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Numero do processo: 11040.721456/2014-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DIRPF. ERRO DE FATO NÃO CARACTERIZADO. LANÇAMENTO QUE CONSIDEROU COMO OMITIDOS VALORES ERRONEAMENTE DECLARADOS.
Não houve demonstração pelo declarante da plausibilidade do engano que gerou o equívoco na declaração de ajuste a fim de caracterizar o erro de fato, tendo em vista que, em obediência ao princípio da verdade material, somente o erro de fato cabalmente demonstrado enseja à revisão da declaração pela autoridade julgadora.
Numero da decisão: 2201-003.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 DIRPF. ERRO DE FATO NÃO CARACTERIZADO. LANÇAMENTO QUE CONSIDEROU COMO OMITIDOS VALORES ERRONEAMENTE DECLARADOS. Não houve demonstração pelo declarante da plausibilidade do engano que gerou o equívoco na declaração de ajuste a fim de caracterizar o erro de fato, tendo em vista que, em obediência ao princípio da verdade material, somente o erro de fato cabalmente demonstrado enseja à revisão da declaração pela autoridade julgadora.
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ERRO DE FATO NÃO CARACTERIZADO. LANÇAMENTO QUE CONSIDEROU COMO OMITIDOS VALORES ERRONEAMENTE DECLARADOS. Não houve demonstração pelo declarante da plausibilidade do engano que gerou o equívoco na declaração de ajuste a fim de caracterizar o erro de fato, tendo em vista que, em obediência ao princípio da verdade material, somente o erro de fato cabalmente demonstrado enseja à revisão da declaração pela autoridade julgadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 14 56 /2 01 4- 61 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 31/03/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2011, anocalendário 2010, decorrente da omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 21.675,93 recebidos pela fonte pagadora Fundação Universidade de Brasília. Na apuração do imposto devido, foi compensado imposto de renda retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 332,88. Inconformada com a notificação apresentada, a contribuinte protocolizou impugnação, fl. 2 e 3, alegando o que segue: a) concorda com a infração de omissão de rendimentos da pessoa jurídica de CNPJ n.º 00.038.174/000143; b) houve declaração do rendimento de R$ 21.585,93 com CNPJ errado (87.934.675/000196 ao invés de 92.829.100/000143); c) houve declaração do imposto retido de R$ 446.81 com CNPJ errado (87.934.675/000196 ao invés de 92.829.100/000143); d) requer benefícios do Estatuto do Idoso (análise prioritária da impugnação); e) requer acolhimento da impugnação e cancelamento da exigência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, com as seguintes considerações: a) no tocante aos rendimentos auferidos da fonte pagadora Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul, CNPJ n.º 92.829.100/000143, no montante de R$ 21.585,93, inferese em consulta da Declaração de Ajuste apresentada que não possui razão o pleito do notificado quanto ao erro de preenchimento de CNPJ suscitado (87.934.678/000196 ao invés de 92.829.100/000143); b) os rendimentos informados em DIRPF totalizam R$ 28.281,37, montante diverso da informação constante em DIRF e no informe de rendimentos de fls. 27, e não corresponde também sequer ao somatório dos rendimentos tributáveis auferidos das fontes pagadoras distintas CNPJ n.º 92.829.100/000143 (R$ 21.585,93) e CNPJ n.º 87.934.675/000196 (R$ 1.657,44); c) os informes de rendimentos anexados pelo interessado às fls. 26/27 ratificam as DIRF´s constantes dos sistemas Fl. 85DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11040.721456/201461 Acórdão n.º 2201003.136 S2C2T1 Fl. 85 3 internos desta Secretaria e a omissão de rendimentos apurada pela autoridade lançadora; d) em obediência ao princípio da verdade material, somente o erro de fato cabalmente demonstrado pelo contribuinte enseja à revisão da declaração de ajuste pela autoridade julgadora. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, que recebeu os proventos do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul, CNPJ 92.829.100/000143, no valor de R$ 21.585,93 e não de R$ 28.281,37, conforme constou em sua declaração de imposto de renda, em razão do fato de a máquina estar carregada valores errados. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Insurgese o contribuinte apenas acerca da omissão dos proventos oriundos do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul, CNPJ 92.829.100/000143, os quais foram declarados no valor de R$ 28.281,37 e não no valor correto de R$ 21.585,93, bem como com equívoco no preenchimento do CNPJ (constou o CNPJ n.º 87.934.675/000196 de outra fonte pagadora), conforme informe de rendimentos, fl. 16, DIRPF, fl. 11 e DIRFs constantes dos sistemas internos da Receita, fl. 61. Com a análise da documentação apresentada, não se vislumbra erro de fato no preenchimento da declaração, pois foi corretamente informado pela fonte pagadora o valor dos rendimentos e o seu CNPJ, sendo que nem mesmo o somatório dos rendimentos tributáveis das duas fontes pagadoras perfazem o valor declarado. Ademais, apesar de o contribuinte sustentar que ocorreu o equívoco em razão de "a máquina estar carregada com outros valores", não houve prova, pois tal circunstância pode eventualmente ocorrer quando o contribuinte se aproveita das informações constantes das declarações dos anos anteriores, o que poderia ser facilmente demonstrado por meio de outras declarações ou outros comprovantes de rendimentos que especificassem o valor descrito. Assim, não houve demonstração pelo declarante da plausibilidade do engano que gerou o equívoco na declaração de ajuste a fim de caracterizar o erro de fato, encontrando se acertada a decisão de primeira instância, tendo em vista que, em obediência ao princípio da verdade material, somente o erro de fato cabalmente demonstrado enseja à revisão da declaração de ajuste pela autoridade julgadora. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 87DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13839.720069/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PORTADOR DE DOENÇA DE ALZHEIMER. PROVENTOS APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Estando comprovado que a doença de Alzheimer da qual o contribuinte padece ocasiona demência, reconhece-se estado de alienação mental apto a caracterizar a condição de portador de moléstia grave nos termos da legislação tributária.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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PROVENTOS APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Estando comprovado que a doença de Alzheimer da qual o contribuinte padece ocasiona demência, reconhecese estado de alienação mental apto a caracterizar a condição de portador de moléstia grave nos termos da legislação tributária. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 00 69 /2 01 2- 94 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fabio Piovesan Bozza Relatório Contra o contribuinte acima qualificado, foi lavrada Notificação de Lançamento em 28/11/2011 ( fls. 27/30), pois fora verificada omissão de rendimentos, no valor de R$ 200.927,72 da Fonte Pagadora São Paulo Previdência SPPREV. O enquadramento legal consta na notificação de lançamento à fl. 28. Irresignado, o contribuinte apresenta impugnação (fl. 02/03), alegando que os rendimentos são isentos por se tratarem de proventos de pensão, reforma ou aposentadoria de portador de moléstia grave. Junta documentos (fls. 9/15), dentre eles laudo Medico Pericial da Secretaria de Estado da Saúde. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, sob o fundamento abaixo transcrito: Em que pese o documento de fl.09 (Laudo Médico Pericial) ser emitido por um serviço médico oficial, não se verifica no mesmo a totalidade dos requisitos necessários (tema desenvolvido mais a frente) para a caracterização da condição de portador de moléstia grave do contribuinte neste ano calendário. O laudo foi emitido em 12 de abril de 2012 e não informa com precisão a data a partir da qual o contribuinte foi considerado portador da moléstia grave; falta esta que é suficiente para obstar o reconhecimento da condição de portador de moléstia grave do contribuinte neste ano calendário de 2007. Ademais, a doença alegada (“demência não especificada / doença deAlzheimer – CID F03/G30”) não está prevista no inciso XIV do art.6º da Lei nº7.713/88. A lista das doenças graves que consta na legislação reproduzida é exaustiva, sendo incabível estender o benefício para situações diversas daquelas ali estabelecidas. O contribuinte fora cientificado do Acordão nº 1641.094 21ª Turma da DRJ/SP1 em 13/11/12 (fl. 45). Sobreveio recurso voluntário em 05/12/12 ( fls. 47/51), acompanhado de documentos ( fls. 52/85). Em apertada síntese, reiterou que faz jus ao benefício da isenção por ser portador de moléstia grave e discorreu acerca das características da doença de Alzheimer, suscitando ser um dos tipos de alienação mental. Informou que nos exercícios de 2010 a 2012 obteve isenção do Imposto de Renda. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13839.720069/201294 Acórdão n.º 2301004.617 S2C3T1 Fl. 92 3 Aduziu que o Laudo Medico Pericial juntado à fl. 84 e o Relatório Médico de fl. 85, são complementares e "suficientes para a comprovação da terceira e última condição encartada na lei sobre a concessão do benefício de isenção do Imposto de Renda para portadores de doença grave, qual seja, a data da ocorrência da moléstia no ano de 2005". É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual merece ser conhecido. Alega o contribuinte ser portador, desde 2005, de Alzheimer (síndrome demencial CID F03/ G30), consoantes documentos coligidos aos autos em fl. 84 e 85. A turma de primeira instância manteve o lançamento por entender que a doença não está prevista no rol taxativo do inciso XIV do art. 6º da Lei 78.713/88 e porque o Laudo Médico Pericial juntado não informa a data de início da doença, uma vez que fora emitido em data posterior ao do exercício em comento. Sabese que para o deferimento do benefício pleiteado, o artigo 6º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu a concessão da isenção do IRPF nos seguintes casos: a) os valores recebidos serem de proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço; e b) ser portador de moléstia prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). Art. 1o O inciso XIV do art. 6o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei no 8.541, de 23 de dezembro de 1992, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Fl. 93DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 No tocante ao segundo requisito, a lei faz duas exigências: (i) que a moléstia da qual o contribuinte sofre seja uma daquelas previstas e (ii) que a comprovação seja feita por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município. Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle Assim sendo, cabe analisar se os documentos constantes dos autos são hábeis à comprovarem a condição do contribuinte, ou seja, se efetivamente os rendimentos percebidos são de aposentadoria, bem como a existência da moléstia alegada. No tocante ao primeiro requisito, verificase que o contribuinte nasceu no ano de 1932 (fl. 08). Logo, é razoável concluirse que os proventos em análise referemse a proventos de aposentadoria, pois o contribuinte contava com 76 anos de idade no exercício de 2009. Dessa forma, passese a análise do segundo requisito, qual seja, se o contribuinte é portador de moléstia grave, atestada através de Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fora apresentado pelo contribuinte no recurso voluntário, Laudo Médico Pericial (fl. 84), assinado pelo Dr. Mario Sergio C. Pupo CRM 27.155, emitido em 12/04/2011, no qual é informado que o contribuinte é portador de DEMÊNCIA NÃO ESPECIFICA / DOENÇA DE ALZHEIMER CID F03/ G30 e que vem sendo acompanhado pelo Dr. David Willians da Silva CRM 63380, desde 2007. No documento de fl. 85 Relatório Médico emitido pelo Dr. David W. Silva, consta declaração de que o contribuinte é portador da CID F03/G30 e que as primeiras queixas e sintomas iniciaram em 2005. Nesse contexto, cumpre esclarecer que, em que pese a doença de Alzheimer não esteja explicitamente descrita no rol das patologias abrangidas pela legislação para fruição do benefício da isenção, a CID informada pelos médicos corresponde a "Demência não especificada e Doença de Alzheimer", sendo que, conforme os Manuais de Perícias Médicas no âmbito do Poder Executivo Federal, são casos de alienação mental os estados de demência (Portaria Normativa Nº 1174/MD, de 06 de Setembro de 2006). PORTARIA NORMATIVA Nº 1174/MD, DE 06 DE SETEMBRO DE 2006 CAPÍTULO III DOENÇAS ESPECIFICADAS EM LEI Seção 1 Alienação Mental Fl. 94DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13839.720069/201294 Acórdão n.º 2301004.617 S2C3T1 Fl. 93 5 1. Conceituação 1.1. Conceituase como alienação mental todo caso de distúrbio mental ou neuromental grave e persistente, no qual, esgotados os meios habituais de tratamento, haja alteração completa ou considerável da personalidade, comprometendo gravemente os juízos de valor e realidade, destruindo a autodeterminação do pragmatismo e tornando o indivíduo total e permanentemente inválido para qualquer trabalho. ... 2.1. São necessariamente casos de alienação mental: a) estados de demência; ... A jurisprudência deste E. Conselho vem decidindo no sentido de que o estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de "moléstia grave" : Processo nº 10580.728485/201301 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.002 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2016 Matéria IRPF Recorrente MARIA DA GRAÇA AGUIAR PEREIRA PIMENTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 IRPF RESTITUIÇÃO MOLÉSTIA GRAVE ALIENAÇÃO ME TAL DOENÇA DE ALZHEIMER — O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de "moléstia grave" previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de pensão. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar Fl. 95DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Assim, pela leitura do Manual de Perícias Médicas, é forçoso reconhecer que o estado de demência causado pela doença de Alzheimer é uma espécie de alienação mental e, neste diapasão, estando a alienação mental no rol das moléstias elencadas no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, preenche o interessado a condição de portador de moléstia grave, fazendo jus ao benefício da isenção. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado Digitalmente) Relatora Alice Grecchi. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13807.721861/2014-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RECURSO DE OFÍCIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRF. APRESENTAÇÃO IRREGULAR. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que a contribuinte demonstrou não ter entregue a DIRF apresentada de forma extemporânea, bem como que dela constavam informações e valores não condizentes com a razoabilidade e realidade, deve-se julgar como improcedente a multa imposta.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2402-005.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ATRASO NA ENTREGA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARA MARTINS NEVES ALAMINO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 RECURSO DE OFÍCIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRF. APRESENTAÇÃO IRREGULAR. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que a contribuinte demonstrou não ter entregue a DIRF apresentada de forma extemporânea, bem como que dela constavam informações e valores não condizentes com a razoabilidade e realidade, devese julgar como improcedente a multa imposta. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 72 18 61 /2 01 4- 03 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 08/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 08/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13807.721861/201403 Acórdão n.º 2402005.086 S2C4T2 Fl. 247 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela Presidente da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de JaneiroRJO, em face de acórdão que entendeu por exonerar a contribuinte de multa aplicada por atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda Retido na FonteDIRF, exercício de 2013, anocalendário 2012, uma vez que a mesma foi entregue em 15/11/2013, quando o prazo final para tal providência vencia na data de 28/02/2013. A contribuinte impugnou o lançamento informando que não declarou a DIRF e também não sabe quem a tenha declarado, de modo que, em 09/05/2014 apresentou declaração retificadora, zerando os valores antes declarados. Ao analisar o lançamento, a DRJ entendeu por julgar improcedente a multa por entender que a contribuinte não possuía quaisquer condições financeiras de efetuar os pagamentos informados na DIRF entregue em atraso. Sem mais, fora interposto o recurso de ofício. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 08/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. MÉRITO Conforme já relatado, a DRJ entendeu que a DIRF apresentada pela contribuinte, sobretudo as informações nela contidas, não condizem com a realidade, já que a mesma é dependente de seu cônjuge, que aufere rendimentos anuais de R$ 140.000,00 (cento e quarenta mil reais) e não poderia ter efetuado pagamentos na ordem de mais de R$ 20.000.000.000,00 (vinte bilhões de reais). Os fundamentos para tal conclusão foram os seguintes: A interessada afirma que não apresentou a DIRF/2013 em 15/11/2013, que motivou o lançamento, o que pode ser concluído como verídico, uma vez que não foi identificado o IP que apresentou a DIRF como sendo da mesma, e, principalmente, a Declaração apresenta diversas inconsistências, como segue: . O valor dos rendimentos declarados como pagos pela pessoa física alcançam a quantia absurda de mais de 20 bilhões e duzentos milhões de reais, sendo 20 bilhões de juros e comissões em geral; . Os valores do IRRF encontramse equivocados, uma vez que o rendimento de 20 bilhões não teve valor retido e o rendimento de 223 milhões teve como imposto retido um valor 154 (cento e cinquenta e quatro) vezes maior que o rendimento, alcançando a cifra de mais de 34 bilhões; . Não tem qualquer coerência imaginar que uma pessoa física possa ter distribuído rendimentos a título de “prêmios obtidos em concursos e sorteios”, quão menos no montante superior a duzentos milhões; . O beneficiário dos rendimentos seria o Sr Jonathan Willians Rodrigues Lima, CPF nº 430.484.81869, cuja DIRPF/2013 apresenta diversas inconsistências, mas não consta quaisquer valores de retenção na fonte, quão menos pela interessada. [...] Destaquese que, visando a regularização, a interessada apresentou DIRF retificadora em 09/05/2014, recibo nº 31.66.77.63.6108, zerando os valores (fl. 06/07), que foi devidamente aceita, tendo pedido formalmente o cancelamento da DIRF apresentada irregularmente (fl. 03). Fl. 51DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 08/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13807.721861/201403 Acórdão n.