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Numero do processo: 10725.903014/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2002
PRELIMINAR DE NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO.
DESCABIMENTO.
Tendo sido o Despacho Decisório prolatado por autoridade para tanto
competente [AuditorFiscal
da Receita Federal do Brasil (AFRFB)] e com
fundamento em informações prestadas pela própria Recorrente (DComp x
Darf x DCTF), descabe se falar em nulidade por incompetência ou por
cerceamento do direito de defesa.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2002
SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI Nº 9.249, DE 1995. DEFINIÇÃO DA
EXPRESSÃO.
Devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às
atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da
saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no
interior do estabelecimento hospitalar, excluindose
as simples consultas
médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito
hospitalar, mas nos consultórios médicos” (STJ Recurso
Repetitivo).
Numero da decisão: 1803-001.191
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, para homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido (R$ 6.188,95), nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. DESCABIMENTO. Tendo sido o Despacho Decisório prolatado por autoridade para tanto competente [AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB)] e com fundamento em informações prestadas pela própria Recorrente (DComp x Darf x DCTF), descabe se falar em nulidade por incompetência ou por cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI Nº 9.249, DE 1995. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO. Devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos” (STJ Recurso Repetitivo). Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903014/200910 Acórdão n.º 180301.191 S1TE03 Fl. 65 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido (R$ 6.188,95), nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e João Carlos Figueiredo Neto. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903014/200910 Acórdão n.º 180301.191 S1TE03 Fl. 66 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 42): Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face de despacho decisório eletrônico, por meio do qual não foi homologada compensação declarada pela interessada acima identificada na DCOMP retificadora de nº 14031.99272.240809.1.7.047581, indicando suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda – IRPJ, cód 2089, no valor de R$ 6.188,95, do período de apuração (PA) 1º trimestre de 2001, para compensar débitos do PA abril de 2005, de contribuição para o PIS/PASEP, cód. 8109, no valor de R$ 49,18 e COFINS, cód. 2172, de R$ 227,01. 2. A compensação não foi homologada pela autoridade fazendária, pelo Despacho Decisório nº 848590011, de 7/10/2009, sob o argumento de que, a partir das características do DARF discriminado na DCOMP acima identificada, foram localizados um ou mais pagamentos que foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. 3. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade aos fls. 1 e 2, alegando em síntese que: 3.1. o crédito pleiteado de pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco; 3.2. que o IRPJ supostamente devido pelo contribuinte no 1º trimestre de 2001 se constata pela DCTFretificadora entregue em 14/08/2009; 3.3 que a impugnante não apurou IRPJ a pagar em 30/04/2001, tendo realizado um pagamento indevido no valor de R$ 6.188,95, gerando por conseguinte o crédito de mesmo valor; 3.4. concluise que o débito satisfeito com o valor pago que consta do DARF discriminado na DCOMP inexiste, pois o contribuinte nada devia a título de IRPJ no 1º trimestre de 2001, conforme DCTFretificadora; 3.5. de todo o exposto, requereu para ser recebida a manifestação de inconformidade, por sua tempestividade, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário, e considerandoa procedente e reformando a decisão que não homologou a compensação. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada (fls. 43 e 44): 5. O contribuinte recolheu aos cofres públicos, em 30/04/2001, o DARF com as seguintes características: PA de 31/03/2001, cód. receita 2089, de R$ 6.188,95. O pagamento foi confirmado no sistema eletrônico da Receita Federal, cf. consta do Extrato Sistêmico RFB do 1º trimestre do ano calendário de 2001, fl. 37. 6. Em DCTF retificadora datada de 28/05/2003 (fl. 40), o mesmo contribuinte declarou um débito de IRPJ, cód. receita 2089, no valor de R$ 5.803,16 (fl. 40, Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903014/200910 Acórdão n.º 180301.191 S1TE03 Fl. 67 4 verso), mas em 14/08/2009 apresentou nova DCTF retificadora (fl. 38, vs) declarando que não mais existia o débito anteriormente informado do mesmo IRPJ, cód. 2089 (fls. 39 e vs), sem juntar qualquer documentação comprobatória da veracidade das informações nela contidas. 7. Consultada a declaração do imposto de renda da pessoa jurídica (DIPJ) do exercício de 2002, ano base de 2000, vemos, no Extrato Sistêmico RFB, fls. 37 verso e 38, que não há DIPJ retificadora e a única DIPJ, original, apresentada sob o nº 0959726, acusava para o trimestre 1 do ano calendário de 2001 um imposto de renda a pagar de R$ 6.188,95. 8. A restituição/compensação de tributos no âmbito da Receita Federal do Brasil é regida pelos artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – C.T.N.) que assim dispõe: [...]. 9. Quanto à retificação da DCTF efetuada pelo contribuinte, o mesmo CTN assim dispõe: [...]. 10. Temos que, por um lado, o contribuinte vem afirmando, em DCTF retificadora apresentada em 14/08/2009, que no 1º trimestre de 2001 não havia IRPJ, cód. 2089, a pagar; por outro lado, a DIPJ originalmente apresentada, ativa e única, aponta para um IRPJ a pagar de R$ 6.188,95, valor idêntico ao que foi recolhido em DARF pelo contribuinte. 11. Ainda que houvesse coerência nas declarações prestadas pelo contribuinte (pois não há), deveria ele provar, com a apresentação de sua escrituração contábil e fiscal, as razões da mudança do seu entendimento quanto ao real valor devido de IRPJ cód. 2089 do PA 1º trimestre de 2001, para que o crédito alegado pudesse gozar de certeza e liquidez, o que não ocorre no presente caso. 12. Não havendo certeza e liquidez do crédito alegado pelo contribuinte em seu favor, não é possível homologar a compensação por ele declarada. 13.Assim, entendo que não deve ser dado provimento à manifestação de inconformidade apresentada e voto pela manutenção da conclusão contida no Despacho Decisório combatido. 3. Cientificada da referida decisão em 12/08/2011 (fls. 56 numeração digital ND), a tempo, em 08/09/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 57 a 61 (ND), nele argumentando, em síntese: a) que o despacho decisório que não homologou a compensação sofre de inafastáveis vícios de nulidade, quais sejam, inexistência de fundamentação e cerceamento de defesa, por não ter oportunizado ao contribuinte a possibilidade de comprovar o seu crédito, matéria de ordem pública que pode ser alegada e reconhecida em qualquer fase processual, inclusive na segunda instância, mesmo não tendo sido alegada expressamente na defesa inicial apresentada na primeira instância administrativa; Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903014/200910 Acórdão n.º 180301.191 S1TE03 Fl. 68 5 b) que não há, no despacho decisório, sequer, referência à DCTF que teria dado margem à alocação do pagamento arguido, muito embora a DCTF retificadora, que permite aferir a existência do crédito do contribuinte em face do fisco federal, já tivesse sido transmitida; c) que não poderia o despacho decisório, sem uma motivação razoável e congruente, desconsiderar as informações transmitidas através da DCTF retificadora, declaração capaz de demonstrar o crédito oposto; d) que, em que pese a divergência existente entre a DCTF retificadora e a DIPJ, tal situação, no fundo, exige (ou teria exigido à época) que o fisco federal intime (ou tivesse intimado) o contribuinte para explicar a origem e a regularidade do seu crédito e as alterações promovidas na DCTF retificadora, o que não foi feito; e) que, realmente, a Recorrente opôs crédito regular em face da Fazenda Pública Federal, para efetivar a compensação promovida via DCOMP; f) que, durante o período referente à DCTF retificadora, apurou e recolheu valores a maior a título de imposto de renda (IRPJ), visto que, no citado período, apurou o imposto pelo regime do lucro presumido, aplicando o percentual equivocado de 32% sobre a sua receita bruta, para efeitos de identificação da base de cálculo, enquanto o correto, por se dedicar à prestação de serviços hospitalares, seria o percentual de 8%, conforme previa o art. 15, § 1º, inciso III, alínea “a”, da Lei nº 9.249, de 1995, c/c o art. 25 da Lei nº 9.430, de 1996; g) que, diante de tais recolhimentos indevidos a título de IRPJ, apurou o seu crédito e o utilizou para promover a compensação de seus tributos federais, consoante declarado na DComp relacionada ao presente feito, meio adequado para instrumentalizar o ajuste de contas no âmbito administrativo, conforme preceitua a sistemática tratada no art. 74 e parágrafos da Lei nº 9.430, de 1996; e h) que eis, então, a origem do crédito da Recorrente, crédito este que a própria RFB, em nome do princípio da legalidade, pode e deve apurar e reconhecer de ofício, caso não seja reconhecida a nulidade do despacho decisório de acordo com os argumentos demonstrados acima. Em mesa para julgamento. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903014/200910 Acórdão n.º 180301.191 S1TE03 Fl. 69 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório 4. Argui a Recorrente, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento de que sofreria, este, de inafastáveis vícios, quais sejam: (a) inexistência de fundamentação; e (b) cerceamento de defesa, por não ter oportunizado a ela a possibilidade de comprovar o seu crédito. 5. Inicialmente, quanto ao tema de nulidade, convém reproduzir o art. 59 do PAF (Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972): Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 6. São, portanto, apenas duas as espécies de irregularidades, elencadas nos incisos do dispositivo retro transcrito, que possuem o condão de contaminar de nulidade as peças que compõem o processo administrativo. 7. Observese que a discordância quanto aos fatos e/ou capitulação legal não é causa de nulidade. 8. No presente caso, de ato decisório (Despacho Decisório eletrônico), foi este prolatado por autoridade para tanto competente [AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB)] e com fundamento em informações prestadas pela própria Recorrente (DComp x Darf x DCTF), não havendo, pois, que se falar em nulidade por incompetência ou por cerceamento do direito de defesa. 9. Há que se ressaltar, ainda, que referido Despacho Decisório eletrônico também procede ao cruzamento de informações entre a DComp e a DIPJ e, não tendo sido esta retificada pela Recorrente, como por ela mesma reconhecido (fls. 59ND, item 7), outro não poderia ter sido o resultado daquela análise de compensação. 10. Rejeito a preliminar de nulidade arguida. Mérito 11. Constou da decisão recorrida o seguinte (fls. 44): Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903014/200910 Acórdão n.º 180301.191 S1TE03 Fl. 70 7 10. Temos que, por um lado, o contribuinte vem afirmando, em DCTF retificadora apresentada em 14/08/2009, que no 1º trimestre de 2001 não havia IRPJ, cód. 2089, a pagar; por outro lado, a DIPJ originalmente apresentada, ativa e única, aponta para um IRPJ a pagar de R$ 6.188,95, valor idêntico ao que foi recolhido em DARF pelo contribuinte. 11. Ainda que houvesse coerência nas declarações prestadas pelo contribuinte (pois não há), deveria ele provar, com a apresentação de sua escrituração contábil e fiscal, as razões da mudança do seu entendimento quanto ao real valor devido de IRPJ cód. 2089 do PA 1º trimestre de 2001, para que o crédito alegado pudesse gozar de certeza e liquidez, o que não ocorre no presente caso. 12. Não havendo certeza e liquidez do crédito alegado pelo contribuinte em seu favor, não é possível homologar a compensação por ele declarada. 12. Em seu Recurso, afirma a Recorrente que o crédito alegado é decorrente da apuração do imposto pelo regime do lucro presumido, com a aplicação do percentual equivocado de 32% sobre a receita bruta, para efeitos de identificação da base de cálculo, enquanto o correto, por se dedicar à prestação de serviços hospitalares, seria o percentual de 8%. Recursos repetitivos (STJ) 13. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 14. Relativamente à questão da definição da expressão “serviços hospitalares”, prevista na Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903014/200910 Acórdão n.º 180301.191 S1TE03 Fl. 71 8 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903014/200910 Acórdão n.º 180301.191 S1TE03 Fl. 72 9 IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) 15. No presente caso, conforme se verifica do próprio Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), faz jus a Recorrente ao percentual de presunção do lucro de 8% (fls. 10): 16. Procedendose, por conseguinte, ao recálculo do imposto devido relativo ao 1º trimestre do anocalendário de 2001 (fls. 37verso e 38), obtémse o seguinte demonstrativo: DIPJ 2002/2001 ENTREGUE RETIFICADA PAGO A MAIOR RECEITA BRUTA 181.320,44 181.320,44 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903014/200910 Acórdão n.º 180301.191 S1TE03 Fl. 73 10 PERCENTUAL 32% 8% BASE CÁLCULO 58.022,54 14.505,63 ALÍQUOTA 15% 15% IRPJ DEVIDO 8.703,38 2.175,84 IRRF (2.514,43) (2.514,43) IRPJ A PAGAR 6.188,95 (338,59) 6.188,95 17. Dessa forma, é de ser reconhecido à Recorrente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 6.188,95. 18. Com relação à afirmação da Recorrente de que “não poderia o despacho decisório, sem uma motivação razoável e congruente, desconsiderar as informações transmitidas através da DCTF retificadora”, cumpre ressaltar que, entregue em 14/08/2009, não poderia essa DCTF pretender retificar dados relativos ao anocalendário de 2001, daí a sua total desconsideração por aquele despacho decisório. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido (R$ 6.188,95), atentandose, ainda, para a existência de outras compensações, objeto de outros processos, que também utilizam o mesmo crédito ora reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912280/2012-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.949
