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Numero do processo: 13819.903338/2008-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente THREE BOND DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 33 38 /2 00 8- 16 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903338/200816 Acórdão n.º 9303004.058 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3402001.417, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903338/200816 Acórdão n.º 9303004.058 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903338/200816 Acórdão n.º 9303004.058 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903338/200816 Acórdão n.º 9303004.058 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903338/200816 Acórdão n.º 9303004.058 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903338/200816 Acórdão n.º 9303004.058 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903338/200816 Acórdão n.º 9303004.058 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 158DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720325/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314-RG/SP e RE 410.054 - AgR/MG. (sob a sistemática do art. 543-B do CPC). Vencido o Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/SP e RE 410.054 AgR/MG. (sob a sistemática do art. 543B do CPC). Vencido o Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva– Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 20 32 5/ 20 07 -4 1 Fl. 808DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 3 ___________ Dentre as questões em discussão no presente feito, encontrase a utilização da Requisição de Movimentação Financeiras – RMF, por parte da Autoridade Fiscal, como forma de conhecer os extratos bancários da Recorrente. A constitucionalidade de referido instrumento está em julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 601.314. Ainda, no RE 410.054 AgRg, foi determinado o sobrestamento do feito até o julgamento do processo em repercussão geral. Segundo o art. 62, § 1º Código de Processo Civil, “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543b, do CPC”. Ainda, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, o reconhecimento da repercussão geral conduzirá |à aplicado no art. 543B do CPC. Senão, veja se: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (sem grifos no original). Ainda, a Portaria nº 138, de 23 de julho de 2009, do Supremo Tribunal Federal, impõe que todo processo onde tiver havido repercussão geral deverá ser sobrestado, independentemente de determinação expressa nesse sentido. Leiase o dispositivo, in verbis: PORTARIA Nº 138, DE 23 DE JULHO DE 2009 O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto no art. 543B, § 5º, do Código de Processo Civil, com a redação da Lei nº 11.418/06, e no art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno, com redação da Emenda Regimental nº 21/07, RESOLVE: Art. 1º Determinar à Secretaria Judiciária que devolva aos Tribunais, Turmas Recursais ou Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais os processos múltiplos ainda não distribuídos relativos a matérias submetidas à análise de repercussão geral pelo STF, os encaminhados em desacordo com o disposto no § 1º do art. 543B, do Código de Processo Civil,bem como aqueles em que os Ministros tenham determinado sobrestamento ou devolução. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10280.720325/200741 Resolução nº 1401000.286 S1C4T1 Fl. 4 3 Por fim, a Portaria nº 01/2012 deste Conselho determina o sobrestamento do feito, sempre que, cumulativamente, a matéria encontrase em repercussão geral e tiver havido ordem de sobrestamento de processos por força de referida situação. No caso, essa cumulação de requisitos se apresenta pelos RE 601.314 e RE 410.054 AgRg, ambos do Supremo Tribunal Federal. Pelo exposto, nos termos da Portaria nº 1 do CARF, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente feito até ulterior análise da questão constitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Transitada em julgada a decisão do Excelso Pretório, retornem os autos para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 810DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001027/2007-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2003
RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. DESRESPEITO AO PRESSUPOSTO FORMAL.
Não se conhece de Recurso Especial cujos acórdãos paradigmas não apresentem similitude fática com acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-004.468
Decisão: Recurso Especial provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Julgado dia 28/09/2016 no período da tarde.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2003 RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. DESRESPEITO AO PRESSUPOSTO FORMAL. Não se conhece de Recurso Especial cujos acórdãos paradigmas não apresentem similitude fática com acórdão recorrido.
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decisao_txt : Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional. Julgado dia 28/09/2016 no período da tarde. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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DESRESPEITO AO PRESSUPOSTO FORMAL. Não se conhece de Recurso Especial cujos acórdãos paradigmas não apresentem similitude fática com acórdão recorrido. Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional. Julgado dia 28/09/2016 no período da tarde. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 10 27 /2 00 7- 89 Fl. 202DF CARF MF 2 Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 999.999, proferido pela 1º Turma Ordinária/3ª Câmara/2ª Seção de Julgamento do CARF. Tratase de Auto de Infração (AI DEBCAD 37.085.9294 CFL 69) lavrado em 29/06/2007, no montante de R$ 4.364,67. Conforme Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa, fls. 06/07, a interessada apresentou GFIPs com informações inexatas, incompletas ou omissas. Tal conduta constituiu infração ao artigo 32, inciso IV e § 3°, da Lei 8.212/1991 combinado com o artigo 225, inciso IV e § 40, do Decreto 3.048/1999; a multa aplicada foi apurada conforme previsto nos artigos 32, § 6°, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, combinado com os artigos 284, inciso III (Redação alterada pelo Decreto 4.729/2003) e 373, do Decreto 3.048/1999, atualizada pela Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007, conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 07; não foram configuradas as circunstâncias agravantes nem atenuantes previstas nos artigos 290 e 291, respectivamente, do Decreto 3.048/1999. A interessada manifestouse às fls. 54/84, em síntese sobre: que o valor da multa por cada infração verificada deveria ser de 5% sobre R$ 1.195,13 (valor mínimo da multa prevista no art. 32, § 6°, da Lei n° 8.212/1991, c/c art. 284, III e 373 do RPS, com valores atualizados pela Portaria MPS/GM n° 142/07), que totalizaria R$ 59,75, e não R$ 59,79, como utilizado pela fiscalização; que a decisão da fiscalização em considerar como campo com "informação inexata", o fato de o contribuinte ter informado em suas GFIPs o seu RAT como sendo 2% foi equivocada, eis que a questão do enquadramento do RAT em 2% ou 3% foi objeto de constituição de crédito na NFLD n° 37.085.9308, que deriva da mesma ação fiscal, e seria, naquele processo administrativo, discutida oportunamente; que não podia concordar, de imediato, que o simples fato de ter informado 2% em suas GFIPs como percentual de seu RAT seja por si só considerado um erro, passível de multa; que, de acordo com o disposto na art. 205, § 5°, do Decreto 3.048/1999, é de "responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante", ou seja, a própria empresa é que define sua classificação no CNAE, o percentual de seu RAT, a aliquota do SAT e o percentual que será informado em GFIP; que não se podia admitir é que a empresa seja penalizada por conta do entendimento do Auditor Fiscal de que o enquadramento foi efetuado incorretamente; que somente se poderia aplicar multa se as GFIPs não estivessem preenchidas nesse campo, quando seria o caso de aplicação de multa por "omissão de informação"; ou ainda em caso de a classificação da empresa na tabela CNAE adotada tivesse percentual de RAT diferente do informado em GFIP; que deveriam ser excluídos do presente Auto de Infração as multas aplicadas em função do "RAT % INCORRETO" listadas pelo Auditor Fiscal nos anexos, que totalizaram 54 dos 73 campos incorretos indicados no Auto de Infração. A 6ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG, fls. 105/112, votou pela procedência parcial do lançamento. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 118/125, insurgindose preponderantemente sobre a aplicação de multa decorrente do enquadramento do RAT incorreto. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 131/145, deu parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência da parte da multa Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11330.001027/200789 Acórdão n.º 9202004.468 CSRFT2 Fl. 10 3 aplicada anterior à 11/1999, inclusive, e para que se aplique, caso seja mais benéfico para o contribuinte, o artigo 35A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 147/158, alegando que o paradigma firma entendimento diverso do Acórdão recorrido, no sentido de ser legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, por entender que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o art. 32A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 161/164, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso da Fazenda Nacional, entendendo haver divergência jurisprudencial, pois, conforme entendeu a Câmara a quo, nas situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP, aplicase o art. 32A da Lei 8.212/91, mas, havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I da Lei 9430/96. Já o Acórdão paradigma considerou ser legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35 A da Lei 8.212/91, em situação análoga a presente, por entender que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o art. 32 A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem. Devidamente cientificado, o Interessado apresentou contrarrazões intempestivas às fls. 170/197, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo contudo, prescinde de algumas ponderações. Observese que ambos os paradigmas (AI 68), anexados junto com Recurso Especial tratam de infrações diversas daquelas tratadas no acórdão recorrido (AI 69). Desse modo, não se verifica aqui a similitude fática necessária a autorizar o conhecimento do Recurso em apreço. Desse modo não conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, nos termos do Regimento Interno CARF. É o voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 204DF CARF MF 4 Fl. 205DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.007936/00-29
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: COMPENSAÇÃO — HOMOLOGAÇÃO TÁCITA — Transcorridos cinco anos do pedido de compensação, desde que convertido em declaração de compensação, nos termos dos parágrafos 4° e 5°, do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 49 da Lei n° 10.637/02 e artigo 17 da Lei n°10.833/03, perde o Fisco o direito de não homologar a compensação, verificando-se a definitiva liquidação do tributo.
Numero da decisão: 9101-001.330
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: José Ricardo da Silva
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres (HENRIQUE PINHEIRO TORRES – Presidente em exercício -Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. ReIntórin Cuida-se de Recurso Especial de Divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 04/21, v. 3), com espeque no art. 5°, II, do Regimento Interno deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ern face do acórdão n° 1803-00.183, da 3' Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do CARF, de 10 de outubro de 2009 (fl. 75/81, v. 2), que deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para reconhecer a homologação tácita dos pedidos de compensação formulados nos processos administrativos n° 13807.004767/00-57, n° 13807-006030/00-04 e n° 13807-00793-610029, indeferindo, por considerar prescritos, os pleitos de restituição dos créditos veiculados pela DIRPJ retificadora. Consta dos autos que o contribuinte, em 14/08/2000, formulou pedido de restituição, em virtude de ter efetuado o recolhimento a maior de CSLL, durante o ano- calendário de 1998 (fls. 02/03, v. 1), e a compensação com a COFINS de período subsequente (fls. 04/05, v. 1) A DERAT/SPO, ao analisar o pleito do contribuinte, reconheceu seu direito ao crédito no montante de R$ 647.452,03, conforme fls. 20/22, v. 1. Contudo, ressalta-se que o mesmo apresentou 4 (quatro) processos administrativos de restituição e compensação referente a credito da CSLL, ano-calendário de 1999, cuja numeração é 13807.007243/00-72, 13807.006030/00-04, 13807.004767/00-57 e 13807.007936/00-05. Em virtude do disposto na Portaria SRF 6.129/05, a ilustre Presidente da 7' Turma da DRJ/SPO, por intermédio do despacho de fls. 29 e 31, v. 1, determinou a reunião dos processos. Contudo, por já ter ocorrido o encerramento do processo 13807.004767/00-57 mediante compensação SLEF/MALHA DÉBITO (fls.fls. 168, v. 1), o mesmo foi apensado aos presentes autos (fis. 169, v. 1). 0 Contribuinte, não se conformando com a decisão proferida, apresentou Impugnação, tempestivamente, o qual, ao ser analisado pela 7' Turma da DRJ/SPOI, teve seu pleito indeferido (fls. 01/06, v. 1), conforme se verifica de sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL A no-calendário: 1999 SALDO NEGATIVO DR TRIBUTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de CSLL apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituidos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDIT6RIO, O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Processo n° 13807.007936/00-29 A nirdln n ° 9101-001,1.30 CSRF-Tl Fl. Solicitação Indeferida li-resignada com a decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 12/20, v. 2), o qual, ao ser apreciado pelos membros da 3' Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, se viu provido parcial, conforme se verifica de sua ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido Exercício. 7000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO - PAGAMENTOS INDEL7DOS - PRAZO - HOMOLOGAÇÃO TA CITA - Os pedidos de compensação que em 01/10/2002 encontravam-se pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF são considerados Declaração de Compensação, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei n° 10.63Z de 2002, e pelo art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003. 0 prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. A data de inicio da contagem do prazo de 5 (cinco) anos, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização do pedido na SRF. Transcorridos mais de 5 (cinco) anos da data do pedido de compensação, sem manifestação da autoridade administrativa competente, opera-se a homologação tácita extintiva do crédito tributário. CSLL RESTITUIÇÃO - PRAZO PRESCRICIONAL - É de cinco anos o prazo para pleitear a restituição de crédito da Contribuição Social sobre o Lucro apurado na declaração de rendimentos, tendo corno inicio a data da extinção do crédito tributário. O direito de solicitar a retificação de rendimento Incluído na DIPJ que serviu de base a restituição obedece ao mesmo interregno de prescrição. Exegese do artigo 168. I, do CTN, na forma estatuida pelo artigo 3° da Lei Complementar n° 118/05. Cientificada a Fazenda Nacional da decisão proferida (fls. 82, v.2), e com ela não se conformando, apresentou Recurso Especial de Divergência a esta Egrégia Camara Superior de Recursos Fiscais (fls. 04/21, v. 3), sob os seguintes argumentos: a) a câmara a quo considerou que o prazo para homologação da compensação é de 5 anos, contados da data do protocolo do pedido, independente de f este ter sido realizado antes ou após a MP 135, de 30/10/2003, conforme • interpretação retirada do art. 74, §5°, da Lei 9.430/96; 3 b) a antiga Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, analisando o mesmo dispositivo, fixou exegese diversa da esposada pela Câmara a quo, sob o fundamento de que o prazo de 5 anos para a homologação, disposto no art. 74, §5°, da Lei 9.430/96, com redação conferida pelo art. 17 da MP 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833/03, apenas se aplicaria a partir de 30/10/2003, conforme se verifica da ementa do acórdão 203-11.648: PIS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Na forma do § P do art. 150 do CTN a extinção do crédito tributário se da com o pagamento do credito, sob condição de ulterior homologação. REPETIÇÃO DE INDEBITO. PRESCRIÇÃO/DECADENCIA. Extingue-se em cinco anos, contados da data do pagamento indevido, o prazo para pedido de compensação ou restituição de indébito tributário. SFMFSTRAIIDADF. BASF DF CALCULO. A base de cálculo da Contribuição para o PIS, até 29/02/1996, e, segundo a interpretação do parágrafo único do art. 6°, da Lei Complementar 7/70, dada pelo NU e pela CSRF, o faturamento do sexto Ines anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem atualização monetária. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TA CITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O disposto no § 5° do artigo 74 da Lei no 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135. de 30 de outubro de 2003. convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, segundo o qual considera-se homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja obieto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplica-se somente a partir de 30/10/2003. Recurso provido ern parte. (2° CC, 3a Câmara, Acórdão no 203-11.648, de 06/12/2006)(grifos da PFN) a. se o acórdão recorrido, em interpretação do art. 74, §5°, da Lei 9.430/96, considera ter havido homologação tácita da compensação pelo decurso de mais de 5 anos da data da protocolização do pedido, o acórdão apontado como paradigma considera que o lapso de 5 anos so pode ser contado a partir de 30/10/2003, data da alteração legislativa, já que antes de sua entrada em vigor não havia, para a administração tributária, prazo limite para homologação; b. desta forma, inexistindo, antes da edição da MP 135/03, qualquer determinação legal que obrigasse a administração tributária a homologar os pedidos de compensação em até 5 anos, incabível sua exigência; c. ainda que se queira aplicar o prazo de 5 anos para homologação aos pleitos anteriores a MP 135/03, vale destacar que o prazo deve ser contado a partir do mencionado marco, sendo qualquer outra exegese contrária ao principio da irretroatividade da lei tributária e ofensiva legislação de regência; 4 Processo n° 13807.007936/00-29 CSRF-T1 Acoirao n.