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Numero do processo: 19740.720236/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
Auto de Infração DEBCAD sob n° 37.225.672-4
Consolidado em 07/01/2009
JULGAMENTO EM CONJUNTO DE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS
Guardando semelhança processos administrativos onde oriundos de mesma autuação fiscal, não há prejuízo processual e de mérito a sua defesa e julgamento a serem realizados num mesmo momento.
No caso em tela a autuação fiscal realizou vários autos de infração contra a Recorrente e guardam semelhança.
MULTA - RETROATIVIDADE DE NORMA BENIGNA.
Há de se aplicar a multa pelo preenchimento indevido da GFIP.
O cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data da quitação do débito, comparando-se a legislação vigente a época da infração com os termos da Lei nº 11.941/2009.
DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS e DAS PREVISÕES LEGAIS ACERCA DA PLR
Convenção Coletiva de Trabalho não pode superar a legislação que dirime a Participação nos Lucros e Resultados das empresas.
No caso em tela a Recorrente diz que havia uma PLR do sindicato da categoria e que este previa um pagamento semestral ao ano. Diz que o julgou de pouca eficiência e criou o seu, onde houve a conhecidência de pagamento, superando a exigência da Lei 10.101/2000, havendo mais de dois pagamentos ao ano.Assumiu o risco, pois poderia não seguir o da CCT, através do manto judicial ou o seguia.
DA VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL À TRIBUTAÇÃO DA PLR
Há de se seguir o determinado pela CF regulamentado pela Lei nº 10.101/00, e por isto é obrigação observado se foi trilhado pelas partes que negociaram o instrumento definidor das regras de participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas a subordinação às regras.
Nesta seara, a Recorrente olvidou de seguir o regramento quanto ao pagamento em mais de uma vez no mesmo semestres e duas ao ano
DO ESTÍMULO ÀS EMPRESAS À DISTRIBUIÇÃO DE SEUS LUCROS
Há na Carta Maior o estimulo à distribuição de seus lucros pelas empresas aos seus empregados através de PLR, verificando ser uma forma de distribuição de riqueza.
Isto não implica que será realizado de qualquer forma, desrespeitando a lei de regência, como aconteceu no presente caso
AJUDA DE CUSTO - DO PAGAMENTO DA AJUDA DE CUSTO STRICTO SENSU
A ajuda de custa é uma forma compensatória de retribuir a empregados que mudam de domicílio a serviço do empregador, paga uma única vez.
E isto ocorreu no caso em tela isto aconteceu, onde reconheceu a fiscalização a natureza do pagamento realizado em uma única vez, mas que não aceitou como verba indenizatória eis que o funcionária o recebeu ao entrar na empresa. Todavia, isto não mudou a sua natureza, no presente julgamento.
AUXÍLIO - BABÁ
Auxílio-babá tem a mesma natureza do auxílio-creche, onde já se encontra sumulado no CARF, não incidindo contribuição previdenciária.
No caso em tela, a empresa não prestou as informações relativas ao seu pagamento, ao não apresentar os comprovantes do pagamento da remuneração às pessoas contratadas para cuidar dos filhos de segurados empregados, onde passou a incidir contribuição, por desrespeito ao artigo 28, parágrafo 9º, "s" da Lei 8.212/1991 que não deixa dúvidas da necessidade de provar as despesas realizadas.
Numero da decisão: 2301-004.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que incida contribuição sobre os pagamentos a título de Participação dos Lucros e Resultados (PLR) somente nas parcelas que excederem a duas vezes no mesmo ano civil, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso na questão da ajuda de custo, nos termos do voto do Redator. Vencido os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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No caso em tela a autuação fiscal realizou vários autos de infração contra a Recorrente e guardam semelhança. MULTA RETROATIVIDADE DE NORMA BENIGNA. Há de se aplicar a multa pelo preenchimento indevido da GFIP. O cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data da quitação do débito, comparandose a legislação vigente a época da infração com os termos da Lei nº 11.941/2009. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS e DAS PREVISÕES LEGAIS ACERCA DA PLR Convenção Coletiva de Trabalho não pode superar a legislação que dirime a Participação nos Lucros e Resultados das empresas. No caso em tela a Recorrente diz que havia uma PLR do sindicato da categoria e que este previa um pagamento semestral ao ano. Diz que o julgou de pouca eficiência e criou o seu, onde houve a conhecidência de pagamento, superando a exigência da Lei 10.101/2000, havendo mais de dois pagamentos ao ano.Assumiu o risco, pois poderia não seguir o da CCT, através do manto judicial ou o seguia. DA VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL À TRIBUTAÇÃO DA PLR AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 02 36 /2 00 9- 77 Fl. 611DF CARF MF 2 Há de se seguir o determinado pela CF regulamentado pela Lei nº 10.101/00, e por isto é obrigação observado se foi trilhado pelas partes que negociaram o instrumento definidor das regras de participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas a subordinação às regras. Nesta seara, a Recorrente olvidou de seguir o regramento quanto ao pagamento em mais de uma vez no mesmo semestres e duas ao ano DO ESTÍMULO ÀS EMPRESAS À DISTRIBUIÇÃO DE SEUS LUCROS Há na Carta Maior o estimulo à distribuição de seus lucros pelas empresas aos seus empregados através de PLR, verificando ser uma forma de distribuição de riqueza. Isto não implica que será realizado de qualquer forma, desrespeitando a lei de regência, como aconteceu no presente caso AJUDA DE CUSTO DO PAGAMENTO DA AJUDA DE CUSTO ‘STRICTO SENSU’ A ajuda de custa é uma forma compensatória de retribuir a empregados que mudam de domicílio a serviço do empregador, paga uma única vez. E isto ocorreu no caso em tela isto aconteceu, onde reconheceu a fiscalização a natureza do pagamento realizado em uma única vez, mas que não aceitou como verba indenizatória eis que o funcionária o recebeu ao entrar na empresa. Todavia, isto não mudou a sua natureza, no presente julgamento. AUXÍLIO BABÁ Auxíliobabá tem a mesma natureza do auxíliocreche, onde já se encontra sumulado no CARF, não incidindo contribuição previdenciária. No caso em tela, a empresa não prestou as informações relativas ao seu pagamento, ao não apresentar os comprovantes do pagamento da remuneração às pessoas contratadas para cuidar dos filhos de segurados empregados, onde passou a incidir contribuição, por desrespeito ao artigo 28, parágrafo 9º, "s" da Lei 8.212/1991 que não deixa dúvidas da necessidade de provar as despesas realizadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que incida contribuição sobre os pagamentos a título de Participação dos Lucros e Resultados (PLR) somente nas parcelas que excederem a duas vezes no mesmo ano civil, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso na questão da ajuda de custo, nos termos do voto do Redator. Vencido os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 19740.720236/200977 Acórdão n.º 2301003.713 S2C3T1 Fl. 3 3 (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 613DF CARF MF 4 Relatório Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa, relator original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Auto de Infração contra a Recorrente e referese aplicação de multa por deixar a Recorrente de preencher Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP, em relação aos segurados empregados e tendo como fatos geradores: a) o pagamento de Participação nos Resultados em desacordo com a Lei 10.101/2000, no período de 01/2005 a 12/2006; b) o pagamento de ajuda de custo a segurados empregados recém contratados; c) o pagamento de auxíliobabá sem o cumprimento dos requisitos estabelecidos pelo art. 214, § 9º, XXIV, do Decreto 3.048/1999; d) os pagamentos feitos a segurados contribuintes individuais declarados em DIRF como rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício e não informados em GFIP. Referese ainda a Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP de valores pagos à cooperativas de trabalho e a contribuintes individuais, conforme discriminado no relatório fiscal e planilhas. A multa aplicada foi apurada, em cada competência, respeitandose o disposto no art. 476 e seu § 9º, da IN 971/2009, demonstrandose por meio de comparativos a multa mais benéfica. A Recorrente é reincidente, na forma do art. 290, V, não implicando majoração da multa aplicada. Inconformada com a autuação interpôs impugnação, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento, sendo julgada improcedente. Em 29.MAR.2011 foi intimada da decisão de piso e em 25.ABR.2011 aviou o presente recurso voluntário, alegando: i) julgamento em conjunto aos processo administrativos 19.740.720232/200999 e 19.740.720233/200933; ii) do descabimento da multa por descumprimento de obrigação acessória iii) da não incidência das contribuições previdenciária objeto da autuação; iv) a PLR; v) das previsões legais acerca da PLR; vi) dos instrumentos coletivos celebrados pela Recorrente; vii) da vedação constitucional à tributação da PLR; viii) do estímulo às empresas à distribuição de seus lucros; vii) posicionamento do STJ; ix) ajuda de custo – do pagamento da ajuda de custo ‘stricto sensu’; ix) da eventualidade no pagamento da ajuda de custo; xi) auxíliobabá; xi) da legislação que regulamenta a concessão do auxíliobabá; xiii) da concessão do auxíliobabá por força de convenção coletiva de trabalho; xiv) do caráter indenizató9rio do auxíliobabá independentemente da apresentação dos comprovantes de reembolso; xv) da documentação desconsiderada pela fiscalização. É a síntese do necessário. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 19740.720236/200977 Acórdão n.º 2301003.713 S2C3T1 Fl. 4 5 O processo foi distribuído para este redator ad hoc em 15/03/2017. Voto Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa, relator original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. JULGAMENTO EM CONJUNTO AOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS 19.740.720232/200999 E 19.740.720236/200977 Diz a Recorrente que na autuação fiscal vários autos de infração foram lavrados contra si, sendo que deles, muitos guardam semelhança na autuação e na defesa, razão pela qual elaborou uma única peça defensiva. Não há prejuízo o que requerido pela Recorrente, até porque de fato serão julgados numa mesma sessão, sem prejuízo para defesa, ou melhor, para as partes interessadas. DO DESCABIMENTO DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Diz a Recorrente que promoveu a retificação das respectivas GFIP’s, para inclusão dos fatos geradores para os pagamentos efetuados as cooperativas de trabalho e a determinados contribuintes individuais, e mesmo assim foi autuado e a decisão singular manteve autuação, não reconhecendo atenuação da multa por ter deixado de incluir outras exações. Diz que a caracterização de mencionadas parcelas como fato gerador é ainda questão controvertida pelas razões que aduz abaixo. De fato, enquanto não for confirmada a questão, não se pode exigir a retificação da GFIP, dependendo do que passa a analisar abaixo, mas não só no presente auto do processo administrativo, mas também em outros dois, conforme tópico acima. Mas, por oportuno, há de se confirmar que a multa a ser aplicada, em caso de confirmar a autuação ao menos em um dos fatos geradores é a que mais lhe beneficia, em razão de alteração introduzida pela Lei 11.941/2009, sendo que o cálculo para aplicação da norma se dará na data da quitação do débito. Fl. 615DF CARF MF 6 Neste momento, penso que a norma mais benéfica está disposta no artigo 32 A da Lei 8.212/1991. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS e DAS PREVISÕES LEGAIS ACERCA DA PLR DOS INSTRUMENTOS COLETIVOS CELEBRADOS PELA RECORRENTE Reconhece a Recorrente que nos anos de 2005 e 2006 efetuou mais de duas distribuições de PLR, mas segundo alega, em razão da obrigatoriedade do cumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho firmado com o Sindicato da categoria de seus empregados (com força de norma cogente – artigo 7°, XXVI da Constituição Federal c/c artigo 611 da Consolidação das Leis do Trabalho) em conjunto com seu programa específico de PLR. Faz um breve historio da legislação da PLR. Diz a Recorrente ser empresa que atua na área de capitalização, onde induz ao caminho de que o incentivo é a forma mais estimulante para obtenção de resultados. Alega que para os anos de 2005 e 2006 o Sindicato da Categoria de seus empregados celebrou Convenção Coletiva de Trabalho prevendo a PLR, com um pagamento obrigatório e outro facultativo, caso a empresa tivesse o seu próprio PLR. Para estimular seus empregados, por certo, por julgar ‘fraco’ o PLR do Sindicato resolveu criar o seu próprio PLR, respeitando todas as diretrizes da lei de regência, segundo alega. Todavia, assim não penso, eis que se acudisse de fato a legislação veria que o §° 2° do artigo 3° da Lei 10.101/2000 impede o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes ao ano, o que impediria de constituir sua própria PLR, sem assumir o risco, como de fato assumiu. Vide artigo em comento, abaixo: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ....... §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.(GN) Ora, com a devida vênia, não se pode crer que a Recorrente não tinha conhecimento do dispositivo de lei supra, não imaginando que tal comportamento de criar a sua PLR em conjunto com a do Sindicato por certo lhe acarretaria, como de fato acarretou dissabores perante a fiscalização previdenciária. Por outro lado, não posso concordar com a alegação de que a CCT tenha tamanha força cogente que impeça a Recorrente, se de fato insatisfeita com a PLR do Sindicato, de procurar o pálio da Justiça para fazer valer a sua PLR ao invés da PLR do Sindicato, eis que o Julgador em análise da lei de regência, onde, esta sim, cogente, impede o pagamento em mais de duas vezes no mesmo ano civil, e, de frente com uma PLR (sua) superior derrubaria a imperatividade da imposta pela CCT. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 19740.720236/200977 Acórdão n.º 2301003.713 S2C3T1 Fl. 5 7 O que não pode é comparar a força de uma CCT com uma legislação federal. Não se pode admitir que os sindicatos tenham força legislativa, como quer a Recorrente, dizendo que eles possuem caráter imperativo de criar normas e regras acima daquela que saem do Poder Legislativo. No meu entender a Recorrente, conhecedora da legislação assumiu o risco em detrimento à lei federal, sabendo que estava descumprindoa, razão pela qual não vejo fundamento nas alegações defensivas, quanto a PLR. Desaprovo, portanto, neste quesito, não reconhecendo as suas alegações. DA VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL À TRIBUTAÇÃO DA PLR Discorre a Recorrente da vedação constitucional à tributação da PLR, com suas fortíssimas razões, cujas quais não há de se discordar. Mas, não olvidemos que o legislador, que inseriu o comando do artigo 3º da Lei nº 10.101/00, que a participação nos lucros e resultados "não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade" não teve como objetivo isentar de encargos toda e qualquer verba paga a título de "PLR". Isto porque nem tudo que é pago a título de PLR é realmente PLR. Creio que nos casos concretos devese verificar se o conceito trazido na Constituição Federal e regulamentado na Lei nº 10.101/00 foi observado pelas partes que negociaram o instrumento definidor das regras de participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas. Nesta seara, tenho que assiste razão à Recorrente nos seus perfulgentes ensinamentos quanto à vedação da Carta Maior em tributar a PLR. Mas, olvidou tão somente que isto ocorrerá deste que haja subordinação à lei que regulamenta a PLR. O que não ocorreu no caso em tela. Sem razão a Recorrente. DO ESTÍMULO ÀS EMPRESAS À DISTRIBUIÇÃO DE SEUS LUCROS Diz que a Carta Maior estimula a distribuição de seus lucros pelas empresas aos seus empregados através de PLR, verificando ser uma forma de distribuição de riqueza, mas que as empresas não terão como seguir tal preceito em razão de altíssima carga previdenciária em razão de descumprimento de pequenas formalidades. Da mesma forma, temse que as empresas não sofreriam autuações se cumprissem meras formalidades, como é o caso de respeito à Lei 10.101/2000. Traz posicionamento do STJ, cujos quais não vislumbro enquadramento ao caso em tela, não modificando o nosso entender. Portanto, não assiste razão a Recorrente. Fl. 617DF CARF MF 8 Entretanto, vejo que a PLR da REcorrente não aponta outras anomalias, além de ter realizado duas ao ano que acarretou mais de um pagamento no semestre civil, agredindo, como acima transcrito, o § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000. Desta forma, considerando a segurança que o primeiro PLR tem, por ter sido elaborado junto com o sindicato do trabalhador, e, como é o caso, não havendo nenhuma anomalia, este não deve compor a base de cálculo do lançamento. Assim, excluo do lançamento o PLR oriundo da CCT, não devendo incidir contribuição previdenciária. AJUDA DE CUSTO – DO PAGAMENTO DA AJUDA DE CUSTO ‘STRICTO SENSU’ Em síntese e em consonância com a legislação diz a Recorrente que ajuda de custa é uma forma compensatória de retribuir a empregados que mudam de domicílio a serviço do empregador, paga uma única vez. Diz que no caso em tela isto aconteceu, onde reconheceu a fiscalização a natureza do pagamento realizado em uma única vez, mas que não aceitou como verba indenizatória eis que o funcionária o recebeu ao entrar na empresa. Alega a Recorrente que este funcionário veio de outra localidade a que foi efetivado. Este aspecto pareceme que merece acolhida as alegações da Recorrente, ainda que não tenha o funcionário vindo de outra localidade, eis que o pagamento foi reconhecidamente pela fiscalização realizado em uma única vez, não configurando quesitos necessários para enquadramento de verba remuneratória. Fortalece ainda o caráter indenizatório, como dito no recurso, a eventualidade do pagamento e o próprio artigo 28, §° 9°, G da Lei 8.212/91, quando esta trata tão somente da mudança do local de trabalho, não havendo qualquer exigência específica quanto a necessidade de transferência entre estabelecimento da empresa. Com razão. AUXÍLIO – BABÁ Segundo relatório fiscal, a empresa não prestou as informações relativas ao seu pagamento, ao não apresentar os comprovantes do pagamento da remuneração às pessoas contratadas para cuidar dos filhos de segurados empregados. Neste diapasão não podemos olvidar que o artigo 28, parágrafo 9º, "s" da Lei 8.212/1991 é bem cristalino ao determinar que não integra o salário de contribuição apenas o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando comprovadas as despesas realizadas. Mas, não é só, pois o inciso XXIV, do § 9º, do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 e o § 10 do mesmo diploma legal, dispõe: Art. 214 Fl. 618DF CARF MF Processo nº 19740.720236/200977 Acórdão n.