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Numero do processo: 13807.002730/00-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 31/12/1999
AUTO DE INFRAÇÃO. COMPROVADA A FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
Se comprovado que, no período da autuação, não houve pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep, a cobrança dos valores lançados deve ser mantida.
CONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA VIGENTE. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 3102-002.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Helder Massaaki Kanamaru, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 31/12/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPROVADA A FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Se comprovado que, no período da autuação, não houve pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep, a cobrança dos valores lançados deve ser mantida. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA VIGENTE. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 27 30 /0 0- 76 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Helder Massaaki Kanamaru, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 28/50), em que formalizada a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 2.848.758,15, sendo de R$ 1.332.602,69 de Contribuição para o PIS/Pasep dos meses janeiro a setembro de 1995 e novembro de 1995 a dezembro de 1999, R$ 999.451,79 de multa de ofício e R$ 516.703,67 de juros de mora (calculados até 29/2/2000). No Termo de Constatação e Verificação de fl. 27, a autoridade fiscal relatou que o motivo do lançamento fora a falta de (i) recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep dos mencionados meses e (ii) de entrega das DCTF do citado período. Esclareceu ainda que foram considerados na apuração da base de cálculo: a) os valores da autuação realizada pela fiscalização da DRF de Maringá, relativa aos meses de agosto a dezembro de 1998 (fls. 20/26); e b) os valores dos meses de janeiro a dezembro de 1995, inscritos na Dívida Ativa da União (DAU) pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Em sede de impugnação (fls. 58/64), a autuada alegou: a) a ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 7, de 1970, com base no argumento de que a base de cálculo da referida Contribuição, definida na referida LC, fora alterada pelos Decretos Leis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, declarados inconstitucionais pelo STF e que perderam a vigência e eficácia, a partir da vigência da CF/1988, logo, em razão da vedação do efeito repristinatório determinado no art. 2º, § 3º, da Lei de Introdução ao Código Civil (LICC), estaria revogada as disposições sobre base de cálculo previstas na citada LC, que somente poderia ser instituída mediante nova lei complementar, consoante art. 195, § 4º, combinado com o disposto no art. 154, I, da CF/1988; b) não foram considerados na autuação os valores já autuados pela DRF/Maringá, referente aos meses de agosto a dezembro de 1998, nem os inscritos na DAU pela Procuradoria da Fazenda Nacional, referentes aos meses de janeiro a dezembro de 1995. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 508/513), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi julgado procedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 31/12/1999 Ementa: FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Constatada falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento, “ex vi legis”. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação Fl. 610DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13807.002730/0076 Acórdão n.º 3102002.212 S3C1T2 Fl. 101 3 tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. Em 17/9/2003, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância (fls. 516/519). Inconformada, em 10/10/2009, protocolou o recurso voluntário de fls. 525/530, no qual reafirmou as razões de defesa aduzidas na impugnação. Em aditamento, na eventualidade de não ser declarada a improcedência da autuação, requereu (i) a remissão da multa aplicada, pois não houve dolo, máfe ou simulação da parte da recorrente e (ii) a conversão do julgamento em diligência, com vista à realização de perícia contábil. Em face da falta de arrolamento de bens, foi negado seguimento ao recurso (fls. 531/534) e, em seguida, os débitos inscritos em DAU (fls. 541/601). Na sequência, por meio do Despacho de fl. 602, em obediência à Súmula Vinculante nº 211 do Supremo Tribunal Federal, e nos termos do Parecer PGFN/CPJ n° 891, de 2010, foi determinado o retorno do crédito à fase administrativa de julgamento, cancelada a inscrição na DAU (fls. 603/604). Por fim, em 8/8/2013, em atenção ao Despacho de fl. 606, os autos foram enviados a este Conselho, para fim de apreciação do recurso voluntário interposto pela autuada. Na sessão de fevereiro de 2014, mediante sorteio, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, no entanto, deve ser parcialmente conhecido, pelas razões a seguir aduzidas. A controvérsia cingese a questões atinentes (i) à ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 7, de 1970, norma criadora da Contribuição para o PIS/Pasep e (ii) à não exclusão dos valores da Contribuição para o PIS/Pasep já lançados e inscritos na DAU. Da ilegalidade e inconstitucionalidade da norma instituidora da Contribuição para o PIS/Pasep. Inicialmente, é pertinente esclarecer que, por ser norma infraconstitucional de maior hierarquia, em consonância com o princípio da hierarquia das normas, o parâmetro de legitimidade da lei complementar sempre será a Constituição. Assim, é imprópria a alegação de ilegalidade do citado diploma legal, suscitada pela recorrente, haja vista que o parâmetro de legalidade é aferido com base com base no contejo entre o ato infralegal e a lei, com a finalidade de aquilatar a compatilidade daquele com esta. Logo, em relação a esse ponto, fica evidenciado que, sob ponto vista jurídico, a única alegação relevante para o deslinde da presente lide é aquela atinente à inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 7, de 1970. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 Acontece que, nos termos do caput do art. 26A1 do Decreto nº 70.235, 06 de março de 1972, doravante denominado de PAF, a constitucionalidade de norma legal vigente tratase de matéria expressamente vedada ao conhecimento desta instância administrativa de julgamento. Aliás, tal atribuição é reservada, com exclusividade, aos órgãos de julgamento do Poder Judiciário. No mesmo sentido, no âmbito deste Conselho, tal vedação encontrase também expressamente determinada no art. 622 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e afirmada no enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por essas razões, não se toma conhecimento dos argumentos suscitados pela recorrente acerca da inconstitucionalidade da referida Lei Complementar. Da cobrança de débitos já lançados e inscritos em dívida ativa. A recorrente alegou que os valores já autuados pela DRF/Maringá, referente aos meses de agosto a dezembro de 1998, e os inscritos na DAU pela Procuradoria da Fazenda Nacional, referentes aos meses de janeiro a dezembro de 1995, não foram excluídos na presente autuação. Não assiste razão à recorrente. A uma, porque não apresentou nenhuma prova do que alegou, sequer uma planilha que evidenciasse a cobrança dos referidos débitos. A duas, porque há nos autos documentação hábil e idônea (fls. 130/242), que corroboram a informação da autoridade fiscal (fls. 243/245), no sentido de que tais valores não fizeram parte da presente autuação. Com efeito, compulsando os documentos de fls. 130/242, verificase que os mencionados valores foram excluídos do questionado Auto de Infração. No que tange aos 1 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" 2 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993". Fl. 612DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13807.002730/0076 Acórdão n.º 3102002.212 S3C1T2 Fl. 102 5 valores débitos inscritos na DAU, relativos aos meses de janeiro a dezembro de 1995, discriminados nos extratos de fls. 130/132, com base no Demonstrativo de Imputação de Pagamentos (fls. 28/32) e Demonstrativo de Apuração (fls. 37/41), que integram o citado Auto de Infração, confirmase que todos os valores inscritos foram deduzidos dos débitos lançados. Em relação aos valores autuados pela DRF/Maringá, referente aos meses de agosto a dezembro de 1998, também não procede a alegação da recorrente, uma vez que do valor da base de cálculo da matriz mais o valor da base de cálculo da filial, incormados na DIPJ 1999 (fls 183/187), menos os valores da base de cálculo lançados no auto de infração da lavra da fiscalização da DRF/Maringá (fls. 23/24) corresponde, exatamente, aos valores da base de cálculo., dos referidos meses, lançados no Demonstrativo de Apuração (fl. 40), que integra o vergastado Auto de Infração. Tais valores encontramse discriminados, de forma consolidada, no Demonstrativo de fl. 244. Por todas essas considerações, rejeitase a presente alegação. Dos pedidos de perícia contábil e de remissão da multa. Na eventualidade de não ser declarada a improcedência da autuação, a recorrente requereu (i) a remissão da multa aplicada, pois não houve dolo, máfe ou simulação da sua parte e (ii) a conversão do julgamento em diligência, com vista à realização de perícia contábil. O pedido de remissão em destaque não tem amparo legal, consequentemente, propõese o seu indeferimento. Deveras, nos termos do art. 172 do CTN, a remissão total ou parcial do crédito tributário depende de autorização legal e deve ainda atender as condições elencadas nos incisos I a V do citado art. 172. No que concerne ao pedido em tela, sabidamente, não existe lei autorizativa e a ausência de dolo, máfe ou simulação não se inclui em nenhuma das referidas condições relacionadas nos incisos do referido preceito legal. Ademais, com a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), por falta de pagamento, tem natureza objetiva, nos termos do art. 136 do CTN, a inexistência de dolo, máfe ou simulação não tem qualquer efeito na sua aplicação ou graduação. Com respaldo no art. 16, § 1º, do PAF, considerase não formulado o citado o pedido de realização de perícia contábil, pois não atende os requisitos do citado art, IV. Além disso, a perícia contábil requerida é totalmente prescindível, uma vez que há nos autos documentos suficientes para fim comprovação das situações fáticas objeto da questionada autuação. Logo, também por esse motivo, com amparo no art. 18 do PAF, a perícia deve ser rejeitada. Por todas essas razões, os presentes pedidos devem ser rejeitados. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por conhecer, parcialmente, o recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 613DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 Fl. 614DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10480.722217/2010-52
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS.
A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano-calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo anocalendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 22 17 /2 01 0- 52 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 433 2 Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0309, com a exigência do crédito tributário no valor de R$120.384,74 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado referente aos terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2006. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 4883 e aqueles escriturados no Livro Registro de Apuração do ICMS, fls. 96122, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 3236. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 530 e art. 532 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 1016 com a exigência do crédito tributário no valor de R$39.764,69 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de Fl. 434DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 434 3 dezembro de 1995, bem como parágrafo único, alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 1723 com a exigência do crédito tributário no valor de R$183.529,98 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 2429 a exigência do crédito tributário no valor de R$65.729,39 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 170380, com as alegações abaixo sintetizadas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: 2. DA IMPOSSIBILIDADE DO ARBITRAMENTO DE LUCROS NO CASO EM SUB EXAMINE Consoante brevemente exposto no tópico acima, imperioso apontar alguns vícios patentes que findam por infirmar as pretensões do ente fiscal traduzidas na lavratura do presente Auto de Infração, decorrente do MPF N. 0410100/00074/10. Reiterase que, no caso em foco, entremostrase incabível o manejo de presunções, dentre as quais, cumprese mencionar, o instituto do arbitramento de lucro. Explicase: O arbitramento de lucro, [...] mediante desclassificação de escritura contábil é uma medida extrema, a ser adotada na impossibilidade de apuração de base de cálculo do Imposto na situação presentemente tratada, do IRPJ referente ao exercido de 2006. Com base na premissa acima esposada excepcionalidade do arbitramento no caso do Auto de Infração sob açoite, devese mencionar que, apenas, a entrega de livros fiscais não é argumento suficiente para viabilizar a utilização o instituto do arbitramento de pretenso lucro. A titulo de ratificação deste posicionamento, remete se este douto Juízo Administrativo ao Acórdão n. 10807.265/2003, lucidamente emanado pelo 1º Conselho de Contribuintes (D.O.U. 27032003). Vejase que a entrega do Livro Registro de Apuração do ICMS já fornecia dados suficientes para o Fisco efetuar sua cobrança com base na sistemática legalmente prevista para a tributação do IRPJ "lucro real". Pouco importa, pois, que o contribuinte ora peticionante não tenha apresentado, em um primeiro momento, o seu Livro Diário, Vejase, neste mister que, à época da fiscalização derivada do MPF em comento, o ente tributante tinha informações precisas por meio das quais poderia ter apurado corretamente o lucro Fl. 435DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 435 4 real da Impugnante. Os próprios autos da Representação Fiscal de Exclusão do Simples (doe. 02) movida contra a peticionante permitem afirmar que a Fazenda, à luz da documentação tempestivamente entregue, estava munida de informações suficientes. Passadas as considerações retro, no Auto de Infração ora combatido, um vício sobressai solar, qual seja: A POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO IN CASU DOS VALORES REFERENTES AO LUCRO REAL. Insistese em reiterar o vício acima, doutos julgadores, por uma razão muito simples: ao realizar o arbitramento do lucro, não poderia a Auditora Fiscal glosar o total dos custos ou despesas operacionais da Impugnante, algo perfeitamente factível quando da apuração do lucro real. Cometeu equívocos, destarte, o Fisco, cuja ação desastrada finda por comprometer a liquidez e certeza do lançamento realizado. Ratificando tal entendimento, as Delegacias de Julgamento Fiscal, por todo o País, têm dado provimento às impugnações dos contribuintes, envolvendo a matéria debatida. [...] À guisa de conclusão, necessário asseverar que as formalidades só merecem ser observadas sob um aspecto instrumental, ante o caráter teleológico de que se veste o Direito. Acaso um direito, destarte, reste evidenciado a despeito do cumprimento de qualquer formalidade por parte do seu titular, deve ser, pois, tal formalidade desprezada. Neste sentir, imperioso mencionar o compromisso do Ordenamento Jurídico como um todo incluamse as regras relativas aos procedimentos administrativos com a preservação da verdade material. [...] Com o fito de comprovar os seus custos e despesas operacionais, dedutíveis para fins de apuração de lucro real (os quais foram desconsiderados pela fiscalização, quando do arbitramento, na esteira dos parágrafos antecedentes, permitese a Impugnante acostar o Livro de registro de entrada e saída em anexo [...] do qual o Fisco já tinha conhecimento. [...] Reiterese, enfim, que a eleição do arbitramento in casu como alternativa a efetiva apuração do lucro real, configura media arbitrária da Administração Tributária e, portanto, lesiva ao contribuinte não merecendo, de qualquer modo, prosperar. Repousa aí a necessidade de negar provimento ao Auto de Infração ora combatido. