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Numero do processo: 10675.005300/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. E INSTRUÇÃO. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. A dedução de despesas médicas e despesas com instrução está condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados pela autoridade lançadora, através da apresentação da documentação hábil e idônea. Desta forma, é de se manter as glosas efetuadas, por falta de comprovação das despesas declaradas.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora para o esclarecimento de fatos ou a realização de providências considerados necessários para a formação do seu convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-001.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
EDITADO EM: 24/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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E INSTRUÇÃO. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. A dedução de despesas médicas e despesas com instrução está condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados pela autoridade lançadora, através da apresentação da documentação hábil e idônea. Desta forma, é de se manter as glosas efetuadas, por falta de comprovação das despesas declaradas. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora para o esclarecimento de fatos ou a realização de providências considerados necessários para a formação do seu convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade do contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO– Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 24/01/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 53 00 /2 00 7- 81 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração (fls. 54/56), acompanhado do Termo de Verificação Fiscal (fls.57/61), para exigir crédito tributário no montante de R$21.412,72, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados até 11/2007, originado das seguintes infrações: 1 Dedução indevida com dependentes (R$ 10.176,00), com despesas de instrução (R$ 4.690,00) e com despesas médicas (R$7.000,00) em decorrência do não atendimento ao pedido de esclarecimentos; 2 Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica: Servi San LIDA — R$ 10.323,91 (considerando o valor declarado de R$ 8.230,26) e INSS — R$ 12.166,14; 3 Alteração do imposto de renda retido na fonte — IRRF, em função das omissões de rendimentos apuradas, referente A Servi San LTDA, R$ 1.284,95 (considerando o valor declarado de R$ 840,01) e ao INSS, R$ 0,36; 4 Alteração nos rendimentos isentos e nãotributáveis, em virtude da informação neste campo de rendimentos tributáveis (INSS R$ 12.166,14). Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou tempestivamente impugnação, fls.01/19, acompanhado dos documentos de fls. 21/33, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: 1 DOS FATOS: Inicialmente, informa que à época da DIRPF/2003 residia em outra localidade e que apresentou declaração, uma vez que auferiu renda para tal procedimento. Entretanto, notase, pelo "Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido", que foram alterados os rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica — titular, dependentes, despesas com instrução, despesas médicas, imposto de renda retido na fontetitular e rendimentos isentos e nãotributáveis, resultando num imposto a pagar, que com os acréscimos legais, atingiu a monta de R$ 21.412,72. Afirma que comprovará tudo o que foi declarado e transcreve toda a base legal citada na autuação, concluindo que "toda esta legislação exaustivamente prevista no campo 'Enquadramento Legal', das supostas infrações cometidas pelo Impugnante, vem demonstrar o quão exaustivo é o trabalho deste, para tentar descobrir qual a norma efetivamente ferida por ele." 2 DO MÉRITO: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10675.005300/200781 Acórdão n.º 2201001.738 S2C2T1 Fl. 109 3 Afirma que residia em Tucurui/PA, pois fazse necessário hoje em dia buscar lugares onde melhor se remunere (..)", mas por estar longe da família, resolveu mudarse para Uberlândia/MG. Nesta mudança, foram extraviados alguns documentos, "(..)dentre eles a pasta na qual guardava documentos relativos a Declaração de Ajuste Anual realizada em 2003, referente ao anocalendário 2002." Em que pese isto, a Fiscalização não tomou conhecimento de tal argumentação e notificou o impugnante. Neste ponto, discorre extensamente sobre o principio da verdade material, citando a doutrina, a positivação deste principio no Decreto 70.235/72 e sua aplicação no Processo Administrativo. Afirma, também, que "A fiscalização intimou o Impugnante sobre a Alteração feita na Declaração de Ajuste Anual feita em 2003, referente ao anocalendário 2002. 0 Impugnante, em sua declaração informou todos os motivos para que declarasse de tal forma, mas não entendeu assim o próprio Fisco." Alega, ainda, que "o mais correto, se compreende, em um primeiro momento, é a intimação do Impugnante, para que se manifeste sobre eventuais irregularidades em sua declaração de Ajuste Anual, mas a Receita Federal compreendeu por intimá lo já sobre o Auto de Infração com todas as Alterações referentes ex Declaração de Imposto de anocalendário 2002 e exercício 2003." Por isso, entende que todos aqueles que geraram documentos hábeis , a serem deduzidos pelo Impugnante, dentre eles, os profissionais da área de saúde e as sociedades educacionais, deverão ser intimados, sob pena anulação do processo administrativo por ofensa aos princípios da verdade real e da ampla defesa. Ainda assim, junta documentação relativa a Éverton Augusto Machado, Carla Maria Machado e Maria de Fátima Silva Machado para demonstrar a relação de dependência, que é presumida para eles, bem como recibos para comprovar que utilizou os serviços de saúde lá informados. Por fim, transcreve ementas de "decisões dos tribunais administrativos para considerar favoravelmente o principio da verdade material" e requer que seja deferido prazo para juntada posterior de documentos até á decisão de 1a Instância e que seja julgada procedente a presente impugnação, cancelandose O Auto de Infração.” Após analisar a matéria, os Membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/JFA n° 0926.625, de 16/10/2009, para acolher a dedução de 3 (três) dependentes, em decisão assim ementada: “DEDUÇÕES. DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Mantémse parte da glosa das deduções, quando o contribuinte não traz aos autos documentos hábeis a comproválas. Por outro lado, é de se restabelecer parte da glosa da dedução a titulo de dependentes, quando restar comprovada, através de documentação hábil e idônea, a relação de dependência. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 4 DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. INTIMAÇÃO DE TERCEIROS. DESCABIMENTO. Compete ao contribuinte comprovar as deduções da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física que pretendeu efetuar, descabendo Administração Tributária intimar terceiros com o fim de substituir a parte interessada no seu dever probante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantémse o lançamento, quando o contribuinte não juntar aos autos documentação que invalide o feito fiscal. Impugnação Procedente em Parte.” O contribuinte foi cientificado dessa decisão em 18/12/2009, (fl. 78) e, com ela não se conformando, interpôs, na data de 12/01/2010, o Recurso Voluntário de fls. 80/89, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória e alegando preponderantemente: Solicitou aos colégios, médicos e outros que lhe fornecessem 2a via dos recibos dos serviços prestados, porém foram unanimemente negados. Assim, deve o fisco federal intimálos para que o recorrente consiga provar os fatos alegados, em observância ao principio da verdade material, acrescentando, in verbis: “O mais correto é que, a partir do momento em que o Recorrente diz que não tem condições, veja bem, condições de apresentar a documentação desejada na intimação pela mesma terse extraviado na mudança de sua antiga cidade para Uberlândia, entra em ação a busca da verdade real, que pauta a conduta da fiscalização, pois esta, antes de qualquer autuação, deveria ter buscado junto aos profissionais de saúde, as entidades de educação, dentre outros, que motivaram as deduções feitas pelo Impugnante, as informações se a Declaração dele (o Recorrente) estava correta. Por isso, devem ser intimados os profissionais da área de saúde, as sociedades educacionais, e todos aqueles que geriram documentos hábeis a ser deduzidos pelo Impugnante, a se manifestarem sobre tais informações prestadas por este, sob pena de ofensa ao principio da verdade real e à sua ampla defesa, e a conseqüente anulação do processo administrativo.” Para respaldar sua pretensão, colaciona jurisprudência desse conselho, relativa a busca da verdade material. O processo me foi distribuído, estando numerado até fls. 102 (última). Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Não há argüição de preliminar. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10675.005300/200781 Acórdão n.º 2201001.738 S2C2T1 Fl. 110 5 A questão em análise é, essencialmente de prova, a cargo do contribuinte, com o objetivo de comprovar as despesas médicas e com instrução deduzidas na sua Declaração de Ajuste Anual no calendário de 2002. A dedução de despesas médicas e despesas com instrução está condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados pela autoridade lançadora, através da apresentação de documentação hábil e idônea. Cabe destacar que a lei pode determinar a quem cabe a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre, por exemplo, no caso das deduções, pois o art. 11, §3º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificálas, deslocando para ele o ônus probatório. Tal dispositivo está em sintonia com o princípio de que o ônus da prova cabe a quem o alega. O art. 333 do Código de Processo Civil prevê que o ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse sentido, Antônio da Silva Cabral in Processo Administrativo Fiscal, sustenta, p. 302, que: a) a autoridade lançadora deve provar ter o sujeito passivo omitido rendimentos; b) cabe ao sujeito passivo provar abatimentos, deduções e isenções. Salientase ainda que, cabe ao Fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias para preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo que se infere da interpretação do art. 11, §4º, do DecretoLei nº 5.844, de 1943. A inversão legal do ônus da prova do Fisco para o contribuinte transfere para o sujeito passivo o ônus de comprovação e justificação das deduções e, não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Nesse sentido, bem discorre André Santos Zanon, em seu estudo “O regime das provas no processo administrativo fiscal”1: “Conceito e finalidade de prova Ultrapassado o cumprimento de requisitos formais da impugnação administrativa (legitimidade, tempestividade, adequação formal, requerimentos, etc., previstos no art.16 incs. Ia IV do Decreto n.70.235/72), vem a tona a necessidade de convencer a autoridade julgadora da pretensão defendida. É necessário demonstrar a veracidade do alegado, a prática ou abstinência de certos atos, bem como a ocorrência (ou a inocorrência) de fatos que a lei reputa relevantes (leiase: necessários e suficientes) para a caracterização da imposição tributária, ou para aplicação de penalidades. 1 Andre Santos Zanon, em seu estudo publicado no livro de autoria coletiva Processo Administrativo Fiscal Federal. (Coord.) Rodrigo Francisco de Paula. Belo Horizonte, ed. Del Rey, 2006, pág.153 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 6 Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se representa suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem o liame entre o alegado e ocorrido.” Apesar de consternada com a situação do contribuinte que alega ter perdido todos os documentos comprobatórios durante sua mudança, não há amparo legal para isentálo da sua obrigação legal de comprovar as despesas declaradas. O entendimento pacificado da jurisprudência administrativa firmouse no sentido de que para o contribuinte usufruir do benefício fiscal da dedutibilidade de despesas, é imprescindível a apresentação dos documentos comprobatórios, sob pena de glosa das despesas declaradas. Com base nesse mesmo entendimento é fato que não cabe ao Fisco, converter o processo em diligência para questionar os profissionais de saúde, as entidades de educação, dentre outros, sobre a existência das despesas declaradas pelo contribuinte. Importa frisar que a realização de diligência em busca da verdade material no processo administrativo, deve ser determinada pela autoridade julgadora para o esclarecimento de fatos ou a realização de providências considerados necessários para a formação do seu convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade do contribuinte. Diante da completa ausência da apresentação dos documentos comprobatórios das despesas declaradas, não há como afastar o lançamento, pois a responsabilidade por infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme o disposto no artigo 136 do Código Tributário Nacional – CTN. Isto posto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000117/2006-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/11/2004
NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA
Tendo o MPF sido emitido e prorrogado na forma prevista nas portarias que o regulam não há que se cogitar em nulidade dos procedimentos da Fiscalização e em nulidade do lançamento.
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários à sua formalização, não se justifica argüir sua nulidade, mormente quando os fatos imputados à empresa autuada são claros e precisos.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Existindo pagamento antecipado, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, decai em 5 anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, o direito de a Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, crédito tributário do PIS e da Cofins.
BASE DE CÁLCULO. EMPRESA IMPORTADORA FUNDAPIANA.
Antes de agosto de 2001 não existia regra excepcionando a incidência do PIS e da Cofins para as empresas importadoras, nas operações de importação por conta e ordem de terceiros. A partir de agosto de 2001, tais operações tem tributação diferenciada quando atendidos os requisitos legais. Não é o caso dos autos.
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS e da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço.
BASE DE CÁLCULO. VALOR DO IPI. EXCLUSÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, exclui-se do faturamento o valor do IPI.
LANÇAMENTO. ERRO DE APURAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL.
As pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real sujeitam-se à incidência do PIS e da Cofins pelo regime não cumulativo a que refere as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.
MULTA DE OFÍCIO.