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 28 0/ 20 12 -2 3 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912280/201223 Resolução nº 3402000.949 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912280/201223 Resolução nº 3402000.949 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.912280/201223 Resolução nº 3402000.949 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000091/2006-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Demonstrado que ponto supostamente omisso no acórdão embargado foi, de fato, apreciado pelo Colegiado, os embargos declaratórios devem ser rejeitados.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA NÃO VEICULADA NO RECURSO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Demonstrado que ponto supostamente omisso no acórdão embargado não foi veiculado na peça recursal, não se há de falar em omissão do Colegiado e os embargos declaratórios devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 1301-002.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos embargos.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que ponto supostamente omisso no acórdão embargado foi, de fato, apreciado pelo Colegiado, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA NÃO VEICULADA NO RECURSO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que ponto supostamente omisso no acórdão embargado não foi veiculado na peça recursal, não se há de falar em omissão do Colegiado e os embargos declaratórios devem ser rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1373; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.106 1 1.105 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000091/200661 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301002.215 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2017 Matéria Embargos Omissão IRPJ Preços de Transferência Embargante POLIBRASIL RESINAS S.A. (SUCEDIDA/INCORPORADA POR BRASKEM PETROQUÍMICA LTDA CNPJ/MF 04.705.090/000177). Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que ponto supostamente omisso no acórdão embargado foi, de fato, apreciado pelo Colegiado, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA NÃO VEICULADA NO RECURSO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que ponto supostamente omisso no acórdão embargado não foi veiculado na peça recursal, não se há de falar em omissão do Colegiado e os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 91 /2 00 6- 61 Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 16561.000091/200661 Acórdão n.º 1301002.215 S1C3T1 Fl. 1.107 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Trata o presente de embargos de declaração (fls. 967/1021) opostos pelo Contribuinte acima identificado, em face do acórdão nº 1301001.307, prolatado por esta 1ª Turma na sessão de julgamento de 19 de novembro de 2014 (fls. 923/930). No referido julgado, o Colegiado pronunciouse no sentido de, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento por ilegitimidade passiva e, por unanimidade de votos, ter o recurso de ofício prejudicado. Diante da declaração de impedimento do redator designado, não houve formalização do voto vencedor, segue ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 NULIDADE. IMPEDIMENTO DE CONSELHEIRO. Por força do artigo 42, Parágrafo Único, Inciso I, do RICARF, aprovado pela Portaria 256/2009, impõese a substituição do Redator Designado. No entanto, ao invés de se nomear novo redator, houve prolação de novo acórdão, nº 1301001.732 (fls. 893/920), na sessão de julgamento de 24 de novembro de 2014, onde a Turma entendeu por bem anular o primeiro julgamento e pronunciouse à unanimidade no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, e, quanto ao Recurso Voluntário: i) rejeitar, por maioria, a preliminar de nulidade relativa ao erro na identificação do sujeito passivo, ii) por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de realização de diligência fiscal. No mérito, negar provimento, por maioria de votos, A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPEDIMENTO DE CONSELHEIRO. NULIDADE DO JULGAMENTO. Restando identificado o impedimento do Conselheiro designado como redator do voto vencedor no julgamento anteriormente realizado, nos termos do art. 42 e 44 do RICARF, impõese o reconhecimento de sua nulidade, nos termos do art. 80 daquele normativo e, também, com fulcro nas disposições do Art. 59, inciso II do Decreto 70.235/72, impondose, assim, a realização do novo julgamento. RECURSO DE OFÍCIO. CONTRATOS DE MÚTUO. REGULARIDADE. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 16561.000091/200661 Acórdão n.º 1301002.215 S1C3T1 Fl. 1.108 3 Restando regularmente comprovado nos autos a formalização de contratos de mútuo entre a contribuinte e as respectivas fontes externas de recurso, não se há falar em manutenção da glosa, sendo legítima, assim, a exoneração determinada pela turma julgadora de primeira instância. RECURSO DE OFÍCIO. LUCROS NO EXTERIOR. APLICAÇÃO DO MÉTODO PRL20. EXONERAÇÃO PARCIAL MANTIDA. Tendo sido verificado, a partir das diligências determinadas pela douta autoridade julgadora de primeira instância, a sensível redução do montante lançado a titulo de ajustes pela aplicação do método PRL20 (inclusive com a concordância da contribuinte em relação aos resultados alcançados) legítima se mostra a exoneração parcial do montante apontado como devido, nos termos ali apresentados. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INEXISTÊNCIA. Apesar de indicado como sujeito passivo da obrigação, quando da realização do lançamento, a empresa tida por já "incorporada", relevante observar que ali se encontrava regularmente registrado o ato de incorporação societária, com a menção objetiva da empresa incorporadora como sua sucessora, não se havendo falar, portanto, em qualquer nulidade no procedimento dos agentes da fiscalização. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. RESULTADO DA DILIGÊNCIA REALIZADA A realização de diligências fiscais, a partir dos apontamentos apresentados pela contribuinte em sua própria defesa administrativa, que importem na redução quantitativa do montante lançado, não impõem, por si, qualquer nulidade no lançamento, não acarretando, por si só, qualquer necessidade de cancelamento do auto de infração, nos termos, inclusive, expressamente autorizados pelas disposições do Art. 145 do CTN. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PESSOAS LIGADAS. CONCEITO. Nos termos do Art. 23, inciso V da Lei 9.430/96, deve ser considerada vinculada à pessoa jurídica domiciliada no Brasil a pessoa jurídica domiciliada no exterior, quando esta e a empresa domiciliada no Brasil estiverem sob controle societário ou administrativo comum ou quando pelo menos dez por cento do capital social de cada uma pertencer a uma mesma Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 16561.000091/200661 Acórdão n.º 1301002.215 S1C3T1 Fl. 1.109 4 pessoa física ou jurídica. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF 32/2001. ANÁLISE DE TODAS AS POSSIBILIDADES PELA AUTORIDADE FISCAL. INEXIGÊNCIA. A possibilidade de "escolha", pela contribuinte, de quaisquer dos métodos apresentados pela IN SRF 32/2001, não impõe, por si só, a necessidade que os agentes da fiscalização devam explorar todas as alternativas de apuração possíveis, optando por aquela que eventualmente se mostre menos onerosa. Essa faculdade é garantida ao contribuinte, de fato, mas não se mostra exigível da atuação das autoridades fiscalizadoras. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL20. COMMODITIES. Inexistindo, nas disposições dos art. 18 a 22 da Lei 9.430/96, qualquer menção à possibilidade de afastamento da aplicação dos métodos de preços de transferência a qualquer tipo de mercadoria negociada, inviável se mostra o acolhimento do pretendido pela recorrente de afastamento da incidência por se tratar de commodities. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 04 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SUCESSORES. ALCANCE. A expressão “crédito tributário” contida no art. 129 do Código Tributário Nacional (CTN) alcança tanto o valor do tributo porventura devido, como os demais acréscimos incidentes sobre estes, incluídas aí as multas de ofício regularmente aplicadas. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. PROCEDÊNCIA. A incidência de juros de mora com base na taxa selic sobre a multa de ofício lançada encontra lastro na legislação de regência. Após uma série de equívocos relacionados à intimação do referido Acórdão, concluiuse em Exame de Admissibilidade dos Embargos que todos os documentos foram disponibilizados na caixa postal do contribuinte e a ciência ocorreu em 06/07/2015. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 16561.000091/200661 Acórdão n.º 1301002.215 S1C3T1 Fl. 1.110 5 Alega a embargante que o Acórdão combatido estaria eivado de omissões e contradições relacionados a pontos de importância fundamental para o deslinde da matéria e de maior relevância quanto à ausência de comparação entre os métodos para apuração do preço parâmetro. É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A ciência do acórdão ora embargado, formalmente, se deu em 06/07/2015, conforme acima relatado, após alguns equívocos que restaram solucionados, de acordo com o Parecer SACAT. Diante disso, o embargante já havia protocolado os Embargos em 19/06/2015 (fl. 1093/1095). Dessa forma, tenho que os embargos são tempestivos, conforme o estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e demais alterações. Ademais, o embargante apontou objetivamente as omissões e contradição que pretende ver sanadas, atendendo, desta forma, o requisito regimental. Atendidos os demais requisitos processuais, conheço dos embargos e passo a analisálos. Diante dos equívocos relacionados às intimações, o embargante apresentou em uma mesma peça argumentos de embargos também relacionados ao primeiro acórdão, no entanto, diante da sua anulação, passo a enfrentar tãosomente as razões de embargo ao segundo acórdão, esse sim válido para todos os efeitos. 1) Da omissão da iliquidez e incerteza do Lançamento No tocante à omissão de iliquidez e incerteza do Lançamento, diz o embargante que a fiscalização incorreu em erro de direito quando da determinação da base de cálculo dos tributos supostamente devidos, no sentido de que os autos deveriam ser cancelados e não apenas retificados. No acórdão a questão foi assim tratada: "Além da nulidade fundada na suposta ilegitimidade da empresa autuada, são ainda apresentados pela recorrente argüições de nulidade que, em síntese, podem ser aqui consideradas como nulidades decorrentes do resultado da diligência realizada, sobretudo porque, conforme ali se verifica, seriam referentes à suposta incerteza e iliquidez do crédito tributário lançado, não se admitindo a simples aceitação e correção do lançamento, da forma como efetivado pela r. decisão de primeira instância, sendo, ao revés, fundamental o reconhecimento da nulidade da autuação, da forma como por ela especificamente apresentado. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 16561.000091/200661 Acórdão n.º 1301002.215 S1C3T1 Fl. 1.111 6 Como fundamento dessa pretensão, aduz a recorrente o fato de que a autoridade julgadora teria modificado o critério jurídico do lançamento efetivado,aperfeiçoandoo, o que, é bem verdade, é atividade vedada às instâncias julgadoras. Ocorre que, ao contrário do que afirma a recorrente, da análise das considerações apresentadas não se verifica a indigitada mudança de critério jurídico, mas apenas, e tão somente, a sua adequação quantitativa aos critérios então especificamente estabelecidos, o que, com toda a certeza, efetivamente não se mostra suficiente para o reconhecimento da apontada nulidade. Nesses termos, completamente infundadas se apresentam as argüições relativas à suposta nulidade do lançamento em decorrência das alterações promovidas pela r. decisão de primeira instância, sobretudo porque, conforme se verifica, tal providência é então expressamente admitida em nosso ordenamento jurídico pátrio." Dessa forma, verificase que a Turma Julgadora não se omitiu ao discutir a questão da liquidez e certeza, apenas entendeu que não ocorreu a alteração do critério jurídico e tão somente o recálculo do montante, não sendo passível de nulidade. Assim, no meu entender o embargante apenas quer trazer novamente toda a discussão, não se tratando, portanto de omissão. 2) Da Omissão quanto à ausência de comparação entre os métodos para a apuração do preço parâmetro Nesse item, aduz o embargante que a Fiscalização não comparou os métodos de precificação existentes para determinar qual seria o método menos oneroso para o contribuinte. E de que não foram levados em consideração a existência de outro método , tal qual o PIC, que seria mais benéfico. Vejamos o que diz o Acórdão embargado: "Da análise das disposições da apontada IN 32/2001, verificase que, de fato, à contribuinte é franqueada a adoção de quaisquer dos métodos ali considerados (PIC, CPL ou PRL), havendo, naquele normativo, inclusive, a especifica consideração da opção dos que possibilite a maior dedutibilidade possível, o que, entretanto, é confiado à atuação própria da contribuinte. Ocorre que, no presente caso, por entender não estar submetida aos ajustes determinados pela específica legislação de regência, por ela não foi realizada qualquer verificação, entendendo, no caso, que quando da formulação do lançamento estaria a autoridade lançadora obrigada a promover todas as hipóteses disponíveis, fazendo, então, a opção por aquela que, no caso, fosse menos onerosa para a contribuinte. Ora, pretender a aplicação desse entendimento, com todas as vênias, é transferir à fiscalização um ônus que era próprio da empresa contribuinte, o que, entretanto, efetivamente não se coaduna com as normas especificamente apontadas. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 16561.000091/200661 Acórdão n.º 1301002.215 S1C3T1 Fl. 1.112 7 A recorrente, vale destacar, em momento algum dos autos apresenta as suas específicas considerações, defendendo uma outra hipótese que deveria ter sido considerada pela fiscalização, pretendendo, ao revés, o acolhimento de suas razões como hipótese suficiente para a invalidação do lançamento. Insistase nesse ponto: não existe, nas disposições normativas de regência, qualquer referência à obrigatoriedade de tal procedimento pelos agentes da fiscalização fazendária, não podendo tal intento, agora, ser contra ela imposto como critério de validade de suas atividades, sem que, para tanto, remanesça qualquer determinação legal especificamente a ser considerada." Assim, verificase que o acórdão embargado enfrentou a questão, entendendo não ser obrigação da fiscalização verificar qual método seria o mais oneroso ou não para o contribuinte, de tal forma que novamente não vejo nenhum tipo de omissão que deva ser sanado por meio destes embargos. 3) Da omissão e contradição com relação à inaplicabilidade do método PRL 20 no presente caso. De acordo com as razões da embargante, o método aplicado, PRL 20, não seria o mais adequado e sim o método PIC, uma vez que por se tratar de commodities, os seus preços seriam referenciados em publicações de agências de inteligência de mercado O Acórdão embargado assim tratou este item: "Continuando as suas argumentações, sustenta a recorrente ainda que, mesmo que não se admitisse a insubsistência do lançamento por todas as considerações até então apresentadas, ainda assim não se poderia admitir a aplicação do apontado método PRL20 nas operações consideradas, uma vez que, tratandose de operações com commodities, seus preços seriam estabelecidos por regras próprias de mercado, com limitações de preço específicas, e, por isso, nunca admitida a aplicação do percentual presumido de 20% (vinte por cento)de lucro nas operações realizadas. A primeira questão a ser considerada, é bem verdade, referese ao fato de que nas disposições dos Artigos 18 a 22 da Lei 9.430/96 não se verifica qualquer referência a tipo de mercadoria comerciada entre as referidas empresas ligadas, sendo certo que tratarse ou não de commodities, para fins de aplicabilidade ou não daquelas disposições, é tema completamente estranho às disposições normativas de regência. Tratase, induvidosamente, de aplicação de expressa presunção legal, para a qual se exige, sem dúvida, a configuração das circunstâncias fáticas especificamente consideradas, não importando, absolutamente, se o montante do lucro presumido teria sido ou não efetivamente praticado na operação realizada. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 16561.000091/200661 Acórdão n.º 1301002.215 S1C3T1 Fl. 1.113 8 Nessas circunstâncias, estando pois devidamente configurada a hipótese de operação comercial realizada entre empresas vinculadas, conforme aqui antes já destacado, perfeitamente aplicáveis, verificamse, são as disposições que regem a sistemática própria dos Preços de Transferência, da forma como indicados, sendo, portanto, completamente irrelevantes as considerações a respeito a matéria então a ela efetivamente submetida." A meu ver o Acórdão não foi contraditório nem omisso, já que em seu entendimento não importa qual a mercadoria a ser comercializada entre as empresas ligadas, ou seja, o fato de ser ou não commodities não é determinante para a aplicação da norma legal, bastando a situação fática, qual seja, a operação comercial entre empresas vinculadas, para a norma ser aplicável. Diante do exposto, voto por conhecer e rejeitar as alegadas omissões e contradição. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por conhecer e rejeitar os presentes embargos declaratórios. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora Fl. 1113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.722925/2014-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
Ementa:
NULIDADE DO LANÇAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.O procedimento de fiscalização é inquisitorial, vale dizer, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja, em consequência do desenho do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto nº 70.235/1972, sob qualquer constrição que a obrigue a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa.
