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Numero do processo: 19679.723531/2016-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2012 a 31/12/2014
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DECISÃO. RERRATIFICAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL COM EFEITOS INFRINGENTES.
Verificada a ocorrência de omissão na decisão do acórdão embargado, impõe-se o acolhimento parcial dos embargos de declaração para o devido saneamento e integração, rerratificando-se a decisão, com efeitos infringentes para conhecer parcialmente do recurso voluntário.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. MATÉRIA NÃO PREQUESTIONADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não é passível de conhecimento perante a segunda instância de julgamento a matéria não prequestionada em sede de impugnação, restando caracterizada a inovação recursal.
Numero da decisão: 2402-007.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, na parte admitida, com efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada, conhecendo-se parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2012 a 31/12/2014 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DECISÃO. RERRATIFICAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL COM EFEITOS INFRINGENTES. Verificada a ocorrência de omissão na decisão do acórdão embargado, impõe-se o acolhimento parcial dos embargos de declaração para o devido saneamento e integração, rerratificando-se a decisão, com efeitos infringentes para conhecer parcialmente do recurso voluntário. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. MATÉRIA NÃO PREQUESTIONADA. NÃO CONHECIMENTO. Não é passível de conhecimento perante a segunda instância de julgamento a matéria não prequestionada em sede de impugnação, restando caracterizada a inovação recursal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, na parte admitida, com efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada, conhecendo-se parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
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DECISÃO. RERRATIFICAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL COM EFEITOS INFRINGENTES. Verificada a ocorrência de omissão na decisão do acórdão embargado, impõese o acolhimento parcial dos embargos de declaração para o devido saneamento e integração, rerratificandose a decisão, com efeitos infringentes para conhecer parcialmente do recurso voluntário. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. MATÉRIA NÃO PREQUESTIONADA. NÃO CONHECIMENTO. Não é passível de conhecimento perante a segunda instância de julgamento a matéria não prequestionada em sede de impugnação, restando caracterizada a inovação recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, na parte admitida, com efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada, conhecendose parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 72 35 31 /2 01 6- 03 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 19679.723531/201603 Acórdão n.º 2402007.215 S2C4T2 Fl. 270 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (efls. 250/262) opostos pelo sujeito passivo em face do Acórdão n. 2402006.590 sessão de julgamento de 12 setembro de 2018 (efls. 222/235), da lavra da 2ª. Turma Ordinária da 4ª. Câmara da 2ª. Seção, que afastou a preliminar de nulidade, manteve o indeferimento de perícia e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário (efls. 183/210). Na essência, o Embargante alega nulidade do julgamento por ausência de intimação da empresa e seu representante legal, bem assim omissão do julgamento quanto à questão de insubsistência do auto de infração por já ter sido a contribuinte interpelada por outra fiscalização. Todavia, nos termos do Despacho de Admissibilidade (efls. 265/268), os embargos foram admitidos apenas em relação à omissão do julgamento quanto à questão de insubsistência do auto de infração por já ter sido a Embargante interpelada por outra fiscalização, restando assim delineado escopo desta análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Os embargos de declaração já foram admitidos pelo CARF. Passo à análise. De fato, o acórdão embargado nenhuma menção faz à alegação da Embargante no que diz respeito àquela já ter sido interpelada por outra Fiscalização, momento em que apresentou os documentos solicitados e ao final, nada de irregular foi constatado pela Fiscalização, que entendeu pela regularidade das compensações havidas, motivo pelo qual o auto de infração não pode subsistir, em razão de não ter sido apuradas irregularidades. Entretanto, compulsando os autos, verificase, de plano, que a matéria objeto da omissão apontada pela Embargante insubsistência do auto de infração por já ter sido interpelada por outra fiscalização , não foi prequestionada em sede de impugnação (efls. 124/157), concluindose, assim que não há dela de se conhecer, vez que se trata de inovação recursal com matéria não impugnada, preclusa, portanto, forte no art. 17 do Decreto n. 70.235/1972. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 19679.723531/201603 Acórdão n.º 2402007.215 S2C4T2 Fl. 271 3 Não obstante, e apenas por amor ao debate, é de se observar que a alegação do Embargante de já ter sido interpelada por outra Fiscalização referese a procedimento fiscal relativo aos tributos PIS/COFINS e Previdência Social Ano Calendário 2012 (efls. 211/216) que não guarda, todavia, qualquer relação com a presente lide, que tem como objeto específico a compensação indevida de tributos, a saber, créditos de PIS/COFINS com contribuições previdenciárias, inclusive em período diverso AC 2012 a 2014, no âmbito da GFIP. Ademais, ainda que relação tivesse as distintas Fiscalizações em apreço, cabe destacar que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, lavrado em 09 de agosto de 2016 (efl. 216), não é óbice que outra fiscalização ocorra, inclusive referente ao mesmo período de apuração, desde que devidamente motivadas e não extinto o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário. Ante o exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração, para na parte admitida, reconhecer a omissão apontada, com efeitos infringentes, conhecendose parcialmente do recurso voluntário, rerratificandose a decisão embargada. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.725738/2015-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 21/08/2015
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. DECISÃO DEVIDAMENTE MOTIVADA
O fato de a decisão recorrida ter apreciado a questão e decidido de forma contrária à pretensão do contribuinte e com argumentos dos quais discorda não caracteriza falta de motivação.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/1972.
UNIDADES EVAPORADORAS DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO MULTI-SPLIT.
As unidades evaporadoras de sistemas de ar condicionado do tipo multi-split, apresentadas separadamente, são classificadas no código no código 8415.90.10 (evaporadoras), ou no Ex tarifário correspondente, conforme a capacidade frigorífica.
MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. ERRO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de declaração inexata, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita.
ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada.
ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA Nº 108 DO CARF.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 3201-005.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 21/08/2015 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. DECISÃO DEVIDAMENTE MOTIVADA O fato de a decisão recorrida ter apreciado a questão e decidido de forma contrária à pretensão do contribuinte e com argumentos dos quais discorda não caracteriza falta de motivação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/1972. UNIDADES EVAPORADORAS DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO MULTI-SPLIT. As unidades evaporadoras de sistemas de ar condicionado do tipo multi-split, apresentadas separadamente, são classificadas no código no código 8415.90.10 (evaporadoras), ou no Ex tarifário correspondente, conforme a capacidade frigorífica. MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. ERRO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de declaração inexata, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada. ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA Nº 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA Nº 108 DO CARF. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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INOCORRÊNCIA. DECISÃO DEVIDAMENTE MOTIVADA O fato de a decisão recorrida ter apreciado a questão e decidido de forma contrária à pretensão do contribuinte e com argumentos dos quais discorda não caracteriza falta de motivação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/1972. UNIDADES EVAPORADORAS DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO MULTISPLIT. As unidades evaporadoras de sistemas de ar condicionado do tipo multisplit, apresentadas separadamente, são classificadas no código no código 8415.90.10 (evaporadoras), ou no Ex tarifário correspondente, conforme a capacidade frigorífica. MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. ERRO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de “declaração inexata”, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 57 38 /2 01 5- 58 Fl. 419DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 420 2 ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada. ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA Nº 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA Nº 108 DO CARF. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em sede de Impugnação, o qual está consignado nos seguintes termos: "O importador, por meio da declaração de importação DI n° 15/14932875, de 21/08/2015 importou a mercadoria descrita como “Unidade evaporadora para sistema de ar condicionado do tipo multisplit para montagem do tipo hiwall, marca DAIKIN, modelo FTXS35KVM, com capacidade de resfriamento Fl. 420DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 421 3 de 12.000 BTU/hora”, classificando na NCM 8415.82.10, com alíquotas de 18% de II e 20% de IPI. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para os produtos é a NCM 8415.90.10, EX 01 da TIPI, com as alíquotas de 18% de II e de 35% de IPI. Baseouse a fiscalização no catálogo técnico do produto e nas Regras de Classificação do Sistema Harmonizado. Através do presente Auto de Infração, cobrouse a multa por erro na classificação fiscal de 1% do valor aduaneiro, além das diferenças de IPI e multas de ofício. Intimada do Auto de Infração em 01/12/2015 (fl. 100), a interessada apresentou impugnação e documentos em 23/12/2015, juntados às folhas 169 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega preliminarmente a nulidade do Auto de Infração por falta de fundamentação técnica. Alega que não foi solicitado laudo técnico para identificar a mercadoria. Alega que o ato administrativo carece de motivação nos termos do art. 2° da Lei n° 9.784/99. Alega que a reclassificação não foi motivada detalhadamente. Cita jurisprudência judicial sobre o tema. 2. Tece comentários sobre o Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias. Cita doutrina sobre o tema. Alega que, inexistindo classificação fiscal específica, deve ser aplicada a classificação fiscal residual. Alega que o conceito de “Split System” está definido nas NESH da posição 8415. Alega que tal conceito determina a existência de apenas um único condensador e um único evaporador. Cita a Coletânea de Pareceres de Classificação da OMA publicada pela IN RFB n° 1.459/2014. Alega que os Pareceres de Classificação da OMA são vinculativos para a fiscalização nos termos do § único do art. 1° da mesma Instrução Normativa. Alega que os equipamentos por ela importados são do tipo “MultiSplit” e “VRF”, com diversas unidades condensadoras e variados tipos de unidades evaporadoras. Alega que os componentes do sistema “SplitSystem” não são compatíveis com os dos sistemas “Multi Split” e “VRF”. Cita o Acórdão CARF n° 3403003.537 que segundo a impugnante reconheceria a diferença técnica entre os citados sistemas. Cita Portarias Interministeriais e Portarias do INMETRO que tratam dos sistemas “SplitSystem”, “Multi Split” e “VRF”. Alega que a classificação fiscal da NCM 8415.90.10 referese apenas a unidades evaporadoras de aparelhos de arcondicionado do tipo “SplitSystem” com capacidade inferior ou igual a 30.000 frigorias/hora. Alega que o próprio relatório fiscal confirma que as unidades evaporadoras importadas são do tipo “MultiSplit”. Cita que essa também é a descrição constante da declaração de importação. 3. Afirma que a classificação fiscal por ela adotada na importação está correta. Reafirma que o equipamento importado Fl. 421DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 422 4 não seria classificado na subposição 8415.1 por não ser do tipo “SplitSystem”. Tampouco seria incluído na subposição 8415.2 por não ser destinada a automóveis. Restaria, segundo a impugnante, a subposição residual 8415.8. Afirma ainda que as unidades evaporadoras não seriam partes de aparelhos de ar condicionado na acepção da subposição 8415.9. Alega que a unidade evaporadora poderia ser classificada como o aparelho de arcondicionado completo pois a NCM 8415.83.00 descreve um aparelho de arcondicionado sem dispositivo de refrigeração. 4. Alega que as penalidades aplicadas deveriam ser excluídas em função do art. 100 do CTN. Afirma que as normas administrativas citadas conceituam o sistema “SplitSystem”, o qual não seria aplicado à importação em tela. Alega ainda que a fiscalização reiteradamente desembaraçou as mercadorias importadas pela impugnante em sua classificação fiscal, validando tacitamente a prática adotada. Cita jurisprudência do CARF sobre licença de importação substitutiva. Cita jurisprudência judicial sobre juros de mora, correção monetária e multa de mora. 5. Alega que não seria cabível a aplicação de duas multas sobre o mesmo fato pelo Princípio da Consunção/Absorção. Alega que as duas multas se baseiam na “adoção de NCM supostamente incorreta”. Alega que a multa por erro na classificação seria absorvida pela multa pelo não recolhimento de tributos. Cita jurisprudência do CARF sobre o tema. 6. Alega que a cumulação de multas no caso concreto equiparase à aplicação de multas de 125% ou 150%, caracterizando confisco. Cita jurisprudência judicial sobre multas confiscatórias. 7. Alega a ilegalidade da incidência da taxa SELIC sobre a multa. Cita o art. 61 da Lei n° 9.430/96. 