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Numero do processo: 18471.001020/2006-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.A garantia constitucional de ampla defesa, no processo administrativo fiscal, está assegurada pelo direito de o contribuinte ter vista dos autos, apresentar impugnação, interpor recursos administrativos, apresentar todas as provas admitidas em direito e solicitar diligência ou perícia. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento de perícia, eis que a sua realização é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora, ex vi do disposto no art. 18, do Decreto 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS DE SAÍDA E CUPONS FISCAIS. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO. Não comprovado que as notas fiscais de saída e cupons fiscais correspondem a uma mesma operação, resta configurada a omissão de receitas. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA - Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.
Numero da decisão: 1803-001.263
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da tributação as multas isoladas aplicadas sobre o montante das estimativas mensais não recolhidas. Vencidos os Conselheiros Walter Adolfo Maresch e Sérgio Rodrigues Mendes, que lhe negaram provimento.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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PACK INFORMÁTICA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.A garantia constitucional de ampla defesa, no processo administrativo fiscal, está assegurada pelo direito de o contribuinte ter vista dos autos, apresentar impugnação, interpor recursos administrativos, apresentar todas as provas admitidas em direito e solicitar diligência ou perícia. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento de perícia, eis que a sua realização é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora, ex vi do disposto no art. 18, do Decreto 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS DE SAÍDA E CUPONS FISCAIS. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO. Não comprovado que as notas fiscais de saída e cupons fiscais correspondem a uma mesma operação, resta configurada a omissão de receitas. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 9772DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001020/200611 Acórdão n.º 180301.263 S1TE03 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da tributação as multas isoladas aplicadas sobre o montante das estimativas mensais não recolhidas. Vencidos os Conselheiros Walter Adolfo Maresch e Sérgio Rodrigues Mendes, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 61/92, lavrados no âmbito da Defic/RJO, por meio do qual estão sendo exigidos da interessada acima identificada o IRPJ, no valor de R$ 91.159,84, o PIS, no valor de R$ 3.274,82, a Cofins, no valor de R$ 13.382,83, a CSLL, no valor de R$ 40.148,60, com as multas de 75% e os correspondentes juros de mora, e as Multas Isoladas por falta de recolhimento de valores mensais estimados de IRPJ e CSLL, respectivamente, nos montantes de R$ 4.281,86 e R$ 3.853,67. 0 auto de infração de IRPJ decorre da apuração das infrações relativas ao anocalendário de 2002, descritas com o correspondente enquadramento legal as fls. 63/65 (auto de infração) e 58/60 (termo de verificação e constatação fiscal). Em suma, foram apuradas omissão de receitas e falta de recolhimento do IRPJ sobre as bases de cálculo estimadas, que resultaram na exigência do Imposto, com multa e juros, e da Multa Isolada. Fl. 9773DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001020/200611 Acórdão n.º 180301.263 S1TE03 Fl. 3 3 No termo de constatação fiscal, que é parte integrante do auto de infração, o autuante relatou detalhadamente a ação fiscal e a apuração das infrações, nos seguintes termos (fls. 58/59): I Os fatos Conforme demandado, o contribuinte apresentou os Talonários de Notas Fiscais de Saídas e as Bobinas emitidas pelo Emissor de Cupons Fiscais do período de 12/2001 a 01/2003 (fls. 39, 43 e 45). Ao fazer análise das Notas Fiscais de Saídas emitidas, o Auditor Fiscal verificou que (com raras exceções) em todas havia referência a um ou mais números de cupons fiscais. (fls. 93 a 129 e anexos) Após o confronto e a análise dos Talonários de Notas Fiscais de Saídas, das Bobinas emitidas pelo Emissor de Cupons Fiscais, do Livro Diário e do Livro de Registro de Saídas de Mercadorias, o AuditorFiscal verificou que os valores (na maioria vezes) dos cupons fiscais ou não coincidiam com os valores das Notas Fiscais ou a descrição dos produtos não coincidiam ou as quantidades não coincidiam ou as datas de emissão dos cupons fiscais eram anteriores ou posteriores em até mais de um dia em relação a data de emissão das Notas Fiscais ou duas Notas Fiscais teriam como referência o mesmo cupom fiscal ou ainda Notas Fiscais em que ocorriam simultaneamente mais de uma das divergências anteriores e que as primeiras vias dos cupons fiscais não estavam anexadas às vias que permanecem no talonário. Face ao verificado, ... o AuditorFiscal lavrou Termos de Apreensão de Documentos. E sempre com a intenção de resguardar o pleno direito de defesa ao contribuinte, foilhe fornecido, no ato, cópia reprográfica de todos os documentos apreendidos com a devida autenticação ("CONFERE COMO ORIGINAL”) (fls. 48, 49 e 51). As divergências verificadas motivaram a lavratura dos Termos de Intimação datados de 22/09/2006 e 06/10/2006, que solicitaram por escrito (fls. 52, 53 e 54): "Explicar, de forma detalhada, a divergência entre os valores da Notas Fiscais de Saída, dos Cupons Fiscais e os valores consignados, em 2002, no Livro de Registro de Saídas de Mercadorias e no Livro Diário." Observação:O AuditorFiscal após a ciência do Termo acima, expôs com muitos detalhes, ao procurador do contribuinte, as citadas divergências. Em resposta aos Termos acima mencionados, o contribuinte esclarece que (fl.55): (quanto ao) "... trabalho realizado pelo Sr. Fiscal, concordamos com o seu apontamento, e, aceitamos a parte a ser tributada. Fl. 9774DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001020/200611 Acórdão n.º 180301.263 S1TE03 Fl. 4 4 Verificamos que houve falha no setor sobre o controle da emissão das Notas Fiscais, tendo em vista que havia cupons com o mesmo valor, decorrente de o nosso funcionário fornecer o cupom fiscal, e, ao se tratar de Pessoa Jurídica, o cliente retornava, solicitando a emissão da Nota Fiscal série única." II Conclusão A concordância do contribuinte com relação as divergências entre os valores das Notas Fiscais de Saída, dos Cupons Fiscais e os valores consignados, em 2002, no Livro de Registro de Saídas de Mercadorias e no Livro Diário e o fato de as primeiras vias dos cupons fiscais não estarem anexados às Notas Fiscais ensejam que o AuditorFiscal não considere haver relação entre os cupons fiscais e as Notas Fiscais em que há referência aos mesmos e, portanto, entender que se tratam de vendas distintas de mercadorias e que deveriam estar consignadas como tal nos livros fiscais, o que caracteriza omissão de receitas. Cabe ressaltar, que nos casos em que não há referência de cupom fiscal na Nota Fiscal ou a lª via do cupom fiscal está anexada conforme determina a legislação em vigor, o Auditor Fiscal não considerou tais valores como omissão de receitas. Dessa forma, considerando o que dispõe a legislação vigente e os fatos anteriormente expostos (omissão de receitas), impõese então a lavratura de Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e respectivos reflexos, com base nos valores das Notas Fiscais não escrituradas conforme tabela abaixo e também da Multa de que trata o art. 44 parágrafo 1° inciso IV da Lei n° 9.430/1996. Deste modo, os lançamentos relativos à Contribuição para o PIS, à Cofins e à CSLL, bem como as exigências relativas às Multas Isoladas por falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, decorrem da apuração de omissão de receita apontada no auto de IRPJ. Inconformada, a interessada apresenta extensa IMPUGNAÇÃO de 14 folhas (fls. 185/198), acompanhada de grande quantidade de documentos (fls. 201/1093), alegando que: a suposta confissão aludida pelo autuante se limitaria à violação da obrigação acessória de anexar os Cupons Fiscais às Notas Fiscais correspondentes; sendo incontroversa apenas a violação à obrigação acessória, os autos de infração não poderiam imputar a ela, somente em razão disso, a pretensa omissão de receitas; causaria estranheza que as notas fiscais que guardam relação com os cupons fiscais (caracterizando assim apenas uma única operação) tenham sido consideradas como contabilizadas em duplicidade pelo autuante, não acontecendo o mesmo com as notas fiscais que não fazem menção aos correspondentes cupons fiscais; Fl. 9775DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001020/200611 Acórdão n.º 180301.263 S1TE03 Fl. 5 5 se duplicidade de operações houvesse, seria mais plausível considerar tal duplicidade na hipótese de cupons fiscais e notas fiscais que não guardariam relação entre si, uma vez que notas e cupons relacionados deveriam fazer presunção relativa de existência de uma única venda; o Fisco Estadual, ao examinar a documentação para apuração de ICMS do exercício de 2002, não teria suscitado a hipótese de omissão de receitas, fazendo supor a correção de sua contabilidade ante a legislação tributária; ela desejaria provar, com a impugnação, que não teria omitido receitas, pretendendo se valer da via pericial contábil; a taxa SELIC teria natureza indiscutivelmente compensatória, sendo material e formalmente inconstitucional a sua previsão a título de juros moratórios no âmbito tributário; o art. 161 do CTN apenas admitiria a incidência sobre os tributos de juros moratórios e não dos compensatórios; a incidência de juros sobre os tributos em atraso devidos à Fazenda Nacional encontraria respaldo no art. 161 do CTN, que preveria que, se a lei não dispusesse de modo diverso, os juros de mora seriam calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês; a incidência de juros representaria aumento do valor despendido pelo contribuinte em favor da Fazenda; em apreço ao princípio da legalidade, seria vedado ao ente tributante "exigir ou aumentar tributos sem lei que o estabeleça" (art. 150, I, da Constituição da República), sendo, portanto, inconstitucional a utilização da SELIC como taxa de juros moratórios aplicáveis aos tributos; para que fosse possível a incidência da taxa SELIC sobre os tributos, a titulo de juros de mora, seria necessário que lei ordinária viesse a criála, estabelecendo, ao menos, os parâmetros para sua fixação; a taxa de juros moratórios aplicáveis aos tributos seria de 1% (um por cento) ao mês, sendo admitida apenas excepcionalmente taxa diversa, desde que prevista em lei, de acordo com o CTN; a taxa SELIC, da mesma forma que teria sido criada, viria sendo defmida por normas infralegais; sua criação teria se dado por resolução do Conselho Monetário Nacional (Res. n.° 1.124/86) e sua forma de cálculo seria fixada pelo Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central do Brasil; as leis que determinariam a sua incidência sobre tributos não forneceriam critérios para a estipulação da referida taxa; a previsão de utilização da SELIC como taxa de juros moratórios na esfera tributária, por não ter sido instituída por Fl. 9776DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001020/200611 Acórdão n.º 180301.263 S1TE03 Fl. 6 6 lei, seria ilegal, por afrontar o CTN, e inconstitucional, por contrariar o principio da legalidade, positivado em nossa ordem constitucional; os juros de mora, por possuírem natureza punitiva, teriam sua fixação reservada, de forma absoluta, à lei, também por força do imposto pelo art. 97, V, do CTN, que disporia que somente a lei poderia estabelecer a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; apesar de a SELIC dever ser instituída por lei e de ter seus critérios de estipulação determinados também por lei, ela viria sendo fixada por ato unilateral do Executivo (no caso, o Banco Central do Brasil), na forma de uma delegação de competência tributária, que seria vedada pelos artigos 48, I, e 150, I, da Carta Magna; as exigências das multas regulamentares isoladas, nos importes de R$ 3.853,67 e R$ 4.281,86, representariam evidente e inaceitável bis in idem, em face de os autos de infração, com o correspondente enquadramento legal, já exigirem as multas proporcionais aos tributos lançados; Ao final, a interessada solicita que sejam anulados os autos de infração, em face da comprovação de que não teria omitido receitas ao Fisco ou em razão do reconhecimento da alegada ilegalidade e inconstitucionalidade da SELIC, para fins tributários. Pede ainda que, se não forem acatados esses argumentos, sejam, pelos menos, expurgadas da autuação as multas isoladas. Protesta ainda pela produção da prova documental, inclusa e superveniente, e pericial contábil, bem como por todas aquelas que se façam necessárias. Nomeia e qualifica como assistente técnica a contadora Sra. Ana Paula Nicomedes, e apresenta seis quesitos a serem respondidos pelos peritos, protestando, ainda, pela formulação de quesitos suplementares, caso se façam necessários. Por meio dos seis quesitos formulados, a interessada solicita aos peritos que : confrontem, para fins de verificação de omissão de receitas no ano de 2002, os Livros de Apuração de ICMS com: o Livro Diário, os relatórios "SWEDA" e a DIPJ (quesitos 1, 3 e 4); confrontem os relatórios "SWEDA" com a DIPJ (quesito 2); esclareçam se ela teria omitido receitas (quesito 5); elaborem, na hipótese de confirmação de omissão de receitas, calculo atualizado do montante devido, incluindo multa e juros (quesito 6). Compõem os autos do processo 06 (seis) volumes, que se encontram acompanhados de 56 (cinqüenta e seis) anexos constituídos pelo autuante no encerramento da ação fiscal com documentos apresentados pela interessada, sendo que os anexos I a IX se encontram juntos e amarrados e os anexos a LVI se encontram acondicionados em duas caixas grandes de papelão.” Fl. 9777DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001020/200611 Acórdão n.º 180301.263 S1TE03 Fl. 7 7 A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte (fls. 1140/1155), em decisão assim ementada: OMISSÃO DE RECEITAS A ausência de registro , na contabilidade de receitas auferidas pelo contribuinte enseja o lançamento de oficio do imposto correspondente à omissão de receitas. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO MENSAL DE IRPJ CALCULADO SOBRE A BASE ESTIMADA. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENIGNA. RETROATIVIDADE. A falta de recolhimento antecipado do IRPJ calculado sobre a base de calculo mensal estimada enseja a exigência da multa de oficio isolada, cujo percentual deve ser reduzido em face do advento de lei nova que impõe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração ainda não definitivamente julgada. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no CTN e na legislação de processo administrativo tributário bem como a observância do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. PERÍCIA. INDEFERIMENTO A perícia se revela prescindível se as alegações do contribuinte são passíveis de demonstração nos autos e o simples exame do processo pelo julgador é suficiente para f rmar convicção acerca da matéria, que não exige o pronunciamento de técnico especializado. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO EM ESFERA ADMINISTRATIVA. Falta competência à autoridade administrativa para se pronunciar a respeito da conformidade de lei, validamente editada pelo Poder Legislativo, com os preceitos da Constituição, que atribui esta função ao Poder Judiciário. JUROS DE MORA. Os juros de mora incidentes sobre os débitos não pagos no prazo são equivalentes à variação da taxa SELIC acumulada mensalmente a partir do primeiro dia do mês subseqüente e de um por cento no mês de pagamento. APRESENTAÇÃO DE PROVAS E QUESITOS PARA PERÍCIA. PRECLUSÃO. Fl. 9778DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001020/200611 Acórdão n.º 180301.263 S1TE03 Fl. 8 8 As razões e provas que a impugnante eventualmente possuir, bem como os quesitos para a realização de perícia solicitada, devem ser apresentados na impugnação, precluindo o direito de ela apresentálas em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua exibição oportuna por motivo de força maior ou ainda que se refiram a fato ou a direito superveniente ou que se destinem a contrapor razões ou fatos posteriormente trazidos aos autos. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, praticamente reitera as alegações contidas na impugnação acrescentando as seguintes considerações: a) No corpo da decisão decorrida, salta aos olhos o cerceamento de defesa de que padeceu o Contribuinte, porquanto não lhe foi possível, no curso do procedimento, produzir a prova pericial tal qual requerida. b) A prevalecer o entendimento esposado em 1° grau, é de se suscitar a violação ao inciso LV do artigo 5° da Constituição Federal, razão pela qual pugna o Contribuinte pela reforma do julgado. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 15/08/2007 (AR de fls. 1157). O recurso foi protocolado em 29/08/2007, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. I. Da nulidade da decisão de 1ª instância Alega a recorrente que a decisão de primeira instância é nula por ter cerceado o seu direito de defesa. Sustenta que o indeferimento da diligência requerida ofendeu o direito à ampla defesa, constitucionalmente garantido. O princípio da ampla defesa e do contraditório está elencado no artigo 5º, letra LV da Constituição Federal, que assim dispõe: “Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. A simples leitura do dispositivo constitucional demonstra, de pronto, que não ocorreu qualquer violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa nele esculpidos, posto que, no caso vertente, a recorrente teve ciência de todos os termos lavrados pela fiscalização, sendolhe concedido o prazo necessário para a apresentação de todas as provas ao seu alcance para exonerarse da pretensão fiscal. Fl. 9779DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001020/200611 Acórdão n.º 180301.263 S1TE03 Fl. 9 9 As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa foram rigorosamente respeitadas, na medida em que foi oportunizado ao contribuinte, em todas as fases processuais, o exame do processo e a obtenção das cópias das peças que o integram. A instauração do contraditório está demonstrada, de modo inequívoco, mediante a notificação do lançamento e a concessão do prazo de trinta dias para a contribuinte pagar ou impugnar o feito, podendo então, nessa ocasião, apresentar as razões de fato e de direito que militam a seu favor e produzir todas as provas admitidas no direito, para corroborar suas alegações, requerendo, inclusive, a realização de diligências e perícias. Contudo, vale observar que a realização de diligência ou perícia, embora possa ser solicitada pela parte, é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora quanto à sua necessidade para o esclarecimento de pontos obscuros ou que exijam conhecimento especializado. A diligência não se presta para suprir as deficiências das partes na apresentação de provas de sua responsabilidade, consoante estabelecido no artigo 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, verbis: "Art. 18 A autoridade administrativa de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine.” Como se vê, contrariamente ao que entende a recorrente, o dispositivo atribui ao poder discricionário da autoridade fiscal a realização de diligências ou de perícias, posto que estas não constituem direito líquido e certo do contribuinte, mas apenas se destinam a formar a convicção do julgador. Por isso mesmo, dálhe a lei a faculdade de decidir, discricionariamente, se é o caso de deferir o pedido do contribuinte ou não, e mesmo sem pedido do contribuinte, determinar as que julgar necessárias, de ofício. No presente caso, a autoridade recorrida, louvandose na competência que a lei lhe confere, indeferiu a realização da perícia requerida, por considerála prescindível, o que foi considerado pela recorrente cerceamento do seu direto de defesa. Entendo de todo improcedente tal alegação: a uma porque, como já ressaltado, a lei relaciona a determinação ou não de perícia com o livre discernimento do julgador, que mandará realizálas "quando entendêlas necessárias"; a duas porque não ocorreu qualquer agressão ao direito de defesa consagrado em nossa Carta Magna, pois ao ingressar com a impugnação e o recurso, a empresa demonstrou, de forma inequívoca, seu pleno conhecimento do processo fiscal. Desta forma, podese concluir que a garantia constitucional da ampla defesa, no âmbito do processo administrativo fiscal, restou plenamente observada e cumprida, não havendo que se falar em nulidade da decisão de primeira instância. II. Do mérito Afirma a recorrente que a autoridade fiscal apurou omissão de receitas com base em 2 argumentos: (i) suposta confissão feita pela contribuinte; (ii) não cumprimento da obrigação acessória de anexar os cupons fiscais às notas fiscais correspondentes. Fl. 9780DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001020/200611 Acórdão n.