° 9101-001330 Fl. d. cita doutrina de Cândido Rangel Dinamarco, onde este rejeita a aplicação imediata de lei processual quando seu objetivo é criar novas impossibilidades jurídicas antes inexistentes; e. o CTN, em seu art. 106, traz norma especifica acerca da aplicação da legislação tributária a ato ou fato pretérito, contudo, ao proceder sua verificação, não se encontra qualquer hipótese que autorize a retroatividade da lei para alcançar fatos similares aos do presente autos; c) nos termos do art. 74, da Lei 9.430/96, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa apenas seriam convertidos em declarações de compensação, em observância ao principio da legalidade, se atendidos os próprios requisitos do caput do citado artigo, dentre eles, a constituição de crédito amparado sem sentença judicial já transitada em julgado, pressuposto que não foi adimplido, em contraposição A exigência de liquidez e certeza em hipóteses como a presente; d) o art. 5 0, II, da CF, diz que "ninguém será obrigado afazer ou deixar de fazer alguma coisa sendo em virtude de lei", enquanto que seu art. 37 afirma que "a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, itnpessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência; e) isto significa que a Administração Pública tem o dever de atuar para a consecução do interesse público, contudo dentro do que determina a lei; f) nos termos do art. 170, do CTN, a extinção do crédito tributário por intermédio da compensação depende de lei autorizadora, que estabeleça as condições e as garantias em que poderia ocorrer, ou atribuiria autoridade administrativa o estabelecimento de condições e garantias; g) a Lei 9.430/96 foi editada justamente para normatizar a forma pela qual seria concedida a compensação no âmbito tributário, deixando claro os requisitos indispensáveis ao deferimento do pleito; h) a compensação fora das hipóteses legais que regem essa modalidade de extinção do crédito tributário não pode ser admitida; i) assim, a conclusão que se chega é que o instituto da compensação tem, no Direito Tributário, tratamento diverso do que lhe é dado pelo Direito Privado, mormente em face do principio da legalidade; j) é importante destacar o Parecer PGFN/CDA/CAT 1499105, que corrobora com a argumentação que vem sendo defendida; k) desta forma, tendo em vista o principio da legalidade e a regra de que o fato regular-se juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência, faz-se necessário a reforma do julgado, já que os pedidos de compensação foram protocolados em 14/08/00, anteriormente, portanto, alteração legislativa trazida pela MP 135, de 30/10/03; 1) assim, não hi que se cogitar de homologação tácita, ainda que decorridos mais de 5 anos entre a data da protocolização do pedido e a ciência do respectivo despacho decisório, pelo fato de que, há época do pleito, marco definidor da legislação aplicável, não estava a administração tributária ao cumprimento de qualquer prazo para referida apreciação; m) o contribuinte deixou de preencher os requisitos constantes dos arts. 170 do CTN e 74 da Lei 9.430; n) ante o exposto, pede o provimento de seu recurso. Submetido o Recurso Especial da Fazenda Nacional ao exame de admissibilidade (fls. 35/40, v. 3), o ilustre Presidente da 4a Câmara, da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconheceu o dissídio jurisprudencial, determinando, em seguida, que fosse dada ciência ao contribuinte para apresentação de contrarrazões. Cientificado o contribuinte da interposição de Recurso Especial pela Fazenda Nacional (fls. 45, v. 3), apresentou contrarrazões (fls. 46/56, v. 3), sob os seguintes argumentos: o) em preliminar, informa que o Recurso da Fazenda Nacional não deve ser conhecido, uma vez que inexiste a divergência jurisprudencial apontada no acórdão 203-11.648, pois o entendimento exarado não corresponde posição assentada pelo atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ou mesmos pela evolução jurisprudencial dos antigos Conselhos de Contribuintes; p) assim, utilizado acórdão cuia tese id tenha sido superada no âmbito da Camara Superior de Recursos Fiscais, deve-se, nos termos do §10°, do art. 67 do RICARF, negar provimento ao mesmo; q) para reforçar sua argumentação, cita os acórdãos administrativos 193- 00007, 108-09528, 103-23373, 103-23471 e 202-19304; r) quanto ao mérito, informa que da leitura dos §§ 4° e 5°, do art. 74, da Lei 9.430/96, surge a norma pela qual, da mesma forma as que declarações de compensação, os pedidos de compensação formulados anteriormente vigência daquela Lei, também se encontram submetidos ao prazo quinquenal para homologação das compensações pela autoridade fiscal; s) é pacifico o entendimento que a lei que dispuser sobre aspectos processuais ou a respeito de procedimentos aplica-se imediatamente; t) em virtude disso, o prazo trazido pela Lei 10.637/03 deveria ter sido obedecido pela autoridade fiscal, não podendo esta sustentar-se no Processo n° 13807.007936100-29 CSRF-Tl A_ce.l.rdk) n.° 9101-001.330 Fl. 4 argumento de possuir suposto direito eterno para apreciar os pedidos efetuados pelos contribuintes; u) as disposições do art. 106, do CTN, aplicam-se a norma de direito material, não processual, aquelas sim relacionadas ao ato e fatos com momento determinado no tempo, sendo defeso a aplicação retroativa da lei tributária nova; v) as normas processuais servem, tdo-somente, a consecução de um direito material juridicamente tutelado, que no caso vertente, é o direito compensação de créditos que o contribuinte possui junto ao Fisco, não podendo ser encaradas como um direito em si mesmo, conferindo uma espécie de "direito adquirido" em favor do Fisco; w) é o inciso XXXVI, do art. 50, da CF, que autoriza a aplicação do prazo quinquenal para homologação das compensações aos pedidos administrativos formulados anteriormente à vigência da Lei 10.637/03; x) não se sustenta a argumentação de que a autoridade fiscal teria o direito a analisar, ad aeternut n, os pedidos formulados pelos contribuinte, pois vivemos num Estado Democrático de Direito, onde a norma processual serve, tão-somente, para tutelar um direito material, que 6 do cidadão, e não do Estado; y) a homologação tácita somente se operou pela excessiva demora na apreciação pela autoridade fiscal do pedido formulado pelo contribuinte; z) ainda que se sustentem a inexistência de prazos anteriores à vigência da Lei 10.637/03, é necessário frisar que esta, ao não reconhecer que os pedidos de compensação suspendiam o crédito tributário, estava submetida ao prazo prescricional do crédito tributário, nos termos do art. 174, do CTN; aa) desta forma, o contribuinte que possuísse credito com o Fisco e aguardasse seu pedido ser homologado, poderia sofrer processo de cobrança judicial ou constrição judicial, em virtude da morosidade administrativa; bb) os débitos compensados através das PERDCOMPS, hoje, são objeto de execuções fiscais contra o contribuinte em questão, sendo patente o abuso de poder estatal ao não reconhecer seu direito, e ainda exigir-lhe o pagamento de um débito que sequer fora devidamente analisado; cc) inúmeros julgados do extinto Conselho de Contribuintes, bem como do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, reconhecem a homologação tácita, aplicando o prazo estabelecido pelo §5°, da Lei 9.430196, aos pedidos de compensação efetuados anteriormente vigência da Lei 10.833/03, dentre os quais a própria decisão citada pd.() acórdão recorrido, qual seja, 108-09702; dd) o acórdão 103-23471 é escorreito ao negar qualquer possibilidade de reconhecimento de ausência de prazos para que a autoridade analise o pedido formulado pelo contribuinte, como se nota de uma simples leitura de sua ementa; ee) ainda que a tese da ausência de quinquênio para a autoridade fiscal homologar os pedidos de compensação não seja aceita por este Conselho, entende que a autoridade fiscal deveria se abster de providenciar processos de cobrança, inscrição em divida ativa e ate ajuizamento de execuções fiscais, em razão da falta de liquidez e certeza do débito compensado ern PERDCOMP; Mao final, pede que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não seja conhecido, haja vista o não preenchimento de suas condições de admissibilidade, contudo, se conhecido , requer seu improvimento, uma vez que os prazos processuais devem ser aplicados imediatamente; Fi o relatório. Voto Conselheiro Jose Ricardo da Silva 0 recurso da Fazenda Nacional é tempestivo, e por ter seu seguimento deferido, dele tomo conhecimento. Centra-se a discussão da lide ern saber se há homologação tácita de pedido de compensação formulado pelo contribuinte antes da edição da MP 135/03, em virtude do decurso de prazo superior a cinco anos entre as datas de apresentação do pedido e do despacho decisório respectivo ou se o prazo decadencial somente passaria a contar a partir de 30/10/2003, data esta da edição da referida Medida Provisória. 0 acórdão recorrido homologou tacitamente os pedidos de compensação formulados nos processos administrativos n° 13807.004767/00-57, n° 13807-006030/00-04 e n° 13807-007936/0029, e indeferiu, por considerar prescritos , os pleitos de restituição dos créditos veiculados pela DIRPJ retificadora, nos seguintes termos: "Os pedidos de restituições originais foram tempestivamente interpostos, nas seguintes datas: i) P.A. n° 13807.004767/00-57: protocolizado em 18/05/2000: ii) P.A. n° 13807.006030/00-04: protocolizado em 27/06/2000: iii) P.A. n° 13807.007243/00-72: protocolizado em 28/07/2000: e iv) P.A. if 13807.007936/00-29: protocolizado em 14/08/2000. Na fbrma do artigo 74, § 5 0, da Lei n° 9.430/96, adiante transcrito, o prazo para a Fazenda homologar as declarações de compensação (e os pedidos de compensação anteriores a 2002) é de cinco anos, contados de sua apresentação: 8 Processo n°13807.007936/00-29 CSR F-TI Acórdao. n.° 9101-001.330 Fl. 5 "Art 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trêinsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal. passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. () § 500 prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No caso. dados os dias dos protocolos dos pedidos, temos que deveria ter sido analisado o mérito das compensações até as seguintes datas-limite: i) P.A. n° 13807.004767/00- 57: 4/05/2005; ii) P.A. if 13807.006030/00-04: 27/06/2005; P.A. n°13807.007243/00-72: 28/07/2005; e iv) P.A. no 13807.007936/00-79: 14/0817005 Acontece, no entanto. que não houve nenhum despacho decisório sobre os pleitos compensatórios, ate o esgotamento dos referidos prazos. Somente se verifica, nos autos, a existência da decisão de j1s. 19/21. referente ao processo administrativo n° 13807.004767/00-57. Mesmo no que pertine a esta, contudo, e de se ressaltar que o despacho foi prolatado em 09/08/2005 — depois , por conseguinte, do termino do prazo decadencial quinquenal. Não ha, por conseguinte, corno se assumir escorreita a assertiva da prescrição das restituições/compensações originalmente intentadas. A Recorrente, relativamente aos créditos inicialmente elencados, protocolou os pedidos pertinentes de forma tempestiva, no ano-calendário de 2000. Jo a Fazenda. ao revés, quedou-se silente, dentro do prazo legal. sobre o reconhecimento on o não-reconhecimento das compensações realizadas. Tem-se nítido caso de homologação tácita dos pedidos originais, na forma ja amplamente consagrada pela jurisprudência deste colegiado: "PEDIDO DE COMPENSAÇÃO - PAGAMENTOS INDEVIDOS- PRAZO - HOMOLOGAÇÃO TÁCITA - Os pedidos de compensação que em 01/10/2002 encontravam-se pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF Ala considerados Declaração de Compensação. para os efeitos previstos no art. 74 da Lei no 9.430. de 1996. com a redação determinada pelo art.49 da Lei n° 10.637) de 2002. e pelo art. 17 da Lei n°10.833. de 2003. 0 prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. A data de inicio da contagem do prazo de 5 (cinco) anos, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização do pedido na SRE Transcorridos mais de 5 (cinco) anos da data do pedido de compensação, sem manifestação da autoridade administrativa competente, opera-se a homologação tácita extintiva do crédito tributário. (Ac. 10. CC - 108-09.702/08)". Idêntica solução. todavia, não pode ser dada aos demais créditos apurados, trazidos à luz pela D1PJ/2000 Retificadora. de um lado, e pelo Pedido de Restituição juntado ti. 75.. de outro lado. Ambos os documentos foram, com efeito, formalizados depois de esgotado o lustro prescricional. 0 aproveitamento deste saldo credor sobressalente somente seria admissivel se suscitado até 31/12/2004, na forma do artigo 168, inciso I, do CTIV: com a interpretação dada pelo artigo 30 da Lei Complementar n° 118/05. Transcrevam-se abaixo ditos dispositivos, por oportuno: Art. 168. 0 direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos. contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário: (.)" "A ri, 32 Para efeito de interpretação do inciso Ido art. 168 da Lei n°5172. de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150 da referida Lei". Ao tentar defender, a todo custo, a tempestividade da inclusão destes novos créditos, afirma o contribuinte que tais montantes já foram compensados, desde o exercício de 2000, com passivos de CSLL devidos por estimativa, apurados naquele mesmo ano. Este fato, embora tenha sido omitido tanto na DIPJ/2000 quanto nos pedidos de restituição originais, teriam sido regularmente declinados na DCTF do ano de 1999. Isto bastaria para demonstrar a liquidez e a certeza de todo o saldo credor sustentado. A despeito destes argumentos, entendemos não caber razão ao contribuinte. A restituição e a compensação. à época, já imprescindiam de pedido formal e escrito it Fazenda. para sua concessão ou homologação, respectivamente. Isto era o que dispunha a então vigente Instrução Normativa SRF n° 21/97. Assim, de todo o exposto ate o momenta fica claro que a decisão recorrida acertou ao declarar a prescrição da pretensão de restituição/compensação dos créditos não inseridos nos pedidos primeiramente apresentados, datados de 2000. Merece reforma o decisum. todavia, no que se refere à extensão da prescrição aos pleitos originals, eis que estes são tempestivos e jet foram, inclusive, tacitamente homologados. 10 Processo ri° 13807.007936/00-29 Acórcitlo n.° 9101-001330 CSRF-T1 Fl. 6 Neste cendrio , indiferente é o debate sobre a anterioridade ou a posteridade da apresentação da DIPJ/2000 Retificadora, em comparação com o despacho decisório da DERAT/SPO (fls. 19/21). Apenas por cuidado, no entanto, consignamos ser insubsistente a orientação adotada pela 7" TUR4.'L4 - DRJ EM SAO PAULO - SP I, vez que a decisão citada se refere apenas ao pedido do processo administrativo n° 13.807.004767/00-57. Além disso, é também certo, como bem asseverou a Recorrente, que a data de concretização deste despacho, para todos os _fins de direito, corresponde ao momento em que o interessado tomou dele ciência (29/09/2005), e não ao dia em que a DERAT/SPO o proferiu. interna corporis. Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para reconhecer a homologação tácita dos pedidos originais de restituição formulados nos processos administrativos n° 13807.004767/00-57. 13807.006030/00-04, 13807.007243/00-72 e 13807.007936/00-29, indeferindo-se, por outro lado, em virtude de já estarem prescritos, os pleitos de restituição/compensação dos demais créditos veiculados pela DIPJ/2000 Refificadora e pelo Pedido de Restituição de _fl. 75." Assim, excluídas as matérias relativas aos pedidos de restituição/compensação, objeto da DIRT retificadora do exercício de 2000 e do pedido de restituição de fl. 75, resta, neste julgado, a discussão sobre o prazo de homologação relativo As compensações protocoladas em 18/05/2000, 27/06/2000, 28/07/2000 e 14/08/2000. O Conselho de Contribuintes se divide em duas posições acerca do prazo de homologação relativo à compensação. Uma, que o prazo de cinco anos para homologação das compensações declaradas impõe-se à administração apenas quanto As DCOMP formalizadas a partir de 31 de outubro de 2003. A outra, no sentido de que transcorridos cinco anos do pedido de compensação, desde que convertido em declaração de compensação, nos termos dos parágrafos 4 0 e 5°, do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada respectivamente, pelo artigo 49 da Lei n° 10.637/02 e artigo 17 da Lei n°10,833/03, perde o Fisco o direito de não homologar a compensação, verificando-se a definitiva liquidação do tributo. A Lei no 10.637/02 estabeleceu a declaração de compensação com efeito extintivo sob condição resolutória da posterior homologação, bem como determinou que os pedidos anteriores ainda pendentes de decisão fossem convertidos em declaração com efeitos desde o inicio de seu protocolo. 0 prazo para o Fisco homologar só foi estabelecido, expressamente pela Lei n° 10.833/03, dai existir jurisprudência deste Conselho no sentido de o Fisco não se submeter a prazo algum em relação aos pedidos/declarações anteriores A edição da Lei n° 10 833/01 Compartilho do segundo entendimento de que passados cinco anos do pedido de compensação, desde que convertido em declaração de compensação nos termos do art. 74, §§ 4° e 50 da Lei n° 10.637/02, perde o Fisco o direito de homologar ou não homologar a compensação, visto que no nosso sistema jurídico não existe prazo perene. Como os pedidos foram formulados em 18/05/2000, 27/06/2000, 28/07/2000 e 14/08/2000, temos que deveria ter sido analisado o mérito das compensações até as datas de 18/05/2005, 27/06/2005, 28/07/2005; e 14/08/2005, respectivamente, e não havendo qualquer pronunciamento até referidas datas limites considero que houve homologação tácita das compensações. Com efeito, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos no artigo 74 (redação do §4° incluída pela Lei n° 10.637, de 2002). 0 prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo sera de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação do §5° dada pela Lei n° 10.833, de 2003). Nesse sentido , o parágrafo 4° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, incluído pela Lei n° 10.637/02, dispõe que os pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. Ou seja, os pedidos de compensação apresentados pelo sujeito passivo, foram convertidos em declaração de compensação , sendo, para os efeitos da norma suscitada, assim considerado desde aquela data. Destaque-se, ainda, que referido dispositivo legal entrou em vigor em 31.12.02, produzindo efeitos desde 10 de outubro de 2002, conforme determina o artigo 68 da Lei n° 10.637/02. in verbis: Art. 68. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I- a partir de 10 de outubro de 2002, em relação aos arts. 29 e 49:" Diante do exposto, a conclusão é a de que transcorrido o prazo para a homologação ou não homologação, pela autoridade fazenddria, da compensação declarada pelo contribuinte, esta se dá de forma tácita, perdendo o fisco o direito de lançar o tributo liquidado por compensação, em razão do prazo homologatório estabelecido pela Lei n° 10.833/03 para os pedidos convertidos em declaração de compensação pela Lei n° 10.637/02. Nesse sentido, voto por negar provimento ao recurso do procurador mantendo o v. Acórdão recorrido 12
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Numero do processo: 10680.916246/2009-93
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Estimativas. Compensação. Admissibilidade.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Súmula CARF nº 84.