8. Requer, por fim, que sejam reconhecidas as questões preliminares ou, no mérito, que seja declarado improcedente o presente auto de infração. É o relatório." A Impugnação foi julgada improcedente e a decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 21/08/2015 CLASSIFICAÇÃO FISCAL A mercadoria importada descrita comercialmente como “Unidade evaporadora para sistema de ar condicionado do Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 423 5 tipo multisplit para montagem do tipo hiwall, marca DAIKIN, modelo FTXS35KVM, com capacidade de resfriamento de 12.000 BTU/hora”, com as características expostas neste processo, encontra correta classificação fiscal na NCM 8415.90.10, EX 01 da TIPI. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) em razão da suposta classificação incorreta de 2.600 unidades evaporadoras para sistemas de ar condicionado MultiSplit quando da importação destas por meio da Declaração de Importação (“DI”) n° 15/14932875 foi autuada para cobrança do IPI e multa regulamentar; (ii) há vários anos realiza a importação de unidades condensadoras para sistemas de ar condicionado do tipo MultiSplit / VRF (VRV) sob o código 8415.82.10 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (“NCM”); (iii) a decisão recorrida deve ser anulada por falta de motivação; (iv) a decisão é frágil em sua base conceitual em razão de utilizar conceitos obtidos na internet no site 'Wikipedia’; (v) o Auto de Infração é nulo por ausência de provas técnicas, em especial em relação ao processo de classificação de mercadorias; (vi) o agente fiscal efetuou um exame de subsunção equivocado do fato concreto (forma de utilização dos produtos importados) às Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (“RGI”); (vii) não há fundamentação técnica que ampare, enquanto motivação, o Auto de Infração, pois desprovido de laudo técnico que qualifique tecnicamente os produtos importados com vistas a sustentar a (incorreta) classificação fiscal; (viii) o dever de motivar os atos administrativos (gênero no qual se incluem os autos de infração) é tema incontroverso, dada a clareza da Lei nº 9.784/99 (lei do processo administrativo federal) e que a atividade administrativa de lançamento é estritamente vinculada, ex.vi. dos arts. 3º e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional; (ix) o Sistema Harmonizado foi concebido com base em códigos de seis dígitos, sendo dividido em capítulos (dois primeiros dígitos), posições (conjunto dos quatro primeiros dígitos) e subposições (conjunto dos seis primeiros dígitos). Aos países ou grupos econômicos, é facultada a criação de itens e subitens, conforme seu interesse; (x) a versão brasileira do Sistema Harmonizado, que recebeu o nome de NBM/SH – Nomenclatura Brasileira de Mercadorias/Sistema Harmonizado – previu o detalhamento das mercadorias em itens, conforme a Resolução 75/88 do Comitê Brasileiro de Fl. 423DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 424 6 Nomenclatura, acrescentando mais 02 (dois) dígitos aos 06 (seis) já estabelecidos pelo Sistema Harmonizado aprovado pela Convenção mencionada; (xi) a partir de janeiro de 1996, em razão da necessidade de maior integração econômica nas operações de comércio exterior com os demais membros do MERCOSUL, a NBM/SH foi substituída pela Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), utilizada uniformemente nesse grupo econômico; (xii) o conceito de “SplitSystem” para fins de classificação fiscal está previsto nas NESH da Posição 8415; (xiii) o conceito anterior estabelece que os “SplitSystems” são compostos por elementos interno (evaporador) e externo (condensador) separados (o que apenas reafirma a tradução literal da expressão “SplitSystem”), adicionando ainda um conteúdo de quantidade desses elementos; (xiv) as próprias NESH da Posição 8415 apresentam conceito próprio de sistemas de ar condicionado “SplitSystem” para fins de classificação fiscal, aplicando o conceito de “SplitSystem” de forma restritiva aos equipamentos compostos por apenas uma unidade evaporadora e condensadora; (xv) a interpretação de que os “SplitSystems” são compostos unicamente por uma unidade evaporadora e uma unidade condensadora também encontra fundamento na Terceira Edição da Coletânea dos Pareceres de Classificação publicada pela Instrução Normativa nº 1.459/2014; (xvi) os sistemas do tipo “SplitSystem” consistem em modelos de ar condicionado nos quais há apenas uma unidade evaporadora para uma unidade condensadora; (xvii) diferentemente dos “SplitSystems” acima mencionados, há ainda outros sistemas mais complexos e modernos, que possuem características técnicas e de finalidade diferenciadas, os quais recebem o nome de “MultiSplit” e “VRF” – e que são exatamente os sistemas importados; (xviii) os sistemas de ar condicionado dos tipos “MultiSplit” e “VRF” podem ser configurados de forma a integrar – num mesmo sistema – diversas condensadoras e os mais variados tipos de unidades evaporadoras (Hiwall, cassete, dutada, etc), com controle individual de temperatura para cada unidade evaporadora, caracterizando, assim, complexo sistema para empreendimentos de médio / grande porte, distinguindose dos modestos sistemas “SplitSystem”; (xix) Laudo Técnico emitido por Perito em outro processo (11128.722.584/201623) acabou por comprovar que a classificação fiscal adotada pela Peticionária está correta, e que os produtos importados não se caracterizam como aparelhos do tipo “SplitSystem”; (xx) a diferença entre “SplitSystem” e “MultiSplit” foi reconhecida pelo perito oficial quando da elaboração do Laudo Técnico solicitado pela autoridade fiscal, conforme se verifica dos seguintes excertos: Fl. 424DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 425 7 “3º Quesito – Em se tratando de unidades evaporadoras apresentadas isoladamente, explicar detalhadamente seu funcionamento, e, as diferenças entre esse tipo de aparelho e os demais tipos máquinas e/ou aparelhos destinados a modificar a temperatura e a umidade do ar, em recintos fechados. * Resposta – Os sistemas de refrigeração por expansão direta são aqueles onde o gás refrigerante troca calor diretamente com o ar do ambiente. Os condicionadores de ar podem ser do tipo ACJ (Ar Condicionado de Janela), splitsystem, multisplit VRF system e selfcontained.”; (xxi) o Sr. Perito deixa ainda mais claro que os sistemas ‘MultiSplit’ não são meras espécies de ‘SplitSystems’, mas sim maquinas diversas e com tecnologia própria, conforme abaixo se verifica: “As unidades evaporadoras "multisplit VRF system" desta importação, distinguemse das unidades evaporadoras "splitsystem" tradicionais principalmente por possuírem válvula de expansão eletrônica e sistema de comunicação em rede computadorizado.”; (xxii) o Sr. Perito ainda prossegue, trazendo em detalhes as diversas diferenças entre os dois tipos de sistema: “No sistema multisplit VRF system, as unidades evaporadoras possuem papel ativo no controle do fluxo de fluido refrigerante, pois cada uma delas possui uma válvula de expansão individual controlada eletronicamente que atua em conjunto com a rede de comunicação eletrônica entre as unidades evaporadoras e a unidade condensadora, resultando em um controle preciso de fluxo de fluido refrigerante, e conseqüentemente controle de capacidade, eficiência e conforto mais precisos. A unidade condensadora também possui avançada eletrônica que controla a variação da velocidade do compressor e ventilador, pressões de condensação e evaporação, retorno de óleo e recebe dados de todas as unidades evaporadoras conectadas, que são utilizados no controle do sistema como um todo. Já nos sistemas splitsystem tradicionais as unidades evaporadoras não possuem válvula de expansão. O dispositivo de expansão nesse sistema fica localizado na unidade condensadora, e possui controle limitado do fluxo de fluido refrigerante, devido à existência de apenas uma unidade evaporadora conectada. A eletrônica da unidade evaporadora neste sistema também é limitada, pois realiza somente a recepção do sinal do controle remoto e controla a temperatura, enviando sinal de abrir ou fechar para a unidade condensadora, que irá controlar a vazão do fluido refrigerante, sem o tratamento nem envio de dados ao evaporador. Enfim, o diferencial do sistema VRF system, comparado ao split system, é a combinação de tecnologia eletrônica com sistemas de controle micro processado, aliado a combinação de múltiplas unidades evaporadoras em um só ciclo de refrigeração.”; (xxiii) a diferença entre “SplitSystem” e “MultiSplit” também já foi reconhecida pelo próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (Acórdão nº 3403¬003.537 ); Fl. 425DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 426 8 (xxiv) há ainda uma série de outras normas no ordenamento jurídico que reafirmam a premissa de que tais sistemas são compostos por uma única evaporadora e uma única condensadora e sua distinção dos “MultiSplit” e “VRF”, tais como a Portaria Interministerial nº 364, de 24 de dezembro de 2007; Portaria do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (“INMETRO”) n.º 007, de 04 de janeiro de 2011 Portaria Interministerial nº 8, de 22 de janeiro de 2014 e Portaria INMETRO n.º 299, de 19 de junho de 2013; (xxv) superada a conceituação de “SplitSystem”, fica patente a impossibilidade de classificação dos produtos importados na NCM pretendida pelas autoridades fiscais; (xxvi) é inequívoco nos autos que as evaporadoras importadas são do tipo utilizadas em “VRFs” e, em sua maioria, comportam dutos; (xxvii) o próprio relatório fiscal do Auto de Infração confirma que os produtos importados pela Recorrente são do tipo “MultiSplit” / “VRF”, e que comportam dutos; (xxix) a própria descrição da mercadoria apresentada quando do registro da DI já evidencia que se trata de evaporadora utilizada em sistemas “MultiSplit”; (xxx) os equipamentos importados são máquinas para a produção de ar condicionado, cuja descrição da Subposição 8415.8 e NESH aplicáveis não os excluiu dessa Subposição pelo mero fato de se apresentar isoladamente dos outros elementos que compõem o sistema; (xxxi) seria contraditória a existência de uma NCM de máquina sem dispositivo de refrigeração para classificar uma máquina ou equipamento de ar condicionado; (xxxii) levando em consideração todo o arcabouço legislativo, assim como o histórico de importações e liberações regulares desses produtos sem questionamento por parte das autoridades fiscais, é mister que se exclua a penalidade imposta em razão da aplicação do parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional; (xxxiii) as autoridades fiscais reiteradamente desembaraçaram os produtos importados, validando tacitamente o critério que vinha sendo adotado pelo contribuinte; (xxxiv) a prática reiterada de as autoridades fiscais / aduaneiras analisarem as operações de importação e liberálas sem ressalvas acabam por nortear a conduta do contribuinte, o qual assume como correto o procedimento até então adotado e constantemente aceito pela fiscalização; (xxxv) não é possível a duplicidade de penalidades ( multa de 75% do valor dos tributos supostamente devidos pela falta de pagamento de tributos incidentes na importação em razão da adoção de NCM supostamente incorreta e multa de 1% sobre o valor das operações de importações em razão da adoção de NCM supostamente incorreta);. (xxxvi) a cumulação de multas caracteriza efeito confiscatório; e (xxxvii) é ilegal a incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 427 9 A Recorrente em petição protocolizada em 12/04/2019 anexa dois laudos técnicos que, afirma concluírem que os componentes do tipo “SplitSystem” não são compatíveis do ponto de vista técnico com aqueles integrantes de sistemas “MultiSplit” e “VRF”, dada a diferença de tecnologia abarcada. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Das preliminares No que tange ao argumento de que a decisão recorrida deve ser anulada por falta de motivação, não há como concordar com a tese recursal. A decisão atacada pelo Recurso Voluntário interposto encontrase devidamente fundamentada e lastreada em aspectos técnicos pertinentes à matéria, sendo que a circunstância de ter utilizado em parte da justificação uma referência ao sítio eletrônico wikipedia não tem o condão de desqualificála.. O fato de a Recorrente não concordar com os argumentos utilizados não invalida a decisão e caracteriza mero inconformismo. Já na parte que a Recorrente alega o Auto de Infração é nulo por ausência de provas técnicas, em especial em relação ao processo de classificação de mercadorias e não há fundamentação técnica que ampare, enquanto motivação, o Auto de Infração, bem como, ofensa aos arts. 3º e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, de igual modo são improcedentes. No caso concreto, o Auto de Infração foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática. O Auto de Infração contém a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indica os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõe de os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos que ensejaram a lavratura do mesmo. O Decreto nº 70.235/1972, dispões, respectivamente, em seus arts. 10 e 59: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 427DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 428 10 III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Não logrou êxito a Recorrente em demonstrar que o Auto de Infração possui alguma mácula capaz de ensejar ilegalidade. Ainda, entendo que estão cumpridos os requisitos do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, a seguir transcrito: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." No caso dos autos não se vislumbra qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas nos citados dispositivos que regem a matéria, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, bem como, não se vislumbra qualquer prejuízo ao direito de defesa da Recorrente. Com efeito, o contribuinte tem que apresentar sua defesa dos fatos retratados na autuação, pois ali estão de forma pormenorizadamente descritos, de forma clara e precisa, estando evidenciado no presente caso que não houve nenhum prejuízo à defesa. Corrobora tal fato que a Recorrente apresentou Impugnação e Recurso com alegações de mérito o que demonstra que teve pleno conhecimento de todos os fatos e aspectos inerentes ao lançamento com condições de elaborar as peças impugnatória e recursal. A título ilustrativo, acrescento o entendimento uníssono do CARF sobre a matéria: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/06/2004 Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 429 11 AUTO DE INFRAÇÃO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e não incorrendo em nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, encontrase válido e eficaz. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO TIPIFICAÇÃO LEGAL. VÍCIO. INOCORRÊNCIA. A prestação intempestiva de qualquer informação pelos intervenientes no comércio exterior embaraça ou dificulta a fiscalização aduaneira, pois impedea de bem planejar e eficientemente executar as operações de fiscalização e repressão inerentes à sua finalidade constitucional.Ademais, o autuado deve se defender dos fatos que lhe foram imputados e não da capitulação da infração. Estando a descrição dos fatos corretamente narrada no Auto de Infração e ficando evidente, nos autos, que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente do que era acusado e exerceu plenamente seu direito à Ampla Defesa e ao Contraditório, não ocorre vício no procedimento administrativo. (...)" (Processo nº 11128.000142/200651; Acórdão nº 3002000.487; Relator Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves; sessão de 22/11/2018) Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2008 NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Comprovada a legitimidade do lançamento efetuado de ofício e cumpridas as formalidades legais dispostas em lei para sua efetivação, afastamse, por improcedentes, as preliminares argüidas. (...)" (Processo nº 13864.720160/201201; Acórdão nº 1201002.301; Relator Conselheiro Rafael Gasparello Lima; sessão de 25/07/2018) Diante do exposto, uma vez que não se encontram presentes nenhuma das hipóteses ensejadoras de nulidade encartadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não é de se acatar os argumentos postos na peça recursal em tal tópico. Diante do exposto, não acolho as preliminares suscitadas pela Recorrente. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 430 12 Do mérito Conforme já relatado, a Recorrente, por meio da declaração de importação DI n° 15/14932875, de 21/08/2015 importou a mercadoria descrita como “Unidade evaporadora para sistema de ar condicionado do tipo multisplit para montagem do tipo hiwall, marca DAIKIN, modelo FTXS35KVM, com capacidade de resfriamento de 12.000 BTU/hora”, classificando na NCM 8415.82.10, com alíquotas de 18% de II e 20% de IPI. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para os produtos é a NCM 8415.90.10, EX 01 da TIPI, com as alíquotas de 18% de II e de 35% de IPI. Baseouse a fiscalização no catálogo técnico do produto e nas Regras de Classificação do Sistema Harmonizado. A própria Recorrente em sua peça recursal admite que se está tratando de equipamento do modelo multisplit: 71. Diferentemente dos “SplitSystems” acima mencionados, há ainda outros sistemas mais complexos e modernos, que possuem características técnicas e de finalidade diferenciadas, os quais recebem o nome de “MultiSplit” e “VRF” – e que são exatamente os sistemas importados pela Recorrente." Assim, não há dúvida que no caso concreto se está a tratar de "unidades evaporadoras para sistema de ar condicionado do tipo multisplit". A questão concernente à classificação fiscal de mercadorias relativa a unidades evaporadoras de sistemas de ar condicionado do tipo multisplit já foi apreciada por esta Turma de Julgamento. Por ocasião do julgamento do processo nº 10283.720654/201319, de relatoria do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, esta Turma, em composição diversa da atual, decidiu, por unanimidade de votos, que a classificação fiscal correta para o equipamento em apreço é a prevista no código 8415.90.10. Assim, é de reproduzir como razões de decidir, os principais excertos do voto proferido pelo Conselheiro Marcelo Giovani Vieira (Acórdão nº 3201003.065 sessão de 26/07/2017), conforme a seguir: "A recorrente esforçase por mostrar que os splitsystem consistem em apenas 1 condensador e 1 evaporador, e permitem atender apenas a um ambiente. Vejamse os seguintes trechos de seu recurso (fl. 3.289): “Ocorre que, em que pese a suposta descrição acerca da tecnologia VRF no acórdão da Impugnação, bem como de que esta não afetaria a classificação fiscal da mercadoria, trazemos abaixo, de forma breve e suscinta, a diferenciação entre Multisistemas e SplitSystem.” Fl. 3.291: Fl. 430DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 431 13 Como consequência, tanto nacionalmente como internacionalmente, Split System e Multi System (MXZ e VRF) são sempre discriminados distintamente por fabricantes, associações de fabricantes, usuários, engenheiros e institutos de pesquisa de mercado. Todavia, não é o que dizem as Nesh – Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Conforme as Nesh, a subposição 8415.10 abrange os sistemas multisplit, na qual poderá haver vários arranjos de evaporadores e condensadores. O que não se inclui nesta subposição são os aparelhos de arcondicionado central, onde o ar resfriado é conduzido aos ambientes por dutos, sem que haja um aparelho evaporador no ambiente a resfriar: Subposição 8415.10 A presente subposição compreende as máquinas e aparelhos para condicionamento de ar dos tipos para paredes ou para janelas, formando um só corpo ou do tipo splitsystem (sistema com elementos separados). As máquinas e aparelhos “formando um corpo único” são constituídas de um só dispositivo contendo todos os elementos necessários formando um só corpo. As máquinas e aparelhos do tipo splitsystem são aparelhos que não comportam dutos mas utilizam um evaporador individual para cada área a climatizar (cada cômodo de uma casa, por exemplo). São, pelo contrário, excluídas desta subposição as centrais de ar condicionado providas de dutos que utilizam esses dutos para conduzir o ar condicionado de um evaporador para diversos ambientes a resfriar. (...) Desse modo, todas as outras considerações técnicas são irrelevantes para a classificação fiscal, porque firme nas Regras Gerais de Interpretação, complementadas pelas Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pela OMA – Organização Mundial das Aduanas, que são a interpretação oficial, em nível internacional, do Sistema Harmonizado, e aprovadas no Brasil, segundo a competência conferida pela Portaria MF 91/1994, pelas Instruções Normativas RFB 807/2008 e 1.260/2012. Corrobora nesta classificação a Solução de Consulta Coana 134/14: Assunto: Classificação de Mercadorias Ementa: Código NCM: 8415.10.90 Mercadoria: Sistema de arcondicionado do tipo splitsystem (sistema de elementos separados), de tecnologia VRF (Variable Refrigerant Flow), constituído por: (01) uma unidade externa (condensadora) comportando, num mesmo Fl. 431DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 432 14 receptáculo, compressor, motor de ventilação, ventilador e válvula de inversão de ciclo térmico, com capacidade de refrigeração de 48.160 frigorias/h 380V/ 60Hz; (03) três unidades internas (evaporadoras) comportando, cada uma, num mesmo receptáculo, evaporador, motor de ventilação e ventilador, com capacidade de refrigeração de 9.630Kcal/h 220V/ 60Hz; (02) duas unidades internas (evaporadoras) comportando, cada uma, num mesmo receptáculo, evaporador, motor de ventilação e ventilador, com capacidade de refrigeração de 12.040Kcal/h 220V/ 60Hz. DISPOSITIVOS LEGAIS: RGI/SH 1 (texto da posição 84.15), RGI/SH 6 (texto da subposição 8415.10) e RGC/NCM 1 (texto do item 8415.10.90) da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex nº 94, de 2011, e da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 7.660, de 2011. (...) Os sistemas VRF e MHZ são multisystem, ou seja, os sistemas completos contém uma ou várias unidades condensadoras e evaporadoras. Assim, as importações das unidades, no caso desses sistemas, não podem ser tratados como sistemas completos, mas como partes. E, nesse, sentido, explicam as Nesh, para tais mercadorias: Subposição 8415.90 (Incluída pela IN RFB nº 1.072, de 30 de setembro de 2010) Esta subposição compreende, quando apresentadas separadamente, as unidades internas e externas de aparelhos de arcondicionado splitsystem da subposição 8415.10. Essas unidades são concebidas para ser conectadas entre si por fios elétricos e tubos de cobre pelos quais o fluido frigorígeno circula entre as unidades internas e externas. A partir da vigência da Resolução Camex 69, de 20/09/2011, existem códigos específicos para as partes de que se trata: Portanto, a classificação correta para evaporadoras e condensadores de sistemas de arcondicionado multisplit, com capacidade individual inferior 30.000 frigorias/hora, tais como os sistemas VRF e MXZ, apresentados separadamente, são as Fl. 432DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 433 15 posições 8415.90.00, até a vigência da Resolução Camex 69, de 20/09/2011, e 8415.90.10 e 8415.90.20, respectivamente, após a vigência da referida Resolução." Ainda, é de se entender como correta a decisão recorrida quando consigna: "Consultando o catálogo técnico do produto e a própria impugnação, percebese claramente que os equipamentos importados são configurados para serem instalados em diversos cômodos como evaporadores, conectados a uma unidade condensadora externa. Dessa forma, eles preenchem exatamente a definição das NESH de partes de aparelhos de ar condicionado do tipo SplitSystem. A leitura atenta das NESH revela que em nenhum momento estas definem o aparelho de ar condicionado SplitSystem como aquele que possui uma única unidade evaporadora interna. Pelo contrário, a definição é clara: Uma unidade condensadora externa conectada a várias unidades evaporadoras internas, conforme o número de cômodos. De fato, o elemento chave no conceito das NESH sobre ar condicionado SplitSystem não é o número de elementos evaporadores mas sim a expressão “(sistema com elementos separados)”." Com relação aos dois recentes laudos anexados ao processo pela Recorrente, perfilho o entendimento de que não possuem o condão de alterar a conclusão ora exposta, em especial, pelo fato de não adentrarem na classificação fiscal da mercadoria. Assim, entendo que a classificação fiscal da mercadoria adotada pela Fiscalização e confirmada em decisão de 1ª instância é correta, razão pela qual não merece provimento o Recurso Voluntário interposto. Com relação aos demais argumentos recursais, de igual modo, são improcedentes. Pugna a Recorrente pela aplicação do art. 100, incs. I e III e parágrafo único do Código Tributário Nacional, com vistas a exclusão (i) de penalidades,; (ii) da cobrança de juros de mora e (iii) da atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Não trouxe a Recorrente nenhuma Solução de Consulta ou Solução de Divergência a demonstrar que a administração tributária aduaneira foi instada a se manifestar sobre a classificação para esse tipo de produto e que não havia uma posição oficial da instituição efetivamente pacificadora. O fato de existirem portarias, tais como, a Portaria Interministerial nº 364, de 24 de dezembro de 2007; Portaria do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (“INMETRO”) n.º 007, de 04 de janeiro de 2011 e a Portaria Interministerial nº 8, de 22 de janeiro de 2014, as quais no entendimento da Recorrente explicitam existir uma distinção entre “SplitSystem” e “MultiSplit” ou “VRF”, compreendo que não se adequam para os fins de classificação fiscal de mercadorias, bem como não são instrumentos hábeis a lastrear a aplicação do contido no parágrafo único do art. 100 do CTN. É acertada a decisão recorrida quando consigna: Fl. 433DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 434 16 "Inaplicável o art. 100 do CTN ao caso em tela. Primeiramente, pois as normas administrativas citadas (Portarias Interministeriais e Portarias do INMETRO) em nenhum momento contradizem a conceituação de ar condicionado Split System das NESH. Mesmo que o fizessem, não teriam validade para fins de classificação fiscal pois esta é determinada legalmente pelos textos da TEC e pelas NESH. Em segundo lugar, o desembaraço aduaneiro não gera homologação da classificação fiscal. O fato de o despacho ocorrer sem restrições não impede a apuração de sua regularidade pela fiscalização. A fiscalização não se pode presumir infalível, motivo pelo qual existe o instituto da Revisão Aduaneira previsto no art. 54 do Decretolei nº 37/66 e regulamentada pelo art. 638 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/09): “Art. 54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei.” “Art. 638. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei nº 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 2o, e Decretolei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 2º); e II do registro de exportação. § 3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado.” (grifo meu) Portanto, uma vez submetidos os produtos importados à conferência aduaneira e desembaraçados sem exigência fiscal, não há vedação ao reexame do despacho aduaneiro." Para que se pudesse aplicar o contido no art. 100 do CTN, deveria a Recorrente ter trazido aos autos a existência de ato normativo de caráter geral emitido pela Fl. 434DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 435 17 administração pública contemplando o código NCM adotado, o qual entende como correto, ou soluções de consulta da Receita Federal, indicando como correto o código NCM utilizado e, ainda, alguma decisão administrativa em contencioso fiscal da Recorrente no mesmo sentido. Desse contexto, penso que não se pode inferir plausível o pedido recursal. Esse quadro, conduz a conclusão de que não se está diante de uma situação que se enquadra nas hipóteses previstas nos incisos I e III e do parágrafo único do artigo 100 do CTN, razão pela qual é de se concluir pela improcedência do pedido. A multa de 75% do valor dos tributos devidos pela falta de pagamento de tributos incidentes na importação em razão da adoção de NCM incorreta e a multa de 1% sobre o valor das operações de importações em razão da adoção de NCM incorreta, encontram amparo legal e por isso devem ser mantidas. A falta ou insuficiência de recolhimento espontâneo de tributo pelo sujeito passivo é ato ilícito por omissão, o qual constitui hipótese de incidência da norma legal punitiva, com a aplicação da multas cabíveis Com efeito, para a caracterização da infração punível com a multa de ofício de 75%, basta que reste demonstrado a ausência de recolhimento espontâneo dos tributos devidos pelo sujeito passivo. A classificação fiscal incorreta do produto na NCM materializa a hipótese da infração sancionada com a multa de 1% do valor aduaneiro. No caso, o agente administrativo está meramente aplicando as penalidades descritas na legislação como adequadas e suficientes para a situação concreta retratada nos autos, não havendo motivação para afastála. Assim, entendo que em decorrência do equívoco cometido pela Recorrente devem ser mantidas em sua integralidade. Neste sentido é a jurisprudência deste colegiado: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 18/02/2004 (...) IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA NÃO RECOLHIDA. MULTA DE OFÍCIO. PARECER COSIT 477/88. REVOGADO. ADI SRF nº 13/2002. O Parecer COSIT nº 477/88 deixou de ter aplicação em virtude do ADI SRF nº 13/2002. Manutenção da multa de ofício 75% por falta de recolhimento dos tributos na importação em razão de erro na classificação fiscal das mercadorias. Constatado o erro de classificação fiscal das mercadorias nas declarações de importação especificadas, exigese a diferença de imposto de importação (II) que deixou de ser recolhida. Neste processo, sobre a referida diferença de II apurada em face das declarações Fl. 435DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 436 18 equivocadas, sem dolo, devese aplicar a multa de ofício de 75% prevista na Lei 9.430/96, art.44, I. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreção na classificação fiscal adotada pelo contribuinte na DI, nos termos do art. 84, I, da MP 2.15835/2001, combinado com arts. 69 e 81 da Lei 10.833/2003. (...)" (Processo nº 11128.008696/200868; Acórdão nº 3201 004.062; Relator Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo; sessão de 25/07/2018) "Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 10/03/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Manutenção da multa de ofício de 75% por falta de recolhimento dos tributos na importação em razão de erro na classificação fiscal das mercadorias. Constatado o erro de classificação fiscal das mercadorias nas declarações de importação especificadas, exigese a diferença de imposto de importação (II) que deixou de ser recolhida. Sobre a referida diferença de II apurada em face da reclassificação tarifária, sem dolo, devese aplicar a multa de ofício de 75% prevista na Lei 9.430/96, art.44, I. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁFÉ. Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreção na classificação fiscal adotada pelo contribuinte na DI, nos termos do art. 84, I, da MP 2.15835/2001. MULTA. INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LICENCIAMENTO. EFEITOS. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação, notadamente quando a característica essencial à classificação se encontra declarada na DI." (Processo nº 11128.006258/200784; Acórdão nº 3201004.182; Relator Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo; sessão de 29/08/2018) "Assunto: Normas de Administração Tributária Fl. 436DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 437 19 Data do fato gerador: 13/06/2000, 27/09/2000, 28/09/2000, 18/10/2000, 08/11/2000, 28/11/2000, 13/12/2000, 11/01/2001, 20/03/2001, 13/06/2001 II. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL O produto denominado switch classificase no código 8471.80.19 da Nomenclatura Comum do Mercosul. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ADUANEIRA. A insuficiência de recolhimento, decorrente de classificação errônea de mercadoria, enseja o lançamento da diferença do imposto que deixou de ser recolhida, acrescida de juros de mora e multa de 75%. Para os fatos geradores ocorridos após 27/08/2001, aplicase ainda a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria.Recurso voluntário negado." (Processo 10508.000118/200412; Acórdão 3202001.400; Relator Conselheiro GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR; Sessão de 12/11/2014) "CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de Apuração: 16/06/2003 a 11/08/2004 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Comprovado o equívoco na classificação fiscal da mercadoria, é exigível o Imposto de Importação, juntamente com os acréscimos legais cabíveis. Idem para o PIS/COFINS Importação. CERTIFICADO DE ORIGEM. São desqualificados os certificados de origem obtidos com indicação de errônea classificação fiscal, cuja alteração (da classificação) implique concomitantemente em modificação do requisito de origem. MULTA. INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. INAPLICABILIDADE. Aplicase a multa por falta e Licença de Importação nas importações, em que as mercadorias não estejam corretamente descritas, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de “declaração inexata”, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita. MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.158 Fl. 437DF CARF MF Processo nº 11128.725738/201558 Acórdão n.º 3201005.279 S3C2T1 Fl. 438 20 35/2001. Recurso voluntário negado." (Processo 11444.000314/200875; Acórdão 3202000.518; Conselheiro GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR; Sessão de 27/06/2012) Com relação ao alegado efeito confiscatório das penalidades, o afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. Sobre a ilegalidade da incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício, a recente Súmula CARF nº 108 pacificou a questão no âmbito administrativo. Aludida Súmula possui a seguinte redação: "Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício." Novamente, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, resta resolvida a matéria. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 438DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.005647/2008-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2003
EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INEXISTÊNCIA DE EFEITO SUSPENSIVO
A interposição de Manifestação de Inconformidade não provoca efeito suspensivo contra ato de exclusão do Simples Federal.
MULTA POR FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DCTF. EMPRESA EXCLUÍDA DO SIMPLES FEDERAL
São devidas as obrigações acessórias das empresas em geral às excluídas do Simples Federal desde a data de exclusão, independente de terem ou não manifestado inconformidade.
Numero da decisão: 1201-002.914
Decisão:
Vistos, discutidos e relatados os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Presidente
(assinado digitalmente)
Allan Marcel Warwar Teixeira Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALLAN MARCEL WARWAR TEIXEIRA
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Efeito Suspensivo Recorrente INSTITUTO DE EDUCACAO INFANTIL SANTA MARIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INEXISTÊNCIA DE EFEITO SUSPENSIVO A interposição de Manifestação de Inconformidade não provoca efeito suspensivo contra ato de exclusão do Simples Federal. MULTA POR FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DCTF. EMPRESA EXCLUÍDA DO SIMPLES FEDERAL São devidas as obrigações acessórias das empresas em geral às excluídas do Simples Federal desde a data de exclusão, independente de terem ou não manifestado inconformidade. Vistos, discutidos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 56 47 /2 00 8- 27 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 11831.005647/200827 Acórdão n.º 1201002.914 S1C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário contra multa por falta de apresentação de DCTF exercício 2003. Aproveito relatório da DRJ para sintetizar a demanda: Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado auto de infração de multa por falta de entrega da DCTF do 4º trimestre de 2002, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 09 no qual está sendo exigido crédito tributário no valor de R$ 500,00. A contribuinte apresenta sua impugnação alegando em síntese, que é optante pelo SIMPLES desde 2001 e desde então recolhe os impostos e cumpre as obrigações acessórias nessa forma de tributação, existindo um processo de revisão da exclusão do SIMPLES em análise na SRFB, entendendo que até o julgamento definitivo do processo não há motivos para entrega de nenhuma obrigação acessória que não as imputadas a empresas optantes pelo SIMPLES, requerendo o cancelamento do lançamento. A decisão da DRJ que denegou o pedido foi assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DCTF. MULTA POR FALTA DE ENTREGA. É aplicável a multa por falta de entrega da DCTF às empresas, que, mesmo tendo efetuado recolhimentos pelo SIMPLES e declarado nesse regime de tributação não poderiam ter permanecido nesse regime, em virtude de pendências fiscais previstas em norma legal para sua exclusão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em Recurso Voluntário, insurge a recorrente alegando, em síntese, que: Fl. 52DF CARF MF Processo nº 11831.005647/200827 Acórdão n.º 1201002.914 S1C2T1 Fl. 4 3 Foi recebida pela empresa acima citada uma multa por falta de entrega da DCTF Anocalendano 2002 4o Trimestre. Conforme consta já no referido processo, houve impugnação desta cobrança, porem foi considerada improcedente por decisão dos membros da 2a Turma de Julgamento. (...) A contribuinte tem um pedido de revisão de exclusão do Simples, processo 13811.002340/200323. ainda se encontra sem solução por parte da Administração, portanto não existe obrigatoriedade de entrega da DCTF, pois segundo todas as fontes legais, ainda estava enquadrada no regime do simples nacional nas datas mencionadas, descaracterizando fato gerador para entrega de DCTF Conforme observado no Relatório de Situação Fiscal emitido no portal ECac em 25/10/2017, o numero de processo se encontra em situação de 'AGUARDANDO CIENCIA RESULTADO DE JULGAMENTO" estando em exigibilidade suspensa Portanto, os artigos apresentados abanco se tomam inválidos para tal decisão É o relatório. Voto Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, Relator Admissibilidade O recurso atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele deve ser conhecido. Mérito O pleito trata de reconhecimento de efeito suspensivo para manifestação de inconformidade apresentada contra ato de exclusão do antigo SIMPLES FEDERAL. Reclama a recorrente que, estando amparada pelo efeito suspensivo de seu recurso contra o ato que a excluiu do SIMPLES, não poderia ter sido autuada por falta de apresentação de DCTF para o período em questão. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 11831.005647/200827 Acórdão n.º 1201002.914 S1C2T1 Fl. 5 4 Ocorre que não há previsão legal de atribuição de efeito suspensivo para recurso contra o ato que exclui a empresa do SIMPLES FEDERAL. Reproduzo os dispositivos legais que regulam a matéria (lei 9.317/1996): Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1° A pessoa jurídica que, por qualquer razão, for excluída do SIMPLES deverá apurar o estoque de produtos, matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem existente no último dia do último mês em que houver apurado o IPI ou o ICMS de conformidade com aquele sistema e determinar, a partir da respectiva documentação de aquisição, o montante dos créditos que serão passíveis de aproveitamento nos períodos de apuração subseqüentes. § 2° O convênio poderá estabelecer outra forma de determinação dos créditos relativos ao ICMS, passíveis de aproveitamento, na hipótese de que trata o parágrafo anterior. § 3o A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998) Fl. 54DF CARF MF Processo nº 11831.005647/200827 Acórdão n.º 1201002.914 S1C2T1 Fl. 6 5 § 4o Os órgãos de fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social ou de qualquer entidade convenente deverão representar à Secretaria da Receita Federal se, no exercício de suas atividades fiscalizadoras, constatarem hipótese de exclusão obrigatória do SIMPLES, em conformidade com o disposto no inciso II do art. 13. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998) § 5o Na hipótese do inciso VI do caput deste artigo, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples mediante a comprovação, na unidade da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o seu domicílio fiscal, da quitação do débito inscrito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência do ato declaratório de exclusão. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Como se observa acima, não há previsão legal no sentido do reclamado pela Recorrente. Efeitos suspensivos devem estar expressamente previstos na lei, não se podendo, portanto, atribuílos fora das hipóteses legais. Além disso, o art. 16 também aponta no sentido de que a Recorrente deveria ter declarado como não optante do SIMPLES logo após o ato de exclusão, independente de ter recurso pendente de julgamento contra tal decisão. Assim, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Relator Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11831.005647/200827 Acórdão n.º 1201002.914 S1C2T1 Fl. 7 6 Fl. 56DF CARF MF
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Numero do processo: 13629.900731/2013-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1401-003.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, ano-calendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, respectivamente, homologando as compensações declaradas neste processo até o limite dos valores reconhecidos.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatandose dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refazse a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurandose crédito disponível, aplicase ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, respectivamente, homologando as compensações declaradas neste processo até o limite dos valores reconhecidos. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 90 07 31 /2 01 3- 44 Fl. 200DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 1665.724 proferido pela Quarta Turma da DRJ/SPO em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: O presente processo trata da Declaração de Compensação – DCOMP – nº 06342.05821.290312.1.3.047198, transmitida eletronicamente, por meio da qual se pretende compensar débito(s) da Interessada com crédito originário de pagamento indevido ou maior que o devido (PGIM), no valor total de R$31.227,03. O crédito está consubstanciado em um recolhimento a título de estimativa de IRPJ, devida mensalmente,de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, código de receita nº 5993, período de apuração de 30/06/2011 e arrecadado em 29/07/2011. O despacho constatou a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por se tratar de pagamento já alocado a débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Foi dada ciência do despacho em 13/08/2013 e apresentouse manifestação de inconformidade em 11/09/2013, nos seguintes termos em síntese: 1Tratase de compensação de débito de IRPJ e CSSL, pagos no período de janeiro de 2011 a maio de 2011, apurados pelo regime estimativa mensal, com base na Receita Bruta e Acréscimos, devidamente pagos, conforme relatório de pagamentos obtido junto ao ECAC (doc. 03) e informado nas DCTFs do período (doc. 04). 2 Em junho de 2012, levantou balancete de suspensão/redução, para verificar os recolhimentos existentes, suspendendo, a partir deste mês, os recolhimentos de IRPJ e CSLL. 3 Em 31 de dezembro de 2011, na apuração final do exercício, a empresa apresentou resultado fiscal negativo (doc. 05), ficando, assim, todos recolhimentos efetuados no período, compondo o saldo de base negativa de IRPJ e CSLL. 4 Em trabalho de revisão interna, foram detectadas divergências na Declaração de Informações Econômicas Fiscais da Pessoa Jurídica, enviada via internet em 30/06/2012. Esta declaração, ainda não retificada, não constitui óbice ao aproveitamento do crédito por se tratar de declaração Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13629.900731/201344 Acórdão n.