º 180301.263 S1TE03 Fl. 10 10 Conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal, foi constatado que, na maioria das notas fiscais de saída, havia referência a um ou mais números de cupons fiscais emitidos pelo Emissor de Cupons Fiscais. Ao confrontar as notas fiscais de saída com os cupons fiscais, foram apuradas várias irregularidades – diferença de produto, falta da 1ª via de cupom fiscal, divergência na data de emissão, cupons utilizados duas vezes tal como criteriosamente detalhado no demonstrativo de fls. 93/129. A prova de que a nota fiscal de saída e o cupom fiscal referemse à mesma operação de venda é feita pela coincidência de todos os elementos – valor, data, descrição do produto, menção ao cupom fiscal. Para poder ser feito o confronto entre os documentos é indispensável a anexação deste último à nota fiscal. Nos casos em que há divergência nos documentos fiscais, a conclusão mais razoável é que eles não se referem à mesma operação. Por outro lado, nos casos em que não foi anexada a cópia do cupom à nota de saída, sequer é possível fazer o confronto e a correlação entre as operações, sendo perfeitamente possível concluir que a nota fiscal de saída reflete uma operação autônoma. A questão da confissão é irrelevante. As provas coligidas aos autos são suficientes para comprovar a omissão de receitas, caracterizada pela não contabilização das notas fiscais de saída que não guardam correlação com os cupons fiscais escriturados. Notese que quando é emitida nota fiscal de saída, ela é escriturada apenas na coluna “Observações” do Livro Registro de Saídas. Quanto aos demais argumentos, reproduzo trechos da decisão recorrida, que não foi contestada pela recorrente: “Por certo, é possível concluir que os valores das notas fiscais relacionados precisamente com os cupons fiscais a elas anexados não foram incluídos na base tributável pelo autuante certamente por ele considerar que se tratava de uma única operação. Ao contrário, os valores correspondentes às divergências apuradas no confronto entre as notas fiscais e os cupons fiscais que não se encontravam registrados no Diário e no Registro de Saídas, foram incluídas na base tributável do lançamento, uma vez que representativos de receitas omitidas. Correto, neste aspecto, o procedimento fiscal. Quanto ao entendimento do autuante segundo o qual não haveria relação entre as notas fiscais e os cupons fiscais eventualmente nelas referidos cuja primeira via não se encontrava a elas anexada (em desobediência ao exigido pela legislação), é preciso que se diga que a questão não se resume a mero descumprimento de obrigação acessória. A determinação da legislação de anexar o cupom fiscal a nota fiscal que for emitida em razão da mesma operação visa, inclusive, comprovar, em eventual fiscalização, tal fato, ou seja, demonstrar que os dois documentos se referem a mesma operação. Assim, a interessada, ao fazer referência a um determinado número de cupom fiscal na nota fiscal emitida sem anexar a ela a 1ª via do referido cupom, não consegue demonstrar ao Fisco que os documentos correspondem a uma Fl. 9781DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001020/200611 Acórdão n.º 180301.263 S1TE03 Fl. 11 11 única operação, não restando outra alternativa ao agente fiscal sendo concluir que eles se referem a operações distintas. Correto também nesse sentido o procedimento fiscal. Em suma, cabe considerar que as divergências apuradas pelo autuante não tiveram seus valores contestados de modo específico pela interessada. Ela a enas as atribuiu a erro de seu funcionário na emissão das notas fiscais. Além disso, o termo de constatação demonstra que o autuante levou em conta os livros Diário e Registro de Saídas, ao efetuar a comparação entre as notas fiscais e os cupons fiscais, indicando que ele buscou os reflexos das divergências (explicitadas por ele às fls.93/129) na apuração dos resultados tributáveis e que esses reflexos correspondem A ocorrência de omissão de receitas. A interessada, aliás, admite falhas de seu funcionário na emissão das notas fiscais, mas não exibe qualquer evidência de teria havido algum procedimento contábil ou extracontábil para correção de erros. Acrescentese a isso o fato de a interessada não ter conseguido desconstituir as provas apresentadas pelo autuante e nem demonstrar que as divergências apuradas não teriam afetado os seus resultados, ao contrário do que indicam os elementos levantados pelo autuante. Ademais, o fato de não ter havido apuração de omissão de receitas em eventual fiscalização de ICMS efetuada pelo Fisco Estadual em relação ao período de 2002 não constitui atestado de que todas as receitas auferidas pela interessada teriam sido computadas por ela para fins de apuração dos tributos federais. 0 fato é que a interessada não aponta precisamente os valores que entende que não poderiam compor o valor tributável. Não indica precisamente, ainda que por amostragem, os valores e documentos que, segundo ela, teriam sido tratados incorretamente pelo autuante, com as razões de o seu entendimento e os elementos probatórios correspondentes. É verdade que ela juntou cópias de folhas do Livro de Apuração de ICMS e do Livro Registro de Saídas, além de cópias de cupons fiscais (alguns até ilegíveis) e de sua DIPJ (fls. 201/1093). Contudo, tais elementos, especialmente desacompanhados de qualquer documento que relacionasse as informações neles contidas, se revelam insuficientes para comprovar suas alegações.” III. Da multa isolada Neste tópico afirma a recorrente que a exigência das multas isoladas configurase em inaceitável bis in idem, porquanto, em autos de infração próprios, já foram calculadas as multas em desabono à contribuinte. Fl. 9782DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001020/200611 Acórdão n.º 180301.263 S1TE03 Fl. 12 12 A Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou em diversas ocasiões sobre o descabimento da concomitância da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de que trata o art. 2° da Lei n° 9.430/96 com a multa de oficio decorrente da falta de recolhimento do tributo devido ao final do exercício, sob pena de aplicarse dupla penalidade sobre uma mesma infração. Trazemos à colação os seguintes acórdãos para ilustrar o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA – Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.(Acórdão CSRF/0105.712, sessão de 10/09/2007). MULTA ISOLADA – ESTIMATIVA. MULTA CALCULADA SOBRE A MESMA BASE. – Se a mesma base serviu para cálculo de outra multa (de 75%), para exigência do tributo referente ao mesmo período de apuração, não pode ser exigida a multa isolada, sob pena de estar sancionando o contribuinte duas vezes pela mesma falta.(Acórdão nº Acórdão 10517115, sessão de 26/06/2008)”. MULTA ISOLADA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS MENSAIS POR ESTIMATIVA Com a apuração da contribuição devida ao final do exercício, desaparece a base imponivel da penalidade isolada (antecipações), surgindo uma nova base, que corresponde à contribuição efetivamente apurada, cabendo tão somente a cobrança da multa de oficio (se for o caso), que é devida caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado exofficio. CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA COM A MULTA DE OFÍCIO Descabe a concomitância da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de que trata o art. 2° da Lei n° 9.430/96 com a multa de oficio decorrente da glosa de prejuízos fiscais compensados indevidamente, sob pena de aplicarse dupla penalidade sobre uma mesma infração.No presente caso, apurouse a falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos ao final do período de apuração, sendo cabível a imposição da multa de ofício sobre este valor.(Acórdão n° 910100107, sessão em 11/05/2009). CSLL MULTA ISOLADA Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de Fl. 9783DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001020/200611 Acórdão n.º 180301.263 S1TE03 Fl. 13 13 ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada, seja pela ausência de base imponível, bem como pelo malferimento do princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. CSLL – MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA – Incabível a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício.(Acórdão n° 910100744, sessão em 09/11/2010). Esposo integralmente este entendimento, sendo que no presente caso a falta de recolhimento das estimativas também serviu de base para a imposição da penalidade de 75% sobre o tributo devido ao final do ano calendário. IV. Taxa Selic Quanto ao cabimento da taxa Selic, deve ser trazida à colação a Súmula CARF nº 4: “Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ante todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da tributação as multa isoladas de IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 9784DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 15504.002257/2010-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO.
Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria.
Até que ocorra o trânsito em julgado na ação judicial, o Fisco poderá realizar procedimento de auditoria fiscal e apurar os valores que estão sendo discutidos na via judicial, haja vista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário deferida no momento do lançamento fiscal.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial para adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria. Até que ocorra o trânsito em julgado na ação judicial, o Fisco poderá realizar procedimento de auditoria fiscal e apurar os valores que estão sendo discutidos na via judicial, haja vista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário deferida no momento do lançamento fiscal. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2332; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.002257/201082 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.581 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. FATOS GERADORES Recorrente FUNDAÇÃO EDUCACIONAL LUCAS MACHADO FELUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria. Até que ocorra o trânsito em julgado na ação judicial, o Fisco poderá realizar procedimento de auditoria fiscal e apurar os valores que estão sendo discutidos na via judicial, haja vista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário deferida no momento do lançamento fiscal. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 22 57 /2 01 0- 82 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial para adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.002257/201082 Acórdão n.º 2402003.581 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/2006 a 13/2007. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 09/13) a empresa deixou de informar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, cota patronal, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. Os valores não declarados em GFIP estão discriminados na planilha de fls. 10/11 e foram objetos da Notificação de número AIOP 37.260.3688 (processo 15504.002252/201050). Esse Relatório Fiscal informa ainda que a FUNDAÇÃO FELUMA possui decisão judicial em Mandado de Segurança (processo 1999.38.00.0209770, da 12a Vara da Justiça Federal) concedendolhe a isenção de contribuições previdenciárias patronais. Nessa situação, o auto de infração foi constituído para evitar a decadência do crédito tributário, estando suspenso os atos administrativos de cobrança. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 10/13) informa que foi aplicada a multa no valor de R$691.173,60 (seiscentos e noventa e um mil e cento e setenta e três reais e sessenta centavos), fundamentada no art. 32, inciso IV, parágrafo 5o, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, e no art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Essa multa aplicada correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição apurada sobre os fatos geradores não declarados, limitada, por competência, aos valores previstos no § 4° do art. 32 da Lei 8.212/1991 (em função do número de segurados da empresa). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 05/03/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. a impugnação deve ser conhecida, uma vez que, além de tratar de questões diferentes daquelas constantes da ação judicial, esta poderá lhe ser desfavorável. Diz que as questões do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0209770 dizem respeito, exclusivamente, ao reconhecimento da impugnante à imunidade tributária das contribuições previdenciárias, não se discutindo, portanto, as questões como valores devidos, requisitos formais do auto de infração, etc. No sentido de que questões não levadas ao judiciário devem ser tratadas Fl. 270DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 no julgamento administrativo, escreve súmulas do Conselho de Contribuintes, incorporadas pelo CARF; 2. a autoridade administrativa não pode deixar de observar o rito certo e definido para a suspensão da imunidade/isenção. Nessa linha, reporta ao regramento definido na Lei 9.430, de 1996, e diz que somente após a expedição de Ato Declaratório Executivo próprio é que se poderá considerar suspensa a imunidade tributária e a autoridade autorizada a lavrar os competentes autos de infração para exigências de tributos, se fosse o caso. Na hipótese, o procedimento fiscal foi avesso à legislação de regência, pois a imunidade tributária da impugnante foi automaticamente suspensa com base num parecer do Ministério da Previdência Social. Assim, o procedimento estaria a violar o princípio da legalidade (art. 5º, inciso II, e art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e artigo 2º da Lei 9.784, de 1999), porquanto a autoridade administrativa não poderia, à sua discricionalidade, afastar a legislação que trata da suspensão da imunidade. Acrescenta que a suspensão da imunidade se dá por ato do Delegado ou Inspetor da Receita Federal do Brasil, conforme o artigo 32, § 2º, da Lei 9.430, de 1996, ocorrendo, assim, vício de competência, eis que a desconsideração da imunidade e a exigência das contribuições se deram a partir de ato proferido por agente incompetente para tanto. Por outro lado, diz que, ainda que não se aplicasse o procedimento previsto no artigo 32 da Lei 9.430, de 1996, em vista de não se considerar imunidade tributária, isso apenas como argumento, ressalva, o auto de infração também seria nulo por desrespeito ao procedimento para a cassação de isenções conferidas às entidades beneficentes de assistência social, consoante os artigos 233 e 234 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009; 3. a nulidade do auto de infração ainda estaria presente por haver cerceamento de defesa, considerando que o mesmo foi lavrado sem que a ela fosse imputada qualquer conduta específica que demonstrasse o não cumprimento dos requisitos para o gozo da isenção. Diz que era preciso a apresentação, no auto de infração, ao menos de um elemento que contrariasse as previsões do artigo 14 do CTN ou do artigo 55 da Lei 8.212, de 1991, caso se entenda pela aplicação deste dispositivo, e não apenas reportar a parecer jurídico do Ministério da Previdência Social, sob pena de violação de seu direito de defesa, e, por via, em ilegalidade do lançamento. Outro fato que contribui para a nulidade do lançamento, de acordo a impugnante, é que, para o período da autuação, a FUNDAÇÃO FELUMA possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Diz isso com base na Medida Provisória MP nº 446, de 2008, e no § 11 do artigo 62 da Constituição Federal de 1988, que lhe garantiram a renovação do Certificado para os períodos de 29/12/2003 a 28/12/2006 e de 29/12/2006 e 28/12/2009. Observa que, para o período de 2000 a 2003, também era detentora de Certificado, expedido em final de 2005, porque teria requerido a renovação tempestivamente, com base nos §§ 2º e 3º do artigo 3º do Decreto nº 2.536, de 1998; Fl. 271DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.002257/201082 Acórdão n.º 2402003.581 S2C4T2 Fl. 4 5 4. por fim, e ainda quanto à nulidade do auto de infração, diz que o artigo 241 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, reconhece a sua isenção. Para tanto, reporta ao artigo 28 da Medida Provisória 446, de 2008, para dizer que cumpria com todos os requisitos previstos neste dispositivo necessários à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei 8.212, de 1991. Conclui que o lançamento realizado é um equívoco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0238.702 da 6a Turma da DRJ/BHE (fls. 229/237) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que a Recorrente sempre atendeu os requisitos de entidade imune às contribuições previdenciárias. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Belo Horizonte/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço, em parte, do recurso interposto em decorrência da opção da Recorrente que questiona a sua imunidade na via judicial (Mandado de Segurança, processo 1999.38.00.0209770, da 12a Vara da Justiça Federal, TRF1). O presente lançamento fiscal decorre do fato de que a Recorrente apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, concernentes à cota patronal. Essas contribuições correspondentes a tais fatos geradores foram objetos da Notificação de número AIOP 37.260.3688 (processo 15504.002252/201050). Esta notificação já foi devidamente julgada no âmbito desta Corte Administrativa, por meio do Acórdão 2402 003.579 (julgado na sessão de 15/05/2013). Com a decisão, os valores originários das contribuições sociais previdenciárias não sofreram alterações. DO MÉRITO: Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, relativas à remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, para as competências 01/2006 a 13/2007. Os valores da remuneração dos segurados foram devidamente delineados na planilha de fls. 10/11, bem como na Notificação de número AIOP 37.260.3688 (processo 15504.002252/201050, fl. 423). Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de Fl. 273DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.002257/201082 Acórdão n.º 2402003.581 S2C4T2 Fl. 5 7 contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, referentes à remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, cota patronal – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Assim, constatase que as demais alegações expostas na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na defesa relativa ao lançamento da obrigação previdenciária principal, constituída nos Autos do processo 15504.002252/201050 (AIOP 37.260.3688). Após essas considerações, informo que as conclusões acerca dos argumentos da peça recursal – concernente ao descumprimento da obrigação acessória, no que forem coincidentes, especificamente com relação aos valores apurados e à matéria não conhecida no presente processo, em razão da opção da via judicial pela Recorrente –, foram devidamente enfrentadas, quando da análise do processo da obrigação principal. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.002257/201082 Acórdão n.