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Numero do processo: 11070.720909/2015-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
Decisão que não Aprecia o Mérito da Impugnação. Nulidade.
É nula a decisão de primeira instância que, fundada em fato inexistente, não aprecia o mérito da impugnação.
Numero da decisão: 1301-003.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, determinando-se o retorno dos autos à DRJ para que profira nova decisão.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 DECISÃO QUE NÃO APRECIA O MÉRITO DA IMPUGNAÇÃO. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que, fundada em fato inexistente, não aprecia o mérito da impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, determinandose o retorno dos autos à DRJ para que profira nova decisão. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 09 09 /2 01 5- 65 Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11070.720909/201565 Acórdão n.º 1301003.363 S1C3T1 Fl. 321 2 Relatório Tratase de recurso interposto por ENGEDELTA CONSTRUÇÕES LTDA. ME, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1152.699, da 5ª Turma da DRJ Recife, que, alegando concomitância com ação judicial, não admitiu a impugnação que contestava o ato que excluíra a recorrente do Simples Nacional, sob o fundamento de exercício de atividade econômica não compatível com aquele regime. A autoridade fiscal, ao examinar um pedido de restituição de contribuição previdenciária, entendeu que a requerente havia ingressado, de forma indevida, no Simples Nacional, porquanto seu objeto social era a prestação de serviços intelectuais e de natureza técnica. A contribuinte teria sido contratada para elaborar projetos que exigiam Anotação de Responsabilidade Técnica ART, emitida pelo CREA RS. Diante desse quadro, representouse ao Delegado da Receita Federal, em Santo Ângelo/RS, propondo excluir a recorrente do Simples Nacional. Acolhida a representação, emitiuse o Ato Declaratório Executivo DRF/SAO nº 009 (fl. 179), de 22 de maio de 2015, excluindo a recorrente, com efeito retroativo a 1º de dezembro de 2007. Contestada a exclusão, os autos foram remetidos à DRJ REC, que não conheceu da impugnação, ao argumento de que haveria concomitância com uma demanda ajuizada pela própria recorrente. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A opção, por parte do interessado, pela discussão de determinada matéria junto ao Poder Judiciário, importa renúncia tácita às instâncias administrativas. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio Não resignada, Engedelta Construções interpôs recurso, afirmando que o mandado de segurança impetrado não discutia a exclusão do Simples Nacional, mas buscava apenas suspender o processo de exigência de crédito tributário, até que fosse, na esfera administrativa, definida a permanência no regime e os efeitos da exclusão. Com esses fundamentos, requereu a análise da impugnação. É o relatório. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 11070.720909/201565 Acórdão n.º 1301003.363 S1C3T1 Fl. 322 3 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A recorrente tem razão quando afirma não existir concomitância. O mandado de segurança nº 500304490.2015.4.04.7105 não discutia o ato de exclusão do Simples, mas buscava tão somente uma ordem judicial que suspendesse a exigibilidade do crédito tributário relativo ao período alcançado pelo efeito retroativo da exclusão do Simples, até que fosse decidida a validade dessa exclusão e da retroação de seus efeitos. Isso foi consignado no despacho de fl. 256, com o seguinte teor: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Trata o presente processo, de exclusão do Simples Nacional, cujo ato declaratório foi objeto de tempestiva impugnação, ao qual se encontra apensado o processo n.° 11070.721310/201549 que contempla o lançamento dos tributos, este objeto de medida judicial com a finalidade de suspensão da cobrança enquanto não julgado este feito. Nestes termos, encaminhese a TRIAGDRFSAORS Receber Arrec e Contr Cred Trib, para as providências afetas a equipe de cobrança da Sacat. (g.n.) DATA DE EMISSÃO: 26/08/2015 No processo nº 11070.721310/201549, consta, na linha do despacho acima transcrito, a seguinte informação: Processo: n° 11070.721310/201549 Interessado(a): ENGEDELTA CONSTRUÇÕES LTDA ME CNPJ: 00.427.866/000183 Assunto: Manutenção, por decisão Judicial, de Inexigibilidade do Crédito Tributário até a Decisão definitiva na esfera administrativa sobre a Exclusão do SIMPLES NACIONAL. RELATÓRIO Conforme bem descrito no processo de acompanhamento do processo judicial, tratouse do Mandado de Segurança n° 500304490.2015.4.04.7105/RS em que a Impetrante busca a suspensão da exigibilidade tributária dos lançamentos realizados no processo administrativo n° 11070.721310/201549 em razão da manifestação de inconformidade apresentada no processo administrativo n° 11070.720909/201565 (Exclusão do Simples Nacional). Sobreveio sentença, ratificando a antecipação de tutela e concedendo a segurança para "(...) determinar à autoridade impetrada que suspenda a cobrança do débito fiscal constante no Procedimento Fiscal n° 1010800.2015.00073 enquanto pendente o julgamento final da impugnação da contribuinte ENGEDELTA CONSTRUÇÕES LTDA ME referente a sua exclusão do SIMPLES (processo administrativo n.° 11070.720909/201565)." Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11070.720909/201565 Acórdão n.º 1301003.363 S1C3T1 Fl. 323 4 O trânsito em julgado ocorreu em 22/07/2016 e atualmente o processo está com baixa definitiva na JFRS. O crédito decorrente do processo administrativo n° 11070.721310/201549 encontrase suspenso por decisão judicial e assim deve se manter até a Decisão definitiva na esfera administrativa sobre a Exclusão do SIMPLES NACIONAL. (g.n.) Santo Ângelo, 11 de novembro de 2016. A informação acima afasta qualquer dúvida acerca da inexistência de concomitância entre os objetos dos processos administrativo e judicial. Portanto, a DRJ deve apreciar a impugnação. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, anulado a decisão recorrida e devolvendo os autos à DRJ, para proferir nova decisão. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16511.720931/2013-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9202-007.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri,, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri,, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri,, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 51 1. 72 09 31 /2 01 3- 21 Fl. 159DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2402005.741 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 4 de abril de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 41: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 JUROS DE MORA. VERBAS PREVIDENCIÁRIAS PAGAS A DESTEMPO. INCIDÊNCIA IMPOSTO DE RENDA. Incide imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes de verbas previdenciárias pagas a destempo, por não estarem contemplados com o benefício de isenção. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. Os honorários advocatícios podem ser diminuídos dos valores recebidos em decorrência de ação judicial, desde que seu pagamento esteja comprovado por meio de recibo ou declaração do profissional que atuou no processo. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 130 a 143, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 147 a 150, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à tributação de Rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Aduz a Procuradoria da Fazenda, em síntese, que: a) considerando a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal em 23 de outubro de 2014 nos autos do RE 614.406/RS, restou sedimentado o entendimento quanto à aplicação do regime de competência à matéria objeto dos autos; Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16511.720931/201321 Acórdão n.º 9202007.072 CSRFT2 Fl. 3 3 b) a autuação seja mantida, determinando o colegiado o retorno dos autos à DRF apenas para a retificação contábil relativa à alíquota incidente sobre os rendimentos recebidos a destempo; c) tal alteração não acarreta qualquer prejuízo ao contribuinte ou mácula ao lançamento, na medida em que impõe tão somente o recálculo do montante devido, sem majoração da exigência tributária. d) diante de simples incorreção no lançamento, não há necessidade de nova autuação, bastando o ajuste que se fizer necessário, em privilégio do aproveitamento dos atos, cuja repetição deve ser evitada, quando claramente se mostra prescindível, como é o caso dos autos; e) inexiste irregularidade que fundamente o cancelamento da exigência, mostrandose adequada sua manutenção com a realização das retificações cabíveis. Intimada, a Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do Recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Consoante narrado, a controvérsia suscitada tem como objeto a discussão acerca da manutenção do lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência do regime contábil aplicado ao lançamento, que teve reconhecida sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. Muito se discute, neste Colegiado, sobre os efeitos da decisão proferida no mencionado RE, que tratou da aplicação do regime de cobrança do imposto de renda incidente "sobre as verbas recebidas, de forma acumulada, em ação judicial", se regime de caixa, previsto no art. 12 da Lei 7.713/88 ou de competência (posteriormente positivado pelo art. 12 A do mesmo diploma legal). Com o reconhecimento da inconstitucionalidade parcial sem redução de texto do art. 12 da Lei 7.713/88, o que determinou a orientação para aplicação do regime de competência, para alguns Conselheiros, os lançamentos relativos aos períodos anteriores à MP 497/2010, que alterou a redação do art. 12A da Lei 7.713/88, devem ser desconstituídos em Fl. 161DF CARF MF 4 sua integralidade, pois eivado de vício material, em razão da utilização de critério jurídico equivocado (regime de caixa, quando deveria ser regime de competência). Por outro lado, há entendimento diverso no sentido da manutenção parcial do lançamento com a adequação do lançamento ao regime de competência, pois não há que se falar em vício, mas sim em procedência parcial do lançamento. Compulsandose o RE 614.406, temse que a inconstitucionalidade reconhecida foi parcial e sem redução de texto, ou seja, em uma interpretação conforme a constituição, como se extrai do trecho abaixo da ementa do Acórdão do TRF4: 3. Afastado o regime de caixa, no caso concreto, situação excepcional a justificar a adoção da técnica de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a constituição, diante da presunção de legitimidade e constitucionalidade dos atos emanados do Poder Legislativo e porque casos símeis a este não possuem espectro de abrangência universal. (...). Segundo ensina Pedro Lenza, o STF pode determinar que a mácula da inconstitucionalidade reside em determinada aplicação da lei, ou em dado sentido interpretativo. Neste último caso, o STF indica qual seria a interpretação conforme, pela qual não se configura a inconstitucionalidade. Cabe destacar que não foi declarada a inconstitucionalidade do artigo de lei, razão pela qual não se poderia considerar a nulidade do dispositivo, mas sim a aplicação de uma interpretação conforme, o que afasta a existência de tal nulidade. Corroborando o exposto, cabe mencionar o art. 97 da CF que estabelece a cláusula de reserva de plenário, de modo que "somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público". Destacase a existência de mitigação da mencionada cláusula, dentre outras, quando o Tribunal utilizar a técnica de interpretação conforme a Constituição, pois não haverá declaração de inconstitucionalidade propriamente dita. Portanto, restou decidida, na ocasião do julgamento do RE em comento, a aplicação do regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, sendo mantida a exação, naquele caso, em razão da interpretação atribuída. Ademais, não se vislumbra a existência de prejuízo ao contribuinte, tendo em vista que o recálculo a ser aplicado se mostra mais benéfico que o originário, motivo pelo qual deve ser reformada a decisão recorrida. Assim, entendo inexistente vício insanável apto a macular o lançamento, sendo imperiosa apenas a aplicação do regime de competência, a fim de atender a interpretação conforme a constituição decorrente da análise do RE 614.406. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para afastar a nulidade declarada, co retorno dos autos ao colegiado a quo para apreciação das demais matérias. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16511.720931/201321 Acórdão n.º 9202007.072 CSRFT2 Fl. 4 5 (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000127/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO.
O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício.
LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO.
O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO.
Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização.
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA.
O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem.
RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88.
A Relação de Co-Responsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88.
Numero da decisão: 2402-006.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de CoResponsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 01 27 /2 00 8- 11 Fl. 2735DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 4 2 responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 18471.001856/200887, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário em Processo nº 18471.001856/200887, caracterizado como o mais representativo da controvérsia contida em multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito tendo como Recorrente a PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. e Recorrida a FAZENDA NACIONAL. Em conformidade com os dispositivos contidos no Art. 47, Anexo II do RICARF vigente (com redação dada pela Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018), o resultado do mesmo será paradigma para aplicação em lote repetitivo composto pelos processos de número 11330.000085/200795; Fl. 2736DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 5 3 11330.000087/200784; 11330.000937/200744; 11330.001348/200783; 18471.000127/200811; 18471.000315/200831; 18471.001456/200871; 18471.001506/200811; 18471.001580/200837; 18471.001586/200812 e 18471.001592/200861. Por bem registrar o andamento do processo até a fase recursal, adotaremos o relatório da Decisão recorrida de folhas 265 a 274: "DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.496.3643 consolidado em 01/09/2002), no valor de R$ 34.258,57, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 32/35), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa dos riscos ambientais do trabalho, referentes às competências 12/1999 a 12/2000. 2. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços de construção civil, de acordo com o artigo 30, VI, da Lei no 8.212/1991, com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA, CNPJ: 65.045.619/000168, em cumprimento ao contrato 270.2.044.998. 2.1. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. 2.2. A empresa contratante deixou de apresentar a Discriminação da Redução da Base de Cálculo do Valor Retido nas Faturas de 12/1999 a 12/2000. 2.3. Os dados para o levantamento foram obtidos pela análise dos seguintes elementos: Contrato de Prestação de Serviços, Relação de Faturas e Boletins de Medições, GPS de Retenção de 07/1999 a 11/1999, que foram aproveitadas (não gerando débito nestas competências), GPS de retenção de 11/1999 a 01/2000 e 03/2000 a 12/2000, que foram devidamente aproveitadas, conforme DAD – Discriminativo Analítico de Débito. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 25/09/2002 apresentou impugnação em 10/10/2002, através do instrumento de fls. 40/43, alegando, em síntese: 3.1. afirma o contribuinte que é inegável a previsão da solidariedade passiva na Lei, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da dívida ou da Fl. 2737DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 6 4 obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. Para que o devedor solidário seja cobrado, fazse necessário a declaração de existência da obrigação do devedor originário, e a constituição de sua liquidez; 3.2. devese proceder ao lançamento primeiro contra o contribuinte e, somente após, constituído o crédito contra o devedor principal é que, também o devedor solidário poderá ser cobrado; 3.3. inexistindo o lançamento contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS cobrar da Recorrente, pelo simples motivo de que a existência da obrigação dos devedores não se configurou; 3.4. certo é que o lançamento declara a obrigação, mas deve declarála em face de todos os devedores reputados solidários; 3.5. a Autarquia não apurou e não lançou o tributo contra os devedores principais, mas está louvandose do direito de constituir o crédito apenas contra a impugnante, tomando uma atitude totalmente injurídica; 3.6. em relação à base de cálculo, cumpre destacar que a notificação considerou o valor bruto das notas fiscais para a incidência da exação. Assim, a base de cálculo da contribuição não se restringiu apenas à base de cálculo e ao fato gerador da contribuição social incidente sobre salários, uma vez que, embutidos no valor das notas fiscais ou da fatura, encontramse diversos outros valores, que não se referem à folha de salários da empresa prestadora de serviços; 3.7. a atitude tomada pelo INSS contamina o lançamento, pois este não revela a exata medida da responsabilidade solidária, além de ofender o princípio da legalidade, ante o alargamento da base de cálculo, sem considerar que esta deve guardar absoluta correspondência com o desempenho da atividade desenvolvida pelo contribuinte; 3.8. o INSS transfere para a recorrente, sem lei que o autorize, toda a fiscalização tributária sobre o contribuinte, ofendendo diretamente o princípio da legalidade e não pode prevalecer; 3.9. invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo; 3.10. por fim, requer o cancelamento da notificação e protesta pela juntada de documentação superveniente. Fl. 2738DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 7 5 Do aditamento à impugnação 4. A PETROBRAS ainda apresentou aditamento à impugnação em 23/12/2002, fls. 49, com a juntada de documentos (fls. 50/111), para comprovar suas alegações. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 5. A IMIGRANTES, notificada do lançamento por edital, publicado em 09/05/2003 O DIA (fls. 118) não apresentou impugnação. DA DILIGÊNCIA 6. Diante da documentação apresentada, através do aditamento à impugnação, os autos foram encaminhados ao Serviço de Fiscalização em 27/06/2003, fls. 119. Após análise dos documentos, de fls. 50/111, a fiscalização elaborou Informação Fiscal em 11/07/2003, fls. 120, na qual concluiu pela manutenção do débito, afirmando que os documentos apresentados em nada alteram o lançamento. DO JULGAMENTO E RECURSO 7. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da Decisão Notificação nº 17.401.4/0788/2003, de 29/08/2003, fls. 122/129. Devidamente notificada a PETROBRAS em 04/09/2003, (fls. 130) e a IMIGRANTES, através de edital, publicado em 17/10/2003 (fls. 131). 8. Apenas a PETROBRAS apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, em 30/09/2003 (fls. 134/137). 9. Após a elaboração das ContraRazões, em 27/02/2004 o processo foi encaminhado ao CRPS. 10. A 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão nº 0001134, de 28/06/2004 (fls. 142/149), decidiu anular, por maioria, a Decisão Notificação – DN, determinando que o INSS apresentasse elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justificasse o procedimento adotado, e ainda utilizasse outros meios para localizar o contribuinte (prestador de serviços) tais como diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, Cadastro do ISS, etc, inclusive utilizandose edital na praça de localização do mesmo, pois entendeu que o INSS não se esforçou para localizálo, já que publicou edital de citação em praça diversa do contribuinte. DO PEDIDO DE REVISÃO DO ACÓRDÃO 11. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, o INSS interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 150/154). 12. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão nº 0001134, assim como do Pedido de Revisão, Petrobrás em 19/10/2004 (fls. 155) e Fl. 2739DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 8 6 IMIGRANTES através de edital publicado no Jornal do Comércio em 14/01/2005 (fls. 163). Foi concedido às mesmas, prazo para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS (fls. 158/161). 13. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento, conforme o Acórdão nº 0000631, de 27/05/2005, sob a alegação de que divergência de entendimento não é causa para revisão de julgados deste conselho (fls. 166/169). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. 15. De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação acerca do prestador ter sido alvo de procedimento fiscal com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 16. Em atendimento ao determinado no Acórdão do CRPS, em 16/01/2008, fls. 202/203, o AuditorFiscal afirma inicialmente que o INSS tentou dar ciência da NFLD à empresa prestadora, sem êxito, fazendoo em seguida através de edital e, que efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da SRFB CNAF/CFE, fls. 199, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada, constatandose que não houve ação fiscal com exame de contabilidade, englobando o período referente ao lançamento em pauta, e que a empresa aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9964/2000 –REFIS em 21/03/2000 (fls. 200), mas foi excluída em 01/01/2002 por inadimplência, assim como aderiu ao parcelamento da Lei nº 10684/2003 – PAES (fls. 201), mas encontrase inadimplente desde 20/11/2005. 