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Numero do processo: 10840.909853/2011-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 15/04/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.217
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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9303­007.217  –  3ª Turma   Sessão de  12 de julho de 2018  Matéria  PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Recorrente  FUGINI ALIMENTOS LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do Fato Gerador: 15/04/2003  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega  possuir  junto  à Fazenda  Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela  autoridade  administrativa.      Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar­lhe provimento, vencidas as  conselheiras  Érika  Costa  Camargos  Autran  e  Tatiana  Midori  Migiyama,  que  lhe  deram  provimento.   (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da  Costa Pôssas (Presidente em Exercício).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 53 /2 01 1- 31 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10840.909853/2011­31  Acórdão n.º 9303­007.217  CSRF­T3  Fl. 3          2     Relatório  Trata­se de Recurso Especial de Divergência  interposto pelo Contribuinte  contra o acórdão n.º 3802­002.505, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma  Especial  da  Terceira  Seção  de  Julgamento  deste  CARF,  decisão  que,  por  unanimidade  de  votos, negou provimento ao recurso voluntário.   Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Data do Fato Gerador: 15/04/2003   INDÉBITO  TRIBUTÁRIO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA  NÃO  DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE   A  restituição  de  indébitos  tributários  decorrente  de  suposto  pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja  o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem  o  ônus  de  provar,  com  a  apresentação  de  documentação  suficiente, o direito em que se alicerça.   (...)  Recurso ao qual se nega provimento.   O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às  seguintes  matérias:  1  ­  Exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS;  2  ­  Necessidade de diligência  fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das  alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material.  O Recurso Especial  do Contribuinte  foi  admitido  parcialmente,  conforme  despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do  CARF,  apenas  quanto  à  segunda  matéria  (questão  da  prova).  O  seguimento  parcial  foi  ratificado pelo reexame da admissibilidade.  A  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  manifestando  pelo  não  provimento do recurso especial do Contribuinte.  É o relatório, em síntese.   Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10840.909853/2011­31  Acórdão n.º 9303­007.217  CSRF­T3  Fl. 4          3     Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­007.177, de  12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/2012­28, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303­007.177):  "Da Admissibilidade  O Recurso Especial da Contribuinte é  tempestivo e, depreendendo­se da análise de  seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154,  senão vejamos:   Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência  jurisprudencial,  argumentando  que  acórdão  recorrido,  ao  examinar  questão  relativa  à  restituição  de  indébitos  tributários  decorrente  de  suposto  pagamento  a  maior  ou  indevido,  decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o  ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo.   Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao  tratar da mesma  matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de  promover  a  análise  da  liquidez  e  certeza  do  alegado  crédito,  com  base  nos  documentos  existentes  dos  autos  e  outros  mais  que  entender  necessários,  intimando  o  contribuinte  para  apresentá­los se for o caso, em face do princípio da verdade material.  Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões  evidencia  a  divergência  entre  o  entendimento  exarado  no  acórdão  recorrido  e  os  acórdãos  paradigmas.  Diante do exposto, comprovada a divergência, voto  no  sentido  de conhecer  do recurso interposto pelo Contribuinte.  Do Mérito  (...)1  Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de  divergência da contribuinte.                                                              1 Deixou­se de  transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por  ter sido  posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do  voto consta do acórdão do paradigma (9303­007.177).  Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10840.909853/2011­31  Acórdão n.º 9303­007.217  CSRF­T3  Fl. 5          4 Tendo em vista que o  recurso especial  foi conhecido apenas  em  razão do acórdão  paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação  de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me  fixarei nesse tema.  O referido paradigma, de nº 3302­002.225, traz o entendimento de que nos autos não  constava  nenhuma  comprovação  do  direito  creditório  alegado,  decorrente  de  pagamento  indevido ou maior,  e por  isso o  contribuinte  requereu diligência  a  fim de que se  apurasse o  crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerou­se que  a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte  solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações  da contribuinte.  Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O  caput  do  artigo  170  do  CTN,  ao  tratar  da  extinção  do  crédito  tributário  pela  compensação,  estipula:  Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos,  do  sujeito  passivo  contra  a Fazenda  pública.  (Grifei.)  Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado:  Art.  74. O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de  restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na compensação de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados por aquele Órgão.  (...)  §  14. A  Secretaria  da Receita Federal  ­ SRF disciplinará  o  disposto  neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para  apreciação  de  processos  de  restituição,  de  ressarcimento  e  de  compensação.  (Grifei.)  A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005,  na qual estipulava:  COMPENSAÇÃO.   COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO   Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito,  inclusive o reconhecido  por  decisão  judicial  transitada  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrados  pela  SRF,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá utilizá­lo na  compensação de  débitos próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados pela SRF.  § 1º A  compensação de que  trata  o  caput  será  efetuada pelo  sujeito  passivo  mediante  apresentação  à  SRF  da  Declaração  de  Compensação  gerada  a  partir  do  Programa  PER/DCOMP  ou,  na  impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do  Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10840.909853/2011­31  Acórdão n.º 9303­007.217  CSRF­T3  Fl. 6          5 formulário Declaração de Compensação  constante  do Anexo  IV,  ao  qual  deverão  ser  anexados  documentos  comprobatórios  do  direito  creditório.  (Grifei.)  Além  de  reproduzir  o  ditame  legal  em  seu  caput,  o  art.  26  no  §  1º  já  indicava  a  necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a  compensação fosse realizada através de formulários em papel.  A  contribuinte  realizou  seu  PER/DCOMP,  solicitando  crédito  no  montante  originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à e­fl. 05, pelo qual os créditos do  DARF  que  suportavam  seu  pedido,  de  R$  226.212,51,  estariam  totalmente  alocados;  restringiu­se à discussão  jurídica sobre  restituição de indébitos de  ICMS,  sem apontar como  concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS.   Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela  legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte,  em  face  de  suposta  existência  de  créditos  por  ele  alegada,  devendo  esses  créditos  serem  líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à  administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação  do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de  apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas  juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido.  Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº  14­41.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra:   Mas,  para  tanto,  a  alegação  deveria  vir  acompanhada  da  documentação  comprobatória  da  existência  do  pagamento  a  maior,  mesmo  porque,  nesse  caso,  o  ônus  da  comprovação  do  direito  creditório  é  do  contribuinte,  pois  se  trata  de  uma  solicitação  de  restituição, de seu exclusivo interesse.  Nesse  contexto,  não  se  pode  olvidar  que  nos  termos  do  artigo  333,  inciso  I,  do  Código  de  Processo  Civil,  ao  autor  incumbe  o  ônus  da  prova  dos  fatos  constitutivos  do  seu  direito.  Conseqüentemente,  as  PER/DCOMP  devem  estar,  necessariamente,  instruídas  com  as  devidas  provas  do  indébito  tributário  no  qual  se  fundamentam,  sob  pena de indeferimento.  (Negritei.)  Mesmo  assim,  em  sede  de  recurso  voluntário  a  contribuinte  volta  a  requerer  diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado.  Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em  face da ausência de comprovação do direito creditório.  Pelo  exposto,  voto  pelo  desprovimento  do  recurso  especial  de  divergência  da  contribuinte."  Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma,  no  presente  processo  a  contribuinte  também  não  indicou  "qualquer  prova  relativamente  à  apuração do valor do crédito pleiteado".  Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10840.909853/2011­31  Acórdão n.º 9303­007.217  CSRF­T3  Fl. 7          6 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi  conhecido e, no mérito, o colegiado negou­lhe provimento.   (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas                            Fl. 188DF CARF MF

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7443974 #
Numero do processo: 15504.727813/2012-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO INTERESSE COMUM NA SITUAÇÂO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. Para fins de caracterização da responsabilidade solidária, consoante prevista no art. 124, I do CTN, necessária a comprovação de que os responsáveis solidários possuam interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, o que não se verificou no caso sob análise. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, acompanhado de participação dos empregados nos resultados ou lucros adicionalmente auferidos através de seu esforço pessoal. Não tendo sido obedecidas tais condições para o ano-base sob análise, os valores pagos a título de PLR passam a sofrer incidência das contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 9202-006.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes e Pedro Paulo Pereira Barbosa, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento e manifestou intenção de apresentar declaração de voto. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questões já votadas pelo conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, relator originário, na sessão de 23/05/2018, no período da tarde. Nos termos do art. 58, §13, do Anexo II do RICARF, a Presidente da Turma designou como redatora ad hoc para este julgamento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. "Manifestou interesse de fazer declaração de voto o Conselheiro(a) Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro(a) não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)". (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora-Designado AD HOC para formalização do voto. Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO INTERESSE COMUM NA SITUAÇÂO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. Para fins de caracterização da responsabilidade solidária, consoante prevista no art. 124, I do CTN, necessária a comprovação de que os responsáveis solidários possuam interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, o que não se verificou no caso sob análise. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, acompanhado de participação dos empregados nos resultados ou lucros adicionalmente auferidos através de seu esforço pessoal. Não tendo sido obedecidas tais condições para o ano-base sob análise, os valores pagos a título de PLR passam a sofrer incidência das contribuições previdenciárias.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes e Pedro Paulo Pereira Barbosa, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento e manifestou intenção de apresentar declaração de voto. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questões já votadas pelo conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, relator originário, na sessão de 23/05/2018, no período da tarde. Nos termos do art. 58, §13, do Anexo II do RICARF, a Presidente da Turma designou como redatora ad hoc para este julgamento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. "Manifestou interesse de fazer declaração de voto o Conselheiro(a) Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro(a) não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)". (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora-Designado AD HOC para formalização do voto. Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.

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   Especial do Procurador e do Contribuinte  Acórdão nº  9202­006.946  –  2ª Turma   Sessão de  19 de junho de 2018  Matéria  CSP ­ PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS ­ PRL ­ GRUPO  ECONÔMICO.  Recorrentes  FAZENDA NACIONAL              FDS ENGENHARIA DE ÓLEO E GÁS E OUTROS    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009  PROCEDIMENTO  FISCAL.  GRUPO  ECONÔMICO.  AUSÊNCIA  COMPROVAÇÃO  INTERESSE  COMUM  NA  SITUAÇÂO  QUE  CONSTITUI O FATO GERADOR.   Para fins de caracterização da responsabilidade solidária, consoante prevista  no  art.  124,  I  do  CTN,  necessária  a  comprovação  de  que  os  responsáveis  solidários possuam interesse comum na situação que constitua o fato gerador  da obrigação principal, o que não se verificou no caso sob análise.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS  REQUISITOS  DA  LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO  PERÍODO DE APURAÇÃO.  As  regras  para  percepção  da  PLR  devem  constituir­se  em  incentivo  à  produtividade, acompanhado de participação dos empregados nos resultados  ou lucros adicionalmente auferidos através de seu esforço pessoal. Não tendo  sido obedecidas tais condições para o ano­base sob análise, os valores pagos  a título de PLR passam a sofrer incidência das contribuições previdenciárias.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  e,  no  mérito,  por  maioria  de  votos,  em  negar­lhe  provimento,  vencidos  os  conselheiros  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Ana  Paula  Fernandes  e  Pedro  Paulo  Pereira  Barbosa,  que  lhe  deram  provimento.  Acordam,  ainda,  por  unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria  de  votos,  em  negar­lhe  provimento,  vencida  a  conselheira  Ana  Paula  Fernandes,  que  lhe  deu  provimento e manifestou intenção de apresentar declaração de voto. Votaram pelas conclusões as  conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Nos termos do art. 58, §5º, do     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 78 13 /2 01 2- 99 Fl. 611DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 604          2 Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou  nesse  julgamento,  por  se  tratar  de  questões  já  votadas  pelo  conselheiro  Heitor  de  Souza  Lima  Júnior, relator originário, na sessão de 23/05/2018, no período da tarde. Nos termos do art. 58, §13,  do  Anexo  II  do  RICARF,  a  Presidente  da  Turma  designou  como  redatora  ad  hoc  para  este  julgamento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.   "Manifestou  interesse  de  fazer  declaração  de  voto  o  Conselheiro(a)  Ana  Paula  Fernandes.  Entretanto,  findo  o  prazo  regimental,  o  Conselheiro(a)  não  apresentou  a  declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do  Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)".    (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente em Exercício    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora­Designado AD HOC para  formalização do voto.    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Patricia  da  Silva,  Pedro  Paulo  Pereira  Barbosa, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima  Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz  e  Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.   Fl. 612DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 605          3 Relatório  Em  litígio,  o  teor  do  Acórdão  nº  2301­004.163,  prolatado  pela  1a.  Turma  Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na  sessão plenária de 07 de outubro de 2014 (e­fls. 356 a 368). Ali, por voto de qualidade, deu­se  parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009  GRUPO  ECONÔMICO.  CARACTERIZAÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DE  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  CONSTITUIÇÃO  DO  FATO GERADOR POR UMA SÓ EMPRESA. PARTICIPAÇÃO  NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI 10.101/2000.  Sempre  que  uma  ou  mais  empresas,  tendo  embora,  cada  uma  delas,  personalidade  jurídica,  própria  estiverem  sob a  direção,  controle ou administração de outra haverá a constituição de um  grupo econômico.  O  fato  de  haver  pessoas  jurídicas  que  pertençam  ao  mesmo  grupo  econômico,  por  si  só,  não  enseja  a  responsabilidade  solidária, na forma prevista no art.124 do CTN.  Somente  existirá  a  responsabilidade  tributária  solidária  entre  empresas de um mesmo grupo econômico quando  todas agirem  em conjunto para a configuração do fato gerador, não bastando  o mero interesse econômico na consecução da referida situação.  Considerando­se o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea “j”, da  Lei  nº  8.212/91,  os  requisitos  trazidos  pela  Lei  nº  10.101/2000  são de observância obrigatória para que o empregador possa se  beneficiar da regra de isenção para os valores pagos a título de  Participação nos Lucros e Resultados ­ PLR.  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  da  sociedade  empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei  específica,  integra  o  salário  de  contribuição  para  fins  de  incidência previdenciária.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Decisão:  I)  Por maioria  de  votos:  a)  em  negar  provimento  ao  recurso,  na  questão  da  Participação  dos  Lucros  e  Resultados  (PLR), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros  Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que  votaram em dar provimento ao recurso, nesta questão; b) em dar  provimento  ao  recurso,  na  questão  do  grupo  econômico,  pela  ausência de demonstração pela  fiscalização de que 2 (duas) ou  mais  empresas  estavam  sob  a  direção,  o  controle  ou  a  administração  de  uma  delas,  compondo  grupo  industrial,  Fl. 613DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 606          4 comercial ou de qualquer outra atividade econômica, nos termos  do  voto  do Redator.  Vencidos  os Conselheiros Natanael  Vieira  dos  Santos  que  dava  provimento  ao  recurso,  por  outros  fundamentos,  conforme  voto  e  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra  e  Cleberson  Alex  Friess,  que  negavam  provimento  ao  recurso  nesta  questão;  II)  Por  unanimidade  de  votos:  a)  em  negar  provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do  voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério.  Enviados os autos à Fazenda Nacional para  fins de ciência do Acórdão, em  19/02/2015  (e­fl.  369),  sua  Procuradoria  apresentou,  em  31/03/2015  (e­fl.  378),  Recurso  Especial,  com  fulcro  no  art.  67  do  Anexo  II  ao  Regimento  Interno  deste  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009  (e­fls. 370 a 377).   Alega­se,  no  pleito,  divergência  em  relação  ao  decidido  pela  1a.  Turma  Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, em 15/04/14, no âmbito dos Acórdãos de  no.s 2401­03.488 e 2401­03.490, de ementas e decisões a seguir transcritas.  Acórdão 2401­03.488   Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006  PRAZO  DECADENCIAL.  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  CONTAGEM  A  PARTIR  DA  OCORRÊNCIA  DO  FATO  GERADOR  Constatando­se a antecipação de pagamento parcial do  tributo  aplica­se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério  previsto  no  §  4.º  do  art.  150  do  CTN,  ou  seja,  cinco  anos  contados da ocorrência do fato gerador.  INTIMAÇÃO DOS PATRONOS. FALTA DE AMPARO LEGAL.  O  pedido  de  intimação  dos  representantes  das  partes  não  tem  amparo  na  legislação  processual  pátria.Recursos  de  Ofício  Provido  e  Voluntário  Provido  em  Parte.A  ausência  da  estipulação,  entre  patrões  e  empregados,  de  metas  e  objetivos  previamente  ao  início  do  período  aquisitivo  do  direito  ao  recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa,  caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre  disso  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  tal  verba.  FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE QUE A PLR FOI PAGA EM  DESCONFORMIDADE  COM  A  LEI.  IMPROCEDÊNCIA  DO  LANÇAMENTO.Não  tendo  o  fisco,  para  as  competências  03  e  07/2005, apresentado as causas que levaram ao entendimento de  que os pagamentos a título de participação nos lucros estariam  em  desconformidade  com  a  lei  de  regência,  deve­se  declarar  improcedentes  as  contribuições  lançadas  nas  referidas  competências.  Fl. 614DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 607          5 EMPRESA  COM  TRABALHADORES  EXPOSTOS  A  CONDIÇÕES  ESPECIAIS  DE  TRABALHO.  NÃO  COMPROVAÇÃO  DO  REGISTRO  DA  ENTREGA  DE  EPI.  EXIGÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO  PARA  FINANCIAMENTO  DA APOSENTADORIA ESPECIAL.  As  empresas  que  mantêm  trabalhadores  expostos  a  condições  especiais  de  trabalho  devem  se  sujeitar  ao  pagamento  da  contribuição  para  financiamento  da  aposentadoria  especial,  a  menos  que  comprovem  a  utilização  de  Equipamentos  de  Proteção  Individual  ­  EPI  que  atenuem  os  efeitos  dos  agentes  nocivos a níveis abaixo do limite de tolerância, apresentando os  certificados dos EPI,  registros de  entrega e  reposição, além de  documentação  relativa  ao  treinamento  dos  trabalhadores  para  utilização destes equipamentos.  GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.  As  empresas  integrantes  de  grupo  econômico  respondem  solidariamente  pelo  cumprimento  das  obrigações  tributárias  para com a Seguridade Social.  Decisão:  por  maioria  de  votos,  dar  provimento  ao  recurso  de  ofício.  Vencidos  os  conselheiros  Igor  e  Carolina  Wanderley  Landim,  que  negavam  provimento.  Quanto  ao  recurso  voluntário: I) Por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido de  intimação  no  endereço  do  advogado;  b)  manter  a  responsabilidade  solidária;  e  c)  declarar  a  decadência  até  a  competência  11/2005,  inclusive  13º  salário  de  2005;  II)  Por  maioria de votos, manter a incidência sobre o auxílio educação,  vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo  Henrique Magalhães  de  Oliveira,  que  afastavam  a  incidência;  III)  com  relação  as  parcelas  paga  a  título  de  PLR:  a)  Por  unanimidade  de  votos  considerar  descumprido  o  requisito  de  fixação de critérios e regras claras e objetivas; b) Pelo voto de  qualidade  considerar  descumprido  o  requisito  de  pactuação  prévia,  vencidos  os  conselheiros  Igor  Araújo  Soares,  Carolina  Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira,  que  votaram  por  considerar  cumprido  o  requisito;  e  c)  Por  maioria de votos, considerar que somente deve haver incidência  sobre  as  parcelas  excedentes,  vencida  a  conselheira  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira  ,  que  votou  pela  incidência  sobre  todas  as  parcelas  do  período  em  que  houve  o  descumprimento do requisito; e IV) Por maioria de votos, manter  o  lançamento  referente  ao  adicional  ao  RAT,  vencida  a  conselheira  Carolina  Wanderley  Landim,  que  afastava  o  lançamento neste ponto.  Acórdão 2401­03.490   Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006  RECURSO  DE  OFÍCIO.  VALOR  EXONERADO  ABAIXO  DO  LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO.  Fl. 615DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 608          6 Não  se  conhece  o  recurso  de  ofício,  cujo  valor  exonerado  originário do crédito mais a multa, por processo, seja inferior ao  limite fixado em ato do Ministro da Fazenda.  INTIMAÇÃO DOS PATRONOS. FALTA DE AMPARO LEGAL.  O  pedido  de  intimação  dos  representantes  das  partes  não  tem  amparo na legislação processual pátria.Recursos de Ofício Não  Conhecido  e  Voluntário  Provido  em  Parte.Não  tendo  o  fisco,  para as competências 03 e 07/2005, apresentado as causas que  levaram  ao  entendimento  de  que  os  pagamentos  a  título  de  participação nos lucros estariam em desconformidade com a lei  de  regência,  deve­se  declarar  improcedentes  as  contribuições  lançadas nas referidas competências.  GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.  As  empresas  integrantes  de  grupo  econômico  respondem  solidariamente  pelo  cumprimento  das  obrigações  tributárias  para com a Seguridade Social. Decisão: Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de  ofício.  Quanto  ao  recurso  voluntário:  I)  Por  unanimidade  de  votos:  a)  indeferir  o  pedido  de  intimação  no  endereço  do  advogado; b) manter a responsabilidade solidária; e c) declarar  a decadência até a competência 11/2005, inclusive 13º salário de  2005;  II)  Por  maioria  de  votos,  manter  a  incidência  sobre  o  auxílio educação, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley  Landim  e  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira,  que  afastavam  a  incidência;  III)  com  relação  as  parcelas  paga  a  título  de  PLR:  a)  Por  unanimidade  de  votos  considerar  descumprido o requisito de fixação de critérios e regras claras e  objetivas; b) Pelo  voto  de qualidade  considerar  descumprido  o  requisito  de  pactuação  prévia,  vencidos  os  conselheiros  Igor  Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique  Magalhães de Oliveira, que votaram por considerar cumprido o  requisito;  e  c)  Por  maioria  de  votos,  considerar  que  somente  deve  haver  incidência  sobre  as  parcelas  excedentes,  vencida  a  conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira  , que votou  pela incidência sobre todas as parcelas do período em que houve  o  descumprimento  do  requisito;  IV)  Por  maioria  de  votos,  manter o  lançamento referente ao adicional ao RAT, vencida a  conselheira  Carolina  Wanderley  Landim,  que  afastava  o  lançamento neste ponto.  Após  defender  a  existência  de divergência  interpretativa,  caracterizada pela  similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais argumenta a  Fazenda Nacional em sua demanda que:  a) Cita o art. 30, inciso IX da Lei no. 8.212, de 1991, para defender que se a  própria  contribuinte,  em  seu  recurso voluntário,  reconhece  a existência de grupo  econômico,  não  há  razão  legal  para  a  exclusão  da  responsabilidade,  vez  que  a  própria  lei  determina  a  solidariedade nesse caso;  Fl. 616DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 609          7 b)  Assim,  data  venia,  não  há  que  se  falar  de  falta  de  motivação  no  lançamento,  já que  a  lei  expressamente  e objetivamente determina  a  solidariedade nos  casos  onde existe grupo econômico, fato incontroverso nos autos;  c) Registre­se que o afastamento do citado art. 30 corresponde à verdadeira  declaração indireta de inconstitucionalidade, o que é vedado ao CARF;  Requer,  assim,  conhecimento  e o provimento do presente Recurso Especial  para  que  esta  Turma  reforme  a  decisão  recorrida  seguindo  o  entendimento  demonstrado,  restabelecendo a responsabilidade solidária na forma da autuação.  O recurso foi admitido pelo despacho de e­fls. 380 a 382.  Cientificada  em  01/12/16  (e­fls.  389/390)  a  devedora  principal  (FDS  Engenharia  de  Óleo  e  Gás  Ltda.  ­  CNPJ  05.468.184/0001­32,  nova  denominação  social  de  Fidens Engenharia, consoante ata de e­fls. 443/444) apresentou:  a)  Inicialmente,  em 06/12/2016  (e­fl.  391),  embargos  de  e­fls.  392  a 418  e  anexos, que restaram rejeitados, na forma de despacho de e­fls. 508 a 511.  b) Em 09/12/2016 (e­fl. 451), contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda  Nacional  de  e­fls.  452  a  466,  idênticas  às  apresentadas,  em  09/01/2017  (e­fl.  483),  conjuntamente,  pelas  responsáveis  solidárias  Fidens  Equipamentos  Ltda.  ­  CNPJ  06.880.609/0001­89, Minas Eólica Ltda. ­ CNPJ 13.668.494/0001­29 e Visen Engenharia Ltda.  ­ CNPJ 05.861.977/0001­17, anexadas às e­fls. 484 a 498 (As responsáveis solidárias haviam  sido cientificadas em 26/12/16 e 27/12/16, consoante e­fls. 476 a 482).  Alega­se em sede de contrarrazões:  b.1)  Os  arts.  265,  da  Lei  nº.  6.404,  de  1976  e  494  da  IN  RFB  nº.  971/09  definem o que seja grupo econômico, e elencam como características, 1) a existência de uma  sociedade controladora e sociedades controladas; 2) convenção onde se obriguem a combinar  recursos e esforços para realização de objetivos, atividades ou empreendimentos comuns; 3) a  controladora deve ser titular de direitos de sócio ou acionista ou ajustar com outros sócios ou  acionistas;  4)  a  controladora  deve  exercer  de  modo  permanente  o  controle  das  sociedades  filiadas; 5) há grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob direção, controle  ou administração de uma delas. Ora, compulsando todo o farto material apresentado pelo fisco,  através de sua auditora, não há uma linha sequer no sentido do apontamento e comprovação da  existência de uma sociedade controladora, ou prova de combinação de recursos para alcance de  objetivo comum, ou mesmo titularidade de direitos de sócio de uma das empresas em relação  as outras;  b.2)  Em  direito  tributário,  a  solidariedade  não  se  presume.  É  dependente  incondicional da prova, e prova não há neste sentido, de modo que infundadas e inverídicas as  alegações  da  fiscal  tributária,  de  modo  que  o  entendimento  da  Procuradoria  não  merece  prevalecer, muito menos o acórdão paradigma. O que quer a Procuradoria é aplicar a letra fria  da lei, sem perquirir os fundamentos de fato e provas comprobatórias da efetiva existência de  grupo  econômico,  uma  vez  que  o  fato  de  haver  pessoas  jurídicas  que  pertençam  ao mesmo  grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária. No que toca aos arts. 30,  IX da Lei nº. 8.212, de 1991, 222 do Decreto 3.048, de 1999 e 152 da IN RFB nº. 971, de 2009  tem­se a  inaplicabilidade de  referidos  institutos, uma vez que não há,  e por  isso mesmo não  Fl. 617DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 610          8 houve  comprovação,  da  existência  de  grupo  econômico,  portanto,  não  há  a  indigitada  solidariedade entre empresas listadas, de acordo com a jurisprudência do CARF e do STJ.;  b.3) Por fim, o art. 124, I e II do CTN, foi objeto de metódica interpretação  do  STJ,  seguida  a  risca  pelo  CARF,  através  da  qual  se  demonstrou  a  necessidade  de  observância do que seria o interesse comum para a configuração da responsabilidade solidária  nele  prevista.  Também  da  solidariedade  do  art.  124  pela  extensão  e  profundidade  dos  argumentos,  tratar­se­á  logo  abaixo.  Fato  é  que  desde  logo  se  constata  que  jamais  existiu  qualquer competência decisória única entre as empresas listadas como responsáveis solidárias,  não representando a verdade real, as alegações da fiscal tributária, tanto que não comprovada.  Com  efeito,  é  equivocado  sustentar  a  possibilidade  de  responsabilizar  solidariamente  as  referidas  empresas  (que não  se  confundem com o grupo econômico descrito nas disposições  supracitadas), sob o entendimento de que tais dispositivos permitiriam a eleição indiscriminada  de  responsáveis  solidários.  Efetivamente,  não  são,  mas,  ainda  que  formassem  um  grupo  econômico,  como  é  sabido,  a  vinculação  entre  as  referidas  empresas  somente  caberia  em  relação  aos  fatos  geradores  que  consistissem  em  atos,  fatos  ou  negócios  jurídicos  cuja  realização fosse, efetivamente, decorrente de decisão de direção unitária e interesse econômico  comum no  resultado  da  situação  que  constituiu  o  fato  gerador  da  obrigação  principal.  Estas  “decisões” e “interesses comuns” jamais ocorreram. As empresas listadas jamais concorreram,  sob  qualquer  aspecto,  para  a  ocorrência  dos  fatos  geradores  que  originaram  as  referidas  obrigações  tributárias,  elas  não  podem  (e  nem  devem)  ser  responsabilizadas,  sob  pena  de  violação dos princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa, do direito de  propriedade, da livre iniciativa e da manutenção da atividade econômica;  b.4) Cita, a seguir, jurisprudência oriunda deste CARF, para defender que são  requisitos  essenciais  para  comprovação  da  existência  de  grupo  econômico  e,  consequentemente,  sua  responsabilização  solidária  por  débitos  da  devedora  principal,  os  seguintes:  1.  Existência  de  interesse  comum  na  realização  que  constituiu  o  fato  gerador  da  obrigação  principal  ou  participação  conjunta  na  materialidade  deste;  2.  Vínculo  jurídico  de  controle ou unidade de direção; 3. Desenvolvimento da mesma atividade ou mesmo objetivo  social.  Não  havendo  tais  requisitos,  não  há  como  superar  a  personalidade  jurídica  desta  recorrente, desconsiderando­a, para atingir a personalidade jurídica de outras empresas. Neste  sentido,  já  decidiu  diversas  vezes  o STJ,  quando  asseverou  que:  “ A  solidadariedade  não  se  presume, sobretudo em Direito Tributário” (EREsp 834044);  b.5)  Não  ficou  provada  qualquer  vinculação  das  empresas  listadas  como  responsáveis  solidárias,  com  o  fato  gerador  dos  tributos  cobrados  da  empresa  devedora,  e  muito  menos  interesse  comum  em  sua  realização.  Consoante  às  disposições  do  Código  Tributário Nacional  (artigo 121), o sujeito passivo da obrigação  tributária é a pessoa  jurídica  obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, podendo ostentar esta condição o  contribuinte (aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo  fato gerador) ou o responsável (aquele que, sem ser contribuinte,  tem obrigação por expressa  disposição de lei). Para que outra pessoa seja eleita como sujeito passivo da obrigação, a quem  o  CTN  chama  de  responsável  (art.  121,  parágrafo  único,  II),  deve  haver  respeito  a  esta  imposição constitucional do encargo tributário decorrente das próprias regras de competência,  bem como à legalidade expressa (CF; art. 150, I e CTN; art. 97, III);  b.6) O art.  124 do Código Tributário Nacional  ­ CTN cuida da hipótese de  responsabilização  solidária.  É  da  interpretação  correta  e  coerente  deste  artigo  que  se  pode  atribuir  ou  não  a  condição  de  devedor  de  débitos  tributários  a  outras  pessoas,  Fl. 618DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 611          9 responsabilizando­as pelo pagamento. Conforme se verifica só se pode falar em solidariedade  entre  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal.  Este  é  o  primeiro  requisito  para  a  caracterização  do  grupo  econômico. Em decisão recente, proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, restou consagrada  a necessidade de se provar que houve a realização do fato gerador por mais de uma pessoa a  justificar a solidariedade. Em direito tributário, conforme ficou gravado nesta decisão, não se  admite  presunções.  Portanto,  o  art.  124,  II  do  CTN  não  autoriza  a  responsabilização  sem  vinculação ao fato gerador e não há qualquer vinculação das empresas com os fatos geradores  dos  tributos  cobrados Por outro  lado,  também não há  interesse comum na  realização do  fato  gerador,  nos  termos  do  art.  124,  I,  do  CTN.  Neste  sentido,  o  STJ  vem  repelindo  a  responsabilização de sociedades pertencentes ao mesmo grupo econômico com base no suposto  interesse comum previsto no art. 124, I do CTN. Colacionadas, a propósito, diversas decisões  do STJ e TRF da 4a. Região suportando tal entendimento;  b.7)  No  caso  em  análise  o  fato  gerador  das  contribuições  previdenciárias,  tidas devidas, foi praticado só e tão somente pela devedora principal, quando da remuneração  aos  seus  segurados  empregados,  não  participando  do  fato  gerador  qualquer  outra  empresa  a  justificar  a  solidariedade.  Com  efeito,  não  restou  comprovada,  no  procedimento  fiscal,  qualquer  correlação  entre  as  empresas  quanto  à  realização  do  fato  gerador  justificador  do  presente  lançamento,  tampouco  ficou  comprovado  o  interesse  comum,  de  modo  que  as  contribuições previdenciárias lançadas devem ser imputadas apenas e tão somente a primeira.  Requer­se,  assim,  que  seja  totalmente  improvido  o  Recurso  Especial  da  Fazenda,  mantendo­se,  na  íntegra,  o  acórdão  proferido  pela  Terceira  Câmara,  1ª  Turma  Ordinária,  da  Segundo  Seção  de  Julgamento  no  que  toca  a  inexistência  de  comprovação  de  grupo econômico.  Cientificada  a  devedora  principal  acerca  da  rejeição  de  seus  embargos  em  07/02/17  (e­fl.  521/522),  esta  apresenta,  em 22/02/2017  (e­fl.  530), Recurso Especial  de  sua  iniciativa  de  e­fls.  531  a  565  e  anexos,  o  qual  restou  admitido,  na  forma  de  despachos  de  admissibilidade de e­fls. 589 a 593.   No referido Recurso Especial admitido alega­se divergência do Recorrido em  relação ao decidido pela 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, através  do Acórdão 2403­001.387, prolatado em 14 de março de 2013, de ementa e decisão a seguir  transcritas:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2007   Ementa:  PREVIDENCIÁRIO.SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  LEI  ESPECÍFICA.   Entende­se por salário de contribuição a remuneração auferida,  assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou  creditados  a  qualquer  título,  inclusive  os  ganhos  habituais  sob  forma de utilidades. A participação nos lucros ou resultados da  empresa,  quando  paga  ou  creditada  em  acordo  com  a  lei  especifica, não integra o salário de contribuição.   Fl. 619DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 612          10 CONTRIBUINTE  INDIVIDUAL.  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.   Para  o  contribuinte  individual,  entendese  por  salário  de  contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas  ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o  mês.   INCONSTITUCIONALIDADE   A  Súmula  2  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  CARF  pacificou  que:  “  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”   MULTA DE MORA   As  contribuições  sociais,  pagas  com  atraso,  ficam  sujeitas  à  multa de mora prevista artigos 35, I, II, III da Lei 8.212/91. Os  débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação,  na  forma  da  redação  dada  pela  Lei  no  11.941,  de  2009,  serão acrescidos de multa de mora e  juros de mora, nos  termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.   MULTA MAIS BENÉFICA.   Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no  art.  106,  inciso  II,  alínea “c”,  do Código Tributário Nacional,  cabe aplicar o artigo 35A, se mais benéfico ao contribuinte, na  forma  da  Lei  11.941/2009  que  revogou  o  art.  35  da  Lei  8.212/1991  e  lhe  conferiu  nova  redação.  Recurso  Voluntário  Provido em Parte.   LANÇAMENTO.  FATO  GERADOR.LEI  DE  REGÊNCIA.  O  artigo  144  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN  aduz  que  o  lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato gerador da  obrigação e rege­se pela lei então vigente.   CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE OFÍCIO   Para as Contribuições Previdenciárias, a imposição de penalizar  o contribuinte infrator mediante aplicação de multa de ofício só  veio a ser instituída na forma da Medida Provisória MP n° 449 a  partir de sua edição em 03/12/2008.   Recurso Voluntário Provido em Parte.  Decisão: I) Por maioria de voto, em dar provimento parcial ao  recurso determinando a exclusão dos levantamentos PL1, PL2 e  PLA. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Strtingari.  II)  Por unanimidade de voto a exclusão da multa de ofício. III) Por  maioria  de  votos  determinar  o  recálculo  da  multa  de  mora  conforme  Art.  35  da  Lei  8212/91,  incluído  pela  Lei  nº  11941/2009,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  9430/1996,  que  estabelece multa de 0,33% ao dia limitada a 20% critérios desta  Fl. 620DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 613          11 data  que  devem  ser  observados  quando  da  ocasião  do  pagamento.  Vencido  o  conselheiro  Paulo  Maurício  Pinheiro  Monteiro.  Após demonstração da ocorrência de divergência interpretativa, alega­se, no  Recurso Especial da Contribuinte, que:  a) Assentou­se no acórdão recorrido que as métricas de redução de faltas e de  acidentes de trabalho seriam inválidas para que o pagamento de PLR se desse de acordo com a  Lei nº 10.101, de 2000. No entanto,  tal entendimento, data venia, é bastante equivocado. De  antemão, convém destacar que a Lei nº 10.101, de 2000, em absolutamente nenhum de seus  artigos,  parágrafos,  incisos  ou  alíneas,  proíbe  ou  veda  a  adoção  de  quaisquer  critérios  nos  instrumentos coletivos de negociação para o pagamento de PLR. O que a  lei definitivamente  manda é que tais critérios sejam claros e objetivos. Com efeito, a partir de uma atenta leitura do  art. 2º, §1º, da Lei nº 10.101, de 2000, extrai­se que, para a validade do pagamento a título de  PLR, mostra­se bastante que o instrumento fixe, de forma clara e objetiva, o direito substantivo  (participação no lucro ou resultado) e adjetivo (como esta será feita) do trabalhador. Ou seja,  exige­se apenas a existência da efetiva participação em lucros ou  resultados e que esta se dê  por meio de regras objetivas. E, nesse  sentido, o  texto da Cláusula Quadragésima Terceira e  respectivos  parágrafos  da  CCT  não  deixa  qualquer  dúvida  quanto  ao  atendimento  à  este  comando legal, como muito ponderadamente entendeu­se no acórdão paradigma;  b) O  art.  7º,  inciso XI,  da Constituição Federal  de 1988,  veicula  norma  de  imunidade objetiva para os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros  ou resultados, no que tange à exigência da contribuição previdenciária. Sem a necessidade de  maiores  digressões  à  respeito,  vez  que  já  foi  exaustivamente  discutida  no  âmbito  do  Poder  Judiciário, o art. 7º, inciso XI, da CF/88 veicula norma de eficácia plena no que diz respeito à  natureza  não­salarial  da  verba  destinada  à  participação  nos  lucros,  pois  explicita  sua  desvinculação  da  remuneração,  acarretando  o  seu  afastamento  da  base  de  incidência  da  contribuição  previdenciária.  No  entanto,  em  relação  à  caracterização  da  participação  nos  lucros, o referido dispositivo veicula norma de eficácia contida, na medida em que depende de  lei  que  a  regulamente,  razão  pela  qual  não  importa  a  qualificação  jurídica  atribuída  pelos  interessados à verba, mas, sim a efetiva existência dessa participação nos termos da lei (sentido  estrito). Nesse  sentido,  inclusive,  impõe­se  reconhecer que  a Constituição Federal  instituiu  a  regra de imunidade em questão, afastando da incidência da contribuição previdenciária sobre a  participação nos lucros ou resultados, objetivando atender a seus objetivos fundamentais, como  a  valorização  social  do  trabalho  e  da  livre  iniciativa,  (art.  1º,  inc.  IV);  garantir  a  aplicação  doprincípio da  isonomia  (art. 5º,  caput); do  estímulo ao exercício  livre de qualquer  trabalho,  ofício ou profissão, evitando que os cidadãos vejam apenas na relação de emprego (e não no  empreendedorismo)  uma  maneira  lícita  e  produtiva  de  subsistência  (art.  5º,  inc.  XIII);  garantindo aos  trabalhadores manuais,  técnicos e  intelectuais  igualdade de tratamento  (art. 7º  inc. XXXII). Ainda, há o fomento da atividade econômica, fundada na valorização do trabalho  humano e na livre iniciativa (art. 170), bem como a manutenção da ordem social sob o primado  do trabalho, e com o objetivo o bem­estar e a justiça sociais (art. 193);  c) Se não bastasse a regra constitucional supracitada, a Lei nº 8.212, de 1991,  traz  regra  de  isenção  que  consagra  o  caráter  não  remuneratório  dos  pagamentos  a  título  de  participação  nos  lucros  da  empresa,  por  não  integrarem  o  salário­de­contribuição.  Embora  desnecessário,  pelo  teor  da  imunidade  mencionada  alhures,  o  legislador  ordinário  repetiu  a  previsão contida na Carta Magna de que a participação nos lucros não serve de base de cálculo  Fl. 621DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 614          12 da contribuição previdenciária, somando ao óbice constitucional para a incidência (art. 7º, inc.  XIII da CF), a vedação legal em comento (art. 28, § 9º, alínea ´j´).  Requer,  assim,  uma  vez  reconhecida  a  divergência  e  demonstrado  o  prequestionamento do art. 2º, §1º da Lei nº 10.101, de 2000, o provimento do recurso especial  para  o  fim  de,  reformando­se  o  acórdão  recorrido,  ser  decretada  a  validade  dos  pagamentos  feitos  pela  recorrente  a  título  de  PLR  aos  seus  empregados,  tornando  insubsistente  o  lançamento fiscal.  Encaminhados os autos à PGFN para fins de ciência, envio este ocorrido em  08/03/17 (e­fl. 594), esta apresentou, em 20/03/17 (e­fl. 601), contrarrazões de e­fls. 595 a 600,  onde alega que:  a)  A  Constituição  Federal  dá  os  contornos  da  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  em  seu  art.  201,  §  11º.  Em  perfeita  consonância  com  essa  diretriz,  a Lei nº 8.212/91, que  instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social,  encerra a  definição legal de salário­de­contribuição, em seu art. 28, inciso I. Assim, o salário é elemento  remuneratório  do  trabalho,  e  se  a  Constituição  ou  a  Lei  Básica  de  Previdência  Social  não  excluírem o pagamento de determinada parcela remuneratória, que se originou em decorrência  única  e  exclusiva  do  vínculo  laboral  entre  empregado  e  empregador,  esta  não  deve  ser  extirpada da base de cálculo da contribuição;  b)  O  art.  7o.,  XI  da  CRFB/88,  conforme  reconheceu  o  próprio  STF,  consubstancia uma regra de eficácia limitada, carecendo de lei para sua total eficácia, de modo  que até a sua edição era devida a contribuição previdenciária sobre a  total remuneração paga  aos empregados, mesmo que denominada participação nos lucros e resultados (RE nº 393.764­ Agr). Nessa senda, é PLR apenas o numerário pago aos empregados nos termos previstos na lei  a  que  se  refere  o  citado  preceito  constitucional.  Não  se  faz  suficiente  para  fazer  impedir  a  cobrança  de  contribuição  previdenciária  a  existência  da  lei  reguladora  e  a  denominação  de  participação  nos  lucros  e  resultados;  deve­se  observar  em  tudo  e  por  tudo  a  legislação  pertinente. Cita jurisprudência do STJ a propósito;  c)  Resta,  pois,  evidenciado  que  somente  as  verbas  pagas  a  título  de  participação  nos  lucros  e  resultados,  nos  termos  da  Lei  nº  10.101,  de  2000,  estão  imunes  à  tributação. Contudo,  conforme  largamente  demonstrado  no  relatório  fiscal,  não  é o  caso  dos  autos. Aqui,  o  pagamento  a  titulo  de  PLR  se  deu  em  desconformidade  com  a  legislação  de  regência, razão pela qual não merece o presente lançamento qualquer alteração;  d)  Alega  que  verifica­se  a  necessidade  de  cumulatividade  dos  requisitos  estabelecidos  nos  arts.  2o.  e  3o.  da  referida  Lei  no.  10.101,  de  2000,  para  a  aquisição  do  benefício.  Assim,  de  acordo  com  a  legislação  de  regência  da  participação  nos  lucros  e  resultados,  dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  devem  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e  prazos para  revisão do  acordo. A  lei  ainda veda  a distribuição dos valores  em periodicidade  inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. No caso, o requisito da  periodicidade não  foi  observado pelo  contribuinte,  razão que desnatura  todos os pagamentos  efetuados  a  título  de  participação  nos  lucros  e  resultados.  Noutro  turno,  cabe  registrar  que  conforme registra o auto de infração “...restou claro que o critério para pagamento da PLR não  obedece a um plano de metas a ser cumprido e independe do esforço pessoal do empregado.”  Fl. 622DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 615          13 Ressalte­se que a classificação de determinada verba como “participação nos lucros” exige de  maneira imprescindível o estrito cumprimento dos requisitos legais;  e) No caso em estudo, restou demonstrado que a participação nos lucros foi  efetivada em desacordo com os parâmetros legais, razão pela qual não pode ser admitida a sua  exclusão do salário de contribuição. O próprio art. 28, § 9.º, da Lei n.º 8.212/91 é expresso ao  verberar que a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa não integram o  salário  de  contribuição  apenas  nos  casos  em  que  paga  ou  creditada  de  acordo  com  lei  específica, o que não foi o caso dos presentes autos, ensejando a  incidência de contribuições  previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei no. 8.212, de 1991.  Requer,  assim,  que  seja  negado  provimento  ao  Recurso  Especial  do  Contribuinte, a consequente manutenção do entendimento previsto no acórdão recorrido.  É o relatório.  Fl. 623DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 616          14 Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora­Designado AD  HOC para formalização do voto.  Pelo  fato  de  o Conselheiro­Relator Heitor  de  Souza  Lima  Junior  não mais  compor o colegiado em função do encerramento do seu mandato, eu, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, nomeada para formalização, reproduzo a seguir o voto por ele encaminhado na  sessão de julgamento.  Considerando  que  eu  (Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira),  como  redatora  ad­hoc,  fui  designada  apenas  para  a  formalização  do  voto,  deixo  consignado  que  embora tenha acompanhado o relator, não me vinculo a todas os fundamentos por ele adotados  em seu voto.   Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator  Inicio a análise pelo Recurso Especial da Fazenda Nacional, pelo fato de seu  pleito conter alegação quanto à exclusão, do pólo passivo, das devedoras solidárias, o que se  constitui em prejudicial à análise de existência da obrigação principal para o levantamento de  PLR  para  estas  devedoras  (Caso  confirmada  a  exclusão  do  pólo  passivo  proposta  pelo  Colegiado  recorrido, não subsiste qualquer obrigação principal para as  recorrentes  solidárias,  ainda que se negue provimento ao Recurso Especial da Contribuinte).   1. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL  Pelo  que  consta  no  processo  quanto  a  sua  tempestividade,  às  devidas  apresentação  de  paradigmas  e  indicação  de  divergência,  o  recurso  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade, e,  assim, concordando com o exame de admissibilidade de e­fls. 380 a 382,  conheço do Recurso.  Acerca  da  responsabilidade  solidária  em  sede  de  contribuições  previdenciárias, estabelecem o art. 124 da Lei no. 5.172 de 25 de outubro de 1966 (CTN) e o  art. 30, IX da Lei no. 8.212, de 24 de julho de 1991, verbis:  CTN  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;   II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.   Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.   Lei 8.212/91  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas:  (...)  Fl. 624DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 617          15 IX  ­  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes desta Lei;  (...)  Acerca  do  tema,  com  a  devida  vênia  ao  entendimento  manifestado  pelo  Colegiado  a  quo,  da  leitura  conjunta  dos  dois  dispositivos  supra,  interpreto  que  pode­se  estabelecer  a  responsabilidade  solidária  em  sede  de  contribuições  previdenciárias,  alternativamente:   a) A partir do art. 124,  I do CTN, uma vez devidamente caracterizada, pela  autoridade fiscal, a ocorrência de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da  obrigação principal, ou seja, caracterizada a ocorrência da hipótese de incidência, que faz com  que se passe  incluir, no critério pessoal da  regra­matriz,  como sujeito passivo, o  responsável  solidário.  Aqui,  repita­se,  entendo  caber  a  fiscalização  a  comprovação  da  referida  condição  (existência de interesse comum na situação que constitui o fato gerador), de forma a subsistir o  lançamento efetuado junto ao responsável solidário ou;  b) A partir  do  124,  II  do CTN c/c o  art.  30,  IX da Lei  no.  8.212, de 1991,  independendo,  nesta  hipótese,  a  caracterização  da  responsabilidade  solidária  de  qualquer  demonstração  de  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  por  parte  do  responsável  solidário,  mas,  sim,  da  simples  caracterização  de  grupo  econômico,  a  partir  da  solidariedade estabelecida, aqui, por Lei.   Ou seja, uma vez caracterizada a existência de grupo econômico, escorreita a  caracterização de responsabilidade solidária para seus integrantes a partir do disposto no 124, II  do CTN c/c o art. 30,  IX da Lei no. 8.212, de 1991,  independentemente da caracterização de  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  por  parte  dos  solidários.  Entendo  aqui como presumido entre os integrantes, por força de lei, o vínculo existente no art. 128, do  mesmo CTN, sempre que, repita­se, caracterizada a existência de grupo econômico.  Feita tal digressão, entendo, ainda, não haver qualquer reparo a fazer quanto à  conclusão  do  Colegiado  a  quo,  no  sentido  de  ser  incontroversa,  a  esta  altura,  nos  autos,  a  caracterização de existência de grupo econômico, consoante e­fl. 360:  (...)  Assim,  verifica­se  que  para  que  haja  a  caracterização  de  um  grupo  econômico,  torna­se  necessária  a  presença  de  dois  requisitos:  a) uma ou mais empresas com personalidade jurídica própria; b)  exercício  da  atividade  econômica  sob  direção,  controle  ou  administração única.  4. As empresas, em sede de recurso voluntário, reconheceram a  existência de grupo econômico entre elas, porém afirmaram que  as  recorrentes  solidárias  não  participaram  do  fato  gerador  da  pretensão fiscal, “mesmo porque impraticável a co­participação  destas,  posto  que  o  fato  gerador  em  discussão  refere­se  tão  somente  ao  pagamento  da  PLR  aos  empregados  próprios  da  Recorrente  Principal,  Fidens  Engenharia  S/A,  sem  qualquer  ligação ou interesse das Recorrentes Solidárias.” (fl. 319).  5.  Assim,  não  restam  dúvidas  acerca  da  existência  de  grupo  econômico pelas empresas apontadas pela auditoria fiscal.  Fl. 625DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 618          16 (...)  Reforçam  tal  argumentação,  ainda,  os  seguintes  fatos,  observados  nas  contrarrazões anexadas pelo contribuinte:   a)  O  contribuinte,  ali,  em  que  pese  citar  uma  série  de  seis  requisitos  essenciais  para  a  caracterização  de  grupo  econômico,  só  se  insurge  contra  a  existência  de  interesse  comum  no  fato  gerador  da  obrigação  principal  ou  participação  conjunta  na  materialidade  deste  (item  b.1  de  contrarrazões),  sendo  certo  que  a  ocorrência  dos  demais  requisitos não contestados é, em meu entender, suficiente para manter a conclusão do recorrido  no sentido de existência de grupo econômico, bem como para sua caracterização com fulcro na  IN RFB 971, de 2009, em seu arts. 494 e 495;  b) O contribuinte, ainda, se limita, nos itens 10 e 11 de suas contrarrazões, a  alegar insuficiência probatória quanto à existência de interesse mencionada, não se insurgindo,  assim, contra sua existência, repita­se, ao qual acedeu em sede de Recurso Voluntário.  Diante  dos  fatos  acima,  entendo  como  escorreita  a  caracterização  de  existência de grupo econômico realizada pelo recorrido.  Uma  vez  caracterizada  a  existência  de  grupo  econômico,  a  propósito,  conforme já mencionado no âmbito do presente voto, entendo que, de forma a se caracterizar a  responsabilidade  solidária  dos  integrantes  do  referido  grupo,  poderia  a  autoridade  fiscal  ter  elencado como dispositivo legal o art. 124, II do CTN, caso optasse por não adentrar na seara  de interesse comum no fato gerador da obrigação principal, cujo ônus da prova é restrito, em  meu entendimento, ao estabelecimento de responsabilidade solidária com fulcro no art. 124, I  do mesmo Código. Todavia, não é o que se verifica.  Em  verdade,  verifico  ter  se  utilizado  como  base  legal  da  solidariedade  no  lançamento,  exclusivamente  o  referido  art.  124  em  seu  inciso  I,  sem  qualquer  menção  ao  mencionado inciso II (vide Relatório Fiscal às e­fls. 21/22), este último que, repito, daria azo  ao  estabelecimento  da  responsabilidade  solidária,  sem  necessidade  de  demonstração  de  interesse comum, por força da previsão legal contida no art. 30, IX da Lei no. 8.212, de 1991.   Nesta  situação,  diante  do  teor  da  acusação  (do  relatório  fiscal),  conforme  também já discorri aqui, entendo que passa a ser necessária a caracterização da existência de  interesse  comum  no  fato  gerador  da  obrigação  principal,  o  que,  porém,  não  se  observa  nas  mesmas  páginas  21/22,  limitando­se,  ali,  a  autoridade  fiscal  a  fazer menção  à  organograma  entregue pela autuada, verbis:  Conforme organograma apresentado pelo sujeito passivo, além  da  FIDENS  ENGENHARIA  S.A,  fazem  parte  do  grupo  econômico as seguintes empresas:  (...)  6.2 – Estão, portanto, sendo as mesmas arroladas na  forma da  legislação a seguir:  Lei 8.212   Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes  normas:  (Redação  dada  pela  Lei  nº.  8.620,  de  05/01/1993).  (...)  Fl. 626DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 619          17 IX  –  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes desta lei;  RPS   Art.  222.  As  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza,  bem  como  os  produtores  rurais  integrantes  do consórcio simplificado de que trata o art. 200­A, respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes  do  disposto neste Regulamento.  (Redação dada pelo Decreto nº. 4.032, de 26/11/2001)  Código Tributário Nacional ­ Lei nº 5.172, de 1966  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  (...)  6.3  –  Foram  lavrados  os  TERMOS  DE  SUJEIÇÃO  PASSIVA  SOLIDÁRIA ­ TSPS, aos quais foram anexadas cópias deste AI,  bem  como  de  seus  anexos  (em  arquivos  digitais,  devidamente  autenticados), endereçadas às empresas enumeradas no item 6.1  acima,  com  o  objetivo  de  cientificá­las,  como  sujeitos  passivos  solidários,  das  respectivas  exigências  tributárias,  lavrados  contra a pessoa jurídica AUTUADA, na data de 26/02/2013.  (...)"  Assim, diante do exposto, frente à utilização do art. 124, I do CTN como base  legal para a responsabilização dos solidários e não tendo sido suficientemente demonstrado o  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal  pela  autoridade fiscal, entendo como escorreito o posicionamento do Colegiado a quo, no sentido de  excluir  a  responsabilidade  solidária  dos  contribuintes  Fidens  Equipamentos  Ltda.  ­  CNPJ  06.880.609/0001­89, Minas Eólica Ltda. ­ CNPJ 13.668.494/0001­29 e Visen Engenharia Ltda.  ­  CNPJ  05.861.977/0001­17,  ainda  que  por  fundamentos  diversos  (inaplicável  no  entender  deste relator, a necessidade análise/demonstração de interesse comum na situação que constitui  o  fato gerador quando da utilização do art.124,  II, do CTN, o que, porém,  repita­se, não é o  caso).  Assim,  diante  do  exposto,  conheço  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional, para, no mérito lhe negar provimento.  2. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE  Pelo  que  consta  no  processo  quanto  a  sua  tempestividade,  às  devidas  apresentação  de  paradigmas  e  indicação  de  divergência,  o  recurso  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade. e,  assim, concordando com o exame de admissibilidade de e­fls. 589 a 593,  conheço do Recurso.  Quanto ao mérito, inicialmente, de se reproduzir a base legal da exclusão do  conceito  de  salário  de  contribuição  da  participação  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  contida no art. 28, §9o., caput e alínea "j", da Lei no 8.212, de 1991, verbis:  Fl. 627DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 620          18 § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei, exclusivamente:   (...)  j) a participação nos  lucros ou resultados da empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;(grifei)  Condicionada, assim, a exclusão do conceito de  salário de contribuição dos  valores  pagos  a  título  de PLR à  observância dos  requisitos  previstos  em  lei  específica, mais  especificamente, in casu, na Lei no. 10.101, de 2000. De interesse, para o deslinde do presente  litígio, os requisitos constantes daquele diploma legal em seu art. 2o., em especial o contido em  seu § 1o, expressis verbis:  Art.2o  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ convenção ou acordo coletivo.  §1o  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente. (grifei)  §2o  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade sindical dos trabalhadores.  §3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei:  I ­ a pessoa física;  II ­ a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente:  a)  não  distribua  resultados,  a  qualquer  título,  ainda  que  indiretamente,  a  dirigentes,  administradores  ou  empresas  vinculadas;  b)  aplique  integralmente  os  seus  recursos  em  sua  atividade  institucional e no País;  c)  destine  o  seu  patrimônio  a  entidade  congênere  ou  ao  poder  público, em caso de encerramento de suas atividades;  d)  mantenha  escrituração  contábil  capaz  de  comprovar  a  observância  dos  demais  requisitos  deste  inciso,  e  das  normas  Fl. 628DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 621          19 fiscais,  comerciais  e  de  direito  econômico  que  lhe  sejam  aplicáveis.  (...)  A propósito, inicialmente, de se ressaltar que não vislumbro como associar a  característica  de  necessário  rendimento  de  capital  à  Participação  de  Lucros  e  Resultados  auferida, uma vez que tal tese implicaria, em meu entendimento, quanto às rubricas em litígio,  que  se  assumisse  serem  os  empregados  necessariamente  participantes  do  capital  social  da  empresa, qualidade reservada somente aos sócios do empreendimento. Ou seja, entendo que só  se  poderia  fazer  a  construção  de  que  há  um  necessário  rendimento  de  capital  (e  não  de  trabalho)  disponibilizado,  para  o  caso  de  empregados  que  se  revestissem  da  qualidade  de  acionistas ou quotistas da empresa e que, assim, houvessem subscrito e/ou integralizado capital  no  empreendimento,  recebendo  rendimentos  decorrentes  desta  qualidade  de  sócios  e  não  se  confundindo,  assim,  com  outros  empregados,  quando  estes  últimos,  tal  como  no  caso  em  questão, não restem caracterizados como detentores de ações ou quotas.   Entendo,  a  propósito,  que,  neste  caso  (empregados  ou  trabalhadores  não  acionistas  ou  quotistas),  o  que  os  empregados  estão,  sim,  a  auferir,  é  uma  remuneração  decorrente  de  seu  trabalho,  ainda  que  de  natureza  variável,  dependente  de  metas  e  regras  vinculadas a critérios capazes de alterar o montante a ser recebido.   Ou  seja,  com  a  devida  vênia  aos  que  esposam  entendimento  contrário,  em  meu entender  reserva­se o conceito de necessário rendimento de capital auferido àqueles que  efetivamente contribuíram com este fator de produção (capital) para fins de realização do ciclo  empresarial, normalmente em detrimento da contribuição com o fator trabalho (como no caso  dos empregados).  Feita  tal digressão inicial, entendo que a melhor  interpretação a ser dada ao  dispositivo (art. 2o. da Lei no 10.101, de 2000) deve ser no sentido de que se busca, a partir do  texto  legal,  um  binômio  de  aumento  de  produtividade  e  garantia  de  participação  aos  empregados, de forma a que seja atingido, pela empresa, um maior nível de competitividade e,  consequentemente, pela economia nacional como um todo, sem que se abra mão, todavia, de  que  este  aumento  de  competitividade  (e  consequente  rentabilidade  empresarial)  seja  revertido, em parte, aos empregados que colaboraram diretamente para tal aumento.   Mais  especificamente,  ainda  entendo  só  ser  possível  a  consecução  de  tal  binômio  caso  a  formalização,  leia­se,  a  assinatura  do  instrumento  de  acordo  se  dê  antes  do  período de aferição (exercício), de forma a que o empregado, com prévia ciência de metas e/ou  regras  claras  e  objetivas,  devidamente  formalizadas  (visto  não  haver  que  se  falar  em  obrigatoriedade  legal  de  distribuição/pagamento  sem  um  instrumento  legal  que  a  respalde  formalmente), possa saber o esforço adicional a ser executado de forma a auferir  rendimento  financeiro adicional, conforme muito bem resumido no voto prolatado no âmbito do Acórdão  9202­005.704, pelo Conselheiro Relator, Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos e ao qual acedi  integralmente, daí adotando o seguinte excerto do mesmo como razões de decidir, verbis:   (...)  Saliento  ainda  o  entendimento  expresso  pela  Dra.  Elaine  Cristina Monteiro  e  Silva  Viera  no  voto  condutor  do  acórdão  paradigma  nº  2401000.545,  indicado  no  recurso  especial  de  divergência da Fazenda:  Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação  nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital  Fl. 629DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 622          20 da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em  prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento,  resultará  em  sua  participação  (na  forma  de  distribuição  dos  lucros  alcançados).  Assim,  como  falar  em  engajamento  do  empregado  na  empresa,  se  o  mesmo  não  tem  conhecimento  prévio  do  quanto  a  sua  dedicação  irá  refletir  em  termos  de  participação. É  nesse  sentido,  que  entendo que  a  lei  exigiu  não  apenas  o  acordo  prévio  ao  trabalho  do  empregado,  ou  seja,  no  início  do  exercício,  bem  como  o  conhecimento  por  parte  do  trabalhador  de  quais  as  regras  (ou  mesmo  metas)  que  deverá  alcançar para fazer jus ao pagamento.  Entendo que o acordo necessita ser assinado antes de iniciado o  período  a  que  se  refere,  porquanto  a  PLR  tem  por  finalidade  incentivar  o  trabalhador  a  incrementar  sua  produtividade,  situando­a  acima  do  que  lhe  é  usual  ou  ordinário.  Sem  que  o  acordo  se  dê  antes  de  iniciado  o  período,  não  haveria  como  o  trabalhador saber, com precisão, em quanto deveria aumentar o  seu  esforço  para  alcançar  metas  e  qual  o  possível  efeito  financeiro que isto lhe acarretaria.  Ainda  que  se  possa  alegar  que  os  acordos  pouco  mudaram  relativamente  a  critérios  que  estavam  estabelecidos  anteriormente,  nada  disso  seria  garantia  de  que  as  regras  não  pudessem ser modificadas. O único instrumento constante da Lei  nº  10.101/2000  que  assegura  ao  trabalhador  o  direito  à  retribuição é o acordo firmado com a observância dos princípios  legais, sobretudo o da não surpresa e da livre negociação com a  participação da representação sindical.  A fim de que o trabalhador não fique ao talante do empregador,  e,  ao  mesmo  tempo,  que  o  empregador  tenha  assegurado  o  necessário  incremento  de  produtividade  para  justificar  o  compartilhamento  do  seu  lucro,  o  acordo  deve  ser  celebrado  antes da vigência do período em que vigorará, de modo a que as  partes  iniciem  esse  tempo  conhecedoras  de  todas  as  regras  a  cumprirem.  (...)  Ainda,  faço  notar  que  a  literalidade  do  texto  legal  também  suporta  integralmente  o  entendimento  acima  adotado  de  necessidade,  para  fins  de  cumprimento  aos  requisitos legais, de formalização prévia do acordo empresa­trabalhadores que contenha metas  e regras claras vinculadas a um aumento de produtividade (futuro), uma vez que estabelece:   a)  a  sugestão  de  vinculação  à  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade da empresa;   b) A condição de quando da utilização de programas de metas, resultados e  prazos, estes serem pactuados previamente;   c)  A  necessidade  de  arquivamento  do  instrumento  de  acordo  na  entidade  sindical dos trabalhadores e   d) A necessidade de previsão, no instrumento de acordo, de mecanismos de  aferição aplicáveis e seu período de vigência (o que levaria a uma necessária aceitação de uma  Fl. 630DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 623          21 incomum vigência retroativa e aferição aplicável a competências passadas, caso se adotasse a  tese de possibilidade de formalização após o início do período de aferição).   Entendo que a previsão de tais elementos em conjunto, consoante o referido  art. 2o. caput, §§1o. e §§2o., respalda a interpretação aqui adotada de forma integral.  Assim,  aplicando­se  tal  entendimento  ao  caso  sob  análise,  verifico  que,  se  resume a presente lide em definir se os mecanismos presentes na cláusula 43a. do Acordo de  PLR (Convenção Coletiva de Trabalho 2007/2008, firmada em nível estadual e anexada às e­ fls.  258  a  278)  atenderam  o  disposto  na  referida  Lei  no.  10.101,  de  2000,  de  forma  a  possibilitar  a  exclusão  dos  valores  pagos  a  título  de  PLR,  na  forma  tencionada  pelo  contribuinte.  Não  há,  destarte,  dúvida  sobre  o  fato  do  instrumento  em  questão  ter  sido  devidamente formalizado previamente ao período de aferição objeto de lançamento.  A propósito, reza referida cláusula 43a.:  " CLÁUSULA QUADRAGÉSIMA TERCEIRA ­ PARTICIPAÇÃO  NOS LUCROS OU RESULTADOS  Considerando  as  disposições  da  Lei  n°  10.101,  de  19  de  dezembro de 2000, que facultam às entidades sindicais patronais  e profissionais celebrarem instrumentos coletivos para a fixação  de critérios para a participação dos trabalhadores nos lucros ou  resultados  das  empresas,  o  SICEPOT­MG  e  o  SITICOP­MG  resolvem  estabelecer,  através  da  presente  convenção,  os  critérios  para  o  recebimento  desta  verba  pelos  empregados  integrantes  da  categoria  da  construção  pesada  no  Estado  de  Minas  Gerais,  referente  ao  ano­base  de  2008,  observadas  as  condições descritas nos parágrafos seguintes.  Parágrafo Primeiro  ­ Os convenentes elegem como resultado o  menor  índice de absenteísmo nas empresas a ser alcançado em  todo o período, assim como a redução dos índices de acidente de  trabalho.  Parágrafo  Segundo  ­  Somente  fará  jus  à  parcela  de  PLR  o  empregado  que  atenda  a  todas  as  condições  adiante  relacionadas:  a)  Que  o  empregado  tenha  trabalhado  na  empresa  que  conceder o benefício ora estabelecido, no mínimo, 8 (oito) meses  completos no ano de 2008;  b)  Que  o  empregado  tenha  comparecido  com  freqüência  integral, em todos os meses trabalhados no ano 2008;  c)  Que o empregado não  tenha se ausentado do  trabalho por  qualquer  período,  por  qualquer  licença,  salvo  no  caso  de  acidente do trabalho ou licença maternidade, no ano de 2008;  d)  Que  o  empregado  não  tenha  sido  vítima  de  acidente  de  trabalho no ano de 2008, a que tenha dado causa ou contribuído  para a sua ocorrência;  Que o empregado não tenha sofrido advertência pelo não uso do  EPI ou punição por falta disciplinar aplicada pelo empregador,  no ano de 2008.  Fl. 631DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 624          22 Parágrafo  Terceiro  ­  Os  empregados  representados  pelo  SITICOP­MG  que  atendam  todas  as  condições  definidas  no  Parágrafo  Segundo,  receberão,  a  título  de  participação  nos  lucros ou resultados das empresas, até o dia 10 de maio de 2009,  a  importância  fixa  total  por  empregado,  a  ser  paga  peias  empresas de acordo com a estratificação abaixo:  CLASSIFICAÇÃO   Capital Social Integralizado­VALOR A PAGAR   Até 10.000.000­R$ 150,00   De 10.000.001 a 50.000.000­R$ 200,00   Demais Empresas­R$ 420,00   Parágrafo Quarto  ­ Os  empregados  registrados na  empresa há  mais  de  cinco  anos  e  que  fizerem  jus  à  parcela  conforme  estipulado na presente cláusula, receberão a título de PLR uma  parcela de 5% calculada sobre o salário nominal percebido em  Io de novembro de 2008, por qüinqüênio completado no mesmo  período aquisitivo.  Parágrafo Quinto ­ O empregado que trabalhar no ano base por  período superior a 8 (oito) meses e inferior a 12 (doze) meses, a  PLR será paga na proporcionalidade por mês trabalhado.  Parágrafo Sexto ­ Entende­se por Capital Social Integralizado o  valor atribuído à atividade da empresa no âmbito do Estado de  Minas Gerais, nos mesmos  termos do art. 581 e parágrafos, da  CLT.  Parágrafo  Sétimo  ­  O  pagamento  correspondente  à  faixa  de  maior  valor  assim  como  o  pagamento  da  PLR  adicional  por  tempo  de  serviço,  prevista  no  parágrafo  quarto,  poderá,  a  critério da empresa, ser pago em duas parcelas, respectivamente  em 10 de maio e 10 de outubro de 2009.  Parágrafo Oitavo ­ Consoante disposto no art. 3o, da Lei 10.101,  de 19/12/2000, a verba de participação nos lucros ou resultados  objeto  da  presente  convenção  não  integra  ou  incorpora  à  remuneração  do  empregado,  tampouco  constitui  base  para  a  incidência de qualquer encargo trabalhista e previdenciário, não  se lhe aplicando o princípio da habitualidade.  Parágrafo Nono ­ Em caso de rescisão do contrato de trabalho  antes do dia 10de maio de 2009, a Participação nos Lucros ou  Resultado  será  paga  quandoda  rescisão,  desde  que  atendidas  todas as condições acima mencionadas.  Parágrafo Décimo ­ As empresas interessadas na celebração de  Acordo Coletivo  sobre  a  participação nos  lucros  ou  resultados  diverso  dos  termos  estipulados  nesta  Convenção,  poderão  promover o Acordo mediante negociação com seus empregados,  assistidos  pelo  SITICOP­MG,  hipótese  em  que  as  condições  previstas  no  Acordo  Coletivo  prevalecerão  sobre  aquelas  estabelecidas na presente Convenção Coletiva.  Fl. 632DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 625          23 Parágrafo  Décimo  Primeiro  ­  Os  Acordos  celebrados  entre  o  SITICOP­MG  e  as  empresas  antes  da  celebração  da  presente  Convenção  permanecem  válidos,  respeitado  o  respectivo  prazo  de vigência.  Parágrafo  Décimo  Segundo  ­  O  SITICOP­MG  fiscalizará  o  cumprimento  da  presente  convenção  mediante  a  requisição,  junto às empresas representadas pelo SICEPOT­MG, da lista de  empregados beneficiados com a verba ora ajustada.  Parágrafo Décimo  Terceiro  ­  Ressaltamos  que  os  valores  e  as  condições para recebimento da PLR referente ano base de 2007  foram  estabelecidas  na  Cláusula  Quadragésima  Terceira  da  Convenção Coletiva 2006/2007.  Assim, cediço que tal instrumento :  a) Estabelece valor fixo de participação para os empregados, independente de  índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, baseado tão somente no nível  de  absenteísmo  e  capital  social  das  empresas  concedentes,  de  forma  a  que,  assim,  um  incremento  maior  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  não  é  revertido,  de  forma  alguma, como um maior valor de participação aos empregados;  b)  Exclui  do  recebimento  da  participação  os  empregados  que,  ainda  que  tenham contribuído para o aumento da produtividade/competitividade da empresa: a) Tenham  trabalhado  na  empresa  por  período  inferior  a  8  meses  durante  o  ano­base;  b)  Não  tenham  comparecido  com  frequência  integral,  ainda  que  por  força  de  licença­saúde  e  c)  Tenham  sofrido  acidente  de  trabalho,  o  qual,  em  meu  entendimento,  não  se  constitui  em  evento  desejável para qualquer vítima daquele;  c) Ainda, se acede aqui à correta constatação do recorrido às e­fls. 366/367,  verbis:  "(...)  31. Desta análise,  resta evidente que não há a definição de um  plano de metas ou resultados a ser cumprido para o pagamento  da  PLR,  tendo  a  Convenção  Coletiva  apenas  previsto  um  aumento na remuneração dos empregados que mais trabalharam  ao  longo  do  ano  de  2008,  por  não  terem  faltas  ou  não  terem  sofrido qualquer acidente de trabalho.  (...)"  Contrariado,  assim,  em  meu  entendimento  através  dos  elementos  supra,  o  cerne  do  instituto  da  PLR  já  aqui  citado,  a  saber,  o  binômio  aumento  de  produtividade­ consequente aumento dos valores de participação dos empregados, rejeitando­se, assim, que o  referido  programa  de  PLR  tenha  obedecido  aos  ditames  da  Lei  no.  10.101.,  de  2000,  mais  especificamente em seu art. 2o., §1o.   A  propósito  noto  que,  ainda  que  entenda  que  o  termo  "entre  outros",  constante do referido §1o., tenha caráter exemplificativo, rejeito que esteja o mesmo parágrafo  a permitir a adoção de programas de PLR que adotem mecanismos de aferição e participação,  tais  como  o  sob  análise,  que  se  encontrem  em  dissonância  com  o  intuito  fundamental  do  instituto em questão, ali regulamentado.   Fl. 633DF CARF MF Processo nº 15504.727813/2012­99  Acórdão n.º 9202­006.946  CSRF­T2  Fl. 626          24 Por  fim,  ressalte­se  que  não  se  está  aqui,  no  presente  voto,  a  contestar  a  clareza  ou  objetividade  das  regras  ou  reputar  inválidas  as  cláusulas  do  referido  instrumento  (CCT),  mas  tão  somente  rejeitar  sua  consonância  com  o  instituto  da  PLR  e  com  a  melhor  interpretação  de  seu  diploma  regulamentador  (Lei  no.  10.101,de  2000),  de  forma  a  que  se  pudesse permitir a exclusão tencionada.  Assim, diante do exposto, voto por, mantendo o entendimento do Colegiado  a quo, negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte.   CONCLUSÃO  Diante do exposto, voto no sentido de:  a)  Conhecer  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional,  para,  no  mérito,  negar­lhe provimento;  b) Conhecer do Recurso Especial da Contribuinte, para, no mérito, negar­lhe  provimento.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.  .                           Fl. 634DF CARF MF