º 2301003.713 S2C3T1 Fl. 6 9 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) ... XXIV o reembolso babá, limitado ao menor saláriode contribuição mensal e condicionado à comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade da criança; (Inciso acrescentado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) (...) § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. (GN) Cotejando os autos não se verifica, de fato, os comprovantes de pagamento realizadas às pessoas contratadas para cuidar dos filhos de segurados empregados. Como dizem os latinos: “Na clareza da lei cessa sua interpretação”. Razão pela qual não conheço os argumentos da Recorrente, devendo incidir contribuição previdenciária nesta exação. Sem razão a Recorrente. DAS DIFERENÇAS DE RETENÇÃO DE 11% Diz a Recorrente que os valores pagos a título de reembolso de plano de saúde previstos nos contratos com cessão de mãodeobra celebrados por ela não integram o cálculo da retenção de 11%, já que a assistência médica não é parcela integrante do saláriode contribuição, não devendo ser entendido o rol de exclusões previsto no art. 152 da IN 03/2005 como taxativo. 'In verbis': “Art. 152. Poderão ser deduzidas da base de cálculo da retenção as parcelas que estiverem discriminadas na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, que correspondam: I ao custo da alimentação in natura fornecida pela contratada, de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo MTE, conforme Lei nº 6.321, de 1976; II ao fornecimento de valetransporte, de conformidade com a legislação própria.” De fato, assiste razão a Recorrente quanto ao objeto da regra da retenção do art. 31, da Lei 8.212/1991, antecipando o recolhimento de um tributo devido. Fl. 619DF CARF MF 10 Neste diapasão, coaduno com a REcorrente de que as exclusões constantes no artigo acima transcrito não devem ser entendidas como taxativas, eis que no caput do mesmo não consta o termo “exclusivamente”. As hipóteses previstas na legislação foram explicitadas por serem mais usuais nos contratos de prestação de serviços. Entretanto, haveria de ser deduzida da base de cálculo do lançamento se os valores de assistência médica reembolsada pela Recorrente acudisse a determinação do disposto no art. 28, § 9º, “q”, da Lei 8.212/1991, in verbis: “Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei,exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;(g.n.) Todavia, compulsando os autos observei da ausência de tais comprovantes de que todos os empregados e dirigentes das empresas prestadoras de serviços contratadas mediante cessão de mãodeobra tinham cobertura dos respectivos planos de saúde, não há como se acatar a alegação da REcorrente de que se está cobrando uma antecipação de tributo sobre parcela sem incidência de contribuição previdenciária. Ora, para acudir os dispositivos supra, deveria a Recorrente ter demonstrado os comprovantes, como acima mencionado, sendo isto um ônus seu, não realizado. Nestas razões, penso que não há imperfeição no lançamento, devendo ser mantido na forma que foi realizado. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Urge tratar das matérias não suscitadas em seu recurso, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão ‘extra petita’, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo Recorrente, e que tem o meu pronunciamento de aplicação da multa mais favorável ao contribuinte, mas que neste momento não julgo a questão, eis que não refutada no recurso e não se trata de matéria de ordem pública. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 19740.720236/200977 Acórdão n.º 2301003.713 S2C3T1 Fl. 7 11 Tem o meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não pré questionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parecenos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: “.. Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Fl. 621DF CARF MF 12 Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: AgRg no REsp 1203549 / ESAGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) T2 SEGUNDA TURMA Data de Julgamento 03/05/2012 DJe 28/05/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINARINDEFERIDA. PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública.Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são Fl. 622DF CARF MF Processo nº 19740.720236/200977 Acórdão n.º 2301003.713 S2C3T1 Fl. 8 13 partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, acompanhando o Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. MinistroRelator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja excluído da autuação o pagamento ajuda de custo, bem como o PLR oriundo do Convenção Coletiva de Trabalho, devendo, nas demais questões, permanecer a autuação como realizada. É o voto. ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO. João Bellini Júnior Redator ad hoc na data da formalização do acórdão. . Fl. 623DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.905474/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.029
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 05 47 4/ 20 12 -9 0 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10480.905474/201290 Resolução nº 3401001.029 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.523. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10480.905474/201290 Resolução nº 3401001.029 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10480.905474/201290 Resolução nº 3401001.029 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 218DF CARF MF
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Numero do processo: 13808.000735/2002-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 11.
A impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário e impede o início do prazo prescricional para a sua cobrança.
Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária.
3. Conhecida a origem do depósito, não há que se falar em omissão de rendimentos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento parcial, para excluir da base de cálculo os valores mencionados nos subitens "a", "b", "d" do item 3.1 do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente BENEDITO DONIZETE DE OLIVEIRA Recorrida UNIÃO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 11. A impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário e impede o início do prazo prescricional para a sua cobrança. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. 3. Conhecida a origem do depósito, não há que se falar em omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 07 35 /2 00 2- 60 Fl. 348DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento parcial, para excluir da base de cálculo os valores mencionados nos subitens "a", "b", "d" do item 3.1 do voto do Relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13808.000735/200260 Acórdão n.º 2402005.634 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 23/04/2002, o Auto de Infração de fls. 90/92, acompanhado dos demonstrativos de apuração de fls. 88/89, que lhe exige crédito tributário no montante de R$53.708,69, correspondente ao imposto (R$23.955,71), multa proporcional (R$17.966,78) e juros de mora (R$11.786,20, calculados até 27/03/2002), relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 1999, anocalendário 1998. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 91), o procedimento teve origem na apuração de omissão de rendimentos provenientes de valores creditados na conta corrente n° 005931, agência 1316, do Banco Itaú SA, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, não foram comprovados mediante documentação hábil e idônea, conforme Termo de Verificação anexo. [...] Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 83/87, parte integrante do Auto de Infração. Cientificado do lançamento em foco, em 24/04/2002 (AR de fl. 94), o interessado apresentou, em 22/05/2002, a impugnação de fls. 96/97, instruída com os documentos de fls. 98/120, aduzindo o que se segue. OS FATOS Segue a justificativa dos valores da planilha do Termo de Verificação Fiscal, mês a mês: a) Os valores em que consta SALARIO OU PAGAMENTO, é proveniente de Rendimentos do Trabalho, conforme consta na DIRPF, no valor de R$50.225,43 (Bruto) e R$43.869,79 (Liquido). b) Os valores transferidos do Banco Itaú, Ag. 0078.425550/500 e 0078.42555 0, de Maria das Neves de Oliveira Viviani (irmã), CPF 086.244.06889, foram a titulo de Empréstimo, no total de R$25.777,48. c) Os valores transferidos do Banco Itaú, Ag. 0078.008307/500 e 0078.00830 7, de Jose Carlos de Oliveira, CPF 004.015.068 Fl. 350DF CARF MF 4 27, foram a titulo de Rendimentos de sua esposa Hilda Moreno de Oliveira, CPF 691.931.00825, no valor de R$12.358,44, conforme consta na DIRPF. d) Os depósitos em cheques foram provenientes de Doação de João Batista de Oliveira (Pai), CPF 008.994.29149, no total de R$18.789,88. DIREITO Preliminar Devido a falta de entrega das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física sua e da cônjuge e a informação errônea da Instituição Financeira em relação a movimentação financeira se deu a ação fiscal. Mérito (inciso III e IV do art. 16 do Decreto 70.235/1972) Discordando dos valores a pagar, seguem documentos em anexo que justificam todos os rendimentos que entraram na conta do Banco Itaú, Ag. 1316, conta 005931. CONCLUSÃO A vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado. Em sessão realizada em 6 de outubro de 2008, a DRJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de oficio, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas inequívocas e hábeis é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. Os créditos correspondentes ao recebimento de rendimentos do trabalho assalariado devem ser excluídos da base de cálculo presumida, de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, porquanto a sua tributação é realizada segundo as normas especificas aplicáveis aos rendimentos do trabalho. Lançamento Procedente em Parte Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13808.000735/200260 Acórdão n.º 2402005.634 S2C4T2 Fl. 4 5 Portanto, a decisão a quo excluiu da base de cálculo presumida os seguintes valores: (a) R$1.571,52 (15/01/1998); (b) R$1.020,73 (30/01/1998); (c) R$628,61 (05/02/1998); (d) R$897,69 (27/02/1998); e (e) R$1.571,52 (13/03/1998); relativos aos créditos efetuados na conta corrente de titularidade do interessado, a titulo de remuneração/salário. O recorrente foi intimado da decisão em 11/02/2009 (fl. 263) e interpôs recurso voluntário em 06/03/2009 (fls. 266 e seguintes), no qual reafirmou os mesmos fatos constantes de sua impugnação, acrescentando, ainda, preliminar de prescrição. Sem recurso de ofício e sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 352DF CARF MF 6 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Preliminar de prescrição No entender do recorrente, como a impugnação foi protocolada em 22/05/2002 e como a decisão da DRJ foi proferida depois de transcorrido prazo superior a cinco anos, houve a prescrição a que alude o art. 174 do Código Tributário Nacional. A pretensão do recorrente, todavia, é afasta pelo conteúdo da Súmula abaixo: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Com efeito, estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário, diante da apresentação de impugnação tempestiva, não se inicia o prazo prescricional para a sua cobrança, negandose provimento ao recurso nesse particular. 3 Da origem dos recursos Reafirmando os mesmos fatos e fundamentos da sua impugnação, o recorrente sustenta o seguinte: (a) a quantia de R$ 43.869,79 é proveniente de salário pago pela empresa Celpav Celulose e Papel Ltda; (b) o valor de R$ 25.777,48 foi recebido a título de empréstimo concedido por sua irmã; (c) a quantia de R$ 12.358,44 é rendimento de sua esposa; (d) o montante de R$ 18.789,88 foi doado por seu pai. Nesse contexto, é imprescindível observar que o art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13808.000735/200260 Acórdão n.º 2402005.634 S2C4T2 Fl. 5 7 O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será 1 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Fl. 354DF CARF MF 8 imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 612. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizandoos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar, exemplificativamente, que o recurso é atinente a uma doação ou a um empréstimo, ou mesmo que são aplicáveis as hipóteses dos incs. I e II do § 3º retro mencionado. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. Mutatis mutandis, o verbete sumular CARF nº 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] 2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13808.000735/200260 Acórdão n.º 2402005.634 S2C4T2 Fl. 6 9 (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). 3.1 ANÁLISE INDIVIDUALIZADA Em grau recursal, o recorrente juntou uma série de documentos, que, no seu entender, comprovam a origem de parte dos recursos creditados em sua conta. De acordo com o art. 15 do Decreto 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Excepcionalmente, contudo, pode ser atenuado o rigor legal, para, com base no princípio da razoabilidade, alcançarse a desejada verdade real. Embora os princípios da boafé e da lealdade processual obriguem a parte a agir com zelo, cuidado, cooperação e diligência (colaborando com a marcha processual), a razoabilidade e a legalidade permitem, em caráter excepcional, a juntada ulterior de documentos. O próprio julgador pode, de ofício, determinar a realização das provas que entender necessárias para a formação do seu convencimento, razões pelas quais está sendo admitida a juntada de documentos neste caso específico. Analisandose a documentação juntada aos autos, constatase que: (a) Os holerites (v. fls. 280 e seguintes) comprovam, além dos valores cuja exclusão já foi determinada pela decisão a quo, a origem das quantias constantes da tabela abaixo, que devem ser igualmente excluídas. Com efeito, tais documentos provam que as origens de parte dos depósitos efetuados na conta do recorrente são atinentes a pagamentos de salários, os quais coincidem, aliás, com os montantes apurados pela fiscalização no DEMONSTRATIVO DE DEPÓSITOS MENSAIS de fls. 160 e seguintes. Vejase: (b) Comprovações Recurso Voluntário R$ 914,22 30/03/1998 fl. 283 R$ 1.021,51 30/04/1998 fl. 284 R$ 1.020,25 29/05/1998 fl. 285 Fl. 356DF CARF MF 10 R$ 1.037,57 30/06/1998 fl. 286 R$ 991,55 30/07/1998 fl. 287 R$ 5.075,25 06/02/1998 fl. 288 R$ 938,94 28/08/1998 fl. 290 R$ 957,60 30/09/1998 fl. 292 R$ 1.151,31 30/10/1998 fl. 294 R$ 940,83 30/11/1998 fl. 296 R$ 936,26 30/12/1998 fl. 298 (c) Os extratos de fls. 302 e seguintes comprovam as transferências retratadas na tabela abaixo, feitas pela Sra. Maria das Neves de Oliveira, irmã do recorrente. A par disso, o sujeito passivo declarou a dívida com sua irmã em sua Declaração de Ajuste Anual (fl. 206), cujo valor declarado coincide, exatamente, com as transferências efetuadas, comprovandose, portanto, a origem dos recursos: Comprovações Recurso Voluntário 03/02/1998 R$ 634,93 fl. 302 13/02/1998 R$ 481,48 fl. 302 17/02/1998 R$ 595,49 fl. 302 17/02/1998 R$ 779,45 fl. 302 25/02/1998 R$ 3.527,24 fl. 302 25/02/1998 R$ 715,63 fl. 302 25/02/1998 R$ 5.000,00 fl. 302 25/02/1998 R$ 1.944,91 fl. 302 25/02/1998 R$ 3.368,40 fl. 302 27/02/1998 R$ 2.653,95 fl. 302 27/02/1998 R$ 2.200,00 fl. 302 15/05/1998 R$ 910,00 fl. 312 15/07/1998 R$ 910,00 fl. 316 16/09/1998 R$ 730,00 fl. 319 14/10/1998 R$ 416,00 fl. 320 15/12/1998 R$ 910,00 fl. 325 (d) A Declaração de Ajuste Anual apresentada pela esposa do recorrente, depois de ele ter sido autuado, dando conta da suposta existência de rendimentos tributáveis no montante de R$ 12.358,44, não é documento hábil e idôneo da origem do recurso ali declarado. (c.1.) Em primeiro lugar, e como afirmado, a declaração foi entregue após a autuação do recorrente, o que reduz o seu valor probatório, ao menos para os fins desejados Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13808.000735/200260 Acórdão n.º 2402005.634 S2C4T2 Fl. 7 11 pela parte. A declaração foi aceita pela Receita Federal, o que se explica pelo fato de que inexistia fiscalização contra a esposa do sujeito passivo, mas isso em nada altera o que foi afirmado. (c.2) Em segundo lugar, a declaração sequer registra a origem do rendimento tributável alegadamente recebido, tampouco o recorrente dignouse de juntar documentação comprobatória relativa ao citado valor, igualmente reduzindo o valor probatório do documento. Noutro giro verbal, e exemplificativamente, o contribuinte não juntou os holerites de sua esposa, muito menos qualquer outro documento atestando a origem dos valores declarados. (c.3) Em terceiro lugar, não há provas de que o recorrente tenha recebido recursos de sua esposa em sua conta, tampouco em valores iguais àqueles apurados no DEMONSTRATIVO DE DEPÓSITOS MENSAIS de fls. 160 e seguintes. (c.4) É sabido que o Direito brasileiro adotou o sistema da persuasão racional do julgador, ou livre convencimento motivado, conforme se depreende do art. 371 do NCPC e do art. 9º do Decreto 70.235/1972, sistema segundo o qual "o julgador é livre para decidir segundo seu convencimento, que necessariamente deve estar pautado no conjunto probatório constante dos autos"3. Isto é, muito embora o julgador tenha um certo grau de liberdade de apreciação, ele está vinculado à prova dos autos, sendo que, no caso in concreto, apenas a Declaração de Ajuste Anual da esposa do sujeito passivo, pelas razões já esposadas, não serve de prova da origem dos recursos objeto da fiscalização. (e) Os extratos de fls. 333 e seguintes comprovam que o Sr. João Batista de Oliveira fez depósitos em cheques na conta do recorrente, conforme tabela abaixo. A despeito, a propósito, da inexistência de fotocópias dos cheques, o cotejo entre os extratos do Sr. João e os extratos do recorrente (v. DEMONSTRATIVO DE DEPÓSITOS MENSAIS de fls. 160 e seguintes) permite concluir que os valores retratados na citada tabela estão devidamente demonstrados, mormente em função da coincidência entre as quantias e da forma como os depósitos foram efetuados. A par disso, a Declaração de Ajuste Anual do sujeito passivo ainda registra recebimentos por doações (fl. 204), 3 FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 91. Fl. 358DF CARF MF 12 corroborando a sua tese, ao menos quanto aos valores efetivamente demonstrados: Comprovações Recurso Voluntário 20/05/1998 R$ 909,00 fl. 333 10/06/1998 R$ 1.367,00 fl. 334 13/07/1998 R$ 910,00 fl. 335 17/08/1998 R$ 910,00 fl. 336 15/09/1998 R$ 910,00 fl. 337 13/10/1998 R$ 910,00 fl. 338 10/11/1998 R$ 910,00 fl. 339 14/12/1998 R$ 910,00 fl. 340 (d.1) os demais valores não foram objeto de comprovação, seja por (i) não haver coincidência entre o montante debitado na conta do Sr. João e o montante creditado na conta do recorrente, seja (ii) porque não há comprovação de que o Sr. João tenha emprestado recursos mediante cheques de terceiros, como alega o recorrente. Nesse contexto, os valores retratados nas tabelas acima devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento, de forma que o recurso voluntário deve ser parcialmente provido. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER, REJEITAR A PRELIMINAR e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 359DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900987/2006-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
IPI. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE SALDO CREDOR.