A qualificação da multa de ofício ocorre quando ficar provado o evidente intuído de fraude ou quando ficar provado a própria fraude fiscal. A interpretação da legislação tributária de forma diferente do Fisco, quando a matéria for controversa, não se constituiu em prática fraudulenta.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Alexandre Gomes acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 25/08/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA Tendo o MPF sido emitido e prorrogado na forma prevista nas portarias que o regulam não há que se cogitar em nulidade dos procedimentos da Fiscalização e em nulidade do lançamento. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários à sua formalização, não se justifica argüir sua nulidade, mormente quando os fatos imputados à empresa autuada são claros e precisos. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Existindo pagamento antecipado, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, decai em 5 anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, o direito de a Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, crédito tributário do PIS e da Cofins. BASE DE CÁLCULO. EMPRESA IMPORTADORA “FUNDAPIANA”. Antes de agosto de 2001 não existia regra excepcionando a incidência do PIS e da Cofins para as empresas importadoras, nas operações de importação por conta e ordem de terceiros. A partir de agosto de 2001, tais operações tem tributação diferenciada quando atendidos os requisitos legais. Não é o caso dos autos. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 01 17 /2 00 6- 21 Fl. 929DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS e da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço. BASE DE CÁLCULO. VALOR DO IPI. EXCLUSÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, excluise do faturamento o valor do IPI. LANÇAMENTO. ERRO DE APURAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. As pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real sujeitamse à incidência do PIS e da Cofins pelo regime não cumulativo a que refere as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. MULTA DE OFÍCIO. A qualificação da multa de ofício ocorre quando ficar provado o evidente intuído de fraude ou quando ficar provado a própria fraude fiscal. A interpretação da legislação tributária de forma diferente do Fisco, quando a matéria for controversa, não se constituiu em prática fraudulenta. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Alexandre Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins, relativo a fatos geradores ocorridos entre junho de 2000 e novembro de 2004, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a autuada deixou de recolher, integral ou parcialmente, parcelas das exações no período objeto do lançamento e, ainda, que vinha declarando em DCTF, sistematicamente, valores irrisórios de PIS e de Cofins, Fl. 930DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000117/200621 Acórdão n.º 3302001.778 S3C3T2 Fl. 930 3 caracterizando evidente intuito de fraude, o que ocasionou a majoração da multa de ofício para o percentual de 150%. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 5a Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro II julgou parcialmente procedente o lançamento, para excluir o valor do IPI da base de cálculo no ano de 2002; para reconhecer a decadência até o período de apuração de novembro de 2000 e para declarar improcedente o lançamento dos períodos de apuração ocorridos a partir de dezembro de 2002, para o PIS, e a partir de fevereiro de 2004, para a Cofins, em face da aplicação da sistemática não cumulativa para esses períodos, nos termos do Acórdão no 1327.221, de 19/11/2009, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000, 01/09/2000 a 28/02/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/11/2004 a 30/11/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não se verificando a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000, 01/09/2000 a 28/02/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/11/2004 a 30/11/2004 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO IPI. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS, excluise da receita bruta os valores do IPI. BASE DE CÁLCULO EMPRESA IMPORTADORA. Compõem a base de cálculo das contribuições devidas pelo estabelecimento importador as receitas decorrentes da venda de mercadorias importadas, concretizada com a emissão da respectiva nota fiscal de venda, ainda que haja prévia definição do adquirente, acrescidas, a partir do período de apuração 02/99, das demais receitas auferidas pela empresa. BASE DE CÁLCULO IMPORTAÇÕES POR ORDEM DE TERCEIROS. A partir do período de apuração 08/2001, a receita bruta para fins de incidência do PIS e da COFINS dos estabelecimentos importadores passou a ser o valor dos serviços prestados ao adquirente, desde que obedecidos, cumulativamente, os requisitos previstos em norma infralegal. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 LANÇAMENTO INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, sujeitase à incidência da COFINS sob o regime nãocumulativo regulado pela Lei n° 10.833/03, a partir de 01/02/04. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000, 01/09/2000 a 28/02/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/11/2004 a 30/11/2004 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO IPI. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS, excluise da receita bruta os valores do IPI. BASE DE CÁLCULO EMPRESA IMPORTADORA. Compõem a base de cálculo das contribuições devidas pelo estabelecimento importador as receitas decorrentes da venda de mercadorias importadas, concretizada com a emissão da respectiva nota fiscal de venda, ainda que haja prévia definição do adquirente, acrescidas, a partir do período de apuração 02/99, das demais receitas auferidas pela empresa. BASE DE CÁLCULO IMPORTAÇÕES POR ORDEM DE TERCEIROS. A partir do período de apuração 08/2001, a receita bruta para fins de incidência do PIS e da COFINS dos estabelecimentos importadores passou a ser o valor dos serviços prestados ao adquirente, desde que obedecidos, cumulativamente, os requisitos previstos em norma infralegal. LANÇAMENTO INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, sujeitase à. incidência do PIS sob o regime nãocumulativo regulado pela Lei n° 10.637/02, a partir de 01/12/02. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000, 01/09/2000 a 28/02/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/11/2004 a 30/11/2004 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Após a publicação da Súmula Vinculante STF nº 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, pacificouse o entendimento de ser qüinqüenal o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais. MULTA DE OFICIO. A multa de oficio qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada e consistente de ato destinado a retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da Administração Fiscal da ocorrência do fato gerador. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000117/200621 Acórdão n.º 3302001.778 S3C3T2 Fl. 931 5 Nos termos do artigo 34 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, e Portaria MF n° 3/2008, a Turma de Julgamento recorreu de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Ciente da decisão acima em 28/10/2010 (fl. 901), a interessada ingressou, no dia 29/11/2010, com o recurso voluntário de fls. 910/927, no qual alega repisa os argumentos da impugnação de que: a) a Portaria SRF 3.007/01 em seu art. 12, inciso I, delimita o termo final de validade do MPF a 120 dias. O MPF foi expedido em 20/05/2005, expirando em 17/09/2005. Inexiste qualquer prorrogação, sendo que somente em 13/04/06 foi expedido MPF Complementar, o que criou enormes dificuldades à Recorrente para o atendimento às solicitações da fiscalização. Diante do vicio de forma, contaminando o procedimento fiscal, devem ser declaradas suas nulidades; b) o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser acatado o pedido de decadência referente aos períodos de apuração ocorridos até 01/05/2001, considerando que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 02/05/2006; c) da leitura do Auto de Infração é impossível apurar o modo como a fiscalização determinou a base de cálculo da contribuição, em detrimento ao direito da Recorrente em exercer sua mais ampla defesa. O demonstrativo do auto de infração arrola o valor tributável, mas não há a forma como o mesmo foi calculado; d) o demonstrativo constante do Termo de Encerramento da Ação Fiscal genericamente aponta as exclusões legais da base de cálculo, o que dificulta a apuração; e) ainda que a contabilidade tenha observado que o IPI tenha constado das exclusões do período de 2000, a apuração da base de cálculo no período de 2002, de parcelas de exclusão irrisórias enseja ter a fiscalização desconsiderado todo o IPI/2002 declarado pela Recorrente; f) inexistindo forma de sanar os vícios dos atos praticados, deverão ser declarados nulos os lançamentos, conforme determina os arts. 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72; g) não foram discriminadas as "exclusões" e "outras receitas". Faltam inclusive as indicações de financiamentos recebidos do Bandes, no âmbito de atuação da Recorrente, cuja receita deveria estar isenta; h) inegavelmente há cerceamento de defesa do procedimento adotado. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes já pacificou a matéria em que patente a nulidade do ato impugnado; i) quanto a multa de 150%, aplicada pela fiscalização, no máximo poderia ser aplicado o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, posto que não há comprovação de evidente intuito de fraude; Fl. 933DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 j) em se tratando de matéria fiscal, há que sobejar a aplicação da punibilidade menos gravosa ao contribuinte, razão que, em se tratando de PIS, aplicável a multa de 50%, consoante alínea "h" do art. 21 do DecretoLei 401/68; k) inexiste ato que afirme a existência de dolo e toda a documentação encontrase devidamente contabilizada e foi posta à disposição da fiscalização; l) inexiste qualquer ação ou omissão dolosa que se enquadre nas premissas do art. 71 da Lei 4.502/64; m) a recorrente é empresa "Fundapeana", o que significa que a maioria das suas operações são realizadas na modalidade "conta e ordem" e, portanto, sem incidência do PIS e da Cofins; n) a Medida Provisória 2.15835/2001, a IN SRF 75/2001, a IN SRF 98/2001 e o ADI SRF 7/2002 dispõem sobre o PIS e a Cofins incidentes nas importações efetuadas por conta e ordem de terceiros. Conforme normativos, fazse necessária a identificação das importações por conta e ordem de terceiros. Esta condição deveria ter sido mencionada pela fiscalização; o) a IN SRF 247/2002 também dispõe sobre o tema e relaciona requisitos caracterizadores da importação por conta e ordem; p) as notas fiscais de saída não possuem CFOP especifico para identificar as operações por conta e ordem ou por conta própria. O CONFAZ deveria dizer qual o código para cada tipo de operação; q) embora tenha traçado as linhas gerais da operação por conta e ordem, a SRF não pode, por lhe faltar competência legal, estabelecer qual o CFOP para a operação por conta e ordem de terceiros; r) este aspecto é suficiente para afastar de vez qualquer eventual suposição de dolo ou a fé, já que não existia regulamentação clara e suficiente para possibilitar à Recorrente o conhecimento de qual deveria ter sido o procedimento a ser adotado; Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, no período de junho de 2000 a novembro de 2004, a empresa recorrente deixou de pagar, ou pagou a menor, o PIS e a Cofins em razão de ter excluído da Fl. 934DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000117/200621 Acórdão n.º 3302001.778 S3C3T2 Fl. 932 7 base de cálculo da exação o valor das vendas de mercadorias importadas e de outras receitas integrante da receita bruta. Em sua impugnação, a empresa recorrente alegou, preliminarmente, a decadência para os períodos de apuração ocorridos até 01/05/2001 e a nulidade do autuação por supostos vícios no MPF. No mérito, alegou que no ano de 2002 não foi excluído o valor do IPI incidente nas saídas dos produtos importados e, sendo uma empresa “fundapeana” sempre importa por conta e ordem de terceiros, de quem recebe uma comissão, e que não realiza venda das mercadorias importadas, apenas as transfere aos seus legítimos proprietários, não ocorrendo o fato gerador do PIS e da Cofins. Contesta o agravamento da multa de ofício por falta de prova da existência de dolo. A 5a Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro II acolheu, em parte, as alegações da Recorrente para excluiu, no ano de 2002, o IPI da base de cálculo das exações; para reconhecer a decadência para os fatos geradores ocorridos até novembro de 2000; e para declarar improcedente o lançamento dos períodos de apuração ocorridos a partir de dezembro de 2002, para o PIS, e a partir de fevereiro de 2004, para a Cofins, por erro de apuração das exações, que estavam sujeitas ao regime não cumulativos das Lei nºs. 10.637/02 e 10.833/03. Desta parte recorreu de ofício. Passemos, então, à analise das razões fundamentais do recurso voluntário. 1 Mandado de Procedimento Fiscal MPF A Recorrente alega a existência de vício no lançamento porque o MPF expedido em 20/05/2005 expirou em 17/09/2005, sem que tenha havido prorrogação e o MPF Complementar crioulhe enormes dificuldades. Independente da natureza jurídica do MPF e de sua vinculação ao lançamento, as alegações da Recorrente não guardam relação com a realidade dos fatos na medida em que, ao contrário do que afirma, o MPF original sofreu prorrogações sucessivas na forma e no tempo estabelecidos nas Portarias SRF nº 3.007/01 e 6.087/05, conforme prova o extrato de fl. 03. Diante destes fatos, não há reparos a fazer na decisão recorrida e em seus fundamentos, que adoto integralmente. 2 Decadência Quanto à decadência, entende a recorrente que está decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 01/05/2001, nos termos do art. 150, § 4o do CTN. Com razão a recorrente. Como bem disse a decisão recorrida, há que se afastar a aplicação dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, nos termos da Súmula Vinculante no 8, do STF, abaixo reproduzida. Súmula Vinculante no 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do DecretoLei no 1.569/1977 e os artigos 45 e Fl. 935DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A divergência reside na contagem do prazo decadencial, que a Recorrente entende aplicarse o art. 150, § 4o do CTN e a decisão recorrida aplicou a regra do art. 173, inciso I, também do CTN. Sobre este tema, o STJ decidiu, em sede de recurso repetitivo previsto no art. 543C do CPC (RESP 973.733, Min. Luiz Fux), cuja aplicação é obrigatória pelo CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), que para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, inexistindo pagamento antecipado, aplicase o art. 173, inciso I, e não o art. 150, § 4º, ambos do CTN. O que define a regra de contagem do prazo decadencial é a existência, ou não, de pagamento antecipado. No caso em tela, não existe nos autos Darf ou extrato de pagamentos feitos pela Recorrente. No entanto, no item 2.3 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fl. 470), a autoridade lançadora afirma que a Recorrente deixou de recolher parcela do PIS e da Cofins no período de 06/00 a 12/003, levando a concluir que a Recorrente efetuou pagamentos em valores inferiores ao apurado pela Fiscalização. Disse a autoridade lançadora: A pessoa jurídica MINTER TRANDING LTDA deixou de recolher parcela significativa das contribuições sociais devidas ao PIS (Programa de Integração Social) e a COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) no período de 01/06/2000 a 31/12/2003 e ainda os débitos, em montante integral, apurados no período de abriI/2003 a setembro/2003 e nos meses de janeiro/2004, fevereiro/2004, agosto/2004 e novembro/2004. Concluise que houve pagamento antecipado nos períodos de apuração ocorridos até 01/05/2001. Como a ciência do lançamento ocorreu no dia 02/05/2006, aplicase, portanto, a regra do art. 150, § 4o do CTN e, desta forma, estão decadentes os créditos tributários, do PIS e da Cofins, cujos fatos geradores ocorreram até o dia 01/05/2001, ou seja, dos períodos de apuração de 06/2000 a 04/2001. Procede, portanto, a alegação da Recorrente nesta parte. 