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7421148 #
Numero do processo: 10469.900512/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 SALDO NEGATIVO. COMPOSIÇÃO. IRRF. COMPROVAÇÃO. Sendo o saldo negativo indicado em pedido de compensação composto de parcela de IRRF e não possuindo, o contribuinte, o informe de rendimento, é dever desse a apresentação de documentação para comprovação do seu direito creditório. O ônus de desconstrução do que restou decido em Despacho Decisório é do contribuinte e sempre através de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 1302-003.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS

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1302­003.071  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de agosto de 2018  Matéria  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Recorrente  COMPANHIA ENERGÉTICA DO RIO GRANDE DO NORTE  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2005  SALDO NEGATIVO. COMPOSIÇÃO. IRRF. COMPROVAÇÃO.  Sendo  o  saldo  negativo  indicado  em  pedido  de  compensação  composto  de  parcela de IRRF e não possuindo, o contribuinte, o informe de rendimento, é  dever  desse  a  apresentação  de  documentação  para  comprovação  do  seu  direito  creditório.  O  ônus  de  desconstrução  do  que  restou  decido  em  Despacho  Decisório  é  do  contribuinte  e  sempre  através  de  documentação  hábil e idônea.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  do  relator.  Ausente,  justificadamente,  o  conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno  Feitosa  que  foi  substituído  no  colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Flávio Machado Vilhena Dias ­ Relator.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal  Moreira  Filho,  Gustavo  Guimarães  da  Fonseca,  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Rogério  Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir  o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 05 12 /2 01 0- 12 Fl. 83DF CARF MF   2   Relatório  O  contribuinte  ­  Companhia  Energética  do  Rio  Grande  do  Norte­  ora  Recorrente,  transmitiu  PerDcomp,  na  qual,  como  consta  do  acórdão  recorrido,  pretendia  utilizar de "crédito decorrente de saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido  –  CSLL,  no  valor  de  R$  2.876.756,68,  com  origem  no  período  de  apuração  encerrado  em  31/12/2004 ", para quitar débito de sua responsabilidade.   Contudo,  em  despacho  decisório  exarado,  contatou­se  a  inexistência  da  totalidade do crédito indicado no pedido de compensação, tendo em vista que não identificou­ se a integralidade dos créditos que compunham aquele saldo negativo.  Na Manifestação  de  Inconformidade  apresentada,  o  Recorrente  alegou,  em  síntese,  como  se  observa  do  acórdão  proferido  pela DRJ  no Recife  (PE)  que  "utiliza,  como  dedução na apuração do  IRPJ, as  antecipações apresentadas no  sistema da empresa  com o  status de arrecadadas, de forma a assegurar que seus clientes, os órgãos públicos e as demais  entidades  (Lei  n.º  10.833,  de  2003)  farão  o  recolhimento  dos  tributos  retidos,  procedimento  que, contudo, não pode gerar distorções para a Receita Federal."  Para corroborar com os seus argumentos, o Recorrente apresentou, além dos  documentos  constitutivos  e  de  representação,  apenas  uma  solução  de  Consulta  que  foi  formulada por outro contribuinte (Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia), na qual a  administração fazendária esclarece que "na hipótese de o órgão ou entidade da administração  pública  federal  não  fornecer  o  comprovante  anual  de  retenção,  a  pessoa  jurídica  poderá  utilizar os seus registros contábeis, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação  do  valor  depositado  pela  fonte  pagadora,  para  respaldar  a  compensação  dos  tributos  e  contribuições federais retidos" (fl. 19 e seguintes).  Contudo, entendendo que o contribuinte não comprovou de forma correta o  seu  direito  creditório,  a  DRJ  no  Recife  (PE)  indeferiu  a  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada, tendo o acórdão proferido recebido a seguinte ementa:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário: 2005   PROVAS  DOCUMENTAIS.  APRESENTAÇÃO  NA  IMPUGNAÇÃO.  Conforme  preconiza  o  §  4º  do  art.  16  do  Decreto  n.º  70.235/72,  é  na  impugnação  que  as  provas  documentais  devem  ser  apresentadas,  precluindo  o  direito  de  fazê­lo  posteriormente,  salvo  se  ocorrentes  as  hipóteses  excepcionais previstas nas alíneas do mesmo parágrafo.  Manifestação  de  Inconformidade  Improcedente  Direito  Creditório Não Reconhecido  Devidamente intimado, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual  repisa os argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. Em seu apelo,  junta aos autos tabela com os "tributos retidos na fonte ano 2014" e solução de consulta por ele  Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10469.900512/2010­12  Acórdão n.º 1302­003.071  S1­C3T2  Fl. 84          3 formulada,  em  que  a  SRRF  da  4ª  Região  Fiscal  chega  às  mesmas  conclusões  que  foram  apresentadas na anterior solução de consulta acostada aos autos pelo Recorrente.   Este é o relatório.    Voto             Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias ­ Relator  DA TEMPESTIVIDADE  Como  se  denota  dos  autos,  o  Recorrente  foi  intimado  do  teor  do  acórdão  recorrido,  via  AR,  em  19/07/2012  (fl.  54  e  55),  apresentando  o  Recurso  Voluntário  ora  analisado no dia 16/08/2012 (comprovante de fl. 68), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos  termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.   Assim,  por  cumprir  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  o  Recurso  Voluntário  deve  ser  conhecido  e  analisado  por  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais.  DA COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.   Como se depreende do  relatório acima, o Recorrente  indicou em pedido de  compensação, como direito creditório, saldo negativo referente ao ano­calendário de 2004, que  tinha em sua composição CSSL que, supostamente, foi retida e recolhido por órgãos públicos.  Tendo em vista a falta de informe de rendimentos para comprovar a parcela  de  CSLL  que  compunha  aquele  saldo  negativo,  argumentou,  arrimado  em  Soluções  de  Consulta  exaradas  pela  Receita  Federal  do  Brasil,  que  seu  direito  creditório  poderia  ser  comprovado com outros documentos, notadamente com os registros contábeis, acompanhados  da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor depositado pela fonte pagadora.  Contudo,  mesmo  sabendo  que,  na  ausência  dos  informes  de  rendimentos,  deveria  comprovar o direito  creditório  com outros documentos,  o Recorrente não  trouxe  aos  autos, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, qualquer documento para  comprovar o seu direito.  Em  Recurso  Voluntário,  como  mencionado,  além  de  outra  Solução  de  Consulta, que, desta vez, foi formulada pelo próprio Recorrente, este acostou aos autos apenas  uma planilha denominada "TRIBUTOS RETIDOS NA FONTE ANO 2004" (fl. 63).   Contudo,  em  total  contradição  ao  que  restou  decidido  nas  soluções  de  consulta, que a própria defesa  invoca, o Recorrente não apresentou nenhum dos documentos  que  aquelas  soluções dizem como  serem  aceitos  para  comprovação do direito  creditório,  em  substituição aos informes de rendimentos.   Como  sabido,  em  atenção  ao  princípio  da  verdade  material,  no  processo  administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear  Fl. 85DF CARF MF   4 sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo,  inclusive,  ao  contrário  do  que  ocorre  nos  processos  judiciais,  não  ficar  restrito  ao  que  foi  alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de  influir em seu convencimento.  Isto  porque,  no  processo  administrativo  não  há  a  formação  de  uma  lide  propriamente  dita,  não  há,  em  tese,  um  conflito  de  interesses.  O  objetivo  é  esclarecer  a  ocorrência  dos  fatos  geradores  de  obrigação  tributária,  de  modo  a  legitimar  os  atos  da  autoridade administrativa.  Contudo,  mesmo  com  esse  direcionamento  que  o  Princípio  da  Verdade  Material dá ao procedimento administrativo fiscal, não se pode perder de vista que o ônus para  comprovar as alegações, em especial o direito creditório, é do contribuinte, ainda mais quando  tem resposta de consulta formulada à Receita Federal do Brasil neste sentido.  É  ilógico  pensar  que,  mesmo  sabendo  que,  para  comprovar  o  seu  direito  creditório,  deveria  ser  apresentada documentação  específica,  o  contribuinte  não  fornece  essa  documentação e, ao mesmo tempo, alega que tem direito ao crédito com base no entendimento  exarado pela Receita Federal de que a comprovação deve se dar com a apresentação daqueles  documentos.   Não  se  pode  perder  de  vista,  inclusive,  que  as  decisões  proferidas  por  este  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em grande parte, vão ao encontro do que restou  consignado  nas  respostas  das  consultas  formuladas  pela  Receita  Federal  do  Brasil,  ou  seja,  admite­se a comprovação com outros meios do direito creditório, em detrimento do informe de  rendimentos. Entretanto, é ônus do contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea,  o seu direito creditório. Neste sentido, veja­se ementa de julgado proferido pelo CARF:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 1993  RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.  O  ônus  da  prova  do  crédito  tributário  pleiteado  no  Pedido  de  Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo  produzida nos autos,  indefere­se o pedido e não homologa­se a  compensação pretendida entre crédito e débito tributários.  COMPENSAÇÃO.  RETENÇÃO  DE  TRIBUTO.  COMPROVAÇÃO.  O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida  pela  fonte  pagadora  é  o  informe  de  rendimentos  por  esta  fornecido, podendo ser suprido pela Declaração de Informação  de Retenções (DIRF).  APURAÇÃO  DO  IRPJ.  COMPOSIÇÃO  DO  SALDO  NEGATIVO. IRRF. CONDIÇÕES.  Para  que  as  deduções  a  título  de  imposto  de  renda  na  fonte  possam  integrar  a  apuração  do  IRPJ  e,  caso  se  apure  o  saldo  negativo, o crédito possa se revestir da liquidez e certeza, faz­se  necessário  que  o  contribuinte  faça  prova  de  que  efetivamente  ocorreram  as  retenções  de  IRRF  e  que  os  correspondentes  rendimentos tenham sido oferecidos à tributação.  Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10469.900512/2010­12  Acórdão n.º 1302­003.071  S1­C3T2  Fl. 85          5 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.  AUSÊNCIA DE CONVERSÃO  EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.  INEXISTÊNCIA DE  HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.  À  luz  do  art.  74,  caput  e  §§  4º  e  5º,  da  Lei  nº  9.430/96,  na  redação  dada  pela  Lei  nº  10.637/2002,  os  pedidos  de  compensação  de  créditos  de  terceiros  não  se  convertem  em  Declaração de Compensação e nem se submetem ao regime da  homologação  tácita,  pois  tais  permissivos  legais  somente  abrangem  os  pedidos  de  compensação  de  débitos  e  créditos  próprios.  (Número do Processo 10880.015062/97­07  ­ Acórdão  nº 1301­001.847 ­ Sessão de 08/12/2015).   Ocorre que, no presente caso, como mencionado, o contribuinte, em sede de  Recurso Voluntário, para comprovar o seu direito creditório apresentou, tão­somente, planilha  por  ele  elaborada,  em  que  supostamente  constam  os  valores  que  foram  retidos  e  recolhidos  pelas fonte pagadoras (órgão públicos) a título de IRRF e CSLL.   Além desta  planilha,  não  há mais  nenhum documento  nos  autos,  tais  como  demonstrações contábeis,  faturas  e/ou notas  fiscais e os comprovantes dos valores creditados  em  conta  bancária,  que  pudessem,  de  alguma  forma,  ratificar  as  informações  constante  na  planilha elaborada pelo contribuinte.   Desta feita, por ausência de comprovação, não há como reconhecer o direito  creditório do contribuinte, nos termos indicados no pedido de compensação apresentado junto à  Receita Federal do Brasil  Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário,  mantendo, na totalidade, a decisão proferida pela DRJ no Recife (PE).   (assinado digitalmente)  Flávio Machado Vilhena Dias ­ Relator.                                Fl. 87DF CARF MF

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7414120 #
Numero do processo: 19515.723162/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROCEDENTE Impugnação apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Decorre disto que não se infirmando a intempestividade, não pode ser provido recurso em face de impugnação anterior intempestivo e que não surtiu os efeitos legais.
Numero da decisão: 1401-002.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO

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1401­002.878  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de agosto de 2018  Matéria  TEMPESTIVIDADE  Recorrente  LANCHONETE E PADARIA EDVALDOSQUE LTDA ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2009  IMPUGNAÇÃO  INTEMPESTIVA.  RECURSO  VOLUNTÁRIO  IMPROCEDENTE  Impugnação apresentada fora do prazo  legal não  instaura a  fase  litigiosa do  procedimento  administrativo  e  não  pode  ser  conhecida  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento.  Decorre  disto  que  não  se  infirmando  a  intempestividade,  não  pode  ser  provido  recurso  em  face  de  impugnação anterior intempestivo e que não surtiu os efeitos legais.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Abel Nunes de Oliveira Neto­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Luiz  Rodrigo  de  Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara  Arcangelo  Zanin,  Cláudio  de  Andrade  Camerano,  Daniel  Ribeiro  Silva,  Letícia  Domingues  Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 31 62 /2 01 3- 71 Fl. 570DF CARF MF   2   Relatório  Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão de Piso.  Trata  o  presente  processo,  da  exigência  de  R$  1.675.110,29  a  título  de  imposto  de  renda  pessoa  jurídica,  R$  507.934,24  a  título  de  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido, R$ 529.098,18  a  título  de  contribuição  para  o  financiamento da seguridade social e R$ 114.637,95 a título de contribuição  para o PIS/Pasep, referentes ao ano calendário de 2009, acrescidos de multa  de  ofício  à  razão  de  225%.  O  lançamento  foi  efetuado  com  base  no  arbitramento  do  lucro,  posto  que  notificado  a  apresentar  os  livros  e  documentos  de  sua  escrituração,  o  contribuinte  deixou  de  apresentá­los,  enquadrando­se desta forma na hipótese prevista no inciso III do artigo 530  do RIR/1999, apoiado pelo Termo de Verificação Fiscal (fls. 249 a 264).    A base legal para a exigência do IRPJ é o artigo 3° da Lei n° 9.249/1995 e  artigo 42 da Lei n° 9.430/1996; para a CSLL, o art. 2º da Lei n° 7.689/1988  com as  alterações  introduzidas pelo  art.  2º  da Lei  n° 8.034/1990,  art.  2º da  Lei n° 9.249/1995, art. 29,  inciso I, da Lei n° 9.430/1996, art. 22 da Lei n°  10.684/2003, art. 3º da Lei n° 7.689/1988, com redação dada pelo art. 17 da  Lei n° 11.727/2008 e, art. 24, § 2º, da Lei n° 9.249/1995 com as alterações;  introduzidas  pela  Medida  Provisória  nº  449/2008;  a  exigência  da  Cofins  encontra amparo no art. 8º da Lei n° 9.718/1998, art. 1º da Lei Complementar  n° 70/1991; art. 2º da Lei n° 9.718/1998, art. 24, § 2º, da Lei n° 9.249/1995,  com as alterações introduzidas pelo art. 28 da Medida Provisória nº 449/2008  e art. 3º da Lei n° 9.718/1998, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da  Medida Provisória n° 2.158­35/01, pelo  art.  41  da Lei n° 11.096/2005;  por  fim, para o PIS, o enquadramento legal é o art. 1º da Lei Complementar n°  7/70,  arts.  2º,  inciso  I  e  9º  da  Lei  n°  9.715/1998,  arts.  2º  da  Lei  n°  9.718/1998,  art.  8º,  inciso  I,  da Lei  n°  9.715/1998,  art.  24,  §  2º,  da Lei  n°  9.249/1995, com as alterações introduzidas pelo art. 28 da Medida Provisória  nº  449/2008,  art.  3º,  da Lei  n°  9.718/1998,  com  as  alterações  introduzidas  pelo  art.  2º  da Medida  Provisória  n°  2.158­35/01  e  pelo  art.  41  da  Lei  n°  11.196/2005.    Às fls. 273 e 274 consta o Termo de Sujeição Passiva Solidária emitido em  nome  de  Gervásio  Cavalcanti  de  Macedo,  CPF  484.350.234­00,  enquadrando­o na situação prevista no artigo 124 da Lei n° 5.172 de 1966 ­  Código Tributário Nacional. Foi emitido, ainda, o Termo de Sujeição Passiva  Solidária (fls. 275 e 276), em nome de Maria dos Anjos de Brito Cavalcanti  de Macedo, CPF 036.084.674­24, alocando­a na  situação prevista no  artigo  124 da Lei 5.172, de 1966 ­ Código Tributário Nacional.    Termos de Revelia foram lavrados para os  responsáveis solidários Gervásio  Cavalcanti  de Macedo  (fl.  296)  e Maria  dos Anjos  de Brito  Cavalcanti  de  Macedo (fl. 297) tendo em vista que, dentro do prazo regulamentar, não foi  apresentada impugnação ao lançamento, nem foi efetuado o recolhimento do  crédito tributário exigido no presente processo.    Fl. 571DF CARF MF Processo nº 19515.723162/2013­71  Acórdão n.º 1401­002.878  S1­C4T1  Fl. 565          3 Tendo  sido  verificado  que  constavam  débitos  em  aberto  foram  emitidas  cartas  de  cobrança  nºs  09/2014  e  11/2014  para  Gervásio  Cavalcanti  de  Macedo  (fls.  316/317  e  331/332)  e  nºs  10/2014  e  12/2014  para Maria  dos  Anjos de Brito Cavalcanti de Macedo (fls. 318/319 e 333/334).    Em 07/10/2014, por meio de seu procurador, os sujeitos passivos  solidários  Gervásio Cavalcanti de Macedo e para Maria dos Anjos de Brito Cavalcanti  de Macedo apresentaram contestação às Cartas de Cobrança (fls. 338 a 345),  alegando, em síntese, que:    ­ conforme se infere do Termo de Constatação Fiscal, os Auditores da RFB  promoveram uma ação fiscal única que abrangeu dez MPFs;    ­  essa  execução  englobada  dos  dez  MPFs  numa  só  auditoria  fiscal  foi  justificada  pelo  fato  das  irregularidades  detectadas  nas  diversas  pessoas  jurídicas apresentarem “situações em comum”, que evidenciariam se tratar de  empresas  apenas “formalmente  independentes”,  pois  teriam  funcionado  no  período examinado “como um grupo econômico de fato”;    ­  no  Termo  de  Constatação  Fiscal  (o  único  para  os  dez  procedimentos  fiscais), está informado, de modo absolutamente inequívoco e expresso, que,  a despeito da constituição  individualizada dos créditos  tributários para cada  ente  do  grupo, “serão  os  lançamentos  apensados  uns  aos  outros  para  que  tenham contenciosos em comum”;    ­  relativamente  aos  PAFs  n°s  19515.723066/2013­22,  19515.720122/2014­  58,  19515.720121/2014­11,  19515.722887/2013­41  e  19515.721663/2013­ 12, os requerentes apresentaram tempestivas impugnações. E em tais defesas  (todas de idêntico teor e fundamentação), foram arguidas diversas nulidades,  arbitrariedades  e  ilegalidades  da  ação  fiscal  que  deu  origem  a  todas  as  autuações e que fundamenta a malfadada sujeição passiva solidária.    ­  diante do  que  apurou,  entendeu  e  asseverou  o  próprio  fisco  no Termo de  Constatação Fiscal, não podem os requerentes ser considerados revéis quanto  aos  demais  processos  administrativos,  visto  que,  em  rigor,  encontra­se  efetivamente  impugnada  a  ação  fiscal  (que,  insista­se,  é  única)  e,  em  consequência,  impugnados  todos  os  créditos  tributários  e  a  imputação  de  responsabilidade tributária solidária dela (ação fiscal) decorrentes;    ­  a  não  apresentação  de  tempestivas  defesas  nos  processos  administrativos  em  apreço  não  denota  o  desinteresse  (ou  a  desídia)  dos  requerentes  em  impugnar  os  correspondentes  gravames. Em verdade,  isso  somente  ocorreu  porque havia a convicção de que os  lançamentos  seriam apensados uns aos  outros  e  que  tramitariam  em  “contencioso  em  comum”  (conforme  consta  expressamente do próprio TCF). De sorte que a insurgência manifestada, em  uma (ou algumas) defesa(s), contra a ação fiscal e a sujeição passiva solidária  propriamente  dita  seria  suficiente  para  impugnar  todos  os  lançamentos  de  ofício;    Fl. 572DF CARF MF   4 ­  a  intenção  de  se  insurgir  contra  todas  as  exações  restou  incontroversa  quando  os  requerentes  formalizaram  “Impugnação  ao  Termo  de  Ciência  Fiscal”  em  que  são  nominalmente  citadas  as  dez  pessoas  jurídicas  fiscalizadas e pugnou­se pela improcedência das acusações contidas nos dez  respectivos procedimentos fiscais;    ­ dadas as peculiaridades do vertente caso, não há que se aplicar com rigor o  artigo 21 do Decreto n° 70.235/72, posto que a exigência foi verdadeiramente  impugnada,  sendo que os  requerentes,  tão­somente,  deixaram de  reproduzir  nos feitos epigrafados as razões de inconformismo deduzidas nas tempestivas  defesas  interpostas  em processos  administrativos  conexos  e  relacionados  às  mesmas bases fáticas;    ­ como os Auditores autuantes entenderam que os requerentes são “os reais  beneficiários  das  atividades”  das  dez  pessoas  jurídicas  fiscalizadas,  cuja  independência seria um “engodo e expediente de simulação”, perfeitamente  possível  sustentar  que  as  dez  autuações  foram  lavradas  contra  os  mesmos  sujeitos passivos e se vinculam aos mesmos elementos de prova; situação que  enseja a incidência do § 2º do artigo 38 do Decreto n° 7.574/2011;    ­ diante de todas as informações, alegações e acusações contidas no TCF (em  que, de modo  insistente,  se  faz  referência  a uma “conexão  fática” entre as  empresas  fiscalizadas),  seria  até  uma  incoerência  a  RFB  não  reconhecer  a  unidade e a intima vinculação dos lançamentos, já que fundados em idêntica  matéria de  fato e  resultantes de mesma ação  fiscal,  e não  reconhecer que a  interposição de  impugnação pelos pretensos  sujeitos passivos  solidários  em  um ou alguns dos processos  foi  suficiente para  instaurar  a  fase  litigiosa  do  procedimento como um todo;    ­  o  apensamento  dos  lançamentos  num  contencioso  administrativo  em  comum  impunha­se,  inclusive,  sob  o  ponto  de  vista  da  segurança  jurídica,  haja  vista  a  possibilidade  de  haver  (caso  cada  gravame  tramite  de  modo  isolado e independente) soluções conflitantes quanto a situações idênticas;    ­ é imprescindível que os efeitos do julgamento das defesas formuladas nos  Processos  19515.723066/2013­22,  19515.720122/2014­58,  19515.720121/2014­11,  19515.722887/2013­41  e  19515.721663/2013­12  (decisão  essa  que,  indubitavelmente,  será  única)  também  se  estendam  aos  demais feitos, de forma a evitar a inusitada e inadmissível situação de serem  os  requerentes  demandados  em  cobranças  executivas  (e  ações  penais)  alicerçadas  em  acusação  fiscal  que  sequer  foi  julgada/confirmada  definitivamente no âmbito do contencioso administrativo;    ­ uma vez consideradas as referidas singularidades do caso concreto (em que  há uma única  ação  fiscal,  uma única base  fática  e os mesmos  responsáveis  tributários  solidários),  forçoso  concluir  que  não  se  consumou  a  revelia  dos  requerentes  nos  autos  dos  processos  em  que  eles  tão­somente  deixaram  de  apresentar,  no  prazo  regulamentar,  as  mesmas  razões  impugnatórias  que  foram  articuladas  nos  outros  feitos,  que,  segundo o  próprio TCF,  deveriam  estar apensados àqueles primeiros para terem “contenciosos administrativos  em comum”. Destarte, para que não haja qualquer nulidade,  sobretudo pela  preterição do direito de defesa, necessário que se aguarde o  julgamento das  Fl. 573DF CARF MF Processo nº 19515.723162/2013­71  Acórdão n.º 1401­002.878  S1­C4T1  Fl. 566          5 impugnações interpostas, visto que a eventual procedência (total ou parcial)  repercutirá  inexoravelmente  em  todos  os  lançamentos  advindos  da  mesma  ação fiscal efetivamente hostilizada;    ­  ao  formalizar “Impugnação  ao  Termo  de Ciência  Fiscal”  pertinente  aos  dez  MPFs,  os  requerentes  pugnaram  para  que  “todas  as  publicações  e  intimações”  relacionadas ao processo fossem encaminhadas exclusivamente  aos seus então patronos. Não obstante, os Autos de Infração e os Termos de  Sujeição  Passiva  Solidária  foram  endereçados  aos  domicílios  dos  requerentes;    ­ além da convicção de que a ação fiscal já estava devidamente impugnada,  os  requerentes  estavam  certos  de  que  as  intimações  a  esta  referentes,  no  mínimo, também seriam encaminhadas aos advogados constituídos nos autos.  Em razão disso, deixaram de repassar (dentro do trintídio regulamentar) parte  dos documentos aos profissionais que haviam contratado para cuidar de seus  interesses e apresentar a(s) defesa(s) cabível(is). Inegável, assim, que restou  prejudicado o pleno exercício do direito de defesa dos requerentes;    ­  por  fim  requer  que  se  reconheça  instaurada  a  fase  litigiosa  dos  PAFs  19515.723162/2013­71,  19515.720286/2014­85,  19515.720179/2014­57,  19515.720180/2014­  81  e  19515.720178/2014­11;  e  que  se  determine  o  apensamento  dos  mesmos  aos  autos  dos  PAFs  19515.723066/2013­22,  19515.720122/2014­58,  19515.720121/2014­11,  19515.722887/2013­41  e  19515.721663/2013­12  de  sorte  que  todos  se  sujeitem  aos  efeitos  do  julgamento que será proferido acerca deste contencioso administrativo, bem  como  se  determine  que  não  se  proceda  a  qualquer  ato  de  cobrança  dos  débitos  tributários  em  questão,  inscrição  em  CADIN,  encaminhamento  de  Representação para Fins Penais ou qualquer outra medida restritiva, enquanto  não houver decisão administrativa definitiva quanto às defesas formuladas;    ­  entretanto,  caso  se  entenda  de  modo  diverso,  requer­se  alternativamente  que, tendo em vista a prévia solicitação deduzida na “Impugnação ao Termo  de Ciência Fiscal” quanto ao exclusivo encaminhamento das intimações aos  causídicos  então  constituídos,  seja  reconhecida  a  nulidade  das  intimações  referentes aos Autos de  Infração  / Termo de Sujeição Passiva Solidária dos  PAFs 19515.723162/2013­71, 19515.720286/2014­ 85, 19515.720179/2014­ 57,  19515.720180/2014­81  e  19515.720178/2014­11,  a  fim  de  que  seja  reaberto  aos  requerentes  o  prazo  para  formalização  das  respectivas  impugnações.    Analisando  as  petições  apresentadas  contra  a  autuação  a  Delegacia  de  Julgamento deixou de analisar as impugnações por considerá­las intempestivas.  Cientificados da decisão de Piso os sujeitos passivos solidários apresentaram  recurso voluntário no qual aduzem as seguintes alegações:    Fl. 574DF CARF MF   6         Voto             Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto  O presente  recurso decorre de  intimação dos  responsáveis  solidários  acerca  do auto de infração e dos Termos de Responsabilidade solidária contra si lavrados, da qual não  foi apresentada, tempestivamente, impugnação ao auto e termo de responsabilidade.  Analisando  as  impugnações,  em  função  da  alegação  preliminar  de  tempestividade  a Delegacia  de  Julgamento  deixou  de  conhecê­la  e manteve  a  declaração  de  intempestividade já elaborada pela Delegacia de Origem.  Irresignada com a referida decisão os sujeitos passivos apresentaram recurso  voluntário  conjunto  no  qual  apresenta  contestação  à decisão  de Piso,  repisando  as  alegações  trazidas na impugnação acerca do fato de que se trata de uma autuação conjunta para 10 (dez)  empresas  diferentes  e,  assim,  a  impugnação  apresentada  em  relação  a  uma  empresa  aproveitaria todas as demais.  Apresenta  outros  assuntos,  antes  não  abordados,  nos  quais  descambam  no  mesmo  objetivo,  qual  seja,  o  de  considerar  que  as  impugnações  apresentadas  em  outros  processos  que  foram  objeto  de  lançamento,  e  dos  quais  a  responsabilidade  pelos  créditos  é  atribuída aos mesmos dois sujeitos passivos deste processo, seja aproveitada para este processo  com vistas a infirmar a intempestividade das impugnações neste manejadas.  Visualizando  documento  a  documento  os  autos  do  presente  processo  observamos  que  não  só  a  empresa  não  foi  localizada  no  endereço  constante  no  cadastro  do  CNPJ, como constatamos as dificuldades na localização do correto endereço dos responsáveis  solidários.  Da  leitura  do  Termo  de Verificação  Fiscal  e  auto  de  infração,  observamos  que  bem  andou  a Delegacia  de  Julgamento  na  análise da  tempestividade  da  petição. Não  se  observam  falhas na  análise que pudessem modificar  a declaração de  intempestividade,  razão  pela qual, sendo os argumentos aduzidos no recurso semelhantes aos argumentos apresentados  na  impugnação,  todos no sentido de que se considere  tempestiva a  impugnação, entendo não  merecer reparo a decisão atacada, pelos fundamentos nela apresentados e pela falta de qualquer  elemento fático apresentado pela defesa que pudesse infirmar a intempestividade.  Desta forma, utilizo a Decisão de Piso, que abaixo passo a transcrever, pelos  seus  próprios  fundamentos,  a  fim  de  manter  a  intempestividade  e  consequente  revelia  já  declarados e reconhecer que, no presente caso, não se instaurou o litígio.  Início da Transcrição do Voto da Delegacia de Julgamento.    Fl. 575DF CARF MF Processo nº 19515.723162/2013­71  Acórdão n.º 1401­002.878  S1­C4T1  Fl. 567          7 Tendo  sido  suscitada,  pela  interessada,  questão  preliminar  relativa  à  tempestividade da impugnação, passa­se ao exame do presente processo por  força  do  disposto  no  Ato  Declaratório  Normativo  COSIT  nº  15,  de  12  de  julho de 1996.    O COORDENADOR­GERAL DO  SISTEMA DE  TRIBUTAÇÃO,  no  uso  de  suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art.151, inciso III do Código  Tributário Nacional ­ Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 e nos arts. 15 e  21 do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1.º  da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, Declara, em caráter normativo,  às  Superintendências  Regionais  da  Receita  Federal,  às  Delegacias  da  Receita Federal  de  Julgamento  e  aos  demais  interessados  que,  expirado  o  prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada  cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo,  não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento,  não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento  de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade,  como preliminar. (Grifei).    De acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 88 a 130) foi detectado  que  a  empresa  autuada,  Lanchonete  e  Padaria  Edvaldosque  Ltda  –  ME,  juntamente com outras nove empresas,  apresentavam as  seguintes  situações  em  comum:  a)  desconhecidas  ou  inoperantes  nos  domicílios  tributários;  b)  registradas  como  lanchonetes,  restaurantes  e  afins;  c)  com  movimentação  financeira volumosa  e  atípica para  suas atividades; d)  falta de apresentação  de  declarações  (DIPJ  e DCTF);  e)  com  intimações  enviadas  por  via  postal  aos endereços dos sócios que retornavam com a indicação de desconhecidos  nos locais e f) sócios sem capacidade econômica para as movimentações das  empresas.    Ainda,  conforme  o  referido  Termo  de  Constatação  Fiscal,  os  Auditores  Fiscais apresentam as seguintes constatações:    “A concomitância das ocorrências não foi casual, decorreu de terem sido as  empresas listadas em um mesmo relatório do COAF – Conselho de Controle  das Atividades Financeiras – por operações  financeiras a  se esclarecerem,  que  a  divisão  de  planejamento  da  Delegacia  tributária  confirmou  não  estavam  declaradas  em  DIPJ  e  DCTF,  e,  acrescentando  indícios  de  irregularidade, que pela atividade informada deveriam, supostamente, ser de  pequeno  porte  (...)  tinham  movimentações  financeiras  expressivas  não  informadas ao fisco.    Identificadas que as situações representavam um padrão de ocorrências que  demandavam  exame  fiscal,  decidiram  as  administrações  das  Divisões  de  fiscalização,  envolvidas  nos  procedimentos,  que  os  auditores  atuantes  deveriam  promover,  entre  si,  troca  de  informações  sobre  as  constatações  feitas nestas empresas, visando, sobretudo, esclarecer as possíveis conexões  entre  elas,  e,  com  especial  atenção,  a  identificação  de  possíveis  reais  beneficiários em comum.    Fl. 576DF CARF MF   8 As  conexões  entre  as  empresas  se  confirmaram  nas  verificações,  evidenciando  que  a  divisão  do  grupo  em  empresas  formalmente  independentes  era,  em  concreto,  engodo  e  expediente  de  simulação  para  turbar a percepção, a observadores externos, sobre a grandeza dos recursos  movimentados e omitidos em declarações tributárias que se impunham serem  apresentadas pelos valores reais.    As  naturezas  das  efetivas  movimentações  financeiras,  comprovadas  nas  verificações  para  o  período,  tornam  forçosa  a  conclusão  que  as  empresas  foram  constituídas  ou  compradas  para  servirem  de  fachada  aos  reais  propósitos e  interesses de seus controladores, apurado que foi em todos os  casos, sem indícios de terem operado efetivamente estabelecimentos físicos,  nos  locais  que  informavam,  para  seus  objetos  sociais  registrados,  bar,  padaria, supermercado, lanchonete, ou restaurante.  (...)    Nas  operações  comprovadas  ocorridas  ficou  evidenciada  a  atuação  de  pessoas    (...)  que  pela  amplitude  e  suas  ações  demonstravam  ter  o  efetivo  poder  de  decisão em todas as unidades do grupo, os 10 (dez) CNPJs sob ação fiscal,  situação que, ressalte­se, projetavam para seus sócios oficiais a condição de  figurantes  inseridos  nos  registros  públicos  para  esconder  seus  reais  controladores.    Devendo­se  destacar  que  estas  pessoas  identificadas  com  poder  de mando  eram estranhas aos registros societários arquivados.    Os  sócios  sem  capacidade  econômica  para  as  movimentações  financeiras  apuradas, e/ou em indícios de comando nos negócios, serviram de fato como  interpostas  pessoas  perante  o  fisco  para  alcançar  os  propósitos  dos  controladores  das  empresas,  e,  pela  conclusão  que  quem  detém o  domínio  pode  controlar  os  resultados,  os  controladores  do  grupo,  identificados  e  nomeados  nesse  relatório,  serão  tratados  para  todos  os  efeitos  legais  e  tributários,  nas  apurações  que  se  fazem,  como  os  reais  beneficiários  das  movimentações financeiras constatadas.    Ressalvando­se  que  as  responsabilidades  dos  sócios  oficiais  das  empresas  serão  individualizadas  nos  relatórios  dos  Autos  de  Infração  a  se  emitirem  para  cada  empresa  do  grupo,  pois  muitos  destes  demonstram  plena  operosidade  nas  atividades  de  simulação,  outros  menos  e  alguns  somente  aparecem com os nomes.” (Grifos do original)    Portanto,  verifica­se  a  existência  de  10  (dez)  empresas  autuadas  com  os  mesmo sujeitos passivos solidários (Gervásio Cavalcante de Macedo e Maria  dos Anjos de Brito Cavalcanti de Macedo), estes, por sua vez, apresentaram  impugnações  para  apenas  cinco  das  dez  empresas  autuadas,  quais  sejam:  Restaurante  e  Lanchonete  Itapetininka  Ltda Me  (PAF  19515.723066/2013­ 22,  Lanchonete  Nosso  Lanche  Ltda  Me  (PAF  19515.721663/2013­12),  Supermercado  Rafaesk  Ltda  Me  (PAF  19515.720122/2014­58)  e  Supermercado e Padaria Albuquerkes Ltda Me (PAF 19515.720121/2014­11)  e JL & JP Lanchonete Ltda (PAF 19515.722887/2013­41).  Fl. 577DF CARF MF Processo nº 19515.723162/2013­71  Acórdão n.º 1401­002.878  S1­C4T1  Fl. 568          9   Para  as  demais  autuações,  dentre  as  quais  se  encontra  o  presente  processo,  não  foi  apresentada  impugnação.  São  elas:  LANCHONETE  E  PADARIA  EDVALDOSQUE  (PAF  19515.723162/2013­71),  LANCHONETE  E  RESTAURANTE  BARAOSK  (PAF  19515.720286/2014­85),  RESTAURANTE  E  CASA  DE  LANCHES  NOVASK  (PAF  19515.720178/2014­11),  CASA  DE  CHÁ  E  RESTAURANTE  REPUBLYKA  (PAF  19515.720180/2014­81)  e  LANCHONETE  ROSALISKA (PAF 19515.720179/2014­57).    Por meio de contestação às Cartas de Cobrança (fls. 338 a 345) o procurador  dos sujeitos passivos solidários (Gervásio Cavalcanti de Macedo e Maria dos  Anjos de Brito Cavalcanti  de Macedo)  alega que mesmo para os  processos  em  que  não  foram  apresentadas  defesas  tempestivas,  as  exigências  foram  impugnadas  pois:  “uma  vez  consideradas  as  referidas  singularidades  do  caso concreto (em que há uma única ação fiscal, uma única base fática e os  mesmos  responsáveis  tributários  solidários),  forçoso  concluir  que  não  se  consumou a revelia dos requerentes nos autos dos processos em que eles tão­ somente deixaram de apresentar, no prazo regulamentar, as mesmas razões  impugnatórias  que  foram  articuladas  nos  outros  feitos,  que,  segundo  o  próprio  TCF,  deveriam  estar  apensados  àqueles  primeiros  para  terem  ‘contenciosos administrativos em comum’”.    A  requerente quer  fazer  crer que devido as peculiaridades do presente caso  bastaria haver  impugnação a um dos dez Autos de Infração para que ela se  estendesse  a  todos  os  demais. Afirma  que  tirou  essa  convicção  do  próprio  Termo  de  Constatação  Fiscal  onde  consta  que  os  lançamentos  seriam  apensados uns aos outros e que tramitariam em contenciosos administrativos  em comum.    O  referido  Termo  de  Constatação  Fiscal  apresenta,  às  fls.  88  a  90,  uma  síntese da fiscalização:    Efeitos Fiscais    Consideradas as  constatações  exposta neste  termo  tem­se: 1 – deverão  ser  lançados  de  ofício  os  tributos  e  contribuições  fiscais  apurados  devidos,  calculados  por  arbitramento  a  partir  das  movimentações  financeiras  conhecidas;    2  –  os  lançamentos  obedeceram  as  personalidades  jurídicas  de  cada  empresa, visto não poderem ser desconstituídas na esfera administrativa;     3  –  serão  os  lançamentos  apensados  uns  aos  outros  para  que  tenham  contenciosos administrativos em comum;     4  –  serão  emitidos  termos  de  sujeições  passivas  solidárias,  em  todos  os  levantamentos, para Gervásio Cavalcante de Macedo e Maria dos Anjos de  Brito Cavalcanti de Macedo;     Fl. 578DF CARF MF   10 5 – já efetivados no decorrer das presentes apurações fiscais, foram emitidos  os  competentes Atos Declaratórios  para  as  baixas  de ofício  dos CNPJ das  empresas,  por  inexistência  de  fato,  após  serem  oferecidas  a  estas  a  possibilidade de contestarem as alegações fiscais;     6 – Os  faturamentos serão presumidos pelas movimentações bancárias que  se obtiveram com base nas disposições da LC 105/2001;     7 – Nos arbitramentos dos lucros das empresas, não comprovadas suas reais  atividades,deverão ser adotadas as hipóteses de maior percentual obtidos da  aplicação do Art. 16 da Lei nº 9.249/95, c.c. Art. 27 da Lei nº 9.430/96 (Art.  41 da IN SRF nº 93/97), aplicadas sobre as receitas brutas das atividades, a  que  corresponderem  os  percentuais  adotados,  em  cada  trimestre  de  apuração.  (Grifou­se)    Pela  simples  leitura  desse  trecho,  ao  informar  que  “os  lançamentos  obedeceram as personalidades jurídicas de cada empresa, visto não poderem  ser desconstituídas na esfera administrativa” fica claro que as autuações e os  processos administrativos são distintos. A informação de que os lançamentos  serão  apensados  uns  aos  outros  para  que  tenham  contenciosos  administrativos em comum é uma medida de ordem prática que, por óbvio,  otimizaria  o  trabalho  de  julgamento.  Repare­se  que  esta  escrito  “contenciosos administrativos” (no plural) supondo a possibilidade de haver  impugnação a mais de uma autuação.    Não  obstante,  o  próprio  Termo  de  Constatação  Fiscal,  em  item  específico  (“As personalidades  jurídicas das  empresas  e os  lançamentos  fiscais” –  fls.  111 a 113) deixa claro que as autuações foram, como não poderiam deixar de  ser, individualizadas:    “Conquanto  as  constatações  apresentadas  neste  relatório  indiquem que  as  empresas  operavam  como  um  grupo  econômico  de  fato,  para  efeito  dos  lançamentos  fiscais do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins que se concluem devidos,  devem  ser  obedecidas  as  personalidades  jurídicas  dos  entes  do  grupo,  distribuindo­se  as  contribuições  e  tributos  apurados  conforme  as  bases  de  cálculos  que  se  arbitraram  dos  movimentos  bancários  individuais,  ou  diretamente  das movimentações  de  pagamentos  feitas  pelas  operadoras  de  vale­alimentação/refeição, apurados para  cada um dos  listados na  relação  inicial de MPFs deste Termo.    Os  Autos  de  Infração  –  Ais  –  a  se  emitirem  para  cada  empresa  do  grupo  deverão  apresentar  em  seus  relatórios  as  constatações  que  se  fizerem  a  partir  das  informações  que  se  obtiveram  para  o  conjunto  do  grupo,  em  consideração  a  constatação  que  as  empresas,  ainda  que  formalmente  independentes,  operavam  conjuntamente  com  os  mesmos  objetivos  e  com  movimentações  bancárias  que  indicavam  o  domínio  de  pessoas  que  se  identificaram  ter  não  somente  comando  sobre  o  agrupamento  como  serem  agentes de movimentações que lhes beneficiavam.” (Grifou­se)    Apesar  de  haver  um  Termo  de  Constatação  Fiscal  comum  para  todas  as  empresas  autuadas,  os  procedimentos  de  fiscalização  são  unos,  com  Fl. 579DF CARF MF Processo nº 19515.723162/2013­71  Acórdão n.º 1401­002.878  S1­C4T1  Fl. 569          11 específicos  MPFs,  Intimações,  Termos  de  Verificação  Fiscal,  Autos  de  Infração e etc., tendo sido dado ciência de cada uma dessas peças separada e  individualmente. Dessa forma, não cabe a aplicação do disposto no § 2º do  artigo  38  do  Decreto  n°  7.574/2011,  pois  não  se  trata  de  mesmo  sujeito  passivo.    Portanto, para o presente caso, não foi apresentada impugnação  tempestiva,  não podendo se aproveitar de defesa apresentada em nome de outra empresa  em processo administrativo diverso.    Também não é crível que a requerente não tenha apresentado impugnação no  presente  caso  pela  convicção  de  que  os  lançamentos  seriam  apensados  uns  aos outros e que a defesa apresentada em uma autuação seria suficiente para  impugnar os demais lançamentos.    Primeiro porque, conforme explanado, o Termo de Constatação Fiscal deixa  claro que as autuações são independentes, depois pelo fato da requerente ter  apresentado defesa específica, ainda que similar, para cinco das dez empresas  autuadas,  além  do  fato  de  ambos  sujeitos  passivos  solidários  terem  apresentado  para  todas  as  empresas  autuadas  contestação  específica  ao  Termo de Constatação Fiscal.    Por  fim,  é  alegado  que  ao  formalizar  “Impugnação  ao  Termo  de  Ciência  Fiscal” foi solicitado que “todas as publicações e intimações” relacionadas  ao  processo  fossem encaminhadas  exclusivamente  aos  seus  então  patronos,  entretanto, os Autos de  Infração e os Termos de Sujeição Passiva Solidária  foram  endereçados  aos  domicílios  dos  requerentes,  o  que  teria  prejudicado  seu  pleno  exercício  do  direito  de  defesa.  É  requerido,  então,  que  seja  reconhecida  a  nulidade  das  intimações  referentes  aos  Autos  de  Infração  /  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária  dos  PAFs  19515.723162/2013­71,  19515.720286/2014­85,  19515.720179/2014­57,  19515.720180/2014­81  e  19515.720178/2014­11,  a  fim de  que  seja  reaberto  aos  requerentes  o  prazo  para formalização das respectivas impugnações.    Aqui,  cabe  observar  que  se  aplicam  ao  processo  administrativo  fiscal  no  âmbito da Receita Federal  do Brasil  (RFB)  as determinações  constantes  no  Decreto  n°  70.235,  de  1972  que  em  seu  artigo  23,  abaixo  transcrito,  disciplina  integralmente  a  matéria.  Seus  incisos  I,  II  e  III  configuram  as  modalidades  de  intimação,  atribuindo  ao  Fisco  a  discricionariedade  de  escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de  intimação  previstos  nos  incisos  do  caput do  artigo  23  não  estão  sujeitos  a  ordem de preferência.    Art. 23. Far­se­á a intimação:    I ­ pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador,  na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu  mandatário ou preposto, ou, no caso de  recusa, com declaração escrita de  quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)    Fl. 580DF CARF MF   12 II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova  de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação  dada pela Lei nº 9.532, de 1997)    III  ­  por  meio  eletrônico,  com  prova  de  recebimento,  mediante:  (Redação  dada pela Lei nº 11.196, de 2005)    a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº  11.196, de 2005)    b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.  (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005)    (...)    § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não  estão sujeitos a ordem de preferência.    §  4º  Para  fins  de  intimação,  considera­se  domicílio  tributário  do  sujeito  passivo:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)    I ­ o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração  tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)    II  ­  o  endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária,  desde que autorizado pelo  sujeito passivo.  (Incluído pela Lei nº 11.196, de  2005)    O inciso II, do citado artigo 23, determina que as intimações por via postal ou  por qualquer outro meio sejam feitas com prova de recebimento no domicílio  tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este definido no parágrafo 4º do  mesmo dispositivo legal.    Portanto,  não  sendo  a  intimação  feita  pessoalmente  ou  por meio  eletrônico  em endereço atribuído pela Administração e autorizado pelo sujeito passivo,  não  é  possível  a  intimação  em  endereço  diverso  daquele  por  ele  fornecido  para  fins  cadastrais.  Assim  sendo,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  das  intimações efetuadas ou em cerceamento do direito de defesa.    Conclui­se,  portanto,  que  não  foi  apresentada  impugnação  tempestiva. Não  observado  o  prazo  legal,  condição  para  a  apreciação  da  impugnação  pelas  instâncias administrativas, o litígio não se instaura, não comportando exame  das  alegações  de  mérito  veiculadas  em  petição  concernente  a  processo  administrativo diverso.    Do exposto, voto pelo não conhecimento da impugnação.  Fim da transcrição do voto da Delegacia de Julgamento  À vista de todo o exposto e demonstrando­se que os argumentos trazidos no  recurso voluntário não tiveram o condão de produzir ou demonstrar fatos que pudessem militar  em  favor  da  tempestividade  dos  recursos,  utilizando  os  fundamentos  da  Delegacia  de  Fl. 581DF CARF MF Processo nº 19515.723162/2013­71  Acórdão n.º 1401­002.878  S1­C4T1  Fl. 570          13 Julgamento para manter a intempestividade da impugnação e a consequente não formação do  litígio  no  presente  processo,  voto  no  sentir  de  negar  provimento  ao  recurso  mantendo  na  íntegra a Decisão de Piso que reconheceu a intempestividade da impugnação.    (assinado digitalmente)  Abel Nunes de Oliveira Neto ­ Relator                               Fl. 582DF CARF MF

