Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,598)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,091)
- Primeira Turma Ordinária (16,013)
- Primeira Turma Ordinária (15,954)
- Primeira Turma Ordinária (15,925)
- Segunda Turma Ordinária d (15,763)
- Segunda Turma Ordinária d (14,358)
- Primeira Turma Ordinária (12,992)
- Primeira Turma Ordinária (12,358)
- Segunda Turma Ordinária d (12,326)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,397)
- Quarta Câmara (84,499)
- Terceira Câmara (66,899)
- Segunda Câmara (55,190)
- Primeira Câmara (19,766)
- 3ª SEÇÃO (16,091)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,685)
- Segunda Seção de Julgamen (113,914)
- Primeira Seção de Julgame (76,113)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,761)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,361)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,712)
- HELCIO LAFETA REIS (3,569)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,209)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,921)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,661)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,087)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,916)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,470)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,442)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10840.909853/2011-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 15/04/2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.217
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 15/04/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10840.909853/2011-31
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5901328
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.217
nome_arquivo_s : Decisao_10840909853201131.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10840909853201131_5901328.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7423208
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050871490674688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1476; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10840.909853/201131 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.217 – 3ª Turma Sessão de 12 de julho de 2018 Matéria PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 15/04/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 53 /2 01 1- 31 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10840.909853/201131 Acórdão n.º 9303007.217 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.505, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/04/2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10840.909853/201131 Acórdão n.º 9303007.217 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10840.909853/201131 Acórdão n.º 9303007.217 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10840.909853/201131 Acórdão n.º 9303007.217 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10840.909853/201131 Acórdão n.º 9303007.217 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.727813/2012-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO INTERESSE COMUM NA SITUAÇÂO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR.
Para fins de caracterização da responsabilidade solidária, consoante prevista no art. 124, I do CTN, necessária a comprovação de que os responsáveis solidários possuam interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, o que não se verificou no caso sob análise.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO.
As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, acompanhado de participação dos empregados nos resultados ou lucros adicionalmente auferidos através de seu esforço pessoal. Não tendo sido obedecidas tais condições para o ano-base sob análise, os valores pagos a título de PLR passam a sofrer incidência das contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 9202-006.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes e Pedro Paulo Pereira Barbosa, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento e manifestou intenção de apresentar declaração de voto. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questões já votadas pelo conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, relator originário, na sessão de 23/05/2018, no período da tarde. Nos termos do art. 58, §13, do Anexo II do RICARF, a Presidente da Turma designou como redatora ad hoc para este julgamento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
"Manifestou interesse de fazer declaração de voto o Conselheiro(a) Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro(a) não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)".
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora-Designado AD HOC para formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO INTERESSE COMUM NA SITUAÇÂO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. Para fins de caracterização da responsabilidade solidária, consoante prevista no art. 124, I do CTN, necessária a comprovação de que os responsáveis solidários possuam interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, o que não se verificou no caso sob análise. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, acompanhado de participação dos empregados nos resultados ou lucros adicionalmente auferidos através de seu esforço pessoal. Não tendo sido obedecidas tais condições para o ano-base sob análise, os valores pagos a título de PLR passam a sofrer incidência das contribuições previdenciárias.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15504.727813/2012-99
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5913535
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.946
nome_arquivo_s : Decisao_15504727813201299.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 15504727813201299_5913535.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes e Pedro Paulo Pereira Barbosa, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento e manifestou intenção de apresentar declaração de voto. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questões já votadas pelo conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, relator originário, na sessão de 23/05/2018, no período da tarde. Nos termos do art. 58, §13, do Anexo II do RICARF, a Presidente da Turma designou como redatora ad hoc para este julgamento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. "Manifestou interesse de fazer declaração de voto o Conselheiro(a) Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro(a) não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)". (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora-Designado AD HOC para formalização do voto. Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7443974
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050871542054912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2299; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 603 1 602 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.727813/201299 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202006.946 – 2ª Turma Sessão de 19 de junho de 2018 Matéria CSP PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PRL GRUPO ECONÔMICO. Recorrentes FAZENDA NACIONAL FDS ENGENHARIA DE ÓLEO E GÁS E OUTROS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO INTERESSE COMUM NA SITUAÇÂO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. Para fins de caracterização da responsabilidade solidária, consoante prevista no art. 124, I do CTN, necessária a comprovação de que os responsáveis solidários possuam interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, o que não se verificou no caso sob análise. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, acompanhado de participação dos empregados nos resultados ou lucros adicionalmente auferidos através de seu esforço pessoal. Não tendo sido obedecidas tais condições para o anobase sob análise, os valores pagos a título de PLR passam a sofrer incidência das contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes e Pedro Paulo Pereira Barbosa, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento e manifestou intenção de apresentar declaração de voto. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Nos termos do art. 58, §5º, do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 78 13 /2 01 2- 99 Fl. 611DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 604 2 Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questões já votadas pelo conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, relator originário, na sessão de 23/05/2018, no período da tarde. Nos termos do art. 58, §13, do Anexo II do RICARF, a Presidente da Turma designou como redatora ad hoc para este julgamento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. "Manifestou interesse de fazer declaração de voto o Conselheiro(a) Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro(a) não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)". (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignado AD HOC para formalização do voto. Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 605 3 Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2301004.163, prolatado pela 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 07 de outubro de 2014 (efls. 356 a 368). Ali, por voto de qualidade, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTITUIÇÃO DO FATO GERADOR POR UMA SÓ EMPRESA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI 10.101/2000. Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico. O fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art.124 do CTN. Somente existirá a responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico quando todas agirem em conjunto para a configuração do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução da referida situação. Considerandose o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, os requisitos trazidos pela Lei nº 10.101/2000 são de observância obrigatória para que o empregador possa se beneficiar da regra de isenção para os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR. A participação nos lucros ou resultados da sociedade empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da Participação dos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso, nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, na questão do grupo econômico, pela ausência de demonstração pela fiscalização de que 2 (duas) ou mais empresas estavam sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, Fl. 613DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 606 4 comercial ou de qualquer outra atividade econômica, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Natanael Vieira dos Santos que dava provimento ao recurso, por outros fundamentos, conforme voto e Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que negavam provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, em 19/02/2015 (efl. 369), sua Procuradoria apresentou, em 31/03/2015 (efl. 378), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009 (efls. 370 a 377). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, em 15/04/14, no âmbito dos Acórdãos de no.s 240103.488 e 240103.490, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 240103.488 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. INTIMAÇÃO DOS PATRONOS. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido de intimação dos representantes das partes não tem amparo na legislação processual pátria.Recursos de Ofício Provido e Voluntário Provido em Parte.A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE QUE A PLR FOI PAGA EM DESCONFORMIDADE COM A LEI. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.Não tendo o fisco, para as competências 03 e 07/2005, apresentado as causas que levaram ao entendimento de que os pagamentos a título de participação nos lucros estariam em desconformidade com a lei de regência, devese declarar improcedentes as contribuições lançadas nas referidas competências. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 607 5 EMPRESA COM TRABALHADORES EXPOSTOS A CONDIÇÕES ESPECIAIS DE TRABALHO. NÃO COMPROVAÇÃO DO REGISTRO DA ENTREGA DE EPI. EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. As empresas que mantêm trabalhadores expostos a condições especiais de trabalho devem se sujeitar ao pagamento da contribuição para financiamento da aposentadoria especial, a menos que comprovem a utilização de Equipamentos de Proteção Individual EPI que atenuem os efeitos dos agentes nocivos a níveis abaixo do limite de tolerância, apresentando os certificados dos EPI, registros de entrega e reposição, além de documentação relativa ao treinamento dos trabalhadores para utilização destes equipamentos. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social. Decisão: por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os conselheiros Igor e Carolina Wanderley Landim, que negavam provimento. Quanto ao recurso voluntário: I) Por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido de intimação no endereço do advogado; b) manter a responsabilidade solidária; e c) declarar a decadência até a competência 11/2005, inclusive 13º salário de 2005; II) Por maioria de votos, manter a incidência sobre o auxílio educação, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que afastavam a incidência; III) com relação as parcelas paga a título de PLR: a) Por unanimidade de votos considerar descumprido o requisito de fixação de critérios e regras claras e objetivas; b) Pelo voto de qualidade considerar descumprido o requisito de pactuação prévia, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por considerar cumprido o requisito; e c) Por maioria de votos, considerar que somente deve haver incidência sobre as parcelas excedentes, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira , que votou pela incidência sobre todas as parcelas do período em que houve o descumprimento do requisito; e IV) Por maioria de votos, manter o lançamento referente ao adicional ao RAT, vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que afastava o lançamento neste ponto. Acórdão 240103.490 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 608 6 Não se conhece o recurso de ofício, cujo valor exonerado originário do crédito mais a multa, por processo, seja inferior ao limite fixado em ato do Ministro da Fazenda. INTIMAÇÃO DOS PATRONOS. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido de intimação dos representantes das partes não tem amparo na legislação processual pátria.Recursos de Ofício Não Conhecido e Voluntário Provido em Parte.Não tendo o fisco, para as competências 03 e 07/2005, apresentado as causas que levaram ao entendimento de que os pagamentos a título de participação nos lucros estariam em desconformidade com a lei de regência, devese declarar improcedentes as contribuições lançadas nas referidas competências. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social. Decisão: Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário: I) Por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido de intimação no endereço do advogado; b) manter a responsabilidade solidária; e c) declarar a decadência até a competência 11/2005, inclusive 13º salário de 2005; II) Por maioria de votos, manter a incidência sobre o auxílio educação, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que afastavam a incidência; III) com relação as parcelas paga a título de PLR: a) Por unanimidade de votos considerar descumprido o requisito de fixação de critérios e regras claras e objetivas; b) Pelo voto de qualidade considerar descumprido o requisito de pactuação prévia, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por considerar cumprido o requisito; e c) Por maioria de votos, considerar que somente deve haver incidência sobre as parcelas excedentes, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira , que votou pela incidência sobre todas as parcelas do período em que houve o descumprimento do requisito; IV) Por maioria de votos, manter o lançamento referente ao adicional ao RAT, vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que afastava o lançamento neste ponto. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) Cita o art. 30, inciso IX da Lei no. 8.212, de 1991, para defender que se a própria contribuinte, em seu recurso voluntário, reconhece a existência de grupo econômico, não há razão legal para a exclusão da responsabilidade, vez que a própria lei determina a solidariedade nesse caso; Fl. 616DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 609 7 b) Assim, data venia, não há que se falar de falta de motivação no lançamento, já que a lei expressamente e objetivamente determina a solidariedade nos casos onde existe grupo econômico, fato incontroverso nos autos; c) Registrese que o afastamento do citado art. 30 corresponde à verdadeira declaração indireta de inconstitucionalidade, o que é vedado ao CARF; Requer, assim, conhecimento e o provimento do presente Recurso Especial para que esta Turma reforme a decisão recorrida seguindo o entendimento demonstrado, restabelecendo a responsabilidade solidária na forma da autuação. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 380 a 382. Cientificada em 01/12/16 (efls. 389/390) a devedora principal (FDS Engenharia de Óleo e Gás Ltda. CNPJ 05.468.184/000132, nova denominação social de Fidens Engenharia, consoante ata de efls. 443/444) apresentou: a) Inicialmente, em 06/12/2016 (efl. 391), embargos de efls. 392 a 418 e anexos, que restaram rejeitados, na forma de despacho de efls. 508 a 511. b) Em 09/12/2016 (efl. 451), contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional de efls. 452 a 466, idênticas às apresentadas, em 09/01/2017 (efl. 483), conjuntamente, pelas responsáveis solidárias Fidens Equipamentos Ltda. CNPJ 06.880.609/000189, Minas Eólica Ltda. CNPJ 13.668.494/000129 e Visen Engenharia Ltda. CNPJ 05.861.977/000117, anexadas às efls. 484 a 498 (As responsáveis solidárias haviam sido cientificadas em 26/12/16 e 27/12/16, consoante efls. 476 a 482). Alegase em sede de contrarrazões: b.1) Os arts. 265, da Lei nº. 6.404, de 1976 e 494 da IN RFB nº. 971/09 definem o que seja grupo econômico, e elencam como características, 1) a existência de uma sociedade controladora e sociedades controladas; 2) convenção onde se obriguem a combinar recursos e esforços para realização de objetivos, atividades ou empreendimentos comuns; 3) a controladora deve ser titular de direitos de sócio ou acionista ou ajustar com outros sócios ou acionistas; 4) a controladora deve exercer de modo permanente o controle das sociedades filiadas; 5) há grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob direção, controle ou administração de uma delas. Ora, compulsando todo o farto material apresentado pelo fisco, através de sua auditora, não há uma linha sequer no sentido do apontamento e comprovação da existência de uma sociedade controladora, ou prova de combinação de recursos para alcance de objetivo comum, ou mesmo titularidade de direitos de sócio de uma das empresas em relação as outras; b.2) Em direito tributário, a solidariedade não se presume. É dependente incondicional da prova, e prova não há neste sentido, de modo que infundadas e inverídicas as alegações da fiscal tributária, de modo que o entendimento da Procuradoria não merece prevalecer, muito menos o acórdão paradigma. O que quer a Procuradoria é aplicar a letra fria da lei, sem perquirir os fundamentos de fato e provas comprobatórias da efetiva existência de grupo econômico, uma vez que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária. No que toca aos arts. 30, IX da Lei nº. 8.212, de 1991, 222 do Decreto 3.048, de 1999 e 152 da IN RFB nº. 971, de 2009 temse a inaplicabilidade de referidos institutos, uma vez que não há, e por isso mesmo não Fl. 617DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 610 8 houve comprovação, da existência de grupo econômico, portanto, não há a indigitada solidariedade entre empresas listadas, de acordo com a jurisprudência do CARF e do STJ.; b.3) Por fim, o art. 124, I e II do CTN, foi objeto de metódica interpretação do STJ, seguida a risca pelo CARF, através da qual se demonstrou a necessidade de observância do que seria o interesse comum para a configuração da responsabilidade solidária nele prevista. Também da solidariedade do art. 124 pela extensão e profundidade dos argumentos, tratarseá logo abaixo. Fato é que desde logo se constata que jamais existiu qualquer competência decisória única entre as empresas listadas como responsáveis solidárias, não representando a verdade real, as alegações da fiscal tributária, tanto que não comprovada. Com efeito, é equivocado sustentar a possibilidade de responsabilizar solidariamente as referidas empresas (que não se confundem com o grupo econômico descrito nas disposições supracitadas), sob o entendimento de que tais dispositivos permitiriam a eleição indiscriminada de responsáveis solidários. Efetivamente, não são, mas, ainda que formassem um grupo econômico, como é sabido, a vinculação entre as referidas empresas somente caberia em relação aos fatos geradores que consistissem em atos, fatos ou negócios jurídicos cuja realização fosse, efetivamente, decorrente de decisão de direção unitária e interesse econômico comum no resultado da situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. Estas “decisões” e “interesses comuns” jamais ocorreram. As empresas listadas jamais concorreram, sob qualquer aspecto, para a ocorrência dos fatos geradores que originaram as referidas obrigações tributárias, elas não podem (e nem devem) ser responsabilizadas, sob pena de violação dos princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa, do direito de propriedade, da livre iniciativa e da manutenção da atividade econômica; b.4) Cita, a seguir, jurisprudência oriunda deste CARF, para defender que são requisitos essenciais para comprovação da existência de grupo econômico e, consequentemente, sua responsabilização solidária por débitos da devedora principal, os seguintes: 1. Existência de interesse comum na realização que constituiu o fato gerador da obrigação principal ou participação conjunta na materialidade deste; 2. Vínculo jurídico de controle ou unidade de direção; 3. Desenvolvimento da mesma atividade ou mesmo objetivo social. Não havendo tais requisitos, não há como superar a personalidade jurídica desta recorrente, desconsiderandoa, para atingir a personalidade jurídica de outras empresas. Neste sentido, já decidiu diversas vezes o STJ, quando asseverou que: “ A solidadariedade não se presume, sobretudo em Direito Tributário” (EREsp 834044); b.5) Não ficou provada qualquer vinculação das empresas listadas como responsáveis solidárias, com o fato gerador dos tributos cobrados da empresa devedora, e muito menos interesse comum em sua realização. Consoante às disposições do Código Tributário Nacional (artigo 121), o sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa jurídica obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, podendo ostentar esta condição o contribuinte (aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador) ou o responsável (aquele que, sem ser contribuinte, tem obrigação por expressa disposição de lei). Para que outra pessoa seja eleita como sujeito passivo da obrigação, a quem o CTN chama de responsável (art. 121, parágrafo único, II), deve haver respeito a esta imposição constitucional do encargo tributário decorrente das próprias regras de competência, bem como à legalidade expressa (CF; art. 150, I e CTN; art. 97, III); b.6) O art. 124 do Código Tributário Nacional CTN cuida da hipótese de responsabilização solidária. É da interpretação correta e coerente deste artigo que se pode atribuir ou não a condição de devedor de débitos tributários a outras pessoas, Fl. 618DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 611 9 responsabilizandoas pelo pagamento. Conforme se verifica só se pode falar em solidariedade entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal. Este é o primeiro requisito para a caracterização do grupo econômico. Em decisão recente, proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, restou consagrada a necessidade de se provar que houve a realização do fato gerador por mais de uma pessoa a justificar a solidariedade. Em direito tributário, conforme ficou gravado nesta decisão, não se admite presunções. Portanto, o art. 124, II do CTN não autoriza a responsabilização sem vinculação ao fato gerador e não há qualquer vinculação das empresas com os fatos geradores dos tributos cobrados Por outro lado, também não há interesse comum na realização do fato gerador, nos termos do art. 124, I, do CTN. Neste sentido, o STJ vem repelindo a responsabilização de sociedades pertencentes ao mesmo grupo econômico com base no suposto interesse comum previsto no art. 124, I do CTN. Colacionadas, a propósito, diversas decisões do STJ e TRF da 4a. Região suportando tal entendimento; b.7) No caso em análise o fato gerador das contribuições previdenciárias, tidas devidas, foi praticado só e tão somente pela devedora principal, quando da remuneração aos seus segurados empregados, não participando do fato gerador qualquer outra empresa a justificar a solidariedade. Com efeito, não restou comprovada, no procedimento fiscal, qualquer correlação entre as empresas quanto à realização do fato gerador justificador do presente lançamento, tampouco ficou comprovado o interesse comum, de modo que as contribuições previdenciárias lançadas devem ser imputadas apenas e tão somente a primeira. Requerse, assim, que seja totalmente improvido o Recurso Especial da Fazenda, mantendose, na íntegra, o acórdão proferido pela Terceira Câmara, 1ª Turma Ordinária, da Segundo Seção de Julgamento no que toca a inexistência de comprovação de grupo econômico. Cientificada a devedora principal acerca da rejeição de seus embargos em 07/02/17 (efl. 521/522), esta apresenta, em 22/02/2017 (efl. 530), Recurso Especial de sua iniciativa de efls. 531 a 565 e anexos, o qual restou admitido, na forma de despachos de admissibilidade de efls. 589 a 593. No referido Recurso Especial admitido alegase divergência do Recorrido em relação ao decidido pela 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, através do Acórdão 2403001.387, prolatado em 14 de março de 2013, de ementa e decisão a seguir transcritas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2007 Ementa: PREVIDENCIÁRIO.SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. LEI ESPECÍFICA. Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em acordo com a lei especifica, não integra o salário de contribuição. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 612 10 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Para o contribuinte individual, entendese por salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês. INCONSTITUCIONALIDADE A Súmula 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF pacificou que: “ O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigos 35, I, II, III da Lei 8.212/91. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar o artigo 35A, se mais benéfico ao contribuinte, na forma da Lei 11.941/2009 que revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 e lhe conferiu nova redação. Recurso Voluntário Provido em Parte. LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário Nacional CTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE OFÍCIO Para as Contribuições Previdenciárias, a imposição de penalizar o contribuinte infrator mediante aplicação de multa de ofício só veio a ser instituída na forma da Medida Provisória MP n° 449 a partir de sua edição em 03/12/2008. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: I) Por maioria de voto, em dar provimento parcial ao recurso determinando a exclusão dos levantamentos PL1, PL2 e PLA. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Strtingari. II) Por unanimidade de voto a exclusão da multa de ofício. III) Por maioria de votos determinar o recálculo da multa de mora conforme Art. 35 da Lei 8212/91, incluído pela Lei nº 11941/2009, nos termos do art. 61 da Lei 9430/1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia limitada a 20% critérios desta Fl. 620DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 613 11 data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Após demonstração da ocorrência de divergência interpretativa, alegase, no Recurso Especial da Contribuinte, que: a) Assentouse no acórdão recorrido que as métricas de redução de faltas e de acidentes de trabalho seriam inválidas para que o pagamento de PLR se desse de acordo com a Lei nº 10.101, de 2000. No entanto, tal entendimento, data venia, é bastante equivocado. De antemão, convém destacar que a Lei nº 10.101, de 2000, em absolutamente nenhum de seus artigos, parágrafos, incisos ou alíneas, proíbe ou veda a adoção de quaisquer critérios nos instrumentos coletivos de negociação para o pagamento de PLR. O que a lei definitivamente manda é que tais critérios sejam claros e objetivos. Com efeito, a partir de uma atenta leitura do art. 2º, §1º, da Lei nº 10.101, de 2000, extraise que, para a validade do pagamento a título de PLR, mostrase bastante que o instrumento fixe, de forma clara e objetiva, o direito substantivo (participação no lucro ou resultado) e adjetivo (como esta será feita) do trabalhador. Ou seja, exigese apenas a existência da efetiva participação em lucros ou resultados e que esta se dê por meio de regras objetivas. E, nesse sentido, o texto da Cláusula Quadragésima Terceira e respectivos parágrafos da CCT não deixa qualquer dúvida quanto ao atendimento à este comando legal, como muito ponderadamente entendeuse no acórdão paradigma; b) O art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal de 1988, veicula norma de imunidade objetiva para os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, no que tange à exigência da contribuição previdenciária. Sem a necessidade de maiores digressões à respeito, vez que já foi exaustivamente discutida no âmbito do Poder Judiciário, o art. 7º, inciso XI, da CF/88 veicula norma de eficácia plena no que diz respeito à natureza nãosalarial da verba destinada à participação nos lucros, pois explicita sua desvinculação da remuneração, acarretando o seu afastamento da base de incidência da contribuição previdenciária. No entanto, em relação à caracterização da participação nos lucros, o referido dispositivo veicula norma de eficácia contida, na medida em que depende de lei que a regulamente, razão pela qual não importa a qualificação jurídica atribuída pelos interessados à verba, mas, sim a efetiva existência dessa participação nos termos da lei (sentido estrito). Nesse sentido, inclusive, impõese reconhecer que a Constituição Federal instituiu a regra de imunidade em questão, afastando da incidência da contribuição previdenciária sobre a participação nos lucros ou resultados, objetivando atender a seus objetivos fundamentais, como a valorização social do trabalho e da livre iniciativa, (art. 1º, inc. IV); garantir a aplicação doprincípio da isonomia (art. 5º, caput); do estímulo ao exercício livre de qualquer trabalho, ofício ou profissão, evitando que os cidadãos vejam apenas na relação de emprego (e não no empreendedorismo) uma maneira lícita e produtiva de subsistência (art. 5º, inc. XIII); garantindo aos trabalhadores manuais, técnicos e intelectuais igualdade de tratamento (art. 7º inc. XXXII). Ainda, há o fomento da atividade econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa (art. 170), bem como a manutenção da ordem social sob o primado do trabalho, e com o objetivo o bemestar e a justiça sociais (art. 193); c) Se não bastasse a regra constitucional supracitada, a Lei nº 8.212, de 1991, traz regra de isenção que consagra o caráter não remuneratório dos pagamentos a título de participação nos lucros da empresa, por não integrarem o saláriodecontribuição. Embora desnecessário, pelo teor da imunidade mencionada alhures, o legislador ordinário repetiu a previsão contida na Carta Magna de que a participação nos lucros não serve de base de cálculo Fl. 621DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 614 12 da contribuição previdenciária, somando ao óbice constitucional para a incidência (art. 7º, inc. XIII da CF), a vedação legal em comento (art. 28, § 9º, alínea ´j´). Requer, assim, uma vez reconhecida a divergência e demonstrado o prequestionamento do art. 2º, §1º da Lei nº 10.101, de 2000, o provimento do recurso especial para o fim de, reformandose o acórdão recorrido, ser decretada a validade dos pagamentos feitos pela recorrente a título de PLR aos seus empregados, tornando insubsistente o lançamento fiscal. Encaminhados os autos à PGFN para fins de ciência, envio este ocorrido em 08/03/17 (efl. 594), esta apresentou, em 20/03/17 (efl. 601), contrarrazões de efls. 595 a 600, onde alega que: a) A Constituição Federal dá os contornos da base de cálculo das contribuições previdenciárias, em seu art. 201, § 11º. Em perfeita consonância com essa diretriz, a Lei nº 8.212/91, que instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social, encerra a definição legal de saláriodecontribuição, em seu art. 28, inciso I. Assim, o salário é elemento remuneratório do trabalho, e se a Constituição ou a Lei Básica de Previdência Social não excluírem o pagamento de determinada parcela remuneratória, que se originou em decorrência única e exclusiva do vínculo laboral entre empregado e empregador, esta não deve ser extirpada da base de cálculo da contribuição; b) O art. 7o., XI da CRFB/88, conforme reconheceu o próprio STF, consubstancia uma regra de eficácia limitada, carecendo de lei para sua total eficácia, de modo que até a sua edição era devida a contribuição previdenciária sobre a total remuneração paga aos empregados, mesmo que denominada participação nos lucros e resultados (RE nº 393.764 Agr). Nessa senda, é PLR apenas o numerário pago aos empregados nos termos previstos na lei a que se refere o citado preceito constitucional. Não se faz suficiente para fazer impedir a cobrança de contribuição previdenciária a existência da lei reguladora e a denominação de participação nos lucros e resultados; devese observar em tudo e por tudo a legislação pertinente. Cita jurisprudência do STJ a propósito; c) Resta, pois, evidenciado que somente as verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados, nos termos da Lei nº 10.101, de 2000, estão imunes à tributação. Contudo, conforme largamente demonstrado no relatório fiscal, não é o caso dos autos. Aqui, o pagamento a titulo de PLR se deu em desconformidade com a legislação de regência, razão pela qual não merece o presente lançamento qualquer alteração; d) Alega que verificase a necessidade de cumulatividade dos requisitos estabelecidos nos arts. 2o. e 3o. da referida Lei no. 10.101, de 2000, para a aquisição do benefício. Assim, de acordo com a legislação de regência da participação nos lucros e resultados, dos instrumentos decorrentes da negociação entre a empresa e seus empregados, devem constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. A lei ainda veda a distribuição dos valores em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. No caso, o requisito da periodicidade não foi observado pelo contribuinte, razão que desnatura todos os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros e resultados. Noutro turno, cabe registrar que conforme registra o auto de infração “...restou claro que o critério para pagamento da PLR não obedece a um plano de metas a ser cumprido e independe do esforço pessoal do empregado.” Fl. 622DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 615 13 Ressaltese que a classificação de determinada verba como “participação nos lucros” exige de maneira imprescindível o estrito cumprimento dos requisitos legais; e) No caso em estudo, restou demonstrado que a participação nos lucros foi efetivada em desacordo com os parâmetros legais, razão pela qual não pode ser admitida a sua exclusão do salário de contribuição. O próprio art. 28, § 9.º, da Lei n.º 8.212/91 é expresso ao verberar que a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa não integram o salário de contribuição apenas nos casos em que paga ou creditada de acordo com lei específica, o que não foi o caso dos presentes autos, ensejando a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei no. 8.212, de 1991. Requer, assim, que seja negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, a consequente manutenção do entendimento previsto no acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 616 14 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignado AD HOC para formalização do voto. Pelo fato de o ConselheiroRelator Heitor de Souza Lima Junior não mais compor o colegiado em função do encerramento do seu mandato, eu, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, nomeada para formalização, reproduzo a seguir o voto por ele encaminhado na sessão de julgamento. Considerando que eu (Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), como redatora adhoc, fui designada apenas para a formalização do voto, deixo consignado que embora tenha acompanhado o relator, não me vinculo a todas os fundamentos por ele adotados em seu voto. Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Inicio a análise pelo Recurso Especial da Fazenda Nacional, pelo fato de seu pleito conter alegação quanto à exclusão, do pólo passivo, das devedoras solidárias, o que se constitui em prejudicial à análise de existência da obrigação principal para o levantamento de PLR para estas devedoras (Caso confirmada a exclusão do pólo passivo proposta pelo Colegiado recorrido, não subsiste qualquer obrigação principal para as recorrentes solidárias, ainda que se negue provimento ao Recurso Especial da Contribuinte). 1. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade, e, assim, concordando com o exame de admissibilidade de efls. 380 a 382, conheço do Recurso. Acerca da responsabilidade solidária em sede de contribuições previdenciárias, estabelecem o art. 124 da Lei no. 5.172 de 25 de outubro de 1966 (CTN) e o art. 30, IX da Lei no. 8.212, de 24 de julho de 1991, verbis: CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Lei 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) Fl. 624DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 617 15 IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Acerca do tema, com a devida vênia ao entendimento manifestado pelo Colegiado a quo, da leitura conjunta dos dois dispositivos supra, interpreto que podese estabelecer a responsabilidade solidária em sede de contribuições previdenciárias, alternativamente: a) A partir do art. 124, I do CTN, uma vez devidamente caracterizada, pela autoridade fiscal, a ocorrência de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, ou seja, caracterizada a ocorrência da hipótese de incidência, que faz com que se passe incluir, no critério pessoal da regramatriz, como sujeito passivo, o responsável solidário. Aqui, repitase, entendo caber a fiscalização a comprovação da referida condição (existência de interesse comum na situação que constitui o fato gerador), de forma a subsistir o lançamento efetuado junto ao responsável solidário ou; b) A partir do 124, II do CTN c/c o art. 30, IX da Lei no. 8.212, de 1991, independendo, nesta hipótese, a caracterização da responsabilidade solidária de qualquer demonstração de interesse comum na situação que constitua o fato gerador por parte do responsável solidário, mas, sim, da simples caracterização de grupo econômico, a partir da solidariedade estabelecida, aqui, por Lei. Ou seja, uma vez caracterizada a existência de grupo econômico, escorreita a caracterização de responsabilidade solidária para seus integrantes a partir do disposto no 124, II do CTN c/c o art. 30, IX da Lei no. 8.212, de 1991, independentemente da caracterização de interesse comum na situação que constitua o fato gerador por parte dos solidários. Entendo aqui como presumido entre os integrantes, por força de lei, o vínculo existente no art. 128, do mesmo CTN, sempre que, repitase, caracterizada a existência de grupo econômico. Feita tal digressão, entendo, ainda, não haver qualquer reparo a fazer quanto à conclusão do Colegiado a quo, no sentido de ser incontroversa, a esta altura, nos autos, a caracterização de existência de grupo econômico, consoante efl. 360: (...) Assim, verificase que para que haja a caracterização de um grupo econômico, tornase necessária a presença de dois requisitos: a) uma ou mais empresas com personalidade jurídica própria; b) exercício da atividade econômica sob direção, controle ou administração única. 4. As empresas, em sede de recurso voluntário, reconheceram a existência de grupo econômico entre elas, porém afirmaram que as recorrentes solidárias não participaram do fato gerador da pretensão fiscal, “mesmo porque impraticável a coparticipação destas, posto que o fato gerador em discussão referese tão somente ao pagamento da PLR aos empregados próprios da Recorrente Principal, Fidens Engenharia S/A, sem qualquer ligação ou interesse das Recorrentes Solidárias.” (fl. 319). 5. Assim, não restam dúvidas acerca da existência de grupo econômico pelas empresas apontadas pela auditoria fiscal. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 618 16 (...) Reforçam tal argumentação, ainda, os seguintes fatos, observados nas contrarrazões anexadas pelo contribuinte: a) O contribuinte, ali, em que pese citar uma série de seis requisitos essenciais para a caracterização de grupo econômico, só se insurge contra a existência de interesse comum no fato gerador da obrigação principal ou participação conjunta na materialidade deste (item b.1 de contrarrazões), sendo certo que a ocorrência dos demais requisitos não contestados é, em meu entender, suficiente para manter a conclusão do recorrido no sentido de existência de grupo econômico, bem como para sua caracterização com fulcro na IN RFB 971, de 2009, em seu arts. 494 e 495; b) O contribuinte, ainda, se limita, nos itens 10 e 11 de suas contrarrazões, a alegar insuficiência probatória quanto à existência de interesse mencionada, não se insurgindo, assim, contra sua existência, repitase, ao qual acedeu em sede de Recurso Voluntário. Diante dos fatos acima, entendo como escorreita a caracterização de existência de grupo econômico realizada pelo recorrido. Uma vez caracterizada a existência de grupo econômico, a propósito, conforme já mencionado no âmbito do presente voto, entendo que, de forma a se caracterizar a responsabilidade solidária dos integrantes do referido grupo, poderia a autoridade fiscal ter elencado como dispositivo legal o art. 124, II do CTN, caso optasse por não adentrar na seara de interesse comum no fato gerador da obrigação principal, cujo ônus da prova é restrito, em meu entendimento, ao estabelecimento de responsabilidade solidária com fulcro no art. 124, I do mesmo Código. Todavia, não é o que se verifica. Em verdade, verifico ter se utilizado como base legal da solidariedade no lançamento, exclusivamente o referido art. 124 em seu inciso I, sem qualquer menção ao mencionado inciso II (vide Relatório Fiscal às efls. 21/22), este último que, repito, daria azo ao estabelecimento da responsabilidade solidária, sem necessidade de demonstração de interesse comum, por força da previsão legal contida no art. 30, IX da Lei no. 8.212, de 1991. Nesta situação, diante do teor da acusação (do relatório fiscal), conforme também já discorri aqui, entendo que passa a ser necessária a caracterização da existência de interesse comum no fato gerador da obrigação principal, o que, porém, não se observa nas mesmas páginas 21/22, limitandose, ali, a autoridade fiscal a fazer menção à organograma entregue pela autuada, verbis: Conforme organograma apresentado pelo sujeito passivo, além da FIDENS ENGENHARIA S.A, fazem parte do grupo econômico as seguintes empresas: (...) 