3 Nulidade Alega a Recorrente a nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa em face da falta de clareza da forma de apuração da base de cálculo das exações. Entendo que tanto na descrição dos fatos como nos demonstrativos de apuração do PIS e da Cofins, constantes do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, são absolutamente claros e perfeitamente compreensíveis por qualquer profissional com conhecimentos mínimos para aplicar a legislação tributária, como o são os contadores e os advogados. Com relação às “outras receitas” e as “exclusões” referidas na apuração da base de cálculo das exações pela autoridade lançadora, não se exige esforço para identificálas na contabilidade da Recorrente. Como bem disse a autoridade lançadora e a decisão recorrida, Fl. 936DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000117/200621 Acórdão n.º 3302001.778 S3C3T2 Fl. 933 9 “outras receitas” são as receitas de natureza financeira e as demais receitas operacionais contabilizadas. E as “exclusões” são as receitas de exportação, as receitas decorrentes de substituição tributária do ICMS, as devoluções de vendas e os débitos de IPI sobre vendas escrituradas. Não há, portanto, nenhuma necessidade de se relacionar, uma a uma, essas rubrica para tornar possível a apuração do valor das mesmas, incluídas ou excluídas da base de cálculo da exação. Como bem disse a decisão recorrida, cujos fundamentos adoto, nem de longe há indícios de cerceamento do direito de defesa da Recorrente pela falta de detalhamento dos referidos valores. Não acolho, portanto, a preliminar de nulidade dos lançamentos. 4 Operações praticadas no âmbito do FUNDAP A Recorrente alega que é uma empresa “fundapiana” e, como tal, presta serviços a empresas importadora, recebendo comissão pelos serviços prestados e as saídas das mercadorias importadas não representa receita posto que as mesmas são importadas por conta e ordem de terceiros, a quem a Recorrente remete as mercadorias. Em relação a este tema, a decisão recorrida foi didática e deixou claro que, antes de agosto de 2001, nas vendas de mercadorias importadas sob encomenda de terceiros incidia o PIS e a Cofins pela regra geral, antes a ausência de legislação de exceção. Com a edição da MP 2.15835/2001 (artigos 80 e 81), passou a existir a possibilidade da empresa importadora de mercadoria, por conta e ordem de terceiros, tributar somente a receita dos serviços e a empresa encomendante tributar a receita da venda das mercadorias importadas. Para isto, a empresa a importadora deveria atender ao disposto no art. 2º, das INs nº 75/2001 e 98/2001, o que não ocorreu no caso dos autos. Portanto, aplicase ao caso concreto a regra geral de tributação do PIS e da Cofins. À mingua de prova de que a Recorrente atende ao disposto 2º, das INs nº 75/2001 e 98/2001, não há como acolher a sua pretensão, razão pela qual ratifico e adoto os fundamentos da decisão recorrida, neste particular. 5 Multa de ofício agravada Com relação à alegação da Recorrente de que não se aplica a multa agravada (150%), porque não houve comprovação de evidente intuito de fraude. Entende que caberia, no máximo, a aplicação da multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96 (75%). Inicialmente, alertese que, tendo sido lançada a multa de ofício qualificada, a Fiscalização, para cumprimento do disposto no art. 1º do Decreto nº 2.730/1998, e com fulcro nos arts. 1º e 2o da Lei nº 8.137/1990, formalizou a Representação Fiscal para Fins Penais, que encontrase apensada ao presente processo. A majoração da multa de ofício foi justificada pela autoridade lançadora nos seguintes termos: Conforme demonstrado no item 2.3 deste Termo e comprovado nos autos, a pessoa jurídica MINTER TRADING LTDA, no Fl. 937DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 10 período de junho/2000 a novembro/2004, adotou o procedimento de prestar declarações inverídicas nas DCTF (Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais) apresentadas à Secretaria da Receita Federal, informando débitos de PIS e de COFINS em valores muitíssimo inferiores aos devidos, menos de 1% na maior parte do período. Informou também a inexistência de tais débitos no período de abril/03 a setembro/2003 e nos meses de janeiro/2004, fevereiro/2004, agosto/2004 e novembro/2004. A DCTF é documento instituído e exigido pela legislação fiscal com a finalidade precípua de tornar obrigatória a informação, pelo sujeito passivo, do montante dos tributos devidos, pagos ou não, à Secretaria da Receita Federal. A DCTF é confissão de divida. É por meio das DCTF apresentadas que o contribuinte, por força de obrigação instituída, confessa autoridade tributária o montante e a natureza de seus débitos para com a Fazenda Nacional. Ao adotar, por trinta e cinco meses consecutivos, o procedimento reiterado de omitir débitos nas DCTF apresentadas à Secretaria da Receita Federal e de informar valores irrisórios, muitíssimo inferiores aos de fato devidos, a fiscalizada, deixou clara a sua intenção de dificultar e retardar o conhecimento e a cobrança do montante real de sua divida pela autoridade fazendária. A intenção da fiscalizada MINTER TRADING LTDA ao se utilizar do expediente de prestar declaração falsa à Secretaria da Receita Federal foi uma só: não dar conhecimento administração tributária da totalidade de sua divida, na tentativa de esquivarse assim do pagamento de seu montante integral. Não restam dúvidas de que se trata de comportamento tipificado pela lei penal como do tipo doloso, o que demonstra que tal atitude se configura em evidente intuito de fraude. Restou, assim tipificado, em tese, o crime de sonegação fiscal de acordo como o explicitado no art. 71 da Lei n° 4.502/64 também demonstrado o intuito fraudulento da fiscalizada em se eximir do recolhimento tributário cabível, o que enseja o agravamento da penalidade de oficio sobre o valor das contribuições sociais devidas ao PIS e à COFINS, conforme determina o artigo 44, inciso II Lei n° 9.430, de 27/12/1996. Não resta nenhuma dúvida de que a adoção, “por trinta e cinco meses consecutivos, o procedimento reiterado de omitir débitos nas DCTF apresentadas à Secretaria da Receita Federal e de informar valores irrisórios” pode caracterizar o evidente intuito de fraude a justificar a majoração da multa. No entanto, o procedimento da Recorrente deve ser contextualizado dentro da realidade concreta em que os fatos correram. A Recorrente se diz uma empresa “fundapeana” e, como tal, não realiza a venda das mercadorias que importa, já que a importação é feita por conta e ordem de terceiros. Logo, na saída das mercadorias importadas, para o seu legítimo proprietário, não ocorre o fato gerador do PIS e da Cofins. Essas são as razões, em síntese, pelas quais declarou na DCTF Fl. 938DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000117/200621 Acórdão n.º 3302001.778 S3C3T2 Fl. 934 11 valores devidos de PIS e de Cofins inferiores aos apurados pela Fiscalização, que considerou todas as saídas de mercadorias importadas como vendas tributadas pelo PIS e pela Cofins. Sobre a tributação acima referida, independentemente de quem tem razão, se a Fiscalização ou a Recorrente (e entendo que a Fiscalização tem razão), fato é que não somente a Recorrente acredita na exclusão das operações acima referidas da base de cálculo do PIS e da Cofins. Também assim entendeu o Juiz que concedeu a tutela antecipada na Ação Ordinária nº 2000.50.01.0026121, conforme se pode comprovar nos fundamentos da referida decisão às fls. 541/552. O fato de a Recorrente ter sido excluída da referida ação não invalida o entendimento do magistrado que concedeu a tutela antecipada sobre o tema aqui discutido. Portanto, aqui não se trata de uma omissão de débitos ou da prestação de informações à RFB sabidamente falsa. Decididamente, não é pacífico o entendimento deste Conselheiro Relator e da Fiscalização de que nas operações realizadas pela recorrente com mercadorias importadas por conta e ordem de terceiros, especialmente antes da edição da MP nº 2.15835/2001, incida o PIS e a Cofins. Mais, ainda, os débitos de PIS e de Cofins declarados em DCTF nos “trinta e cinco meses consecutivos” foram sempre em valor superior ao incidente sobre a receita de prestação de serviços. Isto demonstra que, além da receita de prestação de serviços, a Recorrente também tributou a receita de venda de mercadorias importadas e que considera fora do regime FUNDAP. Portanto, ao contrário do que entendeu a Fiscalização, não vejo no procedimento da Recorrente o intuito de omitir a ocorrência do fato gerador do PIS e da Cofins. Como bem argumentou em sua defesa, todas as suas operações estão contabilizadas e respaldadas por documentação hábil e idônea. Não há, a meu ver, evidente intuído de fraude no procedimento da Recorrente. Não procede, portanto, o agravamento da multa de ofício levado a efeito pela Fiscalização, devendo a mesma ser reduzida para o percentual normal de 75%, previsto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Por outro lado, não procede o argumento da Recorrente de que a multa aplicável é a prevista alínea "h" do art. 21 do DecretoLei 401/68 em face da existência de legislação superveniente que trata da matéria, vigente à época da ocorrência do fato gerador, devidamente consignada no auto de infração. Isto posto, entendo que nesta parte merece parcial provimento o recurso voluntário. 6 Inclusão de “Outras Receitas” na Base de Cálculo Lei nº 9.718/98 No “Demonstrativo das Bases de Cálculos do PIS e da Cofins”, constante do item 4.3 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS AO PIS E À COFINS do Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 475/476), constatei que a Fiscalização incluiu na base de cálculo das exações “Outras Receitas”, que são, basicamente, as seguintes receitas: juros ativos, descontos obtidos, variações cambiais ativas, aplicações financeiras, outras receitas financeiras, receitas retificadoras e receitas diversas. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 12 A inclusão dessas receitas na base de cálculo do PIS e da Cofins tem por fundamento legal o § 1º, do art. 3º, da Lei no 9.718/98. Ocorre que em 09/11/2005, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nos 357.950, 390.480 e 358.273 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98. Por seu turno, o Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), em seu art. 62, Parágrafo Único, inciso I1, autoriza expressamente a este Colegiado afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”. No caso concreto, não há outra solução a não ser cumprir a determinação regimental e excluir as “outras receitas” da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins) apurada pela Fiscalização e constante do demonstrativo do subitem 4.3 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 475/476). Passemos, agora, à análise do recurso de ofício. 7 Decadência Não vejo reparos a fazer na decisão recorrida pelas mesmas razões postas quando da análise desta matéria no recurso voluntário, ou seja, pela Súmula Vinculante nº 8, do STF, a decadência do PIS e da Cofins regese pelas disposições do CTN. Como a decisão recorrida aplicou as disposições do art. 173, inciso I, para reconhecer a decadência, cumpriu à risca a referida súmula vinculante. 8 Exclusão do IPI A decisão recorrida acolheu o argumento da Recorrente de que no ano de 2002 a Fiscalização deixou de excluir da base de cálculo da contribuições sociais (PIS e Cofins) o valor do IPI incidente nas saídas dos produtos importados e devidamente registrados na contabilidade da Recorrente. Pelas cópias do Livro Razão da Recorrente, juntadas aos autos, a Turma de Julgamento da decisão recorrida constatou que assistia razão a Recorrente porque, de fato, não foi realizado a exclusão dos valores do IPI incidente nas saídas dos produtos importados pelas Recorrente, conforme previsto no § 2º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Diante deste fato, correta a exclusão do valor do IPI da base de cálculo do PIS e da Cofins feita pela decisão recorrida, não merecendo reforma nesta parte. 9 PIS e Cofins incidência nãocumulativa 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 940DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000117/200621 Acórdão n.º 3302001.778 S3C3T2 Fl. 935 13 O PIS e a Cofins objeto do lançamento foram apurados pela sistemática cumulativa, conforme demonstrativos de apuração e fundamentos legais consignados nos respectivos Autos de Infração. Ocorre que a Recorrente está sujeita à sistemática não cumulativa, inaugurada pelas Leis nº 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (Cofins). Constatado erro de apuração das contribuições sociais lançadas, correta a decisão que considerou improcedente o lançamento do PIS, dos períodos de apuração de 12/2002 a 11/2004, e da Cofins, dos períodos de apuração de 02/2004, 08/2004 e 11/2004. Pelas razões expostas, não vejo reparos a fazer na decisão recorrida, nesta parte. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário reduzir o percentual da multa de ofício para 75% e para excluir as “outras receitas” da base de cálculo do PIS e da Cofins. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Relator 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11030.900481/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1995 a 30/11/1995
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3801-001.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontos - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 03/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontos - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 03/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1995 a 30/11/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontos Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 03/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 04 81 /2 00 9- 61 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.900481/200961 Acórdão n.º 3801001.226 S3TE01 Fl. 51 3 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP transmitida em 27/12/2005 (fls. 1/3), com base em suposto pagamento a maior a título de PIS/PASEP referente ao periodo de apuraçao de novembro de 1995, por meio de guia DARF cujo recolhimento se deu em 23/12/2005, no valor total de R$ 1.627,39, com débitos de PIS/PASEP e COFINS dos períodos de apuração de julho e agosto de 2005 e fevereiro de 2004, respectivamente,, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 4.656,45. A DRF de origem proferiu despacho decisório (fls. 06) não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, por meio de guia DARF, não foi localizado, culminando na cobrança dos valores que se objetivou compensar acrescidos de multa e juros. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade às fls. 11/18, sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre das diversas alterações legislativas referentes ao PIS e declaradas inconstitucionais, discorrendo desde a edição da Medida Provisória nº 1.212/95 até as Leis nº 9.715/98 e 9.718/98, alegou, ainda, ser a multa lançada no despacho decisório inconstitucional. A DRJ em Porto Alegre – RS, por sua vez, apesar de discorrer sobre o mérito do suposto direito creditório, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte através do acórdão de fls. 28/29, considerando a ausência de comprovação do direito ao credito objeto da compensação materializada na PER/DCOMP. Devidamente intimado para tanto (fls. 31), interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário de fls. 32/49 em 12/09/2011, e que se vale basicamente dos mesmos argumentos perpetrados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Independentemente de toda a alegação quanto a origem do crédito apontada pela Recorrente, tenho que o presente processo se resolve por conta da inexistência de documentação que prove o direito da contribuinte. É importante ressaltar que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente, apesar de ter apresentado Recurso Voluntário muito bem redigido, não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu crédito, de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.900481/200961 Acórdão n.º 3801001.226 S3TE01 Fl. 52 5 Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Quanto à desproporcionalidade da multa aplicada, ante os argumentos expendidos, que abrangeram somente a discussão da inconstitucionalidade por conta de entender a Recorrente ser confiscatória, é defeso a esse conselho apreciar tal argumento pois o controle de constitucionalidade das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Neste sentido, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, assim dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)(grifouse) § 6º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que. fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts, 18 e 19 da Lei n° 10,522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, Vale observar que, no caso em tela, não ocorreu nenhuma das exceções previstas no §6° do artigo acima transcrito. Outrossim, essa discussão já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme o disposto na Súmula 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.903071/2008-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2003
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE.
