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Numero do processo: 10166.721230/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. NECESSIDADE DE REGISTRO.
Cabe ao contribuinte demonstrar que pretendeu, inequivocamente, compensar os créditos de Cofins a que faria jus, promovendo os registros necessários em sua escrituração contábil.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. NECESSIDADE DE REGISTRO.
Cabe ao contribuinte demonstrar que pretendeu, inequivocamente, compensar os créditos de contribuição para o PIS a que faria jus, promovendo os registros necessários em sua escrituração contábil.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3301-004.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. NECESSIDADE DE REGISTRO. Cabe ao contribuinte demonstrar que pretendeu, inequivocamente, compensar os créditos de Cofins a que faria jus, promovendo os registros necessários em sua escrituração contábil. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005 CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. NECESSIDADE DE REGISTRO. Cabe ao contribuinte demonstrar que pretendeu, inequivocamente, compensar os créditos de contribuição para o PIS a que faria jus, promovendo os registros necessários em sua escrituração contábil. Recurso voluntário negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. NECESSIDADE DE REGISTRO. Cabe ao contribuinte demonstrar que pretendeu, inequivocamente, compensar os créditos de Cofins a que faria jus, promovendo os registros necessários em sua escrituração contábil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. NECESSIDADE DE REGISTRO. Cabe ao contribuinte demonstrar que pretendeu, inequivocamente, compensar os créditos de contribuição para o PIS a que faria jus, promovendo os registros necessários em sua escrituração contábil. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Mauri Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 12 30 /2 00 9- 13 Fl. 12540DF CARF MF Processo nº 10166.721230/200913 Acórdão n.º 3301004.704 S3C3T1 Fl. 12.519 2 (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 12486 a 12495) interposto pelo Contribuinte, em 5 de agosto de 2015, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 03 068.688 (fls. 12468 a 12476), de 26 de junho de 2015, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão (fls. 12469 a 12473): Retornaram os presentes autos a esta Turma de Julgamento em face de despacho (fls. 12.465/12.466) exarado por AuditorFiscal da Divisão de Fiscalização da DRF/Brasília, em 27/04/2015. O presente processo havia sido encaminhado à repartição de origem para cumprimento de resolução desta Turma de Julgamento, conforme Resolução no 000.531, de 27/02/2015 (fls. 12.459/12.464), cujo Relator, Julgador Carlos Eduardo da Silva Soares, recentemente deixou de integrar este Colegiado. Peço vênia para, a seguir, adotar o relatório que é parte integrante da citada resolução. Contra a contribuinte COMERCIAL SÃO PATRÍCIO S/A, em epígrafe, foram lavrados autos de infração no valor total de R$ 1.014.041,95, para exigência de contribuição para o PIS e Cofins, relativas aos períodos de apuração de 31/07/2005 a 31/12/2005. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL Do Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 60/64, parte integrante dos autos de infração lavrados, extraemse as seguintes informações. A contribuinte apurou o IRPJ do ano de 2005 com base no lucro real, sendo assim obrigada à apuração das contribuições para o PIS e da Cofins pelo regime não cumulativo, nos termos das previsões contidas na Lei no 10.637/02 e na Lei no 10.833/03. Fl. 12541DF CARF MF Processo nº 10166.721230/200913 Acórdão n.º 3301004.704 S3C3T1 Fl. 12.520 3 A autoridade fiscal verificou que a contribuinte, apesar de ter apurado contribuições a pagar nos DACON, referentes ao 3o e 4o trimestres do ano de 2005, declarou apenas parte desses valores nas respectivas DCTF, conforme demonstrado nas planilhas anexas ao mencionado TVF (fls. 63/64). Assim, em procedimento de revisão interna de declaração, com base nas informações disponíveis nos sistemas da RFB, procedeu a autoridade fiscal ao lançamento de ofício da contribuição para o PIS e da Cofins, tendo em vista que o DACON não possui o caráter de confissão de dívida, que somente poderia ser implementada por meio da declaração dos débitos em DCTF. II. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos autos de infração em 27/05/2009, conforme AR de fl. 65, e irresignada, a contribuinte apresentou a impugnação de fl. 68, em 16/06/2009, por meio da qual oferece, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa. Inicialmente alega que os débitos apurados pela fiscalização foram originados pelo preenchimento incorreto do DACON, motivado pela falta de preenchimento dos créditos das contribuições em questão, decorrentes de sua atividade comercial de comércio varejista de produtos alimentícios, além de créditos referentes às despesas com energia elétrica. Para fazer prova do alegado, a contribuinte apresentou cópia do livro Razão da conta “compra de mercadorias”, para demonstrar os créditos referentes a bens para revenda, e da conta “energia elétrica”, para evidenciar os respectivos créditos dessa natureza. III. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA Considerando as informações apresentadas na peça impugnatória de fl. 68, e considerando, ainda, o fato de que o procedimento em tela foi efetuado em revisão interna de declaração, esta 2a Turma converteu o presente processo em uma primeira diligência, conforme Despacho de fl. 136, da lavra do exJulgador André Mendes de Moura, em face do seguinte aspecto indicado, a saber: Analisando as folhas do livro Razão acostadas pela impugnante, às fls. 100/102, constatase que há evidências de que a empresa teria créditos do regime não cumulativo a apurar, decorrentes de bens adquiridos para revenda e despesas com energia elétrica. Nesse diapasão, a diligência em questão requereu à autoridade lançadora a adoção das seguintes providências: Nesse sentido, proponho que o presente processo seja devolvido à unidade preparadora, para que a Fiscalização possa verificar, mediante análise dos livros contábeis da contribuinte e dos correspondentes documentos de suporte (ex. Notas Fiscais. boletos de pagamento de energia elétrica), a efetiva existência dos créditos do regime não cumulativo do qual reclama a impugnante, e caso afirmativo, elaborar planilha demonstrativa, relacionando, no mínimo, o tributo, o período de apuração, a base de cálculo do crédito não cumulativo e o crédito não cumulativo apurado. IV. DAS PROVIDÊNCIAS ADOTADAS PELA UNIDADE PREPARADORA Fl. 12542DF CARF MF Processo nº 10166.721230/200913 Acórdão n.º 3301004.704 S3C3T1 Fl. 12.521 4 No sentido de implementar a diligência requerida, foi lavrado o Termo de Intimação No 146/2010, doc. de fl.138, com ciência realizada em 22/11/2010, nos termos do AR de fl. 139. Em resposta apresentada em 22/12/2010, doc. de fl. 140, a contribuinte promoveu a entrega dos seguintes documentos: Cópia do Livro Diário, doc. de fls. 143/195; Cópia do Livro Razão, doc. de fls. 196/277; Planilhas contendo demonstrativo da base de cálculo e valor do crédito da contribuição para o PIS e da Cofins, relativas aos meses de julho a dezembro de 2005, doc. de fls. 278/589. A análise dos documentos apresentados foi realizada por meio do Termo de Encaminhamento de fl. 717, no qual a autoridade fiscal evidenciou a falta de apresentação dos documentos de suporte (ex. Notas Fiscais, boletos de pagamento de energia elétrica, etc.) demandados no Termo de Intimação No 146/2010, não sendo constatado, ainda, no Livro Diário ou no Razão, os valores descritos nas planilhas apresentadas pela contribuinte. O resultado da diligência, efetuada a partir dos elementos apresentados pelo contribuinte, foi cientificada pelo despacho de fl. 724, com ciência em 06/04/2011, conforme AR de fl. 728, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para eventual manifestação acerca da matéria objeto da diligência, bem como a promoção da correspondente entrega da documentação. Em 04 de maio de 2011, a contribuinte apresentou manifestação sobre a diligência fiscal alegando e/ou informando, em síntese, os seguintes pontos (fls. 730/731): Informa a realização de outro procedimento fiscal em que a DRF demandou diversas notas fiscais e documentos, e alguns ficaram retidos na repartição, desorganizando seus arquivos; No atendimento à intimação fiscal, onde foram apresentadas as planilhas, a empresa demandou tempo adicional para organização das notas fiscais e boletos, entretanto sem qualquer manifestação sobre esse pedido a diligência foi encerrada; As planilhas evidenciam a existência de créditos, sendo inconcebível a inexistência de tais créditos em face da movimentação contábil e fiscal da empresa, considerando suas compras e vendas no período, sendo necessário um prazo maior para apresentação da documentação; No tocante às dificuldades encontradas pela autoridade fiscal para conciliar os créditos informados nas planilhas com a escrituração contábil, informa a contribuinte que tal fato decorreu do lançamento do crédito ser realizado por dia, e nas planilhas encaminhadas as notas fiscais foram individualizadas. Nesse ponto, ressalta que os livros fiscais comprovam a correspondência desses créditos utilizados; Anexa os boletos (em originais) requerendo tempo hábil para a realização de cópias, e solicitando, caso seja necessário, tempo adicional para o atendimento das demais necessidades. Fl. 12543DF CARF MF Processo nº 10166.721230/200913 Acórdão n.º 3301004.704 S3C3T1 Fl. 12.522 5 Com a lavratura do Termo de Intimação Fiscal No 215/2011, doc. de fl. 732, com ciência em 20 de maio de 2011 (AR de fls. 734/735), a contribuinte foi cientificada de que a entrega da documentação efetuada não atendeu o disposto no § 7o, do art. 2o da Portaria MF no 527, de 09/11/2010, que determina a sua inclusão ao processo administrativo fiscal por meio digital, certificada a assinada digitalmente, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para a substituição dos documentos entregues em meio físico. Em seguida, a unidade preparadora promoveu a devolução da documentação entregue em meio físico (7 caixas), objetivando o atendimento da solicitação promovida pelo Termo de Intimação Fiscal No 215/2011, de conformidade com Termo de Devolução lavrado em 01/06/2011, doc. de fl. 736, com ciência pessoal na mesma data. O recebimento dos documentos digitalizados pela unidade preparadora foi realizado pelo Termo de fl. 740, lavrado e cientificado em 20/06/2011, sendo o processo posteriormente remetido para a DRJ em Brasília pelo despacho de fl. 12455, de 14/07/2011. Não obstante o despacho supra, o processo só foi efetivamente movimentado para esta DRJ por despacho de fl. 12.458, de 08/01/2015. Redistribuído o processo, no âmbito desta Turma de Julgamento, em face de o Relator originário (Julgador André Mendes de Moura) não mais integrar o Colegiado, coube ao Julgador Carlos Eduardo da Silva Soares, que recentemente também deixou de compor este Colegiado, apresentar, em sessão de julgamento de 27/04/2015, a seguinte proposta, que foi aprovada à unanimidade: “(...) Conforme consignado no relatório, a Fiscalização identificou que os valores apurados de saldos a pagar de Cofins e de PIS/Pasep nos DACON’s do meses de julho a dezembro de 2005 não foram recolhidos e declarados em DCTF, sendo assim exigidos de ofício. A contribuinte em sua defesa argumentou erro de preenchimento dos DACON’s e apresentou livros fiscais que evidenciavam a existência de créditos, situação que gerou o pedido de diligência por esta 2a Turma, por meio do despacho de fl. 136. Conforme relato efetuado no item IV do presente Relatório, foram trazidos aos autos documentação faltante identificada no item 4 do Termo de Encaminhamento de fl. 717 (ex. Notas Fiscais, boletos de pagamento de energia elétrica, etc.). Em consulta ao índice sequencial do processo verificase que os documentos juntados aos autos, após as suas respectivas digitalizações, podem ser assim detalhados: Notas Fiscais: doc. de fls. 745/7991; Boletos e comprovantes de pagamentos diversos: doc. de fls. 7992/12454. Acontece que a farta documentação trazida aos autos sequer foi objeto de exame pela autoridade lançadora, e, por consequência, sem a efetiva realização da diligência requerida no Despacho de fl. 136, que demandou, em caso da existência de créditos, a elaboração de planilha demonstrativa, Fl. 12544DF CARF MF Processo nº 10166.721230/200913 Acórdão n.º 3301004.704 S3C3T1 Fl. 12.523 6 relacionando, no mínimo, o tributo, o período de apuração, a base de cálculo do crédito não cumulativo e o crédito não cumulativo apurado. Desse modo, no tocante aos alegados créditos das contribuições para a Cofins e para o PIS/Pasep, apenas após a juntada desses elementos foram criadas as possibilidades concretas para a realização da auditoria fiscal, com a adoção de critérios mais apropriados em face do quantitativo de Notas Fiscais e comprovantes de pagamentos supostamente geradores dos créditos apropriados. Nesse cenário, considerando que: (1) Com o atendimento da demanda promovida por meio da diligência a contribuinte apresentou farta documentação de suporte para os créditos de Cofins e de PIS/Pasep alegados na peça impugnatória, os quais não foram devidamente declarados nos DACON’s; (2) Grande parte das robustas provas carreadas aos autos (documentos contábeis e fiscais, boletos, etc.) junto com a peça de defesa não mereceram qualquer exame por parte da autoridade fiscal, impossibilitando a conclusão da diligência originalmente demandada por esta 2a Turma; e (3) A Fiscalização pode proceder à verificação de outros livros e documentos, realizar diligências complementares na contribuinte, e aplicar métodos de amostragem aplicáveis ao caso, ou, ainda, prestar outras informações que entender relevantes para o deslinde da controvérsia. Proponho, com fundamento no art. 18 do Decreto no 70.235, de 1972, a conversão do julgamento em diligência, devendo para tanto o presente processo retornar à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília DF, a fim de que a autoridade fiscal diligenciante adote as seguintes providências: 1. Examinar a documentação acostada em atendimento à diligência inicial, promovendo ainda novas diligências que entender cabíveis, anexando termos e documentos, com vistas a: 1.1. Confirmar se efetivamente os valores de créditos de Cofins e de PIS/Pasep, apresentados pela contribuinte nas Planilhas de fls. 278/589, encontramse de conformidade com a legislação de regência; 1.2. Verificar se as divergências apontadas no item 4 do Termo de Encaminhamento (fl. 717) – falta de constatação no Livro Diário ou Razão dos valores informados nas planilhas apresentadas pela diligenciada – encontramse sanadas com os esclarecimentos apresentados pela contribuinte na resposta de fls. 730/731; 1.3. Havendo créditos a apropriar, elaborar planilha demonstrativa, relacionando, no mínimo, o tributo, o período de apuração, a base de cálculo do crédito não cumulativo e o crédito não cumulativo apurado. 2. Apresentar os novos valores devidos a título de Cofins e de PIS/Pasep no período de julho a dezembro de 2005, caso sejam aceitos valores de créditos de referidas contribuições. Fl. 12545DF CARF MF Processo nº 10166.721230/200913 Acórdão n.º 3301004.704 S3C3T1 Fl. 12.524 7 3. Concluída a diligência, do seu resultado deverá ser dado ciência ao contribuinte para que, querendo, se manifeste nos autos.(...)” Encaminhado à repartição de origem para cumprimento da referida resolução, retornou o processo a esta DRJ com despacho (fls. 12.465/12.466) exarado por AuditorFiscal da Divisão de Fiscalização da DRF/Brasília, em 27/04/2015. No citado despacho, o AuditorFiscal, após examinar os termos da mencionada resolução, devolve os autos a esta DRJ sob o fundamento de que não há “quaisquer elementos de fato estranhos aos autos a serem levantados por esta Delegacia, mas apenas a apreciação e formação de convicção acerca das alegações e provas já aduzidas/instruídas pelo impugnante em momento anterior deste processo”. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Contribuinte tomou ciência do resultado da Impugnação, consubstanciada no Acórdão nº 03068.688, em 08 de julho de 2015 e apresentou Recurso Voluntário em 5 de agosto de 2015, portanto é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. NECESSIDADE DE REGISTRO. Cabe ao contribuinte demonstrar que pretendeu, inequivocamente, compensar os créditos de Cofins a que faria jus, promovendo os registros necessários em sua escrituração contábil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. NECESSIDADE DE REGISTRO. Cabe ao contribuinte demonstrar que pretendeu, inequivocamente, compensar os créditos de contribuição para o PIS a que faria jus, promovendo os registros necessários em sua escrituração contábil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 12546DF CARF MF Processo nº 10166.721230/200913 Acórdão n.º 3301004.704 S3C3T1 Fl. 12.525 8 De forma preliminar o Contribuinte requer a nulidade da decisão recorrida uma vez que, segundo o mesmo, houve erro nos procedimentos da Fiscalização que acabou por acarretar no cerceamento do seu direito de defesa. Conforme se verifica no seguinte trecho do Recurso Voluntário (fl. 12490): No entanto, essa decisão não deve ser mantida, eis que, quando da terceira relatoria, esta incorreu em vícios que determinam a sua nulidade e/ou improcedência, porquanto decorreu: (01) de omissa apreciação da prova, (02) de um comprovado cerceamento do direito de defesa da recorrente e, (03) pela inobservância das determinações contidas na primeira e segunda fase do julgamento. (...) Deste relato inicial a recorrente já comprova que duas situações de cerceamento do seu direito de defesa já ocorreram. Temos uma determinação de apreciação das provas, contidas às fls. 12459/12464 e temos uma resposta, às fls. 12465/12466, onde comprovadamente verificase que não houve cumprimento da diligência, nos termos determinados. Desta questão preliminar, do alegado não atendimento a contento das diligências, o Contribuinte aponta já no mérito o seguinte (fls. 12491): Vale lembrar que a decisão contida na Resolução em questão já era definitiva, eis que proferida à unanimidade e não foi objeto de questionamento no tempo hábil. De outro trecho da decisão recorrida extraímos a seguinte informação: Fl. 12547DF CARF MF Processo nº 10166.721230/200913 Acórdão n.º 3301004.704 S3C3T1 Fl. 12.526 9 O Contribuinte aduz ainda que deve ser reformada a decisão no mérito uma vez que os valores cobrados não são devidos, visto que ficou demonstrado seu direito aos créditos das contribuições (fl. 12495): Como o mérito da questão, também aproveita à recorrente, admitida a nulidade, pode, também, por medida de economia processual, alternativamente, ser declarada a improcedência das respectivas autuações, eis que foi demonstrado, de forma inequívoca, o seu direito aos créditos de COFINS e PIS/PASEP. Fl. 12548DF CARF MF Processo nº 10166.721230/200913 Acórdão n.º 3301004.704 S3C3T1 Fl. 12.527 10 Em que pese os argumentos do Contribuinte, tanto em preliminar, quanto ao mérito, o problema reside no fato de que não informou quaisquer destes créditos nas DACONs, informação esta que é considerada requisito legal para a concessão da compensação e restituição. Enfrentase bem as alegações do Contribuinte, no que tange a preliminar e mérito, o voto na decisão ora recorrida. Citase trechos como razões para decidir (fl. 12474 e 12475): (...) Conforme constou do relatório, detectou o Fisco que a contribuinte, apesar de ter apurado contribuições a pagar nos DACON, referentes ao 3o e 4o trimestres do ano de 2005, declarou apenas parte desses valores nas respectivas DCTF. O sujeito passivo, por seu turno, alegou que os débitos apurados pela Fiscalização decorrem do preenchimento incorreto dos DACON, sem a indicação dos créditos de Cofins e de contribuição para o PIS oriundos de sua atividade comercial de comércio varejista de produtos alimentícios, bem assim aqueles créditos referentes às despesas com energia elétrica. Pois bem. De plano cabe ressaltar que não há dissenso entre Fisco e contribuinte quanto à sujeição da autuada ao regime da não cumulatividade dessas contribuições, bem assim no que tange à correta apuração da receita bruta e das alíquotas aplicáveis. O litígio prendese aos créditos das aludidas contribuições sociais que a contribuinte alegou ter direito, mesmo sem ter informado quaisquer créditos nos mencionados DACON. Tratase, portanto de matéria de prova, cabendo ao contribuinte demonstrar que pretendeu, inequivocamente, compensar os referidos créditos, promovendo os registros necessários em sua escrituração contábil, ou mesmo extra contabilmente. Com efeito, os créditos de Cofins e de contribuição para o PIS constituem direito do contribuinte, e como tal deve esse direito ser comprovadamente exercido para que os créditos possam ser aproveitados na apuração das referidas contribuições no período a que competirem, mormente porque admitese o seu aproveitamento extemporâneo, observada a legislação pertinente. (...) No caso dos autos, importa ressaltar a manifestação da autoridade fiscal, em 14/02/2011 (fl. 717), por ocasião do encerramento da primeira diligência solicitada por esta Turma, vazada nos seguintes termos: “(...) Da análise da documentação apresentada, anexada ao dossiê da respectiva diligência, faltam os documentos de suporte (ex. Notas Fiscais, boletos de pagamento de energia elétrica etc.) solicitados na intimação, e não há constatação no Livro Diário ou no Razão dos valores descritos na planilha supracitada. (...)” À evidência dois foram os fundamentos adotados pelo agente fiscal para deixar de reconhecer os aludidos créditos das mencionadas contribuições sociais, a saber: (1) falta de apresentação dos documentos de suporte; e (2) falta de identificação, no Fl. 12549DF CARF MF Processo nº 10166.721230/200913 Acórdão n.