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Numero do processo: 11080.723646/2012-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007, 2008
LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. NÃO COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE
A alíquota aplicável para apuração do lucro presumido das empresas prestadoras de serviços de manutenção em máquinas/equipamentos é de 32% para IRPJ.
Numero da decisão: 1302-001.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ALÍQUOTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. NÃO COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE A alíquota aplicável para apuração do lucro presumido das empresas prestadoras de serviços de manutenção em máquinas/equipamentos é de 32% para IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 36 46 /2 01 2- 84 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário. Na origem foi lavrado auto de infração em razão da suposta divergência de aplicação do percentual de presunção por parte da recorrente, fato que motivou a constituição, em valores originais, do IRPJ (R$ 1.169.416,10), acrescido de Juros (R$ 430.954,74) e Multa (R$ 877.062,08), totalizando o montante total do crédito apurado em R$ 2.477.432,92 (fls. 212/228). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Relatório da Ação Fiscal (fls. 194/211): (i) Que a recorrente possui como objeto social, entre outros, o serviço de engenharia, montagem e manutenção industrial, realizando esta atividade nos contratos analisados; (ii) Que é optante pelo lucro presumido e adotou o percentual de presunção de 8% para IRPJ e 12% para CSLL por entender que as atividades que desenvolve têm natureza de empreitadas de construção civil, a saber: reforma em bens imóveis (tanques de armazenamento, caldeiras, conversores, esferas e torres, bens estes fixados ao solo) (fl. 199); (iii) Que o percentual de presunção está equivocado, pois a Recorrente não pratica a atividade de construção civil, sobretudo pelo fato de que as atividades exercidas são privativas da Engenharia Mecânica, tratandose de processos mecânicos, máquinas em geral, instalações industriais e mecânicas, inclusive sendo exigida a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), instrumento formal para registro das atividades de engenharia (fl. 201); (iv) Que os serviços comumente contratados nos contratos envolvendo o fiscalizado, assim como também as Sociedades em Conta de Participação (SCP), tais como os serviços de manutenção e montagem em torres, vasos, reatores e permutadores de calor, entre outros, englobam as mais diversas prerrogativas da Engenharia Mecânica, sendo perfeitamente identificados nas descrições de atividades contidas no CREA da jurisdição onde o contrato foi realizado; (v) Que o percentual adequado é de 32% para o IRPJ e também para a CSLL, uma vez que as atividades da recorrente se enquadram, em verdade e para efeitos da presunção, como prestação de serviços em geral, por se tratar de serviços de engenharia que não possuem nenhuma particularidade para cálculo do lucro presumido, não sendo caracterizadas como empreitada de construção civil; (vi) Logo, o AFRFB optou por tributar a diferença da presunção aplicada pela presunção de 32%, constituindo o Auto de Infração; Fl. 413DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.723646/201284 Acórdão n.º 1302001.201 S1C3T2 Fl. 413 3 (vii) Aplicouse o mesmo entendimento à Sociedade em Conta de Participação (SCP) constituída para a execução do contrato 1400.0035600.07.2 (BG Engenharia Ltda.). A Recorrente, na condição de sócia ostensiva, é a responsável pelos tributos devidos (fls. 205/211); Encerrada a fiscalização, a recorrente teve ciência do auto de infração em 30/03/2012 (fl. 227). Na sequência, apresentou impugnação em 27/04/2012 (fl. 230), a qual foi julgada totalmente improcedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) que adiante segue transcrito (fl. 360): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2007, 31/03/2008, 30/09/2008, 31/12/2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. NÃO COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. As atividades de montagem e manutenção industrial, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, não caracterizam obras de construção civil, sujeitando as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ sob o regime de tributação com base no lucro presumido. COMPROVAÇÃO DO EMPREGO DE TODOS OS MATERIAIS INDISPENSÁVEIS. Mesmo na atividade de prestação de serviços de construção civil sob o regime de empreitada, o percentual de presunção do lucro é de 32%, quando não houver comprovação do fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão supratranscrita em 26/11/2012 (fls. 375/378), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário (fls. 379/408), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) Que a Recorrente dedicase tanto aos serviços de construção das unidades petrolíferas, como à sua manutenção e conservação (fl. 386), abrangidos como serviços relacionados à construção civil; (ii) Que os serviços realizados constituemse obras de grande vulto, executadas em bens imóveis construídas sobre bases de sustentação incorporadas ao solo, caracterizandose, portanto, como prestação de serviços de construção civil (fl. 387); (iii) A “manutenção” efetuada e declarada se trata da combinação das ações que tem por objetivo manter ou recolocar um bem em estado de plena Fl. 414DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 utilização, devendo o termo “manutenção” ser entendido de maneira mais abrangente, diante da realidade fática do caso (fl. 389); (iv) A atividade “construção” é gênero que compreende “edificação”, “demolição”, “reforma”, “reconstrução”, “reparação”, “pintura”, “colocação de vidros e esquarias”, em bens imóveis. Atividades compreendidas pela recorrente nos contratos que originaram o Auto de Infração; (v) O fato de necessitar de ART não é, por si só, razão para considerar como atividade de prestação de serviços de engenharia, pois necessita de ART para execução de obra de construção civil, por ser considerada “engenharia civil”; (vi) E que a prestação de serviços foi realizada com o emprego de materiais, não importando a quantidade, pois basta ter o emprego de materiais para que a presunção seja de 8% para IRPJ e 12% para CSLL; É o relatório. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.723646/201284 Acórdão n.º 1302001.201 S1C3T2 Fl. 414 5 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário interposto é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Do conceito de empreitada de construção civil com fornecimento de materiais O fato central da discussão do presente recurso está na determinação do percentual de presunção do lucro para o IRPJ incidente sobre a prestação de serviços da recorrente, que afirma exercer atividades ligadas à construção civil com emprego de materiais, enquanto o cerne da autuação aponta que tais operações são enquadradas como prestação de serviços em geral. As atividades relacionadas com a construção civil com emprego de materiais são sujeitas a aplicação do percentual de 8% sobre a base de cálculo, enquanto na prestação de serviços em geral, a alíquota aplicada na presunção do lucro é de 32%. A recorrente trouxe em seus argumentos que realizava obras de grande vulto e, para tanto, envolvia tanto serviços relacionados à engenharia mecânica, quanto serviços de construção civil. Inicialmente, cumpre verificar se as atividades exercidas pela recorrente por força dos contratos de prestação de serviços em análise podem ser consideradas como “construção civil”. Em análise do contrato realizado entre a prestadora (recorrente) e a tomadora dos serviços, vêse que seu objeto era a realização de manutenções, conforme descrito a seguir (fl. 277): 1.1 – O presente Contrato tem por objeto a prestação, pela CONTRATADA, de serviços de manutenção de parada programada na unidade de recuperação de enxofre (URE), UMTBE, GV5602 e periféricos da U5600, no âmbito da Refinaria Presidente Getúlio Vargas – REPAR, em Araucária – PR, de conformidade com os termos e condições nele estipulados e no Anexo 1 – Especificação dos Serviços. Além disso, não foram encontrados serviços suficientes e preponderantes relacionados à construção civil no Anexo 1 – Especificação dos Serviços (fls. 296/331), constatandose, definitivamente, que os serviços contratados se tratavam de serviços destinados à manutenção de estruturas, bem como identificado à fl. 332, no resumo dos serviços, aos quais se analisa trechos do Anexo 1, adiante. Conforme se vê à fl. 297, os materiais fornecidos pela recorrente são retirados após a prestação dos serviços de manutenção, consoante consta em contrato, conforme abaixo: Fl. 416DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Fornecer a quantidade de 15.000 metros lineares de material de andaime conforme características identificadas na tabela abaixo e executar a montagem e desmontagem de andaimes a partir de tubos, braçadeiras, luvas, escadas de acesso, sapatas, placas de sinalização e rodapés, para o período de préparada, parada e pósparada das unidades GV5602 (gerador de vapor); UMTBE (Unidade Metiltercbutiléter); URE (Unidade de Recuperação de Enxofre), que são o escopo da Parada Programada na UN Repar. (grifo não original) Salvo pontuais exceções, os contratos previam que o tomador dos serviços forneceria os materiais que se incorporariam de fato à estrutura, conforme fl. 304, adiante: Após a execução do ensaio ÍRIS, será definida a necessidade ou não da retubulação do feixe deste permutador de calor. Caso necessário, a CONTRATADA deverá efetuar a retubulação do feixe, com reaproveitamento das chicanas, tirantes e espelhos, os tubos serão fornecidos pela PETROBRÁS. (grifo não original) De outro lado, a recorrida é responsável principalmente por materiais relacionados à testes e acessos aos serviços, conforme exemplo descrito na fl. 309 e fl. 328, nesta ordem abaixo: Efetuar teste hidrostático com pressão de 4,50kgf/cm2. Todos os recursos necessários à completa execução dos trabalhos deverão ser fornecidos pela CONTRATADA. (...) A CONTRATADA deverá fornecer todos os gases (acetileno, oxigênio e argônio) com as respectivas garrafas, necessários à execução dos serviços; Ainda, resta claro, contratualmente, que os materiais diversos fornecidos pela recorrente referemse à manutenção, sendo itens que se incorporam por conta da tomadora de serviços (Petrobrás), conforme fl. 328: Fornecer todo o material de consumo geral, tais como: Estopa, solvente, graxas, lixas, trapos, discos abrasivos, lâmpadas de 110V e 24V, fusíveis, escovas de aço, lonas plásticas ou encerados, conectores, resistências, madeirit, coberturas, etc, exceto os materiais previstos como fornecimento da Petrobrás; E mais. Os serviços de pintura, que podem tratados como prestação de serviços de construção civil (considerados como reforma), eram realizados pela recorrente. Contudo, cabia à tomadora dos serviços o fornecimento dos materiais que se incorporam à obra, conforme estipulação de fl. 323: Para atendimento aos serviços de manutenção de pintura, a CONTRATADA deverá manter uma equipe de 01 supervisor e 4 pintores em turno diurno durante a execução dos serviços de préparada, parada e pós parada. Devendo esta equipe realizar trabalhos de preparação de superfície para pintura e aplicação de tinta de fundo e acabamento conforme definição da Fiscalização e recomendação do Setor de Inspeção de Equipamentos. Materiais de aplicação, como tintas e solventes, são de fornecimento da Petrobrás, os demais materiais de consumo e equipamentos necessários à execução dos trabalhos deverão ser fornecidos pela CONTRATADA. Entendese por Fl. 417DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.723646/201284 Acórdão n.º 1302001.201 S1C3T2 Fl. 415 7 material de consumo: solvente para limpeza, pincéis, trinchas, rolos, lixas, trapos, entre outros. (grifo não original) Mais evidente é o item “Materiais de Aplicação”, constante na fl. 329, quando trata do fornecimento dos materiais. Os itens que se incorporam à estrutura são de responsabilidade da Petrobrás, conforme abaixo: A PETROBRÁS fornecerá todo o material de aplicação necessário à execução dos serviços tais como: juntas, porcas, parafusos, tubos, chapas, componentes, tintas, materiais de isolamento térmico, salvo quando especificados neste anexo como sendo de responsabilidade da CONTRATADA. A recorrente, ao se referir a tais manutenções, enquadrouas como sendo manutenções em bens imóveis (fls. 390/397) pelo fato de serem estruturas ligadas ao solo, ou seja, caracterizou tais manutenções como sendo reforma em imóveis. O fato é que tais manutenções são realizadas em instalações industriais, máquinas e equipamentos. Não se tratam de reformas com materiais que se incorporam à estrutura, pois as estruturas onde são prestados os serviços realizam processos de transformação de energia para a realização de atividades, como, por exemplo, a unidade de recuperação de enxofre (URE), onde são realizados tratamentos químicos no enxofre. Dessa maneira, não há que se falar em reforma de bens imóveis, mas sim manutenção de instalações industriais, máquinas e equipamentos. Além disso, o razão contábil e as notas fiscais de compra de materiais (fls. 348/356) comprovam que eram feitas manutenção em máquinas e equipamentos, com produtos como, por exemplo, materiais para solda (eletrodos e varetas), abrasivos, cilindros de oxigênio, entre outros. Outro aspecto a ser mencionado referese aos serviços de suporte para a prestação de serviço. Sobre o tema, a recorrente relatou no recurso voluntário que realizou montagem e instalações de iluminação, alimentação elétrica, instalações hidráulicas, entre outros. Nesses casos, não há os serviços de construção civil, mas sim o suporte para a realização dos serviços de manutenção, como pode ser observado no resumo dos serviços realizados (fl. 332). Ainda, a descrição da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) referente ao contrato em questão (fl. 113) demonstra claramente as informações de manutenção: Tipo de Contrato Prestação de serviços Ativ. Técnica Operação e/ou manutenção de equipamentos e instalações Área de Comp. Instalações industriais Tipo Obra/Serv. Manutenção industrial mecânica Serviços Contratados Execução; manutenção/conservação/reparação Dessa forma, compartilho da opinião conclusiva da DRJ (fl. 373), quando sintetiza a análise dos documentos: Fl. 418DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Fica também ali explicitado que os materiais necessários à execução dos serviços a serem incorporados no imóvel eram também de responsabilidade da Petrobrás, sendo o fornecimento destes pela impugnante exceção e não regra. Isso é mais demonstrativo de que a atividade da contribuinte era de prestar serviço e não de realizar obra de construção civil com fornecimento total de materiais. Portanto, relativamente ao contrato analisado, afirmase que o escopo principal da atividade da recorrente é o de manutenção da estrutura especificada, mesmo que em pontuais exceções exerceramse atividades que poderiam ser caracterizadas como sendo de construção civil. 2. Da prestação de serviços por empreitada: Fornecimento de materiais Para que seja aplicada a presunção de 8% para cálculo do IRPJ no lucro presumido, fazse necessário que a atividade de construção civil por empreitada seja realizada com o fornecimento de materiais necessários à consecução do projeto. O fornecimento de materiais é imprescindível para diferenciar uma prestação de serviços com utilização exclusiva de mãodeobra, o que acarretaria em um valor agregado maior (até por isso o percentual de presunção é maior, de 32%), de uma prestação de serviços com fornecimento de materiais. A mãodeobra com fornecimento de materiais possui, via de regra, um lucro menor, justamente pelo montante global cobrado estar incluído boa parte do custo com o material utilizado e incorporado à obra. Portanto, é importante que este material seja incorporado à obra, como tijolo, cimento, tinta, estrutura metálica, etc., não sendo apenas acessório para o cumprimento do serviço contratado. Com base nas informações levantadas no item anterior, não há razão para se discutir o emprego de materiais na prestação de serviços por empreitada, haja vista que as atividades exercidas não são caracterizadas como de construção civil, mas sim de manutenção. Ainda, os materiais utilizados não se caracterizam como sendo inerentes à construção civil e que se incorporam ao imóvel construído/reformado. 3. Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de voluntário interposto, mantendo integralmente o crédito tributário lançado, conforme previsto na decisão proferida pela DRJ no Acórdão de Impugnação, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO – Relator. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10882.903359/2008-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS.
Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitá-los por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS. Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitálos por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 59 /2 00 8- 71 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903359/200871 Acórdão n.º 9303002.511 CSRFT3 Fl. 163 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A ora Recorrente, irresignada com a decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, com ementa dotada dos seguintes termos, NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do decretolei nº 288/67. (grifado) interpõe Recurso Especial, com exame de admissibilidade favorável nº 3400 00.143, sob os argumentos de que tal decisão não pode ser mantida em razão da existência de julgados contrários ao entendimento articulado, no sentido de ser possível a utilização de crédito de PIS e COFINS após o anocalendário de 2000 e, inclusive, que determinam à DRF de origem realizar diligências para comprovar a veracidade do crédito. Reverbera também a impertinência do prejuízo decorrente do fato de despacho eletrônico que não cuidou de averiguar a existência ou não de crédito nas operações com empresas da ZFM/ALC mesmo tendo ela apresentado documentação contábil idônea com informes do conteúdo de notas fiscais comprovadoras da operação de comercialização de produtos. Indica como relevante que o “procedimento de PER/DCOMP não é suficiente para demonstrar o crédito tributário, e, justamente para isso, é que se aguarda a instauração de processo administrativo tributário.” Continua elencando os seguintes aspectos: “incabível a restrição do crédito com base na Medida Provisória nº 2.15835/2001, tendo em vista que todas as remessas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação, sendo patente a isenção da operação tributário quanto as contribuição de PIS e COFINS; o entendimento do Douto Relator, e acolhido por sua maioria na Douta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, não pode ser Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903359/200871 Acórdão n.º 9303002.511 CSRFT3 Fl. 164 3 ratificado por não ter respaldo com o ordenamento jurídico e com o que vem sendo decidido por este Egrégio Conselho. Ou seja, não é imbróglio da Recorrente a alegação de ter direito a compensar o crédito de PIS e COFINS, pois as compradoras de seus produtos se localizavam na ZFM, logo é pertinente a aplicação da isenção da não – incidência desta contribuição, em razão da equiparação destas remessas à exportação; após julho de 2004, a legislação expressamente prevê alíquota zero para estas contribuições nas vendas de mercadorias realizadas com pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus por equiparação à exportação; há precariedade no v. acórdão, em razão de não ter respeitado o princípio da busca pela verdade material, tanto é verdade, que aproveita a oportunidade para trazer à baila julgado paradigma que determina a necessidade da DRF fazer diligência para aferir o direito creditório; importante se faz reparar o artigo 1º do Decreto nº 2.346/97, o qual prevê que os atos da Administração Pública devem se pautar pelas orientações dos Tribunais Superiores, o que foi desconsiderado pela DRJ/CPS.” Registra excertos do acórdão recorrido: “Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara a DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, do Parecer nº 1.789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 20000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da Medida Provisória 2.037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, continua o Relator, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 200000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 26 de julho de 2004 afirmou que caberia à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha juntada não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de sue direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha.” Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903359/200871 Acórdão n.º 9303002.511 CSRFT3 Fl. 165 4 Destaca a impropriedade do comportamento da DRJ, uma vez que, pelo princípio da prudência, não determinou diligências para averiguar a ocorrência de remessas aos estabelecimentos localizados na ZFM, e que apesar de confirmar a existência de crédito, o mesmo não restou comprovado pela ora Recorrente, tudo sob o pálio de não considerar pertinente a substituição do contribuinte no que tange a uma instrução probatória. O acórdão recorrido registra que existem casos em que a Administração possa suprir a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte desde que o documento em questão esteja na posse da administração e seja difícil ou impossível apresentação tempestiva pela parte, como por exemplo, nos casos de DARF´s e declarações entregues. Alega que muito embora tais argumentos sejam dignos de consideração, não há como concordar com eles, uma vez que, em nenhum momento, a ora Recorrente foi intimada a apresentar documentos que a Fiscalização entenderia pertinentes para comprovar os créditos declarados nas DCOMP´s. Transcreve excerto do acórdão referente ao Recurso Voluntário nº 145.668, verbis: “Em face do exposto, voto pelo provimento parcial do presente recurso voluntário reconhecendo à recorrente o direito de repetir/compensar os indébitos decorrentes das contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre receitas de vendas de mercadorias efetuadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, no período de 22.12.2000 a 31.12.2003, que comprovadamente foram internalizada naquela zona franca, cabendo a DRF de origem exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados.” Diz que essa decisão demonstra a divergência analítica, fazendo com que este Conselho conviva com opiniões diferentes. Por essas razões, argumenta que o acórdão recorrido deve ser reformado para que o processo baixe em diligência, a fim de que seja intimada a Recorrente para apresentação de toda a documentação para o fim de homologação do crédito pleiteado, até mesmo porque nunca existiu oportunidade para exibição de documentos, uma vez que o crédito tributário foi indeferido por meio de despacho decisório eletrônico. Transcreve vários trechos de acórdãos deste Conselho que contemplam abordagens sobre os princípios da verdade material e da oficialidade. Afirma novamente que o objetivo deste Recurso é a reforma do acórdão recorrido para que sejam homologados todos os pedidos de compensação realizados com créditos de 2000 a 2005. Ainda transcreve parte do acórdão recorrido para provar a existência de entendimento diferente em outra Turma e Câmara da 3ª Seção, verbis: “Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava se referindo, genericamente, às venda à AFM, ou, mais claramente, está ela a dizer Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903359/200871 Acórdão n.º 9303002.511 CSRFT3 Fl. 166 5 que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na AFM não se equipara “a exportação de mercadorias para o exterior” de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior, está simplesmente delimitadolhe o alcance como compete aos parágrafos. Tal reconhecimento deve ficar claro, não implica que após deixar o parágrafo (a partir de 22 de dezembro de 2000) tenha passado a existir a isenção pretendida. Para que isenção haja, já o disse, é preciso que ato legal a explicite, visto que só o decretolei 288 não basta. Mas tampouco há isenção apena porque a compradora lá esteja. Nos recursos ora em exame que abrangem aquele período, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante nos acórdãos que o analisam de que “haveria direito” no período de 22 de dezembro de 20000 a 25 de julho de 2004, mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há direito na forma requerida.” Destaca que a equiparação à exportação dos atos de comércio praticados com a Zona Franca de Manaus impede a existência do acórdão recorrido. Rechaça a alegação de imbróglio feita no Recurso Voluntário, uma vez que o mesmo registrou a existência de direito creditório no período após 2000. Transcreve ainda excertos do acórdão paradigma nº 330100.311, confirmando a tese da ora Recorrente, verbis: “ As receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços e/ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ou industrialização, realizadas até a data de 21.12.2000 estavam sujeitas à Cofins, tornandose isenta dessa contribuição somente a partir de 22.12.2000. REPETIÇÃO. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO As contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, referente ao período de 22.12.2000 a 31.12.2001, constituem indébitos tributários passíveis de restituição e/ou compensação, cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do crédito financeiro apurado.” Alega que essa decisão fornece suporte para justificar a procedências de suas razões uma vez que a partir de 22.12.2000 foram consideradas isentas as remessas para estabelecimentos localizados na ZFM, referentemente as contribuições para o PIS e COFINS. Tece considerações sobre o posicionamento hierárquico da Lei nº 5.172/66 (CTN) como lei complementar e acrescenta que qualquer alteração em seu conteúdo somente será plausível se acontecer por via de norma situada no mesmo nível do CTN, como é o caso do Ato Complementar nº 35/67 – publicado na mesma data do DecretoLei nº 288/67 – cujo § 2º, inciso II, do art. 7º assim preleciona: “§ 2º Para os efeitos de aplicação do disposto neste artigo, além da mercadoria objeto de operação de exportação, considerase destinada ao exterior a remetida: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903359/200871 Acórdão n.º 9303002.511 CSRFT3 Fl. 167 6 II – aos armazéns gerais alfandegados, entrepostos aduaneiros e zonas francas; Assim, argumenta que nenhuma lei ordinária ou ato administrativo do Poder Executivo poderá alterar uma lei complementar. Considera que o conteúdo do art. 7º do Ato Complementar nº 35/67 destina se às exportações porque, confirmando a imunidade nas exportações para o antigo ICM, conforme já previa o § 5º, do art. 24, da Constituição de 1967, estende a mesma imunidade nas exportações para o IPI e insere no mundo jurídico uma nova situação quando concede tratamento fiscal igualitário a exportação para as remessas de mercadorias para as zonas francas. Transcreve excerto do voto do Ministro Sepúlveda Pertence em Medida Cautelar concedida na ADin nº 3101 (DJ 16.04.1993), verbis: “A plausibilidade da arguição suscitada faz relevante a questão constitucional proposta. Certo, ao esforço de demonstração da invalidade nas normas questionadas, fezse necessário seu cotejo com preceitos subconstitucionais: em particular, o artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 (...), e o artigo 49 do mesmo diploma (...); o art. 5º da Lei Complementar nº 4/69, que manteve em vigor, dandolhe hierarquia complementar, o referido artigo 4º, do DL 288/67”. Conclui enfatizando que todas as vendas para empresas situadas n Zona Franca de Manaus caracterizam exportações para fins fiscais e devem ter o mesmo tratamento tributário na conformidade do entendimento dos Tribunais Superiores, e registra – entre outras – algumas considerações finais: “È dever da Administração Pública perquirir, aferir, buscar a verdade material, ou seja, deve a Fiscalização exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados. Deste modo, a Recorrente acredita que este entendimento é o mais adequado ao caso em comento do que o exposto no v. acórdão vergastado, isto porque, a Recorrente não pode ter o seu direito tolhido, tão somente, porque em nenhum momento foi intimada a apresentar documentação. (...) As planilhas juntadas são documentos idôneos até prova em contrário, desta feita, é necessário que esta Colenda Câmara reforme o v. acórdão guerreado, a fim de que seja concedido à Recorrente utilizarse de seu crédito para compensálo com os débitos pretendidos;” Por fim articula os pedidos: “ a) seja reconhecido integralmente o crédito tributário, pois a partir de 22.12.2000 ficou expressamente determinado que não incidiria PIS e COFINS, pois tais receitas não devem ter incidência de tais contribuições pois as remessas a ZFM são equiparadas a exportação; Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903359/200871 Acórdão n.º 9303002.511 CSRFT3 Fl. 168 7 (...) d) com supedêneo no v. acórdão paradigmático, seja determinada diligências no processo administrativo para que a fiscalização efetivamente investigue a existência do crédito tributário, por meio da documentação juntada aos autos e por meio de outros documentos fiscais e contábeis necessários para formar a sua convicção.” Contrarrazões articuladas pela Fazenda Nacional inicia por dizer que a pretensão da Contribuinte para que a fiscalização produza as provas que a ela caberia realizar é improcedente, em razão do que preleciona o art. 333 do CPC que incumbe o ônus da prova ao autor. Afirma que esse dispositivo aplicado ao contexto da compensação tributária confirma a atribuição do contribuinte quanto à produção de prova da certeza e liquidez do crédito que alega ter perante o Fisco, cabendo a este último, uma vez provado o crédito se não homologálo, provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele. Continua alegando que no campo da compensação deve o contribuinte provar a existência de crédito líquido e certo declarado e que, quando não se desincumbe da efetivação dessa prova, fica impedido por direito de exigir que a autoridade fiscal demonstre qualquer elemento contrário à pretensão. Oferece lição da jurista Fabiana Del Padre Tomé, sobre o ônus da prova no processo administrativo fiscal, verbis: “O direito à produção probatória decorre da liberdade que tem a parte de argumentar e demonstrar a veracidade de suas alegações, objetivando convencer o julgador. Visto por outro ângulo, o direito à prova implica a existência de ônus segundo o qual determinado sujeito do processo tem a incumbência de comprovar os fatos por ele alegados, sob pena de não o fazendo, ver frustrada a pretendida aplicação do direito material. Desse modo, a prova dos fatos constitutivos cabe a quem pretenda o nascimento da relação jurídica, enquanto a dos extintivos, impeditivos ou modificativos compete a quem os alega.” Insiste declarando que qualquer exceção à regra geral deve constar em texto de lei, como, por exemplo, presente no Direito do Consumidor, não cabendo à autoridade julgadora promovêla com base em juízo de equidade. Oferece destaque ao fato de somente com o oferecimento de manifestação de inconformidade, instauradora do litígio, é que a Administração terá oportunidade de conhecer os motivos do contribuinte, examinálos e homologar ou não a compensação comunicada e, se nela não se encontrarem presentes as provas que caberia apresentar, sem dúvidas, não será possível reconhecer qualquer nulidade de decisão desconhecendo o direito creditório pretendido. Discorre sobre a legislação que cuida do PIS e da COFINS relativamente à exportação para o exterior para defender a inexistência da isenção pretendida pela ora Recorrente e menciona o art. 2º da Lei nº 10.996/2004, que reduziu a 0 (zero) as alíquotas das Contribuição ao PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903359/200871 Acórdão n.