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Numero do processo: 11128.002061/2002-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 01/04/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. UINDASTES AUTOPROPULSORES. EX TARIFÁRIOS.
Comprovado que as mercadorias importadas tratam-se de guindastes
auto propulsores, a reclassificação fiscal levada a efeito mostra-se equivocada e contrária A. prova dos autos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-001.253
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / lª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntártio, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 01/04/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. UINDASTES AUTOPROPULSORES. EX TARIFÁRIOS. Comprovado que as mercadorias importadas tratam-se de guindastes auto propulsores, a reclassificação fiscal levada a efeito mostra-se equivocada e contrária A. prova dos autos. Recurso Voluntário Provido.
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UINDASTES AUTOPROPULSORES. EX TARIFÁRIOS. Comprovado que as mercadorias importadas tratam-se de guindastes autopropulsores, a reclassificação fiscal levada a efeito mostra-se equivocada e contrária A. prova dos autos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2' Camara / la Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntártio, nos termos do voto do relator. COALL-1 Marcos urélio Pe do - Presidente Luciano opes de , lmeida Moraes - Relaro- r. EDITADO EM: 17/06/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorin, Daniel Mariz Gudifio e Paulo Sérgio Celani e Marcelo Ribeiro Nogueira. http://decisoes-w.receita.fazenda/pesquisa.asp Fl. 360DF CARF MF Impresso em 11/08/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por NALI DA COSTA RODRIGUES Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instancia até aquela fase: 0 importador por meio da DI de n° 02/0281727-4, registrada em 01/04/2002, importou a mercadoria descrita na adição 001 como um "GUINDASTE PARA TODO TERRENO, AUTOPROPULSOR, SOBRE PNEUS, COMPUTADORIZADO, COM LANÇA TELESCÓPICA DE 48 M DE COMPRIMENTO E CAPACIDADE MÁXIMA DE CARGA DE 80 TON, MODELO LTM 1080/1, NÚMERO DE SÉRIE P/N 061 290", classificando- a no código NCM 8426.41.00, recolhendo o imposto de importação à aliquota de 4% ("ex" tarifário 004 — Resolução Camex n° 22/01) e imposto sobre produtos industrializados alíquota de 5%. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta é a NCM 8705.10.00, com alíquota do imposto de importação de 35%, e aliquota do imposto sobre produtos industrializados de 5%. Através do Auto de Infração de fls. 01 e seguintes cobraram-se as diferenças de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, juros, multa de oficio e multa pela falta de guia de importação. Intimada do Auto de Infração em 21/05/2002 (7. 79), a interessada apresentou impugnação e documentos em 19/06/2002, juntados às folhas 80 e seguintes, alegando ern síntese: Alega preliminarmente a nulidade da autuação pelo fato de a fiscalização ter indicado como modelo do equipamento um número que, segundo a impugnante, trata-se do código da cidade de produção do bem. Alega violação do Principio da Ampla Defesa. No mérito alega que a empresa L1EBHERR não produz caminhões. Citando as NESH, alega que o equipamento possui movimentação tipo "caranguejo", controlada da cabine do guindaste, que já caracterizaria um dos requisitos exigidos para a sua classificação como guindaste autopropulsor da posição 8426. Possui mecanismo de auto-locomoção. Possui superestrutura formando um conjunto integrado ao chassi de forma homogênea. Alega que a retirada do guindaste tornaria sem utilidade o "carro inferior" (fl. 90, 2° parágrafo da impugnação). Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes relativa a guindastes hidráulicos. Julga incabível a multa por falta de guia de importação alegando que, de fato, possui guia de importação, e que só a ausência de qualquer guia daria ensejo a referida sanção. Além disso, julga improcedente a multa, pois considera correta a classificação fiscal por ela adotada. fe 2 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 11/08/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por NALI DA COSTA RODRIGUES Processo n° 11128.002061/2002-61 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-01.253 Fl. 300 Requer por fim que seja julgado improcedente o auto de infração Na decisão de primeira instancia, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Sao Paulo/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/SPOII n° 17.494, de 15/02/2007, fls. 255/261, assim ementada: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 01/04/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL O caminhão guindaste marca LIEBHERR, modelo LTM 1080/1, classifica-se no código NCM 8705.10.00. Lançamento Procedente. As fls. 263/v o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls.269/296. Iniciado o julgamento, foi baixado em diligência para verificação se a mercadoria, reclassificada, seria sujeita à licenciamento não automático. Realizada a diligência, retorna para julgamento. E o Relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Discute-se nos autos a tributação de IPI, II e a multa prevista no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro, em face da alteração da classificação fiscal pretendida pela recorrente. 0 elemento principal da lide consiste em se determinar a classificação fiscal do produto descrito pelo recorrente como "GUINDASTE PARA TODO TERRENO, AUTOPROPULSOR, SOBRE PNEUS, COMPUTADORIZADO, COM LANÇA TELESCÓPICA DE 48 M DE COMPRIMENTO E CAPACIDADE MAXIMA DE CARGA DE 80 TON, MODELO LTM 1080/1, NÚMERO DE SERIE P/N 061 290", do fabricante LIEBHERR da Alemanha. Da preliminar de nulidade do Auto de Infração Alega a recorrente a referida nulidade em face do Auto de Infração não demonstrar claramente a infração ocorrida, sendo suportado, ainda, por mera opinião da autoridade lançadora. levantada. Em face da previsão do art. 59, § 3° do PAF, deixo de apreciar a preliminar 3 Fl. 362DF CARF MF Impresso em 11/08/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por NALI DA COSTA RODRIGUES Da classificação fiscal Entendo que, neste ponto, a decisão recorrida merece reparos. Isso porque a classificação fiscal adotada pela recorrente é efetivamente a mais correta. de 08/06/2001): A NCM utilizada por ela foi a 8426.41.00 ("EX 004" Resolução Camex n° 22 "8426 Cábreas; guindastes, incluídos os de cabo; pontes rolantes, pórticos de descarga ou de movimentação, ponies- guindastes, carros-pórticos e carros-guindastes. 8426.4 Outras máquinas e aparelhos, autopropulsados 8426.41 De pneumáticos 8426.41.00 Próprios para serem montados em veículos rodoviários" "EX 004 GUINDASTE PARA TODO TERRENO, AUTOPROPULSORES SOBRE PNEUS, COMPUTADORIZADO, COM LANÇA TELESCÓPICA DE COMPRIMENTO IGUAL OU SUPERIOR A 42 in E CAPACIDADE MÁXIMA DE CARGA IGUAL OU SUPERIOR A 60 1' Da análise dos manuais e documentos do referido veiculo, vemos claramente se tratar de um carro-guindaste, ou seja, é uma máquina que, mesmo que retirado o guindaste, não teria outra serventia que transportá-lo. Ademais, o EX deferido comporta identicamente a mercadoria importada, o que corrobora a classificação da recorrente. Ademais, os documentos juntados aos autos são suficientes para suportar a classificação fiscal adota da pela recorrente. Por fim, entendo que a classificação fiscal pretendida pela fiscalização não se adecua ao caso em concreto. Isso porque a NCM 8705.10.00 diz o seguinte: "8705 Veículos automóveis para usos especiais (por exemplo, auto-socorros, caminhões-guindastes, veículos de combate a incêndio, caminhões-betoneiras, veículos para varrer, veículos para espalhar, veículos-oficinas, veículos radiológicos), exceto os concebidos principalmente para transporte de pessoas ou de Mercadorias. 8705.10.00 Caminhões-guindastes" A própria nota explicativa desta posição explicita: Observando as notas explicativas da posição 8426, vemos que: "I) Notas Explicativas da Posição 8426 [CÁBREAS; GUINDA TES, INCLU1DOS OS DE CABO; PONTES 4 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 11/08/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por NALI DA COSTA RODRIGUES Processo n° 11128.002061/2002-61 S3-C2T1 Acórdão n° 3201-01.253 Fl. 301 ROLANTES, PÓRTICOS DE DESCARGA OU DE MOVIMENTAÇÃ 0, PONTES-GUINDASTES, CARROS- PÓRTICOS E CARROS-GUINDASTES] APARELHOS AUTOPROPULSORES E OUTROS APARELHOS MOVEIS Com exclusão de alguns tipos determinados a seguir mencionados, que se apresentam montados em veículos da Seção XVII, a presente posição compreende os aparelhos fixos e os aparelhos móveis, mesmo autopropulsores. As exclusões são as seguintes: a) (.) b) Aparelhos montados em tratores ou em veículos automóveis do Capitulo 87. (..) 2) Aparelhos montados em chassis automóveis ou em caminhões. Aqui, não são aparelhos montados em chassis, segregáveis, mas um único produto, com apenas uma numeração. Esta Conselho já se manifestou neste sentido, ao julgar o AC 3101-001.263: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 08/07/2002 PERÍCIA COMPLEMENTAR. GUINDASTES AUTOPROPULSORES. EX TARIFÁRIOS. Comprovado mediante perícia complementar, que as mercadorias importadas tratam-se de guindastes autopropulsores, a reclassificação fiscal levada a efeito mostra- se equivocada e contrária à prova dos autos. 0 quadro resumo, com a capacidade de carga e peso próprio de cada guindaste permite verificar que a capacidade máxima de carga de todos os modelos satisfazem os EX tarifdrios utilizados. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. <V Sala das Sessões, emJ2l de março de 2013. Luciano Lopes d). ida Moraes - Relatb (.. 5 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 11/08/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por NALI DA COSTA RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 10930.001518/2005-36
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jul 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração:01/01/2005 a 31/03/2005
PEREMPÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Encontra-se perempta (intempestiva) a peça recursal interposta após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3803-006.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não se conheceu do recurso, por intempestivo.
(Assinado Digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Demes Brito - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente da turma), Demes Brito (Relator) Belchior Melo, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Renato Mothes de Moraes
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração:01/01/2005 a 31/03/2005 PEREMPÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Encontra-se perempta (intempestiva) a peça recursal interposta após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não se conheceu do recurso, por intempestivo. (Assinado Digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente. (Assinado Digitalmente) Demes Brito - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente da turma), Demes Brito (Relator) Belchior Melo, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Renato Mothes de Moraes
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1687; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 626 1 625 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.001518/200536 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.955 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de março de 2015 Matéria Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Compensação e Ressarcimento Recorrente INCOEX INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração:01/01/2005 a 31/03/2005 PEREMPÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Encontrase perempta (intempestiva) a peça recursal interposta após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não se conheceu do recurso, por intempestivo. (Assinado Digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. (Assinado Digitalmente) Demes Brito Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente da turma), Demes Brito (Relator) Belchior Melo, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Renato Mothes de Moraes Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito da COFINS Mercado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 15 18 /2 00 5- 36 Fl. 626DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DEME S BRITO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10930.001518/200536 Acórdão n.º 3803006.955 S3TE03 Fl. 627 2 Externo de que trata a Lei 10.833/2003, no valor de R$2.408.226,71, referente ao 1° trimestre de 2005, a ser utilizado mediante compensação com os débitos informados nas Declarações de Compensação em formulário e eletrônicas anexadas ao processo. A DRF/LONDRINA exarou o Despacho Decisório de fls. 340/341, com base no Parecer DRF/SAORT/DRF/LON n° 029/2007 de fls. 334 a 339 decidindo reconhecer o direito creditório no valor de R$ l.849.651,43 e homologar as compensações declaradas nas DCOMP apresentadas em formulário até 13/12/2005, homologar parcialmente as compensações declaradas em DCOMP apresentadas em 15/12/2005 e não homologar as demais compensações efetuadas pela empresa. No Parecer Conclusivo consta consignado, em resumo, que: Cientificada do indeferimento de seu pleito em 25/04/2013 (fl.459), a Recorrente apresentou Recurso Voluntário Parcial em 23/05/2013 (fls.493), na qual, alega a inaplicabilidade da multa de ofício em razão do procedimento fiscalizatório ter iniciado após adesão ao programa de parcelamento especialPAES g) Com relação aos créditos apurados sobre aquisições de bens do ativo imobilizado (conforme art. 3°, § 14 da Lei 10.833/2003), foi constatado pelas notas fiscais às fls. 288/298 que algumas aquisições relativas ao mês de abril de 2005 foram consideradas indevidamente dentro do 1° trimestre. Assim, foi reconstituído o valor passível de crédito no período conforme demonstrativo de fls. 299; h) No DACON, o contribuinte apurou créditos vinculados ao mercado externo, os quais, após abatimento dos valores devidos no mercado interno (com a ressalva para o aproveitamento indevido do crédito presumido da agroindústria) perfaz o valor de R$2.408.226,7l; i) Os percentuais resultantes do método de rateio escolhido pelo contribuinte e as receitas de exportação e receitas totais estão demonstrados às fls. 300. O rateio procedido pela fiscalização não implicou em nenhuma modificação no direito creditório do contribuinte, mas apenas redistribuição do valor a ser deduzido da contribuição apurada nas vendas no mercado interno; j) Foi constatado (relação de fl. 171/172) que a empresa utiliza diversos custos/despesas com serviços/compras, classificados como materiais de manutenção da fábrica, que não são passíveis de gerar crédito. Nas fls. 281 a 285 estão anexados por amostragem documentos que ensejaram o aproveitamento indevido de crédito por parte da empresa; k) Em verificação por amostragem não foram constatadas irregularidades na base de cálculo da COFINS (venda de produtos, mercadorias e prestação de serviços); l) A consolidação dos créditos da COFINS não cumulativa está demonstrada às fls. 301/302, nas quais, utilizando como modelo o DACON, o quadro 1 reproduz os créditos a descontar e o quadro 2 a apuração da COFINS; m) O valor do crédito vinculado ao mercado externo, passível de compensação com outros tributos ou ressarcimento em dinheiro apurado pela fiscalização foi de R$1.849.65l, 43. Foi apurado ainda o valor de R$516.587,65 referente a crédito vinculado ao mercado interno e crédito presumido de atividades agroindustriais que somente são passíveis de dedução da própria COFINS não cumulativa em períodos subseqüentes. Cientificada da decisão em O2/04/2007 (fl. 366), a contribuinte apresentou Fl. 627DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DEME S BRITO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10930.001518/200536 Acórdão n.º 3803006.955 S3TE03 Fl. 628 3 Manifestação de Inconformidade em 24/04/2007 (fls. 367 a 373), alegando, em síntese que a) No despacho decisório, acatando o disposto no ADI/SRF 15/2005 e na IN/SRF 660/2006, a autoridade não homologou compensações no montante de R$ 493.260,70 e deixou de ressarcir o montante de R$39.836,24. Tal vedação não encontra amparo na legislação vigente; b) Para demonstrar que o crédito presumido é passível de ressarcimento, transcreve a exposição de motivos da MP 183/04 que originou a Lei 10.925/04; c) A alteração procedida pela legislação disse respeito tão somente ao percentual do crédito presumido; d) Em relação à possibilidade da utilização do saldo credor acumulado para compensação com débitos próprios ou, ainda, diante da impossibilidade desta compensação, a faculdade de o contribuinte ressarcir estes valores vem regulada nos artigos 5°, § 1°, inciso II e § 2° da Lei 10.637/02 e artigo 6°, § 1°, inciso II, e § 2°, e artigo 16 da Lei nº 11.116/05; e) Os artigos 8° e 15 da Lei 10.925/04 instituem modalidade de crédito presumido e, num segundo momento, prevê a forma de utilização ordinária deste crédito, sendo silente, assim como o art. 3° das Leis 10.637/02 e 10.833/03, quanto à forma de utilização de eventuais saldos credores, pois tratase de outro instituto, tratado em outro artigo das leis; f) Ante o exposto requer seja dado provimento à manifestação de inconformidade, com a formalidade de se reformar a decisão proferida, homologar as compensações envolvidas, ressarcir a importância de R$39.836,24. Requer ainda a suspensão dos créditos tributários em tela. A decisão foi ementada como segue: Período de Apuração:01/01/2005 a 31/03/2005 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL–COFINS. CRÉDITOS PRESUMIDOS AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. A partir de 1° de agosto de 2004, os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue a sua compensação com os demais tributos ou o seu ressarcimento. Solicitação Indeferida. Cientificada da decisão em 20 outubro de 2008 (fl. 585), irresignada, apresentou recurso voluntário em 20 de novembro (fl. 581), em que, reafirmou as razões de defesa aduzidas na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DEME S BRITO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10930.001518/200536 Acórdão n.º 3803006.955 S3TE03 Fl. 629 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso é intempestivo e dele, portanto, não conheço. De acordo com o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, da decisão de primeira instância caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O Recorrente recebeu cópia da decisão da DRJ Rio de JaneiroRJOII em 20 de outubro de 2008, segundafeira – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 585 –, considerandose cientificado, portanto, em 20/10/2008, segundafeira, tendo por iniciado o prazo para interposição do recurso em 21/10/2008 (terçafeira) e finalizado em 19/11/2008 (quartafeira). Contudo, o Recurso Voluntário somente veio a ser protocolizado na repartição de origem em 20/11/2008, conforme se constata do carimbo e da autenticação à fl. 586. Não se identificou nenhum feriado, ponto facultativo ou expediente anormal no órgão que alterasse o início ou o vencimento do prazo para interposição do recurso. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso em razão da intempestividade de sua interposição. É como voto. É como voto (assinado digitalmente) Demes Brito –Relator Fl. 629DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DEME S BRITO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11065.000602/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.516
Decisão: RESOLVEM os membros da Primeira Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Recorrida DRJ EM PORTO ALEGRE/RS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da Primeira Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR –Relator. EDITADO EM: 13/04/15 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, ADRIANO GONZALES SILVERIO. Adoto o relatório constante do Acórdão n. 10-33.176 – 7ª Turma da DRJ/POA, de 20/07/2011 [fls. 562/570]: O presente lançamento decorre do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF n° 10.1.07.00-2008-00441 e prorrogações que determinou a ação fiscal na Lucacuca Calçados Ltda, CNPJ n° 05.880.843/0001-43. Na mesma ação fiscal foram emitidos os seguintes Autos de Infração - A I : 1) AI Debcad n° 37.169.751-4 relativo as contribuições devipas a terceiros: INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE; Fl. 2177DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000602/2009-75 Resolução nº 2301-000.516 S2-C3T1 Fl. 2.178 2 2) AI Debcad n° 37.169.749-2 relativo as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais; 3) AI Debcad n° 37.169.738-7 relativo ao descumprimento de obrigação acessória: deixar de apresentar a GFIP com os dados correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. O crédito previdenciário constituído no presente AI, no valor de R$1.604.888,21 (um milhão seiscentos e quatro mil oitocentos e oitenta e oito reais e vinte e um centavos), consolidado em 08/09/2009, refere- se a contribuição a cargo da empresa, inclusive a destinada ao financiamento do Grau de Incidência de Incapacidade Laboratíva de Riscos Ambientais do Trabalho - GILRAT, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Segundo o Relatório da Atividade Fiscal - RAF foram omitidas as remunerações de segurados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, além de informada a alíquota incorreta do GILRAT. Através da análise dos contratos sociais da Lucacuca Calçados Ltda (CNPJ n° 05.880.843/0001-43), Calçados Star Jader Ltda (CNPJ n° 94.144.979/0001-15) e Calçados Carvelli Ltda (CNPJ n° 08.721.787/0001-92), doravante também denominadas Lucacuca, Star Jader e Carvelli, foi identificado que na composição societária destas três empresas os sócios possuem grau de parentesco muito próximo. A Sra. Santa Alvete da Silva, sócia da Lucacuca e da Star Jader, é esposa de Clébio A. da Silva, irmão de Angelita da Silva e cunhado de Arlete Teresinha Freotas dos Santos, ambas sócias da Lucacuca. A Sra. Eveni da Silva é mãe de Vanda Maria da Silva (sócias da Carvelli), Clébio Antônio da Silva e Angelita da Silva (sócios da Lucacuca). Informa, ainda, o RAF que o Sr. Clébio Antônio da Silva possui procuração da Star Jader que lhe confere amplos poderes de gestão sobre a empresa outorgante. A Sr3 Santa Alvete da Silva é responsável pela administração da Lucacuca e da Star Jader, exercendo suas funções na Seção Administrativa, comum às duas empresas. Conclui, a auditoria fiscal, que as decisões sobre os negócios das três empresas são tomadas pelas mesmas pessoas, ligadas por laços familiares. A auditoria constatou que as três empresas funcionam no mesmo endereço da autuada, ou seja, na Rua Espírito Santo n° 122 em Sapiranga - RS. Embora a Carvelli, tenha registrado no contrato de fundação a sede na Rua Major Bento Alves n° 3260, sala 02, Bairro Amaral Ribeiro, Sapiranga-RS, através da alteração contratual de 28/07/2008 passou a ter sede na Rua Espírito Santo n° 122, Sapiranga- RS. A auditoria informa que foram verificados os responsáveis pela energia e IPTU, no endereço de fundação da Carvelli Calçados Ltda, constatando que os responsáveis nunca tiveram vínculo com a empresa. Informa a fiscalização que da análise da escrituração contábil da autuada detectou que as três empresas estão sendo utilizadas de tal forma que desaparece a individualidade dos objetivos das pessoas jurídicas, assim como se confundem os objetivos sociais. A Carvelli Fl. 2178DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000602/2009-75 Resolução nº 2301-000.516 S2-C3T1 Fl. 2.179 3 Calçados Ltda presta serviços somente à autuada e sua receita depende integralmente desta. Não há qualquer patrimônio imobilizado informado no Balanço Patrimonial da Carvelli. Conclui que a Carvelli utiliza máquinas e equipamentos da Lucacuca e/ou Star Jader, para atingir seu objetivo social, cujos custos de depreciação e matéria- prima são suportados pela Lucacuca e Star Jader. Não