º 3301004.704 S3C3T1 Fl. 12.528 11 Livro Diário ou no Livro Razão, dos registros dos créditos das citadas contribuições sociais. Quanto à documentação de suporte, a exigência fiscal restou atendida a posteriori, com a juntada aos autos de notas fiscais, boletos, etc. Já no que tange aos registros dos créditos das citadas contribuições sociais, remanescem sem comprovação por parte da contribuinte, na medida em que as cópias dos Livros Diário e Razão não demonstram a contabilização dos aludidos créditos. Nessa conformidade, não tendo o sujeito passivo, ainda que de outra forma, mediante controles próprios, comprovado o registro dos aludidos créditos das mencionadas contribuições sociais, procedimento este indispensável para o seu aproveitamento, é de se indeferir a pretensão da suplicante. Por essas razões, as planilhas (fls. 278/589) apresentadas agora nesta fase processual, por meio das quais o sujeito passivo apura os créditos a que faria jus, não podem ser acolhidas, valendo consignar que, se acolhidos os montantes de créditos ali apurados, implicaria reconhecer que o sujeito passivo declarou em DCTF “Cofins a pagar” e “PIS a pagar” superiores ao devido nos citados períodos de apuração. Considero, pois, prejudicado o exame da aludida documentação de suporte anexada às fls. 745/12.454, reconhecendo, ainda, que a mencionada segunda diligência revelouse desnecessária, não obstante ter acompanhado o Relator à época, no sentido da conversão do julgamento em nova diligência. (grifouse). Com esses fatos observase que não ocorreu cerceamento de defesa, como alegado em preliminar, visto que no mérito o Contribuinte não obteve sucesso em comprovar a liquidez e certeza do crédito alegado. Sendo assim, considerando em a legislação aplicável ao caso e os autos do processo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o entendimento consubstanciado na decisão ora recorrida. Valcir Gassen Relator Fl. 12550DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.017113/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 17 11 3/ 20 09 -7 1 Fl. 1958DF CARF MF Processo nº 10830.017113/200971 Resolução nº 2401000.663 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Trata Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP (DRJ/CPS), que, por unanimidade de votos, considerou improcedente a impugnação do AIOP nº 37.161.0168, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 0532.639 (fls. 1893/1897): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. INTIMAÇÃO POR CARTA. PREVISÃO. CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA NA FASE INVESTIGATIVA. LOCAL DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. As normas que regem o processo administrativo fiscal prevêem como uma das formas de intimação a via postal, além da intimação pessoal e por edita. O contraditório apenas se concretiza com a impugnação do lançamento, com a formação do processo contencioso, inocorrendo durante a fase investigativa da ação fiscal. O local da lavratura do Auto de Infração é o local da constatação da falta, não se vinculando necessariamente ao estabelecimento do autuado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme consta no Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 599/601), o presente processo trata do Auto de Infração DEBCAD nº 37.161.0168 (fls. 07/602), relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, apuradas sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais (Sócias Gerentes) não declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, nas competências de 01/2004 a 12/2004, inclusive 13º salário. O valor total do lançamento, consolidado em 14/12/2009, é de R$ 461.266,25. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal: 1. Os fatos foram apurados com base na maior remuneração dos segurados empregados, em confronto com dados constantes em GFIP X RAIS X DIRF e Arquivos Digitais da Folha de Pagamento do ano de 2004; Fl. 1959DF CARF MF Processo nº 10830.017113/200971 Resolução nº 2401000.663 S2C4T1 Fl. 4 3 2. Com relação ao prólabore das sócias MARIA APARECIDA COGO e LEONILDE RAIMUNDO foi apurado em conformidade com a Ficha de “Despesas Operacionais” da DIPJ/2005, AnoCalendário 2004; 3. Os valores dos salários de contribuição que serviram de base para o Auto de Infração não foram declarados em GFIP, antes do início do procedimento fiscal; 4. Em atenção ao disposto na alínea “c” do inciso II do artigo 106 da Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional, foram comparadas as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e as impostas pela legislação superveniente, tendo sido aplicadas as penalidades mais benéficas para o contribuinte. 5. Em face à sonegação das contribuições previdenciárias, conforme exposto no lançamento foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) para encaminhamento ao Ministério Público Federal. O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, pessoalmente, em 22/12/2009 (fl. 07) e, em 20/01/2010, apresentou sua impugnação de fls. 1836 a 1840. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/CPS para julgamento, que, através do Acórdão nº 0532.639, entendeu não ter havido argumentos ou provas com o condão de alterar o lançamento efetuado e com isso julgou Improcedente a Impugnação, mantendo o Crédito Tributário. Em 04/03/2011 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/CPS (AR – fl. 1909) e tempestivamente, em 29/03/2011 interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 1910 a 1913, onde alega que: 1. Informou ao Agente Fiscal, por diversas vezes, que seu programa de folha de pagamento estava gerando lançamentos para um mesmo funcionário em duplicidade; 2. Deixou à disposição do Agente Fiscal, em sua sede, vários documentos por ele solicitados e que ele nunca retornou para retirálos; 3. Todo o levantamento foi baseado em obrigações e arquivos, sem ter um documento palpável para verificar; 4. O Agente Fiscal deixou de verificar as retenções do INSS feitas pelos tomadores de serviços para fazer as deduções no valor devido pelo Contribuinte; 5. Mesmo o Agente Fiscal alegando ter sido recebido pelo Contador da empresa e que o mesmo tinha conhecimento dos lançamentos, isso não satisfaz a inconformidade, pois, não se discute o valor lançado na contabilidade e sim os informados pela RAIS que foi errônea devido à duplicidade informada; Fl. 1960DF CARF MF Processo nº 10830.017113/200971 Resolução nº 2401000.663 S2C4T1 Fl. 5 4 6. Não foram utilizados os recursos necessários para o bom andamento da fiscalização; 7. Com relação as indicações efetuadas com base na Lei 8.212/91 todas foram modificadas ou revogadas pela Lei 11.941/2009. Preliminarmente requer a análise do documento juntado e finaliza seu Recurso Voluntário requerendo a reforma da decisão que lhe foi desfavorável e o cancelamento ao débito fiscal reclamado. Em 28/04/2011 (AR fl. 1952), o Contribuinte foi Intimado (fl. 1951) a apresentar sua desistência expressa dos Recursos Voluntários apresentados uma vez que manifestouse pela inclusão total dos seus débitos no REFIS da Lei 11.941/09. Foi juntado aos autos a decisão proferida no Mandado de Segura nº 001043291.2011.4.03.6105 (fls. 1953/1954). É o relatório. Fl. 1961DF CARF MF Processo nº 10830.017113/200971 Resolução nº 2401000.663 S2C4T1 Fl. 6 5 VOTO Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade Após a intimação 885/2011 SECAT/DRF/CPS, efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas para o contribuinte apresentar a desistência expressa dos Recursos Voluntários, considerando que a empresa procedeu a inclusão da totalidade de seus débitos junto à Receita Federal no parcelamento REFIS da Lei nº 11.941/09 (fl. 1951), foi juntado aos autos a decisão de fls. 1953/1954 que noticia o ajuizamento de Mandado de Segurança (Processo nº 001043291.2011.4.03.6105). A referida decisão trata de sentença que relata a impetração da Mandado de Segurança objetivando o afastamento da obrigatoriedade de desistência do PAF como condição para permanecer no programa de parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Cita especificamente os Processos Administrativos números 10830.0171113/200971, 10830.017114/200916 e 10830.017115/200961. Segundo o Juízo de primeiro grau, a impetrante aderiu ao parcelamento manifestandose pela inclusão da totalidade de seus débitos perante a PGFN e RFB e que de acordo com os documentos adunados aos autos judiciais, não há especificação dos débitos a serem incluídos e nem a ressalva de que a impetrante não pretendia a inclusão de todos os débitos no referido parcelamento. Notoriamente, a adesão ao parcelamento estabelecido pela Lei 11.941/2009 traz como consequência a confissão irrevogável e irretratável dos débitos indicados para compor o parcelamento: Art. 5º. A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. De acordo com o que preceitua o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015, o pedido de parcelamento importa em desistência do recurso e configura a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou Fl. 1962DF CARF MF Processo nº 10830.017113/200971 Resolução nº 2401000.663 S2C4T1 Fl. 7 6 a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Diante da inclusão do débito recorrido no aludido parcelamento, restaria configurado não mais existir interesse processual da empresa no julgamento do Recurso Voluntário. No entanto, para a verificação da existência de renúncia ao recurso voluntário por parte do sujeito passivo, necessário se faz verificar quais débitos foram formalizados no parcelamento. Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a DRF de origem verifique se os débitos relativos ao Auto de Infração DEBCAD nº 37.161.0168 foram incluídos no parcelamento e se houve desistência expressa da contribuinte com relação ao Recurso administrativo interposto. Conclusão Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1963DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001865/2005-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO.
Os juros de mora, ex vi do art. 161 do CTN, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção do contribuinte ou o motivo do atraso.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002, 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA.
A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial.
LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. DESOBEDIÊNCIA À ORDEM JUDICIAL. DESCABIMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Sendo a obrigação tributária, ex lege, tem a autoridade administrativa o dever de proceder ao lançamento, para prevenir a decadência, estando sobrestados os atos executórios, em virtude de medida judicial suspensiva.
A lavratura do auto de infração, cujos fatos estão sob o crivo do Poder Judiciário, não configura desobediência à ordem judicial, visto que efetuado com observância aos pressupostos legais, sendo incabível, neste caso cogitar-se de nulidade da peça vestibular.
Numero da decisão: 3302-005.405
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003 JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. Os juros de mora, ex vi do art. 161 do CTN, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção do contribuinte ou o motivo do atraso. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA. A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. DESOBEDIÊNCIA À ORDEM JUDICIAL. DESCABIMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Sendo a obrigação tributária, ex lege, tem a autoridade administrativa o dever de proceder ao lançamento, para prevenir a decadência, estando sobrestados os atos executórios, em virtude de medida judicial suspensiva. A lavratura do auto de infração, cujos fatos estão sob o crivo do Poder Judiciário, não configura desobediência à ordem judicial, visto que efetuado com observância aos pressupostos legais, sendo incabível, neste caso cogitar-se de nulidade da peça vestibular.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
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DE S.J.C. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. Os juros de mora, ex vi do art. 161 do CTN, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção do contribuinte ou o motivo do atraso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA. A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. DESOBEDIÊNCIA À ORDEM JUDICIAL. DESCABIMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Sendo a obrigação tributária, ex lege, tem a autoridade administrativa o dever de proceder ao lançamento, para prevenir a decadência, estando sobrestados os atos executórios, em virtude de medida judicial suspensiva. A lavratura do auto de infração, cujos fatos estão sob o crivo do Poder Judiciário, não configura desobediência à ordem judicial, visto que efetuado com observância aos pressupostos legais, sendo incabível, neste caso cogitar se de nulidade da peça vestibular. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 65 /2 00 5- 63 Fl. 1098DF CARF MF 2 Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls.05/09, em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada, o atuante relata o seguinte : 1. Descrição dos Fatos O contribuinte deixou de recolher a COFINS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, referente aos anos calendário de 2002 e 2003, sobre as operações com seus associados, alegando estar isento, inclusive de estar amparado pela Medida Liminar concedida em 18/05/2001, conforme Mandado de Segurança. n° 2001.61.00.0114606, impetrado pela CECRESP Central das Cooperativas de Crédito do Estado de São Paulo, CNPJ 62.931.522/000164, na 23° Vara Cível da Justiça Federal da Seção Judiciária de São Paulo. Da Exigibilidade Suspensa Constatada a irregularidade, conforme esclarecidos nos itens acima, foi lavrado o Auto de Infração com exigibilidade suspensa, uma vez que o contribuinte encontrase amparado pela medida liminar. Em decorrência das constatações feitas pela Fiscalização, em 16/11/2005 foi lavrado o Auto de Infração de COFINS de fls.10/18, no valor total de R$517.918,80, com base no art. 1° da Lei Complementar n°70/91, art.'s. 2°, 3º e 8°, da Lei n°9.718/98, Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 16327.001865/200563 Acórdão n.º 3302005.405 S3C3T2 Fl. 1.099 3 com as alterações da Medida Provisória n°1.807/99 e reedições, com as alterações da Medida Provisória n°1.858/99 e reedições, art. 2°, inciso II e parágrafo único, art.s 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n°4.524/02. DA IMPUGNAÇÃO A contribuinte apresentou a impugnação de fls.466/473, protocolizada em 07/12/2005 e acompanhada dos documentos de fls.474/962, alegando em síntese que: Por força normativa (no período da autuação vigoravam as Resoluções do Conselho Monetário Nacional de nºs 2771/00, até junho/03 e 3.106/03), as cooperativas de crédito operam exclusivamente com o próprio quadro social, extraindo desse relacionamento as contribuições para cobertura de seus custos administrativooperacionais. Aliás, vale aqui o esclarecimento sobre não terem as cooperativas receitas ou despesas típicas, mas apenas adiantamentos de contribuições pelos associados. Com efeito, o valor periodicamente requerido junto aos cooperados, pelos serviços a eles prestados, é mera antecipação daquilo que seria devido no final do exercício. A antecipação fazse necessária em face da também menor periodicidade da ocorrência dos custos administrativos e operacionais (salário ; alugueres; luz;água, etc). Havendo erro de cálculo nessa previsão, ou farseá complementação, nos termos do art 80 da a Lei n°5.764/71, ou a distribuição/devolução, nos, termos do art. 4º, VII, do mesmo diploma legislativo, sempre proporcionalmente aos serviços utilizados. Essencialmente no campo tributário, a Lei n°5.764/71, lei especial para todos os efeitos, confere às cooperativa, seja qual for a modalidade (são as mais diversas à luz do seu artigo 5º, acima reproduzido: trabalho, produção, educacional, saúde, crédito etc.), prerrogativa especiais conforme dão conta, combinados, os seus art.'s. 79 e parágrafo único; 86 e parágrafo único, 87 e 111, assim lavrados, os quais mantêmse íntegros (e até reforçados) diante do texto da atual Constituição (art. 146, III, "c", c/c art. 174 § 2°).(às fls. 468 e 469 são reproduzidos os referidos artigos e as fls. 470 e 471 jurisprudência). (sic) Não abastasse esse supedâneo jurisprudencial, a CRESSEM está ainda sob a proteção da decisão judicial (23° Vara Cível da Justiça Federal Seção Judiciária de São Paulo) emanada de Ação Mandado de Segurança.PREVENTIVO proposta pela CECRESP —Central das Cooperativas de Crédito do Estado de São Paulo (vide copia da certidão anexa), da qual a CRESSEM é filiada, contra a exigência de PIS e COFINS sobre os ingressos do ato cooperativo, que DETERMINA "... à autoridade impetrada que se abstenha da prática de quaisquer atos capazes de constranger, obrigar ou exigir da Impetrante e, bem assim de suas filiadas, as referidas exações..." (sic) Embora a clareza da determinação judicial, ainda assim o Fiscal pretende cobrar tais exações da CRESSEM, filiada da CECRESP (vide documento anexo). Tal iniciativa, atentatória Fl. 1100DF CARF MF 4 contra a decisão explicita do Poder Judiciário, faz com que o AI seja fulminado de plano. Em razão do exposto, PRELIMINARMENTE, requer a impugnante seja decretada a nulidade ou inviabilidade formal do auto de infração impugnado, seja por contrariar decisão judicial explicita, seja pelo fato de a autoridade autuante não ter distinguido os resultados decorrentes do ato cooperativo daqueles advindos da prática de atos não cooperativos.(grifei) Especificamente quanto aos juros, estreme de dúvidas, esteio fora de quaisquer parâmetros aceitáveis, na medida em que representam cerca de 50% do valor final exigido. Não há apontamento, mínimo, no AI sobre os critérios utilizados para definir o valor dos encargos. É o relatório A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003 AUTO RE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado Com observância dos pressupostos legais, incabível cogitarse de nulidade do Auto de Infração. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL.CONCOMITÂNCIA. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de • " ação judicial, antes ou posteriormente 6. autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias 'administrativas. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, tendo a aplicação da taxa SELIC previsão legal. Lançamento Procedente A interessada cientificada do Acórdão da DRJ, em 04/09/2008, AR de fl.1.022, interpôs Recurso Voluntário em 09/09/2008, fls.1023/1.030, são reprisados os argumentos da impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 16327.001865/200563 Acórdão n.º 3302005.405 S3C3T2 Fl. 1.100 5 Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Destaquese inicialmente que a recorrente afirma que a CRESSEM é entidade associativa do tipo cooperativa, regulada pela Lei n° 5.764, de 1971 (Lei Cooperativista), atuando no ramo crédito, sendo que seu objetivo social, pela mutualidade de interesses e ações, consiste em amenizar as necessidades financeiras do seu quadro de associados. Inexistência de nulidade Deduzse da peça recursal que requer a impugnante seja reconhecida a nulidade ou inviabilidade formal do auto de infração impugnado, seja por contrariar decisão judicial explicita, seja pelo fato de a autoridade autuante não ter distinguido os resultados decorrentes do ato cooperativo daqueles advindos da prática de atos não cooperativos. Destaca o Termo de Verificação Fiscal TVF, fl.07: O contribuinte deixou de recolher a contribuição do PIS, referente aos anos calendário de 2002 e 2003, sobre as operações com seus associados, alegando estar isento, inclusive de estar amparado pela Medida Liminar concedida em 18/05/2001, conforme mandado de Segurança n. 2001.61.00.0114606, impetrado pela CECRESP CENTRAL DAS COOPERA TIVAS DE CREDITO DO ESTADO DE SÃO PAULO, CNPJ 62.931.522/000164, na 23° Vara Cível da Justiça Federal Seção Judiciária de São Paulo.