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Numero do processo: 10166.720078/2008-71
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72
Numero da decisão: 1802-000.944
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.720078/200871 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 1802000.944 – 2ª Turma Especial Sessão de 02/08/2011 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente DISBRASUL DISTRIBUIDORA BRASILIENSE DE PRODUTOS PARA SUPERMERCADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel e Marcelo Baeta Ippolito. Ausente justificadamente o Conselheiro André Almeida Blanco. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório DISBRASUL DISTRIBUIDORA BRASILIENSE DE PRODUTOS PARA SUPERMERCADOS LTDA , já qualificada nos autos do processo, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, que julgou procedentes os lançamentos constantes dos Autos de Infração, fls.03/37, abaixo relacionados, e manteve o seguinte crédito tributário, relativo aos anos calendário de 2003 a 2006: Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (Lucro Real) no valor principal de R$ 237.881,16, acrescido de multa de 150% e juros de mora calculados até 30/09/2008; Contribuição Social CSLL no valor principal de R$ 110.166,32, acrescido de multa de 150% e juros de mora calculados até 30/09/2008. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o Termo de Verificação Fiscal e Quadros demonstrativos das diferenças apuradas (fls.192/199) que fazem parte integrante dos autos de infração, os lançamentos de ofício do IRPJ e da CSLL decorrem das seguintes irregularidades: 1) IRPJ: Resultados operacionais não declarados (fls.22/28); 2) CSLL: Falta de recolhimento (fls.35/37). A 2a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Brasília/DF) julgou procedentes os lançamentos conforme decisão proferida no Acórdão nº 0334.785, de 11/12/2009. O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 03/03/2010 conforme o Aviso de Recebimento (AR), fls.249/250, interpôs recurso ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 16/04/2010,fls.251/258. Em sua peça recursal a recorrente argúi, essencialmente, CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Diz que o auto de infração acompanha um singelo quadro demonstrativo, supostamente calcado em efeitos fiscais da recorrente que teriam sido examinados pelos autuantes, porquanto, não é suficiente para atender aos preceptivos de regência da espécie, conforme preceitua o inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal. Na defesa discorre sobre o mencionado princípio constitucional com doutrina e jurisprudência colacionada e adiante trata sobre noções de perícia contábil. Ao final requer provimento ao recurso para proclamar a nulidade do acórdão recorrido e proferida outra decisão de acordo com os ditames do devido processo legal e procedido o necessário exame pericial. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.720078/200871 Acórdão n.º 1802000.944 S1TE02 Fl. 2 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Conforme relatado acima, a interessada foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão nº 0334.785, de 11/12/2009, conforme o Aviso de Recebimento (AR), fls.249/250, em 03/03/2010, quarta feira, e, interpôs Recurso ao Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais CARF, (fls. 251/258), somente em 16/04/2010, sexta feira, portanto, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, que teve como prazo fatal o dia 05/04/2010 (segunda feira) para a apresentação do mencionado recurso. Diante do exposto, concluo que o presente recurso, é intempestivo, não preenche as condições de admissibilidade, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual voto por não conhecêlo. (Assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10650.900557/2009-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - INDÉBITO FORMADO A PARTIR DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL As estimativas mensais não podem ser objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa é sempre o saldo negativo. Mas isso não implica dizer que o exame do direito creditório fica inviabilizado porque a Contribuinte indicou como crédito o recolhimento feito a título de estimativa mensal, e não o saldo negativo do período, que é maior que o valor da estimativa a ser restituída/compensada. Tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Considerando que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano- calendário), que o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2005) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável, e que a Contribuinte apurou prejuízo no período, as antecipações de pagamento configuram indébito a ser restituído ou compensado, eis que caracterizam a formação de saldo negativo, ainda que a Ficha 12-A da DIPJ não tenha sido devidamente preenchida. O art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos dessa espécie. O que realmente interessa é a averiguação acerca da existência e da liquidez do alegado crédito do Sujeito Passivo contra a Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1802-001.119
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - INDÉBITO FORMADO A PARTIR DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL As estimativas mensais não podem ser objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa é sempre o saldo negativo. Mas isso não implica dizer que o exame do direito creditório fica inviabilizado porque a Contribuinte indicou como crédito o recolhimento feito a título de estimativa mensal, e não o saldo negativo do período, que é maior que o valor da estimativa a ser restituída/compensada. Tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Considerando que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano- calendário), que o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2005) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável, e que a Contribuinte apurou prejuízo no período, as antecipações de pagamento configuram indébito a ser restituído ou compensado, eis que caracterizam a formação de saldo negativo, ainda que a Ficha 12-A da DIPJ não tenha sido devidamente preenchida. O art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos dessa espécie. O que realmente interessa é a averiguação acerca da existência e da liquidez do alegado crédito do Sujeito Passivo contra a Fazenda Pública.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDÉBITO FORMADO A PARTIR DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL As estimativas mensais não podem ser objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa é sempre o saldo negativo. Mas isso não implica dizer que o exame do direito creditório fica inviabilizado porque a Contribuinte indicou como crédito o recolhimento feito a título de estimativa mensal, e não o saldo negativo do período, que é maior que o valor da estimativa a ser restituída/compensada. Tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Considerando que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), que o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2005) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável, e que a Contribuinte apurou prejuízo no período, as antecipações de pagamento configuram indébito a ser restituído ou compensado, eis que caracterizam a formação de saldo negativo, ainda que a Ficha 12A da DIPJ não tenha sido devidamente preenchida. O art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos dessa espécie. O que realmente interessa é a averiguação acerca da existência e da liquidez do alegado crédito do Sujeito Passivo contra a Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que negava provimento ao recurso. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 180201.119 S1TE02 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 180201.119 S1TE02 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que manteve a negativa de homologação em relação à Declaração de Compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Para descrever os fatos que antecederam o recurso sob exame, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 0933.796, às fls. 56 e 57: Trata o presente processo da Declaração de Compensação Eletrônica Dcomp n° 25508.30563.180406.1.3.040832 (fls. 4 a 9), transmitida em 18/04/2006, visando compensar débito de IRPJ, código 5993, período de apuração dezembro de 2004, no valor de R$1.934.39, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior da mesma exação, no valor original de R$2.397,05, efetuado por meio do DARF abaixo discriminado: Código de Receita Data de Arrecadação Período de Apuração Valor Total do DARF 5993 30/05/2005 30/04/2005 2.397.05 A DRF/UBB/MG, em 25/03/2009, emitiu Despacho Decisório Eletrônico de nãohomologação da compensação, atestando a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período (fl. 3). A empresa contribuinte foi cientificada em 02/04/2009 (fls. 36 e 42). Inconformada com a não homologação da declaração de compensação, a requerente apresentou, em 30/04/2009, a manifestação de fls. 1 e 2, na qual esclarece que: 1.Diante das não HOMOLOGAÇÕES declaradas nos Despachos Decisórios em relação às PER/DCOMP'S citadas acima, gostaríamos de esclarecer que os créditos objetos de pedidos de compensações como pagamentos indevidos ou a maiores, foram oriundos de valores pagos por estimativa mensal durante o ano de 2005 e considerados no fechamento da apuração final do ano 2005. Tais valores, pagos por estimativa, compõem ao final da apuração do ano de 2005 o saldo negativo de IRPJ ou contribuição (CSLL), pois, a Fl. 174DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 180201.119 S1TE02 Fl. 4 4 empresa neste ano fechou com prejuízo no resultado final, sendo apurados os créditos objetos dos pedidos de compensações. 2.Conforme nosso entendimento na época do pedido de compensação, estávamos cumprindo o que determinava a legislação, no que diz respeito à IN 600 SRF de 28/12/2005 DOU de 30/12/2005, no seu artigo 10. Os créditos ora compensados se referiam especificamente ao saldo negativo em função dos pagamentos indevidos ou a maiores a título de estimativa mensal, levantados o seu montante total após a devida apuração final do ano de 2005. Naquele momento entendemos se tratar de pagamentos indevidos ou a maiores. Ao nosso ver, não se justifica agora depois de todo este tempo simplesmente a não homologação, mas sim buscar uma forma de corrigir o possível procedimento adotado, uma vez que a Empresa possui os referidos créditos. Até mesmo porque os pedidos de compensação somente foram efetuados no ano de 2006 e não antes da devida apuração final do referido crédito. .......... Assim, por todo o exposto, solicitamos que sejam analisadas as justificativas apresentadas e que possam nos orientar e dar oportunidade para que possamos corrigir as possíveis irregularidades. Caso sejam necessários maiores esclarecimentos, estaremos ao inteiro dispor e poderão contactarnos através do telefone: 3436716276 ou no endereço acima citado. Para instrução do presente processo, foram anexados, às fls. 44 a 55, extratos dos sistemas informatizados da RFB. Como já mencionado, a DRJ Juiz de Fora/MG manteve a negativa em relação ao procedimento de compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 30/05/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR.. CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. 1.A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. 2. A improcedência do Fl. 175DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 180201.119 S1TE02 Fl. 5 5 crédito utilizado em compensação impõe o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da compensação. 