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Ante todos os argumentos supra elencados, conta a Impugnante com a argúcia desta Delegacia de Julgamento Fiscal a fim de não ver seu patrimônio desarrazoadamente comprometido. Requerse, destarte, a esse C. Órgão Julgador que se digne a dar procedência total à presente IMPUGNAÇÃO, determinando, por conseguinte, a anulação do r. Auto de Infração. Caso não se entenda ser o presente caso hipótese de anulação do Auto, merece este julgue improcedente, em razão dos equívocos anteriormente mencionados. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 436 5 Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 1141.301, de 29.05.2013, fls. 385389: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES. FALTA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A exclusão do regime do SIMPLES e a falta de apresentação de Livros e Documentos obrigatórios para a tributação com base no lucro real ou lucro presumido, justificam o arbitramento do lucro calculado sobre os valores das receitas auferidas pela Empresa TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Notificada em 29.07.2013, fl. 396, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28.08.2013, fls. 398409, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que o recurso voluntário é apresentado regularmente e suscita que: 3. A EVIDÊNCIA DO BOM DIREITO DA RECORRENTE À ANULAÇÃO DOS 4 AUTOS DE INFRAÇÃO DECORRENTES DO MPF N. 0410100/00074/10 Em que pese o notório saber dos julgadores administrativos que compõem a 3a Turma da DRJ/REC, findaram estes por não apreciar, corretamente, permissa máxima venia, os principais argumentos, outrora, ventilados pela atual Recorrente em sua Impugnação, quais sejam: A REAL POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO, NO CASO VERTENTE, DOS VALORES REFERENTES AO LUCRO REAL DA BRPLAST, NO SEGUNDO SEMESTRE DE 2006, ANTE A DOCUMENTAÇÃO FORNECIDA, PELA EMPRESA, NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. A COMPLETA IMPOSSIBILIDADE DO ARBITRAMENTO DE LUCROS, NOS PATAMARES CONSIGNADOS NOS 4 AUTOS DE INFRAÇÃO DECORRENTES DO MPF N. 0410100/00074/10, OS QUAIS FINDARAM POR SER IRRAZOAVELMENTE CONVALIDADOS, PELA 3ª TURMA DA DRJ/REC, EM SEDE DO ACÓRDÃO 1141.301, ORA CONSPURCADO. Passase, então, à exposição pontual, à luz do caso vertente, de cada uma das premissas acima, a fim de que esta instância ad quem, exercendo a razoabilidade que lhe é peculiar, finde por: (i) anular os 4 autos de infração decorrentes do MPF n. 0410100/00074/10; Fl. 437DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 437 6 (ii) alternativamente, determinar o reexame dos documentos apresentados pela empresa, para fins de computo de seus lucros o mais próximo possível da realidade. 3.1 A IMPOSSIBILIDADE DO ARBITRAMENTO UTILIZADO PELA AUTORIDADE FISCAL Primeiramente, fazse mister salientar a impossibilidade de se aplicar, ao caso, o instituto do arbitramento de lucros da BRPLAST, ensejando a utilização de presunções com vistas a amparar a arbitrária tributação que foram imposta à empresa no caso vertente. Como é sabido, doutos julgadores, o arbitramento é medida de caráter excepcionalíssimo, e somente deve ser adotada ante a completa impossibilidade de apuração da base de cálculo do tributo a ser cobrado de um contribuinte. Tanto é assim, que dita técnica de arbitramento modalidade excepcional de lançamento do crédito tributário deverá obedecer, obrigatoriamente, a três requisitos, previstos no art. 148 do CTN, sob pena de nulidade: (i) Serem omissas e/ou não merecerem fé as declarações prestadas pelos contribuintes fiscalizados; (ii) Serem omissos e/ou não merecerem fé os esclarecimentos prestados pelos contribuintes fiscalizados; (iii) Serem omissos e/ou não merecerem fé os documentos prestados pelos contribuintes fiscalizados. Ocupouse, corretamente, o legislador pátrio, contudo, em garantis àqueles que forem submetidos à cobrança de tributos arbitrados, avaliação contraditória. E tal avaliação contraditória, doutos julgadores, irrazoavelmente, não se verificou no caso em foco, apesar de toda a documentação fornecida, pela BRPLAST, à fiscalização. Como se verifica no bojo dos 4 autos de infração decorrentes do MPF n. 0410100/00074/10, presentemente conspurcados, os valores, neles carreados foram obtidos, pelo Fisco, a partir do Livro Registro de Apuração do ICMS da empresa. Ocorre, porém, que, apesar de ter tido o fiscal autuante acesso à parte dos custos incorridos, pela BRPLAST, para fins do regular desempenho das vendas que constituíram a base de cálculo de seu lucro arbitrado, tais custos parcialmente indicados em tal Livro Registro de Apuração do ICMS nas colunas referentes às entradas de matériaprima, por exemplo não foi, equivocadamente, computado, em entendimento que, arbitrariamente, muito beneficia o Erário. É evidente, doutos julgadores, que, com base nas entradas e saídas de uma empresa, poderia, por aproximação quase que real, o fiscal autuante ter apurado o efetivo lucro da mesma, no período fiscalizado, com base na sistemática do lucro real. Isto porque, tomandose por base, no caso em tela, por exemplo, as colunas referentes às entradas no mês de dezembro de 2006, até os custos com energia elétrica (despesa operacional), suportados pela BRPLAST, poderiam ter sido levados em consideração. Preferiu, contudo, por arbitrária comodidade, o fiscal autuante valerse da modalidade de arbitramento, aplicando, sobre o valor total das vendas da atual Fl. 438DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 438 7 peticionante, no segundo semestre de 2006, um único percentual, previsto em lei como presuntivo de lucro. Tratase de entendimento que, longe de atender aos ditames da verdade material a que deve obediência a Administração Fiscal, sequer respeita os imperativos da capacidade contributiva, como se verá no tópico seguinte. [...] Com base nas premissas acima esposadas excepcionalidade do arbitramento e idoneidade dos documentos postos à disposição do fiscal autuante necessário salientar, doutos julgadores, que o argumento utilizado no Acórdão ora açoitado, de que a Recorrente não apresentou a sua escrituração contábilfiscal, não deve permissa venia, prosperar. Mais ainda, registrase que a Administração Fazendária deve, a todo tempo, buscar a verdade material e, caso haja elementos suficientes para a configuração desta, não pode se valer, por qualquer razão, da figura do arbitramento. E, no caso verte, pouco importa que a Recorrente não tenha apresentado o seu Livro Diário, eis que a mesma documentação considerada idônea, pelo fiscal atuante, para computo do valor das suas vendas, igualmente, servia à determinação dos seus custos, dando azo à possibilidade de apuração da base de cálculo (lucro real) sobre a qual, efetivamente, deveria ter incidido o IRPJ e a CSLL, devidos no segundo semestre de 2006. Resta claro e evidente, portanto, que a autoridade fiscal, na situação em foco, à luz da documentação utilizada para fins do arbitramento, ora questionado, estava munida de informações suficientes para valerse do lançamento tributário com base na sistemática do lucro real; jamais, na do lucro arbitrado, que, aqui, fora utilizado como penalidade. 3.2 A REAL POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO, NO CASO VERTENTE, DOS VALORES REFERENTES AO LUCRO REAL. À guisa de complementação dos argumentos esposados no tópico antecedente, alguns outros esclarecimentos, quanto aos vícios procedimentais incorridos no caso em tela, merecem ser submetidos ao crivo de Vossas Senhorias. Como é sabido, o processo administrativo fiscal deve se pautar no Princípio da Verdade Material. Isto significa que os agentes fazendários, ao procederem às atividades de fiscalização dos contribuintes, devem, exaustivamente, buscar a realidade dos fatos. De igual modo, os julgadores fiscais, institucionalmente, são obrigados a perquirir além do que está posto nos autos de dado processo administrativo para, efetivamente, constatar a realidade que circunscreve a situação de fato posta no caso. [...] Clara é a finalidade do dispositivo acima: o julgador deve buscar, a todo tempo, a verdade material dos fatos, alvo de tributação, podendo, inclusive, promover diligências neste sentido. [...] Destarte, ante as considerações retro, insta salientar os vícios que maculam os 4 Autos de Infração [...] o MPF n. 0410100/00074/10, no que diz respeito à aplicação do arbitramento, quando era possível, in casu, ante a documentação ofertada à fiscalização, o computo das vendas, das despesas com matéria prima, energia elétrica etc, da BRAPLAT; valores estes que bem se prestavam à apuração de seu lucro real. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 439 8 O Acórdão ora vergastado, por convalidar os equívocos em que incorrera a fiscalização, desrespeita, pois, frontalmente, os princípios da verdade material e da capacidade contributiva, daí porque os seus termos não devem ser acolhidos por esta douta instância ad quem. Ao glosar o total dos custos e / ou das despesas operacionais da Recorrente os quais eram passíveis de conhecimento ante os livros de apuração do ICMS, entregues, pela BRPLAST, à fiscalização a autoridade Fiscal não, equivocamente, deixou de verificar aquilo que, exatamente, compõe a realidade para, in casu, penalizar o contribuinte com autuação plasmada no campo das presunções. [...] 3.3 POR CAUTELA OS LIMITES PARA O ARBITRAMENTO DOS LUCROS DA RECORRENTE NO SEGUNDO SEMESTRE DE 2006 Dos esclarecimentos contidos no tópico antecedente, doutos julgadores, chegase, inegavelmente, a uma conclusão: se as saídas indicadas no Livro de Apuração de ICMS da BRPLAST, no ano de 2006, eram dignas de fé, também o eram as entradas (custos e /ou despesas com eletricidade e matérias primas e.g.), neste contidas. Consequentemente, haveria como o fiscal autuante apurar o lucro real da empresa no período. Por outro lado, importa argumentar que, não sendo críveis ditos registros de entrada, também não o seriam os registros de saídas, indicados em tal Livro de Apuração de ICMS, o qual fora utilizado na autuação fiscal em foco. Ocorre que para o caso previsto no parágrafo imediatamente acima, a legislação pátria prevê, especificamente, sistemática de apuração do lucro arbitrado, a qual, igualmente, restou inobservada pela Administração Tributária na hipótese destes autos. [...] Não poderia, portanto, no caso em apreço, a autoridade fiscal ter se pautado somente nos documentos estaduais que demonstravam, supostamente, a receita bruta da empresa, olvidandose das despesas e custos operacionais em que esta incorrera no último semestre de 2006. Neste sentido, importa perceber que o percentual de 9,6%, genericamente utilizado no caso vertente, discrepa em muito da real lucratividade da empresa em foco, a qual, como é sabido, foi excluída do Simples Nacional, no ano de 2006, por ter o seu faturamento ultrapassado, muito pouco, em tal ano, os limites previstos em lei para as pequenas empresas, à época, R$2.400.000,00. [...] 4 A BASE DE CÁLCULO INCONSTITUCIONAL QUE FORA UTILIZADA, COMO FATURAMENTO DA RECORRENTE, PARA FINS DE COBRANÇA DE PIS E COFINS NO SEGUNDO SEMESTRE DE 2006 [...] Omitiuse, porém, a instância de julgamentos a quo de tratar de uma importante premissa que havia sido ventilada, outrora, pela atual Recorrente, em suas Impugnações voltadas à cobrança de PIS e de COFINS em 2006: a base de cálculo inconstitucional que fora utilizada, pela autoridade fiscal para fins de apuração de tais contribuições. [...] Assim, o método de apuração de PIS e COFINS, utilizado, no caso, pela autoridade autuante, que findou por incluir um imposto de competência estadual na base de cálculo de contribuições exigidas pela União Federal, além de onerar inconstitucionalmente o sujeito passivo ora peticionante, padece de qualquer previsão constitucional o que confere flagrante traço de ilegitimidade aos Autos de Infração, decorrentes do MPF n. 0410100/00074/10, voltados a tais contribuições; Fl. 440DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 440 9 Autos de Infração estes cuja iliquidez e consequente nulidade deverá ser atestada por esta instância ad quem. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Em razão de tudo o quanto se expôs, requerse que douta instância ad quem, exercendo a razoabilidade que marca as suas decisões: Reforme o decisum a quo, reconhecendo, enfim, a absoluta nulidade dos 4 Autos de Infração decorrentes do MPF n. 0410100/00074/10, os quais se estendeu o mesmo julgamento do Processo Administrativo n. 10408.722217/201052, ante os inúmeros vícios procedimentais que o maculam. Consequentemente, exima o contribuinte de quaisquer ônus (tributários e / ou penais) advindos dos 4 Autos de Infração em foco. Caso não prosperem os pedidos anteriores, determine, ao menos, a nulidade dos Autos de Infração, voltados à cobrança e de PIS e de COFINS, decorrentes do MPF n. 0410100/00074/10, eis que lavrados com fulcro em base de cálculo (majorada) inconstitucional. Alternativamente aos pedidos supra, determine o reexame dos documentos apresentados pela empresa, ante a real possibilidade de obtenção, no caso, do lucro e do faturamento da BRPLAST, no período fiscalizado o que deverá ser feito com amparo na verdade material, a qual deverá nortear os processos administrativo fiscais. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos e que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta Fl. 441DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 441 10 atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Não restam dúvidas de que o lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 4883 e aqueles escriturados no Livro Registro de Apuração do ICMS, fls. 96122, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 3236. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente suscita que o MPF de instauração do procedimento fiscal contém vício. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O procedimento fiscal pode ser instaurado mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte da pessoa jurídica, mediante termo circunstanciado do qual será dada 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 442 11 ciência ao sujeito passivo. As decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição da autoridade fiscal, bem como dos tributos a serem examinados ou do período de apuração são procedidas mediante emissão de ato complementar. Verificado que o fato ilícito também é uma situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência de fato gerador de tributos diversos e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. O MPF tem validade por 120 (cento e vinte) dias prorrogáveis quantas vezes sejam necessárias, observando em cada ato o prazo de 60 (sessenta) dias, cujas informações ficam disponíveis da pessoa jurídica na internet independentemente notificações sucessivamente formalizadas. A sua extinção ocorre com a conclusão do procedimento fiscal registrado em termo próprio. Este ato é interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício2. Em relação ainda do procedimento fiscal, vale esclarecer que esse tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. Nessa oportunidade a espontaneidade do sujeito passivo está excluída em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Esse ato vale pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos3. No presente caso, o procedimento está regular, uma vez que o Delegado da Receita Federal do Brasil Recife/PE expediu o MPF nº 0410100/00074/2010 indicado nos Termos Fiscais de fls. 3747. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas apurada com base no lucro arbitrado, defendendo que deveria ser adotado de ofício o regime de tributação com base no lucro real. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos4. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. 2 Fundamentação legal: art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001 e Instrução Normativa SRF nº 180, de 01 de fevereiro de 2001. 3 Fundamentação legal: art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 4 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 443 12 A autoridade administrativa procedeu regularmente à fiscalização lavrou os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas, nos termos do art. 196 do Código Tributário Nacional. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. Temse que toda a pessoa jurídica é obrigada a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelas autoridades fiscais no exercício de suas funções e não pode eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da RFB5. A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Em relação à receita bruta ser conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas 5 Fundamentação legal: art. 197 do Código Tributário Nacional, art. 123 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, art. 2º do DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979 e art. 7º da Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 444 13 operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Vale esclarecer que permanece a obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas. Este regime não é uma sanção, tanto que a pessoa jurídica, desde que preencha as condições legais, pode optar pelo lucro arbitrado com base na receita conhecida mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente ao período. Também pode adotar a tributação com base no lucro presumido nos demais trimestres do anocalendário, desde que não esteja obrigada à apuração pelo lucro real. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. Esta apuração de ofício, todavia, não é inválida pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito que, após regular intimação,deixaram de ser exibidos no procedimento fiscal6. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 4883 e aqueles escriturados no Livro Registro de Apuração do ICMS, fls. 96122, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 3236, e com os valores discriminados na Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no anocalendário de 2006 Período 2006 (A) Receita Bruta Apurada de Ofício R$ (B) Receita Bruta Declarada (C) Receita Bruta Omitida R$ (D) 3º Trimestre 1.142.178,49 0,00 1.142.178,49 4º Trimestre 1.705.776,36 0,00 1.705.776,36 Está registrado no Termo de Verificação Fiscal, fls. 3236, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: HISTÓRICO 6 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º e art. 47 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15, art. 16 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 25, art. 26 e art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 59. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 445 14 Em 25/02/2010 foi iniciada a ação fiscal, tendo sido a empresa intimada a apresentar os livros e documentos fiscais que serviriam de base aos trabalhos de auditoria fiscal, no prazo de 20 (vinte) dias. Em 23.03.2010 foi a fiscalizada novamente intimada a apresentar todos os elementos solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal e até então não apresentados. Em atendimento, a fiscalizada encaminhou cópia do Livro Registro de Apuração de ICMS, Livro de Entradas e Livro de Saídas, relativos ao período de julho a dezembro de 2006. Diante disto foi a fiscalizada intimada em 10.06.2010, através do Termo de Constatação Fiscal n° 001, a informar a data do início de suas operações comerciais e se houve operações de vendas de mercadorias no período de janeiro a junho de 2006 e, em caso positivo, apresentar os livros e documentos contábeis e fiscais relativos ao citado período. Foi ainda a fiscalizada intimada a informar a esta fiscalização se possui escrituração contábil relativa ao ano de 2006. Em caso positivo, apresentar os livros de sua escrituração contábil. Em caso negativo, apresentar o livro caixa relativo à suas operações comerciais no ano de 2006. Em 26.06.2010 foi a fiscalizada novamente intimada, através do Termo de Constatação Fiscal n° 002 a informar a esta fiscalização a data de início de suas operações comerciais e se houve operações de vendas de mercadorias no período de janeiro a junho de 2006, bem como a informar se possui escrituração contábil para o referido ano, apresentando os livros contábeis e fiscais correspondentes. Até a presente data a fiscalizada não respondeu aos questionamentos formulados através dos Termos de Constatação Fiscal n° 001 e 002. AUDITORIA Analisando o Contrato de Constituição da empresa, verificamos que a mesma teve seu Instrumento de Constituição lavrado em 07.08.2003 e registrado na JUCEPE em 15.08.2003. Por outro lado, consultando o sistema CNPJ da Receita Federal do Brasil, verificamos as Declarações de Rendimentos da Pessoa Jurídica foram apresentadas nos anos de 2003 e 2004, exercícios de 2004 e 2005 como INATIVA. Relativamente ao ano de 2005, a fiscalizada apresentou a declaração como SIMPLES, porém totalmente "zerada", isto é, sem qualquer informação de valor. Consultando o Sistema Sinal da Receita Federal do Brasil (consulta pagamento), tela anexa, relativamente ao período de 01.01.2003 a 31.12.2006, verificamos que não foi efetuado qualquer pagamento relativo a tributos ou contribuições administrados pela SRFB. Analisando os livros fiscais apresentados a esta fiscalização (Apuração de ICMS, Entradas e Saídas de Mercadorias), verificamos que a empresa auferiu no período de julho a dezembro do ano calendário de 2006, receita bruta no montante de R$2.847.954,85. Segundo dispõe o inciso II do Artigo 9º da Lei 9317/96, não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica na condição de Empresa de Pequeno Porte, que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil reais). De acordo com o art.13, inciso II, alínea b, da Lei 9.317/96, com redação dada pela Lei 11.307/2006, a exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação da pessoa jurídica ou de ofício quando ultrapassado, no ano calendário de início de Fl. 446DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 446 15 atividades, o limite de receita bruta correspondente a R$200.000,00 (duzentos mil reais) multiplicados pelo número de meses de funcionamento nesse período. De acordo com o art.14, inciso I da Lei 9.317/96, a exclusão de ofício será obrigatória, nas formas do inciso II e parágrafo 2º do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica. Segundo o inciso m do Artigo 15, a exclusão do SIMPLES surtirá efeito a partir do início da atividade da pessoa jurídica. Assim, considerando que a empresa esteve Inativa nos anos de 2003 e 2004 e que em 2005 apresentou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica "Zerada", verificamos que o valor da receita bruta auferida no período de julho a dezembro de 2006 (ano de início de suas atividades) é bastante superior ao limite permitido para sua permanência no sistema SIMPLES, tendo ultrapassado inclusive como empresa de pequeno porte, conforme pode ser verificado no "Levantamento da Receita" ano 2006, anexo ao presente. Conforme relatado no item Auditoria do presente termo, foi constatado que a pessoa jurídica iniciou suas atividades comerciais em julho de 2006 e neste mesmo ano já ultrapassou o limite de receita bruta permitido pela Lei 9.317/96, art. 2o, inciso O, alterado pela Lei 11.307/06, art. 1o, e não cumpriu o disposto nos arts. 12 e 13, inciso II, alínea "b", da Lei 9.317/96. Neste sentido, a empresa acima qualificada foi desenquadrada do SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, através do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO n° 198, de 23.08.2010, conforme Processo Administrativo n° 14774.000049/201004, com efeitos a partir de 01/07/2006 [e findo na esfera administrativa]. De acordo com o art. 16 da Lei 9.317/96 "a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas". Neste sentido, em 26.08.2010 o contribuinte foi cientificado da sua exclusão do SIMPLES, recebendo naquela data cópia do Ato Declaratório Executivo n° 198 de 23.08.2010, publicado no DOU de 24.08.2010, tendo sido, ao mesmo tempo, intimado de acordo com a determinação contida no art. 16 da Lei 9.317/96, a apresentar, no prazo de 10 (dez) dias, sua escrita contábil e fiscal relativa ao ano calendário de 2006, elaborada de acordo com as leis comerciais e fiscais e revestidos das formalidades legais que os tomem aptos para determinar o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos pelo regime de tributação com base no Lucro Real. Na impossibilidade de fazêlo informar por escrito. Transcorrido o prazo estipulado no Termo de Ciência e Intimação Fiscal, até a presente data a fiscalizada não apresentou sua escrituração contábil relativa ao ano de 2006, nem qualquer justificativa para sua não apresentação. Em virtude da falta de elementos que permitissem a apuração do lucro real da fiscalizada, para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, esta fiscalização, efetuou o arbitramento do lucro da empresa, no ano de 2006, nos termos do artigo 47 inciso III da Lei 8.981/95 c/c o artigo 530, inciso III do RIR/99, tomando por base os valores das receitas escrituradas em seus livros fiscais, conforme apuradas no Demonstrativo "Levantamento da Receita " anexo. CONSIDERAÇÕES FINAIS Fl. 447DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 447 16 Diante do exposto, serão lavrados a seguir, os Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Reflexos, tendo como forma de tributação o arbitramento do lucro, para instruir a cobrança do crédito tributário correspondente. Esta fiscalização extraiu cópia do Livro Registro de Apuração do ICMS relativo ao ano de 2006, e anexou ao presente processo. A lavratura destes autos de infração não restringe o direito da Fazenda Nacional de apurar outras irregularidades não detectadas na auditoria que ora se encerra, nos termos acima descritos. Não pode, portanto, ser entendido este termo como forma de quitação com relação ao período examinado, nem como qualquer óbice a que se realize um outro exame sobre o mesmo período. Este Termo é parte integrante dos Autos de Infração a seguir lavrados. Há de se salientar que em estrito cumprimento à legislação vigente e pelas características da operação determinada e realizada, a presente ação fiscal não se aprofundou na análise de outros elementos, por não lhe ter sido determinado, ficando ressalvado o direito de a Fazenda Nacional constituir créditos tributários relativamente a fatos ora não contemplados. As informações contidas no Livro de Registro de Apuração de ICMS, fls. 96 122, escriturado pela própria Recorrente é prova lícita que pode ser utilizada como evidência incontroversa da receita bruta por ela auferida no anocalendário de 2006. A divergência entre os valores das receitas escrituradas no Livro Registro de Apuração de ICMS e aqueles informados na DSPJ, fls. 4883, caracteriza omissão de receitas quando não infirmada pela Recorrente. Ainda pela própria natureza do regime de tributação com base no lucro arbitrado não tem cabimento a dedução de despesas por vedação legal. Além disso a base de cálculo dos tributos está correta e foi calculada a partir do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). As provas foram obtidas por meios lícitos dentro do regular exercício de atividade de fiscalização fazendária. O Livro Registro de Apuração de ICMS foi apresentado pela Recorrente, o que reforça o exame aprofundado para fins de apuração do ilícito tributário e a sua justa causa. Não se caracterizou, portanto, a prova emprestada, porque o referido Livro Registro de Apuração de ICMS é de pleno conhecimento da Recorrente, que aliás, o escriturou com base nas informações contidas em seus assentos contábeis. Assim, diferente do entendimento da Recorrente não houve qualquer arbitrariedade na constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, que foram levados a efeito nos estritos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. No presente caso também não houve presunção na apuração da omissão de receitas, já que a constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício baseouse em provas diretas, em face das quais a Recorrente foi validamente cientificada para se defender. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto, não restando caracterizada a falta de comprovação do ilícito fiscal. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem Fl. 448DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 448 17 ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso7. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em relação ao Auto de Infração PIS, a legislação citada ( art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único, alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002) e atinente ao Cofins o enquadramento legal mencionado (parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002) estavam válidos no ordenamento jurídico à época da ocorrência dos fatos geradores, em conformidade com o art. 144 do Código Tributário Nacional. A ilação designada pela defendente, a despeito de tudo, não se destaca como procedente. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 9. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 7 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 9 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 449 18 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 450DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10283.900221/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando- se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA.
Trata-se de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 1803-001.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ANÁLISE INTERROMPIDA. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Tratase de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo. Recurso provido em parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 02 21 /2 00 9- 51 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900221/200951 Acórdão n.º 1803001.977 S1TE03 Fl. 60 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0121.947 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, constante das fls. 42 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 17.02.2005, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada com crédito de IRPJ referente a pagamento indevido (efetuado através do DARF descrito na fl. 03), no valor original de R$ 15.120,19. 2. A DRF/Manaus, através de despacho decisório eletrônico (fl. 06), indeferiu o pedido de restituição e considerou "não homologada” a referida compensação, em virtude do DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa. 3. Cientificada em 05.03.2009 (fl. 09) a interessada apresentou, tempestivamente, em 03.04.2009, manifestação de inconformidade (fl. 10/11) na qual alega: ‘1. A Manifestante é empresa devidamente estabelecida na Zona Franca de Manaus, gozando dos incentivos exercendo atividades no Pólo Industrial de Manaus desde 1985. 2. Dentre as atividades que exerce, destacase a industrialização e comércio de componentes de metal, alumínio e magnésio injetados sob pressão para motocicletas, motores, veículos, para indústria eletroeletrônica e para outros segmentos industriais, bem como de moldes, matrizes, dispositivos e equipamentos para ensaios. 3. Dentro deste contexto, a Manifestante é industria produtora de bens intermediários (partes e peças para motocicletas), fabricadas, em boa parte, mediante a utilização de matériaprima adquirida de outras unidades da federação, sobretudo do Estado de São Paulo. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900221/200951 Acórdão n.º 1803001.977 S1TE03 Fl. 61 3 4. Após o processo produtivo, a Manifestante comercializa as partes e peças para motocicletas com as empresas produtoras de motocicletas, também estabelecidas na Zona Franca de Manaus, ocasião em que a operação, por força de lei, apresenta alíquota zero. no que diz respeito à contribuição ao Programa de Integração Social PIS COFINS. 5. Nos anos de 2001 e 2003 foi feito recolhimento a maior do que o calculado na Declaração de ajuste, ficando assim a empresa com imposto a pagar negativo, ou seja, a restituir na DIPJ de 2002 Anocalendário 2001 e de 2003 Anocalendário 2002 conforme pags. 13 e 18 da DIPJ (COPIA EM ANEXO, juntamente com os recibos de entrega e mais as PER DCOMPs e as cópias dos Darfs de pagamentos). Logo o valor recolhido foi maior que o devido. E assim podendo ser utilizado para a compensação, restando, à Manifestante, a opção de formular a PER DCOMP de compensação do valor pago indevidamente que lhe é de direito”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, na sessão de 06/06/2011, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0121.947 entendendo por unanimidade de votos, “julgar improcedente a manifestação de inconformidade”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado da decisão de primeira instância em 08/07/2011 (sextafeira) (AR constante das fls. 46), a METALFINO DA AMAZONIA LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0121.946, recorre em 08/08/2011 (fls. 47 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900221/200951 Acórdão n.º 1803001.977 S1TE03 Fl. 62 4 Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com compensação (DCOMP), cujo direito creditório se refere a pagamento a maior ou indevido de IRPJ (estimativa) relativo ao ano calendário 2002, conforme DARF recolhido em 30/09/2002. Efetivamente, a negativa contida na decisão de primeira instância e ratificada pelo Acórdão nº 0121.947 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA deve ser revista amparada que está tão somente nas Instruções Normativas nºs 460/2004 e 600/2005, restando prejudicada com a superveniência da Instrução Normativa 900/2008, conforme entendimento sintetizado na Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 5/12/2011, assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa”. Este tema já foi enfrentado diversas vezes por essa 3ª Turma Especial, com vários julgados do ilustre Conselheiro Walter Adolfo Maresch, ao qual rendo as minhas homenagens. E, para exemplificar, trago a colação parte da decisão proferida no julgamento do processo nº. 10283.900182/200991 na sessão de dezembro de 2012, consubstanciado pelo Acórdão nº. 1803001.600, que teve a seguinte ementa “verbis”: “ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900221/200951 Acórdão n.º 1803001.977 S1TE03 Fl. 63 5 O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Tratase de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo.”. Desta forma voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos à unidade de jurisdição, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (Assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA
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Numero do processo: 10425.720038/2010-45
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 00 38 /2 01 0- 45 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) em que utiliza crédito decorrente de ressarcimento de PIS apurado no regime não cumulativo, cujo saldo corresponde ao quarto trimestre de 2005. Despacho Decisório do DRF/Campina Grande/PB indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720038/201045 Acórdão n.º 3803006.160 S3TE03 Fl. 225 3 A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente aos débitos declarados na DCOMP, as compensações não serão homologadas, implicando a cobrança dos valores indevidamente compensados, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS (próprio), que compõe o preço da mercadoria, integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS, que é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia (art. 1º, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.637/2002). RECEITA BRUTA DAS VENDAS DE BENS E SERVIÇOS. CONCEITO LEGAL. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, não se incluindo as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (art. 31, caput e parágrafo único, da Lei nº 8.981/95). ICMS. “DESTAQUE” MERAMENTE INFORMATIVO. O ICMS ao contrário do IPI, por disposição legal (art. 13, § 1º e inciso I da Lei Complementar nº 87/96), incide “por dentro” do valor da mercadoria e não é cobrado de forma destacada do comprador, constituindo a informação do seu valor na Nota Fiscal mera indicação para fins de controle. Cientificada da decisão em 17 de dezembro 2012 irresignada, apresentou recurso voluntário em 08 de janeiro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720038/201045 Acórdão n.º 3803006.160 S3TE03 Fl. 226 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720038/201045 Acórdão n.º 3803006.160 S3TE03 Fl. 227 7 A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal tem como sujeito passivo o vendedor. 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Ademais, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11070.000062/2008-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/08/2007
Ementa:
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.269
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 00 62 /2 00 8- 70 Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Trata a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada em 19/12/2007 e cientificada ao sujeito passivo em 21/12/2007, de contribuições previdenciárias patronais e às relativas ao seguro acidente do trabalho, incidentes sobre a remuneração de segurados que prestaram serviço à notificada, através de convênio firmado com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Redentora – APAE, no período de 10/2001 a 08/2007. De acordo com o explicitado no Relatório Fiscal de fls. 65/68, o Município firmou convênios com o Ministério da Saúde e a FUNASA para a prestação de serviços de saúde em reservas indígenas, por exemplo, e ao mesmo tempo firmou convênio com a APAE para que a mesma contratasse profissionais para aquela prestação de serviço conveniada com os outros órgãos. Aduz o Relatório, que a notificada repassa os valores da folha de pagamento dos segurados para a APAE, que procedia então ao pagamento dos mesmos, sendo a Administração Municipal quem determinava quais os profissionais deveriam ser contratados, o valor do salário, o tempo de contratação, a concessão das férias, pagamento de décimo terceiro salário, enfim determinava e comandava toda a prestação dos serviços. Os documentos de fls. 146 a 223, comprovam o alegado pelo Fisco. Após a impugnação, Acórdão de fls. 646/653, julgou o lançamento procedente em parte para excluir as competências até 11/2001 e a 13/2001, relativa ao décimo terceiro salário, frente à fluência do prazo decadencial. O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ, através de Registro Postal em 09/09/2008, Inconformado com a decisão apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) que não há vínculo empregatício dos segurados para com o Município; b) que a execução dos programas de saúde da família ficou a cargo da APAE por conta de convênio firmado entre as partes; c) que a APAE alterou seu estatuto para possibilitar o convênio; d) que o Ministério da Previdência não encontrou qualquer óbice à legalidade dos convênios celebrados com a APAE; e) que não há débito de natureza previdenciária entre o Município e o INSS; f) que o Acórdão não pode fazer julgamento ultrapetita, e g) requer o cancelamento da notificação. É o relatório. Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.000062/200870 Acórdão n.º 2302003.269 S2C3T2 Fl. 1.848 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 646/653, em 09/09/2008, fls.667, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 10/09/2008, fruindo até 09/10/2008. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 05/11/2008, conforme documento de fls. 668, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 19515.000598/2010-45
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALORES REPASSADOS À DENTISTAS CREDENCIADOS POR OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE - NÃO INCIDÊNCIA - Os valores repassados aos dentistas pelas operadoras de plano de saúde não devem sofrer incidência de contribuição previdenciária pois estas são apenas intermediárias que oferecem e pagam por serviços médicos hospitalares na qualidade de substitutas dos particulares que efetivamente se utilizam destes serviços.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NÃO OCORRÊNCIA - Em não se constatando o descumprimento de obrigação principal, não há que se falar em descumprimento de obrigação acessória àquela relacionada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.481
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Nome do relator: Marcelo Freitas de Souza Costa
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALORES REPASSADOS À DENTISTAS CREDENCIADOS POR OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE - NÃO INCIDÊNCIA - Os valores repassados aos dentistas pelas operadoras de plano de saúde não devem sofrer incidência de contribuição previdenciária pois estas são apenas intermediárias que oferecem e pagam por serviços médicos hospitalares na qualidade de substitutas dos particulares que efetivamente se utilizam destes serviços. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NÃO OCORRÊNCIA - Em não se constatando o descumprimento de obrigação principal, não há que se falar em descumprimento de obrigação acessória àquela relacionada. Recurso Voluntário Provido.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NÃO OCORRÊNCIA - Em não se constatando o descumprimento de obrigação principal, não há que se falar em descumprimento de obrigação acessória àquela relacionada. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente 1 Fl. 980DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. 2 Fl. 981DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 980 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, referente à contribuições previdenciárias, em virtude do descumprimento de obrigação principal contida na Lei 8212/91, correspondente a parte da empresa e segurado contribuinte individual. De acordo com o Relatório Fiscal foram efetuados os seguintes levantamentos: CI1 – Contribuintes Individuais – Valores lançados na contabilidade a titulo de pagamentos de Exames e Terapias, Assessoria e Consultoria e de Adiantamentos e serviços prestados por dentistas; CO1 – COMISSÕES - Adiantamentos a Marques e Costa; EM1 – DIFERENÇA DE EMPREGADOS – Relativos à comissões sobre vendas; F01- FORNECEDOR - Valores lançados como adiantamento ou pagamentos de serviços de informática; MA1 – MASSAGEM - Assistência medica / massagem. Após a apresentação de defesa a 14ª Turma da DRJ/SP1 julgou procedente o lançamento através do Acórdão 16-37.321 que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com o entendimento sumulado da Egrégia Corte (Súmula nº 08/2008) e do Parecer PGFN/CAT no 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, na contagem do prazo decadencial para constituição do crédito das contribuições devidas à Seguridade Social, na hipótese de lançamento de ofício, utiliza-se a regra geral do art. 173, I, do CTN. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Considera-se salário de contribuição, para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo estabelecido no §5º, art. 28, da Lei nº 8.212/91. JUROS. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE CONFISCO. 3 Fl. 982DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem, a partir de 01.04.1997, juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Não cabe ao julgador administrativo afastar a aplicação de lei ordinária validamente inserida no ordenamento pátrio. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, regra que comporta exceções desde que expressas em lei. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicílio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4º do art. 23 do Decreto 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com referida decisão a autuada apresentou recurso a este conselho, onde alega em síntese: Que ocorreu a decadência parcial do direito de o fisco constituir o crédito com fulcro no art. 150, § 4º do CTN; Argumenta que a fiscalização tomou como fato gerador o pagamento de valores a contribuintes individuais que prestam serviços, lançados na contabilidade com o titulo adiantamento a fornecedores e pela analise da conta contábil constatou que em diversas competências tais fornecedores teriam recebido valores idênticos, indicativos de remuneração e não de reembolso de despesas com combustíveis e lubrificantes, estacionamento e lanches e refeições. E também, que os valores foram apurados pela conta de adiantamento, que contém os nomes dos segurados "contribuintes individuais" que prestam serviços. Defende que tem atividade diferenciada e regulada por lei especifica, que a coloca submissa a regime jurídico diverso daquele aplicável às empresas comerciais, industriais e de serviços. Que é uma Operadora de Plano de Assistência à Saúde, que exerce atividade regrada pela Lei 9.656, de 03 de junho de 1998, destaca da lei o art. 1º, e seu inciso I (parte final). E assim sendo, a Operadora é somente uma mandatária do consumidor para o fim de efetuar o reembolso e pagamento direto ao prestador, agindo por conta e ordem exclusiva desse mesmo consumidor. Que dentro dessa modalidade, nenhum vinculo jurídico se estabelece entre a Operadora e o prestador dos serviços de saúde. Quem elege o prestador e usufrui dos serviços é o consumidor, como detentor dos direitos próprios do plano privado de assistência à saúde. Afirma que a PREVIDENT não é usuária tomadora dos serviços dos dentistas, não se trata de uma empresa prestadora de serviços odontológicos, mas, sim, de uma operadora de plano de assistência à saúde, sem desenvolver as atividades próprias da odontologia.A PREVIDENT exerce atividade de operadora de plano de assistência a saúde em 4 Fl. 983DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 980 odontologia, mas não é uma rede de consultórios odontológicos, não dispõe de instalações e equipamentos para a prestação desses serviços, não é gestora de rede de consultórios de assistência odontológica, limita-se a operar o produto descrito no inciso I do art. 1° da Lei 9.656/98. Quanto à exigência atinente aos adiantamentos a fornecedores, o Fisco desconsiderou os lançamentos contábeis e os documentos apresentados para comprovação dos reembolsos fundado em mera presunção, sem nenhuma prova da inidoneidade dos documentos ou dos lançamentos e, tampouco, de qualquer irregularidade nos procedimentos da Impugnante. Aduz que o documento juntado, denominado "guia de tratamento odontológico", dele consta texto expresso autorizando a operadora a pagar, em nome do usuário e por sua conta os serviços prestados, tudo na forma da lei e sob rigorosa fiscalização da ANS. Pelo contrato do plano privado de assistência à saúde celebrado entre operadora e consumidor usuário, se verifica ser condição essencial do mesmo que a operadora pague ao prestador de serviços mediante autorização, em nome e por conta do consumidor usuário. Alega que não há prova documental de que a Autuada seja a tomadora dos serviços dos dentistas ou que os tenha de alguma forma ou por algum meio contratado o que, por si só, já desautoriza a exigência veiculada no auto de infração, por absoluta afronta ao art. 142 do CTN. Sustenta que a forma de autorizar a incidência da norma tributária relativa à contribuição previdenciária sobre pagamentos a avulsos e autônomos é a efetiva tomada de serviços desses profissionais. Se não se materializa o ato de tomar os serviços, a hipótese legal não se configura e, assim, impossível a exigência tributária nos termos do artigo 114 do Código Tributário Nacional. Advoga no sentido de serem confiscatórias e inconstitucionais a imposição da multa bem como a aplicação dos juros com base na Taxa SELIC; Requer o provimento do recurso. É o relatório 5 Fl. 984DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Inicialmente cumpre esclarecer que o presente recurso versa apenas acerca do levantamento denominado CI1 – Contribuintes Individuais – Valores lançados na contabilidade a titulo de pagamentos de Exames e Terapias, Assessoria e Consultoria e de Adiantamentos e serviços prestados por dentistas, já que a recorrente reconheceu como procedente os demais lançamentos tendo inclusive solicitado parcelamento dos valores lançados. A fiscalização efetuou este lançamento por entender que os valores pagos ou Creditados a Prestadores de Serviço é inerente a contribuintes individuais e se encontra sujeita a tributação de contribuição previdenciária. Segundo o Auditor Fiscal, os pagamentos efetuados pela Seguradora a prestadores de serviços odontológicos se enquadram nesta situação conforme dispõe o art.12, “g” da Lei nº 8.212/91. Por seu turno, afirma a recorrente não há qualquer vínculo entre ela e os dentistas que figuram na rede credenciada já que os contratos entre a seguradora e a recorrente estabelece vínculo obrigacional exclusivamente entre as partes contratantes, na medida em que, havendo o cumprimento da obrigação do segurado, que é o pagamento do prêmio, o segurador deve ressarcir as despesas médicas por aquele incorridas. Conclui que, o fato de o dentista estar credenciado não se traduz em vínculo de natureza alguma já que este pode estar credenciado e nunca ser escolhido pelo segurado. Faz-se aqui necessária uma distinção entre “Seguro” e “Plano” de saúde. Uma das grandes diferenças entre seguro e plano de saúde é o reembolso das despesas médico-hospitalares. O primeiro possibilita livre escolha de médicos e hospitais, com direito a reembolso. Já o plano de saúde, não. A