O saldo credor utilizado para compensação via PER/DCOMP deve ser glosado se foi consumido na dedução dos próprios débitos de IPI de períodos posteriores na composição da escrita fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito de crédito no valor de R$ 6.964,42 (seis mil, novecentos e sessenta e quatro reais e quarenta e dois centavos).
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE SALDO CREDOR. O saldo credor utilizado para compensação via PER/DCOMP deve ser glosado se foi consumido na dedução dos próprios débitos de IPI de períodos posteriores na composição da escrita fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito de crédito no valor de R$ 6.964,42 (seis mil, novecentos e sessenta e quatro reais e quarenta e dois centavos). (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 09 87 /2 00 6- 19 Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10850.900987/200619 Acórdão n.º 3302003.740 S3C3T2 Fl. 462 2 Relatório Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos de IPI, relativo ao quarto trimestre de 2000, seguido de declaração de compensação. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese o relatório do acórdão recorrido: "Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Decisório eletrônico de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que indeferiu o pedido de ressarcimento de créditos do IPI e a conseqüente compensação de referidos créditos com débitos da própria empresa. Consta nos autos que o crédito tributário que se pretendeu compensar referese a saldo credor do IPI do 4 o trimestre do ano de 2000, no montante de R$ 23.343,12. A DRF de origem nãohomologou as compensações pleiteadas sob o fundamento de que o saldo credor solicitado foi utilizado em períodos subseqüentes, além das glosas efetuadas em decorrência de créditos indevidos. Regularmente cientificada, a empresa apresentou manifestação alegando que do total glosado a quantia de R$ 3.193,14 não poderia ser excluída já que se refere a erro de digitação de número de CNPJ de fornecedores que são da empresa WEG Química Industria S.A, conforme documentos juntados à manifestação, cujo CNPJ registrado foi o de n° 83.239.368/000134, quando o correto seria o n° 79.670.501/000569 e da empresa SOUFER Industrial Ltda, cujo CNPJ registrado foi o de n° 59.755.280/000190, quando o correto seria o n° 45.987.062/000509. Acrescentou que o valor de R$ 2.306,43, diz respeito ao crédito de IPI aproveitado da empresa ENGETREF Indústria e Comércio Ltda. que, à época dos fatos, não era optante do Simples, já que houve destaque do valor do IPI na nota fiscal de aquisição, o qual somado ao valor da mercadoria, foi devidamente pago pela deferente e, portanto, seria cristalino o direito de se creditar desse imposto. E que o crédito de IPI relativo à nota fiscal n° 003.645, emitida em 12/12/2000, pela empresa EZS Indústria e Comércio de Metais e Fios Ltda, não pode ser glosado pelo fato de a empresa estar como inapta, já que este fato não desnatura a transação, em especial porque o pagamento foi realizado e está comprovado por depósito/transferência bancário. Quanto ao aproveitamento indevido de saldo credor em períodos subseqüentes, alegou que bastaria definir o momento em que se deve estornar, do saldo credor do IPI, o valor reconhecido para ressarcimento: no início do trimestre seguinte ao do crédito Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10850.900987/200619 Acórdão n.º 3302003.740 S3C3T2 Fl. 463 3 reconhecido, como entendeu o fisco, ou no período de apuração da apresentação do Pedido de Ressarcimento, como fez a deferente? Citando o artigo 17, da IN n° 600/2005, alegou que o estorno deve ser efetuado no período de apuração em que for apresentado à SRF o pedido de ressarcimento e que seria ilógico cogitar que algum contribuinte, no ano de 2003, como se deu o caso, ao apresentar pedidos de ressarcimento de trimestres de anos anteriores (1999/2000), tivesse a obrigação de promover os estornos nesses próprios trimestres, com a sanção de refazer totalmente a sua escrita fiscal. Acrescentou que o saldo credor inicial apurado pelo Fisco foi de R$ 59.045,42, ao passo que o correto, como ajustado pela deferente, é de R$ 126.500.17, comprometendo, por seqüela, o menor saldo credor, parâmetro para ressarcimento." A Oitava Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1429.362, julgando a manifestação de inconformidade, parcialmente, procedente, negando, contudo, o reconhecimento do direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES COM DESTAQUE DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. A legitimação do direito ao crédito de IPI que comporá o saldo credor trimestral depende de o destaque do imposto na respectiva nota fiscal de aquisição de insumos estar revestido dos atributos inerentes à exação, isto é, permitir a cobrança do emitente e o creditamento do adquirente, o que não se amolda, respectivamente, aos optantes pelo Simples e a seus clientes. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. MENOR SALDO CREDOR O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. GLOSAS. COMPROVAÇÃO DAS AQUISIÇÕES. Comprovada a regularidade das notas fiscais de aquisição, o crédito do imposto dela decorrente deve voltar a compor o saldo credor do período correspondente. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10850.900987/200619 Acórdão n.º 3302003.740 S3C3T2 Fl. 464 4 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese, que a lide se restringe a definir se o estorno do saldo credor objeto de ressarcimento deve ser realizado na escrita fiscal no período em que ocorrer no período de apuração em que se faz o pedido de acordo com o artigo 17 da IN SRF nº 600/2005 ou se seus efeitos devem ser retro projetados para o período de apuração do próprio saldo. Na sessão de 22/03/2012, o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade fiscal tomasse as seguintes providências: "1 elaborar demonstrativo do Resumo do Livro de Registro de Apuração do IPI da recorrente, relativo ao período de 01/01/1999 a 31/08/2003, exatamente na forma escriturada pela recorrente, destacando o saldo credor não ressarcível e ressarcível no início de cada período de apuração, a exemplo do que consta à fl. 16. Destacar o valor dos estornos de créditos escriturados em razão de pedido de ressarcimento de crédito básico apresentado pela recorrente; 2 informar se os estornos de créditos, em razão do pedido de ressarcimento apresentados pela recorrente, relativos aos anos de 1999 e 2000, foram escriturados no prazo e na forma prevista no art. 15 da IN SRF nº 210/2002; 3 ratificar ou retificar os demonstrativos de fls. 15 a 20 (da fl. 20 somente o Demonstrativo do Crédito Reconhecido para cada PER/DCOMP), considerando as alterações feitas pela decisão de primeiro grau; 4se o saldo credor no início do 4º trimestre de 2000 (ressarcível e não ressarcível), a ser utilizado nos demonstrativo do item 3 (anterior), for diferente do apurado pela recorrente em sua escrita fiscal (item 1, acima), demonstrar as razões da diferença; 5 informar se existe mesmo diferença entre o valor do crédito declarado pela Recorrente no PER/DCOMP (R$ 306.074,10) e o valor considerado pela DRF, antes dos ajustes realizados (R$ 305.261,74). Em caso positivo, justificar; 6 prestar outros esclarecimentos que julgar pertinente ao deslinde da questão; Em cumprimento da diligência, a autoridade fiscal informou o seguinte: Quesito 1. A recorrente apresentou a planilha intitulada "LIVRO RAIPI" (e fls. 371 a 374) que reproduz exatamente o Livro Registro de Apuração do IPI e a planilha intitulada "19992003 APÓS GL E COMPR (efls. 375 a 379) que reproduz o LAIPI após as glosas dos despachos decisórios e reversões de glosas relativas às manifestações de inconformidade dos 9 trimestres objeto de PER/DCOMP, salientando que todo o saldo credor anterior a 31/12/1998 é ressarcível; Quesito 2. Os estornos dos créditos objeto dos pedidos de ressarcimento foram realizados no prazo e na forma prevista no artigo 15 da IN SRF nº 210/2002; Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10850.900987/200619 Acórdão n.º 3302003.740 S3C3T2 Fl. 465 5 Quesito 3. a recorrente refez os demonstrativos e obteve o menor saldo credor do período como sendo 78.938,69 e não zero, como ocorreu no demonstrativo do Fisco; Quesito 4: A recorrente elaborou demonstrativo da diferença, conforme efls. 450; Quesito 5: A recorrente informou que a diferença de R$ 812,36 é decorrente de CFOPs que não dão direito a ressarcimento; Quesito 6: A recorrente informou que o saldo credor relativo a 31/12/1998 não está incluído nos saldos objeto dos pedidos de ressarcimento posteriores a 31/12/1999; que em todos os períodos, pediu ressarcimento inferior ou igual ao saldo gerado no trimestre; que caso admitidos todos os indeferimentos dos pedidos de ressarcimento, deveriam os créditos retornarem para a escrita fiscal por não ter sido questionada sua legitimidade. Por seu turno, a recorrente manifestouse reforçando o cumprimento do disposto no artigo 15 da IN SRF nº 210/2002 e a necessidade de se corrigir o erro havido no sistema de informática ao estornar os valores dos PER relativos aos trimestres de 1999 a 2000 antes do quarto trimestre de 2000, enquanto apenas foram estornados na escrita fiscal em agosto de 2003, reiterando a necessidade de se corrigir todos os trimestres anteriores para se concluir que o saldo era zero antes da transmissão do PER relativo ao 4º trimestre de 2000, em agosto de 2003. Na forma regimentar, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Esclareçase, de início, que o estorno dos créditos objeto de pedido de ressarcimento deve ser realizado no período de apuração do IPI em que for encaminhado o referido pedido, a teor do artigo 15 da IN SRF nº 210/2002, abaixo transcrito: Art. 15. No período de apuração em que for encaminhado à SRF o " Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI" , bem assim em que forem aproveitados os créditos do IPI na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa, o estabelecimento que escriturou referidos créditos deverá estornar, em sua escrituração fiscal, o valor pedido ou aproveitado. Ocorre que não houve o estorno antecipado pelo sistema do efetuado pela recorrente em agosto de 2003, mas sim a desconsideração no menor saldo apurado entre o período de apuração e o período anterior ao pedido de ressarcimento, dos valores deferidos nos ressarcimentos dos trimestres anteriores. No entanto, a recorrente efetuou a análise do menor saldo, não efetuando a exclusão dos valores já deferidos no menor saldo, ou seja, o menor saldo não representou efetivamente o menor saldo disponível para o ressarcimento do quarto Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10850.900987/200619 Acórdão n.