assim, afasto a questão preliminar da nulidade e deixo de apreciar questão constitucional de irretroatividade. Mérito Quanto ao mérito, entendo que assiste razão a recorrente. Isto porque, se não visualizo erro in procedendo, como acima mencionado, observo noutro norte, com a devida vênia, erro in iudicando, erro material consistente no equívoco do juízo a quo quanto à apreciação da lide tributária. Ao meu ver, concessa venia a decisão singular, há erro na interpretação da legislação ou, ainda, os fatos não foram adequados corretamente ao plano abstrato da norma, proferindose norma individual e concreta equivocada. Explico. Após a exclusão, o procedimento em questão se instaurou a partir da Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples – SRS (efl. 03), contestando o ADE n.º 571.349/2004 (efl. 06). A decisão da DERAT (efl. 07) manteve o ato. Na impugnação a contribuinte alegou que aderiu ao Simples em 01/01/1999 e que, em 28/12/2001, o sócio MARCELLO DE CAMARGO TEIXEIRA PANELLA se retirou da sociedade impugnante, Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 161 8 cedendo todas as suas quotas do capital social para o sócio remanescente (efls. 24/30), sendo que nove meses depois, mais especificamente em 27/09/2002, isto é, depois de considerável tempo da retirada daquele exsócio, o mesmo veio a ingressar em outra sociedade conforme ato de constituição (efls. 42/65). A recorrente afirmou, ainda, que a receita bruta da sociedade impugnante, no anocalendário de 2002, foi de R$ 1.101.898,64 (um milhão cento e um reais oitocentos e noventa e oito reais e sessenta e quatro centavos), ficando, portanto, abaixo do limite legal de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos reais) fixado no inciso II do artigo 5.º da Lei n.º 9.317/96, com a alteração que lhe deu o artigo 3.º da Lei n.º 9.732, de 1998. O Juízo a quo, sobre as teses suscitadas pela impugnante, assim se manifestou: 27. Compulsandose os autos, verificase que realmente foi acostada cópia autenticada da Alteração Contratual a que alude a contribuinte, registrada na JUCESP em 28/12/2001, sob o n.º 257.330/010, e na qual se constata que o Sr. Marcelo de Camargo Teixeira Panella retirouse da sociedade (fls. 21 a 27). 28. Ocorre que a recorrente não informou tal modificação RFB, através dos mecanismos próprios para este caso, constando no cadastro CNPJ que o sócio em comento integra o quadro societário da defendente desde 09/02/1999 (fls. 91 e 103). O julgador singular, ademais, citou a IN n.º 748, de 28 de junho de 2007, que dispõe, no artigo 22, que é obrigatória a comunicação pela entidade de toda alteração referente aos seus dados cadastrais, devendo fazêlo até o último dia útil do mês subsequente à data do registro da alteração, para concluir que “não tendo a contribuinte o cuidado de informar a RFB, de acordo com as normas aplicáveis, a referida Alteração Contratual, nem acostar comprovação de que procurou sanar o problema nesta fase recursal, descabe a autoridade julgadora reconhecêla à vista de documentos que deveriam se submeter à análise, à época, do setor competente da administração fiscal”. É a partir deste ponto que entendo residir o cerne meritório da presente questão. Observo, com a devida vênia, equívoco nas conclusões do julgamento. É fato incontroverso que o exsócio MARCELLO DE CAMARGO TEIXEIRA PANELLA retirouse da sociedade recorrente ainda em 2001, com saída ocorrida em data de 01/11/2001, com registro efetivado na JUCESP em 28/12/2001, sendo sólida a prova produzida nesse sentido, a saber, a juntada de cópia do registro de alteração societária pela JUCESP (efls. 24/30). Outro fato irrefutável é que o referido exsócio somente veio a integrar uma nova sociedade nove meses depois de sua retirada, constituindo outra pessoa jurídica em 03/09/2002, a qual foi aprovada e, consequentemente, registrada em 27/09/2002 (efls. 42/65), inexistindo, portanto, simultaneidade de participação societária em desacordo com os limites objetivos impostos pelo regime especial do Simples Federal, nos termos do artigo 9.º, inciso IX, da Lei n.