O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972).
Numero da decisão: 3801-001.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Sthal - Relator.
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Sthal - Relator. EDITADO EM: 31/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
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INTEMPESTIVIDADE. O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Sthal Relator. EDITADO EM: 31/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 30 71 /2 00 8- 19 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP, transmitida em 23/09/2004 (fls. 12), com base em suposto pagamento a maior a título de PIS/PASEP do período de apuração de maio de 2003, por meio de guia DARF, cujo recolhimento se deu em 13/06/2003, com débitos de PIS/PASEP do mesmo período de apuração de janeiro de 2003, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 1.758,05. A compensação não foi homologada pela DRF de Origem, conforme despacho decisório de fls. 23, o que ensejou a apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo contribuinte às fls. 01, e que restou julgada improcedente pela DRJ de Origem, através do acórdão de fls. 30/34, cujo relatório é suficiente para o correto entendimento da questão em debate nesses autos, cumprindo a sua transcrição integral: “Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 08875.80441.230904.1.3.042258, transmitida eletronicamente em 23/09/2004, com base em créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: (...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: (...) Assim, em 12/08/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 23), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 1.758.05. Cientificado, via postal, dessa decisão em 21/08/2008 (fl. 27), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 19/09/2008, manifestação de inconformidade às fls. 1, acrescida de documentação anexa. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.903071/200819 Acórdão n.º 3801001.192 S3TE01 Fl. 79 3 A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, alegando que teria deixado de retificar os valores reais do débito compensado no PER/DCOMP e informados a maior na DCTF original. Desse modo, não teria sido possível para os sistemas da RFB confirmarem a existência do crédito pleiteado, visto que os valores teriam sido informados indevidamente na DCTF. A contribuinte informa, ainda, que já teria retificado a DCTF que conteria informações sobre o crédito informado no PER/DCOMP e solicita nova revisão do Per/DCOMP objeto da lide. Ao final, requer que seja acolhida a presente a Manifestação de Inconformidade, cancelandose o débito fiscal reclamado e constante no Despacho Decisório emitido pela RFB.” O acórdão da DRJ cujo relatório está acima transcrito restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003 ERRO NAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NA DCTF. AUSÊNCIA DECOMPROVAÇÃO. Não foram apresentadas provas que demonstrassem a existência de erro no preenchimento das informações contidas na DCTF original. A simples entrega de DCTF retificadora não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O contribuinte, intimado do referido acórdão em 01/06/2011 (fls 38) insurge se contra o mesmo através do presente Recurso Voluntário de fls. 40/46 (protocolizado em 08/07/2011), através do qual apresenta essencialmente os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade. Através do Memorando nº 146/2012/SECAT/DRFGOI/SRRF01/RFB/MF GO, endereçado a este Conselho, a procuradoria informa, ainda, a propositura de uma Ação Ordinária, distribuída sob o nº 2009.35.04.0004300 perante a Justiça Federal da Subseção de Aparecida GO, através da qual requer a contribuinte a homologação das compensações em discussão. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl Preliminarmente é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. O artigo 56 da Lei n° 9.784/99 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Dai, concluise, que o sujeito passivo possui o direito de recorrer das decisões administrativas, proferidas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois, somente assim, estará assegurado o seu direito à ampla defesa, consagrado pela Constituição Federal e pelas normas infraconstitucionais. Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do artigo 33, do Decreto n° 70.235/72. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento. O contribuinte, como pode ser visto, foi intimado do acórdão ao qual recorre em 01/06/2011 (fls 38) e insurgiuse contra o mesmo através do presente Recurso Voluntário somente em 08/07/2011, quando o trintídio já houvera se esgotado. Independentemente da existência de uma possível concomitância com a noticiada ação judicial – que deve ter sido promovida pelo patrono da Recorrente apenas para mascarar as impropriedades por ele cometidas nesse processo e que somente fez perder o tempo desse Conselho e do Judiciário, porque se esse processo fosse instruído com os documentos comprobatório do crédito, ninguém lhe negaria o direito – não há como se conhecer desse recurso por intempestivo. Nesse sentido voto por não conhecer do presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.903071/200819 Acórdão n.º 3801001.192 S3TE01 Fl. 80 5 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13820.000019/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/07/2004
Ementa:
RETENÇÃO NA CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA E NA EMPREITADA. COMPENSAÇÃO.
A obrigação da empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada de reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços e recolher a importância retida, prevista no artigo 31 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.711/98, é modalidade de responsabilidade tributária, autorizada pelo artigo 128 do CTN.
A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.
SIMPLES
A exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno -SIMPLES, restabelece a obrigatoriedade da incidência das contribuições previdenciárias, antes substituídas.
DECADÊNCIA
A fluência do prazo decadencial refere-se ao impedimento do fisco de constituir o crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2004 a 31/07/2004 Ementa: RETENÇÃO NA CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA E NA EMPREITADA. COMPENSAÇÃO. A obrigação da empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada de reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços e recolher a importância retida, prevista no artigo 31 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.711/98, é modalidade de responsabilidade tributária, autorizada pelo artigo 128 do CTN. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. SIMPLES A exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno -SIMPLES, restabelece a obrigatoriedade da incidência das contribuições previdenciárias, antes substituídas. DECADÊNCIA A fluência do prazo decadencial refere-se ao impedimento do fisco de constituir o crédito tributário. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriana Sato.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/07/2004 Ementa: RETENÇÃO NA CESSÃO DE MÃODEOBRA E NA EMPREITADA. COMPENSAÇÃO. A obrigação da empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada de reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços e recolher a importância retida, prevista no artigo 31 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.711/98, é modalidade de responsabilidade tributária, autorizada pelo artigo 128 do CTN. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. SIMPLES A exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno SIMPLES, restabelece a obrigatoriedade da incidência das contribuições previdenciárias, antes substituídas. DECADÊNCIA A fluência do prazo decadencial referese ao impedimento do fisco de constituir o crédito tributário. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 00 19 /2 00 8- 18 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriana Sato. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13820.000019/200818 Acórdão n.º 2302002.120 S2C3T2 Fl. 198 3 Relatório Trata o presente de pedido de restituição protocolado pela requerente em 14/11/2005, relativo ao valor excedente das retenções sofridas sobre as notas fiscais de prestação de serviço, em relação ao valor devido das contribuições previdenciárias sobre a sua folha de pagamento, nas competências de 05/2004 a 07/2004. A requerente optou pelo SIMPLES em 21/08/2002, mas foi excluída do Sistema, através do Ato Declaratório de Exclusão de 02/08/2004, fls.135, com efeitos retroativos a 21/08/2002, por exercer atividade vedada à opção. O Ato Declaratório transitou em julgado, porque a manifestação de inconformidade da empresa foi indeferida e não foi apresentado recurso. Tendo em vista que a requerente apresentou as GFIP’s, para subsidiar o pedido de restituição como optante do SIMPLES, foi solicitado que procedesse as devidas correções, bem como a elaboração de novo demonstrativo como os valores corretos a serem restituídos, considerando as contribuições patronais. O contribuinte não promoveu as correções alegando a decadência e a DRF deferiu parcialmente o pedido, fls.170/174, deduzindo do valor a ser restituído a cota patronal das contribuições previdenciárias. Após manifestação de inconformidade, Acórdão de fls.185/188, não reconheceu o direito creditório, na forma como pleiteado. Inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário onde alega em apertada síntese: a) que a própria previdência diz que as contribuições para as terceiras entidades decaiu, então como as demais contribuições também não decaíram? b) que a previdência foi inerte, pois não efetuou lançamento; c) que as competências estão abrangidas pela decadência, mas o direito da requerente não está extinto porque o exerceu no tempo oportuno; d) que a exclusão do SIMPLES não poderia ser retroativa. Requer que seja declarada a decadência do crédito tributário referente às competências 05/2004 a 07/2004 e que seja mantida a restituição nos valores pleiteados, devidamente corrigidos. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Primeiramente, informo à recorrente que as considerações acerca da sua exclusão do SIMPLES, não cabem neste processo, posto que o Ato Declaratório de Exclusão seguiu procedimento próprio e já transitou em julgado, surtindo seus efeitos, uma vez que a requerente não interpôs recurso voluntário da decisão emitida pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil. Portanto, a situação que se apresenta é bem clara, na medida em que não sendo a recorrente optante do SIMPLES, devia recolher à previdência social as contribuições patronais e aquelas arrecadadas para as terceiras entidades, além da contribuição descontada dos segurados empregados. O processo trata de pedido de restituição relativo a retenções de 11%, efetuadas e incidentes sobre as notas fiscais de prestação de serviços.A Lei nº 9.711/98 em seu artigo 23 alterou a redação do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, estabelecendo uma nova modalidade de substituição tributária, ao determinar que os tomadores de serviço efetuem a retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto do pagamento referente à prestação de serviço efetuado com cessão de mãodeobra. A partir de 1º de fevereiro de 1999, com a nova redação do art. 31 da Lei nº 8.212/91, alterouse a natureza jurídica da relação entre o INSS e a empresa tomadora de serviços com cessão de mãodeobra, deixando de existir a solidariedade, criandose a substituição tributária estribada no art. 128 do CTN. O artigo 31 da Lei n.º 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela Lei n.º 9.711/1998, diz que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá proceder à retenção incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da nota fiscal ou fatura, em nome da cedente de mãodeobra: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do Fl. 219DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13820.000019/200818 Acórdão n.º 2302002.120 S2C3T2 Fl. 199 5 recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. No caso em tela, a recorrente, optante do SIMPLES, solicitou a restituição dos valores excedentes à sua folha de pagamento. Durante a instrução do processo, restou configurada a sua exclusão do SIMPLES, desde a constituição da empresa, por exercer atividade vedada à opção no Sistema e, embora solicitada, não promoveu as retificações necessárias em GFIP, tampouco apresentou novo discriminativo de valores a restituir, computando as contribuições patronais. Ainda assim, a DRF considerou as informações prestadas e os documentos juntados pela recorrente e deferiu o pedido de restituição parcialmente, já que considerou as contribuições patronais, além das contribuições devidas pelos segurados empregados, para o cálculo dos valores a serem restituídos. Com acerto a DRF informou que não seriam cobrados os valores destinados às terceiras entidades por se encontrarem abrangidos pela decadência quando do deferimento parcial do pedido de restituição. Ao contrário do que diz à recorrente, a previdência social não utilizou parâmetros diversos para acatar a fluência do prazo decadencial. Ocorre que as contribuições a serem restituídas restringemse às previdenciárias, conforme artigo 203, §2º da Instrução Normativa n.º 03/2005, vigente à época dos fatos geradores, ou seja as contribuições destinadas aos terceiros não podem ser compensadas, devendo ser integralmente recolhidas: Art. 203. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, conforme previsto nos arts. 140 e 172, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. (...) § 2º A compensação da retenção somente poderá ser efetuada com as contribuições devidas à Previdência Social, não podendo absorver contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, as quais deverão ser recolhidas integralmente pelo sujeito passivo. Entretanto, quando do deferimento parcial da restituição em 21/05/2010, fls. 170/174, as competências de 05/2004 a 07/2004, já estavam abrangidas pela fluência do prazo decadencial, não cabendo intimar o contribuinte a recolhêlas. Por outro lado, é de se ver que não procede o argumento da recorrente quando quer que o fisco declare os valores das contribuições patronais decadentes, mas que lhe restitua os mesmos. A assertiva é totalmente equivocada, porque, por imposição legal, artigo 22 da Lei n.º 8.212/91, existe a obrigatoriedade do recolhimento da cota patronal da contribuição previdenciária para as empresas não optantes do SIMPLES, como é o caso da recorrente e por isso, quando da restituição, tal contribuição deve ser computada, juntamente com a cota do segurado empregado. Transcrevo abaixo o artigo 22, da Lei n.º 8.212/91: Fl. 220DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) (Vide LCp nº 84, de 1996) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. A decadência . por sua vez, com base no artigo 173, II, do Código Tributário Nacional, referese à prerrogativa do fisco constituir o crédito tributário, o que não é objeto deste processo. A decadência não implica em dizer que a contribuição não era devida, não há isenção de contribuição, apenas pela fluência do prazo decadencial o fisco está impedido de constituir o crédito tributário: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 221DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13820.000019/200818 Acórdão n.º 2302002.120 S2C3T2 Fl. 200 7 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Portanto, a contribuição previdenciária patronal era devida pela recorrente nas competências objeto do pedido de restituição, devendo ser computadas para o cálculo dos valores a serem restituídos, já que os valores retidos sobre as notas fiscais de prestação de serviço excederam aos valores de contribuição sobre as remunerações dos segurados empregados contidas nas folhas de pagamento. Desta forma, entendo que não há reparos a fazer na decisão recorrida, uma vez que a restituição solicitada pela recorrente foi parcialmente deferida, descontandose dos valores retidos as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados contida nas folhas de pagamento. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 222DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10830.006436/2001-82