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Numero do processo: 10480.902674/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
Numero da decisão: 1401-002.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES

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1401­002.939  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de setembro de 2018  Matéria  PER/DCOMP PAGAMENTO A MAIOR  Recorrente  ARMAZEM CORAL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2010  PER/DCOMP.  COMPENSAÇÃO  DE  PAGAMENTO  A  MAIOR.  CRÉDITO  COMPROVADO  EM  DIPJ.  PRINCÍPIOS  DA  VERDADE  MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.  Comprovado  mediante  documentação  e  informações  da  DIPJ  da  empresa,  apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do  IRPJ  e/ou  CSLL  foram  recolhidos  em  montante  superior  ao  efetivamente  devido,  há  de  reconhecer  a  existência  dos  créditos  e  homologadas  as  compensações,  mesmo  não  tendo  sido  retificada  a  tempo  a  DCTF  da  empresa,  em  atendimento  aos  princípios  da  Verdade  Material  e  da  Informalidade que regem o processo administrativo.      Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros  do  colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.  Acordam os membros  do  colegiado, os  conselheiros Abel Nunes  de Oliveira  Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo  Zanin,  Ângelo  Abrantes  Nunes  (Suplente  convocado),  Daniel  Ribeiro  Silva,  Letícia  Domingues  Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).    (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves­ Presidente e Relator  Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira  Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo  Zanin,  Ângelo  Abrantes  Nunes  (Suplente  convocado),  Daniel  Ribeiro  Silva,  Letícia  Domingues  Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 26 74 /2 01 3- 71 Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10480.902674/2013­71  Acórdão n.º 1401­002.939  S1­C4T1  Fl. 3          2   Relatório  Trata  o  presente  processo  de  PER/DCOMP  relativo  a  pagamento  a  maior  realizado pela empresa.  O  PER/DCOMP  foi  indeferido  por  meio  de  análise  automática  do  PER/DCOMP em função de, quando da análise eletrônica do pedido a DCTF do contribuinte  informar  como  valor  do  débito  o  valor  integral  do  DARF  recolhido  não  existindo,  desta  maneira, valor disponível para restituição.  Cientificado  do  indeferimento  o  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  por  meio  da  qual  alegou  que  errou  ao  não  ter  retificado  previamente  a  declaração  (DCTF)  mas  que,  no  entanto,  havia  providenciado  a  retificação  da  declaração  (DIPJ)  relativa  à  apuração  do  crédito  antes  da  apresentação  do  PER/DCOMP  e,  em  tais  declarações  consta  o  valor  correto  do  débito  do  período  que  confirma  a  existência  do  pagamento a maior.  Analisando a manifestação apresentada a Delegacia de Julgamento restringiu  sua  análise  ao  fato  de  a  DCTF  não  ter  sido  retificada  previamente  à  apresentação  do  PER/DCOMP e, em esta sendo confissão de dívida, restar comprovado que não existe crédito  disponível em benefício da empresa. Não foram aceitas as alegações acerca da apresentação de  outras declarações nas quais a empresa demonstrou o real valor devido do tributo e período de  apuração relativo ao DARF solicitado.  Cientificado  da  Decisão  de  Piso,  na  qual  foi  considerada  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  no  qual  alega,  novamente,  que  a análise do  crédito não pode se  limitar unicamente  à  informação da DCTF  existente à época do pedido. Há de se aferir o real valor devido do débito para se constatar a  existência ou não do crédito.  O processo chegou então a este CARF para análise do recurso.  É o relatório.  Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10480.902674/2013­71  Acórdão n.º 1401­002.939  S1­C4T1  Fl. 4          3     Voto             Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1401­002.932,  de  20/09/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10480.902672/2013­ 82, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401­002.932):  O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais,  assim dele tomo conhecimento.  Inicialmente e antes da análise do mérito do recurso, há  de  se  fazer  algumas  considerações  acerca  da  sistemática  de  processamento  dos  PER/DCOMP  e  sua  análise  diante  das  informações  apresentadas  pelo  contribuinte  em  suas  declarações.  Desde a época em que  foi criado o programa gerador  das  declarações  de  compensação  muitas  dúvidas  surgiram  acerca  da  forma  de  análise  a  ser  adotada  pelos  sistemas  informatizados. Tratando­se de pagamento a maior ou indevido  haviam duas correntes de pensamento: a primeira se declinava  no sentido de que a análise deveria ficar restrita à comparação  com a DCTF, por esta ser a declaração de confissão de débitos,  e  a  segunda  pendia  no  sentido  de  que  além  da  DCTF  fosse  realizado o batimento com os valores de apuração das diversas  declarações  que  o  contribuinte  deveria  apresentar  ao  fisco  (DACON, DIPJ, DIRF, etc).  Como  resta  claro  na  análise  do  relatório  deste  processo, a primeira corrente prevaleceu, até mesmo em função  da maior agilidade de processamento. Resultado, foram geradas  milhares  de  decisões  automáticas  com  o  mesmo  teor  da  deste  processo. Não havendo  retificação da DCTF da  empresa  antes  da  apresentação  do  PER/DCOMP  e  o  DARF  estando  a  ela  vinculado,  indefere­se  o  crédito,  sem  qualquer  outra  consideração.  Esse procedimento, ressalvando o fato de não ser ilegal  em essência, impede a formação de qualquer contraditório sobre  o  fato  de  confirmação  do  crédito  do  contribuinte  contra  a  Fazenda Nacional apresentado nas outras declarações ao fisco e  a  existência  efetiva  de  seu  direito.  Mais  ainda  quando,  pela  pouca clareza da decisão, os contribuintes, como o do presente  processo, tentam se defender procurando demonstrar que o valor  Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10480.902674/2013­71  Acórdão n.º 1401­002.939  S1­C4T1  Fl. 5          4 confessado  na  DCTF  estaria  incorreto  e,  assim,  há  de  se  verificar as demais declarações por ele apresentadas.  Essa  forma  de  procedimento  é,  inclusive,  condenada  por colegas desta Turma do CARF quando entendem que ocorre  cerceamento  do  direito  de  defesa  na  medida  em  que  o  indeferimento  do  crédito  é  realizado  sem  nenhuma  prévia  intimação ao contribuinte.  Em  minha  opinião  não  creio  na  existência  de  um  cerceamento  do  direito  de  defesa  pela  simples  inexistência  de  intimação  prévia,  no  entanto,  discordo  que  toda  a  análise  seja  feita  pela  simples  conferência  com  a  DCTF.  Ora,  se  o  contribuinte  cumpre  obrigações  acessórias  sujeitas  à  penalidades por meio da entrega de DIPJ, DACON, DIRF, etc,  não entendo ser possível em grau de recurso, diante da alegação  da  existência  de  outras  declarações  infirmando  os  valores  dos  débitos confessados na DCTF, que não se realize nenhum ato de  conferência  do  valor  efetivamente  devido  e  de  apuração  do  efetivo valor do crédito,s e acaso for existente.  Ora, é bom esclarecer para os que não compreendam o  sistema de funcionamento das declarações, que a DCTF, mercê  de  ser  a  declaração  onde  o  contribuinte  confessa  seus  débitos  perante  o  fisco,  é  a  declaração  mais  sujeita  a  erros  de  informação.  Explico:  a  DCTF  é  declaração  obrigatória  de  confissão  na  qual  o  contribuinte  não  informa nenhum valor  de  apuração dos débitos. Simplesmente informa o valor devido dos  tributos e a forma como extinguiu os mesmo.  Essa  declaração  é  exigida  no  mais  curto  espaço  de  tempo possível, por exigência do fisco, a fim de propiciar a mais  rápida  cobrança  do  crédito  tributário.  Só  que  essa  agilidade  (passando há muito tempo a ser mensal a entrega) milita contra  o  próprio  contribuinte  ao  passo  em  que  o  obriga  a  informar  débitos sem uma adequada revisão dos valores de apuração dos  tributos.  Veja­se  que  a  demais  declarações  (DIPJ,  DACON,  DIRF,  etc)  são  apresentadas  bem  posteriormente,  já  após  o  fechamento de balanços, auditorias, etc. Assim, no meu entender,  a  análise  dos  PER/DCOMP  deveria  realizar  o  batimento  de  todas as declarações apresentadas pelo contribuinte relativas ao  débitos  em questão  informados no PER/DCOMP. Tal  prática é  semelhante à que a própria receita federal realiza nos sistemas  de  revisão  interna  quando,  a  partir  das  divergências  entre  a  DCTF,  DIPJ,  DIRF  e  DACON,  realiza  intimações  ao  contribuinte a fim de escoimar as divergências.  Por  isso é que sempre entendi que desta mesma forma  adotada  pela  Receita  Federal  para  a  conferência  dos  débitos  declarados,  deveria  atuar  o  fisco  na  apuração  dos  créditos  solicitados  pelos  contribuintes.  Infelizmente  apenas  a  pouco  tempo  foi  adotada  a  sistemática  de  intimação  prévia  ao  contribuinte, no entanto, resta um enorme estoque de processos,  Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10480.902674/2013­71  Acórdão n.º 1401­002.939  S1­C4T1  Fl. 6          5 como  este,  que  foi  analisado  sem  maior  aprofundamento  da  análise das demais declarações da empresa.  Diante  deste  entendimento  e  verificando  que  existem  diversos  indícios  em  favor  do  contribuinte,  passo  à  análise  do  mérito do direito de crédito do  recorrente,  a  fim de verificar a  existência  de  fato  dos  créditos  em  obediência  ao  princípio  da  verdade material e o da informalidade.  Para  tanto,  fizemos  juntar  ao  processo  os  seguintes  documentos: DIPJ, DACON e extratos de pagamentos. Com base  nestes documentos realizaremos o confronto entre os valores dos  débitos informados na DIPJ/DACON, se as declarações haviam  sido  apresentadas  antes  da  emissão  do  despacho  decisório  e  o  confronto  com  os  valores  efetivamente  pagos  a  fim  de  se  demonstrar  a  apuração  do  crédito  previamente  ao  despacho  decisório e o montante, se existente, destes créditos.   DOS PROCESSOS REPETITIVOS VINCULADOS  A  análise  deste  processo  prende­se  apenas  a  um  PER/DCOMP  vinculado  a  um  DARF  específico,  entretanto,  outros  processos  relativos  a  pagamentos  indevidos  do  mesmo  contribuinte  encontram­se  vinculados  a  este  processo  sob  a  sistemática de recursos repetitivos.  Assim,  entendemos  por  bem,  a  fim  de  facilitar  o  entendimento  do  contribuinte/recorrente  e  das  unidades  preparadoras  e  submetemos  à  apreciação  deste  colegiado  que  esta  decisão  seja  reproduzida  para  todos  os  processos  identificados na tabela abaixo a fim de que o resultado de cada  processo  seja  específico  e  as  compensações  sejam  tratadas  individualmente quando do retorno à delegacia de origem.   Desta  forma,  apresentamos  a  tabela  abaixo  na  qual  consta a análise do crédito de cada PER/DCOMP e o valor do  crédito  apurado  após  o  confronto  entre  o  valor  do  débito  apurado  em  DIPJ  e  o  valor  efetivamente  pago  pela  empresa,  destacando­se  que  foram  analisadas  apenas  as  declarações  enviadas pela empresa antes da emissão do despacho decisório.  Período de  Tipo de   Valor informado   Data de  Valor na  Valor pago  Valor do   Processo  Apuração  Tributo   em DIPJ   Entrega  DCTF  em DARF  Crédito  Vinculado  mar/10  CSLL    72.328,23   29/06/2011  98.599,23  97.623,00  25.294,77   10480­902.674/2013­71  mar/10  CSLL    72.328,23   29/06/2011  103.968,49  97.623,00  25.294,77   10480­902.675/2013­16  mar/10  CSLL    72.328,23   29/06/2011  97.623,00  97.623,00  25.294,77   10480­902.673/2013­27  dez/10  CSLL   136.577,85   29/06/2011  210.299,67  210.299,67  73.721,82   10480­902.676/2013­61  mar/10  IRPJ   194.089,87   29/06/2011  279.739,28  262.666,00  68.576,13   10480­902.669/2013­69  mar/10  IRPJ   194.089,87   29/06/2011  265.292,66  262.666,00  68.576,13   10480­902.668/2013­14  mar/10  IRPJ   194.089,87   29/06/2011  262.666,00  262.666,00  68.576,13   10480­902.667/2013­70  mar/11  IRPJ   249.808,89   29/06/2012  477.067,58  472.344,14  222.535,25   10480­902.671/2013­38  mar/11  IRPJ   249.808,89   29/06/2012  481.743,78  472.344,14  222.535,25   10480­902.672/2013­82  mar/11  IRPJ   249.808,89   29/06/2012  472.344,14  472.344,14  222.535,25   10480­902.670/2013­93  Assim, conforme demonstrado na  tabela acima, após o  confronto  entre  os  valores  informados  pelo  contribuinte  nas  Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10480.902674/2013­71  Acórdão n.º 1401­002.939  S1­C4T1  Fl. 7          6 declarações  que  demonstram  a  apuração  dos  tributos  devidos,  no caso DIPJ e DCTF, e os valores dos recolhimentos realizados  entendo  que,  em  razão  do  princípio  da  verdade  material  e  da  informalidade, há de se realizar a apuração dos créditos a que  faz  jus  a  empresa  a  partir  dos  montantes  apurados  nas  declarações  apresentadas  pela  empresa  além  de  apenas  a  DCTF, mais ainda, quando no presente caso  verifica­se que os  valores  apurados  foram  obtidos  das  declarações  originalmente  entregues e sem se constatar inconsistências destas.  À  vista  de  todo  o  exposto  voto  no  sentido  de  dar  provimento ao recurso voluntário a fim reconhecer o direito de  crédito  da  empresa  nos  seguintes  valores  e  processos,  homologando as compensações a eles vinculadas.  Valor do  Processo  Crédito  Vinculado  25.294,77  10480­902.674/2013­71  25.294,77  10480­902.675/2013­16  25.294,77  10480­902.673/2013­27  73.721,82  10480­902.676/2013­61  68.576,13  10480­902.669/2013­69  68.576,13  10480­902.668/2013­14  68.576,13  10480­902.667/2013­70  222.535,25  10480­902.671/2013­38  222.535,25  10480­902.672/2013­82  222.535,25  10480­902.670/2013­93  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º,  2º  e  3º  do  art.  47,  do  Anexo  II,  do  RICARF,  voto  por  dar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito.    (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves                               Fl. 711DF CARF MF

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7411412 #
Numero do processo: 15983.000087/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2005 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N” 8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideram-se decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos ` da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. EVENTUAIS IRREGULARIDADES. NULIDADE. NÃO APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. Na esteira da jurisprudência dominante no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a existência de eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, não tem o condão de ensejar a nulidade do lançamento, entendimento que, apesar de não compartilhar, adoto em homenagem à economia processual. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. EDITAL. TENTATIVA IMPROFÍCUA DE CIÊNCIA POSTAL. REGULARIDADE. Considera-se regular a intimação realizada mediante edital, quando demonstrada improfícua a tentativa de intimação por via postal. Hipótese em que a Administração agiu de acordo com o art. 23, §§ 1º e 4º, do Decreto nº 70.235/1972, na medida em que intimou o contribuinte por edital tão somente após caracterizada a ineficácia da comunicação via postal. DOMICÍLIO FISCAL. TRANSFERÊNCIA. COMUNICAÇÃO OBRIGATÓRIA AO FISCO. O contribuinte que transferir seu domicílio fiscal fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias, nos termos da legislação de regência da matéria. LANÇAMENTO FISCAL COM BASE EM INFORMAÇÕES DECLARADAS EM GFIP´S. POSSIBILIDADE. De acordo com o Decreto n.º 2.803 de 02/10/1998, as informações prestadas na GFIP servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pela RFB, comporão a base de dados para fins e cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, e constituir-se-ão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. NORMAS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO CONFESSADO EM GFIP. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA DO FEITO. Não obstante a legislação de regência reconhecer a natureza de confissão de dívida dos débitos informados mediante entrega das GFIP´s, possibilitando a cobrança direta do crédito tributário, nos termos, inclusive, da Súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça, não há qualquer impedimento legal que obstaculize a formalização, por meio de lançamento, de aludido crédito tributário, especialmente com o fito de conferir mais segurança à exigência fiscal, uma vez ofertar a ampla defesa ao autuado, não havendo se falar, por conseguinte, em qualquer prejuízo ao contribuinte, de maneira a justificar a decretação da nulidade do Auto de Infração. SAT. A contribuição para o SAT é instituída por Lei. O Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999 mantendo-se nos limites legais, com base em estatísticas de acidente de trabalho, é o instrumento adequado para definir o conceito de atividade preponderante e os correspondentes graus de risco. PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO FÁTICA. Somente quando demonstrados e comprovados todos os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, poderá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação tributária, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. Inexistindo a comprovação da vinculação comercial entre as empresas elencadas nos autos, sobretudo quanto à unidade de comando e confusão societária, patrimonial e contábil, não se pode cogitar na caracterização do grupo econômico de fato entre referidas pessoas jurídicas. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 2401-005.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial aos recursos voluntários para reconhecer a decadência da competência dezembro/2002 e excluir os responsáveis solidários do pólo passivo. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que excluíam do pólo passivo apenas o responsável solidário Fundo de Investimento em Participações Asa, mantendo a solidariedade dos demais. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA

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O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. EVENTUAIS IRREGULARIDADES. NULIDADE. NÃO APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. Na esteira da jurisprudência dominante no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a existência de eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, não tem o condão de ensejar a nulidade do lançamento, entendimento que, apesar de não compartilhar, adoto em homenagem à economia processual. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. EDITAL. TENTATIVA IMPROFÍCUA DE CIÊNCIA POSTAL. REGULARIDADE. Considera-se regular a intimação realizada mediante edital, quando demonstrada improfícua a tentativa de intimação por via postal. Hipótese em que a Administração agiu de acordo com o art. 23, §§ 1º e 4º, do Decreto nº 70.235/1972, na medida em que intimou o contribuinte por edital tão somente após caracterizada a ineficácia da comunicação via postal. DOMICÍLIO FISCAL. TRANSFERÊNCIA. COMUNICAÇÃO OBRIGATÓRIA AO FISCO. O contribuinte que transferir seu domicílio fiscal fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias, nos termos da legislação de regência da matéria. LANÇAMENTO FISCAL COM BASE EM INFORMAÇÕES DECLARADAS EM GFIP´S. POSSIBILIDADE. De acordo com o Decreto n.º 2.803 de 02/10/1998, as informações prestadas na GFIP servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pela RFB, comporão a base de dados para fins e cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, e constituir-se-ão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. NORMAS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO CONFESSADO EM GFIP. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA DO FEITO. Não obstante a legislação de regência reconhecer a natureza de confissão de dívida dos débitos informados mediante entrega das GFIP´s, possibilitando a cobrança direta do crédito tributário, nos termos, inclusive, da Súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça, não há qualquer impedimento legal que obstaculize a formalização, por meio de lançamento, de aludido crédito tributário, especialmente com o fito de conferir mais segurança à exigência fiscal, uma vez ofertar a ampla defesa ao autuado, não havendo se falar, por conseguinte, em qualquer prejuízo ao contribuinte, de maneira a justificar a decretação da nulidade do Auto de Infração. SAT. A contribuição para o SAT é instituída por Lei. O Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999 mantendo-se nos limites legais, com base em estatísticas de acidente de trabalho, é o instrumento adequado para definir o conceito de atividade preponderante e os correspondentes graus de risco. PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO FÁTICA. Somente quando demonstrados e comprovados todos os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, poderá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação tributária, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. Inexistindo a comprovação da vinculação comercial entre as empresas elencadas nos autos, sobretudo quanto à unidade de comando e confusão societária, patrimonial e contábil, não se pode cogitar na caracterização do grupo econômico de fato entre referidas pessoas jurídicas. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.