3. A Declaração de Compensação somente poderá ser retificada pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 17/03/2011, a Contribuinte apresentou em 15/04/2011 o recurso voluntário de fls. 61 a 69, com os seguintes argumentos: o DARF que deu origem ao pagamento do tributo apurado, objeto do pedido de compensação, foi pago em 30 de maio de 2.005, sob o código 5993, conforme documento em anexo; a Recorrente inicialmente declarou na sua DCTF Semestral os valores que estavam sendo pagos a título de IRPJ, ressaltandose que equivocadamente o fazia por meio do sistema de apuração por estimativa mensal, sendo que a DCTF foi transmitida em 28 de setembro de 2.005; equivocadamente, em 18 de abril de 2.006, foi novamente transmitida uma DCTF retificadora, onde foram excluídos todos os valores pagos indevidamente a título de IRPJ recolhidos aos cofres públicos; da mesma forma, ao realizar o ajuste anual na DIPJ, não fez constar os valores pagos a título de IRPJ, que, ressaltese mais uma vez, foi apurado pelo regime de estimativa mensal, quando o regime adotado pela Recorrente é o de ajuste anual Lucro Real; assim, quando do julgamento da Impugnação à negativa do pedido de compensação realizado pela Recorrente, os Julgadores não tiveram conhecimento da realidade dos fatos, pois realmente não era possível verificar a existência de recolhimento dos valores do tributo, uma vez que erroneamente foram excluídos da DCTF e da DIPJ, porém foi devidamente recolhido o tributo conforme consta do DARF; o recolhimento foi feito indevidamente, pois não houve lucro durante o exercício de 2.005; o processo administrativo fiscal prima por buscar a verdade real, ou seja, o Julgador quando analisa o procedimento fiscal deve analisar o conjunto probatório, para dele extrair a realidade dos fatos; é imprescindível, na busca da verdade material, que seja reconhecida como válidas as declarações prestadas e o reconhecimento de que o IRPJ objeto do presente processo foi pago indevidamente, permitindo a compensação; o erro da Recorrente foi ter retirado da DCTF semestral os valores que foram pagos a título de IRPJ, pois não poderia têlo feito, de modo que o Julgador pudesse Fl. 176DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 180201.119 S1TE02 Fl. 6 6 verificar que tais valores foram recolhidos indevidamente, considerando que ficou demonstrado na DIPJ que no decorrer do ano a empresa, ora Recorrente, teve prejuízos durante todo o período de apuração; a intenção da Recorrente é que seja reconhecido o erro de fato praticado por ela, qual seja, ter excluído os valores pagos a título de IRPJ da DCTF, permitindo, assim, que se faça a compensação destes valores com os devido a título do IRPJ 2.004; notase claramente que a Recorrente cometeu um erro ao recolher o IRPJ e a CSSL com fundamento no lucro presumido, quando procedia a apuração por lucro real; assim, quando fez o recolhimento ficou com crédito junto ao Fisco, todavia, com a alteração do regime, indevidamente, glosou os valores da DCTF, quando na verdade deveria mantêlos para depois proceder à sua compensação, uma vez que o recolhimento foi indevido; a Recorrente não pretende incluir novo débito ou aumentar o valor do débito compensado, somente pretende que seja reconhecido que foi pago IRPJ indevido, pois no corrente ano houve prejuízo, permitindo que se faça a sua compensação com o débito existente; a operação pretendida pela Recorrente não trará nenhum prejuízo para o Fisco, pois estarseá compensando o valor recolhido indevidamente com o crédito da Fazenda existente, sendo que a compensação foi requerida com impostos de mesma natureza; a Jurisprudência deste Egrégio Conselho, em casos semelhantes, tem reconhecido o direito de compensar os tributos quando oriundo de erro de fato (decisões transcritas); há de ser ressaltado que a Recorrente tentou, após ter sido notificada da r. decisão da DRF/UBA/MG que indeferiu o pedido de compensação, consertar o erro cometido na DCTF e DIPJ, todavia, não foi possível, pois o sistema não mais permitiu o acesso; também é imperioso mencionar que a Recorrente está pleiteando a compensação dentro dos limites legais, respeitando, portanto, os parâmetros de compensação; é imprescindível que seja reconhecido o erro de fato, tendo em vista que houve apuração de débito de tributo indevidamente, assim como o seu recolhimento, para determinar a sua compensação com débitos existentes. Ao final, a Contribuinte requer: 1 Seja reconhecido que a apuração do lançamento de IRPJ e CSLL realizada no mês de maio/2005 foi um erro de fato; 2 Seja determinada realização da compensação do valor apurado e recolhido indevidamente aos cofres da Fazenda Nacional, nos termos da Dcomp transmitida; 3 Caso Vossas Excelências apenas reconheçam o erro de fato, porém afastem o direito de compensação, que seja deferida a restituição dos valores pagos indevidamente com as correções previstas em lei, uma vez que o tributo foi recolhido indevidamente aos cofres da Fazenda Nacional, pois inexistia Fl. 177DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 180201.119 S1TE02 Fl. 7 7 IRPJ/CSLL a serem recolhidos no exercício 2.005, em razão do prejuízo apontado pela Recorrente. Este é o Relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 180201.119 S1TE02 Fl. 8 8 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de uma Declaração de Compensação enviada em 18/04/2006. O crédito informado na DCOMP corresponde a um recolhimento no valor de R$ 2.397,05, a título de estimativa de IRPJ do mês de abril/2005, e o débito a ser compensado também corresponde a IRPJ/estimativa, referente ao mês de dezembro de 2004. A decisão recorrida está fundamentada nos seguintes termos: (...) O não reconhecimento do direito creditório ocorreu porque o crédito, indicado na Dcomp, referese a pagamento a título de estimativa mensal de imposto de renda da pessoa jurídica tributada pelo lucro real e somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ, no caso, do ano calendário de 2005. Aduz a contribuinte que os valores, pagos por estimativa, compõem o saldo negativo de IRPJ na apuração ao final do ano calendário de 2005, pois a empresa fechou o ano com prejuízo. Assim, os créditos, objetos dos pedidos de compensações, relativos a pagamentos indevidos ou a maiores a título de estimativa mensal, se referem especificamente ao saldo negativo desse ano. Da análise dos documentos extraídos dos sistemas informatizados da RFB, fls. 44 a 55, verificase que não consta na DIPJ/2006, apresentada pela contribuinte em 28/06/2006, mais especificamente na Ficha 12A “CÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL PJ EM GERAL”, a apuração do saldo negativo para o anocalendário de 2005. Constatase ainda que a contribuinte promoveu o cancelamento, através de retificação da DCTF em 18/04/2006, de todos os valores declarados a título de estimativa mensal do referido ano. Sobre a situação fática supra evidenciada, concluise que o direito creditório, indicado na Dcomp, referese, na verdade, ao pagamento relativo à estimativa devida mensalmente e não ao saldo negativo, conforme alegado, não havendo que se falar em erro de fato. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 180201.119 S1TE02 Fl. 9 9 E mais, a pretensão da requerente, aduzida na manifestação de inconformidade, no sentido de alterar a origem do crédito, de pagamento a maior de estimativa para saldo negativo, equivale a um pedido de retificação do crédito. Tal solicitação não é possível nessa fase processual. (...) Além disso, a análise de pedido de retificação da Dcomp é de competência da DRF de jurisdição do contribuinte. Nas lides que versam sobre declaração de compensação, a Delegacia de Julgamento somente possui competência para apreciar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação das compensações declaradas, de acordo com disposições contidas no Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 587, de 2010. A empresa não apresentou pedido de retificação da DCOMP anteriormente à ciência (02/04/2009 fl. 42) do Despacho Decisório eletrônico de fl. 3, que não homologou a compensação, e, pelas razões expostas acima, não cabe aqui ser formulado, tampouco apreciado. Por todo o exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade e ratificar o Despacho Decisório de fl. 3. Realmente, as estimativas mensais não podem ser objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa é sempre o saldo negativo. Contudo, isso não implica dizer que o exame do direito creditório fica inviabilizado porque a Contribuinte indicou como crédito o recolhimento feito a título de estimativa mensal. Não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/ compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados na ótica de sua repercussão no resultado final do período, na medida em que contribuem para a caracterização de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado, mas somente a partir do ajuste. No caso, a Contribuinte enviou a Declaração de Compensação após o encerramento do anocalendário. Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e que embora a Fl. 180DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 180201.119 S1TE02 Fl. 10 10 Contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de abril/2005, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2005) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. A indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, realmente, não pode ser obstáculo ao pleito da Contribuinte. O que importa é saber se houve ou não apuração de tributo devido no ano calendário de 2005, e qual a repercussão da estimativa em questão no ajuste final. Vêse, pela DIPJ acostada aos autos (fls. 139 a 162), que a Contribuinte apurou estimativas de IRPJ com base na receita bruta até o mês de abril/2005, e que a partir do mês de maio passou a apurar balancetes de suspensão, indicando prejuízo fiscal até o final do ano, com saldo negativo de IR a pagar em dezembro de 2005, no valor de R$ 10.821,08. O fato de a Contribuinte não ter deduzido na Ficha 12A da DIPJ (fls. 150) as estimativas recolhidas ao longo do ano com base na receita bruta, para fins de indicar nesta ficha o mesmo valor de R$ 10.821,08 a título de saldo negativo não pode prejudicar a restituição/compensação do indébito. Se ela apurou prejuízo no período, e este se encontra homologado, eis que não há nenhuma notícia de reversão do resultado por meio de auto de infração, as antecipações de pagamento configuram indébito a ser restituído ou compensado. Como já mencionado, a estimativa é um pagamento, ainda que antecipado, e no caso de ela se configurar como um pagamento indevido, que caracteriza a formação de saldo negativo, subsiste o direito à repetição, mesmo diante de um equívoco no preenchimento da DIPJ (não preenchimento da Ficha 12A). Com efeito, o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos dessa espécie. O que realmente interessa é a averiguação acerca da existência e da liquidez do alegado crédito do Sujeito Passivo contra a Fazenda Pública. Nesse mesmo passo, também não há maiores problemas em relação à retificação equivocada das DCTF, para zerar as estimativas mensais anteriormente declaradas/ confessadas. Em relação a isso, é importante lembrar que as estimativas declaradas em DCTF e não recolhidas, nem mesmo são encaminhadas à execução fiscal, porque o art. 44 da Lei 9.430/1996 prevê um tratamento específico para o caso de falta de recolhimento de estimativa, que consiste na aplicação de multa isolada. Assim, o fato de não mais constar da DCTF o valor recolhido a título de estimativa, em razão da retificação desta declaração, não tem qualquer reflexo na formação/ caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado. A ausência de declaração em DCTF não suprime o efeito das antecipações que foram efetivamente recolhidas. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 180201.119 S1TE02 Fl. 11 11 No caso, a estimativa foi paga e a Contribuinte apurou prejuízo no período, que se encontra homologado pelo decurso do tempo. Portanto, há o direito à repetição do que foi pago indevidamente, a título de antecipação. Tratandose de estimativa mensal efetivamente recolhida, o fato de o “débito” a título de estimativa não constar de DCTF é ainda mais irrelevante, eis que ao final do período em que se apurou prejuízo, o pagamento antecipado (correspondente àquele débito) passa a configurar indébito a ser restituído/compensado. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para homologar a compensação, no limite do crédito tributário. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 182DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10830.900250/2013-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.676
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 06/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 50 /2 01 3- 55 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900250/201355 Acórdão n.º 3301003.676 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.709, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900250/201355 Acórdão n.º 3301003.676 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900250/201355 Acórdão n.º 3301003.676 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900250/201355 Acórdão n.º 3301003.676 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900250/201355 Acórdão n.º 3301003.676 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900250/201355 Acórdão n.º 3301003.676 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900250/201355 Acórdão n.º 3301003.676 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900250/201355 Acórdão n.º 3301003.676 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.000973/97-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/1991 a 31/01/1994
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF N.º 91.