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/1991, 31/12/1992
IRFONTE - ILL - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do ILL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
Numero da decisão: 9900-000.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 22/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio PereiraValadão.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/1991, 31/12/1992 IRFONTE - ILL - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do ILL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio PereiraValadão.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/1991, 31/12/1992 IRFONTE ILL TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do ILL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 64 36 /2 00 1- 82 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio PereiraValadão. Relatório A Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, interpôs o Recurso Extraordinário de fls. 168 a 183, visando a uniformização de decisões, em face dos Acórdãos 0401.102 e 0202.088, da Quarta e Segunda Turmas, respectivamente, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O acórdão recorrido 0401.102 apresenta a seguinte ementa: ILL SOCIEDADE .LIMITADA INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL PARA RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. Nos casos de norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, bem como nas hipóteses em que a própria Administração edita ato reconhecendo a inexigibilidade do tributo recolhido, é a contar da publicação destes eventos jurídicos que começa a fluir o prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição. Publicada em 25 de junho de 1997, a Instrução Normativa SRF n° 63, por meio da qual a Administração reconheceu que não era devido crédito tributário exigido coam base no artigo 35 da Lei n ° 7.713, de 1998, o prazo que o contribuinte terá para pedir a restituição estendese até 25 de junho de 2002. Recurso especial negado. Para configurar a divergência, a recorrente apresentou como paradigma o Acórdão 0202.088, cuja ementa é reproduzida abaixo: ACÓRDÃO PARADIGMA "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data." (CSRF; Segunda Turma; Recurso n° 201121066, Rel. Cons. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.006436/200182 Acórdão n.º 9900000.455 CSRFPL Fl. 382 3 Henrique Pinheiro Torres, Ac. 0202.088, Sessão de 17.10.2005) O Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em juízo de admissibilidade, deu seguimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por meio do Despacho de fls. 185 a 187. Em seu Recurso Extraordinário, a Fazenda Nacional requer, em síntese, o reconhecimento da decadência do direito à restituição do ILL, uma vez que o contribuinte formalizou o seu pedido quando já havia expirado o prazo de cinco anos, contados da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Cientificado do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, o contribuinte não ofereceu contrarazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. O Recurso Extraordinário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de ILL, instituído pelo art. 35, da Lei 7.713/1988, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O acórdão recorrido aplica o prazo de cinco anos, contados da data da publicação da Instrução Normativa nº 63, de1997. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja aplicado o prazo de cinco anos, contados da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação (como é o caso do ILL), para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.006436/200182 Acórdão n.º 9900000.455 CSRFPL Fl. 383 5 Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em síntese, os contribuintes teriam o prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição/compensação. Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido em 11/10/2001, e os pagamentos objeto do pedido se referem aos fatos geradores ocorridos em 31/12/1991 e 31/12/1992, concluise que ditos valores são passíveis de restituição/compensação. Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para AFASTAR a decadência e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 35166.000330/2003-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 01/01/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
SIMULAÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. NECESSIDADE DE INDÍCIOS CONVERGENTES.
A simulação é a declaração de vontade irreal, emitida conscientemente, mediante acordo entre as partes, objetivando a aparência de um negócio jurídico que não existe ou que, se existe, é distinto daquele que efetivamente se realizou, com o objetivo de enganar terceiros. A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. Estes precisam apontar para a presença dos elementos característicos da simulação: um motivo ou benefício para as partes; a ligação entre as partes; e a falta de execução material do contrato ou negócio. No caso, o conjunto indiciário possui elementos que demonstram que houve simulação de um contrato de locação de estabelecimento para encobrir o verdadeiro vínculo trabalhista que ensejaria o surgimento do fato gerador da contribuição previdenciária.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-002.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) acolhidos os embargos, em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos:) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2000 a 01/01/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. SIMULAÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. NECESSIDADE DE INDÍCIOS CONVERGENTES. A simulação é a declaração de vontade irreal, emitida conscientemente, mediante acordo entre as partes, objetivando a aparência de um negócio jurídico que não existe ou que, se existe, é distinto daquele que efetivamente se realizou, com o objetivo de enganar terceiros. A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. Estes precisam apontar para a presença dos elementos característicos da simulação: um motivo ou benefício para as partes; a ligação entre as partes; e a falta de execução material do contrato ou negócio. No caso, o conjunto indiciário possui elementos que demonstram que houve simulação de um contrato de locação de estabelecimento para encobrir o verdadeiro vínculo trabalhista que ensejaria o surgimento do fato gerador da contribuição previdenciária. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Embargos Acolhidos.
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Embargante ATLAS FRIGORÍFICOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 01/01/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. SIMULAÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. NECESSIDADE DE INDÍCIOS CONVERGENTES. A simulação é a declaração de vontade irreal, emitida conscientemente, mediante acordo entre as partes, objetivando a aparência de um negócio jurídico que não existe ou que, se existe, é distinto daquele que efetivamente se realizou, com o objetivo de enganar terceiros. A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. Estes precisam apontar para a presença dos elementos característicos da simulação: um motivo ou benefício para as partes; a ligação entre as partes; e a falta de execução material do contrato ou negócio. No caso, o conjunto indiciário possui elementos que demonstram que houve simulação de um contrato de locação de estabelecimento para encobrir o verdadeiro vínculo trabalhista que ensejaria o surgimento do fato gerador da contribuição previdenciária. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 16 6. 00 03 30 /2 00 3- 48 Fl. 20DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) acolhidos os embargos, em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos:) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35166.000330/200348 Acórdão n.º 2301002.915 S2C3T1 Fl. 328 3 Relatório Tratase de embargos opostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda nacional, fls. 323/324, contra Acórdão, fls. 313/318, que deu provimento ao recurso com o seguinte conteúdo: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete d Oliveira Barros, que votou em anular o lançamento pela existência de vício formal.” Entende a embargante, em síntese, que houve omissão na análise de provas constantes dos autos, fls. 66/70, 82, 83, 113 e 114 e que tal omissão foi decisiva no resultado do julgamento. Se tivessem tais documentos sido analisados, a Turma teria chegado a conclusão que havia sim a ligação entre as partes. Em despacho ao Presidente da Turma, opinamos pelo acolhimento dos Embargos. Para facilitar a compreensão do caso passamos a reproduzir trechos do relatório do voto a quo que tratam do andamento do caso até o julgamento anterior. Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.525.8218, lavrada em 17/10/2002, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias da empresa, do empregado e de terceiros, bem como o adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(GILRAT) incidentes sobre remunerações de empregados de empresa tida como interposta, no período de 01/02/2000 a 01/01/2002, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 1.308.153,15, fls. 01. A fiscalização constatou que a Atlas Frigoríficos celebrou contrato de locação de suas instalações industriais para a Frigor Atlas, sendo que esta assumiria todo o quadro de funcionários da primeira. Alguns indícios foram levantados pela autoridade fiscal de que se tratava de negócio celebrado com intenção de evadir tributos: A Frigor Atlas foi constituída poucos meses antes de celebrar o contrato de aluguel; O capital da Frigor Atlas é irrisório comparado ao volume de abate de animais e a grande necessidade de capital de giro do setor; Fl. 22DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 O endereço da Frigor Atlas é o mesmo da Atlas Frigoríficos; A Frigor Atlas tinha capital social muito baixo, o que, normalmente, não lhe daria credibilidade pra adquirir gado; O valor da locação mensal é metade do valor do capital social, sendo que este não cobria nem mesmo a penalidade contratual; Os sócios da Frigor Atlas concederam procurações para terceiros administrarem a empresa; Em virtude de tais indícios a fiscalização, no Relatório de fls. 174/179 conclui haver solidariedade da Frigor Atlas com a Atlas Frigoríficos com base no art. 124 do CTN. Após tomar ciência postal da autuação em 12/02/2003, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 98/112, na qual, entre outras questões, apontou a existência de cerceamento de defesa e atacou a presunção de solidariedade. A DRP/Belém observou que o relato fiscal não deixava claro se estávamos diante de um caso de solidariedade por grupo econômico. Ademais, os fatos sugeriam a existência de dolo, fraude e simulação. Assim, foi determinada diligência para que a autoridade fiscal se manifestasse sobre a subsunção do caso concreto à legislação. Como resultado da diligência, a fiscalização retirou a termo “solidariedade” do relatório, emitindo outro que foi encaminhado ao contribuinte, fls. 224/299. No novo relatório fiscal, a fiscalização desconsiderou o contrato de locação por ter ocorrido simulação, tendo em vista os indícios já referidos, e atribuiu o crédito tributário à recorrente. Para a fiscalização, “o contrato celebrado tem como objetivo deixar livre o patrimônio da 'principal interessada na situação constatada pela fiscalização ATLAS FRIGORÍFICO S/A ; pois é celebrado contrato de locação para determinado lapso temporal, a locatária acumula débitos previdenciários e é substituída por outra empresa, sempre deixando a salvo o patrimônio da principal interessada: a locadora”, fls. 227. O interessado foi cientificado do novo relatório em 06/09/2005, fls. 233, tendo apresentado aditamento para simplesmente protestar por dilação de prazo. Na DecisãoNotificação de fls. 240/254, a DRP/Belém concluiu pela procedência do lançamento, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 06/01/2006, fls. 260. O recurso voluntário, apresentado em 03/02/2006, fls. 265/278, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Inicia apontando que o sujeito passivo da contribuição previdenciária é a Frigor Atlas, sendo que esta continua exercendo atividades. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35166.000330/200348 Acórdão n.º 2301002.915 S2C3T1 Fl. 329 5 Segue com considerações a respeito da solidariedade. Sustenta que a Frigor Atlas existe de fato e não apenas juridicamente. A dúvida da fiscalização quanto ao respaldo da Frigor Atlas para honrar seus compromissos trabalhistas e encargos poderia ter sido apurado pela fiscalização, mas esta preferiu apenas deixar a dúvida. Teria havido ofensa aos art.s 146, 145 e 196 do CTN, bem como ao art. 5º. LV da CF e ao art. 28 da Portaria 357/2002. A fiscalização não teria obedecido aos ditames do contraditório e da ampla defesa na fase fiscalizatória. Não admite a aplicação do parágrafo único do art. 116 ao caso, pois os fatos são anteriores à sua vigência. É o relatório. Fl. 24DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 Voto Conselheiro Mauro José Silva Em despacho ao Presidente da Turma já opinamos pelo acolhimento dos Embargos, conforme a seguir transcrevemos: De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Na análise do acórdão proferido verificamos que há razão na oposição dos embargos e em seus fundamentos, pois o acórdão conclui pelo provimento do recurso e tomou como um dos fundamentos de sua conclusão o seguinte: Outro elemento indiciário ausente é a existência de ligação entre os sócios ou administradores da Frigor Atlas com a recorrente. A presença de tal ligação seria um indício fortíssimo da existência da simulação, mas inexiste nos autos. Observando os documentos apontados pela Embargante, concluímos que estes não foram adequadamente considerados, posto que, ao contrário do que afirmamos, estes seriam sim capazes de demonstrar a ligação entre a Frigor Atlas e a Atlas Frigoríficos. Considerando que nossa análise anterior não havia levados tais documentos em conta, entendo que devam ser admitidos os embargos opostos. Por tais motivos devemos refazer nossa análise sobre a simulação considerando a existência dos elementos dos autos cuja análise foi omitida. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35166.000330/200348 Acórdão n.