(grifei). • A concessão da liminar suspendeu, até o final da decisão de mérito, a exigibilidade da contribuição ao PIS, determinando que a autoridade impetrada que se abstenha de exigir da impetrante e das suas filiadas cooperadas as referidas exações.(grifei) Ante o exposto, depreendese que a questão meritória, posta na via administrativa está submetida ao crivo do Poder Judiciário, já que expressamente analisada na peça decisória acima demonstrada. Com efeito, a matéria objeto do processo administrativo pode, a qualquer tempo (antes, durante ou depois do processo administrativo), ser levada à apreciação do Poder Judiciário. Assim, do ponto de vista jurídico, a propositura pelo contribuinte, de ação judicial, amparado pela garantia constitucional da inafastabilidade do controle judicial, contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, em face da concomitância dos pedidos. Fl. 1102DF CARF MF 6 Essa questão está disciplinada pelo 1art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já sumulou a questão, nos seguintes termos: "SÚMULA CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a matéria estava à época da apresentação da impugnação normatizada pelo Ato Declaratório Normativo (Cosit) nº 03, de 14 de fevereiro de 1996 (DOU 15/02/1996), in verbis: "a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto;(grifei). b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex., aspectos formais do lançamento, base de calculo etc.); c) no caso da letra 'a', a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixando se de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151 do CTN;” Atualmente referida matéria está normatizada pelo Parecer Normativo RFB nº 7, de 22 de agosto de 2014, DOU de 27.8.2014, cuja conclusão a seguir se transcreve apenas como reforço argumentativo sobre o alcance e consequências da concomitância de pedidos: 55. Desse modo, considerando que os arts. 1º, § 2º, do Decreto nº 1.737/1979, e 38, § único, da Lei nº 6.830/80, tem como único objetivo conferir eficácia ao princípio da economia 1 Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 16327.001865/200563 Acórdão n.º 3302005.405 S3C3T2 Fl. 1.101 7 processual, concluise que o não reconhecimento da concomitância pelo CARF resultará numa decisão administrativa prejudicada, redundante e inútil, após a prolação da sentença contrária de mérito no processo judicial que trate da mesma relação jurídica. 56. Repetindo: o não reconhecimento da concomitância tornará o julgamento administrativo desnecessário e inútil naquilo que for contrário à decisão de mérito do Poder Judiciário, simplesmente porque a coisa julgada judicial faz lei entre as partes em caráter definitivo e sua eficácia (ex tunc) não está condicionada ao resultado do julgamento do processo administrativo (arts. 467 e 468 do CPC). A decisão judicial de mérito passada em julgado tem como atributos especiais a indiscutibilidade, a imutabilidade e a coercibilidade, o que obriga o seu cumprimento pela autoridade administrativa, ainda que exista acórdão do CARF em sentido contrário.(grifei). Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; Pelo que está posto, no que se refere à matéria objeto de demanda judicial, tornouse definitiva e insuscetível de discussão na esfera administrativa, no entanto a renúncia em tela não tem o condão de tornar nulo o ato, tampouco suspender o curso do processo administrativo, podendo tão somente sobrestálo quanto aos atos executórios até pronunciamento final da justiça, se for o caso. Assim, tendo em vista a natureza da obrigação tributária, ex lege, o C.T.N. submeteu o lançamento a princípios expressos de vinculação e obrigatoriedade administrativa, como assinala a doutrina dominante, de sorte que uma vez ocorrido o fato gerador, que corresponde à concretização da hipótese legal e faz nascer a obrigação tributária, tem a autoridade administrativa o dever de proceder ao lançamento, que é a formalização do crédito como requisito prévio e necessário para a cobrança administrativa, ex vi do parágrafo único do art. 142 do C.T.N., litteris: "Art.142. (...) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Ante as razões expostas, constatase que não houve desobediência à ordem judicial, mas a constituição do crédito tributário, para prevenir a decadência, sem multa de Fl. 1104DF CARF MF 8 ofício, conforme disposições do art. 2art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, estando sobrestados os atos executórios. Em consulta ao site do TRF/3, constatase que a decisão transitou em julgado em 22/11/2005. Fases Data Descrição Documentos 01/12/2005 BAIXA DEFINITIVA A SECAO JUDICIARIA DE ORIGEM GRPJ N. GR.2005259773 Destino: JUIZO FEDERAL DA 23 VARA SAO PAULO Sec Jud SP 28/11/2005 RECEBIDO(A) GUIA NR. : 2005251151 ORIGEM : SUBSECRETARIA DA TERCEIRA TURMA 22/11/2005 REMESSA À DPAS PARA BAIXA DEFINITIVA GUIA NR.: 2005251151 DESTINO: PASSAGEM DE AUTOS 22/11/2005 TRANSITOU EM JULGADO A DECISÃO 22/11/2005 INFORMAÇÃO AGUARDANDO BAIXA AO JUÍZO DE ORIGEM 21/11/2005 RECEBIDO(A) DA FN C/ CIENCIA DE DECISAO 08/11/2005 REMESSA GUIA NR.: 2005239297 DESTINO: UNIÃO FEDERAL (Fazenda Nacional) 18/10/2005 PUBLICADO NO DJU DECISÃO/DESPACHO DESPACHO AG 14/10/2005 AGUARDANDO PUBLICACAO P/ DIA 18 10/10/2005 INFORMAÇÃO PREP. PUBL. 05/10/2005 RECEBIDO COM DECISÃO MONOCRÁTICA TERMINATIVA JULGANDO PREJUDICADO O RECURSO MATÉRIA NÃO SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO Dos Juros de Mora Quanto à incidência dos juros de mora, está prevista no artigo 161 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 161 O Crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." §1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.”(grifei). Os juros de mora, ex vi do art. 161 retrotranscrito, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso, visto que a natureza cogente da norma tributária estabelece seja qual for o motivo determinante da falta. Notese que o calículo dos juros de mora, para cada período, estão explicitados nos demonstrativos de fls. 14/16, integrantes do auto de infração, bem como a respectiva base legal, art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, 2 "Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). §1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.(grifei Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 16327.001865/200563 Acórdão n.º 3302005.405 S3C3T2 Fl. 1.102 9 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o§ 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.(Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)(Vide Lei nº 9.716, de 1998)(grifei) Diferentemente da multa de ofício, que por expressa determinação legal, por força do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, que estabelece as regras legais pertinentes a créditos tributários que se encontrem sub judice, de que não caberá lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, os juros de mora incidem, seja qual for o motivo determinante da falta. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR E NO MÉRITO NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 1106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002205/2010-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002205/201038 Recurso nº 1 De Ofício Acórdão nº 2201004.215 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONTAXMOBITEL S.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 05 /2 01 0- 38 Fl. 343DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 344DF CARF MF Processo nº 19515.002205/201038 Acórdão n.º 2201004.215 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 345DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 19515.002205/201038 Acórdão n.º 2201004.215 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 347DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 348DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.728069/2011-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 11/01/2008 a 21/09/2010
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V.
Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. O que, por conseguinte, configurada a interposição fraudulenta, ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 9303-006.690
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Vanessa Marini Cecconello, substituída pelo conselheiro Valcir Gassen (suplente convocado).
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Valcir Gassen.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 11/01/2008 a 21/09/2010 IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. O que, por conseguinte, configurada a interposição fraudulenta, ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
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INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. O que, por conseguinte, configurada a interposição fraudulenta, ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Vanessa Marini Cecconello, substituída pelo conselheiro Valcir Gassen (suplente convocado). (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 80 69 /2 01 1- 58 Fl. 11924DF CARF MF 2 Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3102001.695, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 11/01/2008 a 21/09/2010 IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. ” Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, requerendo a reforma da decisão dada pelo Colegiado a quo, cancelando a autuação que aplicou multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, em face da ocorrência da presunção de interposição fraudulenta de terceira pessoa e dano ao erário, pela não Fl. 11925DF CARF MF Processo nº 10880.728069/201158 Acórdão n.º 9303006.690 CSRFT3 Fl. 11.925 3 comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, e extinguindo o crédito tributário em comento. Traz, para tanto, entre outros, que: · Tratase de auto de infração envolvendo a conversão da pena de perdimento em multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de sua apreensão, face a não localização, consumo ou revenda dessas mercadorias com presunção de interposição fraudulenta na operação de comércio exterior pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados – art. 23, §§ 2º e 3º, do DecretoLei 1.455/76; · A Lei 10.637/02 modificou o art. 23 do DecretoLei 1.455/76 elastecendo a configuração de dano ao erário para as hipóteses de interposição fraudulenta e modificou o art. 81 da Lei 9.430/96, incluindo a declaração de inaptidão para a mesma hipótese; · Da mera análise do texto legal, constatase que as autoridades fazendárias possuem permissivo legal de aplicar penalidades, utilizando como meio de prova meros indícios, bastando para tanto “presumir que o importador não possui recursos financeiros suficientes para arcar com a operação de comércio exterior”, até prova em contrário da contribuinte; · Todavia, a aplicação de penalidades, baseadas em meras presunções realizadas pelos agentes fiscais, se revela contrária aos princípios basilares do devido processo legal, ampla defesa e da verdade real, pois em muitos casos têm se constatado diversas arbitrariedades cometidas pelos agentes fiscais dos eventos que o levaram a presumir a prática da interposição fraudulenta presumida, já que não expõem de forma suficiente os elementos de convicção acerca do evento punível. Em Despacho às fls. 11909 a 11912, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Fl. 11926DF CARF MF 4 Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · O Colegiado a quo observou rigorosamente o que determina o art. 23, inciso V, do DecretoLei 1.455/76; · A decisão recorrida já cita acórdãos que confirma o entendimento do colegiado a quo – 9303001.632 e 310200.792. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora. Depreendendose da análise do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que o recurso atende aos pressupostos de admissibilidade na parte já admitida, pois tempestivo e comprovada a divergência suscitada. O que concordo com o Despacho de admissibilidade do recurso. Passadas tais considerações, passo a discorrer sobre a matéria trazida em recurso – qual seja, necessidade de comprovação de fato ilícito quando se tratar de infração baseada na interposição fraudulenta, ocultação do real adquirente ou importador de mercadorias. Depreendendose da análise dos autos do processo, expresso minha concordância com o voto do ilustre Winderley Morais Pereira constante do acórdão recorrido – o que peço vênia para transcrever parte do voto (Grifos meus): “Examinando os autos, consta do relatório da autuação, que o presente lançamento ocorreu em razão da Recorrente não comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados em operações de comércio exterior. Em razão deste fato, entendeu a Fiscalização aplicar a hipótese de interposição fraudulenta com base na presunção legal prevista no art. 23, do Decretolei nº 1.455/76, aplicando a multa de conversão da pena de perdimento controlada no presente processo. Fl. 11927DF CARF MF Processo nº 10880.728069/201158 Acórdão n.º 9303006.690 CSRFT3 Fl. 11.926 5 A possibilidade da utilização em determinadas situações da presunção da irregularidade nos operadores de comércio exterior ou nas operações de importação foram aplicadas ao caso. A Recorrente, na impugnação alega a licitude das suas operações, e trouxe extratos bancários e outros documentos que segundo suas afirmações comprovariam as origens do Recurso, o que desqualificaria a interposição fraudulenta. Julgando a impugnação, a autoridade a quo entendeu não estarem comprovadas nos documentos apresentados a origem dos recursos. Transcrevo abaixo o trecho daquela decisão que detalha a posição adotada neste julgamento. " Apegandose aos documentos apresentados pela interessada em sua impugnação, em sua grande maioria de nenhum valor probatório por se tratarem de declarações de importação e de notas fiscais, notamos que o contrato de mútuo citado pela interessada com o Banco Guanabara, no valor de dois milhões de reais, foi praticado em 01/12/2010, posteriormente às importações consideradas sem origem de recursos. Com relação aos contratos com o Banco Máxima e com o Banco Votorantim, notamos que são de julho e de agosto de 2010, não servindo como suporte de recursos para as importações consideradas sem origem de recursos no período de janeiro a junho de 2010. Vimos disso que a interessada não comprova a origem dos recursos. A própria alteração de Contrato Social, com valor de dois milhões, é de meados de 2010, o que mais uma vez deixa de fora as importações consideradas sem origem de recursos no período de janeiro a junho de 2010. Os extratos do Unibanco apresentados, por si só, não comprovam a origem dos recursos para as importações em questão, demonstrando apenas que houve movimentação financeira. Fl. 11928DF CARF MF 6 Notese que a autuação se fez por falta de comprovação da origem dos recursos, tendo em vista a falta de apresentação da documentação pedida pela fiscalização. Esclarecer detalhadamente o procedimento contábil das operações de importação, juntar modelo exemplificativo do procedimento de importação, notas fiscais, contratos de empréstimo ou planilha de alguns valores remetidos ao exterior, os quais a interessada junta cópias em sua impugnação, não são suficientes para comprovar a efetiva origem de recursos. Necessário seria a apuração em relação às operações efetuadas, que somam dezenas de importações sem comprovação de origem de recursos. O fato de ter sido intimada várias vezes para comprovar a origem e a falta de apresentação dos documentos que a fiscalização pediu demonstram claramente a intenção da interessada de tornar a situação de difícil esclarecimento." Sem sucesso na sua impugnação, veio novamente a Recorrente aos autos e interpôs Recurso Voluntários, já tendo conhecimento da decisão de primeira instância que indeferiu a impugnação em razão da ausência de origem dos recursos, mas mesmo assim, não trouxe nenhum inovação quanto aos documentos e esclarecimentos já apresentados. No Recurso Voluntário são trazidos as alegações que a origem dos recursos utilizados no comércio exterior viriam de empréstimos bancários e para justificar estas alegações, a Recorrente informa que trouxe extratos bancários que comprovariam a origem dos recursos. O cerne da lide é demonstrar de forma satisfatória a origem destes valores que segundo a Recorrente constariam em numerário em caixa. Os contratos de financiamento que segundo a recorrente justificariam a origem destes valores foram firmados em 2010, dois anos após a existência destes números no balanço da empresa. Os extratos bancários em que a Recorrente utiliza em determinados momentos os limites de Cheque Especial são muito inferiores aos valores constantes do balanço patrimonial e do ano de 2009, Fl. 11929DF CARF MF Processo nº 10880.728069/201158 Acórdão n.º 9303006.690 CSRFT3 Fl. 11.927 7 posterior a 2008 e também não podem justificar a origem destes recursos. De outro giro, a discussão da comprovação da origem dos recursos já percorre um longo caminho, que vem desde o início do procedimento fiscal levado a efeito pela Delegacia da Receita Federal, onde a interessada vem sendo intimada seguidas vezes a apresentar documentos e esclarecimentos que não são apresentados. Os livros fiscais, conforme detalhado na ação fiscal, somente foram apresentados quando da impugnação e não trouxe uma informações relevante para solução do mérito da lide, como detalhamento dos contratos e demonstrativos das receitas obtidas com as operações, os extratos bancários, não abarcam todo o período fiscalizado, limitandose a descrever operações comerciais, não sendo indicado fluxos financeiros ou origem de recursos. Ilustrando a falta de comprovação da origem dos recursos, tomemos como exemplo o Balanço Patrimonial para o ano de 2008, apresentado pela empresa (fls. 5640). Registra como Ativo Circulante um Saldo no dia 01/01/2008 o valor de R$ 19.353.068,00 (dezenove milhões, trezentos e cinquenta e três mil e sessenta e oito reais). O saldo desta mesma conta em 31/12/2008 é de R$ 23.580.964,85 (vinte e três milhões, quinhentos e oitenta mil, novecentos e sessenta e quatro reais e oitenta e cinco centavos). Neste mesmo balanço consta da conta caixa (bens numerários) o valor de R$ 11.121.470,52 (onze milhões, cento e vinte e um mil, quatrocentos e setenta reais e cinquenta e dois centavos) no dia 01/01/2008 e para o dia 31/12/2008 o saldo desta mesma conta é de R$ 6.687.088,34 (seis milhões, seiscentos e oitenta e sete mil, oitenta e oito reais e trinta e quatro centavos). O estoque declarado para a empresa no dia 01/01/2008 é de R$ 7.610.050,00 (sete milhões, seiscentos e dez mil e cinquenta reais) e o estoque final em 31/12/2008 é de R$ Fl. 11930DF CARF MF 8 15.860.620,00 (quinze milhões, oitocentos e sessenta mil, seiscentos e vinte reais). Analisando os contratos de mutuo apresentados (fls. 4183 a 4205) constatase que foram firmados nos meses de julho, agosto e dezembro de 2010 período posterior ao início das importações, objeto do lançamento, que estendemse do período de janeiro de 2008 a setembro de 2010. Quanto aos extratos bancários (fls. 4206 a 4324), apresenta em determinados período o saldo da conta negativo em uma conta no banco Itaú, em razão de utilização de empréstimos realizados, mas são quitados durante o período, sendo o saldo final no dia 31/12/2008 um saldo negativo no valor de R$ 1.830.612,19 (um milhão, oitocentos e trinta mil, seiscentos e doze reais e dezenove centavos), em outra conta o saldo no dia 29/12/2008 é positivo no valor de R$ 3.947,55 (três mil, novecentos e quarenta e sete reais e cinquenta e cinco centavos), o restante dos extratos referemse ao ano de 2011. Mesmo que considerado que todo esta valor seria numerário da empresa, o valor é bem inferior àquele constante do balanço patrimonial da empresa no ano de 2008. Assim, os recursos que poderiam advir destes financiamentos não justificam os recursos utilizados nas operações de importação, tampouco demonstrar de forma satisfatória a origem destes valores que segundo a Recorrente constariam em numerário em caixa. Os contratos de financiamento que segundo a recorrente justificariam a origem destes valores foram firmados em 2010, dois anos após a existência destes números no balanço da empresa. Os extratos bancários em que a Recorrente utiliza em determinados momentos os limites de Cheque Especial são muito inferiores aos valores constantes do balanço patrimonial e do ano de 2009, posterior a 2008 e também não podem justificar a origem destes recursos. De observação obvia, os recursos que poderiam advir destes financiamentos não justificam os recursos utilizados nas operações de importação, além deste fato as operações bancárias listadas não vinculam os valores às despesas de comércio exterior, não sendo Fl. 11931DF CARF MF Processo nº 10880.728069/201158 Acórdão n.