6.2 – Estão, portanto, sendo as mesmas arroladas na forma da legislação a seguir: Lei 8.212 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº. 8.620, de 05/01/1993). (...) Fl. 626DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 619 17 IX – as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei; RPS Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº. 4.032, de 26/11/2001) Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 1966 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) 6.3 – Foram lavrados os TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA TSPS, aos quais foram anexadas cópias deste AI, bem como de seus anexos (em arquivos digitais, devidamente autenticados), endereçadas às empresas enumeradas no item 6.1 acima, com o objetivo de cientificálas, como sujeitos passivos solidários, das respectivas exigências tributárias, lavrados contra a pessoa jurídica AUTUADA, na data de 26/02/2013. (...)" Assim, diante do exposto, frente à utilização do art. 124, I do CTN como base legal para a responsabilização dos solidários e não tendo sido suficientemente demonstrado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal pela autoridade fiscal, entendo como escorreito o posicionamento do Colegiado a quo, no sentido de excluir a responsabilidade solidária dos contribuintes Fidens Equipamentos Ltda. CNPJ 06.880.609/000189, Minas Eólica Ltda. CNPJ 13.668.494/000129 e Visen Engenharia Ltda. CNPJ 05.861.977/000117, ainda que por fundamentos diversos (inaplicável no entender deste relator, a necessidade análise/demonstração de interesse comum na situação que constitui o fato gerador quando da utilização do art.124, II, do CTN, o que, porém, repitase, não é o caso). Assim, diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito lhe negar provimento. 2. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. e, assim, concordando com o exame de admissibilidade de efls. 589 a 593, conheço do Recurso. Quanto ao mérito, inicialmente, de se reproduzir a base legal da exclusão do conceito de salário de contribuição da participação nos lucros ou resultados da empresa, contida no art. 28, §9o., caput e alínea "j", da Lei no 8.212, de 1991, verbis: Fl. 627DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 620 18 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;(grifei) Condicionada, assim, a exclusão do conceito de salário de contribuição dos valores pagos a título de PLR à observância dos requisitos previstos em lei específica, mais especificamente, in casu, na Lei no. 10.101, de 2000. De interesse, para o deslinde do presente litígio, os requisitos constantes daquele diploma legal em seu art. 2o., em especial o contido em seu § 1o, expressis verbis: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifei) §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. §3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas Fl. 628DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 621 19 fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. (...) A propósito, inicialmente, de se ressaltar que não vislumbro como associar a característica de necessário rendimento de capital à Participação de Lucros e Resultados auferida, uma vez que tal tese implicaria, em meu entendimento, quanto às rubricas em litígio, que se assumisse serem os empregados necessariamente participantes do capital social da empresa, qualidade reservada somente aos sócios do empreendimento. Ou seja, entendo que só se poderia fazer a construção de que há um necessário rendimento de capital (e não de trabalho) disponibilizado, para o caso de empregados que se revestissem da qualidade de acionistas ou quotistas da empresa e que, assim, houvessem subscrito e/ou integralizado capital no empreendimento, recebendo rendimentos decorrentes desta qualidade de sócios e não se confundindo, assim, com outros empregados, quando estes últimos, tal como no caso em questão, não restem caracterizados como detentores de ações ou quotas. Entendo, a propósito, que, neste caso (empregados ou trabalhadores não acionistas ou quotistas), o que os empregados estão, sim, a auferir, é uma remuneração decorrente de seu trabalho, ainda que de natureza variável, dependente de metas e regras vinculadas a critérios capazes de alterar o montante a ser recebido. Ou seja, com a devida vênia aos que esposam entendimento contrário, em meu entender reservase o conceito de necessário rendimento de capital auferido àqueles que efetivamente contribuíram com este fator de produção (capital) para fins de realização do ciclo empresarial, normalmente em detrimento da contribuição com o fator trabalho (como no caso dos empregados). Feita tal digressão inicial, entendo que a melhor interpretação a ser dada ao dispositivo (art. 2o. da Lei no 10.101, de 2000) deve ser no sentido de que se busca, a partir do texto legal, um binômio de aumento de produtividade e garantia de participação aos empregados, de forma a que seja atingido, pela empresa, um maior nível de competitividade e, consequentemente, pela economia nacional como um todo, sem que se abra mão, todavia, de que este aumento de competitividade (e consequente rentabilidade empresarial) seja revertido, em parte, aos empregados que colaboraram diretamente para tal aumento. Mais especificamente, ainda entendo só ser possível a consecução de tal binômio caso a formalização, leiase, a assinatura do instrumento de acordo se dê antes do período de aferição (exercício), de forma a que o empregado, com prévia ciência de metas e/ou regras claras e objetivas, devidamente formalizadas (visto não haver que se falar em obrigatoriedade legal de distribuição/pagamento sem um instrumento legal que a respalde formalmente), possa saber o esforço adicional a ser executado de forma a auferir rendimento financeiro adicional, conforme muito bem resumido no voto prolatado no âmbito do Acórdão 9202005.704, pelo Conselheiro Relator, Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos e ao qual acedi integralmente, daí adotando o seguinte excerto do mesmo como razões de decidir, verbis: (...) Saliento ainda o entendimento expresso pela Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Viera no voto condutor do acórdão paradigma nº 2401000.545, indicado no recurso especial de divergência da Fazenda: Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital Fl. 629DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 622 20 da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Entendo que o acordo necessita ser assinado antes de iniciado o período a que se refere, porquanto a PLR tem por finalidade incentivar o trabalhador a incrementar sua produtividade, situandoa acima do que lhe é usual ou ordinário. Sem que o acordo se dê antes de iniciado o período, não haveria como o trabalhador saber, com precisão, em quanto deveria aumentar o seu esforço para alcançar metas e qual o possível efeito financeiro que isto lhe acarretaria. Ainda que se possa alegar que os acordos pouco mudaram relativamente a critérios que estavam estabelecidos anteriormente, nada disso seria garantia de que as regras não pudessem ser modificadas. O único instrumento constante da Lei nº 10.101/2000 que assegura ao trabalhador o direito à retribuição é o acordo firmado com a observância dos princípios legais, sobretudo o da não surpresa e da livre negociação com a participação da representação sindical. A fim de que o trabalhador não fique ao talante do empregador, e, ao mesmo tempo, que o empregador tenha assegurado o necessário incremento de produtividade para justificar o compartilhamento do seu lucro, o acordo deve ser celebrado antes da vigência do período em que vigorará, de modo a que as partes iniciem esse tempo conhecedoras de todas as regras a cumprirem. (...) Ainda, faço notar que a literalidade do texto legal também suporta integralmente o entendimento acima adotado de necessidade, para fins de cumprimento aos requisitos legais, de formalização prévia do acordo empresatrabalhadores que contenha metas e regras claras vinculadas a um aumento de produtividade (futuro), uma vez que estabelece: a) a sugestão de vinculação à índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; b) A condição de quando da utilização de programas de metas, resultados e prazos, estes serem pactuados previamente; c) A necessidade de arquivamento do instrumento de acordo na entidade sindical dos trabalhadores e d) A necessidade de previsão, no instrumento de acordo, de mecanismos de aferição aplicáveis e seu período de vigência (o que levaria a uma necessária aceitação de uma Fl. 630DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 623 21 incomum vigência retroativa e aferição aplicável a competências passadas, caso se adotasse a tese de possibilidade de formalização após o início do período de aferição). Entendo que a previsão de tais elementos em conjunto, consoante o referido art. 2o. caput, §§1o. e §§2o., respalda a interpretação aqui adotada de forma integral. Assim, aplicandose tal entendimento ao caso sob análise, verifico que, se resume a presente lide em definir se os mecanismos presentes na cláusula 43a. do Acordo de PLR (Convenção Coletiva de Trabalho 2007/2008, firmada em nível estadual e anexada às e fls. 258 a 278) atenderam o disposto na referida Lei no. 10.101, de 2000, de forma a possibilitar a exclusão dos valores pagos a título de PLR, na forma tencionada pelo contribuinte. Não há, destarte, dúvida sobre o fato do instrumento em questão ter sido devidamente formalizado previamente ao período de aferição objeto de lançamento. A propósito, reza referida cláusula 43a.: " CLÁUSULA QUADRAGÉSIMA TERCEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Considerando as disposições da Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que facultam às entidades sindicais patronais e profissionais celebrarem instrumentos coletivos para a fixação de critérios para a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, o SICEPOTMG e o SITICOPMG resolvem estabelecer, através da presente convenção, os critérios para o recebimento desta verba pelos empregados integrantes da categoria da construção pesada no Estado de Minas Gerais, referente ao anobase de 2008, observadas as condições descritas nos parágrafos seguintes. Parágrafo Primeiro Os convenentes elegem como resultado o menor índice de absenteísmo nas empresas a ser alcançado em todo o período, assim como a redução dos índices de acidente de trabalho. Parágrafo Segundo Somente fará jus à parcela de PLR o empregado que atenda a todas as condições adiante relacionadas: a) Que o empregado tenha trabalhado na empresa que conceder o benefício ora estabelecido, no mínimo, 8 (oito) meses completos no ano de 2008; b) Que o empregado tenha comparecido com freqüência integral, em todos os meses trabalhados no ano 2008; c) Que o empregado não tenha se ausentado do trabalho por qualquer período, por qualquer licença, salvo no caso de acidente do trabalho ou licença maternidade, no ano de 2008; d) Que o empregado não tenha sido vítima de acidente de trabalho no ano de 2008, a que tenha dado causa ou contribuído para a sua ocorrência; Que o empregado não tenha sofrido advertência pelo não uso do EPI ou punição por falta disciplinar aplicada pelo empregador, no ano de 2008. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 624 22 Parágrafo Terceiro Os empregados representados pelo SITICOPMG que atendam todas as condições definidas no Parágrafo Segundo, receberão, a título de participação nos lucros ou resultados das empresas, até o dia 10 de maio de 2009, a importância fixa total por empregado, a ser paga peias empresas de acordo com a estratificação abaixo: CLASSIFICAÇÃO Capital Social IntegralizadoVALOR A PAGAR Até 10.000.000R$ 150,00 De 10.000.001 a 50.000.000R$ 200,00 Demais EmpresasR$ 420,00 Parágrafo Quarto Os empregados registrados na empresa há mais de cinco anos e que fizerem jus à parcela conforme estipulado na presente cláusula, receberão a título de PLR uma parcela de 5% calculada sobre o salário nominal percebido em Io de novembro de 2008, por qüinqüênio completado no mesmo período aquisitivo. Parágrafo Quinto O empregado que trabalhar no ano base por período superior a 8 (oito) meses e inferior a 12 (doze) meses, a PLR será paga na proporcionalidade por mês trabalhado. Parágrafo Sexto Entendese por Capital Social Integralizado o valor atribuído à atividade da empresa no âmbito do Estado de Minas Gerais, nos mesmos termos do art. 581 e parágrafos, da CLT. Parágrafo Sétimo O pagamento correspondente à faixa de maior valor assim como o pagamento da PLR adicional por tempo de serviço, prevista no parágrafo quarto, poderá, a critério da empresa, ser pago em duas parcelas, respectivamente em 10 de maio e 10 de outubro de 2009. Parágrafo Oitavo Consoante disposto no art. 3o, da Lei 10.101, de 19/12/2000, a verba de participação nos lucros ou resultados objeto da presente convenção não integra ou incorpora à remuneração do empregado, tampouco constitui base para a incidência de qualquer encargo trabalhista e previdenciário, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. Parágrafo Nono Em caso de rescisão do contrato de trabalho antes do dia 10de maio de 2009, a Participação nos Lucros ou Resultado será paga quandoda rescisão, desde que atendidas todas as condições acima mencionadas. Parágrafo Décimo As empresas interessadas na celebração de Acordo Coletivo sobre a participação nos lucros ou resultados diverso dos termos estipulados nesta Convenção, poderão promover o Acordo mediante negociação com seus empregados, assistidos pelo SITICOPMG, hipótese em que as condições previstas no Acordo Coletivo prevalecerão sobre aquelas estabelecidas na presente Convenção Coletiva. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 625 23 Parágrafo Décimo Primeiro Os Acordos celebrados entre o SITICOPMG e as empresas antes da celebração da presente Convenção permanecem válidos, respeitado o respectivo prazo de vigência. Parágrafo Décimo Segundo O SITICOPMG fiscalizará o cumprimento da presente convenção mediante a requisição, junto às empresas representadas pelo SICEPOTMG, da lista de empregados beneficiados com a verba ora ajustada. Parágrafo Décimo Terceiro Ressaltamos que os valores e as condições para recebimento da PLR referente ano base de 2007 foram estabelecidas na Cláusula Quadragésima Terceira da Convenção Coletiva 2006/2007. Assim, cediço que tal instrumento : a) Estabelece valor fixo de participação para os empregados, independente de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, baseado tão somente no nível de absenteísmo e capital social das empresas concedentes, de forma a que, assim, um incremento maior de produtividade, qualidade ou lucratividade não é revertido, de forma alguma, como um maior valor de participação aos empregados; b) Exclui do recebimento da participação os empregados que, ainda que tenham contribuído para o aumento da produtividade/competitividade da empresa: a) Tenham trabalhado na empresa por período inferior a 8 meses durante o anobase; b) Não tenham comparecido com frequência integral, ainda que por força de licençasaúde e c) Tenham sofrido acidente de trabalho, o qual, em meu entendimento, não se constitui em evento desejável para qualquer vítima daquele; c) Ainda, se acede aqui à correta constatação do recorrido às efls. 366/367, verbis: "(...) 31. Desta análise, resta evidente que não há a definição de um plano de metas ou resultados a ser cumprido para o pagamento da PLR, tendo a Convenção Coletiva apenas previsto um aumento na remuneração dos empregados que mais trabalharam ao longo do ano de 2008, por não terem faltas ou não terem sofrido qualquer acidente de trabalho. (...)" Contrariado, assim, em meu entendimento através dos elementos supra, o cerne do instituto da PLR já aqui citado, a saber, o binômio aumento de produtividade consequente aumento dos valores de participação dos empregados, rejeitandose, assim, que o referido programa de PLR tenha obedecido aos ditames da Lei no. 10.101., de 2000, mais especificamente em seu art. 2o., §1o. A propósito noto que, ainda que entenda que o termo "entre outros", constante do referido §1o., tenha caráter exemplificativo, rejeito que esteja o mesmo parágrafo a permitir a adoção de programas de PLR que adotem mecanismos de aferição e participação, tais como o sob análise, que se encontrem em dissonância com o intuito fundamental do instituto em questão, ali regulamentado. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 9202006.946 CSRFT2 Fl. 626 24 Por fim, ressaltese que não se está aqui, no presente voto, a contestar a clareza ou objetividade das regras ou reputar inválidas as cláusulas do referido instrumento (CCT), mas tão somente rejeitar sua consonância com o instituto da PLR e com a melhor interpretação de seu diploma regulamentador (Lei no. 10.101,de 2000), de forma a que se pudesse permitir a exclusão tencionada. Assim, diante do exposto, voto por, mantendo o entendimento do Colegiado a quo, negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de: a) Conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, negarlhe provimento; b) Conhecer do Recurso Especial da Contribuinte, para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. . Fl. 634DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.900512/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
SALDO NEGATIVO. COMPOSIÇÃO. IRRF. COMPROVAÇÃO.
Sendo o saldo negativo indicado em pedido de compensação composto de parcela de IRRF e não possuindo, o contribuinte, o informe de rendimento, é dever desse a apresentação de documentação para comprovação do seu direito creditório. O ônus de desconstrução do que restou decido em Despacho Decisório é do contribuinte e sempre através de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 1302-003.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 SALDO NEGATIVO. COMPOSIÇÃO. IRRF. COMPROVAÇÃO. Sendo o saldo negativo indicado em pedido de compensação composto de parcela de IRRF e não possuindo, o contribuinte, o informe de rendimento, é dever desse a apresentação de documentação para comprovação do seu direito creditório. O ônus de desconstrução do que restou decido em Despacho Decisório é do contribuinte e sempre através de documentação hábil e idônea.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10469.900512/2010-12
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5900909
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-003.071
nome_arquivo_s : Decisao_10469900512201012.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 10469900512201012_5900909.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7421148
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050871580852224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 83 1 82 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.900512/201012 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.071 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2018 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA DO RIO GRANDE DO NORTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 SALDO NEGATIVO. COMPOSIÇÃO. IRRF. COMPROVAÇÃO. Sendo o saldo negativo indicado em pedido de compensação composto de parcela de IRRF e não possuindo, o contribuinte, o informe de rendimento, é dever desse a apresentação de documentação para comprovação do seu direito creditório. O ônus de desconstrução do que restou decido em Despacho Decisório é do contribuinte e sempre através de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 05 12 /2 01 0- 12 Fl. 83DF CARF MF 2 Relatório O contribuinte Companhia Energética do Rio Grande do Norte ora Recorrente, transmitiu PerDcomp, na qual, como consta do acórdão recorrido, pretendia utilizar de "crédito decorrente de saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 2.876.756,68, com origem no período de apuração encerrado em 31/12/2004 ", para quitar débito de sua responsabilidade. Contudo, em despacho decisório exarado, contatouse a inexistência da totalidade do crédito indicado no pedido de compensação, tendo em vista que não identificou se a integralidade dos créditos que compunham aquele saldo negativo. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, o Recorrente alegou, em síntese, como se observa do acórdão proferido pela DRJ no Recife (PE) que "utiliza, como dedução na apuração do IRPJ, as antecipações apresentadas no sistema da empresa com o status de arrecadadas, de forma a assegurar que seus clientes, os órgãos públicos e as demais entidades (Lei n.º 10.833, de 2003) farão o recolhimento dos tributos retidos, procedimento que, contudo, não pode gerar distorções para a Receita Federal." Para corroborar com os seus argumentos, o Recorrente apresentou, além dos documentos constitutivos e de representação, apenas uma solução de Consulta que foi formulada por outro contribuinte (Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia), na qual a administração fazendária esclarece que "na hipótese de o órgão ou entidade da administração pública federal não fornecer o comprovante anual de retenção, a pessoa jurídica poderá utilizar os seus registros contábeis, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor depositado pela fonte pagadora, para respaldar a compensação dos tributos e contribuições federais retidos" (fl. 19 e seguintes). Contudo, entendendo que o contribuinte não comprovou de forma correta o seu direito creditório, a DRJ no Recife (PE) indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada, tendo o acórdão proferido recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PROVAS DOCUMENTAIS. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. Conforme preconiza o § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72, é na impugnação que as provas documentais devem ser apresentadas, precluindo o direito de fazêlo posteriormente, salvo se ocorrentes as hipóteses excepcionais previstas nas alíneas do mesmo parágrafo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimado, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. Em seu apelo, junta aos autos tabela com os "tributos retidos na fonte ano 2014" e solução de consulta por ele Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10469.900512/201012 Acórdão n.º 1302003.071 S1C3T2 Fl. 84 3 formulada, em que a SRRF da 4ª Região Fiscal chega às mesmas conclusões que foram apresentadas na anterior solução de consulta acostada aos autos pelo Recorrente. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido, via AR, em 19/07/2012 (fl. 54 e 55), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 16/08/2012 (comprovante de fl. 68), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Como se depreende do relatório acima, o Recorrente indicou em pedido de compensação, como direito creditório, saldo negativo referente ao anocalendário de 2004, que tinha em sua composição CSSL que, supostamente, foi retida e recolhido por órgãos públicos. Tendo em vista a falta de informe de rendimentos para comprovar a parcela de CSLL que compunha aquele saldo negativo, argumentou, arrimado em Soluções de Consulta exaradas pela Receita Federal do Brasil, que seu direito creditório poderia ser comprovado com outros documentos, notadamente com os registros contábeis, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor depositado pela fonte pagadora. Contudo, mesmo sabendo que, na ausência dos informes de rendimentos, deveria comprovar o direito creditório com outros documentos, o Recorrente não trouxe aos autos, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, qualquer documento para comprovar o seu direito. Em Recurso Voluntário, como mencionado, além de outra Solução de Consulta, que, desta vez, foi formulada pelo próprio Recorrente, este acostou aos autos apenas uma planilha denominada "TRIBUTOS RETIDOS NA FONTE ANO 2004" (fl. 63). Contudo, em total contradição ao que restou decidido nas soluções de consulta, que a própria defesa invoca, o Recorrente não apresentou nenhum dos documentos que aquelas soluções dizem como serem aceitos para comprovação do direito creditório, em substituição aos informes de rendimentos. Como sabido, em atenção ao princípio da verdade material, no processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear Fl. 85DF CARF MF 4 sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Contudo, mesmo com esse direcionamento que o Princípio da Verdade Material dá ao procedimento administrativo fiscal, não se pode perder de vista que o ônus para comprovar as alegações, em especial o direito creditório, é do contribuinte, ainda mais quando tem resposta de consulta formulada à Receita Federal do Brasil neste sentido. É ilógico pensar que, mesmo sabendo que, para comprovar o seu direito creditório, deveria ser apresentada documentação específica, o contribuinte não fornece essa documentação e, ao mesmo tempo, alega que tem direito ao crédito com base no entendimento exarado pela Receita Federal de que a comprovação deve se dar com a apresentação daqueles documentos. Não se pode perder de vista, inclusive, que as decisões proferidas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em grande parte, vão ao encontro do que restou consignado nas respostas das consultas formuladas pela Receita Federal do Brasil, ou seja, admitese a comprovação com outros meios do direito creditório, em detrimento do informe de rendimentos. Entretanto, é ônus do contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, o seu direito creditório. Neste sentido, vejase ementa de julgado proferido pelo CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1993 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido, podendo ser suprido pela Declaração de Informação de Retenções (DIRF). APURAÇÃO DO IRPJ. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. IRRF. CONDIÇÕES. Para que as deduções a título de imposto de renda na fonte possam integrar a apuração do IRPJ e, caso se apure o saldo negativo, o crédito possa se revestir da liquidez e certeza, fazse necessário que o contribuinte faça prova de que efetivamente ocorreram as retenções de IRRF e que os correspondentes rendimentos tenham sido oferecidos à tributação. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10469.900512/201012 Acórdão n.º 1302003.071 S1C3T2 Fl. 85 5 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. À luz do art. 74, caput e §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação e nem se submetem ao regime da homologação tácita, pois tais permissivos legais somente abrangem os pedidos de compensação de débitos e créditos próprios. (Número do Processo 10880.015062/9707 Acórdão nº 1301001.847 Sessão de 08/12/2015). Ocorre que, no presente caso, como mencionado, o contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, para comprovar o seu direito creditório apresentou, tãosomente, planilha por ele elaborada, em que supostamente constam os valores que foram retidos e recolhidos pelas fonte pagadoras (órgão públicos) a título de IRRF e CSLL. Além desta planilha, não há mais nenhum documento nos autos, tais como demonstrações contábeis, faturas e/ou notas fiscais e os comprovantes dos valores creditados em conta bancária, que pudessem, de alguma forma, ratificar as informações constante na planilha elaborada pelo contribuinte. Desta feita, por ausência de comprovação, não há como reconhecer o direito creditório do contribuinte, nos termos indicados no pedido de compensação apresentado junto à Receita Federal do Brasil Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo, na totalidade, a decisão proferida pela DRJ no Recife (PE). (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.723162/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROCEDENTE
Impugnação apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Decorre disto que não se infirmando a intempestividade, não pode ser provido recurso em face de impugnação anterior intempestivo e que não surtiu os efeitos legais.
Numero da decisão: 1401-002.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROCEDENTE Impugnação apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Decorre disto que não se infirmando a intempestividade, não pode ser provido recurso em face de impugnação anterior intempestivo e que não surtiu os efeitos legais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.723162/2013-71
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5900142
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.878
nome_arquivo_s : Decisao_19515723162201371.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 19515723162201371_5900142.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7414120
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050871588192256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1525; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 564 1 563 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.723162/201371 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.878 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2018 Matéria TEMPESTIVIDADE Recorrente LANCHONETE E PADARIA EDVALDOSQUE LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROCEDENTE Impugnação apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Decorre disto que não se infirmando a intempestividade, não pode ser provido recurso em face de impugnação anterior intempestivo e que não surtiu os efeitos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 31 62 /2 01 3- 71 Fl. 570DF CARF MF 2 Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão de Piso. Trata o presente processo, da exigência de R$ 1.675.110,29 a título de imposto de renda pessoa jurídica, R$ 507.934,24 a título de contribuição social sobre o lucro líquido, R$ 529.098,18 a título de contribuição para o financiamento da seguridade social e R$ 114.637,95 a título de contribuição para o PIS/Pasep, referentes ao ano calendário de 2009, acrescidos de multa de ofício à razão de 225%. O lançamento foi efetuado com base no arbitramento do lucro, posto que notificado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, o contribuinte deixou de apresentálos, enquadrandose desta forma na hipótese prevista no inciso III do artigo 530 do RIR/1999, apoiado pelo Termo de Verificação Fiscal (fls. 249 a 264). A base legal para a exigência do IRPJ é o artigo 3° da Lei n° 9.249/1995 e artigo 42 da Lei n° 9.430/1996; para a CSLL, o art. 2º da Lei n° 7.689/1988 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei n° 8.034/1990, art. 2º da Lei n° 9.249/1995, art. 29, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, art. 22 da Lei n° 10.684/2003, art. 3º da Lei n° 7.689/1988, com redação dada pelo art. 17 da Lei n° 11.727/2008 e, art. 24, § 2º, da Lei n° 9.249/1995 com as alterações; introduzidas pela Medida Provisória nº 449/2008; a exigência da Cofins encontra amparo no art. 8º da Lei n° 9.718/1998, art. 1º da Lei Complementar n° 70/1991; art. 2º da Lei n° 9.718/1998, art. 24, § 2º, da Lei n° 9.249/1995, com as alterações introduzidas pelo art. 28 da Medida Provisória nº 449/2008 e art. 3º da Lei n° 9.718/1998, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória n° 2.15835/01, pelo art. 41 da Lei n° 11.096/2005; por fim, para o PIS, o enquadramento legal é o art. 1º da Lei Complementar n° 7/70, arts. 2º, inciso I e 9º da Lei n° 9.715/1998, arts. 2º da Lei n° 9.718/1998, art. 8º, inciso I, da Lei n° 9.715/1998, art. 24, § 2º, da Lei n° 9.249/1995, com as alterações introduzidas pelo art. 28 da Medida Provisória nº 449/2008, art. 3º, da Lei n° 9.718/1998, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória n° 2.15835/01 e pelo art. 41 da Lei n° 11.196/2005. Às fls. 273 e 274 consta o Termo de Sujeição Passiva Solidária emitido em nome de Gervásio Cavalcanti de Macedo, CPF 484.350.23400, enquadrandoo na situação prevista no artigo 124 da Lei n° 5.172 de 1966 Código Tributário Nacional. Foi emitido, ainda, o Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 275 e 276), em nome de Maria dos Anjos de Brito Cavalcanti de Macedo, CPF 036.084.67424, alocandoa na situação prevista no artigo 124 da Lei 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional. Termos de Revelia foram lavrados para os responsáveis solidários Gervásio Cavalcanti de Macedo (fl. 296) e Maria dos Anjos de Brito Cavalcanti de Macedo (fl. 297) tendo em vista que, dentro do prazo regulamentar, não foi apresentada impugnação ao lançamento, nem foi efetuado o recolhimento do crédito tributário exigido no presente processo. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 19515.723162/201371 Acórdão n.º 1401002.878 S1C4T1 Fl. 565 3 Tendo sido verificado que constavam débitos em aberto foram emitidas cartas de cobrança nºs 09/2014 e 11/2014 para Gervásio Cavalcanti de Macedo (fls. 316/317 e 331/332) e nºs 10/2014 e 12/2014 para Maria dos Anjos de Brito Cavalcanti de Macedo (fls. 318/319 e 333/334). Em 07/10/2014, por meio de seu procurador, os sujeitos passivos solidários Gervásio Cavalcanti de Macedo e para Maria dos Anjos de Brito Cavalcanti de Macedo apresentaram contestação às Cartas de Cobrança (fls. 338 a 345), alegando, em síntese, que: conforme se infere do Termo de Constatação Fiscal, os Auditores da RFB promoveram uma ação fiscal única que abrangeu dez MPFs; essa execução englobada dos dez MPFs numa só auditoria fiscal foi justificada pelo fato das irregularidades detectadas nas diversas pessoas jurídicas apresentarem “situações em comum”, que evidenciariam se tratar de empresas apenas “formalmente independentes”, pois teriam funcionado no período examinado “como um grupo econômico de fato”; no Termo de Constatação Fiscal (o único para os dez procedimentos fiscais), está informado, de modo absolutamente inequívoco e expresso, que, a despeito da constituição individualizada dos créditos tributários para cada ente do grupo, “serão os lançamentos apensados uns aos outros para que tenham contenciosos em comum”; relativamente aos PAFs n°s 19515.723066/201322, 19515.720122/2014 58, 19515.720121/201411, 19515.722887/201341 e 19515.721663/2013 12, os requerentes apresentaram tempestivas impugnações. E em tais defesas (todas de idêntico teor e fundamentação), foram arguidas diversas nulidades, arbitrariedades e ilegalidades da ação fiscal que deu origem a todas as autuações e que fundamenta a malfadada sujeição passiva solidária. diante do que apurou, entendeu e asseverou o próprio fisco no Termo de Constatação Fiscal, não podem os requerentes ser considerados revéis quanto aos demais processos administrativos, visto que, em rigor, encontrase efetivamente impugnada a ação fiscal (que, insistase, é única) e, em consequência, impugnados todos os créditos tributários e a imputação de responsabilidade tributária solidária dela (ação fiscal) decorrentes; a não apresentação de tempestivas defesas nos processos administrativos em apreço não denota o desinteresse (ou a desídia) dos requerentes em impugnar os correspondentes gravames. Em verdade, isso somente ocorreu porque havia a convicção de que os lançamentos seriam apensados uns aos outros e que tramitariam em “contencioso em comum” (conforme consta expressamente do próprio TCF). De sorte que a insurgência manifestada, em uma (ou algumas) defesa(s), contra a ação fiscal e a sujeição passiva solidária propriamente dita seria suficiente para impugnar todos os lançamentos de ofício; Fl. 572DF CARF MF 4 a intenção de se insurgir contra todas as exações restou incontroversa quando os requerentes formalizaram “Impugnação ao Termo de Ciência Fiscal” em que são nominalmente citadas as dez pessoas jurídicas fiscalizadas e pugnouse pela improcedência das acusações contidas nos dez respectivos procedimentos fiscais; dadas as peculiaridades do vertente caso, não há que se aplicar com rigor o artigo 21 do Decreto n° 70.235/72, posto que a exigência foi verdadeiramente impugnada, sendo que os requerentes, tãosomente, deixaram de reproduzir nos feitos epigrafados as razões de inconformismo deduzidas nas tempestivas defesas interpostas em processos administrativos conexos e relacionados às mesmas bases fáticas; como os Auditores autuantes entenderam que os requerentes são “os reais beneficiários das atividades” das dez pessoas jurídicas fiscalizadas, cuja independência seria um “engodo e expediente de simulação”, perfeitamente possível sustentar que as dez autuações foram lavradas contra os mesmos sujeitos passivos e se vinculam aos mesmos elementos de prova; situação que enseja a incidência do § 2º do artigo 38 do Decreto n° 7.574/2011; diante de todas as informações, alegações e acusações contidas no TCF (em que, de modo insistente, se faz referência a uma “conexão fática” entre as empresas fiscalizadas), seria até uma incoerência a RFB não reconhecer a unidade e a intima vinculação dos lançamentos, já que fundados em idêntica matéria de fato e resultantes de mesma ação fiscal, e não reconhecer que a interposição de impugnação pelos pretensos sujeitos passivos solidários em um ou alguns dos processos foi suficiente para instaurar a fase litigiosa do procedimento como um todo; o apensamento dos lançamentos num contencioso administrativo em comum impunhase, inclusive, sob o ponto de vista da segurança jurídica, haja vista a possibilidade de haver (caso cada gravame tramite de modo isolado e independente) soluções conflitantes quanto a situações idênticas; é imprescindível que os efeitos do julgamento das defesas formuladas nos Processos 19515.723066/201322, 19515.720122/201458, 19515.720121/201411, 19515.722887/201341 e 19515.721663/201312 (decisão essa que, indubitavelmente, será única) também se estendam aos demais feitos, de forma a evitar a inusitada e inadmissível situação de serem os requerentes demandados em cobranças executivas (e ações penais) alicerçadas em acusação fiscal que sequer foi julgada/confirmada definitivamente no âmbito do contencioso administrativo; uma vez consideradas as referidas singularidades do caso concreto (em que há uma única ação fiscal, uma única base fática e os mesmos responsáveis tributários solidários), forçoso concluir que não se consumou a revelia dos requerentes nos autos dos processos em que eles tãosomente deixaram de apresentar, no prazo regulamentar, as mesmas razões impugnatórias que foram articuladas nos outros feitos, que, segundo o próprio TCF, deveriam estar apensados àqueles primeiros para terem “contenciosos administrativos em comum”. Destarte, para que não haja qualquer nulidade, sobretudo pela preterição do direito de defesa, necessário que se aguarde o julgamento das Fl. 573DF CARF MF Processo nº 19515.723162/201371 Acórdão n.º 1401002.878 S1C4T1 Fl. 566 5 impugnações interpostas, visto que a eventual procedência (total ou parcial) repercutirá inexoravelmente em todos os lançamentos advindos da mesma ação fiscal efetivamente hostilizada; ao formalizar “Impugnação ao Termo de Ciência Fiscal” pertinente aos dez MPFs, os requerentes pugnaram para que “todas as publicações e intimações” relacionadas ao processo fossem encaminhadas exclusivamente aos seus então patronos. Não obstante, os Autos de Infração e os Termos de Sujeição Passiva Solidária foram endereçados aos domicílios dos requerentes; além da convicção de que a ação fiscal já estava devidamente impugnada, os requerentes estavam certos de que as intimações a esta referentes, no mínimo, também seriam encaminhadas aos advogados constituídos nos autos. Em razão disso, deixaram de repassar (dentro do trintídio regulamentar) parte dos documentos aos profissionais que haviam contratado para cuidar de seus interesses e apresentar a(s) defesa(s) cabível(is). Inegável, assim, que restou prejudicado o pleno exercício do direito de defesa dos requerentes; por fim requer que se reconheça instaurada a fase litigiosa dos PAFs 19515.723162/201371, 19515.720286/201485, 19515.720179/201457, 19515.720180/2014 81 e 19515.720178/201411; e que se determine o apensamento dos mesmos aos autos dos PAFs 19515.723066/201322, 19515.720122/201458, 19515.720121/201411, 19515.722887/201341 e 19515.721663/201312 de sorte que todos se sujeitem aos efeitos do julgamento que será proferido acerca deste contencioso administrativo, bem como se determine que não se proceda a qualquer ato de cobrança dos débitos tributários em questão, inscrição em CADIN, encaminhamento de Representação para Fins Penais ou qualquer outra medida restritiva, enquanto não houver decisão administrativa definitiva quanto às defesas formuladas; entretanto, caso se entenda de modo diverso, requerse alternativamente que, tendo em vista a prévia solicitação deduzida na “Impugnação ao Termo de Ciência Fiscal” quanto ao exclusivo encaminhamento das intimações aos causídicos então constituídos, seja reconhecida a nulidade das intimações referentes aos Autos de Infração / Termo de Sujeição Passiva Solidária dos PAFs 19515.723162/201371, 19515.720286/2014 85, 19515.720179/2014 57, 19515.720180/201481 e 19515.720178/201411, a fim de que seja reaberto aos requerentes o prazo para formalização das respectivas impugnações. Analisando as petições apresentadas contra a autuação a Delegacia de Julgamento deixou de analisar as impugnações por considerálas intempestivas. Cientificados da decisão de Piso os sujeitos passivos solidários apresentaram recurso voluntário no qual aduzem as seguintes alegações: Fl. 574DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O presente recurso decorre de intimação dos responsáveis solidários acerca do auto de infração e dos Termos de Responsabilidade solidária contra si lavrados, da qual não foi apresentada, tempestivamente, impugnação ao auto e termo de responsabilidade. Analisando as impugnações, em função da alegação preliminar de tempestividade a Delegacia de Julgamento deixou de conhecêla e manteve a declaração de intempestividade já elaborada pela Delegacia de Origem. Irresignada com a referida decisão os sujeitos passivos apresentaram recurso voluntário conjunto no qual apresenta contestação à decisão de Piso, repisando as alegações trazidas na impugnação acerca do fato de que se trata de uma autuação conjunta para 10 (dez) empresas diferentes e, assim, a impugnação apresentada em relação a uma empresa aproveitaria todas as demais. Apresenta outros assuntos, antes não abordados, nos quais descambam no mesmo objetivo, qual seja, o de considerar que as impugnações apresentadas em outros processos que foram objeto de lançamento, e dos quais a responsabilidade pelos créditos é atribuída aos mesmos dois sujeitos passivos deste processo, seja aproveitada para este processo com vistas a infirmar a intempestividade das impugnações neste manejadas. Visualizando documento a documento os autos do presente processo observamos que não só a empresa não foi localizada no endereço constante no cadastro do CNPJ, como constatamos as dificuldades na localização do correto endereço dos responsáveis solidários. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal e auto de infração, observamos que bem andou a Delegacia de Julgamento na análise da tempestividade da petição. Não se observam falhas na análise que pudessem modificar a declaração de intempestividade, razão pela qual, sendo os argumentos aduzidos no recurso semelhantes aos argumentos apresentados na impugnação, todos no sentido de que se considere tempestiva a impugnação, entendo não merecer reparo a decisão atacada, pelos fundamentos nela apresentados e pela falta de qualquer elemento fático apresentado pela defesa que pudesse infirmar a intempestividade. Desta forma, utilizo a Decisão de Piso, que abaixo passo a transcrever, pelos seus próprios fundamentos, a fim de manter a intempestividade e consequente revelia já declarados e reconhecer que, no presente caso, não se instaurou o litígio. Início da Transcrição do Voto da Delegacia de Julgamento. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 19515.723162/201371 Acórdão n.º 1401002.878 S1C4T1 Fl. 567 7 Tendo sido suscitada, pela interessada, questão preliminar relativa à tempestividade da impugnação, passase ao exame do presente processo por força do disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15, de 12 de julho de 1996. O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art.151, inciso III do Código Tributário Nacional Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 e nos arts. 15 e 21 do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1.º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. (Grifei). De acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 88 a 130) foi detectado que a empresa autuada, Lanchonete e Padaria Edvaldosque Ltda – ME, juntamente com outras nove empresas, apresentavam as seguintes situações em comum: a) desconhecidas ou inoperantes nos domicílios tributários; b) registradas como lanchonetes, restaurantes e afins; c) com movimentação financeira volumosa e atípica para suas atividades; d) falta de apresentação de declarações (DIPJ e DCTF); e) com intimações enviadas por via postal aos endereços dos sócios que retornavam com a indicação de desconhecidos nos locais e f) sócios sem capacidade econômica para as movimentações das empresas. Ainda, conforme o referido Termo de Constatação Fiscal, os Auditores Fiscais apresentam as seguintes constatações: “A concomitância das ocorrências não foi casual, decorreu de terem sido as empresas listadas em um mesmo relatório do COAF – Conselho de Controle das Atividades Financeiras – por operações financeiras a se esclarecerem, que a divisão de planejamento da Delegacia tributária confirmou não estavam declaradas em DIPJ e DCTF, e, acrescentando indícios de irregularidade, que pela atividade informada deveriam, supostamente, ser de pequeno porte (...) tinham movimentações financeiras expressivas não informadas ao fisco. Identificadas que as situações representavam um padrão de ocorrências que demandavam exame fiscal, decidiram as administrações das Divisões de fiscalização, envolvidas nos procedimentos, que os auditores atuantes deveriam promover, entre si, troca de informações sobre as constatações feitas nestas empresas, visando, sobretudo, esclarecer as possíveis conexões entre elas, e, com especial atenção, a identificação de possíveis reais beneficiários em comum. Fl. 576DF CARF MF 8 As conexões entre as empresas se confirmaram nas verificações, evidenciando que a divisão do grupo em empresas formalmente independentes era, em concreto, engodo e expediente de simulação para turbar a percepção, a observadores externos, sobre a grandeza dos recursos movimentados e omitidos em declarações tributárias que se impunham serem apresentadas pelos valores reais. As naturezas das efetivas movimentações financeiras, comprovadas nas verificações para o período, tornam forçosa a conclusão que as empresas foram constituídas ou compradas para servirem de fachada aos reais propósitos e interesses de seus controladores, apurado que foi em todos os casos, sem indícios de terem operado efetivamente estabelecimentos físicos, nos locais que informavam, para seus objetos sociais registrados, bar, padaria, supermercado, lanchonete, ou restaurante. (...) Nas operações comprovadas ocorridas ficou evidenciada a atuação de pessoas (...) que pela amplitude e suas ações demonstravam ter o efetivo poder de decisão em todas as unidades do grupo, os 10 (dez) CNPJs sob ação fiscal, situação que, ressaltese, projetavam para seus sócios oficiais a condição de figurantes inseridos nos registros públicos para esconder seus reais controladores. Devendose destacar que estas pessoas identificadas com poder de mando eram estranhas aos registros societários arquivados. Os sócios sem capacidade econômica para as movimentações financeiras apuradas, e/ou em indícios de comando nos negócios, serviram de fato como interpostas pessoas perante o fisco para alcançar os propósitos dos controladores das empresas, e, pela conclusão que quem detém o domínio pode controlar os resultados, os controladores do grupo, identificados e nomeados nesse relatório, serão tratados para todos os efeitos legais e tributários, nas apurações que se fazem, como os reais beneficiários das movimentações financeiras constatadas. Ressalvandose que as responsabilidades dos sócios oficiais das empresas serão individualizadas nos relatórios dos Autos de Infração a se emitirem para cada empresa do grupo, pois muitos destes demonstram plena operosidade nas atividades de simulação, outros menos e alguns somente aparecem com os nomes.” (Grifos do original) Portanto, verificase a existência de 10 (dez) empresas autuadas com os mesmo sujeitos passivos solidários (Gervásio Cavalcante de Macedo e Maria dos Anjos de Brito Cavalcanti de Macedo), estes, por sua vez, apresentaram impugnações para apenas cinco das dez empresas autuadas, quais sejam: Restaurante e Lanchonete Itapetininka Ltda Me (PAF 19515.723066/2013 22, Lanchonete Nosso Lanche Ltda Me (PAF 19515.721663/201312), Supermercado Rafaesk Ltda Me (PAF 19515.720122/201458) e Supermercado e Padaria Albuquerkes Ltda Me (PAF 19515.720121/201411) e JL & JP Lanchonete Ltda (PAF 19515.722887/201341). Fl. 577DF CARF MF Processo nº 19515.723162/201371 Acórdão n.º 1401002.878 S1C4T1 Fl. 568 9 Para as demais autuações, dentre as quais se encontra o presente processo, não foi apresentada impugnação. São elas: LANCHONETE E PADARIA EDVALDOSQUE (PAF 19515.723162/201371), LANCHONETE E RESTAURANTE BARAOSK (PAF 19515.720286/201485), RESTAURANTE E CASA DE LANCHES NOVASK (PAF 19515.720178/201411), CASA DE CHÁ E RESTAURANTE REPUBLYKA (PAF 19515.720180/201481) e LANCHONETE ROSALISKA (PAF 19515.720179/201457). Por meio de contestação às Cartas de Cobrança (fls. 338 a 345) o procurador dos sujeitos passivos solidários (Gervásio Cavalcanti de Macedo e Maria dos Anjos de Brito Cavalcanti de Macedo) alega que mesmo para os processos em que não foram apresentadas defesas tempestivas, as exigências foram impugnadas pois: “uma vez consideradas as referidas singularidades do caso concreto (em que há uma única ação fiscal, uma única base fática e os mesmos responsáveis tributários solidários), forçoso concluir que não se consumou a revelia dos requerentes nos autos dos processos em que eles tão somente deixaram de apresentar, no prazo regulamentar, as mesmas razões impugnatórias que foram articuladas nos outros feitos, que, segundo o próprio TCF, deveriam estar apensados àqueles primeiros para terem ‘contenciosos administrativos em comum’”. A requerente quer fazer crer que devido as peculiaridades do presente caso bastaria haver impugnação a um dos dez Autos de Infração para que ela se estendesse a todos os demais. Afirma que tirou essa convicção do próprio Termo de Constatação Fiscal onde consta que os lançamentos seriam apensados uns aos outros e que tramitariam em contenciosos administrativos em comum. O referido Termo de Constatação Fiscal apresenta, às fls. 88 a 90, uma síntese da fiscalização: Efeitos Fiscais Consideradas as constatações exposta neste termo temse: 1 – deverão ser lançados de ofício os tributos e contribuições fiscais apurados devidos, calculados por arbitramento a partir das movimentações financeiras conhecidas; 2 – os lançamentos obedeceram as personalidades jurídicas de cada empresa, visto não poderem ser desconstituídas na esfera administrativa; 3 – serão os lançamentos apensados uns aos outros para que tenham contenciosos administrativos em comum; 4 – serão emitidos termos de sujeições passivas solidárias, em todos os levantamentos, para Gervásio Cavalcante de Macedo e Maria dos Anjos de Brito Cavalcanti de Macedo; Fl. 578DF CARF MF 10 5 – já efetivados no decorrer das presentes apurações fiscais, foram emitidos os competentes Atos Declaratórios para as baixas de ofício dos CNPJ das empresas, por inexistência de fato, após serem oferecidas a estas a possibilidade de contestarem as alegações fiscais; 6 – Os faturamentos serão presumidos pelas movimentações bancárias que se obtiveram com base nas disposições da LC 105/2001; 7 – Nos arbitramentos dos lucros das empresas, não comprovadas suas reais atividades,deverão ser adotadas as hipóteses de maior percentual obtidos da aplicação do Art. 16 da Lei nº 9.249/95, c.c. Art. 27 da Lei nº 9.430/96 (Art. 41 da IN SRF nº 93/97), aplicadas sobre as receitas brutas das atividades, a que corresponderem os percentuais adotados, em cada trimestre de apuração. (Grifouse) Pela simples leitura desse trecho, ao informar que “os lançamentos obedeceram as personalidades jurídicas de cada empresa, visto não poderem ser desconstituídas na esfera administrativa” fica claro que as autuações e os processos administrativos são distintos. A informação de que os lançamentos serão apensados uns aos outros para que tenham contenciosos administrativos em comum é uma medida de ordem prática que, por óbvio, otimizaria o trabalho de julgamento. Reparese que esta escrito “contenciosos administrativos” (no plural) supondo a possibilidade de haver impugnação a mais de uma autuação. Não obstante, o próprio Termo de Constatação Fiscal, em item específico (“As personalidades jurídicas das empresas e os lançamentos fiscais” – fls. 111 a 113) deixa claro que as autuações foram, como não poderiam deixar de ser, individualizadas: “Conquanto as constatações apresentadas neste relatório indiquem que as empresas operavam como um grupo econômico de fato, para efeito dos lançamentos fiscais do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins que se concluem devidos, devem ser obedecidas as personalidades jurídicas dos entes do grupo, distribuindose as contribuições e tributos apurados conforme as bases de cálculos que se arbitraram dos movimentos bancários individuais, ou diretamente das movimentações de pagamentos feitas pelas operadoras de valealimentação/refeição, apurados para cada um dos listados na relação inicial de MPFs deste Termo. Os Autos de Infração – Ais – a se emitirem para cada empresa do grupo deverão apresentar em seus relatórios as constatações que se fizerem a partir das informações que se obtiveram para o conjunto do grupo, em consideração a constatação que as empresas, ainda que formalmente independentes, operavam conjuntamente com os mesmos objetivos e com movimentações bancárias que indicavam o domínio de pessoas que se identificaram ter não somente comando sobre o agrupamento como serem agentes de movimentações que lhes beneficiavam.” (Grifouse) Apesar de haver um Termo de Constatação Fiscal comum para todas as empresas autuadas, os procedimentos de fiscalização são unos, com Fl. 579DF CARF MF Processo nº 19515.723162/201371 Acórdão n.º 1401002.878 S1C4T1 Fl. 569 11 específicos MPFs, Intimações, Termos de Verificação Fiscal, Autos de Infração e etc., tendo sido dado ciência de cada uma dessas peças separada e individualmente. Dessa forma, não cabe a aplicação do disposto no § 2º do artigo 38 do Decreto n° 7.574/2011, pois não se trata de mesmo sujeito passivo. Portanto, para o presente caso, não foi apresentada impugnação tempestiva, não podendo se aproveitar de defesa apresentada em nome de outra empresa em processo administrativo diverso. Também não é crível que a requerente não tenha apresentado impugnação no presente caso pela convicção de que os lançamentos seriam apensados uns aos outros e que a defesa apresentada em uma autuação seria suficiente para impugnar os demais lançamentos. Primeiro porque, conforme explanado, o Termo de Constatação Fiscal deixa claro que as autuações são independentes, depois pelo fato da requerente ter apresentado defesa específica, ainda que similar, para cinco das dez empresas autuadas, além do fato de ambos sujeitos passivos solidários terem apresentado para todas as empresas autuadas contestação específica ao Termo de Constatação Fiscal. Por fim, é alegado que ao formalizar “Impugnação ao Termo de Ciência Fiscal” foi solicitado que “todas as publicações e intimações” relacionadas ao processo fossem encaminhadas exclusivamente aos seus então patronos, entretanto, os Autos de Infração e os Termos de Sujeição Passiva Solidária foram endereçados aos domicílios dos requerentes, o que teria prejudicado seu pleno exercício do direito de defesa. É requerido, então, que seja reconhecida a nulidade das intimações referentes aos Autos de Infração / Termo de Sujeição Passiva Solidária dos PAFs 19515.723162/201371, 19515.720286/201485, 19515.720179/201457, 19515.720180/201481 e 19515.720178/201411, a fim de que seja reaberto aos requerentes o prazo para formalização das respectivas impugnações. Aqui, cabe observar que se aplicam ao processo administrativo fiscal no âmbito da Receita Federal do Brasil (RFB) as determinações constantes no Decreto n° 70.235, de 1972 que em seu artigo 23, abaixo transcrito, disciplina integralmente a matéria. Seus incisos I, II e III configuram as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 580DF CARF MF 12 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) O inciso II, do citado artigo 23, determina que as intimações por via postal ou por qualquer outro meio sejam feitas com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este definido no parágrafo 4º do mesmo dispositivo legal. Portanto, não sendo a intimação feita pessoalmente ou por meio eletrônico em endereço atribuído pela Administração e autorizado pelo sujeito passivo, não é possível a intimação em endereço diverso daquele por ele fornecido para fins cadastrais. Assim sendo, não há que se falar em nulidade das intimações efetuadas ou em cerceamento do direito de defesa. Concluise, portanto, que não foi apresentada impugnação tempestiva. Não observado o prazo legal, condição para a apreciação da impugnação pelas instâncias administrativas, o litígio não se instaura, não comportando exame das alegações de mérito veiculadas em petição concernente a processo administrativo diverso. Do exposto, voto pelo não conhecimento da impugnação. Fim da transcrição do voto da Delegacia de Julgamento À vista de todo o exposto e demonstrandose que os argumentos trazidos no recurso voluntário não tiveram o condão de produzir ou demonstrar fatos que pudessem militar em favor da tempestividade dos recursos, utilizando os fundamentos da Delegacia de Fl. 581DF CARF MF Processo nº 19515.723162/201371 Acórdão n.º 1401002.878 S1C4T1 Fl. 570 13 Julgamento para manter a intempestividade da impugnação e a consequente não formação do litígio no presente processo, voto no sentir de negar provimento ao recurso mantendo na íntegra a Decisão de Piso que reconheceu a intempestividade da impugnação. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 582DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.902674/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
Numero da decisão: 1401-002.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10480.902674/2013-71
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5914815
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.939
nome_arquivo_s : Decisao_10480902674201371.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10480902674201371_5914815.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7461842
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050871595532288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1963; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.902674/201371 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.939 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2018 Matéria PER/DCOMP PAGAMENTO A MAIOR Recorrente ARMAZEM CORAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 26 74 /2 01 3- 71 Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10480.902674/201371 Acórdão n.º 1401002.939 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a pagamento a maior realizado pela empresa. O PER/DCOMP foi indeferido por meio de análise automática do PER/DCOMP em função de, quando da análise eletrônica do pedido a DCTF do contribuinte informar como valor do débito o valor integral do DARF recolhido não existindo, desta maneira, valor disponível para restituição. Cientificado do indeferimento o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual alegou que errou ao não ter retificado previamente a declaração (DCTF) mas que, no entanto, havia providenciado a retificação da declaração (DIPJ) relativa à apuração do crédito antes da apresentação do PER/DCOMP e, em tais declarações consta o valor correto do débito do período que confirma a existência do pagamento a maior. Analisando a manifestação apresentada a Delegacia de Julgamento restringiu sua análise ao fato de a DCTF não ter sido retificada previamente à apresentação do PER/DCOMP e, em esta sendo confissão de dívida, restar comprovado que não existe crédito disponível em benefício da empresa. Não foram aceitas as alegações acerca da apresentação de outras declarações nas quais a empresa demonstrou o real valor devido do tributo e período de apuração relativo ao DARF solicitado. Cientificado da Decisão de Piso, na qual foi considerada improcedente a manifestação de inconformidade o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alega, novamente, que a análise do crédito não pode se limitar unicamente à informação da DCTF existente à época do pedido. Há de se aferir o real valor devido do débito para se constatar a existência ou não do crédito. O processo chegou então a este CARF para análise do recurso. É o relatório. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10480.902674/201371 Acórdão n.º 1401002.939 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.932, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.902672/2013 82, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.932): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Inicialmente e antes da análise do mérito do recurso, há de se fazer algumas considerações acerca da sistemática de processamento dos PER/DCOMP e sua análise diante das informações apresentadas pelo contribuinte em suas declarações. Desde a época em que foi criado o programa gerador das declarações de compensação muitas dúvidas surgiram acerca da forma de análise a ser adotada pelos sistemas informatizados. Tratandose de pagamento a maior ou indevido haviam duas correntes de pensamento: a primeira se declinava no sentido de que a análise deveria ficar restrita à comparação com a DCTF, por esta ser a declaração de confissão de débitos, e a segunda pendia no sentido de que além da DCTF fosse realizado o batimento com os valores de apuração das diversas declarações que o contribuinte deveria apresentar ao fisco (DACON, DIPJ, DIRF, etc). Como resta claro na análise do relatório deste processo, a primeira corrente prevaleceu, até mesmo em função da maior agilidade de processamento. Resultado, foram geradas milhares de decisões automáticas com o mesmo teor da deste processo. Não havendo retificação da DCTF da empresa antes da apresentação do PER/DCOMP e o DARF estando a ela vinculado, indeferese o crédito, sem qualquer outra consideração. Esse procedimento, ressalvando o fato de não ser ilegal em essência, impede a formação de qualquer contraditório sobre o fato de confirmação do crédito do contribuinte contra a Fazenda Nacional apresentado nas outras declarações ao fisco e a existência efetiva de seu direito. Mais ainda quando, pela pouca clareza da decisão, os contribuintes, como o do presente processo, tentam se defender procurando demonstrar que o valor Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10480.902674/201371 Acórdão n.º 1401002.939 S1C4T1 Fl. 5 4 confessado na DCTF estaria incorreto e, assim, há de se verificar as demais declarações por ele apresentadas. Essa forma de procedimento é, inclusive, condenada por colegas desta Turma do CARF quando entendem que ocorre cerceamento do direito de defesa na medida em que o indeferimento do crédito é realizado sem nenhuma prévia intimação ao contribuinte. Em minha opinião não creio na existência de um cerceamento do direito de defesa pela simples inexistência de intimação prévia, no entanto, discordo que toda a análise seja feita pela simples conferência com a DCTF. Ora, se o contribuinte cumpre obrigações acessórias sujeitas à penalidades por meio da entrega de DIPJ, DACON, DIRF, etc, não entendo ser possível em grau de recurso, diante da alegação da existência de outras declarações infirmando os valores dos débitos confessados na DCTF, que não se realize nenhum ato de conferência do valor efetivamente devido e de apuração do efetivo valor do crédito,s e acaso for existente. Ora, é bom esclarecer para os que não compreendam o sistema de funcionamento das declarações, que a DCTF, mercê de ser a declaração onde o contribuinte confessa seus débitos perante o fisco, é a declaração mais sujeita a erros de informação. Explico: a DCTF é declaração obrigatória de confissão na qual o contribuinte não informa nenhum valor de apuração dos débitos. Simplesmente informa o valor devido dos tributos e a forma como extinguiu os mesmo. Essa declaração é exigida no mais curto espaço de tempo possível, por exigência do fisco, a fim de propiciar a mais rápida cobrança do crédito tributário. Só que essa agilidade (passando há muito tempo a ser mensal a entrega) milita contra o próprio contribuinte ao passo em que o obriga a informar débitos sem uma adequada revisão dos valores de apuração dos tributos. Vejase que a demais declarações (DIPJ, DACON, DIRF, etc) são apresentadas bem posteriormente, já após o fechamento de balanços, auditorias, etc. Assim, no meu entender, a análise dos PER/DCOMP deveria realizar o batimento de todas as declarações apresentadas pelo contribuinte relativas ao débitos em questão informados no PER/DCOMP. Tal prática é semelhante à que a própria receita federal realiza nos sistemas de revisão interna quando, a partir das divergências entre a DCTF, DIPJ, DIRF e DACON, realiza intimações ao contribuinte a fim de escoimar as divergências. Por isso é que sempre entendi que desta mesma forma adotada pela Receita Federal para a conferência dos débitos declarados, deveria atuar o fisco na apuração dos créditos solicitados pelos contribuintes. Infelizmente apenas a pouco tempo foi adotada a sistemática de intimação prévia ao contribuinte, no entanto, resta um enorme estoque de processos, Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10480.902674/201371 Acórdão n.º 1401002.939 S1C4T1 Fl. 6 5 como este, que foi analisado sem maior aprofundamento da análise das demais declarações da empresa. Diante deste entendimento e verificando que existem diversos indícios em favor do contribuinte, passo à análise do mérito do direito de crédito do recorrente, a fim de verificar a existência de fato dos créditos em obediência ao princípio da verdade material e o da informalidade. Para tanto, fizemos juntar ao processo os seguintes documentos: DIPJ, DACON e extratos de pagamentos. Com base nestes documentos realizaremos o confronto entre os valores dos débitos informados na DIPJ/DACON, se as declarações haviam sido apresentadas antes da emissão do despacho decisório e o confronto com os valores efetivamente pagos a fim de se demonstrar a apuração do crédito previamente ao despacho decisório e o montante, se existente, destes créditos. DOS PROCESSOS REPETITIVOS VINCULADOS A análise deste processo prendese apenas a um PER/DCOMP vinculado a um DARF específico, entretanto, outros processos relativos a pagamentos indevidos do mesmo contribuinte encontramse vinculados a este processo sob a sistemática de recursos repetitivos. Assim, entendemos por bem, a fim de facilitar o entendimento do contribuinte/recorrente e das unidades preparadoras e submetemos à apreciação deste colegiado que esta decisão seja reproduzida para todos os processos identificados na tabela abaixo a fim de que o resultado de cada processo seja específico e as compensações sejam tratadas individualmente quando do retorno à delegacia de origem. Desta forma, apresentamos a tabela abaixo na qual consta a análise do crédito de cada PER/DCOMP e o valor do crédito apurado após o confronto entre o valor do débito apurado em DIPJ e o valor efetivamente pago pela empresa, destacandose que foram analisadas apenas as declarações enviadas pela empresa antes da emissão do despacho decisório. Período de Tipo de Valor informado Data de Valor na Valor pago Valor do Processo Apuração Tributo em DIPJ Entrega DCTF em DARF Crédito Vinculado mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 98.599,23 97.623,00 25.294,77 10480902.674/201371 mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 103.968,49 97.623,00 25.294,77 10480902.675/201316 mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 97.623,00 97.623,00 25.294,77 10480902.673/201327 dez/10 CSLL 136.577,85 29/06/2011 210.299,67 210.299,67 73.721,82 10480902.676/201361 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 279.739,28 262.666,00 68.576,13 10480902.669/201369 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 265.292,66 262.666,00 68.576,13 10480902.668/201314 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 262.666,00 262.666,00 68.576,13 10480902.667/201370 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 477.067,58 472.344,14 222.535,25 10480902.671/201338 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 481.743,78 472.344,14 222.535,25 10480902.672/201382 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 472.344,14 472.344,14 222.535,25 10480902.670/201393 Assim, conforme demonstrado na tabela acima, após o confronto entre os valores informados pelo contribuinte nas Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10480.902674/201371 Acórdão n.º 1401002.939 S1C4T1 Fl. 7 6 declarações que demonstram a apuração dos tributos devidos, no caso DIPJ e DCTF, e os valores dos recolhimentos realizados entendo que, em razão do princípio da verdade material e da informalidade, há de se realizar a apuração dos créditos a que faz jus a empresa a partir dos montantes apurados nas declarações apresentadas pela empresa além de apenas a DCTF, mais ainda, quando no presente caso verificase que os valores apurados foram obtidos das declarações originalmente entregues e sem se constatar inconsistências destas. À vista de todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário a fim reconhecer o direito de crédito da empresa nos seguintes valores e processos, homologando as compensações a eles vinculadas. Valor do Processo Crédito Vinculado 25.294,77 10480902.674/201371 25.294,77 10480902.675/201316 25.294,77 10480902.673/201327 73.721,82 10480902.676/201361 68.576,13 10480902.669/201369 68.576,13 10480902.668/201314 68.576,13 10480902.667/201370 222.535,25 10480902.671/201338 222.535,25 10480902.672/201382 222.535,25 10480902.670/201393 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 711DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000087/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2005
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N 8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Consideram-se decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos ` da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte.
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. EVENTUAIS IRREGULARIDADES. NULIDADE. NÃO APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE.
Na esteira da jurisprudência dominante no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a existência de eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, não tem o condão de ensejar a nulidade do lançamento, entendimento que, apesar de não compartilhar, adoto em homenagem à economia processual.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. EDITAL. TENTATIVA IMPROFÍCUA DE CIÊNCIA POSTAL. REGULARIDADE.
Considera-se regular a intimação realizada mediante edital, quando demonstrada improfícua a tentativa de intimação por via postal.
Hipótese em que a Administração agiu de acordo com o art. 23, §§ 1º e 4º, do Decreto nº 70.235/1972, na medida em que intimou o contribuinte por edital tão somente após caracterizada a ineficácia da comunicação via postal.
DOMICÍLIO FISCAL. TRANSFERÊNCIA. COMUNICAÇÃO OBRIGATÓRIA AO FISCO.
O contribuinte que transferir seu domicílio fiscal fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias, nos termos da legislação de regência da matéria.
LANÇAMENTO FISCAL COM BASE EM INFORMAÇÕES DECLARADAS EM GFIP´S. POSSIBILIDADE.
De acordo com o Decreto n.º 2.803 de 02/10/1998, as informações prestadas na GFIP servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pela RFB, comporão a base de dados para fins e cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, e constituir-se-ão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento.
NORMAS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO CONFESSADO EM GFIP. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA DO FEITO.
Não obstante a legislação de regência reconhecer a natureza de confissão de dívida dos débitos informados mediante entrega das GFIP´s, possibilitando a cobrança direta do crédito tributário, nos termos, inclusive, da Súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça, não há qualquer impedimento legal que obstaculize a formalização, por meio de lançamento, de aludido crédito tributário, especialmente com o fito de conferir mais segurança à exigência fiscal, uma vez ofertar a ampla defesa ao autuado, não havendo se falar, por conseguinte, em qualquer prejuízo ao contribuinte, de maneira a justificar a decretação da nulidade do Auto de Infração.
SAT.
A contribuição para o SAT é instituída por Lei. O Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999 mantendo-se nos limites legais, com base em estatísticas de acidente de trabalho, é o instrumento adequado para definir o conceito de atividade preponderante e os correspondentes graus de risco.
PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO FÁTICA.
Somente quando demonstrados e comprovados todos os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, poderá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação tributária, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. Inexistindo a comprovação da vinculação comercial entre as empresas elencadas nos autos, sobretudo quanto à unidade de comando e confusão societária, patrimonial e contábil, não se pode cogitar na caracterização do grupo econômico de fato entre referidas pessoas jurídicas.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO.
Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária.
A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 2401-005.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial aos recursos voluntários para reconhecer a decadência da competência dezembro/2002 e excluir os responsáveis solidários do pólo passivo. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que excluíam do pólo passivo apenas o responsável solidário Fundo de Investimento em Participações Asa, mantendo a solidariedade dos demais. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15983.000087/2008-31
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5898136
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.659
nome_arquivo_s : Decisao_15983000087200831.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15983000087200831_5898136.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial aos recursos voluntários para reconhecer a decadência da competência dezembro/2002 e excluir os responsáveis solidários do pólo passivo. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que excluíam do pólo passivo apenas o responsável solidário Fundo de Investimento em Participações Asa, mantendo a solidariedade dos demais. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa
dt_sessao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7411412
ano_sessao_s : 2018
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2005 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N 8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideram-se decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos ` da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. EVENTUAIS IRREGULARIDADES. NULIDADE. NÃO APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. Na esteira da jurisprudência dominante no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a existência de eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, não tem o condão de ensejar a nulidade do lançamento, entendimento que, apesar de não compartilhar, adoto em homenagem à economia processual. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. EDITAL. TENTATIVA IMPROFÍCUA DE CIÊNCIA POSTAL. REGULARIDADE. Considera-se regular a intimação realizada mediante edital, quando demonstrada improfícua a tentativa de intimação por via postal. Hipótese em que a Administração agiu de acordo com o art. 23, §§ 1º e 4º, do Decreto nº 70.235/1972, na medida em que intimou o contribuinte por edital tão somente após caracterizada a ineficácia da comunicação via postal. DOMICÍLIO FISCAL. TRANSFERÊNCIA. COMUNICAÇÃO OBRIGATÓRIA AO FISCO. O contribuinte que transferir seu domicílio fiscal fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias, nos termos da legislação de regência da matéria. LANÇAMENTO FISCAL COM BASE EM INFORMAÇÕES DECLARADAS EM GFIP´S. POSSIBILIDADE. De acordo com o Decreto n.º 2.803 de 02/10/1998, as informações prestadas na GFIP servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pela RFB, comporão a base de dados para fins e cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, e constituir-se-ão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. NORMAS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO CONFESSADO EM GFIP. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA DO FEITO. Não obstante a legislação de regência reconhecer a natureza de confissão de dívida dos débitos informados mediante entrega das GFIP´s, possibilitando a cobrança direta do crédito tributário, nos termos, inclusive, da Súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça, não há qualquer impedimento legal que obstaculize a formalização, por meio de lançamento, de aludido crédito tributário, especialmente com o fito de conferir mais segurança à exigência fiscal, uma vez ofertar a ampla defesa ao autuado, não havendo se falar, por conseguinte, em qualquer prejuízo ao contribuinte, de maneira a justificar a decretação da nulidade do Auto de Infração. SAT. A contribuição para o SAT é instituída por Lei. O Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999 mantendo-se nos limites legais, com base em estatísticas de acidente de trabalho, é o instrumento adequado para definir o conceito de atividade preponderante e os correspondentes graus de risco. PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO FÁTICA. Somente quando demonstrados e comprovados todos os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, poderá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação tributária, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. Inexistindo a comprovação da vinculação comercial entre as empresas elencadas nos autos, sobretudo quanto à unidade de comando e confusão societária, patrimonial e contábil, não se pode cogitar na caracterização do grupo econômico de fato entre referidas pessoas jurídicas. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050871599726592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 48; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2296; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.000087/200831 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2401005.659 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de agosto de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrentes EAB ADMINISTRADORA DE BENS S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2005 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N” 8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideramse decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos ` da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 00 87 /2 00 8- 31 Fl. 10815DF CARF MF 2 MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. EVENTUAIS IRREGULARIDADES. NULIDADE. NÃO APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. Na esteira da jurisprudência dominante no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a existência de eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, não tem o condão de ensejar a nulidade do lançamento, entendimento que, apesar de não compartilhar, adoto em homenagem à economia processual. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. EDITAL. TENTATIVA IMPROFÍCUA DE CIÊNCIA POSTAL. REGULARIDADE. Considerase regular a intimação realizada mediante edital, quando demonstrada improfícua a tentativa de intimação por via postal. Hipótese em que a Administração agiu de acordo com o art. 23, §§ 1º e 4º, do Decreto nº 70.235/1972, na medida em que intimou o contribuinte por edital tão somente após caracterizada a ineficácia da comunicação via postal. DOMICÍLIO FISCAL. TRANSFERÊNCIA. COMUNICAÇÃO OBRIGATÓRIA AO FISCO. O contribuinte que transferir seu domicílio fiscal fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias, nos termos da legislação de regência da matéria. LANÇAMENTO FISCAL COM BASE EM INFORMAÇÕES DECLARADAS EM GFIP´S. POSSIBILIDADE. De acordo com o Decreto n.º 2.803 de 02/10/1998, as informações prestadas na GFIP servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pela RFB, comporão a base de dados para fins e cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, e constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. NORMAS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO CONFESSADO EM GFIP. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA DO FEITO. Não obstante a legislação de regência reconhecer a natureza de confissão de dívida dos débitos informados mediante entrega das GFIP´s, possibilitando a Fl. 10816DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 3 3 cobrança direta do crédito tributário, nos termos, inclusive, da Súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça, não há qualquer impedimento legal que obstaculize a formalização, por meio de lançamento, de aludido crédito tributário, especialmente com o fito de conferir mais segurança à exigência fiscal, uma vez ofertar a ampla defesa ao autuado, não havendo se falar, por conseguinte, em qualquer prejuízo ao contribuinte, de maneira a justificar a decretação da nulidade do Auto de Infração. SAT. A contribuição para o SAT é instituída por Lei. O Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999 mantendose nos limites legais, com base em estatísticas de acidente de trabalho, é o instrumento adequado para definir o conceito de atividade preponderante e os correspondentes graus de risco. PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO FÁTICA. Somente quando demonstrados e comprovados todos os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, poderá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação tributária, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. Inexistindo a comprovação da vinculação comercial entre as empresas elencadas nos autos, sobretudo quanto à unidade de comando e confusão societária, patrimonial e contábil, não se pode cogitar na caracterização do grupo econômico de fato entre referidas pessoas jurídicas. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial aos recursos voluntários para reconhecer a decadência da competência dezembro/2002 e excluir os responsáveis solidários do pólo passivo. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que excluíam do pólo passivo apenas o responsável solidário Fundo de Investimento em Participações Asa, mantendo a solidariedade dos demais. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. Fl. 10817DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatório Tratase de Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Principal Previdenciária AIOP lavrado pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil em face do contribuinte acima identificado e integrantes de grupo econômico, que de acordo com Relatório Fiscal de fls. 91/107, referese a fatos geradores de contribuições previdenciárias correspondentes à parte empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho para as competências abrangidas pelo período de 02/2000 à 11/2005. O Relatório Fiscal, segundo informações constantes na Ficha Cadastral da Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, a empresa auditada, até 15.10.2003, sob a denominação de "Executiva Transportes Urbanos Ltda", estando sediada na Rua Francisco Emílio de Sá Jr. 335 em São Vicente (SP), e tendo como sócios cotistas as empresas Áurea Administração e Participações S/A CNPJ 00.362.938/000151 e Constante Administração e Participações S/A CNPJ 02.101.885/0001 40, era administrada pelos diretores dessas sócias cotistas, Srs. Ricardo Constantino, CPF 546.988.80610 e RG/RNE 671071, e Henrique Constantino, CPF 443.609.91134 e RG/RNE 1022856, e tinha como objeto social o transporte urbano de passageiros. De acordo com alteração contratual registrada na JUCESP em 15.10.2003, a cotista Áurea Participações retirouse da sociedade, permanecendo a empresa Constante Participações como única cotista até a recomposição da pluralidade de sócios. Logo a seguir, no entanto, conforme alteração contratual registrada em 30.10.2003, houve deliberação de transformação do tipo jurídico da sociedade, de sociedade limitada para sociedade por ações, com a sócia remanescente Constante Participações subscrevendo, como acionista única, a totalidade das ações ordinárias emitidas. Fl. 10818DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 4 5 Já sob a denominação de "Executiva S/A", conforme dados da Ficha Cadastral da JUCESP e com base em documento arquivado em 17.05.2004, a empresa permaneceu sediada no mesmo endereço, e constavam ainda como diretores os Srs. Ricardo e Henrique Constantino, sendo eleitos também os Srs. Joaquim Constantino Neto, CPF 084.864.02840 e RG/RNE 17365750 e José Cláudio Garcia, CPF 692.209.72891 e RG/RNE 5142708. Segundo o arquivamento seguinte na JUCESP, em 27.10.2006, referente à alteração estatutária produzida em assembléia geral extraordinária realizada em 29.09.2006, o endereço da sede da companhia foi transferido para a Rodovia Fernão Dias km 89,7 Itapegica, Guarulhos, e houve a renúncia dos diretores ligados à família Constantino, permanecendo como diretor administrativo o Sr. José Cláudio Garcia, que conforme apurado pela Fiscalização da RFB no Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS/Dataprev – programa do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, veio a falecer em 18.10.2006. Por último, em ata de assembléia geral extraordinária arquivada na JUCESP em 03.11.2006, consta como diretor eleito o Sr. Hélio Garcia, CPF 199.362.06800 e RG 2.377.387X. As diligências empreendidas pela Fiscalização da RFB na Junta Comercial do Estado de São Paulo levaram à constatação de que a alteração societária da empresa Executiva referente à transformação do tipo jurídico para o de "sociedade por ações" foi averbada naquele órgão de registro sem que houvesse a observância da determinação legal insculpida no artigo 47, inciso I, alínea "d" da Lei 8.212/91, que exige prova de Certidão Negativa de Débitos Previdenciários para proceder tal averbação. Constatada a irregularidade deste procedimento, a Procuradoria da JUCESP, conforme comunicado no Ofício OF/GP/N°431/2007 de 16.11.2007, solicitou a revisão do referido ato, visando o cancelamento do mesmo. Os meios intentados pela Fiscalização da RFB para a localização da empresa Executiva, com vistas a cientificação e à intimação fiscal mostraramse improfícuos, assim como aqueles desenvolvidas pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Carlos Eduardo Martins Fontes, em cumprimento de Mandado de Procedimento Fiscal específico para Fiscalização de outros tributos federais MPF de n° 08.1.06.002007001679. No local cadastrado como domicílio tributário, relativo ao estabelecimento Matriz, no município de São Vicente/SP, os auditores constataram o funcionamento de uma base operacional de transportes urbanos, porém, pertencente à empresa Viação Piracicabana Ltda, CNPJ 54.360.623/003209, sendo que as correspondências por via postal para lá enviadas com prova de recebimento foram devolvidas, assim como o foi também aquela acompanhada do Termo de Intimação e o correspondente MPF 08.1.06.002007001679, enviada para o endereço constante na Junta Comercial km 89,7 da Rodovia Fernão Dias, em Guarulhos/SP, cuja devolução se deu por alegado motivo de "mudança". Em consulta ao sistema informatizado da RFB, não se verificou nenhuma comunicação de mudança do endereço da sede da empresa, de modo que, de acordo com as normas de arrecadação e fiscalização previdenciárias, o registro cadastral do estabelecimento centralizador da Fiscalização permaneceu inalterado, à Rua Francisco Emílio de Sá Jr. 335 fundos Bairro Jóquei Clube, município de São Vicente/SP, que também foi informado como domicílio tributário pela empresa em sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ de 2007, ano calendário 2006, enviada a RFB sob n° 1322884. Fl. 10819DF CARF MF 6 Consultados os registros de vínculos trabalhistas constantes nos sistemas informatizados da RFB, verificouse que a partir de 07/2006 houve o desligamento da totalidade de empregados registrados pela empresa Executiva (cerca de 1.500), para só então, em 03/2007, registrarse uma nova admissão. Da mesma forma, constatouse que a partir de abril/2006 houve uma redução expressiva das receitas de prestação de serviços declaradas pela empresa para fins de apuração da contribuição social COFINS, e que a partir de 08/2006, deixa de existir qualquer registro de faturamento. Verificase ainda uma acentuada redução da movimentação financeira da empresa a partir de 08/2006, conforme bases de cálculo da contribuição social CPMF declaradas pelas instituições bancárias em que ela manteve conta. Em diligência efetuada junto ao Sindicato dos Transportadores Rodoviários de Santos, cujo quadro associativo é formado na maioria por trabalhadores que foram empregados da empresa Executiva e/ou que hoje são da Viação Piracicabana, a Fiscalização foi informada que a Executiva atuou como permissionária do serviço público por cerca de 10 anos, operando com exclusividade as linhas do transporte coletivo no Município de Santos, até que, em meados de 2006, a titularidade dos referidos serviços foi transferida para a Viação Piracicabana, que teria assumido, ao menos nas homologações e acordos promovidos pelo Sindicato (inclusive em Comissão de Conciliação Prévia coordenada pelo mesmo), as responsabilidades de natureza trabalhista relativas ao período de sua antecessora. Corroboram essas informações os dados obtidos junto ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho CAGED e ao Cadastro Nacional de Informações Sociais, que registram a transferência, entre 04/2006 a 07/2006, da totalidade dos empregados que estavam lotadas nos estabelecimentos onde funcionavam as bases operacionais da empresa nas cidades de Santos e Praia Grande filiais de CNPJ 0004 e 0005 respectivamente para a Viação Piracicabana, sem solução da continuidade de seus contratos de trabalho. Contactado o Sr. Hélio Garcia, diretor estatutário da empresa Executiva, este compareceu à Repartição Fiscal em Santos em 18.10.2007, ocasião em que os Auditores Fiscais tomaram o seu depoimento, ficando caracterizado que, apesar de ser o único administrador em exercício já que houve o falecimento do outro diretor eleito, o Sr. Hélio não tem conhecimentos básicos sobre diversos fatos relacionados ao passado e ao presente da empresa. Desconhece, por exemplo, a atual composição societária, dados sobre a situação patrimonial e tem idéias vagas sobre assuntos relacionados à atividade econômica desenvolvida bem como sobre fatos que antecederam à sua gestão. Afirmou ter na empresa um quadro de cerca de 35 empregados fato não comprovado nos registros do Ministério do Trabalho e da Previdência Social; disse que a empresa possui uma frota de cerca de 100 ônibus em atividade, fato não comprovado nos registros do RENAVAM, mencionou ser remunerado pela acionista Áurea Administração e Participações, que não tem nenhuma participação no capital da empresa, e que desconhece o proprietário do imóvel atualmente ocupado. O Sr. Hélio Garcia informou ainda que o acionista principal do contribuinte seria a empresa "Áurea Administração e Participações", quando, na realidade, apurouse que a única acionista é a empresa Constante Administração e Participações, que é dirigida, segundo registros na Junta Comercial, pelo próprio Sr. Hélio. Este informou que a Executiva teria a sua base operacional na Rodovia Fernão Dias, km 89,7, em Guarulhos (SP), porém a Fiscalização levantou a informação que o imóvel lá existente, pertencente à ex cotista da empresa AAP Administração Patrimonial S/A CNPJ 00.362.938/000l51 está locado, segundo Declaração de Registros Imobiliários Dimob do anocalendário de 2006, para a empresa Planet Kart Ltda CNPJ 05.842.261/000172. Fl. 10820DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 5 7 Considerando os fatos apurados, e diante do quadro de indefinições que cerca a situação atual da empresa Executiva, sobretudo no que tange ao endereço de sua sede e a representatividade de seus dirigentes, de acordo com a Fiscalização da RFB é forçoso concluir que a partir do momento em que deixou de operar o transporte urbano na cidade de Santos (07/2006), a empresa encontrase em local indeterminado, não demonstra sinais de manter uma atividade econômica específica, e tem como representante uma pessoa que aparenta exercer o cargo no mínimo de forma simbólica. Da Formação de Grupo Econômico Estudos analíticos desenvolvidos pela Fiscalização da RFB com base em pesquisa de dados nos sistemas da Junta Comercial, Receita Federal, Previdência Social e da Comissão de Valores Mobiliários CVM, demonstram a existência de um "grupo de empresas" que, sob direção, controle ou administração exercida direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas, constituem um grupo econômico de fato, assumido pública e ostensivamente, conforme demonstra consulta ao sítio próprio na Internet www.voegol.com.br. como Grupo Áurea, e ao qual pertencem, não somente a empresa Executiva objeto deste procedimento fiscal, mas também as já citadas empresas Áurea Administração e Participações S/A (atualmente denominada AAP Administração Patrimonial S/A), Constante Administração e Participações S/A e Viação Piracicabana Ltda. Esses estudos mostram que o Grupo Áurea é uma holding, cuja atuação hoje é ampla e diversificada e que se destaca nacionalmente no setor de transporte de passageiros através de uma rede de mais de 40 empresas de ônibus, que totalizam mais de 10 mil veículos e empregam cerca de 30 mil pessoas. O Grupo que atua também no setor do transporte aéreo através da empresa Gol Transportes Aéreos, tem um poder de controle formalizado na família do Sr. (Nenê) Constantino de Oliveira casado com a Sra. Áurea, e seus filhos, Henrique Constantino, Ricardo Constantino, Constantino de Oliveira Júnior, Joaquim Constantino Neto, Auristela Constantino Alves e Cristiane Constantino Foresti. Verificouse que o Grupo Áurea possui uma sistemática própria de organização empresarial, fragmentandose em uma série de empresas, que foram sendo constituídas umas derivadas das outras, e cujo vínculo entre elas ou entre as pessoas físicas pertencentes aos seus quadros societários se mantém, e cujo poder de controle manifestase através do controle acionário das pessoas jurídicas originárias ou derivadas, ou das próprias pessoas físicas ou, principalmente, através de "empresas de participações" que indicam seus diretores para os cargos de direção das empresas das quais participam. O Grupo empreende uma dinâmica intensa de alterações contratuais e estatutárias nas suas empresas, com mudanças freqüentes da razão social, dos quadros societários e dos objetivos econômicos, sendo que algumas dessas empresas passaram ou passam por aparente processo de esvaziamento de suas atividades sem que sejam definitivamente encerradas, enquanto outras, que estavam semi paralisadas, em determinado momento voltam a ser reativadas. A análise da Fiscalização revela ainda que os endereços de sedes e filiais de empresas do grupo muitas vezes são coincidentes, denotando funcionamento simultâneo em um mesmo local ou em salas contíguas, além de mostrar operações freqüentes de abertura e encerramento de estabelecimentos filiais num mesmo endereço, muitos deles encerrados sob a titularidade de uma empresa e a seguir reabertos sob a titularidade de outra. Outra prática comum observada em relação a algumas dessas empresas que passaram por uma redução nas suas atividades, é que os seus cargos de direção passam a ser Fl. 10821DF CARF MF 8 ocupados por empregados e exempregados de muitos anos no Grupo, como é o caso dos diretores da Executiva, o falecido Sr. José Cláudio Garcia e o Sr. Hélio Garcia que mantiveram ao longo de sua vida profissional diversos vínculos com empresas de ônibus ligadas à família Constantino. Constatase também que algumas dessas empresas semi desativadas têm um passivo tributário expressivo, como é o caso da empresa Executiva, cujos débitos previdenciários relativos ao período de 01/1997 a 01/2000 estão em fase de execução, depois de terem sido confessados, constituídos e incluídos no Programa de Recuperação Fiscal Refis criado pela Lei 9.964/2000, do qual foram posteriormente excluídos de ofício, por ficar configurada a hipótese prevista no inciso I do art. 5° c/c inciso IV do artigo 30 daquela Lei. Encontrase às fls. 96/103 quadro discriminativo com as empresas identificadas como integrantes do Grupo Econômico Áurea do qual faz parte a empresa auditada, sendo que os dados nela contidos foram obtidos a partir da situação cadastral das mesmas na Receita Federal e da Junta Comercial do Estado de São Paulo. Com fundamento nos artigos 124 do Código Tributário Nacional, artigo 30, inciso IX, da Lei n.º 8.212/1991, artigo 222 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99 e §2º do artigo 2º do Decreto – Lei n.º 5.452/1943 – CLT, e levando se em consideração todos os fatos apurados pela Fiscalização da RFB, restou demonstrado a configuração de Grupo Econômico, constituindose o presente crédito de forma extensiva às empresas identificadas às fls. 67/74, consideradas todas sujeitos passivos devedores solidários. A cientificação do Mandado de Procedimento Fiscal pelo contribuinte e posterior lavratura deste auto de infração em face deste e respectivos devedores solidários se deram através da publicação, em dependência da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos, de livre acesso ao público, dos editais anexados às fls. 171/209 deste processo administrativo. Conforme Termo de Ciência anexado pela Fiscalização às fls. 245, compareceu no Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal de Santos representante do contribuinte em epígrafe, o Sr. Francisco Carlos Grangeiro – OAB n.º 246278, portanto uma procuração da empresa, com a finalidade de obter vistas dos autos de infração relacionados no Termo de Encerramento de Ação Fiscal – TEAF de 27/12/2007. Ao representante do contribuinte foi entregue em 01/02/2008 cópia das autuações, conforme recibo assinado em conjunto com o chefe do Serviço de Fiscalização SEFIS, restando este intimado pessoalmente naquela data da lavratura da presente autuação. O contribuinte e os responsáveis solidários, regularmente intimados, apresentaram impugnações requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, exonerando parte do crédito tributário, por entender que parte do lançamento encontrase fulminado pela decadência, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 1728.436/2008, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2005 Auto de Infração Obrigação Principal Previdenciária Debcad n.° 37.073.1220 FORMALIDADES ESSENCIAIS. Fl. 10822DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 6 9 O auto de infração por descumprimento de obrigação principal previdenciária deverá conter os requisitos previstos no artigo 37 da Lei n.° 8.212/1991. APLICAÇÃO DO DECRETO n.° 70.235/72 NOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS FISCAIS PREVIDENCIÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. Nos termos do §1 0 do artigo 16 e inciso I do artigo 25, ambos da Lei n.° 11.457/2007, aplicarseá integralmente o Decreto n.° 70.235/1972 para os processos administrativos fiscais previdenciários administrados pela Receita Federal do Brasil somente para aqueles cujos lançamentos ocorram a partir de 01.04.2008. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Fica a Administração Pública impossibilitada de praticar quaisquer atos de natureza executória com a finalidade de satisfazer ou receber os créditos oriundos deste processo administrativo na incidência de qualquer dos incisos do artigo 151 do Código Tributário Nacional. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Aos litigantes em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, são assegurados o contradit6r . e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes nos termos do inciso LV do artigo 5° da CF/1988. Nos termos do inciso LV do artigo 5° da CF/88, não há. de se falar em direito ao contraditório e ampla defesa durante a realização do procedimento fiscal pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa se restou comprovado que o contribuinte e devedores solidários tomaram conhecimento de todos os anexos integrantes da autuação fiscal, onde estão presentes todos os elementos necessários A. perfeita identificação do motivo ensejador do lançamento realizado pela autoridade fiscal. MODALIDADES DE CIÊNCIA AO CONTRIBUINTE DA INSTAURAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Nos termos do artigo 588 da Instrução Normativa MPS/SRP n.° 03/2005, vigente por força do artigo 48 da Lei n.° 11.457/2007, a ciência ao contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal poderá ser feita pessoalmente (inciso I), por via postal (inciso II) ou mediante edital (inciso III). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Fl. 10823DF CARF MF 10 Desde que não acarretem prejuízos irreparáveis ao contribuinte fiscalizado, quaisquer irregularidades nos Mandados de Procedimentos Fiscais não provocam a nulidade do lançamento tributário dele decorrente. LANÇAMENTO FISCAL COM BASE EM INFORMAÇÕES DECLARADAS EM GFIP'S. POSSIBILIDADE. De acordo com o Decreto n.° 2.803 de 02/10/1998, as informações prestadas na GFIP servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pela RFB, comporão a base de dados para fins e cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, e constituirseão em termo de confissão de divida, na hipótese do não recolhimento. SAT. A contribuição para o SAT é instituída por Lei. 0 Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n.° 3.048/1999 mantendose nos limites legais, com base em estatísticas de acidente de trabalho, é o instrumento adequado para definir o conceito de atividade preponderante e os correspondentes graus de risco. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizada a existência de fato de um grupo econômico, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei. APRESENTAÇÃO DE PROVA. Regra geral, toda prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito do interessado fazêlo em momento processual diverso. PERÍCIA CONTÁBIL. Indeferese pedido de perícia para comprovar mesma matéria que já foi objeto de auditoria pela Fiscalização da RFB. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquele objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explicito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Inteligência do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988. DECADÊNCIA. Fl. 10824DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 7 11 Nos termos da súmula vinculante n.° 08 do STF, aplicável à Receita Federal do Brasil por força do artigo 2° da Lei n.° 11.417/2007, há de se afastar aplicabilidade dos artigos 45 e 46 da Lei n.° 8.212/1991, passando a contagem do prazo decadencial das contribuições previdenciárias a ser realizada nos moldes previstos pelo Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente em Parte Desta decisão, apesar do valor excluído superar o valor de alçada à época vigente, deixouse de recorre de ofício, nos termos do contido no item 2.52 do Manual de Formalização, Preparação, Apreciação, Julgamento e Movimentação do Processo AdministrativoTributário MAPROC, aprovado pela Portaria SRF no 374, de 10 de março de 2002, que dispõe que "não cabe recurso de oficio nos casos de revisão de oficio do lançamento, de redução de penalidade por retroatividade benigna, de aplicação da legislação tributária que determine cancelamento de débitos pela subtração da aplicação de legislação considerada inconstitucional." Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada e os responsáveis solidários, apresentaram Recursos Voluntário, às efls. 1.748/3.385, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. A auditoria fiscal não poderia ter emitido um ofício imputando a responsabilidade solidária da recorrente antes da data de consolidação do crédito fiscal que ocorre com a emissão da NFLD; O ofício encaminhado não consta quais são os devedores nem mesmo quando ocorreu a citação de cada um destes “pseudo devedores”, ficando totalmente impossível para a recorrente apresentar defesa dentro de prazo e termo, por não ter a mínima possibilidade de detectar “quando” esse prazo começa; A recorrente não é sujeito passivo direto da imputada relação jurídica tributária original, porque a norma previdenciária não o indica como obrigado a proceder com o recolhimento tributário de terceira pessoa; Houve cerceamento de defesa do recorrente posto que a autoridade fiscal emitiu NFLD antes de conceder qualquer prazo para apresentação de documentos defesa; É nulo o procedimento fiscal pois o MPF foi emitido em desobediência ao artigo 4º da Portaria RFB n.º 11.371/2007, posto que deixouse de registrar a assinatura eletrônica de validade na internet, não indica clara e objetivamente o tributo objeto do procedimento, não anota os fatos que deram origem à retroação na análise a períodos anteriores, e não indica de forma sumária quais ações e verificações deveriam ter sido realizadas; Por fim, requer o conhecimento e provimento dos seus recursos, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Fl. 10825DF CARF MF 12 Após, regular processamento do feito, em 20 de março de 2014, foi proposta resolução pelo Nobre Conselheiro Dr. Wilson Antônio de Souza Corrêa, acatada pelo voto de qualidade, às efls 3.451/3.455, in verbis: Os presentes Recursos Voluntário acodem os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, deles conheço. Senhor Presidente, antes de adentrarmos no mérito da questão, urge dizer que o presente processo retorne à instância ‘a quo’, para que esta recorra de ofício, eis que a decisão de piso considerou procedente em parte a impugnação, donde do crédito decaiu mais de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). “Ex vi” Portaria MF n° 03 de 03 de janeiro de 2008. Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA , no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 , com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997 , e no § 3º do art. 366 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999 , com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 6.224, de 4 de outubro de 2007 , resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. GUIDO MANTEGA Assim, os autos do processo deverão retornar à DRJ de origem para que esta providencie o recurso de ofício e intime os contribuintes envolvidos para que estes apresentem contraminuta de recurso de ofício, se desejarem, em seguida, venham os autos para julgamento de ambos os recursos (ofício e os voluntários) para este julgador. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, converto em diligência para instância ‘a quo’, para que esta providencie o Recurso de Ofício, eis que do julgamento houve procedência em parte da impugnação, donde do crédito previdenciário decaiu mais de R$ 1.000.000,00 ( um milhão de reais), impondo o imperioso recurso de ofício. Após, encaminhe aos Contribuintes para que providenciem a contraminuta do recurso de ofício, se desejarem, em seguida retorne os autos para este Conselheiro para analise e novo julgamento.(grifo nosso) Fl. 10826DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 8 13 Da Resolução encimada, a 13° Turma da DRJ em São Paulo/SP, elaborou o Acórdão Revisor n° 1659.520/2014, ratificando o mérito anteriormente analisado e Recorrendo de Ofício em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada, em conformidade com o art. 366, inciso I, § 2º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, na redação dada pelo Decreto nº 6.224/07, bem como com o art. 34 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, combinados com o artigo 1º da Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008. Cientificados do Acórdão Revisor, a autuada e os responsáveis solidários apresentaram novos Recursos Voluntário e contrarrazões, às efls. 3532 e ss, pugnando pela manutenção da decisão de piso e improcedência da autuação.ao recurso de ofício É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator RECURSO DE OFÍCIO Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise da matéria posta nos autos. Tratase de Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Principal Previdenciária lavrado pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil em face do contribuinte acima identificado e integrantes de grupo econômico, que de acordo com Relatório Fiscal de fls. 91/107, referese a fatos geradores de contribuições previdenciárias correspondentes à parte empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho para as competências abrangidas pelo período de 02/2000 à 11/2005. Por sua vez, a 13ª Turma da DRJ em São Paulo/SP entendeu por bem julgar parcialmente procedente o lançamento, exonerando parte do crédito tributário, por entender que parte do lançamento encontrase fulminado pela decadência, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão Revisor n° 1659.520/2014. Feita as considerações acima, passamos a analise do ponto específico: DECADÊNCIA Inicialmente, cumpre esclarecer que a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi lavrada considerando o prazo de dez anos para a Seguridade Social constituir seus créditos, nos termos do que estabelecia o art. 45 da Lei n° 8.212/91: Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; Fl. 10827DF CARF MF 14 II — da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. Em decorrência do julgamento dos Recursos Extraordinários n° 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626 o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante if 8, publicada no D.O.U. de 20/06/2008, nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5° do Decreto Lei n° 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. De acordo com a Lei 11.417/2006, após o Supremo Tribunal Federal editar enunciado de súmula, esta terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. Assim, a nova súmula alcança todos os créditos pendentes de pagamento e constituídos após o lapso temporal de cinco anos. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Ao fim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando as Contribuições Previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Fl. 10828DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 9 15 Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as Contribuições Sociais Previdenciárias deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 10829DF CARF MF 16 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 10830DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 10 17 Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento das contribuições, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Para afastar qualquer dúvida a esse respeito foi editada a Súmula CARF n° 99, que assim dispõe: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Em outras palavras, quanto ao AIOP de obrigação principal, a tese em que a nobre Procuradora da Fazenda se apoiava em sua contrarrazão, no sentido de que "fatiar" a remuneração a ser analisada em "reconhecida" e "não reconhecida" pela contribuinte, fora rechaçada pela Súmula encimada. Em suma, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratase em parte de contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade, portanto, diferenças de contribuições, eis que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar. Mais a mais, como se extrai do Relatório Fiscal do Auto de Infração, no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP e às Guias da Previdência Social GPS, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. Assim, é de manter a ordem legal no sentido de adotar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, em face do recolhimento parcial das contribuições previdenciárias ora lançadas. Por amor a clareza, reitero a ocorrência da decadência dos valores relativos aos fatos geradores das competências até 11/2002, conforme decidido pela autoridade julgadora de primeira instância. Fl. 10831DF CARF MF 18 Neste diapasão, deve ser mantida incólume a decisão recorrida. Por todo o exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o decisum recorrido em sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. RECURSO VOLUNTÁRIO Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE PRECLUSÃO Como relato encimado, a contribuinte e as responsáveis solidárias apresentaram "novo recurso" em face do Acórdão Revisor, inovando em relação as alegações anteriormente trazidas. Vale explicitar que o Acórdão da DRJ não fora anulado, apenas retificado no que concerne a matéria excluída (Recurso de Ofício). Dito isto, uma vez claro que o Acórdão original se manteve válido, tanto que suas razões foram mantidas no Revisor, não há como conhecer das alegações ventiladas posteriormente. Não sendo o bastante, nos termos da legislação processual tributária, esses argumentos recursais se encontram fulminados pela preclusão, uma vez que não foram suscitados por ocasião da apresentação da impugnação, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto n. 70.235/72, senão vejamos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nessa toada, não merece conhecimento a matéria suscitada posteriormente, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação. PRELIMINARES DECADÊNCIA Conforme analisado no Recurso de Ofício, a decisão de piso entendeu de maneira correta pela decretação da decadência com base no artigo 150, § 4º do CTN, considerando decaído até a competência 11/2002. No entanto houve um equivoco quanto a contagem deste prazo, uma vez que a contribuinte fora intimada em 07/01/2008, a competência 12/2002 também está alcançada pela decadência nos termos do artigo encimado. Neste diapasão, voto no sentido de afastar do lançamento a competência 12/2002. DAS FORMALIDADE DO LANÇAMENTO O presente auto de infração por descumprimento de obrigação principal previdenciária AIOP encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no caput do artigo 37 da Lei n.º 8.212/1991, que determina: Fl. 10832DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 11 19 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Todos os elementos essenciais do procedimento fiscal constam deste auto, dos quais foram o devedor principal e solidário regularmente cientificados, de modo a lhes permitir conhecer o inteiro teor do lançamento que lhes foi imputado. Verificase, também, que o servidor competente observou todos os princípios que norteiam a atividade administrativa previstos no “caput” do art. 37 da Constituição Federal de 1988, mesmo porque o administrador público está sujeito aos mandamentos da determinação legal em toda a sua atividade funcional. Não restou, dessa forma, especificada nenhuma hipótese que propicie a nulidade do presente auto de infração, quais sejam, os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente, como também os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa DO MANDATO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF As recorrentes pugnam pela nulidade do lançamento, por entender haver vícios no MPF. O julgador de primeira instância muito bem tratou a matéria, em razão disto, peço vênia para transcrever os excertos da decisão de piso e adotar como razão de decidir, vejamos: 10.1 Inicialmente, cumpre salientar que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, disciplinado, à época, pela Portaria RFB nº 4.066/2007, é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados atualmente pela Receita Federal do Brasil. 10.2. Com a implementação destes mandados buscouse, dentre outras coisas, resguardar o contribuinte de ações cometidas por falsos fiscais, na medida em que o teor das informações contidas no MPF podem facilmente ser verificado na Internet, mediante utilização de código indicado no corpo do próprio documento. Suas prorrogações são livres, a critério da autoridade outorgante, e são feitas por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade, cuja informação fica disponível na Internet, conforme dispõe o §1º do artigo 13 da citada Portaria. 10.3. Por outro lado, desde que não acarretem prejuízos irreparáveis ao contribuinte fiscalizado, quaisquer irregularidades na emissão ou na prorrogação dos Mandados de Procedimentos Fiscais não provocam a nulidade tanto da ação fiscal quanto do lançamento tributário decorrente. Fl. 10833DF CARF MF 20 10.4. Estes instrumentos, instituídos por meio de portaria, não podem obstar o exercício da atividade de lançamento conferida ao Auditor Fiscal por força de lei (artigo 6º da Lei n.º 10.593/2002). Ainda que haja irregularidades na emissão do MPF, a competência do Auditor Fiscal tanto para executar a ação fiscal quanto para constituir o crédito tributário mediante atividade de lançamento não é abalada. (...) 10.7. Constatase através dos documentos anexados às fls. 165/167 (Termo de Esclarecimentos) que o contribuinte/devedor principal teve plena ciência de todo o desenvolvimento do procedimento fiscalizatório e das conseqüências deste advindas (lançamentos fiscais autuações). O Sr. Hélio Garcia, na condição de diretor estatutário, compareceu espontaneamente à Repartição Fiscal e prestou esclarecimentos acerca da situação da empresa Executiva Transportes S/A. Neste sentido, descabida qualquer alegação de prejuízo ou desconhecimento da ação fiscal realizada por meras irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal e respectivas prorrogações. 10.8. Tal fato corresponde à realidade dos fatos, uma vez que depois de realizado o lançamento fiscal, o advogado do contribuinte compareceu a Repartição Fiscal com a finalidade de obter cópias dos lançamentos para elaborar impugnações contra os créditos lavrados em face da citada pessoa jurídica. 10.9. Com relação à ciência do MPF aos devedores solidários, nos termos do previsto pelo artigo 749 da Instrução Normativa n.º 03 de 14/07/2005, a estes cabe tão somente a cientificação do lançamento fiscal, motivo pelo qual, não há intimação dos devedores solidários para conhecimento do MPF tampouco do desenvolvimento da ação fiscal. A seguir reproduzimos o conteúdo do citado dispositivo:(...) Pelo arrazoado acima transcrito, rejeito a preliminar de nulidade invocada. DO CERCEAMENTO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA As recorrentes argumentam que houve ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, devendo ser anulado o lançamento. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte e os sujeitos passivos, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que os lançamentos, corroborados pela decisão recorrida, apresentamse formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude. Resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, cabendo ressaltar que tratase de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido Fl. 10834DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 12 21 o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples leitura dos anexos das autuações, especialmente o “Discriminativo Analítico de Débito DAD”, Relatório Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção dos lançamentos. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover os lançamentos demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores do crédito tributário, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontramse maculados por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Destarte, é direito do contribuinte discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência. O argumento de erro do fato gerador, na eleição da base de cálculo, custo de aquisição e demais, se confundem com o mérito que iremos tratar posteriormente, não ensejando em nulidade Dito isto, afasto a preliminar suscitada. PROCEDIMENTO DE CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO Com relação ao argumento de que a Fiscalização da Receita Federal do Brasil não teria cientificado o autuado da instauração do procedimento fiscal através dos endereços constantes de seu banco de dados (matriz e Diretor Presidente), optando pela modalidade através de edital, sendo nulo o lançamento por este motivo, salientamos que este não merece guarida. Consta dos autos que o sujeito passivo tomou ciência do TIAF em 27/11/2007, mediante edital publicado nas dependências da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme item 33 do relatório fiscal, uma vez que a recorrente não foi localizada, por estar em local indeterminado, o que foi constatado pela auditoria fiscal após a realização de diligências e coleta de informações, conforme consta do relatório fiscal, itens 8 a 16, quais sejam: a) no local cadastrado como domicilio tributário da matriz constante dos bancos de dados, informado pela recorrente em sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica (DIPJ) do Exercício 2007, a fiscalização Fl. 10835DF CARF MF 22 constatou que funcionava a base operacional de transportes urbanos pertencentes a outra empresa, a Viação Piracicabana Ltda; b) com base em informações obtidas dos bancos de dados da Previdência Social e da Receita Federal, a fiscalização concluiu que no ano de 2006 a recorrente reduziu drasticamente suas atividades, pois a partir de abril daquele ano houve redução expressivamente das receitas de prestação de serviços declaradas para fins de apuração da COFINS; em julho de 2006, ocorreu o desligamento de todos os empregados; e a partir de agosto de 2006 a recorrente deixou de registrar faturamento e também teve reduzida a sua movimentação financeira, conforme dados da contribuição social CPMF; c) o Sindicato dos Transportadores Rodoviários de Santos informou que a recorrente atuou como permissionária do serviço público de transporte coletivo no município de Santos (SP) por dez anos, mas que a permissão foi cessada em meados de 2006, a qual passou para a Viação Piracicabana. O suposto representante da empresa, Sr. Helio Garcia, embora tenha sido eleito diretor conforme ata de assembléia geral extraordinária arquivada na Jucesp em 03/11/2006, o foi por meio de alteração social invalidada pela Junta Comercial do Estado de São Paulo, a qual procedeu à revisão do registro da alteração societária, referente à transformação do tipo jurídico para o de “sociedade por ações”, registrada em 30/10/2003, por ter sido averbada naquele órgão de registro sem prova de Certidão Negativa de Débitos, em afronta ao art. 47, inciso I, “d”, da Lei 8.212/91. Conforme descrito pela Fiscalização no Relatório Fiscal da autuação às fls. 91/107, foram empreendidos diversos esforços para cientificação do contribuinte da instauração deste procedimento fiscalizatório no endereço constante do sistema informatizado da RFB (pessoal ou mediante correspondência), entretanto, estes foram improfícuos. O procedimento adotado para ciência do sujeito passivo através de edital encontra respaldo nos artigos 127 do Código Tributário Nacional e 588 da Instrução Normativa MPS/SRP n.º 03 de 14.07.2005, atualmente vigente por força do artigo 48 da Lei n.º 11.457 de 16/03/2007 que criou a Receita Federal do Brasil, e que a seguir reproduzimos: Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: (...) II quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; §1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. §2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior. Fl. 10836DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 13 23 Art. 588. Será dada ciência do MPF ao sujeito passivo da seguinte forma: I pessoal, comprovada com a assinatura do representante legal, do mandatário ou do preposto do sujeito passivo; II por via postal, ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo; III por edital, quando os meios previstos nos incisos I e II resultarem infrutíferos. §1° Ocorrendo a recusa de recebimento do MPF, o AFPS deixará a via destinada ao sujeito passivo no local da ocorrência e registrará, em todas as vias, no campo destinado ao recibo, a expressão "recusouse a assinar", seguida da identificação do responsável pela recusa, considerandose cientificado o sujeito passivo. §2° A ciência do MPF dá início ao procedimento fiscal, implicando a perda da espontaneidade do sujeito passivo referida no §1° do art. 645. §3° Após a ciência do MPF, a SRP não emitirá parecer em relação a consulta relativa às obrigações previdenciárias objeto de verificação no procedimento fiscal. §4° Os meios de cientificação, previstos nos incisos I e II do caput, não estão sujeitos a ordem de preferência. Diante do exposto, é válida, portanto, a intimação feita por edital, pois ficou comprovado que os demais meios de intimação restaram improfícuos. Com efeito, ficou demonstrada, nos autos, a ineficácia das tentativas de intimação pelos correios, endereçada ao domicilio do sujeito passivo por ele informado em suas declarações à Receita Federal, bem como a inviabilidade de se proceder à intimação pessoal do Sr. Helio Garcia, que, naquele momento não estava amparado por instrumento válido de representação. Já o fato dos ofícios para cientificação dos devedores solidários elaborados pela DRF/Santos/SEFIS (fls. 173/209) constarem data anterior a do lançamento não acarretam, em nenhuma hipótese, causa de nulidade do procedimento fiscal. Citados ofícios, apesar de elaborados antes do lançamento fiscal propriamente dito, somente foram encaminhados pela autoridade lançadora aos devedores solidários (mediante correspondência com aviso de recebimento) após 27.12.2007, data do lançamento, conforme se vislumbra dos AR´s anexados às fls. 210/240, onde consta como data de postagem dia 03.01.2008, conforme carimbo aposto pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos do Município de Santos nos citados comprovantes. Neste sentido, mera irregularidade que em nada causou prejuízo ao exercício de defesa dos integrantes do grupo econômico. O Termo de Esclarecimento anexado pela Fiscalização às fls. 165/167 não operou o lançamento de nenhum crédito tributário contra o autuado e devedores solidários motivo pelo qual, não há de se falar em nulidade deste procedimento fiscal também por este motivo. Referido Termo serviu tão somente de subsídio à Fiscalização para esta conhecer a real Fl. 10837DF CARF MF 24 situação do contribuinte/devedor principal naquele momento (localização da sede, situação econômica, administrativa, etc.). Neste diapasão, rejeito a preliminar suscitada. Por fim, referese que, nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, "Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.", logo, em razão disso, haja vista que está sendo decidido no mérito em favor dos responsáveis, deixase de ser pronunciado sobre a preliminar, especificamente, pelos solidários invocada. MÉRITO LANÇAMENTO COM BASE EM GFIP A contribuinte argumenta que o Fisco realizou uma análise superficial nos documentos da empresa, posto que teria verificado 5 (cinco) anos de sua contabilidade em apenas 2 (dois) meses, baseando o lançamento fiscal tão somente em GFIP´s, devendo ser considerado improcedente. Pois bem! A Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) foi instituída pela Lei 9.528/97, que alterou o art. 32 da Lei 8.212/91, regulamentado pelo art. 1° do Decreto 2.803/98, com os objetivos de servir de base de cálculo das contribuições devidas ao INSS e de compor a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, conforme abaixo: Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Decreto 2.803/98 Art. 1° A empresa é obrigada a informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto. Fl. 10838DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 14 25 O Decreto, visando regulamentar e evidenciar os objetivos e efeitos das informações prestadas através do referido documento, estabeleceu em seu artigo 1º, §3º, que as informações prestadas na GFIP servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pela RFB, comporão a base de dados para fins e cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, e constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Inobstante ter cumprido a obrigação acessória, deixou de recolher, em sua totalidade, contribuições devidas relativas a parte empresa e SAT, montante já conhecido pelo contribuinte desde o momento da apresentação das GFIP´s mês a mês perante instituição bancária. A contribuinte declarou o valor devido a RFB, contendo em seus arquivos o relatório da GFIP em que consta o fato gerador da contribuição individualizado por segurado, sendo totalmente impertinente qualquer alegação no sentido do desconhecimento quanto ao cálculo das contribuições, do não conhecimento, não identificação dos valores a que se refere o lançamento, tampouco que os documentos pertinentes ao lançamento não foram anexados a este processo administrativo, posto que estes são de conhecimento e posse da contribuinte desde a sua elaboração. De fato, nesse caso, não seria necessária a realização do lançamento. Todavia, como já dito, a realização deste em nada prejudica a contribuinte. Muito pelo contrário, uma vez que, ao efetuar o lançamento, a autoridade fiscal abre a contribuinte a possibilidade da ampla defesa e contraditório inerentes ao processo administrativo. Nessa linha de raciocínio, a lavratura de notificação fiscal/autuação fiscal exigindo contribuições previdenciárias declaradas em GFIP e eventuais diferenças, nada mais é do que a desconsideração daquele primeiro autolançamento (GFIP), oportunizando, inclusive, ao contribuinte se insurgir contra a exigência fiscal. Como se vê, esse “novo” lançamento, além de objetivar conferir maior segurança aos créditos previdenciários, não representa qualquer prejuízo ao contribuinte, que terá a possibilidade de se manifestar contra o crédito tributário constituído a partir de NFLD/Auto de Infração. Alegações genéricas, desprovidas de provas, não são hábeis a ilidir o lançamento fiscal ou de inverter o ônus da prova. A nulidade do lançamento ou sua improcedência deve ser combatida por prova em contrário inequívoca, clara e evidente do erro cometido pela Fiscalização, não bastando à empresa alegar a inexistência do fato gerador ou afirmar que efetuou o pagamento. Desta forma, o AFRFB ante as declarações prestadas pelo autuado em GFIP operou o lançamento do crédito tributário, lavrando esta autuação conforme determinação legal prevista no artigo 37 da Lei n.