º 2301002.915 S2C3T1 Fl. 330 7 Considerações jurídicas sobre a simulação Inicialmente, cabe tecer algumas considerações sobre simulação, que no direito brasileiro o seu conceito encontrase positivado no § 1º do art. 167 da Lei nº 10.406, de 11 de janeiro de 2002, que dispõe: “Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Além do texto legal, é importante ter em vista a posição da doutrina a respeito do significado e do alcance do que nele está contido. Pontes de Miranda assim comenta este artigo, com sua habitual visão sistemática (Tratado de Direito Privado, 1ª ed. atualizada, Campinas: Bookseller, 2000, tomo IV, p. 442 e ss): “Em toda simulação há a divergência entre a exteriorização e a volição, quer seja quanto ao objeto, ou, melhor, quanto à matéria, de re ad rem (B vende manuscritos, dizendo vender pastas), ou quanto à pessoa, de personam ad personam (A doa a C, dizendo doar a B), ou quanto à categoria jurídica, de contractu ad contractum (A doa dizendo vender), ou quanto às modalidades, de modo ad modum (contrata sob condição de não casar, dizendo que o faz sob condição de morar em certo país), ou quanto ao tempo, de tempore ad tempus (contratou por cinco anos a casa, dizendo ser por três anos), ou quanto à quantidade, de quantitate ad quantitatem (A vende seis caixas e o contrato fala de três), ou quanto a fato, de facto ad factum (A declara que pagou, e não pagou, ou viceversa), ou quanto ao lugar, de loco ad locum (A assina como se fora concluído no Brasil o contrato que concluíra no Uruguai; cf. Alvaro Valasco, Decisionum Consultationum, II, 369). (...) A simulação supõe que se finja: há ato jurídico, que se quis, sob o ato jurídico que aparece; ou não há nenhum ato jurídico, posto que haja a aparência de algum. A cavilação pode estar à base do dolo, da fraude à lei, da simulação e da fraude contra credores. Daí as semelhanças entre as figuras, suscitando confusões.” Fl. 26DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 Aduz ainda que são elementos dos atos simulados (p. 458): “a) a simulação do outorgado (art. 102, 1), ou da categoria jurídica (art. 102, II), ou da data; b) o propósito de simular; c) o prejudicar ou poder prejudicar a terceiros, ou violar a lei (art. 104).” Além de Pontes, outros estudiosos da teoria geral do direito também se debruçaram sobre o tema. Marcos Bernardes de Mello assim conceitua simulação (Teoria do Fato Jurídico: Plano de Validade, 1ª ed., São Paulo: Saraiva, 1995, p. 153): “Simular significa, na linguagem comum, aparentar, fingir, disfarçar. Simulação é o resultado do ato de aparentar, produto do fingimento, da hipocrisia, do disfarce. O que caracteriza a simulação é, precisamente, o não ser verdadeira, intencionalmente, a manifestação de vontade. Na simulação querse o que não aparece, não se querendo o que efetivamente aparece. ‘Ostentase o que não se quis; e deixase, inostensivo, aquilo que se quis’. Do ponto de vista jurídico, no entanto, a simulação somente constitui defeito invalidante do ato jurídico quando praticada com a intenção de prejudicar terceiros, mesmo quando não havendo máfé, efetivamente lhes cause dano. À base do ato simulado estão o seu caráter mentiroso e sua natureza danosa a terceiros.” Washington de Barros Monteiro esclarece em sua obra Curso de Direito Civil , 33ª ed., São Paulo: Saraiva, 1995, vol I, p. 207: “Como o erro, simulação traduz uma inverdade. Ela caracterizase pelo intencional desacordo entre a vontade interna e a declarada, no sentido de criar, aparentemente, um ato jurídico que, de fato, não existe, ou então oculta, sob determinada aparência, o ato realmente querido. Como diz Clóvis, em forma lapidar, é a declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostensivamente indicado.” A seguir, p. 208: “A própria causa simulandi tem as mais diversas procedências. Ora visa a burlar a lei, ora a fraudar o fisco, ora a prejudicar a credores, ora a guardar em reserva determinado negócio.” Washington de Barros Monteiro (Curso de Direito Civil", Ed. Saraiva, 29aedição, 1º vol., págs. 209/210), ao analisar a figura do ato simulado, à luz dos artigos 102 e 105 do antigo Código Civil Brasileiro, apresenta como uma das hipóteses de simulação o ato jurídico que "não é efetuado entre as próprias partes, aparecendo então o testa de ferro, o prestanome, ou a figura de palha" . O art. 167 do Código Civil, que reproduz o art 102 do antigo Código Civil , entre as hipóteses de simulação enumeradas, cita os atos jurídicos que "aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem realmente se conferem, ou transmitem". Ainda Washington de Barros Monteiro, comentando a espécie de simulação por interposição de pessoa, afirma: "O intuito do declarante é o de inculcar a existência de um titular de direito, mencionado na declaração, ao qual, todavia, nenhum direito se outorga ou se transfere, servindo seu nome exclusivamente para encobrir o da pessoa a quem de fato se quer outorgar ou transferir o direito de que se trata". Fl. 27DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35166.000330/200348 Acórdão n.º 2301002.915 S2C3T1 Fl. 331 9 Caio Mário da Silva Pereira, em Instituições de Direito Civil, 18ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997, vol I, p. 339, assim trata a matéria: “...Consiste a simulação em celebrarse um ato, que tem aparência normal, mas que, na verdade, não visa ao efeito que juridicamente deveria produzir. Como em todo negócio jurídico, há aqui uma declaração de vontade, mas enganosa. ... Pode a simulação ser absoluta ou relativa. Será absoluta quando o ato encerra confissão, declaração, condição ou cláusula não verdadeira, realizandose para não ter eficácia nenhuma. Dizse aqui absoluta, porque há uma declaração de vontade que se destina a não produzir resultado. ... A simulação dizse relativa, também chamada dissimulação, quando o ato tem por objeto encobrir outro de natureza diversa (...), ou quando aparenta conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem realmente se conferem ou transmitem (e.g., a venda realizada a um terceiro para que este transmita a coisa a um descendente do alienante, a quem este, na verdade, tencionava desde logo transferila. E é relativa em tais hipóteses, porque à declaração de vontade deve seguirse um resultado, efetivamente querido pelo agente, porém diferente do que é o resultado normal do negócio jurídico. ...” Alberto Xavier também oferece uma grande contribuição, tendo em vista a sua precisão ao explicar a simulação (Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva): Simulação “é um caso de divergência entre a vontade (vontade real) e a declaração (vontade declarada) procedente de acordo entre o declarante e o declaratório e determinada pelo intuito de enganar terceiros.” Dessa forma, a simulação poderá ser definida como a declaração de vontade irreal, emitida conscientemente, mediante acordo entre as partes, objetivando a aparência de um negócio jurídico que não existe ou que, se existe, é distinto daquele que efetivamente se realizou, com o objetivo de enganar terceiros. No ato simulado ocorre a divergência entre a declaração externalizada, pelo sujeito ou sujeitos, que pretendem seja visível em relação ao Fisco, e a vontade ou declaração interna, que pretendem seja a vigente entre elas, declaração essa necessária para que tenha eficácia a real intenção das partes, escondida por trás da declaração aparente. No processo de simulação há uma deformação da declaração de vontade das partes, conscientemente desejada, com o objetivo de induzir terceiros (inclusive o Fisco) ao erro ou engano. Meios de prova da simulação Os atos simulados são praticados justamente para ocultar os atos efetivos. Portanto, como decorrência de sua própria natureza, a prova direta dos fatos que as partes procuram encobrir é muito difícil, quando não impossível. Daí, da própria natureza de tais fatos, decorre a necessidade de construirse, por meio de presunção, a prova da infração. Nesse sentido, manifestase também a doutrina, a exemplo do Prof. Caio Mário da Silva Pereira, em Instituições de Direto Civil, 18ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997, vol I, p. 341: Fl. 28DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 “A prova da simulação nem sempre se poderá fazer diretamente; ao revés, freqüentemente tem o juiz de se valer de indícios e presunções, para chegar à convicção de sua existência.” Temse, dessa forma, como ensina Maria Rita Ferragut, em Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001, p. 105, ao tratar das presunções hominis e da verdade material, uma prova indireta condutora da mesma “probabilidade fática” da prova direta, in verbis: “Assim tem a administração pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção hominis de forma alguma significa que a tributação ocorrerá baseandose em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” Na mesma obra, ao tratar das Presunções Hominis e as Simulações Jurídicas, a autora complementa: “A presunção hominis assume importância vital, quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação e máfé em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação dos fatos propositadamente ocultados, simulados. Segundo o art. 102 do Código Civil, haverá simulação .... . A prova indiciária tem por fim sanar as dificuldades que o caso concreto suscita ao conhecimento de fatos juridicamente relevantes, alterados para os fins de se evitar a incidência normativa. Ocorre que, como muitos desses atos artificiosos são realizados de maneira a conferirlhes uma aparência lícita, se a fiscalização tiver que se restringir à forma das provas que lhe são apresentadas, não terá como saber se o evento descrito no fato realmente ocorreu. A perfeição formal de que o ato é revestido não tem o condão de afastar o dever poder de busca da verdade material.” (grifei) Conforme Marcos Barnardes de Mello, a prova da simulação é difícil. Isso decorre da própria natureza dos atos simulados: são praticados justamente para ludibriar, buscando esconder os atos efetivos. Sobre esse tema, manifestase Francisco Ferrara (A simulação nos negócios jurídicos, Campinas: Red Livros, 1999), verbis: Fl. 29DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35166.000330/200348 Acórdão n.º 2301002.915 S2C3T1 Fl. 332 11 “A simulação como divergência psicológica da intenção dos declarantes, escapa a uma prova directa. Melhor se deduz, se pode argüir, se infere por intuição do ambiente em que surgiu o contrato, das relações entre as partes, do conteúdo do negocio, das circunstâncias que o acompanham. A prova da simulação é uma prova indirecta, de indícios, conjectural (per coniecturas, signa et urgentes suspeciones ), e é esta que fere verdadeiramente a simulação, porque a combate no seu próprio terreno.” Ferrara, apesar de afirmar a dificuldade da prova direta da simulação, não se furta a abordar os meios probatórios indiretos, elencandolhes os elementos, que classifica como relativos ao interesse em simular: às pessoas dos contraentes; ao objeto do negócio jurídico; à execução do negócio; à conduta das partes na realização do negócio. Entre os diversos elementos capazes de provar a simulação apontada por Ferrara, destacamse alguns, que merecem ser vistos em maior detalhe pela sua pertinência com o caso em análise. Antes de mais nada, segundo Ferrara, devese indagar a respeito da existência de motivo para a simulação , ou seja, “o interesse que leva as partes a estabelecer um acto simulado, a razão que conduz a fazer aparecer um negócio que não existe ou a mascarar um negócio sob uma forma diferente: é o porquê do engano”. Essa causa deve ser “séria e importante (suficiens e idônea)” de forma a justificar a simulação. Quanto às partes, é importante verificar se existe ligação entre estas. Também relevante é a falta de execução material do contrato, a qual, afirma Ferrara, é decisiva para caracterizar um negócio como simulado, tratandose da “mais clara confissão” da simulação. Na execução apenas formal do negócio jurídico, este leva a mutações jurídicas que só se manifestam no campo do direito, comportandose os contraentes, de fato, de acordo com outro negócio jurídico ou como se não tivesse negócio algum. Por oportuno, registramos que no CARF, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais, há várias decisões que acatam a utilização da prova indiciária: Acórdão 10708326 PAF PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, quando a sua formação está apoiada num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levam ao convencimento do julgador. Acórdão 10707083 PAF – PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é aceita em matéria tributária, quando formada a partir de um juízo instrumental que leve em conta a existência de vários indício convergentes. Acórdão CSRF/0105.132 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 PAF – PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. O que não se aceita no Processo Administrativo Fiscal é a autuação sustentada em indício isolado, o que não é o caso desses autos que está apoiado num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levaram ao convencimento do julgador. Tomando tais considerações jurídicas gerais, passamos à análise do caso concreto. Como já afirmamos em nosso voto a quo, a questão central do caso é esclarecermos se temos indícios convergentes suficientes para formarmos nossa convicção de que houve uma simulação do contrato de locação das instalações da Atlas Frigoríficos para a Frigor Atlas. Após o acolhimento dos Embargos, devemos suprir a omissão na análise das provas de fls. 66/70, 82, 83, 113 e 114. Em tais documentos fica evidenciada a ligação entre as partes, como veremos a seguir. Os documentos de fls. 66/70, 82, 83, 113 e 114 atestam que a Frigor Atlas e a Atlas Frigoríficos constituíram a mesmas pessoas como seus procuradores, evidenciando uma estreita ligação entre as empresas envolvidas na simulação. Dos indícios apontados pela fiscalização destacamos cinco deles que são convergentes para a existência da simulação: · A Frigor Atlas foi constituída poucos meses antes de celebrar o contrato de aluguel; · O capital da Frigor Atlas é irrisório comparado ao volume de abate de animais e a grande necessidade de capital de giro do setor; (indício de inexecução material do contrato e de benefício para as partes na forma de proteção patrimonial) · O endereço da Frigor Atlas é o mesmo da Atlas Frigoríficos; · A Frigor Atlas comprometeuse a contratar os funcionários da Atlas Frigoríficos; · Frigor Atlas a Atlas Frigoríficos forneceram procurações com amplos poderes para as mesmas pessoas. A despeito dos indícios convergentes, existe nos autos o distrato de contrato de locação datado de novembro de 2001, fls. 63/65, que, isoladamente, se constitui em indício contrário à existência da simulação. Sopesando os indícios, formamos nosso convencimento de que há elementos suficientes para admitirmos a ocorrência de simulação de um contrato de locação de estabelecimento para mascarar um verdadeiro vínculo empregatício com a recorrente. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35166.000330/200348 Acórdão n.º 2301002.915 S2C3T1 Fl. 333 13 É de ser registrado que restando evidenciada a simulação entre a Frigor Atlas e a Atlas Frigoríficos, os elementos caracterizadores da relação trabalhista existente em face da Frigor Atlas transferemse a para a Atlas Frigoríficos. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei Fl. 32DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35166.000330/200348 Acórdão n.º 2301002.915 S2C3T1 Fl. 334 15 Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: Fl. 34DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 16 · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 35DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35166.000330/200348 Acórdão n.º 2301002.915 S2C3T1 Fl. 335 17 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 18 No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida, mas limitada a 20%; · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte. Tal posição é aplicável inclusive para situações nas quais a fiscalização tenha feito sua análise de retroatividade benéfica, com a qual não concordamos, e aplicado a multa de 75% do art. 44 da Lei 9.430/96. Por todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS de modo a suprir a omissão na análise das provas e retificar o julgamento do Recurso Voluntário para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, somente para limitar a multa de mora ao percentual previsto no art. 61 da Lei 9.430/96. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 37DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10510.903634/2009-66
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/08/2006
PRECLUSÃO DA DEFESA. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFESA NÃO CONHECIDA.
