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Numero do processo: 13884.721221/2013-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. EXONERAÇÃO DA PENALIDADE PREVISTA NO § 17 DO ART. 74 DA LEI Nº 9.430/1996, EM DECORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, COM REPERCUSSÃO GERAL DEFINIDA NO TEMA 736.
Conforme decidiu o STF no Recurso Extraordinário nº 796.939/RS, do qual resultou o tema 736, é inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Afasta-se a multa isolada prevista no §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, dada sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, cuja repercussão geral vincula e afeta todos os processos administrativos da mesma natureza em tramitação no CARF, conforme previsão dos arts. 98 e 99 do seu Regimento Interno.
Numero da decisão: 1102-001.500
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1102-001.446, de 12 de setembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.734526/2018-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Fernando Beltcher da Silva – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Fenelon Moscoso de Almeida, Cristiane Pires Mcnaughton, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira(substituto[a] integral), Fernando Beltcher da Silva (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BELTCHER DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. EXONERAÇÃO DA PENALIDADE PREVISTA NO § 17 DO ART. 74 DA LEI Nº 9.430/1996, EM DECORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, COM REPERCUSSÃO GERAL DEFINIDA NO TEMA 736. Conforme decidiu o STF no Recurso Extraordinário nº 796.939/RS, do qual resultou o tema 736, é inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. Afasta-se a multa isolada prevista no §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, dada sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, cuja repercussão geral vincula e afeta todos os processos administrativos da mesma natureza em tramitação no CARF, conforme previsão dos arts. 98 e 99 do seu Regimento Interno.
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. EXONERAÇÃO DA PENALIDADE PREVISTA NO § 17 DO ART. 74 DA LEI Nº 9.430/1996, EM DECORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, COM REPERCUSSÃO GERAL DEFINIDA NO TEMA 736. Conforme decidiu o STF no Recurso Extraordinário nº 796.939/RS, do qual resultou o tema 736, é inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. Afasta-se a multa isolada prevista no §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, dada sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, cuja repercussão geral vincula e afeta todos os processos administrativos da mesma natureza em tramitação no CARF, conforme previsão dos arts. 98 e 99 do seu Regimento Interno. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1102-001.446, de 12 de setembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.734526/2018-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Redator Fl. 1863DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.500 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.721221/2013-91 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Fenelon Moscoso de Almeida, Cristiane Pires Mcnaughton, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira(substituto[a] integral), Fernando Beltcher da Silva (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de lançamento de multa isolada por compensação não homologada, com fundamento no § 17 do art. 74 da Lei 9.430/96, que fora impugnado pela contribuinte, mas mantido por acórdão da DRJ. Da referida decisão, a interessa interpôs Recurso Voluntário, onde apresenta arrazoado de defesa que será abordado no voto. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo e admite conhecimento. O processo em análise trata de multa isolada por compensação não homologada, a qual foi objeto de recente análise do Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 796.939, tendo declarado a inconstitucionalidade do § 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, mediante a sistemática de repercussão geral, conforme TEMA 736 do qual se firmou a seguinte tese, transitada em julgado em 20/06/2023: TESE: É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. TEMA 736: Constitucionalidade da multa prevista no art. 74, §§ 15 e 17, da Lei 9.430/1996 para os casos de indeferimento dos pedidos de ressarcimento e de não homologação das declarações de compensação de créditos perante a Receita Federal. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Fl. 1864DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.500 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.721221/2013-91 3 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca à compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. Fl. 1865DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.500 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.721221/2013-91 4 9. Recurso extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo. Vê-se, portanto, que o mérito já se encontra inteiramente esgotado, sendo adequado afirmar que não há norma jurídica vigente que autorize a cobrança de multa isolada por compensação não homologada, conforme pretendeu a administração tributária quando do lançamento ora analisado. Tal decisão é vinculante, conforme determinam os arts. 98 e 99 do RICARF, razão pela qual a multa em apreço deve ser integralmente exonerada, porquanto inconstitucional o fundamento legal de sua exigência. Considerando o provimento do recurso e o fato do reconhecimento da inconstitucionalidade ora mencionada, não se faz necessário analisar os demais pontos de defesa, pois perdem o objeto. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Redator Fl. 1866DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001936/2004-47
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/03/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. TEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso voluntário interposto após o trintídio previsto no caput do art. 33 do Decreto n°70.235/1972.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3403-000.367
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, por ser intempestivo nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DOMINGOS DE SÁ FILHO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 28/02/1999 a 31/03/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. TEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o trintídio previsto no caput do art. 33 do Decreto n°70.235/1972. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Numero do processo: 15746.721417/2021-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020
ATOS ADMINISTRATIVOS. NULIDADE. HIPÓTESES.
Não há que se cogitar em nulidade de lançamento ou decisão administrativa: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentando clara fundamentação normativa, motivação e caracterização dos fatos; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando, no curso do processo administrativo, há plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa; (iv) quando a decisão aprecia todos os pontos essenciais da contestação.
DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Para fins de cômputo do prazo decadencial, comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação nos fatos geradores das infrações tributárias, deve-se aplicar a norma prevista no inciso I do art. 173 do CTN, qual seja, o prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
ATOS NORMATIVOS. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE.
Aos agentes administrativos não é dado apreciar questões que importem na negativa da eficácia de preceitos normativos, em especial as que versem acerca da consonância de tais preceitos com a Constituição da República. São de inarredável competência do Poder Judiciário, seu intérprete qualificado. Inteligência do art. 26-A do Decreto n. 70.235, de 1972.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao requerente demonstrar e comprovar, mediante provas hábeis e inidôneas, a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
OMISSÕES. INCORREÇÕES. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
Uma vez comprovada a ocorrência de omissões e incorreções em obrigações acessórias previstas na legislação tributária, aplica-se a norma sancionatória instituída em lei válida e vigente.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Os tributos federais pagos com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a teor do disposto no art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 3º, do art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, que se encontram em plena vigência. Súmula CARF nº 4.
JUROS SOBRE MULTA. LEGALIDADE.
A legislação vigente determina que os juros incidam sobre o débito existente em relação à União, este obviamente decorrente de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil e que inclui também a multa de ofício no caso de lançamento de ofício. Súmula CARF nº 108.
MULTA DE OFÍCIO.
Constatada a infração tributária, deve ser aplicada a multa de ofício nos moldes da legislação que a instituiu, sendo o princípio da estrita legalidade o paradigma de atuação no âmbito da Administração Tributária.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. EXISTÊNCIA DEMONSTRADA.
Compõe grupo econômico de fato as empresas controladas e administradas conjunta e unitariamente, de forma que se confunde numa mesma pessoa a administração e controle interno, e a própria atuação de mercado.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS EMPRESAS INTEGRANTES DO GRUPO.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelos débitos fiscais.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. CABIMENTO.
Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. CABIMENTO.
A imputação de responsabilidade tributária aos sócios e administradores se faz presente quando ocorre a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, quando demonstrado através de elementos fáticos que os imputados eram administradores da empresa.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO.
Conforme estabelecido na Nota SEI n.º 63/2018/CRJ/PGFN-MF, que produz efeitos vinculantes no âmbito da RFB, o conceito de insumos, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. TERCEIRIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. NÃO CARACTERIZADO NO CASO DOS AUTOS.
Falta de demonstração de idoneidade da empresa prestadora de serviços. Realidade fática diferente da realidade alegada. A legislação tributária permite o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS não-cumulativa decorrente da prestação de serviços, desde que haja independência entre as pessoas jurídicas da relação negocial. No entanto, esta não é a hipótese dos autos, porque não há independência gerencial e econômica entre contratante e contratada, constituindo-se, em verdade, na mesma pessoa jurídica, impossibilitando o creditamento
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. VALE-REFEIÇÃO OU VALE-ALIMENTAÇÃO.
Somente a pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção poderá descontar créditos calculados em relação 0vale-refeição ou vale-alimentação fornecidos aos empregados e desde que relativos à mão-de-obra empregada nessas atividades.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. ALUGUEL DE PRÉDIO. COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTE. NECESSIDADE DE PROVAS.
Não havendo nos autos provas que infirmem as conclusões devidamente documentadas pela fiscalização de que as operações em que se pretende o creditamento não são tributadas, deve ser mantida a glosa.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE E FRETE. NÃO CARACTERIZADO NO CASO DOS AUTOS.
Falta de demonstração de idoneidade da empresa prestadora de serviços. Realidade fática diferente da realidade alegada. A legislação tributária permite o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS não-cumulativa decorrente da prestação de serviços, desde que haja independência entre as pessoas jurídicas da relação negocial. No entanto, esta não é a hipótese dos autos, porque não há independência gerencial e econômica entre contratante e contratada, constituindo-se, em verdade, na mesma pessoa jurídica, impossibilitando o creditamento.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO.
Conforme estabelecido na Nota SEI n.º 63/2018/CRJ/PGFN-MF, que produz efeitos vinculantes no âmbito da RFB, o conceito de insumos, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. TERCEIRIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. NÃO CARACTERIZADO NO CASO DOS AUTOS.
Falta de demonstração de idoneidade da empresa prestadora de serviços. Realidade fática diferente da realidade alegada. A legislação tributária permite o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS não-cumulativa decorrente da prestação de serviços, desde que haja independência entre as pessoas jurídicas da relação negocial. No entanto, esta não é a hipótese dos autos, porque não há independência gerencial e econômica entre contratante e contratada, constituindo-se, em verdade, na mesma pessoa jurídica, impossibilitando o creditamento
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. VALE-REFEIÇÃO OU VALE-ALIMENTAÇÃO.
Somente a pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção poderá descontar créditos calculados em relação 0vale-refeição ou vale-alimentação fornecidos aos empregados e desde que relativos à mão-de-obra empregada nessas atividades.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. ALUGUEL DE PRÉDIO. COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTE. NECESSIDADE DE PROVAS.
Não havendo nos autos provas que infirmem as conclusões devidamente documentadas pela fiscalização de que as operações em que se pretende o creditamento não são tributadas, deve ser mantida a glosa.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE E FRETE. NÃO CARACTERIZADO NO CASO DOS AUTOS.
Falta de demonstração de idoneidade da empresa prestadora de serviços. Realidade fática diferente da realidade alegada. A legislação tributária permite o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS não-cumulativa decorrente da prestação de serviços, desde que haja independência entre as pessoas jurídicas da relação negocial. No entanto, esta não é a hipótese dos autos, porque não há independência gerencial e econômica entre contratante e contratada, constituindo-se, em verdade, na mesma pessoa jurídica, impossibilitando o creditamento.
Numero da decisão: 3201-012.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento aos Recursos Voluntários.
Assinado Digitalmente
Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow – Relator
Assinado Digitalmente
Helcio Lafeta Reis – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto[a] integral), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafeta Reis(Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituído(a) pelo(a)conselheiro(a) Luiz Carlos de Barros Pereira.
Nome do relator: RODRIGO PINHEIRO LUCAS RISTOW
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Para fins de cômputo do prazo decadencial, comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação nos fatos geradores das infrações tributárias, deve-se aplicar a norma prevista no inciso I do art. 173 do CTN, qual seja, o prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ATOS NORMATIVOS. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. Aos agentes administrativos não é dado apreciar questões que importem na negativa da eficácia de preceitos normativos, em especial as que versem acerca da consonância de tais preceitos com a Constituição da República. São de inarredável competência do Poder Judiciário, seu intérprete qualificado. Inteligência do art. 26-A do Decreto n. 70.235, de 1972. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao requerente demonstrar e comprovar, mediante provas hábeis e inidôneas, a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. OMISSÕES. INCORREÇÕES. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Uma vez comprovada a ocorrência de omissões e incorreções em obrigações acessórias previstas na legislação tributária, aplica-se a norma sancionatória instituída em lei válida e vigente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos federais pagos com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a teor do disposto no art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 3º, do art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, que se encontram em plena vigência. Súmula CARF nº 4. JUROS SOBRE MULTA. LEGALIDADE. A legislação vigente determina que os juros incidam sobre o débito existente em relação à União, este obviamente decorrente de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil e que inclui também a multa de ofício no caso de lançamento de ofício. Súmula CARF nº 108. MULTA DE OFÍCIO. Constatada a infração tributária, deve ser aplicada a multa de ofício nos moldes da legislação que a instituiu, sendo o princípio da estrita legalidade o paradigma de atuação no âmbito da Administração Tributária. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020 GRUPO ECONÔMICO DE FATO. EXISTÊNCIA DEMONSTRADA. Compõe grupo econômico de fato as empresas controladas e administradas conjunta e unitariamente, de forma que se confunde numa mesma pessoa a administração e controle interno, e a própria atuação de mercado. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS EMPRESAS INTEGRANTES DO GRUPO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelos débitos fiscais. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. CABIMENTO. A imputação de responsabilidade tributária aos sócios e administradores se faz presente quando ocorre a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, quando demonstrado através de elementos fáticos que os imputados eram administradores da empresa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. Conforme estabelecido na Nota SEI n.º 63/2018/CRJ/PGFN-MF, que produz efeitos vinculantes no âmbito da RFB, o conceito de insumos, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. TERCEIRIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. NÃO CARACTERIZADO NO CASO DOS AUTOS. Falta de demonstração de idoneidade da empresa prestadora de serviços. Realidade fática diferente da realidade alegada. A legislação tributária permite o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS não-cumulativa decorrente da prestação de serviços, desde que haja independência entre as pessoas jurídicas da relação negocial. No entanto, esta não é a hipótese dos autos, porque não há independência gerencial e econômica entre contratante e contratada, constituindo-se, em verdade, na mesma pessoa jurídica, impossibilitando o creditamento REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. VALE-REFEIÇÃO OU VALE-ALIMENTAÇÃO. Somente a pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção poderá descontar créditos calculados em relação 0vale-refeição ou vale-alimentação fornecidos aos empregados e desde que relativos à mão-de-obra empregada nessas atividades. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. ALUGUEL DE PRÉDIO. COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTE. NECESSIDADE DE PROVAS. Não havendo nos autos provas que infirmem as conclusões devidamente documentadas pela fiscalização de que as operações em que se pretende o creditamento não são tributadas, deve ser mantida a glosa. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE E FRETE. NÃO CARACTERIZADO NO CASO DOS AUTOS. Falta de demonstração de idoneidade da empresa prestadora de serviços. Realidade fática diferente da realidade alegada. A legislação tributária permite o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS não-cumulativa decorrente da prestação de serviços, desde que haja independência entre as pessoas jurídicas da relação negocial. No entanto, esta não é a hipótese dos autos, porque não há independência gerencial e econômica entre contratante e contratada, constituindo-se, em verdade, na mesma pessoa jurídica, impossibilitando o creditamento. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. Conforme estabelecido na Nota SEI n.º 63/2018/CRJ/PGFN-MF, que produz efeitos vinculantes no âmbito da RFB, o conceito de insumos, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. TERCEIRIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. NÃO CARACTERIZADO NO CASO DOS AUTOS. Falta de demonstração de idoneidade da empresa prestadora de serviços. Realidade fática diferente da realidade alegada. A legislação tributária permite o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS não-cumulativa decorrente da prestação de serviços, desde que haja independência entre as pessoas jurídicas da relação negocial. No entanto, esta não é a hipótese dos autos, porque não há independência gerencial e econômica entre contratante e contratada, constituindo-se, em verdade, na mesma pessoa jurídica, impossibilitando o creditamento REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. VALE-REFEIÇÃO OU VALE-ALIMENTAÇÃO. Somente a pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção poderá descontar créditos calculados em relação 0vale-refeição ou vale-alimentação fornecidos aos empregados e desde que relativos à mão-de-obra empregada nessas atividades. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. ALUGUEL DE PRÉDIO. COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTE. NECESSIDADE DE PROVAS. Não havendo nos autos provas que infirmem as conclusões devidamente documentadas pela fiscalização de que as operações em que se pretende o creditamento não são tributadas, deve ser mantida a glosa. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE E FRETE. NÃO CARACTERIZADO NO CASO DOS AUTOS. Falta de demonstração de idoneidade da empresa prestadora de serviços. Realidade fática diferente da realidade alegada. A legislação tributária permite o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS não-cumulativa decorrente da prestação de serviços, desde que haja independência entre as pessoas jurídicas da relação negocial. No entanto, esta não é a hipótese dos autos, porque não há independência gerencial e econômica entre contratante e contratada, constituindo-se, em verdade, na mesma pessoa jurídica, impossibilitando o creditamento.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-02-25T18:05:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-02-25T18:05:04Z; Last-Modified: 2025-02-25T18:05:04Z; dcterms:modified: 2025-02-25T18:05:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-02-25T18:05:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-02-25T18:05:04Z; meta:save-date: 2025-02-25T18:05:04Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-02-25T18:05:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-02-25T18:05:04Z; created: 2025-02-25T18:05:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 92; Creation-Date: 2025-02-25T18:05:04Z; pdf:charsPerPage: 1892; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-02-25T18:05:04Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 15746.721417/2021-04 ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 11 de fevereiro de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE EBEG EMBALAGENS E DESCARTAVEIS LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020 ATOS ADMINISTRATIVOS. NULIDADE. HIPÓTESES. Não há que se cogitar em nulidade de lançamento ou decisão administrativa: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentando clara fundamentação normativa, motivação e caracterização dos fatos; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando, no curso do processo administrativo, há plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa; (iv) quando a decisão aprecia todos os pontos essenciais da contestação. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Para fins de cômputo do prazo decadencial, comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação nos fatos geradores das infrações tributárias, deve-se aplicar a norma prevista no inciso I do art. 173 do CTN, qual seja, o prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ATOS NORMATIVOS. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. Aos agentes administrativos não é dado apreciar questões que importem na negativa da eficácia de preceitos normativos, em especial as que versem acerca da consonância de tais preceitos com a Constituição da República. São de inarredável competência do Poder Judiciário, seu intérprete qualificado. Inteligência do art. 26-A do Decreto n. 70.235, de 1972. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Fl. 13409DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 2 A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao requerente demonstrar e comprovar, mediante provas hábeis e inidôneas, a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. OMISSÕES. INCORREÇÕES. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Uma vez comprovada a ocorrência de omissões e incorreções em obrigações acessórias previstas na legislação tributária, aplica-se a norma sancionatória instituída em lei válida e vigente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos federais pagos com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a teor do disposto no art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 3º, do art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, que se encontram em plena vigência. Súmula CARF nº 4. JUROS SOBRE MULTA. LEGALIDADE. A legislação vigente determina que os juros incidam sobre o débito existente em relação à União, este obviamente decorrente de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil e que inclui também a multa de ofício no caso de lançamento de ofício. Súmula CARF nº 108. MULTA DE OFÍCIO. Constatada a infração tributária, deve ser aplicada a multa de ofício nos moldes da legislação que a instituiu, sendo o princípio da estrita legalidade o paradigma de atuação no âmbito da Administração Tributária. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020 GRUPO ECONÔMICO DE FATO. EXISTÊNCIA DEMONSTRADA. Compõe grupo econômico de fato as empresas controladas e administradas conjunta e unitariamente, de forma que se confunde numa Fl. 13410DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 3 mesma pessoa a administração e controle interno, e a própria atuação de mercado. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS EMPRESAS INTEGRANTES DO GRUPO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelos débitos fiscais. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. CABIMENTO. A imputação de responsabilidade tributária aos sócios e administradores se faz presente quando ocorre a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, quando demonstrado através de elementos fáticos que os imputados eram administradores da empresa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. Conforme estabelecido na Nota SEI n.º 63/2018/CRJ/PGFN-MF, que produz efeitos vinculantes no âmbito da RFB, o conceito de insumos, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. TERCEIRIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. NÃO CARACTERIZADO NO CASO DOS AUTOS. Falta de demonstração de idoneidade da empresa prestadora de serviços. Realidade fática diferente da realidade alegada. A legislação tributária permite o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS não-cumulativa decorrente da prestação de serviços, desde que haja independência entre as pessoas jurídicas da relação negocial. No entanto, esta não é a hipótese dos autos, porque não há independência gerencial e econômica entre Fl. 13411DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 4 contratante e contratada, constituindo-se, em verdade, na mesma pessoa jurídica, impossibilitando o creditamento REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. VALE-REFEIÇÃO OU VALE- ALIMENTAÇÃO. Somente a pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção poderá descontar créditos calculados em relação 0vale-refeição ou vale-alimentação fornecidos aos empregados e desde que relativos à mão-de-obra empregada nessas atividades. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. ALUGUEL DE PRÉDIO. COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTE. NECESSIDADE DE PROVAS. Não havendo nos autos provas que infirmem as conclusões devidamente documentadas pela fiscalização de que as operações em que se pretende o creditamento não são tributadas, deve ser mantida a glosa. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE E FRETE. NÃO CARACTERIZADO NO CASO DOS AUTOS. Falta de demonstração de idoneidade da empresa prestadora de serviços. Realidade fática diferente da realidade alegada. A legislação tributária permite o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS não-cumulativa decorrente da prestação de serviços, desde que haja independência entre as pessoas jurídicas da relação negocial. No entanto, esta não é a hipótese dos autos, porque não há independência gerencial e econômica entre contratante e contratada, constituindo-se, em verdade, na mesma pessoa jurídica, impossibilitando o creditamento. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. Conforme estabelecido na Nota SEI n.º 63/2018/CRJ/PGFN-MF, que produz efeitos vinculantes no âmbito da RFB, o conceito de insumos, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica. Fl. 13412DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 5 REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. TERCEIRIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. NÃO CARACTERIZADO NO CASO DOS AUTOS. Falta de demonstração de idoneidade da empresa prestadora de serviços. Realidade fática diferente da realidade alegada. A legislação tributária permite o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS não-cumulativa decorrente da prestação de serviços, desde que haja independência entre as pessoas jurídicas da relação negocial. No entanto, esta não é a hipótese dos autos, porque não há independência gerencial e econômica entre contratante e contratada, constituindo-se, em verdade, na mesma pessoa jurídica, impossibilitando o creditamento REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. VALE-REFEIÇÃO OU VALE- ALIMENTAÇÃO. Somente a pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção poderá descontar créditos calculados em relação 0vale-refeição ou vale-alimentação fornecidos aos empregados e desde que relativos à mão-de-obra empregada nessas atividades. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. ALUGUEL DE PRÉDIO. COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTE. NECESSIDADE DE PROVAS. Não havendo nos autos provas que infirmem as conclusões devidamente documentadas pela fiscalização de que as operações em que se pretende o creditamento não são tributadas, deve ser mantida a glosa. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE E FRETE. NÃO CARACTERIZADO NO CASO DOS AUTOS. Falta de demonstração de idoneidade da empresa prestadora de serviços. Realidade fática diferente da realidade alegada. A legislação tributária permite o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS não-cumulativa decorrente da prestação de serviços, desde que haja independência entre as pessoas jurídicas da relação negocial. No entanto, esta não é a hipótese dos autos, porque não há independência gerencial e econômica entre contratante e contratada, constituindo-se, em verdade, na mesma pessoa jurídica, impossibilitando o creditamento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 13413DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 6 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento aos Recursos Voluntários. Assinado Digitalmente Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow – Relator Assinado Digitalmente Helcio Lafeta Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto[a] integral), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafeta Reis(Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituído(a) pelo(a)conselheiro(a) Luiz Carlos de Barros Pereira. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ/02 que julgou improcedente a Impugnação apresentada pela Recorrente e manteve integralmente o crédito tributário. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: “Cuida-se de impugnações (fls. 12.143/12.613) em face de lançamentos fiscais a título de Contribuição para o Pis/Pasep (fls. fls. 11.977/12.003) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 12.005/12.031), nos respectivos montantes de R$ 9.283.850,77 e R$ 42.822.550,26, incluídos tributo, multa proporcional e juros de mora calculados até novembro de 2022, e de multa regulamentar no valor de R$ 4.575.406,13 por apresentação de EFD-Contribuições com informações inexatas, incompletas ou omitidas (fls. 12.033/12.044). Relata a autoridade fiscal (fls. 11.625/11.976) que na apuração das contribuições foram omitidas receitas financeiras, descontados créditos da não-cumulatividade em desacordo com a legislação e apresentadas EFD – Contribuições com informações inexatas, incompletas ou omitidas. Fl. 13414DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 7 Anota que, ter-se-ia verificado nas EFDs – Contribuições retificadoras, do período de janeiro/2017 a dezembro/2020, ausência de escrituração de receita bruta e base de cálculo decorrentes de receitas financeiras que somam R$ 1.075.699,61. Alude a glosa de créditos pelo sujeito passivo vinculados à aquisição de serviços utilizados como insumo, vez que estes não teriam lugar na atividade comercial de revenda de mercadorias levada a efeito pelo contribuinte, conforme art. 172, §2º, VII e VIII da Instrução Normativa nº 1.911, de 2019. Tais despesas consistiriam basicamente em: representação comercial (Eleutério’s Representações, R3 Representação), terceirização (E S Serviços), consultoria jurídica e contábil (Planefisco), vale-alimentação (Sodexo), telefonia, locações veículos, manutenções veículos (tópico 15.3). Com base no mesmo fundamento do tópico 15.3 do TVF, informa a glosa de créditos relativos a outras operações com direto ao crédito, no montante de R$ 40.000,00. Referir-se-iam à prestação de serviços supostamente efetivados pela empresa E S Serviços. Aduz a glosa dos créditos pelo sujeito passivo vinculados à aquisição de bens utilizados como insumo, porquanto em desacordo com o art. 172, §1º, III, da Instrução Normativa nº 1.911, de 2019 e itens 138 a 144 do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 005, de 17 de dezembro de 2018. Referidas despesas seriam relativas a combustíveis e lubrificantes. Aponta, com fundamento nos diversos motivos descritos no tópico 15.6, a glosa parcial de créditos decorrentes de despesas com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Os motivos constarão do voto. Anota a glosa parcial de créditos vinculados a aluguéis de máquinas e equipamentos, porquanto inexistiria previsão legal para creditamento. Consigna a glosa parcial de créditos vinculados a aluguéis de prédios. Haveria falta comprovação e vinculação com as atividades desenvolvidas pela empresa e ausência de transparência e da confusão administrativa, pessoal, contábil, patrimonial e financeira existentes entre as empresas do Grupo EBEG (haveria celebração de contratos simulados e fictícios). Assenta a glosa parcial de créditos vinculados à devolução de vendas sujeitas à incidência não-cumulativa. Frisa que a fiscalizada emitiu notas fiscais eletrônicas para operações de devolução de venda e cancelamento de venda utilizando-se dos CFOPs nº 1202, 2202, 1411 e 2411 (devolução de vendas) e que sobre as operações de “vendas canceladas” não haveria que se falar em creditamento das contribuições, seja por não compor as receitas tributadas ou por falta de previsão legal. Registra-se, por oportuno, que, antes de tratar das infrações constantes do tópico 15, sintetizadas acima, a autoridade fiscal relata várias informações sobre a EBEG e ligação dela com os filhos e a esposa do titular (Sr. Sebastião Eleutério Filho) e Fl. 13415DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 8 com as empresas deles (filhos e esposa). Devido as precitadas ligações restou afirmado haver formação de grupo econômico. Das informações sobre a fiscalizada 1.Do contrato social e alterações Aponta que a empresa foi constituída em 10/11/1999 pelos sócios Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério (menor) e desde 29/01/2013 tem como único titular do capital social o Sr. Sebastião Eleutério Filho - CPF n° 675.650.268-91. Possui várias filiais. A matriz (03.498.812/000105) está cadastrada no CNAE n° 1731-1-00 - Fabricação de embalagens de papel (atividade principal) e em diversos CNAE correspondentes a fabricação de outros produtos e de comercio atacadista (atividade secundária). Pertence ao Grupo EBEG e é comandada pela Família Eleutério (Grupo EBEB = Família Eleutério). Optou pela tributação com base no lucro real - trimestral - AC 2017 a 2020. 2.Da transformação da empresa individual de responsabilidade limitada - EIRELI em sociedade limitada unipessoal no curso da ação fiscal Menciona que no início da ação fiscal o nome empresarial da Notificada era EBEG EMBALAGENS DESCARTÁVEIS EIRELI, empresa individual, e a partir 21/06/2021 passou a ser uma sociedade empresária Limitada, conforme documentos extraídos do sítio da www.Jucesp.sp.gov.br às fls. 6978/6981, denominando-se EBEG EMBALAGENS DESCARTÁVEIS LTDA. Continuou como único sócio o Sr. Sebastião Eleutério Filho e capital social de R$ 1.000.000,00, totalmente integralizado. 3.Do imóvel localizado à Rua Mauri lio Biagi, 800 - Salas 61 e 62 - Santa Cruz do José - Ribeirão Preto/SP Diz que entre 23/06/2015 e 07/07/2015 a Notificada teve sua sede localizada na Rua Maurilio Biagi, 800 - Sala 61 - Santa Cruz do José J - Ribeirão Preto - SP cep: 14020-750. Este imóvel pertenceria à RSG CONSULTORIA LTDA (hoje denominada de RSG Administradora de Imóveis Ltda), empresa patrimonial do Grupo EBEG, com valor inicial de locação de R$ 30.000,00, estando o contrato ainda em vigor. Informa que no período de 01/2017 a 12/2020 foram pagos pela Notificada aluguéis que totalizaram o valor de R$ 1.789.271,00, cujas informações foram extraídas da Escrita Contábil da locatária RSG Administradora de Imóveis Ltda (conta contábil n° 444 - Aluguéis e arrendamentos), vez que por intermédio da escrituração contábil da fiscalizada não teria sido possível identificar os imóveis locados e nem a destinação dos pagamentos. Apregoa que, em 07/07/2015, a Notificada retornou para a Rua Fidêncio Ramos, 160 - São Paulo/SP. Muito embora tenha mantido sua sede/domicílio tributário no imóvel da Rua Maurílio Biagi, 800 por apenas por 14 dias, o contrato continuou ativo e a Autuada arcando com o pagamento dos aluguéis. Sustenta que desde 07/07/2015 (mesma data da alteração do domicílio da fiscalizada) a empresa E S SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS EIRELI - CNPJ n° 17.558.762/0001-00 está sediada na Av. Maurílio Biagi, 800 - Sala 62 - Santa Cruz Fl. 13416DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 9 do José - Ribeirão Preto/SP (fl. 7652). Acrescenta, referida empresa foi constituída em 31/01/2013 e tem como empresária individual a Sra. Maria Graziella Silva Eleutério - CPF n° 252.918.948-06, esposa do Sr. Sebastião Eleutério Filho. É optante pelo simples nacional e está cadastrada no CNAE: 8211-3-00 Serviços combinados de escritório e apoio administrativo. Foi aberta com nome empresarial Comercial EBEG Embalagens e Descartáveis Eireli, alterando em 07/07/2015 para EBEG Serviços Administrativos Eireli e em 06/08/2015 para E S Serviços Administrativos Eireli. Evidencia que desde 31/08/2015 a empresa R3 LOG BROKER E LOGÍSTICA também tem sua sede à Rua Maurilio Biagi, 800 - 2º andar, sala 210, Edifício Spasse Office, Santa Cruz do José Jacques - Ribeirão Preto – SP, com custo de locação mensal de R$ 2.089,78 (mês 12/2020). Esta empresa pertenceria ao Grupo EBEG, e também teria celebrado contrato simulado de prestação de serviços de transporte com a fiscalizada. Intimada a justificar o porquê de não haver qualquer estabelecimento da Notificada funcionando no imóvel que locou (Rua Maurílio Biagi, 800), desde 07/07/2015. Teria afirmado, em síntese, que: no referido local há prestação de serviço pelos colaboradores da E S SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS EIRELI em favor da fiscalizada; que a sede administrativa é compartilhada entre os escritórios e centro de distribuição de Ribeirão Preto e da capital, em São Paulo e que as vendas da empresa são realizadas não somente através do 16-3512-3000, av. Maurílio Biagi, 800, como também por colaboradores em teletrabalho (fl. 3962). 4. Da transferência do domicílio tributário para São Paulo a partir de 2015 Aponta que a partir de 14/05/2015, sem que houvesse qualquer motivação comercial e empresarial legítima, a Notificada resolveu transferir seu domicílio tributário de Ribeirão Preto/SP para a cidade de São Paulo. A justificativa dada pela Notificada para esta decisão teria sido de pura falácia, já que toda estrutura operacional e administrativa da empresa está localizada em Ribeirão Preto/SP e, portanto, inexistiria qualquer estrutura administrativa e operacional relevante na cidade de São Paulo/SP. Neste contexto, destaca que as empresas que praticam irregularidades premeditadas e intencionalmente planejadas (sonegação, fraude e conluio), o que é o caso, tem como etapa inicial e fundamental do planejamento tributário abusivo, transferir seu domicílio tributário para um município que possui uma grande massa de contribuintes com a falsa impressão de que tal procedimento poderia dificultar a identificação das fraudes. 5. Da movimentação do quadro societário conforme os atos constitutivos arquivos na JUCESP (fls. 6919/6993), a Notificada teria sido constituída em 1999 em nome dos Srs. Roberto Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério. No ano de 2010 ocorreu a retirada do sócio Roberto e a admissão do sócio Ricardo Silva Eleutério. A partir de 2013 houve a transformação do tipo jurídico (sociedade limitada para empresa individual/EIRELI) e o único sócio passou a ser o Sr. Sebastião Eleutério Filho. Fl. 13417DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 10 Destaca que os Srs. Roberto, Rodrigo e Ricardo são filhos do Sr. Sebastião Eleutério Filho e controladores, por meio de holdings, das empresas Eleutério's Representações Ltda, R3 Representação Comercial Ltda e R3 Log Broker e Logística Ltda, as quais mantém contratos simulados com a Fiscalizada. 6. Da análise dos elementos extraídos do sítio www.ebegembalagens.com.br Tece longo comentário acerca das informações extraídas do site www.ebegmbalagens.com.br para evidenciar que nele não constam informações sobre o número de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) da Fiscalizada. O único CNPJ divulgado na página é da S. Eleutério Filho Comercial - CNPJ n° 33.364.584/0001-90. A Notificada alega que optou por ter uma empresa voltada para o "e-commerce". Verificou ainda, muita confusão: Nos trechos transcritos nos itens "C - Dos Termos e Condições e Uso" e D-Da Política de Privacidade" extraídos do sitio da www.ebeqembalaqens.com.br. Mas especificamente, no endereço https://loja.ebeq.com.br/termosdeuso, fica evidente a confusão entre a fiscalizada e as empresas Ebeg Atacado e Varejo Ltda - CNPJ n° 20.787.518/0001-24 e S. Eleutério Filho Comercial - CNPJ n° 33.463.584/0001-90. Verifica-se, no mesmo documento, o uso da razão social da Ebeg Atacado e Varejo Ltda com o CNPJ da S. Eleutério Filho Comercial e o telefone SAC: (16) 3512 3000 da fiscalizada. O fato é que antes da constituição da S. Eleutério Filho Comercial - CNPJ n° 33.463.584/0001-90, era a empresa EBEG Atacado e Varejo Limitada - CNPJ n° 20.787.518/0001-24 que "figurava" no link https://loja.ebeg.com.br e que foi encerrada em 04/09/2019. A prática adotada pelo Grupo EBEG é manter ativa a empresa do "e-commerce" por determinado ciclo temporal e é isso que aconteceu com as empresas abaixo listadas. Por qual motivo? Considerando o baixo faturamento das empresas, há fortes indícios de compras e vendas sem emissão de documentos fiscais. (...) A linha telefônica (16) 3512-3000 é de propriedade da fiscalizada e é utilizado em unidades da fiscalizada, com exceção da unidade Goiânia (62) 3412-1416 e da loja Ribeirão Preto (16) 3512-3030, cuja linha está em nome da fiscalizada. Nas informações constantes nos sistemas informatizados da RFB, verifica-se que telefone (16) 3512-3030 é utilizado pela fiscalizada, Ebeg Atacado e Varejo Ltda. - CNPJ n° 20.787.518/0001-24 (baixada) e S. Eleutério Filho Comercial - CNPJ n° 33.463.584/0001-90 (ativa). Considerando informações constantes sítio www.ebegembalagens.com.br de que a EBEG atua no mercado há mais de 32 anos, a fiscalizada foi intimada a descrever Fl. 13418DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 11 de forma objetiva e sumária, os negócios explorados pela Família Eleutério e quais seriam as empresas constituídas neste período para exploração dos negócios (TIF n° 004 - item 6.6 e TIF N° 005 - item 1), mas recusou-se a prestar as informações (fls. 154 e 3787). Após intimada, a fiscalizada apresentou telas de consultas extraídas da base de dados do INPI que indicam ser de proprietária das marcas "FACILITA & PRONTO" (desde 06/12/2016) e "FELL CARE" (desde 08/05/2018) (TIF na 004 - Item 6) (fls.218/224) e informou que "comprava os produtos com sua marca para revenda" (TIF n° 004 - Item 6.5). 7. Das alterações realizadas nos sites após início da ação fiscal Consigna que conforme pesquisas realizadas em 19/05/2022 na rede de computadores, constatou as seguintes alterações: a) Ao digitar www.ebegembalagens.com.br há um direcionamento para o link ebeg.com.br. O imóvel indicado no site (Av. Maurílio Biaggi, 800, 6º andar) pertence a RSG CONSULTORIA LTDA, empresa patrimonial da Família Eleutério e o contrato de locação foi celebrado em 01/06/2015 em nome da fiscalizada (fls. 305/320). Destaca, novamente, que não há nenhum estabelecimento formal e contratual (filial ou matriz) da Autuada em funcionamento naquele local. No citado endereço, encontra-se a empresa E S SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS EIRELI - CNPJ n° 17.558.762/0001-00, desde 07/07/2015, que está em nome da Sra. Maria Graziella Silva Eleutério - CPF n° 252.918.948-06, esposa do Sr. Sebastião Eleutério Filho (único sócio da fiscalizada). Conforme informações prestadas pela Autuada, no local são acomodados empregados contratados em nome da E S Serviços que prestam serviços à Notificada. Segundo informações prestadas pela E S Serviços, todos os empregados contratados em seu nome encontram-se alocados em estabelecimento da fiscalizada, utilizando-se de sua estrutura física e de equipamentos para a execução das tarefas. No entanto, no local não há estabelecimento da Fiscalizada, ou seja, há uma grande confusão administrativa, pessoal e financeira entre as empresas. b) Ao digitar https://loja.ebeg.com.br, que antes era acionado através da aba "loja virtual" disponível no www.ebeaembalagens.com.br, hoje há um direcionamento para o link lojaebeg.com.br. Portanto, hoje não há mais o endereço www.ebegembalaqens.com.br e, consequentemente, o acesso a loja virtual https://loja.ebeq.com.br não está mais disponível nesse endereço. O CNPJ n° 33.463.584/0001-90 que aparece no site lojaebeg.com.br, pertence à empresa S ELEUTÉRIO FILHO COMERCIAL (único sócio: Sebastião Eleutério Filho), que seria a empresa do "e-commerce" atualmente ativa do Grupo EBEG. Fl. 13419DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 12 8.Das receitas, resultados e lucros da fiscalizada (Fonte: DRE - ECF 2017 a 2020) Confeccionou uma planilha constando os resultados obtidos pela Fiscalizada no período de 2017 a 2020 e destaca o baixo resultado líquido e um custo elevado de suas despesas operacionais. Esclarece que no período de 01/2017 a 12/2020, as receitas da atividade auferidas pela fiscalizada somaram no montante de R$ 784.023.303,11. O resultado líquido foi de apenas R$ 2.575.108,30 (0,33% da RB) e distribuiu lucros no montante de R$ 1.894.849,50 (0,25% da RB). Intimada a apresentar os motivos que resultaram a empresa alcançar tão baixa lucratividade a Notificada não apresentou qualquer informação (fl.4074). 9.Da receita bruta auferida pelas empresas e-commerce Confeccionou duas planilhas onde demonstra que no período de 2017 a 2020 as empresas EBEG Atacado e Varejo Ltda (baixada em 09/2019) e S Eleutério Comercial (aberta em 04/2019), apresentaram baixo resultado líquido e custo elevado das despesas operacionais. 10.Da distribuição de lucros e dividendos apurados pela fiscalizada Após ter examinado a escrituração contábil digital (ECD) do período 2017 a 2020, constatou que os lucros distribuídos somaram R$ 2.575.631,97 e os pagamentos realizados aos sócios no período totalizaram R$ 1.894.849,50, conforme fichas razão às fls. 7866/7872. Os pagamentos foram contabilizados como sendo realizados em moeda corrente por intermédio da conta CAIXA, o que não é normal. Os rendimentos isentos e não tributáveis informados nas Declarações de Ajustes do Sr. Sebastião Eleutério Filho (fl. 7861) somaram R$ 3.046.398,98, o que diverge dos lançamentos contábeis realizados pela Notificada, conforme demonstrado abaixo. 11.Da incompatibilidade entre o faturamento e o ativo imobilizado da fiscalizada Após examinar as escriturações contábeis e fiscais, verificou que no período de 2017 a 2020 as receitas de revendas de mercadorias somaram a importância de R$ 784.023.303,11 e o ativo imobilizado da Notificada, em 31/12/2020, era de apenas R$ 4.071.858,57 e pouco se alterou em relação a 31/12/2017, que era de R$ 3.556.419,07. Vide as principais contas abaixo: A Notificada foi intimada a justificar sobre a ausência de bens imóveis e a da existência de um ativo total e imobilizado incompatível com seu faturamento. Informou que o ativo é suficiente e se utiliza de imóveis de terceiros e terceirizações por entender que seja a melhor prática de gestão administrativa e financeira (fl. 173). A Fiscalização concluiu: Pura falácia! Fl. 13420DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 13 O fato de não possuir bens imóveis e manter um ativo imobilizado incompatível com o porte da empresa é mais um indício do cometimento de fraudes/sonegação e um mecanismo de proteção patrimonial dos reais beneficiários da fiscalizada à medida o planejamento tributário ilícito implementado tem como principal objetivo sonegar tributos e carrear recursos financeiros para outras empresas do grupo por meio de contratos simulados de prestação de serviços e posteriormente redirecioná-los para empresa patrimonial (RSG Administradora de Bens Ltda). 12. Das informações divergentes do quadro de pessoal – EBEG De acordo com as informações constantes nas DIRF e GFIP e as coletadas no curso da ação fiscal, constatou que no período de 01/2017 a 12/2020, o quantitativo de empregados é divergente, conforme fontes abaixo: a)Fonte DIRF: A quantidade de empregados vinculados ao código 0561 somaram, nos anos 2017 a 2020, a quantidade de 152, 182, 283 e 257, respectivamente; b)Fonte - TIF n° 007 - Item 5: A média de empregados contratados diretamente ou por intermédio da E S Serviços durante os anos 2017 a 2020 foram, respectivamente, de 160, 177, 176 e 161 empregados (vide quadro 8.2.3). 13.Da administração e gestão da fiscalizada 13.1.Do contrato social De acordo com o contrato social datado de 24/01/2013, a administração da Notificada caberia ao Sr. Sebastião Eleutério Filho. 13.2.Dos cargos de chefia, direção e coordenação Intimada a apresentar a forma de gestão da empresa e os nomes/CPF/NIT das pessoas que ocupam ou ocuparam os cargos de direção, chefia, gerência e/ou coordenação das seguintes áreas/setores: comercial (vendas, compras), transportes, pessoal, administrativa, contábil, informática, financeira e logística, a Fiscalizada apresentou uma planilha contendo o nome, áreas/setores, CPF e PIS/PASEP, de cada um. Da análise da referida planilha, a Fiscalização concluiu que, com exceção dos empregados Alessandro da Silva Valente e Wagner Pereira, todos os demais foram contratados em nome da empresa E S SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS EIRELI, conforme relatório do sistema CNIS - Cadastro Nacional de Informações Sociais (fls. 7873/7909). Intimada, a E S SERVIÇOS informou que presta serviços terceirizados à Notificada com suporte nas áreas administrativas e financeiras, como por exemplo, contas a receber e pagar. Conforme planilha fornecida, os cargos de chefia exercidos na Notificada por funcionários contratados em nome da E S SERVIÇOS abrangem as áreas comercial, logística, pessoal, transporte, financeiro, informática, contábil e compras (fl.11670) e não resumem em áreas administrativas e financeira (contas a pagar e receber) nos termos informado pela E S Serviços. Fl. 13421DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 14 13.3. Dos reais diretores e administradores da fiscalizada Intimada a informar detalhadamente as funções e atividades desempenhadas pelos Srs. Sebastião Eleutério Filho, Ricardo Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério junto Notificada, no período de 2017 a 2020, respondeu que os filhos não exercem qualquer função ou emprego junto a fiscalizada (fl. 175). No entanto, destaca que esta resposta não é verdadeira, pois conforme elementos coletados no curso da ação fiscal, demonstraram que a Notificada é gerida e administrada diretamente pelos filhos do Sr. Sebastião, Ricardo Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério e que estes ainda se beneficiaram e sangraram, de forma fraudulenta, recursos da empresa por intermédio de contratos celebrados entre a Notificada e outras empresas por eles controladas. A Fiscalização relata os detalhes de reportagem jornalística sobre a atuação do Sr. Ricardo Silva Eleutério no desenvolvimento do spray higienizador (Linha FeelCare) para ajudar no combate da Covid-19. Lembra que a marca FeelCare pertence à Notificada (fls. 218/224). Observa que na busca de informações do local em que encontraria o spray higienizador há indicação do endereço e do sítio www.ebeembalaqens.com.br, o que passa a ser prova cabal da vinculação entre a fiscalizada x Ricardo e o spray higienizador. Conforme pesquisa no link https://www.linkedin.com/in/rodrigo- eleuterioa9a11310a/, verificou informação de que o Sr. Rodrigo Silva Eleutério seria diretor do Grupo R3 desde 10/1999. Nesta data, o Sr. Rodrigo Silva Eleutério, juntamente com o Sr. Roberto Silva Eleutério (irmão menor representado pelo Sr. Sebastião Silva Eleutério), constituía a empresa EBEG COMÉRCIO DE EMBALAGENS E DESCARTÁVEIS LTDA ME, objeto da presente ação fiscal. O Instrumento Particular de Contrato de Locação de Imóvel Para Finalidade Comercial "LOG GOIÂNIA BUSINESS PARK", celebrado em 12/06/2013 entre a Notificada e a empresa Goiânia I Incorporações Imobiliária SPE Ltda, faz referência aos e-mails do Sr. Rodrigo (rodrlgo@ebegembalagens.com.br) e tem como fiadores os Sr. Ricardo (ricardo@ebeqembalagens.com.br), Rodrigo (rodngo@ebegembalagens.com.br) e Roberto (roberto@ebegembalagens.com.br (fls.357/371), sendo mais um elemento a comprovar os estreitos vínculos administrativos com a Notificada. Conforme pesquisa realizada no link https://www Iinkedin.com/in/roberto- eleuterio3a920b155/, constatou a informação de que o Sr. Roberto Silva Eleutério é diretor da empresa R3 Log desde 04/2008. Por meio do link https://portalapas.orq.br/wp-content/uploads/2018/02/Revista acontece-59-especial-baixa.pdf, constatou que os Srs. Roberto Eleutério e Rodrigo Eleutério representaram a Notificada no recebimento do prêmio de 1º lugar da EBEG Embalagens no setor de suprimentos e embalagens. Fl. 13422DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 15 Diante do relatado, a Fiscalização concluiu que é evidente a participação direta e efetiva dos Srs. Ricardo Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério na administração e direção da Notificada e, ainda mais grave, utilizando- se desta condição para firmar contratos simulados com outras empresas por eles controladas (R3 Representação Comercial Ltda, Eleutério's Representações Ltda e R3 Log Broker e Logística Ltda) com objetivo de gerar despesas e/ou custos fictícios na Notificada; criar elementos formais que pudessem, de alguma forma, "legalizar" ou dar uma roupagem de normalidade aos pagamentos realizados às referidas empresas e, por fim, utilizar-se dos recursos financeiros para criar novas empresas de forma a formar um patrimônio paralelo e distanciálos das irregularidades e dos ilícitos praticados pela Notificada. O referido Grupo R3 (iniciais dos 3 dirigentes - Ricardo, Rodrigo e Roberto) seria composto por empresas criadas com utilização dos recursos desviados da fiscalizada por intermédio de contratos simulados. Portanto, trata-se de um grupo de fachada e nada mais é do que uma etapa traçada pelo planejamento tributário ilícito para fins de blindagem patrimonial dos administradores da fiscalizada (membros da Família Eleutério). 