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Numero do processo: 13971.002083/2002-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. ERRO DE ESCRITA.
Constatada o lapso manifesto, com erro de escrita quanto à conclusão do voto, cabe a correção da decisão embargada.
Embargos acolhidos
Numero da decisão: 3301-005.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos interpostos, para fins de retificar a conclusão do acórdão embargado, de "negar provimento ao recurso " para "dar provimento parcial ao recurso", sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: Maria Eduarda Alencar Câmara Simões
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. ERRO DE ESCRITA. Constatada o lapso manifesto, com erro de escrita quanto à conclusão do voto, cabe a correção da decisão embargada. Embargos acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos interpostos, para fins de retificar a conclusão do acórdão embargado, de "negar provimento ao recurso " para "dar provimento parcial ao recurso", sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 20 83 /2 00 2- 14 Fl. 855DF CARF MF 2 Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório O Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas valeuse do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, para interpor Embargos Inominados em face do Acórdão 3802004.299, por lá ter verificado inexatidão material em sua formalização (nos ditos embargos, apontase incorretamente o art. 661 ao invés do art. 61). O dito Conselheiro era relator do voto e Presidente da Turma, ao tempo da prolação do acórdão recorrido. Por bem descrever os fatos, tomo trechos do relatório constante destes embargos: Conforme se verifica do voto condutor do acórdão ora embargado, especificamente no seu item 2 (fls. 845 a 848), identificado como "Da aquisição de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas", decidiu a turma julgadora, por força da regra contida no então vigente art. 62A do Anexo II do RICARF (atual § 2º do art. 62 do mesmo Regimento [...]), reconhecer o direito à inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos a aquisições de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas, em razão da decisão definitiva de mérito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) nesse sentido, decisão essa submetida à sistemática dos recursos repetitivos. Nesse contexto, considerando o reconhecimento do direito do Recorrente quanto a essa matéria, bem como os demais itens do voto condutor do acórdão em que se negou provimento ao recurso, o resultado final do julgamento deveria ter sido no sentido de dar provimento parcial ao recurso. Contudo, constou da ata de julgamento, bem como da conclusão do voto e do acórdão, que a turma decidira por negar provimento ao recurso voluntário, situação essa que não condiz com a materialidade do voto, evidenciando, portanto, a ocorrência de equívoco na formalização do acórdão a justificar os presentes embargos. Resta, portanto, evidenciada a ocorrência de inexatidão material devido a lapso manifesto a demandar saneamento, com a prolação de um novo acórdão, corrigindose, de "negar provimento ao recurso" para "dar provimento parcial ao recurso", o resultado final do julgamento realizado em 19 de março de 2015 pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Desse modo, considerando que se trata de acórdão prolatado por turma extinta, determino o envio dos presentes autos à 3ª Seção do CARF para que providencie a sua inclusão em lote de sorteio, com vistas à apreciação dos presentes Embargos Inominados. Fl. 856DF CARF MF Processo nº 13971.002083/200214 Acórdão n.º 3301005.315 S3C3T1 Fl. 856 3 Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 857DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. Os referidos embargos, entendo, foram admitidos pelo relator embargante. Verificase, dos autos, que o acórdão embargado decidiu pelo provimento do recurso voluntário, quanto ao tema em pauta, no corpo do voto, bem como em sua ementa e parte dispositiva: [...] [...] [...] E, de fato, ao final do voto, o mesmo Conselheiro votou "por negar provimento ao recurso voluntário". Pelo exposto, voto por acolher os embargos interpostos, para fins de retificar a conclusão do voto condutor do acórdão embargado, de "negar provimento ao recurso " para "dar provimento parcial ao recurso", sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 858DF CARF MF Processo nº 13971.002083/200214 Acórdão n.º 3301005.315 S3C3T1 Fl. 857 5 Fl. 859DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.730874/2010-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
AUXÍLIO CRECHE. NÃO CUMPRIMENTO DE DETERMINAÇÃO LEGAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Tratando-se de auxílio creche, o legislador condicionou a não incidência da contribuição previdenciária à comprovação das despesas, não havendo como considerar tal exigência afastada em razão de o pagamento ter sido previsto em convenção coletiva.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. COTEJO REALIZADO PELA FISCALIZAÇÃO.
Em decorrência das alterações promovidas pela MP nº 449/08, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco efetuou o devido cotejo entre a soma das multas aplicadas quando do lançamento, e a penalidade prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, de modo a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte, em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14/09.
Numero da decisão: 2202-004.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento parcial, para fins de reduzir a multa aplicada no lançamento ao patamar de 20%. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao cálculo da multa o conselheiro Ronnie Soares Anderson
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente e Redator Designado.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 AUXÍLIO CRECHE. NÃO CUMPRIMENTO DE DETERMINAÇÃO LEGAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Tratando-se de auxílio creche, o legislador condicionou a não incidência da contribuição previdenciária à comprovação das despesas, não havendo como considerar tal exigência afastada em razão de o pagamento ter sido previsto em convenção coletiva. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. COTEJO REALIZADO PELA FISCALIZAÇÃO. Em decorrência das alterações promovidas pela MP nº 449/08, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco efetuou o devido cotejo entre a soma das multas aplicadas quando do lançamento, e a penalidade prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, de modo a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte, em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14/09.
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NÃO CUMPRIMENTO DE DETERMINAÇÃO LEGAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Tratandose de auxílio creche, o legislador condicionou a não incidência da contribuição previdenciária à comprovação das despesas, não havendo como considerar tal exigência afastada em razão de o pagamento ter sido previsto em convenção coletiva. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. COTEJO REALIZADO PELA FISCALIZAÇÃO. Em decorrência das alterações promovidas pela MP nº 449/08, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco efetuou o devido cotejo entre a soma das multas aplicadas quando do lançamento, e a penalidade prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, de modo a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte, em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14/09. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento parcial, para fins de reduzir a multa aplicada no lançamento ao patamar de 20%. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao cálculo da multa o conselheiro Ronnie Soares Anderson (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 08 74 /2 01 0- 45 Fl. 485DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) (fls. 433/443): Tratase de auto de infração (DEBCAD nº 37.308.9724) constituído pela fiscalização contra o sujeito passivo acima identificado, através do qual foram apuradas as contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados, não descontadas, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, além contribuições previdenciárias a cargo dos contribuintes individuais, não descontadas, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título. No Relatório Fiscal (fls. 140/150), a autoridade lançadora esclarece que: Os créditos previdenciários lançados neste AI são referentes às competências de 01/2006 a 12/2008, e foram apurados com base nas folhas de pagamento de empregados, notas fiscais de contribuintes individuais, planilhas confeccionadas pela autuada, livro diário e livro razão, os quais continham a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados e aos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. As bases de cálculo, utilizadas pela fiscalização, descritas acima, não foram declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Os fatos geradores das referidas contribuições foram apuradas nos seguintes levantamentos: Levantamento – AC: foi apurada a contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos pela empresa a seus segurados empregados, a título de auxílio creche, sem observar, no entanto, os requisitos para que tal verba seja excluída da base de cálculo, na forma do art. 28, § 9º, “s”, da Lei nº 8.212/91 Levantamento – AL: o contribuinte não estava inscrito no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador, no período da Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10580.730874/201045 Acórdão n.º 2202004.599 S2C2T2 Fl. 485 3 autuação, desatendendo à exigência prevista no artigo 28, parágrafo 9º, "c", da Lei nº 8.212, de 1991, e assim, foi apurada a respectiva contribuição previdenciária. Levantamento – CC: Foi apurada a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais, constantes na contabilidade e não declaradas em GFIP. Em função da alteração da Lei nº 8.212/91 promovida pela Lei 11.941/2009, procedeuse à comparação da multa aplicada com base na legislação anterior e a multa aplicada com base na legislação vigente, tendo sido, então, aplicada a mais benéfica ao contribuinte. A multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º do artigo 44 da lei 9.340/96, foi aumentada de metade, em função do não atendimento, no prazo marcado, de intimação fiscal para prestar esclarecimentos ou para apresentar arquivos ou sistemas digitais. A empresa autuada apresentou sua peça impugnatória de fls. 295/337, alegando, em síntese, que: Teria havido vício material no lançamento da contribuição previdenciária em questão, tendo em vista que a autoridade lançadora apurou o débito utilizando para o seu cálculo a alíquota mínima (8%, no caso de empregados e 11%, no caso de contribuintes individuais), sem considerar, portanto, os valores já recolhidos. Desta feita violou um dos requisitos necessários à validade do crédito tributário, posto que o montante devido não foi calculado levando em consideração a alíquota correta, prevista em lei. E assim, em se tratando de débito apurado por aferição indireta, não tendo a autoridade lançadora deixado claro nos autos a norma que utilizou para o cálculo da contribuição previdenciária mediante a utilização da alíquota mínima, restou cerceado o direito de defesa do contribuinte, o que demonstra também a ocorrência de vício formal no lançamento em questão. Ressalta que, no caso, foi arbitrada tanto a base de cálculo quanto a alíquota aplicada no cálculo da contribuição previdenciária devida, transgredindo assim, tanto o art. 20, da Lei nº 8.212/91 quanto o art. 198, do Decreto nº 3.048/99. A impugnante teria verificado que diversos prestadores de serviço que foram identificados pela fiscalização como contribuintes individuais, são, na verdade, pessoas jurídicas, motivo pelo qual pede que sejam excluídos os respectivos valores apurados do débito. Das parcelas consideradas pela fiscalização como salário utilidade: questiona a utilização pela fiscalização de bases de cálculo que não teriam, de fato, natureza salarial, sob o argumento de que Fl. 487DF CARF MF 4 não poderia a lei previdenciária impor condições para a descaracterização de uma parcela como indenizatória, posto que os conceitos de salário e de remuneração já estão previstos no direito trabalhista. Auxílio creche: Transcreve Súmulas do STJ e do CARF no sentido de que não incide a contribuição previdenciária sobre tal verba. Alimentação in natura: Alega que o fato de a empresa não estar inscrita no PAT não é condição necessária para que o auxílio alimentação fornecido pela empresa a seus empregados seja considerado como salário utilidade, passível de incidência da contribuição previdenciária. Dos acréscimos legais: Questiona ainda a impugnante a multa de ofício aplicada, no percentual de 75% e a multa de mora, no percentual máximo de 20%, em razão de ter havido equívoco da fiscalização na aplicação das mesmas. Pede que aquela seja excluída, devendo ser mantida apenas a multa de mora. A empresa autuada apresentou sua peça impugnatória de fls. 295/337, alegando, em síntese, que: Teria havido vício material no lançamento da contribuição previdenciária em questão, tendo em vista que a autoridade lançadora apurou o débito utilizando para o seu cálculo a alíquota mínima (8%, no caso de empregados e 11%, no caso de contribuintes individuais), sem considerar, portanto, os valores já recolhidos. Desta feita violou um dos requisitos necessários à validade do crédito tributário, posto que o montante devido não foi calculado levando em consideração a alíquota correta, prevista em lei. E assim, em se tratando de débito apurado por aferição indireta, não tendo a autoridade lançadora deixado claro nos autos a norma que utilizou para o cálculo da contribuição previdenciária mediante a utilização da alíquota mínima, restou cerceado o direito de defesa do contribuinte, o que demonstra também a ocorrência de vício formal no lançamento em questão. Ressalta que, no caso, foi arbitrada tanto a base de cálculo quanto a alíquota aplicada no cálculo da contribuição previdenciária devida, transgredindo assim, tanto o art. 20, da Lei nº 8.212/91 quanto o art. 198, do Decreto nº 3.048/99. A impugnante teria verificado que diversos prestadores de serviço que foram identificados pela fiscalização como contribuintes individuais, são, na verdade, pessoas jurídicas, motivo pelo qual pede que sejam excluídos os respectivos valores apurados do débito. Das parcelas consideradas pela fiscalização como salário utilidade: questiona a utilização pela fiscalização de bases de cálculo que não teriam, de fato, natureza salarial, sob o argumento de que não poderia a lei previdenciária impor condições para a Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10580.730874/201045 Acórdão n.º 2202004.599 S2C2T2 Fl. 486 5 descaracterização de uma parcela como indenizatória, posto que os conceitos de salário e de remuneração já estão previstos no direito trabalhista. Auxílio creche: Transcreve Súmulas do STJ e do CARF no sentido de que não incide a contribuição previdenciária sobre tal verba. Alimentação in natura: Alega que o fato de a empresa não estar inscrita no PAT não é condição necessária para que o auxílio alimentação o fornecido pela empresa a seus empregados seja considerado como salário utilidade, passível de incidência da contribuição previdenciária. Dos acréscimos legais: Questiona ainda a impugnante a multa de ofício aplicada, no percentual de 75% e a multa de mora, no percentual máximo de 20%, em razão de ter havido equívoco da fiscalização na aplicação das mesmas. Pede que aquela seja excluída,devendo ser mantida apenas a multa de mora. Em 03 de dezembro de 2014, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro deu parcial provimento à Impugnação, em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 433): Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em nulidade por cerceamento de defesa se constam nos autos todos os elementos necessários para o contribuinte ter conhecimento do débito lavrado contra si, especialmente se toda a legislação que amparou a autuação consta devidamente explicitada no anexo apropriado, qual seja, o Fundamentos Legais do Débito – FLD. QUESTÕES DE FATO. PROVAS DOCUMENTAIS. RETIFICAÇÃO DO DÉBITO. Deve ser retificado o débito que, através de provas documentais apresentadas pela empresa autuada junto com a peça impugnatória, restar comprovada a sua improcedência. AUXÍLIO CRECHE. NÃO CUMPRIMENTO DE DETERMINAÇÃO LEGAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Tratandose de auxílio creche, o legislador condicionou a não incidência da contribuição previdenciária à comprovação das despesas, não havendo como considerar tal exigência afastada em razão de o pagamento ter sido previsto em convenção coletiva. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. INSCRIÇÃO. PAT. AUSÊNCIA. Fl. 489DF CARF MF 6 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. COMPARAÇÃO. MESMA CONDUTA PUNÍVEL. A comparação das multas vigentes na lei anterior e na lei atual, para fins de aplicação daquela mais benéfica para o contribuinte, deve ser efetuada entre normas que dispõem acerca de multas que tem por objetivo punir a mesma conduta do sujeito passivo. Cientificado da referida decisão (AR fls. 458) o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 460/482 no qual reitera as razões já suscitadas quando da impugnação. É o relatório Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINARES 1.1) CERCEAMENTO DE DEFESA E DESCUMPRIMENTO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL EM VIRTUDE DA AUSÊNCIA DA JUNTADA DE DOCUMENTOS MENCIONADOS NA DECISÃO RECORRIDA. A impugnante alega que teria verificado que diversos prestadores de serviço que foram identificados pela fiscalização como contribuintes individuais, são, na verdade, pessoas jurídicas, motivo pelo qual pede que sejam excluídos os respectivos valores apurados do débito. A decisão recorrida, deu parcial provimento as alegações da Impugnante, ora Recorrente, por entender que, de fato, o valor de R$ 3.000,00 pagor a Edson de Santos Pinto, através na Nota Fiscal nº 447 de 02/08/2007 (fls. 352) era referente à pessoa jurídica. Quanto aos demais, alegou que: A impugnante alega ainda que teria verificado que diversos prestadores de serviço que foram identificados pela fiscalização como contribuintes individuais, são, na verdade, pessoas jurídicas, motivo pelo qual pede que sejam excluídos os respectivos valores apurados do débito. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10580.730874/201045 Acórdão n.º 2202004.599 S2C2T2 Fl. 487 7 Apesar de a impugnante alegar que teria identificado diversos prestadores de serviço que, na verdade, se tratavam de pessoas jurídicas, trouxe aos autos apenas as notas fiscais de fls. 352/353. Analisando tais documentos, foi possível confirmar que, de fato, o valor de R$ 3.000,00 pago a Edson de Santos Pinto, através da Nota Fiscal nº 447, de 02/08/2007 (fls. 352) é referente a serviço prestado por pessoa jurídica, devendo, dessa forma, ser excluído do débito em questão. Por outro lado, cotejando as informações constantes na Nota Fiscal apresentada pela empresa às fls. 353, com a planilha de fls. 285/293, elaborada pela autoridade lançadora, verificase que se trata de pagamento diferente aqueles identificados pela fiscalização em seu Livro Razão e objeto do presente auto de infração, não merecendo acolhida o argumento do contribuinte nesse ponto Em seu recurso, alega a Recorrente que não seria necessária a juntada de todas as notas fiscais dos prestadores para o cancelamento do lançamento efetuado. Incorretas as alegações da Recorrente. Isso porque o ônus de comprovar fato extintivo do direito da fazenda pública realizar o lançamento é seu (Recorrente). Todavia, verificase que promoveu apenas a juntada parcial da comprovação de que os pagamentos teriam sido realizados à pessoas jurídicas. Ressaltese que mesmo após a decisão recorrida ter apontado a ausência de documentação, o Recorrente não promoveu a juntada dos documentos em grau de recurso. Em face do exposto, rejeito a preliminar 2) MÉRITO 2.1) DO AUXÍLIO CRECHE A natureza indenizatória dos valores pagos pelos empregadores à título de "auxílio creche" foi reiteramente reconhecida pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme se constata pelo teor da Súmula 310 abaixo transcrita: Súmula nº 310 Auxílio Creche Salário de Contribuição O auxílio creche não integra o salário de contribuição. Da mesma forma, já se manifestou esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cuja orientação encontrase sumulada, conforme verifica pela súmula 64 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 64: Não incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxíliocreche, na forma do artigo 7o, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatória. O § 9º, art. 28 da Lei 8.212/91, por sua vez, é claro ao dispor sobre as parcelas que não integram o saláriodecontribuição: Fl. 491DF CARF MF 8 Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Acrescentada pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97).(grifamos) Dessa forma, verificase que a controvérsia dos autos não se refere à natureza do auxíliocreche, mas a comprovação do recolhimento da mencionada verba pelo autuado, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: Assim, para que fosse aplicada a norma acima, seria necessário que houvesse a comprovação por parte da empresa dos gastos incorridos pelos funcionários, o que de fato não ocorreu. Isto porque, a fiscalização foi clara em seu relatório fiscal de fls. 194 ao afirmar que: Essa fiscalização solicitou ao HOSPITAL DA BAHIA através do TIF do dia 28/07/2010 a documentação de reembolso de despesas com creche, mas a empresa informou através de uma declaração por escrito, em anexo, que o auxilio creche era concedido em conformidade ao acordo coletivo, em anexo, o qual define um valor fixo mensal por filho menor de seis anos de idade, mas sem a necessidade de comprovar despesa por parte do empregado. Desta forma, não há como ser aplicada a norma prevista na alínea “s” do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, incluída pela Lei nº 9.528, de 10/12/97. A Recorrente, por sua vez, afirma que a determinação de recolhimento por parte da convenção coletiva do trabalho, dispensaria a comprovação do efetivo recolhimento, tendo em vista o caráter normativo de tais convenções. Incorreto o raciocínio da Recorrente. O fato da concessão do auxílio creche estar prevista em Convenção Coletiva do Trabalho não a dispensa de comprovar o efetivo pagamento da verba. Fosse assim, bastaria, por exemplo, a previsão de concessão de participação nos lucros e resultados para que houvesse direito à dedução, independente da comprovação dos valores efetivamente recolhidos. O fato de haver previsão em convenção coletiva dá ao empregado o direito de exigir a mencionada verba caso não seja paga. No entanto, sem a comprovação do efetivo recolhimento não é possível identificar a ocorrência do fato gerador (por exemplo, poderia não existir empregados com filhos menores), bem como a base de cálculo. 2.2) DA EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO EXCLUSIVA DA MUTLA DE MORA NO PERCENTUAL DE 20% Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10580.730874/201045 Acórdão n.