º 1401003.452 S1C4T1 Fl. 201 3 meramente informativa. Há de se ressaltar que tais divergências não implicariam em alteração do resultado apresentado no exercício. 5 Diante do exposto nos itens 01 a 03, a Contribuinte efetuou em 2012, através de PERDCOMP, compensação dos valores recolhidos em 2011, com os mesmos tributos apurados em 2012 , utilizando, para isso, no preenchimento da ficha de tipo do crédito no pedido de restituição erroneamente a opção pagamento indevido ou maior e não a opção base de cálculo negativa de IRPJ e CSLL, nos termos do artigo da Lei nº 9.430/96 e Ato Declaratório SRF 03/00. ESTE É O RELATÓRIO VOTO O crédito oferecido à compensação com o(s) débito(s) compensado(s) foi valor relativo a pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ, código de receita nº 5993. A razão para o indeferimento é a de que o pagamento estava alocado a débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição A alegação da Interessada é a de que teria levantado balancete de suspensão a partir de junho, não devendo mais estimativas a partir dessa data. Argúi que, ao enviar o PERDCOMP, solicitou o crédito na forma de pagamento indevido ou a maior que o devido e não saldo negativo, por equívoco. Importante notar, entretanto, que só cabe retificação do PER/DCOMP quando se tratar de corrigir meras inexatidões materiais de preenchimento ou de digitação, desde a IN SRF nº 600/2005 (art. 58), e em conformidade com o art. 78 da IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, DOU de 31.12.2008: “Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79.” (grifei) No mesmo sentido, vejase o que dispõe o art. 89, da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012: “Art. 89. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário será admitida somente na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 90.” Fl. 202DF CARF MF 4 A expressão “inexatidões materiais” está no Decreto n.º 70.235/72: “Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo.” (grifei) Como se vê, as inexatidões materiais não se referem a alterações na essência do mérito do tema examinado, mas, sim, a erros de preenchimento (ou de digitação) que não a alteram. O erro no tipo de crédito não se enquadra em inexatidão material (erro de preenchimento ou de digitação), mas, sim, em erro de direito, mais especificamente, em erro no critério jurídico, pois se trata de crédito de natureza diversa (saldo negativo do IRPJ ou CSLL e não pagamento a maior). Há que se destacar que se trata de mudança da natureza jurídica do crédito, e não apenas correção de um dado informado erradamente. Neste sentido, é de se ver que as informações prestadas no PER/DCOMP e os batimentos efetuados pelos sistemas da RFB são totalmente diferentes. Exemplificativamente, no PER/DCOMP do PGIM é informado, na descrição do crédito, somente o DARF que deu origem ao valor pleiteado. Diferentemente, no PER/DCOMP do Saldo Negativo são descritos todos os valores que deram origem ao crédito pleiteado, como as estimativas recolhidas, o IRRF (ou CSLL retida) com a informação das respectivas fontes pagadoras, etc., que serão verificados pelos sistemas da Receita Federal do Brasil RFB. Assim, a partir das alegações da Recorrente, ela deveria ter cancelado o PER/DCOMP em tela (PGIM) e transmitido outro PER/DCOMP (saldo negativo), visto que possuem direito creditório e batimentos de naturezas diferentes. Por óbvio, tais procedimentos deveriam ter sido adotados em tempo hábil. Logo, por todo o exposto VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da MANIFESTAÇÃO DE CONFORMIDADE. Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. Este processo contém a mesma matéria, o mesmo contribuinte e a mesma razão de pedir (crédito pleiteado em DCOMP, pagamento a maior) que já foi objeto de julgamento por esta Turma Ordinária, em outro processo, de forma que reproduzo aqui o inteiro teor do acórdão proferido, da lavra do Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto, que adoto como razão de decidir. Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13629.900731/201344 Acórdão n.º 1401003.452 S1C4T1 Fl. 202 5 O presente processo trata da Declaração transmitida eletronicamente, por meio da qual se pretende compensar débito(s) da Interessada com crédito originário de pagamento indevido ou maior que o devido (PGIM). O crédito está consubstanciado em um recolhimento a título de estimativa de IRPJ, devida mensalmente, de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. O despacho constatou a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por se tratar de pagamento já alocado a débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Foi dada ciência do despacho em 13/08/2013 e apresentouse manifestação de inconformidade em 11/09/2013, nos seguintes termos em síntese: 1Tratase de compensação de débito de IRPJ e CSSL, pagos no período de janeiro de 2011 a maio de 2011, apurados pelo regime estimativa mensal, com base na Receita Bruta e Acréscimos, devidamente pagos, conforme relatório de pagamentos obtido junto ao ECAC (doc. 03) e informado nas DCTFs do período (doc. 04). 2 Em junho de 2012, levantou balancete de suspensão/redução, para verificar os recolhimentos existentes, suspendendo, a partir deste mês, os recolhimentos de IRPJ e CSLL. 3 Em 31 de dezembro de 2011, na apuração final do exercício, a empresa apresentou resultado fiscal negativo (doc. 05), ficando, assim, todos os recolhimentos efetuados no período, compondo o saldo de base negativa de IRPJ e CSLL. 4 Em trabalho de revisão interna, foram detectadas divergências na Declaração de Informações Econômicas Fiscais da Pessoa Jurídica, enviada via internet em 30/06/2012. Esta declaração, ainda não retificada, não constitui óbice ao aproveitamento do crédito por se tratar de declaração meramente informativa. Há de se ressaltar que tais divergências não implicariam em alteração do resultado apresentado no exercício. 5 Diante do exposto nos itens 01 a 03, a Contribuinte efetuou em 2012, através de PERDCOMP, compensação dos valores recolhidos em 2011, com os mesmos tributos apurados em 2012 , utilizando, para isso, no preenchimento da ficha de tipo do crédito no pedido de restituição erroneamente a opção pagamento indevido ou maior e não a opção base de cálculo negativa de IRPJ e CSLL, nos termos do artigo da Lei nº 9.430/96 e Ato Declaratório SRF 03/00. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual aduziu as seguintes alegações: Fl. 204DF CARF MF 6 Que teria cometido erro na apresentação do PER/DCOMP que trataria de saldo negativo e não de pagamento indevido, como fora originalmente solicitado; Que apresentou documentos que comprovariam a veracidade das suas alegações e a existência de crédito de igual valor ao solicitado, só que tratando de saldo negativo; Que a jurisprudência do CARF é pacífica em aceitar a possibilidade de demonstração da efetividade do crédito posteriormente à decisão que analisou o crédito. Ao fim solicita que sejam revistas as decisões anteriormente proferidas, sendo reconhecido o crédito e homologadas as compensações apresentadas. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação de inconformidade julgou pela sua improcedência em razão de não ser possível a modificação do tipo de crédito após a emissão do despacho decisório. Cientificada de decisão a interessada apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, junta precedentes deste CARF e pleiteia que lhe seja reconhecido o direito de crédito. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O caso em análise no presente processo diz respeito á possibilidade de o contribuinte, que apresentou declaração de compensação pretendendo créditos de pagamento indevido por estimativa de IRPJ/CSLL, possa ter reconhecido o direito de crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ/CSLL no exercício. Verificase, no presente caso que o contribuinte, optante pelo lucro real, recolheu IRPJ e CSLL por estimativa nos meses de janeiro a junho de 2011. Apresentou regularmente as DCTFs destes períodos informando os débitos e a sua quitação por DARF que, posteriormente, entendeu se referirem a pagamentos indevidos. Em sua DIPJ apresentou informações de que entre janeiro e junho/2011 apurou o IRPJ e CSLL com base na receita bruta, passando à apuração com base em balancetes de redução e suspensão apenas a partir de julho/2011. No final do exercício apurou prejuízo o que, por consequência, importou em inexistência de IRPJ e CSLL a pagar no exercício. Na mesma DIPJ, entretanto, sequer preencheu as fichas de apuração do IRPJ e CSLL devidos informando a existência de pagamentos por estimativa e os respectivos saldos negativos apurados. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13629.900731/201344 Acórdão n.º 1401003.452 S1C4T1 Fl. 203 7 Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário pretende que, em razão da apuração de prejuízo no exercício, seja reconhecido o crédito como saldo negativo de IRPJ e CSLL no exercício. Diante dos fatos acima narrados e da confirmação da existência dos pagamentos realizados temos a seguinte decisão a tomar: O contribuinte cometeu os seguintes equívocos: 1 – Optou pela apuração das estimativas entre janeiro e junho/2011, recolheu os valores e os confessou em DCTF tendo, posteriormente, solicitado o crédito destes mesmos pagamentos sem retificar suas DCTF e DIPJ; 2 – Apresentou a DIPJ sem realizar a correta apuração dos saldos negativos de IRPJ e CSLL a que faria jus; Por sua vez a decisão que não reconheceu o crédito está juridicamente correta vez que analisou o pedido de pagamento indevido a partir das informações da DCTF e DARF da empresa. Constatamos, no entanto, com base nos documentos acostados ao processo, que efetivamente o contribuinte faz jus aos saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário 2011 no montante equivalente aos pagamentos realizados por estimativa, visto inexistir saldo de devido de IRPJ ou CSLL. Com base nestas informações a nossa análise prendese ao fato de considerar que, no presente caso, o contribuinte incidiu apenas em erro de fato ao preencher a PER/DCOMP ou se houve um erro de direito ao pleitear crédito diferente do que deveria ter sido solicitado. A este respeito entende este relator que não se trata de simples erro de fato. Ora, errarse o período de apuração, o exercício ou mesmo o tipo de tributo solicitado no PER/DCOMP pode se considerar um erro de fato. Neste caso o problema não é tão simples. Aqui o contribuinte solicitou crédito absolutamente diverso do crédito que efetivamente lhe assistia direito. Tratase, claramente de erro material que, digase de passagem, sequer é escusável, haja vista o porte da empresa, a apuração pelo lucro real e o período de tempo decorrido entre a instituição dos PER/DCOMP eletrônicos (2003) e os pedidos do contribuinte (2012). Ocorre, entretanto, que por mais que este relator entenda que o erro cometido na empresa não se adequa aos precedentes apresentados em sede recursal, sou firme na corrente que entende no sentido de que a verdade material deve prevalecer como fundamento de decidir em todos os processos, sejam administrativos, sejam judiciais. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração Fl. 206DF CARF MF 8 somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (Acórdão nº 3401003.096, de 23/02/2016) DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. (Acórdão nº 1201002.106, de 16/03/2018) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. (Acórdão nº 1302 002.031, de 26/01/2017) Neste sentido é que não pode este relator se furtar a decidir contra a verdade apresentada nos autos. A verdade é que, com base na apuração do lucro do exercício, não existiu lucro tributável e, assim, não era devido, ao final do exercício a apuração do IRPJ e CSLL devidos. Em razão deste fatos os recolhimentos abaixo realizados, relativos aos pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, tornaramse saldo negativo de IRPJ e CSLL ao final do exercício. À vista do exposto e em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, precedentes abaixo, que rege o processo administrativo fiscal, constatandose que, no mérito, assiste razão ao contribuinte quanto à existência de créditos, mesmo que não da espécie originalmente pleiteada, entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito da empresa, não em relação aos pagamentos indevidos da forma por ela solicitada, mas sem em razão da existência de saldos negativos de IRPJ e CSSL que se formaram a partir destes mesmos pagamentos. Registro, para bem deixar delineado meu entendimento, que não entendo que o princípio da informalidade e da fungibilidade sejam aplicáveis de qualquer forma e em qualquer situação. Esta aplicação deve ser casuística e se adequar à realidade de cada processo. Neste processo, em específico, a utilização da informalidade prendese a um fato singelo. Para a aferição da existência do crédito, a partir das informações apresentadas em petição simples de duas páginas, se daria apenas pela análise da ficha de apuração do IRPJ e CSLL a pagar, nas quais resta demonstrada a inexistência de saldos dos tributos a serem pagos. Em razão da facilidade de conhecimento do verdadeiro direito da empresa é que entendo poder ser aplicada a informalidade e a fungibilidade neste processo de modo a garantir um direito que, de fato, sempre assistiu ao contribuinte. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL. INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA ADMINISTRAÇÃO Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13629.900731/201344 Acórdão n.º 1401003.452 S1C4T1 Fl. 204 9 TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ. CABIMENTO. Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n° 70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do despacho decisório que homologa tal parecer, considerase instaurado o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anulase a decisão a quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de inconformismo. (Acórdão nº 3102001.572, de 19/07/2012) PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando se trata de erro material no seu preenchimento. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, como foi o caso.(Acórdão nº 1401001.655, de 09/06/2016) Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. (Acórdão nº 1401000.737, de 15/03/2012) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. A competência das DRJ pode ser alterada por ato interno da RFB, para melhor distribuição de quantidade de processos ou concentração de assuntos, sem que isso fira, de plano, qualquer direito do Contribuinte. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.053, de 08/12/2015) Fl. 208DF CARF MF 10 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Padece de nulidade o Auto de Infração com inobservância ao art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, não contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais individualizados por infração, em diferentes fatos geradores do imposto de renda retido na fonte, levando o contribuinte a equivocadas interpretações que confundiram a impugnação. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.671, de 07/02/2017) Por isso, entendo que assiste razão ao recorrente quanto à existência de saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos montantes de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, formados a partir do recolhimento das estimativas destes tributos realizados durante o ano. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13629.900731/201344 Acórdão n.º 1401003.452 S1C4T1 Fl. 205 11 Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: a) Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, ano calendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72; b) Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2012, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, c) Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de IRPJ e CSLL relativos aos recolhimentos dos meses de janeiro a junho/2011, cobrando se as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação. Assim, demonstrase que, em verdade o acórdão tratou não apenas do PER/DCOMP relativo a este processo específico, mas sim de todos os PER/DCOMP relativos aos pagamentos por estimativa de IRPJ e CSLL, conforme listados no acórdão que se referem aos seguintes processos. [...] (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 210DF CARF MF 12 Conclusão É o Voto, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, respectivamente, homologando as compensações declaradas neste processo até o limite dos valores reconhecidos. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727515/2012-63