Reconhecimento do Direito Creditório. Analise Interrompida em Aspectos Preliminares.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação pelos colegiados anteriores restringiram-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial com retorno dos autos à unidade de origem. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pela Conselheira Lívia de Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amádio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial com retorno dos autos à unidade de origem. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pela Conselheira Lívia de Carli Germano. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amádio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 293 1 292 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.916246/200993 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.486 – 1ª Turma Sessão de 23 de novembro de 2016 Matéria COMPENSAÇÃO INDÉBITO ESTIMATIVAS SÚMULA CARF 84 Recorrente CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Súmula CARF nº 84. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANALISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação pelos colegiados anteriores restringiramse a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento parcial com retorno dos autos à unidade de origem. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pela Conselheira Lívia de Carli Germano. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 62 46 /2 00 9- 93 Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10680.916246/200993 Acórdão n.º 9101002.486 CSRFT1 Fl. 294 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amádio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A, recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 151/179, contra o Acórdão nº 110200.291 (fls. 115 e ss do volume 1 digitalizado) que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário, de forma a não reconhecer o direito creditório indicado para compensação a título de indébito de estimativa de IRPJ. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANOCALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre a receita bruta auferida i nesses períodos, as denominadas estimativas, caracterizam meras antecipações do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro real anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do ano calendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1º de janeiro subseqüente. Eventuais diferenças, a maior, de estimativas recolhidas podem ser compensadas com estimativas mensais devidas ao longo do anocalendário em curso, dada a mesma natureza de antecipação, não, porém, com qualquer outro tipo de dívida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10680.916246/200993 Acórdão n.º 9101002.486 CSRFT1 Fl. 295 3 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. A Recorrente apontou divergência jurisprudencial no que toca à possibilidade de utilizar, em compensações, direito creditório a título de estimativas recolhidas em valores maiores que os devidos. Indicou como paradigma o acórdão nº 10516.205, que tem a seguinte ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR QUE O DEVIDO O valor do recolhimento a titulo de estimativa maior que o devido segundo as regras a que está submetido o lucro real anual, é passível de compensação/restituição, a partir do mês seguinte. O valor que está vinculado à apuração no final do ano é a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência do referido sistema. Nas razões meritórias de defesa, alega a recorrente, em resumo, que os arts. 2º e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não vedam a compensação de estimativas e a única restrição nesse sentido vinha do art. 14 da IN SRF nº 600/2005, que já se encontra revogada. Afirma que o entendimento no sentido de que é possível a compensação de indébitos de estimativa já se encontra consolidado no atual CARF, tendo por precursores acórdãos proferidos no âmbito do antigo Conselho de Contribuintes. Observa que, para definir o que se considera valor indevido é imprescindível verificar as condições sob as quais o valor pago a título de estimativa se revela indevido, o que não foi objeto de análise nos autos e que não está questionando a possibilidade de compensar seus créditos, recolhidos por antecipação, após o fechamento do balanço anual, o que lhe dá a certeza do pagamento indevido, nos moldes da legislação em vigor. Questiona, tão somente, o entendimento equivocado do acórdão recorrido que vedou a compensação de créditos apurados após o transcurso do período anual. Menciona a Solução de Consulta nº 285/2009, da 9ª RF, embasada na IN SRF nº 900, de 2008, que suprimiu a vedação antes imposta pela IN SRF nº 600, de 2005, bem como julgados do STJ e STF. Ao final pede seja dado provimento ao Recurso com conseqüente reforma da decisão recorrida. Pelo Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial de efls. 264/267, a presidência da Primeira Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, deu seguimento ao Recurso Especial. Na seqüência, a PFN apresenta Contrarrazões (efls. 270/278), na qual afirma que o acórdão recorrido deve ser mantido por seus próprios fundamentos. Assinala que para fazer jus à compensação o contribuinte deve observar todos os ditames legais, sob pena de, a bem do princípio da legalidade e da indisponibilidade do interesse público, não ser possível o almejado encontro de contas e que, no caso, não foi observado requisito indispensável de correlação entre o disposto na DCTF e na DCOMP para Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10680.916246/200993 Acórdão n.º 9101002.486 CSRFT1 Fl. 296 4 fins de verificação da existência de crédito não foi cumprido, pois o contribuinte não retificou a tempo a DCTF que continha o suposto erro de fato no preenchimento. Aponta que, ademais, o interessado, juntamente com a manifestação de inconformidade apresentada, não juntou provas capazes de corroborar a existência do alegado direito creditório, não se tratando de mero erro formal, mas sim de descumprimento de condições para a validade da compensação como exige a legislação, e, neste ponto, como exige a lei, todos os procedimentos devem ser respeitados. Ao final pede seja negado provimento ao apelo especial e que seja mantido o acórdão recorrido. Em 29/09/2015 (efl. 285) a recorrente apresenta nova petição pela qual, além de reiterar as razões deduzidas no Recurso Especial, invoca preliminar de nulidade do acórdão recorrido, por preterição do direito de defesa, alegando que o relator do voto proferido nesse acórdão inovou na fundamentação dada para indeferir o pleito e negar provimento ao Recurso Voluntário, eis que não fora aventada, nas fases anteriores do contencioso, a questão da prova da liquidez e certeza do indébito. Nesse sentido aduz que em nenhum momento fora intimada a apresentar elementos que comprovassem a certeza e liquidez do crédito pleiteado, e que esse elemento surpresa tolhe o seu direito de se defender adequadamente das acusações que lhe são imputadas. Invoca jurisprudência administrativa e finaliza pedindo a anulação do acórdão recorrido, por inovação na fundamentação e conseqüente prejuízo ao direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Preliminares O Recurso Especial é tempestivo, eis que a recorrente foi cientificada do acórdão combatido, em 15/09/2011, como atesta o AR de fl. 121 do volume 1 digitalizado, e apresentou a peça recursal em 29/09/2011, como prova o carimbo do protocolo de recebimento. Contudo, o adendo apresentado em 29/09/2015 não deve ser conhecido. Alegações e documentos apresentados depois do prazo de quinze dias, com vistas a complementar o Recurso Especial, não podem ser considerados, para fins de verificação de sua admissibilidade (art. 67, § 13, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015 e alterações). Assim, a recorrente teve o prazo regimental de 15 dias para levantar em suas razões de Recurso Especial eventuais questões preliminares como a trazida no adendo, eis que Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10680.916246/200993 Acórdão n.º 9101002.486 CSRFT1 Fl. 297 5 teve ciência de todos os fundamentos adotados pelo acórdão recorrido, não havendo qualquer justificativa para apresentar outras alegações de defesa após esse prazo. Mérito A questão da possibilidade de aproveitamento de indébitos a título de estimativa de IRPJ e de CSLL como direito creditório em declarações de compensação já foi amplamente discutida neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A partir desses debates, passaram a ser proferidas decisões reiteradas em determinado sentido, o que levou à edição da Súmula CARF nº 84, que dispõe: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a discussão a respeito da questão, no âmbito do antigo Conselho de Contribuintes, e até do próprio CARF, era tormentosa. Havia aqueles que comungavam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF, da DRJ e até mesmo do colegiado a quo, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Devido a essa interpretação, não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente ao do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação era válida e dotada de fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teorizava o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nesse sentido, pois se estaria a registrar o óbvio, já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10680.916246/200993 Acórdão n.º 9101002.486 CSRFT1 Fl. 298 6 Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacavam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Contudo, surgiram robustas interpretações em outro sentido, apoiadas em fortes e sólidos argumentos, como aquelas muito bem deduzidos pela Conselheira Edeli Pereira Bessa, no voto proferido no Acórdão nº 110100.586, de 4/10/2011, cuja transcrição julgo apropriada: A legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Eventualmente, poderseia dizer que não é possível a formação de indébitos em recolhimentos estimados em razão de eles não constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10680.916246/200993 Acórdão n.º 9101002.486 CSRFT1 Fl. 299 7 porém. , exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios apreciados por esta Relatora. Por certo, há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Todavia, esta Relatora já concluiu, em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, que a supressão da referida vedação, veiculada com a Instrução Normativa RFB no 900/2008, melhor se adequou a sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004. Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10680.916246/200993 Acórdão n.º 9101002.486 CSRFT1 Fl. 300 8 renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF n° 03/2000, seria atualizado com juros a taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4° do art. 39 da Lei N° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6° da Lei N° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei N° (6r.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro liquido devidos a partir do mês de Janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL De outro lado é possível interpretar que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10680.916246/200993 Acórdão n.º 9101002.486 CSRFT1 Fl. 301 9 §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacouse) 0 mesmo raciocínio é aplicável às estimativas de CSLL, na medida em que a Lei n° 9.430/96 determina a sua apuração em consonância com o dispositivo antes citado: Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro liquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1° a 3°, 5° a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10680.916246/200993 Acórdão n.º 9101002.486 CSRFT1 Fl. 302 10 Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não se admite, aqui, que a contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10680.916246/200993 Acórdão n.º 9101002.486 CSRFT1 Fl. 303 11 mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10680.916246/200993 Acórdão n.º 9101002.486 CSRFT1 Fl. 304 12 Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10680.916246/200993 Acórdão n.º 9101002.486 CSRFT1 Fl. 305 13 A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. É o que ocorre no presente caso, em que a recorrente alega que errou ao apurar e pagar a estimativa de IRPJ relativa ao mês de janeiro de 2005, em valor maior que o devido, e assim apontou o indébito para compensação com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2005, já que as DCOMP foram formalizadas em dezembro de 2006. E não há nada nos autos que permita concluir que a recorrente não tenha, de fato, errado na apuração e no pagamento da estimativa de IRPJ, do mês de janeiro de 2005. Assim, como a não homologação decorreu de norma que foi inclusive alterada pela própria Administração Tributária, é de se afastar essa motivação. Porém, para que ocorre a homologação da compensação, é necessária a prova da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Afasto, contudo, a arguição da PFN no sentido de que a recorrente não teria feito a prova do indébito e, por tal razão, seu pedido deve ser negado. Ora, o único fundamento das decisões que não homologaram as compensações declaradas nos autos foi a impossibilidade jurídica do pleito. Mas, como visto por tudo o que até aqui foi dito, e em respeito à Súmula CARF nº 84, verificase ser possível, sim, o aproveitamento de indébitos de estimativa de IRPJ e de CSLL em pedidos de restituição ou declarações de compensação. Logo, a homologação expressa exige que a recorrente comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito pleiteado e a correspondente disponibilidade, mediante prova de Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10680.916246/200993 Acórdão n.º 9101002.486 CSRFT1 Fl. 306 14 que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isso porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial da Contribuinte, para, aplicando a Súmula CARF nº 84, reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela unidade de origem, com o consequente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 315DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.014541/00-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone, Caio Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone, Caio Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .0 14 54 1/ 00 -7 1 Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 10768.014541/0071 Resolução nº 1402000.397 S1C4T2 Fl. 2.213 2 Relatório. Tratase o presente processo de pedido de restituição no valor de R$ 698.332,92, oriundo de crédito de Imposto de Renda retido na fonte — IRRF (cód 8045 e 1708), referente aos anoscalendário 1995 a 1999, conexo com pedido de compensação de débitos no valor de R$ 152.812,53 de IRRF lançado de oficio (cód 2932), relativos aos períodos de apuração 1996 a 1998, formalizados no processo n° 15374.001687/0094 (fls. 01/02). Segundo o relatório do v. acórdão recorrido (fls. 645/651), os fatos ocorreram da seguinte forma: Versa o presente processo sobre pedido de restituição, no valor de R$ 698.332,92, oriundo de crédito de Imposto de Renda retido na fonte — IRRF (cód 8045 e 1708), referente aos anoscalendário 1995 a 1999, conexo com pedido de compensação de débitos no valor de R$ 152.812,53 de IRRF lançado de oficio (cód 2932), relativos aos períodos de apuração 1996 a 1998, formalizados no processo n° 15374.001687/0094 (fls. 01/02). 2 No processo n° 10768.014542/0033, em apenso, verificase, às fls. 01/02, mesmo pedido de restituição, conexo com outro pedido de compensação de débitos no valor de R$ 138.188,97 e R$ 12.209,70, referente ao IRRF (cód 2932) e ao IRPJ (cód. 2917), respectivamente, lançados de oficio nos períodos de apuração 1996 a 1998 e formalizados no processo n° 15374.001686/0021. 3 Nestes autos foram juntadas, às fls. 68/148, consultas efetuadas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, tais como, pagamentos (SINAL), declarações de IRPJ (IRPJCONS), declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRFCONS) e demonstrativo da compensação de prejuízos fiscais (SAPLI). 4 Conforme mencionado no Parecer Conclusivo n° 100/05 (fls. 233/235), foi solicitada diligência fiscal no estabelecimento do interessado, conforme despacho de fl. 146, a fim de se apurar os saldos do imposto de renda a pagar (negativo ou não) nos anoscalendário em pauta, ante a escassez dos elementos fornecidos pelo interessado e dos documentos juntados para fins de instrução do processo. 5 A DIPAC da Delegacia da Receita Federal ,de Fiscalização/RJ, em resposta ao pedido de diligência (fls. 152/154), anexou extrato do sistema ação fiscal com a informação de que o contribuinte foi fiscalizado nos períodos de 1996 a 1998, tendo sido lavrados autos de infração constantes dos processos n° 15374.001686/0021 e n° 15374.001687/0094, não se manifestando quanto aos anoscalendário 1995 e 1999. 6 Ante a ausência de diligência, a autoridade administrativa instruiu o processo com novas consultas, referente à declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF, que foram acostadas às fls. 155/232. Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 10768.014541/0071 Resolução nº 1402000.397 S1C4T2 Fl. 2.214 3 7 Através do Despacho Decisório de fls. 236, a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório e declarou não homologadas as compensações efetuadas, com base no Parecer Conclusivo n° 100/05 (fls. 233/235). 8 O interessado, cientificado em 06/07/2005 (fl. 240), apresentou, em 04/08/2005, manifestação de inconformidade de fls. 262/275, na qual alega, em síntese, que: 9 a não realização da diligência requerida, evidencia vício insanável no procedimento em curso; 10 havendo o contribuinte, fornecido documentos e elementos capazes, de identificar seu crédito, não pode a autoridade fiscal alegar que não foram apresentados elementos que permitam a análise do procedimento; 11 a construção dos créditos ora pleiteados poderia ser verificada facilmente pela análise dos informes de retenção enviados individualmente pelas empresas que procederam à retenção do Imposto de Renda, entretanto, a juntada dos referidos documentos somente não foi realizada pelo fato de inviabilizarem o manuseio dos autos, dado seu grande volume; 12 No item 2.1 da manifestação de inconformidade, o interessado discorre sobre a certeza e liquidez do crédito pleiteado, correspondente aos anoscalendário 1995 a 1999. 13 Encerra requerendo que: 14 "— seja declarada a nulidade da citação em face do flagrante cerceamento de defesa no trâmite do processo administrativo, sendo os autos remetidos de volta à Delegacia da Receita Federal para o devido cumprimento das diligências mencionadas às fls. 149, ou; 15 alternativamente, seja reformada a decisão de fls., homologando se a compensação dos respectivos créditos em favor da contribuinte." 16 Acosta aos autos documentos de fls. 276/643. O v. acórdão recorrido decidiu manter o Auto de Infração nos seguintes termos: 18 A manifestação de inconformidade é tempestiva, visto ter sido apresentada em 04/08/2005 (fls. 262) e o interessado cientificado do despacho decisório em 06/07/2005 (fls. 240). 19 Deste modo, passo a examinar a lide, somente agora em face do volume de serviços. 20 Tratase de pedido de restituição de crédito tributário referente ao Imposto de Renda retido na fonte IRRF (cód 8045 e 1708) e pedido de compensação com débitos do interessado, referente a IRRF (cód 2932) e IRPJ (cód. 2917) lançados de oficio e formalizados nos processos n° 15374.001686/0021 e n° 15374.001687/0094. 