º 3302003.740 S3C3T2 Fl. 466 6 trimestre de 2001, mas o menor saldo disponível para todos os ressarcimentos relativos aos quatro trimestres de 1999 e o quarto trimestre de 2001. Verificase que a tese desenvolvida pela recorrente foi analisada em todos os processos de ressarcimento julgados pelo CARF, cujos resultados foram as negativas de provimento aos recursos voluntários, a saber: Acórdãos nº 310100897, nº 310100898, nº 310100899, referente aos ressarcimentos dos 2º, 3º e 4º trimestres de 1999: RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR. LIMITE OBJETIVO. Requerido o ressarcimento de IPI está vedada a possibilidade de a Contribuinte manter o crédito para compensação do período de apuração subseqüente sob pena de utilização em dobro do saldo credor. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Acórdão nº 3202000.369, referente ao 2º trimestre de 2001: IPI. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE SALDO CREDOR. Glosase o saldo credor utilizado para compensação via PER/DCOMP se o mesmo saldo foi consumido na compensação dos próprios débitos de IPI de períodos posteriores na composição da escrita fiscal. Recurso voluntário negado. Acórdão nº 3402001.459, referente ao 4º trimestre de 2001: SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. Do valor objeto do pedido de ressarcimento deve ser glosado o valor utilizado na escrita fiscal para compensação com débitos escriturados nos períodos subseqüentes. Assim, após os julgamentos dos quatro trimestres de 1999, os únicos valores de créditos reconhecidos e deferidos foram os pedidos de ressarcimento do 1º trimestre/1999 R$ 36.737,12 e 2º trimestre de 1999 21.167,53, valores estes que não podem influenciar o menor saldo a justificar o pedido do 4º trimestre de 2000. Além disso, no Demonstrativo 3 da recorrente APURAÇÃO APÓS PERÍODO DE RESSARCIMENTO, há divergências entre valores da coluna "Créditos Ajustados do PA" e da coluna "Créditos Ajustados do Período (c)" da planilha fiscal (efls. 19/21, conforme abaixo demonstrado: DIFERENÇAS ENTRE CRÉDITOS P. A. Créditos Ajustados Créditos informados Diferença entre os do PA na coluna "c", efls. 19/21 demonstrativos (c) Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10850.900987/200619 Acórdão n.º 3302003.740 S3C3T2 Fl. 467 7 2°_04_01 4.830,75 4.714,48 116,27 3°_04_01 6.136,02 6.088,36 47,66 1°_05_01 7.405,59 7.282,92 122,67 1°_06_01 13.650,30 13.395,99 254,31 2°_08_01 9.638,04 9.461,89 176,15 2°_09_01 45.292,03 40.958,20 4.333,83 1°_10_01 49.236,83 44.653,82 4.583,01 1°_11_01 23.668,19 19.232,47 4.435,72 2°_10_02 18.119,83 17.310,27 809,56 3°_10_02 92.246,41 91.980,73 265,68 1°_11_02 41.993,66 41.928,78 64,88 2°_11_02 64.979,30 64.691,15 288,15 1°_12_02 70.225,61 70.075,06 150,55 Diferença Total 15.648,44 Tais divergências não foram objeto de impugnação nem de recurso voluntário, cujas razões restringiramse ao saldo inicial do quarto trimestre. Assim, os valores a serem considerados são os do despacho decisório. Destarte, retificando o Demonstrativo 3 APURAÇÃO APÓS PERÍODO DE RESSARCIMENTO, com os créditos ajustados de acordo com a tabela acima, constatase que o menor saldo credor disponível foi de R$ 64.869,07 no período de 2º decêndio de setembro de 2002, o qual corresponde ao menor saldo encontrado pela recorrente de R$ 78.938,60, ajustado pela diferença de créditos acumulada de R$ 14.069,62 (PA 2º_04_01 a PA 1º_11_01). Este é o menor saldo disponível para todos os ressarcimentos e não somente para o referente ao 4º trimestre de 2000, como analisou a recorrente. Deste valor então, excluemse os ressarcimentos deferidos do 1º trimestre/1999 R$ 36.737,12 e 2º trimestre de 1999 21.167,53, totalizando R$ 57.904,65, restando disponível para o 4º trimestre de 2000, o valor de R$ 6.964,42 (64.869,07 57.904,65). Abaixo refazse o Demonstrativo 3 APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DE RESSARCIMENTO, ajustando os créditos da recorrente, de acordo com a tabela acima: DEMONSTRATIVO 3 APURAÇÃO APÓS PERÍODO DE RESSARCIMENTO P. A. Saldo Credor do PA Anterior Créditos Ajustados do PA Débitos Ajustados Saldo Credor do PA ajustado Menor Saldo Credor Ajustado (a) (b) (c) (d) (e) (g) 1°_01_01 143.789,95 24.336,75 35.958,26 132.168,44 143.789,95 2°_01_01 132.168,44 24.382,05 35.155,22 121.395,27 132.168,44 3°_01_01 121.395,27 23.299,90 18.459,05 126.236,12 121.395,27 1°_02_01 126.236,12 18.559,72 25.629,38 119.166,46 121.395,27 2°_02_01 119.166,46 8.340,99 26.534,21 100.973,24 119.166,46 3°_02_01 100.973,24 6.219,61 6.146,07 101.046,78 100.973,24 1°_03_01 101.046,78 21.498,26 17.302,57 105.242,47 100.973,24 2°_03_01 105.242,47 6.501,46 9.566,15 102.177,78 100.973,24 3°_03_01 102.177,78 14.012,95 18.089,91 98.100,82 100.973,24 1°_04_01 98.100,82 8.142,29 9.921,63 96.321,48 98.100,82 2°_04_01 96.321,48 4.714,48 11.401,27 89.634,69 96.321,48 3°_04_01 89.750,96 6.088,36 12.097,03 83.626,02 89.634,69 1°_05_01 83.789,95 7.282,92 7.944,25 82.964,69 83.626,02 Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10850.900987/200619 Acórdão n.º 3302003.740 S3C3T2 Fl. 468 8 2°_05_01 83.251,29 7.830,52 3.545,60 87.249,61 82.964,69 3°_05_01 87.536,21 5.040,49 7.139,10 85.151,00 82.964,69 1°_06_01 85.437,60 13.395,99 2.522,62 96.024,37 82.964,69 2°_06_01 96.565,28 7.508,49 4.559,92 98.972,94 82.964,69 3°_06_01 99.513,85 11.103,44 2.038,30 108.038,08 82.964,69 1°_07_01 108.578,99 11.768,55 2.188,64 117.617,99 82.964,69 2°_07_01 118.158,90 7.987,67 4.905,51 120.700,15 82.964,69 3°_07_01 121.241,06 5.810,80 8.603,77 117.907,18 82.964,69 1°_08_01 118.448,09 10.375,83 10.493,92 117.789,09 82.964,69 2°_08_01 118.330,00 9.461,89 14.667,94 112.583,04 82.964,69 3°_08_01 113.300,10 26.949,78 20.756,51 118.776,31 82.964,69 1°_09_01 119.493,37 29.477,95 17.304,73 130.949,53 82.964,69 2°_09_01 131.666,59 40.958,20 18.268,32 153.639,41 82.964,69 3°_09_01 158.690,30 21.460,38 13.553,96 161.545,83 82.964,69 1°_10_01 166.596,72 44.653,82 18.547,32 187.652,33 82.964,69 2°_10_01 197.286,23 17.830,74 14.324,99 191.158,08 82.964,69 3°_10_01 200.791,98 15.888,35 24.646,00 182.400,43 82.964,69 1°_11_01 192.034,33 19.232,47 11.153,75 190.479,15 82.964,69 2°_11_01 204.548,77 2.343,08 33.650,63 159.171,60 82.964,69 3°_11_01 173.241,22 2.714,28 25.116,13 136.769,75 82.964,69 1°_12_01 150.839,37 73.120,05 19.333,24 190.556,56 82.964,69 2°_12_01 204.626,18 27.892,19 31.175,46 187.273,29 82.964,69 3°_12_01 201.342,91 4.307,19 12.247,18 179.333,30 82.964,69 1°_01_02 193.402,92 2.868,38 13.163,15 169.038,53 82.964,69 2°_01_02 183.108,15 9.463,01 8.923,54 169.578,00 82.964,69 3°_01_02 183.647,62 7.036,50 11.679,43 164.935,07 82.964,69 1°_02_02 179.004,69 9.290,05 13.880,24 160.344,88 82.964,69 2°_02_02 174.414,50 16.299,59 13.958,32 162.686,15 82.964,69 3°_02_02 176.755,77 1.749,11 5.412,15 159.023,11 82.964,69 1°_03_02 173.092,73 4.609,45 3.715,47 159.917,09 82.964,69 2°_03_02 173.986,71 4.380,42 20.609,78 143.687,73 82.964,69 3°_03_02 157.757,35 538,32 11.262,64 132.963,41 82.964,69 1°_04_02 147.033,03 3.795,79 10.401,63 126.357,57 82.964,69 2°_04_02 140.427,19 4.683,97 9.234,52 121.807,02 82.964,69 3°_04_02 135.876,64 2.506,17 17.156,13 107.157,06 82.964,69 1°_05_02 121.226,68 3.729,07 2.166,70 108.719,43 82.964,69 2°_05_02 122.789,05 1.364,46 3.082,54 107.001,35 82.964,69 3°_05_02 121.070,97 2.162,05 5.630,19 103.533,21 82.964,69 1°_06_02 117.602,83 558,02 2.021,95 102.069,28 82.964,69 2°_06_02 116.138,90 3.827,07 3.428,50 102.467,85 82.964,69 3°_06_02 116.537,47 1.399,03 2.855,72 101.011,16 82.964,69 1°_07_02 115.080,78 1.426,67 3.416,72 99.021,11 82.964,69 2°_07_02 113.090,73 4.103,49 2.774,54 100.350,06 82.964,69 3°_07_02 114.419,68 3.456,40 7.372,53 96.433,93 82.964,69 1°_08_02 110.503,55 5.076,89 7.744,74 93.766,08 82.964,69 2°_08_02 107.835,70 10.594,51 11.407,18 92.953,41 82.964,69 3°_08_02 107.023,03 22.759,78 20.513,49 95.199,70 82.964,69 1°_09_02 109.269,32 14.312,86 44.643,49 64.869,07 82.964,69 2°_09_02 78.938,69 11.972,54 7.041,53 69.800,08 64.869,07 3°_09_02 83.869,70 11.476,15 3.035,13 78.241,10 64.869,07 1°_10_02 92.310,72 17.837,64 14.669,60 81.409,14 64.869,07 Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10850.900987/200619 Acórdão n.º 3302003.740 S3C3T2 Fl. 469 9 2°_10_02 95.478,76 17.310,27 32.368,87 66.350,54 64.869,07 3°_10_02 81.229,72 91.980,73 39.409,75 118.921,52 64.869,07 1°_11_02 134.066,38 41.928,78 48.443,38 112.406,92 64.869,07 2°_11_02 127.616,66 64.691,15 31.212,43 145.885,64 64.869,07 3°_11_02 161.383,53 67.298,63 24.670,37 188.513,90 64.869,07 1°_12_02 204.011,79 70.075,06 26.438,72 232.150,24 64.869,07 2°_12_02 247.798,68 40.470,66 34.619,74 238.001,16 64.869,07 3°_12_02 253.649,60 51.241,00 16.742,56 272.499,60 64.869,07 1°_01_03 288.148,04 14.885,53 33.639,72 253.745,41 64.869,07 2°_01_03 269.393,85 34.154,10 22.452,05 265.447,46 64.869,07 3°_01_03 281.095,90 40.516,15 19.597,44 286.366,17 64.869,07 1°_02_03 302.014,61 5.297,76 12.384,40 279.279,53 64.869,07 2°_02_03 294.927,97 9.884,44 34.125,79 255.038,18 64.869,07 3°_02_03 270.686,62 10.889,51 10.721,68 255.206,01 64.869,07 1°_03_03 270.854,45 16.799,57 15.306,33 256.699,25 64.869,07 2°_03_03 272.347,69 23.563,74 14.689,66 265.573,33 64.869,07 3°_03_03 281.221,77 3.884,04 15.458,91 253.998,46 64.869,07 1°_04_03 269.646,90 9.740,80 9.977,61 253.761,65 64.869,07 2°_04_03 269.410,09 10.145,32 1.733,63 262.173,34 64.869,07 3°_04_03 277.821,78 5.624,92 4.887,49 262.910,77 64.869,07 1°_05_03 278.559,21 1.226,70 2.675,90 261.461,57 64.869,07 2°_05_03 277.110,01 10.700,39 8.654,40 263.507,56 64.869,07 3°_05_03 279.156,00 3.078,24 5.526,69 261.059,11 64.869,07 1°_06_03 276.707,55 14.156,50 1.728,98 273.486,63 64.869,07 2°_06_03 289.135,07 14.072,75 2.180,38 285.379,00 64.869,07 3°_06_03 301.027,44 11.481,13 3.783,51 293.076,62 64.869,07 1°_07_03 308.725,06 5.297,06 3.862,44 294.511,24 64.869,07 2°_07_03 310.159,68 14.358,67 4.271,78 304.598,13 64.869,07 3°_07_03 320.246,57 668,29 10.825,19 294.441,23 64.869,07 1°_08_03 310.089,67 15.207,52 7.462,60 302.186,15 64.869,07 2°_08_03 317.834,59 12.595,54 12.070,28 302.711,41 64.869,07 3°_08_03 Por fim, não há que se falar em reinserção dos créditos não deferidos na escrita fiscal, pois tais créditos foram consumidos na própria escrita, conforme o demonstrativo acima. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, para deferir o direito creditório de R$ 6.964,42, homologandose as compensações até tal limite. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10850.900987/200619 Acórdão n.º 3302003.740 S3C3T2 Fl. 470 10 Fl. 470DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000752/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/08/2007
OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO.
Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015.
MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO.
Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa.
PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO.
Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3401-003.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendo-se as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/08/2007 OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO. Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Embargos rejeitados.