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2401­005.659  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  07 de agosto de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrentes  EAB ADMINISTRADORA DE BENS S.A.              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2005  DECADÊNCIA.  INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N”  8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.  Consideram­se decaídos os créditos  tributários  lançados  com base no artigo  45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para  as  contribuições  previdenciárias,  por  ter  sido  este  artigo  considerado  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  nos  termos  `  da  Súmula  Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  DECADÊNCIA.  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL.  ANTECIPAÇÃO  DE  PAGAMENTO.  OCORRÊNCIA.  APLICAÇÃO  ARTIGO  150,  §  4o,  DO  CTN.  SÚMULA  CARF  No  99.  OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.  O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05  (cinco)  anos,  nos  termos  dos  dispositivos  legais  constantes  do  Código  Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do  artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos  RE’s  nºs  556664,  559882  e  560626,  oportunidade  em  que  fora  aprovada  Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou­se o prazo  decadencial  insculpido  no  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  eis  que  restou  comprovada  a  ocorrência  de  antecipação  de  pagamento,  por  tratar­se  de  salário  indireto,  tendo  a  contribuinte  efetuado  o  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  a  remuneração  reconhecida  (salário  normal),  na  esteira  da  jurisprudência  consolidada  neste  Colegiado,  consagrada  na  Súmula  CARF  no  99.  Mais  a  mais,  consta  do  TEAF  e  do  Relatório  Fiscal  que  no  decorrer  da  ação  fiscal  a  autoridade  fazendária  examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que  nos  leva  a  concluir  pela  existência  de  pagamentos  parciais  realizados  pela  contribuinte.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 00 87 /2 00 8- 31 Fl. 10815DF CARF MF   2 MATÉRIA NÃO  SUSCITADA EM  SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO.  PRECLUSÃO PROCESSUAL.  Afora  os  casos  em  que  a  legislação  de  regência  permite  ou  mesmo  nas  hipóteses  de  observância  ao  princípio  da  verdade  material,  não  devem  ser  conhecidas  às  razões/alegações  constantes  do  recurso  voluntário  que  não  foram  suscitadas  na  impugnação,  tendo  em  vista  a  ocorrência  da  preclusão  processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.  LANÇAMENTO.  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  MPF.  EVENTUAIS  IRREGULARIDADES.  NULIDADE.  NÃO  APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE.  Na  esteira  da  jurisprudência  dominante  no  âmbito  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, a existência de eventuais irregularidades  na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, não tem o condão de  ensejar  a  nulidade  do  lançamento,  entendimento  que,  apesar  de  não  compartilhar, adoto em homenagem à economia processual.  LANÇAMENTO.  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.  Tendo o  fiscal  autuante  demonstrado  de  forma  clara  e  precisa  os  fatos  que  suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e  do  contraditório,  bem  como  em  observância  aos  pressupostos  formais  e  materiais  do  ato  administrativo,  nos  termos  da  legislação  de  regência,  especialmente  artigo  142  do  CTN,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  do  lançamento.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  INTIMAÇÃO.  EDITAL.  TENTATIVA IMPROFÍCUA DE CIÊNCIA POSTAL. REGULARIDADE.  Considera­se  regular  a  intimação  realizada  mediante  edital,  quando  demonstrada improfícua a tentativa de intimação por via postal.  Hipótese em que a Administração agiu de acordo com o art. 23, §§ 1º e 4º, do  Decreto nº 70.235/1972, na medida em que intimou o contribuinte por edital  tão somente após caracterizada a ineficácia da comunicação via postal.  DOMICÍLIO  FISCAL.  TRANSFERÊNCIA.  COMUNICAÇÃO  OBRIGATÓRIA AO FISCO.  O contribuinte que transferir seu domicílio  fiscal  fica obrigado a comunicar  essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias, nos  termos da legislação de regência da matéria.  LANÇAMENTO  FISCAL  COM  BASE  EM  INFORMAÇÕES  DECLARADAS EM GFIP´S. POSSIBILIDADE.  De acordo com o Decreto n.º 2.803 de 02/10/1998, as informações prestadas  na GFIP  servirão  como  base  de  cálculo  das  contribuições  arrecadadas  pela  RFB,  comporão  a  base  de  dados  para  fins  e  cálculo  e  concessão  dos  benefícios  previdenciários,  e  constituir­se­ão  em  termo  de  confissão  de  dívida, na hipótese do não recolhimento.  NORMAS  DO  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  DÉBITO  CONFESSADO  EM  GFIP. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA DO FEITO.  Não obstante a legislação de regência reconhecer a natureza de confissão de  dívida dos débitos informados mediante entrega das GFIP´s, possibilitando a  Fl. 10816DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 3          3 cobrança direta do crédito tributário, nos termos, inclusive, da Súmula 436 do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  não  há  qualquer  impedimento  legal  que  obstaculize  a  formalização,  por  meio  de  lançamento,  de  aludido  crédito  tributário,  especialmente  com o  fito de conferir mais  segurança  à  exigência  fiscal, uma vez ofertar a ampla defesa ao autuado, não havendo se falar, por  conseguinte, em qualquer prejuízo ao contribuinte, de maneira a  justificar a  decretação da nulidade do Auto de Infração.  SAT.  A  contribuição  para  o  SAT  é  instituída  por  Lei.  O  Regulamento  da  Previdência  Social  aprovado  pelo  Decreto  n.º  3.048/1999 mantendo­se  nos  limites  legais,  com  base  em  estatísticas  de  acidente  de  trabalho,  é  o  instrumento adequado para definir o conceito de atividade preponderante e os  correspondentes graus de risco.  PROCEDIMENTO  FISCAL.  GRUPO  ECONÔMICO  DE  FATO.  NÃO  CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO FÁTICA.  Somente  quando  demonstrados  e  comprovados  todos  os  elementos  necessários  à  caracterização  de  Grupo  Econômico  de  fato,  poderá  a  autoridade  fiscal  assim proceder,  atribuindo  a  responsabilidade  pelo  crédito  previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a  oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos  pela  contribuinte,  conforme  preceitos  contidos  na  legislação  tributária,  notadamente  no  artigo  30,  inciso  IX,  da  Lei  nº  8.212/91.  Inexistindo  a  comprovação da vinculação comercial entre as empresas elencadas nos autos,  sobretudo quanto à unidade de comando e confusão societária, patrimonial e  contábil, não se pode cogitar na caracterização do grupo econômico de fato  entre referidas pessoas jurídicas.  NORMAS  GERAIS  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  LIVRE  CONVICÇÃO  JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO.  Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de  primeira  instância,  na  apreciação  das  provas,  formará  livremente  sua  convicção, podendo determinar diligência que entender necessária.  A  produção  de  prova  pericial  deve  ser  indeferida  se  desnecessária  e/ou  protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando  deixar  de  atender  aos  requisitos  constantes  no  artigo  16,  inciso  IV,  do  Decreto nº 70.235/72.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício.  Por maioria  de  votos,  dar  provimento  parcial  aos  recursos  voluntários  para  reconhecer  a  decadência  da  competência  dezembro/2002  e  excluir  os  responsáveis solidários do pólo passivo. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin  Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que excluíam do pólo passivo apenas o responsável solidário  Fundo de Investimento em Participações Asa, mantendo a solidariedade dos demais. Solicitou  fazer declaração de voto o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro.  Fl. 10817DF CARF MF   4     (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier ­ Presidente      (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira ­ Relator       Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess,  Andrea  Viana Arrais  Egypto,  Francisco  Ricardo  Gouveia  Coutinho,  Rayd  Santana  Ferreira,  Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente  a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa  Relatório  Trata­se  de  Auto  de  Infração  por  descumprimento  de  Obrigação  Principal  Previdenciária  ­  AIOP  lavrado  pela  Fiscalização  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  face  do  contribuinte  acima  identificado  e  integrantes  de  grupo  econômico,  que  de  acordo  com  Relatório  Fiscal  de  fls.  91/107,  refere­se  a  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  correspondentes à parte empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos  em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do  trabalho para as competências abrangidas pelo período de 02/2000 à 11/2005.  O  Relatório  Fiscal,  segundo  informações  constantes  na  Ficha  Cadastral  da  Junta Comercial do Estado de São Paulo ­ JUCESP, a empresa auditada, até 15.10.2003, sob a  denominação  de  "Executiva  Transportes  Urbanos  Ltda",  estando  sediada  na  Rua  Francisco  Emílio de Sá Jr. 335 em São Vicente (SP), e tendo como sócios ­ cotistas as empresas Áurea  Administração e Participações S/A ­ CNPJ 00.362.938/0001­51 e Constante Administração e  Participações S/A ­ CNPJ 02.101.885/0001­ 40, era administrada pelos diretores dessas sócias ­  cotistas,  Srs.  Ricardo  Constantino,  CPF  546.988.806­10  e  RG/RNE  671071,  e  Henrique  Constantino, CPF 443.609.911­34 e RG/RNE 1022856, e tinha como objeto social o transporte  urbano de passageiros.  De acordo com alteração contratual registrada na JUCESP em 15.10.2003, a  cotista  Áurea  Participações  retirou­se  da  sociedade,  permanecendo  a  empresa  Constante  Participações como única cotista até a recomposição da pluralidade de sócios. Logo a seguir,  no  entanto,  conforme  alteração  contratual  registrada  em  30.10.2003,  houve  deliberação  de  transformação do tipo jurídico da sociedade, de sociedade limitada para sociedade por ações,  com  a  sócia  remanescente  Constante  Participações  subscrevendo,  como  acionista  única,  a  totalidade das ações ordinárias emitidas.  Fl. 10818DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 4          5 Já  sob  a  denominação  de  "Executiva  S/A",  conforme  dados  da  Ficha  Cadastral  da  JUCESP  e  com  base  em  documento  arquivado  em  17.05.2004,  a  empresa  permaneceu sediada no mesmo endereço, e constavam ainda como diretores os Srs. Ricardo e  Henrique  Constantino,  sendo  eleitos  também  os  Srs.  Joaquim  Constantino  Neto,  CPF  084.864.028­40 e RG/RNE 17365750 e José Cláudio Garcia, CPF 692.209.728­91 e RG/RNE  5142708.  Segundo  o  arquivamento  seguinte  na  JUCESP,  em  27.10.2006,  referente  à  alteração estatutária produzida em assembléia geral extraordinária realizada em 29.09.2006, o  endereço  da  sede  da  companhia  foi  transferido  para  a  Rodovia  Fernão  Dias  km  89,7  ­  Itapegica,  Guarulhos,  e  houve  a  renúncia  dos  diretores  ligados  à  família  Constantino,  permanecendo como diretor administrativo o Sr. José Cláudio Garcia, que conforme apurado  pela Fiscalização  da RFB no Cadastro Nacional  de  Informações Sociais  – CNIS/Dataprev  – programa do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, veio a falecer em 18.10.2006.  Por último, em ata de assembléia geral extraordinária arquivada na JUCESP  em  03.11.2006,  consta  como  diretor  eleito  o  Sr.  Hélio  Garcia,  CPF  199.362.068­00  e  RG  2.377.387­X.  As diligências empreendidas pela Fiscalização da RFB na Junta Comercial do  Estado de São Paulo levaram à constatação de que a alteração societária da empresa Executiva  referente à transformação do tipo jurídico para o de "sociedade por ações" foi averbada naquele  órgão de registro sem que houvesse a observância da determinação legal  insculpida no artigo  47,  inciso  I,  alínea  "d"  da  Lei  8.212/91,  que  exige  prova  de  Certidão  Negativa  de  Débitos  Previdenciários para proceder tal averbação. Constatada a irregularidade deste procedimento, a  Procuradoria da JUCESP, conforme comunicado no Ofício OF/GP/N°431/2007 de 16.11.2007,  solicitou a revisão do referido ato, visando o cancelamento do mesmo.  Os meios intentados pela Fiscalização da RFB para a localização da empresa  Executiva,  com  vistas  a  cientificação  e  à  intimação  fiscal  mostraram­se  improfícuos,  assim  como aqueles desenvolvidas pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Carlos Eduardo  Martins  Fontes,  em  cumprimento  de  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  específico  para  Fiscalização  de  outros  tributos  federais  ­  MPF  de  n°  08.1.06.00­200700167­9.  No  local  cadastrado como domicílio tributário, relativo ao estabelecimento Matriz, no município de São  Vicente/SP, os auditores constataram o funcionamento de uma base operacional de transportes  urbanos, porém, pertencente à empresa Viação Piracicabana Ltda, CNPJ 54.360.623/0032­09,  sendo que as correspondências por via postal para lá enviadas com prova de recebimento foram  devolvidas,  assim  como  o  foi  também  aquela  acompanhada  do  Termo  de  Intimação  e  o  correspondente MPF  08.1.06.00­2007­00167­9,  enviada  para  o  endereço  constante  na  Junta  Comercial  ­  km 89,7 da Rodovia Fernão Dias,  em Guarulhos/SP,  cuja devolução  se deu por  alegado motivo de "mudança".  Em  consulta  ao  sistema  informatizado  da  RFB,  não  se  verificou  nenhuma  comunicação de mudança do  endereço da  sede da empresa, de modo que, de acordo com as  normas de arrecadação e  fiscalização previdenciárias, o  registro cadastral do estabelecimento  centralizador  da  Fiscalização  permaneceu  inalterado,  à  Rua  Francisco  Emílio  de  Sá  Jr.  335  fundos ­ Bairro Jóquei Clube, município de São Vicente/SP, que também foi informado como  domicílio tributário pela empresa em sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica ­ DIPJ  de 2007, ano calendário 2006, enviada a RFB sob n° 1322884.  Fl. 10819DF CARF MF   6 Consultados  os  registros  de  vínculos  trabalhistas  constantes  nos  sistemas  informatizados  da  RFB,  verificou­se  que  a  partir  de  07/2006  houve  o  desligamento  da  totalidade de empregados registrados pela empresa Executiva (cerca de 1.500), para só então,  em 03/2007,  registrar­se uma nova admissão. Da mesma  forma,  constatou­se que  a partir  de  abril/2006 houve uma redução expressiva das receitas de prestação de serviços declaradas pela  empresa para fins de apuração da contribuição social COFINS, e que a partir de 08/2006, deixa  de  existir  qualquer  registro  de  faturamento.  Verifica­se  ainda  uma  acentuada  redução  da  movimentação  financeira  da  empresa  a  partir  de  08/2006,  conforme  bases  de  cálculo  da  contribuição social CPMF declaradas pelas instituições bancárias em que ela manteve conta.  Em diligência efetuada  junto ao Sindicato dos Transportadores Rodoviários  de  Santos,  cujo  quadro  associativo  é  formado  na  maioria  por  trabalhadores  que  foram  empregados da empresa Executiva e/ou que hoje são da Viação Piracicabana, a Fiscalização foi  informada que a Executiva atuou como permissionária do serviço público por cerca de 10 anos,  operando com exclusividade as linhas do transporte coletivo no Município de Santos, até que,  em  meados  de  2006,  a  titularidade  dos  referidos  serviços  foi  transferida  para  a  Viação  Piracicabana,  que  teria  assumido,  ao  menos  nas  homologações  e  acordos  promovidos  pelo  Sindicato  (inclusive  em  Comissão  de  Conciliação  Prévia  coordenada  pelo  mesmo),  as  responsabilidades de natureza trabalhista relativas ao período de sua antecessora.  Corroboram essas informações os dados obtidos junto ao Cadastro Geral de  Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho ­ CAGED e ao Cadastro Nacional de  Informações Sociais, que registram a transferência, entre 04/2006 a 07/2006, da totalidade dos  empregados  que  estavam  lotadas  nos  estabelecimentos  onde  funcionavam  as  bases  operacionais da empresa nas cidades de Santos e Praia Grande ­ filiais de CNPJ 0004 e 0005  respectivamente ­ para a Viação Piracicabana, sem solução da continuidade de seus contratos  de trabalho.  Contactado o Sr. Hélio Garcia, diretor estatutário da empresa Executiva, este  compareceu  à  Repartição  Fiscal  em  Santos  em  18.10.2007,  ocasião  em  que  os  Auditores  Fiscais  tomaram  o  seu  depoimento,  ficando  caracterizado  que,  apesar  de  ser  o  único  administrador em exercício já que houve o falecimento do outro diretor eleito, o Sr. Hélio não  tem  conhecimentos  básicos  sobre  diversos  fatos  relacionados  ao  passado  e  ao  presente  da  empresa.  Desconhece,  por  exemplo,  a  atual  composição  societária,  dados  sobre  a  situação  patrimonial e tem idéias vagas sobre assuntos relacionados à atividade econômica desenvolvida  bem como sobre  fatos que antecederam à sua gestão. Afirmou  ter na empresa um quadro de  cerca de 35 empregados ­ fato não comprovado nos registros do Ministério do Trabalho e da  Previdência Social; disse que a empresa possui uma frota de cerca de 100 ônibus em atividade,  fato não comprovado nos registros do RENAVAM, mencionou ser remunerado pela acionista  Áurea  Administração  e  Participações,  que  não  tem  nenhuma  participação  no  capital  da  empresa, e que desconhece o proprietário do imóvel atualmente ocupado.  O Sr. Hélio Garcia informou ainda que o acionista principal do contribuinte  seria a empresa "Áurea Administração e Participações", quando, na realidade, apurou­se que a  única  acionista  é  a  empresa  Constante  Administração  e  Participações,  que  é  dirigida,  segundo  registros  na  Junta  Comercial,  pelo  próprio  Sr.  Hélio.  Este  informou  que  a  Executiva teria a sua base operacional na Rodovia Fernão Dias, km 89,7, em Guarulhos (SP),  porém a Fiscalização levantou a informação que o imóvel lá existente, pertencente à ex­ cotista  da  empresa  AAP  Administração  Patrimonial  S/A  ­  CNPJ  00.362.938/000l­51  está  locado,  segundo  Declaração  de  Registros  Imobiliários  ­  Dimob  do  ano­calendário  de  2006,  para  a  empresa Planet Kart Ltda ­ CNPJ 05.842.261/0001­72.  Fl. 10820DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 5          7 Considerando os fatos apurados, e diante do quadro de indefinições que cerca  a  situação  atual  da  empresa Executiva,  sobretudo  no  que  tange  ao  endereço  de  sua  sede  e  a  representatividade de seus dirigentes, de acordo com a Fiscalização da RFB é forçoso concluir  que  a partir  do momento  em que  deixou  de operar o  transporte  urbano  na  cidade de Santos  (07/2006), a empresa encontra­se em local indeterminado, não demonstra sinais de manter uma  atividade econômica específica, e tem como representante uma pessoa que aparenta exercer o  cargo no mínimo de forma simbólica.  Da Formação de Grupo Econômico   Estudos  analíticos  desenvolvidos  pela  Fiscalização  da  RFB  com  base  em  pesquisa de dados nos sistemas da Junta Comercial, Receita Federal, Previdência Social e da  Comissão de Valores Mobiliários ­ CVM, demonstram a existência de um "grupo de empresas"  que, sob direção, controle ou administração exercida direta ou indiretamente pelo mesmo grupo  de  pessoas,  constituem  um  grupo  econômico  de  fato,  assumido  pública  e  ostensivamente,  conforme demonstra consulta ao sítio próprio na Internet ­ www.voegol.com.br. como Grupo  Áurea,  e  ao  qual  pertencem,  não  somente  a  empresa  Executiva  objeto  deste  procedimento  fiscal,  mas  também  as  já  citadas  empresas  Áurea  Administração  e  Participações  S/A  (atualmente  denominada  AAP  Administração  Patrimonial  S/A),  Constante  Administração  e  Participações S/A e Viação Piracicabana Ltda.  Esses estudos mostram que o Grupo Áurea é uma holding, cuja atuação hoje  é ampla e diversificada e que se destaca nacionalmente no setor de  transporte de passageiros  através de uma rede de mais de 40 empresas de ônibus, que totalizam mais de 10 mil veículos e  empregam cerca  de 30 mil  pessoas. O Grupo que  atua  também no  setor do  transporte  aéreo  através da empresa Gol Transportes Aéreos, tem um poder de controle formalizado na família  do  Sr.  (Nenê)  Constantino  de  Oliveira  casado  com  a  Sra.  Áurea,  e  seus  filhos,  Henrique  Constantino, Ricardo Constantino, Constantino de Oliveira Júnior, Joaquim Constantino Neto,  Auristela Constantino Alves e Cristiane Constantino Foresti.  Verificou­se  que  o  Grupo  Áurea  possui  uma  sistemática  própria  de  organização  empresarial,  fragmentando­se  em  uma  série  de  empresas,  que  foram  sendo  constituídas  umas  derivadas  das  outras,  e  cujo  vínculo  entre  elas  ou  entre  as  pessoas  físicas  pertencentes  aos  seus  quadros  societários  se mantém,  e  cujo  poder  de  controle manifesta­se  através  do  controle  acionário  das  pessoas  jurídicas  originárias  ou  derivadas,  ou  das  próprias  pessoas  físicas  ou,  principalmente,  através  de  "empresas  de  participações"  que  indicam  seus  diretores para os cargos de direção das empresas das quais participam.  O  Grupo  empreende  uma  dinâmica  intensa  de  alterações  contratuais  e  estatutárias  nas  suas  empresas,  com  mudanças  freqüentes  da  razão  social,  dos  quadros  societários  e  dos  objetivos  econômicos,  sendo  que  algumas  dessas  empresas  passaram  ou  passam  por  aparente  processo  de  esvaziamento  de  suas  atividades  sem  que  sejam  definitivamente encerradas, enquanto outras, que estavam semi ­ paralisadas, em determinado  momento voltam a ser reativadas. A análise da Fiscalização revela ainda que os endereços de  sedes e filiais de empresas do grupo muitas vezes são coincidentes, denotando funcionamento  simultâneo em um mesmo local ou em salas contíguas, além de mostrar operações freqüentes  de  abertura  e  encerramento  de  estabelecimentos  filiais  num  mesmo  endereço,  muitos  deles  encerrados sob a titularidade de uma empresa e a seguir reabertos sob a titularidade de outra.  Outra prática comum observada em relação a algumas dessas empresas que  passaram por uma redução nas suas atividades, é que os seus cargos de direção passam a ser  Fl. 10821DF CARF MF   8 ocupados  por  empregados  e  ex­empregados  de  muitos  anos  no  Grupo,  como  é  o  caso  dos  diretores da Executiva, o falecido Sr. José Cláudio Garcia e o Sr. Hélio Garcia que mantiveram  ao longo de sua vida profissional diversos vínculos com empresas de ônibus ligadas à família  Constantino.  Constata­se  também  que  algumas  dessas  empresas  semi  ­  desativadas  têm  um  passivo  tributário  expressivo,  como  é  o  caso  da  empresa  Executiva,  cujos  débitos  previdenciários relativos ao período de 01/1997 a 01/2000 estão em fase de execução, depois  de terem sido confessados, constituídos e incluídos no Programa de Recuperação Fiscal ­ Refis  criado  pela  Lei  9.964/2000,  do  qual  foram  posteriormente  excluídos  de  ofício,  por  ficar  configurada a hipótese prevista no inciso I do art. 5° c/c inciso IV do artigo 30 daquela Lei.  Encontra­se  às  fls.  96/103  quadro  discriminativo  com  as  empresas  identificadas  como  integrantes  do  Grupo  Econômico  Áurea  do  qual  faz  parte  a  empresa  auditada,  sendo  que  os  dados  nela  contidos  foram  obtidos  a  partir  da  situação  cadastral  das  mesmas na Receita Federal e da Junta Comercial do Estado de São Paulo.  Com fundamento nos artigos 124 do Código Tributário Nacional, artigo 30,  inciso IX, da Lei n.º 8.212/1991, artigo 222 do Regulamento da Previdência Social aprovado  pelo Decreto n.º 3.048/99 e §2º do artigo 2º do Decreto – Lei n.º 5.452/1943 – CLT, e levando­ se em consideração  todos os  fatos  apurados pela Fiscalização da RFB,  restou demonstrado a  configuração de Grupo Econômico,  constituindo­se o presente  crédito de  forma  extensiva  às  empresas identificadas às fls. 67/74, consideradas todas sujeitos passivos devedores solidários.  A  cientificação  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  pelo  contribuinte  e  posterior  lavratura deste auto de infração em face deste e respectivos devedores solidários se  deram através da publicação,  em dependência da Delegacia da Receita Federal do Brasil  em  Santos,  de  livre  acesso  ao  público,  dos  editais  anexados  às  fls.  171/209  deste  processo  administrativo.  Conforme  Termo  de  Ciência  anexado  pela  Fiscalização  às  fls.  245,  compareceu  no  Serviço  de  Fiscalização  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Santos  representante do contribuinte em epígrafe, o Sr. Francisco Carlos Grangeiro – OAB n.º 246278,  portanto uma procuração da  empresa, com a  finalidade de obter vistas dos autos de  infração  relacionados  no  Termo  de  Encerramento  de  Ação  Fiscal  –  TEAF  de  27/12/2007.  Ao  representante do contribuinte foi entregue em 01/02/2008 cópia das autuações, conforme recibo  assinado em conjunto com o chefe do Serviço de Fiscalização ­ SEFIS, restando este intimado  pessoalmente naquela data da lavratura da presente autuação.  O  contribuinte  e  os  responsáveis  solidários,  regularmente  intimados,  apresentaram impugnações requerendo a decretação da improcedência do feito.  Por sua vez, a 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP entendeu por bem julgar  procedente  em  parte  o  lançamento,  exonerando  parte  do  crédito  tributário,  por  entender  que  parte  do  lançamento  encontra­se  fulminado  pela  decadência,  o  fazendo  sob  a  égide  dos  fundamentos inseridos no Acórdão n° 17­28.436/2008, sintetizados na seguinte ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2005   Auto de Infração ­ Obrigação Principal Previdenciária Debcad  n.° 37.073.122­0   FORMALIDADES ESSENCIAIS.  Fl. 10822DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 6          9 O  auto  de  infração  por  descumprimento  de  obrigação  principal  previdenciária deverá conter os requisitos previstos no artigo 37 da  Lei n.° 8.212/1991.  APLICAÇÃO DO DECRETO  n.°  70.235/72 NOS PROCESSOS  ADMINISTRATIVOS  FISCAIS  PREVIDENCIÁRIOS  ADMINISTRADOS PELA RFB.  Nos termos do §1 0 do artigo 16 e inciso I do artigo 25, ambos da  Lei  n.°  11.457/2007,  aplicar­se­á  integralmente  o  Decreto  n.°  70.235/1972  para  os  processos  administrativos  fiscais  previdenciários  administrados  pela  Receita  Federal  do  Brasil  somente  para  aqueles  cujos  lançamentos  ocorram  a  partir  de  01.04.2008.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  Fica a Administração Pública impossibilitada de praticar quaisquer  atos  de  natureza  executória  com  a  finalidade  de  satisfazer  ou  receber  os  créditos  oriundos  deste  processo  administrativo  na  incidência  de  qualquer  dos  incisos  do  artigo  151  do  Código  Tributário Nacional.  CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.  Aos  litigantes  em  processo  judicial  ou  administrativo,  e  aos  acusados em geral, são assegurados o contradit6r . e ampla defesa,  com os meios e recursos a ela inerentes nos termos do inciso LV do  artigo 5° da CF/1988.  Nos  termos do  inciso LV do artigo 5° da CF/88, não há. de  se  falar  em  direito  ao  contraditório  e  ampla  defesa  durante  a  realização do procedimento fiscal pelo Auditor Fiscal da Receita  Federal do Brasil.  CERCEAMENTO DE DEFESA.  Inexiste  cerceamento  de  defesa  se  restou  comprovado  que  o  contribuinte  e  devedores  solidários  tomaram  conhecimento  de  todos  os  anexos  integrantes  da  autuação  fiscal,  onde  estão  presentes  todos  os  elementos  necessários  A.  perfeita  identificação do motivo ensejador do lançamento realizado pela  autoridade fiscal.  MODALIDADES  DE  CIÊNCIA  AO  CONTRIBUINTE  DA  INSTAURAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL.  Nos termos do artigo 588 da Instrução Normativa MPS/SRP n.°  03/2005, vigente por força do artigo 48 da Lei n.° 11.457/2007,  a  ciência  ao  contribuinte  do Mandado  de Procedimento Fiscal  poderá ser feita pessoalmente (inciso I), por via postal (inciso II)  ou mediante edital (inciso III).  MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.  Fl. 10823DF CARF MF   10 Desde que não acarretem prejuízos irreparáveis ao contribuinte  fiscalizado,  quaisquer  irregularidades  nos  Mandados  de  Procedimentos Fiscais não provocam a nulidade do lançamento  tributário dele decorrente.  LANÇAMENTO  FISCAL  COM  BASE  EM  INFORMAÇÕES  DECLARADAS EM GFIP'S. POSSIBILIDADE.  De  acordo  com  o  Decreto  n.°  2.803  de  02/10/1998,  as  informações prestadas na GFIP  servirão como base de cálculo  das  contribuições  arrecadadas  pela  RFB,  comporão  a  base  de  dados  para  fins  e  cálculo  e  concessão  dos  benefícios  previdenciários,  e  constituir­se­ão  em  termo  de  confissão  de  divida, na hipótese do não recolhimento.  SAT.  A contribuição para o SAT é  instituída por Lei. 0 Regulamento  da  Previdência  Social  aprovado  pelo  Decreto  n.°  3.048/1999  mantendo­se  nos  limites  legais,  com  base  em  estatísticas  de  acidente  de  trabalho,  é  o  instrumento  adequado  para  definir  o  conceito de atividade preponderante e os correspondentes graus  de risco.  GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.  Caracterizada  a  existência  de  fato  de  um  grupo  econômico,  o  reconhecimento  da  responsabilidade  solidária  é  impositivo  de  lei.  APRESENTAÇÃO DE PROVA.  Regra  geral,  toda  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  do  interessado  fazê­lo  em  momento processual diverso.  PERÍCIA CONTÁBIL.  Indefere­se  pedido  de  perícia  para  comprovar  mesma  matéria  que já foi objeto de auditoria pela Fiscalização da RFB.  DECISÕES  ADMINISTRATIVAS  E  JUDICIAIS.  DOUTRINA.  EFEITOS   As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos  de Contribuintes, e as judiciais, excetuando­se as proferidas pelo  STF  sobre  a  inconstitucionalidade  das  normas  legais,  não  se  constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não  se  aproveitam  em  relação  a  qualquer  outra  ocorrência,  senão  aquele objeto da decisão.  A doutrina  transcrita não pode ser oposta ao  texto explicito do  direito  positivo, mormente  em  se  tratando  do  direito  tributário  brasileiro,  por  sua  estrita  subordinação  à  legalidade.  Inteligência do artigo 150,  inciso I, da Constituição Federal de  1988.  DECADÊNCIA.  Fl. 10824DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 7          11 Nos  termos  da  súmula  vinculante  n.°  08  do  STF,  aplicável  à  Receita  Federal  do  Brasil  por  força  do  artigo  2°  da  Lei  n.°  11.417/2007, há de se afastar aplicabilidade dos artigos 45 e 46  da  Lei  n.°  8.212/1991,  passando  a  contagem  do  prazo  decadencial  das  contribuições  previdenciárias  a  ser  realizada  nos moldes previstos pelo Código Tributário Nacional.  Lançamento Procedente em Parte  Desta  decisão,  apesar  do  valor  excluído  superar  o  valor  de  alçada  à  época  vigente,  deixou­se  de  recorre  de  ofício,  nos  termos  do  contido  no  item  2.52  do Manual  de  Formalização,  Preparação,  Apreciação,  Julgamento  e  Movimentação  do  Processo  Administrativo­Tributário ­ MAPROC, aprovado pela Portaria SRF no 374, de 10 de março de  2002,  que  dispõe  que  "não  cabe  recurso  de  oficio  nos  casos  de  revisão  de  oficio  do  lançamento, de redução de penalidade por retroatividade benigna, de aplicação da legislação  tributária que determine cancelamento de débitos pela subtração da aplicação de  legislação  considerada inconstitucional."  Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada e  os  responsáveis  solidários,  apresentaram  Recursos  Voluntário,  às  e­fls.  1.748/3.385,  procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões.  A  auditoria  fiscal  não  poderia  ter  emitido  um  ofício  imputando  a  responsabilidade  solidária  da  recorrente  antes  da  data  de  consolidação  do  crédito  fiscal  que  ocorre com a emissão da NFLD;  O ofício encaminhado não consta quais são os devedores nem mesmo quando  ocorreu a citação de cada um destes “pseudo devedores”, ficando totalmente impossível para a  recorrente  apresentar  defesa  dentro  de prazo  e  termo,  por  não  ter  a mínima possibilidade de  detectar “quando” esse prazo começa;  A  recorrente  não  é  sujeito  passivo  direto  da  imputada  relação  jurídica  tributária original, porque a norma previdenciária não o indica como obrigado a proceder com  o recolhimento tributário de terceira pessoa;  Houve  cerceamento  de  defesa  do  recorrente  posto  que  a  autoridade  fiscal  emitiu NFLD antes de conceder qualquer prazo para apresentação de documentos defesa;  É nulo o procedimento  fiscal  pois o MPF  foi  emitido  em desobediência  ao  artigo  4º  da  Portaria  RFB  n.º  11.371/2007,  posto  que  deixou­se  de  registrar  a  assinatura  eletrônica  de  validade  na  internet,  não  indica  clara  e  objetivamente  o  tributo  objeto  do  procedimento,  não  anota  os  fatos  que  deram  origem  à  retroação  na  análise  a  períodos  anteriores,  e  não  indica  de  forma  sumária  quais  ações  e  verificações  deveriam  ter  sido  realizadas;  Por  fim,  requer  o  conhecimento  e  provimento  dos  seus  recursos,  para  desconsiderar  os  Autos  de  Infração,  tornando­os  sem  efeito  e,  no  mérito,  a  sua  absoluta  improcedência.  Não houve apresentação de contrarrazões.  Fl. 10825DF CARF MF   12 Após, regular processamento do feito, em 20 de março de 2014, foi proposta  resolução pelo Nobre Conselheiro Dr. Wilson Antônio de Souza Corrêa, acatada pelo voto de  qualidade, às e­fls 3.451/3.455, in verbis:  Os  presentes  Recursos  Voluntário  acodem  os  pressupostos  de  admissibilidade, razão pela qual, desde já, deles conheço.  Senhor Presidente, antes de adentrarmos no mérito da questão,  urge dizer que o presente processo retorne à  instância ‘a quo’,  para  que  esta  recorra  de  ofício,  eis  que  a  decisão  de  piso  considerou procedente em parte a impugnação, donde do crédito  decaiu mais de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).  “Ex vi” Portaria MF n° 03 de 03 de janeiro de 2008.  Estabelece  limite  para  interposição  de  recurso  de  ofício  pelas  Turmas  de  Julgamento  das  Delegacias  da  Receita  Federal  do  Brasil de Julgamento (DRJ).  O  MINISTRO  DE  ESTADO  DA  FAZENDA  ,  no  uso  da  atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art.  87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso  I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 , com a  redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de  1997 , e no § 3º do art. 366 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de  1999 , com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 6.224, de 4  de outubro de 2007 , resolve:  Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  recorrerá  de  ofício  sempre  que  a  decisão  exonerar  o  sujeito  passivo  do  pagamento  de  tributo  e  encargos  de  multa,  em  valor  total  superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).  Parágrafo  único.  O  valor  da  exoneração  de  que  trata  o  caput  deverá ser verificado por processo.  Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.  Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro  de 2001.  GUIDO  MANTEGA  Assim,  os  autos  do  processo  deverão  retornar à DRJ de origem para que esta providencie o recurso  de  ofício  e  intime  os  contribuintes  envolvidos  para  que  estes  apresentem  contraminuta  de  recurso  de  ofício,  se  desejarem,  em  seguida,  venham  os  autos  para  julgamento  de  ambos  os  recursos (ofício e os voluntários) para este julgador.  CONCLUSÃO Diante do acima exposto, converto em diligência  para instância ‘a quo’, para que esta providencie o Recurso de  Ofício,  eis que do  julgamento houve procedência  em parte da  impugnação,  donde  do  crédito  previdenciário  decaiu  mais  de  R$  1.000.000,00  (  um milhão  de  reais),  impondo  o  imperioso  recurso de ofício. Após, encaminhe aos Contribuintes para que  providenciem  a  contraminuta  do  recurso  de  ofício,  se  desejarem,  em seguida  retorne os autos para  este Conselheiro  para analise e novo julgamento.(grifo nosso)  Fl. 10826DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 8          13 Da Resolução encimada, a 13° Turma da DRJ em São Paulo/SP, elaborou o  Acórdão  Revisor  n°  16­59.520/2014,  ratificando  o  mérito  anteriormente  analisado  e  Recorrendo  de  Ofício  em  razão  do  valor  exonerado  ultrapassar  o  limite  de  alçada,  em  conformidade  com  o  art.  366,  inciso  I,  §  2º,  do  Regulamento  da  Previdência  Social  (RPS),  aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, na redação dada pelo Decreto nº 6.224/07, bem como com  o  art.  34  do  Decreto  nº  70.235/72,  com  as  alterações  introduzidas  pela  Lei  nº  9.532/97,  combinados  com  o  artigo  1º  da  Portaria  MF  nº  03,  de  03/01/2008,  publicada  no  DOU  de  07/01/2008.  Cientificados  do  Acórdão  Revisor,  a  autuada  e  os  responsáveis  solidários  apresentaram  novos Recursos Voluntário  e  contrarrazões,  às  e­fls.  3532  e  ss,  pugnando pela  manutenção da decisão de piso e improcedência da autuação.ao recurso de ofício  É o relatório.  Voto             Conselheiro Rayd Santana Ferreira ­ Relator  RECURSO DE OFÍCIO   Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se  encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise da  matéria posta nos autos.  Trata­se  de  Auto  de  Infração  por  descumprimento  de  Obrigação  Principal  Previdenciária lavrado pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil em face do contribuinte  acima identificado e integrantes de grupo econômico, que de acordo com Relatório Fiscal de  fls. 91/107, refere­se a fatos geradores de contribuições previdenciárias correspondentes à parte  empresa  e  as  destinadas  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  para  as  competências abrangidas pelo período de 02/2000 à 11/2005.  Por sua vez, a 13ª Turma da DRJ em São Paulo/SP entendeu por bem julgar  parcialmente  procedente  o  lançamento,  exonerando  parte  do  crédito  tributário,  por  entender  que  parte  do  lançamento  encontra­se  fulminado  pela  decadência,  o  fazendo  sob  a  égide  dos  fundamentos inseridos no Acórdão Revisor n° 16­59.520/2014.  Feita as considerações acima, passamos a analise do ponto específico:  DECADÊNCIA  Inicialmente,  cumpre  esclarecer  que  a  presente  Notificação  Fiscal  de  Lançamento de Débito foi lavrada considerando o prazo de dez anos para a Seguridade Social  constituir seus créditos, nos termos do que estabelecia o art. 45 da Lei n° 8.212/91:  Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus  créditos extingue­se após 10 (dez) anos contados:  I  —  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  crédito poderia ter sido constituído;  Fl. 10827DF CARF MF   14 II — da data  em que  se  tornar definitiva a decisão que houver  anulado,  por  vício  formal,  a  constituição  de  crédito  anteriormente efetuada.  Em  decorrência  do  julgamento  dos  Recursos  Extraordinários  n°  556.664,  559.882,  559.943  e  560.626  o  Supremo  Tribunal  Federal  editou  a  Súmula  Vinculante  if  8,  publicada no D.O.U. de 20/06/2008, nos seguintes termos:  São  inconstitucionais o parágrafo único do art.  5° do Decreto­ Lei  n°  1.569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  n°  8.212/91,  que  tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.  De acordo com a Lei 11.417/2006, após o Supremo Tribunal Federal editar  enunciado  de  súmula,  esta  terá  efeito  vinculante  em  relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal,  a partir de sua publicação na imprensa oficial. Assim, a nova súmula alcança todos os créditos  pendentes de pagamento e constituídos após o lapso temporal de cinco anos.  Indispensável  ao  deslinde  da  controvérsia,  mister  se  faz  elucidar,  resumidamente,  as  espécies  de  lançamento  tributário  que  nosso  ordenamento  jurídico  contempla, como segue.  Primeiramente  destaca­se  o  lançamento  de  ofício  ou  direto,  previsto  no  artigo  149  do  CTN,  onde  o  fisco  toma  a  iniciativa  de  sua  prática,  por  razões  inerentes  a  natureza  do  tributo  ou  quando  o  contribuinte  deixa  de  cumprir  suas  obrigações  legais.  Já  o  lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal,  é  aquele  em que o  contribuinte  toma a  iniciativa do procedimento,  ofertando  sua declaração  tributária, colaborando ativamente. Ao fim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo  150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido  e  promove  o  pagamento,  ficando  sujeito  a  eventual  homologação  por  parte  das  autoridades  fazendárias.  Dessa  forma,  estando  as  Contribuições  Previdenciárias  sujeitas  ao  lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a  ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levando­se em consideração a  natureza  do  tributo  atribuída  por  lei,  independentemente  da  ocorrência  de  pagamento,  entendimento compartilhado por este conselheiro.  Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação  é o  artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual  somente não prevalecerá nas hipóteses de  ocorrência de dolo,  fraude ou  conluio,  o que  ensejaria o deslocamento do prazo decadencial  para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal.  Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza  tão  somente  pelo  pagamento.  Ao  contrário,  trata­se,  em  verdade,  de  um  procedimento  complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não.  Observe­se, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o  lançamento  por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida  por  lei.  E,  esta,  em  momento  algum  afirma  que  assim  o  é  tão  somente  quando  houver  pagamento.  Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não  tem nada a recolher, ou mesmo quando encontra­se beneficiado por isenções e/ou imunidades,  onde,  em  que  pese  haver  o  dever  de  elaborar  declarações  pertinentes,  informando  os  fatos  geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do  tributo em razão de uma benesse fiscal?  Fl. 10828DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 9          15 Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do  fato  gerador  do  tributo,  nos  termos  do  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  proceder  à  análise  das  informações  prestadas  pelo  contribuinte  homologando­as  ou  não,  quando  inexistir  concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar  devida.  Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por  homologação  é  o  prazo  decadencial  insculpido  no  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  o  qual  dispôs  expressamente  os  casos  em  que  referido  prazo  deslocar­se­á  para  o  artigo  173,  inciso  I,  na  ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação  específica  contempla  a  aplicação  de  outro  prazo  decadencial,  afastando­se  a  regra  do  artigo  150,  §  4º.  Como  se  constata,  a  toda  evidência,  a  contagem  do  lapso  temporal  em  comento  independe de pagamento.  Ou  seja,  comprovando­se  que o  contribuinte  deixou  efetuar  o  recolhimento  dos tributos devidos e/ou promover o auto­lançamento com dolo, utilizando­se de instrumentos  ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso  I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se  extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema.  Por  outro  lado,  alguns  julgadores  e  doutrinadores  entendem  que  somente  aplicar­se­ia  o  artigo  150,  §  4º,  do CTN quando  comprovada  a  ocorrência  de  recolhimentos  relativamente  ao  fato  gerador  lançado,  seja  qual  for  o  valor.  Em  outras  palavras,  a  homologação dependeria de antecipação de pagamento para  se caracterizar,  e a  sua ausência  daria  ensejo  ao  lançamento  de  ofício,  com  observância  do  prazo  decadencial  do  artigo  173,  inciso I.  Ressalta­se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que  o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover  qualquer ato  tendente  a apuração da base de cálculo do  tributo devido,  seja pelo pagamento,  escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o  contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse  se cogitar em “homologação”.  Afora  posicionamento  pessoal  a  propósito  da matéria,  por  entender  que  as  Contribuições Sociais Previdenciárias deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, §  4°,  do  Códex  Tributário,  independentemente  de  antecipação  de  pagamento,  salvo  quando  comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do  Regimento  Interno  do  CARF  (artigo  62­A),  introduzida  pela  Portaria  MF  nº  586/2010,  os  julgadores  deste  Colegiado  estão  obrigados  a  “reproduzir”  as  decisões  do  STJ  tomadas  por  recurso  repetitivo,  razão  pela  qual  deixaremos  de  abordar  aludida  discussão,  mantendo  o  entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos  do mesmo  tributo  no  período  objeto  do  lançamento,  na  forma  decidida  por  aquele  Tribunal  Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  Fl. 10829DF CARF MF   16 PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: Resp  766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo  certo  que  o  "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Fl. 10830DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 10          17 Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo  Regimento  Interno  do  CARF  que  nos  lançamentos  por  homologação  a  antecipação  de  pagamento é  indispensável à aplicação do  instituto da decadência, nos  cabe  tão somente nos  quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência.  Entrementes,  a controvérsia em relação a  referido  tema encontra­se distante  de  remansoso  desfecho,  se  fixando  agora  em  determinar  o  que  pode  ser  considerado  como  antecipação de pagamento das contribuições, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou  procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal.  Para afastar qualquer dúvida a esse  respeito  foi editada a Súmula CARF n°  99, que assim dispõe:  Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150,  § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  na  competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida  no auto de infração.  Essa súmula é de observância obrigatória, nos  termos do “caput” do art. 72  do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015.  Em outras palavras, quanto ao AIOP de obrigação principal, a tese em que a  nobre Procuradora  da  Fazenda  se  apoiava  em  sua  contrarrazão,  no  sentido  de  que  "fatiar"  a  remuneração  a  ser  analisada  em  "reconhecida"  e  "não  reconhecida"  pela  contribuinte,  fora  rechaçada pela Súmula encimada.  Em  suma,  despiciendas  maiores  elucubrações  a  propósito  da matéria,  uma  vez  que  a  simples  análise  dos  autos  nos  leva  a  concluir  pela  existência  de  antecipação  de  pagamento,  por  trata­se  em  parte  de  contribuição  para  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade,  portanto,  diferenças  de  contribuições,  eis  que  a  contribuinte  promoveu  o  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  reconhecida  (salário  normal),  fato  relevante  para  a  aplicação  do  instituto,  nos  termos  da  decisão  do  STJ  acima  ementada,  a  qual  estamos  obrigados a observar.  Mais  a  mais,  como  se  extrai  do  Relatório  Fiscal  do  Auto  de  Infração,  no  decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou as Guias de Recolhimento do Fundo  de Garantia do  tempo de Serviço e Informações à Previdência Social  ­ GFIP e às Guias da  Previdência  Social  ­  GPS,  além  de  outros  documentos,  o  que  nos  leva  a  concluir  pela  existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte.  Assim, é de manter a ordem legal no sentido de adotar o prazo decadencial  inscrito no artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, em face do  recolhimento parcial  das contribuições previdenciárias ora lançadas.  Por amor a clareza,  reitero a ocorrência da decadência dos valores  relativos  aos  fatos  geradores  das  competências  até  11/2002,  conforme  decidido  pela  autoridade  julgadora de primeira instância.   Fl. 10831DF CARF MF   18 Neste diapasão, deve ser mantida incólume a decisão recorrida.  Por todo o exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância  com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO  RECURSO DE OFÍCIO E NEGAR­LHE PROVIMENTO, mantendo o decisum recorrido em  sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas.  RECURSO VOLUNTÁRIO  Presente  o  pressuposto  de  admissibilidade,  por  ser  tempestivo,  conheço  do  recurso e passo ao exame das alegações recursais.  DELIMITAÇÃO DA LIDE ­ PRECLUSÃO  Como  relato  encimado,  a  contribuinte  e  as  responsáveis  solidárias  apresentaram "novo recurso" em face do Acórdão Revisor, inovando em relação as alegações  anteriormente trazidas.  Vale explicitar que o Acórdão da DRJ não fora anulado, apenas retificado no  que concerne a matéria excluída (Recurso de Ofício).  Dito isto, uma vez claro que o Acórdão original se manteve válido, tanto que  suas  razões  foram  mantidas  no  Revisor,  não  há  como  conhecer  das  alegações  ventiladas  posteriormente.  Não  sendo  o  bastante,  nos  termos  da  legislação  processual  tributária,  esses  argumentos  recursais  se  encontram  fulminados  pela  preclusão,  uma  vez  que  não  foram  suscitados  por  ocasião  da  apresentação  da  impugnação,  conforme  preceitua  o  artigo  17  do  Decreto n. 70.235/72, senão vejamos:  Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.  Nessa  toada,  não merece  conhecimento  a matéria  suscitada  posteriormente,  que não tenha sido objeto de contestação na impugnação.  PRELIMINARES  DECADÊNCIA  Conforme  analisado  no  Recurso  de  Ofício,  a  decisão  de  piso  entendeu  de  maneira  correta  pela  decretação  da  decadência  com  base  no  artigo  150,  §  4º  do  CTN,  considerando decaído até a competência 11/2002.  No entanto houve um equivoco quanto a contagem deste prazo, uma vez que  a  contribuinte  fora  intimada  em  07/01/2008,  a  competência  12/2002  também  está  alcançada  pela decadência nos termos do artigo encimado.  Neste  diapasão,  voto  no  sentido  de  afastar  do  lançamento  a  competência  12/2002.  DAS FORMALIDADE DO LANÇAMENTO  O  presente  auto  de  infração  por  descumprimento  de  obrigação  principal  previdenciária  ­ AIOP  ­ encontra­se  revestido das  formalidades  legais,  tendo sido  lavrado de  acordo  com  os  dispositivos  legais  e  normativos  que  disciplinam  o  assunto,  consoante  o  disposto no caput do artigo 37 da Lei n.º 8.212/1991, que determina:  Fl. 10832DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 11          19 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  benefício  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que  se referem, conforme dispuser o regulamento.  Todos  os  elementos  essenciais  do  procedimento  fiscal  constam  deste  auto,  dos  quais  foram  o  devedor  principal  e  solidário  regularmente  cientificados,  de modo  a  lhes  permitir conhecer o inteiro teor do lançamento que lhes foi imputado.  Verifica­se, também, que o servidor competente observou todos os princípios  que norteiam a atividade administrativa previstos no “caput” do art. 37 da Constituição Federal  de  1988,  mesmo  porque  o  administrador  público  está  sujeito  aos  mandamentos  da  determinação legal em toda a sua atividade funcional.  Não  restou,  dessa  forma,  especificada  nenhuma  hipótese  que  propicie  a  nulidade  do  presente  auto  de  infração,  quais  sejam,  os  atos  e  os  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente,  como  também  os  despachos  e  as  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa  DO MANDATO DE PROCEDIMENTO FISCAL ­ MPF  As  recorrentes  pugnam  pela  nulidade  do  lançamento,  por  entender  haver  vícios no MPF.  O julgador de primeira instância muito bem tratou a matéria, em razão disto,  peço  vênia  para  transcrever  os  excertos  da  decisão  de  piso  e  adotar  como  razão  de  decidir,  vejamos:  10.1  Inicialmente,  cumpre  salientar  que  o  Mandado  de  Procedimento Fiscal ­ MPF, disciplinado, à época, pela Portaria  RFB nº 4.066/2007, é um instrumento interno de planejamento  e  controle das  atividades  e  procedimentos  fiscais  relativos  aos  tributos e contribuições administrados atualmente pela Receita  Federal do Brasil.  10.2. Com a implementação destes mandados buscou­se, dentre  outras coisas, resguardar o contribuinte de ações cometidas por  falsos fiscais, na medida em que o teor das informações contidas  no MPF podem  facilmente  ser  verificado na  Internet, mediante  utilização  de  código  indicado  no  corpo  do  próprio  documento.  Suas  prorrogações  são  livres,  a  critério  da  autoridade  outorgante,  e  são  feitas  por  intermédio  de  registro  eletrônico  efetuado  pela  respectiva  autoridade,  cuja  informação  fica  disponível  na  Internet,  conforme  dispõe  o  §1º  do  artigo  13  da  citada Portaria.  10.3.  Por  outro  lado,  desde  que  não  acarretem  prejuízos  irreparáveis  ao  contribuinte  fiscalizado,  quaisquer  irregularidades na emissão ou na prorrogação dos Mandados de  Procedimentos Fiscais não provocam a nulidade  tanto da ação  fiscal quanto do lançamento tributário decorrente.  Fl. 10833DF CARF MF   20 10.4.  Estes  instrumentos,  instituídos  por meio  de  portaria,  não  podem obstar o exercício da atividade de lançamento conferida  ao  Auditor  Fiscal  por  força  de  lei  (artigo  6º  da  Lei  n.º  10.593/2002).  Ainda  que  haja  irregularidades  na  emissão  do  MPF,  a  competência  do  Auditor  Fiscal  tanto  para  executar  a  ação fiscal quanto para constituir o crédito  tributário mediante  atividade de lançamento não é abalada.  (...)  10.7.  Constata­se  através  dos  documentos  anexados  às  fls.  165/167 (Termo de Esclarecimentos) que o contribuinte/devedor  principal  teve  plena  ciência  de  todo  o  desenvolvimento  do  procedimento  fiscalizatório e das conseqüências deste advindas  (lançamentos  fiscais  ­  autuações).  O  Sr.  Hélio  Garcia,  na  condição de diretor estatutário, compareceu espontaneamente à  Repartição Fiscal e prestou esclarecimentos acerca da situação  da empresa Executiva Transportes S/A. Neste sentido, descabida  qualquer  alegação  de  prejuízo  ou  desconhecimento  da  ação  fiscal  realizada  por  meras  irregularidades  no  Mandado  de  Procedimento Fiscal e respectivas prorrogações.  10.8.  Tal  fato  corresponde  à  realidade  dos  fatos,  uma  vez  que  depois  de  realizado  o  lançamento  fiscal,  o  advogado  do  contribuinte  compareceu  a  Repartição  Fiscal  com  a  finalidade  de  obter  cópias  dos  lançamentos  para  elaborar  impugnações  contra os créditos lavrados em face da citada pessoa jurídica.  10.9. Com relação à ciência do MPF aos devedores solidários,  nos  termos do previsto pelo artigo 749 da Instrução Normativa  n.º 03 de 14/07/2005, a estes  cabe  tão  somente a  cientificação  do  lançamento  fiscal,  motivo  pelo  qual,  não  há  intimação  dos  devedores  solidários  para  conhecimento  do MPF  tampouco  do  desenvolvimento da ação fiscal.  A seguir reproduzimos o conteúdo do citado dispositivo:(...)  Pelo arrazoado acima transcrito, rejeito a preliminar de nulidade invocada.  DO CERCEAMENTO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO E  DA  AMPLA DEFESA  As recorrentes argumentam que houve ofensa aos princípios do contraditório  e da ampla defesa, devendo ser anulado o lançamento.  Em  que  pesem  as  substanciosas  razões  ofertadas  pela  contribuinte  e  os  sujeitos passivos, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos  elementos que instruem o processo, conclui­se que os lançamentos, corroborados pela decisão  recorrida, apresentam­se formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude.  Resta  evidenciada  a  legitimidade da  ação  fiscal  que deu  ensejo  ao presente  lançamento,  cabendo  ressaltar  que  trata­se  de  procedimento  de  natureza  indeclinável  para  o  Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento,  que  é vinculada  e obrigatória,  nos  termos do  art.  142, parágrafo único do Código Tributário  Nacional, que assim dispõe:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  Fl. 10834DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 12          21 o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  devido,  identificar  o  sujeito  passivo  e,  sendo  o  caso,  propor  a  aplicação  de  penalidade cabível.  De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade  competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de  maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e  contraditório, sob pena de nulidade.  E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples  leitura  dos  anexos  das  autuações,  especialmente  o  “Discriminativo  Analítico  de  Débito  ­  DAD”,  Relatório  Fiscal  e  demais  informações  fiscais,  não  deixa  margem  de  dúvida  recomendando a manutenção dos lançamentos.  Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover os  lançamentos demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os  fatos geradores do crédito tributário, não se cogitando na nulidade dos procedimentos.  Mais  a  mais,  a  exemplo  da  defesa  inaugural,  a  contribuinte  não  trouxe  qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontram­se maculados  por  vício  em  sua  formalidade,  escorando  seu  pleito  em  simples  arrazoado  desprovido  de  demonstração do sustentado.  Destarte, é direito do contribuinte discordar com a imputação fiscal que  lhe  está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato,  isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência.  O  argumento  de  erro  do  fato  gerador,  na  eleição  da  base  de  cálculo,  custo  de  aquisição  e  demais,  se  confundem  com  o  mérito  que  iremos  tratar  posteriormente,  não  ensejando  em  nulidade  Dito isto, afasto a preliminar suscitada.  PROCEDIMENTO DE CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO  Com relação ao argumento de que a Fiscalização da Receita Federal do Brasil  não  teria cientificado o autuado da  instauração do procedimento  fiscal através dos endereços  constantes  de  seu  banco  de  dados  (matriz  e  Diretor  Presidente),  optando  pela  modalidade  através de edital, sendo nulo o lançamento por este motivo, salientamos que este não merece  guarida.  Consta  dos  autos  que  o  sujeito  passivo  tomou  ciência  do  TIAF  em  27/11/2007, mediante  edital  publicado nas dependências da Secretaria da Receita Federal  do  Brasil, conforme item 33 do relatório fiscal, uma vez que a recorrente não foi localizada, por  estar em  local  indeterminado, o que  foi  constatado pela  auditoria  fiscal  após  a  realização de  diligências  e  coleta  de  informações,  conforme  consta  do  relatório  fiscal,  itens  8  a  16,  quais  sejam:  a)  no  local  cadastrado  como  domicilio  tributário  da  matriz  constante  dos  bancos  de  dados,  informado  pela  recorrente  em  sua  Declaração  de  Informações  da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ)  do  Exercício  2007,  a  fiscalização  Fl. 10835DF CARF MF   22 constatou  que  funcionava  a  base  operacional  de  transportes  urbanos  pertencentes a outra empresa, a Viação Piracicabana Ltda;   b)  com  base  em  informações  obtidas  dos  bancos  de  dados  da  Previdência  Social  e  da Receita  Federal,  a  fiscalização  concluiu  que  no  ano  de  2006  a  recorrente  reduziu  drasticamente  suas  atividades,  pois  a  partir  de  abril  daquele  ano  houve  redução  expressivamente  das  receitas  de  prestação  de  serviços  declaradas  para  fins  de  apuração  da  COFINS;  em  julho  de  2006,  ocorreu o desligamento de todos os empregados; e a partir de agosto de 2006  a  recorrente  deixou  de  registrar  faturamento  e  também  teve  reduzida  a  sua  movimentação financeira, conforme dados da contribuição social CPMF;   c)  o  Sindicato  dos  Transportadores  Rodoviários  de  Santos  informou  que  a  recorrente  atuou  como  permissionária  do  serviço  público  de  transporte  coletivo no município de Santos (SP) por dez anos, mas que a permissão foi  cessada em meados de 2006, a qual passou para a Viação Piracicabana.  O  suposto  representante  da  empresa,  Sr.  Helio  Garcia,  embora  tenha  sido  eleito  diretor  conforme  ata  de  assembléia  geral  extraordinária  arquivada  na  Jucesp  em  03/11/2006, o  foi por meio de alteração social  invalidada pela Junta Comercial do Estado de  São  Paulo,  a  qual  procedeu  à  revisão  do  registro  da  alteração  societária,  referente  à  transformação do tipo jurídico para o de “sociedade por ações”, registrada em 30/10/2003, por  ter  sido  averbada naquele órgão de  registro  sem prova de Certidão Negativa de Débitos,  em  afronta ao art. 47, inciso I, “d”, da Lei 8.212/91.  Conforme descrito pela Fiscalização no Relatório Fiscal  da autuação às  fls.  91/107,  foram  empreendidos  diversos  esforços  para  cientificação  do  contribuinte  da  instauração deste procedimento fiscalizatório no endereço constante do sistema informatizado  da RFB (pessoal ou mediante correspondência), entretanto, estes foram improfícuos.  O  procedimento  adotado  para  ciência  do  sujeito  passivo  através  de  edital  encontra respaldo nos artigos 127 do Código Tributário Nacional e 588 da Instrução Normativa  MPS/SRP n.º 03 de 14.07.2005, atualmente vigente por força do artigo 48 da Lei n.º 11.457 de  16/03/2007 que criou a Receita Federal do Brasil, e que a seguir reproduzimos:  Art. 127. Na  falta de  eleição, pelo contribuinte ou  responsável,  de  domicílio  tributário,  na  forma  da  legislação  aplicável,  considera­se como tal:  (...)  II ­ quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas  individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos  que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento;  §1º  Quando  não  couber  a  aplicação  das  regras  fixadas  em  qualquer  dos  incisos  deste  artigo,  considerar­se­á  como  domicílio  tributário  do  contribuinte  ou  responsável  o  lugar  da  situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram  origem à obrigação.  §2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito,  quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização  do tributo, aplicando­se então a regra do parágrafo anterior.  Fl. 10836DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 13          23 Art.  588.  Será  dada  ciência  do  MPF  ao  sujeito  passivo  da  seguinte forma:  I  ­  pessoal,  comprovada  com  a  assinatura  do  representante  legal, do mandatário ou do preposto do sujeito passivo;  II  ­  por  via  postal,  ou  por  qualquer  outro meio,  com  prova  de  recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo;  III  ­  por  edital,  quando  os meios  previstos  nos  incisos  I  e  II  resultarem infrutíferos.  §1°  Ocorrendo  a  recusa  de  recebimento  do  MPF,  o  AFPS  deixará a via destinada ao sujeito passivo no local da ocorrência  e registrará, em todas as vias, no campo destinado ao recibo, a  expressão  "recusou­se  a  assinar",  seguida  da  identificação  do  responsável  pela  recusa,  considerando­se  cientificado  o  sujeito  passivo.  §2°  A  ciência  do  MPF  dá  início  ao  procedimento  fiscal,  implicando  a  perda  da  espontaneidade  do  sujeito  passivo  referida no §1° do art. 645.  §3°  Após  a  ciência  do  MPF,  a  SRP  não  emitirá  parecer  em  relação a consulta relativa às obrigações previdenciárias objeto  de verificação no procedimento fiscal.  §4°  Os  meios  de  cientificação,  previstos  nos  incisos  I  e  II  do  caput, não estão sujeitos a ordem de preferência.  Diante do exposto, é válida, portanto, a intimação feita por edital, pois ficou  comprovado  que  os  demais  meios  de  intimação  restaram  improfícuos.  Com  efeito,  ficou  demonstrada, nos autos, a ineficácia das tentativas de intimação pelos correios, endereçada ao  domicilio  do  sujeito  passivo  por  ele  informado  em  suas  declarações  à Receita  Federal,  bem  como  a  inviabilidade  de  se  proceder  à  intimação  pessoal  do  Sr.  Helio Garcia,  que,  naquele  momento não estava amparado por instrumento válido de representação.  Já o  fato dos ofícios para cientificação dos  devedores  solidários  elaborados  pela DRF/Santos/SEFIS (fls. 173/209) constarem data anterior a do lançamento não acarretam,  em nenhuma hipótese, causa de nulidade do procedimento fiscal.  Citados  ofícios,  apesar  de  elaborados  antes  do  lançamento  fiscal  propriamente  dito,  somente  foram  encaminhados  pela  autoridade  lançadora  aos  devedores  solidários  (mediante  correspondência  com  aviso  de  recebimento)  após  27.12.2007,  data  do  lançamento, conforme se vislumbra dos AR´s anexados às fls. 210/240, onde consta como data  de postagem dia 03.01.2008, conforme carimbo aposto pela Empresa Brasileira de Correios e  Telégrafos  do  Município  de  Santos  nos  citados  comprovantes.  Neste  sentido,  mera  irregularidade que em nada  causou prejuízo  ao  exercício de defesa dos  integrantes do  grupo  econômico.  O Termo  de Esclarecimento  anexado  pela  Fiscalização  às  fls.  165/167  não  operou  o  lançamento  de  nenhum  crédito  tributário  contra  o  autuado  e  devedores  solidários  motivo pelo qual, não há de se  falar em nulidade deste procedimento fiscal  também por este  motivo. Referido Termo serviu tão somente de subsídio à Fiscalização para esta conhecer a real  Fl. 10837DF CARF MF   24 situação  do  contribuinte/devedor  principal  naquele  momento  (localização  da  sede,  situação  econômica, administrativa, etc.).  Neste diapasão, rejeito a preliminar suscitada.  Por  fim,  refere­se  que,  nos  termos  do  §  3º  do  artigo  59  do  Decreto  nº  70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, "Quando puder decidir do mérito a  favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora  não a pronunciará nem mandará  repetir o ato ou  suprir­lhe a  falta.",  logo,  em  razão disso,  haja  vista  que  está  sendo  decidido  no  mérito  em  favor  dos  responsáveis,  deixa­se  de  ser  pronunciado sobre a preliminar, especificamente, pelos solidários invocada.  MÉRITO  LANÇAMENTO COM BASE EM GFIP  A  contribuinte  argumenta  que  o  Fisco  realizou  uma  análise  superficial  nos  documentos  da  empresa,  posto  que  teria  verificado  5  (cinco)  anos  de  sua  contabilidade  em  apenas  2  (dois)  meses,  baseando  o  lançamento  fiscal  tão  somente  em  GFIP´s,  devendo  ser  considerado improcedente.  Pois bem!  A  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP) foi  instituída pela Lei 9.528/97, que alterou o art. 32 da Lei 8.212/91, regulamentado  pelo  art.  1°  do  Decreto  2.803/98,  com  os  objetivos  de  servir  de  base  de  cálculo  das  contribuições  devidas  ao  INSS  e  de  compor  a  base  de  dados  para  fins  de  cálculo  e  concessão dos benefícios previdenciários, conforme abaixo:  Lei 8.212/91   Art. 32. A empresa é também obrigada a:  IV  ­  informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS,  por  intermédio  de  documento  a  ser  definido  em  regulamento,  dados  relacionados  aos  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária e outras informações de interesse do  INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  (...)  §  2º  As  informações  constantes  do  documento  de  que  trata  o  inciso  IV,  servirão  como  base  de  cálculo  das  contribuições  devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como  comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos  benefícios previdenciários.  (Parágrafo acrescentado pela Lei nº  9.528, de 10.12.97).  Decreto 2.803/98   Art.  1°  A  empresa  é  obrigada  a  informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  INSS,  por  intermédio  da  Guia  de  Recolhimento  ao  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, na forma por  ele  estabelecida,  dados  cadastrais,  todos  os  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária  e  outras  informações  de  interesse  daquele Instituto.  