º 2402005.086 S2C4T2 Fl. 248 5 Diante de tais fatos, creio não subsistirem dúvidas da impossibilidade da exigência da multa, uma vez que tais dados nos demonstram, de forma patente, que não existiram os pagamentos noticiados na DIRF apresentada de forma extemporânea. Por fim, também entendo pela necessidade de que seja considerada como tempestiva a impugnação apresentada pela contribuinte, diante da certidão de fls. 25, em face da impossibilidade da Receita Federal em determinar qual fora a data de cientificação da contribuinte acerca da exigência em comento. Assim, tenho que bem decidiu a questão o v. acórdão recorrido, Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 08/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 16682.906949/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1315; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.906949/201275 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.367 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de janeiro de 2016 Assunto IRPJ Recorrente Telemar Norte Leste SA Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 06 94 9/ 20 12 -7 5 Fl. 6255DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.367 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso, fls. 11361141: O presente processo versa sobre os seguintes PER/Dcomp: ∙ 37117.76052.240708.1.7.024477 ∙ 01392.42882.240708.1.7.028528 ∙ 27960.52280.181108.1.3.027866 ∙ 22477.99164.200810.1.3.023668 ∙ 06679.39750.030512.1.7.023069 ∙ 09021.68130.030512.1.7.020801 ∙ 35172.34088.030512.1.7.028932 ∙ 28922.66818.030512.1.7.020401 Segundo o que consta na Dcomp 37117.76052.240708.1.7.024477, o crédito no valor de R$ 129.683.138,37 (fl. 1066), se refere ao Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2007. No Despacho Decisório (fl. 57), consta o indeferimento dos PER/DCOMP, sob alegação de que não há saldo negativo de IRPJ, conforme especificado a seguir: ∙ Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 129.683.138,52 ∙ Valor na DIPJ: R$ 129.683.138,37 ∙ Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 516.419.214,41 ∙ IRPJ devido: R$ 386.736.076,04 ∙ Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 ∙ Retenções na Fonte declaradas: R$ 67.317.261,52. ∙ Retenções na Fonte confirmadas: R$ 10.547.568,60. ∙ Pagamentos declarados: R$ 104.825.098,75. ∙ Pagamentos confirmados: R$ 84.914.339,50. ∙ Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 172.142.360,27. ∙ Somatório das parcelas de composição do crédito confirmadas: R$ 95.461.908,10. No documento intitulado “Análise de Crédito” (fl. 58 a 60) constam as parcelas não confirmadas: A interessada se insurgiu, em 19/02/2013, contra o disposto no Despacho Decisório, do qual tomou ciência em 16/01/2013 (fl. 1109), através de manifestação de inconformidade (fl. 9 a 23), apresentando os argumentos que se seguem: ∙ NULIDADE. Deficiência na fundamentação. Fl. 6256DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.367 S1C4T1 Fl. 4 3 ∙ Mediante mero cruzamento de dados e sem qualquer informação adicional, o Fisco glosou as estimativas pagas mediante DARF e as parcelas de IRRF. ∙ O Despacho Decisório glosou apenas as seguintes parcelas: (i) IRRF no valor de R$ 56.769.692,92 e (ii) DARF no valor de R$19.910.759,25. O IRPJ devido alcançava R$ 386.736.076,04, e a soma das parcelas utilizadas para a composição do crédito na DIPJ montavam R$ 516.419.214,41. A diferença entre o IRPJ devido e a soma das parcelas utilizadas para a composição do crédito corresponde justamente ao saldo negativo registrado em DIPJ (R$ 386.736.076,04 R$ 516.419.214,41 = R$ 129.683.138,52). ∙ Ocorre que o despacho decisório não analisou a totalidade das parcelas utilizadas para a composição do crédito na DIPJ, mas tão somente o IRRF e parte das estimativas pagas. ∙ Somandose as parcelas glosadas (IRRF e estimativa mensal de setembro/2007) ao saldo negativo registrado na DIPJ, encontrase um saldo negativo disponível, após a análise da DEMAC, no valor de R$ 53.002.686,20. () Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ:R$ 516.419.214,41 (+) Glosa Estimativa 09/2007 R$ 19.910.759,25 (=) Saldo Negativo Disponível R$ 53.002.686,20 ∙ Percebese, portanto, que há clara deficiência na fundamentação do despacho decisório, pois, apesar de glosar apenas parte dos valores que compõem o saldo negativo, se recusou a reconhecer a parcela de crédito para a qual não apresentou nenhuma objeção. Não há liame lógico entre os fundamentos da decisão e a decisão propriamente dita, denotando a ausência de motivação válida. ∙ O lançamento, bem assim as manifestações fiscais, tais como as decisões em processos de restituição e compensação, são atos administrativos plenamente vinculados (arts. 3º e 142 do CTN), devendo estar revestidos dos seguintes requisitos que o informam: competência, finalidade, forma, motivo e objeto. ∙ Se o ato administrativo encontrase fundamentado em motivos incongruentes, tal como no presente caso, não pode a Administração Pública gozar de seus privilégios e o defeito estrutural do ato estará constituído, levando à sua inevitável nulidade. ∙ De outra feita, o contribuinte terá seu direito de defesa prejudicado, pois não pode impugnar despacho decisório que não traz fundamento para rejeitar seu direito creditório. A conclusão inexorável é pela nulidade do ato. ∙ Da indevida glosa do pagamento da estimativa mensal de setembro/2007 na composição do saldo negativo. Mero erro no preenchimento do PER/DCOMP. ∙ Houve um claro erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois o valor total do DARF não era de R$ 4.205.499.321,00. Na DCTF do período, apontou estimativa a pagar no valor de R$ 42.084.993,21, tendo indicado como pagamento DARF (doc. n° 06) no mesmo valor. Fl. 6257DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.367 S1C4T1 Fl. 5 4 ∙ Tratase de mero erro material no preenchimento da PER/DCOMP, sendo certo que o referido erro sequer alterou o saldo negativo do período pleiteado pela empresa. O mero erro no preenchimento do PER/DCOMP, devidamente esclarecido, não pode ser considerado óbice ao reconhecimento do direito. ∙ Deve ser cancelada a glosa de R$ 19.910.759,25 que tem como origem o pagamento de estimativa mensal de setembro/2007. ∙ Da comprovação das retenções sofridas em 2007. ∙ A DEMAC deveria ter tomado como parâmetro todas as DIRF que indicam a Requerente (incluindo suas filiais) como beneficiária das retenções, sem limitação aos CNPJ das fontes pagadoras indicadas no PER/DCOMP ou na DIPJ. ∙ A Requerente buscou junto aos sistemas informatizados da Receita Federal as DIRF transmitidas no anocalendário 2007 em que o CNPJ da matriz e filial da empresa constam como beneficiário das retenções (doc. n° 07). ∙ A Requerente colocou em planilha as informações do extrato DIRF e verificou a existência de milhares de lançamentos de retenções conforme tabela anexa (doc. n° 08). ∙ Do IR retido por órgãos públicos (código 6190). Grande parte das retenções glosadas foi realizada por entidades vinculadas ao Poder Público, como o Exército, o Banco do Brasil, o SERPRO, a Petrobrás, o próprio Ministério da Fazenda. ∙ A Requerente tem grandes dificuldades em obter todos os informes de rendimento até a data de entrega da DIPJ ou da transmissão do PER/DCOMP, o que acabou fazendo com que a empresa indicasse o CNPJ equivocado da fonte pagadora no PER/DCOMP. ∙ Apenas para as retenções sofridas por órgãos públicos (código 6190), foi encontrado um IRRF passível de utilização, na composição do saldo negativo, no montante de R$ 28.632.822,79 (doc. n° 08). ∙ Do IR retido por instituições financeiras (códigos 3426 e 6800). Outra parcela expressiva do IRRF glosado da Requerente se refere a retenções realizadas por instituições financeiras no momento da liquidação de aplicações de renda fixa e resgate de fundos de investimento. Ocorre que, não raramente, as instituições financeiras alteram o CNPJ da fonte pagadora do rendimento decorrente da aplicação financeira, o que causa divergências entre o CNPJ declarado na DIPJ ou PER/DCOMP e a DIRF. ∙ Para as retenções sofridas na liquidação de Aplicações Financeiras de Renda Fixa (código 3426), foi encontrado um IRRF passível de utilização na composição do saldo negativo no montante de R$ 19.404.185,28. No resgate de Fundos de Investimento (código 6800), foi encontrado um IRRF passível de utilização na composição do saldo negativo no montante de R$ 11.527.405,65. ∙ Necessidade de reconhecer o IRRF comprovado em DIRF. As retenções nos códigos de receita 6190, 6800 e 3426, comprovadas nas Fl. 6258DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.367 S1C4T1 Fl. 6 5 DIRF em anexo, alcançam o montante de R$ 59.564.413,72. Já as DIRF referentes a todos outros códigos somados alcançam R$ 5.170.802,20. ∙ A Requerente comprova, mediante documentos emitidos pela própria Receita Federal, um montante de, ao menos, R$ 64.735.215,92. ∙ Ocorre que o despacho decisório reconheceu retenções de apenas R$ 10.547.568,70. ∙ As DIRF trazidas aos autos são prova da existência das retenções nelas indicadas. ∙ O fato de algumas retenções sofridas terem sido informadas, na DIPJ ou no PER/DCOMP, com o CNPJ errado das fontes pagadoras, ou mesmo com o valor incorreto do IRRF, não impede o direito ao crédito do imposto retido. ∙ Afinal, o que importa é apurar a existência ou não de efetivas retenções contra a Requerente, pois elas, independentemente do correto registro nas declarações fiscais, representam reais antecipações de IRPJ sofridas pela empresa, e por isso devem compor o saldo negativo. ∙ Com efeito, a busca da verdade material impõe a consideração de todas as parcelas que compõem o crédito do contribuinte e possam ser comprovadas, ainda que, por equívoco do contribuinte, tenham sido informadas com o CNPJ incorreto, pois, como já dito, eventual erro no preenchimento de declaração fiscal não pode se sobrepor à realidade dos fatos. Assim, o despacho decisório deve ser reformado também neste ponto para reconhecer o IRRF no montante de R$ 64.735.215,92. ∙ Da Decadência do Direito do Fisco de Revisar a Apuração do Saldo Negativo do Anocalendário de 2007 ∙ Em vista do que consta na documentação fiscal da Recorrente, não poderia o Fisco, em 2013 (data da ciência do despacho decisório), pretender reapurar o saldo negativo do período, questionando a veracidade das retenções informadas. ∙ O Fisco teve o prazo de cinco anos contados do fato gerador para atestar a regularidade dos procedimentos levados a efeito pelo requerente, uma vez que o saldo negativo do anocalendário de 2007 não foi informado por ocasião da transmissão do pedido de restituição. ∙ Tal conduta (a de questionar a validade de fatos já atingidos pelo prazo decadencial) é absolutamente vedada, uma vez que se trata de período já abrangido pela decadência, ou seja, de situação jurídica já consolidada e que não pode mais ser alterada ou desconsiderada. ∙ Os créditos fiscais decorrem de saldo negativo de IRPJ, ano calendário 2007, tributo submetido ao lançamento por homologação, cujo prazo decadencial é previsto no art. 150, § 4º do CTN. Ocorrido o fato gerador do tributo em 31.12.2007, o termo final do prazo decadencial de que dispõe o Fisco para rever a apuração do contribuinte findou em 31.12.2012. A Requerente tomou ciência do despacho decisório apenas em 2013. Fl. 6259DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.367 S1C4T1 Fl. 7 6 ∙ Transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, sem que a autoridade fiscal tenha contestado, via lançamento de ofício, a apuração do IRPJ de 2007, considerase homologado o lançamento e operase a extinção do crédito tributário. ∙ Da extinção do crédito tributário pela homologação, por sua vez, inferese a certeza e exatidão da apuração feita pelo contribuinte, pois se reconhece, ainda que por ficção, que o todo o tributo devido no período foi pago.Nos termos da legislação, o contribuinte apresenta declarações fiscais, nas quais informa o resultado fiscal do período. Nestas, são demonstradas todas as receitas, exclusões e deduções, que levaram à apuração do imposto devido pela empresa. ∙ Tal declaração é apresentada justamente para permitir que o Fisco conheça resultados da empresa. Caso desconfie que há recolhimento a menor, deverá o Fisco efetuar a fiscalização do contribuinte. ∙ A Fiscalização somente poderá questionar os resultados apresentados nas declarações fiscais do contribuinte dentro do prazo de que dispõe para a constituição do crédito tributário. Afinal, se já não mais é permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser revista à declaração fiscal do contribuinte. ∙ Tal qual a homologação tácita do pagamento antecipado do crédito tributário os resultados lançados pelo contribuinte em sua declaração também se tornam imutáveis com o decurso do prazo decadencial para lançamento do tributo. Para isto, aliás, existe o instituto da decadência. ∙ O Fisco mantevese silente durante o prazo no qual poderia refazer a apuração do saldo negativo em apreço. Logo, não pode agora pretender justificar o indeferimento da compensação com base em supostas divergências entre os valores de retenção declarados pela empresa em suas declarações fiscais e as DIRF das fontes pagadoras, ou glosando as estimativas mensais compensadas. ∙ O crédito da Requerente apurado em sua DIPJ do anocalendário de 2007 representa uma situação jurídica consolidada, impassível de desconstituição pelo Fisco, em razão de preclusão temporal. ∙ Requer a homologação das compensações. A 15ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, deu provimento parcial à manifestação de inconformidade, para: a) reconhecer, em favor da Interessada, um direito creditório no valor de R$ 48.143.850,32; e b) homologar as compensações por ela declaradas até o limite do referido crédito. O Acórdão nº 12066.910, de 11/06/2014, recebeu a seguinte ementa, fls. 1134: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2013 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade do despacho decisório, por suposta deficiência de fundamentação, quando a descrição dos fatos nele contida e a própria manifestação de inconformidade evidenciam que o Fl. 6260DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.367 S1C4T1 Fl. 8 7 contribuinte compreendeu perfeitamente as razões do indeferimento do seu pleito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 VERIFICAÇÃO DE SALDOS CREDORES DE PERÍODOS ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. O prazo decadencial a que se refere o art. 150, § 4º, do CTN, diz respeito à extinção do direito do Fisco de constituir o crédito tributário, não impedindo a autoridade fiscal, todavia, de apurar a veracidade de eventuais saldos credores pleiteados pelo contribuinte relativos a tais períodos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RETENÇÕES NA FONTE NÃO COMPROVADAS. Não tendo o contribuinte apresentado comprovantes das retenções informadas, prevalecem os valores informados nas Dirfs das fontes pagadoras SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS. Comprovado o recolhimento da estimativa, cumpre afastar a glosa, a fim de computar o montante pago no cálculo do saldo a pagar ou a restituir. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Compulsando o voto condutor da decisão de piso, contatase que o crédito de R$ 48.143.850,32 a título de saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário foi minuciosamente apurado, com base em pesquisas no sistema SIEF. Constatouse, outrossim, um erro no preenchimento das Dcomp, que levou ao reconhecimento de um pagamento de estimativa em setembro de 2007, no montante de R$ 42.084.993,21. Cientificada do Acórdão em 14/11/2014 (fls. 1217), a contribuinte, em 01/12/2014, interpôs o recurso voluntário de fls. 12201240, sustentando que a decisão recorrida deve ser retificada, pelas seguintes razões: a) Uma vez comprovada por documento emitido pela própria Receita Federal a ocorrência de retenções na fonte, tais valores devem compor o saldo negativo; b) Eventuais erros no preenchimento do PER/DCOMP quanto à indicação da fonte pagadora podem ser sanados pela autoridade julgadora, conforme jurisprudência do CARF; c) É vedado ao Fisco, em 2013 (ano em que a Requerente tomou ciência do despacho decisório), pretender reapurar o saldo negativo do ano 2007, em razão do decurso do prazo decadencial (art. 150, § 4º, do CTN). A recorrente também anexou laudo pericial realizado pela empresa de consultoria Ernst & Young, com o intuito de comprovar que as receitas que geraram o IRRF glosado e as receitas declaradas são totalmente compatíveis, o que autoriza a presunção de que tais receitas foram oferecidas à tributação. É o relatório. Fl. 6261DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.367 S1C4T1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Inicialmente apresentei meu voto, bastante extenso, negando provimento ao recurso voluntário. No entanto, durante os debates, sensibilizeime com os argumentos apresentados pelos meus pares, particularmente em relação ao laudo pericial realizado pela empresa de consultoria Ernst & Young, com o intuito de comprovar que as receitas que geraram o IRRF glosado e as receitas declaradas são totalmente compatíveis. Assim, proponho a conversão do presente julgamento em diligência, para que a autoridade competente da unidade de origem se manifeste sobre o retrocitado laudo pericial. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de baixar o presente feito em diligência, solicitando que a unidade de origem analise e se pronuncie sobre o laudo pericial realizado pela consultoria Ernst & Young. Após as devidas análises, deve a autoridade diligenciante elaborar um parecer conclusivo, dando ciência à contribuinte para, se desejar, manifestarse no prazo de 10 dias. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 6262DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10580.720558/2009-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Numero da decisão: 9202-004.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo devido de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo devido de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 05 58 /2 00 9- 21 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720558/200921 Acórdão n.º 9202004.210 CSRFT2 Fl. 263 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo devido de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 280202.907, prolatado pela 2a Turma Especial da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 15 de maio de 2014 (efls. 143 a 153). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário de forma a se excluir a multa de ofício do lançamento, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720558/200921 Acórdão n.º 9202004.210 CSRFT2 Fl. 264 3 IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429∕SP. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso voluntário provido em parte. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720558/200921 Acórdão n.º 9202004.210 CSRFT2 Fl. 265 4 Decisão: por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. Enviados os autos ao contribuinte para fins de ciência do decisum, ciência esta ocorrida em 23/07/2014 (efls. 158), o autuado apresentou, em 29/07/2014 (efl. 160) Recurso Especial, com fulcro nos arts. 64, II e 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 160 a 188 e anexos). Após caracterizar o prequestionamento das matérias objeto de recurso, o recorrente alega, no pleito: a) Que os julgadores a quo, ao desconsiderar o teor de Lei Estadual para fins de definição ou não da incidência do IRPF sobre as verbas em análise, a tendo considerado incompatível com dispositivo constitucional, teriam violado o art. 62 do Regimento Interno deste Conselho e a Súmula CARF no. 02, estabelecida aqui divergência em relação ao decidido no âmbito do Acórdão 101 94.876, da 1a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes; b) O lançamento, uma vez que realizado através da reconstituição de bases anuais e não mensais, apresentaria "erro na construção" e, assim, ao não se anular o crédito tributário em questão, teria se estabelecido posicionamento divergente em relação ao Acórdão 19200.015, de lavra da 2a. Turma Especial do 1o. Conselho de Contribuintes; c) Ressalta terem decorrido os pagamentos sob análise de ações ordinárias que findaram desfavoráveis à Fazenda Pública baiana, que foram quitados com receita originária do Estado da Bahia e retoma uma vez mais o argumento, já exaustivamente descrito em sede de impugnação e Recurso Voluntário, no sentido de entender não ser legítima a exigência pela Receita Federal do Brasil do Tributo em questão. Utiliza, ainda, do mesmo item para alegar divergência interpretativa em relação ao Acórdão CARF 2.10201.746; d) Defende como incabível a incidência de IR sobre os juros recebidos, tendo em vista entender que as verbas principais tem natureza indenizatória, colacionando diversos julgados do STF e STJ que suportariam sua pretensão de não incidência, pugnando pela observância do art. 62A do Regimento Interno deste CARF então em vigor e concluindo pela existência de divergência em relação ao decidido no Acórdão CARF 280101.716; e) Encerra seu recurso com nova defesa do argumento de ilegitimidade ativa da União para cobrança do tributo sob análise, sem indicação de paradigmas. Resumidamente, destarte, requer que o recurso seja conhecido e provido. para que seja declarado totalmente improcedente o lançamento, seja pela forma equivocada de sua constituição, seja pela natureza indenizatória da parcela em exame, que foi expressamente prevista por lei estadual plenamente válida e eficaz. O recurso foi parcialmente admitido pelos despachos de efls. 231 a 240, exclusivamente quanto à matéria tratada no item "c", supra, no pleito de "diferenças remuneratórias de URV". Foram encaminhados os autos ao autuado, para fins de ciência dos despachos de admissibilidade recursal, ocorrida em 18/03/2015 (efl. 243). Fl. 267DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720558/200921 Acórdão n.º 9202004.210 CSRFT2 Fl. 266 5 Posteriormente, quando encaminhados os autos à PGFN em 16/06/2015, esta apresenta contrarrazões tempestivas, datadas de 13/10/2015 (efls. 246 a 259), onde: a) Inicialmente, pugna pelo não conhecimento do Recurso, uma vez que quando do cotejamento analítico para fins de demonstração de controvérsia pelo recorrente, o trecho reproduzido pelo autuado não espelha o entendimento do acórdão recorrido, mas tão somente resume o cerne da controvérsia. Logo, como o recorrente não logrou êxito em demonstrar a diversidade das teses jurídicas contrapostas, não ficou comprovada a divergência jurisprudencial suscitada; b) Defende que as diferenças objeto de tributação em questão tinham natureza salarial, estando assim sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda e, somente nas situações excepcionalmente elencadas nas Leis nºs 9.665/98 e 10.477/2002, conforme Resolução º 245/2002 do STF, encampada pelo Ministro da Fazenda por meio do Parecer PGFN nº 923/2003, é que a incidência de IRPF deve ser afastada; c) A interpretação de regra isentiva deve ser literal e a isenção é exceção feita expressamente à regra jurídica de tributação e deve ser veiculada por meio de lei; d) No que se refere à Resolução STF nº 245/2002 cabe observar, que a mesma restringese ao abono variável aplicável aos membros da Magistratura da União. Esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda. Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na referida Lei Estadual que criou a isenção. Nesta seara, atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável das Leis n°s 10.477/2002 e 9.655/98 seria alargar as fronteiras da nãoincidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto, elastecendose a concessão de uma isenção por analogia, diante da inexistência de previsão legal, o que não se pode permitir; Requer, assim, a Fazenda Nacional que seja mantido o inteiro teor do recorrido, com o não provimento do Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, prequestionamento, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço quanto às matérias para as quais se deu seguimento. Em que pese a tese da Fazenda Nacional apresentada em sede de contrarrazões, também reconheço a existência de divergência interpretativa para a matéria admitida, mais especificamente entre o recorrido e o Acórdão CARF no. 2.102001.746. Passandose à análise de mérito, a matéria sob litígio será abordada através de itens que enfrentam de forma integral, os argumentos dispendidos pela recorrente: Fl. 268DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720558/200921 Acórdão n.º 9202004.210 CSRFT2 Fl. 267 6 Reitero aqui considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Estadual n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da referida Lei: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verifica se sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720558/200921 Acórdão n.º 9202004.210 CSRFT2 Fl. 268 7 A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Tribunal de Justiça da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração à efl. 07. b) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720558/200921 Acórdão n.º 9202004.210 CSRFT2 Fl. 269 8 “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim Fl. 271DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720558/200921 Acórdão n.º 9202004.210 CSRFT2 Fl. 270 9 pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais de efl. 07 que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. c) Quanto aos efeitos do decidido no âmbito do RE 614.406/RS ao feito Reitero, também aqui, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória perceptível quando do servidor na ativa. Todavia, reconhecese aqui que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720558/200921 Acórdão n.º 9202004.210 CSRFT2 Fl. 271 10 Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 07, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Feita tal digressão, verifico que, no caso em questão, a autoridade fiscal optou por tributar os valores com base nas tabelas vigentes nos meses foram recebidos regime de caixa (o recebimento se deu em 36 parcelas mensais, durante os anoscalendário de 2004 a 2006, tendo a autoridade fiscal utilizado a alíquota de 27,5% para todos os anos, consoante e fls. 8 a 10) e não consoante a tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (os rendimentos percebidos a menor referemse aos períodos de abril de 1994 a agosto de 2001) . Chegouse a propor, em sede de julgamento de impugnação, diligência fiscal de forma a se propor a adequação do lançamento a tal sistemática (então referendada pelo Parecer PGFN/CRJ no. 287, de 2009), mas tal diligência não se concretizou pela revogação dos efeitos do referido Parecer (vide efl. 61). Acerca das tabelas progressivas/alíquotas aplicáveis aos meses de referência, de se consultar o resumo que se segue: Fl. 273DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720558/200921 Acórdão n.º 9202004.210 CSRFT2 Fl. 272 11 Assim, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial do Contribuinte, para que seja promovida a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, vedada a reformatio in pejus. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 274DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 11684.001119/2010-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/11/2010
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.682
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/11/2010 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 00 11 19 /2 01 0- 54 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 9303003.682 CSRF‐T3 Fl. 258 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.821. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 258DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 9303003.682 CSRF‐T3 Fl. 259 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 259DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 9303003.682 CSRF‐T3 Fl. 260 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 9303003.682 CSRF‐T3 Fl. 261 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 9303003.682 CSRF‐T3 Fl. 262 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 9303003.682 CSRF‐T3 Fl. 263 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 9303003.682 CSRF‐T3 Fl. 264 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 9303003.682 CSRF‐T3 Fl. 265 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 9303003.682 CSRF‐T3 Fl. 266 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 266DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 9303003.682 CSRF‐T3 Fl. 267 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 267DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 9303003.682 CSRF‐T3 Fl. 268 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 268DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001446/2004-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PAES. ADESÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA CORRELAÇÃO ENTRE OS DÉBITOS CONFESSADOS E OS EXIGIDOS DE OFíCIO.
Não prospera a alegação de que os débitos exigidos em auto de infração são os mesmos que constam em instrumento de confissão de dívida, declarados no âmbito do PAES, se inexiste elemento comprobatório da correlação entre os valores supostamente confessados e os constantes da autuação.
ARBITRAMENTO DO LUCRO COM BASE EM INFORMAÇÃO PRESTADA À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ESTADUAL. Se o sujeito passivo não observou o dever de conservar os livros da escrita comercial
e fiscal, ou deixou exibi-los ao exame da autoridade fazendária da União, após intimação regular, é legítimo o arbitramento do lucro a partir da receita informada pela recorrente à Administração Tributária Estadual ou Municipal, mediante os instrumentos criados pela legislação do respectivo ente político, no exercício de sua competência.
ARBITRAMENTO DE LUCRO COM BASE EM RECEITA OMITIDA. É válido o arbitramento de lucros a partir das receitas omitidas coligidas
mediante provas diretas, apuradas em diligência que visou ao
conhecimento da realidade tributável, para superar a dificuldade criada com o descumprimento do dever de submeter os livros da escrita comercial e fiscal ao exame da autoridade fiscal competente.
MULTA. CONFISCO - A multa constitui penalidade, não se revestindo
das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição da República. MULTA DE OFíCIG. Perfeita a punição aplicada, consoante a infração vislumbrada pelo Fisco, quando, do ângulo estritamente objetivo, ocorreu a situação que enseja a sanção prevista no 44, I, da Lei nO9.430/96, conforme as provas colhidas: insuficiência de pagamento, em decorrência da omissão de receitas, sem a imputação de prática dolosa.
MULTA. APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE 2% DO ARTIGO 52, 9 1°, DO CDC, COM A REDAÇÃO DA LEI N° 9.298, DE 1996 IMPOSSIBILIDADE. O Direito Tributário é autônomo em relação aos demais ramos do Direito, motivo por que as normas punitivas veiculadas na legislação que lhe é própria afasta qualquer outra que lhe seja estranha, a exemplo daquela que prevê a sanção de 2%, no máximo, aplicáveis aos casos de inadimplência, nas relações de consumo.
JUROS DE MORA - TAXA SELIC - É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de juros de mora incidentes sobre débitos tributários não pagos no vencimento, diante da existência de lei que determina a sua adoção, com o respaldo do art. 161, S 1°, do CTN.
RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. RECURSO. Nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, não cabe aos Conselhos de Contribuintes a
apreciação do inconformismo de terceiro contra ato de atribuição de responsabilidade tributária distinto de auto de infração ou notificação de lançamento.
Numero da decisão: 103-22.354
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de lançamento ex officio majorada de 150% (cento e cinqüenta por cento) ao seu percentual normal de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa (Relator), Maurício Prado de Almeida e Cândido Rodrigues Neuber. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento.
Nome do relator: Flavio Franco Correa
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ementa_s : PAES. ADESÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA CORRELAÇÃO ENTRE OS DÉBITOS CONFESSADOS E OS EXIGIDOS DE OFíCIO. Não prospera a alegação de que os débitos exigidos em auto de infração são os mesmos que constam em instrumento de confissão de dívida, declarados no âmbito do PAES, se inexiste elemento comprobatório da correlação entre os valores supostamente confessados e os constantes da autuação. ARBITRAMENTO DO LUCRO COM BASE EM INFORMAÇÃO PRESTADA À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ESTADUAL. Se o sujeito passivo não observou o dever de conservar os livros da escrita comercial e fiscal, ou deixou exibi-los ao exame da autoridade fazendária da União, após intimação regular, é legítimo o arbitramento do lucro a partir da receita informada pela recorrente à Administração Tributária Estadual ou Municipal, mediante os instrumentos criados pela legislação do respectivo ente político, no exercício de sua competência. ARBITRAMENTO DE LUCRO COM BASE EM RECEITA OMITIDA. É válido o arbitramento de lucros a partir das receitas omitidas coligidas mediante provas diretas, apuradas em diligência que visou ao conhecimento da realidade tributável, para superar a dificuldade criada com o descumprimento do dever de submeter os livros da escrita comercial e fiscal ao exame da autoridade fiscal competente. MULTA. CONFISCO - A multa constitui penalidade, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição da República. MULTA DE OFíCIG. Perfeita a punição aplicada, consoante a infração vislumbrada pelo Fisco, quando, do ângulo estritamente objetivo, ocorreu a situação que enseja a sanção prevista no 44, I, da Lei nO9.430/96, conforme as provas colhidas: insuficiência de pagamento, em decorrência da omissão de receitas, sem a imputação de prática dolosa. MULTA. APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE 2% DO ARTIGO 52, 9 1°, DO CDC, COM A REDAÇÃO DA LEI N° 9.298, DE 1996 IMPOSSIBILIDADE. O Direito Tributário é autônomo em relação aos demais ramos do Direito, motivo por que as normas punitivas veiculadas na legislação que lhe é própria afasta qualquer outra que lhe seja estranha, a exemplo daquela que prevê a sanção de 2%, no máximo, aplicáveis aos casos de inadimplência, nas relações de consumo. JUROS DE MORA - TAXA SELIC - É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de juros de mora incidentes sobre débitos tributários não pagos no vencimento, diante da existência de lei que determina a sua adoção, com o respaldo do art. 161, S 1°, do CTN. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. RECURSO. Nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, não cabe aos Conselhos de Contribuintes a apreciação do inconformismo de terceiro contra ato de atribuição de responsabilidade tributária distinto de auto de infração ou notificação de lançamento.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de lançamento ex officio majorada de 150% (cento e cinqüenta por cento) ao seu percentual normal de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa (Relator), Maurício Prado de Almeida e Cândido Rodrigues Neuber. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento.