º 2202004.599 S2C2T2 Fl. 488 9 Por fim, alega a Recorrente que se faz necessária a exclusão da mutla de ofício aplicada no percentual de 75%, bem como a aplicação exclusiva da multa de mora no percentual máximo de 20%. Nesse ponto, entendo correta a alegação do Recorrente. Conforme consta do voto do Conselheiro Martin da Silva Gesto, proferido na decisão constante do Acórdão 2202 003.445: Na data da ocorrência do fato gerador das contribuições sociais em questão, qualquer outro dispositivo que dispunha sobre normas punitivas aplicas à falta ou ao atraso do seu recolhimento, ou seja, não incidia sobre tais infrações multa de ofício. Assim, o atraso ou não pagamento das contribuições era punido única e exclusivamente pela multa de mora, cujo percentual variava segundo o momento do adimplemento. Somente há que se falar em aplicação de multa de ofício aos fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/08, a qual acrescentou a Lei nº 8.212/91 o art. 35A que prevê expressamente que nos casos de lançamento de ofício das contribuições sociais previstas no art. 11 do mesmo diploma aplicarseá o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 multa de ofício de 75%, podendo esta ser majorada a 150% caso ocorram as hipóteses de qualificação. Desse modo, antes da edição da Medida Provisória nº 449/08, aos fatos geradores que ensejavam aplicação de penalidade pelo atraso ou pelo não pagamento das contribuições sociais aplicavase multa de mora em percentual que variava, conforme data do efetivo pagamento, de 24% à 100% (art. 35, II e III da Lei 8.212/91 com redação anterior à Lei nº 10.941/09); Após a Medida Provisória nº 449/08, nos termos do art. 61, a multa de mora é única e fixada em trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Evidente, portanto, que a norma construída a partir da edição da Medida Provisória nº 449/08 é mais benéfica ao contribuinte, pois está limitada ao percentual de 20%, devendo ser aplicado o disposto no art. 106, II, alínea "c", do CTN, que impõe a aplicação retroativa de lei que comina penalidade menos gravosa ao contribuinte. Ademais, é importante ressaltar que a norma do artigo 112 do Código Tributário Nacional é clara ao determinar que aplicase a interpretação mais benéfica ao acusado em caso de dúvida quanto a natureza da penalidade aplicável, ou sua gradação. 3) CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para reduzir a multa aplicada ao montante de 20%, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Fl. 493DF CARF MF 10 (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Em que pese os argumentos da D. relatora quanto à multa aplicada, deles dissinto. O contribuinte defende deva ser aplicada ao lançamento a multa de mora limitada a 20% do valor do débito, conforme prevê o art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09. Tenho que o art. 35 da Lei nº 8.212/99, antes do advento da MP nº 449/08, previa a existência de multas de mora decorrentes do não cumprimento da obrigação tributária até o seu vencimento graduadas de acordo com a etapa do procedimento administrativo em que apuradas, sendo no seu inciso II regrado o percentual de 24% a 58% para a multa verificada mediante lançamento de ofício. A par disso, tinhase a multa do § 5º do inciso VI do art. 32 da Lei nº 8.212/91, relativa às multas por descumprimento de obrigação acessória. Com o advento da referida MP integrouse a sistemática das multas previdenciárias ao regramento adotado para as multas dos demais tributos federais. Foi então estabelecida a multa de mora de 20% nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96, e a multa por descumprimento de obrigação acessória no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Além disso, foi prevista multa punitiva apurada via lançamento de ofício de 75%, pela infração de falta de pagamento ou pagamento a menor, falta de declaração e declaração inexata (art. 35A da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 44 da Lei nº 9.430/96). Não vejo, nesse contexto, possibilidade de retroatividade benigna, pois antes da MP nº 449/08 existiam multas de mora, graduadas conforme determinados critérios, e multa por descumprimento de obrigação acessória. Após o advento de tal norma, passa a existir apenas um tipo de multa de mora, convivendo com multas aplicáveis de ofício em diversas situações, bem como multa isolada por descumprimento de obrigação acessória. Em suma, são sistemáticas diferentes, devendo cada uma viger na época dos respectivos fatos geradores, não havendo falar em retroatividade da norma. Sem embargo, cabe considerar que se trata de matéria cuja exegese traz dificuldades, suscitando variadas correntes interpretativas. Nessa senda, tendo em vista a função precípua dos tribunais administrativos de pacificar conflitos e firmar orientação sólida acerca das lides entre Fisco e contribuintes, Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10580.730874/201045 Acórdão n.º 2202004.599 S2C2T2 Fl. 489 11 bem como os princípios consagrados da duração razoável do processo e da eficiência, curvo me a despeito do meu posicionamento sobre o tema, acima sintetizado às recentes decisões da CSRF, que uniformizaram seu entendimento quanto à matéria. À guisa de exemplo, cito os Acórdãos nº 9202006.915 (j. 24/05/2018) e 9202006.717 (j. 17/04/2018). Segundo tais decisões, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, havendo lançamento conjunto de obrigação principal e acessória, devem ser somadas a multa relativa à obrigação principal (art. 35, inciso II da Lei nº 8.212/91) com a multa por descumprimento da obrigação acessória conexa (art. 32, inciso IV, § 4º ou § 5º da Lei nº 8.212/91), conforme previstas antes da vigência da MP nº 449/08, sendo o resultado comparado com a multa regrada no art. 44 da Lei nº 9.430/96, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício, de acordo com o disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91. Tais são as orientações, necessário observar, contidas na Portaria PGFN/RFB nº 14/09. Na espécie, temse que, consoante discriminado no Relatório Fiscal foi esse, precisamente, o procedimento da fiscalização, que realizou o comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, e aplicou a multa mais benéfica ao contribuinte. Inexiste, assim, reforma a realizar no lançamento nesse ponto. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 495DF CARF MF
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Numero do processo: 12963.000006/2010-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2202-000.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, de modo que a Unidade de origem: i) manifeste-se sobre a autenticidade dos documentos apresentados às e-fls. 111/123; ii) promova a juntada aos autos das DIATs que localizar nos sistemas da RFB referente aos imóveis que são objeto da presente lide, relativas aos anos de aquisição e alienação, sendo que, na hipótese de não localização nos sistemas da RFB das referidas DIATs, deverá ser apresentado relatório com resposta, referindo quais DIATs não foram localizadas; iii) após, seja cientificado o contribuinte quanto ao resultado da diligência, para eventual manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, de modo que a Unidade de origem: i) manifestese sobre a autenticidade dos documentos apresentados às efls. 111/123; ii) promova a juntada aos autos das DIATs que localizar nos sistemas da RFB referente aos imóveis que são objeto da presente lide, relativas aos anos de aquisição e alienação, sendo que, na hipótese de não localização nos sistemas da RFB das referidas DIATs, deverá ser apresentado relatório com resposta, referindo quais DIATs não foram localizadas; iii) após, seja cientificado o contribuinte quanto ao resultado da diligência, para eventual manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 12963.000006/201068, em face do acórdão nº 0940.354, julgado pela 4ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), em sessão realizada em 08 de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 29 63 .0 00 00 6/ 20 10 -6 8 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 12963.000006/201068 Resolução nº 2202000.820 S2C2T2 Fl. 126 2 janeiro de 2010, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "A ação fiscal desenvolvida junto a Olyntho Paulino da Costa, teve por objeto o exame das alienações de imóveis ocorridas no anocalendário 2007, resultando no Auto de Infração de fls. 42 a 47, exigindo R$ 34.422,63 de imposto, R$ 25.816,97 de multa proporcional (passível de redução) e R$ 8.471,55 de juros de mora (calculados até 30/12/2009). De acordo com a Descrição dos Fatos de fl. 44, houve falta de recolhimento do imposto incidente sobre ganhos de capital. Pelo Termo de Verificação Fiscal de fl. 34, observase que o contribuinte não apresentou DARF comprobatório da quitação do imposto de renda e, com base nas escrituras públicas lavradas no Cartório do Primeiro Oficio de Notas de Monte Santo de Minas/MG juntamente com os demonstrativos de apuração de ganho de capital elaborados pelo contribuinte, calculouse o imposto devido, consoante fls. 35 a 41, e procedeuse ao lançamento de oficio. Cientificado da autuação, o contribuinte, através de seu representante (fls. 62/63), apresentou a impugnação de fls. 55 a 60, instruída pelos elementos de fls. 61 a 73, na qual traz os seguintes argumentos: • Houve entrega tempestiva da DIRPF/2008, com os anexos relativos aos ganhos de capital; • Discorda dos valores utilizados para os cálculos do imposto de renda, pois, de acordo com o art. 19 da Lei 9.393/96, “a partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado”, ou seja, o VTN constante do Documento de Informação e Apuração do ITR – DIAT, entregue dentro do prazo estipulado anualmente, o que fez o contribuinte; • “O artigo 14 também mencionado no preâmbulo do artigo 19 prevê que a falta de entrega ou entrega com valores e informações errados poderá acarretar o LANÇAMENTO DE OFICIO pela Receita Federal principalmente no que se refere ao PREÇO DE TERRAS, constantes de sistema instituído pela própria Receita; bem como dados de área total, tributável e grau de utilização do imóvel. Até o momento desta impugnação o contribuinte jamais recebeu qualquer notificação e/ou intimação que pudesse colocar em dúvida as informações prestadas por ele nestes últimos 05 (cinco) anos, prazo prescricional para qualquer intimação da Receita Federal. Estando, pois, atendido também outra exigência do artigo 19 da Lei n° 9.393 de dezembro de 1996, ainda em vigor.”; • “O último e mais importante requisito para utilização do artigo 19 na apuração do ganho de capital tratase da data de aquisição do imóvel, que deve ser posterior a 01 de janeiro de 1997; fato incontroverso uma vez que o auditor ao calcular o ganho de capital das 03 (três) vendas realizadas o fez com a data de aquisição de 31 de dezembro de 2001, portanto, posterior a janeiro de 1997.”; Fl. 126DF CARF MF Processo nº 12963.000006/201068 Resolução nº 2202000.820 S2C2T2 Fl. 127 3 • Após discursar sobre os tipos de lançamento previstos no CTN, conclui que não poderia haver o lançamento da multa de oficio de 75% sobre o imposto devido; este é o caso em que se aplica o dispositivo do RIR sobre a mora no pagamento; • “Para não restar dúvida e para ser meramente esclarecedor quanto ao cálculo anexase à presente impugnação a emissão dos DARFs emitidos pelo Sistema SICALC com os respectivos DARFs, sem que com isso signifique confissão ou compromisso de pagamento na data lançada como vencimento.”; • Transcreve, ainda, ementa do Conselho de Contribuinte no sentido de que tributo sujeito a lançamento por homologação, submetese a procedimento de cobrança, com multa e juros de mora, descabendo na hipótese lançamento de oficio. A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim, parcialmente o crédito tributário lançado. A parte dispositiva do acórdão conta com a seguinte redação: “À vista da norma transcrita, efetivamente caberia o lançamento de ofício. Por outro lado, assiste razão ao defendente quanto a não aplicação da multa de ofício de 75% sobre o imposto de renda devido em função da apuração de ganho de capital oportunamente declarado, tendo em vista a espontaneidade quando da entrega da DIRPF/2008, contendo o anexo “Ganhos de Capital”. Em assim sendo, é desnecessário o lançamento para formalizar a exigência das importâncias de R$ 14.970,41 e R$ 2.392,30 informadas como imposto devido nos demonstrativos de apuração de ganhos de capital de fls. 79 a 84, integrantes da DIRPF/2008 entregue tempestivamente em 29/04/2008 (fl. 03), sendo incabível a imposição da multa de ofício. A teor do disposto no art. 61 da Lei 9.430/96, tais importâncias sujeitamse tão somente à multa e aos juros de mora, cabendo a imposição da multa de ofício apenas sobre a parcela de R$ 17.059,921.” O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 100/109, reiterando, em parte, as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencido. Na oportunidade, o contribuinte promove a juntada da declaração do ITR e da DIAT dos exercícios de 2003 e 2007. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto – Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Versa o presente processo sobre a apuração de ganhos de capital na alienação de três imóveis rurais. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 12963.000006/201068 Resolução nº 2202000.820 S2C2T2 Fl. 128 4 Dos demonstrativos de apuração dos ganhos de capital elaborados pela fiscalização é possível extrair os seguintes dados: Já nos demonstrativos de apuração dos ganhos de capital constantes da DIRPF/2008 do contribuinte (fls. 79 a 84), ratificados pelas razões de defesa, temse: Ao se comparar tais demonstrativos, concluise que a discussão gira apenas em torno das datas de alienação dos imóveis 1 e 3 e dos valores de alienação dos imóveis 1 e 2. No presente caso, verificase que as alienações ocorreram no ano de 2007. Ocorre que, a partir de 1º de janeiro de 1997, em respeito aos princípios da especialidade e da temporalidade, preponderam os termos do caput do art. 19 da Lei nº 9.363/96, abaixo transcrito: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. (grifouse) Tal disposição se aplica especificamente aos casos de venda de imóvel rural. No entanto, a Fiscalização deixou de assim proceder. A Receita Federal do Brasil, por meio da IN SRF nº 84/01, permite que os critérios estipulados para o caso de venda de imóveis rurais sejam aplicados a todos os tipos de alienação de imóvel rural, conforme disposto no art. 19 dessa Instrução Normativa: Art. 19. Considerase valor de alienação: (...) VI no caso de imóvel rural com benfeitorias, o valor correspondente: a) exclusivamente à terra nua, quando o valor das benfeitorias houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; Fl. 128DF CARF MF Processo nº 12963.000006/201068 Resolução nº 2202000.820 S2C2T2 Fl. 129 5 b) a todo o imóvel alienado, quando as benfeitorias não houverem sido deduzidas como custo ou despesa da atividade rural. § 1o Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase valor de alienação da terra nua: I o valor declarado no Diat do ano da alienação, quando houverem sido entregues os Diat relativos aos anos de aquisição e alienação; II o valor efetivamente recebido, nos demais casos. § 2o Na alienação dos imóveis rurais, a parcela do preço correspondente às benfeitorias é computada: I como receita da atividade rural, quando o seu valor de aquisição houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; II como valor da alienação, nos demais casos. No caso, o contribuinte apresenta, em anexo ao recuso voluntário, às fls. 112/123, as DIATs dos exercícios 2003 e 2007, comprovando o que vinha alegando desde a impugnação. Contudo, compulsando os autos, verificase que a autoridade fiscal não atentou para a existência desta previsão normativa, o que se confirma tanto da leitura do "enquadramento legal" constante do lançamento fiscal (fls. 2/3), quanto do Relatório Fiscal à fl. 34. Deste modo, entendo que o processo não está devidamente pronto para julgamento, devendo ser convertido o julgamento em diligência para fins de verificação, pela Unidade preparadora, para que ela se manifeste sobre a autenticidade dos documentos apresentados às fls. 111/123, os quais nos apontam indícios de que o contribuinte efetivamente entregou a DIAT do período e que, aplicandose a legislação supramencionada, deveria ser o valor declarado no DIAT o utilizado como valor de alienação, haja vista que esta se realizou após 01/01/1997, mais precisamente no ano de 2007. Ainda, por ocasião da diligência proposta, deverá a Unidade preparadora juntar aos autos as DIATs que localizar nos sistemas da RFB referente aos imóveis que são objeto da presente lide, relativas aos anos de aquisição e alienação. Na hipótese de não localização nos sistemas da RFB das referidas DIATs, deverá ser apresentado relatório com resposta, referindo quais DIATs não foram localizadas. Ao final da diligência, necessário que seja cientificado o contribuinte do resultado desta, possibilitando sua manifestação. Ante o exposto, entendo por converter o julgamento em diligência, de modo que a Unidade preparadora: a) Manifestese sobre a autenticidade dos documentos apresentados às fls. 111/123; b) Promova a juntada aos autos as DIATs que localizar nos sistemas da RFB referente aos imóveis que são objeto da presente lide, relativas aos anos de aquisição e alienação. Na hipótese de não localização nos sistemas da RFB das referidas DIATs, deverá ser apresentado relatório com resposta, referindo quais DIATs não foram localizadas; Fl. 129DF CARF MF Processo nº 12963.000006/201068 Resolução nº 2202000.820 S2C2T2 Fl. 130 6 c) Após, seja cientificado o contribuinte quanto ao resultando da diligência, para eventual manifestação deste, pelo prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 130DF CARF MF
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Numero do processo: 19985.723848/2017-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2013
DOENÇA DE ALZHEIMER. CURATELA. AUSÊNCIA. INSTRUMENTO PROCURATÓRIO. OUTORGANTE NÃO LEGITIMADO NA FORMA DA LEI CIVIL. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não há de se conhecer de recurso voluntário interposto por signatário com poderes conferidos por outorgante sujeito à curatela em virtude de causa permanente de alienação mental decorrente de Doença de Alzheimer atestada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Numero da decisão: 2402-006.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por falta de legitimidade recursal.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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CURATELA. AUSÊNCIA. INSTRUMENTO PROCURATÓRIO. OUTORGANTE NÃO LEGITIMADO NA FORMA DA LEI CIVIL. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não há de se conhecer de recurso voluntário interposto por signatário com poderes conferidos por outorgante sujeito à curatela em virtude de causa permanente de alienação mental decorrente de Doença de Alzheimer atestada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por falta de legitimidade recursal. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 38 48 /2 01 7- 59 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 19985.723848/201759 Acórdão n.º 2402006.618 S2C4T2 Fl. 82 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 64/70) em face do Acórdão n. 09 65.682 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA (efls. 54/57), que não conheceu da impugnação de efls. 02/07 em face da ilegitimidade do subscritor de instrumento procuratório, e, por consequência, não apreciou o mérito do lançamento constituído em 19/07/2017 (efl. 48) mediante a Notificação de Lançamento IRPF n. 2013/084824191173713 Exercício 2013 no valor total de R$ 13.583,78 sendo R$ 6.081,84 de imposto (Cód. Receita 2904); R$ 4.581,38 de multa de ofício passível de redução; e R$ 2.940,56 de juros de mora calculados até 31/07/2017 (efls. 42/47), com fulcro em omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais; e rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado. Em face do lançamento em apreço, o sujeito passivo apresentou impugnação (efls. 02/07) não conhecida pela DRJ/JFA, nos termos do Acórdão n. 0965.682 (efls. 54/57). Cientificado da decisão a quo em 26/02/2018 (efl. 61), a agora Recorrente apresentou Recurso Voluntário (efls. 64/70) em 21/03/2018. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O cerne da presente lide concentrase no não conhecimento da impugnação de efls. 02/07 em face da ilegitimidade do subscritor de instrumento procuratório (efls. 14/19). Muito bem. De plano, verificase nos autos que a Recorrente é portadora de patologia CID10 G30 diagnosticada em 27/09/2008 mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da São Paulo Previdência do Governo do Estado de São Paulo, assinado por três profissionais médicos (efl. 25). O laudo médico pericial em comento informa da isenção da Recorrente de imposto e da isenção parcial de contribuição previdenciária, por tratarse de patologia tipificada como moléstia grave no art. 6°., XIV e XXI, da Lei n. 7.713/1988 e demais legislação correlata. É cediço que a patologia em apreço CID10 G30 referese à doença de Alzheimer, que causa alienação mental, enquadrandose, assim, às moléstias elencadas no art. 6°., XIV, da Lei n. 7.713/1988. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 19985.723848/201759 Acórdão n.º 2402006.618 S2C4T2 Fl. 83 3 Desta forma, caracterizada a alienação mental, no caso concreto, causa permanente que impossibilita a Recorrente de exprimir a sua vontade, incide o interdito previsto no art. 1.767 da Lei n. 10.406/2002 (Código Civil), na espécie curatela redação dada pela Lei n. 13.146/2015 c/c art. 4°., III, do Código Civil redação dada pela Lei n. 13.146/2015 , destacandose que, à época do reconhecimento da patologia da Recorrente (2008) encontravase em vigor a redação do art. 3°. do Codex Civil, estabelecendo que são absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil, entre outros, os que por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos, bem assim a redação do art. 1.767, determinando que estão sujeitos à curatela, entre outros, aqueles que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para os atos da vida civil. É de bom alvitre lembrar que o curador será nomeado pelo juiz, consoante art. 1.732 c/c art. 1.774 do Código Civil. Nessa perspectiva, a Recorrente sujeitase à curatela, com todos os efeitos previstos em lei, vez que incapacitada está para o pleno exercício dos seus direitos e deveres, inclusive na seara tributária. Todavia, considerandose que inexiste nos autos curador nomeado na forma da lei civil, nenhum efeito decorre do instrumento público de procuração com data de 30/04/2009 (posterior ao laudo médico oficial) no qual a Recorrente nomeia e constitui como procuradores Carlos Alberto Gandolfo e Luiz Alberto Gandolfo (efls. 14/17), nem muito menos a procuração particular assinada pelo Sr. Carlos Alberto Gandolfo em 14/08/2017 (igualmente posterior ao laudo médico oficial) conferindo poderes à Rita de Cássia Pilloni (e fl. 18), vez que não outorgadas por curador nomeado por juiz de direito, conforme previsto no Codex Civil. É dizer: é insubsistente a outorga de poderes da Recorrente aos procuradores Carlos Alberto Gandolfo e Luiz Alberto Gandolfo consignada na procuração pública de efls. 14/17, bem assim a outorga de poderes à Dra. Rita de Cássia Pilloni OAB n. 14.504 assinada pelo Sr. Carlos Alberto Gandolfo representando a Recorrente (efl. 18), vez que aquele não é curador desta. Nesse contexto, não resta dúvida que a legitimidade para a prática dos atos civis, inclusive na seara tributária, no caso concreto, reside no curador. Desta forma, a leitura do art. 16, II, do Decreto n. 70.235/1972 (qualificação do impugnante) deve ser feita em conjunto com o disposto nos arts. 4°., III, c/c art. 1.767, I, do Código Civil. No caso em exame, a considerar válidos os instrumentos procuratórios outorgados pela Recorrente acostados às efls. 14/19, restaria prejudicado o laudo médico pericial (efl. 25), inclusive no que diz respeito à isenção que lhe confere, vez que caracterizado comportamento contraditório da Recorrente. É dizer, a patologia referente ao CID10 G30 Doença de Alzheimer (alienação mental) deve ser reconhecida para fins de fruição de benefício fiscal (isenção de IRPF), mas ao mesmo tempo não é óbice ao necessário discernimento para os atos da vida civil? Fl. 83DF CARF MF Processo nº 19985.723848/201759 Acórdão n.º 2402006.618 S2C4T2 Fl. 84 4 Assim, não há de se conhecer do Recurso Voluntário (efls. 64/70), que padece do mesmo vício da impugnação de efls. 02/07, vez que interposta pela mesma signatária com poderes conferidos por outorgantes não legitimados na lei civil. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário (efls. 64/70). (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 84DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.900798/2016-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. NÃO-CONFIGURAÇÃO.