ESTAGIÁRIOS. CONTRATAÇÃO EM DESACORDO COM A LEI. SEGURADO EMPREGADO.
Os estagiários contratados em desacordo com a Lei nº 11.788, de 2008, devem ser considerados como segurados obrigatórios da Previdência Social na qualidade de empregados.
HORA EXTRA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
O Superior Tribunal de Justiça firmou a tese que "As horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária." (Tema nº 687) nos autos do REsp nº 1.358.281, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC/1973, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do Anexo II ao RICARF.
Numero da decisão: 2202-003.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.O procedimento de fiscalização é inquisitorial, vale dizer, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja, em consequência do desenho do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto nº 70.235/1972, sob qualquer constrição que a obrigue a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa. ESTAGIÁRIOS. CONTRATAÇÃO EM DESACORDO COM A LEI. SEGURADO EMPREGADO. Os estagiários contratados em desacordo com a Lei nº 11.788, de 2008, devem ser considerados como segurados obrigatórios da Previdência Social na qualidade de empregados. HORA EXTRA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O Superior Tribunal de Justiça firmou a tese que "As horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária." (Tema nº 687) nos autos do REsp nº 1.358.281, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC/1973, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do Anexo II ao RICARF.
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PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.O procedimento de fiscalização é inquisitorial, vale dizer, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja, em consequência do desenho do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto nº 70.235/1972, sob qualquer constrição que a obrigue a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa. ESTAGIÁRIOS. CONTRATAÇÃO EM DESACORDO COM A LEI. SEGURADO EMPREGADO. Os estagiários contratados em desacordo com a Lei nº 11.788, de 2008, devem ser considerados como segurados obrigatórios da Previdência Social na qualidade de empregados. HORA EXTRA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O Superior Tribunal de Justiça firmou a tese que "As horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária." (Tema nº 687) nos autos do REsp nº 1.358.281, julgado sob a indumentária do artigo 543C, do CPC/1973, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do Anexo II ao RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 29 25 /2 01 4- 12 Fl. 16259DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir débito tributário referente a Contribuições Previdenciárias. Intimada, a Contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ. Inconformada, opôs Recurso Voluntário que ora se julga. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Conforme o Relatório do Procedimento Fiscal (fls. 83/88), de 12/09/2014: "3.1. Foram lançados através do Auto de Infração Nº 51.064.9300 [fls. 2/37] os valores não declarados e não recolhidos relativos às Contribuições previdenciárias previstas no art. 22, inciso I, II, III da Lei nº 8.212/91, parte patronal e para o financiamento dos benefícios em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalhoRAT, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e parte patronal sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços ao município. 3.2. Foram lançados através do Auto de Infração Nº 51.064.931 9 [fls. 38/56], os valores não declarados e não recolhidos, descontados nas filhas de pagamento através da rubrica INSS, relativos às contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados, constantes no art. 20 da Lei 8212/91, que conforme o art. 30, inciso I, alíneas 'a' e 'b' a obrigação do desconto e recolhimento é do empregador. 3.3. Foram lançados através do Auto de Infração Nº 51.064.932 7 [fls. 57/79], os valores não declarados e não recolhidos relativos às contribuições previdenciárias dos segurados prestadores de serviços previstas no artigo 4º, caput e §1º da Lei 10.666, de 08/05/2003, cuja obrigação do desconto e recolhimento da alíquota de 11% é da entidade contratante; e as contribuições a cargo dos segurados empregados constante no Fl. 16260DF CARF MF Processo nº 10510.722925/201412 Acórdão n.º 2202003.771 S2C2T2 Fl. 16.260 3 art. 20 da Lei 8212/91. Os valores lançados nesse auto de infração referemse exclusivamente às contribuições dos segurados para as quais não foi identificado o desconto na remuneração do trabalhador por parte da prefeitura." fl. 86. Intimada em 17/09/2014 (fl. 651), a Contribuinte opôs Impugnação em 16/10/2014 (fls. 653/666 e docs. anexos fls. 667/16.189). Levada a julgamento em sede de 1º grau, a DRJ proferiu o acórdão nº 1273.111, de 24/02/2015 (fls. 16.204/16.217), que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há nesse ato nenhuma violação ao direito da ampla defesa e do contraditório, pois o conhecimento dos atos materiais e processuais pela Impugnante e o seu direito ao contraditório estiveram plenamente assegurados. ESTÁGIO. DESCARACTERIZAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. O descumprimento dos requisitos impostos pela Lei no 11.788/2008 para a correta caracterização do estágio, implica em desvirtuamento de sua finalidade e caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REMUNERAÇÃO DE EMPREGADO. A remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, integram o saláriodecontribuição. As parcelas não integrantes estão disciplinadas em rol taxativo no § 9°, do art. 214, do Regulamento da Previdência Social. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Incide contribuição previdenciária sobre pagamentos efetuados a pessoas físicas, sem vínculo empregatício, independentemente da natureza dos serviços prestados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada dessa decisão em 10/03/2015 (fl. 16.219), e ainda insatisfeita, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 09/04/2015 (fls. 16.221/16.244), argumentando, em síntese: Fl. 16261DF CARF MF 4 · Em relação aos estagiários, que a fiscalização não analisou o termo de compromisso, firmado entre os estudantes e a prefeitura, nem o seguro dos estagiários pagos pela Contribuinte; · Que o auto de infração é nulo por falta de análise atenta da documentação apresentada, o que fere o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972; · Que, ao desconsiderar a natureza de estagiários, a autoridade lançadora aplicou as regras das contribuições estabelecidas no art. 22, I, II e III da Lei nº 8.212/1991, mas logo depois classificouos como segurados contribuintes individuais. Nesse sentido, a Contribuinte ratifica que se tratam de estagiários; · Que, nos termos da Lei 11.788/2008 e do Decreto nº 3.048/1999, art. 214, §9º, IX, não se sujeitam à contribuição previdenciária as "Bolsas de Complementação Educacional de Estagiário"; · Que foi juntado aos autos o contrato nº 223/2012, celebrado com uma empresa especializada em contratação de estagiários, para o fornecimento de 130 estagiários, bem como foram juntado os Termos de Compromisso e a Apólice do Seguro Estágio; · Que os valores incluídos no Anexo III ao Relatório Fiscal se tratam "de trabalhadores eventuais, que realizam prestação de serviços como shows, bandas, trios, serviços de borracharia, pintura, confecções, mas que são prestados por pessoa física ou microempreendedor individual, por essa razão foram classificados como Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física, entretanto não significa que são contribuintes obrigatórios classificado como empregados da empresa, uma vez que não possui vínculos ou relação de emprego com a Prefeitura, conforme dispõe o art. 12, inciso V, alínea 'g' da Lei 8.212/91" (fl. 16.231); · Que houve erro no preenchimento das obrigações acessórias referentes ao 13º Salário, as quais podem ser retificadas; · Que foi incluído indevidamente no lançamento valores pagos a título de BOLSA PROJOVEM. Tratase de um programa destinado a facilitar que jovens de 18 a 29 anos concluam o ensino médio; nesse programa, é pago um valor de R$ 100,00 a cada pessoa que comprovar frequência mínima de 75% nas atividades presenciais e entregar os trabalhos pedagógicos exigidos. Nesse sentido, é necessário diferenciar as pessoas que trabalham no programa daquelas que recebem a bolsa para estudar, posto que não incide contribuição previdenciária sobre os valores recebidos por estes, o que não foi feito no lançamento; e · Que não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de hora extra, posto que ganho eventual, portanto não compondo o salário de contribuição. É o relatório. Fl. 16262DF CARF MF Processo nº 10510.722925/201412 Acórdão n.º 2202003.771 S2C2T2 Fl. 16.261 5 Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Da nulidade do lançamento por falta de análise aprofundada da documentação apresentada Preliminarmente, alega a Contribuinte que o lançamento é nulo ao argumento de que a autoridade lançadora não analisou corretamente a documentação apresentada. Esse argumento não pode prevalecer. A verdade é que, como regra geral, o procedimento de fiscalização tem caráter inquisitorial, somente se instaurando a fase do contraditório após o lançamento e a impugnação do auto de infração. Por todos, CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. (acórdão CARF nº 2401004.165, de 18/02/2016) NULIDADE DO LANÇAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. O procedimento de fiscalização é inquisitorial, vale dizer, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja, em consequência do desenho do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto nº 70.235/1972, sob qualquer constrição que a obrigue a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa. Os pedidos de esclarecimento mediante termo, no curso do procedimento de fiscalização, não decorrem da observância de um dever correspectivo a um direito individual de acesso aos fatos apurados pelo Fisco e de se manifestar sobre eles; decorrem, sim, da necessidade de reunir evidências que Fl. 16263DF CARF MF 6 possibilitem aferir a legalidade dos atos praticados pelo fiscalizado ou terceiros. (acórdão CARF nº 1301002.018, de 04/05/2016) Em outras palavras, o fato de (em tese) a autoridade lançadora não ter analisado corretamente a documentação apresentada não gera nulidade do lançamento e sim dá fundamento ao sujeito passivo de impugnar o lançamento para revêlo. Portanto, não é possível anular o auto de infração em decorrência desse argumento. Dos estagiários A Contribuinte argumenta que o lançamento incluiu na base de cálculo valores pagos a estagiários. Discorre sobre a impossibilidade de incluir tais valores na base de cálculo, e afirma que apresentou todas as provas para demonstrar a natureza dessa relação: "No caso em apreço, foi juntado ao processo a documentação referente aos termos de parceria/convenio com as universidades, comprovando a condição de estudante, o contrato do Município com a empresa de estágio CEMPE Centro de Estágio e Emprego Ltda, os termos de compromisso com os estudantes, a apólice dos seguros, a lei municipal, dentre outros, configurando o vínculo de estagiários nos termos da lei." fl. 16.228; Conforme o Relatório Fiscal, "A prefeitura foi intimada através do Termo de Intimação TIF Nº 2 para que apresentasse folhas de pagamento desses serviços e os termos de compromissos com as instituições de ensino e os educandos, além de outros docuemntos que comprovassem que tais pagamentos destinavamse a estágios ofertados em conformidade com a Lei 11.788, de 25/09/2008. Como resposta, a prefeitura apresentou Contrato 223/2012, de 12/06/2012, celebrado com a empresa CEMPRE Centro de Estágio e Emprego Ltda. ME, CNPJ (...) que tem como objeto o fornecimento de 130 estagiários; apresentou cópia da Lei 11.788, de 25/09/2008; apresento ucópia da Lei Municipal Nº 1018 de 13/12/2013 que basicamente repete a Lei 11.788, de 25/09/2008; e apresentou folhas de pagamento relavitas a esses serviços dos meses de março/2011, setembro/2011 e setembro/2012 através das quais verificase o pagamento de valore equivalente a 1 saláriomínimo para cada trabalhador. Os documentos apresentados não comprovam que os contratados são estudantes e não comprovam a celebração de termo de compromisso entre a Prefeitura e uma instituição de ensino, enter outras obrigações estabelecidas na Lei 11.788/2008, restando a fiscalização concluir que tratase de trabalhadores que receberam remuneração paga pela prefeitura, as quais não foram declaradas em GFIP. " fl. 84. Frente à impugnação, a DRJ a destrinchou a legislação de regência e indicou todos os requisitos necessários para que a relação se configurasse como estágio. Efetivamente, os arts. 3º e 9º da Lei nº 11.788/2008 estabelecem os requisitos mínimos, sem os quais não se configura a relação de estágio mas sim de emprego. Assim, anotando a falta de comprovação de celebração do termo de compromisso, a 1ª Instância concluiu que não restou comprovada a relação de estágio. Fl. 16264DF CARF MF Processo nº 10510.722925/201412 Acórdão n.º 2202003.771 S2C2T2 Fl. 16.262 7 Em outras palavras, a questão controvertida é apenas a existência de comprovação da natureza da relação jurídica entre a Recorrente e os supostos estagiários. Compulsando os autos, percebese que já no Termo de Intimação Fiscal nº 02 (fl. 239) a autoridade fiscalizadora intimou a Contribuinte a apresentar: (1) folhas de pagamento de estagiários, dos meses 03/2011, 09/2011 e 09/2012; (2) documentos que comprovem a relação de estágio, conforme o art. 9º da Lei nº 11.788/2008; e (3) termo de compromisso com a instituição de ensino e o educando. Foi efetivamente apresentado, então, um contrato entre a Contribuinte e uma empresa "CEMPRE Centro de Estágio e Emprego Ltda. ME" (fls. 500/506), segundo a qual esta realizaria a contratação de 130 estagiários em prol daquela. Em anexo à Impugnação, apresentou também os comprovantes de seguro de vida contratados em favor dos estagiários (fls. 671/936). Se é verdade que a Recorrente, na Impugnação, apresentou, ainda, o que parece ser toda a sua contabilidade (fls. 937/16.189), que inclui a sua prestação de contas ao Tribunal de Contas de Sergipe, o relatório de gestão, balancetes, extratos bancários, razão analítico, comprovantes de recolhimento de GPS etc. Não se encontra nessas quase 16 mil laudas dos autos comprovantes da relação de estágio além da contratação de empresa CEMPRE e do Seguro de Vida. Nesse caminho, uma vez que a Contribuinte apenas alega ter apresentado os termos de parceria/convênio sem indicação de folhas , mas que estes não foram encontrados nos autos, tenho que não restou comprovada a relação de estágio, sendo necessário manter o lançamento nesse ponto. Da Bolsa PROJOVEM A Contribuinte argumenta que não pode ser incluída na base de cálculo os valores pagos a título de "Bolsa Projovem", posto que se configura auxílio financeiro pago nos termos do art. 6º da Lei nº 11.692/2008, e que não tem natureza de saláriodecontribuição, inclusive apresentando jurisprudência do STJ. Acontece que o lançamento incluiu esses valores na base de cálculo não por entender que os valores pagos a título de Bolsa Projovem devem compor a base de cálculo e sim porque, intimada, a Contribuinte não comprovou a natureza dos pagamentos descritos a esse título: "Na fiscalização constatouse que a prefeitura nas competências 06 e 10/2012 efetuou pagamentos através da rubrica 193 BOLSA PROJOVEM, que não a considerou base de cálculo das contribuições previdenciárias e não declarou essas remunerações em GFIP. A prefeitura foi intimada através do Termo de Intimação TIF Nº 3 a esclarecer a natureza desse pagamento uma vez deixou de considerálo base de cálculo das contribuições previdenciárias. Como não foi apresentada justificativa para o fato e como os trabalhadores que receberam essa remuneração também foram remunerados com a rubrica 115 VENCIMENTOS restou a fiscalização considerar os pagamentos feitos através da rubrica 193 base de cálculo das contribuições previdenciárias que não foram declaradas em GFIP." fl. 85 Fl. 16265DF CARF MF 8 A DRJ, analisando a Impugnação, esclareceu que a Contribuinte tinha razão em tese: os valores pagos a título de Bolsa Projovem não devem compor a base de cálculo. Contudo, da mesma forma que os valores pagos a título de estágio, a Contribuinte não logrou comprovar a natureza desses pagamentos. Esclareceu que não bastava indicar que o pagamento se referia a Bolsa Projovem, mas comproválo, apresentando por exemplo (1) qual a modalidade do programa (se Urbano, do Campo etc.); (2) quem compunha o comitê gestor; (3) relatórios de prestação de contas etc. Efetivamente, esses requisitos constam da mesma Lei nº 11.692/2008, em seu art. 2º. E, tal como no caso dos estagiários, não se encontram tais provas nos autos. Por essa razão, ante a falta de comprovação da natureza dos pagamentos, não é possível rever o lançamento nesse ponto. Dos prestadores de serviço pessoa física No tocante aos prestadores de serviço pessoa física, a Contribuinte admite ter contratado pessoas físicas para realizar serviços diversos, tais como pinturas e shows. Argumenta, simplesmente, que esses serviços eram prestados de forma eventual, sem habitualidade, subordinação ou vínculo, não poderiam compor a base de cálculo da Contribuição. Não é possível dar provimento ao pleito, vez que como a própria Contribuinte admite foram contratados segurados autônomos para realizar serviços em prol da Contribuinte. Nesse sentido, configurase perfeita a hipótese constante no art. 4º da Lei nº 10.666/2003 e arts. 20 e 22, III, da Lei nº 8.212/1991. Das horas extras Argumenta a Contribuinte, igualmente, pela necessidade de excluir da base de cálculo os valores pagos a título de hora extra. Desenvolve o raciocínio no sentido de que a hora extra não é habitual e, portanto, não se configura remuneração pelo trabalho. Não é possível dar provimento ao pleito da Contribuinte, vez que as horas extras têm sim natureza remuneratória. Efetivamente, são pagas como contraprestação pelas horas trabalhadas pelo empregado além do montante acordado no contrato. Nesse sentido, inclusive, entendeu o STJ em julgado feito na sistemática de recurso repetitivo: · Tema 687: "As horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária." O acórdão proferido pela Corte Superior ficou assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ 8/2008. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. BASE DE CÁLCULO. ADICIONAIS NOTURNO, DE PERICULOSIDADE E HORAS EXTRAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. SÍNTESE DA CONTROVÉRSIA 1. Cuidase de Recurso Especial submetido ao regime do art. 543C do CPC para definição do seguinte tema: "Incidência de contribuição previdenciária sobre Fl. 16266DF CARF MF Processo nº 10510.722925/201412 Acórdão n.º 2202003.771 S2C2T2 Fl. 16.263 9 as seguintes verbas trabalhistas: a) horas extras; b) adicional noturno; c) adicional de periculosidade". CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA E BASE DE CÁLCULO: NATUREZA REMUNERATÓRIA 2. Com base no quadro normativo que rege o tributo em questão, o STJ consolidou firme jurisprudência no sentido de que não devem sofrer a incidência de contribuição previdenciária "as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador" (REsp 1.230.957/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 18/3/2014, submetido ao art. 543C do CPC). 3. Por outro lado, se a verba possuir natureza remuneratória, destinandose a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, ela deve integrar a base de cálculo da contribuição. ADICIONAIS NOTURNO, DE PERICULOSIDADE, HORAS EXTRAS: INCIDÊNCIA 4. Os adicionais noturno e de periculosidade, as horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária (AgRg no REsp 1.222.246/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 17/12/2012; AgRg no AREsp 69.958/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 20/6/2012; REsp 1.149.071/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/2010; Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 9/4/2013; REsp 1.098.102/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 17/6/2009; AgRg no Ag 1.330.045/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 25/11/2010; AgRg no REsp 1.290.401/RS; REsp 486.697/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 17/12/2004, p. 420; AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 9/11/2009). (...) CONCLUSÃO 9. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1358281/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/04/2014, DJe 05/12/2014) Nesse sentido, inclusive, já existe precedente deste tribunal administrativo: VALORES PAGOS A TÍTULO DE HORAS EXTRAORDINÁRIAS. HORAS TRABALHADAS. CAMPO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Dada a natureza remuneratória, há incidência de contribuição social previdenciária sobre a verba paga a título de horas extras pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso do empregado. (acórdão CARF nº 2402004.779, de 09/12/2015) Fl. 16267DF CARF MF 10 Enfim, ante à clara natureza remuneratória dos valores pagos a título de hora extra, é necessário concluir que compõem a base de cálculo das Contribuições Sociais. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 16268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.916043/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.908
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão.
(Assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 60 43 /2 00 9- 49 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10783.916043/200949 Acórdão n.º 3402003.908 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de compensação declarada em PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de COFINS, atinente ao período de apuração indicado na folha de rosto do acórdão. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, negouse homologação à compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ sob os seguintes fundamentos: i) o contribuinte não indicou como apurou o crédito que alega possuir e indicado na Declaração de Compensação e ii) o contribuinte não juntou quaisquer provas do referido crédito. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega inauguralmente que a questão não necessitaria de produção de provas, por se tratar de incidência de COFINS sobre receitas financeiras, declarada inconstitucional pelo STF no RE nº 346.084. Ao final, solicita a realização de diligência. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.885, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10783.914970/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.885): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório contestado nesse processo administrativo teve sua homologação negada sob fundamento do crédito alegado ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da pessoa jurídica. Desde o início, o contribuinte não juntou qualquer documentação fiscal ou contábil que permita determinar o valor do crédito ou pelo menos um mínimo lastro probatório de sua existência. Menos ainda, sequer articulou argumento que sustentasse as razões para a Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10783.916043/200949 Acórdão n.º 3402003.908 S3C4T2 Fl. 4 3 manutenção do crédito pretendido, limitandose a afirmar a sua existência. O Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é expresso no sentido de que o contribuinte deve trazer ao litígio todos os motivos de contrariedade, acompanhados dos elementos probatórios que fundamentem suas alegações. Senão vejamos: Art. 15 A impugnação, formalizado por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(inciso III com redação determinada pela Lei 8. 748/1993) §4. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidos aos autos. Como precisamente apontado na decisão a quo, aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Tampouco se vislumbra nos autos quaisquer das exceções previstas no art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. Assim, operouse a preclusão acerca do direito do contribuinte de produzir quaisquer provas do seu crédito, o que nos permite seguramente corroborar as conclusões alcançadas pela DRJ. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz uma reconstrução da discussão que culminou na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, para afirmar que o crédito se refere a receitas financeiras que compuseram a base de cálculo, o que causou o pagamento indevido das contribuições sociais. Quanto a este argumento, além de encontrar óbice no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), não foi corroborado por qualquer prova nos autos, sequer existindo algum indício disto. Tratase de uma afirmação tão vazia quanto à afirmação do crédito na Manifestação de Inconformidade, não merecendo qualquer guarida deste Colegiado. Por fim, alega o Recorrente: Concluindo, o recolhimento a maior de parte do darf de RS 25.045,85 é decorrente do alargamento da base de cálculo do COFINS (código de receita 2172), a qual deu fundamento para a Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10783.916043/200949 Acórdão n.º 3402003.908 S3C4T2 Fl. 5 4 compensação ora não homologada, o que poderá ser comprovado por mera diligência fiscal. O autor simplesmente alega a necessidade de uma diligência fiscal, mas sem atender aos requisitos do art. 14, IV do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A despeito da falha do Recorrente em indicar os elementos necessários para a solicitação de uma diligência, ainda assim o Colegiado poderia propor a conversão do julgamento em diligência se entender necessária, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Todavia, a diligência não tem a função de, atuando em lugar do Contribuinte, atender a um ônus probatório que não foi observado por este, mas sim esclarecer fatos que foram aventados no processo. Desse modo, nego o pedido de diligência. Conclusão Forte no exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 68DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.720503/2007-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
Numero da decisão: 9202-005.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 05 03 /2 00 7- 32 Fl. 266DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária de 16/05/2012, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2801002.449 (fls. 222 a 237), assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ITR. EXIGÊNCIA DE PROTOCOLIZAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA. A partir do exercício 2001, para fins de exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, fazse necessário a existência de ADA tempestivamente protocolizado junto ao IBAMA. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ITR. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRAZO. Para fins de redução no cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. ENFRENTAMENTO DE TODAS AS ALEGAÇÕES DAS PARTES. Não constitui cerceamento do direito de defesa o fato de o julgador não ter enfrentado todas as alegações das partes, cabendolhe apenas indicar a motivação adequada ao deslinde da lide. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da DITR só é possível mediante a comprovação do erro em que se funde e antes do início da ação fiscal. MATÉRIA INCONTROVERSA. AUSÊNCIA DE QUESTIONAMENTO NA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE RECURSAL. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 9202005.331 CSRFT2 Fl. 267 3 Não é passível de apreciação em sede recursal matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Preliminar rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte” A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN Valor da Terra Nua declarado, bem como Área de Reserva Legal de 6.450,00 ha. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre." O processo foi encaminhado à PGFN em 19/06/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 238). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 03/08/2012, o que foi feito em 23/07/2012 (fls. 239 a 247), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 248. O Recurso Especial está fundamento no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão 210200.609. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 19/02/2013 (fls. 249/250). Cientificado do acórdão, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho acima, o Contribuinte quedouse silente (informação de fls. 263). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca dos demais pressupostos de admissibilidade. Fl. 268DF CARF MF 4 Em seu apelo, a Fazenda Nacional visa rediscutir a validade do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão 210200.609. Antes de proceder à análise do paradigma, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando existe similitude fática entre as situações apreciadas no acórdão recorrido e no paradigma indicado. Assim, tornase imprescindível a análise das situações fáticas contidas nos acórdãos recorrido e paradigma, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, a motivação do restabelecimento do VTN declarado pelo Contribuinte foi o fato de a autoridade lançadora ter arbitrado aquele valor com base no VTN médio das DITRs entregues no município, e não na aptidão agrícola. Assim, tal arbitramento não foi aceito, por não ter cumprido as exigências determinadas pela legislação de regência. Confirase a respectiva ementa: “O lançamento de oficio deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer.” Quanto ao paradigma indicado – Acórdão 210200.609 – a Fazenda Nacional colaciona o seguinte trecho, visando demonstrar o alegado dissídio jurisprudencial: “No caso aqui em debate , para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), podese arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR , sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município . Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Considerando a dupla possibilidade de arbitramento , pela aptidão agrícola ou pelo valor médio da DITR, entendo que se deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente.’ (fl. 8)” (destaques da Recorrente) A leitura dos trechos em negrito, pinçados do voto condutor do aresto, levaria à conclusão de que efetivamente teria sido demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, o exame do paradigma, em sua integralidade, permite conhecer o contexto em que ele foi proferido. Nesse passo, verificase que, além de retratar uma situação distinta daquela analisada no recorrido, não se pode afirmar que nesse paradigma estarseia defendendo a tese de que o SIPT, somente com a média das DITR, seria válido. Confirase os principais trechos da ementa e do voto vencedor desse paradigma: “ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 9202005.331 CSRFT2 Fl. 268 5 VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDO, PODE CONTRADITAR 0 VALOR DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido (...) Agora, passase a apreciar a defesa do item II (no tocante ao valor da terra nua, "os valores indicados no Sistema de Preços de Terra não podem ser adotados, pois não há a "imprescindível publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como, a realização de verificação física das áreas existentes na propriedade para viabilizar a incidência do VTN, segundo a classificação adotada para a diversidade de áreas cadastradas " (Recurso n° 135.528, Primeira Câmara, unânime, 07.11.2007)" (fls. 218 e 219). Além disso, o recorrente agora junta Laudo Técnico complementar, no qual se demonstra que o valor do SIPT referese ao preço de terras comercializadas e não da terra nua, como inclusive se pode ver pelos formulários preenchidos pela EmaterMG, atendendo à solicitação da Fundação Getúlio Vargas (fls. 291 a 293), com os mesmos valores do SIPT, os quais tem a mesma fonte de informação, qual seja, a Emater MG. Por fim, caso o valor do SIPT seja considerado hábil para quantificar o valor da terra nua, mister reduzir o valor do exercício 2001 para R$ 1.053,04, o menor dos valores do SIPT). Como se pode constatar, no caso do paradigma o Contribuinte se insurge contra o arbitramento pelo SIPT, alegando falta de publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como por se referir a preços de terras comercializadas, e não da terra nua. Ao final, pede que, caso seja mantido o arbitramento, que para o exercício de 2001 seja adotado o menor dos valores do SIPT. Assim, no intuito de enfrentar os argumentos de defesa, o Relator assim se manifesta quanto ao SIPT: “No tocante ao pretenso cerceamento do direito de defesa perpetrado pela autoridade fiscal, com a utilização do valor da terra nua constante no SIPT, não assiste razão ao recorrente, já que a possibilidade do arbitramento do preço da terra nua consta especificamente no art. 14 da Lei n° 9.393/96, a partir de sistema a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal. Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF n° 44712002, instituiu o Sistema de Preços de Terras — SIPT, o qual seria alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades Fl. 270DF CARF MF 6 correlatas, bem como com os valores da terra nua da base de declarações do ITR. A instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer violação ao princípio da legalidade tributária, sendo certo que, no caso vertente, a autoridade fiscal utilizou o valor da terra nua constante no sistema, conforme tela do SIPT de fls. 15 e 16 (valores informados pela Secretaria Estadual de Agricultura), já que o contribuinte havia utilizado o valor da terra nua para o município de Inhaúma — MG de 1996, valor que teria sido aceito pela Secretaria da Receita Federal quando da expedição da notificação de lançamento do ITR respectivo (conforme declaração prestada pelo próprio autuado nestes autos — fl. 27), e não apresentara o laudo técnico de avaliação da área rural. A informação declarada pelo contribuinte era assaz antiga e justificava o procedimento da autoridade fiscal. No ponto, sem razão o recorrente. A decisão recorrida ratificou o arbitramento perpetrado pela autoridade autuante, já que o Laudo Técnico não tinha seguido a atual norma da ABNT reguladora da avaliação de imóveis rurais (NBR 14.6533) e pela discrepância entre o valor declarado pelo contribuinte e aqueles do SIPT. (...) Primeiramente, os valores da terra nua dos municípios mineiros, dos exercícios 2000 a 2004, foram informados pelo Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a partir de levantamento dos extensionistas da Emater, como se pode ver pelo Oficio n° 1.036/2004/GAB.SEC, de 30 de novembro de 2004 (cópia deste oficio se encontra no recurso voluntário n° 342.587 — fl. 124 , em pauta nesta mesma sessão de julgamento). Tal oficio referese ao valor da terra nua por hectare e não ao valor de venda dos imóveis. Por outro lado, os formulários da FGV preenchidos pela EmaterMG, referentes aos exercícios 2001 e 2002, do município de Inhaúma, não indicam que os valores se referem ao preço de comercialização do imóvel com benfeitorias, como se pode ver em tais formulários de fls. 291 a 293. Dessa forma, aqui não se acata a defesa de que os valores do SIPT se referiam ao valor total do imóvel. Ainda se deve anotar que o contribuinte não apresentou laudo técnico de avaliação do imóvel rural na forma da Norma ABNT 14.6533, vigente desde 30106/2004, data esta anterior à produção dos laudos acostados ao presente processo. Somente o laudo produzido em conformidade com tal Norma seria meio hábil para contraditar o valor do SIPT. Ademais o valor da terra nua declarado estava defasado, já que o próprio contribuinte confessou que utilizara o mesmo valor de 1996 (para os exercícios 2001 e 2002). Mais uma razão para rejeitar a defesa do recorrente. Por fim, quanto ao pedido para reduzir o valor do exercício 2001 para 1.053,04, o menor dos valores do SIPT, entendo que o contribuinte tem razão. Explico. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 9202005.331 CSRFT2 Fl. 269 7 É de conhecimento de todos que, em arbitramento, havendo possibilidades diversas, utilizase a modalidade que mais favorece ao contribuinte . Inclusive , no âmbito da tributação da pessoa fisica, tal regra está positivada no art. 6°, § 6°, da Lei n° 8.021/90, verbis: (...) No caso aqui em debate , para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), podese arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR , sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município . Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Considerando a dupla possibilidade de arbitramento , pela aptidão agrícola ou pelo valor médio da DITR, entendo que se deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente (VIN de R$ 1.053,04 por hectare no exercício 2001).” (grifei) Destarte, verificase que em momento algum o paradigma defende, de forma genérica, que o arbitramento pelo SIPT pode ser efetuado com base apenas no valor médio das DITR. O que fica claro no voto condutor do aresto é que, naquele caso específico, em que estão presentes os dois critérios de arbitramento – pela média das DITR e pela aptidão agrícola – não há óbice ao atendimento do pleito do Contribuinte, no sentido de utilizarse o VTN de menor valor que, nesse caso específico, é o VTN apurado pela média das DITR. Assim, as situações fáticas são distintas, a saber: no acórdão recorrido, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base apenas no valor médio das DITR, sem levar em conta a aptidão agrícola, e é esta a motivação que levou à sua desqualificação; no paradigma, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base nas duas modalidades – média das DITR e aptidão agrícola – e em nenhum momento o Relator defende que ele seja levado a cabo apenas com base na média das DITR; o que ocorre é que existe um pedido do Contribuinte para que se adote, dentre os diversos valores constantes do SIPT, o menor deles, que no caso é o da média das DITR, daí que nos trechos citados pela Recorrente o Relator tão somente fundamenta o atendimento a esse pleito. Destarte, o paradigma indicado não se presta a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, já que, diferentemente do que ocorreu no recorrido, o arbitramento não se limitou ao VTN médio das DITR. Tampouco no caso do julgado guerreado houve pedido do Contribuinte, no sentido da adoção de valor específico, até porque, repitase, só havia um valor, qual seja, o da média das DITR. No presente caso, o dissídio interpretativo somente restaria demonstrado, com a colação de acórdão em que, efetuado o arbitramento com base no SIPT, levandose em conta apenas o valor médio das DITR, sem considerarse a aptidão agrícola, dito arbitramento fosse mantido. Com efeito, o paradigma indicado não retrata tal situação fática, portanto não resta demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Fl. 272DF CARF MF 8 Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por não atender aos pressupostos de admissibilidade. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13707.002209/2003-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. A decisão definitiva proferida na esfera administrativa favorável ao contribuinte extingue o crédito tributário exonerado, na forma do inciso IX do art. 156 do CTN.
Numero da decisão: 3102-002.262
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios participou do julgamento em substituição ao Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, ausente momentaneamente.
Nome do relator: Andréa Medrado Darzé
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. A decisão definitiva proferida na esfera administrativa favorável ao contribuinte extingue o crédito tributário exonerado, na forma do inciso IX do art. 156 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios participou do julgamento em substituição ao Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, ausente momentaneamente. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Demes Brito. Relatório Tratase de Recurso Ofício interposto em face de decisão da DRJ do Rio de Janeiro II que julgou procedente a Impugnação apresentada, por entender que a decisão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 51 85 /2 01 0- 29 Fl. 189DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0217.16522.CJIC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 definitiva proferida na esfera administrativa favorável ao contribuinte extingue o crédito tributário exonerado, na forma do inciso IX do artigo 156 do CTN. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, dos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 1998 (fls. 07 a 13), em decorrência de auditoria interna efetuada pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro. Na descrição dos Fatos (fls. 08), consta que a presente exigência originouse de auditoria interna nas DCTF apresentadas pelo sujeito passivo referentes aos quatro trimestres de 1998, tendo sido verificada a falta de recolhimento do valor nela informado, em razão de inexatidão, por ter sido constatado que o processo administrativo informado com vinculação ao débito declarado na condição de compensação sem DARF se refere a outro débito. O enquadramento legal da presente autuação encontrase especificado às fls. 08 e 13. A empresa autuada foi cientificada em 19/08/2003 (fl. 116) e apresentou a impugnação de fls. 01 a 03 em 18/09/2003, alegando que a) O presente auto deverá ser declarado nulo sem qualquer apreciação do mérito, uma vez que os valores questionados já foram objeto de diversas autuações, todas ainda em fase de julgamento, bem como objeto de processo judicial, ainda sub júdice; b) O auto foi lavrado por entender a fiscalização que a autuada não possuía o direito de ter calculado o PIS 1998, com base na Lei Complementar 07/70, o que é de todo improcedente; c) Em 09/10/95, o Senado Federal aprovou a Resolução nº 49 que suspendeu a execução dos citados decretos leis, restabelecendo os parâmetros da LC 7/70; d) Face à falta de previsão legal para cobrança das contribuições, foi baixada a MP 1.490/96; e) Em 05/08/96 a impugnante solicitou administrativamente o reconhecimento do crédito no montante de 2.389.073,31 UFIR e a autorização para a compensação, o que foi negado. A impugnante então recorreu ao Conselho de Contribuintes, conforme processo 13709.001322/9601; f) A MP 1973/96, sistematicamente reeditada, tratou da matéria em seu artigo 18, prevendo em seus itens VIII e IX o impedimento de constituição do crédito tributário oriundo dos DL 2.445/88 e 2.449/88, ressalvando em seu § 3º que “o disposto neste artigo não implicará restituição ex ofício da quantia paga”; Fl. 190DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0217.16522.CJIC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10660.725185/201029 Acórdão n.º 3102002.262 S3C1T2 Fl. 12 3 g) A impugnante passou a ter direito de compensar o crédito com parcelas vincendas, como vem fazendo, considerando o direito assegurado no artigo 18 e seus parágrafos; h) O auditor fiscal descumpriu determinação legal que proibia a constituição de crédito tributário, especialmente que a requerente recorreu ao 2º Conselho de Contribuintes; i) Espera seja julgado nulo e totalmente improcedente o lançamento fiscal. A DRJ do Rio de Janeiro II julgou procedente a Impugnação apresentada, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE. Não se verificando a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. A decisão definitiva proferida na esfera administrativa favorável ao contribuinte extingue o crédito tributário exonerado, na forma do inciso IX do artigo 156 do CTN. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Tendo em vista o valor do crédito tributário exonerado, a DRJ no Rio de Janeiro II recorreu de ofício a este Conselho, nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. Conforme é possível perceber do relato acima, a DRJ no Rio de Janeiro II julgou totalmente procedente a Impugnação apresentada, por entender que a decisão definitiva proferida na esfera administrativa favorável ao contribuinte extingue o crédito tributário exonerado, na forma do inciso IX do artigo 156 do CTN. Com efeito, foram os seguintes os argumentos apresentados pela DRJ no Rio de Janeiro II para cancelar o lançamento: Fl. 191DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0217.16522.CJIC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 No mérito, verificase que a autuada declarou parte da contribuição devida para o PIS nos meses de janeiro a dezembro de 1998 com vinculação à compensação, indicando, para tanto, o processo administrativo nº 10768.022223/9733. Tal processo, segundo informação do auto de infração, não se refere ao débito declarado em DCTF (PIS de jan/98 a dez/98). Com relação ao processo nº 10768.022223/9733, informado em DCTF, verificase que o mesmo se refere a auto de infração lavrado em 22/09/1997, abrangendo a contribuição para o PIS relativo aos períodos de apuração de setembro de 1996 a julho de 1997 (fls. 93/100), o que evidencia a improcedência de sua utilização como fundamento para a compensação declarada, seja por não se tratar de processo em que se analisa pedido de compensação formulado na esfera administrativa mas sim de exigência de crédito tributário, seja por se tratar de processo envolvendo a contribuição relativa a períodos de apuração diversos daqueles declarados em DCTF e, nesse sentido, podemos afirmar que o fundamento utilizado no presente auto de infração é correto (processo de outro débito). A autuada, contudo, alega em sua defesa, que os débitos exigidos nos autos já foram objeto de outro auto de infração, em fase de julgamento por ocasião da entrega da impugnação ora em análise. Junta aos autos, cópia de diversos autos de infração envolvendo o PIS apurado para diferentes períodos de apuração. Dos elementos apresentados, é possível verificar através da cópia do auto de infração anexada às fls. 61 a 82, que a empresa já havia sido autuada, em decorrência de procedimento de fiscalização externa, tendo sido constituído crédito tributário relativo ao PIS apurado para os períodos de 06/93 a 09/95 e 08/97 a 12/98, formalizado no processo nº 15374.000471/9914. Referido auto de infração foi lavrado em 25/03/1999, antes da ciência ao contribuinte do lançamento formalizado no presente processo, o que ocorreu somente em 18/08/2003. Cabe, portanto, tecer algumas considerações acerca do citado processo 15374.000471/9914. Inicialmente há que se observar que o lançamento de ofício formalizado no referido processo abrange o crédito tributário exigido no auto de infração ora em análise. De acordo com a descrição dos fatos (fl. 80), em relação ao período de 08/97 a 12/98, o lançamento se deu em virtude da constatação de compensações indevidas, que resultaram na falta de recolhimento da contribuição. Ao contestar o lançamento, o contribuinte alegou que os débitos exigidos haviam sido compensados com crédito originado de recolhimentos a título de PIS efetuados na forma dos Decretos leis 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF. A disputa achavase centrada na questão da chamada semestralidade do PIS devido na forma da Lei Complementar 07/70. Inicialmente o lançamento foi mantido em sede de julgamento por esta Delegacia de Julgamento. Apresentado recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, este decidiu favoravelmente ao contribuinte, através do acórdão nº 20308.734, publicado em 12/03/2004 (fls. 168/173), determinando a adoção como base de cálculo do PIS devido até 29/02/96, o faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador do tributo. Fl. 192DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0217.16522.CJIC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10660.725185/201029 Acórdão n.º 3102002.262 S3C1T2 Fl. 13 5 Em decorrência da decisão exarada pelo CARF, o crédito tributário exigido de ofício foi totalmente extinto, conforme atesta o extrato do PROFISC em fls. 164/167 e o processo arquivado. Do relato acima, podemos observar que há, no caso em análise, duplicidade de exigência formalizada de ofício. O auto de infração formalizado no processo acima citado foi lavrado em 25/03/1999, antes da lavratura do presente auto de infração, cuja ciência se deu em 18/08/2003, incluindo débitos em valores idênticos ou até mesmo superiores aos débitos aqui tratados. Além disso, cumpre destacar que o crédito tributário constituído nos autos ora em exame encontrase extinto, em decorrência da decisão definitiva proferida pelo CARF, nos termos do artigo 156, inciso IX do CTN, abaixo transcrito: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (.....) IX – a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória. Como se vê, não merece reparos a decisão recorrida. A despeito de existir incialmente fundamento para a lavratura do lançamento, tendo em vista que foi totalmente equivocada a vinculação procedida pelo contribuinte em DCTF, não há como ser mantida a presente autuação, seja pela mera duplicidade da exigência, que já havia sido constituída por meio do lançamento de ofício que originou o Processo nº 15374.000471/9914, seja porque já houve decisão de mérito definitiva naquele processo reconhecendo a sua extinção. Em face do exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente ofício. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 193DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0217.16522.CJIC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANDREA MEDRADO DARZE em 15/10/2014 14:46:00. Documento autenticado digitalmente por ANDREA MEDRADO DARZE em 15/10/2014. Documento assinado digitalmente por: RICARDO PAULO ROSA em 19/12/2014 e ANDREA MEDRADO DARZE em 15/10/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA DE FATIMA ALVES DE ALBUQUERQUE em 17/02/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP17.0217.16522.CJIC Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13707.002209/2003-53. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001266/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 11/12/2002, 28/09/2003, 31/01/2005
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. AUSÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nem irregularidades, equívocos cometidos na sua emissão, na sua prorrogação, alteração ou qualquer outro, ou mesmo a circunstância de o procedimento fiscal ter sido instaurado sem a emissão do Mandado acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 11/12/2002, 28/09/2003, 31/01/2005
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. APLICABILIDADE.