lei 9656/98, alterada pela MP 2.177/01, ao regular os planos privados de assistência à saúde assim dispõe: "Art.1o - Submetem-se às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a sua atividade, adotando-se, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições: I-Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, 6 Fl. 985DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 980 mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; II-Operadora de Plano de Assistência à Saúde: pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou comercial, cooperativa, ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de que trata o inciso I deste artigo; III-Carteira:o conjunto de contratos de cobertura de custos assistenciais ou de serviços de assistência à saúde em qualquer das modalidades de que tratam o inciso I e o §1o deste artigo, com todos os direitos e obrigações nele contidos Neste contexto, parece-me correto o argumento da recorrente uma vez que, ao não limitar o atendimento do segurado a determinado(s) profissional(is) por ela credenciado(s), desvincula a relação jurídica existente como sendo de contratação de contribuinte individual. A meu ver, as seguradoras de saúde tem tratamento diverso das cooperativas de saúde onde há a união de profissionais para exercer suas atividades. No caso das seguradoras, tratam-se de intermediárias que oferecem e pagam por serviços odontológicos hospitalares na qualidade de substitutas dos particulares que efetivamente se utilizam destes serviços. Se não há incidência de contribuições quando os particulares pagam os honorários aos dentistas, também não deve haver no caso das operadoras que não fazem intermediação direta com profissionais, mas sim com planos. Nestes casos as contribuições sociais são custeadas diretamente pelos profissionais remunerados na qualidade de contribuintes individuais. O simples fato de estar o dentista credenciado junto à operadora não gera um vínculo contratual entre ambos, já que os serviços não são prestados à seguradora, mas sim ao próprio segurado. Note-se que se o serviço for prestado por um profissional não credenciado, o mesmo valor do serviço será reembolsado diretamente ao segurado, não havendo a incidência da referida contribuição, logo, se é certo que a pessoa física não está sujeita ao pagamento de contribuição previdenciária quando remunera diretamente o profissional de saúde, tampouco estaria a operadora, que, como já dito antes, atua apenas como intermediária. Vejamos entendimento do STJ: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. VALORES REPASSADOS AOS MÉDICOS CREDENCIADOS. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO. COMPENSAÇÃO. LIMITE. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, não incide contribuição previdenciária sobre os valores repassados aos médicos pelas operadoras de plano de saúde" (AgRg no AREsp 176.420/MG, Rel. 7 Fl. 986DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 22/11/2012). 2. "Os limites à compensação tributária (introduzidos pelas Leis 9.032/95 e 9.129/92, que, sucessivamente, alteraram o disposto no artigo 89, § 3º, da Lei 8.212/91) são de observância obrigatória, mercê da inexistência de declaração de inconstitucionalidade (em sede de controle difuso ou concentrado) dos aludidos diplomas normativos" (EREsp 919.373/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJ de 26/04/11). 3. Recurso especial conhecido e parcialmente provido para restabelecer a sentença. Em recente pronunciamento, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, alinhando-se à orientação da Segunda Turma assim também entendeu conforme se depreende da ementa abaixo: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. VALORES REPASSADOS AOS MÉDICOS CREDENCIADOS. NÃO INCIDÊNCIA. ACÓRDÃO OBJURGADO EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESSA CORTE SUPERIOR. PRECEDENTES: AGRG NO RESP. 1.129.306/RJ, REL. MIN. CASTRO MEIRA, DJE 08.09.2010 E RESP. 874.179/RJ, REL. MIN. HERMAN BENJAMIN, DJE 14.09.2010. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Este Superior Tribunal de Justiça tem entendido que não incide contribuição previdenciária sobre os valores repassados aos médicos pelas operadoras de plano de saúde. Precedentes. 2. Noutro ponto, resta sublinhar que se afigura inadequada a argumentação relacionada à observância da cláusula de reserva de plenário (art. 97 da CRFB) e do enunciado 10 da Súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, pois não houve declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos legais suscitados, tampouco o afastamento destes, tão somente a interpretação do direito infraconstitucional aplicável à espécie. Precedentes: 2a. Turma, AgRg no REsp. 1.264.924/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 09.09.2011; 1a. Turma, EDcl no AgRg no REsp. 1.232.712/RS, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, DJe 26.09.2011. 3. Agravo Regimental desprovido. (AgRg no AREsp 176.420/MG, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 22/11/12) Logo, comungo dos entendimentos acima mencionados e entendo que deve ser excluído da autuação o levantamento sobre os valores pagos e/ou creditados aos contribuintes individuais dentistas, bem como as multas vinculadas Ante ao exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso.. 8 Fl. 987DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 980 Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator 9 Fl. 988DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10980.001205/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, converteu-se o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Júlio César Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso De Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, converteuse o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Júlio César Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso (assinado digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso De Almeida (Suplente), Angela Sartori. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte Kraft Foods Brasil S.A. em face acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) (fls. 400/4009), que restou assim ementado: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 01 20 5/ 20 10 -5 0 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.787 S3C4T1 Fl. 448 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001 RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL. O reconhecimento do direito a créditos de IPI limitase aos termos do pedido e da decisão judicial que os autoriza. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO. PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, • instituído para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins. Não se consideram produtores, para efeitos fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não incide atualização monetária, calculada pela variação da taxa Selic, sobre ressarcimento de créditos de IPI, sendo hipótese distinta de restituição de imposto pago indevidamente ou a maior. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Consta dos autos que o crédito tributário em questão referese a crédito presumido de IPI referente a aquisições de pessoas físicas, baseado em decisão proferida no Processo Judicial n° 2002.81.00.0013151 da empresa incorporada, no ano de 2002, Iracema Indústrias de Caju Ltda, CNPJ 05.866.835/000142, transitado em julgado em 19/07/2007, tendo como número do Processo de Habilitação do Crédito 10980.009854/200965. A DRF de origem não reconheceu o direito ao crédito presumido de IPI sob o argumento de que os produtos exportados pela contribuinte são classificados na TIPI como NT (não tributados), situação esta que não dá direito A. utilização do beneficio previsto na Lei n° 9.363/96. Acrescenta ainda, que a contribuinte inseriu nos cálculos para atualização dos valores dos créditos presumidos do IPI a taxa selic, cujo procedimento não encontra respaldo legal tendo em vista que o dispositivo que permite a correção pelos juros selic é exclusivo para repetição de pagamento indevido ou a maior de tributos. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 338/354) contra a nãohomologação das compensações, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: a) o não reconhecimento do seu direito à. utilização do crédito presumido de IPI nos termos da Lei n° 9.363/96 viola de forma flagrante a sentença de mérito proferida no Mandado de Segurança n° 2002.81.00.0013151; b) após a recorrente ter tido reconhecido, de forma definitiva, o seu direito de se utilizar do beneficio do crédito presumido de IPI, não há como se alegar que o fato dos produtos por ela exportados serem classificados como NT não permite a utilização do beneficio em questão, pois toda a discussão quanto ao reconhecimento do direito da recorrente ao mencionado beneficio foram enfrentadas e resolvidas com definitividade no Mandado de Segurança; c) além do mais, inexiste restrição na Lei n° 9.363/96 para aplicação do beneficio do crédito presumido de IPI a produtos classificados corno NT na TIPI. A recorrente é empresa produtora e exportadora de produtos nacionais, não interessando se os seus produtos são notados como NT; d) no caso especifico da requerente, os produtos por ela exportados são aqueles resultantes do processo de beneficiamento da castanha de caju, o simples fato de seus produtos configurarem como NT na Fl. 448DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.787 S3C4T1 Fl. 449 3 TIPI não é capaz de desnaturar a condição de empresa produtora, isto é, de empresa que realiza processo de industrialização; e) considerando que o direito ao ressarcimento equiparase ao direito de restituição de qualquer outro tributo administrado pela Receita Federal. o que de acordo com a disposição contida na legislação aplicável deve ser atualizado pela taxa selic. E, segundo jurisprudência tanto do STJ como do STF, na hipótese de o crédito não ter sido utilizado em função de óbice criado pelo próprio Fisco, deve ser aplicada a atualização monetária em homenagem ao principio da nãocumulatividade, bem corno para evitar o enriquecimento sem causa do Fisco. A DRJ houve por bem em não acolher as alegações da recorrente, mantendo a decisão proferida anteriormente, sob o argumento de que os produtos NT não ensejam o direito a crédito, bem como que o reconhecimento do direito a créditos de IPI limitase aos termos do pedido e da decisão judicial que os autoriza. Irresignada a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 412/435), reiterando as alegações apresentadas em sua manifestação de inconformidade, pleiteando, ao final a procedência do pedido de compensação dos créditos de IPI. Não houve apresentação de contrarazões por parte da Fazenda, vieram os autos a este conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DA DECISÃO JUDICIAL A compensação de créditos de IPI foi concedida através de decisão judicial transitada em julgado no Mandado de Segurança n. 2002.81.00.0013151. Ora, na referida ação mandamental a recorrente teve reconhecido o seu direito de utilização do benefício do Crédito Presumido de IPI, previsto na Lei n. 9.363/96, sem as restrições previstas na IN n. 23/97, tal como a vedação do cálculo sobre as aquisições junto a fornecedores pessoas físicas e cooperativas. Ora, aqui neste Conselho sempre pautamos nossa conduta em busca de assegurar a todos a tão almejada “segurança jurídica”, ou seja, visamos sempre respeitar os institutos assecuratórios dos direitos tanto do fisco como do contribuinte. Nesse sentido, o princípio da segurança jurídica está diretamente ligado à elaboração do que seja a idéia de Estado Democrático de Direito, se constitui o referido princípio em uma das vigas mestras da ordem jurídica. O citado princípio se liga Fl. 449DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.787 S3C4T1 Fl. 450 4 estruturalmente à moderna exigência de que se dê maior estabilidade as situações jurídicas, aí incluídas aquelas, que na sua origem, apresentem vícios de ilegalidade. A segurança jurídica estando incluído na espécie do gênero de direito fundamental ocupa lugar de relevo no ordenamento jurídico atual, estando destacado junto com o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito, como postulados máximos de cumprimento inclusive pela legislação infraconstitucional. Em nome da segurança jurídica, consolidaramse institutos desenvolvidos historicamente, com destaque para a preservação dos direitos adquiridos e da coisa julgada”. Reunindose a esse conceito vem a força imperiosa da acomodação fática por via da consolidação dos direitos exercidos e não disputados que tem sua origem no instituto da prescrição. Destarte, extraise a ilação de que a segurança jurídica é o mínimo de previsibilidade necessária que o Estado de Direito deve oferecer a todo cidadão, a respeito de quais são as normas de convivência que ele deve observar e com base nas quais pode travar relações jurídicas válidas e eficazes. Ora, o princípio da segurança jurídica é garantidor do Estado Democrático de Direito onde informa como o Estado deve se conduzir, ocupando ele lugar destacado como consectário da dignidade da pessoa humana e da necessidade de estabilidade nas relações sociais. Não obstante isso, há que ser respeitada a coisa julgada material proferida por Juiz competente. Se a decisão judicial que transitou em julgado em favor do recorrente assegurou seu direito de se utilizar do Crédito Presumido do IPI nos termos previstos na Lei n. 9.363/96, não me parece crível que possa o auditor fiscal dar outra interpretação legislativa diferente daquela determinada na decisão judicial, mormente porque esta é vinculativa à atividade estatal. Com efeito, como bem ressaltou a recorrente em suas razões, não cabe mais levantar, na esfera administrativa, se a recorrente tem ou não direito a se utilizar do benefício, pois toda a discussão do direito em questão já foi devidamente discutida no processo judicial, com resultado favorável ao contribuinte transitado em julgado. Ademais, se a decisão judicial concedeu o direito a crédito ao recorrente, como já explanado, não pode a administração negálo sob o argumento de que não se trata de crédito prêmio e sim de NT. Ora, negarse a cumprir a decisão proferida no Mandado de Segurança é desrespeitar a liturgia das nossas cortes judiciais, o que, tenho certeza, não é esse o escopo desse Conselho. Assim sendo, a autoridade administrativa estaria limitada a aferir se o valor do crédito foi ou não apurado de forma correta de recorrente e não discutir se existe o direito ou não ao mencionado benefício, visto que este já foi sotrancado na esfera judicial. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, determinando a remessa dos presente autos à DRJ para que se verifique se os valores apresentados pela recorrente estão corretos ou não. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.787 S3C4T1 Fl. 451 5 Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 451DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 10283.005439/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório NOKIA DO BRASIL TECNOLOGIA LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, que deferiu parcialmente os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Manaus/AM. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .0 05 43 9/ 20 07 -3 8 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 709 2 Versa o presente processo sobre declaração de compensação n° 01749.39161.200607.1.3.030857 (fls.2 a 18) em que o contribuinte indica crédito referente a saldo negativo CSLL anocalendário 2006 no valor de R$ 12.212.894,05 para compensar débitos próprios. [...]Na DIPJ exercício 2007 original, apresentada em 27/06/2007 (11.432), o contribuinte apurou saldo negativo de CSLL no valor de R$ 12.212.894,08 (fl.433) Em 11/04/2008 apresentou DIPJ/2007 retificadora (fl.429) apurando saldo negativo CSLL de R$ 9.251.914,35 (f1.430). Por intermédio do Parecer DRF/MNS/SEORT 10283.005439/200738 e respectivo Despacho Decisório (fls.285 a 294), a unidade de origem considerou não homologadas as compensações declaradas em função da inexistência de direito creditório referente ao saldo negativo CSLL anocalendário 2006. Em sua análise, a unidade de origem fundamenta o não reconhecimento do direito creditório a partir da conclusão de que os seguintes valores informados na DIPJ do contribuinte estão incorretos: 1. Amortização de Goodwill (R$ 13.482.833,85): é inadmissível o surgimento do ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico. A requerente pretendeu, através de uma manobra contábil com abuso de forma jurídica, beneficiarse de forma a reduzir o lucro em detrimento do Fisco com a amortização do ágio pago na transação, através da criação de uma sociedade (Nokia Holding do Brasil Ltda) que no jargão dos escritórios de planejamento tributário denomina se "sociedade veiculo", já que sua única razão de existência é servir de veiculo a manobras jurídico contábeis meramente elisivas. 