º 9303002.511 CSRFT3 Fl. 169 8 ao consumo ou à industrialização na ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora desse ambiente, para argumentar que se antes existisse isenção, não haveria necessidade de novo instrumento normativo para instituíla. Alega também que as principais normas isencionais existentes são as do art. 150 da Constituição e dos arts. 111, 176 e 177 do CTN, que se fundamentam no princípio de ser a isenção uma exceção feita expressamente à regra jurídica de tributação, tornando, por essa razão, interpretação muito restritiva e, portanto, somente diante de hipóteses clara e explicitamente consagradas pelo legislador é que o favor tributário da isenção se materializa. Para tanto, transcreve diversos precedentes judiciais sobre a exigência de interpretação literal e restritiva da norma isencional. Discorre ainda sobre a ausência de norma isentiva para o tema ora em discussão e rebate a pretensão do que denominou de isenção indireta, porque não prevista em lei e, portanto, não se coadunando com as características do instituto tributário, tal como fixadas pela ordem jurídica em vigor. Chama a baila o fato de que as contribuições para a seguridade social não podem ser, in casu, isencionadas, sob pena de afronta ao art. 195 da CF/88 que determina ser ela financiada por toda a sociedade e transcreve excerto do Informativo STF nº 155. Rebate a possibilidade de aplicação do DecretoLei nº 288/67 ao presente caso, uma vez que o seu artigo 4º é claro ao afirmar que os efeitos fiscais à vista dos quais estabelece a equiparação das vendas à ZFM à exportação para o estrangeiro, são, exclusivamente, aqueles vigentes à época da edição dessa norma. Por conseguinte, continua, como na data do DecretoLei não existia isenção da COFINS e do PIS porque não insculpidos no mundo jurídico, não é plausível pretender a extensão da isenção a essas Contribuições Sociais, tudo também em homenagem a interpretação restritiva das regras sobre isenção, como já mencionado. Alega também que o art. 177 do CTN veda o alcance da isenção a tributos instituídos posteriormente a concessão, salvo disposição de lei em contrário. Transcreve lição da professora Mizabel Derzi, “O CTN não diz expressamente, nem ALIOMAR BALEEIRO ressalta, mas parece evidente que o art. 177 é inteiramente aplicável, com as restrições nele registradas, às isenções incondicionais, concedidas por prazo indeterminado. Essas são inteiramente revogáveis exatamente porque concedidas como favorecimento ou renúncia.” Diz ainda inexistir dúvidas de que o benefício não pode ser estendido às remessas de produtos à ZFM, pelo simples fato de não haver sido contemplado no objetivo da norma e assim, caso se faça a interpretação em sentido contrário estaria este Conselho criando norma isentiva sem supedâneo legal. Conclui pelo afastamento da hipótese de isenção das Contribuições para o PIS e COFINS e, em razão disto, pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903359/200871 Acórdão n.º 9303002.511 CSRFT3 Fl. 170 9 Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. As vertentes do presente litígio a serem examinadas dizem respeito a existência ou não de comprovação pela ora Recorrente dos atos negociais levados a efeito com a Zona Franca de Manaus e se tais atos, quanto ao PIS e a COFINS, estariam contidos na abrangência de isenção. Quanto a primeira vertente, ao compulsar os autos constato, no texto da Manifestação de Inconformidade, que a ora Recorrente apresentou à Secretaria da Receita Federal do Brasil Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não homologado por inexistência de crédito tributário. O Despacho Decisório Eletrônico de não homologação tem o seguinte conteúdo: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” No Recurso Voluntário a ora Recorrente informa que anexou à Manifestação de Inconformidade já mencionada, relação das notas fiscais que compõem o crédito tributário e alega também que se tivesse sido intimada para apresentar outros documentos certamente a glosa da compensação não teria ocorrido. De todos sabido, inicialmente, que a obrigação de provar cabe ao Fisco quando materializa lançamento tributário identificando o fato gerador e o montante do tributo devido. Do mesmo modo, cabe – exclusivamente – ao Contribuinte quando na busca de ser ressarcido por tributo pago indevidamente ou em montante maior do que o devido, ofertar as provas necessárias e suficientes à liquidez e certeza de seus créditos. De primevo, a mim parece que uma simples relação contendo as operações com a ZFM representadas por números de notas fiscais, com CNPJ´s e Inscrição Estadual e ainda o crédito apurado, não substitui a prova da internalização dos produtos, nem as cópias de balancetes, livros diário e razão, onde as receitas de vendas estratificariam, sem dúvidas, a confirmação das operações efetivadas. O julgamento administrativo deve ter como norte o Princípio da Verdade Material. É certo, com isto não se está querendo dizer que o processo administrativo claudicará quando o dever de provar cabível ao Contribuinte não for exercitado. De todos sabido que as declarações de compensação não comportam espaço para as provas do Contribuinte relativamente a seus créditos, somente é possível o Fl. 170DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903359/200871 Acórdão n.º 9303002.511 CSRFT3 Fl. 171 10 conhecimento pelo Fisco relativamente ao fato de existir ou não, débitos. A partir daí, do levantamento da conta corrente do Contribuinte, a administração pode examinar o conteúdo do direito pleiteado seguindo as normas de regência. In casu, não havia registro de créditos disponíveis no ambiente da Administração. Por outro lado, espaço suficiente houve nos autos para produção de informações elucidativas quanto à internação dos produtos na ZFM pela ora Recorrente, principalmente a partir da oferta feita por ela da Manifestação de Inconformidade provocada pela não homologação de seus créditos. Não localizei ferimento aos princípios do contraditório e da ampla defesa neste processo, até mesmo porque inocorreu restrição à produção de provas. Mesmo que o instituto da preclusão quanto à juntada de documentos tenha que ser respeitado quando o sujeito passivo não protestar na impugnação ou manifestação de inconformidade, pela juntada posterior e nem apresentar justificativa legal para tanto, exceção poderá ocorrer na presença de força maior ou argumentos supervenientes, aspectos esses não produzidos nos autos. Indo agora para a vertente segunda de que as vendas para a ZFM se equiparam à exportação para o estrangeiro, para mim indiscutível que as receitas decorrentes de exportação não têm incidência das contribuições sociais de intervenção no domínio econômico de que trata o art. 149 da CF/88, uma vez que, observandose as regras estatuídas pelo art. 7º da LC 70/91 e pelo art. 5º da Lei nº 10.637, concluise que as vendas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações, conforme pacificação jurisprudencial do E. STJ a exemplo do Ag 1.295.452/DF, REsp. 817.847 SC, REsp.653.975/RS, entre outras. Portanto, não vislumbro procedência em se considerar as operações de vendas exclusivamente vinculadas ao que prelecionam os incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037, constatando se a atividade da empresa compradora tem inscrição no Registro Especial Brasileiro para embarcações; seja comercial exportadora inscrita na SECEX; seja trading company ou ship´s Chandler, ao contrário, inclinome aos que entendem que toda e qualquer empresa que efetue vendas para a ZFM estará efetuando exportação. De outra banda, filiome ao entendimento do Ministro Teori Albino Zavascki quando do REsp. 1084.380/RS, em 29.03.09, pontuou: “Nos termos do art. 40 do ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comercio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por 25 ano, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a ZAFM destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto Lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na ZFM, ou reexportação pra o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º so SL Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903359/200871 Acórdão n.º 9303002.511 CSRFT3 Fl. 172 11 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a ZFM são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à ZF. O DL 288/67 é originalmente um decretolei, porém está sendo considerado pelos doutrinadores após a EC 1/69 como tendo eficácia de lei complementar uma vez que cuida de matéria tributária que atinge todos os entes federativos. Foi, portanto, esse dispositivo recepcionado pela Constituição de 1988 e constitucionalizados seus dispositivos, atingindo efeitos até 2013 e tendo seus comandos elastecidos pela EC 42/66 até 2023. Para os que argumentam que somente os tributos existentes na época da edição do DL 288/67 aproveitariam a isenção, vem a Medida Cautelar em ADI 23489, não acatando tal argumento, determinando que novos tributos encontravamse abrangidos pelo artigo 40 do ADCT que foi criado para tornar diferenciado o ambiente jurídico da ZFM e teve seu prazo de vigência alterado pela EC 42 até 2023. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto em face de não terem sido processadas as necessárias comprovações relativas ao crédito pretendido pela Recorrente. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Declaração de Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres A presente declaração de voto fazse necessária em razão de haver concordância no resultado do julgamento, mas divergências inconciliáveis nas razões de decidir. A teor do relatado, duas sãos as questões trazidas a debate: a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, que a recorrente defende estar amparada por isenção fiscal. Inicialmente, deve ser enfrentada a questão referente ao ônus da prova. A recorrente defende em seu especial que o Fisco não envidou todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903359/200871 Acórdão n.º 9303002.511 CSRFT3 Fl. 173 12 ou não do direito do crédito pleiteado pela Recorrente. Ainda segundo a defesa, é certo o dever da Fiscalização, da DRJ diligenciar para requerer toda documentação necessária, a fim de buscar a realidade dos fatos e, se o caso, decidir em prol da Recorrente. Esta questão de a quem pertence o ônus da prova é muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o Fl. 173DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903359/200871 Acórdão n.º 9303002.511 CSRFT3 Fl. 174 13 convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos: “Não considero caber à Administração a instrução probatória em substituição ao contribuinte nem é isso o que esta Casa tem reconhecido, como postula o recurso. Realmente, há decisões que determinam que a Administração supra a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte. Mas tal entendimento não tem o alcance pretendido na defesa. Limitase ele aos casos em que o próprio documento já esteja de posse da administração e tenha sido difícil ou impossível à parte sua apresentação tempestiva. Isso se dá, por exemplo, com documentos tais como DARF e declarações entregues. Nesses termos, descabível indeferir uma compensação que aponte com clareza o recolhimento indevido (data, código de recolhimento) simplesmente porque a empresa não tenha juntado sua cópia nos autos, o mesmo se passando com a DCTF ou a DIPJ comprovadamente entregues. Aqui, diferentemente, o que se tem é a necessidade, no entender da instância de piso, de apurar se as vendas alegadas se enquadram nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037. Tal apuração passa pela constatação da atividade da empresa compradora e dos requisitos postos na legislação: inscrição no REB, ser comercial exportadora inscrita na SECEX, ser trading company ou ser ship’s Chandler. Nenhum deles se encontra expresso em qualquer documento interno em posse da SRF. Por fim, quanto ao período em que, sem qualquer condição, não deveria ter sido recolhido PIS nem COFINS sobre tais vendas – a partir de julho de 2004 – a empresa nada juntou nos autos que comprovasse as vendas alegadas. O recurso alega que a DRJ estaria obrigada, ainda assim, a promover as diligências que pudessem permitir a ela, recorrente, apresentar suas provas. Não está. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903359/200871 Acórdão n.º 9303002.511 CSRFT3 Fl. 175 14 De fato, ausente por completo a prova quando primeiramente se defende a empresa, o máximo que temos admitido é a apresentação da mesma em grau de recurso. Notese que, ao fazêlo, ultrapassase a letra fria do decreto 70.235 que a exige, impreterivelmente no momento da apresentação da “impugnação”. Só o fazemos, pois, em respeito ao princípio da verdade material, quando o elemento probante trazido extemporaneamente tem a força de desconstituir lançamento que houver sido mantido pela sua ausência. Do contrário, estarseia a afrontar o princípio constitucional da legalidade. Novamente não é o que se passa aqui. A empresa não aproveitou a oportunidade de coligir e apresentar a prova faltante. Pelo contrário, limitase a postular que a decisão seria nula porque não determinara a DRJ as diligências que a poderiam provar. Ocorre que as diligências previstas no Decreto 70.235 a isso não se destinam. Deveras, elas objetivam apenas permitir a formação da convicção do julgador quando os elementos presentes nos autos não sejam suficientes. Nesse sentido, houvesse a empresa trazido aos autos alguma “prova”, a exemplo da planilha elaborada para o outro período, que constituísse ao menos indício de que as vendas realmente ocorreram, justificarseia um exame mais detalhado. Como já dito, neste último período nada há. Rejeito, por isso, as alegações de nulidade contra a decisão atacada e passo ao mérito.” Diante de todo o exposto, entendo ser totalmente descabida a pretensão da recorrente no sentido de se baixar os autos ao órgão de origem, com a determinação de que a Fiscalização seja instada a apontar, pormenorizadamente, quais documentos a demandante deveria apresentar para provar o seu direito. A ausência da prova do direito alegado, por si só, autoriza o indeferimento da pretensão da recorrente, e por conseguinte, torna prejudicada a análise do mérito do direito pleiteado. Em relação à isenção da contribuição sobre as remessas para a ZFM, essa matéria sequer poderia ser enfrentada por este colegiado, haja vista que não houve prova de tais remessas. Todavia, como o relator enfrentou a matéria – isenção das contribuições nas vendas para a Zona Franca Manaus – trazendo argumentos com os quais não posso concordar, passo a expor o meu posicionamento sobre o tema. Inicialmente verificase que o sujeito passivo defende a isenção sob alegação de que tais vendas equivaleriam, para todos os efeitos, à exportação para exterior; de outro, a Fazenda Nacional entende que tais receitas devem compor a base de cálculo dessas contribuições, como determina a legislação de regência desses tributos. A meu sentir, razão não assiste à recorrente, pois a pretendida isenção, veiculada no DecretoLei nº 288/1967, não poderia alcançar os tributos ora em análise, posto Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903359/200871 Acórdão n.º 9303002.511 CSRFT3 Fl. 176 15 que, norma inserta no CTN, mais precisamente no inciso II do 1art. 177, veda, expressamente, a extensão de isenções a tributos instituídos posteriormente à sua concessão, o que é, absolutamente, o caso dos autos. Demais disso, o caput do art. 176 do CTN exige que a lei concessiva de isenção especifique quais os tributos a que se aplica, e sendo o caso, o prazo de sua duração. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Ora, por razões óbvias, o citado decretolei não poderia fazer referência a essas contribuições, visto que elas ainda não existiam à data da edição desse ato legal. Aliás, à época dos fatos objeto destes autos, não havia qualquer dispositivo legal concedendo isenção ou exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins no tocante às receitas de vendas para adquirentes situados na Zona Franca de Manaus. Desta feita, não há como conceder o benefício pleiteado. Observese, por oportuno que a regra é a incidência dessas contribuições sobre todas as receitas componentes do faturamento das pessoas jurídicas, sendo exceção a não incidência, exclusões de base de cálculo ou isenções. Demais disso, como é de sabença geral, as exceções devem vir expressa na lei, e nenhuma lei, até a data dos fatos, dispôs sobre qualquer isenção ou exclusão dessas receitas da base de cálculo das contribuições em foco. Essas as razões pelas quais nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres 1 Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I .................................................................. II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 15504.018257/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005
DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício.
DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO. AUTUAÇÃO PROCEDENTE. APLICAÇÃO DE MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA.
O fato de a empresa não possuir em seus controles a relação discriminada dos beneficiários e dos valores pagos a título de premiação, torna-se elemento determinante do procedimento adotado pela fiscalização, qual seja a aferição indireta.
Não apresentar documentos solicitados pela fiscalização, em momento oportuno, justifica a lavratura de auto de infração.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Redator(a) Designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira Barros - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005 DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO. AUTUAÇÃO PROCEDENTE. APLICAÇÃO DE MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. O fato de a empresa não possuir em seus controles a relação discriminada dos beneficiários e dos valores pagos a título de premiação, tornase elemento determinante do procedimento adotado pela fiscalização, qual seja a aferição indireta. Não apresentar documentos solicitados pela fiscalização, em momento oportuno, justifica a lavratura de auto de infração. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 82 57 /2 00 9- 61 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Redator(a) Designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.018257/200961 Acórdão n.º 2301003.093 S2C3T1 Fl. 226 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo Banco BMG S.A. em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada e que manteve o crédito tributário referente ao período de 01/06/2004 a 31/12/2005. 2. Conforme consta no relatório fiscal ff. 122/128, o auto de infração 37.238.2673 foi lavrado por descumprimento de obrigação principal, tendo em vista que a empresa deixou de recolher a contribuição social previdenciária incidente sobre os prêmios pagos aos empregados segurados, nas competências de 06/2004 a 12/2005, correspondente à parte da empresa. Transcrevo abaixo parte do referido relatório: “1 Este Relatório é integrante do Auto de Infração AI DEBCAD N° 37.238.2673 de contribuições devidas a Seguridade Social, pela empresa autuada, na qualidade de sujeito passivo da contribuição social prevista no artigo 195, inciso I da Constituição Federal, correspondente à parte da empresa, inclusive o RAT (Riscos Ambientais de Trabalho) incidente sobre valor de premiação paga a empregados. 1.1 A empresa tem como objetivo social a prática de todas as operações ativas, passivas e acessórias permitidas nas normas legais e regulamentares para o funcionamento dos bancos comerciais, dos bancos de investimento, inclusive câmbio, das sociedades de crédito, financiamento e investimento, das sociedades de arrendamento mercantil e das sociedades de crédito imobiliário (5a Região) através das respectivas carteiras.” 3. A empresa, após ter sido devidamente intimada (f. 140), impugnou o lançamento tempestivamente às ff. 135/155. Ao analisar os argumentos trazidos na peça impugnatória, a primeira instância administrativa, à f. 225, remeteu os autos ao auditor fiscal responsável pelo lançamento a fim de que emitisse Relatório Fiscal Complementar, com a respectiva reabertura do prazo para a defesa, uma vez que não houve a citação da Lei 8.212, de 1991, artigo 33, parágrafos 3º e 6º, fundamento legal que autoriza o arbitramento. 4. Dessa feita, a complementação do relatório foi oferecida pelo agente fazendário (ff. 227 e 228), oportunidade em que apresentou o respaldo legal necessário para o lançamento, como consta no ponto 2.1 do mesmo. 5. A empresa foi novamente intimada (f. 241) e protocolizou impugnação tempestivamente às ff. 232/262. Após o exame das peças, a instância a quo julgou parcialmente procedentes os pedidos da empresa e manteve em parte o crédito tributário. A decisão restou ementada às ff. 302/311, nos seguintes termos: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A regra da decadência é a prevista no Código Tributário Nacional. Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. A verga paga pela empresa aos segurados por meio de programa de incentivo, administrado por intermédio de empresas de premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” 6. Irresignada, a empresa interpôs tempestivamente o recurso voluntário às ff. 321/343, no qual aduz, em síntese: Preliminarmente, : a) pugna pela aplicação do artigo 150, § 4º do CTN para declarar decaídos os créditos tributários das competências de 06/2004 a 10/2005, tendo em vista que considera que o lançamento se deu de forma válida, apenas em 18/10/2010, com o recebimento da notificação do Relatório Fiscal Complementar; b) alega ainda que devese aplicar o artigo 150, § 4º pois não houve ausência de recolhimento e somente a arrecadação a menor; c) no mérito, sustenta que não se pode exigir crédito tributário por presunção, como o fez o auditor fiscal ao considerar a totalidade dos valores pagos à empresa SIM Incentive Markeing Ltda, sem afastar o que foi pago a título de remuneração da mesma. O fato de a Recorrente não ter em seus controles a relação discriminada dos supostos beneficiários, não enseja a possibilidade do lançamento ser auferido indiretamente; Fl. 232DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.018257/200961 Acórdão n.º 2301003.093 S2C3T1 Fl. 227 5 d) o prêmio concedido não possui natureza salarial o que afasta o disposto no inciso I do artigo 22, da Lei 8.212, de 1991, para incidência da contribuição social previdenciária; e) entende que o Fisco deveria ter diligenciado junto à empresa responsável pelo programa de incentivo (SIM incentive marketing) ao invés de ter aferido indiretamente o débito, com base nos pagamentos efetuados a empresa de marketing; g) busca a aplicação da lei mais benéfica, artigo 79, I, da Lei 11.941, de 2009, que seria a multa de mora limitada a 20%, conforme artigos 35, da Lei 82.212, de 1991 e art. 61, da Lei 9.430, de 1996. 7. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados a este Conselho para exame e julgamento desta matéria em sede recursal. Voto Vencido Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA 2. Em sede de preliminar, é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pelo contribuinte. 3. A primeira instância administrativa considerou que “não houve antecipação do pagamento do tributo lançado, pois o sujeito passivo sequer reconhecia a base de cálculo ora apurada como salário de contribuição” e assim, como regra decadencial aplicou o art. 173, inciso I do CTN. 4. Sobre essa questão, cumpre ressaltar que, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “(...) Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de Fl. 233DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.” ............................................................. “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” 5. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 6. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 7. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.018257/200961 Acórdão n.º 2301003.093 S2C3T1 Fl. 228 7 8. Acerca das regras de verificação da decadência, frisese, posto que importante, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no seguinte sentido: “(...) 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Fl. 235DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199) (...) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 9. Compulsando os autos, depreendese do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal (f. 16), que foram analisados os seguintes documentos: Folhas de pagamento, Guia de Recolhimento do FGTS (GFIP) e outros elementos. Reconhecese, portanto, que houve o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias, considerando a totalidade das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamentos da empresa. Assim, tenho como certo que deva ser aplicada a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. 10. Ressaltese que no presente caso, houve a lavratura de Relatório Fiscal Complementar em 18/10/10, assim considerase essa a data definitiva do lançamento fiscal, fato já reconhecido pelo colegiado a quo. 11. Dessa forma, tendo em vista que a recorrente foi cientificada do Relatório Fiscal Complementar em 18/10/10, referente às contribuições do período de 01/06/2004 a 31/12/2005 ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências 06/2004 a 10/2005, restando mantidas somente as competências 11/2005 e 12/2005. 12. Na sequência, considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DO LANÇAMENTO 13. Como bem relata o relatório fiscal no item 2.1.4 (f. 196) os elementos que serviram de base para o levantamento fiscal do débito foram as notas e faturas de serviços, emitidas pela empresa SIM Incentive Marketing Ltda, apresentadas pelo próprio sujeito passivo, as quais foram confrontadas com os lançamentos contábeis do período. 14. Isso por que, apesar da fiscalização ter requerido a apresentação da “relação discriminando os valores pagos, por segurado e competência, relativos às notas fiscais emitidas pela SIM Incentive Marketing LTDA”, conforme consta no Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), ff. 13/14 a recorrente não atendeu ao solicitado e por consequência o auditor fiscal aferiu indiretamente o valor do débito, nos termos da Lei 8.212/91, artigo 33, §3º, conforme relatório fiscal complementar f. 227. 15. Dessa forma, o fato de a empresa não possuir em seus controles a relação discriminada dos beneficiários e dos valores pagos a título de premiação, tornouse elemento determinante do procedimento adotado pela fiscalização, qual seja a aferição indireta. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.018257/200961 Acórdão n.º 2301003.093 S2C3T1 Fl. 229 9 16. Ainda sobre esse aspecto a recorrente aduz em seu recurso que “o fato de o recorrente não ter em seus controles a relação discriminada dos supostos beneficiários das parcelas pagas pela empresa contratada não enseja a possibilidade do lançamento se efetivar via aferição indireta. Ora, o Recorrente não estava obrigado a manter em sua escrita fiscal os documentos solicitados pela Fiscalização, posto que não há a presença dos requisitos que compõem o alicerce normativo da incidência das contribuições previdenciárias (habitualidade e nãoeventualidade)”e sugere que o Fisco deveria ter diligenciado em face da empresa SIM Incentive Marketing, pois a contratada para fazer o pagamento e controle do recebimento do Cartão Prêmio possuía a documentação pertinente. 17. Ocorre que entendo que nesse ponto não merece guarida a alegação da recorrente, uma vez que tendo em vista que os pagamentos de fato eram feitos à empresa de marketing que apenas os repassava para aqueles que fizessem jus ao benefício, a empresa deveria sim manter esse controle de pagamentos e têlos apresentado ao Fisco no momento oportuno. 18. Ressalto ainda que foi dada ao contribuinte a oportunidade de apresentar tais documentos tanto na apresentação da primeira impugnação, quanto na apresentação da segunda, após o relatório complementar e ainda assim a empresa sequer teve a preocupação de requerer os documentos da empresa contratada. 19. Sendo assim, apesar de entender que a incidência de contribuição previdenciária somente seria cabível se comprovado a habitualidade dos pagamentos, retirando a incidência daqueles que respeitarem o limite de dois pagamentos ao ano, por analogia à legislação de regência da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), não vislumbro tal hipótese in casu, tendo em vista que a recorrente não acostou aos autos documentos hábeis que possibilitassem o meu posicionamento nesse sentido. 20. Dessa forma, não acato os argumentos colacionados pela recorrente nesse ponto. DA MULTA APLICADA 21. Sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 22. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 10 nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 23. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 24. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 25. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 26. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para: a) decotar do lançamento o período abrangido pela decadência quinquenal, nos termos do artigo 150, §4º do CTN, qual seja 06/2004 a 10/2005; b) aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, se mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Voto Vencedor Conselheira Bernadete de Oliveira Barros Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.018257/200961 Acórdão n.º 2301003.093 S2C3T1 Fl. 230 11 Permitome divergir do entendimento do Conselheiro Relator, quanto à aplicação do prazo decadencial, pelas razões a seguir expostas. O Relator vota por aplicar a regra contida no art. 150, § 4o, do CTN. De fato, o STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Todavia, no caso em tela, entendo que aplicase a regra contida no art. 173, I, do CTN, , uma vez que não houve recolhimento antecipado da contribuição devida, incidentes sobre as rubricas objeto do lançamento. O referido dispositivo legal, estabelece que: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Entendo, ainda, que o prazo começa a contar a partir da cientificação do sujeito passivo do AI, e não a partir da ciência do Relatório Fiscal Complementar, como quer o Relator. Dessa forma, considerando que a cientificação do AI pelo contribuinte se deu em 26/11/2009 (AR de fls.25) , e o débito se refere ao período de 06/2004 a 12/2005, constata se que não se operara a decadência, pois, a partir de 12/2003, inclusive, a Fazenda Pública encontravase no direito de lançar o crédito tributário. Cumpre esclarecer que, na aplicação da regra contida no art. 173, I, do CTN, para a competência 12/2003, o tributo poderia ter sido recolhido em 01/2004, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2005, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nesse sentido, voto por NEGAR provimento ao recurso, em relação à decadência. É como voto. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 12 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900413/2005-82
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de direito de crédito por ele alegado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de direito de crédito por ele alegado. Recurso Voluntário Negado.