há registros na contabilidade da Carvelli Calçados Ltda de despesas com aluguéis, energia ou qualquer outro custo fabril, necessário à atividade industrial. Informa que a Carvelli desenvolve suas atividades no endereço da Lucacuca e que os repasses desta àquela são para saldar compromissos decorrentes de salarios e encargos. Infere, com base no Demonstrativo de Resultados do Exercício de 2007, que 97,27% do custo da Carvelli corresponde a pessoal, evidenciando total dependência da autuada. Também informa que, com base no Demonstrativo de Resultados do Exercício de 2007, a receita bruta da Star Jader Ltda é oriunda de atos comerciais praticados com a Lucacuca Calçados Ltda. Quanto as relações trabalhistas, informa que houve transferência da mão-de- obra da Star Jader e da Lucacuca para a Carvelli (04/2007) e que, em 12/2007, a folha de pagamentos estava concentrada nesta última (121 segurados), enquanto a Star Jader tinha 14 segurados e a Lucacuca 41. Também foi verificado, no inicio do procedimento fiscal, que os segurados da linha de produção da autuada vestiam uniformes da Carvelli, embora exercendo suas atividades nas dependências da Lucacuca Calçados Ltda. Ao entrevistar operários no endereço da autuada, o auditor defrontou-se com segurados empregados das outras empresas, prestando serviços na Lucacuca. Menciona o caso do Sr. Célio Rogério Muller que se identifica como Gerente Comercial do Grupo Lucacuca e, no seu cartão de apresentação, consta o telefone da Calçados Star Jader Ltda. Tal situação se repete com os segurados da seção administrativa que ocupam espaço no prédio da Calçados Star Jader Ltda. A segurada Caroline Büttenbender é responsável pela emissão de notas de saída das três empresas, embora registrada na Calçados Star Jader Ltda., Valdivia Luiza Fáber é responsável pela administração dos recursos humanos das três empresas, mas está registrada na Star Jader: data de admissão em 07/06/2004 e demissão em 02/07/2007. Descreve outras situações que comprovam a mistura de empregados entre as empresas Lucacuca Calçados Ltda., Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda. Aduz, ainda, que decisões importantes, como as ordens de produção para o mercado externo da autuada, eram tomadas por empregados da Star Jader. Por fim, informa que a Carvelli Calçados paralisou suas atividades em 01/2009 e a Star Jader em 04/2009 e que os créditos previdenciários foram extraídos das folhas de pagamentos das supostas prestadoras no período de 01/2004 a 12/2007. A partir dos elementos descritos, a fiscalização desconsiderou os atos negociais praticados entre a autuada e as pessoas jurídicas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda. Conclui que as empresas Lucacuca, Star Jader e Carvelli não são três empresas independentes mas mera simulação com o objetivo de usufruir de tratamento tributário diferenciado e favorecido dado às microempresas e Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000602/2009-75 Resolução nº 2301-000.516 S2-C3T1 Fl. 2.180 4 empresas de pequeno porte, denominado "SIMPLES", a que estiveram submetidas as empresas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda, tendo como objetivo, não recolher contribuições previdenciárias patronais. Assim sendo, considerando que a fiscalizada adotou procedimentos que simulam situações que não representam a realidade dos fatos, em relação a contratação de mão-de- obra, com o objetivo claro de reduzir tributos, foi lavrado o presente lançamento. Foi utilizado para contagem do prazo decadencial o previsto no inciso artigo 173 do Código Tributário Nacional - CTN. A autuada apresentou impugnação tempestiva em 28/10/2009 alegando que é pessoa jurídica de direito privado e tem por objeto a indústria, comércio, importação e exportação de calçados em geral, componentes de couro, etc; que sua atividade preponderante é a atividade exportadora e que começou a exercê-la em 01/10/2003. Presume pelo lançamento que foram desconsideradas as relações de emprego existente entre os empregados das empresas prestadoras de serviços: Calçados Star Jader Ltda. e Calçados Carvelli Ltda., "transformando a relação de emprego das empresas terceirizadas em mão-de-obra contratada diretamente pela impugnante". Argumenta que, sem comprovar a ocorrência do fato jurídico tributário ou qualquer procedimento do sujeito passivo que configure infração a legislação, o auditor considerou simulação a relação de emprego nas atividade produtivas das empresas terceirizadas. Disto resultou a lavratura de auto de infração em relação as contribuições patronais (20%) e o SAT/RAT - Seguro Acidente do Trabalho/Riscos Ambientais do Trabalho (2%) com base na remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais de duas das empresas que prestaram serviços à impugnante. Aduz que o fiscal autuante enquadrou, por simples presunção, os operários das contratadas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda como empregados da autuada, sem atentar para as relações de emprego pré-existentes e recolhimentos efetuados. Em razão disto, autuou a impugnante por não informar na Guia do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações para a Previdência Social - GFIP a remuneração dos segurados das contratadas, considerados pela fiscalização como segurados da autuada. Alega que o Auto de Infração é nulo por não observar o previsto no parágrafo único do artigo 15 da Portaria RFB n° 11.371/2007, publicada no Diário Oficial da União - D.O.U. de 20/12/2007, ou seja, extinto o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF n° 10.1.07.00-2008- 00369 em 08/04/2008, este não poderia ser fundamento para o lançamento e, tampouco, terem sido indicados os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil – AFRFB Eduardo Godoy Correa e Paulo Fernando Aprato Reuse no MPF n° 10.1.07.00-2008-00441, expedido em 09/05/2008, não citado no relatório fiscal, por terem executado o primeiro MPF. Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000602/2009-75 Resolução nº 2301-000.516 S2-C3T1 Fl. 2.181 5 Logo, considera nulos os atos praticados por estes auditores por estarem impedidos pelo artigo 15 da Portaria RFB n° 11.371/2007, combinado com o artigo 10 do Decreto n° 70.235/72 e inciso I do artigo 59 do CTN. Afirma que a fiscalização da Receita Federal do Brasil - RFB não é competente para reconhecer a relação de emprego, reservada ao Ministério do Trabalho e Emprego - MTE, através dos seu auditores, conforme previsto na Lei n° 10.593/2002. Segundo a impugnante, o fiscal autuante deixou de demonstrar, explicitamente, os pressupostos da relação de emprego entre a autuada e os supostos empregados, principalmente quanto a subordinação, o que torna nulo o lançamento por falta de comprovação do fato gerador da infração, cerceando o seu direito de defesa. Afirma que, embora a autoridade fiscal tenha desconsiderado apenas os atos negociais, presume que tenha sido desconsiderada a relação de emprego, o que não pode ser feito, em relação a pessoa jurídica, sem prova robusta e concreta dos pressupostos de pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. Aponta como falha do Relatório Fiscal, não ter, o auditor, demonstrado de forma clara os pressupostos da relação de emprego dos segurados das prestadoras com a impugnante. Aduz que não há indicação precisa das circunstâncias em que foi praticada a infração e sua extensão, consoante determinam os artigos 10, inciso III e 11, inciso III, do Decreto n° 70.235/72 que regula o Processo Administrativo Fiscal - PAF. Conclui que o relatório apresenta vícios sob o argumento de que "foram desconsiderados os atos negociais e o lançamento trata de contribuições sociais". Aduz, ainda, em prol da nulidade, que não foi demonstrado o nexo causal existente entre o fato e o direito de lançar as contribuições como devidas e, portanto, passível de anulação, com base no disposto no parágrafo I o do artigo 50 da Lei n° 9.784/99. Faz referência à falta de discriminação clara e precisa dos fatos geradores das contribuições previdenciárias consoante ao artigo 37 da Lei n° 8.212/91 e artigos 243 e 293 do Decreto n° 3.048/99 (RPS). Entende que o auto de infração é nulo por conter vício insanável e por inobservância do direito de defesa do contribuinte (Inciso II do artigo 59 do PAF). Neste sentido, transcreve julgados do Conselho de Contribuintes que corroboram a existência de vício material. Alega que o lançamento não observou o prazo decadencial de 05 (cinco) anos contados do fato gerador da obrigação, posto que sujeito a homologação, conforme previsão do parágrafo 4 o do artigo 150 do CTN. Conclui que o fisco não poderia lançar valores anteriores a 30/09/2004, logo, não sendo passíveis de lançamento as competências 01/2004 a 09/2004. Reitera a alegação de cerceamento de defesa sob o argumento de que, no relatório fiscal, consta que a autoridade lançadora obteve informações no processo n° 11065.100498/2006-75 e entrevistou várias pessoas, cujo processo é desconhecido pelo impugnante, bem como o teor das entrevistas que, se efetivamente feitas, não foram Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000602/2009-75 Resolução nº 2301-000.516 S2-C3T1 Fl. 2.182 6 acompanhadas pela autuada. Disto, conclui que foi cerceado no seu direito de defesa, pois não teve como se manifestar em relação a tais provas de convencimento. Reafirma a incompetência do AFRFB para desconsiderar o vincula empregatício entre os segurados e as empresas: Calçados Star Jader Ltda. e Calçados Carvelli Ltda. Disto, conclui que foi ilegal o procedimento adotado pelo auditor da RFB, por extrapolar as atribuições inerentes a sua função. Aduz que a competência administrativa para desconsiderar relações de trabalho é do MTE, conforme previsto no artigo 11 da Lei n° 10.593/2002, ratificado pelas alterações da Lei n° 11.941/2009 que deu nova redação ao artigo 33 da Lei n° 8.212/91. Argüi, ainda, que a competência para julgar litígios referentes às relações de trabalho é da Justiça do Trabalho, consoante o que preceitua o inciso VII do artigo 114 da Constituição Federal - CF. Menciona a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho - TST, para concluir que é lícita a terceirização das atividades desempenhadas pelas empresas prestadoras sob o argumento de que não há ingerência por parte da tomadora e que os serviços das prestadoras são atividades meio e não se confundem com a sua atividade fim. Aduz que, em relação a desconstituição da relação jurídica entre as prestadoras e a tomadora, por suposta simulação da industrialização por encomenda, a autoridade fiscal deixou de atentar para o que segue: 1) não há ilegalidade quanto a composição societária das empresas posto que o grau de parentesco entre os sócios não é empecilho legal a sua constituição; 2) não é ilegal o estabelecimento de empresas que prestam serviços por encomenda junto com a tomadora pois decorre de mera questão de logística; 3) não há vedação a utilização de máquinas e equipamentos sob a forma de comodato, entre pessoas jurídicas, pratica comum na industrialização por encomenda; 4) não observou o relatório fiscal, de forma pontual e realística, os pressupostos que caracterizam a relação de emprego. Alega que a autoridade fiscal não lhe pode negar a escolha da opção fiscal menos onerosa, na condução dos seus negócios, posto que ninguém é obrigado, ao conduzir seus negócios, escolher caminho, meio, forma ou os instrumentos que resultem em maior onus fiscal. Assim sendo, entende que não há razão para que seja desconsiderada a relação jurídica entre as prestadoras e a impugnante. Os motivos apontados pela auditoria fiscal constituem técnicas industriais e comerciais contemporâneas. As prestadoras são pessoas jurídicas distintas com personalidade própria e legalmente constituídas. Também afirma que as contribuições previdenciárias patronais e o Seguro Acidente do Trabalho, referente às folhas de pagamentos das empresas Calçados Star Jader Ltda. e Calçados Carvelli Ltda., foram recolhidas na forma do SIMPLES, opção adotada por estas empresas. Conclui que não há a possibilidade de novo recolhimento tendo em vista que as empresas citadas já o efetuaram, integralmente, conforme comprovam os documentos que anexa: DARF - SIMPLES, Documento de Arrecadação Simplificada - DAS e Consulta Conta- Corrente de Estabelecimento - CCOR. Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000602/2009-75 Resolução nº 2301-000.516 S2-C3T1 Fl. 2.183 7 Conclui, com base no Inciso I do artigo 156 do CTN que os créditos tributários foram extintos pelo pagamento , logo não podem ser exigidos novamente. Requer sejam reconhecidos os recolhimentos efetuadas pelas prestadoras e declarado nulo o Auto de Infração. Quanto aos atos negociais, alega que ao desconsiderar a personalidade jurídica das empresas, regularmente constituídas, a autoridade fiscal não fez qualquer referência ao disposto no artigo 116, parágrafo único do CTN, popularmente chamada de "norma antielisão" e que não foi comprovado o dolo e a fraude, necessidade consagrada na jurisprudência pertinente. A definição do sujeito passivo da obrigação é norma reservada à lei, não podendo o administrador alterá-la, definindo novo contribuinte para o tributo, já recolhido. Por outro lado, para desconsideração de ato jurídico é necessário comprovar que o ato negocial praticado deu-se na direção contrária da norma legal com o objetivo de excluir ou modificar as relações de trabalho. O pressuposto à desconsideração requer que ocorra dissimulação, fraude e dolo para a aplicação da norma antielisiva. Na ausência dos elementos comprobatórios, consubstanciados no Relatório da Atividade Fiscal, as relações de emprego não podem ser alteradas por mera presunção fiscal, ou seja, considerados empregados das terceirizadas como da impugnante, sem a demonstração das relações de emprego: pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. Não apresenta o relatório fiscal, provas concretas , objetivos claros e sólidos que demonstrem a intenção da impugnante de simular a terceirização da produção por encomenda. Quanto a multa aplicada no lançamento, insurge-se a autuada, com o argumento de que lhe foi imputada a multa mais gravosa (75%) que teria aplicação, somente, a partir de 12/2008 e, portanto, equivocada em relação ao presente lançamento fiscal. Aponte incongruências no lançamento, na medida que não reconhece a ocorrência de recolhimentos ou pagamento de contribuições, ausência de declaração na GFIP ou declaração inexata, não comprovadas no Auto de Infração. Conclui que não sendo devido o tributo, nada há que lhe ser cobrado a título de multa e juros. Aponta como incongruência do Relatório da Atividade fiscal - RAF, o fato da fundamentação legal não estar de acordo com a legislação da época. Aduz que o RAF é omisso em relação ao nexo causal da aplicação da multa, ou seja, não aponta as razões da infração e que foi aplicada a multa mais gravosa de 75%, quando a lavratura deveria ser feita com a penalidade menos severa, resultante da comparação da multa de ofício do inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 e a soma das multas de mora do inciso I do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, mais a multa prevista no parágrafo 5 o do artigo 32 da mesma lei, aplicando-se a mais benéfica. Questiona que ficou impossibilitado de apresentar defesa ao quesito "multa aplicada", na medida que, mesmo havendo na legislação um limitador de 30%, a autoridade fiscal aplicou a multa mais severa. Aponta que em algumas competências, "sem qualquer lógica", foi aplicada a multa do artigo 35, inciso I da Lei n° 8.212/91, não havendo fundamentação legal expressa, sendo vício de natureza Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000602/2009-75 Resolução nº 2301-000.516 S2-C3T1 Fl. 2.184 8 insanável, o que impõe a nulidade do AI. Alega que a aplicação da multa, ora 75% ora 24%, propicia o "caos jurídico", impossibilitando o exercício da ampla defesa pelo desconhecimento do que quer externar a autoridade autuante. Neste sentido, aponta a falta de demonstração através de comparativo numérico que identifique ser a multa aplicada a mais benéfica ao contribuinte, o que caracteriza falta de motivação, o que levaria a anulação do lançamento com base no parágrafo I do artigo 50 da Lei n° 9.784/99. Conclui que, sendo aplicada a multa de 75%, sobre as "supostas" infrações, presume ser a mais benéfica, o que não admite posto que ao aplicar-se a legislação da época, estaria limitada a 30%, seja pela capitulação legal de regência, seja pela impossibilidade legal de retroação da lei mais gravosa. Acusa erros na capitulação legal da infração, transcrevendo o artigo 293 do Decreto n° 3.048/99, sob o argumento de falta de descrição e fundamentação adequada ao caso. Conclui que ao não demonstrar a efetividade da multa mais benéfica (artigo 106, II, "c" do CTN), não foi observado o direito da ampla defesa do contribuinte, consoante o inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, constituindo vício insanável, o que enseja a nulidade do presente A I . Ressalta que, ao não aplicar o percentual de 30% previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com a redação vigente à época em detrimento da multa de 75% introduzida pela Medida Provisória - MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009 que introduziu a multa de ofício do artigo 35-A de 75%, não foi observado o principio da retroatividade da legislação mais benéfica ao contribuinte sobre fatos não julgados, conforme previsto no artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN. Aduz que foi autuado, através do AI DEBCAD 37.205.959-0, Processo n° 11065.001006/2009-11, pelo auditor Eduardo Dias Porto, em período concomitante, aplicando a multa branda de 30%. Pelo exposto requer a nulidade do AI por não ter sido aplicada a retroatividade benigna e por erro na capitulação e fundamentação legal da multa aplicada ao AI. Manifesta, ainda, sua inconformidade com a aplicação da taxa SELIC ao lançamento em razão da inconstitucionalidade e ilegalidade de sua utilização sobre débitos tributários, cuja espécie prevê a aplicação do parágrafo I o do artigo 161 do CTN. Frente a todo o exposto requer: a) que seja reconhecida a presente impugnação; b) seja declarado nulo o AI n° 37.169.748-4; c) seja declarada a improcedência do lançamento e cancelado o AI n° 37.169.748-4, tendo em vista que as contribuições patronais exigidas já foram recolhidas, integralmente, pelas empresas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda., de acordo com o respectivo sistema de tributação adotado; d) retificação do lançamento observando a aplicação da multa menos gravosa; e) produção de todos os meios de prova , no que tange a diligências e perícias, eventualmente necessárias e; f) seja dada ciência de todo e qualquer ato referente ao Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000602/2009-75 Resolução nº 2301-000.516 S2-C3T1 Fl. 2.185 9 presente, ao contribuinte e seus advogados, no endereço constante na procuração. Em 20/07/2011, foi prolatado decisum administrativo que julgou procedente a autuação [fls. 561/579]: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 0 1 / 0 1 / 2 0 0 4 a 3 1 / 1 2 / 2 0 0 7 A I D E B C A D N ° 3 7 . 1 6 9 . 7 4 8 - 4 DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. REFLEXO NA TRIBUTAÇÃO A constatação de negócios simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato, desconsiderando os atos jurídicos simulados e exigindo o tributo de quem teve relação direta com o fato gerador. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO Não é vedado o planejamento tributário, mas a prática abusiva, como a simulação de relações entre empresas com objetivo claro de obter vantagens tributárias. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A atuação da autoridade lançadora se deu em conformidade com o estabelecido pela administração tributária, na forma do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF. Portanto, o ato de lançamento foi praticado por autoridade competente, no exercício regular de sua atividade. Código de acesso ao MPF informado no Termo de Início do Procedimento Fiscal. DECADÊNCIA No caso de tributos sujeitos a homologação quando comprovada a fraude ou simulação aplica-se o inciso I do artigo 1 7 3 do Código Tributário Nacional - CTN. MULTA MAIS BENÉFICA No lançamento de contribuições previdenciárias até a competência 11/2008, deve ser observada a penalidade menos gravosa entre a prevista no artigo 3 5 - A da Lei n° 8 . 2 1 2 / 9 1 com a redação da Lei n° 1 1 . 9 4 1 / 2 0 0 9 e a multa do inciso II do artigo 3 5 da Lei 8 . 2 1 2 / 9 1 com a redação da Lei n° 9 . 8 7 6 / 9 9 somada a do parágrafo 5 O do artigo 3 2 do mesmo diploma legal. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE Salvo algumas situações específicas, a legislação expressamente veda aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de lei por inconstitucionalidade ou ilegalidade. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIAS. PRODUÇÃO DE PROVAS Não há como acatar o pedido de diligência tendo em vista que não atende ao inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação da Lei n° 8.748/93. A produção de provas, no processo administrativo, é feita juntamente com a impugnação. COMUNICAÇÃO PROCESSUAL A comunicação processual será feita na forma pessoal, ou por via postal ou telegráfica, com prova de recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo. Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000602/2009-75 Resolução nº 2301-000.516 S2-C3T1 Fl. 2.186 10 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No dia 05/08/2011, o representante do sujeito passivo foi cientificado do Acórdão acima numerado, tendo interposto recurso voluntário em 01/09/2011. Ressalte-se que o objeto do recurso foi o mesmo da defesa apresentada junto a DRF. É o relatório. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fl. 225; pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. I DILIGÊNCIA Após realizar a leitura e revisão dos documentos juntados pela RFB e pelo sujeito passivo ao logo desta marcha processual, verifica-se que a fiscalização desconsiderou os atos negociais praticados entre a autuada e as pessoas jurídicas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda. por concluir que as empresas Lucacuca, Star Jader e Carvelli não são três empresas independentes mas mera simulação com o objetivo de usufruir de tratamento tributário diferenciado e favorecido dado às microempresas e empresas de pequeno porte, denominado "SIMPLES", a que estiveram submetidas as empresas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda, tendo como objetivo, não recolher contribuições previdenciárias patronais. Segundo consta do relatório fiscal, a RFB utilizou-se também das informações colhidas em outro processo [n. 11065.100498/2006-75] para afastar a identidade das pessoas jurídicas, conforme se observa abaixo: Fl. 136 […] Através de informações obtidas do relatório constante do processo 11065.100498/2006-75 (anexo III) e cópia dos documentos de identidade (RG) e CPF, relaciono abaixo o grau de parentesco entre os sócios componentes das empresas: Lucacuca, Star Jader e Carvelli. Em contraponto, a ora Recorrente suscitou – em sua impugnação - cerceamento do direito de defesa: Fl. 868 [...] A autoridade fiscal afirma, em fl. 4 do seu relatório, ter obtido informações no processo n.° 11065.100498/2006-75, bem como em fl. 9 e 10 afirma ter entrevistado várias pessoas. O processo citado a impugnante desconhece e, as entrevistas, se efetivamente foram feitas, não houve o acompanhamento da impugnante. Ou seja, houve alegação de cerceamento de defesa sob o argumento de que, no relatório fiscal, consta que a autoridade lançadora obteve informações no processo n° 11065.100498/2006-75 e entrevistou várias pessoas, cujo processo é desconhecido pela Recorrente, bem como o teor das entrevistas que, se efetivamente feitas, não foram acompanhadas pela autuada. Dito, conclui que foi cerceado no seu direito de defesa, pois não teve como se manifestar em relação a tais provas de convencimento. Analisando o Relatório da Ação Fiscal do processo n. 11065.100498/2006-75 verifico que os elementos daquela acusação se assemelham aos que aqui serão analisados [fls. 306]: Fl. 2186DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000602/2009-75 Resolução nº 2301-000.516 S2-C3T1 Fl. 2.187 11 […] Reunindo os fatos expostos, é flagrante a inexistência de separação entre fiscalizada e Calçados Star Jader como unidades empresariais, ficando evidente a existência daquela como mero órgão desta, ou seja, as duas constituem uma única entidade. Assim sendo, uma vez provado que o contribuinte não constitui uma entidade distinta da empresa-mãe, a fiscalizada não pode se creditar de PIS e COFINS em relação aos serviços de mão-de-obra adquiridos deste fornecedor por expressa vedação legal ao creditamento sobre a folha de salários (Leis 10.637/02 e 10.833/03, artigo 3o , § 2o : "não dará direito a crédito (...) o valor de mão-de- obra paga a pessoa física"). Isto posto, consideramos necessário desconsiderar os serviços de industrialização por encomenda prestados por Calçados Star Jader Ltda para Lucacuca Calçado Artesanal Ltda (notas fiscais 3035, 3054, 3076, 3090, 3103, 3111, 3128, 3148 e 3159 cujas cópias se encontram as para efeitos de gerar créditos de PIS e COFINS. Dito isso e diante da necessidade de esclarecer o desfecho do processo n. 11065.100498/2006-75 – não consta dos autos o resultado final – com o objetivo de permitir a formação do convencimento deste julgador, CONVERTO o julgamento em diligência para que a Receita Federal do Brasil-RFB faça juntar ao presente cópia integral dos autos do processo n. 11065.100498/2006-75 e informação quanto ao resultado final do referido. Após o cumprimento, deverá o sujeito passivo ser intimado para, querendo, manifestar-se no prazo de 15 [quinze] dias em face dos documentos juntados. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR –Relator. Fl. 2187DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 10814.009548/2005-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 19/12/2003