º 8.212/1991. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SAT No tocante a contribuição destinada ao SAT, esta se encontra fundamentada no artigo 22, inciso II, da Lei n.º 8.212/91, que dispõe: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) Fl. 10839DF CARF MF 26 II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Em que pese os argumentos da contribuinte, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade e ilegalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade e ilegalidade da alíquota SAT, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Além do mais, o Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário nº 343.446 – SC, de 20/03/2003, cujo relator foi o Ministro Carlos Velloso, decidiu pela constitucionalidade da referida exação, incidente sobre o total da remuneração, bem como pela constitucionalidade de sua regulamentação. Dispõe a ementa: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao Fl. 10840DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 15 27 princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido. (grifo nosso). Portanto, em que pese o inconformismo acerca da contribuição destinada ao SAT, a mesma possui amplo amparo legal para sua cobrança. GRUPO ECONÔMICO DE FATO De conformidade com os elementos que instruem os autos, no entendimento da fiscalização, ficou constatada a existência de grupo econômico de fato entre a autuada (EXECUTIVA TRANSPORTES URBANOS S.A.) e outras empresas, as quais respondem solidariamente pelo presente crédito previdenciário, nos termos legislação tributária, conforme restou consignado no Relatório Fiscal, sob os seguintes fundamentos: 17. Estudos analíticos desenvolvidos pela fiscalização, com base em pesquisa de dados nos sistemas da Junta Comercial, da Receita Federal, da Previdência Social e da Comissão de Valores Mobiliários — CVM, demonstram a existência de um "grupo de empresas" que, sob direção, controle ou administração exercida direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas, constituem um grupo econômico de fato, assumido pública e ostensivamente, conforme demonstra consulta ao sitio próprio na Internet — www.voegol.com.br, como Grupo Áurea, e ao qual pertencem, não somente a empresa Executiva ora sob fiscalização, mas também as já citadas empresas Áurea Adm. e Participações S/A (atualmente denominada AAP Adm. Patrimonial S/A), Constante Adm. e Participações S/A e Viação Piracicabana Ltda. 18. Esses estudos mostram que o Grupo Áurea é uma holding, cuja atuação hoje é ampla e diversificada e que se destaca nacionalmente no setor de transporte de passageiros através de uma rede de mais de 40 empresas de ônibus, que totalizam mais de 10 mil veículos e empregam cerca de 30 mil pessoas. 0 Grupo, que atua também no setor do transporte aéreo através da empresa Gol Transportes Aéreos, tem um poder de controle formalizado na família do Sr. (Nené) Constantino de Oliveira casado com a Sra. Aurea, e seus filhos, Henrique Constantino, Ricardo Constantino, Constantino de Oliveira Junior, Joaquim Constantino Neto, Auristela Constantino Alves e Cristiane Constantino Foresti. 19. Verificouse que o Grupo Aurea possui uma sistemática própria de organização empresarial, fragmentandose em uma série de empresas, que foram sendo constituídas umas derivadas das outras, e cujo vinculo entre elas ou entre as pessoas físicas pertencentes aos seus quadros societários se mantém, e cujo poder de controle manifestase através do controle acionário das pessoas jurídicas originárias ou derivadas, ou das próprias pessoas fisicas ou, principalmente, através de "empresas de Fl. 10841DF CARF MF 28 participações" que indicam seus diretores para os cargos de direção das empresas das quais participam. 20. Observase também que o Grupo empreende uma dinâmica intensa de alterações contratuais e estatutárias nas suas empresas, com mudanças frequentes da razão social, dos quadros societários e dos objetivos econômicos, sendo que algumas dessas empresas passaram ou passam por aparente processo de esvaziamento de suas atividades sem que sejam definitivamente encerradas, enquanto outras, que estavam semi paralisadas, em determinado momento voltam a ser reativadas. A análise da fiscalização revela ainda que os endereços de sedes e filiais de empresas do grupo muitas vezes são coincidentes, denotando funcionamento simultâneo em um mesmo local ou em salas contíguas, além de mostrar operações frequentes de abertura e encerramento de estabelecimentos filiais num mesmo endereço, muitos deles encerrados sob a titularidade de uma empresa e a seguir reabertos sob a titularidade de outra. 21. Outra prática comum observada, em relação a algumas dessas empresas que passaram por uma redução de suas atividades, é que os seus cargos de direção passam a ser ocupados por empregados e exempregados de muitos anos no Grupo, como é o caso dos diretores da Executiva, o falecido Sr. José Cláudio Garcia e o Sr. Hélio Garcia que mantiveram ao longo de sua vida profissional diversos vínculos com empresas de ônibus ligadas à família Constantino. Constatase também que algumas dessas empresas semi desativadas têm um passivo tributário expressivo, como é o caso da empresa Executiva, cujos débitos previdenciários relativos ao período de 01/1997 a 01/2000 estão em fase de execução, depois de terem sido confessados, constituídos e incluídos no Programa de Recuperação Fiscal — Refis criado pela Lei 9.964/2000, do qual foram posteriormente excluídos de oficio, por ficar configurada a hipótese prevista no inc. I do art. 5° c/c inc. IV do art. 3° daquela Lei. Diante de aludida constatação, a partir da ação fiscal com a conseqüente constituição do crédito sob análise, as empresas listadas, na condição de integrantes do grupo econômico de fato caracterizado pela fiscalização, foram chamadas a responder por tais débitos, em face da responsabilidade solidária, insculpida no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. Por sua vez, em suas alegações de recursos, às empresas enquadradas como responsáveis tributárias, opõemse a caracterização de grupo econômico, aduzindo que a autoridade fiscal e a DRJ de origem fundamentaram suas conclusões única e exclusivamente em "estudos analíticos com base em pesquisa de dados nos sistemas da Junta Comercial, Receita Federal, Previdência Social e da Comissão de Valores Mobiliários CVM", ou seja, não houve efetiva fiscalização material para a constatação das presunções a que chegaram, insistese, as conclusões são meras conclusões. Não houve, efetivamente, qualquer comprovação efetiva pela autoridade fiscal dos elementos caracterizadores da existência de um Grupo Econômico, dentre os quais, destacase a indispensável prova do controle comum dos negócios sociais das empresas descritas. A autoridade fiscal apenas indica em tese e hipoteticamente alguns procedimentos que seriam utilizados pelas empresas. Fl. 10842DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 16 29 Explicita que, a partir dos conceitos de grupo econômico, controladora, controlada, coligada ou simples participação, a autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar que as empresas descritas a fls. 06 a 13 do Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ora combatida, teriam qualquer vinculação com a empresa Executiva Transportes Urbanos S/A. Definitivamente, as empresas descritas a fls. 06 a 13 do Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ora combatida não têm absolutamente nenhuma relação tem com a Executiva Transportes Urbanos S/A, onde, pois, o fundamento jurídico apto a imputar coresponsabilidade das supostas dividas desta empresa com as empresas descritas a fls. 06 a 13 do Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ora combatida? Obviamente não há... Não se encontra nos autos. Importante sublinhar, outrossim, no que tange â alegação do suposto Grupo Econômico, que a autoridade fiscal apenas discorre de forma totalmente genérica e abstrata sobre supostos negócios jurídicos, ex vi, compra e venda de participações societárias, constituição de empresas "tipo holding", alteração de objetos sociais e/ou de razão social, que absolutamente nenhuma ilegalidade contêm, muito ao contrário, são cristalinamente permitidas pela Ciência do Direito. Insistese na venha, o relatório fiscal devaneia sobre a ocorrência de tais práticas, porém, não indica, não aponta rigorosamente nenhum fato pontual e/ou circunstância que poderia, sequer em tese, configurar a responsabilidade solidária em decorrência de Grupo Econômico. Definitivamente, a autoridade fiscal apenas alega no vazio a pratica de infrações, todavia, não logrou comprovar a ocorrência de nenhuma infração nesse sentido. Mas há mais, a afirmativa de que no site www.voegol.com.br constam todos os dados referentes ao Grupo Econômico Áurea que dariam suporte ao teorema que tenta montar a autoridade fiscal é mais uma alegação inverídica, tanto que sequer se dignou a anexar ao processo administrativo fiscal as aludidas provas. Absolutamente nenhuma prova existe de Grupo Econômico, não podendo tal fantasia servir de supedâneo legal a ensejar a responsabilidade de terceiros, como a ora recorrente, que não possui qualquer relação com a empresa fiscalizada. Esclarece que o CTN estabelece um requisito especifico para a imputação de responsabilidade tributária solidária, qual seja, que as pessoas tenham o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, dessa forma, cumpre perquirir qual o alcance desse conceito e qual a interpretação que a mais abalizada Doutrina e a Jurisprudência lhe conferem. Para reforçar seus argumentos são citados trechos da jurisprudência e da doutrina. Primeiramente é imprescindível para o deslinde da controvérsia, estipularmos quais das empresas iniciaram o litígio na fase de impugnação e o mantiveram com a interposição do Recurso Voluntário, pois uma vez não instaurado o contencioso, impossível é a sua exclusão do pólo passivo. Dito isto, elaboramos um quadro com a indicação das impugnações e recursos apresentados, senão vejamos: EMPRESA IMPUGNAÇÃO FLS. RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 10843DF CARF MF 30 EUROPAR PARTICIPAÇÕES S.A. 1.178/1.202 2.136/2.174 AGRO DIESEL S.A. 746/768 1.801/1.839 ALLER PARTICIPAÇÕES S.A. 1.257/1.279 1.866/1.904 AUREA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S.A. 711/733 1.933/1.971 BEL AIR SERVIÇOS AEROPORTUÁRIOS LTDA 592/616 1.985/2.023 BREDA TRANSPORTES E SERVIÇOS S.A. 516/538 2.036/2.074 BTT TRANSPORTES E TURISMOS S.A. 327/354 2.101/2.111 COMPORTE PARTICIPAÇÕES S.A. 623/645 2.136/2.174 CONSTANTE ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S.A. 1.305/1.357 2.218/2.239 EMPRESA CRUZ DE TRANSPORTES LTDA 1.003/1.024 2.269/2.307 EMPRESA PRINCESA DO NORTE S.A. 552/574 2.323/2.361 EXPRESSO UNIÃO LTDA 479/500 2.382/2.420 FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES ASAS 1.425 3.349/3.385 GCF SERVIÇOS DE CARGAS E FRETAMENTOS LTDA GOL LINHAS AÉRAS INTELIGENTES S.A. GOL TRANSPORTES AEREOS S.A. 249/271 2.439/2.474 GTI S.A. 1.138/1.160 2.439/2.474 ICARAÍ TRANSPORTES URBANOS LTDA 897/919 2.492/2.530 Fl. 10844DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 17 31 LIMMAT PARTICIPAÇÕES S.A. 671/693 2.539/2.577 MORASOL COMERCIO DE VEICULOS LTDA PATRIMONY ADMINISTRADORA DE BENS S.A. 782/806 2.593/2.631 PIRACICABANA TRANSPORTES DE CARGAS E ENCOMENDAS LTDA 1.033/1.055 2.664/2.702 QUALITY BUS COMERCIO DE VEICULOS LTDA 1.069/1.091 2.717/2.755 RENTAL EXPRESS TRANSPORTES E SERVIÇOS S.A. 1.102/1.124 2.768/2.806 SERVIÇOS GRAFICOS S.A. 820/842 2.833/2.871 THURGAU PARTICIPAÇÕES S.A. 404/426 2.891/2.929 TURB TRANSPORTES URBANOS S.A. 926/948 2.947/2.985 UNIÃO TRANSPORTES DE CARGAS E ENCOMENDAS LTDA 367/389 3.012/3.050 VAUD PARTICIPAÇÕES S.A. 856/878 3.065/3.104 VIAÇÃO CAMINHO DO MAR LTDA VIAÇÃO PIRACICABANA LTDA 292/314 3.136/3.174 VIAÇÃO SÃO PAULO SÃO PEDRO S.A. 443/465 3.200/3.237 WISLA PARTICIPAÇÕES S.A. 962/983 3.263/3.301 WT VII INVESTIMENTOS Fl. 10845DF CARF MF 32 IMOBILIARIOS S.A. APP ADMINISTRAÇÃO PATRIMONIAL S.A. 1.225/1.399 1.748/1.786 Conforme observase do quadro encimado, as responsáveis solidárias GCF SERVIÇOS DE CARGAS E FRETAMENTOS LTDA, GOL LINHAS AÉRAS INTELIGENTES S.A., MORASOL COMERCIO DE VEICULOS LTDA, VIAÇÃO CAMINHO DO MAR LTDA e WT VII INVESTIMENTOS IMOBILIARIOS S.A. não impugnaram o Auto de Infração e não interpuseram recurso, motivo pelo qual não fazem parte do litígio. Feita essas considerações, antes mesmo de se adentrar as questões de mérito propriamente ditas, em relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila o conceito de grupo econômico inscrito na legislação de regência, bem como alguns estudos a propósito da matéria, indispensáveis ao deslinde da controvérsia, senão vejamos: Ao contemplarem o tema, os artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Por sua vez, a Lei nº 6.404/76, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 265 e 267, estabelece o seguinte: Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. Fl. 10846DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 18 33 § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade". Em outra via, o § 2º, do artigo 2º, da CLT, ao tratar da matéria, é por demais enfático ao positivar: Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados pelos Auditores fiscais da RFB ao promoverem o lançamento, notadamente quando tratarse de caracterização de Grupo Econômico, o artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, determina o que segue: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei; Como se observa dos dispositivos legais encimados, a solidariedade previdenciária é legal e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da contribuição da seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. Por seu turno, especialmente na esfera trabalhista, a doutrina contempla alguns limites e requisitos/pressupostos para a caracterização do grupo econômico de fato, Fl. 10847DF CARF MF 34 estabelecendo características basilares de maneira a nortear os trabalhos desenvolvidos neste sentido, senão vejamos: o grupo de empresas deve ser inicialmente caracterizado como fenômeno de concentração, incompatível com o individualismo, mas perfeitamente consentâneo com a sociedade pluralista, a que corresponde o capitalismo moderno. Ao contrário da fusão e da incorporação que constituem a concentração na unidade, o grupo exterioriza a concentração na pluralidade. Particulariza se,entre os demais de sua espécie, por ser composto de entidades autônomas, submetido o conjunto à unidade de direção.” (In Magano. Otávio Bueno – “Os Grupos de Empresas no Direito do Trabalho – São Paulo. Ed. Revista dos Tribunais, 1979, pág. 305’) (grifamos) Em conclusão, da soma de todas essas normas, vêse que está configurada a existência de um grupo econômico toda vez que duas ou mais empresas estiverem submetidas a um mesmo poder de controle, fato considerado pelo direito como relevante, merecendo uma disciplina específica de modo a se coibir a manipulação das relações entre as sociedades que tenham por escopo a contabilização de prejuízos a apenas uma delas, em detrimento dos sócios minoritários e credores da sociedade prejudicada, e a proteção dos verdadeiros beneficiários das articulações. Verificase, que a caracterização de grupo econômico de fato se apresenta como um procedimento excepcional, lastreado nas normas do direito privado, na condição de instrumento no combate à evasão fiscal praticada por contribuintes sob o manto de diversos atos comerciais escusos, sendo, por conseguinte, plenamente válido e legal, conquanto que devidamente observados os requisitos para tanto e perfeitamente demonstrada à situação fática adotada na pretensão fiscal. Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização do grupo econômico, a partir de suas especificidades conceituais, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Na hipótese dos autos, inobstante o esforço da autoridade lançadora, não conseguimos vislumbrar a existência de um Grupo Econômico de Fato. Pelo menos na forma proposta pelo fiscal autuante. Explico: Inicialmente, inobstante destacar a necessidade de um controle central e/ou uníssono, a fiscalização não logrou comprovar que, no decorrer de todo período fiscalizado, a autuada ou outra empresa integrante do grupo econômico de fato caracterizado detinha a controle de TODAS as pessoas físicas no desenvolvimento de suas operações e atividades comerciais. Igualmente, não restou demonstrada a dilapidação do patrimônio da autuada ou outra empresa, com a transferência a LARANJAS, visando afastarse da responsabilidade pelo pagamento dos tributos. Com efeito, não se vislumbra qualquer alteração no quadro societário tendente a afastar a exigência de tributos eventualmente devidos. Fl. 10848DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 19 35 Neste ponto, impende esclarecer que não entendemos que a identidade do quadro societário, se constatada, isoladamente, oferece proteção à tese da existência de Grupo Econômico de Fato, mas sim tratase de um elemento de indício. Não obstante a autoridade lançadora colacionar aos autos alguns indícios da existência de grupo econômico de fato, não contempla com especificidade para cada empresa a vinculação entre todas ou mesmo a unicidade de direção. Em verdade, no Relatório Fiscal, o fiscal autuante simplesmente aduz haver direção, controle ou administração exercida direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas, além de outros pequenos fatos indiciários que, por si só, não tem o condão de demonstrar a existência de grupo econômico de fato, especialmente levando em consideração a necessidade de unicidade de comando, confusão patrimonial e contábil, além de interesse comum no fato gerador. Mais a mais, escora sua pretensão em presunção, a qual, igualmente, no máximo, se prestaria a comprovação indiciária, mas nunca efetiva do grupo econômico de fato. No mais, o que reforçaria o entendimento da fiscalização é uma informação sobre o "Grupo Aurea" constante do site www.voegol.com.br, o qual, isoladamente e sem qualquer associação aos fatos, ou seja, subsunção do fato a norma, não tem o condão de encampar a pretensão fiscal. Vale salientar ainda que, em pesquisa ao site indicado no REFISC (www.voegol.com.br), não foram encontradas informações sobre a existência de nenhum "Grupo", muito menos especificamente ao "Grupo Aurea". Não vislumbro nos autos, quaisquer elementos que demonstrem existir o nexo de causalidade entre os solidários e o fato gerador a eles imputados, quiçá demonstração de interesse jurídico comum com a contribuinte. Não sendo o bastante, vale salientar ainda que parte das empresas responsabilizadas foi constituída após a ocorrência dos fatos geradores que levaram à obrigação tributária ora exigida, ou no seu decorrer. Podemos citar ainda como totalmente infundada a atribuição da responsabilidade solidária a um fundo de investimento, ente desprovido de personalidade jurídica. Bom que se diga que não estamos aqui afirmando com toda segurança inexistir interesses comuns entre algumas das empresas elencadas nos autos e chamadas a responsabilização do crédito tributário, por responsabilidade solidária, a partir da caracterização do grupo econômico de fato. Sustentamos, na verdade, que o fiscal autuante não se desincumbiu do ônus de comprovar com especificidade a existência, de fato, do grupo econômico. E, não o tendo feito de maneira específica em relação à cada empresa, não temos condições de analisar a questão individualizadamente, o que atrai a necessidade de afastar aludida conclusão fiscal, da existência de grupo econômico de fato. Com a devida vênia, o nobre fiscal autuante, em seu Relatório Fiscal, fora por demais superficial. Fl. 10849DF CARF MF 36 A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, conforme se extrai do julgado abaixo transcrito, da lavra da ilustre Conselheira Ana Maria Bandeira, ainda quando integrante do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, in verbis: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RETENÇÃO 11% GRUPO ECONÔMICO DE FATO SUCESSÃO DE FATO O contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura e recolher a importância em nome da prestadora A formação de grupo econômico de fato deverá estar plenamente demonstrada pela participação de pessoas físicas, em duas ou mais empresas, nos mesmos percentuais considerados para a conceituação de empresas coligadas, controladas ou controladoras, constantes da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro 1976 A ocorrência de sucessão deve estar bem caracterizada e ainda que assim esteja, se o sucedido continuar a exercer atividade no mesmo ramo, não se configura a responsabilidade solidária, mas a subsidiária Não pode subsistir o lançamento de créditos de uma pessoa jurídica contra outra, onde não esteja demonstrada a vinculação para tal CONHECIDO PARCIALMENTE PROVIDO. (grifamos) (Processo n° 35067.002367/200329 – NFLD n° 35.538.0897 Acórdão n° 1044/2005 – Sessão de 24/05/2005) Como se observa, é bem verdade que a legislação de regência autoriza à autoridade lançadora, à juízo próprio, caracterizar grupo econômico de fato. Entrementes, tal procedimento deverá ser devidamente fundamentado, indicando e comprovando a fiscalização quais os motivos que a levaram a desconsiderar os atos realizados pelos administrados. Trata se, pois, de atividade fiscal excepcional, devendo, portanto, estar devidamente motivada. Não se pode inverter o ônus da prova, quando inexistir dispositivo legal assim contemplando, a partir de uma presunção legal. In casu, havendo dúvidas quanto a licitude dos atos praticados pelas contribuintes, caberia a fiscalização se aprofundar no exame das provas, como ocorre em inúmeras oportunidades, sendo defeso, no entanto, presumir pela existência de grupo econômico de fato. Ademais, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito, o ônus da prova cabe a quem alega, in casu, ao Fisco, especialmente por inexistir disposição legal contemplando a presunção no caso de pretenso grupo econômico de fato, incumbindo à fiscalização buscar e comprovar a realidade dos fatos, podendo/devendo para tanto, inclusive, intimar todas as partes interessadas para confirmar a idoneidade dos atos negociais efetuados pelas contribuintes. Na esteira desse raciocínio, deixando a autoridade lançadora de comprovar a vinculação comercial, gerencial e com o fato gerador entre as empresas elencadas nos autos, não se pode cogitar na manutenção do Grupo Econômico de Fato. Fl. 10850DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 20 37 Como dito acima, as responsáveis solidárias GCF SERVIÇOS DE CARGAS E FRETAMENTOS LTDA, GOL LINHAS AÉRAS INTELIGENTES S.A., MORASOL COMERCIO DE VEICULOS LTDA, VIAÇÃO CAMINHO DO MAR LTDA e WT VII INVESTIMENTOS IMOBILIARIOS S.A. não podem ser excluídas nesta oportunidade por não figurarem no litígio. PERÍCIA Por derradeiro, a recorrente pugna pela realização de perícia para constatar os erros nas informações prestadas. Assim sendo, quando a contribuinte alega erro nas informações por ele prestadas em GFIP, passa a ser dele o ônus da prova do alegado, não sendo suficiente a contestação genérica, conforme disciplina o art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72: Art. 16... IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Revelase, portanto, prescindível a perícia contábil, pois estão satisfatoriamente esclarecidos nos autos os fatos sobre os quais o lançamento recai e não foram apontadas, pela recorrente, eventuais divergências de valores. A prova pericial prestase a esclarecer pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados e não para substituir o ônus do sujeito passivo, relativamente à produção de provas que, por sua natureza, já poderiam ter sido juntadas aos autos no momento da apresentação da impugnação. Ademais, por expressa previsão do § 1° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não é conhecido o pedido de perícia formulado em desacordo com as exigências do inciso IV do mesmo dispositivo legal. Em síntese, indefiro o pedido de perícia. Por todo o exposto, estando os lançamentos sub examine em consonância parcial com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE a) CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO; b) CONHECER DOS RECURSOS VOLUNTÁRIO para rejeitar as preliminares e, b.1.) DECRETAR A DECADÊNCIA DA COMPETÊNCIA 12/2002; b.2.) NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DA AUTUADA; Fl. 10851DF CARF MF 38 b.3.) DARLHE PROVIMENTO AOS RECURSOS DOS SUJEITOS SOLIDÁRIOS, apenas no sentido de afastar o grupo econômico e a responsabilidade solidária (exceto em relação a GCF SERVIÇOS DE CARGAS E FRETAMENTOS LTDA, GOL LINHAS AÉRAS INTELIGENTES S.A., MORASOL COMERCIO DE VEICULOS LTDA, VIAÇÃO CAMINHO DO MAR LTDA e WT VII INVESTIMENTOS IMOBILIARIOS S.A), pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Declaração de Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Divirjo do Relator apenas em parte e pelos motivos a seguir explicitados. Do Relatório Fiscal, ao lado do já explicitado pelo Relator, destaco, em síntese, a seguinte descrição fática: Até 15.10.2003, a devedora principal tinha por objeto social o transporte urbano de passageiros e atuava sob a denominação de "Executiva Transportes Urbanos Ltda", tendo como sócioscotistas as empresas Áurea Administração e Participações S/A — CNPJ 00.362.938/000151 e Constante Administração e Participações S/A — CNPJ 02.101.885/000140 e sendo administrada pelos diretores dessas sóciascotistas, Srs. Ricardo Constantino, CPF 546.988.80610 e RG/RNE 671071, e Henrique Constantino, CPF 443.609.91134 e RG/RNE 1022856. De acordo com alteração contratual registrada na Jucesp em 15.10.2003, a cotista Áurea Participações retirouse da sociedade, permanecendo como única cotista a empresa Constante Administração e Participações S/A. Nova alteração registrada em 30.10.2003 e sociedade passa a ser por ações e ter por única acionista a empresa Constante Administração e Participações S/A, cujos sócios, segundo tabela, são Henrique Constantino e José Cláudio Garcia e ter por administrador Hélio Garcia. Esse registro foi revisto e invalidado pela Jucesp. Com base em documento arquivado em 17.05.2004, a empresa permaneceu sediada no mesmo endereço, e constavam ainda como diretores os Srs. Ricardo e Henrique Constantino, sendo eleitos também os Srs. Joaquim Constantino Neto, CPF 084.864.02840 e RG/RNE 17365750 e José Cláudio Garcia, CPF 692.209.72891 e RG/RNE 5142708. Segundo o arquivamento seguinte na Jucesp, em 27.10.2006, referente à alteração estatutária produzida em assembléia geral extraordinária realizada em 29.09.2006, houve a renuncia dos diretores ligados A. família Constantino, permanecendo como diretor administrativo do Sr. José Cláudio Garcia que, Fl. 10852DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 21 39 conforme apuramos no Cadastro Nacional de Informações Sociais — CNIS/Dataprev, veio a falecer em 18.10.2006. Por último, em ata de assembléia geral extraordinária arquivada na Jucesp em 03.11.2006, consta como diretor eleito o Sr. Helio Garcia, CPF 199.362.06800 e RG 2.377.387X. No local cadastrado como domicilio tributário, relativo ao estabelecimento Matriz CNPJ 0001, em São Vicente, os auditores constataram o funcionamento de uma base operacional de transportes urbanos, porém pertencente à empresa Viação Piracicabana Ltda CNPJ 54.360.623/003209. As correspondências por via postal para lá enviadas com prova de recebimento foram devolvidas, assim como o foi também devolvida a enviada para o endereço que consta na Junta Comercial km 89,7 da Rodovia Fernando Dias, em Guarulhos, cuja devolução se deu por alegado motivo de "mudança". Este último endereço pertencente A. excotista da empresa e está locado, segundo Dimob, para terceiro. Contatado o Sr. Hélio Garcia, diretor estatutário da empresa Executiva, este compareceu à Repartição Fiscal em Santos em 18.10.2007, e em depoimento (1) ficou caracterizado que, apesar de ser o único administrador em exercício (outro faleceu), não tem conhecimentos básicos do passado e o presente da empresa , desconhecendo, por exemplo, a atual composição societária e situação patrimonial; (2) mencionou ser remunerado pela acionista Áurea Administração e Participações; (3) que não tem nenhuma participação no capital da empresa e que desconhece o proprietário do imóvel atualmente ocupado; (4) o acionista principal da empresa Executiva seria a empresa Áurea Administração e Participações; e (5) teria a empresa base operacional de transporte na Rodovia Fernão Dias, km 89,7, em Guarulhos. Áurea Administração e Participações não é acionista da devedora principal, a única acionista (cotista, pela invalidação da alteração para sociedade por ações) é a empresa Constante Adm. e Participações S/A, também dirigida pelo Sr. Hélio e tendo por acionistas Henrique Constantino e o finado José Cláudio Garcia, segundo tabela de fls 98/105. Em diligência junto ao Sindicato dos Transportadores Rodoviários de Santos, cujo quadro associativo é formado na maioria por trabalhadores que foram empregados da empresa Executiva e/ou que hoje são da Viação Piracicabana, fomos informados que a Executiva atuou como permissionária do serviço público por cerca de 10 anos, operando com exclusividade as linhas do transporte coletivo no Município de Santos, até que, em meados de 2006, a titularidade dos referidos serviços foi transferida para a Viação Piracicabana, que teria assumido, ao menos nas homologações e acordos promovidos pelo Sindicato (inclusive em Comissão de Conciliação Prévia coordenada pelo mesmo), as responsabilidades de natureza trabalhista relativas ao período de sua antecessora. Além disso, invocando como fonte documental os Contratos Sociais e Estatutos, o Relatório Fiscal apresenta a seguinte constatação: "o Grupo Áurea possui uma sistemática própria de organização empresarial, fragmentandose em uma série de empresas, que foram sendo constituídas umas derivadas das outras, e cujo vinculo entre elas ou entre as pessoas físicas pertencentes aos seus quadros societários se mantém, e cujo poder de controle manifestase através do controle acionário das pessoas jurídicas originárias ou derivadas, ou das próprias pessoas físicas ou, Fl. 10853DF CARF MF 40 principalmente, através de "empresas de participações" que indicam seus diretores para os cargos de direção das empresas das quais participam" (fls. 97). A tabela de fls. 98/105 revela que a família Constantino diretamente por seus membros exerce a administração nas diversas empresas ali especificadas, cumulando em regra também a titularidade dos direitos societários sobre as mesmas ou por intermédio de outras empresas de sua titularidade. Excetuese o Fundo de Investimentos por ser condomínio de recursos, ou seja, uma comunhão de recursos destinados à aplicação de títulos e valores mobiliários, em que a administração se opera por meio de mandato concedido pelos condôminos à administradora, no caso Banco Santander Banespa SA. De fato, em relação ao grupo como um todo não foram imputados pela fiscalização fatos específicos a se demonstrar tratarse de grupo de fato irregular, a justificar aplicação do inciso I do art. 124 do CTN. Nesse ponto, devo explicitar divergência para com parte das premissas adotadas no voto do Relator, pois entendo como existente mais de uma fundamentação normativa para se imputar solidariedade tributária no âmbito das contribuições em tela. Uma linha de fundamentação consiste na imputação da responsabilidade solidária com base nos arts. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, e 124, II, do CTN. Essa linha de fundamentação adota o critério orgânico para a caracterização do grupo econômico (IN INSS/DC nº 100, de 2003, art. 778; IN SRP n° 03, de 2005, art. 748; IN RFB n° 971, de 2009, art. 494) e, especificamente em relação ao grupo econômico de fato e regular, exigese a direção, o controle e/ou administração unitário(s), ou seja, a direção, controle e/ou administração de uma empresa sobre outra, inclusive via coordenação, e independentemente da natureza das atividades econômicas desenvolvidas (industrial, comercial ou qualquer outra), mantendo todas personalidade e patrimônio distintos e sem qualquer abuso de forma ou personalidade. Nessa linha, não se perquire acerca da existência ou não de interesse comum no fato gerador, eis que não se está a aplicar o art. 124, I, do CTN1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que o simples fato de uma pessoa jurídica integrar determinado grupo econômico não é suficiente para que responda por obrigação tributária de pessoa jurídica distinta, integrante do mesmo grupo econômico. Contudo, a rigor, tal raciocínio é aplicado a partir do inciso I do art. 124 do CTN e não foi desenvolvido em face das contribuições sociais da Lei n° 8.212, de 1991, mas diante da legislação do ISS2. 1 Contudo, nada impede que a situação fática autorize a invocação conjunta do art. 124, I, do CTN, caso reste demonstrado o interesse comum em grupo econômico de fato regular. Por exemplo, no caso hipotético de as empresas atuarem como coempregadoras, mas em intercomunicação e não confusão. 2 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. SUJEIÇÃO PASSIVA. ARRENDAMENTO MERCANTIL. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. VERIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. "'Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas' (HARADA, Kiyoshi. 'Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador')" (AgRg no Ag 1.055.860/RS, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 26.3.2009). 2. "Para se concluir sobre a alegada solidariedade entre o banco e a empresa de arrendamento para fins de tributação do ISS, seria necessária a reapreciação do contexto fáticoprobatório, providência inadmissível em sede de recurso especial, consoante a Súmula 7/STJ" (AgRg no AREsp 94.238/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Fl. 10854DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 22 41 Para as contribuições previdenciárias, o arcabouço normativo é diverso do existente para o ISS. Isso porque, há a norma expressa do art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, e que retira seu fundamento de validade do inciso II do art. 124 do CTN e não do inciso I desse artigo. Em outros termos, a Lei n° 8.212, de 1991, não exige a presença de interesse comum no fato gerador do tributo, pois se socorre do espaço normativo outorgado pelo inciso II do artigo 124 CTN, que, sem maiores condicionantes, autoriza a lei ordinária a estabelecer outras situações de responsabilização solidária. Logo, o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, ao atribui responsabilidade solidária às empresas do mesmo grupo econômico sem vincular tal atribuição ao interesse comum no fato gerador, afasta qualquer óbice para a inclusão no polo passivo como solidária sem benefício de ordem de empresa que não pertencia ao grupo econômico à época do fato gerador e ainda que tenha sido criada posteriormente. No meu entender, o art. 124, II, do CTN é suficiente para lastrear o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991. Contudo, ainda que se compreenda como necessária a observância do art. 128 do CTN, o mesmo resta atendido. Isso porque, o fato gerador das contribuições previdenciárias em tela tem por relação jurídica subjacente justamente a relação de emprego e a empresa de grupo, por força do ordenamento trabalhista, responde solidariamente pelas obrigações decorrentes da relação de emprego, estando, assim, vinculada ao fato gerador. Ao tempo do lançamento e ao da imputação da responsabilidade solidária, estava vigente a redação original da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT, art. 2°, § 2°), cujo critério orgânico correspondia inequivocamente ao adotado na esfera tributária (IN INSS/DC nº 100, de 2003, art. 778; IN SRP n° 03, de 2005, art. 748; IN RFB n° 971, de 2009, art. 494). Uma outra linha de fundamentação, alicerçase nos arts. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, e 124, incisos I e II, do CTN e se aplica, por exemplo, ao grupo econômico de fato e irregular, ou seja, quando houver grupo de fato e as empresas atuarem irregularmente de forma conjunta em abuso de personalidade e/ou de forma, em infração à lei, em fraude e confusão patrimonial, gerencial e/ou laboral. Provadas as irregularidades em questão, a revelar a configuração do interesse comum no fato gerador, resta justificada a incidência da Lima, Primeira Turma, DJe 16/10/2012). No mesmo sentido: AgRg no Ag 1.415.293/RS, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 21/09/2012. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 603.177/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/03/2015, DJe 27/03/2015) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES: AGRG NO ARESP 21.073/RS, REL. MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 26.10.2011 E AGRG NO AG 1.240.335/RS, REL. MIN. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJE 25.05.2011. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A jurisprudência dessa Corte firmou o entendimento de que o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a solidariedade passiva em execução fiscal. 2. Tendo o Tribunal de origem reconhecido a inexistência de solidariedade entre o banco e a empresa arrendadora, seria necessário o reexame de matéria fáticoprobatória para se chegar a conclusão diversa, o que encontra óbice na Súmula 7 desta Corte, segundo a qual a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. 3. Agravo Regimental do MUNICÍPIO DE GUAÍBA desprovido. (AgRg no Ag 1415293/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2012, DJe 21/09/2012) Fl. 10855DF CARF MF 42 solidariedade com lastro no art. 124, I, do CTN. Ressaltese que, ao se fundar a imputação fiscal também no fundamento autônomo (bastante por si) do art. 124, I, do CTN, a solidariedade não padece das limitações do art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, e, por conseguinte, tem o condão de abarcar as contribuições eventualmente devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos. No caso concreto, vislumbro a incidência apenas dos arts. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, e 124, II, do CTN. Isso porque, a fiscalização não imputou e nem colheu provas do abuso de personalidade e/ou de forma, em infração à lei, em fraude e confusão patrimonial, gerencial e/ou laboral. A fiscalização procurou demonstrar a caracterização do grupo econômico segundo o critério orgânico veiculado nas Instruções Normativas que explicitam o conteúdo normativo do arts. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991 (IN INSS/DC nº 100, de 2003, art. 778; IN SRP n° 03, de 2005, art. 748; IN RFB n° 971, de 2009, art. 494), nitidamente inspirado na redação original do art. 2°, § 2°, da CLT. Por esse critério, o grupo econômico se caracteriza por haver direção, controle e/ou administração de uma empresa sobre outra, inclusive via coordenação, e independentemente da natureza das atividades econômicas desenvolvidas (industrial, comercial ou qualquer outra). Para o critério orgânico, é irrelevante a observância do critério dual da Lei n° 6.404, de 1976, ou seja, se o grupo pode ser classificado ou não como de direito, também chamado de grupo societário ou convencional. Igualmente, é irrelevante se o grupo de fato pode ser classificado como regular ou não, segundo observe ou não as normas que regem a sociedade não integrante de um grupo de direito. Nesse ponto, é preciso se definir o que deva ser compreendido por direção, controle e/ou administração. Diante do disposto no art. 116 da Lei n° 6.404, de 1976, o controle envolve duas facetas ou dimensões, uma potencial advinda da participação societária (= titularidade de direitos de sócio) e uma dinâmica de efetiva direção das atividades sociais e orientação dos órgãos da companhia (= direção + orientação = direção, em sentido lato) pelo exercício dos direitos de sócio, sendo que do controle desdobrase naturalmente o poder de administrar, ainda que pela via indireta da escolha de administradores. A simples existência de sócio em comum (simples titularidade dos direitos de sócio e nada mais) não prova a direção, o controle ou a administração unitários, hierárquico ou coordenado. A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, antes da reforma trabalhista, tendia a asseverar não bastar a mera existência de sócio em comum devendo haver controle de uma empresa sobre a outra (hierárquico e não coordenado), sendo invocado como precedente o Recurso de Embargos em Recurso de Revista EEDRR21494039.2006.5.02.0472, julgado em 22.05.2014 pela Subseção I da Seção Especializada em Dissídios Individuais (SBDII). A reforma trabalhista não afastou o critério orgânico de configuração do grupo econômico, tendo alinhado o texto celetista explicitamente ao entendimento de haver solidariedade trabalhista na hipótese do grupo econômico formado por coordenação e de não ser suficiente a mera identidade de sócios, a demandar a demonstração do interesse integrado, a efetiva comunhão de interesses e a atuação conjunta das empresas dele integrantes (CLT, art. 2°, § 3°). Fl. 10856DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 23 43 Num grupo de fato regular, hierárquico ou coordenado, a integração e a comunhão mencionadas pelo legislador celetista não podem significar subordinação dos interesses sociais de uma sociedade aos de outra, eis que, não havendo convenção grupal registrada, aplicamse as regras inerentes a qualquer sociedade, ou seja, deve ser mantida uma total autonomia jurídica e patrimonial, apesar de haver direção, controle e/ou administração unitário, hierárquico ou coordenado, sob pena de se caracterizar um grupo de fato irregular ou até mesmo uma sociedade irregular. Apenas no grupo de sociedades (= grupo de direito) pode haver certa combinação de recursos e esforços, subordinação dos interesses de uma sociedade aos de outra, ou do grupo, e participação em custos, receitas ou resultados de atividades ou empreendimentos, mas nos estritos limites da convenção do grupo (Lei n° 6.404, de 1976, arts. 269, 271 e 276). Atuação conjunta das empresas integrantes do grupo não era exigência presente na redação original da CLT e nem é exigência presente na redação das Instruções Normativas que explicitam o art. 30, IX, do art. 8.212, de 1991. Além disso, na esfera trabalhista, não está definido o que deva ser compreendido por "atuação conjunta das empresas dele integrantes". Entendo que não se exige a atuação em um mesmo empreendimento, sob pena de se confundir o grupo com um consórcio regular ou irregular (Lei n° 6.404, de 1976, arts. 278 e 279). Logo, atuação conjunta pode significar a simples integração de interesses e não haveria modificação da norma jurídica a ser extraída do texto legal celetista reformado. Mas, atuação conjunta pode significar também a atuação com interdependências (e não confusões para ser grupo regular) a se revelar tratarse de empresa plurissocietária. A direção econômica e empresarial unitária e comum justifica eventual interdependência administrativa (serviços e/ou setores administrativos compartilhados), comercial (partilha de marcas, uniformes, estratégias de publicidade e de vendas; bem como cotação e compras conjuntas, com obtenção de descontos) e/ou financeira (financiamentos conjuntos, outorga de garantias, adiantamentos e/ou empréstimos entre as empresas) e/ou operacional (uniformização de procedimentos, desenvolvimento de mesma atividade ou atividades complementares, com partilha de equipamentos e instalações em racionalização de recursos e ganhos de escala) e/ou de pessoal (diretores/administradores comuns, compartilhamento de empregados {TST, Súmula n° 129 = coempregadores} e/ou circulação de trabalhadores mediante vínculos formais sucessivos). A interdependência é aceitável num ambiente de controle, direção ou administração unitários, mas se desvirtua em confusão ao comprometer a existência de personalidade e patrimônio distintos e/ou violar o interesse social da empresa integrante do grupo, ressalvada a mitigação do interesse social nos termos de convenção de grupo não abusiva e registrada e dentro dos limites da legislação empresarial. Frisese que a redação original da CLT não exigia interdependências (embora comuns no âmbito de um grupo de fato regular), bastava a demonstração da direção, controle e/ou administração unitário(s), ou seja, a demonstração da direção, controle e/ou administração de uma empresa sobre a outra, inclusive via coordenação. Na esfera do direito tributário, a norma complementar (CTN, art. 100, I) que explicita o conteúdo normativo do art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, não foi alterada. Logo, Fl. 10857DF CARF MF 44 não se cogita de se exigir interdependência para a caracterização do grupo econômico de fato regular em face do art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, tal como concretizado pelas normas complementares (IN INSS/DC nº 100, de 2003, art. 778; IN SRP n° 03, de 2005, art. 748; IN RFB n° 971, de 2009, art. 494). Reconheço que a exigência de atuação com interdependências exploraria ao máximo o critério orgânico da direção, controle e/ou administração unitário pela capacidade de o mesmo apreender a realidade do grupo econômico como figura marcada por forte tensão entre uma direção econômica e empresarial unitária e comum (a justificar interdependências) e uma necessária autonomia jurídica e patrimonial (a repelir confusões). Contudo, essa exigência não se faz presente na esfera tributária e na trabalhista ainda não há entendimento solidificado. No caso concreto, a tabela de fls. 98/105 não demonstrou apenas a titularidade dos direitos de sócio, mas também a administração formal das empresas por membros da família Constantino ou pelo Sr. Hélio Garcia, sendo que este em termo de esclarecimentos (depoimento) reconhece expressamente exercer sua atividade no âmbito de um grupo econômico, ou seja, a subordinação da empresa a que, em tese, lhe caberia a administração: Perguntado se está na empresa há muito tempo o Sr. Hélio respondeu que foi convidado pelo Grupo Econômico a exercer a empresa, através do Sr. José Mendes, cuja localização ou profissão desconhece. Declarou também que as suas atividades econômicas restringemse à direção Executiva. Notese ainda que a Viação Piracicabana, uma das empresa integrantes do grupo, quitou passivo trabalhista da devedora principal, conforme informou o Sindicato dos Transportadores Rodoviários de Santos para a fiscalização. Os elementos constantes dos autos revelam tratarse de grupo econômico de base familiar e cuja atuação constituise em fato notório, ainda que tal circunstância não mais conste na página da internet www. voegol.com.br. O fato é notório, tanto que constante de enciclopédia. Ao se consultar "grupo Áurea" na Wikipédia, três verbetes retornam: Viação Nasser, Empresa Cruz e Nenê Constantino (em azul sublinhado, hiperlinks para as páginas em questão na internet a permitir imediata consulta na presente sessão de julgamento). Do verbete Viação Nasser, extraise: "Em 1998, a empresa passou para o controle do Grupo Áurea, pertencente à família de Nenê Constantino. Em 2000, foi repassada para o Grupo Santa Cruz, a qual mantém até os dias atuais.[1] [1] «Embarque na história da Viação Nasser». Juntos a Bordo. 27 de julho de 2015. Consultado em 26 de fevereiro de 2018. Do verbete Empresa Cruz, extraise: A empresa é responsável por diversas linhas que ligam o interior paulista a capital São Paulo, ainda atuando também no litoral do Estado. Está sediada na cidade de Araraquara, no estado de São Paulo. Faz parte do Grupo Áurea, um holding que também controla a empresa Gol Linhas Aéreas, ligado a Nenê Constantino. Fl. 10858DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 24 45 Do verbete Nenê Constantino, extraise: É dono do Grupo Áurea, hoje Grupo Comporte, composto pelas empresas:[4] Transporte rodoviário Pássaro Marron Viação Litorânea São Paulo São Pedro Expresso Caxiense Penha Princesa do Norte Breda Expresso União Viação Piracicabana Empresa Cruz Manoel Rodrigues Itamarati Transporte urbano Transportes Coletivos Grande Marília, SP ( em Marília ) Piracicabana, em Praia Grande e em Santos, SP Consórcio BR Mobilidade Baixada Santista (ônibus intermunicipais e VLT) Transportes Coletivos Grande Londrina, PR (em Londrina) Transportes Coletivos Grande Bauru, SP (em Bauru) Várias empresas de transporte coletivo em Cuiabá Empresas de pedágios rodoviários no estado de São Paulo Transporte Coletivo Cidade Canção, PR (em Maringá) Empresas em Vitória da Conquista, BA Piracicabana, em Blumenau, SC, atualmente Blumob Víva Pinda, em Pindamonhangaba, SP [4] Alves, Renato (12 de maio de 2017). «Nenê Constantino: austero, discreto, bilionário e condenado por assassinato». Correio Braziliense. Diários associados. Consultado em 21 de maio de 2017. Para Grupo Comporte, outros verbetes surgem na Wikipédia, a seguir transcritos: Transportes Coletivos Grande Londrina (secção Grupo Comporte) Em 1997, a TCGL é adquirida pelo Grupo Comporte, holding formada pelas empresas Max Empreendimentos, Áurea – Administração e Participações Ltda e PMG Participações Ltda, de propriedade do empresário Nenê Constantino, que também tem outras empresas de ônibus em outros estados, como a Pássaro Marron. No ano seguinte, novos carros modelo Marcopolo Torino passam a ser utilizados[3], para uma renovação da frota. Empresa de Ônibus Nossa Senhora da Penha A Empresa de Ônibus Nossa Senhora da Penha é uma empresa brasileira que atua no setor de transporte rodoviário de passageiros sediada na cidade de Curitiba, no estado do Paraná. Fl. 10859DF CARF MF 46 É controlada pelo Grupo Comporte e trabalha em diversas rotas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro operando linhas regulares para diversas cidades brasileiras como São Paulo, Santos, São José dos Campos, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, Joinville e Curitiba.[1] [1] «Viação Penha». Rodoviariaonline. Consultado em 26 de fevereiro de 2018. Henrique Constantino Henrique Constantino é LLB pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília (UniCEUB) e mestrado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).[1] Fundou com seus irmãos (Joaquim, Ricardo e Júnior), uma empresa de ônibus que faturou cerca de 1,5 bilhão em 2013. A origem do grupo é o negócio criado pelo pai deles, Nenê Constantino, no fim dos anos 40.[3] Atua como diretor financeiro do Grupo Comporte desde 1994.[1] [1] «Henrique Constantino». Bloomberg. Consultado em 7 de janeiro de 2017. Viação São Paulo São Pedro A Viação São Paulo São Pedro Ltda. é uma empresa brasileira sediada em Piracicaba, São Paulo que atua no ramo de transportes rodoviários de passageiros. Foi criada em 1962 quando os familiares Humberto Gianetti, Francisco Gianetti e Benedicto Gianetti assumiram o controle acionário da empresa, que anteriormente era chamada de Viação São José do Turismo Ltda, que possuía uma linha de ônibus que ligava a capital São Paulo a São Pedro, no interior paulista. Por este fato, a empresa teve sua razão social alterada para Viação São Paulo São Pedro Ltda. em 1º de agosto de 1962. Desde 1991, a Viação é administrada pelo Grupo Comporte. A empresa opera linhas que atende diversas cidades do interior paulista como São Pedro, Águas de São Pedro, Piracicaba, Santa Bárbara do Oeste, Americana e Jundiaí, além da própria capital paulista e os municípios de São Caetano, Santo André e São Bernardo do Campo.[1] [1]http://www.spaulospedro.com.br/pagina30saopaulosao pedro.html Empresa Viação São Paulo São Pedro Viação Piracicabana A Viação Piracicabana é uma empresa de transportes brasileira fundada em 1937 por Atílio Raimundo Giannetti com sede na cidade de Piracicaba, interior de São Paulo. (...) Atualmente a empresa pertence ao Grupo Comporte, conglomerado de transportes liderado pelo empresário Nenê Constantino.[2] Fl. 10860DF CARF MF Processo nº 15983.000087/200831 Acórdão n.º 2401005.659 S2C4T1 Fl. 25 47 [2]«Viação Piracicabana Quem somos». Site oficial da Viação Piracicabana. Consultado em 17 de novembro de 2017. Transcrevo abaixo a missão e a visão da Viação Piracicabana, colhida em seu site, http://www.viacaopiracicabana.com.br/pagina24quemsomos.html, empresa que assumiu base operacional onde antes era a matriz da devedora principal e que, segundo relata a fiscalização a partir de informação colhidas junto ao Sindicato dos Transportadores Rodoviários de Santos, teria assumido também, ao menos nas homologações e acordos promovidos pelo Sindicato (inclusive em Comissão de Conciliação Prévia coordenada pelo mesmo), a quitação de verbas trabalhistas devidas pela devedora principal. Quem Somos (...) MISSÃO Unir relacionamentos com segurança e qualidade. (Ao transportar, o Grupo Comporte possibilita o contato de pessoas, seja através do transporte de passageiros ou de cargas, unindo relacionamentos e encurtando distâncias). VISÃO Ser o melhor Grupo de Empresas provedor de serviços de transportes. Portanto, há grupo econômico de base familiar com nítido interesse integrado e com efetiva comunhão de interesses, sendo tais circunstâncias notórias e amparadas por inegável estratégia de publicidade, ainda que nada mais conste na página da internet www.voegol.com.br. Em face do exposto, extraise a configuração do controle sob a faceta potencial advinda da participação societária (= titularidade de direitos de sócio) e sob a faceta dinâmica da efetiva direção das atividades sociais e orientação dos órgãos da empresa, consubstanciadas materialmente na escolha de administradores, diretores e Conselheiros de Administração membros da família ou de pessoa a ela liga, no caso o Sr. Hélio Garcia em cujo depoimento se constata o desconhecimento acerca da empresa que administraria, a revelar sua inserção em grupo econômico com controle, direção e administração comuns e unitários, grupo cuja dimensão e delineamento se extrai da tabela de fls. 98/105, elaborada a partir da situação cadastral na Receita Federal e do constante da Junta Comercial, bem como cuja existência e atuação pública é atestada pela fiscalização ao relatar consulta ao site www.voegol.com.br ao tempo do lançamento, circunstância esta que se constitui em fato notório, ou seja, não há como se negar ser pública a atuação e existência do Grupo Áurea, atualmente Grupo Comporte. Em relação às empresas cuja titularidade é detidas diretamente ou indiretamente via Fundo de Investimento em Participações Asas, entendo que resta caracterizado o grupo pela faceta da administração (administradores da família) ou da direção (via Conselheiros de Administração da família) unitária com as demais empresas do grupo, apesar de não se poder falar em controle, eis que o conceito veiculado nas Instruções Normativas de grupo econômico especifica direção, controle ou administração. Fl. 10861DF CARF MF 48 Excetuase apenas o Fundo de Investimento em Participações Asas, eis que em relação ao mesmo não se caracteriza a direção, o controle ou a administração e nem se está diante de empresa, mas de condomínio fechado (Regulamento do Fundo, fls. 3390/3404). Por fim, destaquese que, in caso, a direção, o controle ou a administração de uma empresa sobre a outra se processa via coordenação e em contexto de grupo econômico de base familiar, admitindo a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a existência de grupo econômico por coordenação. Isso posto, voto por (a) conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento; e (b) conhecer dos recursos voluntários, rejeitar as preliminares, excetuado o reconhecimento da decadência da competência 12/2002, e, no mérito, negarlhes provimento, excetuandose apenas o recurso do solidário Fundo de Investimento em Participações Asas para o qual se dá provimento no sentido de o excluir do polo passivo pela não caracterização de sua responsabilidade solidária. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 10862DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.900128/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2003
DESISTÊNCIA DCOMP- INDEFERIMENTO
Pedido de desistência de compensação formulado após a data de ciência da decisão administrativa não homologatória há de ser indeferido.
Numero da decisão: 1402-003.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Exercício: 2003 DESISTÊNCIA DCOMP- INDEFERIMENTO Pedido de desistência de compensação formulado após a data de ciência da decisão administrativa não homologatória há de ser indeferido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13984.900128/2008-56
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5911983
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.188
nome_arquivo_s : Decisao_13984900128200856.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 13984900128200856_5911983.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7440814
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050871616503808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1170; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13984.900128/200856 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1402003.188 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria SIMPLES Recorrente GRAFINE GRÁFICA E EDITORA INÊS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2003 DESISTÊNCIA DCOMP INDEFERIMENTO Pedido de desistência de compensação formulado após a data de ciência da decisão administrativa não homologatória há de ser indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 01 28 /2 00 8- 56 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13984.900128/200856 Acórdão n.º 1402003.188 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de DCOMP transmitida pela contribuinte ante pagamento indevido ou a maior um Darf Simples que, no entanto, não foi homologada sob o fundamento de que o pagamento encontrase completamente utilizado, vinculado a débito também de código de receita 6106 e mesmo período de apuração, tornandoo indisponível para qualquer outra utilização. Cientificada do feito fiscal a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega que apresentou a declaração de compensação indevidamente, uma vez que era optante pelo Simples no período a que se referem os débitos incluídos na DComp. Nesse sentido, afirma que não existe valor a ser compensado, e nem motivo para apresentar a declaração de compensação, "uma vez que os tributos que ali se pedia compensação não eram devidos". Com base nessas alegações, a contribuinte requer o cancelamento da DComp apresentada, "por tratarse apenas de um engano fortuito, sem qualquer objetivo de ludibriar o fisco, sendo este perfeitamente justificado frente ao grande número de obrigações acessórias que os contribuintes de maneira geral tem para cumprimento com o Fisco". Em julgamento a DRJ julgou por improcedente a manifestação de inconformidade sob o entendimento de que o pagamento indevido já fora integralmente utilizado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.180, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13984.900120/2008 90, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.180): "1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso Voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade ao que merece ser processado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13984.900128/200856 Acórdão n.º 1402003.188 S1C4T2 Fl. 4 3 2. DO MÉRITO: Conforme consta da decisão da DRJ o pagamento levado como crédito na DCOMP foi totalmente utilizado em face de vinculação a débito declarado pela contribuinte. E contra esse fato a contribuinte não apresenta qualquer oposição. Em sede da manifestação de inconformidade a contribuinte apenas alega que a apresentação da DComp em exame decorreu de engano, razão pela qual requer seu cancelamento. A legislação tributária então regente não respalda o requerimento da contribuinte com destaque para o que previa Instrução Normativa SRF n 600, de 28 de dezembro de 2005, que, em seu art. 62 assim estabelecia: Desistência de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Compensação Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo ,mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMY ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituicdo, o Pedido de Ressarcimento ou a compensacdo se encontre pendente de decisão administrativa ti data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. 0 pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. (destaques acrescidos) Há que se ressaltar que, na Instrução Normativa RFB n. 1717, de 30 de dezembro de 2017, atualmente em plena vigência, há disposição idêntica. Ante o exposto, considerando que o pedido de desistência da compensação foi formulado após a data de ciência da decisão administrativa que não a homologou, de se indeferir o requerimento da contribuinte. Uma vez indeferido o pedido de cancelamento da DComp, cumpre analisar o motivo apresentado para não homologar a compensação pleiteada, principalmente em face da alegação da contribuinte de que, no período a que se referem os débitos incluídos na DComp, era optante pelo Simples. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13984.900128/200856 Acórdão n.º 1402003.188 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse cenário, a principio, seriam insubsistentes os débitos com código do Simples Federal relativos a períodos posteriores A data de inicio dos efeitos da exclusão do regime simplificado, conforme essa Turma de Julgamento tem reiteradamente se manifestado. Com isso, inexistiria a utilização do pagamento apresentada no Despacho Decisório como motivo para não reconhecer o direito creditório da contribuinte. Diante do exposto, considerando que a DComp não pode ser cancelada, voto por manter a decisão proferida pela DRJ. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001900/2008-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS EM DESCONFORMIDADE COM O QUE PRECEITUA A LEI 6.494/77.
Não tendo o contribuinte se desincumbido a contento do ônus de demonstrar o cumprimento dos requisitos estabelecidos na Lei n.° 6.494, de 1977, o valor pago a estagiários passa a integrar o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, parágrafo 9°, alínea "i", da Lei n.° 8.212, de 1991.
Numero da decisão: 9202-006.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questões já votadas pelo conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, relator originário, na sessão de 22/05/2018, no período da tarde. Nos termos do art. 58, §13, do Anexo II do RICARF, a Presidente da Turma designou como redatora ad hoc para este julgamento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
"Manifestou interesse de fazer declaração de voto o Conselheiro(a) Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro(a) não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)".
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora-Designado AD HOC para formalização do voto.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS EM DESCONFORMIDADE COM O QUE PRECEITUA A LEI 6.494/77. Não tendo o contribuinte se desincumbido a contento do ônus de demonstrar o cumprimento dos requisitos estabelecidos na Lei n.° 6.494, de 1977, o valor pago a estagiários passa a integrar o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, parágrafo 9°, alínea "i", da Lei n.° 8.212, de 1991.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.001900/2008-97
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5906010
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.945
nome_arquivo_s : Decisao_16327001900200897.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16327001900200897_5906010.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questões já votadas pelo conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, relator originário, na sessão de 22/05/2018, no período da tarde. Nos termos do art. 58, §13, do Anexo II do RICARF, a Presidente da Turma designou como redatora ad hoc para este julgamento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. "Manifestou interesse de fazer declaração de voto o Conselheiro(a) Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro(a) não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)". (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora-Designado AD HOC para formalização do voto. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7437203
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050871638523904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2243; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 710 1 709 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.001900/200897 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.945 – 2ª Turma Sessão de 19 de junho de 2018 Matéria CSP ESTAGIÁRIO CONTRATAÇÃO IRREGULAR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO SANTANDER BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS EM DESCONFORMIDADE COM O QUE PRECEITUA A LEI 6.494/77. Não tendo o contribuinte se desincumbido a contento do ônus de demonstrar o cumprimento dos requisitos estabelecidos na Lei n.° 6.494, de 1977, o valor pago a estagiários passa a integrar o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, parágrafo 9°, alínea "i", da Lei n.° 8.212, de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questões já votadas pelo conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, relator originário, na sessão de 22/05/2018, no período da tarde. Nos termos do art. 58, §13, do Anexo II do RICARF, a Presidente da Turma designou como redatora ad hoc para este julgamento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. "Manifestou interesse de fazer declaração de voto o Conselheiro(a) Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro(a) não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 00 /2 00 8- 97 Fl. 710DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 711 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignado AD HOC para formalização do voto. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2202003.729, prolatado pela 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 15 de março de 2017 (efls. 559 a 569). Ali, por maioria de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/08/2006 DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. O julgador de 1ª instância rejeitou a alegação do contribuinte, porque entendeu que o mesmo não efetuara antecipação do pagamento referente, especificamente, às contribuições previdenciárias incidentes sobre a contratação de estagiários, objeto do lançamento. Entretanto, diz a Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. TERMO DE COMPROMISSO. ESTAGIÁRIOS. RELAÇÃO DE EMPREGO “STRICTO SENSU”. CONVÊNIO COM CENTRO INTEGRADO EMPRESA ESCOLA CIEE. Se não restarem desnaturados os termos de compromisso pactuados entre os estagiários, a Recorrente, o Interveniente Fl. 711DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 712 3 CIEE e as instituições de ensino, não se caracteriza relação de emprego “ stricto sensu ”. Cumpridas as exigências da cláusula 3ª do Convênio com o Centro Integrado Empresa Escola CIEE, agente interveniente entre o concedente do estágio e o educando, descabe tutela. Recurso Voluntário Provido. Decisão: por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência até a competência 11/2003, inclusive. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosemary Figueiroa Augusto, Cecília Dutra Pillar e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que negaram provimento ao recurso. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, em 12/04/2017 (efl. 687 do Processo 16327.001899/200809, apenso), sua Procuradoria apresentou, em 12/05/2017 (efl. 716 do Processo 16327.001899/200809, apenso), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009 (efls. 570 a 597 e anexos). Analisado tal pleito através de despacho de efls. 598 a 610, o Recurso restou admitido quanto à matéria litigada, a saber, a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a segurados qualificados pela empresa como estagiários, durante a vigência da Lei no. 6.494, de 1977. Alegase, no pleito, quanto à matéria admitida, divergência em relação ao decidido pela 2a Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em 27/07/2011, através do Acórdão no. 2302001.162, e, ainda, em relação ao decidido, pela 2a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em 20/06/2012, no âmbito do Acórdão no. 2402002.826 de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 2302001.162 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. ESTAGIÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 713 4 Figura como hipótese de não incidência de contribuição previdenciária o pagamento feito a estagiário, a título de bolsa de complementação educacional, quando efetuado nos exatos termos da Lei n° 6.494/77. Assentado que, nos termos da lei, nos serviços prestados por estagiários remunerados encontramse presentes todos os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado, recai sobre o sujeito passivo o ônus de demonstrar a ocorrência e a fiel observância dos termos e condições estatuídas na Lei n° 6.494/77 para que se possa desfrutar do benefício da renúncia fiscal ora em debate. CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. ALÍQUOTA MÍNIMA. 8%. É de 8% a alíquota mínima da contribuição dos segurados empregados, uma vez que a CPMF foi definitivamente extinta, não persistindo mais os motivos que ensejaram o desconto nos Salários de Contribuição até 3 salários mínimos. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55. A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PARA SESC/SENAC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. OBRIGATORIEDADE. As empresas prestadoras de serviços, por estarem enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, consoante classificação do art. 577 da CLT e seu anexo, estão sujeitas ao recolhimento das contribuições sociais vertidas ao Sesc/Senac. SEBRAE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONSTITUCIONALIDADE. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelandose constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003. SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI nº 9.424/96. CONSTITUCIONALIDADE. É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, assim como no regime da lei 9.424/96. Súmula 732 do STF. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 714 5 O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. O benefício da retroatividade benigna encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração em realce. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado Decisão: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Acórdão 2402002.826 Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2005 a 28/02/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara PRÊMIOS DE INCENTIVO – CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDÊNCIA Fl. 714DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 715 6 Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo a contribuintes individuais. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado ESTAGIÁRIO – CONTRATAÇÃO NÃO CUMPRIMENTO REQUISITOS LEGAIS – INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a trabalhadores a condição de estagiários se não forem cumpridos os requisitos para tal contratação dispostos na Lei nº 6.494/1977. De acordo com o art. 118 do CTN, abstraise, para os fins de definição do fato gerador, a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL REGULAR A escrituração contábil regular deve refletir a verdade dos fatos. Assim, mediante alegações sem provas de equívocos nos registros contábeis, prevalecem os últimos. PROVA TESTEMUNHAL – OITIVA DE TESTEMUNHA – INDEFERIMENTO – CERCEAMENTO DE DEFESA – INOCORRÊNCIA Não representa cerceamento de defesa o indeferimento de produção de prova testemunhal por meio de oitivas face à inexistência de previsão no Decreto nº 70.235/1972 da apresentação de prova testemunhal no contencioso administrativo fiscal PERÍCIA – NECESSIDADE – COMPROVAÇÃO – REQUISITOS – CERCEAMENTO DE DEFESA – NÃO OCORRÊNCIA Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova RESPONSÁVEIS LEGAIS – PÓLO PASSIVO – NÃO INTEGRANTES Os representais legais da empresa elencados pela auditoria fiscal no Relatório de Vínculos não integram o pólo passivo da lide, não lhes sendo atribuída qualquer responsabilidade pelo crédito lançado, seja solidária ou subsidiária. A relação tem como finalidade subsidiar a Procuradora da Fazenda Nacional na eventual necessidade de identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis. TAXA SELIC – APLICAÇÃO Fl. 715DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 716 7 Sobre as contribuições não recolhidas em época própria, incide a taxa de juros SELIC, a qual não é aplicada de forma capitalizada MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: por maioria de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, limitada a 75%, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Thiago Taborda Simões que limitavam a multa ao percentual de 20%. Após defender a existência de divergência interpretativa, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) No caso, a relação de estágio foi analisada à luz da Lei no. 6.494, de 1977, vigente à época dos fatos geradores. Inobstante, a decisão recorrida cogitou da aplicação da Lei no. 11.788, de 25/09/2008. Em verdade, é sabido, como regra, que os conflitos da lei no tempo devem ser resolvidos sob a ótica do milenar Principio da Irretroatividade (e exceções), que, no direito tributário, é extraído da combinação da Lei de Introdução ao Código Civil com o art. 101 do Código Tributário Nacional. No tocante à retroação prevista no CTN, devese analisar seu art. 106 que excepciona a regra da irretroatividade. O referido dispositivo legal permite a lei voltarse ao passado, dispensandose, pois, disposição expressa de lei, nas hipóteses de lei interpretativa e de “lei mitior” quanto a infrações ou penalidades; b) Portanto, no caso, como não houve expressa disposição da lei, nem lei expressamente interpretativa, nem regulação de sanções, então não há retroatividade. Logo, no caso, a relação de estágio deve ser aferida segundo os requisitos estabelecidos na Lei no. 6.494, de 1977, vigente à época dos fatos geradores; c) Pelo teor da referida Lei, para a caracterização da relação de estágio, é necessária a comprovação da frequência escolar dos alunos admitidos pela empresa. Este requisito, no entanto, não foi cumprido pela contribuinte, conforme atestou a fiscalização, que ressaltou irregularidades quanto à: a) falta de comprovação de supervisão dos estagiários; b) não apresentação de plano de estágio; c) remuneração vinculada a cumprimento de metas; d) desempenho de atividades meramente burocráticas; d) Cita o art. 28, §9o., "i", da Lei no. 8.212, de 24 de julho de 1991, ressaltando que o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição os valores relativos a bolsa paga ao estagiário. Porém, elencou alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos não sejam considerados saláriodecontribuição, ou seja, devem observar os elementos definidos na Lei no. 6.494, de 1977. Este requisitos, no entanto, Fl. 716DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 717 8 não foram cumpridos no caso dos autos, conforme detalhado anteriormente, tendo em vista as irregularidades apontadas pela fiscalização na relação de estágio. Com efeito, verificase que a verba relativa a bolsa de estágio não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, sendo que a isenção atinge apenas os valores pagos a titulo de bolsa de complementação educacional de estagiário, em estrita observância à Lei no. 6.494, de 1977. No caso, o contribuinte não comprovou a matricula e frequência dos estagiários em instituições de ensino, conforme exige a lei. Além do descumprimento deste requisito legal, a fiscalização ainda constatou as seguintes irregularidades: falta de comprovação de supervisão dos estagiários; não apresentação de plano de estágio; remuneração vinculada a cumprimento de metas e desempenho de atividades meramente burocráticas; e) Não basta a mera exibição do Termo de Compromisso para afastar as verbas pagas a título de bolsa de estágio da incidência da contribuição previdenciária. Não é isso que está previsto na lei. É preciso que todos os requisitos sejam cumpridos cumulativamente. Impor tais obrigações apenas à instituição de ensino e ao órgão interveniente seria contrariar o espírito da relação de estágio e impor obrigações a apenas algumas partes, o que vai de encontro à própria natureza do instrumento firmado (convênio). Assim, uma vez caracterizado o descumprimento da Lei no. 6.494, de 1977, correta a exigência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos à titulo de bolsa de estagio; f) A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse beneficio conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I. Portanto, a interpretação da norma isentiva não permite incluir nela situações ou pessoas que não estejam expressamente previstas no texto legal instituidor, em face da literalidade em que deve ser interpretada. Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Desse modo, caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela referente a bolsa de estágio incondicionalmente, não teria feito expressa referência à Lei no. 6.494, de 1977, cujos requisitos devem ser observados e comprovados pelo contribuinte; g) Convém registrar que a Lei n ° 10.243, de 2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é especifica. O art. 458 da CLT referese ao salário para efeitos trabalhistas. Para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, §9o., da Lei n° 8.212/91, conforme demonstrado. A prova mais robusta de que a verba para efeito previdenciário não coincide com a verba para incidência de direitos trabalhistas, é fornecida pela própria Constituição Federal. Conforme o art. 195, § 11, da Carta Magna, os ganhos habituais do empregado, a qualquer titulo, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. Desse modo, pela singela leitura do texto constitucional possível afirmar que para efeitos previdenciários foi alargado o conceito de salário. Desse modo, não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, deve persistir o lançamento; Assim, requer que seja conhecido e provido o Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, mantendose o lançamento em sua integralidade. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 718 9 Após a ciência da autuada em 28/06/2017 (efls. 616/617), esta, em 11/07/2017 (efl. 618), apresentou contrarrazões de sua iniciativa, de efls. 620 a 643, onde: a) Alega que o REsp aviado pela PFN não se volta contra o principal fundamento que norteou, de fato e de direito, o provimento do Recurso Voluntário, qual seja: as obrigações tidas por descumpridas em relação aos estagiários não competem à Recorrida, o que, aliás, consta do próprio TVF. O Recorrido, em verdade, deu provimento ao Recurso Voluntário justamente por reconhecer que nenhum dos pretensos fundamentos da autuação consubstanciaria obrigação descumprida pela Recorrida, destacando uma série de elementos que corroborariam a improcedência da pretensão fiscal; b) É evidente que as alegações fazendárias tecidas no RESP não teriam o condão de alterar a conclusão da improcedência da autuação, pois tocam pontos periféricos do decisum que poderiam até ser considerados obter dictum no contexto global do v. Acórdão Recorrido. Com efeito, estando comprovado que o Acórdão Recorrido julgou o caso à luz da Lei n° 6.494, de 1977 e reputou não competir à Recorrida as obrigações tidas por descumpridas pela autuação, é fato que não alteraria o resultado de julgamento (i) o afastamento do Princípio da Retroatividade Benigna em relação à Lei n° 11.788/08, que revogou a Lei n° 6.494/77; (ii) o entendimento pela necessidade de comprovação da frequência escolar; c) Aliás, em relação ao quesito da comprovação de frequência escolar, além de não se tratar de obrigação da Recorrida, nos termos da Lei n° 6.494, de 1977, o Acórdão Recorrido reputou comprovado in casu, diante do Convênio firmado, bem como em função dos Termos de Compromisso, dos relatórios de estágio e de toda a documentação fornecida, cujo pressuposto é o estado de matriculado dos estagiários, bem como diante da ausência de prova em contrário por parte da Fiscalização. Notese que tal quesito é suscitado pela PGFN não para convencer este Colegiado de que não haveria comprovação de matrícula dos estagiários, mas, apenas e tão somente, com a intenção de gerar dúvida sobre a sua existência. Diante disso, tem se que as razões arguídas pela PGFN à reforma do Acórdão Recorrido não seriam suficientes a tal fim, dado que os Julgadores a quo adotam outras e mais amplas premissas que manteriam o resultado tal como vazado. Assim, diante da evidente falta de interesse processual da Recorrente neste quesito, não merece ser conhecido o REsp aviado pela PFN.; d) Importa notar que o Acórdão Recorrido pautouse na detida análise do caso concreto, sopesando os motivos da autuação e os argumentos e provas colacionados pela ora Recorrida, para concluir pela improcedência das acusações fiscais. Tal fato demonstra de per se o descabimento do REsp da PGFN por ausência de paradigmas similares e entendimento divergente, não apenas pela dificuldade de se identificar autuação e julgado similares em tamanha complexidade fática, mas também, e principalmente, porque se reconhece in casu a diligência da Recorrida nas obrigações que lhe competiam, bem como a improcedência da acusação fiscal ao reputar descumpridos certos requisitos legais que não competiam à Recorrida. Em outras palavras, o Acórdão Recorrido adentrou aos detalhes do caso concreto para reconhecer que as acusações fiscais não refletem a realidade dos fatos, seja porque a Recorrida observou e cumpriu com a Lei no 6.494, de 1977, seja porque não poderia ser responsabilizada por eventual descumprimento de obrigação de terceiros, tal como da Instituição de Ensino, que ocupa importante posição na relação de estágio. Já se viu quais foram os fundamentos da autuação e do Acórdão Recorrido. Em contrapartida, a denotar a absoluta dessemelhança fática, cita as razões fáticas e jurídicas que lastreiam os alegados acórdãos paradigmas. Fl. 718DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 719 10 d.1) A UMA, vejase que nenhum dos acórdãos encimados toca nas matérias de "titularidade das obrigações tidas por descumpridas" e "comprovação do cumprimento das tarefas legais da unidade concedente", as quais foram basilares na compreensão e no julgamento do caso concreto, por meio do Acórdão Recorrido, fato esse que torna insuscetíveis de comparação os julgados, mormente para fins de Recurso Especial. d.2) A DUAS, os julgados encimados registram, e de forma reiterada, a ausência de provas por parte dos contribuintes em face das acusações fiscais, o que levou os Julgadores a forma convicção de que, de fato, os pagamentos autuados se afiguraram salário de contribuição na constância de vínculo empregatício. Já in casu a produção de provas e argumentos foi identificada. e valorada pela Turma "a quo", dando ao caso concreto o devido tratamento legal a si aplicável, mediante o cancelamento da autuação, dada a higidez da relação de estágio que motivou os pagamentos autuados. Também isso torna insuscetíveis de comparação os julgados, mormente para fins de Recurso Especial. d.3) A TRÊS, notese que os acórdãos encimados sequer discutem de forma detida, tampouco amparam o argumento fazendário de que a autuação haveria de ser mantida por pretensa ausência de acompanhamento, de orientação e de avaliação de estágio, e de evidenciação de frequência escolar e matrícula dos estagiários na Instituição de Ensino. E por que não trataram disso? Por total carência de provas por parte dos contribuintes, segundo consta dos arestos. E, no caso do Acórdão no. 2402002.826 (caso "IGATA"), sequer a autuação recai sobre bolsa auxílio de estagiários, mas sim sobre "cartão de incentivos', o que corrobora sua imprestabilidade à rediscussão do v. atesto vergastado in casu. É dizer NÃO HÁ ADERÊNCIA ENTRE os JULGADOS, SEJA QUANTO AOS FATOS, SEJA QUANTO AO ENTENDIMENTO. Notese que uma leitura apressada dos pretensos paradigmas poderia induzir o erro de que haveria alguma identidade, mas a sua ausência fica clara quando se percebe que tais julgados se limitaram a interpretar a lei em tese, talvez por falta de provas por parte dos contribuintes, enquanto que o Acórdão Recorrido analisou fatos e os submeteu à subsunção legal, concluindo, de forma natural, pela improcedência dos lançamentos. e) Ora, é cediço que a configuração da divergência jurisprudencial pressupõe que as decisões ditas conflitantes se reportem à mesma circunstância fática. Ou seja, somente podese falar em dissídio jurisprudencial quando diferentes julgadores, diante de circunstâncias fáticas similares, apresentam entendimentos divergentes, o que, como visto à saciedade, não ocorre in casu, notadamente quanto à discussão da aplicabilidade ou não da retroatividade benigna do art. 106 do CTN. Resta claro, portanto, o descumprimento do caput do art. 67 do RICARF, que prescreve o mais essencial dos pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial, que é a identidade fática e a interpretação divergente de lei tributária, comprovada por meio de acórdão paradigma apto. E, com relação à matéria de retroatividade benigna da Lei no 11.788, de 2008, a PGFN não apresenta acórdão paradigma para subsidiar tal argumento e tampouco o ponto foi motivo de decidir do v. aresto recorrido, desrespeitando o caput do 67 do RICARF. Assim, tendo em vista que a Procuradoria não demonstrou a existência de interpretação divergente da lei tributária, por meio da apresentação de acórdão paradigmático, na forma do caput do at. 67 do RICARF, não deve ser conhecido o RESP contrarrazoado, quanto ao ponto da retroatividade benigna; f) Outrossim, é fato que a irresignação da PGFN, in casu, decorre de clara pretensão de rediscutir matéria fáticoprobatória, o que não se admite nesta via especial, impedindo, portanto, o conhecimento do RESP aviado. A questão que se impõe é bem clara: a pretensão recursal demanda que se revisite toda sorte de documentos e subsídios carreados aos Fl. 719DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 720 11 autos, bem como a sua rediscussão, extrapolando, portanto, o plano do direito, o que não cabe nesta via especial. Com efeito, a PGFN busca rediscutir o conjunto probatório constante dos autos, em busca de uma nova análise por esta CSRF. É cediço não caber, nesta via especial, a discussão sobre os fatos alegados no curso da lide administrativa, sendo claro que, a pretensão da PFN colide com a referendada Súmula n° 7 do STJ. g) Assim como consolidado na Súmula encimada, a CSRF não pode declinar se sobre o conjunto probatório presente nos autos, pois vai contra o seu mister, de âmbito de discussão de questões jurídicas, de direito, sendo certo que, a avaliação probatória, no âmbito do CARF, vai até a segunda instância. Aplicandose tal entendimento no presente caso, vêse que a PGFN demanda, em seu Recurso, que esta CSRF realize o reexame todo o conjunto probatório do caso, sugerindo, talvez, ter havido um julgamento errôneo das provas por parte da Câmara a quo, o que não ocorreu neste caso. Portanto, não pode ser conhecido o Recurso Especial ora contrarrazoado, também por afrontar a Súmula STJ n° 7; h) o dissídio jurisprudencial objeto do Recurso Especial deve ser cabalmente evidenciado, a partir da indicação analítica dos pontos divergentes, para, somente então, ter seu mérito conhecido. Sendo o cotejo analítico entre acórdão recorrido e paradigmas elemento essencial para a caracterização do dissídio jurisprudencial, o Recurso Especial que não se desincumbir do ônus imposto pelo art. 67, § 8o, do RICARF 2009, não pode ser conhecido. Ou seja, não obstante o esforço da Procuradoria, o seu Recurso limitase à mera transcrição da ementa e alegações do que trataria os acórdãos paradigmas, os quais não se prestam a evidenciar a similitude fática, tampouco a divergência entre os acórdãos. Importa lembrar que a CSRF já consolidou seu entendimento no sentido de que o REsp, para ser conhecido, deve proceder ao cotejo analítico entre acórdãos recorrido e paradigmas, sendo que, para tanto, é insuficiente mera transcrição de ementa das decisões paradigmáticas, se desacompanhada de análise comparativa substancial. Assim, tendo em vista que a Procuradoria não demonstra a correlação na matéria debatida em seu Recurso de modo analítico, tal qual preceitua o artigo 67, § 6o, do RICARF 2009, a sua irresignação não merece ser conhecida, tal como asseverado no Despacho de Inadmissibilidade (sic); i) Quanto ao mérito, entende que a caracterização do estágio é certa, tanto com fulcro na Lei n° 6.494, de 1977, como na Lei n° 11.788, de 2008, notadamente diante do conjunto probatório apresentado pela ora Recorrida, comprovando o cumprimento dos requisitos da Lei n° 6.494, de 1977, inexistindo vínculo empregatício entre a Recorrida e os estagiários. Cita o art. 3o, da Lei n° 6.494,de 1977, para defender que, uma vez que a Recorrida apresentou os Termos de Compromisso firmados com os estagiários, inclusive, todos com interveniência do Centro de Integração Empresa Escola ("CIEE"), conforme reconhecido pela própria Autoridade Administrativa no Relatório Fiscal que acompanha os AIs, temse que a Recorrida cumpriu o requisito necessário para a realização do estágio; j) Cita, ainda, os art. 5o. do Decreto 87.497, de 1982, para argumentar que resta patente que a existência do Termo de Compromisso celebrado entre o estudante o cedente, com a supervisão da Instituição de Ensino, constitui prova bastante e suficiente da inexistência de vínculo empregatício. Nesse sentido, inclusive, jurisprudência deste CARF a propósito. k) Destarte, resta patente que os estágios curriculares fornecidos pela Recorrida estão em perfeita consonância com as determinações legais, bem como que a Recorrida cumpriu todos os requisitos formais e materiais previstos na Lei n.