21 Através do Despacho Decisório de fls. 236, a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório e declarou não Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 10768.014541/0071 Resolução nº 1402000.397 S1C4T2 Fl. 2.215 4 homologadas as compensações efetuadas, com base no Parecer Conclusivo n° 100/05 (fls. 233/235). 22 Não conformado, o interessado apresenta manifestação de inconformidade às fls. 262/275 e junta documentos às fls. 276/643. 23 Preliminarmente, alega o interessado que a não realização da diligência requerida evidencia vício insanável no procedimento em curso e, conseqüentemente, na decisão ora combatida. 24 Cumpre esclarecer que a solicitação da diligência (fls. 149), nos termos em que foi formulada, decorreu da livre convicção da autoridade administrativa que analisou o pleito do interessado. Com a manifestação da Divisão de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal — DIPAC às fls. 152/154 e com as consultas juntadas às fls. 155/232, a autoridade administrativa, em sua livre convicção, entendeu ser dispensável a diligência para emitir o Parecer Conclusivo n° 100/05, onde propôs o indeferimento da restituição, opinando pela não homologação das compensações. 25 Portanto, não há vício no procedimento, ante a não realização da diligência solicitada pela autoridade administrativa. 26 Quanto ao mérito, cumpre inicialmente destacar, conforme já mencionado no Parecer Conclusivo n° 100/05, que a restituição ora solicitada pelo interessado se refere ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, cuja retenção na fonte, quando a lei assim determina, representa uma das modalidades de pagamento. 27 Verificase através do pedido (fls. 01) que o interessado deseja a restituição dos seguintes valores: [...]28 Nas consultas realizadas, referentes ao extrato das declarações de IRPJ, acostadas aos autos às fls. 71/94, verificase que o saldo negativo de IRPJ apurado pelo interessado corresponde a: [...]29 Compõe a apuração desses saldos o valor de Imposto de Renda retido na fonte no montante de: [...]30 A fim de comprovar a existência dos créditos requeridos, o interessado traz aos autos cópias do balancete de verificação contábil dos meses de dezembro, referente aos anoscalendário em exame e das respectivas declarações de IRPJ (fls. 277/616), bem como demonstrativo contendo n° das contas em que foram registrados os valores de IRRF no balancete (fls. 617/620), extrato contendo débitos dos processos n° 15374.001.687/0094 e n° 15374.001.686/0021 (fls. 622/631). 31 Ocorre que tais demonstrativos contábeis isoladamente não comprovam o direito creditório que o interessado pleiteia. Fazse necessária a juntada de documentos que deram suporte a escrituração. 32 Como, no presente caso, o saldo negativo de IRPJ é oriundo basicamente do IRRF, os comprovantes de retenção são peças imprescindíveis na análise da apuração do crédito a ser restituído, portanto, devem ser juntados aos autos. Tal exigência decorre de Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 10768.014541/0071 Resolução nº 1402000.397 S1C4T2 Fl. 2.216 5 expressa previsão, contida na Lei n° 7.450 de 23 de dezembro de 1985, que assim dispõe: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. 33 Acompanhando esses comprovantes de retenção, onde consta o nome e CNPJ da fonte pagadora, bem como os valores de rendimentos e dos respectivos IRRF, o interessado deve preencher demonstrativo informando discriminadamente em qual conta foi escriturado cada um dos rendimentos e respectiva retenção do tributo, constantes dos documentos emitidos pelas fontes pagadoras, juntando ainda a correspondente documentação contábil comprobatória. 34 Tal providência deve ser adotada pelo interessado, visto que o IRRF só pode ser considerado na apuração do saldo do IRPJ a pagar, nos períodos de apuração em que(os respectivos rendimentos componham a base de cálculo do tributo. 35 Entretanto, não é o que se verifica na instrução destes autos. 36 Alega o interessado que os informes de retenção enviados pelas fontes pagadoras encontrase na empresa, entretanto, ajuntada aos autos não foi realizada pelo grande volume de documentos. Nesse sentido, solicita a realização da diligência. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 04/22 primeiro anexo), repisando exatamente os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, entretanto, juntou documentos aos autos de fls.755/2125 (Anexos juntados no processo), que são em sua maioria comprovante de rendimentos pagos e retenção do IRRF das fontes retentoras e pagadoras, informe de rendimentos relativos as comissões do período de 1993 até 1999. Ato contínuo, a Recorrente apresentou petição aos autos (fls. 659/662), requerendo a desistência da lide em relação aos processos ora em análise, devido a inclusão dos débitos constantes nos AIs 15374.001687/0094 e 15374.001686/0021 no programa de parcelamento, conforme a parte do requerimento abaixo colacionada. Adicionalmente, para evitar qualquer adversidade na inclusão dos valores relativos aos autos de infração n's 15374.001687/0094 e 15374.001686/0021 no programa de parcelamento federal mencionado, a Requerente necessita desistir expressamente dos Procedimentos de compensação resultantes de seus Pedidos de Restituição 10768.014541/00.71 e 10768.014542/0033 uma vez que por seu saldo credor estar envolvido com a quitação dos débitos ali discutidos, eventual litigiosidade acerca de sua existência poderia interferir negativamente na regular adesão da Requerente ao programa de parcelamento federal. [...]Em decorrência do acima exposto, resta esvaziado o objeto dos Pedidos de Compensação que seguiram os Pedidos de Restituição ora em discussão. Entretanto, por se tratarem de procedimentos distintos Pedidos de Restituição e Pedidos de Compensação, muito embora autuados sob a mesma identificação junto aos controles da RF8, a Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 10768.014541/0071 Resolução nº 1402000.397 S1C4T2 Fl. 2.217 6 Requerente expressamente indica sua desistência a mas no tocante ao seu leito de compensação, mantendose regularmente seu pedido no tocante ao reconhecimento do seu direito ao crédito para restituição dos valores. Destacase que a desistência dos procedimentos de compensação não tem o condão de extinguir os Pedidos de Restituição por se tratarem, conforme já mencionado, de procedimentos distintos cujo objeto são, em razão de sua pretensão, também distintos. Desta forma, a desistência nos autos dos autos de infração n°s 15374.001687/0094 e 15374,001686/0021 impõe o reconhecimento da extinção dos Pedidos de Compensação vinculados aos Pedidos de Restituição n's 10768.01454110071 e 10768.014542/0033 sem, contudo, impedir o reconhecimento pela RFB do direito da Requerente à restituição dos créditos objeto dos Pedidos de Restituição, ainda que seja necessário a instauração de procedimento paralelo. Ressaltese que, caso seja necessário a instauração de procedimento paralelo, não há que se falar em prescrição do direito ao crédito, uma vez que a Requerente em momento algum se manteve inerte no que concerne ao reconhecimento e aproveitamento dos créditos diversas vezes aqui mencionados. Em seguida, foi preferido r. despacho de fls. 664, determinando a devolução dos autos a unidade de origem, devido a desistência do recurso. Ato contínuo, os autos retornaram e foram encaminhados para julgamento na C. 2 Turma Ordinária da 2 Câmara da 2 Seção de Julgamento, que proferiu r. despacho (fls. 714/717) declinando competência em razão de entender que a matéria era relativa a IRPJ IRRF antecipação. Por fim, os autos foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 10768.014541/0071 Resolução nº 1402000.397 S1C4T2 Fl. 2.218 7 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, por tal motivo, dele tomo conhecimento apenas em relação a matéria e ao requerimento de restituição do imposto, deixando de conhecer a parte relativa aos pedidos de compensação dos créditos com os AIs 15374.001687/0094 e 15374,001686/0021. Conforme o Parece Conclusivo n° 100/05 (fls. 233/235), a Fiscalização não cumpriu com a diligência, mas para suprir a ausência de conteúdo probatório, juntou aos autos extrato do sistema ação fiscal com a informação de que o contribuinte foi fiscalizado nos períodos de 1996 a 1998, tendo sido lavrados autos de infração constantes dos processos n° 15374.001686/0021 e n° 15374.001687/0094, deixando de se manifestar sobre os anos calendários de 1995 e 1999. 4 Conforme mencionado no Parecer Conclusivo n° 100/05 (fls. 233/235), foi solicitada diligência fiscal no estabelecimento do interessado, conforme despacho de fl. 146, a fim de se apurar os saldos do imposto de renda a pagar (negativo ou não) nos anoscalendário em pauta, ante a escassez dos elementos fornecidos pelo interessado e dos documentos juntados para fins de instrução do processo. 5 A DIPAC da Delegacia da Receita Federal ,de Fiscalização/RJ, em resposta ao pedido de diligência (fls. 152/154), anexou extrato do sistema ação fiscal com a informação de que o contribuinte foi fiscalizado nos períodos de 1996 a 1998, tendo sido lavrados autos de infração constantes dos processos n° 15374.001686/0021 e n° 15374.001687/0094, não se manifestando quanto aos anos calendário 1995 e 1999. 6 Ante a ausência de diligência, a autoridade administrativa instruiu o processo com novas consultas, referente à declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF, que foram acostadas às fls. 155/232. Quando a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (primeiro anexo) repisando os mesmos argumentos de defesa da manifestação de inconformidade, juntou aos autos novos documentos, na tentativa de comprovar a retenção do IRRF (todos os anexos). Os documentos são, em sua maioria, comprovantes de rendimentos pagos e de retenção do IRRF das fontes retentoras/pagadoras e informe de rendimentos relativos as comissões do período de 1993 até 1999. Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 10768.014541/0071 Resolução nº 1402000.397 S1C4T2 Fl. 2.219 8 Tais documentos, são aqueles que o v. acórdão recorrido apontou como necessário para a comprovação do crédito de IRRF e que não constavam nos autos até aquele momento, vejamos. 30 A fim de comprovar a existência dos créditos requeridos, o interessado traz aos autos cópias do balancete de verificação contábil dos meses de dezembro, referente aos anoscalendários em exame e das respectivas declarações de IRPJ (fls. 277/616), bem como demonstrativo contendo n° das contas em que foram registrados os valores de IRRF no balancete (fls. 617/620), extrato contendo débitos dos processos n° 15374.001.687/0094 e n° 15374.001.686/0021 (fls. 622/631). 31 Ocorre que tais demonstrativos contábeis isoladamente não comprovam o direito creditório que o interessado pleiteia. Fazse necessária a juntada de documentos que deram suporte a escrituração. 32 Como, no presente caso, o saldo negativo de IRPJ é oriundo basicamente do IRRF, os comprovantes de retenção são peças imprescindíveis na análise da apuração do crédito a ser restituído, portanto, devem ser juntados aos autos. Tal exigência decorre de expressa previsão, contida na Lei n° 7.450 de 23 de dezembro de 1985, que assim dispõe: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. 33 Acompanhando esses comprovantes de retenção, onde consta o nome e CNPJ da fonte pagadora, bem como os valores de rendimentos e dos respectivos IRRF, o interessado deve preencher demonstrativo informando discriminadamente em qual conta foi escriturado cada um dos rendimentos e respectiva retenção do tributo, constantes dos documentos emitidos pelas fontes pagadoras, juntando ainda a correspondente documentação contábil comprobatória. 34 Tal providência deve ser adotada pelo interessado, visto que o IRRF só pode ser considerado na apuração do saldo do IRPJ a pagar, nos períodos de apuração em que os respectivos rendimentos componham a base de cálculo do tributo. Ou seja, os documentos relativos aos períodos de 1995 até 1999, que foram juntados aos autos em sede de Recurso Voluntário, são objeto do processo em epígrafe e não foram analisados pela D. Fiscalização. Inclusive, a ausência de tais documentos nos autos no momento em que foi proferido o v. acórdão recorrido, foi o que fundamentou o não provimento da manifestação de inconformidade. Sendo assim, em respeito ao princípio da busca da verdade material, recebo e analiso tais documentos, eis que são provas passíveis de comprovar a retenção e pagamento do IRRF dos anoscalendários de 1995 até 1999, período objeto do processo em epígrafe,podendo inclusive alterar a base negativa do IRPJ, gerando crédito a ser restituído para Recorrente. Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 10768.014541/0071 Resolução nº 1402000.397 S1C4T2 Fl. 2.220 9 Desta forma, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem analise os documentos dos Anexos de fls. 755/2125, referentes aos períodos de 1995 até 1999 e elabore Relatório Circunstânciado, informando se ocorreu a retenção e o pagamento do IRRF. Caso seja necessário, efetue diligência junto aos comissionados ou empresar de terceiros envolvidas nas operações ora em epígrafe, para comprovar a retenção e o pagamento. Em seguida, intime a Recorrente para se manifestar sobre o Relatório Circunstânciado no prazo de 30 dias. Por fim, retornem os autos para este E. CARF/MF para dar prosseguimento no julgamento do Recuso Voluntário em epígrafe. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 2221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721666/2013-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. MUTUO. NÃO COMPROVAÇÃO.
A comprovação de que os valores recebidos se referem a parcelas de mútuos contratados com outras empresas do mesmo grupo empresarial, sequer objetos de qualquer contrato, deve ser feita com os documentos hábeis e idôneos que suportem os registros contábeis nas contas de razão apresentadas, conforme preceitua o art. 923 do RIR de 1999.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Aplica-se ao lançamento decorrente, o decidido no principal.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Aplica-se ao lançamento decorrente, o decidido no principal.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Aplica-se ao lançamento decorrente, o decidido no principal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. REDUÇÃO.
A multa deve ser reduzida ao percentual de 75% por não haver nos autos comprovação cabal das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. PESSOA JURÍDICA CONTROLADORA
Cabe a responsabilização solidária tributária da empresa controladora (99,99% do capital social), nos termos do art. 124, I do CTN, dado serem desta as decisões pela realização de atos ou negócios jurídicos e pelo cumprimento das obrigações tributárias dele decorrentes, na controlada, o significa o interesse jurídico, ou seja, a participação na mesma situação que pode ser subsumida à hipótese de incidência.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIO MINORITÁRIO
Cabe a responsabilização solidária tributária de sócio minoritário de sociedade anônima fechada, membro do Conselho de Administração, nos termos do art. 124, I do CTN, por ser parte nas decisões pela realização de atos ou negócios jurídicos e pelo cumprimento das obrigações tributárias deles decorrentes.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ADMINISTRADORES COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
Cabe a responsabilização solidária pelo art. 124, I do CTN, de Diretores e membros do Conselho de Administração participantes do processo decisório da empresa.
Numero da decisão: 1201-001.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso de Ofício, com a reinclusão no polo passivo de alguns solidários e negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano e José Roberto, que negavam provimento ao Recurso de Ofício e davam parcial provimento ao recurso Voluntário, para afastar a responsabilidade solidária da controladora.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS - Relator.
EDITADO EM: 19/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. MUTUO. NÃO COMPROVAÇÃO. A comprovação de que os valores recebidos se referem a parcelas de mútuos contratados com outras empresas do mesmo grupo empresarial, sequer objetos de qualquer contrato, deve ser feita com os documentos hábeis e idôneos que suportem os registros contábeis nas contas de razão apresentadas, conforme preceitua o art. 923 do RIR de 1999. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento decorrente, o decidido no principal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento decorrente, o decidido no principal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 16 66 /2 01 3- 56 Fl. 3830DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 3 2 Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento decorrente, o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. REDUÇÃO. A multa deve ser reduzida ao percentual de 75% por não haver nos autos comprovação cabal das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. PESSOA JURÍDICA CONTROLADORA Cabe a responsabilização solidária tributária da empresa controladora (99,99% do capital social), nos termos do art. 124, I do CTN, dado serem desta as decisões pela realização de atos ou negócios jurídicos e pelo cumprimento das obrigações tributárias dele decorrentes, na controlada, o significa o interesse jurídico, ou seja, a participação na mesma situação que pode ser subsumida à hipótese de incidência. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIO MINORITÁRIO Cabe a responsabilização solidária tributária de sócio minoritário de sociedade anônima fechada, membro do Conselho de Administração, nos termos do art. 124, I do CTN, por ser parte nas decisões pela realização de atos ou negócios jurídicos e pelo cumprimento das obrigações tributárias deles decorrentes. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ADMINISTRADORES COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Cabe a responsabilização solidária pelo art. 124, I do CTN, de Diretores e membros do Conselho de Administração participantes do processo decisório da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso de Ofício, com a reinclusão no polo passivo de alguns solidários e negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano e José Roberto, que negavam provimento ao Recurso de Ofício e davam parcial provimento ao recurso Voluntário, para afastar a responsabilidade solidária da controladora. (documento assinado digitalmente) Fl. 3831DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 4 3 ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (documento assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Relator. EDITADO EM: 19/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Relatório Trata o processo de autos de infração de págs. 1.194/1.124, relativos ao período de apuração anocalendário 2009, que exigem: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$16.267.590,80, base legal no art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247, 248, 249 II, 277, 278, 279, 280, 287 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$5.013.000,00, reflexo da mesma infração, base legal no arts. 2º e 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990 e do art. 17 da Lei nº 11.717, de 2008; art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995; art. 2º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996; art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, R$1.671.000,00, reflexo da mesma infração, base legal nos arts. 2º e 8º da Lei n° 9.718, de 1998; art. 1º da Lei Complementar n° 70 de 1991; art. 24, § 2o, da Lei n° 9.249, de 1995, com as alterações introduzidas pelo art. 28 da Medida Provisória n° 449, de 2008 e pelo art. da Lei nº .11.941, de 2009; art. 3o da Lei n° 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória n° 2.15835 de 2001, pelo art. 41 da Lei n° 11.196, de 2005 e pelo art. 7º da Medida Provisória 451, de 2008 e pelo art. 15 da Lei n° 11.945, de 2009; Contribuição para o PIS, reflexo da mesma infração, base legal nos arts. 1º da Lei Complementar n° 7, de 1970; arts. 2º, I e 9ª da Lei n° 9.715, de 1998; arts. 2º da Lei n° 9.718, de 1998; art. 8º, I, da Lei n° 9.715, de 1998; art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, pelo art. 41 da Lei n° 11.196, de 2005 e pelo art. 7° da Medida Provisória 451, de 2008; art. 24, § º da Lei n° 9.249, de 1995, com as alterações introduzidas pelo art. 28 da Medida Provisória n° 449, de 2008, e pelo art. 29 da Lei n° 11.941, de 2009; art. 79, da Lei n° 11.941, de 2009; art. 3º, da Lei n° 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória n° 2.135, de 2001, pelo art. 41 da Lei n° 11.196, de 2005 e pelo art. 15 da Lei n° 11.945/09, de 2009; o imposto e contribuições exigidos foram acrescidos de multa de ofício de 150%; a infração autuada foi: 0001 Omissão de receitas por Presunção Legal Depósitos Bancários de origem Não Comprovada;; os motivos da autuação e descrição dos procedimentos de fiscalização constam do Termo de Verificação de págs. 1.180/1.192. 2. Foram lavrados os Termos de Responsabilidade Solidária de págs. 1.250/1.291 3. Cientificados, o contribuinte e os responsáveis Solidários apresentaram impugnações: Fl. 3832DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 5 4 a. A Autuada, às págs. 1.307/1.345, acompanhada dos documentos de págs. 1.346/1.506; b. Os responsáveis Solidários, págs. 1.507/2.939. 4. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA DRJ/SDR, proferiu o Acórdão nº 1535.531, a 1ª Turma da DRJ/SDR, em 22 de maio de 2014, págs. 3.266/3.296 (3.265/3.295), nos seguintes termos: Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em considerar procedente em parte a Impugnação apresentada, para rejeitar a preliminar de nulidade, os pedidos de diligência e de apresentação posterior de provas, e, no mérito, para:no IRPJ, exonerar a totalidade do valor original de R$ 16.267.590,80; na CSLL, exonerar a totalidade de valor original de R$ 5.013.000,00; na COFINS, manter o montante de valor original de R$ 30.000,00, e exonerar o montante de valor original de R$ 1.641.000,00; no PIS,manter o montante de valor original de R$ 6.500,00, e exonerar o montante de valor original deR$ 355.550,00, com os acréscimos legais correspondentes reduzindo a multa qualificada de 150% para multa de ofício de 75%, mantendo a responsabilidade solidária exclusivamente para a empresa YAMANA RESOURCES BRAZIL BVI LTDA e excluídas para as demais pessoas físicas, nos termos do relatório e do voto que integram este julgado. 5. Às págs. 3.258/3.263, a DRJ/SDR apresenta os formulários FAPLI e FACS referentes a compensações dos Prejuízos Acumulados e da Base de Cálculo da CSLL. 6. A DRJ/SDR apresentou Recurso de Ofício ao CARF. 7. O contribuinte foi cientificado e apresentou Recurso Voluntário ao CARF, em 30/06/2014, págs. 3.361/3.395 (3.360/3.394). 8. A Responsável Solidária Yamana Resources Brazil (BVI) Ltda, apresentou Recurso Voluntário, ao CARF em 31/07/2014, págs. 3.397/3.426 (3.396/3.425), com os documentos de págs. 3.427/3.432 (3.426/3.431). 9. Os demais Responsáveis Solidários apresentaram Contrarrazões ao Recurso de Ofício, ao CARF, págs. 3.468/3.492 (3.467/3.491), em 31/07/2014. 10. À pág. 3.584 (3.583), a Equipe de Controle e Cobrança de Créditos Tributários EQCOB da Delegacia Especial de Administração Tributária DERAT em São Paulo/SP, constata que tanto a Auruada como os Responsáveis Solidários foram devidamente intimados do teor do Acórdão da DRJ/SDR e apresentaram Recursos Voluntários e Contrarrazões do Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Yamana Desenvolvimento Mineral S/A, CNPJ 05.725.958/000163 11. Relata que a DRJ cancelou a quase totalidade do lançamento, porque a recorrente comprovou com documentos hábeis e idôneos a origem da quase totalidade dos depósitos bancários recebidos em suas contas, no período de 01 a 12/2009. Fl. 3833DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 6 5 12. Explica que faz parte de um grupo empresarial e que recebeu, no anocalendário 2009, recursos financeiros de algumas das empresas do grupo, valores esses creditados em sua conta corrente nº 130000134, na agência 2064 do banco Santander, sendo que 98% se referem a empréstimos que recebeu da Mineração Maracá Ind e Com S/A (MMIC). em virtude de Contrato de Mútuo, de 04/07/2008 (doc. 02 da impugnação), no valor de R$100.000.000,00 e que: 10. Como reconhecido expressamente pela r. decisão recorrida, referidos depósitos foram devidamente registrados no Livro Razão da Recorrente, na conta n° 2.3.1.02.006 Mineração Maracá Ind. e Comércio S.A. (doc. 03 da impugnação), e no Livro Razão da MMIC, na conta n° 1.3.4.01.006 Yamana Desenvolvimento Mineral S.A. (doc. 04 da impugnação), sendo os correspondentes lançamentos contábeis coincidentes em datas e valores." 11. No tocante aos depósitos bancários, nos valores de R$ 216.363,21 (duzentos e dezesseis mil, trezentos e sessenta e três reais e vinte e um centavos) e R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), realizados em 26/02/2009 e 29/04/2009, respectivamente, a Recorrente esclareceu, em sua impugnação, que os mesmos se referem à devolução de empréstimos por ela concedidos à Jacobina Mineração e Comércio Ltda. (JMC) e à Serra da Borda Mineração e Metalurgia S.A. (SBMM), 12. Apesar de não terem sido formalizados contratos de mútuo para essas operações, os lançamentos contábeis realizados pelas referidas empresas (does. 05 e 06), coincidentes em datas e valores com os registros contábeis da Recorrente (does. 07 e 08 da impugnação), são meios hábeis para demonstrar a origem daqueles valores. 13. O Autuante não aceitou as provas por entender que os contratos deveriam ter sido levados a registro público e lavrou os autos, com multa de 150%; desprezou os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas acumuladas; porém a DRJ por unanimidade de votos, acatou a comprovação dos empréstimos da MMIC; quanto ás devoluções de empréstimos da SBMM e JMC entendeu que não foram apresentados documentos que corroborassem os argumentos da defesa; considerou os prejuízos fiscais e BC negativas CSLL; reduziu a multa qualificada por se tratar de presunção legal; cancelou a responsabilidade solidária dos acionistas e diretores pessoas físicas, por não se caracterizarem as hipóteses dos arts. 124, 134, 135 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; confirmou a responsabilização solidária da Yamana Resources Brazil (BVI) Ltd, por existência de interesse comum, devido a "confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores"; julgou procedente a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, a partir do primeiro dia seguinte ao decurso do prazo de 30 dias, contado da ciência do lançamento e que, por não constar dos autos, seria "matéria estranha ao feito". 14. Advoga a improcedência do Recurso de Ofício, argumentando que a decisão DRJ não merece reparo no que se refere aos itens da autuação cancelados. 15. Quanto à da origem dos depósitos serem Mútuos com a Mineração Maracá, restou comprovado com a documentação apresentada e reconhecida pela DRJ e se os fatos de não ter sido registrado o contrato e de não estipular juros conforme prescreve o Código Civil, fossem impedimentos, fosse impedimento, a jurisprudência que cita o desmente, pois os demais elementos de prova, confirmam suas alegações, não sendo verdade que não teria pago o principal; a falta de recolhimento de IOF poderia ensejar autuação nesse sentido, mas não Fl. 3834DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 7 6 invalida o fato dos mútuos; e destaca que a Mineração maracá foi objeto de tal autuação, o que confirma os mútuos. 16. No que tange à qualificação da multa de ofício, pois não há elementos de prova que demonstrem o evidente intuito de fraude da Recorrente que a justificassem. 17. Pleiteia a confirmação do aproveitamento do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, que foram desconsiderados pelo autuante, mas reconhecidos pela DRJ. 18. Acerca das Razões do Recurso Voluntário, advoga que a comprovação da origem da maior parte dos depósitos bancários afasta a presunção de omissão de rendimentos; advoga que mesmo os depósitos bancários que a DRJ considerou de origem não comprovada, contudo, os documentos que a Recorrente apresentou comprovam que a causa e origem se trataram de devoluções de valores anteriormente entregues às empresas Jacobina e Serra da Borda, do mesmo grupo empresarial, mas que, a despeito da falta de formalização de contrato, os lançamentos contábeis nas contas Razão da Recorrente e daquelas empresas, coincidentes em datas e valores, comprovam a origem, destacando que o histórico dos lançamentos sempre foi "mútuo". 19. Ainda nas Razões do Recurso Voluntário, advoga a impossibilidade de se aplicar juros de mora sobre multa de ofício, porque o caput do art. 61 e § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, somente autoriza a incidência de juros sobre os débitos "decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" e os §§ 2º e 3º tratam minuciosamente do cálculo das multas, sem prescrever a incidência de juros sobre as mesmas; que as multas, art. 3º do CTN, não possuem natureza jurídica de tributo ou contribuição; que somente cabe a incidência de juros de mora sobre a multa cobrada isoladamente (art. 43 da lei nº 9.430, de 1996). Recurso Voluntário Yamana Resources Brazil (BVI) Ltd, CNPJ 05.801.753/000110 20. Pleiteia que o acórdão recorrido deve ser reformado, pois a manutenção da responsabilidade solidária imputada à Recorrente, em relação aos supostos créditos tributários da YDM, não encontra guarida em nosso ordenamento jurídico, conflitando com a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça e do CARF. 21. Descreve que foi responsabilizada solidariamente em relação aos autos de infração lavrados contra a Yamana Desenvolvimento Mineral S/A, com base nos arts. 124, 134 e 135 do CTN e art. 210 do RIR de 1999; que estes artigos são inaplicáveis, pois inexiste uma única passagem em que estejam descritos, com mínimo de clareza os motivos da responsabilização; entende que o motivo deve ter sido o fato de que ela é a principal acionista; porém a responsabilização não coaduna com a infração por presunção legal; que a manutenção da responsabilização pela DRJ, com base no art. 124, I do CTN, não procede pois esses dispositivo legal não possui a abrangência que lhe foi conferida por aquela decisão. 22. O Direito: disserta sobre o Capítulo IV do CTN, e que o art. 124, I deve ser compreendido nesse contexto, que não traz em seu bojo hipótese de responsabilidade tributária, mas apenas regula as situações em que duas ou mais pessoas, enquanto contribuintes ou responsáveis, respondem solidariamente pelo crédito tributário; que o interesse comum, interpretado em rigor técnico, possui significado próprio, não se confundindo com o interesse econômico, financeiro, comercial, etc; que, atualmente, essa questão encontrase devidamente solucionada pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo prevalecido o entendimento de que o Fl. 3835DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 8 7 "interesse comum", a que alude o inciso I do art. 124, resta caracterizado em situações envolvendo pessoas situadas do mesmo "lado" da relação jurídica, eleita pela lei como fato gerador de determinado tributo, não havendo que se falar em interesse comum se as pessoas ocupam posições distintas naquela relação jurídica, porque, em Direito Tributário, a solidariedade diz respeito ao grau de responsabilidade dos coobrigados, sejam eles contribuintes, sejam responsáveis, não sendo meio pelo qual terceiros são incluídos na relação jurídica tributária, conforme restou decido nos Embargos de Divergência em Recurso Especial n° 446.955/SC, de 09/04/2008, que transcreve, assim outros exemplos. 23. Em resumo, o "interesse comum" referido no inciso I do art. 124 do CTN deve ser entendido como sendo o interesse jurídico, não meramente econômico ou comercial, abrangendo apenas situações em que as pessoas compõem o mesmo pólo da relação jurídica, descrita na hipótese de incidência tributária. 24. Que , diferentemente da afirmação dos julgadores, no caso dos autos, não há que se falar em "confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores", não havendo qualquer elemento de prova, sequer Indícios de que essas situações estão presentes. 25. Que a jurisprudência aponta que o fato de a Recorrente ser controladora da Autuada, não autoriza a responsabilização tributária solidária. 26. Acerca da Improcedência dos Autos de Infração, ressalta que a DRJ cancelou a maior parte e advoga o cancelamento total. Contrarrazões ao Recurso de Ofício. 27. Adalberto Francisco Netto Telles, Alvaro Carlos Paes Pinto, Ana Lúcia Martins, Antenor Firmino Silva Júnior, Arão Portugal, Bonzi Yokomizo Batista dos Santos, Evandro Cardoso Cintra, José Vicente Zerba, Juvenal Mesquita Filho, Ludovico Sebastião Costa, Nelson Roberto Garcia Munhoz, Renato Aurélio Petter, Rogério de Matos Dias e Sérgio Brandão Silva, pessoas físicas, entendem oportuno prestar alguns esclarecimentos adicionais acerca do afastamento, pela decisão DRJ recorrida, da responsabilidade tributária que lhes foi imputada, a fim de demonstrar que a mesma está em sintonia com o entendimento do CARF e do Superior Tribunal de Justiça. 28. Sobre os fatos, afirmam que no Termo de Sujeição Passiva Solidária não há uma única passagem que descreva, com o mínimo de clareza, eventual ato ou omissão dos Recorridos que, no entender da Autuante, justificaria lhes atribuir tal responsabilidade e que tampouco foram trazidos aos autos elementos de prova, nem mesmo foi apontado indícios de que aquelas pessoas teriam participado, direta ou indiretamente, das supostas infrações à legislação tributária, que culminaram na lavratura dos autos de infração contra a YDM e, excetuados os sócios Antenor Firmino Silva Junior e Juvenal Mesquita Filho, os demais aparentemente foram responsabilizados por constarem como Administradores com Vínculo Empregatício. 29. Apontam que os sócios Antenor Firmino Silva Junior e Juvenal Mesquita Filho, foram destituídos da diretoria 2 anos dos fatos autuados. 30. Sobre a do recurso de ofício em relação à responsabilização com base no art. 134, III do CTN, que se trata de responsabilidade solidária dos administradores de bens de terceiros, Fl. 3836DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 9 8 em relação aos tributos por estes devidos, se refere à gestão patrimonial e não à administração societária realizada pelos diretores. 31. No que tange ao art. 135, III, o lançamento foi formalizado em decorrência de presunção, não havendo indícios, nem elementos de prova de atos ilícitos, ou de dolo, cabendo à fiscalização o ônus de comproválo; e o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. 32. É inaplicável ao caso, o art. 124, I do CTN, o fato de alguém figurar na Ficha 61A da DIPJ não caracteriza interesse comum. Como exposto nas impugnações aos Termos de Sujeição Passiva Solidária, o inciso I do art. 124 do CTN deve ser interpretado com rigor técnico, não se podendo confundir o "interesse comum" com o simples "interesse econômico", "financeiro" ou outros tipos de interesses. O "interesse comum", a que alude aquele dispositivo legal, corresponde ao interesse jurídico relacionado ao fato gerador da obrigação tributária, dizendo respeito às situações em que pessoas integram o mesmo pólo da relação jurídica, descrita na hipótese de incidência tributária, e que, portanto, têm a aptidão para figurar conjuntamente no pólo passivo da obrigação principal, ambas como contribuintes ou como responsáveis. A jurisprudência do STJ é pacífica e cita: "o entendimento firmado no acórdão recorrido de que, nos termos do art. 124 do CTN, existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação." 33. O interesse econômico ou a eventual participação em acontecimentos relacionados ao fato gerador não define o vínculo de solidariedade. Para tanto, é preciso que haja o "interesse comum" no fato gerador da obrigação tributária, assim entendido a realização conjunta da situação descrita na hipótese de incidência da norma tributária. 34. O simples fato de uma pessoa estar investida nas funções de diretor e/ou administrador ou, ainda, possuir quotas ou ações da pessoa jurídica não lhe torna responsável pelos débitos desta, nos termos do inciso I do art. 124 do CTN. 35. Quanto ao art. 134, VII do CTN, de pronto e verifica suporta a responsabilização dos Recorridos acionistas da YDM, pelos tributos supostamente devidos por essa sociedade, na medida em que a hipótese desse dispositivo legal alcança apenas os sócios, quando da liquidação de sociedades de pessoas e no caso de sociedade anônima, tratase de sociedade de capital, em que n]ao há sócios, mas acionistas.. 36. Não consta dos autos, qualquer pronunciamento da Procuradoria da Fazenda Nacional PFN. Voto Fl. 3837DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 10 9 1 A autuação. Mérito. 1.1 OMISSÃO DE RECEITAS. 37. A Recorrente cuja atividade econômica informada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, págs. 3/36, foi CNAEFiscal 07.243/01 Extração de minérios de metais preciosos, não informou custos e tampouco receitas da atividade, no anocalendário 2009, apurou prejuízo e lucro real e base de cálculo da CSLL negativos. 38. Foi intimada a apresentar documentos que comprovassem a origem dos valores recebidos na conta corrente 130000134, ag. 2064 do Banco Santander, no período de 09/01/2009 a 26/11/2009, listados no Termo de Intimação Fiscal TIF nº 4 de págs. 709/711, em 12/03/2013. 39. À pág. 714, a Recorrente esclareceu que todos valores se tratam de mútuo passivo formalizado com a Mineração Maracá Ind e Com S/A CNPJ 86.902.053/000113; posteriormente. 40. À pág. 731, complementou informando que movimentação financeira realizada no dia 26/02/2009, tratase de mútuo passivo formalizado com a Jacobina Mineração e Comércio Ltda, .CNPJ 42.463.174/000130; movimentação esta com vício no histórico, pois apesar de constar "pagamento a fornecedores Jacobina", tratase de recebimento de valor no montante de R$216.363,21, conforme se infere dos extratos, sendo mister chamar atenção para as colunas "créditos" e débitos, ou seja, em relação à YDM, tratase de crédito, por seu turno, em relação a JMC, tratase de débito (doc. 2); que firmaram entre si, no período entre 31/07/2006 e 14/06/2012, diversos mútuos que totalizaram R$3.668.908,26, e apresentou cópia autenticada do Termo de Quitação outorgado pela Yamana Desenvolvimento Mineral (YDM) à Jacobina Mineração e Comércio Ltda (JMC), doc. 3. 