º 9303006.690 CSRFT3 Fl. 11.928 9 indicado em que momento os recursos foram utilizados para quitação das despesas aduaneira e das mercadorias importadas. De outro giro, a discussão da comprovação da origem dos recursos já percorre um longo caminho, que vem desde o início do procedimento fiscal levado a efeito pela Delegacia da Receita Federal, onde a interessada vem sendo intimada seguidas vezes a apresentar documentos e esclarecimentos que não são apresentados. Os livros fiscais, conforme detalhado na ação fiscal, somente foram apresentados quando da impugnação e não trouxeram informações relevante para solução do mérito da lide, como detalhamento dos contratos e demonstrativos das receitas obtidas com as operações, os extratos bancários, não abarcam todo o período fiscalizado, limitandose a descrever operações comerciais, não sendo indicado fluxos financeiros ou origem de recursos. Toda a motivação do lançamento em discussão, vem da não comprovação da origem dos Recursos. A apresentação de contratos de câmbio e documentos utilizados no despacho aduaneiro comprovam a existência de Recursos, mas não a sua origem e em nada auxiliam na elucidação dos fatos e da interposição fraudulenta imputada a Recorrente. O problema central, a cerne da lide, não foi enfrentada, que era demonstrar a origem dos recursos. A alegação de que teriam origem em empréstimos e a descrição dos assentamos que seriam realizados, sem as necessárias provas documentais não podem ser aceitas. Os argumentos do Recurso Voluntário detalham a utilização do Recurso, mas o que interessa para a solução da questão é a origem dos recursos. O conceito de origem no que concerne a matéria tributária, esta assim definido no Vocabulário Jurídico de De Plácido e Silva. 1 ORIGEM. Do latim origo, originis, em sentido amplo quer exprimir o começo ou causa de todas as coisas. Fl. 11932DF CARF MF 10 É assim, o germe, o motivo, o fundamento, a razão, a procedência. Mostra, pois, a coisa eficiente ou a determinante das coisas ou a fonte de onde vieram ou procederam. É a força criadora. É o motivo. Na linguagem técnica de do Direito Tributário, origem exprime a procedência ou o lugar de onde a coisa provém: é assim que se entende a expressão origem da mercadoria ou o certificado de origem da mercadoria ou do produto. (...)” A origem é a procedência o nascedouro da coisa. Na investigação sobre a origem do recurso, buscase o seu nascedouro de onde partiu. A comprovação documental do fechamento de câmbio e do pagamento dos tributos aduaneiros, confirma a utilização do recursos, mas não ajuda em nada o esclarecimento quanto a sua origem, de onde provém. Não há como mudar ou questionar o lançamento e a decisão da primeira instância. Sem a comprovação que os recursos utilizados para o pagamento das operações de câmbio e dos tributos aduaneiros, teriam origem em receitas própria da Recorrente ou que as tenha recebido de forma lícita e legítima de empresas para a qual tenha prestado serviço. Firme neste entendimento, a presunção legal é fato aplicável ao caso em tela, configurando a interposição fraudulenta. Advindo dai, todas as implicações legais, quais sejam a aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas e na sua impossibilidade a conversão desta pena em multa nos termos do art. 23, inciso V, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76.” Vêse que até o julgamento do acórdão recorrido não foram juntados documentos que pudessem comprovar que os recursos utilizados para o pagamento das operações de câmbio e dos tributos aduaneiros, teriam origem em receitas própria do sujeito passivo ou que as tenha recebido de forma lícita e legítima de empresas para a qual tenha prestado serviço. Fl. 11933DF CARF MF Processo nº 10880.728069/201158 Acórdão n.º 9303006.690 CSRFT3 Fl. 11.929 11 Em Recurso Especial traz o sujeito passivo várias jurisprudências dos Tribunais, inclusive citando vários doutrinadores, juristas e discorrendo sobre princípios constitucionais e finalidade da norma. Descreve novamente os documentos já apresentados que, por sua vez, já haviam sido analisados pelo Colegiado a quo, sem inovar trazendo novos documentos ou argumentações para esclarecer e comprovar que os recursos utilizados para o pagamento das operações de Câmbio e dos tributos aduaneiros. Ressurgindo, então, à questão sobre a presunção de interposição fraudulenta, importante trazer o art. art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 (Grifos meus): “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; Fl. 11934DF CARF MF 12 IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)” Em síntese, vêse que o art. 23, § 2º, do DecretoLei 1.455/76 traz literalmente que se presume interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. O que, por conseguinte, sendo a norma literal, cabe ao sujeito passivo demonstrar a origem dos recursos empregados na operação para afastar a presunção de interposição fraudulenta. Nesse caso, vêse que, tanto a DRJ, bem como o colegiado a quo estressou a análise dos documentos e contratos apresentados pelo sujeito passivo em impugnação e recurso voluntário, manifestando que tais documentos não foram hábeis a comprovar a origem dos recursos empregados na operação. Ademais, em Recurso Especial, independentemente da riqueza teórica, doutrinária e jurisprudencial descrita, o sujeito passivo não logrou êxito novamente em demonstrar a origem dos recursos, não apresentando conciliações, planilhas ou refutando eventual documento já apresentado que pudessem demonstrar os recursos empregados. Fl. 11935DF CARF MF Processo nº 10880.728069/201158 Acórdão n.º 9303006.690 CSRFT3 Fl. 11.930 13 Sendo assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 11936DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.918856/2016-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/01/2012
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.537
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 88 56 /2 01 6- 51 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.918856/201651 Acórdão n.º 3201003.537 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06058.678, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.918856/201651 Acórdão n.º 3201003.537 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722340/2010-73
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas..
Numero da decisão: 2001-000.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Henrique Backes (Presidente).
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas..
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Henrique Backes (Presidente). (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1684; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.722340/201073 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.148 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de novembro de 2017 Matéria Imposto de Renca Pessoa Física Recorrente VONALDO TORRES DE ALMEIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Henrique Backes (Presidente). (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e redator designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 23 40 /2 01 0- 73 Fl. 142DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (f. 59/64), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2008, anocalendário de 2007, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 36.365,00. O contribuinte apresentou impugnação (f. 2/24), que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ RIO DE JANEIRO de f. 72/87. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 94/115. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais, sob pena de ofenderse os princípios da privacidade da pessoa humana e do sigilo médico. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Argui a preliminar de nulidade do lançamento e defende que o crédito tributário não merece subsistir, por entender que está fundado em presunções, não tendo sido feita prova da ocorrência do fato gerador. Insurgese contra a multa de 75%, que entende ser exorbitante, extorsiva, desconectada do fato efetivamente ocorrido. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade Nos termos do art. 59 do Decreto 70235/72, que regula o processo administrativo fiscal, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente (I) e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição de direito de defesa (II). Analisando os Autos, verificase que a Notificação de Lançamento não incide em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, acima citado. Tratase de lançamento lavrado por autoridade legalmente competente e constatase ainda que foi oferecida a mais ampla defesa ao interessado, sendo que a decisão da DRJ analisou cuidadosamente as razões trazidas na impugnação, enfrentando todos os argumentos de fato e de direito aduzidos pelo contribuinte. Destarte, rejeito a preliminar de nulidade. Passemos à análise do mérito. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10480.722340/201073 Acórdão n.º 2001000.148 S2C0T1 Fl. 3 3 Mérito O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de documentação do efetivo pagamento para comprovação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Fl. 144DF CARF MF 4 Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Também não há razão na insurgência à multa de ofício de 75%. Tratase de multa decorrente de previsão legal (Lei 9.430/96, art. 44), de aplicação obrigatória. Em decorrência do princípio da legalidade, não cabe ao servidor público deixar de aplicar a multa, ou aplicala em percentual diverso do previsto na legislação. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10480.722340/201073 Acórdão n.º 2001000.148 S2C0T1 Fl. 4 5 Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do Fl. 146DF CARF MF 6 instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.720178/2015-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2012
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.
A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EMPREGADOS.
As verbas recebidas por segurados empregados a título de "Participação nos Lucros ou Resultados" somente se excluem da base de cálculo das contribuições previdenciárias se comprovada a pertinência aos ditames da Lei nº 10.101/2000.
PENALIDADE. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO.
Inexiste desobediência ao princípio do não confisco quando a penalidade aplicada tem respaldo em lei.
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO, REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
O processo administrativo tributário tem como escopo decidir, na órbita administrativa, se houve ou não a ocorrência de fato gerador de tributo, e, caso esse tenha ocorrido, verificar se o lançamento está de acordo com a legislação aplicável. Assim, não há qualquer razão para pronunciamento da autoridade julgadora no que se refere a Representação Fiscal para Fins Penais, posto que esta trata de crime, ainda que em tese.
INTIMAÇÃO AO ADVOGADO. FISCO. DISCRICIONARIEDADE.
O artigo 23, incisos I, II e III, do Decreto n° 70.235/1972 elenca as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência, descabendo a intimação no endereço do advogado.
Impugnação Procedente em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2402-006.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, afastar as preliminares, indeferir os pedidos de realização de diligência, perícia e intimação do presente acórdão no endereço do advogado da recorrente e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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FRANCO ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2012 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EMPREGADOS. As verbas recebidas por segurados empregados a título de "Participação nos Lucros ou Resultados" somente se excluem da base de cálculo das contribuições previdenciárias se comprovada a pertinência aos ditames da Lei nº 10.101/2000. PENALIDADE. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. Inexiste desobediência ao princípio do não confisco quando a penalidade aplicada tem respaldo em lei. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO, REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O processo administrativo tributário tem como escopo decidir, na órbita administrativa, se houve ou não a ocorrência de fato gerador de tributo, e, caso esse tenha ocorrido, verificar se o lançamento está de acordo com a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 01 78 /2 01 5- 22 Fl. 475DF CARF MF 2 legislação aplicável. Assim, não há qualquer razão para pronunciamento da autoridade julgadora no que se refere a Representação Fiscal para Fins Penais, posto que esta trata de crime, ainda que em tese. INTIMAÇÃO AO ADVOGADO. FISCO. DISCRICIONARIEDADE. O artigo 23, incisos I, II e III, do Decreto n° 70.235/1972 elenca as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência, descabendo a intimação no endereço do advogado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, afastar as preliminares, indeferir os pedidos de realização de diligência, perícia e intimação do presente acórdão no endereço do advogado da recorrente e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10980.720178/201522 Acórdão n.º 2402006.114 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0132.454, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA – DRJ/BEL (fls. 87/99) que julgou improcedente impugnação apresentada em face dos Autos de Infração lavrados sob os Debcad nº 51.056.0784 e 51.056.0792, relativos a contribuição previdenciária patronal, inclusive a destinada ao financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, e de contribuições devidas a outras entidades ou fundos, os denominados terceiros, relativas às competências 05/2010 a 12/2012. De se ressaltar que as razões trazidas no recurso voluntário são absolutamente idênticas àquelas que constam da peça impugnatória, razão pela qual transcrevese o relatório da decisão a quo, o qual se mostra suficiente para compreensão do contexto em que o litígio encontrase inserido: Relatório Do Lançamento Trata o processo em epígrafe de lançamento de contribuições previdenciárias patronais, de contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – (SAT/RAT) e de contribuições devidas a outras entidades ou fundos (FNDE, INCRA, SEBRAE, SESI e SENAI). A Auditoria efetuou o lançamento das contribuições devidas, lavrando os seguintes Autos de Infração: 1. Debcad nº 51.056.0784: Auto de Infração, com lançamento de contribuições sociais devidas à seguridade social, relativas à parte patronal, e de contribuições patronais para o financiamento do benefício previsto nos artigos 57 e 58 da Lei nº 8213 de 24/07/1991 e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidentes sobre verbas pagas a segurados empregados, classificadas indevidamente pela empresa como participação nos lucros e resultados PLR, apuradas em folha de pagamento e não declaradas em GFIP – Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, referente às competências 05/2010, 06/2010, 08/2010, 11/2010, 03/2011, 04/2011, 06/2011 a 10/2011, 12/2011, 01/2012 a 10/2012 e 12/2012. O crédito foi consolidado em 28/01/2015, no montante de R$ 366.613,07 (trezentos e sessenta e seis mil, seiscentos e treze reais e sete centavos). 2. Debcad nº 51.056.0792: Auto de Infração, com lançamento de contribuições devidas a outras entidades e fundos FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, SESI – Serviço Social da Indústria, SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, e Fl. 477DF CARF MF 4 SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, incidentes sobre verbas pagas a segurados empregados, classificadas indevidamente pela empresa como participação nos lucros e resultados PLR, apuradas em folha de pagamento e não declaradas em GFIP – Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, referente às competências 05/2010, 06/2010, 08/2010, 11/2010, 03/2011, 04/2011, 06/2011 a 10/2011, 12/2011, 01/2012 a 10/2012 e 12/2012. O crédito foi consolidado em 28/01/2015, no montante de R$ 93.291,97 (noventa e três mil, duzentos e noventa e um reais e noventa e sete centavos). A empresa foi intimada a apresentar os Acordos Coletivos de Trabalho ou Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, referentes aos pagamentos efetuados nos anos de 2010, 2011 e 2012 a título de participação nos lucros ou resultados, tendo apresentado somente quatro documentos, relativos a parte de seus estabelecimentos, a saber: 3. Acordo Coletivo de Trabalho ACT celebrado em 26/05/2010, com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Mobiliário de Campinas, com vigência de 05/2010 a 04/2011, abrangendo os trabalhadores do estabelecimento da empresa em Paulínia/SP. Esse documento estabeleceu metas e definiu forma de cálculo dos valores a serem pagos, em duas parcelas, em 10/2010 e 04/2011. (Doc. Fls. 97/113) 4. Acordo Coletivo de Trabalho ACT celebrado em 03/05/2010, com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias da construção e do mobiliário e montagem industrial de São José dos Campos, com vigência de 05/2010 a 04/2011, abrangendo os trabalhadores do estabelecimento da empresa em São José dos Campos/SP (Doc. Fls. 114/133). O ACT definiu valores a serem pagos, em 11/2010 e 05/2011. Prevê a apresentação ao Sindicato, de programa de participação. Não foi apresentado o programa de participação, com definição de metas. 5. Acordo Coletivo de Trabalho ACT celebrado em 12/05/2011, com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias da construção e do mobiliário e montagem industrial de São José dos Campos, com vigência de 05/2011 a 04/2012, abrangendo os trabalhadores do estabelecimento da empresa em São José dos Campos/SP (Doc. Fls. 134/149). O ACT definiu valores a serem pagos, em 11/2011 e 05/2012. O instrumento condiciona à apresentação, pela empresa, de programa próprio com detalhamento das metas. Esse programa não foi apresentado à fiscalização. 6. Acordo de Instituição do Programa de Participação dos Trabalhadores nos resultados da empresa, assinado em 01/06/2011, com vigência de 06/2011 a 05/2012 (Doc. Fls. 150/157). O anexo I do Instrumento estabeleceu metas e definiu valores a serem pagos pelo seu atingimento, com pagamentos em 12/2011 e 06/2012. Esse documento foi apresentado ao Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil em 22/09/2011. A fiscalização entendeu que o acordo abrange a unidade central da empresa e estabelecimento de Araucária/PR. O lançamento teve como base de cálculo valores pagos a empregados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com as disposições da Lei nº 10.101/2000, a saber: Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10980.720178/201522 Acórdão n.