17. Assim sendo, a Petrobrás foi notificada do Resultado da Diligência de 16/01/2008, dos Acórdãos nº 1134 e nº 631 assim como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 644/2011 (Petrobrás – fls. 208) em 01/04/2011 (fls. 213) e a Fl. 2740DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 9 7 IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA através de edital publicado no Diário Oficial da União em 10/08/2011 (fls. 221), entretanto não se manifestaram." O Recurso Voluntário apresentado após o reinício do contencioso aborda questões relacionadas a falhas ocorridas no processo. Inicia suas questões preliminares sustentando ser a Nulidade da NFLD por ausência de requisitos mínimos relacionados a fundamentação e identificação do fato gerador, afirmando que a "indicação genérica pode apenas compreender o motivo, porém não o faz em face da motivação para embasar o ato jurídico administrativo." Argumenta haver ilegalidade quanto ao "reinício do contencioso administrativo" frente a coisa julgada administrativa. Ainda que se admita a possibilidade de reinício do contencioso, sustenta ter ocorrido novo lançamento em momento onde o crédito já havia decaído. Articula pela impossibilidade de revisão do lançamento indicando ter ocorrido violação ao disposto no Art. 149 do CTN e sustenta ainda haver impossibilidade de retroatividade da aplicação do Enunciado 30 do CRPS. Entende ter ocorrido o descumprimento da Decisão do CRPS quanto a anulação da DN e realização de diligencia fiscal suplementar. Trata ainda de apresentar tese quanto a impossibilidade de estabelecimento da solidariedade sem a preexistência do crédito constituído contra o devedor principal e discorre a respeito da adoção de base de calculo inadequada. Por derradeiro, trata da exclusão de responsabilidade dos representantes legais e pugna pela realização de diligência suplementar. É o Relatório." Voto Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 18471.001856/200887, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos vencido e vencedor proferidos, respectivamente, pelos Conselheiros Jamed Abdul Nasser Fl. 2741DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 10 8 Feitoza e Denny Medeiros da Silveira, dignos Relator e Redator designado da decisão paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018: Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Voto Vencido " Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. 1. ADMISSIBILIDADE. O presente processo é marcado por uma forte atipicidade ritualística, impondo uma cuidadosa análise de admissibilidade. Para além do fato de tratarse de paradigma de recursos em matéria de direito repetitivas, o processo padece de falhas procedimentais com grande impacto quanto aos pontos do Recurso Voluntário que devem ser conhecidos e aqueles que representam inovação na lide. A Recorrente apresentou impugnação total da NFLD nº 35.496.3643 e aditamento da mesma para juntar documentos e em tais manifestações limitouse a tratar de questões de mérito relacionadas a solidariedade e base de calculo adotada, nada tratando a respeito de outros pontos. Em julgamento da impugnação o lançamento foi mantido nos termos da Decisão Notificação n° 17.401.4/0788/2003, em razão disso a Recorrente apresentou seu primeiro Recurso Voluntário, este contraarrazoado pelo INSS. Em julgamento de tais peças, foi proferido o Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 onde os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, decidiram anular a decisão recorrida. A Secretara da Receita Previdenciária SRP emitiu Pedido de Revisão do Acórdão. Em resposta, a Recorrente apresentou manifestação no sentido de manutenção da decisão e não conhecimento do pedido de revisão, sendo emitido o Acórdão n° 631 de 27/05/2005 em que os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS decidiram não conhecer do Pedido de Revisão. Em decorrência do julgamento e de outras discussões foi providenciada a devolução do depósito recursal referente à NFLD n° 35.496.3643. Os contribuintes principal e solidário foram cientificados dos Acórdãos n° 1134 e 631 da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS e do Resultado de Diligência de 16/01/2008, conforme intimação de fls. 210 e Edital de fls. 222, no entanto não apresentaram manifestações. Por meio de mero despacho da Superintendência Regional 7ª Região Fiscal DEMAC foi determinado o reinício do contencioso administrativo. Fl. 2742DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 11 9 O Recurso Voluntário em julgamento é interposto contra nova decisão de primeira instância emitida em razão do reinício do contencioso e tomando por base a impugnação original. Portanto, é um corolário lógico que o Recurso trate de temas não articulados na Impugnação. Entretanto, há limites para tal. As questões relacionadas a ordem processual devem ser conhecidas ainda que representem inovação, pois, decorrem de atos processuais posteriores a apresentação da impugnação. Contudo, outros temas constantes do Recurso Voluntário em julgamento, mas que não decorrem de atos posteriores a impugnação, não merecem ser conhecidos. Nesse sentido, por representar inovação na lide, voto por não conhecer a preliminar de nulidade, eis que poderia ter sido apresentada desde a impugnação, assim como voto por não conhecer das alegações de relacionadas a exclusão de responsabilidade dos representantes legais. Quanto aos demais pontos do recurso, voto por conhecêlos integralmente eis que, dadas as circunstâncias processuais, preenchem os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. 2. DAS QUESTÕES PREJUDICIAIS AO MÉRITO. Embora não tenham sido articuladas como preliminares, devem ser conhecidas e votadas de modo prioritário as matérias recursais com potencial prejudicialidade à análise dos demais pontos. Sob tal pressuposto técnico há de se conhecer de modo prioritário os argumentos de ilegalidade do denominado "reinício do contencioso e Decadência". Em análise do andamento processual, nos parece claro que o objeto da lide foi resolvido de modo inequívoco e definitivo por meio dos Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 e confirmado por meio do Acórdão n° 631 de 27/05/2005 emitidos pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS. O Acórdão nº 0001134, proferido pela 2ª CAJ em 28/06/2004 recebeu a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO Solidariedade. E necessário que o INSS constate a j . existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN. O referido Acórdão apresentou o seguinte resultado: Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Segunda Câmara de Julgamento do Fl. 2743DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 12 10 CRPS, por Maioria em ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO (DN), de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação. Apresentou voto divergente, sendo vencido, o Representante do Governo, Marco André Ramos Vieira. Apresentou Declaração de Voto, acompanhando o voto do Relator, o Representante do Governo, Mário Humberto Cabus Moreira. Quanto aos termos fundamentais do Acórdão é relevante observar que o decisório contém o voto do Relator, um voto vencido e uma declaração de voto que apresentam ligeira divergência quanto as razões, mas todas as manifestações votaram por anular a decisão notificação. Em todas as manifestações restou claro haver dúvidas quanto a própria materialidade da obrigação tributária, uma vez que nenhum procedimento para verificação do inadimplemento tributário por parte do devedor original foi realizado. O lançamento se deu por mera presunção, não se adotando nenhum tipo de cautela fiscal com vistas a averiguar se, por exemplo, não haveria duplicidade de pagamentos. As divergências se estabeleceram quanto a necessidade de realização de diligência fiscal suplementar e outros aspectos teóricos relacionados ao estabelecimento da solidariedade. Mas, mesmo diante das divergências, restou uníssono o entendimento quanto a necessária indicação do fato gerador e seus elementos caracterizadores, sendo este o fundamento dado para declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Por consequência, anulada a decisão restou anulado o próprio lançamento, eis que os fundamentos que conduziram a tal resultado fazem referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora. A anulação não tomou por base a decisão recorrida e seus elementos formais ou processuais, mas o lançamento, sendo inegável a sua desconstituição. Seguindo no contencioso, verificamos a existência de um pedido de reconsideração apresentado pelo próprio INSS obtendo decisão com a seguinte ementa: CUSTEIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Lançamento fiscal é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, nos termos do I art. 142, do Código Tributário Nacional. A apuração do crédito tributário Junto ao prestador é necessária. Caso ocorra a não apresentação ou apresentação, deficiente pelo prestador, da documentação contábil ou trabalhista necessária a Fl. 2744DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 13 11 comprovar a extinção previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Nos ditames do parecer 2.376/2000, o INSS deve evitar os lançamentos em duplicidade, ou ainda, a exigência de contribuições já recolhidas. A interpretação divergente por si só não enseja não gera a revisão de acórdão. Pedido de Revisão Não Conhecido. O Denominado "Pedido de Revisão" equivale ao Recurso Especial e, por consequência, sua admissibilidade está condicionada à demonstração efetiva de existência de julgados semelhantes com interpretação divergente, o que não se demonstrou no presente caso, levando o referido pedido ao não conhecimento. Com efeito, este processo seguiu seu rito e se esgotou em definitivo na data de 31/05/2005. Importante observar que consta dos autos despacho confirmando a definitividade da decisão e encerramento do processo (Fls. 170), tendo o Recorrente intimado da decisão em 12/07/2005. Portanto, restou conformada a situação jurídica de que trata o inciso II do Art. 42 combinado com o disposto no Art. 45, ambos do Decreto 70.235/71: "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. [...] Art. 45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio." Entretanto, em afronta aos princípios da legalidade, segurança jurídica, ampla defesa e contraditório, sem qualquer razão ou fundamento legal, por mero despacho de integrantes da fiscalização, determinouse o reinício do contencioso. (Fl. 261) Em que pese haver indicação quanto a necessidade de realização de diligência suplementar no voto vencedor do Acórdão que decidiu pela nulidade do lançamento, não há como confundir o decisório como mera resolução ou mesmo aceitar tratase de anulação por vicio meramente formal, o que viabilizaria a reemissão do lançamento nos termos do Art. 173, II do CTN. Não seria uma Resolução por ter conteúdo decisório extintivo, tão pouco poderia ser atribuído ao fisco o direito de reemitir o lançamento, nos termos dispostos no Art. 173, II do CTN, por absoluta ausência de fundamentação neste sentido ou Fl. 2745DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 14 12 compatibilidade dos elementos decisórios às previsões do referido dispositivo, eis que a nulidade declarada tem natureza material. Se considerarmos que o Acórdão nº 1134 foi proferido em 28/06/2004 e fazia referência a fatos geradores ocorridos entre 12/1999 e 12/2000, tal indicação tinha por pressuposto o fato de que, naquele momento, o direito de realizar novo lançamento ainda não havia decaído, sendo mera indicação. De modo que tal determinação, tomada pelo próprio órgão lançador, sem qualquer fundamentação, fere diversos direitos e garantias fundamentais dos contribuintes e a ordem pública, em especial o direito ao devido processo legal, legalidade, segurança jurídica e ampla defesa e contraditório. Além de afrontar qualquer lógica processual, o chamado "reinício do contencioso" tem como ato seguinte não um novo lançamento, notificação do lançamento ou qualquer ato inequívoco que permita aos contribuintes exercerem o seu direito a ampla defesa e contraditório de modo amplo e adequado, mas, parte, ato contínuo, para o julgamento de lançamento já anulado por decisão definitiva, sem dar a oportunidade dos contribuintes apresentarem nova impugnação. Ainda que tal oportunidade fosse conferida aos contribuintes solidário e principal, à que elementos deveriam resistir? O lançamento fora anulado, novo lançamento não foi emitido e ainda que fosse, como a anulação não se deu por elementos meramente formais, os créditos em foco já estariam sob decadência, eis que o processo alcançou sua definitividade em 12/07/2005 e nenhum novo lançamento foi realizado até a presente data. Por todo exposto, voto por dar provimento ao recurso quanto a impossibilidade de reinício, uma vez que decisão definitiva fora proferida, voto ainda por reconhecer a extinção do direito de constituição do crédito ante a decadência, bem como a nulidade da decisão também por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica. 3. MÉRITO. Em atenção ao princípio da eventualidade, dada a possibilidade de não ser acompanhando pelo colegiado nos pontos anteriores, analiso os demais argumentos recursais passíveis de conhecimento. 3.1. Impossibilidade de Revisão do Lançamento. Um dos fundamentos trazidos aos autos para tentar dar ares de legalidade ao reinício do contencioso com revisão do lançamento, foi introduzido pelo Relator do Acórdão nº 12 Fl. 2746DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 15 13 60.032 da 10ª Turma da DRJ/RJ1, de 25/09/2013, nos seguintes termos: "14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços" O reinício do contencioso tomou por base uma mudança dos critérios jurídicos da autoridade administrativa sobre o tema ocorrida posteriormente ao momento em que a decisão que anulou o lançamento se tornou definitiva. O relatório da decisão recorrida indica que a reabertura do contencioso já encerrado teve por fundamento a alteração do "entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007". Contudo, conforme já abordado anteriormente, a decisão que anulou o lançamento, tornouse definitiva em 12/07/2005 conforme despacho de [Fls. 170]. O Código Tributário Nacional nos revela, em diversas passagens, uma forte preocupação do legislador com a manutenção da segurança jurídica, dentre tais passagens, na solução do presente caso, destacase o Art. 146 do referenciado Código que assim vincula a autoridade fiscal e julgadora: "Art. 146 A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." O sujeito passivo não pode ficar exposto às variações interpretativas que as normas jurídicas podem suscitar nas autoridades fiscais ou julgadoras, menos ainda, pode o processo administrativo ser um elemento de propagação das incertezas jurídicas sobre situações jurídicas anteriores e já resolvidas por meio de decisão definitiva. Portanto, ainda que se entenda pela possibilidade de reinício do contencioso por mero despacho de agente fiscal sem qualquer fundamentação legal, não pode o julgador, tentando dar ares de Fl. 2747DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 16 14 legalidade ao reinício do contencioso, introduzir nova fundamentação e ainda, tal fundamentação estar baseada na alteração dos critérios jurídicos trazidos por meio do Enunciado nº 30 exarado dois anos depois que a decisão de nulidade do lançamento tornouse definitiva. Admitir uma aplicação retroativa do Enunciado em questão de modo a permitir a reinício do contencioso e, mais do que isso, a alteração do resultado do julgamento com base em tal entendimento inovador fere a segurança jurídica e contraria o disposto no Art. 2º, Parágrafo único XIII da Lei 9.784/99: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; [...] XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso neste ponto declarando nula a decisão recorrida e por conseqüência o crédito a que se refere. 3.2. Da Solidariedade, Descumprimento da decisão do CRPS. Ainda em atenção ao princípio da eventualidade, eis que outro Conselheiro pode apresentar melhor juízo sobre os fatos e fundamentos relativos ao caso e contidos no presente voto, seguiremos na análise do Recurso. Outrossim, o Código Tributário Nacional, em seu art. 142 define, como um dos requisitos do lançamento de oficio, a perfeita identificação do sujeito passivo como essencial, não sendo possível exigir tributo de quem não tem relação com o fato gerador. Já o Art. 121 define como sujeito passivo da obrigação principal a pessoa obrigada ao pagamento de tributos contra ou penalidade e, seguindo em suas definições, o referido artigo divide tal sujeito da obrigação em: I Contribuinte, promovedor do fato gerador, e II Responsável, sem ação na promoção do fato gerador, mas assim definido por imposição legal. Por derradeiro o Art. 124 do mesmo Código trata da responsabilidade solidária a dividindo em: I decorrente de Fl. 2748DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 17 15 interesse comum e II a que tem origem através de imposição legal, ambas não comportando beneficio de ordem. As obrigações para com a seguridade social incidentes sobre fatos geradores relacionados à obras de construção civil, o art. 30, VI, da Lei 8212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, impõe a responsabilidade solidária e sem beneficio de ordem ao incorporador, proprietário ou empreiteiro: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) [...] VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem;(Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Assim, não resta dúvida quanto a possibilidade de atribuição de responsabilidade solidária ao "proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo" Como estamos diante de uma espécie de responsabilidade solidária decorrente de Lei, sua imposição ao caso concreto deve ser vinculada aos seus dispositivos e termos e devendo ser comprovada a natureza da relação jurídica entre contratante e contratado. E recorrendo às lições de Leandro Pausen1: Devese destacar, neste particular que a lei, em vez de simplesmente se referir às atividades inerentes à construção civil e de deixar ao intérprete descortinar sua amplitude, referiuse expressamente à "construção, reforma ou acréscimo", delimitando seu âmbito de incidência. São relevantes, pois, tais definições. "Construção" implica e edificação de prédio novo, abrangendo todas as suas fases, desde as fundações até o acabamento. "Reforma" implica alteração em características do prédio, mediante modificações nas divisórias ou aberturas ou substituição de materiais com vistas à melhoria na aparência ou na funcionalidade. "Acréscimo" envolve a ampliação, com aumento de área. As obrigações atinentes a construções, 1 Pausen, Leandro Contribuições:custeio da seguridade social / Leandro Pausen. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2007, pags 76/77 Fl. 2749DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 18 16 reformas e acréscimos estão submetidas ao regime de responsabilidade solidária. Outra é a situação de serviços que possam ser enquadrados como de simples manutenção, não alcançados pela norma. A pintura, por exemplo, embora seja inerente à construção civil, pois, o prédio construído é pintado, ao menos internamente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, porque lhe é inerente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, não pode ser considerada, separadamente, como construção. De fato a pintura, como parte de um empreendimento maior, não desborda da construção, porque lhe é inerente, de outro lado, tomada separadamente, não pode ser considerada como obra de construção. Pintar um prédio, considerada esta atividade separadamente, não é construílo. Assim considerada, a pintura enquadrase num quarto conceito, o de conservação ou manutenção, não apanhado pelo dispositivo legal em discussão. Restando claro os limites normativos geradores da responsabilidade solidária na construção civil, cabe, de modo prévio, verificar se as operações tomadas por geradoras de tal responsabilidade por parte do i. Agente Fiscal enquadramse no conceito de construção, reforma ou acréscimo, eis que não sendo estes os objetos contratuais e fatos identificados pelo i. Agente Fiscal para viabilizar o lançamento, não restaria configurada hipótese legal de incidência da referida norma. O próprio relatório fiscal nos dá tal informação com clareza cristalina ao descrever a situação fática tomada por base para realizar o lançamento, tendo o contratante como Responsável Solidário com fundamento no art. 30, Vi da Lei 8.212/91: 3 Foi verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratou com empresa construtora, identificada no item 1 deste, a construção em cumprimento ao(s) contrato(s) nº 270.2.044.998 cujo(s) objeto(s) era(m): A EXECUÇÃO SOB REGIME DE EMPREITADA POR PREÇOS UNITÁRIOS, DE SERVIÇOS DE LIMPEZA INDUSTRIAL INCLUINDO MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. Ocorre que a empresa não comprovou o cumprimento das obrigações da construtora para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento especificas para obra contratada,nem apresentação de folhas de pagamentos especificas dos segurados empregados alocados na obra contratada. Ora, não estamos nos referindo a uma empresa qualquer, trata se de uma sociedade de economia mista que teve sua criação autorizada pela Lei 2.004/53 e que dentre suas especificidades está sujeita a procedimentos próprios de contração por meio de processo especifico de licitação. Fl. 2750DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 19 17 Desse modo, além do relatório fiscal, nada indica nesse sentido, não há como admitir hipótese do objeto do referido contrato estar em desacordo com a realidade. Assim, no presente caso, não há subsunção da operação indicada pelo i. Agente fiscal a hipótese de incidência da responsabilidade solidária atribuída ao recorrente. Não estamos diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil é possível ser identificada com clareza, eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas. Em adição a impugnação o Recorrente juntou notas fiscais que deixam clara a realização do referido objeto, portanto, a situação fática não, a verdade que se ignorou desde o lançamento, não permite a conformação da responsabilidade solidária por absoluta falta de previsão e enquadramento da operação ao referido normativo. Ainda que, analisando as provas contidas nos autos, os demais conselheiros apreendam a situação fática de modo diverso da leitura ora exposta, não há como negar que o lançamento padece de nulidade, eis que nenhum procedimento tendente a verificar a materialidade do descumprimento das obrigações foi realizada pelo i. Agente fiscal de modo claro e seguro. Ainda com apoio nas valiosas lições de Leandro Paulsen, temos que2: [...] quanto aos efeitos da solidariedade estabelecida, cabe esclarecer que não autoriza o Fisco a efetuar lançamento contra o responsável pelo simples fato de não apresentar à fiscalização, quando solicitado, as guias comprobatórias do pagamento, pelo construtor, das contribuições relativas à obra. Impõese que o Fisco verifique se o construtor efetuou ou não os recolhimentos. De fato, não há que se confundir a causa que atrai a responsabilidade solidária do dono da obra (ausência de documentação exigida comprobatória do pagamento pelo contribuinte) com a pendência da obrigação tributária em si. A responsabilidade solidária recai sobre obrigações que precisam ser apuradas adequadamente, junto aos empreiteiros/construtores, de modo a se verificar a efetiva base de calculo e a existência de pagamentos já realizados, até porque, na solidariedade, o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais, nos termos do art. 125, I, do CTN. A análise da documentação do construtor é, assim, indispensável ao lançamento. Em existindo dívida, terseá a possibilidade de exigila de um ou de outro, forte na solidariedade, sem benefício de ordem, conforme se infere do art. 124, parágrafo único do CTN. 2 ob.cit. pags 77/78 Fl. 2751DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 20 18 Alinhados a tal fundamento é que os julgadores quer nos precederam antes do malfadado "reinício do contencioso" votaram por anular o lançamento. Portanto, não