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APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE 2% DO ARTIGO 52, 9 1°, DO CDC, COM A REDAÇÃO DA LEI N° 9.298, DE 1996~ IMPOSSIBILIDADE. O Direito Tributário é autônomo em relação aOf\ demais ramos do Direito, motivo por que as no;~~s punitivas \\ 145.119*MSR*26/04106 n~\) ,..~\\l'i /! .J Processo nO Recurso nO Matéria Recorrente Recorrida Sessão de Acórdão n° MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 146.119 : IRPJ - Ex(s): 200 e 2001 : CEREMIX COMÉRCIO DE CEREIAS LTDA. : 2a TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG : 23 de março de 2006 : 103-22.354 PAES. ADESÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA CORRELAÇÃO ENTRE OS DÉBITOS CONFESSADOS E OS EXIGIDOS DE OFíCIO. Não prospera a alegação de que os débitos exigidos em auto de infração são os mesmos que constam em instrumento de confissão de dívida, declarados no âmbito do PAES, se inexiste elemento comprobatório da correlação entre os valores supostamente confessados e os constantes da autuação. ARBITRAMENTO DO LUCRO COM BASE EM INFORMAÇÃO PRESTADA À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ESTADUAL. Se o sujeito passivo não observou o dever de conservar os livros da escrita comercial e fiscal, ou deixou exibi-los ao exame da autoridade fazendária da União, após intimação regular, é legítimo o arbitramento do lucro a partir da receita informada pela recorrente à Administração Tributária Estadual ou Municipal, mediante os instrumentos criados pela legislação do respectivo ente político, no exercício de sua competência. ARBITRAMENTO DE LUCRO COM BASE EM RECEITA OMITIDA. É válido o arbitramento de lucros a partir das receitas omitidas coligidas mediante provas diretas, apuradas em diligência que visou ao conhecimento da realidade tributável, para superar a dificuldade criada com o descumprimento do dever de submeter os livros da escrita comercial e fiscal ao exame da autoridade fiscal competente. MULTA. CONFISCO - A multa constitui penalidade, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição da República. MULTA DE OFíCIG. Perfeita a punição aplicada, consoante a infração vislumbrada pelo Fisco, quando, do ângulo estritamente objetivo, ocorreu a situação que enseja a sanção prevista no 44, I, da Lei nO9.430/96, conforme as provas colhidas: insuficiência de pagamento, em decorrência da omissão de receitas, sem a imputação de prática dolosa. 145.119*MSR*26/04/06 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CEREMIX COMÉRCIO DE CEREAIS LTOA. JUROS DE MORA - TAXA SELlC - É legítima a utilização da taxa SELlC como índice de juros de mora incidentes sobre débitos tributários não pagos no vencimento, diante da existência de lei que determina a sua adoção, com o respaldo do art. 161, S 1°, do CTN. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. RECURSO. Nos termos do Decreto nO70.235, de 1972, não cabe aos Conselhos de Contribuintes a apreciação do inconformismo de terceiro contra ato de atribuição de responsabilidade tributária distinto de auto de infração ou notificação de lançamento. PIS. COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. Estando provada a receita omitida, é cabível o reflexo dessa omissão no cômputo do PIS e da COFINS. ARGÜiÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não cabe aos Conselhos -fie Contribuintes a apreciação da argüição de inconstitucionalidade de lei. veiculadas na legislação que lhe é própria afasta qualquer outra que lhe seja estranha, a exemplo daquela que prevê a sanção de 2%, no máximo, aplicáveis aos casos de inadimplência, nas relações de consumo. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de lançamento ex officio majorada de 150% (cento e cinqüenta por cento) ao seu percentual normal de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa (Relator), Maurício Prado de Almeida e Cândido Rodrigues Neuber. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento. Processo nO Acórdão n° 3 _. 145.119*MSR*26/04/06 FORMALIZADO EM: 2 8 ASH 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ PERCíNIO DA SILVA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE e VICTOR Luís DE SALLES FREIRE.! f MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 13603.001446/2004-46 Acórdão nO : 103-22.354 Pela clareza do relatório do órgão a quo, aproveito para reproduzir o resumo nele constante, in verbis: 4 Em decorrência desse procedimento, foram lavrados os seguintes autos de infração, já considerados a multa de ofício e os juros de mora W : 146.119 : CEREMIX COMÉRCIO DE CEREIAS LTOA. RELATÓRIO Ciência do auto de infração com a data de 08/10/2004 (fls. 259) "Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 04/13 para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/08/2004, no montante de R$3.428.282, 96, abrangendo fatos geradores compreendidos nos exercícios de 2000 e 2001. Na descrição dos fatos, ressaltou a fiscalização que houve arbitramento do lucro nos períodos 09/1999, 12/1999, 03/2000 e 06/2000, tendo em vista que o contribuinte, notificado, deixou de apresentar os livros e documentos de sua escrituração, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) e Planilhas anexados. Enquadramento legal: art. 530, 111 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nO3.000, de 26 de março de 1999 - RIR/1999. Por sua vez, as infrações foram assim caracterizadas: 1. Receitas operacionais (atividade não imobiliária) - revenda de mercadorias: omissão de receitas da revenda de mercadorias, conforme detalhamento explicitado no TVF e planilhas anexados. Enquadramento legal: arts. 532 e 537 do RIR/1999. 2. Receitas operacionais (atividade não imobiliária) - revenda de mercadorias: tendo em vista a não apresentação dos livros contábeis/fiscais da contribuinte, foi arbitrado o lucro. Os valores correspondem àqueles constantes das OIPJ/2000 e 2001, bem como aos débitos constantes das DCTF do mesmo período. Enquadramento legal: art. 532 do RIR/1999. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 146.119*MRS*04/04/06 Trata o presente de recurso de voluntário contra a decisão da autoridade julgadora de primeira instâne+a, que julgou procedente as exigências do IRPJ, CSSL, PIS e COFINS, relativamente aos anos-calendário de 1999 e 2000. Recurso nO Recorrente Processo nO Acórdão nO 1) Registros iniciais A fiscalização fez referência ao MPF nO 0611000.2004.00108-6, de 20/05/2004 e MPF Complementar de 21/06/2004, tendo ressaltado que o presente termo diz respeito ao "encerramento final" do MPF citado, tendo sido apuradas infrações às normas do imposto de renda e das contribuições federais, no período correspondente ao 30 trimestre de 1999 até o 20trimestre de 2000. 2) Contribuinte A contribuinte Ceremix Comércio de Cereais Ltda. entregou as Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) até o ano-calendário de 2000, pelo lucro presumido e declaração referente ao ano-calendário de 2003, como INA TlVA (fI. 72). Está omissa na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referentes ao 40 trim./2001, todo o ano-calendário de 2002 e aos 10e 20 trim./2003, tendo entregue aquelas relativas aos 10, 20e 30trim./2001 e aos 30e 4 0trim./2003, com todos os campos em branco (fi. 73 e Anexo" - fls. 62/71). A empresa protocolizou documento (fi. 105) referente à adesão ao Programa de Parcelamento Especial - Paes (Lei nO 10.684, de 30 de maio de 2003). Em consulta interna aos débitos pertencentes ao pedido de parcelamento, foi constatado que havia sido indicado o processo n° 10685.000768/2002-37 (fls. 74/104) e que este se referia somente a uma representação fiscal da DRF/Límeira, não constando nenhum ,46.119'MRS'04l04/06 5 @ ( Processo n° Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 calculados até 31/08/2004, abrangendo fatos geradores dos exercícios de 2000 e 2001: Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS (fls. 14/20) - R$951.587,07 - infração: omissão de receitas da revenda de mercadorias; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins (fls. 21/27) - R$4.391.941,27 - infração: omissão de receitas da revenda de mercadori~; Contribuição Social (fls. 28/37) - R$1.910.733,27 - infrações: 1) arbitramento do lucro com base nas DIPJ/2000, 2001 e DCTF; 2) omissão de receitas da revenda de mercadorias. O presente processo é composto de 2 volumes numerados de 01 a 511, além do Anexo I (2 volumes - fls. 01/386) e Anexo" (fls. 01/115). Todos os fatos que ensejaram o lançamento constam descritos de forma pormenorizada no citado TVF de fls. 40/50, cujo resumo é feito em seguida. lançamento de tributos. Em consulta ao sistema Sicaf da Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEF/MG), foi verificado que a empresa requereu baixa em 01/03/2001, por encerramento de atividades (fi. 61). 3) Ação fiscal Em 22/02/2002, foi aberto MPF Diligência, tendo sido elaborados os Termos de Constatação datados de 26/02/2002 e 18/03/2002, restando claro a não Tõcalização da Ceremix no endereço constante do sistema CNPJ da Secretaria da Receita Federal (doc. fls. 106/112, 114/115 e 59). Foram intimados os sócios da empresa Carlos Roberto de Carvalho Júnior e Emerson de Souza Alves, tendo sido lavrados os Termos de Comparecimento e Declaração (doc. fls. 116/126). Destas declarações, foi observado que, apesar de terem assinado papéis para abertura da empresa, ambos os sócios nunca vieram a participar ou administrar a sociedade, nem tampouco tinham conhecimento dos documentos da empresa. Posteriormente, compareceu à DRF/Contagem/MG William Pires da Silva, advogado, com poderes para representar o sócio Emerson de Souza Alves perante a SRF (fi. 128), ocasião em que entregou o contrato social da Ceremix e sua primeira alteração. Em 20/11/2003, foi a empresa Dulcini S.A. intimada a apresentar cópias das notas fiscais de aquisição de mercadorias/serviços, bem como conhecimentos de transportes e comprovantes de pagamentos correspondentes (fls. 130/132). Em 06/01/2004, a Dulcini S.A. apresentou a documentação que compõe o Anexo I. Da análise desses documentos, foram relacionadas notas fiscais em foi observado que o recibo de quitação dos valores era dado em documento timbrado da Ceremix e assinado pelo Sr. Antônio Luiz lannotta. Em 20/05/2004, uma vez que a empresa não foi localizada no endereço constante nos registros da SRF, foi ela intimada mediante o Edital n. o 12/2004 (fI. 134), a tomar ciência do MPF 0611000 2004 00108-6 e do respectivo Termo de Início de Fiscalização n.o 215/2004 (fls. 59 e 135/136). No mencionado Termo, foi solicitada a apresentação dos livros Diário, Razão ou Livro Caixa, Livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência, Livros de Entrada e Saída, referentes ao período de abril de 1999 a abril de 2004. De igual forma, pediam-se as notas fiscais de entradas e saídas referentes ao período de abril a junho de 2000, bem como a relação de medidas judiciais propostas pela contribuinte contra a União, com relação aos tributos administrados pela SRF. Foi também intimado o sócio Emerson de Souza Alves (fi. 137), no endereço constante da Procuração fornecida por seu advogado (fi. 128), 146.119'MRS'04/04/06 6 (~) ~. Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 a cumprir as exigências contidas no Termo de Início de Fiscalização n.° 215/2004, e a regularizar a situação cadastral da empresa. A correspondência foi devolvida em razão de ser desconhecido o destinatário (fi. 138). O sócio foi novamente intimado (fi. 139) para o endereço indicado nos registros da SRF (fi. 63). Conforme Aviso de Recebimento-AR (fi. 140), a referida intimação foi também devolvida, com a observação de que o destinatário havia mudado. Impossibilitado lide verificar os documentos e livros comerciais e fiscais da contribuinte, a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro da Ceremix no 20 trim'/1999, tendo sido lavrado o auto de infração - processo administrativo fiscal n° 13603.000954/2004-15, de 28/06/2004 (fls. 141/177), encerrando parcialmente o MPF epigrafado. Em 30/06/2004, compareceu à DRF/CON o Sr. Carlos Roberto de Carvalho Júnior, um dos sócios indicados no contrato social da Ceremíx, que tomou ciência do auto de infração, sendo intimado (fls. 178/179) a apresentar todos os elementos já solicitados no TI n° 215/2004. Diante das dificuldades encontradas para localizar os responsáveis pela empresa, foi solicitada a abertura de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), dirigidas ao Banco Bandeirantes S.A, Bradesco S.A e HSBC Bank Brasil S.A, para apresentação de cartões de assína tura, dados constantes da ficha cadastral, instrumentos de procuração outorgando poderes a terceiros para movimentar a conta corrente, comprovantes de residência, renda e documentos necessários para abertura da conta corrente, além de fichas cadastrais dos responsáveis pela movimentação da conta bancária da Ceremix. Em resposta (fls. 186/193), o HSBC encaminhou correspondência, tendo anexado documentos extraídos dos sistemas internos do banco identificando os principais clientes da Ceremix. Foí solicitado aos clientes da Ceremix (fls. 211/225) que encaminhassem as notas fiscais emitidas pela contribuinte no período de julho/1999 a ;unho/2000, além de cópias autenticadas dos documentos que ídentificassem os responsáveis pelo contato comercial da empresa. De posse das notas fiscais apresentadas por essas empresas e pela Dulcini S.A (Anexo I), foi elaborada a planilha de fls. 53/56, ficando demonstrado, pelo menos em parte, o fornecimento de mercadorias pela Ceremix no período indicado. Mais uma vez, impossibilitada de verificar os documentos e livros contábeis e fiscais da contribuinte e tendo constatado na circularização efetuada com as mencionadas empresas que a Ceremix havia omitido grande parte de suas receitas, a fiscalização efetuou consulta ao Sistema Sicaf da SEF/MG, tendo obtido informações contidas em todos os Dapi -Demonstrativos de Apuração do t~~.(f1S. 226/235) entregues 146.119'MRS'04/04l06 7 ~ r Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 ao fisco estadual pela contribuinte, nos meses de julho/1999 a abril/2000, conforme quadro de fi. 43. Diante do exposto, restou comprovado que a Ceremix omitiu grande parte de suas receitas, sendo cabível o arbitramento do lucro de acordo com o art. 530, 111 do RIR/1999. A seguir, foi detalhado para os 30e 40trim./1999 e 1 o e 20trim./2000, o levantamenf1J..da base de cálculo do IRPJ -lucro arbitrado. A base de cálculo do IRPJ foi apurada em vista dos Dapi entregues pela Ceremix, deduzindo-se os valores declarados em DCTF/DIPJ, conforme planilhas de fls. 57/58. O coeficiente aplicado sobre a omissão de receita bruta considerada foi determinado pelos arts. 15 e 16 da Lei nO 9.240, de 1995, qual seja, 9,6%. A presente infração foi indicada como Receita operacional omitida (atividade não imobiliária) - revenda de mercadorias. Em conseqüência da omissão de receitas, foram lançados os reflexos da CSLL, Cofins e PIS. Tendo sido observado que a Ceremix apresentou declarações à Receita Federal (DIPJ - Anexo" - fls. 72/114), ora com campos em branco, ora com valores bem aquém daqueles informados à SEF/MG (Dapi - fls. 226/235), a fiscalização registra que se pode afirmar que a atitude do contribuinte configura sonegação, conforme art. 71, I e " da Lei nO 4.502, de 30 de novembro de 1964. Em consonância como o inciso " do art. 44 da Lei nO 9.430, de 27 de dezembro de 1996, uma vez caracterizado o evidente intuito de fraude, é cabível o lançamento da multa qualificada de 150%. Por sua vez, as receitas informadas pela contribuinte em DCTF/DIPJ, referentes ao 30e 40trim./1999 e 10e 20 trim./2000, foram arbitradas e o IRPJ apurado de acordo com os quadros constante das fls. 46/47. Esta infração foi indicada como Receitas Operacionais (atividade não imobílíária) - revenda de mercadorias. Também foi lançado o reflexo da CSLL (planilhas de fls. 51/52) Novamente, em correspondências de fls. 194/208, o HSBC Bank Brasil S.A. enviou documentos, dentre eles a Proposta de Abertura de Conta Corrente da Ceremix, constando como procuradores da empresa, além do Sr. Emerson de Souza Alves, sócio-gerente, que não detinha nenhum poder descrito na procuração, o Sr. Antônio Luiz lannotta. Os poderes desse último procurador constam dos documentos de fls. 197 e 199/200 e concedem, isoladamente a este, permissão para abrir, movimentar e 146.119'MRS'04/041::cerrarconta corren:e, emitir e endossr~~ques,? aceitar, Processo nO Acórdão n° MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 A fiscalizada apresentou a sua impugnação às fls. 328/503. O Senhor Antonio Luiz lannota, ao seu turno, arrolado como responsável tributário, insurge-se contra a imputação às fls. 260/3'25. Ciências da decisão de primeira instância no dia 15.04.2005, às fls. 547/548, assim ementada: 146.119*M RS*04/04/06 9 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000, 2001 Ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, tributado pelo lucro real, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese de tributação pelo regime do lucro pre~umido. , \ endossar e avalizar duplicatas, autorizar débito em conta, retirar e autorizar a retirada de talonários de cheque e receber e dar quitação. Intimado o Sr. Antônio Luiz lannotta, foi lavrado o Termo de. Comparecimento e Declaração (doc. fls. 236/240), tendo sido destacado, entre as declarações feitas pelo intimado, que já havia sido empregado e atuado como procurador da empresa Ceremix até o ano-calendário de 2001, e que não possuía nenhum livro ou documento da empresa. Foi juntado ainda Ofício expedido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em que aparece o nome do Sr. Antônio Luiz lannotta como funcionário da Ceremix nos anos calendário de 1997 a 2000 (doc. fls. 241/248). Desse modo, nos termos da legislação de regência, mormente o art. 135, /I e 111 do Código Tributário Nacional (CTN), o Sr. Antônio Luiz lannotta também é considerado responsável pelo crédito tributário ora lançado. 4) Infrações Neste tópico, a fiscalização fez uma descrição das infrações e dos respectivos tributos lançados. Findo o relato do TVF, registre-se que os demais documentos que fundamentam o lançamento constam das fls. 01/03, 38/39, 51/248, além dos Anexos I e /I. Às fls. 250/259 constam informações e documentação acerca da intimação do lançamento feita ao sujeito passivo e ao responsável pelo crédito tributário, além de solicitação de cópia de documentos." MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 Processo nO Acórdão n° Recurso voluntário da Ceremix às fls.552/573. Arrolamento de bens às fls. 574/575. Recurso voluntário de Antonio Luiz lannota às fls. 576/586. 10 RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 1. restou demonstrado na impugnação que a autuada aderira ao parcelamento instituído pela Lei nO 10.684, de 2003, nele inserindo todos os tributos devidos à União e a9 IrNSS, constituídos ou não, \ ' Nesta oportunidade, a Ceremix aduz, em síntese: JUROS DE MORA - TAXA SELlC É legítima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Lançamento Procedente." TRIBUTAÇÃO REFLEXA Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. MULTA DE OFíCIO A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o intuito de fraude, caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. BASE DE CÁLCULO Na falta de apresentação dos livros comerCiaIS e fiscais, é lícito o lançamento que tomou por base diferenças tributáveis apuradas pelo confronto dos valores inscritos nos Demonstrativos de Apuração do ICMS apresentados pelo autuado à Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais e aqueles informados em DCTF/DIPJ, notadamente quando o impugnante não consegue refutar as evidências expostas no trabalho fiscal, representadas pela expressiva disparidade dos valores envolvidos e""Pelaprática continuada da infração. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 146.119*M RS*04/04/06 Processo nO Acórdão n° \. 