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.029
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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Matéria Retificação de DI Recorrente SIEMENS VDO AUTOMOTIVE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/12/2003 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 07/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Paulo Sérgio Celani, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama. Fl. 164DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n° 03/11193395, em 19/12/2003 (fls. 6/9), no valor de R$ 3.880,55 (Três mil, oitocentos e oitenta reais e cinqüenta e cinco centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 50 das Medidas Provisórias n's. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal benefício consiste nas, redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5°, § 1° I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Tendo em vista que, em nome do mesmo interessado, na mesma Unidade da RFB e tratando de assunto idêntico (mas para Declarações de Importação diferentes) há diversos processos em tramitação, inicialmente todos foram apensados ao de n° 10814006.463/200587. Posteriormente constatouse que parte dos processos apensados ao de n° 10.814006.463/200587 apresentam registro no Programa PerdComp, de Declaração de Compensação, e outros não (tratam apenas de restituição, como é o caso do presente PAF), o que exige rito processual diferente. Optouse pela separação do presente processo, o qual foi desapensado do PAF 10.814 006.4631200587 (fls. 47/48), para nele discutirse apenas a viabilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado (e não a compensação, a qual não foi objeto de Declaração respectiva). Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 19/12/2003 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 03/11193395, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 23/11/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 3.880,55 (Três mil, oitocentos e oitenta reais e cinqüenta e cinco centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 21 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. Fl. 165DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009548/200517 Acórdão n.º 310201.029 S3‐C1T2 Fl. 2 3 O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo (IRF SP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In n° 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DL. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 45). Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 45). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATORIO DA RETIFICAÇÃO DE DI – INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4° art; n° 45 da IN/SRF n° 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei in° 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex n° 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito . O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 46/47 — Despacho Decisório IRF/SPO n° 034/2009, de 18 de fevereiro de 2009.. Fl. 166DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO — INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo — Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 48/51). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 55/69, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 — A Lei 10.182/01, que instituiu o benefício da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 — Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND's quando da habilitação do benefício. 03 — Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 — Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei n° 9.784/99; 05 — Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 55/69 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009548/200517 Acórdão n.º 310201.029 S3‐C1T2 Fl. 3 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/12/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE .RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Conforme art. 165 da Lei n° 5..172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO/REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A lide cingese à possibilidade de que o contribuinte usufrua da redução do imposto de importação própria do Regime Automotivo, independentemente da apresentação da Certidão Negativa de Débitos CND por ocasião do registro das importações correspondentes. Todas as demais questões estão pacificadas. Essa exigência está expressa no artigo 60 da Lei 9.069/95. Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fl. 168DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segundo entende a recorrente, a administração não pode fazer uma exigência não especificada na legislação própria do Regime, que determinava a apresentação da CND apenas no momento da habilitação da empresa no Siscomex. Uma vez habilitada, estaria apta à fruição do benefício, para o que não é exigida a apresentação da CND, sendo esta vinculada à concessão do mesmo, que, tudo segundo entende, ocorreu quando de sua habilitação no Siscomex. Por outro lado, sustenta que a lei mais específica, no caso a Lei 10.182/01, deve prevalecer ante uma Lei mais genérica, a 9.069/95. Não assiste razão à recorrente. Além de tudo o que até aqui já foi dito, cabe acrescentar o disposto no Código Tributário Nacional a respeito do processo de concessão de benefício fiscal. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos meus) § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Depreendese do texto que (i) a isenção é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em cada caso, e não, como advoga a recorrente, por meio da habilitação ao Regime e (ii) que cabe ao interessado fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão da isenção. Uma das condições definidas em lei é justamente a apresentação da Certidão Negativa de Débitos, sendo, conforme estabelecido no Código Tributário Nacional, de responsabilidade do contribuinte a adoção de tal providência, para que, somente depois de atestado o preenchimento da condição, a autoridade administrativa efetive a isenção prevista em lei. Quanto a isso, é óbvio que o Código estáse referindo à aplicação da isenção concedida por lei. Do contrário, não faria menção a despacho da autoridade administrativa, em requerimento, fazer prova, e em cada caso. A lei concede a isenção, e a administração efetiva a, analisando caso a caso, o pedido do administrado. Não há que se falar aqui em fruição. Essa depende de que o beneficiário mantenhase preenchendo as condições e requisitos, sob pena de revogação da isenção já efetivada. Assim determina o art. 155 do Código, ao qual faz remissão o artigo 179 acima transcrito. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Fl. 169DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009548/200517 Acórdão n.º 310201.029 S3‐C1T2 Fl. 4 7 I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Se a isenção não foi se quer efetivada, não há que se falar em fruição. Também não se trata de aplicação de lei mais específica. As duas leis não estão em contradição, complementamse. Esse princípio seria oponível se a Lei 10.182/01 expressamente dispensasse a apresentação da CND, o que não é o caso. Neste mesmo contexto, importante destacar que o disposto no artigo 37 da lei 9.784/99 não é aplicável ao caso concreto, pois tratase de um comando genérico, regulador das situações que não dispõe de regulamentação própria, conforme ressalvado na própria Lei 9.784/99, artigo 69. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Finalmente, cumpre acrescentar que a decisão do Recurso Especial nº 1.047.237 – SP, tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, referese textualmente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, não sendo, por conseguinte, aplicável ao caso concreto. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 05 de maio de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 171DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13817.000433/2001-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza - Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza - Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1982; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 361 1 360 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13817.000433/200100 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.343 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de março de 2015 Assunto IPI. PROCESSO PRODUTIVO. Recorrente TRW AUTOMOTIVE SOUTH AMÉRICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Por bem descrever o histórico do caso até à decisão da DRJ, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil, que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de créditos do IPI e a conseqüente compensação de referidos créditos com débitos da própria empresa. A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no montante de R$ 2.766.337,53 relativo ao saldo credor do IPI apurado no período em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 17 .0 00 43 3/ 20 01 -0 0 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13817.000433/200100 Resolução nº 3202000.343 S3C2T2 Fl. 362 2 destaque, a ser utilizada na compensação dos débitos declarados nos autos. O pleito foi parcialmente deferido pela autoridade administrativa que reconheceu o direito creditório no valor de R$ 1.136.511,89, homologando as compensações declaradas até este limite, sendo que a glosa se refere a créditos de aquisições tributadas a alíquota zero e de aquisição de bens que não caracterizam insumos (R$ 1.629.825,64). Conforme documentos anexos, a contribuinte foi cientificada da decisão administrativa via Edital e o prazo para manifestação expirou sem que houvesse qualquer contestação desta. Contudo, apresentou manifestação contra a informação fiscal em 17/12/2004 (antes da ciência por edital). Nesta contestação alegou, em síntese, que: · O princípio da nãocumulatividade do IPI previsto no artigo 153, §3º, II, não contém restrições quanto ao crédito de IPI nas aquisições de insumos imunes, isentos, não tributados ou tributados a alíquota zero, quando utilizados na industrialização de produtos tributados pelo imposto; · A jurisprudência administrativa do 2º Conselho de Contribuintes corrobora o entendimento exposto; sendo assim seu crédito é liquido e certo; · A decisão do Supremo Tribunal Federal – STF no RE nº 212.484 2/RS, também tem o mesmo entendimento exposto; · Conforme o princípio da nãocumulatividade, geram direito ao crédito do IPI, não só as matérias primas que compõe o produto, mas também o material de embalagem e os produtos intermediários empregados na industrialização do produto tributado; · Por produtos intermediários a recorrente entende àqueles materiais que embora não se integrando fisicamente ao produto final, são consumidos no processo de industrialização, de tal sorte que ao final de um determinado tempo não se presta mais à sua finalidade intrínseca, sem necessidade de que esses materiais devam integrar propriamente o produto. · O processo industrial deve ser entendido como todo o conjunto de etapas necessárias à fabricação do produto, mesmo que tais etapas não se encontrem fisicamente próximas à linha de produção. Sendo assim, deve o consumo do produto ser essencial para a produção de tal sorte que sem o mesmo não se teria o produto final. · É o que, por exemplo, ocorre com o ferramental utilizado no processo industrial que, apesar de não integrarem o produto final, desgastamse ao longo do tempo dado o emprego e o contato direto com a linha de produção; Encerrou solicitando que lhe seja concedido os créditos pleiteados, corrigidos monetariamente pela Selic e homologadas as compensações. Apreciando a manifestação de inconformidade, a DRJ primeiramente rejeitou examinar seu mérito. No entanto, a contribuinte logrou êxito no recurso voluntário e, em Fl. 362DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13817.000433/200100 Resolução nº 3202000.343 S3C2T2 Fl. 363 3 respeito ao Acórdão nº 3102001.572, de 19 de julho de 2012, da 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, a DRJ apreciou o mérito da manifestação de inconformidade, julgandoa improcedente, conforme resume a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITOS DE IPI. INSUMOS TRIBUTADOS A ALÍQUOTA ZERO. Somente os créditos relativos a insumos onerados pelo imposto são suscetíveis de escrituração, apuração e aproveitamento mediante ressarcimento. INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. Geram direito ao crédito do IPI, além das matériasprimas, produtos intermediários “strictosensu” e material de embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens/produtos desde que se consumam por decorrência de contato físico durante o processo produtivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Não resignada com a decisão acima transcrita, a empresa interpôs recurso voluntário, reiterando os argumentos articulados na sua manifestação de inconformidade. O processo, então, foi distribuído para minha relatoria, na forma regimental, e em seqüência pedi sua inclusão em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator ad hoc. Com fundamento no art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, incumbiume a Presidente da Turma a formalizar o presente acórdão, cujo relator original, Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 363DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13817.000433/200100 Resolução nº 3202000.343 S3C2T2 Fl. 364 4 Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, que, embora não mais integre os colegiados do CARF, apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Assim, passase a transcrever, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: A maioria das questões postas no recurso voluntário já foram decididas definitivamente pelo pleno do STF , de forma contrária a contribuinte, razão pela qual o CARF está vinculado a mesma conclusão da Suprema Corte, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 62A do RICARF. Tratase de processo no qual o interessado pleiteia o reconhecimento de crédito de IPI apurados no período compreendido entre 01/07/2001 a 30/09/2001, que incluem aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens não sujeitas ao pagamento do IPI. Todavia, o STF decidiu que não cabe o desconto de créditos do IPI, com base na regra constitucional da nãocumulatividade, na aquisição de insumos com alíquotazero, isentos, não tributados ou não sujeitos ao pagamento do IPI. Confirase: EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. PRODUTO FIN AL TRIBUTADO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O artigo 153, § 3º, II, da Constituição dispõe que o IPI “será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. 2. O princípio da não cumulatividade é alicerçado especialmente sobre o direito à compensação, o que significa que o valor a ser pago na operação posterior sofre a diminuição do que pago anteriormente, pressupondo, portanto, dupla incidência tributária. Assim, se nada foi pago na entrada do produto, nada há a ser compensado. 3. O aproveitamento dos créditos do IPI não se caracteriza quando a matériaprima utilizada na fabricação de produtos tributados reste desonerada, sejam os in sumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. Isso porque a compensação com o montante devido na operação subsequente pressupõe, necessariamente, a existência de crédito gerado na operação anterior, o que não ocorre nas hipóteses exoneratórias. 4. A jurisprudência do egrégio STF, à luz de entendimento hodierno retratado por recentes julgados, inclui os insumos isentos no rol de hipóteses exoneratórias que não geram créditos a serem compensados, verbis: “Embargos de declaração em recurso extraordinário. 2. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. 3. Ausência de contradição, obscuridade ou omissão da decisão recorrida. 4. Tese que objetiva a concessão de efeitos infringentes para simples rediscussão da matéria. Inviabilidade. Precedentes. 5. Embargos de declaração rejeitados. ... Fl. 364DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13817.000433/200100 Resolução nº 3202000.343 S3C2T2 Fl. 365 5 Frisese que, como bem esclareceu o voto condutor, 'a nãoexigência do IPI se d á sempre que essa é adquirida sob os regimes, indistintamente, de isenção (exclusão do imposto incidente), alíquota zero (redução da alíquota ao fator zero) o u de não incidência (produto não compreendido na esfera material de incidência do tributo)” ( RE 370.682 – ED, relator o Ministro Gilmar Mendes, Plenário, DJe 17.11.10 ). “TRIBUTÁRIO. IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AOS CRÉDITOS. DECISÃO COM FUNDAMENTO EM PRECEDENTES DO PLENÁRIO. 1. A decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência do Pl enário desta Corte (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), no sentido de que não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições insumos isentos, nãotributados ou sujeitos à alíquota zero. 2. Agravo regimental improvido.” (RE 566.551 – AgR, Relatora a Ministra Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe 30.04.10). 5. Agravo regimental a que se nega provimento.(REAgR 592917, LUIZ FUX, STF.) A referida decisão plenária da Suprema Corte vincula o CARF, nos termos do art. 62A do RICARF, razão pela qual a sigo integralmente. Igualmente, o STF decidiu que o benefício fiscal do art. 11 da Lei nº 9.779/1999 é válido a partir de sua vigência e trata do não estorno de créditos de IPI, decorrentes, por óbvio, da entrada de insumos creditáveis (isto é, tributados pelo IPI), quando estes são vinculados às saídas de produtos industrializados isentos ou alíquota zero do IPI. Confirase: EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. IPI. Princípio da Não Cumulatividade. Produto final isento ou sujeito à alíquota zero, matéria pacificada. Precedentes. Alegação de conexão. Inovação recursal. 1. Nos precedentes do Pleno desta Corte, consubstanciados no RE nº 562.980/ SC e no RE nº 475.551/PR, assentouse que o não creditamento do IPI pago na aquisição de insumos tributados, utilizados em processo produtivo, cujo produto final goza de isenção ou alíquota zero, em período anterior à Lei nº 9.779/99, não ofende o princípio da não cumulatividade previsto no art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal. 2. Inovação recursal quanto à alegação de conexão. Questão não passível de apreciação. 3. Agravo regimental não provido. (AIAgR 685826, DIAS TOFFOLI, STF.) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Nesse sentido, nossa turma já proferiu julgamento, unânime, no Acórdão nº 3202001.312, de 17 de setembro de 2014, da minha relatoria. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13817.000433/200100 Resolução nº 3202000.343 S3C2T2 Fl. 366 6 A despeito disso, há uma questão residual, na análise do presente caso, que precisa ser examinada, alusiva ao enquadramento ou não de certas aquisições de bens tributados pelo IPI, na categoria de produtos intermediários. Sobre o tema, o Parecer Normativo CST nº 65, DOU de 06 de novembro de 1979, emitiu sua clássica definição de produto intermediário: 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos "que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em "incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários "stricto sensu" , semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão "consumidos" sobretudo levandose em conta que as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas? ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3 Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). 10.4 Notese, ainda, que a expressão “compreendidos no ativo permanente” deve ser entendida faticamente, isto é, a inclusão ou não dos bens, pelo contribuinte, naquele grupo de contas deve ser “júris tantum” aceita como legítima, somente passível de impugnação para fins de reconhecimento, ou não, do direito ao crédito quando em desrespeito aos princípios contábeis geralmente aceitos. 11 Em resumo, geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto sensu”, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13817.000433/200100 Resolução nº 3202000.343 S3C2T2 Fl. 367 7 11.1 Não havendo tais alterações, ou havendo em função de ações exercidas indiretamente, ainda que se dêem rapidamente e mesmo que os produtos não estejam compreendidos no ativo permanente, inexiste o direito de que trata o inciso I do artigo 66 do RIPI/79”. (sublinhei) Porém, observo que o processo não está devidamente instruído para que se analise a mencionada questão residual, razão pela qual voto para CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a empresa Recorrente a: a) efetuar descritivo minucioso do processo produtivo da Recorrente – elaborar laudo se necessário , a fim de que possa ser constatado se as aquisições de bens tributados pelo IPI, vinculadas a saídas tributadas pelo IPI, isentas ou alíquotazero; são enquadráveis ou não no conceito de produtos intermediários para fins de apuração de créditos de IPI, indicando, especialmente se:compõem o ativo imobilizado ou não e se os referidos bens sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização; b) trazer aos autos outros elementos e informações que entenda relevantes para o deslinde do presente processo. Em seguida, a autoridade da RFB responsável pela realização da diligência apresentará relatório circunstanciado e conclusivo a respeito da diligência, podendo trazer aos autos outros elementos e informações que entenda relevantes para o deslinde do presente processo. Por fim deve ser intimando a Recorrente para que se manifeste expressamente sobre o resultado da presente diligência. Após,retornem a este colegiado para continuidade do presente julgamento. É como voto Charles Mayer de Castro Souza Fl. 367DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 15956.000128/2006-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002
CRÉDITOS DE IPI. INSUMOS ISENTOS. MANUTENÇÃO E APROVEITAMENTO.