º 2402006.114 S2C4T2 Fl. 4 5 7. Pagamentos efetuados na competência 06/2011 aos empregados do estabelecimento de Paulínia /SP, não previstos no ACT 2010; 8. Pagamentos efetuados na competência 05/2010, aos empregados do estabelecimento de São José dos Campos/SP, não previstos em qualquer ACT; 9. Pagamentos efetuados em 11/2010, 03/2011 e 04/2011, aos empregados do estabelecimento de São José dos Campos/SP, em desacordo com a Lei nº 10.101/2000, considerando que não houve a apresentação de programa de participação com o estabelecimento de metas; 10. Pagamentos efetuados de 07/2011 a 09/2011, 10/2011 e 04/2012, aos empregados do estabelecimento de São José dos Campos/SP. Esses valores foram pagos em meses não previstos no ACT. O ACT está em desacordo com a Lei nº 10.101/2000, considerando que não houve a apresentação de programa de participação com o estabelecimento de metas; 11. Pagamentos efetuados em 09/2011 e 12/2011 aos empregados do estabelecimento de Araucária/PR. A fiscalização constatou, conforme demonstra no anexo III do Relatório Fiscal, que ocorreu o pagamento de duas parcelas para cada funcionário, em 09/2011 e 12/2011, dentro de um mesmo semestre e dentro do mesmo ano civil, contrariando o disposto no Parágrafo 2º do Artigo 3º da Lei n° 10.101 de 19/12/2000; 12. Pagamentos efetuados em 05/2010, 06/2010, 08/2010, 11/2010 e 04/2011 aos empregados lotados no estabelecimento sede da empresa, sem previsão em ACT ou programa próprio de participação nos lucros ou resultados; 13. Pagamentos efetuados em 08/2011, 09/2011, 12/2011, 01/2012, 03/2012 e 04/2012, aos empregados lotados no estabelecimento sede da empresa. Constatouse várias ocorrências de pagamentos de duas parcelas a um mesmo funcionário dentro do segundo semestre de 2011, contrariando o disposto no Parágrafo 2º do Artigo 3º da Lei n° 10.101 de 19/12/2000, e, também, pagamentos em competências não previstas no Instrumento que instituiu o PPR; 14. Pagamentos efetuados de 06/2012 a 10/2012 e 12/2012, aos empregados lotados no estabelecimento sede da empresa, não previstos em qualquer ACT ou PPR. A fiscalização elaborou tabelas para cada estabelecimento da empresa, relacionando os nomes dos funcionários e os valores recebidos em cada mês, a título de PLR, distribuídos por período de abrangência do ACT. Estas tabelas constituem os anexos I, II, III e IV do Relatório Fiscal. No Anexo V do Relatório Fiscal (fls. 54/71) constam, por competência, o nome de todos os empregados e os respectivos valores considerados no lançamento. A alíquota de contribuição para o GILRAT foi ajustada de 4,53% em 2010, 3,05% em 2011 e 1,50% em 2012. Estas alíquotas ajustadas foram resultantes da multiplicação da alíquota GILRAT da empresa de 3% pelo Índice FAP – Fator Acidentário de Prevenção – a que esteve enquadrada nos anos de 2010, 2011 e 2012, nos valores de 1,5119, 1,0169 e 0,5000, respectivamente. Fl. 479DF CARF MF 6 A fiscalização analisou os seguintes documentos: GFIP, GPS – Guias da Previdência Social, contrato social e alterações, notas fiscais de prestação de serviços, arquivos digitais relativos a informações contábeis e a folhas de pagamento, documentos da empresa com esclarecimentos aos termos de intimação e dados pertinentes à empresa e constantes nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Da Impugnação A autuada apresentou impugnação tempestiva, na qual argumenta que: 1. Suspensão da exigibilidade. Requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do inciso III do Artigo 151 do CTN. 2. Auto de Infração nº 51.056.0784 – PLR que segue norma legal – Acordos coletivos, comissão paritária e plano de metas. A impugnante alega possuir Acordos Coletivos de Trabalho e Comissões paritárias que trazem legalidade ao ato de distribuir a participação aos seus funcionários, inclusive seus índices de produtividade e programas de metas, seguindo o disposto na Lei nº 10.101/2000 e jurisprudência. Anexa documentos – Acordos Coletivos, planilhas de metas, Acordo de Instituição de PLR e plano de metas (fls. 230/333). a. PLR pagos em 10/2010 e 04/2011 – obra na cidade de Paulínia/SP foi cumprido como estipulado no Acordo Coletivo, como demonstrou a fiscalização; b. PLR pagos em 06/2011 – obra na cidade de Paulínia/SP. A impugnante apresenta Declaração de ausência de fato gerador para recolhimento do FGTS, da competência 07/2011 (fls.248/250), da obra referida, afirmando que a mesma havia sido concluída. Os valores pagos na competência 06/2011 foram devidos em função da rescisão de contrato de trabalho, como definido no “parágrafo 3º do Acordo Coletivo”. c. PLR pagos até “05/2010, 05/2010 a 04/2010 e 02/2011 a 04/2012”– obra na cidade de São José dos Campos/SP. Alega que efetuou a apresentação do Plano de Metas ao Sindicato competente, conforme documento de fls. 272/273, recebido pelo sindicato em 10/06/2010. Os pagamentos efetuados estão de acordo com o contido nas cláusulas do ACT, cumprindose as metas e pagamentos. d. PLR pagos em 07/2011 a 09/2011 – continuação da obra na cidade de São José dos Campos/SP. Quanto a alegação fiscal de ter efetuado pagamentos fora do período do acordo, observa que tratase de continuação de obra, valendo o mesmo plano que já estava sendo seguido nos meses anteriores. Alega que efetuou a apresentação do plano de metas (doc. Fls. 272/273), protocolado no sindicato. Os pagamentos estão de acordo com o contido nas cláusulas do ACT, cumprindose as metas e pagamentos dos ACT anteriores, sejam eles nas datas previstas ou nas rescisões posteriores. e. PLR pagos em 12/2011 e 06/2012 – obra na cidade de Araucária/PR. Alega que o parágrafo 2º, Artigo 3º, da Lei nº 10.101/2000 prevê o pagamento de até 02 (dois) pagamentos de participação nos lucros ou resultados no mesmo ano civil. Rebate a alegação de ausência de referência às obras abrangidas pelo acordo de participação nos lucros, no Instrumento de Acordo assinado. A Comissão Paritária é um acordo Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10980.720178/201522 Acórdão n.º 2402006.114 S2C4T2 Fl. 5 7 entre partes, envolvendo todos os trabalhadores da empresa, independentemente da obra em que trabalham. Todos os pagamentos estão de acordo com o instrumento que instituiu o PPR próprio da empresa, cumprindose as metas e pagamentos, sejam eles nas datas previstas ou nas rescisões posteriores. f. PLR pagos aos trabalhadores lotados no estabelecimento central –até 05/2010, 06/2010 a 05/2011, 06/2011 a 05/2012 e a partir de 06/2012. Alega que a fiscalização não soube explicar ou averiguar a situação disposta no item 7.4 do Relatório Fiscal, por vários motivos. O artigo 2º da Lei nº 10.101/2000, prevê que a participação nos lucros ou resultados seja objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, escolhidos pelas partes de comum acordo, ou seja, os acordos firmados com uma comissão ou por intermédio de acordo coletivo, devem ser seguidos e respeitados aos demais empregados da empresa. Repete que a fiscalização alega, para os pagamentos de PLR relativos aos meses de 08/2011, 09/2011, 12/2011, 01/2012, 03/2012 e 04/2012, que houve a duplicidade de pagamentos no mesmo ano civil, entretanto, esclarece, isso é permitido pela Lei nº 10.101/2000. Ressalta que a fiscalização não requereu informações aos pagamentos efetuados em 06/2012 a 10/2012. A empresa possui ACT conforme verificase dos documentos que anexou. g. Decisões do CARF – posicionamento que vai de encontro aos preceitos seguidos pela impugnante, conforme ementas de Acórdãos que transcreve. Alega que cumpriu o que determina a legislação. 3. Auto de Infração nº 51.056.0792. Pelas alegações apresentadas acima, por não incidir contribuições previdenciárias sobre a Participação nos Lucros ou Resultados da empresa, também não há incidência de contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, nem mesmo a incidência da multa e juros cobrados. Requer, pelos mesmos motivos, a improcedência do autuação. 4. Inaplicabilidade da Multa de 75% Caráter confiscatório – Atos praticados pelo contribuinte não justificam a aplicação da multa de 75%. O impugnante não deixou de apresentar documentos ou de cumprir obrigações acessórias que justifiquem o lançamento de ofício com a aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento). As diferenças apontadas são de conhecimento da Receita Federal. O contribuinte não agiu de má fé. Requer a anulação da multa ou, se assim não for decidido, que seja aplicada a multa de 20%; 5. Ausência de crime de sonegação fiscal. Atos devidamente contabilizados e informados à RFB. Ressalta a impugnante, que no presente caso não houve omissão ou ausência de lançamento de qualquer tributo ou contribuição que pudesse ensejar a tipificação da conduta de sonegação ou qualquer outro crime. Todas as obrigações acessórias e principais foram devidamente cumpridas, tendo ocorrida mera ausência de recolhimento de tributo. Não houve falsidade de Fl. 481DF CARF MF 8 declaração ou ausência dela. Requer sejam suspensos e posteriormente anulados os efeitos do processo COMPROT nº 10980720.182/201591. Transcreve decisões do CARF; 6. Nulidade do Auto de Infração. Ausência de fundamentação legal. Art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Alega a impugnante que em todo o Auto de Infração e seus anexos, não é possível aferir a fundamentação legal utilizada pela fiscalização. A fiscalização deixou de analisar a documentação necessária para aferição dos pagamentos de PLR, adotando uma interpretação restritiva, sem analisar os Acordos Coletivos e Comissões Paritárias onde a impugnante participou. A Lei 9.784/99 tornou obrigatória a indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão administrativa, em expressa adoção do princípio da fundamentação dos atos e decisões administrativas. O primado da fundamentação está relacionado com os princípios do formalismo moderado e da motivação. Transcreve decisões do CARF. Não é possível aferir a legalidade da exigência imposta, bem como impossível verificar a fundamentação pela ilegalidade do PLR, devendo ser declarados nulos os Autos de Infração. 7. Necessidade de perícia. Quesitos. Nomeação de Assistente Técnico. Requer a realização de perícia técnica para apontar a legalidade das diferenças utilizando por base a documentação acostada. Indica assistente técnico e formula quesitos. 8. Pedidos: a. Suspensão dos efeitos dos Autos de Infração, nos termos do inciso III do artigo 151 do CTN; b. Realização de perícia técnica contábil para apurar os pagamentos de PLR; c. Nulidade dos Autos de Infração, por violação do art. 10, inciso IV do Decreto nº 70.235/72; d. Se não atendido o pedido de nulidade, requer a improcedência dos Autos de Infração e das alegações de sonegação fiscal, julgandose procedentes os programas de participação nos lucros ou resultados firmados pela impugnante, anulando os efeitos da multas e juros aplicados e exlcuindo a incidência das contribuições previdenciárias e das contribuições destinadas a outras entidades; e. Suspensão dos atos constantes no processo Comprot nº 10980 720.182/201591, julgandose, ao final, improcedente a pretensão do fisco em punir o contribuinte pelo crime de sonegação, previsto nos artigos 168A, caput e parágrafo primeiro e 337A, inciso I, ambos do Decretolei nº 2.848/1940; f. Intimação de todos os atos deste processo em nome de seu advogado, em seu endereço profissional. É o relatório Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10980.720178/201522 Acórdão n.º 2402006.114 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor: SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Portanto, neste momento, em razão da impugnação tempestiva apresentada, o crédito tributário está com sua exigibilidade suspensa. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Pretende a impugnante a nulidade do lançamento, por violação do art. 10, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, ao argumento de ausência dos fundamentos legais que embasaram o lançamento, sem os quais lhe é impossível aferir a legalidade da exigência. Não procedem suas alegações. O Relatório Fiscal descreve, de forma clara, os fatos que ensejaram o lançamento. Nos itens 6 e 7 do Relatório Fiscal (fls. 23/28), o Auditor Fiscal descreve a análise efetuada nos documentos apresentados e as razões e fatos que determinaram o lançamento. A fundamentação legal consta nos itens 5 e 7 do Relatório Fiscal, e no anexo FLD – Fundamentos legais do débito (fls. 9 e 17). Ademais, a impugnante demonstra pleno conhecimento dos fatos e da fundamentação legal ao questionar o lançamento, citando e transcrevendo a legislação (item 3 e subitens, da Impugnação). O Auto de Infração está em conformidade ao que preceitua o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não se vislumbrando a presença da alegada nulidade. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA A impugnante insurgese contra o lançamento, alegando que os pagamentos efetuados a seus empregados, a título de participação nos lucros e resultados –PLR, seguiram os ditames da legislação aplicável ao caso, notadamente a Lei nº 10.101/2000, pelo que não integram o saláriodecontribuição dos segurados e, neste caso, estão afastados da incidência de contribuições previdenciárias. Não lhe assiste razão, como abaixo demonstraremos. Fl. 483DF CARF MF 10 No que concerne à questão em debate, para o perfeito esclarecimento do tema, cabe primeiramente examinar a legislação que define o salário de contribuição previdenciário sobre o qual incidem as contribuições sociais. A Constituição Federal, no art. 195, I, “a”, dá os contornos da base de cálculo das contribuições previdenciárias, ao assim dispor: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; A Constituição Federal, em seu artigo 201, parágrafo 8º, renumerado pela Emenda Constitucional nº 20/98, determina, expressamente, que “Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei”. Em consonância com essa norma constitucional, a Lei nº 8.212/91 e alterações posteriores, assim dispõe: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10980.720178/201522 Acórdão n.º 2402006.114 S2C4T2 Fl. 7 11 convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifei) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Pelo estabelecido na alínea “j”, do parágrafo 9º, artigo 28 da Lei nº 8.212/91, a participação nos lucros ou resultados da empresa não integra o salário decontribuição, sendo condição para isso que seja paga ou creditada de acordo com lei específica, ou seja, o pagamento a título de participação nos lucros ou resultados que não siga as regras e condições estabelecidos em legislação específica, integram o saláriodecontribuição, passando a sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. A Lei nº 10.101/2000, regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, definindo vários princípios básicos ou requisitos procedimentais para que tal verba não sofra incidência de contribuição previdenciária, a saber: Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante sindicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Fl. 485DF CARF MF 12 (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. § 4º A periodicidade semestral mínima referida no § 2º poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. De acordo com o aludido dispositivo legal, na redação vigente à época dos fatos, temse que os instrumentos decorrentes da negociação devem possuir: · regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos trabalhadores; · mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; · periodicidade da distribuição; · período de vigência; e · prazos para revisão do acordo. Além dos requisitos acima, a legislação exemplifica alguns parâmetros que poderão, a critério da empresa, ser adotados, tais como a estipulação de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, ou programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Como explicitado no texto legal, tais parâmetros são facultativos, prevalecendo a livre negociação na definição e estabelecimento das regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas. A Lei não traz regras detalhadas sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. A objetividade e clareza exigida pelo § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00, nada mais representam do que uma forma de se garantir que não hajam dúvidas que impeçam ou dificultem a qualquer das partes envolvidas o direito a observar o quanto fora acordado. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10980.720178/201522 Acórdão n.º 2402006.114 S2C4T2 Fl. 8 13 Os direitos substantivos referemse a normas que calculam o valor e a regra adjetiva está relacionada ao procedimento, ou seja, o modo como é demonstrado. Dessa forma, quando o direito substantivo for baseado no resultado, há necessidade de estabelecimento de metas, e na hipótese do direito substantivo exigir apenas o lucro, entendo não ser necessária a estipulação de metas, bastando a existência do Lucro. A Lei não condiciona que a participação ocorra somente sobre o lucro ou somente sobre os resultados. Assim, os critérios e condições podem variar conforme o acordo firmado e pode ainda ser apenas com relação aos resultados (PR), aos lucros (PL) ou tanto nos lucros como nos resultados (PLR). A participação nos resultados (PR) está ligada ao aumento da produtividade, isto é, a participação no resultado tem a natureza do incentivo direto por maior produção ou maior rendimento do trabalho e realização de meios previamente programados. A participação nos resultados está relacionada ao alcance da meta de desempenho. No caso em análise, a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa foi pactuada em Acordos Coletivos de Trabalho – ACT, com vigência e abrangência limitada a alguns de seus estabelecimentos, e em programa próprio da empresa PPR, vigente de 06/2011 a 05/2012. Analisaremos, a seguir, cada um dos instrumentos apresentados, correlacionandoos aos lançamentos efetuados pela fiscalização, por estabelecimento da empresa. 1. Estabelecimento: PAULÍNIA/SP. Período: 06/2011 a. Acordo Coletivo de Trabalho ACT celebrado em 26/05/2010, com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Mobiliário de Campinas (Doc. Fls. 97/113). i. Vigência: 01/05/2010 a 30/04/2011 ii. Abrangência: De acordo com a cláusula 46ª do ACT, este abrange todos os empregados das empresas que integrem a categoria profissional dos trabalhadores nas indústrias da construção e do mobiliário e laborem nas obras da Refinaria de Paulínia –REPLAN, localizada na cidade de PaulíniaSP. iii. Prazos e formas de pagamento: O ACT prevê o pagamento em duas parcelas, sendo a primeira juntamente com o salário de outubro/2010 e a segunda até a data do pagamento do salário de abril/2011. A fiscalização considerou que os pagamentos efetuados com base neste ACT nas competências 10/2010 e 04/2011 não integram o salário de contribuição. Relacionou esses pagamentos no anexo I do Relatório Fiscal (fls. 32/33) Os pagamentos efetuados na competência 06/2011, portanto fora do previsto no ACT, foram tributados pela fiscalização. A impugnante alega que os pagamentos efetuados na competência 06/2011 foram devidos em função de Rescisão de Contrato de Trabalho, por encerramento da obra, como definido no parágrafo 3º da cláusula 42ª do ACT. Não lhe assiste razão. O parágrafo 3º da cláusula 42ª do ACT prevê que “a empresa que terminar seu contrato pagará a PLR no ato da rescisão, respeitada a proporcionalidade do tempo de prestação de serviços”, entretanto, pelo que se Fl. 487DF CARF MF 14 constata da planilha de pagamentos (anexo I), todos os empregados receberam sua participação integral, dentro da vigência do contrato, em 04/2011. O ACT teve sua vigência encerrada em 30/04/2011, portanto, não assegura o pagamento proporcional de participação nos resultados obtidos pela empresa após essa data. Ademais, observase na planilha que constitui o anexo I do Relatório Fiscal, que os empregados que receberam pagamentos na competência 06/2011, já haviam percebido pagamentos a título de participação nos lucros nas competências 10/2010 e 04/2011. Os empregados beneficiados são os seguintes: Correto, portanto, o entendimento da fiscalização, devendo ser mantido o lançamento. 2. Estabelecimento: SÃO JOSÉ DOS CAMPOS /SP. Período 05/2010 a 04/2011 a. Acordo Coletivo de Trabalho ACT celebrado em 03/05/2010, com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias da construção e do mobiliário e montagem industrial de São José dos Campos/SP. (Doc. Fls. 114/133). i. Vigência: 01/05/2010 a 30/04/2011 ii. Abrangência: De acordo com a cláusula 44ª do ACT, este abrange todos os trabalhadores das empresas signatárias que prestem serviços na REVAP – Refinaria Henrique Lages, no município de São José dos Campos/SP, integrantes das categorias profissionais representadas pelo sindicato, conforme extensão de sua base territorial. iii. Prazos e formas de pagamento: O ACT prevê o pagamento em duas parcelas, sendo a primeira no mês de novembro/2010 e a segunda no mês de maio/2011. A fiscalização procedeu ao lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos efetuados pela empresa, relacionados no anexo II do Relatório Fiscal (fls. 34/38) no período de 05/2010 a 04/2011, considerando: · Competência 05/2010 – Inexistência de Programa de Participação prevendo o pagamento. Os pagamentos para cada empregado estão relacionados no anexo II, período até 05/2010 (fls. 34). · Competências 11/2010, 03/2011 e 04/2011 – Inexistência ou não apresentação do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, na forma da Lei º 10.101/2000, conforme previsto no ACT. Os pagamentos para cada empregado estão relacionados no anexo II, período até 05/2010 a 04/2011 (fls. 35/38). A impugnante questiona o lançamento alegando que efetuou a apresentação do Plano de Metas ao Sindicato competente, conforme documento de fls. 272/273, tendo cumprido as metas e pagamentos acordados. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10980.720178/201522 Acórdão n.