Fl. 10838DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 14          25 O  Decreto,  visando  regulamentar  e  evidenciar  os  objetivos  e  efeitos  das  informações prestadas através do referido documento, estabeleceu em seu artigo 1º, §3º, que as  informações prestadas na GFIP servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas  pela  RFB,  comporão  a  base  de  dados  para  fins  e  cálculo  e  concessão  dos  benefícios  previdenciários,  e  constituir­se­ão  em  termo  de  confissão  de  dívida,  na  hipótese  do  não  recolhimento.  Inobstante  ter  cumprido  a  obrigação  acessória,  deixou  de  recolher,  em  sua  totalidade, contribuições devidas relativas a parte empresa e SAT, montante já conhecido pelo  contribuinte  desde  o  momento  da  apresentação  das  GFIP´s  mês  a  mês  perante  instituição  bancária.  A contribuinte declarou o valor devido a RFB, contendo em seus arquivos o  relatório da GFIP em que consta o fato gerador da contribuição individualizado por segurado,  sendo  totalmente  impertinente  qualquer  alegação  no  sentido  do  desconhecimento  quanto  ao  cálculo das contribuições, do não conhecimento, não identificação dos valores a que se refere o  lançamento,  tampouco  que  os  documentos  pertinentes  ao  lançamento  não  foram  anexados  a  este processo administrativo, posto que estes são de conhecimento e posse da contribuinte  desde a sua elaboração.  De  fato,  nesse  caso,  não  seria  necessária  a  realização  do  lançamento.  Todavia,  como  já  dito,  a  realização  deste  em  nada  prejudica  a  contribuinte.  Muito  pelo  contrário,  uma  vez  que,  ao  efetuar  o  lançamento,  a  autoridade  fiscal  abre  a  contribuinte  a  possibilidade da ampla defesa e contraditório inerentes ao processo administrativo.  Nessa  linha  de  raciocínio,  a  lavratura  de  notificação  fiscal/autuação  fiscal  exigindo contribuições previdenciárias declaradas em GFIP e eventuais diferenças, nada mais é  do que a desconsideração daquele primeiro auto­lançamento (GFIP), oportunizando, inclusive,  ao contribuinte se insurgir contra a exigência fiscal. Como se vê, esse “novo” lançamento, além  de  objetivar  conferir  maior  segurança  aos  créditos  previdenciários,  não  representa  qualquer  prejuízo  ao  contribuinte,  que  terá  a possibilidade de  se manifestar  contra o  crédito  tributário  constituído a partir de NFLD/Auto de Infração.  Alegações  genéricas,  desprovidas  de  provas,  não  são  hábeis  a  ilidir  o  lançamento  fiscal  ou  de  inverter  o  ônus  da  prova.  A  nulidade  do  lançamento  ou  sua  improcedência deve ser combatida por prova em contrário inequívoca, clara e evidente do erro  cometido pela Fiscalização, não bastando à empresa alegar a  inexistência do  fato gerador ou  afirmar que efetuou o pagamento.  Desta forma, o AFRFB ante as declarações prestadas pelo autuado em GFIP  operou o lançamento do crédito tributário, lavrando esta autuação conforme determinação legal  prevista no artigo 37 da Lei n.º 8.212/1991.  CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SAT  No tocante a contribuição destinada ao SAT, esta se encontra fundamentada  no artigo 22, inciso II, da Lei n.º 8.212/91, que dispõe:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (...)  Fl. 10839DF CARF MF   26 II ­ para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58  da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o  total das  remunerações  pagas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados empregados e  trabalhadores avulsos: (Redação dada  pela Lei nº 9.732, de 11.12.98)  a)  1%  (um  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado  leve;  b)  2%  (dois  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado médio;  c)  3%  (três  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado grave.  Em  que  pese  os  argumentos  da  contribuinte,  salvo  casos  excepcionais,  é  vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade e ilegalidade de norma vigente e  eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual  foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009):  Súmula  CARF  Nº  2  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Essa súmula é de observância obrigatória, nos  termos do “caput” do art. 72  do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015.  Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a  alegação  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade  da  alíquota  SAT,  uma  vez  que  o  fisco  tão  somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento.  Além do mais, o Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário  nº  343.446  –  SC,  de  20/03/2003,  cujo  relator  foi  o  Ministro  Carlos  Velloso,  decidiu  pela  constitucionalidade da referida exação, incidente sobre o total da remuneração, bem como pela  constitucionalidade de sua regulamentação. Dispõe a ementa:  EMENTA:  ­  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO ­  SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação  da  Lei  9.732/98.  Decretos  612/92,  2.173/97  e  3.048/99.  C.F.,  artigo  195,  §  4º;  art.  154,  II;  art.  5º,  II;  art.  150,  I.  I.  ­  Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho  ­ SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação  no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I,  da  Constituição  Federal:  improcedência.  Desnecessidade  de  observância da técnica da competência residual da União, C.F.,  art.  154,  I.  Desnecessidade  de  lei  complementar  para  a  instituição da contribuição para o SAT. II. ­ O art. 3º, II, da Lei  7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que  o  art.  4º  da  mencionada  Lei  7.787/89  cuidou  de  tratar  desigualmente aos desiguais. III. ­ As Leis 7.787/89, art. 3º, II,  e  8.212/91,  art.  22,  II,  definem,  satisfatoriamente,  todos  os  elementos  capazes  de  fazer  nascer  a  obrigação  tributária  válida.  O  fato  de  a  lei  deixar  para  o  regulamento  a  complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e  "grau  de  risco  leve,  médio  e  grave",  não  implica  ofensa  ao  Fl. 10840DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 15          27 princípio  da  legalidade  genérica,  C.F.,  art.  5º,  II,  e  da  legalidade  tributária, C.F.,  art.  150,  I.  IV.  ­  Se  o  regulamento  vai  além  do  conteúdo  da  lei,  a  questão  não  é  de  inconstitucionalidade,  mas  de  ilegalidade,  matéria  que  não  integra o contencioso constitucional. V. ­ Recurso extraordinário  não conhecido. (grifo nosso).  Portanto, em que pese o inconformismo acerca da contribuição destinada ao  SAT, a mesma possui amplo amparo legal para sua cobrança.  GRUPO ECONÔMICO DE FATO  De conformidade com os elementos que instruem os autos, no entendimento  da  fiscalização,  ficou  constatada  a  existência  de  grupo  econômico  de  fato  entre  a  autuada  (EXECUTIVA  TRANSPORTES  URBANOS  S.A.)  e  outras  empresas,  as  quais  respondem  solidariamente pelo presente crédito previdenciário, nos termos legislação tributária, conforme  restou consignado no Relatório Fiscal, sob os seguintes fundamentos:  17. Estudos analíticos desenvolvidos pela fiscalização, com base  em  pesquisa  de  dados  nos  sistemas  da  Junta  Comercial,  da  Receita  Federal,  da  Previdência  Social  e  da  Comissão  de  Valores  Mobiliários  —  CVM,  demonstram  a  existência  de  um  "grupo  de  empresas"  que,  sob  direção,  controle  ou  administração  exercida  direta  ou  indiretamente  pelo  mesmo  grupo  de  pessoas,  constituem  um  grupo  econômico  de  fato,  assumido  pública  e  ostensivamente,  conforme  demonstra  consulta  ao  sitio  próprio  na  Internet  —  www.voegol.com.br,  como Grupo Áurea, e ao qual pertencem, não somente a empresa  Executiva  ora  sob  fiscalização,  mas  também  as  já  citadas  empresas  Áurea  Adm.  e  Participações  S/A  (atualmente  denominada  AAP  Adm.  Patrimonial  S/A),  Constante  Adm.  e  Participações S/A e Viação Piracicabana Ltda.  18. Esses  estudos mostram que  o Grupo Áurea  é  uma holding,  cuja  atuação  hoje  é  ampla  e  diversificada  e  que  se  destaca  nacionalmente no setor de transporte de passageiros através de  uma rede de mais de 40 empresas de ônibus, que totalizam mais  de  10  mil  veículos  e  empregam  cerca  de  30  mil  pessoas.  0  Grupo, que atua também no setor do transporte aéreo através da  empresa  Gol  Transportes  Aéreos,  tem  um  poder  de  controle  formalizado  na  família  do  Sr.  (Nené)  Constantino  de  Oliveira  casado  com a  Sra.  Aurea,  e  seus  filhos, Henrique Constantino,  Ricardo  Constantino,  Constantino  de  Oliveira  Junior,  Joaquim  Constantino  Neto,  Auristela  Constantino  Alves  e  Cristiane  Constantino Foresti.  19.  Verificou­se  que  o  Grupo  Aurea  possui  uma  sistemática  própria  de  organização  empresarial,  fragmentando­se  em  uma  série de empresas, que foram sendo constituídas umas derivadas  das outras, e cujo vinculo entre elas ou entre as pessoas físicas  pertencentes  aos  seus  quadros  societários  se  mantém,  e  cujo  poder de controle manifesta­se através do controle acionário das  pessoas  jurídicas  originárias  ou  derivadas,  ou  das  próprias  pessoas  fisicas  ou,  principalmente,  através  de  "empresas  de  Fl. 10841DF CARF MF   28 participações"  que  indicam  seus  diretores  para  os  cargos  de  direção das empresas das quais participam.  20. Observa­se  também que o Grupo empreende uma dinâmica  intensa  de  alterações  contratuais  e  estatutárias  nas  suas  empresas,  com  mudanças  frequentes  da  razão  social,  dos  quadros  societários  e  dos  objetivos  econômicos,  sendo  que  algumas  dessas  empresas  passaram  ou  passam  por  aparente  processo  de  esvaziamento  de  suas  atividades  sem  que  sejam  definitivamente encerradas, enquanto outras, que estavam semi­ paralisadas, em determinado momento voltam a ser reativadas.  A análise da fiscalização revela ainda que os endereços de sedes  e  filiais  de  empresas  do  grupo  muitas  vezes  são  coincidentes,  denotando funcionamento simultâneo em um mesmo local ou em  salas  contíguas,  além  de  mostrar  operações  frequentes  de  abertura e encerramento de estabelecimentos filiais num mesmo  endereço,  muitos  deles  encerrados  sob  a  titularidade  de  uma  empresa e a seguir reabertos sob a titularidade de outra.  21.  Outra  prática  comum  observada,  em  relação  a  algumas  dessas  empresas  que  passaram  por  uma  redução  de  suas  atividades,  é  que  os  seus  cargos  de  direção  passam  a  ser  ocupados  por  empregados  e  ex­empregados  de muitos  anos  no  Grupo, como é o caso dos diretores da Executiva, o falecido Sr.  José  Cláudio  Garcia  e  o  Sr.  Hélio  Garcia  que mantiveram  ao  longo  de  sua  vida  profissional  diversos  vínculos  com  empresas  de ônibus ligadas à família Constantino.  Constata­se  também  que  algumas  dessas  empresas  semi­ desativadas têm um passivo tributário expressivo, como é o caso  da empresa Executiva, cujos débitos previdenciários relativos ao  período de 01/1997 a 01/2000 estão em fase de execução, depois  de terem sido confessados, constituídos e incluídos no Programa  de Recuperação Fiscal — Refis  criado pela Lei 9.964/2000, do  qual  foram  posteriormente  excluídos  de  oficio,  por  ficar  configurada a hipótese prevista no inc. I do art. 5° c/c inc. IV do  art. 3° daquela Lei.  Diante  de  aludida  constatação,  a  partir  da  ação  fiscal  com  a  conseqüente  constituição do crédito sob análise, as empresas listadas, na condição de integrantes do grupo  econômico  de  fato  caracterizado  pela  fiscalização,  foram  chamadas  a  responder  por  tais  débitos,  em  face  da  responsabilidade  solidária,  insculpida  no  artigo  30,  inciso  IX,  da  Lei  nº  8.212/91.  Por sua vez, em suas alegações de recursos, às empresas enquadradas como  responsáveis  tributárias,  opõem­se  a  caracterização  de  grupo  econômico,  aduzindo  que  a  autoridade  fiscal e a DRJ de origem fundamentaram suas conclusões única e exclusivamente  em  "estudos  analíticos  com  base  em  pesquisa  de  dados  nos  sistemas  da  Junta  Comercial,  Receita Federal, Previdência Social e da Comissão de Valores Mobiliários  ­ CVM", ou seja,  não  houve  efetiva  fiscalização material  para  a  constatação  das  presunções  a  que  chegaram,  insiste­se,  as  conclusões  são  meras  conclusões.  Não  houve,  efetivamente,  qualquer  comprovação efetiva pela autoridade fiscal dos elementos caracterizadores da existência de um  Grupo Econômico, dentre os quais, destaca­se a  indispensável prova do controle comum dos  negócios  sociais  das  empresas  descritas.  A  autoridade  fiscal  apenas  indica  em  tese  e  hipoteticamente alguns procedimentos que seriam utilizados pelas empresas.  Fl. 10842DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 16          29 Explicita  que,  a  partir  dos  conceitos  de  grupo  econômico,  controladora,  controlada,  coligada  ou  simples  participação,  a  autoridade  fiscal  não  logrou  êxito  em  comprovar que as empresas descritas a fls. 06 a 13 do Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de  Lançamento de Débito ora  combatida,  teriam qualquer vinculação com a  empresa Executiva  Transportes Urbanos S/A. Definitivamente,  as empresas descritas a  fls.  06 a 13 do Relatório  Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ora combatida não  têm absolutamente  nenhuma  relação  tem  com  a  Executiva Transportes Urbanos  S/A,  onde,  pois,  o  fundamento  jurídico  apto  a  imputar  co­responsabilidade  das  supostas  dividas  desta  empresa  com  as  empresas descritas a fls. 06 a 13 do Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de  Débito ora combatida? Obviamente não há... Não se encontra nos autos.  Importante sublinhar, outrossim, no que tange â alegação do suposto Grupo  Econômico,  que  a  autoridade  fiscal  apenas  discorre  de  forma  totalmente  genérica  e  abstrata  sobre  supostos  negócios  jurídicos,  ex  vi,  compra  e  venda  de  participações  societárias,  constituição de empresas "tipo holding", alteração de objetos sociais e/ou de razão social, que  absolutamente nenhuma ilegalidade contêm, muito ao contrário, são cristalinamente permitidas  pela Ciência do Direito.  Insiste­se na venha, o relatório fiscal devaneia sobre a ocorrência de  tais  práticas,  porém,  não  indica,  não  aponta  rigorosamente  nenhum  fato  pontual  e/ou  circunstância  que  poderia,  sequer  em  tese,  configurar  a  responsabilidade  solidária  em  decorrência de Grupo Econômico. Definitivamente, a autoridade fiscal apenas alega no vazio a  pratica de  infrações,  todavia,  não  logrou  comprovar  a ocorrência de nenhuma  infração nesse  sentido.  Mas há mais, a afirmativa de que no site www.voegol.com.br constam todos  os  dados  referentes  ao  Grupo  Econômico  Áurea  que  dariam  suporte  ao  teorema  que  tenta  montar a autoridade fiscal é mais uma alegação inverídica, tanto que sequer se dignou a anexar  ao processo administrativo fiscal as aludidas provas. Absolutamente nenhuma prova existe de  Grupo  Econômico,  não  podendo  tal  fantasia  servir  de  supedâneo  legal  a  ensejar  a  responsabilidade de  terceiros,  como a ora  recorrente, que não possui qualquer  relação com a  empresa fiscalizada.  Esclarece que o CTN estabelece um requisito especifico para a imputação de  responsabilidade  tributária  solidária,  qual  seja,  que  as pessoas  tenham o  interesse  comum na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal, dessa  forma,  cumpre  perquirir  qual  o  alcance  desse  conceito  e  qual  a  interpretação  que  a  mais  abalizada  Doutrina  e  a  Jurisprudência lhe conferem.  Para  reforçar  seus  argumentos  são  citados  trechos  da  jurisprudência  e  da  doutrina.  Primeiramente é imprescindível para o deslinde da controvérsia, estipularmos  quais  das  empresas  iniciaram  o  litígio  na  fase  de  impugnação  e  o  mantiveram  com  a  interposição do Recurso Voluntário, pois uma vez não instaurado o contencioso, impossível é a  sua exclusão do pólo passivo.  Dito  isto,  elaboramos  um  quadro  com  a  indicação  das  impugnações  e  recursos apresentados, senão vejamos:  EMPRESA  IMPUGNAÇÃO ­ FLS.  RECURSO VOLUNTÁRIO  Fl. 10843DF CARF MF   30 EUROPAR  PARTICIPAÇÕES S.A.  1.178/1.202  2.136/2.174  AGRO DIESEL S.A.  746/768  1.801/1.839  ALLER  PARTICIPAÇÕES  S.A.  1.257/1.279  1.866/1.904  AUREA  ADMINISTRAÇÃO  E PARTICIPAÇÕES S.A.  711/733  1.933/1.971  BEL  AIR  SERVIÇOS  AEROPORTUÁRIOS LTDA  592/616  1.985/2.023  BREDA  TRANSPORTES  E  SERVIÇOS S.A.  516/538  2.036/2.074  BTT  TRANSPORTES  E  TURISMOS S.A.  327/354  2.101/2.111  COMPORTE  PARTICIPAÇÕES S.A.  623/645  2.136/2.174  CONSTANTE  ADMINISTRAÇÃO  E  PARTICIPAÇÕES S.A.  1.305/1.357  2.218/2.239  EMPRESA  CRUZ  DE  TRANSPORTES LTDA  1.003/1.024  2.269/2.307  EMPRESA  PRINCESA  DO  NORTE S.A.  552/574  2.323/2.361  EXPRESSO UNIÃO LTDA  479/500  2.382/2.420  FUNDO  DE  INVESTIMENTO  EM  PARTICIPAÇÕES ASAS  1.425  3.349/3.385  GCF  SERVIÇOS  DE  CARGAS  E  FRETAMENTOS LTDA      GOL  LINHAS  AÉRAS  INTELIGENTES S.A.      GOL  TRANSPORTES  AEREOS S.A.  249/271  2.439/2.474  GTI S.A.   1.138/1.160  2.439/2.474  ICARAÍ  TRANSPORTES  URBANOS LTDA  897/919  2.492/2.530  Fl. 10844DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 17          31 LIMMAT  PARTICIPAÇÕES  S.A.  671/693  2.539/2.577  MORASOL  COMERCIO DE  VEICULOS LTDA      PATRIMONY  ADMINISTRADORA  DE  BENS S.A.  782/806  2.593/2.631  PIRACICABANA  TRANSPORTES  DE  CARGAS E ENCOMENDAS  LTDA  1.033/1.055  2.664/2.702  QUALITY BUS COMERCIO  DE VEICULOS LTDA  1.069/1.091  2.717/2.755  RENTAL  EXPRESS  TRANSPORTES  E  SERVIÇOS S.A.  1.102/1.124  2.768/2.806  SERVIÇOS GRAFICOS S.A.  820/842  2.833/2.871  THURGAU  PARTICIPAÇÕES S.A.  404/426  2.891/2.929  TURB  TRANSPORTES  URBANOS S.A.  926/948  2.947/2.985  UNIÃO TRANSPORTES DE  CARGAS E ENCOMENDAS  LTDA  367/389  3.012/3.050  VAUD  PARTICIPAÇÕES  S.A.  856/878  3.065/3.104  VIAÇÃO  CAMINHO  DO  MAR LTDA      VIAÇÃO  PIRACICABANA  LTDA  292/314  3.136/3.174  VIAÇÃO  SÃO  PAULO  ­  SÃO PEDRO S.A.  443/465  3.200/3.237  WISLA  PARTICIPAÇÕES  S.A.  962/983  3.263/3.301  WT  VII  INVESTIMENTOS      Fl. 10845DF CARF MF   32 IMOBILIARIOS S.A.  APP  ADMINISTRAÇÃO  PATRIMONIAL S.A.  1.225/1.399  1.748/1.786  Conforme  observa­se  do  quadro  encimado,  as  responsáveis  solidárias  GCF  SERVIÇOS  DE  CARGAS  E  FRETAMENTOS  LTDA,  GOL  LINHAS  AÉRAS  INTELIGENTES  S.A.,  MORASOL  COMERCIO  DE  VEICULOS  LTDA,  VIAÇÃO  CAMINHO DO MAR LTDA e WT VII  INVESTIMENTOS  IMOBILIARIOS S.A. não  impugnaram o Auto de Infração e não interpuseram recurso, motivo pelo qual não fazem  parte do litígio.   Feita essas considerações, antes mesmo de se adentrar as questões de mérito  propriamente  ditas,  em  relação  ao  caso  concreto,  mister  se  faz  trazer  à  baila  o  conceito  de  grupo econômico inscrito na legislação de regência, bem como alguns estudos a propósito da  matéria, indispensáveis ao deslinde da controvérsia, senão vejamos:  Ao contemplarem o  tema, os  artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário  Nacional, assim prescrevem:  Art.  121  ­  Sujeito  passivo  da  obrigação  principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo Único ­ O sujeito passivo da obrigação principal diz­ se:  I  ­  contribuinte,  quando  tenha  relação  pessoal  e  direita  com  a  situação que constitua o respectivo fato gerador;  II  ­  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua  obrigação  decorra  de  disposição  expressa  de  lei.  Art.124 ­ São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  Único  ­  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.  Art.128  ­  Sem  prejuízo  do  disposto  neste  capítulo,  a  lei  pode  atribuir  de  modo  expresso  a  responsabilidade  pelo  crédito  tributário  a  terceira  pessoa,  vinculada  ao  fato  gerador  da  respectiva  obrigação,  excluindo  a  responsabilidade  do  contribuinte  ou  atribuindo­a  este  em  caráter  supletivo  do  cumprimento total ou parcial da referida obrigação.  Por  sua  vez,  a  Lei  nº  6.404/76,  ao  conceituar  Grupo  Econômico  em  seus  artigos 265 e 267, estabelece o seguinte:   Art. 265 ­ A sociedade controladora e suas controladas podem  constituir,  nos  termos  deste  Capítulo,  grupo  de  sociedades,  mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos  ou  esforços  para  a  realização  dos  respectivos  objetos,  ou  a  participar de atividades ou empreendimentos comuns.  Fl. 10846DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 18          33 § 1º ­ A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve  ser  brasileira,  e  exercer,  direta  ou  indiretamente,  e  de  modo  permanente, o controle das sociedades  filiadas, como  titular de  direitos  de  sócio  ou  acionista,  ou mediante  acordo  com  outros  sócios ou acionistas.  §  2º  ­  A  participação  recíproca  das  sociedades  do  grupo  obedecerá ao disposto no artigo 244.  Art.  267  ­  O  grupo  de  sociedades  terá  designação  de  que  constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo".  Parágrafo  Único  ­  Somente  os  grupos  organizados  de  acordo  com  este  Capítulo  poderão  usar  designação  com  as  palavras  "grupo" ou "grupo de sociedade".  Em outra via, o § 2º, do artigo 2º, da CLT, ao tratar da matéria, é por demais  enfático ao positivar:  Art.  2º  Considera­se  empregador  a  empresa  individual  ou  coletiva,  que,  assumindo  os  riscos  de  atividade  econômica,  admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços.  § 1º [...]  § 2º Sempre que uma ou mais empresas,  tendo, embora, cada  uma  delas,  personalidade  jurídica  própria,  estiverem  sob  a  direção,  controle  ou  administração  de  outra,  constituindo  grupo  industrial,  comercial  ou  de  qualquer  outra  atividade  econômica,  serão,  para  os  efeitos  da  relação  de  emprego,  solidariamente  responsáveis  a  empresa  principal  e  cada  uma  das subordinadas.  Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados  pelos Auditores fiscais da RFB ao promoverem o lançamento, notadamente quando tratar­se de  caracterização de Grupo Econômico, o  artigo 30,  inciso  IX, da Lei nº 8.212/91, determina o  que segue:   Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas:  [...]  IX  ­  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes desta lei;  Como  se  observa  dos  dispositivos  legais  encimados,  a  solidariedade  previdenciária  é  legal  e  obriga  os  sujeitos  passivos  do  fato  gerador  da  contribuição  da  seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal  regularmente conduzido.  Por  seu  turno,  especialmente  na  esfera  trabalhista,  a  doutrina  contempla  alguns  limites  e  requisitos/pressupostos  para  a  caracterização  do  grupo  econômico  de  fato,  Fl. 10847DF CARF MF   34 estabelecendo  características basilares de maneira  a nortear os  trabalhos  desenvolvidos neste  sentido, senão vejamos:  o grupo de  empresas deve ser  inicialmente  caracterizado como  fenômeno de  concentração,  incompatível  com o  individualismo,  mas  perfeitamente  consentâneo  com  a  sociedade  pluralista,  a  que corresponde o capitalismo moderno. Ao contrário da fusão e  da  incorporação  que  constituem  a  concentração  na  unidade,  o  grupo exterioriza a concentração na pluralidade. Particulariza­ se,entre os demais de sua espécie, por ser composto de entidades  autônomas,  submetido  o  conjunto  à  unidade  de  direção.”  (In  Magano. Otávio Bueno  – “Os Grupos  de Empresas  no Direito  do Trabalho – São Paulo. Ed. Revista dos Tribunais, 1979, pág.  305’) (grifamos)  Em conclusão, da soma de todas essas normas, vê­se que está configurada a  existência de um grupo econômico toda vez que duas ou mais empresas estiverem submetidas a  um mesmo poder de controle,  fato  considerado  pelo direito  como  relevante, merecendo uma  disciplina específica de modo a se coibir a manipulação das relações entre as sociedades que  tenham por escopo a contabilização de prejuízos a apenas uma delas, em detrimento dos sócios  minoritários  e  credores  da  sociedade  prejudicada,  e  a proteção  dos  verdadeiros  beneficiários  das articulações.  Verifica­se,  que  a  caracterização  de  grupo  econômico  de  fato  se  apresenta  como um procedimento excepcional, lastreado nas normas do direito privado, na condição de  instrumento  no  combate  à  evasão  fiscal  praticada  por  contribuintes  sob o manto  de  diversos  atos  comerciais  escusos,  sendo,  por  conseguinte,  plenamente  válido  e  legal,  conquanto  que  devidamente observados os requisitos para tanto e perfeitamente demonstrada à situação fática  adotada na pretensão fiscal.  Por  sua  vez,  a  interpretação  do  caso  concreto  deve  ser  levada  a  efeito  de  forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e,  bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização  do grupo econômico, a partir de suas especificidades conceituais, sendo defeso, igualmente, a  atribuição  de  requisitos/condições  que  não  estejam  contidos  nos  dispositivos  legais  que  regulamentam  a  matéria,  a  partir  de  meras  subjetividades,  sobretudo  quando  arrimadas  em  premissas  que  não  constam  dos  autos,  sob  pena,  inclusive,  de  afronta  ao  Princípio  da  Legalidade.  Na  hipótese  dos  autos,  inobstante  o  esforço  da  autoridade  lançadora,  não  conseguimos vislumbrar a existência de um Grupo Econômico de Fato. Pelo menos na forma  proposta pelo fiscal autuante. Explico:  Inicialmente,  inobstante destacar  a  necessidade  de um controle  central  e/ou  uníssono, a fiscalização não logrou comprovar que, no decorrer de todo período fiscalizado, a  autuada  ou  outra  empresa  integrante  do  grupo  econômico  de  fato  caracterizado  detinha  a  controle  de  TODAS  as  pessoas  físicas  no  desenvolvimento  de  suas  operações  e  atividades  comerciais.  Igualmente, não restou demonstrada a dilapidação do patrimônio da autuada  ou  outra  empresa,  com  a  transferência  a LARANJAS,  visando  afastar­se  da  responsabilidade  pelo  pagamento  dos  tributos.  Com  efeito,  não  se  vislumbra  qualquer  alteração  no  quadro  societário tendente a afastar a exigência de tributos eventualmente devidos.  Fl. 10848DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 19          35 Neste  ponto,  impende  esclarecer  que  não  entendemos  que  a  identidade  do  quadro societário, se constatada, isoladamente, oferece proteção à tese da existência de Grupo  Econômico de Fato, mas sim trata­se de um elemento de indício.  Não obstante a autoridade lançadora colacionar aos autos alguns indícios da  existência  de  grupo  econômico  de  fato,  não  contempla  com  especificidade  para  cada  empresa a vinculação entre todas ou mesmo a unicidade de direção.  Em verdade, no Relatório Fiscal, o fiscal autuante simplesmente aduz haver  direção,  controle  ou  administração  exercida  direta  ou  indiretamente  pelo  mesmo  grupo  de  pessoas,  além  de  outros  pequenos  fatos  indiciários  que,  por  si  só,  não  tem  o  condão  de  demonstrar a existência de grupo econômico de fato, especialmente levando em consideração a  necessidade  de  unicidade  de  comando,  confusão  patrimonial  e  contábil,  além  de  interesse  comum no fato gerador.  Mais  a  mais,  escora  sua  pretensão  em  presunção,  a  qual,  igualmente,  no  máximo, se prestaria a comprovação indiciária, mas nunca efetiva do grupo econômico de fato.  No mais, o que reforçaria o entendimento da fiscalização é uma informação  sobre  o  "Grupo  Aurea"  constante  do  site  www.voegol.com.br,  o  qual,  isoladamente  e  sem  qualquer  associação  aos  fatos,  ou  seja,  subsunção  do  fato  a  norma,  não  tem  o  condão  de  encampar a pretensão fiscal. Vale salientar ainda que, em pesquisa ao site indicado no REFISC  (www.voegol.com.br),  não  foram  encontradas  informações  sobre  a  existência  de  nenhum  "Grupo", muito menos especificamente ao "Grupo Aurea".  Não  vislumbro  nos  autos,  quaisquer  elementos  que  demonstrem  existir  o  nexo de causalidade entre os solidários e o fato gerador a eles imputados, quiçá demonstração  de interesse jurídico comum com a contribuinte.  Não  sendo  o  bastante,  vale  salientar  ainda  que  parte  das  empresas  responsabilizadas  foi  constituída  após  a  ocorrência  dos  fatos  geradores  que  levaram  à  obrigação  tributária  ora  exigida,  ou  no  seu  decorrer.  Podemos  citar  ainda  como  totalmente  infundada  a  atribuição  da  responsabilidade  solidária  a  um  fundo  de  investimento,  ente  desprovido de personalidade jurídica.  Bom  que  se  diga  que  não  estamos  aqui  afirmando  com  toda  segurança  inexistir  interesses  comuns  entre  algumas  das  empresas  elencadas  nos  autos  e  chamadas  a  responsabilização  do  crédito  tributário,  por  responsabilidade  solidária,  a  partir  da  caracterização do grupo econômico de fato. Sustentamos, na verdade, que o fiscal autuante  não  se  desincumbiu  do  ônus  de  comprovar  com  especificidade  a  existência,  de  fato,  do  grupo econômico.  E, não o  tendo  feito de maneira  específica  em relação à  cada  empresa,  não  temos  condições  de  analisar  a  questão  individualizadamente,  o  que  atrai  a  necessidade de afastar aludida conclusão fiscal, da existência de grupo econômico de fato.  Com a devida vênia, o nobre fiscal autuante, em seu Relatório Fiscal, fora por  demais superficial.  Fl. 10849DF CARF MF   36 A  jurisprudência  administrativa não discrepa desse entendimento,  conforme  se  extrai  do  julgado  abaixo  transcrito,  da  lavra  da  ilustre  Conselheira  Ana Maria  Bandeira,  ainda quando integrante do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, in verbis:  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  RETENÇÃO  11%  ­ GRUPO  ECONÔMICO DE FATO ­ SUCESSÃO DE FATO   O  contratante  de  serviços  mediante  cessão  de  mão­de­obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário,  deverá  reter  onze  por  cento  do  valor  bruto  da  nota  fiscal  ou  fatura  e  recolher  a  importância em nome da prestadora   A  formação  de  grupo  econômico  de  fato  deverá  estar  plenamente  demonstrada  pela  participação  de  pessoas  físicas,  em  duas  ou  mais  empresas,  nos  mesmos  percentuais  considerados  para  a  conceituação  de  empresas  coligadas,  controladas ou controladoras, constantes da Lei nº 6.404, de  15 de dezembro 1976   A ocorrência de sucessão deve estar bem caracterizada e ainda  que assim esteja, se o sucedido continuar a exercer atividade no  mesmo ramo, não se configura a responsabilidade solidária, mas  a subsidiária   Não  pode  subsistir  o  lançamento  de  créditos  de  uma  pessoa  jurídica  contra  outra,  onde  não  esteja  demonstrada  a  vinculação para tal   CONHECIDO  ­  PARCIALMENTE  PROVIDO.  (grifamos)  (Processo n° 35067.002367/2003­29 – NFLD n° 35.538.089­7  ­  Acórdão n° 1044/2005 – Sessão de 24/05/2005)  Como  se  observa,  é  bem  verdade  que  a  legislação  de  regência  autoriza  à  autoridade  lançadora, à  juízo próprio, caracterizar grupo econômico de fato. Entrementes,  tal  procedimento deverá ser devidamente fundamentado, indicando e comprovando a fiscalização  quais os motivos que a levaram a desconsiderar os atos realizados pelos administrados. Trata­ se, pois, de atividade fiscal excepcional, devendo, portanto, estar devidamente motivada.  Não  se  pode  inverter  o  ônus  da  prova,  quando  inexistir  dispositivo  legal  assim  contemplando,  a  partir  de  uma  presunção  legal.  In  casu,  havendo  dúvidas  quanto  a  licitude dos atos praticados pelas contribuintes, caberia a fiscalização se aprofundar no exame  das provas, como ocorre em inúmeras oportunidades, sendo defeso, no entanto, presumir pela  existência de grupo econômico de fato.  Ademais, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito, o ônus  da  prova  cabe  a  quem  alega,  in  casu,  ao  Fisco,  especialmente  por  inexistir  disposição  legal  contemplando  a  presunção  no  caso  de  pretenso  grupo  econômico  de  fato,  incumbindo  à  fiscalização buscar e comprovar a realidade dos fatos, podendo/devendo para tanto, inclusive,  intimar todas as partes  interessadas para confirmar a  idoneidade dos atos negociais efetuados  pelas contribuintes.  Na esteira desse raciocínio, deixando a autoridade lançadora de comprovar a  vinculação comercial,  gerencial e com o  fato gerador entre as empresas elencadas nos autos,  não se pode cogitar na manutenção do Grupo Econômico de Fato.   Fl. 10850DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 20          37 Como  dito  acima,  as  responsáveis  solidárias  GCF  SERVIÇOS  DE  CARGAS  E  FRETAMENTOS  LTDA,  GOL  LINHAS  AÉRAS  INTELIGENTES  S.A.,  MORASOL  COMERCIO  DE  VEICULOS  LTDA,  VIAÇÃO  CAMINHO  DO  MAR  LTDA  e  WT  VII  INVESTIMENTOS  IMOBILIARIOS  S.A.  não  podem  ser  excluídas  nesta oportunidade por não figurarem no litígio.  PERÍCIA  Por derradeiro, a recorrente pugna pela realização de perícia para constatar os  erros nas informações prestadas.  Assim  sendo,  quando  a  contribuinte  alega  erro  nas  informações  por  ele  prestadas  em  GFIP,  passa  a  ser  dele  o  ônus  da  prova  do  alegado,  não  sendo  suficiente  a  contestação genérica, conforme disciplina o art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72:  Art. 16...  IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de  1993)  Revela­se,  portanto,  prescindível  a  perícia  contábil,  pois  estão  satisfatoriamente esclarecidos nos autos os fatos sobre os quais o lançamento recai e não foram  apontadas, pela recorrente, eventuais divergências de valores.  A  prova  pericial  presta­se  a  esclarecer  pontos  duvidosos  que  exijam  conhecimentos especializados e não para substituir o ônus do sujeito passivo, relativamente à  produção de provas que, por sua natureza, já poderiam ter sido juntadas aos autos no momento  da apresentação da impugnação.  Ademais, por expressa previsão do § 1° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não  é conhecido o pedido de perícia  formulado em desacordo com as exigências do  inciso IV do  mesmo dispositivo legal.  Em síntese, indefiro o pedido de perícia.  Por  todo  o  exposto,  estando  os  lançamentos  sub  examine  em  consonância  parcial com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE  a)  CONHECER  DO  RECURSO  DE  OFÍCIO  e,  no  mérito,  NEGAR­LHE  PROVIMENTO;  b)  CONHECER  DOS  RECURSOS  VOLUNTÁRIO  para  rejeitar  as  preliminares e,   b.1.) DECRETAR A DECADÊNCIA DA COMPETÊNCIA 12/2002;  b.2.) NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DA AUTUADA;  Fl. 10851DF CARF MF   38 b.3.)  DAR­LHE  PROVIMENTO  AOS  RECURSOS  DOS  SUJEITOS  SOLIDÁRIOS, apenas no sentido de afastar o grupo econômico e a responsabilidade solidária  (exceto  em  relação  a  GCF  SERVIÇOS  DE  CARGAS  E  FRETAMENTOS  LTDA,  GOL  LINHAS AÉRAS  INTELIGENTES S.A., MORASOL COMERCIO DE VEICULOS LTDA,  VIAÇÃO CAMINHO DO MAR LTDA e WT VII INVESTIMENTOS IMOBILIARIOS S.A),  pelas razões de fato e de direito acima esposadas.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira                Declaração de Voto  Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro   Divirjo do Relator apenas em parte e pelos motivos a seguir explicitados.  Do  Relatório  Fiscal,  ao  lado  do  já  explicitado  pelo  Relator,  destaco,  em  síntese, a seguinte descrição fática:     Até 15.10.2003, a devedora principal tinha por objeto social o transporte urbano  de passageiros e atuava sob a denominação de "Executiva Transportes Urbanos  Ltda",  tendo  como  sócios­cotistas  as  empresas  Áurea  Administração  e  Participações  S/A  —  CNPJ  00.362.938/0001­51  e  Constante  Administração  e  Participações  S/A  —  CNPJ  02.101.885/0001­40  e  sendo  administrada  pelos  diretores dessas sócias­cotistas, Srs. Ricardo Constantino, CPF 546.988.806­10  e  RG/RNE  671071,  e  Henrique  Constantino,  CPF  443.609.911­34  e  RG/RNE  1022856.    De acordo com alteração contratual registrada na Jucesp em 15.10.2003, a cotista  Áurea Participações retirou­se da sociedade, permanecendo como única cotista a  empresa Constante Administração e Participações S/A. Nova alteração registrada  em  30.10.2003  e  sociedade  passa  a  ser  por  ações  e  ter  por  única  acionista  a  empresa  Constante  Administração  e  Participações  S/A,  cujos  sócios,  segundo  tabela, são Henrique Constantino e José Cláudio Garcia e  ter por administrador  Hélio Garcia. Esse registro foi revisto e invalidado pela Jucesp.    Com  base  em  documento  arquivado  em  17.05.2004,  a  empresa  permaneceu  sediada no mesmo endereço, e constavam ainda como diretores os Srs. Ricardo e  Henrique Constantino, sendo eleitos também os Srs. Joaquim Constantino Neto,  CPF  084.864.028­40  e  RG/RNE  17365750  e  José  Cláudio  Garcia,  CPF  692.209.728­91 e RG/RNE 5142708.    Segundo  o  arquivamento  seguinte  na  Jucesp,  em  27.10.2006,  referente  à  alteração estatutária produzida  em assembléia geral extraordinária  realizada  em  29.09.2006,  houve  a  renuncia  dos  diretores  ligados  A.  família  Constantino,  permanecendo  como  diretor  administrativo  do  Sr.  José  Cláudio  Garcia  que,  Fl. 10852DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 21          39 conforme  apuramos  no  Cadastro  Nacional  de  Informações  Sociais  —  CNIS/Dataprev, veio a falecer em 18.10.2006. Por último, em ata de assembléia  geral  extraordinária  arquivada  na  Jucesp  em  03.11.2006,  consta  como  diretor  eleito o Sr. Helio Garcia, CPF 199.362.068­00 e RG 2.377.387­X.    No  local  cadastrado  como  domicilio  tributário,  relativo  ao  estabelecimento  Matriz ­ CNPJ 0001, em São Vicente, os auditores constataram o funcionamento  de  uma  base  operacional  de  transportes  urbanos,  porém  pertencente  à  empresa  Viação Piracicabana Ltda ­ CNPJ 54.360.623/0032­09. As correspondências por  via postal  para  lá enviadas  com prova de  recebimento  foram devolvidas,  assim  como  o  foi  também  devolvida  a  enviada  para  o  endereço  que  consta  na  Junta  Comercial ­ km 89,7 da Rodovia Fernando Dias, em Guarulhos, cuja devolução  se deu por  alegado motivo de  "mudança". Este último endereço pertencente A.  ex­cotista da empresa e está locado, segundo Dimob, para terceiro.    Contatado  o  Sr.  Hélio  Garcia,  diretor  estatutário  da  empresa  Executiva,  este  compareceu à Repartição Fiscal em Santos em 18.10.2007, e em depoimento (1)  ficou caracterizado que, apesar de ser o único administrador em exercício (outro  faleceu),  não  tem conhecimentos básicos do passado e o presente da empresa  ,  desconhecendo,  por  exemplo,  a  atual  composição  societária  e  situação  patrimonial; (2) mencionou ser remunerado pela acionista Áurea Administração e  Participações; (3) que não tem nenhuma participação no capital da empresa e que  desconhece  o  proprietário  do  imóvel  atualmente  ocupado;  (4)  o  acionista  principal  da  empresa  Executiva  seria  a  empresa  Áurea  Administração  e  Participações;  e  (5)  teria  a  empresa  base  operacional  de  transporte  na Rodovia  Fernão Dias, km 89,7, em Guarulhos.    Áurea  Administração  e  Participações  não  é  acionista  da  devedora  principal,  a  única acionista (cotista, pela invalidação da alteração para sociedade por ações) é  a empresa Constante Adm. e Participações S/A, também dirigida pelo Sr. Hélio e  tendo  por  acionistas  Henrique  Constantino  e  o  finado  José  Cláudio  Garcia,  segundo tabela de fls 98/105.     Em  diligência  junto  ao  Sindicato  dos  Transportadores  Rodoviários  de  Santos,  cujo  quadro  associativo  é  formado  na  maioria  por  trabalhadores  que  foram  empregados  da  empresa  Executiva  e/ou  que  hoje  são  da  Viação  Piracicabana,  fomos informados que a Executiva atuou como permissionária do serviço público  por  cerca  de  10  anos,  operando  com  exclusividade  as  linhas  do  transporte  coletivo no Município de Santos, até que, em meados de 2006, a titularidade dos  referidos serviços foi transferida para a Viação Piracicabana, que teria assumido,  ao menos nas homologações e acordos promovidos pelo Sindicato (inclusive em  Comissão de Conciliação Prévia coordenada pelo mesmo), as  responsabilidades  de natureza trabalhista relativas ao período de sua antecessora.  Além  disso,  invocando  como  fonte  documental  os  Contratos  Sociais  e  Estatutos, o Relatório Fiscal apresenta a seguinte constatação:  "o Grupo Áurea possui uma sistemática própria de organização  empresarial,  fragmentando­se  em  uma  série  de  empresas,  que  foram  sendo  constituídas  umas  derivadas  das  outras,  e  cujo  vinculo  entre  elas  ou  entre  as  pessoas  físicas  pertencentes  aos  seus  quadros  societários  se  mantém,  e  cujo  poder  de  controle  manifesta­se através do controle acionário das pessoas jurídicas  originárias  ou  derivadas,  ou  das  próprias  pessoas  físicas  ou,  Fl. 10853DF CARF MF   40 principalmente,  através  de  "empresas  de  participações"  que  indicam seus diretores para os cargos de direção das empresas  das quais participam" (fls. 97).  A tabela de fls. 98/105 revela que a família Constantino diretamente por seus  membros exerce a administração nas diversas empresas ali especificadas, cumulando em regra  também  a  titularidade  dos  direitos  societários  sobre  as mesmas  ou  por  intermédio  de  outras  empresas  de  sua  titularidade.  Excetue­se  o  Fundo  de  Investimentos  por  ser  condomínio  de  recursos,  ou  seja,  uma  comunhão  de  recursos  destinados  à  aplicação  de  títulos  e  valores  mobiliários,  em  que  a  administração  se  opera  por  meio  de  mandato  concedido  pelos  condôminos à administradora, no caso Banco Santander Banespa SA.   De  fato,  em  relação  ao  grupo  como  um  todo  não  foram  imputados  pela  fiscalização  fatos específicos a se demonstrar  tratar­se de grupo de  fato  irregular,  a  justificar  aplicação do inciso I do art. 124 do CTN.   Nesse  ponto,  devo  explicitar  divergência  para  com  parte  das  premissas  adotadas  no  voto  do  Relator,  pois  entendo  como  existente  mais  de  uma  fundamentação  normativa para se imputar solidariedade tributária no âmbito das contribuições em tela.  Uma  linha  de  fundamentação  consiste  na  imputação  da  responsabilidade  solidária com base nos arts. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, e 124, II, do CTN.  Essa linha de fundamentação adota o critério orgânico para a caracterização  do grupo econômico (IN INSS/DC nº 100, de 2003, art. 778; IN SRP n° 03, de 2005, art. 748;  IN RFB n° 971, de 2009, art. 494) e, especificamente em relação ao grupo econômico de fato  e  regular,  exige­se  a  direção,  o  controle  e/ou  administração  unitário(s),  ou  seja,  a  direção,  controle  e/ou  administração  de  uma  empresa  sobre  outra,  inclusive  via  coordenação,  e  independentemente da natureza das atividades econômicas desenvolvidas (industrial, comercial  ou qualquer outra), mantendo todas personalidade e patrimônio distintos e sem qualquer abuso  de forma ou personalidade.   Nessa linha, não se perquire acerca da existência ou não de interesse comum  no fato gerador, eis que não se está a aplicar o art. 124, I, do CTN1.   A  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  é  no  sentido  de  que  o  simples  fato  de  uma  pessoa  jurídica  integrar  determinado  grupo  econômico  não  é  suficiente  para  que  responda  por  obrigação  tributária  de  pessoa  jurídica  distinta,  integrante  do mesmo  grupo econômico. Contudo, a rigor, tal raciocínio é aplicado a partir do inciso I do art. 124 do  CTN e não foi desenvolvido em face das contribuições sociais da Lei n° 8.212, de 1991, mas  diante da legislação do ISS2.                                                              1 Contudo, nada  impede que  a  situação  fática  autorize  a  invocação conjunta do  art.  124,  I,  do CTN,  caso  reste  demonstrado  o  interesse  comum  em  grupo  econômico  de  fato  regular.  Por  exemplo,  no  caso  hipotético  de  as  empresas atuarem como coempregadoras, mas em intercomunicação e não confusão.  2  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  EM  RECURSO  ESPECIAL.  EXECUÇÃO FISCAL.  ISS.  SUJEIÇÃO PASSIVA. ARRENDAMENTO MERCANTIL. GRUPO  ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. VERIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ.  1. "'Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem  ao mesmo grupo econômico, o que por  si  só,  não  tem o  condão  de provocar  a  solidariedade no  pagamento de  tributo  devido  por  uma  das  empresas'  (HARADA, Kiyoshi.  'Responsabilidade  tributária  solidária  por  interesse  comum na situação que constitua o fato gerador')" (AgRg no Ag 1.055.860/RS, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira  Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 26.3.2009).  2.  "Para  se  concluir  sobre  a  alegada  solidariedade  entre  o  banco  e  a  empresa  de  arrendamento  para  fins  de  tributação do ISS, seria necessária a reapreciação do contexto fático­probatório, providência inadmissível em sede  de  recurso  especial,  consoante  a  Súmula  7/STJ"  (AgRg  no  AREsp  94.238/RS,  Rel. Ministro  Arnaldo  Esteves  Fl. 10854DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 22          41 Para  as  contribuições  previdenciárias,  o  arcabouço  normativo  é  diverso  do  existente para o ISS. Isso porque, há a norma expressa do art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991,  e que retira seu fundamento de validade do inciso II do art. 124 do CTN e não do inciso I desse  artigo.  Em outros termos, a Lei n° 8.212, de 1991, não exige a presença de interesse  comum no fato gerador do tributo, pois se socorre do espaço normativo outorgado pelo inciso  II do artigo 124 CTN, que, sem maiores condicionantes, autoriza a lei ordinária a estabelecer  outras situações de responsabilização solidária.  Logo,  o  art.  30,  IX,  da  Lei  n°  8.212,  de  1991,  ao  atribui  responsabilidade  solidária  às  empresas  do  mesmo  grupo  econômico  sem  vincular  tal  atribuição  ao  interesse  comum no fato gerador, afasta qualquer óbice para a inclusão no polo passivo como solidária  sem benefício de ordem de  empresa que não pertencia  ao  grupo  econômico à  época do  fato  gerador e ainda que tenha sido criada posteriormente.  No meu entender, o art. 124,  II, do CTN é suficiente para lastrear o art. 30,  IX,  da  Lei  n°  8.212,  de  1991.  Contudo,  ainda  que  se  compreenda  como  necessária  a  observância  do  art.  128  do  CTN,  o  mesmo  resta  atendido.  Isso  porque,  o  fato  gerador  das  contribuições previdenciárias em tela tem por relação jurídica subjacente justamente a relação  de  emprego  e  a  empresa  de  grupo,  por  força  do  ordenamento  trabalhista,  responde  solidariamente pelas obrigações decorrentes da relação de emprego, estando, assim, vinculada  ao  fato  gerador.  Ao  tempo  do  lançamento  e  ao  da  imputação  da  responsabilidade  solidária,  estava vigente a redação original da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT, art. 2°, § 2°),  cujo  critério  orgânico  correspondia  inequivocamente  ao  adotado  na  esfera  tributária  (IN  INSS/DC nº 100, de 2003, art. 778; IN SRP n° 03, de 2005, art. 748; IN RFB n° 971, de 2009,  art. 494).  Uma  outra  linha  de  fundamentação,  alicerça­se  nos  arts.  30,  IX,  da  Lei  n°  8.212, de 1991, e 124, incisos I e II, do CTN e se aplica, por exemplo, ao grupo econômico de  fato e irregular, ou seja, quando houver grupo de fato e as empresas atuarem irregularmente  de  forma conjunta em abuso de personalidade  e/ou de  forma, em  infração à  lei,  em fraude  e  confusão patrimonial, gerencial e/ou laboral. Provadas as irregularidades em questão, a revelar  a  configuração  do  interesse  comum  no  fato  gerador,  resta  justificada  a  incidência  da                                                                                                                                                                                           Lima, Primeira Turma, DJe 16/10/2012). No mesmo sentido: AgRg no Ag 1.415.293/RS, Rel. Ministro Napoleão  Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 21/09/2012.  3. Agravo regimental não provido.  (AgRg  no  AREsp  603.177/RS,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  19/03/2015, DJe 27/03/2015)  AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE  INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO.  EXECUÇÃO FISCAL.  ISS.  LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES:  AGRG  NO  ARESP  21.073/RS,  REL.  MIN.  HUMBERTO  MARTINS,  DJE  26.10.2011  E  AGRG  NO  AG  1.240.335/RS, REL. MIN. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJE 25.05.2011. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA  7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.  1. A jurisprudência dessa Corte firmou o entendimento de que o simples  fato de duas empresas pertencerem ao  mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a solidariedade passiva em execução fiscal.  2. Tendo o Tribunal de origem reconhecido a inexistência de solidariedade entre o banco e a empresa arrendadora,  seria necessário o reexame de matéria fático­probatória para se chegar a conclusão diversa, o que encontra óbice  na Súmula 7 desta Corte, segundo a qual a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.  3. Agravo Regimental do MUNICÍPIO DE GUAÍBA desprovido.  (AgRg no Ag 1415293/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA,  julgado  em 19/06/2012, DJe 21/09/2012)  Fl. 10855DF CARF MF   42 solidariedade  com  lastro  no  art.  124,  I,  do CTN. Ressalte­se  que,  ao  se  fundar  a  imputação  fiscal  também  no  fundamento  autônomo  (bastante  por  si)  do  art.  124,  I,  do  CTN,  a  solidariedade  não  padece  das  limitações  do  art.  30,  IX,  da  Lei  n°  8.212,  de  1991,  e,  por  conseguinte,  tem  o  condão  de  abarcar  as  contribuições  eventualmente  devidas  a  terceiros,  assim entendidas outras entidades e fundos.  No caso concreto, vislumbro a incidência apenas dos arts. 30, IX, da Lei n°  8.212,  de  1991,  e  124,  II,  do  CTN.  Isso  porque,  a  fiscalização  não  imputou  e  nem  colheu  provas  do  abuso  de  personalidade  e/ou  de  forma,  em  infração  à  lei,  em  fraude  e  confusão  patrimonial, gerencial e/ou laboral.  A  fiscalização  procurou  demonstrar  a  caracterização  do  grupo  econômico  segundo o  critério  orgânico  veiculado  nas  Instruções Normativas  que  explicitam o  conteúdo  normativo do arts. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991 (IN INSS/DC nº 100, de 2003, art. 778; IN  SRP n°  03,  de 2005,  art.  748;  IN RFB n°  971,  de  2009,  art.  494),  nitidamente  inspirado  na  redação original do art. 2°, § 2°, da CLT.   Por  esse  critério,  o  grupo  econômico  se  caracteriza  por  haver  direção,  controle  e/ou  administração  de  uma  empresa  sobre  outra,  inclusive  via  coordenação,  e  independentemente da natureza das atividades econômicas desenvolvidas (industrial, comercial  ou qualquer outra).  Para o critério orgânico, é irrelevante a observância do critério dual da Lei n°  6.404,  de  1976,  ou  seja,  se  o  grupo  pode  ser  classificado  ou  não  como  de  direito,  também  chamado  de  grupo  societário  ou  convencional.  Igualmente,  é  irrelevante  se  o  grupo  de  fato  pode  ser  classificado  como  regular ou  não,  segundo observe  ou  não  as  normas  que  regem  a  sociedade não integrante de um grupo de direito.  Nesse ponto, é preciso se definir o que deva ser compreendido por direção,  controle e/ou administração.   Diante do disposto no art. 116 da Lei n° 6.404, de 1976, o controle envolve  duas facetas ou dimensões, uma potencial advinda da participação societária (= titularidade de  direitos de sócio) e uma dinâmica de efetiva direção das atividades sociais e orientação dos  órgãos da companhia  (= direção + orientação = direção,  em sentido  lato) pelo exercício dos  direitos  de  sócio,  sendo  que  do  controle  desdobra­se  naturalmente  o  poder  de  administrar,  ainda que pela via indireta da escolha de administradores.  A simples existência de sócio em comum (simples titularidade dos direitos de  sócio e nada mais) não prova a direção, o controle ou a administração unitários, hierárquico ou  coordenado. A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, antes da reforma trabalhista,  tendia a asseverar não bastar a mera existência de sócio em comum devendo haver controle de  uma empresa sobre a outra (hierárquico e não coordenado), sendo invocado como precedente o  Recurso  de  Embargos  em Recurso  de Revista  E­ED­RR­214940­39.2006.5.02.0472,  julgado  em 22.05.2014 pela Subseção I da Seção Especializada em Dissídios Individuais (SBDI­I).   A  reforma  trabalhista  não  afastou  o  critério  orgânico  de  configuração  do  grupo  econômico,  tendo  alinhado  o  texto  celetista  explicitamente  ao  entendimento  de  haver  solidariedade trabalhista na hipótese do grupo econômico formado por coordenação e de não  ser suficiente a mera identidade de sócios, a demandar a demonstração do interesse integrado, a  efetiva comunhão de interesses e a atuação conjunta das empresas dele integrantes (CLT, art.  2°, § 3°).   Fl. 10856DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 23          43 Num  grupo  de  fato  regular,  hierárquico  ou  coordenado,  a  integração  e  a  comunhão  mencionadas  pelo  legislador  celetista  não  podem  significar  subordinação  dos  interesses  sociais  de  uma  sociedade  aos  de  outra,  eis  que,  não  havendo  convenção  grupal  registrada, aplicam­se as regras inerentes a qualquer sociedade, ou seja, deve ser mantida uma  total  autonomia  jurídica  e  patrimonial,  apesar  de  haver  direção,  controle  e/ou  administração  unitário, hierárquico ou coordenado, sob pena de se caracterizar um grupo de fato irregular ou  até mesmo uma sociedade irregular.  Apenas  no  grupo  de  sociedades  (=  grupo  de  direito)  pode  haver  certa  combinação de recursos e esforços, subordinação dos interesses de uma sociedade aos de outra,  ou  do  grupo,  e  participação  em  custos,  receitas  ou  resultados  de  atividades  ou  empreendimentos, mas nos estritos limites da convenção do grupo (Lei n° 6.404, de 1976, arts.  269, 271 e 276).  Atuação  conjunta  das  empresas  integrantes  do  grupo  não  era  exigência  presente  na  redação  original  da  CLT  e  nem  é  exigência  presente  na  redação  das  Instruções  Normativas  que  explicitam  o  art.  30,  IX,  do  art.  8.212,  de  1991.  Além  disso,  na  esfera  trabalhista, não está definido o que deva ser compreendido por "atuação conjunta das empresas  dele integrantes".   Entendo  que  não  se  exige  a  atuação  em  um mesmo  empreendimento,  sob  pena de se confundir o grupo com um consórcio regular ou irregular (Lei n° 6.404, de 1976,  arts. 278 e 279). Logo,  atuação conjunta pode significar a simples  integração de  interesses  e  não  haveria modificação  da  norma  jurídica  a  ser  extraída  do  texto  legal  celetista  reformado.  Mas,  atuação  conjunta  pode  significar  também  a  atuação  com  interdependências  (e  não  confusões para ser grupo regular) a se revelar tratar­se de empresa plurissocietária.  A  direção  econômica  e  empresarial  unitária  e  comum  justifica  eventual  interdependência  administrativa  (serviços  e/ou  setores  administrativos  compartilhados),  comercial  (partilha de marcas,  uniformes,  estratégias de publicidade e de vendas; bem como  cotação  e  compras  conjuntas,  com  obtenção  de  descontos)  e/ou  financeira  (financiamentos  conjuntos,  outorga  de  garantias,  adiantamentos  e/ou  empréstimos  entre  as  empresas)  e/ou  operacional  (uniformização  de  procedimentos,  desenvolvimento  de  mesma  atividade  ou  atividades complementares, com partilha de equipamentos e  instalações em racionalização de  recursos  e  ganhos  de  escala)  e/ou  de  pessoal  (diretores/administradores  comuns,  compartilhamento de empregados {TST, Súmula n° 129 = coempregadores} e/ou circulação de  trabalhadores mediante vínculos formais sucessivos).  A  interdependência  é  aceitável  num  ambiente  de  controle,  direção  ou  administração  unitários,  mas  se  desvirtua  em  confusão  ao  comprometer  a  existência  de  personalidade  e  patrimônio  distintos  e/ou  violar  o  interesse  social  da  empresa  integrante  do  grupo,  ressalvada  a  mitigação  do  interesse  social  nos  termos  de  convenção  de  grupo  não  abusiva e registrada e dentro dos limites da legislação empresarial.  Frise­se que a redação original da CLT não exigia interdependências (embora  comuns no âmbito de um grupo de fato regular), bastava a demonstração da direção, controle  e/ou administração unitário(s), ou seja, a demonstração da direção, controle e/ou administração  de uma empresa sobre a outra, inclusive via coordenação.  Na esfera do direito tributário, a norma complementar (CTN, art. 100, I) que  explicita o conteúdo normativo do art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, não foi alterada. Logo,  Fl. 10857DF CARF MF   44 não se cogita de se exigir interdependência para a caracterização do grupo econômico de fato  regular em face do art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, tal como concretizado pelas normas  complementares (IN INSS/DC nº 100, de 2003, art. 778; IN SRP n° 03, de 2005, art. 748; IN  RFB n° 971, de 2009, art. 494).  Reconheço que a exigência de atuação com interdependências exploraria ao  máximo o critério orgânico da direção, controle e/ou administração unitário pela capacidade de  o mesmo  apreender  a  realidade  do  grupo  econômico  como  figura marcada  por  forte  tensão  entre uma direção econômica e empresarial unitária e comum (a justificar interdependências) e  uma necessária autonomia jurídica e patrimonial (a repelir confusões). Contudo, essa exigência  não se faz presente na esfera tributária e na trabalhista ainda não há entendimento solidificado.  No  caso  concreto,  a  tabela  de  fls.  98/105  não  demonstrou  apenas  a  titularidade  dos  direitos  de  sócio,  mas  também  a  administração  formal  das  empresas  por  membros  da  família  Constantino  ou  pelo  Sr.  Hélio  Garcia,  sendo  que  este  em  termo  de  esclarecimentos (depoimento) reconhece expressamente exercer sua atividade no âmbito de um  grupo  econômico,  ou  seja,  a  subordinação  da  empresa  a  que,  em  tese,  lhe  caberia  a  administração:  Perguntado  se  está  na  empresa  há  muito  tempo  o  Sr.  Hélio  respondeu que foi convidado pelo Grupo Econômico a exercer a  empresa,  através  do  Sr.  José  Mendes,  cuja  localização  ou  profissão desconhece. Declarou  também que as  suas atividades  econômicas restringem­se à direção Executiva.  Note­se  ainda  que  a  Viação  Piracicabana,  uma  das  empresa  integrantes  do  grupo,  quitou  passivo  trabalhista  da  devedora  principal,  conforme  informou  o  Sindicato  dos  Transportadores Rodoviários de Santos para a fiscalização.   Os elementos constantes dos autos revelam tratar­se de grupo econômico de  base familiar e cuja atuação constitui­se em fato notório, ainda que tal circunstância não mais  conste na página da internet www. voegol.com.br.  O fato é notório, tanto que constante de enciclopédia. Ao se consultar "grupo  Áurea"  na  Wikipédia,  três  verbetes  retornam:  Viação  Nasser,  Empresa  Cruz  e  Nenê  Constantino (em azul sublinhado, hiperlinks para as páginas em questão na internet ­ a permitir  imediata consulta na presente sessão de julgamento).  Do verbete Viação Nasser, extrai­se:  "Em  1998,  a  empresa  passou  para  o  controle  do Grupo Áurea,  pertencente  à  família  de  Nenê  Constantino.  Em  2000,  foi  repassada  para o Grupo  Santa Cruz,  a qual mantém  até os  dias  atuais.[1]   [1] «Embarque na história da Viação Nasser». Juntos a Bordo. 27 de  julho de 2015. Consultado em 26 de fevereiro de 2018.  Do verbete Empresa Cruz, extrai­se:  A empresa é responsável por diversas linhas que ligam o interior  paulista  a  capital  São Paulo,  ainda  atuando  também no  litoral  do Estado. Está sediada na cidade de Araraquara, no estado de  São Paulo. Faz parte do Grupo Áurea, um holding que também  controla  a  empresa  Gol  Linhas  Aéreas,  ligado  a  Nenê  Constantino.  Fl. 10858DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 24          45 Do verbete Nenê Constantino, extrai­se:  É dono do Grupo Áurea, hoje Grupo Comporte, composto pelas  empresas:[4]   Transporte rodoviário  Pássaro Marron  Viação Litorânea  São Paulo São Pedro  Expresso Caxiense  Penha  Princesa do Norte  Breda  Expresso União  Viação Piracicabana  Empresa Cruz  Manoel Rodrigues  Itamarati  Transporte urbano  Transportes Coletivos Grande Marília, SP ( em Marília )  Piracicabana, em Praia Grande e em Santos, SP  Consórcio  BR  Mobilidade  Baixada  Santista  (ônibus  intermunicipais e VLT)  Transportes Coletivos Grande Londrina, PR (em Londrina)  Transportes Coletivos Grande Bauru, SP (em Bauru)  Várias empresas de transporte coletivo em Cuiabá  Empresas de pedágios rodoviários no estado de São Paulo  Transporte Coletivo Cidade Canção, PR (em Maringá)  Empresas em Vitória da Conquista, BA  Piracicabana, em Blumenau, SC, atualmente Blumob  Víva Pinda, em Pindamonhangaba, SP  [4] Alves, Renato (12 de maio de 2017). «Nenê Constantino: austero,  discreto, bilionário e condenado por assassinato». Correio Braziliense.  Diários associados. Consultado em 21 de maio de 2017.  Para  Grupo  Comporte,  outros  verbetes  surgem  na  Wikipédia,  a  seguir  transcritos:  Transportes  Coletivos  Grande  Londrina  (secção  Grupo  Comporte)   Em  1997,  a  TCGL  é  adquirida  pelo Grupo Comporte,  holding  formada  pelas  empresas  Max  Empreendimentos,  Áurea  –  Administração e Participações Ltda e PMG Participações Ltda,  de  propriedade  do  empresário  Nenê  Constantino,  que  também  tem  outras  empresas  de  ônibus  em  outros  estados,  como  a  Pássaro  Marron.  No  ano  seguinte,  novos  carros  modelo  Marcopolo  Torino  passam  a  ser  utilizados[3],  para  uma  renovação da frota.  Empresa de Ônibus Nossa Senhora da Penha  A Empresa de Ônibus Nossa Senhora da Penha é uma empresa  brasileira  que  atua  no  setor  de  transporte  rodoviário  de  passageiros sediada na cidade de Curitiba, no estado do Paraná.   Fl. 10859DF CARF MF   46 É controlada pelo Grupo Comporte e trabalha em diversas rotas  nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São  Paulo e Rio de Janeiro operando linhas regulares para diversas  cidades  brasileiras  como  São  Paulo,  Santos,  São  José  dos  Campos, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, Joinville e  Curitiba.[1]   [1]  «Viação  Penha».  Rodoviariaonline.  Consultado  em  26  de  fevereiro de 2018.  Henrique Constantino  Henrique Constantino é LLB pelo Centro de Ensino Unificado de  Brasília  (UniCEUB) e mestrado pela Fundação Getúlio Vargas  (FGV).[1]   Fundou  com  seus  irmãos  (Joaquim,  Ricardo  e  Júnior),  uma  empresa de ônibus que  faturou cerca de 1,5 bilhão em 2013. A  origem  do  grupo  é  o  negócio  criado  pelo  pai  deles,  Nenê  Constantino, no fim dos anos 40.[3]   Atua  como  diretor  financeiro  do  Grupo  Comporte  desde  1994.[1]   [1] «Henrique Constantino». Bloomberg. Consultado em 7 de  janeiro  de 2017.  Viação São Paulo São Pedro  A Viação São Paulo São Pedro Ltda. é uma empresa brasileira  sediada  em  Piracicaba,  São  Paulo  que  atua  no  ramo  de  transportes  rodoviários  de  passageiros.  Foi  criada  em  1962  quando  os  familiares  Humberto  Gianetti,  Francisco  Gianetti  e  Benedicto Gianetti assumiram o controle acionário da empresa,  que anteriormente era chamada de Viação São José do Turismo  Ltda, que possuía uma linha de ônibus que ligava a capital São  Paulo a São Pedro, no interior paulista. Por este fato, a empresa  teve sua razão social alterada para Viação São Paulo São Pedro  Ltda.  em  1º  de  agosto  de  1962.  Desde  1991,  a  Viação  é  administrada pelo Grupo Comporte. A empresa opera linhas que  atende  diversas  cidades  do  interior  paulista  como  São  Pedro,  Águas  de  São  Pedro,  Piracicaba,  Santa  Bárbara  do  Oeste,  Americana  e  Jundiaí,  além  da  própria  capital  paulista  e  os  municípios  de  São  Caetano,  Santo  André  e  São  Bernardo  do  Campo.[1]  [1]http://www.spaulospedro.com.br/pagina­30­sao­paulosao­ pedro.html Empresa ­ Viação São Paulo São Pedro  Viação Piracicabana  A Viação Piracicabana é uma empresa de transportes brasileira  fundada  em  1937  por  Atílio  Raimundo  Giannetti  com  sede  na  cidade de Piracicaba, interior de São Paulo. (...)  Atualmente  a  empresa  pertence  ao  Grupo  Comporte,  conglomerado  de  transportes  liderado  pelo  empresário  Nenê  Constantino.[2]  Fl. 10860DF CARF MF Processo nº 15983.000087/2008­31  Acórdão n.º 2401­005.659  S2­C4T1  Fl. 25          47 [2]«Viação  Piracicabana  ­  Quem  somos».  Site  oficial  da  Viação  Piracicabana. Consultado em 17 de novembro de 2017.    Transcrevo abaixo a missão e a visão da Viação Piracicabana, colhida em seu  site, http://www.viacaopiracicabana.com.br/pagina­24­quem­somos.html, empresa que assumiu  base  operacional  onde  antes  era  a  matriz  da  devedora  principal  e  que,  segundo  relata  a  fiscalização  a  partir  de  informação  colhidas  junto  ao  Sindicato  dos  Transportadores  Rodoviários  de  Santos,  teria  assumido  também,  ao  menos  nas  homologações  e  acordos  promovidos  pelo  Sindicato  (inclusive  em  Comissão  de  Conciliação  Prévia  coordenada  pelo  mesmo), a quitação de verbas trabalhistas devidas pela devedora principal.   Quem Somos (...)  MISSÃO  Unir relacionamentos com segurança e qualidade.  (Ao  transportar,  o  Grupo  Comporte  possibilita  o  contato  de  pessoas, seja através do transporte de passageiros ou de cargas,  unindo relacionamentos e encurtando distâncias).   VISÃO  Ser  o  melhor  Grupo  de  Empresas  provedor  de  serviços  de  transportes.  Portanto, há grupo econômico de base familiar com nítido interesse integrado  e  com  efetiva  comunhão  de  interesses,  sendo  tais  circunstâncias  notórias  e  amparadas  por  inegável  estratégia  de  publicidade,  ainda  que  nada  mais  conste  na  página  da  internet  www.voegol.com.br.   Em  face  do  exposto,  extrai­se  a  configuração  do  controle  sob  a  faceta  potencial advinda da participação societária (= titularidade de direitos de sócio) e sob a faceta  dinâmica  da  efetiva  direção  das  atividades  sociais  e  orientação  dos  órgãos  da  empresa,  consubstanciadas  materialmente  na  escolha  de  administradores,  diretores  e  Conselheiros  de  Administração membros da família ou de pessoa a ela liga, no caso o Sr. Hélio Garcia em cujo  depoimento se constata o desconhecimento acerca da empresa que administraria, a revelar sua  inserção em grupo econômico com controle, direção e administração comuns e unitários, grupo  cuja dimensão e delineamento se extrai da tabela de fls. 98/105, elaborada a partir da situação  cadastral na Receita Federal e do  constante da  Junta Comercial, bem como cuja existência e  atuação pública é atestada pela  fiscalização ao relatar consulta ao site www.voegol.com.br ao  tempo do lançamento, circunstância esta que se constitui em fato notório, ou seja, não há como  se negar ser pública a atuação e existência do Grupo Áurea, atualmente Grupo Comporte.  Em  relação  às  empresas  cuja  titularidade  é  detidas  diretamente  ou  indiretamente  via  Fundo  de  Investimento  em  Participações  Asas,  entendo  que  resta  caracterizado o grupo pela faceta da administração (administradores da família) ou da direção  (via  Conselheiros  de  Administração  da  família)  unitária  com  as  demais  empresas  do  grupo,  apesar  de  não  se  poder  falar  em  controle,  eis  que  o  conceito  veiculado  nas  Instruções  Normativas de grupo econômico especifica direção, controle ou administração.  Fl. 10861DF CARF MF   48 Excetua­se apenas o Fundo de  Investimento em Participações Asas, eis que  em relação ao mesmo não se caracteriza a direção, o controle ou a administração e nem se está  diante de empresa, mas de condomínio fechado (Regulamento do Fundo, fls. 3390/3404).  Por fim, destaque­se que, in caso, a direção, o controle ou a administração de  uma empresa sobre a outra se processa via coordenação e em contexto de grupo econômico de  base  familiar,  admitindo  a  jurisprudência  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  a  existência de grupo econômico por coordenação.  Isso posto, voto por (a) conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negar­lhe  provimento;  e  (b)  conhecer  dos  recursos  voluntários,  rejeitar  as  preliminares,  excetuado  o  reconhecimento da decadência da competência 12/2002, e, no mérito, negar­lhes provimento,  excetuando­se  apenas  o  recurso  do  solidário  Fundo  de  Investimento  em  Participações  Asas  para o qual se dá provimento no sentido de o excluir do polo passivo pela não caracterização de  sua responsabilidade solidária.  (assinado digitalmente)  José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro    Fl. 10862DF CARF MF