No caso de pedido administrativo de restituição formulado antes de 09 de junho de 2005, aplica-se o prazo decadencial de 10 (dez) conforme inteligência da Súmula CARF n.º 91.
BASE DE CÁLCULO. REGRA DA SEMESTRALIDADE.
A base de cálculo da contribuição para o PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária, conforme inteligência da Súmula CARF n.º 15.
Numero da decisão: 9303-005.481
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para aplicar a Súmula CARF
nº 15 e a Súmula CARF nº 91.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/1991 a 31/01/1994 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF N.º 91. No caso de pedido administrativo de restituição formulado antes de 09 de junho de 2005, aplica-se o prazo decadencial de 10 (dez) conforme inteligência da Súmula CARF n.º 91. BASE DE CÁLCULO. REGRA DA SEMESTRALIDADE. A base de cálculo da contribuição para o PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária, conforme inteligência da Súmula CARF n.º 15.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para aplicar a Súmula CARF nº 15 e a Súmula CARF nº 91. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF N.º 91. No caso de pedido administrativo de restituição formulado antes de 09 de junho de 2005, aplicase o prazo decadencial de 10 (dez) conforme inteligência da Súmula CARF n.º 91. BASE DE CÁLCULO. REGRA DA SEMESTRALIDADE. A base de cálculo da contribuição para o PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária, conforme inteligência da Súmula CARF n.º 15. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para aplicar a Súmula CARF nº 15 e a Súmula CARF nº 91. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 09 73 /9 7- 32 Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 10680.000973/9732 Acórdão n.º 9303005.481 CSRFT3 Fl. 1.180 2 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 20400.037, de 13 de abril de 2005 (fls. 1122 a 1130 do processo eletrônico), proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do antigo CARF, decisão que por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para estabelecer critério de semestralidade e afastar a decadência. A discussão dos presentes autos tem origem no protocolo do Contribuinte de pedido de compensação de valores recolhidos a título de contribuição para o PIS no período de 01 de agosto de 1991 a 31 de janeiro de 1994, com débitos de tributos diversos fazendo menção ao Mandado de Segurança n.° 94.00040210. Inicialmente, seu pedido foi indeferido pela autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte MG, ao argumento de que o Tribunal Regional Federal da lª Região teria denegado a segurança no tocante ao pedido de compensação, a par do § 2° do art. 18 da MP n° 1.62131, proibir a restituição das quantias pagas. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que não havia mais qualquer dispositivo que proibisse a restituição das quantias pagas, haja vista nova redação do art. 18, § 2° da Medida Provisória n° 1.62136, de 10 de junho de 1988. Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 10680.000973/9732 Acórdão n.º 9303005.481 CSRFT3 Fl. 1.181 3 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte — MG reconheceu "não mais existir impedimentos para restituição" em face da nova redação da Medida Provisória acima mencionada, devolvendo os autos para Delegacia da Receita Federal em Sete Lagoas para as providências cabíveis. Por sua vez, a DRF Sete Lagoas deferiu parcialmente o pedido ao argumento que já teria decaído o direito de restituir os valores pagos anteriormente a 12 de fevereiro de 1992. O Contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, MG, requerendo seja reconhecido o prazo prescricional de 05 anos a contar da publicação da Resolução do Senado Federal que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em sede de controle difuso de constitucionalidade. Requer ainda, o direito a atualização monetária incorporando os expurgos inflacionários gerados pelos Planos Verão e Collor. A DRJ em Belo Horizonte/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte, mantendo o despacho decisório. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por maioria de votos, deu provimento parcial para estabelecer critério de semestralidade e afastar a decadência, conforme acórdão assim ementado in verbis: NORMAS PROCESSUAIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. DECADÊNCIA. 0 prazo decadencial para se pedir a restituição do tributo pago indevidamente tem como termo inicial a publicação da Resolução que extirpou do ordenamento jurídico a norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. PIS. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, até a edição da MP n° 1.212/95, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. CORREÇÃO MONETARIA DO INDÉBITO. Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 10680.000973/9732 Acórdão n.º 9303005.481 CSRFT3 Fl. 1.182 4 A atualização monetária, até 31/12/1995, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR no 08, de 27/06/1997, devendo incidir a taxa Selic a partir de 01/01/1996, nos termos do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/1995. Recurso provido em parte. A Fazenda opôs Embargos de Declaração às fls. 1134 a 1142, sendo que estes foram rejeitados conforme despacho às fls. 1149 e 1150. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1154 a 1167) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada da Fazenda Nacional diz respeito: (1) à aplicação do prazo prescricional para repetição de indébito, para pedidos protocolados antes da vacatio legis da LC nº 118/2005 (09/06/2005), ser contado do fato gerador da obrigação tributária, sendo irrelevante a data de publicação da Resolução do Senado Federal que suspenda, com eficácia erga ommes, a execução de dispositivo legal declarado inconstitucional pelo STF; e (2) à impossibilidade do reconhecimento de ofício da semestralidade do PIS. Para comprovar as divergências jurisprudenciais suscitadas, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números 9900000.767, 9900 000.459, CSRF/0201.636 e CSRF/0201.605. A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição integral das ementas no corpo da peça recursal. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 1169 a 1172, sob o argumento que ficaram comprovadas as divergências jurisprudenciais suscitadas pela Fazenda Nacional. Referente ao item 1: Na decisão recorrida, a Turma julgadora aplicou a tese de que o prazo para repetição de indébito deve ser contado a partir da data da Resolução do Senado Federal SF que suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução de dispositivo legal declarado inconstitucional pelo STF. Por sua vez, os paradigmas citados, firmam entendimento diverso quanto aos tributos lançados por Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 10680.000973/9732 Acórdão n.º 9303005.481 CSRFT3 Fl. 1.183 5 homologação, no sentido de que, para as restituições requeridas antes de 09/06/2005, como na presente demanda de 12/02/1997, a regra aplicável é a contagem do prazo a partir do fato gerador da obrigação tributária, sendo irrelevante, para fins de contagem do prazo prescricional para repetição de indébito, a análise de eventual data de publicação da Resolução do SF; referente ao item 2: Na decisão recorrida, a Turma julgadora reconheceu de ofício a semestralidade relativa à base de cálculo do PIS. Por sua vez, os paradigmas citados, firmam entendimento diverso, entendendo que não é possível reconhecer tal critério de ofício, por não se tratar de matéria de ordem pública. O Contribuinte foi cientificado para apresentar contrarrazões, conforme se verifica às fls. 1174 e 1177 e não se manifestou. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Como relatado, a matéria posta em debate pelo Recurso Especial Fazenda Nacional diz respeito: (1) à aplicação do prazo prescricional para repetição de indébito, para pedidos protocolados antes da vacatio legis da LC nº 118/2005 (09/06/2005), ser contado do fato gerador da obrigação tributária, sendo irrelevante a data de publicação da Resolução do Senado Federal que suspenda, com eficácia erga ommes, a execução de dispositivo legal declarado inconstitucional pelo STF; e (2) à impossibilidade do reconhecimento de ofício da semestralidade do PIS. Quanto ao primeiro tema, a discussão está em torno da definição do termo inicial para contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos para a Contribuinte postular a Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 10680.000973/9732 Acórdão n.º 9303005.481 CSRFT3 Fl. 1.184 6 restituição/compensação de tributo, sujeito ao lançamento por homologação, que foi pago indevidamente. No acórdão recorrido, a Turma julgadora aplicou a tese de que o prazo para repetição de indébito deve ser contado a partir da data da Resolução do Senado Federal que suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução de dispositivo legal declarado inconstitucional pelo STF. E Fazenda Nacional diz que à aplicação do prazo prescricional para repetição de indébito, para pedidos protocolados antes da vacatio legis da LC nº 118/2005 (09/06/2005), deve ser contado do fato gerador da obrigação tributária, sendo irrelevante a data de publicação da Resolução do Senado Federal que suspenda, com eficácia erga ommes, a execução de dispositivo legal declarado inconstitucional pelo STF. Com efeito, a contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621/RS, que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118/05, consignando entendimento no sentido de que: (a) para os processos ajuizados após a entrada em vigor da LC nº 118/2005, em 09 de junho de 2005, o prazo para compensação/restituição do crédito tributário recolhido indevidamente ou a maior é de 05 (cinco) anos contados do pagamento indevido; (b) de outro lado, para as ações de restituição ajuizadas até a entrada em vigor da LC nº 118/2005, deve ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos contados do fato gerador, tese do 5 mais 5 (cinco anos para homologar o lançamento e mais 5 para repetir). A ementa do acórdão do RE nº 566.621/RS foi redigida nos seguintes termos: Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 10680.000973/9732 Acórdão n.