Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,598)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,091)
- Primeira Turma Ordinária (16,013)
- Primeira Turma Ordinária (15,954)
- Primeira Turma Ordinária (15,925)
- Segunda Turma Ordinária d (15,763)
- Segunda Turma Ordinária d (14,358)
- Primeira Turma Ordinária (12,992)
- Primeira Turma Ordinária (12,358)
- Segunda Turma Ordinária d (12,326)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,397)
- Quarta Câmara (84,499)
- Terceira Câmara (66,899)
- Segunda Câmara (55,190)
- Primeira Câmara (19,766)
- 3ª SEÇÃO (16,091)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,685)
- Segunda Seção de Julgamen (113,914)
- Primeira Seção de Julgame (76,113)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,761)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,361)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,712)
- HELCIO LAFETA REIS (3,569)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,209)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,921)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,661)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,087)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,916)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,470)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,442)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 19647.011180/2006-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA PARA COLETA DE PROVAS PARA FINS DE DEFESA DO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INAPLICÁVEL
A realização do pedido de diligência e perícia, conforme dispõe os artigos 16, 18, 28 e 29 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, está diretamente relacionada à formação da livre convicção do julgador. Não cabe para coleta de prova para interesse único da defesa do contribuinte. Constando nos autos elementos suficientes à solução da lide, é desnecessária a sua realização.
As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, iniciado com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização por falta ou não atendimento aos pedidos de diligência.
DECADÊNCIA. FATO GERADOR. APURAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NÃO APLICAÇÃO DA APURAÇÃO MENSAL DO IRPF.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADOS DO FATO GERADOR.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
O fato gerador do imposto de renda de pessoa física se sujeita ao ajuste anual, compreendendo os rendimentos recebidos no ano-calendário findo em 31 de dezembro, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos.
Numero da decisão: 2201-002.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA PARA COLETA DE PROVAS PARA FINS DE DEFESA DO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INAPLICÁVEL A realização do pedido de diligência e perícia, conforme dispõe os artigos 16, 18, 28 e 29 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, está diretamente relacionada à formação da livre convicção do julgador. Não cabe para coleta de prova para interesse único da defesa do contribuinte. Constando nos autos elementos suficientes à solução da lide, é desnecessária a sua realização. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, iniciado com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização por falta ou não atendimento aos pedidos de diligência. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. APURAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NÃO APLICAÇÃO DA APURAÇÃO MENSAL DO IRPF. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38) DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADOS DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. O fato gerador do imposto de renda de pessoa física se sujeita ao ajuste anual, compreendendo os rendimentos recebidos no ano-calendário findo em 31 de dezembro, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19647.011180/2006-81
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5357202
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-002.425
nome_arquivo_s : Decisao_19647011180200681.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19647011180200681_5357202.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
dt_sessao_tdt : Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5508171
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814477778944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2521; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.011180/200681 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.425 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2014 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente ABRAHAO VALÉRIO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA PARA COLETA DE PROVAS PARA FINS DE DEFESA DO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INAPLICÁVEL A realização do pedido de diligência e perícia, conforme dispõe os artigos 16, 18, 28 e 29 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, está diretamente relacionada à formação da livre convicção do julgador. Não cabe para coleta de prova para interesse único da defesa do contribuinte. Constando nos autos elementos suficientes à solução da lide, é desnecessária a sua realização. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, iniciado com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização por falta ou não atendimento aos pedidos de diligência. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. APURAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NÃO APLICAÇÃO DA APURAÇÃO MENSAL DO IRPF. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF nº 38) DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADOS DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 11 80 /2 00 6- 81 Fl. 832DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. O fato gerador do imposto de renda de pessoa física se sujeita ao ajuste anual, compreendendo os rendimentos recebidos no anocalendário findo em 31 de dezembro, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 19647.011180/200681 Acórdão n.º 2201002.425 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte qualificado neste processo, foi lavrado o auto de infração de IRPF, exercício 2002, por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Conforme detalhado no Relatório da Ação Fiscal (fls. 507/523), o contribuinte apresentou em sua Declaração de Ajuste Anual do IRPF (DIRPF), relativo ao exercício 2002, anocalendário 2001 (fls. 12/13), o rendimento tributável de R$ 16.250,00, tendo movimentado R$ 2.892.397,26 no banco Bradesco S/A. E, intimado por diversas vezes para comprovar a origem dos recursos, apesar das solicitações de prorrogação de prazo, teria limitadose a apresentar os extratos bancários e fichas cadastrais. A auditora informa ainda que foram realizadas diligências para identificar as atividades negociais ou profissional de diversas pessoas físicas e jurídicas que ensejaram créditos na conta corrente do contribuinte, sem, entretanto, resultados efetivos. A ação fiscal foi originada com o Termo de Inicio de Fiscalização recebido em 1º de fevereiro de 2005 (fl. 16) e encerramento com Edital da DRF Recife/PE nº 152/2006 de em 14 de dezembro de 2006 (fl. 528), fixado nesse dia com prazo estipulado para o período de 14 a 29 de dezembro de 2006. Portanto, considerase como ciência o 16º dia, 29 de dezembro de 2006. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 532/599), assim descrita pela relatoria do acórdão nº 1127.168, da DRJ Recife: 4.1. A impugnação é tempestiva porque a apresentou em 11/01/2007, tendo sido cientificado por edital em 02/01/2007, quando começou a correr o prazo de 30 dias para defesa. 4.2. A "(...) auditora fiscal, após constatar que não foi possível a ciência pessoal do impugnante, pois o AR tinha sido entregue a terceiro estranho, optou por mandar expedir edital para intimação da lavratura do auto de infração ora impugnado." No edital, com autorização para afixação em 14/12/2006, "(...) ficou determinado que a intimação do impugnante e o início do prazo para interposição de impugnação se daria (sic) 30 (trinta) dias após o 16° (décimo sexto) dia da afixação do edital. De acordo (sic) o Decreto n° 70.235/72 os prazos só se iniciam ou terminam em dia útil e de expediente normal na repartição, exatamente em prestígio ao contraditório e ao amplo direito de defesa (...)." Assim, com o edital afixado em 14/12/2006, iniciandose a contagem no dia seguinte, concluise que o prazo de dezesseis dias encerrouse em 30/12, um sábado. "Como os prazos só se iniciam ou terminam em dia útil e de expediente normal na repartição, por conseguinte, temse que a INTIMAÇÃO SOMENTE OCORREU NO DIA 02.01.2007. (grifos do original) 4.3. "(...) a intimação se deu por edital tendo em vista a pressa da auditora de tentar 'driblar' a ocorrência da decadência o que efetivamente já ocorreu uma vez que quando o impugnante foi intimado já se encontrava extinto o direito da Fazenda Pública de agir (...). Cumpre observar que a pressa da intimação por edital, no mínimo ensejaria a respectiva nulidade." Transcreve doutrina acerca do tema. 4.4. "Ao ser intimado, forneceu as informações que (sic) dispunha, as quais demonstraram que os valores que transitaram em sua conta bancária na verdade não lhe pertenciam, pois se dedicava – e ainda se dedica – a atividade autônoma de agenciamento de veículos, fazendo a "ponte" entre o vendedor e o comprador. Dessa Fl. 834DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 forma, apenas a sua comissão (que varia de 1% a 5% dependendo da situação) era realmente a sua renda para fins de incidência do IRPF." (grifos do original) Tomou empréstimos no Banco Bradesco, onde mantinha a conta objeto de fiscalização, que também nela transitaram, não sendo renda, nos termos do art. 43 do CTN. 4.5. Embora não se tendo recusado a atender as solicitações da fiscalização, ficou impossibilitado de dar maiores detalhes sobre as pessoas de quem recebia créditos, tendo sido informado que as instituições financeiras não poderiam quebrar o sigilo bancário de outros correntistas. Diante da informalidade da atividade exercida, sem controle contábil eficiente, é complicado precisar todas as operações realizadas em 2001. 4.6. A autoridade fiscal tratou a situação como omissão de rendimentos de pessoa física e não como operações de agenciamento de veículos, tendo ignorado que a presunção deve ser afastada quando os elementos de prova ou os indícios existentes apontam para situação diversa. 4.7. Independentemente da improcedência, o período de janeiro a novembro de 2001 foi atingido pela decadência, haja vista que, a partir da Lei n° 7.713/88, o imposto de renda das pessoas passou a ser devido mensalmente. Citou também as Leis nºs 8.134/90 e 8.383/91, em apoio a sua tese. Como o IRPF é tributo sujeito à homologação, na forma do art. 150 do CTN, a declaração de ajuste anual é simples instrumento de acerto de contas, para apurar eventuais saldos de imposto a pagar ou valores a restituir, não podendo ser usado como base para o lançamento pelo regime de declaração do art. 147 do CTN. As normas citadas não tratam da antecipação do pagamento do imposto, como poderia ser levantado pelos que defendem que o IRPF incide em 31 de dezembro, o que afronta o princípio da legalidade, ao contrariar os comandos da Lei n° 9.430/96. "Como a periodicidade do lRPF é mensal, no caso concreto apenas os rendimentos auferidos no mês de dezembro de 2001 não teria sido alcançado pela decadência." Não ocorreu a previsão do art. 902 do Regulamento do Imposto de Renda, pois não ficou caracterizada pelo Fisco situação de dolo, fraude ou simulação, tanto que a multa é de 75%. 4.8. Sendo o IRPF tributo lançado por homologação, com incidência mensal, "(...) o prazo prescricional (sic) deve ser o do § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador." Por essa razão, o nãorecolhimento do tributo deve reportarse à ocorrência do fato gerador, como dispõe o art. 144 do CTN. Transcreve, em apoio ao seu entendimento, diversos acórdãos do então denominado Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Assim, requer sejam considerado decadente o lançamento no que concerne aos rendimentos supostamente auferidos entre janeiro e novembro de 2001, pois "(...) apenas a quantia apurada no mês de dezembro de 2001 poderia ser alvo do lançamento, tendo em vista a sua ciência apenas em 12/12/2006." (grifos do original) 4.9. Aduz que os valores movimentados na sua conta bancária são muito superiores à rua renda, pois não lhe pertenciam, eram decorrentes de operações de agenciamento de veículos. Não obteve renda naquele montante, tanto que a autoridade fiscal silenciou quanto a sinais exteriores de riqueza. "Simplesmente presumiu que os R$ 2.046.584,48 que circularam em sua conta corrente retratavam o rendimento auferido em 2001". (grifos do original) Como só existe imposto sobre a renda se houver renda, auferida pelo seu verdadeiro titular, que é o beneficiário, a cobrança o imposto de quem ficou com ínfima parcela do que foi movimentado afrontaria a legalidade, a moralidade e a verdade material. 4.10. Discorda do fato de o IRPF incidir sobre toda a receita auferida, diferentemente do imposto de renda pessoa jurídica, que apura o lucro real, presumido ou arbitrado. "(...) se os ingressos na sua conta corrente fosse (sic) o lucro de uma atividade empresarial, seria um negócio com bom rendimento e que certamente seria descoberto por uma fiscalização que durou mais de um ano." 4.11. "A (sic) Impugnante apresentará indícios, mas também provas, que levam a (sic) conclusão que (sic) a fiscalização considerou como renda, o que era em sua maioria receita de terceiros." Dentre os equívocos do lançamento, encontrase, primeiramente, o fato de ter considerado todas as receitas, sem excluir os empréstimos tomados da instituição financeira onde mantinha a conta, consoante planilha que elaborou e que pode ser comprovada pela leitura dos extratos (...). Ora, o empréstimo bancário não Fl. 835DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 19647.011180/200681 Acórdão n.º 2201002.425 S2C2T1 Fl. 4 5 pode ser considerado renda de pessoa física! “Caso paire alguma dúvida acerca desse fato, o Impugnante desde logo requer a intimação do BANCO BRADESCO S.A para comprovar o aqui alegado.” 4.12. "(...) uma mera análise do saldo bancário do Impugnante demonstra, claramente, ser faticamente improvável se estar diante de rendimentos de uma pessoa física." Apresenta relação dos saldos finais, em cada mês, para concluir: "Ora uma pessoa física que auferisse rendimentos de mais de dois milhões de reais em apenas um ano, não teria um saldo bancário negativo por vários meses para, ao final, lhe restar apenas um pouco mais de dez mil reais. Muito menos se pagaria juros de cheque especial." 4.13. Foi constatado pela AuditoraFiscal que a maior parte dos depósitos e saídas ocorridos na conta corrente teve origem no negócio de compra e venda de veículos, conforme informações que de outras pessoas que relaciona (fls.542/544). 4.14. "(...) não possui bens que corresponda (sic) a riqueza presumida pela Auditora Fiscal da Receita Federal. Podendo ser facilmente comprovado pelas declarações de Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF, dos exercícios fiscais 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005 (documentos anexos), como também certidões dos cartórios de Imóveis da Comarca do Recife, em seu nome, de sua mulher e de seus filhos, além da certidão do DETRAN/PE (documentos em anexo)." 4.15. Se a ação fiscal valeuse da amostragem e identificou situações de compra e venda de veículos, deveria ter considerado que assim ocorrera com o restante da movimentação, dando por provado que aquelas pessoas físicas e jurídicas eram os verdadeiros proprietários da esmagadora maioria dos recursos. Apenas parte dos recursos lhe pertencia – a comissão –, pois nas operações de agenciamento de veículos o comprador deposita na conta do agenciador a quantia necessária ao pagamento do veículo e, às vezes, valores relativos a IPVA em atraso, a troca de pneus, revisão. 4.16."Apesar de a suposta infração tratar de presunção legal, em que poderia se alegar a inversão do ônus da prova, a autoridade fiscal não está dispensada de diligenciar e provar a efetiva ocorrência do indicio (sic) colocado na lei, cuja ocorrência (sic) autoria autoriza a presunção. Entendimento em contrário além de violar o contraditório e a ampla defesa configura um grave atentado ao devido processo, à legalidade e à segurança jurídica." (grifo do original) 4.17. "Se as respostas obtidas pela fiscalização, em decorrência da verificação por amostragem, sinalizaram em uma direção, a de que a Movimentação ao menos em parte se relacionava ao agenciamento de veículo, isso não poderia ser ignorado. Nessa hipótese, não são cabíveis as acusações de que o contribuinte é que deixou de apresentar as informações das instituições financeiras, uma vez que essas se recusaram a entregar espontaneamente a ele o detalhamento dos depositantes, para que pudesse ser exercido o seu inalienável direito à ampla defesa. Estando o contribuinte impedido de produzir as provas necessárias a comprovar os fatos aos quais a autoridade fiscal teve acesso mediante as informações obtidas nos bancos, deveriam ter sido adotadas providências no sentido de serem procedidas mais diligências para verificação e comprovação dos fatos efetivamente ocorridos. Todavia, a opção foi pelo atalho de prematuramente logo (sic) imputar uma presunção legal que àquela altura já não mais sobrevivia, na tentativa de inverter o ônus da prova para o contribuinte." 