41. Os doc 2 e 3, são o extrato c/c 130000134, ag. 2064, Santander, de 02/2009 da própria recorrente, págs. 783/785, no qual aparece movimentação a crédito com a descrição “Pagamento a Fornecedores Jacobina M” no dia 26/02/2009, no montante de R$216.363,21, e à pág. 787, o Termo de Quitação datado de 14/05/2013, em que a Recorrente dá quitação à Jacobina Mineração e Comércio Ltda, CNPJ 42.463.174/000130 do valor do mútuo de R$3.668.908,26, referente ao período de 31/07/2006 a 14/06/2012; as assinaturas estão com firma reconhecida em 20/05/2013 e foram apresentados em resposta à intimação fiscal recebida em 16/05/2013, págs. 727/730. 42. Às págs. 716/719, 3.019/3.031, apresentou o extrato bancário faltante do mês 12/2009; e às págs. 720/726, o Contrato de Mútuo em que a mutuante ou credora é a Mineração Maracá Ind e Com S/A e a mutuária ou devedora é a Recorrente; valor máximo de R$100.000.000,00, datado de 04/07/2008, constando que "parte desse crédito já se encontra disponibilizado a Mutuária"; a Data de Pagamento convencionada foi 30/12/2011; não há previsão de pagamento de juros, apenas juros moratórios compensatórios, em caso de inadimplemento; o Contrato não foi levado a registro e tampouco há reconhecimento de firmas de quem assinou, sendo parte de ambas contratantes o sr. Adalberto Franco Netto Telles; às págs. 3.007/3.017, responsável solidária Yamana Resources Brasil (BVI) Ltd, anexou à sua impugnação cópia do Contrato de Mútuo análogo entre a mutuante ou credora Mineração Fl. 3838DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 11 10 Maracá Ind e Com S/A e a mutuária ou devedora que é a Recorrente, no valor máximo de R$1.000.000,00, assinado em 02/01/2006, para o prazo até 31/12/2008; este contrato tampouco foi levado a registro público e não consta reconhecimento das firmas. 43. O TIF nº 5, págs. 727/730, requereu a apresentação do registro do Contrato em Cartório de Títulos e Documentos e os DARFs de recolhimento de IOF sobre os juros pagos pela Recorrente à mutuante; e os registros contábeis do Contrato de Mútuo com a Maracá; e o TIF nº 6, págs. 792/793, requereu o mesmo referente ao Contrato de Mútuo com a Jacobina. 44. A resposta de recorrente a ambas intimações, pág. 796 (e 895), foi que: Cumprenos informar que o Contrato de Mútuo firmado entre a YAMANA DESENVOLVIMENTO MINERAL S.A. e a JACOBINA MINERAÇÃO E COMÉRCIO S.A. não foi registrado no Cartório de Títulos e Documentos. Ademais, vale destacar que em razão da inexistência de estipulação de juros no contrato supracitado, não há que se falar em recolhimento de IRRF Imposto de Renda Retido na Fonte. 45. Às págs. 992/993, e 1.409/1.410, quando da impugnação, a Recorrente apresentou sua conta como Mutuária razão 2.3.1.02.006 Mineração Maracá Ind e Com Ltda, período de 09/01/2009 a 23/12/2009, com lançamentos Mútuo YDM com saldo inicial R$46.715.920,99 e saldo final R$110.602.533,51, débitos de R$65.753,53, e lançamentos a crédito de R$63.886.612,52 evidenciando que a Recorrente recebeu recursos na forma de mútuos, neste montante, cujo saldo em 31/12/2009 era R$110.602.533,51; e págs. 1.411/1.413, a conta da empresa Mineração Maracá Ind e Com S/A (mutuante), razão 1.3.1.01.006 Yamana Desenvolvimento Mineral S/A (mutuária), período de 09/01/2009 a 23/12/2009, com os lançamentos correspondentes: não informa Saldo inicial, total de lançamentos a débito R$63.967.849,03, lançamentos a crédito R$81.236,51 e saldo final R$63.886.612,52D evidencia que a Recorrente recebeu recursos de mútuo no total de R$63.886.612,52, sendo este o saldo em 31/12/2009, no que diverge da Recorrente. 46. Às págs. 1.419/1.422, ao impugnar, apresentou sua conta da mutuária razão 2.3.1.02.006 Mineração Maracá Ind e Com Ltda, do ano 2010, com lançamentos Mútuo YDM, porém sem informar existência de saldo inicial; às págs. 1.423/1.426, a conta razão da empresa Mineração Maracá Ind e Com S/A (mutuante), intitulada 1.3.1.01.006 Yamana Desenvolvimento Mineral S/A (mutuante), do ano 2010, com os lançamentos correspondentes, tampouco apontando a existência de saldo inicial depreendese que o mútuo estaria zerado ao final de 2009, que contradiz Recorrente. 47. À pág. 836, apresentou a sua conta como mutuante, razão 1.3.4.01.022 Jacobina Mineração Comércio Ltda (mutuária) de 26/02/2009 a 30/11/2009, com registro em 26/02/2008 Mútuo YDM R$216.363,21 de saldo inicial, débitos de R$123.417,71 e saldo final R$23.212,77 resultam lançamentos a crédito no valor R$193.150,44, porém não constam as datas dos lançamentos a crédito nesta conta; à pág. 1.414, sua conta razão 1.3.4.01.022 Jacobina Mineração Comercial Ltda (mutuária), lançamento em 26/02/2009, de Mútuo YDM no valor de R$216.363,21, com saldo final R$0,00 resulta que a Jacobina devia o saldo inicial ed R$216.363,21 o qual teria quitado em 26/02/2009; à pág. 1.416, ficha da Jacobina Mineração e Comércio Ltda (mutuária), razão 2.3.1.02.002 Yamana Desenvolvimento Mineral S/A (mutuante), período de 26/02/2009 a 21/11/2009, com registro em 26/02/2009 de débito de Fl. 3839DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 12 11 Mútuo YDM R$216.363,21, não informa saldo inicial e informa saldo final de R$193.150,44 devedor (?) não está clara a movimentação ocorrida. 48. À pág. 1.415, sua ficha razão 1.3.4.01.004 Serra da Borda Mineração e Metalurgia S/A (mutuária), em 29/04/2009 Mútuo Yamana R$1.000.000,00; Saldo inicial R$34.620.522,45, Saldo final R$33.620.522,45 resulta que a Serra da Borda devia o saldo inicial e pagou à Recorrente R$1.000.000,00 em 29/04/2009; às págs. 1.417/1.418, ficha razão 2.3.12.02.002 da mutuária Serra da Borda Mineração Metalúrgica S/A, período de 01/01/2009 a 31/12/2009, conta 2.3.1.02.002 Yamana Desenvolvimento Mineral S/A (mutuante), com lançamento referentes a Mútuo YDM, Mútuo SBMM identificase lançamento a débito de Mútuo Yamana no valor de R$1.000.000,00 em 29/04/2009. 49. Às págs. 1.427/1.461, cópia Auto de Infração exigindo IOF da Mineração Maracá Ind e Com S/A, referente a: Falta de recolhimento do IOF, relativamente a operações de mútuo realizadas pela Mineração Maracá Indústria e Comércio S.A na condição de mutuante, conforme Termo de Verificação Fiscal de 08/12/2011, peça integrante do presente auto de infração. 50. Os períodos autuados vão de 01/01/2007 a 31/12/2008; o Termo de Verificação Fiscal cita que havia contratos de mútuos, entre outros, com: "b) Yamana Desenvolvimento Mineral S/A (contrato datado de 02/01/2006); ii) Yamana Desenvolvimento Mineral S/A (contrato datado de 04/07/2008), com Aditivo (datado de 14/12/2010)"; que identificou operações de mútuo em que a Mineração Maracá Ind e Com S/A era mutuante, com contratos escritos, firmados com a Recorrente, Yamana Desenvolvimento Mineral S/A, mutuária. 51. Às págs. 1.493/1.494, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2010/2009 original, entregue em 30/06/2010, a Recorrente informou: Ficha 36A Ativo Bal Patr 31/12/2008 31/12/2009 16. Não Circulante Realizável a LP Créditos com Pessoas Ligadas 34.572.876,90 37.812.678,42 Ficha 37A Passivo Bal Patr 31/12/2008 31/12/2009 16. Créditos de Pessoas Ligadas 121.395.827,23 0,00 52. Observase que o saldo final de Passivos Créditos de Pessoas Ligadas, informado com zerado, não corresponde aos das fichas Razão, onde o saldo ao final de 2009 era R$ R$110.602.533,51, segundo o razão da Recorrente; R$63.886.612,52, segundo o razão da Mineração Maracá e R$0,00, segundo os razão de ambas, do ano 2010. 1.1.1 Contrato de Mútuo junto à empresa Mineração Maracá Ind e Com Ltda. 53. Do exposto, verificase que: Fl. 3840DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 13 12 a. a recorrente informou na DIPJ que, no início do ano 2009, era devedora de mútuos com outras empresas do mesmo grupo empresarial no total de R$121.395.827,23, que foram quitados até 31/12/2009; b. apresentou Contratos de Mútuos em que a recorrente era mutuária da Mineração Maracá Ind e Com Ltda, no limite até R$100.000.000,00 e vigentes em 2009, estes contratos não foram levados a registro público e, a rigor, não servem de prova contra terceiros; poderiam ser aceitos, se apoiados por outros documentos que os confirmassem; c. as contas razão apresentadas estão em contradição com as da mutuante e em descordo com as informações na DIPJ. 54. Examinandose os extratos da conta corrente 130000134, ag. 2064, Santander, págs. 116/138, e de págs. 716/719, em confronto com os valores autuados, listados no auto de infração de IRPJ, págs. 1.195/1.196, verificase que: data Auto de Infração Extrato Histórico extrato 09/01/2009 300.000,00 300.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 12/01/2009 1.000.000,00 1.000.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 26/01/2009 1.000.000,00 1.000.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 30/01/2009 700.000,00 700.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 12/02/2009 150.000,00 150.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 16/02/2009 1.000.000,00 1.000.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 20/02/2009 600.000,00 600.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 26/02/2009 216.363,21 216.363,21 Recebimento via Pagto Fornecedores Jacobina 06/03/2009 1.000.000,00 1.000.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 16/03/2009 5.400.000,00 5.400.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 27/03/2009 400.000,00 400.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 06/04/2009 400.000,00 400.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 13/04/2009 300.000,00 300.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 20/04/2009 500.000,00 500.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 29/04/2009 1.000.000,00 1.000.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Serra da Borda 06/05/2009 800.000,00 800.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 18/05/2009 800.000,00 800.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 22/05/2009 1.900.000,00 1.900.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 28/05/2009 2.900.000,00 2.900.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 25/06/2009 200.000,00 200.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 29/06/2009 300.000,00 300.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 06/07/2009 1.300.000,00 1.300.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 13/07/2009 500.000,00 500.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 20/07/2009 1.800.000,00 1.800.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 28/07/2009 1.000.000,00 1.000.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 05/08/2009 200.000,00 200.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 06/08/2009 500.000,00 500.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 10/08/2009 1.100.000,00 1.100.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 18/08/2009 700.000,00 700.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 24/08/2009 1.500.000,00 1.500.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 01/09/2009 700.000,00 700.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 15/09/2009 1.000.000,00 1.000.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 21/09/2009 1.300.000,00 1.300.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração Fl. 3841DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 14 13 01/10/2009 600.000,00 600.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 13/10/2009 20.000.000,00 20.000.000,00 Transferência de Saldo de: 2064.13.0000282 22/10/2009 1.500.000,00 1.500.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 05/11/2009 1.100.000,00 1.100.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 17/011/2009 1.000.000,00 1.000.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 24/11/2009 300.000,00 300.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 26/11/2009 1.000.000,00 1.000.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 07/12/2009 2.500.000,00 2.500.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 14/12/2009 300.000,00 300.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 16/12/2009 300.000,00 300.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 18/12/2009 800.000,00 800.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 21/12/2009 1.800.000,00 1.800.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 23/12/2009 1.500.000,00 1.500.000,00 Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração 55. Após vista coletiva aos autos determinada na sessão de julgamento em 09/2016, o Patrono apresentou comprovantes de que os históricos Recebimento via Pagto Fornecedores Mineração, incluíam o nº do CNPJ da Mineração Maracá, assim como, os da Jacobina e da Serra da Borda, respectivamente, com o que restou confirmado que os depósitos efetivamente se originaram dessas empresas. 56. Eis que o RIR de 1999, art. 923, é claro: Da Prova Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). 57. Em complemento, para contextualizar os fatos, cabe lembrar que o Código Civil Brasileiro (CC), Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, especifica: Art. 591. Destinandose o mútuo a fins econômicos, presumemse devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual. 58. O CC não obriga que o contrato de mútuo envolva pagamento de juros e a Recorrente confirmou o teor dos contratos, de que não haviam sido pagos juros no entanto, empréstimos entre empresas, mesmo do mesmo grupo, definitivamente visam "fins econômicos"; eis que empresa é definida como uma unidade econômicosocial, integrada por elementos humanos, materiais e técnicos, que tem o objetivo de obter utilidades através da sua participação no mercado de bens e serviços. Nesse sentido, faz uso dos fatores produtivos (trabalho, terra e capital). 59. E o CC, define empresário: Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Fl. 3842DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 15 14 60. Assim, apesar de finalidade econômica, o mútuo não foi remunerado com juros, o que é prejudicial ao grupo do ponto de vista gerencial, pois uma empresa com superávit de caixa poderia aplicar no mercado financeiro e auferir rendimentos financeiros; empréstimos sem ônus entre as participantes do grupo mascaram os resultados das empresas; o grupo terá dificuldade em avaliar a lucratividade e retorno sobre o investimento de cada empresa. 61. De qualquer forma, não se trata aqui de avaliar o teor dos contratos, mas se os depósitos recebidos eram atinentes a esses mútuos. 62. O Auto de Infração exigindo IOF sobre operações de mútuo da Mineração Maracá Ind e Com Ltda, referese aos anos 2007 e 2008; não ao ano 2009; porém naquela autuação foi constatado que a Maracá tinha contratos como mutuante, com a Recorrente figurando como mutuária, contratos estes que cobriam o ano 2009 e se estendiam até 2010. 63. Também, a Ata da Assembléia Geral Ordinária em 01/06/2012, informa a existência de mútuos passivos relativos à Mineração Maracá, no ano 2010, no montante de R$135.209.000,00. 64. Assim, em que pesem as discrepâncias apontadas entre os Razão da Recorrente e a DIPJ e os Razão da Mineração Maracá e o fato de os contratos de mútuo apresentados não terem sido formalizados mediante registro em Cartório de Títulos e Documentos e de não cobrarem juros, embora fossem com fins econômicos, haja vista a sequência de contratos de mútuo com a Mineração Maracá, o fato de terem sido confirmados pelo Auto de Infração a exigir IOF e a informação contida na Ata da AGO, cabe confirmar a conclusão da DRJ de que se aceita como comprovada a origem dos recursos depositados pela Mineração Maracá. 65. À pág. 1.409, no extrato do Razão da recorrente, consta R$20.000.000,00, em 13/10/2009, a crédito, na conta 2.3.1.02.006 Mineração Maraca Ind e Com S/A., de modo análogo aos demais registros coincidentes com os dos extratos bancários; este depósito/transferência possui o histórico "Transferência de Saldo de: 2064.13.0000282", conta esta que foi comprovada como pertencente também à Mineração Maracá, págs. 3.794/3.828. 66. À vista do exposto, cabe aceitar como comprovado serem referentes a Mútuos, os valores recebidos da Mineradora Maracá. 67. Portanto, cabe excluir o montante de R$65.950.000,00. 1.1.2 Contratos de Mútuo às empresas Jacobina Mineração e Comércio Ltda e Serra da Borda Mineração e Metalurgia S/A 68. A recorrente informou na DIPJ 2010/2009 original entregue, que possuía Créditos (a receber) com Pessoas Ligadas: saldo no início do ano 2009, R$34.572.876,90 e saldo final R$37.812.678,42, enquanto, por outro lado, devia a empresas do mesmo grupo, conforme analisado em item anterior deste voto. 69. Argumenta que créditos em suas contas seriam referentes a depósitos de pagamentos dos mútuos, recebidos das empresas do grupo Jacobina e Serra da Borda. 70. Como já descrito no início do voto, à págs. 731, a Recorrente informou que recebeu no dia 26/02/2009, valor de R$216.363,21, referente a mútuo passivo formalizado com a Fl. 3843DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 16 15 Jacobina Mineração e Comércio Ltda, do mesmo grupo empresarial; que o histórico "pagamento a fornecedores Jacobina", está conforme extrato (doc. 2); que firmaram entre si, no período entre 31/07/2006 e 14/06/2012, diversos mútuos que totalizaram a quantia de R$3.668.908,26 e que anexa cópia autenticada do Termo de Quitação outorgado pela Yamana Desenvolvimento Mineral à Jacobina Mineração E Comércio Ltda (doc. 3). a. O doc 2, é o próprio extrato da Recorrente, que deu origem à intimação, c/c 130000134, ag. 2064, Santander, de 02/2009, págs. 783/785, registra crédito na conta da Recorrente, em 26/02/2009, de R$216.363,21, com o histórico "pagamento a fornecedores Jacobina"; b. O doc. 3, à pág. 787, o Termo de Quitação datado de 14/06/2013, em que a Recorrente dá quitação à Jacobina Mineração e Comércio Ltda, CNPJ 42.463.174/000130 do valor do mútuo de R$3.668.908,26, referente ao período de 31/07/2006 a 14/06/2012; consta ter sido assinado em 14/05/2013, as assinaturas estão com firma reconhecida em 20/05/2013, sendo que o TIF nº 4, em relação ao qual a recorrente forneceu esta resposta foi lhe cientificado em 12/03/2013, pág. 506. 71. No que tange à empresa Jacobina, a alegação da existência de mútuo sem remuneração não é apoiada por contrato; e o Termo de Quitação, tampouco sem registro (somente documento registrado tempestivamente no Cartório de Registro de Títulos e Documentos, faz prova contra terceiros) e com firmas reconhecidas dos assinantes, depois de a Recorrente ter recebido intimação, e não coerente com os extratos de contas Razão tanto da Recorrente como da Jacobina, não são elementos suficientes para que a argumentação seja aceita. 72. Por isso não se considera que a origem do depósito da Jacobina tenha sido comprovada com documentos hábeis e idôneos; haja vista a falta de comprovação de se tratar de pagamento de contrato mútuo, por inexistente, concordo com a conclusão da DRJ, de que não foi justificada a origem desse depósito/crédito. 73. No que se refere à Serra da Borda, foram apresentados apenas alegações e extratos de conta Razão da Recorrente e da Serra da Borda (documentos internos), que apontam saldo final de mútuo em 31/12/2009 de R$33.620.522,45 compatível com a DIPJ apresentada; o valor de R$1.000.000,00 consta como recebido da mesma em 29/04/2009, no extrato da Recorrente; quanto ao motivo/justificativa desse recebimento, não foi apresentado contrato de mútuo que apoiasse a tese de mutuo sem contrato, sem pagamento de juros. 74. À vista disso, concordo com a conclusão da DRJ, de que não foi justificada a origem desse depósito/crédito recebido da Serra da Borda. 