há como deixar de entender nulo o referido ato decisório que votou pela manutenção do lançamento, eis que o procedimento de fiscalização não realizou diligências mínimas no sentido de demonstrar a ocorrência do fato gerador e seu inadimplemento. A Lei nº 8.212/91 não criou nova hipótese de incidência das referidas contribuições, não há base constitucional ou legal para admitir um lançamento cujo o fato gerador seja a não comprovação de que um terceiro relacionado deixou adimplir obrigação tributária. Apurar o tributo, realizar procedimentos fiscalizatórios mínimos aptos a comprovar o inadimplemento das obrigações indicando seus aspectos quantitativos de modo objetivo, claro e alinhando a realidade fática é ato prévio a identificação de situação jurídica apta a trair ao pólo passivo da obrigação um responsável solidário, o que se faz somente se as condições de tal atribuição de responsabilidade estiverem claramente alinhadas as hipóteses legais. Ainda que se possa admitir que ausência de comprovação do atendimento as obrigações fiscais previdenciárias por parte dos empreiteiros gere a presunção de ocorrência do fato gerador e, por consequência, atribuição de responsabilidade solidária ao contratante, isto não implica em autorização do fisco para cobrar tributos já recolhidos ou realizar o lançamento apenas contra o responsável solidário. No presente caso o lançamento foi realizado sem qualquer cuidado quanto a tais elementos essenciais e vinculantes, eis que nenhum ato tendente a demonstrar que o contribuinte principal efetivamente deixou de adimplir as obrigações em lide não foi realizado até o momento do lançamento. Observem que apenas em retorno de diligência alguns procedimentos foram realizados com o objetivo de demonstrar que, de fato, as obrigações em lide deixaram de ser adimplidas e, mesmo neste caso, restou demonstrado que o contribuinte principal aderiu ao REFIS e ao PAEX indicando os fatos geradores em questão para composição dos referidos parcelamentos. Ora, uma condição de todos esses parcelamentos é justamente o pagamento de uma parcela das obrigações, portanto, ainda que tais parcelamentos não tenham seguido seu curso de modo pleno, parte das obrigações tidas por inadimplidas, em realidade foram pagas, não havendo nos autos qualquer demonstração quanto a exclusão de valores duplicados. Assim, independente do posicionamento dos demais membros do colegiado resta claro que não há segurança quanto a inadimplência das referidas obrigações. Outro ponto relevante é que o lançamento foi realizado apenas contra o Responsável Fl. 2752DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 21 19 Solidário, eis que, nos autos não constam qualquer indicativos de ter havido o lançamento e notificação original contra o contribuinte principal, o que ocorreu apenas na fase contenciosa do processo. Quanto a alteração dos critérios jurídicos adotados pela administração tributária ao exarar o Enunciado 30/2007, conforme já exposto, não há como admitir sua retroatividade de modo a possibilitar que situações já resolvidas em favor do contribuinte ou responsável retornem a litigiosidade e com base em tal mudança alterem o resultado original do julgamento, o que fere a segurança jurídica e legalidade em clara afronta o art. 149 do CTN. De outro lado, ainda que o Recorrente não tenha suscitado tal questão, considerando que o fundamento do reinício do contencioso tomou por motivador uma alteração dos critérios jurídicos quanto aos requisitos necessários para atribuição de responsabilidade solidária e ainda, em atenção ao disposto no Anexo II, art. 45, inciso VI e art. 62 ambos do RICARF, é necessário analisar a aplicabilidade da Súmula CARF nº 66 ao presente caso. Súmula CARF nº 66: Os Órgãos da Administração Pública não respondem solidariamente por créditos previdenciários das empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, reforma e acréscimo, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Para definir o alcance do termo "órgão da administração pública" podemos recorrer ao que dispõe o DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967 que dispõe sobre a organização da Administração Federal que em seu art. 4º define a estrutura da administração. Art. 4° A Administração Federal compreende: I A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios. II A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria: a) Autarquias; b) Empresas Públicas; c) Sociedades de Economia Mista. d) fundações públicas. Portanto, considerando que a Recorrente é Sociedade de Economia Mista, integra a administração pública, entendimento Fl. 2753DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 22 20 esse compartilhado pela doutrina e jurisprudência de modo majoritário3. De modo a afastar eventuais dúvidas quanto compatibilidade da referida Súmula ao presente caso, em atenção ao disposto no art. 926, §2º do CPC, realizamos uma analise dos precedentes que deram azo a referida súmula e identificamos que dentre os paradigmas adotados na sua edição o Acórdão n.º 206.00.611, que nega provimento a Recurso de Ofício em razão da inexistência de responsabilidade solidária na construção civil tinha por interessado uma fundação pública estadual integrante da administração indireta, tem por interessado a Fundação Clóvis Salgado e Outros, vejamos sua ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 31/07/1998 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — CONSTRUÇÃO CIVIL — ÓRGÃO PÚBLICO — FUNDAMENTO LEGAL ART. 30, INCISO VI LEI 8.212/1991 — INEXISTÊNCIA. Diante do que prevê o artigo 71, §2°da Lei n° 8.666/93, com a redação dada pela Lei n° 9.032/95,somente nas situações previstas no art.31 da Lei n° 8.212/1991, a Administração passou a responder solidariamente com o contratado pelas contribuições previdenciárias por ele devidas. Recurso de Oficio Negado Assim como a Recorrente, a Fundação Estadual a que se refere o precedente, integra a administração pública indireta, esta na condição de fundação pública e aquela na condição de sociedade de economia mista, portanto, para este relator não há 3 STJ MANDADO DE SEGURANÇA MS 18574 DF 2012/01080270 (STJ) Data de publicação: 07/05/2013 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. PRETENSÃO DE DESCONSTITUIR O CARÁTER SIGILOSO ATRIBUÍDO ÀS INFORMAÇÕES RELATIVAS À EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA DA PETROBRAS. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DO SR. MINISTRO DE ESTADO DE MINAS E ENERGIA. 1. A PETROBRAS ostenta natureza jurídica de sociedade de economia mista e integra a Administração Pública Indireta, estando, apenas, vinculada ao Ministério de Minas de Energia (art. 4º , II , c , do DecretoLei n. 200 /67). Logo, ainda que tal empresa tenha a União como sua sócia majoritária, não se sujeita ao Poder Público Central, mas apenas à tutela administrativa, máxime porque goza de autonomia administrativa e financeira. 2. A autoridade impetrada não foi a responsável para atribuição de caráter reservado às informações prestadas, razão pela qual exsurge a sua ilegitimidade passiva ad causam. 3. Segurança denegada (art. 6º , § 5º , da Lei n. 12.016 /2009 combinado com art. 267 , VI, do CPC ). STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1096552 RJ 2008/02341791 (STJ) Data de publicação: 14/09/2009 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – HABEAS DATA – SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA – ADMINISTRAÇÃO INDIRETA – ENTIDADE GOVERNAMENTAL – CABIMENTO – REGISTRO PESSOAL – DOCUMENTO PARA INSTRUIR PROCESSO DE REINTEGRAÇÃO DE PERSEGUIDO POLÍTICO. 1. Hipótese em que o particular impetrou habeas data contra a Petrobrás, para que essa apresentasse documento interno com informações pessoais, que comprovariam as razões eminentemente políticas para seu afastamento do quadro de funcionários da sociedade de economia mista ocorrida durante o Regime Militar. 2. As sociedades de economia mista integram a Administração Pública Indireta como 'entidade governamental', para fins do disposto no art. 7º , inc. I , da Lei 9.507 /1997. 3. A informação pleiteada pelo impetrante não é mera comunicação interna da empresa, mas se refere a registro pessoal, inegavelmente, do seu interesse. 4. Recurso especial não provido. Fl. 2754DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 23 21 dúvida quanto a possibilidade de aplicação do referido entendimento sumulado ao sociedades de economia mista como a Petrobrás, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Considerando que o instrumento de lançamento nada tratou quanto a assunção de responsabilidade direta e total pela obra e nos autos não consta cópia do contrato, é relevante observar que a Recorrente, no período dos fatos geradores, estava obrigada a observar o que dispõe o Decreto nº 2745 de 24 de agosto de 1998 que aprova o Regulamento do Procedimento Licitatório Simplificado da Petróleo Brasileiro S.A. PETROBRÁS previsto no art . 67 da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. Neste regulamento consta do item 7.1.3, alínea "j", que a definição da responsabilidade pelo recolhimento dos tributos era definida a época nos próprios instrumentos contratuais: 7.1.3Os contratos deverão estabelecer, com clareza e precisão, os direitos, obrigações e responsabilidades das partes e conterão cláusulas específicas sobre: [...] i) as condições referentes ao recebimento do material, obra ou serviço; j) as responsabilidades por tributos ou contribuições; Assim, em que pese a possibilidade de aplicação do Enunciado em operações simulares, ante a ausência de provas quanto a assunção de responsabilidade total direita e total pela obra pelo contribuinte principal, não é possível verificar, com segurança, a Súmula CARF nº 66 ao presente caso. A inaplicabilidade da Sumula nº 66 não altera o entendimento já manifestado quanto a nulidade da decisão recorrida, eis que há ausência de subsunção da operação aos preceitos autorizadores do estabelecimento da responsabilidade solidária na construção civil, seja pelo fato de não estamos tratando de construção, reforma ou ampliação, seja em razão da ilegalidade de estabelecer tal responsabilidade sem segurança quanto a certeza e liquidez do crédito conforme já demonstrado. 3.3. Da mensuração de base de cálculo. Considerando a possibilidade de restar vencido quanto aos pontos anteriores, em que o colegiado teria emitido entendimento no sentido da existência de responsabilidade solidária da Recorrente, há de se avaliar a questão da base de calculo sob a premissa de conformação de tal responsabilidade, eis que, em sendo vencedor, não haveria razão para proceder a tal discussão. Fl. 2755DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 24 22 E uma vez decidido pela existência de solidariedade, não há outro posicionamento a ser tomado que não a rejeição da tese da Recorrente neste ponto. O questionamento da Recorrente quanto a mensuração da base de calculo é equivocado, pois, tendo em vista a não apresentação dos documentos solicitados, a legislação aplicável é aquela vigente por ocasião do lançamento fiscal, em respeito ao caput do art. 144 do CTN, conforme já manifestado pela decisão Recorrida: Apenas no que diz respeito à forma de apuração da base imponível das contribuições, foi utilizada a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/07/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/05/2000, que fundamentou os critérios de apuração do crédito tributário. No caso de aferição indireta, prevista no art. 33 § 3º da Lei 8.212/1991, o ato normativo definiu o percentual da nota fiscal a ser considerado como saláriodecontribuição por ocasião da ação fiscal. 32. Portanto, o critério de aferição utilizado não fere o princípio da legalidade, eis que: a) O Código Tributário Nacional prevê esta normatização em seu art. 100, inc. I; b) O art. 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, vigente no período do lançamento, também legitimava este procedimento; Ressaltese que os atos normativos não estabelecem alíquota, mas sim parâmetros de aferição nos casos autorizados pela Lei e pelo Decreto pertinente, conforme devidamente exposto no item 13 do Relatório Fiscal. Isto posto, apenas se vencido quanto aos demais pontos, no que se refere as alegações recursais quanto a base de calculo, voto por não acolher a tese da Recorrente. 3.4. Da exclusão de responsabilidade tributária dos responsáveis legais. A Recorrente argumenta haver atribuição de responsabilidade dos representantes, sócios e diretores com fundamento no Art. 13 da lei 8212/93, argumentando ser ilegal tal atribuição eis que tal situação jurídica seria decorrência da prática de atos que constituam excesso de poder, infração à lei ou a instrumentos societários, podendo os administradores da pessoa jurídica recorrente figurar no pólo passivo apenas em casos excepcionais. Em tais caso se aplicaria o disposto no artigo 135 do Código Tributário Nacional: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 2756DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 25 23 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (...) VII os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicos direito privado." (g.n.) Tal argumento, nos parece advir do malogrado nome adotado pelo Relatório de Fls. 5/6 CORESP Relação de Co Responsáveis, eis que não há maiores fundamentações sobe o caso no Relatório fiscal. Com relação a CORESP, apesar de adotar denominação fora de qualquer critério técnico, o CORESP não se presta a definir responsabilidade pessoal dos administradores, mas apenas indicar os representantes legais da pessoa jurídica. O Relator da decisão recorrida, sobre esse tema, lembrou que 'a Instrução Normativa SRP n° 20, de 11.01.2007, alterou a denominação do referido relatório para "Relatório de Representantes Legais", adequandoo definitivamente à sua verdadeira natureza e encerrando qualquer controvérsia sobre o tema. Tal tema foi objeto da Súmula CARF nº 88 e, no caso concreto, não vislumbramos qualquer nuance que imponha a não aplicação da referida súmula. "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." Assim sendo, no caso em tela, despicienda maior argumentação, tal ponto não merece prosperar. 3.5. Da Necessidade de Diligencias Suplementares. A realização de Diligência suplementar é desnecessária, eis que, pela conformação dos autos, foi possível conhecer a matéria de forma plena e favoravelmente as pretensões da Recorrente. Considerando que nos termos do Art. 18 do Decreto 70.235/71 as diligencias e sua necessidade ingressam no âmbito de discricionariedade do julgador que, entendendo por sua desnecessidade, pode dispensála. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 2757DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 26 24 § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De modo que voto por rejeitar tal pedido, eis que a matéria está devidamente instruída tendo viabilizado a emissão de voto favorável a Recorrente. Conclusão Por todo exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, de modo preliminar, acolher as alegações de nulidade da decisão recorrida e decadência do lançamento e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator " Voto Vencedor "Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto ao reinício do processo, quanto à mudança de critério jurídico e quanto à discussão acerca da natureza dos serviços contratados. Do alegado reinício do processo Segundo o Relator, ao anular a decisão de primeira instância, o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) teria anulado o próprio lançamento, pois os fundamentos que conduziram a tal resultado teriam feito “referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora”. O Relator também faz referência ao despacho da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes (DEMAC), no qual é dito que "deverá ter reinício o contencioso administrativo". Fl. 2758DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 27 25 Em face a essa situação, o Relator conclui pela impossibilidade de reinício do processo e que teria se extinguido “o direito de constituição [de um novo] crédito ante a decadência”, bem como que seria nula a decisão recorrida “por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica”. Pois bem, em que pese toda a argumentação feita pelo CRPS, no julgamento do recurso interposto pela ora Recorrente, o acórdão proferido por aquele Conselho foi claro ao anular, expressamente, a decisão de primeira instância e ao determinar a realização de diligência, nos seguintes termos: Entendo ainda que o INSS não se esforçou em localizar o contribuinte (prestador dos serviços), fazendo publicar edital de citação em praça diversa do contribuinte. Assim deverão ser adotados outros meios para idealizar seu paradeiro (exemplo: diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, cadastro do ISS, etc., utilizandose inclusive edital na praça de localização do contribuinte). Assim entendo que o INSS deve apresentar elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justifique o procedimento adotado. CONCLUSÃO Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO N° 17.401.4/0788/2003, fls. 121/'28, determinando que seja observado o que foi exposto no voto acima. Conforme se observa na transcrição acima, apesar do texto não ter seguido a melhor técnica de redação, o CRPS foi inequívoco ao anular, unicamente, a Decisão Notificação e determinar a realização de diligência para que o prestador fosse intimado e para que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apresentasse elementos capazes de justificar o procedimento adotado. Diante desse quadro, a Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro (Centro) encaminhou os autos ao Serviço de Fiscalização para que fosse providenciada a diligência solicitada. Em resposta ao pedido de diligência, a Secretaria da Receita Federal do Brasil4, por meio de sua delegacia correspondente, informou que o INSS não logrou êxito em notificar a empresa prestadora, nem mesmo por edital. Também informou que não houve ação fiscal na prestadora, com exame de contabilidade, no período referente ao lançamento em pauta. Na sequência, a DEMAC intimou a ora Recorrente e a empresa prestadora da decisão proferida pelo CRPS e do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, no entanto, nenhuma das duas se manifestou. Sendo assim, os 4 A Secretaria da Receita Federal do Brasil foi criada em 2/5/07, como resultado da fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, nos termos da Lei 11.457, de 16/3/07. Fl. 2759DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 28 26 autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no Rio de Janeiro, para que fosse proferida nova decisão de primeira instância. Portanto, apesar da palavra “reinício” ter sido mencionada no citado despacho da DEMAC, tomandose por base a sequência de procedimentos descritos acima, notase, de forma cristalina, que em nenhum momento o contencioso administrativo foi concluído (ou finalizado) e reiniciado, mas sim que está em trâmite desde a sua instauração. Até porque, nenhuma mácula restou evidenciada na base de cálculo apurada pela fiscalização. Ademais, o contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. Dessa forma, como o crédito lançado ainda está em discussão, não há que se falar em decadência e nem mesmo em afronta ao devido processo legal e à segurança jurídica, uma vez que todos os procedimentos adotados pela Administração Tributária estiveram devidamente amparados na legislação de regência, tendo sido concedido à Recorrente e à empresa prestadora o direito de se defenderem de todas as decisões proferidas. Da alegada revisão do lançamento com mudança de critério jurídico Segundo alegação ventilada no recurso voluntário e acolhida pelo Relator, a decisão de primeira instância teria promovido uma revisão do lançamento ao manter o crédito lançado com base em novo entendimento do CRPS acerca da responsabilidade solidária, constante do Enunciado nº 30, de 31/1/07, o que representaria uma mudança de critério jurídico, porém, não comungamos desse entendimento. Primeiramente, devemos observar que a decisão recorrida utilizou os mesmos fundamentos adotados pela fiscalização, quais sejam, o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, o art. 124 do CTN5, a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/7/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/5/2000, dentre outros, e que a menção ao Enunciado nº 30 serviu apenas como um reforço à tese defendida, uma vez que diz exatamente o que a fiscalização fez. Lembrando que tal enunciado sequer chegou a ser mencionado no voto condutor do acórdão recorrido. Também não vemos qualquer óbice quanto à citação a esse enunciado, pois, nos termos do art. 63, § 1º, do Regimento Interno do CRPS6, a interpretação dada pelo enunciado se aplica a casos não definitivamente julgados e, como visto, este processo ainda não foi concluído em definitivo. 5 Còdigo Tributário Nacional (Lei 5.172, de 25/10/66). 6 Portaria MPS nº 548, de 13/9/11. Fl. 2760DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 29 27 Portanto, temse por afastada a alegação de que a decisão de primeira instância teria revisado o lançamento e com mudança de critério jurídico. Na natureza do serviço contratado No item 3.2 do seu voto, o Relator questiona a natureza dos serviços contratados, apontando que, no caso em análise, não estaríamos “diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil [...], eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas”. Todavia, a natureza dos serviços prestados não chegou a ser questionada na impugnação, a qual, inclusive, em dois momentos, fez menção expressa a obra de construção, nos seguintes termos: DOS FATOS. Através da NFLD acima identificada, o INSS realizou a constituição de créditos previdenciários, os quais decorreriam de contrato de construção civil, formalizado entre a Recorrente e a empresa mencionada na referida notificação. [...] NO MÉRITO. Da solidariedade. [...] Não tem qualquer cabimento fazer incidir as contribuições sobre uma base de cálculo presumida, aplicandose a alíquota sobre um percentual das notas fiscais, eis que tal norma foi criada por mera normatização interna do INSS. Além disso, em uma nota fiscal, o valor dos materiais empregados em uma construção de grande porte é bem superior ao valor referente à mãodeobra, não chegando ao percentual consignado. Portanto, como a natureza dos serviços não chegou a ser prequestionada em sede de impugnação e nem, obviamente, foi objeto de análise pela decisão recorrida, não cabe a este colegiado dispor a respeito. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator designado" Fl. 2761DF CARF MF Processo nº 18471.000127/200811 Acórdão n.º 2402006.242 S2C4T2 Fl. 30 28 Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Fl. 2762DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10235.001058/2006-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PIS e COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Se os lançamentos de PIS e COFINS têm como base de cálculo a mesma receita omitida que amparou o lançamento do IRPJ, o que foi decidido em relação a este se aplica àqueles.