A compensação não se equipara a pagamento para fins de configuração de denúncia espontânea. Não há denúncia espontânea condicional.:
Numero da decisão: 1302-003.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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COMPENSAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A compensação não se equipara a pagamento para fins de configuração de denúncia espontânea. Não há denúncia espontânea condicional.: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 07 98 /2 01 6- 48 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10830.900798/201648 Acórdão n.º 1302003.045 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte Companhia Sul Paulista de Energia ora Recorrente, transmitiu PerDcomp, na qual pretendia quitar débito de estimativa de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL referente ao mês de abril de 2012, com crédito de pagamento indevido ou a maior de mesmo tributo. Em despacho decisório proferido, houve o reconhecimento do direito creditório na integralidade, mas este não foi suficiente para quitar o débito indicado no pedido de compensação, uma vez que o contribuinte entendeu não ser devida a multa de mora, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea, que afastaria essa penalidade no pagamento extemporâneo do tributo. Como se observa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), em que pese o direito creditório ter sido reconhecido na integralidade, houve a homologação parcial da compensação apresentada, uma vez que os créditos reconhecidos seriam insuficientes para quitar o débito indicado no pedido de compensação. Vejase trecho do acórdão neste sentido: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório [...] emitido eletronicamente [...] referente ao PER/DCOMP nº 21200.09347.111215.1.3.040245. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de CSLL, Código de Receita 2484, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 31/05/2012, no valor de R$ 106.671,61. De acordo com o Despacho Decisório, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor pretendido. Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e Art.36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. E a compensação não foi homologada integralmente, porque o contribuinte entendeu que, como não havia se iniciado nenhum procedimento fiscal, estaria autorizado a se valer da denúncia espontânea e, assim, não deveria quitar o crédito tributário com a incidência de multa de mora. Os argumentos apresentado pelo Recorrente na Manifestação de Inconformidade foram sintetizados no acórdão proferido pela DRJ de Belo Horizonte (MG): Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10830.900798/201648 Acórdão n.º 1302003.045 S1C3T2 Fl. 4 3 O interessado apresentou manifestação de inconformidade, discordando da multa de mora considerada no despacho decisório, incidente sobre débito compensado no PER/DCOMP em questão. A discordância se fundamenta no instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Em resumo, são apresentados os seguintes argumentos: o Na DCTF original, débitos de IRPJ e de CSLL não foram informados ou foram informados com valores menores do que o devido. o Parte do montante posteriormente calculado como devido foi compensado por meio do PER/DCOMP em questão, transmitido em 11/12/2015. o DCTF retificadora, informando o real valor devido, foi transmitido em 05/01/2016. o Após verificar a falta de pagamento do tributo, procedeuse à compensação sem inclusão de multa de mora, tendo em vista interpretação do art. 138 do CTN esposada na esfera judicial, por meio do Resp n.º 1.149.022/SP (julgado pela sistemática dos recursos repetitivos), e na esfera administrativa, por meio do julgados do CARF. o Embora o art. 138 tenha se utilizado do vocábulo "pagamento", a exegese deixa claro que o legislador pretendeu se referir ao sentido amplo da palavra, em que se enquadra todas as formas de extinção do crédito tributário previstas no art. 156 do CTN, tal como a compensação. o Conforme itens 18 e 20 da Nota COSIT n.º 01/2012, a denúncia espontânea restará caracterizada tanto quando da apresentação do débito seguida de pagamento, como de sua extinção por compensação, já que ambas as formas são equivalentes de extinção do débito. Por todo o exposto, pedese que o despacho decisório seja reformado, para que a compensação seja integralmente homologada. Contudo, aquela DRJ entendeu por bem julgar como improcedente a Manifestação de Inconformidade. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2012 ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O DÉBITO COMPENSADO. Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10830.900798/201648 Acórdão n.º 1302003.045 S1C3T2 Fl. 5 4 Não se considera ocorrida a denúncia espontânea, quando o contribuinte compensa o débito mediante apresentação de DCOMP. Devidamente intimado do acórdão proferido, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma daquela decisão, para que, uma vez reconhecido o seu direito creditório, seja afastado o entendimento de que em compensação não se admite a aplicação do instituto da denúncia espontânea, homologandose, por consequência, na integralidade, o PerDcomp apresentado. Este é o relatório. Voto O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.025, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10830.900792/2016 71, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento, contido no voto vencedor, que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302 003.025): "Peço venia ao ilustre Relator para discordar quanto à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea. Este entendimento já expressei em vários acórdãos, pelo que destaco trecho da fundamentação que apresentei no acórdão 1302003.024, proferido no processo 16327.910475/200918: Passo à análise do débito e da existência, ou não, de denúncia espontânea. O Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos, decidiu que a denúncia espontânea alberga a figura das multas moratórias, desde que não tenha havido declaração prévia do contribuinte, in verbis: Superior Tribunal de Justiça 1ª Seção REsp 1149022 / SP 09/06/2010 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10830.900798/201648 Acórdão n.º 1302003.045 S1C3T2 Fl. 6 5 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2.Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10830.900798/201648 Acórdão n.º 1302003.045 S1C3T2 Fl. 7 6 integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7.Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Decisão Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Compareceu à sessão, o Dr. LUIZ PAULO ROMANO, pelo recorrente. Pacificado e de aplicação necessária, à luz do § 1º, inciso II, alínea "b" do artigo 62 do RICARF, o entendimento de que a denúncia espontânea afasta a multa de mora. Não tão pacífica porém, é a equiparação da compensação a pagamento para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Tanto não é pacífico o entendimento que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) emitiu a Nota Técnica Cosit nº 1 em 18 de janeiro de 2012, equiparando compensação à pagamento para, cerca de seis meses depois, em 12 de junho de 2012, cancelar a referida Nota Técnica, por intermédio de outra Nota Técnica, a de nº 19, de 2012, que afirma textualmente: 6. Em consequência, concluise: a) pelo cancelamento da Nota Técnica Cosit nº 1, de 18 de janeiro de 2012; (...) c) não se considera ocorrida denúncia espontânea, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002: (...) c3) quando o sujeito passivo compensa o débito confessado, mediante apresentação de Dcomp; Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10830.900798/201648 Acórdão n.º 1302003.045 S1C3T2 Fl. 8 7 (...) As decisões administrativas deste Conselho também tendem nos dois sentidos: os que equiparam compensação a pagamento: Acórdãos 1201001.538, 3402003.486, 1803002.091, 1801002.053, e. g.; e as que restringem o instituto da denúncia espontânea somente a pagamento: v. g. Acórdãos 1301001.991, 1402002.309, 3101001.425, 9101002.218. A justiça já enfrentou a questão quanto aos parcelamentos, conforme se extrai da súmula do antigo Tribunal Federal de Recursos de nº 208: SÚMULA Nº 208 A simples confissão da dívida, acompanhado do seu pedido de parcelamento, não configura denúncia espontânea. Tese firmada no julgamento do leading case, REsp 1102577/DF no STJ na forma de recurso repetitivo assim se apresenta: O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário. Destaco trecho do voto: Nos casos em que há parcelamento do débito tributário, não deve ser aplicado o benefício da denúncia espontânea da infração, visto que o cumprimento da obrigação foi desmembrado, e só será quitada quando satisfeito integralmente o crédito. O parcelamento, pois, não é pagamento, e a este não substitui, mesmo porque não há a presunção de que, pagas algumas parcelas, as demais igualmente serão adimplidas, nos termos do artigo art. 158, I, do mencionado Codex. Feitas estas considerações, filiome aos que entendem que não há como equiparar compensação a pagamento, pois não há como apagar o fato de a compensação ser condicional. Explico: se houver a equiparação e for afastada a multa de mora, uma vez implementada a condição resolutória, não há como realizar a cobrança da penalidade pelo atraso no pagamento, cuja existência seria insofismável. Assim, débito confessado antes de qualquer atividade do Estado no sentido de constituílo, e compensado, só estará extinto com a homologação, tácita ou expressa, da compensação. Uma vez não homologada, o débito só será quitado no processo de cobrança, muito tempo depois da apresentação da DComp e da data de seu vencimento, pelo que, deve incidir a multa de mora. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10830.900798/201648 Acórdão n.º 1302003.045 S1C3T2 Fl. 9 8 Não há denúncia espontânea condicional. Não ocorreu a denúncia espontânea em relação ao débito de outubro de 2005, por não ter sido pago, mas compensado. Nesses termos voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a incidência da multa de mora." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.725038/2010-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. APRECIAÇÃO DE MATÉRIA NÃO OBJETO DE RECURSO. LAPSO MANIFESTO. ACOLHIMENTO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a contradição apontada, resultante na exclusão de matéria não submetida a Recurso Especial.
Numero da decisão: 9202-006.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202-005.516, de 25/05/2017, com efeitos infringentes, excluir do relatório, do voto, da parte dispositiva e da ementa do julgado a matéria "auxilio-alimentação".
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. APRECIAÇÃO DE MATÉRIA NÃO OBJETO DE RECURSO. LAPSO MANIFESTO. ACOLHIMENTO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a contradição apontada, resultante na exclusão de matéria não submetida a Recurso Especial.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. APRECIAÇÃO DE MATÉRIA NÃO OBJETO DE RECURSO. LAPSO MANIFESTO. ACOLHIMENTO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a contradição apontada, resultante na exclusão de matéria não submetida a Recurso Especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202005.516, de 25/05/2017, com efeitos infringentes, excluir do relatório, do voto, da parte dispositiva e da ementa do julgado a matéria "auxilioalimentação". (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 50 38 /2 01 0- 11 Fl. 1949DF CARF MF 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Embargos de Declaração, fl. 1921 , opostos pelo Contribuinte, com fulcro no art. 65 e seguintes do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, contra o Acórdão nº 9202005.516 (fls. 1852), este julgado na sessão plenária de 25/05/2017, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS, AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. Não deve ser admitido recurso especial quando a situação fática analisada no caso do paradigma é fundamentalmente distinta da situação analisada no recorrido, pois não se pode, assim, confirmar a divergência de interpretação da Lei tributária. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03 (DOU 24/11/2011). A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratar de fornecimento "in natura". GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da Fl. 1950DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202006.977 CSRFT2 Fl. 364 3 empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TODAS AS PARCELAS. O descumprimento do §2º do art. 3º da Lei 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação a todos os pagamentos de PLR e não apenas em relação as parcelas excedentes. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. MATÉRIA DE FUNDO SUPLANTADA PELA DECADÊNCIA. Declarada a decadência até a competência 11/2005, não há que se falar que o Colegiado teria afastado a tributação nas competências 03, 07 e 11/2005 com base em outra motivação, apenas registrada no voto condutor, obviamente sem qualquer menção na parte dispositiva do acórdão recorrido. Nesse contexto, não se conhece de matéria de fundo relativa ao período decaído, mormente quando a discussão acerca da própria decadência sequer teve seguimento à Instância Especial. O resultado encontrase assim espelhado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto às matérias (i) auxílio alimentação, (ii) responsabilidade solidária e (iii) Participação nos Lucros e Resultados PLR. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial, apenas quanto às matérias (i) e (iii). Restou vencido, também, o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que deu provimento parcial ao recurso quanto às matérias (i) e (ii). Votaram pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva quanto à matéria (ii) e o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci quanto à matéria (iii). Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à periodicidade do pagamento das parcelas não decaídas, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Heitor de Souza Lima Júnior, que conheceram integralmente do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Fl. 1951DF CARF MF 4 Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento do recurso fazendário a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. No intuito de contextualizar a apreciação dos presentes embargos por esse colegiado, transcrevo, em parte, o relatório do acórdão embargado de minha relatoria. Meu relatório – Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira: Tratase de Auto de Infração AI lavrado contra a empresa em epígrafe, no valor de R$ 7.102.975,23, no período de 01/05 a 12/06, inclusive 13º, consolidado em 16/12/2010, referente a contribuição social destinada a outras entidades e fundos – salário educação, Incra e Sebrae (vinculado ao processo 10680.725036/201021), incidente sobre valores pagos a segurados empregados a título de auxílio educação, alimentação sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT e participação nos lucros (em desacordo com a lei), não declarados em GFIP, conforme relatório fiscal de fls. 23/34. [...] As três empresas apresentaram impugnação única, de fls. 375/412, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado a impugnação procedente em parte, mantendo o crédito tributário em parte. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 15/04/2014, deuse provimento parcial ao recurso voluntário e não se conheceu do recurso de ofício, prolatandose o Acórdão nº 2401003.490, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 DISPONIBILIZAÇÃO DE BOLSAS DE ESTUDO APENAS A EMPREGADOS COM REMUNERAÇÃO ABAIXO DE DETERMINADO LIMITE. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional apenas por empregados com remuneração abaixo de determinado limite na empresa fere a regra de isenção que exigia que o benefício fosse estendido a todo o plano funcional, acarretando na incidência de contribuição sobre a verba. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – PLR. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 1952DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202006.977 CSRFT2 Fl. 365 5 A ausência de estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE QUE A PLR FOI PAGA EM DESCONFORMIDADE COM A LEI. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Não tendo o fisco, para as competências 03 e 07/2005, apresentado as causas que levaram ao entendimento de que os pagamentos a título de participação nos lucros estariam em desconformidade com a lei de regência, devese declarar improcedentes as contribuições lançadas nas referidas competências. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PRAZO DECADENCIAL. PAGMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no §4º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece o recurso de ofício, cujo valor exonerado originário do crédito mais a multa, por processo, seja inferior ao limite fixado em ato do Ministro da Fazenda. INTIMAÇÃO DOS PATRONOS. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido de intimação dos representantes das partes não tem amparo na legislação processual pátria. Recursos de Ofício Não Conhecido e Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 23/05/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Fl. 1953DF CARF MF 6 Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 20/06/2014, Recurso Especial. Em seu recurso visa rediscutir as seguintes matérias: a) decadência; b) PLR – competências 03 e 07/2005; e c) PLR – periodicidade. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado parcial seguimento, para rediscutirse os itens “b” e “c”, conforme Despachos nºs 2400880/ 2014, da 4ª Câmara, de 20/11/2014 e 2400955R/ 2014, da CSRF, de 28/11/2014. [...] Cientificados do acórdão 2401003.490, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 09/02/2015, Contribuinte e Contribuintes Solidários apresentaram, conjuntamente, contrarrazões e Recurso Especial em 24/02/2015, portanto, tempestivamente. No recurso, visam a rediscussão das seguintes matérias: a) auxílioeducação; b) PLR e c) responsabilidade solidária das empresas do grupo econômico. Ao Recurso Especial dos Contribuintes foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400080/ 2015, da 4ª Câmara, de 28/05/2015. [...] Cientificada em 25/08/2015 do Recurso Especial dos Contribuintes, a Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, em 09/09/2015, suas contrarrazões, onde, preliminarmente, alega que não há divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e o paradigma apresentado no tocante à incidência de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de auxílio educação, uma vez que o fundamento do auto de infração para a tributação, e mantido pelo acórdão proferido pelo CARF, cingese ao descumprimento da regra constante da alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei 8.212/91 no que concerne à exigência de que o benefício seja extensível a todos os empregados (no caso dos autos apenas aqueles que tinham salário inferior a R$ 3.150,00 podiam usufruir do benefício), e por sua vez, o apontado acórdão paradigma não trata do descumprimento de tal requisito específico da cobertura do auxílio educação, mas da inclusão de ensino superior e aquisição de material escolar. Tratamse de situações fáticas distintas e, portanto, as decisões proferidas nos respectivos autos não têm o condão de formar paradigma apto à interposição de recurso, nos termos do Regimento Interno do CARF.Seguidamente, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações em relação a alguns dos itens do Recurso Especial dos Contribuintes: Do auxílioalimentação pago em ticket sem inscrição no PAT: Do auxílioeducação fornecido a apenas uma parcela dos empregados: Da existência de pacto prévio para o adequado pagamento de PLR: Da ausência de regras claras e objetivas para o adequado pagamento de PLR: Fl. 1954DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202006.977 CSRFT2 Fl. 366 7 Na seqüência foi proferido o acórdão nº 9202005.516, ora embargado pelo sujeito passivo. A Fazenda Nacional tomou ciência do Acórdão de Recurso Especial em 26/10/2017, sem apresentação de embargos ou qualquer outro recurso. Já, a Contribuinte e os Solidários, cientificados do Acórdão de Recurso Especial (Termos de Ciência Eletrônica de efls. 1914, 1917, 1918), opuseram, tempestivamente, em 26/12/2017 (Termo de Solicitação de Juntada de efl. 1920), Embargos de Declaração (fls. 1921). Alegam os embargantes a existência de contradição no acórdão embargado, uma vez que teria sido julgada a matéria “pagamentos aos empregados a título de ticket alimentação”, que não havia integrado os Recursos Especiais dos Contribuintes, tampouco da Fazenda Nacional. Isso porque o tema teria transitado em julgado administrativamente, já que no acórdão recorrido não se conheceu do Recurso de Ofício, cujo objeto seria essa matéria. Tais embargos foram acolhidos de acordo com o Despacho de Admissibilidade de Embargos, de 06/04/2018 (fls. 1930), da Presidência da CSRF, que determinou o encaminhamento dos presentes embargos a essa Conselheira, para inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 1955DF CARF MF 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade Os Embargos de Declaração opostos pelo Sujeito Passivo, e atendem inicialmente, aos pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Embargos de Declaração a fls. 1930. Assim, passar a apreciar a questão Da Análise Dos Embargos Conforme já descrito no relatório desse acórdão, originalmente a análise dos recursos especial tinha por escopo as seguintes matérias: A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 20/06/2014, Recurso Especial. Em seu recurso visa rediscutir as seguintes matérias: a) decadência; b) PLR – competências 03 e 07/2005; e c) PLR – periodicidade. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado parcial seguimento, para rediscutirse os itens “b” e “c”, conforme Despachos nºs 2400880/ 2014, da 4ª Câmara, de 20/11/2014 e 2400955R/ 2014, da CSRF, de 28/11/2014. [...] Cientificados do acórdão 2401003.490, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 09/02/2015, Contribuinte e Contribuintes Solidários apresentaram, conjuntamente, contrarrazões e Recurso Especial em 24/02/2015, portanto, tempestivamente. No recurso, visam a rediscussão das seguintes matérias: a) auxílioeducação; b) PLR e c) responsabilidade solidária das empresas do grupo econômico. Ao Recurso Especial dos Contribuintes foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400080/ 2015, da 4ª Câmara, de 28/05/2015. Contudo, conforme constam dos embargos foi apreciada matéria não aventada em quaisquer dos recursos, razão pela qual incabível sua apreciação por esta CSRF. Acredito ter o equivoco sido cometido em face de terem sido apresentadas contrarrazões pela PGFN em relação a matéria "alimentação". D Diante do exposto, resta cristalino que devem ser admitidos os presentes embargos para que se exclua do acórdão embargado trecho do voto proferido quanto a apreciação da matéria alimentação, assim, como a ementa relativa a mesma matéria, abaixo reproduzido: Auxílio Alimentação em Tickets Fl. 1956DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202006.977 CSRFT2 Fl. 367 9 Quanto ao fornecimento de alimentação em tickets, ao examinar a questão a Câmara a quo encaminhou por dar provimento ao Recurso de Ofício, por entender que não existe fundamentação que ampare a referida verba do conceito de salário de contribuição: ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. Por outro lado, o sujeito passivo assim argumenta para ver provido seu recurso: que o pagamento de auxílioalimentação em forma de ticket não lhe tira a natureza de benefício concedido in natura, vez que tampouco há pagamento em dinheiro/espécie; que essa circunstância já havia sido reconhecida pela 8ª Turma da DRJ/BHE quando, em julgamento, determinou a exclusão do lançamento correlato, com base no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, o qual precedeu e fundamentou o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011; e que não há a contrariedade suscitada pela Turma Julgadora do CARF, segundo o qual o Ato Declaratório, ao tratar de auxílioalimentação in natura, não abarca os tickets. que independentemente da caracterização do benefício concedido em ticket como parcela in natura, é certo que a verba, intrinsecamente, não ostenta natureza remuneratória, sendo inviável cogitar a sua tributação previdenciária. Quanto a este ponto, entendo que o acórdão recorrido não merece qualquer reparo, posto ter acompanhado o relator ao participar do colegiado que apreciou a questão, bem como em todos os julgamentos acerca da questão ter me manifestado no mesmo sentido. Assim, transcrevo o voto do ilustre Dr. Kleber Araújo, adotando como razões de decidir, tendo em vista que o mesmo fez uma abordagem completa acerca do tema, senão vejamos: O recurso de ofício se refere à exclusão dos valores levantados a título de “Auxílio Alimentação”, passo agora a sua análise. Os termos lançados no relatório fiscal não deixam dúvida que a verba “Auxílio Alimentação” era repassada mediante o fornecimento de tickets aos empregados, esse fato é incontroverso, posto que não questionado pelo sujeito passivo. Eis as palavras da Autoridade Lançadora: “Tratase de pagamentos efetuados a seguradosempregados nos exercícios de 2005 e 2006 a título de Ticket Alimentação (planilha do anexo 03). Esses pagamentos se encontram registrados nas folhas de pagamento apresentadas em meio Fl. 1957DF CARF MF 10 digital, sendo registrados contabilmente na conta de despesas número 401070, Vale Refeição/Alimentação. Esses pagamentos não foram considerados pelo contribuinte como base de cálculo de contribuições previdenciárias. A Auditoria entendeu que seriam devidas contribuições sobre essa parcela, posto que a empresa não comprovou o registro no PAT para o período do lançamento. Verifiquemos, inicialmente, se é aplicável à verba sob comento o Ato Declaratório PGFN n.º 03 (DOU 24/11/2011), que autoriza a dispensa de apresentação de contestação e interposição de recurso e desistência dos já interpostos: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. O recurso de ofício se refere à exclusão dos valores levantados a título de “Auxílio Alimentação”, passo agora a sua análise. Os termos lançados no relatório fiscal não deixam dúvida que a verba “Auxílio Alimentação” era repassada mediante o fornecimento de tickets aos empregados, esse fato é incontroverso, posto que não questionado pelo sujeito passivo. Eis as palavras da Autoridade Lançadora: “Tratase de pagamentos efetuados a segurados empregados nos exercícios de 2005 e 2006 a título de Ticket Alimentação (planilha do anexo 03). Esses pagamentos se encontram registrados nas folhas de pagamento apresentadas em meio digital, sendo registrados contabilmente na conta de despesas número 401070, Vale Refeição/Alimentação. Esses pagamentos não foram considerados pelo contribuinte como base de cálculo de contribuições previdenciárias. A Auditoria entendeu que seriam devidas contribuições sobre essa parcela, posto que a empresa não comprovou o registro no PAT para o período do lançamento. Verifiquemos, inicialmente, se é aplicável à verba sob comento o Ato Declaratório PGFN n.º 03 (DOU 24/11/2011), que autoriza a dispensa de apresentação de contestação e interposição de recurso e desistência dos já interpostos: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária” JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). O texto do Ato Declaratório, não há dúvida, referese apenas aos casos de fornecimento in natura. Por isso, devemos investigar se o pagamento efetuado na sistemática acima relatada poderia ser considerado prestação in natura. Fl. 1958DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202006.977 CSRFT2 Fl. 368 11 Verifiquemos a jurisprudência em que se baseou a PGFN para exarar o Ato Declaratório em questão: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE PRÉ QUESTIONAMENTO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE AOS EMPREGADOS. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO DO FGTS. LEI Nº 6.321/76. LIMITAÇÃO. PORTARIA Nº 326/77. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS MORATÓRIOS PELA TR/TRD. APLICABILIDADE (...)3. O STJ, em inúmeros julgados, assentou o entendimento de que o pagamento in natura do auxílioalimentação não tem natureza salarial e, como tal, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Pela mesma razão, não integra a base de cálculo das contribuições para o FGTS, igualmente assentado no conceito de "remuneração" (Lei 8.036/90, art. 15). O auxílio alimentação pago em espécie e com habitualidade integra o salário e como tal sofre a incidência da contribuição previdenciária. Precedentes do STJ (REsp 674.999/CE, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 30.05.2005; REsp 611.406/CE, Rel. Min. Franciulli Netto, 2ª Turma, DJ de 02.05.2005;EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004; REsp 643.820/CE, Rel. Min. José Delgado, 1ª Turma, DJ de 18.10.2004; REsp 510.070/DF, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 31.05.2004). Por tal razão, o auxílio alimentação pago em espécie com habitualidade também sofrerá a incidência do FGTS.4. "O pagamento in natura do auxílio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT" (EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004). (...) Ex positis, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial. Publiquese. Intimações necessárias. Brasília (DF), 07 de maio de 2010. (REsp nº 1.119.787SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 13/05/2010). *** EMENTA: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílio alimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Fl. 1959DF CARF MF 12 Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócioexecutado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílio alimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílio alimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. (grifouse)(...) 5. Recurso especial parcialmente provido.(STJ, REsp 977.238/RS, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ 29/11/2007). *** DECISÃO(...)É pacífica neste Superior Tribunal de Justiça a orientação no sentido de que o pagamento in natura do auxílio alimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.( STJ, REsp 333.001/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ 17/11/2008) *** TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. 1. O pagamento in natura do auxílio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho.2. Ao revés, quando o auxílio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em conta corrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.3. Precedentes da Seção.4. Embargos de divergência providos. (grifouse) (EREsp 476.194/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ 01.08.2005). Percebese que os quatro julgados acima manifestam claramente o entendimento de que somente se considera o fornecimento in natura quando a alimentação é fornecida diretamente pelo próprio empregador, o que nos leva a concluir que o fornecimento de cartões ou tickets para aquisição de produtos Fl. 1960DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202006.977 CSRFT2 Fl. 369 13 em estabelecimentos comerciais não representa fornecimento in natura. Concluise, portanto, que o Ato Declaratório mencionado não se aplica ao caso em tela. Observese que a motivação da DRJ para excluir da apuração a verba paga a título de alimentação foi exatamente a aplicação do Ato Declaratório da PGFN acima referido. Entendo, assim, que não tendo a empresa comprovado a sua adesão ao PAT, é cabível a incidência de contribuições sobre essa parcela, posto que disponibilizada em desacordo com a Lei n. 8.212/1991, conforme se verifica do dispositivo: § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; (...) Observese do dispositivo transcrito que a previsão de isenção de contribuição sobre a alimentação fornecida aos empregados condiciona a desoneração a dois requisitos: que a alimentação seja fornecida “in natura” e que a sua disponibilização esteja em conformidade com as normas do PAT. Assim, não tendo a recorrente fornecido a alimentação in natura, além de não comprovar a adesão ao PAT no período do AI, devem incidir contribuições sobre o “Auxílio Alimentação”. Assim, deve ser provido o recurso de ofício apresentado pela DRJ de Belo Horizonte, restabelecendose as contribuições excluídas na decisão de primeira instância. Quanto a este ponto entendo que não existe qualquer reparo a ser feito no acórdão recorrido, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. Trecho da ementa que também deve ser excluído: ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03 (DOU 24/11/2011). A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratr de fornecimento "in natura". Fl. 1961DF CARF MF 14 Conclusão Face o exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202005.516, de 25/05/2017, com efeitos infringentes, excluir do relatório, do voto, da parte dispositiva e da ementa do julgado a matéria "auxilioalimentação". (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1962DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.005500/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. CONEXÃO COM OS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS.
Tratando-se de autuação decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, deve ser replicado, no julgamento do processo relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental.
PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS POR INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA.
No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer. A sociedade que contrata empregados mediante interposta pessoa jurídica é responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes destas relações de emprego.
MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO.
Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa imposta por descumprimento de obrigação acessória, sob o fundamento de que seria confiscatória.
Numero da decisão: 2402-006.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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Recorrente TGM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. CONEXÃO COM OS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. Tratandose de autuação decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, deve ser replicado, no julgamento do processo relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS POR INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer. A sociedade que contrata empregados mediante interposta pessoa jurídica é responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes destas relações de emprego. MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO. Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa imposta por descumprimento de obrigação acessória, sob o fundamento de que seria confiscatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 55 00 /2 00 9- 56 Fl. 329DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 7ª Tuma da DRJ/BSB, consubstanciada no Acórdão nº 0339.672 (fls. 84), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Tratase de autodeinfração por descumprimento de obrigação acessória (DEBCAD 37.225.1935) lavrado em 23/11/2009, contra o contribuinte em epígrafe, por infração ao art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n°8.212/91, com a alteração da Lei n°9.528/97, no qual foi aplicada multa no valor de R$ 212.668,80. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 5/35), a empresa deixou de declarar fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências 01/2005 a 03/2009. Segundo a fiscalização, a empresa deixou de informar todos os segurados a seu serviço e respectivas remunerações, pois parte desses segundos foram incluídos em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIPs de empresa considerada fictícia pela fiscalização (a empresa PAMAX LTDA). Os fatos ocorreram durante todo o período fiscalizado: 01/2005 a 03/2009. Assim, no período de 01/2005 a 11/2008, ao entregar as GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (omitindo os relacionados aos fatos narrados no AIOP 37.225.1943), a empresa incorreu em infração aos dispositivos legais mencionados. As omissões de fatos geradores em GFIPs das competências 12/2008 em diante passaram a ser penalizadas com base nas disposições da Medida Provisória 449/2008 e Lei 11.941/2009. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10920.005500/200956 Acórdão n.º 2402006.612 S2C4T2 Fl. 3 3 A multa foi aplicada de acordo com o art. 32, § 50, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 e com os artigos 284, inciso II e 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n°3.048, de 6 de maio de 1999. Houve circunstância agravante, pois verificouse que a empresa agiu com dolo e fraude, conforme previsto no inciso II do artigo 219 do Regulamento da Previdência Social, uma vez que ocorreu omissão parcial da movimentação dos empregados a seu serviço, planejada mediante a criação de empresa fictícia (PAMAX) e posterior registro dos segurados omitidos em nome desta. O cálculo da multa consta da planilha "Comparativo entre as penalidades antes e depois da MP 449/2008" (fls. 42/45). IMPUGNAÇÃO Cientificada do auto de infração em 23/11/2009, a empresa apresentou impugnação às fls. 48/63, em 22/12/2009, alegando, em síntese que: O presente auto de infração é consequência da ação fiscal realizada na empresa referente ao período de 01/2005 a 03/2009, da qual resultaram diversas autuações. O auditor fiscal ao autuar a empresa e por entender que há uma unicidade entre as empresas, considerou como não cumpridas diversas obrigações acessórias, dentre elas a de supostamente ter apresentado GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A impugnante contesta o fato de a fiscalização ter considerado que há uma unicidade entre as empresas Menegotti e Pamax e de ter lançado contribuições previdenciárias sobre os salários pagos aos segurados registrados na empresa Pamax Indústria de Formas Ltda. Segundo a impugnante, embora as empresas atuem no mesmo ramo, são empresas distintas, tendo cada uma personalidade jurídica própria, não fazendo parte sequer de um mesmo grupo econômico. As empresas exercem suas atividades produtiva, financeira ou administrativa, em galpões separados, conforme fotos anexas, com funcionários próprios e contabilidade completamente independente, possuindo livros e registos próprios. Alega ainda que o quadro societário das empresas é completamente distinto e que o simples fato de o Sr. Thiago Vilela Kasmierski (sócio da Pamax) ser filho dos sócios da impugnante, de forma alguma pode levar à conclusão de que há unicidade entre as empresas, como enseja a fiscalização. Ressalta que todos os empregados da Pamax Indústria de Formas Ltda foram devidamente registrados e as contribuições previdenciárias incidentes sobre seus salários foram efetivamente pagas, conforme comprovantes de pagamento anexados. A empresa alega que a opção pelo Simples foi realizada em total observância à Lei 9.317/96, de forma que a empresa tem direito de efetuar os recolhimentos por Fl. 331DF CARF MF 4 meio do referido sistema. Confirma o fato a postura adotada pelo auditor fiscal, que ao invés de excluir a empresa do SIMPLES desconsiderou sua personalidade jurídica. Alega que o auditor fiscal se baseou em indícios e que houve uma ilegal desconsideração da personalidade jurídica. Que o auditor fiscal não tem competência para tal ato. Alega que não há razoabilidade na aplicação da multa em razão de seu efeito confiscatório e que é totalmente desproporcional aos fatos alegados, motivo pelo qual deve ser excluída. Por fim, requer seja considerada procedente a impugnação, cancelandose o auto de infração, ou caso não seja este o entendimento, seja relevada a multa aplicada. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos da ementa abaixo reproduzida: OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. (CFL 68) Determina a lavratura de autodeinfração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP, conforme art. 32, inciso IV, § 50, da Lei n.° 8.212/91. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. AUSÊNCIA. O Princípio da Vedação ao Confisco previsto na Constituição Federal é dirigido ao legislador, cabendo à Autoridade Fiscal somente a aplicação da multa, nos moldes da legislação de regência. RELEVAÇÃO E ATENUAÇÃO DA MULTA. Em razão da alteração na legislação, a partir de 01/2009 não há mais embasamento legal para aplicação do benefício da relevação da multa, bem como de sua atenuação em cinquenta por cento. Cientificada da decisão da DRJ, a Autuada apresentou recurso voluntário (fls 94), por meio do qual apresentou os seguintes argumentos defensivos, em síntese: i) da verdade material / do vício de motivação, ii) da desconsideração da personalidade jurídica e iii) efeito confiscatório da multa. É o relatório. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10920.005500/200956 Acórdão n.º 2402006.612 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Do Resultado dos Julgamentos dos Processos Principais – PAFs 10920.005497/200971, 10920.005498/200915 e 10920.005499/200960 Conforme exposto no relatório supra, tratase, o presente caso, de autuação fiscal em decorrência de descumprimento de obrigação acessória consubstanciada no dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. Verificase, pois, que o caso ora em análise é uma decorrência do descumprimento da própria obrigação principal: fatos geradores da contribuição previdenciária. Assim, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. Neste espeque, de acordo com o resultado do julgamento dos PAFs 10920.005497/200971, 10920.005498/200915 e 10920.005499/200960, negase provimento ao recurso voluntário ora em análise. Multa Confiscatória Arguiu a recorrente que a multa teria sido aplicada em ofensa a princípios e dispositivos constitucionais (inconstitucionalidades), mostrandose excessiva e atentatória a sua capacidade contributiva. Razão não assiste ao recorrente! Como é do conhecimento de todos, o lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que, uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Fl. 333DF CARF MF 6 Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência das omissões na GFIP, fato conformado nos autos dos processos principais, aplicou a multa no patamar fixado na legislação. Ademais, caso se afastasse a multa em razão do atropelo a princípios constitucionais, estarseia declarando, conforme suscitado, inclusive, pelo próprio recorrente, a inconstitucionalidade da norma tributária. Isto não é possível nesta instância de julgamento, posto que é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado não tem competência para se pronunciar sobre a alegação de caráter confiscatório da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar a autuação. Conclusão Face ao exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720297/2008-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832.
A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ.