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7440814 #
Numero do processo: 13984.900128/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional Exercício: 2003 DESISTÊNCIA DCOMP- INDEFERIMENTO Pedido de desistência de compensação formulado após a data de ciência da decisão administrativa não homologatória há de ser indeferido.
Numero da decisão: 1402-003.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE

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1402­003.188  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de maio de 2018  Matéria  SIMPLES  Recorrente  GRAFINE GRÁFICA E EDITORA INÊS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Exercício: 2003  DESISTÊNCIA DCOMP­ INDEFERIMENTO  Pedido de desistência de compensação formulado após a data de ciência da  decisão administrativa não homologatória há de ser indeferido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Presidente e Relator.     Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges,  Caio  Cesar  Nader  Quintella,  Ailton  Neves  da  Silva  (Suplente  convocado),  Leonardo  Luis  Pagano  Gonçalves,  Evandro  Correa  Dias,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira,  Demetrius  Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 01 28 /2 00 8- 56 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13984.900128/2008­56  Acórdão n.º 1402­003.188  S1­C4T2  Fl. 3          2     Relatório  Trata­se de DCOMP transmitida pela contribuinte ante pagamento  indevido  ou a maior um Darf Simples que, no entanto, não foi homologada sob o fundamento de que o  pagamento  encontra­se  completamente  utilizado,  vinculado  a  débito  também  de  código  de  receita  6106  e  mesmo  período  de  apuração,  tornando­o  indisponível  para  qualquer  outra  utilização.  Cientificada  do  feito  fiscal  a  contribuinte  encaminhou  manifestação  de  inconformidade,  na  qual  alega  que  apresentou  a  declaração  de  compensação  indevidamente,  uma  vez  que  era  optante  pelo  Simples  no  período  a  que  se  referem  os  débitos  incluídos  na  DComp.  Nesse  sentido,  afirma  que  não  existe  valor  a  ser  compensado,  e  nem motivo  para  apresentar  a  declaração  de  compensação,  "uma  vez  que  os  tributos  que  ali  se  pedia  compensação não eram devidos".  Com base nessas alegações, a contribuinte requer o cancelamento da DComp  apresentada, "por tratar­se apenas de um engano fortuito, sem qualquer objetivo de ludibriar o  fisco,  sendo  este perfeitamente  justificado  frente  ao  grande número de obrigações  acessórias  que os contribuintes de maneira geral tem para cumprimento com o Fisco".  Em  julgamento  a  DRJ  julgou  por  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  sob  o  entendimento  de  que  o  pagamento  indevido  já  fora  integralmente  utilizado.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Paulo Mateus Ciccone­ Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1402­003.180,  de  16/05/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  13984.900120/2008­ 90, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402­003.180):  "1. DA ADMISSIBILIDADE:       O  Recurso  Voluntário  preenche  os  requisitos  legais  de  admissibilidade  ao  que  merece  ser  processado.  Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13984.900128/2008­56  Acórdão n.º 1402­003.188  S1­C4T2  Fl. 4          3 2. DO MÉRITO:       Conforme  consta  da  decisão  da  DRJ  o  pagamento  levado  como  crédito  na  DCOMP  foi  totalmente  utilizado  em  face  de  vinculação  a  débito  declarado  pela  contribuinte.  E  contra  esse  fato  a  contribuinte  não  apresenta  qualquer oposição.       Em  sede  da  manifestação  de  inconformidade a contribuinte apenas alega que a apresentação  da  DComp  em  exame  decorreu  de  engano,  razão  pela  qual  requer seu cancelamento.       A  legislação  tributária  então  regente  não  respalda  o  requerimento  da  contribuinte  com  destaque  para  o  que previa Instrução Normativa SRF n 600, de 28 de dezembro  de 2005, que, em seu art. 62 assim estabelecia:  Desistência  de  Pedido  de  Restituição,  de  Pedido  de  Ressarcimento e de Compensação  Art.  62.  A  desistência  do  Pedido  de  Restituição,  do  Pedido  de  Ressarcimento  ou  da  compensação  poderá  ser  requerida  pelo  sujeito  passivo  ,mediante  a  apresentação  à  SRF  do  Pedido  de  Cancelamento  gerado  a  partir  do  Programa  PER/DCOMY  ou,  na  hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a  apresentação  de  requerimento  à  SRF,  o  qual  somente  será deferido  caso o Pedido de Restituicdo, o Pedido de  Ressarcimento  ou  a  compensacdo  se  encontre  pendente  de  decisão  administrativa  ti  data  da  apresentação  do  Pedido de Cancelamento ou do requerimento.  Parágrafo  único.  0  pedido  de  cancelamento  da  Declaração  de  Compensação  será  indeferido  quando  formalizado  após  intimação  para  apresentação  de  documentos  comprobatórios  da  compensação.  (destaques acrescidos)     Há que se  ressaltar que, na Instrução Normativa  RFB  n.  1717,  de  30  de  dezembro  de  2017,  atualmente  em  plena vigência, há disposição idêntica.      Ante  o  exposto,  considerando  que  o  pedido  de  desistência  da  compensação  foi  formulado  após  a  data  de  ciência da decisão administrativa que não a homologou, de se  indeferir o requerimento da contribuinte.     Uma  vez  indeferido  o  pedido  de  cancelamento  da  DComp,  cumpre  analisar  o  motivo  apresentado  para  não  homologar  a compensação pleiteada,  principalmente  em  face  da  alegação  da  contribuinte  de  que,  no  período  a  que  se  referem  os  débitos  incluídos  na  DComp,  era  optante  pelo  Simples.  Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13984.900128/2008­56  Acórdão n.º 1402­003.188  S1­C4T2  Fl. 5          4    Nesse cenário, a principio, seriam insubsistentes os  débitos  com  código  do  Simples  Federal  relativos  a  períodos  posteriores A  data  de  inicio  dos  efeitos  da  exclusão  do  regime  simplificado,  conforme  essa  Turma  de  Julgamento  tem  reiteradamente se manifestado. Com isso, inexistiria a utilização  do pagamento apresentada no Despacho Decisório como motivo  para não reconhecer o direito creditório da contribuinte.     Diante do exposto, considerando que a DComp não  pode  ser  cancelada,  voto  por  manter  a  decisão  proferida  pela  DRJ.  É como voto."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista  nos  §§  1º,  2º  e 3º  do  art.  47,  do Anexo  II,  do RICARF,  voto  por  negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone                             Fl. 61DF CARF MF

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7437203 #
Numero do processo: 16327.001900/2008-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS EM DESCONFORMIDADE COM O QUE PRECEITUA A LEI 6.494/77. Não tendo o contribuinte se desincumbido a contento do ônus de demonstrar o cumprimento dos requisitos estabelecidos na Lei n.° 6.494, de 1977, o valor pago a estagiários passa a integrar o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, parágrafo 9°, alínea "i", da Lei n.° 8.212, de 1991.
Numero da decisão: 9202-006.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questões já votadas pelo conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, relator originário, na sessão de 22/05/2018, no período da tarde. Nos termos do art. 58, §13, do Anexo II do RICARF, a Presidente da Turma designou como redatora ad hoc para este julgamento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. "Manifestou interesse de fazer declaração de voto o Conselheiro(a) Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro(a) não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)". (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora-Designado AD HOC para formalização do voto. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS EM DESCONFORMIDADE COM O QUE PRECEITUA A LEI 6.494/77. Não tendo o contribuinte se desincumbido a contento do ônus de demonstrar o cumprimento dos requisitos estabelecidos na Lei n.° 6.494, de 1977, o valor pago a estagiários passa a integrar o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, parágrafo 9°, alínea "i", da Lei n.° 8.212, de 1991.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questões já votadas pelo conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, relator originário, na sessão de 22/05/2018, no período da tarde. Nos termos do art. 58, §13, do Anexo II do RICARF, a Presidente da Turma designou como redatora ad hoc para este julgamento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. "Manifestou interesse de fazer declaração de voto o Conselheiro(a) Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro(a) não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)". (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora-Designado AD HOC para formalização do voto. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.