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COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de direito de crédito por ele alegado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 04 13 /2 00 5- 82 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.900413/200582 Acórdão n.º 3802001.951 S3TE02 Fl. 182 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, nos quais não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. A interessada contesta a decisão administrativa alegando que no Despacho Decisório foi considerada a DCOMP retificadora, nº 20686.14246.300309.1.7.04 3304, cujo nº original foi o 07938.12468.150803.1.3.048282, mas que na DCTF do 2º trimestre de 2003 não foi indicada o número da DCOMP retificadora e sim o da DCOMP original. Por isso, solicita a retificação da DCTF do 2º trimestre de 2003 para que conste o nº da DCOMP retificadora.” A DRJ/POA decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil.” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual afirma ter cometido erro na DCTF, o que seria facilmente comprovado por meio de DACON anexado ao recurso e que a DCTF deveria ser retificada de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.900413/200582 Acórdão n.º 3802001.951 S3TE02 Fl. 183 3 A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Com base nisto, a compensação não foi homologado. Os fundamentos legais estão expressos no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foram atendidos o art. 170 do CTN, que autoriza a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo líquidos e certos, e o art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Restaria à contribuinte provar erro na DCTF que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Para tanto, o DACON não é suficiente. Seriam necessários livros e documentos fiscais e contábeis, os quais deveriam ser apresentados junto com a manifestação de inconformidade, tendo em vista que o art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, lei que trata do processo administrativo tributário federal, estabelece que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que fique demonstrada sua impossibilidade por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriores. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou os livros e documentos necessários e suficientes para provar o alegado erro, nem apresentou DCTF retificadora. Aduz que a DCTF deve ser retificada de ofício, o que não é possível, uma vez que, conforme já afirmado, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário e não há provas documentais do alegado erro. Várias decisões proferidas pelo CARF têm assentado a necessidade de que o crédito pleiteado seja dotado de certeza e liquidez e que eventual erro em DCTF deve ser comprovado com demonstrativos e documentos fiscais contábeis. Nesta Turma, são exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.900413/200582 Acórdão n.º 3802001.951 S3TE02 Fl. 184 4 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.900413/200582 Acórdão n.º 3802001.951 S3TE02 Fl. 185 5 Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 1ª Turma Especial desta Seção de Julgamento também assentou a necessidade de comprovação pelo contribuinte da origem do direito de crédito. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, em que foi relator o Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” A 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.900413/200582 Acórdão n.º 3802001.951 S3TE02 Fl. 186 6 “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” Quanto à alegação de que a retificação da DCOMP comprovaria o erro, reproduzo trecho da decisão recorrida que esclarece a questão: “No caso em concreto, a DCOMP retificadora nº 33948.77683.300309.1.7.040031, de fls.62/66, fez o cruzamento da informação do DARF de pagamento da contribuição do mês de fevereiro de 2003 com a DCTF do mesmo mês, pois este foi o mês indicado como origem do crédito para fins de compensação com o débito de maio de 2003, conforme Despacho Decisório de fl.06. Em não havendo direito creditório do mês de fevereiro pleiteado pela contribuinte, a compensação com os débitos de maio de 2003 da contribuição não foram homologadas, sendo exigido os valores indevidamente compensados. O fato da alteração da informação da DCOMP original (05533.89047.150803.1.3.048791) para a DCOMP retificadora (33948.77683.300309.1.7.040031), na DCTF do mês de maio de 2003, onde constam os valores compensados, não altera a conclusão do Despacho Decisório de indeferimento da compensação, pois a DCTF e o DARF do pleito do crédito são de fevereiro de 2003, nos quais a contribuinte não solicita alteração, sendo que a informação da DCOMP na DCTF do mês de maio de 2003 não é utilizada para verificação de créditos.” Pelo exposto, tendo em vista que a contribuinte não comprovou em momento oportuno existência de direito de crédito líquido e certo e também não provou erro na DCTF que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a Fl. 187DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.900413/200582 Acórdão n.º 3802001.951 S3TE02 Fl. 187 7 maior, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 19515.004001/2010-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. LEGALIDADE.
É licita a apuração por aferição indireta do salário-de-contribuição quando a documentação comprobatória é apresentada de forma deficiente, nos termos dos §§ 3º e 6º do artigo 33 da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO.
Pagamentos efetuados a título de participação nos lucros em desacordo com a legislação integram o salário-de-contribuição para fins de incidência de contribuições devidas à Seguridade Social.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. É licita a apuração por aferição indireta do salário-de-contribuição quando a documentação comprobatória é apresentada de forma deficiente, nos termos dos §§ 3º e 6º do artigo 33 da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. Pagamentos efetuados a título de participação nos lucros em desacordo com a legislação integram o salário-de-contribuição para fins de incidência de contribuições devidas à Seguridade Social. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. É licita a apuração por aferição indireta do saláriodecontribuição quando a documentação comprobatória é apresentada de forma deficiente, nos termos dos 3 e 6 do artigo 33 da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. Pagamentos efetuados a título de participação nos lucros em desacordo com a legislação integram o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições devidas à Seguridade Social. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 01 /2 01 0- 31 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004001/201031 Acórdão n.º 2803002.988 S2TE03 Fl. 224 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004001/201031 Acórdão n.º 2803002.988 S2TE03 Fl. 225 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD n 37.255.8453/2010 lavrado contra o contribuinte em epígrafe, relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, da parte dos segurados contribuintes individuais sócios, a título de prólabore, incidentes sobre suas remunerações, não descontadas pela empresa, calculada pela alíquota de 11%, sem o limite máximo do salário de contribuição, por aferição indireta com base no art. 33, 3 e 6 da Lei 8.212/91, de acordo com o relatório fiscal. O Relatório Fiscal, de fls. 68 a 76, informa que: houve encerramento parcial da fiscalização razão pela qual foram emitidos o AI relativo ao IRPJ e reflexos (processo n 19515.003426/201023) e o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal pelos extratos bancários de 2006 foram identificados lançamentos a débito na conta Unibanco Ag. 7335 c/c 1029167, com o histórico PGTO SALÁRIOS , apesar de não haver empregados na empresa, conforme consulta aos dados constantes da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social uma vez que a movimentação financeira não estava escriturada integralmente no Livro Caixa, a empresa foi intimada a apresentar esclarecimentos, tendo informado, conforme declarações anexas, que se tratava de transferências feitas aos sócios a título de distribuição de lucros, não sendo possível, entretanto, a identificação dos valores pagos a cada beneficiário. Estes pagamentos mensais, obtidos através dos extratos bancários, encontramse discriminados no ANEXO 3 LUCROS DISTRIBUÍDOS / PAGAMENTO SALÁRIO (fl.81/82) o contribuinte entregou a DIPJ 2007, ano calendário 2006, com opção de tributação pelo Lucro Presumido, mas com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições no caso de opção pelo lucro presumido, entendese como lucro passível de distribuição o valor deste lucro, diminuído dos impostos e contribuições devidos (IRPJ, CSLL, COFINS, PIS/PASEP). O item 5.1.4.1 apresenta a legislação relativa à distribuição de lucros para as pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro presumido ao comparar o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada, e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários, constatouse que o contribuinte distribuiu lucro acima do valor permitido tendo em vista que o contribuinte não apresentou escrituração contábil, que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, os valores pagos acima deste limite foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais sócios da empresa, a título de prólabore pelo serviço prestado. A tabela do item 5.1.7 do Relatório Fiscal relaciona alguns sócios que constaram das notas fiscais de serviços ou dos Fl. 225DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004001/201031 Acórdão n.º 2803002.988 S2TE03 Fl. 226 4 aditivos de contrato de prestação de serviços apresentados, e que, conseqüentemente, prestaram serviços diante da impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio, e considerandose que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, e que não foram apresentados todos os contratos e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço, as remunerações foram apuradas por aferição indireta, com base no artigo 33, 3 e 6 para a determinação da base de cálculo foi calculado o Lucro Presumido (32%) sobre o total das Receitas Apuradas e deduzidos os tributos correspondentes (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), resultando no total permitido de Lucros a Distribuir. Estes valores foram deduzidos, por trimestre, do total dos lucros distribuídos (valores que constam nos extratos bancários como pagamento de salários), resultando nos Valores Distribuídos a Maior, conforme tabela demonstrativa do item 5.2.2 para determinação da Receita, no encerramento parcial da fiscalização, foi apurada Omissão de Receita através das Notas Fiscais de Prestação de Serviços e a Presunção de Omissão de Receitas decorrentes dos créditos não comprovados do extrato bancário. Estes valores encontramse demonstrados nas planilhas anexas, integrantes do processo n 19515.003426/201023, relativo ao IRPJ e reflexos: Anexo 1 planilha dos créditos justificados e não justificados (fls. 77) Anexo 2 demonstrativo de apuração das infrações (item 1 receitas brutas omitidas e item 2 presunção de omissão de receitas) (fls. 78/80) conforme o disposto no artigo 725, do Decreto n 3000/99 (RIR/99), foi efetuado o reajuste dos Valores Distribuídos a Maior, considerados como pagamento líquido aos contribuintes individuais sócios, utilizandose a fórmula de reajustamento da base de cálculo para obtenção do rendimento bruto de acordo com o artigo 20 da Instrução Normativa SRF n 15/2001. A tabela do item 5.2.4 demonstra o reajuste efetuado o item 7 do Relatório Fiscal relaciona os documentos examinados foi aplicada retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, conforme a planilha comparativa de cálculo constante do ANEXO 4 (fl. 84), coluna MULTA MAIS BENÉFICA ; por não informar a remuneração dos contribuintes individuais sócios na GFIP, ficou configurada, em tese , a prática do crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso I e III do Código Penal, na redação da Lei n 9983/2000, motivo pelo qual foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O Contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal. Inconformado apresentou impugnação. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência do lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 226DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004001/201031 Acórdão n.º 2803002.988 S2TE03 Fl. 227 5 O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: menciona que a impugnação é parte integrante do recurso voluntário; a conexão dos processos nº 19515.004001/201031 (DEBCAD 37.255.845 3), nº 19515.004004/201075 (DEBCAD 37.255.8461), nº 19515.004006/201064 (DEBCAD 37.255.8470), nº 19515.004012/201011, nº 19515.003426/201023 (IRPJ e seus reflexos); Os lucros distribuídos pela recorrente aos seus sócios observaram estritamente as prescrições legais contidas no art. 10 da Lei 9.249, de 26/12/1995 e a orientações contidas no artigo 20 da Instrução Normativa SRF 15, de 2001, conforme exposto nos autos do Processo Administrativo n.° 19515.004012/201011, porquanto respaldado nas demonstrações contábeis ali acostadas: Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultado Econômico do Exercício, levantados em 31 de dezembro de2006. O lucro apurado em 2006 mais o saldo de lucros de exercícios anteriores deram suporte aos lucros distribuídos aos sócios da recorrente; a decisão recorrida se equivocou ao afirmar que o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Resultado do Exercício Social não são instrumentos legais para comprovar o montante do lucro efetivo da sociedade. Registra, ainda, que o lucro contábil é o parâmetro necessário para apurar se o lucro distribuído aos sócios ultrapassou o lucro apurado no exercício social em que foi atribuído aos respectivos beneficiários, ressaltandose que nada obsta a sua inobservância se as demonstrações contábeis indicarem a existência de reserva de lucros de exercícios anteriores; nada há de estranho no fato de a empresa não possuir funcionários quando os serviços são prestados por seus técnicos/sócios; quanto à questão de no contrato disciplinar que os sócios terão direito de efetuar retirada mensal a título de prólabore e a distribuição de lucro no final de cada exercício financeiro, nada impede que os mesmos abdiquem do seu direito ao prólabore privilegiando a distribuição de lucros que são isentos de tributação. É absurda a pretensão da fiscalização em considerar que os valores que excederem o lucro presumido devem ser considerados como remuneração do trabalho prestado pelos sócios e jamais como remuneração do capital; a diligência, perícia e juntada de documentos é direito do contribuinte; os juros devem ser limitados a 1% ao mês. Os juros com base na taxa selic são exorbitantes. Assim, requer a suspensão da exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e julgamento do feito fiscal na esfera administrativa; por fim, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, requerendo a improcedência da autuação fiscal. É o relatório. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004001/201031 Acórdão n.