Numero da decisão: 1201-002.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PIS e COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Se os lançamentos de PIS e COFINS têm como base de cálculo a mesma receita omitida que amparou o lançamento do IRPJ, o que foi decidido em relação a este se aplica àqueles.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizase omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PIS e COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Se os lançamentos de PIS e COFINS têm como base de cálculo a mesma receita omitida que amparou o lançamento do IRPJ, o que foi decidido em relação a este se aplica àqueles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 00 10 58 /2 00 6- 74 Fl. 605DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Adotase como relatório aquele da decisão de primeira instância: Trata o processo de lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, no montante de R$ 10.276.739,76. Fundamentouse a imputação nas seguintes irregularidades: 1) presunção omissão de receita e 2) pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. Os fatos referemse ao anocalendário de 2000 (fls. 9 e 10). 2. A interessada foi cientificada do auto de infração no dia 17 de novembro de 2006 (fl. 331). No dia 5 de dezembro de 2006 foi apresentada impugnação (fls. 309 a 326), cujo teor, em suma foi: DECADÊNCIA. 1) que "o direito de constituir o crédito tributário referente ao ano calendário de 2000, encontravase extinto à época do lançamento em análise, ou seja, lavrado em 7 de novembro de 2006..."; DEPÓSITOS BANCÁRIOS. 2) que "É importante ressaltar que a Impugnante está em fase de Implantação e formação, não gerando nenhuma receita, para produzir e gerar impostos, os valores que foram constatados em sua conta corrente, foi o valor de R$ 1.981.044,00 que representa o financiamento liberado pela SUDAM via Banco da Amazônia e o valor de R$ 1.157.000,00, representa o valor de empréstimo adquirido para justificar o recurso próprio exigido pela SUDAM, para confrontar com o Recurso Próprio. Sendo que esses valores foram também emprestados a outras empresas do projeto SUDAM, para justificar Recursos Próprios, daí o montante de R$ 7.556.750,26, que ficou entrando e saindo da conta o mesmo dinheiro"; 3) que "Apenas alegou, não comprovou que os valores foram produzidos como Receita pela Impugnante para gerar impostos, o que viu foi o Auditor Fiscal usou as Notas Fiscais n's 0036 de fevereiro de 2001 no valor de R$ 221.609,00 e 0037 de fevereiro de 2001, no valor de R$ 887.605,05, referente ao anocalendário de 2001, na fiscalização de 2000, caracterizando litigância de má fé, assumindo a responsabilidade de conformidade com o que prescreve os artigos 121 e 122 e parágrafos da Lei 8.112/90"; 4) que "É importante ressaltar, que o Auditor fiscal não tomou nenhuma providência junto à empresa CEA ENGENHARIA LTDA — CNPJ N° 02.541.008/000190, para saber se realmente prestou serviços e se recebeu os devidos valores..."; 5) que "No mesmo Relatório, o auditor Fiscal em nenhum momento identificou o valor liberado pela SUDAM, a título de financiamento, isso demonstra que tributou esse valor correspondente no montante de R$ 1.981.044,00 e o Recurso Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10235.001058/200674 Acórdão n.º 1201002.485 S1C2T1 Fl. 3 3 Próprio no valor de R$ 1.156.700,00, emprestados pelas empresas: Refrigerantes Fazendinha S/A — Damazon Agroindustrial da Amazônia S/A e Frango Líder S/A"; 6) que "As empresas identificadas como as responsáveis em emprestar os valores para que a Requerente justificasse o Recurso Próprio não foram intimadas a justificar o recebimento dos valores constantes dos cheques n.s. 633401 — 633402 e 649644"; IRRF. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DA FONTE PAGADORA. 7) que "A obrigação da fonte pagadora de reter e recolher a antecipação ou o imposto definitivo, ainda que não retidos, é apenas acessória, por ter à sua disposição os valores a serem pagos a terceiros, em razão de relação extratributária, sendo, portanto, mera retentora e repassadora do tributo, tanto na hipótese de antecipação como de obrigação definitiva"; 8) que "Na hipótese supracitada, deve ser exigido do beneficiário do rendimento a antecipação, quando ocorrer após o ano do pagamento da prestação de serviço declarado em sua declaração de Imposto de Renda, se após o referido prazo"; Todos os lançamentos foram efetuados com multa de ofício qualificada (percentual de 150%). A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme decisão assim ementada: DECADÊNCIA. Procede, em parte, a argüição de decadência tendo em vista que nos casos de ausência de antecipação de recolhimento do tributo ou no caso de evidente intuito de fraude, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, isto é, o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a exação poderia ter sido formalizada; excetuamse da regra, entretanto, as contribuições sociais cujo prazo decadencial é de dez anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. Caracterizase omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRRF. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO FATO GERADOR — O fato gerador do IRRF, no caso de pagamentos a beneficiário não identificado ou sem causa, ocorre na data do pagamento, restando improcedente a exação materializada com base em fato gerador mensal. CSLL, PIS e COFINS — Se os lançamentos de PIS, COFINS e CSLL têm como base de cálculo a mesma receita omitida que Fl. 607DF CARF MF 4 amparou o lançamento do IRPJ, o que foi decidido em relação a este se aplica àqueles. MULTA QUALIFICADA — Para a qualificação da multa de ofício mister a confirmação do evidente intuito de fraude o qual, por seu turno, demanda a presença do dolo que não está presente quando se trata de presunção de omissão de receita No voto condutor dessa decisão, quanto à preliminar de decadência está assim consignado: 5. Em se tratando de lançamento de IRRF e IRPJ para os quais não houve a antecipação no recolhimento da obrigação (fl. 36), ou quando verificada a existência do evidente intuito de fraude (que no caso do lançamento do IRPJ não existe), o prazo decadencial regese pelas disposições emanadas do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. 6. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 30 de dezembro do ano calendário de 2000, o prazo decadencial iniciouse em 1° de janeiro de 2001 primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido materializado. E a decadência foi alcançada no dia 1º de janeiro de 2006. 7. Nesse sentido, a impugnante foi notificada das exações no dia 17 de novembro de 2006 (fl. 331), quando os fatos geradores ocorridos até 30 de dezembro de 2000 já estavam decaídos. Portanto, todos os lançamentos referentes a esses fatos geradores são improcedentes. 8. No caso dos lançamentos do IRPJ do 4º trimestre e do IRRF do mês de dezembro de 2000, o fato gerador ocorreu em 31 de dezembro de 2000, e a decadência iniciouse em 1° de janeiro de 2002, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que as exações poderiam ter sido formalizadas. Portanto, a decadência somente seria alcançada em 10 de janeiro de 2007. Corno a impugnante foi notificada das exações em 17 de novembro de 2006, não há que se falar em decadência para os fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro de 2000. 9. Ressaltese que o Decreto n° 70.235, de 1972, dispõe que se as preliminares estiverem em harmonia com a análise do mérito, este também deve ser apreciado. No caso do lançamento do IRRF, existe esta harmonia. Ou seja, o lançamento é improcedente por força da preliminar de decadência e é improcedente na análise do mérito. Por esta razão, a análise do mérito comportará o lançamento do IRPJ do 4º trimestre, bem como todos os lançamentos do IRRF. 10. Por fim, o prazo decadencial das contribuições sociais (PIS, COFINS e CSLL) é de 10 anos, nos termos do disposto no artigo 45, I, da Lei n° 8.212, de 1991. Portanto rejeitase a preliminar de decadência dessas contribuições sociais. Houve recurso de ofício. No recurso voluntário são repisadas as mesmas razões da impugnação. Pelo Acórdão nº 10323.268, da então Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ficou decidido: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, decidindo pela conclusão do voto de 1ª instância, que afastou a aplicação da multa qualificada, por maioria de votos, ACOLHER preliminar de Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10235.001058/200674 Acórdão n.º 1201002.485 S1C2T1 Fl. 4 5 decadência para DAR provimento ao recurso voluntário, vencidos o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que não a acolheu em relação à CSLL e à Cofins, o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, que não a acolheu em relação ao PIS, à CSLL e à Cofins, ambos em face do art. 45 da Lei n° 8212/91, e o Conselheiro Luciano de Oliveira Valença, que não a acolheu em face do art. 173, I do CTN. O recurso de ofício, na parte relativa à decadência do lançamento de IRPJ para fatos geradores até o terceiro trimestre de 2000, perdeu objeto em função do acolhimento integral da preliminar da decadência por este colegiado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Manejados embargos de declaração em face da referida decisão, o dispositivo do acórdão foi alterado conforme abaixo: Por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso de oficio, decidindo pela conclusão do voto de 1ª. instância, que afastou a aplicação da multa qualificada. Por maioria de votos, ACOLHERAM preliminar de decadência para dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos o conselheiro Leonardo de Andrade Couto que não a acolheu em relação à CSLL e à Cofins, o conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, que não a acolheu em relação ao PIS, à CSLL e à Cofins, ambos em face do art. 45 da Lei n° 8212/91, e o conselheiro Luciano de Oliveira Valença, que não a acolheu em face do art. 173, I do CTN. O recurso de ofício, quanto às demais matérias nele referidas, não será conhecido por perda de objeto, em função do acolhimento integral da preliminar da decadência por este Colegiado. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial relativamente à decisão da Turma Ordinária, que tinha por objeto: o restabelecimento da multa qualificada e o afastamento da decadência. O referido recurso só foi admitido em relação ao afastamento da decadência. A decisão em sede desse recurso (Acórdão nº 9101000.141, Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) foi a seguinte: Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, em DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional para afastar a decadência relativa aos períodos 4º Trimestre de 2000 para o IRPJ e de dezembro de 2000 para o PIS e para a COFINS e determinar o retorno dos autos à Câmara a quo, para análise das demais razões de mérito. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias (Relatora), Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. (Destaque acrescido) O processo foi redistribuído por sorteio para fins de julgamento neste colegiado. Fl. 609DF CARF MF 6 Após ciência da contribuinte quanto ao acórdão do Recurso Especial (despacho às fls. 597 e 598), os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Os pressupostos de admissibilidade foram analisados quando dos julgamentos anteriores, pelo que não mais é necessária a análise quanto a eles nessa fase processual. Conforme o acórdão da Câmara Superior, foi afastada a decadência relativamente ao 4º trimestre de 2000 para o IRPJ e ao mês de dezembro desse mesmo ano para a contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins. Em face dessa decisão, neste julgamento está ainda em discussão o recurso voluntário, no que tange ao IRPJ do quarto trimestre de 2000 e à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, do mês de dezembro de 2000. Recurso voluntário. A questão a ser analisada no que tange ao recurso voluntário é somente a relativa aos lançamentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada. Nesse recurso são trazidos os mesmos argumentos da impugnação. Estes, todavia são meras alegações sem qualquer elemento probante, como se vê das transcrições abaixo: O Auditor Fiscal emitiu um documento identificado de: SOLICITAÇÃO DE EMISSÃO DE REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF), acostado no Relatório de Analise de Fiscalização e lá confirma que a Recorrente não produziuReceita onde reproduzimos na íntegra: RELATÓRIO". "Movimentação Financeira (AC 2000) = R$ 7.556:750,26": "Receitas declaradas (AC 2000) = 0" É importante ressaltar que a Recorrente está em fase de Implantação e formação, não gerando nenhuma Receita, para produzir e gerar impostos, os valores que foram constatados em sua conta corrente, foi o valor de R$ 1.981.044,00, que representa o financiamento liberado pela SUDAM via Banco da Amazônia e o valor de R$ 1.157.000,00, representa o valor de empréstimo adquirido para justificar o recurso próprio exigido pela SUDAM, para confrontar com o Recurso Próprio. Sendo Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10235.001058/200674 Acórdão n.º 1201002.485 S1C2T1 Fl. 5 7 que esses valores foram também emprestados a outras empresas do projeto SUDAM, para justificar Recursos Próprios, daí o montante de R$ 7.556.750,26, que ficou entrando e saída da conta o mesmo dinheiro. [...] No mesmo Relatório o Auditor Fiscal em nenhum momento identificou o valor liberado pela SUDAM, a título de financiamento, isso demonstra que tributou esse valor correspondente no montante de R$ 1.981.044,00 e o Recurso Próprio no valor de R$ 1.156.700,00, emprestados pelas empresas: Refrigerantes Fazendinha S/A — Damazon Agroindustrial da Amazônia S/A e Frango Líder S/A. EMPRESAS IDENTIFICADAS COMO RESPONSÁVEIS EM EMPRESTAR OS VALORES PARA JUSTIFICAR O RECURSO PRÓPRIO. As empresas identificadas como as responsáveis em emprestar os valores para que a Recorrente justificasse o Recurso próprio não foram intimadas a justificar o recebimento dos valores constantes dos cheques n°s. 633401 — 633402 e 649644. Isso demonstra que o objetivo da fiscalização era apenas constitui o crédito tributário, já que não atendeu o artigo 142 do CTN. Em face disso, adotamse, também, como razões de decidir, os fundamentos da decisão de piso: 11. No caso do lançamento do IRPJ, a fiscalização identificou deposite bancários para os quais a impugnante não apresentou justificativa com documentos hábeis e idôneos. 12. A respeito do assunto, no dia 6 de março de 2006 a impugnante foi notificada a justificar os depósitos listados na folha 49 (fls. 47a 50): Em resposta, a impugnante informou que nada apresentaria porque os documentos correspondentes já haviam sido atingidos pela decadência. 13. Na fase litigiosa, a impugnante limitouse a apresentar quadros demonstrativos alegando que se trataram de recursos oriundos de empréstimo formalizados para justificar o recebimento dos recursos da SUDAM. Afirma, também, que a fiscalização desconsiderou a entrada dos recursos da SUDAM. 14. No enquadramento legal do auto de infração do IRPJ (fl. 10) consta expressa indicação do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, que assim dispõe (grifei): "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações". Fl. 611DF CARF MF 8 15. Como pode ser observado na disposição legal reproduzida, o lançamento é decorrente de omissão de receita presumida. Não se trata de mero juízo da fiscalização, mas aplicação direta de disposição legal em vigor. Neste particular, a alegação da impugnante de que os valores lançados não se constituem em renda tributável não encontra qualquer amparo legal devendo ser sumariamente rejeitados. 16. Da mesma forma, a apresentação de demonstrativos informando a origem dos recursos não socorre a impugnante. E imprescindível a apresentação de documentos hábeis e idôneos comprovando as operações, bem como a comprovação do oferecimento dessas receitas à tributação. A ausência de elementos probantes legitima o lançamento de ofício. 17. Ressaltese, por fim, que a impugnante não somente não comprovou os depósitos bancários como ainda se arvora a tentar transferir à fiscalização a obrigação por essa comprovação que deixou de cumprir quando alegou a decadência para não apresentar os documentos. Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Aplicamse à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, o mesmo entendimento esposado acima quanto ao IRPJ, em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de recurso. Conclusão. Por todo o exposto, conhecese do recurso voluntário na parte ainda não julgada, nos termos do Acórdão nº 9101000.141 da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, para, no mérito, NEGARLHE provimento. Em face dessa conclusão, ficam mantidos os lançamentos de IRPJ do quarto trimestre de 2000 e da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins do mês de dezembro de 2000, incidente a multa de oficio no percentual de 75%. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 612DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.924806/2016-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2014
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.922
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2014 CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
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nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.924806/201611 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.922 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente ALGAR TI CONSULTORIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2014 CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 48 06 /2 01 6- 11 Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10680.924806/201611 Acórdão n.º 3301004.922 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.503. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10680.924806/201611 Acórdão n.º 3301004.922 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10680.924806/201611 Acórdão n.º 3301004.922 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10680.924806/201611 Acórdão n.º 3301004.922 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10680.924806/201611 Acórdão n.º 3301004.922 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 511DF CARF MF
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Numero do processo: 15563.000004/2008-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada, com as exclusões determinadas pela legislação tributária.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES.
A partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão do Simples, a pessoa jurídica sujeitar--se-á às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas , dentre as quais, o arbitramento do lucro. Verificado que sua escrituração se demonstrou imprestável para se identificar a sua real movimentação financeira, considero devido o arbitramento de seu lucro.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004
ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL.
Verificado que sua escrituração se demonstrou imprestável para se identificar a sua real movimentação financeira, considero devido o arbitramento de seu lucro.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2003, 2004
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
É cabível o lançamento da contribuição para o Pis e da Cofins decorrente da apuração de omissões de receita caracterizadas por créditos bancário sem a comprovação da origem . Mantidas as omissões de receita no lançamento de IRPJ, igual sorte terão os lançamentos da Cofins e da contribuição para o PIS, que foram lançados com base nas mesmas omissões.