º 9303005.481 CSRFT3 Fl. 1.185 7 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 10680.000973/9732 Acórdão n.º 9303005.481 CSRFT3 Fl. 1.186 8 na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, disposição reproduzida no art. 62, §2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, as decisões proferidas em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal são de observância obrigatória por este Conselho, razão pela qual uniformizada a jurisprudência administrativa quanto ao prazo para repetição do indébito tributário nos termos definidos no RE nº 566.621. No entanto, o referido entendimento encontrase ainda consolidado por meio da Súmula CARF nº 91, de observância obrigatória conforme art. 72, Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, in verbis: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Como relatado a discussão dos presentes autos tratam de pedido de compensação, protocolizados em 12/02/1997, de valores recolhidos a título de contribuição para o PIS no período de 13 de agosto de 1991 a 31 de janeiro de 1994 (fls 11/12), com débitos de tributos diversos fazendo menção ao Mandado de Segurança n° 94.00040210. Diante do exposto e ainda considerando o art. 45, inciso VI do Regimento Interno deste Conselho, deve ser reconhecida a prescrição do direito de restituição/compensação do contribuinte em relação aos fatos anteriores a fevereiro de 1987. Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 10680.000973/9732 Acórdão n.º 9303005.481 CSRFT3 Fl. 1.187 9 Quanto ao segundo tema, a decisão recorrida decidiu que é possível ao órgão julgador deferir a “semestralidade” sem pedido específico do contribuinte nesse sentido. Em relação à aplicação de ofício da regra da semestralidade, informase, de pronto, que se trata de matéria sumulada neste Colegiado, verbis: Súmula CARF nº 15 (VINCULANTE): A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. De acordo com o art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), "[as] decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF." (g.n.) Nesse sentido, nada há a reformar na decisão recorrida quanto à aplicação de ofício da regra da semestralidade, precipuamente se se considerar que, de acordo com o § 2º do art. 67 do Anexo II do RICARF, "[não] cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF" Diante do exposto, parcial provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 10680.000973/9732 Acórdão n.º 9303005.481 CSRFT3 Fl. 1.188 10 Fl. 1188DF CARF MF
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Numero do processo: 10820.001993/2006-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 9202-005.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento no âmbito administrativo, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
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CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento no âmbito administrativo, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 19 93 /2 00 6- 31 Fl. 324DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de exigência de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2002, acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativa ao imóvel rural denominado “Fazenda Macaúbas”, no Município de Santo Antônio do Aracanguá/SP. Em sessão plenária de 17/06/2010, foi julgado o Recurso Voluntário nº 344.256, prolatandose o Acórdão nº 210200.663 (fls. 150 a 162), assim ementado: “ASSUNTO : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. JURISPRUDÊNCIA ARGÜIDA Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiarse dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter partes e não erga omnes. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A decisão foi assim registrada: "Acordam os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do Relator, para reconhecer uma área de 74,0 ha como de preservação permanente e 404,8 ha como de utilização limitada, vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que somente reconhecia a área de preservação permanente." Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10820.001993/200631 Acórdão n.º 9202005.609 CSRFT2 Fl. 325 3 O processo foi recebido na PGFN em 16/12/2010 (carimbo aposto à Relação de Movimentação de fls.164) e, em 17/12/2010 (Relação de Movimentação de fls.198), a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 165 a 175, visando rediscutir a necessidade de apresentação tempestiva do ADA Ato Declaratório Ambiental, para exclusão das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal da tributação do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2002. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, por meio do Despacho de Admissibilidade de 10/04/2011 (fls. 199/200). Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do recurso, restaurandose o lançamento em sua integralidade. Cientificada em 27/06/2011 (AR Aviso de Recebimento de fls. 204), a Contribuinte, em 12/07/2011 (carimbo às efls. 275), ofereceu as Contrarrazões de efls. 237 a 241 e interpôs o Recurso Especial de efls. 276 a 280. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte argumenta, em síntese: em 16/04/2010, ingressou com Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária, perante a 13ª Vara Cível Federal de São Paulo SP, com pedido de antecipação de tutela inaudita altera parte, com o fim de suspender, de imediato, a cobrança de ITR relativo ao exercício de 1998, que recaiu sobre a ARL Área de Reserva Legal e a APP Área de Preservação Permanente, mantidas em sua propriedade rural, e ao final declarar em definitivo a inexistência de relação jurídicotributária que a obrigue a recolher o ITR sobre as referidas áreas (petição inicial anexada doc. 1); o Juízo houve por bem conceder a tutela requerida (doc. 2) e, por ocasião da prolação de sentença (doc. 3), julgou procedente o pedido, para declarar a inexigibilidade do crédito tributário do ITR sobre as áreas em tela, assim declaradas pela autora relativamente ao imóvel Fazenda Macaúbas, independentemente de averbação ou de ADA, e extinguiu o processo com resolução de mérito; ou seja, a Contribuinte tem a seu favor uma decisão que não apenas afasta a exigência do ITR sobre o exercício de 1998, como também declarou a inexistência de relação jurídicotributária com a União, que a obrigue a recolher o ITR sobre as áreas em testilha, independentemente do exercício a que se refira; ocorreu, portanto, o deslocamento da discussão travada nos presentes autos, da esfera administrativa para a esfera judicial, usualmente denominada concomitância processual, logo, enquanto prevalecer a referida decisão, a administração tributária fica impedida de prosseguir com as medidas necessárias à exigência do ITR, que permanecerá suspensa enquanto não houver reforma da sentença que a favorece; por essa razão, requer, preliminarmente, seja sobrestado o presente processo, enquanto permanecer suspensa a exigência fiscal por força da decisão ora anexada; no mérito, a Contribuinte traz aos autos, apenas por cautela e por amor à argumentação, ementas de decisões contrárias à pretensão fazendária proferida por essa Câmara Superior de Recursos Fiscais, que devem prevalecer sobre os paradigmas indicados pela Recorrente (cita jurisprudência); Fl. 326DF CARF MF 4 vale dizer, pouco importa, para efeito de isenção do ITR sobre as áreas em tela, se o Ato Declaratório Ambiental foi apresentado, e menos ainda se a apresentação ocorreu dentro ou fora do prazo previsto na Instrução Normativa SRF n° 67/97, já que a lei não contempla essa précondição. Ao final, a Contribuinte pede preliminarmente o sobrestamento do presente processo e, caso assim não se entenda, o não provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional; Ao Recurso Especial da Contribuinte foi negado seguimento, conforme Despacho de Admissibilidade de 14/02/2013 (efls. 315 a 317), o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame de efls.318. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo e visa rediscutir a necessidade de apresentação tempestiva do ADA Ato Declaratório Ambiental, para exclusão das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal da tributação do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2002. De plano, registrase que a própria Contribuinte, em sede de Contrarrazões (efls. 237 a 275), declara haver ajuizado ação junto ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal (processo 000867781.2010.403.6100), com o mesmo objeto do presente processo. Confirase: "Ou seja, a Recorrida tem a seu favor uma decisão que não apenas afasta a exigência do ITR sobre o exercício de 1998, como também declarou a inexistência de relação jurídico tributária com a União que a obrigue a recolher o ITR sobre as áreas de reserva legal e permanente no imóvel Fazenda Macaúbas, independentemente do exercício a que se refira." A questão da concomitância entre ação judicial e processo administrativo, versando sobre o mesmo objeto, já se encontra sumulada: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, nada resta a esta Segunda Turma senão dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, declarando a definitividade do lançamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10820.001993/200631 Acórdão n.º 9202005.609 CSRFT2 Fl. 326 5 Fl. 328DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.003117/2004-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2004
MULTA ISOLADA NO PATAMAR DE 75%. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AUSÊNCIA DE FRAUDE E SONEGAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Nos termos do art. 18, caput § 2° da Lei n° 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/04, a multa isolada sobre o valor de débito compensado indevidamente só se aplica na hipótese de infração com dolo, fraude, sonegação ou conluio, no percentual qualificado de 150% por cento.