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EMBARGO. CABIMENTO. Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considerase incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendose as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 07 52 /2 00 7- 51Fl. 772DF CARF MF 2 demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de auto de infração de classificação fiscal relativo a mercadoria constante da DI 07/10861740, abrangendo multa por erro de classificação e diferenças de tributos. A impugnação argumentou a nulidade do lançamento, por inépcia; discorreu sobre o equipamento importado; defendeu a classificação fiscal adotada, com fulcro em laudo técnico; deduziu razões de ordem econômica para improcedência da autuação; e, aduziu o descabimento das multas e dos juros de mora, com fulcro no art. 100, III, parágrafo único do Código Tributário Nacional. A DRJ Fortaleza/CE manteve o lançamento em decisão assim ementada: “INÉPCIA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É válido o lançamento cuja descrição das ocorrências e enquadramento legal permitam a perfeita compreensão dos fatos pelo autuado, conforme demonstra o teor da defesa apresentada. TERMINAL MÓVEL DE COMUNICAÇÃO DO SISTEMA OMNISAT. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O Terminal Móvel de Comunicação do Sistema OmniSAT se enquadra no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul, pois se trata de uma combinação de máquinas cuja função principal é desempenhada pelo receptor GPS nele inserido, que fornece as informações necessárias para a supervisão do deslocamento do veículo em que ele é instalado. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTO IMPORTADO. MULTA ESPECÍFICA. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10111.000752/200751 Acórdão n.º 3401003.513 S3C4T1 Fl. 11 3 O erro na classificação fiscal de mercadoria importada configura infração punível com multa específica, sem prejuízo da cobrança de ofício das diferenças de tributos eventualmente apuradas, com os acréscimos legais. COSTUME ADMINISTRATIVO. PUBLICAÇÃO DE ATO FIXANDO O ENTENDIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO. FATOS POSTERIORES. Diante da publicação de ato que fixe entendimento diferente do que vinha sendo aceito pela Administração anteriormente, não há falar em costume administrativo em relação aos fatos posteriores a esse ato.” Em recurso voluntário o contribuinte teceu considerações sobre suas atividades e o equipamento importado; defendeu a inaplicabilidade da classificação adotada para aparelhos de radionavegação; citou precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e soluções de consulta de aparelhos similares; abordou os laudos técnicos apresentados; e, rechaçou a possibilidade de alteração do critério jurídico e também o cabimento das multas e dos juros respectivos. Alicerçada na informação de opção pela via judicial, consubstanciada na Ação Ordinária nº 004787847.2014.4.01.3400, Seção Judiciária do Distrito Federal, Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a 1ª Turma Especial, através do Acórdão 3801004.300, de 17/09/2014, declarou a concomitância das discussões e não conheceu do recurso voluntário. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs embargo de declaração alegando omissão do julgado quanto à impossibilidade de modificação de critério jurídico e a inaplicabilidade das multas e juros moratórios, matérias não deduzidas perante o Poder Judiciário. Os embargos foram admitidos pelo presidente do colegiado argüido e, posteriormente, redistribuídos por sorteio, em função de reorganização do órgão, promovida pela Portaria MF 343/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os embargos de declaração manobrados preenchem os requisitos formais de admissibilidade. Preamburlamente, cabe examinar o objeto da demanda judicial instalada e a sua coincidência com as questões postas no contencioso administrativo, bem assim os efeitos processuais daí decorrentes, para então verificar a existência da ventilada omissão. Consoante petição inicial juntada aos autos, o pedido do recorrente, na esfera judicial, no que tange ao mérito, consistiu na i) declaração de inexistência de relação jurídico tributária que autorizasse a União a exigir a classificação na posição 8526.91.00 da NCM, ii) o reconhecimento do direito de classificar o produto importado na posição 8517.62.71 e, ainda, Fl. 774DF CARF MF 4 iii) a determinação da anulação dos autos de infração que cita, dentre eles, o albergado pelo presente processo. Em 26/06/2015 foi proferida sentença julgando procedente o pedido formulado, estando o dispositivo vazado nos seguintes termos: “Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para: a) DECLARAR a inexistência de relação jurídico tributária oriunda da classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação, atualmente enquadrado na posição 8526.91.00 da NCM; b) DECLARAR o direito da autora de classificar o MCT na posição reservada a aparelhos de comunicação; c) ANULAR os créditos tributários constituídos contra a autora, em razão da não classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação (posição 8526.91.00), determinandose, ainda, o cancelamento dos autos de infração descritos no itens b.3 e b.4; d) AFASTAR as penalidades aplicadas e, em especial, a multa do IPI; Condeno a União ao pagamento das custas em ressarcimento e honorários advocatícios sucumbenciais, que fixo em R$10.000,00 (dez mil reais), já observado o disposto no art. 20, §4º, do CPC.” (sublinhado) Atualmente o processo judicial aguarda julgamento de apelação pelo TRF 1ª Região. Como se vê, há pedido expresso, devidamente acolhido, ainda que pendente de recurso, para declarar o cancelamento do lançamento abrigado neste processo administrativo. É certo que, em âmbito judicial, o recorrente não expôs a impossibilidade de modificação de critério jurídico, em sede de revisão aduaneira, tampouco o cabimento das multas e juros, com lastro no art. 100 do Código Tributário Nacional, como fundamento de seu pedido; todavia, o pedido formalizado, tanto administrativa como judicialmente, é idêntico, qual seja, a declaração de improcedência da autuação, de modo que, sob esse ângulo, a concomitância é patente. Dessarte, a delimitação da lide é feita pelo pedido apresentado, que sobre ele deverá se manifestar e decidir a autoridade julgadora correspondente, sendo a parte dispositiva dessa decisão aquela que oferecerá a resposta ao pleito, sendo essa a parte sujeita ao trânsito em julgado e, por via de conseqüência, à imutabilidade típica da coisa julgada. Como existe decisão de mérito no processo judicial, a formação da coisa julgada é inexorável, incidindo na espécie a inteligência do art. 508 do Código de Processo Civil, segundo o qual, transitada em julgado a decisão, considerarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor, tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido. De qualquer modo, entendo que, mesmo omisso o acórdão arguido, no mérito, não merece acolhida o aclaratório manobrado haja vista que, em relação à impossibilidade de modificação do critério jurídico, verificouse a preclusão consumativa da Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10111.000752/200751 Acórdão n.º 3401003.513 S3C4T1 Fl. 12 5 matéria, a teor dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, porquanto não integrante da impugnação protocolada. Respeitante ao descabimento das penalidades e juros moratórios, com lastro no art. 100, III e parágrafo único do CTN, pela pretensa observância das práticas reiteradas adotadas pelas autoridades administrativas, temse que a aceitação da classificação fiscal empregada pelo contribuinte nas declarações de importação que cita, por parte da fiscalização, é anterior à edição do ADI SRF nº 22, de 20/08/2004, que modificou o entendimento oficial acerca da classificação fiscal da mercadoria importada, como anotado pela decisão recorrida, verbis: “Em sede de pedido alternativo, a impugnante solicita a dispensa dos juros e multas, com base no disposto no art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN. Suscita que desde o início de suas operações vinha promovendo a importação do equipamento em foco, sem que houvesse nenhuma contestação por parte dos fiscais alfandegários. Assim, estaria caracterizada a ocorrência de prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa, o que elidiria a cobrança de penalidades e de juros na exação sob exame. Também em relação a esse aspecto não assiste razão à defesa. Com a edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14/2003, publicado no DOU de 4/9/2003, a Receita Federal oficializou seu entendimento quanto à classificação fiscal dos equipamentos ali indicados, em cuja descrição se enquadrava o caso MCT, conforme se demonstra: (...) Assim, ainda que em períodos anteriores ao referido ADI o MCT viesse sendo desembaraçado em código distinto, como alega a defesa, não há falar em costume administrativo em relação a operações posteriores à publicação desse Ato, realizadas em desconformidade com a orientação nele formalizada. O ADI 14/2003 supriu eventual necessidade de norma complementar para definir a classificação fiscal dos equipamentos nele indicados. As operações contrárias a ele, na realidade, passaram a ser frontalmente ilegais. A partir da vigência desse Ato, embora o mesmo tenha sido revogado pelo ADI SRF nº 22/2004, verificase que a fiscalização aduaneira continuou a classificar o MCT no mesmo código anteriormente definido (8526.91.00). Como o importador insistiu em utilizar classificação fiscal diferente, as importações desse equipamento passaram a ser objeto de autuação, e só foram desembaraçadas sem a Fl. 776DF CARF MF 6 correção do enquadramento tarifário por determinação judicial.” Ou seja, não se identifica qualquer “prática reiterada”, por parte das autoridades fiscais, contemporânea ao registro da declaração de importação lançada, no sentido de acatar a classificação reclamada pelo contribuinte. Portanto, não há qualquer ressalva a ser feita à decisão embargada, que, mesmo não fazendo remissão específica às teses expostas e ora apontadas como omissas, reconheceu acertadamente a concomitância das discussões e a renúncia à discussão administrativa, não havendo qualquer vício de declaração que a conspurque. Com estas considerações, voto por conhecer dos embargos quanto às omissões apontadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 777DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.734890/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO
Estando devidamente comprovadas nos autos, há se restabelecer a glosa das áreas declaradas como ocupadas por produtos vegetais.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE
Torna-se imperioso o acolhimento do ADA do ano de 2014, diante da existência de ADA no ano de 2008, mesmo sem a devida retificação, tendo em vista que somente é possível efetivar-se a correção de ADAs transmitidos no Exercício em curso.
As APPs devem, portanto, ser excluídas da base de cálculo do ITR.
Numero da decisão: 2201-003.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão da área de preservação permanente constante do Laudo de fl 2172, 3.245,61ha. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator), Daniel Melo Mendes Bezzera, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Realizou sustentação oral, pelo Contribuinte, o Dr. Paulo Cesar França da Silva, OAB/PE 22.772.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
Assinado digitalmente.
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora designada
EDITADO EM: 02/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2008 ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO Estando devidamente comprovadas nos autos, há se restabelecer a glosa das áreas declaradas como ocupadas por produtos vegetais. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Torna-se imperioso o acolhimento do ADA do ano de 2014, diante da existência de ADA no ano de 2008, mesmo sem a devida retificação, tendo em vista que somente é possível efetivar-se a correção de ADAs transmitidos no Exercício em curso. As APPs devem, portanto, ser excluídas da base de cálculo do ITR.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão da área de preservação permanente constante do Laudo de fl 2172, 3.245,61ha. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator), Daniel Melo Mendes Bezzera, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. Realizou sustentação oral, pelo Contribuinte, o Dr. Paulo Cesar França da Silva, OAB/PE 22.772. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora designada EDITADO EM: 02/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1755; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2.035 1 2.034 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.734890/201205 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2201003.450 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de fevereiro de 2017 Matéria ITR Recorrentes USINA SÃO JOSE S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO Estando devidamente comprovadas nos autos, há se restabelecer a glosa das áreas declaradas como ocupadas por produtos vegetais. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Tornase imperioso o acolhimento do ADA do ano de 2014, diante da existência de ADA no ano de 2008, mesmo sem a devida retificação, tendo em vista que somente é possível efetivarse a correção de ADAs transmitidos no Exercício em curso. As APPs devem, portanto, ser excluídas da base de cálculo do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão da área de preservação permanente constante do Laudo de fl 2172, 3.245,61ha. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator), Daniel Melo Mendes Bezzera, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. Realizou sustentação oral, pelo Contribuinte, o Dr. Paulo Cesar França da Silva, OAB/PE 22.772. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 48 90 /2 01 2- 05 Fl. 2237DF CARF MF 2 Assinado digitalmente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada EDITADO EM: 02/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata da Notificação da Lançamento nº 04101/00025/2012 (fl. 3 a 8), pela qual a autoridade fiscal lançou crédito tributário relativo a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural no valor originário de R$ 5.909..477,26, com Multa de Ofício de R$ 4.432.107,92 e juros de mora de R$ 2.440.614,09 (calculados até 01/12/2012), perfazendo o total apurado de R$ 12.782.199,24. O lançamento é relativo ao exercício de 2008 e o imóvel rural em questão está identificado na Receita Federal do Brasil pelo número 0.124.9177. Atesta a Fiscalização que, regulamente intimado, o contribuinte, fl. 4 a 6: não comprovou a área de produtos vegetais originalmente declarada de 7.208 ha, em particular por não demonstrar o custo referente a tal área, já que os documentos apresentados não segregam os custos incorridos pela propriedade objeto de análise; não comprovou a Área de Pastagens declarada; não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, o Valor da Terra Nua VTN declarado, o que levou a sua alteração. Contudo, o novo valor atribuído à terra nua do imóvel considerou as informações prestadas pelo contribuinte em atendimento à intimação; o Laudo apresentado demonstra que a área total do imóvel é de 8.906,7 ha, menor que a área originariamente declarada de 9.122,2, razão pela qual a área total do imóvel foi alterada nos termos descritos no Laudo. As alterações decorrentes das constatações acima estão claramente evidenciadas no Demonstrativo de apuração do Imposto Devido de fl. 7, onde se pode notar que todas as demais áreas declaradas foram integralmente acatadas (Área de Preservação Permanente APP, 1.149,8 ha e Área Ocupada por Benfeitorias, 9,7 ha). Ciente do lançamento em 11 de dezembro de 2012, fl 1161, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 1175 a 1194, em 09 de janeiro de 2013, na qual expôs as razões Fl. 2238DF CARF MF Processo nº 10480.734890/201205 Acórdão n.