Tratando-se de caso não definitivamente julgado, a lei aplica-se a fatos pretéritos quando comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/12/2002, 28/09/2003, 31/01/2005
PAPEL IMUNE. REGISTRO ESPECIAL. SOLICITAÇÃO. ELEMENTOS DE INSTRUÇÃO. ALTERAÇÃO. COMUNICAÇÃO FORA DO PRAZO. PENALIDADE.
Após a concessão do Registro Especial, as alterações verificadas nos elementos que instruíram o pedido deverão ser comunicadas pela pessoa jurídica à Unidade do domicílio fiscal do contribuinte no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de sua efetivação, sob pena de imposição de multa no valor de R$ 5.000,00 por informação negligenciada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa aplicada para o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais).
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 14/04/2017
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 11/12/2002, 28/09/2003, 31/01/2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. AUSÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nem irregularidades, equívocos cometidos na sua emissão, na sua prorrogação, alteração ou qualquer outro, ou mesmo a circunstância de o procedimento fiscal ter sido instaurado sem a emissão do Mandado acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 11/12/2002, 28/09/2003, 31/01/2005 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. APLICABILIDADE. Tratando-se de caso não definitivamente julgado, a lei aplica-se a fatos pretéritos quando comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 11/12/2002, 28/09/2003, 31/01/2005 PAPEL IMUNE. REGISTRO ESPECIAL. SOLICITAÇÃO. ELEMENTOS DE INSTRUÇÃO. ALTERAÇÃO. COMUNICAÇÃO FORA DO PRAZO. PENALIDADE. Após a concessão do Registro Especial, as alterações verificadas nos elementos que instruíram o pedido deverão ser comunicadas pela pessoa jurídica à Unidade do domicílio fiscal do contribuinte no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de sua efetivação, sob pena de imposição de multa no valor de R$ 5.000,00 por informação negligenciada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1906; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001266/200511 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.019 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria Auto de Infração Multa Recorrente COSAC & NAIFY EDIÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 11/12/2002, 28/09/2003, 31/01/2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. AUSÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nem irregularidades, equívocos cometidos na sua emissão, na sua prorrogação, alteração ou qualquer outro, ou mesmo a circunstância de o procedimento fiscal ter sido instaurado sem a emissão do Mandado acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 11/12/2002, 28/09/2003, 31/01/2005 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. APLICABILIDADE. Tratandose de caso não definitivamente julgado, a lei aplicase a fatos pretéritos quando comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/12/2002, 28/09/2003, 31/01/2005 PAPEL IMUNE. REGISTRO ESPECIAL. SOLICITAÇÃO. ELEMENTOS DE INSTRUÇÃO. ALTERAÇÃO. COMUNICAÇÃO FORA DO PRAZO. PENALIDADE. Após a concessão do Registro Especial, as alterações verificadas nos elementos que instruíram o pedido deverão ser comunicadas pela pessoa jurídica à Unidade do domicílio fiscal do contribuinte no prazo de 30 (trinta) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 66 /2 00 5- 11 Fl. 158DF CARF MF 2 dias, contado da data de sua efetivação, sob pena de imposição de multa no valor de R$ 5.000,00 por informação negligenciada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa aplicada para o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais). (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 14/04/2017 Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 56/60, que se prestou a constituir crédito tributário relativo à multa "por atraso na prestação de informações ou esclarecimentos solicitados", de que trata o art. 9° da Instrução Normativa SRF n° 71/2001. O montante do crédito tributário lançado correspondeu a R$ 285.000,00. A fundamentação legal da autuação, apontada pelo autuante, foi a seguinte: art. 16 da Lei n° 9.779/99; art. 57, inc. I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art. 9° da IN SRF n° 71/2001, com as alterações processadas pela IN SRF n° 101/2001. O procedimento fiscal, determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.90.002005005387, e as constatações dele decorrentes, estão descritos no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 53/55. Conforme lá consta relatado, a autoridade fiscal observou que a fiscalizada, inscrita no Registro Especial de Papel Imune por meio do "Ato Declaratório n° 231 de 22/03/2002, publicado no DOU de 26/03/2002", por ocasião da solicitação de inscrição no mesmo registro para seu estabelecimento filial, em 05/07/2004, "apresenta as novas alterações contratuais". Referida autoridade constatou, outrossim, que foram processadas outras duas alterações contratuais, registradas na Junta Comercial de São Paulo (Jucesp) em 31/12/2004, as quais não foram comunicadas à Receita Federal. Todas as alterações foram então arroladas pela autoridade fiscal à fl. 54 do reportado TVF. E em face do atraso e da falta de comunicação destas alterações, foram lançadas as multas com fundamento no art. 57, inc. I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, conforme demonstrativo constante do TVF (art. 54). Fl. 159DF CARF MF Processo nº 19515.001266/200511 Acórdão n.º 3302004.019 S3C3T2 Fl. 3 3 O sujeito passivo foi cientificado do auto de infração em 26/04/2005, por meio de correspondência enviada com Aviso de Recebimento (fl. 62), tendo protocolado sua impugnação em 23/05/2005, conforme peça de fls. 64/69 (firmada pelo seu DiretorPresidente, fls. 93/94) na qual aduz, em síntese, que: a) o lançamento apresenta "clara e evidente nulidade quando se sustenta a penalidade em 'ENQUADRAMENTO LEGAL' que ali não é absolutamente mencionado a troco de sustentar a infringência". E "não se pode dar qualquer caráter legislativo" à Instrução Normativa. No lançamento não foi indicado o dispositivo legal infringido. Em razão disto, pede "a decretação liminar de sua insubsistência"; b) a multa é descabida. Isto porque "a suposta irregularidade decorreu de procedimento eivado de boafé por parte da Impugnante", quando esta apresentou suas alterações contratuais por ocasião da solicitação do registro para o estabelecimento filial; c) de fato, "não havia arquivado uma Alteração de Contrato Social e uma Ata de Reunião de Quotistas". Ocorre que, em 22/03/2005, antes, portanto, da lavratura do auto de infração, já havia atendido o Termo de Início de Fiscalização (de 02/03/2005), "protocolando junto à Sra. Agente Fiscal signatária do Termo o ato de constituição da empresa e alterações posteriores", muito embora o tenha feito em 08/04/2005, após o prazo concedido na intimação fiscal. Mas ainda dentro daquele prazo compareceu à repartição quando "manteve diálogo com a Agente Fiscal", tendo solicitado prorrogação no prazo para atendimento em razão da "ausência de Diretor apto a assinar a correspondência para entrega dos documentos", no que foi atendida. Ademais, e isso é o mais importante, sua espontaneidade já estava consubstanciada desde o protocolo do pedido de registro para o estabelecimento filial, em 05/07/2004; d) os documentos foram entregues antes da autuação e o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) "apenas autorizava uma auditoria tributária na Impugnante no período de 2002 a 2004. Assim, a emissão do 'Termo de Início de Fiscalização n° 01/2005 não autorizava a solicitação dos documentos para os efeitos em que eles afinal foram utilizados: cobrar multa regulamentar sobre tema que nada tem a ver com tributo (imposto ou contribuição)". Neste caso, a teor do que dispõe a Portaria SRF n° 3.007/2001, a cobrança da multa é ilegítima porquanto não amparada no MPF; e) enfim, como os documentos foram apresentados no prazo e espontaneamente, é improcedente a autuação. Conclui a impugnante requerendo o cancelamento da multa. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/12/2002, 28/09/2003, 31/01/2005 NULIDADE. ENQUADRAMENTO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento que se sustenta na correta fundamentação legal nele indicada, mormente quando assegurado o pleno exercício do direito de defesa. MPF. LEGITIMIDADE DO PROCEDIMENTO. ALCANCE. Fl. 160DF CARF MF 4 É legítima a exigência fiscal decorrente de procedimento de fiscalização que observou os limites do MPF, mero instrumento administrativo de controle das atividades fiscais. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 11/12/2002, 28/09/2003, 31/01/2005 REGISTRO ESPECIAL DE PAPEL IMUNE. ALTERAÇÕES SOCIAIS. COMUNICAÇÃO. ATRASO. Comprovado nos autos o atraso na comunicação das alterações sociais processadas por contribuinte inscrito no Registro Especial de papel imune, procede a aplicação da multa prescrita no art. 57 da Medida Provisória (MP) n° 2.158 35/2001, independentemente de sua espontaneidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 11/12/2002, 28/09/2003, 31/01/2005 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa os argumentos presentes na impugnação ao lançamento fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Em caráter preliminar, a Recorrente argúi a nulidade do lançamento por ter sido realizado sem amparo em Mandado de Procedimento Fiscal válido para o fim específico de impor a penalidade que lhe é exigida. Explica que o objeto do lançamento não guarda relação com a autorização contida no MPF que, expedido em 25/02/2005, tratava apenas de auditoria tributária na empresa no período de 2002 a 2004 e, "assim, a emissão do 'Termo de Início de Fiscalização' n° 01/2005 jamais autorizou a solicitação dos documentos para os efeitos em que eles afinal foram utilizado, quais sejam cobrarse uma multa regulamentar sobre tema que nada tem a ver com tributo (imposto ou contribuição)". A esse respeito, como já tive oportunidade de afirmar em inúmeras ocasiões, tal como dispõe o artigo 59 do Decreto 70.235/72, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou praticados com preterição do direito de defesa1. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 19515.001266/200511 Acórdão n.º 3302004.019 S3C3T2 Fl. 4 5 Como se observa, no âmbito do processo administrativo fiscal, há induvidosa restrição normativa em relação ao universo dos acontecimentos alcançados pela nulidade. De fato, logo a seguir, o texto legal confirma essa restrição por meio da recomendação de que as demais irregularidades, incorreções e omissões sejam sanadas pelo servidor responsável pelo ato processual. Decreto 70.235/72 “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. Quanto a isso, importa destacar, também, que a fase litigiosa do procedimento, nos termos do Decreto 70.235/72, como ninguém desconhece, iniciase com a impugnação ao auto de infração2. Haverão de ser menos prováveis as falhas acontecidas ainda no curso da formalização da exigência que tragam prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Uma vez que o auto de infração seja impugnado, terseá iniciado, aí sim, o contencioso tributário, ocasião em que serão contestadas e debatidas as acusações contidas no processo, evento que é, indubitavelmente, o elemento garantidor do direito que a parte tem de defenderse das acusações que lhe são dirigidas. Feita essa necessária ressalva quanto a possível impertinência da discussão em sentido mais amplo, passo ao exame focado especificamente no Mandado de Procedimento Fiscal. A origem do Mandado remonta à Portaria 1.265, de 22 de novembro de 1999. Como se depreende do texto normativo, o Mandado estava inserido em um conjunto de regras que tinham o propósito de consolidar critérios de planejamento e normas para execução do procedimento fiscal no âmbito da Secretaria da Receita Federal. A Portaria tinha o seguinte enunciado. “Dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Neste desiderato, estabeleceuse que os procedimentos fiscais seriam instaurados mediante ordem específica. Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. (grifei) (...) (...) 2 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 162DF CARF MF 6 Como se vê, tratase, portanto, de uma medida inserida dentro de programa de implementação de uma nova metodologia para o planejamento e controle da atividade fiscal, jamais pensado como instrumento de garantia ao direito de ampla defesa. É fato que a instituição do MPF pretendeu atribuir moralidade ao exercício da atividade fiscal e maior segurança nas relações fiscocontribuinte, mas daí até afirmarse que aspectos relacionados aos poderes nele outorgados possam acarretar preterição do direito de defesa, há uma distância abissal. Noutro giro, temse que a competência para constituir o crédito tributário decorre de determinação expressa na Lei 5.172/66, o Código Tributário Nacional, que, como se sabe, tem status de Lei Complementar. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A Lei nº. 10.593/2002, com alterações posteriores, disciplina atualmente a investidura no cargo e especifica as competências dentro da Carreira3. A inevitável conclusão a que se chega é a de que não há no Mandado de Procedimento Fiscal nada que lhe atribua a conseqüência pretendida, nem por preterição ao direito de defesa nem por falta de competência do agente responsável pelo procedimento. Passo ao mérito. O Termo de Verificação Fiscal, que contém a descrição dos fatos do Auto Infração, informa que o "contribuinte infringiu os seguintes dispositivos legais: artigo 9° da IN SRF n ° 71 de 24/08/2001, alterada pela IN SRF n ° 101, de 21/12/2001" e que "a multa aplicada baseiase no artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15825 de 2001". O artigo 57 da MP 2.15835/01 tem a seguinte redação. 3 “Art.” 3o O ingresso nos cargos das Carreiras disciplinadas nesta Lei farseá no primeiro padrão da classe inicial da respectiva tabela de vencimentos, mediante concurso público de provas ou de provas e títulos, exigindo se curso superior em nível de graduação concluído ou habilitação legal equivalente. “Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil”. Art. 5o Fica criada a Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil, composta pelos cargos de nível superior de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de AnalistaTributário da Receita Federal do Brasil. “Art. 6o São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil”: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (grifos meus). b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; Fl. 163DF CARF MF Processo nº 19515.001266/200511 Acórdão n.º 3302004.019 S3C3T2 Fl. 5 7 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. O artigo 16 da Lei nº 9.779/99 estabelece que compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre obrigações acessórias relativas a impostos e contribuições administrados pelo Órgão, estabelecendo, forma, prazo, condições de cumprimento e o responsável pelo adimplemento da obrigação. Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável No exercício dessa competência, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF nº 71/01, cujo art. 9º, com redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 101/01, integra a base legal do Auto de Infração neste controvertido. O texto era o seguinte. Art. 9º Após a concessão do registro especial, as alterações verificadas nos elementos constantes do art. 3º deverão ser comunicadas pela pessoa jurídica à DRF ou Defic do seu domicílio fiscal, no prazo de trinta dias, contado da data de sua efetivação ou, quando for o caso, do arquivamento no registro do Comércio, juntando cópia dos documentos de alteração. § 1º A falta de comunicação de que trata o caput sujeitar a empresa à penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória Nº 2.15835, de 2001. Foi com base no arcabouço normativo acima delineado que impôsse à autuada a multa de cinco mil reais, por mês calendário, para cada informação negligenciada, conforme previsto no art. 57 da Medida Provisória Nº 2.15835 de 2001. Fato de grande relevo na solução que se dará à lide, é que, na data em que se processo o presente julgamento, a Instrução Normativa SRF nº 71/01 encontrase revogada pela Instrução Normativa RFB nº 976/09, que, embora tenha mantido a obrigação de fazer que deu azo à autuação, introduziu uma pequena alteração de grande efeito. Observese o teor do comando contido no § 1º do art. 9º do Ato Normativo que atualmente em vigor. Art. 9º Após a concessão do Registro Especial, as alterações verificadas nos elementos constantes do art. 3º4 deverão ser comunicadas pela pessoa jurídica à 4 Art. 3º O pedido de registro será apresentado à unidade da RFB referida no caput do art. 2º, instruído com os seguintes elementos: I dados de identificação: nome empresarial, número de inscrição no CNPJ e endereço; Fl. 164DF CARF MF 8 DRF ou à Defis/SP ou à Demac/RJ do seu domicílio fiscal, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de sua efetivação ou, quando for o caso, do arquivamento no registro do comércio, juntando cópia dos documentos de alteração. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1048, de 29 de junho de 2010) § 1º A falta de comunicação de que trata o caput sujeitará a empresa à penalidade prevista no art. 12 (...) O que se observa é que, ao tempo da autuação, o § 1º do artigo 9º da Instrução Normativa SRF nº 71/01 remetia às penalidades previstas no art. 57 da MP 2.158 35/01, mas que, a partir da IN RFB nº 976/09, a remissão passou a ser às penalidades previstas no art. 12 da própria IN, não mais às penalidades do art. 57 da MP 2.15835/01, embora estas continuem vigendo5. II cópia do estatuto, contrato social ou inscrição de empresário, bem como das alterações posteriores, devidamente registrados e arquivados no órgão competente de registro de comércio ou no Registro Público de Empresas Mercantis, conforme o caso; III indicação da atividade desenvolvida no estabelecimento, conforme previsto no § 1º do art. 1º. IV relação dos diretores, gerentes e administradores da requerente, com indicação do número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e respectivos endereços; V relação dos sócios, pessoas físicas ou jurídicas, com indicação do número de inscrição no CPF ou no CNPJ, conforme o caso, e respectivos endereços. Parágrafo único. Quando se tratar de empresa jornalística, editora ou gráfica, deverá, ainda, ser informado se as oficinas de impressão são próprias ou de terceiros. Art 2º O Registro Especial será concedido pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização no Município de São Paulo (Defis/SP) ou da Delegacia Especial de Maiores Contribuintes no Município do Rio de Janeiro (Demac/RJ), em cuja jurisdição estiver localizado o estabelecimento, a requerimento da pessoa jurídica interessada, que deverá atender aos seguintes requisitos 5 Redação atual da MP 2.15835/01 Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$ 100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$ 50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) Fl. 165DF CARF MF Processo nº 19515.001266/200511 Acórdão n.º 3302004.019 S3C3T2 Fl. 6 9 Vejamos, então, o disposto o art. 12 da IN RFB nº 976/09. Art. 12. A nãoapresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no art. 11, sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Parágrafo único. Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade. A diferença é flagrante. Enquanto as penalidades, ainda hoje vigentes, previstas na MP 2.15835/01, ao sancionar a infração por inobservância do prazo, determinam a imposição da pena por mês calendário, as penalidades identificadas no artigo 12 da IN RFB nº 976/09 suprimem essa referência, especificando valores absolutos, afastando, assim, qualquer possibilidade de interpretação que leve em conta o tempo transcorrido entre o prazo determinado para a prestação e o adimplemento da obrigação. E não é sem razão que os Atos Normativos editados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil alteraram a instrução vigente até o ano de 2009. Como se sabe, a Lei nº 11.945/09 introduziu penalidades próprias para quem exerce atividades de comercialização e importação ou adquire papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Por óbvio, havendo lei específica, deve ela prevalecer sob o comando genérico. Como a seguir se lê, a Lei nº 11.945/09 comina penalidade nos mesmos termos em que foi normatizado pelo artigo 12 da IN RFB nº 976/09. Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: (Produção de efeitos). I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) § 4o Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Fl. 166DF CARF MF 10 § 1o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2o O disposto no § 1o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2o do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2o do art. 2o e no § 15 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. Tratandose de legislação nova, com penalidades menos gravosas, deve ser aplicada a fatos pretéritos ainda não transitados em julgado, tal como disciplinado no Código Tributário Nacional. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos meus) E não se diga que, ante a revogação posterior da legislação que determinava, à época dos fatos, a obrigação de fazer e as penas aplicáveis ao inadimplemento, seria caso de aplicação das alíneas "a" e "b" do inciso II do artigo 106 do CTN, acima transcrito. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 19515.001266/200511 Acórdão n.º 3302004.019 S3C3T2 Fl. 7 11 Independentemente do expediente legal onde estejam prescritos, o que importa é determinar se a obrigação e a sanção decorrente de sua inobservância subsistiram ao longo do tempo. Com base em tudo o que foi até exposto, não tenho dúvida de que ambas vigeram durante todo processo de alteração da legislação em escrutínio. Tudo isso resolvido, resta determinar a quantidade de alterações que deixaram de ser informadas à Secretaria da Receita Federal dentro do prazo por ela própria estipulado. A leitura do texto que segue, extraído do Termo de Verificação Fiscal, não deixa dúvidas de que apenas duas alterações contratuais deixaram de ser informadas (itens "d" e "e"). As alterações ocorridas nos itens a, b, e c acima foram comunicadas à Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo em 05/07/2004 através do Processo n° 19679.009129/200471 juntamente com a solicitação de Registro de Papel Imune para filial. As alterações ocorridas nos itens d e e não foram comunicadas até a presente data, utilizandose portanto o mês de abril como indicativo para o cálculo. Não se tendo notícia nos autos e nem alegação em sede de Recurso Voluntário de que a empresa seja optante pelo SIMPLES e, por outro lado, estando claro que a apresentação extemporânea das informações não se deu antes do início do procedimento fiscal, entendo que a multa é devida no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), calculado com base no valor unitário de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para o caso de as informações não serem apresentadas no prazo estabelecido. VOTO por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reduzir o valor da exigência neste controvertida para R$ 10.000,00 (dez mil reais). (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 13840.000265/2007-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 00 02 65 /2 00 7- 42 Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13840.000265/200742 Acórdão n.º 9202004.934 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13840.000265/200742 Acórdão n.º 9202004.934 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13840.000265/200742 Acórdão n.º 9202004.934 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13840.000265/200742 Acórdão n.º 9202004.934 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13840.000265/200742 Acórdão n.º 9202004.934 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13840.000265/200742 Acórdão n.º 9202004.934 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13840.000265/200742 Acórdão n.º 9202004.934 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13840.000265/200742 Acórdão n.º 9202004.934 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 13840.000265/200742 Acórdão n.º 9202004.934 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 378DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.917724/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
CANCELAMENTO DE DÉBITO.
Constada a inexistência do débito, cabe à própria DRF de origem, conforme disposto no inciso XXII do artigo 224 e inciso XI do artigo 302 do Regimento Interno da RFB (anexo da Portaria MF nº. 203, de 14 /05 /2012), proceder o cancelamento do débito em decorrência de erro no preenchimento de PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1201-001.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, para cancelar os débitos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes. Ausente justificadamente, o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Constada a inexistência do débito, cabe à própria DRF de origem, conforme disposto no inciso XXII do artigo 224 e inciso XI do artigo 302 do Regimento Interno da RFB (anexo da Portaria MF nº. 203, de 14 /05 /2012), proceder o cancelamento do débito em decorrência de erro no preenchimento de PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, para cancelar os débitos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes. Ausente justificadamente, o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 77 24 /2 00 9- 60 Fl. 539DF CARF MF 2 Trata o presente processo do PER/DCOMP n° 13761.43439.311005.1.3.045130 (fls. 02/06) transmitida em 31/10/2005, cujo crédito informado referese a pagamento a maior de IRPJ código 2362, estimativa, no valor de R$ 136.617,83 relativo ao DARF arrecadado em 29/07/2005, código: 2362, período de apuração: 30/06/2005, no valor de R$ 971.679,31, para compensar débitos de estimativa de IRPJ de setembro de 2005, no valor de R$ 98.112,52, e de estimativa de CSLL de setembro de 2005, no valor de R$ 44.188,61. A despeito do Despacho Decisório Nº de Rastreamento: 831254245, fl.09, expedido pela Delegacia da Receita Federal – DERAT Rio de Janeiro, que não homologara a compensação pleiteada, a interessada apresentou, em 29/05/2009, sua manifestação de inconformidade de fl. 12, não se insurgindo contra o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da compensação, apenas alegando que: ... o PER/DCOMP n° 13761.43439.311005.1.3.045130 apreciado no despacho decisório acima referido (doc. 2), na realidade carece de objeto, devendo ser cancelado, uma vez que os débitos nele apontados como compensados, relativos ao IRPJ e a CSLL do período de apuração de setembro de 2005 (cod. Rec. 2362 e 2484), foram extintos: a) parte por pagamento (DARF nos valores de R$ 239.135,88, R$ 937.453,23, R$ 74.186,17, e R$ 360.508,83); e b) parte por compensação declarada na PER/DCOMP n° 28482.91054.300807.1.7.047655, como atestam as cópias desse documento (doc.3) e da DCTF retificadora em anexo (doc. 4). Na DIPJ informou o valor correto da CSLL a pagar, contudo, cometeu equívoco no preenchimento da DCTF, declarando valor a maior que o devido. Entretanto, em 23/11/2009, entregou DCTF retificadora que evidencia e comprova o valor correto informado na DIPJ; De acordo com a jurisprudência administrativa, o erro de fato no preenchimento da DCTF não invalida o direito creditório; Por todo o exposto, requer seja homologada a compensação efetuada e suspensa a exigibilidade do crédito tributário. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJ1) indeferiu o pleito da pessoa jurídica, mantendo como não reconhecido o direito creditório e não homologando a compensação declarada, bem como mantendo a cobrança dos débitos constantes no PER/DCOMP nº 13761.43439.311005.1.3.045130, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1247.437, de 14 de junho de 2012, cientificado ao interessado em 06/05/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: DÉBITOS CONFESSADOS EM DCOMP. ÔNUS DA PROVA DE INEXIGIBILIDADE NO CASO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. As DComp constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos nelas indevidamente compensados, que gozam de certeza e correção, cabendo à contribuinte declarante a comprovação de erro ou de não Fl. 540DF CARF MF Processo nº 15374.917724/200960 Acórdão n.