13.3.1. Da confecção de cartões de visita Do exame da escrituração contábil e fiscal da Notificada, constatou inúmeras notas fiscais emitidas pela Acerta Centralizadora de Serviços Administrativos Eireli - CNPJ n° 10.738.248/0001-08 decorrentes de venda de cartões de visita à empresa EBEG EMBALAGENS E DESCARTÁVEIS LTDA - CNPJ n° 03.498.812/0001- 05. Dentre as notas fiscais emitidas pela ACERTA destaca-se (fl. 11676) aquelas que trazem na descrição das mercadorias e expressão "diretoria", "Beto" (apelido comum de Roberto Eleutério) e "Ricardo Eleutério" (fls.7756/7757). Neste caso, ficou evidenciado a vinculação administrativa e gestão entre a Notificada e o Sr. Ricardo Eleutério, Rodrigo Eleutério e Roberto Eleutério. 13.3.2. Das procurações outorgadas para movimentação das contas correntes Após exame das declarações (e-financeira) fornecidas pelas instituições financeiras, constatou que os Srs. Ricardo Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério seriam representantes legais da Notificada e autorizados a movimentar a conta corrente mantida junto ao Bradesco, sendo mais uma prova da atuação deles na gestão da fiscalizada. Intimada a apresentar cópia das procurações outorgadas aos Srs. Ricardo Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério vigentes no período de 2017 a 2020, a Notificada informou que eles não são seus procuradores, não correspondendo às informações prestadas pelo Bradesco nas e-financeiras. Forneceu a procuração outorgada a Sra. Josilaine Suzana Rossetto (fls. 4001/4002) em 27/08/2020 para movimentar a conta corrente aberta junto ao Banco do Brasil (5113.000000054801). Conforme informações extraídas das GFIP, a Sra. Fl. 13423DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 16 Josilaine é contratada pela empresa E S Serviços Administrativos Eireli, desde 14/05/2012. 13.4. Das operações financeiras não contabilizadas entre a fiscalizada e seus diretores (Ricardo Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério) Após exame da escrituração contábil digital da Notificada - 01/2017 a 12/2020, identificou apenas um lançamento contábil realizado em 07/08/2019 no valor de R$ 20.871,23, que indica ter havido uma operação financeira com o diretor Sr. Rodrigo Silva Eleutério. Após autorização expressa da Notificada para acesso à sua movimentação financeira (tópicos 6.13 e 6.13.1), foram analisados os extratos bancários, sendo identificadas algumas operações (cheques compensados, depositados e/ou sacados, depósitos e/ou transferências entre contas) destinadas aos diretores, conforme relação às fls.11570/11616 e abaixo sintetizados: a)Banco Bradesco - Ag. 3376 - CC 189103: identificou cheques emitidos em favor de Ricardo Silva Eleutério no montante de R$ 211.641,48, inclusive com saque em espécie; b)Banco Bradesco - Ag. 3376 - CC 189103:identificou cheques emitidos em favor de Rodrigo Silva Eleutério no montante de R$ 43.940,00. Constatou, ainda, uma entrada e saída de recursos em 07/08/2019 no valor de R$ 20.871,23; c)Banco Bradesco - Ag. 3376 - CC 189103: identificou cheques emitidos em favor de Roberto Silva Eleutério no montante de R$ 480.756,93, inclusive com saque em espécie. 14. Das diligências realizadas no curso da ação fiscal Informa que no curso da ação fiscal realizou diligências junto a diversas empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico e que mantinham estreitas relações comerciais com a Notificada e também estavam sob controle societário dos reais administradores e beneficiários da fiscalizada, que são os Srs. Ricardo Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério, filhos do Sr. Sebastião Eleutério Filho. Ao final das diligências constatou que havia contratos simulados de prestação de serviços celebrados entre as empresas. 14.1. Da empresa E S Serviços Administrativos Eireli Empresa com sede em Ribeirão Preto/SP, seu CNPJ é 17.558.762/0001-00. Foi constituída em 31/01/2013 e tem como empresária individual a Sra. Maria Graziella Silva Eleutério - CPF n° 252.918.948-06, esposa do Sr. Sebastião Eleutério Filho, conforme ficha completa extraída da Jucesp (fls. 7951/7952). É optante pelo simples nacional e está cadastrada no CNAE: 8211-3-00 Serviços combinados de escritório e apoio administrativo. Foi constituída inicialmente com nome empresarial Comercial EBEG Embalagens e Descartáveis Eireli, alterando em 07/07/2015 para Ebeg Serviços Administrativos Eireli e em 06/08/2015 para E S Serviços Administrativos Eireli (fls. 7951/7952). Fl. 13424DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 17 Destaca que desde 07/07/2015 a empresa tem sua sede na Av. Maurilio Biagi, 800 - Sala 62 - Santa Cruz do José - Ribeirão Preto/SP, imóvel de propriedade da RSG Consultoria Ltda (empresa patrimonial da Família Eleutério - Grupo EBEG) e o contrato de locação está em nome da Notificada e é quem arca com o ônus financeiro dos aluguéis. A empresa foi intimada e reintimada a apresentar vários documentos. Forneceu parcialmente os documentos solicitados. Dentre eles, constaram as notas fiscais emitidas por terceiros destinadas a E S Serviços Administrativos Eireli, onde verificou que contém como e-mails rh@ebeg.com.br; contabilidade@ebeq.com.br; rh@ebeqembalaqens.com.br; rh1@ebeqembalaqenscombr; fiscal@ebeq. com.br (fls. 6000/6080; 6089/6208; 6214/6339; 6340/6449). Nelas, constou ainda o telefone (16) 3512-3000, que está em nome da Notificada. Tais fatos constituem indício da absoluta ingerência, controle e administração da E S Serviços por parte da Notificada. Considerando os elementos coletados no curso da ação fiscal, concluiu que a E S Serviços Administrativos Eireli é a divisão de recursos humanos das empresas do Grupo EBEG, com maior alocação de pessoal na empresa Notificada. Novamente intimada, a Notificada forneceu parcialmente os documentos e esclarecimentos solicitados, dentre os quais, destaca-se: Item 2 <> Quanto aos documentos fiscais/comprovantes de despesas com água; energia elétrica; telefone; aluguel; IPTU; condomínios; suprimentos e materiais de escritório, uniformes e crachás fornecidos aos funcionários; honorários contábeis; despesas com exames ocupacionais e de admissão, a empresa informou que “não possui tais comprovantes de despesas, uma vez que exerce sua atividade no estabelecimento da pessoa jurídica tomadora” (fl.6737); Item 4 <> Em síntese, a empresa não tem sede própria, não tem móveis, máquinas e utensílios e os pagamentos aos empregados são realizados por intermédio de crédito em conta corrente. Disse que “os empregados se encontram no estabelecimento da empresa tomadora, utilizando-se de sua estrutura física e de equipamentos para execução das tarefas contratadas” (fl.6737); Item 5 <> Em relação ao contrato de locação do imóvel localizado à Rua Maurílio Biagi, 800 – sala 62, Santa Cruz do José Jacques, Ribeirão Preto/SP, que é utilizado nos atos constitutivos como sede da E S Serviços Administrativos Eireli, a empresa informa que deixa de apresentar “...vez que não é a locadora deste referido imóvel”. Importante destacar que o contrato de locação foi celebrado da fiscalizada e os respectivos pagamentos da locação por ela realizados. Item 6 <> Considerando que nas DIRFPs dos anos-calendário 2017 a 2020 da Sr.ª Maria Graziella Silva Eleutério, única sócia da E S Serviços Administrativos Eireli, constam recebimentos de R$ 2.090.000,00 de rendimentos isentos e não tributáveis com origem na distribuição de lucros da referida empresa, intimamos, Fl. 13425DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 18 por 4 (quatro) vezes, a empresa informar se os lucros distribuídos ao titular foram devidamente apurados na escrituração contábil ou se teriam sido limitados ao valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995? (art. 14 – Lei Complementar nº 123/2006) e se efetivamente teriam sido pagos, mas a empresa, em nenhum momento, apresentou qualquer informação (TIDF – Item 8; TIF nº 001 – Item 2; TIF nº 002 – Item 15; TIF nº 003 – Item 6). 14.2. Da empresa Eleutério’s Representações Ltda Destaca que em 10/06/2015 foi celebrado um contrato simulado de Representação Comercial entre a empresa e a fiscalizada que teve por único objetivo gerar despesas fictícias e escoar recursos financeiros da fiscalizada para as empresas do mesmo grupo econômico constituídas e administradas pelos filhos do Sr. Sebastião Eleutério Filho como parte de um planejamento tributário abusivo e ilícito e de blindagem patrimonial. Aponta que 90% das receitas da Eleutério’s Representação foram decorrentes de comissões pagas pela fiscalizada que apresentou cópia do Contrato de Representação Comercial celebrado em 10/06/2015 entre a fiscalizada (EBEG EMBALAGENS), representada pelo seu diretor Sebastião Eleutério Filho, e Eleutério’s Representação Ltda, representada pelos sócios Roberto Silva Eleutério, Ricardo Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério (itens 3 e 4.1). 14.3. Da empresa R3 Representação Comercial Ltda Ressalta, os históricos dos lançamentos não identificaram, com clareza e objetividade os fatos contábeis realizados, e, especificamente o nome das fontes pagadoras das receitas (item 4) (fls.7962/7970), intimamos a empresa apresentar a origem das receitas auferidas entre janeiro a dezembro/2020 e contabilizadas na conta contábil nº 302.005-3 (R$ 2.600.444,54 - ECD – R3 Representação) e, após análise do demonstrativo apresentado (fls.6895/6904), verifica-se de 99,24% das receitas são provenientes de comissões pagas pela fiscalizada (R$ 2.580.444,54). Relata que, intimada a descrever a estrutura administrativa, operacional e de pessoal existentes na empresa para geração das receitas de serviços, a empresa teria informado que toda estrutura administrativa e operacional é gerida pelos administradores e sócios Roberto Silva Eleutério, Ricardo Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério (fl.6886). Intimada a informar os nomes dos funcionários que exerceram, no período de janeiro/2017 a dezembro/2020, funções de chefia, direção, gerência e/ou coordenação das seguintes áreas/setores: comercial (vendas, compras), transportes, pessoal, administrativa, contábil, informática (TI), financeira e logística (item 6), a fiscalizada teria dito que no período de janeiro/2017 a dezembro/2020 as atividades acima descritas eram geridas pelos sócios administradores. Fl. 13426DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 19 Em relação às operações financeiras (empréstimos, mútuos, conta corrente) entre partes relacionadas, em síntese, a empresa diz tratar-se de empresas do GRUPO R3 e que não há contrato formal celebrado entre as partes (item 5). 14.4. Da empresa R3 Log Broker e Logística Ltda Conforme alteração contratual, desde 09/12/2016 tem por objeto social transporte rodoviário de cargas em geral municipal, intermunicipal, interestadual e internacional, instalação de dispensers em geral e locação de veículos, e a partir de 10/04/2017 acrescentou o comércio de produtos em geral” (fls.7971/7974). A receita bruta decorrentes da prestação de serviços de transportes e locação de veículos somou, no período de janeiro/2017 a dezembro/2018, a importância de R$ 43.411.136,68, sendo 35.446.713,82 decorrentes de serviços que teriam sido prestados à fiscalizada, o que, segundo a fiscalização, é incompatível com sua frota de veículos e com o quadro de pessoal. 14.5. Da empresa R3 Indústria de Embalagens Ltda. Em 03/03/2020 constituiu-se a empresa R3 Indústria de Embalagens Ltda – CNPJ nº 36.536.419/0001-00 tendo como sócias as holdings denominadas de RC4 Empreendimentos e Participações Ltda - CNPJ nº 33.363.936/0001-36, LFR Empreendimentos e Participações Ltda – CNPJ nº 33.363.886/0001-97 e FAR Empreendimentos e Participações Ltda – CNPJ nº 33.363.911/0001-32 que são controladas, respectivamente, pelos Srs. Ricardo Silva Eleutério, Roberto Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério (fls.7975/7977). 14.6. Da empresa EBEG Atacado e Varejo A empresa EBEG Atacado e Varejo Ltda - CNPJ n° 20.787.518/0001-24 foi constituída em 06/08/2014 e extinta em 04/09/2019. Seu quadro societário era composto pela Notificada (50%) e Sr. Sebastião Eleutério Filho (50%) (fls. 7978/7979). Ao examinar as informações constantes nas GFIP constatou que os empregados foram transferidos para a empresa S. Eleutério Filho Comercial - CNPJ n° 33.463.584/0001-90 (vide tópico 5.6.1). Fez planilha contendo a discriminação destes empregados. A EBEG Atacado e Varejo era uma empresa varejista (e-commerce) do Grupo EBEG. A prática adotada pelo grupo era manter ativa a empresa do "e- commerce" por determinado ciclo temporal e é isso que aconteceu com as empresas abaixo relacionadas: Após intimação, a Fiscalização verificou que no período de 2017 a 2019 pagou à E S Serviços Administrativos Eireli a importância de R$ 1.440.000,00 decorrente de prestação de serviços de escritório em geral e apoio administrativo. Informou que o negócio é o mesmo explorado pela R S Eleutério (antes) e pela S Eleutério Filho Comercial (depois) e que houve a transferência de empregados e ativos e que o Fl. 13427DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 20 encerramento de suas atividades se deu por razões de reestruturação da empresa sob orientações da assessoria contábil. 14.7. Da empresa S. Eleutério Filho Comercial Possui como único titular o Sr. Sebastião Eleutério Filho. Antes de sua constituição, o local e o negócio eram explorados pelo Grupo EBEG utilizando-se da empresa EBEG Atacado e Varejo Limitada. Ao examinar as GFIP relativas ao período de 04/2019 a 12/2020, constatou que a maioria dos empregados da S Eleutério Filho Comercial vieram da empresa EBEG Atacado e Varejo Ltda. É a atual empresa varejista (e-commerce) do Grupo EBEG. Intimada várias vezes, a empresa apresentou parcialmente os esclarecimento e documentos solicitados. Apresentou nomes dos empregados em cargos de chefia (quadro abaixo) e que, dentre as empresas do grupo EBEG, mantém relações comerciais apenas a R3 LOG BROKER nas atividades de transportes: A Aline Cassanta Silva é contratada em nome da E S Serviços Administrativos Eireli. Intimada a esclarecer a utilização do sítio www.ebegmbalagens.com.br e link https://loja.ebeg.com.br, respondeu que “não haver, nem nunca ter havido, confusão patrimonial, sendo o patrimônio de cada uma das empresas próprio e distinto uma da outra, pois fruto do desenvolvimento regular das suas respectivas atividades empresárias" (fl. 7604). 14.8. Da empresa RSG Administradora de Imóveis Ltda Em 21/11/2012, o Sr. Sebastião Eleutério Filho e seu filhos Ricardo Eleutério Filho, Roberto Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério constituíram a empresa RSG Consultoria Ltda - CNPJ n° 17.216.525/0001-61 (desde 14/04/2016 denominada de RSG Administradora de Imóveis Ltda). A integralização do capital ocorreu por meio de incorporação de imóveis pertencentes a cada um dos referidos sócios (fls. 7982/7985), cujo objeto social era a "consultoria financeira a empresas". Tem por objeto social a compra, venda, locação e administração de imóveis próprios. Em 20/02/2014 houve a retirada do Sr. Sebastião e a redistribuição do capital aos sócios remanescentes. Em 23/09/2019 ocorreu a reorganização societária com a saída das pessoas físicas e admissão das empresas RC4 Empreendimentos e Participações Ltda - CNPJ n° 33.363.936/0001-36, LFR Empreendimentos e Participações Ltda - CNPJ n° 33.363.886/0001-97 e FAR Empreendimentos e Participações Ltda - CNPJ n° 33.363.911/0001-32 que são controladas pelas referidas pessoas físicas. Estas holdings foram constituídas em 15/04/2019. A empresa RSG é a holding patrimonial do Grupo EBEG. Intimada, a Notificada forneceu parcialmente os documentos e esclarecimentos solicitados. A resposta foi assinada pelos administradores e sócios indiretos Fl. 13428DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 21 Ricardo Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério. Apresentou os seguintes documentos: •Cópia do "Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Uso" datado de 02/03/2016, celebrado entre a RSG Administradora de Imóveis Ltda (cessionária) e Roberto Silva Eleutério (Cedente) cujo objeto é a cessão graciosa imóvel residencial localizado à Rodovia Prefeito Antônio Duarte Nogueira, s/n Km 322/333, Jardim Canadá, Ribeirão Preto/SP, o qual é utilizado como sede e domicílio tributário da empresa. Segundo consta no referido contrato, o imóvel foi cedido por 10 anos apenas para ser utilizado para fins legais, tributários e de endereço para correspondência, não sendo exercida qualquer atividade empresarial no local, nem de atendimento ao cliente (fls. 7626/7627). O imóvel pertence a Roberto Silva Eleutério e a sua esposa Fabiana Gomes Martins Eleutério. •Cópia de Instrumento Particular de Contrato de Locação Não Residencial celebrado em 01/06/2015 entre a Notificada, representada pelo seu diretor Sebastião Eleutério Filho, e a RSG Consultoria Ltda, representada pelos sócios Roberto Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério (item 3), que tem por objeto a locação do imóvel localizado à Av. Maurílio Biagi, 800. Salas 61 e 62, Edifício Corporate, Ribeirão Preto/SP. com duração de 5 (cinco) anos e preço fixado inicialmente de R$ 30.000,00 (fls. 7633/7648). •Cópia de Instrumento Particular de Contrato de Locação Residencial celebrado em 01/12/2015 entre o Sr Sebastião Eleutério Filho e sua esposa Maria Graziella Silva Eleutério e a RSG Consultoria Ltda, representada pelos sócios Roberto Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério, que tem por objeto a locação do imóvel residencial localizado à Via Marginal Dr. Hermenegildo Ulian, 2419, Anel Viário Contorno Sul Km 312 - Condomínio Colina Verde, Casa 12, Ribeirão Preto/SP, com duração de 5 (cinco) anos e preço fixado inicialmente de R$ 10.000,00 (fls. 7649/7669). A empresa RSG informou que não teve funcionários e que as funções eram desenvolvidas pelos seus sócios e pela Sra. Raíssa Marson por intermédio de contrato de prestação de serviços de escritório e outras avenças celebrado com a empresa RAÍSSA MARSON - ME - CNPJ n° 30.301.791/0001-50 celebrado em 02/05/2018 (R$ 1.000,00 mensais) constituídas dias antes da assinatura do referido contrato (25/04/2018) (fls.7665/7669). Forneceu ainda, a relação dos imóveis de sua propriedade e os empréstimos/mútuos tomados do Sr. Sebastião Eleutério Filho teria sido classificado indevidamente como mútuo e que a origem do saldo é uma cessão de direitos sobre imóveis (2014 e 2015). No que pertine às operações financeiras (empréstimos, mútuos, conta corrente) entre partes relacionadas, a empresa diz tratar-se de empresas do GRUPO R3 e que não há contrato formal celebrado entre as partes (item 2). Fl. 13429DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 22 Apresentou informações sobre uma operação de cessão de direitos sobre imóveis realizada com o Sr. Sebastião Eleutério Filho e com inúmeras inconsistências contábeis, o que indica a confusão patrimonial e financeira entre as partes. Nos demais itens, a Fiscalização relata as diligências realizadas nas empresas Eleutérios Representações Ltda, R3 Representação Comercial Ltda, R3 Log Brocker e Logística Ltda, R3 Indústria de Embalagens Ltda, EBEG Atacado e Varejo Ltda, S. Eleutério Filho Comercial e Acerta Centralizadora de Serviços Administrativos Eireli. 15.Da análise dos contratos simulados celebrados entre a fiscalizada e empresas do mesmo grupo econômico 15.1. Dos contratos simulados de prestação de serviços administrativos celebrados pela E S Serviços Administrativos Eireli Sustenta que existiriam fortes indícios dos contratos terem sido formalizados após início da presente ação fiscal. Faz longo relato acerca do contrato celebrado em 18/06/2015 com a Notificada; do contrato celebrado em 02/07/2019 com a S Eleutério Filho; sobre o quadro de empregados em nome da E S Serviços; sobre a escrituração contábil e dos extratos bancários da Notificada; sobre a escrituração contábil e fiscal da E S Serviços; para demonstrar alguns aspectos que comprovariam que a E S Serviços Administrativos é uma empresa de fachada e não preenche os requisitos exigidos que pudessem caracterizar uma terceirização lícita e ancorada nos preceitos legais (ausência de pessoalidade e subordinação; capacidade econômica da E S Serviços), a saber: a)Os nomes empresariais utilizados anteriormente pela E S Serviços tem a nítida intenção de provocar uma confusão entre a fiscalizada, qual seja: Comercial EBEG Embalagens e Descartáveis Eireli (até 07/07/2015) e EBEG Serviços Administrativos Eireli (até 06/08/2015); b)A E S Serviços não possui qualquer estrutura operacional, administrativa e de pessoal; c)O imóvel utilizado para sua sede (Rua Maurílio Biagi, 800 - sala 62, Santa Cruz do José Jacques, Ribeirão Preto/SP) pertence a RSG Administradora de Imóveis Ltda (empresa patrimonial do Grupo EBEG) e o contrato de locação está em nome da fiscalizada. Intimada por diversas vezes (TIF n° 003 - Item 5), a E S Serviços não apresentou qualquer documento e restringiu-se informar que não é locadora do referido imóvel (fl. 6738); d)No período de 2017 a 2020 (Fonte: DIRPF - AC 2017 a 2020) teriam sido distribuídos lucros a Sra. Maria Graziella Silva Eleutério no montante de R$ 2.090.000,00 e não há quaisquer registros contábeis e bancários (extratos) e, após intimada, não apresentou documentos que pudessem comprovar o recebimento de tais recursos, o que é mais um elemento a comprovar que a empresa é de fachada; (...) Fl. 13430DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 23 e)Intimada por diversas vezes a prestar esclarecimentos sobre a apuração dos lucros distribuídos ao titular nos anos calendário 2017 a 2020, não atendeu as intimações da autoridade tributária; f)No período de 2017 a 2020 os recursos "em dinheiro" declarados em DIRPFs variaram entre R$ 300.000,00 e 700.000,00. Apesar de não ser ilegal, também não é factível atualmente, e é indicador de artifícios para lastrear operações ilícitas ou lavagem de dinheiro e para dar origem a repasse de recursos a terceiros; (...) g)A E S Serviços não possui diretores e nem empregados que exerçam funções de chefia, direção e coordenação na própria empresa. Sendo assim, todos os empregados contratados em nome da E S Serviços alocados nas empresas contratantes, no caso, a fiscalizada, estão sob subordinação hierárquica das empresas contratantes; h)Não obstante a Sr.a. Maria Graziela Silva Eleutério constar como proprietária da E S Serviços, não há qualquer evidência de sua participação em qualquer ato de gestão da empresa; i)A E S Serviços não existe como uma unidade econômica de fato. Apenas foi formalmente constituída para ser "usada" de forma fraudulenta e como parte da estrutura do planejamento tributário abusivo montado pela fiscalizada e outras empresas do Grupo EBEG; j)Após análise das contas contábeis escrituradas no período de janeiro/2017 a dezembro/2020 (Diário às fls.4607/4806 e Razão analítico às fls.4807/5167), verifica-se que os registros contábeis correspondem basicamente a lançamentos nas contas caixa, bancos, despesas bancárias, folha de pagamentos (salários, 13°, férias, indenizações e aviso prévio), impostos, taxas e contribuições (IRRF, FGTS, INSS, Simples Nacional, Impostos Sindicais) e despesas vinculadas aos empregados/estagiários (Programa de alimentação do trabalhador, convênio médico odontológico, transportes de funcionários). k)Não há registros de despesas de custeio, p.ex. água, energia elétrica, telefone, aluguel, IPTU, condomínios, suprimentos e materiais de escritório, uniformes e crachás fornecidos aos funcionários; honorários contábeis; honorários advocatícios; viagens e combustíveis, cestas básicas, despesas com exames ocupacionais e de admissão; l)Intimada a descrever de forma detalhada os serviços prestados à fiscalizada, informou que dá suporte administrativo e financeiro para as empresas e exemplificou serviços de "contas a pagar e a receber"; m)No período de 01/2017 a 12/2020 a fiscalizada foi seu principal cliente; n)O Livro ou Fichas de Registro de Empregados - 2017 a 2020 foram apresentadas parcialmente; o)A empresa de assessoria contábil e fiscal e o contador responsável pela escrituração da E S Serviços são os mesmos da fiscalizada (Planefisco -Rosimeire Alves de Almeida); Fl. 13431DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 24 p)Intimada a informar se havia algum funcionário lotado na sede da empresa e se possuía bens móveis, máquinas e utensílios instalados na sede da empresa, a empresa inicialmente não respondeu aos questionamentos e, posteriormente, disse que todos os empregados se encontram nos estabelecimentos das empresas tomadoras/contratantes, utilizando-se de sua estrutura física e de equipamentos para a execução das tarefas (TIF n° 003 - Item 4); r)As notas fiscais emitidas por terceiros destinadas a E S Serviços Administrativos Eireli constam como e-mails rh@ebeacom.br; contabilidade@ebegcom.br; rh@ebeqembalagens.com.br; rh1@ebegembalagens.com.br; fiscal@ebeq.combr e consta o telefone (16) 3512-3000 que está também está em nome da fiscalizada. s)As receitas auferidas sempre estiveram muito próximas do limite permitido pelas optantes do Simples Nacional. t)Ainda que não houvesse as irregularidades e qualquer ilicitude nas terceirizações, o que não é o caso, teria que verificar se atividades desenvolvidas não seriam impeditivas de optarem pelo Simples Nacional, pois as características de cessão de mão de obra são inquestionáveis; u)A confusão entre as empresas do mesmo grupo é tão evidente que há uma nota fiscal emitida pela empresa Sodexo Pass do Brasil Serviços e Comércio S/A (convênio alimentação) contra a E S Serviços Administrativos Eireli (fl.6344) que traz uma anotação "a caneta" com a expressão "Log -Emp. 12" que pode estar fazendo referência a R3 Log (empresa do grupo) que sequer mantém contrato formal com a E S Serviços; v)Intimada a apresentar cópia dos documentos fiscais/comprovantes de despesas com água; energia elétrica; telefone; aluguel; IPTU; condomínios; suprimentos e materiais de escritório, uniformes e crachás fornecidos aos funcionários; honorários contábeis; despesas com exames ocupacionais e de admissão, afirmou que não possui tais comprovantes vez que exerce suas atividades no estabelecimento da pessoa jurídica tomadora (TIF n° 003 - Item 2). Ora, nem os comprovantes das despesas com exames ocupacionais e de admissão e de honorários contábeis existem em nome da E S Serviços! (Grifos no original) 15.2. Dos empregados formalmente contratados pela E S Serviços e seus vínculos empregatícios com a fiscalizada Apesar de a empresa E S Serviços ter celebrado três contratos de prestação de serviços administrativos com empresas do mesmo grupo econômico (EBEG Embalagens e Descartáveis Ltda (fiscalizada), EBEG Atacado e Varejo Ltda e S Eleutério Filho Comercial), o fato é que a integralidade dos empregados contratados em nome da E S Serviços estavam sob hierarquia absoluta da Notificada e há uma verdadeira confusão com as empresas "e-commerce" do grupo EBEG (EBEG Atacado e Varejo Ltda e S Eleutério Filho Comercial). Por esta razão a Fiscalização considerou que todos os empregados formalmente vinculados Fl. 13432DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 25 à E S Serviços terão seus vínculos empregatícios atrelados à Notificada. Abaixo, a Autoridade Lançadora destacou alguns aspectos apurados no curso da ação fiscal: a)O Sr. Sebastião Eleutério Filho é o único proprietário das empresas contratantes da E S Serviços, a qual tem como única proprietária sua esposa, a Sra Maria Graziella Silva Eleutério; b)A confusão entre a fiscalizada e as empresas Ebeg Atacado e Varejo Ltda - CNPJ n° 20.787.518/0001-24 e S. Eleutério Filho Comercial - CNPJ n° 33.463.584/0001- 90 é inquestionável; c)A EBEG Atacado e Varejo Ltda foi baixada em 04/09/2019 e a S Eleutério Filho Comercial, constituída em 25/04/2019, deu continuidade ao negócio explorado, sem qualquer interrupção, no mesmo endereço e se utilizando das mesmas estruturas patrimonial e administrativa (vide tópicos 7.6. e 7.7); d)No nome fantasia da S. Eleutério Filho Comercial é EBEG Atacado & Varejo, ou seja, uma grande confusão entre os nomes empresarial e fantasia das referidas empresas; e)O telefone (16) 3512-3030 está em nome da fiscalizada e nos sistemas informatizados da RFB verifica-se que o telefone também é utilizado pela Ebeg Atacado e Varejo Ltda. (baixada) e S. Eleutério Filho Comercial (ativa); f)A exploração da e-commerce (loja virtual) em nome das empresas Ebeg Atacado e Varejo Ltda (até meados de 2019) e S. Eleutério Filho Comercial (a partir de meados de 2019) dentro do próprio sítio da EBEG Embalagens (www.ebegembalagens.com.br) no link https://loja.ebeg.com.br/ tornam-nas indissociáveis entre si (tópico 5.5); g)A média mensal de empregados contratados diretamente em nome de cada uma das empresas Ebeg Atacado e Varejo e depois S Eleutério Filho Comercial gira em torno de 20 empregados; h)A E S Serviços recusou a prestar informações sobre os empregados por ela contratados que prestariam serviços a cada uma das empresas; i)A EBEG Atacado e Varejo recusou a informar os nomes e NIT dos empregados contratados pela E S Serviços e alocados na empresa no período de janeiro/2017 a julho/2019 (TIF n° 002-Item 1.4); j)A S Eleutério Filho Comercial recusou a informar os nomes e NIT dos empregados contratados pela E S Serviços e alocados na empresa no período de julho/2019 a dezembro/2020 (TIF n° 003 - Item 1.4); k)Em conformidade com as informações relatadas no tópico 8.2.3 - Quadro 1 do presente relatório, a integralidade dos empregados contratados em nome da E S Serviços estavam desenvolvendo atividades meio e fim da fiscalizada; 15.3. Da conclusão final e seus reflexos tributários Fl. 13433DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 26 Conclui que há elementos suficientes para afirmar que E S Serviços Administrativos Eireli é uma empresa de fachada utilizada, pelo menos a partir de 2015, para contratar empregados para serem alocados nas atividades da Notificada com um único objetivo de sonegar grande parte das contribuições previdenciárias e ainda gerar créditos indevidos das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Consigna que constatou no curso da ação fiscal, uma enorme confusão administrativa, contábil, financeira, recursos humanos e patrimonial propositalmente instalada entre as empresas constituídas pelo Grupo EBEG e no caso das terceirizações, entre E S Serviços Administrativos Eireli (contratada) e a fiscalizada, tornando-as indissociáveis entre si. Por tudo que foi relatado, considerou o vínculo empregatício entre a empresa EBEG Embalagens e Descartáveis Ltda - CNPJ n° 03.498.812/0001-05 e os empregados "formalmente vinculados" à empresa E S Serviços Administrativos Eireli - CNPJ n° 17.558.762/0001-00, com reflexos tributários deles decorrentes. 15.4. Do contrato simulado de representação comercial celebrado em 25/07/2014 entre a fiscalizada e a R3 Representação Comercial Ltda Frisa que, tanto a fiscalizada (representada) quanto a R3 Representação Comercial (representante) pertenceriam a um mesmo grupo econômico e ambas seriam geridas e administradas pelos Srs. Roberto Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Ricardo Silva Eleutério, filhos do Sr. Sebastião, único sócio da fiscalizada. Aponta que no contrato de representação comercial celebrado em 25/07/2014 (fls.6562/6568), a fiscalizada foi representada pelo Sr. Sebastião Eleutério Filho e a R3 Representação Comercial Ltda, pelos Srs. Roberto Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Ricardo Silva Eleutério. Faz análises das cláusulas contratuais, das informações prestadas pela contratante e pela contratada, da escrituração contábil, dos extratos bancários e das aquisições de bens de luxo não utilizados nas atividades normais da R3 Representações. Destacou os seguintes aspectos apurados no curso da ação fiscal: a)A empresa foi constituída em 30/06/2014 pelos Srs. Roberto Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Ricardo Silva Eleutério; b)Em 25/07/2014, ou seja, apenas 25 dias após sua constituição, celebrou o Contrato de Representação Comercial com a fiscalizada; c)Em 23/09/2019 ocorreu a reorganização societária com a saída das pessoas físicas da R3 Representação e admissão das holdings controladas por eles mesmos: RC4 Empreendimentos e Participações Ltda - CNPJ nº 33.363.936/0001- 36, LFR Empreendimentos e Participações Ltda – CNPJ nº 33.363.886/0001-97 e FAR Empreendimentos e Participações Ltda – CNPJ nº 33.363.911/0001-32; d)A R3 Representação não possui qualquer estrutura operacional, administrativa e de pessoal (não possui empregados); Fl. 13434DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 27 e)A sede da empresa é na residência do sócio Rodrigo Silva Eleutério, conforme Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Uso” datado de 20/06/2014; f)Além da R3 Representação, os Srs. Roberto Silva Eleutério Rodrigo Silva Eleutério e Ricardo Silva Eleutério ainda controlam a Eleutério’s Representações Ltda (vide tópico 7.2); g)Nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela R3 Representação decorrentes dos serviços de representação que teriam sido prestados à fiscalizada (fls.6940/6949), verifica-se que no campo destinado aos dados da EBEG Embalagens e Descartáveis Ltda constam os e-mails financeiro@r3log.com.br ou fiscal@r3grupo.com.br, o que é elemento indicador de uma confusão entre as empresas do mesmo grupo econômico; h)Intimada, a R3 Representação informou que todas as atividades da empresa são geridas pelos próprios sócios (não tem funcionários); i)Intimada a indicar o local (endereço) de trabalho dos sócios, a estrutura de móveis, equipamentos etc. utilizados para execução do contrato de representação comercial e detalhar as atividades de atendimento aos clientes, expedição de pedidos, cobrança, visitas aos clientes, promoção de vendas e reuniões (TIF nº 001 – Item 4), a empresa informou que seus sócios desenvolvem as atividades em campo; não recepcionam fisicamente seus clientes; o trabalho é executado de forma digital e eletrônica; não existe estrutura física de móveis etc., apenas smartphone e notebook e que, em vários casos, os contatos ocorrem com os clientes entrando em contato com os representantes e também com as representadas; j)Nestas condições, o faturamento no período de 2017 a 2020 somou a importância de R$ 12.688.128,49 e 92% (R$ 11.656.881,81) das receitas são decorrentes de comissão pagas pela fiscalizada; k)Considerando que 8% seriam decorrentes de representação comercial prestada a outras empresas, intimamos apresentar cópia destes contratos (TIF nº 001 – Item 1). A resposta é que tais contratos não foram encontrados em seus arquivos (fls.6932), o que é mais um elemento a corroborar a simulação do contrato celebrado com a fiscalizada à medida que impede qualquer comparação entre os contratos; l)A fiscalizada é gerida e administrada pelos próprios sócios da R3 Representação, que são filhos do Sr. Sebastião Eleutério Filho, único sócio formal da fiscalizada; m)A R3 Representação concedeu empréstimos/mútuos a outras empresas (R3 Indústria de Embalagens, R3 Log Broker Logística e RSG Administradora de Imóveis), mas alegou que os contratos não foram formalmente celebrados; n)Considerando que um dos objetivos da fiscalizada era sonegar tributos utilizando-se dos efeitos tributários provocados pelos contratos simulados de representação comercial (geração de despesas e custos fictícios) e, Fl. 13435DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 28 consequentemente, escoar recursos financeiros da fiscalizada (sócio: Sebastião Eleutério Filho) para irrigar o caixa de outras empresas operacionais e patrimonial (RSG Administradora de Imóveis) do grupo econômico abertas e administradas pelos filhos (sócios: Ricardo, Roberto e Rodrigo) e, ao fim, além de fomentar o crescimento paralelo das empresas abertas em nome dos filhos (denominado de Grupo R3), ainda, implementou uma blindagem patrimonial com o forte crescimento patrimonial da RSG Administradora de Imóveis Ltda. 15.5. Da conclusão e dos efeitos tributários Ressalta que no curso da ação fiscal oportunizou à fiscalizada apresentar a motivação negocial e comercial para que fossem celebrados contratos de representação comercial com duas empresas (Eleutério’s Representações Ltda e R3 Representação Comercial Ltda) que tinham o mesmo objeto social e eram controladas pelos seus gestores/administradores, Srs. Ricardo Silva Eleutério, Roberto Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério (TIF nº 006 – Item 8) e simplesmente disseram que “a negociação comercial e negocial é exatamente aquela inerente à prestação de serviços de representação comercial, ou seja, que tais pessoas jurídicas como outras parceiras desempenham função essencial no sentido de contribuir com as operações de comercialização dos produtos da requerente. Finaliza, assim: Recapitulando: Um dos objetivos era sonegar tributos utilizando-se dos efeitos tributários provocados pelos contratos simulados de representação comercial (geração de despesas e custos fictícios) e, consequentemente, escoar recursos financeiros da fiscalizada para irrigar o caixa de outras empresas do grupo econômico EBEG administrado pelos Srs. Ricardo, Roberto e Rodrigo, filhos do único sócio da fiscalizada, e ainda, fomentar o crescimento paralelo de empresas abertas em nome dos filhos e buscando criar, paulatinamente, outro grupo denominado de R3 distanciando-o das ilicitudes e dos crimes tributários, ainda, implementar uma blindagem patrimonial com o crescimento forte do patrimônio da RSG Administradora de Imóveis Ltda. Nesse sentido, as comissões pagas a R3 Representação no período de janeiro/2017 a dezembro/2020 não preenche os requisitos legais para gerar créditos das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. 15.6. Do contrato simulado de representação comercial celebrado em 10/06/2015 entre a fiscalizada e a Eleutério’s Representações Ltda Acentua que, tanto a fiscalizada (representada) quanto a Eleutério’s Representações (representante) pertenceriam a um mesmo grupo econômico e ambas são geridas e administradas pelos filhos (Ricardo, Roberto e Ricardo) do Sr. Sebastião, único sócio da fiscalizada. Destacar que as cláusulas tratadas neste tópico são idênticas ao contrato celebrado com a R3 Representação Comercial e que foi analisado no tópico 8.3. Fl. 13436DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 29 Faz análises das cláusulas contratuais, das informações prestadas pela contratante e pela contratada, da escrituração contábil, dos extratos bancários e das aquisições de bens de luxo não utilizados nas atividades da Eleutério’s Representações Ltda. Sintetizou as questões relevantes coletadas no curso da ação fiscal, da seguinte forma: a)A empresa foi constituída em 21/09/1999 pelos Srs. Sebastião Eleutério Filho e seu filho Ricardo Eleutério Filho e após algumas alterações societárias, em 17/07/2015 o Sr. Sebastião e sua esposa Maria Graziella retiram-se da sociedade e admitem-se os filhos Roberto Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Ricardo Silva Eleutério (vide tópico 7.2.1); b)Em 10/06/2015, antes mesmo da alteração societária acima, a empresa celebrou o Contrato de Representação Comercial com a fiscalizada, ou seja, durante 24 dias o Sr. Sebastião figurou simultaneamente no quadro societário da Eleutério’s Representações e da fiscalizada; c)A Eleutério’s Representações não possui qualquer estrutura operacional, administrativa e de pessoal (não possui empregados); d)A sede da empresa é na residência do sócio Ricardo Silva Eleutério, conforme Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Uso” datado de 08/06/2015; e)Além da Eleutério’s Representações Ltda, os Srs. Roberto Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Ricardo Silva Eleutério ainda controlam a R3 Representação (vide tópico 8.3); f)Nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela Eleutério’s Representações Ltda decorrentes dos serviços de representação que teriam sido prestados à fiscalizada, verificou-se que no campo destinado aos dados da EBEG Embalagens e Descartáveis Ltda constam os e-mails financeiro@r3log.com.br ou fiscal@r3grupo.com.br, o que é elemento indicador de uma confusão entre as empresas do mesmo grupo econômico; g)Intimada, a Eleutério’s Representações informou que todas as atividades da empresa são geridas pelos próprios sócios; h)Intimada a indicar o local (endereço) de trabalho dos sócios, a estrutura de móveis, equipamentos etc. utilizados para execução do contrato de representação comercial e detalhar as atividades de atendimento aos clientes, expedição de pedidos, cobrança, visitas aos clientes, promoção de vendas e reuniões (TIF nº 001 – Item 4), a empresa informou que seus sócios desenvolvem as atividades em campo; não recepcionam fisicamente seus clientes; o trabalho é executado de forma digital e eletrônica; não existe estrutura física de móveis etc., apenas smartphone e notebook e que, em vários casos, os contatos ocorrem com os clientes entrando em contato com os representantes e também com as representadas; Fl. 13437DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 30 i)Nestas condições, o faturamento no período de 2017 a 2020 somou a importância de R$ 12.958.731,67 e 90% das receitas são decorrentes de comissão pagas pela fiscalizada; j)Considerando que 10% seriam decorrentes de representação comercial prestada a outras empresas, intimamos apresentar cópia destes contratos (TIF nº 001 – Item 1). A resposta é que tais contratos não foram encontrados em seus arquivos, o que é mais um elemento a corroborar a simulação do contrato celebrado com a fiscalizada à medida que impede qualquer comparação entre os contratos; k)Em 23/09/2019 ocorreu a reorganização societária com a saída das pessoas físicas da Eleutério’s e admissão das holdings controladas por eles mesmos: RC4 Empreendimentos e Participações Ltda - CNPJ nº 33.363.936/0001-36, LFR Empreendimentos e Participações Ltda – CNPJ nº 33.363.886/0001-97 e FAR Empreendimentos e Participações Ltda – CNPJ nº 33.363.911/0001-32. l)A Eleutério’s Representações concedeu empréstimos/mútuos às holdings acima citadas, R3 Distribuição Alimentar e a RSG Administradora de Imóveis), mas alegou que os contratos não foram formalmente celebrados; m)A fiscalizada é gerida e administrada pelos próprios sócios da R3 Representação, que são filhos do Sr. Sebastião Eleutério Filho, único sócio formal da fiscalizada. 15.6. Da conclusão e dos efeitos tributários Ao final, diz: Recapitulando: Um dos objetivos era sonegar tributos utilizando-se dos efeitos tributários provocados pelos contratos simulados de representação comercial (geração de despesas e custos fictícios) e, consequentemente, escoar recursos financeiros da fiscalizada para irrigar o caixa de outras empresas do grupo econômico EBEG administrado pelos Srs. Ricardo, Roberto e Rodrigo, filhos do único sócio da fiscalizada, e ainda, fomentar o crescimento paralelo de empresas abertas em nome dos filhos e buscando criar, paulatinamente, outro grupo denominado de R3 distanciando-o das ilicitudes e dos crimes tributários, ainda, implementar uma blindagem patrimonial com o crescimento forte do patrimônio da RSG Administradora de Imóveis Ltda. Nesse sentido, as comissões pagas a Eleutério’s Representações no período de janeiro/2017 a dezembro/2020 não preenche os requisitos legais para gerar créditos das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. 15.7. Dos contratos de prestação de serviços de transporte e de locação celebrados com a R3 Log Broker e Logística Ltda A autoridade fiscal faz uma extensa explanação da análise feita sobre: os Contrato de Prestação de Serviço de Transporte celebrado em 03/10/2016 e o Contrato de Locação de Veículos celebrado em 01/02/2017, ambos celebrados entre a R3 LOG e a fiscalizada. Reporta-se à frota de veículos utilizada (própria e de terceiros) pela Fl. 13438DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 31 R3 LOG na prestação de serviços de transportes; a receita auferida pela R3 LOG – 01/2017 a 12/2020; o quadro de pessoal e dos contribuintes individuais (autônomos), às despesas e custos contabilizados pela R3 LOG vinculados às atividades de transportes de cargas; a frota de veículos utilizada pela fiscalizada, os custos contabilizados pela fiscalizada decorrentes da contratação de serviços de transportes (fretes) de terceiros; as despesas e custos contabilizados pela fiscalizada vinculados às atividades de transportes de cargas (frota própria); a movimentação financeira contabilizada e dos extratos bancários da fiscalizada; a movimentação bancária, dos resultados obtidos e dos lucros; e sobre os empréstimos a sócios, empresas do mesmo grupo econômico e aquisição de bens de luxo não utilizados nas atividades normais da R3 LOG distribuídos. Ao final, apresenta a seguinte síntese: a)A R3 LOG foi constituída em 22/04/2008 pelos Srs. Roberto Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Ricardo Silva Eleutério (vide tópico 7.4); b)Até 10/04/2017 a empresa teve por objeto social apenas o transporte rodoviário de cargas em geral municipal, intermunicipal, interestadual e internacional, instalação de dispensers em geral e locação de veículos; c)A partir de 10/04/2017 acrescentou ao objeto social o comércio de produtos em geral, mas não executou qualquer comercialização no período; d)Em 23/09/2019 ocorreu a saída das pessoas físicas do quadro societário e admissão das holdings RC4 Empreendimentos e Participações Ltda, LFR Empreendimentos Ltda e FAR Empreendimentos e Participações Ltda, que pertencem às pessoas físicas citadas na letra “a”; e)A sede da empresa está localizada na Av. Maurílio Biagi, nº 800, sala, 210, Ribeirão Preto/SP, mesmo prédio que a fiscalizada tem imóveis locados e que são utilizados pela E S Serviços, empresa de fachada do grupo EBEG (vide tópico 8.2); f)Nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas pelas empresas Eleutério’s Representações Ltda e R3 Representação Comercial decorrentes dos serviços de representação (fls.6940/6949) que teriam sido prestados à fiscalizada, verifica-se que no campo destinado aos dados da EBEG Embalagens e Descartáveis Ltda constam os e-mails financeiro@r3log.com.br ou fiscal@r3grupo.com.br, o que é elemento indicador de que efetivamente há uma confusão entre a fiscalizada e a R3 Log e de que integram um mesmo grupo econômico; g)O capital social registrado e integralizado é de R$ 22.500,00; h)Além dos veículos utilizados nas atividades da empresa, o ativo imobilizado também é composto de veículos de luxo (Range Rover, Land Rover) e uma aeronave; i)A R3 LOG concedeu e realizou operações de empréstimos a diversas empresas do mesmo grupo econômico e de suas controladoras (LFR Empreendimentos, RC4 Fl. 13439DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 32 Empreendimentos e FAR Empreendimentos), mas alegou que os contratos não foram formalmente celebrados; j)No período de janeiro/2017 a dezembro/2020 a receita bruta somou a importância de R$ 43.411.136,68, sendo 35.446.713,82 (82%) decorrentes de serviços que teriam sido prestados à fiscalizada; k)A R3 LOG é optante pelo lucro presumido, o que não é muito habitual nas empresas do setor de transporte, uma vez que o custo operacional é bastante alto, o que também é indicador de anormalidade nas operações e na escrituração contábil. 15.8. Da conclusão e dos efeitos tributários Assinala: No curso da ação fiscal ficou amplamente demonstrado que um dos objetivos era sonegar tributos utilizando-se dos efeitos tributários provocados pelos contratos simulados de representação comercial e de transportes rodoviários e intramunicipais para gerar despesas e custos fictícios e, consequentemente, reduzir a tributação e escoar recursos financeiros da fiscalizada para irrigar o caixa de outras empresas do grupo econômico EBEG administrado pelos Srs. Ricardo, Roberto e Rodrigo, filhos do único sócio da fiscalizada, e ainda, fomentar o crescimento paralelo de empresas abertas em nome dos administradores, buscando constituir, de forma artificial, outro grupo denominado de R3 e, assim, distanciá-lo das ilicitudes e dos crimes tributários cometidos pela fiscalizada e, em última análise, pelo grupo EBEG, e ainda, implementar uma blindagem patrimonial com o crescimento forte do patrimônio da RSG Administradora de Imóveis Ltda. Em relação as operações realizadas com a R3 LOG e considerando-se: a)As anomalias verificadas na elaboração e execução do contrato de prestação de serviços de transporte celebrado em 03/10/2016 (tópicos 8.5.3 e 8.5.3.1); b)Da absurda incompatibilidade entre a frota de veículos (tópico 8.5.4) e a receita auferida (tópico 8.5.5); c)Da incompatibilidade entre os custos da atividade e da receita auferida (tópico 8.5.7); d)Da não comprovação dos custos decorrentes da subcontratação de transportadores autônomos pela R3 LOG para prestar serviços de transportes rodoviários e intramunicipais (tópicos 8.5.7 e 8.5.8); e)Em conformidade com os documentos fiscais emitidos pela R3 LOG e declarados pela fiscalizada nas EFDs-Contribuições, os serviços de transportes que teriam sido prestados pela R3 Log somaram R$ 31.835.527,88, sendo R$ 19.417.573,75 de serviços de transportes rodoviários (CTe) e R$ 12.417.954,13 de fretes intramunicipais (NFSe). Ocorre que tais serviços contabilizados pela fiscalizada somaram apenas R$ 5.789.368,07 (tópico 8.5.10); Fl. 13440DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 33 f)A baixa qualidade e deficiência da escrituração contábil da fiscalizada e da R3 LOG (Tópicos 8.5.7, 8.5.10 e 8.5.11); g)Dos índices anormais de lucratividade, rentabilidade e distribuição de lucros da R3 LOG (tópico 8.5.12); h)Da falta de transparência nas relações entre as empresas do mesmo grupo e da natureza de bens de luxo incompatibilidade com as atividades da R3 LOG (tópico 8.5.13); i)A fiscalizada e a R3 LOG são comandadas pelos mesmos dirigentes (Família Eleutério); j)A R3 LOG é optante pelo lucro presumido, o que não é muito habitual nas empresas do setor de transporte em razão o alto custo operacional de suas atividades; k)Existência de uma confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas do grupo; Forma-se convicção de que o contrato de prestação de serviços de transporte celebrado de 03/10/2016 entre a R3 LOG e a fiscalizada é simulado e os serviços de transportes dele decorrente que somaram R$ 31.835.527,88, sendo R$ 19.417.573,75 de serviços de transportes rodoviários (CTe) e R$ 12.417.954,13 de fretes intramunicipais (NFSe) não foram integralmente prestados, o que implicara na glosa parcial da base de cálculo dos créditos relativos à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. 15.8. Da alteração fraudulenta dos valores das notas fiscais de aquisições com a finalidade de majorar os créditos das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Enfatiza que no curso da ação fiscal verificou-se fortes indícios de que a fiscalizada havia escriturado as EFDs-Contribuições com operações com direito a crédito (aquisição de bens para revenda) em valores divergentes e superiores aos constantes nos documentos fiscais, dentre os elementos, destaca-se abaixo o item 1 do Termo de Intimação Fiscal nº 001 (fls.2/5). Aponta os seguintes exemplos: ...a nota fiscal nº 1101 emitida pela empresa JUCELIA DA SILVA MESQUITA EMPILHADEIRAS ME que tem valor total de R$ 890,00 e foi escriturada por R$ 89.000,00; a nota fiscal nº 1648 emitida pela empresa ATF PACKING – COMÉRCIO E SERVIÇOS DE EMBALAGENS EIRELI - ME que tem valor total de R$ 914,10 e foi escriturada por R$ 91.210,00 e a nota fiscal nº 2477 emitida pela empresa RNC COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA que tem valor total de R$ 199,00 e foi escriturada por R$ 59.975,00. 15.9. Das alegações apresentadas pela fiscalizada para justificar a fraude nas bases de cálculo dos créditos das EFD – Contribuições – Originais Aduz que a fiscalizada apresentou justificativa genérica e desacompanhada de qualquer relatório, laudo ou documentos que pudessem comprovar e sustentar as Fl. 13441DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 34 alegações de que teria ocorrido erro ocasional e não intencional do sistema contratado pela fiscalizada (fl.85) Acrescenta: Evidentemente que não procede! A diferença entre a base de cálculo dos créditos vinculados às aquisições de bens para revenda escriturada nas EFDs-Contribuições – Original (fl.7859) e os custos de aquisição das mercadorias revendidas registrados na Escrituração Contábil Digital (ECD) era tão grande e escandalosa (R$ 135.270.819,58 – R$ 78.060.865,79 = R$ 57.209.953,78), que se não fosse um erro proposital/fraude para gerar créditos fictícios (R$ 135.270.819,58 – R$ 78.060.865,79 = R$ 57.209.953,78) (fls.40/73) teria sido facilmente notada e detectada através da adoção de procedimentos de simples conferência e conciliação, o que não ocorreu 16. Da qualificação da multa de ofício (150%) No curso da ação fiscal verificou-se, em síntese, as seguintes irregularidades: a)EFDs – Contribuições – Original (janeiro/2017 a dezembro/2020): a fiscalizada escriturou operações de aquisições de mercadorias com valores majorados e divergentes das notas fiscais emitidas por terceiros com a finalidade de inflar a base de cálculo dos créditos visando única e exclusivamente reduzir os valores das contribuições devidas para o PIS/Pasep e Cofins; b)Escrituração Contábil Digital (ECD): Identificou-se uma série de irregularidades nos procedimentos adotados na escrituração contábil da fiscalizada e concluiu que houve nítida intenção de dificultar a identificação das operações realizadas e, consequentemente, a origem e destinação dos recursos financeiros decorrentes de suas operações; c)No curso da ação fiscal a fiscalizada não respondeu algumas intimações e limitou-se a responder outras de forma evasiva, evitando apresentar informações claras ou simplesmente não apresentando informações e/ou esclarecimentos e, ainda, ignorou solicitações para apresentar cópia de documentos fiscais, com vistas os trabalhos da autoridade tributária; d)A fiscalizada celebrou contratos simulados de prestação de serviços com outras empresas do Grupo EBEG e com outras empresas do grupo EBEG com a única finalidade de gerar despesas, sonegar tributos e, ao fim, carrear recursos financeiros para empresa patrimonial. Em vista do exposto, concluiu que houve sonegação, fraude e conluio por parte da Fiscalizada, razão pela qual aplicou de 150%, nos termos previsto no inciso I, § 1º e 2º do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. 17.Da aplicação do inciso I do art. 173 do CTN Em virtude da comprovação da ocorrência de dolo, fraude e simulação, a decadência foi apurada com base no inciso I, do art. 173, do CTN. Fl. 13442DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 35 18.Do planejamento tributário abusivo e ilícito Enumera vários fatos societários e comerciais que fazem parte do planejamento tributário abusivo e ilícito esquematizado pela Notificada e outras empresas do Grupo EBEG para sonegar tributos e enriquecer ilicitamente a Família Eleutério. Explica que no planejamento tributário esquematizado para sonegar tributos e enriquecer ilicitamente, os beneficiários do Grupo EBEG, membros da Família Eleutério, a Notificada teve papel primordial à medida que ela que é a "fonte dos recursos" do grupo por meio da comercialização de produtos de fabricação própria e de terceiros e a principal "hospedeira" das fraudes, irregularidades e simulações realizadas para proporcionar que os recursos sonegados chegassem até as demais empresas do grupo. Para proteger o patrimônio familiar e dificultar o recebimento pelo fisco dos tributos sonegados, seus controladores cuidaram-se para não deixar bens patrimoniais em nome da Notificada e nem de seu único sócio Sebastião Eleutério Filho. As demais empresas participantes das fraudes (simulação de contratos de prestação de serviços) verificadas no curso da ação fiscal (Eleutério's Representações, R3 Representação Comercial, R3 Log Broker e E S Serviços Administrativos) também não tem bens patrimoniais, exceto a R3 Log que possui alguns veículos em seu nome. Todas as empresas do grupo têm, quase que integralmente, seu faturamento originado de negócios e pagamentos realizados pela Notificada. Elas são dependentes e orbitam em torno da fiscalizada. 