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Unidade de origem anexe cópia integral do processo 10166.001700/2008-48 ou apense-o a este processo.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Unidade de origem anexe cópia integral do processo 10166.001700/2008-48 ou apense-o a este processo. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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score : 1.0
Numero do processo: 10283.901981/2013-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO E NÃO PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, incumbe à interessada a comprovação do erro de fato. À míngua de tal comprovação não há como reconhecer o direito creditório.
Numero da decisão: 1302-003.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. A conselheira Maria Lúcia Miceli votou pelas conclusões do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10283.901232/2015-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO E NÃO PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, incumbe à interessada a comprovação do erro de fato. À míngua de tal comprovação não há como reconhecer o direito creditório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. A conselheira Maria Lúcia Miceli votou pelas conclusões do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10283.901232/2015-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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DCOMP. RETIFICADORA Recorrente ORIENT RELÓGIOS DA AMAZÔNIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO E NÃO PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, incumbe à interessada a comprovação do erro de fato. À míngua de tal comprovação não há como reconhecer o direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. A conselheira Maria Lúcia Miceli votou pelas conclusões do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10283.901232/201504, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 19 81 /2 01 3- 61 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10283.901981/201361 Acórdão n.º 1302003.455 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1152.278, de 22/03/2016, da 4ª Turma da DRJ de Recife que, por unanimidade de votos, não conheceram da manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DCOMP. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. INCOMPETÊNCIA O julgador administrativo não é competente para apreciar pedido de retificação de crédito informado na Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente dedicase à fabricação, ao comércio e à reparação de cronômetros e relógios. É optante do regime de tributação com base lucro real, com pagamentos por estimativas mensais. Sustenta que, em conformidade com sua DIPJ, teria efetuado pagamento indevido ou a maior de estimativa, o que teria resultado em saldo negativo de IRPJ. A recorrente apresentou DCOMP para compensar débito de IRPJ. A DCOMP não foi homologada, nos termos do Despacho Decisório eletrônico. A recorrente alega que teria incorrido em equívoco no momento do preenchimento da DCOMP. Pois, informou que o crédito seria decorrente de "Pagamento Indevido ou a Maior", ao passo que deveria ter sido indicado "Saldo Negativo de IRPJ. Sustenta que teria sido esse o motivo da não localização de pagamento a maior. O DARF indicado na DCOMP, correspondia exatamente aos débitos declarados em DCTF. Apresentou manifestação de inconformidade tempestivamente demonstrando o referido erro de preenchimento que inviabilizou a DCOMP. A DRJ/REC concluiu que "o julgador administrativo não é competente para apreciar pedido de retificação de crédito informado na Declaração de Compensação". A recorrente foi intimada do acórdão de manifestação de inconformidade e protocolou recurso voluntário tempestivamente. Em suas razões, a recorrente sustenta: · reportase à Ficha 12A de sua DIPJ, em que registra saldo negativo de IRPJ de R$ R$ 121.284,78 e afirma que a empresa recorrente dispunha de saldo negativo de IRPJ apto a alicerçar sua pretensão de compensação; Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10283.901981/201361 Acórdão n.º 1302003.455 S1C3T2 Fl. 4 3 · em função do equívoco ocorrido em relação à indicação da origem do referido crédito "Pagamento Indevido ou a Maior" ao invés de "Saldo Negativo de IRPJ" a delegacia responsável pelo exame da DCOMP não detectou o direito creditório postulado; · não obstante o fato de que havia a possibilidade de retificar a DCOMP, a recorrente só tomou ciência do equívoco cometido no momento em que recebeu o Despacho Decisório informandoa sobre a não homologação de sua compensação; · a Delegacia de Julgamentos, ao invés de adotar conduta proativa e que promovesse a busca da verdade material, declarouse incompetente para proceder a retificação das declarações apresentadas pelo contribuinte; · ciente da existência de fortes indícios de que efetivamente a empresa recorrente teria cometido erros de preenchimento na documentação creditícia, caberia a essa autoridade julgadora, determinar o retorno do processo à origem para que a delegacia competente reapreciasse o pedido de compensação, desconsiderando o aludido erro de preenchimento da DCOMP; · a existência do direito de crédito do contribuinte advém de apuração contábil e não pode ser obstado em razão de meros erros no preenchimento do respectivo documento de compensação; · se assim fosse, haveria inaceitável sobreposição da forma administrativa ao direito material legalmente assegurado ao cidadão administrado. E, como consequência desse fato, haveria o risco de locupletamento do Fisco Federal, mediante o recebimento de receitas não previstas em lei; · os equívocos nos quais incorreu a empresa recorrente no momento de formalização da DCOMP, não tornam inexistente o seu direito creditório liquido, certo e amplamente embasado em documentação fiscal e contábil; · citou acórdãos do Carf que concluíram pelo baixa dos autos à DRF para que fosse apreciado o alegado direito creditório e o alegado erro de preenchimento, à vista das evidências e especificidades dos casos examinados; · requereu que esta Turma determinasse a remessa do feito à delegacia de origem para que lá a DCOMP seja reprocessada. Fundamentou o pedido nos acórdãos citados e nas disposições do art. 147, CTN; · invoca o princípio da verdade material; É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10283.901981/201361 Acórdão n.º 1302003.455 S1C3T2 Fl. 5 4 1302003.451, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10283.901232/2015 04, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1302003.451): Conheço do recurso voluntário, à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento aos demais requisitos de admissibilidade. Verificase que a recorrente enviou a DCOMP n° 02826.34969.110311.1.3.048788, em 11 de março de 2011, para compensar débito de IRPJ (cód. rec. 2362) no montante de R$ 124.097,15, com crédito de R$ 326.819,73. Por equívoco, indicou que o crédito seria originário de pagamento a maior de IRPJ, por estimativa apurada no exercício findo em 31/12/2010. Na tentativa de demonstrar o equívoco, esclareceu que o crédito indicado referiase ao DARF, período de apuração de 30/10/2010, código da Receita Federal 2362, no valor de R$ 759.616,05, arrecadado em 30/12/2010. Alega que esse pagamento, em realidade, teria sido destinado à liquidação do débito confessado em DCTF. Para ilustrar suas alegações, quanto à sucessão de acontecimentos e comprovar a existência de direito creditório, a recorrente apresentou os seguintes quadros: Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10283.901981/201361 Acórdão n.º 1302003.455 S1C3T2 Fl. 6 5 Em que pese o esforço da recorrente, as informações apresentadas não são suficientes para evidenciar a real existência do direito creditório invocado. A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, quando devidamente demonstrado, a recorrente não trouxe a comprovação do erro de fato. O próprio valor informado na DIPJ não corresponde ao saldo pleiteado, o que, com mais razão, exigiria a comprovação documental. A recorrente teve a oportunidade para apresentar escrita contábil e respectivo suporte para se concluir, com certeza e precisão, sobre o valor do alegado saldo negativo e a sua disponibilidade para a utilização na DCOMP em questão. Todavia, não se desincumbiu de tal providência. Assim, à mingua da comprovação do alegado crédito, não vejo como acolher as pretensões da recorrente. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10283.901981/201361 Acórdão n.º 1302003.455 S1C3T2 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.902247/2014-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado por meio do qual solicita o reconhecimento de um direito creditório, referente à COFINS, para fins de sua compensação com débitos próprios. O Despacho Decisório constante dos autos, emitido de forma eletrônica, não homologou a compensação pleiteada, sob o fundamento de não haver crédito disponível para tanto, pelo fato de o pagamento informado no DARF correspondente haver sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 02 24 7/ 20 14 -6 4 Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10805.902247/201464 Resolução nº 3302001.022 S3C3T2 Fl. 3 2 Anteriormente à emissão do referido Despacho Decisório, foi disponibilizada ao contribuinte a Análise Preliminar do Direito Creditório, no sítio da RFB, com a informação de que, no caso de inconsistências constatadas na referida Análise, ser a ele concedido o prazo de 45 dias a contar dessa disponibilização, para o seu saneamento, através da transmissão de PERDCOMP retificador, ou ainda de outras declarações retificadoras, como DCTF, DIPJ, Dacon, Redarf, DIRF, etc. Contra a referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em que alegou basicamente o seguinte: Através de auditoria em seus controles internos, constatou a ocorrência de pagamento a maior da COFINS do período de apuração em questão, tendo apresentado pedido de compensação do referido crédito, através de PERDCOMP retificador, desacompanhado, porém, da retificação das demais Declarações que compõem sua obrigação acessória – como DACON e DCTF, nas quais o débito devido da referida contribuição social foi declarado com erro. Somente após o recebimento do Despacho Decisório em comento, procedeu à retificação das declarações DACON e DCTF, conforme anexadas aos autos, e nas quais fez refletir o valor a menor devido a título de COFINS, como origem de seu direito creditório, cuja liquidez e certeza restaria então comprovada. Assim, a Defendente requer que seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, com a consequente homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, entendendo não restar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Assentou ainda, o colegiado a quo, ser ônus do contribuinte a comprovação documental do direito creditório informado em declaração de compensação. Intimado da decisão a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reproduz as alegações oferecidas na impugnação e aduz que a decisão de primeira instância trouxe os fatos e razões novas que merecem ser contrapostos, tais como a insuficiência da apresentação da DCTF e da DACON retificadoras para provar o direito da recorrente, daí porque no recurso voluntário traz balancete de verificação que discrimina as contas tributadas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.015, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10805.902245/201475, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10805.902247/201464 Resolução nº 3302001.022 S3C3T2 Fl. 4 3 Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.015):. "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Sem embargo de a recorrente não ter trazido todas as provas necessárias à comprovação do seu direito na manifestação de inconformidade, houve um esforço nesse sentido, com a apresentação da DCTF e da DACON retificadoras. Agora em recurso voluntário, o balancete de verificação e as explicações produzidas demonstram continuação do esforço de comprovar seu direito, todavia surgiu apenas verossimilhança do direito da recorrente, notase que as provas trazidas aos autos são documentos produzidos unilateralmente pela contribuinte, e não foram alvo de inspeção pela auditoriafiscal. Nesse diapasão, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronuncie se, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronunciese, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 280DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722881/2012-63
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICADA.