11 inscritos ou não em dívida ativa. Diante disso, o crédito ora discutido carece, no momento, de exigibilidade, em face do artigo 151, VI, do CTN, introduzido pela Lei Complementar n° 104, de 2001. Como corolário do exposto, os lançamentos em exame são infundados, tendo em vista a inexigibilidade dos tributos; 2. a mera cOfWeniência do Fisco não é razão suficiente a justificar o uso de presunções ou ficções desautorizadas, a exemplo dos dados considerados no arbitramento, fornecidos por outras sociedades, que só podem ter repercussão na apuração do ICMS, ou ainda as informações prestadas no Demonstrativo de Apuração do ICMS - DAPI, entregues pela autuada ao Fisco Estadual entre julho de 1999 e abril de 2000; 3. caso os lançamentos sejam mantidos, resultará ferido de morte o aspecto subjetivo da capacidade contributiva, levando-se em conta a vultosa quantia de R$ 10.682.544, 57, correspondente à soma das importâncias constantes dos lançamentos de ofício em discussão, valor bem superior às possibilidades econômicas da fiscalizada; 4. a manutenção do feito afronta os princípios da função social da empresa, da valorização do trabalho humano e da busca do pleno emprego, todos de índole constitucional, que devem ser observados pela Administração Pública; 5. jamais poder-se-á vislumbrar base de cálculo do imposto de renda fulcrada somente nas vendas, desprezando-se os descontos, as vendas canceladas, os custos, despesas e outras exclusões e deduções; 6. nesse sentido, depois de receber informações da Dulcini S/A, o Fisco deveria intimar a autuada a prestar esclarecimentos sobre os valores lançados nas DIPJ, pois é notório que existem situações que, malgrado se conformem às hipóteses legais de incidência do ICMS, não se ajustam, por tipicidade, às normas d9 IRPJ; / r \ I 146.119*MRS*04/04/06 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 13603.001446/2004-46 Acórdão nO : 103-22.354 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 13603.001446/2004-46 Acórdão nO : 103-22.354 7. vale dizer, ao exigir o IRPJ sobre á totalidade das receitas, os autuantes equivocaram-se na determinação de sua base de cálculo; 8. a multa agravada também não deve prosperar, como decorrência do princípio acessoriedade, já que os lançamentos dos tributos não podem ter outra sorte distinta da anulação; 9. além dis~; é de se verificar o caráter confiscatório das sanções aplicadas, seja a de 75% sobre os valores declarados em DIPJ e DCTF, seja a de 150% sobre os valores apurados em arbitramento, afora a afronta à capacidade contributiva da recorrente; 10. acrescente-se à repulsa às multas de 75% e 150% a reJelçao da recorrente à imputação de fraude pelo Fisco, que teria tomado como fundamento fático para tais sanções a imperfeição do atendimento às intimações para apresentação de documentos e o não recolhimento dos tributos; 11.no que tange à suposta falta de apresentação de documentos, alega a autuada que os agentes fiscais não lhe facultaram ampla oportunidade para providenciar a entrega; 12. em razão de sua baixa regular, requerida no dia 01/03/2001, os autuantes não a localizaram no seu antigo endereço, motivo pelo qual deveriam expedir as intimações aos domicílios dos sócios, visando à apresentação da escrita contábil e fiscal, a exemplo do procedimento adotado para cientificá-Ia dos lançamentos; 13. a aplicação do disposto nos incisos I e II do artigo 44 da Lei nO 9.430.de 1996 só é cabível quando o sujeito passivo age de má-fé, conduta que não se pode atribuir à interessada; 14. a Fazenda não dispõe de parâmetros para fixar a multa que se lhe impôs. Nesses termos, o Fisco detém, não a discricionariedade, e sim o poder arbitrário de alvejar o contribuinte com as sanções estonteantes de 75% ou 150%; 15. indo além, adverte a autuada que a função precípua da multa é de punir o contribuinte que descumpre os se~s~veres juridicos e não o 146.1WMRS'04/04/06 12 (lw;( 146.119*MRS*04/04/06 Processo nO Acórdão nO resumo: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 de indenizar os Cofres Públicos, tal e qual o ocorrido, pelo que se vê do montante excessivo; 16.a Nação, em face do quadro de estabilização econômica, reclama por medidas que se adaptem à nova realidade, o que se traduz na necessidade de adequação das normas comerciais e contratuais; 17. tais transformações vêm surtindo efeitos práticos, o que culminou na_. promulgação da lei n° 9.286, de 1996, que limita o percentual cobrado a título de multa a 2%; 18. ademais, a recorrente, aderindo ao PAES, não está em mora perante a Fazenda Pública, o que torna as multas impostas verdadeiramente absurdas; 19. a taxa Selic não pode, de modo algum, ser utilizada para cálculo de juros de mora, porque não foi instituída por lei, tem caráter remuneratório, computa a correção monetária do período e supera o teto de 1% ao mês; 20. todas as considerações anteriores são extensivas ao PIS, à Cofins e à CSSL. Antonio Luiz lannota, por sua vez, exibe os seguintes argumentos, em 1. os sócios da pessoa jurídica confessaram que assinaram os atos constitutivos da sociedade, mas intentam esquivar-se da responsabilidade por seus atos, imputando-a a um ex-empregado; 2. o ilustre relator consignou em seu voto que o recorrente assinara os documentos às fls. 257, 284, 294, 298, 301, 304, 307, 313, 316, 319, 322, 325, 328, 331, 334, 337, 340, 343 e 346, o que não é verdade. Á evidência, há documentos repetidos, o que pode ser constatado sem qualquer esforço, pois os documentos de fls. 301, 304, 307, 310, 313 e 316 são um só; o mesmo se pode afirmar quanto aos de fls. 322, 325, 328, 331, 334, 337, 340 e 343. Logo, cótilclui-se que são quatro 13 .. (@\ f / 14 os documentos assinados ao longo de oito anos de trabalho, o que não justifica a responsabilidade tributária; 3. ademais, a procuração que lhe foi outorgada obrigava o outorgante (a sociedade) e seus sócios, ou seja, aqueles que realmente aproveitaram-se do ganho patrimonial; 4. o docurru;u:lto de abertura de abertura de conta corrente em nome da fiscalizada, fornecido pelo Banco HSBC, não produz qualquer efeito contra o recorrente, uma vez que o ato praticado em nada contribui para qualquer escusa quanto ao recolhimento de tributos; 5. no mesmo sentido, a simples outorga de poderes não gera a responsabilidade pretendida; 6. a impossibilidade do sócio-gerente administrar pessoalmente a empresa é a causa da outorga de poderes a um empregado, mas não é o suficiente para responsabilizá-lo pessoalmente, mormente se o outorgado não faz uso dos chamados poderes de gestão; 7. as informações prestadas pelo Ministério do Trabalho retratam a situação fática do recorrido á época, denotando que o recorrente era um simples empregado da Ceremix Comércio de Cereais Ltda, e, como tal, não pode ser responsávle pelo vultoso crédito; 8. os agentes fiscais não comprovaram que os sócios da autuada não eram os verdadeiros administradores, deixando-se levar pelos delírios de que nunca administraram a sociedade; 9. os sócios não estão compromissados com a verdade, justamente por terem interesse direto no deslinde da causa; 10. outrossim, não restaram comprovados os supostos atos praticados pelo recorrente que poderiam ser caracterizados como infração à lei ou excesso de poderes, ensejadores da responsabilidade tributária; 11. não se pode compreender, dentro dos limites da lei, que os fatos da sociedade se reflitam sobre o patrimônio dos sócios e, menos ainda, de seus empregados; (. r 146.119*MRS*04/04/06 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 13603.001446/2004-46 Acórdão n° : 103-22.354 . ~' .•'r MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 13603.001446/2004-46 Acórdão nO : 103-22.354 12. insta considerar, também, que a ausência de recolhimentos de tributos não é, por si só, infração à lei, para a incidência da regra contida no artigo 135 do CTN ; 13. o Fisco baseou sua pretensão em procuração outorgada pela sociedade ao recorrente. mas é de se perceber que o único ato por ele praticado foi a abertura de conta corrente e oito recebimentos em_. benefício da sociedade; 14.os bens dos sócios só podem ser atingidos por dívidas da sociedade de forma subsidiária e somente se for comprovado o excesso de mandato, ou a infração à lei ou aos estatutos, hipóteses que não são extensivas ao recorrente, um mero empregado; 15. para finalizar, o Fisco não logrou êxito na comprovação de dolo ou fraude do recorrente, ou que este tenha agido com infração à lei ou excesso de poderes. É o relatório. 146.119*MRS*04/04/06 (\ I~\L 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 13603.001446/2004-46 Acórdão nO : 103-22.354 VOTO VENCIDO Conselheiro FLÁVIO FRANCO CORRÊA - Relator Na interposição deste recurso, foram observados os pressupostos de recorribilidade. Dele conhelf'l. De plano, não há comprovação da adesão ao PAES, ao contrário do que alega a autuada. O pedido à fI. 105 se refere ao processo nO10865.000768/2002-37, protocolado tão-somente para encaminhar uma representação da DRF em Limeira à DRF em Contagem, não albergando lançamentos ou prestação de informações acerca de créditos tributários constituídos, conforme fls 74/104. Ademais, segundo o disposto no artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/SRF nO3, de 1° de setembro de 2003, para a inserção de débitos no PAES bastava sua inclusão na declaração a que o sujeito passivo estava obrigado, desde que o interessado efetuasse a respectiva entrega até 28 de novembro de 2003, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/SRF nO5, de 23 de outubro de 2003. Por outro lado, o parágrafo único do artigo 2° da Portaria Conjunta SRF nO3, de 2003, estabeleceu que, na hipótese de débito já declarado por valor inferior ao efetivamente devido, o contribuinte deveria providenciar declaração retificadora para incluir as diferenças no parcelamento especial, obedecendo ao termo legal mencionado acima. A autuada não demonstrou que as diferenças encontradas pelo Fisco já estivessem incluídas em declaração, em consonância aos atos regulamentares. Diante desses fundamentos, nego provimento quanto ao ponto em lume. No que afeta ao arbitramento sobre as receitas apuradas, vale recordar que o Fisco intimou a CEREMIX e os sócios a exibir os livros fiscais e comerciais (fls. 116, 119, 178 e 179). Diante da omissão da fiscalizada, não localizada no endereço cadastral, de acordo com as narrativas às fls, 114/115, os agentes fiscais empreenderam diligências em clientes da autuada e na Administração Tributária Estadual, onde obtiveram, respectivamente, farto volume de notas fiscais de vendas e os (\ Demonstrativos de Apuração de ICMS - DAPI, estes reunid~.,M fls. 226/235. ~ dizer, as 146.119'MRS'04/04/06 16 \W IV , / - Por outro lado, o segundo item do lançamento cuidou da tributação das receitas informadas na DCTF/DIPJ, conforme consta do TVF (fls. 46/47). Sustentou ainda que deveriam ser excluídas as devoluções, as vendas canceladas, os impostos incidentes sobre vendas e outros eventos, além de amortizações, deduções. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 Quanto ao uso de informações obtidas junto à Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais, é importante destacar que, de acordo com o art. 532 do RIR/1999, o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de 20%. No tocante à base de cálculo do lançamento, no primeiro item do auto de infração do IRPJ, foi tributada a omissão de receitas decorrente do confronto dos valores inscritos nos Dapi fornecidos pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais, deduzido o montante informado nas DCTF/DIPJ. A apuração da omissão de receitas encontra-se consolidada nos demonstrativos fiscais de fls. 57/58. "O impugnante alegou que os dados obtidos pelo fisco diziam respeito unicamente à apuração do ICMS, tendo salientado que os fiscais deveriam ter feito intimações para prestar esclarecimentos a respeito dos valores lançados nos Dapi. No caso vertente, considerando que o contribuinte não forneceu os livros comerciais e fiscais solicitados nos termos de intimação expedidos e no edital afixado, a fiscalização, no exercício regulamentar de suas atribuições, a fim de suprir a falta anotada, se socorreu nas informações prestadas pelo próprio autuado à SEF/MG. É bom lembrar que o art. 276 do RIR/1999 preceitua que a determinação do lucro real pelo contr 1 1"b 7 Uinteestá sujeita à\I'\V(I\~I)f.',"'.'.\licaçãOpela autoridade 146.119'MRS'04l04106 tV~ /// Quanto ao ~roveitamento dos dados contidos nos Demonstrativos de Apuração de ICMS, adoto as razões expostas pelo julgador de primeira instância, homenageando-o pelo brilhantismo, verbis: receitas detectadas não decorrem de presunção ou ficção dos agentes e sim de provas documentais abundantes, algumas das quais fornecidas pela autuada à Secretaria de Fazenda do Estado. Legítimo, portanto, é o arbitramento dos lucros dos trimestres fiscalizados, consoante a regra inscrita no artigo 47,111,da Lei nO8;981, de 1995. Processo nO Acórdão nO 146.119*MRS*04/04/06 Por outro lado, de fato na definição de receita bruta dada pelo art. 31 da Lei nO 8.981, de 1995, não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços $eja mero depositário. 18 (N Equivoca-se o contribuinte ao pretender excluir da base de cálculo amortizações e outras deduções. Conforme consta dos demonstrativos fiscais e esclarecimentos prestados no TVF, o lucro arbitrado foi determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados na legislação sobre a receita conhecida. Note-se ainda que as deduções previstas para a apuração da base de cálculo do imposto de renda são cabíveis apenas na apuração do lucro real. Neste caso, a fiscalização atestou no TVF que o contribuinte não dispunha de condições para a apuração do lucro real, na medida em que não comprovou a escrituração dos livros comerciais e fiscais. Portanto, o imposto de renda não incidiu sobre a totalidade das receitas da venda de mercadorias, mas sobre o lucro arbitrado no percentual definido na legislação de regência. Da mesma forma, no caso da Contribuição Social, o lucro arbitrado foi calculado pela aplicação do coeficiente de 12%, para só então ser aplicada a alíquota de 8%. Assim, a apuração do lucro arbitrado consistiu na aplicação do coeficiente de 9,60% sobre as receitas brutas conhecidas. Calculado o lucro arbitrado, só então houve a incidência do IRPJ e adicional. Registre-se ainda que o art. 911 do RIR/1999 preceitua que os Auditores-Fiscais do Tesouro Nacional procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as dílígências e-investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações fiscais. De acordo com o art. 845, " do mesmo regulamento, far-se-á o lançamento de ofício abandonando-se as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios. tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 Processo nO Acórdão nO 19 Portanto, além de legítimo o arbitramento do lucro na situação caracterizada nos autos, também não merece reparos a base de cálculo do lançamento. 1J É bom notar que o impugnante, ao tempo que postula deduções da receita bruta sem nenhuma base documental, nas OIPJ apresentadas (doc. fls. 79/90 e 98/109 do Anexo 11), fez constar "0,00" em todos os campos destinados a informações sobre vendas canceladas, devoluções, descontos incondicionais e IPI e ICMS / substituto tributário. Entretanto, objetivamente, o impugnante não demonstrou nenhum erro na apuração que pudesse motivar uma revisão nos dados que serviram de base de cálculo do lançamento, lembrando que os demonstrativos fiscais indicam com clareza todas os valores que foram considerados no levantamento empreendido pela autoridade lançadora. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 146.119*MRS*04/04/06 Quanto à discussão sobre as multas, há que se distinguir, em primeiro plano, a mais grave, de 150% (art. 44, inciso II da Lei 9.430, de 1996), em razão da infração caracterizada como omissão de receitas, constatada pela diferença entre valores informados na DCTF/DIPJ e nos Dapi, configurando conduta fraudulenta quando vislumbrada com o conjunto de circunstâncias narradas pela acusação, segundo o consignado no TVF de fls. 40/50. Em segundo plano, no exame que nos compete, situa- se a multa de 75%, cuja base reside nos valores declarados .na DIPJ e em DCTF (art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1996). No que diz respeito aos aspectos constitucionais invocados pela defesa, cabe assinalar que as exigências em referência não ultrapassam a subsunção dos fatos apurados à norma, que goza de presunção de constitucionalidade. De outro modo, quer- se asseverar que os órgãos do Executivo não podem desprestigiar a competência do Legislativo, a não ser que o Supremo Pretório, no exercício da função de legislador negativo, declare a inconstitucionalidade da norma, em sede de controle concentrado, retirando-a do mundo jurídico. Definitivamente, tal não ocorreu com as regras jurídicas ora aplicadas, como também se pode asselar a inexistência de Resolução do Senado que houvesse promovido a suspensão da eficácia dos preceitos invocados pelo Fisco, na devida subsunção. Processo nO Acórdão n° MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 13603.001446/2004-46 Acórdão nO : 103-22.354 No presente, a recorrente sustenta que não havia razão para agravamento da multa pelo não atendimento às intimações fiscais, destacando, no tópico, que jamais se recusou a apresentar a documentação fiscal e que o Fisco não lhe facultou oportunidade, nem aos sócios, de fazê-lo. Neste partiGWJar,é preciso assinalar que o sujeito passivo não foi punido com a multa majorada estipulada no ~ 20 do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, aplicável às hipóteses de desatendimento à ordem para prestar os esclarecimentos exigidos pela autoridade fiscal. Aqui, este relator retorna ao ponto em que se registrou que a omissão ao dever de exibir ao Fisco os livros e documentos fiscais ensejou o legítimo arbitramento do lucro. Além disso, está comprovado que a sociedade fiscalizada e seus sócios, contrariamente às afirmações explanadas em linha de defesa, receberam intimações regulares para a apresentação da escrituração contábil e fiscal, em ocasiões diversas, às fls. 116, 124, 134, 178 e 179, sem que houvessem cumprido a determinação, tudo consubstanciado no TVF. Outra questão suscitada está na alegação de que os agentes fiscais presumiram a ocorrência de fraude, baseando-se exclusivamente no fato de que não se localizou a autuada em seu endereço cadastral. Entretanto, ao contrário dos argumentos da recorrente, percebe-se, às fls. 44/45, que os fundamentos fáticos aludidos pelo Fisco são outros e descritos com clareza solar. Segundo a acusação, a Ceremix apresentou declarações à Receita Federal (DIPJ - Anexo 11- fls. 72/114) com imperfeições variadas, ora com campos em branco, ora com valores bem inferiores aos informados à Secretaria de Estado da Fazenda (Dapi - fls. 226/235). Bem anotado pelo julgador de primeira instância, as importâncias constantes dos Dapi são da ordem de R$2.000.000,00 a R$7.000.000,00, enquanto nas DIPJ/DCTF constam quantias na faixa de R$24.000,00 e R$36.000,00, consoante se pode observar dos demonstrativos fiscais de fls. 57/58, cobrindo períodos de apuração entre julho de 1999 a junho de 2000. Em suma, é de saltar aos olhos a manifesta disparidade entre os valores e a extensão da conduta no tempo, atestando a prática continuada do contribuinte. Concluiu a Fiscalização que tal comportamento se ajusta, por adequação típica, à sonegação, à ,luz do art. 71, incisos I e 146.1WMRS'04i04i06 20 (r~ r "CONFISCO - A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal." (Acórdão 102-42741, Primeiro Conselho de Contribuintes. Data da Sessão: 20/02/1998). MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 Já no que afeta à multa de 75%, é visível que a sanção aplicada corresponde exatamente à irregularidade verificada e correspondente àquela prevista no tipo legal, criado pelo legislador com o intuito de punir o contribuinte que deixou de recolher o tributo devido, recolheu a menor ou a destempo, neste caso sem a multa de ::::~.::::~:o:prescrição do art. 44~~,da Lein'9.430/99'(\ f "6.9. Tal multa tem caráter penal e seu objetivo é evitar a prática de atos lesivos à coletividade, constituindo-se em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, e não em mera forma de ressarcimento dos danos por ele causados. Justamente por isto que ela deve ser suficientemente gravosa; para manter sua função precípua. Nessa direção, tem-se orientado o Conselho de Contribuintes: No que tange à menção da recorrente à alegada índole confiscatória das multas exigidas, repito o pronunciamento que registrei no julgamento do processo n° 10830.004492/02-63, aproveitando a visão do relator de primeira instância, naquela oportunidade, verbis:: Tenho para-mim que a multa de 150% é impecável, na espécie, pois reparo o dolo da conduta de sonegar informações juridicamente relevantes ao Fisco Federal. Os dados obtidos em diligências empreendidas na repartição fiscal estadual e em clientes da recorrente realçam a consciência de quem agiu para esconder do Fisco Federal as condições pessoais que conformam o seu vínculo jurídico com o Estado, apresentando obrigações tributárias com características distintas das efetivas. 