2. O procedimento de amortização do ágio pela requerente não teve fundamentação na legislação tributária porque a requerente, que à época dos fatos denominavase NG Industrial Ltda (incorporadora) é quem deveria demonstrar que sua participação na Nokia Holding do Brasil Ltda (incorporada) foi adquirida/integralizada com ágio embasado nos fundamentos econômicos nos termos em que prescreve a legislação, podendo assim proceder á amortização em até sessenta meses como preconiza o normativo quando efetuasse a incorporação da investida, ou mesmo o contrário, a incorporação da investidora pela investida (incorporação às avessas — inc.II, §6° do art.386 RIR/99). Nem que pretendesse proceder de tal forma não poderia, pelas seguintes razões: primeiro, porque não haveria como serem avaliados, a valor de mercado, os bens da Nokia Holding do Brasil já que a mesma não possuía qualquer bem em seu patrimônio, exceto a participação adquirida posteriormente a sua criação na própria NG Industrial Ltda na qual sua sócia (Nokia Móbile Phones Ltd) era também sócia majoritária com 51% das quotas; segundo, não seria razoável aceitar que uma empresa que teve vida efêmera (9 meses) e sem qualquer efetiva produção de bens ou serviços pudesse motivar um ágio com base em sua rentabilidade futura; terceiro, restaria apenas fundamentar o ágio em fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, sem possibilidade de amortização nos termos do inciso II do art.386 do RIR/99. 3. A criação de uma empresa que durante sua breve existência realizou apenas uma única operação, não satisfaria à clássica trilogia da necessidade, normalidade e efetividade como atributos de uma despesa realizada sob normais condições a ensejar dedução no resultado apurado na incorporadora (inteligência dos arts. 299, 324, 385 e 386 do RIR/99). Fl. 596DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 710 3 4. Despesas de Royalties: [...]. Tendo tomado ciência do Parecer DRF/MNS/SEORT 10283.005439/200738 e Despacho Decisório em 17/04/2008 (fl.294), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 16/05/2008 (fls.318 a 356) e documentos anexos (Doc's 01 a 05 — fls.358 a 424), por intermédio de procurador (fls.299/301 e 438), alegando em síntese que: 1. As despesas glosadas apresentam todas as condições materiais e formais para serem reconhecidas como dedutiveis da base de calculo da CSLL; 2. A operação sob análise pode ser entendida em duas etapas: · A Nokia Holding do Brasil Ltda adquiriu participação equivalente a 49% do capital social detido indiretamente por Gradiente Industrial S.A na sociedade NG Industrial Ltda, gerando um ágio; · A NG Industrial Ltda passa a ser denominada Nokia do Brasil Tecnologia Ltda, incorpora a sua investidora (Nokia Holding do Brasil Ltda) e, a partir de então, passa a amortizar o ágio reconhecido por ocasião da aquisição da participação societária descrita na primeira etapa. 3. A operação praticada coadunase com os dispositivos legais aplicáveis matéria, incorporados nos artigos 385 e 386 do RIR/99; 4. A primeira etapa efetuada foi a aquisição de 49% da participação na NG Industrial Ltda por preço determinado em contrato de opção (um valor fixo de US$ 400 milhões e um valor variável equivalente a 49% dos lucros auferidos entre 10 de outubro de 2000 e 31 de dezembro de 2000). Vale ressaltar que o valor do preço fixo estipulado foi determinado com base na rentabilidade futura da operação; 5. A NG Industrial Ltda era uma Joint Venture societária entre a NMP e a Gradiente Telecom. Devese destacar que a NG Industrial Ltda já era, àquela época, uma das maiores fabricantes de telefones portáteis do Brasil e encontrase ainda hoje em franca expansão; 6. A Nokia Holding, ao contabilizar em seu balanço a participação adquirida, seguiu fielmente as determinações do que preconiza o artigo 385 do RIR/99; (transcreve referido artigo) 7. O segundo passo pretendeu levar o ágio ao alcance de seu fundamento econômico, ou seja, a rentabilidade futura em que se baseou a fixação do preço. Dessa forma, a Nokia Holding, pessoa jurídica que adquiriu a participação com ágio baseado em rentabilidade futura, foi incorporada pela sociedade operacional Nokia do Brasil Tecnologia Ltda (nova denominação da NG Industrial Ltda). Essa etapa está perfeitamente em linha com o que dispõe o artigo 386 do RIR199; (transcreve parte do art.386) 8. O reconhecimento da indedutibilidade, por parte da fiscalização, deuse com base em alegações completamente equivocadas, tanto a respeito das questões de fato quanto das questões de direito, sendo ilógicos ou baseados em meras presunções genéricas, sem qualquer base legal; Fl. 597DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 711 4 9. A respeito da aquisição de 49% de participação na NG Industrial Ltda por Nokia Holding do Brasil Ltda, o parecer afirma que para que houvesse o direito à amortização do ágio seria necessário que a investida (NG Industrial Ltda), em razão de ser a incorporadora, demonstrasse que a participação adquirida na investidora (sic) apresentasse como fundamento econômico para o pagamento do ágio a rentabilidade futura da investidora (mesmo no caso da investidora ser incorporada pela investida); 10. Tal afirmação não encontra qualquer fundamento lógico. Primeiro, porque a NG Industrial Ltda nunca adquiriu participação na Nokia Holding. 0 que ocorreu foi exatamente o oposto; 11. É importante deixar bem claro que o ágio é constituído, reconhecido e verificado por ocasião da aquisição do investimento, pelo contribuinte que o adquirir, pela diferença entre o custo de aquisição e o valor do patrimônio liquido ponderado da participação adquirida; 12. Não é o artigo 386 do RIR/99 que determina quem deve avaliar e quem será o objeto da avaliação, para a determinação do ágio, e nem a posição adotada na operação societária engendrada; (transcreve ementa de Solução de Consulta da DISIT 07 e de acórdãos do Conselho de Contribuintes, assim como posição da doutrina); 13. No caso concreto, o valor do ágio contabilizado foi, como só poderia ser, computado pela diferença do valor entregue para a aquisição da participação de 49% de participação na NG Industrial Ltda. O fundamento para o pagamento do ágio foi a expectativa de rentabilidade futura do negócio adquirido, conforme se verifica da análise do doc.02; 14. As alegações procedidas pela fiscalização de que a Nokia Holding não teria condições de comprovar o fundamento do ágio, e que portanto o ágio não teria fundamento econômico, são completamente dissociadas da legislação vigente, pois o ágio é um conceito legal, definido no art.385 do RIR199 e o fundamento do ágio deve estar lastreado na participação adquirida; 15. Inexistia grupo econômico no momento da constituição do ágio. A opção irretratável e irrevogável pela Gradiente Telecom S.A de aquisição de 49% da participação por ela detida na NG Industrial Ltda à NMP ou a quem esta designasse e esta designação se deu em favor da Nokia Holding; 16. Não se trata de confusão patrimonial, pois a Nokia Holding não exerceu um direito que era da NMP, mas um direito seu adquirido mediante a cessão da opção de compra irretratável e irrevogável. Além disso, todas as partes envolvidas apresentam contabilidade regular, segregando seus ativos e passivos. A fiscalização, caso tivesse provas ou elementos para caracterizar a confusão patrimonial, deveria apresentálas à requerente, quando menos para assegurar o seu direito de defesa; 17. Não há, na legislação, dispositivo que impeça a geração de ágio dentro do mesmo grupo econômico. Além disso, a aquisição da participação foi efetuada de pessoa jurídica estranha ao grupo econômico da Nokia; (transcreve ementa de acórdãos do CC sobre o assunto) Fl. 598DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 712 5 18. A presunção de existência de grupo econômico por ocasião da formação do ágio não é verdadeira, não podendo servir de fundamento para a glosa da amortização; 19. Os requisitos de normalidade, necessidade e efetividade são irrelevantes no presente caso. A operação de aquisição e posterior incorporação da investidora pela investida foi efetuada ao abrigo dos artigos 385 e 386 do RIR199, não lhe sendo aplicável o artigo 299 do RIR/99; 20. O artigo 299 dispõe sobre condições gerais de dedutibilidade. Como toda regra geral, sua efetividade está condicionada, caso a caso, à inexistência de regra especifica que verse sobre o tema de maneira objetiva; (transcreve parte de acórdão do CC sobre o assunto) 21. A afirmação de que houve abuso de forma é desprovida de qualquer fundamentação. Não há qualquer demonstração ou elemento no parecer que comprove a criação da Nokia Holding teve como única finalidade a realização de manobras jurídico contábeis meramente elisivas; 22. No ordenamento jurídico brasileiro, os limites para a estruturação das atividades e operações empresariais do ponto de vista tributário são definidos a partir de normas constitucionais. Destacamse a livre iniciativa (inciso IV do art.1° da CF/88), o principio geral da atividade econômica (parágrafo único do art.170 da CF/88), o direito à propriedade (inciso XXII do art.5° da CF/88) e o principio da legalidade (art.150, I da CF/88) que é corolário do principio da segurança jurídica (inciso II do art.5° da CF/88); 23. A atividade tributária é caracterizada pela tipicidade fechada, cabendo à lei definir em abstrato todos os elementos necessários à tributação, permitindo ao contribuinte identificar, de forma segura e confiável, qual o fato que, uma vez praticado, dará ensejo ao surgimento da obrigação tributária, quem estará sujeito ao pagamento do tributo e qual o montante do tributo a ser pago; 24. O abandono do principio da legalidade estrita conduziria a uma completa insegurança e ao arbítrio, em que não seria possível ao contribuinte prever as conseqüências tributárias de suas atividades e operações. Nesse contexto, não se pode obrigar o contribuinte, em suas atividades ou operações empresariais, a pagar mais tributo se há, dentro do ordenamento jurídico, alternativa licita que lhe permite pagar menos tributos. O intuito de economizar tributos não é ilegal, sendo mesmo obrigação dos administradores das empresas; 25. Segundo o artigo 167 do Código Civil, para que haja dissimulação devem existir dois negócios jurídicos, um, simulado, ostensivo, aparente, que não representa o intimo querer das partes; outro, dissimulado, oculto, que justamente constitui a relação jurídica verdadeira; 26. Somente no caso de haver dissimulação é que as autoridades tributárias estão autorizadas a desconsiderar a forma do negócio jurídico (art.116 do CTN), para atingir seu real e efetivo conteúdo; 27. No caso, não há que se falar em abuso de forma ou dissimulação. 0 que houve foi, de fato, a constituição de uma pessoa jurídica no Brasil (Nokia Holding), que posteriormente, no regular exercício de suas atividades, Fl. 599DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 713 6 adquiriu do grupo Gradiente a participação societária na NG Industrial Ltda e foi, finalmente, incorporada pela requerente; 28. No caso, a controladora da Nokia Holding, Nokia Corporation, representando o grupo Nokia, com sede na Finlândia, tinha interesse em incrementar sua posição de investimentos no Brasil, acreditando que o mercado de telefonia celular no Pais teria um incremento significativo de vendas e lucratividade e que o Pais poderia funcionar como um pólo exportador para as Américas. Para tal, criou uma empresa domiciliada no Brasil e aportou recursos; 29. Durante sua existência (9 meses), a Nokia Holding teve seus atos societários registrados na Junta Comercial de São Paulo, obtendo o NIRE n° 35.216.239.531 e foi registrada no CNPJ sob o n° 03.789.596/0001 49. Mais, abriu contas bancárias e realizou operações financeiras, além de adquirir participação acionária da NG Industrial Ltda da empresa Gradiente Telecom S.A; 30. Sua existência, estratégica para o grupo, permitiu a manutenção de recursos em reais no Brasil para a aquisição da participação dos 49% da NG Industrial Ltda, de maneira ágil e segura; 31. A forma adotada para a constituição da Nokia Holding do Brasil foi a prevista em lei; 32. Posteriormente, em razão do negócio praticado estar encerrado, o grupo entendeu por bem incorporar a Nokia Holding na sociedade operacional, visando reduzir a estrutura operacional mantida no Brasil; 33. Nada há de atípico ou anormal na constituição de uma holding por empresa estrangeira para a aquisição de participações societárias no Brasil ou na posterior incorporação desta holding pela empresa controlada. Não há nada de planejamento tributário aqui; 34. Diversas operações são assim feitas e divulgadas na midia, de forma absolutamente corriqueira por estarem totalmente amparadas pelo sistema jurídico nacional; (transcreve noticias da imprensa sobre o assunto e trecho de acórdão do CC) [...] 43. Requer seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade, que seja julgado insubsistente o parecer exarado nesses autos e homologadas as declarações de compensação constantes deste processo. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0112.871, de 29/01/2009 (fls. 539/557), deferiu parcialmente a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2006 AMORTIZAÇÃO ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 714 7 Uma vez não comprovada a aquisição de participação societária com ágio, incabível a amortização. DESPESAS COM ROYALTIES. Incabível a adição das despesas com royalties na recomposição da base de cálculo da CSLL por falta de previsão legal. Somente a lei pode estabelecer a base de cálculo do tributo. Ciente da decisão de primeira instância em 26/02/2009, conforme documento de fl. 557, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 27/03/2009 (registro de recepção à fl. 564, razões de recurso às fls. 565/591), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Preliminarmente, a recorrente aponta duas inexatidões materiais no acórdão recorrido. a) Não consideração da compensação da base de cálculo negativa apurada em períodos anteriores, no valor de R$ 41.790.703,67, conforme informado na Ficha 17 da DIPJ (doc. 06). Afirma que inexiste qualquer motivação no acórdão recorrido para a desconsideração dessa compensação, pelo que conclui tratarse de mero erro material. b) Não reconhecimento dos valores de CSLL retidas por pessoas jurídicas de direito privado, no montante de R$ 4.131,86 (doc. 06) na recomposição da base de cálculo da CSLL, valor esse que já teria sido reconhecido pelo Parecer da DRF (fl. 292). Do mesmo modo que no item anterior, diante da falta de motivação para tanto, a interessada conclui tratarse de mero erro material. A recorrente efetua os cálculos que entende corretos e chega ao saldo negativo de CSLL no valor de R$ 6.340.862,49 (quadro à fl. 570) 1. Pede a correção dos erros materiais apontados, sem prejuízo dos demais argumentos recursais. Ao historiar o ocorrido, por sua ótica, a recorrente afirma, sobre a decisão recorrida, que “a dedutibilidade da amortização do ágio pela Recorrente não foi admitida porque não haveria sido demonstrado que a Recorrente possuiria participação na Nokia Holding — por ela incorporada — adquirida com ágio e, em conseqüência, não se enquadraria no permissivo do caput do artigo 386 do RIR/99” e, ainda, que “é importante salientar que este foi o único fundamento adotado pelo Acórdão DRJ/BEL n° 0112.740 para afastar o direito da Recorrente de deduzir o ágio pago pela Nokia Holding — posteriormente incorporada pela Recorrente — quando adquiriu a participação societária na Recorrente. Nenhum dos outros motivos que determinaram sua glosa pela Fiscalização, conforme exposto no Parecer, foi acatado pelo Acórdão como razão para a indedutibilidade da referida amortização”. A interessada sustenta que os julgadores em primeira instância teriam compreendido os fatos de forma incorreta e, em decorrência, ao elencar a legislação aplicável, teriam deixado de relacionar o art. 8º da Lei nº 9.532/1997 e o § 6º do art. 386 do RIR/99, fundamentais para o correto deslinde da questão. 