No caso as declarações foram entregues antes de 22/11/2005, não houve comprovação de dolo, aplica-se a retroatividade benigna e cancela-se a multa aplicada no patamar de 75% em razão das alterações normativas trazidas pela lei nº11.051/04.
Numero da decisão: 9303-005.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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INDUSTRIAL H. CARLOS SCHNEIDER ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2004 MULTA ISOLADA NO PATAMAR DE 75%. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AUSÊNCIA DE FRAUDE E SONEGAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Nos termos do art. 18, caput § 2° da Lei n° 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/04, a multa isolada sobre o valor de débito compensado indevidamente só se aplica na hipótese de infração com dolo, fraude, sonegação ou conluio, no percentual qualificado de 150% por cento. No caso as declarações foram entregues antes de 22/11/2005, não houve comprovação de dolo, aplicase a retroatividade benigna e cancelase a multa aplicada no patamar de 75% em razão das alterações normativas trazidas pela lei nº11.051/04. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 31 17 /2 00 4- 59 Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10920.003117/200459 Acórdão n.º 9303005.407 CSRFT3 Fl. 702 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 5º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a época sob o Regimento Interno do extinto Segundo Conselho de Contribuinte, contra acórdão nº20311.148, proferido pela Terceira Câmara, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar sete Autos de Infração relativos à multa isolada no percentual de 75%, objetos dos Processos n°s 10920.003111/200481, 10920.003112/200426,10920.003113/200471, 10920.003114/200415, 10920.003115/2004 60, 10920.003116/200412 e 10920.003117/200459, mantendo o indeferimento das compensações pleiteadas. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase das vinte nove Declarações de Compensação relacionadas às fls. 186/187, por meio das quais a requerente pretende compensar débitos próprios de diversas espécies tributárias, com crédito prêmio do IPI de terceiro, que lhe foi cedido pela empresa conforme a escritura pública de cessão de créditos datada de espécies tributárias, com crédito Fábrica de Artigos de Couro LTDA, conforme a escritura pública de cessão de créditos datada de 25/09/2002 (cópia às fls. 135/138). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. REGRAS ESPECÍFICAS. CESSÃO DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO NA SEARA TRIBUTÁRIA. Consoante o art. 170 do CTN a compensação em matéria tributária segue regras específicas, pelo que a cessão de direito, por meio da qual o titular cede créditos tributários que lhe foram reconhecidos na via judicial a terceiro, não permite a este utilizar tais créditos para compensar seus débitos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS: PEDIDOS FORMULADOS APÓS 07/04/2000. IMPOSSIBILIDADE. A possibilidade de utilização de créditos oriundos de restituição ou ressarcimento para compensação com débitos de terceiros foi autorizada pelo art. 15 da IN SRF n° 21/97, tendo permanecido até 07/04/2000, data após a qual foi revogada pela IN SRF n° 41, publicada em 10/04/2000. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA NO PERCENTUAL DE 75%. IMPROCEDÊNCIA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. DOLO NÃO CARACTERIZADO. LEI N° 11.051, DE 30/12/2004. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10920.003117/200459 Acórdão n.º 9303005.407 CSRFT3 Fl. 703 3 Nos termos do art. 18, caput § 2° da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, a multa isolada sobre o valor de débito compensado indevidamente só se aplica na hipótese de infração dolosa, no percentual qualificado de cento e cinqüenta por cento. Na situação em que os créditos empregados na compensação são oriundos de insumos de terceiros, têm origem em ação judicial e as declarações de compensação foram entregues antes de 22/11/2005, não tendo sido demonstrada pela fiscalização a existência de dolo, a multa no percentual básico de setenta e cinco por cento é inaplicável. Recurso provido em parte. Inconformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso, sustentando que deve prevalecer a interpretação do art. 18, parágrafo 4º, da lei 10.833/2003, com redação dada pela lei nº 11.051/2004, no sentido de que subsiste a multa isolada nos casos de fraude, conluio e sonegação ou na hipótese do inciso II do parágrafo 12 do artigo 74 da lei nº 9.430/96, com alíquotas correspondentes do artigo 44 da lei 9.430/96. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, a Fazenda Nacional aponta como paradigmas os acórdãos nº 20217.360 e nº 20400.776. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência jurisprudencial, foi dado seguimento ao recurso, fls. 626/628. Contudo, a Contribuinte utilizandose da prerrogativa concedida pelo art. 1º da lei nº 11.941/2009, e, em atendimento ás condições estabelecidas pelo art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06/2009, manifestouse pela desistência integral do recurso especial interposto, fls 683/684. A desistência integral do recurso especial interposto em relação ao processo principal (10920.001575/200453) para inclusão no parcelamento do art. 1° da Lei n° 11.941/2009, encontrase parcelado na referida lei, contudo, a Contribuinte manteve o seu recurso em relação às multas isoladas, processos apensados nºs10920.003111/200481, 10920.003112/2004726,10920.008113/200471, 10920.003114/200415, 10920.003115/2004 60, 10920.003116/200412, 10920.003117/200459. Apesar de estarem apensos, estão pendentes de decisão definitiva em razão de recurso especial interposto pela União perante a CSRF/CARF (fls.390 processo principal), fls. 696. É o relatório. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10920.003117/200459 Acórdão n.º 9303005.407 CSRFT3 Fl. 704 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito a aplicação ou não da multa isolada no patamar de 75% (setenta e cinco por cento) em compensações não homologadas. Com efeito, a decisão recorrida decidiu em cancelar a multa isolada no percentual de 75%, referente a compensações não homologadas, com fundamento de que o art. 18, caput e § 2° da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004, aplicandose somente sobre o valor do débito compensado indevidamente e na hipótese de infração dolosa, no percentual qualificado de cento e cinqüenta por cento. Considerando que, os créditos empregados na compensação são oriundos de insumos de terceiros, de origem em ação judicial e as declarações de compensação foram entregues antes de 22/11/2005, não tendo sido demonstrada pela fiscalização a existência de dolo, sendo a multa no percentual de setenta e cinco por cento inaplicável. Compulsando aos autos, verifico que a Fiscalização não logrou êxito em comprovar a existência de dolo praticado pela Contribuinte, ademais, as compensações realizadas teve como origem créditos transferidos pela cedente Artigos de Couro LTDA, essa, autora de Ação Ordinária Declaratória nº 89.00136224, transitada em julgada (04/06/96) a qual, foi julgada procedente permitindo a litigante o direito ao Crédito Prêmio do IPI. A multa contida no Auto de Infração, foi lançada com fundamento no art. 18 da Lei nº10.833/2003. Vejamos: “Art.18.O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarse à imposição de multa isolada em sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10920.003117/200459 Acórdão n.º 9303005.407 CSRFT3 Fl. 705 5 refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente". In caso, bem decidiu a decisão recorrida, o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, conversão oriunda da MP nº 135, publicada em 31/10/2003, foi introduzida em conjunto com o artigo 17 da primeira, este último alterando o art. 74 da lei nº 9.430/96, de modo a determinar que a declaração de compensação constitui confissão de dívida é instrumento suficiente para exigência dos débitos indevidamente compensados. Contudo, a referia lei tem eficácia apenas para as declarações de compensação entregues a partir de 31/10/2003, data de publicação da MP nº 135, de 30/10/2003, no caso em tela, a primeira declaração de compensação foi apresentada em 29/09/2003. Com efeito, em razão de alterações na legislação tributária, surge a lei 11.051/04, a qual em seu artigo 25, altera as disposições do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, que passou a determinar a aplicação da multa prevista por compensação não declarada somente nas hipóteses de fraude, sonegação ou conluio. O mesmo artigo 25, incluiu o § 2º e o § 4º, em que determinava a aplicação da penalidade do caput às situações em que a compensação não declarada fosse aplicada multa no percentual de 150%, previsto no art. 44, II da Lei nº 9.430/96. Vejamos: "Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Neste sentido, não assiste razão ao apelo Fazendário, com a nova redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, restou confirmada que a penalidade somente seria aplicada nas hipóteses do art. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 no percentual de 150%. Nada obstante, o artigo 18 da lei 10.833/03, foi novamente alterado pelo artigo 117, da lei nº 11.196/051, que modificou o § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, 1 Art. 117. O art. 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 18. ........................................................................................ § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10920.003117/200459 Acórdão n.º 9303005.407 CSRFT3 Fl. 706 6 passando a incluir as penalidades do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, o qual permitiu o lançamento da multa no patamar de 75% (setenta e cinco por cento), em síntese, nos pedidos de compensação considerados não declarados, a multa seria exigida, mesmo que não restasse configurada as hipótese previstas no artigos. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Dessa forma, em razão das alterações normativas, a penalidade por declaração de compensação não declarada, quando não restasse configurada as hipóteses dos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502//64, passou a ser novamente exigível a partir de 14/10/05, conforme dispõe o artigo 132 da lei nº 11.196/052. Portanto, a exigência da multa isolada no patamar de 75% (setenta e cinco por cento) não deve prevalecer, se quer houve comprovação nos autos das hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, ademais, não contém nenhum indício de dolo referente as compensações efetuadas. Sem embargo, os efeitos de aplicação o art. 18 da Lei nº10.833/2003, teve eficácia apenas para as declarações de compensação entregues a partir de 31/10/2003, no presente caso, a primeira declaração de compensação foi apresentada em 29/09/2003, deste modo, penso que as declarações transmitidas antes da data de 14/10/05, devem ser canceladas, em razão do retroatividade benigna, nos termos do artigo 106, II3, do Código Tributário Nacional CTN. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." 2 Art. 132. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: II desde 14 de outubro de 2005, em relação ao disposto: a) no art. 33 desta Lei, relativamente ao art. 15 da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996; b) no art. 43 desta Lei, relativamente ao inciso XXVI do art. 10 e ao art. 15, ambos da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; c) no art. 44 desta Lei, relativamente ao art. 40 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004; d) nos arts. 38 a 40, 41, 111, 116 e 117 desta Lei; 3 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10920.003117/200459 Acórdão n.º 9303005.407 CSRFT3 Fl. 707 7 Fl. 707DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.027648/99-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1992, 1993, 1994, 1995
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA.