Somente os créditos relativos às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem tributados pelo IPI são suscetíveis de escrituração, apuração e aproveitamento.
CRÉDITOS DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. INSUMO.
não dá direito ao crédito básico de IPI a aquisição de energia elétrica, uma vez que não é consumida em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-002.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar. A Conselheira Nanci Gama estava ausente momentaneamente.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1893; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 10 1 9 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.000128/200655 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.394 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2015 Matéria MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente BRASCOPPER CBC BRASILEIRA DE CONDUTORES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002 CRÉDITOS DE IPI. INSUMOS ISENTOS. MANUTENÇÃO E APROVEITAMENTO. Somente os créditos relativos às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem tributados pelo IPI são suscetíveis de escrituração, apuração e aproveitamento. CRÉDITOS DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. INSUMO. não dá direito ao crédito básico de IPI a aquisição de energia elétrica, uma vez que não é consumida em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 01 28 /2 00 6- 55 Fl. 391DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar. A Conselheira Nanci Gama estava ausente momentaneamente. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ em Belém que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo integralmente o lançamento. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 06/15, no valor total de R$ 1.312.460, 53, neste incluído IPI não recolhido no valor de R$ 542.843,37, acrescido de juros de mora (calculados até 31/08/2006) no valor de R$ 362.484,64 e de multa proporcional no valor de R$ 407.132,52. Segundo a descrição dos fatos de fl. 07, o estabelecimento industrial utilizouse de créditos básicos indevidos e após a reconstituição de escrita, foi apurado saldo devedor, cujos fatos foram descritos no Termo de Encerramento Parcial de Ação Fiscal de fls. 294/298, no qual foram apontadas as seguintes glosas, cujos valores encontramse demonstrados no DEMONSTRATIVO DE GLOSA (ANEXO II) de fls 282/284: a) glosa de material de consumo; b) glosas de créditos relativos a entradas de amostras grátis, à remessa para empréstimo, à aquisição de bens do ativo imobilizado; c) glosa de créditos escriturados em duplicidade (ANEXO I); d) glosa de créditos calculados sobre o consumo de energia elétrica; e) glosa de créditos calculados sobre a aquisição produtos isentos da Zona Franca de Manaus. Regularmente cientificada, em 29/09/2006, a contribuinte apresentou, tempestivamente, em 31/10/2006, a impugnação de fls.299/330, alegando, em síntese, que: a) o auto de infração é nulo, em razão falta de motivação idônea, haja vista basearse apenas em suposição ou entendimento da pessoa do AFR, não havendo provas suficiente das supostas irregularidades; b) houve cerceamento a seu direito de defesa durante o trabalho fiscal, assim os fatos daí decorrentes nulos; c) o principio da não cumulatividade garante que ao adquirir matéria prima, produto intermediário e material de embalagem isentos de IPI, tributados à alíquota zero ou imunes, o estabelecimento industrial terá o direito de crédito ainda que este não venha destacado na nota fiscal de aquisição. Tal direito é reconhecido pelo STF; Fl. 392DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15956.000128/200655 Acórdão n.º 3102002.394 S3C1T2 Fl. 11 3 d) com relação a conceituação de energia elétrica como produto intermediário, é sustentada por decisões do Conselho de Contribuintes; e) os lançamentos foram alcançados pela decadência ou prescrição; f) a multa de 75% tem natureza confiscatória; g) Na remota hipótese de ser mantida a cobrança do tributo, devem ser excluídas as exigências de juros moratórios na forma calculada pela taxa SELIC, por ser contra ordenamento jurídico. Por fim, requer, que seja julgado improcedente o auto de infração, reconhecendo a insubsistência da acusação fiscal integralmente, e determinado o arquivamento do respectivo processo administrativo. A DRJ em Belém julgou improcedente a impugnação apresentada nos seguintes termos: NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para examinar aspectos de legalidade e constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IPI. A falta de recolhimento do IPI, nos prazos previstos na legislação, enseja a sua exigência, acrescido de juros de mora calculados pela taxa Selic e multa de ofício. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. IPI. CRÉDITOS. INSUMOS ISENTOS OU TRIBUTADOS A ALÍQUOTA ZERO E NÃO TRIBUTADOS. Tendo em vista que a não cumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser Fl. 393DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 4 abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, e que não há, nas três hipóteses mencionadas, imposto pago (CTN, art. 49), não é legítimo o referido aproveitamento. Excepcionamse deste entendimento os créditos como incentivo, quando houver expressa previsão legal. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões de sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Como é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia se resume, basicamente, em definir se energia elétrica se enquadra como produto intermediário, bem como sobre a possibilidade o contribuinte se apropriar de créditos de IPI nas aquisições de matérias primas, materiais de embalagens e produtos intermediários isentos.Isso porque, partimos da premissa que alíquota zero é uma das formas de instituir a isenção, pela mutilação da alíquota. Pois bem. Nos termos do art. 153, § 3°, II, da Constituição da República, o IPI será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado na anteriores. O direito ao crédito de IPI decorre, portanto, de norma constitucional, sendo autônomo em relação ao cumprimento da obrigação tributária pelo vendedor de insumos. Tem como hipótese de incidência a compra de matéria prima, materiais de embalagem e produtos intermediários tributados. Em outros termos, nasce de uma relação de direito privado entre o vendedor e o comprador desses produtos. O adquirente poderá apropriar os créditos do IPI na medida em que haja uma operação tributada. A relação entre o adquirente dos insumos e o Fisco não está integrada à regramatriz de incidência do IPI, mas compõe a disciplina que versa sobre a arrecadação, na medida em que implica o direito à compensação, em cada operação, do valor incidente nas anteriores. Cabe, nesse ponto, considerar que as definições dos termos "cobrado" e "devido" são, de longa data, esclarecidas pelos doutrinadores pátrios. Geraldo Ataliba e Cleber Giardino afirmam, de modo elucidativo: Importa observar ser irrelevante o fato de o tributo ter sido ou não lançado nas operações anteriores. E isso, entendendose a expressão lançamento seja no sentido técnico do artigo 142 do CTN, isto é, de ato administrativo; seja no sentido amplo (v.g. lançamento do imposto na nota fiscal nos livros fiscais etc), seja ainda no sentido de significar a atividade de antecipação de cálculo e pagamento, que desenvolve o contribuinte na forma do artigo 150 do CTN. Em qualquer caso, com ou sem esses lançamentos, o abatimento constitucional está assegurado (Diferimento Estudo TeóricoPrático" Estudos e Pareceres n° 1 Ed. Resenha Tributária, pp. 21 e 22). Fl. 394DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15956.000128/200655 Acórdão n.º 3102002.394 S3C1T2 Fl. 12 5 Na mesma linha, Paulo Celso Bergstrom Bonilha afirma: Parecenos que a acepção "montante (de imposto) cobrado" que vem de ser utilizada pelo legislador constitucional nos dois dispositivos acima transcritos, pressupõe. antes de mais nada, que se trata de (montante) imposto que foi objeto de lançamento. Este requisito, ínsito no próprio texto constitucional, não implica, para fins de abatimento ou dedução na prova do pagamento do imposto. Basta que haja formalização regular da obrigação tributária. (IPI ¬ICMS Fundamentos da Técnica NãoCumulativa. São Paulo Coedição IBDT e Resenha Tributária, 1979, p. 143). Observase da leitura atenta dessas considerações doutrinárias, com as quais compartilho, que o princípio constitucional da nãocumulatividade é praticado mediante a apropriação de crédito, pelo estabelecimento destinatário das mercadorias, do valor do IPI incidente nas operações anteriores. O termo "cobrado" empregado pelo Texto Supremo deve ser interpretado como imposto incidente, sendo irrelevante, para fins de legitimação do crédito apropriado pelo destinatário, se o estabelecimento remetente efetivamente recolheu, na integralidade, o valor destacado na nota fiscal de saída. De fato, não há necessidade de que o seu valor tenha sido cobrado efetivamente, ou mesmo que o lançamento correspondente tenha sido efetuado, para que o adquirente tenha direito ao crédito. É imprescindível, contudo, a incidência em concreto, isto é, que o produto adquirido tenha ido gravado com urna alíquota positiva. No caso sob análise, todavia, as operações de aquisição dos insumos foram marcadas pela isenção (o que inclui as hipóteses de alíquota zero, como já adiantado). Deixando o imposto de incidir na etapa anterior – já que, na isenção, a mutilação parcial da regramatriz de incidência que impede a sua aplicação – , não há como se reconhecer o direito ao crédito. Com efeito, o princípio da nãocumulatividade, nos moldes prescritos pela Constituição da República, visa apenas a impedir a tributação em cascata, assegurando que, no preço da venda do produto ao consumidor final, a parcela alusiva ao tributo corresponda a percentual que não exceda ao da alíquota deste. Como bem colocado pelo Min. Ilmar Galvão no RE 212.484, a compensação só se dá com o que for cobrado. Não importa que o consumidor final não tenha sido beneficiado pela não exigência do tributo em uma das etapas do ciclo econômico. Aliás, a isenção na aquisição da matéria prima não visa a beneficiar o consumidor, visto apenas a diferir a incidência do imposto para a operação de vendado produto acabado, mas, tão somente, a empresa industrial, na medida em que a exonera da obrigação de desembolsar, quando da aquisição de matéria prima, o valor alusivo ao tributo. Não se nega que, em casos como o presente, a inexistência de direito ao crédito implica verdadeiro diferimento do imposto não cobrado em uma etapa do ciclo econômico, inviabilizando a efetiva desoneração da cadeia de produção. Ocorre que não pode o intérprete ignorar o texto constitucional, ainda que com o objetivo de buscar uma maior justiça tributária. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 6 Se a Constituição Federal, ao delimitar a técnica de nãocumulatividade do IPI, assegurou o crédito apenas nos casos em que houve incidência do tributo na etapa anterior, não pode o aplicador da lei ampliar seu conteúdo, sob pena de estar atuando como verdadeiro legislador positivo, o que é terminantemente vedado pelo sistema. Não se nega que o mais justo seria assegurar crédito presumido nessas situações, mas para isso exigese lei, o que ainda não é o caso. Inúmeros são os precedentes deste Conselho Administrativo nesse sentido: (...) PEDIDO DE RESSARCIMENTO, INSUMO S ISENTO S E COM ALÍQUOTA ZERO. DIREITO AO CRÉDITO, IMPOSSIBILIDADE. Não geram direito a créditos do IPI as aquisições de insumo s isento s, não tributados e com alíquota zero. (CARF 3ª. Seção/ 1ª Turma da 4ª. Câmara / ACÓRDÃO 340100.917, DOU 05.01.11) (...) DIREITO DE CRÉDITO DE INSUMO ISENTO. INEXISTÊNCIA. As aquisições de insumos isentos não geram crédito de IPI. (CARF 3ª Seção / 1ª Turma da 3ª Câmara/ ACÓRDÃO 330100.666 DOU 18.01.11) Por fim, sustenta a recorrente que deveria ser reconhecido o crédito de energia elétrica, na medida em que ela se enquadraria no conceito de insumo, mais precisamente, como de produto intermediário. Ora, sem qualquer razão a Recorrente. Não é possível enquadrar energia elétrica como produto intermediário na medida em que ela não integra o produto novo, tampouco é consumida em contato direto com o produto no processo de industrialização. A despeito de não tratar especificamente do crédito básico de IPI, mas do presumido, entendo que se aplica, por extensão, o enunciado veiculado pela Súmula CARF nº 19 ao presente caso: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Por outro lado, deixo de apreciar as alegações de inconstitucionalidade da cobrança da multa, por violação ao princípio do não confisco e da razoabilidade por se tratar de matérias que escapam à competência deste Tribunal Administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 396DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15956.000128/200655 Acórdão n.º 3102002.394 S3C1T2 Fl. 13 7 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11080.919031/2012-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 23/10/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 23/10/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 90 31 /2 01 2- 51 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919031/201251 Acórdão n.º 3801005.171 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919031/201251 Acórdão n.º 3801005.171 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919031/201251 Acórdão n.º 3801005.171 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919031/201251 Acórdão n.º 3801005.171 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919031/201251 Acórdão n.º 3801005.171 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919031/201251 Acórdão n.º 3801005.171 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919031/201251 Acórdão n.º 3801005.171 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919031/201251 Acórdão n.º 3801005.171 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 15165.002155/2010-55
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.304
Decisão:
Relatório
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Pela decisão recorrida, extraí se que o indeferimento se deu por conta da impossibilidade da Administração Pública em reconhecer ou não a inconstitucionalidade de lei, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 04/07/2006 RESTITUIÇÃO.ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÕES. Não cabe apreciação de inconstitucionalidade na esfera administrativa, sendo correta a base de cálculo constante dos documentos de importação, conforme legislação aplicável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos que, em síntese, se referem (i) à existência de ilegalidade na cobrança fazendária em razão da inconstitucionalidade da base de cálculo do PIS/COFINS prevista no artigo 7º, da Lei 10.865/2004, no exato momento em que alarga a base de cálculo da COFINS, (ii) ao não cabimento de qualquer legislação infraconstitucional, independentemente da natureza da lei ou RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 51 65 .0 02 15 5/ 20 10 -5 5 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA Processo nº 15165.002155/201055 Resolução nº 3802000.304 S3TE02 Fl. 112 2 entendimento fazendário, alargar a base de cálculo das contribuições aqui questionadas, pois a base de cálculo do PIS/COFINS da importação será tão somente o valor aduaneiro, conforme definido na Constituição Federal e (iii) à juntada de leis, tratados e julgamentos do Poder Judiciário em favor a tese apresentada. Mérito da Resolução A primeira questão que deve ser posta em análise é a possibilidade de afastamento da aplicação de lei pelos Órgãos de Julgamento Administrativos nas hipóteses em que o Supremo Tribunal Federal declarar de forma inequívoca e definitiva a inconstitucionalidade de lei (artigo 77 da lei nº 9.430/1996 artigo 1º do Decreto nº 2.346/1997 – artigo 59 do Decreto 7.574/2011). E, nesse sentido, o Plenário da Corte Suprema declarou inconstitucional a inclusão de ICMS, bem como do PIS/Pasep e da Cofins na base de cálculo dessas mesmas contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens e serviços. A regra ora em comento está contida na segunda parte do inciso I do artigo 7º da Lei n. 10.865/2004. Conforme se extrai do RE 559937, os Ministros do Supremo Tribunal Federal destacaram que a norma extrapolou os limites previstos no artigo 149, § 2º, inciso III, letra “a” da Constituição Federal, nos termos definidos pela Emenda Constitucional 33/2001, que prevê o valor aduaneiro como a base de cálculo para as contribuições sociais. Portanto, sobre essa questão, não há mais o que se discutir, apenas reconhecer a inconstitucionalidade do dispositivo acima indicado, já que a simples leitura das normas contidas no artigo 7º da Lei n. 10.865/04 já permite constatar que a base de cálculo das contribuições sociais sobre a importação de bens e serviços extrapolou o aspecto quantitativo da incidência delimitado na Constituição Federal, ao acrescer ao valor aduaneiro o valor dos tributos incidentes, inclusive o das próprias contribuições. No que concerne ao pedido de restituição, bem como o da homologação tributária, algumas informações ainda se fazem necessária para conclusão do julgamento. E, nesse sentido, converto em diligência o julgamento para a Unidade de origem: (i) informar qual o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo à época (lucro real ou lucro presumido); (ii) considerando exclusivamente as Dis, objeto dos autos, segregar as importações realizadas por conta e ordem, própria ou por encomenda, bem como as importações acobertadas por suspensão; e (iii) calcular o montante do PIS e da COFINS sobre o valor aduaneiro relativo às importações próprias ou por encomenda. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA Processo nº 15165.002155/201055 Resolução nº 3802000.304 S3TE02 Fl. 113 3 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Numero do processo: 15374.005462/2001-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998
COOPERATIVA DE SERVIÇOS. ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO. ATO-FIM . INAPLICABILIDADE DE ATO-MEIO ESSENCIAL. OPERAÇÕES COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS. TRIBUTAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO.