19. Do grupo econômico "fato e irregular" denominado EBEG 19.1. Dos negócios, administração e das empresas do Grupo EBEG Colhe-se das afirmações feitas pela autoridade fiscal que: A Família Eleutério iniciou seus negócios com a constituição (30/11/1987) da empresa Semag Comércio e Representação Comercial Ltda, pelos Sr. Sebastião Silva Eleutério e sua esposa Maria Graziella Silva Eleutério e que tinha por objeto, à época, o comércio varejista de artigos do vestuário e representação comercial em geral. A participação dos filhos do casal (Ricardo Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério) nos quadros societários das empresas da família, iniciou- se em 16/05/1997 com a admissão do Sr. Ricardo Silva Eleutério no quadro societário da Semag. Em 17/05/2015 houve a entrada dos três filhos no quadro societário da Eleutério's Representações e em 10/11/1999 a Notificada foi constituída inicialmente em nome dos filhos Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério. A partir de 22/04/2008 algumas empresas passaram a ser constituídas exclusivamente em nome dos filhos (R3 LOG, R3 Representações, R3 Distribuição Alimentar, R3 Indústria, R3 Química), mas todas elas, com estreitas ligações e Fl. 13443DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 36 dependência econômica da Notificada, e em 23/09/2019, com a reorganização societária, suas participações nestas empresas foram transferidas para as holdings RC4 Empreendimentos e Participações Ltda, LFR Empreendimentos e Participações Ltda e FAR Empreendimentos e Participações Ltda. Todas as empresas do Grupo EBEG, sejam aquelas cujo titular é o pai (Sebastião Eleutério Filho) ou a mãe (Maria Graziella Silva Eleutério) ou em nome das holdings controladas pelos filhos (Ricardo, Rodrigo e Roberto) são geridas e administradas diretamente pelos Srs. Ricardo Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério, filhos do casal Sebastião e Maria Graziella. Relacionou em um quadro, as empresas "ativas" que compõem o Grupo EBEG. 19.2. Da ausência de bens patrimoniais em nome da fiscalizada e de sua incapacidade econômica, financeira e patrimonial Apesar de no período de 2017 a 2020 as receitas de revendas de mercadorias terem somado R$ 784.023.303,11, constatou que: a)Não há bens imóveis em nome da Notificada; b)Não há investimentos na Notificada; c)Em 31/12/2020 o ativo imobilizado da Notificada era de apenas R$ 4.071.858,57 (veículos, máquinas e móveis) e pouco se alterou em relação a 31/12/2017 que era de R$ 3.556.419,07, absolutamente incompatível com o faturamento/porte da empresa; d)No período de 01/2017 a 12/2020 o resultado líquido da fiscalizada foi de apenas R$ 2.575.108,30 (0,33% da RB), absolutamente incompatível com margem do setor atacadista; e) Os lucros distribuídos (2017 a 2020) somaram a importância de R$ 1.894.849,00 (0,25% da RB), o que também é incompatível com o porte da empresa e absurdamente desproporcional com a margem/distribuição de lucros do segmento varejista/atacadista; Dessa forma, a Notificada, única empresa do Grupo EBEG geradora de recursos à época da implementação do planejamento tributário ilícito, foi utilizada e eleita para "sonegar tributos" e, de forma proposital, seus administradores não fizeram grandes investimentos e nem adquiriram patrimônio em seu nome. 19.3. Da ausência de bens patrimoniais em nome do Sr. Sebastião Eleutério Filho Apesar de no período de 2017 a 2020 a Notificada ter faturado R$ 784.023.303,11, o seu único sócio, Sr. Sebastião Eleutério Filho, não possui bens móveis e imóveis declarados, o que, diante da fraude e sonegação aqui relatadas, é mais um indício da existência de um planejamento para fins de blindagem patrimonial. Todos os bens imóveis e os recursos financeiros do Grupo EBEG estão blindados em nomes das pessoas físicas e de empresas controladas pelos administradores da Notificada, que são filhos do Sr. Sebastião. Fl. 13444DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 37 19.4. Da blindagem patrimonial e dos valores investidos em outras empresas do grupo 19.4.1. Das holdings LFR Empreendimentos, RC4 Empreendimentos e FAR Empreendimentos Referidas holdings foram constituídas em 15/04/2019 e tem como sócio majoritário o Sr. Roberto Silva Eleutério (LFR), Ricardo Silva Eleutério (RC4) e Rodrigo Silva Eleutério (FAR). Em 31/12/2020 as holdings detinham participações societárias igualitárias nas empresas RSG Administradora de Imóveis Ltda, R3 LOG Broker Logística Ltda, Eleuterio's Representações Ltda, R3 Representação Comercial Ltda, Posto Zona Sul de Ribeirão Ltda, R3 Distribuição Alimentar Ltda, R3 Indústria de Embalagens Ltda. Em 2021, iniciou-se as participações nas empresas R3 Química Ltda e Ambalaza Indústria de Material Plástico Ltda. Não obstante R3 Indústria de Embalagens Ltda se utilizar do nome fantasia de "EMBALAZA", em 29/09/2021 as holdings constituíram uma nova empresa com sede em Manaus/AM com a denominação social de Ambalaza Indústria de Material Plástico Ltda, o que é mais um procedimento adotado pelo grupo para causar confusão entre as empresas. Todas as empresas controladas pelos administradores da Notificada sobrevivem operacionalmente com negócios realizadas com a própria Notificada, inclusive, durante o ano 2020, 93% das receitas auferidas pela R3 Indústria de Embalagens Ltda (nome fantasia: EMBALAZA) foram decorrentes de vendas de produtos à Notificada. Em 31/12/2020 a LFR possuía um capital social de R$ 1.161.793,00, patrimônio líquido de RS 7.640.597,90, ativo total de R$ 10.558.001,81 e investimentos em participações societárias no montante de R$ 7.380.096,97 e durante o ano 2020 auferiu receitas operacionais no montante de R$ 3.514.991,40. Em 31/12/2020 a RC4 possuía um capital social de RS 1.161.792,00, patrimônio líquido de RS 7.639.400,61, ativo total de R$ 11.797.795,17 e investimentos em participações societárias no montante de R$ 7.385.523,72 e durante o ano 2020 auferiu receitas operacionais no montante de R$ 3.514.991,83. Em 31/12/2020 a FAR possuía um capital social de R$ 1.161.793,00, patrimônio líquido de RS 7.640.078,85, ativo total de R$ 10.738.848,72 e investimentos em participações societárias no montante de R$ 7.655.349,96 e durante o ano 2020 auferiu receitas operacionais no montante de R$ 3.514.991,38. As empresas controladas R3 LOG Broker Logística Ltda, Eleutério's Representações Ltda, R3 Representação Comercial Ltda têm contratos simulados de prestação de serviços com a fiscalizada. Fl. 13445DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 38 19.4.2. Da RSG Administradora de Imóveis Ltda - CNPJ n° 17.216.525/0001-61 A RSG é a empresa patrimonial do Grupo EBEG. Foi constituída em 21/11/2012 com objeto social de prestar "consultoria financeira a empresas" e atualmente tem por objeto social a compra, venda, locação e administração de imóveis próprios. Não possui funcionários. Faz uma planilha onde consta uma síntese dos saldos de algumas contas e/ou grupo que demonstram a solidez e origem dos recursos investidos na RSG. 19.4.3. Do uso das empresas para aquisição de bens de luxo não utilizados nas atividades operacionais das empresas Constatou aquisição de bens de luxo (veículos e aeronaves) em nome das empresas controladas pelos administradores da Notificada e filhos do Sebastião Eleutério Filho, adquiridos com recursos financeiros provenientes de contratos simulados celebrados com a Notificada. Destacou abaixo os bens adquiridos pelas duas empresas, totalizando 7 carros de luxo de alto valor e duas aeronaves: R3 Representação Comercial Ltda <> (i) Porsche conversível esporte 2018/2019; (ii) Porsche Macan Esporte 2019/2020; (iii) Mercedes GLC 250 Matic 2018/2019; (iv) BMW X1 SDrive 2019/2019; (v) Audi Q7 e (vi) aeronave; R3 LOG Broker e Logística Ltda <> (i) Range Rover Sport 3.0 (ii) Land Rover Discovery Sport 2.0 e (iii) Aeronave 19.4.4. Dos contratos de mútuos/empréstimos celebrados entre as empresas do grupo EBEG e seus administradores Constatou a existência de inúmeros contratos de empréstimos e/ou mútuos entre as empresas, que era um mecanismo utilizado para fazer circular os recursos financeiros provenientes dos tributos sonegados pela Notificada até outras empresas abertas pelo grupo. Quando intimadas, alegaram que não houve celebração de contrato formal. Abaixo algumas situações: a)A R3 Representação concedeu empréstimos/mútuos às empresas R3 Indústria de Embalagens, R3 LOG Broker Logística e RSG Administradora de Imóveis; b)A Eleutérío's Representações concedeu empréstimos/mútuos às holdings e às empresas R3 LOG, R3 Distribuição Alimentar e a RSG Administradora de Imóveis; c)A R3 LOG concedeu empréstimos aos dirigentes/sócios Rodrigo Silva Eleutério, Ricardo Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério, no montante de R$ 2.627.000,00; d)A R3 Indústria de Embalagens Ltda, RSG Administradora de Imóveis, LFR Empreendimentos, RC4 Empreendimentos, FAR Empreendimentos realizou operações de mútuos com a R3 Log; e)A FAR, RC4 e LFR concedeu empréstimos a RSG Administradora de Imóveis; f)Os sócios/administradores Ricardo Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério concederam empréstimos a RSG Administradora de Imóveis. Fl. 13446DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 39 20.Dos bens e direitos declarados em DIRPF pelas pessoas físicas beneficiárias do Grupo EBEG e seus domicílios tributários 20.1. Da identificação e dos domicílios tributários Conforme Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), as pessoas abaixo descritas têm os seguintes endereços (domicílios tributários): ♦ Sr. Sebastião e da Sra. Graziella é Rua Fidêncio Ramos, 160, conjunto 105, Vila Olímpia - São Paulo/SP. ♦ Sr. Ricardo é a Av. Maurílio Biagi, 800, sala 210, Santa Cruz, Ribeirão Preto/SP; ♦ Sr. Rodrigo é a Av. Maurílio Biagi, 800, sala 210, Santa Cruz, Ribeirão Preto/SP; ♦ Sr. Roberto é a Av. Doutor Hermenegildo Uliam, 3015, casa 103, Condomínio Buritis, Ribeirão Preto/SP. Em relação ao domicílio tributário indicado pelo casal Sebastião Eleutério e Maria Graziella (Rua Fidêncio Ramos, 160, conjunto 105, Vila Olímpia - São Paulo/SP), fez as seguintes observações: a)Intimada e reintimada, recusou-se a apresentar cópia do contrato de locação do imóvel localizado à Av. Fidêncio Ramos, 160, Conj. 105, Vila Olimpia, São Paulo/SP (endereço já utilizado como sede da fiscalizada) com alegações de que não teria sido localizado em seus arquivos. b)Há um contrato de locação residencial celebrado em 01/12/2015 entre a RSG Consultoria Ltda (hoje RSG Administradora de Bens Imóveis Ltda) (locador) e o casal Sebastião Eleutério Filho e Maria Graziella Silva Eleutério (locatários), cujo objeto é o imóvel localizado na Via Marginal Dr. Hermenegildo Ulian, 2419, Anel Viário Contorno Sul Km 312, Condomínio Colina Verde, casa 12, CEP 14.022-050 - Ribeirão Preto/SP (fls. 7649/), e que bem possivelmente seja a residência oficial do casal. Conclui, o imóvel é residencial de propriedade da RSG que é utilizado como sede da RSG e que foi locado em 01/12/2015 ao Sr. Sebastião por RS 10.000,00 mensais (valor original) que se retirou do quadro societário da empresa em 28/02/2014. 20.2. Dos bens e direitos - Sebastião Eleutério Filho - CPF n° 675.650.268-91 Desde 19/01/2013 o Sr. Sebastião figura como único sócio da fiscalizada e também das empresas "e-commerce" do Grupo EBEG. Em 31/12/2020 os bens e direitos declarados se referem à participação societária na Notificada (RS 1.000.000,00), na empresa S. Eleutério Filho Comercial (R$ 200.000,00) e aplicações financeiras e dinheiro em poder do contribuinte (R$ 1.500.000,00). 20.3. Dos bens e direitos - Maria Graziella Silva Eleutério - CPF n° 252.918.948-06 A Sr.a Maria Graziella figura como empresária individual da E S SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS EIRELI - CNPJ n° 17.558.762/0001-00 - com sede em Ribeirão Preto/SP. Também não há bens imóveis em seu nome. Em 31/12/2020 os bens e Fl. 13447DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 40 direitos declarados se referem basicamente a participação societária na E S Serviços (R$ 100.000,00) e em aplicações financeiras e dinheiro em poder do contribuinte (R$ 600.000,00). 20.4. Dos bens e direitos - Ricardo Silva Eleutério - CPF n° 252.981.228-41 Diretor da Notificada e das demais empresas do Grupo EBEG. É sócio majoritário (99,99%) das quotas da holding RC4 Empreendimentos e Participações Ltda - CNPJ n° 33.363.936/0001- 36. Seu irmão, também diretor, Sr. Roberto Silva Eleutério, mantém 0,01% das quotas. Em 31/12/2020 os bens e direitos declarados somaram R$ 15.474.646,31 e se referem à participação societária na holding, valores expressivos de empréstimos a receber da RSG Consultoria Ltda, empresa patrimonial do Grupo, aplicações financeiras, imóveis no exterior e dinheiro em poder do contribuinte (R$ 715.000,00). 20.5. Dos bens e direitos - Rodrigo Silva Eleutério - CPF N° 267.334.958-80 Diretor da Notificada e das demais empresas do Grupo EBEG. É sócio majoritário (99,99%) das quotas da holding FAR Empreendimentos e Participações Ltda - CNPJ n° 33.363.911/0001- 32. Seu irmão, também diretor, Sr. Ricardo Silva Eleutério, mantém 0,01% das quotas. Em 31/12/2020 os bens e direitos declarados somaram R$ 18.766.550,59 e se referem à participação societária na holding, valores expressivos de empréstimos a receber da RSG Consultoria Ltda, empresa patrimonial do Grupo, aplicações financeiras, imóveis no exterior e dinheiro em poder do contribuinte (R$ 750.000,00). 20.6. Dos bens e direitos - Roberto Silva Eleutério - CPF n° 213.892.238-33 Diretor da fiscalizada e das demais empresas do Grupo EBEG. É sócio majoritário (99,99%) da holding LFR Empreendimentos e Participações Ltda - CNPJ n° 33.363.886/0001-97. Seu irmão, também diretor, Sr. Rodrigo Silva Eleutério, mantém 0,01% das quotas. Em 31/12/2020 os bens e direitos declarados somaram R$ 15.283.477,42 e se referem à participação societária na holding, valores expressivos de empréstimos a receber da RSG Consultoria Ltda, empresa patrimonial do Grupo, aplicações financeiras, imóveis no exterior e dinheiro em poder do contribuinte (RS 420.000,00). 20.7. Dos vultosos valores de "em dinheiro em poder do contribuinte" declarados na DIRPF Constatou que valores declarados em "dinheiro em poder do contribuinte" somaram R$ 3.985.000,00, conforme demonstrado abaixo: Sebastião R$ 1.500.000,00 Maria Graziella R$ 600.000,00 Fl. 13448DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 41 Ricardo R$ 715.000,00 Rodrigo R$ 750.000,00 Roberto R$ 420.000,00 Total R$ 3.985.000,00 Em relação a tais bens, tece as seguintes considerações: •A legislação tributária obriga os contribuintes declararem o dinheiro em espécie mantido em seu poder; •É uma prática adotada por todos os integrantes da Família Eleutério; •É absolutamente anormal a guarda de expressivos valores monetários fora do sistema bancário, o que pode ser considerado indícios de "lavagem de dinheiro" à medida que pode envolver recursos de "origem duvidosa" e posteriormente poder justificar uma variação patrimonial a descoberto; 21. Da responsabilidade tributária solidária - Inciso I do art. 124 do CTN 21.1 – Dos aspectos legais Faz longa explanação acerca da responsabilidade tributária solidária entre os integrantes do grupo econômico de direito e de fato, para concluir que as pessoas físicas e jurídicas, relacionadas a seguir, participaram, não somente dos resultados financeiros e econômicos, como também da operacionalização das atividades das empresas que formaram o Grupo Econômico EBEG, razão pela qual agora estão sendo responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário. Abaixo seguem os esclarecimentos feitos pela fiscalização sobre cada responsável solidário. 21.2. Do responsável tributário - Sebastião Eleutério Filho Desde 29/01/2013 é o único sócio da Notificada. Foi sócio da Eleutério's Representações Ltda - CNPJ n° 03.424.288/0001-10 até 17/07/2015 e assinou o contrato simulado de representação comercial celebrado entre a Notificada e a Eleutério's Representações Ltda datado de 10/06/2015, quando ele ainda era sócio da Eleutério's Representação e já figurava como único sócio da Notificada. Foi sócio da RSG Administradora de Imóveis Ltda até 28/02/2014, que é a empresa patrimonial da Família Eleutério e que atualmente é controlada pelas holdings que estão em nome dos filhos (Ricardo, Roberto e Rodrigo). Assinou, na condição de sócio, gestor e representante da Notificada, todos os contratos simulados celebrados entre a Autuada e as empresas integrantes do Grupo EBEG e é responsável direto pelo planejamento tributário ilícito, fraude, sonegação e conluio praticados pelo grupo econômico. 21.3. Da responsável tributária - Maria Graziella Silva Eleutério É esposa do Sr. Sebastião Eleutério Filho e figura desde 31/01/2013 como única sócia da empresa E S Serviços Administrativos Eireli - CNPJ n° 17.558.762/0001-00. Fl. 13449DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 42 Até 17/07/2015 foi sócia da empresa Eleutério's Representações Ltda - CNPJ n° 03.424.288/0001-10, que também celebrou contrato simulado de prestação de serviços com a Notificada. Em 18/06/2015 a E S Serviços celebrou contrato simulado de prestação de serviços administrativos com a Notificada e com outras empresas do Grupo EBEG. Assinou, na condição de sócia e representante da E S Serviços, todos os contratos simulados celebrados com a Notificada e participou, de forma efetiva, do planejamento tributário ilícito, fraude, sonegação e conluio praticados pelo grupo econômico. E S Serviços Administrativos Eireli é uma empresa de fachada utilizada, pelo menos a partir de 2015, para contratar empregados para serem alocados nas atividades da Notificada e paralelamente também utilizadas nas empresas "e- commerce" do grupo EBEG e que com a fiscalizada se confundem, com um único objetivo de sonegar grande parte das contribuições previdenciárias. 21.4. Do responsável tributário - Ricardo Silva Eleutério É filho do Sr. Sebastião Eleutério Filho e de Maria Graziella Silva Eleutério. Já figurou no quadro societário da fiscalizada (até 29/01/2013) e das empresas Eleuterio's Representações Ltda, R3 Log Broker e Logística Ltda, R3 Representação Comercial Ltda, RSG Consultoria Ltda (até 23/09/2019). Atualmente mantém controle indireto das empresas Eleuterio's Representações Ltda, R3 Log Broker e Logística Ltda, R3 Representação Comercial Ltda e da RSG Consultoria Ltda, dentre outras, por intermédio da participação da holding RC4 Empreendimentos e Part. Ltda - CNPJ n° 33.363.936/0001- 36. É um dos administradores da Notificada e de todas as empresas do Grupo EBEG. Representou as empresas Eleuterio's Representações Ltda, R3 Log Broker e Logística Ltda e R3 Representação Comercial Ltda nos contratos simulados celebrados com a Notificada e participou, de forma efetiva e decisiva, do planejamento tributário ilícito, fraude, sonegação e conluio praticados pelo grupo econômico. 21.5. Do responsável tributário - Roberto Silva Eleutério É filho do Sr Sebastião Eleutério Filho e Maria Graziella Silva Eleutério. Já figurou no quadro societário da Notificada até 20/09/2010 e das empresas Eleutério's Representações Ltda, R3 Log Broker e Logística Ltda, R3 Representação Comercial Ltda, RSG Consultoria Ltda até 23/09/2019. Atualmente mantém controle indireto das empresas Eleutério's Representações Ltda, R3 Log Broker e Logística Ltda, R3 Representação Comercial Ltda e da RSG Consultoria Ltda, dentre outras, por intermédio da participação da holding LFR Empreendimentos e Part. Ltda - CNPJ n° 33.363.886/0001- 97. É um dos administradores da Notificada e de todas as empresas do Grupo EBEG. Fl. 13450DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 43 Representou as empresas Eleutério's Representações Ltda, R3 Log Broker e Logística Ltda e R3 Representação Comercial Ltda nos contratos simulados celebrados com a Notificada e participou, de forma efetiva e decisiva, do planejamento tributário ilícito, fraude, sonegação e conluio praticados pelo grupo econômico. 21.6. Do responsável tributário - Rodrigo Silva Eleutério É filho do Sr. Sebastião Eleutério Filho e de Maria Graziella Silva Eleutério. Já figurou no quadro societário da fiscalizada até 29/01/2013 e das empresas Eleuterio's Representações Ltda, R3 Log Broker e Logística Ltda, R3 Representação Comercial Ltda, RSG Consultoria Ltda até 23/09/2019. Atualmente mantém controle indireto das empresas Eleuterio's Representações Ltda, R3 Log Broker e Logística Ltda, R3 Representação Comercial Ltda e da RSG Consultoria Ltda, dentre outras, por intermédio da participação da holding FAR Empreendimentos e Part Ltda - CNPJ n° 33.363.911/0001- 32. É um dos administradores da fiscalizada e de todas as empresas do Grupo EBEG. Representou as empresas Eleuterio's Representações Ltda, R3 Log Broker e Logística Ltda e R3 Representação Comercial Ltda nos contratos simulados celebrados com a Notificada e participou, de forma efetiva e decisiva, do planejamento tributário ilícito, fraude, sonegação e conluio praticados pelo grupo econômico. 21.7. Da responsável tributária - Eleutério’s Representações Ltda A Eleutério’s Representações Ltda - CNPJ nº 03.424.288/0001-10 - foi constituída em 21/09/1999 e desde 23/09/2019 é controlada pelas holdings RC4 Empreendimentos e Participações Ltda - CNPJ nº 33.363.936/0001-36, LFR Empreendimentos e Participações Ltda – CNPJ nº 33.363.886/0001-97 e FAR Empreendimentos e Participações Ltda – CNPJ nº 33.363.911/0001-32 (Vide tópico 7.2.1). A Eleutério’s Representações Ltda pertence ao grupo EBEG do qual a fiscalizada é integrante e é gerida e administrada pelos Srs. Ricardo, Roberto e Ricardo, também administradores de fato da fiscalizada e filhos do Sr. Sebastião, único sócio da fiscalizada. Em 10/06/2015 celebrou contrato simulado de representação comercial com a fiscalizada (vide tópico 8.4) e se beneficiou diretamente dos recursos sonegados. 21.8. Da responsável tributária - R3 Representação Comercial Ltda A R3 Representação Comercial Ltda – CNPJ nº 20.523.656/0001-04 foi constituída em 30/06/2014 e desde 23/09/2019 é controlada pelas holdings RC4 Empreendimentos e Participações Ltda - CNPJ nº 33.363.936/0001-36, LFR Empreendimentos e Participações Ltda – CNPJ nº 33.363.886/0001-97 e FAR Empreendimentos e Participações Ltda – CNPJ nº 33.363.911/0001-32 (Vide tópico 7.3.1). Fl. 13451DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 44 A R3 Representação Comercial Ltda pertence ao Grupo EBEG é gerida e administrada pelos Srs. Ricardo, Roberto e Ricardo, filhos do Sr. Sebastião, único sócio da fiscalizada. Em 25/07/2014 celebrou contrato simulado de representação comercial celebrado com a fiscalizada (vide tópico 8.3) e se beneficiou diretamente dos recursos sonegados. Como se pode ver, a R3 Representação foi criada em 30/06/2014 e em 25/07/2014 celebrou o contrato simulado de representação com a fiscalizada. 21.9. Da responsável tributária - R3 Log Broker e Logística Ltda A R3 Log Broker e Logística Ltda – CNPJ nº 09.521.507/0001-65 foi constituída em 22/04/2008 e desde 23/09/2019 é controlada pelas holdings RC4 Empreendimentos e Participações Ltda - CNPJ nº 33.363.936/0001-36, LFR Empreendimentos e Participações Ltda – CNPJ nº 33.363.886/0001-97 e FAR Empreendimentos e Participações Ltda – CNPJ nº 33.363.911/0001-32 (Vide tópico 7.4.1). A R3 Log Broker e Logística Ltda pertence ao Grupo EBEG e é gerida e administrada pelos Srs. Ricardo, Roberto e Ricardo, filhos do Sr. Sebastião, único sócio da fiscalizada. Em 03/10/2016 celebrou contrato simulado de prestação de serviço de transporte com a fiscalizada (vide tópico 8.5) e se beneficiou diretamente dos recursos sonegados. 21.10. Da responsável tributária - RSG Administradora de Imóveis Ltda Foi constituída em 21/11/2012 pelo Sebastião Eleutério Filho e seu filhos Ricardo Eleutério Filho, Roberto Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério. Tem por objeto social a compra, venda, locação e administração de imóveis próprios. Em 20/02/2014 houve a retirada do Sr. Sebastião e a redistribuição do capital aos filhos. Em 14/04/2016, passa a denominar-se RSG Administradora de Imóveis Ltda. Em 23/09/2019 ocorreu a reorganização societária com a saída das pessoas físicas e admissão das empresas RC4 Empreendimentos e Participações Ltda - CNPJ n° 33.363.936/0001-36, LFR Empreendimentos e Participações Ltda - CNPJ n° 33.363.886/0001-97 e FAR Empreendimentos e Participações Ltda - CNPJ n° 33.363.911/0001-32 que são controladas pelas referidas pessoas físicas. Todos os bens imóveis e os recursos financeiros do Grupo EBEG estão blindados em nomes das pessoas físicas e de empresas controladas pelos administradores da Notificada, que são filhos do Sr. Sebastião, principalmente em nome da RSG Administradora de Imóveis Ltda, que é a holding patrimonial do Grupo EBEG. 21.11. Da responsável tributária - RC4 Empreendimentos e Participações Ltda Fl. 13452DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 45 Foi constituída em 15/04/2019, quando já estava em curso o planejamento tributário ilícito e o esquema de sonegação implementado pela fiscalizada, e é controlada pelo Sr. Ricardo Silva Eleutério (99,99%) e Sr. Roberto Silva Eleutério (0,01%). É uma das holdings do Grupo EBEG que em 31/12/2020 detinha participação equivalente a 33,33% das quotas das empresas RSG Administradora de Imóveis Ltda, R3 LOG Broker Logística Ltda, Eleuterio's Representações Ltda, R3 Representação Comercial Ltda, Posto Zona Sul de Ribeirão Ltda, R3 Distribuição Alimentar Ltda, R3 Indústria de Embalagens Ltda, e se beneficiou indiretamente do esquema de sonegação levado a efeito pela Notificada e com participação direta e conluio de empresas por ela controladas e seus administradores. Em 31/12/2020 a RC4 possuía um capital social de R$ 1.161.792,00, patrimônio líquido de RS 7.639.400,61, ativo total de RS 11.797.795,17 e investimentos em participações societárias no montante de RS 7.385.523,72 e durante o ano 2020 auferiu receitas operacionais no montante de RS 3.514.991,83. Todos os bens imóveis e os recursos financeiros do Grupo EBEG estão blindados em nomes das pessoas físicas e de empresas e holdings controladas pelos administradores da Notificada. 21.12. Da responsável tributária - LFR Empreendimentos e Participações Ltda Foi constituída em 15/04/2019 e é controlada pelo Sr. Roberto Silva Eleutério (99,99%) e Sr. Rodrigo Silva Eleutério (0,01%). É uma das holdings do Grupo EBEG e em 31/12/2020 detinha participação equivalente a 33,33% das quotas das empresas RSG Administradora de Imóveis Ltda, R3 LOG Broker Logística Ltda, Eleuterio's Representações Ltda, R3 Representação Comercial Ltda, Posto Zona Sul de Ribeirão Ltda, R3 Distribuição Alimentar Ltda, R3 Indústria de Embalagens Ltda. Em 31/12/2020 a LFR possuía um capital social de R$ 1.161.793,00, patrimônio líquido de R$ 7.640.597,90, ativo total de R$ 10.558.001,81 e investimentos em participações societárias no montante de R$ 7.380.096,97 e durante o ano 2020 auferiu receitas operacionais no montante de RS 3.514.991,40. Todos os bens imóveis e os recursos financeiros do Grupo EBEG estão blindados em nomes das pessoas físicas e de empresas e holdings controladas pelos administradores da fiscalizada. 21.13. Da responsável tributária - FAR Empreendimentos e Participações Ltda Foi constituída em 15/04/2019 e é controlada pelo Sr. Rodrigo Silva Eleutério (99,99%) e Sr. Ricardo Silva Eleutério (0,01%). É uma das holdings do Grupo EBEG e em 31/12/2020 detinha participação equivalente a 33,33% das quotas das empresas RSG Administradora de Imóveis Ltda, R3 LOG Broker Logística Ltda, Eleuterio's Representações Ltda, R3 Fl. 13453DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 46 Representação Comercial Ltda, Posto Zona Sul de Ribeirão Ltda, R3 Distribuição Alimentar Ltda, R3 Indústria de Embalagens Ltda. Em 31/12/2020 a FAR possuía um capital social de R$ 1.161.793,00, patrimônio líquido de RS 7.640.078,85, ativo total de RS 10.738.848,72 e investimentos em participações societárias no montante de R$ 7.655.349,96 e durante o ano 2020 auferiu receitas operacionais no montante de RS 3.514.991,38. Todos os bens imóveis e os recursos financeiros do Grupo EBEG estão blindados em nomes das pessoas físicas e de empresas e holdings controladas pelos administradores da fiscalizada. Fez o arrolamento dos bem e Representação Fiscal Para Fins Penais. DA IMPUGNAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO PRINCIPAL O Sujeito Passivo tomou conhecimento dos lançamentos em 06/12/2022, por meio de DTE (fl. 12.112) e interpôs defesa em 29/12/2022 (fls. 12.143/12.242), alegando em síntese: Dos fatos Faz uma síntese dos fatos ocorridos durante a ação fiscalizatória. Improcedência do lançamento. Aspectos iniciais 1. Premissa. A questão do ônus da prova. Presunção e indícios. Dever de prova no lançamento Tece longa abordagem sobre ônus da prova, pois caberia à Fiscalização provar a ocorrência do fato gerador, com provas diretas, contundentes e congruentes. No entanto, a Fiscalização teria deixado de cumprir referida premissa e lavrou lançamento tendo por base mero e frágil indício, sem demonstrar, cabalmente, os elementos que justificariam a glosa dos créditos e, por conseguinte, o fato jurídico tributário. Equivocadamente, preferiu criar uma história com retalhos para sustentar um grupo econômico familiar, como se este fato fosse um verdadeiro ilícito. Aduz que por meio de indícios e puro preconceito, a Fiscalização busca tornar ilícito relações lícitas, verdadeiras e transparentes entre a Litigante e a terceirização com empresas de titularidade do filho. Infere que a segregação de atividades e terceirização não se resume às pessoas jurídicas de titularidade dos filhos. Lembra que a premissa adotada pela fiscalização, buscaria criar por conjecturas subjetivas indícios, ilicitudes, na mera terceirização e relação negocial familiar, pois em momento algum, teria provado ou mesmo alega expressamente, a inexistência dos serviços prestados. Não tem que se falar em simulação quando se tem serviços efetivamente prestados. Diz que no decorrer da defesa, tentará demonstrar que não existe qualquer prova ou demonstração de verdadeira confusão patrimonial, financeira e de gestão. Reconhece a existência de relações comerciais entre tais empresas, de forma Fl. 13454DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 47 transparente, nos termos da lei, mas não ignorando a realidade, qual seja, a existência de um vínculo familiar e afetivo que poderá em algum momento trazer algum diferencial negocial, todavia, de forma alguma, pretensões de fraude ou simulações com finalidade de lesar o fisco, principalmente, de má-fé. Colaciona entendimentos de doutrinadores. 2. Premissa. Não houve pretensão de planejamento tributário. Mesmo que fosse, seria lícito. A possibilidade de terceirização e segregação de atividades Primeiramente, deve ser abordado o fato de que, não necessariamente a impugnante terceirizou atividades, entre elas, algumas prestadas por pessoa jurídica familiar, com o propósito específico de economia fiscal. Objetivando não ter que se preocupar com a gestão de atividades relacionadas à EBEG, como parte do setor administrativo em geral, dentro da legalidade, segundo inclusive orientação da contabilidade (também terceirizada), optou pela terceirização. Por conseguinte, a condução da EBEG decorreu de uma estruturação empresarial e conveniência de gestão e não voltada para efeitos fiscais. Ao contrário do que pretendeu a Auditoria, em momento algum, houve a tomada de decisão por tal formato a fim de, dolosamente, fraudar o Fisco, a intensão foi de fato terceirizar. O olhar do setor público de que empresários empreendedores tudo fazem para fraudar o fisco em nada contribui com o país e a sociedade, somente prejudicando pessoas que lutam a dia após dia para gerar emprego, renda e, direta ou indiretamente, reverter em benefício para o Estado, mas principalmente para a sociedade. Entende que não há impedimento para a realização de um planejamento tributário. Terceirizar atividades, ou mesmo, segregar atividades entre empresas de um mesmo grupo econômico (apesar de não ser o caso em questão), são medidas totalmente lícitas e que, usualmente, são utilizadas por gestores visando entre outros efeitos a economia tributária. No caso de planejamento tributário, o importante não é a economia tributária, mas avaliar se a medida não viola a lei, se foi praticada antes do fato gerador e se os fatos são verdadeiros, inexistindo simulação. No seu caso, afirma: (i) - há clara licitude na terceirização, a qual foi realizada mediante a contratação de pessoas jurídicas formal e materialmente existentes e que prestaram seus serviços, emitiram nota fiscal, receberam da Litigante e recolheram os respectivos tributos; (ii) - tais aspectos foram todos formalizados, com contratação e pagamento realizados antes dos fatos geradores; (iii) - não houve, apesar de a Auditoria sustentar o contrário, uma simulação, pois houve efetiva prestação de serviço por tais pessoas jurídicas. Fl. 13455DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 48 Entende que eventual redução da carga fiscal configura efeitos elisivos de um planejamento tributário, não se verificando no presente caso, a evasão. Afirma que, no exercício da atividade empresarial a própria Constituição Federal garante liberdade ao gestor para estruturar medidas em favor de sua empresa. Neste contexto, poderá uma pessoa jurídica, por sua conveniência, realizar a contratação de pessoas jurídicas para a execução de certas tarefas, terceirizando- as, ao invés de executar por meio de empregados diretamente contratados. Colaciona julgado do STF, na intenção de demonstrar a constitucionalidade e legalidade da terceirização. Mesmo que se tivesse um grupo econômico, sendo as pessoas jurídicas controladas por uma líder (eventualmente, a EBEG), isto não impediria a terceirização mediante segregação de atividades entre empresas de grupo. Colaciona julgado do CARF. Aduz que é importante a confirmação de que houve prestação de serviço e consequente pagamento por esta. Tais aspectos, juntamente com aqueles jurídicos de cunho formal, como a confecção de contrato, emissão de nota fiscal e recolhimento de tributos ocorreu normalmente, o que impediria sustentar fraude, dolo, ou mesmo a inviabilidade por estes fatores do crédito de PIS e COFINS. Conclui que não realizou tais estruturações e contratações com objetivo voltado a economia tributária, muito menos a fim de lesar dolosamente o Fisco. Mesmo que a finalidade estivesse voltada ao planejamento tributário, inclusive, em um grupo econômico, a terceirização e segregação de atividades são medidas totalmente lícitas, não impedindo o gozo de créditos de PIS e COFINS. Decadência. Art. 150, § 4º. Período de 2017. Diz que o período de 01/2017 a 11/2017 é decadente nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, até porque recolheu as contribuições previdenciárias neste período. Alega que não se aplica no seu caso a contagem da decadência prevista no art. 173, I, do CTN, já que provará no decorrer da defesa, que não houve dolo ou fraude que justificasse a multa de 150%. Omissão de Receitas. Ausência de má-fé Aduz que teria havido um equívoco da assessoria que não teria atentado às receitas financeiras sob a ótica de PIS e COFINS. Reforça que não tria havido qualquer omissão dolosa. Créditos. Apuração Traça premissas gerais a respeito da não cumulatividade, do conceito de insumo e expressa interpretações acerca das legislações de regência que, segundo defende, permitiriam apuração de créditos inclusive para pessoas jurídicas preponderantemente comerciais. Cita o art. 3°, § 2°, incisos I e II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e o Art. 195, §12, da CF e sustenta que a circunstância de o legislador, na redação do texto Fl. 13456DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 49 legal, ter se utilizado de forma explícita da prestação de serviço e produção ou fabricação de produtos não levaria à conclusão irrefutável de que insumos relacionados à comercialização não geram crédito na sistemática não cumulativa. Entende que a vedação decorreria de uma construção interpretativa e não se pautaria por uma expressa vedação do legislador, de modo que a interpretação em sentido contrário seria uma construção legislativa pelo intérprete e aplicador do Direito, com suposto desrespeito à separação dos Poderes. Defende que se no setor do comércio é possível identificar insumos relevantes e inerentes ao exercício de sua atividade empresarial, não haveria como negar este direito à luz da não cumulatividade, apegando-se exclusivamente à omissão legislativa do emprego da expressão comercialização. Aduz que a negativa irrestrita do crédito para os insumos na atividade comercial não seria a intepretação mais adequada do ponto de vista constitucional, normativo e pragmático. Lembra que o TRIBUNAL DE JUSTIÇA, em sede de recurso repetitivo, nos autos do recurso especial n. 1221170/PR (temas 779 e 780), reconheceu a ilegalidade das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2004 e 404/2005, que restringiam de forma indevida os créditos no regime não cumulativo para PIS e COFINS no tocante ao insumo, nos termos do art. 3°, inciso II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Argumenta “é reconhecido como insumo aquele bem e/ou serviço, adquirido de pessoa jurídica estabelecida no Brasil, que, visando à obtenção de receita que: (i) — seja utilizado direta ou indiretamente na atividade econômica do contribuinte, inclusive, comercial; (ii) — com a finalidade de viabilizar a prestação de serviços, ou fabricação de bens ou ainda produtos destinados à venda; (iii) — possui uma relação relevância ou essencialidade (o que não significativa obrigatoriedade e/ou indispensabilidade) e inerência com a atividade econômica destinada à prestação de serviço, fabricação de produtos ou ainda venda; (iv) — relacionado a qualquer parte do ciclo ou etapa do processo produtivo do contribuinte.” Passa então a controverter as glosas. Serviços utilizados como insumo Sustenta que seriam legítimos os créditos calculados sobre os dispêndios que teriam sido realizados com a empresa E S SERVIÇOES ADMINISTRATIVOS. Seriam fruto da terceirização de diversas atividades realizadas e pagas com incidência de PIS/COFINS, conforme não cumulatividade. Comissões aos representantes comerciais Quanto aos dispêndios com comissões aos representantes comerciais diz que seria de clareza meridiana o direito ao crédito de PIS e COFINS do regime não- cumulativo. Fl. 13457DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 50 Afirma, é preciso lembrar o fato de que a não-cumulatividade e a noção de insumos para o PIS e a COFINS não se vinculam à industrialização, mas à obtenção de receita - COMERCIALIZAÇÃO -. Em aplicação do conceito de insumo trazido pelo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, deve se levar em conta os CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA.” Entende que há viabilidade jurídica de se aproveitar créditos de PIS e COFINS nos pagamentos realizados de comissões às pessoas jurídicas de representantes comerciais. Esta atividade econômica teria por essência e finalidade proporcionar uma efetiva obtenção de receitas à pessoa jurídica que realiza o pagamento das comissões. Defende que a maioria das empresas dependem significativamente para sua sobrevivência dos representantes comerciais, sendo que, no caso dela (impugnante), as receitas decorrentes de vendas por aqueles representaram acima de 80% (oitenta por cento). Sustenta que em momento alguma existiu a simulação quanto à prestação de serviço de representação comercial, apontada pelo Fisco. As pessoas jurídicas teriam sido constituídas sob o prisma de lei, emitiam as respectivas notas fiscais, apuravam seus tributos, que teriam sido recolhidos. Consultoria jurídica e contábil Seriam serviços para a atividade mercantil da empresa, com diversas terceirizações, e seriam essenciais à consecução de seus objetivos e auferimento de receita. As pessoas jurídicas prestadoras teriam sido tributadas pelo PIS e pela COFINS, cabendo o crédito sobre tais dispêndios diante da não cumulatividade. Vale-Alimentação (sodex) Alega que os créditos calculados sobre tais dispêndios são legítimos. Decorreriam de imposição legal por meio de acordo coletivo de trabalho em favor dos empregados da empresa. Manutenção de veículos Haveria improcedência da glosa realizada no tocante aos serviços utilizados como insumo. Equívoco haveria em se negar o crédito pelo fato dela (impugnante) ser uma comerciante. Os veículos fariam parte de uma outra etapa da atividade econômica (desdobramento) que seria um serviço de transporte a fim de entregar mercadoria aos seus clientes, não se tratando, assim, de puro comércio. Inexistiria dúvida de que tais bens glosados foram utilizados como insumo e possuem expressa previsão legal de crédito. Combustíveis e Lubrificantes A glosa teria ocorrido pelo simples fato de que se trata de uma pessoa jurídica comerciante, mesmo que tais itens sejam destinados à venda ou transporte dos produtos até seus clientes. Fl. 13458DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 51 Não haveria dúvida de que tais bens glosados são utilizados como insumo pela impugnante e possuem expressa previsão legal de crédito. Menciona que mesmo para aqueles que sustentam não ter insumo o comércio, reconheceriam a viabilidade de certos custos e despesas, como manutenção e peças, combustíveis e lubrificantes de frota destinada à entrega das mercadorias. Outros custos Diz que a glosa da importância de R$ 40.000,00 referente à nota fiscal de prestação de serviços n° 318 emitida em 05/09/2019 pela E S Serviços seria improcedente, conforme ponderações feitas a respeito da ES SERVIÇOS. Serviço de Transporte Frete Reconhece que a transportadora R3 LOG BROKER E LOGÍSTICA LTDA, que emitiu notas no montante de R$ 31.835.527,88 para empresas do mesmo grupo (fls. 8604/8745), possui relação com os filhos do titular da impugnante, mas que tal fato não traria qualquer impedimento ou significaria a existência de simulação. Aduz que falhas nos controles da impugnante ou mesmo daquela transportadora, ou, ainda, um tratamento comercial diferenciado, dentro da liberdade de contratar das partes, também não seria fator para se reconhecer uma simulação e, principalmente, negar os créditos previstos em lei. Diz não parecer razoável negar o direito ao crédito em tal hipótese, onde haveria existência de fato e de direito do transportador, sobretudo, quando teria havido efetiva prestação do serviço de transporte - frete - em favor da impugnante, que teria pago por este. Eventuais e pontuais falhas na escrituração, ou mesmo a relação familiar ou preço um pouco diferenciado - mas não absurdo, não seriam elementos suficientes para uma medida drástica de negar completamente créditos de PIS e COFINS. Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Alude que numa visão conservadora, há posicionamento no sentido de que caminhões e outros veículos utilitários não configuram máquinas e equipamentos, impedindo-se, assim, o direito ao crédito, como sustenta a fiscalização. Cita o art. 195, § 12) e art. 3°, inciso IV, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 e sustenta que veículos não utilizados para simples passeio, mas como um verdadeiro equipamento, destinado e integrado ao seu processo de comercialização de bens, não podem ser ignorados. Consiga que caso não se entenda pela viabilidade a partir da locação de equipamentos, não haveria dúvida de que se trata de um bem utilizado como insumo no processo produtivo (art. 3°, II). O caminhão (bem — coisa móvel corpórea) seria claramente utilizado no processo produtivo dela (impugnante), voltado ao transporte de mercadorias comercializadas, sendo essencial para o exercício de sua atividade econômica. Fl. 13459DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 52 Aluguéis de Prédios Diz que o crédito previsto no art. 3°, inciso IV, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 somente é legítimo na hipótese de aluguel pago a pessoa jurídica domiciliada no país, quanto aos prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades em geral da empresa, desde que não tenham integrado, anteriormente, o patrimônio desta. Aduz que dentro deste aspecto, é preciso esclarecer que a legislação, em momento algum, realizou qualquer distinção ou vedação no tocante ao tipo de atividade da empresa. Cita Soluções de Consultas. Defende que os valore pagos, com relação ao imóvel localizado a Av. Maurílio Biagi, 800, sala 61 e 62, em Ribeirão Preto/SP, seriam totalmente legítimos, conforme contratos e documentos acostados na fiscalização. No referido local a EBEG manteria a empresa terceirizada ES SERVIÇOS que realizaria grande parte do suporte de gestão e administração. Portanto, seria um local efetivamente utilizado pela EBEG em suas atividades. Bens recebidos em devolução Diz que houve glosa de créditos decorrentes de devoluções (art. 3°, VIII), e que a fiscalização afirma que houvera certa confusão, uma vez que em verdade seriam vendas canceladas, mas não existiria qualquer prova de que, de fato, não seriam devoluções e sim vendas canceladas. Aduz que se tais operações foram consideradas, ao invés de devolução, vendas canceladas, tais valores glosados deveriam ser objeto de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS, como determinado no art. 1º, IV, “a” das Leis n 10.637/2002 e 10.833/2003). Multa de 150%. Redução para 75%. Descreve as premissas necessárias para que haja a aplicação da multa qualificada e, partir a partir delas, entende que no presente caso não deve ser imputada. Defende que segundo a legislação, somente existe a excepcional multa qualificada de 150%, quando se constatar a falta de pagamento, recolhimento, declaração ou sua inexatidão e houver efetivamente a comprovação de que tal fato decorre da prática das condutas descritas nos art. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, tratando, respectivamente, da sonegação, fraude e conluio. Salienta que a configuração da sonegação, fraude ou conluio exige dolo, como sendo aquele praticado, de forma consciente, por conduta ilícita (meio) com o objetivo de obter a vantagem de não recolher tributos. O dolo deve ser comprovado e, este ônus, é da Fiscalização. Transcreve trecho de vários julgados do CARF para demonstrar o que tem sustentado: Fl. 13460DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 53 a)há necessidade de prova robusta e descrição pormenorizada de conduta prevista nos art. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64; b)exige-se o dolo, que se exterioriza por condutas fraudulentas e maliciosas, a serem comprovadas pelo Fisco, pois, presume-se a boa-fé; c)a prática de atos com o objetivo de economizar tributo não gera, por si só, a multa qualificada, mesmo em contratos e operações com empresas do grupo; d)a comprovação no caso concreto de que o contribuinte agiu com lisura e plena convicção da licitude de sua conduta, impede a duplicação da multa, sobretudo, no caso concreto em análise. Considerando as ponderações e premissas apontadas, conclui que não resta dúvida de que inexiste nos autos prova e descrição pormenorizada, com dolo específico, mediante atos ilícitos que visassem gerar lesão ao Fisco. Afirma que inexistiu má-fé (dolo específico) no caso concreto. Primeiramente alega que, em momento algum, agiu dolosamente visando prejudicar o Fisco. Todas as questões fiscais/contábeis eram conduzidas por sua assessoria PLANEFISCO. Outro ponto importante seria que, por ocasião da ação fiscal, tendo ciência efetiva de alguns fatos, inclusive erros praticados pela assessoria, solicitou a retificação de diversas obrigações acessórias, o que se consumou. Isto também demonstraria a boa-fé e total ausência de dolo específico. Sustenta que as receitas financeiras não foram tributadas por equívoco nos controles e apurações da contabilidade e não por má-fé. Afirma que a contratação da ES Serviços Administrativos não se deu de forma dolosa, mas simples recomendação da assessoria, no sentido de que seria uma forma lícita de terceirização, otimizando o negócio como um todo. Entende que haveria incorreção na glosa de créditos calculados sobre: comissões de representantes comerciais, inclusive, da ELEUTÉRIOS E R3 REPESENTAÇÕES, bens adquiridos como insumo a título de combustíveis e lubrificantes, serviços de transporte - frete – prestados pela R3 LOG e sobre devoluções. Por todo o exposto, entende ser de rigor a redução da multa de 150% para 75%. Juros SELIC e multa de ofício Aduz que lançamento realizado é improcedente pois os juros são devidos à razão de 1% ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do CTN. Tal entendimento tem como pressuposto o fato de que a taxa de 1%, prevista no referido dispositivo legal, é limite máximo para sua fixação, e não mero parâmetro para tanto. Salienta a impossibilidade de incidir juros sobre a multa, pois não haveria previsão legal para ser computado desta forma. Afirma que as multas aplicadas no lançamento, seja aquela qualificada de 150% ou de 75%, ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5º, Fl. 13461DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 54 inciso LIV) e da proibição do confisco (art. 150, inciso IV), previstos na Constituição Federal. Portanto, forçoso o cancelamento da multa. Considerando seu caráter confiscatório, entende que deve ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20%, de conformidade com o art. 61, § 2º, da Lei n. 9.430/96, retificando-se o Auto de Infração emitido. Multa Isolada. Improcedência Reclama da multa isolada por apresentação de EFD – Contribuições com informações inexatas, incompletas ou omitidas, pois teria como fato típico e base de cálculo a mesma multa atribuída juntamente com a glosa. Existiriam duas multas aplicadas em virtude do mesmo fato e possuiriam a mesma base de cálculo. Tal multa também ofenderia aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5º, inciso LIV), previstos na Constituição Federal. Por fim, requer a improcedência dos lançamentos. DAS IMPUGNAÇÕES DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Os responsáveis solidários foram cientificados dos lançamentos e todos apresentaram defesa nas seguintes datas: Os responsáveis solidários, Rodrigo Silva Eleutério (fls. 12261/12294), Roberto Silva Eleutério (fls. 12343/12374), Ricardo Silva Eleutério (fls. 12377/12408), RSG Administradora de Imóveis Ltda (fls. 12419/12449), RC4 Empreendimentos e Participações Ltda (fls. 12520/12549), FAR Empreendimentos e Participações Ltda (fls. 12552/12581), LFR Empreendimentos e Participações Ltda (fls. 12552/12581), R3 Log Broker e Logística Ltda (fls. 12297/12330), Eleuterio's Representações Ltda (fls. 12452/12483) e R3 Representação Comercial Ltda (fls. 12486/12517), apresentaram impugnações semelhantes entre si. Nos pontos de igual teor, todos os impugnantes se manifestaram alegando, em síntese, o que segue: Fazem uma síntese dos fatos ocorridos durante a ação fiscalizatória e aduzem que há claro equívoco na imputação da solidariedade tributária. Improcedência da Solidariedade 1. Responsabilidade tributária e solidariedade. O art. 124, do Código Tributário Nacional Fazem uma abordagem acerca da responsabilidade tributária solidária e sobre o ônus da prova, para afirmar que a configuração da responsabilidade prevista no art. 124, inciso I, do CTN, exige que o Fisco demonstre de forma justificada (princípio da motivação = lançamento tributário), mediante provas, a existência no caso concreto de um interesse comum quanto ao fato gerador, sem se utilizar de presunções, sob pena de se caracterizar ilegalidade e arbitrariedade. Fl. 13462DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 55 No caso em questão, onde possivelmente se utilizou da previsão legal do inciso I em conjunto com o II ("grupo econômico"), o qual exige o interesse comum na constituição do fato jurídico tributário (fato gerador), alegam que não inexistiu qualquer prova e justificativa capaz de dar suporte à imposição de responsabilidade tributária solidária aos Litigantes. Citam entendimentos doutrinários e trechos de julgados de nossos tribunais sobre a responsabilidade tributária para enfatizar que o "interesse comum" na ocorrência do fato gerador demanda basicamente um interesse jurídico e não meramente fático, econômico, social, muito menos vinculo familiar ou societário, além de necessitar que as pessoas partícipes do fato jurídico tributário não estejam em situação oposta no ato, fato ou relação negocial, ou contrário, que se quedem em situação de comunhão, como, por exemplo, no caso de co- proprietários e a incidência do IPTU ou na incidencia de Imposto sobre a Renda e sua relação com cônjuges. Dessa forma, entendem que inexiste, no presente caso, a responsabilidade tributária solidária, pois não restariam caracterizados os requisitos legais, porque, conforme descrição das razões que levaram à imputação de solidariedade, não se descreve, muito menos se prova, a participação dos Litigantes no fato jurídico tributário, estabelecendo uma vinculação de interesse jurídico comum no fato gerador. Por todo o exposto, concluem ser impossível a imputação da responsabilidade tributária por solidariedade no caso em questão, diante da total ausência de provas e, conforme documentos acostados, a inexistência do preenchimento dos requisitos constantes no art. 124, inciso I, do CTN. Colacionam entendimentos doutrinários e jurisprudência do TRF4, STJ e CARF. 2. Responsabilidade Tributaría e Solidariedade. O art. 124, do Código Tributario Nacional. Há possibilidade de se alegar Grupo económico? Esclarecem que não é o simples fato de existir uma determinada situação de "grupo econômico" que, por consequência lógica, tem-se a responsabilidade tributária. Isto porque, a situação de grupo econômico, por si só não impõe responsabilidade tributária, sendo de rigor a comprovação do interesse jurídico comum no fato gerador, nos moldes do art. 124, inciso I, do CTN. Transcreve trechos de julgado do STJ na intenção de demonstrar interpretação favorável aos contribuintes quanto à responsabilidade tributária e grupo econômico, de modo a impedir a solidariedade fundada, exclusivamente, na comprovação de referido conglomerado econômico. Discorrem acerca do conceito de grupo econômico de direito e de fato para enfatizar que para caracterização de um grupo econômico caberia ao Fisco, mediante ato fundamentado e com provas, nunca se presumindo, demonstrar entre outros elementos, de forma cumulativa: i) - existência de uma ou mais Fl. 13463DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 56 empresas; ii) - direção, controle ou administração de outra; iii) - seja qual for a atividade; iv) - existência de uma empresa principal, que diretamente participa e determina a condução das atividades das empresas acessórias; (v) - eventualmente, sócios em comum; (iv) - confusão patrimonial e, para fins fiscais, com prova de dolo ou má-fé. Amparados em julgado do STJ, alegam que o simples fato de existirem em duas empresas sócios em comum não configuraria grupo econômico e, muito menos, responsabilidade tributária solidária. Aduzem que a Fiscalização tentou buscar em fatos isolados e sem tal poder, a sustentação de que teriam participação na gestão e direção dos negócios da EBEG. Além das mencionadas considerações, que entendem serem suficientes para demonstrar a improcedência da solidariedade, apontam outros aspectos, a saber: (i)- a empresa EBEG ou mesmo a E S SERVIÇO não exerceram, como também não sofreram, por parte dos impugnantes de fato ou de direito, qualquer controle, direção ou administração nos negócios ou patrimônio, inexistindo prova qualquer neste sentido; (ii)- muito menos há qualquer prova ou relação neste sentido durante o período dos fatos geradores houve participação destes por meio da EBEG na relação com a E SERVIÇOS; (iii)- percebe-se claramente a total falta de conexão e provas, pautando-se para elementos que não levam à configuração, como grau de parentesco; (v) - por sua vez, não identificaram qualquer confusão patrimonial entre as pessoas físicas ou suas empresas com a E S SERVIÇOS e EBEG; (iv) - eventual relação negocial entre as empresas com participação distintas não tem qualquer conexão com a operação feita com a E S Serviços, inexistindo qualquer confusão patrimonial efetiva, muito menos configuraria grupo econômico. Por todo o expoto, concluem que não são responsáveis solidários pelos créditos tributários exigidos em face de EBEG, pois não exisitiu grupo econômico e este, por si só, não impõe solidariedade tributária, além de inexistir prova efetiva e robusta de tais requisitos, o que é ônus do Fisco. Diante da improcedência da imputação da solidariedade, solicitam suas exclusões do polo passivo do lançamento. Colacionam entendimentos doutrinários e julgados do STJ e CARF. Multa qualificada e solidariedade Postulam que não existe qualquer descrição específica e pormenorizada em referida operação que levou à constituição do crédito tributário de PIS e COFINS que demonstrasse conduta pessoal e dolosamente subjetiva visando fraudar o Fisco. No Relatório Fiscal não contém nada neste sentido, muito menos prova robusta, cujo ônus é totalmente do Fisco. Fl. 13464DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 57 Considerando total ausência de descrição de conduta específica do Litigante e das respectivas provas, sobretudo, do dolo, solicita a redução da multa qualificada de 150%. Conclusão e requerimento final Solicita que seja acolhida a presente impugnação a fim de reconhecer a improcedência da imputação da solidariedade ou, ao menos, a redução da multa de ofício, conforme razões já expostas. Quanto às argumentações diferentes, assim se manifestaram: Rodrigo Silva Eleutério (fls. 12261/12294), Roberto Silva Eleutério (fls. 12343/12374), Ricardo Silva Eleutério (fls. 12377/12408) 1.Responsabilidade tributária e solidariedade. O art. 124, do Código Tributário Nacional Dizem que, não configura interesse comum no fato gerador, ser filho do titular da EBEG, ser sócio de empresas que possuem negócios com a fiscalizada, ou mesmo, por hipótese, ser gestor daquela, muito menos por laços familiares e onde as pessoas sejam partícipes no mesmo lado da relação jurídica. Além do mais, afirmam que seria impossível esta comprovação, eis que inexistiria qualquer situação que configure o "interesse comum na constituição do fato gerador” no tocante às contribuições previdenciárias e terceiros na relação jurídica entre EBEG e E S Serviços, dada a total falta de relação ou participação em referido negócio jurídico. 