Segundo o Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve protocolar sua defesa no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão. Corrido esse prazo, precluso está o direito do contribuinte de se defender na esfera administrativa.
Numero da decisão: 1802-001.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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RECURSO INTEMPESTIVO. DEFESA NÃO CONHECIDA. Segundo o Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve protocolar sua defesa no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão. Corrido esse prazo, precluso está o direito do contribuinte de se defender na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 36 34 /2 00 9- 66 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903634/200966 Acórdão n.º 1802001.470 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. A interessada transmitiu o PER/DCOMP eletrônico (folhas 1 a 5), visando utilizar um crédito no valor original de R$ 3.656,01, código 6106, decorrente de pagamento supostamente indevido do Simples do Período de Apuração (PA) de 30/06/2002, para compensação de débito de mesma rubrica, referente ao PA de 31/07/2006. A DRF/Aracaju emitiu Despacho Decisório eletrônico, onde não homologou a compensação, argumentando que o pagamento já havia sido integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a desejada compensação (fl. 10). Irresignada, a contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde alegou que foi excluída do Simples no anocalendário 2002, ficando obrigada a apurar os impostos pelo lucro presumido, conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ entregue em 16/09/2003. Porém, como apresentara em 27/05/2003 a Declaração Simplificada DSPJ, "cancelada" em virtude da apresentação da DIPJ, houve erro nos sistemas da RFB ao continuar vinculando o DARF do crédito à declaração anterior. Ante o exposto, solicita a desvinculação do Simples pago, referente ao AC/2002, para que o PER/DCOMP acima mencionada seja homologada e suspenso o débito cobrado no referido despacho decisório, por ser improcedente. A DRJ de Salvador (BA) julgou improcedente a manifetação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 18/08/2006 COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903634/200966 Acórdão n.º 1802001.470 S1TE02 Fl. 38 3 Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 10/06/2011 (sextafeira), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/07/2011, onde argumenta a existência de erros contábeis que não foram levados em conta pelo fiscal e ao fim requer a anulação do auto de infração. Este é o Relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903634/200966 Acórdão n.º 1802001.470 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é intempestivo, portanto dele não tomo conhecimento. Conforme podemos observar no AR acostado às fls. 33, a contribuinte tomou ciência do acórdão nº 1526.919, da 4ª Turma da DRJ/SDR, no dia 10 de junho de 2011, sexta feira. O Recurso Voluntário que chega a nossa apreciação foi protocolado no dia 14 de julho de 2011. Sendo de 30 (trinta) dias o prazo para a interposição do recurso voluntário, de acordo com o Decreto nº 70.235/72, art. 33, contados na forma do art. 5º do mesmo diploma legal, a contagem do prazo iniciouse no dia 13 de junho de 2011, tendo seu término ocorrido em 12 de julho de 2011. A entrega após essa data é considerada intempestiva, havendo portanto a preclusão do direito da contribuinte de se defender na esfera administrativa. “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903634/200966 Acórdão n.º 1802001.470 S1TE02 Fl. 40 5 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 18050.007602/2009-12
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTENTE OMISSÃO OU OBSCURIDADE A SER SANADA, OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS NÃO MERECEM CONHECIMENTO.
Os embargos de declaração representam recurso atípico de natureza excepcional, cujo cabimento se encontra adstrito às hipóteses dos artigos 65 e 66 do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ou seja, têm cabimento em casos de obscuridade, de omissão ou de contradição entre a decisão e os seus fundamentos ou, ainda, quando for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma, além dos casos de inexatidões materiais, não se prestando, contudo, a rediscutir matéria já julgada, a não ser em casos excepcionais.
Inexistente omissão ou obscuridade a ser sanada, os embargos declaratórios não merecem acolhimento.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2802-001.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 28/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar e Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTENTE OMISSÃO OU OBSCURIDADE A SER SANADA, OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS NÃO MERECEM CONHECIMENTO. Os embargos de declaração representam recurso atípico de natureza excepcional, cujo cabimento se encontra adstrito às hipóteses dos artigos 65 e 66 do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ou seja, têm cabimento em casos de obscuridade, de omissão ou de contradição entre a decisão e os seus fundamentos ou, ainda, quando for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma, além dos casos de inexatidões materiais, não se prestando, contudo, a rediscutir matéria já julgada, a não ser em casos excepcionais. Inexistente omissão ou obscuridade a ser sanada, os embargos declaratórios não merecem acolhimento. Embargos Rejeitados
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INEXISTENTE OMISSÃO OU OBSCURIDADE A SER SANADA, OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS NÃO MERECEM CONHECIMENTO. Os embargos de declaração representam recurso atípico de natureza excepcional, cujo cabimento se encontra adstrito às hipóteses dos artigos 65 e 66 do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ou seja, têm cabimento em casos de obscuridade, de omissão ou de contradição entre a decisão e os seus fundamentos ou, ainda, quando for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, além dos casos de inexatidões materiais, não se prestando, contudo, a rediscutir matéria já julgada, a não ser em casos excepcionais. Inexistente omissão ou obscuridade a ser sanada, os embargos declaratórios não merecem acolhimento. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 76 02 /2 00 9- 12 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/11/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 28/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar e Sidney Ferro Barros. Relatório A Fazenda Nacional opõe embargos de declaração com vistas a suprir suposta omissão e obscuridade de decisão proferida por esta C. Turma “(...) ao afastar a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora com amparo em precedente do STJ que não se aplica à espécie.” Na minuta apresentada, a Embargante sustenta: No presente caso, a verba recebida pelo autuado não decorre de despedida ou rescisão de contrato de trabalho. Por isso, não se aplica à hipótese o Recurso Repetitivo/STJ nº 1.227.133, no qual a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Aliás, é preciso levar em consideração que o próprio o STJ esclareceu recentemente que o precedente em questão somente se aplica à hipótese em que a verba principal (trabalhista), sobre a qual incidiram os juros moratórios, tiver natureza indenizatória. Ou seja, só não incidirá imposto de renda sobre os juros moratórios quando a verba principal (trabalhista) tiver natureza indenizatória. [...] Na hipótese em análise, a verba principal recebida pela autuada não tem natureza indenizatória, o que leva à conclusão de que não se aplicam a ela os fundamentos adotados pelo STJ para afastar a incidência do IRPF sobre os juros moratórios no julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Em que pese o alegado pela Fazenda Nacional, não vislumbro qualquer omissão ou obscuridade na decisão embargada, de sorte a rejeitar os embargos de declaração opostos. Isso porque a decisão embargada é clara e expressa quanto à indissociável vinculação das verbas recebidas às condenações decorrentes das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal. Tal conclusão deriva do seguinte trecho extraído do voto condutor: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/11/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18050.007602/200912 Acórdão n.º 2802001.964 S2TE02 Fl. 147 3 Quanto à aplicabilidade do precedente da Corte Federal, é de se ressaltar que o artigo 4º da 8.730, de 08 de setembro de 2003 é expresso quanto à origem dos rendimentos, qual seja: “(...) diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal,”. Portanto, inequívoca a submissão deste Colegiado ao decidido em repetitivo. Portanto, não há se falar que o decidido em repetitivo não seria aplicável ao presente caso, por se tratar de verba recebida em virtude de lei e não em decorrência de decisão judicial condenatória. Muito menos há que se tratar de eventual omissão a ser suprida, em virtude de novo julgado do STJ interpretativo da decisão proferida em sede de repetitivo, sequer publicado quando do julgamento do recurso voluntário. O artigo 4º da lei n. 8.730, de 8 de setembro de 2003 é expresso ao se referir à origem das verbas recebidas, qual seja, “(...) As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal (...)”. Ademais, nos termos do artigo 62A do RICARF, a vinculação deste colegiado às decisões do STJ se refere apenas a acórdãos submetidos ao rito do artigo 543C do CPC e não a eventuais decisões, mesmo proferidas pela C. Corte Federal, interpretativas da extensão dos efeitos e aplicabilidade do decidido em sede de repetitivo. Posto isso, ausente os pressupostos exigidos pelo artigo 65 do RICARF, rejeito os embargos declaratórios opostos. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/11/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720937/2010-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009
DECADÊNCIA. COMPROVAÇÃO DO TÉRMINO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL.