Em cooperativa de prestação de serviços, a receita proveniente da prestação de serviço ao mercado, por não ser um ato-fim, mas somente um ato-meio, mesmo que essencial, não se inclui-se na isenção do PIS que vigorou até os fatos geradores de outubro de 1999. A interpretação literal do art. 79 da Lei n° 5.764/71 restringe os atos cooperativos apenas aos atos internos ou atos-fim, realizados entre a sociedade cooperativa e seus associados, não se aplicando aos atos com terceiros não cooperados, que seriam as operações como o mercado, pois estes representam a receita bruta da cooperativa e não do cooperado, conforme proclama a jurisprudência do SupremoTribunal Federal.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9303-003.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIWAY SERVIÇOS COOPERATIVA DE TRABALHO DE PROFISSIONAIS LIBERAIS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 COOPERATIVA DE SERVIÇOS. ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO. ATOFIM . INAPLICABILIDADE DE ATOMEIO ESSENCIAL. OPERAÇÕES COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS. TRIBUTAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. Em cooperativa de prestação de serviços, a receita proveniente da prestação de serviço ao mercado, por não ser um atofim, mas somente um atomeio, mesmo que essencial, não se incluise na isenção do PIS que vigorou até os fatos geradores de outubro de 1999. A interpretação literal do art. 79 da Lei n° 5.764/71 restringe os atos cooperativos apenas aos atos internos ou atos fim, realizados entre a sociedade cooperativa e seus associados, não se aplicando aos atos com terceiros não cooperados, que seriam as operações como o mercado, pois estes representam a receita bruta da cooperativa e não do cooperado, conforme proclama a jurisprudência do SupremoTribunal Federal. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 54 62 /2 00 1- 31 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Os fatos foram assim descritos no relatório do acórdão recorrido: Tratase de auto de infração relativo ao PIS Faturamento, períodos de apuração de 01/1997 a 12/1998, no valor de R$ 961.746,81, incluindo o juros de mora e multa no percentual de 75% Por bem descrever o que contém os autos, até então, reproduzo o relatório da primeira instância: 2. Relata o autuante, no Termo de Verificação de fls. 135 a 145, que: 2.1 A autuada foi constituída sob a forma jurídica de Sociedade Cooperativa, nos termos da Lei n" 5.764, de 16/12/1971, tendo sido classificada como Cooperativa de Trabalho; 2.2 O aludido contribuinte, doravante designado Uniway Serviços CNPJ n" 73.206.245/000143, associado, conforme Ata de Reunião de 10/11/1993, da Uniway Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda., doravante designada Uniway Ltda. CNPJ n" 72.387.665/000100, conjugaram esforços no sentido de captar e oferecer serviços a clientes; 2.3 Com a finalidade de alcançar seus objetivos, a Uniway Ltda. contrata junto a terceiros não associados, serviços que são executados pelo quadro técnico de profissionais habilitados associados da Uniway Serviços; 2.4 Os serviços assim contratados são diretamente prestados pelos associados da Uniway Serviços a usuário final/tomador não associado; 2.5 Periodicamente, a Uniway Ltda promove repasse de recursos à Uniway Serviços, destinados aos pagamentos dos cooperados, a título de remuneração por serviços executados; 2.6 Os recursos destinados a citados pagamentos, são contabilizados a título de adiantamento, sendo posteriormente lançados como receita de serviços prestados; 2.7 Decorrente das operações praticadas com não cooperados, a cooperativa obteve resultados positivos relativos aos períodos de 1997 e 1998, denominados Sobras, que foram distribuídos a seus associados, no curso do período de 1998, sem a incidência de imposto na fonte; 2.8 Enquadrandose a autuada na modalidade de Cooperativa Singular, o procedimento adotado não satisfaz os requisitos dos princípios cooperativistas, pois o ato cooperativo se caracteriza pela prestação direta de serviços aos associados, como define o art. 7"da Lei 5.764/1971; Fl. 574DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 15374.005462/200131 Acórdão n.º 9303003.267 CSRFT3 Fl. 575 3 2.9 O exercício do ato cooperado consiste na atuação desempenhada pela Uniway Ltda no processo de captação de clientes, formalização de contrato, cobrança e faturamento dos serviços; 2.10 Em relação aos serviços prestados pela Uniway Ltda. À associada Uniway Serviços, não há tributação; 2.11 Com a efetividade da execução dos serviços pela autuada, temse por considerar caracterizada a tributação, haja vista que os serviços contratados são prestados a usuário final não associado, em observância ao art. 111 c/c 86 da Lei 5.764/1971; 2.12 Em relação às receitas decorrentes de operações com não associados, as cooperativas sujeitamse à incidência da Cofins, porquanto a isenção prevista no art. 6" da Lei Complementar n" 70/91, contempla tãosomente as negociações operadas com associados/cooperados; 2.13 Em relação ao procedimento cooperativista foram expendidas as orientações administrativas constantes do Parecer Normativo 77/1976, ratificadas no Parecer 66/1986; 2.14 Os supracitados atos, trazem solução de consulta no sentido de esclarecer que a entrega da produção do associado à cooperativa nada mais é do que a outorga de poderes, ao teor do disposto no art. 79 da Lei nº5.764/71; 2.15 O desatendimento ao regime de competência, como analisado no Parecer Normativo CST 57/1979, configura inexatidão contábil capaz de caracterizar infração fiscal; 2.16 A Lei Complementar n° 104/2001 alterou o artigo 116 do CTN; 2.17 O ato cooperativo consiste na ação protocolar ou preparatória de eventual acordo de cooperação, exercida pela cooperativa, através da qual o associado, por ela representado, a credencia a operar as negociações de seus produtos e serviços aos adquirentes ou usuários finais destes; 2.18 A Uniway Ltda., na qualidade de gestora credenciada dos negócios, pratica ato de cunho essencialmente administrativo, como os de contratação, faturamento e cobrança dos serviços tomados por terceiros, ou seja, no patrocínio dos interesses dos cooperados, promove a formalização da venda de serviços a usuário não associado; 2.19 Os serviços assim contratados são prestados pelos cooperados filiados à Uniway Serviços; 2.20 O art. 79 da Lei nº 5.764/1971 dispõe que denominamse atos cooperativados os praticados entre as cooperativas e seu associados, e o parágrafo único determina que tais atos não implicam operação de mercado; 2.21 Para que a negociação efetuada pela cooperativa não se caracterize em operação com não associado (art. 86) fazse necessário que o tomador (usuário final do serviço) satisfaça a condição de associado; Fl. 575DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 4 2.22 A função desenvolvida pela Uniway Ltda. revela uma ingerência administrativa, além de servir a outro propósito diverso do processo de cooperação, uma vez que para o desempenho da função de contratação, faturamento e cobrança dos serviços prestados pela Uniway Serviços bastaria a criação de um departamento na própria executora dos serviços. 2.23 Os atos praticados pela contratada, Uniway Ltda., sob forma de processo condicionante de parceria e/ou tomadora endossante (subrogação) da executora dos serviços, Uniway Serviços, não podem e nem devem servir de pretexto para transfigurar a obviedade e inegável condição de terem sido os serviços prestados a usuário final não associado; 2.24 A isenção do PIS concedida às sociedades cooperativas, se aplica às operações qualificadas como ato cooperativo, ou seja, aquelas que não resultem de prática de atos com não cooperados; 2.25 ANTE TODO O EXPOSTO, LAVROU O PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO, CONSIDERANDO COMO BASES DE CÁLCULO DA COFINS OS VALORES CONTABILIZADOS MENSALMENTE COMO RECEITAS DE PRESTA ÇÃO DE SERVIÇOS. 3. Como consta na "Descrição dos fatos e enquadramento legal", às fls. 148, a exigência foi efetuada com fulcro: 3.1 Nos artigos 1º e 3º, da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970; Nos artigos 2º, inciso I, 3º, 8º, inciso I e 9º da MP 1212/95 e suas reedições, convalidadas pela Lei nº 9.715/98; Nos artigos 2º, inciso I, 3º, 8º, inciso I e 9º da Lei nº 9.715/98. 4. Cientificada em 13/09/2002 (fls. 146), a interessada, inconformada, apresentou, em 14/10/2002, a impugnação de fls.158/195, alegando, em síntese, que: 4.1 E mera intermediária de seus associados, posto que a atividade que exerce é de proveito comum, sem finalidade lucrativa (art. 3ºda Lei nº 5.764/1971); 4.2 O objeto da Cooperativa de Trabalho é promover a aproximação da atividade de seus sócios ao usuário final do trabalho; 4.3 A atividade da cooperativa difere da realizada pelos sócios cooperados; 4.4 A correta interpretação do art. 79 da Lei nº 5.764/1971 tem sido objeto de estudo entre os mais variados nomes do Direito Cooperativo pátrio, sendo que Wilson Alves Polônio, em seu "Manual das Sociedades Cooperativas ", página 48, explica que a ausência do associado de forma direta, como parte das relações jurídicas decorrentes de quaisquer dos ciclos operacionais, caracteriza a operação, de plano, como ato não cooperativo; 4.5 As atividades da impugnante constam de seu objeto social, não havendo que se falar na inexistência de ato cooperativo na prestação de serviços realizada pelos sócios cooperados; 4.6 A impugnante, se utiliza da estrutura montada pela Uniway Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda., a fim de conjugar esforços para captar e oferecer melhores oportunidades de serviços aos seus sócios cooperados, sendo que irregularidade alguma existe em tal forma de atuação; Fl. 576DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 15374.005462/200131 Acórdão n.º 9303003.267 CSRFT3 Fl. 576 5 4.7 As atividades por ela exercidas não têm fim lucrativo, devendo receber o tratamento do art. 146, III, da Constituição; 4.8 Para melhor elucidar o que seriam considerados atos não cooperativos, faz menção aos ensinamentos de Reginaldo Ferreira Lima, em sua obra Direito Cooperativo Tributário, página 178, na qual o conceito de atos não cooperativos consta como sendo a prestação de serviços por parte da cooperativa à pessoa que teria, pela qualificação de sua atividade econômica, condições de se associar, mas não se interessou. Desde que haja interesse comum e essa atuação favoreça o conjunto dos sócios, a cooperativa pode realizar esta atividade; 4.9 Ainda este mesmo autor define que os atos cooperativos compreendem a atuação das cooperativas, na congregação dos associados, na apuração dos seus interesses comuns, no estabelecimento de contratos com pessoas interessadas em obter a atividade econômica de seus cooperados, na disponibilização aos cooperados dos meios indispensáveis e necessários para cumprir as contratações, na fixação de preços, no seu recebimento e na sua transferência aos cooperados; 4.10 Todas as operações realizadas pelas cooperativas como longa manus dos cooperados, inerentes ao objeto social, estão inseridas no conceito de ato cooperativo; 4.11 No Termo de Verificação e Constatação entregue pelo autuante, consta como fundamento legal para a cobrança do tributo ora impugnado, o art. 6º da Lei complementar n° 70/91, norma instituidora da Cofins; 4.12 A Lei n° 9.715/98, art. 2o, inciso II, § 1º, dispõe que a contribuição para o PIS/Pasep será apurado mensalmente pelas sociedades cooperativas, com base na folha de salários, sendo que em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados a contribuição seria apurada com base faturamento; 4.13 É insubsistente a exigência efetuada através do presente auto de infração, visto que a impugnante não se enquadra na hipótese de incidência do referido tributo, bem como pela inexistência de lei que autorizasse, na época, a cobrança do PIS das sociedades cooperativas, sobre as receitas decorrentes de operações praticadas com associados; 4.14 A multa de oficio imposta à impugnante é excessiva e tem caráter confiscatório; 4.15 A utilização da taxa Selic para a correção do suposto débito é inconstitucional. A 4a Turma da DRJ, por maioria de votos, julgou o lançamento procedente. Interpretando o art. 79 da Lei n° 5.764/71, o voto vencedor considerou que são atos cooperativos somente os praticados entre a cooperativa e seus associados, pelo que a isenção defendida pela contribuinte não atinge os atos que se externalizam ao sistema e alcançam pessoas não pertencentes ao mundo cooperativado. No mais e neste ponto sem divergência com o voto vencido , reputou legal a aplicação dos juros de mora e da multa de ofício. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 6 No Recurso Voluntário, tempestivo, a autuada insiste na improcedência do lançamento, repisando as alegações da Impugnação. Julgando o feito, o Colegiado da Turma da Câmara recorrida deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 COOPERATIVA DE SERVIÇOS. ATOMEIO ESSENCIAL. ISENÇÃO. Numa cooperativa de serviços, também goza da isenção do PIS Faturamento, até os fatos geradores de outubro de 1999, a receita proveniente dos serviços prestados por seus associados ao mercado, por ser tal operação essencial à realização do objeto social da sociedade e não se dissociar das atividades de cada associado, individualmente. Embora uma interpretação literal do art. 79 da Lei n° 5.764/71 permita restringir os atos cooperativos apenas aos atos internos ou atosfim, realizados entre a sociedade cooperativa e seus associados, a isenção se estende aos atosmeio quando estes são essenciais à realização daqueles e não vão além do que cada associado, individualmente, poderia oferecer a terceiros sem a intermediação da cooperativa. Recurso provido. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde pugna pelo restabelecimento da exação fiscal. Firma seu entendimento de que o acórdão recorrido deve ser reformado porque, em síntese, através de acórdão paradigma, a prestação de serviços a não associados não configura prática de ato cooperativo, adotando a interpretação restritiva deste, e, por conseguinte, deve ser tributada. O apelo fazendário logrou seguimento, nos termos do despacho de admissibilidade. Regularmente cientificado do acórdão e do recurso fazendário, o sujeito passivo deixou transcorrer in albis o prazo regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a matéria que se apresenta a debate versa sobre a conceituação de ato cooperativo para fins da isenção da contribuição para o PIS/Pasep sobre este contida no art. 6º , I da LC 70/1991 c/c art. 2º , §1° da Lei 9.715/1998, antes da revogação Fl. 578DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 15374.005462/200131 Acórdão n.º 9303003.267 CSRFT3 Fl. 577 7 desta isenção pela MP 1.8586 de 1999, atualmente contida na MP 2.15835, de 2001, com efeitos a partir de novembro de 1999. O Colegiado a quo, no acórdão recorrido, entendeu que o ato cooperativo não é somente o ato praticado entre a cooperativa e o associado, também denominado atofim, mas também atos praticados pela cooperativa com terceiros (mercado), denominados atomeio, mas tal operação deve ser essencial à realização do objeto social da sociedade e não se dissociar dos serviços que cada associado, individualmente, produz. Por sua vez, a Fazenda Nacional alega, fundamentada nos arts. 79, 86, 87 e 111 da Lei 5.764/1971, que a prestação de serviços a terceiros não cooperados se caracteriza como um ato não cooperativo, pois este é um atomeio e não pode ser ou equivaler a um atofim, que seria somente o ato praticado entre a cooperativa e o cooperado. Por conseguinte, os valores oriundos desta atividade não se encontrariam na isenção da contribuição disciplinada no art. 6º , I da LC 70/1991 c/c art. 2º , §1° da Lei 9.715/1998. Entendimento contrário configuraria uma interpretação extensiva da norma de isenção, expressamente vedado pelo art.111, II, do CTN. Visando deslindar o litígio, observase a doutrina, normalmente, adota duas interpretações sobre o ato cooperativo, sendo uma restritiva, na qual o ato cooperativo é somente o praticado entre a sociedade cooperativa e seus associados (operações internas), e outra extensiva, no qual o ato cooperativo pode também ser praticado com terceiros não cooperados (operações externas), em maior ou menor grau. Dentre os termos usados pela doutrina podemos classificar da seguinte forma : _ ato–fim (interno) : são os atos ou negócios realizados entre a cooperativa e seus associados cooperados; _ atomeio (externo) : são os atos realizados como terceiro não cooperado (mercado); _ ato auxiliar : são atos relacionados com o objeto da cooperativa, mas não condicionam o atofim, sendo necessário em função de situações especiais; _ ato acessório : são atos não relacionados diretamente com o objeto da cooperativa. Os conceitos doutrinários acima serve para a interpretação da regulamentação legal do ato cooperativo contido nos arts.79, 86, 87 e 111 da Lei 5.764/1971, abaixo transcritos: “Art. 79. Denominam se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 8 Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. ... Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei.” Utilizando meios de hermenêutica, como, a sistemática, na qual as normas são correlacionadas com normas da própria Lei e do ordenamento jurídico, chegase a conclusão diferente da interpretação literal dos retrocitados artigos de lei. Dentro do ordenamento jurídico verificamos que a Constituição Federal de 1998, que é posterior à Lei 5.764/1971, previu em seu art.146, III, “c”, o adequado tratamento tributário do ato cooperativo, entre outros dispositivos constitucionais que trazem tratamento que beneficiam o cooperativismo (art.174, §2º). Tais princípios servem, não só como preceitos de validade, mas também de interpretação das normas infraconstitucionais. Além disso, na própria Lei 5.764/1971, verificamos os artigos 3º e 4º, que assim dispõem: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: ... VII retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; VIII indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social; ... Pelo fato das cooperativas serem sociedades sem fins lucrativos, os atos que constituem seu objeto social não teriam caráter mercantil. Assim, essas sobras líquidas só poderiam derivar de atos com terceiros, já que os realizados entre a cooperativa e seus associados não implicaria em operação de mercado. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 15374.005462/200131 Acórdão n.