2.Responsabilidade Tributária e Solidariedade. O art. 124, do Código Tributário Nacional. Há possibilidade de se alegar Grupo económico? O fato de serem filhos do Sr. Sebastião ou Graziela, ou mesmo ter empresas que possuam alguma relação jurídica negocial com a EBEG, não configuraria verdadeiro grupo econômico. Aduzem que a Fiscalização tentou buscar em fatos isolados e sem tal poder, a sustentação de que tinham participação da gestão e direção dos negócios da EBEG. Enumeram tais situações: •Quando da diligência na empresa que faz cartões para a EBEG, não obteve qualquer prova efetiva e verdadeira de que haveria vínculo; •Quanto à informação de que o Bradesco afirma que o Sr. Rodrigo e Ricardo eram procuradores para movimentar contas correntes, destaca que não há nos autos qualquer procuração ou documento que comprove esta alegação, seja pelo banco ou pela Auditoria. E mesmo que fossem sócios e tivessem procuração, este fato, por si só, não levaria à responsabilidade ou solidariedade. Neste sentido cita julgado do CARF; Eleuterio's Representações Ltda (fls. 12452/12483) e R3 Representação Comercial Ltda (fls. 12486/12517) Fl. 13465DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 58 1. Responsabilidade tributária e solidariedade. O art. 124, do Código Tributário Nacional Alegam: “Apesar da inexistência de qualquer prova nos autos capaz de justificar efetivamente a inclusão do impugnante como responsável solidário, por força do disposto no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, o fato é que, no presente caso, seria impossível esta comprovação, eis que inexistiria qualquer situação que configure o “interesse comum na constituição do fato gerador” no tocante às contribuições do PIS e COFINS na relação jurídica com a EBEG, dada a total falta de relação ou participação em referido negócio jurídico.” R3 Log Broker e Logística Ltda (fls. 12297/12330) 1.Responsabilidade tributária e solidariedade. O art. 124, do Código Tributário Nacional Alega: “Apesar da inexistência de qualquer prova nos autos capaz de justificar efetivamente a inclusão do impugnante como responsável solidário, por força do disposto no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, o fato é que, no presente caso, seria impossível esta comprovação, eis que inexiste qualquer situação que configure o “interesse comum na constituição do fato gerador” no tocante às contribuições do PIS e COFINS e multa isolada na relação jurídica com a EBEG, dada a total falta de relação ou participação em referido negócio jurídico.” 2.Responsabilidade Tributária e Solidariedade. O art. 124, do Código Tributário Nacional. Há possibilidade de se alegar Grupo económico? Alega ter substância econômica e ter prestado efetivamente os serviços, tendo a fiscalização questionado por critérios subjetivos o preço pago, mas não demonstrara, muito menos alegara ausência de prestação do serviço, o que impediria a alegação de simulação e, por conseguinte, demais consequências como a imputação de solidariedade. Diz possuir uma quantidade razoável de caminhões e veículos para a prestação do serviço e que também se valeria de caminhões autônimos e que recebeu os respectivos pagamentos, inexistindo demonstração de tratar-se de mera emissão de nota fiscal para abatimento de crédito. Aduz que caso se entenda pela solidariedade, esta somente poderia ser imputada no tocante aos créditos glosados a título de serviço de transporte. Inexistiria possibilidade de incluir situações fáticas e jurídicas sem conexão com ela, como a omissão de receita financeira, créditos glosados por outras razões, como ainda a multa isolada por incorreções do ecd-contribuições. RC4 Empreendimentos e Participações Ltda (fls. 12520/12549), FAR Empreendimentos e Participações Ltda (fls. 12552/12581), LFR Empreendimentos e Participações Ltda (fls. 12552/12581) 1. Responsabilidade tributária e solidariedade. O art. 124, do Código Tributário Nacional Fl. 13466DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 59 Alegam: “Apesar da inexistência de qualquer prova nos autos capaz de justificar efetivamente a inclusão do impugnante como responsáveis solidários, por força do disposto no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, o fato é que, no presente caso, seria impossível esta comprovação, eis que inexiste qualquer situação que configure o “interesse comum na constituição do fato gerador” no tocante às contribuições previdenciárias e terceiros na relação jurídica entre EBEG e E S SERVIÇOS, dada a total falta de relação ou participação em referido negócio jurídico.” RSG Administradora de Imóveis Ltda (fls. 12419/12449) 1. Responsabilidade tributária e solidariedade. O art. 124, do Código Tributário Nacional Lembra que foi constituída desde 21/11/2012, sendo típica e usual pessoa jurídica para administração de bens. O fato de no início o Sr Sebastião também ser sócio e ter integralizado patrimônio, não revelaria fraude ou simulação, muito menos ocasionaria por este fato solidariedade do art. 124 do CTN. Lembra, ainda, que conforme relato feito pela Auditoria, o Sr Sebastião, há muito tempo, não tem qualquer participação societária perante à Litigante, como qualquer tipo de gestão ou administração ou contribuição efetiva de cunho financeiro. Aduz que não configura interesse comum no fato gerador, ser, por si só, uma holding patrimonial de titularidade de holding ou filhos do titular da EBEG. Não seria interesse comum no fato gerador. Salienta, ainda, que o fato de ser uma empresa detentora de imóveis também não é prova ou demonstração de interesse comum jurídico do fato gerador em face da EBEG. Alega: “Apesar da inexistência de qualquer prova nos autos capaz de justificar efetivamente a inclusão do impugnante como responsáveis solidários, por força do disposto no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, o fato é que, no presente caso, seria impossível esta comprovação, eis que inexiste qualquer situação que configure o “interesse comum na constituição do fato gerador” no tocante às contribuições PIS e COFINS na relação jurídica com a EBEG, dada a total falta de relação ou participação em referido negócio jurídico.” 2. Responsabilidade Tributaría e Solidariedade. O art. 124, do Código Tributario Nacional. Há possibilidade de se alegar Grupo económico? Aduz não existir qualquer configuração de grupo econômico no presente caso, muito menos responsabilidade tributária por solidariedade ao impugnante. Inexistiria nos autos efetiva demonstração de interesse comum – jurídico – quanto ao fato gerador das contribuições previdenciárias exigidas da EBEG em face de contrato de terceirização com a E S SERVIÇOS. Isto porque, não se descreveu e comprovou cabalmente quanto a este fato concreto qualquer Fl. 13467DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 60 participação, direta ou indireta, no tocante ao fato gerador (vínculo empregatício + pagamento salário). Aduz que além de todas as fragilidades apontadas que impediria a solidariedade: (i)- Não é holding patrimonial do grupo "EBEG", como tentou induzir a fiscalização, sendo patrimonial dos filhos do Sr Sebastião; (ii)- não se beneficiou do "planejamento", muito menos demonstra com prova inequívoca a fiscalização, apontando depósitos na conta desta, imóveis adquiridos pela EBEG e no ativo desta; (iii)- o fato de existir eventual significativo patrimônio imobiliário não conduz ao interesse comum no fato gerador, ou mesmo a configurar grupo econômico, muito menos a solidariedade que se pretende. Aduz que caso se entenda pela solidariedade, esta somente poderia ser imputada no tocante aos créditos glosados a título de serviço de transporte, inexistiria possibilidade de incluir situações fáticas e jurídicas sem conexão com ela, como a omissão de receita financeira, créditos glosados por outras razões, como ainda a multa isolada por incorreções do ecd-contribuições. Por todo o exposto, conclui que não é responsável solidário pelos créditos tributários exigidos em face de EBEG, pois não existiu grupo econômico e este, por si só, não imporia solidariedade tributária, além de inexistir prova efetiva e robusta de tais requisitos, o que é ônus do fisco. Diante da improcedência da imputação da solidariedade, solicita sua exclusão do polo passivo do lançamento. RC4 Empreendimentos e Participações Ltda (fls. 12520/12549), FAR Empreendimentos e Participações Ltda (fls. 12552/12581), LFR Empreendimentos e Participações Ltda (fls. 12552/12581), R3 Log Broker e Logística Ltda (fls. 12297/12330), Eleuterio's Representações Ltda (fls. 12452/12483) e R3 Representação Comercial Ltda (fls. 12486/12517) 2. Responsabilidade Tributária e Solidariedade. O art. 124, do Código Tributário Nacional. Há possibilidade de se alegar Grupo económico? Alegam que não houve efetiva demonstração de interesse comum – jurídico – quanto ao fato gerador do PIS e COFINS, menos ainda da multa isolada, exigidas da EBEG em face de omissão de receita financeira ou mesmo dos créditos glosados. Não se teria descrito e comprovado cabalmente quanto a este fato concreto qualquer participação, direta ou indireta, no tocante ao fato gerador (atuação em conjunto no mesmo polo para auferir receita bruta. Aduzem que caso se entenda pela solidariedade, esta somente poderia ser imputada no tocante aos créditos glosados a título de serviço de transporte, inexistiria possibilidade de incluir situações fáticas e jurídicas sem conexão com ela, como a omissão de receita financeira, créditos glosados por outras razões, como ainda a multa isolada por incorreções do ecd-contribuições. Sebastião Eleutério Filho (12246/12259) Fl. 13468DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 61 Dos fatos Faz uma síntese dos fatos ocorridos durante a ação fiscalizatória e aduz que mesmo que seja mantido o lançamento de ofício, não haveria razão jurídica e fática para incluí-lo como responsável solidário. Improcedência da Responsabilidade 1. Responsabilidade de sócio gerente em matéria tributária. Art. 135, do Código Tributário Nacional. Ausência total de fundamentação pelo lançamento de ofício. Nulidade. Afirma que é o único sócio e gestor da EBEG Embalagens e Descartáveis quanto aos períodos de PIS/COFINS exigidos. Esclarece que, à luz da segurança jurídica, devido processo legal, princípio da motivação e, sobretudo, da legalidade, no momento do lançamento, caberá ao Fisco, nos termos do art. 142, do CTN, imputar a adequada responsabilidade ou solidariedade prevista na legislação. Sobre esta questão, ao cuidar na Seção III, da Responsabilidade de Terceiros, tem-se o disposto no art. 135, o qual, expressamente, preceitua: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II- os mandatários, prepostos e empregados; III- os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." (destacou) Por conseguinte, entende que, se há pretensão, quando do lançamento de ofício, de inclusão de terceiro (sócio gerente) como responsável por crédito tributário da pessoa jurídica, a fundamentação com as justificativas fáticas e jurídicas, bem como provas, deverão ser com base no art. 135, III, do CTN e não no art. 124, inciso II, do mesmo diploma legal, por suposto grupo econômico, como imputou a Fiscalização. Aduz que existiu, portanto, equívoco por parte do Fisco, uma vez que a responsabilidade de sócio - administrador por eventuais atos, há de estar fundada no art. 135, III, do CTN. Conclui, então, pela nulidade por vício material. Seria totalmente improcedente a sua inclusão como solidário. Colaciona julgado do CARF. 2. Ainda o art. 135, III, do Código Tributário Nacional. Ausência de descrição e comprovação dos requisitos. Alega que a Fiscalização não descreveu e comprovou os requisitos do art. 135, III, do CTN, para a imputação de sua responsabilidade solidária. Após interpretação do disposto no art. 135, III, do CTN, entende que para imputação da responsabilidade aos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas, seria necessário a observação dos requisitos previstos em lei, os Fl. 13469DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 62 quais devem ser descritos e comprovados no lançamento, equivalendo dizer: (i)- as expressões responsabilidade pessoal e atos praticados impõem a demonstração de uma conduta direta praticada por quem se busca responsabilizar, ou seja, um ato pessoal e direto; (ii)- ao se empregar crédito tributário correspondente a obrigação tributária, significa dizer que é preciso a existência jurídica e fática de um tributo a ser exigido mediante um lançamento; (iii)- há o emprego da expressão "obrigações tributárias resultantes de atos praticados", o que leva a reconhecer a necessidade da existência de um nexo causal entre as obrigações tributárias que relacionadas ao crédito tributário exigido e a conduta pessoal e direta de quem se busca imputar tal medida; (iv) - tem-se a menção ao fato de que tais atos praticados de forma pessoal e direta "com excesso de poderes, infração à lei ou estatuto" torna evidente a necessidade de que exista a demonstração de uma conduta ilícita - dolosa -, de sorte que referida ilicitude tem conexão (dá causa) à exigência obrigação tributária consubstanciada no crédito tributário. Diz que no presente caso, apesar do longo relatório fiscal, ao tratar da responsabilidade tributária, o Fisco se utiliza da alegação de grupo econômico, bem como do art. 124, do CTN. Além desse fato, ao tratar da responsabilidade solidária do Litigante, a Fiscalização a fez de forma genérica e sem exata descrição. Diz que é sócio da EBEG e, no passado remoto, de empresas de titularidade dos filhos. E informa que assinou os contratos que, em tese, aponta como simulados. Mesmo que o vício apontado seja ultrapassado, entende que tais alegações são insuficientes para demonstrar sua responsabilidade tributária porque ser sócio ou ter sido sócio de outras empresas não implicaria em qualquer tipo de responsabilidade, assim como, ter assinado os contratos, mesmo que se entenda que havia uma "simulação" mediante "planejamento tributário abusivo", isto também não seria suficiente. Por conseguinte, evidencia que caberia uma melhor descrição da conduta pessoal e direta, e, principalmente, do elemento subjetivo - dolo - voltado a gerar infração à lei, contrato social e que aquela tivesse um nexo causal com o surgimento da obrigação tributária e respectivo crédito exigido. Alega que em momento algum agiu com dolo visando fraudar o Fisco, sendo todas as condutas realizadas com a forte convicção, diante da assessoria contábil, que estavam dentro da legalidade. Tanto é verdade que, quando tomou ciência dos pedidos de correções de equívocos nas obrigações acessórias praticados por aquela assessoria, determinou a retificação, a qual foi realizada. Enfatiza que inexistiria clareza e devida fundamentação neste sentido, impondo a improcedência da imputação da responsabilidade. 3. A solidariedade do art. 124, do CTN e demais aspectos. Segue combatendo sua inclusão pela solidariedade do art. 124, II, do CTN. Fl. 13470DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 63 Cita o disposto no art. 124, inciso I, do CTN, para afirmar que há a necessidade de comprovar e descrever o interesse comum que constitua o fato gerador da obrigação principal. Neste caso, entende que o interesse comum não é de cunho econômico, e sim, o de natureza jurídica, conforme entendimento da jurisprudência e doutrina. Cita como exemplo o caso de co-propriedade de imóvel quanto ao IPTU. Diz que algumas conjecturas pessoais, indícios pontuais e alegações genéricas, como existência de grupo econômico, entidade familiar, seriam completamente insuficientes para imputar responsabilidade. No caso em questão, não haveria demonstração e exata descrição de tais requisitos o que leva à improcedência. Em relação à multa isolada, não haveria nos autos descrição que justificasse com exatidão a razão da imputação de sua solidariedade, pois a multa seria fruto de equívocos da contabilidade que, inclusive, foram sanados com plena boa-fé. Conclusão. Pedido Conclui que o presente lançamento possuiria inúmeros equívocos de cunho fático e jurídico que permitem reconhecer a improcedência de sua inclusão na responsabilidade. Solicita que seja julgada procedente a presente Impugnação, a fim de reconhecer sua exclusão do lançamento como responsável solidário. Maria Graziella Silva Eleutério (fls. 12411/12416) Dos fatos em julgamento no presente caso Faz uma síntese dos fatos ocorridos durante a ação fiscalizatória e afirma a total improcedência do lançamento. Impossibilidade da solidariedade tributária no caso concreto. Improcedência. Preliminarmente, suscita nulidade do auto de infração por suposto vício material na fundamentação, pois, “mesmo que a fiscalização estivesse certa sobre o intuito de fraude, NÃO seria para sonegar contribuições previdenciárias neste lançamento, mas obter créditos indevidos de PIS e COFINS no regime não cumulativo para abatimento”. No mérito, aduz ser equivocada a pretensão de sustentar que a terceirização realizada pela EBEG com a contratação da E S Serviços, de sua titularidade, foi estruturada de forma dolosa visando fraudar e prejudicar o Fisco. Explica que houve sugestão da contabilidade de aperfeiçoamento e otimização da gestão de algumas atividades, sugerindo, assim, a terceirização. Dessa forma, houve a realização de contrato de prestação de serviço e a condução das atividades de apoio administrativo em nome da EBEG, tendo, em contraprestação, o recebimento pelos serviços prestados. Aduz que a empresa foi devidamente constituída e tinha empregados, tendo como objetivo de dar suporte à EBEG como terceirizada. Estaria evidente que Fl. 13471DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 64 houve prestação de serviço, não se cuidaria de empresa de "fachada", que somente emite nota fiscal. Ao contrário, o serviço teria sido verdadeiramente executado. Aduz que se a condução se deu com total boa-fé, com a plena convicção de que não havia qualquer irregularidade, não se trata de desconsideração por serviço simulado, muito menos, seria possível aplicar a solidariedade prevista no art. 124 do CTN. Salienta que para se cumprir os requisitos de referido dispositivo, deve a fiscalização descrever e comprovar cabalmente o interesse comum que constitua o fato gerador da obrigação. No entanto, não haveria no Relatório Fiscal ou mesmo no Auto de Infração, a descrição pormenorizada e respectiva prova quanto ao interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Enfatiza que as partes - EBEG e E S Serviços - estavam na relação jurídica em lados opostos, o que já impediria caracterizar o interesse comum do fato gerador. Lembra, que o interesse comum, que há de ser demonstrado, é aquele chamado jurídico, não caracterizando como tal o econômico, societário, familiar, etc. Aponta que não somaria para o caso presente, o fato de ser esposa do Sr Sebastião, pois seria reiterada a doutrina e jurisprudência no sentido de que vinculo familiar ou laço afetivo não seria elemento que caracteriza a solidariedade por interesse comum do art. 124. Quanto ao grupo econômico EBEG, diz que não há prova e demonstração de grupo econômico, pois: a)as empresas não estão sob controle comum ou possuem vínculo societário; b)mesmo que houvesse, haveria necessidade de comprovar e descrever as condutas que apontam existir entre elas uma gestão, administração ou controle dos negócios, uma da outra, o que não há nos autos; c)simples fato de existirem sócios com grau de parentesco não configura grupo econômico, mesmo de fato; d)salvo os pagamentos recebidos pela E S Serviços pela real atividade prestada, não se descreveu ou comprovou qualquer tipo de confusão patrimonial ou financeira entre as empresas. Postula, mesmo que houvesse grupo econômico, este exclusivamente também não levaria à solidariedade, pois caberia demonstrar e comprovar o interesse jurídico comum no fato gerador, o que também não teria sido demonstrado. Lembra que o contrato de terceirização não é simulado efetivamente, mas uma terceirização cujo serviço foi prestado e houve o respectivo pagamento. Hipoteticamente, pode ter havido alguma falha na gestão que trata de uma terceirização e que pode ter vínculo empregatício, mas de longe em configurar simulação, eivada de má-fé. Fl. 13472DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 65 Por conseguinte, entende que deve se reconhecida a improcedência de sua inclusão como solidária no presente lançamento. Considerando a total ausência de má-fé, muito menos existência de prova e descrição de conduta dolosa visando fraudar o Fisco, solicita a redução da multa qualificada de 150% para 75%. Pedido final Solicita o conhecimento da impugnação apresentada tempestivamente, devendo ser julgada procedente, a fim de excluí-la da indevida sujeição passiva solidária imposta, ou, ao menos, determinar a redução da multa de 150% para 75%, nos termos das razões expostas. É o relatório.” Ato posterior foi proferida decisão pela 3ª turma da DRJ/02, na qual manteve integralmente a autuação conforme seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020 ATOS ADMINISTRATIVOS. NULIDADE. HIPÓTESES. Nos termos do art. 59 do Decreto n. 70.235, de 1972, são nulos, além dos atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59, conforme art. 60, não importarão em nulidade, e, salvo se o sujeito passivo lhes houver dado causa, serão sanadas quando resultarem em prejuízo para este, ou quando não influírem na solução do litígio. Reveladas suficientemente expostas as razões de fato e de direito conducentes ao lançamento tributário, a discordância não se confunde necessariamente com eventual cerceamento ao exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa, e, por consequência, se competente a autoridade fiscal para a respectiva lavratura, possivelmente inapta à declaração de nulidade almejada. Ao ingressa o impugnante no mérito da controvérsia, a resistência, se acolhida, corresponde à decretação da improcedência da pretensão fazendária, mas não da nulidade desta. ATOS NORMATIVOS. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. Aos agentes administrativas não é dado apreciar questões que importem na negação da eficácia de preceitos normativos, em especial as que versem acerca da consonância de tais preceitos com a Constituição da República. São de inarredável competência do Poder Judiciário, seu intérprete qualificado. Inteligência do art. 26-A do Decreto n. 70.235, de 1972. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Fl. 13473DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 66 A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao requerente demonstrar e comprovar, mediante provas hábeis e inidôneas, a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. Conforme estabelecido na Nota SEI n.º 63/2018/CRJ/PGFN-MF, que produz efeitos vinculantes no âmbito da RFB, o conceito de insumos, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Para fins de cômputo do prazo decadencial, comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação nos fatos geradores das infrações tributárias, deve-se aplicar a norma prevista no inciso I do art. 173 do CTN, qual seja, o prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PERCENTUAL APLICÁVEL. ORDENAMENTO JURÍDICO ALTERADO. LEI 14.689/2023. Nos casos de lançamento de ofício será aplicada multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. O percentual de 75% passará a ser de 100% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição objeto de lançamento de ofício nos casos em que identificadas hipóteses de dolo, fraude e conluio previstos na Lei nº 4.502/64. Nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo aquele percentual de 75% passará a ser de 150%. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA DE OFÍCIO. FATO PRETÉRITO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. PENALIDADE MENOS SEVERA. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando aquela lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento tributário. Reduzida a multa qualificada aplicável aos lançamentos de ofício pela Lei nº 14.689/2023, impõe-se a retroatividade benigna a ajustar o percentual originalmente lançado de 150%, Fl. 13474DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 67 reduzindo-o ao percentual de 100% nos casos pendentes de julgamento, caso presentes os demais critérios exigidos pelo legislador positivo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos federais pagos com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a teor do disposto no art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 3º, do art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, que se encontram em plena vigência. JUROS SOBRE MULTA. LEGALIDADE. A legislação vigente determina que os juros incidam sobre o débito existente em relação à União, este obviamente decorrente de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil e que inclui também a multa de ofício no caso de lançamento de ofício. Sendo repetido os mesmos argumentos na decisão do COFINS. Não concordando com a decisão proferida a autuada e os responsáveis solidários apresentaram Recursos Voluntários alegando em breve síntese: a) Falta de provas no auto de infração; b) Decadência de janeiro a novembro de 2017; c) Ausência de má-fé na omissão de receita; d) Não cumulatividade do PIS/COFINS questionando as glosas em relação: a. Terceirização dos serviços; b. Assessoria jurídica e contábil; c. Vale-alimentação; d. Locação de veículos; e. Manutenção de Veículos; f. Combustível e lubrificante; g. Serviço de transporte e frete; h. Aluguel de equipamento e máquinas; i. Aluguel de prédio; e j. Vendas canceladas. e) Erro na qualificação da multa; f) Confiscatoriedade e razoabilidade das multas; g) Limite legal dos juros; Fl. 13475DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 68 h) Proibição de juros sobre a multa; e i) Improcedência da multa isolada devido a dupla penalidade. É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Relator Das preliminares suscitadas pelas Recorrentes No caso em questão o primeiro ponto que deve ser debatido é se os fatos e documentos trazidos aos autos pela fiscalização demonstram com clareza que os recorrentes agiram com dolo para a realização dos fatos aqui tratados. A fiscalização traz aos autos informações sobre como foram constituídas cada uma das empresas, e suas mudanças societárias, trazendo a informações de ligação entre elas, tanto relacionada aos sócios, quanto aos serviços executados por cada uma das empresas. Dos documentos trazidos pela fiscalização podemos analisar os contratos de serviço existentes entre as empresas, que conforme demonstrado pela fiscal tem diversos pontos que trazem estranheza, somando as respostas vagas das Recorrentes, ato que continuou na impugnação e nos presentes Recursos Voluntários. As Recorrentes apresentam diversos trechos de doutrina na qual deixa claro que a fiscalização tem a obrigação de trazer provas e fundamentos para sua autuação, fato esse que nunca poderá ser negado por esse tribunal. No caso concreto a fiscalização apresentou diversas provas das condutas dos Recorrentes, sendo detalhado em seu relatório cada uma das análises realizadas. A Recorrente alega que a autuação se pautou somente pelo fato de existência de vínculo familiar, todavia um dos pontos principais da autuação é a confusão patrimonial e a administração das empresas, visto que diversos pagamentos de uma empresa eram realizados por outra empresa, como no caso de aluguel, que uma empresa utilizava o espaço, porém o contrato e o pagamento eram realizados pela EBEG EMBALAGENS E DESCARTÁVEIS LTDA, sendo que a propriedade era de outra empresa do grupo. A segregação de atividade por si só não é ilegal, porém o modo que foi realizado no caso em tela é o que foi levantado pela fiscalização, sendo que existia transferência de valores entre as empresas do grupo sem a comprovação efetiva do serviço. Fl. 13476DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 69 Verificando as empresas de representação fica claro que os serviços são realizados pelos filhos dentro da empresa autuada, haja vista que os contratos apresentados, bem como falta de apresentação de documentação por parte das empresas de representação, pois não apresentaram em nenhum momento como seria o serviço realizado por eles, informando que usavam a estrutura da empresa autuada. Inexistindo dentro do processo prova do serviço, ou de prestarem serviços para outros clientes. Sobre os funcionários das empresas, em diversos momentos as Recorrentes não apresentam mais informações sobre a existência de funcionários em cada uma das empresas e quais os serviços prestados. Na fiscalização foi comprovada a confusão dos serviços realizados por funcionários e quem efetivamente realiza o pagamento dos mesmos. Demonstrando assim a intenção na realização das atividades de abertura de diversas empresas com o fim de aumentar o custo da autuada e poder se beneficiar integralmente dos créditos de PIS/COFINS. Inclusive em um dos julgados apresentados pela Recorrente um dos pontos decisivos para o cancelamento do auto de infração foi “Além disso, existem outros fatos comprovados pela Interessada que afastam qualquer indício de simulação nas operações sob análise, a saber: (i) as empresas possuem sede própria; e (ii) contabilidade e funcionários individualizados. “, situação totalmente diferente do quanto ocorre no presente processo, conforme as provas trazidas pela fiscalização (fls . 11759, 11761), entre outras do relatório fiscal. Posto isso, o auto de infração está bem fundamentado e com provas suficientes para a sua manutenção. Decadência Posto o quanto apresentado no relatório do presente voto e as provas acima mencionadas, fica clara a existência de dolo na realização dos atos realizados pelas Recorrentes, situação em que o próprio texto do § 4º do art. 150 do CTN exclui daquela previsão. Nesse caso, a contagem é através do art. 173 do CTN, conforme consta em súmula já antiga do Carf. Cita-se o texto em conjunto com outra súmula sobre a matéria: “Súmula CARF nº 72 Aprovada pelo Pleno em 10/12/2012 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 101 Fl. 13477DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 70 Aprovada pelo Pleno em 08/12/2014 Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Assim, aplicável o art. 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere êste artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nêle previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Dessarte, o prazo referente a janeiro de 2017 começa a contar em 01/01/2018. Portanto, não há que se falar em decadência. Ausência de má-fé na omissão de receita Todos os recursos voluntários alegam que nenhuma pessoa jurídica ou física agiu de má-fé ou com intenção de fraude, porém especificamente à omissão de receita financeira a autuada mantém seus argumentos de defesa, sem trazer nos autos nenhuma nova argumentação, por isso utilizo os argumentos de primeira instância como se fossem meus. “No que concerne ao apontamento de omissão de receitas financeiras aduz o sujeito passivo simplesmente equívoco da assessoria que não teria atentado às receitas financeiras sob a ótica de PIS e COFINS. Reforça que não teria havido qualquer omissão dolosa. Tais alegações não devem prosperar. A escrituração contábil e fiscal deve registrar o histórico de operações das empresas e entidades, retratando as variações patrimoniais, a formação do resultado, a posição da riqueza dos sócios, a condição econômico-financeira da empresa e todos os valores de bens, direitos e obrigações envolvidas no negócio. A materialização da contabilidade em sentido amplo se efetiva por meio da escrituração dos livros e da feitura dos demonstrativos contábeis a eles vinculados. Tudo decorrente do processo normal de registro das operações envolvendo recursos financeiros, bens, direitos e obrigações. Logo, este procedimento deve expressar com responsabilidade a essência da verdade dos fatos empresariais. Fl. 13478DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 71 Ressalte-se que a responsabilidade pessoal do contribuinte não é afastada por alegados erros e/ou ilegalidades praticados em seu nome por terceira pessoa, pois é seu o ônus de escolher criteriosamente esses profissionais e de cuidar, eficaz e permanentemente, da higidez dos serviços por eles prestados, pois o interesse e responsabilidade pela prestação de informação correta desses profissionais é dele, contribuinte, e não da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB). Ademais, não se pode aceitar o argumento de mero equívoco da assessoria que não teria atentado às receitas financeiras sob a ótica de PIS e COFINS ausência de omissão dolosa, quando restou demonstrado no vasto arcabouço probatório que o grupo econômico se utilizou vários artifícios para sonegar tributos.” Mérito Inicialmente, antes de enfrentar o mérito das glosas efetuadas, necessário analisar a legislação relativa à apuração e aproveitamento desses créditos. Nesse sentido, as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 estabelecem: Lei nº 10.637/2002: “Art. 3º: Do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II – bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)oVI – máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005); VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” Lei nº 10.833/2003: “Art. 3º: Do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive Fl. 13479DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 72 combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)oIII - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)oVI – máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005); VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Art. 15: Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)” Já nas importações de bens para utilização como insumos, a apuração desses créditos está prevista no art. 15, inciso II, §§ 1º e 3º da Lei nº 10.865/2004, considerando-se os efeitos da Medida Provisória nº 668/2015 – convertida na Lei nº 13.137/2015: Lei nº 10.865/2004: “Art. 15: As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: II - bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica-se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 3º O crédito de que trata o caput será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no art. 8º sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º, acrescido do valor do IPI vinculado à Fl. 13480DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 73 importação, quando integrante do custo de aquisição. (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015)” Também deve ser observado o Parecer Normativo COSIT nº 5, de 17 de dezembro de 2018: “Parecer Normativo COSIT nº 5/2018: Assunto: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II.” Dito isto, passemos à análise das glosas efetuadas pela fiscalização e mantidas pela Delegacia de Julgamento - DRJ: Item 15.3 do TVF - serviços utilizados como insumo – janeiro/2017 a dezembro/2020 Fl. 13481DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 74 Necessário separar esse item em dois pontos, créditos decorrentes de despesas provenientes de empresas do grupo e despesas relativos as outras empresas. Dentro das despesas relativas as empresas do grupo, existem despesas relacionadas a terceirização de serviços (E S Serviços) e de representação comercial (Eleutério’s Representações, R3 Representação). Como já visto acima e detalhado pela fiscalização, a empresa que realizava a suposta terceirização dos serviços por si só já não seria passível de aceitar seu creditamento, devido as ilegalidades verificadas no TVF, porém, mesmo que fosse permitidos tais créditos, os serviços prestados pelos funcionários da E S Serviços são todos relacionados a parte financeira e de administração da autuada, portanto não sendo possível o crédito de PIS/COFINS. Em relação aos serviços de representação comercial, é importante mencionar que mesmo que fosse autorizado o creditamento dessas despesas, em sua essência, o problema aqui é que as recorrentes somente apresentaram para comprovação dessas despesas as notas fiscais e o contrato entre eles, porém como já mencionado acima, tais contratos tem diversas divergências em relação com a realidade e não foi apresentado em nenhum momento provas claras do serviço realizado, sendo portando necessária a manutenção da glosa em relação a esses itens. Seguindo as glosas de serviços realizadas pela fiscalização, foram glosados valores relacionados a despesas com consultoria jurídica e contábil, ato correto da fiscalização, visto que tais consultorias não estão vinculadas com a atividade da autuada, não sendo possível o crédito dessas despesas. Em relação as despesas do vale-alimentação não são possíveis o creditamento, visto que a legislação permite tal creditamento somente quando fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção, atividade diversa da autuada, conforme autorizado no inciso X do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, a partir de 9/01/2009, com a publicação da Lei 11.898/2009. Entrando no mérito das despesas com locação e manutenção de veículos, apesar de tais créditos serem permitidos, dependendo de situações específicas, não foram trazidos aos autos nenhuma prova ou documentação referente a tais despesas, sendo impossível de aceitar tais créditos, portanto mantenho a glosa. Referente as despesas de telefonia, também não foram apresentadas provas nem documentos relacionados, portanto fica mantida a glosa. Item 15.4 do TVF - créditos vinculados a “outras operações com direito ao crédito” – janeiro/2019 a dezembro/2019 Tais créditos são vinculados a nota fiscal de serviço emitida pela E S Serviços, portanto sigo o quanto julgado no item anterior, no qual foi mantida a glosa devido as ilegalidades do contrato com a empresa prestadora de serviço e os serviços realizados pelos funcionários da citada empresa. Fl. 13482DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 75 Item 15.5 do TVF - créditos vinculados à aquisição de bens utilizados como insumo - janeiro/2017 a dezembro/2020 A base de cálculo dos créditos vinculados à aquisição de bens utilizados como insumo somou a importância de R$ 4.942.025,12 e referem-se a despesas com combustíveis e lubrificantes, sendo que não tem detalhamento por parte da autuada onde foi efetivamente utilizado tais bens, porém foi mencionado em seus recursos que são utilizados na entrega dos produtos aos seus clientes. Destaca-se abaixo parte extraída do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05, de 17 de dezembro de 2018 que aborda em relação aos combustíveis a impossibilidade de creditamento está prevista nos itens 138 a 144: “10. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES 138. Conforme se explanou acima, o conceito de insumos (inciso II do caput do art. 3º Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003) estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, se de um lado é amplo em sua definição, de outro restringe-se aos bens e serviços utilizados no processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, não alcançando as demais áreas de atividade organizadas pela pessoa jurídica. 139.Daí, considerando que combustíveis e lubrificantes são consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos de qualquer espécie, e, em regra, não se agregam ao bem ou serviço em processamento, conclui-se que somente podem ser considerados insumos do processo produtivo quando consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos utilizados pela pessoa jurídica nº processo de produção de bens ou de prestação de serviços. 140.Com base no conceito restritivo de insumos que adotava, a Secretaria da Receita Federal do Brasil somente considerava insumos os combustíveis e lubrificantes consumidos em itens que promovessem a produção dos bens efetivamente destinados à venda ou a prestação de serviços ao público externº (bens e serviços finais). 141.Todavia, com base no conceito de insumos definido na decisão judicial em voga, deve-se reconhecer que são considerados insumos geradores de créditos das contribuições os combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens ou de prestação de serviços, inclusive pela produção de insumos do insumo efetivamente utilizado na produção do bem ou serviço finais disponibilizados pela pessoa jurídica (insumo do insumo). 142.Sem embargo, permanece válida a vedação à apuração de crédito em relação a combustíveis consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos utilizados nas demais áreas de atividade da pessoa jurídica (administrativa, contábil, jurídica, etc.), bem como utilizados posteriormente à finalização da produção do bem destinado à venda ou à prestação de serviço. Fl. 13483DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 76 143.Cabe salientar que na decisão judicial em comento, os "gastos com veículos" não foram considerados insumos da pessoa jurídica industrial então recorrente (ver parágrafo 8). Todavia, não se pode deixar de reconhecer que em algumas hipóteses os veículos participam efetivamente do processo produtivo e, consequentemente, os combustíveis que consomem podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos das contribuições. 144.Diante do exposto, exemplificativamente, permitem a apuração de créditos na modalidade aquisição de insumos combustíveis consumidos em: a)veículos que suprem as máquinas produtivas com matéria-prima em uma planta industrial; b) veículos que fazem o transporte de matéria-prima, produtos intermediários ou produtos em elaboração entre estabelecimentos da pessoa jurídica; c) veículos utilizados por funcionários de uma prestadora de serviços domiciliares para irem ao domicílio dos clientes; d) veículos utilizados na atividade-fim de pessoas jurídicas prestadoras de serviços de transporte, etc. Já em relação a "gastos com veículos" que não permitem a apuração de tais créditos, citam-se, exemplificativamente, gastos com veículos utilizados: a)pelo setor administrativo; b) para transporte de funcionários no trajeto de ida e volta ao local de trabalho; c) por administradores da pessoa jurídica; e) para entrega de mercadorias aos clientes; f) para cobrança de valores contra clientes; etc.” Portanto fica claro que não é possível o creditamento de referidos itens, sendo mantida a glosa realizada pela fiscalização. Item 15.6 do TVF - créditos vinculados a despesas com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda - janeiro/2017 a dezembro/2020 As glosas realizadas pela fiscalização estão todas vinculadas as despesas geradas pela empresa R3 LOG, participante do grupo econômico elencado, considerando as informações detalhadas no TVF as Fls. 11895 e 11896. “a) As anomalias verificadas na elaboração e execução do contrato de prestação de serviços de transporte celebrado em 03/10/2016 (tópicos 8.5.3 e 8.5.3.1); b) Da absurda incompatibilidade entre a frota de veículos que teria sido utilizada pela R3 LOG (tópico 8.5.4) e a receita por ela auferida (tópico 8.5.5); c) Da incompatibilidade entre os custos da atividade contabilizada pela R3 LOG e da receita por ela auferida (tópico 8.5.7); d) Da não comprovação dos custos decorrentes da subcontratação de transportadores autônomos pela R3 LOG para prestar serviços de transportes rodoviários e intramunicipais (tópicos 8.5.7 e 8.5.8); e) Da incompatibilidade entre o montante das operações escrituradas nas EFDs- Contribuições decorrentes de serviços de transportes que teriam sido prestados pela R3 Log (R$ 31.835.527,88) e aquele contabilizado pela fiscalizada na conta Fl. 13484DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 77 contábil nº 4.2.2.04.0003 – Serviços de Fretes e Carretos (Pessoa Jurídica) (R$ 5.789.368,07) (tópico 8.5.10); f) A baixa qualidade e deficiência da escrituração contábil da fiscalizada e da R3 LOG (Tópicos 8.5.7, 8.5.10 e 8.5.11); g) Existência de uma confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas do grupo; h) Que o contrato de prestação de serviços de transporte celebrado de 03/10/2016 com R3 LOG é simulado e que os serviços não foram efetivamente prestados;” A autuada alega que foi realizada a glosa por causa da relação familiar entre os sócios das empresas, cliente e prestadora de serviço. Todavia, como inclusive argumentado pela autuada, existem diversos pontos que devem ser verificados e constatado que houve fraude na suposta prestação de serviços, sendo, portanto, invalidados os valores de crédito, segue trecho do Recurso Voluntário da Autuada: “Da mesma forma, falhas nos controles da recorrente ou mesmo daquela transportadora, ou, ainda, um tratamento comercial diferenciado, dentro da liberdade de contratar das partes, também não é fator para se reconhecer uma simulação e, principalmente, negar os créditos previstos em lei.” Ora, exatamente essas falhas recorrentes, esse tratamento diferenciado, que demonstra que o serviço não pode ser igual aos outros prestadores de serviço que não tiveram seus créditos glosados. Posto isso fica mantida a glosa do item. Item 15.7 do TVF - créditos vinculados a “aluguéis de máquinas e equipamentos” – janeiro/2017 a dezembro/2020 No caso em tela, o contribuinte e a documentação juntada por ele, fica claro que as despesas relacionadas nesse item são de locação de veículos, sendo que sua maioria do fornecedor R3 LOG, e de outras empresas especializadas na locação de veículos (Localiza Rent a Car S/A, Ativa Service Ltda e Movida Locação de Veículos S/A). Considerando a legislação e jurisprudência atual desse tribunal não é possível o creditamento de veículos, pois não tem previsão legal para tanto, conforme art. 3º, inciso IV da Lei 10.833/2003: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;” Fl. 13485DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 78 Todavia divirjo dessa posição, entendendo que a determinação legal não restringiu a utilização dos créditos somente sobre dispêndios com locação de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, excluindo gastos com a locação de veículos. Há uma equiparação tácita entre veículos e máquinas/equipamentos. A exigência legal seria apenas que os veículos, além de máquinas e equipamentos, fossem utilizados nas atividades da empresa. Bem. Agora partindo do caso geral para o caso concreto e analisando esses itens de serviços à luz das disposições legais e normativas e considerando as informações prestadas pelo Recorrente a título de descrição do processo produtivo, aqui não se vislumbra hipótese legítima para apuração de créditos de PIS/Cofins decorrentes do regime de não cumulatividade. Explico. Para a validação dos créditos de gastos com aluguel de veículos, máquinas ou equipamentos, é imprescindível a comprovação da sua utilização nas atividades produtivas da empresa. A esse respeito, verifico que não foram juntados aos autos documentos aptos a comprovar, de maneira individualizada, suas funções e aplicações nas atividades do processo produtivo. Uma vez que não provada a relação do aluguel de veículos com as atividades da empresa, entendo que não assiste razão aos argumentos da Recorrente nesse ponto. Logo, voto por manter as glosas referentes às despesas com locação de veículos. Item 15.8 do TVF - créditos vinculados a “aluguéis de prédios” – janeiro/2017 a dezembro/2020 Nesse ponto a Autuada não traz em seu Recurso Voluntário nenhuma argumentação diferente, portanto utilizo os argumentos trazidos pela decisão de primeira instância como se meu fosse: “Segundo a autoridade fiscal a glosa ocorreu por falta de comprovação e vinculação do prédio localizado à Av. Maurílio Biagi, 800, sala 61 e 62, em Ribeirão Preto/SP com as atividades desenvolvidas pela empresa e ausência de transparência e da confusão administrativa, pessoal, contábil, patrimonial e financeira existentes entre as empresas do Grupo EBEG. Alude a fiscalizada que os valore pagos com relação ao precitado imóvel seriam totalmente legítimos, conforme contratos e documentos acostados na fiscalização e que em referido local a impugnante - EBEG - mantinha a empresa terceirizada - ES SERVIÇOS - que realizava grande parte do suporte de gestão e administração. Rememore-se que artigos 3º, IV, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, prevêem apenas o creditamento relativo ao aluguel de prédios, máquinas ou equipamentos. Fl. 13486DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 79 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...)IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...)