º 1201001.547 S1C2T1 Fl. 3 3 exigibilidade dos mesmos, quando assim alegar em suas manifestações de inconformidade que devem vir acompanhadas de toda a documentação necessária à comprovação das alegações nelas contidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais– CARF em 06/05/2013, conforme o despacho de encaminhamento, efl.195. Na peça recursal a Recorrente alega, no essencial, os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. A Recorrente não se insurge contra o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da compensação, apenas insiste que os débitos do IRPJ e CSLL objeto do PERDCOMP, tratado nos presentes autos, não mais subsistem, pelos seguintes motivos: a) em relação à CSLL: apurou que o valor inicialmente declarado e recolhido a título de CSLL devida por estimativa em setembro de 2005 estava incorreto, devendo ser retificado de R$ 498.691,48, para R$ 439.815,33; diante desse fato, considerando os recolhimentos realizados para aquele período de apuração, o suposto saldo do débito no valor de R$ 44.188,61, objeto da PER/DCOMP nº 13761.43439.311005.1.3.045130, mostrouse excessivo, motivo pelo qual, a Recorrente apresentou nova PER/DCOMP de n° 28482.91054.300807.1.7.047655 (retificadora do Per/DCOMP n° 06991.50820.170306.1.3.047574), para compensar o débito em questão, desta feita reduzido para R$ 5.120,33 (que acrescidos de multa e juros de mora totalizou R$ 6.473,64) e, olvidouse, contudo, de cancelar a PER/DCOMP n° 13761.43439.311005.1.3.045130, originariamente transmitida erroneamente. b) em relação ao IRPJ: apurou que o valor inicialmente declarado e recolhido a título de IRPJ devido por estimativa em setembro de 2005 estava incorreto, devendo ser retificado de R$ 1.274.701,63, para R$ 1.176.589,10; diante desse fato, considerando os recolhimentos realizados para aquele período de apuração, o suposto saldo do débito no valor de R$ 98.112,59, objeto do PER/DCOMP n ° 13761.43439.311005.1.3.045130, mostrouse indevido, pois os valores previamente recolhidos via DARF (R$239.135,88 e R$ 937.453,23 doc.02) já eram suficientes para quitar o débito de estimativa do IRPJ de setembro de 2005, e, olvidouse, contudo, de cancelar a PER/DCOMP n°13761.43439.311005.1.3.045130, originariamente transmitida erroneamente. Conclui afinal que, os valores devidos de CSLL e IRPJ de setembro de 2005 são de R$ 439.815,33 (CSLL) e R$ 1.176.589,10 (IRPJ) conforme DCTF e DIPJ Retificadoras e Fls. do Livro Razão. Fl. 541DF CARF MF 4 A Recorrente alega que não há qualquer óbice, em relação ao fato de ter apresentado o PER/DCOMP n° 06991.50820.170306.1.3.047574 (retificado pelo PER/DCOMP 28482.91054.300807.1.7.047655), para compensar o débito no valor de R$ 5.120,33 que se mostrou devido após a revisão da base de cálculo da CSLL do ano calendário de 2005, pois, apresentou o PER/DCOMP n° 06991.50820.170306.1.3.047574, em 17.03.2006, e o despacho decisório que analisou o PER/DCOMP n° 13761.43439.311005.1.3.045130 só foi proferido em 29.04.2009. Diz que, não há plausibilidade na decisão da DRJ ao alegar que essa conduta da Recorrente era vedada pelo inciso V, do § 3o, do art. 34 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, pois, não se podia falar em "... débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada". Argúi que, não obstante, essa incorreção contida no acórdão recorrido em nada afeta o caso em tela, uma vez que, ao ser cientificada da não homologação do PER/DCOMP n° 06991.50820.170306.1.3.047574, a RECORRENTE optou por recolher o débito de R$ 5.120,33, com os benefícios para pagamento à vista previstos no inciso I do §3° do artigo 1o da Lei n° 11.941/2009, como evidencia o DARF em anexo (doc. 06). Conclui que, foi para refletir essa extinção do débito pelo pagamento que a RECORRENTE apresentou a DCTF retificadora datada de 14.07.2010. Finalmente requer o provimento do recurso voluntário. A extinta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento,com o intuito de esclarecer os fatos, mediante a Resolução nº 1802000.571, de 22/10/2014, decidiu pela conversão do julgamento em diligência. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes DEMAC/RJO/DIORT, após intimar o interessado para a apresentação dos documentos/esclarecimentos necessários, elaborou o Despacho de Diligência efls. 446/450, conclusivo para a análise, do qual foi cientificado o contribuinte, em 16/04/2015, (e fls.452/453) que se manifestou contrariamente ao Despacho (efl.537). É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Para facilitar o entendimento da lide transcrevo excerto do voto condutor da Resolução nº 1802000.571, de 22/10/2014, mencionada no relatório acima: ... Como se vê, não há litígio quanto a inexistência do alegado direito creditório mas o contribuinte se insurge contra os débitos por ele declarados no PERDCOMP nº 13761.43439.311005.1.3.045130 que não fora cancelada por esquecimento seu. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 15374.917724/200960 Acórdão n.º 1201001.547 S1C2T1 Fl. 4 5 A Recorrente sustenta que os débitos foram (i) originariamente confessados pela RECORRENTE na apresentação da primeira DCTF retificadora em 26.09.2006 (as demais DCTFs mantiveram tal valor e serviram apenas para modificar sua forma de extinção, (ii)declarados na DIPJ retificadora transmitida em 22.10.2010 (doc. 03), todas devidamente acatadas pela Administração Tributária. A DRJ em decisão de primeira instância alega que de conformidade com o § 6º do art. 73 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , as DComp constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos nelas indevidamente compensados. Assim sendo, no caso de não homologação da compensação, os débitos transcritos em DComp gozam de certeza e correção, cabendo à contribuinte declarante a comprovação de erro ou de não exigibilidade dos mesmos, quando assim alegar. Não divirjo da decisão recorrida, por entender que as declarações de compensação constituemse em confissão de dívida (§ 6º,art.74, Lei nº 9.430/96) mas devese ponderar no entanto que tal premissa não pode ser considerada incondicionada, pois, havendo a confissão de dívida e por outro lado o pagamento do débito devido não se pode sem exame dos documentos necessários manter a exigência dos débitos apenas porque confessados no PERDCOMP. Do Despacho Decisório da autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil – DERAT/Rio de Janeiro (fl.09) não consta qualquer análise acerca das informações prestadas nas DCTFs e DIPJ relativa ao ano calendário de 2005, acatadas pela Administração Tributária, para que se verifique o real IRPJ e CSLL devidos por estimativa relativos ao ano calendário de 2005. O processo consubstanciase no método de compor a lide, de sorte que não se pode, no presente caso, simplesmente negar o pleito do contribuinte, no âmbito do contraditório, sem que a autoridade administrativa Delegacia da Receita Federal do Brasil –DERAT/Rio de Janeiro informe quais os valores do IRPJ e CSLL devidos por estimativa, relativos ao mês de setembro de 2005 e se os mesmos foram quitados por pagamento (DARFs). E ainda, demonstrar a composição do saldo negativo ou a pagar em 31/12/2005. A diligência se faz necessária para que não haja exigência tributária em duplicidade ou dispensa de crédito tributário não pago. Diante do exposto, voto no sentido de que sejam os autos encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil – DERATRio de Janeiro/RJ , para confrontar a DIPJ/2006 com a escrituração contábil/fiscal, documentação que lhe deu lastro e informar qual o valor da CSLL – estimativa e IRPJ estimativa Fl. 543DF CARF MF 6 relativos ao mês de setembro/2005, se foram quitados por pagamento e sua utilização na composição do IRPJ e CSLL apurados em 31/12/2005. Elaborado o relatório fiscal de praxe, dar ciência ao recorrente para sua manifestação, se interessar. Da Informação Fiscal apresentada pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes DEMAC/RJO/DIORT, efls.446/450, consta, no essencial, o seguinte: (...) 7.Logo, após a Intimação n° 200/2015 (fls. 252/253), e resposta do contribuinte (fls. 336/337) com anexos, onde não explicou a não retificação da contabilidade, vamonos à análise: a) Conforme DIPJ (fls. 254/268) O IR estimativa de 09/2005 é de 1.176.589,10 e a CSLL estimativa de 09/2005 é de 439.815,33. Já o SN do IRPJ é de 762.792,52 e da CSLL é de 169.821,45. No doc. 05, Registro Doc. Lucro Real, o lucro em 09/2005 é de 37.945.035,33 (fl. 400) que é a BC do Imposto Renda apresentado na DIPJ (fl. 359 ou 258) constantes do processo. A empresa também apresenta outro Reg. Apuração Lucro Real (fl. 429) do mês 09/2005 no valor de 37.815.388,14. Não apresentou o Reg. Apuração da CSLL conforme o pedido na Intimação. O Razão Contábil da CSLL a pagar de 09/2005 (fls. 180) é de 498.691,48 ou seja, apresenta o valor original. A diferença de 58.876,15 para o retificado não consta no Razão de 2006 (fls. 182/183). O Razão Contabil do IRPJ a recolher de 09/2005 (fl. 186) é de 1.385.399,40 que é o original. A diferença para o retificado, em 208.810,30 não consta no Razão de 2006 (fls. 188/189). Conforme o Balancete apresentado também não se encontra retificado, pois na fl. 375, ct. 201015030 – IR a recolher é de 1.385.399,40 que é o mesmo valor da fl. 378 ct. 3500130019000 IR. O mesmo sucede para a CSLL nas cts. 201015020 e 3500130019010 CS. b) Conforme a DIPJ (fls. 254/268) e a DCTF (fls.269/273) em 09/2005 a CSLL a pagar é de 439.815,33 (fl.272). Foi paga em 03 DARF's (fl. 274) conforme tela do sistema SiefWeb. c) Já o IRPJ é de 1.176.589,11 (fl. 273). Foi pago em 02 DARF's conforme tela do SiefWeb à fl. 275. d) Como nessa competência de 09/2005 não apresenta sobra de valores entre os DARF's e os tributos, esses DARF compõem o SN desses tributos em sua totalidade. Assim sendo, a empresa apresenta conforme suas DCTF e DIPJ para AC 2005 os valores da CSLL – 2484 conforme a tabela abaixo: Fl. 544DF CARF MF Processo nº 15374.917724/200960 Acórdão n.º 1201001.547 S1C2T1 Fl. 5 7 Já para o IRPJ – 2362: Apresenta vários DARF's para os PA 04,05 e 09: Fl. 545DF CARF MF 8 Apresenta sobras de valores em alguns DARF's, que compõem ao mesmo tempo compensações de PGIM e o SN da CSLL e do IRPJ, conforme fls.440/445 e como veremos mais a frente: Apresenta mensalmente retenção do IRRF para as estimativas do IRPJ na DIPJ: Fl. 546DF CARF MF Processo nº 15374.917724/200960 Acórdão n.º 1201001.547 S1C2T1 Fl. 6 9 Verificamos que a empresa utiliza em duplicidade os valores de sobra nos DARF's fazendo compensações de PGIM, conforme fls. 440/445, e utilizando essas sobras na formação do SN tanto do IRPJ quanto da CSLL. Ou seja, o SN da CSLL e do IRPJ em 169.821,45 e 762.792,52 estão errados, pois a empresa utiliza os DARF no total de pagamentos para chegar nestes valores e ao mesmo tempo utiliza parte desses DARF's para fazer várias compensações em PGIM. O SN correto é 600.460,40 para o IRPJ e de 29.635,50 para a CSLL, conforme demonstra o quadro abaixo em comparação com as sobras dos DARF's no quadro anterior que foram usadas para formar o IR mensal pago por estimativa (L.17 Ficha 12A) e a CSLL paga estimativa (L.52Ficha 17): A diferença encontrada de 162.332,12 corresponde as sobras nos DARF's, conforme quadro anterior. E, para a CSLL teremos: 8.À Execução, conforme conclusão da diligência determinada pelo CARF e de acordo com a fl. 246, cientificar o contribuinte, abrindo prazo de 30 dias para manifestação desse, devolvendo os autos em seguida para prosseguimento do julgamento. Em sua manifestação (efls.527/529) contra a Informação Fiscal, e fls.446/450, o Recorrente insiste que o PER/DCOMP n°13761.43439.311005.1.3.045130 objeto do presente processo carece de objeto, "pois os débitos que nela se pretendia compensar (no valor de R$ 44.188,61, relativo à parte da CSLL devida por estimativa apurada em setembro de 2005 e no valor R$ 98.112,52, relativo à parte do IRPJ devido por estimativa Fl. 547DF CARF MF 10 apurada em setembro de 2005), foram reduzidos, face à revisão da base de cálculo desses tributos, tendo os novos valores apurados de R$ 439.815,33 (CSLL) e R$ 1.176.589,10 (IRPJ), sido extintos por pagamentos via DARFs. Diz que, ao se compulsar as fls. 440/445, mencionadas pela autoridade fiscal, verificase que os processos nos quais a Diligenciante alega ter a Recorrente utilizado as "sobras nos Darfs" como Pagamento Indevido ou a Maior (PGIM), são: 15374.922.829/2009 31, 15374.965.388/200961 e 15374.965.386/200972, e que, tais processos objetivavam a compensação de diversos débitos com valores recolhidos maior a título de estimativas do IRPJ e CSLL do anocalendário de 2005, contudo, como a época o entendimento da RFB era que esses valores não poderiam receber o tratamento de pagamento indevido ou a maior (PGIM), e, sim compor os saldos negativos do período, a Recorrente optou por desistir expressamente e de forma irrevogável das defesas apresentadas naqueles processos, renunciando, ademais, a quaisquer alegações de direito sobre as quais eles se fundavam e pagou os débitos objetos de compensação com os benefícios previstos na Lei n° 11.941/2009, conforme comprovam as petições em anexo (docs. 02, 03, 04) e, retificou sua DIPJ do anocalendário de 2005 para que tais valores recolhidos a maior a título de estimativas do IRPJ e CSLL compusessem os saldos negativos do IRPJ e da CSLL do período. Conclui que, diversamente do afirmado pela autoridade fiscal, não há como se falar de utilização em duplicidade dos valores recolhidos em excesso, e, finalmente reitera que seja reconhecida a extinção pelo pagamento dos créditos tributários de CSLL e IRPJ (estimativas de setembro de 2005). Tratase pois, de cancelamento de débito de CSLL e IRPJ (estimativas de setembro de 2005) declarados em PER/DCOMP n° 13761.43439.311005.1.3.045130 haja vista que os débitos que nela se pretendia compensar (no valor de R$ 44.188,61, relativo à parte da CSLL devida por estimativa apurada em setembro de 2005 e no valor R$ 98.112,52, relativo à parte do IRPJ devido por estimativa apurada em setembro de 2005), foram reduzidos, face à revisão da base de cálculo desses tributos, tendo os novos valores apurados de R$ 439.815,33 (CSLL) e R$ 1.176.589,10 (IRPJ), sido extintos por pagamentos via DARFs. Depreendese da Informação Fiscal (item 7 acima transcrito), que o IR estimativa de 09/2005 é de 1.176.589,10 e a CSLL estimativa de 09/2005 é de 439.815,33, conforme DIPJ (fls. 254/268), e que, tais valores foram quitados por DARFs, conforme tela do sistema SiefWeb (fls.274 e 275), e que, nessa competência de 09/2005 não apresenta sobra de valores entre os DARF's e os tributos declarados na DIPJ/2006 e DCTFs. Sendo que os DARF (1.176.589,10 e 439.815,33) compõem o SN do IRPJ e CSLL em sua totalidade. Nesse diapasão, deve ser levada em consideração a Informação Fiscal da DEMAC (efls.446/450) sobre os valores das estimativas de IR e CSLL no mês de setembro de 2005, com pagamentos comprovados (DARF) que compõem os saldos negativos declarados na DIPJ/2006 e que em nada repercutem na constatação pela autoridade fiscal de que: o SN da CSLL e do IRPJ em 169.821,45 e 762.792,52 estão errados, porque a empresa utiliza as sobras dos DARF no total de pagamentos para chegar nestes valores e ao mesmo tempo utiliza parte desses DARF's para fazer várias compensações em PGIM. O SN correto é 600.460,40 para o IRPJ e de 29.635,50 para a CSLL Isto porque, conforme explicitado na Informação Fiscal, alínea "d" do item 7 acima transcrito, na competência de 09/2005, não apresenta sobra de valores entre os DARF's e os tributos, de sorte que a alteração nos saldos negativos " 600.460,40 para o IRPJ e de 29.635,50 para a CSLL" não decorre dos DARF relativos às estimativas do mês de Fl. 548DF CARF MF Processo nº 15374.917724/200960 Acórdão n.º 1201001.547 S1C2T1 Fl. 7 11 setembro/2005, e nos presentes autos não se está discutindo os saldos negativos do ano calendário de 2005. Desse modo, concluindose que o IR estimativa de 09/2005 é de 1.176.589,10 e a CSLL estimativa de 09/2005 é de 439.815,33, conforme DIPJ (fls. 254/268), e que, tais valores foram quitados por DARFs, conforme tela do sistema SiefWeb (fls.274 e 275), e que, somente tais valores, nessa competência de 09/2005, compõem o saldo negativo do IRPJ e CSLL em 31/12/2005, não se pode exigir os débitos declarados no PER/DCOMP n° 13761.43439.311005.1.3.045130 para compensação (no valor de R$ 44.188,61, relativo à parte da CSLL devida por estimativa apurada em setembro de 2005 e no valor R$ 98.112,52, relativo à parte do IRPJ devido por estimativa apurada em setembro de 2005) Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Voluntário para que os mencionados débitos relativos ao mês de setembro/2005, constantes no PER/DCOMP nº 13761.43439.311005.1.3.045130 tratado nos presentes autos, sejam cancelados pela Delegacia da Receita Federal – DERAT Rio de Janeiro, no exercício de sua competência regimental em consonância com o inciso XXII do artigo 224 e inciso XI do artigo 302 do Regimento Interno da RFB (anexo da Portaria MF nº. 203, de 14 /05 /2012). (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 549DF CARF MF
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