Aplica-se a Súmula 91 deste E. CARF/MF ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de julho de 2005. No caso de tributo sujeito por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 anos, contatos do fato gerador.
Numero da decisão: 1402-002.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a inexistência da prescrição do direito de requerer a restituição do indébito referente aos anos-calendário de 1992 e 1993; e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar com análise do mérito do pedido referente àqueles períodos.
( Assinado Digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(Assinado Digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Aplicase a Súmula 91 deste E. CARF/MF ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de julho de 2005. No caso de tributo sujeito por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 anos, contatos do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a inexistência da prescrição do direito de requerer a restituição do indébito referente aos anoscalendário de 1992 e 1993; e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar com análise do mérito do pedido referente àqueles períodos. ( Assinado Digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (Assinado Digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 02 76 48 /9 9- 12 Fl. 1809DF CARF MF 2 Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 10880.027648/9912 Acórdão n.º 1402002.739 S1C4T2 Fl. 1.810 3 Relatório Trata o presente de julgamento de Recurso Voluntário face v. acórdão que negou provimento integral a manifestação de inconformidade. A Recorrente protocolou pedido de restituição de crédito e de compensação de crédito com débito de terceiro, processo 10880.027649/9977, apenso ao principal em epígrafe. Para evitar repetições, adoto o relatório do v. acórdão recorrido o qual colaciono abaixo. Tratase de manifestação de inconformidade em face de indeferimento de pedido de restituição e compensação com débitos de terceiros, apresentada pela contribuinte. RODRIMAR S.A. AGENTE E COMISSÁRIA, CNPJ n° 58.135.369/000191. 2 Conforme constou do Despacho Decisório proferido pela Autoridade Administrativa competente (fls. 230/232), a empresa solicitou restituição de saldo negativo de IRPJ (fl. 01), alegando que deseja "transferir saldo a restituir para outra empresa", anexando aos autos cópias das DIRPJ dos exercícios de 1993 (fls. 06 a 36), 1994 (fls. 75 a 83), 1995 (fls. 129 a 146) e 1996 (fls. 182 a 198). 3 O pleito foi indeferido, nos seguintes termos (fls. 230 a 232): ... verificase, no caso vertente, que na data da formalização do pedido de restituição dos valores em questão (21.09.1999), a solicitação dos valores de IRF retidos declarados nas DIRPJs 93 e 94 ficou prejudicada (ocorrência de decadência do direito à restituição do indébito para os recolhimentos efetuados anteriormente a 31.12.94, ou seja, a database de levantamento dos demonstrativos contábilfiscais. Quanto aos valores relativos aos anoscalendário 1995 e 1996, intimouse formalmente o interessado, conforme documento de fls. 228/229, a comprovar a procedência dos valores pleiteados, bem como a informar o valor total solicitado (não declarado no pedido de fls. 01). Tendo em vista o não atendimento da referida intimação e, nos termos e sob as penas dos artigos 927, 928 e parágrafos do RIR/2000, aprovado pelo Decreto n° 3000 de 26.03.99, PROPONHO O INDEFERIMENTO do Pedido de Restituição constante do presente processo (...) Fl. 1811DF CARF MF 4 Aprovo o presente despacho e, mediante a competência delegada pela Port. DERAT/SP n° 54/2001, DECIDO INDEFERIR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO de fls. 01, bem como DEIXO DE HOMOLOGAR as compensações declaradas na fls. 01 do processo a este apenso. (...) 4 Cientificada do Despacho Decisório em 27/08/2003 (fl. 233 verso), a contribuinte apresentou, em 26/09/2003, mediante procurador devidamente habilitado (fls. 244 a 248), manifestação de inconformidade (fls. 234 a 243), aduzindo, em síntese, que: 4.1 a manifestação de inconformidade originouse da análise realizada em sede de processo administrativo gerado pelo "Pedido de Restituição", protocolado em 22/09/1999, ao qual encontrase apensado o processo administrativo referente ao "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiro", protocolado pela contribuinte, autorizando a Secretaria da Receita Federal a utilizar os créditos passíveis de restituição para compensação com débitos da empresa, RODRIMAR S.A. TRANSPORTES, EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS E ARMAZÉNS GERAIS; 4.2 o crédito advém do saldo negativo de IRPJ, gerado nos anos calendário de 1993, 1994, 1995 e 1996, originário do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF não utilizado, sendo devidamente constituído nas Declarações de Rendimentos dos exercícios de 1994, 1995, 1996 e 1997, já anexados por ocasião do Pedido de Restituição; 4.3 não há que se falar em decadência ou prescrição do direito de pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ, dos anos calendário de 1993 e 1994, uma vez que o decurso do prazo prescricional se dá após cinco anos contados da extinção do crédito tributário, que se verifica com a homologação expressa ou tácita, sendo que esta última ocorre após cinco anos da ocorrência do fato gerador; 4.4 no que tange ao saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 1995 e 1996, a origem dos créditos foi devidamente comprovada mediante a entrega das declarações de rendimentos correspondentes; 4.5 não bastasse a referida documentação, junta os informes de rendimentos para comprovação dos valores retidos durante os anoscalendário de 1993 a 1995, a título de imposto de renda incidente sobre remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica, rendimentos de aplicações financeiras e outros rendimentos, bem como mapas de controle dos referidos valores; 4.6 no que se refere aos informes de rendimentos referentes ao anocalendário de 1996, devido ao volume excessivo de informações, não foi possível providenciar as cópias de todos os documentos até aquela data, requerendo sejam juntados posteriormente; Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 10880.027648/9912 Acórdão n.º 1402002.739 S1C4T2 Fl. 1.811 5 4.7 diante de prova inequívoca da existência do crédito detido pela contribuinte, não pode a Autoridade Administrativa obstar o exercício do direito à restituição e compensação tributária, posto que tratase de direitos subjetivos do contribuinte devidamente previstos em lei, e além disso, está de acordo com as demais normas do ordenamento jurídico, não podendo ser violado/restringido por ato do Poder Executivo; 4.8 da análise do Código Tributário Nacional, art. 150, depreendese que o IRPJ definese como tributo sujeito ao lançamento por homologação, e de acordo com o art. 165, inferese que ao efetuar o pagamento indevido de qualquer tributo, tem o contribuinte que o realizou direito à sua restituição; 4.9 confrontando os dispositivos mencionados, e mais os arts. 168, I e 156, I, do CTN, concluise que somente após a homologação do lançamento, que na prática sempre ocorre tacitamente, iniciase o prazo para pleitear a restituição do indébito; 4.10 desse modo, ocorrendo a homologação tácita em cinco anos, nesse momento iniciase o prazo para ingresso da respectiva ação de restituição/compensação, o que, ao final, somará um prazo total de 10 anos; 4.11 nesse sentido já decidiu o STJ ao julgar os Embargos de Divergência em Recurso Especial n° 42.7205/RS (94/0039612 0); 4.12 requer seja deferido o pedido de restituição e reconhecido o direito aos créditos nele constantes, inclusive com o estancamento e cancelamento do processo referente ao Aviso de Cobrança emitido contra a empresa Rodrimar S.A. Transportes, Equipamentos Industriais e Armazéns Gerais. 