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Numero do processo: 10830.902147/2009-63
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PER/DCOMP ANTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1003-000.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição e, conseqüentemente, de efetuar a compensação de débitos com o crédito em questão, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise do mérito.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PER/DCOMP ANTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
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PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição e, conseqüentemente, de efetuar a compensação de débitos com o crédito em questão, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise do mérito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 21 47 /2 00 9- 63 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10830.902147/200963 Acórdão n.º 1003000.221 S1C0T3 Fl. 111 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 57/66) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 29, que não homologou a compensação, ali mencionada, de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior de Simples Federal, código de receita 6106 (tributo sujeito a lançamento por homologação) , tendo em vista a constatação de que na data da transmissão da DCOMP nº 39187.49290.290405.1.3.045009 já estaria extinto o direito de utilização do crédito por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF (10/01/2000) e a data de transmissão do PER/DCOMP (29/04/2005). A recorrente, às folhas 72/78, em síntese, alega a decadência não atingiu o direito creditório que fundamentou as referidas compensações, pois o prazo de 5 anos determinado pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, segundo decisão exarada pelo STF em regime de repercussão geral, no julgamento do RE nº 566.621RS, só se aplica em relação a pleitos formulados depois de 09/06/2005, momento em que a referida lei passou a vigorar. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Para que haja direito à compensação, a Recorrente deve comprovar, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteável a título de restituição, no presente caso, de tributo sujeito a lançamento por homologação. Antes, porém, é necessário analisar se houve extinção temporal do direito de pleitear tal restituição. Inicio transcrevendo os artigos do Código Tributário Nacional que regem o assunto: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10830.902147/200963 Acórdão n.º 1003000.221 S1C0T3 Fl. 112 3 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação foi questão tormentosa, que dividiu a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial por tempos. As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10830.902147/200963 Acórdão n.º 1003000.221 S1C0T3 Fl. 113 4 Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Diante da inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da nova lei, em 9 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplica aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, com trânsito em julgado em 17 de novembro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei poderia ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 9 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10830.902147/200963 Acórdão n.º 1003000.221 S1C0T3 Fl. 114 5 jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Em razão de tal decisão, o CARF acabou por adotar tal entendimento mediante Súmula: Súmula CARF nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Pelo exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição e, conseqüentemente, de efetuar a compensação de débitos com o crédito em questão, e determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise do mérito. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003694/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte.
EMPRESA DE "MARKETING MULTINÍVEL". RELAÇÃO JURÍDICA DA EMPRESA COM OS DISTRIBUIDORES DE PRODUTOS. RELAÇÃO DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA. PAGAMENTOS DE BÔNUS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Não se verifica, no presente caso, que a relação jurídica entre a empresa de "marketing multinível" que fabrica e comercializa produtos com seus distribuidores (compradores) possui natureza de relação de trabalho, muito menos a de emprego. A relação jurídica entre as partes é puramente comercial, inexistindo relação de trabalho.
Entende-se por salário de contribuição, para o segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Portanto, inexistindo relação de trabalho e por conseqüência, remuneração pelo trabalho, torna-se insustentável a exigência de contribuição previdenciária sobre bônus pagos aos distribuidores (compradores) da empresa fornecedora dos produtos.
Numero da decisão: 2401-005.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial ao recurso apenas para declarar a decadência até 08/04.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. EMPRESA DE "MARKETING MULTINÍVEL". RELAÇÃO JURÍDICA DA EMPRESA COM OS DISTRIBUIDORES DE PRODUTOS. RELAÇÃO DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA. PAGAMENTOS DE BÔNUS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Não se verifica, no presente caso, que a relação jurídica entre a empresa de "marketing multinível" que fabrica e comercializa produtos com seus distribuidores (compradores) possui natureza de relação de trabalho, muito menos a de emprego. A relação jurídica entre as partes é puramente comercial, inexistindo relação de trabalho. Entende-se por salário de contribuição, para o segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Portanto, inexistindo relação de trabalho e por conseqüência, remuneração pelo trabalho, torna-se insustentável a exigência de contribuição previdenciária sobre bônus pagos aos distribuidores (compradores) da empresa fornecedora dos produtos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial ao recurso apenas para declarar a decadência até 08/04. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
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DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. EMPRESA DE "MARKETING MULTINÍVEL". RELAÇÃO JURÍDICA DA EMPRESA COM OS DISTRIBUIDORES DE PRODUTOS. RELAÇÃO DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA. PAGAMENTOS DE BÔNUS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Não se verifica, no presente caso, que a relação jurídica entre a empresa de "marketing multinível" que fabrica e comercializa produtos com seus distribuidores (compradores) possui natureza de relação de trabalho, muito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 94 /2 00 9- 10 Fl. 427DF CARF MF 2 menos a de emprego. A relação jurídica entre as partes é puramente comercial, inexistindo relação de trabalho. Entendese por salário de contribuição, para o segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Portanto, inexistindo relação de trabalho e por conseqüência, remuneração pelo trabalho, tornase insustentável a exigência de contribuição previdenciária sobre bônus pagos aos distribuidores (compradores) da empresa fornecedora dos produtos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial ao recurso apenas para declarar a decadência até 08/04. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório Fl. 428DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 3 3 HERBALIFE INTERNACIONAL DO BRASIL LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 1624.729/2010, às e fls. 255/267, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias devidas ao INSS, referente à alíquota de 11%, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, em relação ao período de 01/2004 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 09/12 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado no Auto de Infração abaixo relatado: Conforme depreende do Relatório Fiscal, as remunerações foram pagas a título de rendimentos (lucros de revenda) de distribuidores independentes, também chamados de “Descontos sobre valor de Venda”, mas que, na realidade, são valores pagos a contribuintes individuais, denominados “supervisores” que participam do resultado de vendas de produtos de outros contribuintes individuais, considerados pela empresa como “distribuidores” ou “supervisores” de nível mais baixo. Referido relatório afirma ainda que os contribuintes individuais “distribuidores” cadastramse junto à empresa, por indicação de outro contribuinte individual, “distribuidor ou supervisor”. Aprovado o cadastro, o “distribuidor” só pode adquirir os produtos da empresa através de quem o indicou, “primeiro supervisor qualificado em linha ascendente”, ou seja, ou adquire produtos que já pertencem àquele supervisor” ou da empresa, por intermédio deste. A partir do momento em que o “distribuidor” indica outras pessoas, ele se toma supervisor e passa não somente a adquirir produtos com preço estabelecido pelo seu volume de vendas e de seus indicados “distribuidores”, mas também recebe valores resultantes das vendas destes últimos, seja diretamente, pela diferença entre o valor de aquisição da Herbalife e venda posterior ao “distribuidor” (Lucro no varejo, segundo o plano de vendas e marketing), seja por pagamento direto pela Herbalife quando os produtos forem adquiridos diretamente pelo supervisor de nivel inferior (Lucro no Atacado), sendo estes últimos, os valores considerados na autuação. De acordo com a Fiscalização, os valores pagos aos contribuintes individuais, chamados de “supervisores”, em qualquer nivel em que se encontre, na “pirâmide”, constituem remuneração como contraprestação pelos serviços prestados de venda de produtos para e pela empresa, seja para o consumidor final, seja para “distribuidores”, seja para “supervisores” de nível inferior, e de indicar outras pessoas que venderão produtos e cujos lucros de venda serão repartidos entre a “Herbalife”, seus “supervisores” e distribuidores. Esclarece ainda o Relatório Fiscal que não se deve acolher as alegações da empresa (resposta ao Temo de Intimação n°3) de que essas remunerações teriam sido objeto de análise pela Fiscalização, em período anterior (janeiro a dezembro de 1999), nos termos do Relatório Fiscal da NFLD 35.002.9067, uma vez que, naquela ação fiscal, não foram analisadas as DIRF e DIPJ que serviram de base de dados para o presente lançamento. Alerta também que: "... a única menção aos "Descontos sobre o valor de venda" daquele relatório trata, no item 3.2.2, do valor pago a menor pelo "supervisor" ou "distribuidor" quando adquire os produtos para, com venda por preço maior do que o da aquisição, possa auferir lucro (Lucro Varejo, segundo o plano de vendas e marketing da empresa). Por fim, informa a Fiscalização que foram localizados, na conta contábil “2l1l2.1.08.01.004 Comissões a Pagar”, totais lançados de mesmo valor dos totais dos anexos do Relatório Fiscal e com históricos relativos a pagamento de “comissões”. Fl. 429DF CARF MF 4 A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo/SP entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, apenas para retificar o crédito de acordo com a documentação ofertada pela contribuinte. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 273/292, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, primeiramente aduz sobre a necessidade do julgamento em conjunto da presente demanda com os PAF´s n° 19515.003692/200912 (AI n” 37.160.5113) e 19515003694/2009 10 (Al n” 37.160.5130). De forma preliminar, afirma que as contribuições previdenciárias referentes aos meses janeiro a agosto de 2004 estão cobertas pela decadência, uma vez que os fatos geradores antecederam mais de cinco anos contados retroativamente a 23/09/2009, conseqüentemente qualquer obrigação acessória devida neste período está igualmente fulminada pela decadência. Esclarece ter apurado, recolhido e declarado em GFIP, mês a mês, contribuições previdenciárias sobre os pagamentos a contribuintes individuais por serviços prestados, elaborando tabela para comprovação. Ressalta que neste caso estão presentes todas as condições impostas pelo Parecer PGFN/CAT 1.617/2008 para cômputo do prazo decadencial à luz do artigo 150, § 49, do CTN. Quanto ao mérito, primeiramente versa sobre as características do seu canal de vendas, nos seguintes termos: Egrégio Conselho, o que se deseja aqui é demonstrar que o negócio Herbalife é absolutamente singular e de maneira nenhuma' se amolda a um simples contrato de prestação de serviços. Os distribuidores independentes realmente compram e revendem os produtos que levam a marca da Recorrente. Raros são os que pleiteiam sua devolução e subseqüente ressarcimento e os que o fazem só conseguem se seguirem `a risca as normas e procedimentos da empresa, dentre as quais a de o produto objeto de devolução ainda ostentar qualidade para posterior comercialização. Neste sentido, pedese licença para juntar alguns comprovantes que demonstram o procedimento de recompra de produtos pela Recorrente. O sistema de vendas diretas da Recorrente denominase multinível, posto que os distribuidores independentes não lucram apenas com as revendas a varejo dos produtos adquiridos da empresa, mas também auferem lucros de atacado e, além disso, percebem ganhos denominados royalties e bônus. Todos esses proventos variam de valor dependendo do atingimento de determinados resultados, podendo mesmo não ser pagos a quem, a despeito de ter se dedicado ao negócio Herbalife, não tenha atingido tais resultados. Ademais, é importante pontuar que 0 distribuidor independente em nenhum momento é obrigado a Fl. 430DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 4 5 comprar os produtos da Recorrente ou a dedicarse ao seu negócio Herbalife, tanto menos a trabalhar ”x” ou ”y" horas por mês. Se ele simplesmente nada fizer, continuará sendo um distribuidor independente até o fim do período de validade de seu contrato. Se resolver desistir do negócio, poderá devolver os produtos que adquiriu. Como está dito na página 35 do Plano de Vendas & Marketing e Normas de Conduta, “A oportunidade de ser um Distribuidor Independente é inteiramente voluntária Notase, portanto, que o distribuidor independente não trabalha para a Recorrente. Ele é seu parceiro comercial. Ele compra os produtos da Recorrente e os revende no mercado, a consumidores finais. Os produtos portanto, passam a ser do distribuidor e, portanto, é impossível que, em se tratando de bens próprios, haja prestação de serviços de venda a terceiros. como equivocadamente se grafou no AIIM. Explicita sobre o lucro no varejo e no atacado, temse que o lucro no varejo decorre da compra do produto por um preço inferior ao sugerido para a venda ao consumidor final, ou seja tratase de um desconto dado ao distribuidor que varia de 25% a 50%, equivocandose a autuação ao afirmar que o lucro advém da venda a outro distribuidor. Quanto ao lucro no atacado, temse que um distribuidor que esteja qualificado para obter um desconto superior ao de um distribuidor que esteja em sua linha descendente pode comprar o produto da Impugnante e revendêlo ao distribuidor descendente, auferindo o lucro de uma revenda no atacado, situação que também ocorre quando o distribuidor na linha descendente adquire o produto diretamente da empresa; Nesse ponto, a recorrente demonstra por meio de tabelas como são distribuídos os percentuais de vendas: a Herbalife fica sempre com 50%, enquanto que os outros 50% são repassados ao distribuidor que fez a compra diretamente da Herbalife, o qual, por falta de qualificação, deve repassar parte desse percentual aos distribuidores de sua linha ascendente. Portanto, tratase, se verdadeiros ganhos comerciais e não de ganhos decorrentes de contraprestação por serviços prestados. Afirma que a própria fiscalização admitiu tratar o lucro no atacado de repartição de ganhos obtidos com a venda de produtos da recorrente. Alega não poder chamar de serviço uma atividade de compra, revenda e rateio de lucros, não havendo que se falar que os distribuidores prestam serviços de indicação de outras pessoas que serão distribuidores, para posterior repartição dos lucros entre Herbalife distribuidores e supervisores. Ou seja, fica evidente que o recebimento de lucro no atacado não está diretamente ligado a qualquer esforço que esse distribuidor realize em prol da contribuinte, mas sim, e exclusivamente, ao atingimento dos objetivos necessários à qualificação desse distribuidor como apto a receber os tais lucros no atacado. Arrazoa que nem todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a pessoa física decorre de prestação de serviço. Nesse sentido, cita doutrina e art. 195, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal. Aduz que a fiscalização incorreu em erro na autuação, visto que não há incidência de contribuição previdenciária sem que ocorra remuneração por serviços, e por isso o Auto de Infração é improcedente. Fl. 431DF CARF MF 6 Esclarece a diferença entre os lucros no atacado (rebates de desconto) e as remunerações por serviços, tecese breves linhas sobre os demais valores pagos pela Recorrente aos distribuidores independentes que a tanto se qualificam. É que a Recorrente paga valores denominados royalties e bônus aos distribuidores independentes. Sobre tais rubricas, a Recorrente não só retém a contribuição previdenciária dos distribuidores como recolhe a parte da empresa, declarando tudo em GFIP, em DIP] e em DIRF, como aliás mencionou o respeitável acórdão recorrido, em seu item 4.12., todavia em flagrante confusão com os lucros no atacado, referidos anteriormente. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINARES JULGAMENTO EM CONJUNTO Aduz sobre a necessidade do julgamento em conjunto da presente demanda com os PAF´s "irmãos". Entendo superada tal alegação, posto que os processos encontramse apensados e serão julgados na mesma sessão. DA DECADÊNCIA A contribuinte firma que as contribuições previdenciárias referentes aos meses janeiro a agosto de 2004 estão cobertas pela decadência, uma vez que os fatos geradores antecederam mais de cinco anos contados retroativamente a 23/09/2009, conseqüentemente qualquer obrigação acessória devida neste período está igualmente fulminada pela decadência. Esclarece ter apurado, recolhido e declarado em GFIP, mês a mês, contribuições previdenciárias sobre os pagamentos a contribuintes individuais por serviços prestados, elaborando tabela para comprovação. Ressalta que neste caso estão presentes todas as condições impostas pelo Parecer PGFN/CAT 1.617/2008 para cômputo do prazo decadencial à luz do artigo 150, § 49, do CTN. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 5 7 Em decorrência do julgamento dos Recursos Extraordinários n° 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626 o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada no D.O.U. de 20/06/2008, nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5° do Decreto Lei n° 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. De acordo com a Lei 11.417/2006, após o Supremo Tribunal Federal editar enunciado de súmula, esta terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. Assim, a nova súmula alcança todos os créditos pendentes de pagamento e constituídos após o lapso temporal de cinco anos. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Ao fim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando as Contribuições Previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Fl. 433DF CARF MF 8 Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as Contribuições Sociais Previdenciárias deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 6 9 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 435DF CARF MF 10 Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento das contribuições, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Para afastar qualquer dúvida a esse respeito foi editada a Súmula CARF n° 99, que assim dispõe: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Em suma, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratase de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais não constantes nas GPS e GFIP, portanto, diferenças de contribuições, eis que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar. Mais a mais, como se extrai do Relatório Fiscal do Auto de Infração, no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP e às Guias da Previdência Social GPS, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. Assim, é de manter a ordem legal no sentido de adotar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, em face do recolhimento parcial das contribuições previdenciárias em relação ao período ora debatido. Por clareza ao debate, para aqueles que entendem que o pagamento antecipado deve guardar relação com o fato gerador, ou seja, recolhimento referente a contribuinte individual. Vale explicitar que nos autos não a documentação probatório específica quanto a esta rubrica. No entanto, durante todo o procedimento fiscal a contribuinte ventila essa afirmação, sendo que em nenhum momento a fiscalização contesta. Assim, fato incontroverso. Ademais, a própria autoridade julgadora de primeira instância afirma a existência de pagamento em relação aos contribuintes individuais, in verbis: Fl. 436DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 7 11 4.29. Observouse que os valores que constam na coluna “INSS PAGO”, da planilha apresentada pela Impugnante, equivalem aos que ela informa como devidos pelos contribuintes individuais, nas GFIP, conforme relatório “Demonstrativo da Composição da Base de Cálculo DCBC”. 4.30. Assim, verificada a necessidade de retificar os créditos, que somados aos já declarados em GFIP encontramse acima do limite máximo, construiuse a planilha “Retificação das Contribuições dos Contribuintes Individuais” (fls. 196/277), cabendo esclarecer que, nela, foram individualizados apenas os contribuintes individuais que se enquadram na situação descrita, bem como esclarecer que: a) a coluna “GFIP” demonstra os valores declarados nas GFIP; b) a coluna “AI” informa os valores lançados no Auto de Infração; c) a coluna “GFIP+LANÇ” indica a soma dos valores das colunas citadas nos itens anteriores; d) a coluna “V. EXCL. AI”, informa os valores que devem ser excluídos do lançamento, por excederem aos limites máximos de R$ 264,00 (competências 01 a O4/2004) e R$ 275,95 (competências 05/2004 a 12/2004). Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 23/09/2009, com a devida ciência da contribuinte constante do AR (fl. 72), a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período anteriores a competência 09/2004 (Setembro/2004), ou seja, de 01/2004 a 08/2004, os quais se encontram fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. MÉRITO NEGÓCIO HERBALIFE LUCRO NO ATACADO MARKETING MULTINÍVEL Primeiramente cabe esclarece quais as vertentes sobre a resolução do lançamento, são elas: se as atividades desempenhadas pelos consultores configuramse como prestação de serviços à Herbalife, estamos diante de uma hipótese de incidência tributária, onde o “lucro no atacado” pago a eles constitui remuneração, fato gerador das contribuições sociais previdenciárias, com razão a autoridade lançadora; ou caso se conclua ser mera relação mercantil, ganho comercial, estaríamos fora da hipótese de incidência das contribuições, conforme defendido pela contribuinte. A recorrente, rebatendo as contribuições aqui exigidas, expôs todo o funcionamento de seu canal de vendas ("negócio herbalife"), diferenciando todas as "operações da cadeia" e, enfatizando sempre que a relação entre ela e os consultores independentes é, e sempre foi, comercial (de compra e revenda). Explicita que a receita líquida da recorrente se resume a 50% (cinqüenta por cento) de todas as vendas efetuadas. Tal receita jamais oscila, não importando se o produto é vendido (i) pela própria contribuinte para o consultor varejista ou atacadista ou (ii) em nome da Recorrente, mas para o consultor atacadista. Ressaltese, nesse sentido que, quando a venda é Fl. 437DF CARF MF 12 efetuada em nome da Recorrente, mas em prol do consultor atacadista, a recorrente repassa a quem de direito, de acordo com o seu plano de marketing, o valor sobressalente à sua receita líquida própria. Justamente por isso, em todos os noventa e um países em que a Recorrente tem atividades, inclusive no Brasil, os valores referentes às vendas efetuadas em seu nome, mas para o consultor independente, são contabilizados como redução de receita, não como despesa. Isto porque, de fato, tratase de verdadeira receita de terceiros que a Recorrente repassa a quem de direito. Explica que o ganhos comerciais são o “lucro no varejo” e o “lucro no atacado”, que são caracterizados por descontos outorgados pela Herbalife ao consultor, transcrevendo trechos do Manual para explicar como esses ganhos são obtidos. Ressalta que apesar de o “lucro no atacado” envolver repasse financeiro ao consultor, feito pela Herbalife, ele configura ganho comercial baseado em desconto. Assevera que os ganhos decorrentes de serviços, denominados royalties e bônus, decorrentes “das atividades de captação, desenvolvimento, treinamento e motivação das equipes de vendas”, dependem da qualificação e têm correlação direta com os volumes de venda, que servem de base para o cálculo dos próprios ganhos. Arrazoa que o consultor ao assinar o contrato e se tornar um consultor independente, constrói um verdadeiro negócio para si e para sua família, acostando aditamentos contratuais para demonstrar a transferência do negócio Herbalife a sucessores familiares dos Consultores. Expõe que o consultor qualificado ao desconto pode comprar o produto da Herbalife e revender aos seus consultores descendentes com o desconto que estes têm direito de adquirir (geralmente, menor que o da ascendente), ou pode permitir que eles comprem diretamente da Herbalife com o desconto menor, e esta devolve ao consultor ascendente a diferença do desconto que caberia a ele, sob a forma de ganho, por isso, “o lucro no atacado” é também denominado “desconto remanescente”. Argumenta que a indicação de outras pessoas, nem o volume de vendas efetuado por estas, qualificam o consultor que as indicou para níveis maiores de desconto. Acrescenta que se trata de ganho comercial, que pode ser auferido sem qualquer repasse de valores pela recorrente, nos casos em que o consultor descendente compra diretamente do consultor ascendente. Dessa forma, afirma que há equívoco da fiscalização ao relatar que “lucro no atacado” são valores pagos aos distribuidores em função do volume de vendas, e, portanto, não há prestação de serviço pelo consultor quer seja para qualificação ao nível maior de desconto, quer seja para percepção do “lucro no atacado”, inclusive porque, o consultor precisa manter anualmente a qualificação que lhe permite auferir esses ganhos, senão retorna ao status que seu volume de pontos alcançar, podendo inclusive ser ultrapassado por um consultor que estava abaixo dele na organização, evidenciando que a percepção do “lucro no atacado” não tem a ver com a indicação de pessoas para sua equipe. Arrazoa que nem todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a pessoa física decorre de prestação de serviço. Nesse sentido, cita doutrina e art. 195, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal. Aduz que a fiscalização incorreu em erro na autuação, visto que não há incidência de contribuição previdenciária sem que ocorra remuneração por serviços, e por isso o Auto de Infração é improcedente. Insurgese quanto a fundamentação da decisão de piso com base Estatuto do Vendedor Direto, constante do site da Associação Brasileira de Vendas Diretas (‚ABEVD‛), norma orientativa, não restritiva, e que, quando refletida na prática de cada uma de suas associadas, admite particularidades. E, se bem se compreendeu os tipos de receita auferidos pelos consultores dependentes da Recorrente, expostos no item 16 e seguintes desta peça, Fl. 438DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 8 13 notarseá que a estrutura de ganhos da Recorrente situase exatamente dentro dos patamares sugeridos pela norma da ABEVD utilizada pela ilustre Relatoria, na modalidade multinível: os ganhos comerciais (lucros no atacado e no varejo) decorrem da venda dos produtos e os ganhos remuneratórios (royalties e bônus) decorrem da captação, treinamento, motivação e retenção de outros consultores independentes. Deveras, a autoridade Julgadora utilizou de norma que não se aplica ao caso concreto, uma vez que, além de ser genérica, trata da contraprestação pelo agenciamento de novos consultores, que, como já se viu, é remunerado pela Recorrente por meio de bônus e royalties. Aduz não ser possível prosperar o entendimento da autoridade Julgadora de ‚que os valores pagos a título de ‘lucro no atacado’ aos consultores independentes decorrem da prestação de serviços de venda, e de divulgação dos produtos da empresa‛, uma vez que: (i) a lógica do lucro no atacado é exatamente inversa. Isso é, não há prestação de serviços de venda ou divulgação de produtos do consultor em prol da Recorrente. Na realidade, a atividade de Recorrente que é em prol dos consultores independentes. Ademais, também não prospera o entendimento da autoridade julgadora de que o lucro no atacado seria um "plus ao serviço prestado pelo consultor de nível superior, como forma de que este atraia mais consultores a sua rede de vendas, e por fim aumente as vendas da própria Herbalife, (...) apenas revenderia seus produtos aos consultores, uma vez que obteria o mesmo percentual de desconto.(...) A pr{tica do ‘lucro por atacado’ abre caminho para que a Herbalife venda diretamente a consultores da linha descendente de um consultor independente, incentivandoos a atrair mais pessoas à rede, e aumentarem seu volume de compras diretamente da Herbalife". Afirma que não existe o interesse do consultor em linha ascendente de fomentar as compras dos consultores em linha descente, a fim de garantir a sua qualificação para auferir o lucro no atacado, por toda sistemática da empresa na requalificação anual. Explicita que o lucro no atacado não possui natureza remuneratória. Tratase de um ganho comercial do consultor independente a ele repassado pela Recorrente. Por assim ser, não pode tal rubrica sofrer a incidência de contribuição previdenciária Argumenta que embora o consultor não esteja obrigado a se dedicar ao negócio Herbalife e trabalhar determinadas horas por dia, aqueles que evoluem na escala e obtêm lucro no atacado, acabam se dedicando e prestando serviços com habitualidade. Aponta que pessoas naturais que assim exercem sua atividade comercial, com intuito de lucro são equiparadas a pessoas jurídicas para fins fiscais, conforme art. 150, § 1o, II, do Regulamento do Imposto de Renda. Nesse sentido, transcreve jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). A situação ora em debate, se encaixa no sistema de compensação multinível (marketing multinível/marketing de rede), que se trata de uma estratégia empresarial de distribuição de bens e serviços, onde a divulgação dos produtos se dá pela indicação “boca a boca” feita por distribuidores independentes. Por esse trabalho, tais distribuidores recebem bônus, que seriam utilizados nas milionárias campanhas de propaganda tradicional. Além da indicação dos produtos, os distribuidores poderão indicar outros distribuidores e, assim, construir uma organização de escoamento de produtos com possibilidades de ganhos ilimitados. Fl. 439DF CARF MF 14 Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila alguns apontamentos acerca da matéria (marketing multinível), por não estarmos tão habituados ao tema. O marketing multinível também tratado, às vezes, como marketing de rede, teve origem nos EUA, nos idos dos anos 1940. Desde então, passou por vários ciclos, adaptou se a diferentes momentos da economia mundial e se espalhou por diversos países. No Brasil, há vários modelos de negócios já consolidados baseados nesse formato e hoje é a atividade profissional principal (em alguns casos, a única) de