º 9303003.267 CSRFT3 Fl. 578 9 Como as sociedades cooperativas visam, através do esforço conjunto dos cooperados, oferecer bens e serviços para o exercício da atividade econômica, sendo que as sobras do exercício devem ser repartidas entre os cooperados, proporcional às operações realizadas pelo associado, necessariamente, deveriam haver algumas operações com terceiros (mercado), pois do contrário ficariam sem sentido os preceitos destas normas. Nestas operações com terceiros, a sociedade teria apenas a posse temporária dos valores, que somente transitariam por sua contabilidade para controle interno, não havendo como tributálos, por falta de legitimidade passiva, pois, a despeito de não configurar receita bruta, tais valores sequer configuram receita da cooperativa, mas sim do cooperado. Então, para a consecução dos objetivos sociais da sociedade cooperativa seria necessário que o ato cooperativo não fosse somente ato/negócio entre ela e seus associados (atofim), mas também inclua alguns atos/negócios com terceiros não cooperados (atomeio). Este entendimento acima demonstrado, no qual a isenção do ato cooperativo se aplicaria também aos atosmeio, quando estes são essenciais à realização dos atosfim e não vão além do que cada associado, individualmente, poderia oferecer a terceiros sem a intermediação da cooperativa, está contido no acórdão recorrido e em jurisprudência desta egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, sendo que o presente Relator também a adotava. Todavia, tal entendimento foi totalmente afastado pelo julgamento no STF do RE 599362/RJ, em repercussão geral, da lavra do Ministro Dias Tóffoli, ainda não oficialmente publicado, mas contido no site deste Tribunal (http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/listarJulgado.asp), que assim proclama: Segundafeira, 10 de novembro de 2014 Incide PIS sobre a receita de cooperativas, decide Plenário O Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, deu provimento a recursos da União relativos à tributação de cooperativas pela contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e pela Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A União questionava decisões da Justiça Federal que afastaram a incidência dos tributos da Unimed de Barra Mansa (RJ) e da Uniway – Cooperativa de Profissionais Liberais, em recursos com repercussão geral reconhecida. Segundo o presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski, os julgamentos significarão a solução de pelo menos 600 processos sobrestados na origem. O Plenário do STF reafirmou entendimento da Corte segundo o qual as cooperativas não são imunes à incidência dos tributos, e firmou a tese de que incide o PIS sobre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços, resguardadas exclusões e deduções previstas em lei. O caso da incidência do PIS sobre as receitas das cooperativas foi tratado no Recurso Extraordinário (RE) 599362, de relatoria do ministro Dias Fl. 581DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 10 Toffoli. No RE 598085, foi analisada a revogação da isenção da Cofins e do PIS para os atos cooperados, introduzido pela Medida Provisória 1.858/1999. Tratamento adequado O ministro Dias Toffoli menciona em seu voto no RE 599362 o precedente do STF no RE 141800, no qual, afirma, reconheceuse que o artigo 146, inciso III, alínea “c”, da Constituição Federal não garante imunidade, não incidência ou direito subjetivo à isenção de tributos ao ato cooperativo. É assegurado apenas o tratamento tributário adequado, de forma que não resulte em tributação mais gravosa do que aquela que incidiria se as atividades fossem realizadas no mercado. “Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas tratamento tributário privilegiado”, afirmou. No caso das cooperativas de trabalho, ou mais especificamente, no caso de cooperativas de serviços profissionais, a operação realizada pela cooperativa é de captação e contratação de serviços para sua distribuição entre os cooperados. Nesse caso, específico da cooperativa recorrida no RE, o ministro também entendeu haver a incidência do tributo. “Na operação com terceiros, a cooperativa não surge como mera intermediária, mas como entidade autônoma”, afirma. Esse negócio externo pode ser objeto de um benefício fiscal, mas suas receitas não estão fora do campo de incidência da tributação. Como o PIS incide sobre a receita, afastar sua incidência seria equivalente a afirmar que as cooperativas não têm receita, o que seria impossível, uma vez que elas têm despesas e se dedicam a atividade econômica. “O argumento de que as cooperativas não têm faturamento ou receita teria o mesmo resultado prático de se conferir a elas imunidade tributária”, afirmou o relator, ministro Dias Toffoli. RE 598085 No Recurso Extraordinário (RE) 598085, de relatoria do ministro Luiz Fux, o tema foi a vigência do artigo 6º, inciso I, da Lei Complementar 70/1991, segundo o qual eram isentos de contribuição os atos cooperativos das sociedades cooperativas. Segundo o voto proferido pelo relator, são legítimas as alterações introduzidas pela Medida Provisória 1.858/1999, no ponto em que foi revogada a isenção da Cofins e do PIS concedida às sociedades cooperativas Fl. 582DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 15374.005462/200131 Acórdão n.º 9303003.267 CSRFT3 Fl. 579 11 Fica claro no informativo do STF que: 1) o artigo 146, inciso III, alínea “c”, da Constituição Federal não garante imunidade, não incidência ou direito subjetivo à isenção de tributos ao ato cooperativo, sendo apenas assegurado tratamento tributário adequado, de forma que não resulte em tributação mais gravosa do que aquela que incidiria se as atividades fossem realizadas no mercado; 2) no caso das cooperativas de trabalho, ou mais especificamente, no caso de cooperativas de serviços profissionais, a incidência do tributo, pois esta não surge como mera intermediária, mas como entidade autônoma, sendo que esse negócio externo pode ser objeto de um benefício fiscal, mas suas receitas não estão fora do campo de incidência da tributação e 3) como o PIS incide sobre a receita, afastar sua incidência seria equivalente a afirmar que as cooperativas não têm receita, o que seria impossível, uma vez que elas têm despesas e se dedicam a atividade econômica, caso contrário seria o mesmo que, na prática, conferir a elas imunidade tributária. Trazse excertos do Acórdão do RE 599362/RJ, ainda não publicado oficialmente devido a revisão ortográfica, que não deixam dúvida sobre o assunto: ... Este e o cerne da demanda: a partir da exegese do que seja o adequado tratamento tributário do ato cooperativo, saber se as receitas auferidas pelas Cooperativas de Trabalho decorrentes dos negócios jurídicos praticados com terceiros não cooperados se inserem na materialidade da contribuição ao PIS/PASEP, ou se, ao revés, não constituem receita da cooperativa e, sim, do cooperado, caracterizandose como hipótese de não incidência tributária.. .... Extraise, de imediato, do conteúdo do art. 146, Ill, c, que o adequado tratamento tributário e dirigido ao ato cooperativo, o que importa dizer que a norma é de caráter objetivo, o que e relevante na determinação da sua extensão. A norma, portanto, concerne a tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes, pois, a rigor, para fins fiscais, elas são indistintas de outras sociedades enquanto não praticam atos cooperativos. Mesmo no que se refere ao ato cooperativo, o texto constitucional pressupõe a possibilidade de sua tributação ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. Portanto, o texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das Cooperativas a isenção. .... .. Nessa perspectiva, ate que sobrevenha a lei complementar que definirá o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, ao meu sentir, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, de modo que o tratamento tributário conferido ao ato cooperativo não resulte em tributação mais gravosa aos Fl. 583DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 12 cooperados (pessoas físicas ou pessoas jurídicas) do que aquela que incidiria se as mesmas atividades fossem realizadas sem a associação em cooperativa. Embora premente, essa é uma questão política que deve ser resolvida a partir de amplo debate na esfera adequada e competente, sendo que a eventual insuficiência de normas não pode ser tida por violadora do principio da isonomia, como já observou a Corte no julgamento dos MI n2s 701, 702 e 703, de relatoria do Ministro Marco Aurélio. A partir de tais premissas, cumpre analisar se o art. 22, I, § 22 da Lei nº 9.715/98, ao estabelecer que as sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal dos seus empregados,pagarão, também, a contribuição ao PIS/PASEP, calculada sobre o faturamento do mês, em "relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados", estaria a descumprir o comando negativo (mínimo) do art. 146,111, c, da Constituição. 0 deslinde do caso concreto, a partir das premissas do acórdão recorrido, passa pela definição do que seja ato cooperativo e por determinarse se as operações praticadas pela cooperativa com não associados se inserem nesse conceito. ... Comungo do entendimento externado pelo Ministro Teori Zavascki. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, tal se dará a partir da análise da subsunção do fato a norma de incidência especifica, em cada caso concreto. De todo modo, a recepção ou não da Lei nº 5.764/71 com status de lei complementar, não é determinante para o deslinde da questão posta nos autos. A grande problemática gerada pelo acórdão recorrido está na abrangência do próprio conceito de ato cooperativo, tal como posto no art. 79, parágrafo único da citada lei. Sobre o tema, observo que dentre aqueles que laboram junto às cooperativas, há os que emprestam uma acepção muito ampla ao instituto, colocando toda sorte de situações sob esta rubrica. Outros há que restringem o conceito de ato cooperativo de modo a abranger somente aqueles praticados "entre a cooperativa e seus associados, sempre na busca dos objetivos colimados pelo empreendimento" (NASCIMENTO, Carlos Wider do. Teoria geral dos atos cooperativos. São Paulo: Malheiros, 2007. p. 54). Há, também, aqueles que, apesar de reconhecer que o ato cooperativo se resume àqueles praticados entre a cooperativa e seus associados (atos internos), acabam por emprestar ao negócio jurídico firmado entre a cooperativa e terceiros (atos externos ou negóciomeio), o mesmo tratamento tributário. A justificativa da última corrente parte da concepção de que [fo] negócio interno ou negócio fim está vinculado a um negócio externo, negócio de mercado, ou negóciomeio. Este Ultimo condiciona a plena satisfação do primeiro, quando não a própria possibilidade de sua existência" (Walmor FRANKE. Direito das Fl. 584DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 15374.005462/200131 Acórdão n.º 9303003.267 CSRFT3 Fl. 580 13 sociedades cooperativas (direito cooperativo). São Paulo: Saraiva,Editora da USP, 1973. p. 26). ... Pelos entendimentos acima colacionados, evidenciase que, em maior ou menor extensão, as definições de ato cooperativo partem sempre da interpretação da legislação de direito privado, no caso, do art. 79 da Lei 5.764/71, o qual define o ato cooperativo como "os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais". Se, para uns, o foco são os sujeitos da relação, para outros, o que importa é o ato cooperativo não em si considerado, mas como aquele que garante a plena satisfação dos objetivos sociais da cooperativa. Quando estamos diante de uma cooperativa de trabalho, caso dos autos, o tipo de serviço prestado precisa ficar bem evidenciado. Isso se vê claramente nas chamadas cooperativas de prestação de serviços profissionais, as quais respondem "pela captação e pela contratação impessoal dos serviços, para ulterior distribuição entre os cooperados, que os executarão de forma individual e autônoma, de modo a garantir oportunidade de trabalho e remunerabilidade a todos". (Heleno Taveira Torres, op. cit). Na operação com terceiros contratação de serviços ou vendas de produtos a cooperativa não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas sim como entidade autônoma com personalidade jurídica própria, distinta dos trabalhadores que se associaram. ... Dessa forma, mesmo que se parta da última corrente, de modo a abranger no conceito de ato cooperativo os denominados "negóciosmeio", do ponto de vista do adequado tratamento tributário, esse negócio externo consistente na contratação de serviços ou venda de produtos tendo em vista o aperfeiçoamento do ato cooperativo quanto às suas finalidades poderá, em tese, ser neutralizado pela concessão de beneficio fiscal às cooperativas, o que não implica dizer que as receitas dai advindas estariam fora do campo de incidência da tributação pois o constituinte ao conferir um tratamento tributário adequado ao ato cooperativo (qualquer que seja a acepção), pressupôs a existência da tributação, desde que haja a subsunção do fato à norma de incidência. Como bem analisa Pedro Einstein dos Santos Anceles, "não e pelo fato de ser, ou não, um ato cooperativo, mas pelo fato de existir, ou não, uma receita que se verifica o efeito da incidência". (Pressuposto material de incidência do PIS/PASEP e COFINS nas sociedades cooperativas. Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, ano Fl. 585DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 14 1, nº. 3, maio/jun 2003. Disponível em: http://www.editoraforum.com.br) ... Foi nesse sentido o posicionamento do Ministro Teori Zavascki nos autos do REsp n° 591.298/MG. O caso, embora envolva uma cooperativa de credito, no meu entender, elucida a problemática gerada pela constante alegação de que as cooperativas não possuem faturarnento ou receita, como se lucro fosse sinônimo de faturamento: "Cumpre, finalmente, tecer algumas considerações acerca da recorrente alegação de que as sociedades cooperativas não possuem 'receita' ou 'faturamento' (ou, pelo menos, não possuem em relação aos atos cooperativos típicos), razão pela qual não se realiza, em relação a elas (ou aqueles atos), a hipótese de incidência da contribuição social, que é justamente o laturamento', ou a 'receita'. Também esse argumento não procede, já que parte do pressuposto de que receita e faturamento são sinônimos de lucro, ou de 'resultado', o que é um manifesto equivoco. A distinção desses conceitos decorre da própria Constituição, que no seu art. 195 separa as diversas situações de incidência da contribuição para a seguridade social `do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei' (inciso I), a saber: 'a) a folha de salário (...); b) a receita ou o faturamento; c) o lucro'. Aqui, em relação ao PIS (ao contrário do que ocorre com o imposto de renda), a hipótese de incidência é o faturamento e a receita, e não o lucro. Ora, a lei considera laturamento' a 'receita bruta',assim entendida 'a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas' (Lei 9.718, de 27.11.98, art. 39 e § 1º). E. certo que as cooperativas não têm fim lucrativo,conforme está expresso no art. 39 da Lei 5.764, de 16.12.71, que 'define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas'. Também é certo que o resultado das suas operações, nomeadamente os que decorrem dos atos cooperativos, são direcionados, em regra, a beneficiar o próprio cooperado (art. 411, VII). Mas isso não significa dizer que as cooperativas não tenham 'faturamento' e nem 'receita bruta', que é o conjunto das receitas auferidas com as suas operações, 'irrelevantes o tipo de atividade por ele exercida e a classificação contábil adotada para as receitas'. Com efeito, é da própria essência e está na própria definição legal de sociedade cooperativa o de que ela se destina ao 'exercício de uma atividade econômica' (Lei 5.764/71, art. 3º) podendo 'adotar por objeto qualquer gênero de serviço, operação ou atividade' (art. 5º ) E é da essência da atividade econômica a pratica atos jurídicos (operações de compra, de venda, de financiamento, de serviços, pouco importa) que geram receitas e despesas. Também as cooperativas, portanto, como qualquer empresa do gênero, Fl. 586DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 15374.005462/200131 Acórdão n.º 9303003.267 CSRFT3 Fl. 581 15 para atingir os objetivos que lhes são próprios, deve, necessariamente, auferir receita Quem não tem receita não pode ter despesa, nem resultado a ser distribuído entre os cooperados ou destinado a constituir fundos (art. 28). Quem não tem receita não pode operar. E as cooperativas, indubitavelmente, operam fartamente, tanto que a Lei que as regulamenta tem um capitulo próprio tratando 'Do Sistema Operacional das Cooperativas' (Capitulo XII), cuja Seção III trata especificamente 'Das Operações da Cooperativa'. Não é por outra razão que também as cooperativas estão obrigadas a possuir livros fiscais e contábeis (art. 22, V),destinados, justamente, ao lançamento das suas receitas e das suas despesas, com base nas quais apurará, em cada exercício,seus resultados, positivos ou negativos. Em suma, considerando que a hipótese de incidência do PIS não é o lucro (a contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas está disciplinado em outra lei, a Lei 7.689, de 15.12.88), mas suas receitas brutas, não hi como negar que as cooperativas, como todas as demais pessoas jurídicas que exercem atividades econômicas, com ou sem fins lucrativos, realizam aquela hipótese de incidência e, não estando isentas, submetemse ao pagamento daquela contribuição, nos limites e com as deduções e exclusões previstas em lei." ... Cs entendimento de que as sociedades cooperativas não possuem faturamento, nem receita, e que, portanto, não haveria a incidência de qualquer tributo sobre a pessoa jurídica levaria ao mesmo resultado prático de se conferir a elas imunidade tributária, com a ressalva de que não há autorização constitucional para tanto. ... No que concerne às cooperativas de trabalho, na modalidade serviço, como se ye na IN IV 635/06, são excluídas diversas receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS, dentre outras: (i) para as cooperativas de transporte rodoviário de cargas, dos ingressos decorrentes de ato cooperativo; (ii) exclusões da base de cálculo do PIS/PASEP apuradas por sociedades cooperativas de serviços medicos;para as cooperativas de credito, os ingressos decorrentes de ato cooperativo (art. 15, IN 635/06). Portanto, sem a norma geral que disciplinará o adequado tratamento ao ato cooperativo, a partir do caso concreto, não vislumbro afronta ao principio da isonomia, tampouco um desvirtuamento do comando mínimo garantido pelo art. 146, III, "c" da Constituição, naquilo que garante o direito na sua concepção negativa de impedir um "tratamento gravoso ou prejudicial is cooperativas e respeitandose, igualmente, as Fl. 587DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 16 peculiaridades de cada "cooperativa" com relação is demais sociedades de pessoas e de capitais". Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário da União para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tornadores de serviço, objeto da impetração, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. ( sublinhados nosso e negritos do original) O Acórdão do STF no RE 599362/RJ, devido à repercussão geral, após a publicação oficial, tera efeito vinculante neste Conselho, por causa da incidência do art.62A do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e alterações posteriores. Resumindo, no caso de cooperativa de prestação de serviços, a receita proveniente da prestação de serviço ao mercado, por não ser um atofim, mas somente um ato meio, não se inclui na isenção do PIS que vigorou até os fatos geradores de outubro de 1999. Isto porque a interpretação literal do art. 79 da Lei n° 5.764/71 restringe os atos cooperativos apenas aos atos internos ou atosfim, realizados entre a sociedade cooperativa e seus associados, não se aplicando aos atos com terceiros não cooperados, que seriam as operações como o mercado, pois estes representam a receita bruta da cooperativa e não do cooperado, conforme proclama a jurisprudência do SupremoTribunal Federal. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência fiscal. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 588DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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Numero do processo: 14041.000211/2006-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1992
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Da leitura do Processo Administrativo Fiscal, podemos extrair a existência de dois lançamentos distintos, sendo um referente à Notificação Fiscal nº 0402317, de 12.07.1996, que fora quitado pelo Recorrente e outro referente à Notificação Fiscal nº 1100388, de 17.01.1997, relativo ao anocalendário de 1992, objeto do presente processo.
Desta forma, não se pode acolher a nulidade de bis in idem alegada pelo contribuinte.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O lançamento fiscal foi efetuado dentro do lapso temporal de cinco anos, a partir da decisão que anulara o lançamento anterior, por vicio formal. Aplicação do artigo 173, II, do CTN.