11, da Lei nO4.502, de 1964. Salientou-se, ainda, que, em virtude da modalidade típica, era cabível a incidência do inciso 11 do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, a motivação pàra a qualificação da multa foi outra, e não o fato de não ter sido localizada em seu endereço cadastral. Processo nO Acórdão nO 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA SELlC. LEI 9.065/95. INCIDÊNCIA. MUL TA FISCAL. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLlCABILlDADE DO CDC. 1. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELlC, operação que atende ao princípio da legalidade. 2. A jurisprudência da Primeira Seção, não obstante majoritária, é no sentido de que são devidos juros da taxa SELlC em compensação de tributos e mutatis mutandis, nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública. 3. Raciocínio diverso importaria tratamento anti-isonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELlC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerar-se-iam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias" (AgrRg no RESP n° 671.494, DJ de 28.03.2005) "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. INOVAÇÃO DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO. TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. ATUALIZAÇÃO DO DÉBITO PELA TAXA SELlC. LEGALIDADE. 1. Não é possível em sede de agravo regimental inovar a lide, invocando questão até então não suscitada. 2. É legítima a utilização da taxa SELlC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, diante da existência de lei que determina a sua adoção. 3. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido." (AgRG no AG 602.384, DJ de 14.02.2005" -. 146.119*M RS*04/04/06 Afora a posição jurisprudencial supramencionada, cabe aduzir que os percentuais aplicados estão de acordo com o que estabelece Of . rt. 61, ~ 3°, da Lei n° No que toca a taxa Selic, a jurisprudência do STJ nos oferece substancial apoio: Quanto ao apelo à Lei n° 9.298, de 1996, firmem ..se as reverências à autonomia do Direito Tributário, o que torna impertinente o pedido, porque o preceito em referência apenas alterou a redação do ~ 10 do art. 52 da Lei n° 8.078, de 11 de setembro de 1990, diploma legal que regula as relações de consumo, o que em nada se relaciona às matérias tratadas nos lançamentos em exame. Processo nO Acórdão nO A lei ordinária, por conseguinte, pode estabelecer taxa de juros de mora superior a 1% ao mês. JV23 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 146.119*MRS*04/04/06 Quanto á responsabilidade de Antonio Luiz lannota, entendo que é desnecessária a atribuição de responsabilidade mediante Termo. Creio que bastaria ao Fisco a comprovação, na execução, de quaisquer das causas previstas no CTN que ensejam o redirecionamento da cobrança. Nessa linha, leia-se a ementa do acórdão prolatado no julgamento do RESP n° 756.921, relator Ministro Tyori Albino Zavascki, DJ de 05.09.2005: "Art. 161 - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária._. S 1° - Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. JJ (os grifos não estão no original) Sobre os lançamentos de PIS, COFINS e CSSL, Ó julgador deve dirigir- se aos fatos comprovados e verificar se correspondem a hipóteses de incidência descritas em leis específicas a cada uma das exações mencionadas. Com efeito, a omissão de receitas tem repercussão no âmbito das referidas contribuições, pois é notório que elas integram as respectivas bases de cálculo. O arbitramento de lucro, todavia, não atinge o PIS e a COFINS, restringindo-se ao IPRJ e a CSSL, ambos calculados a partir de uma realidade jurídica conhecida como "lucro". Quer-se dizer que, estando provada a receita omitida, é cabível o reflexo dessa omissão no cômputo do PIS e da COFINS. De igual modo, se presentes as causas que ensejam o arbitramento do lucro, é óbvio que tal modalidade de apuração há de se refletir sobre o IRPJ e a CSSL. Nesse sentido, estão perfeitos os lançamentos em questão. 9.430/1996, ressaltando-se que o Código Tributário Nacional, em seu art. 161, ~1°, assim regula a cobrança dos juros de mora: Processo nO Acórdão n° 3. É diferente a situação quando o nome do responsável tributário não figura na certidão de dívida ativa. Nesses casos, embora configurada a legitimidade passiva (CPC, art. 568, V), caberá à Fazenda exeqüente, ao promover a ação ou ao requerer o seu redirecionamento, indicar a causa do pedido, que há de ser uma das situações, previstas no direito material, como configuradoras da responsabílídade subsidiária. 2. A indicação, na Certidão de Dívida Ativa, do nome do responsável ou do co-responsável (Lei 6.830/80, art. 2°, S 5°, I; CTN, art. 202, I), confere ao indicado a condição de legitimado passivo para a relação processual executiva (CPC, art. 568, I), mas não confirma, a não ser por presunção relativa (CTN, art. 204), a existência da responsabilidade tributária, matéria que, se for o caso, será decidida pelas vias cognitivas próprias, especialmente a dos embargos à execução. - ....•..~.". " 5. Recurso especial provido .11 4. No caso, havendo indicação dos co-devedores no título executivo (Certidão de Dívida Ativa) - e não tendo o acórdão que julgou os embargos reconhecido qualquer excludente da responsabilidade do sócio, apenas exigindo a comprovação, pelo exeqüente, da ocorrência dos requisitos do art. 135 do CTN -, é viável, contra o sócio, o ajuizamento da execução. Precedentes (REsp 627.326-RS, 28 Turma, Min. Eliana Calmon; REsp 278.741, 28 Turma, Min. Franciulli Netto). MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PROPOSITURA CONTRA SÓCIO-GERENTE QUE FIGURA NA CERTIDÃO DE DíVIDA ATIVA COMO CO-RESPONSÁ VEL. POSSIBILIDADE. DISTINÇÃO ENTRE A RELAÇÃO DE DIREITO PROCESSUAL (PRESSUPOSTO PARA AJUIZAR A EXECUÇÃO) E A RELAÇÃO DE DIREITO MATERIAL (PRESSUPOSTO PARA A CONFIGURAÇÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA). 1. Não se pode confundir a relação processual com a relação de direito material objeto da ação executiva. Os requisitos para instalar a relação processual êXecutiva são os previstos na lei processual, a saber, o inadimplemento e o título executivo (CPC, artigos 580 e 583). Os pressupostos para configuração da responsabilidade tributária são os estabelecidos pelo direito material, nomeadamente pelo art. 135 do CTN. 146.119*MRS*04/04/06 Afora a posição da jurisprudência já comentada, é certo que, nos termos do Decreto n° 70.235, de 1972, não cabe aos Conselhos de Contribuintes a apreciação do inconformismo de terceiro contra ato de atribuição de responsabilidade tributária distinto de auto de infração ou notificação de lançamento. Reforça o ponto de vista ora '\ "l iT 24 ~ Processo nO Acórdão nO consignado a simples leitura dos artigos 1°, 9°, 10, 11, 16 e 24, II e 9 1°, do referido diploma normativo. ~~..., . 25 "Frise que nenhum dos frágeis argumentos sustenta a permanência do Recorrente como co-obrigado da obrigação tributária. Pelo contrário, pode ser constatado que diante deles (dos argumentos T a 'v') trata-se de uma tentativa dos sócios de fato e de direito em transferir a responsabilidade pelo crédito tributário a um ex-funcionário. Neste sentido, todas as presunções são aplicáveis em favor do recorrente. Se não vejamos: Os sócios da empresa Ceremix Comércio de Cereais Ltda confessaram que assumiram os atos constitutivos da empresa e como maiores ~~ ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 Além disso, é patente o desvio contido na afirmativa da defesa, segundo a qual os documentos às fls. 301, 304, 307, 310, 313 e 316 são um só, estendendo-se o mesmo que foi dito quanto aos que se encontram às fls. 322, 325, 328, 331, 334, 337, 340 e 343. Na verdade, o primeiro rol contempla sete notas fiscais; o segundo, outras dez. Ao todo, são dezessete notas de vendas, para as quais deu quitação. A esse grupo, adicionem-se os documentos de fls. 257 (quatro notas de vendas), 284 (quatro notas de vendas, 294 (duas notas de vendas), 298 (uma nota de venda)319 (uma nota de venda), os quais expressam a habitualidade na prática de dar quitação aos credores da autuada. Todavia, não posso deixar de reparar os poderes que lhe foram outorgados, às fls. 197 e 200: abrir, movimentar e encerrar contas bancárias; emitir e endossar cheques; emitir, ~ceitar e endossar duplicatas; avalizar duplicatas; autorizar débito em conta; retirar e autorizar a retirada de talonário de cheque; emitir, endossar e avalizar notas promissórias; receber e dar quitação. E atente-se: esses poderes eram exercidos isoladamente. Processo n° Acórdão nO Também merece menção o fato de que os advogados do Senhor lannotta, Viviane Angélica Barbosa e Mayron Campi Lima Ferreira Zica, são os mesmos que patrocinam a defesa da sociedade fiscalizada, que assim se pronunciam para defendê-lo: 146.119*MRS*04/04/06 Resumindo, em face do que relatei e dos fundamentos aduzidos, nego provimento ao recurso voluntário da fiscalizada. r26 Sala das Sessões, 9F, 23 de março de 2006. (J~r.! - FLAVIO~ O CORREA É como voto. interessados neste Processo Tributário Administrativo, esquivaram-se de assumir a responsabilidade por seus atos praticados, imputando-se ao recorrente, que, comprovadamente, é tão-somente um ex-empregado" MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 146.119*MRS*04/04/06 Entretanto, malgrado registre certos detalhes incomuns relativos ao Senhor lannotta, reitero que este Conselho deve-se limitar às imputações feitas em autos de infração ou notificações de lançamento, consoante a disciplina que rege o processo administrativo fiscal. E mais um detalhe curioso: o imóvel onde funcionava a Ceremx é do filho de Antonio Luiz lannota, segundo a informação prestada por Osvaldo Nogueira Ramos, à fI. 115, apresentado aos agentes fiscais pelo próprio Antonio Luiz lannota, quando da visita à Empacotadora Del Rey, vizinha ao antigo prédio da fiscalizada, conforme fI. 114. Por derradeiro, cite-se o depoimento de Emerson de Souza Alves, à fi 125, que figura como sócio da Ceremix, o qual declarou ter assinado a procuração para outorgar poderes a Antonio Luiz lannota, sob a orientação do um tal Senhor Arcísio. Daí, vale a pergunta pelo fato inusitado: como podem os advogados que subscreveram sua defesa pretender imputar a responsabilidade sobre a pessoa jurídica que também defendem? Se é verdade que os sócios da autuada são outras pessoas, os--advogados devem ter sido procurados por elas para defender os interesses da cliente, que, em última instância, são os interesses dos sócios. Processo nO Acórdão n° ---_._-- -- -- . ! i. ! Processo nO Acórdão n° MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 13603.001446/2004-46 : 103-22.354 VOTO VENCEDOR I: I, Conselheiro PAULO JACINTO DO NASCIMENTO - Relator Designado Discordo do erudito voto prolatado pelo Eminente Relator Flávio Franco_. Corrêa, na parte em que contraria a majoritária jurisprudência desta Terceira Câmara, que se consolidou no sentido de que a falta de declaração ou a prestação de declaração inexata, por si sós, não autorizam o agravamento da multa de ofício. Aliás, é a própria Lei nO9.430/96 que, no inciso I do art. 44, inclui a falta de declaração e a declaração inexata, ao lado da falta de pagamento e do pagamento fora do prazo sem o acréscimo da multa de mora, como hipóteses em que a multa aplicável é de setenta e cinco por cento, dispondo: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; " Para que as hipóteses apontadas no inciso I como passíveis da incidên- cia de multa de setenta e cinco por cento passem a sofrer a incidência da multa de cento e cinqüenta por cento, exige o inciso 11, a presença de evidente intuito de fraude, com a seguinte dicção: "lI - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis ". No dizer de De Plácido e Silva, intuito é o firme desejo, o objetivo pensa- do, ou o resultado querido; a finalidade, que se tem em mente, quando se pratica o ato e fraude é o engano malicioso ou a ação astuciosa, promovidos de má-fé, para ocultação da verdade, ou fuga ao cumprimento do dever; enquantovqWI~' segundo o Dicionário Au I ' 145.119'MSR"26/04l06 27 I ~ I. ! '.i, ( ~ 1 , --- - . . '. - ~ . ~._~ rélio, evidente é o que não oferece dúvida, que se compreende prontamente, dispensan- do demonstração, claro, manifesto, patente. 28145.119*MSR*26/04/06 Assim, o dolo específico ou determinado, resultante da intenção criminosa e da vontade de obter o resultado da ação ou omissão delituosa, descrito na Lei nO4.502/92, integra o tipo de que cogita o art. 44, 11, da Lei nO9.430/96. Sala das Sessões - DF, eril13 de março de 2006 li //1 ./i /'/ // / I '. " //~',' PAUEe:;J1\Crt1fõ' Dó NASCIMENTO Na conduta da recorrente, consistente na prestação de declarações desencontradas, díspares e imperfeitas à Receita Federal, não vislumbro o tipo do inciso II do art. 44 da Lei nO 9.430/96 e entendo que ela se subsume no tipo do inciso I, apenado com a multa de 75% (setenta e cinco por cento). Não satisfeito com os atributos já conferidos ao tipo, o legislador da Lei nO9.430/96, para o seu fechamento, incorporou a definição dada pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, que o --sonceitua como "toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento", bem como "o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais e das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente". MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 13603.001446/2004-46 Acórdão nO : 103-22.354 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028
score : 1.0
Numero do processo: 10855.901968/2008-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/06/2004
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS.
O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal extrema consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de posicionamento distinto para a mesma matéria versada em hipóteses semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica. A dessemelhança nas circunstâncias fáticas sobre as quais se debruçam os acórdãos paragonados impede o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência argüida.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
Direito Creditório não Reconhecido
Numero da decisão: 9303-004.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do contribuinte, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal extrema consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de posicionamento distinto para a mesma matéria versada em hipóteses semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica. A dessemelhança nas circunstâncias fáticas sobre as quais se debruçam os acórdãos paragonados impede o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência argüida. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido Direito Creditório não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do contribuinte, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 19 68 /2 00 8- 13 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 330101.118, de 2 de setembro de 2011, da Primeira Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/06/2004 DÉBITO FISCAL DECLARADO E PAGO. RETIFICAÇÃO A retificação do débito fiscal apurado, declarado na respectiva DCTF e pago tempestivamente, somente é aceita, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando erro na apuração do valor inicialmente apurado, declarado e pago. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO O recurso teve seguimento nos termos do Despacho nº 3330394, fls. 124 e 125. Em sua peça recursal, o contribuinte insiste na existência do indébito, conforme comprovaria a DCTF retificadora apresentada depois da emissão do Despacho Decisório, razão pela qual pugna pela homologação da compensação declarada na DComp nº 10179.855064.150404.1.3.043493. O recurso foi contrarrazoado pela Fazenda Nacional, fls. 127 a 132. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10855.901968/200813 Acórdão n.º 9303004.148 CSRFT3 Fl. 137 3 Compulsando o voto condutor da decisão recorrida, constatase o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de inexistirem nos autos provas do erro material na apuração do débito cujo pagamento teria gerado o indébito. Confirase (fls. 87 e 88, sublinhado na transcrição): [...] No presente caso, os documentos apresentados, DCTF retificadora e Dacon não comprova o alegado erro. No recurso voluntário, a recorrente alega que o valor correto do PIS nãocumulativo seria R$314.051,52. Contudo na DCTF retificadora o valor declarado foi de R$1.178.388,38. Já no Dacon apresentado não foi apurado saldo algum de créditos de PIS nãocumulativo. Além disto, apenas e tão somente o saldo trimestral dos créditos de PIS nãocumulativo é passível de restituição/compensação com débitos do contribuinte. [...] Como a recorrente não demonstrou nem comprovou pagamento a maior do PIS nãocumulativo para a competência de fevereiro de 2004, não há que se falar em indébito tributário e muito menos em homologação da compensação do débito fiscal declarado no Per/Dcomp em discussão. [...] A decisão indicada como paradigmática, Acórdão nº 330200.810, por sua vez, analisou tão somente a questão da imprescindibilidade da prévia retificação da DCTF para fins de comprovação do indébito, tendo como devidamente comprovado nos autos a sua liquidez e certeza. Confirase: [...] Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de restituição, sendo que o mesmo somente pode ser deferido após a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte. Claro que o Despacho Decisório da DRF não poderia ser outro, porque a RFB não tinha conhecimento do erro material cometido pela recorrente na apuração da Cofins objeto do pedido de restituição. Particularmente, entendo que o fato de a RFB vir a conhecer do erro material em fase posterior à apresentação regular da PER/DCOMP, inclusive por meio de DCTF retificadora, não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. O indébito existe e tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN. [...] Como se vê, as decisões paragonadas laboram a partir de circunstâncias fáticas distintas: a recorrida, diante da falta de demonstração e comprovação de pagamento a maior, negou provimento ao apelo voluntário; a indicada como paradigma, constatando a Fl. 139DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 existência do indébito, deu provimento ao recurso, para afastar a exigência de prévia retificação da DCTF. Essas dessemelhanças fáticas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. E em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956, de 27/11/89: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Com essas considerações, não conheço do recurso especial do contribuinte em razão da não comprovação da divergência jurisprudencial. Sala de sessões, em 07/06/2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 140DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732884/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DESPESAS MÉDICAS. PROVA.