muita gente. Os negócios do tipo multinível baseiam o seu sistema de comercialização em dois pilares fundamentais: a venda direta e a criação de uma rede. A venda direta consiste em ir diretamente aos consumidores para oferecer e vender os produtos ou serviços da empresa, de uma forma pessoal ou através do uso da Internet. Enquanto a criação de uma rede consiste em convidar outras pessoas para que participem como Distribuidores Independentes na empresa de multinível, na qual estás associado. Se aceitarem entrar na empresa, passarão a formar parte da rede e vai ganhar uma vantagem por cada venda feita pelos distribuidores recrutados. Vale esclarecer ainda, que não podemos confundir o MMN (marketing multinível) com as pirâmides. A primeira é uma atividade legalizada, baseada na comercialização de produtos e serviços, baseandose em princípios e fundamentos éticos e legais e pode gerar bons rendimentos aos parceiros, dependendo, é claro, dos resultados de cada um. Já as pirâmides financeiras são negócios totalmente distintos do marketing multinível. Elas são esquemas ilegais de movimentação financeira. Portanto, estamos diante de um negócio legal. Feitas às considerações encimadas, passamos a expor o nosso entendimento. Apesar de estarmos falando de uma matéria não usual, esta já foi apreciada por este Egrégio Conselho, pela 1º Turma Ordinária da 3º Câmara da 2º Seção de Julgamento, em sessão de 06 de novembro de 2014, acórdão de nº 2301004.218. Por oportuno, transcreve se o voto do ilustre Relator Wilson Antonio de Souza Correa, no tocante a matéria aqui discutida: DA INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO DE TRABALHO ENTRE A RECORRENTE E SEUS DISTRIBUIDORES E COMPRADORES DE SEUS PRODUTOS Em síntese a Recorrente diz que faz parte do grupo FLP – Forever Living Products, que por sua vez fabrica e comercializa produtos de saúde e outros do gênero. E, como integrante do grupo FLP atua na área de vendas diretas e utiliza um ‘Plano de Marketing Único’, que incentiva e apóia a compra e o uso dos seus produtos através de uma rede de compradores. Explica que a rede de compradores funciona com indicação de outros compradores, sendo assim: A é comprador e indique B, para que indique C e assim sucessivamente, sendo que o primeiro, ou seja, A, recebe sobre as suas compras na FLP e sobre as compras dos indicados sucessivamente, formando uma rede, onde quem é o primeiro recebe mais, já que todas as compras a ele serão contabilizadas. Neste planejamento todos os compradores para comprarem e venderem mais têm que realizar mais indicação de compradores e fazer um trabalho forte de marketing, sendo que a tarefa Fl. 440DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 9 15 principal não é o marketing sim a venda, para eles, distribuidores, sendo que o primeiro é um mero instrumento para realização do segundo, razão pela qual se revela impróprio o entendimento da decisão de piso ao comparar este procedimento com a venda direta que aduz o estatuto do vendedor. Desta forma, explicita, os valores pagos aos distribuidores pela Recorrente não se refere a venda, mas sim a compra por ele realizada, não esquecendo cada qual pertencer a uma rede de compradores o que possibilita a variação de ganhos, ou seja, quanto mais distribuidores ele tiver, mais ele terá de bonificação. Assim, poderemos resumir o ponto nodal da questão, pois para a Fiscalização os valores pagos aos prestadores de serviços têm como base as vendas por eles realizadas e para a Defendente os valores pagos têm como base as compras realizadas por seus contratantes/compradores. É como se ela estivesse bonificando os seus compradores, ou seja, quanto mais compra, mais recebe bônus e ela é paga por seus distribuidores para gerir este ‘Plano de Marketing Único’, ainda que seja 1 real ao mês. O contrato apresentado nos autos não deixa dúvida quanto a sua literalidade de que a prestadora de serviço é a Recorrente que também é remunerada, ainda que seja 1 real por mês. E onde ela ganha nesta transação comercial? Na venda do produto por ela produzido e no marketing gratuito do seu produto. Para a Recorrente não há legislação que tribute a operação acima e não pode a fiscalização, por analogia enquadrar os distribuidores como contribuintes individuais. Aduz também a Recorrente que os prêmios distribuídos por ela não podem ser considerados como pagamento de contraprestação de serviço, isto porque os valores que transitam pelo patrimônio dela a título de VAR, são devolvidos na forma de prêmio. Registro minhas reverências ao projeto elaborado pela Recorrente, eis que de fato ele não contraria nenhuma legislação, mas o tenho como desfigurado pelo simples fato de os distribuidores não serem distribuidores e sim vendedores, conforme o Estatuto do vendedor que o conceitua como uma pessoa que participa do sistema de distribuição de uma empresa de venda direta. Podendo ser agente comercial independente, contratado por empreitada, revendedor ou distribuidor independente, representante empregado ou por conta própria, franqueado ou similar. Assim, não vejo razão à Recorrente, também neste quesito. DO ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS – BONIFICAÇÕES A Recorrente alega que a base de cálculo utilizada pela Fiscalização está equivocada, eis que a sua operação realizada pelo seu Plano de Marketing Único é diferenciado de uma rede de vendedores/distribuidores, pois o vendedor que se encontra Fl. 441DF CARF MF 16 no topo da lista é beneficiado por compras indireta de outros distribuidores/compradores/vendedores. Como dito acima, o planejamento foi elaborado e se admitíssemos o projeto estaríamos diante de distribuidores conforme consta no contrato e não vendedores, conforme é a realidade fática. Sendo considerados vendedores a operação cai na vala comum e neste sentido a base de cálculo acompanha a regra geral, havendo como base as vendas realizadas como um todo. Entretanto, quando trata das BONIFICAÇÕES, onde informa a Fiscalização que observou divergências entre os valores declarados na DIRF como rendimento do trabalho sem vínculo empregatício e os informados na GFIP da Recorrente, sendo incluindo na base da cálculo do lançamento, o que julgo indevido, eis que ausente a comprovação de fato gerador que possa justificar. Veja, a bonificação declarada e que não consta na DIRF não representa um fato ou conjunto de fatos a que o legislador vincula o nascimento da obrigação jurídica de pagar um tributo determinado. Alguns doutrinadores do direito tributário propõem distinguir fato descrito na hipótese legal (hipótese de incidência) e fato imponível. Nesse sentido, a definição de Geraldo Ataliba é precisa: "Tal é a razão pela qual sempre distinguirmos estas duas coisas, denominando hipótese de incidência ao conceito legal (descrição legal, hipotética de um fato, estado de fato, ou conjunto de circunstâncias de fato) e fato imponível, efetivamente acontecido num determinado tempo ou local, configurando rigorosamente a hipótese de incidência". O Código Tributário Nacional do Brasil (CTN) utiliza a expressão fato gerador tanto no momento que se refere ao que Geraldo Ataliba chamou de hipótese de incidência tanto quanto ao fato imponível, deixando para que o intérprete da norma reconheça o significado referido segundo o contexto em que se encontra. O CTN faz menção ao fato gerador nos artigos 114 e 115. De acordo com o texto do artigo 114 do CTN, fato gerador da obrigação principal é a hipótese definida em lei como necessária e suficiente para o surgimento da obrigação tributária. Por sua vez, o artigo 115 diz que fato gerador da obrigação acessória é a hipótese que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Nesta seara, vejo que as bonificações não estão rigorosamente incluídas em hipótese de incidência, razão pela qual excluo do lançamento, conforme requerido pelo Recorrente. Com razão em parte. Face a isto, a conclusão do ilustre Relator, consoante voto parcialmente acima transcrito, foi no sentido de, naquele caso, dar parcial provimento ao recurso voluntário para "reconhecer que não deve compor a base de cálculo as bonificações pagas ao Fl. 442DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 10 17 vendedores/empregados por ausência de comprovação do fato gerador", decisão esta que foi acompanhada por unanimidade pelos demais Conselheiros daquela Colenda Turma. Com a devida vênia ao entendimento exarado pelo ilustre Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, venho discordar que há uma relação de trabalho, ou até mesmo de emprego, pois os chamados "Consultores"/"Distribuidores" não podem ser considerados como "Vendedores", o que daria ensejo a incidência de contribuição previdenciária, considerandoos como contribuintes individuais, ou ainda, como empregados. Nesse sentido, em 16 de fevereiro de 2016, quando da apreciação do processo nº 16832.000057/201036, o qual sobreveio o acórdão nº 2402004.992, a 2º Turma Ordinária da 4º Câmara da 2º Seção de Julgamento deste Conselho, com a relatoria do Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, acordaram por unanimidade em dar provimento ao recurso voluntário, por compreenderem que não há que se falar em exigibilidade da contribuição social previdenciária porque as "bonificações", não têm como contrapartida prestação de serviços à recorrente por Distribuidores/Vendedores de produto por ela fornecidos. Vejamos a ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Entendese por salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais a remuneração por eles auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de suas atividades por conta própria. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais a seu serviço. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. APLICÁVEL À RELAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Assim como na relação trabalhista, também na relação previdenciária é aplicável o princípio da primazia da realidade, segundo o qual, a verdade dos fatos impera sobre qualquer contrato formal, ou seja, caso haja conflito entre o que está escrito e o que ocorre de fato, prevalece o que ocorre de fato, de sorte que sua realização no âmbito tributário ocorre com a aplicação do princípio da verdade material, o qual permite que no processo administrativo o julgador busque a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. Recurso Voluntário Provido. Analisando a operação comercial da recorrente, me filio ao entendimento acima, pela não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de "lucros no atacado" aos "consultores" dos produtos da recorrente. Fl. 443DF CARF MF 18 Verificase que na modelagem de negócio da contribuinte, conforme demonstrado pelo Relatório Fiscal e pelos instrumentos contratuais acostados aos autos, é que os consultores autorizados adquirem produtos com desconto da recorrente para revendêlos e parte do valor, como obrigação da recorrente com os seus consultores, são repassados a estes, em conformidade com os critérios estabelecidos. Explico. Ao atingir determinado nível de qualificação, o consultor independente se torna um verdadeiro atacadista. A Recorrente, por sua vez, conhecedora das limitações destes consultores independentes que não possuem estrutura logística estrutura básica para a correta armazenagem dos produtos (que, no caso da Recorrente, por se tratar de produtos alimentícios, exige maiores cuidados), veículo para fazer o transporte de quantidades maiores, contrato com transportadora, dentre outros – e financeira – disponibilidade de caixa para comprar, armazenar e transportar o produto até o consumidor final , para operacionalizar sua atividade comercial, a Recorrente toma para si tais responsabilidades e garante o ganho comercial advindo da operação de venda para o consultor independente. Tratase de verdadeira reserva de mercado, assegurada pela Recorrente, e concretizada pelo repasse do lucro no atacado para o consultor para tanto qualificado. Com isso, a peticionante garante que o consultor qualificado para auferir lucro no atacado não se oponha à aquisição do produto diretamente a ela, o que poderia facilmente ocorrer se não lhe fosse dada a garantia de que seu ganho seria mantido. Nessa esteira, a Recorrente assegura também que: (i) não haverá falta de produto no mercado, por conta de eventual indisponibilidade de caixa de algum consultor; (ii) os produtos ficarão armazenados de maneira correta e conforme exigido pela legislação pertinente; (iii) os produtos chegarão ao destino com rapidez e segurança; (iv) os lucros no atacado serão repassados no prazo correto e a quem de direito, quando há mais de um consultor beneficiado pela mesma operação de venda. E, o ponto mais importante para a saúde do ‚negócio Herbalife, assegura tratativas pacíficas entre a empresa e seus consultores, evitando atritos comerciais. Entendo, portanto, que a relação jurídica entre a contribuinte, uma empresa de "marketing multinível", que fabrica e comercializa produtos de nutrição, controle de peso, entre outros do gênero, com seus consultores não possui natureza de relação de trabalho, muito menos a de emprego. A relação jurídica entre as partes, no que concerne o lucro no atacado, é puramente comercial, inexistindo relação de trabalho. Neste sentido, como muito bem destacou o ilustre Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, no voto do acórdão nº 2402004.992, que peço vênia para substanciar os fundamentos já expostos, senão vejamos: (...) não somente pelo que se plasma nos instrumentos analisados, mas também pela realidade dos fatos, apenas para argumentar, sabese que, assim como na relação trabalhista, também na relação previdenciária é aplicável o princípio da primazia da realidade, de forma que o que vale é a ocorrência real dos fatos e não o que está escrito. Assim, mesmo que não fossem textualmente compreendidos os instrumentos envolvidos, dado ao que não se constata nenhuma prestação de serviço dos beneficiários dos bônus para a recorrente, tomandose por fundamento o princípio da primazia da realidade, não há o que se falar em ocorrência do fato gerador da contribuição social previdenciária ora exigida. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 11 19 Com supedâneo nesse princípio significa dizer: mesmo que fosse considerada a existência de uma relação prestacional entre a empresa e os beneficiados (compradores e vendedores), mesmo assim, reiterese, o referido bônus daquela relação não decorreria, uma vez que os ditos pagamentos consubstanciamse ou decorrem de mera devolução de valores colocados sob a guarda e/ou administração da recorrente pelos distribuidores autorizados. Do até aqui apontado, o que se constata dos autos é a inocorrência do fato gerador das contribuições ora exigidas, eis que em momento algum se verificou o pagamento por prestação de serviço remunerado pelos segurados, razão pela qual não deve subsistir o lançamento em análise, de sorte que não há caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária. Ora, entendese por salário de contribuição, para o segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Portanto, inexistindo relação de trabalho e por conseqüência, remuneração para retribuir o trabalho, tornase insustentável a exigência de contribuição previdenciária sobre o "lucro no atacado" pago aos consultores (compradores) da empresa fornecedora dos produtos. Assim, no presente caso, não há que se falar em exigibilidade da contribuição social previdenciária porque os valores pagos, como já demonstrado, não têm como contrapartida prestação de serviços a recorrente por Consultores/Vendedores de produtos por ela fornecidos. Tratandose de uma relação puramente mercantil. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para decretar a decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos no período anteriores a competência 09/2004 (Setembro/2004), ou seja, de 01/2004 a 08/2004 e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 445DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.914071/2012-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES.
Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhece-se o direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-002.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhecese o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 40 71 /2 01 2- 27 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10783.914071/201227 Acórdão n.º 1201002.571 S1C2T1 Fl. 3 2 Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de pagamento indevido de CSLL. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que a contribuinte não preenchia os requisitos para caracterizarse como prestadora de serviços hospitalares, nos termos de consulta por ela mesmo formulada à Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal tendo em vista a adoção dos percentuais de 8% e 12% para fins de presunção do lucro tributável pelo IRPJ e CSLL, respectivamente, e não 32% como adotado originariamente, o que gerou o recolhimento indevido. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado preliminarmente que a decisão de primeira instância é nula, uma vez não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório. Se superada a preliminar, argúi a recorrente que preenche os requisitos para ser considerada como prestadora de serviços hospitalares, nos termos da legislação de regência da matéria, conforme apontam os fatos devidamente comprovados nos autos mediante a farta documentação apresentada. Colaciona jurisprudência. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.556, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10783.912343/2012 54, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10783.914071/201227 Acórdão n.º 1201002.571 S1C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.556): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Nulidade da decisão de primeira instância. É arguida a nulidade da decisão de primeira instância por não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório, qual seja, o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Ocorre que essa utilização deuse em face do percentual de Lucro Presumido aplicado à receita, inicialmente 32% como informou a própria recorrente e não 8% (IRPJ) ou 12% (CSLL) como é o pretendido. E essa é exatamente a fundamentação da manifestação de inconformidade e, por óbvio, foi a matéria tratada na decisão de piso. Vêse pois que, embora a decisão não tenha se detido em específico no fato de que o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação de débitos, essa conclusão é facilmente extraída da fundamentação, em que é analisada toda a questão relativa ao percentual de Lucro Presumido aplicável em face da atividade da recorrente: se 32%, como considerado na decisão, o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação do quanto devido pela contribuinte, não restando assim nenhum saldo a restituir. Rejeitase a preliminar. Mérito. Argúi a recorrente que é prestadora de serviços hospitalares, incidindo pois a exceção prevista na alínea "a", do inciso III, do § 1º, do artigo 15, da Lei nº 9.249/95: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1o Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10783.914071/201227 Acórdão n.º 1201002.571 S1C2T1 Fl. 5 4 citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA. (Destaque acrescido) Traz extenso arrazoado em que justifica o enquadramento de sua atividade como de prestação de serviços hospitalares, anexando documentos. Colaciona também jurisprudência nesse sentido. Junto com a manifestação de inconformidade, veio a Solução de Consulta nº 09/2008, emitida pela DISIT da Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal, base da decisão de piso. Ao final dessa Solução de Consulta, são discriminados os requisitos cumulativos para que a contribuinte seja considerada como prestadora de serviços hospitalares, fazendo jus então aos percentuais de Lucro Presumido de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Tais requisitos foram analisados individualmente na decisão de piso. O primeiro requisito é o desempenho de atividade prevista no inciso I, alínea "c", do artigo 27 da IN SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004: “prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação”. Conforme a decisão de primeira instância, segundo o que consta no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES: "... ali está registrado que a interessada presta atendimento de internação, dispondo de nove leitos. Além disso, presta serviços de apoio ao diagnóstico e terapia, pois dispõe de equipamentos para diagnóstico por imagem ( raio x – fl. 81) e serviço de diagnóstico por anatomia patológica ou citopatológica (...). Por estas razões, concluo que a interessada atende o primeiro requisito estatuído na Solução de Consulta nº 9. Quanto ao segundo requisito, assim está registrado no voto condutor da decisão de piso: O segundo requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, assim dispõe: “b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC nº 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10783.914071/201227 Acórdão n.º 1201002.571 S1C2T1 Fl. 6 5 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; e” [...] Como esclarece o contribuinte, a empresa está situada em endereço próprio, no meio andar do 7º andar do prédio do Centro Hospitalar Granmater, o que se encontra ratificado pelo OF/SESA/GEVS/NVS/CHEFIA/N ° 634, de 23 de setembro de 2008, da Secretaria de Saúde do Espírito Santo que informa (...): “A empresa NEOCARE CUIDADOS INTENSIVOS EM NEONATOLOGIA S/S LTDA, CNPJ 03.826.269/0001 10, está na área do CENTRO HOSPITALAR GRANMATER, CNPJ 03.691.392/000170, fazendo parte do seu Projeto Arquitetônico, aprovado conforme o "Programa Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde" e de"Dimensionamento Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes", estando apta conforme legislação em vigor. Portanto, seu licenciamento faz parte do conjunto do Centro Hospitalar Granmater.” Deste modo, em 23 de setembro de 2008, estava apta a exercer suas atividades. Sucede que o pedido formulado referese ao ano calendário de 2.006. Então, há que se ver se o Hospitalar Granmater, onde a empresa funciona, atendia os requisitos estabelecidos pela Vigilância Sanitária, ..., quanto ao período em exame: Entendeu o então relator que, como a licença, no ano calendário 2006, não abrangeu todo o ano, mas um período de sete meses, esse requisito não restaria preenchido. Contudo, o que se poderia concluir quanto a essa questão seria, no máximo, que, nos meses em que não havia a licença, não teria havido o preenchimento do referido requisito. No entanto, essa conclusão não pode ser aceita, pois não poderia haver a aplicação de sistemáticas diversas de apuração do lucro para fins do IRPJ e da CSLL em um só ano, nem tampouco a de que haveria uma extensão do não preenchimento do requisito para todo o ano de 2006. Como visto também, as licenças foram válidas por um período de sete meses, o que corresponde a mais da metade do ano. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10783.914071/201227 Acórdão n.º 1201002.571 S1C2T1 Fl. 7 6 Portanto, quanto ao segundo requisito, concluise que ele foi preenchido. No que respeita ao terceiro requisito, consta do multicitado voto: Passo ao exame do terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7 ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, que determina: “c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil.” A fim de examinar a matéria, transcrevemos parte da ementa contida na Solução de Consulta nº 9: “PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Considerase prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação do lucro presumido, o estabelecimento assistencial de saúde que atender cumulativamente aos seguintes requisitos previstos no art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005: (...) c) tratarse de empresário ou de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Novo Código Civil, reunindo fatores de produção e circulação, com profissionalismo e economicidade, e valendose de profissionais não só para o desenvolvimento das atividades auxiliares mas também para o exercício da atividadefim.”(grifei) Esta matéria também foi tratada pela Solução de Consulta DISIT nº 252, de 13 de setembro de 2.005, da 9ª Região Fiscal, parcialmente transcrita: “14. À vista do exposto, concluise que, para fins de definição dos percentuais de presunção a serem utilizados na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, constitui prestação de serviços hospitalares a atividade exercida nos ramos de imagenologia, ginecologia e obstetrícia, desde que a contribuinte seja constituída de fato e de forma como sociedade empresária, o que pressupõe a existência: (i) de estrutura física própria, na conformidade do art. 27, § 1º, da IN SRF nº 480, de 2004, cf. redação dada pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005; e (ii) de empregados Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10783.914071/201227 Acórdão n.º 1201002.571 S1C2T1 Fl. 8 7 com competência técnica para realizar sua atividade fim sem a necessidade de atuação dos sócios.”(grifei) Segundo o que consta ..., a empresa não possui médicos (profissionais SUS) e possui 20 profissionais não SUS. Tais informações não elucidam se há médicos contratados pela empresa. De acordo com os contratos sociais ..., no ano de 2.006, as sócias da empresa eram Cíntia Ginaid de Souza e Circe Ginaid de Souza, ambas médicas. Do exame dos documentos anexos aos autos não há como se inferir que a empresa possua profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fim, sem a necessidade de atuação dos sócios, restando incomprovado o atendimento ao terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9. Não há dúvidas de que a recorrente é pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária. A questão levantada é a de que não se pode saber se a empresa possuía "profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fins, sem a necessidade de atuação dos sócios". Em que pese a fragilidade da questão relacionada à atuação dos sócios, uma vez que pode existir uma sociedade com sócios que sejam profissionais habilitados em número suficiente para a prestação do serviço a que se destina a empresa, não é crível que uma prestadora de serviços de UTI neonatal, localizada no prédio de um hospital, com vários leitos, não disponha de profissionais médicos, além dos sócios, para a prestação dos serviços. É quase certo que haja a prestação de serviços de médicos que também o fazem para o próprio hospital em que se insere fisicamente a recorrente, ou que tenha havido a contratação de profissionais por meio também de pessoas jurídicas. Assim, aqui também há que se entender preenchido o requisito. Por fim, no que tange ao quarto requisito, assim registrou o relator no voto condutor da decisão recorrida: Por fim, o quarto requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, determina: “d) que os estabelecimentos hospitalares (em regime de atendimento de urgência ou não), sigam os dispositivos emanados no ADI nº 19 de 10/12/2007, aqui para efeito de cálculo do percentual reduzido de IRPJ, a ser utilizado por empresas prestadoras de tais serviços, nas Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10783.914071/201227 Acórdão n.º 1201002.571 S1C2T1 Fl. 9 8 condições previstas nas leis e dispositivos sobre o assunto.” Tendo em vista a citação do ADI nº 19 de 10/12/2007, segue a transcrição do dispositivo: “Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'', da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 , os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida.” Nos autos não há provas suficientes para comprovar que a empresa disponha de “estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos”. Portanto, o quarto requisito estatuído pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, restou incomprovado. Mais uma vez, frisese, a recorrente é uma prestadora de serviços de UTI neonatal que funciona fisicamente no prédio de um hospital. Não há dúvida quanto a possuir estrutura material e de pessoal (quanto a esta última vejase comentário ao requisito anterior) destinada a atender a internação de pacientes Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10783.914071/201227 Acórdão n.º 1201002.571 S1C2T1 Fl. 10 9 (as notas fiscais constantes dos autos confirmam esse tipo de serviço) com assistência permanente durante vinte e quatro horas, com disponibilidade de serviços de radiologia e laboratório. Portanto, cumprido também o quarto e último requisito. Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.721075/2014-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/09/2012
MULTA ISOLADA. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO INDEFERIDOS. REVOGAÇÃO DOS § 15 e 16 DA LEI Nº 9.430/196. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em cumprimento ao art. 106, inciso II, "a" do CTN, tratando-se de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, quando deixe de defini-lo como infração. No caso dos autos, a superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração uma das hipóteses fáticas descritas no lançamento (aquela decorrente dos parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, revogados pela Lei nº 13.137/2015) impõe o cancelamento da multa aplicada.
Recurso de Ofício Negado.
DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS E SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. MENÇÃO, NO ACÓRDÃO QUE MANTEVE A SENTENÇA, A INSUMOS. ADEQUADA INTERPRETAÇÃO DA COISA JULGADA.
Tratando a ação judicial apenas do direito de crédito decorrente da aquisição de matérias-primas não tributadas, isentas e de alíquota zero, a menção, sem a força de dispositivo, no acórdão que julgou a remessa de ofício e a apelação a insumos não estende os limites da coisa julgada para além do que foi objeto da petição inicial.
IPI. CREDITAMENTO. INSUMOS GENÉRICOS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE CONSUMO DE FORMA IMEDIATA E INTEGRAL.
Descabe direito ao creditamento do IPI por expressa vedação legal do art. 226, I, do RIPI/2010. Ademais, os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Precedente do STJ, REsp 1.0755.08/SC (recurso representativo de controvérsia).
CRÉDITO. APROVEITAMENTO. OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL E FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado o aproveitamento de crédito do IPI relativamente a aquisições de empresas optantes do Simples.
COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. PARECER PGFN N° 492/2011. EFEITOS.