º 2402003.581 S2C4T2 Fl. 6 9 Assim, passarei a utilizar o conteúdo assentado na decisão do processo da obrigação principal para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) No que tange à alegação de que o lançamento fiscal seja declarado nulo, pois haveria decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.020977 0 não mais suscetível de recursos, entendese que tal alegação não será acatada, pois ainda não ocorreu, de forma definitiva, o trânsito em julgado dessa decisão. Para fins tributários, é bom esclarecer que o trânsito em julgado dessa decisão somente ocorrerá com o esgotamento das vias recursais e do prazo do recurso cabível. Tratase de fenômeno processual decorrente da irrecorribilidade da decisão judicial, fato ainda não evidenciado nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0209770, o qual está pendente de manifestação do Supremo Tribunal Federal (STF), independentemente da matéria a ser discutida no âmbito daquela Corte Constitucional. Somente com o trânsito em julgado dessa decisão – que ocorrerá após a última manifestação do STF –, proferida nos autos Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0209770, é que o seu conteúdo projetará a sua eficácia para fora do processo, repercutindo os seus efeitos neste processo administrativo. Com isso, considerando que o lançamento foi realizado com o intuito, exclusivamente, de prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria, o Fisco poderá realizar procedimento de auditoria fiscal e apurar os valores que estão sendo discutidos na via judicial, haja vista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário deferida no momento do lançamento fiscal. Com relação à anulação do auto de infração em decorrência de supostos vícios que foram argüidos na peça recursal, esclarecemos que todos eles foram devidamente enfrentados na decisão de primeira instância (Acórdão 0238.693 da 6a Turma da DRJ/BHE, fls. 528/536), cujo conteúdo estou aderindo ao presente voto. Assim, passarei a utilizar o conteúdo anteriormente assentado nessa decisão de primeira instância para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto, pois tal conteúdo está em conformidade com a legislação tributário previdenciária de vigência (Lei 12.101/2009; Lei 8.212/1991; Decreto 70.235/1972; Lei 5.172/1966, CTN; Constituição Federal), conforme as regras explicitadas nos artigos mencionados no Voto daquela decisão. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) A decisão de primeira instância registrou no corpo do Voto os seguintes termos: “[...] Pois bem, o auto de infração foi lavrado em 25 de fevereiro de 2010 com a sua formalização, pela ciência do contribuinte, em 05 de março de 2010. À época, a norma procedimental, quanto à suspensão do direito à isenção, e em observância ao § 1º do artigo 144 do CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), era a Lei nº 12.101, de 27.11.2009, com vigência a partir de 30.11.2009. De acordo com a Lei nº 12.101, de 2009, em seu artigo 32, e parágrafos, o descumprimento pela entidade dos requisitos inerentes à isenção suspende, automaticamente, o direito, sem haver, pois, a necessidade de prévia Informação Fiscal à entidade, conforme era previsto no § 4º do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c os incisos I e II do § 8º do artigo 206 do Regulamento da Previdência Social RPS (aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999). Por outro, os fatos que demonstram o não atendimento dos requisitos para o gozo da isenção serão relatados no próprio auto de infração, segundo o caput do art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, sendo que o rito para a impugnação é a do Decreto nº 70.235, de 1972, conforme o § 2º do mesmo artigo. Assim, a entidade passará a discutir a perda do direito no auto de infração que exige as contribuições não recolhidas no período do não atendimento dos requisitos, e não mais em Informação Fiscal/Ato Cancelatório de Isenção. Dito isso, e sabendo que a norma de procedimentos que tratava da perda do direito à isenção de contribuições sociais era a Lei nº 8.212, de 1991, substituída, nesse aspecto, pelo Decreto nº 70.235, de 1972, não procede a alegação de defesa quanto à aplicação dos procedimentos previstos na Lei nº 9.430, de 1996, que diz, exclusivamente, de impostos (alínea “c” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal), e não de contribuições sociais. Concluise, portanto, que não mais existe a emissão de Informação Fiscal e a emissão de Ato Cancelatório de Isenção para as contribuições sociais a partir da entrada em vigor da Lei nº 12.101, de 2009, que é a situação, porquanto o auto de infração foi formalizado em 05 de março de 2010. Com isso, também não há objeto em discussão quanto à competência da autoridade administrativa, eis que, conforme já Fl. 277DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.002257/201082 Acórdão n.º 2402003.581 S2C4T2 Fl. 7 11 discorrido, não mais se emite Ato Cancelatório de Isenção, mas se lavra o auto de infração. A respeito, e acompanhando as disposições da Lei nº 12.101, de 2009, os artigos 233 e 234 da Instrução Normativa RFB 971, de 2009, na redação posta em impugnação, foram revogados pela Instrução Normativa RFB 1.071, de 15 de setembro de 2010, que passou a escrever: Art. 233. A partir de 30 de novembro de 2009, deixam de ser emitidos ato declaratório e ato cancelatório de isenção. (g.n.). Art. 234. O processo de cancelamento de isenção pendente de julgamento no âmbito da RFB será encaminhado à unidade competente para verificação do cumprimento dos requisitos de isenção, observados: Registrase, ainda, que não há, para a FUNDAÇÃO FELUMA, processo de cancelamento de isenção pendente de julgamento no âmbito da RFB, já que o Despacho Decisório nº 11.401.4/0010/2007, de 19.04.2007, às fls. 95/97, cancelou a Informação Fiscal (Ofício nº 11.401.1/0083/2005), sem julgamento do mérito, em razão de que o direito ou não à isenção, por parte da FUNDAÇÃO, já estariam sendo discutidos no Judiciário Federal. Nessa mesma razão, qual seja, da renúncia à instância administrativa em relação ao direito à imunidade / isenção, isso com fundamento no artigo 38 da Lei nº 6.830, de 1980, e no § 3º do artigo 126 da Lei nº 8.213, de 1991, bem como no princípio da unidade de jurisdição contida no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, não poderia, e não pode, a fiscalização trazer para o presente processo os requisitos não cumpridos pela FUNDAÇÃO, inclusive se a mesma possui ou não o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, ainda que este tenha sido renovado nos termos da MP nº 446, de 2008, e/ou com base no inciso II do artigo 241 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, dispositivo também citado em defesa, uma vez que a questão, em relação aos requisitos, é objeto judicial, afetando tanto as contribuições previdenciárias patronais como as contribuições para Terceiros (Outras Entidades e Fundos), estas por força do parágrafo único do artigo 94 da Lei nº 8.212, de 1991, do § 3º do artigo 3º da Lei nº 11.457, de 2007, e do artigo 1º da Lei nº 9.766, de 1998. [...]” Além disso, o conteúdo da peça recursal, nesta parte, tem caráter genérico e protelatório, tratando exclusivamente de questões concernentes aos requisitos da imunidade da cota patronal previdenciária, que, por sua vez, foi objeto da matéria postulada na via judicial (Mandado de Segurança no 1999.38.00.0209770, interposto na 12a Vara da Justiça Federal – TRF1). Em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5°, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997. Entretanto, Fl. 278DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento ora analisado, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.002257/201082 Acórdão n.º 2402003.581 S2C4T2 Fl. 8 13 Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei 8.212/1991. O art. 44 da Lei 9.430/1996 dispõe o seguinte: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A regra do artigo acima mencionado tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou Fl. 280DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da Lei 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade – a norma especial prevalece sobre a geral: o art. 32A da Lei 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no art. 44 da Lei 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o art. 43 da mesma lei: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do art. 32A da Lei 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, no caso que tenha sido lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), qual tenha sido o valor nele lançado. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso, para, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que seja recalculada a multa, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/1991, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10783.903314/2008-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 03 31 4/ 20 08 -1 5 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10783.903314/200815 Resolução nº 3801000.506 S3TE01 Fl. 425 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, transmitida em 04/11/2004, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente em 14/11/2003, a título de PIS, atinente ao período de apuração 10/2003, com débito do IRPJ Estimativa – fls.08. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DERATRio de JaneiroRJ, não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada ingressou, em 17/09/2008, com manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que a não existência de crédito na data da homologação foi motivada pela falta de retificação da DCTF e DACON e conseqüentemente não sobrando saldo para a devida compensação. Com a retificação das mencionadas declarações o crédito foi regularizado, ficando assim, comprovada a existência do saldo para a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), às fls. 213/215, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 220 a 225, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da impugnação, alegando, em síntese, que Fl. 425DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10783.903314/200815 Resolução nº 3801000.506 S3TE01 Fl. 426 3 · após o fechamento e entrega da DIPJ 2004 e percebendo o PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR no montante de R$ 944,38 de PIS (6912), competência OUT/2003, intentou a devida e justa COMPENSAÇÃO do crédito com DÉBITOS da mesma natureza; · após ser notificada do teor do DESPACHO DECISÓRIO que não homologou as compensações, verificando que as informações lançadas e transmitidas na DCTF Original não estavam de acordo com a correta apuração e recolhimento procedeu à devida RETIFICAÇÃO da informação, conforme DCTF 2.1 (retificadora); · a DCTF retificadora tem o mesmo valor e efeito da original, inclusive a substituindo integralmente e pode ser retificada a qualquer tempo DESDE QUE os débitos não tenham sido enviados para inscrição em Dívida Ativa ou objeto de auto de infração. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10783.903314/200815 Resolução nº 3801000.506 S3TE01 Fl. 427 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para o PIS, referente ao mês de outubro/2003, que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da DCTF do 4° trimestre/03, em 01/09/2008 e da DACON do 4° trimestre/03, em 08/09/2008. Compulsando os autos, para embasar seu direito, verificamos que a recorrente anexou ao recurso cópia da DCTF do 4° trimestre/03 e da DACON do 4° trimestre/03, retificadoras, DARF e cópia da DIPJ do Ano Calendário 2003. Segundo consta, houve um pagamento a maior de PIS, período de apuração de outubro/2003, recolhido em 14/11/2003, no montante de R$ 2.515,65, conforme cópia de DARF à fl. 260, quando o valor devido seria de R$ 1.571,93, gerando um crédito de R$ 943,72. O valor efetivamente devido e apurado da Contribuição para o PIS teria sido declarado na DIPJ/04, Ano Calendário 2003, transmitida em 01/02/2007, conforme consta na Ficha 21, à fl. 349. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. O entendimento predominante deste Conselho é no sentido da prevalência da verdade material, devendo ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios. Neste sentido, os dados da DCTF retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da contribuição para o PIS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: Fl. 427DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10783.903314/200815 Resolução nº 3801000.506 S3TE01 Fl. 428 5 a) apure o valor devido a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), período de apuração de outubro/2003, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil; c) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 428DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 18471.000469/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE PERÍCIA - DESCABIMENTO - Descabe conceder perícia quando os quesitos formulados refiram-se a assunto de domínio técnico dos julgadores.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ DESPESAS COM SERVIÇOS PRESTADOS POR COLIGADAS DO EXTERIOR - São indedutíveis as despesas relativas a serviços prestados por coligadas no exterior, cujas faturas apresentadas não sejam perfeitamente compatíveis com os contratos de câmbio por meio dos quais teriam sido feitos os pagamentos delas, bem como para as quais não foram apresentadas as faturas e/ou os contratos de câmbio correspondentes.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL - Se a infração de que é acusada a contribuinte influencia de igual forma a base de cálculo de ambas as exações, a solução dada ao litígio relativo ao IRPJ aplica-se à CSLL.
Numero da decisão: 1301-001.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade, INDEFERIR a perícia e DAR provimento PARCIAL ao Recurso interposto para, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator: (i) além do montante cancelado pela decisão de primeira instância, reduzir da matéria tributável correspondente à glosa de custos/despesas no montante de R$ 127.838,29; (ii) reduzir a adição a título de ajuste relativo a preço de transferência ao montante total de R$ 18.140,09 (R$7.909,32 reduzidos em primeira instância e R$ 10.230,77 neste julgamento).
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues de Lima
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PEDIDO DE PERÍCIA DESCABIMENTO Descabe conceder perícia quando os quesitos formulados refiramse a assunto de domínio técnico dos julgadores. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ DESPESAS COM SERVIÇOS PRESTADOS POR COLIGADAS DO EXTERIOR São indedutíveis as despesas relativas a serviços prestados por coligadas no exterior, cujas faturas apresentadas não sejam perfeitamente compatíveis com os contratos de câmbio por meio dos quais teriam sido feitos os pagamentos delas, bem como para as quais não foram apresentadas as faturas e/ou os contratos de câmbio correspondentes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Se a infração de que é acusada a contribuinte influencia de igual forma a base de cálculo de ambas as exações, a solução dada ao litígio relativo ao IRPJ aplicase à CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade, INDEFERIR a perícia e DAR provimento PARCIAL ao Recurso interposto para, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator: (i) além do montante cancelado pela decisão de primeira instância, reduzir da matéria tributável correspondente à glosa de custos/despesas no montante de R$ 127.838,29; (ii) reduzir a adição a título de ajuste relativo a preço de transferência ao montante total de R$ 18.140,09 (R$7.909,32 reduzidos em primeira instância e R$ 10.230,77 neste julgamento). (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues de Lima AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 04 69 /2 00 7- 42 Fl. 2152DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000469/200742 Acórdão n.º 1301001.201 S1C3T1 Fl. 3 2 Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de autos de infração lavrado contra a contribuinte Det Norske Veritas Ltda., com lançamentos de Imposto de Renda Pessoas Jurídicas (IRPJ) e, por via reflexa, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSSL), ambos relativamente ao ano calendário de 2002, exercício de 2003, bem ainda de multa isolada.. O lançamento do IRPJ, tido como principal, indica cinco infrações: Infração 001 Glosa total da dedutibilidade de despesas ou custos incorridos pela aquisição de serviços ou direitos de empresas estrangeiras vinculadas. Segundo o autuante, intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a dedutibilidade dos lançamentos acima (fls. 215 e 223/224), a interessada limitouse a apresentar (fl. 225) apenas documentos internos de cobrança de suas coligadas, em idioma inglês, deixando, portanto, de comprovar com documentação hábil, a natureza, a necessidade e a efetividade da contraprestação dos serviços. Infração 002 Glosa da dedutibilidade de despesas com variação monetária passiva oriunda de contratos de mútuo firmados em moeda estrangeira; Infração 003 Adição ao lucro líquido de parcela das despesas e custos com a aquisição de serviços ou direitos de empresas estrangeiras vinculadas (os mesmos mencionados na Infração 001), em razão da aplicação das regras de preços de transferência; Infração 004 Exigência de tributos apurados na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica; Infração 005 Aplicação de penalidade pela falta de recolhimento das antecipações do IRPJ, calculados sobre base de cálculo estimada. A autuada reconheceu a procedência da cobrança dos tributos relacionados às infrações 002 e 003, assim como de uma parte dos valores apurados pela autoridade fiscal nas infrações 004 e 005. Quanto a estas últimas, entendeu que houve um excesso da autoridade fiscal na valoração, tanto do imposto de renda devido a título de estimativas devidas ao longo do ano de 2002, como também do imposto apurado no encerramento do mesmo exercício, na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e recolheu a parcela do imposto de renda e das multas isoladas que considerou corretamente lançadas. Fl. 2153DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000469/200742 Acórdão n.º 1301001.201 S1C3T1 Fl. 4 3 Na impugnação tempestivamente apresentada a interessada alegou (i) a improcedência do lançamento do IRPJ e da CSLL, apurados na infração 001, descrita no item 4 retro e (ii) o excesso cometido pela autoridade fiscal ao proceder ao cálculo do imposto de renda devido pela Recorrente a título de antecipações calculadas em bases estimadas (infração 005 e também na apuração do imposto devido no encerramento do exercício de 2002 (infração 004). Requereu, também, prova pericial. Foi determinada diligência a pedido do Relator, a fim de reunir os elementos necessários à sua convicção. O Termo de Conclusão da Diligência e Intimação consta às fls. 466/479, e às fls. 492/495 a interessada aditou a impugnação inicial. A prova pericial foi indeferida pelo julgador, que argumentou que a perícia só se justifica nos casos em que os julgadores não detenham conhecimento técnico a respeito do tema sujeito à perícia, o que não seria o caso dos autos. Quanto ao mais, a 9ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro acompanhou, por unanimidade, o voto do Relator, que assim apreciou as matérias: Infração 001 – Glosa de custos/despesas Inicialmente, o relator enfrentou a alegação da interessada, de que o lançamento correspondente a essa infração seria improcedente porque os mesmos pagamentos que foram glosados integralmente na Infração 001 ensejaram, mais adiante, na Infração 003, a adição ao lucro de parte dessas mesmas despesas (valor que excedeu o custo parâmetro calculado com base nas regras de preço de transferência). Essa alegação foi rejeitada pelo julgador, que explicou que o comportamento equivocado do autuante (que glosou integralmente a despesa de R$ 2.573.981,00 na infração 001 e adicionou ao Lucro Líquido o valor de R$ 102.528,44 na infração 003) não ensejaria o cancelamento total da glosa, mas apenas a improcedência parcial do lançamento, por ter aumentado indevidamente o lucro real em R$ R$ 102.528,44. Quanto às despesas glosadas, ressaltou que constou do Termo de Constatação que "a empresa não comprovou, com documentação hábil e idônea, os valores escriturados em sua contabilidade como importação de serviços e outras despesas pagas a empresa vinculadas no exterior e deduzidas”, ou seja, o autuante afirma que as despesas foram escrituradas contabilidade da empresa. Em seguida, passou a analisar a documentação relativa às despesas glosadas, desmembradas segundo sua natureza, considerando parcialmente justificadas as deduções, conforme quadro resumo a seguir: Auto de infração (despesas glosadas) Voto glosas mantidas Voto Glosas afastadas Contratação de Cursos de Treinamento de Técnicos 329.973,79 180.134,82 149.838,97 Contratação (e subcontratação) de Serviços de Certificação 319.321,56 306.999,14 12.322,42 Contratação (e subcontratação) de Serviços Técnicos 1.062.621,62 1.045.494,43 17.127,19 8Aquisição de Licenças para uso de Softwares (pacote Microsoft) 851.504,08 751.989,64 99.605,44 Aquisição de Material Impresso (calendários) 10.559,96 10.559,96 0,00 TOTAL 2.573.981,01 2.295.086,99 278.894,02 Fl. 2154DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000469/200742 Acórdão n.