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Acórdão nº  9202­006.945  –  2ª Turma   Sessão de  19 de junho de 2018  Matéria  CSP ­ ESTAGIÁRIO ­ CONTRATAÇÃO IRREGULAR  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  BANCO SANTANDER BRASIL S/A    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  CONTRATAÇÃO  DE  ESTAGIÁRIOS EM DESCONFORMIDADE COM O QUE PRECEITUA A  LEI 6.494/77.   Não tendo o contribuinte se desincumbido a contento do ônus de demonstrar  o cumprimento dos requisitos estabelecidos na Lei n.° 6.494, de 1977, o valor  pago a estagiários passa a  integrar o  salário de  contribuição, nos  termos do  artigo 28, parágrafo 9°, alínea "i", da Lei n.° 8.212, de 1991.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do  Recurso  Especial  e,  no  mérito,  por  voto  de  qualidade,  em  dar­lhe  provimento,  vencidas  as  conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis  da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração  de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes. Nos termos  do  art.  58,  §5º,  do Anexo  II  do RICARF,  o  conselheiro Mário Pereira  de Pinho  Filho  (suplente  convocado)  não  votou  nesse  julgamento,  por  se  tratar  de  questões  já  votadas  pelo  conselheiro  Heitor de Souza Lima Júnior, relator originário, na sessão de 22/05/2018, no período da tarde. Nos  termos do art. 58, §13, do Anexo II do RICARF, a Presidente da Turma designou como redatora ad  hoc para este julgamento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.  "Manifestou  interesse  de  fazer  declaração  de  voto  o  Conselheiro(a)  Ana  Paula  Fernandes.  Entretanto,  findo  o  prazo  regimental,  o  Conselheiro(a)  não  apresentou  a  declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do  Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)".       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 00 /2 00 8- 97 Fl. 710DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 711          2 (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente em Exercício    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora­Designado AD HOC para  formalização do voto.    Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena  Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira  Barbosa,  Ana  Paula  Fernandes,  Mário  Pereira  de  Pinho  Filho  (suplente  convocado),  Ana  Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.   Relatório  Em  litígio,  o  teor  do  Acórdão  nº  2202­003.729,  prolatado  pela  3a.  Turma  Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na  sessão plenária de 15 de março de 2017 (e­fls. 559 a 569). Ali, por maioria de votos, deu­se  provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/12/2002 a 31/08/2006   DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA.  SÚMULA CARF Nº 99.  O  julgador de 1ª  instância  rejeitou a alegação do contribuinte,  porque  entendeu  que  o  mesmo  não  efetuara  antecipação  do  pagamento  referente,  especificamente,  às  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  a  contratação  de  estagiários,  objeto do lançamento. Entretanto, diz a Súmula CARF nº 99, de  observância  obrigatória,  que  para  fins  de  aplicação  da  regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4°,  do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  na  competência  do  fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento,  parcela  relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.  TERMO  DE  COMPROMISSO.  ESTAGIÁRIOS.  RELAÇÃO  DE  EMPREGO “STRICTO SENSU”. CONVÊNIO COM CENTRO  INTEGRADO EMPRESA ESCOLA CIEE.  Se  não  restarem  desnaturados  os  termos  de  compromisso  pactuados  entre  os  estagiários,  a  Recorrente,  o  Interveniente  Fl. 711DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 712          3 CIEE e as instituições de ensino, não se caracteriza relação de  emprego “ stricto sensu ”.  Cumpridas  as  exigências  da  cláusula  3ª  do  Convênio  com  o  Centro  Integrado  Empresa  Escola  CIEE,  agente  interveniente  entre o concedente do estágio e o educando, descabe tutela.  Recurso Voluntário Provido.  Decisão:  por  unanimidade  de  votos,  acolher  a  preliminar  de  decadência até a competência 11/2003, inclusive. No mérito, por  maioria  de  votos,  dar  provimento  ao  recurso,  vencidos  os  Conselheiros Rosemary Figueiroa Augusto, Cecília Dutra Pillar  e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que negaram provimento  ao recurso.  Enviados os autos à Fazenda Nacional para  fins de ciência do Acórdão, em  12/04/2017  (e­fl.  687  do  Processo  16327.001899/2008­09,  apenso),  sua  Procuradoria  apresentou,  em  12/05/2017  (e­fl.  716  do  Processo  16327.001899/2008­09,  apenso),  Recurso  Especial,  com  fulcro  no  art.  67  do  Anexo  II  ao  Regimento  Interno  deste  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009  (e­fls. 570 a 597 e anexos).  Analisado tal pleito através de despacho de e­fls. 598 a 610, o Recurso restou  admitido quanto à matéria litigada, a saber, a incidência de contribuições previdenciárias sobre  os valores pagos a segurados qualificados pela empresa como estagiários, durante a vigência da  Lei no. 6.494, de 1977.  Alega­se,  no  pleito,  quanto  à  matéria  admitida,  divergência  em  relação  ao  decidido pela 2a Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em 27/07/2011,  através  do  Acórdão  no.  2302­001.162,  e,  ainda,  em  relação  ao  decidido,  pela  2a.  Turma  Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em 20/06/2012, no âmbito do Acórdão  no. 2402­002.826 de ementas e decisões a seguir transcritas.  Acórdão 2302­001.162  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/03/2002 a 31/05/2005   CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE  DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA.   Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento  tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e  seus  anexos,  descreverem  de  forma  clara,  discriminada  e  detalhada  a  natureza  e  origem  de  todos  os  fatos  geradores  lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes  devidos,  as  deduções  e  créditos  considerados  em  favor  do  contribuinte,  assim  como,  os  fundamentos  legais  que  lhe  dão  amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos  tributos lançados na notificação fiscal.   ESTAGIÁRIO.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO  DE  REGULARIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA.   Fl. 712DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 713          4 Figura  como  hipótese  de  não  incidência  de  contribuição  previdenciária o pagamento  feito a estagiário, a título de bolsa  de  complementação  educacional,  quando  efetuado  nos  exatos  termos da Lei n° 6.494/77. Assentado que, nos termos da lei, nos  serviços  prestados  por  estagiários  remunerados  encontram­se  presentes  todos  os  elementos  caracterizadores  da  condição  de  segurado  empregado,  recai  sobre  o  sujeito  passivo  o  ônus  de  demonstrar  a  ocorrência  e  a  fiel  observância  dos  termos  e  condições  estatuídas  na  Lei  n°  6.494/77  para  que  se  possa  desfrutar do benefício da renúncia fiscal ora em debate.   CONTRIBUIÇÃO  DE  SEGURADOS  EMPREGADOS.  ALÍQUOTA MÍNIMA. 8%.   É  de  8%  a  alíquota  mínima  da  contribuição  dos  segurados  empregados,  uma  vez  que  a  CPMF  foi  definitivamente  extinta,  não  persistindo mais  os motivos que  ensejaram o  desconto  nos  Salários de Contribuição até 3 salários mínimos.   CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE  Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no  domínio  econômico,  a  contribuição  social  destinada ao  INCRA  não  foi  extinta  pela Lei  8.212/91,  podendo  ser  exigida  também  do  empregador  urbano,  como  ocorre  desde  a  sua  origem,  quando instituída pela Lei 2.613/55. A contribuição destinada ao  INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está  condicionada ao exercício da atividade rural.   CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PARA  SESC/SENAC.  EMPRESA  PRESTADORA DE SERVIÇOS. OBRIGATORIEDADE.   As empresas prestadoras de  serviços, por estarem enquadradas  no  plano  sindical  da  Confederação  Nacional  do  Comércio,  consoante  classificação do  art.  577  da CLT  e  seu anexo,  estão  sujeitas  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  vertidas  ao  Sesc/Senac.   SEBRAE.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  CONSTITUCIONALIDADE.   A  contribuição  social  destinada  ao  SEBRAE  tem  natureza  jurídica de contribuição de  intervenção no domínio econômico,  prescindindo  de  lei  complementar  para  a  sua  criação,  revelando­se constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º  do  art.  8º  da  Lei  8.029/90,  com  a  redação  dada  pelas  Leis  8.154/90 e 10.668/2003.   SALÁRIO  EDUCAÇÃO.  LEI  nº  9.424/96.  CONSTITUCIONALIDADE.   É  constitucional  a  cobrança  da  contribuição  do  salário­ educação,  seja  sob  a  carta  de  1969,  seja  sob  a  constituição  federal de 1988, assim como no regime da lei 9.424/96. Súmula  732 do STF.   JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.   Fl. 713DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 714          5 O  crédito  decorrente  de  contribuições  previdenciárias  não  integralmente  pagas  na  data  de  vencimento  será  acrescido  de  juros  de  mora,  de  caráter  irrelevável,  seja  qual  for  o  motivo  determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  SELIC  a  que  se  refere  o  artigo  13  da Lei  9.065/95,  incidentes  sobre  o  valor atualizado,  nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.   PRODUÇÃO  DE  PROVAS.  MOMENTO  PRÓPRIO.  REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.  A  impugnação  deverá  ser  formalizada  por  escrito  e mencionar  os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como  os  pontos  de  discordância,  e  vir  instruída  com  todos  os  documentos  e  provas  que  possuir,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  salvo  nas  hipóteses  taxativamente  previstas  na  legislação  previdenciária,  sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.   RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91.  O benefício da retroatividade benigna encartado na alínea ‘c’ do  inciso  II  do  art.  106  do  CTN  é  de  ser  observado  quando  uma  nova  lei  cominar  a  uma  determinada  infração  tributária  uma  penalidade menos  severa que  aquela  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo  da  prática  da  infração  em  realce.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  de  tributo  devido  e  não  recolhido,  o  mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n°  449/08  deve  operar  como  um  limitador  legal  do  quantum  máximo  a  que  a  multa  poderá  alcançar,  eis  que,  até  a  fase  anterior  ao  ajuizamento  da  execução  fiscal,  a  metodologia  de  cálculo  fixada  pelo  revogado  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91  se  mostra mais benéfico ao contribuinte.   Recurso Voluntário Negado  Decisão:  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.  Acórdão 2402­002.826  Assunto: Obrigações Acessórias   Período de apuração: 01/06/2005 a 28/02/2007   CERCEAMENTO  DE  DEFESA  –  NULIDADE  –  INOCORRÊNCIA   Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o  Relatório  Fiscal  e  as  demais  peças  dos  autos  demonstram  de  forma  clara  e  precisa  a  origem  do  lançamento  e  a  fundamentação legal que o ampara   PRÊMIOS DE INCENTIVO – CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDÊNCIA   Fl. 714DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 715          6 Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os  valores  pagos  a  título  de  prêmios  de  incentivo  a  contribuintes  individuais.  Por  depender  do  desempenho  individual  do  trabalhador,  o  prêmio  tem  caráter  retributivo,  ou  seja,  contraprestação de serviço prestado   ESTAGIÁRIO  –  CONTRATAÇÃO  NÃO  CUMPRIMENTO  REQUISITOS  LEGAIS  –  INCIDÊNCIA  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA   Incide  contribuição  previdenciária  sobre  os  valores  pagos  a  trabalhadores a condição de estagiários se não forem cumpridos  os  requisitos  para  tal  contratação  dispostos  na  Lei  nº  6.494/1977. De acordo com o art. 118 do CTN, abstrai­se, para  os fins de definição do fato gerador, a validade jurídica dos atos  efetivamente praticados pelos contribuintes   ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL REGULAR   A escrituração contábil regular deve refletir a verdade dos fatos.  Assim,  mediante  alegações  sem  provas  de  equívocos  nos  registros contábeis, prevalecem os últimos.   PROVA  TESTEMUNHAL  –  OITIVA  DE  TESTEMUNHA  –  INDEFERIMENTO  –  CERCEAMENTO  DE  DEFESA  –  INOCORRÊNCIA   Não  representa  cerceamento  de  defesa  o  indeferimento  de  produção  de  prova  testemunhal  por  meio  de  oitivas  face  à  inexistência  de  previsão  no  Decreto  nº  70.235/1972  da  apresentação  de  prova  testemunhal  no  contencioso  administrativo fiscal   PERÍCIA  –  NECESSIDADE  –  COMPROVAÇÃO  –  REQUISITOS  –  CERCEAMENTO  DE  DEFESA  –  NÃO  OCORRÊNCIA   Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia  para  o  deslinde  da  questão,  nos  moldes  estabelecidos  pela  legislação  de  regência.  Não  se  verifica  cerceamento  de  defesa  pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova   RESPONSÁVEIS  LEGAIS  –  PÓLO  PASSIVO  –  NÃO  INTEGRANTES   Os  representais  legais  da  empresa  elencados  pela  auditoria  fiscal no Relatório de Vínculos não integram o pólo passivo da  lide,  não  lhes  sendo  atribuída  qualquer  responsabilidade  pelo  crédito  lançado,  seja  solidária  ou  subsidiária.  A  relação  tem  como  finalidade subsidiar a Procuradora da Fazenda Nacional  na eventual necessidade de identificar as pessoas que poderiam  ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a  prática de atos com infração de leis.   TAXA SELIC – APLICAÇÃO   Fl. 715DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 716          7 Sobre as contribuições não recolhidas em época própria, incide  a  taxa  de  juros  SELIC,  a  qual  não  é  aplicada  de  forma  capitalizada   MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE  À ÉPOCA DO FATO GERADOR.   O lançamento reporta­se à data de ocorrência do fato gerador e  rege­se  pela  lei  então  vigente,  ainda  que  posteriormente  modificada  ou  revogada.  Para  os  fatos  geradores  ocorridos  antes da  vigência  da MP 449/2008,  aplica­se  a multa  de mora  nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do  artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991).   Recurso Voluntário Provido em Parte  Decisão:  por  maioria  de  votos,  em  rejeitar  as  preliminares  suscitadas  e,  no  mérito,  em  dar  provimento  parcial  para  recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91,  vigente à época dos fatos geradores, limitada a 75%, vencidos os  conselheiros  Igor Araújo Soares  e Thiago Taborda Simões  que  limitavam a multa ao percentual de 20%.  Após  defender  a  existência  de  divergência  interpretativa,  em  linhas  gerais,  argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que:  a) No caso, a relação de estágio foi analisada à luz da Lei no. 6.494, de 1977,  vigente à época dos fatos geradores. Inobstante, a decisão recorrida cogitou da aplicação da Lei  no. 11.788, de 25/09/2008. Em verdade, é sabido, como regra, que os conflitos da lei no tempo  devem ser resolvidos sob a ótica do milenar Principio da Irretroatividade (e exceções), que, no  direito  tributário, é extraído da combinação da Lei de  Introdução ao Código Civil  com o art.  101 do Código Tributário Nacional. No tocante à retroação prevista no CTN, deve­se analisar  seu art. 106 que excepciona a regra da irretroatividade. O referido dispositivo legal permite a  lei voltar­se ao passado, dispensando­se, pois, disposição expressa de lei, nas hipóteses de lei  interpretativa e de “lei mitior” quanto a infrações ou penalidades;   b)  Portanto,  no  caso,  como  não  houve  expressa  disposição  da  lei,  nem  lei  expressamente interpretativa, nem regulação de sanções, então não há retroatividade. Logo, no  caso, a relação de estágio deve ser aferida segundo os requisitos estabelecidos na Lei no. 6.494,  de 1977, vigente à época dos fatos geradores;  c)  Pelo  teor  da  referida  Lei,  para  a  caracterização  da  relação  de  estágio,  é  necessária  a  comprovação  da  frequência  escolar  dos  alunos  admitidos  pela  empresa.  Este  requisito, no entanto, não foi cumprido pela contribuinte, conforme atestou a fiscalização, que  ressaltou  irregularidades quanto  à:  a)  falta de  comprovação de  supervisão dos  estagiários;  b)  não apresentação de plano de estágio; c) remuneração vinculada a cumprimento de metas; d)  desempenho de atividades meramente burocráticas;  d)  Cita  o  art.  28,  §9o.,  "i",  da  Lei  no.  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  ressaltando  que  o  legislador  ordinário  expressamente  excluiu  do  salário­de­contribuição  os  valores  relativos  a  bolsa  paga  ao  estagiário.  Porém,  elencou  alguns  requisitos  a  serem  cumpridos para que os valores pagos não sejam considerados salário­de­contribuição, ou seja,  devem observar os elementos definidos na Lei no. 6.494, de 1977. Este requisitos, no entanto,  Fl. 716DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 717          8 não foram cumpridos no caso dos autos, conforme detalhado anteriormente, tendo em vista as  irregularidades apontadas pela fiscalização na relação de estágio. Com efeito, verifica­se que a  verba  relativa  a  bolsa  de  estágio  não  está  fora  do  campo  de  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  sendo  que  a  isenção  atinge  apenas  os  valores  pagos  a  titulo  de  bolsa  de  complementação educacional de estagiário, em estrita observância à Lei no. 6.494, de 1977. No  caso, o contribuinte não comprovou a matricula e frequência dos estagiários em instituições de  ensino,  conforme  exige  a  lei.  Além  do  descumprimento  deste  requisito  legal,  a  fiscalização  ainda  constatou  as  seguintes  irregularidades:  falta  de  comprovação  de  supervisão  dos  estagiários;  não  apresentação de plano de  estágio;  remuneração vinculada a  cumprimento de  metas e desempenho de atividades meramente burocráticas;   e)  Não  basta  a  mera  exibição  do  Termo  de  Compromisso  para  afastar  as  verbas pagas a  título de bolsa de estágio da  incidência da contribuição previdenciária. Não é  isso  que  está  previsto  na  lei.  É  preciso  que  todos  os  requisitos  sejam  cumpridos  cumulativamente. Impor tais obrigações apenas à instituição de ensino e ao órgão interveniente  seria contrariar o espírito da relação de estágio e impor obrigações a apenas algumas partes, o  que  vai  de  encontro  à  própria  natureza  do  instrumento  firmado  (convênio). Assim,  uma vez  caracterizado  o  descumprimento  da  Lei  no.  6.494,  de  1977,  correta  a  exigência  das  contribuições previdenciárias sobre os valores pagos à titulo de bolsa de estagio;  f) A  interpretação para  exclusão de parcelas da  base de  cálculo  é  literal. A  isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma, interpreta­se  literalmente  a  legislação  que  disponha  sobre  esse  beneficio  conforme  prevê  o  CTN  em  seu  artigo 111, I. Portanto, a interpretação da norma isentiva não permite incluir nela situações ou  pessoas  que  não  estejam  expressamente  previstas  no  texto  legal  instituidor,  em  face  da  literalidade  em  que  deve  ser  interpretada.  Assim,  onde  o  legislador  não  dispôs  de  forma  expressa,  não  pode  o  aplicador  da  lei  estender  a  interpretação,  sob  pena  de  violar­se  os  princípios  da  reserva  legal  e  da  isonomia.  Desse  modo,  caso  o  legislador  tivesse  desejado  excluir  da  incidência  de  contribuições  previdenciárias  a  parcela  referente  a  bolsa  de  estágio  incondicionalmente,  não  teria  feito  expressa  referência  à  Lei  no.  6.494,  de  1977,  cujos  requisitos devem ser observados e comprovados pelo contribuinte;  g) Convém registrar que a Lei n ° 10.243, de 2001 alterou a CLT, mas não  interferiu na  legislação previdenciária, pois esta é especifica. O art. 458 da CLT refere­se ao  salário para efeitos trabalhistas. Para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito  de  salário­de­contribuição,  com  definição  própria  e  possuindo  parcelas  integrantes  e  não  integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, §9o., da Lei  n°  8.212/91,  conforme  demonstrado.  A  prova  mais  robusta  de  que  a  verba  para  efeito  previdenciário não coincide com a verba para  incidência de direitos  trabalhistas,  é  fornecida  pela  própria  Constituição  Federal.  Conforme  o  art.  195,  §  11,  da  Carta  Magna,  os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  titulo,  serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da  lei. Desse modo, pela singela leitura do texto constitucional possível afirmar que para efeitos  previdenciários  foi  alargado  o  conceito  de  salário. Desse modo,  não  havendo  dispensa  legal  para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, deve persistir o lançamento;  Assim,  requer  que  seja  conhecido  e  provido  o  Recurso  Especial,  para  reformar o acórdão recorrido, mantendo­se o lançamento em sua integralidade.  Fl. 717DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 718          9 Após  a  ciência  da  autuada  em  28/06/2017  (e­fls.  616/617),  esta,  em  11/07/2017 (e­fl. 618), apresentou contrarrazões de sua iniciativa, de e­fls. 620 a 643, onde:  a)  Alega  que  o  REsp  aviado  pela  PFN  não  se  volta  contra  o  principal  fundamento que norteou, de fato e de direito, o provimento do Recurso Voluntário, qual seja:  as obrigações tidas por descumpridas em relação aos estagiários não competem à Recorrida, o  que,  aliás,  consta  do  próprio  TVF.  O  Recorrido,  em  verdade,  deu  provimento  ao  Recurso  Voluntário  justamente  por  reconhecer  que  nenhum  dos  pretensos  fundamentos  da  autuação  consubstanciaria  obrigação  descumprida  pela  Recorrida,  destacando  uma  série  de  elementos  que corroborariam a improcedência da pretensão fiscal;  b)  É  evidente  que  as  alegações  fazendárias  tecidas  no  RESP  não  teriam  o  condão de alterar a conclusão da improcedência da autuação, pois tocam pontos periféricos do  decisum  que  poderiam  até  ser  considerados  obter  dictum  no  contexto  global  do  v. Acórdão  Recorrido. Com efeito, estando comprovado que o Acórdão Recorrido julgou o caso à luz da  Lei n° 6.494, de 1977 e reputou não competir à Recorrida as obrigações tidas por descumpridas  pela autuação, é fato que não alteraria o resultado de julgamento (i) o afastamento do Princípio  da Retroatividade Benigna em relação à Lei n° 11.788/08, que revogou a Lei n° 6.494/77; (ii) o  entendimento pela necessidade de comprovação da frequência escolar;   c) Aliás, em relação ao quesito da comprovação de frequência escolar, além  de não se  tratar de obrigação da Recorrida, nos  termos da Lei n° 6.494, de 1977, o Acórdão  Recorrido reputou comprovado in casu, diante do Convênio firmado, bem como em função dos  Termos de Compromisso, dos relatórios de estágio e de toda a documentação fornecida, cujo  pressuposto é o estado de matriculado dos estagiários, bem como diante da ausência de prova  em contrário por parte da Fiscalização. Note­se que tal quesito é suscitado pela PGFN não para  convencer este Colegiado de que não haveria comprovação de matrícula dos estagiários, mas,  apenas e tão somente, com a intenção de gerar dúvida sobre a sua existência. Diante disso, tem­ se que as razões arguídas pela PGFN à reforma do Acórdão Recorrido não seriam suficientes a  tal fim, dado que os Julgadores a quo adotam outras e mais amplas premissas que manteriam o  resultado  tal  como  vazado.  Assim,  diante  da  evidente  falta  de  interesse  processual  da  Recorrente neste quesito, não merece ser conhecido o REsp aviado pela PFN.;  d)  Importa  notar  que  o  Acórdão  Recorrido  pautou­se  na  detida  análise  do  caso concreto, sopesando os motivos da autuação e os argumentos e provas colacionados pela  ora Recorrida, para concluir pela  improcedência das acusações fiscais. Tal fato demonstra de  per se o descabimento do REsp da PGFN por ausência de paradigmas similares e entendimento  divergente,  não  apenas  pela  dificuldade  de  se  identificar  autuação  e  julgado  similares  em  tamanha complexidade fática, mas  também, e principalmente, porque se  reconhece  in casu  a  diligência  da  Recorrida  nas  obrigações  que  lhe  competiam,  bem  como  a  improcedência  da  acusação  fiscal  ao  reputar  descumpridos  certos  requisitos  legais  que  não  competiam  à  Recorrida. Em outras palavras,  o Acórdão Recorrido  adentrou  aos detalhes do  caso  concreto  para  reconhecer  que  as  acusações  fiscais  não  refletem  a  realidade  dos  fatos,  seja  porque  a  Recorrida  observou  e  cumpriu  com  a  Lei  no  6.494,  de  1977,  seja  porque  não  poderia  ser  responsabilizada  por  eventual  descumprimento  de  obrigação  de  terceiros,  tal  como  da  Instituição  de  Ensino,  que  ocupa  importante  posição  na  relação  de  estágio.  Já  se  viu  quais  foram  os  fundamentos  da  autuação  e  do  Acórdão  Recorrido.  Em  contrapartida,  a  denotar  a  absoluta  dessemelhança  fática,  cita  as  razões  fáticas  e  jurídicas  que  lastreiam  os  alegados  acórdãos paradigmas.  Fl. 718DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 719          10 d.1) A UMA, veja­se que nenhum dos acórdãos encimados toca nas matérias  de "titularidade das obrigações tidas por descumpridas" e "comprovação do cumprimento das  tarefas  legais  da  unidade  concedente",  as  quais  foram  basilares  na  compreensão  e  no  julgamento do caso concreto, por meio do Acórdão Recorrido, fato esse que torna insuscetíveis  de comparação os julgados, mormente para fins de Recurso Especial.   d.2)  A  DUAS,  os  julgados  encimados  registram,  e  de  forma  reiterada,  a  ausência de provas por parte dos contribuintes em face das acusações fiscais, o que  levou os  Julgadores a forma convicção de que, de fato, os pagamentos autuados se afiguraram salário de  contribuição  na  constância  de  vínculo  empregatício.  Já  in  casu  a  produção  de  provas  e  argumentos foi identificada. e valorada pela Turma "a quo", dando ao caso concreto o devido  tratamento legal a si aplicável, mediante o cancelamento da autuação, dada a higidez da relação  de  estágio  que  motivou  os  pagamentos  autuados.  Também  isso  torna  insuscetíveis  de  comparação os julgados, mormente para fins de Recurso Especial.   d.3) A TRÊS, note­se que os acórdãos encimados sequer discutem de forma  detida, tampouco amparam o argumento fazendário de que a autuação haveria de ser mantida  por  pretensa  ausência  de  acompanhamento,  de  orientação  e  de  avaliação  de  estágio,  e  de  evidenciação de frequência escolar e matrícula dos estagiários na Instituição de Ensino. E por  que  não  trataram  disso?  Por  total  carência  de  provas  por  parte  dos  contribuintes,  segundo  consta  dos  arestos.  E,  no  caso  do  Acórdão  no.  2402­002.826  (caso  "IGATA"),  sequer  a  autuação recai sobre bolsa auxílio de estagiários, mas sim sobre "cartão de incentivos', o que  corrobora sua imprestabilidade à rediscussão do v. atesto vergastado in casu. É dizer NÃO HÁ  ADERÊNCIA ENTRE os JULGADOS, SEJA QUANTO AOS FATOS, SEJA QUANTO AO  ENTENDIMENTO.  Note­se  que  uma  leitura  apressada  dos  pretensos  paradigmas  poderia  induzir  o  erro  de  que  haveria  alguma  identidade,  mas  a  sua  ausência  fica  clara  quando  se  percebe que tais julgados se limitaram a interpretar a lei em tese, talvez por falta de provas por  parte  dos  contribuintes,  enquanto  que  o  Acórdão  Recorrido  analisou  fatos  e  os  submeteu  à  subsunção legal, concluindo, de forma natural, pela improcedência dos lançamentos.   e) Ora, é cediço que a configuração da divergência jurisprudencial pressupõe  que as decisões ditas conflitantes se reportem à mesma circunstância fática. Ou seja, somente  pode­se falar em dissídio jurisprudencial quando diferentes julgadores, diante de circunstâncias  fáticas  similares,  apresentam  entendimentos  divergentes,  o  que,  como visto  à  saciedade,  não  ocorre  in  casu,  notadamente  quanto  à  discussão  da  aplicabilidade  ou  não  da  retroatividade  benigna do art. 106 do CTN. Resta claro, portanto, o descumprimento do caput do art. 67 do  RICARF,  que  prescreve  o  mais  essencial  dos  pressupostos  de  admissibilidade  do  Recurso  Especial,  que  é  a  identidade  fática  e a  interpretação divergente de  lei  tributária,  comprovada  por meio de acórdão paradigma apto. E, com relação à matéria de retroatividade benigna da Lei  no 11.788, de 2008, a PGFN não apresenta acórdão paradigma para subsidiar tal argumento e  tampouco o ponto foi motivo de decidir do v. aresto recorrido, desrespeitando o caput do 67 do  RICARF.  Assim,  tendo  em  vista  que  a  Procuradoria  não  demonstrou  a  existência  de  interpretação divergente da lei tributária, por meio da apresentação de acórdão paradigmático,  na  forma  do  caput  do  at.  67  do  RICARF,  não  deve  ser  conhecido  o  RESP  contrarrazoado,  quanto ao ponto da retroatividade benigna;  f) Outrossim, é  fato que a  irresignação da PGFN,  in casu, decorre de clara  pretensão  de  rediscutir  matéria  fático­probatória,  o  que  não  se  admite  nesta  via  especial,  impedindo, portanto, o conhecimento do RESP aviado. A questão que se impõe é bem clara: a  pretensão recursal demanda que se revisite toda sorte de documentos e subsídios carreados aos  Fl. 719DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 720          11 autos, bem como a sua rediscussão, extrapolando, portanto, o plano do direito, o que não cabe  nesta via especial. Com efeito,  a PGFN busca  rediscutir o conjunto probatório constante dos  autos, em busca de uma nova análise por esta CSRF. É cediço não caber, nesta via especial, a  discussão sobre os fatos alegados no curso da lide administrativa, sendo claro que, a pretensão  da PFN colide com a referendada Súmula n° 7 do STJ.   g) Assim como consolidado na Súmula encimada, a CSRF não pode declinar­ se sobre o conjunto probatório presente nos autos, pois vai contra o seu mister, de âmbito de  discussão de questões jurídicas, de direito, sendo certo que, a avaliação probatória, no âmbito  do CARF, vai até a segunda instância. Aplicando­se tal entendimento no presente caso, vê­se  que  a  PGFN  demanda,  em  seu  Recurso,  que  esta  CSRF  realize  o  reexame  todo  o  conjunto  probatório do caso, sugerindo, talvez, ter havido um julgamento errôneo das provas por parte  da Câmara a quo, o que não ocorreu neste caso. Portanto, não pode ser conhecido o Recurso  Especial ora contrarrazoado, também por afrontar a Súmula STJ n° 7;  h) o dissídio jurisprudencial objeto do Recurso Especial deve ser cabalmente  evidenciado, a partir da indicação analítica dos pontos divergentes, para, somente então, ter seu  mérito  conhecido.  Sendo  o  cotejo  analítico  entre  acórdão  recorrido  e  paradigmas  elemento  essencial  para  a  caracterização  do  dissídio  jurisprudencial,  o  Recurso  Especial  que  não  se  desincumbir do ônus imposto pelo art. 67, § 8o, do RICARF 2009, não pode ser conhecido. Ou  seja,  não  obstante  o  esforço  da  Procuradoria,  o  seu Recurso  limita­se  à mera  transcrição  da  ementa  e  alegações  do  que  trataria  os  acórdãos  paradigmas,  os  quais  não  se  prestam  a  evidenciar a similitude fática, tampouco a divergência entre os acórdãos. Importa lembrar que a  CSRF  já  consolidou  seu  entendimento  no  sentido  de  que  o REsp,  para  ser  conhecido,  deve  proceder  ao  cotejo  analítico  entre  acórdãos  recorrido  e  paradigmas,  sendo que,  para  tanto,  é  insuficiente mera  transcrição  de  ementa  das  decisões  paradigmáticas,  se  desacompanhada  de  análise  comparativa  substancial. Assim,  tendo  em  vista  que  a Procuradoria  não  demonstra  a  correlação na matéria debatida em seu Recurso de modo analítico,  tal qual preceitua o artigo  67, § 6o, do RICARF 2009, a sua irresignação não merece ser conhecida, tal como asseverado  no Despacho de Inadmissibilidade (sic);  i) Quanto  ao mérito,  entende  que  a  caracterização  do  estágio  é  certa,  tanto  com fulcro na Lei n° 6.494, de 1977, como na Lei n° 11.788, de 2008, notadamente diante do  conjunto  probatório  apresentado  pela  ora  Recorrida,  comprovando  o  cumprimento  dos  requisitos da Lei n° 6.494, de 1977,  inexistindo vínculo  empregatício  entre a Recorrida  e os  estagiários. Cita o art. 3o, da Lei n° 6.494,de 1977, para defender que, uma vez que a Recorrida  apresentou  os  Termos  de  Compromisso  firmados  com  os  estagiários,  inclusive,  todos  com  interveniência do Centro de Integração Empresa Escola ("CIEE"), conforme reconhecido pela  própria Autoridade Administrativa  no Relatório Fiscal  que  acompanha  os AIs,  tem­se  que  a  Recorrida cumpriu o requisito necessário para a realização do estágio;  j) Cita,  ainda,  os  art.  5o.  do Decreto  87.497,  de  1982,  para  argumentar  que  resta  patente  que  a  existência  do  Termo  de  Compromisso  celebrado  entre  o  estudante  o  cedente,  com  a  supervisão  da  Instituição  de Ensino,  constitui  prova  bastante  e  suficiente  da  inexistência  de  vínculo  empregatício. Nesse  sentido,  inclusive,  jurisprudência  deste CARF  a  propósito.  k)  Destarte,  resta  patente  que  os  estágios  curriculares  fornecidos  pela  Recorrida  estão  em  perfeita  consonância  com  as  determinações  legais,  bem  como  que  a  Recorrida cumpriu todos os requisitos formais e materiais previstos na Lei n.° 6.494, de 1977,  Fl. 720DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 721          12 revelando­se,  assim,  absolutamente  improcedente  a  pretensão  da  Autoridade  Fiscal.  Além  disso, a Recorrida cumpriu os demais requisitos formais e materiais indicados na Lei n.° 6.494,  de 1977, pois, além dos Termos de Compromisso firmados, todos os estagiários indicados no  auto  de  infração  frequentam  cursos  de  educação  superior;  a  Recorrida  possui  condições  de  proporcionar a experiência prática necessária na linha de formação do estagiário, sendo certo  que  o  estágio  propicia  a  complementação  do  ensino  e  da  aprendizagem  do  estudante,  planejados,  executados,  acompanhados  e  avaliados  em  conformidade  com  os  currículos.  E  mais, todas as informações e relatórios acercados estagiários foram devidamente encaminhados  às Instituições de Ensino e/ou ao CIEE, sendo certo que à Recorrida não cabe a guarda deste  material, até porque, muitas vezes, os mencionados relatórios são enviados via digital, ficando  disponíveis em sistema por apenas seis meses;  l) Ademais,  caso os programas de estágio não estivessem em conformidade  com as condições estabelecidas pela lei e pelas instituições de ensino, as mesmas já teriam se  pronunciado,  solicitando  que  a  Recorrida  tomasse  as  providências  cabíveis  no  sentido  de  regularizar a situação, haja vista serem as  responsáveis pelos estágios, consoante  inteligência  do artigo 2o., do Decreto n.° 87.497, de 18 de agosto de 1982. Portanto, os elementos de prova  demonstrados  pela Recorrida  são  hábeis  e  suficientes  para  a  comprovação  das  atividades  de  estágio exercidas;  Pugna,  assim,  inicialmente,  pelo  não  conhecimento  do  REsp  aviado  pela  PGFN  e,  subsidiariamente,  no  mérito,  pelo  seu  desprovimento,  mantendo­se  o  Acórdão  Recorrido na parte em que vergastado.  É o relatório.    Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora­Designado AD  HOC para formalização do voto.  Pelo  fato  de  o Conselheiro­Relator Heitor  de  Souza  Lima  Junior  não mais  compor o colegiado em função do encerramento do seu mandato, eu, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, nomeada para formalização, reproduzo a seguir o voto por ele encaminhado na  sessão de julgamento.  Considerando  que  eu  (Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira),  como  redatora  ad­hoc,  fui  designada  apenas  para  a  formalização  do  voto,  deixo  consignado  que  embora tenha acompanhado o relator, não me vinculo a todas os fundamentos por ele adotados  em seu voto.   Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator  1. Quanto ao conhecimento  Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, o Recurso atende a  este  requisito de admissibilidade. Passo,  assim,  a  analisar  as óbices quanto  ao  conhecimento  levantadas sem sede de contrarrazões (itens 12 a 53 de e­fls. 624 a 635).  Fl. 721DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 722          13 Inicialmente quanto à óbice levantada pela contra­arrazoante de inexistência  de  interesse  processual  da  PGFN  (itens  12  a  21  de  contrarrazões),  entendo  não  lhe  assistir  razão.   Explico. Nítido, em meu entendimento, que a Fazenda Nacional aduz, em seu  Recurso de e­fls. 570 a 597 e anexos, tese jurídica que seria suficiente, sim, à manutenção do  lançamento, na medida em que: a) Uma vez afastada a aplicação retroativa da lei no. 11.788, de  2008, e b) caracterizada violação pelo autuado da Lei no. 6.494 de 1977, pela não manutenção  dos  comprovantes  de  matrícula  e  de  frequência  de  seus  estagiários,  (independentemente  da  existência do Convênio com a CIEE, que não é mencionado no Recurso) se atinge sim, pelo  Recurso,  o  ponto  fulcral  de  descumprimento  de  obrigação  legal  de  responsabilidade  do  contribuinte consoante pode ser confirmado às e­fls. 593 a 596 do Recurso Fazendário.   Note­se  que,  afastada  a  referida  retroatividade  e  uma  vez  adotada  a  tese  propugnada  pela  Recorrente,  restaria  escorreito  o  lançamento  Por  fim,  em  sede  de  conhecimento,  não  deve  se  manifestar  este  Colegiado  acerca  de  eventual  improcedência  de  alegação por insuficiência de provas, a ser analisada somente quando do mérito recursal caso o  Recurso reste regularmente admitido.  Afastada tal óbice inicial, passo, agora, à análise de existência de similitude  fática e existência de divergência interpretativa (óbices em itens 22 a 38 de contrarrazões, às e­ fls. 627 a 631).  De  se  notar,  a  propósito  que  o  Recurso  Fazendário  de  e­fls.  570  a  597,  contrariamente ao afirmado pelo contraarrazoante não possui, no presente caso, qualquer item  específico  relativo  à  aplicação  do  Princípio  da  Retroatividade  Benigna,  o  qual  é  tratado  conjuntamente  com  a  matéria  litigada,  referente  à  caracterização  de  estagiários  como  empregados.  Quanto  à  alegada  inexistência  de  similitude  fática  entre  recorrido  e  paradigmas,  com o  devido  respeito  ao  argumento  tecido  pelo  contrarrazoante,  cediço  que  se  está diante de situação fática notadamente semelhante no caso do primeiro paradigma (Acórdão  2302­001.162), onde se conclui, pela necessidade, à luz do disposto na Lei no. 6.494, de 1977,  de  manutenção,  pelo  autuado  (e  não  por  terceiros)  de  comprovantes  de  frequência  escolar  (conforme citado às e­fls. 18/19 do primeiro acórdão paradigma), apesar de também ali existir  convênio  realizado  com  a  mesma  instituição  dos  presentes  autos  (CIEE)  para  fins  de  contratação do estágio. Assim, transmudado o caso concreto para o Colegiado paradigmático,  não  havendo  a  apresentação  de  tais  elementos,  restaria  rejeitada  a  exclusão  tencionada  pelo  autuado,  em  linha  com  a  glosa  realizada  pela  autoridade  fiscal  e  em  posição  divergente  do  Colegiado a quo. Caracterizada, assim, a existência de divergência interpretativa,  Quanto à óbice em sede de conhecimento  levantada pelo contribuinte de  se  estar a  tratar aqui de revaloração probatória (itens 39 a 46 de e­fls. 631/632), entendo que se  está, no pleito, diante de questão notadamente jurídica, no que diz respeito ao ônus probatório a  ser  suportado  pela  instituição  concedente  de  estágio,  para  fins  da  fruição  da  exclusão  dos  valores  pagos  a  titulo  de  estágio  da  incidência  sobre  contribuições  previdenciárias  e  à  suficiência dos termos de compromisso como elemento de prova.  Especificamente quanto ao item supra, ressalto que, neste cenário, não há que  se falar em revaloração probatória, mas simplesmente de estabelecer o ônus probatório do qual  se deve desincumbir o contribuinte (questão notadamente jurídica), limitando­se, a partir daí, o  Fl. 722DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 723          14 julgado  à  aplicação  da  tese  vencedora  ao  caso  concreto,  levando,  sim,  em  consideração  as  provas constantes dos autos, mas sem revalorá­las.  Finalmente, quanto à suposta inexistência de cotejamento analítico (itens 47 a  53 de contrarrazões), entendo não haver reparos a fazer à análise de e­fls. 598 a 610, tendo a  Fazenda se desincumbido satisfatoriamente do requisito Regimental, mais especificamente no  item III de seu pleito, constante de e­fls. 573 a 590.  Assim, a partir do acima disposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda  Nacional e passo à sua análise de mérito.  2.  Quanto  ao  mérito  ­  Caracterização  de  Segurado  Empregado  ­  Estagiário:  Inicialmente,  incontroversa,  a  esta  altura,  em  meu  entendimento  a  inaplicabilidade da retroatividade benigna e, consequentemente, da Lei no. 11.788, de 2008, aos  presentes autos para fins de caracterização da relação de estágio/vínculo empregatício, uma vez  que o contribuinte a reconhece como inaplicável expressamente em sede de contrarrazões, por  força de sua interpretação da decisão recorrida, verbis:  36. E,  com relação à matéria de  retroatividade benigna da Lei  no.  11788/08,  a  D.  PGFN  não  apresenta  acórdão  paradigma  para subsidiar tal argumento e tampouco o ponto foi motivo de  decidir do v. aresto recorrido (grifei).  Assim,  de  se  analisar  o  cumprimento  ou  não  dos  requisitos  para  fins  da  exclusão tencionada à luz da Lei no. 6.494, de 1977.  Adentrando o caso, rezava a propósito o já mencionado art. 28, §9o., "i", da  Lei no. 8.212, de 1991:  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei, exclusivamente:   (...)  i)  a  importância  recebida a  título de bolsa de complementação  educacional  de  estagiário,  quando  paga  nos  termos  da  Lei  nº  6.494, de 7 de dezembro de 1977;  (...)  Por sua vez a mencionada Lei no. 6.494, de 1977, assim estabelecia :  Art.  1º  As  pessoas  jurídicas  de  Direito  Privado,  os  órgãos  de  Administração  Pública  e  as  Instituições  de  Ensino  podem  aceitar, como estagiários, os alunos regularmente matriculados  em cursos vinculados ao  ensino público  e particular.  (Redação  dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994)  §1o  Os  alunos  a  que  se  refere  o  caput  deste  artigo  devem,  comprovadamente,  estar  freqüentando  cursos  de  educação  superior,  de  ensino  médio,  de  educação  profissional  de  nível  Fl. 723DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 724          15 médio  ou  superior  ou  escolas  de  educação  especial.  (Redação  dada pela Medida Provisória nº 2.164­41, de 2001)   §2º  o  estágio  somente  poderá  verificar­se  em  unidades  que  tenham condições de proporcionar experiência prática na linha  de formação do estagiário, devendo o aluno estar em condições  de realizar o estágio, segundo o disposto na regulamentação da  presente lei. (Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994)   §3º Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e  da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e  avaliados  em  conformidade  com  os  currículos,  programas  e  calendários escolares. (Incluído pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994)   Art.  2º  O  estágio,  independentemente  do  aspecto  profissionalizante,  direto  e  específico,  poderá  assumir  a  forma  de atividade de extensão, mediante a participação do estudante  em empreendimentos ou projetos de interesse social.   Art.  3º  A  realização  do  estágio  dar­se­á  mediante  termo  de  compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente,  como interveniência obrigatória da instituição de ensino.  § 1º Os estágios curriculares serão desenvolvidos de acordo com  o disposto no § 3° do art. 1º desta lei. (Redação dada pela Lei nº  8.859, de 23.3.1994)  §  2º  Os  estágios  realizados  sob  a  forma  de  ação  comunitária  estão isentos de celebração de termo de compromisso.   Art.  4º  O  estágio  não  cria  vínculo  empregatício  de  qualquer  natureza e o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de  contraprestação  que  venha  a  ser  acordada,  ressalvado  o  que  dispuser  a  legislação  previdenciária,  devendo  o  estudante,  em  qualquer hipótese, estar segurado contra acidentes pessoais.   Art. 5º A jornada de atividade em estágio, a ser cumprida pelo  estudante, deverá compatibilizar­se com o seu horário escolar e  com o horário da parte em que venha a ocorrer o estágio.   Parágrafo único. Nos períodos de férias escolares, a jornada de  estágio será estabelecida de comum acordo entre o estagiário e  a  parte  concedente  do  estágio,  sempre  com  interveniência  da  instituição de ensino.  Por sua vez estabelecia o Decreto no. 87.497, de 1982, regulamentador da Lei  no. 6.494, de 1977:  Art  .  1º  O  estágio  curricular  de  estudantes  regularmente  matriculados e com freqüência efetiva nos cursos vinculados ao  ensino oficial e particular, em nível superior e de 2º grau regular  e supletivo, obedecerá às presentes normas.  Art  .  2º  Considera­se  estágio  curricular,  para  os  efeitos  deste  Decreto,  as  atividades  de  aprendizagem  social,  profissional  e  cultural,  proporcionadas  ao  estudante  pela  participação  em  situações reais de vida e trabalho de seu meio, sendo realizada  Fl. 724DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 725          16 na comunidade em geral ou junto a pessoas jurídicas de direito  público  ou  privado,  sob  responsabilidade  e  coordenação  da  instituição de ensino.  Art  .  3º  O  estágio  curricular,  como  procedimento  didático­ pedagógico, é atividade de competência da instituição de ensino  a  quem  cabe  a  decisão  sobre  a  matéria,  e  dele  participam  pessoas  jurídicas  de  direito  público  e  privado,  oferecendo  oportunidade  e  campos  de  estágio,  outras  formas  de  ajuda,  e  colaborando no processo educativo.  Art  .  4º  As  instituições  de  ensino  regularão  a  matéria  contida  neste Decreto e disporão sobre:  a)  inserção  do  estágio  curricular  na  programação  didático­ pedagógica;   b) carga­horária, duração e  jornada de estágio curricular, que  não poderá ser inferior a um semestre letivo;   c)  condições  imprescindíveis,  para  caracterização  e  definição  dos campos de estágios curriculares, referidas nos §§ 1º e 2º do  artigo 1º da Lei nº 6.494, de 07 de dezembro de 1977;   d)  sistemática  de  organização,  orientação,  supervisão  e  avaliação de estágio curricular.   Art  . 5º Para caracterização e definição do estágio curricular é  necessária,  entre a  instituição de  ensino  e pessoas  jurídicas de  direito  público  e  privado,  a  existência  de  instrumento  jurídico,  periodicamente reexaminado, onde estarão acordadas  todas as  condições de realização daquele estágio, inclusive transferência  de recursos à instituição de ensino, quando for o caso.(grifei)  Art  .  6º  A  realização  do  estágio  curricular,  por  parte  de  estudante,  não  acarretará  vínculo  empregatício  de  qualquer  natureza.  § 1º O Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante  e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com  a  interveniência  da  instituição  de  ensino,  e  constituirá  comprovante  exigível  pela  autoridade  competente,  da  inexistência de vínculo empregatício.  § 2º O Termo de Compromisso de que trata o parágrafo anterior  deverá mencionar necessariamente o instrumento jurídico a que  se vincula, nos termos do artigo 5º.   § 3º Quando o  estágio  curricular não  se  verificar  em qualquer  entidade pública e privada, inclusive como prevê o § 2º do artigo  3º da Lei nº 6.494/77, não ocorrerá a  celebração do Termo de  Compromisso.  Art  . 7º A instituição de ensino poderá recorrer aos serviços de  agentes  de  integração  públicos  e  privados,  entre  o  sistema  de  ensino  e  os  setores  de  produção,  serviços,  comunidade  e  Fl. 725DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 726          17 governo, mediante condições acordadas em instrumento jurídico  adequado.   Parágrafo  único.  Os  agentes  de  integração mencionados  neste  artigo atuarão com a finalidade de:   a)  identificar  para  a  instituição  de  ensino  as  oportunidades  de  estágios curriculares junto a pessoas jurídicas de direito público  e privado;   b)  facilitar  o  ajuste  das  condições  de  estágios  curriculares,  a  constarem do  instrumento  jurídico mencionado no artigo 5º; c)  prestar serviços administrativos de cadastramento de estudantes,  campos e oportunidades de estágios curriculares, bem como de  execução  do  pagamento  de  bolsas,  e  outros  solicitados  pela  instituição de ensino;  d)  co­participar,  com  a  instituição  de  ensino,  no  esforço  de  captação de recursos para viabilizar estágios curriculares.  Feita  tal  digressão,  com  a  devida  vênia  ao  entendimento  manifestado  pelo  Colegiado a quo, entendo que, com fulcro no estabelecido no art. 28, §9o., "i", da Lei no. 8.212,  de 1991, a referida Lei no. 6.494, de 1977, na forma do seu art. 1o, §§1o., 2o. e 3o., estabelece  condições a meu ver a serem necessariamente cumpridas e que perpassam a simples celebração  do Termo de Compromisso, dependendo a  exclusão da base de cálculo  das  contribuições da  efetiva comprovação, pela concedente, de  todos os  requisitos estabelecidos, uma vez que é a  concedente a beneficiária da exclusão, cabendo a esta, assim, comprovar o fato constitutivo de  seu direito àquela, prevista na referida alínea "i", afastando, assim, a relação de emprego.  No que tange à efetiva comprovação do atendimento ao disposto nos §§1o.,  2o.  e  3o.  do  art.  1o  da Lei no.  6.494, de 1977,  à  luz do  referido Regulamento,  acedo aqui  ao  posicionamento brilhantemente esposado pelo Conselheiro Arlindo da Costa e Silva no âmbito  do  Acórdão  no.  2401­004.286,  visto  refletir,  também,  meu  posicionamento  acerca  do  tema,  verbis:   (...)  De  acordo  com  a  legislação  de  regência,  a  caracterização  de  estagio  curricular  depende  da  celebração  de  Termo  de  Compromisso  entre  o  Estudante  e  o  Concedente,  com  a  interveniência da Instituição de Ensino, o qual termo constituirá  comprovante exigível da inexistência de vínculo empregatício.  Com  efeito,  é  através  do  reexame  periódico  do  citado  instrumento  jurídico que as autoridades competentes,  dentre as  quais os auditores fiscais  federais, podem sindicar se a relação  jurídica estabelecida inicialmente entre estagiário e as empresas  continuam atendendo aos requisitos essenciais da inexistência de  vínculo empregatício, ou, no caso da  legislação previdenciária,  se  o  valor  auferido  pelo  estagiário  ainda  reúne  as  condições  indispensáveis  para  se  subsumir  à  hipótese  de  não  incidência  prevista na alínea “i” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.  (...)  Fl. 726DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 727          18 Em  consonância  com  o  regime  jurídico  ora  vigente,  a  caracterização de inexistência de vínculo empregatício entre o  estagiário  e  a  empresa  depende  do  adimplemento  cumulativo  dos seguintes requisitos essenciais:  § Comprovação de matrícula e frequência regular do educando  em  curso  de  educação  superior,  de  educação  profissional,  de  ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino  fundamental,  na  modalidade  profissional  da  educação  de  jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino;   § Comprovação da celebração de termo de compromisso entre o  educando,  a  parte  concedente  do  estágio  e  a  instituição  de  ensino;   §  Comprovação  da  compatibilidade  entre  as  atividades  desenvolvidas  no  estágio  e  aquelas  previstas  no  termo  de  compromisso;   §  Comprovação  do  acompanhamento  efetivo  pelo  professor  orientador  da  instituição  de  ensino  e  por  supervisor  da  parte  concedente,  mediante  vistos  nos  relatórios  de  atividades  do  educando, apresentados periodicamente em prazo não superior  a 6 (seis) meses, e por menção de aprovação final.”(grifei)  Aplicando  tais  considerações  especificamente  quanto  ao  caso  sob  análise,  entendo que, uma vez tendo se limitado a concedente a apresentar os Termos de Compromisso  de Estágio sem qualquer comprovação de matrícula e frequência regular e de compatibilidade  de  atividades  e  acompanhamento  efetivo,  não  se  desincumbiu  aquela  concedente  satisfatoriamente  do  ônus  supra,  qual  seja,  de  comprovação  de  cumprimento  dos  requisitos  estabelecidos nos §§1o., 2o. e 3o. do art. 1o da Lei no. 6.494, de 1977, à luz do referido Decreto  regulamentador,  que  restaram,  assim,  violados,  alinhando­me  aqui  ao  entendimento  da  autoridade julgadora de 1a. instância, cujo excerto abaixo é adotado aqui como razão de decidir  adicional quanto à matéria:  (...)  Cabe observar, no caso, que a atividade do estagiário reveste­se,  em  princípio,  de  pessoalidade,  de  subordinação,  de  não­ eventualidade e de onerosidade, características inerentes a uma  relação de emprego, mas que a legislação previdenciária isenta  os  valores  percebidos  pelos  estagiários  quando  obedecidas  as  exigências previstas na Lei n.° 6.494/77, (...)  (...)  É  de  se  ressaltar,  aqui,  que,  caso  a  empresa  não  demonstre  o  atendimento dos requisitos formais e materiais da Lei n.° 6.494,  de  07/12/1977,  os  valores  percebidos  pelos  estagiários  serão  tributados,  sofrendo  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias  e  de  terceiros,  com  a  sua  caracterização  como  segurados empregados.  (...)  Fl. 727DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 728          19 Assim, não é qualquer pagamento a  estagiário que  irá  resultar  em isenção das contribuições previdenciárias e de terceiros, mas  apenas  aqueles  que  forem  realizados  em observância  à Lei  n.°  6.494/77,  sendo que a prova de que a  relação com o estudante  respeita os pressupostos da Lei do Estágio é do contribuinte, não  do Fisco. É do contribuinte, porque o estágio remunerado possui  os pressupostos da relação de emprego.   (...)  Transcreve­se,  a  seguir,  entendimento  jurisprudencial  que  abarca a matéria e solidifica a certeza de que cabe à concedente  de  estágio  o  ônus  de  comprovar  a  regularidade  do  estágio  realizado  dentro  de  seu  estabelecimento,  com  o  seu  enquadramento  nos  preceitos  da Lei  n.°  6.494/77,  sob  pena de  ser­lhe  atribuída  a  condição  de  relação  de  emprego  e  a  correspondente vinculação previdenciária do estagiário.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  BOLSAS DE TRABALHO. ÔNUS PROBATÓRIO ­ART. 333,I  DO CPC.  I. No  intuito de  incidência da  legislação que  regra o  estágio de  estudantes  de  estabelecimentos  de  ensino  superior,  a  situação  fálica  vivenciada  pelas  instituições  educacionais  deveria  enquadrar­se nos preceitos da Lei n°6.494/77.  2. A parte autora não logrou êxito ao demonstrar o cumprimento  das normas legais, ônus probatório que lhe incumbia (art. 333, I  do CPC),  3.  Não  caracterizada  a  atividade  como  estágio,  configura­se  os  elementos  fálicos  que  tipificam  a  relação  de  emprego,  e,  consequentemente,  passível  de  incidência  de  contribuição  previdenciária.  (AC ­ APELAÇÃO CÍVEL; Processo n.° 200304010059570/SC;  TRF4  —Tribunal  Regional  Federal  da  4"  Região  —  Primeira  Turma; Relatora Maria Lúcia Luz Leiria; DJ de 14/07/2004).   TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  BOLSAS DE ESTUDO. RELAÇÃO DE EMPREGO.  1. Para que incidisse a  legislação que dispõe sobre o estágio de  estudantes  de  estabelecimentos  de  ensino  superior,  deveria  a  hipótese vertente se amoldar aos preceitos da Lei n°6.494/77.  2. A embargante não logrou infirmar a situação fática constatada  pela  fiscalização  previdenciária,  que  evidenciou  não  se  tratar  efetivamente  de  bolsas  de  estudos,  mas  de  gratificações  a  funcionários ou retribuição por serviços prestados em atividades  cotidianas,  com  subordinação  e  horários  estabelecidos  pela  Universidade.  3.  Restando  desvirtuadas  as  finalidades  visadas  pela  Lei  n°  6.494/77,  pois  os  bolsistas  prestavam  atividades  inseridas  nos  fins  próprios  e  inerentes  da  Universidade,  como  verdadeiros  Fl. 728DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 729          20 empregados,  não  se  caracterizando  a  relação  como  de  aprendizagem  profissional  e  de  complementaridade  entre  os  conhecimentos  ministrados  na  instituição  de  ensino  e  os  praticados,  são  devidas  as  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  a  título  de  "bolsas  de  estudos".  (EIAC  ­  EMBARGOS  INFRINGENTES  NA  APELAÇÃO  CÍVEL;  Processo n.° 199804010661910/RS; TRF4 — Tribunal Regional  Federal  da  4'  Região  —  Primeira  Seção;  Relator  Wellington  Mendes de Almeida; DJ de 13/11/2002)  Cumpre  esclarecer  que,  ao  contrário  do  que  entende  a  impugnante, a simples apresentação de Termos de Compromisso  de  Estágio  celebrados  com  os  estudantes  não  constitui  prova  suficiente da  inexistência de  vínculo empregatício. Não basta a  apresentação,  pela  empresa,  destes  Termos,  para  comprovar  a  regularidade  dos  estágios.  É  inadmissível  prosperar  a  tese  de  que,  uma  vez  contratado  o  estudante,  com  a  formalização  de  Termo de Compromisso de Estágio, nenhuma outra providência  ou controle viesse a ser exercido pela concedente do estágio ou  exigido  dela.  A  existência  dos  referidos  Termos  de  Compromisso  não  constitui  condição  suficiente,  mas  apenas  necessária para descartar o vínculo empregatício.(grifei)  Deve ser observado, aqui, o princípio da verdade material, que  norteia o processo administrativo fiscal, no qual o que prevalece  é  a  realidade  fática  sobre  a  realidade  formal.  Em  outras  palavras,  tais  Termos  de  Compromisso  só  descaracterizam  a  relação  de  emprego  quando  observados  todos  os  preceitos  da  Lei  n.°  6.494/77,  que  foi  regulamentada  pelo  Decreto  n.°  87.497/82, o que não ocorreu no presente caso.  Cabe observar que não procede a alegação da  impugnante no  sentido de que não caberia a ela a guarda e a apresentação da  documentação  solicitada  pela  fiscalização,  mediante  TIAD  (Termo  de  Intimação  para  Apresentação  de  Documentos),  referente  a  outros  relatórios  e  informações  acerca  dos  estagiários  que  não  os  Termos  de  Compromisso  de  Estágio  retro  mencionados,  uma  vez  que  tais  documentos  constituem  elementos  probatórios  das  condições  do  estágio,  sendo  necessários  para  fins  de  comprovação  do  atendimento  dos  requisitos  previstos  na  Lei  n.°  6.494/77,  sem  a  qual  os  estagiários  são  caracterizados  como  segurados  empregados,  com  a  integração  das  verbas  pagas  a  eles  ao  salário­de­ contribuição, nos termos do artigo 28, parágrafo 9°, alínea "i"  da Lei n.° 8.212/91, e dos artigos 9°, inciso I, alínea "h" e 214,  parágrafo  9°,  inciso  IX  do  RPS,  aprovado  pelo  Decreto  n.°  3.048/99.  Ressalte­se  que,  no  caso,  de  acordo  com  o  Relatório  Fiscal,  diversos requisitos, formais e materiais, previstos na legislação  específica  (Lei n.° 6.494/77 e Decreto n.° 87.497/82),  relativos  Fl. 729DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 730          21 ao  contrato  de  estágio,  deixaram  de  ser  cumpridos  pela  empresa concedente, conforme trecho a seguir transcrito.  5. PONTOS EM DESACORDO COMA LEGISLAÇÃO   (...)  Apesar de os estudantes atuarem oficialmente na empresa por  meio  de  um  contrato  de  estágio,  os  indícios  apurados  nesta  auditoria fiscal, quais sejam, falta de documentação correta; a  não comprovação de que havia acompanhamento ou avaliação  de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino; não  apresentação  de  plano  de  estágio  que  o  contratante  deveria  elaborar em conformidade com as respectivas faculdades; falta  de  comprovação  da  freqüência  escolar;  a  remuneração  vinculada  a  cumprimento  de  metas;  os  estudantes  desempenhavam  funções  meramente  burocráticas,  estando  afastados da  finalidade do  estágio,  que  é de aprimoramento  e  complementação  do  aprendizado  escolar  por  meio  da  experiência  prática..,  são  motivos  para  considerarmos  os  contratados na qualidade de estagiários corno empregados.  (...)  Não há que se falar em relação de estágio conforme a prevista  na Lei n.° 6.494/77, uma vez que a realidade não se submete ao  comando da norma escrita.  No  que  tange  ao  relatório  MAPE  do  estagiário  Marcello  Renato Souza, que cita em sua defesa e cuja cópia anexa aos  autos,  cabe  observar  que  nele  consta  como  data  de  admissão  "20/02/2008", sendo que o período objeto deste AI é de 12/2002  a  08/2006,  e  que,  ainda  que  fosse  concernente  ao  presente  lançamento  e  que,  por  hipótese,  pudesse  comprovar  o  planejamento,  acompanhamento,  orientação  e  avaliação  do  estágio,  não  seria hábil  a  afastar  esta  autuação,  uma  vez  que  vários  outros  requisitos  da  legislação  específica  deixaram  de  ser  atendidos  pela  empresa  concedente,  conforme  se  pode  verificar no Relatório Fiscal.(grifei)  É de se destacar, aqui, que o presente lançamento não foi fruto  de uma simples interpretação econômica dos fatos, como alega a  impugnante, tendo sido realizado, pela fiscalização, com base no  disposto  na  Lei  n.°  8.212/91,  no  RPS,  aprovado  Decreto  n.°  3.048/99, na Lei n.° 6.494/77, no Decreto n.° 87.497/82, na Lei  n.°  11.457/2007  e  no  Código  Tributário  Nacional,  tendo  sido  observado, no caso, o princípio da legalidade.  Ainda,  acrescento,  com  a  devida  vênia  ao  entendimento  manifestado  pelo  Colegiado  a  quo,  que,  na  forma  do  art.  123  do  CTN  abaixo  transcrito,  entendo  como  inoponíveis ao Fisco os Convênios com a CIEE, de forma a sustentar eventual tese de que, por  força dos referidos convênios, tivesse sido transferida a terceiros (que não são os beneficiários  da  referida  exclusão)  a  responsabilidade  pela  comprovação  do  cumprimento  das  obrigações,  repita­se,  estabelecidas  por  Lei,  para  fins  de  fruição  do  benefício  da  exclusão  da  base  de  cálculo.  Como  já  tive  oportunidade  de  mencionar,  tal  ônus,  em  meu  entendimento,  era  do  Fl. 730DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 731          22 autuado,  visto  se  estar  a  tratar  de  fato  constitutivo  de  seu  direito  à  exclusão  em  questão,  previsto no  art.  28,  §9o,  "i",  da Lei no.  8.212, de 1991, na  forma  regrada pelo  art.  333,  I  do  CPC, em linha com julgados oriundos do TRF4 já aqui reproduzidos.  Art.  123.  Salvo  disposições  de  lei  em  contrário,  as  convenções  particulares,  relativas  à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas  à  Fazenda  Pública,  para  modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações  tributárias correspondentes.   Rejeita este relator, ainda, a vinculação deste Tribunal a julgados oriundos da  Justiça do Trabalho (TST inclusive) que, note­se, não tratam especificamente da incidência de  contribuições  previdenciárias  e,  consequentemente,  da  legislação  tributária  em  análise  (diferentemente  dos  julgados  exemplificativos  trazidos  pela  decisão  de  1a.  instância,  que  se  amoldam perfeitamente à situação em litígio, visto que oriundos do TRF da 4a. Região).   A propósito ainda, com a devida vênia a quem entende de forma diversa, não  se  buscou,  através  do  lançamento  tributário,  nenhum  tipo  de  "tutela"  pela  RFB  da  relação  estagiário­autuado,  mas  tão  somente  verificar  o  cumprimento  dos  requisitos  legalmente  estabelecidos, a  fim de que os pagamentos efetuados não compusessem a base de cálculo do  tributo em análise (cuidando­se, aqui, da relação fisco­contribuinte), daí a não vinculação, seja  legal, ou mesmo material, a tais julgados oriundos da Justiça Trabalhista, esta, sim, responsável  pela tutela jurídico­laboral.  Quanto aos arts. 4o.e 5o. do Decreto 87.497, de 1982, faço notar que entendo  que se está a tratar, ali, dos requisitos de natureza acadêmica, cuja regulamentação obviamente  se  remete às  instituições de  ensino  e não  às  entidades  concedentes,  sem que,  ressalte­se,  em  nenhum  momento  nos  referidos  artigos,  note­se,  se  esteja  a  retirar  qualquer  ônus  de  comprovação da entidade concedente para fins de exclusão da incidência previdenciária.   Deve­se,  ainda,  aqui,  ressaltar  que  o  §1o.  do  art.  6o.  do  mesmo  diploma  estabelece que o Termo de Compromisso é comprovante exigível para fins de que se afaste o  vínculo empregatício, sem que tal fato acarrete, todavia, que a mera apresentação dos referidos  Termos seja suficiente para afastamento do vínculo em situações onde, a exemplo do caso em  questão, são carreados relevantes indícios no sentido da existência de tal vínculo. Oportuno, a  propósito  que  se  remeta  aqui  a  tais  indícios,  constantes  do  Relatório  Fiscal,  mais  especificamente às e­fls. 62 a 80, verbis:  (...)  5. PONTOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO:  (...)  5.1.1 Planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação.  Está  prevista  na  cláusula  53,  alínea  "a",  a  obrigatoriedade  da  Instituição de Ensino acompanhar, orientar e avaliar o estágio.  Mesma  exigência  prevista  no  art.  1°  da  Lei  n°  6.494/1977,  a  saber:  Fl. 731DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 732          23 "§ 3° Os estágios devem propiciar a complementação do ensino  e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados  e  avaliados  em  conformidade  com  os  currículos,  programas  e  calendários escolares". (grifo nosso)  Apesar  de  diversas  solicitações  por  TIAD,  não  foram  comprovados  para  esta  Auditoria  Fiscal  tal  planejamento,  acompanhamento, orientação e avaliação.  5.1.2 As atividades a serem desenvolvidas:  Quanto  às  atividades  destacadas  em  3.2.1,  não  foram  comprovadas  para  esta  auditoria  a  execução  das  mesmas,  ou  seja, não existe documentação comprovando quais atividades os  contratados desempenharam no período de contrato. Não foram  apresentados  relatórios  de  atividades  desenvolvidas,  apesar  de  serem atividades de execução e não de aprendizado.  A alínea "e" da 3' cláusula dos termos que tratam das atividades  dos  estagiários  contém  atividades  de  execução,  quais  sejam,  fazer  atendimento  a  clientes,  elaborar,  calcular,  estabelecer,  redigir e selecionar dados e informações. Quando o objetivo do  estagiário  dentro  da  organização  é  o  de  aprender,  conhecer,  acompanhar  e  ter  noções  de  elaboração,  cálculos,  redação  e  seleção  de  qualquer  dado,  informação,  relatório  e  planilhas  gerenciais  entre  outras  atividades  desenvolvidas  dentro  da  organização.  5.2 Comprovação de freqüência escolar   Apesar  de  diversas  solicitações  por  TIAD,  não  foram  comprovadas,  para  esta  auditoria,  a  freqüência  e matrícula  de  nenhum dos contratados, conforme previsto no §1° do art. 1° da  Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977.  5.3 Supervisão do estágio   Apesar de constar, em alguns acordos firmados, um empregado  do  Contribuinte  como  supervisor  (a)  do  estágio,  não  foi  comprovado  nesta  auditoria  tal  supervisão;  ou  seja,  aspectos  tais  como  ocorreu  a  supervisão,  se  ambos  estavam  no  mesmo  setor, subordinados às mesmas pessoas, departamento, seção ou  agência.  Dos  contratados  relacionados  em  "3.2"  não  consta  nome de supervisor (a) para: Daniela Amaral Maia, Fabio Luiz  Nery  De  Miranda,  Felipe  Giunte  Yoshida,  Fernanda  Lomeu  Gaudereto  e  Tatiana  Da  Silva  É  fundamental  que  o  estágio  atenda  a  todos  os  requisitos  materiais  e  formais  para  a  sua  configuração,  sem  os  quais  ele  se  reverte  em  contrato  de  trabalho comum.  Os  estudantes  deveriam  auxiliar  e  não  executar  funções  sem  acompanhamento, ou seja, deveriam auxiliar um empregado nas  suas  funções;  funções  relacionadas  com  a  formação  do  estudante. Inclusive o atendimento a esta auditoria fiscal foi, na  maioria  das  vezes,  realizado  pelo  estagiário  Ricardo  Gomes  Munhoz, sem acompanhamento.  Fl. 732DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 733          24 Apesar  de  os  estudantes  atuarem  oficialmente  na  empresa  por  meio  de  um  contrato  de  estágio,  os  indícios  apurados  nesta  auditoria  fiscal,  quais  sejam,  falta  de  documentação correta; a  não  comprovação de  que havia  acompanhamento  ou  avaliação  de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino; não  apresentação  de  plano  de  estágio  que  o  contratante  deveria  elaborar em conformidade com as  respectivas  faculdades;  falta  de  comprovação  da  freqüência  escolar;  a  remuneração  vinculada  a  cumprimento  de  metas;  os  estudantes  desempenhavam  funções  meramente  burocráticas,  estando  afastados  da  finalidade  do  estágio,  que  é  de  aprimoramento  e  complementação  do  aprendizado  escolar  por  meio  da  experiência prática conforme prevê o parágrafo 2°, artigo 1°, da  Lei  n.  °  6.494/77;  são  motivos  para  considerarmos  os  contratados na qualidade de estagiários como empregados.  Logo, a força laborativa dos estudantes inseriu­se habitualmente  na atividade empresarial, com subordinação e onerosidade.  (...)  8.1 Outros elementos de convicção  (...)  8.1.5 Continuidade da contratação de estagiário   Anteriormente  à  apresentação  dos  Acordos  de  Cooperação  e  Termo  de  Compromisso  de  Estágio  relacionados  em  "3.2",  o  Contribuinte  apresentou  diversos  Acordos  de  Cooperação  e  Termos  de  Compromisso  de  Estágio  que  foram  firmados  em  período  posterior  ao  auditado  e,  dentre  eles,  destacamos  o  firmado  com  o  estagiário  Ricardo  Gomes  Munhoz,  com  as  mesmas características já mencionadas em "3.3", a saber:  "Data de assinatura: 04/07/2007"   "Cláusula  3a  Ficam  compromissadas  entre  as  partes  as  seguintes CONDIÇÕES PARA A REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO":  "Vigência de: 04/07/2007 até 31/12/2008".  "Bolsa Auxílio mensal, inicial de: R$1.159,11 (UM MIL, CENTO  E CINQÜENTA E NOVE REAIS E ONZE CENTAVOS)"  "Atividades do Estágio":  "Elaborar  relatórios  de  contabilidade;  acompanhar  a  elaboração  de  relatórios  de  análises  gerenciais;  elaborar  planilhas  de  custos  e  despesas;  auxiliar  na  elaboração  de  relatórios gerenciais".  8.1.5.1 Relatório de estágio   Juntamente  com  o  Acordo  de  Cooperação  e  Termo  de  Compromisso  de  Estágio,  o  Contribuinte  anexou  um  Fl. 733DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 734          25 RELATÓRIO DE ESTÁGIO,  referente a 11/2007, do  estagiário  Ricardo Gomes Munhoz.  Este  relatório,  segundo  informações  do  estagiário  Ricardo  Gomes  Munhoz,  é  preenchido  no  site  do  CIEE  pelo  próprio  estagiário.  Deste  relatório  destacamos  dois  pontos  que  julgamos  mais  importantes:  Texto  no  início  do  formulário,  logo  após  a  identificação  do  estagiário:  "Caro Estagiário,  o CIEE  tem a  responsabilidade  de  subsidiar  as  Instituições  de  Ensino  com  informações  sobre  o  desenvolvimento  e  a  evolução  do  seu  estágio.  Através  deste  instrumento  estaremos  auxiliando  as  Instituições  de  Ensino  na  supervisão  e  avaliação  do  estágio  de  seus  alunos.  Portanto,  o  preenchimento desse relatório é obrigatório, conforme consta na  cláusula  7'  do  Acordo  de  Cooperação  e  o  Termo  de  Compromisso de Estágio".  Atividades de Estágio:  As informações prestadas pelo estagiário foram:  "Atendimento à fiscalização Receita Federal e Prefeituras.  Controle  e  cadastro  de  Agências  Filiais  do  Banco  pelo  país.  Separar  documentos  para  regularização  de  agências  na  Prefeitura".  As  atividades  desenvolvidas  não  estão  previstas  no  acordo  assinado; não há indicação de supervisão ou avaliação.  As atividades foram de execução, sendo, inclusive, esta Auditoria  Fiscal atendida pelo estagiário Ricardo Gomes Munhoz que, na  maioria das vezes, apresentava­se sem a presença de empregado  do  Contribuinte;  prestava  e  recebia  esclarecimentos  como  se  empregado  fosse.  Em  26/02/2008  o  Sr.  Ricardo  utilizou­se  do  endereço de email do Contribuinte (Sup. Impostos Riscos Fiscais  JSMTP:sirfiscaisasantander.com.br  para  responder  ao  questionamento  a  cerca  dos  históricos  no  razão  contábil  apresentado (anexo no CD com nome @EmRicardo).  Na  maioria  das  vezes  que  compareci  às  instalações  do  Contribuinte,  foi  o  estagiário  Ricardo  quem  liberou  para  a  recepcionista  a  minha  entrada  nas  dependências  do  mesmo  (anexada cópia de uma das liberações).  Estes  outros  elementos  de  convicção  demonstram  que  as  atividades  das  pessoas  contratadas  como  estagiárias,  na  verdade, são atividades destinadas a empregados, reconhecidos  pela Justiça Trabalhista e, internamente por todos.  (...)"  Fl. 734DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 735          26 Diante  do  exposto,  considerando:  a)  a  não  comprovação  pelo  autuado  dos  requisitos estabelecidos pela Lei no. 6.494, de 1977, mais especificamente em seu art. 1o, §§1o.,  2o. e 3o., e que não se limitam ao Termo de Compromisso de Estágio (condição necessária mas  não suficiente), simultaneamente à b) constatação de indícios que apontam para a existência de  vínculo  empregatício,  voto  por  dar  provimento  ao  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional,  restabelecendo­se, assim, o lançamento, a partir da escorreita caracterização dos estagiários em  análise como segurados.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora­Designado AD HOC para  formalização do voto.              Fl. 735DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 736          27 Declaração de Voto  Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.  A  presente  declaração  tem  por  escopo  apenas  reforçar  alguns  pontos  suscitados durante as discussões acerca da impossibilidade de formação de vínculo de emprego  quando descumpridas as regras da lei de Estágio.  Quanto  a  impossibilidade  de  formação  de  vínculo  de  emprego  para  efeitos  previdenciários,  confunde­se  o  sujeito  passivo,  quanto  ao  alcance  do  lançamento  e  sua  fundamentação.  Conforme trazido pela autoridade fiscal no lançamento, e reforçado no voto  do  ilustre  conselheiro  relator  Heitor  de  Souza  Lima  Junior,  é  fato  que  a  contratação  de  estagiários  deu­se  de  forma  irregular.  A  lei  6.494/77,  em  seus  primeiros  artigos  descreve  a  inexistência  de  vínculo  de  emprego  entre  a  empresa  concedente  do  estágio  e  o  estagiário,  todavia,  também  estabelece  a  caracterização  de  segurado  obrigatório  da  previdência  social  quando descumpridas as regras da lei de estágio.  Trouxe  a  autoridade  fiscal  em  seu  relatório,  fls.  186  a  202,  não  apenas  a  análise  da  legislação,  como  também,  elementos  fáticos  que  demonstram  quais  os  descumprimentos  foram  imputados  ao  sujeito  passivo  e  que  ensejaram  o  lançamento  fiscal  acerca da motivação do lançamento.  2. Dos Fatos   Em  auditoria  fiscal  realizada  no  Contribuinte  acima  identificado,  mediante  MPF  também  acima  identificado,  foi  solicitado por Termo de Início de Ação Fiscal — TIAF e diversos  Termos  de  Intimação  para  Apresentação  de  Documentos  —  TIAD,  documentos  e  esclarecimentos  acerca  da contratação de  estagiários  pelo  contribuinte.  Da  documentação  e  esclarecimentos prestados, esta auditoria concluiu que as falhas  existentes nesta contratação caracterizam­na como uma relação  de vínculo empregaticio.  A  caracterização  deste  vinculo  empregatício  está  demonstrada,  neste relatório, da seguinte forma:  Em  "3.  DA  CONTRATAÇÃO  DE  ESTAGIÁRIOS  PELO  CONTRIBUINTE"  está  relatado  como  se  dá  a  relação  do  contribuinte com os estagiários quanto à documentação;  Em  "4.  LEGISLAÇÃO  SOBRE  A  CONTRATAÇÃO  DE  ESTAGIÁRIOS"  está  transcrita  a  legislação  pertinente  à  contratação de estagiário; e,   Em  "5.  PONTOS  EM  DESACORDO  COM  A  LEGISLAÇÃO"  estão relacionados os pontos da relação contribuinte ­ estagiário  em desacordo com a legislação.  Fl. 736DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 737          28 Em  "6.  Do  VALOR  APURADO"  informações  sobre  como  e  quais  valores foram calculadas as contribuições devidas.  Em  "7.  DO  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO"  a  origem  e  o  período que compõem o valor cobrado.  Em "8. ELEMENTOS DE CONVICÇÃO" constam o documento  onde  Contribuinte  relaciona  beneficiários  e  valores,  forma  de  contratação  e  informações  diversas  confirmando  que  os  estagiários na verdade são empregados.  Ou seja, sempre foram de responsabilidade da empresa concedente do estágio  as obrigações  inerentes  ao  cumprimento  e  acompanhamento do  cumprimento do objetivo do  estágio, qual  seja, o exercício pelos alunos de atividades em empresas ou  instituições com o  objetivo  de  complementar  a  aprendizagem  através  da  vivência  no  mundo  do  trabalho  dos  conteúdos  obtidos  em  sala  de  aula,  senão  vejamos  outro  trecho  do  relatório  fiscal,  transcrevendo os termos do contrato de estágio :  Cláusula 3' ­ Caberá à Concedente de Estágio:  a) "formalizar as oportunidades de estágio, em conjunto com o  CIEE,  atendendo  as  condições  definidas  pelas  Instituições  de  Ensino para a realização dos estágios, identificando quais vagas  devem ser trabalhadas em módulo de Processo Especial";  b)  "receber  os  estudantes  interessados  e  informar  ao  CIEE  o  nome dos aprovados para o estágio";  c)  "assinar  os  documentos  legais  providenciados  pelo  CIEE,  indicados na alínea "e" da cláusula 2a;"  d)  "cumprir  todas  as  responsabilidades,  como  Concedente,  indicadas  nos  Acordos  de  Cooperação  e  Termos  de  Compromisso de Estágio celebrado com os estagiários";  e) "efetuar o pagamento mensal das Bolsas­Auxílio, diretamente  a seus estagiários";  f)  "solicitar  ao  estagiário,  a  qualquer  tempo,  documentos  comprobatórios da regularidade da situação escolar";  g)  "informar  ao  CIEE,  de  imediato,  sempre  que  identificada  irregularidade  na  situação  escolar  de  qualquer  estagiário  e  toda vez que ocorrer rescisão antecipada de qualquer Termo de  Compromisso  de  Estágio  ­  TCE,  para  as  necessárias  providências  legais  e  interrupção dos procedimentos  técnicos e  administrativos a cargo do CIEE, quando for o caso";  h) "participar da sistemática de acompanhamento, supervisão e  avaliação  dos  estágios,  fornecendo  para  as  Instituições  de  Ensino ou ao CIEE quando solicitado".  Vejamos o conceito de estágio descrito na lei 6494/77, que é a norma vigente  à época em que o contrato de estágio se desenvolveu:  Fl. 737DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 738          29 O  estágio  é  o  procedimento  formativo,  de  cunho  didático­ pedagógico  e  articulado  segundo  projeto  de  planejamento  institucional, que visa permitir ao estudante complementar a  sua  formação  e  compreender  na  prática  os  ensinamentos  teóricos recebidos em sua vida escolar.  Ademais,  deixou muito  bem  consignado  no  relatório  fiscal,  não  apenas  os  aspectos teóricos, mas especialmente os elementos de convicção que demonstram não apenas  trata­se de profissionalização de estudantes, mas utilização de mão de obra de forma irregular.  senão vejamos, novamente, trechos dos relatórios:  3.2 — Depois de solicitado pelo Termo de Início de Ação Fiscal —  TIAF e por diversos Termos de Intimação para Apresentação de  Documentos ­ TIAD, o Contribuinte apresentou diversos Acordos  de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio, conforme  previsto na alínea "e" da cláusula 2a do Convênio firmado com  o CIEE, todos em arquivo formato pdf anexado ao presente Auto  (multimídia  que  não  permite  regravação);  referentes  aos  seguintes contratados:  [...]  3.2.1  —  Atividades  a  serem  desenvolvidas  constantes  nos  contratos relacionados em 3.2 são:  Alessandro  ­  Analisar  documentos  para  preparação  de  contratos,  examinar  processos  diversos,  organizar  arquivos  de  processos  e  clientes,  elaborar  procurações  para  clientes,  orientar clientes sobre direito administrativo.  Ana  ­ Auxiliar na contabilidade do Banco;auxiliar nos  serviços  gerais  da  agência;  auxiliar  no  auto­atendimento;  fazer  atendimento  aos  clientes;  fazer  divulgação  dos  produtos  da  agência.  Bruno  ­  Elaborar  calendário  de  eventos;  identificar  eventos  turísticos;  auxiliar  na  promoção  de  visitas,  congressos,  exposições  festivas  e  demais  eventos;  elaborar  calendário  de  eventos.  Carolina  ­  Orientar  participantes  de  cursos  e  treinamentos;  auxiliar na preparação de material para  treinamento; preparar  relatórios gerenciais; auxiliar na programação de treinamentos.  Daniela ­ Conforme plano de estágio apresentado pelo Banco à  Instituição de ensino, nos moldes por ela estabelecidos.  Fabio  ­  Conforme  plano  de  estágio  apresentado  pelo  Banco  à  Instituição de ensino, nos moldes por ela estabelecidos.  Felipe  ­  A  ser  estabelecida  pelo  coordenador  interno  e  orientador do estágio, estabelecerão o plano de trabalho.  Fernanda  ­  Auxiliar  na  análise  de  indicadores  econômicos;  calcular taxas ou operações financeiras; orientar clientes sobre  Fl. 738DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 739          30 produtos  e  serviços  do  banco;  elaborar  documentos  relatório,  planilhas ou formulários diversos.  Leonardo  ­  Não  menciona  as  atividades  e  prevê  desconto  do  seguro item 6  Mariana  ­  Estabelecer  crescimento  de  vendas  por  produtos;  fazer  divulgação  técnica  dos  produtos;  orientar  clientes  sobre  produtos  e/ou  serviços  de  auto­atendimento;  fazer  atualização  dos dados cadastrais dos clientes.  Ritiely ­ Criar apresentações em Powerpoint; emitir documentos,  relatórios,  planilhas  ou  formulários  diversos;  fazer atualização  dos  dados  cadastrais  dos  clientes;  organizar  documentos,  prontuários e/ou registros diversos.  Tatiana ­ Conforme plano de estágio apresentado pelo Banco à  Instituição de ensino, nos moldes por ela estabelecidos.  Tiago  ­  Cadastrar  novos  clientes;  estabelecer  crescimento  de  vendas por  produtos; analisar  documentos para  preenchimento  do cadastro; prospectar clientes; operar  terminais, ou pc, para  processamento  de  informações;  poderão  ser  realizadas  outras  atividades, a critério da supervisão do estágio.  3.2.2 O CIEE está como interveniente na maioria dos contratos,  exceto nas seguintes contratações: Daniela Amaral Maia, Fabio  Luiz  Nery  De Miranda,  Felipe  Giunte  Yoshida,  Leonardo  Seiji  Miyahara e Tatiana Da Silva; para os quais consta a respectiva  faculdade como interveniente:  3.2.3 Consta nos respectivos termos urna previsão de reembolso  de  despesas  extras  na  execução  das  atividades  do  estagiário,  item  8  do  termo,  dos  contratados  Felipe  Giunte  Yoshida  e  Leonardo Seiji Miyahara.  3.2.4  Nos  termos  firmados  cujo  interveniente  •  é  a  respectiva  faculdade, as atividades a serem desenvolvidas serão Conforme  plano de estágio apresentado pelo Banco à Instituição de ensino,  nos moldes por ela estabelecidos.  [...]  PONTOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO:  5.1  —  DOS  ACORDOS  DE  COOPERAÇÃO  E  TERMOS  DE  COMPROMISSO  DE  ESTÁGIO  Em  relação  aos  acordos  de  cooperação  e  termos  de  compromisso  de  estágio  apresentados  pelo contribuinte com as pessoas contratadas, temos os seguintes  pontos não comprovados ou em desacordo com a legislação:  5.1.1 Planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação.  Está  prevista  na  cláusula  5',  alínea  "a",  a  obrigatoriedade  da  Instituição de Ensino acompanhar, orientar e avaliar o estágio.  Mesma  exigência  prevista  no  art.  1°  da  Lei  n°  6.494/1977,  a  saber:  Fl. 739DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 740          31 "§ 3° Os estágios devem propiciar a complementação do ensino  e  da  aprendizagem  e  ser  planejados,  executados,  acompanhados  e  avaliados  em  conformidade  com  os  currículos, programas e calendários escolares". (grifo nosso)  Apesar  de  diversas  solicitações  por  TIAD,  não  foram  comprovados  para  esta  Auditoria  Fiscal  tal  planejamento,  acompanhamento, orientação e avaliação.  5.1.2 As atividades a serem desenvolvidas:  Quanto  às  atividades  destacadas  em  3.2.1,  não  foram  comprovadas  para  esta  auditoria  a  execução  das  mesmas,  ou  seja, não existe documentação comprovando quais atividades os  contratados desempenharam no período de contrato. Não foram  apresentados  relatórios  de  atividades  desenvolvidas,  apesar  de  serem atividades'de execução e não de aprendizado.  A alínea "e" da 3a cláusula dos termos que tratam das atividades  dos  estagiários  contém  atividades  de  execução,  quais  sejam,  fazer  atendimento  a  clientes,  elaborar,  calcular,  estabelecer,  redigir e selecionar dados e informações. Quando o objetivo do  estagiário  dentro  da  organização  é  o  de  aprender,  conhecer,  acompanhar  e  ter  noções  de  elaboração,  cálculos,  redação  e  seleção  de  qualquer  dado,  informação,  relatório  e  planilhas  gerenciais  entre  outras  atividades  desenvolvidas  dentro  da  organização.  Não foram apresentados os planos de estágios que deveriam ser  encaminhados pelo Banco às Instituições de ensino, nos moldes  por  elas  estabelecidos,  previstos  em  diversos  acordos  (mencionados em 3.2.1).  5.2 — DO VALOR PAGO COMO REMUNERAÇÃO:  Dentre os valores pagos a título de remuneração aos estagiários,  dependendo  de  setor  e  atividade  desenvolvida,  o  estagiário  recebia bônus e prêmios, ou seja, remuneração vinculada a um  objetivo  específico,  qual  seja,  superação  de  metas  pré­ estabelecidas.  Situação  totalmente  contrária  à  prevista  no  termo  de  compromisso e não contemplada na legislação sobre o assunto,  ou  seja,  tanto  a Lei  quanto  o Decreto  falam  que  o  estagiário  poderá  receber  bolsa,  ou  outra  forma  de  contraprestação  que  venha  a  ser  acordada.  Como  nos  acordos  firmados  foi  estipulado o recebimento de um valor fixo, outros valores estão  fora do acordado.  Foram  pagos  valores  a  título  de  BONUS  VENDAS  SEGUROS  (290),  que  representa  um  bônus  pelo  número  de  seguros  vendidos, devido aos Estagiários à disposição dos Gerentes;  portanto,  foi  dado  o  mesmo  tratamento  que  se  dá  aos  empregados,  qual  seja,  a  superação  de  metas  de  vendas  de  seguros.  Fl. 740DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 741          32 Outra  situação  indicativa de  vínculo  empregatício  é a previsão  de reembolso de despesas extras na execução das atividades dos  contratados Felipe Giunte Yoshida  e Leonardo Seiji Miyahara,  ou  seja,  tinham  autorização  para  realizar  gastos  em  nome  da  empresa.  5.3  —Comprovação  de  freqüência  escolar  Apesar  de  diversas  solicitações  por  TIAD,  não  foram  comprovadas,  para  esta  auditoria, a freqüência e matrícula de nenhum dos contratados,  conforme  previsto  no  §1°  do  art.  1°  da  Lei  n°  6.494,  de  7  de  dezembro de 1977.  5.4  —  Supervisão  do  estágio  Apesar  de  constar,  em  alguns­ acordos  firmados,  um  empregado  do  Contribuinte  como  supervisor (a) do estágio, não foi comprovado nesta auditoria tal  supervisão; ou seja, aspectos tais como ocorreu a supervisão, se  ambos  estavam  no  mesmo  setor,  subordinados  às  mesmas  pessoas,  departamento,  seção  ou  agência.  Dos  contratados  relacionados em "3.2" não consta nome de supervisor (a) para:  Daniela  Amaral  Maia,  Fabio  Luiz  Nery  De  Miranda,  Felipe  Giunte Yoshida, Fernanda Lomeu Gaudereto e Tatiana Da Silva.  É  fundamental  que  o  estágio  atenda  a  todos  os  requisitos  materiais e formais para a sua configuração, sem os quais ele se  reverte em contrato de trabalho comum.  Os  estudantes  deveriam  auxiliar  e  não  executar  funções  sem  acompanhamento, ou seja, deveriam auxiliar um empregado nas  suas  funções;  funções  relacionadas  com  a  formação  do  estudante. Inclusive o atendimento a esta auditoria fiscal foi, na  maioria  das  vezes,  realizado  pelo  estagiário  Ricardo  Gomes  Munhoz, sem acompanhamento.  Apesar  de  os  estudantes  atuarem  oficialmente  na  empresa  por  meio  de  um  contrato  de  estágio,  os  indícios  apurados  nesta  auditoria  fiscal,  quais  sejam,  falta  de  documentação correta; a  não  comprovação de  que havia  acompanhamento  ou  avaliação  de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino; não  apresentação  de  plano  de  estágio  que  o  contratante  deveria  elaborar em conformidade com as  respectivas  faculdades;  falta  de  comprovação  da  freqüência  escolar;  a  remuneração  vinculada  a  cumprimento  de  metas;  os  estudantes  desempenhavam  funções  meramente  burocráticas,  estando  afastados  da  finalidade  do  estágio,  que  é  de  aprimoramento  e  complementação  do  aprendizado  escolar  por  meio  da  experiência prática —conforme prevê o parágrafo 2°, artigo 1°,  da  Lei  n.  °  6.494/77;  são  motivos  para  considerarmos  os  contratados na qualidade de estagiários como empregados.  Logo, a força laborativa dos estudantes inseriu­se habitualmente  na atividade empresarial, com subordinação e onerosidade.  Não há que se  falar em relação de estágio conforme a prevista  na Lei n.° 6.494/77, uma vez que a realidade não se submete ao  comando da norma escrita.  Fl. 741DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 742          33   Da  leitura  do  relatório  fiscal,  não  cntraposta  com  documentos  capazes  de  afastar  a  realidade  ali  retratada  note­se que  realmente  houve a  utilização  de mão de obra  de  estagiários  em descumprimento  aos  requisitos  legais. O  trabalho  de  estagiários  não  pode  ser  executado  de  forma  autônomo,  sem  supervisão  em  atividades,  trata­se  de  trabalho  de  profissioalização de tudo que se aprende na escola, ou universidades. O pagamento de prêmios,  pelo alcance de metas, no meu entender, já denota por si só a utilização irregular dessa força de  trabalho em substituição aos empregados.  Interessante  observar,  inclusive  as  informações  obtidas  junto  a  sindicatos  e  congressos dos próprios empregados do recorrente, em que se destaca a situação irregular dos  estagiários:  Abaixo­assinado pede bolsa­extra para estagiários  Outro  assunto  discutido  na  reunião  foi  a  exploração  dos  estagiários. Ademir entregou para Gilberto um abaixo­assinado  dos  estagiários  das  agências  Porto  Alegre  Centro  e  Passo  D'Areia, reivindicando o pagamento de uma bolsa­auxilio extra  em  dezembro,  como  forma  de  compensar  o  não  pagamento  de  13° salário ou gratificação natalina.  Os representantes sindicais defenderam a efetivação dos jovens,  alertando  que,  além  do  descumprimento  da  legislação  trabalhista e previdenciária, muitos deles acabam indo trabalhar  em  bancos  concorrentes,  levando  muitos  clientes.  Vários  ex­ estagiários movem também ações trabalhistas.  Neste  comunicado,  vale  lembrar  que  é  de  16  de  dezembro  de  2003, temos o destaque da preocupação dos dirigentes sindicais  com  a  situação  dos  supostos  "estagiários",  quanto  à  remuneração  do  13°  salário,  o  que  leva  a  crer  não  existir  defasagem  entre  a  remuneração  paga  aos  estagiários  e  empregados com funções parecidas,ou semelhantes. Há também  a  denúncia  de  que  não  são  estagiários  e  sim,  empregados,  informando  que"  diversos  já  recorreram  à  justiça  para  reconhecimento do vínculo empregaticio.  8.1.3  —  Informação  obtida,  também,  na  internet,  no  site  da  FETEC  —  SP  —  CUT  2,  da  qual  destacamos  os  seguintes  pontos:  Administrador  15  /09  /  2003  (São  Paulo)  O  17.°  Congresso  Nacional  dos  Trabalhadores  do  Grupo  Santander  Banespa,  realizado  nos  dias  12  e  13  (sexta­feira  e  sábado  passados),  definiu um conjunto de ações a ser realizado nos próximos meses  em defesa do emprego e dos direitos de todos os funcionários da  ativa e aposentados.  Temas  em  pauta  —  Os  377  congressistas  (291  homens  e  86  mulheres) do Banespa, Santander Brasil e Meridional debateram  ainda outros temas importantes para os trabalhadores do grupo,  tais  como:  unificação  de  contratos,  formas  de  contratação  e  Fl. 742DF CARF MF Processo nº 16327.001900/2008­97  Acórdão n.º 9202­006.945  CSRF­T2  Fl. 743          34 condições de trabalho, saúde e previdência, campanha salarial e  a questão dos aposentados.  Principais  deliberações  aprovadas  no  17.°  Congresso  III  —  Formas de contratação e condições de trabalho  — Fazer denúncia ao Ministério da Educação sobre a atividade  bancária desempenhada pelos estagiários;  — Exigir a contratação dos estagiários que executem funções de  bancários  e  o  respeito  à  grade  curricular  daqueles  estudantes  que realmente fazem estágio no banco;  Fonte: Afubesp  Dessa  forma,  quando  constatadas  irregularidades  na  execução  de  estágio,  mais especificamente, quanto a seus requisitos objetivos, possível sim a formação de vinculo  de emprego para efeitos previdenciários, no  intuito de dar amparo ao  trabalhador nos  termos  descritos na CF/88, vejamos o que estabelece o art. 9º do Decreto 3.048/99:  "Art.  9°  São  segurados  obrigatórios  da  previdência  social  as  seguintes pessoas físicas":  "h) o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa, em  desacordo com a Lei n9 6.494, de 7 de dezembro de 1977. (grifo  nosso)"  Em mesmo sentido, descreve a lei 8212/91, em seu art. 28, §9º, 'i", a exclusão  dos valores pagos  à  título de bolsa de  aprendizagem,  apenas quando pagas de  acordo com a  norma aplicável:  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei, exclusivamente:  i)  a  importância  recebida a  título de bolsa de complementação  educacional  de  estagiário,  quando  paga  nos  termos  da  Lei  nº  6.494, de 7 de dezembro de 1977;  Ou seja, a lei previdenciária é clara em determinar que o descumprimento da  lei do estágio gera incidência de contribuição previdenciária, assim como bem o fez o auditor  no  presente  lançamento.  Aliás,  no  meu  entender,  não  poderia  ser  diverso  o  tratamento,  concedendo amparo previdenciário, direito de todo o trabalhador,  inclusive aquele que presta  serviços de forma irregular, conforme descrito na CF/88.  Entendo que o lançamento fiscal foi realizado no estreito cumprimento da lei,  razão pela qual ratifico a posição no sentido de acompanhar o voto do relator.   É como voto.    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.  Fl. 743DF CARF MF