1 A decisão recorrida havia reconhecido saldo negativo de CSLL no anocalendário 2006 no montante de R$ 2.575.567,30, conforme fls. 556/557. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 715 8 Passa, então, a reforçar os argumentos já trazidos em sede de impugnação, acerca da origem do ágio pago pela Nokia Holding pela aquisição de participação societária (49%) na NGI. Tal ágio seria baseado na expectativa de rentabilidade futura da investida, e teria sido efetivamente pago à Gradiente Telecom S.A., conforme documentos que especifica. A contabilização teria seguido fielmente as disposições do art. 385 do RIR/99. A seguir, a investidora (Nokia Holding) teria sido incorporada pela investida (NGI, já com sua atual denominação Nokia do Brasil Tecnologia Ltda), tudo em conformidade com o art. 386, caput, inciso III e § 6º, inciso II, do RIR/99. Diante disso, reafirma que todas as condições para que a amortização do ágio seja admitida como dedutível teriam sido observadas. A recorrente discorre, a seguir, sobre a diferença de saldo negativo entre a DIPJ original e a DIPJ retificadora, e sobre os valores de estimativa do anocalendário 2006, desconsiderados pelo acórdão recorrido conforme segue: a) No presente processo, o valor de saldo negativo de CSLL do anocalendário 2006 (crédito) apresentado é de R$ 12.212.894,05. Na DIPJ original, apresentada em 27/06/2007, esse é exatamente o valor do saldo negativo apurado. No entanto, a interessada apresentou DIPJ retificadora em 11/04/2008, na qual o valor do saldo negativo apurado é de R$ 9.251.914,35. A interessada afirma que “ao identificar a discrepância gerada, a Recorrente imediatamente, com o intuito de corrigir a diferença de saldo negativo de CSLL, procedeu ao recolhimento, via DARF, do valor exato da diferença (R$ 12.212.894,05 — R$ 9.251914,35 = R$ 2.960.979,70), no dia 9 de janeiro de 2008, calculado com encargos moratórios desde 31 de janeiro de 2007, considerandoo como estimativa de CSLL (código 2484) do mês de dezembro de 2006 (doc. 07)”. Com isso, entende que teria sido recomposto o saldo negativo originalmente apurado, ainda que tal valor não tenha sido indicado na DIPJ retificadora. Invoca o princípio da verdade material e pede que o valor pago via DARF seja considerado na composição do saldo negativo da CSLL do ano calendário 2006. b) Estimativa de fevereiro/2006: Afirma a interessada que a estimativa de fev/2006 teria sido extinta por compensação nos autos do processo nº 10283.005442/200751. No entanto, a compensação teria sido nãohomologada, em decisão administrativa ainda não definitiva. Por sua ótica, a desconsideração da estimativa de fev/2006, neste processo, seria descabida, não apenas porque sua extinção por compensação se encontra pendente de decisão administrativa final no outro processo, mas também porque, se porventura mantida a cobrança naquele outro processo, estarseia a exigir o valor em duplicidade, lá e cá. Entende perfeitamente válida a utilização do valor de estimativa mensal de fevereiro no valor de R$ 535.398,53 para a composição do total de estimativas pagas de CSLL durante o anocalendário 2006. c) Estimativas de setembro/2006 e outubro/2006: Aqui, a interessada se refere às diferenças entre os valores de estimativas de CSLL que constam da DIPJ (R$ 1.109.509,48 + R$ 5.385.221,75 = R$ 6.494.731,23) e das DCTFs (R$ 76.848,67 + R$ 5.255.429,53 = R$ 5.332.278,20). Afirma que o acórdão recorrido, ao constatar as diferenças, teria adotado os valores das DCTFs, e não teria atentado para o fato que a recorrente teria adimplido o total dos valores declarados em DIPJ. Em suas palavras (fls. 589/590): Fl. 602DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 716 9 4.2.3.6 Ocorre que, apesar de não haver identificado em sua DCTF nem DIPJ, a Recorrente havia procedido, como se fosse relativo ao período de apuração de agosto de 2006, o recolhimento, via DARF (código 2484), de valor de estimativa mensal de CSLL no valor de R$ 1.239.301,70, no dia 28/09/2006 (doc. 08). Aliás, tal valor já foi identificado pela Fiscalização à fl. 43, e serviu para tão somente validar o valor de R$ 76.848,67, relativo a setembro de 2006. 4.2.3.7 O valor remanescente do DARF de R$ 1.162.453,03 (R$ 1.239.301,70 — R$ 76.848,67 = R$ 1.162.453,03), é superior, mas quase idêntico, ao valor total da diferença existente entre os valores informados na DCTF e na DIPJ nos meses de setembro e de outubro de 2006. 4.2.3.8 Portanto, fica claro que a antecipação efetuada em agosto, no valor de R$ 1.239.301,70, cobre integralmente as diferenças apontadas entre os valores identificados na DIPJ e na DCTF. 4.2.3.9 Trilhando o mesmo raciocínio exarado no r. Acórdão recorrido, devese aceitar como estimativas mensais a integralidade dos valores decorrentes do DARF quitado em 28 de setembro de 2006, quando menos não seja, em nome do Princípio da Verdade Material. [...] 4.2.3.10 Ora, se os "fatos tais como se apresentam na realidade" apontam para a existência de um pagamento no valor de R$ 1.239.301,70, identificado como pago pela própria Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, não há razão, segundo o princípio da verdade material, para se utilizar somente os valores declarados pela Recorrente na DCTF, e desconsiderar aqueles declarados na DIPJ. Requer, ao final, a procedência de seu recurso, a correção dos erros materiais apontados e a reforma parcial do acórdão recorrido, no que toca à dedutibilidade da amortização do ágio e à composição dos valores pagos por estimativa de CSLL durante o ano calendário 2006, com a consequente homologação das compensações declaradas. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Do exame dos autos, constato que o processo não se encontra em condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. 1. Alegação de inexatidão material no acórdão recorrido não consideração da compensação da base de cálculo negativa apurada em períodos anteriores, no valor de R$ 41.790.703,67. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 717 10 Compulsando os autos, encontro, à fl. 30, cópia da DIPJ original (ND 0917610), acostada pela Autoridade Preparadora (cópia autêntica). Na linha 37 consta o valor de R$ 41.790.703,67 (BC neg da CSLL períodos anteriores), com a anotação a mão “adicionar”. A DIPJ retificadora (ND 1491221) se encontra (somente a Ficha 17) às fls. 461/465. Especialmente, à fl. 464 consta na linha 37 o mesmo valor de R$ 41.790.703,67. No Despacho Decisório, fl. 295, ao recompor a base de cálculo da CSLL do anocalendário 2006, a Autoridade Tributária parte do valor de R$ 139.302.345,56, com a indicação expressa de tratarse de “valor sem a compensação dos 30% da BC negativa do período anterior” (corresponde à linha 36 da ficha 17). Dessa indicação, posso concluir que as bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores foram intencionalmente desconsideradas, e afasto, portanto, tratarse de mera inexatidão material. Mas não encontro qualquer explicação para o procedimento da DRF. Na manifestação de inconformidade, a interessada não se manifesta sobre esse assunto. No acórdão recorrido, a DRJ parte do novo valor de base de cálculo declarada de R$ 221.022.277,95 (aquele que consta da DIPJ retificadora, fl. 463), igualmente com a indicação expressa de tratarse da base de cálculo antes da compensação de 30% de bases de cálculo negativas de períodos anteriores. Mas igualmente não diz por que teria desconsiderado o valor declarado a reduzir o montante devido. 2. Alegação de recolhimento, via DARF, no valor original de R$ 2.960.979,70 Sustenta a recorrente que esse recolhimento (extrato à fl. 688) teria sido feito com a finalidade de recompor o saldo negativo de CSLL que consta do presente processo e apurado na DIPJ original. O valor equivaleria à diferença entre o saldo negativo de CSLL da DIPJ original e o correspondente valor na DIPJ retificadora. Seu pedido é de que esse valor integre o montante das estimativas pagas, na recomposição do saldo negativo de CSLL do ano calendário 2006. 3. Alegação referente à estimativa de fevereiro/2006 Afirma a interessada que a estimativa de fev/2006, teria sido extinta por compensação nos autos do processo nº 10283.005442/200751. Compulsando os autos, constato que, de fato, a decisão recorrida deixou de considerar o valor de R$535.398,53, a título de estimativa de CSLL da competência de fevereiro/2006, em face da constatação de que o débito correspondente teria sido objeto de compensação nos autos do processo administrativo nº 10283.005442/200751. Referido processo administrativo nº 10283.005442/200751 se encontra apensado ao processo administrativo nº 10283.720812/201322, sendo certo que o litígio originado no processo nº 10283.005442/200751 foi transferido e passou a ser analisado nos autos do processo administrativo nº 10283.720812/201322. Este último teve seu recurso Fl. 604DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 718 11 voluntário julgado por este Colegiado, nesta mesma data. No entanto, por óbvio, não se trata ainda de decisão administrativa final. 4. Alegação referente às estimativas de setembro/2006 e outubro/2006 Aqui, a interessada se refere às diferenças entre os valores de estimativas de CSLL que constam da DIPJ (R$ 1.109.509,48 + R$ 5.385.221,75 = R$ 6.494.731,23) e das DCTFs (R$ 76.848,67 + R$ 5.255.429,53 = R$ 5.332.278,20). Afirma que o acórdão recorrido, ao constatar as diferenças, teria adotado os valores das DCTFs, e não teria atentado para o fato que a recorrente teria adimplido o total dos valores declarados em DIPJ. A alegação da recorrente é de que teria efetuado o recolhimento de R$ 1.239.301,70, em 28/09/2006, a título de estimativa de CSLL da competência de agosto/2006. Desse total, teriam sido aproveitados somente R$ 76.848,67, restando não aproveitados R$1.162.453,03, por não constarem adequadamente nas DCTFs dos meses de setembro e outubro/2006. Pede então o aproveitamento desse valor, para cobrir a diferença entre os valores de estimativas desses dois meses reconhecidos em primeira instância (R$ 76.848,67 + R$ 5.255.429,53 = R$ 5.332.278,20) e aqueles que constam da DIPJ (R$ 1.109.509,48 + R$ 5.385.221,75 = R$ 6.494.731,23). A diferença é, portanto, de exatos R$1.162.453,03 (= R$ 6.494.731,23 – R$ 5.332.278,20). Compulsando os autos, constato que o alegado pagamento foi identificado nos autos (fl. 44), no valor de R$1.239.301,70, código 2484, em 28/09/2006. Diante dos quatro pontos acima expostos, os quais considero demandar informações adicionais e/ou providências saneadoras, voto por converter o julgamento em diligência, sendo os autos encaminhados à Unidade Preparadora para que sejam adotadas as seguintes providências: 1. Providências relacionadas ao item 1, neste voto: 1.1. A Unidade Preparadora se manifeste sobre os motivos que levaram à desconsideração do valor de R$ 41.790.703,67 (Base de Cálculo Negativa da CSLL de períodos anteriores linha 37 da Ficha 17, tanto da DIPJ original quando da DIPJ retificadora), ao proceder à reconstituição da CSLL devida e do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2006. 1.2. A Unidade Preparadora informe qual o valor do saldo negativo de CSLL disponível para compensação, em 31/12/2005. Informe, ainda, se alguma parcela desse valor se encontra, até a presente data, pendente de decisão administrativa definitiva, especificando, se for o caso, o(s) respectivo(s) processo(s) administrativo(s) fiscal(is). Nessa hipótese, o presente processo deverá aguardar, na Unidade Preparadora, a decisão final administrativa nos processos especificados. 1.3. A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia da decisão administrativa final em cada um dos processos especificados no item acima. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 719 12 1.4. A Unidade Preparadora faça também acostar aos autos demonstrativos de controle de bases de cálculo negativas da CSLL emitidos pelo sistema SAPLI, inclusive histórico, atualizados após a decisão final administrativa nos processos especificados no item 1.2. 2. Providências relacionadas ao item 2, neste voto: 2.1. Confirmar, ou não, o pagamento de fl. 688. Caso confirmado, informar se o pagamento está disponível nos sistemas da RFB ou se está de outra forma alocado. 3. Providências relacionadas ao item 3, neste voto: 3.1. Os autos sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá aguardem a decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 10283.720812/201322. 3.2. A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia da decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 10283.720812/201322. 3.3. A Unidade preparadora informe se, no processo nº 10283.720812/201322, foi ou não homologada a compensação com débito de estimativa de CSLL da competência de fevereiro/2006 no valor de R$535.398,53 e, caso não homologada, se o débito foi extinto mediante pagamento (litígio iniciado no processo nº 10283.005442/200751). 4. Providências relacionadas ao item 4, neste voto: 4.1. A Unidade Preparadora informe se o pagamento de R$1.239.301,70, código 2484 (extrato à fl. 44), já se encontra alocado para alguma outra finalidade, além dos R$76.848,67 de estimativa de CSLL da competência de setembro/2006. Informar qual é o valor disponível desse pagamento. Concluída a diligência, deve ser dada ciência à recorrente do relatório conclusivo, concedendolhe prazo para se manifestar nos autos, após o que, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 606DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10380.010250/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
CSLL. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO, NOS MOLDES DA LEI N. 7.689/88, RECONHECIDA POR DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. PARECER PGFN N. 492/2011, RATIFICADO PELO MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. CESSAÇÃO DA EFICÁCIA DA DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO A PARTIR DA DECISÃO DO STF NOS AUTOS DO RE 138.284.
No caso dos autos, o sujeito passivo obteve decisão judicial transitada em julgada que o eximia do recolhimento da CSLL, ante o reconhecimento da inconstitucionalidade desse tributo.
Nada obstante, tem-se que o STF pacificou a questão atinente à higidez constitucional dessa contribuinte, manifestando-se pela sua conformidade com a Carta Política nos autos do RE 138.284, que transitou em julgado em 29.9.1992.
Na esteira do mandatório Parecer PGFN n. 492/2011, o advento dessa decisão do STF fez cessar automaticamente a eficácia das coisas julgadas anteriores que lhe eram contrárias, de modo que devido o tributo em testilha após o trânsito em julgado da referida decisão do Excelso Pretório.
Numero da decisão: 1101-000.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, vencido o Conselheiro José Ricardo da Silva, ao passo que a Conselheira Edeli Pereira Bessa votou pelas conclusões. Os Conselheiros José Ricardo da Silva e Edeli Pereira Bessa farão declaração de voto. Na sessão de junho/2013, fizeram sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Felipe Barreira (OAB/CE no 12.363) e o representante da Fazenda Nacional, Procurador Moisés de Sousa Carvalho Pereira.
NOME DO PRESIDENTE - Presidente.
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 18/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e Mônica Sionara Schpallir Calijuri.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 CSLL. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO, NOS MOLDES DA LEI N. 7.689/88, RECONHECIDA POR DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. PARECER PGFN N. 492/2011, RATIFICADO PELO MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. CESSAÇÃO DA EFICÁCIA DA DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO A PARTIR DA DECISÃO DO STF NOS AUTOS DO RE 138.284. No caso dos autos, o sujeito passivo obteve decisão judicial transitada em julgada que o eximia do recolhimento da CSLL, ante o reconhecimento da inconstitucionalidade desse tributo. Nada obstante, tem-se que o STF pacificou a questão atinente à higidez constitucional dessa contribuinte, manifestando-se pela sua conformidade com a Carta Política nos autos do RE 138.284, que transitou em julgado em 29.9.1992. Na esteira do mandatório Parecer PGFN n. 492/2011, o advento dessa decisão do STF fez cessar automaticamente a eficácia das coisas julgadas anteriores que lhe eram contrárias, de modo que devido o tributo em testilha após o trânsito em julgado da referida decisão do Excelso Pretório.