º 1301001.201 S1C3T1 Fl. 5 4 Infração 003 Preço de Transferência Ponderou o Relator que, se fosse mantida integralmente a glosa das despesas de R$ 2.573.981,01, deverseia considerar improcedente a Infração 003, diminuindo o Lucro Real apurado pelo Autuante de R$ 102.528,44, que é o valor do ajuste apurado nas tabelas de preços de transferência de fls. 234/254. Todavia, por ter considerado dedutível a parcela de despesas no valor de R$ 278.894,02, para manter coerência, manteve a adição de R$ 7.909,32 e não de R$ 102.528,44, observando que a Interessada havia concordado com a adição de R$ 102.528,44, na suposição de que é dedutível a despesa de RS 2.573.981,00. Infração 004 Apuração incorreta do imposto na Declaração. Considerando que a interessada comprovou, com a impugnação, que o valor das retenções na fonte efetuadas por seus clientes foi de R$ 183.919,34, aceitou como certo esse valor, e que a correta apuração do Imposto de Renda a Pagar resulta em T% 577,75, e não R$ 86.876,86. Infração 005 Multa isolada por falta de recolhimento de estimativas IRPJ. Considerar como corretas as multas isoladas apuradas pelo contribuinte, relativas a maio de 2002, junho de 2002 e setembro de 2002, nos valores, respectivamente, de R$ 28.850,63, 112.202,30 e R$ 12.902,53. Afinal, a impugnação do contribuinte foi julgada procedente em parte, nos termos do voto do Relator, resumido nas tabelas abaixo: IRPJ: Anocalendário 2002 Auto de Infração Voto Infração 001: valor tributável 2.573.981,01 2.295.086,99 Infração 003: 102.528,44 7.909,32 Infr. 001 + Infr. 003 2.676.509,45 2.302.996,31 IRPJ (15%) + Adic. (10%) 669.127,36 575.749,08 Infração 004: IRPJ 86.976,86 577,57 Imposto total devido 756.004,22 576.326,65 Multa Isolada IRPJ: anocalendário 2002 Auto de Infração Voto Maio 68.634,06 28.850,63 Junho 119.658,91 112.202,00 Julho 5.627,58 0,00 Setembrp 45.964,12 12.902,53 Total 239.885,67 153.955,46 CSLL: Anocalendário 2002 Auto de Infração Voto Infração 001: valor tributável 2.573.981,01 2.295.086,99 Fl. 2155DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000469/200742 Acórdão n.º 1301001.201 S1C3T1 Fl. 6 5 CSLL (8%) 205.918,48 183.606,96 CSLL (adicional de 1 %) 0 25.739,81 22.950,87 CSLL devida 756.004,22 206.557,83 Ciente da decisão em 22 de agosto de 2011, a interessada ingressou com recurso em 21 de setembro. Inicialmente, alega necessidade de dilação probatória pericial, sob pena de nulidade do processo. Alega que, “ se para o Sr. Relator de 1ª instância a perícia é desnecessária, para a Recorrente ela é, ao contráro, manifestamente relevante, pois que, através dela, ambas as partes, por seus assistentes técnicos, terão oportunidade de apurar, técnica e documentalmente, os fatos alegados na defesa, necessários à perfeita caracterização do eventual crédito tributário, nos exatos termos da legislação de regência, sem ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório, insculpidos no já citado art. 5o, inciso LV, da Constituição Federal de 1988.”. No mérito, reedita sua alegação de improcedência da exigência relativa à infração 001 devido à sua contradição com relação à exigência relativa à infração 003. Argumenta que, na medida em que a autoridade fiscal reconheceu que não poderia ter sido deduzida do lucro líquido apurado pela Recorrente no ano de 2002 a integralidade dos valores pagos às empresas estrangeiras vinculadas pela aquisição de serviços e direitos, e exigiu que ela procedesse à adição ao lucro do valor que excedeu o custo parâmetro calculado com base nas regras de preço de transferência, ela inequivocamente reconheceu a dedutibilidade parcial desses pagamentos feitos ao exterior. Insiste em que “ se o fiscal entendeu que a Recorrente deixou de adicionar ao lucro líquido, para apuração do lucro real, os valores que excederam o custo parâmetro calculado com base no preço de transferência sobre a integralidade dos valores pagos às empresas estrangeiras a ela vinculadas, ele, na verdade, reconheceu que os valores tratados no item 001 do auto de infração são, então, integralmente dedutíveis.” Diz que a fiscalização não pode ter dois entendimentos conflitantes sobre o mesmo ponto, e que a decisão recorrida não entendeu a lógica desse raciocínio. Em seguida, esmiúça a análise feita pela decisão recorrida quanto à dedutibilidade das despesas. Diz que o critério utilizado pela decisão na apreciação foi (i) se a fatura e o contrato de câmbio a ela relativa estão nos autos e (ii) se o valor do deste é maior ou igual ao somatório das faturas a ele vinculadas. A seguir passa a apontar, caso a caso, as razões pelas quais entende devem ser dedutíveis as despesas. Sobre esse tópico, “pede vênia a este e. Conselho de Contribuintes para, novamente, anexar aos autos o contrato de câmbio n°. 02/069330, confiando em que ajuntada do mesmo será suficiente para cancelar essa parte da autuação (Doc. 02). Aproveita, ainda, para informar que o contrato de câmbio mencionado neste item do recurso já se encontra anexado aos autos do presente processo administrativo. Sobre a Infração 003, destaca que o valor do lançamento a ela relativo foi transferido para o processo administrativo de parcelamento em seu montante inicialmente lançado (valor a ser adicionado de R$ 102.528,44). Por isso, postula que “decisão deverá ser Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000469/200742 Acórdão n.º 1301001.201 S1C3T1 Fl. 7 6 reformada a fim de que seja determinada a devida aplicação, naquele citado processo administrativo de parcelamento, quando do julgamento final no presente processo, do efetivo valor da adição a ser enfim aplicado, para que seja apurado, portanto, o valor indevidamente já pago pela Recorrente, a ser a ela restituído.” Aduz que há necessidade de reforma da decisão também para o fim de ser “ excluído do cálculo do IRPJ devido, por ela promovido, (i) o valor exigido relativamente à infração 003, o qual foi transferido para processo administrativo de parcelamento n° 10768.002729/200787 e (ii) o valor referente à exigência relativa à infração 004 (R$ 577,57) cujo comprovante de recolhimento foi juntado no Doc. 03 da impugnação.” Sobre a multa isolada, diz que “foi mantida nessa infração a multa isolada no valor de R$ 153.955,46, da qual deveriam ser excluídos os valores cujo pagamento foi demonstrado no Doc. 03 da impugnação (R$ 76.977,72), o que resultaria no saldo remanescente de apenas R$ 76.977,74 e não de R$ 107.768,82, como cobrado no DARF encaminhado junto à decisão recorrida. Deve ser esta cobrança, portanto, igualmente retificada, para excluir, corretamente, os valores já recolhidos pela Recorrente.” Requer: (a) seja deferida a baixa dos autos do presente processo em diligência, para que seja realizada a perícia solicitada, especialmente com relação à exigência parcialmente mantida relativa à Infração 001, a qual reforçará os argumentos expostos nas peças de defesa; e, afinal, (b) seja dado provimento ao presente recurso, para reformar a decisão recorrida e, com isso: (i) cancelar a exigência relativa à Infração 001, tendo em vista a comprovação da dedutibilidade das despesas a ela relacionadas; (ii) determinar seja informado, nos autos do processo administrativo de parcelamento n° 10768.002729/200787, ao final do julgamento do presente processo, o efetivo valor da adição a ser promovida relativamente à Infração 003, a fim que seja nele apurado o valor indevidamente já pago pela Recorrente a ser a ela restituído, (iii) excluir do valor do IRPJ calculado como sendo finalmente devido aqueles valores transferidos para o processo de parcelamento (especialmente o valor da adição relativa à Infração 003, bem como o valor de R$ 577,57 já recolhido; e, finalmente, (iv) determinar seja efetuado novo cálculo da multa isolada relativa à Infração 005 de modo a contemplar os valores já pagos pela Recorrente, que totalizam o montante de R$ 76.977,72. É o relatório. Voto Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000469/200742 Acórdão n.º 1301001.201 S1C3T1 Fl. 8 7 Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Recurso tempestivo. Dele conheço. Preliminarmente, indefiro a solicitação de perícia, uma vez que os quesitos formulados não a justificam. De fato, não reclama intervenção de conhecimento técnico que não seja do domínio do julgador questões tais como: (i) identificar se as despesas que geraram o lançamento de ajuste relativo aos preços parâmetro de importação são as mesmas que deram origem ao lançamento da infração 001; (ii) identificar se os fatos econômicofinanceiros que respaldaram o incorrimento de despesas deduzidas encontramse registradas nos livros e documentos contábeisfiscais, identificar a natureza e origem dos documentos e registros, que lastreiam a resposta, se estão condizentes com os lançamentos, etc.. A resposta a questões dessa natureza, o julgador alcança a partir da documentação trazida, e se dúvidas permanecerem, converte o julgamento em diligência. Não procede, pois, a alegação de nulidade por cerceamento de defesa com base no indeferimento da perícia. Passo ao mérito. O litígio tem como foco principal a glosa de despesas ou custos incorridos na aquisição de serviços ou direitos de empresas estrangeiras vinculadas. A análise a ser feita quanto à glosa (infração 001) aplicase, de igual forma, aos lançamentos de IRPJ e CSLL. Tal como assentou o julgado a quo, não vislumbro, no auto de infração, o reconhecimento implícito, por parte da autoridade fiscal, de que os custos/despesas glosados são dedutíveis. O fato de os mesmos dispêndios (custos/despesas) cujos beneficiários são pessoas vinculadas terem sido glosados e terem gerado adição em decorrência de inobservância das regras de preços de transferência internacional traduz erro no lançamento, a ser revisto no curso do processo administrativo (revisão interna do ato de lançamento), mas não significa reconhecimento da dedutibilidade integral das despesas. Na sua impugnação a interessada reordenou as despesas/custos glosados, que o autuante agrupara por beneficiário, fazendoo por natureza do pagamento efetuado, de modo a facilitar a compreensão de que se trata de despesas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades, anexando os documentos para sua comprovação, que intitula de doc. 5, 6, 7, 8 e 9, como a seguir: Natureza do pagamento Valor (R$) Docs. Contratação de Cursos e Treinamentos Técnicos 329.973,79 5 Contratação (e subcontratação) de Serviços de Certificação 319.321,56 6 Contratação (e subcontratação) de Serviços Técnicos 1.062.621,62 7 Aquisição de Licenças de uso de Softwares (pacote Microsoft) 851.504,08 8 Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000469/200742 Acórdão n.º 1301001.201 S1C3T1 Fl. 9 8 Aquisição de Material Impresso 10.559,99 9 Total 2.573.981,01 O julgador a quo analisou as explicações e documentos juntados com a impugnação, determinou diligência para apuração de inconsistências nas explicações/documentos, reanalisou o conjunto após o retorno da diligência e elaborou planilhas (fls. 558 a 561), nas quais assinala as faturas e contratos de câmbio que conseguiu identificar nos autos. A partir dessas tabelas, selecionou as despesas que entendeu dedutíveis. O critério por ele utilizado para acatar a dedutibilidade foi: (i) se constam dos autos a fatura relativa à despesa e o contrato de câmbio correspondente, e (ii) se o valor deste é maior ou igual ao somatório do valor de todas as faturas a ele vinculado. As faturas canceladas foram consideradas indedutíveis, por não ter sido trazida a comprovação de que seu valor foi oferecido à tributação quando do cancelamento. Com o recurso, a interessada, levando em conta os critérios explicitados pelo Relator, diz ter conferido, um a um, os valores dos contratos de câmbio, com o intuito de verificar se a soma dos valores neles indicados era igual ou superior ao somatório dos valores de todas as faturas a eles vinculados, e apresenta suas constatações para pedir a reforma do julgado. Inicialmente, manifestome sobre o critério adotado pelo julgador a quo para considerar as despesas dedutíveis. A autoridade fiscal glosou integralmente os valores escriturados na contabilidade da ora Recorrente como importação de serviços e outras despesas pagas a empresas vinculadas no exterior, acusandoa de não ter comprovado, com documentação hábil a natureza, a necessidade e a efetividade da contraprestação dos serviços, uma vez que teria se limitado a apresentar apenas documentos internos de cobrança de suas coligadas, em inglês. O julgador a quo analisou a natureza dos gastos, considerandoos normais e necessários à atividade da empresa e, portanto, em tese dedutíveis, desde que comprovados, exceto quanto a um item, referente a brindes, cuja dedução tem vedação expressa na legislação tributária. Sobre a comprovação, assentou que o fato de tratarse de invoices internas não desqualifica os documentos, e que constam dos autos tradução juramentada de todos os documentos juntados. Considerou que estaria comprovada a efetividade das despesas contabilizadas desde que constantes dos autos a fatura e o respectivo contrato de câmbio, bem como que houvesse compatibilidade entre esses documentos, isto é, que o valor do contrato de câmbio relacionado fosse igual ou superior ao somatório das faturas a ele vinculadas. Considero irreparável o critério adotado na apreciação da questão, não havendo como considerar comprovada a efetividade de um dispêndio sem o atendimento cumulativo dessas condições. Assim, se o contrato de câmbio não é suficiente para acobertar todas as faturas a ele vinculadas, resta incompleto o conjunto probatório relacionado a todas elas. Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000469/200742 Acórdão n.º 1301001.201 S1C3T1 Fl. 10 9 Antes de passar à análise dos pontos específicos levantados pela recorrente, ressalto que, como ela própria registra no item 49 do recurso, os critérios utilizados pelo julgador para considerar dedutível o valor da despesa foram: (i) se a fatura e o contrato de câmbio a ela relativa se encontram nos autos e (ii) se o valor deste é maior ou igual ao somatório do valor de todas as faturas a ele vinculado. Dessa forma, para se contrapor à indedutibilidade, não basta demonstrar que o valor do contrato de câmbio é maior ou igual ao somatório do valor das faturas a ele vinculadas, mas também, que a fatura e o contrato de câmbio se encontram nos autos. As despesas relacionadas à contratação de cursos e treinamentos técnicos (R$ 329.973,79) compõem a tabela de fls. 558 elaborada pelo julgador, e para ela foram apresentados os documentos Doc. 5, fls. 60 a 198 do Anexo I, 02 a 41 do Anexo II e 358 a 373 do Volume II . Delas, o julgador considerou dedutíveis as seguintes despesas: Fatura Interna Contrato de Câmbio Despesa Dedutível (R$) 261005372 03/007755 33.471,08 6282929 38765 594,60 6283498 38765 2.378,40 6283631 38765 4.756,80 6283691 38765 1.189,20 6283834 38765 4.756,80 6284205 38765 991,00 6314507 03/007744 4.507,20 6286576 03/007744 1.015,00 6286577 03/007744 1.015,00 6286731 03/007744 6.090,00 6350273 03/007744 1.434,60 6350344 03/007744 5.738,40 6349997 03/007744 4.303,80 6286538 32167 14.351,50 6289054 32167 7.677,00 6314393 32167 1.074,78 Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000469/200742 Acórdão n.º 1301001.201 S1C3T1 Fl. 11 10 6314525 32167 5.759,20 6314902 32167 1.051,68 6348306 32167 7.512,00 220230098 03/020325 21.870,24 215031514 03/027191 851,87 141548377 03/007753 14.993,71 801362697 03/007756 2.455,11 TOTAL 149.838,97 Alega a Recorrente que, da conferência realizada, constatou o seguinte: a) O contrato de câmbio n° 02/069330 totalizou o valor de R$ 88.202,71, suficientes para realizar as despesas relativas às faturas 6197217 (R$ 2.592,00), 6197218 (R$ 2.592,00), 6197267 (R$ 2.592,00), 6205811(R$ 3.952,70) e 6248356 (R$ 525,20), 62815171 (R$ 2.004,52), 62495072 (R$ 1.467,44), 62000513 (R$ 60.434,69); 6203 1 824 (R$ 2.735,63), 62468055 (R$ 2.757,30), 62491636 (R$ 2.963,10), 62517057 (R$ 4.424,63), 6252639® (R$ 2.328,75), 62000269 (R$ 51.532,00), 62468031 0 ( R$ 3.676,40), 61999301 1 (R$ 514,29), 61999391 (R$ 385,72), 61999441 3 (R$ 6.445,63), 61999451 (1.607,16), 61999471 (1.285,73), 61999481 (321,43) e 6282289 (R$ 565,19). O valor das faturas totaliza o montante de R$ 47.286,71. b) O contrato de câmbio n° 02/069378 totalizou o valor de R$ 47.254,42, suficiente para realizar as despesas relativas às faturas 6282255 (R$ 565,19) e 6282289 (R$ 565,19). O valor das faturas totaliza o montante de R$ 1.130,38; c) O contrato de câmbio n° 02/068231 totalizou o valor de R$ 77.649,68, suficiente para realizar as despesas relativas às faturas 141542677 (R$ 22.776,80), 1455427041 7 (R$ 1.505,90), 1455427021 8 (R$ 1.505,90), 1455427001 9 (R$ 18.698,31), 1455427062 0 (R$ 3.011,81), 1455441282 1 (R$ 5.112,68) e 2523225672 2 (R$ 19.738,18). O valor das faturas totaliza o montante de R$ 72.349,58; d) O contrato de câmbio n° 03/070264 totalizou o valor de R$ 51.726,65, suficientes para realizar as despesas relativas às faturas 415053418 (R$ 6.620,27) e 415053427 (R$ 4.965,21). O valor das faturas totaliza o montante de R$ 11.585,48; e) O contrato de câmbio n° 03/007744 totalizou o valor de R$ 33.170,00, suficientes para realizar as despesas relativas às faturas 6314507 (R$ 4.507,20), 6286576 (R$ 1.015,00 despesa respectiva reconhecida pela decisão recorrida, por isso não consta na tabela acima), 6286577 (R$ 1.015,00 despesa respectiva reconhecida pela decisão recorrida, por isso não consta na tabela acima), 6286731 (R$ 6.090,00 despesa respectiva reconhecida pela decisão recorrida, por isso não consta na tabela acima), 6350273 (R$ 1.434,60 despesa respectiva reconhecida pela decisão recorrida, por isso não consta na tabela acima), 6350344 (R$5.738,40 despesa respectiva reconhecida pela decisão recorrida, por isso não consta na Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000469/200742 Acórdão n.º 1301001.201 S1C3T1 Fl. 12 11 tabela acima), 6349997 (R$ 4.303,80 despesa respectiva reconhecida pela decisão recorrida, por isso não consta na tabela acima). O valor das faturas totaliza o montante de R$ 24.104,00; f) O contrato de câmbio n° 02/068230 totalizou o valor de R$ 109.361,69. Tal valor era suficiente para realizar as despesas relativas às faturas n°s 1025503 (R$ 43.944,07) e 215031029 (R$ 42.262,29), 6808914902 3 (R$ 11.783,69) e 20201772 (R$ 881,29). O valor das faturas totaliza o montante de R$ 98.871.34. g) O único contrato de câmbio que, de fato, o valor não cobriria a despesa a ele vinculada, é o contrato de câmbio n° 03/020358, o qual totalizou o valor de R$ 12.431.25, não suficientes para cobrir as despesas relativas à fatura 2130950, que perfazia o montante de R$ 15.814,50. Passo a analisar as alegações, em confronto com as tabelas de fls.558/561 elaboradas pelo julgador. No que tange ao contrato de câmbio n° 02/069330 (alegação “a” supra), a tabela de fls. 558 aponta que ele não foi identificado nos autos. Esse contrato foi juntado com o recurso (doc. 2, fls. 701). A Recorrente alega que ele já se encontrava nos autos, mas não comprova sua alegação (vejase que o Relator, nas tabelas de fls. 558 a 561, indica com precisão onde estão os contratos por ele identificados, o que não foi feito pela Recorrente). Contudo, mesmo considerando o contrato juntado na fase recursal, o somatório das faturas a ele vinculadas, conforme se extrai das planilhas de fls. 558 a 561, supera, em muito, o valor do contrato (R$ 88.202,71), a saber: FATURA VALOR 6197217 6197218 6197267 6205811 6248356 6282255 6282289 6281517 6249507 6200026 6200051 6203182 6246803 6246805 6249163 6251705 6256639 TOTAL 2.592,00 2.592,00 2.592,00 3.592,70 525,20 565,19 1.130,38 2.004,52 1.467,44 51.523,00 60.474,69 2.735,63 3.676,40 2.757,30 2.963.10 4.424,13 2.328,75 147.944,63 A alegação “b” supra é de que o contrato de câmbio n° 02/069378, que totalizou o valor de R$ 47.254,42, é suficiente para realizar as despesas relativas às faturas 6282255 (R$ 565,19) e 6282289 (R$565,19). Contudo, na planilha de fls. 558 essas faturas encontramse vinculadas ao contrato 02/069330, como a seguir: Fl. 2162DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000469/200742 Acórdão n.