° 6.494, de 1977, Fl. 720DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 721 12 revelandose, assim, absolutamente improcedente a pretensão da Autoridade Fiscal. Além disso, a Recorrida cumpriu os demais requisitos formais e materiais indicados na Lei n.° 6.494, de 1977, pois, além dos Termos de Compromisso firmados, todos os estagiários indicados no auto de infração frequentam cursos de educação superior; a Recorrida possui condições de proporcionar a experiência prática necessária na linha de formação do estagiário, sendo certo que o estágio propicia a complementação do ensino e da aprendizagem do estudante, planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos. E mais, todas as informações e relatórios acercados estagiários foram devidamente encaminhados às Instituições de Ensino e/ou ao CIEE, sendo certo que à Recorrida não cabe a guarda deste material, até porque, muitas vezes, os mencionados relatórios são enviados via digital, ficando disponíveis em sistema por apenas seis meses; l) Ademais, caso os programas de estágio não estivessem em conformidade com as condições estabelecidas pela lei e pelas instituições de ensino, as mesmas já teriam se pronunciado, solicitando que a Recorrida tomasse as providências cabíveis no sentido de regularizar a situação, haja vista serem as responsáveis pelos estágios, consoante inteligência do artigo 2o., do Decreto n.° 87.497, de 18 de agosto de 1982. Portanto, os elementos de prova demonstrados pela Recorrida são hábeis e suficientes para a comprovação das atividades de estágio exercidas; Pugna, assim, inicialmente, pelo não conhecimento do REsp aviado pela PGFN e, subsidiariamente, no mérito, pelo seu desprovimento, mantendose o Acórdão Recorrido na parte em que vergastado. É o relatório. Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignado AD HOC para formalização do voto. Pelo fato de o ConselheiroRelator Heitor de Souza Lima Junior não mais compor o colegiado em função do encerramento do seu mandato, eu, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, nomeada para formalização, reproduzo a seguir o voto por ele encaminhado na sessão de julgamento. Considerando que eu (Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), como redatora adhoc, fui designada apenas para a formalização do voto, deixo consignado que embora tenha acompanhado o relator, não me vinculo a todas os fundamentos por ele adotados em seu voto. Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator 1. Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, o Recurso atende a este requisito de admissibilidade. Passo, assim, a analisar as óbices quanto ao conhecimento levantadas sem sede de contrarrazões (itens 12 a 53 de efls. 624 a 635). Fl. 721DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 722 13 Inicialmente quanto à óbice levantada pela contraarrazoante de inexistência de interesse processual da PGFN (itens 12 a 21 de contrarrazões), entendo não lhe assistir razão. Explico. Nítido, em meu entendimento, que a Fazenda Nacional aduz, em seu Recurso de efls. 570 a 597 e anexos, tese jurídica que seria suficiente, sim, à manutenção do lançamento, na medida em que: a) Uma vez afastada a aplicação retroativa da lei no. 11.788, de 2008, e b) caracterizada violação pelo autuado da Lei no. 6.494 de 1977, pela não manutenção dos comprovantes de matrícula e de frequência de seus estagiários, (independentemente da existência do Convênio com a CIEE, que não é mencionado no Recurso) se atinge sim, pelo Recurso, o ponto fulcral de descumprimento de obrigação legal de responsabilidade do contribuinte consoante pode ser confirmado às efls. 593 a 596 do Recurso Fazendário. Notese que, afastada a referida retroatividade e uma vez adotada a tese propugnada pela Recorrente, restaria escorreito o lançamento Por fim, em sede de conhecimento, não deve se manifestar este Colegiado acerca de eventual improcedência de alegação por insuficiência de provas, a ser analisada somente quando do mérito recursal caso o Recurso reste regularmente admitido. Afastada tal óbice inicial, passo, agora, à análise de existência de similitude fática e existência de divergência interpretativa (óbices em itens 22 a 38 de contrarrazões, às e fls. 627 a 631). De se notar, a propósito que o Recurso Fazendário de efls. 570 a 597, contrariamente ao afirmado pelo contraarrazoante não possui, no presente caso, qualquer item específico relativo à aplicação do Princípio da Retroatividade Benigna, o qual é tratado conjuntamente com a matéria litigada, referente à caracterização de estagiários como empregados. Quanto à alegada inexistência de similitude fática entre recorrido e paradigmas, com o devido respeito ao argumento tecido pelo contrarrazoante, cediço que se está diante de situação fática notadamente semelhante no caso do primeiro paradigma (Acórdão 2302001.162), onde se conclui, pela necessidade, à luz do disposto na Lei no. 6.494, de 1977, de manutenção, pelo autuado (e não por terceiros) de comprovantes de frequência escolar (conforme citado às efls. 18/19 do primeiro acórdão paradigma), apesar de também ali existir convênio realizado com a mesma instituição dos presentes autos (CIEE) para fins de contratação do estágio. Assim, transmudado o caso concreto para o Colegiado paradigmático, não havendo a apresentação de tais elementos, restaria rejeitada a exclusão tencionada pelo autuado, em linha com a glosa realizada pela autoridade fiscal e em posição divergente do Colegiado a quo. Caracterizada, assim, a existência de divergência interpretativa, Quanto à óbice em sede de conhecimento levantada pelo contribuinte de se estar a tratar aqui de revaloração probatória (itens 39 a 46 de efls. 631/632), entendo que se está, no pleito, diante de questão notadamente jurídica, no que diz respeito ao ônus probatório a ser suportado pela instituição concedente de estágio, para fins da fruição da exclusão dos valores pagos a titulo de estágio da incidência sobre contribuições previdenciárias e à suficiência dos termos de compromisso como elemento de prova. Especificamente quanto ao item supra, ressalto que, neste cenário, não há que se falar em revaloração probatória, mas simplesmente de estabelecer o ônus probatório do qual se deve desincumbir o contribuinte (questão notadamente jurídica), limitandose, a partir daí, o Fl. 722DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 723 14 julgado à aplicação da tese vencedora ao caso concreto, levando, sim, em consideração as provas constantes dos autos, mas sem revalorálas. Finalmente, quanto à suposta inexistência de cotejamento analítico (itens 47 a 53 de contrarrazões), entendo não haver reparos a fazer à análise de efls. 598 a 610, tendo a Fazenda se desincumbido satisfatoriamente do requisito Regimental, mais especificamente no item III de seu pleito, constante de efls. 573 a 590. Assim, a partir do acima disposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e passo à sua análise de mérito. 2. Quanto ao mérito Caracterização de Segurado Empregado Estagiário: Inicialmente, incontroversa, a esta altura, em meu entendimento a inaplicabilidade da retroatividade benigna e, consequentemente, da Lei no. 11.788, de 2008, aos presentes autos para fins de caracterização da relação de estágio/vínculo empregatício, uma vez que o contribuinte a reconhece como inaplicável expressamente em sede de contrarrazões, por força de sua interpretação da decisão recorrida, verbis: 36. E, com relação à matéria de retroatividade benigna da Lei no. 11788/08, a D. PGFN não apresenta acórdão paradigma para subsidiar tal argumento e tampouco o ponto foi motivo de decidir do v. aresto recorrido (grifei). Assim, de se analisar o cumprimento ou não dos requisitos para fins da exclusão tencionada à luz da Lei no. 6.494, de 1977. Adentrando o caso, rezava a propósito o já mencionado art. 28, §9o., "i", da Lei no. 8.212, de 1991: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; (...) Por sua vez a mencionada Lei no. 6.494, de 1977, assim estabelecia : Art. 1º As pessoas jurídicas de Direito Privado, os órgãos de Administração Pública e as Instituições de Ensino podem aceitar, como estagiários, os alunos regularmente matriculados em cursos vinculados ao ensino público e particular. (Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) §1o Os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível Fl. 723DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 724 15 médio ou superior ou escolas de educação especial. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16441, de 2001) §2º o estágio somente poderá verificarse em unidades que tenham condições de proporcionar experiência prática na linha de formação do estagiário, devendo o aluno estar em condições de realizar o estágio, segundo o disposto na regulamentação da presente lei. (Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) §3º Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares. (Incluído pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) Art. 2º O estágio, independentemente do aspecto profissionalizante, direto e específico, poderá assumir a forma de atividade de extensão, mediante a participação do estudante em empreendimentos ou projetos de interesse social. Art. 3º A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, como interveniência obrigatória da instituição de ensino. § 1º Os estágios curriculares serão desenvolvidos de acordo com o disposto no § 3° do art. 1º desta lei. (Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) § 2º Os estágios realizados sob a forma de ação comunitária estão isentos de celebração de termo de compromisso. Art. 4º O estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza e o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada, ressalvado o que dispuser a legislação previdenciária, devendo o estudante, em qualquer hipótese, estar segurado contra acidentes pessoais. Art. 5º A jornada de atividade em estágio, a ser cumprida pelo estudante, deverá compatibilizarse com o seu horário escolar e com o horário da parte em que venha a ocorrer o estágio. Parágrafo único. Nos períodos de férias escolares, a jornada de estágio será estabelecida de comum acordo entre o estagiário e a parte concedente do estágio, sempre com interveniência da instituição de ensino. Por sua vez estabelecia o Decreto no. 87.497, de 1982, regulamentador da Lei no. 6.494, de 1977: Art . 1º O estágio curricular de estudantes regularmente matriculados e com freqüência efetiva nos cursos vinculados ao ensino oficial e particular, em nível superior e de 2º grau regular e supletivo, obedecerá às presentes normas. Art . 2º Considerase estágio curricular, para os efeitos deste Decreto, as atividades de aprendizagem social, profissional e cultural, proporcionadas ao estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho de seu meio, sendo realizada Fl. 724DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 725 16 na comunidade em geral ou junto a pessoas jurídicas de direito público ou privado, sob responsabilidade e coordenação da instituição de ensino. Art . 3º O estágio curricular, como procedimento didático pedagógico, é atividade de competência da instituição de ensino a quem cabe a decisão sobre a matéria, e dele participam pessoas jurídicas de direito público e privado, oferecendo oportunidade e campos de estágio, outras formas de ajuda, e colaborando no processo educativo. Art . 4º As instituições de ensino regularão a matéria contida neste Decreto e disporão sobre: a) inserção do estágio curricular na programação didático pedagógica; b) cargahorária, duração e jornada de estágio curricular, que não poderá ser inferior a um semestre letivo; c) condições imprescindíveis, para caracterização e definição dos campos de estágios curriculares, referidas nos §§ 1º e 2º do artigo 1º da Lei nº 6.494, de 07 de dezembro de 1977; d) sistemática de organização, orientação, supervisão e avaliação de estágio curricular. Art . 5º Para caracterização e definição do estágio curricular é necessária, entre a instituição de ensino e pessoas jurídicas de direito público e privado, a existência de instrumento jurídico, periodicamente reexaminado, onde estarão acordadas todas as condições de realização daquele estágio, inclusive transferência de recursos à instituição de ensino, quando for o caso.(grifei) Art . 6º A realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza. § 1º O Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício. § 2º O Termo de Compromisso de que trata o parágrafo anterior deverá mencionar necessariamente o instrumento jurídico a que se vincula, nos termos do artigo 5º. § 3º Quando o estágio curricular não se verificar em qualquer entidade pública e privada, inclusive como prevê o § 2º do artigo 3º da Lei nº 6.494/77, não ocorrerá a celebração do Termo de Compromisso. Art . 7º A instituição de ensino poderá recorrer aos serviços de agentes de integração públicos e privados, entre o sistema de ensino e os setores de produção, serviços, comunidade e Fl. 725DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 726 17 governo, mediante condições acordadas em instrumento jurídico adequado. Parágrafo único. Os agentes de integração mencionados neste artigo atuarão com a finalidade de: a) identificar para a instituição de ensino as oportunidades de estágios curriculares junto a pessoas jurídicas de direito público e privado; b) facilitar o ajuste das condições de estágios curriculares, a constarem do instrumento jurídico mencionado no artigo 5º; c) prestar serviços administrativos de cadastramento de estudantes, campos e oportunidades de estágios curriculares, bem como de execução do pagamento de bolsas, e outros solicitados pela instituição de ensino; d) coparticipar, com a instituição de ensino, no esforço de captação de recursos para viabilizar estágios curriculares. Feita tal digressão, com a devida vênia ao entendimento manifestado pelo Colegiado a quo, entendo que, com fulcro no estabelecido no art. 28, §9o., "i", da Lei no. 8.212, de 1991, a referida Lei no. 6.494, de 1977, na forma do seu art. 1o, §§1o., 2o. e 3o., estabelece condições a meu ver a serem necessariamente cumpridas e que perpassam a simples celebração do Termo de Compromisso, dependendo a exclusão da base de cálculo das contribuições da efetiva comprovação, pela concedente, de todos os requisitos estabelecidos, uma vez que é a concedente a beneficiária da exclusão, cabendo a esta, assim, comprovar o fato constitutivo de seu direito àquela, prevista na referida alínea "i", afastando, assim, a relação de emprego. No que tange à efetiva comprovação do atendimento ao disposto nos §§1o., 2o. e 3o. do art. 1o da Lei no. 6.494, de 1977, à luz do referido Regulamento, acedo aqui ao posicionamento brilhantemente esposado pelo Conselheiro Arlindo da Costa e Silva no âmbito do Acórdão no. 2401004.286, visto refletir, também, meu posicionamento acerca do tema, verbis: (...) De acordo com a legislação de regência, a caracterização de estagio curricular depende da celebração de Termo de Compromisso entre o Estudante e o Concedente, com a interveniência da Instituição de Ensino, o qual termo constituirá comprovante exigível da inexistência de vínculo empregatício. Com efeito, é através do reexame periódico do citado instrumento jurídico que as autoridades competentes, dentre as quais os auditores fiscais federais, podem sindicar se a relação jurídica estabelecida inicialmente entre estagiário e as empresas continuam atendendo aos requisitos essenciais da inexistência de vínculo empregatício, ou, no caso da legislação previdenciária, se o valor auferido pelo estagiário ainda reúne as condições indispensáveis para se subsumir à hipótese de não incidência prevista na alínea “i” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. (...) Fl. 726DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 727 18 Em consonância com o regime jurídico ora vigente, a caracterização de inexistência de vínculo empregatício entre o estagiário e a empresa depende do adimplemento cumulativo dos seguintes requisitos essenciais: § Comprovação de matrícula e frequência regular do educando em curso de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino; § Comprovação da celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino; § Comprovação da compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso; § Comprovação do acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, mediante vistos nos relatórios de atividades do educando, apresentados periodicamente em prazo não superior a 6 (seis) meses, e por menção de aprovação final.”(grifei) Aplicando tais considerações especificamente quanto ao caso sob análise, entendo que, uma vez tendo se limitado a concedente a apresentar os Termos de Compromisso de Estágio sem qualquer comprovação de matrícula e frequência regular e de compatibilidade de atividades e acompanhamento efetivo, não se desincumbiu aquela concedente satisfatoriamente do ônus supra, qual seja, de comprovação de cumprimento dos requisitos estabelecidos nos §§1o., 2o. e 3o. do art. 1o da Lei no. 6.494, de 1977, à luz do referido Decreto regulamentador, que restaram, assim, violados, alinhandome aqui ao entendimento da autoridade julgadora de 1a. instância, cujo excerto abaixo é adotado aqui como razão de decidir adicional quanto à matéria: (...) Cabe observar, no caso, que a atividade do estagiário revestese, em princípio, de pessoalidade, de subordinação, de não eventualidade e de onerosidade, características inerentes a uma relação de emprego, mas que a legislação previdenciária isenta os valores percebidos pelos estagiários quando obedecidas as exigências previstas na Lei n.° 6.494/77, (...) (...) É de se ressaltar, aqui, que, caso a empresa não demonstre o atendimento dos requisitos formais e materiais da Lei n.° 6.494, de 07/12/1977, os valores percebidos pelos estagiários serão tributados, sofrendo a incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros, com a sua caracterização como segurados empregados. (...) Fl. 727DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 728 19 Assim, não é qualquer pagamento a estagiário que irá resultar em isenção das contribuições previdenciárias e de terceiros, mas apenas aqueles que forem realizados em observância à Lei n.° 6.494/77, sendo que a prova de que a relação com o estudante respeita os pressupostos da Lei do Estágio é do contribuinte, não do Fisco. É do contribuinte, porque o estágio remunerado possui os pressupostos da relação de emprego. (...) Transcrevese, a seguir, entendimento jurisprudencial que abarca a matéria e solidifica a certeza de que cabe à concedente de estágio o ônus de comprovar a regularidade do estágio realizado dentro de seu estabelecimento, com o seu enquadramento nos preceitos da Lei n.° 6.494/77, sob pena de serlhe atribuída a condição de relação de emprego e a correspondente vinculação previdenciária do estagiário. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BOLSAS DE TRABALHO. ÔNUS PROBATÓRIO ART. 333,I DO CPC. I. No intuito de incidência da legislação que regra o estágio de estudantes de estabelecimentos de ensino superior, a situação fálica vivenciada pelas instituições educacionais deveria enquadrarse nos preceitos da Lei n°6.494/77. 2. A parte autora não logrou êxito ao demonstrar o cumprimento das normas legais, ônus probatório que lhe incumbia (art. 333, I do CPC), 3. Não caracterizada a atividade como estágio, configurase os elementos fálicos que tipificam a relação de emprego, e, consequentemente, passível de incidência de contribuição previdenciária. (AC APELAÇÃO CÍVEL; Processo n.° 200304010059570/SC; TRF4 —Tribunal Regional Federal da 4" Região — Primeira Turma; Relatora Maria Lúcia Luz Leiria; DJ de 14/07/2004). TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BOLSAS DE ESTUDO. RELAÇÃO DE EMPREGO. 1. Para que incidisse a legislação que dispõe sobre o estágio de estudantes de estabelecimentos de ensino superior, deveria a hipótese vertente se amoldar aos preceitos da Lei n°6.494/77. 2. A embargante não logrou infirmar a situação fática constatada pela fiscalização previdenciária, que evidenciou não se tratar efetivamente de bolsas de estudos, mas de gratificações a funcionários ou retribuição por serviços prestados em atividades cotidianas, com subordinação e horários estabelecidos pela Universidade. 3. Restando desvirtuadas as finalidades visadas pela Lei n° 6.494/77, pois os bolsistas prestavam atividades inseridas nos fins próprios e inerentes da Universidade, como verdadeiros Fl. 728DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 729 20 empregados, não se caracterizando a relação como de aprendizagem profissional e de complementaridade entre os conhecimentos ministrados na instituição de ensino e os praticados, são devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a título de "bolsas de estudos". (EIAC EMBARGOS INFRINGENTES NA APELAÇÃO CÍVEL; Processo n.° 199804010661910/RS; TRF4 — Tribunal Regional Federal da 4' Região — Primeira Seção; Relator Wellington Mendes de Almeida; DJ de 13/11/2002) Cumpre esclarecer que, ao contrário do que entende a impugnante, a simples apresentação de Termos de Compromisso de Estágio celebrados com os estudantes não constitui prova suficiente da inexistência de vínculo empregatício. Não basta a apresentação, pela empresa, destes Termos, para comprovar a regularidade dos estágios. É inadmissível prosperar a tese de que, uma vez contratado o estudante, com a formalização de Termo de Compromisso de Estágio, nenhuma outra providência ou controle viesse a ser exercido pela concedente do estágio ou exigido dela. A existência dos referidos Termos de Compromisso não constitui condição suficiente, mas apenas necessária para descartar o vínculo empregatício.(grifei) Deve ser observado, aqui, o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal, no qual o que prevalece é a realidade fática sobre a realidade formal. Em outras palavras, tais Termos de Compromisso só descaracterizam a relação de emprego quando observados todos os preceitos da Lei n.° 6.494/77, que foi regulamentada pelo Decreto n.° 87.497/82, o que não ocorreu no presente caso. Cabe observar que não procede a alegação da impugnante no sentido de que não caberia a ela a guarda e a apresentação da documentação solicitada pela fiscalização, mediante TIAD (Termo de Intimação para Apresentação de Documentos), referente a outros relatórios e informações acerca dos estagiários que não os Termos de Compromisso de Estágio retro mencionados, uma vez que tais documentos constituem elementos probatórios das condições do estágio, sendo necessários para fins de comprovação do atendimento dos requisitos previstos na Lei n.° 6.494/77, sem a qual os estagiários são caracterizados como segurados empregados, com a integração das verbas pagas a eles ao saláriode contribuição, nos termos do artigo 28, parágrafo 9°, alínea "i" da Lei n.° 8.212/91, e dos artigos 9°, inciso I, alínea "h" e 214, parágrafo 9°, inciso IX do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Ressaltese que, no caso, de acordo com o Relatório Fiscal, diversos requisitos, formais e materiais, previstos na legislação específica (Lei n.° 6.494/77 e Decreto n.° 87.497/82), relativos Fl. 729DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 730 21 ao contrato de estágio, deixaram de ser cumpridos pela empresa concedente, conforme trecho a seguir transcrito. 5. PONTOS EM DESACORDO COMA LEGISLAÇÃO (...) Apesar de os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados nesta auditoria fiscal, quais sejam, falta de documentação correta; a não comprovação de que havia acompanhamento ou avaliação de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino; não apresentação de plano de estágio que o contratante deveria elaborar em conformidade com as respectivas faculdades; falta de comprovação da freqüência escolar; a remuneração vinculada a cumprimento de metas; os estudantes desempenhavam funções meramente burocráticas, estando afastados da finalidade do estágio, que é de aprimoramento e complementação do aprendizado escolar por meio da experiência prática.., são motivos para considerarmos os contratados na qualidade de estagiários corno empregados. (...) Não há que se falar em relação de estágio conforme a prevista na Lei n.° 6.494/77, uma vez que a realidade não se submete ao comando da norma escrita. No que tange ao relatório MAPE do estagiário Marcello Renato Souza, que cita em sua defesa e cuja cópia anexa aos autos, cabe observar que nele consta como data de admissão "20/02/2008", sendo que o período objeto deste AI é de 12/2002 a 08/2006, e que, ainda que fosse concernente ao presente lançamento e que, por hipótese, pudesse comprovar o planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação do estágio, não seria hábil a afastar esta autuação, uma vez que vários outros requisitos da legislação específica deixaram de ser atendidos pela empresa concedente, conforme se pode verificar no Relatório Fiscal.(grifei) É de se destacar, aqui, que o presente lançamento não foi fruto de uma simples interpretação econômica dos fatos, como alega a impugnante, tendo sido realizado, pela fiscalização, com base no disposto na Lei n.° 8.212/91, no RPS, aprovado Decreto n.° 3.048/99, na Lei n.° 6.494/77, no Decreto n.° 87.497/82, na Lei n.° 11.457/2007 e no Código Tributário Nacional, tendo sido observado, no caso, o princípio da legalidade. Ainda, acrescento, com a devida vênia ao entendimento manifestado pelo Colegiado a quo, que, na forma do art. 123 do CTN abaixo transcrito, entendo como inoponíveis ao Fisco os Convênios com a CIEE, de forma a sustentar eventual tese de que, por força dos referidos convênios, tivesse sido transferida a terceiros (que não são os beneficiários da referida exclusão) a responsabilidade pela comprovação do cumprimento das obrigações, repitase, estabelecidas por Lei, para fins de fruição do benefício da exclusão da base de cálculo. Como já tive oportunidade de mencionar, tal ônus, em meu entendimento, era do Fl. 730DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 731 22 autuado, visto se estar a tratar de fato constitutivo de seu direito à exclusão em questão, previsto no art. 28, §9o, "i", da Lei no. 8.212, de 1991, na forma regrada pelo art. 333, I do CPC, em linha com julgados oriundos do TRF4 já aqui reproduzidos. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Rejeita este relator, ainda, a vinculação deste Tribunal a julgados oriundos da Justiça do Trabalho (TST inclusive) que, notese, não tratam especificamente da incidência de contribuições previdenciárias e, consequentemente, da legislação tributária em análise (diferentemente dos julgados exemplificativos trazidos pela decisão de 1a. instância, que se amoldam perfeitamente à situação em litígio, visto que oriundos do TRF da 4a. Região). A propósito ainda, com a devida vênia a quem entende de forma diversa, não se buscou, através do lançamento tributário, nenhum tipo de "tutela" pela RFB da relação estagiárioautuado, mas tão somente verificar o cumprimento dos requisitos legalmente estabelecidos, a fim de que os pagamentos efetuados não compusessem a base de cálculo do tributo em análise (cuidandose, aqui, da relação fiscocontribuinte), daí a não vinculação, seja legal, ou mesmo material, a tais julgados oriundos da Justiça Trabalhista, esta, sim, responsável pela tutela jurídicolaboral. Quanto aos arts. 4o.e 5o. do Decreto 87.497, de 1982, faço notar que entendo que se está a tratar, ali, dos requisitos de natureza acadêmica, cuja regulamentação obviamente se remete às instituições de ensino e não às entidades concedentes, sem que, ressaltese, em nenhum momento nos referidos artigos, notese, se esteja a retirar qualquer ônus de comprovação da entidade concedente para fins de exclusão da incidência previdenciária. Devese, ainda, aqui, ressaltar que o §1o. do art. 6o. do mesmo diploma estabelece que o Termo de Compromisso é comprovante exigível para fins de que se afaste o vínculo empregatício, sem que tal fato acarrete, todavia, que a mera apresentação dos referidos Termos seja suficiente para afastamento do vínculo em situações onde, a exemplo do caso em questão, são carreados relevantes indícios no sentido da existência de tal vínculo. Oportuno, a propósito que se remeta aqui a tais indícios, constantes do Relatório Fiscal, mais especificamente às efls. 62 a 80, verbis: (...) 5. PONTOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO: (...) 5.1.1 Planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação. Está prevista na cláusula 53, alínea "a", a obrigatoriedade da Instituição de Ensino acompanhar, orientar e avaliar o estágio. Mesma exigência prevista no art. 1° da Lei n° 6.494/1977, a saber: Fl. 731DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 732 23 "§ 3° Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares". (grifo nosso) Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovados para esta Auditoria Fiscal tal planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação. 5.1.2 As atividades a serem desenvolvidas: Quanto às atividades destacadas em 3.2.1, não foram comprovadas para esta auditoria a execução das mesmas, ou seja, não existe documentação comprovando quais atividades os contratados desempenharam no período de contrato. Não foram apresentados relatórios de atividades desenvolvidas, apesar de serem atividades de execução e não de aprendizado. A alínea "e" da 3' cláusula dos termos que tratam das atividades dos estagiários contém atividades de execução, quais sejam, fazer atendimento a clientes, elaborar, calcular, estabelecer, redigir e selecionar dados e informações. Quando o objetivo do estagiário dentro da organização é o de aprender, conhecer, acompanhar e ter noções de elaboração, cálculos, redação e seleção de qualquer dado, informação, relatório e planilhas gerenciais entre outras atividades desenvolvidas dentro da organização. 5.2 Comprovação de freqüência escolar Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovadas, para esta auditoria, a freqüência e matrícula de nenhum dos contratados, conforme previsto no §1° do art. 1° da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977. 5.3 Supervisão do estágio Apesar de constar, em alguns acordos firmados, um empregado do Contribuinte como supervisor (a) do estágio, não foi comprovado nesta auditoria tal supervisão; ou seja, aspectos tais como ocorreu a supervisão, se ambos estavam no mesmo setor, subordinados às mesmas pessoas, departamento, seção ou agência. Dos contratados relacionados em "3.2" não consta nome de supervisor (a) para: Daniela Amaral Maia, Fabio Luiz Nery De Miranda, Felipe Giunte Yoshida, Fernanda Lomeu Gaudereto e Tatiana Da Silva É fundamental que o estágio atenda a todos os requisitos materiais e formais para a sua configuração, sem os quais ele se reverte em contrato de trabalho comum. Os estudantes deveriam auxiliar e não executar funções sem acompanhamento, ou seja, deveriam auxiliar um empregado nas suas funções; funções relacionadas com a formação do estudante. Inclusive o atendimento a esta auditoria fiscal foi, na maioria das vezes, realizado pelo estagiário Ricardo Gomes Munhoz, sem acompanhamento. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 733 24 Apesar de os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados nesta auditoria fiscal, quais sejam, falta de documentação correta; a não comprovação de que havia acompanhamento ou avaliação de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino; não apresentação de plano de estágio que o contratante deveria elaborar em conformidade com as respectivas faculdades; falta de comprovação da freqüência escolar; a remuneração vinculada a cumprimento de metas; os estudantes desempenhavam funções meramente burocráticas, estando afastados da finalidade do estágio, que é de aprimoramento e complementação do aprendizado escolar por meio da experiência prática conforme prevê o parágrafo 2°, artigo 1°, da Lei n. ° 6.494/77; são motivos para considerarmos os contratados na qualidade de estagiários como empregados. Logo, a força laborativa dos estudantes inseriuse habitualmente na atividade empresarial, com subordinação e onerosidade. (...) 8.1 Outros elementos de convicção (...) 8.1.5 Continuidade da contratação de estagiário Anteriormente à apresentação dos Acordos de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio relacionados em "3.2", o Contribuinte apresentou diversos Acordos de Cooperação e Termos de Compromisso de Estágio que foram firmados em período posterior ao auditado e, dentre eles, destacamos o firmado com o estagiário Ricardo Gomes Munhoz, com as mesmas características já mencionadas em "3.3", a saber: "Data de assinatura: 04/07/2007" "Cláusula 3a Ficam compromissadas entre as partes as seguintes CONDIÇÕES PARA A REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO": "Vigência de: 04/07/2007 até 31/12/2008". "Bolsa Auxílio mensal, inicial de: R$1.159,11 (UM MIL, CENTO E CINQÜENTA E NOVE REAIS E ONZE CENTAVOS)" "Atividades do Estágio": "Elaborar relatórios de contabilidade; acompanhar a elaboração de relatórios de análises gerenciais; elaborar planilhas de custos e despesas; auxiliar na elaboração de relatórios gerenciais". 8.1.5.1 Relatório de estágio Juntamente com o Acordo de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio, o Contribuinte anexou um Fl. 733DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 734 25 RELATÓRIO DE ESTÁGIO, referente a 11/2007, do estagiário Ricardo Gomes Munhoz. Este relatório, segundo informações do estagiário Ricardo Gomes Munhoz, é preenchido no site do CIEE pelo próprio estagiário. Deste relatório destacamos dois pontos que julgamos mais importantes: Texto no início do formulário, logo após a identificação do estagiário: "Caro Estagiário, o CIEE tem a responsabilidade de subsidiar as Instituições de Ensino com informações sobre o desenvolvimento e a evolução do seu estágio. Através deste instrumento estaremos auxiliando as Instituições de Ensino na supervisão e avaliação do estágio de seus alunos. Portanto, o preenchimento desse relatório é obrigatório, conforme consta na cláusula 7' do Acordo de Cooperação e o Termo de Compromisso de Estágio". Atividades de Estágio: As informações prestadas pelo estagiário foram: "Atendimento à fiscalização Receita Federal e Prefeituras. Controle e cadastro de Agências Filiais do Banco pelo país. Separar documentos para regularização de agências na Prefeitura". As atividades desenvolvidas não estão previstas no acordo assinado; não há indicação de supervisão ou avaliação. As atividades foram de execução, sendo, inclusive, esta Auditoria Fiscal atendida pelo estagiário Ricardo Gomes Munhoz que, na maioria das vezes, apresentavase sem a presença de empregado do Contribuinte; prestava e recebia esclarecimentos como se empregado fosse. Em 26/02/2008 o Sr. Ricardo utilizouse do endereço de email do Contribuinte (Sup. Impostos Riscos Fiscais JSMTP:sirfiscaisasantander.com.br para responder ao questionamento a cerca dos históricos no razão contábil apresentado (anexo no CD com nome @EmRicardo). Na maioria das vezes que compareci às instalações do Contribuinte, foi o estagiário Ricardo quem liberou para a recepcionista a minha entrada nas dependências do mesmo (anexada cópia de uma das liberações). Estes outros elementos de convicção demonstram que as atividades das pessoas contratadas como estagiárias, na verdade, são atividades destinadas a empregados, reconhecidos pela Justiça Trabalhista e, internamente por todos. (...)" Fl. 734DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 735 26 Diante do exposto, considerando: a) a não comprovação pelo autuado dos requisitos estabelecidos pela Lei no. 6.494, de 1977, mais especificamente em seu art. 1o, §§1o., 2o. e 3o., e que não se limitam ao Termo de Compromisso de Estágio (condição necessária mas não suficiente), simultaneamente à b) constatação de indícios que apontam para a existência de vínculo empregatício, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendose, assim, o lançamento, a partir da escorreita caracterização dos estagiários em análise como segurados. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignado AD HOC para formalização do voto. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 736 27 Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. A presente declaração tem por escopo apenas reforçar alguns pontos suscitados durante as discussões acerca da impossibilidade de formação de vínculo de emprego quando descumpridas as regras da lei de Estágio. Quanto a impossibilidade de formação de vínculo de emprego para efeitos previdenciários, confundese o sujeito passivo, quanto ao alcance do lançamento e sua fundamentação. Conforme trazido pela autoridade fiscal no lançamento, e reforçado no voto do ilustre conselheiro relator Heitor de Souza Lima Junior, é fato que a contratação de estagiários deuse de forma irregular. A lei 6.494/77, em seus primeiros artigos descreve a inexistência de vínculo de emprego entre a empresa concedente do estágio e o estagiário, todavia, também estabelece a caracterização de segurado obrigatório da previdência social quando descumpridas as regras da lei de estágio. Trouxe a autoridade fiscal em seu relatório, fls. 186 a 202, não apenas a análise da legislação, como também, elementos fáticos que demonstram quais os descumprimentos foram imputados ao sujeito passivo e que ensejaram o lançamento fiscal acerca da motivação do lançamento. 