Os efeitos desconstitutivos sobre as decisões judiciais transitadas em julgado não são automáticos, por imperativo constitucional da coisa julgada, que atinge em último grau, a realização do princípio da segurança jurídica. A desconstituição da decisão transitada em julgado se dá apenas por meio da ação rescisória. Ilegitimidade do Parecer PGFN n° 492/2011 para fazer cessar a decisão individual e concreta transitada em julgado a favor do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões no recurso voluntário os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Winderley Morais Pereira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 30/09/2012 MULTA ISOLADA. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO INDEFERIDOS. REVOGAÇÃO DOS § 15 e 16 DA LEI Nº 9.430/196. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em cumprimento ao art. 106, inciso II, "a" do CTN, tratando-se de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, quando deixe de defini-lo como infração. No caso dos autos, a superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração uma das hipóteses fáticas descritas no lançamento (aquela decorrente dos parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, revogados pela Lei nº 13.137/2015) impõe o cancelamento da multa aplicada. Recurso de Ofício Negado. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS E SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. MENÇÃO, NO ACÓRDÃO QUE MANTEVE A SENTENÇA, A INSUMOS. ADEQUADA INTERPRETAÇÃO DA COISA JULGADA. Tratando a ação judicial apenas do direito de crédito decorrente da aquisição de matérias-primas não tributadas, isentas e de alíquota zero, a menção, sem a força de dispositivo, no acórdão que julgou a remessa de ofício e a apelação a insumos não estende os limites da coisa julgada para além do que foi objeto da petição inicial. IPI. CREDITAMENTO. INSUMOS GENÉRICOS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE CONSUMO DE FORMA IMEDIATA E INTEGRAL. Descabe direito ao creditamento do IPI por expressa vedação legal do art. 226, I, do RIPI/2010. Ademais, os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Precedente do STJ, REsp 1.0755.08/SC (recurso representativo de controvérsia). CRÉDITO. APROVEITAMENTO. OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL E FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o aproveitamento de crédito do IPI relativamente a aquisições de empresas optantes do Simples. COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. PARECER PGFN N° 492/2011. EFEITOS. Os efeitos desconstitutivos sobre as decisões judiciais transitadas em julgado não são automáticos, por imperativo constitucional da coisa julgada, que atinge em último grau, a realização do princípio da segurança jurídica. A desconstituição da decisão transitada em julgado se dá apenas por meio da ação rescisória. Ilegitimidade do Parecer PGFN n° 492/2011 para fazer cessar a decisão individual e concreta transitada em julgado a favor do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 30/09/2012 MULTA ISOLADA. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO INDEFERIDOS. REVOGAÇÃO DOS § 15 e 16 DA LEI Nº 9.430/196. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em cumprimento ao art. 106, inciso II, "a" do CTN, tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, quando deixe de definilo como infração. No caso dos autos, a superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração uma das hipóteses fáticas descritas no lançamento (aquela decorrente dos parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, revogados pela Lei nº 13.137/2015) impõe o cancelamento da multa aplicada. Recurso de Ofício Negado. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS E SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. MENÇÃO, NO ACÓRDÃO QUE MANTEVE A SENTENÇA, A INSUMOS. ADEQUADA INTERPRETAÇÃO DA COISA JULGADA. Tratando a ação judicial apenas do direito de crédito decorrente da aquisição de matériasprimas não tributadas, isentas e de alíquota zero, a menção, sem a força de dispositivo, no acórdão que julgou a remessa de ofício e a apelação a “insumos” não estende os limites da coisa julgada para além do que foi objeto da petição inicial. IPI. CREDITAMENTO. INSUMOS GENÉRICOS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE CONSUMO DE FORMA IMEDIATA E INTEGRAL. Descabe direito ao creditamento do IPI por expressa vedação legal do art. 226, I, do RIPI/2010. Ademais, os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 10 75 /2 01 4- 07 Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.475 2 relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Precedente do STJ, REsp 1.0755.08/SC (recurso representativo de controvérsia). CRÉDITO. APROVEITAMENTO. OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL E FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o aproveitamento de crédito do IPI relativamente a aquisições de empresas optantes do Simples. COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. PARECER PGFN N° 492/2011. EFEITOS. Os efeitos desconstitutivos sobre as decisões judiciais transitadas em julgado não são automáticos, por imperativo constitucional da coisa julgada, que atinge em último grau, a realização do princípio da segurança jurídica. A desconstituição da decisão transitada em julgado se dá apenas por meio da ação rescisória. Ilegitimidade do Parecer PGFN n° 492/2011 para fazer cessar a decisão individual e concreta transitada em julgado a favor do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões no recurso voluntário os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Winderley Morais Pereira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.476 3 Tratase de glosa de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no Auto de Infração de fls. 1942/1955, referente aos períodos de apuração de janeiro de 2010 a setembro de 2012, sendo um total de crédito glosado de R$ 9.172.009,54, e Auto de Infração de Multa Regulamentar, fls. 1956/1960, que exige o recolhimento de R$ 4.105.610,79. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 1911/1940: A empresa é cadastrada sob o CNAE 2823200: Fabricação de máquinas e aparelhos de refrigeração e ventilação para uso industrial e comercial, peças e acessórios. (...) Da análise das operações efetuadas pelo contribuinte, dos arquivos magnéticos, livros e documentos fiscais, bem como informações prestadas, constatamos que o contribuinte incorreu em irregularidades que resultaram em GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. As irregularidades são decorrentes de valores apropriados em vista do Mandado de Segurança, Processo n° 98.00232931, que trata do direito aos créditos de IPI sobre aquisição de matériasprimas isentas, não tributadas ou reduzidas à alíquota zero empregadas na fabricação de produtos tributados. As glosas efetuadas foram divididas em dois períodos, os quais serão tratados separadamente nos itens 1 e 2: Item 1. De janeiro de 2010 até 26/05/2011: neste período foram glosados os créditos que extrapolaram o direito garantido na ação judicial, isto é, ou não são considerados matériasprimas, ou houve a utilização em duplicidade de uma mesma nota fiscal de entrada, etc. Os créditos referentes a este período, informados na planilha apresentada pela empresa como créditos do MS, foram analisados individualmente. Item 2. De 27/05/2011 até 30/09/2012: todas as apropriações de crédito baseados no MS Processo n° 98.00232931 foram glosadas integralmente a partir de 27/05/2011, conforme determina o Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011. (...) A empresa apresentou Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento de Créditos de IPI relativos ao período fiscalizado. Conforme exposto, parte dos créditos de IPI objeto dos Pedidos de Ressarcimento foi glosada por ser indevida. Tendo em vista a publicação da Lei 12.249, em 14 de junho de 2010, a multa foi aplicada aos pedidos de ressarcimento entregues a partir desta data. Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.477 4 Assim, demonstramos abaixo os Pedidos de Ressarcimento de Crédito de IPI entregues pelo contribuinte com respectiva data de transmissão, valores indevidos e respectivos valores da multa cujo percentual é de 50 % sobre o valor indevido. Valor total da multa: R$ 4.105.610,79. Regularmente intimada, com ciência através do Domicilio Tributário Eletrônico em 10 de maio de 2014, fl. 1964, a interessada apresentou, em 26 de maio de 2014, a impugnação de fls. 1968/2004. Preliminarmente a impugnante alega a boafé do contribuinte que, mesmo diante de pedidos excessivos por parte da Auditora Fiscal, apresentou tudo o que foi requisitado. Argumenta, posteriormente, com base no Princípio da Efetividade da Administração Pública, sobre o demora do curso da Ação Fiscal. Sobre a decisão transitada em julgado e da segurança jurídica do Mandado de Segurança Processo n° 98.00232931: Preliminarmente, a Ilma. Auditora, visando amparar sua autuação, interpreta de forma restritiva, o Acórdão do E. TRF da 4ª Região, excluindo o direito da Empresa Autuada em utilizarse dos insumos adquiridos sob o regime de Isenção, Não Tributação e/ou sujeitos à Alíquota Zero. Importante salientar, novamente, que não cabe a Ilma. Auditora esclarecer, revisar, concluir o conteúdo da decisão em questão, muito menos tecer lições jurídicas e/ou dar parecer final quanto aos mandamentos da decisão, pois resta claro o que foi deferido no acórdão em questão. Apresenta a Certidão Explicativa expedida pela Justiça FederalSeção Judiciária do Paraná: CERTIDÃO EXPLICATIVA N° 079/2005 "CERTIFICO e dou fé a pedido da parte interessada, que por este juízo e Secretaria da Vara Ambiental, Agrária e Residual, Circunscrição Judiciária de Curitiba, Capital do Estado do Paraná, tramitou os autos de Mandado de Segurança n° 98.00232931, distribuído em 15/10/1998, impetrado por GELOPAR REFRIGERAÇÃO PARANAENSE LTDA. (CNPJ 75.109.074/0001 60), contra o DELEGADO DA RECEITA FEDERAL CURITIBA, tendo como objeto o pedido de liminar visando assegurar o direito ao crédito, a título de imposto sobre Produtos Industrializados IPI, relativo às aquisições de insumos isentos, nãotributados, ou reduzidos à alíquota zero, empregados, na fabricação de produtos tributados, com a aplicação da mesma alíquota utilizada, na operação tributada, tudo atualizado. Certifico, que a liminar foi deferida, autorizando a impetrante, a utilização dos créditos (presumido), relativos às aquisições de mercadorias isentas, e suspendendo, em consequência, a exigibilidade do tributo, na medida das forças do referido crédito, face ao princípio constitucional da nãocumulatividade. A sentença monocrática foi de procedência, tendo sido mantida pelo E. Tribunal de Justiça, o qual transitou em julgado em 11 de setembro de 2002. Certifico, finalmente, que os presentes autos encontramse arquivados desde 08 de abril de 2003, sem manifestação das partes em relação à baixa dos autos. Curitiba, 27 de abril de 2005. Eu Abinadabe Carneiro, Diretor de Secretaria, em exercício, a digitei e subscrevo, xxxxxxxxx" (negritouse) Em seguida, traz a Certidão Narratória Extraída da Ação Rescisória Interposta pela União (esta restou novamente derrotada) Emitida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região: Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.478 5 EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA N° 2003.04.01.004107 3/PR CERTIDÃO NARRATÓRIA Certifico, para os devidos fins, a pedido da parte interessada, que tramita perante a 1ª SEÇÃO do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA n° 2003.04.01.0041073/PR, processo originário n° 98.00.232931 da 11ª Vara Federal de Curitiba/PR, em que figuram como exequente GELOPAR REFRIGERAÇÃO PARANAENSE LTDA e como executada a UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL), Relatora a Desembargadora Federal LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH. Certifico, também, que a execução originouse de Ação Rescisória ajuizada pela União Federal contra GELOPAR REFRIGERAÇÃO PARANAENSE LTDA., com fundamento no art. 485, V, do CPC, visando desconstituir acórdão proferido pela 1ª Turma deste Regional, nos autos do Mandado de Segurança n.° 1999.04.01.079847 6/PR que, por unanimidade, negou provimento à apelação e à remessa oficial. Certifico ainda, que, citada a parte ré, esta ofereceu contestação. Encerrada a instrução, o Ministério Público Federal opinou pela improcedência da ação rescisória. Certifico, mais, que a 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4° Região, por unanimidade, julgou improcedente a ação rescisória em cuja ementa se lê "TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. CRÉDITO DE IPI RECONHECIDO JUDICIALMENTE, DECORRENTE DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU REDUZIDOS À ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA E PRAZO PRESCRICIONAL APLICÁVEL INEXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO CONSTITUCIONAL ACERCA DA MATÉRIA OBJETO DA AÇÃO RESCISÓRIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 343 DO STF. A alegação de afronta a literal dispositivo de lei, relativamente ao prazo prescricional e à correção monetária de crédito presumido de IPI reconhecido judicialmente, pertinente à aquisição de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, não comporta discussão de matéria constitucional, fazendo incidir a Súmula n° 343 do STF ("Não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais."). ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, julgar improcedente a ação rescisória, nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 07 de maio de 2009". Da referida decisão foram opostos embargos de declaração pela União Federal (Fazenda Nacional), os quais, por unanimidade, foram acolhidos em parte, tãosomente para fins de prequestionamento. A União interpôs recursos especial e extraordinário, os quais foram inadmitidos. Das decisões que inadmitiram os recursos foram interpostos agravos perante o STJ e o STF. No STJ o Ministro Relator deu provimento ao agravo de instrumento e, perante o STF foi negado seguimento ao recurso. Julgado o Recurso Especial no egrégio Superior Tribunal de Justiça, a Segunda Turma daquela Corte, por unanimidade, negou provimento. Desta última decisão, foram opostos embargos de declaração, os quais foram rejeitados, por unanimidade. Certifico, além disso, que o v. acórdão transitou em julgado em 04/07/2013. Certifico, por fim, que os autos do referido processo encontramse em Secretaria aguardando o pagamento da Requisição relativa aos honorários advocatícios. O referido é verdade e dou fé. Alega que não cabe à Fiscalização rediscutir a prestação jurisdicional já favorável a impugnante, em outras palavras, à reapreciação da autoridade administrativa de matéria transitada em julgado nos autos de n° 98.00232931, sendo tal conduta equivocada, ilegal e abusiva, ofendendo a coisa julgada, Cláusula Pétrea da Constituição Federal/88. Fl. 2478DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.479 6 Aduz que Procuradoria da Fazenda Nacional na Ação Rescisória nº 2003.04.01.0041073/PR, utiliza a expressão “insumo”, que confirma sua aceitação quanto ao conteúdo do julgado. Ademais, afirma ter efetuado o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial transitada em julgado, em 22 de agosto de 2005, Processo n° 10980.009289/200511, sendo este homologado pelo Delegado da Receita Federal em Curitiba, em 12 de setembro de 2005. Neste processo, afirma ainda a impugnante, foi aceita a metodologia de cálculo utilizada na formação da alíquota do crédito, ou seja, na mesma base/alíquota dos produtos tributados, conforme a decisão judicial. Passa a discorrer, então, sobre as glosas efetuadas e sua falta de fundamentação legal. Afirma, não haver dúvidas quanto ao que restou deferido no pronunciamento judicial e sobre a alíquota a ser utilizada no cálculo dos créditos sobre as aquisições de matérias primas isentas, não tributadas ou tributadas a alíquota zero e cita novamente, a decisão do processo administrativo 10980.009289/200511. Insurgese contra a glosa de créditos decorrentes de aquisições de empresas do Simples. Afirma que a Lei nº 123/2006 foi editada posteriormente à coisa julgada; e que a própria lei faz menção à possibilidade de utilização de créditos nas aquisições de mercadorias de empresas inscritas no simples. Sobre a glosa dos créditos de Energia Elétrica, cita acórdão do STJ. Sustenta que a energia elétrica pode ser um veículo de modificação da matériaprima, que pode ser a provocadora de efeitos químicos ou físicos que atuem no processo industrial. Ressalta, ainda, que a energia elétrica está classificada na NCM 2716.00.00 como NT. Acerca do material intermediário e embalagens, afirma estarem, referidos créditos, sob a égide da coisa julgada. Com relação ao material de uso e consumo e material de segurança, sustenta haver erro da Fiscalização, porquanto, afirma: “o conceito de insumo não está limitado aos bens e serviços utilizados “diretamente” nas atividades da empresa, pois, nessa hipótese, o crédito estaria limitado às matériasprimas, aos materiais de embalagem e aos produtos intermediários (aqueles consumidos no processo produtivo)”. Afirma ainda, que Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 preveem o crédito sobre combustíveis e lubrificantes, os quais, na maioria das vezes, são materiais auxiliares ou intermediários. Posteriormente, concorda com os glosa efetuada nos créditos constatados pela Fiscalização como em duplicidade, porém discorda da multa aplicada. Cita haver erro da Fiscalização: Ao contrário do afirmado, a nota de devolução de n° 111.576 no valor de R$ 239.414,2013, não é datada de 30/06/2013, mas sim de 30/06/2012 (doc. em anexo), existindo claro erro material na presente glosa. A presente fiscalização teve seu início em 11 de março de 2013, sendo assim quando a mesma foi emitida em 30/06/2012 a empresa não estava sob fiscalização caracterizando assim flagrante espontaneidade da contribuinte, demonstrado pois que referida glosa é insubsistente devendo ser revista de plano por este emérito julgador, por ser tratar de erro material da presente fiscalização. Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.480 7 Sobre a multa regulamentar, afirma ser inconstitucional, ilegal e ter efeito confiscatório. Traz ainda, que a mesma é objeto de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4905) ajuizada no Supremo Tribunal Federal (STF), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apresenta, após, seus argumentos em relação ao Parecer PGFN nº 492/2011 e afirma: Importante salientar que no caso em tela o direito perseguido pela recorrente foi alcançado, ou seja, restou declarada a época a inconstitucionalidade quanto à vedação imposta de se utilizar dos créditos das aquisições de insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, decisão esta transitada em julgado em 2002 (certidão em anexo). A União interpôs Ação Rescisória em face desta decisão, contudo novamente não logrou êxito, tendo esta ação transitada em julgado em 2012 (certidão em anexo). Sendo assim, como agora via mero parecer da Procuradoria, mencionada compensação poderia ser glosada sem desaguarmos em um abismo jurídico, para não falar em absurdo jurídico. Conforme exposto, notase o esforço do Parecer n° 492/2011 em dar uma elasticidade diferente às relações jurídicas tributárias de natureza continuativa, buscando trazer um efeito diverso do preconizado pelo legislador, em flagrante desrespeito à coisa julgada, notadamente quando se previu no CPC, art. 471: Carreia aos autos algumas decisões judiciais. E por fim requer: Diante de todo o exposto e pelo mais que possa ser suprido pelo vosso conhecimento, requerse: a. Que o presente Recurso seja recebido e processado, eis que tempestivo; b. Requerse ainda, que o presente recurso seja provido para declarar a insubsistência de todo auto de infração objeto do presente recurso, haja vista todas as irregularidades acima expostas, em especial: b.l. Pela ofensa direta a coisa julgada, haja vista a interpretação diversa adotada pela ilma. Auditora, a qual restringe o direito adquirido da Contribuinte concedido nos seguintes moldes: (...) Segurança concedida, para o efeito de autorizar, a partir do trânsito em julgado, a utilização dos créditos, a título de IPI, decorrentes das entradas de insumos, atualizados, segundo os índices oficiais, com os débitos futuros, deste imposto, incidente, sobre saídas dos respectivos produtos industrializados (afinal a legislação ordinária, e o próprio regulamento do IPI, admitem a transferência dos saldos credores excedentes, para o período seguinte). Remessa Oficial, e Apelação de Impetrada conhecidas, e improvisas. (...) (vide certidões acimas transcritas e ora colecionadas). b.2. Pela Incongruência da média de alíquota imposta pela fiscalização; b.3. Pela irregular glosa e afastamento da espontaneidade do contribuinte da compensação item 5.9; Fl. 2480DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.481 8 b.4. Pela ilegalidade, inconstitucionalidade e consequente inaplicabilidade do Parecer n° 492/2011; b.5. Pela inconstitucionalidade e consequente inaplicabilidade da multa regulamentar ora aplicada, excluindoa definitivamente; b.6. Pela insubsistência dos demais itens glosados, conforme acima exposto. Alternativamente, em caso de eventual manutenção de algum item do Auto Infracional atacado, o que não se admite, nem mesmo por hipótese, seja reduzida a multa aplicada pela Auditora, ao patamar mínimo legal, haja vista a flagrante boafé demonstrada pelo contribuinte durante toda a realização da auditoria, além do evidente caráter confiscatório que a multa aplicada produz. O pleito foi julgado procedente em parte, pela 3ª Turma da DRJ/BEL, nos termos do acórdão n° 0130.326, cuja ementa transcrevese: CRÉDITO. INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. RELAÇÃO FÁTICOJURÍDICA NOVA. OFENSA À COISA JULGADA. NÃOOCORRÊNCIA. Por ter sobrevindo modificação no estado de direito que acarretou o surgimento de uma nova relação jurídico tributária, não mais subsistia a coisa julgada material como cristalização do que fora decidido em momento pretérito. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. A decisão judicial transitada em julgado tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. LANÇAMENTO DE MULTA REGULAMENTAR. FATO GERADOR. MOTIVAÇÃO INCOMPLETA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nulo o lançamento efetuado em desconformidade com as disposições legais e normativas que prescrevem o dever de motivação e ferindo o direito à ampla defesa do contribuinte, restando caracterizado vício formal insanável. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Nessa decisão, a DRJ julgou procedente em parte a impugnação, para cancelar o lançamento da Multa Regulamentar, efls. 1956/1960 e para rever a glosa do período de apuração de 31 de maio de 2012, para R$ 245.223,45. Manteve a glosa de crédito de IPI dos demais períodos de apuração, formalizada no Auto de Infração de efls. 1942/1955. Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.482 9 Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ao final requer: a. Que o presente Recurso seja recebido e processado, eis que tempestivo; b. Requerse ainda, que o presente recurso seja provido para declarar a insubsistência de todo auto de infração objeto do presente recurso, haja vista todas as irregularidades acima expostas, em especial: b.1. Pela ofensa direta a coisa julgada, haja vista a interpretação diversa adotada pela Ilma. Auditora, a qual restringe o direito adquirido da Contribuinte concedido nos moldes do Acórdão do TRF da 4ª Região transitado em julgado: (...) Segurança concedida, para o efeito de autorizar, a partir do trânsito em julgado, a utilização dos créditos, a título de IPI, decorrentes das entradas de insumos, atualizados, segundo os índices oficiais, com os débitos futuros, deste imposto, incidente, sobre saídas dos respectivos produtos industrializados (afinal a legislação ordinária, e o próprio regulamento do IPI, admitem a transferência dos saldos credores excedentes, para o período seguinte). Remessa Oficial, e Apelação de Impetrada conhecidas, e improvisas. (...) (vide certidões acima transcritas e ora colecionadas). b.2. Pela Incongruência da média de alíquota imposta pela fiscalização; b.3. Pela ilegalidade, inconstitucionalidade e consequente inaplicabilidade do Parecer nº 492/2011; b.4. Pela insubsistência dos demais itens glosados, conforme acima exposto. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora Os recursos de ofício e voluntário reúnem os pressupostos legais de interposição, deles, portanto, tomo conhecimento. RECURSO DE OFÍCIO A DRJ considerou nulo o lançamento de multa regulamentar por vício na motivação. A argumentação foi a seguinte: Fl. 2482DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.483 10 O Auto de Infração referente à multa regulamentar, fls. 1956/1960, que exige o recolhimento de R$ 4.105.610,79, traz no campo “enquadramento legal” a seguinte informação: art. 74, §§ 15 e 16, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010. De início, devese ressaltar que a Medida Provisória nº 656, de 7 de outubro de 2014, revogou o enquadramento legal da multa regulamentar, conforme segue a transcrição: Art. 56. Ficam revogados: I imediatamente, os arts. 44 a 53 da Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964, o art. 28 da Lei nº 10.150, de 21 de dezembro de 2000, e os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e Vejamos, porém, o que determinava o art. 74, §§ 15 e 16, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ... § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) O que se depreende facilmente da leitura do citado §15, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, que determinava que a multa isolada de 50% seria aplicada sobre o valor do crédito objeto do pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. Enfim, o que configurava a tipicidade da infração é o pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. De plano, constatase, facilmente, que os Pedidos de Ressarcimentos de Crédito de IPI, referentes ao período de apuração do 1º trimestre de 2010 ao 4º trimestre de 2011 e 3º trimestre de 2012, relacionados no Termo de Verificação Fiscal, fl. 1940, considerados como base de cálculo para a Multa Regulamentar, somente foram considerados indevidos através dos Despachos Decisórios Eletrônicos, emitidos pelo Sistema de Controle de Créditos em 04 de junho de 2014, sendo a ciência do contribuinte em 18 de junho de 2014. O Pedidos de Ressarcimentos de Crédito de IPI, referente ao período de apuração do 1º trimestre de 2012 teve o Despacho Decisório Eletrônico emitido em 07 de agosto de 2014, sendo a ciência em 18 de agosto de 2014. Quanto ao Pedido de Ressarcimento de Crédito de IPI relativo ao 2º trimestre de 2012, em consulta aos sistemas da SRF, não consta Despacho Decisório emitido. Logo, somente restaria caracterizada a tipicidade do §15, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, após a ciência dos Despachos Decisórios de análise dos Pedidos de Ressarcimentos de crédito de IPI, e como visto, esta somente ocorreu após a ciência Fl. 2483DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.484 11 do lançamento do Auto de Infração, ora em questão, que ocorreu em 10 de maio de 2014. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e a determinação da matéria tributável possuem o sentido de dar motivação ao ato de constituir o crédito tributário pelo lançamento, ou seja, dizem respeito ao elemento (requisito) motivo do ato. Diante dos fatos cabe salientar que a Administração Pública, atendendo ao princípio da legalidade e exercendo o controle do lançamento tributário, tem o deverpoder de reexaminar os seus atos, podendo anulálos ou revogálos, nos termos do art. 53 da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal (PAF), e da Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, (...) (...) A administração deve, portanto, demonstrar que o seu ato está em conformidade com as prescrições legais, de modo a permitir o conhecimento e controle dos motivos que a levaram a praticálo, não o fazendo, mister se faz o reconhecimento da nulidade. A multa isolada foi aplicada em virtude do ressarcimento indeferido ou indevido, cujo enquadramento estava nos parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 c/c o art. 139, inciso I, alínea "d" da Lei nº 12.249/10. Contudo, os parágrafos 15 e 16 foram revogados pela Lei nº 13.137/2015, art. 27, II: Lei nº 13.137, de 19 de junho de 2015 Art. 27. Ficam revogados: II os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Assim, a Lei nº 13.137/2015 retirou a validade dessa multa, o que demanda a sua exclusão do lançamento, em face do disposto no art. 106, II, “a” do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 2484DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.485 12 Dessa forma, correta a exoneração da multa regulamentar. O segundo ponto objeto do recurso de ofício é a revisão da glosa do período de apuração 31 de maio de 2012 para R$ 245.223,45. Porém, entendo que foi corretamente executada pela DRJ. Confirase as razões: Argumenta o impugnante que emitiu a Nota Fiscal de Devolução nº 111.576, para ajuste de crédito de IPI efetuado a maior, antes de iniciado o procedimento fiscal. Na análise dos autos, observase que o impugnante emitiu a Nota Fiscal nº 10757, fl. 1014, em 31 de maio de 2012, para o crédito presumido do IPI ref. ao período de 26 de abril de 2012 a 25 de maio de 2012, no valor de R$ 484.638,22. A Nota Fiscal de Devolução nº 111.576, à fl. 2195, foi emitida em 30 de junho de 2012, no valor de R$ 239.414,77, para estornar o crédito presumido de IPI creditado a maior no período de 26 de abril de 2012 a 25 de maio de 2012. No Livro de Registro de Apuração de IPI, à fl. 614, consta à devida escrituração da Nota Fiscal. O início do procedimento fiscal deuse em 11 de março de 2013, AR à fl. 5, portanto, assiste razão à impugnante. Tratase de questão devidamente comprovada documentalmente, logo não há reparos a serem feitos na decisão de piso. RECURSO VOLUNTÁRIO Tratase de glosa de créditos de IPI, decorrentes de valores apropriados em vista do Mandado de Segurança, Processo n° 98.00232931, que trata do direito aos créditos de IPI sobre aquisição de matériasprimas isentas, não tributadas ou reduzidas à alíquota zero empregadas na fabricação de produtos tributados. As glosas efetuadas foram divididas em dois períodos: *** De janeiro de 2010 até 26/05/2011: neste período foram glosados os créditos que extrapolaram o direito garantido na ação judicial, isto é, ou não são considerados matériasprimas, ou houve a utilização em duplicidade de uma mesma nota fiscal de entrada, etc. Os créditos referentes a este período, informados na planilha apresentada pela empresa como créditos do MS, foram analisados individualmente. *** De 27/05/2011 até 30/09/2012: todas as apropriações de crédito baseados na ação judicial foram glosadas integralmente a partir de 27/05/2011, conforme determina o Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011. O contribuinte atua no ramo de fabricação e comercialização de máquinas e aparelhos de refrigeração para uso industrial e comercial. I. Período de janeiro de 2010 a 26/05/2011 – Ofensa à coisa julgada material Fl. 2485DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.486 13 Alega a Recorrente que, por força do mandado de segurança, tem direito ao creditamento dos insumos isentos, não tributados ou reduzidos a alíquota zero e não apenas de matériasprimas isentas. Por sua vez, a fiscalização entendeu que o mandamus tratou apenas de matériasprimas. Assim, insumo é gênero ao passo que matériaprima é espécie. Dessa forma, a ação judicial não abarcaria o creditamento sobre produto intermediário, material de embalagem, energia elétrica, combustível, aquisição de material de segurança etc. desonerados. Observese a seguir o teor das peças processuais da referida ação. O pedido na petição inicial foi: (...) 2 Seja concedida a liminar da segurança pretendida, com fundamento no art. 151 IV do CTN, para o fim de suspender a exigibilidade do Imposto Sobre Produtos Industrializados, que em função do não estorno dos créditos relativos aos produtos com aplicação de "alíquota zero, isentos e não tributados". 3 Seja concedida a SEGURANÇA, de sorte que fique, definitivamente, assegurado à Impetrante, o direito de creditar se do IPI, nas aquisições de matériasprimas "isentas", "não tributadas" ou reduzidas a ''alíquota zero", reconhecendose inclusive o direito ao crédito extemporâneo respectivo, tudo em obediência ao princípio constitucional da nãocumulatividade, consagrado pela atual Constituição no seu artigo 153, parágrafo 3°, inciso II. 4 Requer ainda seja concedida juntamente com a SEGURANÇA o direito à aplicação da CORREÇÃO MONETÁRIA, como devidos expurgos inflacionários, sobre os créditos fiscais pretéritos, não aproveitados na época própria. A liminar concedida em primeira instância assim se referiu ao pedido: Pelo exposto, concedo a segurança para assegurar à impetrante o direito de lançar o crédito presumido de IPI não recolhido em aquisições de matériaprima isenta, não tributada ou submetida à alíquota zero, corrigido monetariamente. Ressalvo ao Fisco, todavia, o poderdever de fiscalizar e, caso constate alguma irregularidade na escrita fiscal da impetrante, autuar e lançar eventuais créditos. O relator do acórdão no TRF da 4ª Região, Apelação n° 1999.04.01.079847 6, em seu relatório fez constar: O objeto da presente ação mandamental tem a ver, com a possibilidade de crédito, a título de IPI, relativo às entradas, no estabelecimento industrial, de matéria prima nãotributada, isenta, ou tributada à alíquota zero, para efeito de abatimento do Fl. 2486DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.487 14 débito, decorrente das saídas dos respectivos produtos manufaturados. Isto significa reconhecer que o crédito, oriundo de operações anteriores isentas, não tributadas, ou tributadas à alíquota zero, é presumido, e tem fundamento legal, no princípio constitucional da nãocumulatividade. O argumento contrário prendese ao fato de nada desembolsou, por ocasião da aquisição das mercadorias, elas são beneficiadas, pela liberação tarifária. Ao final de seu voto, prescreveu (efl. 3316): Certamente, que a Autoridade Fazendária disporá do prazo de 05 (cinco) anos, para aferir a exatidão da escrita fiscal. E mais, não existe um direito genérico, à obtenção de certidão negativa de débito, tampouco, fica impedida, a autoridade competente, de proceder as inscrições, no CADIN, ou em outro órgão de informações. Tudo depende da situação concreta do contribuinte, em dado momento histórico. Resumindo, a segurança é concedida, em parte, para o efeito de autorizar, a partir do trânsito em julgado, a utilização dos créditos, a título de IPI, decorrentes das entradas de insumos, atualizados, segundo índices oficiais, com os débitos futuros, deste imposto, incidente, sobre as saídas dos respectivos produtos industrializados (afinal, a legislação ordinária, e o próprio regulamento do IPI, admitem a transferência dos saldos credores excedentes, para os períodos seguintes). A Decisão Singular bem dispôs sobre todos os temas, merecendo ser mantida. Segurança Concedida. Ante o Exposto, Conheço da Remessa Oficial, e da Apelação da Impetrada, negando provimento, nos termos da fundamentação. Por sua vez, o dispositivo constante do acórdão foi o seguinte: Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento à apelação e à remessa oficial, nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Contudo, na ementa constou: CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). INSUMOS ADQUIRIDOS À TARIFA ZERO OU LIVRE TARIFA. DIREITO AO CRÉDITO. ADMISSÃO. O art. 49 do Código Tributário Nacional (CTN) manda que, na base de cálculo do IPI, se deduza, do valor do produto acabado, a ser tributado, o “quanto” do mesmo imposto suportado, pelas