º 1301001.201 S1C3T1 Fl. 13 12 Fatura Contrato de Câmbio Valor 6248356 6282255 6282289 02/069330 02/069330 02/069330 525,20 565,19 1.130,38 Os contratos de câmbio n° 02/068231 (alegação “c”) e n° 03/070264 (alegação “d”) constam da tabela de fls. 558 como não identificados nos autos. O contrato de câmbio n° 03/007744 (alegação “e”), cujo valor, segundo a Recorrente, totaliza de R$ 33.170,00, encontrase vinculado às seguintes faturas: Fatura Valor 6314503 6314507 6286576 6286577 6286731 6350273 6350344 6349997 4.507,20 4.507,20 1.015,00 1.015,00 6.090,00 1.434,60 5.738,40 4.303,80 28.611,20 Das faturas acima relacionadas, a única cuja dedução não foi aceita é a de nº 6314503. O contrato de câmbio se encontra às fls.16/18 do Anexo II e o somatório das faturas é inferior ao valor do contrato. Contudo, para o pagamento referente à fatura 6314503 (R$ 4.507,20) a planilha de fls. 558, assinala não estar identificado o fornecedor, o assunto da fatura e a área de negócio, indicando que a fatura não se encontra nos autos. O contrato de câmbio n° 02/068230 (alegação “f”) é, realmente, suficiente para cobrir o somatório das faturas a ele vinculadas (n°s 1025503, 215031029, 680891490 e 2020177. Portanto devem ser canceladas as glosa relativas às faturas n°s 1025503 e 215031029 (R$ 43.944,07 + R$ 42.262,29 = R$ 86.570,36). As despesas incorridas relacionadas à contratação (ou subcontratação) de serviços de certificação (R$ 319.321,56) compõem a tabela de fls. 559 elaborada pelo julgador, e para ela foram apresentados os documentos Doc. 6, fls. 43/197 do Anexo II, fls.02 a 90 do Anexo III e 375 a 383 do Volume III. Delas, o julgador considerou dedutíveis as seguintes despesas: Fatura Interna Contrato de Câmbio Despesa Dedutível (R$) 701024027 02/018274 3.013,14 145546054 31716 7.189,96 Fl. 2163DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000469/200742 Acórdão n.º 1301001.201 S1C3T1 Fl. 14 13 145546199 31716 2.119,32 Total 12.322,42 Particularmente os casos de serviços prestados pela DNV, Holanda, com faturamento em Euro, e o contrato de câmbio vinculado (02/018274) em Libras Esterlinas, sendo o recebedor no exterior do Reino Unido, o julgador considerou as despesas indedutíveis por falta da devida fundamentação a respeito. A Recorrente nada trouxe para explicar essa inconsistência (prestador de serviços na Holanda, faturamento em euros, contrato de câmbio em libras esterlinas, recebedor no Reino Unido). Alega a Recorrente que, da conferência realizada, constatou o seguinte: a.1) O contrato de câmbio n° 02/068228 totalizou o valor de R$ 4.731,56, suficientes para realizar as despesas relativas às faturas 6006237 (R$ 1.862,78), 6006432 (R$ 1.862,78) e 6006478 (R$ 94,20). O valor das faturas totaliza o montante de R$ 3.819.76; b.1) O contrato de câmbio n° 02/068231, totalizou o valor de R$ 77.649,68. suficientes para realizar as despesas relativas às faturas 145542704 (R$ 1.505,90), 145542702 (R$ 1.505,90), 145542700 (R$ 18.698,31), 145542706 (R$ 3.011,81), 145544128 (R$ 5.112,68) e 2523225Ó725(R$ 19.738,18). O valor das faturas totaliza o montante de R$ 49.572,78; c.1) O contrato de câmbio n° 02/084755, totalizou o valor de R$ 32.234,40, suficientes para realizar as despesas relativas às faturas 145545073 (R$ 7.450,76), 141544384 (R$ 9.298,50), 145545185 (R$ 1.910,46), 145545075 (R$ 2.273,46), 145545818 (R$ 13.640,76). O valor das faturas totaliza o montante de R$ 12.156,02; d.1) Os précontratos de câmbio, emitidos pelo Banco Citibank, em 25/07/2002, foram anexados aos autos, em resposta ao termo de conclusão de diligência e intimação recebido em 24 de setembro de 2010. Tais contratos totalizam o montante de R$ 53.509.14 e são suficientes para" acobertar as despesas relativas a parte da fatura 601900377, que totalizava o montante de R$ 26.269,15, e à totalidade das faturas n°s 624725726 (R$ 6.343,44), 624725827 (R$ 11.669,61), 624725828 (R$ 921,01) e 62490302 9 (R$ 9.412,52), as quais totalizaram, por sua vez, o valor de R$ 28.346.58. e.1) O précontrato de câmbio, emitido pelo Banco Citibank, em 17/03/2003, foi anexado aos autos, em resposta ao termo de conclusão de diligência e intimação recebido em 24 de setembro de 2010. Tal contrato totaliza o montante de R$ 53.901,86 e é suficiente para acobertar as despesas relativas às faturas 215534887 (R$ 460,44) e 215534762 (R$ 24.312,75), as quais, por sua vez, totalizam o montante de R$ 24.773,19; Quanto à alegação “a.1”, assiste razão à Recorrente. Não tendo sido indicado um motivo específico para a manutenção da glosa, e considerando que o contrato de câmbio é suficiente para acobertar as faturas a ele vinculadas, deve ser mantida a dedução das faturas 6006237 (R$ 1.862,78), 6006432 (R$ 1.862,78) e 6006478 (R$ 94,20), totalizando o montante de R$ 3.819.76; Os contratos de câmbio n° 02/068231 e nº 02/084755 (alegações b.1 e c.1), conforme assinalado nas tabelas de fls. 559/561, não se encontram nos autos. Fl. 2164DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000469/200742 Acórdão n.º 1301001.201 S1C3T1 Fl. 15 14 Quanto à alegação d.1, as faturas indicadas vinculadas pelo aos précontratos de câmbio emitidos pelo Banco Citibank em 25/07/2002, conforme indicado pela Recorrente, somam R$ 54.615,74, ultrapassando o valor dos précontratos, não se prestando á comprovação. No que tange à alegação e.1, assiste razão à Recorrente, devendo ser cancelada a glosa relativa às faturas 215534887 (R$ 460,44) e 215534762 (R$ 24.312,75), que totalizam o montante de R$ 24.773,19. As despesas com contratação (ou subcontratação) de serviços de técnicos (R$ 1.062.621,62) compõem a tabela de fls. 560 elaborada pelo julgador, e para ela foram apresentados os documentos Doc. 7, fls. 56/82 do Anexo IV, e fls.480/487 e 496/556. Delas, o julgador considerou dedutíveis as seguintes despesas: Fatura Interna Contrato de Câmbio Despesa Dedutível (R$) 2020294 02/005758 140,48 1202496 sem n° 1.972,49 1202497 sem n° 321,08 2207772 sem n° 2.348,71 2208144 sem n° 2.732,91 6203364 03/001463 5.549,60 6348852 03/001465 4.061,92 Total 17.127,19 Alega a Recorrente que, da conferência realizada, constatou o seguinte: a.2) O contrato de câmbio n° 02/068230 totalizou o valor de R$ 109.361,69. Tal valor era suficiente para realizar as despesas relativas às faturas n°s 10255033 0 (R$ 43.944,07), 21503 1 0293 1 (R$ 42.262,29), 680891490 (R$ 11.783,69) e 2020177 (R$ 881,29). O valor das faturas totaliza o montante de R$ 98.871,34. o contrato de câmbio n° 02/069330 totalizou o valor de R$ 88.202,71, suficientes para realizar as despesas relativas às faturas 61972173 2 (R$ 2.592,00), 61972183 3 (R$ 2.592,00), 61972673 4 (R$ 2.592,00), 62058113 5 (R$ 3.952,70), 62483563 0 (R$ 525,20), 6281517 (R$ 2.004,52), 6249507 (R$ 1.467,44), 6200051 (R$ 60.434,69); 6203182 (R$ 2.735,63), 6246805 (R$ 2.757,30), 6249163 (R$ 2.963,10), 6251705 (R$ 4.424,63), 6252639 (R$ 2.328,75), 6200026 ( R$ 51.532,00), 6246803 ( R$ 3.676,40), 61999303 7 (R$ 514,29), 61999393 8 (R$ 385,72), 61999443 9 (R$ 6.445,63), 61999454 0 (R$ 1607,16), 61999474 1 (R$ 1.285,73), 61999484 2 (R$ 321,43), Ó28228943 (R$ 565,19). O valor das faturas totaliza o montante de R$ 47.286,71. b.2) Os précontratos de câmbio, emitido pelo Banco Citibank, em 25/07/2002, foram anexados aos autos, em resposta ao termo de conclusão de diligência e intimação recebido em 24 de setembro de 2010. Tais contratos totalizam o montante de R$ 53.509,14 e são suficientes para acobertar as despesas relativas às faturas n°s 6247257 (R$ Fl. 2165DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000469/200742 Acórdão n.º 1301001.201 S1C3T1 Fl. 16 15 6.343,44), 6247258 (R$ 11.669,61), 6247258 (R$ 921,01) e 6249030 (R$ 9.412,52), as quais totalizaram o valor de R$ 28.346,58, e parte da fatura 6019003774(igualmente relativa a e mencionada no item "D"), que totalizava o montante de R$ 26.269.15. c.2) O contrato de câmbio n° 02/068231, totalizou o valor de R$ 77.649,68, suficiente para realizar as despesas relativas às faturas 1455427044 5 (R$ 1.505,90), 1455427024 6 (R$ 1.505,90), 1455427004 7 (R$ 18.698,31), 1455427064 8 (R$ 3.011,81), 1455441284 9 (R$ 5.112,68) e 252322567 (R$ 19.738,18). A alegação a.2 foi objeto de análise no item referente a treinamentos e cursos (alegação “f”), tendose verificado que o contrato de câmbio 02/069230 é suficiente para acobertar todas as faturas a ele vinculadas, o que resulta que deve ser cancelada a glosa relativa às faturas 680891490 (R$ 11.783,69) e 2020177 (R$ 891,29), totalizando R$ 12.674,98. Para a alegação b.2, conforme assentado na análise da alegação d.1, o somatório das faturas indicadas ultrapassa o valor dos précontratos de câmbio a que se vinculam, não se completando a prova reclamada.. As despesas com aquisição de licenças de uso de softwares, sem transferência de tecnologia (R$ 851.504,08) compõem a tabela de fls. 561 elaborada pelo julgador, e para ela foram apresentados os documentos Doc. 8, fls. 84/119 do Anexo IV, e Volume III, fls.422/424. Delas, o julgador considerou dedutíveis as seguintes despesas: Fatura Interna Contrato de Câmbio Despesa Dedutível (R$) 801362741 02/036312 31.329,97 6121652 02/069379 68.275,47 Total 99.605,44 Alega a Recorrente que, da conferência realizada, constatou o seguinte: a.3) O contrato de câmbio n° 42918 totalizou o valor de R$ 179.640.94. o qual foi suficiente para liquidar as despesas relativas à fatura 6348009 que perfazia o montante de R$ 164.276.92. A planilha elaborada pelo julgador a quo para apoiar a decisão indica que esse contrato não se encontra nos autos Quanto às despesas com aquisição de material impresso – calendários – (R$ 10.559.06), são elas integralmente indedutíveis, por representarem despesas com brindes, cuja indedutibilidade está expressamente prevista no inciso VII do art. 13da Lei nº 9.249/95. Portanto, irrelevante qualquer prova trazida aos autos para provar a efetividade das despesas. Quanto à Infração 003 (não impugnada), devese ter em mente que o ajuste relacionado com o controle de “preço de transferência” objetiva limitar o valor deduzido, para evitar a transferência de lucros para pessoas ligadas, no exterior, sob forma de custo ou despesa. Assim, o ajuste só é cabível em relação às despesas/custos que foram deduzidos, não Fl. 2166DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000469/200742 Acórdão n.º 1301001.201 S1C3T1 Fl. 17 16 podendo prevalecer em relação aos pagamentos glosados. Nessa ordem de ideias, do valor adicionado de ofício só deve permanecer o que incidir sobre as faturas cuja glosa foi cancelada. A decisão recorrida reduziu o valor da adição, de R$ 102.528,44 apurado pelo autuante, R$ 7.909,32, correspondente às glosas canceladas em primeira instancia. Os custos/despesas cuja dedutibilidade está sendo aceita neste voto correspondem às faturas a seguir relacionadas, com o respectivo ajuste, conforme tabela de fls. 234/254: Fatura Ajuste 1025503 2105031029 6996237 6006432 6006478 215534887 215534762 680891490 2020177 8.945,12 0,00 642,80 642,80 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Total 10.230,00 Portanto, a adição relativa à Infração 003, lançada em R$ 102.528,44, deve ser reduzida para R$ 18.140, 09 (R$7.909,32 + R$ 10.230,77). No recurso a interessada destaca que o valor do lançamento relativo à Infração 003 foi transferido para o processo administrativo de parcelamento em seu montante inicialmente lançado (valor a ser adicionado de R$ 102.528,44), e postula que a “decisão deverá ser reformada a fim de que seja determinada a devida aplicação, naquele citado processo administrativo de parcelamento, quando do julgamento final no presente processo, do efetivo valor da adição a ser enfim aplicado, para que seja apurado, portanto, o valor indevidamente já pago pela Recorrente, a ser a ela restituído.” Contudo, cabe a este Colegiado, apenas, julgar o lançamento ora em litígio, não podendo manifestarse, previamente, sobre restituição de indébito que decorra de eventual pagamento que reste indevido em razão desta decisão. Pede ainda a Recorrente que seja reformada a decisão recorrida a fim de ser “ excluído do cálculo do IRPJ devido, por ela promovido, (i) o valor exigido relativamente à infração 003, o qual foi transferido para processo administrativo de parcelamento n° 10768.002729/200787 e (ii) o valor referente à exigência relativa à infração 004 (R$ 577,57) cujo comprovante de recolhimento foi juntado no Doc. 03 da impugnação.” Pedido análogo é feito em relação à multa isolada, alegando que do valor mantido deveriam ser excluídos os valores cujo pagamento foi demonstrado no Doc. 03 anexo à impugnação. Os valores lançados com os quais a autuada concordou, pagandoos ou parcelandoos, não compõem o litígio, tratandose exclusivamente de matéria de execução. De se observar que a decisão recorrida menciona expressamente que na cobrança devem ser levados em consideração os pagamentos efetuados, conforme DARFs do DOC. 3, bem como Fl. 2167DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000469/200742 Acórdão n.º 1301001.201 S1C3T1 Fl. 18 17 os pagamentos de IRPJ relativos à Infração 003, no valor de R$ 25.632,11, que tiverem sido feitos no Processo n° 10768.002729/200787”. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade, indefiro a perícia, e dou provimento parcial ao recurso para: (i) além do montante cancelado pela decisão de primeira instância, reduzir da matéria tributável correspondente à glosa de custos/despesas no montante de R$ 127.838,29; (ii) reduzir a adição a título de ajuste relativo a preço de transferência ao montante total de R$ 18.140, 09 (R$7.909,32 reduzidos em primeira instancia e R$ 10.230,77 neste julgamento). É como voto. BrasíliaDF, em 07 de maio de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Relator. Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 18108.002186/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA IN NATURA. NÃO
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Tendo sido o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 objeto de Ato Declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, urge serem observadas as disposições inscritas no art. 26-A, §6º, II, “a” do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-001.671
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a não incidência sobre a verba relativa à alimentação paga in natura.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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PARCELA FORNECIDA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Tendo sido o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 objeto de Ato Declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, urge serem observadas as disposições inscritas no art. 26A, §6º, II, “a” do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a não incidência sobre a verba relativa à alimentação paga in natura. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Data da lavratura da NFLD: 31/10/2007. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados e a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre os valores despendidos pela empresa em favor de seus segurados empregados a título de Alimentação in natura, sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 52/58. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 127/155. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão fls. 183/189, julgando procedente o lançamento levado a efeito pela autoridade fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 30/06/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 199. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente, em 15 de julho de 2008, interpôs recurso voluntário, a fls. 203/231. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. . 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Fl. 248DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.002186/200783 Acórdão n.º 230201.671 S2C3T2 Fl. 239 3 O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 30/06/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 15/07/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DO MÉRITO 2.1. DOS FATOS GERADORES Informa a Autoridade Lançadora que o presente crédito tributário tem por fatos geradores a alimentação fornecida aos segurados empregados sem a devida inscrição e filiação da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador. Aduz a fiscalização, que a empresa fiscalizada não forneceu comprovante de Filiação / Inscrição no PAT PROGRAMA DE ALIMENTAÇAO AO TRABALHADOR. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as Fl. 249DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) § 3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustaas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.002186/200783 Acórdão n.º 230201.671 S2C3T2 Fl. 240 5 Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste Fl. 251DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS, encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente sobre a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Imerso nessa ordem constitucional, iluminese a definição legal de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) Fl. 252DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.002186/200783 Acórdão n.º 230201.671 S2C3T2 Fl. 241 7 II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Impende destacar que o Direito Legislado na Consolidação das Leis do Trabalho não ostenta concepção diversa das ilações ora produzidas, senão vejamos: Consolidação das Leis do Trabalho Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (grifos nossos) Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos adiante, no excerto de interesse: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528/97) (grifos nossos) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Fl. 254DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.002186/200783 Acórdão n.º 230201.671 S2C3T2 Fl. 242 9 I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Conjuguese ainda, nesse mister, que o preceito encartado no art. 176 do CTN exige previsão legal para a concessão de isenção, não podendo tal requisito ser suprido por acordo coletivo de trabalho, os quais produzem efeitos, unicamente, entre as partes que os celebram, sendo imprestáveis para vincular o Estado aos termos pactuados em suas cláusulas. Código Tributário Nacional Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração. (grifos nossos) Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatui, de forma expressa, que não integra o Salário de contribuição a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. No caso ora em foco, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, restou a cargo da Lei nº 6.321/76, a qual dispõe sobre os Programas de Alimentação do Trabalhador. Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976: Art. 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. " (grifos nossos) Ressaltese que os preceptivos aqui enunciados não conflitam com as linhas traçadas pelo art. 5º do Decreto nº 5/1991, que aponta para o mesmo norte. Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador. Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades Fl. 255DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo Dec. 2.101/96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. (grifos nossos) Conforme já enaltecido alhures, tratandose de hipótese de renúncia fiscal, urge emprestarse exegese restritiva à fórmula isentiva acima abordada. Inferese, portanto, dos preceptivos suso selecionados que a adesão ao PAT constituise condição sine qua non para a fruição dos benefícios fiscais tributários e previdenciário, conforme expressamente previsto na alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, verbatim: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) De fato, a inscrição no PAT não se constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. Com efeito, a Portaria nº 03/2002 estabeleceu as instruções para a perfeita execução do Programa de Alimentação do Trabalhador, estabelecendo de forma taxativa que a execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador acarretará o cancelamento da inscrição ou registro no Ministério do Trabalho e Emprego, com a consequente perda do incentivo fiscal, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.002186/200783 Acórdão n.º 230201.671 S2C3T2 Fl. 243 11 No caso em exame, a legislação que rege a isenção em foco exige que o fornecimento de cestas básicas, mesmo in natura, para ser alcançado pela hipótese de exclusão tributária sob comento, seja realizado nos estritos limites traçados pela legislação própria, o que de fato, conforme detalhadamente demonstrado, não ocorreu no cotidiano da empresa. Tal digressão revelouse necessária para demonstrar que a Autoridade Lançadora, no exercício do seu dever de ofício, procedeu ao lançamento em palco em atenção à natureza plenamente vinculada das atribuições atávicas ao seu cargo, e nos estritos ditames da lei. Ocorre, todavia, malgrado à expressa disposição legal, que a Corte Superior de Justiça pacificou o entendimento de que a alimentação in natura oferecida ao trabalhador não se subsume à hipótese de incidência de contribuições previdenciárias, mesma que a empresa não esteja inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, como assim se depreende dos seguintes julgados a seguir ementados: AgRg no Ag 1392454 Relator: Ministro Arnaldo Esteves Lima DJe 25/11/2011 Ementa: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. SALÁRIO IN NATURA. DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o pagamento efetuado in natura do salário alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante estar a empresa inscrita ou não no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Agravo regimental não provido. AgRg no AREsp 5810 Relator Ministro Benedito Gonçalves DJe 10/06/2011 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. Em razão da sedimentação da jurisprudência em torno da matéria no Superior Tribunal de Justiça, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, reconhecendo que todos os argumentos que poderiam ser levantados em defesa dos interesses da União haviam sido rechaçados pelo STJ, exarou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, curvandose ao entendimento adotado pelo Tribunal Superior em tela. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Nesse contexto, considerandose que o aludido Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 foi objeto de Ato Declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009, in verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 258DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.002186/200783 Acórdão n.º 230201.671 S2C3T2 Fl. 244 13 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Não deve persistir, portanto, o lançamento em relação às contribuições previdenciárias incidentes, exclusivamente, sobre os valores equivalentes à alimentação fornecida in natura aos segurados empregados. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 259DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10880.679807/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 29/07/2005