Numero da decisão: 1302-002.941
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832. A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 02 97 /2 00 8- 72 Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10865.720297/200872 Acórdão n.º 1302002.941 S1C3T2 Fl. 267 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) transmitida pela internet à central de dados da Receita Federal do Brasil, pela qual a contribuinte assinala compensação de parcela da dívida do ajuste do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2003, apontando crédito perante a Fazenda Nacional na importância de R$ 3.012.768,67 à conta de pagamento a maior que o devido quando da antecipação em base estimada desse mesmo tributo, havida em 30/12/2003, sob código de receita n 2362. Em sequência foi transmitida nova DCOMP assinalando compensação de débito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) do mês de fevereiro de 2004, na quantia de R$ 806.004,30, com crédito da mesma origem e no valor de R$ 779.878,37. A recorrente foi intimada pela DRFLimeira para que fossem prestados esclarecimentos e apresentados demonstrativos do valor recolhido a maior, vindo aos autos a resposta junto com documentados comprobatórios. Seguiramse novas solicitações de esclarecimentos, devidamente atendidas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em LimeiraSP exarou o despacho decisório não homologando a compensação declarada ao fundamento de inexistência de crédito a favor da contribuinte. Referido decisório consigna que no final do anocalendário de 2003 o valor do IRPJ pago durante aquele ano foi exatamente o que deveria ter sido recolhido, exceto em novembro e dezembro em que os pagamentos superaram o devido pelas importâncias de R$ 417.275,10 e R$ 30.998,23, respectivamente. Quanto ao primeiro, concluiu a diferença está em relação ao demonstrativo e que a mesma não subsiste ante o balancete, o qual aponta exatamente o valor recolhido. Registra que a anotação feita pela contribuinte em no demonstrativo por ela elaborado mostra que o valor anual do IRPJ ali constante, desconsiderados os excessos de novembro e dezembro, perfaz o montante de R$ 68.118.545,89, exatamente aquele feito constar na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), antes da dedução das estimativas mensais. Assevera, ainda, que a entrega de declaração de compensação para compensar justamente o valor do IRPJ resultante do ajuste final constitui forma de planejamento tributário na medida em que dito procedimento intenta correção do valor que teria sido "recolhido a maior" (aspas do original) pela Selic e o montante assim obtido é suficiente não só para quitar o tributo obtido na apuração anual como outros tributos. Ao final reafirma que não é possível a homologação da compensação declarada pelo contribuinte porque não há crédito em seu favor, nem tampouco crédito tributário em favor da União por conta do IRPJ apurado no anocalendário de 2003, eis que extinto por pagamento, concluindo pela cobrança apenas do débito da COFINS. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10865.720297/200872 Acórdão n.º 1302002.941 S1C3T2 Fl. 268 3 Regularmente cientificada, ingressou a interessada com a tempestiva peça recursal, acompanhada dos documentos, solicitando a reforma do despacho decisório para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação apresentada. Argumenta, em síntese, que a decisão foi proferida em flagrante desrespeito à legislação tributária, especialmente a que trata da necessidade do lançamento (art. 142 do CTN), inclusive porque alterouse a base de cálculo do tributo, bem assim, que suportada apenas em planilhas e demonstrativos, desconsiderando todas as declarações (DCTF e DIPJ) entregues pela contribuinte, sem desqualificálas ou requalificálas. Aduz que no contexto de tributo sujeito a "lançamento por homologação" a tarefa de constituição do crédito tributário é conferida ao sujeito passivo, conforme prescreve o artigo 150 do CTN, cabendo aos agentes fiscais tão somente a função de homologar, ou não, a atividade ultimada pela contribuinte. Lembra que até mesmo nas hipóteses em que a infração à legislação, tributária não resulte na exigência de crédito tributário fazse necessária a figura do lançamento de oficio, através de suas espécies: auto de infração ou notificação de lançamento.. Reafirma que o Fisco não alterou de oficio o valor da estimativa confessado na DCTF, restando evidenciada a existência de quantia recolhida a maior na medida em que o efetivo pagamento foi de monta superior àquela declarada. Assevera que a opção pelo pagamento por estimativa é exercida com a entrega da DIPJ (esta nunca retificada) e que o código de receita (2362) é único, não havendo distinção entre a sua forma de apuração (via balancete ou receita bruta). Assim, estimativas pagas que não observaram a forma prevista em lei (no caso o artigo 2° da lei n° 9.430/96) não podem ser informalmente alocadas de oficio, para determinação do saldo de imposto de renda apagar, apenas com o efeito de propiciar a negativa do direito à compensação, uma vez que o valor apurado a recolher na DIPJ ainda permanece inalterado. Por fim, realça que sobre o indébito devem incidir juros Selic desde o mês subsequente ao do pagamento e requer que os débitos indicados no DARF encaminhado para a impugnante juntamente com o despacho decisório ora impugnado fiquem com a exigibilidade suspensa até decisão definitiva na esfera administrativa, nos termos do artigo 74, §9° e §11, da Lei n°9.430, de 1996”. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, como se pode extrair da ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. EFEITOS. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA EXIGÊNCIA FISCAL DE QUANTIAS INDEVIDAMENTE COMPENSADAS. O ato administrativo de não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é apto, por si só, para produzir os efeitos de direito, dentre eles o de exigência da Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10865.720297/200872 Acórdão n.º 1302002.941 S1C3T2 Fl. 269 4 parcela do débito fiscal indevidamente compensado, em face da legislação de regência atribuir à declaração de compensação o caráter de confissão de dívida. Em decorrência, não se faz necessário o lançamento para fins de exigência do crédito tributário, nem tampouco sua ausência vicia o ato nãohomologatório. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANOCALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1° de janeiro subsequente. Eventuais diferenças, a maior, de estimativas recolhidas podem ser compensadas com estimativas mensais devidas ao longo do anocalendário em curso, dada a mesma natureza de antecipação, não, porém, com qualquer outro tipo de dívida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão retro, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário à apreciação deste Conselho, aduzindo, em síntese, as seguintes razões: A decisão recorrida se fundamenta em premissas equivocadas, haja vista que a discussão sobre a necessidade de lançamento referese à valoração do crédito, pois a retificação de ofício da DIPJ revelase condição prévia para mudança nos valores declarados como "estimativas recolhidas", "IRPJ devido" e "IRPJ a pagar" fundamentos utilizados pela DRF/Limeira para negativa do crédito postulado na compensação. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10865.720297/200872 Acórdão n.º 1302002.941 S1C3T2 Fl. 270 5 Necessidade de lançamento para alterar a apuração do IRPJ: não é possível que o Fisco modifique a DIPJ da Recorrente apenas com uma planilha e ilações sobre procedimentos que ela teria adotado; é necessário que efetue lançamento. Para negar o crédito sob o argumento de que a DIPJ estaria incorreta e deveria ser alterada, a DRF/Limeira necessariamente deveria ter procedido a retificação de ofício via lançamento. O acórdão recorrido equivocase ao confundir o momento da opção pelo regime de tributação (real, presumido ou arbitrado) com o regime de apuração de estimativas mensais; pois, no caso específico da estimativa, a opção é exercida somente com a entrega da DIPJ (esta nunca retificada pela Recorrente), uma vez que durante o ano somente são realizados os recolhimentos a título de antecipação. Requer o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório da Recorrente, com a consequente homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. O contribuinte teve ciência do Acórdão recorrido em 14/10/2009 e protocolou Recurso Voluntário em 29/10/2009. Constatada a tempestividade do presente recurso, deste conheço. Este processo trata da discussão quanto à negativa de homologação da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 25650.06888.120304.1.3.043878 pela DRF/Limeira, que assim o fez por apurar a inexistência do crédito indicado na referida declaração. A PER/DCOMP mencionada, surgiu porque o contribuinte considerou que do pagamento de R$ 6.163.720,21 relativos ao IRPJ devido por estimativa no mês de novembro de 2003, R$ 3.792.647,04 seriam indevidos e, por isso, os utilizou para compensar o IRPJ apurado no ajuste anual daquele mesmo anocalendário e o débito de Cofins nãocumulativa do mês de fevereiro de 2004. De acordo com a unidade preparadora, houveram duas retificações da DCTF. Na DCTF original, o contribuinte havia declarado que o valor do IRPJ apurado por estimativa no mês de novembro era R$ 6.163.720,21, mas após o encerramento do período a retificou a fim de reduzilo para R$ 2.371.073,17, mesmo valor informado na DIPJ/2004 (fl. 90). A partir dos demonstrativos encaminhados pelo próprio contribuinte, a DRF/Limeira concluiu que a diferença entre os valores foi decorrente da mudança na forma de apuração da estimativa: inicialmente havia sido feita por meio de levantamento, com apuração Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10865.720297/200872 Acórdão n.º 1302002.941 S1C3T2 Fl. 271 6 do lucro real do período (fls. 14 a 17), devidamente registrado no Livro Diário (fls. 53 a 73) e depois com base na receita bruta (fls. 36 a 42). A alteração na forma de apuração do IRPJ poderá ser procedida dentro do anocalendário, já que não se trata da figura do pagamento, propriamente dito, mas sim de antecipações do quantum devido a título de IRPJ, já que a lei permitia que as estimativas fossem calculadas de acordo com o art. 2º da Lei 9.430/96. Porém, encerrado o período e verificado que o IRPJ apurado é exatamente aquele recolhido, não se poderá mais falar em antecipações feitas a maior, mas sim em saldo negativo (ou a pagar) de IRPJ; este sim sendo passível de repetição. No entanto, como pontuado pela decisão recorrida, no caso dos autos não há busca de compensação deste saldo negativo, mas sim, dos "excessos" mensais, dentre os quais o do mês de novembro em análise. Isso porque, após o encerramento do período, o contribuinte verificou que o lucro mensal por ele de fato auferido era superior ao calculado de acordo com o art. 2º da Lei n.º 9.430/96, o que implicou o pagamento do IRPJ em valor superior àquele que seria obtido com base na receita bruta e acréscimos. Diante disso, o contribuinte considerou que os recolhimentos eram maiores que o devido e encaminhou as declarações objeto deste processo, para compensar justamente o valor do IRPJ resultante do ajuste anual. A DRF/Limeira, não homologou a PER/DCOMP sob o fundamento que findo o período de apuração, não pode a contribuinte alterar a sistemática de apuração para calcular a estimativa com base na receita bruta. Registrase, também, que a Unidade Preparadora não aceitou a exclusão da adição do depósito judicial de INSS no ajuste anual, no montante de R$ 1.741.981,39 (fl. 110) – que teria originado suposto recolhimento a maior no mês de novembro/2003 (R$ 417.275,10) – pois através das informações prestadas pelo contribuinte, apurou que este não havia comprovado que este valor não havia sido efetivamente deduzido como despesa; bem como porque, em razão do regime de competência, este valor não poderia ser apropriado como despesa no anocalendário seguinte. Pois bem. Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Da leitura do texto legal podese inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230 do RIR/99. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10865.720297/200872 Acórdão n.º 1302002.941 S1C3T2 Fl. 272 7 Assim, a pessoa jurídica, ao optar pela apuração do imposto de renda com base no lucro real anual, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete. O tributo calculado com base no lucro real daquele período (janeiro ao mês de levantamento do balanço) será comparado com todo o tributo recolhido sobre as operações de janeiro até mês anterior ao do levantamento do balanço ou balancete. Se a soma dos pagamentos efetuados for maior que o tributo devido apurado com base no balanço ou balancete, a empresa não terá que pagar o tributo relativo ao mês de levantamento do balanço. Se o tributo apurado no balanço ou balancete for maior, a empresa deverá pagar a diferença. Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano calendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Contudo, tal posicionamento foi superado pela súmula CARF n.º 84, verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Da leitura da súmula acima vêse claramente que o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado consistente na diferença entre o valor recolhido e o valor devido com base na estimativa mensal incidente sobre a recita bruta, homologando as compensações até o montante requerido pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10865.720297/200872 Acórdão n.º 1302002.941 S1C3T2 Fl. 273 8 Fl. 273DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.720088/2015-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
LANÇAMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO REAL
Deve ser considerado para os lançamentos efetuados o regime de tributação adotado pelo contribuinte, no caso, o Lucro Real.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010, 2011
COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. LUCRO REAL.
O regime da não cumulatividade da COFINS e PIS deve ser aplicado para os contribuintes tributados pelo imposto de renda com base no lucro real.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010,2011
APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO. NINGUÉM PODE BENEFICIAR-SE DA PRÓPRIA TORPEZA.
Não pode o contribuinte aproveitar-se da conduta, em desacordo com as normas legais, de simular a compra de mercadorias de outras empresas "noteiras".
Numero da decisão: 1402-003.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício para reformar a decisão recorrida e restabelecer os lançamentos efetuados, vencidos o relator original Demetrius Nichele Macei e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que negavam provimento. Nos termos do Art. 58, §13 do RICARF, foi designado pelo Presidente de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento, o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella para redigir o voto vencido. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Evandro Correa Dias. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator ad hoc.
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 LANÇAMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO REAL Deve ser considerado para os lançamentos efetuados o regime de tributação adotado pelo contribuinte, no caso, o Lucro Real. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010, 2011 COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. LUCRO REAL. O regime da não cumulatividade da COFINS e PIS deve ser aplicado para os contribuintes tributados pelo imposto de renda com base no lucro real. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010,2011 APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO. NINGUÉM PODE BENEFICIAR-SE DA PRÓPRIA TORPEZA. Não pode o contribuinte aproveitar-se da conduta, em desacordo com as normas legais, de simular a compra de mercadorias de outras empresas "noteiras".
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REGIME DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO REAL Deve ser considerado para os lançamentos efetuados o regime de tributação adotado pelo contribuinte, no caso, o Lucro Real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011 COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. LUCRO REAL. O regime da não cumulatividade da COFINS e PIS deve ser aplicado para os contribuintes tributados pelo imposto de renda com base no lucro real. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010,2011 APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO. NINGUÉM PODE BENEFICIARSE DA PRÓPRIA TORPEZA. Não pode o contribuinte aproveitarse da conduta, em desacordo com as normas legais, de simular a compra de mercadorias de outras empresas "noteiras". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício para reformar a decisão recorrida e restabelecer os lançamentos efetuados, vencidos o relator original Demetrius Nichele Macei e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que negavam provimento. Nos termos do Art. 58, §13 do RICARF, foi designado pelo Presidente de Turma de Julgamento como redator ad AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 88 /2 01 5- 15 Fl. 9425DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.426 2 hoc para este julgamento, o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella para redigir o voto vencido. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Evandro Correa Dias. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator ad hoc. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 9426DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.427 3 Relatório Adotase, integralmente, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 10.57.361, proferido em 26 de agosto de 2016, pela 5ª Turma da DRJ de Porto Alegre (RS), complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. A empresa teve lavrados contra si autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 8915), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 8946), Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Pasep (fls.8969), e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 8981). O total do crédito tributário apurado foi de R$ 466.474.201,63, calculado até 10/2015. O relatório da ação fiscal está às fls. 8817/8872. A ciência dos autos de infração ocorreu em 26/10/2015, via Edital. Houve também a lavratura de Termos de Responsabilidade Tributária contra CARLOS ROBERTO DOS SANTOS, CPF 645.695.60806 (fls. 9031), VALDIR RIBEIRO SARMENTO, CPF 943.103.94868 (fls. 9036), ARIOVALDO RIPANI, CPF 486.273.56815 (fls. 9041) e RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI, CPF 255.747.81808 (fls. 9045). Os dois primeiros foram cientificados em 26/10/2015, por edital. Os dois últimos foram cientificados em 14/10/2015, pelos correios. As seguintes impugnações foram apresentadas: – CARMAX COMERCIAL LTDA., fls. 9055/9084, entregue em 23/11/2015 – VALDIR RIBEIRO SARMENTO, fls. 9092/9109, apresentada em 23/11/2015. – CARLOS ROBERTO DOS SANTOS, fls. 9119/9135, apresentada em 23/11/2015. – ARIOVALDO RIPANI, fls. 9146/9163, apresentada em 11/11/2015 – RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI, fls. 9212/9229, apresentada em 11/11/2015 RAZÕES DE AUTUAÇÃO Da Sociedade A sociedade tem por objeto social o Comércio, Importação e Exportação de Ferro, Aço, Plásticos, Produtos Metalúrgicos, Têxteis, Resíduos e Sucatas Metálicas, Metais não Ferrosos, Instrumentos Musicais, Produtos Alimentícios, bem como a Armazenagem de Mercadorias em Geral para Terceiros. A sociedade é formada por CARLOS ROBERTO DOS SANTOS, com 99,9% de participação societária e VALDIR RIBEIRO SARMENTO, com 0,1%. Fl. 9427DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.428 4 Os anos autuados são 2010 e 2011 e neles houve a apuração dos resultados pela sistemática do Lucro Real. Cofins e PIS/Pasep foram apurados pelo regime não cumulativo. DA ANÁLISE DE CHEQUES E CONTABILIDADE A fiscalizada foi intimada e reintimada a apresentar extratos bancários. A primeira intimação foi em 6/5/2013, com o Termo de Início da Ação Fiscal. A contribuinte apresentou extratos, mas havia lapsos de tempo não abrangidos pelos documentos, ou havia dados ilegíveis ou parcialmente legíveis, como detalhado às fls. 8821/8822, no relatório fiscal. Resultando em parte infrutíferas as tentativas de obtenção dos documentos, foi emitida, em 17/07/2013, Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF (fls. 2678/2679), solicitando extratos bancários e cópias de cheques. A análise dos documentos bancários em confronto com os dados da contabilidade mostrou um padrão de comportamento, consistente em debitar uma conta de fornecedores, tendo como contrapartida o crédito na Conta Banco Bradesco, indicando se tratar do pagamento de duplicatas/títulos desses fornecedores. Mas, a análise das fitas/detalhes de caixa do Banco Bradesco mostram que os pagamentos foram efetuados a terceiras pessoas, físicas ou jurídicas. A autuante faz ampla amostragem no relatório fiscal. Adiante, refiro as contas contábeis em que se verificou ter ocorrido o procedimento descrito. Refiro, para cada conta, um exemplo, tal qual apresentado pela agente do fisco: 1 A conta contábil número 2.1.1.01.0001 FORNECEDORES DIVERSOS foi debitada, em contrapartida com a conta contábil de número 1.1.1.02.0001 BANCO BRADESCO C/C 45.5008 a crédito. O histórico da contabilidade indica que teria havido o pagamento de títulos/duplicatas de fornecedores X, Y ou Z. A análise das fitas/detalhes, no entanto, mostram que com cheques foram efetuados diversos pagamentos diferentes, inclusive a ARIOVALDO RIPANI e a SUBA FOMENTO MERCANTIL. A agente do fisco traz, exemplificativamente, a contabilização do cheque nº 5553. A contabilidade indica o pagamento de duplicata do fornecedor RECICLACO) (primeira tabela abaixo), mas o detalhamento do banco mostra que o cheque teria servido para liquidar operações com terceiros diversos. Fl. 9428DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.429 5 2 A conta contábil número 2.1.1.01.0004 MALOX COMÉRCIO DE METAIS LTDA foi debitada, em contrapartida com a conta contábil de número 1.1.1.02.0001 BANCO BRADESCO C/C 45.5008 a crédito. O histórico da contabilidade indica que teria havido o pagamento de títulos/duplicatas de títulos/duplicatas da MALOX. A análise das fitas/detalhes, no entanto, mostram que os cheques liquidaram diversos pagamentos diferentes, inclusive a ARIOVALDO RIPANI e a SUBA FOMENTO MERCANTIL. Reproduzo um dos exemplos constantes do trabalho fiscal. Tratase do cheque 6259. Na primeira tabela está a contabilização e na segunda, a utilização dos valores no banco. 