º 2402006.114 S2C4T2 Fl. 9 15 Entretanto, a análise dos documentos apresentados – Acordo Coletivo de Trabalho e Tabela de Metas para PLR 2010/2011, revela claramente que a empresa não cumpriu com as condições previstas no ACT e, principalmente, com as condições e regras necessárias, previstas na legislação previdenciária e na Lei nº 10.101/2000. O pagamento efetuado na competência 05/2010 não está amparado em qualquer Programa de Participação nos Lucros, seja ele programa próprio da empresa ou programa estabelecido em Acordo Coletivo de Trabalho. O ACT firmado com o Sindicato, acima referido, teve inicio em 05/2010, prevendo pagamentos nos meses de 11/2010 e 04/2011. Mesmo esse ACT, firmado em 03/05/2010, não atende aos requisitos da Lei nº 10.101/2000, como veremos a seguir. O Acordo Coletivo de Trabalho, firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias da construção e do mobiliário e montagem industrial de São José dos Campos/SP, com vigência de 05/2010 a 04/2011, definiu apenas valores a serem pagos, entretanto, o ACT firmado não reúne os requisitos exigidos pela Lei nº 10.101/2000. O próprio ACT condiciona à apresentação, pela empresa, do seu Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, conforme previsto na Lei acima referida. Assim dispõe a cláusula 4ª do ACT: Claro está que a empresa deveria apresentar ao Sindicato o seu Programa de Participação nos Lucros e Resultados, elaborado na forma do artigo 2º da Lei nº 10.101/2000, como acima detalhamos. O documento apresentado pela empresa às fls. 272/273, limitase a estabelecer metas, o que não atende às exigências previstas no parágrafo 1º do artigo 2º, da Lei 10.101/2000. Correto, portanto, o lançamento de contribuições previdenciárias, incidentes sobre os pagamentos efetuados nas competências 05/2010, 11/2010, 03/2011 e 04/2011, aos empregados lotados no estabelecimento da empresa em São José dos Campos, pela inexistência de Programa de Participação nos Lucros ou resultados da empresa. 3. Estabelecimento: SÃO JOSÉ DOS CAMPOS /SP. Período 07/2011 a 04/2012 a. Acordo Coletivo de Trabalho ACT celebrado em 12/05/2011, com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias da construção e do mobiliário e montagem industrial de São José dos Campos/SP (Doc. Fls. 134/149). Fl. 489DF CARF MF 16 i. Vigência: 01/05/2011 a 30/04/2012 ii. Abrangência: De acordo com a cláusula 44ª do ACT, este abrange todos os trabalhadores das empresas signatárias que prestem serviços na REVAP – Refinaria Henrique Lages, no município de São José dos Campos_SP, integrantes das categorias profissionais representadas pelo sindicato, conforme extensão de sua base territorial. iii. Prazos e formas de pagamento: O ACT prevê o pagamento em duas parcelas, sendo a primeira no mês de novembro/2011 e a segunda no mês de maio/2012. A fiscalização efetuou o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos efetuados pela empresa, relacionados no anexo II do Relatório Fiscal (fls. 38/40) no período de 07/2011 a 09/2011, 10/2011 e 04/2012, considerando a inexistência ou não apresentação do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, na forma da Lei º 10.101/2000, como previsto no ACT, bem como, para os pagamentos de 07/2011 a 09/2011, por não haver previsão no ACT. A impugnante questiona o lançamento alegando que efetuou a apresentação do Plano de Metas ao Sindicato competente, conforme documento de fls. 329, tendo cumprido as metas e pagamentos acordados. Argumenta ainda que os pagamentos efetuados de 07/2011 a 09/2011 referemse a pagamentos por continuação da obra, valendo o mesmo plano seguido em meses anteriores. Não procedem suas alegações. A análise dos documentos apresentados – Acordo Coletivo de Trabalho e Tabela de Metas para PLR 2010/2011, revela claramente que a empresa não cumpriu com as condições previstas no ACT e, principalmente, com as condições e regras necessárias, previstas na legislação previdenciária e na Lei nº 10.101/2000. Os pagamentos efetuados nas competências 07/2011 a 09/2011, 10/2011 e 04/2012, não estão amparados em qualquer Programa de Participação nos Lucros, seja ele programa próprio da empresa ou programa estabelecido em Acordo Coletivo de Trabalho. O ACT firmado com o Sindicato, acima referido, com vigência de 01/05/2011 a 30/04/2012, prevê apenas valores mínimos a serem pagos a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, de acordo com o seu PPR, que deveria ser apresentado ao Sindicato. O ACT firmado não possui os requisitos exigidos pela Lei nº 10.101/2000, para que seja considerado Plano de Participação nos Lucros ou Resultados. O próprio ACT condiciona à apresentação, pela empresa, do seu Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, conforme previsto na Lei acima referida. Assim dispõe a cláusula 4ª do ACT: Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10980.720178/201522 Acórdão n.º 2402006.114 S2C4T2 Fl. 10 17 A empresa não possui, ou não apresentou ao sindicato e à fiscalização, o seu Programa de Participação nos Lucros e Resultados, elaborado na forma do artigo 2º da Lei nº 10.101/2000, como acima detalhamos. O documento apresentado pela empresa às fls. 272/273, além de não se referir ao período deste ACT, limitase a estabelecer metas. Não se trata de Programa de Participação nos Lucros, por não atender às exigências previstas no parágrafo 1º do artigo 2º, da Lei 10.101/2000. A alegação de que os pagamentos em 07/2011 a 09/2011 referemse a continuação de obra, valendo acordos vigentes em períodos anteriores, não merece prosperar. Nenhum dos ACT apresentados pela empresa atende às exigências da legislação, conforme acima explanado, e, mesmo que atendessem, não podem ter sua aplicação em períodos que extrapolem sua vigência, por afronta ao disposto no parágrafo primeiro do Art. 2º, da Lei nº 10.101/2000. Correto, portanto, o lançamento de contribuições previdenciárias, incidentes sobre os pagamentos efetuados nas competências 07/2011 a 09/2011, 10/2011 e 04/2012, aos empregados lotados no estabelecimento da empresa em São José dos Campos, cuja base de cálculo está discriminada no anexo II. 4. Estabelecimento: ARAUCÁRIA/PR. Período: 09/2011 e 12/2011 a. Acordo de Instituição do Programa de Participação dos Trabalhadores nos resultados da empresa, assinado em 01/06/2011, com vigência de 06/2011 a 05/2012 (Doc. Fls. 150/157). i. Vigência: 01/06/2011 a 31/05/2012 ii. Abrangência: Matriz e filial (obra) de Araucária/PR iii. Prazos e formas de pagamento: Dezembro/2011 e Junho /2012. A fiscalização constatou que os pagamentos efetuados a título de PLR aos empregados do estabelecimento da empresa em Araucária/PR, em Setembro/2011 e Dezembro/2011, contrariam o disposto no Parágrafo 2º do Artigo 3º da Lei n° 10.101/2000, pelo que integram o saláriodecontribuição. A impugnante questiona o lançamento, alegando que o parágrafo 2º, Artigo 3º, da Lei nº 10.101/2000 prevê o pagamento de até duas parcelas de PLR no ano civil, estando corretos os pagamentos efetuados em 12/2011 e 06/2012. Apresentou planilhas de “Avaliação do Resultado Individual dos colaboradores da UT” (fls. 300/309), e planilha “PPR no Semestre” (fls. 310/313) com a apuração dos valores do PPR no semestre, por colaborador, da unidade REPAR, segundo período de 2011. O Programa de Participação da empresa prevê a apuração dos resultados em Novembro/2011 e Maio/2012, sendo devidos nas folhas de pagamento dessas competências, ocorrendo os respectivos pagamentos nos meses de Dezembro/2011 e Junho/2012, conforme disposto na cláusula 7ª do PPR, que estabelece: “A participação nos resultados convencionada entre as partes será apurada semestralmente, no final dos meses de novembro e maio, para todo o funcionário que satisfizer as cláusulas contidas neste instrumento e em Fl. 491DF CARF MF 18 seus anexos.Os pagamentos ocorrerão somente nas mesmas datas em que ocorre o pagamento do salário correspondente ao mês de apuração semestral, ou seja, respectivamente, nos meses de dezembro e junho”. Claro está que as competências em que a participação nos resultados é devida aos empregados, são Novembro/2011 e Maio/2012, que correspondem ao mês de apuração semestral previstos no PPR, cujo efetivo pagamento é previsto para os meses de Dezembro/2011 e Junho/2012. A cláusula acima citada estabelece, de forma clara, que o pagamento de PLR ocorrerá somente nas competências definidas no PPR. Assim não ocorreu. A fiscalização constatou a ocorrência de pagamentos, aos mesmos funcionários, nas competências 09/2011 e 12/2011, ou seja, em competências não previstas no PPR e em periodicidade inferior a um semestre civil, o que afronta ao disposto no parágrafo 2º do artigo 3º, da Lei 10.101/2000, na redação vigente à época, in verbis: Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. O anexo III do Relatório Fiscal (fls. 41/43) relaciona, por empregado, os pagamentos efetuados. Os pagamentos efetuados aos funcionários em desacordo com as regras estabelecidas no PPR, ou em afronta ao disposto no do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/200, devem ser tributados, considerandose todas as parcelas pagas a determinado empregado. Esse o entendimento manifestado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional –PGFN, no Parecer PGFN/CAT Nº 2536/2012, assim ementado: Tributário. Previdenciário. Participação nos Lucros ou Resultados. Incidência de contribuição previdenciária. Interpretação do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Vedação de antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, para efeito de não incidência de contribuições previdenciárias para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), de que trata a alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Se houver o descumprimento dos parâmetros normativos, a tributação ocorrerá sobre todas as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados. Correto, portanto, o lançamento de contribuições previdenciárias, incidentes sobre os pagamentos efetuados pela empresa a título de PLR, nas competências 09/2011 e 12/2011, aos empregados lotados no estabelecimento da empresa em Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10980.720178/201522 Acórdão n.º 2402006.114 S2C4T2 Fl. 11 19 Araucária / PR, cuja base de cálculo está discriminada no anexo III do Relatório Fiscal. Entretanto, constatase na planilha que constitui o anexo III do Relatório Fiscal, que alguns empregados receberam somente um pagamento a título de PLR no primeiro semestre de 2012, na competência Junho/2012, conforme previsto no PPR. Entendo que esses pagamentos, tendo observado o estabelecido no PPR e, estando de acordo com a Lei 10.101/2000, estão excluídos do saláriodecontribuição, sendo improcedente o lançamento de contribuições previdenciárias correspondentes. Portanto, procedentes em parte as alegações da empresa, devendo ser excluídos do lançamento o pagamento efetuado na competência 05/2012 aos seguintes empregados: Mês Nome do Trabalhador NIT do Trabalhador Descrição do Cargo Valor Proventos 05/2012 CLAUDINEI JOSE DE FRANCA 1.264.641.5518 Carpinteiro 156,80 05/2012 DIVONSIR RIBEIRO CASTRO 1.258.460.3510 Carpinteiro 164,52 Soma 321,32 5. Estabelecimento: SEDE – Período de 05/2010 a 04/2011 A fiscalização constatou que os pagamentos efetuados a título de PLR aos empregados lotados no estabelecimento sede (matriz) da empresa, nos meses de 05/2010, 06/2010, 08/2010, 11/2010 e 04/2011, não estavam amparados por Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, na forma da Lei º 10.101/2000. Os pagamentos estão relacionados no anexo IV do Relatório Fiscal (fls. 44/45) A impugnante questiona o lançamento, alegando que os Programas de Participação firmados com uma comissão ou por intermédio de acordo coletivo, devem ser aplicados aos demais empregados da empresa. Pretende então a empresa, que os ACT firmados com os sindicatos de empregados de Campinas e São José dos Campos, vigentes de 05/2010 a 04/2011 sejam considerados válidos para os empregados da sede da empresa, em Curitiba/PR, o que não pode ser aceito. Primeiro, porque cada um dos ACT foram firmados com Sindicatos tendo abrangência na base territorial do respectivo sindicato. Isso está expresso nos ACT, sendo que o firmado com o Sindicato de Campinas abrange somente os trabalhadores que laborem nas obras da Refinaria de Paulínia – REPLAN, localizada na cidade de PaulíniaSP (claúsula 46ª), e o firmado com o Sindicato de São José dos Campos, abrange somente os trabalhadores que prestem serviços na REVAP – Refinaria Henrique Lages, no município de São José dos Campos_SP (claúsula 44ª). Segundo, que, conforme explanado acima, nos tópicos que tratam dos citados ACT, os Acordos Coletivos firmados não se caracterizam como programa de participação nos lucros, por ausência dos requisitos previstos em Lei. Como salientado, os próprios ACT prevêem que a empresa deveria apresentar o seu Programa de Participação nos Lucros ao Sindicato, o que não fez. Concluise, portanto, pela inexistência de Programa de Participação nos Resultados, no período de 05/2010 até 04/2011, pelo que deve ser mantido o lançamento das contribuições incidentes sobre os pagamentos efetuados aos Fl. 493DF CARF MF 20 empregados da empresa, lotados na matriz, nos meses de 05/2010, 06/2010, 08/2010, 11/2010 e 04/2011. 6. Estabelecimento: SEDE – Período de 08/2011, 09/2011, 12/2011, 01/2012, 03/2012 e 04/2012 a. Acordo de Instituição do Programa de Participação dos Trabalhadores nos resultados da empresa, assinado em 01/06/2011, com vigência de 06/2011 a 05/2012 (Doc. Fls. 150/157). i. Vigência: 01/06/2011 a 31/05/2012 ii. Abrangência: Matriz e filial (obra) de Araucária/PR iii. Prazos e formas de pagamento: Dezembro/2011 e Junho /2012. A fiscalização constatou que os pagamentos efetuados a título de PLR aos empregados do estabelecimento sede da empresa, contrariam o disposto no Parágrafo 2º do Artigo 3º da Lei n° 10.101/2000, e, também, por ter ocorrido pagamentos em competências não previstas no PPR, pelo que integram o saláriode contribuição. A fiscalização motivou o lançamento, como se vê, pela irregularidade nos pagamentos efetuados. A impugnante questiona o lançamento, alegando que o parágrafo 2º, Artigo 3º, da Lei nº 10.101/2000 prevê o pagamento de até duas parcelas de PLR no ano civil, estando corretos os pagamentos efetuados. O Programa de Participação da empresa prevê a apuração dos resultados em Novembro/2011 e Maio/2012, sendo devidos nas folhas de pagamento dessas competências, ocorrendo os respectivos pagamentos nos meses de Dezembro/2011 e Junho/2012, conforme disposto na cláusula 7ª do PPR, que estabelece: “A participação nos resultados convencionada entre as partes será apurada semestralmente, no final dos meses de novembro e maio, para todo o funcionário que satisfizer as cláusulas contidas neste instrumento e em seus anexos.Os pagamentos ocorrerão somente nas mesmas datas em que ocorre o pagamento do salário correspondente ao mês de apuração semestral, ou seja, respectivamente, nos meses de dezembro e junho”. Claro está que as competências em que a participação nos resultados é devida aos empregados, são Novembro/2011 e Maio/2012, que correspondem ao mês de apuração semestral previstos no PPR, cujo efetivo pagamento é previsto para os meses de Dezembro/2011 e Junho/2012. A fiscalização constatou a ocorrência de pagamentos, aos mesmos funcionários, referentes às competências de 08/2011, 09/2011, 12/2011, 01/2012, 03/2012 e 04/2012, ou seja, desconsiderando tudo o que fora acordado no PPR em relação à apuração e pagamento da participação nos resultados, e em periodicidade inferior a um semestre civil, o que afronta ao disposto no parágrafo 2º do artigo 3º, da Lei 10.101/2000, na redação vigente à época, in verbis: Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10980.720178/201522 Acórdão n.º 2402006.114 S2C4T2 Fl. 12 21 § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. O anexo IV do Relatório Fiscal (fls. 45/48) relaciona, por empregado, os pagamentos efetuados. Os pagamentos efetuados aos funcionários em desacordo com o PPR, em afronta ao disposto no do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/200, integram o salário decontribuição e devem ser tributados em todas as parcelas pagas a determinado empregado. Esse o entendimento manifestado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional –PGFN, no Parecer PGFN/CAT Nº 2536/2012, assim ementado: Tributário. Previdenciário. Participação nos Lucros ou Resultados. Incidência de contribuição previdenciária. Interpretação do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Vedação de antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, para efeito de não incidência de contribuições previdenciárias para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), de que trata a alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Se houver o descumprimento dos parâmetros normativos, a tributação ocorrerá sobre todas as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados. Correto, portanto, o lançamento de contribuições previdenciárias, incidentes sobre os pagamentos efetuados a título de PLR nas competências de 08/2011, 09/2011, 12/2011, 01/2012, 03/2012 e 04/2012, aos empregados lotados no estabelecimento matriz da empresa, cuja base de cálculo está discriminada no anexo IV do Relatório Fiscal. 7. ESTABELECIMENTO SEDE – Período de 06/2012 a 10/2012 e 12/2012 A fiscalização constatou que a empresa efetuou pagamentos a título de PLR aos empregados lotados no estabelecimento sede (matriz) da empresa, nos meses de 06/2012 a 10/2012 e 12/2012, não amparados por Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, na forma da Lei º 10.101/2000. Os pagamentos estão relacionados no anexo IV do Relatório Fiscal (fls. 48/53) A empresa contesta o lançamento, alegando que a fiscalização não requereu informações aos pagamentos efetuados em 06/2012 a 10/2012, e que a empresa possui ACT conforme verificase dos documentos que anexou. A fiscalização informa, no item 6 do Relatório Fiscal, que solicitou à empresa as informações e documentos necessários, conforme Termo de Inicio de Procedimento Fiscal (fls. 72) e Termo de Intimação Fiscal (fls. 75). Os documentos apresentados pela empresa estão anexados às fls. 97/157. Fl. 495DF CARF MF 22 Observase que os Acordos Coletivos de Trabalho e Programa de Participação nos Lucros ou Resultados que a empresa apresenta em sua impugnação (Docs. fls. 252/299) são os mesmos que apresentou à fiscalização (docs. Fls. 97/157), quando solicitada, nada trazendo de novo para comprovar a existência de PPR que amparem os pagamentos efetuados no período de 06/2012 a 12/2012. O PPR apresentado pela empresa, prevê, na cláusula quinta, a vigência de 01 (um) ano, de 01 de junho de 2011 a 31 de maio de 2012, que poderia ser renovado por igual período, entretanto, a empresa não apresenta quaisquer documentos que comprovem a renovação do programa para o período junho/2012 a junho/2013, e, também, a aplicação de suas regras para esse período, com a apuração dos resultados e pagamentos nas datas pactuadas. Deve, portanto, ser mantido o lançamento de contribuições previdenciárias, incidentes sobre os pagamentos efetuados a título de PLR nas competências de 06/2012 a 10/2012 e 12/2012, aos empregados lotados no estabelecimento matriz da empresa, cuja base de cálculo está discriminada no anexo IV do Relatório Fiscal. MULTA – CARÁTER CONFISCATÓRIO No que concerne à alegação de cobrança confiscatória, cumpre considerar que o princípio insculpido no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, relativo à vedação ao confisco, antes de tudo, é dirigido ao legislador. Tal princípio orienta a elaboração legislativa, que deve observar a capacidade econômica do contribuinte (art. 145, § 1º da CF), bem como não pode dar ao tributo conotação de confisco. Sendo assim, a multa de ofício, em se tratando de penalidade e não de tributo, não possui caráter confiscatório, já que não visa arrecadar mais tributo ou contribuição, mas sim desestimular a prática da ilicitude fiscal. A garantia prevista no art. 150, IV, da Constituição Federal, diz respeito apenas a tributos, que na definição do próprio texto constitucional, são os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria (art. 145, incisos I, II e III da CF). As multas, portanto, não são tributos, como aliás já define o CTN (art. 3º), determinando inclusive que estes não se constituam em sanção de ato ilícito, distinguindoos assim exatamente das multas, que visam punir uma conduta ilegal. Em relação à alegação de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, tem se que o princípio do nãoconfisco pertine aos tributos, não se aplicando pois às multas por inadimplemento das obrigações tributárias. Neste sentido o TRF da 3ª Região assim decidiu: AGRAVO. COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA DE MULTA. LEGITIMIDADE. 1 A multa impugnada não pode ser reputada inconstitucional por ofensa ao princípio do não confisco, a teor do que dispõe o art. 150, IV, da CF/88, posto que tributo não se confunde com multa. 2 Conforme se extrai à leitura do art. 3º do Código Tributário Nacional, tributo é toda "prestação pecuniária compulsória" que não constitua sanção de ato ilícito, enquanto a multa fiscal constitui "sanção punitiva" aplicada em razão do não cumprimento de obrigação tributária 3 In casu, verificase à vista do auto de infração às fls. 61/667, que a multa de ofício, imposta no percentual de 75%, encontra fundamento no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007), e decorre do descumprimento de obrigação imposta pela legislação tributária quando do lançamento de ofício. Assim sendo, foi aplicada dentro Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10980.720178/201522 Acórdão n.