LUCRO INFLACIONÁRIO - PARCELA DIFERÍVEL.
Comprovado em baixa em diligência o erro material alegado pela Recorrente que impactou na apuração do lucro inflacionário na sua parcela diferível, uma vez que os valores referentes aos descontos sobre entregas são efetivamente receitas financeiras, deve-se acolher os argumentos da contribuinte.
Recurso conhecido e parcialmente provido.
Numero da decisão: 1201-001.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTARAM as preliminares de nulidade e de decadência e DERAM parcial PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL CORREIA FUSO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e André de Almeida Blanco.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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INEXISTÊNCIA. Da leitura do Processo Administrativo Fiscal, podemos extrair a existência de dois lançamentos distintos, sendo um referente à Notificação Fiscal nº 0402317, de 12.07.1996, que fora quitado pelo Recorrente e outro referente à Notificação Fiscal nº 1100388, de 17.01.1997, relativo ao anocalendário de 1992, objeto do presente processo. Desta forma, não se pode acolher a nulidade de bis in idem alegada pelo contribuinte. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O lançamento fiscal foi efetuado dentro do lapso temporal de cinco anos, a partir da decisão que anulara o lançamento anterior, por vicio formal. Aplicação do artigo 173, II, do CTN. LUCRO INFLACIONÁRIO PARCELA DIFERÍVEL. Comprovado em baixa em diligência o erro material alegado pela Recorrente que impactou na apuração do lucro inflacionário na sua parcela diferível, uma vez que os valores referentes aos descontos sobre entregas são efetivamente receitas financeiras, devese acolher os argumentos da contribuinte. Recurso conhecido e parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTARAM as preliminares de nulidade e de decadência e DERAM parcial PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 02 11 /2 00 6- 74 Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e André de Almeida Blanco. Relatório Tomo como parte do presente Relatório as descrições dos fatos trazidas na decisão da DRJ: “Em 13/04/2006, foi lavrado Auto de Infração do IRPJ, atinente ao período de apuração fevereiro/1992, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 410.297,01, assim discriminado (fls. 04/12): a) IRPJ, R$ 99.892,15; b) Juros de Mora (calculados até 31/03/2006), R$ 235.485,75; c) Multa de Oficio (75%), R$ 74.919,11. Descrição dos fatos e infração: GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTE Fato gerador: 28/02/1992 Valor tributável Cr$ 254.865.952,48 Fundamento legal: RIR/80, arts. 157, 382 e 388, III (dec. 85.450/80). ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA — INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Fato gerador: 28/02/1992 Valor tributável: Cr$ 254.865.952,48 Fundamento legal: Lei 8.383/91, art. 49. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 14041.000211/200674 Acórdão n.º 1201001.158 S1C2T1 Fl. 3 3 O sujeito passivo tomou ciência do Auto de Infração pessoalmente, por intermédio de seu representante legal, em 19/04/2006 (fl. 04); apresentou impugnação em 19/05/06 às fl. 69/84, juntando, ainda, os documentos às fls. 85/159. Consta da impugnação, em apertada síntese: Preliminarmente, a arguição de nulidade e de decadência do lançamento fiscal. 2) No mérito propriamente dito: alegou que o Auto de Infração ora impugnado nada mais é do que uma repetição daquele que fora lavrado em 17/01/1997 (fls. 47/48), o qual foi julgado nulo, por vicio de forma, conforme Acórdão DRJ/RJ01 no 4.556, de 28 de novembro de 2003 (fls. 65/67); que somente veio tomar ciência do citado acórdão em 2006, quando do recebimento do presente Auto de Infração; que essa demora do Fisco — no dar a ciência daquele acórdão lesionou princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa, da publicidade e do devido processo legal; que o prejuízo fiscal do ano base 1991, por ocasião da revisão da DIRPJ 1992 (ano base 1991), foi reduzido de oficio em Cr$ 160.898.905,00 (Cr$ 3.121.172.070,00 para Cr$ 2.960.273.165,00), conforme Notificação de Multa pela redução de Prejuízo Fiscal (Notificação 0402317, de 12/07/1996), por conta de divergência de informação (dados conflitantes entre diversos Quadros da DIRPJ 1992, ano base 1991, ou seja: a) Excesso de retiradas de administradores: que inexiste excesso de remuneração de administradores, além do valor que fora informado na DIRPJ 1992, ano base 1991 (o Fisco entende que o excesso de retiradas é de Cr$ 111.110.983,00, e não apenas Cr$ 39.434.341,00); que, no caso, aplicase o limite individual mensal, e não o limite mínimo colegial mensal; que — embora tenham sido pagas retiradas a treze administradores diferentes no anobase 1991 — a impugnante em nenhum período de apuração referente ao exercício 1992 (anobase 1991), remunerou mais do que cinco dirigentes por mês, conforme demonstrativos e documentos às fls. 143/157); b) Lucro inflacionário do período base 1991 (parcela deferível): o qual teria sido apurado e informado a maior do que o valor calculado pelo Fisco. Vale dizer: valor a maior informado é de Cr$ 89.222.283,00. A impugnante alegou que isso decorreu de erro material no preenchimento da DIRPJ 1992 (ano base 1991), ou seja: • que os "descontos sobre entregas" Cr$ 89.004.362,88 foram informados erroneamente como sendo "outras receitas operacionais" — Quadro 13, item 09, quando deveriam ter sido informados como "receitas financeiras" — Quadro 13, item 05 (quando da apuração do lucro inflacionário, o citado valor já havia sido computado corretamente como receita financeira); • quanto à diferença de Cr$ 217.920,12 (89.222.283,00 — 89.004.362,88) referese a bonificações e dividendos (resultado positivo com partic. societ.) cujo valor foi, indevidamente, Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 computado pela impugnante na apuração do lucro inflacionário; por isso, deve ser excluído (só nessa parte a impugnante aceita a redução do prejuízo fiscal e a glosa da compensação como indevida); • que, por conseguinte, o valor correto do lucro inflacionário do período base (parcela deferível) é Cr$ 3.059.614.682,78, e não Cr$ 2.970.610.319,00 como quer o Fisco; que o valor correto do prejuízo fiscal do ano base 1991 é de Cr$ 3.120.954.150,78, e não Cr$ 2.960.273.165,00 como quer o Fisco. Diante do exposto, a impugnante alegou que relativo ao período de apuração fev./1992 — período objeto da autuação a glosa da compensação de prejuízos fiscais deve ser revista, pois, como demonstrado, a redução de oficio do prejuízo fiscal, do ano base 1991, foi em parte indevida. Por fim, a impugnante pediu que o julgamento fosse convertido em diligencia fiscal, para que pudesse apresentar outros documentos, livros fiscais, demonstrativos e laudos contábeis e qualquer outra prova admissível na esfera administrativa, pois os fatos objeto do lançamento fiscal ocorreram há quatorze anos, situação que dificulta sobremaneira a defesa. Destacase ainda pelo histórico dos fatos desses autos que: A Recorrente sofreu duas Autuações Fiscais distintas: (i) um referente à Notificação Fiscal nº 0402317, de 12.07.1996, relativa ao ano calendário de 1991, e (ii) a Notificação Fiscal nº 1100388, de 17.01.1997, relativa ao ano calendário de 1992. Ambos os autos de infração acima mencionados foram anulados em primeira instância. Após estes atos anulatórios foram gerados novas autuações sendo que aquela referente ao ano calendário de 1991, fora quitada pelo contribuinte. A segunda autuação, referente ao ano calendário de 1992, lavrada em 13.04.2006, é objeto do presente processo. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília – DF (DRJBSA), julgou o lançamento procedente em parte – Acórdão n° 03 26.073 de 25 de julho de 2008, o qual transcrevo abaixo a ementa: “Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 1992 Ementa: NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O lançamento fiscal objeto da lide foi efetuado em face do anterior ter sido declarado nulo, uma única vez, ainda na primeira instância. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O lançamento fiscal foi efetuado dentro do lapso temporal de cinco anos, a partir da decisão que anulara o lançamento anterior, por vicio formal. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 14041.000211/200674 Acórdão n.º 1201001.158 S1C2T1 Fl. 4 5 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL. SALDO DE PREJUÍZO FISCAL INSUFICIENTE DE ANOBASE ANTERIOR. REVISÃO DO LANÇAMENTO FISCAL. Restando demonstrado nos autos que parte do prejuízo fiscal do anobase anterior fora glosado indevidamente pela adição do excesso de remuneração a administradores apurado pelo Fisco, revisase o lançamento fiscal para redução do valor da compensação indevida, pelo acolhimento ou restabelecimento do prejuízo fiscal do anobase anterior, por conta da inexistência do excesso de remuneração ou de retiradas de administradores apurado pelo Fisco (diferença). LUCRO INFLACIONÁRIO – PARCELA DIFERÍVEL. EXCESSO APURADO PELO FISCO. Mantémse a redução do prejuízo fiscal do anobase anterior, por conta do excesso de lucro inflacionário — parcela deferível — apurada pelo Fisco, uma vez que — em relação ao alegado equivoco de preenchimento da declaração pelo contribuinte — não restou comprovado nos autos que o valor trataria de receita financeira, e não outras receitas operacionais. PROTESTO PELA JUNTADA DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. PEDIDO REJEITADO. Para que seja deferido o pedido de diligência, perícia, produção ou juntada de outras provas, o requerimento deve, além de demonstrar com fundamentos a sua necessidade, ser formulado em consonância com o inciso IV e § 1 do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72. Lançamento Procedente em Parte Devidamente intimada da decisão da DRJ em 02/09/2008, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 26/09/2008, alegando em síntese que: (i) a nulidade do auto de infração em decorrência da existência de Auto de Infração anterior que, em seu entendimento, versava sobre a mesma matéria e que havia sido julgado nulo pela autoridade fiscal; (ii) decadência do direito da Fazenda quanto ao crédito tributário em questão; (iii) além de contestar a redução do prejuízo fiscal em decorrência de erro material que houvera cometido ao preencher a linha correspondente ao lucro inflacionário. A Turma Julgadora do CARF entendeu pela baixa dos autos em diligência, para: Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, encaminhandose os presentes autos à DRF de origem –Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília – DF (DRJBSA), para que: (i) a luz da escrituração contábil apresentada e de outros elementos que a DRF entender necessários, intimar a Contribuinte apresentar documentos que esclareçam a natureza das receitas registradas como descontos sobre entregas; (ii) elabore relatório circunstanciado; Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 (iii) intimar a Contribuinte para, desejando, se manifestar sobre o resultado da diligência; (iv) retorne os autos a esse Conselheiro para julgamento. Vejamos o que constou no Relatório de Diligência Fiscal: RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a Empresa de Tecnologia e Informação da Previdência Social (Dataprev), para exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do período de apuração fevereiro de 1992, bem como juros de mora e multa de ofício. 2. Em decisão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJBSA), foi mantida a infração referente ao aumento do lucro inflacionário no valor de Cr$ 89.222.283,00 (oitenta e nove milhões, duzentos e vinte e dois mil, duzentos e oitenta e três cruzeiros), dado que a empresa não comprovou, segundo a Delegacia de Julgamento, que o valor de fato se tratava de receita financeira. 3. A empresa impetrou recurso junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) contra acórdão da DRJBSA, alegando, dentre outros itens, erro no preenchimento da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) no que se refere às receitas financeiras do ano calendário de 1991, pois essas teriam sido informadas incorretamente como receitas operacionais, reduzindo, assim, o montante do lucro inflacionário. 4. A DIPJ1992 foi retificada para que esses valores fossem inseridos na linha de receitas financeiras, razão pela qual aumentouse o lucro inflacionário e, consequentemente, o prejuízo fiscal da empresa. 5. Segundo a Dataprev, do montante de Cr$ 89.222.283,00 (oitenta e nove milhões, duzentos e vinte e dois mil, duzentos e oitenta e três cruzeiros), apenas Cr$ 217.919,22 (duzentos e dezessete mil, novecentos e dezenove cruzeiros e vinte e dois centavos) deve ser glosado da apuração do lucro inflacionário, pois esse valor, referente a bonificações e dividendos, foi incluído indevidamente no cálculo. Ainda de acordo com a empresa, o valor remanescente, de Cr$ 89.004.362,88 (oitenta e nove milhões, quatro mil trezentos e sessenta e dois cruzeiros e oitenta e oito centavos), deve ser considerado como lucro inflacionário, pois tratase de descontos sobre entregas, ou seja, receitas financeiras. 6. Em sessão realizada em 08.05.2013, a Primeira Seção de Julgamento do CARF decidiu converter o julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF (DRFBSA) verificasse a alegação de erro material no preenchimento da DIPJ do exercício de 1992, no que se refere ao lucro inflacionário do anocalendário de 1991. 7. Assim, houve determinação, por parte do CARF, para a DRF BSB: Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 14041.000211/200674 Acórdão n.º 1201001.158 S1C2T1 Fl. 5 7 i) a luz da escrituração contábil apresentada e de outros elementos que a DRF entender necessários, intimar a Contribuinte apresentar documentos que esclareçam a natureza das receitas registradas como descontos sobre entregas; ii) elaborar relatório circunstanciado; iii) intimar a Contribuinte para, desejando, se manifestar sobre o resultado da diligência; iv) retornar os autos a esse Conselheiro para julgamento. 8. Foi aberto, em 21.11.2013, o Mandato de Procedimento Fiscal (MPF) Diligência nº 01.1.01.002013024466, fl. 923, para a apuração da alegação da empresa. 9. Em 22.11.2013 foi encaminhado à Dataprev, por via postal, no endereço constante do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), o Termo de Diligência Fiscal de nº 01, fls. 921 a 922, intimandoa para que apresentasse, no prazo estabelecido pela legislação, relação de documentos que comprovasse a natureza de receita financeira dos valores lançados no ano calendário de 1991 na conta contábil 803.00 (descontos sobre entregas). 10. O Aviso de Recebimento (AR), fl. 924, foi devolvido à DRF BSA no dia 25.11.2013, constando mensagem de que a empresa havia mudado de endereço. 11. Em 05.12.2013 foi enviado o Termo de Diligência nº 02, fls. 925 a 926, também por via postal, porém para outro endereço, conseguido mediante consultas e telefonemas para a empresa. Este Termo foi recebido em 09.12.2013, conforme AR constante nas fls. 927 e 928. 12. A Dataprev solicitou, em 30.12.2013, por meio do documento CE/COJF/Nº 003/2013, fl. 929, prorrogação do prazo de resposta em 30 dias, o que foi deferido por esta Delegacia. Apresentou também nesta data procurações para que seus advogados e contadores pudessem representála junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme fls. 930 a 937. Por fim, nessa data a empresa foi informada da necessidade de alteração de seu endereço cadastral junto à RFB, diante da qual ela declarou não ser definitiva a alteração de endereço, pois o prédio principal estaria sendo reformado. 13. Em 29.01.2014, a contribuinte apresentou, por meio do documento CE/COJF/Nº 001/2014, fl. 938, o Razão Analítico da Conta Contábil 803.00 (desconto sobre entregas), referente ao anocalendário 1991, em papel (fls. 939 a 1.004) e em meio digital (CD acompanhado de recibo emitido pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais SVA, fls. 1.005 a 1.006). 14. Após análise da contabilidade apresentada pela empresa, verificouse que há mais de 1.400 (mil e quatrocentos) Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 lançamentos para a Conta Contábil 803.00 (descontos sobre entregas) no anocalendário 1991, tornando inviável a análise documental de todos os lançamentos efetuados. Desta forma, foi elaborada uma lista contendo uma amostragem dos lançamentos efetuados, determinada pelos 100 (cem) lançamentos de maior valor, para que a Dataprev apresentasse os documentos comprobatórios da natureza financeira desses lançamentos. 15. Sendo assim, foi feita nova intimação (Termo de Diligência Fiscal nº 3, fls. 1.007 a 1.011), em 05.02.2014, contendo a listagem com os lançamentos escolhidos por amostragem para que a documentação física fosse apresentada no prazo de 20 (vinte) dias. 16. Nesse dia, ao dar ciência do Termo para a empresa, foi requerido que a amostragem fosse reduzida, tendo em vista que, segundo a Dataprev, cada lançamento produziria em torno de 20 (vinte) documentos a serem apresentados, o que tornaria 100 (cem) lançamentos um número ainda grande. 17. Tal requerimento foi acatado preliminarmente, pois a amostra menor poderia não ser suficiente para a análise da natureza financeira das receitas constantes nesta conta contábil, motivo pelo qual essa amostragem poderia ser ampliada a critério da RFB após o recebimento da documentação referente à amostragem inicial. 18. Sendo assim, convencionouse que a Dataprev apresentaria a documentação referente aos 9 (nove) lançamentos de maior valor da planilha anexa ao Termo de Diligência nº 3. Apesar de o quantitativo da amostragem não parecer ser representativa do montante total dos lançamentos, o somatório dos valores desses 9 (nove) lançamentos, no montante de Cr$ 27.008.985,11 (vinte e sete milhões, oito mil novecentos e oitenta e cinco cruzeiros e onze centavos), corresponde a aproximadamente 30% (trinta por cento) do total apurado no ano, no valor de Cr$ 89.004.362,88 (oitenta e nove milhões, quatro mil trezentos e sessenta e dois cruzeiros e oitenta e oito centavos). 19. Em 25.02.2014 a empresa apresentou, por meio do documento CE/DEGC/Nº 001/2014, fl. 1.012, a documentação solicitada, em papel, conforme fls. 1.013 a 1.182. 20. Após a análise da documentação apresentada, constatouse que a conta contábil 803.00 (descontos sobre entregas) é utilizada pela Dataprev para contabilização de valores abatidos (descontos obtidos) dos contratos celebrados pela contribuinte com outras empresas que lhe forneciam produtos e serviços. 21. Assim, a Dataprev contratava empresas para prestação de algum serviço (ou para entrega de algum produto), celebrando contrato para tanto. No contrato, havia a previsão de cobrança de multa caso a empresa contratada pela Dataprev descumprisse os seus termos, como por exemplo entregar um produto ou um serviço em atraso. 22. Essa multa aplicada pela Dataprev era abatida (descontada) do pagamento a ser efetuado à empresa contratada, que recebia, portanto, um valor líquido, deduzido da penalidade. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 14041.000211/200674 Acórdão n.º 1201001.158 S1C2T1 Fl. 6 9 23. Este valor era contabilizado na Dataprev como desconto sobre entregas, ou seja, uma espécie de desconto financeiro, contabilizado apenas na fatura de pagamento (autorização de pagamento emitida pela Dataprev), e não na Nota Fiscal. 24. Considerase de natureza financeira o desconto concedido/obtido após emissão de Nota Fiscal. Ou seja, não se trata de desconto comercial, concedido/obtido no momento da negociação, mas sim de um desconto financeiro, concedido após a negociação e em decorrência de um evento futuro. 25. Portanto, o desconto concedido pode ser considerado despesa financeira pelo prestador de serviço ou fornecedor do produto. De forma semelhante, o desconto obtido pelo adquirente do produto ou serviço, após a celebração do contrato, também pode ser considerado como receita financeira. 