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
A presença de motivação no despacho decisório, de maneira sucinta porém clara, afasta a preliminar de nulidade do ato administrativo guerreado.
JUNTADA DE PROVAS. PRECLUSÃO.
A pretensão de análise de documentação a ser juntada aos autos, em virtude de prazo exíguo até a manifestação de inconformidade, não pode ser acolhida nesta fase processual, uma vez que a lei é peremptória no sentido de que as provas devem acompanhar a primeira impugnação (ou manifestação de inconformidade), sob pena de preclusão do respectivo direito (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72).
ESTRITA LEGALIDADE. VERDADE MATERIAL. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE.
A alegação de vulneração dos princípios constitucionais supramencionados não fazem o menor sentido na conjuntura deste expediente, em que a recorrente confessa ter se equivocado ao declarar seu débito, porém só veio envidar esforços no sentido de retificá-lo após a extinção desse débito (pelo pagamento e respectiva homologação expressa).
Numero da decisão: 3803-004.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório; por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jorge Victor Rodrigues, que dava provimento parcial para que a declaração retificadora fosse apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. O conselheiro Jorge Victor Rodrigues apresentou declaração de voto.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A presença de motivação no despacho decisório, de maneira sucinta porém clara, afasta a preliminar de nulidade do ato administrativo guerreado. JUNTADA DE PROVAS. PRECLUSÃO. A pretensão de análise de documentação a ser juntada aos autos, em virtude de prazo exíguo até a manifestação de inconformidade, não pode ser acolhida nesta fase processual, uma vez que a lei é peremptória no sentido de que as provas devem acompanhar a primeira impugnação (ou manifestação de inconformidade), sob pena de preclusão do respectivo direito (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72). ESTRITA LEGALIDADE. VERDADE MATERIAL. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. A alegação de vulneração dos princípios constitucionais supramencionados não fazem o menor sentido na conjuntura deste expediente, em que a recorrente confessa ter se equivocado ao declarar seu débito, porém só veio envidar esforços no sentido de retificálo após a extinção desse débito (pelo pagamento e respectiva homologação expressa). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório; por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jorge Victor Rodrigues, que dava provimento parcial para que a declaração retificadora fosse apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. O conselheiro Jorge Victor Rodrigues apresentou declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 07 /2 00 9- 10 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: TIM CELULAR S/A, manifesta inconformidade com Despacho Decisório eletrônico , emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo – DERAT 03 que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE, código de arrecadação 8741, recolhido em 14/11/2006. O citado despacho informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Cientificada, a contribuinte apresentou, manifestação de inconformidade de fls. 06 a 20, apresentando suas razoes, em síntese a seguir: Faz breve relato dos fatos. Alega possuir “elevada quantia creditícia” perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, Pis importação e COFINSexportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP. Alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete Despachos Decisórios , todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte. Reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679807/200910 Acórdão n.º 3803004.225 S3TE03 Fl. 88 3 CIDE, Pis importação e COFINSexportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações. Alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia gerar débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. Discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese. Alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado. Discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que “ se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta.” (sic). Alega que qualquer agente fiscal que “ ...”analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada.” (sic). Alega ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido. Cita os princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e tributarias. Reclama do exíguo prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informa que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito. Por fim requer a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. A DRJ em SÃO PAULO I/SP julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Data do fato gerador: 14/11/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não há ofensa ao principio da verdade matéria se não é apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. Mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, no qual sustenta basicamente os mesmos argumentos esgrimidos na peça vestibular (nulidade do despacho decisório, por falta de fundamentação e violação dos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade) e diz aduzir documentos que não teria juntado antes em virtude do prazo exíguo até a manifestação de inconformidade. Ao final requer a nulidade do despacho decisório ou o acolhimento do pedido de diligência, para exame da escrita fiscal da recorrente, com o fito de confirmar a compensação encetada. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679807/200910 Acórdão n.º 3803004.225 S3TE03 Fl. 89 5 DO DESPACHO DECISÓRIO A preliminar de nulidade do despacho decisório, por alegada carência de fundamentação não merece guarida. Consta do ato administrativo guerreado, de maneira sucinta porém clara, o motivo pelo qual não foi homologada a compensação pleiteada: utilização do DARF discriminado no PER/DCOMP para quitação de outro débito do contribuinte, o qual é apontado em detalhes logo abaixo do campo CARACTERÍSTICAS DO DARF, sob a rubrica UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. Vale referir, outrossim, que a análise feita pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento sobre a questão, ao contrário do que manifesta a recorrente, me parece extremamente digna: Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. Realmente, o caso presente se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 03, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. A contribuinte alega falta de fundamentação para a não homologação mas deveria ser obvio até mesmo para contribuinte que ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse débito , em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior, estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório e a contribuinte pode se defender amplamente como o fez. Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. DA PRECLUSÃO A pretensão de análise de documentação a ser juntada aos autos, em virtude de prazo exíguo até a manifestação de inconformidade, não pode ser acolhida nesta fase processual, uma vez que a lei é peremptória no sentido de que as provas devem acompanhar a primeira impugnação (ou manifestação de inconformidade), sob pena de preclusão do respectivo direito (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72). Nessa toada, se me afigura legítima a resistência já manifestada pelo órgão judicante de primeiro grau, e que nem de longe consubstancia supressão de instância: Ao final da manifestação de inconformidade, a requerente protesta pela produção de todos os meios de prova, Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 apresentação de documentos, inclusive diligencias, para corroborar sua argumentação. O processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto nº 70.235/1972 que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” Já os §§ 4º e 5º do mesmo artigo determinam que: “§ 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5.º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997)” Conforme expressamente previsto no Decreto nº 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4º, somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Como se vê do dispositivo transcrito, a ocasião para apresentação de provas, visando a comprovar o equívoco cometido no preenchimento da DCTF, é no ato de apresentação da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Cabe ressaltar que, até a presente data, dez meses após a apresentação da manifestação de inconformidade, nenhuma documentação foi apresentada pela contribuinte, que se limitou a apresentar DCTF retificadora , não embasada por qualquer documentação comprobatória. Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679807/200910 Acórdão n.º 3803004.225 S3TE03 Fl. 90 7 elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972 que tratam da matéria: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” (grifei) “Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar, será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” No caso presente, sendo obrigação da contribuinte apresentar provas do que alega , preferindo não fazêlo, a Receita Federal não promove qualquer ação a respeito, limitando a julgar o processo com os documentos constantes no processo. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, considerandose que essa DCTF retificadora foi apresentada após o despacho decisório, que apreciou as compensações declaradas. DA ESTRITA LEGALIDADE, DA VERDADE MATERIAL, DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE A alegação de vulneração dos princípios constitucionais supramencionados não fazem o menor sentido na conjuntura deste expediente, em que a recorrente confessa ter se equivocado ao declarar seu débito, porém só veio envidar esforços no sentido de retificálo após a extinção desse débito (pelo pagamento e respectiva homologação expressa). Por outra vertente, o contribuinte alegou erro formal na sua declaração, entretanto não trouxe aos autos sua escrituração contábil e fiscal, para fins de prova do alegado. O princípio da verdade material no processo administrativo fiscal não é um dogma que está acima de todas as normas; ao revés, é mitigado pelo sistema, ao privilegiar a preclusão de juntar provas no processo (art. 16 e §§ do Decreto nº 70.235/72). Nessa toada, o pedido de diligência também não merece agasalho, uma vez que não se encontram nos autos qualquer indício de verossimilhança de erro formal. Posto isso, voto por REJEITAR a preliminar e DESPROVER o recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 25 de junho de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Declaração de Voto Conselheiro Jorge Victor Peço vênia aos pares para ousar divergir do entendimento esposado pelo i. Relator no voto condutor da matéria sob exame, o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, notadamente no que atine à questão que trata da possibilidade de alteração da DCTF originária, pela via da DCTF retificadora, depois da ciência pela contribuinte do teor do contido em despacho decisório eletrônico, que não homologou a compensação por ela transmitida; bem assim da questão que trata da alteração de DCTF não comprovada mediante a apresentação de documentação idônea, juntamente com a manifestação de inconformidade. A decisão recorrida, em relação ao tema “alteração de DCTF depois da ciência de decisão que não homologou a compensação”, pronunciouse sucintamente por meio da ementa, cujos excertos naquilo que interessa à ilustração pretendida, se transcreve: ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. (...). CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. O entendimento expressado nos excertos acima transcritos se sustentam segundo os termos do voto condutor da decisão sob exame, a seguir: A retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais , Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679807/200910 Acórdão n.º 3803004.225 S3TE03 Fl. 91 9 tais como DIPJ, DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório.(Grifei). Ora, como a própria manifestante reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Somente na manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência que agora a contribuinte entende ter havido erro no preenchimento das DCTF. O ponto de divergência suscitado entre o entendimento esposado pelo e. Relator e o julgador que ora se pronuncia, se corporifica com a afirmação de que a DCTF retificada não pode ser acolhida como argumento de defesa, após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e de compensação, apenas sob a justificativa de que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na data da emissão do despacho decisório, notoriamente porque, considerando a realidade dos fatos direcionados aos processos similares que tramitam nesta Corte, tais erros apenas são verificados pela contribuinte quando da ciência do despacho decisório. Mesmo porque o referido despacho reflete a realidade constatada no Per/Dcomp transmitido eletronicamente, e não pelo processo de investigação realizado na DCTF, DACON, etc, que também pode conter imprecisões, que tornam relevantes e justificam a elaboração de DCTF retificadora. Por força da jurisprudência firmada pelos Tribunais Superiores passouse a admitir a possibilidade de o sujeito passivo apurar os tributos devidos e antecipar o seu pagamento, consolidando a tese pela ausência de lançamento tributário (autolançamento), a partir do disposto no artigo 150 do CTN, instituindose, portanto, uma nova situação jurídica. Por decorrência dessa inovação surgiu a necessidade de criação de um instrumento para formalizar e institucionalizar tal situação jurídica. Deuse, então, o advento da DCTF. Diante da complexidade da legislação fiscal e do exíguo prazo concedido para a apuração e adimplemento das obrigações pelo sujeito passivo, veio a MP nº 1.990 26/1999, por seu art. 19 a regular o instituto da retificação da DCTF, senão vejamos: Art. 19. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização apela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. (Grifei). Posteriormente a IN RFB nº 903/2008, por meio do seu artigo 11 sinalizou com as hipóteses em que não é admitida a transmissão de DCTF – retificadora, notadamente para os casos em que já se suplantou o âmbito de ação por parte da RFB,ou seja, após a ida do processo administrativo para a PFN. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Hodiernamente a Instrução Normativa nº 1.110/2010, que dispõe sobre a Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, nos seus artigos 2o, 5o e 7o, estabelece quem deverá apresentar esse documento, o momento em que deve fazêlo e a penalidade para quem deixar de apresentálo no prazo fixado, ou o fizer com incorreções/omissões. Em ocorrendo esta hipótese será a contribuinte intimada para apresentação da declaração original, e/ou a prestar esclarecimentos, porventura solicitados pela autoridade administrativa, assertivas estas corroboradas pelo contido no artigo 8o desse normativo, que determina que os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. A decisão a quo esteve silente quanto à apreciação deste tema. Certamente a realização de auditoria interna na DCTF retificadora, que não dependeria de audiência da contribuinte, impactaria nos efeitos projetados pela decisão de primeira instância, como se depreenderá oportunamente. Para disciplinar a matéria em pauta veio a IN nº 1.110/2010 dispor em seu artigo 9o, caput e § 1o, que a alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante a apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada, que terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, como também tratar das situações em que a retificação não produzirá efeitos jurídicos, supondose que a contribuinte não se enquadra em nenhum deles, mormente por não constar dos autos esta constatação. O entendimento profligado no Acórdão nº 330201.406, em decisão proferida pelo colegiado da 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARFMF, em sessão realizada em 26 de janeiro de 2012, mencionado a título de exemplificação, consubstancia a afirmação das assertivas aqui formuladas, conforme demonstra a ementa a seguir: CIDE. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo conseqüência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Grifei). Mencionase, ainda, outros excertos dessa decisão, com vistas a uma melhor compreensão do tema acerca do qual versa o debate, confirase: O acórdão de primeira instância indeferiu o pedido, considerando que, embora houvesse efetuado a retificação da DCTF, seria desnecessária a comprovação da liquidez e certeza dos indébitos, o que a Interessada não teria efetuado. Ocorre que a retificação de DCTF tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679807/200910 Acórdão n.º 3803004.225 S3TE03 Fl. 92 11 É certo que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um processo tributário de análise de mérito por parte da autoridade fiscal, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Atualmente, entretanto, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9o, I, da IN RFB nº 1.110, de 2010). De acordo com a IN citada acima, que é a mais recente, somente não seriam admitidas pra reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Obviamente, não foi o que ocorreu nos presentes autos, uma vez que o procedimento eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de saldo de crédito pela sua alocação a débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF. Como não é, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de crédito. Diante do quadro acima exposto, concluise que, primeiramente, as compensações foram não homologadas corretamente, de acordo com os fatos existentes à época do despacho decisório. O acórdão de primeira instância considerou não demonstrado o direito de crédito, no que tem razão, mas, com a retificadora, o ônus da prova não era mais do sujeito passivo. Dessa forma, tal indébito tem que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação. (Grifei). Nesta ponto tornase possível inferir, conforme o cenário acima transcrito e descrito, que a DCTF retificadora, por possuir a mesma natureza da original, a substitui integralmente e, autonomamente, produz efeitos jurídicos que lhe são peculiares, notadamente quanto à alteração da situação material anteriormente constatada pelo despacho decisório, sendo certo que essa DCTF será objeto de procedimento de auditoria interna (IN RFB nº 1.110/2010, art. 8o). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 Outra inferência, vislumbrável a partir da realização da auditoria interna, é a relevância deste procedimento a conferir a existência de liquidez, certeza e da disponibilidade de crédito alegado pela contribuinte em relação à compensação declarada, com vistas à homologação ou não pela autoridade administrativa, o que não mais é possível de se fazer pela via do despacho decisório, eis que a falha detectada pela interessada em relação à DCTF originariamente apresentada, apenas se tornou perceptível após a ciência do despacho decisório. Ressaltase que é precisamente a partir da ciência do despacho decisório que o sujeito passivo á chamado a comparecer aos autos em formação, inaugurando, assim, o contencioso, mediante a apresentação da manifestação de inconformidade, ocasião em que se torna possível alegar a existência de erro em relação à DCTF original e a sua correção por meio de DCTF, que possivelmente irá retratar uma realidade fiscal distinta daquela contida na original. Isto posto concluise que: somente após a realização deste procedimento é que se poderia decidir pela não homologação da compensação declarada pela contribuinte, bem assim que o ônus probante da liquidez e certeza do indébito é de responsabilidade da autoridade fiscal, eis que as informações necessárias às constatações pertinentes estão disponíveis nos bancos de dados da RFB, anteriormente alimentadas pelas declarações regularmente apresentadas pela contribuinte, ou mesmo pela solicitação de documentos e de esclarecimentos, quando se fizer necessário. No mais, assentase o litígio na alegação de erro material quanto ao preenchimento de DCTF que ensejou a não homologação de Per/DComp transmitido eletronicamente ao Fisco, cujo erro foi corrigido mediante DCTF retificadora, transmitida em 03/03/2010 (doc. 04), que segundo alega a recorrente, põe em terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada. Não obstante o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, na ocasião em que manifestou o seu inconformismo contra o despacho decisório eletrônico, a ora recorrente justificou a impossibilidade de proceder à retificação e apresentação de 147 outras DCTF, oportunamente, mormente por conta da quantidade de documentos a serem manipulados e da elaboração de peças impugnatórias em trinta dias, surgindo, com isso, razões de superveniência, situação esta admitida no § 4o deste artigo, a possibilitar a apresentação a posteriori de tais documentos. Os princípios da informalidade em favor do administrado e da verdade material são baluartes no campo do Direito Administrativo Tributário, devendo os julgamentos de processos fiscais serem pautados por tais orientações, principalmente por não trazer prejuízo ao erário e nem para as partes litigantes, não prejudicar o devido processo legal e, porventura, impossibilitar a alegação de cerceamento de defesa, ou mesmo de supressão de instância. Ademais disso a conversão de julgamento diligência, ato discricionário do julgador, resulta de dúvida acerca de matéria de fato, cujos elementos de prova com potencial de deslinde da lide, não se encontram nos autos. Daí, para auxiliar na formação da convicção do juiz realizase este procedimento, oportunamente, sendo este o caso de que se cuida. Por todo o exposto, ante a necessidade de ver sanada pelo juízo de primeira instância a falha constatada, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para exame da DCTF retificadora e apuração da situação real acerca da existência de créditos e de débitos a ele vinculados, eis que a liquidez e certeza da pretensão da contribuinte nesta nova situação, como visto, é de responsabilidade do Fisco, com isso Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679807/200910 Acórdão n.º 3803004.225 S3TE03 Fl. 93 13 possibilitando a instância a quo pronunciarse sobre a não homologação ou não da DComp aviada. (Assinado digitalmente) Conselheiro Jorge Victor Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10880.907837/2008-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO.
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente.
Numero da decisão: 3403-002.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência para apurar o crédito do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que, regularmente intimado, tenha deixado de apresentar as provas solicitadas, visando à comprovação dos créditos alegados. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 78 37 /2 00 8- 32 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência para apurar o crédito do contribuinte. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Relatório SOBRAL INVICTA SOCIEDADE ANÔNIMA transmitiu a Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 06876.59320.111203.1.3.042540, visando à extinção de débito de PIS com crédito oriundo de indébito por pagamento a maior de PIS, no valor de R$ 1.208,35. O Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 781231765 indeferiu o pleito repetitório e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado pelo declarante foi localizado, mas estava integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado, em preliminar, inquinou o DDE de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, na medida em que não foi intimado a comprovar seu direito creditório. No mérito, explicou que, por intermédio de sua consultoria tributária, identificou, em outubro de 2003, que, no período de fevereiro e abril de 1999 e julho a setembro de 2003, lançou na sua escrita fiscal e contábil créditos de tributos pagos indevidamente como receita tributável pelo PIS e pela Cofins, nos termos da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, tendo o referido direito nascido do recolhimento indevido dessas contribuições sobre aproveitamento de créditos reconhecidos judicialmente, visto que tais valores não configuram receita nova tributável pelas citadas contribuições, em procedimento que se amolda ao Ato Declaratório Interpretativo nº 25, de 2003. Requereu diligência pai a fins de constatação da veracidade dos fatos narrados. Instruiu sua manifestação com cópia do relatório de crédito promovido pela sua consultoria acerca da origem dos créditos apropriados. A 9ª Turma da DRJ/SP1 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 16028.402, de 9 de dezembro de 2010, fls. 52 a 60, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2003 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.907837/200832 Acórdão n.º 3403002.180 S3C4T3 Fl. 248 3 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte e regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que — por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado — expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação. DESPACHO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A ausência de valor disponível para eventual restituição ou compensação e circunstância apta a embasar a não homologação de compensação. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. E requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Improcede o pedido de diligência realizado em desconformidade com o prescrito na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 9ª Turma da DRJ/SP1. O arrazoado de fls. 62 a 78, após dispensarse do arrolamento de bens, requer a suspensão da exigibilidade dos débitos emergentes da compensação não homologada e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a preliminar de nulidade do DDE, por cerceamento do direito de defesa, nos mesmos termos da oferecida na Manifestação de Inconformidade. No mérito, também repete a explicação sobre a origem dos créditos e o pedido de realização de diligência para que se ateste a veracidade de suas alegações. Aduz que o Ato Declaratório Interpretativo nº 25, de 24 de dezembro de 2003 (DOU de 29.12.2003), que transcreve, ampara o seu procedimento. Nesse ponto, adita sua arguição de nulidade, acrescentando que o DDE é carente de motivação. Desenrola lista de princípios processuais administrativos que teriam sido violados pelo DDE. Instruiu a peça recursal com cópia de extrato do Livro Razão conta 440200 e com demonstrativos denominados COFINS sobre Receitas de Recuperação de Créditos Fiscais (Lei nº 9.718/98) e PIS sobre Receitas de Recuperação de Créditos Fiscais (Lei nº Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 9.718/98). Pede que o patrono da causa seja pessoalmente comunicado da data da realização do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 62 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/SP19ª Turma nº 16028.402, de 9 de dezembro de 2010. Pedido de intimação pessoal dos patronos da causa Com relação ao requerimento de que seja previamente intimado da realização deste julgamento, nas pessoas de seus patronos, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório O recorrente e sua assessoria tributária devem saber, não há falar em processo enquanto não houver um pretensão resistida. Daí porque a doutrina costuma distinguir a fase inquisitorial do procedimento de sua fase processual. Nesta, e não naquela, erigemse todas as garantias processuais que o recorrente (e sua assessoria tributária) arrola no seu arrazoado. Em sede de pedido de restituição, por exemplo, procedimento provocado pelo contribuinte, o processo só se instaura quando a Administração opõe resistência à pretensão deduzida do pleito restituitório por meio de um despacho decisório. A partir daí podese falar em garantia à ampla defesa; antes, não. A noção é simples: do que se defenderia o interessado antes da edição de um Despacho Decisório? Percebese desde já que a arguição de nulidade do Despacho Decisório Eletrônico nº 781231765 é leviana, pois somente a partir de sua edição é que passaram a viger os princípios garantidores do devido processo legal. Antes, não. Dito de outra forma, a Administração simplesmente não estava constrangida a intimar o contribuinte a explicar o seu crédito anteriormente ao Despacho Decisório. Por outro lado, percebese que as garantias do contraditório e da ampla defesa foram plenamente asseguradas a partir de então. A arguição de nulidade do Despacho Decisório por carência de motivação também é esdrúxula. Motivar consiste em apresentar razões porque a autoridade administrativa tomou determinada decisão,... 1. O DDE nº 781231765, para rejeitar a pretensão do contribuinte, expressamente declinou que: 1 NEDER, Marcos Vinicius e LÓPES, Maria Teresa Martínez. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL COMENTADO. São Paulo: Dialética, 2002. p. 414. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.907837/200832 Acórdão n.º 3403002.180 S3C4T3 Fl. 249 5 Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Como se vê, a Autoridade Administrativa apresentou as razões de fato e de direito que a levaram à conclusão, demonstrando também o nexo causal existente entre elas. Enfim, inexiste este ou qualquer outro vício a infirmar o presente processo. Rejeito a preliminar. Mérito – Prova do indébito O recorrente já teve julgado diversos recursos voluntários, idênticos ao presente e, em todos eles, foilhe negado provimento à unanimidade dos votos dos respectivos colegiados. À guisa de ilustração, transcrevo duas ementas: Acórdão nº 330201.301, de 09 de novembro de 2011, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, relatoria do Conselheiro José Antônio Francisco: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2002 PIS. DESPACHO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ausência de valor disponível para eventual restituição ou compensação é circunstância apta a embasar a não homologação de compensação. Restando claros as razões da nãohomologação, não há que se falar em nulidade ou cerceamento de direito de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Recurso Voluntário Negado Acórdão nº 380101.030, de 20 de março de 2012, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção, relatoria da Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do fato gerador: 30/04/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO. GARANTIA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE VÍCIOS NO LANÇAMENTO. CRÉDITOS NÃO RECONHECIDOS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELAS DECLARAÇÕES APRESENTADAS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO, PELO CONTRIBUINTE, DAS DECLARAÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO CABAL DOS CRÉDITOS INDICADOS NO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Em que pese o processo administrativo ser norteado pelo princípio da verdade material, o contribuinte deve trazer aos autos elementos para o convencimento do julgador, para que este, após análise da documentação e das alegações apresentadas, possa, se for o caso, requer diligências afim de apurar o real acontecimento dos fatos. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.907837/200832 Acórdão n.º 3403002.180 S3C4T3 Fl. 250 7 I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas Fl. 253DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 8 questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. O recorrente, implicitamente à sua arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa, objetou que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF2,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, limitouse a apresentar parecer opinativo e planilhas, elaboradas por consultoria tributária, que pretendem demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior, e, principalmente, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada. Nesse ponto, destaco a insuficiência da cópia do de extrato do Livro Razão conta 440200, não somente porque não se reveste das formalidades mínimas requeridas para os demonstrativos contábeisfiscais, mas principalmente porque não logram comprovar o erro na confissão operada na DCTF, hábil para afastar o seu atributo de irretratabilidade. Pergunto ao recorrente: existe alguma prova nos autos de que o valor da contribuição do período de apuração 01/07/2003 a 31/07/2003, confessado na DCTF vigente, foi apurado sem a exclusão dos valores dos créditos constantes das tais planilhas elaboradas pro sua assessoria tributária? A resposta, evidentemente, é negativa. 2 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.907837/200832 Acórdão n.º 3403002.180 S3C4T3 Fl. 251 9 Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) Fl. 255DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 10 PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Quanto à petição de juntada de documentos, efetuada um dia antes da realização do presente julgamento, a possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. De acordo com as normas processuais, com aplicação analógica determinada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, é no momento processual da reclamação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López (2002, p. 67) asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. De acordo com o § 4º do art. 16 do PAF, supratranscrito, só é lícito apresentar novos documentos quando: 1) relativas a direito superveniente; 2) competir ao Fl. 256DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.907837/200832 Acórdão n.º 3403002.180 S3C4T3 Fl. 252 11 julgador delas conhecer de ofício, a exemplo da decadência; ou 3) por expressa autorização legal. O § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior, o que não foi feito. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 257DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11030.001192/2003-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1992 a 28/02/1996
PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicava-se o prazo decenal - tese dos 5 + 5.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1992 a 28/02/1996 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicavase o prazo decenal tese dos 5 + 5. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 11 92 /2 00 3- 91 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de pedido de restituição/compensação de crédito de PIS referente a pagamentos efetuados a maior no período compreendido entre fevereiro 1992 e fevereiro de 1996. O pedido de restituição/compensação foi efetuado em 16 de junho de 2003. O órgão julgador de primeira instância indeferido o pedido, sob o argumento de que o direito à restituição havia sido extinto pelo decurso do prazo quinquenal, contado a partir da data de efetivação do suposto indébito. Inconformado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, defendendo o prazo decenal da tese dos 5 + 5, então aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça. Decidindo o feito, o Colegiado recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: Período de apuração: 01/02/1992 a 28/02/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA QÜINQÜENAL. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior de PIS para os períodos de apuração até 30/09/1995, com base nos inconstitucionais DecretosLeis n's 2.445 e 2.449, de 1988, tem como prazo de decadência/prescrição aquele de cinco anos, contado a partir da edição da Resolução n° 49, do Senado. Já para o período que vai de 01/10/95 a 28/02/1996, o prazo decadencial contase da data da publicação da Adin n° 1.417, que ocorreu em 13/08/1999, até 12/08/2004. Recurso provido em parte. Inconformada, A Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde pugna pelo indeferimento do pedido de restituição/compensação, haja vista o exaurimento do prazo quinquenal previsto no art. 168 do CTN. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresenta, apenas, contrarrazões ao apelo fazendário, conformandose com a decisão que lhe negou parte do pedido, sob o fundamento de que parcela do crédito pleiteado havia sido alcançada pela prescrição/decadência, cujo termo inicial seria a data de publicação da Resolução nº 49/1995 do Senado Federal. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.001192/200391 Acórdão n.º 9303002.198 CSRFT3 Fl. 112 3 Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. Em seu especial a Fazenda Nacional pede a aplicação do prazo quinquenal previsto no art. 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005. Analisando os autos, verificase que o crédito pleiteado referese a períodos de apuração compreendido entre fevereiro de 1992 e fevereiro de 1996. Entretanto, o Colegiado declarou a extinção do direito à repetição do indébito referente a pagamentos a maior efetuados até 30 de setembro de 1995, e o sujeito passivo não se insurgiu contra essa decisão, o que a torna imutável, na fase administrativa. Desta feita, resta analisar, os períodos subsequentes, objeto do especial apresentado pela Fazenda Nacional. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO Fl. 119DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 54343, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.001192/200391 Acórdão n.º 9303002.198 CSRFT3 Fl. 113 5 Recurso extraordinário desprovido. ACORDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621 / RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005, com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, devem todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. D outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, temse que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame, temse que os créditos ora em discussão, relativo ao período de apuração compreendido entre 1º de outubro de 1995 e 28 de fevereiro de 1996, na data em que protocolado o pedido de restituição/compensação, ainda não haviam sido alcançados pela prescrição. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10320.002478/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2007
AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA.