º 2201003.450 S2C2T1 Fl. 2.036 3 e os fundamentos que entende lastrear a comprovação da improcedência do lançamento, valendo destaque para os seguintes excertos contidos no relatório da Decisão de 1ª Instância: esclarece que, entre os documentos acostados, constam Laudos Técnicos de Avaliação, dos exercícios de 2008 a 2010, com ART, que trazem todas as informações para a apuração do ITR, entre elas o valor da terra nua (VTN) e o grau utilização (GU) e que a fiscalização entendeu por acatar somente as informações sobre o VTN; discorda do argumento da fiscalização de que os documentos entregues não identificavam a existência de custos no imóvel, alterando a área de produtos vegetais e de pastagens para “0” (zero), levando em consideração somente a cédula rural pignoratícia, o que caracterizou o imóvel como não produtivo, aplicando a alíquota máxima; discorda da autuação feita com argumento de que não elaborou a planilha dos custos agrícolas, segregandoos por imóvel, no entanto o Laudo de Avaliação, comprova o plantio de canadeaçúcar, salientando que ele foi elaborado mediante visitas ao local, com os resultados dispostos de forma clara e fundamentada; não se opõe, quanto ao arbitramento do VTN, com base no Laudo de Avaliação, e junta aos autos o DARF de pagamento da parte relativa a diferença no VTN entre a DITR e a Notificação de Lançamento, considerando ser parte incontroversa da Notificação no valor de R$ 55.812,22, cujo pagamento já efetuou, acrescido da multa de ofício (com redução legal de 50% para pagamento à vista) e juros SELIC; ressalta que o lançamento merece ser reformado no que se refere a área de produtos vegetais e esclarece que a lide se limita à diferença da alíquota aplicada, obtida em função do GU do imóvel; informa que a área composta pelos Engenhos é utilizada na produção de canadeaçúcar discorrendo sobre o ciclo do plantio e de colheitas; entende que o conjunto probatório, das provas diretas (Laudos Técnicos) e das provas indiretas, se harmonizam de tal forma a não deixar margem para que prevaleça o entendimento da fiscalização, sendo necessária à desconstituição do lançamento, na parte da área utilizada com produtos vegetais e da alíquota aplicada diferente da declarada; considera sobre o reconhecimento da importância dos Laudos apresentados, bem como de outros elementos que atestam a verdade material e transcreve excertos de Decisões do CARF para referendar seus argumentos; entende ser contraditório o entendimento da fiscalização que acatou integralmente as informações contidas no Laudo para o Fl. 2239DF CARF MF 4 arbitramento do VTN e desconsiderou as informações relativas a utilização da terra, por entender insuficiente; salienta que demonstrou por meios hábeis e idôneos as áreas declaradas de produtos vegetais, que são áreas produtivas, estando correta a alíquota aplicada na DITR, o que determina a improcedência dos valores lançados; considera que devem prevalecer as provas exibidas, as quais demonstram a correção dos valores informados na DITR, não podendo ser mantido o lançamento baseado em presunção e sem a produção de provas para infirmar os valores apontados no Laudo; entende que a multa aplicada seria confiscatória e exorbitante, afrontaria o princípio do nãoconfisco, nos termos do art. 150, IV, da Constituição da República, e afetaria o direito de propriedade, sendo, portanto inconstitucional, requerendo, com essa alegação, a improcedência da Notificação de Lançamento, transcrevendo posicionamentos doutrinários para embasar sua tese; entende que os Laudos Técnicos juntados comprovam que o lançamento é improcedente, contudo, tendo em vista a busca da verdade material, que é o objetivo maior dos processos administrativos, requer, em caso de dúvidas em relação às provas, que se determine a produção de perícia ou diligência, nos termos do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72, indicando assistente e formulando quesitos; pelo exposto, requer seja declarada a improcedência do lançamento, sobretudo porque o Fisco efetuou o lançamento baseado na premissa de que os Engenhos que compõem o imóvel eram improdutivos, glosando a área de produtos vegetais e de pastagens e aumentando a alíquota aplicada, quando todos os fatos e provas carreadas aos autos demonstram que as áreas declaradas são produtivas e que a alíquota informada na DITR está correta; Debruçada sobre a matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF exarou o Acórdão de fl. 2055/2067, acatado por unanimidade de votos, cujas conclusões do voto condutor podem ser assim resumidas: Da área de utilizada com Produção Vegetal. No que diz respeito à área de produção vegetal declarada de 7.280,0 ha,reduzida pela fiscalização para 720,8 ha, entendo que ela deve ser parcialmente restabelecida,tendo em vista os documentos de prova constantes dos autos. (...) Assim, entendo que o referido Laudo de Avaliação, que dimensionou a área utilizada com produtos vegetais no imóvel de 4.910,3 ha, especificamente, às fls. 91 e 95, e com sua avaliação circunstanciada às fls. 138/143, juntamente com o conjunto probatório o plantio de canadeaçúcar, mostrase suficiente para comprovar a área de 4.910,3 ha constante do Laudo, cabendo ser acatada para fins de determinação do Grau de Utilização do imóvel e da alíquota aplicada. Fl. 2240DF CARF MF Processo nº 10480.734890/201205 Acórdão n.º 2201003.450 S2C2T1 Fl. 2.037 5 Das Áreas Utilizadas de Pastagens Rebanho A glosa da área de pastagens de 500,0 ha se deu pelo fato de a fiscalização ter considerado não comprovada a quantidade total e suficiente de animais de grande e de médio porte existentes no imóvel no ano de 2007 (exercício 2008), para efeito de aplicação do índice de lotação mínima por zona de pecuária (ZP), no caso, 0,70 (zero setenta) cabeça de animais de grande porte por hectare (0,70 cab/hec), fixado para a região onde se situa o imóvel, nos termos da Instrução Especial INCRA nº 019, de 28.05.1980, observada o art. 25 da IN/SRF nº 256/2002 e seu Anexo I, conforme previsto na alínea “b”, inciso V, § 1º, do art. 10 da Lei nº 9.393/96, para comprovar o total da área declarada. (...) Considerando que no presente caso não houve a apresentação de documentos comprovando o rebanho necessário para justificar a área de pastagens declarada de 500,0 ha, cabe manter a glosa dessa a área. Da Multa de 75% A impugnante entende que a multa aplicada seria confiscatória e exorbitante, afrontaria o princípio do nãoconfisco, nos termos do art. 150, IV, da Constituição da República e afetaria o direito de propriedade, sendo, portanto inconstitucional, requerendo, com essa alegação, a improcedência da Notificação de Lançamento. (...) Em síntese, as autoridades administrativas não são competentes para se manifestar a respeito da constitucionalidade das leis, seja por que tal competência é conferida ao Poder Judiciário, seja porque as leis em vigor gozam de presunção de constitucionalidade, restando ao agente da administração pública aplicálas, a menos que estejam incluídas nas hipóteses de que trata o Decreto nº 2.346/1997, ou que haja determinação judicial em sentido contrário beneficiando o contribuinte, o que não é o caso. (...) Desta forma, considerandose que a exigência de multa de ofício de 75,0% se baseia em dispositivo legal contra o qual a impugnante não se insurgiu judicialmente, não podem ser acatadas, neste colegiado, as razões de defesa apresentadas com respeito a essa questão, pois a norma legal goza de presunção de validade e eficácia. Da solicitação de Perícia Quanto ao pedido de realização de perícia, a mesma não se faz necessária no presente lançamento. (...) Sendo assim, nenhuma circunstância há que justifique a perícia pleiteada. O lançamento limitouse a formalizar a exigência apurada a partir do conteúdo estrito dos dados apresentados pela contribuinte, não havendo matéria de complexidade que justifique a produção de prova pericial. Fl. 2241DF CARF MF 6 Da área total do imóvel e do VTN No que se refere à alteração da área total do imóvel de 9.122,2 ha para 8.906,7 ha, baseada em informação constante do referido Laudo de Avaliação, a Requerente nada questionou. Com relação à alteração do VTN declarado de R$ 20.068.840,00 (R$2.200,00/ha), que passou para R$ 34.380.519,84 (R$ 3.860,07/ha), com base, também, no Laudo de Avaliação, a impugnante declara ser parte incontroversa da Notificação de Lançamento, às fls. 1.182. Assim, consideramse não impugnadas essas matérias, vez que não foram expressamente contestadas, conforme preceitua o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 e, também, com previsão no art. 58 do Decreto nº 7.574/2011. Conclusão Isso posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de que seja julgada procedente em parte a impugnação interposta pela Contribuinte, contestando o lançamento consubstanciado na Notificação nº 0401/00025/2012 de fls. 03/08, para acatar uma área de produtos vegetais de 4.910,3 ha demonstrada no Laudo de Avaliação, às fls. 82/158, e corroborada com as demais provas acostadas, efetuandose as demais alterações decorrentes, com redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização, de R$ 5.909.477,23 para R$ 1.837,365,95, conforme demonstrado, a ser acrescido de multa proporcional de 75,0% e juros de mora na forma da legislação vigente, aproveitando o pagamento realizado por meio do DARF/cópias de fls. 1.215/1.216, para quitação de parte da dívida. Submetase à apreciação do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, conforme art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e Portaria MF nº 03/2008, por força de recurso necessário, também, previsto no art. 70 do Decreto nº 7.574/2011, ressaltando que, enquanto não decidido o recurso de ofício, a presente Decisão não se torna definitiva Ciente do Acórdão da DRJ nos termos de fl. 2074, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 2076 a 2083. Em apertada síntese, em fase recursal, o contribuinte alega que o julgamento em 1ª Instância não acatou o Laudo apresentado na íntegra, pois a DRJ, embora tenha dito que o referido documento deveria ser acatado, não chegou ao mesmo Grau de Utilização nele consignado, fl. 2079. Aduz o contribuinte que a questão central envolve a apuração do Grau de Utilização do imóvel rural e que esse dado contempla outros fatores, todos constantes do Laudo, fl 2079. Sustenta que, para a determinação do Grau de Utilização, devem ser excluídas da área total do imóvel as Áreas de Preservação Permanente APP, Área de Reserva Legal ARL, Área de Interesse Ecológico, etc, fl 2080. Fl. 2242DF CARF MF Processo nº 10480.734890/201205 Acórdão n.º 2201003.450 S2C2T1 Fl. 2.038 7 Neste sentido, entende que deve ser acatada e excluída da área aproveitável, a área de mata no total de 3.245,61 ha atestada no Laudo, afirmando que tal mata corresponde à Mata Atlântica, que a qualificam como área de Interesse Ecológico para proteção de ecossistemas, fl. 2081. Afirma que, para a definição da área aproveitável, tanto a Fiscalização quanto a DRJ se limitaram a repedir os dados da DITR, mas que deve prevalecer a informação do Laudo, sendo imperioso o provimento do Recurso para definir como o Grau de Utilização em 86,90%, fl. 2080/2083. Reitera as razões da impugnação em relação ao cabimento da Multa de 75% e constata a necessidade de, em caso de dúvida em relação à interpretação da legislação, deve o contribuinte ser favorecido. Por fim, pugna pela manutenção da decisão recorrida por seus próprios fundamentos e que a mesma seja reformada no tocante à aplicação dos valores constantes do Laudo de Avaliação referentes à área de interesse ecológico. Submetido o Recurso Voluntário à análise pela 1ªª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, resolveram os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência, fl. 2135/2137, para que o contribuinte fosse intimado a apresentar Ato Declaratório Ambiental ADA, bem assim eventual ato específico definindo a área como sendo de interesse ecológico. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou a resposta de fl. 2146/2148, na qual solicitou juntar o ADA posteriormente, por não têlo em seu poder e, em relação ao segundo item solicitado, junta o Parecer Técnico de fl. 2214, elaborado sob a coordenação do Professor Doutor Hernande Pereira da Silva, o qual corrobora a informação já contida em diversos documentos anteriores sobre a composição da área de 3.245,6 ha de mata atlântica. Finalmente, em fl. 2228, o contribuinte faz algumas considerações sobre a possibilidade de efeitos retroativos e apresenta o ADA (fl.2230) solicitado em sede de diligência fiscal. É o relatório necessário. Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. No lançamento fiscal em tela, foi alterada a área total do imóvel informada em DITR, bem assim o Valor da Terra Nua, mas tais alterações consideraram exatamente o que constava do Laudo Apresentado pelo contribuinte, fl.76/89, restando matéria não impugnada. Fl. 2243DF CARF MF 8 Adicionalmente, a Fiscalização entendeu por bem glosar totalmente os 7.280,0 ha declarados como área ocupada por produtos vegetais e, ainda, 500ha de áreas declaradas de pastagens. Quanto às áreas de pastagens, a Decisão de Primeira Instância entendeu por bem manter a glosa efetuada e o contribuinte não tratou do tema em seu Recurso Voluntário, restando, portanto, definitiva a autuação fiscal neste ponto. Quanto à alteração das áreas ocupadas por produtos vegetais, na análise levada a termo pelo Colegiado de 1ª Instância, a área integral apontada no Laudo apresentado como sendo área ocupada por produtos vegetais (4.910,30 ha fl. 91) foi acatada, já que as inúmeras provas apresentadas se mostraram hábeis, e como de fato são, ao restabelecimento de tais áreas para fins de apuração do valor devido a título de ITR. Refeitos os cálculos utilizando toda a área comprovada de Produtos Vegetais, fl. 2066, chegouse um novo Grau de Utilização da propriedade, uma nova alíquota e um novo valor de tributo. Ao impetrar seu Recurso Voluntário, o contribuinte inova a lide administrativa. E sob a discreta alegação de que também discutia na impugnação a alíquota e o grau de utilização da propriedade, introduziu novo tema, estranho não apenas em relação à impugnação ou ao lançamento, novo também em relação à DITR apresentada. Agora, sustenta o contribuinte que o Laudo foi aceito, mas não em sua integralidade. Acredita que é forçoso refazermos o lançamento, agora com um adicional no valor declarado de Área de Preservação Permanente, o qual deveria passar dos 1.149,8 contidos na DITR para 3.245,60, atestada por documentos diversos. Ora, a alíquota do ITR é uma resultante dos termos da Lei 9.393/96, que considera para este fim uma relação direta entre o tamanho do imóvel o seu grau de utilização. É por esta razão que, embora com o resultado do lançamento um novo Grau de Utilização e uma nova alíquota possa se apresentar, jamais estes serão justificados pela Autoridade Fiscal na Descrição do Fatos, pois são alterações decorrentes de outras, estas sim objeto autuação fiscal e, se for o caso, de contencioso administrativo. Assim, não há amparo legal para que, de forma isolada, possamos tratar a questão da alíquota aplicada. O que temos a discutir é o que foi objeto do lançamento e quanto a estes, não há qualquer discussão ainda em curso que não seja a decorrente do Recurso de Ofício formalizado pela DRJ, afinal o que o contribuinte conseguiu demonstrar por meio dos documentos juntados aos autos, foi TUDO acatado. O VTN, a área total do imóvel e a área ocupada por Produtos Vegetais. Quanto às tais áreas que o contribuinte pretende que sejam consideradas como APP, no meu sentir, configura situação que sequer poderia estar sendo discutida nos autos, já que não faz parte do contencioso administrativo instaurado pela impugnação ao lançamento. Reconhecêla neste momento, seria fundir dois institutos diversos, o do contencioso administrativo, este contido na competência de atuação deste Conselho, e o da revisão de ofício, este contido na competência da autoridade lançadora, o que, s.m.j., poderia macular o aqui decidido por vício de competência, a menos que restasse absolutamente evidente que se tratou de mero equívoco no preenchimento da Declaração, o que ensejaria a Fl. 2244DF CARF MF Processo nº 10480.734890/201205 Acórdão n.º 2201003.450 S2C2T1 Fl. 2.039 9 demonstração de que tudo mais que a legislação prevê como requisitos para gozo do favor fiscal tenha sido observado pelo contribuinte. Assim, neste caso, para que o contribuinte pudesse excluir da base de calculo do ITR, seria necessário o cumprimento dos requisitos previstos na legislação para áreas dessa natureza. Portanto, fundamental socorrernos da legislação relacionada: Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Grifouse. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Grifouse. IN SRF 256, de 11 de dezembro de 2002 (texto então vigente) Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: I de preservação permanente; (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: Fl. 2245DF CARF MF 10 I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente; (...). Grifouse Instrução Normativa Ibama nº 76/2005 Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis obrigados a apresentação da Declaração de Imposto Territorial Rural DITR, que tenham informado: I a área de preservação permanente e/ou de utilização limitada, objetivando a isenção do lTR; (...) Art 9º O prazo de entrega do ADA será de 1º de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Observados os destaques acima expostos, os quais, por tão cristalinos, não merecem sequer análise mais atenta, inclusive esse tem sido o entendimento corrente neste Colegiado Administrativo, segundo o qual, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória à apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Ainda que aos olhos menos atentos possa parecer despropositada a exigência, tratase de uma forma de manutenção do controle das circunstâncias que levaram ao favor fiscal, além se configurar instrumento que atribui responsabilidade ao proprietário rural. Como se viu acima, a mesma lei que prevê a obrigatoriedade do ADA dispõe que, após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Desta forma, com o protocolo do ADA, o contribuinte sujeitase à vistoria técnica do IBAMA e, portanto, a mera alegação de que uma área de utilização limitada efetivamente exista, ainda que atestada por laudo técnico particular não é suficiente, por si só, para afastar a incidência do tributo rural, já que, sem o protocolo do ADA, a desoneração tributária ocorreria sem qualquer instrumento que permitisse a efetiva validação das informações declaradas. Contudo, o que se vê nos autos, é que, intimado a apresentar o Ato Declaratório Ambiental, o contribuinte apenas juntou um laudo reafirmando a existência da área e o ADA de fl. 2230, protocolado junto ao Ibama em 29/09/2014, relativo ao exercício de 2014. Embora apresente algumas considerações sobre os efeitos retroativos do documento, inclusive citando o "Perguntão" do ITR, as próprias informações trazidas pelo contribuinte demonstram a impossibilidade de apresentação retroativa do ADA, fl. 2229. No caso em comento, o que se vê é a utilização do tributo como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em Fl. 2246DF CARF MF Processo nº 10480.734890/201205 Acórdão n.º 2201003.450 S2C2T1 Fl. 2.040 11 contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Assim, considerando a limitação de competência da RFB, a quem não compete fiscalizar o cumprimento da legislação ambiental, resta à autoridade fiscal, no uso de suas atribuições, verificar o cumprimento por parte dos contribuintes, na data da ocorrência do fato gerador, dos requisitos fixados pela legislação para usufruir do favor fiscal, em respeito ao art. 144 da Lei 5.172/66 (CTN), sempre observando as limitações dispostas nos art. 111, inciso II, e § único do 142, tudo do mesmo diploma legal, pelas quais se conclui que as normas reguladoras das matérias que tratam de isenção não comportam interpretação ampliativa e vinculam a atuação da autoridade administrativa na constituição do crédito tributário pelo lançamento. Portanto, entendo acertada a decisão da DRJ de restabelecer a área ocupada por Produtos Vegetais nos termos do Laudo de fl. 91 (4.910,30 ha) e, não tendo o contribuinte cumprido as formalidades impostas pela legislação para fins de fruição do direito à isenção sobre as áreas adicionais pleiteadas a título de APP, não identifico razão para que alterar a decisão recorrida. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por negar provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício. Assinado digitalmente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Voto Vencedor Conselheira ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Conforme narrado, em procedimento de análise e verificação da documentação apresentada pela Contribuinte e das informações constantes da DITR/2008, a fiscalização resolveu alterar a área total originariamente declarada de 9.122,2 ha para 8.906,7 ha; glosar, integralmente, a área de produtos vegetais de 7.280,0 ha; glosar, integralmente, a área de pastagens de 500,0 ha; e alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$ 20.068.840,00 (R$ 2.200,00/ha). Cabe destacar que a fiscalização não intimou o recorrente, especificamente, a comprovar a existência da Área de Preservação Permanente (APP) ou de interesse ecológico. Por tal razão, houve a conversão do julgamento em diligência para a apresentação do Ato Declaratório Ambiental, fls. 2.134 a 2.136, nos termos seguintes: Assim, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecimento de questões de fato, quanto a alegação da existência de área de preservação permanente ou de Fl. 2247DF CARF MF 12 interesse ecológico: (a) a apresentação de ADA e sua respectiva data e (b) a eventual existência de ato específico definindo a área como sendo de interesse ecológico. Em ambos os casos, os documentos comprobatórios devem ser juntados aos autos. Em atendimento à diligência mencionada, o contribuinte apresentou Laudo Técnico e, posteriormente, o ADA referente ao ano de 2014. Embora o ADA juntado corresponda ao ano de 2014, houve a apresentação, em momento anterior, do ADA referente ao ano de 2008 sem as devidas retificações, considerando a impossibilidade de alteração no sistema. Observase que a divergência suscitada teve como base o acolhimento do ADA do ano de 2014, diante da existência de ADA no ano de 2008 (mesmo que não retificado), tendo em vista que somente é possível efetivarse a retificação de ADAs transmitidos no Exercício em curso., conforme informação prestada pelo próprio programa “Perguntas e Respostas” da DITR. Assim, considerando o conjunto das provas apresentadas, inclusive o Laudo Técnico anexo aos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão da área de preservação permanente constante do Laudo de fl 2172, 3.245,61 ha. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada Fl. 2248DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.922001/2009-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.491
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 20 01 /2 00 9- 27 Fl. 884DF CARF MF Processo nº 11080.922001/200927 Acórdão n.º 9303004.491 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803005.936, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex Fl. 885DF CARF MF Processo nº 11080.922001/200927 Acórdão n.º 9303004.491 CSRFT3 Fl. 4 3 membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Fl. 886DF CARF MF Processo nº 11080.922001/200927 Acórdão n.º 9303004.491 CSRFT3 Fl. 5 4 Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 887DF CARF MF Processo nº 11080.922001/200927 Acórdão n.º 9303004.491 CSRFT3 Fl. 6 5 empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 888DF CARF MF Processo nº 11080.922001/200927 Acórdão n.º 9303004.491 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 889DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912274/2012-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.943
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 27 4/ 20 12 -7 6 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912274/201276 Resolução nº 3402000.943 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912274/201276 Resolução nº 3402000.943 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.912274/201276 Resolução nº 3402000.943 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.729221/2015-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 92 21 /2 01 5- 28 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10580.729221/201528 Acórdão n.º 2202003.707 S2C2T2 Fl. 74 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado). Relatório Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento de IRPF (fls. 17/21), relativa ao exercício 2011, anocalendário 2010, por omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no valor de R$ 17.860,68. Na impugnação às fls. 07, a contribuinte alega se tratar de rendimentos isentos do imposto de renda em razão de ser portador de moléstia grave e que está questionando o valor R$ 10.770,34. Trouxe os autos os documentos de fls. 09/14. Houve desmembramento da notificação com transferência do débito não impugnado para o processo 10580.729580/201585. A interessada apresentou petição posterior (fls. 39), antes do término do prazo para impugnar (conforme informação da unidade de origem às fls. 67), informando que se equivocou e que sua impugnação é total. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG (JFA), no Acórdão nº 0958.909, às fls. 48/53, julgou improcedente a impugnação sob a justificativa de que os laudos apresentados não atendiam as exigências da Solução de Consulta Interna nº 11/2012, da COSIT. Quanto à parcela do débito transferida de processo, entendeu que, pelo fato desta não estar nos presentes autos, a interessada deveria se informar na Delegacia da Receita Federal sobre os procedimentos cabíveis. A contribuinte teve ciência desse acórdão em 14/04/2016 (AR de fls. 62) e antes disso, em 14/03/2016, apresentou o recurso voluntário de fls. 55/56, reafirmando seu direito à isenção, por entender que o laudo apresentado (fls. 57) é válido e já foi aceito pela Receita Federal nos exercícios de 2012, 2013 e 2014. E, ainda, em 20/04/2016, solicitou a unificação dos dois processos e que houve erro de fato, pois quando informou que o valor impugnado seria R$ 10.770,334 estava se referindo ao valor do crédito lançado (e não da omissão de rendimento que gerou a infração). A unidade preparadora fez a Informação de fls. 67, na qual relata os fatos e diz que, em razão da DRJ ter apreciado o mérito, procede o retorno do crédito apartado para este processo, que encaminha ao CARF para apreciação do recurso. Em 23/05/2016, a recorrente trouxe aos autos novo laudo pericial de fls. 71. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10580.729221/201528 Acórdão n.º 2202003.707 S2C2T2 Fl. 75 3 Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, conforme Lei nº 7.713/1998 e Súmula CARF nº 63, a seguir: Lei nº 7.713/1988 : Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Súmula CARF Nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso dos autos, verificase que o contribuinte apresentou, extemporaneamente, às fls. 71, parecer médico pericial emitido em 26/04/2016, por Perito Médico do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gerência Executiva da Bahia, APS Mercês, Dr. Romilson Sílvio Souza CRM 16835, que atesta que a interessada comprovou ser portadora de cegueira em ambos os olhos, CID: H54.0, em 10/02/2005, fazendo jus à isenção do imposto de renda, por prazo indefinido. Não se desconhece que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16. Porém, a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10580.729221/201528 Acórdão n.º 2202003.707 S2C2T2 Fl. 76 4 documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Assim, aceitase o referido documento como laudo proferido por serviço médico oficial apto a comprovar a moléstia do recorrente, que está entre aquelas previstas na norma isentiva. Quanto ao proventos recebidos do INSS, verificase que esses se referem à aposentadoria, tendo em vista que se aposentou em 26/01/2001 (fls. 13/14). Logo, em face da comprovação de que os rendimentos são provenientes de aposentadoria e da condição da contribuinte de portadora de doença grave no anocalendário 2010, há que se reconhecer que são isentos os rendimentos qualificados como omitidos na notificação de lançamento. Dessa forma, voto por conhecer do recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10247.000143/2004-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Apr 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
CRÉDITOS, INSUM.OS. CRÉDITO.
Podem gerar créditos da Contribuição as despesas com insumos e quaisquer
outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de
propriedades fisicas ou químicas, desde que não estejam incluídas no ativo
imobilizado.
FRETE, CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. ÔNUS DO VENDEDOR,
Do valor apurado do PIS/Pasep, poderá, a partir de I" de fevereiro de 2004, ser descontado o crédito calculado em relação ao frete contratado na operação
de venda.
JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE:
Descabe a incidência de juros compensatórios no caso de ressarcimento de créditos da contribuição.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-00.384
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de voto, para reconhecer o direito ao crédito nos termos do voto do relator e, pelo voto de qualidade, para não reconhecer a correção pela taxa Selic. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: José Antônio Francisco
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITOS, INSUM.OS. CRÉDITO. Podem gerar créditos da Contribuição as despesas com insumos e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. FRETE, CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. ÔNUS DO VENDEDOR, Do valor apurado do PIS/Pasep, poderá, a partir de I" de fevereiro de 2004, ser descontado o crédito calculado em relação ao frete contratado na operação de venda. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE: Descabe a incidência de juros compensatórios no caso de ressarcimento de créditos da contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de voto, para reconhecer o direito ao crédito nos termos do voto do relator e, pelo voto de qualidade, para não reconhecer a correção pela taxa Selic. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
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CRÉDITO. Podem gerar créditos da Contribuição as despesas com insumos e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. FRETE, CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. ÔNUS DO VENDEDOR, Do valor apurado do PIS/Pasep, poderá, a partir de I" de fevereiro de 2004, ser descontado o crédito calculado em relação ao frete contratado na operação de venda. JUROS SELIC.. INAPLICABILIDADE: Descabe a incidência de juros compensatórios no caso de ressarcimento de créditos da contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de voto, para reconhecer o direito ao crédito nos termos do voto do relator e, pelo voto de qualidade, para não reconhecer a correção pela taxa Selic. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. Presidente 2 /. José Aritprfro`FranErgW — Redator Designado EDUADO EM: 04/11/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabfola Cassiano Keramidas, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relatar), Relatório Por bem relatar o presente processo, reproduzo integralmente o texto da decisão ora recorrida: "Versa o presente processo sobre Pedido de Ressarcimento de Pis/Pasep, confOrme 11s. 01-04, dos meses de abril a junho de 2004, no valor de R$ 447.597,07, resultado da diferença entre R$ 720.381,17 (suposto crédito de Pis/Pasep) e R$ 272.784,10 (alegado débito de Pis/Pasep). Ao analisar tal pretensão, a Delegacia de origem, no uso de sua competência regulamentar, proferiu o Despacho Decisório n" 054/2005 de .fls 163-167, em 17/11/2005, no qual deferiu parcialmente o pleito de ressarcimento Cientificado da decisão em 19/11/2004 (ff 168), o sujeito passivo apresentou manifestação de inconfOrmidade (fis 177-189), em 117/12/2004, mediante procurador regularmente constituído (lis 189, 200, 220, 223-225), contra a decisão retrocitada, alegando, em suma, que. Preliminarmente, cerceamento do direito de defesa do contribuinte, na .forma do artigo 5", inciso LU, da Constituição Federal, em virtude de . falta de indicação clara dos valores glosados, impondo-se a anulação do Despacho Decisório. Mio houve indicação clara de quais valores teriam sido glosados, tendo .sido apenas mencionado superficialmente que alguns dos créditos solicitados estão em desacordo com a legislação vigente No mérito, considerou que o referido Despacho Decisório negou vigência ao principio da não-cianulatividade do PIS, entendendo-o como uni beneficio fiscal Tal resistência cio Fisco é absolutamente desarrazoado, não só em virtude de uma interpretação sistemática cio Lei n° Processo ri" I 0247 000143/2004-14. S3-C3T2 Acói dão ri " 3302-00384 FI 485 10.637/2002 e da Lei n" 10.833/2003, como também pela disposição contida no artigo 195, esç 1.2, da Constituição Federal, que delimita toda e qualquer dúvida sobre o princípio da não- cumulatividade aplicável de forma ampla e irrestrita à contribuição cai tela. A decisão ora impugnada desconsiderou o direito da defendente ao aproveitamento do crédito do PIS calculadas sobre serviços de transporte, tais como a contrafação do . frete relacionada à comercialização da produção da pasta de celulose, bem como a prestação de sei viços contratador para a manutenção de seu parque fabril A DISIT da 2" Região Fiscal da Secretaria da Receita Federal já se posicionou em favor do creditamento do frete na operação de venda, consoante Solução de Consulta n° 01, de 13/01/2004 Tem direito ao crédito do Pis/Pasep sobre os valores de bisamos empregados na produção da sua própria matéria-prima, destinada a produção de celulose, de acordo com o prevista na Lei a 10.833/200.3 e parágrafo 12 do ar! 19.5 da CF. Seu processo produtivo, que tem como produto final a pasta química de madeira, conhecida como celulose, divide-se em três etapas, através das quais verticalizou a produção, por estratégia de mercado. a primeira etapa consiste na produção da madeira em suas áreas de reflorestamento; a segunda no corte das árvores e preparação das mesmas para a extração ria celulose (onde são descascadas, picadas e transformadas em cavacos) e a terceira etapa consiste no cozimento dos cavacos em soluções alcalinas de onde se obtém a fibra celulósica Esclarece que produz produtos químicos consumidos e reaproveita resíduos obtidas no processo Entende que os custos advindos do empiego de bens e de serviços na sua atividade florestal enquadram-se no conceito de instemos para a produção da pasta química de madeira (celulose) , comercializada pela dqfendente, devendo, portanto, ser admitidos como passíveis de creditameino na apuí ação do Pis/Pasep. Se a delèndente adquirisse a madeira de terceiros não teria havido questionamento e o beneficio ,seria admissivel, o que seria uma violação ao princípio da igualdade. Tal entendimento não se encontraria presente na Lei n. 10.833/2003, que previna em seu art. 3° a possibilidade de se creditar todos os bens e serviços utilizados desde o início do processo produtivo ou de fabricação. Já com relação aos créditos apurados sobre os custos da prestação de serviços da manutenção do parque fabril da Defendente, restaria claro que sem a realização de tal manutenção as atividades relacionadas à produção de celulose .ficariam seriamente prejudicadas, razão pela qual tais crédits deveriam ser reconhecidos.. Sobre o crédito relacionado ao presente processo administrativo deveria ser aplicada a taxa Selic desde a data da apresentação do respectivo pedido de ressarcimento, conforme ali: 39, 4°, da Lei 17 9.2.50/95 e entendimento da CSRE, do Conselho de Contribuintes. Entendimento contrário ofenderia o princípio da isonomia, tendo-se em vista que a SRF faz uso de tal taxa para a atualização de seus créditos. Em 13/02/2007, esta Turma da Delegacia de Julgamento converteu o . julgamento em diligência Oh 227-230, para as seguintes providências da Delegacia de origem. DAR CIÊNCIA ao sujeito passivo do presente "despacho paia diligência" CALCULAR os créditos para ressarcimento da contribuição relativos a fretes pagos na operação de venda de celulose, quando o ônus fbr suportado pelo próprio contribuinte e desde que pagos a pessoa jurídica domiciliaria no País, na forma dos. artigos 3° (inciso IA) e 93 da Lei n° 10.833/2003 (com redação dada pela Lei n" 11 051/2004), INTIMANDO o contribuinte para apresentar a comprovação necessária à realização desta diligência Ao . final dos cálculos, PRODUZIR parecer conclusivo, mencionando todos o(s) crédito(s) do contribuinte e o(s) débito(s) compensado(s). DAR CIÊNCIA ao sujeito passivo do parecer conclusivo e da memória de cálculo elaborados de acordo com o ite "b" supra, CONCEDENDO-LHE o prazo de .30 (trinta) dias, a contar da data de ciência da intimação, para manifestar-se exclusivamente sobre os créditos relativos ao frete (elaborado confOrme item supra) e sobre eventuais novos elementos ingressados no processo após a manifestação de inconformidade ENCAMINHAR os presentes autos a esta DRJ para prosseguimento do julgamento administrativo. Em resposta, a unidade de origem anexou as fls . 