3 A conta contábil número 2.1.1.01.0004 M&G COMÉRCIO DE METAIS LTDA foi debitada, em contrapartida com a conta contábil de número 1.1.1.02.0001 BANCO BRADESCO C/C 45.5008 a crédito. O histórico da contabilidade indica que teria havido o pagamento de títulos/duplicatas de títulos/duplicatas da – M&G . A análise das fitas/detalhes, no entanto, mostram que os cheques liquidaram diversos pagamentos diferentes, inclusive a ARIOVALDO RIPANI e VENEZA EMP E PARTIC E ADM DE BENS LTDA. Reproduzo o exemplo do cheque 6479 Fl. 9429DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.430 6 COMPRAS DE FORNECEDORES DIVERSOS Às fls. 8832/8837 a autuante historia a busca da confirmação de dados constantes da escrituração da contribuinte, em relação aos seguintes fornecedores: STILL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALUMÍNIO E METAIS LTDA, NEWSMETAL COMÉRCIO DE METAIS E RESINAS LTDA, BLACK METAIS COMÉRCIO DE METAIS LTDA., M G COMÉRCIO DE METAIS FERROSOS LTDA., DOGMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA e MALOX COMÉRCIO DE METAIS LTDA. O esforço da agente fiscal buscou a análise de elementos fiscais, contábeis e de natureza empresarial que possam dar validade e que possam comprovar a veracidade e a materialidade de suas aquisições. Além dos pagamentos aos fornecedores, se procurava a comprovação documental das negociações, os comprovantes de transporte das mercadorias, a comprovação do recebimento delas, a demonstração da utilização do material adquirido, o registro contábil de aquisição, registro de inventário e venda, e a relação de clientes adquirentes. A fiscalizada entregou apenas as comprovações de pagamentos, de forma incompleta em relação a quatro fornecedores, e não entregou qualquer comprovante em relação aos fornecedores DOGMA e MALOX. A autuante procedeu, então, a análise de cada um desses fornecedores, sendo as características abaixo, comuns a todos eles: – omissas na apresentação de DIPJ; – não recolhimento de tributos federais; – inexistência de empregados registrados; Fl. 9430DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.431 7 – inexistência dos prédios onde se localizariam as sociedades; moradores das redondezas afirmam desconhecer a existência de empresas que teriam funcionado nesses locais; – pequena ou inexistência de movimentação financeira; – grande volume de emissão de notas fiscais; – perfil econômico social dos sócios incompatível com o volume movimentado pelas empresas, já que não possuem movimentação financeira, renda ou bens/direitos declarados. Em que pese a pequena ou nula movimentação financeira das empresas, elas emitiram notas fiscais em vultosos valores: – STILL emitiu em 2010 e 2011, 365 milhões de reais em notas fiscais somente para a CARMAX; – NEWSMETAL emitiu, entre 2011 e 2013, 692 milhões de reais em notas fiscais; – DOGMA emitiu notas fiscais em valor superior a 45 milhões de reais em 2011; – MALOX emitiu notas fiscais no valor aproximado de 64 milhões de reais em 2011; – BLACK METAIS emitiu notas fiscais de valor aproximado de 74 milhões de reais em 2011; – M & G emitiu notas fiscais em torno de 50 milhões de reais em 2011. A autuante diz que a autuada inflou artificialmente seus custos com o registro das operações inexistentes. Sob o título “modus operandi” a agente do fisco explica a forma de atuação da fiscalizada (fls. 8847): 7. "MODUS OPERANDI" 7.1. A CARMAX simulou em sua contabilidade operações comerciais que não existiam, sendo que estas representavam meras simulações com o objetivo de aumentar o passivo da conta de fornecedores, através de valores que não representavam reais operações mercantis. Tal fato é corroborado tanto pela própria inexistência da maioria das empresas fornecedoras, tanto pela própria mecânica das operações mercantis fictas. 7.2. Durante os andamentos dos trabalhos, constatamos que, dentre alguns de seus fornecedores, constavam empresas com registros no relatório produzido pela DRF Nova Iguaçu/RJ. 7.3. Nas diligências realizadas nessas empresas, constatamos que as mesmas apresentam "inexistências de fato" e servem para a produção de notas fiscais para o acobertamento da saída de recursos financeiros, com finalidades Fl. 9431DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.432 8 distintas de operações comerciais de compra e venda. Tais transações comerciais são meras simulações. 7.4. A simulação consistia na emissão de um determinado cheque para o pagamento de um título comercial de uma fornecedora inexistente que, contabilizado em sua escrita fiscal, transparecia aos olhos dos Fiscos Estadual e Federal a efetiva realização da transação comercial que representava. O rastreamento dos recursos em nível de contacorrente bancária demonstrava a improcedência do lançamento, já que os recursos, em verdade, eram direcionados a terceiras pessoas, físicas e jurídicas, totalmente estranhas às operações que representavam, tudo isso obviamente à margem da escrita contábil e fiscal. 7.5. Em que pese a inexistência de fato dessas empresas, que atuavam na condição de pseudofornecedoras da contribuinte CARMAX, as mesmas eram movimentadas mediante interposição de pessoas, já que os respectivos quadros sociais de direito eram compostos por pessoas cujo patrimônio declarado não apresentava representatividade econômica, conforme demonstram as declarações de Imposto de Renda Pessoa Física das mesmas. A conclusão foi que não houve a comprovação da materialidade e veracidade da aquisição de mercadorias dos fornecedores antes referidos, levando à glosa desses custos. A conclusão da autuante é a que segue (fls. 8847): 8.1. A partir das irregularidades apontadas nesta ação fiscal e acima descritas, ao investigar as empresas fornecedoras, constatamos que várias empresas fornecedoras se apresentam em Situação Cadastral irregular e supostamente teriam vendido ao contribuinte fiscalizado nos anos calendário de 2010 e 2011, integrando desta forma o esquema fraudulento. 8.2. Apesar de intimado, o contribuinte não apresentou comprovantes de pagamentos e nem outros elementos que pudessem dar validade e que pudessem comprovar a veracidade e a materialidade de suas aquisições de mercadorias dos fornecedores, conforme intimado, que, somado ao fato de termos constatado a inexistência de fornecedores, a fiscalização concluiu pela inidoneidade das notas fiscais que lastreariam tais aquisições. 8.3. Desta forma, prejudicado o valor probatório das notas fiscais, procedemos à correspondente glosa por apropriação indevida destes custos. 8.4. E inequívoco que compete ao contribuinte apresentar outras provas de que as operações lastreadas nas notas inidôneas de fato foram realizadas. Tal é o entendimento consagrado na jurisprudência administrativa, [...]. Da Base de Cálculo As compras que não foram comprovadas foram glosadas. Os totais constam de tabela às fls. 8849. Da Multa de Ofício Aplicada Fl. 9432DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.433 9 A autuante entendeu que houve a prática, dolosa e reiterada, de contabilizar pagamentos e operações comerciais fictícias com empresas inidôneas e inexistentes. Com isso, foi aplicada multa de ofício qualificada de 150%, por entender estar a hipótese capitulada no art. 72 da Lei nº 4.502/1964 DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Dos Sócios A agente do fisco entendeu que os sócios responsáveis à época do fato gerador, CARLOS ROBERTO DOS SANTOS e VALDIR RIBEIRO SARMENTO, realizaram a prática de atos ilícitos com intuito doloso de sonegação de tributos, condição na qual a Fazenda deve responsabilizálos solidariamente, nos termos do Artigo 135 combinado com o Artigo 124, II da Lei nº 5.172/66 – CTN. Das pessoas com interesse comum na situação que constituiu o fato gerador A autuante entendeu que restou caracterizada na ação fiscal a sujeição passiva solidária de ARIOVALDO RIPANI e RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI, por terem ficado configurados como reais beneficiários das operações da empresa e, portanto, pessoalmente responsáveis pelas infrações à lei cometidas nas operações em nome da empresa autuada. O rastreamento dos recursos da CARMAX teria mostrado que vários cheques favoreciam pessoas vinculadas à FAMÍLIA RIPANI, entre eles, ARIOVALDO RIPANI. Durante a fiscalização da CARMAX, pela análise das fitas detalhes do caixa, a autuante identificou pagamentos a: – ARIOVALDO RIPANI, – SPARTACO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA (CADASTRO SPARTACO). – SUBA FOMENTO MERCANTIL LTDA, – VENEZA EMPREENDIMENTOS PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA. (VENEZA) – IPANEMA COMERCIAL EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA. – ATURIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA. e, A SPARTACO nomeou e constituiu como seu procurador o Sr. ARIOVALDO RIPANI, conferindo a ele amplos e gerais poderes para gerir e administrar a sociedade. Segundo a autuante: Fl. 9433DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.434 10 De fato, ARIOVALDO RIPANI, sócio da SUBA, sem qualquer vinculação de direito com a empresa SPAPTACO, movimentava através de procuração constituída por instrumento público (INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO PARA ARIOVALDO RIPANI), as contascorrentes da SPARTACO mantidas na agência bancária, demonstrando ser o principal favorecido e real beneficiário das riquezas geradas pelas atividades da SPARTACO e, consequentemente, pela CARMAX, já que constatamos uma grande movimentação de recursos da CARMAX para a SPARTACO. A SUBA, que tem ARIOVALDO RIPANI como sócio, possui o mesmo endereço primitivo da SPARTACO. Diligências realizadas na VENEZA, IPANEMA e ATURIA, para que apresentassem documentos de suporte para os recursos recebidos via depósitos bancários, resultaram infrutíferas. Após intimação e reintimação, as diligenciadas não apresentaram os documentos solicitados. A VENEZA foi beneficiária de vultosos depósitos bancários, como revelado pela análise das fitas detalhe do caixa do Banco Bradesco. Esses depósitos estão especificados às fls. 40/42. Intimada a apresentar documentos de suporte para os depósitos, não os apresentou. A contabilização indicava que os cheques se destinavam ao pagamento de outros fornecedores, tais como, MALOX, M&G e NEWS METAL. Diz a autuante (fls. 8858): A Contabilidade, portanto, não espelhou a realidade neste caso, visto que estes cheques, conforme fitas detalhes do banco, liquidaram diversos pagamentos diferentes, e não constam pagamentos para VENEZA EMPREENDIMENTOS PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA. A autuante enfatiza que a análise do contrato social mostra que no quadro social da VENEZA há três membros da família Ripani. Os depósitos em favor de IPANEMA estão relacionados às fls. 43/44. A ATURIA teria recebido mais de R$ 51 milhões nos anos de 2010 e 2011. A autuante diz que a sociedade é constituída por interpostas pessoas e que o endereço é o mesmo de outra empresa da família Ripani. Transcrevo do relatório fiscal: A empresa ATURIA foi constituída em 04/09/2009 e está localizada no endereço à Rua Visconde de Parnaíba, 1087, Brás, São Paulo/SP, que é o atual endereço da empresa SPARTACO, que constituiu procuração para ARIOVALDO RIPANI. Os sócios da ATURIA são as interpostas pessoas MARIA SANTOS DA PAIXÃO CPF 187.107.20855 e MARIA CRISTINA DA SILVA CPF 152.543.11886. Fl. 9434DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.435 11 MARIA SANTOS DA PAIXÃO possui irrisório patrimônio, conforme comprovam suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, e não apresentou DIRPF relativamente aos anoscalendário de 2009 e 2010 (DIRPFMARIA SANTOS DA PAIXÃO). Seu patrimônio não é condizente com a empresa ATURIA, da qual ela é sócia, que recebeu mais de R$ 51 milhões da CARMAX nos anos de 2010 e 2011, por meio de depósitos na contacorrente n. 51643/0, agência 559 do Banco Bradesco (CHEQUES CARMAX PARA ATURIA E OUTROS 2010; CHEQUES CARMAX PARA ATURIA E OUTROS 2011). MARIA SANTOS DA PAIXÃO é mãe de ARTUR SANTOS DA PAIXÃO, antigo sócio que constituiu a empresa CARMAX (CADASTRO RFB ARTUR E MARIA SANTOS DA PAIXÃO). A sócia MARIA CRISTINA DA SILVA nunca apresentou DIRPF (DIRPF MARIA CRISTINA DA SILVA). Outras empresas vinculadas à família Ripani A autuante também revela a atuação da família Ripani em outras empresas (fls. 8860): A família RIPANI era responsável também pela movimentação das empresas METALTUBOS COMÉRCIO DE METAIS LTDA CNPJ 54.242.805/000170 (CADASTRO METALTUBOS E SÓCIOS), PIRANI IND. COM. DE METAIS LTDA CNPJ 46.929.212/000159 (CADASTRO PIRANI E SÓCIOS) e SUPERLIGAS METAIS E LIGAS LTDA CNPJ 57.916.587/000109 (CADASTRO SUPERLIGAS E SÓCIOS), todas apresentando "confusão" de quadros societários e interligandose em situações fáticas, inexistentes de fato, existindo apenas documentalmente em um mesmo endereço, apenas simulando salas diversas de um mesmo prédio que se encontrava para locação, conforme passaremos a expor de forma detalhada: [...] A confusão patrimonial entre essas três sociedades teria sido reconhecida em sentença judicial decorrente de execução proposta pela Fazenda Nacional. Parte da sentença está transcrita às fls. 8861. RAZÕES DE DEFESA IMPUGNAÇÃO DA CARMAX COMERCIAL LTDA. Decadência Por força do § 4º, do art. 150, do CTN, a autoridade fiscal teria cinco anos para revisar o lançamento por homologação. No caso concreto, na data de ciência dos autos de infração, estavam decaídos os lançamentos relativos aos fatos geradores com data até 30/09/2010. Diz não ser aplicável o art. 173, I, do CTN, eis que teria havido pagamento dos tributos e a autuação se deu pela glosa dos documentos considerados inidôneos e não por Fl. 9435DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.436 12 falta de pagamento. Por outro lado, não teria sido provado nos autos que teria havido fraude, dolo ou simulação. E, caso houvesse alguma dessas situações, a autoridade tributária deveria ter notificado o contribuinte dentro do prazo de 5 anos para revisão do lançamento. Enfatiza que o art. 173 do CTN busca proteger a interpretação e aplicação da legislação tributária feitas exclusivamente pela administração pública, independentemente de qualquer ato do particular, o que não acontece com os tributos sujeitos a lançamento por declaração. Do cerceamento de defesa O Fisco Federal não teria logrado sucesso para encontrar a empresa NEWSMETAL e seus sócios. Em razão disso e em razão do que consta no SINTEGRA da Secretaria de Fazenda de São Paulo, teria havido presunção de que a sociedade estaria inapta. Acontece que não consta do processo a data em que houve a publicidade da inabilitação dessa e de outras fornecedoras da contribuinte, quais sejam: STILL, DOGMA, MALOX, BLACK METAIS e M&G. Requer que a Fazenda do Estado de São Paulo seja intimada a fornecer a data da publicidade da inabilitação dessas empresas, como forma de prestigiar a boa fé da contribuinte. Traz jurisprudência. A autuada não teve acesso aos autos do procedimento fiscalizatório promovido contra a NEWSMETAL. Quando efetuava compras, pesquisava no SINTEGRA e nada constava que desabonasse a fornecedora. A situação caracteriza cerceamento do direito de defesa, o que implica nulidade dos lançamentos efetuados. Reclama, também da anotação no termo de verificação fiscal de que “Este trabalho está sob acompanhamento do Ministério Público Federal”, sem qualquer outra informação que justifique os motivos de tal acompanhamento. Não sabe se esse acompanhamento estaria relacionado à NEWSMETAL. Isso corroboraria a existência de cerceamento de defesa. Contradição na Motivação A impugnante reclama de contradição na motivação do lançamento, o que não permitiria a compreensão dos fundamentos pelos quais a fiscalização glosou as operações comerciais. Diz (fls. 9066) 48. No “item 7” do “Termo de Verificação e Constatação de Ação Fiscal”, a fiscalização afirma que as operações feitas com as empresas fornecedoras seriam meras simulações, com o objetivo de aumentar o passivo da conta de fornecedores. Por outro lado, no “item 9.3”, tais operações supostamente inexistentes serviriam apenas para regularizar no estoque da empresa, a existência de mercadorias sem origem. 49. Afinal, na concepção da Auditora expressa na narrativa dos fatos, as mercadorias existiriam, ou, simplesmente, os documentos fiscais serviriam para aumentar a conta do passivo? Se existiam, como decorrência, a conta Fl. 9436DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.437 13 do passivo não seria aumentada, tendo em vista a efetiva saída das mercadorias. Da Quebra do Sigilo Bancário A autuante teria partido da premissa de que todos são culpados até que se prove o contrário. Assim, o sócio Carlos Roberto dos Santos nunca foi intimado a apresentar esclarecimentos sobre a origem dos recursos que lhe permitiram constituir a empresa. Mesmo assim, a agente do fisco, por considerar que a empresa estava constituída por interposta pessoa, formulou Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira. Portanto, a partir de ilações sem provas e ausência de diligências suficientes por parte do agente fiscal, o sigilo bancário da Recorrente foi quebrado. Ora, a própria Lei Complementar nº 105/2001, somente autoriza ao Fisco requerer informações às instituições financeiras quando esses documentos sejam considerados indispensáveis. Traz jurisprudência acerca da necessidade de provimento judicial para acesso às informações bancárias. Com base no Regimento Interno de Carf, pede o sobrestamento do feito até que sobrevenha decisão definitiva do STF no caso paradigma lá em análise. Do “ônus da prova” versus “dever de provar” do Fisco A administração teria suposto a prática de um ilícito pelo contribuinte, mas não cumpriu seu dever de provar o alegado. O Sr. Carlos Roberto dos Santos era o responsável pela administração da empresa, assinando todos os cheques. Tinha formação e competência para tal. O fisco, apenas em razão de o sócio não retirar altas somas da empresa e ter uma vida simples, entendeu ser interposta pessoa. Tudo sem aprofundar a investigação. Da legitimidade e existência das operações As notas fiscais e respectivos cheques emitidos para saldar as duplicatas provariam a legitimidade e existência das operações. As conclusões do fisco são meras conjecturas que ferem o dever de administração provar o alegado. Sem prova não há que se falar em simulação. Do estorno dos valores das NF de entrada e não de saída A agente do fisco não teria analisado a saída de mercadorias da empresa. Diz que se a mercadoria era fictícia, necessariamente teria a fiscalização que apurar os documentos de saída e estornar os valores glosados, o que não foi feito. Esse equívoco onera a contribuinte, que tem sua conta de passivo diminuída, sem que haja diminuição proporcional em suas saídas. Acrescenta que: por outro lado, se a mercadoria existia, sendo as notas fiscais utilizadas apenas para dar origem, não houve diminuição da base de cálculo do tributo, mas infração de outra ordem, o que poderia ser apurado apenas com a verificação da saída das mercadorias. Fl. 9437DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.438 14 Da correta apuração da base de cálculo do IRPJ/CSLL O Lucro Real tem origem no lucro líquido apurado na escrituração contábil, originado do confronto entre receitas auferidas e custos incorridos. A apuração do Custo das Mercadorias Vendidas – CMV leva em conta o estoque inicial, as compras realizadas e os estoques finais. Assim, o valor que deve ser considerado na determinação do lucro líquido é o CMV e não simplesmente o total das compras efetuadas no período de apuração, como teria feito a auditora fiscal. Um dos componentes do CMV é o valor das compras efetuadas dos fornecedores. Se as compras forem desclassificadas, o valor destas deve ser excluído o cálculo do CMV e, ao mesmo tempo, excluir o valor destas mercadorias que estejam compondo o valor dos estoques finais. Também seria necessário considerar que o calculo do CMV leva em conta os impostos recuperáveis (ICMS, PIS, Cofins, etc.) além da adoção do Custo Médio Ponderado, utilizado para avaliação dos estoques. Da necessidade da produção de prova pericial contábil Ao falar da necessidade de produção de prova pericial parece ter a defesa se equivocado, eis que reclama já ter sido indeferida tal prova, assim (fls. 9078, sublinhei): Lastreada nas disposições acima, além, é claro, da garantia constitucional veiculada no art. 5º, LV1, que irradia efeitos para todo o ordenamento jurídico, a ora Requerente requereu em sua defesa, a produção de prova pericial contábil, indicando perito e formulando as questões que entende necessárias para provar seus argumentos, o qual, todavia, foi indeferido. Diz que objetiva provar que não houve análise das notas fiscais de saída das mercadorias. Tivesse havido isso, o resultado da ação fiscal seria diferente. Conjectura que a fiscalização poderia chegar a duas conclusões: (i) Mantivesse o auto de infração e estornasse da saída os valores já glosados na entrada, por considerálos fruto de mercadorias inexistentes, o que teria por resultado um ajuste da base de cálculo ou; (ii) Alterar sua opinião, na medida em que as mercadorias foram efetivamente vendidas, o que significa que as operações existiram, isto é, as mercadorias efetivamente entraram na Impugnante. Da Inaplicabilidade da Multa Agravada Não teria havido comprovação de simulação, fraude ou conluio que autorizasse a aplicação da multa de 150%. Houve mera presunção absoluta por parte do Fisco. Traz jurisprudência acerca da necessidade de comprovação do evidente intuito de fraude. Dos requerimentos Fl. 9438DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.439 15 A defesa requer o cancelamento das exigências sob os seguintes fundamentos: 102.1 Requer seja reconhecida a decadência do lançamento efetuado nos autos do procedimento, com base no art. 150, § 4º, do CTN; 102.2 Caso não seja esse o entendimento de Vossa Senhoria, requer seja declarada a nulidade do lançamento em virtude de cerceamento do direito de defesa; 102.3 De forma alternativa, caso nenhum dos pedidos anteriores seja julgado procedente, que se reconheça a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário, ou, ainda, que se suspenda o procedimento em virtude de repercussão geral sobre a matéria no Superior Tribunal Federal; 102.4 Requer que se reconheça a legitimidade das operações realizadas pela Impugnante, o que ficará cabalmente demonstrada com a realização da perícia requerida em item III.5.5 e 116; 102.5 Por derradeiro, pedese a desconstituição da multa qualificada e da consequente representação fiscal para fins criminais, tendo em vista inexistir prova de dolo, fraude ou simulação. Requer também a intimação da Fazenda do Estado de São Paulo para fornecer dados que especifica. Requer diligência para que se analisem os documentos que retratam as saídas da empresa. Requer, também, a produção de perícia contábil financeira para a qual formula quesitos e indica perito. Os quesitos são os que seguem: 116.1 Contabilmente é possível que uma empresa, ao mesmo tempo em que insere documentação simulada apenas para aumentar a conta do passivo, utilize essa mesma documentação para dar origem a mercadorias sem lastro em documentos fiscais? Existiria uma impossibilidade lógica para a prática desses dois atos? 116.2 De acordo com os fatos narrados pela fiscalização houve análise dos documentos de saída da empresa Impugnante? 