1.2 QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. 75. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF emitiu a seguinte Súmula vinculante: Súmula CARF nº 25 (VINCULANTE): A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a Fl. 3844DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 17 16 comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. 76. Cabe, portanto, analisar se há provas nos autos da ocorrência das hipóteses citadas: sonegação, fraude, conluio, se houve simulação dolosa; em caso contrário, a multa deve ser reduzida a 75%. 77. No Termo de Verificação Fiscal TVF, pág. 1.187, o Autuante relata ter concluído que não existiam os contratos de mútuo, tratandose de expediente para trazer dinheiro do exterior para a empresa; que houve simulação a teor do art. 167, § 1º do CC. 78. Como analisado no item Omissão de Receitas, a autuação fiscal exigindo IOF da mutuante Mineradora Maracá, trazida aos autos, corroborou a existência dos contratos de mútuo com a mesma; quanto aos mútuos informais com a serra da borda e jacobina, não comprovados, não se pode caracterizar como simulação dolosa.. 79. Destaquese que a autuação foi por presunção de receitas omitidas com base nos depósitos bancários recebidos; a autuada alegou ter recebido empréstimos (mútuos) e de ter recebido pagamentos dos empréstimos (mútuos) que, por sua vez, teria concedido; como a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar parte das alegações, estas não foram aceitas e a autuação mantida. 80. Os contratos com a Mineração Maracá foram aceitos como verídicos e que os recursos se referiam a mútuo contratado com esta, portanto, validando o contrato apresentado houve suspeita, mas não comprovação cabal das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. 81. À vista do exposto, a multa qualificada deve ser reduzida ao patamar de 75%. 1.3 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. 82. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no art. 113 do CTN. 83. Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa na ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012) seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Fl. 3845DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 18 17 84. A jurisprudência do CARF vem convergindo no sentido de considerar procedente a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, depois de vencido o prazo para pagamento, uma vez que passa a integrar o crédito tributário. Acórdão nº 1401001.578 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de abril de 2016 Ementa: (...) JUROS SOBRE MULTA Sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. Acórdão nº 9303003.476 – 3ª Turma Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Ano calendário:2007 Ementa: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Selic exigida nos termos da lei. Acórdão nº 1401001.573– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2016 Matéria IRPJ. Glosa de participação nos lucros e resultados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. 85. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 86. Notese que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos, para todas as situações. 87. Finalmente a Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito Fl. 3846DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 19 18 tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. 88. E o CTN determina: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 89. Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas. 2 Responsabilidade Solidária, sócios, responsáveis, dirigentes, administradores. 90. Às págs. 1.273/1.291, Termo de Sujeição Passiva Solidária dirigido à empresa sócia controladora da Recorrente, a sócios e aos administradores: Yamana Resources Brazil (BVI) Ltd CNPJ 05.801.753/000110 Adalberto Francisco Netto Telles, CPF 585.223.10700 Ludovico Sebastião Costa, CPF 034.927.50842 Arão Portugal, CPF 377.121.01787 Nelson Roberto Garcia Munhoz, CPF 077.480.74805 Evandro Cardoso Cintra, CPF 071.077.80824 Antenor Firmino Silva Junior, CPF 030.213.43872 Juvenal Mesquita Filho, CPF 320.494.47868 Ana Lucia Martins, CPF 110.066.91839 Renato Aurelio Petter, CPF 439.221.55049 Sergio Brandão Silva, CPF 180.763.83838 Jose Vicente Zerba, CPF 944.084.83834 Rogerio De Matos Dias, CPF 487.485.36687 Bonzi Yokomizo Batista Dos Santos, CPF 009.874.06876 Alvaro Carlos Paes Pinto, CPF 487.485.36687 91. Base legal, págs. 1.289/1.290, arts. 121, II, 124, 134 e 135, III do CTN, e 210, VI do RIR de 1999; dado que, segundo o Autuante: Com base nas informações contidas no Contrato Social, fica claro que o ativo não circulante próprio da empresa não é suficiente para garantia do crédito tributário constituído. A empresa enquadrada nesta situação é representada pelos sócios responsáveis, pelas empresas sócias pessoas jurídicas,e continuam a responder pelo crédito tributário, sendo responsáveis pela guarda dos livros obrigatórios da escrituração comercial/fiscal da empresa e pelos tributos devidos no período em que a empresa exerceu suas operações comerciais. Fl. 3847DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 20 19 Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos dos art. 124, 134 e 135 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e artigo 210 do Decreto 300, de 26 de março de 1999Regulamento do Imposto de Renda, relativamente à exigência tributária de que trata o Auto de Infração do IRPJ – Processo nº19515.721.666/201356, lavrado contra o sujeito passivo – YAMANA DESENVOLVIMENTO MINERAL SA CNPJ 05.725.958/000163. (Anexo Cópias do Auto de Infração e Demonstrativos, do Termo de Verificação Fiscal e do Termo de Encerramento, os quais também foram encaminhados ao contribuinte ) 92. O Balanço Patrimonial informado na DIPJ 2010/2009, págs. 29/31 tem a seguinte estrutura: R$ Mil % R$ Mil % Ativo Circulante 2.244 2 Passivo Circulante 2.131 2 Ativo Não Circulante 108.566 98 Passivo não Circulante 225.001 203 Patrimônio Líquido 116.322 105 Total 110.810 100 Passivo + PL 110.810 100 93. Observa que, do total de Ativo não Circulante de R$108.566Mil, R$37.813Mil são créditos que a recorrente detinha de mútuos com pessoas ligadas, que correspondem a 35% do Ativo Total da empresa; não consta que haja passivos com empresas ligadas; a soma dos passivos (2+203=205) corresponde a 2 vezes o valor do Ativo, apontando para a inadimplência da recorrente. 94. O último Balanço Patrimonial disponível nos autos, à pág. 356, é do ano 2011, em que os Prejuízos Acumulados, que cresceram de 2010 a 2011, resultaram no valor do Patrimônio Líquido de R$() 209.433 Mil em 31/12/2011: R$ Mil % R$ Mil % Ativo Circulante 5.813 5 Passivo Circulante 61.063 50 Ativo Não Circulante 115.753 95 Passivo não Circulante 269.936 222 Patrimônio Líquido ()209.433 172 Total 121.566 100 Passivo + PL 121.566 100 95. O quadro supra evidencia que a empresa detinha 5 vezes mais dividas no curto prazo que valores de bens de direitos de curto prazo; que a soma dos passivos a curto e a longo prazo era quase 3 vezes o valor dos ativos (222+50)/100=2,7, situação que apontava para a inadimplência mais grave ainda; e à pág. 356, o demonstrativo aponta que, do Passivo não Circulante no total de R$269.936 Mil, R$260.816Mil se compunham de mútuos devidos pela Recorrente a partes relacionadas, o que corresponde a 2,14 vezes o valor dos ativos. Fl. 3848DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 21 20 96. Tal situação evidencia confusão patrimonial entre as empresa do grupo, se os mútuos foram contratados sem qualquer remuneração com juros e se, no caso demonstrado acima tais mútuos colocam a Recorrente sob risco de inadimplência. 97. Cabe destacar também, que no ano 2009, objeto da autuação, a DIPJ, págs. 3/36, além de já apontar a inadimplência financeira comentada, a recorrente não informou qualquer custo de produção, nem receitas operacionais portanto, a recorrente não exercia as atividades do seu objeto social; mesmo assim, suportava uma estrutura de diretores e chefias no total de 11 (onze) pessoas declaradas como ”Adm c/ Vínculo Empregatício". 98. Eis que a pessoa jurídica Yamana Resources Brasil (BVI) Ltd, situada em paraíso fiscal, Ilhas Virgens, conforme DIPJ 2010/2009, pág. 32, e atas apresentadas, é detentora de 99,99% do capital social da Recorrente. 99. À vista do exposto, cabe manter a responsabilização solidária da pessoa jurídica controladora Yamana Resources Brasil (BVI) Ltd, com base no art. 124, I do CTN, por se caracterizar que a sócia controlada da autuada tem interesse comum, caracterizado por a controladora da autuada ser quem toma as decisões em relação à autuada, sua controlada 99,99%; a sócia controladora é responsável pelas decisões relativas às infrações autuadas, bem como pelas decisões relativas às movimentações financeiras da empresa: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador. II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. 100. Citese julgado do TRF da 4ª Região: TRIBUTÁRIO. INVESTIMENTO RELEVANTE EM SOCIEDADE COLIGADA. SOLIDARIEDADE NO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DESTA. INEXISTÊNCIA. 1. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação; por outras palavras, (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado (Rubens Gomes de Sousa, Compêndio de Legislação Tributária, 3ª ed., Rio de Janeiro, Edições Financeiras, 1964, p. 67). 2. A sociedade que participa do capital de outra, ainda que de forma relevante, não é Fl. 3849DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 22 21 solidariamente obrigada pela dívida tributária referente ao imposto de renda desta última, pois, embora tenha interesse econômico no lucro, não tem o necessário interesse comum, na acepção que lhe dá o art. 124 do CTN, que pressupõe a participação comum na realização do lucro. Na configuração da solidariedade é relevante que haja a participação comum na realização do lucro, e não a mera participação nos resultados representados pelo lucro. 3. Apelação a que se dá provimento, para a exclusão do nome da apelante do rol dos devedores solidários. (TRF 4ª Região. 2ª Turma, AMS 94.04.550469, Relator Zuudi Sakakihara, DJ 27/10/1999). (Grifouse,) TRF5 AG Agravo de Instrumento AG 158214820124050000 (TRF5) Data de publicação: 03/10/2013 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO ORDINÁRIA. DÉBITO FISCAL. ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO SUSPENSA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO OCORRÊNCIA. ARTIGO 124 , I , DO CTN . 1. Consoante o art. 124 , inciso I , do CTN , são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. 2. Dessa forma, para caracterizar a responsabilidade solidária em matéria tributária é imprescindível que as pessoas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, o que não ocorreu no presente caso. 3. No caso, a conduta isolada atribuída ao agravado não enseja sua responsabilidade solidária pelo valor total do débito fiscal, vez que não restou demonstrada a participação do agravado nos demais ganhos da empresa autuada. 4. Agravo de instrumento não provido. 101. Dessa forma, confirmase a conclusão da DRJ: Quanto à responsabilização solidária atribuída pela Fiscalização tanto aos administradores (pessoas físicas) quanto YAMANA RESOURCES BRAZIL BVI LTDA, de CNPJ 05.801.753/000110, com fundamento no inciso I, do art. 124, do CTN, esta sócia com 99,99% do capital votante da Impugnante, da análise dos elementos de prova do PAF, concluise que: a) A Impugnante faz parte do grupo econômico YAMANA, fato este não contestado pela Impugnante, nem pela própria YAMANA RESOURCES BRAZIL BVI LTDA em suas impugnações; b) da leitura do termo de verificação fiscal de fls. 1435 a 1461, do já citado PAF de n°. 13116.722130/201111, concluise pela existência de conta corrente entre as empresas do referido grupo econômico, coberto por contratos de mútuo, inclusive pelo já citado contrato de mútuo de fls. 720 a 726; Fl. 3850DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 23 22 c) também do referido termo extraise que a Impugnante desempenha a coordenação de toda a administração do grupo YAMANA no Brasil; d) Também resta comprovado pela leitura do termo de sujeição passiva de fls. 1273 a 1291, que a Impugnante possui influência significativa sobre as outras empresas do grupo já que detém ou exerce poder de participar nas decisões políticas financeiras ou operacionais da investida, sem controlála, visto que seus sócios, presidente, conselheiros, administradores participam como sócios, presidente, conselheiros, administradores e diretores das demais empresas do grupo, ressaltando, ainda que o Sr. Arão Portugal, participa também da administração e representa outras empresas do Grupo YAMANA, no exterior, inclusive a matriz, situada no Canadá; Analisados em conjunto, tais informações comprovam o interesse comum existente entre a Impugnante e a YAMANA RESOURCES BRAZIL BVI LTDA na situação que constitua o fato gerador, visto que resta caracterizada confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores, enfim, em todos os casos em que abuso de forma entre as empresas integrantes do agrupamento, conforme alínea "a", do item "8", da NOTA GT RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA n° 1, de 17 de dezembro de 2010, abaixo transcrito: uou, no caso em que ficar caracterizada a confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores, enfim, em todos os casos em que há abuso de forma entre as empresas integrantes do agrupamento" (do grupo econômico). Sendo assim, mantenho a responsabilização solidária da YAMANA RESOURCES BRAZIL BVI LTDA com base o inciso I, do artigo 124, do CTN. 102. No que tange às pessoas físicas, no caso, não se tendo identificado infração aos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, cabe avaliar se aplicável a responsabilização solidária com base no art. 124, I do CTN. 103. Conforme relatado, 12 das 14 pessoas constam da DIPJ 2010/2009 como "Administrador com Vínculo Empregatício" alguns em cargos de direção e membros do Conselho de Administração da Recorrente, dois como sócios, detentores de 1 ação cada: Adalberto Francisco Netto Telles, CPF 585.223.10700 DIPJ: ”Adm c/ Vínculo Empregatício"; Assina Contrato Mútuo em nome de Mineração Maracá, pág. 726; e em nome da Recorrente, pág. 726; págs. 41/44, Ata Reunião Conselho Admin da Recorrente 26/10/2009 membro do Conselho e reeleito Diretor Ludovico Sebastião Costa, CPF 034.927.508 42 DIPJ, ”Adm c/ Vínculo Empregatício"; págs. 41/44, Ata Reunião Conselho Admin da Recorrente 26/10/2009 membro do Conselho e reeleito Diretor Arão Portugal, CPF 377.121.01787 DIPJ, ”Adm c/ Vínculo Empregatício"; Assina Contrato Mútuo em nome da Recorrente, pág. 726; págs. 41/44, Ata Reunião Conselho Admin da Recorrente 26/10/2009 membro do Conselho e reeleito Diretor Fl. 3851DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 24 23 Nelson Roberto Garcia Munhoz, CPF 077.480.74805 DIPJ, ”Adm c/ Vínculo Empregatício"; págs. 41/44, Ata Reunião Conselho Admin da Recorrente 26/10/2009 membro do Conselho e reeleito Diretor Evandro Cardoso Cintra, CPF 071.077.80824 DIPJ, ”Adm c/ Vínculo Empregatício"; Assina Contrato Mútuo em nome de Mineração Maracá, pág. 726 págs. 41/44, Ata Reunião Conselho Admin da Recorrente 26/10/2009 membro do Conselho e reeleito Diretor Antenor Firmino Silva Junior, CPF 030.213.43872 Sócio 1 ação; Ata Reunião Conselho Admin da Recorrente 26/10/2009, sócio e membro do Conselho Juvenal Mesquita Filho, CPF 320.494.47868 Sócio 1 ação; Ata Reunião Conselho Admin da Recorrente 26/10/2009, sócio e membro do Conselho Ana Lucia Martins, CPF 110.066.91839 DIPJ, ”Adm c/ Vínculo Empregatício"; págs. 41/44, Ata Reunião Conselho Admin recorrente 26/10/2009 membro do Conselho e reeleita Diretora Renato Aurelio Petter, CPF 439.221.55049 DIPJ, ”Adm c/ Vínculo Empregatício"; Sergio Brandão Silva, CPF 180.763.83838 " Jose Vicente Zerba, CPF 944.084.83834 " Rogerio de Matos Dias, CPF 487.485.36687 " Bonzi Yokomizo Batista dos Santos, CPF 009.874.06876 " Alvaro Carlos Paes Pinto, CPF 487.485.366 87 " 104. Verificase que, com relação aos sócios com 1 ação cada que, como sócios, participam do processo decisório da Recorrente, que é sociedade anônima fechada com 5 sócios (a controladora, dois sócios pessoas físicas residentes no exterior e os dois sócios aqui nominados, residentes no Brasil), junto com a controladora Yamana Resources Brazil Bvi Ltda; portanto, cabe manter a responsabilidade de Antenor Firmino Silva Junior, CPF 030.213.43872 e Juvenal Mesquita Filho, CPF 320.494.47868, sócios residentes no Brasil; a argumentação de que não mais ocupavam cargos de diretoria, não podendo ser apontados como administradores e responsáveis não procede, dado que, conforme a citada Ata de Reunião do Conselho de Administração, participavam das decisões relativas à gestão da Recorrente. 105. Quanto às demais pessoas físicas: a. o TVF, na pág. 1.186, informa que Arão Portugal, Ana Lúcia Martins Nelson Roberto Garcia Munhoz, eram sócios de outra empresa do grupo: a Jacobina Mineração e Com Ltda; b. o TVF, na pág. 1.186, informa que Evandro Cardoso Cintra, Ludovico Sebastião Costa, Ana Lucia Martins, Arão Portugal, Nelson Roberto Munhoz Garcia e Rogério de Matos Dias, eram sócios da empresa do grupo, a Mineração Maracá Ind e Com S/A ; Fl. 3852DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 25 24 c. A Ata da reunião do Conselho de Administração de 26/10/2009, registra que foram reeleitos pelos membros do dito Conselho como Diretores da Recorrente: Adalberto Francisco Netto Telles, CPF 585.223.10700; Ludovico Sebastião Costa, CPF 034.927.50842; Arão Portugal, CPF 377.121.01787; Nelson Roberto Garcia Munhoz, CPF 077.480.74805; Evandro Cardoso Cintra, CPF 071.077.80824 e Ana Lucia Martins, CPF 110.066.91839; d. quanto aos demais, consta apenas o informado em DIPJ: ”Adm c/ Vínculo Empregatício": Renato Aurelio Petter, CPF 439.221.55049; Sergio Brandão Silva, CPF 180.763.83838; Jose Vicente Zerba, CPF 944.084.83834; Rogerio de Matos Dias, CPF 487.485.36687; Bonzi Yokomizo Batista dos Santos, CPF 009.874.06876; Alvaro Carlos Paes Pinto, CPF 487.485.36687. 106. Cabe destacar que a autuação se refere a omissão de receitas por presunção legal. A Recorrente alegou trataremse os créditos recebidos, mútuos com outras empresas do grupo, os contratos de mútuos apresentados foram aceitos haja vista a autuação fiscal exigindo IOPF exatamenmts sobre mútuos com a Mineração Maracá, portanto, qualquer responsabilização com base no art. 135, III do CTN, não se aplica. 107. Dos elementos supra concluise que cabe ser mantida a responsabilidade solidária das pessoas membros da alta administração, ou seja do Conselho Administrativo e Diretores, o que evidencia que participam das decisões gerenciais da Autuada, aplicandose o art. 124, I do CTN. 108. Resumindo: a. Considerar procedente o Termo de Sujeição Passiva Solidária, com base no art. 124, I do CTN, relativamente a: i. Yamana Resources Brazil (BVI) Ltd CNPJ 05.801.753/000110 ii. Adalberto Francisco Netto Telles, CPF 585.223.10700 iii. Ludovico Sebastião Costa, CPF 034.927.50842 iv. Arão Portugal, CPF 377.121.01787 v. Nelson Roberto Garcia Munhoz, CPF 077.480.74805 vi. Evandro Cardoso Cintra, CPF 071.077.80824 vii. Antenor Firmino Silva Junior, CPF 030.213.43872 viii. Juvenal Mesquita Filho, CPF 320.494.47868 ix. Ana Lucia Martins, CPF 110.066.91839 b. Considerar improcedente o Termo de Sujeição Passiva Solidária, relativo às seguintes pessoas, por não haver elementos a indicar que participassem da alta direção da Recorrente e de suas decisões estratégicas: i. Renato Aurelio Petter, CPF 439.221.55049 Fl. 3853DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 26 25 ii. Sergio Brandão Silva, CPF 180.763.83838 iii. Jose Vicente Zerba, CPF 944.084.83834 iv. Rogerio De Matos Dias, CPF 487.485.36687 v. Bonzi Yokomizo Batista Dos Santos, CPF 009.874.06876 vi. Alvaro Carlos Paes Pinto, CPF 487.485.36687 3 Valores mantidos. 