º 2803002.988 S2TE03 Fl. 228 6 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. CONEXÃO/JUNTADA DOS PROCESSOS PARA JULGAMENTO EM CONJUNTO A distribuição e sorteio dos processos seguem regras estabelecidas nos arts. 46 a 51 da Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, que aprova Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Assim, não se vê necessidade de juntar os processos mencionados pela recorrente para decisões conjuntas por se tratar de rubricas e assuntos distintos e já distribuídos às turmas de julgamento. DESCRIÇÃO DOS FATOS DO LANÇAMENTO FISCAL Consta do relatório fiscal e dos autos que a fiscalização constatou omissão de receitas, por meio das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, e a presunção de omissão de receitas, decorrentes dos créditos não comprovados do extrato bancário. Da análise dos extratos bancários de 2006 foram identificados lançamentos a débito na conta Unibanco Ag 7335 c/c 1029167 com o histórico PGTO SALÁRIOS , apesar de não haver empregados na empresa, conforme informado nas GFIP do contribuinte. Intimada a esclarecer o motivo dos pagamentos, a que título eram pagos e os beneficiários, a empresa informou que se trata de distribuição de lucros aos sócios, não demonstrando e identificando os valores pagos a cada beneficiário. Na declaração de imposto de renda DIPJ 2007, ano calendário 2006, declarada pelo Lucro Presumido não constam valores de rendimentos e de apuração dos tributos e contribuições. A fiscalização constatou que o contribuinte distribuiu lucro acima do valor permitido ao comparar o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários. O contribuinte não apresentou escrituração contábil que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, não identificou e esclareceu os valores pagos a cada sócio, nem foram apresentados todos os contratos e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço, tampouco, a movimentação financeira estava integralmente escriturada no Livro Caixa. Assim, os valores pagos acima deste limite legal permitido foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais sócios da empresa, a título de prólabore pelo serviço prestado, com base no artigo 33, 3 e 6 da Lei 8.212/91. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004001/201031 Acórdão n.º 2803002.988 S2TE03 Fl. 229 7 Os fatos estão comprovados nos autos dos documentos e planilhas de cálculo. Ressaltase que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa e que não foram apresentados todos os contratos e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço. Diante dos fatos, as contribuições sociais foram apuradas com base nas remunerações, por aferição indireta, conforme art. 33, 3 e 6 , da Lei 8.212/91, em razão da impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio, bem como, do não esclarecimento de todas as informações e documentos solicitados para que a fiscalização pudesse comprovar a existência efetiva de lucros a serem distribuídos. Assevera a recorrente que os lucros distribuídos aos seus sócios observaram as prescrições legais contidas no art. 10 da Lei 9.249/1995 e art. 20 da Instrução Normativa SRF 15, de 2001, e tem respaldado nas demonstrações contábeis, no Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultado Econômico do Exercício de 2006, sendo documentos legais para comprovar o montante do lucro efetivo da sociedade. Registra, também, que o lucro contábil é o parâmetro necessário para se apurar se o lucro distribuído aos sócios ultrapassou o lucro apurado no exercício social, e que nada obsta as demonstrações contábeis indicarem a existência de reserva de lucros de exercícios anteriores. A recorrente alega também que nada há de estranho no fato de a empresa não possuir funcionários quando os serviços são prestados por seus técnicos/sócios e no contrato social disciplinar que os sócios terão direito de efetuar retirada mensal a título de prólabore e a distribuição de lucro no final de cada exercício financeiro. Nada impede que os mesmos abdiquem do seu direito ao prólabore privilegiando a distribuição de lucros que são isentos de tributação. Em que pesem os argumentos da recorrente, não são suficientes para a desconstituição do lançamento fiscal, pois tratam de argumentações genéricas e sem comprovação documental. A corrente deve demonstrar pelos livros e documentos contábeis todas as suas movimentações financeiras e eventuais lucros obtidos, seus valores e destinações. Entretanto, não apresentou escrituração contábil que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, não identificou e esclareceu os valores pagos a cada sócio, nem foram apresentados todos os contratos e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço, tampouco, a movimentação financeira estava integralmente escriturada no Livro Caixa. Bastava a recorrente demonstrar e provar que os argumentos trazidos pela fiscalização poderiam ser desconstituídos, todavia, não demonstrou nem comprovou. As argumentações sem comprovação dos fatos não são suficientes para a desconstituição do lançamento fiscal. DILIGENCIA/PERÍCIA O julgador tem a prerrogativa de determinar de ofício perícias ou diligências quando considerálas necessárias para a instrução do processo e para a solução do litígio, sendo Fl. 229DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004001/201031 Acórdão n.º 2803002.988 S2TE03 Fl. 230 8 facultado ainda o indeferimento daquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72. Não há necessidade de diligência/perícia para constatar os fatos já comprovados nos autos. A prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a recorrente fazêla em outro momento processual, a menos que se demonstre com fundamentos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, nos termos do art. 16, § 4º, § 5º, do Decreto 70.235/72. Até o presente momento o contribuinte não requereu nem justificou interesse na juntada de documentação aos autos. JUROS. TAXA SELIC. São devidas e legais as aplicações dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, a aplicação da taxa SELIC, enunciadas nas súmulas 4o e 5o do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Não há previsão legal da redução ou fixação da taxa de juros em 1% ao mês, tampouco, para a suspensão da exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e julgamento do feito fiscal na esfera administrativa. Indefiro o pleito por falta de previsão legal. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, discriminativo de débito, instrução para o contribuinte, fundamentos legais, relatório fiscal, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91, e demais dispositivos mencionados nos autos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 230DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004001/201031 Acórdão n.º 2803002.988 S2TE03 Fl. 231 9 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 16327.915418/2009-17
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
CPMF. PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE.
O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação.
PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/DCOMP pelo sujeito passivo. Não obstante o erro ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/DCOMP, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pela autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-003.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Priscila Fernandes Dalla Costa, OAB/SP nº. 306.114.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 CPMF. PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/DCOMP pelo sujeito passivo. Não obstante o erro ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/DCOMP, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pela autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/DCOMP pelo sujeito passivo. Não obstante o erro ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/DCOMP, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pela autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 54 18 /2 00 9- 17 Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Priscila Fernandes Dalla Costa, OAB/SP nº. 306.114. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 14a Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 2.201/2.215), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pelo recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 2007 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. APROVEITAMENTO EM DCOMP ANTERIOR. DIREITO INEXISTENTE. As informações sobre o direito de crédito e os débitos compensados assinaladas em Declaração de Compensação integram a essência do encontro de contas entre contribuinte e Fazenda Pública e definem os limites da compensação, não podendo ser alterados em sede de manifestação de inconformidade. Não se homologa compensação de débito com direito de crédito já inteiramente comprometido em DCOMP anterior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: A contribuinte apresentou Declaração de Compensação (nº 03092.21941.250608.1.3.040040) pretendendo a extinção de débito próprio com direito de crédito decorrente de suposto pagamento a maior de CPMF. Por meio de despacho decisório, a unidade local não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito. Segundo a Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915418/200917 Acórdão n.º 3802003.696 S3TE02 Fl. 2.315 3 decisão, cruzamento de informações mantidas pela Administração Fiscal acusara que o pagamento indicado como efetuado a maior estava integralmente alocado a débito confessado em DCTF, não havendo, portanto, saldo disponível para suportar a compensação declarada. Inconformada, a interessada interpôs manifestação de inconformidade reiterando o direito ao crédito e mencionando a retificação da DCTF à qual o pagamento fora alocado na íntegra. Referida manifestação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Campinas. Entendeu a DRJ que a contribuinte não teria comprovado a liquidez e certeza do crédito aproveitado. Os autos subiram à segunda instância administrativa. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado contra a decisão da DRJ Campinas, para que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido aquele colegiado que a apresentação da DCTF retificadora alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Encaminhados os autos à origem, a unidade de jurisdição emitiu novo despacho decisório no qual informa que: A DCOMP nº 03092.21941.250608.1.3.040040, objeto deste processo referese exclusivamente ao DARF de nº 4007781971, período de apuração 10/09/2007, código de receita 5869, no valor original de R$ 147.278.495,62, data de arrecadação 17/09/2007. Com base neste mesmo DARF o interessado apresentou ainda as seguintes Declarações de Compensação DCOMP: [seguese tabela com as compensações que teriam se utilizado do mesmo DARF, totalizando aproveitamento de R$ 406.757,30] O despacho relata que a contribuinte foi intimada a apresentar documentos relativos ao alegado direito de crédito. Informa ainda a autoridade fiscal que a documentação apresentada comprovaria a cobrança indevida de CPMF do cliente listado em tabela presente no despacho decisório, assim como do correspondente estorno, em um total de R$ 7.600,00. A seguir, conclui o despacho decisório: O interessado comprovou um crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 7.600,00 [...] mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 406.757,30 [...]Na PER/DCOMP nº 20140.01038.270907.1.3.044675, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP nº 03092.21941.250608.1.3.040040, objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 119.975,26, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Não restando crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP nº 03092.21941.250608.1.3.040040. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade argumentando que: a) o crédito em questão referese à CPMF recolhida a maior em razão de retenções indevidas sobre movimentações financeiras de diversos clientes, sendo o montante utilizado em diversas declarações de compensação; b) atendendo a intimação fiscal, foram apresentados apenas os documentos relativos à formação do direito de crédito aproveitado na DCOMP examinada e não o conjunto probatório de todo o crédito apurado no pagamento, discutido de resto nos demais processos de compensação; daí porque os valores comprovados não seriam suficientes para a homologação de todas as compensações; c) os documentos apresentados em atendimento à intimação fiscal comprovam a retenção indevida e o estorno dos valores aos correntistas deixando patente a assunção do ônus financeiro do pagamento a maior pela contribuinte; d) também se esclareceu, naquela ocasião, a respeito de erro no preenchimento do PER/DCOMP em foco pois foi declarado como sendo o DARF do pagamento indevido ou a maior o de R$ 147.278.495,62 relativo ao período de apuração de 14/09/2007, quando o correto seria para o cliente CSHG 325 Fundo de Investimento o DARF de R$ 190.512.963,23 e para o cliente CIA Brasil Liquidação e Custódia o DARF de R$ 189.903.692,08, ambos relativos ao período de apuração 31/08/2007; e) comprovado o pagamento indevido, a assunção do ônus financeiro pela contribuinte e o equívoco no preenchimento da DCOMP, resta demonstrado que o Manifestante possui o crédito pleiteado, não podendo persistir a não homologação da compensação por razões de ordem formal, tendo em vista o princípio da verdade material que deve nortear o processo administrativo fiscal. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 24/01/2014 (ciência eletrônica, fl. 2.220). Inconformada, a mesma apresentou, em 10/02/2014, o recurso voluntário de fls. 2.222/2.230, onde, além dos argumentos já aduzidos na primeira instância, ressalta que: a) mesmo por meio das provas juntadas aos autos, a DRJ decidiu pela manutenção do despacho decisório, mantendo o argumento de que não haveria crédito disponível para a homologação pleiteada nestes autos, fundamentando o seu entendimento não pela análise da documentação comprobatória apresentada, mas pelo fato de o Recorrente ter indicado em seu PER/DECOMP uma compensação inicial na qual todo o crédito informado já havia sido consumido. b) justifica o seu entendimento em razão da impossibilidade de alteração das informações prestadas no PER/DCOMP, principalmente em suas características, que não podem ser alteradas após o despacho decisório. Cita jurisprudência nesse sentido; Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915418/200917 Acórdão n.