A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Júnior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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PROVA. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 28 84 /2 01 3- 61 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação à exigência decorrente de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), em razão da glosa de dedução de despesas médicas, por falta ou deficiência de comprovação. Seguem transcrições da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano.calendário: 2010 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Incabível a dedução de despesa médica com plano de saúde quando não especificado o beneficiário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Tratase de impugnação contra Notificação de Lançamento (fls. 3/8) de crédito tributário relativo ao exercício 2011; ano calendário 2010. Detectada dedução indevida de despesa médica com plano de saúde, de R$ 6.490,57, paga ao Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul, porque, intimado (fl. 17), o contribuinte não apresentou os valores discriminados por beneficiário, apurouse saldo de imposto de renda suplementar de R$ 1.784,91. ... O contribuinte não apresentou o comprovante do plano de saúde indicando o beneficiário. Apresenta apenas o comprovante de rendimentos (fl. 29) e outros dois documentos do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul: uma declaração, de 26/11/2013 (fl. 13), que atesta que a pensão é unicamente do contribuinte (fl. 13) e uma certidão positiva de vínculo (fl. 14), de mesma data. Após ciência da decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário. Nele, traz em juntada declaração do setor administrativofinanceiro comprovando a importância descontada de seus proventos como pagamento pelo seu plano de saúde, coincidente com a glosa da dedução, fls. 59. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.732884/201361 Acórdão n.º 2301004.681 S2C3T1 Fl. 66 3 Voto Conselheira Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Conheço do recurso por constatar que atende os requisitos de admissibilidade. Despesas Médicas Para a dedução das despesas médicas na declaração do imposto de renda da pessoa física devem ser atendidos alguns requisitos objetivos e subjetivos: a) prestação de serviço na área da saúde, realizada por médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como no caso de fornecimento de produtos de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, conforme artigo 8o, inciso II alínea “a” da Lei nº 9.520, de 26/12/1995; e b) o custo do serviço ou produto destinado ao contribuinte e seus dependentes deve ter sido suportado pelo contribuinte, conforme artigo 8º, §2o, inciso II da Lei nº 9.520, de 26/12/1995. Também devem ser observadas algumas formalidades para que ao conteúdo do documento se possa conferir legitimidade. Assim, a lei exigiu, em regra, a indicação do nome, endereço, CPF ou CNPJ: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º, § 2º O disposto na alínea a do inciso II: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Ressaltase que o ônus da prova das despesas médicas deduzidas em sua Declaração de Ajuste Anual é do contribuinte: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). No caso sob exame, após a decisão recorrida, o recorrente buscou comprovar o pagamento ao plano de saúde na condição de contratante e beneficiário, complementando as informações no documento anterior. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Assim, entendo que o recorrente tem direito à dedução da despesa médica objeto do recurso. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 68DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15504.015967/2010-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2009
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CALCULO DA COFINS. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO
Tendo o sujeito passivo obtido provimento na esfera judicial, cabe à autoridade administrativa respeitar o que restou decidido de forma definitiva no Poder Judiciário - que, por sua vez, garantiu a tributação pela Cofins com a observância das regras preceituadas na Lei Complementar 70/91.
Nesse ínterim, cabe lembrar que a Lei Complementar 70/91 traz como base de cálculo da Cofins o faturamento e, tendo o STF manifestado, quando da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, que faturamento é a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias e da prestação de serviço, resta tratar como isentas da Cofins as receitas financeiras auferidas pelas Instituições Financeiras.
Numero da decisão: 9303-004.138
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Marciano Seabra de Godoi, OAB/MG nº 65.108, advogado do sujeito passivo.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2009 INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CALCULO DA COFINS. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO Tendo o sujeito passivo obtido provimento na esfera judicial, cabe à autoridade administrativa respeitar o que restou decidido de forma definitiva no Poder Judiciário - que, por sua vez, garantiu a tributação pela Cofins com a observância das regras preceituadas na Lei Complementar 70/91. Nesse ínterim, cabe lembrar que a Lei Complementar 70/91 traz como base de cálculo da Cofins o faturamento e, tendo o STF manifestado, quando da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, que faturamento é a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias e da prestação de serviço, resta tratar como isentas da Cofins as receitas financeiras auferidas pelas Instituições Financeiras.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Marciano Seabra de Godoi, OAB/MG nº 65.108, advogado do sujeito passivo. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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BASE DE CALCULO DA COFINS. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO Tendo o sujeito passivo obtido provimento na esfera judicial, cabe à autoridade administrativa respeitar o que restou decidido de forma definitiva no Poder Judiciário que, por sua vez, garantiu a tributação pela Cofins com a observância das regras preceituadas na Lei Complementar 70/91. Nesse ínterim, cabe lembrar que a Lei Complementar 70/91 traz como base de cálculo da Cofins o faturamento e, tendo o STF manifestado, quando da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, que faturamento é a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias e da prestação de serviço, resta tratar como isentas da Cofins as receitas financeiras auferidas pelas Instituições Financeiras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 59 67 /2 01 0- 72 Fl. 773DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Marciano Seabra de Godoi, OAB/MG nº 65.108, advogado do sujeito passivo. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pelo BANCO BMG contra o Acórdão nº 3202001.590, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2009 INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CALCULO DA COFINS. A base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, compõemse da receita bruta operacional Fl. 774DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 15504.015967/201072 Acórdão n.º 9303004.138 CSRFT3 Fl. 779 3 auferida no mês proveniente de sua atividadefim, o que inclui as receitas provenientes de intermediação financeira.” Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o Acórdão 3202001.590, requerendo que seja conhecido o presente recurso e lhe seja dado provimento, cancelando o lançamento ora discutido sob pena de ofensa direta à coisa julgada nos autos da Ação Rescisória nº 2006.01.00.0107238 – que expressamente determinou que a base de cálculo da Cofins fosse calculada com base no faturamento, tal qual previsto na LC 70/91. O apelo do sujeito passivo foi admitido integralmente, nos termos do Despacho de fls. 741 a 745. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões às fls. 747 a 771, requerendo que seja negado provimento ao recurso especial, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. Em síntese, conclui a Fazenda Nacional que as receitas geradas pelas atividades típicas das instituições bancárias, como receitas de intermediação financeira, além daquelas decorrentes, por exemplo, das tarifas de serviços de fornecimento de cheques e extratos, constituem receita operacional e, portanto, incluemse na base de cálculo da Cofins. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que deva ser conhecido, pois tempestivo e observa os requisitos de admissibilidade de recursos, vez que resta comprovado o dissenso entre os arestos. Para melhor elucidar, é de se trazer que, em relação ao acórdão recorrido e o apontado como paradigma, ambos: Fl. 775DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 · Foram objeto de recursos interpostos por Instituições Financeiras; · Os recorrentes possuíam ações judiciais próprias cujos resultados lhes foram favoráveis no sentido de afastar o alargamento da base de cálculo pretendido pelo art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, tido como inconstitucional pelo STF. E, ademais, consta do acórdão recorrido o entendimento de que o provimento judicial obtido pelo sujeito passivo seria apenas quanto à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo pretendido pelo art. 3º, §1º, da Lei 9.718/98 – sem manifestação acerca do conceito de prestação de serviços ou de vendas de mercadorias paras as Instituições Financeiras e equiparadas. Neste sentido, considerou que as receitas auferidas pelas Instituições Financeiras, em decorrência da realização de seu objeto social, não se constituiriam como receitas financeiras propriamente ditas, visto decorrerem de serviços prestados aos clientes, não se constituindo em mero ganho financeiro. Logo, as receitas recebidas pelo recorrente, Instituição Financeira, em razão da realização de seu objeto social, intermediação financeira, constituemse em receitas operacionais, as quais se enquadram no conceito de faturamento para fins de cálculo da COFINS. Enquanto o acórdão paradigma divergiu das conclusões daquele e entendeu que, por força da decisão judicial declarando a inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei 9.718/98, o PIS recolhido sobre a base de cálculo que extrapole o conceito de faturamento, assim entendido como “venda de mercadorias e serviços” tornaramse indevidos – conduzindo ao entendimento de que a base de cálculo das contribuições deve ser restrita às receitas das vendas e mercadorias e serviços – em sentido estrito. Sendo assim, é claro que o acórdão paradigma entende que as receitas operacionais não compõem o faturamento da empresa e o acórdão recorrido entende de forma divergente. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 15504.015967/201072 Acórdão n.º 9303004.138 CSRFT3 Fl. 780 5 Ventiladas tais considerações, passo à análise da lide – qual seja, a tributação pela Cofins supostamente devida nos períodos de março, abril, junho e julho de 2008 e de maio a dezembro de 2009 sobre a receita financeira auferida pelo sujeito passivo. Não obstante, a priori, trago que as contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional devem ser consideradas, pois tempestivas. Sendo assim, primeiramente, trago que o sujeito passivo argumenta que, na lavratura do Auto de Infração, a autoridade fazendária desconsiderou a decisão transitada em julgado, que expressamente determinou que a base de cálculo da Cofins fosse calculada com base no faturamento, tal qual previsto na legislação anterior à Lei 9.718/98 – ou seja, a LC 70/91. O que, por conseguinte, alega o sujeito passivo ter ocorrido equívoco de interpretação ao entender a autoridade fazendária que a Cofins seria devida sobre as receitas financeiras auferidas pelo sujeito ainda que haja decisão transitada em julgado afastando a aplicação do §1° do art. 3° da Lei 9.718, de 1998. Quanto à essa parte e, em respeito à coisa julgada, importante analisar o provimento judicial concedido na Ação Rescisória nº. 200601.00.0107238. O que, depreendendose de sua análise, entendo que o pedido dessa ação é clara – rescisão do acórdão proferido no Mandado de Segurança 1999.38.000212911 quanto ao alargamento da base de cálculo das contribuições (Grifos meus): “[...] sucessivamente, caso denegada a segurança para os fins do item anterior, seja a mesma concedida para, reconhecendo se a inconstitucionalidade da Lei n. 9.718/98, garantirse às impetrantes o recolhimento da COFINS nos termos da Lei Complementar n. 70/91, com base no faturamento (...)” Nesse ínterim e analisando os autos, é de se verificar ainda que houve expresso pedido para se garantir o direito ao recolhimento da Cofins com base Fl. 777DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 na LC 70/91 – sendo concedida a segurança pelo Eg. TRF da 1ª Região nesses termos. A decisão judicial contemplou expressamente que deve ser observada a base de cálculo prevista no art. 2° da LC 70/91, e não os dispositivos da Lei 9.718, de 1998, que delimita quais receitas devem ser computadas no conceito de faturamento. Considerando que a decisão garantiu a observância das regras preceituadas pela LC 70/91, cabe trazer que essa lei dispõe que a base de cálculo das contribuições se resume ao “faturamento” da instituição – que, por sua vez, equivale à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Tal Lei não faz menção à “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. E, no caso vertente, o valor exigido se refere à Cofins incidente sobre receitas que não correspondem ao sentido estrito de "faturamento" adotado tanto no Acórdão transitado em julgado, quanto nos “leading cases” sobre a matéria no Supremo Tribunal Federal – STF. Ressaltase que o STF não fez distinção sobre a variedade de ramos de atividade econômica dos contribuintes, tampouco trouxe que faturamento equivale a todas as receitas operacionais auferidas pelas instituições e empresas. 0 STF vem adotando o conceito restritivo de prestação de serviços, tanto é que julgou inconstitucional a tributação, pelo ISS, da "locação de bens móveis". Para ser considerado "serviço", este deve preencher os requisitos do conceito jurídico, que é "obrigação de fazer" e, para ser tributável, costumase exigir o critério "preço". O que, por óbvio, temse que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das Instituições Financeiras alcança as taxas, tarifas e comissões cobradas pela prestação de serviços bancários e de serviços de intermediação financeira de clientes. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 15504.015967/201072 Acórdão n.º 9303004.138 CSRFT3 Fl. 781 7 A movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, não compõe o conceito de "faturamento" determinado pelo STF. Frisese tal entendimento a distinção entre "serviços bancários" e "operações bancárias" discutida pelo STF na ADIN 2.591 (aplicação do Código de Defesa do Consumidor aos Bancos), que segue transcrita (Grifos meus): “EMENTA: CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. ART. 5o, XXXII, DA CB/88. ART. 170, V, DA CB/88. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SUJEIÇÃO DELAS AO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR, EXCLUÍDAS DE SUA ABRANGÊNCIA A DEFINIÇÃO DO CUSTO DAS OPERAÇÕES ATIVAS E A REMUNERAÇÃO DAS OPERAÇÕES PASSIVAS PRATICADAS NA EXPLORAÇÃO DA INTERMEDIAÇÃO DE DINHEIRO NA ECONOMIA ART. 3º, § 2º, DO CDC]. MOEDA E TAXA DE JUROS. DEVERPODER DO BANCO CENTRAL DO BRASIL. SUJEIÇÃO AO CÓDIGO CIVIL. 1. As instituições financeiras estão, todas elas, alcançadas pela incidência das normas veiculadas pelo Código de Defesa do Consumidor. 2. "Consumidor", para os efeitos do Código de Defesa do Consumidor, é toda pessoa física ou jurídica que utiliza, como destinatário final, atividade bancária, financeira e de crédito. 3. O preceito veiculado pelo art. 3º, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor deve ser interpretado em coerência com a Constituição, o que importa em que o custo das operações ativas e a remuneração das operações passivas praticadas por instituições financeiras na exploração da intermediação de dinheiro na economia estejam excluídas da sua abrangência. 4. Ao Conselho Monetário Nacional incumbe a fixação, desde a perspectiva macroeconômica, da taxa base de juros praticável no mercado financeiro. 5. O Banco Central do Brasil está vinculado pelo dever poder de fiscalizar as instituições financeiras, em especial na estipulação contratual das taxas de juros por elas praticadas no Fl. 779DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 8 desempenho da intermediação de dinheiro na economia. 6. Ação direta julgada improcedente, afastandose a exegese que submete às normas do Código de Defesa do Consumidor [Lei n. 8.078/90] a definição do custo das operações ativas e da remuneração das operações passivas praticadas por instituições financeiras no desempenho da intermediação de dinheiro na economia, sem prejuízo do controle, pelo Banco Central do Brasil, e do controle e revisão, pelo Poder Judiciário, nos termos do disposto no Código Civil, em cada caso, de eventual abusividade, onerosidade excessiva ou outras distorções na composição contratual da taxa de juros. ART. 192, DA CB/88. NORMAOBJETIVO. EXIGÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR EXCLUSIVAMENTE PARA A REGULAMENTAÇÃO DO SISTEMA FINANCEIRO. 7. O preceito veiculado pelo art. 192 da Constituição do Brasil consubstancia normaobjetivo que estabelece os fins a serem perseguidos pelo sistema financeiro nacional, a promoção do desenvolvimento equilibrado do País e a realização dos interesses da coletividade. 8. A exigência de lei complementar veiculada pelo art. 192 da Constituição abrange exclusivamente a regulamentação da estrutura do sistema financeiro. CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL. ART. 4º, VIII, DA LEI N. 4.595/64. CAPACIDADE NORMATIVA ATINENTE À CONSTITUIÇÃO, FUNCIONAMENTO E FISCALIZAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ILEGALIDADE DE RESOLUÇÕES QUE EXCEDEM ESSA MATÉRIA. 9. O Conselho Monetário Nacional é titular de capacidade normativa a chamada capacidade normativa de conjuntura no exercício da qual lhe incumbe regular, além da constituição e fiscalização, o funcionamento das instituições financeiras, isto é, o desempenho de suas atividades no plano do sistema financeiro. 10. Tudo o quanto exceda esse desempenho não pode ser objeto de regulação por ato normativo produzido pelo Conselho Monetário Nacional. 11. A produção de atos normativos pelo Conselho Monetário Nacional, quando não respeitem ao funcionamento das instituições financeiras, é abusiva, consubstanciando afronta à legalidade. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 15504.015967/201072 Acórdão n.º 9303004.138 CSRFT3 Fl. 782 9 Decisão Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, julgou improcedente a ação direta, vencido parcialmente o Senhor Ministro Carlos Velloso (Relator), no que foi acompanhado pelo Senhor Ministro Nelson Jobim. Votou a Presidente, Ministra Ellen Gracie. Redigirá o acórdão o Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Gilmar Mendes. Não participou da votação o Senhor Ministro Ricardo Lewandowski por suceder ao Senhor Ministro Carlos Velloso, Relator do presente feito. Plenário, 07.06.2006” Nos termos dessa decisão, o STF firmou entendimento que os serviços bancários são remunerados por taxas e tarifas, e, por conseguinte, há incidência de ISS. Tais receitas compõem, assim, o "faturamento" das instituições financeiras, enquanto as receitas financeiras decorrentes de operações bancárias (empréstimos, financiamentos, etc.) estão fora desse conceito, vez que não são decorrentes da prestação de serviço das instituições financeiras. Ensina Marco Aurélio Greco que “Adotar a soma das receitas oriundas das atividades empresariais como critério para determinar a amplitude do conceito constitucional de faturamento implica generalização subjetiva (basta ser pessoa jurídica) que desconsidera o tipo de atividade e a natureza da relação jurídica subjacente que enseja a respectiva cobrança. Com isto, (a) extrapola o conceito pressuposto assumido pelo artigo 195, I, da CF/88; (b) desconsidera a expressa previsão do artigo 192, § 3º que afirma que a atividade financeira não gera faturamento; e (c) implica, de forma indireta, restaurar parte do § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718 que foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.” Nessa linha, o ilustre professor Tercio Sampaio Ferraz Jr traz que “A base de cálculo sobre a qual pode ser exigida a Cofins na vigência da Lei n. 9.718/98, à luz do decidido pelo Supremo Tribunal Federal, restringese apenas à receita oriunda efetivamente da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 10 E, em respeito à decisão transitada em julgado obtido pelo sujeito passivo, devese respeitar a garantia lá concedida – qual seja, de que a Cofins deve incidir somente sobre o faturamento. Dessa forma, considerando que o faturamento decorre da prestação de serviço ou venda de mercadoria, vêse claro que para a Instituição Financeira as receitas decorrentes dos serviços bancários somente abrangeria as taxas e comissões cobradas de seus clientes, e não as oriundas de operações financeiras. Tanto é assim, que o próprio STF ao apreciar questão envolvendo a observância do CDC pelas Instituições Financeiras tratou de esclarecer as receitas passíveis de tributação pelo ISS. Ademais, por serem as instituições financeiras autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, devem observar, para fins contábeis o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeira, não devendo considerar na apuração da base de cálculo o “spread” bancário que, por sua vez, se resume em ser a diferença entre o que o banco paga para captar numerário e o valor cobrado quando do empréstimo a quem o procura. O próprio Banco Central define o termo da forma seguinte: “O spread bancário é definido como sendo a diferença entre a taxa de empréstimo e a taxa de captação de CDB [certificado de depósito bancário]. A taxa média de CDB para o conjunto das instituições financeiras foi calculada a partir de uma média das taxas individuais ponderada pela captação liquida de cada instituição.” E, sendo assim, em respeito ao Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif), tal “spread” não deve ser contabilizado em contas de receitas de prestação de serviço, tal como sempre firmou a autoridade fazendária. Eis que são contabilizadas na conta “Rendas de Operações de Crédito”. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 15504.015967/201072 Acórdão n.º 9303004.138 CSRFT3 Fl. 783 11 Ademais, é de se trazer também manifestação dos ilustres pareceristas à Consif e à Febraban quanto à base de cálculo da Cofins: · Marco Aurélio Greco (Grifos meus): “A base de cálculo da contribuição prevista na LC 70/91 corresponde ao faturamento assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Faturamento é conceito em que a identificação da sua amplitude depende do exame de elementos objetivos e não subjetivos. Como objeto que existe em si algo não deixa de sêlo ou passa a sêlo em função das pessoas levadas em consideração. Receitas financeiras e dividendos não configuram faturamento nos termos do artigo 195, I, da CF/88, seja qual for a natureza da pessoa jurídica que os auferir. Faturamento indica a cobrança de um preço a título de contraprestação num negócio bilateral.” · Tercio Sampaio Ferraz Jr.: Em síntese, prevendo a CF que a seguridade social será financiada por toda a sociedade (art. 195, caput), é possível admitir que a empresa deva a contribuição sobre o faturamento mesmo quando, em suas vendas, não proceda à extração de faturas. Entendese, assim, o entendimento uniforme do STF do faturamento como receita das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza (ao teor da LC 70/91), admitindo um sentido de faturamento para efeitos fiscais que alcança todas as vendas, mesmo se não acompanhadas de fatura. Mas não atinge outros numerários, aqueles que não resultam de venda, como juros, aluguéis, variações monetárias, royalties, lucros e dividendos, descontos obtidos etc. Assim, quando a jurisprudência do STF diz que a distinção entre receita bruta e faturamento não é óbice à Fl. 783DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 12 constitucionalidade de lei que os equipare, lembrandose dispositivos legais, até anteriores à atual Constituição (por exemplo, o DL n. 2397/87), há de se ter em conta que o que ali se opera é uma equiparação entre termos, mas tomandose receita bruta como receita bruta das vendas de mercadorias e serviços. · Alcides Jorge Costa: “A base de cálculo da COFINS, tal como prevista pela Lei Complementar n. 70/91 era o faturamento mensal, assim considerada a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Portanto, esta base de cálculo era o faturamento, produto da venda de mercadorias, destas e de serviços ou apenas de serviços de qualquer natureza, não se alterando em função da atividade desenvolvida pela empresa. [...] Entretanto, como atividade de empresas de outros ramos não envolvia faturamento, a Lei Complementar n. 70/91, em seu artigo 11, determinou um aumento de oito pontos percentuais na alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro devida instituições referidas no § 1º do artigo 22 da Lei n. 8.212, de 24 de julho de 1991, a saber: bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedade corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada e aberta. Portanto, a Lei Complementar 70/91 deixou claro que estas empresas não vendem mercadorias, nem serviços. Deixou claro, também, que não tendo as holdings faturamento por venda de serviços ou de mercadorias, nem constando da relação acima, não eram contribuintes da Cofins.” Fl. 784DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 15504.015967/201072 Acórdão n.º 9303004.138 CSRFT3 Fl. 784 13 Proveitoso trazer ainda que somente até o advento da MP 627/13 – convertida na Lei 12.973/14, o PIS e Cofins tinha como base de cálculo o seu “faturamento” – assim entendido como a receita de prestação de serviço. Eis que, com o advento da MP 627/13 convertida na Lei 12.973/14, houve extensão da base de cálculo do PIS e Cofins para as instituições financeiras: “Art. 52. A Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 3º O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. [...]” “Art. 2º O DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, passa a vigorar com as seguintes alterações: [...] “Art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. [...]” Até a edição da referida MP e respectiva lei de conversão, a receita operacional não compreendia a base de cálculo das instituições financeiras e seguradores, posto que, se assim não fosse, inócuo seria trazer expressamente a inclusão das “receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, não compreendidos nos incisos I a III”. Nessa linha, a exposição de motivos é clara ao expor a intenção do legislador – nos sentido de alterar efetivamente a base de cálculo das contribuições Fl. 785DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 14 com o aperfeiçoamento da definição de receita bruta. Ora, o legislador foi transparente ao trazer que tal mudança “alterou” a base de cálculo daquelas contribuições, não dando caráter interpretativo. Caso tal dispositivo tivesse caráter interpretativo, somente seria assim legitimado caso se limitasse a reproduzir o conteúdo normativo interpretado – sem modificar, estender ou limitar o seu alcance. O que, no caso, não ocorreu. O legislador, de fato, ALTEROU a base de cálculo das contribuições ampliando sua base – passando a tributar pelas contribuições as receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras. Em vista do exposto, entendo que não há que se falar em se tributar pelo PIS e Cofins as receitas sob lide até o advento da Lei 12.973. Não obstante, atento ainda que, no presente caso, não há que se contrariar o Acórdão proferido pelo TRF da lª Região na Ação Rescisória – invocando a tributação pela Cofins das receitas financeiras auferidas pela Instituição Financeira, eis que tal decisão garantiu a observância da LC 70/91 (base de cálculo = faturamento). E, observando tal decisão de se apurar a Cofins sob a sistemática da LC 70/91, o sujeito passivo estaria isento da cobrança dessa contribuição, tal como conclui o próprio Parecer PGFN 2773/07 (Grifos meus): “66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: a) As instituições financeiras e as seguradoras estavam isentas da cobrança da COFINS anteriormente à entrada em vigor da Lei nº 9.718, de 1998 (parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar nº 70, de 1991), [...]” Ora, se possui decisão transitada em julgada para observar a LC 70/91, devese tratar a receita financeira como isenta dessa contribuição, sob pena de confrontar, dentre outros, a conclusão dada pelo próprio Parecer emitido pela PGFN. E, quanto às argumentações da Fazenda relativas à aplicação das definições trazidas pelo Acordo Geral de Comércio e Serviços (GATS), entendo que Fl. 786DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 15504.015967/201072 Acórdão n.º 9303004.138 CSRFT3 Fl. 785 15 tais definições são adotadas especificamente na regulamentação do Comércio Internacional, o que não é o caso concreto, em que se discute o conceito de "faturamento" na legislação da Cofins. Para o GATS o conceito de serviço tem função residual, abrangendo tudo o que não é mercadoria, o que conflita com a jurisprudência do STF, que adota o conceito restritivo de obrigação de fazer, remunerado por preço determinado. Assim, é de se afastar a definição do GATS de que "empréstimos de todo tipo" configura serviço para se levar a conclusão estranha de que os juros decorrentes do empréstimo constituem base de cálculo da Cofins. Ora, os juros decorrentes da remuneração do capital disponibilizado ao cliente não constituem receita de serviços, mas sim receita financeira, não alcançada pelo "faturamento", que é a base de cálculo legítima da Cofins. Nesse ínterim, trago também as manifestações dadas pelos ilustres professores em relação à definição dada pelo GATS: · Marco Aurélio Greco: “[...] A mesma palavra pode assumir sentidos diferentes em função do contexto em que se insere. O termo serviço utilizado no GATS não encontra uma definição que indique sua amplitude. Por tratarse de um Acordo internacional de que participam vários Países as palavras são utilizadas num sentido tão abrangente que permita o consenso sobre o mérito negociado. Por exemplo, em países como os europeus, a noção de “serviço”para fins tributários é obtida por exclusão, enquanto no Brasil o é por inclusão. Distintos critérios de identificação implicam em distintos âmbitos circunscritos. O sentido do termo “serviço” deve Fl. 787DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 16 ser aferido à luz da norma constitucional ou legal que o utiliza considerando seu contexto e a continuidade de significado que emana de sua história.” · Tercio Sampaio Ferraz Jr.: “A questão levantada referese à hipótese de a definição constante do referido Anexo, por integrar um acordo internacional de que fez parte o Brasil, deve ser vinculante de modo prevalecente para a legislação tributária brasileira, por força do CTN, art. 98, e da própria CF, art. 5º, par. 2º. Assim, sendo as atividades financeiras definidas como serviço, elas estariam incluídas na definição de receita bruta como a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza. Antes de mais nada é preciso entender que essa prevalência de tratados e convenções internacionais não cabe em face da própria Constituição. Assim, quando a definição de um conceito tem a ver com a discriminação de competências constitucionais e é para elas relevante, é o conceito constitucional que prevalece sobre qualquer outro, definido em nível infraconstitucional, caso do GATS. E, para tributação dos serviços, a Constituição Federal reservou competência exclusiva para os Municípios (art. 156 – IV: serviços de qualquer natureza, definidos em lei complementar), salvo os indicados na competência dos Estados (art. 155, II: prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação). Ou seja, justamente para efeitos da legislação tributária, serviço é um conceito constitucional. Ademais, a questão está posta em cima de um equívoco. Não se trata de saber se o conceito de serviço financeiro integra a expressão serviços de qualquer natureza, conforme a definição legal de receita bruta, mas se faz parte da definição constitucional de faturamento. Portanto, independentemente da questão referente à definição das atividades financeiras como Fl. 788DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 15504.015967/201072 Acórdão n.º 9303004.138 CSRFT3 Fl. 786 17 serviço, pelo GATS e do conceito constitucional de serviço na competência tributária de Municípios e Estados, o problema relativo à COFINS está antes na definição de faturamento e não de receita bruta. Nesses termos, conforme o Ministro Pertence, „a partir da explícita vinculação genética da contribuição social de que cuida o art. 28 da Lei 7738/89 ao FINSOCIAL, é na legislação desta, e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam‟. E nessa legislação (DL n. 2397/87, art. 22, par. 1º), como já exposto, está disposto que receita bruta é das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza (alínea a), dela distinguindose e dela excluindose as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a ela equiparadas (alínea b), bem como as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas (alínea c). Tais rendas e receitas constituem receita enquanto quantidade de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado. Vale dizer, ainda que se entendesse que o conceito constitucional de serviço pudesse agasalhar, para efeito de discriminação de competências tributárias, os serviços efetivamente prestados por instituições financeiras (como o serviço de cobrança de duplicatas, o serviço de emissão de talão de cheques e outros), as demais receitas operacionais das instituições financeiras (receitas financeiras e outras) estão excluídas do conceito de receita bruta em sentido estrito para efeito de sua subsunção ao conceito constitucional de faturamento. Não há, pois, como subsumir as demais Fl. 789DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 18 atividades financeiras à expressão: serviços de qualquer natureza”. Se o GATS denomina as atividades bancárias de serviço, isto poderia até significar a inclusão daquelas atividades no conceito de receita bruta em sentido extenso, („a receita‟) mas não significaria sua absorção no conceito constitucional de faturamento („o faturamento‟). Mesmo essa hipótese tem de ser interpretada à luz do próprio GATS. As definições nele constantes são estabelecidas “for the purposes of this Annex” (Agreement on subsidies and countervailing measures, Annex on Financil Services, 5. Definitions). Os referidos purposes referemse às atividades conduzidas por um banco central ou autoridade monetária ou de tarifas e também às atividades que formam parte do sistema legal de seguros sociais ou de planos de aposentadoria pública. Quanto a estas, o sentido é de atividades conduzidas pela entidade pública para as contas ou relacionadas com a garantia ou uso de recursos financeiros do Governo (Annex, 1., b, itens (i), (ii) e (iii). Ou seja, a definição de atividades financeiras como serviço tem a ver com o acesso ao mercado, a eliminação de direitos de monopólio e “financial services purchased by public entities” (Understanding on Commitments in Financial Services, B, 1, 2). Ou seja, em questão está a cláusula da nação mais favorecida no que diz respeito à venda ou aquisição de recursos financeiros mediante operações com bancos e entidades 8 equiparadas, realizadas com estes por uma entidade pública em seu território (valhome do The Results of the Uruguay Round of Multilateral Trade Negociations, World Trade Organization, Geneva, 1995, p. 356, 478). Ora, o fato de se tratar a atividade financeira e bancária como „serviço financeiro‟ não altera o núcleo conotativo da definição de receita bruta para efeito de equiparação a faturamento em sentido tributário: vendas. O GATS define Fl. 790DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 15504.015967/201072 Acórdão n.º 9303004.138 CSRFT3 Fl. 787 19 a atividade em termos de aquisição e uso de recursos bancários, não de tributação de receitas de entidades financeiras. Não há como transferir a definição efetuada para aquele propósito para outro âmbito. Isso significaria, a tomar a transferência em toda a sua extensão, que a própria disciplina civil e comercial das operações bancárias teria de ser inteiramente revista, o que é um manifesto absurdo. Ou seja, ainda que se denomine de „serviço financeiro‟ a atividade financeira e bancária, o que importa é que o custo de operações ativas e a remuneração das operações passivas praticadas pelas instituições financeiras na exploração da intermediação de dinheiro na economia não constituem receita da venda de serviços em termos de receita bruta em sentido estrito, como base de cálculo equiparada a faturamento. E em nada altera essa conclusão o disposto no art. 98 do CTN, segundo o qual os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, devendo ser observados pela que lhes sobrevenha. Afinal, a utilização da definição do GATS referente à aquisição de recursos financeiros junto a bancos para qualificar sua receita para efeitos tributários é uma extensão indevida, por força da confusão que se estabelece entre as finalidades do Acordo e os objetivos constitucionais de definição de base de cálculo para tributos previstos pela CF.” · Alcides Jorge Costa: “[...] As definições do Anexo do GATS sobre o que considera serviços financeiros, limitamse ao âmbito do próprio acordo, como nele mesmo está expressamente dito”. Passadas tais considerações, é de se considerar ainda que a Procuradoria da Fazenda Nacional reconheceu, quando da interposição do Recurso Fl. 791DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 20 Extraordinário, que o acórdão do TRF da lª Região havia autorizado a Recorrente a apurar a COFINS com base em sua receita de prestação de serviços ("faturamento") sem considerar o valor das receitas financeiras, pois inclui dentre as suas argumentações tópico "inaplicabilidade das decisões proferidas no STF ao caso em tela", com o intuito de englobar todas as receitas decorrentes do objeto social da empresa; É inconteste que a decisão do TRF transitou em julgado, e, com base nesse acórdão o sujeito passivo apurou a COFINS devida no mês objeto de autuação, considerando os termos da decisão – vez que considerou como base de cálculo o faturamento. Ademais, importante trazer que a questão da composição da base de cálculo do PIS e da Cofins, em relação às receitas financeiras de instituições financeiras, será definida pelo STF apenas quando do julgamento do Recurso Extraordinário 609.096, no qual se reconheceu a repercussão geral da questão constitucional suscitada naquele Recurso. Não obstante, ainda que o Supremo alargue a base de cálculo do PIS e da COFINS para o conceito de receitas decorrentes da atividade empresarial, não haverá possibilidade jurídica de que tal decisão, em sede de repercussão geral, tenha efeito ex tunc sobre as sentenças já transitadas em julgado que tenham por fundamento entendimento contrário e que o eventual novo entendimento do STF somente poderá ser aplicado a casos anteriormente julgados se a União ajuizar ação rescisória. Nesse esteio, o Ministro Lewandowski no RE 609.096 trouxe: “Com efeito, o tema apresenta relevância do ponto de vista jurídico, uma vez que a definição sobre o enquadramento das receitas financeiras das instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da Cofins e da contribuição para o PIS norteará o julgamento de inúmeros processos similares, que tramitam e nos demais tribunais brasileiros. Ademais, a discussão também apresenta repercussão econômica porquanto a solução da questão em exame poderá ensejar relevante impacto financeiro no orçamento das referidas instituições, bem como no Fl. 792DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 15504.015967/201072 Acórdão n.º 9303004.138 CSRFT3 Fl. 788 21 da Seguridade Social e no do PIS. Além disso, a matéria em debate guarda similitude submetido ao julgamento do Plenário desta Corte em 18/8/09, mas suspenso, na mesma data, em razão do pedido de vista do Min. Marco Aurélio.” Em vista de todo o exposto, entendo, em síntese, que: · O sujeito passivo possui decisão transitada em julgado, garantindo tributar as receitas pela Cofins pela regra preceituada na LC 70/91; · A LC 70/91 traz como base de cálculo da Cofins o faturamento; · O STF entendeu, quando da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, que faturamento é decorrente da prestação de serviço ou venda de mercadorias; · A Própria PGFN alertou em seu Parecer 2773/2007 que pelas regras da LC 70/91 as Instituições Financeiras eram isentas da Cofins em relação às receitas operacionais; · O que, por conseguinte, independentemente da discussão acerca do conceito de faturamento, com a interpretação dada pela PGFN e em respeito a coisa julgada, é de se afastar a tributação pela Cofins sobre a receita financeira auferida pelo sujeito passivo; · Não obstante à conclusão descrita no item anterior, tenho que somente com o advento da MP 627/13 convertida na Lei 12.973/14, houve efetivamente o alargamento da base de cálculo da Cofins, passando a abranger também as receitas operacionais, e não mais as receitas de prestação de serviço. Isso, considerando a própria intenção do legislador consignada na exposição de motivos daquela MP. Considerando todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 793DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 22 Fl. 794DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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