matériasprimas, utilizadas, pelo fabricante. Assim, o IPI incide, apenas, sobre o valor acrescido. Na hipótese de insumos isentos não sejam tributados, ou Fl. 2487DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.488 15 tributados à alíquota zero, a conclusão é a mesma, desde que as saídas sejam tributadas, como corolário lógico, da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade. Pois, o objetivo é impedir que ao final do ciclo (produção, distribuição, consumo), o valor do imposto ultrapasse na soma total, a alíquota máxima prevista em lei. Segurança concedida, para o efeito de autorizar, a partir do trânsito em julgado, a utilização dos créditos, a título de IPI, decorrentes das entradas de insumos, atualizados, segundo os índices oficiais, com os débitos futuros, deste imposto, incidente, sobre saídas dos respectivos produtos industrializados (afinal a legislação ordinária, e o próprio regulamento do IPI, admitem a transferência dos saldos credores excedentes, para o período seguinte). Remessa Oficial, e Apelação de Impetrada conhecidas, e improvidas. Por sua vez, o relatório do acórdão da ação rescisória descreveu: Tratase de Ação Rescisória ajuizada pela União Federal contra GELOPAR ..., com fundamento no art. 485, V do CPC visando desconstituir acórdão proferido pela 1ª Turma deste Regional, nos autos do mandado de segurança ..., que reconheceu o direito aos créditos de IPI relativos a aquisições de matériasprimas isentas, não tributadas ou tributadas à alíquota zero... Por fim, o acórdão da ação rescisória estampou: TRF 4ª Região AÇÃO RESCISÓRIA Nº 2003.04.01.004107 3/PR TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. CRÉDITO DE IPI RECONHECIDO JUDICIALMENTE, DECORRENTE DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU REDUZIDOS À ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA E PRAZO PRESCRICIONAL APLICÁVEL. INEXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO CONSTITUCIONAL ACERCA DA MATÉRIA OBJETO DA AÇÃO RESCISÓRIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 343 DO STF. A alegação de afronta a literal dispositivo de lei, relativamente ao prazo prescricional e à correção monetária de crédito presumido de IPI reconhecido judicialmente, pertinente à aquisição de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, não comporta discussão de matéria constitucional, fazendo incidir a Súmula nº. 343 do STF ("Não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais."). Assim, a fiscalização e a decisão de piso apontam a “incongruência” entre o pedido do autor por “matériasprimas” e o termo “insumos” na decisão do TRF 4ª Região. Fl. 2488DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.489 16 Diante disso, sustenta o contribuinte que: Se existe ou não incongruência no Julgado, não é de competência da esfera administrativa decidir, revisar e/ou interpretar a decisão em questão, pois não há espaço, momento ou autorização para tanto, pois se houve decisão “Ultra ou Extra Petita”, haveria que, em momento oportuno, a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, ter manejado medida judicial própria, visando sanear a decisão em questão, no intuito de limitar o Direito da Impetrante, se não o fez, não será agora que haverá legalidade para a interpretação restritiva imposta pela Auditora em seu auto de infração, sob pena de ofensa a coisa julgada, pois estando a prestação jurisdicional cumprida e acabada, esta só seria modificável em presença de contradição na forma do Art. 353, inc. I – CPC. Sendo assim não existe mais espaço e/ou possibilidade para a infundada tentativa da Ilma. Auditora em fazêlo neste momento. Se a Ilustríssima Desembargadora deferiu o creditamento de todas as operações anteriores – vide fls. 02 do Acórdão, ou seja, crédito das entradas dos Insumos isentos, não tributados ou tributados a alíquota zero, foi no intuito de contemplar o Princípio da NãoCumulatividade, ou seja, restou deferido o direito ao crédito de todos os Insumos adquiridos anteriormente ao processo de industrialização em homenagem ao Princípio da NãoCumulatividade. Até mesmo porque o conceito de INSUMOS tornouse muito vago, haja vista que Receita Federal do Brasil, vem distorcendo o conceito de insumos ao longo do tempo, em clara tentativa de inibir o direito de IPI dos contribuintes, além de seu afã arrecadatório. Conforme exposto, resta clara a tentativa da fiscalização de rever e/ou rediscutir a prestação jurisdicional já favorável a Recorrente, em outras palavras, à reapreciação da autoridade administrativa de matéria transitada em julgado nos autos de nº 98.00232931, sendo tal conduta equivocada, ilegal e abusiva, ofendendo a coisa julgada. Entendo que a interpretação feita pela fiscalização não foi restritiva, apenas coerente com o teor do julgado. Isso porque o objeto do pedido judicial versa, única e exclusivamente, sobre o direito de creditarse do IPI nas aquisições de matériasprimas isentas, não tributadas ou reduzidas à alíquota zero, e não na totalidade dos insumos adquiridos conforme argumenta a empresa. A página inicial e a descrição dos fatos, na petição inicial, retira qualquer obscuridade: Fl. 2489DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.490 17 Nesse sentido, esta 1ª Turma já decidiu, em processos de titularidade da Gelopar, acórdãos n° 3301004.177, 3301004.176 e 3301004.175: Fl. 2490DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.491 18 DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS E SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. MENÇÃO, NO ACÓRDÃO QUE MANTEVE A SENTENÇA, A INSUMOS. ADEQUADA INTERPRETAÇÃO DA COISA JULGADA. Tratando a ação judicial apenas do direito de crédito decorrente da aquisição de matériasprimas não tributadas, isentas e de alíquota zero, a menção, sem a força de dispositivo, no acórdão que julgou a remessa de ofício e a apelação a “insumos” não estende os limites da coisa julgada para além do que foi objeto da petição inicial. Portanto, entendo que as glosas efetuadas em relação a dispêndios outros que não as matériasprimas isentas, não ofendeu a coisa julgada. Glosa dos créditos decorrentes de aquisições que não são matériasprimas Tratamse dos itens descritos nas efls. 19301934. Neste tópico, defende a Recorrente que o crédito encontrase sob a égide da coisa julgada, restando, assim, novamente a flagrante insubsistência da presente glosa/autuação, sob pena de ofensa a coisa julgada, não necessitando maiores esclarecimentos sobre o tema. Como dito acima, a coisa julgada do mandado de segurança referese apenas às matériasprimas. Por outro lado, observase nas citadas páginas que o contribuinte não teceu grandes esforços em cooperar com a fiscalização na correta classificação dos dispêndios em matériasprimas, material de embalagem ou produtos intermediários. Consta que até mesmo de saídas com suspensão creditouse o contribuinte. Da alíquota a ser utilizada no cálculo dos créditos sobre as aquisições de matériasprimas isentas, não tributadas ou com alíquota zero A empresa aduz que a metodologia de cálculo a ser utilizada na formação da alíquota do crédito em discussão é a mesma base/alíquota dos produtos com saída tributada. Assim, sustenta que para fins de compor a alíquota média de compensação, a decisão judicial determinou que fossem utilizadas as mesmas alíquotas utilizadas, na operação tributada. Portanto, ao realizar a média das alíquotas para fins de cálculos, utilizou apenas as alíquotas tributadas. Todavia, na visão da fiscalização devem ser consideradas também as mercadorias desoneradas para o cálculo da média. A decisão judicial quanto às alíquotas a serem usadas para calcular o montante de crédito a ser compensado dispôs: (...) tendo como objeto o pedido de liminar visando assegurar o direito ao crédito, a título de imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, relativo às aquisições de insumos isentos, Fl. 2491DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.492 19 nãotributados, ou reduzidos à alíquota zero, empregados, na fabricação de produtos tributados, com a aplicação da mesma alíquota utilizada, na operação tributada, tudo atualizado. Entendo restar o procedimento da fiscalização correto, porquanto na média que atende à decisão judicial deve ser considerado no cálculo os produtos desonerados vendidos pela Recorrente, uma vez que eles também incorporam as matériasprimas sobre as quais o contribuinte tem direito de creditamento assegurado pela ação judicial. Glosa de créditos das aquisições de empresas do SIMPLES A vedação ao creditamento em relação a aquisições de empresas optantes do Simples está expressa na Lei Complementar n° 123/2006, art. 23 e também no Regulamento do IPI: art. 118, 166 do RIPI/2002 e art. 178 e 228 do RIPI/2010. Os estabelecimentos optantes do Simples não podem efetuar a transferência de créditos relativos ao imposto, o que inclui o seu destaque em nota fiscal, para aproveitamento do adquirente contribuinte do IPI. Glosa de creditamento de energia elétrica, aquisição do material de proteção e segurança dos empregados, material de uso e consumo Quanto ao crédito de energia elétrica, aduz a empresa que é devido seu creditamento como insumo, pois está diretamente vinculada ao processo de produção, variando seu consumo com o próprio ritmo de fabricação do produto industrial. Já para as aquisições de material de uso e consumo e material de proteção e segurança, sustenta que o conceito de insumo não está limitado aos bens e serviços utilizados “diretamente” nas atividades da empresa, pois, nessa hipótese, o crédito estaria limitado às matériasprimas, aos materiais de embalagem e aos produtos intermediários (aqueles consumidos no processo produtivo). Além disso, as próprias Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 preveem, também, o crédito sobre combustíveis e lubrificantes, os quais, na maioria das vezes, são materiais auxiliares ou intermediários. Não há razão no argumento, pois nem todo produto consumido no processo de industrialização pode ser considerado como insumo, sem que isso implique em violação ao princípio da nãocumulatividade. Os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Assim, o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, e ainda que o bem não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. Observese o teor do REsp n° 1.0755.08/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009, julgado na sistemática dos recursos repetitivos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.493 20 AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A decisão do REsp nº 1.075.508, representativo de controvérsia, vincula este colegiado, de acordo com a prescrição do art. 62, §2º do RICARF (Portaria n° 343/2015). Aplicação do parecer PGFN n° 492 A autoridade fiscal glosou o crédito das aquisições de matériasprimas desoneradas, efetuadas após a publicação do Parecer PGFN n° 492/2011, período de apuração de 27 de maio de 2011 a 30 de setembro de 2012, em razão da cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, face ao advento de precedente objetivo e definitivo do STF em sentido contrário à possibilidade de creditamento (RE n° 353.657; 370.682 e RE nº 566.819). Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.494 21 Sustentou a fiscalização a aplicação do referido parecer, já que o documento estabeleceu que a eficácia da coisa julgada inicial não mais se distende para o tempo futuro e sem fim, devendo cessar imediatamente, independentemente de rescisão ou anulação, se lhe sobrevém pronunciamento do STF que com ela posteriormente colide. Confirase trechos do Parecer: Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011 Decisão transitada em julgado que disciplina relação jurídica tributária continuativa. Modificação dos suportes fático/jurídico. Limites objetivos da coisa julgada. Superveniência de precedente objetivo/definitivo do STF. Cessação automática da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado. Possibilidade de voltar a cobrar o tributo, ou de deixar de pagálo, em relação a fatos geradores futuros. 1. A alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de uma dada relação jurídica tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é alcançada pelos limites objetivos que balizam a eficácia vinculante da referida decisão judicial. Daí por que se diz que, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, esta naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária. 2. Possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. 3. Os precedentes objetivos e definitivos do STF constituem circunstância jurídica nova, apta a fazer cessar, prospectivamente, eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias. 4. A cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado operase automaticamente, de modo que: (i) quando se der a favor do Fisco, este pode voltar a cobrar o tributo, tido por inconstitucional na anterior decisão, em relação Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.495 22 aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido; (ii) quando se der a favor do contribuinteautor, este pode deixar de recolher o tributo, tido por constitucional na decisão anterior, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido. 5.Face aos princípios da segurança jurídica, da não surpresa e da proteção à confiança, bem como por força do art. 146 do CTN, nas hipóteses em que o advento do precedente objetivo e definitivo do STF e a consequente cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado sejam pretéritos ao presente Parecer, a publicação deste configura o marco inicial a partir do qual o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores praticados pelo contribuinteautor. (...) 74. É legítimo se afirmar, portanto, que a data do trânsito em julgado do acórdão do STF configura, ao menos como regra, o termo a quo para o exercício dos direitos acima referidos. Entretanto, essa regra comporta exceção no que tange, especificamente, ao direito de que dispõe o Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo antes tido por inexigível pela coisa julgada que lhe favorecia. Assim, em algumas situações específicas adiante expostas, por razões ligadas ao relevante princípio da segurança jurídica, com os seus corolários em matéria tributária, a saber, os princípios da não surpresa e da proteção da confiança, não há como considerar que a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF configura o marco a partir do qual o Fisco possui o direito de efetuar a cobrança do correspondente tributo, relativo a todos os fatos geradores praticados pelo contribuinteautor desde então. 75. Para que bem se compreenda quais são essas situações específicas, e o porquê da necessidade de se excepcionálas, basta pensar na hipótese, que bem as exemplifica, em que um dado contribuinte tenha deixado de efetuar o pagamento de determinado tributo por reputar que assim estava autorizado em razão de coisa julgada formada, a seu favor, considerando inexistente a correspondente relação jurídica tributária, apesar de esse não pagamento ter se dado quando já existia precedente objetivo e definitivo do STF em sentido contrário ao sufragado na coisa julgada, proferido e transitado em julgado em momento anterior à aprovação e publicação do presente Parecer. E mais: mesmo com o advento desse precedente da Suprema Corte, favorável à Fazenda Nacional – que, segundo aqui se entende, fez cessar a eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado e, portanto, legitimaria a cobrança do tributo relativo aos fatos geradores ocorridos a partir de então , o Fisco quedouse inerte durante anos, não efetuando as correspondentes exigências tributárias. Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.496 23 76. Notese que, na hipótese acima aventada, o contribuinte autor deixou de pagar o tributo por considerar que assim estava respaldado por coisa julgada, e o Fisco, mesmo diante do precedente do STF, não efetuou as correspondentes exigências tributárias, numa postura omissiva que, de certo modo, demonstrou a sua adesão ao comportamento do contribuinte. Em hipóteses desse jaez – em que (i) a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, face ao advento de precedente objetivo e definitivo do STF, ocorreu em momento anterior à publicação deste parecer e (ii) não houve lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento do precedente do STF , não há como legitimamente pretender que, agora, com o entendimento esposado neste Parecer, possa o Fisco exigir, do contribuinteautor, o tributo relativo a todos esses fatos geradores passados (por óbvio, desde que ocorridos há menos de 5 anos). 