26. A documentação apresentada pela contribuinte mostrouse suficiente e clara no intuito de comprovação da natureza de receita financeira dos lançamentos contábeis efetuados na conta contábil 803.00 (descontos sobre entregas), não sendo vislumbrada necessidade de ampliação da amostragem fornecida. 27. Sendo assim, propomos a conclusão da diligência solicitada pelo Carf, no intuito de averiguar a natureza de receita financeira dos valores lançados pela Dataprev na conta contábil 803.00 (descontos sobre entregas) no anocalendário de 1991, tendo em vista a efetiva comprovação, por parte da empresa, da alegação apresentada. Devidamente intimada a empresa para se manifestar a respeito do Relatório de Diligência Fiscal, não houve qualquer manifestação da contribuinte. Este é o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. A despeito da decisão que entendeu pela diligência ter trazido préjulgamento das matérias ventiladas em sede de Recurso Voluntário, pelo menos em parte, cumpre a esse julgador analisar se o entendimento do Conselheiro que proferiu a decisão é passível de convalidação, pois em sede de Resolução com baixa em diligência a matéria de mérito do Recurso Voluntário em princípio seria apenas analisada e enfrentada após a diligência. A primeira questão a ser tratada nesse Recurso é quanto à nulidade, na qual acolho inclusive integralmente os argumentos trazidos na decisão da DRJ, pois é muito clara a distinção entre os períodosbase das multas: Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 Nulidade do Auto de Infração O Recorrente aduz, em sede de preliminar, a nulidade do auto de inflação, por considerar que este detinha o mesmo objeto de Auto de Infração lavrado pela autoridade fiscal que já havia sido julgado nulo. No entanto, da leitura do Processo Administrativo Fiscal, podemos extrair a existência de dois lançamentos distintos, sendo um referente à Notificação Fiscal nº 0402317, de 12.07.1996, que fora quitado pelo Recorrente e outro referente à Notificação Fiscal nº 1100388, de 17.01.1997, relativo ao anocalendário de 1992, objeto do presente processo. Entendo que não há qualquer nulidade no presente auto de infração. Como razões de decidir, adoto os mesmos argumentos do acórdão recorrido, abaixo transcritos: Na verdade, diversamente do alegado pela impugnante, não restou configurado vicio algum que pudesse macular o presente lançamento fiscal de nulidade; (...). Quanto aos fatos: em 1996, após processamento da DIRPJ 1992 (anobase 1991), houve de oficio a redução do prejuízo fiscal, com emissão da Notificação de Multa no valor de R$ 80,79, conforme Notificação n° 0402317, de 12/07/96 As fls. 118/120. No ano seguinte, em 1997, após processamento da DIRPJ 1993 (anobase 1992), o Fisco constatou que a impugnante compensara prejuízo fiscal do anobase 1991, inclusive aquele valor do prejuízo fiscal que havia sido glosado ou reduzido de oficio, de que trata a Notificação citada anteriormente. Por isso, nessa ocasião, foi emitida a notificação de lançamento suplementar do IRPJ relativo ao período de apuração fev/1992, conforme Notificação n° 1100388, de 17/01/1997 às fls. 123/132. Como se observa, o primeiro lançamento é atinente ao anobase 1991, referese a exigência de multa, pela redução de oficio de parte do prejuízo fiscal desse ano; já, o segundo lançamento é pertinente ao período de apuração fev/1992, pela compensação indevida de prejuízo fiscal do anobase 1991, quanto ao montante que fora reduzido de oficio. Quanto ao julgamento de 1998 (fl. 114), ele referese a decretação de nulidade do lançamento da multa de R$ 80,79 do anobase 1991 de que trata a Notificação n° 0402317, de 12/07/96, por vicio formal (fls. 118/120). Quanto ao julgamento de 2003 (fls. 115/117), ele referese à decretação de nulidade do lançamento fiscal (IRPJ, multa de oficio e juros de mora) relativo ao período de apuração fev/1992 de que trata a Notificação n° 1100388, de 17/01/1997, por vicio de forma (fls. 123/132). Vale dizer: as duas decisões de nulidade têm objetos diversos e não se referem ao mesmo lançamento fiscal; a primeira (prolatada em 1998), diz respeito ao lançamento de multa do Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 14041.000211/200674 Acórdão n.º 1201001.158 S1C2T1 Fl. 7 11 anobase 1991 (aplicação de multa isolada, apenas); a outra decisão (proferida em 2003), diz respeito ao período de apuração fev/ 1992 (imposição de IRPJ, multa de oficio e juros de mora). Logo, os lançamentos são diversos; têm períodos objeto de apurações diferentes. Inexiste, por conseguinte, duas decisões de nulidade sobre o mesmo lançamento fiscal. Portanto, não há nulidade nos lançamentos. Quanto à decadência, também não merece colhida a tese da Recorrente, haja vista que a nulidade reconhecida no lançamento anterior foi nos termos do artigo 173, inciso II, do CTN, ou seja, nulidade formal, podendo o novo lançamento ser refeito contando um novo prazo decadencial de 5 anos. Vejamos o que constou na decisão da baixa em diligência, no qual acolho integralmente: O Auto de Infração ora contestado foi lavrado em 13.04.2006, em decorrência da decisão que declarou a existência de vício formal na constituição do crédito tributário referente à Notificação nº. 1100388 de 17. 01.1997, sendo certo que a referida decisão foi proferida em 28.11.2003. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 173, inciso II, prescreve que na ocorrência de declaração de nulidade formal de lançamento de oficio, o prazo decadencial é interrompido para a constituição do crédito tributário, cujo termo inicial será a publicação da referida decisão. Vejase abaixo a transcrição do citado artigo: Art. 173 – O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contatos: II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anterior efetuado. Quanto à interrupção do prazo decadencial para o lançamento do crédito, cujo auto de infração foi anulado por erro formal, transcrevo a seguir doutrina esclarecedora da lavra do prof. Paulo Barros de Carvalho: “Este inciso constitui hipótese de interrupção do prazo prescricional. Aliás, o instituto da decadência, no direito tributário, possui elementos que o diferenciam da decadência do direito privado: a) o termo inicial, no direito privado, coincide com o nascimento do direito subjetivo (no campo tributário isso acontece somente com os tributos sujeitos a lançamento por homologação); e b) o prazo que culmina com o fato jurídico da decadência não se interrompe nem se suspende (no direito tributário há causa interruptiva – CTN, art. 173, II). (Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, 8ª edição, Ed. Saraiva, 1996, p.315/316) (grifei) Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 12 Assim, ante aplicação da regra prevista no art. 173, II do CTN, a Autoridade fiscal, após a publicação do Acórdão que declarou a nulidade formal do lançamento fiscal, detém 5 (cinco) anos para efetuar novo lançamento sobre os fatos geradores declarados nulos. Como a publicação da decisão declaratória da nulidade é datada de 28.11.2003, a Autoridade Fiscal poderia efetuar o lançamento até o mês de novembro de 2008 e, tendo o presente auto de infração que ensejou a contestação do Recorrente sido lavrado em 13.04.2006, ou seja, dentro do prazo decadencial ao qual a Fazenda fazia jus, não há o que se falar em decadência. Nestes termos, não há que se falar em decadência do novo lançamento. Quanto ao mérito, entendo pela necessidade das transcrições da decisão que baixaram os autos em diligência, pois a dúvida do julgador foi efetivamente esclarecida pela diligência, o que demonstrou que o contribuinte tinha razão em suas alegações quanto à despesa financeira, visto que em relação aos dividendos e bonificações concordou em reduzir o seu prejuízo fiscal: Conforme relatado, em 1996, por ocasião da revisão da DIRPJ1992 (anobase 1991), houve redução de oficio do prejuízo fiscal do anobase 1991, no valor de Cr$ 160.898.905,36 (Cr$ 3.121.172.070,36 para Cr$ 2.960.273.165,00). Essa redução de oficio do prejuízo fiscal do anobase 1991, repercutiu na DIRPJ1993 (anobase 1992), ou seja, o Fisco constatou que a contribuinte havia compensado na DIRPJ1993, lucro real do período de 1992 (fevereiro), com prejuízos fiscais do anobase 1991, inclusive a parcela do prejuízo fiscal insubsistente (valor reduzido de oficio). Vale dizer, em fevereiro de 1992, houve compensação de lucro real com prejuízo fiscal insubsistente, no valor de Cr$ 160.898.905,36 (valor original). Por isso, sobre o citado valor compensado indevidamente, foi exigido, via Auto de Infração, o IRPJ suplementar com acréscimos legais. Tal glosa deuse por dois motivos (fls 120): diferença de excesso de remuneração dos administradores Cr$ 71.676.622,00 (Cr$ 111.110.963,00 — Cr$ 39.434.341,00); lucro inflacionário (parcela diferível) maior do que o valor calculado pelo Fisco — diferença de Cr$ 89.222.283,00 (Cr$ 3.059.822.602,00 — Cr$ 2.970.610.319,00). Quanto ao excesso de remuneração de administradores na DIRPJ/1992 (anobase 1991), a decisão recorrida cancelou a exigência fiscal sobre essa parcela, entendendo que não houve excesso de remuneração ou retiradas além do valor já informado na DIRPJ/1992 (anobase 1991), pois, embora tenham sido pagas retiradas a treze administradores diferentes no anobase 1991, em nenhum período de apuração referente ao exercício 1992 (anobase 1991), houve remuneração mais do que cinco dirigentes por mês. Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 14041.000211/200674 Acórdão n.º 1201001.158 S1C2T1 Fl. 8 13 Por outro lado, a decisão recorrida manteve a infração referente a parcela a maior do lucro inflacionário (parcela diferível), correspondente a Cr$ 89.222.283,00 (Cr$ 3.065.832.602,00 para Cr$ 2.970.610.319), em face de divergência de critérios nos preenchimentos dos Quadros da DIRPJ/1992 (anobase 1991), entendendo que o citado montante não pode ser computado na apuração do lucro inflacionário, pois a contribuinte não comprovou nos autos que realmente seria receita financeira (não juntou documentos de sua contabilidade). Desta forma, considerando a incorreção na apuração do Lucro Real do anocalendário de 1991, devido ao cálculo equivocado do respectivo lucro inflacionário, o Prejuízo Fiscal gerando e utilizado pela Recorrente no anocalendário subsequente também estava aumentado indevidamente. Em seu recurso voluntário, a Recorrente discordou da exclusão do citado valor (Cr$ 89.222.283,00) na apuração do lucro inflacionário, sendo que a divergência com os cálculos da Receita Federal deuse por duas situações: (i) descontos sobre entregas, no valor de Cr$ 89.004.362,88 e, (ii) bonificações e dividendos, no valor de Cr$ 217.919 22 Alega que a razão para a existência de tais divergências é facilmente detectável e sanável e que, em relação aos descontos sobre entregas (Cr$ 89.004.362,88) o que existe é simples erro material, pois tal valor deveria ter sido lançado pela Recorrente no item 05, do quadro 13, do formulário 1, da Declaração de IRPJ exercício 1992, por se caracterizar como "receita financeira" e não no item 09, do mesmo quadro 13, em "outras receitas operacionais", aonde foi incluído apenas por equivoco da recorrente, juntamente com outras reais receitas operacionais. Analisando o lançamento fiscal efetuado em decorrência do equivoco do Recorrente no cálculo do lucro inflacionário, pude constatar que os mesmos ocorreram efetivamente pela escrituração equivocada no saldo correspondente a conta “desconto sobre entregas”, as quais consistiram, numa falha no preenchimento da linha do formulário, ou seja, um erro material; além da inclusão indevida do saldo da conta contábil “bonificação e dividendos” no referido cálculo. No que concerne ao pretenso equivoco no preenchimento dos valores, verifiquei que foram acostados ao presente Processo Administrativo Fiscal, apenas em sede recursal, documentos contábeis da sociedade que buscam a comprovação da natureza da referida conta, como receita financeira. No que concerne apresentação de provas apenas em sede de recurso voluntário, importante lembrar que a Recorrente, ao elaborar sua impugnação, teve o pedido de conversão em diligência denegado. Somase a isto o fato do presente Processo Administrativo Fiscal apreciar lançamento cujo fato gerador Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 14 ocorrera no longínquo ano de 1992, o que me faz considerar como justificativa plausível aceitação das provas produzidas exclusivamente no âmbito do Recurso Voluntário. Ademais, levando os aspectos fáticos em consideração, o fato das referidas provas terem sido apresentada pelo Recorrente apenas no âmbito do recurso voluntário, não impossibilita a apreciação das mesmas em face aplicação do princípio da verdade material. Este entendimento, é amplamente consagrado nos julgados proferidos no âmbito deste conselho, conforme explicitado no trecho abaixo transcrito: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Ano calendário: 2003 VERDADE MATERIAL COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO Ainda que não sejam provadas nos autos as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72 que justificariam a juntada tardia de documentos, é possível admitir referida juntada tardia em vista da necessidade de busca da verdade material. Por outro lado, é crucial que seja demonstrada e comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado para que o mesmo seja reconhecido pela autoridade julgadora.” (Acórdão n˚. 180300.765 Sessão. 26.01.2011, Turma Especial, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF). Assim, estando plenamente convencido quanto à possibilidade de apresentação da respectiva prova, em sede de recurso voluntário, passo a analisar a seguir os documentos acostados pelo Recorrente e os efeitos que os mesmos trazem ao julgamento da lide. No que tange à inclusão equivocada do saldo da conta contábil “bonificações e dividendos”, no cálculo do lucro inflacionário, não resta qualquer dúvida que o procedimento está contrário aos preceitos legais, conforme já se manifestou o próprio Recorrente. Assim, no que tange ao valor das “bonificações e dividendos”, encontrados no item 06, do quadro 13, do Formulário I, da Declaração de IRPJ exercício 1992, na rubrica "resultados positivos em participações societárias", a decisão recorrida não merece qualquer reparo, pois, ao calcular o lucro inflacionário do período base (item 16, quadro 14 do formulário I, da declaração de IRPJ exercício 1992), a recorrente abateu – indevidamente – de tal resultado a quantia discriminada no item 6 do quadro 13, quando não poderia fazêlo, o que ocasionou a indevida majoração do prejuízo fiscal no valor de Cr$ 217.919,22. Portanto, o valor de Cr$ 217.919,22, indevidamente computado na apuração do lucro inflacionário deve ser excluído. Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 14041.000211/200674 Acórdão n.º 1201001.158 S1C2T1 Fl. 9 15 Para comprovar os valores lançados a título de receitas financeiras dos “descontos sobre entregas”, no valor de Cr$ 89.004.362,88, a recorrente juntou com o Recurso Voluntário cópia do balancete com despesas operacionais consolidadas, competência dezembro/1991 e, cópia do razão analítico da conta 803.00 (descontos sobre entregas). Às fls. 283 dos autos, consta o Balancete Analítico com Despesas Operacionais Consolidadas, do mês de dezembro de 1991, cuja conta 803.00, denominada desconto sobre entregas, possui o saldo acumulado de Cr$ 89.004.362,88. Esse montante lançado no Balancete mencionado é originário do Razão Analítico, sendo o maior valor decorrente da soma dos descontos concedidos ao longo do ano calendário de 1991, conforme fls. 2.174 do Razão Analítico (fls. 323). Com as provas trazidas pela Recorrente, os lançamentos contábeis foram provados, a meu ver, à saciedade, sendo que a prova da correção do lançamento da despesa esta calcada em documento hábil – a contabilidade da empresa – que faz prova da veracidade dos lançamentos a seu favor. Entretanto, a Recorrente alegou erro material no preenchimento da DIPJ quanto aos valores dos descontos sobre entregas (Cr$ 89.004.362,88), que, segundo seus argumentos deveria ter sido lançado no item 05, do quadro 13, do formulário 1, da Declaração de IRPJ exercício 1992, por se caracterizar como "receita financeira" e não no item 09, do mesmo quadro 13, em "outras receitas operacionais”. No meu entendimento, o erro material alegado pela Recorrente que impactou na apuração do lucro inflacionário na sua parcela diferível não fora comprovado, uma vez que não ficou demonstrado que os valores referentes aos descontos sobre entregas são efetivamente receitas financeiras. Ou seja, a natureza de receita financeira da conta “descontos sobre entrega” que justificaria o procedimento adotado pela Recorrente não restou demonstrado pelas provas trazidas em sede de recurso voluntário. Assim, já que, ao analisar os documentos acostados ao recurso voluntário objeto do presente processo administrativo, não identifiquei a possibilidade de concluir sobre a natureza da receita da conta “desconto sobre entregas”, entendo necessário o saneamento do processo sobre essa questão. Conforme se observa do Relatório conclusivo da diligência, após análise dos 9 maiores contratos firmados pela autuada, que representa cerca de 30% do total apurado no ano, a fiscalização concluiu que os descontos financeiros concedidos pela contribuinte são despesas financeiras pelo prestador de serviço ou fornecedor, ou seja, para a adquirente tratase de receita financeira: 20. Após a análise da documentação apresentada, constatouse que a conta contábil 803.00 (descontos sobre entregas) é Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 16 utilizada pela Dataprev para contabilização de valores abatidos (descontos obtidos) dos contratos celebrados pela contribuinte com outras empresas que lhe forneciam produtos e serviços. 21. Assim, a Dataprev contratava empresas para prestação de algum serviço (ou para entrega de algum produto), celebrando contrato para tanto. No contrato, havia a previsão de cobrança de multa caso a empresa contratada pela Dataprev descumprisse os seus termos, como por exemplo entregar um produto ou um serviço em atraso. 22. Essa multa aplicada pela Dataprev era abatida (descontada) do pagamento a ser efetuado à empresa contratada, que recebia, portanto, um valor líquido, deduzido da penalidade. 23. Este valor era contabilizado na Dataprev como desconto sobre entregas, ou seja, uma espécie de desconto financeiro, contabilizado apenas na fatura de pagamento (autorização de pagamento emitida pela Dataprev), e não na Nota Fiscal. 24. Considerase de natureza financeira o desconto concedido/obtido após emissão de Nota Fiscal. Ou seja, não se trata de desconto comercial, concedido/obtido no momento da negociação, mas sim de um desconto financeiro, concedido após a negociação e em decorrência de um evento futuro. 25. Portanto, o desconto concedido pode ser considerado despesa financeira pelo prestador de serviço ou fornecedor do produto. De forma semelhante, o desconto obtido pelo adquirente do produto ou serviço, após a celebração do contrato, também pode ser considerado como receita financeira. 26. A documentação apresentada pela contribuinte mostrouse suficiente e clara no intuito de comprovação da natureza de receita financeira dos lançamentos contábeis efetuados na conta contábil 803.00 (descontos sobre entregas), não sendo vislumbrada necessidade de ampliação da amostragem fornecida. Diante do exposto, acolhendo o disposto na decisão que baixou os autos em diligência, bem como considerando o disposto no Relatório de Diligência, CONHEÇO do Recurso, afasto as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito, DOULHE parcial provimento para reconhecer que o erro material alegado pela Recorrente que impactou na apuração do lucro inflacionário na sua parcela diferível, uma vez que os valores referentes aos descontos sobre entregas são efetivamente receitas financeiras. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 14041.000211/200674 Acórdão n.º 1201001.158 S1C2T1 Fl. 10 17 Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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