116.3 Pelo fato de glosar as compras de mercadorias efetuadas das mencionadas empresas fornecedoras, deveria a Sra. Auditora Fiscal subtrair tais valores também das operações de saída declaradas pela empresa? 116.4 Existe alguma irregularidade nos pagamentos efetuados pela Impugnante com relação às notas fiscais apresentadas? 116.5 Confrontando os documentos fiscais da Impugnante, queira o Sr. Perito esclarecer se as mercadorias objeto das notas fiscais hostilizadas, deram efetiva entrada no estoque da Impugnante e, posteriormente, saída. Fl. 9439DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.440 16 116.6 Em sendo afirmativa a resposta ao quesito anterior, queira o Sr. Perito informar quais documentos comprovam essa afirmação. 116.7 A operação de compra e venda exteriorizada nas notas fiscais hostilizadas foram efetivamente pagas pela Impugnante ao fornecedor? Favor descrever o percurso desses pagamentos e informar os documentos que comprovam tais fatos. 116.8 Analisando os documentos da Impugnante e fatos descritos, é possível ao Sr. Perito afirmar se a operação de compra e venda exteriorizada nas notas fiscais hostilizadas é real? 116.9 Há mais alguma observação que queira fazer o Sr. Perito e que sejam úteis para elucidar eventuais dúvidas na contabilidade da empresa? Da apresentação de documentos após o prazo de impugnação A autuada apresentou impugnação em 23/11/2015. Em 02/05/2016 voltou ao processo (fls. 9304), juntando os documentos de fls. 9305/90308 e 9309/9328. O primeiro desses documentos é petição em que, alegando o princípio da verdade material, pede a juntada de laudo técnico, com o qual pretende formular a seguinte prova, ipsis littreris: 4. Notadamente, a Impugnante quer provar por intermédio do laudo pericial (Doc. 01), que ora pede juntada, que não houve análise das notas fiscais de saída das mercadorias, o que permitiria que a fiscalização chegasse ao menos a duas conclusões: (i) Mantivesse o auto de infração e estornasse da saída os valores já glosados na entrada, por considerálos fruto de mercadorias inexistentes, o que teria por resultado um ajuste da base de cálculo ou; (ii) Alterar sua opinião, na medida em que as mercadorias foram efetivamente vendidas, o que significa que as operações existiram, isto é, as mercadorias efetivamente entraram na Impugnante. Reforça o pedido de perícia técnica. O laudo técnico firmado por contabilista, responde aos quesitos há pouco reproduzidos neste relatório. Entre outras conclusões o laudo técnico refere que os valores computados como custos não foram os totais das compras efetuadas, como afirmado pela fiscalização, mas os CMV’S (Custo das Mercadorias Vendidas) apurados conforme demonstrado nos Quadros nº 01 e 02. Diz ainda (fls. 9316): Se eventualmente estiver correta a interpretação da auditoria fiscal e as compras efetuadas aos fornecedores questionados forem desqualificadas, o valor destas será excluído do calculo da CMV. mas ao mesmo tempo será Fl. 9440DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.441 17 preciso excluir o valor destas mercadorias que eventualmente estejam compondo o valor dos Estoques Finais, no todo ou em parte. O laudo diz que as operações contestadas pelo fisco aparentam ser reais e que com a análise apenas dos registros contábeis é impossível constatar se, efetivamente, os valores pagos foram entregues às pessoas físicas ou jurídicas indicadas nesses registros. Traz considerações sobre a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. IMPUGNAÇÃO DA VALDIR RIBEIRO SARMENTO O impugnante VALDIR RIBEIRO SARMENTO repete argumentos de defesa também utilizados pela CARMAX. Para evitar redundância, deixo de reproduzilos novamente. Os argumentos dizem respeito à decadência, nulidade do lançamento por contradição na motivação, o ônus de provar versus o dever de prova e inaplicabilidade da multa agravada. Da Não Disponibilização do Processo Digital no ECAC O processo não teria sido disponibilizado no ambiente virtual do ECAC para acesso, o que obrigou a defesa a obter cópia por gravação em pen drive. Alega que tem o direito de acessar os autos eletrônicos do processo administrativo mediante utilização de seu certificado digital. A não disponibilização para consulta é agressão aos princípios do contraditório e ampla defesa. Pede a nulidade do procedimento. Da Impossibilidade de Responsabilização Solidária O impugnante nunca teria administrado a CARMAX e detinha apenas 0,10% do capital social. O dispositivo legal que autorizaria a inclusão do Impugnante como corresponsável seria o art. 135, do CTN, que estabelece a responsabilidade pessoal do administrador pelos créditos correspondentes e obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Haveria erro de direito na subsunção dos supostos fatos ilícitos à norma do art. 135 do CTN, porque não se trata de solidariedade, mas sim de responsabilidade pessoal. Diz (fls. 9102): Logo, não se trataria de responsabilidade solidária, mas pessoal, existindo erro de direito quanto à subsunção do fato (não provado) à norma errônea, que não se aplica. Pede a nulidade do procedimento. O erro de aplicação do direito não poderia mais ser revisto, o que implicaria mudança de critério jurídico. Da ilegitimidade para figurar no pólo passivo – nunca praticou atos de gestão O Impugnante nunca teria praticado atos de gestão. Afirma que o Sr. CARLOS ROBERTO DOS SANTOS, por escritura pública, certificará que todos os atos de gestão foram por ele praticados. Fl. 9441DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.442 18 Todos os atos de gestão, inclusive assinatura de cheques e as ordens de compra eram assinados pelo Sr. CARLOS ROBERTO. Não haveria, nos autos, nenhum documento assinado pelo impugnante. O art. 135 do CTN determinaria a responsabilidade pessoal pelas obrigações tributárias decorrentes de atos praticados com excesso de poderes, infração à lei ou contrato social, o que não estaria provado nos autos. Como o impugnante não praticava atos de gestão, nenhum ato – lícito ou ilícito – pode ser imputado a ele. Da Inexistência de Provas da Prática de Ato Ilícito A conclusão de que o Impugnante seria beneficiário das operações da empresa e um dos mentores intelectuais da suposta fraude é desprovida de qualquer indício razoável. Diz: Como dito linhas atrás, o Impugnante auxiliou seu sócio na constituição de pessoa jurídica limitada, possuindo apenas 0,10% do capital social. Além disso, jamais praticou atos de gestão, não assinava cheques, não contratava com fornecedores ou clientes e tampouco admitia ou demitia empregados, conforme se depreende de escritura pública a ser lavrada pelo sócio administrador da empresa, CARLOS ROBERTO DO SANTOS. [...] Deveria a fiscalização agir com eficiência e, no prazo decadencial, ter diligenciado, para se certificar dos fatos, ou, no mínimo, arguir o Impugnante a fim prestar esclarecimentos, sobre a origem dos recursos que lhe permitiram constituir a empresa, em obediência ao princípio da verdade material. Do Pedido de Diligência A impugnante requer, entre outros, a sua exclusão como corresponsável pelas obrigações tributárias por, alegadamente, nunca ter praticado atos de gestão. Para provar o alegado, requer sejam os autos baixados em diligência para oitiva de funcionários, fornecedores e clientes, que poderiam comprovar que o Impugnante jamais geriu a empresa CARMAX. Da apresentação de documentos após o prazo de impugnação O Sr. Valdir Ribeiro Sarmento voltou ao processo em 03/05/2016, por meio da petição de fls. 9331, solicitando a juntada de escritura pública na qual o Sr. Carlos Roberto dos Santos, declarou ser ele o responsável por todos os atos de gestão da empresa autuada. A escritura está às fls. 9335. IMPUGNAÇÃO DE RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI O impugnante RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI repete argumentos de defesa também utilizados pela CARMAX e por VALDIR RIBEIRO SARMENTO. Para evitar redundância, deixo de reproduzilos novamente. Os argumentos dizem respeito à decadência, ausência de disponibilização do processo digital no ECAC, Fl. 9442DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.443 19 nulidade do lançamento por contradição na motivação, o ônus de provar versus o dever de provar e inaplicabilidade da multa agravada. A autuante teria considerado o impugnante como real beneficiário das operações da empresa, restando caracterizada a sujeição passiva solidária de fato. Diz a defesa: Tal assertiva teve como fundamento a ligação familiar do Impugnante com ARIOVALDO RIPANI, o qual, no entendimento da Sra. Auditora Fiscal, movimentava através de procuração pública as contascorrentes de uma outra empresa, que não a autuada, qual seja, a empresa SPARTACO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA., demonstrando ser o principal favorecido das riquezas geradas pelas atividades não só da SPARTACO, como também da autuada, CARMAX, já que afirma ter constatado uma grande movimentação de recursos da CARMAX para a SPARTACO. Nulidade – Erro de Direito – Impossibilidade de Responsabilização Solidária Os dispositivos legais que, segundo o fisco, autorizariam a inclusão do Impugnante como corresponsável seriam os arts. 135 e 137 do CTN. O primeiro estabeleceria a responsabilidade pessoal do administrador pelos créditos correspondentes e obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. O segundo dispositivo determinaria a responsabilidade pessoal ao agente quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito. Não se trataria, portanto de solidariedade, comi diz a autuante, mas de responsabilidade pessoal. Teria incorrido a agente do fisco em erro de direito na subsunção dos supostos fatos ilícitos à norma dos arts. 135 e 137 do CTN. A autuante entendeu que ARIOVALDO RIPANI seria o principal favorecido pelas riquezas geradas pelas atividades da SPARTACO e da CARMAX. Já o impugnante seria empregado dessa última empresa e, com isso, se enquadra nas exceções do art. 137 do CTN. Também sobre o art. 135 do CTN, a doutrina seria uníssona em sua caracterização como responsabilidade pessoal. Conclui: Em suma, inexiste a possibilidade de aplicação de responsabilidade solidária com fundamento nos arts. 135, III, e 137, do CTN, mas responsabilidade pessoal, existindo erro de aplicação do direito, que não pode ser mais revisto, o que torna nulo o ato administrativo, na medida em que implicaria mudança de critérios jurídicos pela autoridade administrativa, conforme art. 146, do CTN. Da Inexistência de Provas da Prática de Ato Ilícito Fl. 9443DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.444 20 O impugnante reafirma ter sido apenas empregado da SPARTACO e enfatiza que a ligação familiar com ARIOVALDO RIPANI não o torna beneficiário das riquezas geradas pela SPARTACO e CARMAX. Reproduzo parte da impugnação (fls. 9226): Ora, o Impugnante realmente possui ligação familiar com ARIOVALDO RIPANI, o que, todavia, não permite à Agente Fiscal concluir que o fato de ser filho dele, o torna real beneficiário das riquezas geradas pelas atividades da SPARTACO e pela CARMAX, ora autuada. 56. Isto porque, primeiramente, o Impugnante, foi funcionário da empresa SPARTACO, devidamente registrado, de 02/02/2009 a 19/07/2013 (Doc. 04), exercendo o cargo de Gerente Administrativo, cuja renda salarial era totalmente compatível com a sua movimentação bancária, conforme se comprova por intermédio dos extratos da sua conta bancária em anexo (Doc.05) 57. Do mesmo modo, demonstra sua Declaração de Imposto de Renda PF referente ao anocalendário de 2009 (Doe. 06), período objeto da autuação da SPARTACO, a compatibilidade com os valores movimentados em conta e com o salário recebido. 58. Ademais, seu pai ARIOVALDO, trabalhava como vendedor da empresa SPARTACO, e recebia comissões de venda, capazes de justificar sua movimentação bancária, apresentada em sua impugnação ao presente auto. 59. Ainda, com relação à suposta movimentação das contas da empresa por ARIOVALDO, por intermédio de procuração pública, convém esclarecer que ela não foi utilizada no período autuado em relação a SPARTACO, e foi lavrada apenas por cautela do Sr. Spartaco Taddeo, sócio da empresa, em razão da idade, conforme por ele declarado na Escritura Pública, em anexo (Doe. 07) 60. Assim, Raphael e Ariovaldo, respectivamente filho e pai, têm vínculos com a SPARTACO, de ordem trabalhista (Raphael) e de prestação de serviços (Ariovaldo), que não é condição suficiente para a conclusão de que o Impugnante era o real beneficiário das riquezas geradas pelas atividades da SPARTACO, e consequentemente, da CARMAX. IMPUGNAÇÃO DE CARLOS ROBERTO DOS SANTOS O impugnante CARLOS ROBERTO DOS SANTOS repete argumentos de defesa também utilizados pela CARMAX e por outros impugnantes. Para evitar redundância, deixo de reproduzilos novamente. Os argumentos dizem respeito à decadência, ausência de disponibilização do processo digital no ECAC, nulidade do lançamento por contradição na motivação, o ônus de provar versus o dever de provar e inaplicabilidade da multa agravada. Nulidade – Erro de Direito – Impossibilidade de Responsabilização Solidária O dispositivo legal que autorizaria a inclusão do Impugnante como corresponsável seria o art. 135, do CTN, que estabelece a responsabilidade pessoal do Fl. 9444DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.445 21 administrador pelos créditos correspondentes e obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Haveria erro de direito na subsunção dos supostos fatos ilícitos à norma do art. 135 do CTN, porque não se trata de solidariedade, mas sim de responsabilidade pessoal. Diz (fls. 9102): Logo, não se trataria de responsabilidade solidária, mas pessoal, existindo erro de direito quanto à subsunção do fato (não provado) à norma errônea, que não se aplica. Pede a nulidade do procedimento. O erro de aplicação do direito não poderia mais ser revisto, o que implicaria mudança de critério jurídico. Da Inexistência de Provas da Prática de Ato Ilícito O fisco entendeu – sem provas – ser o impugnante beneficiário das operações da empresa e um dos mentores intelectuais da suposta fraude. Basicamente sustentaram a conclusão fiscal o fato de o impugnante ter se declarado isento de IRPF no ano da constituição da empresa e possuir patrimônio insignificante. Por outro lado, a empresa do Impugnante não teria atividades que justificassem as vultosas operações bancárias que atingiram mais de 609 milhões de reais. Diz (fls. 9131) 52. Ora, o fato de haver se declarado como isento no ano de 2003, quando da abertura da pessoa jurídica não é condição suficiente para a conclusão de que o Impugnante não possuía condição financeira para constituir a empresa CARMAX. 53. Na verdade, tratase de um projeto de vida, que o Impugnante pode levar a cabo somente após sua aposentadoria. Reuniu clientes que por confiança e amizade proporcionaram o início do negócio. 54. Esse mesmo raciocínio se aplica às dilações feitas pela autoridade fiscal, no que tange à inexistência de atividades comerciais ou industriais suficientes para justificar as operações interbancárias. 55. Aliás, o Impugnante, em nenhum momento foi indagado acerca das condutas que a Agente Fiscal presumiu fraudulentas, ou sequer intimado a apresentar esclarecimentos/documentos, partindo a autoridade fiscal da falsa premissa jurídica que TODOS são culpados até que provem o contrário! IMPUGNAÇÃO DE ARIOVALDO RIPANI O impugnante ARIOVALDO RIPANI repete argumentos de defesa também utilizados pela CARMAX e por outros impugnantes. Para evitar redundância, deixo de reproduzilos novamente. Os argumentos dizem respeito à decadência, ausência de Fl. 9445DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.446 22 disponibilização do processo digital no ECAC, nulidade do lançamento por contradição na motivação, o ônus de provar versus o dever de provar e inaplicabilidade da multa agravada. Nulidade – Erro de Direito – Impossibilidade de Responsabilização Solidária Os dispositivos legais que, segundo o fisco, autorizariam a inclusão do Impugnante como corresponsável seriam os arts. 135 e 137 do CTN. O primeiro estabeleceria a responsabilidade pessoal do administrador pelos créditos correspondentes e obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. O segundo dispositivo determinaria a responsabilidade pessoal ao agente quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito. Não se trataria, portanto de solidariedade, como diz a autuante, mas de responsabilidade pessoal. Teria incorrido a agente do fisco em erro de direito na subsunção dos supostos fatos ilícitos à norma dos arts. 135 e 137 do CTN. O impugnante foi incluído como responsável pelas obrigações tributárias da empresa SPARTACO, em autuação anterior, e agora da empresa CARMAX, por ser, supostamente real beneficiário das operações e ser, portanto, pessoalmente responsável pelas infrações à lei cometidas nas operações em nome da autuada. No tocante à SPARTACO, diz que se enquadra nas exceções previstas no inciso I do art. 137 do CTN. Sobre o art. 135 do CTN, a doutrina seria uníssona em sua caracterização como responsabilidade pessoal. Conclui: Em suma, inexiste a possibilidade de aplicação de responsabilidade solidária com fundamento nos arts. 135, III, e 137, do CTN, mas responsabilidade pessoal, existindo erro de aplicação do direito, que não pode ser mais revisto, o que torna nulo o ato administrativo, na medida em que implicaria mudança de critérios jurídicos pela autoridade administrativa, conforme art. 146, do CTN. Da Inexistência de Provas da Prática de Ato Ilícito O fisco entendeu – sem provas – ser o impugnante beneficiário das operações da empresa e um dos mentores intelectuais da suposta fraude. Basicamente sustentou a conclusão fiscal o fato de no rastreamento de recursos da empresa CARMAX ter sido constatado que pagamentos favoreciam pessoas vinculadas à família RIPANI. Diz não ter vinculação de direito com a SPARTACO, movimentava as contas dela por meio de procuração constituída por instrumento público. Outro ponto de apoio da agente do fisco seria a suposta interposição de pessoas no quadro societário da CARMAX visando o não atingimento dos nomes dos reais beneficiários. Diz que a ligação familiar com RAPHAEL RIPANI não o torna real beneficiário das riquezas geradas pelas atividades da SPARTACO e pela CARMAX. Fl. 9446DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.447 23 O impugnante foi representante comercial da SPARTACO e participava do quadro social da SUBA e da VENEZA. Isso não constitui infração e não o torna responsável tributário. Os rendimentos do impugnante seriam compatíveis com sua movimentação bancária. Junta declaração de imposto de renda do anocalendário 2009, ano fiscalizado na SPARTACO e cópia de extratos bancários. Diz (fls. 9159): Assim, Raphael e Ariovaldo, respectivamente filho e pai, têm vínculos com a SPARTACO, de ordem trabalhista (Raphael) e de prestação de serviços (Ariovaldo), que não é condição suficiente para a conclusão de que o Impugnante era o real beneficiário das riquezas geradas pelas atividades da SPARTACO, e consequentemente, da CARMAX. Reclama nunca ter sido intimado para esclarecer a situação. Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. As impugnações apresentadas foram julgadas procedentes para cancelar as exigências., tendo concluído a DRJ que: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 CONTABILIDADE IMPRESTÁVEL. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. A lei, ao prever o arbitramento do lucro nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Verificado que a contabilidade não registra grande parte das transações realizadas pela empresa, impõese o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, bem como a apuração do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011 COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. LUCRO ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE. O regime da não cumulatividade da COFINS e PIS deve ser aplicado para os contribuintes tributados pelo imposto de renda com base no lucro real. Verificada a necessidade de arbitramento de lucro, aplicase a sistemática cumulativa à COFINS e PIS. Fl. 9447DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.448 24 Em virtude de terem sido julgadas procedentes todas as impugnações, para cancelar as exigências, recorreu de ofício a DRJ, em obediência ao limite de alçada fixado pela Portaria MF nº 03, de 3 de janeiro de 2008. É o relatório Fl. 9448DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.449 25 Voto Vencido Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator ad hoc Na condição de Relator Ad hoc designado em razão de, quando da conclusão do presente julgamento, não mais pertencer a este N. Colegiado o I. Conselheiro Demetrius Nichele Macei (então, Relator original do feito nessa Instância), aplico integralmente os termos e razões da minuta completa de Voto meritório que foi, nos termos do RICARF vigente, regularmente depositado por tal Julgador, no momento da primeira apreciação, debate e votação sobre o processo. "Conheço do recurso de ofício em razão do montante exonerado de crédito tributário pela DRJ de origem. Em síntese, a DRJ de Porto Alegre, através do v. acórdão nº 1057.361, 5ª Turma, exonerou o contribuinte dos autos de infração lavrados, dando provimento a respectiva impugnação, haja vista que se a fiscalização não conferiu credibilidade à contabilidade do contribuinte, a legislação que prevê a possibilidade de arbitramento do lucro deve ser respeitada e aplicada quanto à forma de tributação (art. 530 do RIR/99 e art. 47, da Lei 8.981/95), não se justificando a apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS nos moldes feitos pela fiscalização, com base no lucro real. Conforme se observa no v. acórdão da DRJ, p. 9359, temse “autuação em que houve glosa de compras por serem consideradas fictícias” e, por outro lado, “foi mantida a apuração pelo Lucro Real”, com a incidência de IRPJ e CSLL sobre o “montante das compras glosadas”. “Cofins e PIS/Pasep foram apurados pela sistemática da não cumulatividade”. A DRJ verificou que o contribuinte apurou seus resultados, no período fiscalizado, pela sistemática do Lucro Real, a qual exige a escrituração de todas as receitas, resultados operacionais e não operacionais, de todos os custos e despesas da empresa, bem como sua regular contabilização e comprovação. Constatou, ainda, que, nos termos do RIR/99, entre os livros obrigatórios para os contribuintes que apuram resultados pelo lucro real, está o Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário (art. 260 c/c 190, II do RIR/99) para, na sequência, descendo ao caso concreto, informar que, pelo que consta no processo, “é impossível a apuração dos resultados pelo lucro real, dadas as infrações identificadas” pela fiscalização. Em resumo, os dados informados em DIPJ a título de Custo das Mercadorias Vendidas CMV, considerando os valores glosados pela fiscalização, “não foi a totalidade das compras consideradas como custo para fins de apuração do lucro real”. Vejase quadro na p. 9361: Fl. 9449DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.450 26 Conforme disposto no v. acórdão da DRJ, “a agente do fisco informa que glosou os valores das notas fiscais irregulares lançados na Contabilidade, apresentada via SPED Contábil, na conta 4.1.1.01.0001 – COMPRA DE MATERIAIS DE REVENDA (fls. 8849)” e que “sobre o valor de compras glosado foi calculada a incidência de IRPJ e CSLL. Em outros termos, as alíquotas dos tributos incidiram diretamente sobre os valores de compras glosadas”, não havendo, portanto, a recomposição do lucro real. E, com base nas DIPJ dos anos calendários 2010 e 2011 (fls. 186/320) e nos valores de compras glosadas, concluiu a DRJ que “a glosa de compras efetuadas nos autos de infração é superior ao total de compras consideradas para formação do CMV, na DIPJ. Ou seja, foi glosado um custo não considerado como tal para fins de apuração do Lucro Real”. Vejase o quadro apresentado no v. acórdão da DRJ, e as observações feitas a partir das informações do quadro: Fl. 9450DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.451 27 Por outro lado, destaca a DRJ que o contribuinte auferiu receitas significativas com a revenda de mercadorias. Vejase o quadro: Partindo do princípio que “compras não glosadas” é o valor das compras constantes na DIPJ diminuídas do total da glosa efetuada na ação fiscal, concluiu a DRJ que “não é possível glosar quase a totalidade das compras de uma empresa comercial e, mesmo assim, considerar válida a apuração efetuada com base no Lucro Real com a obtenção de vultosa receita com vendas de mercadorias”. Ou seja, “há uma absoluta inconfiabilidade do valor dos estoques, elemento fundamental para apuração do CMV e, por decorrência, do lucro real”, o que permitiu à DRJ concluir “ter havido equívoco na autuação, dada a impossibilidade de apuração do lucro real efetivo”. Ora, se há uma impossibilidade pela apuração do IRPJ e CSLL com base no Lucro Real e a razão dessa impossibilidade se enquadra em um dos itens do art. 47, da Lei nº 8.981/95, abaixo transcrito, a conclusão é que a fiscalização deveria ter optado, por conhecer a receita bruta, pela apuração dos tributos devidos com base no Lucro Arbitrado. Vejase: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Fl. 9451DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.452 28 II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI – (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2º do art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas nesta seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: a) a apuração do Imposto de Renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5º do art. 37; b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subsequente ao de encerramento do referido período. E, nesse sentido, vejase ementa do v. acórdão exarado recentemente pela 1ª Turma da 4ª Câmara deste E. Conselho, no processo administrativo nº 16095.720117/201526, o qual tomou o número 1401002.292, sessão de 13 de março de 2018, relatado pelo i. Conselheiro Daniel Ribeiro Silva: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 Fl. 9452DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.453 29 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. LUCRO REAL. HIPÓTESE DE ARBITRAMENTO. É ilegal o lançamento com base no lucro real nas hipóteses em que a escrita contábil do contribuinte tornase imprestável, devendo a autoridade administrativa proceder o arbitramento, nos termos dos arts. 529 e 530 do RIR e art. 47 da Lei nº 8.981/95. ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. MODIFICAÇÃO DE REGIME JURÍDICO. A modificação do regime jurídico de apuração do tributo do lucro real para o arbitrado, não é um mero ajuste na base calculada do imposto lançado, caracterizase como erro na fundamentação jurídica do lançamento, cuja resolução implica incidência de outra norma jurídica. Tal equívoco não pode simplesmente ser corrigido pela administração, em garantia às disposições dos artigos 142 e 149 do CTN, muito menos em sede de processo administrativo. É necessário a realização de outro ato de lançamento (aplicação), respeitandose o prazo decadencial, pois o fundamento jurídico será diferente daquele que o Contribuinte impugnou no processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para exonenar a exigência. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Ailton Neves da Silva Guilherme Adolfo dos Santos Mendes – Presidente em Exercício. Daniel Ribeiro Silva – Relator. E, se não era possível apurar o IRPJ e a CSLL pela sistemática do Lucro Real, mas apenas do Lucro Arbitrado, o PIS e a COFINS decorrentes deveriam ser calculadas pela sistemática do regime cumulativo, o que não ocorreu no caso concreto. Desta forma, por considerar que, de fato, a fiscalização equivocouse na apuração e lavratura dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, a vista dos elementos presentes nos autos e no excelente voto da DRJ/POA, nego provimento ao recurso de ofício, mantendo exonerados a totalidade dos créditos tributários constituídos. É o voto" Diante do exposto, negase provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 9453DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.454 30 Voto Vencedor Conselheiro Evandro Correa Dias Redator Designado O i. relator, no seu voto, por considerar que a fiscalização equivocouse na apuração e lavratura dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, a vista dos elementos presentes nos autos e no voto da DRJ/POA, concluiu no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, mantendo exonerados a totalidade dos créditos tributários constituídos. Contudo, no entender do colegiado discordase do i. relator, decidindose, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício para reformar a decisão recorrida e restabelecer os lançamentos efetuados. A fim de esclarecer a conclusão da decisão de 1º Instância, reproduzse o seguinte trecho do voto condutor do Acórdão da DRJ/POA: "A contribuinte apurou seus resultados, no período autuado, pelo lucro real. A apuração nessa sistemática exige a escrituração de todas as receitas, resultados operacionais e não operacionais, de todos os custos e despesas da empresa, bem como sua regular contabilização e comprovação. A apuração do lucro real é precedida da apuração do lucro líquido, que, ajustado por critérios definidos na lei fiscal, vai redundar no lucro a ser tributado. É o previsto no art. 247 do RIR/99: Art.247.Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). §1ºA determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, §1º). [...] O lucro líquido do períodobase, por seu turno, é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial, de acordo com o art. 248 do RIR/99. Por fim, conforme estabelecem os artigos 277 e 278 do RIR/99, o lucro operacional decorre do lucro bruto, o qual corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. Com esses dispositivos em mente, é inadmissível supor a tributação com base num lucro real no qual não estão computados os custos dos negócios Fl. 9454DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.455 31 que geraram a receita e, entre eles, o custo das mercadorias vendidas." (grifo nosso). Não merece prosperar o entendimento do Acórdão da DRJ/POA, ou seja, que "é inadmissível supor a tributação com base num lucro real no qual não estão computados os custos dos negócios que geraram a receita e, entre eles, o custo das mercadorias vendidas", pois no caso concreto, comprovouse que a contribuinte simulou a compra de mercadorias de empresas "noteiras", conforme detalhado a seguir. A contribuinte foi constituída sob a interposição fraudulenta de pessoas físicas, além disso, simulava comprar mercadorias de outras empresas "noteiras". A empresa transacionou fictamente com empresas inexistentes, totalizando mais de R$ 185 milhões em 2010 e mais de R$ 196 milhões em 2011, em notas fiscais emitidas de forma fraudulenta. Transcrevese a seguir os trechos do Termo de Verificação de Infração que afirmam estes fatos: 1.8. A empresa CARMAX, constituída sob a interposição fraudulenta dessas pessoas físicas, movimentou em instituições financeiras recursos que juntos perfizeram o montante de R$ 609.515.988,45 no período de 2008 a 2011. 1.9. A empresa CARMAX simulava comprar mercadorias e/ou matérias primas de várias outras empresas que atuavam como pseudofornecedoras, as chamadas "noteiras", que não possuíam existência de fato, conforme comprovado por esta Delegacia e pelo trabalho do Escritório de Pesquisa e de Investigação da 7a Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, através de diligências "in loco", a serem mostrados ao longo desse Termo. Nessa acepção fática, a CARMAX transacionou fictamente com empresas inexistentes, totalizando mais de R$ 185 milhões em 2010 e mais de R$ 196 milhões em 2011, em notas fiscais emitidas de forma fraudulenta. 1.10. Pela análise da Contabilidade de 2010, a CARMAX transacionou um valor de R$ 185.187.709,84 em notas fiscais emitidas de forma fraudulenta, em um total no valor de R$ 243.123.621,39 em notas fiscais, o que significa que 76% de todas as suas compras foram consideradas fictas (COMPRAS DE MERCADORIAS EM 2010), conforme mostrado em sua Contabilidade apresentada via SPED. 1.11. Pela análise da Contabilidade de 2011, a CARMAX transacionou um valor de R$ 196.965.543,62 em notas fiscais emitidas de forma fraudulenta, em um total no valor de R$ 259.575.283,67 em notas fiscais, o que significa que 75% de todas as suas compras foram consideradas fictas (COMPRAS DE MERCADORIAS EM 2011), conforme mostrado em sua Contabilidade apresentada via SPED. Descrevese a seguir o trecho do Termo de Verificação de Infração que descrevese o "modus operandi" da contribuinte: 7.1. A CARMAX simulou em sua contabilidade operações comerciais que não existiam, sendo que estas representavam meras simulações com o Fl. 9455DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.456 32 objetivo de aumentar o passivo da conta de fornecedores, através de valores que não representavam reais operações mercantis. Tal fato é corroborado tanto pela própria inexistência da maioria das empresas fornecedoras, tanto pela própria mecânica das operações mercantis fictas. 7.2. Durante os andamentos dos trabalhos, constatamos que, dentre alguns de seus fornecedores, constavam empresas com registros no relatório produzido pela DRF Nova Iguaçu/RJ. 7.3. Nas diligências realizadas nessas empresas, constatamos que as mesmas apresentam "inexistências de fato" e servem para a produção de notas fiscais para o acobertamento da saída de recursos financeiros, com finalidades distintas de operações comerciais de compra e venda. Tais transações comerciais são meras simulações. 7.4. A simulação consistia na emissão de um determinado cheque para o pagamento de um título comercial de uma fornecedora inexistente que, contabilizado em sua escrita fiscal, transparecia aos olhos dos Fiscos Estadual e Federal a efetiva realização da transação comercial que representava. O rastreamento dos recursos em nível de contacorrente bancária demonstrava a improcedência do lançamento, já que os recursos, em verdade, eram direcionados a terceiras pessoas, fisicas e jurídicas, totalmente estranhas às operações que representavam, tudo isso obviamente à margem da escrita contábil e fiscal. 7.5. Em que pese a inexistência de fato dessas empresas, que atuavam na condição de pseudofornecedoras da contribuinte CARMAX, as mesmas eram movimentadas mediante interposição de pessoas, já que os respectivos quadros sociais de direito eram compostos por pessoas cujo patrimônio declarado não apresentava representatividade econômica, conforme demonstram as declarações de Imposto de Renda Pessoa Física das mesmas. Verificase que a contribuinte pretendese beneficiar do Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) na determinação do Lucro Líquido, que servirá de ponto de partida para obtenção do Lucro Real, aproveitandose da conduta, em desacordo com as normas legais, de simular a comprar mercadorias de outras empresas "noteiras". Com base nesse argumento, concluise no Acórdão de 1ª Instância que é inadmissível supor a tributação com base num lucro real no qual não estão computados os custos dos negócios que geraram a receita e, entre eles, o custo das mercadorias vendidas. Não merece prosperar as alegações da contribuinte e o entendimento do Acórdão da DRJ/POA, pelas seguintes razões: primeiramente, não há custo de mercadorias em operações de compra que foram simuladas e, em segundo lugar, aplicase ao presente caso o princípio nemo auditur propriam turpitudinem allegans, ou, em outras palavras, ninguém pode se beneficiar da própria torpeza. Este princípio, de aplicabilidade geral em qualquer área do Direito, referese a questões de que nenhuma pessoa pode fazer algo incorreto e/ou desacordo com as normas legais e depois alegar tal conduta em proveito próprio. Não há que se aproveitar a alegação da contribuinte de que deve ser aproveitados os custos das mercadorias em operações comprovadamente simuladas, conduta esta em desacordo com as normas legais. Fl. 9456DF CARF MF Processo nº 10932.720088/201515 Acórdão n.º 1402003.219 S1C4T2 Fl. 9.457 33 Quanto ao regime de tributação, constatase que a contribuinte apresentou sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ dos anoscalendário de 2008 a 2011, sendo adotada a forma de tributação LUCRO REAL, com apuração trimestral do Imposto de Renda Pessoa Jurídica 1RPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (DIPJ2010; DIPJ2011). Apresentou ainda o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — DACON dos anoscalendário de 2008 a 2011, sendo adotado o regime não cumulativo de apuração das contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Tendo sido afastadas as alegações de que"é inadmissível supor a tributação com base num lucro real no qual não estão computados os custos dos negócios que geraram a receita e, entre eles, o custo das mercadorias vendidas", deve ser considerado para os lançamentos efetuados o regime de tributação adotado pela contribuinte, isto é o LUCRO REAL, e consequentemente o regime não cumulativo de apuração das contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Ressaltase, ainda, que o arbitramento do lucro é uma medida extrema, só aplicável quando não há possibilidade de apurar o imposto por outro regime de tributação, portanto mostrase correto a utilização da apuração pelo Lucro Real no lançamento das infrações, tendo em vista que este regime foi o adotado pela contribuinte. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso de ofício para reformar a decisão recorrida e restabelecer os lançamentos efetuados, o que já foi acatado pelo colegiado, nos termos supracitados. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 9457DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.904658/2009-27
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3002-000.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que: i) confirme o pagamento em duplicidade; ii) em caso positivo, informe se o valor do Darf pago em 31/01/2005 está integralmente disponível para a compensação de que trata o presente processo; e iii) providencie a ciência ao interessado, abrindo o prazo de 30 dias para sua manifestação sobre a diligência, após o qual deve ser providenciado o retorno dos autos ao Carf.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que: i) confirme o pagamento em duplicidade; ii) em caso positivo, informe se o valor do Darf pago em 31/01/2005 está integralmente disponível para a compensação de que trata o presente processo; e iii) providencie a ciência ao interessado, abrindo o prazo de 30 dias para sua manifestação sobre a diligência, após o qual deve ser providenciado o retorno dos autos ao Carf. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IPI, no valor de R$ 3.330,87, relativo ao período de apuração dezembro/2004, com débitos também de IPI (fls. 2 a 6). Por meio de Despacho Decisório à fl. 21, a Delegacia da Receita Federal em Santo André decidiu pela não homologação da compensação porque o crédito relativo ao Darf informado no PER/Dcomp havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 04 65 8/ 20 09 -2 7 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10805.904658/200927 Resolução nº 3002000.024 S3C0T2 Fl. 66 2 Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 24 a 41), a recorrente esclareceu que recolheu o tributo em duplicidade e, ao elaborar o PER/Dcomp, informou erroneamente a data do primeiro Darf, 14/01/2005, que foi realmente utilizado para quitar débitos de IPI, ao invés de informar 31/01/2005, data de pagamento do segundo Darf de mesmo valor. Para comprovar sua alegação, anexou os 2 Darfs (fl. 26), acompanhados do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e de atos de constituição e de representação da empresa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1437.923 (fls. 47 a 49), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, sob a fundamentação de que cabia à Delegacia de Julgamento aferir a conformidade dos procedimentos fiscais em relação às normas vigentes e que, no caso em tela, havia previsão normativa para que o sujeito passivo retificasse o PER/Dcomp anteriormente ao Despacho Decisório. Uma vez proferida a decisão, a retificação não podia mais ser aceita. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 17/02/2005 PER/DCOMP. INEXATIDÃO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. Na hipótese de inexatidão material verificada no preenchimento da PER/DCOMP, é admitida sua retificação, desde que se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Considerase pendente de decisão administrativa, a declaração de compensação em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 25/02/2013, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 52 e protocolizou seu Recurso Voluntário em 20/03/2013, conforme carimbo aposto à sua página inicial fl. 54. Em seu Recurso Voluntário (fls. 54 e 55), a recorrente esclarece que, ao constatar o pagamento em duplicidade, esteve diversas vezes na Receita Federal para solicitar orientação sobre a correção do erro. Na época não existia o eCAC e, a partir das informações que conseguiu obter, efetuou 3 retificações da DCTF do 1º semestre/2005, em 20/06/2007, 31/10/2007 e 26/09/2008, mas não teria sido orientada a retificar a DCTF do 4º trimestre/2004. Apenas após a emissão do Despacho Decisório o contribuinte ficou ciente da falha na retificação. Reforça que o pagamento de 31/01/2005 consta como disponível sem alocação e solicita que a decisão seja revista, tendo em vista o erro escusável e a dificuldade financeira pela qual passa a empresa. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10805.904658/200927 Resolução nº 3002000.024 S3C0T2 Fl. 67 3 Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, esclareçase que, em atenção ao princípio da fungibilidade, recebese como recurso voluntário o “pedido de revisão da cobrança” formulado pelo contribuinte que, em tudo o mais, atende aos pressupostos de recurso dessa natureza. Neste processo, frente à aparente comprovação do pagamento em duplicidade efetuada pelo contribuinte, por meio da juntada dos Darfs originais, a Delegacia de Julgamento respondeu que a retificação da declaração de compensação deveria ter sido solicitada anteriormente à emissão do Despacho Decisório pela DRF/Santo André, em cumprimento ao que dispõe a IN RFB nº 900/2008, e que o entendimento da RFB, expresso por meio de atos normativos, vincula a DRJ, não sendo possível desconsiderar o marco temporal definido para a retificação. Entendo que cabe razão a ambas as partes: o contribuinte provou tempestivamente o pagamento em duplicidade, pelo o que teria direito à restituição, ao passo que o julgador tem de observar limites de competência e processuais – em relação ao Darf informado na Per/Dcomp realmente não há pagamento disponível. Entretanto, considero que o erro que se discute, que a DRJ acertadamente qualificou como inexatidão material, traz como consequência a possibilidade de sua correção, não estando este Colegiado adstrito aos prazos estabelecidos em instrução normativa da Receita Federal quando há elementos suficientes nos autos para se aperceber da sua natureza e da pertinência das alegações do sujeito passivo, com suporte no art. 32 do Decreto nº 70.235/ 1972: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. (grifado) O direito a ser restituído por um pagamento em duplicidade é evidente, tendo sido providenciada a juntada tempestiva das provas. Contam a favor do contribuinte suas tentativas de corrigir a situação junto à Receita Federal, ainda que infrutíferas. Notase, pelo teor dos recursos e pelos diversos erros cometidos, uma certa dificuldade em compreender os procedimentos administrativos, mas não se constata omissão. Dessa forma, entendo que pode ser superado o óbice alegado pela primeira instância, promovendose a correção de ofício da data do Darf informado no PER/Dcomp, em atenção ao princípio da verdade material. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que: i) confirme o pagamento em duplicidade; ii) em caso positivo, informe se o valor do Darf pago em 31/01/2005 está integralmente disponível para a compensação de que trata o presente processo; e iii) providencie a ciência ao interessado, abrindo o prazo de 30 dias Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10805.904658/200927 Resolução nº 3002000.024 S3C0T2 Fl. 68 4 para sua manifestação sobre a diligência, após o qual deve ser providenciado o retorno dos autos ao Carf. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 68DF CARF MF
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