Numero da decisão: 1201-002.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada, com as exclusões determinadas pela legislação tributária. ARBITRAMENTO DO LUCRO. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. A partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão do Simples, a pessoa jurídica sujeitar--se-á às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas , dentre as quais, o arbitramento do lucro. Verificado que sua escrituração se demonstrou imprestável para se identificar a sua real movimentação financeira, considero devido o arbitramento de seu lucro. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003, 2004 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. Verificado que sua escrituração se demonstrou imprestável para se identificar a sua real movimentação financeira, considero devido o arbitramento de seu lucro. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2003, 2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. É cabível o lançamento da contribuição para o Pis e da Cofins decorrente da apuração de omissões de receita caracterizadas por créditos bancário sem a comprovação da origem . Mantidas as omissões de receita no lançamento de IRPJ, igual sorte terão os lançamentos da Cofins e da contribuição para o PIS, que foram lançados com base nas mesmas omissões.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada, com as exclusões determinadas pela legislação tributária. ARBITRAMENTO DO LUCRO. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. A partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão do Simples, a pessoa jurídica sujeitarseá às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas , dentre as quais, o arbitramento do lucro. Verificado que sua escrituração se demonstrou imprestável para se identificar a sua real movimentação financeira, considero devido o arbitramento de seu lucro. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. Verificado que sua escrituração se demonstrou imprestável para se identificar a sua real movimentação financeira, considero devido o arbitramento de seu lucro. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2003, 2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. É cabível o lançamento da contribuição para o Pis e da Cofins decorrente da apuração de omissões de receita caracterizadas por créditos bancário sem a comprovação da origem . Mantidas as omissões de receita no lançamento de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 00 04 /2 00 8- 55 Fl. 1026DF CARF MF 2 IRPJ, igual sorte terão os lançamentos da Cofins e da contribuição para o PIS, que foram lançados com base nas mesmas omissões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Adotase o relatório do Acórdão nº 1226.672 da 5ª Turma da DRJ/RJ1 (fls. 311 a 321), com a complementação necessária em seguida: O presente processo tem origem nos autos de infração de fls. 122/132, 133/141, 142/150 e 151/160, lavrados pela DRF — Nova Iguaçu, dos quais a interessada acima identificada foi cientificada em 27/12/2007, conforme fazem provas as ciências nos próprios autos de infração, fls. 122, 133, 142 e 151, consubstanciando exigência do imposto sobre a renda de pessoa jurídica no valor de R$ 780.391,65; da contribuição para o PIS, R$ 47.881,82; da contribuição social sobre o lucro líquido, R$ 185.100,61; da contribuição para o financiamento da seguridade social, R$ 220.993,44, acrescidos da multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros de mora. 2. O autuante, conforme fl. 124/127, registra no auto de infração as seguintes infrações: 2.1. Créditos bancários cuja origem não foi comprovada pela interessada nos valores elencados em fls. 80/110; 2.2. Conta bancária que não havia sido contabilizada. 3. Com base nos valores apurados, que representavam créditos bancários cuja origem não foi comprovada, e, em face de ser imprestável a sua escrituração em decorrência da falta de escrituração de contas bancárias, o autuante arbitrou o lucro da interessada, com base no art. 530, II do RIR/ 1999. 3. Com o objetivo de fazer prova, o autuante juntou aos autos os termos e os documentos de fls. 01/121. Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 15563.000004/200855 Acórdão n.º 1201002.374 S1C2T1 Fl. 3 3 4. Quanto à auditoria e às infrações apuradas, o autuante juntou aos autos o termo de verificação de fls. 112/116, com a explicação dos motivos que o levaram a efetuar os lançamentos em questão e o Ato Declaratório n.° 43, de 30 de novembro de 2007, fl. 121, que excluiu a interessada do Simples a partir de 01/01/2003, com a ciência, fl. 111. 5. A interessada não se conformando com o lançamento, apresentou sua defesa em 25/01/2008, fls. 204/228, argüindo, em síntese: 5.1. como preliminar, a nulidade do auto de infração em face: 5.1.1. da distorção da matéria tributável, uma vez que o entendimento da autoridade fiscal é equivocado pois efetuou o lançamento baseado exclusivamente em extrato bancários sem demonstrar que os supostos rendimentos são efetivamente sinais exteriores de riqueza; 5.1.2. de que o art. 9° do Decretolei n.° 2.471/1998 como a súmula n.° 182 do antigo Tribunal de Recursos Fiscais reconhecem que não é possível o lançamento de IRPJ baseado apenas em extratos bancários; 5.1.3. cita acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça, onde não se admite o lançamento com base somente em depósitos bancários; 5.1.4. distorção ou erro na identificação da matéria tributável; 5.2. no mérito, aduziu que: 5.2.1. não há comprovação do fato gerador, mas apenas suposto indício que não serve de base para o lançamento; 5.2.2. se fosse possível o lançamento, caberia ao autuante, na forma do art. 42 da Lei n.° 9.430/1996, para se determinar a receita omitida, analisar, individualmente, os créditos, confrontandoos com os livros fiscais da impugnante; 5.2.3. apesar de afirmar que efetuou as deduções devidas, o autuante incluiu em sua base tributável valores já declarados/escriturados pela interessada e resgates de aplicações financeiras; 5.2.4. há valores relacionados que constituem genuínas receitas, como exemplo, apresenta o quadro demonstrativo do mês de julho de 2003, fls. 212/213, e resgate de aplicação financeira, fl. 214/215; 5.2.2. o arbitramento é medida excepcional, incabível na presente hipótese; 5.2.3. apresentou à fiscalização o Diário e tem os livros comerciais obrigatórios, assim não cabe o arbitramento; 5.2.4. a interessada é uma indústria gráfica e não uma prestadora de serviços como classificou o autuante, desta forma a alíquota será 8% e não 32% como aplicou o autuante. Cita o Parecer nº 37/2000, o art. 5º inciso V, combinado com o art. 7°, inciso II do Decreto n.° 2.637/1988; 5.2.5. a atividade da interessada não pode ser considerada como de prestação de serviço pois o seu trabalho preponderante é mecanizado, a sua mãodeobra é menor que 60% do valor dos impressos produzidos, dispõe de potência superior a 5 (cinco quilowatts e emprega mais de 10 funcionários. Fl. 1028DF CARF MF 4 6. A interessada juntou aos autos o Diário de fls. 238. 7. A interessada foi intimada por esta Delegacia de Julgamento a comprovar com documentos os fatos alegados em sua impugnação, visto que o Diário apresentado era por partidas mensais, fl. 238. Atendeu em parte à intimação, juntando aos autos os documentos de fls. 243/275. Por essa decisão o lançamento foi mantido em parte. A ementa está assim redigida: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada, com as exclusões determinadas pela legislação tributária. ARBITRAMENTO DO LUCRO. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. A partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão do Simples, a pessoa jurídica sujeitarseá às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, dentre as quais, o arbitramento do lucro. Verificado que sua escrituração se demonstrou imprestável para se identificar a sua real movimentação financeira, considero devido o arbitramento de seu lucro. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. Verificado que sua escrituração se demonstrou imprestável para se identificar a sua real movimentação financeira, considero devido o arbitramento de seu lucro. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. É cabível o lançamento da contribuição para o Pis e da Cofins decorrente da apuração de omissões de receita caracterizadas por créditos bancário sem a comprovação da origem . Mantidas as omissões de receita no lançamento de IRPJ, igual sorte terão os lançamentos da Cofins e da contribuição para o PIS, que foram lançados com base nas mesmas omissões. No recurso voluntário são repisadas as mesmas razões veiculadas na impugnação acrescentandose: a) o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 não determina a inversão do ônus da prova; b) a turma julgadora não admitiu as provas carreadas aos autos, alegando falta de correspondência entre as datas dos documentos e os créditos relacionados nos extratos bancários, sem considerar outros eventos como a utilização de intermediários para a captação de clientes, hiato temporal entre a prestação de serviço e o pagamento e a possibilidade do pagamento com os acréscimos decorrentes da mora; c) não foram consideradas transferências entre contas de mesma titularidade; Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 15563.000004/200855 Acórdão n.º 1201002.374 S1C2T1 Fl. 4 5 d) o auto de infração é nulo porque "não procedeu à análise individual dos depósitos, optando pela via menos laboriosa, somando todos os valores contidos nos extratos bancários da Recorrente e os considerando 'omissão de receita', sem, sequer, expor a razão de tais valores serem considerados reveladores de riqueza; e ... afirmou que efetuou as deduções devidas, o que não foi feito"; e) a exclusão do Simples não é motivo para o arbitramento, como asseverou a decisão recorrida. Não houve recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. Admissibilidade. O envelope que continha a intimação quanto ao resultado do julgamento de primeira instância foi devolvido após o recebimento no endereço da contribuinte constante no cadastro da Receita Federal. À fl. 345 consta o seguinte despacho: Nesta data, anexei envelope, o qual foi entregue em 23/12/09 no endereço constante em nossos cadastros, com a assinatura no Aviso de Recebimento, "AR" de FABIANO XIMENES. O envelope foi recebido, devolvido e encontrase violado. Possui ateste de "MARCELO", ratificado por PAULO ROBERTO S BARBOSA, descrevendo que a correspondência fora devolvida após entrega e que o contribuinte MUDOUSE. Na intimação anexada aos autos (fl. 338), há a indicação de ciência por procuradora (instrumento de mandato à fl. 349), em 19 de fevereiro de 2010 (uma sextafeira). O recurso foi protocolado em 23 de março de 2010. O Decreto nº 70.235/1972, à época dos fatos (fevereiro de 2010) determinava: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 1030DF CARF MF 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (Grifou se) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 15563.000004/200855 Acórdão n.º 1201002.374 S1C2T1 Fl. 5 7 II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) A redação do § 1º foi modificada pela MP nº 449/2008: § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Grifouse) Não há dúvida de que a intimação por via postal resultou improfícua. Assim, a intimação quanto ao resultado do julgamento em primeira instância deveria ter sido efetuada por meio de edital, como prescrevia a legislação da época. No entanto, antes dessa providência, a procuradora da recorrente compareceu à unidade da Receita Federal onde se encontrava o processo, tomando ciência pessoal quanto à intimação. Desse modo, considerase tempestivo o protocolo do recurso e, uma vez firmado por pessoa legalmente habilitada, este deve ser conhecido. Preliminares/Mérito. Relativamente às preliminares e às arguições de mérito veiculadas no recurso, adotamse, como razões de decidir, os fundamentos da decisão de piso, com as complementações necessárias em face da nova argumentação trazida após a decisão de primeira instância. 9. DAS ARGÜIÇÕES DE NULIDADE 9.1. A interessada argüiu a nulidade do lançamento, só que analisando o lançamento, há que se observar que este está de acordo com o que determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional e o artigo 10 do Decreto n.° 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal). 9.2. Os fatos argüidos como: erro na quantificação da base tributável ou inocorrência do fato gerador é questão de mérito, que caso verificado gerará a improcedência do lançamento e não a sua nulidade. É de se ressaltar que tais verificações serão feitas quando da análise do mérito. 9.3. Assim, não observei qualquer vício no lançamento que propiciasse a nulidade do mesmo, pelo contrário, o lançamento está descrito, fundamentado e foi concedido à interessada o direito à ampla defesa. 9.4. Pelo exposto, considero improcedente as preliminares argüidas pela interessada e passo a analisar o mérito. Fl. 1032DF CARF MF 8 No recurso foi alegada a nulidade do auto de infração nos seguintes termos: d) o auto de infração é nulo porque "não procedeu à análise individual dos depósitos, optando pela via menos laboriosa, somando todos os valores contidos nos extratos bancários da Recorrente e os considerando 'omissão de receita', sem, sequer, expor a razão de tais valores serem considerados reveladores de riqueza; e ... afirmou que efetuou as deduções devidas, o que não foi feito"; Quanto à segunda alegação (deduções não efetivadas), como bem observado no voto condutor da decisão de piso tratase de questão de mérito que, caso verificada, gerará a improcedência do lançamento, mesmo que parcial, e não a sua nulidade. Tais verificações serão efetuadas mais à frente. No que tange à análise individual dos depósitos/créditos, pela simples consulta aos autos vêse que estes foram individualizados, na forma determinada pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, tendo a contribuinte sido intimada para a comprovação da origem deles. No Termo de Verificação Fiscal está consignado: A partir da apresentação, pelas instituições financeiras, dos extratos bancários das contascorrentes abaixo relacionadas, estes foram planilhados e consolidados, excluídos as transferências e outros que não representariam efetivas receitas sendo que as referidas planilhas constituíram parte integrante do Termo de Intimação, recepcionado pelo contribuinte em 24/08/2007. Por meio deste termo lhe foi solicitado que informasse, em vinte dias, a origem dos créditos bancários nelas identificados; bem como o oferecimento de tais valores à tributação, fls. 79 a 110. A intimação e seu anexo (planilha com depósitos individualizados) encontra se às efls. 80 a 111, ou fls. 79 a 110 (número aposto em carimbo na folha em papel), como acima evidenciado. Assim, não há qualquer vício que possa determinar a nulidade do lançamento. 10. DA OMISSÃO DE RECEITA COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. 10.1. O autuante intimou a interessada, fls. 79/110, a apresentar a comprovação dos créditos individualizados, constantes da c/c n.° 88728487, mantida no Banco Real, agência 0302; c/c n.° 692789, mantida no Banco BCN, agência 003; c/c n.°200802, mantida no Banco do Brasil; c/c n.° 2206, mantida no Banco Bradesco, agência 3177 e c/c n.° 45883303, mantida no Banco Itaú. Consoante descrição no auto de infração, a interessada não apresentou a comprovação para os créditos elencados em fls. 80/110, constantes dos extratos juntado aos autos, anexos I e II. Em decorrência dos fatos apurados e com fulcro no art. 42 da Lei n.° 9.430/1996, o autuante caracterizou os créditos não comprovados, por presunção legal, como omissão de receita. 10.2. Há que se verificar se o autuante aplicou devidamente a presunção legal instituída pelo art. 42 da Lei n.° 9.430/1996. 10.3. O art. 42 da Lei 9.430/96 instituiu presunção legal de omissão de receitas quando comprovada a existência de créditos bancários sem comprovação mediante documentação hábil e idônea da origem dos recursos utilizados nas Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 15563.000004/200855 Acórdão n.º 1201002.374 S1C2T1 Fl. 6 9 operações. Vale dizer que nos casos de presunções legais, o ônus da prova fica invertido, cabendo ao contribuinte a prova em contrário dos fatos presumidos. 10.4. Transcrevo o dispositivo legal citado: Lei n.° 9.430/1996. Art 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ........................... § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; 10.5. A interessada, consoante determinação do dispositivo legal transcrito, foi intimada, fl. 79, a apresentar a origem dos créditos bancários, relacionados nas planilhas de fls. 80/110. Consta do auto de infração que a interessada não apresentou a documentação solicitada. 10.6. Na fase de impugnação, a interessada somente apresenta impugnação específica para os valores constantes dos demonstrativos de fls. 212/215. 10.7. Alega a interessada em sua impugnação que cabia ao autuante aprofundar a investigação a fim de comprovar se realmente houve omissão de receita, isto é, confrontar o crédito bancário com os valores constantes em sua escrituração. Há que se fazer algumas explicações quanto à legislação tributária que se baseou o lançamento. 10.8. O art. 42 da Lei n.° 9.430/1996 caracterizase como caso típico de presunção legal de omissão de receitas, o crédito em contacorrente cuja origem não seja comprovada e transfere o ônus da prova, de forma expressa, para o contribuinte. Sobre o assunto vale citar JOSÉ LUIZ BULHÕES PEDREIRA (In: "Imposto sobre a Renda — Pessoas Jurídicas" — JUSTEC — RJ —1979 — pág. 806.). "O efeito Prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume — cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso ". (Grifei) 10.9. A omissão de receitas pela manutenção de depósitos bancários sem comprovação da origem dos recursos tem jurisprudência administrativa firmada Fl. 1034DF CARF MF 10 junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se observa pelo teor do acórdão cuja ementa adiante transcrevo: DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM — ÔNUS DA PROVA — Cabe ao contribuinte comprovar a origem, com documentos hábeis e idôneos, de depósitos relacionados pela fiscalização, sob pena de serem considerados tais valores omissão de receita, por expressa presunção legal (art. 42 da Lei 9.430196). Desse modo, não é ônus da fiscalização promover cruzamento de depósitos bancários e operações que não estariam reportadas nos livros contábeis ou fiscais. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. (1º Conselho de Contribuintes, Acórdão 10807.355 de 1610412003. Publicado no DOU em 1810612003). 10.10. Pelo exposto, caberia à interessada a apresentação da prova da origem dos créditos relacionados. O art. 42 da Lei n.° 9.430/1996 atribuiu à referida ônus da prova e caso não apresentado, o mesmo artigo presume tal valor como receita omitida. 10.11. Cabe, ainda, esclarecer que não cabe a simples afirmação da interessada, as suas alegações tem que vir acompanhada de comprovação documental, salvo aquelas que puderem ser constatadas por uma simples análise de seus extratos bancários. 10.12. A interessada fundamenta seu entendimento no art. 9° do Decretolei n.° 2.471/1988 e na Súmula n.° 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos. Só que tal dispositivo legal e entendimento é anterior ao que está disposto no art. 42 da Lei n.° 9.430/1996. Há que se esclarecer, também, que não se está tributado o crédito bancário, mas o valor representado por tal crédito, que quando não comprovado é presumido como omissão de receita, com base no dispositivo legal citado. 10.13. Resumindo, com base no artigo 42 da Lei n.° 9.430/1996, cabe à interessada apresentar prova documental específica e individualizada para cada crédito bancário objeto da intimação fiscal, a fim de se comprovar a origem, isto é, comprovar que o crédito bancário "X" está relacionado com a receita "Y" ou com o empréstimo "Z" ou com outro fato comprovado "W". Caso não seja feita tal comprovação, tal crédito será considerado, com fulcro no artigo citado, omissão de receita, salvo, é claro, os créditos que deverão ser excluídos previsto no mesmo dispositivo legal. 10.14. A única prova trazida aos autos pela interessada foi o seu Diário referente ao mês de julho de 2003, fl. 238. Além de ser uma prova muito restrita, uma vez que foram feitos lançamentos referente aos 24 períodosbase dos anos calendário de 2003 e 2004, o seu Diário é por lançamentos mensais, fato que impossibilita a comprovação da origem do crédito bancário, com os valores registrados no mesmo. A legislação permite a escrituração resumida no Diário, desde que seja escriturado livro auxiliar com registro individualizado, art. 258, §1° do Regulamento de IRPJ/1999. No recurso, a contribuinte continua insistindo de que o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 não determina a inversão do ônus da prova. Apesar de o relator, no voto condutor da decisão recorrida, ter sido muito claro e enfático no sentido de que há sim a inversão do ônus da prova no caso da comprovação da origem de depósitos/créditos bancários quando da aplicação do citado dispositivo legal, colacionase abaixo acórdãos recentes deste CARF: Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 15563.000004/200855 Acórdão n.º 1201002.374 S1C2T1 Fl. 7 11 PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. (Acórdão nº 1201001.957. Sessão de 27/03/2018. Relatora Cons. Ester Marques Lins de Sousa) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. (Acórdão nº 2401005.251. Sessão de 05/02/2018. Relatora Cons. Luciana Matos Pereira Barbosa) Como visto nos autos e também como consta nos itens 10.15 a 10.18 do voto condutor da decisão de piso, os autos baixaram em diligência após a impugnação para que a interessada novamente tivesse a oportunidade de comprovar a origem dos depósitos/créditos. Com base no resultado dessa diligência, foram considerados alguns valores tendo havido a exoneração parcial do crédito tributário lançado. No entanto, não foram aceitos alguns valores de depósitos/créditos, conforme pode ser visto abaixo: 10.15. A interessada apresenta as planilhas de fls. 214/215, a fim de comprovar que a soma de 3(três) valores registrados em seu Diário seria o somatório de diversos outros valores que não encontram registro semelhante em seu Diário. Como não havia a correspondência entre os valores constantes no Diário e os créditos a serem comprovados na relação apresentada, este julgador intimou a interessada a apresentar as notas fiscais a fim de verificar se os depósitos decorriam de suas vendas. Cumpre ressaltar que foi dada nova oportunidade para a comprovação total do lançamento e não, somente, do período indicado em sua impugnação. 10.16. A interessada atendeu a intimação todavia se limitou a trazer documentos (notas fiscais) somente em relação ao fato gerador 07/2003, fls. 247/275, que seriam a origem dos créditos relacionados em fls. 243/244, constante, também, de sua impugnação. Abro um parêntese que a interessada continua Fl. 1036DF CARF MF 12 argüindo que cabia ao autuante a comprovação, contudo, como já foi dito, a prova é da interessada. Como não há correspondência entre as datas das notas fiscais, e dos créditos constantes de seus extratos bancários, serão aceitos os valores onde o documento reflita o exato valor do crédito. A interessada nos documentos de fls. 243/244, informa que algumas diferenças existentes são relativas a juros pagos por seus clientes, todavia, a documentação apresentada pela interessada não possibilita verificar tal assertiva, assim, dos valores relacionados em fls. 243/244, não serão aceitos: R$ 7.679 9399 R$ 1.140,00, R$ 1.716,90, R$ 68,44, R$ 136,88 e R$ 19.713,20. Desta forma, dos créditos referentes ao mês de julho de 2003, considerado não comprovado pela interessada, R$ 279.968,72, constante de fls. 212/213, considero comprovado o valor R$ 249.513,91. 10.17. Também devem ser excluídos da base tributária, ou seja, dos valores constantes das planilhas de fls. 80/110, confeccionadas pelo auditor, os créditos bancários que tem como histórico: "OP RENDA FIXA", "RESSAR CPMF RFIXA" e "FUNDO MAXI DI", uma vez que os próprios históricos comprovam a origem do crédito. 10.18. Da planilha de fls. 214/215, não aceitarei como comprovados os valores R$ 11.183,70, R$ 95.061,45, uma vez que não houve a comprovação que o TED seja de c/c de mesma titularidade e R$ 12.000,00, por não ter sido incluído nas planilhas que geraram o lançamento. Saliento que busquei junto aos extratos bancários juntados aos autos, não achando a saída de banco nos valores referentes ao TED. No recurso foi alegado que: a) a turma julgadora não admitiu as provas carreadas aos autos, alegando falta de correspondência entre as datas dos documentos e os créditos relacionados nos extratos bancários, sem considerar outros eventos como a utilização de intermediários para a captação de clientes, hiato temporal entre a prestação de serviço e o pagamento e a possibilidade do pagamento com os acréscimos decorrentes da mora; b) não foram consideradas transferências entre contas de mesma titularidade; c) não foram efetuadas deduções devidas. Relativamente a essas alegações, verificase que todas as provas carreadas aos autos foram admitidas. No entanto, pela sistemática adotada no lançamento (presunção de receita em face de depósitos/créditos bancários), era necessário que a interessada produzisse as provas da origem dos depósitos/créditos, o que não logrou fazer. Como já por vezes visto, o depósito/crédito tem de ter correspondência em valores com receitas declaradas ou valores que não representem receitas tributáveis. Produzida essa prova, tal valor não poderá ser incluído entre aqueles considerados como omissão de receita por presunção. E, também como já exaustivamente explanado, esse ônus é do contribuinte. Vejase que, aquilo que foi comprovado, conforme entendido pela turma julgadora a quo, foi deduzido do valor da base de cálculo do tributo lançado de ofício. No recurso foi alegado, ainda, que houve transferências bancárias entre contas de mesma titularidade, não consideradas na decisão de piso. A alegação está assim veiculada (fl. 361): Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 15563.000004/200855 Acórdão n.º 1201002.374 S1C2T1 Fl. 8 13 37. Ademais, quanto às demonstrações realizadas pela Recorrente, das hipóteses em que o próprio histórico da operação já é suficiente para revelar a natureza do crédito bancário, a decisão recorrida manteve a exigência sobre os créditos designados como "TED TRANSFERENCIA ELET DISPON", ignorando tratarse de transferência entre contas correntes de titularidade da própria Recorrente e afirmando que não há "comprovação que o TED seja de c/c de mesma titularidade". 38. Ora, da simples análise da Planilha apresentada pelo Fiscal Autuante, verificase que há a saída do montante de uma conta corrente "TED TRANSFERENCIA ELET DISPON" e o recebimento em outra contacorrente da Recorrente, a titulo de "TED E CIP — RECEB", no exato valor e no mesmo dia. Veja se: Analisandose os extratos bancários nos quais constam os referidos lançamentos, verificase que o relator do voto condutor da decisão de piso foi induzido a erro pela própria recorrente (impugnante à época). Ocorre que não há transferências entre contas da mesma titular (a recorrente), uma vez que os quatro lançamentos são a crédito. O que ocorreu foi que, no mês em questão (fevereiro/2004), houve uma operação de incorporação Bradesco/BCN, pelo que os referidos créditos foram duplicados na planilha. Vejamse os extratos: Bradesco (fl. 416): BCN: (fl. 492): Fl. 1038DF CARF MF 14 Assim, um de cada desses valores deve ser excluído da tributação. Atentese para o fato de que existem mais dois lançamentos nessa mesma situação (planilha do autuante fl. 103 e 104): Diante disso, também, um de cada desses valores tem de ser excluído da tributação. 11. DO ARBITRAMENTO 11.1. A interessada recolhia seus tributos como optante do Simples. Em face das infrações apontadas no processo n.° 15563.000383/2007, a receita declarada mais a apurada no trabalho da auditoria fiscal ultrapassou, no anocalendário de 2002, a permitida para a permanência no Simples. Consoante fls. 393 do processo n.° 15563.000383/2007, a receita apurada pelo autuante, incluindo as omissões apuradas, consubstanciouse no valor R$ 2.885.064,04. 11.2. Em face deste valor ser superior ao limite permitido para a permanência no Simples, a interessada foi excluída da sistemática pelo Ato Declaratório n.° 43 de 30/11/2007, com efeitos a contar de 01/01/2003, fls. 121 e 111. 11.3. Esta mesma Turma de Julgamento analisou o lançamento, constante do processo citado, considerando, após as exclusões das omissões de receita comprovadas, que a interessada auferiu no anocalendário de 2002 a receita total (declarada mais a omitida, apurada pelo autuante) no valor de R$ 2.562.744,13, fl. 276. 11.4. Desta forma, esta Turma concorda que a receita auferida pela interessada é incompatível com a sua permanência no Simples. 11.5. Passando à análise dos lançamentos constantes deste processo, as receitas declaradas consoante Declaração Simplificada para os anoscalendário de 2003 e 2004 foram de R$ 1.188.692,53 e R$ 52.950,00, fls. 19 e 37. Neste julgamento, conforme demonstrativo constante do item 10. 19, foram consideradas devidas as omissões de receita no valor de R$ 4.361424,66, auferidas no ano calendário de 2003, e R$ 2.535.667,86, no anocalendário de 2004. 11.6. Durante a auditoria fiscal e após intimação feita por esta Turma de Julgamento se constataram os seguintes fatos: a interessada não tem livro Diário por lançamentos diários, como também não tem livro auxiliar; a interessada declarou e escriturou receita bem inferior a real receita auferida, declarando somente 21% da receita real em 2003 e 0,02% em 2004. 11.7. O art. 530, II do RIR/1999, que foi a base para o lançamento, assim determina: Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 19: Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 15563.000004/200855 Acórdão n.º 1201002.374 S1C2T1 Fl. 9 15 ............ II a escriturarão a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária: ou (grifei) 11.8. Verificado a real movimentação financeira da interessada, está claro que a escrituração da interessada não presta para identificar a efetiva movimentação financeira e/ou bancária, uma vez que a sua movimentação bancária real é várias vezes a escriturada. Assim, considero correto o arbitramento dos lucros dos anos calendário de 2003 e 2004. No recurso consta a alegação de que a exclusão do Simples não é motivo para o arbitramento, como asseverou a decisão recorrida. Contudo, como visto, o arbitramento não se deu em face da exclusão do Simples, mas pela imprestabilidade da escrituração para o fim de identificação da efetiva movimentação financeira. Por oportuno, em face da diligência efetuada e tendose em vista ainda o pedido de diligência e perícia formulado no recurso, transcrevese a Súmula CARF nº 59: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Quanto ao percentual de arbitramento, a decisão de piso não merece reparos: 11.9. Argüiu a interessada que sendo indústria gráfica o percentual utilizado para se apurar o lucro arbitrado, não poderia ser 32%, aplicado para as prestadoras de serviços e sim, o correto, seria 8%. 11.10. Para a análise da alíquota a ser aplicada, devese ter como premissa que os créditos constantes de suas contas bancárias não foram comprovados, por este motivo foram presumidos como receitas omitidas. Como receitas, são oriundas de sua atividade societária. Consultando suas declarações de rendimentos, fls. 6/23 e 24/41, se constata que a interessada se declarou como prestadora de serviços e não contribuinte do IPI, sendo sua receita declarada como advinda, totalmente, da prestação de serviços. Desta forma, considero devida a alíquota aplicada pelo autuante de 32%, utilizada para as prestadoras de serviços. CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Tendose em vista que os lançamentos de CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins decorrem dos mesmos fatos, devem ser aplicados aos lançamentos reflexos o mesmo entendimento expendido para o IRPJ. Fl. 1040DF CARF MF 16 Conclusão. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, DAR LHE parcial provimento, exonerando o IRPJ, a CSLL, a contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, no valor correspondente à diminuição de R$ 107.584,13 (depósitos justificados relativos ao mês de fevereiro de 2004) da base de cálculo desses tributos nos respectivos períodos de apuração. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 1041DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.722124/2016-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 20/10/2016
COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO PARCIALMENTE RECONSTITUÍDO EM PROCESSO VINCULADO
Uma vez que a não homologação do pleito compensatório se dera em função de auto de infração em que os saldos negativos de IRPJ e de CSLL fora recalculado, havendo, ali, decisão que restabeleça os preditos saldos, ainda que parcialmente, esta tem imediato impacto sobre este feito, devendo se reconhecer o direito creditório até o limite disponível.
LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Será aplicada multa isolada de cinqüenta por cento sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada.
EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA. TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO.
Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.
NÃO-APLICAÇÃO DA LEI. FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VEDAÇÃO.
É vedado ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei ou retirar a sua eficácia, sob o fundamento de inconstitucionalidade, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal.
Numero da decisão: 1302-002.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do feito e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 20/10/2016 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO PARCIALMENTE RECONSTITUÍDO EM PROCESSO VINCULADO Uma vez que a não homologação do pleito compensatório se dera em função de auto de infração em que os saldos negativos de IRPJ e de CSLL fora recalculado, havendo, ali, decisão que restabeleça os preditos saldos, ainda que parcialmente, esta tem imediato impacto sobre este feito, devendo se reconhecer o direito creditório até o limite disponível. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Será aplicada multa isolada de cinqüenta por cento sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA. TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. NÃOAPLICAÇÃO DA LEI. FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VEDAÇÃO. É vedado ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei ou retirar a sua eficácia, sob o fundamento de inconstitucionalidade, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 21 24 /2 01 6- 60 Fl. 295DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do feito e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o feito de auto de infração lavrado exclusivamente para exigir do contribuinte, ora recorrente, crédito tributário concernente à multa isolada aplicada em decorrência de não homologação de pedido de compensação de saldos negativos de IRPJ e de CSLL. Em apertada síntese, o Recorrente manejou pedido de compensação (PERDCOMP de nº 32061.36236.200616.1.7.034311) transmitido pelo recorrente, objetivando a compensação de débitos tributários, no importe de R$ 363.189,84, com créditos decorrentes de saldo negativo de CSLL, apurado no anocalendário de 2011 e, originariamente, demonstrado em pedido de compensação anterior (PERDCOMP de nº 07566.92802.120615.1.3.030093). Neste particular, e tendo em conta os documentos acostados à manifestação de inconformidade do contribuinte, a nãohomologação de seu pleito se dera com base nos mesmos fundamentos da decisão proferida nos autos do PA de nº 13116.720670/201666 (PERDCOMP nº 07566.92802.120615.1.3.030093), ou seja, o saldo negativo pleiteado no anocalendário de 2011 foi integralmente abatido do valor apurado pela Fiscalização Federal nos autos do PA de nº 13116.722236/201459, em que, após a lavratura de autos infração, exigiuse do contribuinte o pagamento da CSLL no importe de R$ 140.558.617,69. Em outras palavras, ao invés de saldo negativo, no anocalendário de 2011, apurouse CSLL à pagar, inexistindo, pois, crédito compensável com exercícios futuros. Neste feito, o contribuinte apresenta a sua impugnação administrativa, por meio da qual sustenta, em resumo: a) a impossibilidade da exigência da multa isolada antes de julgado o PA de nº 13116.722236/201459, a míngua de liquidez e exigibilidade; b) a impossibilidade da exigência da multa isolada antes de julgado o processo relativo ao pleito compensatório, propriamente (PA de nº 18186.726568/201664, em apenso); Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13116.722124/201660 Acórdão n.º 1302002.962 S1C3T2 Fl. 266 3 c) a necessidade de vinculação/apensamento destes autos aos dos PAs de nos 18186.726568/201664 e 13116.722236/201459 e consequente sobrestamento do feito até o julgamento definitivo destes dois últimos processos; d) a impossibilidade da exigência da multa isolada, conquanto não homologada a compensação, a infração, propriamente, não teria se tipificado já que aquela decisão ainda não se concretizou dada a falta de julgamento definitivo do recurso ali manejado; e) impossibilidade de exigência, concomitante, da multa isolada aqui tratada e da multa de mora (20%) incidente sobre os créditos constituídos a partir do pedido de compensação não homologado seja em razão de um alegado bis in idem, seja em razão do princípio da consunção; f) inconstitucionalidade da exigência à luz da garantia constitucional encartada no art. 5º, XXXIV, "a", da CF (direito de petição) e dos princípios da proporcionalidade/razoabilidade e do nãoconfisco. Instada a se pronunciar sobre o caso a DRJ/BSB promoveu o julgamento conjunto destes autos com o aqueles autuados no PA de nº 18186.726568/201664, afastando, de imediato, o pleito de "sobrestamento" deste julgamento por falta de previsão legal. Quanto aos argumentos do contribuinte, o órgão a quo houve por bem julgálos improcedentes, nos termos da ementa abaixo reproduzida: LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Será aplicada multa isolada de cinqüenta por cento sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA. TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. NÃOAPLICAÇÃO DA LEI. FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VEDAÇÃO. É vedado ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei ou retirar a sua eficácia, sob o fundamento de inconstitucionalidade, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. SOBRESTAMENTO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Descabe o sobrestamento do processo administrativo por não existir disposição que confira efeito suspensivo aos recursos interpostos pelo contribuinte, quando há pendência de decisão administrativa definitiva relativa à exigência formalizada de ofício no período. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. Fl. 297DF CARF MF 4 A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. O contribuinte tomou ciência do conteúdo do acórdão acima em 13/10/2017 (conforme documento de efls 210), tendo interposto o seu recurso voluntário em 10/11/2017 (termo de ciência de efls. 211), por meio do qual reprisou os argumentos já declinados em sua impugnação. Cumpre, apenas, destacar, que o processo de nº 13116.722236/201459 foi distribuído à este Colegiado, tendo sido julgado na sessão do mês de junho, sendo certo que, naquela ocasião, foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte a fim de que cancelar as exigências concernentes ao IRPJ e CSLL incidentes sobre as subvenções concedidas pelo Estado de Goiás, com base nos preceitos da Lei Complementar 160/17. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, motivo pelo qual dele conheço. I Prefacialmente, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, motivo pelo qual dele conheço. Desde logo, impende destacar que toda discussão relativa ao apensamento/sobrestamento deste feito, até o julgamento definitivo do PA de nº 13116.722236/201459, restou prejudicada já que o citado processo foi analisado e julgado por este Colegiado, ocasião em que parte considerável do auto de infração foi derrubada por esta Turma. E, mesmo havendo uma reversão deste julgado, o resultado final não será suficiente para permitir a apuração de crédito compensável, conforme cálculos abaixo. De fato, o citado feito tratava de 4 (quatro) infrações distintas, sendo elas: a) omissão de receitas, consistente no destaque, indevido, do IPI em notas fiscais de venda, ao mercado interno, de veículos importados; b) omissão de receitas decorrentes da escrituração indevida, como subvenções para custeio ou operação, decorrentes do gozo, pelo contribuinte, de crédito presumido de IPI; c) omissão de receitas decorrentes da escrituração indevida de subvenções concedidas pelo Estado de Goiás aos contribuintes lá instalados; d) glosa de despesas concernentes à bônus sobre vendas. O recorrente noticia aqui (assim como já havia feito naqueles autos) a desistência das suas pretensões concernentes às infrações descritas em "b" e "d"1, mantendo, 1 V. petição juntada à efls. 256/261. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13116.722124/201660 Acórdão n.º 1302002.962 S1C3T2 Fl. 267 5 apenas, a discussão afeita ao IPI destacado nas notas fiscais de venda de veículos importados e à subvenção (benefício fiscal ICMS) concedida pelo Estado de Goiás. A vista disso, este Colegiado decidiu por dar parcial provimento apenas quanto ao questionamento tratado no item "c" supra, mantendose o restante da autuação. Pois bem. Como já alertado no relatório acima, o fundamento utilizado pela Unidade de Origem para considerar não homologada a compensação foi, justamente, o fato de que o saldo negativo originariamente apurado no anocalendário de 2011 teria sido revisto por ocasião da lavratura do auto de infração autuado no PA de nº 13116.722236/201459; e, pelo que afirma o próprio recorrente, com a autuação retro, ao invés de saldo negativo, apontouse a existência de saldo a pagar da predita contribuição, no importe de R$ R$ 140.558.617,69. O montante de saldo negativo indicado pelo Contribuinte foi, então, utilizado para reduzir o valor acima descrito, restando, em desfavor da empresa, um montante a pagar de R$ 114.647.669,07. Com a decisão proferida por este Colegiado, e considerando as receitas omitidas, descritas para cada uma das infrações apontadas no auto de infração (documento de efls. 125 a 129), bem como o montante total de despesas glosadas, terseia a seguinte realidade: a) infração descrita em "a" R$ 472.626.360,46; b) infração descrita em "b" R$ 27.363.463,77; c) infração descrita em "c" R$ 767.585.183,90; d) infração descrita em "d" R$ 276.802.781,40 O valor somado das parcelas acima perfazem R$ 1.561.762.418,72 (tal qual apontado no auto de infração). Suprimido o valor concernente à infração descrita em "c", teríamos um saldo de receita tributável no importe de R$ 794.177.234,82 que, incidindo sobre este a respectiva alíquota de 9%, terseia um valor de contribuição a recolher de R$ 71.475.951,13. Compensandose o valor anterior com o saldo negativo originariamente apurado pelo Recorrente, teríamos um valor a pagar de R$ 45.565.002,51. Em outras palavras, mesmo com o provimento parcial do Recurso Voluntário manejado nos autos do PA de nº 13116.722236/201459, ainda assim o contribuinte não conseguiria apurar saldo negativo no anocalendário 2011, não dispondo, pois, de qualquer direito creditório concernente ao período em testilha. Impende destacar, como já dito linhas acima, que mesmo que a decisão final do PA de º 13116.722236/201459 seja revertida e, portanto, seja decotado da receita bruta tributável o valor descrito no item "a", supra, ainda assim apurarseá valor a pagar de CSLL no importe de aproximadamente R$ 3.000.000,00. Ou seja, tanto o PA 13116.722236/201459 já se encontra resolvido por este CARF, como as consequências acima descritas serão implementadas nos autos do PA de nº Fl. 299DF CARF MF 6 18186.726568/201664, culminando com o improvimento do Recurso ali interposto dada a, anunciada, ausência de qualquer direito creditório. Neste passo, repriso, julgo prejudicadas as preliminares aventadas nos itens "a" a "c" das razões de insurgência em análise. II Da impossibilidade de cominação da multa isolada à vista da inocorrência de ato infracionário ante o não julgamento definitivo do processo compensatório. Ainda que os argumentos deduzidos no prefácio acima sejam aplicados ao tópico em testilha, o fato é que esta razão de pedir comporta uma particularidade, já que o contribuinte alega que, enquanto não definitivamente julgado o processo compensatório, inocorreria o fato infracionário descrito no art. 74, § 17, da Lei 9.430. Primeiramente, vejam bem, não se trata de infração à lei; tratase de multa de cunho eminentemente deôntico, objetivando evitar que o procedimento de compensação seja utilizado como forma de "rolamento" de dívidas tributárias, mediante transmissão de pedidos evidentemente descabidos. Esta penalidade, ainda que tida como sanção, não é aplicada, objetivamente, ao menos ao meu sentir, como decorrência de um ato ilícito, mas, sim, como método de "desinsentivo" (me desculpem pelo neologismo) ao uso de procedimento legal com fito, este sim, ilegal. Por isso mesmo, a concretização do julgamento do processo de compensação é desimportante porque o que se "sanciona" é ato de transmissão de pedido não homologado, configurando,tipo "penal", digase, por excelência, de conduta (em que a obtenção ou a concretização do objetivo é irrelevante). E é por esta singela razão que a própria Lei 9.430, no artigo anteriormente, citado, § 18, deixa extreme de dúvidas que a penalidade será aplicada sempre que não homologada a compensação pleiteada, suspendendose, todavia, a exigibilidade de sua exigência enquanto não promovido o julgamento em definitivo de eventual manifestação de inconformidade porventura proposta: § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. Assim, não só resta prejudicado este argumento, pelo já exposto já anteriormente, como também improcedentes as suas bases já que, inclusive, contrárias ao próprio texto legal. III Da concomitância da multa de mora com a multa isolada aqui tratada. Esta alegação seria semelhante àquelas sustentadas em decorrência da aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, concomitante à exigência de multa da multa de ofício, ambas, descritas no art. 44 da Lei 9.430/96. Algumas diferenças curiais, em verdade, afastam a aplicação daquela tese ao caso em análise. Primeiramente, um dos principais fundamentos sustentados por quem defende a inaplicabilidade cumuladas das duas penalidades no caso de falta de recolhimento de Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13116.722124/201660 Acórdão n.º 1302002.962 S1C3T2 Fl. 268 7 estimativas é que o preceito legal (art. 44) não determinaria a exigência cumulativa destas duas imposições. Particularmente, entendo, que a exigência da multa de ofício (75%, via de regra) se destinaria à punir a falta de pagamento de tributo apurado após o encerramento do exercício, ao passo que a multa de 50% destinarseia, exclusivamente, à sanção da omissão quanto a obrigação de pagar, mensalmente, as estimativas, quanto não verificado valor (saldo) de imposto ou contribuição a pagar. Isto é, a multa isolada do art. 44, II, destinarseia a garantir a punição do contribuinte que, a despeito de não apurar tributo a pagar, deixa de cumprir uma determinação legal (mister que cai por terra quando, após o ajuste, observase a obrigação de recolhimento das exações federais, hipótese em que tal inação será apenada pela multa a que se refere o inciso I, daquele preceito). Já na hipótese em tela, estamos diante de questões fáticojurídicas totalmente diferentes... Primeiramente, a multa isolada, aqui, como já afirmei alhures, não penaliza o ato ilícito visando, outrossim, coibir a prática de um ato lícito (transmissão do pedido de compensação), com intuito ilícito de prorrogar dívidas tributárias... não há, neste caso, um descumprimento de uma obrigação legal (principal ou acessória) a justificar a penalização, mas, apenas, uma imposição, como já dito, deôntica. Por isso a sua imposição se justifica desde logo, tendo o contribuinte se defendido ou não. Lado outro, a multa de mora, que, inclusive, esta prevista em preceito de lei totalmente distinto daquele que versa sobre a multa isolada sobre o que ora se reporta aquela está fundamentada no art. 61, ao passo que, como já dito, a multa isolada pela não homologação de PERDCOMP transmitida está calcada no art. 74, § 17, ambos da Lei 9.430. E, mais que isso, a multa de mora tem por pressuposto penalizar o ato ilícito do contribuinte, consistente no não pagamento de crédito tributário, mormente no caso de pedidos de compensação que, a teor da legislação de regência, constitui confissão de dívida... Ou seja, a multa de mora, aqui, penaliza o ato ilícito!] E, não bastasse isso, justamente por não estarem contemplados no mesmo dispositivo legal, a interpretação aplicada ao casos da multa ofício x multa isolada por falta de pagamento de estimativas não tem qualquer fundamento legal... não há exceção na lei e não é possível interpretála de sorte que inferir a impossibilidade de sua cumulação. Por fim e quanto ao argumento complementar deduzido pelo Recorrente quanto a necessidade de aplicação da teoria da consunção, vejam bem, além de reprisar o que já foi dito acima (estamos tratando de multas de naturezas distintas), a predita teoria imporia a encampação da multa de mora pela multa de isolada (mais gravosa) e não o contrário... Como estes autos não tratam da multa de mora, nem como muito esforço exegético poderíamos acolher semelhante pretensão. IV Das alegadas inconstitucionalidades dos preceitos que tratam da multa isolada (por suscitada violação ao direito de petição e aos princípios da razoabilidade/proporcionalidade e nãoconfisco). Ainda que, particularmente, compartilhe do entendimento teórico sustentado pelo recorrente, o art. 62, caput, do RICARF veda, ressalvas as hipóteses de seu §1º, aos Conselheiros deste CARF o afastamento da aplicação da lei ao caso concreto, em razão de Fl. 301DF CARF MF 8 alegada inconstitucionalidade (pena, inclusive, de perda do cargo). Isto, vejam bem, sem prejuízo dos preceitos da Súmula/CARF de nº 2, cuja observância também nos é mandatória: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No caso, deixar de aplicar os preceitos do art. 74, § 17, da Lei 9.430, porque semelhante previsão contrariaria o direito de petição ou, ainda, seria desproporcional ou mesmo confiscatória, significaria reconhecer a sua inconstitucionalidade que, como demonstrado, é impossível nesta seara. V Conclusão. Pelas razões expostas, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.675111/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, cabendo ao contribuinte o ônus de prova do indébito que busca utilizar.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não constitui prova hábil, ensejando a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-002.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, cabendo ao contribuinte o ônus de prova do indébito que busca utilizar. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não constitui prova hábil, ensejando a não homologação da compensação.