º 3802003.696 S3TE02 Fl. 2.316 5 c) da leitura da decisão recorrida, constatase que a autoridade julgadora retorna a análise de condições formais para o deferimento da compensação, ignorando o que já foi decidido pelo CARF, que privilegiou a comprovação da existência de crédito – Princípio da Verdade Material – em detrimento do erro da Declaração, que, na oportunidade, restringiase ao erro na DCTF. Destaca trecho do voto do relator. d) ressalta que apresentou a documentação contábil e fiscal necessária à comprovação do recolhimento a maior, inclusive a demonstração da assunção do ônus financeiro relativo à CPMF, sendo que o Fisco concluiu pela existência parcial do crédito, no montante de R$ 7.600,00, conforme despacho decisório; e) no caso em tela, de fato, o Recorrente incorreu em equívoco no preenchimento do PER/DECOMP, ao indicar em sua declaração de compensação uma DECOMP inicial nº 20140.01038.270907.1.3.044675, cuja discussão era totalmente independente desta, e, por fim, informou, em relação a parte do crédito, DARFs errados; f) muito embora o crédito tenha sido comprovado, o Recorrente, por ter mencionado no PER/DCOMP inicial nº 20140.01038.270907.1.3.044675, teria direito somente ao crédito informado nessa última declaração, no importe de R$ 119.975,26, totalmente consumido naquele próprio PER/DCOMP; g) a autoridade fiscal, ao analisar a documentação comprobatória limitada a um único pedido de compensação, atrelouo a todos os pedidos transmitidos com o mesmo DARF (demonstra em quadro detalhado), embora cada pedido de compensação possuísse discussão autônoma e com a documentação pertinente acostadas aos processos correspondentes, que na hipótese de não homologação definitiva do crédito, ocorreu ou ocorrerá em processo próprio. h) por fim, requer, caso o CARF considere necessário, a retificação de ofício do PER/DECOMP nº 03092.21941.250608.1.3.040040, com a exclusão da informação acerca do PER/DECOMP inicial e a correção dos DARF’s indicados, nos termos do artigo 147, § 2º, do CTN. Diante de todo o exposto, alega que restou comprovada a existência do indébito tributário que originou a compensação em tela e em observância ao princípio da verdade material sobre a formal, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, requerendo que seja dado provimento ao seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra A ciência (eletrônica) da decisão recorrida se deu em 24/01/2014. Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 10/02/2014, tempestivamente, portanto. No mais, o recurso preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Extraise dos autos que o Recorrente apresentou Declaração de Compensação nº 03092.21941.250608.1.3.040040, pretendendo a extinção de débito próprio com direito de crédito decorrente de suposto pagamento a maior de CPMF. A DRF de origem não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito, não havendo, portanto, saldo disponível para suportar a compensação declarada na referida DCOMP. Inconformada, a interessada interpôs manifestação de inconformidade reiterando o direito ao crédito e mencionando a retificação da DCTF à qual o pagamento fora alocado na íntegra. Entendeu a DRJ que a contribuinte não teria comprovado a liquidez e certeza do crédito aproveitado. Então, os autos subiram à segunda instância administrativa. Consta dos autos que fora transmitida pela internet DCTF retificadora. Analisando todo o acima exposto, o CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, decidindo no sentido de que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido que a apresentação da DCTF retificadora, alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Em cumprimento ao Acórdão nº 330201.726 (fls. 88/92), a unidade de jurisdição emitiu novo despacho decisório (fls. 2.119/2.122), que no texto, a autoridade fiscal reconhece que o Recorrente comprova um crédito de pagamento indevido em valor inferior ao total dos débitos compensados, conforme abaixo transcrito: A DCOMP nº 03092.21941.250608.1.3.040040, objeto deste processo referese exclusivamente ao DARF de nº 4007781971, período de apuração 10/09/2007, código de receita 5869, no valor original de R$ 147.278.495,62, data de arrecadação 17/09/2007. Com base neste mesmo DARF o interessado apresentou ainda as seguintes Declarações de Compensação DCOMP: [seguese tabela com as compensações que teriam se utilizado do mesmo DARF]. Na sequência, conclui o despacho decisório que: (...) O interessado comprovou um crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 7.600,00, conforme item 1.5, mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 406.757,30 (...).. Na PER/DCOMP nº 20140.01038.270907.1.3.044675, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP nº 03092.21941.250608.1.3.040040, objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 119.975,26, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Não restando crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP nº 03092.21941.250608.1.3.040040. Nesse contexto, assim se posicionou a decisão a quo, a respeito da compensação tratada na DCOMP nº 03092.21941.250608.1.3.040040: Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915418/200917 Acórdão n.º 3802003.696 S3TE02 Fl. 2.317 7 (...) Como relatado, os autos retornam a esta Delegacia de Julgamento por força de acórdão prolatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que determinou novo exame da compensação declarada pela contribuinte. Entendeu aquele colegiado que a apresentação de DCTF retificadora teria alterado a situação jurídica na qual se baseara o despacho decisório de não homologação, devendose reexaminar a existência do direito creditório. Em novo despacho decisório, a unidade de origem reconheceu a existência de pagamento a maior. Porém, não haveria como homologar a presente declaração de compensação já que o direito de crédito estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em outra DCOMP (g.n). O Recorrente, em seu recurso, alega que mesmo por meio das provas juntadas aos autos, a DRJ decidiu pela manutenção do despacho decisório, prevalecendo o argumento de que não haveria crédito disponível para a homologação pleiteada, fundamentando o seu entendimento não pela análise da documentação comprobatória apresentada, mas pelo fato de o Recorrente ter indicado em seu PER/DECOMP uma compensação inicial na qual todo o crédito informado já havia sido consumido. Justifica o seu entendimento em razão da impossibilidade de alteração das informações prestadas no PER/DCOMP, principalmente em suas características, que não podem ser alteradas após o despacho decisório; Que da leitura da decisão recorrida constatase que a autoridade julgadora retorna a análise de condições formais para o deferimento da compensação, ignorando o que já foi decidido pelo CARF, que privilegiou a comprovação da existência de crédito – Princípio da Verdade Material – em detrimento do erro da Declaração, que, na oportunidade, restringiase ao erro na DCTF, destacando trecho do voto do relator. Ressalta que apresentou a documentação contábil e fiscal necessária à comprovação do recolhimento a maior, inclusive a demonstração da assunção do ônus financeiro relativo à CPMF, sendo que o Fisco concluiu pela existência parcial do crédito, no montante de R$ 7.600,00, conforme despacho decisório; Aduz que no caso em tela, de fato, o Recorrente incorreu em equívoco no preenchimento do PER/DECOMP, ao indicar em sua declaração de compensação uma DECOMP inicial nº 20140.01038.270907.1.3.044675, cuja discussão era totalmente independente desta, e, por fim, informou, em relação à parte do crédito, DARF’s errados; Que muito embora o crédito tenha sido comprovado, o Recorrente, por ter mencionado no PER/DCOMP inicial nº 20140.01038.270907.1.3.044675, teria direito somente ao crédito informado nessa última declaração, no importe de R$ 119.975,26, totalmente consumido naquele próprio PER/DCOMP; Por fim, requer, caso o CARF considere necessário, a retificação de ofício do PER/DECOMP nº 03092.21941.250608.1.3.040040, com a exclusão da informação acerca do PER/DECOMP inicial e a correção dos DARF’s indicados, nos termos do artigo 147, § 2º, do CTN. Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Registrese que no recurso apresentado pelo Recorrente na época, bem como no Acórdão proferido pelo CARF, restringiase ao erro no preenchimento da DCTF e da retificadora, conforme se observa na ementa do Acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/09/2007 CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte No entanto, agora na presente discussão, observase que a não homologação da compensação teve como motivação que o Recorrente transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, e verificado pelo Fisco que as características do direito de crédito compensado estariam integralmente comprometidas na absorção de débito declarado em outra DCOMP. O Recorrente, em seu recurso, reafirma a existência de pagamento a maior, mas admite erro na informação no PER/DECOMP, vejase trecho abaixo reproduzido: (...) no caso em tela, de fato, o Recorrente incorreu em equívoco no preenchimento do PER/DECOMP, ao indicar em sua declaração de compensação uma DECOMP inicial nº 20140.01038.270907.1.3.044675, cuja discussão era totalmente independente desta, e, por fim, informou, em relação a parte do crédito, DARFs errados (g.n). E prossegue no final de seu recurso: (...) requer, caso o CARF considere necessário, a retificação de ofício do PER/DECOMP nº 03092.21941.250608.1.3.040040, com a exclusão da informação acerca do PER/DECOMP inicial e a correção dos DARFs indicados, nos termos do artigo 147, § 2º, do CTN (g.n). Observese que em sede de manifestação de inconformidade (fl. 2.039 do acórdão recorrido), reafirma a existência de pagamento a maior, mas admite erro na informação do DARF contendo o direito de crédito em seu PER/DCOMP, vejase: (...) d) também se esclareceu, naquela ocasião, a respeito de erro no preenchimento do PER/DCOMP em foco pois foi declarado como sendo o DARF do pagamento indevido ou a maior o de R$ 147.278.495,62 relativo ao período de apuração de 14/09/2007, quando o correto seria para o cliente CSHG 325 Fundo de Investimento o DARF de R$ 190.512.963,23 e para o cliente CIA Brasil Liquidação e Custódia o DARF de R$ 189.903.692,08, ambos relativos ao período de apuração 31/08/2007. Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915418/200917 Acórdão n.º 3802003.696 S3TE02 Fl. 2.318 9 Ou seja, o Recorrente apresentou uma declaração de compensação cujo crédito informado inexiste na base de dados da Receita Federal (por estar inteiramente comprometido na compensação de outra dívida, não restando saldo disponível para outra compensação), não podendo agora, em sede de contencioso, modificar o âmbito de seu pedido, como corretamente asseverou a instância recorrida. Em referência a este fato, vejase trecho do Acórdão recorrido: (...) Com efeito, na DCOMP sob exame, a contribuinte assinala que o direito de crédito compensado fora informado em outra declaração de compensação, a de nº 20140.01038.270907.1.3.044675. Confirase: (...). Essa última DCOMP, documento traz, portanto, as características que definem a natureza e a dimensão do direito de crédito aproveitado na declaração de compensação ora em análise. A citada DCOMP que contém as características do pagamento indevido indica o montante do direito de crédito: R$ 119.975,26 como se vê na sequência (...). Esse valor, como se vê, foi integralmente vinculado à compensação do débito informado naquela mesma declaração. Ou seja, o direito de crédito cujo aproveitamento foi formalizado na DCOMP objeto do presente exame está inteiramente comprometido na compensação de outra dívida, não restando saldo disponível para outra compensação (g.n). E prossegue, concluindo: (...) É esse quadro que dá sustentação ao novo despacho decisório emitido pela unidade local. A nova análise do direito de crédito encomendada pela decisão do CARF resultou na verificação da existência de pagamento a maior cuja compensação não fora formalizada pela contribuinte na DCOMP que veiculou o direito de crédito limitandoo à cifra de R$ 119.975,26, inteiramente consumida na própria DCOMP n° 20140.01038.270907.1.3.04.4675 (g.n). É sabido que o documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnature o próprio objeto do processo. Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. Como é sabido, pois essa matéria foi regrada por diversos atos da RFB ao normatizar o art. 74, da Lei nº 9.430/96, que tanto a alteração de qualquer uma das características do débito compensado como do pagamento afirmado como feito a maior (data de vencimento, data de recolhimento, valor, CNPJ, período de apuração, data do fato gerador, código de receita de tributo, etc), só podem ser efetivadas mediante a transmissão da correspondente DCOMP retificadora, respeitadas as condições estabelecidas pela legislação, entre elas a inexistência de despacho decisório que decida sobre a DCOMP original (art. 56 a 59 da IN SRF 600/2005 e 76 a 79, da IN RFB nº 900/2008). Com efeito, como é cediço, a compensação que, nos termos do art. 170 do CTN, pressupõe liquidez e certeza dos créditos, é levada a efeito por meio de declaração capaz de extinguir o débito tributário sob condição da sua ulterior homologação, nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação que lhes foi fornecida pela Lei nº 10.637, de 2002. Portanto, cabe ao Fisco analisar se cabe ou não homologar uma compensação declarada. Noutro giro, os parágrafos sétimo a nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 20033, indicam as consequências da não homologação da DCOMP, bem assim o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. Focado nesses parâmetros, entendo que o pleito do sujeito passivo não merece acolhida, pois não cabe a este Colegiado ir além da análise do ato de não homologação da Declaração de Compensação e tal ato, como decidido pelo acórdão recorrido, não merece reparo. Observamse vários julgados desta Corte que no caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro formal. Neste sentido, quanto ao princípio da verdade material em detrimento do formalismo, que deve nortear o processo administrativo fiscal, alegado pelo Recorrente, temos em conta que a DCOMP faz parte de maneira inseparável à compensação. A pesquisa da verdade material se dá em relação às informações assinaladas na DCOMP. Não se trata de investigar minuciosamente da existência ou não do pagamento a maior no montante mencionado pela contribuinte. No caso da compensação, as informações sobre o débito e o crédito inscritas na DCOMP, como dito, fazem parte da essência da compensação. Por fim, temos em conta ainda que como se sabe, tratandose a CMPF de tributo pago por terceiros, cabendo ao interessado, na condição de contribuinte de fato, tão somente a obrigação por seu recolhimento, o direito à sua restituição/compensação se subsume, a teor do disciplinado pelo art. 166 do CTN. É fato que o Recorrente juntou cópia de demonstrativo dos extratos das contas correntes que receberam os créditos e dos valores estornados dos clientes, visando corroborar as suas alegações de que suportou o ônus de pagamento da CPMF indevidamente retida. Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915418/200917 Acórdão n.º 3802003.696 S3TE02 Fl. 2.319 11 Conclusão Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904182/2012-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 18 2/ 20 12 -7 1 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904182/201271 Resolução nº 3803000.556 S3TE03 Fl. 9 2 para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.831, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano Calendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904182/201271 Resolução nº 3803000.556 S3TE03 Fl. 10 3 da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904182/201271 Resolução nº 3803000.556 S3TE03 Fl. 11 4 foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904182/201271 Resolução nº 3803000.556 S3TE03 Fl. 12 5 DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904182/201271 Resolução nº 3803000.556 S3TE03 Fl. 13 6 processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904182/201271 Resolução nº 3803000.556 S3TE03 Fl. 14 7 A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904182/201271 Resolução nº 3803000.556 S3TE03 Fl. 15 8 A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10983.911940/2009-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÃO. ADMISSIBILIDADE. ANULAÇÃO.