5 Em 30/09/2003 a contribuinte vem requerer retificação de sua defesa (fls. 1.080 e 1.081), da qual resultam as seguintes alterações nos itens acima: Item De: Para: 4.2 anoscalendário de 1993 a 1996 exercícios de 1993 a 1996 4.2 Declarações de Rendimentos dos exercício de 1994, 1995, 1996 e 1997 para (...)dos exercícios de 1993, 1994, 1995 e 1996 4.3 anoscalendário de 1993 e 1994 exercícios de 1993 e 1994 4.4 anoscalendário exercícios 4.5 anoscalendário de 1993 a 1995 exercícios de 1993 a 1995 4.6 anocalendário de 1996 anocalendário de 1992 Fl. 1813DF CARF MF 6 6 Foi apresentada, em 03/03/2004, a documentação de fls. 1.087 a 1.427, discriminada pela interessada como sendo referentes ao anocalendário de 1992. A DRJ de São Paulo decidiu negar provimento ao pedido de restituição e não homologar as compensações, por entender que o saldo negativo de IRPJ relativos aos ano calendário 1992 e 1993 prescreveram e os relativos aos anocalendário 1994 e 1995 não foram devidamente comprovados pela Recorrente que não atendeu a notificação para apresentar documentos e explicações sobre o crédito. Em seguida, após a apresentação do Recurso Voluntário, a Primeira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, decidiu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: (fls. 1478/1483 volume 7) Desta forma, julgo necessária a realização de diligência junto à contribuinte, uma vez não ter sido ainda realizada, não no sentido insensato de transferir o ônus da prova ao fisco, mas no sentido de oportunizar à contribuinte a comprovação do que alega, concretizando o seu pleito com documentação hábil e especificando os valores dos saldos negativos a serem restituídos. O processo deve ser encaminhado à DEFIC/SP para a realização de diligência, objetivando com relação aos impostos retidos pelas fontes pagadoras nos anoscalendários de 1992, 1993, 1994 e 1995 (cuja relação e informes de rendimentos foram juntados nesse processo): I) intimar a empresa, sob pena de ter o pedido de restituição objeto do presente processo definitivamente indeferido, a: La) discriminar e 'classificar' as retenções sofridas nos recebimentos, conforme a natureza dos rendimentos; I.b) demonstrar, contabilmente, que os rendimentos a que se referem as retenções foram oferecidos à tributação, juntando cópias do Razão, e os relacionando aos valores informados nas DIRPJ; I.c) demonstrar, na contabilidade, em que conta foram registradas as referidas retenções; I.d) esclarecer qual o valor que pretende ser restituído a título de saldo negativo do IRPJ relativo aos anoscalendários de 1994 e 1995, especificando a origem do montante, de acordo com a classificação do item 'a'; I.e) justificar o porquê dos valores dos impostos retidos não terem sido informados nas DIRPJ a fim de comporem o saldo negativo do IRPJ, conforme determinado pela legislação tributária em vigor, nos dois anoscalendários. Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 10880.027648/9912 Acórdão n.º 1402002.739 S1C4T2 Fl. 1.812 7 II) de posse da documentação supra e esclarecimentos prestados, a fiscalização deverá: II.a) verificar junto ao Diário da contribuinte a coerência das informações prestadas; Il.b) emitir Relatório Conclusivo sobre os valores a serem restituídos à empresa, a título de saldo negativo de IRPJ, relativo aos anoscalendários de 1992,1993, 1994e 1995; II.c) reabrir prazo para a contribuinte se manifestar sobre o Relatório Conclusivo emitido pela autoridade fiscal. Em seguida veio a resposta da diligência de fls.1788/1804, com a seguinte conclusão: ANOSCALENDÁRIOS 1992 e 1993 35. Conforme já debatido no item 10, eventuais direitos à restituição de valores, a título de IRPJ, referentes aos anos calendários 1992 e 1993, encontramse decaídos. ANOCALENDÁRIO 1994 36. Neste anocalendário o contribuinte não apurou imposto de renda a pagar, conforme DIRPJ 1995 (fls. 181 a 188). Não tendo havido lucro sobre o qual incidisse imposto de renda, qualquer valor recolhido a este título durante o anocalendário comporia um eventual saldo negativo. Como houve imposto retido na fonte, estes valores, após comprovados, poderiam ser restituídos ou compensados pelo contribuinte. 37. Em resposta ao item 1d) da intimação, o contribuinte informa em fls. 1544 que o valor pretendido é a soma daqueles constantes da coluna das planilhas apresentadas, ou seja, 34.544,34 UFIR. 38. Foi verificado junto ao sistema COMPROT não haver outro pedido de restituição referente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1994. 39. Após análise das informações constantes deste relatório, concluiuse que o valor requerido a título de restituição de imposto de renda referente ao anocalendário de 1994, de 34.544,34 UFIR, corrigido pela UFIR de janeiro de 1996 (0,8287), conforme legislação corrente, para R$ 28.626,90 (vinte e oito mil, seiscentos e vinte e seis reais e noventa centavos), encontra respaldo em sua contabilidade. Sobre o valor a ser restituído incide o acréscimo de juros da taxa referencial SELIC, conforme legislação em vigor. ANOCALENDÁRIO 1995 Fl. 1815DF CARF MF 8 40. Neste anocalendário o contribuinte não apurou imposto de renda a pagar, conforme DIRPJ 1996 (fls. 230 e 231). Não tendo havido lucro sobre o qual incidisse imposto de renda, qualquer valor recolhido a este título durante o anocalendário comporia um eventual saldo negativo. Como houve imposto retido na fonte, estes valores, após comprovados, poderiam ser restituídos ou compensados pelo contribuinte. 41. Em resposta ao item 1d) da intimação, o contribuinte informa em fls. 1544 que o valor pretendido é a soma daqueles constantes da coluna das planilhas apresentadas, ou seja, 29.086,20 UFIR, ou R$ 21.514,97. 42. Foi verificado junto ao sistema COMPROT não haver outro pedido de restituição referente ao saldo negativo de IRPJ dos anocalendário de 1995 . 43. Após análise das informações constantes deste relatório, concluiuse que o valor requerido a título de restituição de imposto de renda referente ao anocalendário de 1995, de 29.086,20 UFIR, corrigido pela UFIR de janeiro de 1996 (0,8287), conforme legislação corrente, para R$ 24.103,74 (vinte e quatro mil, cento e três reais e setenta e quatro centavos), encontra respaldo em sua contabilidade. Sobre o valor a ser restituído incide o acréscimo de juros da taxa referencial SELIC, conforme legislação em vigor. É o relatório. Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 10880.027648/9912 Acórdão n.º 1402002.739 S1C4T2 Fl. 1.813 9 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual deve ser admitido. De acordo com os fatos narrados no autos, temse, em resumo, que a Autoridade Administrativa indeferiu o Pedido de Restituição face a decadência de tal direito creditório relativamente aos saldos credores de IRPJ, apurados nas DIRPJ dos exercícios de 1993 e 1994 (anos calendários 1992 e 1993) e por falta de atendimento à intimação para comprovar a procedência dos valores pleiteados, bem como a informar o valor total solicitado (não declarado no pedido de restituição), com relação aos exercícios de 1995 e 1996 (anoscalendário 1994 e 1995). A Recorrente requereu o reconhecimento do direito creditório, anexando cópias de DIRPJ dos exercícios de 1993 a 1996 e a conseqüente compensação com débitos de terceiros, identificando como devedora a empresa RODRIMAR S/A TRANSP. EQUIP. INDS. E ARM. GERAIS, CNPJ n° 52.223.427/000152. O Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros foi protocolado em 21/09/1999 (fl. 01 do processo apenso n° 10880.027649/9977, apensado ao presente). Em relação aos anoscalendário 1994 e 1995 a resposta da fiscalização à diligência (fls. 1788/1804 dos autos fls.14/16 da resposta) apontou que a recorrente tinha o crédito de R$ 28.626,90 para 1994 e R$ 24.103,74 para 1995 a serem compensados. Em relação aos anoscalendário 1992 e 1993 a resposta da diligência pela fiscalização foi a mesma constante do v. acórdão recorrido de que tais créditos tinham decaído, nos termos do artigo 168, inciso I do CTN, conjuntamente com o artigo terceiro e quarto da Lei Complementar 118/05. Tal resposta da fiscalização relativa aos anoscalendário 1992 e 1993 contrariou o determinado na Resolução 19100.008 de fls.1478/1483 volume 7, eis que foi determinado o aprofundamento de todos os anoscalendário em Fl. 1817DF CARF MF 10 discussão nos autos, sendo que deveriam ter sido analisados os de 1992, 1993, 1994 e 1995. Ou seja, a Resolução deste E. CARF/MF afastou a decadência decretada pela autoridade administrativa e confirmada no v. acórdão recorrido, determinando a diligência para todos os anoscalendário envolvidos nos autos. E não poderia ser diferente, eis que conforme Súmula 91 deste E. CARF/MF o pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de julho de 2005, no caso de tributo sujeito por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 anos, contatos do fato gerador. Assim, como os supostos saldos negativos são de 1992 e 1993 e o pedido de restituição foi feito em 1999, deve se aplicar o entendimento apontado no verbete da súmula, não ocorrendo a decadência. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e voto por dar parcial provimento para afasta a decadência decretada relativa aos exercícios 1992 e 1993 e remeto os autos para a Unidade Local para que analise o mérito dos pedidos de restituição dos respectivos anos calendários 1992 e 1993, proferindo r. Despacho Decisório complementar apenas em relação a estes dois anos indicados. (Assinado Digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 1818DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.004872/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO.
As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento.
Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA.
A ocorrência de débito de estimativa mensal não extinta nem por pagamento nem por compensação, nem declarada, acarreta a multa isolada prevista no artigo 44, II, da Lei nº.9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
Tratando-se de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida ou recolhida a menor com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, ao final do ano-calendário, com base no lucro real anual.