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REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, cabendo ao contribuinte o ônus de prova do indébito que busca utilizar. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não constitui prova hábil, ensejando a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 51 11 /2 00 9- 14 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.675111/200914 Acórdão n.º 1201002.447 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de DCOMP transmitida pelo contribuinte para fins de compensar crédito de estimativa de CSLL com débitos próprios. A Derat, por meio de despacho decisório, não homologou a compensação sob o argumento de inexistência do crédito, tendo em vista sua alocação a débito confessado pelo próprio contribuinte em DCTF. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em resumo, que o crédito é legítimo em face da apuração de prejuízo fiscal e base negativa no período, que a vedação da compensação de estimativas prevista na IN 900 não poderia retroagir e que ao menos a multa e os juros deveriam estar com a exigibilidade suspensa. A DRJ julgou a manifestação improcedente. Entendeu que, como o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito corresponde exatamente à estimativa devida no período, não há que se falar em pagamento indevido. Aduz a decisão, ainda, que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal, nos termos da IN 600/2005, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração ou incluílo na composição do Saldo Negativo do período. A empresa interpôs recurso voluntário contra a decisão, reiterando os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.444, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.675129/2009 16, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ relativa ao mês de novembro de 2003. O direito creditório pleiteado no presente processo tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, referente ao mês de junho de 2003. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.675111/200914 Acórdão n.º 1201002.447 S1C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.444): "O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. É importante observar que, ao contrário do que possa parecer, a compensação objeto de análise não foi homologada em razão da insuficiência do crédito, uma vez que o montante de estimativa foi declarado em DCTF pelo contribuinte, conforme consta do despacho decisório. O argumento de que crédito de estimativa não poderia ser compensado em razão da vedação prevista no artigo 10, da IN 600/2005, foi inserido pela DRJ na decisão de piso no contexto daquilo que se denomina de dialética processual, mas nunca foi, repitase, o fundamento de validade do despacho decisório. O objeto da presente lide, na verdade, diz respeito ao direito ou não da contribuinte compensar o recolhimento feito a título de estimativa de novembro de 2003, cujo débito foi declarado por ela em DCTF não retificada. Pois bem. Do exame dos documentos trazidos aos autos, verificase que a Recorrente não conseguiu demonstrar ou provar que o pagamento da estimativa em questão de fato foi feito a partir de erro ou equívoco, o que lhe tornaria um efetivo indébito. Pelo contrário, o contribuinte questiona a não homologação da compensação em face da pretensa ausência do débito que foi compensado, em razão da apuração de prejuízo fiscal no ano, prejuízo este que, digase, também não restou demonstrado. Nesse estado de coisas, o que precisa ficar claro é que a fiscalização motivou a não homologação por considerar corretos os valores declarados em DCTF que constitui instrumento de confissão de dívida e, como conseqüência, corretamente alocou o pagamento efetuado ao débito informado, não restando nenhuma diferença credora. Já a contribuinte faz menções genéricas de erros e equívocos, mas não apresenta nenhuma demonstração analítica ou prova em seu favor. Ora, alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis e idôneos acerca de sua natureza e efetiva origem, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Cabe, aqui, lembrar do velho brocardo latino: "alegar e não provar é quase não alegar" (allegatio et non probatio quasi non allegatio) ou "alegar e não provar o alegado importa nada alegar" (niagara ilia et allegatum nom probare paria sunt). Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.675111/200914 Acórdão n.º 1201002.447 S1C2T1 Fl. 5 4 Em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, planilhas demonstrativas ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Tratase, assim, de uma compensação cujo crédito não restou comprovado, prejudicando o alegado direito. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo, é firme no sentido de que compete ao contribuinte a comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito, sob pena de indeferimento do pedido. “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102 000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.675111/200914 Acórdão n.º 1201002.447 S1C2T1 Fl. 6 5 homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). À falta, então, da comprovação do crédito informado na DCOMP, a decisão pela não homologação não merece reforma. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.005339/2005-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/07/2005
MULTA. DE OFÍCIO. ARGUMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE, IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA 02 CARF.
A multa de oficio, prevista no art. 44, da Lei n° 9.430/1996, não pode deixar de incidir sob o argumento de suposta inconstitucionalidade conforme preceitua a Súmula 02.
MULTA CONTROLE ADMINISTRATIVO APLICAÇÃO DO ART. 72, INC. I, DA LEI Nº 10.833/2003. IRRETROATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ATINGIR FATOS GERADORES ANTERIORES.
Impossibilidade de aplicação de lei nova retroagir para atingir ato jurídico perfeito e acabado. Na hipótese dos autos, inexistia previsão legal com o caráter sancionatório para o descumprimento dos requisitos da admissão temporária de suspensão.
Numero da decisão: 3001-000.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para manter a multa de ofício prevista no artigo 44 - Lei 9.430/96, e, por outro lado, cancelar a multa pelo controle administrativo. Votou pela conclusão o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/07/2005 MULTA. DE OFÍCIO. ARGUMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE, IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA 02 CARF. A multa de oficio, prevista no art. 44, da Lei n° 9.430/1996, não pode deixar de incidir sob o argumento de suposta inconstitucionalidade conforme preceitua a Súmula 02. MULTA CONTROLE ADMINISTRATIVO APLICAÇÃO DO ART. 72, INC. I, DA LEI Nº 10.833/2003. IRRETROATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ATINGIR FATOS GERADORES ANTERIORES. Impossibilidade de aplicação de lei nova retroagir para atingir ato jurídico perfeito e acabado. Na hipótese dos autos, inexistia previsão legal com o caráter sancionatório para o descumprimento dos requisitos da admissão temporária de suspensão.
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DE OFÍCIO. ARGUMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE, IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA 02 CARF. A multa de oficio, prevista no art. 44, da Lei n° 9.430/1996, não pode deixar de incidir sob o argumento de suposta inconstitucionalidade conforme preceitua a Súmula 02. MULTA CONTROLE ADMINISTRATIVO APLICAÇÃO DO ART. 72, INC. I, DA LEI Nº 10.833/2003. IRRETROATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ATINGIR FATOS GERADORES ANTERIORES. Impossibilidade de aplicação de lei nova retroagir para atingir ato jurídico perfeito e acabado. Na hipótese dos autos, inexistia previsão legal com o caráter sancionatório para o descumprimento dos requisitos da admissão temporária de suspensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para manter a multa de ofício prevista no artigo 44 Lei 9.430/96, e, por outro lado, cancelar a multa pelo controle administrativo. Votou pela conclusão o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 53 39 /2 00 5- 03 Fl. 249DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Tratase de Recurso voluntário que discute a incidência das multas por controle administrativo, e multa proporcional ao valor aduaneiro, multa regulamentar e multa do II isolada Auto de Infração Importa recortar e transcrever trechos do relatório do auto de infração, por muito bem pormenorizar a questão fática: O importador BRISTOL MYERS SQUIBB BRASIL S/A, inscrito no CNPJ sob nz 56.998.982/000107, protocolou junto a esta Alfândega do Porto de Santos, em 06/09/2002, Requerimento de Concessão do Regime de Admissão Temporária, para a mercadoria: 01 (uma) "MÁQUINA ELABORADORA DE CREMES, MARCA TREVI, MODELO PCTV150, NR. DE SÉRIE 241, ANO DE FABRICAÇÃO 1991, COM AS SEGUINTES CARACTERÍSTICAS: SISTEMA DE ENTRADA DE ÁGUA FRIA E VAPOR, EQUIPAMENTO D EFLEVP999910 PNEUMÁTICO, SISTEMA DE AQUECIMENTO E ESFRIAMENTO, RECIPIENTE DE AÇO INOXIDÁVEL COM CAPACIDADE tu PARA 150 LITROS COM MOTOR DE ACIONAMENTO, MARCA CORRADI, TIPO MTP. 100L 1/4, NR. DE SÉRIE 54203239, POTENCIA 3HP, BOMBA DE VÁCUO MARCA DO:519AG, MODELO DSER 300, C/ MOTOR CORRADI, TIPO MTA80 A/2, PRESSÃO DE TRA5ALHO: 3 KGS, TENSÃO DE TRABALHO: 380V, VELOCIDADE DE TRABALHO DO EMULSIONADOR: 1500/300 O pedido foi fundamentado no artigo 7 0 , caput, da Instrução Normativa n° 150, de 20 de dezembro de 1999, que possibilitava o ingresse sob o regime de admissão temporária, com pagamento dos impostos federais incidentes na importação proporcionalmente ao tempo de permanência no Pais, de bens destinados à prestação de • serviços ou à produção de outros bens. A mercadoria chegou a este Porto de Santos em 24/08/2002, a bordo do navio LIKES EAGLE, procedente de Buenos Aires, Argentina, condicionada em 02 duas caixas, conforme consta no Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11128.005339/200503 Acórdão n.º 3001000.519 S3C0T1 Fl. 250 3 Conhecimento Marítimo (BL) n° 3UE001464, datado de 19/08/2002. Em 02/09/2002, a interessada efetuou c registro da Declaração de Importação n' 02/07827200, recolhendo os tributos relativos a 24 (vinte e quatro) meses, tempo determinado pelo Contrato de Comodato apresentado. Para o restante dos tributos, foi apresentado Termo dei Responsabilidade, pela empresa interessada, onde consta o valor total de R$ 7.336,68, relativos aos tributos suspensos (R$ 5.214,24 referente ao Imposto de Importação e R$ 2.122,44 correspondente ao Imposto sobre Produtos Industrializados). A admissão temporária da máquina importada foi autorizada em 04/10/2002, ocorrendo o desembaraço da Declaração de Importação em 17/10/2002, após a conferencia física, realizada com acompanhamento de assistente técnico, na área de Lengenharia mecânica, com a emissão de Laudo Técnico referente à Solicitação de Assistência Técnica n' 2347/GC0F/2002. Expirado o prazo concedido, o importador foi intimado em 18/12/2004 a, no prazo de 10 (dez) dias, a partir da ciência, comprovar a adoção de uma das providências previstas nu artigo 15, da Instrução Normativa sRr n° 285/03, para a extinção do regime, que se encontrava vencido desde 17/10/2004. Cientificada da intimação em 29/12/2004, conforme Aviso de Recebimento, a empresa interessada, através de seu representante legal, apresentou em 0E/01/2005, carta dc importador através da qual manifestava a intenção de nacionalizar a mercadoria despachada pela Declaração de Importação n° 02/07827200, acrescentando que havia sido registrada a Li n° 04/15543948, e que se encontrava no aguardo de seu deferimento por parte do DECEX. • Decorrido o prazo aproximado de 03 (três) meses, o importador foi novamente intimado, por via postal (ciente em 30/05/2005, conforme AR), a comprovar a adoção de uma das providências previstas no artigo 15, da Instrução Normativa SRF n° 285/03, para a extinção do regime, que se encontrava vencido desde 17/10/2004. Em resposta, reafirma que a LI registrada encontravase em fase de atendimento às exigências formuladas pelo DICEN, para a concessão da autorização necessária à nacionalização de bens usados. Em 27/05/2005, foi emitida a intimação DIDAD/GLAP N° 339/2095, através da qual foi cientificado em 16/06/2005 (conforme AR emitido pelos Correios), a apresentar cópia da LI 04/13912261 atualizada, informando a situação em que se encontra. Fl. 251DF CARF MF 4 Tendo em vista não haver sido obtida resposta por parte do importador, em despachn datado de 01/07/2005, foi autorizada a execução do Termo de Responsabilidade, e determinada a lavratura de Auto de Infração para a cobrança das multas devidas. multa pela importaçe.0 de mercadoria sem licença de importação. Para importar a "MÁQUINA ELABORADO DE CREMES, MARCA 'PREVI, MODELO PCTV150, NP. DE SÉRIE 241, ANO DE FABRICAÇÃO 1991", o importador obteve a Licença de Importação n 02/07717858, que a amparava temporariamente, pelo prazo de vigência concedido para o regime. O prazo concedido para a vigência do regime expirou em 17/10/2004, sem que a empresa interessada comprovasse a adoção de uma das providências previstas no artigo 319, do Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002, para a sua extinção. Constatase, portanto, que a mercadoria admitida temporariamente, encontrase ao desamparo de Licença de Importação desde 17/10/2004, configurandose assim, infração administrativa ao controle das impertacóes. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA O prazo concedido para a vigência do regime de admissão relativo a MÁQUINA ELABORADORA DE CREMES, MARCA TREVI, MODELO PCTV150, NR. DE SÉRIE 241, ANO DE FABRICAÇÃO 1991, importada por meio da Declaração de Im p ortação n° 02/07827200, expirou em 17/10/2005, sem que o importador adotasse uma das providências previstas no artigo 319, do Decreto n° 4.543, de 26 de dezerrbro de 2002, para a sua extinção. MULTA DE OFÍCIO Cobrase a multa de lançamento de oficio, capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sobre o valor consignado no Termo de Responsabilidade, referente ao Imposto de Importação suspenso, tendo em vista o importador não haver adotado una das providências, dentre as previstas no artigo 319, do Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002, para a extinção do reiera de admissão temporária, vencido em 17/10/2004. EMBARAÇO OU IMPEDIMENTO À AÇÃO DA FISCALIZAÇÃO, INCLUSIVE NÃO ATENDIMENTO A. INTIMAÇÃO Intimado a apresentar cópia da II n' 04/13912261 atualizada, informando a situação em que se encontra, o importador não se Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11128.005339/200503 Acórdão n.º 3001000.519 S3C0T1 Fl. 251 5 manifestou a respeito, apesar da intimação DIDAD/GLAP n° 339/2005 haver sido recebida pela mesma pessoa que recebeu a intimação DIDAD/GLAP7247/2005, que foi respondida, conforme pode ser constatado nos respectivos avisos de recebimento, emitidos pelos Correios. Assim sendo, cobrase através deste Auto de Infração, a multa prevista no artigo 107, incise IV, afinca "c", do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezeto de 2003, pela não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal. Impugnação Na impugnação foi destacado que: (i) descabe a aplicação da multa por infração ao controle administrativo das importações, prevista no art. 633, II, 'o', do Decreto n° 4.543/2002, eis que tal penalidade é aplicável apenas às importações efetivadas sob regime comum, sei» enquadramento em quaisquer dos regimes especiais previstos na legislação aduaneira; (ii) igualmente não é devida a multa pelo descumprimento dos requisitos do regime de admissão temporária, prevista no art. 72, da Lei n° 10.833/2003, eis que a Recorrente cuidou de realizar seu efetivo pagamento, em momento anterior ao ser cientificada da presente autuação; (iii) não é devida a multa de oficio, eis que no caso em tela não ocorreu nenhuma das hipóteses normatizadas no art. 44, da Lei n° 9.430/1996, a saber: falta de pagamento do tributo ou recolhimento após o prazo sem o cômputo da multa moratória, eis que houve apenas o descumprimento do regime especial, com a posterior quitação dos tributos devidos; (iv) e, por fim, é descabida a multa por embaraço à fiscalização, eis que em momento algum a Recorrente causou qualquer embaraço ou empecilho para dificultar ou fiscalizar a ação da fiscalização DRJ/SPOII Na delegacia de julgamento de primeira instância, a impugnação recebeu a seguinte ementa: ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO CONCEDIDO. São devidos os impostos incidentes na importação de bens admitidos temporariamente, como também as multas de lançamento de oficio, quando inexiste comprovação hábil de que foram tomadas providências tendentes à regular extinção do regime especial. Cabíveis, igualmente, as multas pelo descumprimcnto das condições do regime e pela falta de licenciamento. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO.PAGAMENTO. Fl. 253DF CARF MF 6 O pagamento da multa por descumprimento do • regime, antes da autuação, extingue o respectivo crédito tributário. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO Para caracterização da infração prevista no art. 107, IV, "c" do DecretoLei n° 37/66, é necessário o comportamento omissivo ou comissivo no sentido de embaraçar, impedir ou dificultar a ação da fiscalização aduaneira. Lançamento Procedente em Parte Transcrevese parte do esclarecedor relatório: O importador, por meio da declaração de importação Dl de n° 02/07827200 de 02/09/2002, submeteu ao regime de admissão temporária a mercadoria descrita na fl. 02, com pagamento dos impostos incidentes proporcionalmente ao tempo de permanência no pais e com a constituição de Termo de Responsabilidade para o montante restante, nos termos do art. 7° da ' INSRF n° 150/99. Após o vencimento do prazo de concessão do regime em 17110/2004, foi a empresa intimada a comprovar a adoção de alguma das medidas do art. 15 da INSRF n° 285/03, ti. 71. 4111 Em 05/01/2005, fl. 72, a impugnante apresentou declaração alegando que já havia registrado a LI n° 04/15543948 para vinculação a declaração de nacionalização de admissão temporária, mas que aguardava "trâmites" do SECEX. Em 11/04/2005 a impugnante foi novamente intimada a comprovar a regular extinção do regime, fl. 74. Em 11/04/2005, fl. 75 a impugnante reitera a afirmação sobre a LI registrada em 15/10/2004, mas afirma que ainda encontrase em "fase de atendimento às exigências formuladas pelo DECEX". ' Em 27/05/2005 foi novamente intimada a impugnante a apresentar cópia da referida LI informando a situação em que se encontrava. Tal intimação não obteve resposta. Através do despacho de Il. 82 a fiscalização autorizou a execução do Termo de Responsabilidade e lavrou o presente Auto de Infração para cobrança das multas por falta de licenciamento, multa pelo descumprimento do regime, multa de oficio do II e 1PI e multa pelo embaraço â fiscalização. Intimada do Auto de Infração em 20/0912005 (11. 98), a interessada apresentou impugnação e documentos em 2011012005, juntados às folhas 105 e seguintes, alegando em síntese: I. Alega que o art. 44 da Lei n° 9.430/96 não se aplica ao caso de descumprimento do prazo de regime de admissão temporária. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11128.005339/200503 Acórdão n.º 3001000.519 S3C0T1 Fl. 252 7 2. Alega ser incabível a multa por falta de guia de importação pois esta só seria exigível em uma importação em regime comum. Cita jurisprudência administrativa sobre o terna, 3. Alega que efetuou o recolhimento da multa pelo descumprimento do regime de admissão temporária antes da autuação e anexou cópia de DARF, fl. 161, 4. Alega ser incabível a multa por embaraço à fiscalização pois o comportamento da impugnante não dificultou ou impediu a ação da fiscalização. Alega ainda que promoveu requerimento no processo administrativo n° 11128.004660/200210 que descaracterizaria a tipificação de embaraço. 