4.18. A amostragem apontava numa direção e a autoridade fiscal produziu uma auto de infração em outra. Até nos casos dos intimados que não responderam, as próprias denominações indicavam o negócio entabulado, propiciando "(...) um indício veemente da origem dos recursos (...)." "(...) a fiscalização foi encerrada sem serem concluídas sequer as tímidas diligências deflagradas, o que somente confirma os equívocos da autuação e demonstra a afronta ao contraditório e direito de defesa do contribuinte. (...) A SRF tem o dever de analisar os dados bancários dos depositantes daquela conta, caracterizandose cerceamento de direito de defesa a fiscalização ter parado (...). E mais, ofende à moralidade, eficiência e à verdade material a timidez na busca de provas inequívocas de quem era o legítimo beneficiário da renda e valores constantes nas contas bancárias, inclusive pessoas jurídicas. (...) o enquadramento dos valores como omissão do contribuinte resvala em inconstitucionalidade, pois macula o devido Fl. 836DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 processo legal (CF, art. 50 LIV), ao meramente ensaiar um contraditório e ampla defesa, já que só a SRF está dotada, neste específico caso, dos meios e recursos de prova (CF, art.5°, LV)." 4.19. "(...) a base de cálculo utilizada no auto de infração está inquinada de vicio que contamina todo o lançamento pelas seguintes razões: (i) foi atribuída a titular errado – ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO; (ii) ou, no mínimo, composta por valores ilegítimos, irreais com a condição do sujeito passivo autuado. (...) Assim, o impugnante defende a nulidade do lançamento, pois errou na identificação do sujeito passivo e sobretudo na qualificação da receita de terceiros como renda do Impugnante, ou seja, interpretou os elementos encontrados (movimentação bancária) como renda da (sic) Impugnante e não como patrimônio de terceiros. Tal situação é típica hipótese de erro de fato, o que leva a nulidade do atonorma criado pela administração pública, no caso o Auto de Infração. Tal situação acaba por falsear o motivo (suposta existência de renda) que levou a Ilma. Auditora a realizar o lançamento. Dessa forma, o ato administrativo combatido tem motivação legal inexistente, visto que não condiz com a realidade fática, o que não pode ser admitido. A Lei Federal n° 9.784/99 exige. [reproduz o art. 50 do referido diploma legal]." (grifos do original) Transcreve decisão do STJ e doutrina acerca da necessidade de motivação do ato administrativo. 4.20. Por fim, requer: i) preliminarmente, a declaração de decadência dos créditos tributários relativos aos meses de janeiro a novembro de 2001; a declaração de improcedência, por não ter sido demonstrada a real ocorrência de renda, para o crédito tributário referente ao mês de dezembro de 2001, ou para todo o período, caso não se declare a decadência; e seja julgado improcedente o lançamento, caso não se declare a nulidade, em razão de não ter sido aplicada corretamente a hipótese do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. O contribuinte anexou à impugnação diversas certidões cartoriais informando que não constam bens em seu nome e de seus familiares e declarações de pessoas físicas e jurídicas informando de sua idoneidade, algumas informando que o recorrente faria intermediação na compra de venda de veículos. Entretanto, nenhuma delas comprova qualquer uma das supostas operações realizadas. Os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ Recife (PE), por unanimidade de votos, consideraram improcedente a impugnação. O contribuinte, intimado em 12 de setembro de 2009 (fl. 653), interpôs recurso voluntário no dia 9 do mês subsequente (fls. 655/672), no qual são repetidos os argumentos da impugnação, quais sejam: a) Nulidade do lançamento, por erro na identificação do sujeito passivo e na quantificação do patrimônio. Seria ilegal a motivação do lançamento por não condizer com a realidade; b) Necessidade de realização de diligência e violação ao direito do contraditório e ampla defesa. Argui que, apesar de a suposta infração tratar de presunção legal em que poderia se alegar a inversão do ônus da prova, a autoridade fiscal não estaria dispensada de diligenciar e provar a efetiva ocorrência do indício posto na lei, cuja ocorrência autoriza a presunção. Entendimento em contrario, além de violar o contraditório e a ampla defesa, configuraria um grave atentado ao devido processo, à legalidade e à segurança jurídica; e que estando o contribuinte impedido de produzir as provas necessárias a comprovar os fatos aos quais a autoridade fiscal teve acesso mediante as informações obtidas nos bancos, deveriam ter sido adotadas providencias no sentido de serem procedidas mais diligencias para verificação e comprovação dos fatos efetivamente ocorridos. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 19647.011180/200681 Acórdão n.º 2201002.425 S2C2T1 Fl. 5 7 c) Decadência com base na apuração mensal. Diz que a apuração do imposto de renda pessoa física teria com base o mês do rendimento, sendo o prazo de decadência de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Assim, não poderia a autoridade fiscal, no dia 12 de dezembro de 2006, referirse ao lançamento do tributo como se ele houvesse ocorrido somente em 31 de dezembro de 2006, englobando toda a movimentação do ano de 2001. Isto se constituiria em uma clara violação ao princípio da legalidade, uma vez que a fiscalização não teria atentado para a regra do § 4° do art. 150, CTN. Assim, no caso concreto, apenas os rendimentos auferidos no mês de dezembro de 2001 não teriam sido alcançados pela decadência quinquenal. Ainda, se considerada a ciência em 2 de janeiro de 2007, dia que de fato tomou conhecimento do Edital, seria possível admitir que os rendimentos do mês de dezembro também estariam incluídos na decadência. d) Inexistência de renda obtida por presunção. Alega que não teria validade a presunção, pois só existe imposto sobre a renda se esta for auferida por quem é o verdadeiro titular da riqueza, realizando o respectivo fato gerador; que a autoridade administrativa considerou todas as receitas e não exclui os empréstimos tomados, claramente demonstrados nos extratos da instituição financeira onde mantinha conta bancaria; que uma mera análise do saldo bancário demonstra, faticamente, ser improvável tratarse dos rendimentos de pessoa física, pois uma pessoa que auferiu mais de dois milhões de reais não teria saldo negativo na conta bancária por vários meses, restandolhe, no final do ano, apenas dez mil reais; que os valores transitados por conta bancária, muito superior à sua renda, representavam, em sua enorme maioria, as operações de agenciamento de veículos, e que, diante das circunstâncias, deveria a autoridade fiscal ter observado que as respostas das diligencias mencionavam pagamentos de transações de aquisição de veículos agenciados, onde o percentual do agenciador dificilmente chega a 5% do valor do negócio; que a fiscalização deveria ter respeitado a amostragem e não adotado uma posição diferente da apurada; que além dos recursos para o pagamento do veículo, muitas vezes o agenciado fica responsável pelo pagamento das taxas, IPVA, revisão etc. Em 19 de setembro de 2012, por determinação do presidente da 2ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, foi sobrestado o julgamento até que ocorresse decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto no artigo 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Entretanto, com a edição da Portaria nº 545 do Ministério da Fazenda, de 18 de novembro de 2013, os dispositivos supracitado foram revogados, retornaram os autos para julgamento por este Colegiado. É o relatório. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento e analiso as matérias, conforme detalhado nos tópicos seguintes. Nulidade do lançamento O contribuinte alega erro na identificação do sujeito passivo, pois o seu patrimônio seria incompatível com o valor apurado no lançamento, cuja motivação seria ilegal por não condizer com a realidade. Entretanto, não se vislumbra no lançamento as hipóteses de nulidade elencada no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, ou de erro na identificação do sujeito passivo, estando o lançamento em total consonância com o disposto no art. 10 do mesmo decreto, que define os requisitos obrigatórios do auto de infração, e das disposições contidas no art. 142, do CTN. Assim, não se verificando nenhum vício prejudicial no instrumento de autuação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Diligência e violação ao direito do contraditório e ampla defesa. Não cabe ao Fisco adotar providências para produção de provas para os valores depositados na conta corrente do contribuinte para fins de apurar o imposto de renda pessoa física. A norma legal transfere ao sujeito passivo o dever de comprovar a origem dos depósitos e justificálos. Isso implica trazer elementos que comprovem o fato questionado. A realização de diligências e perícias somente se aplica quando há necessidade de formação de convicção por parte da autoridade lançadora ou do julgador, conforme dispõe os art. 16, 18, 29 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, que não é o caso. Vale salientar que a auditora fiscal, nos quase 24 meses em que aguardava as respostas do contribuinte, intimado por diversas vezes, até que buscou, improficuamente, identificar a origem dos rendimentos a partir dos depósitos e pagamentos efetuados. É o que se vê nas diligências realizadas, cujo resumo encontrase no Relatório de Ação Fiscal (507/523): Dos documentos fornecidos pela instituição financeira, relativos à amostra de 69 lançamentos a crédito em conta bancária mantida sob a titularidade do contribuinte, 16(dezesseis) comprovantes não foram fornecidos e que 7 (sete) dos comprovantes fornecidos pela referida instituição financeira constava a identificação dos remetentes/depositantes, sendo excluídos 2 (dois) que constava o nome do próprio contribuinte como remetente/depositante, conforme Anexo A (fls. 124 e 125), restando apenas 5 (cinco) comprovantes com identificação do remetente/depositante, duas pessoas físicas e duas pessoas jurídicas, porém, uma das pessoas físicas não foi localizada no cadastro da RFB, conforme Anexo A (fls. 124 e 125); Dos documentos solicitados a esta Repartição pela instituição financeira acima citada, relativos à amostra de 66 lançamentos a débito em conta bancária mantida sob a titularidade do contribuinte, 11(onze) comprovantes não foram fornecidos. Tendo em vista que em alguns dos documentos encaminhados a esta Repartição pela instituição financeira acima citada, relativos à amostra de lançamentos a débito em conta bancária mantida sob a titularidade do Fl. 839DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 19647.011180/200681 Acórdão n.º 2201002.425 S2C2T1 Fl. 6 9 contribuinte, o nome/razão social dos favorecidos de cheques emitidos por meio da referida conta bancária, estava parcialmente legível, 4 (quatro) nomes/razão social não foram identificados nos referidos documentos. Também não foram localizados no cadastro de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas desta Repartição, 9 (nove) nomes/razão social que constavam de documentos encaminhados a esta Repartição pelo Banco Bradesco S/A, conforme Anexo B (fls. 126 e 127). A auditoria informa ainda que foi diligenciado o Instituto de Identificação Tavares Buril, do Estado de Pernambuco, sendo identificadas, a partir da resposta daquele órgão, mais três pessoas físicas, porém sem resultado: Apesar de ser obrigação do contribuinte comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos efetuados em conta bancária mantida sob sua titularidade no anocalendário 2001, o mesmo não apresentou a referida documentação. Assim, na tentativa de obter documentos que comprovassem a origem dos recursos depositados na conta n° 23191, agência 3453 do Banco Bradesco S/A, mantida sob a titularidade do contribuinte no anocalendário 2001, os quais seriam decorrentes de atos negociais e ou atividades profissionais, porventura realizados pelo mesmo naquele anocalendário, esta Repartição procedeu a diversas diligências, com base em uma amostra da movimentação financeira efetuada na conta bancária acima citada, porém os documentos fornecidos pelas pessoas físicas e jurídicas intimadas não comprovam a origem de qualquer depósito efetuado na conta n° 23191, agência 3453 do Banco Bradesco S/A (item IV — fls. 512 a 522). (grifos nossos). Portanto, apesar não ser obrigação da autoridade lançadora, observase que foram realizadas diligências, no transcurso de aproximadamente 24 meses, com o fito de verificar uma possível origem dos recursos movimentados. O contribuinte, por sua vez, não apresentou qualquer prova da origem dos recursos depositados em conta bancária mantida sob sua titularidade. Quanto à alegação de violação ao direito do contraditório e da ampla defesa, essa não se sustenta, já que foi possibilitado ao contribuinte, amplamente, todos os meios de apresentação das provas necessárias à sua defesa. Decadência com base na apuração mensal. Não procedem os argumentos em relação à decadência, pois o imposto de renda das pessoas físicas é um exemplo clássico de tributo que se enquadra na classificação de complexivo, apurado no ajuste anual. Ou seja, aquele que o fato gerador se completa após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade de gerar a obrigação tributária exigível. Assim, embora apurado mensalmente, o IRPF se sujeita ao ajuste anual, apurandose o montante devido ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. A base de cálculo da declaração abrange os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário, diminuídos das deduções pleiteadas. Para isso, há a declaração de ajuste, conforme trata o artigo 85 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). O fato jurídico tributário compreende os rendimentos recebidos no anocalendário findo em 31 de dezembro, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 10 No caso em análise, a ciência se deu por meio de Edital em 29 de dezembro de 2006. Como o anocalendário fiscalizado é o de 2001, adotandose a contagem do prazo decadencial nos termos dispostos no § 4º do art. 150 do CTN, o prazo decadencial somente se iniciaria em 2007. Essa polêmica foi encerrada neste Conselho com a edição da Súmula CARF nº 38, aprovada pela Segunda Turma da CSRF em sessão de 08 de dezembro de 2009: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Não há possibilidade de a turma divergir do enunciado da súmula editada, pois, nos termos do artigo 72 do Anexo II do RICARF, “As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Portanto, está superada a questão sobre a periodicidade do fato gerador do imposto de renda referente aos rendimentos sujeitos à colação na declaração de ajuste anual. Inexistência de renda obtida por presunção. O imposto de renda das pessoas físicas, nos termos o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. E, nesse caso, ante a vinculação do princípio da legalidade que rege a administração pública, tem a fiscalização a obrigação de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários recebidos. Assim está expresso no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela constatação de depósitos bancários, mas pela falta de esclarecimentos por parte do contribuinte da origem dos numerários depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei, resultando na presunção de omissão de rendimentos. As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tão somente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração. Nos autos, o contribuinte não apresentou provas, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos valores depositados/creditados nas contas correntes, constante do Relatório de Ação Fiscal, caracterizando, assim, correto lançamento com base na omissão de rendimentos como definida no artigo 42, da Lei 4.930, de 1996, com os limites alterados pelo art. 40 da lei n° 9.481, de 1997, e no artigo 849 e parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Assim sendo, descabe a tese da não disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 19647.011180/200681 Acórdão n.º 2201002.425 S2C2T1 Fl. 7 11 Também não procede a alegação de que foram computados no levantamento os valores de cheques devolvidos e empréstimos, pois, conforme relatou a auditora fiscal responsável pelo lançamento no demonstrativo "Depósitos Bancários a Comprovar a Origem" (fls. 88 a 92), dos valores apurados foram subtraídos dos respectivos créditos os valores relativos a cheques devolvidos, lançados a débito na conta bancária analisada, bem como não foram incluídos os valores lançados a crédito decorrentes de estorno de débitos e resgates de aplicações financeiras. Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 842DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720669/2009-38
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.
No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça - STJ.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no RESP 1.118.429/SP.
MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2802-002.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 28/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça - STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no RESP 1.118.429/SP. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso provido em parte
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10580.720669/2009-38
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363450
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.968
nome_arquivo_s : Decisao_10580720669200938.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 10580720669200938_5363450.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5545114
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814483021824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2111; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 142 1 141 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720669/200938 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.968 – 2ª Turma Especial Sessão de 17 de julho de 2014 Matéria IRPF Recorrente VERA LUCIA BARRETO MARTINS LIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 06 69 /2 00 9- 38 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429∕SP. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2005, 2006 e 2007, anocalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720669/200938 Acórdão n.º 2802002.968 S2TE02 Fl. 143 3 Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. O caso foi adequadamente relatado em primeira instância da seguinte forma: O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. A diligência fiscal ficou prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/N 2.331/2010, de 26 de outubro de 2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/N° 287/2009 até que a questão seja apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. A impugnação foi indeferida, em resumo, pelos seguintes fundamentos: a) o pagamento extemporâneo do rendimento não modifica sua natureza tributável, mesmo que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer à justiça, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar, a tributação do principal e dos juros de mora encontram amparo nos art. 55 e 56 do RIR1999; b) dispositivo de Lei Estadual não estabelece efeito tributário de tributo regido por lei federal; c) não se pode estender efeitos da Resolução do STF n° 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais, porque isenção somente se outorga por lei específica e está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN extensão a outras categorias implicaria analogia que não é permitida em matéria de isenção; d) a situação da impugnante é distinta daquela dos membros da magistratura e do MP federais, pois regidos por leis específicas distintas; e) de acordo com Parecer Normativo SRF n° 1, de 24 de setembro de 2002, a responsabilidade da fonte pagadora não exclui a do contribuinte; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720669/200938 Acórdão n.º 2802002.968 S2TE02 Fl. 144 5 f) ainda que o imposto retido, por determinação constitucional pertença ao Estado da Bahia, a retenção, mesmo que houvesse ocorrido, não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União; g) a multa exigida (75%) independe da intenção do agente (art. 136 do CTN); h) as respostas a Consultas Administrativas apontadas pelo impugnante não possuem força vinculante, por não ter seguido o rito do processo de consulta (art. 48 da Lei 9.430/1996 e não integrar o conceito de norma complementar do art. 100 do CTN; o mesmo ocorre com: Nota AGU/AV 12/2007, Nota Técnica Cosit 4/2009 e Parecer PGFN/CAT 179/2009; i) quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Ciência do acórdão em 09/04/2014. Recurso voluntário interposto no dia 14/04/2011. No recurso voluntário, o recorrente alega: 1. inexistência de conduta hábil à aplicação de multa, pois a responsabilidade é exclusiva da fonte pagadora e atos da Fazenda Nacional reconhecem a inaplicação da multa, os quais tem força vinculante; 2. nulidade do lançamento por apurar inadequadamente a base de cálculo pois deveria ter sido apurada a base de cálculo mês a mês com refazimento das Declarações de Ajuste correspondentes, na esteira do entendimento firmado pelo STJ; se o lançamento houvesse sido feito dessa forma teria sido evidenciado que o valor de URV em cada um dos meses em que era devida estaria dentro da faixa de isenção; 3. não incidência do imposto sobre os juros moratórios; 4. o valor da URV constitui verba de natureza indenizatória, cita precedentes deste Conselho e do Poder Judiciário de Rondônia e Parecer do MP do Estado do Maranhão 5. ilegitimidade ativa da União, pois o imposto retido na fonte, no caso concreto, pertence ao Estado; e 6. violação ao princípio constitucional da isonomia, pois não houve tributação das verbas de mesma natureza pagas ao MP e aos magistrados federais, diante da edição da Resolução 245/2002 do STF, cita o RESP 1187109. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Ao reputar que se discutia a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, a 1ª Turma Ordinária desta Segunda Câmara sobrestou o julgamento, com base no §1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF, por meio da Resolução 2201 000.094, de 18/09/2012. Com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado, sendo que a Conselheira Relatora original não mais integra o CARF, o que levou a redistribuição do processo ao presente Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Como o recurso já foi admitido, passase ao exame das preliminares e do mérito. A alegada nulidade do lançamento apuração inadequada da base de cálculo é matéria a ser apreciada como mérito. O fato de o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Federação não subtrai da União sua competência para fiscalizar e arrecadar o Imposto de Renda sujeito ao ajuste anual, que não se confunde com o imposto retido na fonte. Este é mera antecipação daquele. A União possui legitimidade ativa, pois não só possui competência tributária como tem interesse econômico e jurídico em fiscalizar e arrecadar o imposto apurado no ajuste anual. São inconfundíveis os conceitos de imposto retido na fonte e de imposto devido no ajuste anual, bem como os de competência tributária, legitimidade ativa e de titularidade do produto da arrecadação. Ademais, a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Desta forma, a decisão proferida no RE 684.169 e na Solução de Consulta não tem o efeito almejado pelo recorrente. Essa Turma Julgadora reiteradas vezes decidiu , entre outros pontos, que: a) a União possui legitimidade ativa e as diferenças pagas pelo Estado da Bahia, de que trata este processo, tem natureza remuneratória e tributável; Fl. 147DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720669/200938 Acórdão n.º 2802002.968 S2TE02 Fl. 145 7 b) a Resolução do STF nº 245/2002 não é dirigida aos Membros da magistratura estadual; c) não há quebra de isonomia; d) a atualização do tributos pelos juros de mora é correta; e e) a multa de ofício deve ser excluída em decorrência de o contribuinte ter sido induzido ao erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora nos comprovantes de rendimentos e certidões. Citase como exemplo o acórdão nº 2802002.778, de 19 de Março de 2014, cujas razões de decidir são transcritas e passam a integrar a fundamentação do presente acórdão. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante Fl. 148DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza oe rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720669/200938 Acórdão n.º 2802002.968 S2TE02 Fl. 146 9 Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): Fl. 150DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no Resp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministro que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Os fundamentos abaixo reforçam a adequação do entendimento desta Turma Julgadora. Quanto à exclusão da multa, restou prejudicada a análise dos efeitos dos atos citados pelo recorrente, pois se aplica a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. O caso do recorrente não se refere a rescisão de contrato de trabalho, de forma que os juros de mora são tributáveis, como decidido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012. (No mesmo sentido há o REsp 1234377/RS, AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, AgRg no AREsp 18626/RS; e EDcl no AgRg no REsp 1221039/ RS). Fl. 151DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720669/200938 Acórdão n.º 2802002.968 S2TE02 Fl. 147 11 Como a verba em discussão está sujeita a tributação no ajuste anual (não se trata de tributação exclusivamente na fonte) e não se aplica a tributação de rendimentos com base no REsp 1.118.429∕SP (imposto calculado mensalmente, pelas tabelas das épocas próprias), rejeitase a alegação de inadequação da forma de apurar a base de calculo como sustentado pelo recorrente. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 152DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001715/2010-73
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/10/2009
CERCEAMENTO DE DEFESA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA QUALIFICADA. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
Inexiste cerceamento de defesa quando a matéria foi enfrentada pelo sujeito passivo em sua defesa e analisada pela instância a quo, que conheceu da impugnação, ausente, portanto, lesividade na decisão guerreada.
Entender que o fato de ser o contribuinte um devedor contumaz de contribuição previdenciária é motivo plausível para fundamentar a presença da sonegação é violar o Estado Democrático de Direito, o que não pode ser tolerado por este Conselho.
O aviso prévio indenizado tem como função reparar o trabalhador por não ter sido alertado de sua dispensa e não de remunerá-lo pelo tempo que ficou a disposição do empregador, sendo indevida a incidência da contribuição previdenciária.
O inadimplemento de contribuições previdenciárias não resulta por si só em ato fraudulento, mas sim descumprimento da obrigação principal, devendo o Fisco produzir provas capazes de demonstrar inequivocamente a intenção do agente.
As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%.
Inexiste cerceamento de defesa quando a matéria foi enfrentada pelo sujeito passivo em sua defesa e analisada pela instância a quo, que conheceu da impugnação, ausente, portanto, lesividade na decisão guerreada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: a) afastar os valores atinentes ao Aviso Prévio Indenizado e 13º Salário reflexo, inclusive afastar aplicação da multa qualificada; b) que a multa de ofício, relativa ao período de março a novembro/2008, seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto ao Aviso Prévio, 13º Salário-reflexo e à aplicação da multa de ofício. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior quanto ao Aviso Prévio e 13º Salário-reflexo. Conselheiro Eduardo de Oliveira votou pelas conclusões quanto ao Aviso Prévio Indenizado e 13º Salário-reflexo. Sustentação oral Advogada Dra Renata Pergana Penteado Corrêa, OAB/SP nº 183.738.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2008 a 31/10/2009 CERCEAMENTO DE DEFESA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA QUALIFICADA. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91. Inexiste cerceamento de defesa quando a matéria foi enfrentada pelo sujeito passivo em sua defesa e analisada pela instância a quo, que conheceu da impugnação, ausente, portanto, lesividade na decisão guerreada. Entender que o fato de ser o contribuinte um devedor contumaz de contribuição previdenciária é motivo plausível para fundamentar a presença da sonegação é violar o Estado Democrático de Direito, o que não pode ser tolerado por este Conselho. O aviso prévio indenizado tem como função reparar o trabalhador por não ter sido alertado de sua dispensa e não de remunerá-lo pelo tempo que ficou a disposição do empregador, sendo indevida a incidência da contribuição previdenciária. O inadimplemento de contribuições previdenciárias não resulta por si só em ato fraudulento, mas sim descumprimento da obrigação principal, devendo o Fisco produzir provas capazes de demonstrar inequivocamente a intenção do agente. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Inexiste cerceamento de defesa quando a matéria foi enfrentada pelo sujeito passivo em sua defesa e analisada pela instância a quo, que conheceu da impugnação, ausente, portanto, lesividade na decisão guerreada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13888.001715/2010-73
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5364611
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-003.456
nome_arquivo_s : Decisao_13888001715201073.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 13888001715201073_5364611.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: a) afastar os valores atinentes ao Aviso Prévio Indenizado e 13º Salário reflexo, inclusive afastar aplicação da multa qualificada; b) que a multa de ofício, relativa ao período de março a novembro/2008, seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto ao Aviso Prévio, 13º Salário-reflexo e à aplicação da multa de ofício. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior quanto ao Aviso Prévio e 13º Salário-reflexo. Conselheiro Eduardo de Oliveira votou pelas conclusões quanto ao Aviso Prévio Indenizado e 13º Salário-reflexo. Sustentação oral Advogada Dra Renata Pergana Penteado Corrêa, OAB/SP nº 183.738. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5550429
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814488264704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2566; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 343 1 342 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.001715/201073 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.456 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de julho de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente JCC CONNECT TELECOM COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS DE TELECOMUNICAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/10/2009 CERCEAMENTO DE DEFESA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA QUALIFICADA. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Inexiste cerceamento de defesa quando a matéria foi enfrentada pelo sujeito passivo em sua defesa e analisada pela instância a quo, que conheceu da impugnação, ausente, portanto, lesividade na decisão guerreada. Entender que o fato de ser o contribuinte um “devedor contumaz” de contribuição previdenciária é motivo plausível para fundamentar a presença da sonegação é violar o Estado Democrático de Direito, o que não pode ser tolerado por este Conselho. O aviso prévio indenizado tem como função reparar o trabalhador por não ter sido alertado de sua dispensa e não de remunerálo pelo tempo que ficou a disposição do empregador, sendo indevida a incidência da contribuição previdenciária. O inadimplemento de contribuições previdenciárias não resulta por si só em ato fraudulento, mas sim descumprimento da obrigação principal, devendo o Fisco produzir provas capazes de demonstrar inequivocamente a intenção do agente. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 17 15 /2 01 0- 73 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 344 2 Inexiste cerceamento de defesa quando a matéria foi enfrentada pelo sujeito passivo em sua defesa e analisada pela instância a quo, que conheceu da impugnação, ausente, portanto, lesividade na decisão guerreada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: a) afastar os valores atinentes ao Aviso Prévio Indenizado e 13º Salário reflexo, inclusive afastar aplicação da multa qualificada; b) que a multa de ofício, relativa ao período de março a novembro/2008, seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto ao Aviso Prévio, 13º Salárioreflexo e à aplicação da multa de ofício. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior quanto ao Aviso Prévio e 13º Salárioreflexo. Conselheiro Eduardo de Oliveira votou pelas conclusões quanto ao Aviso Prévio Indenizado e 13º Salárioreflexo. Sustentação oral Advogada Dra Renata Pergana Penteado Corrêa, OAB/SP nº 183.738. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 345 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela JCC CONNECT TELECOM COMERCIO DE EQUIPAMENTOS DE TELECOMUNICAÇÕES LTDA. em face do acórdão que julgou procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido. 2. A autuação se refere às contribuições previdenciárias relativas à remuneração paga, devida ou creditada pela empresa aos segurados empregados a título de aviso prévio indenizado, os reflexos no 13º salário e vale refeição, bem como as diferenças apuradas na contribuição devida, decorrentes da alteração nas alíquotas aplicadas sobre a remuneração dos segurados, em cada competência. 3. O contribuinte foi cientificado da constituição do credito tributário e, por não se conformar, apresentou impugnação de fls.193/212. 4. O acórdão de primeira instância, que julgou a impugnação apresentada pelo contribuinte, restou lavrado com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/10/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Presentes nos autos todos os elementos fáticos e legais que embasam a autuação, não há que se falar em nulidade em decorrência do cerceamento do direito de defesa. FOLHA DE PAGAMENTO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Sujeitase ao lançamento de ofício os fatos geradores identificados pela fiscalização e não declarados pelo contribuinte em GFIP, ou declarados em GFIP posteriormente substituída. VERBAS INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO E SEUS REFLEXOS NO DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. Integram o salário de contribuição os valores relativos à alimentação pagos aos segurados empregados em pecúnia. Integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, os valores pagos a título de aviso prévio indenizado e seus reflexos sobre o décimo terceiro salário. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 346 4 AUXÍLIOALIMENTAÇÃO IN NATURA. ATO DECLARATÓRIO nº 3/2011. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Deve ser excluído do lançamento o crédito tributário relativo às contribuições incidentes sobre as parcelas de auxílio alimentação in natura fornecidas pela empresa aos seus empregados, em decorrência da determinação contida no Ato Declaratório PGFN nº 3/2011. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. Cabível a aplicação da multa de ofício no lançamento de contribuição previdenciária não declarada em GFIP, referente a período anterior à vigência da Lei nº 11.941/09, quando demonstrado ser esta mais benéfica ao contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, da Lei nº 4.502/64. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 5. Intimado da decisão da instância a quo, em. 14/03/2013, conforme aviso de recebimento da ECT de fls. 302, o recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 304/322, alegando em síntese que: a) preliminarmente, houve nulidade da autuação devido à ocorrência de cerceamento de defesa, decorrente da ausência de notificação ao contribuinte acerca do encerramento da ação fiscal (sendo notificado somente os seus sócios) e por entender que houve existência de confusão e obscuridade do relatório fiscal, o qual teria deixado de demonstrar com clareza e precisão as supostas irregularidades cometidas pelo contribuinte. b) o levantamento FP configura bis in idem, posto que os valores do salário de contribuição constantes em folha de pagamento já haviam sido declarados em GFIP, a qual constitui documento de confissão de débitos. c) em relação às verbas incluídas no levantamento AP (aviso prévio indenizado e o reflexo sobre o 13º salário) aduz encontrarse abrangida pela alínea “m” do inciso V do §9o do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, como ‘outras indenizações’. Além disso, caso se entenda pela incidência da contribuição previdenciária sob a rubrica em comento, entende que a mesma poderia ser cobrada a partir de 05/2009 por se tratar de nova contribuição, devendo respeitar o prazo de 90 dias para sua cobrança. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 347 5 d) o aviso prévio indenizado não decorre do trabalho e, portanto, não representa contraprestação pelo serviço prestado. e) os valores incluídos no levantamento VR referemse à de verba concedida em conformidade com o artigo 28, § 9º, “c” da Lei nº 8.212/91. Que o benefício é concedido através do cartão SODEXO, específico para uso em supermercados, não podendo o valor ser sacado em dinheiro, encontrandose a empresa fornecedora devidamente cadastrada no PAT sob o nº 080029457. f) a ausência de inscrição no PAT não poderia mudar a tipicidade do benefício, mas somente acarretar infração administrativa, sujeita a penalidade por parte do Ministério do Trabalho e Emprego. g) na competência 10/2008 os valores encontravam se lançados em duplicidade, considerando tanto os valores constantes em folha de pagamento quanto os valores do cartão VR disponibilizado, os quais representam a mesma importância. h) no mérito, argumenta que o auditor fiscal informa que pelo menos uma das GFIP’s mensais apresentada pelo contribuinte contém todos os segurados empregados e o salário de contribuição. Que essa GFIP é declaratória dos valores devidos à Previdência Social, devendo, a Receita Federal, proceder à intimação para o contribuinte recolher os valores devidos e confessados. Que não o fazendo, incorreu a Receita Federal em mora. i) as GFIP’s apresentadas posteriormente não são declaratórias para a Previdência Social, referindose a pagamento de depósitos fundiários devidos aos segurados empregados que se afastaram da empresa. j) insurgese contra a aplicação da multa de ofício qualificada, argumentando que não houve tentativa de inibir informações, pelo contrário, inexistiriam as GFIP’s mensais com todos os segurados não podendo rotular o contribuinte de sonegador. l) não se trata a recorrente de devedora contumaz, afirmando ter, livremente, comparecido à Caixa Econômica Federal para ajustar parcelamento de depósitos fundiários em atraso. m) se a negligência não teria ocorrido por parte da Receita Federal do Brasil, ao receber a GFIP do contribuinte com a inclusão de todos os segurados e ter deixado de proceder à sua cobrança. E que o comando contido no artigo 44, II da Lei nº 9.430/96 exige a demonstração inequívoca do intuito de fraude. n) a aplicação da multa de ofício em relação ao período anterior à vigência da Medida Provisória nº 449/08, por entender que a legislação anterior seria mais benéfica ao contribuinte. Primeiro, porque a multa de ofício de 75% incidiria sobre o valor principal, que é corrigido pela SELIC, sendo, também, corrigida a multa. Segundo, porque o auto de infração com fundamento no Fl. 357DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 348 6 artigo 32, IV, §5o da Lei nº 8.212/91 teria valor fixo não atualizado ao longo do Processo Administrativo Fiscal. o) a nulidade do lançamento deve ser declarada ainda pela ausência dos fundamentos legais do débito relativo ao arbitramento de contribuições previdenciárias, informações do fato gerador de contribuição descontada dos segurados. 6. Ao final, requer que seja acatado seu pedido de não reconhecimento do lançamento com base nas folhas de pagamento, posto que todos os fatos geradores de contribuições, com salário de contribuição de todos os obreiros, foram declarados em GFIP, de forma que: a) considera espontânea a denúncia apresentada antes do inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, e que as GFIP’S foram entregues nas datas corretas estabelecidas pelo art. 32, IV da lei 8.21/91. b) a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em divida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou notificação ao contribuinte em caso de inadimplemento, c) este auto de infração seja julgado concomitantemente ao auto de infração nº 37.197.3678 devido à conexão entre ambos. 7. Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados para apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 349 7 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DA ALEGADA VIOLAÇÃO AO DIREITO DE DEFESA 2. A discussão cingese sobre a nulidade ou não da intimação feita a recorrente, em procedimento administrativo em que se discutia sonegação fiscal, bem como a nulidade de lançamentos tributários. 3. Verifico que a recorrente deixou de observar o acórdão prolatado pela 9ª Turma da DRJ/RPO, uma vez que se limitou a reproduzir ipsis litteris a impugnação oferecida às fls. 193/212, como pode ser vislumbrado em trecho de seu recurso, contido na fls. 306, in verbis: “Pelo exposto, nos termos do artigo 56 da Lei 9.784 de 29 de janeiro de 199, cabe à autoridade que proferiu a decisão da intempestividade do recurso reconsiderar a decisão e encaminhar a Recurso à delegacia da Receita Federal de Julgamento jurisdicionante, para fins de julgamento. Não o fazendo, deverá encaminhar os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento do presente recurso, caso em que, julgada a tempestividade da Impugnação, devolverá os autos à DRJ para julgamento da Impugnação.” 4. Ora, em sede de acórdão, a DRJ já afastou a intempestividade e analisou o mérito recursal da impugnação, conforme pode ser notado em parte do voto, abaixo transcrito: “Considerando os termos do dispositivo acima transcrito, aliado à data em que consta a ciência ao último responsável solidário, ou seja, 31/09/2010, concluise que a impugnação apresentada em 01/07/2010 é tempestiva. Passase, então, à análise dos argumentos apresentados pela defesa.” 5. Tento em vista que o assunto já foi enfrentado pela instância a quo, que conheceu da impugnação, entendo que, no referido ponto, a Recorrente carece de interesse recursal, na medida em que inexiste lesividade na decisão guerreada. 6. A Recorrente, irresignada com o lançamento efetuado, alega a sua nulidade, nos seguintes termos: Fl. 359DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 350 8 “O lançamento, em função de não informação de fatos geradores em GFIP é confuso, de vez que o auditor fiscal informa que em todas as competências houve informação através da GFIP com todos os segurados empregados e fatos geradores, que teria sido anulada por outra GFIP enviada posteriormente.” 7. Certamente, ao contrário do arguido, os fatos geradores estão claros e muito bem detalhados no Relatório Fiscal. Sendo assim, não há que se falar em nulidade ou cerceamento de defesa. DA DECLARAÇÃO EM GFIP 8. Como bem colocou o acórdão recorrido, o auto de infração, que gerou o presente processo, versa sobre as rubricas referentes ao aviso prévio indenizado e vale refeição, nada contendo sobre a folha de pagamento, restando claro o equívoco da recorrente. 9. Tendo em vista que as remunerações constantes da folha de pagamento não foram objeto de autuação, desnecessário o seu enfrentamento em sede de recurso voluntário, por falta de interesse recursal. DO AVISO PRÉVIO INDENIZADO 10. No que tange à incidência da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, razão assiste à recorrente, sendo imperiosa a reforma do acórdão recorrido. 11. O acórdão guerreado entendeu que “o aviso prévio (seja trabalhado seja indenizado), constitui o mesmo simples prolongamento do contrato de trabalho e, portanto, os pagamentos realizados em sua vigência produzem efeitos trabalhistas e previdenciários.” 12. Na contramão do entendimento posto no acórdão recorrido, que se ampara na tese de que o art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91 deve ser analisado de forma restritiva, a doutrina e jurisprudência albergam o entendimento majoritário que o aviso prévio indenizado tem natureza jurídica indenizatória e não salarial. 13. O aviso prévio indenizado tem como função reparar o trabalhador por não ter sido alertado de sua dispensa e não de remunerálo pelo tempo que ficou a disposição do empregador, sendo indevida a incidência da contribuição previdenciária. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, como pode ser vislumbrado no trecho do julgado abaixo colacionado. "Se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ e de 23.2.2011). 14. Acerca do tema, o STJ prolatou acórdão nos autos do REsp 1.230.957, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, no sentido de afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre tal rubrica, conforme trecho da ementa pertinente à matéria: Fl. 360DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 351 9 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. (...). 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, “se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por se ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba” (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma. Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). (...). (STJ. REsp 1.230.957/RS. Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 18.03.2014).” 15.A decisão supramencionada foi proferida em sede de Recurso Repetitivo, sob a sistemática do art. 543C, do CPC, o que enseja, nos termos do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, a sua reprodução obrigatória. 16. Neste diapasão, o afastamento da incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado e seus reflexos é medida que se impõe. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 352 10 DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O VALE REFEIÇÃO 17. Ao enfrentar a questão da incidência da contribuição previdenciária sobre o vale refeição ou alimentação, a decisão a quo reconheceu o caráter de auxílioalimentação in natura para o benefício pago por meio do cartão “Visa Vale”, e, com fulcro no Parecer PGFN/CRJ nº 2117/2011, entendeu pela improcedência do lançamento fiscal, para o período de 03 a 10/2008. 18. Por outro vértice, manteve o lançamento no que diz respeito ao pagamento do auxílioalimentação em pecúnia, com ocorreu a partir do mês 11/2008. 19. Entendo que o acórdão recorrido não merece reforma neste ponto, uma vez que foi prolatado de acordo com o entendimento jurisprudencial dominante, tanto deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quanto do Superior Tribunal de Justiça. 20. Quando o auxílio alimentação é pago, habitualmente, em dinheiro, por meio de depósito na conta do funcionário há descaracterização da natureza in natura, prevalecendo o caráter salarial da verba, sendo irreprochável a incidência da contribuição. 21. Destarte, quando o vale refeição ou alimentação é depositado na conta do funcionário é demasiadamente difícil comprovar a sua natureza, tornandose fácil a dissimulação das verbas salariais, por aqueles que se esquivam das obrigações tributárias. 22. O Superior Tribunal de Justiça por diversas vezes analisou a questão trazida à baila, sendo o seu entendimento dominante representado pela ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. DESNECESSIDADE. SÚMULA 83/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Não incide contribuição previdenciária "em relação ao auxílioalimentação, que, pago in natura, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT. Ao revés, pago habitualmente e em pecúnia, há a incidência da referida exação" (REsp. 1.196.748/RJ, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 28.9.2010). 2. A Súmula 83/STJ aplicase aos recursos especiais interpostos tanto pela alínea "a" quanto pela alínea "c" do permissivo constitucional. Agravo regimental improvido. (STJ, AgRg no REsp 1426319 / SC, Relator: Humberto Martins, Data do Julgamento: 06/05/2014, 2ª Turma). Fl. 362DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 353 11 23. Irreprochável o acórdão recorrido, mantenho o lançamento em relação à contribuição incidente sobre o auxílio alimentação habitualmente pago em pecúnia. DA MULTA QUALIFICADA 24. Na autuação, a autoridade fazendária entendeu pela caracterização da prática de sonegação fiscal e aplicou multa no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), com fundamento no 44, § 1º, da Lei º 9.430, por ter ocorrido as circunstâncias do art. 71, I, da Lei 4.502/64, todos in verbis: Lei 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Código Tributário Nacional: Lei 4.502/64 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstância material. 25. O texto legal é claro quando exige no tipo acima descrito o elemento volitivo. Destarte, para que fique caracterizada a sonegação é imperioso que a Fazenda Pública faça prova do dolo do agente, uma vez que é impossível a sua presunção. 26. Não vislumbro dos autos subsídios concretos capazes de apontar o elemento subjetivo do contribuinte, no sentido de que tenha desejado o resultado que a lei elencou com como sonegação. 27. Outrossim, entender que o fato de ser o contribuinte um “devedor contumaz” de contribuição previdenciária é motivo plausível para fundamentar a presença da sonegação é violar o Estado Democrático de Direito, o que não pode ser tolerado por este Conselho. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 354 12 28. O inadimplemento de contribuições previdenciárias não resulta por si só em ato fraudulento, mas sim descumprimento da obrigação principal, devendo o Fisco produzir provas capazes de demonstrar inequivocamente a intenção do agente. 29. Por todo exposto, entendo não estar presente os requisitos que autorizam a aplicação da multa qualificada de 150%, devendo ser a mesma decotada do total devido pela contribuinte. DA MULTA DE OFÍCIO 30. No que tange à multa de ofício aplicada, comungo com o acórdão recorrido, no que tange à retroatividade, na medida em que “a aplicação retroativa, pela autoridade, da penalidade que se revele mais benéfica ao contribuinte decorre de expressa previsão legal contida no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional”, não cabendo ao contribuinte a sua escolha. 31. Cumpre ressaltar que, a Lei n.º 11.941/2009 trouxe alterações ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, assim, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao sujeito passivo, o que implica em comparar a legislação vigente na época dos fatos com a posteriormente alterada, relativamente à imputação da penalidade. 32. Assim, entendo que em relação aos fatos geradores ocorridos no período de março a novembro/2008, inclusive, deve ser aplicada à multa prevista no artigo 35, da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, devendo esta penalidade ser calculada observandose o limite de 75%, em respeito ao disposto no artigo 35A, da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. 33. Do acima apontado, no que diz respeito à multa de ofício aplicada, comungo em parte com o acórdão recorrido, na medida em que “a aplicação retroativa, pela autoridade, da penalidade que se revele mais benéfica ao contribuinte decorre de expressa previsão legal contida no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional”, não cabendo ao contribuinte a sua escolha. 34. Por outro lado, reiterese que os valores constantes do lançamento devem ser recalculados, de forma a observar a limitação de 75% previsto no art. 35A, da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 11.941/2009, em relação ao período de março a novembro de 2008. CONCLUSÃO 35. Pelo exposto, conheço do presente recurso voluntário e voto pelo seu provimento parcial para: a) afastar os valores atinentes ao Aviso Prévio Indenizado e o 13º Salário reflexo, inclusive afastar aplicação da multa qualificada. b) que a multa de ofício, relativa ao período de março a novembro/2008, seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, Fl. 364DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 355 13 na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. É como voto. (Assinatura digital) Natanael Vieira dos Santos Fl. 365DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.902415/2012-14
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
Numero da decisão: 3803-006.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10183.902415/2012-14
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354715
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-006.079
nome_arquivo_s : Decisao_10183902415201214.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10183902415201214_5354715.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5498819
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814493507584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 65 1 64 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.902415/201214 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.079 – 3ª Turma Especial Sessão de 24 de abril de 2014 Matéria PIS/COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente DIBOX DISTRIBUICÃO DE PRODUTOS ALIMENTíCIOS BROKER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestirse dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 24 15 /2 01 2- 14 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de PIS/Cofins Não Cumulativa, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/Cuiabá indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; b) a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado. Pelo que, concluiu que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; d) há diversas situações que acarretam a restituição de valor recolhido: a inclusão indevida de valores na base de cálculo; erro de fato na apuração do imposto; situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo e que são regulamentadas pela IN 900/2008; e) a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; f) calculou a contribuição utilizandose de base de cálculo com valores que incluiu não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas também as demais receitas que não devem compôla; g) utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte; h) “o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9.430/96”; i) postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; j) é legítima a sua pretensão em verse restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande apresentou a justificação contida no despacho decisório de não homologação e rejeitou a preliminar de nulidade da decisão administrativa, tendo declarado não haver nenhuma das suas hipóteses. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.902415/201214 Acórdão n.º 3803006.079 S3TE03 Fl. 66 3 Rejeitou, ainda, o pedido de diligência para apresentação das provas que, a teor do art. 16, § 4º, a, b, c, e § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, deveria ter acompanhado a manifestação de inconformidade No mérito, a improcedência da manifestação de inconformidade foi assentada sobre a falta de certeza e liquidez do crédito utilizado na DComp, comprovação de que deveria terse desincumbido a Manifestante, porquanto seu este ônus. Cientificada da decisão em 25 de outubro de 2013, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 25 de novembro de 2013, em que levanta como argumento de defesa apenas a nulidade do despacho decisório, por ferir o princípio da motivação dos atos administrativos por não ter fundamentado a decisão e o princípio da ampla defesa – por não dispor a Manifestante das razões de decidir do ato administrativo, de sorte a poder aparelhar a sua manifestação de inconformidade. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, por manter o despacho decisório exarado nas circunstâncias que descreve. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente maneja em seu recurso apenas o argumento de nulidade do despacho decisório e clama pela reforma da decisão recorrida. Com efeito, o Colegiado a quo bem explicou os fatos subjacentes no despacho decisório, deixando claro o motivo que deu suporte à decisão de não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação: o DARF do qual foi destacado o suposto crédito estava inteiramente alocado ao débito por ela mesma confessado em DCTF. Eis os seus termos: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, conforme demonstra o quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” e o quadro resumo das declarações do contribuinte a seguir, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.