Numero da decisão: 1201-001.630
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Luis Henrique Marotti Toselli que davam parcial provimento ao Recurso Voluntário para cancelar as multas isoladas.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Redator Designado "ad hoc"
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Redator do voto vencedor
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: Roberto Caparroz de Almeida
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As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. A ocorrência de débito de estimativa mensal não extinta nem por pagamento nem por compensação, nem declarada, acarreta a multa isolada prevista no artigo 44, II, da Lei nº.9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Tratandose de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida ou recolhida a menor com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, ao final do anocalendário, com base no lucro real anual. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Luis Henrique Marotti Toselli que davam parcial provimento ao Recurso Voluntário para cancelar as multas isoladas. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 48 72 /2 00 7- 11 Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 13839.004872/200711 Acórdão n.º 1201001.630 S1C2T1 Fl. 3 2 Roberto Caparroz de Almeida – Presidente (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Redator Designado "ad hoc" (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Redator do voto vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão nº 0521.026 5ª Turma da DRJ/CPS que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedentes as exigências fiscais, mas afastando o agravamento da multa de ofício. Transcrevo abaixo partes do Relatório do Acórdão Recorrido, que bem descreve os fatos ocorridos no feito: Trata o presente processo de Autos de Infração relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 402/409), Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 410/417), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS (fls. 417/423) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls. 424/428), lavrados em 12/11/2007, no valor total de R$ 30.087.789,53. Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 431/438, constatouse omissão de receitas correspondente a diferença entre o faturamento submetido a tributação e o faturamento de fato auferido, este apurado a partir de Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Carga, no valor total de R$ 19.812.806,51. Aos tributos apurados foi aplicada multa de 150%, diante da conduta dos administradores, ao registrar no livro de Registro de Saídas e tributar, sistematicamente, durante todo o anocalendário de 2003, valores totalmente discrepantes dos reais, fatos que, em tese, caracterizam o intuito da sonegação e da fraude, definidas nos arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 1964. Ainda, foi aplicada multa isolada de 100%, incidente sobre o Imposto de Renda e Sobre a Contribuição Social sobre o Lucro apurado mensalmente pelas pessoas jurídicas e que deixou de ser pago. Em face do que foi apurado, a fiscalização julgou pertinente a formalização de representação fiscal para fins penais, relativa a ilícitos previstos nos arts. 10 e 2° da Lei no 8.137/90, autuada sob n° 13839.004874/200718 e juntada por apensação ao presente processo. Apreciada a Impugnação, o lançamento foi julgado procedente em parte, tendo sido negado o pedido de sustentação oral por falta de previsão legal e normativa, afastada Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 13839.004872/200711 Acórdão n.º 1201001.630 S1C2T1 Fl. 4 3 a alegação de nulidade em relação ao MPF, afastada a alegação de culpa exclusiva do contador em relação a omissão de receitas, mantida a tributação com base no lucro real, uma vez que, a admissibilidade de novas deduções, custos, despesas ou encargos na determinação da base de cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição ao PIS e da COFINS depende de sua regular contabilização e comprovação, além da demonstração da necessidade, usualidade e normalidade, no âmbito das apurações do IRPJ e da CSLL. Mantida a multa de ofício pela caracterização de sonegação pela prática reiterada de registrar receitas por valores muito aquém daqueles efetivamente consignados nos conhecimentos de transporte rodoviário de cargas, mormente se a movimentação financeira correspondente também é suprimida dos registros contábeis, sendo aplicável a multa qualificada por evidente intuito de fraude. Mantida aplicação da multa isolada concomitantemente a multa de ofício e afastado o AGRAVAMENTO, pois nos termos da legislação em vigor, não há possibilidade de duplicação da multa de 50% aplicável nos casos de falta de recolhimento de estimativas, mantida a aplicação dos juros de mora pela TAXA SELIC e não conhecida a alegação da inconstitucionalidade em relação aos percentuais das multas aplicadas. A Recorrente foi intimada da decisão e interpôs Recurso Voluntário (fls. 752), reiterando em suma os argumentos já apresentados por ocasião de sua impugnação. Foi interposto recurso de ofício em relação a parte do crédito exonerada. Adotadas as providências, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Considerando a renúncia do relator originário, Luiz Paulo Jorge Gomes, após a decisão prolatada por essa Eg. Turma, fui designado redator "ad hoc" nos termos da Portaria CARF 107/2016. O arquivo do acórdão do presente caso, relatado e julgado, encontravase disponível em "caixa de trabalho da Turma", em sua integralidade, razão pela qual ora reproduzo: O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Nos termos do Acórdão 9202003.956 datado de 12/04/2016, pela 2ª. Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 13839.004872/200711 Acórdão n.º 1201001.630 S1C2T1 Fl. 5 4 As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. No presente processo, oportuno se faz a transcrição das seguintes Súmulas CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Ademais, à autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Ante o exposto, CONHEÇO dos Recursos de Oficio e Voluntário e VOTO por negar provimento ao Recurso de Ofício e, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de cancelar as multas isoladas. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli conselheiro redator "ad hoc" Voto Vencedor Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, redator designado. Apesar da bem fundamentada exposição do ilustre relator, peço vênia para dela divergir somente no que tange à exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida ou recolhida a menor com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, ao final do anocalendário, com base no lucro real anual. Sobre os impostos e contribuições devidos exigemse multa de ofício de 75% do art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007; e multa isolada do art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 13839.004872/200711 Acórdão n.º 1201001.630 S1C2T1 Fl. 6 5 A redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 originalmente foi: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) (Grifouse.) Posteriormente, a multa isolada que era de 75%, conforme a redação do art. 44 que se transcreveu, foi reduzida a 50%, pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, que é a capitulação legal na presente autuação. Portanto, as multas aplicadas, obedecerem à legislação vigente. As multas exigidas, juntamente com o tributo ou isoladamente, como definidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vinculamse a infrações de natureza distinta. De fato, a multa exigida isoladamente decorre da falta de recolhimento das estimativas mensais devidas ainda que se apure prejuízo fiscal ao fim do períodobase. Por sua vez a multa de ofício é exigida sobre o valor do IRPJ ou CSLL anual que deixou de ser recolhido. Tanto são independentes as penalidades que pode haver a Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 13839.004872/200711 Acórdão n.º 1201001.630 S1C2T1 Fl. 7 6 imposição de uma sem que haja o nascimento da outra, por exemplo, quando a contribuinte deixa de recolher as estimativas mas tenha apurado prejuízo fiscal ao final do anocalendário, conforme a alínea “b” do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. A presente autuação foi com base no art. 44, II, b, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, que reduziu o percentual de 75% para 50%, não se lhe aplicando, portanto a citada Súmula CARF nº 105. Concluise que cabe manter a multa de ofício de 75% pela falta de declaração ou pagamento do imposto devido e a multa isolada de 50% pela falta de recolhimento das estimativas mensais, pelas quais optou na DIPJ apresentada (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 1421DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912041/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/08/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.756
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/08/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 41 /2 01 2- 73 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912041/201273 Acórdão n.º 3301003.756 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.782, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912041/201273 Acórdão n.º 3301003.756 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912041/201273 Acórdão n.º 3301003.756 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912041/201273 Acórdão n.º 3301003.756 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912041/201273 Acórdão n.º 3301003.756 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.912041/201273 Acórdão n.º 3301003.756 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.912041/201273 Acórdão n.º 3301003.756 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10830.912041/201273 Acórdão n.º 3301003.756 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 201DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.901395/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/01/2007
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.996
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 13 95 /2 01 2- 81 Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10580.901395/201281 Acórdão n.º 3201002.996 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório BAHIA SERVIÇOS DE SAÚDE S/A transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição (Cofins/PIS). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante alegou que efetuara o pagamento em valor maior que o devido e que retificara a DCTF, tendo sido observados todos os trâmites administrativos próprios à compensação, não havendo motivo para a negativa do seu pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora e Dacon retificador. Nos termos do Acórdão nº 14052.342, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que, por ser a DCTF instrumento de confissão de dívida, qualquer alegação de erro no seu preenchimento devia vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas. Destacou, ainda, que apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de decisão judicial em mandado de segurança assegurando lhe o direito à não incidência da contribuição para o PIS e da Cofins sobre medicamentos, cuja tributação se dá na forma prevista na Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. Junta cópias de decisões judiciais. Em resumo, solicita: 1. “que se determine à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores.”; 2. que seja provido o Recurso Voluntário; 3. que se declare o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00”; 4. que se cumpra a decisão e sentença judicial. É o relatório. Voto Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10580.901395/201281 Acórdão n.º 3201002.996 S3C2T1 Fl. 4 3 Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.987, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 10580.900671/201294, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.987): Juízo de Conhecimento A questão da incidência com alíquota zero ou não incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos está submetida ao Poder Judiciário, ensejando a aplicação da Súmula Carf nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Acrescento que a recorrente não trouxe prova de estar representada na demanda judicial, impetrada por “Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimento e Serviços”. De qualquer modo, a solução da presente lide independe desse processo judicial, pois aqui não controverte quanto à incidência ou não de Pis e Cofins sobre medicamentos. A controvérsia que se instalou no presente processo é quanto à prova do pagamento indevido do Darf em foco. Ora, não há, nos autos, quaisquer elementos de prova que vinculem esse pagamento à questão discutida na Justiça. Sem esses elementos, a questão a ser tratada aqui somente se refere à possibilidade de se deferir compensação com base em DCTF e Dacon retificadora. Tal questão se tratará no mérito. Desse modo, rejeito os pedidos 1, 3, e 4, por impertinentes à presente lide. Mérito O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10580.901395/201281 Acórdão n.º 3201002.996 S3C2T1 Fl. 5 4 e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I2 do CPC). Ressaltese que a DCTF e a Dacon que foram apresentadas na Manifestação de Inconformidade foram retificadas depois da cientificação do Despacho Decisório. Ora, a retificação após ciência de procedimento fiscal não é abrangida pelo espontaneidade, cf. art. 138, § único3 do CTN. Não há, também, qualquer prova de que esse pretendido crédito se vincule à questão judicial discutida no Mandado de Segurança 2009.34.00.0314472, conforme já mencionado. Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1704 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por não conhecer da matéria de fato quanto à incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos, e por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço da matéria de fato quanto à incidência de PIS e Cofins sobre medicamentos, e nego provimento ao recurso voluntário. 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 4 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10580.901395/201281 Acórdão n.º 3201002.996 S3C2T1 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 402DF CARF MF
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