Considera-se hábil para comprovação da existência de área edificada a documentação com vinculação inequívoca à obra. A relação de documentos para tal fim prevista no artigo 482 da Instrução Normativa IN/SRP n° 3, de 14/07/2005 é exemplificativa, facultada a apresentação de outras provas legítimas e suficientes para a demonstração da existência da obra em determinada data.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-002.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009 DECADÊNCIA. COMPROVAÇÃO DO TÉRMINO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Considera-se hábil para comprovação da existência de área edificada a documentação com vinculação inequívoca à obra. A relação de documentos para tal fim prevista no artigo 482 da Instrução Normativa IN/SRP n° 3, de 14/07/2005 é exemplificativa, facultada a apresentação de outras provas legítimas e suficientes para a demonstração da existência da obra em determinada data. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
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COMPROVAÇÃO DO TÉRMINO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Considerase hábil para comprovação da existência de área edificada a documentação com vinculação inequívoca à obra. A relação de documentos para tal fim prevista no artigo 482 da Instrução Normativa IN/SRP n° 3, de 14/07/2005 é exemplificativa, facultada a apresentação de outras provas legítimas e suficientes para a demonstração da existência da obra em determinada data. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 09 37 /2 01 0- 65 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento tributário realizado em 10/06/2010 e relativo às contribuições sociais previdenciárias dos segurados arbitradas pela falta de apresentação de documentos para a comprovação dos salários de contribuição pagos pela mão de obra na construção civil de pessoa física, conforme detalha o relatório fiscal e o acórdão recorrido: Relatório Fiscal: 2 O presente débito referese a contribuições devidas a Seguridade Social e destinadas a Previdência Social, na alíquota de 20% (patronal), ao financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa (GILRAT), na alíquota de 3% e, também, aos terceiros (salárioeducação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE),na alíquota de 5,8%, e as contribuições que deveriam ter sido descontadas dos segurados empregados, na alíquota de 8%; calculadas por aferição indireta, proporcionalmente A área construída, com base no CUBMG (Custo Unitário Básico da Construção MG), de acordo com as alíquotas discriminadas no Aviso para Regularização de Obra — ARO. 3. Neste Procedimento Fiscal foram emitidos os seguintes débitos: 2.1 — DEBCAD no 37.034.9997: contribuição patronal + GILRAT (Processo Principal); 2.2 — DEBCAD n° 37.035.0006: contribuição segurados (Processo Apensado); 2.3 DEBCAD n° 37.035.0014: contribuição terceiros (Processo Apensado). ... Acórdão recorrido: AUTO DE INFRAÇÃO. CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA. AFERIÇÃO INDIRETA. DISO. ARO. CUB. CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA. RAT. IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA E IMPROCEDENTE. O montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à , área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento, a fiscalização lavrará o auto de infração, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e do período a que se referem (art. 37 da lei 8.212/1991). Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10660.720937/201065 Acórdão n.º 2402002.967 S2C4T2 Fl. 84 3 A decadência ocorre se comprovado o término da obra antes do qüinqüênio previsto legalmente para o lançamento fiscal (art. 173I, CTN). ... Os elementos de cálculos se encontram no discriminativo de débito de fls. 05, do relatório de lançamentos de fls. 09 e do relatório fiscal de fls. 15. A base de cálculo tem apuração na DISO e no ARO (fls. 28/29 e 40/41), a primeira também consta do processo da DISO n° 13657.000186/201012 (fls. 12/13)que disponibiliza outros documentos como conta de luz do endereço da edificação de março/2009 (fls. 06), habitese do imóvel com data de 23/07/2009 (fls. 07), alvará de licença de 06/03/1979 (fls. 08), certidão do RI de 26/01/1994 (fls. 09), escritura pública de 26/08/1998 (fls. 10), certidão do RI de 04/05/2000 (fls. 11) e DARF (fls. 20). ... Na referida DISO constante de fls. 28/29 consta, dentre outras informações, que o término da obra se deu em 13/08/2001 e que havia somente a construção de 55,47 m2, isto atestado em 08/09/2009. ... Da apreciação dos documentos trazidos aos autos pela impugnação, concluise que: o xerox do relatório do cadastro técnico da Prefeitura Municipal de Pouso Alegre (fls. 24) não tem assinatura do emitente, data de 08/07/2010, nem tem conferência com o original, além de dar como data da edificação 01/01/1979 e área construída de 274,75 m2. O referido documento se origina de sistema informatizado e contradiz a própria informação do contribuinte na DISO e na impugnação quanto ao término da obra, levando a crer que a referida data de 01/01/1979 se refere ao inicio da obra dos 55,47 m2 considerados decadentes no ARO. o documento do CREAMG de fls. 25 é negativo e portanto não subsidia a alegação de decadência das contribuições lançadas constante da impugnação. o xerox com o demonstrativo de áreas para fins de certidão de decadência (fls. 26), timbrado com Prefeitura Municipal, também não tem assinatura, data, conferência, não oferecendo materialidade contemporânea aos fatos sustentada por documentos da época, também levando a conclusão que se trata de cópia de tela de informática; a conta de luz de fls. 32 se refere a março/2009 e portanto não está fora do período não decadente. o xerox sem conferência do habitese 15373 da referida Prefeitura (fls. 33) data de 23/07/2009 onde constam o inicio da Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 construção de 219,28 m2 em 06/1978 e término em 09/1979. Este documento datado de 23/07/2009 não se sustenta em documentação contemporânea aos fatos e também é contraditado pela sustentação da DISO, da impugnação e em especial pela certidão de averbação do Cartório do Registro de Imóveis de 26/01/1994 e pela escritura pública de compra e venda do imóvel de 26/08/1998 com área construída de 55,47 m2. o xerox sem conferência do alvará de licença de fls. 34 com data de 06/03/1979 licencia apenas a construção da obra para 55,47 m2 e portanto não serve como comprovação do término da mesma construção. o xerox sem conferência da certidão do Cartório de Registro de Imóveis de fls. 35 trata apenas da averbação da construção de 55,47 m2. o xerox sem conferência da escritura pública de compra e venda fls. 36/37 também se refere apenas a construção edificada de 55,47 m2. o xerox sem conferência da certidão do Cartório de Registro de Imóveis com data de 04/05/2000 se refere apenas as medidas e divisas do terreno, não se referindo a obra de construção civil (fls. 38). o xerox sem conferência do documento de fls. 39 do Cartório do Registro de Imóveis nada contém a respeito de metragem de obra de construção civil. os demais documentos de fls. 21, 30, 31, 42 a 46 não se relacionam a área da construção do imóvel, nem à época que a mesma terminou, constituindo em documentos de identificação do contribuinte e de andamento de processo. Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas na decisão recorrida: o demonstrativo de áreas do imóvel 23103, inscrição cadastral 003.0133.0343.000, situado na Rua Maria dos Santos Rosa, 78, Vista Alegre, na cidade de Pouso Alegre fora edificado em 1991 a 2001, ou seja, a mais de 09 anos com a área de 274,75 m2; na certidão 003.922/10 emitida em 09/07/2010 pelo CREAMG não consta registros de execução da obra para o referido imóvel, que neste período o imóvel se encontrava locado; não consta nos arquivos da Prefeitura Municipal de Pouso Alegre nenhuma solicitação de alteração do imóvel para regularização/ampliação da Area no período de 01/2009 a 09/2009; não tem a impugnante condições financeiras para arcar com o pagamento do lançamento fiscal; o prazo da Fazenda Pública para constituir o crédito tributário é de cinco (5) anos nos termos do art. 173 do CTN sob pena da ocorrência da decadência face a súmula vinculante 08 do STF Fl. 86DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10660.720937/201065 Acórdão n.º 2402002.967 S2C4T2 Fl. 85 5 que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da lei 8212/1991 que previam 10 anos para a decadência e para a prescrição; foram indevidos os preenchimentos da DISO e do ARO; requer o acolhimento à impugnação e o cancelamento do crédito tributário ora contestado com base nos fatos apontados e também pela falta de disponibilidade financeira da impugnante para o pagamento da divida tributária. Juntou documentos de fls. 21/46. E, ainda que: a informação, provavelmente, prestada pelo Sr. Adailson Perrone de Farias, na ARO de fl. 40/41, por questão de direito, não deve ser fundamento a esta condenação, vez que o referido senhor, NÃO POSSUI PODERES INERENTES ik INFORMAÇÕES ACERCA DE AVISO DE REGULARIZAÇÃO DE OBRAS, conforme se pode apurar no instrumento de procuração outorgado ao mesmo, que consta dos autos, bem como apresenta "em branco" o espaço referente h. data em que foi apresentada, apresentando apenas data de emissão pelo sistema informatizado. ... Dúbia ainda se faz a apresentação da DISO no que se refere a quem forneceu tais informações, uma vez que na fl. 28 dos autos (primeira folha da DISO), encontrase uma assinatura acerca de quem forneceu as informações, enquanto que às fl. 29 dos autos, (segunda, e última, folha da DISO), a assinatura do contribuinte é completamente diferente, não é necessário ser perito grafotécnico para averiguar que são assinaturas diversas, ou seja, não é possível identificar quem, de fato, forneceu essas informações. Claro está que, no que se refere à DISO e à ARO, estes documentos apresentam erros materiais gritantes, não podendo, tão somente eles, ensejar a fundamentação do referido acórdão, assim sendo, devem ser analisados em um contexto factível com os demais documentos juntados. Em respeito ao principio da eventualidade e na remota hipótese de serem afastados os argumentos supracitados, o que se admite apenas como critério de argumentação, não há que se admitir que a base de cálculo das referidas contribuições se façam em dissonância com esta documentação, ou seja, em desacordo com a área construída, conforme já mencionado. Por óbvio, a declaração realmente é negativa, mas não visa informar a data da obra, a fim de fundamentar sua decadência, mas sim de demonstrar de sobremaneira que, entre o período de 01 de janeiro de 2009 e 30 de agosto de 2009, NÃO HOUVERAM OBRAS NO IMÓVEL NA DATA MENCIONADA Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 NA DISO E NO ARO, ou seja, atesta de forma inconteste que as declarações da DISO e ARO estão viciadas em todo seu contexto, e não podem, por questão de justiça, servirem de base a fundamentação do acórdão atacado. ... Vale destacar que referido contrato não tinha a intenção de importar na decadência do crédito, mas de reforçar, ainda mais, o argumento que o sujeito passivo da contribuição tributária não realizou qualquer obra no imóvel nas datas mencionadas na DISO e no ARO, uma vez que em parte das datas informadas o imóvel, encontravase locado, estando completamente obstaculizado a possibilidade de serem realizadas tais obras. ... O relatório juntado as fl. 24 dos autos não foi considerado pelas ilustres uma vez que não possui assinatura do emitente, sem conferência com o original. Infundada se faz essa decisão, para tanto requer a juntada de DOCUMENTO NOVO, datado de 30 de março de 2011, que necessário se faz para a exata aferição da verdade real dos fatos. Neste mencionado relatório (doc. 01) acostado aos autos consta que a área de 274,75 metros está edificada desde 01 de janeiro de 1979. Conforme se pode apurar com certidão fornecida pelo departamento de fiscalização e tributação — setor de IPTU, acompanhada de sua respectiva instrução (doc. 01), emitido pela Prefeitura Municipal de Pouso Alegre. Este documento certifica que: "...de acordo com informações cadastrais do Setor de IPTU, que o imóvel sito a Rua Maria dos Santos Rosa, n° 78, bairro Vista Alegre, insc.: 003.0133.0343.000, propriedade de Afonsina Fernandes Ribeiro, CPF: 665.031.08753, data como ano de edificação 1979, conforme cadastro e o lançamento consta do ano de 2005 até a presente data em exercício com área construída de 274,75 m2, visto informações do boletim cadastral e da característica do imóvel anexo..." É o Relatório. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10660.720937/201065 Acórdão n.º 2402002.967 S2C4T2 Fl. 86 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: ... O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos Fl. 89DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito Como se sabe, a modalidade ordinária de realização do lançamento fiscal é aquela dita direta: são consideradas as informações extraídas dos documentos da empresa, em especial a escrituração contábil. Esse método, mais comum, pressupõe que os registros da empresa retratam a realidade dos fatos contábeis. E, até prova em contrário, é assim: a presunção é a regularidade dos registros contábeis e financeiros. No entanto, nem sempre é assim. A fiscalização realiza outras verificações: inspeção in loco na obra de construção civil, batimento com bancos de dados do órgão, confronto de informações em documentos diversos etc. Como resultado desse trabalho comprovase, não raramente, que a realidade dos fatos se apresenta diferente dos registros e declarações realizadas pela empresa. Quando isso ocorre, a modalidade de lançamento é a indireta: através de algum critério razoável a base de cálculo é arbitrada. Pois bem, foi o que aconteceu no presente processo. Como se trata de obra de pessoa física é comum que não seja realizada a contabilidade comercial, daí o arbitramento da mão de obra com uso da tabela de cálculo do custo na região em que realizada a obra de construção civil. Ressaltase que essa tabela é preparada e divulgada pelo próprio sindicado representante das empresas de construção civil e também que esse critério não se dá por livre escolha da fiscalização, mas da própria Lei n° 8.212/91: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10660.720937/201065 Acórdão n.º 2402002.967 S2C4T2 Fl. 87 9 Artigo 33 (...) § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário.Por tudo, voto por negar provimento ao recurso. ... § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. De fato, a recorrente se insurge à autuação com fundamento na decadência. Sustenta que a obra já tinha sido encerrada, com todos seus acréscimos, em 01/01/1979 e afirma que a DISO foi preenchida por uma terceira pessoa não autorizada com informação equivocada em relação ao término da obra em 13/08/2001 e da área construída até então de 55,47 m2. Apresenta documentos que sustentam a alegação, mas ainda assim a decisão recorrida considerou que o término dos acréscimos à obra somente veio a ocorrer em 30/09/2009, pois entre 13/08/2001 e 30/09/2009 teriam sido realizados acréscimos de 219,28 m2. O recorrente juntou vários documentos que comprovam o término da obra em período decadente, dentre os quais: a) registros da Prefeitura com comprovação da edificação em 01/01/1979 de uma área construída de 274,75 m2; e b) contrato de locação e documento do CREA de que não houve realização de obra em 2009. A decisão recorrida não considerou os documentos em razão de terem sido extemporâneos e de que alguns não tinham assinatura, pois são telas impressas dos sistemas de dados dos órgãos emitentes, além de que as informações contrariam o próprio DISO e o RGI. Entendo que não se deve restringir como meio de prova os documentos relacionados nos parágrafos do artigo 482 da Instrução Normativa IN/SRP n° 3, de 14/07/2005, que têm natureza exemplificativa. São hábeis outras provas legítimas e suficientes para a demonstração da existência da obra em determinada data, sob pena de violação ao artigo 5°, inciso LV da Constituição Federal: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Também não se pode desconsiderar informações prestadas por órgãos públicos ou entidades paraestatais sem que antes seja procedida alguma diligência que Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 comprove fraude nos documentos regularmente emitidos. Constato inclusive nos documentos que todos são timbrados e exibem emitente, data e hora da emissão, fls. 26. Por fim, um dos fundamentos da decisão recorrida é a interpretação de que a área declarada na DISO, 55,47 m2, corresponderia à decadente e que os acréscimos de 219,28 m2 teriam sido realizados entre 13/08/2001 e 30/09/2009, não decadentes. O que totalizaria os 274,75 m2. Isso explicaria as diferenças de áreas nos documentos que foram juntados: ... O referido documento se origina de sistema informatizado e contradiz a própria informação do contribuinte na DISO e na impugnação quanto ao término da obra, levando a crer que a referida data de 01/01/1979 se refere ao inicio da obra dos 55,47 m2 considerados decadentes no ARO. Acontece que a certidão de habitese comprova que em 09/1979 já haviam sido edificados justamente os 219,28 m2, fls. 33. Considerando o documento da Prefeitura às fls. 26, Demonstrativo de Áreas para Certidão de Decadência, a conclusão a que chego é a realização do acréscimo de 55,47 m2 entre o período de 01/09/1979 a 13/08/2001. Por tudo, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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