[grifei] A decisão mencionou a falta de demonstração, pela Manifestante (i) do erro em que se fundara a sua original apuração do débito, (ii) do fundamento em que se baseara a redução da base de cálculo, e (iii) dos elementos de prova, em especial a escrita contábil/fiscal, das alegações. Eis os termos em que se pode identificar este roteiro na decisão: Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 indeferimento permanece. Entretanto, o contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas de que o seu crédito provêm de receitas contabilizadas de maneira equivocada. Informa que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte, mas não relata quais são essas ações e se faz parte delas.[grifei] Somente calcada nos requisitos acima destacados, a defesa teria a aptidão de infirmar o encontro de contas processado pela RFB, em que foram considerados os dados informados pela própria Contribuinte. Em contraposição, a Manifestante fora, de fato, genérica na justificativa da origem do seu crédito, como afirmado no acórdão. O delineamento desenhado pelas razões de decidir constituise numa luz que deveria se projetar sobre os argumentos da Recorrente na composição do recurso voluntário. Ainda que não tivesse trazido os citados elementos de prova das bases de cálculo anexados à manifestação de inconformidade, poderia têlo feito no recurso. Somente com o suprimento desta lacuna da defesa, se poderia ter como legítimo o reclamo da Recorrente pelo exercício da ampla defesa, pelo afastamento da preclusão, com base no fato de o despacho decisório não tê la conclamado, expressamente, a apresentar provas, juntamente com a manifestação de inconformidade. A menção na intimação que compõe o despacho decisório, da necessidade de o contribuinte anexar provas na manifestação de conformidade, teria a função de mera lembrança, não é defeito do ato administrativo, porquanto o comando para cumprir este requisito de defesa é legal, segundo regência do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. É ônus do contribuinte. O lançamento por homologação é atividade cometida por lei ao contribuinte, a quem compete apurar o quanto devido do tributo e antecipar o pagamento sem prévia apreciação de autoridade administrativa. Por meio dessa atividade o próprio contribuinte abastece os sistemas de controle da Fazenda, que, assim, já dispõe dos dados para efetuar eventual compensação por ele declarada. A par dessa atividade do contribuinte, a declaração de compensação consubstancia o exercício de direito potestativo de contribuinte que apure crédito perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A consequência dessa sistemática é que débito informado na DComp é extinto pelo contribuinte independentemente de apreciação prévia da Administração Tributária. Esta, dispõe de cinco anos para homologá la. Sob esse rito legal, tornase do contribuinte o ônus de comprovar o direito que ele mesmo constitui por meio da DComp qual seja, a extinção do débito. Com fulcro nos fundamentos acima, mostrase improcedente o argumento da Recorrente de falta de motivação do despacho decisório, ficando configurado que não se desincumbiu do seu ônus de substanciar a recurso com os elementos faltantes na manifestação de inconformidade, já possuindo orientação suficiente da decisão recorrida para tanto. Assim, não merece prosperar o seu pedido de reforma do acórdão guerreado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.902415/201214 Acórdão n.º 3803006.079 S3TE03 Fl. 67 5 Belchior Melo de Sousa Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11610.013599/2002-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11610.013599/2002-50
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352083
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3101-000.352
nome_arquivo_s : Decisao_11610013599200250.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIZ ROBERTO DOMINGO
nome_arquivo_pdf_s : 11610013599200250_5352083.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Luiz Roberto Domingo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5482228
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814513430528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1852; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 538 1 537 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.013599/200250 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3101000.352 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de março de 2014 Assunto Diligência Recorrente IPIRANGA COMERCIAL QUIMICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que manteve o lançamento, em virtude de o Fisco não ter reconhecido as compensações declaradas em DCTF entre o FINSOCIAL (apurado ao longo do ano de 1991) e a COFINS (3º e 4º Trimestres de 1997). Reportome ao relatório de fls. 151/152 da Resolução n° 3101000.159, constante do votocondutor por mim proferido cuja diligência determinou as seguintes providências: a) com base nos DARFs de FINSOCIAL acostados aos autos e as informações relativas à receita da Recorrente verificar se há direito creditório em favor da Recorrente e em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 13 59 9/ 20 02 -5 0 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.013599/200250 Resolução nº 3101000.352 S3C1T1 Fl. 539 2 que montante; b) certificar se os créditos de FINSOCIAL foram utilizados apenas para compensação da COFINS, conforme as provas juntadas nos autos e os registros de que dispõe a fiscalização; c) verificar a regularidade e legitimidade dos documentos contábeis juntados aos autos e a exata compensação dos créditos de FINSOCIAL com a COFINS, registrada na contabilidade; e, d) intimar a Recorrente a trazer aos autos informações atualizadas dos processos judiciais nºs 92.00004946 e 92.00.004938, o que poderá ser feito espontaneamente pela Recorrente. Manifestouse a recorrente (fls. 157/167), espontaneamente, trazendo informações acerca do processo judicial que guarda referência com as compensações declarados no 4° trimestre de 1997 (DCTFs 34 a 39), qual seja o n° 92.0000494161, nos termos do item “d” da Resolução, esclarencendo, em apertada síntese, que: (i) por meio da referida ação ordinária, em listisconsórcio ativo com outras empresas, pretendia a declaração da ilegalidade da cobrança do FINSOCIAL com a alíquota majorada, sendo que tal pedido foi julgado parcialmente procedente, a fim de eximir as autoras da obrigação de pagar o FINSOCIAL, no que concerne às alterações procedidas pelos atos legislativos posteriores à Constituição de 1988, porém negando a procedência quanto à restituição de indébito, ante a ausência de provas, naquele feito, do pagamento de tais quantias; (ii) em grau recursal, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou provimento às apelações interpostas, sendo que tal decisão transitou em julgado; (iii) informou que obteve êxito em outra ação judicial (n° 91.00396150), ajuizada há 17 anos e que, após longa tramitação, obteve direito à compensação; e (iv) por fim, juntou cópia dos andamentos principais do processo n° 92.00004946 (fls. 181/234). Retornam os autos para julgamento. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Inobstante a louvável iniciativa da Recorrente em anteciparse para fornecer os documentos requeridos pela Resolução n° 3101000.159, entendo ser imprescindível a atividade da fiscalização em promover as verificações requeridas nos itens “a” a “c” da Resolução. Diante disso, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à repartição de origem para que a fiscalização promova a integralidade da diligência levando em consideração o quanto já atendido pela Recorrente. Luiz Roberto Domingo 1 Conforme correção apontada pela recorrente. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000381/2009-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2008
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL.
O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas.
No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 20/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2008 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL. O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Recurso especial provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15889.000381/2009-01
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352012
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9202-003.164
nome_arquivo_s : Decisao_15889000381200901.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ELIAS SAMPAIO FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 15889000381200901_5352012.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire - Relator EDITADO EM: 20/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
dt_sessao_tdt : Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
id : 5481647
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814518673408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1762; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 8 1 7 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15889.000381/200901 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.164 – 2ª Turma Sessão de 06 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RR AGROCOMERCIAL DO BRASIL LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2008 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL. O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 03 81 /2 00 9- 01 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 20/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 2301 03.022, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção em 18 de setembro de 2012, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, I) Por voto de qualidade: a) negou provimento ao recurso, na questão da comercialização da produção rural, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) deu provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) ; II) Por unanimidade de votos: negou provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Segue abaixo a sua ementa: “CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a comercialização da produção rural. AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de Fl. 285DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15889.000381/200901 Acórdão n.º 9202003.164 CSRFT2 Fl. 9 3 lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Afirma a Fazenda Nacional que há divergência entre a decisão recorrida e o paradigma que indica: “SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA 1 De acordo com o artigo 34 da Lei 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não cm notificação fiscal c lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula n 2 do 2º Conselho de Contribuintes. 3 Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora lavrada a Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento, Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 L' do CTN 2Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n' 8.212/91, c/c artigo 457, § da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho. A verba paga pela empresa aos segurados empregados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa INCENTIVE HOUSE é fato gerador de contribuição previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” (AC 240100.120) Explica que o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária. Considera que a Lei nº 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP nº 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de Fl. 286DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais. Diz que, tratandose de lançamento de oficio, considerandose que não houve no caso a declaração de todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas, nem o recolhimento ou pagamento do tributo devido, a multa a ser aplicada aquela prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Entende que não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei n° 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei n° 9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade. Afirma que, para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei n° 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS. Argumenta que a tese encampada pelo acórdão recorrido, no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP nº 449/2008 (convertida na Lei nº 11.941/2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente. Na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido. Houve isto sim lançamento de oficio, logo, inarredável a aplicação das disposições especificas da legislação previdenciária. Ao final, requer o provimento do seu recurso. Nos termos do Despacho n.º 2300062/2013, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte não apresentou contrarrazões. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. No presente caso, a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Ocorre que a MP n.º 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, ao mesmo tempo em que revogou os referidos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, promoveu nova sistemática de aplicação de multas. Assim dispunha, à época, o no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, in verbis: Fl. 287DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15889.000381/200901 Acórdão n.º 9202003.164 CSRFT2 Fl. 10 5 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Por certo o Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a Fl. 288DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas, in verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão» desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." Portanto, é Indubitável a aplicação da multa benéfica, conforme disciplina do art. 106, II, “c” do CTN. O ponto submetido a apreciação deste colegiado resumese em definir como deve ser aplicada a multa nos termos da atual regência normativa. Ante o exposto e em decorrência da alteração legislativa, o acórdão recorrido optou por aplicar a regra contida no art. 32A, I da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Saliento que, sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a constatação pelo Fisco de que o contribuinte apresentara declaração inexata ensejaria, também, o direito de aplicação da multa do art. 32, § 5º, da Lei 8.212, de 1991, que poderia corresponder a 100% do valor relativo às contribuições não declaradas, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei 8.212, de 1991, in verbis: § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) 0 a 5 segurados1/2 valor mínimo Fl. 289DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15889.000381/200901 Acórdão n.º 9202003.164 CSRFT2 Fl. 11 7 6 a 15 segurados1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados50 x o valor mínimo Ou seja, caso se verificasse, além da declaração incorreta, a existência de tributo não recolhido, terseia, em acréscimo, a incidência da multa prevista na redação anterior do art. 35, inciso II, da referida lei (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009). Vêse, pois, na sistemática revogada, a existência de multas diversas para fatos geradores igualmente distintos e autônomos: uma, prevista no art. 32, § 5°, que tem natureza de multa por descumprimento de obrigação acessória e, portanto, constituirá o próprio crédito tributário, não guardando vinculação com a obrigação principal de pagamento do tributo devido no prazo de lei; e a outra, consistente em penalidade pecuniária que decorre do não recolhimento do tributo devido dentro do respectivo vencimento, prevista no art. 35, II. Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, têmse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Ou seja, a multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Isso posto, voto no sentido de conhecer e DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, para que se limite o valor da multa aplicada ao valor da multa prevista no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 290DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904440/2012-32
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10930.904440/2012-32
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351352
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-004.790
nome_arquivo_s : Decisao_10930904440201232.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10930904440201232_5351352.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5475565
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814544887808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.904440/201232 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803004.790 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria PIS/COFINS Recorrente A.M.R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 40 /2 01 2- 32 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904440/201232 Acórdão n.º 3803004.790 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904440/201232 Acórdão n.º 3803004.790 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904440/201232 Acórdão n.º 3803004.790 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001127/2005-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem junte aos autos as cópias dos jornais necessários, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10820.001127/2005-69
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363438
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-000.447
nome_arquivo_s : Decisao_10820001127200569.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10820001127200569_5363438.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem junte aos autos as cópias dos jornais necessários, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5545023