No lançamento de ofício aplica-se a multa de 75% nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e de declaração inexata.
JUROS. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2002-000.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento parcial para excluir da glosa os valores de R$ 200,00, referente ao profissional Alberico Falcão Rodrigues Junior e R$ 6.000,00 referente ao profissional Tácio de Meneses Ferreira e Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICADA. No lançamento de ofício aplica-se a multa de 75% nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e de declaração inexata. JUROS. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento parcial para excluir da glosa os valores de R$ 200,00, referente ao profissional Alberico Falcão Rodrigues Junior e R$ 6.000,00 referente ao profissional Tácio de Meneses Ferreira e Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1921; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 256 1 255 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.722881/201263 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.972 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria IRPF DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente CLEONICE OLIVEIRA DE ARRUDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICADA. No lançamento de ofício aplicase a multa de 75% nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e de declaração inexata. JUROS. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil que lhe deu AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 28 81 /2 01 2- 63 Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10480.722881/201263 Acórdão n.º 2002000.972 S2C0T2 Fl. 257 2 provimento parcial para excluir da glosa os valores de R$ 200,00, referente ao profissional Alberico Falcão Rodrigues Junior e R$ 6.000,00 referente ao profissional Tácio de Meneses Ferreira e Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 72/77) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual Retificadora do exercício 2010 (efls. 65/71), onde se apurou: Dedução Indevida de Despesas Médicas. A contribuinte apresentou Impugnação (efls. 02,09), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 85/86): Cientificada da exigência em 01/03/2012 (fl. 78), a contribuinte apresentou, em 13/03/2012, impugnação acostada às fls. 2 e 9, em que discorda da glosa efetuada, sob a alegação de que se trata de despesa própria e de dependente, e consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes. Por fim, requer o acolhimento da impugnação. A Impugnação foi julgada procedente em parte pela 6ª Turma da DRJ/BSB em decisão assim ementada (efls. 83/89): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10480.722881/201263 Acórdão n.º 2002000.972 S2C0T2 Fl. 258 3 A dedução a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, e comprovados por documentos hábeis e idôneos, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Comprovado parcialmente o efetivo pagamento, restabelecese o valor correspondente na Declaração de Ajuste Anual. Cientificada do acórdão de primeira instância em 14/12/2015 (efls. 94/97), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 08/01/2016 (efls. 99/105) com os argumentos a seguir sintetizados. Quanto ao recibo emitido pelo Dr. Albérico sem identificação do endereço do profissional, alega não ter conhecimento do rigor da legislação e não possuir disponibilidade de tempo para suprir o prazo da impugnação exigido pela Receita. Entende que a fiscalização deverá baixar diligência perante o contribuinte que omitiu a receita, averiguar se os valores estão declarados e efetuar a cobrança do tributo de quem comprovadamente sonegou e não de quem, de boafé, foi usuário. Defende que o que torna inidôneo o documento fiscal é a comprovação de ato fraudulento contra o Fisco. Quanto ao recibo do Dr. Tacio emitido pelo profissional com data 01/04/2010, afirma tratarse de equivoco no preenchimento, tendo colocado a data de 2010, e não de 2009, como deveria. Reitera que o recibo é uma prova de boafé do contribuinte até que a fiscalização prove o contrário. No entanto, alega que o fisco não produziu provas contra o contribuinte, mas apenas apresentou suposições. Quanto às demais despesas, sustenta que foram juntados recibos, declarações e extratos bancários, como também uma planilha com saques efetuados nas contas bancárias da contribuinte e de seu dependente. No que tange aos saques efetuados em conta corrente em datas anteriores aos pagamentos dos profissionais, alega que são aceitos pela Lei, desde que haja fundos para tal operação. Quanto aos demais gastos efetuados para pagamentos de taxi e ônibus, informa que consta de sua declaração de bens veículo próprio e que não faz uso desse tipo de transporte. Os gastos diversos foram pagos com cartão de crédito e cheques. Entende que cabe à fiscalização aceitar os comprovantes como válidos ou demonstrar que estes não são válidos por fraude comprovada pela Receita Federal através de diligência aos profissionais liberais. Discorre sobre o princípio da boafé dos negócios jurídicos e apresenta jurisprudência sobre o tema. Em caso de manutenção da exigência fiscal, requer a redução da multa para 30%, bem como a adequação da taxa de juros de mora ao percentual estabelecido no art. 59 da Lei 8.383/91 (1% a. m.), taxa esta que deverá incidir até a data do efetivo pagamento. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10480.722881/201263 Acórdão n.º 2002000.972 S2C0T2 Fl. 259 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extraise da Notificação de Lançamento que a autoridade fiscal procedeu à glosa das despesas declaradas para Taciana Valéria de Moraes, Tacio Ferreira, Juliana Bompastor e Wanadja Suely Figueira por não ter a contribuinte comprovado o seu efetivo pagamento e da despesa declarada para Alberico Falcão pela ausência de endereço no recibo apresentado (efls. 74/75). Com base nos documentos juntados à Impugnação, o julgamento de primeira instância considerou comprovado o efetivo pagamento de parte das despesas com Taciana, Juliana e Wanadja, restabelecendo a dedução correspondente (efls. 88). Além dos documentos já apreciados pelo Colegiado a quo e de algumas outras declarações de profissionais, a interessada apresenta em seu Recurso Voluntário extrato da conta de seu dependente Fernando José Pires de Arruda na Caixa Econômica Federal a fim de demonstrar que os saques efetuados respaldam as despesas em litígio (efls. 122/163). Não obstante, não se verifica a correspondência de datas e valores entre os saques efetuados e os recibos por ela acostados, não havendo reparos a serem feitos na decisão recorrida. Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que a contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Impõese observar que tal exigência não está relacionada à presunção de fraude ou de máfé, ao contrário do que entende a recorrente, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10480.722881/201263 Acórdão n.º 2002000.972 S2C0T2 Fl. 260 5 prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) A contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ela e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, ao optar por pagamento em dinheiro, a contribuinte abre mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a sua comprovação. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas a contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe à interessada provar que faz jus ao direito pleiteado. No que concerne à despesa com Alberico Falcão, verificase que a recorrente traz aos autos o mesmo recibo juntado à Impugnação (efls. 108), o qual não pode ser acolhido por não conter o endereço do profissional que o emitiu, requisito legal previsto no art. 80, §1º, III, do RIR/99. Relativamente aos acréscimos legais, cumpre registrar que uma vez constatada a infração à legislação tributária em procedimento fiscal, o crédito deve ser apurado com os encargos do lançamento de ofício, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96. No presente caso a multa de ofício aplicada foi a de 75% prevista no inciso I do referido artigo, utilizada Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10480.722881/201263 Acórdão n.º 2002000.972 S2C0T2 Fl. 261 6 nos casos de declaração inexata, ou seja, de equívoco do contribuinte, independentemente da sua intenção de fraudar o fisco. Vale lembrar que, segundo o art. 142 do Código Tributário Nacional, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicação das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Quanto à aplicação da Taxa Selic, deixo de tecer maiores considerações tendo em vista a publicação da Súmula CARF n° 4 abaixo reproduzida, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal nos termos da Portaria MF nº 277 de 07/06/2018: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018) Em vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 261DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.728274/2012-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
Ementa:
PROCESSUAL. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. INCOMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA. OMISSÃO DO RICARF. ANALOGIA.
Em casos de multa isolada o novo RICARF é omisso em precisar qual seria a Seção competente para o seu julgamento. Ante a lacuna regimental, mister se faz apurar a natureza dos créditos que foram objeto da compensação considerada como não declarada e que resultou na presente atuação para, ato contínuo, fazer incidir, por analogia, os dispostos nos arts. 8o., inciso I, c.c. com o art. 7o., § 1º, ambos do RICARF.
No presente caso o pedido de compensação decorreu da existência de pretensos créditos de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Logo, a competência para o julgamento do caso decidendo seria da 1a. Seção de julgamento, nos termos do art. 8o., inciso I do RICARF
Numero da decisão: 3402-002.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso e declinar a competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
DIEGO DINIZ RIBEIRO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Carlos Augusto Daniel Neto, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro.