º 9.317, de 1996. No máximo, poderseia invocar em desfavor do contribuinte um descumprimento de obrigação instrumental ou, em outras palavras, de obrigação acessória, mas não excluílo do Simples sob alegação de possuir sócio com participações de dez por cento ou mais no capital social em mais de uma sociedade e extrapolado o limite legal do regime especial. É fato inconteste que a pessoa Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 162 9 física mencionada não mais fazia parte dos quadros societários da recorrente, o que impõe a reforma da decisão vergastada em sua totalidade para cancelar o ato de exclusão. Neste diapasão, não subsiste a aplicação do artigo 9.º, inciso IX, da Lei n.º 9.317, de 1996. Demais disto, também não é caso de aplicação da IN n.º 748, de 2007, que é posterior aos fatos. Compulsandose os autos, verifico que a contribuinte é optante do Simples Federal desde 01/01/1999. No caso, a alteração societária da recorrente, com a saída do sócio MARCELLO DE CAMARGO TEIXEIRA PANELLA, operouse em 01/11/2001, com registro efetivado na JUCESP em 28/12/2001 (efls. 24/30). A rigor é para se aplicar o disposto no art. 36, da Lei n.º 8.934, de 1994, disciplinando que: Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Art. 32. O registro compreende: II O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas. Logo, antes do ingresso do exsócio na outra sociedade (aprovada em 27/09/2002, efls. 42/65, na forma do art. 15, § 1.º, da Lei n.º 8.906, de 1994), ele já havia se desvinculado da recorrente (efls. 24/30, desde 2001, na forma do art. 36, da Lei n.º 8.934, de 1994), inexistindo, por conseguinte, possibilidade de aplicação do artigo 9.º, inciso IX, da Lei n.º 9.317, de 1996, para exclusão do Simples. O vetor deontológico da segurança jurídica, que se irradia por todo o sistema jurídico através de limites objetivos, impõe a correta aplicação da norma individual e concreta exarada por ocasião da decisão do contencioso administrativo tributário em primeira instância, deste modo entendo por reformar a decisão em grau de recurso. É caso, inclusive, da aplicação do axioma que sustenta as legítimas expectativas do contribuinte e da administração tributária no sentido de que seja observada a regular aplicação do direito, conferindose ao sistema tributário uma previsibilidade razoável, responsável pela harmonização da relação EstadoCidadão. A partir destas premissas, exercendo o controle de legalidade do ato de exclusão, verificando que inexiste o alegado fato jurídico de participar com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, previsto na norma geral e abstrata construída a partir do enunciado prescritivo colhido no inciso IX do artigo 9.º da Lei n.º 9.317, de 1996, entendo por reforma a decisão de piso. Ora, pois, a conduta da empresa recorrente, a bem da verdade, não se enquadra na hipótese do inciso IX do artigo 9.º da Lei n.º 9.317, de 1996, seja porque não houve, em nenhum momento, simultaneidade de participação societária do exsócio MARCELLO DE CAMARGO TEIXEIRA PANELLA em outra sociedade, seja porque, de fato, a receita bruta da sociedade recorrente, no anocalendário Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 163 10 de 2002, não extrapolou a limitação legal, pelo que não vejo razões para manter vigente o ADE n.º 571.349, de 2 de agosto de 2004 (efl. 06). Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em lhe dar provimento, para reformar a decisão recorrida e, assim, cancelar o ato de exclusão. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 10650.720878/2015-59
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 72 08 78 /2 01 5- 59 Fl. 97DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe (fls 61/67), decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2014, anocalendário de 2013. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls 63/65, foi apurada a glosa sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo a título de despesas médicas , no valor de R$ 3.388,88 (AMAGIS Saúde), bem como a título de pensão alimentícia judicial/por escritura pública, no valor de R$ 102.000,00, em razão do Acórdão DRJ/RJ1 n 1267.831/2014 (que trata da impossibilidade da dedução dos valores pagos a título de pensão alimentícia a filhos maiores de idade). Após a revisão, foi apurado o saldo de IRPF a restituir ajustado no valor de R$ 8.126,77. Regularmente cientificado da Notificação na data de 08/09/2015 (cf documentos de fls 69/70), o contribuinte apresentou impugnação administrativa ao lançamento fiscal na data de 24/09/2015 (fls 02/05), alegando, em síntese, que tanto a comprovação da obrigação alimentar por decisão judicial/escritura pública, como os comprovantes de pagamentos no valor de R$ 102.000,00 encontramse nos autos. Além disso, os alimentandos lançaram tais recebimentos em suas respectivas Dirpf. Cita jurisprudência e doutrina para corroborar os seus argumentos. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que não logrou o contribuinte em comprovar o seu direito eis que filhos maiores não ensejam dedução de despesas com pensão alimentícia. No que se refere a despesa da Amagis Saúde, salienta a DRJ que o contribuinte não mais a contestou e estaria, portanto incontroversa. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões aventadas na Impugnação. Em relação a despesa da Amagis, salienta o contribuinte que apresentou o comprovante deste pagamento ainda quando da fase de esclarecimentos da "malha fina". É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10650.720878/201559 Acórdão n.º 2001000.449 S2C0T1 Fl. 3 3 O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de informação equivocada de dedução de pensão alimentícia na declaração do imposto de renda pessoa física, entregue pelo contribuinte, relativo ao exercício de 2014. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. No caso em comento discutese a dedução das despesas com pensão alimentícia a filhos maiores. Entendo que são dedutíveis do Imposto de Renda os valores pagos a título de pensão alimentícia para filho, ainda que maior de 21 anos, em acordo homologado pelo Poder Judiciário. Inclusive esse foi o entendimento aplicado pela 8ª Turma Recursal do Juizado Especial Federal da 3ª Região para determinar que a Receita Federal deixe de tributar os valores pagos por um contribuinte a seu filho. Fl. 99DF CARF MF 4 Após ser cobrado pela Receita, o contribuinte ingressou com ação pedindo a anulação do débito fiscal. Em primeira instância, o pedido foi julgado parcialmente procedente, tendo o juiz determinado que a Receita desfaça o lançamento tributário. Inconformada, a Receita recorreu alegando que não há previsão em lei para a dedução de pensão alimentícia paga por mera liberalidade. Sendo assim, poderia o valor ser tributado. Ao julgar o caso, o relator, juiz federal ressaltou que "independentemente da iniciativa em relação aos alimentos, a partir do estabelecimento de um acordo de pensão e da comprovada percepção dos valores pelo alimentado, a orientação legal converge de modo a que o alimentante preserve seus direitos de não ser tributado por essa parcela de seus vencimentos". Seguindo o voto do relator, a 8ª Turma Recursal manteve a sentença, determinando que fosse deduzido do Imposto de Renda as despesas mensais de pensão alimentícia. É fundamental esclarecer que o alimentante tem direito de realizar a dedução integral dos valores que pagar a título de pensão alimentícia. Porém, para que a dedução seja admitida, é preciso que os alimentos prestados sejam decorrentes de decisão judicial ou, ainda, de acordo homologado judicialmente ou lavrado por escritura pública (a que se refere o artigo 1.124Ado Código de Processo Civil Cumpre observar que não se admite que a pensão alimentícia de filhos com idade inferior a 18 anos seja estabelecida por acordo lavrado por escritura pública. Sendo assim, aludida possibilidade restringese aos casos em que o dever de prestar alimentos estendase além da maioridade dos filhos. A jurisprudência tem admitido, inclusive, que se mantenha o dever de prestar alimentos até a conclusão de curso em estabelecimento de ensino superior pelo filho. Nessa circunstância, caso os pais do jovem venham a se divorciar, nada impede que, por escritura pública, seja estabelecida pensão alimentícia ao filho maior de idade. Neste diapasão, verificando a boa fé, o respaldo em decisão judicial e os argumentos trazidos pelo contribuinte, entendo serem dedutíveis as despesas de pensão alimentícia incorridas pelo contribuinte. Em relação à despesa médica , no valor de R$ 3.388,88 (AMAGIS Saúde), o contribuinte deixa claro que já foi juntado o comprovante em sede de esclarecimentos da malha fina. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10650.720878/201559 Acórdão n.º 2001000.449 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