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7411392 #
Numero do processo: 10825.900177/2008-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 30/06/2003 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. A demonstração analítica do direito creditório, a partir da apresentação da escrituração contábil e fiscal, com a evidenciação da composição das estimativas a recolher, quer calculadas sobre base de cálculo estimada, quer a partir de balancetes de suspensão ou de redução, com a comprovação e confrontação dos valores recolhidos ou retidos, evidenciando as antecipações ou retenções excedentes ao exigido para o período de apuração, resultando no crédito que se convencionou denominar de saldo negativo, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute direito de crédito objeto de pedido de compensação. Na falta de comprovação do saldo negativo, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS

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1002­000.362  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  09 de agosto de 2018  Matéria  CSLL ­ PER/DCOMP  Recorrente  SENDI ENGENHARIA E CONTRUÇÕES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Data do fato gerador: 30/06/2003  PEDIDO  ELETRÔNICO  DE  RESTITUIÇÃO  E  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ÔNUS  DA  PROVA  DO  CONTRIBUINTE.  DIREITO  CRÉDITO  NÃO  COMPROVADO.  A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com  crédito  líquido e certo do contribuinte,  sujeito passivo da  relação  tributária,  sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e  sob as garantias estipuladas em lei.  A  demonstração  analítica  do  direito  creditório,  a  partir  da  apresentação  da  escrituração  contábil  e  fiscal,  com  a  evidenciação  da  composição  das  estimativas a recolher, quer calculadas sobre base de cálculo estimada, quer a  partir  de  balancetes  de  suspensão  ou  de  redução,  com  a  comprovação  e  confrontação dos valores recolhidos ou retidos, evidenciando as antecipações  ou retenções excedentes ao exigido para o período de apuração, resultando no  crédito que se convencionou denominar de saldo negativo, integra o ônus de  prova  atribuído  ao  contribuinte,  notadamente  quando  se  discute  direito  de  crédito objeto de pedido de compensação. Na falta de comprovação do saldo  negativo, não há que se falar de crédito passível de compensação.  Recurso Voluntário Negado  Direito Creditório Não Reconhecido  Recurso Voluntário Negado  Direito Creditório Não Reconhecido        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 01 77 /2 00 8- 23 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10825.900177/2008­23  Acórdão n.º 1002­000.362  S1­C0T2  Fl. 97          2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Ailton Neves da Silva ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Leonam Rocha de Medeiros ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva  (Presidente),  Ângelo Abrantes Nunes,  Breno  do Carmo Moreira Vieira  e  Leonam Rocha  de  Medeiros.  Relatório  Cuida­se, o caso versando, de Recurso Voluntário (e­fls. 70/78) ― autorizado  nos  termos  do  art.  33  do  Decreto  n.º  70.235,  de  6  de  março  de  1972,  que  dispõe  sobre  o  processo administrativo fiscal,  interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado  pela  recorrente,  indicada  no  preâmbulo,  devidamente  qualificada  nos  fólios  processuais,  relativo  ao  inconformismo  com  a  decisão  de  primeira  instância  (e­fls.  59/65),  proferida  em  sessão  de  22  de maio  de 2009,  consubstanciada  no Acórdão  n.º  14­24.185,  da 5.ª  Turma da  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  (e­fls.  12/19) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório  (DD), emitido em 24/04/2008 (e­fl.  07), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição  e  a  Declaração  de  Compensação  (PER/DCOMP)  n.º  21925.50134.110504.1.3.04­3010,  transmitido em 11/05/2004, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o  crédito, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO ­ CSLL  Data do fato gerador: 30/06/2003  RECONHECIMENTO  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  SALDO  NEGATIVO.  O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo  reclama efetividade no pagamento das antecipações  calculadas  por  estimativa,  comprovação  contábil  do  valor  devido  na  apuração  anual  e  que  referido  saldo  negativo  não  tenha  sido  utilizado  para  compensar  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido  devida  nos  períodos  posteriores  àqueles  abrangidos  no  pedido.  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.  Apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  são  passíveis  de  compensação  tributária,  conforme  artigo  170  do  Código  Tributário Nacional.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.  Data do fato gerador: 30/06/2003  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10825.900177/2008­23  Acórdão n.º 1002­000.362  S1­C0T2  Fl. 98          3 Incumbe ao  sujeito  passivo  a  demonstração,  acompanhada das  provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas  sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.  Solicitação Indeferida  Veja­se o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da  manifestação  de  inconformidade,  conforme  se  extrai  do  relatório  constante  no  Acórdão  do  juízo a quo:    Trata­se de Manifestação de Inconformidade interposta em  face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração  de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05 [e­fls. 02/06], por  intermédio  da  qual  a  contribuinte  pretende  compensar  débitos  (CSLL)  de  sua  responsabilidade  com  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido ou a maior de  tributo  (CSLL — código de  receita: 2484).    Por intermédio do despacho decisório de fl. 06 [e­fl. 7], não  foi  reconhecido  qualquer  direito  creditório  a  favor  da  contribuinte e, por conseguinte, não­homologada a compensação  declarada  no  presente  processo,  ao  fundamento  de  que  o  pagamento informado como origem do crédito foi integralmente  utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando  crédito disponível para compensação dos débitos informados no  PER/DCOMP".    Irresignada,  em  04/06/2008,  interpôs  a  contribuinte  manifestação de  inconformidade de  fls.  11/18 [e­fls. 12/19], na  qual  alega,  em  síntese:  a)  que  compensou  CSLL  devida  por  estimativa,  do  mês  de  março  de  2004,  com  saldo  negativo  de  CSLL decorrente do ano­calendário de 2003; b) juntamente com  a PER/Dcomp  sob exame apresentou outras PER/Dcomp  tendo  como  origem  de  crédito  saldo  negativo  de  CSLL,  no  ano­ calendário  de  2003;  c)  que  a  presente  PER/Dcomp  não  foi  homologada sob argumento de inexistência de crédito, vez que o  mesmo  já  se  encontrava  vinculado  à  quitação  de  débito  da  requerente;  d)  no  ano­calendário  de  2003,  consoante  demonstrado  em  sua  DIPJ,  foi  gerado  um  saldo  negativo  de  CSLL,  no montante  de R$  67.587,56,  passível  de  compensação  com tributos federais a partir do ano­calendário subseqüente; e)  que é  legal a atualização do saldo negativo de CSLL pela  taxa  Selic;  f) que ao preencher a PER/Dcomp ocorreu um equívoco,  pois  informou  crédito  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  CSLL ao invés de saldo negativo de CSLL do ano­calendário de  2003; g) ressalta que o crédito existe e pode ser identificado na  DIPJ/2004,  ano­base  2003;  h)  que  em  decorrência  do  preenchimento  equivocado  efetuou  compensação  a  maior  no  valor de R$ 36.843,49, que será recolhido, acrescido de multa e  juros na forma da lei; i) que as demais PER/Dcomps vinculadas  ao saldo negativo de CSLL do ano­calendário de 2003 devem ser  apensadas  em  um  único  processo  administrativo.  Ao  final,  requer  que  seja  concedido  total  provimento  à  presente  manifestação de  inconformidade a fim de se anular o despacho  decisório  que  não  homologou  a  PER/Dcomp  de  n.º  Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10825.900177/2008­23  Acórdão n.º 1002­000.362  S1­C0T2  Fl. 99          4 21925.50134.110504.1.3.04­3010,  extinguindo­se  o  saldo  devedor objeto da compensação.  O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição,  o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou  a compensação. Informa­se, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado  no  próprio PER/DCOMP,  foi  localizado  pagamento  integralmente  utilizado  para  quitação  de  outro  débito  do  contribuinte,  de modo  a  não mais  haver  crédito  disponível  para  utilizar  em  operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é,  não foi compensado. Tem­se o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório:  Características do DARF discriminado no PER/DCOMP  Período de Apuração  (PA)  Código de Receita  Valor total do DARF  Data de Arrecadação  31/05/2003  2484  R$ 11.156,15  30/06/2003    Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP  Número do  Pagamento  Valor Original Total  Processo (PR) / PERDCOMP (PD) /  DÉBITO (DB)  Valor Original  Utilizado  3967516978  R$ 11.156,15  DB: cód 2484 PA 31/05/2003  R$ 11.156,15      Valor Total  R$ 11.156,15  A  tese  de  defesa  não  foi  acolhida  pela  DRJ,  mantendo­se  o  não  reconhecimento  do  crédito  e,  por  conseguinte,  não  homologando  a  compensação,  eis,  em  síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae:    O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do  Brasil  em  Bauru  não  reconheceu  qualquer  direito  creditório  a  favor  da  contribuinte  e,  por  conseguinte,  não  homologou  a  compensação  declarada  nos  autos,  ao  fundamento  de  que  o  pagamento informado como origem do crédito foi integralmente  utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando  crédito  disponível  para  compensação  do  débito  informado  na  PER/DCOMP de n.º 21925.50134.110504.1.3.04­3010.    Com efeito, no que diz respeito ao crédito de CSLL (código:  2484),  relativo  ao  mês  de  maio  de  2003,  no  valor  de  R$  11.156,15, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para  pagamento  de  um  débito  de  CSLL  (código:  2484),  do  próprio  mês de maio de 2003, no valor de R$ 11.156,15.    Contudo,  a  recorrente  vem,  em  sua  defesa,  alegar  que  a  natureza do crédito em questão é de saldo negativo de CSLL, e  não pagamento indevido ou a maior de CSLL.    Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação  de  regência,  se  a  declaração  de  compensação  ora  em  exame  encontra­se  devidamente  instruída,  especialmente  no  que  concerne  à  comprovação  de  liquidez  e  certeza  do  crédito  pleiteado.    Nesse sentido, o Código Tributário Nacional (CTN), em seu  artigo 170, dispõe: "a lei pode, nas condições e sob as garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos,  do sujeito passivo contra a Fazenda".  Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10825.900177/2008­23  Acórdão n.º 1002­000.362  S1­C0T2  Fl. 100          5   A  respeito  do  tema,  cumpre  transcrever  o  disposto  no  Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR/99, mais exatamente os  artigos 221 a 232, verbis:  "Apuração Anual do Imposto  Art.  221.  A  pessoa  jurídica  que  optar  pelo  pagamento  do  imposto na forma desta Seção deverá apurar o lucro real em 31  de dezembro de cada ano (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2º, § 3º).  (...)  Pagamento por Estimativa  Art.  222.  A  pessoa  jurídica  sujeita  à  tributação  com  base  no  lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional,  em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei  n.º 9.430, de 1996, art. 2º).  Parágrafo  único. A  opção  será manifestada com o pagamento  do  imposto  correspondente  ao mês  de  janeiro  ou  de  início  de  atividade,  observado o  disposto  no  art.  232  (Lei  n.º  9.430,  de  1996, art. 3.º, parágrafo único).  Base de Cálculo  Art.  223.  A  base  de  cálculo  do  imposto,  em  cada  mês,  será  determinada  mediante  a  aplicação  do  percentual  de  oito  por  cento  sobre  a  receita  bruta auferida mensalmente,  observadas  as disposições desta Subseção (Lei n.º 9.249, de 1995, art. 15, e  Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2º).  (...)  Suspensão, Redução e Dispensa do Imposto Mensal  Art.  230.  A  pessoa  jurídica  poderá  suspender  ou  reduzir  o  pagamento  do  imposto  devido  em  cada  mês,  desde  que  demonstre,  através  de  balanços  ou  balanceies  mensais,  que  o  valor acumulado  já pago excede o valor do  imposto,  inclusive  adicional,  calculado  com  base  no  lucro  real  do  período  em  curso (Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35, e Lei n.º 9.430, de 1996,  art. 2º).  (...)  Deduções do Imposto Anual  Art.  231.  Para  efeito  de  determinação  do  saldo  de  imposto  a  pagar ou  a  ser  compensado, a pessoa  jurídica poderá deduzir  do imposto devido o valor (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2º, § 4º):  III  ­  do  imposto  pago  ou  retido  na  fonte,  incidente  sobre  receitas computadas na determinação do lucro real;  IV ­ do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230".    Conforme  legislação  acima,  tomada  por  empréstimo  pelas  normas de apuração e pagamento da contribuição social sobre o  lucro líquido (CSLL), a interessada está obrigada, considerando  que  é  optante  pelo  lucro  real,  apuração  anual,  a  pagar  mensalmente  a  contribuição  social  devida  por  estimativa  com  base  na  receita  bruta,  com  a  aplicação  de  um  percentual  determinado.  Pode  também  suspender  o  pagamento  desde  que  proceda  aos  balancetes  mensais,  demonstrando  que  o  valor  acumulado já pago excede o valor do tributo calculado com base  no  lucro  real  do  período  em  curso.  Estes  balanços/balancetes  devem  ser  levantados  com  observância  das  leis  comerciais  e  fiscais  e  transcritos  no  Livro  Diário.  No  final  do  ano,  a  contribuição  apurada  deve  ser  deduzida  dos  pagamentos  recolhidos sob esta sistemática.    Assim,  somente  o  saldo  negativo  de  CSLL  a  pagar,  calculado  ao  final  do  período  de  apuração,  é  que  se  mostra  passível  de  restituição  e/ou  compensação posterior,  nos  termos  da legislação vigente.  Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10825.900177/2008­23  Acórdão n.º 1002­000.362  S1­C0T2  Fl. 101          6   No  entanto,  a  apuração  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  pleiteado,  no  caso,  está  na  dependência  da  efetiva  demonstração,  pela  requerente,  do  saldo  negativo  de  CSLL  apurada  no  final  de  cada  período,  uma  vez  que  os  valores  recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como  antecipações  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido  devida.    Diante  dessas  considerações,  esta  Turma  de  Julgamento  tem  reiteradamente  consignado  que  em  tema  de  restituição  e  compensação de saldo negativo de CSLL com outros tributos, ou  com o próprio,  cabe o atendimento de quatro premissas: 1.ª)  a  constatação  dos  pagamentos  ou  das  retenções;  2.ª)  a  oferta  à  tributação  das  receitas  que  ensejaram  as  retenções;  3.ª)  a  apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4.ª)  a  observância  do  eventual  indébito  não  ter  sido  liquidado  em  autocompensações.    Portanto,  não  basta  à  interessada  alegar  o  pagamento  a  maior  ou  indevido  do  tributo,  mas  também  deve  trazer,  por  ocasião  do  presente  contencioso,  provas,  lastreadas  em  lançamentos  contábeis,  que  identifiquem,  inequivocamente,  a  base de cálculo da CSLL e, por conseguinte, o saldo negativo de  CSLL apurado.    Inclusive, por se tratar de contribuinte sujeita ao regime de  apuração dos  tributos com base no  lucro real,  esta deveria, ao  fim  de  cada  período­base  de  incidência  do  tributo,  apurar  o  lucro  líquido  do  exercício  mediante  a  elaboração,  com  observância  das  disposições  da  lei  comercial,  do  balanço  patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da  demonstração  de  lucros  ou  prejuízos  acumulados,  que  serão  transcritos no Livro de Apuração de Lucro Real  (LALUR), nos  termos  dos  artigos  7.º  e  seu  §  4.º,  e  8.º,  inciso  I,  ambos  do  Decreto­Lei n.º 1.598, de 1977, in verbis:  "Art.  7.º  ­  O  lucro  real  será  determinado  com  base  na  escrituração que o  contribuinte deve manter,  com observância  das leis comerciais e fiscais.  § 4.º ­ Ao fim de cada período­base de incidência do imposto o  contribuinte  deverá  apurar  o  lucro  líquido  do  exercício  mediante a elaboração, com observância das disposições da lei  comercial,  do  balanço  patrimonial,  da  demonstração  do  resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos  acumulados.  Art.  8.º  ­  O  contribuinte  deverá  escriturar,  além  dos  demais  registros  requeridos  pelas  leis  comerciais  e  pela  legislação  tributária, os seguintes livros:  I­ de apuração de lucro real, no qual:  a)  serão  lançados  os  ajustes  do  lucro  líquido  do  exercício,  de  que tratam os §§ 2.º e 3.º do artigo 6.º;  b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1.º);  (...)."    Neste  contexto,  a  contribuinte  deveria  trazer  provas,  lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacam­se:  os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a  expressão  deste  direito  em  balanços  ou  balancetes,  os  Livros  Diário  e  Razão,  etc.,  tudo  de  forma  a  ratificar  o  indébito  pleiteado.  Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10825.900177/2008­23  Acórdão n.º 1002­000.362  S1­C0T2  Fl. 102          7   Consoante  noção  cediça,  a  escrituração  contábil  e  fiscal  mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor do contribuinte dos  fatos nela  registrados e comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em preceitos  legais,  conforme dispõe o artigo 923 do  RIR/1999:  "Art.  923.  A  escrituração  mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em  preceitos  legais  (Decreto­Lei n.º 1.598, de 1977, art. 9.º, § 1.º)."    No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória,  traz  como  prova  desse  crédito  cópia  da  declaração  de  rendimentos  de  fls.  42/54  [e­fls.  44/56],  retificada  em  03/06/2008, informando a existência de saldo negativo de CSLL,  no valor de R$ 67.587,56, bem como "RAZÃO ANALÍTICO EM  REAL DE 01/01/03 ATÉ 31/12/04" (fl. 40) [e­fl. 42], informando  saldo de CSLL a recuperar no montante de R$ 102.019,26.    Dos  documentos apresentados  pela  contribuinte,  cabem as  seguintes  observações:  a)  na  DIPJ  original,  apresentada  em  30/06/2004, não há  informação de  saldo negativo de CSLL, ou  seja, a contribuição a pagar informada foi R$ 0,00 (zero); b) em  03/06/2008,  a  contribuinte  apresentou  DIPJ­retificadora,  informando  saldo negativo de CSLL no valor de R$ 67.587,56;  d)  o  formulário  denominado  "RAZÃO  ANALÍTICO  EM  REAL  DE  01/01/03  ATÉ  31/12/04",  de  fls.  39/41  [e­fls.  41/43],  não  apresenta Termo de Abertura, nem Termo de Encerramento.    Nessas  condições,  passa­se  à  análise  dos  itens  acima  expostos.    Quanto  à DIPJ­retificadora,  externando  saldo  negativo  de  CSLL,  cabe  observar  que  a  DIPJ  tão­somente  indicia  que  a  contribuinte  teria  efetuado  pagamento  a  maior  que  o  devido.  Todavia,  resume­se  à  esfera  do  indício,  vez  que  a  declaração  desacompanhada da escrita, não produz o efeito desejado.    Quanto  ao  formulário  de  fls.  39/41  [e­fl.  41/43],  denominado "RAZÃO ANALÍTICO EM REAL DE 01/01/03 ATÉ  31/12/04",  não  consta  Termo  de  Abertura,  nem  Termo  de  Encerramento. Neste contexto, cumpre observar que a legislação  dispensa a autenticação do Livro Razão no caso de regularidade  na  autenticação  do  Livro  Diário  (art.  259,  parágrafo  3.º  do  RIR/99).  Assim,  a  ausência  do  Livro  Diário  implica  na  inabilidade do Livro Razão.    Por  fim,  registre­se que  a  contribuinte  além de  não  juntar  cópias do  livro Diário, devidamente registrado, não apresentou  LALUR, dos quais poderia se verificar os balanços/balancetes de  redução  e  demonstrativos  da  apuração  do  Lucro  Real  da  empresa para o ano­calendário de 2003.    Ora,  tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que  necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série  de  atos  do  sujeito  passivo,  como manter  escrituração  contábil,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos,  e  a  partir  desta  documentação  determinar  o  tributo  devido  e  recolher  o  correspondente valor, o pagamento a maior ou indevido também  almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante.  Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10825.900177/2008­23  Acórdão n.º 1002­000.362  S1­C0T2  Fl. 103          8   Por  tais  razões,  a  contribuinte,  quando  apresenta  uma  Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um  crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um  débito  tributário  constituído  em  seu  nome,  de  forma  que  o  reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fálico e  jurídico de qualquer declaração de compensação.    No  que  diz  respeito  ao  pedido  final  da  contribuinte  de  apensamento  dos  processos  n.º  10825.900725/2008­15,  10825.900759/2008­18,  10825.900710/2008­57,  10825.900705/2008­44,  10825.900695/2008­47,  10825.900206/2008­57,  10825.900232/2008­85,  10825.900178/2008­78,  10825.900248/2008­98,  10825.900732/2008­17,  10825.900263/2008­36 e do presente processo, por se  tratar de  PER/Dcomps  vinculados  ao mesmo  indébito,  impende  observar  que em nada prejudicou a análise do direito creditório pleiteado,  tendo  inclusive  referidos  processos  sido  julgados  nessa mesma  Sessão de Julgamento.    Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada,  o  indébito  não  contém  os  atributos  necessários  de  liquidez  e  certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela  autoridade  administrativa  de  crédito  junto  à  Fazenda  Pública,  sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto,  contrário,  portanto,  ao  disposto  no  artigo  170  do  Código  Tributário Nacional (CTN).  No  recurso  voluntário,  o  contribuinte  reitera  os  argumentos  suscitados  na  manifestação  de  inconformidade,  defendendo  que  o  crédito  decorrente  de  saldo  negativo  de  CSLL pode ser comprovado a partir da DIPJ anexada nos autos. Na oportunidade, promoveu,  por  ocasião  da  interposição  do  recurso,  a  juntada  do  Livro Diário  (e­fls.  79/89)  e  do  Livro  Razão  (e­fls.  90/93).  Esclarece  que  cometeu  erro  de  fato  ao  preencher  a  PER/DCOMP  informando crédito indevido ou a maior de CSLL, e não crédito decorrente de saldo negativo  de CSLL, tendo comprovado o mesmo por todos os meios possíveis.  Nesse  contexto,  os  autos  foram  encaminhados  para  este  Egrégio  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  sendo,  posteriormente,  distribuído  para  este  relator.  É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos  de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo.  Voto             Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator  Admissibilidade  O  Recurso  Voluntário  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade  intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e  inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade  extrínsecos,  pois  há  regularidade  formal,  inclusive  Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10825.900177/2008­23  Acórdão n.º 1002­000.362  S1­C0T2  Fl. 104          9 estando  adequada  a  representação  processual,  e  apresenta­se  tempestivo  (intimação  em  06/07/2009,  segunda­feira,  e­fls.  67/69,  e  protocolo  em  05/08/2009,  e­fl.  70),  tendo  respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que  dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência  deste Colegiado, na forma do art. 23­B, do Regimento Interno do CARF, com redação da  Portaria MF n.º 329, de 2017.  Portanto, conheço do Recurso Voluntário.  Mérito  Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico.  Trata  o  presente  caso  de  pedido  de  restituição  (CTN,  art.  165,  I),  alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado  com  pedido  de  declaração  de  compensação,  na  qual  o  contribuinte  confessa  débito  (Lei  9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição  resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal  (Lei 9.430, art. 74, caput,  §§ 1.º e 2.º), para  fins de extinção do crédito  tributário  (CTN, art. 156,  II). Afinal,  como  reza  o Código Civil,  se  duas  pessoas  forem  ao mesmo  tempo  credor  e  devedor  uma  da  outra, as duas obrigações extinguem­se, até onde se compensarem (CC, art. 368).  O  regime  jurídico  da  compensação  tem  fundamento  no  art.  170  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN)  dispondo  que  a  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.  Neste  diapasão,  inicialmente,  o  instituto  da  compensação  tributária  foi  regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras  para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no  art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações.  Para que se tenha a compensação torna­se necessário que o contribuinte  comprove que o  seu crédito  (montante a  restituir) é  líquido e certo. Cuida­se de conditio  sine qua non,  isto  é,  sem a qual não pode ocorrer a  compensação. O ônus probatório do  crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele,  devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório.  Pois  bem.  No  caso  em  comento,  após  análise  do  PER/DCOMP,  a  Administração  Tributária  não  reconheceu  a  certeza  e  liquidez  do  crédito  vindicado  pelo  contribuinte, haja vista que o sujeito passivo não comprovou efetivamente o crédito a seu  favor, ônus que, a toda prova, lhe competia. Tem­se, ainda, no Despacho Decisório, que o  DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou  a  maior  foi  integralmente  utilizado  para  extinguir  débito  do  próprio  contribuinte,  não  remanescendo  saldo.  Quando  da  apresentação  do  relatório  destes  autos,  na  forma  acima  apresentada,  constou  o  respectivo  quadro  sintético  demonstrativo  da  situação  de  inexistência  do  crédito  com  as  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP.  Aliás,  segundo  a  decisão  proferida pela DRJ,  o  indébito  não  apresentava  os  atributos  de  liquidez e certeza, sendo inaplicável o artigo 170 do Código Tributário Nacional.  Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10825.900177/2008­23  Acórdão n.º 1002­000.362  S1­C0T2  Fl. 105          10 De  toda  sorte,  no  recurso  voluntário,  o  contribuinte  defende  que  tem  crédito  fruto  de  saldo  negativo  de CSLL do  ano­calendário  de  2003,  tendo  incorrido  em  erro  no  preenchimento  do  PER/DCOMP,  pois  não  se  trata  de  recolhimento  a  maior  ou  indevido.  Chega  a  afirmar  que,  em  razão  do  erro  no  preenchimento  do  PER/DCOMP,  também  verificou  um  saldo  de  compensação  inadequado  no  montante  total  de  R$  36.843,49 (trinta e seis mil e oitocentos e quarenta e três reais e quarenta e nove centavos),  o qual, de boa­fé, irá pagar.  A despeito do alegado erro de preenchimento, não vejo reparos a serem  aplicados na decisão de primeira instância. Isto porque, a DRJ constatou que, nestes autos,  o sujeito passivo não comprovou o crédito alegado, não logrado êxito na demonstração da  liquidez e da certeza do mesmo.  Veja­se,  o  contribuinte  alega  que  incorreu  em  erro  de  fato  no  preenchimento  do  PER/DCOMP,  tendo  em  vista  sustentar  que  não  era  caso  de  informar  recolhimento indevido ou a maior, mas sim crédito proveniente de saldo negativo de CSLL  do ano­calendário 2003. Ocorre que, não consta dos autos qualquer retificadora, tampouco  demonstração efetiva deste crédito. Importante destacar, pela oportunidade, que no regime  jurídico da compensação compete ao contribuinte constituir a linguagem jurídica por meio  da confecção e transmissão do PER/DCOMP adequado ao seu intento.  O  regime  jurídico da compensação  impõe  ao  sujeito passivo  realizar os  procedimentos  necessários  para  a  efetivação  do  encontro  de  contas,  com a  requisição  da  restituição  e  a  efetivação  da  compensação,  para  fins  de  possibilitar  a  posterior  homologação.  Vale  dizer,  o  contribuinte  produz  as  normas  individuais  e  concretas  relacionadas ao caso. Por isso, não compete a instância administrativa o procedimento de  retificação de ofício ou de revisão do PER/DCOMP constituído em linguagem competente  pelo  próprio  contribuinte,  estando  o  órgão  julgador  limitado  aos  termos  das  normas  individuais  e  concretas  produzidas pelo próprio  sujeito passivo, que,  no mínimo, deveria  proceder com a retificação do PER/DCOMP, ainda que a destempo, a fim de emitir nova  norma  jurídica  quando  necessária  para  sanar  quaisquer  equívocos  relativo  a  erro  de  preenchimento.  Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida  pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não  o  saneamento  de  erros  imputados  aos  próprios  contribuintes,  notadamente  quando  destinados  à  constituição  de  créditos  para  fins  de  compensação  e,  mais,  não  resta  demonstrado o alegado saldo negativo. Logo, verificando­se correção no julgamento a quo,  bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com  a  lei,  nada  há  que  se  reparar  no  procedimento  adotado  na  análise  do  pedido  transmitido  pelo contribuinte.  Observe­se,  em  que  pese  afirmar  ter  saldo  negativo  de CSLL  líquido  e  certo, o sujeito passivo não o comprova. Ainda que tenha afirmado ter juntado aos autos o  Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) e o Livro Diário, documentos que se fossem  analiticamente  comentados  e  elucidados  poderiam  ser  capazes  de  provar  a  existência  do  crédito, o que de fato o sujeito passivo fez foi promover a juntada de partes do Livro Diário  (e­fls. 79/89) e de partes do Livro Razão (e­fls. 90/93), deixando de apresentar o LALUR.  A juntada do Razão e do Diário foi realizada sem qualquer demonstração analítica que leve  Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10825.900177/2008­23  Acórdão n.º 1002­000.362  S1­C0T2  Fl. 106          11 este Juízo Recursal, no âmbito de seu controle de legalidade, a se convencer sobre a certeza  e liquidez do crédito cujo reconhecimento o contribuinte requer.  Ressalte­se,  neste  aspecto,  que  a  demonstração  analítica  dos  valores  e  lançamentos,  dentro  da  escrituração  contábil  e  fiscal,  da  base  de  cálculo  da  CSLL  e,  consequentemente,  do  saldo  negativo  que  pode  ser  apurado,  integra  o  ônus  de  prova  atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito para ser objeto de pedido  de compensação. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na  condição  de  instância  recursal,  suprir  o  ônus  do  contribuinte,  realizando  uma  verdadeira  auditoria  nos  livros  contábeis  apresentados  a  destempo  pelo  recorrente,  e  de  forma  incompleta, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito  perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido:  Acórdão n.º 3001­000.312 – Recurso Voluntário  Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Ano­calendário: 2004  PEDIDOS  DE  COMPENSAÇÃO.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE.  Nos  processos  que  versam  a  respeito  de  compensação,  a  comprovação  do  direito  creditório  recai  sobre  aquele  a  quem  aproveita  o  reconhecimento  do  fato,  que  deve  apresentar  elementos  probatórios  aptos  a  comprovar  as  suas  alegações.  Logo,  deve  o  contribuinte  demonstrar  que  o  crédito  que  alega  possuir  é  capaz  de  quitar,  integral  ou  parcialmente,  o  débito  declarado em Per/Dcomp. Saliente­se que alegações desprovidas  de  indícios  mínimos  para  ao  menos  evidenciar  a  verdade  dos  fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência  de  crédito,  uma  vez  a  análise  fiscal  é  realizada  sobre  informações  prestadas  pelo  contribuinte,  colhidas  nos  sistemas  informatizados  da  RFB,  carece  de  elementos  que  justifica  a  autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a  suprir deficiência probatória.  É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi  lhe compete,  comprovar  com  elementos  eficientes  e  com  a  finalidade  própria  a  sua  pretensão,  sendo  parte  colaborativa  para  a  resolução  do  caso.  Ressalte­se,  não  caberia  ao  julgador,  em  instância  do  contencioso  administrativo,  realizar  trabalho  de  auditoria,  sem  falar  que  eventual  documentação  contábil  não  pode  ser  meramente  colacionada  ao  processo,  prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação  com  análise  circunstanciada  das  conclusões  que  se  extrairiam  da  escrita  contábil  ou  da  escrita  fiscal,  a  fim  de  demonstrar  o  fato  jurídico  constitutivo  da  situação  de  direito  a  crédito que se pretende comprovar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a  compensação.  Por  tais  motivos,  não  vejo  reparos  na  decisão  recorrida.  No  mais,  a  decisão  da  DRJ  apreciou,  com  riqueza  e  rigor  de  detalhes,  a  matéria  suscitada  na  manifestação de inconformidade, conforme transcrição constante no relatório; de seu turno,  o contribuinte não estabeleceu, através de seu recurso, qualquer dialeticidade com a decisão  combatida,  reiterando,  praticamente  ipsis  litteris,  os  mesmos  argumentos  suscitados  na  manifestação  de  inconformidade,  sem  apontar,  na  decisão  combatida,  quais  as  razões  de  Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10825.900177/2008­23  Acórdão n.º 1002­000.362  S1­C0T2  Fl. 107          12 discordância,  as  quais  seriam  apreciadas  nesta  instância  recursal,  para  verificação  de  eventual erro de julgamento ou de procedimento.  Pontos  interessantes  na  decisão  da DRJ  não  são  infirmados,  como,  por  exemplo,  o  fato  consignado  de  que  o  contribuinte  deveria  trazer  provas,  lastreadas  em  lançamentos contábeis, tais como, registros contábeis apontando a existente de uma conta  no  ativo  destinada  a  "CSLL  a  recuperar",  a  expressão  deste  direito  em  balanços  ou  balancetes, nos Livros Diário e Razão. Por outro lado, a DIPJ­retificadora não é suficiente  para atestar a liquidez e certeza do crédito vindicado. Os próprios termos de abertura e de  encerramento apresentados a posteriori não estão autenticados pelo registro de empresas a  cargo das Juntas Comerciais (e­fls. 79, 89, 90 e 93). Também, não se justifica a ausência da  apresentação do LALUR no qual poderia se verificar os balanços/balancetes de redução e  demonstrativos da apuração do Lucro Real da empresa para o ano­calendário de 2003.  Dessa  forma,  como  cumpria  exclusivamente  ao  contribuinte  o  ônus  de  provar  a  liquidez  e  certeza  de  seu  alegado  crédito,  como  não  o  fez,  não  restando  este  devidamente  comprovado,  assim  como,  considerando  o  até  aqui  esposado,  entendo  pela  manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos.  Dispositivo  Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que  dos  autos  constam,  voto  em  conhecer  do  recurso  voluntário  e,  no mérito,  em  lhe  negar  provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida.  É como Voto.    (assinado digitalmente)  Leonam Rocha de Medeiros ­ Relator                            Fl. 107DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.954282/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/05/2000 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantém-se a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.082
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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3201­004.082  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de julho de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  ICE CARTÕES ESPECIAIS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 15/05/2000  PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO  DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA.  Qualquer  alegação  de  erro  de  preenchimento  em  DCTF  deve  vir  acompanhada  dos  documentos  que  indiquem  prováveis  erros  cometidos  no  cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior.  Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil  e  suficiente  que  justifique  a  alteração  dos  valores  registrados  em  DCTF,  mantém­se a decisão proferida,  sem o  reconhecimento de direito creditório,  com a consequente não homologação das compensações pleiteadas.  PROVA.  RETIFICAÇÃO  DE  DCTF.  REDUÇÃO  DE  DÉBITO.  APÓS  CIÊNCIA  DE  DECISÃO  ADMINISTRATIVA.  ÔNUS  DO  CONTRIBUINTE.  Compete  ao  contribuinte  o  ônus  da  prova  de  erro  de  preenchimento  em  DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS.  Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela  prescindível para instrução e julgamento do processo.  Recurso Voluntário Negado      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório.           AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 42 82 /2 00 8- 18 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10880.954282/2008­18  Acórdão n.º 3201­004.082  S3­C2T1  Fl. 3          2 (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Marcelo  Giovani  Vieira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Paulo  Roberto  Duarte Moreira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Leonardo  Correia  Lima Macedo,  Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  de  primeira  instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a  decisão da repartição de origem de não homologar a compensação de créditos da contribuição  (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que  os pagamentos declarados  já haviam sido  integralmente utilizados na quitação de débitos do  contribuinte.  Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que os  créditos compensados eram decorrentes de Levantamento Fiscal lastreado em Demonstrativos  de Apuração elaborados por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em que se apuraram  débitos  referentes  a  cálculos  e  recolhimentos  a  menor  da  contribuição,  bem  como  créditos  relativos a recolhimentos a maior, que resultaram na compensação declarada.  Informou,  ainda, que a DCTF havia  sido  retificada para  constar a  apuração  correta do débito, conforme planilha de apuração fiscal e demonstrativo contendo a descrição  da base de cálculo apurada e o valor do imposto devido.  A  Delegacia  de  Julgamento,  por  meio  do  acórdão  nº  16­033.410,  julgou  improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a apresentação de  DCTF retificadora após o despacho decisório não era hábil a alterar a decisão proferida e que  qualquer  alegação  de  erro  de  preenchimento  em  DCTF  devia  vir  acompanhada  de  documentação hábil e suficiente que o comprovasse.  Em  seu  Recurso Voluntário,  o  contribuinte  requereu  a  reforma  da  decisão  de  primeira instância ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, repisando os  mesmos  argumentos  de  defesa  e  alegando  que  procedera  à  retificação  da DCTF  de  forma  a  fazer  constar  o  valor  do  crédito  pendente  de  reconhecimento  e  que,  mesmo  tendo  sido  apresentada após a ciência do despacho decisório, a declaração  retificadora cumprira com os  requisitos para a homologação da compensação, devendo prevalecer a verdade real.  Sustentou,  ainda,  com  fundamento  no  art.  147,  §  2º,  do  CTN,  que  a  falta  da  DCTF  retificadora  não  era  suficiente  para  negar  ou  impedir  a  homologação,  uma vez  que  a  DCTF original deveria ter sido retificada pela própria Receita Federal.  É o relatório.  Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.954282/2008­18  Acórdão n.º 3201­004.082  S3­C2T1  Fl. 4          3 Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio  o  decidido  no  Acórdão  3201­004.079,  de  25/07/2018,  proferido  no  julgamento  do  processo 10880.954277/2008­13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201­004.079):  O  recurso  atende  a  todos  os  requisitos  de  admissibilidade  previstos em lei, razão pela qual dele se conhece.  A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso  Voluntário.  Preliminarmente  registro  que  a  recorrente  teve  garantido  o  pleno  exercício  do  contraditório  e  da  ampla  defesa  nas  duas  instâncias administrativas.  A  retificação  da  DCTF  depois  de  prolatado  o  despacho  decisório não impede o deferimento do pedido de compensação,  quando  acompanhada  de  provas  documentais  comprovando  a  erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do  art.  147  do  CTN).  Cite­se  jurisprudência  do  CARF  sobre  este  ponto:  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Câmara Superior de  Recursos Fiscais. 3ª Turma  Acórdão nº 9303­006.266 do Processo 13896.902360/2008­18  Data: 25/01/2018  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração:  01/08/2003  a  31/08/2003  COMPENSAÇÃO.  RETIFICAÇÃO DE  DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO  ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o  despacho  decisório  não  impede  o  deferimento  do  pedido,  quando  acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido  no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN).  O entendimento deste órgão para admitir a comprovação do  direito  creditório  em momento posterior ao despacho decisório  está fundamentado no §1º do art. 147 do CTN.  Art.  147.  O  lançamento  é  efetuado  com  base  na  declaração  do  sujeito  passivo  ou  de  terceiros,  quando  um  ou  outro,  na  forma da  legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações  sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação.  Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10880.954282/2008­18  Acórdão n.º 3201­004.082  S3­C2T1  Fl. 5          4 § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante,  quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante  comprovação  do  erro  em  que  se  funde,  e  antes  de  notificado  o  lançamento.  De  acordo  com  tal  dispositivo  legal,  cabe  a  recorrente  comprovar  o  erro.  Tal  comprovação pode  ser  feita de  diversas  formas,  inclusive por meio de planilhas,  documentos  contábeis,  cópias de documentos, cupons, recibos e tantos outros.  O  fato  é  que  o  princípio  da  verdade material,  alegado pela  recorrente,  exige  provas  que  a  ela  competia  trazer  aos  autos.  Ainda que fosse na segunda  instância, se  juntasse as provas no  recurso voluntário, certamente contaria com a possibilidade de  seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento.  Ocorre  que  a  recorrente  não  reúne  provas  na  forma  de  documentação  complementar,  insistindo  erroneamente  em  argumentar  que  o Demonstrativo  de Apuração,  elaborado pela  Receita Federal seria suficiente. Sobre tal argumento, a DRJ se  pronunciou alegando que o Demonstrativo de Apuração informa  a inexistência de saldo. (e­fls. 122­123)  É  improcedente  a  afirmação  do  contribuinte,  pois  o  crédito  compensado  neste  PER/DCOMP,  no  montante  originário  de  R$3.135,41, relativo ao suposto pagamento, indevido ou a maior de  contribuição  do  PIS/PASEP  (Código  de  Receita  8109),  recolhida  em 15/10/1999, não decorre do Levantamento Fiscal noticiado, eis  que o DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA  juntado  à Manifestação  de  Inconformidade  (fls.  68/75)  informa  a  INEXISTÊNCIA  DE  SALDO  APURADO,  fato  confirmado  na  análise  dos  valores  declarados  pelo  próprio  Interessado  na  DCTF  entregue à Receita Federal do Brasil, conforme telas de consulta que  juntamos a estes autos (fls. 114/117)  De  fato,  mesmo  com  boa  vontade,  o  Demonstrativo  de  Situação Fiscal  Apurada,  as  e­fls.  68  ­75  dos  autos,  não  deixa  claro a existência de saldo creditório. Ao contrário,  trata­se de  documento  com  anotações  manuscritas,  que  necessitam  de  documentação  complementar  para  tornar  o  crédito  líquido  e  certo. Mesmo se o Demonstrativo  fosse claro, ainda assim, não  seria suficiente para garantir o direito. Faltaria a comprovação  de erro por parte da recorrente no preenchimento da DCTF.  No  caso  em  exame,  a  recorrente  não  trouxe  aos  autos,  nas  duas  oportunidades  em  que  neles  compareceu,  quando  da  manifestação  de  inconformidade  e  agora  em  fase  de  recurso  voluntário, qualquer prova documental para demonstrar o erro  que alega que cometera no preenchimento da DCTF.  Em grau de recurso não cabe fazer um pedido genérico para  futura  juntada  de  documentos  ou  diligência,  sem  alinhavar  a  hipótese legal em que se funda tal solicitação.  Finalmente,  observo  que  à  autoridade  julgadora  administrativa  é  vedado  afastar  a  aplicação  da  lei  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade,  pelo  que  é  impossível  Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.954282/2008­18  Acórdão n.º 3201­004.082  S3­C2T1  Fl. 6          5 apreciar  as  alegações  de  ofensa  a  princípios  constitucionais.  Nesse  sentido,  cita­se  a  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de  lei tributária.  Conclusão  Por  todo  o  exposto,  voto  por NEGAR  PROVIMENTO  ao  Recurso Voluntário.  Destaque­se que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à  Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins.  Importa  registrar,  ainda,  que,  nos  presentes  autos,  as  situações  fática  e  jurídica  encontram  correspondência  com  as  verificadas  no  paradigma,  de  tal  sorte  que  o  entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Portanto,  aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado  decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                                Fl. 210DF CARF MF

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