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
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MEC. MET. MONT. MANUTENÇÃO INDUSTRIAL LTDA. Recorrida UNIÃO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 Ementa: PROCESSUAL. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. INCOMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA. OMISSÃO DO RICARF. ANALOGIA. Em casos de multa isolada o novo RICARF é omisso em precisar qual seria a Seção competente para o seu julgamento. Ante a lacuna regimental, mister se faz apurar a natureza dos créditos que foram objeto da compensação considerada como não declarada e que resultou na presente atuação para, ato contínuo, fazer incidir, por analogia, os dispostos nos arts. 8o., inciso I, c.c. com o art. 7o., § 1º, ambos do RICARF. No presente caso o pedido de compensação decorreu da existência de pretensos créditos de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Logo, a competência para o julgamento do caso decidendo seria da 1a. Seção de julgamento, nos termos do art. 8o., inciso I do RICARF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso e declinar a competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. DIEGO DINIZ RIBEIRO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 82 74 /2 01 2- 76 Fl. 1139DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Carlos Augusto Daniel Neto, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro. Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição veiculado em formulário de créditos tributários referentes às seguintes exações: PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. No dia seguinte à entrega do PER, em 06/06/2012, a Recorrente transmitiu a Dcomp de n° 40009.84557.060612.1.3.042098, com crédito lastreado no processo autuado sob o n° 10166.002232/201213, processo que foi aberto para receber a pretensão do contribuinte (PER em formulário) na DRF em Brasília. Foram compensados nessa Dcomp dezenas de débitos de PIS, Cofins, IRPJ e CSLL, totalizando o valor de R$ 6.264.046,50 (seis milhões, duzentos e sessenta e quatro mil, quarenta e seis reais e cinquenta centavos). 2. Em Despacho Decisório emitido em 11/09/2012, pela DRF em Curitiba, a compensação foi considerada não declarada e o pedido de restituição indeferido, ao fundamento que o Recorrente pautou sua Dcomp com base em pretensos créditos sabidamente inexistentes e, ainda, com o escopo de compensálos com débitos já inscritos em Dívida Ativa da União, hipótese em que a compensação é expressamente vedada, nos termos do art. 74, §3o, inciso III da Lei n° 9.430/96. 3. Além da negativa fiscal alhures mencionada, a fiscalização também lavrou Auto de Infração para exigência de multa isolada a razão de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento)1 sobre o total compensado, de acordo com o disposto no art. 18, §§2o e 5o da Lei n° 10.833/2003. 4. Inconformada com tal exigência, em 04/12/2012 a Recorrente apresentou impugnação de fls. 306/343, a qual foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/06/2012 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. É cabível a imposição de multa de ofício isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraude, impõese a aplicação de multa qualificada. 1 A multa foi agravada uma vez que, devidamente intimada, a Recorrente deixou de apresentar documentos e prestar esclarecimentos à fiscalização. Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10980.728274/201276 Acórdão n.º 3402002.861 S3C4T2 Fl. 1.140 3 DESATENDIMENTO A INTIMAÇÕES FISCAIS. MULTA AGRAVADA. APLICABILIDADE. O agravamento da multa de lançamento de ofício é aplicável quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação dos esclarecimentos solicitados. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. DESCABIMENTO. A vedação do art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988, que proíbe a utilização de tributo com efeito de confisco, dirigese, especialmente, ao legislador ordinário, e não ao aplicador da lei. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. À autoridade administrativa não compete manifestarse quanto à inconstitucionalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. Em observação ao princípio do informalismo, vigente no processo administrativo fiscal, não há necessidade de que a procuração para representação junto à SRF estabeleça, taxativamente, rol de todos os específicos poderes outorgados, com indicação do limite conferido, utilizandose de precisas expressões técnicas e jurídicas ligadas à atividade a ser exercida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 5. Diante deste quadro, em 09/07/2013 a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 779/785, o qual foi pautado para julgamento em 27/05/2014, oportunidade em que a então turma julgadora resolveu converter o julgamento em diligência para que fossem tomadas as seguintes providências: · juntar cópia dos presentes autos relacionados à apuração de eventual prática de crime do advogado Giovanni Antônio de Lucca, portador do CPF nº 005.766.94908, juntamente com a notícia crime, que fora apresentado ao Ministério Público; · informar o andamento do processo e tudo o que foi correlacionado. Fl. 1141DF CARF MF 4 6. Uma vez cumprida a citada diligência, os autos retornaram para julgamento deste Tribunal Administrativo, oportunidade em que foram distribuídos à 3a. Seção na minha pessoa. 7. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 8. Ab initio, já registro o meu entendimento de que o julgamento do presente caso não é de competência desta 3a. Seção, haja vista os fundamentos a seguir expostos. 9. Conforme se observa dos autos, tratase de exigência referente a multa isolada e agravada pelo fato da compensação realizada pelo Recorrente ter sido considerada como não declarada. Como pontuado no relatório, os créditos considerados como não declarados decorreriam de pagamentos indevidos a título de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. 10. Acontece que, em casos de multa isolada o novo Regimento Interno do CARF RICARF (Portaria MF n. 343/2015) é omisso em precisar qual seria a Seção competente para o seu julgamento. Não há, pois, uma única disposição regimental a tratar do tema. Dessa feita, ante a lacuna regimental, compete aqui realizar uma interpretação sistemática do RICARF e, por conseguinte, conformar uma norma que discipline essa questão. 11. Tendo em vista o sobredito escopo, insta desde já destacar que no presente caso não há espaço para a incidência do art. 4o., inciso XXI do RICARF2. Segundo o referido dispositivo regimental, seria de competência desta 3a. Seção os julgamentos referentes às penalidades por descumprimento de obrigações acessórias decorrentes de tributos exclusivamente de competência dessa Seção de julgamento. 12. Ocorre que, como visto no relatório aqui apresentado, a multa isolada3 imposta ao contribuinte decorre de um pedido de restituição indeferido e uma compensação não declarada que tem origem não só em um crédito de PIS e COFINS (exações de competência de julgamento desta 3a. Seção), mas também de IRPJ e CSLL (cuja competência para julgamento pertence a 1a. Seção). Logo, referido dispositivo legal não é suficiente para abarcar a situação fática aqui narrada. 13. Também não parece haver perfeita subsunção entre o caso decidendo e o disposto no art. 8o., inciso I, c.c. com o art. 7o., §1º, ambos do RICARF4. Segundo tais 2 "Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: (...). XXI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo." 3 Multa esta que parece se enquadrar no conceito de "penalidades por decumprimento de obrigações acessórias". 4 "Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10980.728274/201276 Acórdão n.º 3402002.861 S3C4T2 Fl. 1.141 5 dispositivos, na hipótese de (i) recurso interposto em processos de compensação e/ou restituição (ii) cujo crédito englobe tributos da 1a. Seção de julgamento e das demais, a competência para julgamento seria da 1a. Seção. Isto porque, como visto no presente caso, não se está diante de recurso interposto no processo de restituição ou mesmo no processo de compensação. Pelo contrário, em tais processos não houve qualquer manifestação do contribuinte após os indeferimentos fiscais. 14. Em verdade, dos indeferimentos dos pedidos de (i) restituição e de (ii) compensação sobreveio um terceiro processo, o qual se refere repitase à exclusiva incidência de multa isolada e agravada, sendo este o processo administrativo objeto de impugnação e interposição de recurso voluntário por parte do contribuinte, ora Recorrente, e que se encontra em julgamento. 15. Embora o art. 8o., inciso I, c.c. com o art. 7o., § 1º, ambos do RICARF, não solucionem, de pronto, a questão a respeito da competência para julgamento do presente caso, quer parecer que, por intermédio deles, é possível chegar a solução mais adequada para a questão da competência. 16. Para tanto, mister se faz reiterar que na hipótese de recursos interpostos em sede de processos de restituição e/ou compensação que digam respeito a créditos tributários variados e de diferentes Seções de julgamento, o RICARF entendeu por bem estabelecer as seguintes regras de competência: (i) sendo os créditos decorrentes de tributos de competência das 2a. e 3a. Seções de julgamento, a competência restaria com a 2a. Seção; e, sendo os créditos oriundos de exações de competência de todas as Seções ou, ainda, da 1a. e da 2a Seções, bem como da 1a. e da 3a. Seções, a competência para julgamento seria necessariamente da 1a. Seção. 17. Não obstante, de tais normas é possível desdobrar outra regra, qual seja, sempre que houver esse tipo de conflito a competência será, necessariamente, da 1a. ou da 2a. Seção de julgamento, mas jamais da 3a. Seção, o que, eventualmente, pode decorrer da preocupação do RICARF em não atribuir para esta presente Seção de julgamento mais uma matéria no seu já extenso rol de competência. 18. Voltando ao caso em concreto, o presente processo administrativo (autuação para cobrança de multa isolada e agravada) é fruto de uma compensação considerada como não declarada. Tratase, portanto, de uma lide que provém, ainda que de forma reflexa, de um processo de compensação. Logo, ante a lacuna regimental, parece fazer sentido apurar a natureza dos créditos que foram objeto da compensação considerada como não declarada e que resultou na presente atuação para, ato contínuo, fazer incidir a disposição de um dos incisos do art. 8o. do RICARF. 19. Assim, não é demais repisar que no presente caso o pedido de compensação decorreu da existência de pretensos créditos de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Logo, diante da ausência de previsão regimental no RICARF e da interpretação acima desenvolvida, a competência para o julgamento do presente caso seria da 1a. Seção de julgamento, nos termos do art. 8o., inciso I do RICARF. Art. 8º Na hipótese prevista no § 1º do art. 7º, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: I da 1ª (primeira) Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; e (...)." Fl. 1143DF CARF MF 6 20. Ex positis, reconheço a incompetência desta 3a. Seção para o julgamento do presente recurso voluntário e, por conseguinte, voto para que o presente caso seja remetido à 1a. Seção para nova distribuição e ulterior julgamento. 21. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 1144DF CARF MF
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Numero do processo: 14120.000049/2005-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 31/01/2001, 31/03/2001, 31/07/2001
DÉBITOS NÃO RECOLHIDOS. DARFs RETIFICADOS.
Os débitos não recolhidos foram constituídos como créditos tributários pelo lançamento. A esses créditos tributários, foram imputados os valores recolhidos nos DARF retificados na medida do que foi deferido pela unidade de origem.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1302-003.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
Documento assinado digitalmente.
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Fonte informado em DIRF e não recolhido. Recorrente LOURENÇA A A BORGES DE ARAUJO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 31/01/2001, 31/03/2001, 31/07/2001 DÉBITOS NÃO RECOLHIDOS. DARFs RETIFICADOS. Os débitos não recolhidos foram constituídos como créditos tributários pelo lançamento. A esses créditos tributários, foram imputados os valores recolhidos nos DARF retificados na medida do que foi deferido pela unidade de origem. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Documento assinado digitalmente. Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 00 49 /2 00 5- 23 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 14120.000049/200523 Acórdão n.º 1302003.578 S1C3T2 Fl. 114 2 (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto (com eventual exceção dos trechos transcritos) dizem respeito à numeração do processo em papel que foi digitalizado para o sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por LOURENÇA A A BORGES DE ARAUJO ME contra acórdão que julgou improcedente a impugnação apresentada diante de auto de infração lavrado pela DRF/Campo Grande. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Tratase de impugnação apresentada contra auto de infração que, constatando a ausência de recolhimento de Imposto Renda retido na fonte, formalizou a exigência de crédito tributário no montante de R$ 2.016,71, relativo a imposto de renda, multa e juros, tendo por fundamento o art. 1° da Lei n° 9.887/1999 e demais dispositivos indicados no auto de infração de fls. 01 a 07. A impugnante cingiuse a alegar que já efetuara os recolhimentos do imposto retido na fonte, no código 0561, juntando os documentos de fls. 41 a 45. A DRJ/Campo Grande proferiu, então, acórdão cuja ementa assim figurou: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001 PAGAMENTO DEPOIS DA CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO PROCEDENTE. O pagamento do crédito depois da ciência do auto de infração não torna improcedente o lançamento. Lançamento Procedente Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário onde afirma que apresentou Pedidos de Retificação dos DARF (REDARF), referentes às três competências do Fl. 114DF CARF MF Processo nº 14120.000049/200523 Acórdão n.º 1302003.578 S1C3T2 Fl. 115 3 IRRF que foram objeto do lançamento, para correção das informações referentes aos recolhimentos efetuados. Solicita a anulação da decisão recorrida com base nesses pedidos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De fato, anexo ao recurso apresentado, de fls. 65 a 75, constam os DARFs e os respectivos pedidos de retificação (REDARFs). No despacho de fls. 108, a unidade de origem presta a seguinte informação: Efetuamos o Redarf solicitado no dia 28/11/2005, em seguida retificamos o pagamento para o sistema de interesse pertinente e fizemos a alocação do pagamento para o referido processo para amortizar a divida, conforme telas dos sistemas da RFB em anexo. As telas mencionadas encontramse anexadas às fls. 106 e 107. Nelas é possível constatar que a unidade de origem alocou os valores dos DARF retificados aos créditos tributários imputados no auto de infração. Porém, ainda assim restou um saldo remanescente. Portanto, não há razão para anular a decisão recorrida. Os débitos não recolhidos foram constituídos como créditos tributários pelo lançamento. A esses créditos tributários, foram imputados os valores recolhidos nos DARF retificados na medida do que foi deferido pela unidade de origem. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 14120.000049/200523 Acórdão n.º 1302003.578 S1C3T2 Fl. 116 4 Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 116DF CARF MF
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