231-274. Já o contribuinte mainfistou-se nas fls 275-277, na qual requereu• (á) a realização de compensação de oficio do crédito passível de ressarciniento (já reconhecido no presente processo) com débitos incluídos no PAES,. (b) prazo suplementar de trinta dias para a apresentação de nota . fi,scal original n° 5174 (série 1), de modo que o respectivo valor seja considerado no cálculo do crédito de Pis/Pasep a ser ressarcido." A DR.' deferiu parcialmente para tão-somente reconhecer o credito de Pis/Pasep no valor de R$ 2,988,05, de abril a junho de 2004, relativo a fretes, na forma dos artigos 3 0 (inciso IX) e 15 (inciso II) da Lei tf 10,833/2003 — indeferindo-se as demais solicitações —, sem prejuízo do disposto no despacho decisório da unidade de origem de fls. 163-167, e prolatou a seguinte ementa: PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS CRÉDITO Somente podem gerar créditos da Contribuição as despesas com matéria-prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alteiações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, Processo n" 10247.000143/2004-14 Acórdão n " 3302-00.384 83-C:31-2 [1 486 em função da ação dir etamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVO. FRETE, CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. ÓNUS DO VENDEDOR. Do valor apurado da contribuição para a Cotins ou o PIS/Pasep, poderá, a partir de 1" de ,fevereiro de 2004, ser descontado o crédito calculado em relação ao frete contratado na operação de venda, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor e pago à pessoa jurídica domiciliado no País. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Coibis, bem como na compensação de referidos créditos É o relatório, Voto Vencido Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator, vencido quanto a à Selic O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, logo dele o conheço", Quanto ao pleito da recorrente, faço minhas as palavras do Ilustre Conselheiro Walber José da Silva, onde discutiu-se nessa Câmara pedidos similares: "Como relatado, a recorrente requereu o ressarcimento de crédito de PIS, previsto no 1 2 do art. .52 da Lei n2 10.637/0.2, que abaixo transcrevo: Art. A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: 1 - exportação de mercadorias para o exterior; prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliado no exterior; cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n" 10.865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação § lNa hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art, 3" para fins de: (gri,fei). 1 - dedução do valor da contribuição a recolher; decorrente das demais operações no mercado interno; 5 II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável à matéria. § 2 A pessoa jurídica que, até o final de cada bimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das .formas previstas no § 1, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação especifica aplicável à matéria O disposto no § 22, acima reproduzido, não deixa nenhuma dúvida de que os créditos não utilizados são passiveis de ressarcimento Estes créditos são apurados na forma do art. 32 da Lei n2 10.637/02, que, em seu § 3" assim determina Ai t, 3' Do valor apurado na forma do art. 2' a pessoa jurídica poderá descontar . ' créditos calculados em relação a: ) _sç 3' O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: 1 - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliado no País; aos custos e despesos incorridos, pagos ou creditados a pessoojuridica domiciliado no Pais, (grifei). III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (g. rifei), Portanto, basta que os custos ou despesas gerem créditos para a empresa exportadora ter direito ao seu ressarcimento No caso de empresa industrial, o crédito de PIS não se restringe aos inSumos- empregados diretamente na produção como defende a decisão recorrida. Todos os créditos decorrentes de custos ou despesas incorridas na produção e venda do produto exportado (Celulose), apurados na forma prevista no art. 31' da Lei n2 10.637/02, são passíveis de ressarcimento Nesse passo, a despesa realizada que gera direito a crédito de PIS passível de ressarcimento é exclusivamente aquela vinculada à receita de exportação Basta isto porque é só isto que a lei exige. Não somente os créditos das matérias-primas, produto intermediário ou do material de embalagem empregados diretamente no processo produtivo dos produtos exportados podem ser ressarcidos. Todos os custos incorridos e necessários ao auferimento da receita de exportação, desde que gere crédito na ,fbrma prevista no art. 3 2 da Lei n2 10 637/02, pode ser objeto de pedido de ressarcimento previsto nos parágralbs P.' e 22 do art. .52 da Lei n2 10 637/02 e regulamentado pelos arts. 21 e 22 da IN SRF n" 460/2004, abaixo reproduzidos com a redação original Art. 21. Os créditos da Contribuição para o P1S/Pasep e da Colins referentes a custos, despesas e encargos vinculados às. receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa el 6 Processo n" 10247 000143/2004-14 53-C3T2 Adua() o" 3302-00384 F. 1 487 fi.sica ou jurídica domiciliado no exterior, com pagamento em moeda conversível, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, que não puderem ser deduzidos na forma do inciso I do § I" cio art., 5" da Lei n" 10 637, de 30 de dezembro de 2002,. e do inciso I do § I" do ar! 6" da Lei n" 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF (griki) ) .Art. 21 Poderão ser objeto de ressarcimento os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Co/bis a que se refère o ar!. .21 que, ao final de um trimestre do ano civil, remanescerem na escrita contábil cia pessoa jurídica após efetuadas as deduções e compensações cabíveis Mais ainda, a vinculação da ckspesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo produtivo. A despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção do bem exportado. No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de . florestas são custo de produção e estão, sim, vinculadas ao produto exportado A produção e a exportação de celulose somente é passível com a utilização cie madeira no processo produtivo. Os dispêndios realizados para a obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação, portanto o.s respectivos créditos de PIS são passíveis de ressarcimento. O entendimento precedente também se aplica às despesas pós- produção, como .frete com o transporte dos produto y exportados e outros dispêndios necessários à obtenção da receita de exportação. Quanto às despesas com a manutenção do parque fabril entendo que as mesmas são custos de produção, sem as quais não há como realizar a produção e, por esta razão, entendo que as mesmas geram direito ao crédito do PIS, passível de ressarcimento Em síntese, tem a recorrente direito ao ressarcimento dos créditos de PIS relativos aos dispêndios vinculados à receita de exportação, tais como as despesas com manutenção do parque fabril, com o tiansporte de produtos acabados, com a produção de madeira e outras cujo crédito seja autorizado pelo art 32 da Lei 11210.637/02. (01,115'5"1.0 Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao ,)( ( 7 ressarcimento de créditos do PIS rehrtivo a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação Por três razões o Ilustre Conselheiro está correto em seu posicionamento. Primeiramente, considerando que o legislador em momento algum restringiu o aproveitamento de crédito dos insumos aos casos em que vinculados à produção. Nesse sentido, posicionou-se Marco Aurélio Greco, em parecer sobre o caso concreto, o qual reproduzo: Na medida em que não há um significado único atrelado a palavra, ao nos depararmos com o termo "instano" em tais dispositivos nao podemos, a priori, afirmar ter o mesmo sentido que se encontra no âmbito de outra incidência federal, como o IPI, apesar da compreensível tendência em querer transplantar' pata PIS/COFINS a experiência de varias décadas no âmbito daquele imposto, o sentido do termo "insinuo" esta diretamente vinculado ao contexto em que o dispositivo se insere. Não apenas o contexto imediato da frase em que aparece (inciso II), mas principalmente o contexto mediato da nãocumulatividade das contribuições que e definido pelo seu pressuposto de fato (receita/faturamento) . "Insinuo" não é palavra de origem latina que faça parte do arcabouço básico de nossa língua. Trata-se de vocábulo aqui introduzido por influência da língua inglesa ao se referir a "input" como algo que se introduz a determinado processo ou composição e, por isso, esta ligado à respectiva existência. 12 No uso corrente, a palavra evoca três sentidos.. o econômico, o físico e o funcional, Da perspectiva econômica, "insumo" designa os fatores de produção, conceito que abrange, basicamente, o capital (em suas diversas manifestações) e o trabalho. Da perspectiva física, "insumo" e todo e qualquer elemento material que compõe o produto . final, nele se transforma ou e consumido no respectivo proces.so de produção (=referencial é o PRODUTO). Da perspectiva fimcional "insurno"é todo elemento que integra o processo de produção de mercadorias ou serviços, a abranger . tudo que repercuta no processo de produção ou fabricação do qual decorrem a receita ou o .faturamento (==rejerencial é a ATIVIDADE). Qual destas três acepções é a mais adequada ao caso? Note-se, iniciabne.nte, que as Leis de PIS/COHNS não fazem expressa remissão à legislação do IPI Vale dizer, não há um dispositivo que, categoricamente, determine que "insumo" deva ser entendido como algo assim regulado pela legislação daquele imposto, iCt 8 Processo n" 10247 000143/2004-14 S3-C3T2 Acórdão n " 3302-00.384 F-1 488 Ademais, o regime de créditos existe atrelado a técnica da nãocumulatividade que, em se tratando de PIS/COFINS, não encontra na Constituição perfil idêntico ao do 'PI Realmente, no âmbito da não-cumulativiclade do IPI, a CF/88 (art. 153, 3°, II) restringe o credito ao valor do imposto cobrado nas operaç.5es anteriores o que obviamente só pode ter ocorrido em relação a algo que _seja "produto industrializado", de modo que a palavra "insumo" .só pode evocar sentidos que sejam necessariamente compatíveis com essa ideia (=algo fisicaniente apreensivel). Por isso, illSUMO para .fins de não-cumulatividade de IPI e conceito de âmbito restrito, par alcançar, .fundamentalmente, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem» Por outro lado, nas contribuições, o 11 do artigo 195 da CF não .fixa parâmetros para o desenho da não- cumtdatividade o que permite as Leis mencionadas adotarem a técnica de mandar calcular o credito sobre o valor dos dispêndios feitos co;;; a aquisição de bens e também de .serviços tributados, mas não restringe o credito ao montante cobrado anteriormente. Vale dizer, a não- 12 Veja-se o Dicionário Aurelio Eletronico, verbete "insurno". 13 Sem entrar aqui em grandes discuss6es te6ricas que podem ser relevantes para outros .fins',! mas que extrapolam o objeto do presente estudo. cumulatividade regulada pelas Leis não tem o mesmo perfil da pertinente ao fF1, pois a integração exigida e mais funcional do que apenas física.. 5,- Serviços também são in5111110S As Leis de regência admitem que "serviços" sejam "utilizados como insumo" na produção ou fabricação de bens.. Esta singela previsão e suficiente para mostrar ter sido adotado um sentido amplo para o termo que não se limita aos bens fisicos que compõem o produto ou integram etapa cio respectivo processo produtivo que nele desemboca imediatamente. De fato, iodo 5erViÇO - em maior ou menor medida - comp5e-se de uma atividade exercida pelo prestador e de uma utilidade fruída pelo tomado:', Não é raro existir unia dissociação física entre elas a ponto de a atividade ocorrer num local e a utilidade em outro Ademais, a utilidade e de carater predominantemente imaterial (intangível) e, muitas vezes, ela e que determina seu valor a justificar o respectivo preço. As Leis mencionadas prevêem expressamente que o serviço pode ser utilizado como inSII1110 de produção ou fabricação. Ora, como um serviço (atividade + utilidade) pode ser illS111,20 da produção ou ddfabricação de um bem? Seta efetivamente insinuo sempre que a atividade ou a utilidade fbrem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (processo ou ao produto) alguma qualidade que .faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado.. Vale dizer, quando atividade ou utilidade contribuirem para o processo ou o produto existi) em ou terem certa características, Na medida em que os serviços configuram illS111110S no ambito de PIS/COFINS, pois as respectivas utilidades são fruídas- como tal (por condicionarem a existência ou integrarem funcionalmente o processo ou o produto), então os bens também estarão sendo utilizados como in sumo na medida em que das utilidades que deles emanarem dependam a existência ou a qualidade do processo ou do produto. Isto da sentido ao dispositivo legal ao admitir créditos relativos a combustiveis, pois estes, quase sempre, limitam- se a disponibilizar uma utilidade (calor, temperatura em determinável nivel, locomoção de bens nas etapas do processo de produção ou de fabricação etc) relevante para o processo ou para o produto, mas sem que haja agregaçãdfisica neste ultimo. Vale dizer, "utilizar como inS111110" e extrair dos bens ou dos servi(os todas as utilidades que lhes sejam próprias para o fim de fazer com que o processo produtivo ou o produto destinado a venda existam ou tenham as características almejadas„ Vale dizer, fazer com que - 110 especifico contexto da atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte - processo e produto sejam o que são. Portanto, o conceito de ¡MIRIM) adotado pelas Leis é amplo a ponto de abranger ate mesmo as utilidades disponibilizadas através de bens ou serviços, desde que relevantes para o processo ou para o produto. Terem as leis de regência admitido créditos relativos a "serviços utilizados como insumos" e a prova cabal de que o conceito de "utilização como insinuo" no âmbito da não- cumulatividade de P1S/COFINS não tem por critério referencial o objeto físico, pois um sem-numero de serviços não interfere direta nem fisicamente com o produto final; limita-se a assegurar que o processo exista oo se desenvolva com as qualidades pertinentes A segunda motivação é a de que o legislador não restringiu de qualquer' forma o creditamento do tributo pago nas etapas anteriores quando seu fim especifico fora a exportação, como bem aduzido pelo Ilustre Conselheiro Walber José da Silva. O terceiro aspecto a ser observado é a sua referência à possibilidade de creditamento da manutenção da linha de produção, ou das máquinas e equipamentos ligados à produção.. A legislação assevera essa possibilidade, mas não prevê a manutenção da unidade fabril como um todo, que incluiria as instalações fabris. A manutenção do edifício, por exemplo, não necessariamente seria insumo da produção. E para tanto, a legislação de regência 10 Processo i? 10247.000143/2004-14 S3-C3T2 Acórdão o "3302-00.384 Fl 489 o tributo prevê que, em caso de benfeitorias em imóveis de terceiros, possível o crédito, assim como aquela manutenção executada em imóveis próprios. Caso aumente a vida útil dos seus bens, será objeto de crédito via depreciação. Caso seja simples despesa, não seria passível de crédito. Finalmente, a manutenção sobre a qual a legislação permite o crédito é aquela a) ligada a produção; e b) que não acrescente vida útil ao bem. Nessa última situação, também passível de creditamento, mas a suaves prestações, via depreciação do ativo. Quanto ao creditamento sobre o frete, este direito já fora reconhecido pelo acórdão ora recorrido. A respeito do pedido para realização de compensação de oficio do crédito passível de ressarcimento (já reconhecido no presente processo) com débitos incluídos no PAES, concordo com a decisão recorrida que não pode esse Conselho conhecer desse requerimento, pois trata-se a matéria de atribuição da unidade de origem, conforme artigo 243, inciso I, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Portaria MF 95, de 30 de abril de 2007). Finalmente, quanto à Selic, mantenho meu posicionamento anterior no sentido de admitir a atualização dos créditos a partir da data de protocolo do pedido, o que do contrário representaria a redução indevida do poder aquisitivo da moeda representativa do direito pleiteado, pela via inflacionária. Isso posto, voto no sentido de dar provimento parcial à pretensão da recorrente, para 1) admitir os créditos ora pleitados, relativos aos custos ou despesas incorridos para a produção e comercialização das mercadorias exportadas, inclusive aquelas de pós- produção; 2) admitir os créditos relativos às despesas de manutenção, em específico para admitir o crédito das despesas efetuadas com a manutenção das máquinas e equipamentos ligados à produção das mercadorias resultantes da atividade-fim da sociedade, excetuando aquelas que tenham sido objeto de imobilização, cujo tratamento legal é distinto; e .3) inadmitir a compensação com os débitos constantesflo"PAES, pelas razões do acórdão recorrido. Gileno G2a .1 .1 rj Barreto Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, Redator Designado quanto à Selic Em relação à Selic, não há previsão legal que permita a incidência de juros, no caso de ressarcimento de PIS não cumulativo. Esclareça-se que não se está falando de correção monetária, mas de juros compensatórios. A previsão legal para a incidência de juros Selic, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição. Ao mencionar a compensação (art. 39, § 4 0), é claro que o dispositivo refere-se aos valores que poderiam ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva aos demais casos de compensação, mesmo porque a compensação é efetuada, em •//( II regra, na data do pedido. O texto da Lei n. 9.250, de 1995, é clara, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo ao caso do ressarcimento,. A data prevista para o início da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição, A incidência dos juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir nesse caso. Por fim, é preciso esclarecer que o ressarcimento de crédito presumido de IP I não se confunde com restituição e não equivale à restituição das contribuições sociais. A restituição aplica-se somente aos casos de recolhimento indevido ou a maior do que o devido, segundo a legislação de regência. No caso do crédito de PIS não cumulativo, trata-se de ressarcimento, para o que não há previsão legal de incidência de juros compensatórios. Corno a incidência de juros depende de expressa previsão legal, não cabe a sua incidência no presente caso. À vista do exposto, voto por negar provimento quanto à incidência da Selic, acompanhando o relatar em relação ao restante do recurso. Q_Jr (v.WITL: Joáofir ra isco 12
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