Há que se admitir, quando há mero lapso do contribuinte, a apresentação da DCTF retificadora documentando o crédito reclamado na DCOMP após o despacho decisório, o que demanda a sua análise pela Autoridade Fazendária e o cotejo entre o crédito reclamado e a DCOMP, considerando a DCTF retificadora. A ausência de análise leva à nulidade da decisão de primeira instância, o que contamina todos os atos posteriores.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 3403-003.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, determinando o retorno dos autos à DRJ para a apreciação da impugnação com todos os documentos acostados pela Recorrente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÃO. ADMISSIBILIDADE. ANULAÇÃO. Há que se admitir, quando há mero lapso do contribuinte, a apresentação da DCTF retificadora documentando o crédito reclamado na DCOMP após o despacho decisório, o que demanda a sua análise pela Autoridade Fazendária e o cotejo entre o crédito reclamado e a DCOMP, considerando a DCTF retificadora. A ausência de análise leva à nulidade da decisão de primeira instância, o que contamina todos os atos posteriores. Processo Anulado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, determinando o retorno dos autos à DRJ para a apreciação da impugnação com todos os documentos acostados pela Recorrente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÃO. ADMISSIBILIDADE. ANULAÇÃO. Há que se admitir, quando há mero lapso do contribuinte, a apresentação da DCTF retificadora documentando o crédito reclamado na DCOMP após o despacho decisório, o que demanda a sua análise pela Autoridade Fazendária e o cotejo entre o crédito reclamado e a DCOMP, considerando a DCTF retificadora. A ausência de análise leva à nulidade da decisão de primeira instância, o que contamina todos os atos posteriores. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, determinando o retorno dos autos à DRJ para a apreciação da impugnação com todos os documentos acostados pela Recorrente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 19 40 /2 00 9- 18 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, por meio da qual a Recorrente pretende a compensação de crédito tributário decorrente do recolhimento a maior de diversos tributos federais com débitos próprios. O Despacho Decisão não homologou a compensação em razão da inexistência de crédito informado, uma vez que segundo as próprias informações da Recorrente este já haviam sido integralmente utilizados para quitação débitos do contribuinte, conforme o DARF discriminado no PER/DCOMP. A Recorrente, por sua vez, acostou ao processo administrativo, no prazo para a Manifestação de Inconformidade, a retificação de suas DCTF´s, documentando, pois, o crédito que seria inexistente indicado pela Autoridade Fazendária. A DRJ manteve a negativa, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que o crédito deveria estar documentado quando da apresentação da DCOMP, sendo que sua retificação posterior não produz nenhum efeito, sequer chegando a analisar a validade ou não do crédito da Recorrente. Segundo a DRJ, a Recorrente poderia apresentar nova Declaração de Compensação baseada na DCTF retificadora. Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que defende a existência de seu crédito e defenda a possibilidade de análise de seu crédito com base na DCTF retificadora. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista A discussão do presente processo se tornou célebre no meio jurídico e, sobretudo, no CARF. A questão que se coloca é se a Recorrente tem direito à análise de seu crédito, mesmo não tendo apresentado dados corretos em sua DCTF identificando justamente a existência do crédito, a qual foi retificada logo em seguida do Despacho Decisório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.911940/200918 Acórdão n.º 3403003.367 S3C4T3 Fl. 5 3 Ou se, por outro lado, a ausência da informação da DCTF levaria, invariavelmente, à negativa do pleito da Recorrente, que deveria apresentar ao Fisco declaração de compensação com todos os dados a serem cruzados e analisados por software da Receita Federal do Brasil. Tratase, portanto, de uma discussão quanto ao alcance e os efeitos da forma, que, embora singela, possui um enorme impacto, pois produz consequências sobre declarações de compensação de milhares de contribuintes na mesma situação. É importante ressaltar que, em verdade, esse tipo de litígio não existiria se, nos processos de análise de crédito, de compensação e de ressarcimento, houvesse a previsão expressa de retificação, pelo próprio contribuinte, quando constatado pelo Fisco a divergência de informações. Aliás, não posso deixar de abrir um parêntese no presente Acórdão, para expressar a necessidade de um dispositivo com tal na legislação processual tributária, que, inegavelmente, reduziria em muito a discussão em processos de compensação e ressarcimento caso o Fisco, de forma transparente, dê a oportunidade ao contribuinte se manifestar ou corrigir informações em seus próprios documentos, evitando, assim, o desdobramento do processo e a movimentação da máquina administrativa. E aqui um detalho de extrema importância! Um mero detalhe! Não está claro na legislação que o contribuinte, que teve uma determinada compensação negada, poderá requerêla novamente, eis que a Lei n 9.430/1996, em seu parágrafo 3 , dispõe sobre a impossibilidade de nova compensação para débito que tenha sido objeto de nova compensação não homologada ou para pedido de restituição ou ressarcimento anteriormente negado. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: ... V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 Ainda que o inciso V, do parágrafo 3 , do artigo 74 da Lei n 9.430/1996 disponha expressamente sobre débito e não crédito, a interpretação desse artigo tem sido realizada de todas as formas possíveis que encontram apenas um ponto em comum, a negativa de uma nova compensação pelo contribuinte. Isso significa dizer que a não aceitação de retificação de DCTF realizada posteriormente, pelo contribuinte, como no presente caso, não dá ao contribuinte outra alternativa senão ingressar no Judiciário e percorrer o conhecido, e ainda tortuoso, caminho do solve et repet. E a moderna Receita Federal do Brasil, a própria República Federativa do Brasil, nos tempos atuais, tem expressado o posicionamento da necessidade de redução da litigiosidade, e da resolução de conflitos de forma justa e eficaz, não se harmonizando, portanto, o exagerado apego às formas com o olvido do direito do contribuinte. Após esta digressão pertine, pois, ressaltar que justamente para evitar a criação de um ambiente injusto, diante de um mero lapso da Recorrente, devese admitir a apresentação posterior da DCTF retificadora, aproveitandose o presente processo para a devida análise do crédito reclamado. No presente caso, contudo, a DRJ sequer analisou a retificadora, motivo pelo qual não vejo outra alternativa senão anular a decisão de primeira instância, inclusive, determinandose o retorno à DRJ para a apreciaçaõ da impugnação com os documentos acostados pela Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930853/2011-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO, ERRO E CONTRADIÇÃO - OCORRÊNCIA.
Constatada a ocorrência de contradição, erro e omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3801-004.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes
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Constatada a ocorrência de contradição, erro e omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 08 53 /2 01 1- 11 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930853/201111 Acórdão n.º 3801004.372 S3TE01 Fl. 9 3 Relatório Tratam os presentes Embargos de Declaração sobre acórdão que decidiu sobre Recurso Voluntário que se insurgia contra decisão Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA). Inicialmente no presente processo houve manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não reconheceu direito creditório e não homologou as compensações (fl. 34). Apresentada impugnação, a Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA) analisou o pedido e julgou improcedente a manifestação (fls. 89 a 93) e entendeu que a aplicação da redução de alíquota prevista nos art.1º e 2º da Lei n.º 10.312/2001 restou condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Entendeu que até que fosse publicado tal ato, a norma não poderia produzir seus efeitos. Entendeu que se tratava de norma de eficácia limitada ou condicionada, vez que é dependente de posterior regulamentação. Conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DA COFINS e do PIS. ART. 1º E 2º DA LEI N.º 10.312/2001. A efetiva aplicação da redução de alíquota da COFINS e do PIS prevista nos art. 1º e 2º da Lei n.º 10.312/2001 restou condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. E, assim, até que seja publicado tal ato, a norma não pode produzir seus efeitos, pois tratase de norma de eficácia limitada ou condicionada, vez que é dependente de posterior regulamentação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. A DRJ Porto Alegre destaca, ainda, que pelo art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs),estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Às fls. 98 a 105, consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz, em síntese, que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 4 na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis e da supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. A 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso voluntário, dandolhe provimento por meio da seguinte ementa (fls. 116 a 123): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que ele não possui o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido A Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração (fls. 125 a 127), alegando a ocorrência de omissão, em razão de não haver o acórdão se pronunciado quanto ao início da vigência, ou seja, partir de qual data deveria ser aplicado o benefício fiscal da Lei nº 10.312/2011. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930853/201111 Acórdão n.º 3801004.372 S3TE01 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. À luz do artigo 65, caput e § 1º, da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RI – CARF) a apresentação dos Embargos de Declaração é tempestiva e atende aos demais pressupostos, portanto dele tomase conhecimento. Conforme esta norma os Embargos de Declaração são cabíveis nos seguintes casos: PORTARIA Nº 256, DE 22 DE JUNHO DE 2009: Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão. Alegase ao presente caso a presença de omissão, face a ausência de menção expressa quanto ao início da vigência da norma, ou seja, quanto a data a partir da qual deveria ser aplicado o benefício fiscal previsto na Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001. Neste tema, não obstante esteja no próprio texto da lei, deve ser ratificado que o benefício a que se refere a Lei nº 10.312/2001 somente produzirá efeitos a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao da publicação, nos termos do art. 4º da referida Lei. Consultados os autos do processo em epígrafe, verificase que o período de apuração a que se pretende a compensação é de 01/05/2001 a 31/05/2001, ou seja, período antecedente a data descrita no art. 4º da Lei nº 10.312/2001, o que vêm a excluir o referido pedido de compensação do requisito necessário ao seu provimento. Ressaltase, afastase de imediato a alegação do efeito retroativo da norma de isenção, visto que o regime de retroatividade benéfica aplicase restritivamente aos casos descritos no art. 106, II do CTN. Dispõe este que a retroatividade será aplicada quando i) a lei deixar de definir o ato ou fato como infração; ii) deixar de tratálo como contrário a qualquer Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 6 exigência de ação ou omissão,desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; e iv) quando aplicar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. No presente caso nenhum dos requisitos apontados se aplica, de tal modo que deve ser considerado como período de início de sua vigência, nos termos da Lei 10.312/2001 o primeiro dia do quarto mês subseqüente ao da sua publicação. Logo, temse por não abrangido o período de apuração requerido. Assim, no acórdão embargado alterese a redação da parte dispositiva original, onde consta: “Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado.” Substituindose por: “Em face do exposto, por ausência de previsão legal para o reconhecimento do benefício, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.” Igualmente se faz necessária a reforma na Ementa do acórdão embargado alterandose a redação original, onde consta: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido Substituase por: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 DECRETO Nº 4.524/02. O início da vigência do benefício previsto, nos termos da Lei 10.312/2001, inicia no primeiro dia do quarto mês subseqüente ao da sua publicação. Logo, temse por não abrangido o período requerido, dado que anterior à Fl. 100DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930853/201111 Acórdão n.º 3801004.372 S3TE01 Fl. 11 7 vigência da norma, não se aplicando ao caso o instituto da retroatividade benigna. Recurso Voluntário Negado. Diante do exposto, entendo que os presentes embargos devem ser acolhidos, sanandose a omissão, e lhes atribuídos efeitos infringentes, para fins de modificar o acórdão outrora exarado, em que se dava provimento ao recurso voluntário, passando o recurso voluntário a ter seu provimento negado. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19515.002412/2005-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MARIA RITA ESPER CURIATI.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 41 2/ 20 05 -2 5 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, MARIA RITA ESPER CURIATI, foi lavrado auto de infração de fls. 254/269, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2001, 2002, 2003 e 2004, anos calendários de 2000, 2001, 2002 e 2003, no valor de R$ 2.803.032,82 (dois milhões, oitocentos e três mil, trinta e dois reais e oitenta e dois centavos), valor já acrescido dos juros de mora e multa de ofício, calculados de acordo com a legislação de regência. O lançamento de ofício decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, tendo sido constatado omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovados, conforme fls. 260/262, descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração ora guerreado. Notase, da análise cuidadosa do processo, que RMFs foram realizada a instituições financeiras, tal como se constata de fls.21. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002412/200525 Resolução nº 2202000.397 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314) Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Fl. 563DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002412/200525 Resolução nº 2202000.397 S2C2T2 Fl. 5 4 Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, Fl. 564DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002412/200525 Resolução nº 2202000.397 S2C2T2 Fl. 6 5 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus Fl. 565DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002412/200525 Resolução nº 2202000.397 S2C2T2 Fl. 7 6 parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 566DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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