§ 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista nº caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) Assim, em que pese as alegações da impugnante, as provas colidas pela fiscalização relatadas no TVF evidenciam total ausência de transparência e confusão administrativa, pessoal, contábil, patrimonial e financeira existentes entre as empresas do Grupo EBEG, obstando a possibilidade de se vincular o local citado alhures às atividades da fiscalizada, e considerar como legítimos os créditos calculados sobre aluguéis de prédios. Isto posto, mantem-se as glosas.” Complemento ainda, que no Recurso Voluntário é trazido que seria contraditório o relatório fiscal, pois entendeu que a E S Serviços não existiria de fato, então as atividades da Autuada seriam executadas nesses endereços. Entretanto, como visto no decorrer do processo, a E S Serviços informou que todos os funcionários prestavam atividade dentro do cliente, portanto no endereço da empresa não tinha nenhuma atividade, não podendo ser usado referido argumento, e demonstrando mais uma vez a confusão das atividades das empresas do grupo. Além disso possui glosa de outros aluguéis que não foram trazidos aos autos nenhuma justificativa ou prova do motivo dessas despesas, inclusive durante a fiscalização. Item 15.8 do TVF - créditos vinculados a “devolução de vendas sujeitas- a incidência não-cumulativa” – janeiro/2017 a dezembro/2020 Mais uma vez utilizo o quantum decidium do acórdão recorrido como se meu fosse, visto que não foram apresentada nenhum documentação que comprovasse o quanto argumentado pela Autuada. “Frisa a autoridade fiscal que a defendente emitiu notas fiscais eletrônicas para operações de devolução de venda e cancelamento de venda utilizando-se dos CFOPs nº 1202, 2202, 1411 e 2411 (devolução de vendas) e que sobre as operações de “vendas canceladas” não haveria que se falar em creditamento das contribuições, seja por não compor as receitas tributadas ou por falta de previsão legal. Menciona que intimou a defendente a prestar os devidos esclarecimentos sobre a divergência entre a base de cálculo declarada nas EFDs – Contribuições e o montante das operações contabilizadas na escrituração contábil, mas que ela se restringiu a informar que “o montante das operações contabilizadas nas escritas Fl. 13487DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 80 contábeis dever ser somado às demais insertas na CMV, enquanto a base de cálculo declarada nas EFDs está em conformidade com o total de devoluções havidas no período” (fl.4094). Noutro giro a impugnante diz, em síntese, na peça de defesa que se tais operações foram consideradas, ao invés de devoluções, vendas canceladas, tais valores glosados deveriam ser objeto de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS, como determinado no art. 1º, IV, “a” das Leis n 10.637/2002 e 10.833/2003). Contudo, não faz juntada de um único elemento de prova que possa demonstrar que somou indevidamente o valor das vendas canceladas na base de cálculo das contribuições. Com relação à juntada de provas, ressalte-se que, nos termos dos arts. 15 e 16, inc. III, e §§ 4º e 5º, do Decreto 70.235/72 (que rege o Processo Administrativo Fiscal), com a redação conferida pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93 e pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97, compete ao interessado instruir a impugnação com os documentos em que se apoiar, bem assim mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas documentais que possuir. Assim, tem-se como procedente a glosa dos créditos calculados sobre as vendas canceladas.” Das multas De plano vale ressaltar que a decisão de primeira instância administrativa já reduziu o montante da multa proporcional para o limite de 100% por aplicação de legislação superveniente mais benéfica ao contribuinte, portanto não podendo em se alegar a confiscatoriedade da multa. Entrando agora na argumentação da Autuada, alega que não agiu com dolo ou fraude, sendo que somente agiu conforme recomendação da assessoria, sendo ainda que os serviços realizados pelas empresas do grupo foram efetivamente prestados e emitida os documentos fiscais para pagamentos. É necessário pautar que as conclusões estão sustentadas não apenas em um fato ou uma empresa, mas em conjunto sólido de provas. O dolo praticado para aproveitamento de créditos e a simulação e atos praticados para que o Fisco não tivesse o conhecimento da real situação restaram comprovados. Tem-se que a multa foi qualificada em virtude da constatação de irregularidades na escrituração contábil da contribuinte e celebração de contratos simulados de prestação de serviços administrativos com a E S Serviços (tópico 8.2) e com outras empresas do grupo EBEG. Além da verificação de uma série de irregularidades nos procedimentos adotados na escrituração contábil da Recorrente e na sua omissão na apresentação de esclarecimentos/informações/documentos, a Fiscalização deixou devidamente comprovado nos autos que a Recorrente se utilizou de empresa de fachada E S Serviços Administrativos Eireli, para Fl. 13488DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 81 celebrar contratos simulados de prestação de serviços administrativos com a finalidade de sonegar as contribuições ao PIS e a COFINS através da utilização de créditos fictícios. As circunstâncias relatadas pela Fiscalização evidenciam o intuito deliberado da Recorrente de reduzir o montante do tributo devido, mediante expedientes destinados a subtrair dos cofres públicos parte substancial da obrigação principal de sua responsabilidade, bem como a intenção de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária. Destaque-se que a prática dessas infrações foi demonstrada com vasta documentação probatória acostada aos autos do processo pela Fiscalização e a Recorrente não apresentou nenhum argumento ou prova que pudesse infirmar a veracidade da narrativa empreendida pela Autoridade Fiscal. Portanto, resta caracterizada a prática condutas dolosas tendentes a impedir ou retardar o conhecimento da natureza e circunstâncias do fato gerador, o que constitui sonegação, tal como descrita no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. Também se demonstrou haver ação tendente a excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do tributo devido: fraude, nos termos do art. 72 dessa mesma Lei. Esses efeitos foram atingidos pelo ajuste doloso de duas ou mais pessoas: conluio, segundo o art. 73. Em função dos elementos de prova carreados aos autos, restou demonstrada a sonegação das contribuições sociais, por meio de fraude tributária, ocasionada pela utilização de contratos simulados de prestação de serviço com pessoas jurídicas do mesmo grupo, o que não pode ser explicado como uma simples recomendação de sua assessoria contábil. Logo, a realidade fática encontrada pela Fiscalização deve prevalecer. A Recorrente apresenta em seu Recurso Voluntário argumentos de que os juros seriam limitados a 1%, não podendo ser utilizada a Taxa SELIC em sua integralidade, porém como já decidido na súmula CARF 4, a taxa usada para juros federais será a Taxa SELIC. “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021).” A Recorrente alega ainda que “a cobrança de juros sobre as multas carece de fundamento legal, porque o parágrafo 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, em consonância com o artigo 161 do Código Tributário Nacional, é claro ao restringir a incidência dos juros de mora apenas sobre o valor do tributo (principal) lançado”. Contudo, trata-se de matéria sumulada neste CARF, in verbis: “Súmula CARF nº 108 Fl. 13489DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 82 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.” (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Assim, afasta-se a alegação sob comento. Sobre a multa isolada a Recorrente alega que existiria uma dupla penalidade sobre uma mesma infração, todavia essa alegação não merece ser acatada, pois embora tenham relação com as mesmas contribuições (PIS e Cofins), as multas em questão não têm o mesmo fundamento fático. Uma das penalidades está relacionada à ausência de declaração e recolhimento da obrigação principal, enquanto a outra está relacionada ao descumprimento de uma obrigação acessória relacionada à apresentação de escrituração fiscal digital específica relativa às contribuições. Com efeito, a multa de ofício de 150% aplicada está prevista no Art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07, e decorre da falta de recolhimento e declaração das contribuições. Cumpre destacar que a declaração das contribuições deveria ter sido feita por meio da Declaração de Débito e Créditos Tributários Federais – DCTF, documento que tem o condão de constituir o crédito tributário. Já a multa regulamentar está prevista no art. 12, II, da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pela Lei nº 13.670/2018, e decorre da apresentação de EFD-Contribuições com falta de informações e/ou inclusão de informações inexatas. A EFD-Contribuições é arquivo digital transmitido no âmbito do Sistema Público de Escrituração Digital - SPED, destinado ao registro de documentos fiscais e demonstrativos de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Não se trata de documento constitutivo de crédito tributário. Assim, se além da multa de ofício de 150% tivesse sido aplicada alguma multa específica por falta de informação das contribuições na DCTF, poder-se-ia falar em bis in idem, pois as duas penalidades teriam sido motivadas pelo mesmo fato (falta de declaração da contribuição). Porém, no presente caso a penalidade que convive com a multa de 150% é apenas a multa por omissão de valores na EFD-Contribuições, documento que não tem por finalidade a constituição de crédito tributário (não é declaração de tributo). Logo, conclui-se que não há dupla penalização pelo mesmo fato, mas sim multas decorrentes do descumprimento de obrigações tributárias diversas. Em face do exposto, a alegação do contribuinte deve ser rejeitada integralmente. Dos Recursos Voluntários dos responsáveis solidários Em relação aos Recursos Voluntários dos responsáveis solidários, por entender que a decisão proferida pela instância a quo seguiu o rumo correto, e pelos recursos não terem trazido nenhuma argumentação nova, também utilizo sua ratio decidendi como se minha fosse, nos termos do §12° do art. 114 do RICARF, in verbis: Fl. 13490DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 83 “Da existência do grupo econômico – Elementos constitutivos e conjunto probatório Todos os Litigantes argumentam que não são responsáveis solidários pelos créditos tributários exigidos em face de EBEG, pois não existiu grupo econômico e este, por si só, não impõe solidariedade tributária, além de inexistir prova efetiva e robusta de tais requisitos, o que é ônus do Fisco. A Lei nº 6.404, de 1976, nos seus artigos 265 a 278, trata objetivamente do “grupo de empresas” ou “grupo econômico de direito” (formal), detentores de determinadas prerrogativas, quando cumprem as correspondentes formalidades legais, quanto à sua constituição. A mesma Lei trata, também, nos seus artigos 243 a 264, ainda que indiretamente e de forma não expressa, do “grupo econômico de fato”, que constituem as situações em que um “grupo de empresas”, mesmo não se tendo constituído formalmente, deva ser considerado um “grupo econômico”, em razão de determinadas condições que estejam presentes. A existência do “grupo econômico de direito”, aquele formalmente constituído de acordo com às exigências da Lei nº 6.404, de 1976, não apresenta maiores dificuldades, tampouco suscita significativas controvérsias. Como entende os Litigantes, os grupos econômicos formados de acordo com a Lei nº 6.404/1976, em que há pleno respeito à personalidade jurídica de seus integrantes (mantendo-se a autonomia patrimonial e operacional de cada um deles), não podem sofrer a responsabilização solidária, salvo cometimento em conjunto do próprio fato gerador. Entretanto, o presente caso trata de “grupo econômico de fato”, na medida em que este é criado muitas vezes por razões não declaradas ou nem sempre conhecidas. No grupo econômico de fato as pessoas jurídicas participantes estão relacionadas em decorrência da participação que uma possui no capital social das outras, sem que haja um ajuste sobre sua organização formal, administrativa e obrigacional. Portanto, o grupo econômico nem sempre é perceptível, pois quase sempre seus agentes adotam práticas que visam a ocultar ou dissimular a verdadeira natureza do empreendimento, buscando subtrair-se das responsabilidades decorrentes da legislação. Neste contexto, fundamentalmente, os autos contam com a descrição de um contexto no qual há várias empresas formalmente independentes entre si, mas que, na realidade, formariam verdadeiro grupo econômico, com vistas a se beneficiarem de um tratamento tributário mais favorável. Em sendo assim, a Fiscalização fundamenta o lançamento nos pontos que demonstrarei nos itens que se seguem, sobre a existência do grupo econômico de fato denominado de Grupo EBEG, comandado pela família Eleutério, composto pelas empresas EBEG Embalagens e Descartáveis Ltda, RSG Administradora de Imóveis Ltda, RC4 Empreendimentos e Participações Ltda, LFR Empreendimentos Fl. 13491DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 84 e Participações Ltda, FAR Empreendimentos e Participações Ltda, Eleutério’s Representações, R3 Representação Comercial, R3 Log Broker. Obviamente, como adiante se verá, não é a visão individual de cada um dos elementos suficientes ao reconhecimento do grupo econômico, mas sim a verificação de um contexto mais amplo, a partir das provas produzidas nos autos, no qual fique evidenciada a existência de um interesse comum entre as empresas tidas como independentes. Os negócios do Grupo EBEG se iniciaram com a constituição de empresas com a participação dos cônjuges Sebastião Eleutério Filho e Maria Graziella Silva Eleutério e, com a evolução e ampliação dos negócios, ocorreu gradativamente a participação dos filhos Ricardo Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério. Tem-se, neste caso, que as pessoas físicas integrantes da Família Eleutério são sócias de diversas empresas que estão no centro do grupo econômico. Pode-se afirmar que uma pessoa jurídica somente tem sua existência de fato enquanto for autônoma, no sentido de poder se gerir e se administrar, independentemente do interesse alheio que a venha contaminar. Ao se falar na administração comum de várias pessoas jurídicas, fora dos casos de controle acionário, há que se ter cuidado para que a administração não transborde os limites do ato societário puro, transmudando-se em ato pessoal do administrador ou ato que venha a submeter a pessoa jurídica à ingerência alheia de outrem. Nesse sentido, os laços de parentesco têm sido utilizados como instrumentos fecundos de expedientes simulados e fraudulentos na condução das empresas modernas, notadamente, quando se tem a alocação de parentes como sócios apenas no papel. A Peticionante foi constituída em 1999 em nome dos Srs. Roberto Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério. No ano de 2010 ocorreu a retirada do sócio Roberto e a admissão do sócio Ricardo Silva Eleutério. A partir de 2013 houve a transformação do tipo jurídico (sociedade limitada para empresa individual/EIRELI) e o único sócio passou a ser o Sr. Sebastião Eleutério Filho. Apesar de os Srs. Ricardo Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério, não fazerem mais parte do quadro societário da Litigante, continuaram com suas participações na administração da empresa EBEG. Conforme reportagem jornalística citada pela Fiscalização (fl. 7.318), o Sr. Ricardo Silva Eleutério participou diretamente no desenvolvimento do spray higienizador (Linha FeelCare), marca pertencente à Postulante, para ajudar no combate da Covid-19 (fls. 172/178). A Autoridade Fiscal verificou ainda que de acordo com os comentários dos consumidores sobre a matéria jornalística e na busca de informações do local em que encontraria o spray higienizador, há indicação do endereço e do sítio www.ebegembalagens.com.br, o que é prova robusta da vinculação entre a Litigante, o Sr. Ricardo e o spray higienizador. Fl. 13492DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 85 A Fiscalização verificou por meio de pesquisa no link https://www.linkedin.com/in/rodrigo-eleuterio-a9a11310a/, que o Sr. Rodrigo Silva Eleutério seria diretor do Grupo R3 desde outubro de 1999. Nesta época, o Sr. Rodrigo, juntamente com o Sr. Roberto Silva Eleutério (irmão menor representado pelo Sr. Sebastião Silva Eleutério), tinha constituído a empresa Peticionante. Já o Instrumento Particular de Contrato de Locação de Imóvel Para Finalidade Comercial "LOG Goiânia Business Park", celebrado em 12/06/2013, entre a Impugnante e a empresa Goiânia I Incorporações Imobiliária SPE Ltda, faz referência ao e-mail do Sr. Rodrigo (rodrigo@ebegembalagens.com.br) e tem como fiadores os Sr. Ricardo (ricardo@ebegembalagens.com.br), Rodrigo (rodrigo@ebegembalagens.com.br) e Roberto (roberto@ebegembalagens.com.br) (fls.311/312), conforme abaixo demonstrado: Após examinar as notas fiscais eletrônicas emitidas por terceiros e destinadas à Peticionante, a Fiscalização constatou que, durante o ano 2017, a empresa Plastilania Indústria e Comércio Ltda - CNPJ n° 03.620.142/0002-20, emitiu diversas notas fiscais de venda se utilizando como e-mail do destinatário roberto@ebegembalagens.com.br (fl. 7.217). Através do link https://portalapas.org.br/wp-content/uploads/2018/02/Revista acontece-59-especial-baixa.pdf, a Autoridade lançadora constatou que os Srs. Roberto Eleutério e Rodrigo Eleutério representaram a Suplicante no recebimento do prêmio de 1º lugar da EBEG Embalagens no setor de suprimentos e embalagens (fls. 7.321/7.322). Ao examinar a escrituração contábil e fiscal da Insurgente, a Fiscalização verificou inúmeras notas fiscais emitidas pela empresa Acerta Centralizadora de Serviços Administrativos Eireli - CNPJ n° 10.738.248/0001-08, decorrentes de venda de cartões de visita à Litigante, dentre as quais, continham na descrição das mercadorias a expressão "diretoria", "Beto" (apelido comum de Roberto Eleutério) e "Ricardo Eleutério" (fls.6917/6918). Por meio do exame das declarações (e-financeira) fornecidas pelas instituições financeiras, constatou que os Srs. Ricardo Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério seriam representantes legais da Litigante e autorizados a movimentar a conta corrente mantida junto ao Bradesco conforme quadro abaixo, veja: (Fls. 11677) Fl. 13493DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 86 A Fiscalização identificou através dos extratos bancários da Litigante algumas operações (cheques compensados, depositados e/ou sacados, depósitos e/ou transferências entre contas) destinadas aos diretores (fls. 7220/7266), as quais não foram contabilizadas, a saber: •Banco Bradesco - Ag. 3376 -CC 189103 <> foram identificados cheques emitidos em favor de Ricardo Silva Eleutério no montante de R$ 211.641,48, inclusive com saque em espécie; •Banco Bradesco - Ag. 3376 - CC 189103 <> foram identificados cheques emitidos em favor de Rodrigo Silva Eleutério no montante de R$ 43.940,00. Verificou-se, ainda, uma entrada e saída de recursos em 07/08/2019 no valor de R$ 20.871,23; •Banco Bradesco - Ag. 3376 - CC 189103 <> foram identificados cheques emitidos em favor de Roberto Silva Eleutério no montante de R$ 480.756,93, inclusive com saque em espécie. Diante de todos os elementos até aqui apontados, ficou patente que a Litigante é gerida e administrada diretamente pelos filhos do Sr. Sebastião Eleutério Filho (único sócio da Suplicante), Srs. Ricardo Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério. O fato de a administração e gerência da Suplicante se encontrar nas mãos dos Srs. Ricardo Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério, tem-se a comunhão dos interesses familiares a contaminar a independência das empresas. Ademais, todas as outras empresas do Grupo EBEG, sejam aquelas cujo titular é a mãe (Maria Graziella Silva Eleutério), ou o pai (Sr. Sebastião Eleutério Filho) ou em nome das holdings controladas pelos filhos (Ricardo, Rodrigo e Roberto) são geridas e administradas diretamente pelos Srs. Ricardo Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério. Mais um aspecto de realce é que, após análise das escriturações contábeis e fiscais da Litigante, a Fiscalização constatou que no período de 2017 a 2020 as receitas de revendas de mercadorias somaram a importância de RS 784.023.303,11. No entanto, a Autoridade Fiscal observou que: a)Não há bens imóveis em nome da fiscalizada; b)Não há investimentos na fiscalizada; c)Em 31/12/2020 o ativo imobilizado da fiscalizada era de apenas R$ 4.071.858,57 (veículos, máquinas e móveis) e pouco se alterou em relação a 31/12/2017 que era de R$ 3.556.419,07, absolutamente incompatível com o faturamento/porte da empresa; e)No período de janeiro/2017 a dezembro/2020 o resultado líquido da fiscalizada foi de apenas R$ 2.575.108,30 (0,33% da RB), absolutamente incompatível com margem do setor atacadista; f)Os lucros distribuídos (2017 a 2020) somaram a importância de R$ 1.894.849,00 (0,25% da RB), o que também é incompatível com o porte da empresa e absurdamente desproporcional com a margem/distribuição de lucros do segmento varejista/atacadista; É de se ver, que propositadamente os administradores Srs. Ricardo Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério, utilizaram a Litigante apenas para sonegar tributos, pois não se preocuparam em fazer grandes investimentos e tampouco adquirir patrimônio em seu nome. Com a Fl. 13494DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 87 sonegação, a principal geradora dos recursos financeiros que irrigavam as empresas do grupo foi a Insurgente. Uma das evidências desta sonegação fiscal, foi a utilização da empresa E S Serviços Administrativos para celebrar contratos simulados (terceirização ilícita) com a Suplicante, com a EBEG Atacado e Varejo Ltda - CNPJ n° 20.787.518/0001- 24 (até 06/2019) e depois com S. Eleutério Filho Comercial - CNPJ n° 33.463.584/0001-90 (a partir de 07/2019) para contratação de empregados a serem alocados nas atividades daquelas empresas, com objetivo único de reduzir os encargos previdenciários e recolher a contribuição previdenciária a cargo das empresas de forma diferenciada, simplificada e favorecida, já que a empresa prestadora era optante pelo Simples Nacional. O que ficou patente nesta terceirização ilícita, foi uma grande confusão administrativa, contábil, financeira, de recursos humanos e patrimonial, propositalmente instalada entre E S Serviços Administrativos Eireli (contratada), a Suplicante, a EBEG Atacado e Varejo Ltda e a S. Eleutério Filho Comercial, tornando-as indissociáveis entre si. Outro aspecto bastante relevante é que a Fiscalização detectou por meio do exame da escrituração contábil, a existência de contratos de empréstimos e/ou mútuos entre as empresas, que era um mecanismo utilizado para fazer circular os recursos financeiros provenientes dos tributos sonegados pela Suplicante entre as empresas componentes do Grupo EBEG. Para o caso em questão, as holding FAR, RC4, LFR e os sócios/administradores Srs. Ricardo Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério, concederam empréstimos à RSG Administradora de Imóveis. É importante registrar que, a contar de 22/04/2008, algumas empresas passaram a ser constituídas exclusivamente em nome dos filhos do Sr. Sebastião Eleutério Filho, tais como R3 LOG, R3 Representações, R3 Distribuição Alimentar, R3 Indústria e R3 Química, com estreitas ligações e dependência econômica da Suplicante. Em 23/09/2019, com a reorganização societária, as participações dos filhos nestas empresas foram transferidas para as holdings RC4 Empreendimentos e Participações Ltda, LFR Empreendimentos e Participações Ltda e FAR Empreendimentos e Participações Ltda, que estão sob o controle societário, respectivamente, dos Srs. Ricardo Silva Eleutério, Roberto Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério. Citadas empresas se utilizaram de contratos simulados com a Insurgente e contratos de mútuos/empréstimos entre as empresas, para se capitalizarem e se estruturarem, inclusive, chegando ao ponto, atualmente, de terem seus objetos sociais iguais ou idênticos àqueles desenvolvidos pela própria Litigante, qual seja: fabricação/comércio/atacadista/varejista de embalagens de material plásticos e outros. Observa-se que as holding também são administradas e geridas pelos Srs. Ricardo Silva Eleutério, Roberto Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério. Fl. 13495DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 88 Em 21/11/2012 o Sr. Sebastião Eleutério Filho e seu filhos Ricardo Eleutério Filho, Roberto Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério constituíram a empresa RSG Consultoria Ltda - CNPJ n° 17.216.525/0001-61 (desde 14/04/2016 denominada de RSG Administradora de Imóveis Ltda) e a integralização do capital ocorreu por meio de incorporação de imóveis pertencentes a cada um dos referidos sócios (fls.7132/7135), cujo objeto social é a compra, venda, locação e administração de imóveis próprios. Atualmente é controlada pelas holdings que estão em nome dos filhos (Ricardo, Roberto e Rodrigo): RC4 Empreendimentos e Participações Ltda, LFR Empreendimentos e Participações Ltda e FAR Empreendimentos e Participações Ltda. A empresa RSG não possui empregados e apresentou à Fiscalização os seguintes contratos: •"Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Uso" datado de 02/03/2016, celebrado entre a RSG Administradora de Imóveis Ltda (cessionária) e Roberto Silva Eleutério (Cedente,) cujo objeto é a cessão graciosa de imóvel residencial localizado à Rodovia Prefeito Antônio Duarte Nogueira, s/n Km 322/333, Jardim Canadá, Ribeirão Preto/SP, o qual é utilizado como sede e domicílio tributário da referida empresa. De acordo com o contrato, o imóvel foi cedido por 10 anos apenas para ser utilizado para fins legais, tributários e de endereço para correspondência, não sendo exercida qualquer atividade empresarial no local, nem de atendimento ao cliente (fls.6787/6788). O imóvel residencial pertence a Roberto Silva Eleutério e a sua esposa Fabiana Gomes Martins Eleutério. •Instrumento Particular de Contrato de Locação Não Residencial, celebrado em 01/06/2015, entre a Litigante, representada pelo seu diretor Sebastião Eleutério Filho, e a RSG Consultoria Ltda, representada pelos sócios Roberto Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério (item 3), que tem por objeto a locação do imóvel localizado à Av. Maurílio Biagi, 800, Salas 61 e 62, Edifício Corporate, Ribeirão Preto/SP com duração de 5 (cinco) anos e preço fixado inicialmente de R$ 30.000,00 (item 7) (fls.6794/6809). Este local é utilizado como sede da empresa de fachada E S Serviços Administrativos, •Instrumento Particular de Contrato de Locação Residencial celebrado em 01/12/2015 entre o Sr. Sebastião Eleutério Filho, sua esposa Maria Graziella Silva Eleutério e a RSG Consultoria Ltda, representada pelos sócios Roberto Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério (item 3), que tem por objeto a locação do imóvel residencial localizado à Via Marginal Dr. Hermenegildo Ulian, 2419, Anel Viário Contorno Sul Km 312 - Condomínio Colina Verde, Casa 12, Ribeirão Preto/SP com duração de 5 (cinco) anos e preço fixado inicialmente de R$ 10.000,00 (item 7) (fls.6810/6825). É bem possível que seja a residência oficial do casal. A RSG foi denominada como a empresa patrimonial do Grupo EBEG, na planilha abaixo, tem-se uma síntese dos saldos de algumas contas e/ou grupo que demonstram a solidez e origem dos recursos investidos na RSG: (Fls. 11944) Fl. 13496DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 89 Como se verifica, todos os bens imóveis se encontram concentrados na empresa RSG, com o objetivo único de manter o patrimônio do Grupo EBEG distante das irregularidades e dos ilícitos praticados. Neste sentido, chama a atenção o fato de a Litigante ter faturado, no período de 2017 a 2020, a importância de R$ 784.023.303,11, no entanto, não possui bens imóveis declarados e seu único sócio, Sr. Sebastião Eleutério Filho, também não possui bens imóveis declarados, o que demonstra, diante da fraude e sonegação até aqui relatadas, ser mais um indício da existência de um planejamento para fins de blindagem patrimonial, uma forma de proteger o patrimônio familiar e dificultar o recebimento pelo Fisco dos tributos sonegados. Em 31/12/2020 as holdings RC4 Empreendimentos e Participações Ltda, LFR Empreendimentos e Participações Ltda e FAR Empreendimentos e Participações Ltda detinham participações societárias igualitárias na empresa RSG Administradora de Imóveis Ltda. Frise-se que todos os bens imóveis e os recursos financeiros do Grupo EBEG também estão blindados em nomes das holdings controladas pelos administradores da Litigante, Srs. Ricardo Eleutério Filho, Roberto Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério. Por conseguinte, existem provas robustas e evidências nos autos de que as empresas RC4 Empreendimentos e Participações Ltda, LFR Empreendimentos e Participações Ltda, FAR Empreendimentos e Participações e RSG Administradora de Imóveis Ltda, controladas pelos administradores da Insurgente, Srs. Ricardo Eleutério Filho, Roberto Silva Eleutério e Rodrigo Silva Eleutério, foram altamente capitalizadas com aquisição e incorporação de bens móveis e imóveis de valores expressivos, sendo mais uma etapa arquitetada pelo planejamento tributário ilícito para fins de blindagem patrimonial da Família Eleutério. Quanto à aquisição de bens de luxo (veículos e aeronaves), foram feitas em nome das empresas R3 Representação Comercial Ltda e R3 LOG Broker e Logística Ltda, que guardam relação com a formação do grupo econômico de fato, objeto do presente lançamento. Por todo o exposto, no presente caso, ficou comprovado a caracterização de um grupo econômico de fato denominado de Grupo EBEG, que tem como empresa mãe, a Insurgente e, também, as empresas RSG Administradora de Imóveis Ltda, RC4 Empreendimentos e Participações Ltda, LFR Empreendimentos e Participações Ltda, FAR Empreendimentos e Participações Ltda, R3 Representação Comercial Ltda, R3 LOG Broker e Logística Ltda, Eleutério’s Representações Ltda, criadas ao longo dos anos em nome dos filhos do Sr. Sebastião Eleutério Filho, para retirar da Impugnante, recursos com a prática deliberada de ilícitos tributários (sonegação, fraude, conluio). Reitera-se que as imputações realizadas pela Autoridade Fiscal não se deram a partir de um único indício, mas da apuração de uma série de elementos que dão sustentação ao procedimento realizado. Pode-se dizer que, considerados de Fl. 13497DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 90 maneira isolada, os fatos arrolados pela Fiscalização poderiam não configurar necessariamente nenhuma ilegalidade e até ser justificados por questões circunstanciais. Entretanto, considerados em conjunto, formam um todo inequívoco, ensejando a convicção a respeito da verdadeira situação fática ocorrida. Do interesse comum – Reconhecimento do grupo econômico e da responsabilidade solidária com base no art. 124, I, do CTN Uma vez alinhavado todo o acervo probatório sobre os elementos constitutivos do grupo econômico denominado de Grupo EBEG, impende analisar a existência do interesse comum. Sobre o tema, dois aspectos mostram-se relevantes. São eles: Código Tributário Nacional - CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Pois bem, sobre o interesse comum, há que se ressaltar que não basta o reconhecimento da identidade ou alinhamento de interesses econômicos para que haja o grupo econômico, sob o prisma tributário. Ao contrário, para que se tenha um grupo econômico de fato, porque de direito há o reconhecimento voluntário de seus integrantes, há que se ter o alinhamento, a convergência de interesses sob o ponto de vista jurídico, de forma que em relação a todos seja relevante os impactos tributários da decisão tomada. Assim, os sujeitos passivos devem ter posições favoráveis, em maior ou menor medida, em relação à situação que lhes favoreça no campo tributário, exonerando-os, no todo ou em parte, dos efeitos da lei tributária. Nesse sentido, o interesse comum, sob o ponto de vista jurídico, está na intenção dos participantes de, prevendo os efeitos jurídicos decorrentes de determinado contexto de conduta ou expediente adotado, aceitá-los e beneficiarem-se destes efeitos jurídicos, dele advindo ou não consequências econômicas mais favoráveis. É dizer, o interesse comum se materializa quando a decisão tomada pelos sujeitos de direito lhes é favorável, em maior ou menor extensão, e é por eles buscada como objetivo no contexto de conduta ou negócios jurídicos que realiza. Portanto, para ensejar a aplicação do disposto no inciso I do art. 124 do CTN, o interesse comum deve estar no fato ou na relação jurídica relacionada ao fato jurídico tributário. O vínculo do responsável solidário se estabelece com o contribuinte ou com o fato gerador, podendo responsável e contribuinte estarem, inclusive, de lados contrapostos da relação, desde que atuem conscientemente e cooperadamente para a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Tem-se, no caso concreto, a Insurgente, EBEG Embalagens e Descartáveis Ltda, atuando de forma deliberada com vistas a deixar de pagar tributos através da apropriação de créditos calcados em contrato simulado. Assim, a Litigante obteve vantagem financeira no que toca à sonegação de tributos, já que se utilizou da empresa de fachada E S Serviços Administrativos Fl. 13498DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 91 Eireli, para celebrar contratos simulados de prestação de serviços administrativos com a finalidade de calcular e se apropriar de créditos fictícios e não pagar tributos. Repiso, conforme ficou amplamente comprovado nos autos, as empresas componentes do Grupo EBEG, sejam aquelas cujo titular é a mãe (Maria Graziella Silva Eleutério), ou o pai (sr. Sebastião Eleutério Filho) ou em nome das holdings controladas pelos filhos (Ricardo, Rodrigo e Roberto) são geridas e administradas diretamente pelos Srs. Ricardo Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério. Saliente-se que a Sra. Maria Graziella Silva Eleutério é sócia de direito da empresa E S Serviços Administrativos e assinou conscientemente e espontaneamente os contratos simulados de prestação de serviços administrativos celebrados com as empresas EBEG – Embalagens e Descartáveis Ltda, EBEG Atacado e Varejo Ltda e S. Eleutério Filho Comercial. Com a sonegação, a principal geradora dos recursos financeiros que irrigavam as empresas do Grupo EBEG foi a Insurgente, e, no presente caso, todas as pessoas físicas e jurídicas tiveram proveito financeiro em detrimento do não recolhimento das contribuições ao PIS e a COFINS efetivamente devidas pela Postulante. Portanto, houve participação consciente de todos os responsabilizados nos atos simulados. Alguns tem participação direta, outros indireta, mas estão todos envolvidos na situação engendrada. Além de participarem, concorrentemente, da prática do fato jurídico tributário, praticaram atos ilícitos que o desvirtuou, havendo abuso da personalidade jurídica tanto na formação de grupo econômico irregular quanto no planejamento tributário abusivo. Destarte, reconheço a existência de flagrante interesse comum, de natureza jurídico-tributária, entre as pessoas físicas e as empresas integrantes do Grupo EBEG, quais sejam, a Litigante, a RSG Administradora de Imóveis Ltda, a RC4 Empreendimentos e Participações Ltda, a LFR Empreendimentos e Participações Ltda, FAR Empreendimentos e Participações Ltda, R3 Representação Comercial Ltda, R3 LOG Broker e Logística Ltda e a Eleutério’s Representações Ltda, a Sra. Maria Graziella Silva Eleutério, os Srs. Ricardo Silva Eleutério, Rodrigo Silva Eleutério e Roberto Silva Eleutério. Portanto, todas as pessoas físicas e jurídicas que concorreram para a organização do negócio engendrado na terceirização fictícia da mão-de-obra com a empresa E S Serviços Administrativos, têm vínculo com a Litigante e com o ilícito praticado, estando comprovado o interesse comum em que se fundamenta a responsabilização solidária prevista no art. 124, I, do CTN. Está correta a imputação da responsabilidade a todos os Impugnantes com base no art. 124, I, do CTN. Da responsabilização solidária do Sr. Sebastião Eleutério Filho Alega que é improcedente a sua inclusão como responsável solidário, diante do equívoco Fl. 13499DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.308 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.721417/2021-04 92 cometido por parte do Fisco, pois a responsabilidade de sócio - administrador por eventuais atos, deve estar fundamentada no art. 135, III, do CTN e não no art. 124 do mesmo diploma legal. Ocorre que a imputação da responsabilidade solidária do Sr. Sebastião Eleutério Filho, enquadra-se na realidade fática do art. 124,II, do CTN, como acertadamente imputou a Fiscalização e não no art. 135, III, do CTN, como pretende o Litigante. No que diz respeito à declaração do vínculo de solidariedade formado a partir da caracterização do grupo econômico de fato, denominado Grupo EBEG, decorreu de uma grande quantidade de eventos devidamente comprovados nos autos, ficando bem caracterizada a sua existência. Neste contexto, o Litigante, na condição de sócio, gestor e representante da empresa EBEG Embalagens e Descartáveis Ltda, assinou todos os contratos simulados celebrados entre esta e as empresas integrantes do Grupo EBEG e foi responsável direto pelo planejamento tributário ilícito, fraude, sonegação e conluio praticados pelo grupo econômico e minuciosamente relatados no Relatório Fiscal e no decorrer deste Voto. A responsabilidade solidária do Sr. Sebastião Eleutério Filho, justifica-se pelo contexto acima apresentado, motivo pelo qual o mantenho no polo passivo da presente autuação. Conclusão Pelo exposto, nego provimento quanto as preliminares requeridas e quanto ao mérito nego provimento integralmente ao Recurso Voluntário da Recorrente e de todos os responsáveis solidários. Assinado Digitalmente Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow Fl. 13500DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10320.722938/2015-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2013
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Inocorre o alegado cerceamento do direito de defesa quando a fiscalização, na fase de auditoria demonstra de forma cabal a imprestabilidade da escrituração contábil.
ESCRITURAÇÃO. LIVROS. DOCUMENTOS. ELEMENTOS DE PROVA.
A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados somente quando comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.
Numero da decisão: 3202-002.231
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-002.230, de 18 de dezembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10320.722937/2015-65, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. Inocorre o alegado cerceamento do direito de defesa quando a fiscalização, na fase de auditoria demonstra de forma cabal a imprestabilidade da escrituração contábil. ESCRITURAÇÃO. LIVROS. DOCUMENTOS. ELEMENTOS DE PROVA. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados somente quando comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-002.230, de 18 de dezembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10320.722937/2015-65, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 248DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.231 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.722938/2015-18 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário contra lavratura de Auto de Infração para exigência de COFINS referente ao exercício de 2013. A autuação decorreu da divergência de valores escriturados contabilmente na conta “nº 219111001 - PIS a recolher” e “219112001 – COFINS a recolher”, constantes da ECD transmitida, com os valores recolhidos via DARF, apurando-se pagamentos a menor. Cientificada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada parcialmente procedente pela 23ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento 08 para revisar o lançamento referente a competência de 07/2013, formalizada pelo acórdão nº 108- 021.124, assim ementado: Fl. 249DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.231 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.722938/2015-18 3 Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário ao CARF, no qual pugna pelo cancelamento da autuação. Em suma, é o Relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso é tempestivo, bem como, atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade, portanto, dele conheço. Ante a existência de preliminares, passo a analisá-la. I- DAS PRELIMINARES 1- Da arguição de nulidade da constituição do crédito tributário Pugna a Recorrente pelo reconhecimento de nulidade na constituição do crédito tributário por cerceamento de defesa, ante a ausência da devida apreciação dos documentos fiscais, comerciais e contábeis da Recorrente, em razão do indeferimento da prova pericial requerida. No meu entendimento, não existem erros passíveis de causar nulidade ao ato administrativo, pois, é mister registrar que de acordo com Decreto nº 70.235, 06/03/1972, somente são nulos os atos administrativos proferidos por autoridade incompetente e/ ou com preterição do direito de defesa, assim dispondo: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando Fl. 250DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.231 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.722938/2015-18 4 resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Para arrematar, o ato administrativo foi lavrado por servidor competente, descrevendo claramente a infração imputada ao sujeito passivo- aqui Recorrente, arrolando todas as razões de fato e de direito que ensejaram a sua lavratura, atendendo fielmente as disposições do art. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná- la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Compulsando-se os autos, evidencia-se que não houve qualquer prejuízo à defesa da Recorrente, tanto é que ela pôde se manifestar nas duas instâncias, não havendo o que se falar em preterição ao direito de defesa. Daí, ante a suscitada nulidade da decisão recorrida sob o argumento de violação ao direito de defesa é equivocada, não encontrando amparo legal. Desse modo, conheço, porém, afasto a preliminar arguida. II- DO MÉRITO 2- Da (i)legitimidade das diferenças apuradas O presente processo trata-se de autuação para exigência de PIS referente ao exercício de 2013. Dos autos se extrai que do confronto dos valores escriturados contabilmente nas contas “219111001 – PIS a Recolher” e “219112001 – COFINS a Recolher” constantes da Escrituração Contábil Digital - ECD com aqueles confessados em DCTF e pagos (informações dos DARF). Fl. 251DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.231 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.722938/2015-18 5 Intimado a se manifestar sobre as divergências apontadas pela fiscalização, o contribuinte assim se manifestou (e-fls. 11): “esclarecemos que os saldos credores constantes nas contas contábeis 219111001 (PIS a Recolher) e 219112001 (COFINS a Recolher) não representam os reais valores a pagar. Nosso processo de apuração dessas contribuições, em meados do mês seguinte ao período de apuração encerrado, são realizadas apurações onde são feitos os ajustes nos valores contabilizados seja a débito ou a crédito.” O contribuinte foi novamente interpelado pela fiscalização para esclarecer a natureza dos ajustes, que assim se manifestou: “Em relação às divergências apontadas, informamos que os valores declarados na obrigação acessória EFD-Contribuições são os efetivamente apurados. Sendo os saldos das aludidas contas ajustados extemporaneamente. Desta feita, os valores constantes das demais obrigações acessórias (DCTF e DACON) não refletem a apuração final do período.” Dos trabalhos da fiscalização concluiu-se que os registros contábeis e fiscais de apuração das Contribuições Não-Cumulativas para o PIS e COFINS de todo ano- calendário 2013 efetuados pelo próprio fiscalizado, havia erro na contabilidade, no Demonstrativo de Apuração das Contribuições – DACON, e na Declaração de Débitos e Créditos Federais – DCTF, estando corretos, no entanto, em sua versão, apenas a Escrituração Fiscal Digital (EFD-Contribuições). Ademais, o contribuinte não apresentou EFD-Contribuições dos períodos de 01/2012 a 05/2013, só havendo efetuado o envio dessas escriturações fiscais após instado pela RFB. Fl. 252DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.231 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.722938/2015-18 6 Também detectou-se divergências entre DACON/EFD-Contribuições x DCTF, objeto de solicitação de retificação de DCTF/esclarecimentos, os quais, em que pese dilatado prazo concedido (mais de 60 dias) não foram procedidos pelo contribuinte. O trabalho da fiscalização também identificou: divergências entre os registros; justificativas insubsistentes; omissões de obrigações acessórias; excessiva mora no atendimento das solicitações, demonstram, a propósito, certo relaxamento de seus controles internos na área tributária durante o ano-calendário 2013. A Recorrente também comprovou que os registros contábeis das contas 219111001-PIS a Recolher e 219112001-COFINS a Recolher “não representam os reais valores a pagar”, como afirma, peremptoriamente, a Recorrente. Estas contas captam, basicamente, a movimentação de lançamentos a débito/crédito apenas quando há saldos das contribuições a pagar. Os lançamentos individualizados de débitos e créditos de PIS/COFINS são efetuados, à exaustão, documento por documento, nas contas de PIS e COFINS a Recuperar (Subgrupos 11403 e 11404) constantes do Ativo Circulante, cujos razões também anexos. A Recorrente encontrava-se omissa por 17 períodos de apuração até o início da autuação (01/2012 a 05/2013), é obrigação acessória imposta por esta RFB que tem utilidade para a coleta de informações iniciais, normalmente utilizadas para cruzamentos com outras fontes de dados disponíveis, longe, por óbvio de dispor do grau de segurança/relevância probatória da escrituração contábil. Daí, ante as insuficiências detectadas, a constituição do crédito tributário foi lançado de ofício. Também houve imputação de multa por entrega extemporânea dos arquivos dasmseguintes escriturações digitais, com valores das multas por atraso calculadas (MP 2.158-35/2001, art. 57, I, b): O contribuinte, por sua vez, insurge-se contra a autuação, em nome do princípio da verdade material, afirma que está retificando a sua escrituração contábil digital e demais declarações acessórias, pugna pela aceitação extemporânea de laudo técnico para justificar os ajustes contábeis. Ratificando o entendimento do julgador de piso, pois no que cerne ao pleito por diligência fiscal- para apresentação de laudo técnico também entendo não ser adequada para complementação do conjunto probatório, eis que esta não se presta a este fim, mas tão somente para prover esclarecimentos sobre o que já se encontra nos autos. Fl. 253DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.231 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.722938/2015-18 7 Naturalmente, os órgãos julgadores podem, eventualmente, determinar, a seu critério, diligências/perícias para esclarecimentos de questões e fatos que julgar relevantes. Todavia, isso não significa, que os órgãos julgadores deverão partir para uma desregrada e inoportuna busca por elementos de provas que deveriam ser trazidos pelo sujeito passivo no momento da impugnação ou da manifestação de inconformidade. A Recorrente reconhece que está retificando a sua escrituração. É salutar assim fazer, pois trata-se de uma sociedade por ações, que nos termos do art. 1.179 da Lei 10.406/2002 (Código Civil Brasileiro), tem o dever manter sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva. Na realidade ao contribuinte cabe provar, apresentando documentos, a ocorrência dos fatos registrados na sua escrituração, e ao fisco cabe provar a inidoneidade dos documentos/esclarecimentos apresentados, para que se possa chegar à verdade material. O caso presente enquadra-se na segunda hipótese. Só que na fase de esclarecimentos, com ônus probante invertido, não houve produção de provas para serem apreciadas pela fiscalização, o que houve foi umas poucas argumentações desacompanhadas de documentos hábeis. O recurso deixou passar o ensejo de apresentar novos documentos que viessem suprir as falhas iniciais da defesa. Se não o fez nesta nova oportunidade, supõe-se que de fato não há como comprovar ou falta-lhe interesse em fazê-lo. Assim sendo, também sou pela negativa da realização de diligência fiscal e por ratificar o entendimento do julgador de piso para manter a autuação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 254DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/2002/L10406.htm D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.231 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.722938/2015-18 8 Fl. 255DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10580.002107/2004-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2002, 01/03/2002 a 31/12/2002
BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3403-000.312
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10580.002107/2004-02 Recurso n° 240.573 Voluntário Acórdão n° 3403-00.312 — 4a Câmara / 3' Turma Ordinária Sessão de 29 de abril de 2010 Matéria COFINS Recorrente SOTECAL SOCIEDADE TÉCNICA AGRÍCOLA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2002, 01/03/2002 a 31/12/2002 . BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1 2 do art. 32 da Lei n2 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no- - -4 os do voto do Relator. i An onio Carlos Atulim - 'residente e Relator EDITADO EM 20/05/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. 1 Relatório Trata-se de auto de infração lavrado em 12/03/2004 para exigir o crédito tributário relativo ao Cofins, multa de oficio e juros de mora, em razão da falta de recolhimento do imposto decorrente da não inclusão na base de cálculo da contribuição dos valores escriturados na conta contábil 3.20.01.004, sob o título receitas de subvenção. A 4a Turma da DRJ em Salvador-BA, por meio do Acórdão n2 12.474, de 10 - de abril de 2007, manteve o lançamento. Regularmente notificado daquele Acórdão em 08/05/2007 (fl.142), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 144/159, em 31/05/2007. Alegou, em síntese, que os valores recebidos a título de subvenção não são receitas passíveis da incidência das contribuições ao PIS e Cofins, pois são valores recebidos da União a fim de incentivar a indústria da borracha. Discorreu sobre a base normativa do chamado Prêmio de Escoamento da Borracha — PEB, demonstrando que se trata de uma subvenção econômica paga pelo governo ao setor da borracha. Alegou que sendo uma usina de beneficiamento, antecipa o valor do PEB aos produtores e quando da venda da borracha à indústria nacional, protocola um pedido de ressarcimento do PEB junto à CONAB, o que demonstra que este beneficio se configura como uma recuperação de custo. Alegou que ainda que se entenda que o PEB é uma receita, esta não pode sofrer a incidência da contribuição, em face da inconstitucionalidade do art. 3 0, § 1° da Lei n° 9.718/98. Requereu o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Verifica-se no auto de infração que a fiscalização efetuou o lançamento considerando o disposto no art. 3 0, § 1 0 da Lei n° 9.718/91, ou seja, englobou no conceito de faturarnento a totalidade das receitas auferidas pela contribuinte. É cediço que o Supremo Tribunal Federal ao julgar o Recurso Extraordinário n° 357.950, em 09/11/2005 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1° da Lei n° 9.718/98 e a constitucionalidade do art. 8° da referida lei. A análise do inteiro teor daquela decisão revela que somente as receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços podem sofrer a incidência do PIS e da Cofins, uma vez que o Tribunal considerou que o art. 3 0, § 1 0 da Lei n° 9.718/98 era incompatível com o art. 195, I, "h" da Constituição, em sua redação original, e que a mácula do dispositivo legal não desapareceu com a superveniência da EC n° 20/98. Existindo decisão defmitiva do STF, proferida em sede de controle difuso, a questão que se coloca é a possibilidade de a Administração Pública estendê-la aos demais contribuintes. 2 Processo n° 10580.002107/2004-02 S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-00.312 Fl. 2 Relativamente à extensão administrativa dos efeitos das decisões do STF em matéria tributária, o art. 77 da Lei n° 9.430/96 estabelece que: Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar as hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: 1- abster-se de constituí-los; II - retificar o seu valor ou declará-los extintos, de oficio, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III - formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais. (Grifei) Em cumprimento a este enunciado legal foi baixado o Decreto n° 2.346/97, que assim dispôs em seu art. 4° e parágrafo único: Art. 4° Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador- Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I - não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II - não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III - sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV- sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. (Grifei) Tanto o art. 77 da Lei n° 9.430/96 quanto o caput do art. 4° do Decreto n° 2.346/97 exigiram apenas que a decisão proferida pelo STF seja definitiva, não havendo nenhuma ressalva quanto à necessidade de prévia Resolução do Senado em relação às declarações de inconstitucionalidade proferidas em sede de controle difuso. 3 Em matéria tributária, portanto, por meio do caput do art. 40 do Decreto n° 2.346/97 a Administração Tributária Federal está autorizada pelo Presidente da República a aplicar a interpretação fixada pelo STF independentemente da publicação da Resolução do Senado, bastando, para tanto, a expedição de um ato administrativo do Secretário da Receita Federal ou do Procurador Geral da Fazenda Nacional, para que os órgãos da Administração Tributária ativa se abstenham de aplicar a lei inconstitucional. Se para os órgãos da Administração Tributária ativa o Presidente da República estabeleceu regra especial no caput do art. 4° do Decreto n° 2.346/97, para os órgãos da Administração Tributária judicante foi estabelecida regra específica no parágrafo único. Esta regra alcança não só as Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mas também as Turmas das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, pois o parágrafo único se refere expressamente à impugnação ou recurso e à órgãos julgadores singulares ou coletivos, abrangendo tanto o julgamento em primeira, quanto em segunda instância e, também, o julgamento em instância especial. Tendo em vista que o parágrafo único do art. 4° estabeleceu uma regra de exceção em relação ao caput, é evidente que os órgãos da Administração Tributária judicante não precisam aguardar que sobrevenham atos administrativos do Secretário da Receita Federal ou do Procurador Geral, e, tampouco, a publicação da Resolução do Senado, suspendendo a eficácia da norma declarada inconstitucional em sede de controle difuso. Isto porque tal exigência foi estabelecida no art. 1° do Decreto n° 2.346/97 em caráter geral para os demais órgãos da Administração Pública e apenas em relação à matéria não tributária. Em outras palavras, o art. 1° do Decreto n° 2.346/97 trouxe uma disposição genérica em relação aos "Órgãos da Administração Pública Federal direta e indireta", cuja incidência em matéria tributária é excluída pelas regras especiais criadas no art. 40• Observe-se que o art. 77 da Lei n° 9.430/97 foi específico quando mencionou a "administração tributária federal". Já o art. 10 do Decreto n° 2.346/97 se refere genericamente à "Administração Pública Federal direta e indireta". É inequívoco que no Decreto n° 2.346/97 temos três regras distintas disciplinando a extensão dos efeitos das decisões do STF. Uma regra geral no art. 1° do Decreto, que serve genericamente para todos os órgãos da Administração Federal, no caso de declarações de inconstitucionalidade proferidas em ações diretas. Outra regra no caput do artigo 40 que é específica para a Administração Tributária ativa. E, por fim, a regra que se constitui na exceção da exceção, que se encontra no parágrafo único, cujos destinatários são os órgãos singulares e coletivos da Administração Tributária judicante. Portanto, é fácil concluir que o art. 77 da Lei n° 9.430/97 foi regulamentado pelo art. 40 do Decreto n° 2.346/97 e não pelo art. 1° que é uma regra geral. Se a Administração Tributária ativa ou judicante precisasse aguardar a publicação de Resolução do Senado nos casos de declaração de inconstitucionalidade em sede de controle difuso, a redação do Decreto n° 2.346/97 poderia ter parado no art. 2°. Aliás, caso se aceite tal interpretação, seria prescindível a própria expedição do Decreto, uma vez que é do conhecimento de todos que a Resolução do Senado suspende a execução da norma inconstitucional com força erga omnes, o que alcançaria também toda a Administração Pública Federal. Desse modo, nos casos de impugnação ou de recurso não definitivamente julgados, como se dá no caso presente, deve a Administração Tributária judicante adotar a interpretação fixada pelo Supremo Tribunal Federal e afastar a aplicação da lei declarada inconstitucional, independente da publicação de Resolução do Senado ou da manifestação de qualquer outra autoridade, pois está autorizada diretamente pelo Presidente da República a fazê-lo. 4 Processo n° 10580.002107/2004-02 S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-00.312 Fl. 3 Esta interpretação foi chancelada por meio do art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Tendo sido declarada a inconstitucionalidade do art. 3 0, § 1° da Lei n° 9.718/98, torna-se aplicável a base de cálculo prevista nos artigos 2°, I e 3° da Lei n° 9.715/98, que estabelecem: Art. 2' A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I - pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; (.) Art. 3' Para os efeitos do inciso Ido artigo anterior considera-se faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias - ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. E a Instrução Normativa SRF n° 51, de 1978 assim estabelece: (.) 1 . A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decreto-lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977. 2. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. Portanto, a lei que rege a incidência da contribuição determina que o termo "faturamento" deve ser tomado na acepção que lhe deu a legislação do Imposto de Renda, tendo, inclusive, repetido o conceito que se encontra no art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 e na IN SRF n° 51/78, que regulamentaram o art. 44 da Lei n° 4.506/64 e o art. 12 do Decreto-lei n° 1.598/77. )1 5` 5 É inequívoco que não só as leis, mas também a norma complementar retrocitada, ao estabelecerem que receita bruta é aquela proveniente da venda de bens e da prestação de serviços, determinaram que apenas as receitas da pessoa jurídica que sejam provenientes das suas atividades-fim é que devem sofrer a incidência da contribuição. Ora, é incontroverso nos autos que a presente exigência teve por base apenas os valores contabilizados na conta contábil 3.20.01.004, cujo título é receitas de subvenção, que não são provenientes do faturamento de mercadorias e nem da prestação de serviços. Portanto, nos termos da fundamentação acima, essas receitas não podem — sofrer a incidência da contribuição, já que não se enquadram na definição de receita bruta, tal - como definida pela legislação do imposto de renda. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. Antonio Carlos Atu 6
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Numero do processo: 10920.723613/2015-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE RECURSAL.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido especificamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
O pedido de diligência será indeferido quando prescindível ou desnecessário para a formação da convicção da autoridade julgadora.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB.
No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, aplica-se o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, com efeito vinculante para a Receita Federal do Brasil - RFB, no qual restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Ou o bem ou serviço creditado deve se constituir em elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pelo contribuinte; ou, em sua finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, deve integrar o processo de produção do sujeito passivo, pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal.
INSUMOS. SERVIÇOS DE TRATAMENTO DE EFLUENTES.
Na atividade de beneficiamento de arroz, restou caracterizada a necessidade/relevância dos gastos com tratamento de efluentes.
INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. UTILIZAÇÃO GERAL OU MISTA.
Para aproveitamento de créditos, no caso de bens ou serviços mistos ou de uso geral, é necessário que o contribuinte mantenha registros separados e escrituração que permitam ou identificar o item em questão e sua utilização no processo produtivo ou rateio fundamentado.
INSUMOS. EMBALAGEM.
As despesas incorridas com pallets, lonas e demais produtos utilizados como embalagem de transporte são insumos, conforme o art. 3°, II, da Lei n° 10.833/2003, por serem essenciais e relevantes na sua atividade de produção e a consequente venda no mercado interno e exportação.
CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON/EFD-CONTRIBUIÇÕES. RETIFICAÇÕES.
Observados os requisitos legais desde que demonstrado a inexistência de aproveitamento em outros períodos, o crédito extemporâneo decorrente da não-cumulatividade do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, inclusive sem necessidade prévia retificação das obrigações acessórias.
CRÉDITO. FRETE DE IMPORTAÇÃO.
São considerados insumos os fretes e seguros no território nacional quando da importação de bens para serem utilizados como insumos na produção.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. JUROS/ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. POSSIBILIDADE.
Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a atualização monetária pela Selic, no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade, acumulado ao final do trimestre, depois de decorridos 360 (trezentos e sessenta) do protocolo do respectivo pedido, em face da resistência ilegítima do Fisco, inclusive, para o ressarcimento de saldo credor trimestral do PIS e da Cofins sob o regime não cumulativo.