A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado e Carlos Henrique de Oliveira.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2007 AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido.
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VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado e Carlos Henrique de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 24 78 /2 00 9- 51 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 17/07/2009 (fl. 34), para exigência de contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa (quota patronal) e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT/SAT), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, no período de 04/2006 a 12/2007. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 28/31, itens 3 e 6), a Recorrente se auto enquadrava como Entidade Filantrópica isenta, entretanto não apresentou os documentos necessários para tal enquadramento conforme solicitado no Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF e tampouco solicitou isenção de tributos à Previdência Social. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 39/45), na qual essencialmente argumentou tratarse de entidade filantrópica imune/isenta das contribuições previdenciárias ora exigidas, requerendo assim a total improcedência do lançamento. A DRJ/FOR determinou a realização de diligência para esclarecimentos de aspectos relacionados à autuação (fls. 76/78, 80/82). Devidamente intimada do resultado da diligência (fls. 177/178), a Recorrente aditou sua Impugnação (fls. 179/181), na qual apenas ressaltou seu entendimento quanto ao enquadramento como entidade filantrópica imune/isenta, requerendo a nulidade da autuação e a consequente exclusão do crédito tributário exigido. A DRJ/FOR julgou a impugnação improcedente (fls. 198/206), todavia exonerou de ofício parte do crédito tributário exigido, considerando o restante devido, conforme Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR (fls. 207), em decisão assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2007 IMUNIDADE PREVISTA NO ART. 195, §7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. RECONHECIMENTO DE UTILIDADE PÚBLICA FEDERAL. REQUERIMENTO. Para fatos geradores ocorridos até 29/11/2009, a imunidade prevista na Constituição Federal, art. 195, §7º, somente alcançava as entidades beneficentes de assistência social que atendiam os requisitos determinados na Lei nº 8.212/91, art. 55, dentre eles ser reconhecida como de utilidade pública federal. Para fazer jus à imunidade em tela, devia ser apresentado requerimento, que era analisado juntamente com os documentos que deviam ser anexados (Lei nº 8.212/91, art. 55, §1º). Reconhecido o direito à isenção (imunidade), os seus efeitos eram gerados a partir da data do protocolo do pedido (Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 art. 208, §2º). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EQUÍVOCO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10320.002478/200951 Acórdão n.º 2402003.673 S2C4T2 Fl. 252 3 Em obediência aos princípios da estrita legalidade e da verdade material, uma vez tendo sido detectado equívoco na apuração da base de cálculo, devem ser retificados os lançamentos efetuados a maior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte” Intimada dessa decisão em 22/06/2012 (fls. 216/220), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 23/07/2012 (fls. 222/224), no qual essencialmente repisa os argumentos já apresentados na Impugnação, novamente sustentando, em síntese, a sua condição de entidade filantrópica imune/isenta das contribuições previdenciárias exigidas, requerendo a reforma da decisão de primeira instância e a consequente exoneração do crédito tributário parcialmente mantido. Os autos foram encaminhados a este Conselho para julgamento (fls. 247/250). É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator O presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. O Fisco afirma que o lançamento fiscal decorre do fato da Recorrente não ter apresentado os documentos necessários para enquadramento como entidade filantrópica isenta e tampouco ter solicitado a isenção de tributos. Isso está consubstanciado no item 3 do Relatório Fiscal, registrado nos seguintes termos: “3. A empresa enquadravase como Entidade Filantrópica com Isenção, conforme verificado no FPAS 639 informado pela mesma em suas GFIPs, entretanto não nos apresentou documentos necessários para tal enquadramento solicitados no Termos de Início de Procedimento Fiscal – TIPF e tampouco solicitou isenção de tributos à RFB. Desta forma, procedemos ao levantamento dos fatos geradores como empresa normal e fizemos RFFP – Representação Fiscal para Fins Penas por crime contra a ordem tributária, além de apropriação indébita. Por sua vez, a Recorrente afirma desde a sua Impugnação que possui a condição de entidade filantrópica imune/isenta das contribuições previdenciárias exigidas, conforme estatuto, alvará, certidões, declarações, certificados, atestados e outros documentos, de origem federal, estadual e municipal, acostados aos autos com a Impugnação (fls. 48/73), aditamento da Impugnação (fls. 184/191) e Recurso Voluntário (fls. 228/244). Pois bem. Após analisar o presente processo e respectivos documentos acostados aos autos, verificase, em sede de preliminar, que o lançamento fiscal deverá ser declarado nulo, eis que os elementos fáticos probatórios que o compõem não registram de forma clara e precisa a fundamentação legal ensejadora da autuação, não estando em conformidade com a legislação tributária, nem com os fundamentos da Constituição Federal de 1988. Conforme se observa nos autos, a autoridade tributária informa no item 3 do Relatório Fiscal que a Recorrente não apresentou os documentos necessários para seu enquadramento como entidade filantrópica isenta, solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF e tampouco solicitou a isenção de tributos. Vêse, portanto, que no entendimento da autoridade tributária, foram essas as duas premissas fáticas utilizadas como base para a autuação, quais sejam: (i) a ausência dos documentos necessários para enquadramento como entidade filantrópica isenta e (ii) a não solicitação da isenção de tributos. Todavia, a autoridade tributária não traz a adequada fundamentação jurídica relativa a tais elementos fáticos utilizados como fundamento da autuação. Qual é a legislação e os requisitos garantidores da isenção que a autoridade tributária entende que não foram cumpridos? Quais são os documentos necessários para enquadramento como entidade filantrópica a que a autoridade tributária se refere? Qual é a norma que exige a solicitação de Fl. 254DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10320.002478/200951 Acórdão n.º 2402003.673 S2C4T2 Fl. 253 5 isenção? E em que termos? A autoridade tributária não esclarece e nem apresenta os elementos jurídicos para a sua exata definição. Analisando o processo, não se encontra nos autos o TIPF mencionado pela autoridade tributária, muito menos a relação dos documentos solicitados à Recorrente. O Relatório Fiscal também não traz maiores esclarecimentos a esse respeito, não detalhando os requisitos jurídicos da isenção supostamente descumpridos pela Recorrente. Tampouco se encontra nos Fundamentos Legais do Debito – FLD (fls. 23) quaisquer registros de motivação jurídica ligados à isenção de entidades beneficentes e seus requisitos de fruição, supostamente descumpridos pela Recorrente no entendimento da autoridade tributária. É de conhecimento dos que militam na área tributária a necessidade de observância dos princípios jurídicos da tributação, dentre os quais o da legalidade tributária (CF/88, art. 150, I) e o da atividade administrativa plenamente vinculada (CTN, arts. 3º e 142, § único). O primeiro existe para garantir a segurança jurídica nas relações dos particulares com o Estado, obrigando tanto o sujeito passivo quanto o sujeito ativo da relação obrigacional tributária (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 16a. ed. São Paulo: Malheiros, 1999 p. 34). O segundo retira do agente tributário qualquer terreno de apreciação subjetiva discricionária, vinculandoo à necessidade de estrita correspondência entre o comando da norma e o ato praticado (MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (administrativo e judicial). São Paulo: Dialética, 2001, p. 174). Contudo, na medida em que a autoridade tributária não apresenta os dispositivos legais nem esclarece os fundamentos jurídicos do lançamento, incorre em vício na autuação. No presente caso, vêse que o auto de infração foi lavrado tendo por base apenas os elementos fáticos que ensejaram o presente lançamento fiscal, todavia sem abordar os elementos jurídicos correspondentes, sem tratar da disposição legal infringida, o que deveria ter sido obrigatoriamente observado por ocasião da lavratura do auto de infração e da notificação do lançamento, nos termos do DecretoLei nº 70.235/72: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (...)” “Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: (...) III a disposição legal infringida, se for o caso; (...) Importante observar que no presente caso os aspectos jurídicos relativos à autuação somente foram abordados por ocasião da decisão de primeira instância proferida pela Fl. 255DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 DRJ/FOR, o que não pode subsistir, por configurar inovação do lançamento, pois como visto os elementos jurídicos deveriam ter sido obrigatoriamente demonstrados pela autoridade tributária já por ocasião do auto de infração e da notificação do lançamento, o que não ocorreu. Ao afastar o enquadramento da Recorrente como entidade imune/isenta das contribuições previdenciárias ora exigidas, para tratála como uma empresa normal sujeita à sua incidência, a autoridade tributária deveria ter demonstrado no Relatório Fiscal ou em Relatório Complementar, de maneira clara e exaustiva, não apenas a motivação fática como também a motivação jurídica para efetuar o lançamento, cotejando os fundamentos legais e as razões que motivaram a autuação, o que não foi feito. Desse modo, está claro que faltam requisitos essenciais para a validade da presente autuação, necessários não só para o exercício da ampla defesa e do contraditório da Recorrente, como também para a adequada apreciação da procedência ou não da autuação pelo julgador administrativo, o qual não poderá, somente por ocasião da sua decisão, encontrar os elementos jurídicos que fundamentem a manutenção do lançamento (tal como justamente o fez a autoridade administrativa de primeira instância), posto que tais elementos jurídicos já deveriam ter sido adequadamente demonstrados por ocasião da autuação, como pressuposto de sua validade. Nesse linha de raciocínio, verificase que o auto de infração deve ser declarado nulo, em decorrência do disposto no art. 142 do CTN e art. 59, II, do DecretoLei nº 70.235/72, in verbis: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...)” De se destacar que, no presente caso, o vício vai além da simples ausência de apontamento da disposição legal infringida no auto de infração e na notificação de lançamento, não se tratando de mera fundamentação deficiente, situação em que se tem entendido que o vício do lançamento seria formal. Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a motivação fática e jurídica de incidência da lei), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável à incidência da lei, ou à determinação da matéria tributável), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” (Direito Tributário: Constituição e Código Fl. 256DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10320.002478/200951 Acórdão n.º 2402003.673 S2C4T2 Fl. 254 7 Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194). Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade já mencionado, situação inaceitável nas relações do fisco com o contribuinte. Outro não tem sido o entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/05/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. VICIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo o auto de infração quando não indica os fatos e os fundamentos jurídicos que ensejaram a sua lavratura. Medida necessária para que tanto o contribuinte quanto o julgador administrativo possam avaliar a procedência jurídica da autuação, perante o caso concreto O processo administrativo fiscal obedecerá, dentre outros, o princípio da motivação, essencial à garantia da ampla defesa e do contraditório. Processo Anulado” (CARF, PAF nº 35410.000997/200573, Acórdão nº 230100486, Sessão de 07/07/2009) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1998 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. A ausência da efetiva comprovação do fato gerador demonstrando a subsunção do ocorrido aos critérios legais relativos à contribuição previdenciária implica em nulidade por vício material. Processo Anulado” (CARF, PAF nº 17460.000883/200718, Acórdão nº 2302002.235, Sessão de 21/12/2012) De se destacar que, em se tratando de vício material, o novo lançamento não pode valerse do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II, do CTN, somente aplicável em caso de lançamento anulado por vício formal. Versando sobre os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este Conselho assim se posicionou: “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao Fl. 257DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 8 sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 102 47829, Sessão de 16/08/2006) – destacouse Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a nulidade do presente lançamento por vício material. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 258DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13807.006961/2004-26
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
LIMITE DE ALÇADA. VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS
ORDINÁRIAS.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite
de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas
Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser
interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas
Ordinárias.
Numero da decisão: 3803-002.838
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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materia_s : IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 LIMITE DE ALÇADA. VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS ORDINÁRIAS. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas Ordinárias.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1681; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 900 1 899 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.006961/200426 Recurso nº 267.597 Voluntário Acórdão nº 3803002.838 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de abril de 2012 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Recorrente GRANOL INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 LIMITE DE ALÇADA. VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS ORDINÁRIAS. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas Ordinárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 921DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1421.123, de 22 de outubro de 2008, da DRJRibeirão Preto/SP, fls. 728 a 736, que indeferiu a solicitação. A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, referente ao primeiro trimestre de 2003. Por meio do despacho decisório proferido pela autoridade competente foi glosada a parcela do benefício fiscal correspondente à exclusão da respectiva base de cálculo de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes de PIS e COFINS excluída da receita de exportação os valores referentes à exportação de produtos NT; e não acolhido o pedido de atualização monetária pela taxa SELIC. Em sua manifestação de manifestação de inconformidade, a Interessada alegou, em resumo, o que segue: a) conforme a exposição de motivos relativa à Medida Provisória n° 948, de 23 de março de 1995, o objetivo do beneficio fiscal é atenuar a incidência em cascata da carga tributária sobre todas as etapas do processo produtivo, e assim, presumese a incidência de PIS e Cofins nas etapas anteriores, dispensada a prova quanto ao pagamento nessas etapas, e inclusive sobre produtos nacionais exportados; b) pela Lei n° 9.363, de 1996, não há necessidade de incidência das contribuições já referidas imediata e diretamente sobre as aquisições realizadas pelo produtor exportador, e não há menção a nenhuma exclusão parcela referente aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas,, consoante, inclusive, julgados do Conselhos de Contribuintes; c) defendeu a inclusão no cálculo do benefício, dos valores relativos à energia elétrica e combustíveis; d) as exportações de produtos NT devem compor a Receita de Exportação, pois o art. 2° da lei n° 9.363/96 não restringiu as receitas a serem consideradas como de exportação; e) o ressarcimento, que se assemelha à restituição de indébito, também segundo entendimento do Conselho de Contribuintes, deve ser acrescido de juros SELIC, como meio de evitar um verdadeiro esvaziamento do beneficio, ou seja, um confisco disfarçado, ou, o enriquecimento sem causa da Fazenda; Por fim, a manifestante pede que seja reconhecido o direito ao ressarcimento no montante pleiteado, com o acréscimo de juros SELIC. A decisão da DRJ/Ribeirão Preto restou ementada como segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. No cálculo do crédito presumido são glosados os Valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, pois os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13807.006961/200426 Acórdão n.º 3803002.838 S3TE03 Fl. 901 3 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido, a legislação tributária de regência não contempla a inclusão das exportações de produtos NT, no valor da Receita de Exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É incabível a concessão do estímulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa SELIC, por ausência de autorização legal. Cientificada da decisão em 01 de dezembro de 2008, irresignada, apresentou o recurso voluntário de fls. 843 a 884, em 12 de dezembro de 2008, argüindo, essencialmente, as mesmas razões trazidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso não atende o requisito para sua admissibilidade relativo ao valor de alçada que limita a competência para julgamento desta Turma Especial. Tal competência relativo a processo administrativo de ressarcimento é definida pelo crédito alegado/solicitado, nos termos do art. 7º, § 1º, da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, RICARF. Conforme relatado, o crédito no presente processo é de R$ 3.814.308,20. A competência das Turmas Especiais é restrita ao julgamento de recursos em processos que envolvam valores reduzidos, limite este de alçada referenciado pelo valor da exoneração procedida por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ora fixado nos termos do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Por este fato, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 25 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 923DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13807.006961/200426 Interessada: GRANOL INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO S/A À 3ª SEJUL, para formação de lote de sorteio para as turmas ordinárias, haja vista que o valor do processo supera a alçada desta TE, estabelecida no § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Brasília DF, em 25 de abril de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção – Presidente Fl. 924DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN
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