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814558519296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1846; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 215 1 214 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.001127/200569 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.447 – 3ª Turma Especial Data 24 de abril de 2014 Assunto IPI RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO Recorrente EDITORA FOLHA DA REGIÃO DE ARACATUBA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAOL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem junte aos autos as cópias dos jornais necessários, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. RELATÓRIO Cuida o que ora se aprecia de embargos de declaração interpostos pela Pessoa jurídica acima identificada contra o Acórdão nº 380303.830, de 30 de janeiro de 2013, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), com fulcro no art. 65, II, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, nos termos da petição anexa. O acórdão embargado tem a seguinte ementa: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 20 .0 01 12 7/ 20 05 -6 9 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10820.001127/200569 Resolução nº 3803000.447 S3TE03 Fl. 216 2 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO APENAS QUANDO PRESENTES. Os embargos de declaração possuem função corretiva e integradora, visando à completude, à harmonia lógica e à clareza da decisão, suprimindo dificuldades à boa compreensão e óbices à eficaz execução do julgado. São cabíveis apenas quando o acórdão contiver obscuridade ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou quando há omissão de ponto sobre o qual deve pronunciarse a turma. A matéria objeto do presente processo diz respeito a Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99, relativo à comercialização de jornais, que no entender da Contribuinte sujeitase à incidência de alíquota zero. O motivo apontado em que se sustentam os presentes embargos é a omissão do acórdão nos embargos anteriores de não ter enfrentado a questão quanto a ter havido, desde a decisão da DRF/Araçatuba, modificação do critério jurídico na valoração dos fatos e consequente classificação do produto como NT, nos termos abaixo: Artigo 146 Do Código Tributário Nacional [modificação do critério jurídico na valoração dos fatos e consequente classificação do produto como NT] “No recurso administrativo, a embargante disse: ‘A C. Delegacia de Julgamento não apreciou os argumentos expostos no tópico com mesmo nome deste, contido na impugnação. Com isso, a recorrente requer a nulidade do V. Acórdão.’ [...]No caso de não entender ser nulo o V. Acórdão, pede aos Eméritos Conselheiros que considerem aqueles argumentos da impugnação, decidindo favoravelmente à recorrente ou anulando a decisão recorrida. Houve omissão em relação aos argumentos apresentados no recurso administrativo, que por sua vez remete is alegações expostas na impugnação”. Em análise prévia da admissibilidade dos embargos concluiuse que foram preenchidos os requisitos para a interposição do recurso, tendo sido admitidos os embargos. É o relatório. VOTO Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Com efeito, os embargos preenchem os requisitos para sua admissibilidade, conforme a análise procedida no exame prévio, portanto deles conheço. Tenhase para apreciação deste processo que: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10820.001127/200569 Resolução nº 3803000.447 S3TE03 Fl. 217 3 a) as defesas manejadas em todos os demais processos desta pessoa jurídica julgados por esta Turma possuem o mesmo teor, ancoradas nos mesmos fundamentos de fato e de direito; b) as cópias de jornais anexadas na manifestação de inconformidade cujo intento da Contribuinte era comprovar a sua sujeição à alíquota zero, em face da publicidade que veiculam e da periodicidade com que são editados , não foram digitalizadas pela Unidade de origem; c) o acórdão no recurso voluntário considerou a preponderância do argumento da Recorrente em torno da imunidade dos jornais, que não se compatibiliza com sujeição à alíquota zero e teve como irrelevante a juntada das ditas cópias; d) mais recentemente, no julgamento de embargos no processo nº 10820.000723/200611 foi garantido o amplo exercício da defesa da Contribuinte, tendo a Turma, por maioria, em composição distinta, considerado que a ausência desses elementos de prova eram prejudiciais à Embargante e que se tornava imprescindível a apreciação da prova consubstanciada nas folhas do jornal. O julgamento foi convertido em diligência para que a DRF/Araçatuba as anexasse; e) sem êxito a primeira diligência, por não terem sido digitalizadas tais cópias, foi o novo julgamento convertido em resolução para que a Unidade de origem elucidasse acerca da formatação dos jornais editados pela Embargante, no que concerne à publicidade; Dada a situação acima descrita, releva dar solução uniforme ao conflito, por ser em todos os elementos de lhe digam respeito idêntico ao que conforma os quatro outros processos, referindose eles a períodos de apuração contíguos. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Araçatuba anexe as cópias de jornais digitais do modo como o procedido no processo nº 10820.000723/200611, preferencialmente as originais, e na hipótese de não sêlo informar se as que forem anexadas são similares às que originalmente foram juntadas na manifestação de inconformidade, no que concerne à forma de apresentação da publicidade. Após a providência, dêse ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, conforme art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 2011. Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (Assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 225DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004028/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thome - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Otavio Oppermann Thome, Jose Evande Carvalho Araujo, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Marozzi Gregorio, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.004028/2007-29
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363106
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1102-000.149
nome_arquivo_s : Decisao_19515004028200729.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 19515004028200729_5363106.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thome - Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Otavio Oppermann Thome, Jose Evande Carvalho Araujo, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Marozzi Gregorio, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho
dt_sessao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
id : 5540581
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814560616448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1564; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004028/200729 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1102000.149 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 10 de abril de 2013 Assunto IRPJ Omissão de Receitas passivo fictício Recorrente COMÉRCIO DE TECIDOS SILVA SANTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thome Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Otavio Oppermann Thome, Jose Evande Carvalho Araujo, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Marozzi Gregorio, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo SP/I contra acórdão assim ementado, verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 02 8/ 20 07 -2 9 Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 3 2 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JUR1DICA IRPJ Anocalendário: 2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. OBEDIÊNCIA AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. Somente serão considerados nulos aqueles atos em que presentes quaisquer das circunstancias previstas pelo art. 59 do Decreto n° 70.235/1972; não ocorrendo nenhuma daquelas hipóteses, não há que se falar em nulidade do lançamento. Tendo sido plenamente atendido o principio do devido processo legal e, com este, permitido o exercício dos princípios do contraditório e da ampla defesa, esta por meio de impugnação apresentada, não há que se falar, por igual, em cerceamento ao direito de defesa. Rejeitadas as alegações nesse sentido. PASSIVO FICTÍCIO. CONTAS FORNECEDORES E FINANCIAMENTOS. NÃO COMPROVAÇÃO, POR OMISSÃO DO CONTRIBUINTE. OMISSÃO DE RECEITAS. EXCLUSÃO DO SALDO EXISTENTE AO FINAL DE ANOCALENDÁRIO ANTERIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DA DEDUÇÃO. Caracterizase a ocorrência de omissão de receitas, quando o contribuinte, ainda que insistentemente intimado a tal, se omite em apresentar os documentos que comprovariam os saldos das rubricas Fornecedores e Financiamentos (curto e longo prazo), em 31/12/2002. Não há que se falar na exclusão, do saldo da conta Fornecedores ao fim do período fiscalizado, do saldo da mesma rubrica existente ao final do anocalendário anterior, a não ser que o contribuinte comprove, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, assim como a respectiva escrituração, que a obrigação perdurou desde o final do ano calendário anterior, até o seguinte. O DOCUMENTOS JUNTADOS. NÃO COMPROVAÇÃO DE SUA ESCRITURAÇÃO. INSUFICIÊNCIA A COMPROVAR OS SALDOS DAS CONTAS DE OBRIGAÇÕES. DILIGÊNCIA PLEITEADA. NÃO ATENDIMENTO POR PARTE DO CONTRIBUINTE. Cópias de documentos juntados, por si só, são insuficientes a comprovar a efetividade dos saldos das contas de Fornecedores e Financiamentos, desde que não comprovada a sua respectiva escrituração, de maneira a dar suporte aos efetivos saldos contábeis das mencionadas contas. Ainda que tais elementos tenham sido trazidos pela impugnação, o contribuinte, apesar de insistentemente instado a comprovar a escrituração, omitiuse em demonstrar a efetividade da mesma. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Por decorrer dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram a exigência do IRPJ, igual destino deverão ter as exigências dele reflexas. Lançamento Procedente.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 4 3 “Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte acima identificado e, diante de irregularidades apuradas, foram lavrados 4 (quatro) Autos de Infração, por meio dos quais foram constituídos os seguintes créditos tributários: IRPJ (fls. 95) R$ 27.229.650,89 (vinte e sete milhões, duzentos e vinte e nove mil, seiscentos e cinqüenta reais e oitenta e nove centavos); PIS (fls. 100) R$ 1.802.932,70 (um milhão, oitocentos e dois mil, novecentos e trinta e dois reais e setenta centavos); COFINS (fls. 105) R$ 3.278.059,45 (três milhões, duzentos e setenta e oito mil, cinqüenta e nove reais e quarenta e cinco centavos), e; CSLL (fls. 110) R$ 9.809.202,59 (nove milhões, oitocentos e nove mil, duzentos e dois reais e cinqüenta e nove centavos), e; Dessa forma, o valor consolidado dos créditos tributários acima totalizou a importância de R$ 42.119.845,63 (quarenta e dois milhões, cento e dezenove mil, oitocentos e quarenta e cinco reais e sessenta e três centavos), ai incluídos os valores do imposto/contribuições, das multas de oficio e dos juros de mora (estes calculados até 31110/2007). Segundo o descrito no "Termo de Verificação Fiscal" (fls. 90/92), as irregularidades que vieram a motivar mencionados lançamentos consistiram em, verbis: 1. Em 18/05/2006, mediante o Termo de Inicio de Ação Fiscal, o contribuinte foi intimado, na pessoa de seu representante legal (instrumento de procuração juntado ao processo), a apresentar os livros e documentos relativos ao ano calendário 2002, conforme solicitado em intimação. 2. 0 contribuinte apresentou apenas unia parte da documentação solicitada. 3. Intimamos o contribuinte em 29/08/2006 para preencher o demonstrativo entregue, um para cada conta, detalhando a composição dos saldos das seguintes contas em 31/12/2002: Fornecedores; Financiamentos a Curto Prazo, Financiamentos a Longo Prazo e apresentar a documentação comprobatária que justifique os saldos das contas. 4. Foram apresentados pelo contribuinte apenas os documentos representativos de empréstimos bancários efetuados pelo contribuinte junto a instituição financeira, os quais totalizam valores contratados de R$ 3.280.443,00, todos anexados ao processo administrativo fiscal. 5. Em 17/11/2006, intimamos novamente o contribuinte para elaborar demonstrativo, um para cada conta, detalhando a composição dos saldos das seguintes contas em 31/12/2002: Fornecedores; Financiamentos a Curto Prazo, Financiamentos e Longo Prazo; apresentar a documentação comprobatória que Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 5 4 justifique os saldos das contas elencadas no item anterior e apresentar toda a documentação que dá suporte à escrituração dos livros fiscais e comerciais do período fiscalizado. 6. A intimação foi enviada juntamente com o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar por via postal com aviso de recebimento — AR, anexado ao processo. 7. Foram entregues apenas alguns livros contendo notas fiscais de saídas, Registro de Apuração do ICMS na 015 e Diário Geral e 37 e 38 relativo ao ano calendário de 2002. 8. Reintimamos outra vez o contribuinte em 02/03/2007 para apresentação dos livros, documentos e esclarecimentos solicitados na intimação anterior. 9. Reintimação enviada por via postal com aviso de recebimento — AR anexado ao processo, onde consta sua recepção em 08/03/2007. 10. Entregues parceladamente até novembro de 2007 alguns documentos: livro de notas fiscais de saída, algumas notas fiscais de compras, Razão Analítico de 2002, Diário Geral e 35 e 36 e Razão Analítico de 2001. 11. Nenhum outro documento, livro ou esclarecimento foi apresentado a essa fiscalização. 12. Esgotados todos os prazos regulamentares sem qualquer outra manifestação do contribuinte. 13. Apuramos o montante das omissões de receitas correspondentes à manutenção no passivo de valores não comprovados pelo contribuinte, que devidamente intimado e reintimado, diversas vezes, não apresentou qualquer documentação comprobatõria da veracidade dos valores registrados em contas do passivo, conforme demonstrativo a seguir: Conta do Passivo FornecedoresFinanciamentos Financiamentos Total a curto prazoa longo prazo (A) Escriturado e30.101.783,0916.441.305,53341.907,1946.884.995,81 declarado (B) Comprovado0,003.280.443,000,003.280.443,00 (A) — (B) Omissão de30.101.783,09 13.160.862,53341.907,1943.604,552,81 Receita 14. Exceção feita ao valor de R$ 3.280.443,00 relativo a financiamentos de curto prazo contratados com o Bank Boston S/A, aceitos por essa fiscalização com base nos contratos de empréstimo e abertura de crédito e nos extratos bancários apresentados e anexados ao processo. 15. Os valores escriturados e declarados foram obtidos do Balancete de Verificação constante no livro Diário Geral n. 38 (fls. 509 e 510) e da DIPJ Ano Calendário 2002 ND 0065574, anexados ao processo. 16. Procedemos ao lançamento de ofício do crédito tributário apurado no valor de R$ relativo d manutenção em contas do passivo de valores para os quais o contribuinte, devidamente Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 6 5 intimado, não comprovou com documentação idônea a sua existência, ficando caracterizada a omissão de receita, nos termos do art. 40 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 17. (...)18. Fica o contribuinte intimado a corrigir o valor do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da contribuição social controlados no LALUR. 19. (...)20. A presente ação fiscal restringiuse d verificação da existência de passivo fictício (não comprovado) anocalendário de 2002 mediante as informações disponíveis e os livros, documentos e esclarecimentos prestados pelo contribuinte, ficando, desde já, ressalvado o direito da Fazenda Pública efetuar novas verificações no mesmo período, se novos fatos vierem a ser conhecidos, enquanto não transcorrido o prazo decadencial. 21. (...)Pela prática das irregularidades acima descritas, foram dados por infringidos os seguintes dispositivos legais: IRPI art. 24 da Lei no 9.249/1995; art. 40 da Lei n° 9.430/1996; arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 281, inciso III e 288, do RIR11999 (fls. 97); PIS arts. 10, 3° e 3°, da Lei n° 10.637/2002 (fls. 102); COFINS arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002 (fls. 107), e; CSLL art. 2° e 44, da Lei n° 7.689/1988; arts. 19 e 24, da Lei n° 9.249/1995; art. 1°, da Lei n 9.316/1996; art. 28, da Lei n° 9.430/1996; art. 6° da MP ri° 1.858/1999 e reedições (fls. 112). 0 contribuinte, por sua Diretora, foi cientificado dos teores dos referidos Autos de Infração em 07/12/2007 e, com os mesmos não se conformando, em 08/01/2008, por seu representante legal (fls. 147), impugnouos (fls. 126/853), alegando, em síntese, que: • os Autos de Infração foram lavrados sob a alegação de que, supostamente, o contribuinte teria omitido receitas, em razão da manutenção, no passivo, de valores não comprovados, apesar de intimado e reintimado, por diversas vezes, a tal; • isso, inobstante a apresentação das notas fiscais que deram origem aos valores registrados nas contas de passivo, o que e confirmado pela própria autoridade fiscal nos itens 7 e 10 do Termo de Verificação Fiscal, tais como...., além de outros elementos não mencionados pela citada peça, a fiscalização lavrou os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, por presunção, desconsiderando as provas apresentadas pelo contribuinte; • assim, a autuação não foi motivada, implicando na nulidade do lançamento, pois a fiscalização limitouse a afirmar que a empresa teria omitido receita, sem maiores considerações, em flagrante cerceamento ao direito de defesa da Autuada. Ainda que assim não fosse, a análise do mérito levará a conclusão de que o crédito reclamado não é devido, visto não haver sido cometida a infração apontada; Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 7 6 • preliminarmente, a exigência, por força do principio da legalidade, depende da ocorrência de fatos que se subsumam as hipóteses de incidência descritas pelas normas jurídicas. Impõese, portanto, exaustiva e imparcial verificação de tais eventos, de forma a submeteremse ao trazido pelas normas legais, dada a estrita vinculação a que se sujeita o agente público, além de se subordinar, o processo administrativo, dentre outros, aos princípios da tipicidade cerrada e da verdade material; • deve obediência, ainda, ao principio da verdade material, que orienta a atividade administrativa concernente à fiscalização e controle do cumprimento das obrigações tributarias e deveres instrumentais correi atos, vinculado que é, ao já referido principio da legalidade, que se tornaria inócuo se não considerada a verdade material. Traz jurisprudência; • há que ser assegurado, ao contribuinte, recorrer a todos os meios de provas a comprovar os fatos relativos as obrigações tributárias, sejam elas principais ou acessórias, a ele imputados, de forma a serem atendidos os princípios da ampla defesa e do contraditório, implementados por meio do devido processo legal; • assim, houvesse sido, o levantamento fiscal, elaborado corretamente, concluirseia de forma inexorável pela extinção do credito tributário e a ausência de motivação fdtica para a lavratura do auto de infração ora impugnado. Deveriam ser aprofundadas as investigações, de forma a confirmar (ou não) a presunção imaginada, permitindose inclusive a colaboração do particular interessado, ainda que o ônus da prova seja da própria Administração, Cita doutrina, a embasar tal entendimento; • e, dada a ansiedade arrecadatória, deixaram de ser apreciadas, pela ação fiscal, as provas apresentadas pela fiscalizada, de maneira a resultar em autuação contra o contribuinte, tendo a mesma presumido que os valores componentes dos saldos das contas "Fornecedores" e "Financiamentos" (a curto e longo prazo), em 31/12/2002, constituíssem omissão de receitas; • não foi, sequer, considerado o saldo existente em 31/12/2001, na conta "Fornecedores", no valor de R$ 18.410.267,19, ao passo que foi utilizado para fins da exigência, apenas, o saldo da mencionada rubrica em 31/12/2002, como se o valor de 2002 não tivesse um ponto de partida em 2001. Essa presunção que se quer combater, já que desconsideradas as provas apresentadas, ou seja, que a Autuada mantém passivos fictícios no montante equivalente à integralidade dos valores das contas "Fornecedores" e "Financiamentos a longo prazo" e praticamente a totalidade da conta "Financiamentos a curto prazo" referentes a 31/12/2002; • e a autuação se concretizou, visto que o agente fiscal não se deu ao trabalho de analisar os documentos da empresa, que estavam em seu poder ate 27 de dezembro de 2007, como pode ser comprovado pelo anexo "Termo de Devolução de Livros e Documentos" (doc. 02), tendo considerado como omissão de receitas os saldos das contas acima citadas. Não necessita a Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 8 7 Autuada tecer maiores considerações para demonstrar o quão incabível é a dita presunção do agente fiscal.; • todo ato administrativo, para ser válido, deve estar apoiado em dois fatores: (1) existência de lei a autorizálo e (2) ocorrência de situação fática a enquadrarse no previsto por aquela. A ausência de quaisquer deles faz com que o ato venha a padecer de vicio; deve ser, portanto, motivado, em decorrência dos princípios da legalidade e moralidade. Cita doutrina, concluindo por dizer que os autos de infração são nulos, em razão da ausência de motivação fática e, quiçá, legal, de forma a justificar suas manutenções, visto que o autuante não agiu com a diligência, prudência e profundidade que deveriam nortear sua atuação, valendose de presunção em ofensa ao principio da legalidade, para concluir equivocadamente que a empresa teria deixado de pagar os tributos devidos, em manifesta afronta d busca da verdade material. E mais; • ao presumir a ocorrência de omissão de receitas, a autoridade fiscal (1) não considerou os documentos apresentados pelo contribuinte, sem qualquer motivação a tal; (2) não levou em conta o saldo da rubrica "Fornecedores", existente em 31/12/2001 e; (3) entendeu corresponder a receitas omitidas, o saldo da mencionada conta, como se fosse possível d Autuada, realizar vendas sem custo. Violou, assim, os princípios da estrita legalidade, da tipicidade e da capacidade contributiva, em que a obrigação de pagar tributo instalase apenas quando verificada a ocorrência do fato gerador previsto na hipótese da norma geral abstrata, calculandose a exação com base na medida monetária desse fato, que deve ser comprovado por documentos; • dessa forma, a autuação, da maneira como formulada, não pode prosperar, em razão de haver violado os princípios da legalidade e da ampla defesa; • objetivando comprovar a atitude abusiva e ilegal do autuante, junta contratos mantidos junto a instituições financeiras, justificando a integralidade dos saldos declarados nas contas de Financiamentos....