º 2402006.114 S2C4T2 Fl. 13 23 dos limites previstos e autorizados por lei, não cabendo ao Judiciário atuar como legislador positivo, reduzindoa com base em alegada injustiça ou desproporcionalidade do encargo, posto que este decorre de norma legal, no interesse da arrecadação 4 Agravo não provido. (TRF TERCEIRA REGIÃO. AC APELAÇÃO CÍVEL – 1247900, PROCESSO AC 00148254920034036102,TERCEIRA TURMA, RELATOR DESEMBARGADOR FEDERAL NERY JUNIOR, TRF3 CJ1 DATA:17/02/2012 (grifei) Também o então 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) manifestou seu entendimento: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO – CARÁTER CONFISCATÓRIO INOCORRÊNCIA – A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigir o tributo com acréscimos e penalidades legais, sendo inaplicável a estas o princípio do confisco. Ademais, no caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria, não há como negar efetividade à cobrança da multa de ofício sob o argumento acerca de sua natureza confiscatória ou da violação de princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade. A Fiscalização está vinculada às leis e atos administrativos expedidos pelas autoridades competentes, logo, não é permitido ao Poder Público, nem a nenhum de seus agentes, no exercício de suas funções, que façam algo que não esteja expressamente previsto, proporcionando ao Contribuinte, na via contrária, a oportunidade de exercer com plenitude o Constitucional Princípio da Ampla Defesa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Requer a Impugnante a suspensão do processo de Representação Fiscal para Fins Penais RFFP processo nº 10980720.182/201591, e a improcedência da pretensão do fisco em punir o contribuinte pelo crime de sonegação. A Representação Fiscal para fins Penais somente será encaminhada ao Ministério Público após decisão final, na esfera administrativa, conforme de acordo com o disposto no art. 83 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1ºe 2ºda Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168A e 337A do DecretoLei no2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. Fl. 497DF CARF MF 24 No âmbito da RFB a normatização segue a Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010, publicada no DOU de 22/12/2010, que assim dispõe: (...) Art. 4º A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, definidos nos arts. 168A e 337A do Código Penal, será formalizada e protocolizada em até 10 (dez) dias contados da data da constituição do crédito tributário, devendo permanecer no âmbito da unidade de controle até a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente ou na ocorrência das hipóteses previstas no art. 5º, respeitado o prazo legal para cobrança amigável. Art. 5º Os autos da representação, ou seu arquivo digital, serão remetidos pelo Delegado ou InspetorChefe da Receita Federal do Brasil responsável pelo controle do processo administrativo fiscal ao órgão do MPF competente para promover a ação penal, no prazo de 10 (dez) dias contados da data: I do encerramento do prazo legal para cobrança amigável, depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário relacionado ao ilícito penal, sem que tenha havido o correspondente pagamento; II da concessão de parcelamento do crédito tributário, ressalvados os mencionados nos incisos III, IV e V; III da exclusão da pessoa jurídica do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ou do parcelamento a ele alternativo, de que trata a Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000; IV da exclusão da pessoa jurídica do Parcelamento Especial (Paes) de que trata a Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003; V da exclusão do parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009; ou VI da lavratura de auto de infração ou da expedição de notificação de lançamento de que não resulte exigência de crédito tributário. Quanto à solicitação de extinção da pretensão do fisco em punir o contribuinte pela prática de crime, em tese, cabe informar que o processo administrativo tributário tem como escopo decidir, na órbita administrativa, se houve ou não a ocorrência de fato gerador de tributo, e, caso esse tenha ocorrido, verificar se o lançamento está de acordo com a legislação aplicável. Assim, não há qualquer razão para pronunciamento da autoridade julgadora no que se refere a Representação Fiscal para Fins Penais. Logo, o presente Voto somente se manifestará sobre os fatos trazidos aos autos no que concerne ao interesse tributário envolvido. Diante do exposto, não haverá manifestação desta autoridade julgadora quanto a Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10980.720178/201522 Acórdão n.º 2402006.114 S2C4T2 Fl. 14 25 procedimentos relativos à Representação Fiscal para Fins Penais acima referida, posto que a mesma trata de crime, ainda que em tese. DA DILIGÊNCIA OU PERÍCIA Quanto ao pedido de perícia, não vimos necessidade desses procedimentos, uma vez que o auto de infração apresenta todos os elementos necessários para formar a convicção do julgador. Vejamos o que estabelece o artigo 18 do Decreto 70.235/72 a esse respeito: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). A realização de diligência, ou perícia, pressupõe que a prova não pode, ou não cabe, ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. O Relatório Fiscal e seus anexos detalham de forma clara os critérios utilizados pelo auditor, a forma de apuração e origem dos valores apurados, os documentos analisados e a legislação aplicável. Ressaltese que a empresa questiona a incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados a título de PLR, afirmando sua legalidade. Não questiona os valores de base de cálculo apurados. Pelo exposto, rejeitase o pedido de perícia formulado pela impugnante. INTIMAÇÃO AO ADVOGADO Por fim, o contribuinte requereu que todas as intimações atinentes à presente impugnação fossem realizadas em nome de seu advogado no endereço lá constante. O artigo 23 do Decreto n° 70.235/19721 disciplina integralmente a matéria. Seus incisos I, II e III configuram as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência. O inciso II considera que a intimação via postal deve acontecer no domicílio tributário apenas do sujeito passivo. Já o § 4° dispõe que, para fins de intimação, o domicílio tributário do contribuinte pode ser apenas em dois locais: no endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; ou no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. De tais regras, concluise pela inexistência de intimação postal na figura do procurador do sujeito passivo. Assim, a intimação via postal, no endereço de seu advogado, não acarretaria qualquer efeito jurídico de intimação, pois estaria em desconformidade com o artigo 23, inciso II e §§ 3° e 4°, do Decreto n° 70.235/1972. Sendo assim, é de indeferir o pleito do contribuinte. Fl. 499DF CARF MF 26 Conclusão E pelo exposto, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE DA IMPUGNAÇÃO, com a retificação do lançamento da competência 05/2012, nos Autos de Infração nº 51.056.0784 e 51.056.0792, conforme demonstrativo abaixo: AI 51.056.0784 Competência Rubrica Vlr lançado Vlr improcedente Valor mantido mai/12 Base de Cálculo 821,32 321,32 500,00 12. Empresa 164,26 64,26 100,00 13. Sat/Rat 12,32 4,82 7,50 Soma contribuições 176,58 69,08 107,50 TOTAL DO DEBITO 179.439,97 69,08 179.424,89 AI 51.056.0792 mai/12 15. Terceiros 47,64 18,64 29,00 TOTAL DO DEBITO 45.752,56 18,64 45.733,92 CONCLUSÃO Concordando com os termos da decisão de primeira instância administrativa, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso para, na parte conhecida, afastar as preliminares, indeferir os pedidos de realização de diligência, perícia e intimação do presente acórdão no endereço do advogado da recorrente e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 500DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.917762/2011-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.551
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. Recorrente Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, aduzindo que o crédito apurado é legítimo em virtude do reconhecimento de inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98. Logo, a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim entendido como a totalidade das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, excluindo "outras receitas". RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 76 2/ 20 11 -9 9 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10830.917762/201199 Resolução nº 3301000.551 S3C3T1 Fl. 3 2 A 2ª Turma da DRJ/BHE indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02054.434. A negativa do reconhecimento do crédito pela DRJ se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da ausência de DCTF retificadora e outros documentos que comprovassem as alegações da Recorrente. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF; · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas extraordinárias; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento; · Anexou planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre “outras receitas” (inclusive as receitas financeiras), DCTF, DIPJ e cópia de parte do livro razão analítico. · Ao fazer a juntada do seu livro razão, entende ser suficiente para conferência e comprovação do recolhimento indevido sobre “outras receitas”. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.538, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.904018/201124, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.538): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10830.917762/201199 Resolução nº 3301000.551 S3C3T1 Fl. 4 3 Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Com isso, é obrigatória a observância da decisão proferida no RE nº 585.235/MG, nos termos do RICARF. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10830.917762/201199 Resolução nº 3301000.551 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, a Recorrente juntou documentos apenas em seu Recurso Voluntário DCTF, DIPJ e livro razão , justificando: Diante da plausibilidade da alegação da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pelo PIS sobre outras receitas (inclusive as financeiras). Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão, planilha e guia de pagamento; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas nãooperacionais e receitas financeiras (chamadas pela empresa de “receitas extraordinárias”), na base de cálculo do PIS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; c) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender necessários; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão, planilha e guia de pagamento; Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10830.917762/201199 Resolução nº 3301000.551 S3C3T1 Fl. 6 5 b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas nãooperacionais e receitas financeiras (chamadas pela empresa de “receitas extraordinárias”), na base de cálculo do PIS/COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; c) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender necessários; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 10315.000225/2010-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A TERCEIROS. ATIVIDADE INCLUÍDA ENTRE AQUELAS DE COMPETÊNCIA DOS AUDITORES FISCAIS.
A autoridade fiscal lançadora tem perfeita competência legal para imputar responsabilidade tributária a terceiros. Ela não só pode como deve identificar corretamente o sujeito passivo da obrigação tributária, tanto na condição de contribuinte, quanto na condição de responsável.
Numero da decisão: 9101-003.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A TERCEIROS. ATIVIDADE INCLUÍDA ENTRE AQUELAS DE COMPETÊNCIA DOS AUDITORES FISCAIS. A autoridade fiscal lançadora tem perfeita competência legal para imputar responsabilidade tributária a terceiros. Ela não só pode como deve identificar corretamente o sujeito passivo da obrigação tributária, tanto na condição de contribuinte, quanto na condição de responsável.
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ATIVIDADE INCLUÍDA ENTRE AQUELAS DE COMPETÊNCIA DOS AUDITORES FISCAIS. A autoridade fiscal lançadora tem perfeita competência legal para imputar responsabilidade tributária a terceiros. Ela não só pode como deve identificar corretamente o sujeito passivo da obrigação tributária, tanto na condição de contribuinte, quanto na condição de responsável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 02 25 /2 01 0- 56 Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10315.000225/201056 Acórdão n.º 9101003.577 CSRFT1 Fl. 3 2 Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 10315.000225/201056 Acórdão n.º 9101003.577 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto por Ronaldo Pinheiro dos Santos responsável tributário de G.C. Locadora de Veículos Ltda., Cícero Rômulo de Melo Alves e José Leite de Melo Filho, estes dois últimos arrolados no auto de infração como responsáveis solidários. O recurso está fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), e nele se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto às seguintes matérias: 1) Qualificação da multa de ofício; e 2) Improcedência da responsabilidade solidária. No exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso apenas em relação à matéria constante do item "2" acima indicado. Houve negativa de seguimento em relação à matéria tratada no item "1", conforme o despacho exarado em 15/04/2016 pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. E a negativa de seguimento de parte do recurso foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme o despacho de reexame de admissibilidade exarado em 18/04/2016. Os recorrentes insurgemse contra o Acórdão nº 180301.170, de 31/01/2012, por meio do qual a 3ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, entre outras questões, por unanimidade de votos, decidiu manter o vínculo de responsabilidade tributária para as pessoas acima mencionadas. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. EMPRESA BAIXADA. Passível de lançamento de ofício os créditos tributários apurados decorrentes de empresa baixada, créditos estes cuja existência não é infirmada por seguros elementos de convicção não se bastando simples alegações opondo dúvidas inexistentes ante o robusto quadro probatório constante dos autos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10315.000225/201056 Acórdão n.º 9101003.577 CSRFT1 Fl. 5 4 Admitese a apreciação das razões expendidas por sócios e administradores em termos de sujeição passiva solidária lavrados pelas autoridades fiscais, em nome da ampla defesa que rege o processo administrativo tributário. LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido em relação ao IRPJ aos lançamentos reflexos ou decorrentes de CSLL, PIS e COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer os recursos voluntários, vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes e no mérito, por unanimidade, negar provimento aos recursos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Os recorrentes afirmam que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima identificadas. Para a matéria admitida do recurso (responsabilidade tributária), foram apresentados os seguintes argumentos: no âmbito do processo administrativo compete às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) e ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) julgarem os processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários; partindo desta argumentação legal, estes órgãos de julgamento não são aptos a se manifestarem quanto à matéria referente à responsabilidade solidária, que é afeta ao órgão responsável por uma possível execução posterior dos valores discutidos nos autos. Ou seja, a qualificação dos responsáveis pelo crédito tributário é inerente aos procedimentos de cobrança e execução do débito, e não ao de controle de sua legalidade; deste modo, equivocase o nobre julgador de primeira instância quanto à competência deste Colegiado para o julgamento de Recursos apresentados a Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária, em consonância, com o artigo 31 do Decreto n° 70.235/1972 : [...]; conforme se observa do referido dispositivo, a competência deste CARF se limita ao julgamento de razões de defesa suscitadas contra decisões que tenham se manifestado a respeito de exigências constituídas em auto de infração ou notificação de lançamento; apesar de constar, também, dos autos de infração a indicação de responsável solidário, vale salientar que a responsabilidade pelo crédito tributário é matéria alheia à constituição do lançamento. Repito a exigência fiscal deve ser no sujeito passivo que no caso em concreto é pessoa jurídica, na condição de contribuinte; já a responsabilidade solidária deve ser avaliada numa contingente execução forçada do crédito; logo, não pode este Tribunal Administrativo, sem qualquer amparo legal, decidir acerca de matéria estranha à formalização do lançamento, atinente apenas a quem Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 10315.000225/201056 Acórdão n.º 9101003.577 CSRFT1 Fl. 6 5 caberia, na hipótese de manutenção final da exigência fiscal e de seu não pagamento pelo sujeito passivo autuado, se sujeitar â respectiva cobrança; neste sentido, vem corroborar com o nosso entendimento de que falece de competência tanto as DRJ's Delegacias da Receita Federal de Julgamento quanto o CARF conselho Administrativo de Recursos Fiscais na matéria referente à sujeição passiva, a declaração de voto do Ilustre Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, a qual adotamos e transcrevemos na sua íntegra: [...]; DA IMPROCEDÊNCIA DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. transcrevemos abaixo os acórdãos divergentes: N° Acórdão: 10196635 Decisão Por maioria de votos, CONHECER do recurso interposto pela pessoa arrolada como responsável solidário, para declarar a nulidade do ato de imputação de responsabilidade, por ser matéria de execução fiscal, de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional; vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Relator) e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho que enfrentavam o mérito dessa inclusão. Em primeira votação, por maioria de votos, foi afastada a tese de não conhecimento desses recursos, vencidos os Conselheiros Caio Marcos Cândido e Aloysio José Percinio da Silva. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. N° Acórdão: 10196739 Decisão Por maioria de votos, CONHECER dos recursos interpostos pelas pessoas arroladas como responsáveis solidários, para declarar a nulidade do ato de imputação de responsabilidade, por ser matéria de execução fiscal, de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional; vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho que enfrentavam o mérito dessa inclusão. Em primeira votação, por maioria de votos, foi afastada a tese de não conhecimento desses recursos, vencido o Conselheiro Caio Marcos Cândido (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior nessa parte. No que concerne às demais matérias, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir as penalidades ao valor mínimo por declaração, Ementa TERMO DE IMPUTAÇÃO DE SOLIDARIEDADE NULIDADE Compete exclusivamente à Procuradoria da Fazenda nacional, nos casos da Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 10315.000225/201056 Acórdão n.º 9101003.577 CSRFT1 Fl. 7 6 responsabilidade prevista nos artigos 128 a 138 do CTN, imputar a responsabilidade pelo crédito tributário a terceiro, no bojo da cobrança executiva. A imputação de responsabilidade efetuada pela fiscalização é nula por sua incompetência para praticar tal ato. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIPJ. A falta de entrega da DIPJ implica na aplicação de multa de ofício prevista no artigo 7o da Lei n° 10.426/2002, com nova redação dada pela Lei n° 11.051/2004. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIPJ BASE DE CÁLCULO. No caso de ausência da entrega da DIPJ, por não ser conhecido o valor do imposto de renda devido, a multa a ser aplicada é a multa mínima prevista no parágrafo 3° do artigo 7º da Lei n° 10.426/2002, com nova redação dada pela Lei n° 11.051/2004. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIPJ E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA DE APLICAÇÃO. É possível a aplicação concomitante das duas penalidades tendo em vista terem supedâneo em infrações e em dispositivos legais distintos. Duas infrações, duas penalidades. Recurso Voluntário Provido em Parte. com relação aos acórdãos paradigmas, está demonstrado que a Fiscalização não estava autorizada por qualquer dispositivo legal a imputar a sujeição passiva com responsabilidade solidária para os sócios; o sujeito passivo no presente caso é uma pessoa jurídica G.C LOCADORA DE VEÍCULOS LTDA., que de fato e de direito é o contribuinte tributário; o auto de infração jamais poderia ter sido lavrado em nome de Ronaldo Pinheiro dos Santos e nem poderia ter sido lavrado Termos de Responsabilidade Passiva Solidária em nome de José Leite de Melo Filho e nem em nome de Cícero Rômulo de Melo Alves; o senhor RONALDO PINHEIRO era sócio de direito da empresa, assim como o Senhor JOSÉ LEITE DE MELO FILHO, eles nunca omitiram tal informação, neste sentido o voto do relator fls. 1108 reproduz esta afirmação: [...]; o Sr. Cícero Rômulo de Melo Alves também já havia participado do quadro societário da referida empresa, portanto não vislumbramos qualquer motivo para que o auto de infração não fosse lançado na pessoa jurídica legalmente constituída; deste modo, entendemos, que também quanto à divergência em relação à sujeição passiva, o dissenso jurisprudencial estaria demonstrado; CONCLUSÃO. diante de todo o exposto, Senhor Presidente, peçolhe que conheça do recurso e no mérito lhe dê provimento para cancelar a exigência fiscal tanto das pessoas físicas envolvidas, quanto da pessoa jurídica em comento, pelas razões elencadas. Em 08/05/2017, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu em parte o recurso especial dos responsáveis tributários, e em 12/05/2017, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 10315.000225/201056 Acórdão n.º 9101003.577 CSRFT1 Fl. 8 7 tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativos aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005, decorrentes da constatação da omissão de receitas, e lavrados com multa de ofício qualificada em 150%, devido à ausência da escrituração obrigatória e extravio dos documentos fiscais, à continuidade da atividade econômica da empresa após a sua extinção formal, fechando contratos com o Município, emitindo notas fiscais e recebendo pagamentos de serviços prestados nesse período; e à circunstâncias das pessoas constantes do quadro societário indicarem a interposição fraudulenta de terceiros; a Terceira Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do CARF, por sua vez, em sede de análise dos recursos voluntários apresentados pelo contribuinte e pelos responsáveis solidários, decidiu por negar provimento aos recursos, nos termos da ementa a seguir transcrita: [...]; em face desta decisão, o contribuinte interpôs o recurso especial, apontando divergências jurisprudenciais relativas às seguintes matérias: (i) qualificação da multa de ofício e (ii) improcedência da responsabilidade solidária; o Despacho de admissibilidade recursal deu seguimento parcial ao feito, admitindo a configuração da divergência apenas em relação ao segundo item acima descrito; entretanto, a pretensão do contribuinte não merece prosperar, senão, vejamos; DOS FUNDAMENTOS PARA A MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO conforme se depreende dos autos, a empresa de cujas operações resultou o lançamento de ofício já se encontrava baixada, sendo que o lançamento foi efetuado contra o sócio administrador na qualidade de responsável tributário imputandose, ainda, aos demais sócios administradores a responsabilidade solidária pelos débitos apurados; com efeito, conforme se depreende do relatório fiscal (fls. 29/39), os diversos sócios de direito que figuraram no quadro societário da empresa, revelam evidente incompatibilidade de recursos e ínfima tradição comercial e trabalhista, sendo em parte desconhecidos de pessoas que operaram com a empresa, e que um dos sócios jamais foi localizado tendo seu CPF cadastrado e mantido na cidade de São Paulo/SP; tal quadro revela veementes indícios de interposição fraudulenta no quadro societário; a respeito da solidariedade passiva, o Acórdão ora recorrido acrescenta que: “No que tange ao Sr. CÍCERO RÔMULO DE MELO ALVES apresentando se ostensivamente como representante legal da empresa em processos licitatórios e firmando quitações em nome da empresa ao longo do ano calendário revelam íntima vinculação com a gestão empresarial. A estreita vinculação com a Sra. Nélia Maria Soares Cavalcante que figurou ao menos ostensivamente como gerente da empresa G.C. LOCADORA DE VEÍCULOS LTDA, firmando quitações e contratando veículos com terceiros, Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 10315.000225/201056 Acórdão n.º 9101003.577 CSRFT1 Fl. 9 8 também é revelador da vasta influência exercida no comando das operações pelo Sr. Cícero Rômulo de Melo Alves. Mais revelador ainda é o fato que conforme relato contido no Termo de Juntada de Documentos (fls. 916/917), os cartões de assinaturas fornecidos pela Caixa Econômica Federal (fls. 923/924) demonstram que tanto à época em que constavam como sócios da empresa os Srs. Ronaldo Pinheiro dos Santos e José Leite de Melo Filho, quanto à época em que os representantes legais da pessoa jurídica eram Cícero Nascimento de Oliveira e Fernando Gomes da Silva, todos períodos posteriores à retirada do Sr. Cícero Rômulo de Melo Alves da sociedade, este figura como procurador e gestor das contas correntes. Uma das procurações obtidas pela autoridade fiscal (fl. 948v) revela os amplos poderes de gestão que detinha o Sr. Cícero Rômulo de Melo Alves, sendo até certo ponto incompatíveis para uma empresa de tão pequeno porte e com nítido caráter pessoal de gestão, tenha atribuído poderes ilimitados a terceira pessoa que não fosse de seu próprio quadro societário. Destarte, exsurge dos autos quadro perfeitamente delineado do vasto poder de gestão mantido pelo Sr. Cícero Rômulo de Melo Alves na empresa G. C. LOCADORA DE VEÍCULOS LTDA, tornando irretocável o Termo de Sujeição Passiva (fls. 913/915), que atribui a responsabilidade solidária dos débitos apurados no lançamento de ofício. Assim tendo figurado e atuado parte formal e parte informalmente como gestor e administrador da empresa G. C. LOCADORA DE VEÍCULOS LTDA, é possível lhe ser atribuída a responsabilidade solidária e também pessoal pelos débitos apurados, nos termos dos artigos 134, VII, 135, I e 137 do Código Tributário Nacional.” reza o art. 135, inc. III do CTN, que: [...]; é da dicção do art. 135 do CTN que a solidariedade do diretor, gerente ou representante, pela dívida da sociedade, se manifestará, quando comprovado que, no exercício de sua administração, foram praticados atos contemplados pelo comando legal citado, porém com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; assim, para que haja a subsunção da norma do art. 135, inc. III do CTN, segundo o qual há responsabilidade solidária da empresa fiscalizada e do administrador, temos que perquirir a presença de dois elementos: (a) ser administrador e (b) ter cometido ato ilícito nessa posição; consoante relatado outrora e constatado no curso da ação fiscal instaurada para a apuração de crédito tributário devido pela empresa G. C. LOCADORA DE VEÍCULOS LTDA, a pessoa jurídica investigada encontravase na condição de inativa; em que pese o registro na Junta Comercial respectiva, na prática, o que se constatou é que a empresa continuava em franca atividade. Tal circunstância se comprova a partir da ampla movimentação financeira da empresa, colhida junto a instituições financeiras; Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 10315.000225/201056 Acórdão n.º 9101003.577 CSRFT1 Fl. 10 9 ademais, constatouse intensa atividade comercial praticada pela empresa nesse período, conforme registrado nas notas fiscais apreendidas pela fiscalização; vejam Srs. Conselheiros que, embora os responsáveis aleguem não ter havido a dissolução irregular, não há como ser levada em conta a sua argumentação; esta situação está a configurar a chamada dissolução irregular da empresa que, como é sabido, representa a hipótese em que uma empresa se torna inoperante sem que ocorra sua baixa nas repartições competentes, de forma a desaparecer sem indicar sua nova localização e sem comunicar a sua extinção a quem de direito; com efeito, para a extinção regular de uma pessoa jurídica é necessária a deliberação de seus sócios a respeito, em seguida a liquidação da empresa (com a realização do ativo, o pagamento do passivo e eventual distribuição, entre os sócios, do que restar) e, por fim, a efetiva extinção, com a baixa definitiva da pessoa jurídica nos órgãos responsáveis, e por “órgãos responsáveis” entendase também a Receita Federal do Brasil; assim, a circunstância da empresa dar continuidade a suas atividades comerciais mesmo após a baixa, pressupõe a dissolução irregular da empresa e constitui infração a autorizar a aplicação do dispositivo legal em questão ao caso concreto; nesse sentido, o teor da Súmula nº 435 do Superior Tribunal de Justiça, que prevê que “presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente”; em diversas ocasiões aquele Tribunal corrobora esse entendimento, como mostra o aresto a seguir: [...]; então, revelada a dissolução irregular da sociedade, há que ser determinada a responsabilidade solidária do sócio gerente, com base no art. 135 do CTN; tratando do tema, a Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes concluiu que: (...) RESPONSABILIDADE PESSOAL. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A dissolução irregular da empresa acarreta a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135 do CTN. Responsabilidade solidária. Respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas') que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias. (...) Acórdão nº 101 96.146. apesar de devidamente exposta a dissolução irregular da empresa, o que por si só já autorizaria a aplicação do art. 135, III, devese registrar que o sócio gerente cometeu, ainda, outras infrações que justificam a sua responsabilização; Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10315.000225/201056 Acórdão n.º 9101003.577 CSRFT1 Fl. 11 10 não bastasse tudo isso, a pessoa jurídica inicialmente fiscalizada não pagou os tributos federais devidos, registrou intensa movimentação bancária, firmou contratos com Prefeituras, tendo por objeto o aluguel de veículos, emitindo notas fiscais que serviram de base para o cálculo dos tributos devidos, o que mais uma vez demonstra que seu sócio agiu com excesso de poder e em afronta à legislação, devendo ser responsabilizado, com base no art. 135, III, segundo também já decidiu este Conselho: Acórdão nº 340300.527 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIOS E MANDATÁRIOS DA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE PESSOAL. EXISTÊNCIA DE DOLO. NECESSIDADE. A responsabilidade pessoal inserta no art. 135, III do Código Tributário Nacional exige a comprovação do caráter doloso da conduta daqueles agentes quando pratiquem atos com excesso de poder ou que infrinjam a lei, contrato social ou estatutos da pessoa jurídica, qualificandose como tal a prática recorrente de informar em declaração de apresentação obrigatória (DCTF) valores bem inferiores àqueles apurados e escriturados nos registros contábeis e fiscais. diante dessas evidências, não se está tratando aqui, por óbvio, de "mero inadimplemento". Ora, o crédito lançado pela fiscalização em auto de infração não é um crédito de "mero inadimplemento", visto que, se houve autuação é porque, segundo a administração fazendária federal, houve infração à lei, havendo, portanto, um ato ilícito do ponto de vista tributário e por esta razão, autorizada está a imputação de responsabilidade tributária do administrador da pessoa jurídica; o art. 135 trata de uma responsabilidade solidária. O elemento subjetivo é o dolo gênero, logo, envolve dolo ou culpa. Se o lançamento de ofício é feito com multa qualificada, como ocorreu no caso em apreço, ocorre a responsabilidade solidária de que trata o art. 135, em relação aos sócios administradores à época do fato gerador e os mandatários, prepostos e empregados; como já decidido pelo CARF, a infração à lei, a que se refere o art. 135 do CTN, não se resume à mera inadimplência, mas a todo um conjunto de procedimentos fraudulentos comprovados nos autos. A jurisprudência administrativa tem admitido a sujeição passiva dos administradores como responsáveis, quando demonstrado, como no presente caso, sua participação direta na prática das infrações: [...]; cumpre à Fazenda Nacional transcrever parte do PARECER PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009, que analisou a responsabilidade do art. 135 do CTN com muita propriedade: [...]; PEDIDO ante o exposto, requer a União seja negado provimento ao recurso especial manejado pelo contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma Ordinária a quo, nos quesitos objeto da presente insurgência. É o relatório. Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 10315.000225/201056 Acórdão n.º 9101003.577 CSRFT1 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para a constituição de crédito tributário a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005. A fim de evitar decadência, a exigência de PIS e COFINS com fatos geradores em 28/02/2005 foi formalizada em outros autos (processo n° 10315.000109/201037). A autuação fiscal está embasada em receitas que a empresa G. C. Locadora de Veículos Ltda. auferiu junto às prefeituras dos municípios de Santa Cruz/PE e Crato/CE, a partir de contratos de aluguel de veículos para a realização de transporte escolar. A ação fiscal foi iniciada em 13/01/2010, data em que a referida empresa já estava extinta, razão pela qual as comunicações necessárias para o procedimento de auditoria foram direcionadas a Ronaldo Pinheiro dos Santos (pessoa que constava como responsável pela pessoa jurídica). As exigências fiscais foram acompanhadas da multa qualificada de 150%. Em síntese, conforme consta do relatório fiscal, a qualificadora está embasada nas seguintes circunstâncias: 1. ausência da escrituração obrigatória e extravio dos documentos fiscais; 2. continuidade da atividade econômica da empresa após a sua extinção formal, fechando contratos com o Município de Crato/CE, emitindo notas fiscais e recebendo pagamentos de serviços prestados nesse período; e 3. circunstâncias das pessoas constantes do quadro societário, indicando a interposição fraudulenta de terceiros. Em razão da extinção da pessoa jurídica e das demais circunstâncias apuradas pela Fiscalização, conforme mencionado acima, o auto de infração foi lavrado em nome de Ronaldo Pinheiro dos Santos. Foram também lavrados Termos de Responsabilidade Passiva Solidária em nome de José Leite de Melo Filho, sócio de Ronaldo Pinheiro dos Santos, e em nome de Cícero Rômulo de Melo Alves, na condição de gerente de fato da empresa no período fiscalizado, uma vez que, após a sua retirada da sociedade empresária, teria continuado praticando atos em nome da empresa. A decisão de primeira instância administrativa julgou procedente o lançamento e também manteve a sujeição passiva dos envolvidos. E a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) seguiu esse mesmo caminho. Nessa fase de recurso especial, os recorrentes suscitaram divergência jurisprudencial em relação à qualificação da multa de ofício e à imputação de responsabilidade tributária. Entretanto, como já mencionado, o recurso só foi admitido na parte em que questiona a imputação de responsabilidade tributária. Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 10315.000225/201056 Acórdão n.º 9101003.577 CSRFT1 Fl. 13 12 Ainda em relação à admissibilidade, é oportuno registrar que Cícero Rômulo de Melo Alves apresentou uma petição individual adicional (recebida como complementação do recurso especial), alegando nulidades, de forma semelhante ao que fez na fase processual anterior, e que o despacho de exame de admissibilidade do recurso especial corretamente negou a subida de tais questões, argumentando, em síntese: que a divergência jurisprudencial se caracteriza quando os acórdãos recorrido e paradigma, em face de situações fáticas similares, conferem interpretações divergentes à legislação tributária; que o recurso especial não se presta para servir de 3ª instância de discussão; que o recurso especial é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos; e que esse não era o caso do requerimento adicional apresentado, porque ele não tratou de qualquer divergência jurisprudencial, razão pela qual a negativa em relação à sua admissibilidade não estava sujeita, sequer, ao reexame por parte do Presidente do CARF, ex vi do disposto no art. 68, § 3º, do Anexo II, do RICARF. Desse modo, a matéria a ser examinada no contexto do presente recurso especial é mesmo a imputação de responsabilidade tributária a terceiros. O Relatório Fiscal (fls. 29/39) é farto de informações que conjuntamente embasaram tanto a qualificação da multa quanto a responsabilização de terceiros, mas o escopo do presente recurso especial não é propriamente uma análise de mérito desse conjunto probatório, que levou os julgadores a manterem a qualificadora e a sujeição passiva dos envolvidos. O que está em questão no âmbito do presente recurso é a possibilidade jurídica de os Auditores Fiscais da Receita Federal imputarem já no ato de lançamento o vinculo de responsabilidade tributária a terceiros. O entendimento adotado pelo acórdão paradigma, e que embasou a admissibilidade do recurso em relação ao tema da responsabilidade tributária, é de que "compete exclusivamente à Procuradoria da Fazenda Nacional, nos casos da responsabilidade prevista nos artigos 128 a 138 do CTN, imputar a responsabilidade pelo crédito tributário a terceiro, no bojo da cobrança executiva". E esse é exatamente o ponto onde reside a divergência jurisprudencial, porque o acórdão recorrido não considerou indevida e nem ilegal a atuação da Autoridade Fiscal em relação à imputação de responsabilidade tributária a terceiros. É bastante equivocado o entendimento de que falta competência aos Auditores Fiscais da Receita Federal para imputar responsabilidade tributária a terceiros. De acordo com o art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, compete à autoridade fiscal “identificar o sujeito passivo”, dentre outras medidas próprias ao exercício da atividade de lançamento. O art. 121 do mesmo código, por sua vez, define os sujeitos passivos da obrigação tributária como sendo: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 10315.000225/201056 Acórdão n.º 9101003.577 CSRFT1 Fl. 14 13 Portanto, não há dúvidas de que a autoridade fiscal lançadora tem perfeita competência legal para imputar responsabilidade tributária a terceiros. Ela não só pode como deve identificar corretamente o sujeito passivo da obrigação tributária, tanto na condição de contribuinte, quanto na condição de responsável. Aliás, é justamente o exercício desta competência legal que garante aos responsáveis a possibilidade de exercício de direito de defesa na esfera administrativa, e que, posteriormente, possibilita a formação de título executivo contra eles. O que às vezes é motivo de crítica é a posição defendida pelos Recorrentes, ou seja, mover execução fiscal contra alguém que em nenhum momento foi chamado para compor o pólo passivo da obrigação tributária. Importante ressaltar que a jurisprudência administrativa no Brasil fez nos últimos tempos um grande aprofundamento nas questões envolvendo a identificação do sujeito passivo já no momento do lançamento fiscal. Antigamente, nem mesmo existia a figura do "Termo de Sujeição Passiva Solidária", e a fiscalização passou a adotar esse tipo de procedimento para que a execução judicial dos créditos lançados tivesse mais êxito. Os órgãos julgadores, por sua vez, relutavam em analisar as questões sobre responsabilidade tributária, entendendo que era assunto para o momento da execução fiscal (assunto próprio da PGFN), mas esse entendimento hoje em dia está totalmente superado. Tudo isso está diretamente relacionado à formação do título executivo fiscal contra alguém, e foram justamente as questões sobre esse tema que motivaram a referida evolução dos procedimentos fiscais e da jurisprudência administrativa. A matéria está tratada até em Súmula do CARF que, ao assegurar o direito amplo de impugnar e recorrer para os arrolados como responsáveis tributários (inclusive em relação ao próprio crédito tributário, e não apenas ao vínculo de responsabilidade), reconhece implicitamente a validade dos termos de sujeição passiva e a competência da autoridade fiscal para imputar o vínculo de responsabilidade tributária já no ato de lançamento: Súmula CARF nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Correto, portanto, o posicionamento adotado pelo acórdão recorrido. Desse modo, NEGO provimento ao recurso especial dos sujeitos passivos (responsáveis tributários) em relação à divergência sobre imputação de responsabilidade tributária. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10315.000225/201056 Acórdão n.º 9101003.577 CSRFT1 Fl. 15 14 Fl. 1282DF CARF MF
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