109. As apurações do IRPJ e da CSLL devidos, ao se computar a receita omitida, devem considerar o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL apurados na DIPJ apresentada pelo contribuinte, conforme se demonstra a seguir. IRPJ R$ CSLL R$ Infração Autuada 65.166.363,21 Infração Autuada 65.166.363,21 Infração cancelada voto 63.950.000,00 Infração cancelada voto 63.950.000,00 Compensação de prejuízos do período, pág. 13 33.854.386,19 Compensação BC negativa 33.854.386,19 Lucro real 32.638.022,98 BC 32.638.022,98 IRPJ 15% 0,00 CSLL 9% 0,00 AIR 10% 0,00 Deduções DIPJ pág. 26 0,00 IRPJ 0,00 IRPJ a exigir 0,00 Deduções DIPJ pág. 20 0,00 IRPJ a exigir 0,00 110. O Autuante beneficiou a Autuada, dado que os percentuais de Cofins e PIS, para as empresas no regime de lucro real, sujeitas ao regime nãocumulativo são respectivamente 7,6% e 1,65%; também, deixou de lançar o mês de 02/2009, restando portanto a exigir sobre o depósito em 04/2009: Acórdão Cofins 3% PIS 0,65% abr/09 1.000.000,00 30.000,00 6.500,00 Voto por dar provimento em parte ao recurso de ofício, negar provimento aos recursos voluntários da Autuada e da responsável solidária Yamana Resources Brazil (Bvi) Ltda, dar provimento em parte às Contrarrazões ao Recurso de Ofício; cancelar as exigências de IRPJ e de CSLL; reduzir a exigência de Cofins para R$30.000,00, de PIS para R$6.500,00,00, acompanhados da multa de ofício de reduzida para 75% e juros de mora; considerar procedente o Termo de Responsabilidade Solidária relativo à Yamana Resources Brazil (Bvi) Ltda CNPJ 05.801.753/000110, Adalberto Francisco Netto Telles CPF 585.223.10700, Ludovico Sebastião Costa CPF 034.927.50842, Arão Portugal CPF 377.121.01787, Nelson Roberto Garcia Munhoz CPF 077.480.74805, Evandro Cardoso Cintra CPF 071.077.80824, Antenor Firmino Silva Junior CPF 030.213.43872, Juvenal Mesquita Filho, CPF 320.494.47868, Ana Lucia Martins, CPF 110.066.91839; considerar improcedente o Termo de Sujeição Passiva Solidária, relativo a Renato Aurelio Petter CPF 439.221.55049, Sergio Brandão Silva CPF 180.763.83838, Jose Vicente Zerba CPF Fl. 3854DF CARF MF Processo nº 19515.721666/201356 Acórdão n.º 12011.201.001.528 S1C2T1 Fl. 27 26 944.084.83834, Rogerio De Matos Dias CPF 487.485.36687, Bonzi Yokomizo Batista Dos Santos CPF 009.874.06876 e Alvaro Carlos Paes Pinto, CPF 487.485.36687. (documento assinado digitalmente) Relator Eva Maria Los Fl. 3855DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.720335/2014-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE VGBL. ÔNUS DA PROVA
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, ALICE GRECCHI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, FABIO PIOVESAN BOZZA, ANDREA BROSE ADOLFO, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES, JULIO CESAR VIEIRA GOMES e MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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RESGATE VGBL. ÔNUS DA PROVA Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, ALICE GRECCHI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, FABIO PIOVESAN BOZZA, ANDREA BROSE ADOLFO, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES, JULIO CESAR VIEIRA GOMES e MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 72 03 35 /2 01 4- 52 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/08/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal efetuado por meio da Notificação de Lançamento, para apuração de imposto de renda da pessoa física decorrente de supostas omissões de rendimentos: 1. Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e FAPI, no valor de R$ 63.572,32 Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 ÔNUS DA PROVA Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Verificase, ainda, que o próprio contribuinte juntou a segunda via do informe consolidado de rendimentos financeiros, conforme fls. 26/28, em que consta como Rendimentos Tributáveis, referente à Previdência VGBL o valor de R$ 63.572,32, com IRRF de R$ 9.535,85, fato que ratifica o presente lançamento. O fato de o contribuinte ter juntado os extratos bancários de sua conta junto ao Banco HSBC não é suficiente para comprovar que o mesmo não recebeu tal valor. O resgate de uma aplicação pode ter sido sacado ou movimentado sem passar diretamente pela conta do contribuinte. Para comprovar que de fato não houve tal resgate, o contribuinte deveria ter requerido junto à instituição financeira a retificação da DIRF ou outro comprovante que demonstrasse que o mesmo não recebeu os valores informados em DIRF e que constam no informe de rendimentos juntados pelo próprio contribuinte. Por oportuno, registrese que a prova dos fatos alegados cabe ao impugnante, devendo instruir a impugnação com os documentos em que se fundamente, sob pena de preclusão do direito de fazêlo, intempestivamente, nos termos do art. 15, c/c § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. Contra a decisão, o recorrente reitera em seu recurso voluntário não se beneficiou de resgate de sua previdência complementar e nem efetuou saques em sua conta Fl. 72DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/08/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13854.720335/201452 Acórdão n.º 2301004.756 S2C3T1 Fl. 72 3 corrente; portanto, não haveria imposto a ser exigido. Conforme seu extrato bancário, não houve crédito em sua conta no HSBC. É o Relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/08/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Constatase no Informe Financeiro da fonte pagadora, fls. 25 e s., que se submete à tributação na declaração de ajuste anual o valor relativo à sua previdência privada VGBL de R$ 63.572,32. No mesmo documento consta que o saldo acumulado de prêmios passou de R$ 256.224,01 (31/12/2011) para R$ 192.033,26 (31/12/2012), uma redução de R$ 64.190,75. Em conjunto com a DIRF, tenho para mim que a fiscalização cumpriu o ônus probatória para fundamentação do lançamento. É certo que o recorrente tem direito à contra prova. Até o presente momento se ateve à comprovação de os valores não transitaram pela conta bancária mantida no HSBC. O que a meu ver ainda não é suficiente para convencimento de que o fato gerador do tributo não tenha ocorrido. Ressaltase, inclusive, que o Extrato de Previdência Aberta juntado pelo recorrente traz em alguns meses a comprovação da realização de resgates e transferências internas; como exemplo, os meses de 01/2012 a 05/2012, fls. 54. Ao final do documento consta um resgate total no anocalendário de R$ 1.381.858,64, fls. 55. São descrições de relatórios trazidos aos autos pelo próprio recorrente que indicam a ocorrência de rendimentos. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 74DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/08/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11853.001109/2007-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/10/2006
NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS FORMAIS PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ART. 67, CAPUT E §5º DO RICARF.
No caso de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência.
Hipótese em que não se conhece de Recurso em que ambos acórdãos apontados como paradigmas são proferidos pelo mesmo colegiado da decisão recorrida.
SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
Numero da decisão: 9202-004.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2000 a 30/10/2006 NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS FORMAIS PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ART. 67, CAPUT E §5º DO RICARF. No caso de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. Hipótese em que não se conhece de Recurso em que ambos acórdãos apontados como paradigmas são proferidos pelo mesmo colegiado da decisão recorrida. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
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DECADÊNCIA Recorrente EMPRESA JUIZ DE FORA DE SERVIÇOS GERAIS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2000 a 30/10/2006 NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS FORMAIS PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ART. 67, CAPUT E §5º DO RICARF. No caso de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. Hipótese em que não se conhece de Recurso em que ambos acórdãos apontados como paradigmas são proferidos pelo mesmo colegiado da decisão recorrida. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 00 11 09 /2 00 7- 24 Fl. 360DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias referentes à obrigação do contratante de serviço realizado mediante cessão de mãodeobra reter e recolher 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91. Período de apuração: 01/07/2000 a 30/10/2006, tendo o contribuinte sido cientificado da NFLD em 12.12.2006. Segundo Relatório Fiscal de fls. 60/69, o contribuinte subcontratou serviços executados mediante cessão de mãodeobra na atividade de limpeza, conservação, desinfecção, manutenção de áreas verdes, com fornecimento de materiais e equipamentos, e apesar de reter, deixou de recolher as respectivas contribuições previdenciárias. Após o devido processo legal, o Contribuinte interpôs Recurso Especial contra o acórdão nº 230100.761, da lavra da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que reconheceu de ofício a decadência e aplicando o art. 173, I do CTN julgou parcialmente procedente o Recurso Voluntário por entender não ter ocorrido antecipação de pagamento do tributo (No caso em comento, tratase de contribuição retida e não recolhida, ou seja, de lançamento de ofício, aplicandose, portanto, o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional). Referido acórdão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2000 a 30/10/2006 Ementa:CUSTEIO – CESSÃO DE MÃO DE OBRA – RETENÇÃO 11%. A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11853.001109/200724 Acórdão n.º 9202004.458 CSRFT2 Fl. 360 3 DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. MULTA DE MORA A multa aplicada diante da caracterização da mora encontra amparo legal no art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido em Parte No entendimento do contribuinte, no presente caso, da análise dos livros fiscais e folhas salariais ficou constatado o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias devidas. Esse afirma que, diante da abrangência da fiscalização e pelo fato de não ter sido encontrada outra pendência é de se presumir que a empresa efetuou o pagamento da contribuição devida em razão de outros fatos ao longo do período analisado. Diante disto, deverseia aplicar o art. 150, §4º do CTN. Segundo descrito às fls. 09 do recurso: “Ora, por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) referente ao presente caso e constante das fls. 4451, solicitouse a apresentação da integralidade das folhas de pagamento e livros fiscais da Recorrente. A única pendência encontrada foi a do recolhimento das retenções vinculadas à empresa Ipanema, remanescendo todas as outras livres de vícios, inconteste que o pagamento da contribuição previdenciária fora efetivamente realizado. Destarte, não há que se falar em abstenção do pagamento, e sim em pagamento parcialmente realizado, tal como na hipótese trazida pelo acórdão paradigma.” Em contrarrazões a Fazenda Nacional pugna pela manutenção do acórdão. Defende que para "o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos geradores". É o relatório. Voto Fl. 362DF CARF MF 4 Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Cotejando o teor da decisão recorrida, do Recurso Especial e dos acórdãos apontados com paradigmas, julgo pertinente haver uma reavaliação do juízo de admissibilidade da peça recursal. Inicialmente destacamos que o contribuinte expressamente elegeu como paradigma para fins de comprovação da divergência apenas o acórdão nº 230101.633, que como bem destacado no exame de admissibilidade não pode ser considerado, já que exarado pelo mesmo colegiado que proferiu a decisão recorrida: 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. De toda forma, foram citados outros dois acórdãos (fls. 10 do Recurso): 2301.01.273 e 20501.456. E aqui devem ser feitas algumas considerações sobre o despacho de admissibilidade. Ao analisar o referido despacho é possível perceber o equívoco do Presidente ao afirmar que os outros dois acórdãos paradigmas citados pelo contribuinte seriam os de nº 920200.495 e 20501.456. Conforme se observa do Recurso e conforme consta do parágrafo anterior a segunda e terceira decisão citadas pelo contribuinte foram, respectivamente, as de número 230101.273 e 20501.456. O acórdão nº 920200.495 é apenas mencionado como precedente de uma das decisões colecionadas. Pertinente citar a redação do Recurso do Contribuinte (fls. 09 e 10): No mesmo sentido do acórdão paradigma transcrito, posiciona se de forma pacífica a jurisprudência administrativa, consoante se dessume, dentre outros, dos julgados a seguir: "DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08 declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei IV 8112, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Considerase pagamento, para tal fim, valores recolhidos em relação a quaisquer das rubricas que compõem a base de cálculo do tributo, conforme jurisprudência da Segunda Turma da CSRF, precedente no acórdão n° 920200.495. (destacamos) (CARF nº 2301.01.273, 1ª Turma da 3ª Câmara da Segunda Seção) "DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. (...)." (destacamos) (CARF nº 20501.456, 5ª Câmara do Segundo Conselho)". Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11853.001109/200724 Acórdão n.º 9202004.458 CSRFT2 Fl. 361 5 Desfeito o equívoco, destacamos que por força do art. 67, §5º do RICARF vigente na época da interposição do recurso (06/2012) "na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência". Pela norma acima, considerado que foram apresentados três acórdãos apenas os de número 230101.633 e 230101.273 deveriam ser considerados e como ambos foram proferidos pelo mesmo colegiado da decisão recorrida, é forçoso concluir que o Contribuinte não logrou êxito em comprovar o cumprimento dos requisitos formais para o conhecimento do seu Recurso Especial de Divergência. Ainda que a questão acima fosse superada e tomássemos como decisões divergentes aquelas adotadas pelo despacho de admissibilidade (acórdãos 920200.495 e 205 01.456), no entender desta Conselheira o recurso também não poderia ser conhecido pela ausência de similitude fática desses com o acórdão recorrido. Vejamos: O fato discutido na decisão 920200.495, envolve o lançamento para cobrança de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas (salárioindireto) aos segurados empregados, assim caracterizadas as importâncias concedidas a título de auxilioalimentação, sem a comprovação da devida inscrição no PAT. O entendimento daquele Colegiado pode ser resumido pela transcrição de parte do voto do relator: Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento por tratase de salário indireto, portanto, diferenças de contribuições, uma vez que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante à aplicação do instituto, entendimento não compartilhado por este Conselheiro. Não bastasse isso constatase do item 4.2 do Relatório Fiscal, às fls. 76, a informação de valores que foram deduzidos quando da constituição do crédito previdenciários confirmando a ocorrência de antecipação de pagamento. Assim, ocorrendo a comprovação de recolhimentos, concordam os Conselheiros desta Colenda Câmara, à sua unanimidade, pela aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN, uns pela natureza do tributo outros pela antecipação de pagamento, devendo ser acolhido o pleito da contribuinte para restabelecer a ordem nesse sentido. No processo do acórdão 20501.456, foi lavrado auto de infração para recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados por meio de cartões de premiações, ou seja, também apreciase salário indireto. E aqui a tese adotada pela Turma, se aplicável ao nosso caso concreto, seria contrária ao entendimento do contribuinte, pois segundo a decisão, por inexistir recolhimento relativo a rubrica objeto do lançamento (uma vez que os valores devidos não foram objeto de recolhimento previdenciário), deverseia aplicar o art. 173, I do CTN. Não foi feita qualquer menção acerca de outros pagamentos. Fl. 364DF CARF MF 6 Concluise que ambos acórdãos paradigmas tratam de contribuições devidas em razão de valores pagos a segurados empregados dos autuados, valores classificados pela fiscalização como salário indireto. A tese debatida no caso que poderia favorecer o contribuinte se resumiu em definir se para fins de atração do art. 150, §4º do CTN deveriam ser considerados os valores recolhidos de contribuições previdenciárias decorrentes das remunerações pagas aos respectivos segurados daquela pessoa jurídica autuada. Diferentemente, e aqui julgo ser uma diferença relevante para fins de juízo de admissibilidade, a situação fática analisada no presente lançamento não envolve pagamento de salários indiretos a segurados empregados. Estamos discutindo lançamento baseado na obrigação de retenção de contribuição devida pela cessão de mãodeobra, contribuição que originalmente seria devida por terceiros, mas que por opção legislativa passou para responsabilidade do tomador dos serviços. Portanto, pelo Recurso Especial pretende o Contribuinte discutir se o recolhimento das contribuições pagas aos seus segurados empregados, possui o condão de atrair a aplicação art. 150, §4º do CTN em relação aos valores retidos e não recolhidos em nome de terceiro subcontratatado para prestação de serviços mediante cessãodemão de obra. Diante desta questão, ainda que pudéssemos considerar como paradigma o acórdão nº 920200.495, entendo que a discrepância entre as situações fáticas dos acórdãos impede o estabelecimento da divergência pretendida pelo contribuinte. Pelo exposto, deixo de conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 365DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727350/2009-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 73 50 /2 00 9- 33 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727350/200933 Acórdão n.º 9202004.086 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 274DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727350/200933 Acórdão n.º 9202004.086 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 275DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727350/200933 Acórdão n.º 9202004.086 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 276DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727350/200933 Acórdão n.º 9202004.086 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727350/200933 Acórdão n.º 9202004.086 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727350/200933 Acórdão n.º 9202004.086 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 279DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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