Numero da decisão: 3201-012.031
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por preclusão, e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar-lhe parcial provimento, observados os demais requisitos da lei, nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, para reverter as glosas de créditos em relação a: (I.1) tratamento de efluentes, (I.2) fretes de compras de insumos e fretes entre filiais de insumos e produtos em elaboração e (I.3) fretes e seguros na internalização de mercadorias importadas para serem utilizadas como insumos, (I.4) bem como para assegurar o direito à correção dos créditos reconhecidos pela Selic, na forma da legislação, após decorridos 360 (trezentos e sessenta) dias da data do protocolo do respectivo pedido; (II) por voto de qualidade, para reverter as glosas de crédito em relação a: (II.1) material de embalagem (pallets e lona), (II.2) combustíveis e pneus consumidos ou utilizados em caminhões na prestação de serviços de transporte e (II.3) créditos extemporâneos, abarcando créditos básicos e presumido, este nos termos da informação fiscal de diligência, mas desde que comprovados e demonstrada, inequivocamente, a sua não utilização em outros períodos de apuração, vencidos os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar e Larissa Cássia Favaro Boldrin (Substituta), que negavam provimento nesses itens. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.028, de 17 de setembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10920.723606/2015-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Cássia Favaro Boldrin (Substituta), Flávia Sales Campos Vale, Marcelo Enk de Aguiar e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE RECURSAL. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando- se preclusa a matéria que não tenha sido especificamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligência será indeferido quando prescindível ou desnecessário para a formação da convicção da autoridade julgadora. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB. 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SERVIÇOS DE TRATAMENTO DE EFLUENTES. Na atividade de beneficiamento de arroz, restou caracterizada a necessidade/relevância dos gastos com tratamento de efluentes. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. UTILIZAÇÃO GERAL OU MISTA. Para aproveitamento de créditos, no caso de bens ou serviços mistos ou de uso geral, é necessário que o contribuinte mantenha registros separados e escrituração que permitam ou identificar o item em questão e sua utilização no processo produtivo ou rateio fundamentado. INSUMOS. EMBALAGEM. As despesas incorridas com pallets, lonas e demais produtos utilizados como embalagem de transporte são insumos, conforme o art. 3°, II, da Lei n° 10.833/2003, por serem essenciais e relevantes na sua atividade de produção e a consequente venda no mercado interno e exportação. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON/EFD-CONTRIBUIÇÕES. RETIFICAÇÕES. Observados os requisitos legais desde que demonstrado a inexistência de aproveitamento em outros períodos, o crédito extemporâneo decorrente da não-cumulatividade do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, inclusive sem necessidade prévia retificação das obrigações acessórias. CRÉDITO. FRETE DE IMPORTAÇÃO. São considerados insumos os fretes e seguros no território nacional quando da importação de bens para serem utilizados como insumos na produção. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. JUROS/ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. POSSIBILIDADE. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a atualização monetária pela Selic, no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade, acumulado ao final do trimestre, depois de decorridos 360 (trezentos e sessenta) do protocolo do respectivo pedido, em face da resistência ilegítima do Fisco, inclusive, para o ressarcimento de saldo credor trimestral do PIS e da Cofins sob o regime não cumulativo. Fl. 2070DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 3 ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por preclusão, e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar-lhe parcial provimento, observados os demais requisitos da lei, nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, para reverter as glosas de créditos em relação a: (I.1) tratamento de efluentes, (I.2) fretes de compras de insumos e fretes entre filiais de insumos e produtos em elaboração e (I.3) fretes e seguros na internalização de mercadorias importadas para serem utilizadas como insumos, (I.4) bem como para assegurar o direito à correção dos créditos reconhecidos pela Selic, na forma da legislação, após decorridos 360 (trezentos e sessenta) dias da data do protocolo do respectivo pedido; (II) por voto de qualidade, para reverter as glosas de crédito em relação a: (II.1) material de embalagem (pallets e lona), (II.2) combustíveis e pneus consumidos ou utilizados em caminhões na prestação de serviços de transporte e (II.3) créditos extemporâneos, abarcando créditos básicos e presumido, este nos termos da informação fiscal de diligência, mas desde que comprovados e demonstrada, inequivocamente, a sua não utilização em outros períodos de apuração, vencidos os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar e Larissa Cássia Favaro Boldrin (Substituta), que negavam provimento nesses itens. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.028, de 17 de setembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10920.723606/2015-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Cássia Favaro Boldrin (Substituta), Flávia Sales Campos Vale, Marcelo Enk de Aguiar e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou Improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que tratou do Pedido Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao crédito de PIS/PASEP. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Fl. 2071DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 4 O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: Preliminar Da indispensável conversão do julgamento em diligência Do Direito a) Do crédito de PIS/COFINS – Princípio da não cumulatividade – Conceito de Insumos b) Das glosas efetuadas pela fiscalização c) Do Crédito Extemporâneo d) Serviços Utilizados como Insumos e) Crédito Presumido Agroindústria Da Ausência de preclusão no Processo Administrativo Fiscal Do Princípio da Verdade Material Da Atualização Monetária/Incidência da SELIC Através de Resolução, a Turma encaminhou o processo em diligência para, em síntese: Nova verificação com relação ao crédito presumido, em função de questões suscitadas sobre as retificadoras do Dacon e comprovação; Foi determinada a apuração nas NFs e livros de entrada do valor do crédito presumido e sua confrontação com os valores dos créditos utilizados no próprio período e nos períodos subsequentes. Foi pontuada a alegação da recorrente de que fez o controle dos créditos presumidos no livro de entrada e que produziu prova em sede de manifestação de inconformidade que não fora apreciada. Ao final, determinou-se à autoridade da repartição de origem informar se há ou não o direito creditório alegado. Posteriormente, o contribuinte impetrou mandado de segurança para cumprimento da diligência do Carf, restando determinado em Sentença o prazo de 60 (sessenta) dias para efetuar a diligência. A unidade cumpriu a diligência, que resultou na informação fiscal anexada aos autos. A interessada se manifestou, apresentando suas razões. É o relatório. Fl. 2072DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 5 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto aos requisitos de admissibilidade e ao mérito, ressalvadas as glosas de crédito em relação ao material de embalagem (pallets e lona), aos combustíveis e pneus consumidos ou utilizados em caminhões na prestação de serviços de transporte e aos créditos extemporâneos, abarcando créditos básicos e presumido, este nos termos da informação fiscal de diligência, mas desde que comprovados e demonstrada, inequivocamente, a sua não utilização em outros períodos de apuração, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se toma conhecimento. O processo retornou de diligência, encontrando-se pronto para o julgamento. Não mais fazendo parte do Carf o relator original da Resolução de diligência, o processo foi objeto de sorteio para novo relator. No geral, se observou, no que segue, a ordem temática do recurso, embora alguns itens possam constar em mais de uma classificação (por exemplo, como bens ou serviços), dependendo da rubrica em que foram apropriados os créditos. Os créditos extemporâneos, por ser situação verificada em mais de um item, inclusive no que tange aos créditos presumidos, serão objeto de análise em item próprio. A análise a seguir está dividida por tópicos, de modo a facilitar a apreciação e fornecer clareza ao julgado. ALEGAÇÃO DE NULIDADE E DILIGÊNCIA. A empresa conclui em seu recurso voluntário pela necessidade de conversão dos autos em diligência para análise dos itens glosados em confronto com o processo produtivo da empresa. Entende existir ausência de motivação para a glosa, uma vez não ter sido feito o devido cotejo com o processo produtivo do contribuinte. Pelo princípio da verdade material, a análise não poderia ter sido feita sem a verificação pormenorizada da produção. Entende ser de direito “anularem-se as decisões então proferidas, sob pena de manter-se a afronta aos Princípios da Legalidade, do contraditório e ampla defesa, além da verdade material”. Fl. 2073DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 6 Na manifestação de inconformidade, não houve pronunciamento sobre “anulação” ou “nulidade” em si, mas foi solicitada a diligência e questionada a auditoria fiscal em relação a análise do processo produtivo, em especial com fundamento na verdade material e na decisão do STJ sobre insumos. De qualquer forma, por primeiro, é de destacar que não se vislumbra na nulidade suscitada pela recorrente nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Caso de fato essas alegações com relação aos valores de glosa sejam pertinentes, questão atinente ao Mérito, essas glosas serão revertidas em benefício do recorrente. É de se acrescentar que a verificação fiscal dos créditos aproveitados e da apuração das contribuições é legítima e desejável. Sobre o ônus da prova e a diligência, na apreciação da manifestação, andou bem a DRJ no que segue: É certo que a norma acima transcrita prevê a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado aos contribuintes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. O fato de o processo administrativo ser informado pelo Princípio da Verdade Material em nada macula tudo o que foi dito até aqui. É que o referido princípio destina-se à busca da verdade, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. À evidência, tal princípio não se presta a afastar o ônus do contribuinte, saliente-se, legalmente estabelecido, de provar a existência e legitimidade do crédito que pleiteia perante a Fazenda Nacional e atribuí-lo a esta. (gn). Cediço que o ônus de provar determinado crédito é do sujeito passivo. E para desincumbir-se desse direito, deve prová-lo em específico, de forma articulada e com arrimo em documento fiscal. Veja-se a seguinte ementa esclarecedora do Carf: Fl. 2074DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 7 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. O Princípio da Verdade Material não pode ser aplicado à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato jurídico afirmado pela Recorrente. (...). (Acórdão: 1801-001.180; processo: 10120.902897/2008-61; sessão: 02/10/2012; 1a. Turma Especial da 1a. Sessão de Julgamento do Carf). No caso, o presente processo já foi encaminhado em diligência, em relação ao tema que se entendeu, à época, cabível. Inobstante a consideração da atividade produtiva exercida em paralelo às provas apresentadas, cabível a auditoria e glosas realizadas em consonância com a legislação tributária, que prescinde de laudos técnicos ou de engenharia, se desnecessários à formação de convicção e decisão da lide. Cumpre novamente citar outras decisões do Carf, das quais se transcreve as ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP (...) PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PROCEDIMENTO IMPRESTÁVEL À COLHEITA DE PROVAS. A diligência não se presta à colheita prova, cabendo o indeferimento para a realização do procedimento, quando nada houver a ser elucidado por meio deste. (Acórdão: 3303-001.923; processo: 13819.908362/2012-10; sessão: 21/07/2021; 3ª Turma Extraordinária da 1ª Sessão de Julgamento do Carf). --------------- ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) (...) PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligência será indeferido quando prescindível ou desnecessário para a formação da convicção da autoridade julgadora. (Acórdão: 3302-011.789; processo: 12571.720233/2014-41; sessão: 21/09/2021; 2ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf). Considerando que já foi realizada a diligência necessária à solução da lide, cumpre rejeitar as preliminares e prosseguir na decisão. Fl. 2075DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 8 DO CONCEITO DE INSUMOS. Cumpre uma digressão inicial sobre o conceito de insumo a ser utilizado, uma vez que abordado tanto na decisão de primeiro grau quanto no recurso. É de se delimitar, então, o que se entende por insumo, nos termos da legislação de regência. Em sua origem, a sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins estava basicamente regrada no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que tratam sobre quais créditos poderão ser descontados, inclusive dos bens e serviços utilizados como insumos. As previsões legais foram disciplinadas, no âmbito da RFB, inicialmente, pelas Instruções Normativas, nºs 247/2002, 358/2003 e 404/2004. Mais recentemente, o julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial (REsp) nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1.036 e seguintes do NCPC, fixou entendimento aplicável à matéria. Em tal julgado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) assentou as seguintes teses “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. O entendimento fixado pelo STJ foi intermediário entre o adotado pela RFB em suas instruções normativas e o pleiteado por muitas empresas. Assim, não se poderia limitar os créditos aos gastos com o aplicado diretamente na fabricação, bem como ao que sofre desgaste na produção. Tampouco, por outro lado, abrangeria gastos necessários à manutenção da atividade empresarial, mas sim os dispêndios vinculados ao processo produtivo apenas, em suas fases, afastando outras despesas. Ou seja, não é o conceito adotado para o IPI. Tampouco para o IRPJ. Após, foram publicados a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF e o Parecer Normativo (PN) Cosit/RFB nº 05, de 17/12/2018. Este esclareceu aspectos do julgado para fins de sua adoção administrativa. O entendimento constante desses atos, já incorporando o decidido pelo judiciário, é o adotado na apreciação administrativa, com ressalva de atualizações posteriores e de verificação do caso concreto. Observe-se, ainda, que a mudança de entendimento acima abordada não afasta a necessidade de comprovação de que os dispêndios, para efeitos de classificação como insumos, estejam relacionados intrinsecamente ao exercício das atividades- fim da empresa e não correspondam a meros gastos operacionais. A referida mudança também não implica que o novo entendimento sobre o conceito de Fl. 2076DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 9 insumos se sobreponha às vedações e limitações de creditamento previstas em lei. E mais, mantém-se, inclusive em decorrência de critério lógico, a necessidade de delimitação e escrituração apartada, para o aproveitamento como crédito, no caso de gastos em bens e serviços aproveitados tanto em áreas de produção como em outras atividades da empresa. GLOSAS DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS. A auditoria fiscal sobre os pedidos de ressarcimento/compensação foi realizada, atendendo o prazo estabelecido em determinação judicial. A maior parte dos créditos foi validada. Determinados créditos decorrentes do item “bens utilizados como insumos” foram glosados. Pneus A empresa argumentou pela essencialidade, uma vez que os gastos envolvidos são para veículos próprios da companhia, destinados ao transporte de produção e comercial. São insumos e, de toda a forma, consta a atividade de transporte no objeto social da empresa, que realiza fretes a terceiros. Com relação ao último argumento, assim bem assinalou a DRJ na análise: Inicialmente, diga-se que o crédito pleiteado, conforme declarado pela interessada, decorre de vendas de produtos por ela industrializados e comercializados no mercado interno e não de receitas de prestação de serviços de transporte. De fato, não se apresentaram receitas de serviços de transporte que abarquem tais gastos a ela vinculadas. De toda a forma, os gastos com pneus (compras, recauchutagem, manutenção) são comuns a variadas atividades, reconhecidas no que tange à área comercial, que não comporta insumos. Nesse caso, para se fazer valer os créditos, apenas se tivesse sido adotada escrituração em separado, identificando de forma independente cada caso, situação que não se verificou. No caso em concreto, não é possível aferir certeza e liquidez sobre qualquer crédito. Não se oferece, na manifestação de inconformidade ou recurso, cálculo apartado sobre o item, ou mesmo, hipótese de rateio fundamentado de que trata o PN Cosit/RFB nº 05/2018 (item 14), a saber: 14. RATEIO EM CASO DE UTILIZAÇÃO MISTA 164. Em diversas hipóteses apresentadas neste Parecer Normativo é possível que o mesmo bem ou serviço seja considerado insumo gerador de créditos para algumas atividades e não o seja para outras. 165. Nessa hipótese, a pessoa jurídica deverá realizar rateio fundamentado em critérios racionais e devidamente demonstrado em sua contabilidade para determinar o montante de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o Fl. 2077DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 10 PIS/Pasep e da Cofins apurável em relação a cada bem, serviço ou ativo, discriminando os créditos em função da natureza, origem e vinculação, observadas as normas específicas (exemplificativamente, art. 35 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009) e as obrigações acessórias aplicáveis. Assim, bens e serviços genéricos, comuns ou simplesmente classificados sem detalhamento, não poderiam ser objeto de validação. Na hipótese de utilização mista, é necessário que o contribuinte mantenha registros separados e escrituração que permitam identificar o item em questão e sua utilização. Veja-se ementa e voto de decisão da CSRF: Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR (2010/0209115-0), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte. No presente caso, a Contribuinte não demonstrou a essencialidade e pertinência dos insumos utilizados em seu processo produtivo, o julgador não pode aplicar de ofício matéria não contestada. Voto: De uma análise detida junto aos autos, verifico que a Contribuinte tem como objeto social atividades ligadas ao setor agrícola, industrial e comercial de produtos alimentícios em geral. (...) Em que pese esta E. Câmara Superior, fixar jurisprudência favorável à manutenção do crédito de PIS e da COFINS, por ausência de fundamento/indicação da pertinência no processo produtivo, mantenho a glosa dos seguintes insumos: (...) Despesas que não se constituem em Insumo — despesas médicas ; despesas de assessoria, planejamento e consultoria; despesas com segurança, vigilância e limpeza; despesas com telecomunicações ; despesas ativáveis em construções; despesas de viagem e locomoção; despesas de conservação manutenção ; e despesas diversas, tais como com encadernações, locação de veículos, serviços de limpeza de veículo/reparo de pneus, serviço de guincho, chapeação. (Acórdão: 9303-009.875; processo: 13983.000139/2004-11; sessão: 11/12/2019; 3ª T/CSRF). Fl. 2078DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 11 Tratamento de efluentes A empresa cita resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e conceito de efluentes, argumentando pelo enquadramento ao caso da recorrente, cuja atividade principal é o beneficiamento de arroz. Também cita Portaria do Ministério da Saúde. Os produtos e gastos para o tratamento de efluentes e água descartada têm sido reconhecidos como parte desse tipo de produção. Veja-se que o critério da relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva, seja por imposição legal. Muito embora a necessidade de vinculação de forma minudente no caso da imposição legal, sob pena de banalização da previsão, em casos específicos, que se entende contemplar a atividade agrícola e de beneficiamento de arroz, tal vinculação já tem sido reconhecida. Cumpre citar decisão recente do Carf: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. GASTOS COM TRATAMENTO DE EFLUENTES. POSSIBILIDADE. Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade e relevância ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Restou caracterizada a essencialidade/relevância das despesas com tratamento de efluentes. (...) (Acórdão: 3401-012.506; processo 10920.721033/2016-34; sessão: 14/10/2023; 1ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do Carf). Nenhum motivo adicional para a glosa foi manejado, de modo que devem ser reconhecidos os créditos referentes ao tratamento de efluentes. Frete entre filiais Fl. 2079DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 12 Foram glosados os fretes não referentes a aquisição de insumos ou a operação de vendas. A empresa argumentou no recurso voluntário: O dispositivo normativo acima citado traz a possibilidade dos contribuintes se creditarem inclusive sobre os “serviços” utilizados para a produção ou fabricação dos produtos destinados à venda. No caso específico da Manifestante, o frete realizado na transferência de uma unidade de produção à outra compõe a etapa de produção sendo essencial para a complementação da atividade econômica da empresa. (...) Por esta razão, as transferências efetivadas entre unidades de produção da Recorrente para realização de etapas complementares da industrialização de seus produtos, que tem por escopo a conclusão do processo produtivo, bem como aqueles utilizados em operações de compra, geram direito de crédito de PIS e de Cofins. Embora não abarque toda a questão aqui em discussão, interessa citar a bem recente súmula do Carf: Súmula CARF nº 188 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Acórdãos Precedentes: 9303-014.478; 9303-014.428; 9303-014.348 Desse modo, registra a empresa tratar-se de frete internos ao processo produtivo, o que exclui produtos prontos. Nada indicado em contrário ao afirmado, deve ser provido o recurso para reconhecer o crédito de fretes entre filiais de insumos e produtos em elaboração. Fretes de pessoas físicas Os fretes adquiridos de pessoas físicas não podem ser objeto de creditamento, para tanto é suficiente a apreciação da DRJ: Ocorre que inexiste a possibilidade de tomada de crédito, do tipo de que aqui se trata (na linha 02 deve ser informado o crédito regular), em relação a aquisições de bens de pessoas físicas. De se ver que o próprio art. 3º, das Leis nº s 10.637/2002 e 10.833/2003, em seu §3º, expressamente limita a tomada de crédito de que trata a aquisições de bens e serviços a pagamentos efetuados junto a pessoas jurídicas. De fato, apesar de a empresa indicar ser um custo da atividade, não detalha os fretes em questão, de modo que não existem elementos para prover alteração nesse item. Fl. 2080DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 13 GLOSAS DE BENS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Para alguns itens, como fretes, podem ter sido apropriados créditos em mais de uma modalidade. Manutenção predial e veicular Em relação aos serviços de manutenção veicular/predial, a Recorrente alega: trata-se de manutenções realizadas devido a reparos necessários em veículos que se referem a transportes de produção e transportes comerciais, conforme já devidamente esclarecido e descrito no item “pneus” anteriormente exposto; utiliza de manutenções preventivas na estrutura da empresa, para conservação desta estrutura predial específica da produção. Conclui que, portanto, ambas as despesas estão diretamente relacionadas ao seu custo de produção. As questões colocadas já foram apreciadas no item “pneus” e “óleo diesel”. Embora importantes, tais gastos não podem ser validados, uma vez que são itens comuns sobre os quais não foi feita a separação ou rateio para apuração dos insumos. Em adendo, acresce-se as seguintes decisões do Carf sobre manutenção predial, em apoio ao argumento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 (...) NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Não é possível a concessão de créditos sobre despesas com manutenção predial, pois nem são insumos de produção e nem são encargos de depreciação. (Acórdão: 9303-006.595; processo 11065.003772/2003-16; sessão: 10/04/2018; 3ª Turma / CSRF). --------------- ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 (...) CRÉDITOS DE DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. Fl. 2081DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 14 Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. (Acórdão: 3402-011.156; processo: 10925.721990/2011-14; sessão: 24/10/2023; 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do Carf). Como se observa na planilha, muitos serviços são descritos genericamente como “serviços – uso genérico”. No caso, não é possível reverter a glosa, inexistindo certeza e liquidez. Cursos Os cursos estariam relacionados à qualificação dos funcionários da atividade produtivo. Entretanto, os gastos de apoio a mão-de-obra e treinamento, a despeito do mérito, não são insumos pelo conceito advindo da decisão do STJ. A glosa deve ser mantida. Despesas de Importação A empresa se insurge contra as glosas efetuadas no que tange às despesas oriundas de fretes de importação de matéria-prima, bem como de despesas com desembaraço aduaneiro destas mercadorias do Porto até o efetivo internamento no estabelecimento da empresa. Considera-as despesas oriundas da aquisição de matérias-primas, as quais serão utilizadas diretamente no processo produtivo, refletindo então na apropriação do crédito. No caso do frete, entende-se o frete de insumos, desde que tributado e registrado de forma autônoma, como custo independente do bem-insumo em si. No caso de importação, a mesma linha deve ser adotada. Segue decisão da CSRF do Carf nesse sentido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2015 a 30/09/2015 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. LOGÍSTICA DE IMPORTAÇÃO DE INSUMOS E OUTROS SERVIÇOS ESSENCIAIS. Os custos com fretes contratados após a nacionalização do produto, para transportar o bem importado, que servirá de insumos, do porto ou do estabelecimento alfandegário até o estabelecimento da Recorrente, deve gerar crédito da não-cumulatividade das contribuições sociais. (Acórdão: 9303-014.844; processo: 10680.903083/2018-70; sessão: 14/03/2024; 3ª Turma da CSRF). Também a IN RFB 2.121/2022 já prevê o seguinte: Fl. 2082DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 15 Art. 176. Para efeito do disposto nesta Subseção, consideram-se insumos, os bens ou serviços considerados essenciais ou relevantes para o processo de produção ou fabricação de bens destinados à venda ou de prestação de serviços (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 37; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 21). § 1º Consideram-se insumos, inclusive: (...) XVI - frete e seguro no território nacional quando da importação de bens para serem utilizados como insumos na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros; (gn). Assim, deve ser concedido o crédito decorrente dos gastos de fretes de insumos importados e despesas acessórias, excluídas taxas e despesas de desembaraço ou portuárias, reconhecidas apenas no item e limites de crédito de importação, na condição de valores que compõem às importações sujeitas ao pagamento da contribuição. Aquisição de energia Foram glosados os valores das faturas de energia elétrica não incluídos na base de cálculo do ICMS (COSIP, correção monetária, multas, juros, tarifas postais), afora os valores de notas fiscais fora do período de apuração analisado, que serão objeto de item próprio nesse voto. Tal matéria não foi contestada na manifestação de inconformidade. A decisão a quo incluiu no texto e na ementa: MATÉRIA INCONTESTE. O julgador administrativo é impedido de manifestar-se em relação a matéria contra a qual o impugnante não se manifestou expressamente, pelo que se reputa definitivo, na esfera administrativa, o feito fiscal na parte relacionada a tal matéria. A empresa, no recurso, questionou: Senhores Julgadores, antes de analisarmos as glosas efetivamente praticadas, indispensável afastar a alegação fazendária quanto a preclusão atinente a supostas glosas não contestadas. (...) Não fosse apenas isso, sabe-se que o processo administrativo se rege pelos princípios da verdade material e formalismo moderado, os quais tem fulcro nos princípios da legalidade e tipicidade. Inobstante, tais princípios não se destinam a afastar a preclusão. O Carf já apreciou a questão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 Fl. 2083DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 16 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE RECURSAL. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido especificamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão em relação ao tema (multa qualificada) (Acórdão: 9101-005.300; processo: 13629.720195/2011-33; sessão: 12/01/2021; 1ª Turma da CSRF). De toda a forma, o inciso III, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, não autoriza incluir tais “acessórios” na base de cálculo dos créditos, mas tão-somente a despesa com a própria energia consumida no estabelecimento da empresa. A definitividade da matéria, porém, já foi declarada pela DRJ. DEMAIS GLOSAS. A partir desse título, a recorrente questiona as glosas: (i) comissões de compras/vendas (valores pagos a profissionais que intermediam algumas compras de matéria-prima para o processo produtivo – ex. NF nº 74 da empresa Feldmann e Zanelatto); (ii) mão-de-obra temporária (serviços temporários de promotoras de vendas). Todos os serviços seriam custos. Tais são gastos de assessoria de compra e venda, não de produção. São gastos importantes para a atividade empresarial, não necessários ao processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA Em breve resumo, foram glosados valores de crédito presumido da agroindústria no que tange às notas fiscais de períodos anteriores, em relação aos quais havia créditos presumidos apurados e aproveitados. A empresa contestou. O processo foi baixado em diligência solicitando: A conversão em diligência é para apurar nas NFs e livros de entrada o valor do crédito presumido e confrontar tais valores com os créditos utilizados no próprio período e nos períodos subsequentes. A Recorrente informa que fez o controle dos créditos presumidos no livro de entrada e que produziu prova em sede de manifestação de inconformidade que não fora apreciada. (...) Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação de comprovação da existência dos Fl. 2084DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 17 alegados créditos, bem como, caso necessário, proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Ao final deve a autoridade da repartição de origem informar se há ou não o direito creditório alegado pela Recorrente. A diligência esclareceu que a glosa parcial foi motivada pela extemporaneidade dos gastos. Caso afastado o impedimento para apuração extemporânea, foi realizada apuração que resultaria na manutenção dos valores dos créditos e reversão das glosas em conformidade com o seguinte quadro resumo: Seguindo o entendimento já adotado em título anterior, nada há que ser reconhecido de crédito presumido, em função da apropriação de créditos extemporâneos. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC A Recorrente alega que quando do ressarcimento dos créditos faz jus aos acréscimos de correção monetária e juros correspondentes, sob pena de constituir evidente enriquecimento sem causa da Administração em prejuízo ao contribuinte. A questão já se encontra resolvida, com adoção administrativa de julgado do STJ sob o rito dos recursos repetitivos. Adota-se o entendimento do voto do acórdão 3301-013.155, que bem tratou a questão, a saber: A atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral do PIS e da Cofins, ambas sob o regime não cumulativo, era vedada expressamente nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833/2003. No entanto, no julgamento dos REsp nºs 1.767.945, 1.768.060 e 1.768.415, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu sob a sistemática dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 (Código de Processo Civil) que é devida a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral de créditos escriturais, quando há resistência do Fisco em deferimento. Ainda, segundo a decisão desse Tribunal Superior, a resistência do Fisco se configura depois de decorridos 360 (trezentos e sessenta) dias contados da data de protocolo do respectivo pedido de ressarcimento. A decisão no REsp nº 1.767.945, foi assim ementada: TRIBUTÁRIO. REPETITIVO. TEMA 1.003/STJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS/COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. APROVEITAMENTO ALEGADAMENTE Fl. 2085DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 18 OBSTACULIZADO PELO FISCO. SÚMULA 411/STJ. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. DIA SEGUINTE AO EXAURIMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS A QUE ALUDE O ART. 24 DA LEI N. 11.457/07. RECURSO JULGADO PELO RITO DOS ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, a respeito de créditos escriturais, derivados do princípio da não cumulatividade, firmou as seguintes diretrizes: (a) "A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal" (REsp 1.035.847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 03/08/2009 - Tema 164/STJ); (b) "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ); e (c) "Tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07)" (REsp 1.138.206/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 01/09/2010 - Temas 269 e 270/STJ). 2. (...) 3. (...) 4. Assim, o termo inicial da correção monetária do pleito de ressarcimento de crédito escritural excedente tem lugar somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco. (...) Essa mesma ementa foi utilizada nas decisões dos REsp nºs 1.768.060 e 1.768.415 que trataram de pedidos de ressarcimento de créditos presumidos da agroindústria do PIS e da Cofins, firmando a seguinte tese: TESE FIRMADA: "O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007)." A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) levando-se em conta as decisões do STJ e o Parecer PGFN/CAT nº 3.686, de 17 de junho 2021 atualizou o SIEF para aplicar os juros compensatórios, à taxa Selic, sobre os pedidos de ressarcimento do PIS e da Cofins depois de decorridos 360 (trezentos e sessenta) dias contados da data de protocolo do respectivo pedido, nos termos da Nota Técnica Codar nº 22/2021, data de 30/06/2021. Assim, levando-se em conta o disposto no § 2º do art. 62 do RICARF e a referida decisão do STJ, a recorrente tem direito a atualização monetária do ressarcimento deferido, depois de decorridos 360 (trezentos e sessenta) dias da data do protocolo do respectivo pedido. (Processo: 13656.900455/2017-11; acórdão: 3301-013.155; sessão: 22/08/2023; 1ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção do Carf). Fl. 2086DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 19 Dessa forma, os créditos reconhecidos devem ser corrigidos na forma da legislação após decorridos 360 (trezentos e sessenta) dias da data do protocolo do respectivo pedido. Quanto às glosas de crédito em relação ao material de embalagem (pallets e lona), aos combustíveis e pneus consumidos ou utilizados em caminhões na prestação de serviços de transporte e aos créditos extemporâneos, abarcando créditos básicos e presumido, este nos termos da informação fiscal de diligência, mas desde que comprovados e demonstrada, inequivocamente, a sua não utilização em outros períodos de apuração, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Conforme relatado pelo i. Relator, trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão de 1ª instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Em relação a controvérsia ora analisada, ouso discordar do i. Relator, para reverter as glosas de crédito em relação a: material de embalagem (pallets e lona) Acerca das glosas efetudas aduz a recorrente: Assim sendo, para efetuar a comercialização de seus produtos bem como o transporte dos mesmos, é necessário efetuar a embalagem, realizada por meio de insumos adquiridos para esta finalidade, tais como lonas, pallets entre outros. Na etapa de empacotamento e expedição, ocorre o empacotamento do arroz selecionado e pronto para suas devidas embalagens. O arroz que fica armazenado nas caixas para ser empacotado passa por uma peneira para retirar impurezas que ainda possam se encontrar nos grãos. Depois de enfardado, o produto é empilhado em pallets de tamanho padrão, onde é possível armazenar 56 fardos de 30 kg. Feito isso, o arroz fica em estoque aguardando para ser carregado. (...) O empilhamento dos fardos nos pallets é feito pelo colaborador, e o transporte dos mesmos é efetuado por empilhadeiras. (...) Ou seja, verifica-se que no processo em questão utilizam-se os pallets e as lonas ora glosadas, bem como diversos outros produtos que se enquadram no conceito de insumos. Correto os fundamentos apresentados pela Recorrente para justificativa do creditamento, pois, de fato, as despesas incorridas com pallets, lonas e demais Fl. 2087DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 20 produtos utilizados como embalagem de transporte são insumos, conforme o art. 3°, II, da Lei n° 10.833/2003, por serem essenciais e relevantes na sua atividade de produção e a consequente venda no mercado interno e exportação. Os pallets, lonas e demais produtos utilizados como embalagem de transporte garantem a qualidade dos produtos, mantendo a sua integridade. Nesse sentido decisão deste Conselho: Número do processo: 10380.903770/2012-84 Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção Câmara: Terceira Câmara Seção: Terceira Seção De Julgamento Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2021 Data da publicação: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2021 Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CREDITAMENTO A TÍTULO DE INSUMO (ART. 3° II, DA LEI 10.637/2002). EMBALAGENS PARA TRANSPORTE DE FRUTAS IN NATURA. POSSIBILIDADE. As despesas incorridas com pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados como embalagem de transporte são insumos, conforme o art. 3°, II, da Lei n° 10.637/2002, por serem essenciais e relevantes na atividade de produção das frutas in natura e a consequente venda no mercado interno e exportação. Os pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados como embalagem de transporte garantem a qualidade das frutas in natura, mantendo a integridade delas, em virtude de sua fragilidade. Numero da decisão: 3301-009.768 Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas de pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados como embalagem de transporte. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-009.760, de 24 de fevereiro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10380.903764/2012-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Marcelo Costa Marques d’ Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Junior, José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada) e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA Numero do processo: 10935.902383/2013-98 Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS Câmara: 3ª SEÇÃO Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2023 Fl. 2088DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 21 Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2023 Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 CONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. CUSTOS/DESPESAS. PALLETS, CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pallets utilizados na armazenagem de matérias- primas e/ ou mercadorias produzidas e destinadas à comercialização enquadram-se na definição de insumos dada pelo STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa decisão para reconhecer o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre tais custos/despesas. Numero da decisão: 9303-013.852 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, exclusivamente no que se refere a pallets. No mérito, negou-se provimento, também por unanimidade de votos. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (documento assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Tatiana Midori Migiyama, Vinicius Guimaraes, Valcir Gassen, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Liziane Angelotti Meira, substituído(a) pelo(a) conselheiro (a) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN Portanto devem ser revertidas as glosas efetuadas. combustíveis e pneus consumidos ou utilizados em caminhões na prestação de serviços de transporte Para definição de insumo para fins de creditamento das Contribuições para o PIS e da Cofins, deve ser observado o Parecer Normativo COSIT nº 5, de 17 de dezembro de 2018, a saber: “Assunto. Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço Fl. 2089DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 22 para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; Dito isto, conclui-se pela possibilidade do creditamento dos utilizados como insumo combustíveis e pneus consumidos ou utilizados em caminhões na prestação de serviços de transporte, pela essencialidade, uma vez que as despesas envolvidas são para veículos próprios da companhia, destinados ao transporte de produção e comercial. São insumos e, de toda a forma, consta a atividade de transporte no objeto social da empresa, que realiza fretes a terceiros Portanto devem ser revertidas as glosas. créditos extemporâneos, abarcando créditos básicos e presumido Como consta dos autos, foram glosados os valores das notas fiscais fora dos períodos de análise. Registra o parecer da fiscalização tratar-se de notas com emissão entre 2005 e 2009. A Recorrente se insurge contra a glosa, pelos motivos já expostos pelo i. Relator. Não se adentra em motivos para a extemporaneidade, mas cabe aqui pontuar que são constatados valores extemporâneos em diferentes títulos. Nesse sentido, entendo fazer jus a Recorrente ao aproveitamento de tais créditos, pois, observados os requisitos legais desde que demonstrado a inexistência de aproveitamento em outros períodos, o crédito extemporâneo decorrente da não- cumulatividade do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, inclusive sem necessidade prévia retificação das obrigações acessórias. Nesse sentido decisão deste Conselho: Número do processo: 13971.721652/2016-11 Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção Câmara: Terceira Câmara Seção: Terceira Seção De Julgamento Data da sessão: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2023 Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2023 Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E ERRO MATERIAL. ACOLHIMENTO. Existindo omissão, contradição ou erro material no acórdão embargado, impõe-se o seu acolhimento para sanar os vícios contidos na decisão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE Fl. 2090DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 23 SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. APROVEITAMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DESNECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DCTF/DACON/ATUAL EFD CONTRIBUIÇÕES. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei n.º 10.637/2002, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da constituição do crédito das contribuições não cumulativas e demonstrado a inexistência de aproveitamento em outros períodos, o crédito extemporâneo decorrente da não- cumulatividade do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação das obrigações acessórias - DCTF/DACON/atual EFD Contribuições, eis que, a rigor, é um direito legítimo do sujeito passivo utilizar tais créditos em períodos subsequentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 REGIME DE APURAÇÃO NÃO- CUMULATIVO. APROVEITAMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DESNECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DCTF/DACON/ATUAL EFD CONTRIBUIÇÕES. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei n.º 10.637/2002, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da constituição do crédito das contribuições não cumulativas e demonstrado a inexistência de aproveitamento em outros períodos, o crédito extemporâneo decorrente da não-cumulatividade do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação das obrigações acessórias - DCTF/DACON/atual EFD Contribuições, eis que, a rigor, é um direito legítimo do sujeito passivo utilizar tais créditos em períodos subsequentes. Número da decisão: 3302-013.823 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para sanar o lapso manifesto quanto à apreciação da glosa motivada por extemporaneidade dos créditos e a omissão quanto à apreciação das provas referenciadas no relatório fiscal; ratificar o reconhecimento do direito ao crédito sobre as despesas com tratamento de resíduos, bem como a negativa do direito ao crédito sobre as despesas com prestação de serviços de representação comercial; e retificar o erro material constatado nas alusões feitas às “despesas de armazenagem e fretes”, quando na realidade deveriam ser mencionadas as despesas com representantes comerciais e tratamento de resíduos. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aniello Miranda Aufiero Júnior, Celso José Ferreira de Oliveira, Denise Madalena Green, José Renato Pereira de Deus, Mariel Orsi Gameiro e Flávio José Passos Coelho (Presidente). Nome do relator: FLAVIO JOSE PASSOS COELHO Portanto, deve ser revertida a glosa relativa aos créditos extemporâneos, abarcando créditos básicos e presumido, este nos termos da informação fiscal de diligência, mas desde que comprovados e demonstrada, inequivocamente, a sua não utilização em outros períodos de apuração Fl. 2091DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 24 Assim, ante ao exposto, pelos mesmos fundamentos apresentados pelo i. Relator, voto pelo não conhecimento de parte do Recurso Voluntário, por preclusão, e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar-lhe parcial provimento, observados os demais requisitos da lei, nos seguintes termos: para reverter as glosas de créditos em relação a: (I.1) tratamento de efluentes, (I.2) fretes de compras de insumos e fretes entre filiais de insumos e produtos em elaboração e (I.3) fretes e seguros na internalização de mercadorias importadas para serem utilizadas como insumos, (I.4) bem como para assegurar o direito à correção dos créditos reconhecidos pela Selic, na forma da legislação, após decorridos 360 (trezentos e sessenta) dias da data do protocolo do respectivo pedido. Voto ainda, pelos fundamentos apresentados acima, para reverter as glosas de crédito em relação a: (II.1) material de embalagem (pallets e lona), (II.2) combustíveis e pneus consumidos ou utilizados em caminhões na prestação de serviços de transporte e (II.3) créditos extemporâneos, abarcando créditos básicos e presumido, este nos termos da informação fiscal de diligência, mas desde que comprovados e demonstrada, inequivocamente, a sua não utilização em outros períodos de apuração. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por preclusão, e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar-lhe parcial provimento, observados os demais requisitos da lei, para reverter as glosas de créditos em relação ao(s): (I.1) tratamento de efluentes, (I.2) fretes de compras de insumos e fretes entre filiais de insumos e produtos em elaboração, (I.3) fretes e seguros na internalização de mercadorias importadas para serem utilizadas como insumos, (I.4) direito à correção dos créditos reconhecidos pela Selic, na forma da legislação, após decorridos 360 (trezentos e sessenta) dias da data do protocolo do respectivo pedido, (I.5) material de embalagem (pallets e lona), (I.6) combustíveis e pneus consumidos ou utilizados em caminhões na prestação de serviços de transporte e (I.7) créditos extemporâneos, abarcando créditos básicos e presumido, este nos termos da informação fiscal de diligência, mas desde que comprovados e demonstrada, inequivocamente, a sua não utilização em outros períodos de apuração. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 2092DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.031 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.723613/2015-85 25 Fl. 2093DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Alegação de Nulidade e Diligência. Do Conceito de Insumos. Glosas de Bens utilizados como Insumos. Glosas de Bens serviços utilizados como Insumos. Demais glosas. Crédito presumido da agroindústria Atualização pela selic
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Numero do processo: 15868.000088/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. ADMISSÃO.
Existindo no acórdão obscuridade, a questão deve ser submetida à deliberação da Turma de Julgamento, impondose a retificação do acórdão para esclarecer a obscuridade apontada.
Embargos de Declaração Acolhidos.
LIMITES DA LIDE. JULGAMENTO.
Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação aos limites demarcados. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão da Administração Fiscal e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso.
Numero da decisão: 3301-014.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em acolher para que seja sanada a obscuridade do voto, sem efeitos infringentes, para excluir do voto o seguinte ítem: Por sua vez, o serviço de transporte de açúcar para remessa de armazenagem de produto p/ posterior exportação e os fretes de produtos acabados e inacabados entre estabelecimentos da empresa podem ser objeto de creditamento com suporte no inciso IX do art. 3° e art. 15, II e, no caso de produtos inacabados, com suporte no inciso II da Lei n° 10.833/2003. .
Sala de Sessões, em 31 de janeiro de 2025.
Assinado Digitalmente
Márcio José Pinto Ribeiro – Relator
Assinado Digitalmente
Paulo Guilherme Deroulede – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores conselheiros Aniello Miranda Aufiero Junior, Bruno Minoru Takii, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Rachel Freixo Chaves, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente)
Nome do relator: MARCIO JOSE PINTO RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. ADMISSÃO. Existindo no acórdão obscuridade, a questão deve ser submetida à deliberação da Turma de Julgamento, impondose a retificação do acórdão para esclarecer a obscuridade apontada. Embargos de Declaração Acolhidos. LIMITES DA LIDE. JULGAMENTO. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação aos limites demarcados. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão da Administração Fiscal e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso.
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RECUPERAÇÃO JUDICIAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. ADMISSÃO. Existindo no acórdão obscuridade, a questão deve ser submetida à deliberação da Turma de Julgamento, impondo-se a retificação do acórdão para esclarecer a obscuridade apontada. Embargos de Declaração Acolhidos. LIMITES DA LIDE. JULGAMENTO. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação aos limites demarcados. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão da Administração Fiscal e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em acolher para que seja sanada a obscuridade do voto, sem efeitos infringentes, para excluir do voto o seguinte ítem: "Por sua vez, o serviço de transporte de açúcar para remessa de armazenagem de produto p/ posterior exportação e os fretes de produtos acabados e inacabados entre estabelecimentos da empresa podem ser objeto de creditamento com suporte no inciso IX do art. 3° e art. 15, II e, no caso de produtos inacabados, com suporte no inciso II da Lei n° 10.833/2003". . Sala de Sessões, em 31 de janeiro de 2025. Fl. 828DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.381 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.000088/2010-17 2 Assinado Digitalmente Márcio José Pinto Ribeiro – Relator Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores conselheiros Aniello Miranda Aufiero Junior, Bruno Minoru Takii, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Rachel Freixo Chaves, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente) RELATÓRIO Conselheiro Márcio José Pinto Ribeiro, Relator. Trata-se de Embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 3301-011.212, proferido em 25 de outubro de 2021, pela 1ª Turma Ordinária da 3º Câmara da 3º Seção de Julgamento do CARF. Conforme o despacho de admissibilidade a embargante alega: DAS ALEGAÇÕES Considera que o acórdão foi obscuro ao conferir direito de crédito a despesas que não foram tratadas pela Fiscalização. Explica que, Contudo, segundo análise do parecer fiscal, somente houve glosa de fretes para transporte de pessoas e de bens do ativo imobilizado: (...) DO CABIMENTO Parece assistir razão à Embargante. Diz a ementa do voto. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 829DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.381 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.000088/2010-17 3 À e-folha 342 do processo, na Descrição dos Fatos do Auto de Infração, consta a seguinte informação: A.3 Frete O seguro e o frete para a entrega de insumos compõem a base de cálculo dos créditos a serem descontados, quando correrem por conta do adquirente e desde que pagos a pessoa jurídica, por integrarem os custos, conforme disposto no artigo 3 0 , §30 da Lei 10.637/02. Constatamos que alguns fretes são referentes a transporte de pessoas (Carlos A B Transp, Ivo Garcia ME, Valentim Caldeira ME) ou a transporte de equipamentos do ativo permanente (Marije), mas não para entrega de insumos. Portanto, por falta de previsão legal, tais fretes, especificados na Planilha de fls. 220, foram glosados. Juntamos cópias de conhecimentos As fls. 221 a 226 CONCLUSÃO De todo o expoto, conclui-se que o acórdão embargado incorreu, de fato, no vício de obscuridade. É o relatório. VOTO Conselheiro Márcio José Pinto Ribeiro - Relator Os embargos são tempestivos e foram admitidos nos termos dos despachos de admissibilidade. A glosa no que toca ao frete foi devido a transporte de pessoas ou a equipamentos mas não para a entrega de insumos , vide fls. 441. A.3 Frete • O seguro e o frete para a entrega de insumoscompõema base de cálculo dos - créditos a serem descontados, quando correrem por conta do adquirente e desde que pagos a pessoajurídica,por integrarem os custos, conforme" dispOsto no artigo 3°, §3 0 da Lei 10.833/03. Constatamos que alguns fretes são referentes a transporte de Pessoas (Carlos À B Transp, Ivo Garcia ME, Valentim Caldeirá ME) ou a transporte de equipamentos do -ativo permanente (Marije), mas não para entrega de insumos. Portanto, por falta de previsão tais 'fretes: especificados na Planilha de fls. 220, foram glosados - . Juntamos cópias de conhecimentos As fls. 221 a 226. Fl. 830DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.381 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.000088/2010-17 4 Porém a recorrente alegou na manifestação de inconformidade que a glosa de frete não seria apenas de transporte de pessoas conforme consta do relatório do acórdão embargado , fls 764: Do direito ao crédito do frete. Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Requer o afastamento das glosas no tocante às notas de transporte e que originaram o crédito, em especial as de remessas de mercadorias cujo ônus foi suportado pela Defendente. Assim consta do Acórdão nº 3301-011.205 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária quanto a análise da glosa dos créditos: As glosas são analisadas a seguir. (...) Produção de cana-de-açúcar (...) Dessa forma, adotando-se as razões expostas acima, não cabe o creditamento sobre os insumos empregados em etapa agrícola, desde o preparo do solo até a colheita, eis que inexistente para o período de apuração do presente processo. (...) Segundo a autoridade diligenciante, não cabe o crédito dos custos apontados como relacionados à aquisição de insumo cana de açúcar (corte, carregamento e transporte do produto até suas plantas industriais), pois como visto acima no relatório fiscal, não há liquidez e certeza desses valores, já que não têm suporte em documentação (art. 373, do CPC/15). (...) Dessa forma, de um lado, para o período deste processo não houve produção agrícola e, por outro, os dispêndios CCT não foram identificados na escrituração (relembrando que não houve glosa de frete de aquisição de cana). Rateio Proporcional (...) A análise desta Turma de julgamento objetiva a revisão dos créditos glosados, o que também deve levar em consideração os devidos cálculos de rateio proporcional, nos termos do inciso II do §8º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003 e da Lei n° 10.637/2002, uma vez que as atividades da Recorrente estão sujeitas à Fl. 831DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.381 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.000088/2010-17 5 sistemática da não-cumulatividade (açúcar) e da apuração cumulativa (álcool) e exportação, afastando-se o método de apropriação direta dos créditos. Cabe destacar que a Recorrente informou os bens do ativo comuns à produção de açúcar e álcool (Capítulo 11 do Laudo do Processo Produtivo), cabendo o creditamento aplicando-se também o critério de rateio proporcional. Além disso, a Recorrente detalhou os itens empregados especificamente na produção de álcool por meio da aba “Base Saída Centro Custo Consol.”, sobre esses dispêndios não cabe a tomada de crédito. Por fim, correta a aplicação do rateio proporcional à energia elétrica, Aluguéis de Máquinas e arrendamento mercantil etc. pelas mesmas razões. Bens utilizados como insumos (...) Material Intermediário - Serviço de Manutenção (...) As glosas são de pneus, câmaras de ar, peças para trator, peças para caminhões, peças para máquinas agrícolas que plantam, colhem e transportam a cana até a moenda industrial e, de dispêndios com a produção agrícola, os custos CCT; preparo/plantio etc. Todas devem ser mantidas, por se referirem a parte agrícola de produção da cana, inexistente para o período em análise. Da mesma forma, como já posto acima, o relatório da diligencia verificou a impossibilidade do creditamento do CCT – Corte, Colheita e Transporte. Material Intermediário - Serviço de Manutenção Industrial (...) Por outro lado, considerando o conceito de insumo fixado pelo STJ, há despesas que permitem creditamento no processo produtivo do açúcar, são as que se referem ao parque industrial; à segurança e eficiência do processo industrial; manutenção de máquinas e equipamentos ligados às fases da produção industrial e os materiais EPI. No Laudo, verifica-se que as operações envolvidas na produção do açúcar são (cf. item 10 do Laudo): (...) Em cotejo do Laudo com a Planilha de “NF glosadas Insumos” elaborada pela PWC, devem ser revertidas as glosas estritamente relacionados à indústria própria do açúcar -serviço industrial; acessórios industriais; bomba injetora/bicos; conjunto de ferramentais; serviços de mecânica industrial; adesivos e abrasivos; automação/instrumentação; carregadeira/balança, construção civil; correias, elétrico/eletrônico; mecânica industrial; óleos e lubrificantes, metais, ferramentas p/ manut. industrial; bens necessários para a execução de manutenções - perfeitamente identificáveis na planilha como utilizados na planta industrial. Fl. 832DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.381 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.000088/2010-17 6 Então, devem ser mantidas as glosas relacionadas a parte administrativa, agrícola, refeitório, automóveis, demais setores e ao processo produtivo do álcool. Assim, dou parcial provimento ao recurso voluntário neste tópico. (...) O frete para a entrega de insumos compõe a base de cálculo dos créditos a serem descontados, quando correrem por conta do adquirente e desde que pagos a pessoa jurídica, por integrarem os custos, conforme disposto no art. 3°, § 3° da Lei 10.833/03. Com base nas informações constantes das planilhas e relatórios com a descrição dos gastos, apresentadas pelo contribuinte em meio magnético, a fiscalização glosou os fretes relacionados ao transporte de pessoal, à remessa de mercadorias, a frete pagos a pessoas físicas e outros que não se referem à aquisição de insumos, nem integram custos. Entendo que não são insumos os fretes relacionados ao transporte de pessoal para o setor industrial e administrativo. O art. 3°, § 3° da Lei n° 10.833/03 afasta o direito ao crédito dos fretes de pessoa física. Por falta de comprovação, deve ser mantida a glosa dos fretes cujas notas fiscais não foram apresentadas (art. 373, do CPC/15). Por sua vez, o serviço de transporte de açúcar para remessa de armazenagem de produto p/ posterior exportação e os fretes de produtos acabados e inacabados entre estabelecimentos da empresa podem ser objeto de creditamento com suporte no inciso IX do art. 3° e art. 15, II e, no caso de produtos inacabados, com suporte no inciso II da Lei n° 10.833/2003.. (...) Base de cálculo dos créditos a descontar relativos a bens do ativo imobilizado (...) Da leitura em conjunto com as Planilhas “Glosados Imobilizados”, cabe a manutenção das glosas relacionadas a fase agrícola, ao processo produtivo do álcool, CCT e local feito para refeição dos colaboradores, manutenção de pátio e jardim e bebedouro. Por outro lado, é passível a tomada de crédito dos dispêndios relacionados nas planilhas estritamente como “produção industrial”, tais como FILTRO ROTATIVO VACUO, 10" X 20"; BOMBA DE ALTA PRESSAO LEMASA L-1; PONTE ROLANTE ZANINI 20 TON.; MOTOR WEG TRIFASICO 50 CV; BIG BAG; BOMBA PARA AFERIR MANOMETRO etc. No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com Fl. 833DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.381 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.000088/2010-17 7 trânsito em julgado em 20/04/2021.Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional: (...) Deve ser afastada a trava do limite temporal. Por fim, os bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo e não-cumulativo, deve ser aplicado o critério de rateio proporcional. (...) Aprecio, assiste razão à Embargante. Observa-se quanto ao tópico frete que as glosas foram restritas ao transporte de pessoal e equipamentos não cabendo manifestação do acórdão embargado que extrapole os limites da lide conforme a seguir reproduzido. Por sua vez, o serviço de transporte de açúcar para remessa de armazenagem de produto p/ posterior exportação e os fretes de produtos acabados e inacabados entre estabelecimentos da empresa podem ser objeto de creditamento com suporte no inciso IX do art. 3° e art. 15, II e, no caso de produtos inacabados, com suporte no inciso II da Lei n° 10.833/2003. Conclusão Voto por conhecer do embargo e no mérito acolher para que seja sanada a obscuridade do voto, sem efeitos infringentes, para excluir do voto o seguinte ítem: Por sua vez, o serviço de transporte de açúcar para remessa de armazenagem de produto p/ posterior exportação e os fretes de produtos acabados e inacabados entre estabelecimentos da empresa podem ser objeto de creditamento com suporte no inciso IX do art. 3° e art. 15, II e, no caso de produtos inacabados, com suporte no inciso II da Lei n° 10.833/2003. (documento assinado digitalmente) Márcio José Pinto Ribeiro Fl. 834DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10218.000362/2004-41
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/03/1999 a 30/06/2004
LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO,
Constatado o fato gerador, inexistência de declaração do crédito tributário e o
descumprimento da obrigação pelo sujeito passivo, impõem à constituição do
crédito por meio de lançamento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-000.370
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DOMINGOS DE SÁ FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/03/1999 a 30/06/2004 LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO, Constatado o fato gerador, inexistência de declaração do crédito tributário e o descumprimento da obrigação pelo sujeito passivo, impõem à constituição do crédito por meio de lançamento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acord.n(os in-e'r---nir do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voo) o do Relator. / / An // to lioCarlos Atulim - Presidente , Domingos ft §if?iii-r---." elator "- EDU ‘ DO EM 26/07/2010 Participaram do presente ulgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais crena, Ivan Allegretti, i arcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. i Relatório Cuida-se de recurso voluntário interposto em razão da r. decisão proferida pela URI-BELÉM/PA, que manteve na integra o lançamento referente à contribuição para a COHNS, relativo ao período de apuração de 01/03/1999 a 30/06/2004, decorrente de divergência entre os valores declarados e os valores constantes da escrituração. O Termo de Verificação Fiscal descreve de modo pormenorizada a autuação, destacando a natureza das receitas, mês a mês e informa que a base de cálculo foi extraída da escrituração fiscal. A impugnação foi elaborada de modo genérico, refere-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, PIS e COFINS. Sustenta que o levantamento fiscal tem fulcro, em sua maior parte, na presunção de omissão de receita. Aduz, ainda, que a fiscalização se louvou nos extratos de contas bancárias para apurar o crédito tributário. Em longas razões recursais, fis, 548/606, sustenta, em síntese, que: a) inexistência do termo de início de fiscalização; b) habilitação profissional e o princípio da legalidade; c) cerceamento do direito de defesa; d) falta de entrega ao contribuinte dos demonstrativos e elementos que amparam o lançamento; e) lançamento apoiado em mera presunção; f) erro na capitulação da suposta infração; g) impossibilidade de constituição do fato gerador em depósitos bancários; É o relatório Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Trata-se de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento. Em que pese às extensas razões irs_c_itadas pela Recorrente, o recurso não merece provimento. 2 Processo n° 10218.000362/2004-41 S3-C4T3 Acórdão n." 3403-00.370 Fl 2 1 As preliminares suscitadas em relação à inexistência do termo de início de fiscalização, inexistência de habilitação profissional, ofensa ao princípio da legalidade, cerceamento do direito de defesa, falta de entrega de demonstrativos dos elementos que amparam o lançamento, não merecem acolhidas. Alegação da inexistência de termo de inicio de fiscalização se revela totalmente afastada da verdade, pois compulsando os autos constata que a contribuinte tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal em 04/08/2006, fl. 310, assim sendo, rejeito. A preliminar referente inexistência de habilitação profissional e ofensa ao princípio da legalidade, a legislação vigente autoriza ao auditor o exame da contabilidade, portanto, independe de habilitação de contador, matéria essa que encontra pacificada neste Corte, conforme Súmula CARF número 8, portanto, não há que se falar ofensa ao princípio da legalidade "Súmula CARF n. 8 — O auditor da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador". A míngua de argumentos robustos alega previamente cerceamento do direito de defesa, sustentando, para tanto, que a falta de entrega de demonstrativos dos elementos que amparam o lançamento, configura embaraço a defesa. Não é verdadeira a afirmação, pois o relatório fiscal que faz parte integrante do auto de infração entregue a Recorrente, contém pormenorizadamente toda informação que amparam o lançamento. Assim, impõe rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa. No mérito melhor sorte não merece o recurso no tocante à alegação de presunção e de que os fatos geradores foram extraídos dos extratos de conta bancária. Rápida leitura dos autos é o bastante para se ter a certeza de que todos os •.• dados foram extraídos da escrita fiscal do contribuinte, cujas cópias dos livros fiscais • encontram acostadas, portanto, não merece acolhidos os argumentos aduzidos pela recorrente. Além do que, em nenhum momento, tanto na fase de impugnação quanto nas razões recurs ais, a recorrente ataca o levantamento fiscal por meio de provas contundentes capaz de demonstrar o desacerto, restringe-se o inconfonnismo de apenas sustentar de que se trata de presunção de omissão de receita e que a fiscalização se louvou em extratos de contas bancárias para apurar a base de cálculo. As provas produzidas pela autoridade fiscal demonstram com precisão o "quantum" teria sido considerado como matéria tributável e a fonte, restando demonstrado que se trata de crédito tributário certo e líquido. Estando o lançamento consubstanciado em documentos fiscais capaz de dar suporte ao levantamento fiscal, o crédito tributário deve ser mantido. No que tange as exigências dos consectários legais e a multa de oficio, impõe afirmar que encontra amparada pela legislaç -o vigente, Lei 9,430/96. , \ 3 ____) Os juros moratórios têm caráter meramente compensatório e devem ser exigido, inclusive no período em que o crédito tributário estiver com sua exigibilidade suspensa pela impugnação administrativa, Súmula do CARF número 5, "Súmula CARF n. 5 — São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral". A multa de mora deve ser exigida sempre que a exigência tributária, tempestivamente, não for paga. A sanção tributária, como qualquer sanção, tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento de obrigação a que estiver sujeito e, assim estimular o pagamento correto e pontual do tributo, sob risco de sua oneração. A multa de oficio deve ser aplicada todas as vezes que o contribuinte deixar de cumprir a obrigação imposta por lei, deixando de apresentar as informações obrigatórias, impõe aplicação da penalidade. De modo que, impõe-se ao Fisco o dever de proceder ao lançamento de oficio dos valores não declarados, constituindo o crédito tributário por meio de auto de infração. Pia .- do exposto, voto is sentido de conhecer o recurso e negar provime o. ( 1`) • Domingos de Sá Filho 4
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006180/91-23
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 1995
Ementa: ITR - NOTIFICAÇÃO DE 1989 - As notificações de lançamento e de cobrança do ITR e da Taxa de Cadastro considerar-se-ão feitas aos contribuintes quando da publicação dos respectivos editais, no Diário Oficial e sua fixação na sede das prefeituras em cujos municípios se localizem os imóveis, devendo os prefeitos promoverem a mais ampla divulgação desses editais.