5. Requer, por fim, que seja considerado improcedente o auto de infração. Multa por descumprimento do Regime de Admissão Na parte que fora dado provimento, relativamente à multa por não promover de forma tempestiva qualquer das medidas extintivas do regime de admissão temporária Ressaltese que, nos termos do caput do art. 319, acima transcrito, as medidas • devem ser efetivadas dentro do prazo de vigência do regime. Apesar da alegação de registro de licença de importação por parte da impugnante, tal medida não equivale ao registro de declaração de nacionalização, além do caráter precário de tal LI que pode ser indeferida ou perder validade se não for vinculada tempestivamente a uma declaração de importação. Com relação à multa pelo descumprimento do regime, apesar de tipificada sua 4111 ocorrência, a impugnante promoveu seu recolhimento antes da ciência da autuação, conforme pesquisa nos bancos de dados da Receita, ff 168. Logo, improcedente a autuação em relação a esta multa. da multa prevista no artigo 44 Na seqüência do voto condutor, explicitase a aplicabilidade da multa prevista no artigo 44 da lei 9.430/96 pela falta de pagamento no prazo do imposto constituído pelo Termo de Responsabilidade exigência está explicitada na INSRF n°285/02, em seu art. 19, §1°, II: Quanto à multa pela falta de guia de importação esta é cabível pois, de fato, a mercadoria, sujeita a licenciamento não automático por ser usada, foi intemalizada sem ser submetida ao devido despacho para consumo. Assim é a determinação do art. 311 embaraço à fiscalização relação à multa por embaraço à fiscalização, entendo que a mesma não ficou totalmente tipificada. pela procedência parcial do lançamento, com a exclusão da multa pelo descumprimento do regime e da multa por embaraço à fiscalização. Fl. 255DF CARF MF 8 Recurso Voluntário O recurso voluntário repisou as matérias restantes, quais sejam: a multa de ofício prevista no artigo 44 Lei 9.430/96, Em sua visão, no caso em tela não ocorreu nenhuma das hipóteses normatizadas no art. 44, da Lei n° 9.430/1996, a saber: falta de pagamento do tributo ou recolhimento após o prazo sem o cômputo da multa moratória, eis que houve apenas o descumprimento do regime especial, com a posterior quitação dos tributos devidos; aplicado a multa de oficio em questão, sob a alegação de não ter a Recorrente adotado nenhuma das condutas previstas no art. 319, do Regulamento Aduaneiro, para a extinção do regime de admissão temporária, é certo que esta não é devida. A situação nele descrita não corresponde àquela tratada nos presentes autos pois não há nenhuma referência na sua redação à ausência de descumprimento de prazo de regime de admissão temporária. A conseqüência, é certa a conclusão de que não pode ser aplicada ao presente caso a multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, pois esta penalidade não tem por objetivo colher a situação descrita pela fiscalização no auto de infração em análise, que é justamente o descumprimento de regime de admissão temporária. Além do mais, teria ocorrido o pagamento dos tributos proporcionalmente devidos no regime de admissão temporária.Nesse turno, nem se diga, como fez o v. acórdão ora 411/ recorrido, que a aplicação da multa ora em análise é devida em razão do disposto no art. 19, § I°, inciso II, da Instrução Normativa/SRF n°285/2002, in verbis: "Art. 19 Na hipótese de exigência do crédito constituído em termo de responsabilidade, o beneficiário terá o prazo de trinta dias, contado da notificação prevista no § 1°, do art. 18, para: C) § 1° decorrido o prazo a que se refere o caput e não tendo sido reexportados os bens, nem registrada a declaração de importação, o beneficiário ficará sujeito: II ao pagamento da multa prevista no inciso I, do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sem prejuízo da continuidade, na forma da legislação específica, da exigência do crédito tributário anda não cumprida." Isso que significar que a determinação disposta no art. 19, § 1°, inciso II, da N/SRF n° 285/2002 não poderá ser considerada, eis que acaba por afrontar o principio constitucional da legalidade. E, por tal razão, concluise que a disposição contida no art. 19, § 1°, inciso II, da IN/SRF n° 285/2002 sequer poderá ser considerada, por incorrer em absoluto vício de ilegalidade e inconstitucionalidade. Dessa forma, tendo em vista que a penalidade que está sendo imposta à Recorrente tem por único fundamento a IN n° 285/2002, sem que tenha sido anteriormente instituída por lei ordinária, é certo que, também sob tal ótica, a multa Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11128.005339/200503 Acórdão n.º 3001000.519 S3C0T1 Fl. 253 9 prevista no art. 44, da Lei n° 9.430/1996 deverá ser afastada, por representar, no caso vertentr, efetiva afronta ao princípio da legalidade. Multa pelo controle administrativo Decreto 4.345/02 artigo 633 Partindo do entendimento de que foi ultrapassado o prazo de vigência da licença de importação expedida para amparar a importação sob o regime especial da admissão temporária, fiscalização lançou a multa em questão que deveria ser aplicada nas hipóteses em que a importação é efetivada normalmente, quando então, por qualquer razão de ordem formal, a licença de importação emitida não é válida, ou ainda, quando não foi sequer emitida licença de importação. Tal situação, apostou a recorrente, é totalmente distinta do regime especial que está regulado pelos artigos 306 e seguintes do Regulamento Aduaneiro, onde, por força do disposto no artigo 56 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, a multa aplicável pelo descumprimento das condições, prazos e requisitos do regime de admissão temporária correspondera a 10% do valor aduaneiro da mercadoria submetida a despacho. Nesta hipótese não se trataria de uma pura e simples importação feita ao desamparo de guia, mas sim do descumprimento do prazo de vigência de um regime de admissão temporária, situações distintas e que são reguladas por dispositivos regulamentares também distintos. Assim sendo a conclusão de que a penalidade inserta no inciso I do artigo 56 da Medida Provisória n° 135/03 é a defendida pela recorrente no sentido de não que deve ser aplicada na hipótese de descumprimento do prazo de regime de admissão temporária. É o relatório Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: Multa pelo controle administrativo e a multa de ofício Admissibilidade do Recurso Fl. 257DF CARF MF 10 O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, o que passo a fazer nos seguintes termos. MÉRITO O mérito será tratado de forma segmentada. Inicialmente a multa de ofício e seus argumentos, serão analisados. Posteriormente, a Multa pelo controle administrativo. multa de oficio, art. 44, da Lei n° 9.430/1996 Súmula 02 A recorretne traz a lume a impossibilidade da aplicação da multa de ofício prevista na lei 9.430/96. Segundo seu raciocínio, a multa de oficio, no caso em tela, não preencheu nenhuma das hipóteses normatizadas em seu art. 44. A fim de integrar o consequente da norma jurídico tributária, e capacitála para prescrever a conduta pretendida, utilizouse a fiscalização, da IN/SRF n° 285/2002, mais especificamente seu art. 19. Neste sentido, apontou a recorrente para a inconstitucionalidade do ato, vez que o auto de infração teria utilizado de instrução normativa que atenta contra o princípio da legalidade. Neste aspecto, aplicase a súmula CARF 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim vem entendendo este Conselho de Recursos Fiscais em casos semelhantes: Acórdão nº 3402.004.878 ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS MULTA DE OFÍCIO. OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF N. 02. É vedado ao CARF a realização de controle, ainda que difuso, de constitucionalidade de norma. Súmula CARF nº 2. Multa pelo controle administrativo Decreto 4.345/02 artigo 633 A autuação funda a aplicação da multa com base no artigo Art. 633 do Decreto 4.5.43/02, o qual prescreve a multa para importação desamparada de licença de importação. A defesa alega ser esta a tipificação de multa para os casos gerais de importação, não para os casos, como o presente, albergado por regime aduaneiro diferenciado, a exemplo da admissão temporária, que passaria a ser regrada a partir do artigo 306 e ss. do regulamento. merecendo transcrição de trecho do recurso voluntário: Fl. 258DF CARF MF Processo nº 11128.005339/200503 Acórdão n.º 3001000.519 S3C0T1 Fl. 254 11 nesta hipótese não se trata de uma pura e simples importação feita ao desamparo de guia, mas sim do descumprimento do prazo de vigência de um regime de admissão temporária, situações distintas e que são reguladas por dispositivos regulamentares também distintos. Desta forma, devese analisar o fato gerador da obrigação convertida em multa, vez que a importação se deu A mercadoria chegou a este Porto de Santos em 24/08/2002, a bordo do navio LIKES EAGLE, procedente de Buenos Aires, Argentina, condicionada em 02 duas caixas, conforme consta no Conhecimento Marítimo (BL) n° 3UE001464, datado de 19/08/2002. A lei 10.833/03, que, em seu artigo 72, preve a multa para desamparo de licença em caso de da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, sobreveio em dezembro de 2003, sendo, portanto, posterior à importação, não podendo retroagir em desfavor do contribuinte. Acórdão 3202000.180 EXIGIBILIDADE DE MULTA REGULAMENTAR. APLICAÇÃO DO ART. 72, INC. I, DA LEI Nº 10.833/2003. REFORMATIO IN PEJUS. IMPOSSIBILIDADE. Impossibilidade de aplicação de lei nova retroagir para atingir ato jurídico perfeito e acabado. Na hipótese dos autos, inexistia previsão legal com o caráter sancionatório para o descumprimento dos requisitos da admissão temporária de suspensão. Recurso voluntário provido em parte. Fundamento Legal Multa por Desamparo de licença em regime de admissão temporária Regra Específica 10833/03 Art. 72. Aplicase a multa de: (Vide) I – 10% (dez por cento) do valor aduaneiro da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, ou de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime; e II – 5% (cinco por cento) do preço normal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, ou de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime. Fl. 259DF CARF MF 12 § 1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2o A multa aplicada na forma deste artigo não prejudica a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso. multa por importação desamparada de licença Regra geral Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação DA ADMISSÃO TEMPORÁRIA Art. 306. O regime aduaneiro especial de admissão temporária é o que permite a importação de bens que devam permanecer no País durante prazo fixado, com suspensão total do pagamento de tributos, ou com suspensão parcial, no caso de utilização econômica, na forma e nas condições deste Capítulo CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e darlhe parcial provimento, no sentido de manter a multa de ofício prevista no artigo 44 Lei 9.430/96, e, por outro lado, cancelar a multa pelo controle administrativo. Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Fl. 260DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.005496/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS OU LIVROS.
Deixar de exibir documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24.07.1991, quando regularmente intimado, constitui descumprimento de obrigação acessória.
PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS POR INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA.
No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer. A sociedade que contrata empregados mediante interposta pessoa jurídica é responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes destas relações de emprego.
MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO.
Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa imposta por descumprimento de obrigação acessória, sob o fundamento de que seria confiscatória.
Numero da decisão: 2402-006.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS OU LIVROS. Deixar de exibir documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24.07.1991, quando regularmente intimado, constitui descumprimento de obrigação acessória. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS POR INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer. A sociedade que contrata empregados mediante interposta pessoa jurídica é responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes destas relações de emprego. MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO. Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa imposta por descumprimento de obrigação acessória, sob o fundamento de que seria confiscatória.
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Recorrente TGM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS OU LIVROS. Deixar de exibir documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24.07.1991, quando regularmente intimado, constitui descumprimento de obrigação acessória. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS POR INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer. A sociedade que contrata empregados mediante interposta pessoa jurídica é responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes destas relações de emprego. MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO. Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa imposta por descumprimento de obrigação acessória, sob o fundamento de que seria confiscatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 54 96 /2 00 9- 26 Fl. 325DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 7ª Tuma da DRJ/BSB, consubstanciada no Acórdão nº 0339.509 (fls. 81), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, lavrado contra a empresa MENEGOTTI FORMAS METÁLICAS LTDA, por meio do AI n° 37.225.1927, no valor de R$ 39.874,98, consolidado em 23/11/2009. O AI foi lavrado em 23/11/2009, por ter a empresa deixado de exibir os relatórios das despesas de viagem (exceto o de Luiz Reiter de 02/04/05 e de 07/04/05), infringindo dessa forma o disposto no artigo 33, §§ 2° e 3°, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Consta também do Relatório Fiscal que a empresa apresentou documentos e livros com informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira, referente ao período de 01/2005 a 03/2009, pois os livros contábeis e fiscais, folhas de pagamento, RAIS e registros de empregados apresentados não informam toda a movimentação dos empregados a seu serviço. Os empregados omitidos foram registrados em empresa diversa (PAMAX), constando nos livros da autuada os registros de transações simuladas (serviços de industrialização) para justificar o envio dos recursos financeiros à PAMAX. Consta do Relatório Fiscal que a autuada é primária mas incorreu em circunstância agravante, pois agiu com dolo e fraude, conforme previsto no inciso II do artigo 290 do Regulamento da Previdência Social RPS, uma vez que a omissão parcial da movimentação dos empregados a seu serviço foi planejada mediante a criação da empresa PAMAX e posterior registro dos omitidos em nome desta empresa. Por estas razões, a multa mínima para esta espécie de infração, prevista no artigo 283, inciso II, "j" do RPS, é elevada três vezes (artigo 292, II, do RPS). Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10920.005496/200926 Acórdão n.º 2402006.613 S2C4T2 Fl. 3 3 Assim, em razão da infração cometida, foi aplicada multa no valor de R$ 39.874,98, nos termos do artigo 283, II, "j", do RPS, atualizado pela Portaria MPS/M1 n° 48, publicada em 13/02/2009. Nesta ação fiscal foram expedidos, além deste auto de infração, os Autos de Infração AIOP 10920.005497/200971 DEBCAD n° 37.225.1943 (patronal) 10920.005498/200915 DEBCAD 37.225.1951 (segurados) e 10920.005499/200960 DEBCAD 37.225.1960 (terceiros) e o AIOA 10920.005500/200956 DEBCAD 37.225.1935. IMPUGNAÇÃO Cientificada do auto de infração em 25/11/2009, a empresa apresentou impugnação às fls. 43/59, em 22/12/2009, alegando, em síntese que: O presente auto de infração é consequência da ação fiscal realizada na empresa referente ao período de 01/2005 a 03/2009, da qual resultaram diversas autuações. O auditor fiscal ao autuar a empresa e por entender que há uma unicidade entre as empresas, considerou como não cumpridas diversas obrigações acessórias, dentre elas a de supostamente ter apresentado GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Que as despesas de viagem não constituem fato gerador das contribuições previdenciárias e que os valores foram efetivamente restituídos aos empregados e caso não fossem lançadas, a única consequência seria a diminuição do lucro tributável, para efeitos de imposto de renda. Mesmo assim este fato não tem importância, uma vez que a empresa recolhe seus tributos através do Simples. Que a empresa após efetuar o acerto de contas com o empregado, eliminava os comprovantes das despesas lançadas e que o pagamento de fato ocorreu, bastando à fiscalização proceder a oitiva dos empregados favorecidos. A impugnante contesta o fato de a fiscalização ter considerado que há uma unicidade entre as empresas Menegotti e Pamax e de ter lançado contribuições previdenciárias sobre os salários pagos aos segurados registrados na empresa Pamax Indústria de Formas Ltda. Segundo a impugnante, embora as empresas atuem no mesmo ramo, são empresas distintas, tendo cada uma personalidade jurídica própria, não fazendo parte sequer de um mesmo grupo econômico. As empresas exercem suas atividades produtiva, financeira ou administrativa, em galpões separados, conforme fotos anexas, com funcionários próprios e contabilidade completamente independente, possuindo livros e registros próprios. Alega ainda que o quadro societário das empresas é completamente distinto e que o simples fato de o Sr. Thiago Vilela Kasmierslci (sócio da Pamax) ser filho dos sócios da impugnante, de forma alguma pode levar à conclusão de que há unicidade entre as empresas, como enseja a fiscalização. Fl. 327DF CARF MF 4 Ressalta que todos os empregados da Pamax Indústria de Formas Ltda foram devidamente registrados e as contribuições previdenciárias incidentes sobre seus salários foram efetivamente pagas, conforme comprovantes de pagamento anexados. A empresa alega que a opção pelo Simples foi realizada em total observância à Lei 9.317/96, de forma que a empresa tem direito de efetuar os recolhimentos por meio do referido sistema. Confirma o fato a postura adotada pelo auditor fiscal, que ao invés de excluir a empresa do SIMPLES desconsiderou sua personalidade jurídica. Alega que o auditor fiscal se baseou em indícios e que houve uma ilegal desconsideração da personalidade jurídica. Que o auditor fiscal não tem competência para tal ato. Que os registros contábeis e fiscais, assim como as declarações prestadas pela impugnante e pela empresa PAMAX correspondem à realidade fática vivida pelas mesmas, não havendo que falar em descumprimento de qualquer obrigação acessória. Alega que não há razoabilidade na aplicação da multa em razão de seu efeito confiscatório e que é totalmente desproporcional aos fatos alegados, motivo pelo qual deve ser excluída. Por fim, requer seja considerada procedente a impugnação, cancelandose o auto de infração, ou caso não seja este o entendimento, seja relevada a multa aplicada. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos da ementa abaixo reproduzida: MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS OU LIVROS. Deixar de exibir documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24.07.1991, quando regularmente intimado, constitui descumprimento de obrigação acessória. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. AUSÊNCIA. O Princípio da Vedação ao Confisco previsto na Constituição Federal é dirigido ao legislador, cabendo à Autoridade Fiscal somente a aplicação da multa, nos moldes da legislação de regência. RELEVAÇÃO E ATENUAÇÃO DA MULTA. Em razão da alteração na legislação, a partir de 01/2009 não há mais embasamento legal para aplicação do benefício da relevação da multa, bem como de sua atenuação em cinquenta por cento. Cientificada da decisão da DRJ, a Autuada apresentou recurso voluntário (fls 90), por meio do qual apresentou os seguintes argumentos defensivos, em síntese: i) da verdade material / do vício de motivação, ii) da desconsideração da personalidade jurídica e iii) efeito confiscatório da multa. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10920.005496/200926 Acórdão n.º 2402006.613 S2C4T2 Fl. 4 5 É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Do Resultado dos Julgamentos dos Processos Principais – PAFs 10920.005497/200971, 10920.005498/200915 e 10920.005499/200960 Conforme exposto no relatório supra, em decorrência da ação fiscal que resultou na lavratura dos autos de infração de obrigação principal objeto dos PAFs 10920.005497/200971, 10920.005498/200915 e 10920.005499/200960, o Fisco realizou o presente lançamento sob o fundamento de que, embora tenha sido intimada para apresentar os relatórios de viagem, conforme Termo de Intimação Fiscal n° 1, de 22/10/2009, a empresa deixou de exibir os documentos solicitados, sob a alegação de que os documentos eram "eliminados". Consta também do Relatório Fiscal que a empresa apresentou documentos e livros com informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira, referente ao período de 01/2005 a 03/2009, pois os livros contábeis e fiscais, folhas de pagamento, RAIS e registros de empregados apresentados não informam toda a movimentação dos empregados a seu serviço. Os empregados omitidos foram registrados em empresa diversa (PAMAX), constando nos livros da autuada os registros de transações simuladas (serviços de industrialização) para justificar o envio dos recursos financeiros à PAMAX. Verificase, pois, que o caso ora em análise é uma decorrência da autuação que tem por objeto a própria obrigação principal. Não por outro motivo, as razões recursais aduzidas neste processo são idênticas àquelas objeto dos PAFs principais, com exceção apenas, por certo, da matéria referente ao efeito confiscatório da multa. Fl. 329DF CARF MF 6 Assim, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, pelo que, de acordo com o resultado do julgamento dos PAFs 10920.005497/200971, 10920.005498/200915 e 10920.005499/200960, negase provimento ao recurso voluntário ora em análise. Multa Confiscatória Arguiu a recorrente que a multa teria sido aplicada em ofensa a princípios e dispositivos constitucionais (inconstitucionalidades), mostrandose excessiva e atentatória a sua capacidade contributiva. Razão não assiste ao recorrente! Como é do conhecimento de todos, o lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que, uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência das omissões na GFIP, fato conformado nos autos dos processos principais, aplicou a multa no patamar fixado na legislação. Ademais, caso se afastasse a multa em razão do atropelo a princípios constitucionais, estarseia declarando, conforme suscitado, inclusive, pelo próprio recorrente, a inconstitucionalidade da norma tributária. Isto não é possível nesta instância de julgamento, posto que é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado não tem competência para se pronunciar sobre a alegação de caráter confiscatório da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar a autuação. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10920.005496/200926 Acórdão n.º 2402006.613 S2C4T2 Fl. 5 7 Conclusão Face ao exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