2. Dos Fatos Em auditoria fiscal realizada no Contribuinte acima identificado, mediante MPF também acima identificado, foi solicitado por Termo de Início de Ação Fiscal — TIAF e diversos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, documentos e esclarecimentos acerca da contratação de estagiários pelo contribuinte. Da documentação e esclarecimentos prestados, esta auditoria concluiu que as falhas existentes nesta contratação caracterizamna como uma relação de vínculo empregaticio. A caracterização deste vinculo empregatício está demonstrada, neste relatório, da seguinte forma: Em "3. DA CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS PELO CONTRIBUINTE" está relatado como se dá a relação do contribuinte com os estagiários quanto à documentação; Em "4. LEGISLAÇÃO SOBRE A CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS" está transcrita a legislação pertinente à contratação de estagiário; e, Em "5. PONTOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO" estão relacionados os pontos da relação contribuinte estagiário em desacordo com a legislação. Fl. 736DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 737 28 Em "6. Do VALOR APURADO" informações sobre como e quais valores foram calculadas as contribuições devidas. Em "7. DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO" a origem e o período que compõem o valor cobrado. Em "8. ELEMENTOS DE CONVICÇÃO" constam o documento onde Contribuinte relaciona beneficiários e valores, forma de contratação e informações diversas confirmando que os estagiários na verdade são empregados. Ou seja, sempre foram de responsabilidade da empresa concedente do estágio as obrigações inerentes ao cumprimento e acompanhamento do cumprimento do objetivo do estágio, qual seja, o exercício pelos alunos de atividades em empresas ou instituições com o objetivo de complementar a aprendizagem através da vivência no mundo do trabalho dos conteúdos obtidos em sala de aula, senão vejamos outro trecho do relatório fiscal, transcrevendo os termos do contrato de estágio : Cláusula 3' Caberá à Concedente de Estágio: a) "formalizar as oportunidades de estágio, em conjunto com o CIEE, atendendo as condições definidas pelas Instituições de Ensino para a realização dos estágios, identificando quais vagas devem ser trabalhadas em módulo de Processo Especial"; b) "receber os estudantes interessados e informar ao CIEE o nome dos aprovados para o estágio"; c) "assinar os documentos legais providenciados pelo CIEE, indicados na alínea "e" da cláusula 2a;" d) "cumprir todas as responsabilidades, como Concedente, indicadas nos Acordos de Cooperação e Termos de Compromisso de Estágio celebrado com os estagiários"; e) "efetuar o pagamento mensal das BolsasAuxílio, diretamente a seus estagiários"; f) "solicitar ao estagiário, a qualquer tempo, documentos comprobatórios da regularidade da situação escolar"; g) "informar ao CIEE, de imediato, sempre que identificada irregularidade na situação escolar de qualquer estagiário e toda vez que ocorrer rescisão antecipada de qualquer Termo de Compromisso de Estágio TCE, para as necessárias providências legais e interrupção dos procedimentos técnicos e administrativos a cargo do CIEE, quando for o caso"; h) "participar da sistemática de acompanhamento, supervisão e avaliação dos estágios, fornecendo para as Instituições de Ensino ou ao CIEE quando solicitado". Vejamos o conceito de estágio descrito na lei 6494/77, que é a norma vigente à época em que o contrato de estágio se desenvolveu: Fl. 737DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 738 29 O estágio é o procedimento formativo, de cunho didático pedagógico e articulado segundo projeto de planejamento institucional, que visa permitir ao estudante complementar a sua formação e compreender na prática os ensinamentos teóricos recebidos em sua vida escolar. Ademais, deixou muito bem consignado no relatório fiscal, não apenas os aspectos teóricos, mas especialmente os elementos de convicção que demonstram não apenas tratase de profissionalização de estudantes, mas utilização de mão de obra de forma irregular. senão vejamos, novamente, trechos dos relatórios: 3.2 — Depois de solicitado pelo Termo de Início de Ação Fiscal — TIAF e por diversos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, o Contribuinte apresentou diversos Acordos de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio, conforme previsto na alínea "e" da cláusula 2a do Convênio firmado com o CIEE, todos em arquivo formato pdf anexado ao presente Auto (multimídia que não permite regravação); referentes aos seguintes contratados: [...] 3.2.1 — Atividades a serem desenvolvidas constantes nos contratos relacionados em 3.2 são: Alessandro Analisar documentos para preparação de contratos, examinar processos diversos, organizar arquivos de processos e clientes, elaborar procurações para clientes, orientar clientes sobre direito administrativo. Ana Auxiliar na contabilidade do Banco;auxiliar nos serviços gerais da agência; auxiliar no autoatendimento; fazer atendimento aos clientes; fazer divulgação dos produtos da agência. Bruno Elaborar calendário de eventos; identificar eventos turísticos; auxiliar na promoção de visitas, congressos, exposições festivas e demais eventos; elaborar calendário de eventos. Carolina Orientar participantes de cursos e treinamentos; auxiliar na preparação de material para treinamento; preparar relatórios gerenciais; auxiliar na programação de treinamentos. Daniela Conforme plano de estágio apresentado pelo Banco à Instituição de ensino, nos moldes por ela estabelecidos. Fabio Conforme plano de estágio apresentado pelo Banco à Instituição de ensino, nos moldes por ela estabelecidos. Felipe A ser estabelecida pelo coordenador interno e orientador do estágio, estabelecerão o plano de trabalho. Fernanda Auxiliar na análise de indicadores econômicos; calcular taxas ou operações financeiras; orientar clientes sobre Fl. 738DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 739 30 produtos e serviços do banco; elaborar documentos relatório, planilhas ou formulários diversos. Leonardo Não menciona as atividades e prevê desconto do seguro item 6 Mariana Estabelecer crescimento de vendas por produtos; fazer divulgação técnica dos produtos; orientar clientes sobre produtos e/ou serviços de autoatendimento; fazer atualização dos dados cadastrais dos clientes. Ritiely Criar apresentações em Powerpoint; emitir documentos, relatórios, planilhas ou formulários diversos; fazer atualização dos dados cadastrais dos clientes; organizar documentos, prontuários e/ou registros diversos. Tatiana Conforme plano de estágio apresentado pelo Banco à Instituição de ensino, nos moldes por ela estabelecidos. Tiago Cadastrar novos clientes; estabelecer crescimento de vendas por produtos; analisar documentos para preenchimento do cadastro; prospectar clientes; operar terminais, ou pc, para processamento de informações; poderão ser realizadas outras atividades, a critério da supervisão do estágio. 3.2.2 O CIEE está como interveniente na maioria dos contratos, exceto nas seguintes contratações: Daniela Amaral Maia, Fabio Luiz Nery De Miranda, Felipe Giunte Yoshida, Leonardo Seiji Miyahara e Tatiana Da Silva; para os quais consta a respectiva faculdade como interveniente: 3.2.3 Consta nos respectivos termos urna previsão de reembolso de despesas extras na execução das atividades do estagiário, item 8 do termo, dos contratados Felipe Giunte Yoshida e Leonardo Seiji Miyahara. 3.2.4 Nos termos firmados cujo interveniente • é a respectiva faculdade, as atividades a serem desenvolvidas serão Conforme plano de estágio apresentado pelo Banco à Instituição de ensino, nos moldes por ela estabelecidos. [...] PONTOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO: 5.1 — DOS ACORDOS DE COOPERAÇÃO E TERMOS DE COMPROMISSO DE ESTÁGIO Em relação aos acordos de cooperação e termos de compromisso de estágio apresentados pelo contribuinte com as pessoas contratadas, temos os seguintes pontos não comprovados ou em desacordo com a legislação: 5.1.1 Planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação. Está prevista na cláusula 5', alínea "a", a obrigatoriedade da Instituição de Ensino acompanhar, orientar e avaliar o estágio. Mesma exigência prevista no art. 1° da Lei n° 6.494/1977, a saber: Fl. 739DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 740 31 "§ 3° Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares". (grifo nosso) Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovados para esta Auditoria Fiscal tal planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação. 5.1.2 As atividades a serem desenvolvidas: Quanto às atividades destacadas em 3.2.1, não foram comprovadas para esta auditoria a execução das mesmas, ou seja, não existe documentação comprovando quais atividades os contratados desempenharam no período de contrato. Não foram apresentados relatórios de atividades desenvolvidas, apesar de serem atividades'de execução e não de aprendizado. A alínea "e" da 3a cláusula dos termos que tratam das atividades dos estagiários contém atividades de execução, quais sejam, fazer atendimento a clientes, elaborar, calcular, estabelecer, redigir e selecionar dados e informações. Quando o objetivo do estagiário dentro da organização é o de aprender, conhecer, acompanhar e ter noções de elaboração, cálculos, redação e seleção de qualquer dado, informação, relatório e planilhas gerenciais entre outras atividades desenvolvidas dentro da organização. Não foram apresentados os planos de estágios que deveriam ser encaminhados pelo Banco às Instituições de ensino, nos moldes por elas estabelecidos, previstos em diversos acordos (mencionados em 3.2.1). 5.2 — DO VALOR PAGO COMO REMUNERAÇÃO: Dentre os valores pagos a título de remuneração aos estagiários, dependendo de setor e atividade desenvolvida, o estagiário recebia bônus e prêmios, ou seja, remuneração vinculada a um objetivo específico, qual seja, superação de metas pré estabelecidas. Situação totalmente contrária à prevista no termo de compromisso e não contemplada na legislação sobre o assunto, ou seja, tanto a Lei quanto o Decreto falam que o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada. Como nos acordos firmados foi estipulado o recebimento de um valor fixo, outros valores estão fora do acordado. Foram pagos valores a título de BONUS VENDAS SEGUROS (290), que representa um bônus pelo número de seguros vendidos, devido aos Estagiários à disposição dos Gerentes; portanto, foi dado o mesmo tratamento que se dá aos empregados, qual seja, a superação de metas de vendas de seguros. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 741 32 Outra situação indicativa de vínculo empregatício é a previsão de reembolso de despesas extras na execução das atividades dos contratados Felipe Giunte Yoshida e Leonardo Seiji Miyahara, ou seja, tinham autorização para realizar gastos em nome da empresa. 5.3 —Comprovação de freqüência escolar Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovadas, para esta auditoria, a freqüência e matrícula de nenhum dos contratados, conforme previsto no §1° do art. 1° da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977. 5.4 — Supervisão do estágio Apesar de constar, em alguns acordos firmados, um empregado do Contribuinte como supervisor (a) do estágio, não foi comprovado nesta auditoria tal supervisão; ou seja, aspectos tais como ocorreu a supervisão, se ambos estavam no mesmo setor, subordinados às mesmas pessoas, departamento, seção ou agência. Dos contratados relacionados em "3.2" não consta nome de supervisor (a) para: Daniela Amaral Maia, Fabio Luiz Nery De Miranda, Felipe Giunte Yoshida, Fernanda Lomeu Gaudereto e Tatiana Da Silva. É fundamental que o estágio atenda a todos os requisitos materiais e formais para a sua configuração, sem os quais ele se reverte em contrato de trabalho comum. Os estudantes deveriam auxiliar e não executar funções sem acompanhamento, ou seja, deveriam auxiliar um empregado nas suas funções; funções relacionadas com a formação do estudante. Inclusive o atendimento a esta auditoria fiscal foi, na maioria das vezes, realizado pelo estagiário Ricardo Gomes Munhoz, sem acompanhamento. Apesar de os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados nesta auditoria fiscal, quais sejam, falta de documentação correta; a não comprovação de que havia acompanhamento ou avaliação de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino; não apresentação de plano de estágio que o contratante deveria elaborar em conformidade com as respectivas faculdades; falta de comprovação da freqüência escolar; a remuneração vinculada a cumprimento de metas; os estudantes desempenhavam funções meramente burocráticas, estando afastados da finalidade do estágio, que é de aprimoramento e complementação do aprendizado escolar por meio da experiência prática —conforme prevê o parágrafo 2°, artigo 1°, da Lei n. ° 6.494/77; são motivos para considerarmos os contratados na qualidade de estagiários como empregados. Logo, a força laborativa dos estudantes inseriuse habitualmente na atividade empresarial, com subordinação e onerosidade. Não há que se falar em relação de estágio conforme a prevista na Lei n.° 6.494/77, uma vez que a realidade não se submete ao comando da norma escrita. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 742 33 Da leitura do relatório fiscal, não cntraposta com documentos capazes de afastar a realidade ali retratada notese que realmente houve a utilização de mão de obra de estagiários em descumprimento aos requisitos legais. O trabalho de estagiários não pode ser executado de forma autônomo, sem supervisão em atividades, tratase de trabalho de profissioalização de tudo que se aprende na escola, ou universidades. O pagamento de prêmios, pelo alcance de metas, no meu entender, já denota por si só a utilização irregular dessa força de trabalho em substituição aos empregados. Interessante observar, inclusive as informações obtidas junto a sindicatos e congressos dos próprios empregados do recorrente, em que se destaca a situação irregular dos estagiários: Abaixoassinado pede bolsaextra para estagiários Outro assunto discutido na reunião foi a exploração dos estagiários. Ademir entregou para Gilberto um abaixoassinado dos estagiários das agências Porto Alegre Centro e Passo D'Areia, reivindicando o pagamento de uma bolsaauxilio extra em dezembro, como forma de compensar o não pagamento de 13° salário ou gratificação natalina. Os representantes sindicais defenderam a efetivação dos jovens, alertando que, além do descumprimento da legislação trabalhista e previdenciária, muitos deles acabam indo trabalhar em bancos concorrentes, levando muitos clientes. Vários ex estagiários movem também ações trabalhistas. Neste comunicado, vale lembrar que é de 16 de dezembro de 2003, temos o destaque da preocupação dos dirigentes sindicais com a situação dos supostos "estagiários", quanto à remuneração do 13° salário, o que leva a crer não existir defasagem entre a remuneração paga aos estagiários e empregados com funções parecidas,ou semelhantes. Há também a denúncia de que não são estagiários e sim, empregados, informando que" diversos já recorreram à justiça para reconhecimento do vínculo empregaticio. 8.1.3 — Informação obtida, também, na internet, no site da FETEC — SP — CUT 2, da qual destacamos os seguintes pontos: Administrador 15 /09 / 2003 (São Paulo) O 17.° Congresso Nacional dos Trabalhadores do Grupo Santander Banespa, realizado nos dias 12 e 13 (sextafeira e sábado passados), definiu um conjunto de ações a ser realizado nos próximos meses em defesa do emprego e dos direitos de todos os funcionários da ativa e aposentados. Temas em pauta — Os 377 congressistas (291 homens e 86 mulheres) do Banespa, Santander Brasil e Meridional debateram ainda outros temas importantes para os trabalhadores do grupo, tais como: unificação de contratos, formas de contratação e Fl. 742DF CARF MF Processo nº 16327.001900/200897 Acórdão n.º 9202006.945 CSRFT2 Fl. 743 34 condições de trabalho, saúde e previdência, campanha salarial e a questão dos aposentados. Principais deliberações aprovadas no 17.° Congresso III — Formas de contratação e condições de trabalho — Fazer denúncia ao Ministério da Educação sobre a atividade bancária desempenhada pelos estagiários; — Exigir a contratação dos estagiários que executem funções de bancários e o respeito à grade curricular daqueles estudantes que realmente fazem estágio no banco; Fonte: Afubesp Dessa forma, quando constatadas irregularidades na execução de estágio, mais especificamente, quanto a seus requisitos objetivos, possível sim a formação de vinculo de emprego para efeitos previdenciários, no intuito de dar amparo ao trabalhador nos termos descritos na CF/88, vejamos o que estabelece o art. 9º do Decreto 3.048/99: "Art. 9° São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas": "h) o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa, em desacordo com a Lei n9 6.494, de 7 de dezembro de 1977. (grifo nosso)" Em mesmo sentido, descreve a lei 8212/91, em seu art. 28, §9º, 'i", a exclusão dos valores pagos à título de bolsa de aprendizagem, apenas quando pagas de acordo com a norma aplicável: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; Ou seja, a lei previdenciária é clara em determinar que o descumprimento da lei do estágio gera incidência de contribuição previdenciária, assim como bem o fez o auditor no presente lançamento. Aliás, no meu entender, não poderia ser diverso o tratamento, concedendo amparo previdenciário, direito de todo o trabalhador, inclusive aquele que presta serviços de forma irregular, conforme descrito na CF/88. Entendo que o lançamento fiscal foi realizado no estreito cumprimento da lei, razão pela qual ratifico a posição no sentido de acompanhar o voto do relator. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 743DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900177/2008-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/06/2003
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
A demonstração analítica do direito creditório, a partir da apresentação da escrituração contábil e fiscal, com a evidenciação da composição das estimativas a recolher, quer calculadas sobre base de cálculo estimada, quer a partir de balancetes de suspensão ou de redução, com a comprovação e confrontação dos valores recolhidos ou retidos, evidenciando as antecipações ou retenções excedentes ao exigido para o período de apuração, resultando no crédito que se convencionou denominar de saldo negativo, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute direito de crédito objeto de pedido de compensação. Na falta de comprovação do saldo negativo, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.362
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 30/06/2003 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. A demonstração analítica do direito creditório, a partir da apresentação da escrituração contábil e fiscal, com a evidenciação da composição das estimativas a recolher, quer calculadas sobre base de cálculo estimada, quer a partir de balancetes de suspensão ou de redução, com a comprovação e confrontação dos valores recolhidos ou retidos, evidenciando as antecipações ou retenções excedentes ao exigido para o período de apuração, resultando no crédito que se convencionou denominar de saldo negativo, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute direito de crédito objeto de pedido de compensação. Na falta de comprovação do saldo negativo, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10825.900177/2008-23
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5898126
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.362
nome_arquivo_s : Decisao_10825900177200823.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
nome_arquivo_pdf_s : 10825900177200823_5898126.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7411392
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050871669981184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 96 1 95 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.900177/200823 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.362 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 09 de agosto de 2018 Matéria CSLL PER/DCOMP Recorrente SENDI ENGENHARIA E CONTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/06/2003 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. A demonstração analítica do direito creditório, a partir da apresentação da escrituração contábil e fiscal, com a evidenciação da composição das estimativas a recolher, quer calculadas sobre base de cálculo estimada, quer a partir de balancetes de suspensão ou de redução, com a comprovação e confrontação dos valores recolhidos ou retidos, evidenciando as antecipações ou retenções excedentes ao exigido para o período de apuração, resultando no crédito que se convencionou denominar de saldo negativo, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute direito de crédito objeto de pedido de compensação. Na falta de comprovação do saldo negativo, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 01 77 /2 00 8- 23 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10825.900177/200823 Acórdão n.º 1002000.362 S1C0T2 Fl. 97 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 70/78) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 59/65), proferida em sessão de 22 de maio de 2009, consubstanciada no Acórdão n.º 1424.185, da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 12/19) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 24/04/2008 (efl. 07), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 21925.50134.110504.1.3.043010, transmitido em 11/05/2004, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o crédito, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/06/2003 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar a contribuição social sobre o lucro líquido devida nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 30/06/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10825.900177/200823 Acórdão n.º 1002000.362 S1C0T2 Fl. 98 3 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Solicitação Indeferida Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05 [efls. 02/06], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (CSLL) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL — código de receita: 2484). Por intermédio do despacho decisório de fl. 06 [efl. 7], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, em 04/06/2008, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 11/18 [efls. 12/19], na qual alega, em síntese: a) que compensou CSLL devida por estimativa, do mês de março de 2004, com saldo negativo de CSLL decorrente do anocalendário de 2003; b) juntamente com a PER/Dcomp sob exame apresentou outras PER/Dcomp tendo como origem de crédito saldo negativo de CSLL, no ano calendário de 2003; c) que a presente PER/Dcomp não foi homologada sob argumento de inexistência de crédito, vez que o mesmo já se encontrava vinculado à quitação de débito da requerente; d) no anocalendário de 2003, consoante demonstrado em sua DIPJ, foi gerado um saldo negativo de CSLL, no montante de R$ 67.587,56, passível de compensação com tributos federais a partir do anocalendário subseqüente; e) que é legal a atualização do saldo negativo de CSLL pela taxa Selic; f) que ao preencher a PER/Dcomp ocorreu um equívoco, pois informou crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL ao invés de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003; g) ressalta que o crédito existe e pode ser identificado na DIPJ/2004, anobase 2003; h) que em decorrência do preenchimento equivocado efetuou compensação a maior no valor de R$ 36.843,49, que será recolhido, acrescido de multa e juros na forma da lei; i) que as demais PER/Dcomps vinculadas ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003 devem ser apensadas em um único processo administrativo. Ao final, requer que seja concedido total provimento à presente manifestação de inconformidade a fim de se anular o despacho decisório que não homologou a PER/Dcomp de n.º Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10825.900177/200823 Acórdão n.º 1002000.362 S1C0T2 Fl. 99 4 21925.50134.110504.1.3.043010, extinguindose o saldo devedor objeto da compensação. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/05/2003 2484 R$ 11.156,15 30/06/2003 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 3967516978 R$ 11.156,15 DB: cód 2484 PA 31/05/2003 R$ 11.156,15 Valor Total R$ 11.156,15 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada nos autos, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP de n.º 21925.50134.110504.1.3.043010. Com efeito, no que diz respeito ao crédito de CSLL (código: 2484), relativo ao mês de maio de 2003, no valor de R$ 11.156,15, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para pagamento de um débito de CSLL (código: 2484), do próprio mês de maio de 2003, no valor de R$ 11.156,15. Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que a natureza do crédito em questão é de saldo negativo de CSLL, e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 170, dispõe: "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda". Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10825.900177/200823 Acórdão n.º 1002000.362 S1C0T2 Fl. 100 5 A respeito do tema, cumpre transcrever o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, mais exatamente os artigos 221 a 232, verbis: "Apuração Anual do Imposto Art. 221. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma desta Seção deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2º, § 3º). (...) Pagamento por Estimativa Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2º). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 3.º, parágrafo único). Base de Cálculo Art. 223. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observadas as disposições desta Subseção (Lei n.º 9.249, de 1995, art. 15, e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2º). (...) Suspensão, Redução e Dispensa do Imposto Mensal Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balanceies mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35, e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2º). (...) Deduções do Imposto Anual Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2º, § 4º): III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230". Conforme legislação acima, tomada por empréstimo pelas normas de apuração e pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), a interessada está obrigada, considerando que é optante pelo lucro real, apuração anual, a pagar mensalmente a contribuição social devida por estimativa com base na receita bruta, com a aplicação de um percentual determinado. Pode também suspender o pagamento desde que proceda aos balancetes mensais, demonstrando que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo calculado com base no lucro real do período em curso. Estes balanços/balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário. No final do ano, a contribuição apurada deve ser deduzida dos pagamentos recolhidos sob esta sistemática. Assim, somente o saldo negativo de CSLL a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10825.900177/200823 Acórdão n.º 1002000.362 S1C0T2 Fl. 101 6 No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurada no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações da contribuição social sobre o lucro líquido devida. Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1.ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2.ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3.ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4.ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL e, por conseguinte, o saldo negativo de CSLL apurado. Inclusive, por se tratar de contribuinte sujeita ao regime de apuração dos tributos com base no lucro real, esta deveria, ao fim de cada períodobase de incidência do tributo, apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, que serão transcritos no Livro de Apuração de Lucro Real (LALUR), nos termos dos artigos 7.º e seu § 4.º, e 8.º, inciso I, ambos do DecretoLei n.º 1.598, de 1977, in verbis: "Art. 7.º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. § 4.º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art. 8.º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2.º e 3.º do artigo 6.º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1.º); (...)." Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10825.900177/200823 Acórdão n.º 1002000.362 S1C0T2 Fl. 102 7 Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n.º 1.598, de 1977, art. 9.º, § 1.º)." No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, traz como prova desse crédito cópia da declaração de rendimentos de fls. 42/54 [efls. 44/56], retificada em 03/06/2008, informando a existência de saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 67.587,56, bem como "RAZÃO ANALÍTICO EM REAL DE 01/01/03 ATÉ 31/12/04" (fl. 40) [efl. 42], informando saldo de CSLL a recuperar no montante de R$ 102.019,26. Dos documentos apresentados pela contribuinte, cabem as seguintes observações: a) na DIPJ original, apresentada em 30/06/2004, não há informação de saldo negativo de CSLL, ou seja, a contribuição a pagar informada foi R$ 0,00 (zero); b) em 03/06/2008, a contribuinte apresentou DIPJretificadora, informando saldo negativo de CSLL no valor de R$ 67.587,56; d) o formulário denominado "RAZÃO ANALÍTICO EM REAL DE 01/01/03 ATÉ 31/12/04", de fls. 39/41 [efls. 41/43], não apresenta Termo de Abertura, nem Termo de Encerramento. Nessas condições, passase à análise dos itens acima expostos. Quanto à DIPJretificadora, externando saldo negativo de CSLL, cabe observar que a DIPJ tãosomente indicia que a contribuinte teria efetuado pagamento a maior que o devido. Todavia, resumese à esfera do indício, vez que a declaração desacompanhada da escrita, não produz o efeito desejado. Quanto ao formulário de fls. 39/41 [efl. 41/43], denominado "RAZÃO ANALÍTICO EM REAL DE 01/01/03 ATÉ 31/12/04", não consta Termo de Abertura, nem Termo de Encerramento. Neste contexto, cumpre observar que a legislação dispensa a autenticação do Livro Razão no caso de regularidade na autenticação do Livro Diário (art. 259, parágrafo 3.º do RIR/99). Assim, a ausência do Livro Diário implica na inabilidade do Livro Razão. Por fim, registrese que a contribuinte além de não juntar cópias do livro Diário, devidamente registrado, não apresentou LALUR, dos quais poderia se verificar os balanços/balancetes de redução e demonstrativos da apuração do Lucro Real da empresa para o anocalendário de 2003. Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, o pagamento a maior ou indevido também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10825.900177/200823 Acórdão n.º 1002000.362 S1C0T2 Fl. 103 8 Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fálico e jurídico de qualquer declaração de compensação. No que diz respeito ao pedido final da contribuinte de apensamento dos processos n.º 10825.900725/200815, 10825.900759/200818, 10825.900710/200857, 10825.900705/200844, 10825.900695/200847, 10825.900206/200857, 10825.900232/200885, 10825.900178/200878, 10825.900248/200898, 10825.900732/200817, 10825.900263/200836 e do presente processo, por se tratar de PER/Dcomps vinculados ao mesmo indébito, impende observar que em nada prejudicou a análise do direito creditório pleiteado, tendo inclusive referidos processos sido julgados nessa mesma Sessão de Julgamento. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). No recurso voluntário, o contribuinte reitera os argumentos suscitados na manifestação de inconformidade, defendendo que o crédito decorrente de saldo negativo de CSLL pode ser comprovado a partir da DIPJ anexada nos autos. Na oportunidade, promoveu, por ocasião da interposição do recurso, a juntada do Livro Diário (efls. 79/89) e do Livro Razão (efls. 90/93). Esclarece que cometeu erro de fato ao preencher a PER/DCOMP informando crédito indevido ou a maior de CSLL, e não crédito decorrente de saldo negativo de CSLL, tendo comprovado o mesmo por todos os meios possíveis. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10825.900177/200823 Acórdão n.º 1002000.362 S1C0T2 Fl. 104 9 estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 06/07/2009, segundafeira, efls. 67/69, e protocolo em 05/08/2009, efl. 70), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, haja vista que o sujeito passivo não comprovou efetivamente o crédito a seu favor, ônus que, a toda prova, lhe competia. Temse, ainda, no Despacho Decisório, que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior foi integralmente utilizado para extinguir débito do próprio contribuinte, não remanescendo saldo. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP. Aliás, segundo a decisão proferida pela DRJ, o indébito não apresentava os atributos de liquidez e certeza, sendo inaplicável o artigo 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10825.900177/200823 Acórdão n.º 1002000.362 S1C0T2 Fl. 105 10 De toda sorte, no recurso voluntário, o contribuinte defende que tem crédito fruto de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, tendo incorrido em erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois não se trata de recolhimento a maior ou indevido. Chega a afirmar que, em razão do erro no preenchimento do PER/DCOMP, também verificou um saldo de compensação inadequado no montante total de R$ 36.843,49 (trinta e seis mil e oitocentos e quarenta e três reais e quarenta e nove centavos), o qual, de boafé, irá pagar. A despeito do alegado erro de preenchimento, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. Isto porque, a DRJ constatou que, nestes autos, o sujeito passivo não comprovou o crédito alegado, não logrado êxito na demonstração da liquidez e da certeza do mesmo. Vejase, o contribuinte alega que incorreu em erro de fato no preenchimento do PER/DCOMP, tendo em vista sustentar que não era caso de informar recolhimento indevido ou a maior, mas sim crédito proveniente de saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003. Ocorre que, não consta dos autos qualquer retificadora, tampouco demonstração efetiva deste crédito. Importante destacar, pela oportunidade, que no regime jurídico da compensação compete ao contribuinte constituir a linguagem jurídica por meio da confecção e transmissão do PER/DCOMP adequado ao seu intento. O regime jurídico da compensação impõe ao sujeito passivo realizar os procedimentos necessários para a efetivação do encontro de contas, com a requisição da restituição e a efetivação da compensação, para fins de possibilitar a posterior homologação. Vale dizer, o contribuinte produz as normas individuais e concretas relacionadas ao caso. Por isso, não compete a instância administrativa o procedimento de retificação de ofício ou de revisão do PER/DCOMP constituído em linguagem competente pelo próprio contribuinte, estando o órgão julgador limitado aos termos das normas individuais e concretas produzidas pelo próprio sujeito passivo, que, no mínimo, deveria proceder com a retificação do PER/DCOMP, ainda que a destempo, a fim de emitir nova norma jurídica quando necessária para sanar quaisquer equívocos relativo a erro de preenchimento. Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando destinados à constituição de créditos para fins de compensação e, mais, não resta demonstrado o alegado saldo negativo. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. Observese, em que pese afirmar ter saldo negativo de CSLL líquido e certo, o sujeito passivo não o comprova. Ainda que tenha afirmado ter juntado aos autos o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) e o Livro Diário, documentos que se fossem analiticamente comentados e elucidados poderiam ser capazes de provar a existência do crédito, o que de fato o sujeito passivo fez foi promover a juntada de partes do Livro Diário (efls. 79/89) e de partes do Livro Razão (efls. 90/93), deixando de apresentar o LALUR. A juntada do Razão e do Diário foi realizada sem qualquer demonstração analítica que leve Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10825.900177/200823 Acórdão n.º 1002000.362 S1C0T2 Fl. 106 11 este Juízo Recursal, no âmbito de seu controle de legalidade, a se convencer sobre a certeza e liquidez do crédito cujo reconhecimento o contribuinte requer. Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração analítica dos valores e lançamentos, dentro da escrituração contábil e fiscal, da base de cálculo da CSLL e, consequentemente, do saldo negativo que pode ser apurado, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito para ser objeto de pedido de compensação. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis apresentados a destempo pelo recorrente, e de forma incompleta, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende comprovar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Por tais motivos, não vejo reparos na decisão recorrida. No mais, a decisão da DRJ apreciou, com riqueza e rigor de detalhes, a matéria suscitada na manifestação de inconformidade, conforme transcrição constante no relatório; de seu turno, o contribuinte não estabeleceu, através de seu recurso, qualquer dialeticidade com a decisão combatida, reiterando, praticamente ipsis litteris, os mesmos argumentos suscitados na manifestação de inconformidade, sem apontar, na decisão combatida, quais as razões de Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10825.900177/200823 Acórdão n.º 1002000.362 S1C0T2 Fl. 107 12 discordância, as quais seriam apreciadas nesta instância recursal, para verificação de eventual erro de julgamento ou de procedimento. Pontos interessantes na decisão da DRJ não são infirmados, como, por exemplo, o fato consignado de que o contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, tais como, registros contábeis apontando a existente de uma conta no ativo destinada a "CSLL a recuperar", a expressão deste direito em balanços ou balancetes, nos Livros Diário e Razão. Por outro lado, a DIPJretificadora não é suficiente para atestar a liquidez e certeza do crédito vindicado. Os próprios termos de abertura e de encerramento apresentados a posteriori não estão autenticados pelo registro de empresas a cargo das Juntas Comerciais (efls. 79, 89, 90 e 93). Também, não se justifica a ausência da apresentação do LALUR no qual poderia se verificar os balanços/balancetes de redução e demonstrativos da apuração do Lucro Real da empresa para o anocalendário de 2003. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como, considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954282/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/05/2000
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA.
Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior.
Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantém-se a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS.
Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.082
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/05/2000 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantém-se a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.954282/2008-18
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912212
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-004.082
nome_arquivo_s : Decisao_10880954282200818.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10880954282200818_5912212.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7441185
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050871675224064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1681; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.954282/200818 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.082 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente ICE CARTÕES ESPECIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2000 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 42 82 /2 00 8- 18 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10880.954282/200818 Acórdão n.º 3201004.082 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que os créditos compensados eram decorrentes de Levantamento Fiscal lastreado em Demonstrativos de Apuração elaborados por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em que se apuraram débitos referentes a cálculos e recolhimentos a menor da contribuição, bem como créditos relativos a recolhimentos a maior, que resultaram na compensação declarada. Informou, ainda, que a DCTF havia sido retificada para constar a apuração correta do débito, conforme planilha de apuração fiscal e demonstrativo contendo a descrição da base de cálculo apurada e o valor do imposto devido. A Delegacia de Julgamento, por meio do acórdão nº 16033.410, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a apresentação de DCTF retificadora após o despacho decisório não era hábil a alterar a decisão proferida e que qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF devia vir acompanhada de documentação hábil e suficiente que o comprovasse. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a reforma da decisão de primeira instância ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, repisando os mesmos argumentos de defesa e alegando que procedera à retificação da DCTF de forma a fazer constar o valor do crédito pendente de reconhecimento e que, mesmo tendo sido apresentada após a ciência do despacho decisório, a declaração retificadora cumprira com os requisitos para a homologação da compensação, devendo prevalecer a verdade real. Sustentou, ainda, com fundamento no art. 147, § 2º, do CTN, que a falta da DCTF retificadora não era suficiente para negar ou impedir a homologação, uma vez que a DCTF original deveria ter sido retificada pela própria Receita Federal. É o relatório. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.954282/200818 Acórdão n.º 3201004.082 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.079, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.954277/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.079): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. Preliminarmente registro que a recorrente teve garantido o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa nas duas instâncias administrativas. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido de compensação, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Citese jurisprudência do CARF sobre este ponto: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Câmara Superior de Recursos Fiscais. 3ª Turma Acórdão nº 9303006.266 do Processo 13896.902360/200818 Data: 25/01/2018 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). O entendimento deste órgão para admitir a comprovação do direito creditório em momento posterior ao despacho decisório está fundamentado no §1º do art. 147 do CTN. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10880.954282/200818 Acórdão n.º 3201004.082 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. De acordo com tal dispositivo legal, cabe a recorrente comprovar o erro. Tal comprovação pode ser feita de diversas formas, inclusive por meio de planilhas, documentos contábeis, cópias de documentos, cupons, recibos e tantos outros. O fato é que o princípio da verdade material, alegado pela recorrente, exige provas que a ela competia trazer aos autos. Ainda que fosse na segunda instância, se juntasse as provas no recurso voluntário, certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. Ocorre que a recorrente não reúne provas na forma de documentação complementar, insistindo erroneamente em argumentar que o Demonstrativo de Apuração, elaborado pela Receita Federal seria suficiente. Sobre tal argumento, a DRJ se pronunciou alegando que o Demonstrativo de Apuração informa a inexistência de saldo. (efls. 122123) É improcedente a afirmação do contribuinte, pois o crédito compensado neste PER/DCOMP, no montante originário de R$3.135,41, relativo ao suposto pagamento, indevido ou a maior de contribuição do PIS/PASEP (Código de Receita 8109), recolhida em 15/10/1999, não decorre do Levantamento Fiscal noticiado, eis que o DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA juntado à Manifestação de Inconformidade (fls. 68/75) informa a INEXISTÊNCIA DE SALDO APURADO, fato confirmado na análise dos valores declarados pelo próprio Interessado na DCTF entregue à Receita Federal do Brasil, conforme telas de consulta que juntamos a estes autos (fls. 114/117) De fato, mesmo com boa vontade, o Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada, as efls. 68 75 dos autos, não deixa claro a existência de saldo creditório. Ao contrário, tratase de documento com anotações manuscritas, que necessitam de documentação complementar para tornar o crédito líquido e certo. Mesmo se o Demonstrativo fosse claro, ainda assim, não seria suficiente para garantir o direito. Faltaria a comprovação de erro por parte da recorrente no preenchimento da DCTF. No caso em exame, a recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu, quando da manifestação de inconformidade e agora em fase de recurso voluntário, qualquer prova documental para demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF. Em grau de recurso não cabe fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Finalmente, observo que à autoridade julgadora administrativa é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.954282/200818 Acórdão n.º 3201004.082 S3C2T1 Fl. 6 5 apreciar as alegações de ofensa a princípios constitucionais. Nesse sentido, citase a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 210DF CARF MF
score : 1.0