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INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO, NOS MOLDES DA LEI N. 7.689/88, RECONHECIDA POR DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. PARECER PGFN N. 492/2011, RATIFICADO PELO MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. CESSAÇÃO DA EFICÁCIA DA DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO A PARTIR DA DECISÃO DO STF NOS AUTOS DO RE 138.284. No caso dos autos, o sujeito passivo obteve decisão judicial transitada em julgada que o eximia do recolhimento da CSLL, ante o reconhecimento da inconstitucionalidade desse tributo. Nada obstante, temse que o STF pacificou a questão atinente à higidez constitucional dessa contribuinte, manifestandose pela sua conformidade com a Carta Política nos autos do RE 138.284, que transitou em julgado em 29.9.1992. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 02 50 /2 00 7- 69 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 NOME DO PRESIDENTE Presidente. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 18/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (VicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e Mônica Sionara Schpallir Calijuri. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor da ora Recorrente para exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido atinente ao anocalendário 2005. As seguintes esclarecedoras informações constam do Auto de Infração: Em procedimento de Revisão Interna fazse o presente lançamento de ofício tendo em vista que o contribuinte deixou de recolher e declarar em DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais o valor devido da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, relativa ao anocalendário de 2005, embora as demonstrações financeiras da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica daquele ano apresentadas pelo contribuinte, bem como informações prestadas em resposta à intimação inicial, indiquem a existência de fato gerador dessa contribuição (...) Intimado em 26/07/07 para esclarecer a razão do não recolhimento dessa contribuição, o contribuinte, mediante expediente datado de 16/08/07, informa que está eximido de sujeitarse ao recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, bem como ao preenchimento da Ficha 17 da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, em virtude de Decisão Judicial proferida nos autos do processo no 89.00925466, processada perante a 4a Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará, com trânsito em julgado na data de 04 de novembro de 1992, cuja documentação encontrase adunada aos presentes autos. (fl. 4) Destarte, temse que o contribuinte deixou de proceder ao recolhimento da CSLL pelo fato de que, a seu sentir, estava desobrigado do recolhimento dessa contribuição em decorrência de decisão judicial transitada em julgado que deu pela inconstitucionalidade do tributo nos moldes da Lei n. 7.689/88. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.010250/200769 Acórdão n.º 1101000.914 S1C1T1 Fl. 3 3 Na ação judicial de que se cuida, a sociedade empresária – assim como outras pessoas jurídicas de direito privado – impetrou Mandado de Segurança cujo pedido foi assim deduzido, verbis: No mérito, pedem as Impetrantes a Vossa Excelência, (sic) que lhes conceda a segurança em definitivo, para não serem compelidas ao recolhimento da Contribuição Social de que tratam a Medida Provisória no 22 e a Lei no 7.689/88, cuja exigência impugnam face os fundamentos de fato e de direito alinhados neste mandamus. (fls. 53 54) O juízo de 1o grau acolheu integralmente a demanda em questão, sendo que os ulteriores Recurso de Apelação e Remessa de Ofício não foram acatados pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 5a Região. A União interpôs, então o Recurso Extraordinário n. 135052, que não foi conhecido em decisão da lavra do eminente Ministro Moreira Alves que repousa ao fólio n. 103, de modo que o trânsito em julgado operouse em 4 de novembro de 1992. Nada obstante, a autoridade autuante houve por bem lavrar o vertente lançamento, forte no fato de a jurisprudência posterior do Excelso Pretório ter se consolidado no sentido da constitucionalidade do tributo de que se cuida, o que teria tido lugar nos autos do Recurso Extraordinário n. 138.2848/CE. Em síntese, o que motivou o Auto de Infração em destaque foi o seguinte raciocínio: como a relação jurídicotributária discutida no Mandado de Segurança em que a contribuinte obteve decisão favorável consubstancia relação de trato sucessivo, concluiu a Receita Federal que aquela coisa julgada não poderia prevalecer para anoscalendários futuros, tendo em vista que muitas foram as alterações legislativas havidas após a prolação da decisão que transitou em julgado e mormente após a jurisprudência da Suprema Corte firmarse em sentido contrário à decisão definitiva em benefício do sujeito passivo. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou a tempestiva Impugnação de fls. 154 e seguintes. Nesta peça, aduziu que o lançamento em vergaste representa inconteste violação à coisa julgada, eis que a decisão que transitou em julgado em 4.11.1992 reconheceu a inconstitucionalidade da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de forma irrestrita, não tendo qualquer limitador de ordem temporal. Asseverou, ainda, que as alterações legislativas ulteriores não alteraram o aspecto material da incidência, contemplando meras modificações de alíquota e base de cálculo, o que não teria o condão de representar óbice à plena operatividade da eficácia da coisa julgada, que lhe garantia a não sujeição ao gravame. A impugnação foi desprovida pela Colenda DRJ em acórdão assim ementado, litteris: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 CONCESSÃO DE LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. INCONSTITUCIONALIDADE LEI 7.689/88. TRÂNSITO EM JULGADO. LIMITES DA COISA JULGADA. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Nas relações tributárias de natureza continuativa, não é cabível a alegação da coisa julgada em relação a fatos geradores ocorridos após a edição de alterações legislativas com aptidão suficiente para o expurgo das inconstitucionalidades observadas quando da instituição da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Assim, a eficácia do comando judicial fica restrita aos períodos de incidência em que a exação fiscal ainda não havia sido atingida pelas alterações legislativas posteriormente processadas que, conforme decidido pelo STF, implicaram na inconstitucionalidade tãosomente do art. 8o da Lei no 7.689/88. Contra esse v. acórdão, voltase o presente Recurso Voluntário, no qual a contribuinte traz à balha basicamente as mesmas questões deduzidas na postulação que instalou esse Processo Administrativo. Ainda, pede a aplicação do art. 62A do Regimento Interno deste Colendo CARF, eis que o STJ, apreciando questão análoga à presente, apreciou o Recurso Especial Repetitivo n. 1.118.893/MG, cujo entendimento conduziria ao cancelamento da exação controvertida. É o relatório. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior O Recurso Voluntário é tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. No caso dos autos, exigese do sujeito passivo a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido atinente ao anocalendário 2005, sendo que é inequívoco que o ora Recorrente sagrouse vitorioso em Mandado de Segurança aforado para o fim de combater essa exigência tributária, feito esse que transitou em julgado em novembro de 1992. Sabese que o Colendo Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n. 138.284, entendeu pela constitucionalidade do tributo em referência, decisão essa que, obviamente, vai de encontro com o quanto decidido no Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte. Com vistas a definir o tratamento a ser dispensado a situações tais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional houve por bem editar o Parecer n. 492/2011, que posteriormente veio a ser ratificado pelo Ministro de Estado da Fazenda. Essa ratificação do Ministro da Fazenda acarreta a obrigatoriedade da observância desse Parecer pelos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de modo que o seu exame é imperioso para o deslinde do caso concreto. O trecho seguinte é extraído da ementa desse Parecer, verbis: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.010250/200769 Acórdão n.º 1101000.914 S1C1T1 Fl. 4 5 DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO QUE DISCIPLINA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA CONTINUATIVA. MODIFICAÇÃO DOS SUPORTES FÁTICO/JURÍDICO. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. SUPERVENIÊNCIA DE PRECEDENTE OBJETIVO/DEFINITIVO DO STF. CESSAÇÃO AUTOMÁTICA DA EFICÁCIA VINCULANTE DA DECISÃO TRIBUTÁRIA TRANSITADA EM JULGADO. POSSIBILIDADE DE VOLTAR A COBRAR O TRIBUTO, OU DE DEIXAR DE PAGÁLO, EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES FUTUROS. 1. A alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de uma dada relação jurídica tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é alcançada pelos limites objetivos que balizam a eficácia vinculante da referida decisão judicial. Daí por que se diz que, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, esta naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária. 2. Possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. De acordo com esse Parecer – que, frisese, é de observância obrigatória pelos integrantes do CARF –, as decisões judiciais acobertadas pelo manto da coisa julgada têm sua eficácia cessada quando do advento de decisão do Plenário do STF que lhe seja contrária. Nessa senda, a decisão do STF nos autos do RE 138.284 realmente tem o condão de fazer cessar a eficácia da coisa julgada de que desfrutava o contribuinte. E uma vez que essa decisão do STF é de setembro de 1992, temse que obviamente a CSLL atinente ao anocalendário 2005 é devida. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 376DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 16366.003427/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia à esfera administrativa. Súmula 01 do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3101-001.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, em face da concomitância.
Luiz Roberto Domingo - Relator,Vice-Presidente no exercício da Presidência
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo (Vice-Presidente no exercício da Presidência). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia à esfera administrativa. Súmula 01 do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia à esfera administrativa. Súmula 01 do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, em face da concomitância. Luiz Roberto Domingo Relator,VicePresidente no exercício da Presidência Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo (VicePresidente no exercício da Presidência). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao ressarcimento de PIS e COFINS de aquisições destinadas à exportação, com fundamento na Lei nº 10.276/2001, do período de apuração referente ao quarto trimestre de 2003. Retornam os autos após o cumprimento parcial das diligências determinadas pela Resolução nº 3101000.126, de 09 de dezembro de 2010, na qual foi solicitado que: (i) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 34 27 /2 00 7- 35 Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 16366.003427/200735 Acórdão n.º 3101001.619 S3C1T1 Fl. 1.466 2 fosse juntado aos autos cópia das peças do Mandado de Segurança nº 2007.70.01.0072727/PR (inicial, decisão liminar, informações da autoridade coatora, sentença, recursos e Acórdãos dos autos principais e Agravos, bem como certidão de objeto e pé, atualizada); e (ii) fosse “nomeado perito habilitado pela repartição de origem para, juntamente com assistente técnico a ser nomeado pela Contribuinte”,para constatar o processo produtivo alegado no recurso.” Instruído o feito com as peças do processo judicial em curso (fls. 384/1205; 1235/1344), manifestouse o AFRFB pelo retorno e apreciação a este Conselho, posto que verificou o expresso reconhecimento judicial quanto à qualidade de produtor e exportador do contribuinte, assim como o processo judicial já se encontraria em fase de cumprimento de sentença. Aduz que a ocorrência de renúncia à via administrativa está plenamente configurada. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Com o retorno dos autos da diligência, verificase que tal providência apresentou resultados esclarecedores acerca da lide posta nos autos. A proposta formulada, nos termos do elogioso relatório fiscal elaborado pelo AFRFB Mário Iberê D’Alessio Quintas que, perspicazmente, observou a superveniência de expressa confirmação judicial quanto à posição de produtor exportador do contribuinte, sugerindo o retorno dos autos para apreciação deste Conselho, mostrase acertada e, portanto, comporta acolhida. Ante os novos fatos trazidos à baila, tornase desnecessária a realização da diligência determinada no item “b” da mencionada resolução, razão pela qual a torno sem efeito. De fato, extraise do conjuto probatório acostado aos autos a prejudicialidade da análise deste recurso administrativo quanto ao seu mérito, em razão da judicialização da questão, o que importa em renúncia à via administrativa. Incialmente, devese observar que o presente caso coincide em exatidão a outro apreciado por este E. Conselho Administrativo (PAF n 16366.003420/200713), já que ambos versam sobre a mesma controvérsia jurídica, tendo também como fato fundante da prejudicialidade o mesmo Mandado de Segurança e as mesmas razões recursais, diferindose somente quanto ao período de apuração. Contudo, inobstante a decisão unânime proferida à época por este colegiado, impende pontuar o equívoco cometido na apreciação do mesmo. Analisando o voto condutor proferido pelo eminente Conselheiro Tarásio Campelo Borges, em que pese seu costumeiro acerto, vêse uma pequena contradição na exposição apresentada, fulcral para determinar a má sorte da decisão colegiada. Senão vejamos: Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 16366.003427/200735 Acórdão n.º 3101001.619 S3C1T1 Fl. 1.467 3 “(...) A Recorrente é empresa comercial que desempenha atividades que se equiparam à indústria, dedicada à produção, comercialização e exportação de mercadorias nacionais classificadas na TIPI como não tributados NT (tais como mercadorias agrícolas e agropecuárias, entre outras), conforme contrato social em anexo, submetidos a processos que se equiparam a industrialização, de acordo com regulamento do IPI (Decreto nº 4.544 de de [sic] 26/12/2002 – RIPI, em seu artigo 3º, e artigo 4º inciso II). Do uso subsidiário da legislação do IPI para buscar o conceito de estabelecimento produtor, tenho como fato de somenos importância a alegada equiparação das atividades da ora recorrente às da industria, porque operação de beneficiamento não equipara estabelecimento comercial a estabelecimento produtor. A equiparação tem pressupostos específicos, enumerados no artigo 4º da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, regulamentado no artigo 9º tanto do RIPI 1998 (Decreto 2.637, de 25 de junho de 1998) quanto do RIPI 2002 (Decreto 4.544, de 26 de dezembro de 2002). Distintas da equiparação, a transformação, o beneficiamento, a montagem, o recondicionamento (renovação) e o acondicionamento ou o reacondicionamento são características próprias das operações industriais. É certo que a lei do imposto de consumo e os regulamentos do IPI dela decorrentes somente consideram estabelecimento industrial, stricto sensu, aquele que executa operações próprias das indústrias (transformação, beneficiamento, montagem, recondicionamento e acondicionamento ou reacondicionamento) e cuja produção resulta produto tributado pelo IPI, ainda que de alíquota zero ou isento. Isso acontece porque a saída de mercadorias do estabelecimento produtor é fato gerador do IPI e não há se falar em fato gerador do tributo diante de produtos não tributáveis (NT). Por outro lado, o crédito outorgado pela Lei 9.363, de 1996, é uma presunção e essa norma jurídica não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. Outrossim, quando determina o uso da legislação desse tributo, expressamente indica o seu emprego subsidiário, vale dizer, uso secundário, uso auxiliar, uso subordinado aos ditames da norma extravagante. Além disso, a confessada natureza comercial da pessoa jurídica corrobora fato denunciado no indeferimento do pedido de ressarcimento: a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) cadastrada na Receita Federal do Brasil, tanto da matriz quanto dos estabelecimentos filiais, aponta, inquestionavelmente, para o exercício de atividade comercial, ora atacadista, ora varejista. Igualmente demonstram o exercício de atividade comercial os livros fiscais “Registro de Apuração de IPI”, “Registro de Entradas” e “Registro de Saídas” e todos os documentos fiscais neles escriturados. Nesses livros não existe um só registro de saída de produtos industrializados pelo estabelecimento, nem de entrada de insumos (matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem), sejam insumos provenientes de pessoas jurídicas, sejam insumos oriundos de pessoas físicas. Quanto ao Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) consignado nos documentos fiscais, eles são próprios de operações comerciais. A contradição importa no desfecho da questão, uma vez que, na linha do exposto, se a “norma jurídica não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI.” Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 16366.003427/200735 Acórdão n.º 3101001.619 S3C1T1 Fl. 1.468 4 não poderia enumerar como necessários documentos que visam a comprovação, justamente, desta condição de contribuinte do IPI. No presente recurso, como visto, pleiteia o contribuinte provimento para: 1) Considerar como Receita de Exportação o somatório das vendas ao exterior ou com o fim específico de exportação das mercadorias classificadas na TIPI como NT; 2) Considerar o processo produtivo (beneficiamento); 3)Considerar como integrante da base de cálculo para a incidência do crédito o valor total das aquisições (pessoas físicas e jurídicas); 4) Correção dos valores pleiteados pela incidência da taxa SELIC desde o mês subseqüente ao fato gerador conforme decisão judicial em caso concreto. Contudo, o Mandado de Segurança citado, atualmente em fase de apreciação quanto à admissibilidade dos recursos interposto perante o E. Superior Tribunal de Justiça e E. Supremo Tribunal Federal, abrange inequivocamente todos os pontos passíveis de apreciação no presente feito. Isto porque, conforme se extrai das informações acostadas por meio das cópias do mandamus impetrado, o juízo não somente reconheceu expressamente sua condição de produtor exportador (fls. 1176/1177), como já havia concedido integral provimento jurisdicional em relação ao objeto litigado na via administrativa, tanto é assim que a RFB, inclusive, já apresentou em juízo os cálculos referentes aos créditos ao qual o contribuinte tem direito (fls. 1314/1331 e 1452/1456). Portanto, no que tange à matéria recursal coincidente com o objeto do writ, aplicase a Súmula CARF 01: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Luiz Roberto Domingo Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
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