Recurso negado.
Numero da decisão: 203-02.042
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausentes os Conselheiros Maria Thereza Vasconcellos de Almeida, Tiberany Ferraz dos Santos e Mauro Wasilewski.
Nome do relator: RICARDO LEITE RODRIGUES
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O. U. .- n %, MINISTÉRIO DA FAZENDA / 19.91c SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. - • Rubrica f • Processo n9- : 10283.006180/91-23 Sessão de : 20 de fevereiro de 1995 Acórdão n2 : 203-02.042 • Recurso n2 : 91.071 • Recorrente : ISAAC BENAYON SABBÁ Recorrida : DRF em Manaus - AM ITR - NOTIFICAÇÃO DE 1989 - As notificações de lançamento e de cobrança do ITR e da Taxa de Cadastro considerar-se-ão feitas aos contribuintes quando da publicação dos respectivos editais, no Diário Oficial e sua fixação na sede das prefeituras em cujos municípios se localizem os imóveis, devendo os prefeitios promoverem a mais ampla divulgação desses editais. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ISAAC BENAYON SABBÁ. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselhó de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausentes os Conselheiros Maria Thereza Vasconcellos de Almeida, Tiberany Ferraz dos Santos e Mauro Wasilewski. Sala das Sessões, em 20 de fevereiro de 1995 Osval --osé Presidente / , 0,4re, , yr Ri ardo Leite ' odrigue elator • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Sebastião Borges Taquary, Elso Venâncio Siqueira (Suplente) e Roberto Velloso (Suplente). I + „ MINISTÉRIO DA FAZENDA ° • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES fr Processo n° : 10283.006180/91-23 Acórdão n° : 203-02.042 Recurso n : 91.071 Recorrente : ISAAC BENAYON SABBÁ RELATÓRIO O presente processo já foi apreciado por esta Câmara em Sessão de 25 de agosto de 1993, ocasião em que, por unanimidade de votos, foi o julgamento do recursó voluntário convertido em diligência à repartição de origem para que fosse anexado pelo INCRA documento comprobatório da entrega ao recorrente das Notificações de 1989 e 1990 relativas ao ITR. É o relatório. • • 2 44. 3 t MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10283.006180/91-23 Acórdão n° : 203-02.042 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR RICARDO LEITE RODRIGUES O recorrente argumentou que tem direito à redução do ITR/91 já que não está em débito com a União em relação aos ITRs, de 1989 e 1990, pois não recebeu as notificações referentes aos exercícios acima citados, logo não poderia pagar algo que nem lhe foi cobrado. No que tange ao exercício de 1990, a alegação do contribuinte poderia ser levada em consideração porque, a partir deste período, o Imposto sobre a Propriedade Territoriál Rural - ITR passou a ser administrado pela Secretaria da Receita Federal e os contribuintes foram cobrados através de notificação enviada pelos correios, o qual comprovava a entrega pela devolução do Aviso de Recebimento - AR, devidamente assinado. Porém, quanto ao ITR/89, a administração deste imposto ainda pertencia /ao INCRA e a notificação e cobrança do ITR eram regidas pelo que dispunha o artigo 10 do Decreto-Lei rir. 57/99, verbis: "Art. 10 - As notificações de lançamento e de cobrança do ITR e da Taxa de Cadastro considerar-se-ão feitas aos contribuintes, pela só publicação' dos respectivos editais, no Diário Oficial e sua afixação na sede das prefeiturás em cujos municípios se localizam os imóveis, devendo os prefeitos promov /rem a mais ampla divulgação desses editais". Logo, o contribuinte tinha a obrigação de procurar a notificação nas prefeituras ou agências bancárias onde estas se encontravam e quitá-las, caso não o fizesse, estaria em débito com a União. Assim sendo, pelo acima exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 20 de fevereiro de 1995 / • IA." ii 1 / ' ARDO LEITE RO oRIGUE • 3
score : 1.0
Numero do processo: 10183.905475/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO A CRÉDITO.
Na não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços.
VENDA A COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. REQUISITOS.
A venda com fim específico de exportação é aquela em que os produtos são remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PALLETS DE MADEIRA. POSSIBILIDADE.
Tratando-se de bens utilizados no transporte dos produtos, os pallets de madeira mostram-se essenciais à conservação, manuseio, transporte e guarda de produtos perecíveis, dando direito, portanto, ao desconto de crédito das contribuições não cumulativas, tanto na condição de insumos, quanto como elementos inerentes à armazenagem, observados os demais requisitos da lei.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. AQUISIÇÕES SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE.
As aquisições de insumos ou de bens para revenda submetidas à alíquota zero não geram direito ao desconto de crédito das contribuições não cumulativas.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS.
As aquisições de bucha navalha, moto bomba, solvente, lacre, serviço de mão de obra, serviço técnico eletricidade, serviços de mão de obra destinado à manutenção e melhorias no processo de abate, ração e incubatório configuram insumos para fins de desconto de créditos das contribuições não cumulativas, observados os demais requisitos da lei.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EXPEDIÇÃO. ARMAZENAGEM. TRANSBORDO. PRODUÇÃO DE RAÇÕES. POSSIBILIDADE.
Gera direito a crédito das contribuições não cumulativas a aquisição de serviços de carga e descarga (transbordo), de expedição e armazenagem de cereais utilizados na produção de rações, observados os demais requisitos da lei.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL.
O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. (Súmula CARF nº 157).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PRELIMINARES. PROCEDIMENTO REALIZADO POR AUTORIDADE COMPETENTE. OBSERVÂNCIA DO DIREITO À AMPLA DEFESA. DECISÃO FUNDAMENTADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Tendo sido o despacho decisório lavrado por autoridade competente e com observância do direito à ampla defesa, bem como fundamentado na legislação de regência, inclusive no que tange à legitimidade passiva, e baseado em fatos devidamente demonstrados, afastam-se as preliminares de nulidade arguidas.
VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS. LEI VÁLIDA E VIGENTE. INAPLICABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
ALTERAÇÃO DO PEDIDO DURANTE O TRÂMITE PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE.
O processo administrativo fiscal é impulsionado pelo pedido formulado pelo interessado, não podendo tal pedido ser alterado durante a tramitação processual em face de decisões a ele desfavoráveis, ainda mais quando não se encontra demonstrado o cumprimento dos requisitos legais exigíveis para o pleito alternativo pretendido.
ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão da Administração tributária não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3201-012.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, para manter a inclusão, nas bases de cálculo das contribuições, das receitas de exportação indireta em relação às quais não se comprovou o fim específico de exportação, vencida a conselheira Flávia Sales Campos Vale, que votava em sentido contrário; (ii) por unanimidade de votos, para reverter, observados os demais requisitos da lei, as glosas de créditos relativos aos seguintes itens: (ii.1) aquisição de bucha navalha, moto bomba, solvente, lacre, serviço de mão de obra e serviço técnico eletricidade, (ii.2) aquisição de serviços de mão de obra destinado à manutenção e melhorias no processo de abate, ração e incubatório, (ii.3) aquisição de serviços de carga e descarga (transbordo) e de expedição e armazenagem de cereais utilizados na produção de rações; (iii) por maioria de votos, para reverter, observados os demais requisitos da lei, as glosas de créditos relativos à aquisição de pallets de madeira e big bags utilizados no transporte de matérias-primas ou produtos acabados, bem como dos demais materiais de embalagem, vencido o conselheiro Marcelo Enk de Aguiar, que negava provimento nesse item; e, (iv) por unanimidade de votos, para restabelecer, no cálculo do crédito presumido da agroindústria, a aplicação do percentual de 60% previsto no § 3º, inciso I, do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, tendo-se em conta os produtos fabricados e nãos os insumos adquiridos, nos termos da súmula CARF nº 157.
Sala de Sessões, em 12 de fevereiro de 2025.
Assinado Digitalmente
Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Luiz Carlos de Barros Pereira (Substituto), Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituída pelo conselheiro substituto Luiz Carlos de Barros Pereira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO A CRÉDITO. Na não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços. VENDA A COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. REQUISITOS. A venda com fim específico de exportação é aquela em que os produtos são remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PALLETS DE MADEIRA. POSSIBILIDADE. Tratando-se de bens utilizados no transporte dos produtos, os pallets de madeira mostram-se essenciais à conservação, manuseio, transporte e guarda de produtos perecíveis, dando direito, portanto, ao desconto de crédito das contribuições não cumulativas, tanto na condição de insumos, quanto como elementos inerentes à armazenagem, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. AQUISIÇÕES SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições de insumos ou de bens para revenda submetidas à alíquota zero não geram direito ao desconto de crédito das contribuições não cumulativas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. As aquisições de bucha navalha, moto bomba, solvente, lacre, serviço de mão de obra, serviço técnico eletricidade, serviços de mão de obra destinado à manutenção e melhorias no processo de abate, ração e incubatório configuram insumos para fins de desconto de créditos das contribuições não cumulativas, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EXPEDIÇÃO. ARMAZENAGEM. TRANSBORDO. PRODUÇÃO DE RAÇÕES. POSSIBILIDADE. Gera direito a crédito das contribuições não cumulativas a aquisição de serviços de carga e descarga (transbordo), de expedição e armazenagem de cereais utilizados na produção de rações, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. (Súmula CARF nº 157). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PRELIMINARES. PROCEDIMENTO REALIZADO POR AUTORIDADE COMPETENTE. OBSERVÂNCIA DO DIREITO À AMPLA DEFESA. DECISÃO FUNDAMENTADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o despacho decisório lavrado por autoridade competente e com observância do direito à ampla defesa, bem como fundamentado na legislação de regência, inclusive no que tange à legitimidade passiva, e baseado em fatos devidamente demonstrados, afastam-se as preliminares de nulidade arguidas. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS. LEI VÁLIDA E VIGENTE. INAPLICABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) ALTERAÇÃO DO PEDIDO DURANTE O TRÂMITE PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é impulsionado pelo pedido formulado pelo interessado, não podendo tal pedido ser alterado durante a tramitação processual em face de decisões a ele desfavoráveis, ainda mais quando não se encontra demonstrado o cumprimento dos requisitos legais exigíveis para o pleito alternativo pretendido. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão da Administração tributária não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, para manter a inclusão, nas bases de cálculo das contribuições, das receitas de exportação indireta em relação às quais não se comprovou o fim específico de exportação, vencida a conselheira Flávia Sales Campos Vale, que votava em sentido contrário; (ii) por unanimidade de votos, para reverter, observados os demais requisitos da lei, as glosas de créditos relativos aos seguintes itens: (ii.1) aquisição de bucha navalha, moto bomba, solvente, lacre, serviço de mão de obra e serviço técnico eletricidade, (ii.2) aquisição de serviços de mão de obra destinado à manutenção e melhorias no processo de abate, ração e incubatório, (ii.3) aquisição de serviços de carga e descarga (transbordo) e de expedição e armazenagem de cereais utilizados na produção de rações; (iii) por maioria de votos, para reverter, observados os demais requisitos da lei, as glosas de créditos relativos à aquisição de pallets de madeira e big bags utilizados no transporte de matérias-primas ou produtos acabados, bem como dos demais materiais de embalagem, vencido o conselheiro Marcelo Enk de Aguiar, que negava provimento nesse item; e, (iv) por unanimidade de votos, para restabelecer, no cálculo do crédito presumido da agroindústria, a aplicação do percentual de 60% previsto no § 3º, inciso I, do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, tendo-se em conta os produtos fabricados e nãos os insumos adquiridos, nos termos da súmula CARF nº 157. Sala de Sessões, em 12 de fevereiro de 2025. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Luiz Carlos de Barros Pereira (Substituto), Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituída pelo conselheiro substituto Luiz Carlos de Barros Pereira.
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(SUCEDIDA POR BR BRASIL FOODS S/A) INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO A CRÉDITO. Na não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços. VENDA A COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. REQUISITOS. A venda com fim específico de exportação é aquela em que os produtos são remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PALLETS DE MADEIRA. POSSIBILIDADE. Tratando-se de bens utilizados no transporte dos produtos, os pallets de madeira mostram-se essenciais à conservação, manuseio, transporte e guarda de produtos perecíveis, dando direito, portanto, ao desconto de crédito das contribuições não cumulativas, tanto na condição de insumos, quanto como elementos inerentes à armazenagem, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. AQUISIÇÕES SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições de insumos ou de bens para revenda submetidas à alíquota zero não geram direito ao desconto de crédito das contribuições não cumulativas. Fl. 2631DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 2 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. As aquisições de bucha navalha, moto bomba, solvente, lacre, serviço de mão de obra, serviço técnico eletricidade, serviços de mão de obra destinado à manutenção e melhorias no processo de abate, ração e incubatório configuram insumos para fins de desconto de créditos das contribuições não cumulativas, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EXPEDIÇÃO. ARMAZENAGEM. TRANSBORDO. PRODUÇÃO DE RAÇÕES. POSSIBILIDADE. Gera direito a crédito das contribuições não cumulativas a aquisição de serviços de carga e descarga (transbordo), de expedição e armazenagem de cereais utilizados na produção de rações, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. (Súmula CARF nº 157). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PRELIMINARES. PROCEDIMENTO REALIZADO POR AUTORIDADE COMPETENTE. OBSERVÂNCIA DO DIREITO À AMPLA DEFESA. DECISÃO FUNDAMENTADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o despacho decisório lavrado por autoridade competente e com observância do direito à ampla defesa, bem como fundamentado na legislação de regência, inclusive no que tange à legitimidade passiva, e baseado em fatos devidamente demonstrados, afastam-se as preliminares de nulidade arguidas. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS. LEI VÁLIDA E VIGENTE. INAPLICABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) ALTERAÇÃO DO PEDIDO DURANTE O TRÂMITE PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2632DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 3 O processo administrativo fiscal é impulsionado pelo pedido formulado pelo interessado, não podendo tal pedido ser alterado durante a tramitação processual em face de decisões a ele desfavoráveis, ainda mais quando não se encontra demonstrado o cumprimento dos requisitos legais exigíveis para o pleito alternativo pretendido. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão da Administração tributária não infirmada com documentação hábil e idônea. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, para manter a inclusão, nas bases de cálculo das contribuições, das receitas de exportação indireta em relação às quais não se comprovou o fim específico de exportação, vencida a conselheira Flávia Sales Campos Vale, que votava em sentido contrário; (ii) por unanimidade de votos, para reverter, observados os demais requisitos da lei, as glosas de créditos relativos aos seguintes itens: (ii.1) aquisição de bucha navalha, moto bomba, solvente, lacre, serviço de mão de obra e serviço técnico eletricidade, (ii.2) aquisição de serviços de mão de obra destinado à manutenção e melhorias no processo de abate, ração e incubatório, (ii.3) aquisição de serviços de carga e descarga (transbordo) e de expedição e armazenagem de cereais utilizados na produção de rações; (iii) por maioria de votos, para reverter, observados os demais requisitos da lei, as glosas de créditos relativos à aquisição de pallets de madeira e big bags utilizados no transporte de matérias-primas ou produtos acabados, bem como dos demais materiais de embalagem, vencido o conselheiro Marcelo Enk de Aguiar, que negava provimento nesse item; e, (iv) por unanimidade de votos, para restabelecer, no cálculo do crédito presumido da agroindústria, a aplicação do percentual de 60% previsto no § 3º, inciso I, do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, tendo-se em conta os produtos fabricados e nãos os insumos adquiridos, nos termos da súmula CARF nº 157. Sala de Sessões, em 12 de fevereiro de 2025. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator Fl. 2633DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 4 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Luiz Carlos de Barros Pereira (Substituto), Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituída pelo conselheiro substituto Luiz Carlos de Barros Pereira. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada pelo contribuinte acima identificado em contraposição ao despacho decisório da repartição de origem que indeferira o Pedido de Ressarcimento de saldo credor da Cofins, apurada na sistemática não cumulativa, e não homologara as compensações declaradas, em decorrência, precipuamente, da glosa de créditos apurados sobre bens e serviços que, segundo a Fiscalização, não se enquadravam no conceito de insumos. Glosaram-se os créditos relativos aos seguintes bens e serviços: pallets de madeira, big bag, aluguel de equipamento, serviço de carga e descarga, frete e carreto, expedição e armazenagem de cereais, serviço técnico de eletricidade, serviços gerais, serviço técnico mecânico, mão de obra, serviço imobilizado geral, lavagem de uniformes, óleo diesel, gasolina, calcário em pó, caulim, metionina, defensivo, solvente, pinto de um dia, sorgo, milho, lacre, bucha, moto bomba, disco, bujão, faca, dedo de borracha, desengripante, anel, papel miolo ondulado, mola, rolete, rolos, acoplamento, tubo de cobre, selo, chaveta, cotovelo, eixo, rotor, contraporca, arruela, pinça, guarnição, roda, rebolo, mancal, elemento filtrante, filtro, célula Ulma, membrana, contra apoio, fotocélula, passador elástico, roda dentada, bloco terminal, resistência abaulada, fixador, porca, parafuso, eixo, guia lateral, fixação de rolos, contra peso, junta separador, ventilador axial, peça de ligação, vedação eixo, anilha, válvula escape, guia disco, trilho solda, vacuômetro, potenciômetro e amoxilina (fls. 525 a 537). Além dos itens acima, glosaram-se, também, créditos relativos a dispêndios com energia elétrica não comprovados por nota fiscal, créditos relativos a aquisições com alíquota zero, créditos relativos a aquisições junto a pessoas jurídicas que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória da contribuição e outros, bem como créditos presumidos da agroindústria, tendo sido, ainda, desconsideradas as vendas ao mercado externo por não se terem confirmado as exportações respectivas. Por ter sido apurado saldo devedor da contribuição ao final da ação fiscal, lavrou-se auto de infração, formalizado no processo 11516.720752/2012-49, que será apreciado juntamente com o presente em razão de conexão. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento da improcedência das glosas de créditos efetuadas ou a realização de perícia, arguindo, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: Fl. 2634DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 5 a) nulidade do despacho decisório por ausência de motivação clara, explícita e congruente quanto aos créditos das contribuições glosados; b) nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e por violação do princípio do devido processo legal administrativo em razão da falta de explicitação e de detalhamento dos créditos das contribuições glosados; c) nulidade do despacho decisório por ausência de prova das glosas de créditos efetuadas (descumprimento do art. 9º do Decreto nº 70.235/1972); d) ilegitimidade passiva, pois os lançamentos decorrentes das glosas deveriam ter sido realizados em nome da empresa comercial exportadora, Perdigão Agroindustrial S/A, que não armazenou as mercadorias em recinto alfandegado, não se tendo por efetivada, por conseguinte, a venda com fim específico de exportação; e) improcedência do indeferimento do Pedido de Ressarcimento por terem sido desconsideradas as receitas de exportação imunes (art. 149 da Constituição Federal); f) inexistência de dúvida quanto à exportação, dentro do prazo de 180 dias, dos produtos vendidos à empresa exportadora Perdigão Agroindustrial S/A, que não se apropriou de créditos das contribuições nas operações, operações essas devidamente registradas em notas fiscais e na contabilidade como exportação e não como venda no mercado interno; g) a não cumulatividade das contribuições se pauta pela receita, de forma ampla, não se restringindo ao faturamento, situação em que se devem descontar créditos nessa mesma acepção, não podendo o legislador infraconstitucional, e muito menos atos infralegais, como as instruções normativas, limitar as normas constitucionais correspondentes; h) o conceito de insumo para fins de desconto de créditos das contribuições não cumulativas encontra-se delineado nas leis sem qualquer restrição, abarcando, por conseguinte, todos os bens e serviços utilizados, direta ou indiretamente, na produção, salvo as exceções previstas nas próprias leis (art. 3º, § 2º, incisos I e II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003); i) a sua atividade econômica (produção de alimentos para consumo humano) se submete a diversos controles e exigências de órgãos estatais, como a Anvisa, Ministério da Saúde etc., fato esse que reflete significativamente na amplitude do conceito de insumo; j) os pallets não se configuram mera conveniência, tratando-se de elemento relevante e essencial ao processo produtivo, dada a sua função de garantir condições de higiene e limpeza tanto das matérias-primas quanto dos produtos finais, em conformidade com as normas da Anvisa e do Ministério da Agricultura; k) direito a crédito nas aquisições de bens e serviços submetidos à alíquota zero que não constam do art. 1º da Lei nº 10.925/2004 ou, pelo menos, ao crédito presumido do art. 8º da mesma lei, nos casos em que aplicável; Fl. 2635DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 6 l) necessidade de diligência para se comprovarem os valores relativos a gastos com energia elétrica escriturados; m) legitimidade dos créditos relativos aos serviços de carga e descarga (transbordo) pagos a pessoas jurídicas estabelecidas no País, conforme inciso IX do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; n) a alíquota do crédito presumido instituído pelo art. 8º da Lei nº 10.925/2004 deve ser definida a partir do produto fabricado e não dos insumos adquiridos conforme defende a Fiscalização; o) inaplicabilidade da taxa Selic a título de juros de mora, precipuamente em relação à multa de ofício, por falta de previsão legal; p) a multa de 75% aplicada não pode ser exigida da empresa sucessora, pois a penalidade não pode passar da pessoa do infrator, devendo-se considerar, ainda, que o evento (sucessão) ocorrera posteriormente aos fatos geradores dos presentes autos; q) a multa aplicada ofende os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação ao confisco. A decisão da DRJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade restou ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Respeitados pela autoridade administrativa os princípios da motivação e do devido processo legal, improcedente é a alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Fl. 2636DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 7 Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessário e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferi-las. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de contestação ao feito fiscal, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON No âmbito do regime não cumulativo da Contribuições para o PIS e da Cofins, a apuração dos créditos é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Ano-calendário: 2007 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da contribuição para o PIS são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da contribuição para o PIS, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou Fl. 2637DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 8 consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. No âmbito do regime não cumulativo da contribuição para o PIS, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. ISENÇÃO. VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Para que a operação de venda se enquadre na definição de fim específico de exportação e faça jus à isenção da contribuição o produtor-vendedor deve remeter os produtos vendidos a empresa exportadora diretamente para embarque de exportação, por conta e ordem do exportador, ou para recinto alfandegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão da DRJ em 28/06/2013 (fl. 902), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 11/07/2013 (fl. 903) e reiterou seus pedidos, repisando os argumentos de defesa, salvo em relação à multa e os juros exigidos no processo do auto de infração. Aos presentes autos, juntaram-se os documentos produzidos pela Fiscalização na realização da diligência demandada pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, por meio da Resolução nº 3401-000.823, de 20 de agosto de 2014, no bojo do processo nº 11516.720752/2012-49 (fls. 971 a 1.200). Em 23 de fevereiro de 2015, o contribuinte, sob intimação, carreou aos autos do processo nº 11516.720752/2012-49 (i) Parecer Técnico do Instituto Nacional de Tecnologia – INT, em que se analisou a essencialidade de diversos bens e serviços utilizados no processo produtivo sob comento, (ii) fluxograma do processo produtivo e (iii) outros documentos correlatos. No mesmo processo de nº 11516.720752/2012-49 (autos de infração), o Presidente Substituto da 3ª Seção do CARF determinou que o julgamento deste processo fosse realizado em conjunto, por conexão, com o processo dos lançamentos das contribuições e com os demais processos relativos aos pedidos de ressarcimento (10183.905472/2011-74, 10183.905474/2011- 63, 10183.905477/2011-05, 10183.905476/2011-52 e 10183.905479/2011-96). Em 24 de junho de 2021, por meio da Resolução nº 3201-003.029, esta turma ordinária converteu o julgamento do recurso em diligência nos seguintes termos: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade Preparadora para que a autoridade administrativa providencie o seguinte: a) diligenciar junto ao Fl. 2638DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 9 Recorrente e/ou a terceiros com vistas a se obterem informações e documentos que comprovem a efetividade das exportações por parte da empresa Perdigão Agroindústria S/A e confirmar a ocorrência das exportações no prazo de 180 dias contados das vendas efetuadas pelo ora Recorrente, bem como o não creditamento pela comercial exportadora das contribuições devidas nas operações; b) tendo-se em conta o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que evidencia o atual entendimento da Receita Federal quanto ao conceito de insumos na não cumulatividade das contribuições, bem como o entendimento, baseado em critérios de relevância e essencialidade, já externado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do REsp nº 1.221.170 e pela Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional (PGFN) na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, proceda-se à reanálise de todos os bens e serviços glosados pela Fiscalização a par da atual acepção do conceito de insumos no âmbito da Administração tributária federal; c) considerar, na reanálise, os documentos e dados presentes nos autos, inclusive aqueles juntados em 23 de fevereiro de 2015 pelo Recorrente no processo do auto de infração, quais sejam: (i) Parecer Técnico do Instituto Nacional de Tecnologia – INT, em que se analisou a essencialidade de diversos bens e serviços utilizados no processo produtivo sob comento, (ii) fluxograma do processo produtivo e (iii) outros documentos correlatos; d) intimar o Recorrente para comprovar, com base na escrita fiscal e nos documentos que a lastreiam, os gastos com energia elétrica não reconhecidos pela Fiscalização que ele alega ter direito; e) recalcular os créditos presumidos da agroindústria considerando o teor da súmula CARF nº 157; f) havendo necessidade, o Recorrente deverá ser intimado para apresentar outras informações e documentos adicionais necessários à apuração ora determinada; g) ao final, elaborar relatório fiscal conclusivo quanto à extensão do direito creditório reconhecido, ou não, bem como quanto aos documentos e informações de que trata a alínea “a” supra, cientificando-se o Recorrente dos resultados apurados e sendo-lhe oportunizado o prazo de 30 dias para se pronunciar, após o quê os presentes autos deverão retornar a este colegiado para prosseguimento. Destaque-se que o presente processo deve ser analisado em conjunto com o processo relativo aos autos de infração e aos demais referentes a pedidos de ressarcimento/compensação identificados no introito deste voto, processos esses vinculados a este por conexão, cujos julgamentos se realizarão em conjunto, por força do despacho exarado pelo Presidente Substituto da 3ª Seção do CARF. Realizada a diligência, a autoridade administrativa registrou os resultados na Informação Fiscal presente às fls. 2.588 a 2.608, vindo o Recorrente a se manifestar, reafirmando o seu direito. É o relatório. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Fl. 2639DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 10 VOTO Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator. O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controverte-se nos autos acerca de despacho decisório da repartição de origem que indeferiu o Pedido de Ressarcimento de saldo credor da Cofins, apurada na sistemática não cumulativa, e não homologou as compensações declaradas, em decorrência, precipuamente, da glosa de créditos apurados sobre bens e serviços que, segundo a Fiscalização, não se enquadravam no conceito de insumos. Destaque-se, de pronto, que o Presidente Substituto da 3ª Seção do CARF, no bojo do processo de nº 11516.720752/2012-49, relativo aos autos de infração decorrentes do mesmo procedimento fiscal destes autos, bem como dos processos nº 10183.905472/2011-74, 10183.905474/2011-63, 10183.905477/2011-05, 10183.905476/2011-52 e 10183.905479/2011- 96, determinou que o julgamento de todos esses processos fosse realizado em conjunto, por conexão (fls. 1.209 a 1.211). Nesse contexto, dada a determinação da Presidência da 3ª Seção do CARF, o julgamento deste processo, bem como dos demais do mesmo contribuinte incluídos na pauta desta reunião de junho de 2021, deve se realizar em conjunto com o processo dos autos de infração (nº 11516.720752/2012-49). O Recorrente tem como objeto social “a produção e comercialização de ração, produção de ovos férteis e pintos de um dia, formação de matrizes e poedeiras, abate de aves, abrangendo a industrialização, comercialização, importação, exportação e distribuição de produtos avícolas.” Para análise do pleito, observar-se-ão os dispositivos das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 que regem as matérias controvertidas, com destaque para o seu art. 3º, inciso II,1 em que se prevê o desconto de créditos na aquisição de bens e serviços utilizados como insumos na produção ou na prestação de serviços, tendo-se em conta o critério da essencialidade (dispêndios necessários ao funcionamento do fator de produção), nos termos definidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do REsp 1.221.170, submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória por parte deste Colegiado. Feitas essas considerações, passa-se à análise dos argumentos de defesa. 1 Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Fl. 2640DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10485.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm#tabela D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 11 I. Preliminares de nulidade e ilegitimidade passiva. Preliminarmente, o Recorrente pleiteia o reconhecimento da nulidade dos autos de infração e, por decorrência, do despacho decisório destes autos, (i) por ausência de motivação clara, explícita e congruente quanto aos créditos das contribuições glosados, (ii) por cerceamento do direito de defesa e por violação do princípio do devido processo legal administrativo em razão da falta de explicitação e de detalhamento dos créditos das contribuições glosados e (iii) por ausência de prova das glosas de créditos efetuadas (descumprimento do art. 9º do Decreto nº 70.235/1972). Requer, ainda, o Recorrente o reconhecimento de sua ilegitimidade passiva, pois os procedimentos fiscais, segundo ele, deveriam ter sido realizados em nome da empresa comercial exportadora, Perdigão Agroindustrial S/A, que não armazenou as mercadorias em recinto alfandegado, não se tendo por efetivada, por conseguinte, a venda com fim específico de exportação. Referidas questões foram objeto de análise pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF quando da prolação da Resolução nº 3401-000.823, de 20 de agosto de 2014, no processo dos autos de infração (nº 11516.720752/2012-49), análise essa a que o presente voto se alinha, razão pela qual se reproduz, na sequência, o que constou do voto condutor da referida resolução, verbis: Afirma a recorrente que a Perdigão MT Ltda. é parte ilegítima no presente processo administrativo, pois, nos termos do relatório da fiscalização, a exigência de PIS e COFINS decorre do fato de que houve a desconsideração de exportação, razão pela qual o lançamento deveria ser realizado nas operações ligadas à exportação em face da compradora, qual seja: Perdigão Agroindustrial S.A., nos termos do art. 7º da Lei n. 10.637/2002. Ocorre que o argumento não merece guarida. Concordo com a DRJ que afirma que as contribuições lançadas (no caso de receitas de vendas com “fim específico de exportação), foram praticados pela Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda e não pela Perdigão Agroindustrial S/A. A responsabilidade tributária das contribuições devidas para o caso em tela, para empresa exportadora é do contribuinte vendedor das mercadorias e, tendo sido esta, incorporada pela empresa recorrente, tais débitos passaram a ser exigíveis de sua sucessora, nos termos dos arts. 129 e 132 do CTN, (...). Com relação à nulidade em razão do cerceamento do direito de defesa o recorrente afirma que os processos administrativos não possuem qualquer fundamentação acerca dos créditos de PIS/COFINS e outros apenas possuem um breve e genérico esclarecimento, sem ter havido qualquer relação dos itens glosados, com a respectiva fundamentação fática e jurídica, sequer planilha ou documento de suporte. Fl. 2641DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 12 Ocorre que essas premissas não se sustentam diante da documentação elaborada pela fiscalização e que está presente nos autos do presente processo administrativo, conforme já bem explanado pela DRJ no corpo do voto do julgador de piso. Foram trazidos aos autos do presente processo todos os despachos decisórios dos processos já mencionados no relatório, que tratam das glosas dos valores efetuadas na base de cálculo dos créditos das contribuições do 2º, 3º e 4º trimestres de 2007, com seus respectivos Termos de Verificação Fiscal. Para tanto, veja-se o que está descrito nas informações fiscais dos despachos decisórios, fl. 1192, in verbis: 4.3. Das verificações realizadas com a finalidade de verificar os créditos informados nos Dacon respectivos, foram utilizadas as memórias de cálculo fornecidas pelo contribuinte em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 001/01110 (recibo do SVA a fl. 291). Note-se que as memórias de cálculo são essenciais para a comprovação do crédito pedido pelo contribuinte. É através das memórias de cálculo que o contribuinte informa à fiscalização quais as notas fiscais utilizadas para apurar os créditos de PIS e COFINS no regime não-cumulativo declarados em Dacon. Numa primeira etapa de verificação, as informações presentes nas citadas memórias de cálculo foram cotejadas com as notas fiscais, por meio do cruzamento com os arquivos magnéticos previstos na IN SRF nº 86/2001. Este procedimento permitiu a validação dos arquivos. Todas as notas fiscais foram confirmadas e consideradas no cálculo do crédito, com as eventuais inconsistências corrigidas de ofício. A segunda etapa de verificação consistiu na elaboração de uma “matriz de glosas”. A fiscalização analisou cada uma das descrições dos itens das memórias de cálculo, de forma a determinar, com base na legislação vigente à época, quais os itens que davam direito a crédito. A terceira etapa consistiu na aplicação da “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo. Com este procedimento, pode-se identificar os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal utilizada na memória de cálculo. A quarta etapa é a de glosa propriamente dita. Os procedimentos de glosa foram adotados na seguinte sequência: foram somados os itens da memória de cálculo para cada linha do DACON; em seguida, foi aplicada a “matriz de glosas” para excluir os itens que não dão direito a crédito; subtraindo-se o segundo do primeiro, chega-se ao valor reconhecido; a diferença positiva entre o valor declarado no Dacon e o valor reconhecido é o valor glosado. Caso a diferença seja igual a zero ou negativa, não há glosa. Fl. 2642DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 13 Sequencialmente, pode-se representar os procedimentos de seguinte forma: 1. Soma dos itens na memória de cálculo 2. Resultado da aplicação da matriz de glosas 3. Valor reconhecido = linha 1 menos linha 2 4. Valor glosado = diferença positiva entre o valor declarado no Dacon e o valor reconhecido. Ao final, os procedimentos, apenas as notas fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é que foram glosadas e que todas as informações relativas às glosas estão disponíveis nas planilhas “Relação de Notas Fiscais Glosadas” e “Crédito presumido –Detalhe”, que estão nas fls. 712/1186. Percebo que estes documentos descrevem as razões que embasaram o indeferimento por parte da fiscalização, com base na própria documentação do contribuinte, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa e suas repercussões. Dessa forma, entendo que o lançamento foi lavrado à época com observância do disposto no artigo 9º, do Decreto n° 70.235/72, com as posteriores alterações das Leis n°s. 8.748/93 e 9.532/97. (fls. 1.755 a 1.756) Conforme demonstrado pela relatora da referida resolução, a Fiscalização se desincumbira, indubitavelmente, da comprovação dos créditos glosados, com a indicação da documentação que lastreara as glosas, inclusive com a juntada aos autos dos termos de verificação fiscal e dos despachos decisórios exarados nos processos relativos a pedidos de ressarcimento, não havendo suporte, portanto, às alegações de ausência de motivação, de cerceamento do direito de defesa, de violação do princípio do devido processo legal administrativo e de ausência de prova das glosas de créditos efetuadas. Tanto é assim que o próprio Recorrente, ciente dos fatos controvertidos nos autos, construiu sua defesa demonstrando pleno conhecimento dos créditos que restaram glosados, não trazendo aos autos qualquer outro elemento probatório que contradissesse as conclusões supra ou que evidenciasse as alegadas omissões ocorridas no procedimento fiscal. Nesse contexto, conclui-se que, com base nos documentos presentes nos autos, não se vislumbra respaldo à objeção do Recorrente, constando do Termo de Verificação Fiscal (TVF) os motivos que ensejaram as glosas objeto do recurso ora sob análise. Afasta-se, também, a alegação de ilegitimidade passiva, pois, conforme abordado no excerto do voto acima reproduzido, a responsabilidade tributária pelas contribuições, no caso de descumprimento dos requisitos da venda com fim específico de exportação, é atribuída à empresa vendedora, que é quem realiza o fato gerador das contribuições quando das vendas no Fl. 2643DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 14 mercado interno, empresa essa que, no presente caso, veio a ser incorporada pelo Recorrente e cujos débitos passaram a ser exigíveis da sucessora, nos termos dos arts. 129 e 132 do CTN.2 Afastam-se, portanto, as preliminares de nulidade. II. Mérito. No mérito, a controvérsia se formou em relação às seguintes matérias: a) inclusão nas bases de cálculo das contribuições das receitas que, segundo a Fiscalização, haviam sido contabilizadas indevidamente pelo sujeito passivo como receitas de exportação; b) glosas de créditos cuja apuração fora considerada incorreta pela Fiscalização. II.1. Base de cálculo. Receitas decorrentes de exportações não efetivadas. Segundo a Fiscalização, ao se examinarem os arquivos de notas fiscais e os registros do Siscomex, constatou-se que o Recorrente, no período fiscalizado, não havia realizado nenhuma operação de exportação de mercadorias em seu nome, sendo que, nas vendas de mercadorias com CFOPs 5501 e 6501, não se teve por configurado o “fim específico de exportação”, razão pela qual as receitas que até então vinham sendo escrituradas pelo Recorrente como de exportação foram incluídas nas bases de cálculo das contribuições devidas nas vendas no mercado interno. O Recorrente se contrapõe a esse entendimento reafirmando se tratar de receitas de exportação imunes (art. 149 da Constituição Federal) e por inexistir dúvida quanto à efetiva exportação, dentro do prazo de 180 dias, dos produtos vendidos à empresa exportadora Perdigão Agroindustrial S/A, empresa essa que não se apropriara de créditos das contribuições nas operações, cujos registros constaram nas notas fiscais e na contabilidade como exportação e não como venda no mercado interno. As vendas de mercadorias para empresas comerciais exportadoras com fim específico de exportação encontravam-se originalmente reguladas pelo art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 nos seguintes termos: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) 2 Art. 129. O disposto nesta Seção aplica-se por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. (...) Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Fl. 2644DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 15 VIII - de vendas realizadas pelo produtor-vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto-Lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no § 1º não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. Considerando os dispositivos legais supra, vale destacar que, a par da imunidade tributária prevista no § 2º do art. 149 da Constituição Federal3, relativa às receitas decorrentes de exportação, a lei criou isenções das contribuições para o PIS e Cofins em relação a receitas decorrentes de vendas “com fim específico de exportação”, sendo os seguintes os demais pré- requisitos: a) vendas realizadas pelo produtor-vendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o Decreto-lei nº 1.248/1972; ou b) vendas a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Quanto à definição do “fim específico de exportação”, esta se deu no parágrafo único do art. 1º do Decreto-lei nº 1.248/1972, verbis: Art. 1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste Decreto-Lei. Parágrafo único. Consideram-se destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor- vendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; 3 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; Fl. 2645DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 16 b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. (g.n.) Conforme apontado pela Fiscalização, o regime de entreposto aduaneiro a que se refere a alínea “b” do parágrafo único supra encontra-se definido no Decreto-lei nº 1.455/1976, verbis: Art. 10. O regime de entreposto aduaneiro na exportação compreende as modalidades de regimes comum e extraordinário e permite a armazenagem de mercadoria destinada a exportação, em local alfandegado: I de uso público, com suspensão do pagamento de impostos, no caso da modalidade de regime comum; II de uso privativo, com direito a utilização dos benefícios fiscais previstos para incentivo à exportação, antes do seu efetivo embarque para o exterior, quando se tratar da modalidade de regime extraordinário. § 1º O regime de entreposto aduaneiro na exportação, na modalidade extraordinário, somente poderá ser outorgado a empresa comercial exportadora constituída na forma prevista pelo Decreto-Lei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, mediante autorização da Secretaria da Receita Federal. § 2º Na hipótese de que trata o § 1º, as mercadorias que forem destinadas a embarque direto para o exterior, no prazo estabelecido em regulamento, poderão ficar armazenadas em local não alfandegado. Com base nos dispositivos acima, é possível constatar que, em relação às comerciais exportadoras, o fim específico de exportação se caracteriza quando as mercadorias são remetidas para depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação. A Fiscalização, amparando-se nos dispositivos legais acima referenciados, concluiu, no presente caso, que o “fim específico de exportação” não se confirmara em razão das seguintes constatações: a Perdigão Agroindustrial Mato Grosso, entre 04 e 12/2007, entregava as mercadorias em estabelecimentos não alfandegados indicados pela Perdigão Agroindustrial S/A. Portanto, não se configuraria o embarque direto para exportação ou o regime de entreposto aduaneiro. Sequer se configuraria o regime de entreposto aduaneiro extraordinário, mesmo que a Perdigão Agroindustrial S/A seja trading company, pois, neste caso, os recintos teriam de ser de uso privativo, aos quais fosse concedido o regime de entreposto na exportação. Em verdade, era a Perdigão Agroindustrial S/A, em seu próprio nome, que adquiria as mercadorias da fiscalizada, “estufava” os contêineres em armazéns de terceiros e realizava as exportações. Dessarte, as vendas da Perdigão Fl. 2646DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 17 Agroindustrial Mato Grosso Ltda. para a Perdigão agroindustrial S/A eram vendas normais no mercado interno. Aparentemente, a Perdigão Agroindustrial S/A operava com a Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda. como se esta fosse uma filial daquela, pois somente neste caso as mercadorias poderiam ser transferidas de uma para a outra sem incidência de PIS e COFINS, não importando onde as mercadorias fossem entregues. No entanto, é importante lembrar que, embora façam parte do mesmo grupo econômico e tenham sido sucedidas pela mesma pessoa (BRF Brasil Foods S/A), Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda e Perdigão Agroindustrial S/A eram, à época dos fatos, pessoas jurídicas distintas, que não se confundiam. Portanto, no período de 04 a 12/2007, a contribuinte não fazia jus à exclusão, da base de cálculo de PIS e COFINS, das saídas de mercadorias feitas em desacordo com as regras que outorgam a isenção às “vendas para empresa comercial exportadora com fim específico de exportação”. (fls. 1.382 a 1.383) Constata-se, pois, que, por não se ter confirmado o “fim específico de exportação” nos termos exigidos pela legislação acima abordada, seja relativamente às comerciais exportadoras do Decreto-lei nº 1.248/1972, seja em relação às demais comerciais exportadoras, a Fiscalização concluiu que as vendas sob comento se caracterizavam como vendas no mercado interno e, portanto, sujeitas à tributação das contribuições sociais, uma vez que as mercadorias eram entregues em estabelecimentos privados não alfandegados. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal (TVF), o Recorrente informara à Fiscalização que a comercial exportadora Perdigão Agroindustrial S/A era uma trading company, nos termos do Decreto-lei nº 1.248/1972, e que as mercadorias a ela destinadas eram entregues em locais alfandegados (filial 107) ou em locais não alfandegados de uso público (filial 108) (fl. 1.382). O Recorrente, conforme acima já apontado, se contrapõe às conclusões da Fiscalização arguindo que as receitas de exportação são imunes, por força do art. 149 da Constituição Federal, e que as exportações sob comento se efetivaram dentro do prazo de 180 dias, não tendo a comercial exportadora Perdigão Agroindustrial S/A se apropriado de créditos das contribuições nas operações, conforme demonstravam as notas fiscais e a contabilidade. Argumenta o Recorrente que, por se tratar de uma imunidade tributária, cuja estatura é constitucional, e não de uma isenção (esta infraconstitucional), sua interpretação não pode ser restritiva, mas sim finalística e axiológica/teleológica, tendo em vista a finalidade constitucionalmente prevista de desoneração das exportações, encontrando-se referida imunidade regulamentada e concretizada pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, cujos dispositivos devem ser compreendidos à luz do texto constitucional. Aduz, ainda, o Recorrente que a Fiscalização não se pronunciara sobre a efetivação ou não das exportações no prazo de 180 dias, ou seja, ela não duvidara da existência da exportação dos produtos remetidos com fim específico de exportação à Perdigão Agroindustrial Fl. 2647DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 18 S/A e nem abordara a não utilização de crédito pela comercial exportadora, decorrendo sua conclusão somente do fato de que as mercadorias haviam sido depositadas em recintos não alfandegados, fato esse, segundo o Recorrente, decorrente de uma mera exigência formal (“mero formalismo”). Contudo, o Recorrente nada traz aos autos para comprovar essas suas afirmativas, restringindo sua defesa ao fato de a Fiscalização não ter se pronunciado sobre as questões identificadas no parágrafo anterior. Porém, tendo a Fiscalização considerado suficiente para tributar as receitas o fato de não se ter por configurado o “fim específico de exportação”, não se poderia dela exigir avançar em questões outras que em nada alterariam sua constatação. Aqui, merece registro, conforme o fizera o Recorrente em sua peça recursal, o fato de que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, editadas posteriormente à Medida Provisória nº 2.158-35/2001 e aos Decretos-lei nº 1.248/1972 e 1.455/1976, disciplinaram a não incidência das contribuições na exportação condicionando o direito apenas a “vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação”, nada dizendo sobre o conceito do “fim específico de exportação” e não fazendo qualquer remissão a outros atos normativos regulamentares, sejam eles legais ou administrativos. Referidas exonerações foram disciplinadas nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nos seguintes termos: Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (...) Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Fl. 2648DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 19 (...) Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. As Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estipularam como condicionantes à exoneração sob comento que (i) a venda fosse realizada a empresa comercial exportadora e que (ii) tivesse fim específico de exportação, nada dizendo acerca da diferenciação feita pelo art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 (empresas comerciais exportadoras do Decreto-lei nº 1.248/1972 e demais comerciais exportadoras). Merece destaque, também, o fato de as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não se referirem à isenção ou a qualquer benefício fiscal quando cuidam da exoneração das contribuições nas exportações, referindo-se a tal exoneração como hipótese de não incidência, denotando rigor técnico na elaboração desses textos legais, pois, diferentemente da isenção, que é concedida por lei e se refere ao exercício da competência tributária por parte do ente estatal, a não incidência decorrente da imunidade tributária tem estatura constitucional e tem como natureza a delimitação negativa da própria competência tributária, retirando da possibilidade de instituição de tributos determinados fatos, pessoas ou situações previamente definidos pelo legislador constituinte. O art. 5º da Lei nº 10.637/2002 e o art. 6º da Lei nº 10.833/2003 tratam como não incidência tanto a exportação direta quanto a exportação via empresa comercial exportadora, o Fl. 2649DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 20 que indica que, tendo como destino o exterior, as vendas diretas ou indiretas não sofrem incidência das contribuições. O Regulamento Aduaneiro, por sua vez, reproduz a definição do “fim específico de exportação” do Decreto-lei nº 1.248/1972, bem como os condicionantes relativos às exportações realizadas por meio de empresas comerciais exportadoras, verbis: CAPÍTULO VI DOS INCENTIVOS FISCAIS NA EXPORTAÇÃO Seção I Das Empresas Comerciais Exportadoras Art. 228. As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento previsto nesta Seção (Decreto-Lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, art. 1º, caput; e Lei nº 8.402, de 1992, art. 1º, §1º). Parágrafo único. Consideram-se destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor- vendedor para (Decreto-Lei nº 1.248, de 1972, art. 1º, parágrafo único): I - embarque de exportação, por conta e ordem da empresa comercial exportadora; ou II - depósito sob o regime extraordinário de entreposto aduaneiro na exportação. Art. 229. O tratamento previsto nesta Seção aplica-se às empresas comerciais exportadoras que satisfizerem os seguintes requisitos (Decreto-Lei nº 1.248, de 1972, art. 2º, caput): I - estar registrada no registro especial na Secretaria de Comércio Exterior e na Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com as normas aprovadas pelos Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Fazenda, respectivamente; II - estar constituída sob a forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; e III - possuir capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. Art.230. São assegurados ao produtor-vendedor, nas operações de que trata o art. 228, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação (Decreto- Lei nº 1.248, de 1972, art. 3º, com a redação dada pelo Decreto-Lei nº 1.894, de 16 de dezembro de 1981, art. 2º). Art.231. Os impostos que forem devidos, bem como os benefícios fiscais de qualquer natureza, auferidos pelo produtor-vendedor, com os acréscimos legais cabíveis, passarão a ser de responsabilidade da empresa comercial exportadora no caso de (Decreto-Lei nº 1.248, de 1972, art. 5º, caput): Fl. 2650DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 21 I - não se efetivar a exportação dentro do prazo de cento e oitenta dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, na hipótese de mercadoria submetida ao regime extraordinário de entreposto aduaneiro na exportação (Lei no 10.833, de 2003, art. 9o, caput); II - revenda das mercadorias no mercado interno; ou III - destruição das mercadorias. §1o O recolhimento dos créditos tributários devidos, em razão do disposto neste artigo, deverá ser efetuado no prazo de quinze dias, a contar da ocorrência do fato que lhes houver dado causa (Decreto-Lei nº 1.248, de 1972, art. 5º, §2º). §2o Nos casos de retorno ao mercado interno, a liberação das mercadorias depositadas sob regime extraordinário de entreposto aduaneiro na exportação está condicionada ao prévio recolhimento dos créditos tributários de que trata este artigo (Decreto-Lei nº 1.248, de 1972, art. 5º, §3º). Art.232. É admitida a revenda entre empresas comerciais exportadoras, desde que as mercadorias permaneçam em depósito até a efetiva exportação, passando aos compradores as responsabilidades previstas no art. 231, inclusive a de efetivar a exportação da mercadoria dentro do prazo originalmente previsto no seu inciso I (Decreto-Lei nº 1.248, de 1972, art. 6º). (g.n.) É de se destacar que os dispositivos acima transcritos, em nenhum momento, fazem referência à imunidade ou à não incidência, nem mesmo às contribuições sociais, restringido seu disciplinamento, conforme destaques em negrito, aos benefícios fiscais concedidos por lei, aos impostos e aos benefícios fiscais de qualquer natureza. Em 12 de fevereiro de 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4.735 e do Recurso Extraordinário (RE) nº 759.244, decidiu, por unanimidade de votos, que a exportação indireta de produtos realizada por meio de empresas intermediárias são imunes à incidência de contribuições sociais, tendo sido produzida a seguinte tese de repercussão geral (Tema 674): “A norma imunizante contida no inciso I do parágrafo 2º do artigo 149 da Constituição da República alcança as receitas decorrentes de operações indiretas de exportação, caracterizadas por haver participação negocial de sociedade exportadora intermediária”. O RE nº 759.244 submeteu-se à sistemática da repercussão geral, tendo transitado em julgado em 09/09/2020, tendo sido rejeitados os embargos de declaração opostos pela PGFN. Também, na ADI, já se tem uma decisão definitiva. Eis as ementas da ADI nº 4.735 e do RE nº 759.244: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4735 DISTRITO FEDERAL (...) EMENTA: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS E DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. ART. 170, §§ 1º E 2º, DA INSTRUÇÃO Fl. 2651DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 22 NORMATIVA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (RFB) 971, DE 13 DE DEZEMBRO DE 2009, QUE AFASTA A IMUNIDADE TRIBUTÁRIA PREVISTA NO ARTIGO 149, § 2º, I, DA CF, ÀS RECEITAS DECORRENTES DA COMERCIALIZAÇÃO ENTRE O PRODUTOR E EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. PROCEDÊNCIA 1. A discussão envolvendo a alegada equiparação no tratamento fiscal entre o exportador direto e o indireto, supostamente realizada pelo Decreto-Lei 1.248/1972, não traduz questão de estatura constitucional, porque depende do exame de legislação infraconstitucional anterior à norma questionada na ação, caracterizando ofensa meramente reflexa (ADI 1.419, Rel. Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 24/4/1996, DJ de 7/12/2006). 2. O art. 149, § 2º, I, da CF, restringe a competência tributária da União para instituir contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre as receitas decorrentes de exportação, sem nenhuma restrição quanto à sua incidência apenas nas exportações diretas, em que o produtor ou o fabricante nacional vende o seu produto, sem intermediação, para o comprador situado no exterior. 3. A imunidade visa a desonerar transações comerciais de venda de mercadorias para o exterior, de modo a tornar mais competitivos os produtos nacionais, contribuindo para geração de divisas, o fortalecimento da economia, a diminuição das desigualdades e o desenvolvimento nacional. 4. A imunidade também deve abarcar as exportações indiretas, em que aquisições domésticas de mercadorias são realizadas por sociedades comerciais com a finalidade específica de destiná-las à exportação, cenário em que se qualificam como operações-meio, integrando, em sua essência, a própria exportação. 5. Ação Direta de Inconstitucionalidade julgada procedente. (g.n.) (...) RECURSO EXTRAORDINÁRIO 759.244 SÃO PAULO (...) RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DAS EXPORTAÇÕES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. EXPORTAÇÃO INDIRETA. TRADING COMPANIES. Art.22-A, Lei n.8.212/1991. 1. O melhor discernimento acerca do alcance da imunidade tributária nas exportações indiretas se realiza a partir da compreensão da natureza objetiva da imunidade, que está a indicar que imune não é o contribuinte, ‘mas sim o bem quando exportado’, portanto, irrelevante se promovida exportação direta ou indireta. Fl. 2652DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 23 2. A imunidade tributária prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição, alcança a operação de exportação indireta realizada por trading companies, portanto, imune ao previsto no art. 22-A, da Lei n. 8.212/1991. 3. A jurisprudência deste STF (RE 627.815, Pleno, DJe1º/10/2013 e RE 606.107, DjE 25/11/2013, ambos rel. Min. Rosa Weber,) prestigia o fomento à exportação mediante uma série de desonerações tributárias que conduzem a conclusão da inconstitucionalidade dos §§ 1º e 2º, dos arts. 245 da IN 3/20054 e 170 da IN 971/2009, haja vista que a restrição imposta pela Administração Tributária não ostenta guarida perante à linha jurisprudencial desta Suprema Corte em relação à imunidade tributária prevista no art.149, § 2º, I, da Constituição. 4. Fixação de tese de julgamento para os fins da sistemática da repercussão geral: “A norma imunizante contida no inciso I do § 2º do art.149 da Constituição da República alcança as receitas decorrentes de operações indiretas de exportação caracterizadas por haver participação de sociedade exportadora intermediária.” 5. Recurso extraordinário a que se dá provimento. Verifica-se das decisões supra que o STF albergou sob o manto da imunidade tributária das contribuições sociais (no caso, as contribuições previdenciárias) tanto a exportação direta quanto a indireta via comercial exportadora, situação em que eventual regulação deve se dar, em regra, por meio de lei complementar, conforme acima já abordado, mas nada dizendo sobre o termo “fim específico de exportação”. As instruções normativas da Secretaria da Receita Previdenciária (SRP) a que se refere o RE nº 759.244, editadas em 2005 e 2009, excluíam da imunidade do inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, no que tange às contribuições previdenciárias, as exportações via empresas comerciais exportadoras, decorrendo daí a declaração de inconstitucionalidade dos artigos correspondentes. Merecem destaque os seguintes trechos do voto do Ministro Relator da ADI 4.735: De antemão, registro não incidir a disposição prevista no artigo 111, II, do CTN, no sentido de interpretar-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção, já que desta não se trata. Cuida-se, como visto, de imunidade tributária, a respeito da qual a Jurisprudência do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL tem convergido no sentido de uma hermenêutica constitucional ampla, admitindo-se a utilização de todos os métodos interpretativos, inclusive o teleológico ou finalístico. 4 Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplica-se o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. Fl. 2653DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 24 (...) O escopo da imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da CF é a desoneração da carga tributária sobre transações comerciais que envolvam a venda para o exterior, evitando-se a indesejada exportação de tributos, de modo a tornar mais competitivos os produtos nacionais, contribuindo para geração de divisas e o desenvolvimento nacional. (...) Ora, a imunidade foi prevista na Constituição de forma genérica sobre as “receitas de exportação”, sem nenhuma diferenciação entre exportações diretas ou indiretas, devendo incidir também na comercialização entre o produtor/vendedor e as empresas comerciais com finalidade específica de exportação. Na diligência determinada por esta turma julgadora por meio da Resolução nº 3201- 003.029, a fiscalização concluiu os trabalhos nos seguintes termos: I - REMESSAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO (Item “a” da Resolução - CARF) A Resolução - CARF determinou a coleta de informações e documentação comprobatória das exportações realizadas pela Perdigão Agroindustrial S/A no prazo de 180 dias contados das remessas efetuadas com o fim específico de exportação pela Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda., bem como o não creditamento pela comercial exportadora das contribuições devidas nas operações. O controle de exportação indireta estava disciplinado pelo Convênio ICMS 113, de 20/12/1996, à época das operações em análise. Tal ajuste, posteriormente, foi revogado pelo Convênio ICMS 84, de 01/11/2009. Para melhor compreensão, confira-se o disposto pelo Convênio ICMS 113, de 1996, vigente à época dos fatos: Convênio ICMS 113/1996 Cláusula primeira Acordam os signatários em estabelecer mecanismos para controle das saídas de mercadorias com o fim específico de exportação, promovidas por contribuintes localizados nos territórios dos respectivos Estados para empresa comercial exportadora, inclusive “trading” ou outro estabelecimento da mesma empresa, localizado em outro Estado. Parágrafo único. Para os efeitos deste convênio, entende-se como empresa comercial exportadora: I - as classificadas como “trading company”, nos termos do Decreto-Lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, que estiver inscrita como tal, no Cadastro de Exportadores e Importadores da Secretaria de Comércio Exterior - SECEX, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Fl. 2654DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 25 II - as demais empresas comerciais que realizarem operações mercantis de exportação, inscritas no registro do sistema da Receita Federal - SISCOMEX. Cláusula segunda O estabelecimento remetente deverá emitir Nota Fiscal contendo, além dos requisitos exigidos pela legislação no campo “INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES”, a expressão “REMESSA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORT AÇÃO. Parágrafo único. Ao final de cada período de apuração, o remetente encaminhará à repartição fiscal do seu domicílio, as informações contidas na Nota Fiscal, em meio magnético, conforme o Manual de Orientação aprovado pela cláusula trigésima segunda do Convênio ICMS 57/95, de 28 de junho de 1995, podendo, em substituição, ser exigidas em listagem, a critério do fisco. Cláusula terceira O estabelecimento destinatário, ao emitir Nota Fiscal com a qual a mercadoria será remetida para o exterior, fará constar, no campo “INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES” a série, o número e a data de cada Nota Fiscal emitida pelo estabelecimento remetente. Cláusula quarta Relativamente às operações de que trata este convênio, o estabelecimento destinatário, além dos procedimentos a que estiver sujeito conforme a legislação de seu Estado, deverá emitir o documento denominado “Memorando-Exportação”, conforme modelo constante do Anexo Único, em três (3) vias, contendo, no mínimo, as seguintes indicações: I - denominação: "Memorando-Exportação"; II - número de ordem e número da via; III - data da emissão; IV - nome, endereço e números de inscrição, estadual e no CGC, do estabelecimento emitente; V - nome, endereço e números de inscrição, estadual e no CGC, do estabelecimento remetente da mercadoria; VI - série, número e data da Nota Fiscal do estabelecimento remetente e do destinatário exportador da mercadoria; VII - número do Despacho de Exportação, a data de seu ato final e o número do Registro de Exportação por estado produtor/fabricante; VIII - número e data do Conhecimento de Embarque; IX - discriminação do produto exportado; X - país de destino da mercadoria; XI - data e assinatura de representante legal da emitente; Fl. 2655DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 26 XII - identificação individualizada do estado produtor/fabricante no Registro de Exportação. § 1° Até o último dia do mês subsequente ao da efetivação do embarque da mercadoria para o exterior, o estabelecimento exportador encaminhará ao estabelecimento remetente a 1ª via do "Memorando-Exportação", que será acompanhada de cópia do Conhecimento de Embarque, referido no inciso VIII e do comprovante de exportação, emitido pelo órgão competente. § 2º A 2ª via do memorando de que trata esta cláusula será anexada à 1ª via da Nota Fiscal do remetente ou à sua cópia reprográfica, ficando tais documentos no estabelecimento exportador, para exibição ao fisco. § 3º A 3ª via do memorando será encaminhada, pelo exportador, à repartição fiscal de seu domicílio, podendo ser exigida a sua apresentação em meio magnético. À luz do disposto, o controle ocorria, em síntese, mediante o cumprimento das seguintes obrigações: I) o remetente da mercadoria estava obrigado a emitir nota fiscal com a seguinte expressão no campo “Informações Complementares”: “REMESSA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO”; II) o destinatário (estabelecimento exportador), por sua vez, estava obrigado a: a) emitir a nota fiscal de operação de venda ao exterior fazendo constar no campo “Informações Complementares” a série, o número e a data de cada nota fiscal emitida pelo estabelecimento remetente; b) emitir o “Memorando-Exportação”; e c) enviar, até o último dia do mês subsequente ao da efetivação do embarque das mercadorias para o exterior, a 1ª via do “Memorando-Exportação” acompanhada de cópia do conhecimento de embarque e do comprovante de exportação. Obrigações da Remetente O quesito 01 do Termo de Intimação Fiscal n.º 18.678-2023 (fls. 1.237/1.244) solicitou a apresentação das notas fiscais digitalizadas (legíveis), relacionadas nas tabelas abaixo, emitidas pela Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda., a fim de comprovar em cada nota fiscal a expressão “REMESSA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO” (Cláusula segunda do Convênio ICMS 113/96): (...) As 34 notas fiscais relacionadas nas tabelas acima foram selecionadas aleatoriamente das planilhas “Saídas com Fim específico exp CONTRIBUINTE” (fls. 439/467) e correspondem a uma amostra de um universo de aproximadamente 4.700 notas fiscais (considerando os três trimestres). Na resposta à intimação, houve apresentação parcial das notas fiscais solicitadas (fls. 1.502/1.517), quais sejam: 208.180, 208.718, 209.588, 209.864, 211.210, Fl. 2656DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 27 211.480, 211.523, 211.994, 215.389, 216.330, 218.638, 221.843, 222.269, 222.827, 223.311, 224.482. As notas fiscais apresentadas foram destacadas na cor verde nas tabelas acima. Em resumo, foram apresentadas 16 notas fiscais de venda com o fim específico de exportação (CFOP 6501) da amostra selecionada. Obrigações da Comercial Exportadora Quanto às obrigações da comercial exportadora (Perdigão Agroindustrial S/A), o quesito 01 do TIF (...) solicitou: (I) as notas fiscais digitalizadas (legíveis) referentes às operações de venda ao exterior que contenham no campo “Informações Complementares” a série, o número e a data das notas fiscais relacionadas nas tabelas acima (Cláusula terceira do Convênio ICMS 113/96); e (II) “Memorando – Exportação” referentes às notas fiscais relacionadas nas tabelas acima acompanhados de cópia do Conhecimento de Embarque e do comprovante de exportação (Cláusula quarta e seu § 1º do Convênio ICMS 113/96). Na resposta à intimação, a BRF S.A. deixou de apresentar a documentação solicitada. No entanto, apresentou planilha denominada “Quesito 01 EXPORTAÇÃO” (termo de anexação de arquivo não paginável - fl. 1.518), a qual relaciona as notas de remessa (selecionadas na amostra) com as notas fiscais de exportação, bem como traz informações referentes às exportações: Registro de Exportação, Declaração de Exportação, data de embarque. Por conta disso, o quesito 02 do TIF (...) reiterou o pedido de apresentação das notas fiscais de exportação e memorandos vinculados. Na resposta à intimação, a BRF S.A. apresentou a documentação solicitada: notas fiscais de exportação (...) e memorandos de exportação (...). O exame das notas fiscais de exportação (emitidas pela Perdigão Agroindustrial S/A) revela que elas contêm as informações das notas fiscais de remessa com o fim específico de exportação emitidas pela Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda. (selecionadas na amostra); contêm, inclusive, informações das notas fiscais de remessa que não foram apresentadas, bem como contêm informações de diversas outras notas fiscais de remessa relacionadas nas planilhas “Saídas com Fim específico exp CONTRIBUINTE”. Houve, portanto, o cumprimento à cláusula terceira do Convênio ICMS 113/96. (g.n.) Os memorandos de exportação confirmam as informações trazidas na mencionada planilha “Quesito 01 EXPORTAÇÃO”. Tais memorandos identificam as notas fiscais de exportação, relacionam as respectivas notas fiscais de remessa (selecionadas na amostra) e trazem informações acerca do Registro de Exportação, Declaração de Exportação e Data de Embarque, dados, estes, que conferem com os registrados na planilha. (g.n.) As informações referentes ao Registro de Exportação, Declaração de Exportação e Data de Embarque (e respectiva averbação de embarque) foram também Fl. 2657DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 28 confirmadas nos sistemas da RFB mediante pesquisa de dados do comércio exterior conforme a planilha anexa a esta informação. Houve, portanto, o cumprimento da cláusula quarta do Convênio ICMS 113/96. (g.n.) O cotejo das datas de emissão das notas fiscais de remessa com as datas de averbação do embarque das mercadorias para o exterior revela que as operações de exportação foram, de fato, realizadas, e sempre dentro do prazo de 180 dias. (g.n.) Não Creditamento Pela Comercial Exportadora. A Resolução - CARF solicitou a comprovação do não creditamento das contribuições pela comercial exportadora (Perdigão Agroindustrial S/A) ao adquirir as mercadorias com o fim específico de exportação da Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda. Por conta disso, o quesito 06 do TIF n.º (...) reintimou a BRF S/A a apresentar as Fichas 06A/16A do Dacon da Comercial Exportadora, referentes ao período em análise, bem como apresentar planilhas (memória de cálculo) com a relação das notas fiscais que compuseram a base de cálculo do crédito referente à Linha 01 das mencionadas Fichas do Dacon (aquisição de bens para revenda). A BRF S/A apresentou a documentação solicitada: Dacon (...) e memórias de cálculo (...). A análise das memórias de cálculo revela que a comercial exportadora apurou créditos sobre aquisição de mercadorias da Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda. entre abril e setembro de 2007. No entanto, as notas fiscais da Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda. que dão suporte aos créditos possuem número da nota e valores diferentes das notas fiscais de remessa com o fim específico de exportação relacionadas nas planilhas “Saídas com Fim específico exp CONTRIBUINTE”. (g.n.) A título de contextualização, nos meses de abril e julho de 2007, a memória de cálculo da Linha 01 (bens para revenda) da comercial exportadora registra base de cálculo do crédito sobre aquisição de mercadorias da Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda. no valor total R$ 521.993,40 e R$ 940.519,21 respectivamente. Por outro lado, nestes mesmos meses de abril e julho de 2007, a Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda. emitiu notas fiscais de remessa com o fim específico de exportação para a comercial exportadora no valor total de R$ 11.032.883,57 e R$ 10.683.186,39 respectivamente. A comercial exportadora (Perdigão Agroindustrial S/A), portanto, não se creditou das aquisições com o fim específico de exportação no período em análise, já que os números das notas fiscais e valores que dão suporte à base de cálculo dos créditos registrados no Dacon diferem dos números e valores dos documentos fiscais de remessa com o fim específico de exportação relacionados nas planilhas “Saídas com Fim específico exp CONTRIBUINTE”. (g.n.) Fl. 2658DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 29 Verifica-se, portanto, que a fiscalização, na diligência, confirmou a efetividade das exportações indiretas, cumprindo-se o que havia sido então determinado na Resolução nº 3201- 003.029, de 24 de junho de 2021. Tendo-se em conta os resultados da diligência supra, constata-se que a comercial exportadora cumpriu a regra estipulada no art. 9º da Lei nº 10.833/2003, bem como no art. 7º da Lei nº 10.637/2002, verbis: Art. 9º A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. Após a referida resolução, este conselheiro veio a julgar a matéria em outros processos, inclusive como relator, concluindo da forma como será exposta na sequência. Nos acórdãos nº 3201-011.532, 3201-011.533, 3201-011.534, 3201-011.535, 3201- 011.536, 3201-011.537 e 3201-011.538, todos de 28/02/2024, mais de dois anos, portanto, à data da prolação da Resolução destes autos (24 de junho de 2021), tal matéria foi enfrentada nos seguintes termos: De acordo com a Fiscalização, os produtos vendidos com fim específico de exportação (CFOP 6501) haviam sido remetidos diretamente para os endereços dos adquirentes no Brasil, com inobservância das regras estipuladas no art. 4º da IN RFB nº 1.152/2011, razão pela qual se desconsideraram as respectivas exportações por não se ter cumprido o requisito para esse tipo de operação, qual seja, o envio das mercadorias diretamente para o embarque ou para recinto alfandegado. O Recorrente, por seu turno, aduz que os dispositivos legais utilizados pela Fiscalização para fundamentar as autuações não definiam o que vinha a ser uma venda com fim específico de exportação, prevendo-se apenas o prazo de 180 dias para que a empresa adquirente efetivasse a exportação. Destacou que, diferentemente das vendas a trading companies, essas reguladas pelo Decreto nº 1.248/1972, as vendas por ele realizadas, com fim específico de exportação, todas devidamente comprovadas, tinham como adquirentes empresas exportadoras registradas na Secex, nos termos do inciso IX do art. 45 do Decreto nº 4.524/2002, em relação às quais não se exigia a remessa direta para embarque ou para recinto alfandegado. Argumentou, ainda, que o excesso de formalismo não podia prejudicar o direito à imunidade conferido pela Constituição Federal aos contribuintes exportadores, em conformidade com o art. 2º da Lei nº 9.784/1999, citando precedentes do Fl. 2659DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 30 TRF4 e do CARF, em que se exigira apenas a comprovação da efetiva exportação no prazo de 180 dias (verdade material). Contudo, conforme demonstrado pela Fiscalização e pela DRJ, desde a edição da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, a não exigência das contribuições encontrava-se restringida às operações de vendas a comerciais exportadoras com fim específico de exportação, verbis: Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) IX - de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; (g.n.) À época, a definição do termo “fim específico de exportação” encontrava-se definido no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532/1997, verbis: Art 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: (...) § 2º Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Embora o caput do art. 39 supra faça referência somente à suspensão do IPI, o § 2º versa sobre a definição do termo jurídico “fim específico de exportação”, não se vislumbrando possibilidade de se considerar que essa definição possa vir a sofrer alterações a depender do tributo considerado. Além do mais, o § 1º do art. 45 do Decreto nº 4.524/2002 (Regulamento do PIS/Cofins) adota essa mesma definição, conforme se pode verificar de seu texto a seguir transcrito: Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º, e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º): (...) § 1º Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (g.n.) Fl. 2660DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 31 Destaque-se que, nos termos do art. 98 do Anexo da Portaria MF nº 1.634, de 21/12/2023 (Regimento Interno do CARF), as turmas de julgamento não podem afastar a aplicação de lei ou decreto válido e vigente. Logo, não se trata de mero formalismo, como alega o Recorrente, mas de uma exigência legal que alcança não apenas as trading companies, mas todas as empresas comerciais exportadoras. Essa questão restou bem enfrentada no voto condutor do acórdão nº 9303- 010.119, prolatado pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) em 11 de fevereiro de 2020, verbis: À evidência, nos termos legais e regulamentares, não interessa se eventualmente tenha ocorrido a exportação, pois a condição para não incidência das contribuições, no caso, como medida de controle, é que as mercadorias saídas com suspensão, quando destinada à comercial exportadora para fins específicos de exportação, sejam elas remetidas diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Inconteste que esse pressuposto não foi atendido. Sem embargo, não atendido o pressuposto legal, a sobrenorma isencional não incide. Por fim, como consabido, estatui o CTN, art. 111, II, que se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. (g.n.) Referido acórdão restou ementado da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/03/2003 NÃO-CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. A eventual posterior exportação dos produtos não supre o descumprimento dessas condições. (g.n.) Mais recentemente, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, julgando embargos de declaração opostos pelo mesmo contribuinte destes autos em outro processo administrativo, assim decidiu: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Fl. 2661DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 32 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Não há nos autos provas a respeito de que as mercadorias teriam sido remetidas diretamente do estabelecimento (do produtor-vendedor) para embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou para depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação. (Acórdão nº 3302-012.678, rel. Jorge Lima Abud, j. 15/12/2021) Esta turma ordinária, em acórdão de minha relatoria, também já decidiu no mesmo sentido, por unanimidade de votos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 VENDA A COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. REQUISITOS. A venda com fim específico de exportação é aquela em que os produtos são remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (Acórdão nº 3201-007.382, rel. Hélcio Lafetá Reis, j. 21/10/2020) Em sede de memoriais, o Recorrente pleiteia a observância da Solução de Consulta Cosit nº 8/2017, cujo item 38.2 assim dispõe: 38.2. para efeito de suspensão do IPI e da não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, para que as operações sejam consideradas com fim específico de exportação, as mercadorias ou produtos adquiridos devem ser (i) remetidos diretamente do estabelecimento da pessoa jurídica para embarque de exportação ou para recinto alfandegado; (ii) ou, no caso de trading companies, remetidos para depósito em entreposto sob regime aduaneiro extraordinário de exportação; (iii) ou ainda, no que tange às Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, as mercadorias podem permanecer na empresa comercial exportadora pelo prazo previsto no art. 7º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 9º da Lei nº 10.833, de 2003. Nota-se que a Cosit, se valendo do art. 7º da Lei nº 10.637/2002 e art. 9º da Lei nº 10.833/2003, considerou como caracterizado o fim específico de exportação a hipótese de as mercadorias permanecerem na empresa comercial exportadora pelo prazo de 180 dias; contudo, essa hipótese normativa se refere à comprovação da exportação e não à caracterização do fim específico de exportação. Fl. 2662DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 33 Eis os termos dos referidos dispositivos legais: Art. 7ºA empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. § 1ºPara efeito do disposto neste artigo, considera-se vencido o prazo para o pagamento na data em que a empresa vendedora deveria fazê-lo, caso a venda houvesse sido efetuada para o mercado interno. § 2ºNo pagamento dos referidos tributos, a empresa comercial exportadora não poderá deduzir, do montante devido, qualquer valor a título de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ou de contribuição para o PIS/Pasep, decorrente da aquisição das mercadorias e serviços objeto da incidência. § 3ºA empresa deverá pagar, também, os impostos e contribuições devidos nas vendas para o mercado interno, caso, por qualquer forma, tenha alienado ou utilizado as mercadorias. (g.n.) [...] Art. 9ºA empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago.(Produção de efeito) § 1ºPara efeito do disposto neste artigo, considera-se vencido o prazo para o pagamento na data em que a empresa vendedora deveria fazê-lo, caso a venda houvesse sido efetuada para o mercado interno. § 2ºNo pagamento dos referidos tributos, a empresa comercial exportadora não poderá deduzir, do montante devido, qualquer valor a título de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, ou da COFINS, decorrente da aquisição das mercadorias e serviços objeto da incidência. Fl. 2663DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 34 § 3ºA empresa deverá pagar, também, os impostos e contribuições devidos nas vendas para o mercado interno, caso, por qualquer forma, tenha alienado ou utilizado as mercadorias. (g.n.) Conforme acima apontado, o § 1º do art. 45 do Decreto nº 4.524/2002 (Regulamento do PIS/Cofins) adota a mesma definição para a caracterização do fim específico de exportação, vindo o seu art. 80 a assim dispor: Art. 84. A empresa comercial exportadora que não efetuar a exportação dos produtos no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal de venda pela empresa produtora, deve realizar o pagamento previsto no inciso I do caput do art. 89 até (Lei nº9.363, de 16 de dezembro de 1996, art. 2º, § 7º): I - a data de vencimento desse prazo, na hipótese do PIS/Pasep não recolhido em decorrência das disposições do inciso III do art. 44; e II - o décimo dia subseqüente ao do vencimento desse prazo, na hipótese de contribuições não recolhidas em decorrência das disposições dos incisos VIII e IX do art. 45. Parágrafo único. Na hipótese da empresa comercial exportadora revender, no mercado interno, produtos adquiridos com o fim específico de exportação, deve efetuar, no prazo estabelecido no art. 82, o pagamento das contribuições previstas no inciso II do caput do art. 89. (g.n.) Trata-se, portanto, o prazo de 180 de dias do período em que a empresa comercial exportadora deverá efetivar a exportação das mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, sob pena de se obrigar a recolher os tributos e multas devidos. Ora, uma norma complementar da Administração tributária não pode inovar em matéria de lei ou decreto, mas somente regulamentar seus dispositivos, em conformidade com o já citado art. 98 do Anexo da Portaria MF nº 1.634, de 21/12/2023, verbis: Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou II - fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 2664DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 35 a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) dispensa legal de constituição, Ato Declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional ou parecer, vigente e aprovado pelo Procurador- Geral da Fazenda Nacional, que conclua no mesmo sentido do pleito do particular, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (g.n.) Nota-se que, dentre as hipóteses de não aplicação da regra (parágrafo único acima transcrito), não se encontra o entendimento dado pela Administração tributária, o que impede que este colegiado deixe de observar o disposto no art. 7º da Lei nº 10.637/2002, no art. 9º da Lei nº 10.833/2003 e no § 1º do art. 45 do Decreto nº 4.524/2002 (Regulamento do PIS/Cofins). Registre-se que todas as decisões do CARF acima referenciadas foram prolatadas após a edição da Solução de Consulta Cosit nº 8/2017. Nesse sentido, afastam-se os argumentos do Recorrente acerca dessa questão. Mantendo-se nestes autos a jurisprudência supra, no sentido de se exigir o cumprimento dos requisitos previstos em lei, bem como em instruções normativas para fins de se definir o conceito do “fim específico de exportação”, resta aprofundar a matéria cuja abordagem se iniciou no voto da Resolução nº 3201-003.029, de 24 de junho de 2021. Inobstante o inciso II do art. 146 da Constituição Federal determinar que as limitações constitucionais ao poder de poder de tributar, dentre as quais se incluem as imunidades tributárias, devem ser reguladas por lei complementar, o Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu que pode ser regulamentada por lei ordinária a definição de aspectos procedimentais da imunidade (no caso julgado, a imunidade das entidades assistenciais), relacionados, inclusive, à fiscalização e ao controle, mas desde que essa lei ordinária não invada o campo próprio da lei complementar, conforme se verifica dos excertos dos votos a seguir transcritos: É que, conforme explicitado, há também um domínio jurídico suscetível de disciplina por lei ordinária, como o que diz respeito à outorga a determinado órgão da competência de fiscalizar, mediante a emissão de certificado, o suprimento dos requisitos para fruição da imunidade do art. 195, §7º, da CF. (...) Fl. 2665DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 36 “(...) o que diz respeito a questões relativas à fiscalização, à certificação, eu acho que a lei ordinária é suficiente. Então, é preciso fazer uma distinção entre esses requisitos materiais para o reconhecimento da imunidade e esses aspectos que eu chamaria de procedimentais. Para isso, basta uma lei ordinária a meu ver.”5 (g.n.) No caso sob análise nestes autos, está-se diante de leis válidas e vigentes (Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), em que se estipula que as contribuições PIS/Cofins não cumulativas não incidem nas “vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação”. O termo “fim específico de exportação” adotado por tais leis já se encontrava definido na legislação anterior, conforme se constata das seguintes transcrições: DECRETO-LEI Nº 1.248, DE 29 DE NOVEMBRO DE 1972. Art.1º - As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste Decreto-Lei. Parágrafo único. Consideram-se destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor-vendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. (g.n.) [...] LEI Nº 9.532, DE 10 DE DEZEMBRO DE 1997. (...) Art. 39 (...) § 2º Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (g.n.) Assim, por se tratar de definição de procedimentos voltados a viabilizar a fiscalização e o controle da imunidade das receitas decorrentes da exportação, eles deverão ser observados pelos interessados, razão pela qual, não tendo sido cumpridos os requisitos das “vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação”, nega-se provimento a essa parte do Recurso Voluntário. 5 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Embargos de Declaração no Recurso Extraordinário nº 566.622. Rel. Ministro Marco Aurélio. 18 de dezembro de 2019. Fl. 2666DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 37 II.2. Glosas de créditos. A Fiscalização efetuara as glosas em razão (i) do não enquadramento de alguns bens e serviços adquiridos para utilização na produção no conceito de insumos adotado no art. 8º, § 4º, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, (ii) da ausência de autorização legal para se creditar em relação aos dispêndios com serviços de carga e descarga (transbordo), (iii) do recálculo do crédito presumido da agroindústria, dentre outros. Na Resolução nº 3401-000.823, de 20 de agosto de 2014 (processo do auto de infração nº 11516.720752/2012-49), a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF converteu o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que o contribuinte elaborasse uma “Matriz de Insumos”, descrevendo seu processo produtivo e a aplicação dos referidos itens objeto de glosa pela fiscalização nas etapas respectivas, através de documento assinado por profissional apto a tal desiderato.” Na mesma resolução, a turma julgadora destacou que o conceito de insumos ali adotado era aquele próprio das contribuições, abarcando os bens e serviços inerentes, essenciais, necessários e imprescindíveis ao processo produtivo, conceito esse que não se confundia com os conceitos das legislações do IPI e do IRPJ. Contudo, no relatório da diligência identificado como Informação Fiscal naquele processo, a Fiscalização destacou que o único conceito de insumo previsto na legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins era aquele previsto na IN SRF nº 247/2002, art. 66, § 5º, reforçado na IN SRF nº 404/2004, art. 8º, § 4º, evidenciando-se que ela não se curvou ao conceito definido na Resolução nº 3401-000.823, mantendo o entendimento externado no Termo de Verificação Fiscal (TVF). Conforme o Recorrente se pronunciou em suas contrarrazões, a Fiscalização descumprira a diligência nos termos formulados pela turma julgadora do CARF, pois os itens glosados foram reanalisados sob perspectiva diversa daquela determinada na resolução, razão pela qual os presentes autos deveriam retornar à repartição de origem para se realizarem os procedimentos determinados. Realizada a nova diligência determinada por esta turma julgadora, passa-se à análise do mérito. II.2.1. Crédito. Insumos. O Recorrente contesta a glosa de créditos decorrentes de aquisições de insumos fundada num conceito equivocado do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003,6 6 Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Fl. 2667DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm#tabela D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 38 abrangendo (i) pallets de madeira, (ii) bens sujeitos à alíquota zero, (iii) notas fiscais com código de operação incompatível com o direito ao desconto de crédito e (iv) serviços sem direito a crédito. O Recorrente contesta o conceito de insumos adotado pela fiscalização, extremamente restritivo, fundado em instruções normativas ilegais e na legislação do IPI e não condizente com a normatividade da não cumulatividade das contribuições. Conforme já dito no introito deste voto, aqui se adotará o critério da essencialidade (dispêndios necessários ao funcionamento do fator de produção) definido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do REsp 1.221.170, submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória por parte deste Colegiado. II.2.1.1. Pallets de madeira. A fiscalização glosou os créditos decorrentes da aquisição de pallets por considerar que tais bens não se enquadravam como insumos aplicados diretamente na produção, entendimento esse mantido pela Delegacia de Julgamento (DRJ). O Recorrente alega que os pallets não são apenas itens de armazenagem e transporte, mas bens necessários à observância de critérios de higiene exigidos pela legislação da Anvisa e do Ministério da Agricultura, dado tratar-se de empresa que atua no mercado alimentício, sendo, portanto, essenciais ao seu processo produtivo. Requer, alternativamente, que os referidos créditos sejam considerados, também, em face do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003,7 pois eles são utilizados na armazenagem e transporte de mercadorias. Na diligência determinada por esta turma julgadora, a fiscalização posicionou-se pela manutenção da glosa de créditos referentes a paletes de madeira, por se tratar de bens utilizados no transporte de produtos acabados para comercialização (movimentações externas), não participando, portanto, do processo produtivo. Este CARF tem larga jurisprudência no sentido de reconhecer o direito de desconto de créditos nas aquisições de pallets, conforme se verifica das ementas a seguir reproduzidas: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/04/2018 a 30/06/2018 (...) DESPESAS COM ARMAZENAGEM DE PRODUTOS ACABADOS. AQUISIÇÃO DE PALLETS, SERVIÇOS DE REFORMA, REMESSA PARA CONSERTO E RETORNO. CRÉDITO RECONHECIDO. Considerando a natureza da atividade desempenhada pela contribuinte, sujeita a inúmeros regulamentos do Ministério da Agricultura e Pecuária e da Agência 7 Art. 3º (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 2668DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 39 Nacional de Vigilância Sanitária, e dada a necessidade de contratação de armazéns com terceiros para depósito das mercadorias inacabadas ou acabadas os custos são dedutíveis a teor do artigo 3º das leis das contribuições. Da mesma forma em relação os gastos com aquisição de pallets e sua reforma, uma vez que preservam a integridade das embalagens e a qualidade das mercadorias no deslocamento, armazenamento, empilhamento e proteção dos produtos alimentícios. (Acórdão nº 3101-002.642, rel. Sabrina Coutinho Barbosa, j. 23/07/2024 – g.n.) [...] Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 (...) EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas incorridas com materiais de embalagens e pallets, para proteção e conservação da integridade de produtos alimentícios durante o transporte, enquadram-se no conceito de insumos fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, ensejando o direito à tomada do crédito das contribuições sociais não cumulativas. (Acórdão nº 9303-016.028, rel. Vinicius Guimarães, j. 08/10/2024 – g.n.) [...] Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Ano-calendário: 2012 (...) PALETES. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pallets utilizados como embalagens enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Assim, os pallets como embalagem utilizados para o manuseio e transporte dos produtos acabados, por preenchidos os requisitos da essencialidade ou relevância para o processo produtivo, enseja o direito à tomada do crédito das contribuições. (Acórdão nº 3202-001.851, rel. Juciléia de Souza Lima, j. 23/07/2024 – g.n.) [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2016 a 30/06/2016 (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Fl. 2669DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 40 Tratando-se de bens utilizados no transporte dos produtos (as chamadas big bags), essenciais à sua conservação, manuseio, transporte e guarda, há direito ao desconto de crédito das contribuições não cumulativas, tanto na condição de insumos, quando como elementos inerentes à armazenagem. (Acórdão 3201- 010.852, rel. Hélcio Lafetá Reis, j. 22/08/2023 – g.n.) A conservação de produtos alimentícios perecíveis durante o transporte, em operações de venda, entre estabelecimentos ou internamente no parque produtivo, é matéria regulamentada nacional e internacionalmente, razão pela qual as medidas tomadas pelas empresas que atuam no setor se mostram não apenas essenciais, mas imprescindíveis, sob pena de se inviabilizar o negócio. Nesse sentido, vota-se, com base nos incisos II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003,8 por reverter as glosas de créditos relativos a aquisições de pallets de madeira utilizados no transporte de matérias-primas ou produtos acabados, observados os demais requisitos da lei. II.2.1.2. Bens adquiridos com alíquota zero. O Recorrente contesta a glosa de créditos de bens sujeitos à alíquota zero das contribuições, aduzindo (i) ausência de identificação, por parte da fiscalização, dos bens enquadráveis nessa situação, (ii) ausência de provas (notas fiscais), (iii) erro na tipificação dos referidos bens, tendo-se em conta o teor do art. 1º da Lei nº 10.925/2004, (iv) direito alternativo ao crédito presumido da agroindústria (art. 8º da Lei nº 10.925/2004) e (v) violação dos princípios da não cumulatividade, da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. As Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam, expressamente, o desconto de créditos relativos a aquisições submetidas à alíquota zero, razão pela qual dispensam-se maiores digressões sobre o tema, verbis: Art. 3º (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; (g.n.) 8 Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 2670DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm#tabela D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 41 A lei é clara, a exceção ao não creditamento na aquisição de bens e serviços em que inexiste pagamento se restringe àqueles bens e serviços isentos aplicados na produção ou em revenda tributada. Verifica-se que o mesmo dispositivo discrimina a isenção das outras figuras exonerativas (alíquota zero e não incidência), restringindo a possibilidade de crédito nas aquisições de bens e serviços isentos quando deles não resultarem produtos sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela tributação. A jurisprudência do CARF acerca dessa matéria é extensa, conforme se verifica dos seguintes exemplos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 (...) INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A lei de regência da não cumulatividade da contribuição estipula que não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, dentre os quais se incluem os insumos adquiridos com alíquota zero. (Acórdão 3201-006.043, j. 23/10/2019) [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009 (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO LEGAL. A lei veda a apropriação de créditos das contribuições não cumulativas nas aquisições de insumos sujeitos à alíquota zero, independentemente de se tratar de bens aplicados na fabricação de produtos tributados ou não tributados. (Acórdão 3201-010.999, j. 26/09/2023) Em relação às alegações do Recorrente acerca da ausência de identificação, por parte da fiscalização, dos bens enquadráveis nessa situação, das provas utilizadas (notas fiscais) e do erro na tipificação dos referidos bens, há que se destacar o que consta da Informação Fiscal, a saber: b) Aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero de PIS/Pasep. Desta forma a aquisição de tais bens não pode gerar crédito a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003; Fl. 2671DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 42 c) Notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito. d) Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins. Os dados das notas fiscais glosadas (fls. 525 a 537) encontram-se muito bem identificados em planilhas, abarcando todas as informações concernentes a tais glosas, dentre as quais o número do documento, a identificação do produto e a razão da glosa de crédito (NT – não tributado, isento ou alíquota zero), razão pela qual devem-se afastar tais argumentos de defesa. Quanto ao pedido alternativo de se considerarem tais aquisições no cálculo do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, há que se destacar que tal pleito não constou do Pedido de Ressarcimento (PER/DComp) em relação aos itens ora sob análise, que é o documento em que se formalizam requisições da espécie, não podendo o processo administrativo fiscal ser utilizado para retificar requisições do próprio sujeito passivo em face de decisões administrativas a ele desfavoráveis. Além disso, o § 1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 estipula os requisitos para se apurar o crédito presumido da agroindústria nos casos de aquisições realizadas junto a pessoas jurídicas,9 requisitos esses não comprovados pelo Recorrente, sendo essa mais uma razão para não se acolher tal pleito. Por fim, quanto à alegada violação dos princípios da não cumulatividade, da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, trata-se de argumentos que fogem ao escopo da presente análise, pois, em conformidade com a súmula CARF nº 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária válida e vigente. Portanto, mantém-se o procedimento fiscal quanto a este item. II.2.1.3. Glosa de créditos com base no código de operação (CFOP). O Recorrente alega que o relatório fiscal que embasou o despacho decisório não fez qualquer menção, ainda que exemplificativamente, aos códigos de operação (CFOP) em relação aos quais inexistia o direito ao crédito das contribuições não cumulativas, o que, segundo ele, compromete o seu direito à ampla defesa. 9 § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 2672DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12865.htm#art33 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/L11051.htm#art8%C2%A71iii https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/L11051.htm#art8%C2%A71iii https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A74 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 43 Contudo, conforme demonstrado no item anterior deste voto, os dados das notas fiscais glosadas (fls. 525 a 537) encontram-se muito bem identificados em planilhas, abarcando todas as informações concernentes a tais glosas, dentre as quais o número do documento, o número do CFOP, a identificação do produto e o fundamento da glosa de crédito, razão pela qual afastam-se tais argumentos de defesa. Por outro lado, consultando-se as referidas planilhas, constata-se que a glosa sob comento alcançou a aquisição dos seguintes produtos: óleo diesel combustível, aluguel de equipamento, serviço de frete e carreto, lacre alaranjado, discos, bujão gás, faca inox, dedo borracha dureza, desengripante metal, anel, papel miolo ondulado, mola, rolete, elemento filtrante e filtros. No relatório fiscal de diligência, a fiscalização se posicionou favoravelmente à reversão da glosa de créditos mas apenas na aquisição de bucha navalha (insumo), moto bomba (insumo), solvente (insumo), lacre (insumo), serviço de mão de obra (insumo) e serviço técnico eletricidade (insumo). Em sua manifestação pós-diligência, o Recorrente não se contrapôs especificamente aos demais itens cujas glosas foram mantidas, razão pela qual, à míngua de elementos adicionais que pudessem infirmar os resultados da diligência ou que pudessem esclarecer o enquadramento de tais bens e serviços no conceito de insumos utilizados no processo produtivo, vota-se aqui por manter o procedimento fiscal. II.2.1.4. Serviços utilizados como insumos. O Recorrente aduz, genericamente, que sua contrariedade em relação às glosas de créditos alcança todos “os demais produtos, bens, serviços e mercadorias eventualmente descritos em eventual planilha da fiscalização, que não foi entregue à recorrente”. De pronto, deve-se destacar que as planilhas elaboradas pela fiscalização durante o procedimento encontram-se juntadas aos autos desde 15/03/2012, anteriormente, portanto, à Manifestação de Inconformidade, esta apresentada em 03/05/2012. Por outro lado, no relatório fiscal de diligência, a fiscalização se posicionou favoravelmente à reversão da glosa de créditos na aquisição de serviços de mão de obra destinado à manutenção e melhorias no processo de abate, ração e incubatório. Alinhando-se aos resultados da diligência, vota-se aqui, com base no art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, por reverter a glosa de créditos em relação aos serviços de mão de obra destinado à manutenção e melhorias no processo de abate, ração e incubatório. II.2.2. Crédito. Energia elétrica. Enquanto a Fiscalização glosou parte dos dispêndios com energia elétrica por falta de comprovação, o Recorrente alega que se trata de gastos devidamente escriturados, passíveis de apuração em diligência. Fl. 2673DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 44 No relatório de diligência, a fiscalização assim se manifestou: III – GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA (Item “d” da Resolução CARF) A resolução do CARF determinou a intimação da contribuinte para comprovar os gastos com energia elétrica não reconhecidos pelo despacho decisório. No período em análise, a glosa sobre despesas de energia elétrica corresponde aos meses de julho e setembro de 2007 nos respectivos valores de R$ 105,39 e R$ 162,66 conforme demonstra a tabela abaixo: (...) Como se percebe, a glosa consiste apenas na diferença entre o valor informado no Dacon e o registrado na memória de cálculo disponibilizada à fiscalização na ocasião. Com o intuito de cumprir a Resolução do CARF, o quesito 03 do TIF n.º 18.678- 2023 solicitou da empresa planilha referente aos meses de julho e setembro com a relação das notas fiscais que compuseram a base de cálculo dos créditos referentes à linha 04 das fichas 06A/16A do Dacon (memória de cálculo). Solicitou também as notas fiscais de consumo de energia elétrica digitalizadas que dão suporte aos créditos informados. Na resposta à intimação, a contribuinte apresentou planilha (termo de anexação de arquivo não-paginável fl. 1.491) demonstrando que as bases de cálculo dos meses de julho e setembro são respectivamente de R$ 40.228,61 e R$ 150.175,87. Em relação à documentação fiscal solicitada, a contribuinte apresentou apenas uma nota fiscal de energia elétrica no valor total de R$ 566.652,12 referente a junho de 2007 (fl. 1.554/1.555), mas não-apresentou documentos fiscais referentes aos meses de julho e setembro. Mantém-se, portanto, a glosa sobre gastos com energia elétrica no valor de R$ 268,05 nos meses de julho e setembro de 2007, conforme despacho decisório ante a falta de documentação comprobatória em relação aos valores informados no Dacon. Em sua manifestação pós-diligência, o Recorrente apenas aduz que a manutenção da referida glosa decorreu da aplicação incorreta do conceito de insumo, nada dizendo sobre as apurações supra, razão pela qual conclui-se por manter o procedimento fiscal respectivo, uma vez que o interessado não se desincumbiu do ônus de comprovar suas alegações, em desconformidade com os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972. II.2.3. Crédito. Armazenagem e frete em operações de venda. O Recorrente contesta a glosa de créditos relacionados à armazenagem e ao frete em operações vendas, previstos no inciso IX da Lei nº 10.833/2003, abrangendo os serviços portuários de carga e descarga (transbordo). Fl. 2674DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 45 Sobre tais serviços, assim de manifestou a fiscalização no relatório de diligência: Fichas 06A/16A – Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (item 4.3.4 do Despacho Decisório) Glosas Revertidas No período em análise, as glosas referentes à linha 07 correspondem ao serviço de carga e descarga (transbordo) e serviço de expedição e armazenagem de cereais. Conforme o quadro de explicações dos insumos tomados (itens 54 e 56) estes serviços são utilizados na produção de rações, logo, essenciais à atividade econômica da empresa. A glosa, portanto, deve ser revertida. (g.n.) Alinhando-se aos resultados da diligência, vota-se, com base no inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003,10 por reverter a glosa de créditos decorrentes da aquisição de serviços de carga e descarga (transbordo) e de expedição e armazenagem de cereais utilizados na produção de rações. II.2.4. Outros créditos analisados na diligência. Na diligência determinada por esta turma julgadora, a fiscalização também se manifestou favoravelmente à reversão da glosa de créditos, com base no conceito de insumos, relativos à aquisição de bucha navalha, moto bomba, solvente, lacre, serviço de mão de obra e serviço técnico eletricidade. Em conformidade com a linha adotada no relatório de diligência, tais itens atendem ao critério de relevância definido pelo STJ, pois que voltados à operacionalização do processo produtivo, razão pela qual vota-se aqui, com no inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, por reverter as referidas glosas, observados os demais requisitos da lei. Por outro lado, na diligência, a fiscalização opinou pela manutenção da glosa de créditos em relação à aquisição de gasolina comum combustível de veículos, por inexistência de informação quanto ao local do processo produtivo em que se consome o item, sendo informado apenas que ele era utilizado nos “veículos da empresa”. Na manifestação pós-diligência, o Recorrente não se manifestou sobre essas questões. 10 Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 2675DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm#tabela D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 46 Alinhando-se ao entendimento supra, vota-se aqui por manter as glosas de créditos em relação à aquisição de gasolina comum combustível de veículos. II.3. Crédito presumido da agroindústria. O Recorrente contesta as glosas do crédito presumido da agroindústria, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, arguindo o direito à aplicação do percentual de 60% previsto no § 3º, inciso I, do mesmo artigo, tendo-se em conta o produto fabricado e nãos os insumos adquiridos. Sobre tal matéria, assim de manifestou a fiscalização no relatório de diligência: IV – CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDUSTRIA (Item “e” da Resolução CARF) A Resolução do CARF determinou o recálculo do crédito presumido da agroindústria considerando o teor da súmula CARF n.º 157. Súmula CARF n.º 157: “O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo” De acordo com a Súmula, a natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela agroindústria determina o percentual da alíquota do crédito presumido apurado sobre os insumos aplicados para a sua produção. A relação dos produtos fabricados, com a classificação (NCM), está na planilha anexa ao termo de anexação de arquivo não-paginável “RELAÇÃO RESUMIDA DOS PRODUTOS FABRICADOS” (fl. 1.174). A análise da planilha revela que as mercadorias produzidas estão classificadas no capítulo 02 da NCM (carnes e miudezas comestíveis). Assim, em cumprimento à Resolução do CARF, aplica-se a alíquota de 60%, prevista no artigo 8º, § 3º, inciso I, da Lei n.º 10.925, de 2004, para apurar o valor do crédito presumido da atividade agroindustrial. Com efeito, o crédito presumido fica restabelecido conforme informado pela contribuinte na linha 25 das Fichas 06A/16A do Dacon. O crédito presumido adicional apurado na revisão corresponde ao crédito presumido restabelecido na linha 25 deduzido do crédito presumido registrado na linha 26 pelo despacho decisório. (g.n.) Alinhando-se aos resultados da diligência, vota-se por restabelecer, no cálculo do crédito presumido da agroindústria, a aplicação do percentual de 60% previsto no § 3º, inciso I, do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, tendo-se em conta o produto fabricado e nãos os insumos adquiridos, nos termos da súmula CARF nº 157. Fl. 2676DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.315 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.905475/2011-16 47 III. Conclusão. Diante do exposto, vota-se por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso nos seguintes termos: (i) reverter, observados os demais requisitos da lei, as glosas de créditos relativos aos seguintes itens: (i.1) aquisição de pallets de madeira, (i.2) aquisição de bucha navalha, moto bomba, solvente, lacre, serviço de mão de obra e serviço técnico eletricidade, (i.3) aquisição de serviços de mão de obra destinado à manutenção e melhorias no processo de abate, ração e incubatório, (i.4) aquisição de serviços de carga e descarga (transbordo) e de expedição e armazenagem de cereais utilizados na produção de rações e (ii) restabelecer, no cálculo do crédito presumido da agroindústria, a aplicação do percentual de 60% previsto no § 3º, inciso I, do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, tendo-se em conta os produtos fabricados e nãos os insumos adquiridos, nos termos da súmula CARF nº 157. É o voto. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis Fl. 2677DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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