(doc. 05).; • já em relação à conta "Fornecedores", ao se presumir que seu saldo, em 31/12/2002, corresponde a omissão de receitas, antes mesmo de qualquer análise documental, e pressupor que a venda de mercadorias não possui custo e que a movimentação de estoque não teve um ponto de partida em 01 de janeiro de 2002, como saldo de 31 de dezembro de 2001, o que é inadmissível. Traz jurisprudência, concluindo por dizer — com base no voto do relator do reproduzido Acórdão que toda venda pressupõe custo (especificamente no caso da Autuada, sociedade empresarial voltada ao comércio) e que, a ansiedade de se proceder ao lançamento, em razão da proximidade do prazo de decadência de lançar se esvair, não pode justificar tamanha arbitrariedade, de considerar a integralidade do saldo da conta "Fornecedores", receita omitida. Reproduz mais jurisprudência Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 9 8 (fls. 138), dizendo que o Conselho de Contribuinte não admite a presunção fiscal como faro gerador de tributos....; • assim, todos os elementos disponibilizados pela interessada, no decorrer da ação fiscal, e que não foram por esta reconhecidos, impedem que a fiscalização presuma que o saldo da conta "Fornecedores" de 31 de dezembro de 2002 representa omissão de receita e assim e receita tributável pelo IRPJ, CSL, PIS e COFINS, como procedido pelo i. fiscal. 0 livro Razão e o balanço da empresa apontavam que o saldo da citada rubrica correspondia, em 31/12/2001, a R$ 18.410.266,00, importância essa que deveria, de plano, ser excluída da ilegal presunção de omissão de receita, o que revela a baixa qualidade do trabalho fiscal e a nulidade da autuação; • assim, somente o movimento do anocalendário de 2002 é que deveria ser objeto da ação fiscal, visto que as operações realizadas antes de 2001, as quais compõem o saldo de inicio do ano de 2002 devem ser excluídas haja vista que decaiu o direito da fazenda de realizar fiscalizações e lançamentos sobre valores anteriores a 2001. Dessa forma, cabe deduzir, de pronto, o saldo existente em 31/12/2001, passando o valor da conta "Fornecedores", em 31/12/2002, a R$ 11691.515,90, mesmo sem terem 'do levados em conta os documentos apresentados por esta defesa (doc. 03), comprobatórios de tal saldo, de forma a contestar a espúria e ilegal presunção formulada pela autoridade fiscal; • devem, ainda, ser considerados os valores devidamente comprovados, relativos a operações com fornecedores internacionais (doc. 04), assim como dos contratos mantidos com instituições financeiras (doc. 05), de forma a se constatar que a presunção de omissão de receita é manifestamente indevida e ilegal, o que revela a nulidade do presente auto de infração por f alta de motivação. E, diante do já posto, ainda que não venha a ser caracterizado como nulo o lançamento, a análise do mérito (a seguir) concluirá pela sua improcedência; • a presunção é manifestamente indevida, visto que a Autuada comprova, por documentos idôneos, que a conta "Fornecedores" teve movimento adequado e é devidamente suportada por aqueles, ainda que não considerados pela fiscalização, deixando esta de verificar a efetiva ocorrência do fato gerador, na forma do art. 142 do CTN, para simples e ilegalmente presumir omissão de receita o saldo integral da mencionada rubrica. Junta cópias de documentos referentes a fornecedores nacionais (doc. 03), que comprovam as emissões e pagamentos, inclusive com prova em extratos bancários o valor de aproximadamente sete milhões de reais; • somase, ainda, a esse valor, algo em torno de cinco milhões de reais, devidamente documentada e referente a fornecedores internacionais (doc. 04), que compõem o valor contábil da conta fornecedores e que indevidamente foi presumida como receita omitida pela fiscalização federal.; Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 10 9 • repisa, dizendo que não restam dúvidas de que o movimento da conta "Fornecedores" da Autuada, durante o ano de 2002, foi de apenas R$ 11.691.515,90, sendo a presunção de omissão de receita, no valor de R$ 30.101.78309, sem qualquer base fática e, assim, manifestamente abusiva e ilegal. Aquele primeiro valor, portanto, é que deveria ser objeto de fiscalização e autuação; a somatória dos documentos (docs. 03 e 04) ora juntados — continuam as buscas, objetivando encontrar a sua totalidade — praticamente comprova a totalidade dos valores que deveriam ser objeto de fiscalização, ou seja, dos R$ 11.691.515,90 (movimento de 2002), a Autuada traz documentos que totalizam R$ 11.582.016,09; • fica, portanto, evidenciado que o lançamento, tendo considerado como omissão de receita o saldo integral da mencionada rubrica, não tem respaldo fatico ou legal, constituindo verdadeira arbitrariedade da fiscalização que, premida pelo prazo decadencial simplesmente abriu mão de realizar o trabalho de fiscalização para apenas e tão somente desconsiderar os documentos mantidos pela empresa. Dessa forma, a presunção de omissão de receita deve ser afastada, pois não houve falta de escrituração e tampouco a manutenção de obrigação sem exigibilidade comprovada.; • de maneira semelhante deuse em relação as contas de "Financiamentos" (a curto e longo prazos), consideradas, em quase sua totalidade, como receita omitidas, apesar de verdadeiras. Junta, a comproválas, cópias de contratos de financiamento, empréstimos e abertura de créditos referentes a 2002 (doc. 05), que compõem os saldos contábeis das contas de financiamento, alem de alguns extratos bancários. Não conseguiu a juntada integral dos documentos, dada a mudança de seus arquivos, porém protesta pela juntada posterior de outros elementos, requisitados junto as instituições financeiras (doc. 06); • comprovada, então, a inexistência de omissão de receitas, inaplicáveis os dispositivos legais apontados como ofendidos, razão pela qual a autuação de IRPJ, no valor de R$ 27.229.650,89 e de CSLL, no valor de R$ 9.809.202,59, não podem prosperar. Da mesma forma, as exigências relativas ao PIS e a COFINS, são manifestamente indevidas. • pede, ao final, diante de todo o exposto, seja acolhida a impugnação e, pelos argumentos ali expendidos, seja reconhecida a improcedência dos lançamentos. Face, então, a impugnação apresentada, o presente processo foi encaminhado a esta DRJ/SPO 1, conforme despacho de 12/02/2008 (fls. 861), tendo sido, posteriormente, distribuído a 4a Turma de Julgamento, para que fosse apreciada a lide posta. Diante dos elementos apresentados até então pelos autos, seja no tocante as acusações que foram formuladas contra o contribuinte, que culminaram nos lançamentos objeto do presente, seja em relação aos argumentos e elementos trazidos pela defesa, entendeu Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 11 10 por bem, isto em 06/06/2008, o Presidente (e Relator do presente) da mencionada Turma de Julgamento, fosse o processo baixado para a realização de diligências (fls. 862/863), a ser cumprida pela DEFIS/SPO/DIFIS/COMERCIO, objetivando sanar eventuais dúvidas e, com os esclarecimentos a elas atinentes, buscar condições de forma a propiciar ser proferido o devido Acórdão. Dessa forma, diante dos elementos apresentados pela mencionada defesa, concluiu, então, pela formulação dos quesitos abaixo, de forma a que, desde que devidamente atendidos, dirimissem as dúvidas existentes e permitissem a pronta apreciação da lide posta. Foram eles (fls. 863), verbis: • Quais deles integraram, efetivamente, os saldos das rubricas "Fornecedores", "Financiamentos a Curto Prazo" e "Financiamentos a Longo Prazo", em 31/12/2002? • Na hipótese de terem integrado tais saldos, qual a sua influência em relação aos lançamentos efetuados? • Quando teriam ocorrido suas quitações? • Foram devidamente escriturados (fato este a ser observado tanto na realização das operações aquisições/financiamentos — como por ocasião de suas quitações)? Em 29/08/2008, o diligenciante (o próprio autuante) lavrou "Termo de Inicio de Procedimento Fiscal" (fls. 865/866), intimando a interessada a apresentar, no prazo de 20 dias, dentre outros: (1) Demonstrativo conforme modelo anexo, uma para cada conta, detalhando a composição das seguintes contas em 31/12/2002: Fornecedores, Financiamentos a Curto Prazo, Financiamentos e Longo Prazo, de acordo com os valores declarados em sua DIP J/2003,....; (2) Apresentar a documentação comprobatória que justifique os saldos das contas elencadas no item anterior; (3) Livro Diário onde sem encontrem contabilizados os lançamentos correspondentes; De tal determinação o contribuinte foi cientificado, via postal, em 28/08/2008, conforme comprova o respectivo Aviso de Recebimento — AR — (fls. 867). Em 03/10/2008, face ao não atendimento da Intimação acima, foi lavrado "Termo de Intimação Fiscal" (fls. 868), de semelhante teor ao acima (desta vez reintimando a interessada ao atendimento, no prazo de 05 dias úteis), do qual, naquela mesma data, o contribuinte tomou conhecimento, também via postal, conforme atesta o respectivo AR (fls. 870). Diante, ainda, de nova omissão da parte do contribuinte, lavrouse, em 20/10/2008, novo "Termo de Intimação Fiscal" (fls. 872), também de semelhante teor, reintimandoo, mais uma vez, a cumprir o determinado, em igual prazo aquele concedido no procedimento anterior. Deste o contribuinte foi cientificado na mesma data, conforme AR de fls. 874. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 12 11 Em 10/11/2008 (cuja recepção deuse em 19/11/2008), o contribuinte manifestouse, por meio de missiva (fls. 876) e respectivos anexos (fls. 878/929), do qual destaco os seguintes excertos, verbis: " vem, respeitosamente, d presença de 'V.Sa., em face do Termo de Intimação Fiscal, informar que os documentos requeridos já se encontram em poder da D. Fiscalização desde 2006, quando iniciouse o MPF 08.1.90.002006011470 (Doc.02), o qual teve por objeto o mesmo período (2002). Em decorrência de tal MPF, foi lavrado o respectivo Auto de Infração (doc.03), o qual foi devidamente impugnado e aguarda julgamento (Doc.04). Dessa forma, não há que se falar em apresentacdo de documentos já em poder da Fiscaliza cão, de modo que não pode ser caracterizado o não atendimento da intimação pela contribuinte." (grifos meus). Também em 19/11/2008, foi lavrado "Termo de Intimação e Encerramento de Procedimento Fiscal" (fls. 930), levado a conhecimento, via postal, do contribuinte naquela mesma data (vide AR, de fls. 931), por meio do qual este veio a ser intimado a, diante do encerramento do procedimento fiscal de diligência, manifestarse sobre o resultado da mesma, no prazo máximo de 10 dias, na forma do art. 44 da Lei n° 9.784/1999, dispositivo este combinado com outros, também citados, integrantes do RIR/1999. Do "Relatório Fiscal" (fls. 933/935), datado de 18/11/2008, de lavra do diligenciante — sobre o qual caberia a manifestação acima — reproduzo os seguintes itens, verbis: "( ) 5. Decorridos mais de 80 dias, o sujeito passivo ainda não se manifestou, apesar de diversas vezes intimado. 6. Fica evidente que o sujeito passivo não deseja colaborar para o esclarecimento do alegado em sua impugnação, obstando qualquer possibilidade nesse sentido. 7. Dessa forma, relata essa fiscalização apenas as suas considerações sobre as alegações formuladas na impugnação. 9. Alega que não existe motivação fcitica para o lançamento de oficio, que deveria a fiscalização aprofundar a investigação e permitir inclusive a colaboração do particular interessado para apuração dos faros. 11. Vejamos, o sujeito passivo foi cientificado do inicio do procedimento fiscal em 18/05/2006, que culminou no lançamento de oficio para constituição do crédito tributário apurado cm 07/12/2007. 12. A fiscalização intimou e reintimou o sujeito passivo para demonstrar a composição dos saldos das contas auditadas, Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 13 12 aguardando por um período de um ano e quatro meses, sem que lhe fossem apresentados os documentos solicitados, prazo esse ate exagerado, demonstrando que a fiscalização concedeu todas as oportunidades para que o fiscalizado exercesse amplamente seus direitos. 13. A qual falta de oportunidade de colaboração com a fiscalização se referiria o patrono da causa? A qual falta de aprofundamento da investigação teria deixado de tentar a fiscalização? Não existiria motivação fática então? 14. A fundamentação de fato e jurídica da autuação e clara, a manutenção em contas do passivo de valores para os quais o sujeito passivo, devidamente intimado, não comprovou com documentação idônea a sua existência. 15. Alega no item 3 da impugnação que apresentou as notas fiscais que deram origem aos valores registrados nas contas de passivo, o que seria confirmado pelo auditor fiscal no itens 7 e 10 do Termo de Verificação Fiscal. 16. Distorce os faros o impugnante, o que foi registrado nesses itens é que foram entregues algumas notas fiscais de compras, não relacionadas com fornecedores, sendo de pagamento d vista (materiais para consumo, despesas, etc), portanto impertinentes à análise. 17. Falta com a verdade ao afirmar no item 18 da impugnação que foram entregues duplicatas e contratos com fornecedores que não teriam sido analisados. Teria a fiscalização registrado indevidamente um fato inexistente? Seria de bom alvitre que a impugnante demonstrasse onde consta a consignação desse fato, que lhe permite tal afirmação. (...)22.0 sujeito passivo apresentou apenas documentos que não demonstram a procedência de suas alegações. 23. Diante dos fatos narrados, e visto que o sujeito passivo deixou de apresentar qualquer documentação ou sua escrituração, essa fiscalização tem a relatar o que segue. 24. Não há como informar se alguns dos documentos apresentados efetivamente integraram o saldo das rubricas citadas em 31/12/2002 e sua influência nos lançamentos efetuados. 25. Não há como determinar quando ocorreram as quitações dos títulos representativos das obrigações. 26. Não há como verificar a correta escrituração dos documentos representativos dessas operações assim como as suas respectivas quitações. 27. Todo o procedimento de fiscalização realizado como o de diligência demonstram claramente o intuito do sujeito passivo de se omitir em prestar informações ou apresentar documentos relacionados à comprovação dos fatos alegados. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 14 13 28. Dessa forma, restaram na impugnação simples alegações não comprovadas. 29. Em tempo, entregue em 19/11/2008 resposta do sujeito passivo alegando que não se configura o não atendimento da intimação pelo fato de que a fiscalização esta com os documentos requeridos desde 2006. 30. Constatase novamente o caráter protelatório adotado pelo sujeito passivo, visto que a documentação alegadamente em poder da fiscalização foi devolvida em 27/12/2007, conforme Termo de Devolução de Livros e Documentos de fls. 857. ( )". (grifei). Por fim, em 01/12/2008, mediante "Termo de Encaminhamento" (fls. 937), o presente processo retornou a esta DRJ/SP 1, mais especificamente a esta 4a Turma de Julgamento, para sua devida apreciação. E o relatório. Passo ao voto.” O acórdão acima ementado julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sob os fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas razões de impugnação, especialmente no que se refere: (a) à nulidade dos lançamentos por violação aos princípios da verdade material e ampla defesa; (b) à nulidade da diligência realizada, em virtude de defeito de motivação do termo de verificação fiscal que a iniciou; (c) à decadência do direito do Fisco lançar tributos com base nos passivos mantidos pela Contribuinte em sua escrituração em 31.12.2001; (d) à insubsistência dos lançamentos em decorrência do fato de (i) os saldos das contas fornecedores e financiamentos estarem comprovados a partir dos documentos apresentados em impugnação; e (ii) a Fiscalização ter atribuído como receita omitida praticamente a integralidade dos valores mantidos em conta de passivo em sua escrituração (contas fornecedores, financiamentos a curto prazo e financiamento a longo prazo). No ponto, segundo a Contribuinte, ainda que tais valores pudessem ser considerados receita omitida, seria de rigor o arbitramento do lucro no período, o que não ocorreu no caso. Reitera, ao final, requerimento de conversão do julgamento em diligência para exame dos documentos juntados aos autos, sua escrituração e comprovação de suas alegações. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme salientado no relatório supra, a Contribuinte registrou em 2002 diversos lançamentos em contas de passivo, denominadas “fornecedores”, “financiamentos a Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 15 14 curto prazo” e “financiamentos a longo prazo”, num total a débito de R$46.884.995,81, dos quais, após ter sido regularmente intimada, apenas R$3.280.443,00 foram comprovados. Nesses termos, R$43.604,552,81 serviram de base para lançamento de IRPJ e CSLL pela sistemática do lucro real e demais tributos reflexos, sob acusação de omissão de receitas decorrente de passivo fictício. Em impugnação, a par de impugnar o critério jurídico adotado para os lançamentos de IRPJ e CSLL, a Contribuinte traz documentos à colação que, no seu entender, seriam suficientes para a comprovação dos débitos lançados nas citadas contas de passivo. Diante do volume de documentos juntados pela Contribuinte e da própria proporção das contas de passivo utilizada como base de incidência dos tributos lançados, o Colegiado a quo determinou a realização de diligência para que citados documentos fossem auditados e cotejados com a escrituração da Contribuinte. Citada diligência não foi bem sucedida pois, entre outros motivos, a Contribuinte não atendeu aos requerimentos da Fiscalização para a entrega de documentos necessários à realização da nova auditoria. Diante de tal fato, proferiuse o acórdão recorrido sem que fosse procedido ao exame dos documentos apresentados pela Contribuinte em sede de impugnação. Nada obstante a Contribuinte tenha contribuído significativamente para o insucesso da diligência proposta pelo Colegiado a quo, o caso demanda a realização de nova auditoria nos documentos e na escrituração da Contribuinte, ante (i) a quantidade de documentos juntados aos autos e que não tiveram mínima consideração pela instância anterior; (ii) o regime de apuração do IRPJ e CSLL eleito pela Fiscalização; e (iii) a tributação de praticamente a totalidade das contas “fornecedores” e “financiamentos a curto e longo prazos” sob a presunção legal de omissão de receitas. Por tais fundamentos, sem prejuízo da ulterior análise dos argumentos de direito aduzidos pela Contribuinte e considerados os demais elementos constantes dos autos, oriento voto no sentido de converter o julgamento em diligência para (i) Atestar, de forma conclusiva e justificada, a autenticidade e escrituração dos documentos acostados pela Contribuinte anexos à impugnação, tanto no tocante à realização de operações (aquisições e financiamentos), quanto no que se refere às respectivas quitações; (ii) Cotejar, de forma conclusiva e justificada, as contas de passivo “fornecedores”, “financiamentos a curto prazo” e “financiamentos a longo prazo” conforme encerramento dos anoscalendário de 2001 e 2002, identificando lançamentos que sejam comuns a ambos os exercícios fiscais e indicando os valores respectivos; (iii) Também de forma conclusiva e justificada, atestar quais documentos acostados aos autos pela Contribuinte integraram os saldos das rubricas "Fornecedores", "Financiamentos a Curto Prazo" e "Financiamentos a Longo Prazo", em 31/12/2002. Na hipótese de terem integrado tais saldos, qual a sua influência em relação aos lançamentos efetuados? Quando teriam ocorrido suas quitações? Se necessário, circularizar fornecedores e credores da Contribuinte. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 16 15 (iv) Das verificações efetuadas, lavrar Relatório de Diligência circunstanciado e dele dar ciência à Contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012000/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
PEDIDO DE DILIGÊNCIA - INDEFERIMENTO
É de ser indeferido o pedido de diligência quando a prova que se pretende formular com a diligência era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26).
MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14)
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2202-002.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$ 1.013,75 no ano calendário de 2005, bem como desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins e Dayse Fernandes Leite que proviam em menor extensão, mantendo a multa qualificada.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Anan Junior.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA - INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de diligência quando a prova que se pretende formular com a diligência era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Recurso provido em parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10680.012000/2008-60
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351940
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2202-002.670
nome_arquivo_s : Decisao_10680012000200860.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO LOPO MARTINEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10680012000200860_5351940.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$ 1.013,75 no ano calendário de 2005, bem como desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins e Dayse Fernandes Leite que proviam em menor extensão, mantendo a multa qualificada. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Anan Junior.
dt_sessao_tdt : Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5481575
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814566907904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2167; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.012000/200860 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.670 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2014 Matéria IRPF Recorrente NEILA APARECIDA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de diligência quando a prova que se pretende formular com a diligência era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$ 1.013,75 no ano calendário de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 20 00 /2 00 8- 60 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 2005, bem como desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins e Dayse Fernandes Leite que proviam em menor extensão, mantendo a multa qualificada. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Anan Junior. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.012000/200860 Acórdão n.º 2202002.670 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Contra a contribuinte, NEILA APARECIDA DA SILVA, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 a 9, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2005 e 2006, anoscalendário 2004 e 2005, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$313.960,59, acrescido de multa de oficio de 150% e juros de mora calculados até 29/08/2008. O lançamento decorre da tributação de rendimentos tidos como omitidos provenientes de valores depositados/creditados em contas bancárias de titularidade da contribuinte, uma vez que a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações financeiras (explicações e planilhas As fls. 10 a 23). Como enquadramento legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e art. 849 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999. Cientificada em 26/09/2008 (Aviso de Recebimento, AR à fl. 143), em 28/10/2008, a contribuinte apresenta a impugnação de fls. 144 a 159, instruída com os documentos de fls. 160 a 163 e fls. 2 a 224 do anexo 2, assim substanciada: conforme já esclarecido a fiscalização, os recursos movimentados nas contas bancárias estão relacionados à atividade profissional de seu cônjuge (representante comercial comprador). Os depósitos foram efetuados por Cláudio Tavares Vianna, sócio da Mercado Digital Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda., a titulo de antecipação, para que o Humberto Sandro Albino Teixeira, cônjuge da contribuinte, efetuasse compra de mercadorias para a empresa; não foi possível obter microfilmagem dos cheques depositados, pois os bancos se recusaram a fornecêlos, alegando sigilo bancário; Cláudio Tavares Vianna questionado acerca das transferências bancárias efetuadas para a conta corrente de titularidade da contribuinte e seu cônjuge, limitouse a alegar que se tratavam de empréstimos, sem, no entanto, provar; os valores apurados não são rendimentos auferidos pela contribuinte e seu cônjuge, que não possuem capacidade contributiva e manifestação de riqueza com eles compatíveis. Tratamse de rendimentos dos sócios da empresa Mercado Digital Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda. e de seus familiares; requer a realização de diligência, para que os bancos sejam intimados a apresentar as microfilmagens dos cheques depositados em sua conta. A maioria dos cheques era nominal a empresa, a Claudio Tavares Vianna ou a José Lembi Freitas Vianna, que posteriormente os endossavam. Grande parte dos depósitos foi efetuada na agência do Banco do Brasil no Padre Eustaquio, bairro onde está estabelecida comercialmente a empresa e que é distante da residência dos contribuintes; Fl. 580DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 os fatos alegados podem ser comprovados por meio das declarações anexas de testemunhas, pela relação de mercadorias entregues a Claudio Tavares Vianna, prestação de contas dos anos 2004 e 2005, em que consta o controle dos depósitos coincidentes em datas e valores efetuados pelo sócio da empresa, inclusive com sua caligrafia; a contribuinte, servidora pública, não tem nenhuma relação com os valores movimentados na conta bancária da qual o seu cônjuge é cotitular. Toda a movimentação deve ser atribuída a Humberto Sandro Albino Teixeira na condição de prestador de serviço a empresa Mercado Digital Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda; requer a juntada posterior de documentos, em especial de relação dos cheques depositados solicitada ao Banco do Brasil por meio de notificação extrajudicial. Requer diligencia para que se correlacionem os dados constantes das prestações de contas apresentadas com os constantes das notas fiscais e pedidos de venda emitidos pela empresa no período fiscalizado; o valor de R$2.027,50 foi transferido para a conta corrente da contribuinte em 20/12/2005 pela Associação Nacional dos Servidores (Pecúlio GEAP); no caso, não pode ser atribuída 6 requerente a responsabilidade prevista no § 6° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, uma vez que restou evidenciado o envolvimento de terceiro, nos termos do § 5° do mesmo artigo; os valores apurados pelo fisco não correspondem A aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda pela interessada, conforme art. 43 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, CTN; de acordo com o art. 9°, inc. VII, do Decretolei n° 2.471, de 1988, estão cancelados os débitos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em depósitos bancários. Nos termos do art. 6° da Lei n° 8.021, de 1990, no lançamento com base em depósitos bancários é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza. Por fim, requer: a improcedência da ação fiscal e o cancelamento do débito; sejam chamados a integrar o pólo passivo: Claudio Tavares Vianna, José Lembi Freitas Vianna e a pessoa jurídica Mercado Digital Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda; seja concedida ajuntada posterior de documentos; que a Receita Federal do Brasil espeça oficio aos bancos com o fim de comprovar a movimentação bancária de Claudio Tavares Vianna, José Lembi Freitas Vianna e da pessoa jurídica Mercado Digital Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda; que seja excluída a responsabilidade de Neila Aparecida da Silva; que sejam desconstituídos os autos de infração de Neila Aparecida da Silva e Humberto Sandro Albino Teixeira. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.012000/200860 Acórdão n.º 2202002.670 S2C2T2 Fl. 4 5 A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Lançamento Procedente em Parte A autoridade recorrida ao apreciar as razões do recorrente decidiu excluir depósitos bancários que havia lançado: No caso, verificase do exame das peças constituintes dos autos que nem todos os depósitos efetuados nas contas bancárias da contribuinte foram considerados de origem não comprovada. Conforme Termo de Verificação Fiscal as fls. 15 e 16, apesar das versões conflitantes, foram consideradas como depósitos de origem comprovada as transferências financeiras feitas por Cláudio Tavares Vianna e pela pessoa jurídica Mercado Digital Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda.. Analisandose os documentos de transferências financeiras interbancárias ás fls. 45 a 51 do anexo 2, constatase que os seguintes valores foram excluídos do demonstrativo dos créditos a comprovar e, conseqüentemente, do montante tributado no lançamento: R$6.000,00 em 29/04/2005 (fls. 63 e 125), R$2.000,00 em 25/10/2005 (fls. 64 e 127), R$2.000,00 em 17/10/2005 (fls. 64 e 127), R$1.000,00 em 02/08/2005 (fls. 63 e 127), R$21.000,00 em 05/05/2005 (fls. 63 e 126), R$18.000,00 em 29/04/2005 (fls. 63 e 125). Seguindose o mesmo procedimento adotado pela fiscalização, excluise do montante tributável lançado o valor de R$17.820,00, relativo à transferência interbancária realizada em 05/05/2005 por José Lembi de Freitas para a conta corrente 10.544, Ag. 0033 do Banco do Brasil. Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. É o relatório. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Do Pedido de Diligência A realização de diligência pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado e/ou esclarecimento de fatos considerados obscuros no processo. Outrossim, a diligência não se presta para a produção de provas de encargo do sujeito passivo. Estão presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. É de ser indeferido o pedido de diligência quando a prova que se pretende formular com a diligência era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo, como no caso da origem de depósitos bancários. Acrescentese que desde a lavratura do auto de infração a recorrente já poderia ter trazido ao processo as provas alegadas, entretanto não fez isso. Isto posto, indeferese o pedido de realização de diligência quando demonstrado o caráter eminentemente protelatório de sua realização e quando não há dúvida para o julgamento da lide. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito Fl. 583DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.012000/200860 Acórdão n.º 2202002.670 S2C2T2 Fl. 5 7 passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. O recorrente questiona que algum dos depósitos bancários, ou melhor especificando creditos em suas contas seriam de outros titulares. Entretanto o recorrente não traz prova conclusiva desses fatos. Notase portanto a coerência do arrazoado da autoridade recorrida, afastando os argumentos que o recorrente suscitou na impugnação e que agora no recurso reitera mais uma vez, sobre os supostos títulos descontados: A contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos recursos financeiros, ou seja, o fato econômico ou jurídico que deu causa aos recebimentos dos valores depositados em suas contas bancárias. Se como alegado, os recursos decorreram do exercício de atividade profissional do cônjuge de intermediação de compra de mercadorias, caberia aos titulares das contas fazer a devida relação de origem e aplicações de recursos coincidentes em datas e valores e apresentar documentação comprobatória da origem dos ingressos, bem como da transferência de numerários de suas contas vinculada a aquisições de mercadorias respaldadas por documentos hábeis em nome da empresa ou em nome do "representante comercial comprador" acompanhados da prova da transferência das mercadorias à empresa. Os documentos apresentados, planilhas às fls. 77 a 136, pedidos ás fls. 142 a 144, e declarações às fls. 156 e 157, todas do anexo 2, não Comprovam a efetivação dos negócios alegados nem a origem dos depósitos bancários considerados no lançamento. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Conforme dito, a tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada como omissão de rendimentos está amparada pela Lei n° 9.430, de 1996, art. 42. Assim sendo, estéril invocar legislação anterior a 1997, como o Decretolei n° 2.471, de 1988, pois a partir de 1°/01/1997, quando passou a viger o citado artigo 42 é legalmente possível considerar o depósito bancário, receita ou rendimento omitido. No caso, as contas bancarias em que foram efetuados os depósitos bancários, cuja origem não foi comprovada são de titularidade da contribuinte e de seu cônjuge. Por conseguinte, correto o lançamento de cinqüenta por cento dos valores apurados em nome da contribuinte, nos termos do § 6'do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e alterações. Cumpre lembrar que a atividade de lançamento é plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN). Não há, pois, como, cancelar o lançamento que seguiu a estrita legalidade. No que concerne a alegação da precária situação financeira da contribuinte, salientese que o fato de a contribuinte possuir dividas, documentos As fls. 53 a 75 do anexo 2, não tem o condão de eximila da comprovação da origem dos depósitos bancários para elidir o lançamento fundamentado na presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996..” Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.012000/200860 Acórdão n.º 2202002.670 S2C2T2 Fl. 6 9 A recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. As provas tem que ser concentradas na explicação de cada depósito considerado como de origem não comprovada. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da valor de R$ 2.027,50 em 20/12/2005 A contribuinte alega que o valor de R$2.027,50 foi transferido para sua conta corrente em 20/12/2005 pela Associação Nacional dos Servidores (Pecúlio GEAP). Na impugnação, não havia acostado aos autos documentos que comprovassem a alegada transferência. Entretanto com o recurso voluntário apresenta o documento de fls 573, onde deixa claro a origem do referido depósito. Deste modo estaria comprovada essa origem. Como os valores foram divididos, atribuindose a recorrente 50% do referido valor tal como se nota as fls. 518. É de se excluir da base de cálculo da infração o valor de R$1.013,75 no ano calendário de 2005. Da Multa Qualificada No que toca a qualificação da multa, embora reconheça a desproporcionalidade entre os valores declarados e a movimentação bancária. Devese reconhecer que no caso concreto, o que se verificou foi uma omissão de rendimentos presumida fundamentalmente a partir de depósitos bancários. Desse modo esses fatos, por si só, não são suficientes a caracterizar evidente intuito de fraude, a que se refere o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Para tanto, seria necessária a comprovação, por parte da autoridade lançadora, de procedimentos adotados pelo Contribuinte com inquestionável intuito fraudulento, o que, porém, não se vislumbrou. Em situações como a presente, aplicável a Súmula nº 14 do CARF “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Por isso, dou provimento nesse item, a fim de desqualificar a multa de 150%, reduzindoa para a multa de ofício de 75%. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da infração o valor de R$ 1.013,75 no ano calendário de 2005, bem como para desqualificar a multa de ofício reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 586DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