77. Essa nova exigência, relativa aos fatos geradores anteriores ao presente Parecer, tendo como marco inicial a data, no passado, do advento da decisão do STF, além de causar ao contribuinteautor surpresa que não parece compatível com a segurança jurídica e a confiança que devem iluminar as relações travadas entre o Fisco e os contribuintes, também representaria ofensa direta ao disposto no art. 146 do CTN, segundo o qual “a modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução”. Esse dispositivo legal, cuja essência claramente se inspira nos já invocados princípios da não surpresa e da proteção da confiança, veda que novos critérios jurídicos introduzidos pela Administração Pública Tributária em sua atividade de lançar atinja fatos geradores ocorridos em momento anterior à sua introdução, o que parece impedir que o entendimento contido no presente Parecer – que, inequivocadamente, configura um novo critério jurídico relativo a lançamento tributário – apliquese às situações que lhe são pretéritas. 78. Assim, tendo em conta o princípio da segurança jurídica e os seus consectários princípios da não surpresa e da proteção à confiança, bem como por força do que prevê o art. 146 do CTN, entendese, aqui, que naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em face do advento de precedente objetivo e definitivo do STF em sentido contrário ao nela sufragado, tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste parecer, e tendo havido inércia dos agentes fazendários, o termo a quo para o exercício, pelo Fisco, do direito de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo em questão é a data da publicação deste parecer, o que significa dizer que apenas os fatos geradores praticados a partir deste instante poderão ser objeto de lançamento. Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.497 24 79. Em outras palavras: este parecer não retroage para alcançar aqueles fatos geradores pretéritos, que mesmo sendo capazes, à luz do entendimento ora defendido, de fazer nascer obrigações tributárias, não foram, até o presente momento, objeto de lançamento. Por óbvio, se nas situações pretéritas o Fisco já tiver adotado o entendimento ora defendido, efetuando a cobrança relativa aos fatos geradores ocorridos desde a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em relação a essas situações pretéritas o critério jurídico contido no presente Parecer não poderá ser considerado “novo”, o que afasta a aplicação do princípio da não surpresa e do art. 146 do CTN; esses lançamentos, portanto, deverão ser mantidos. 80. Afora essas situações específicas, que se caracterizam, primordialmente, por serem pretéritas a este Parecer, em todas as demais deve incidir a regra referida mais acima, segundo o qual o termo a quo para o exercício do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo antes tido como inexigível pela coisa julgada que lhe favorecia é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. (...) Síntese do exposto 99. Eis a síntese das principais considerações/conclusões expostas ao longo do presente Parecer: (i) a alteração nos suportes fático ou jurídico existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de relações jurídicas tributárias continuativas faz cessar, dali para frente, a eficácia vinculante dela emergente em razão do seu trânsito em julgado; (ii) possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, precisamente por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. (iii) o advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias; Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.498 25 (iv) como a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; por outro lado, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinte autor deixa de estar obrigado ao recolhimento do tributo, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; (v) em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido ao contribuinteautor de deixar de pagar o tributo antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. Excepcionase essa regra, no que tange ao direito do Fisco de voltar a cobrar, naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste Parecer, e tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança; nessas hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinte autor, o tributo em questão, é a publicação do presente Parecer. No Diário Oficial da União de 26/05/2011, foi publicado o Despacho do Ministro da Fazenda nos seguintes termos: Aprovo o PARECER PGFN/CRJ/Nº 492/2011, 30 de março de 2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu que: i) quando sobrevier precedente objetivo e definitivo do STF em sentido favorável ao Fisco, este pode voltar a cobrar o tributo, tido por inconstitucional em anterior decisão tributária transitada em julgado, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido; ii) quando sobrevier precedente objetivo e definitivo do STF em sentido favorável ao contribuinteautor, este pode deixar de recolher o tributo, tido por constitucional em anterior decisão tributária transitada em julgado, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido.[...] Daí a fiscalização concluiu o seguinte: No contexto da Ação Judicial impetrada pela empresa Gelopar, conforme discorrido anteriormente, a empresa obteve judicialmente, nos autos do MS n° 98.00232931 provimento favorável acerca do creditamento de IPI nas aquisições de matériaprima isenta, não tributada ou submetida à alíquota zero. Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.499 26 Porém, a jurisprudência do STF inverteuse completamente, e o posicionamento atual da Suprema Corte é pela impossibilidade do creditamento do IPI, pelo contribuinte, nestas circunstâncias (matériaprima isenta, não tributada ou sujeita à alíquota zero). Tendo em conta que o entendimento sufragado pelo judiciário nos autos n° 98.00.232931 está superado, e considerando o teor do Parecer PGFN 492/2011, que trata da cessação, nos casos em que especifica, das decisões judiciais contrarias à posição atual do STF, resta claro que a empresa GELOPAR não faz mais jus ao benefício que lhe fora garantido, devendo a Receita constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores praticados pelo contribuinte após publicação deste parecer. Conforme detalhado no item “c” do Parecer a cessação de eficácia vinculante da decisão transitada em julgado é automática e independe de prévio reconhecimento judicial. Assim, foram glosados todos os créditos de IPI decorrentes da ação judicial (MS n° 98.00.232931), que foram apropriados pela empresa a partir de 27/05/2011 até setembro/2012 (período abrangido por esta fiscalização). Entendo que a coisa julgada do n° 98.00.232931 deve ser preservada. Explico. Ao tratar o art. 5º, XXXVI, da CF/88, dos direitos e garantias individuais, asseverando que “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”, a expressão “a lei” não se limita ao seu sentido estrito, mas sim se refere a toda e qualquer norma jurídica, inclusive a norma individual e concreta, que é a decisão judicial transitada em julgado. É por meio da coisa julgada que se verifica a materialização do princípio da segurança jurídica, uma vez que de forma definitiva estabiliza as relações conflituosas, conferindo a certeza do direito. O respeito à coisa julgada como garantia da segurança e certeza do direito, bem como da própria ordem democrática, já foi objeto de manifestação pelo STF, no RE n° 592.912 AgR/RS, DJ 22/11/2012: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COISA JULGADA EM SENTIDO MATERIAL INDISCUTIBILIDADE, IMUTABILIDADE E COERCIBILIDADE: ATRIBUTOS ESPECIAIS QUE QUALIFICAM OS EFEITOS RESULTANTES DO COMANDO SENTENCIAL PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL QUE AMPARA E PRESERVA A AUTORIDADE DA COISA JULGADA EXIGÊNCIA DE CERTEZA E DE SEGURANÇA JURÍDICAS VALORES FUNDAMENTAIS INERENTES AO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO EFICÁCIA PRECLUSIVA DA “RES JUDICATA” “TANTUM JUDICATUM QUANTUM DISPUTATUM VEL DISPUTARI DEBEBAT CONSEQUENTE IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DE CONTROVÉRSIA JÁ APRECIADA EM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO, AINDA QUE PROFERIDA EM CONFRONTO COM A Fl. 2499DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.500 27 JURISPRUDÊNCIA PREDOMINANTE NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL A QUESTÃO DO ALCANCE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 741 DO CPC MAGISTÉRIO DA DOUTRINA RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. A sentença de mérito transitada em julgado só pode ser desconstituída mediante ajuizamento de específica ação autônoma de impugnação (ação rescisória) que haja sido proposta na fluência do prazo decadencial previsto em lei, pois, com o exaurimento de referido lapso temporal, estarseá diante da coisa soberanamente julgada, insuscetível de ulterior modificação, ainda que o ato sentencial encontre fundamento em legislação que, em momento posterior, tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, quer em sede de controle abstrato, quer no âmbito de fiscalização incidental de constitucionalidade. A superveniência de decisão do Supremo Tribunal Federal, declaratória de inconstitucionalidade de diploma normativo utilizado como fundamento do título judicial questionado, ainda que impregnada de eficácia “ex tunc” como sucede, ordinariamente, com os julgamentos proferidos em sede de fiscalização concentrada (RTJ 87/758 RTJ 164/506509 RTJ 201/765) , não se revela apta, só por si, a desconstituir a autoridade da coisa julgada, que traduz, em nosso sistema jurídico, limite insuperável à força retroativa resultante dos pronunciamentos que emanam, “in abstracto”, da Suprema Corte. Doutrina. Precedentes. O significado do instituto da coisa julgada material como expressão da própria supremacia do ordenamento constitucional e como elemento inerente à existência do Estado Democrático de Direito. Ressaltese que a via para eventual desconstituição da coisa julgada é aquela prescrita pelo ordenamento, a ação rescisória, cujo prazo decadencial é de dois anos para seu ingresso. Por conseguinte, não é possível rever uma decisão, quando já não caiba a ação rescisória. Frisese que o próprio STF, no citado RE n° 592.912 AgR/RS, assegura que a superveniência de decisão do STF, declaratória de inconstitucionalidade de diploma normativo utilizado como fundamento do título judicial questionado, ainda que impregnada de eficácia “ex tunc”, não é apta, por si só, para desconstituir a autoridade da coisa julgada. Nesse sentido, importa transcrever o voto do Ministro Celso de Mello no RE n° 592.912 AgR/RS: Vêse, a partir das considerações que venho de expor, que não se revela processualmente ortodoxo nem juridicamente adequado, muito menos constitucionalmente lícito, pretenderse o reconhecimento da inexigibilidade de título judicial, sob pretexto de que a sentença transitada em julgado fundamentouse em lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. É que, em ocorrendo tal situação, a sentença de mérito tornada irrecorrível em face do trânsito em julgado só pode ser desconstituída mediante ajuizamento de uma específica ação autônoma de impugnação (ação rescisória), desde que utilizada, pelo interessado, no prazo decadencial definido em lei, pois, esgotado referido lapso temporal, estarseá diante da coisa soberanamente julgada, que se revela, a partir de então, Fl. 2500DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.501 28 insuscetível de modificação ulterior, ainda que haja sobrevindo julgamento do Supremo Tribunal Federal declaratório de inconstitucionalidade da própria lei em que baseado o título judicial exequendo... (...) Em suma: a decisão do Supremo Tribunal Federal que haja declarado inconstitucional determinado diploma legislativo em que se apóie o ato sentencial transitado em julgado, ainda que impregnada de eficácia “ex tunc”, como sucede com os julgamentos proferidos em sede de fiscalização concentrada (RTJ 87/758 – RTJ 164/506509 – RTJ 201/765), detémse ante a autoridade da coisa julgada, que traduz, nesse contexto, limite insuperável à força retroativa resultante dos pronunciamentos que emanam, “in abstracto”, da Suprema Corte. A jurisprudência do STF assentou a invulnerabilidade da coisa julgada em sentido material, enfatizando que sentenças transitadas em julgado, mesmo inconstitucionais, somente poderão ser invalidadas mediante utilização de meio instrumental adequado, a ação rescisória, a exemplo do RE 328.812/AM: Embargos de Declaração em Recurso Extraordinário. 2. Julgamento remetido ao Plenário pela Segunda Turma. Conhecimento. 3. É possível ao Plenário apreciar embargos de declaração opostos contra acórdão prolatado por órgão fracionário, quando o processo foi remetido pela Turma originalmente competente. Maioria. 4. Ação Rescisória. Matéria constitucional. Inaplicabilidade da Súmula 343/STF. 5. A manutenção de decisões das instâncias ordinárias divergentes da interpretação adotada pelo STF revelase afrontosa à força normativa da Constituição e ao princípio da máxima efetividade da norma constitucional. 6. Cabe ação rescisória por ofensa à literal disposição constitucional, ainda que a decisão rescindenda tenha se baseado em interpretação controvertida ou seja anterior à orientação fixada pelo Supremo Tribunal Federal. 7. Embargos de Declaração rejeitados, mantida a conclusão da Segunda Turma para que o Tribunal a quo aprecie a ação rescisória. Confirase trecho do voto do Ministro Gilmar Mendes, no RE 328.812/AM: Ora, se ao Supremo Tribunal Federal compete, precipuamente, a guarda da Constituição Federal, é certo que a sua interpretação do texto constitucional deve ser acompanhada pelos demais Tribunais, em decorrência do efeito definitivo absoluto outorgado à sua decisão. Não se pode diminuir a eficácia das decisões do Supremo Tribunal Federal com a manutenção de decisões divergentes. Assim, se somente por meio do controle difuso de constitucionalidade, portanto, amos após as questões terem sido decididas pelos Tribunais ordinários, é que o Supremo Tribunal Federal veio a apreciálas, é a ação rescisória, com fundamento em violação de literal disposição de lei, instrumento adequado para a superação de decisão divergente. Fl. 2501DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.502 29 Por sua vez, o STJ instado a se manifestar sobre a possibilidade de cobrança de tributo do contribuinte, que tenha decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade material da exação, após o STF manifestarse em sentido contrário à coisa julgada, também asseverou que o fato de o STF posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada. Tratase do REsp n° 1.118.893 MG, DJ 06/04/2011, julgado sob a sistemática de recurso representativo de controvérsia. A decisão foi assim ementada: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art. 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Fl. 2502DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.503 30 Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. Em suma, os efeitos desconstitutivos sobre as decisões judiciais transitadas em julgado não são automáticos, por imperativo constitucional da coisa julgada, que atinge em último grau, a realização do princípio da segurança jurídica. A desconstituição da decisão transitada em julgado se dá apenas por meio da ação rescisória. Não basta a mudança de entendimento de um tema (constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei) pelo STF, para de forma automática, rescindir decisões transitadas em julgado. Dito de outra forma, não há como se desconsiderar os efeitos da coisa julgada diante da decisão exarada em sentido contrário pelo Plenário do STF, sem qualquer manifestação do próprio Poder Judiciário. Consta nos autos que houve a propositura da ação rescisória n° 2003.04.01.0041073 pela Fazenda Nacional, visando à desconstituição da coisa julgada do citado mandamus. Ocorre que não logrou êxito na desconstituição. E ainda, a ação rescisória transitou em julgado em 2012. É ilegítimo o Parecer PGFN n° 492/2011 para fazer cessar a decisão individual e concreta transitada em julgado a favor do contribuinte. Diante disso, o comando do mandado de segurança deve ser aplicado, sob pena de violação da coisa julgada. Logo, dou provimento parcial ao recurso voluntário para admitir o creditamento de matériasprimas desoneradas no período de 27/05/2011 até 30/09/2012. Registro, que em sessão de julgamento, neste tópico, votaram pelas conclusões os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Winderley Morais Pereira, porquanto entendem que o Parecer PGFN n° 492/11 é vinculante. Todavia, afastam a aplicação do referido Parecer neste caso concreto, por considerarem que a posição do STF (RE n° 353.657; 370.682 e RE nº 566.819) foi firmada após a decisão do mandado de segurança. Fl. 2503DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.504 31 Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 2504DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.003474/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Ao constatar que a Embargante logrou êxito em demonstrar, objetivamente, a omissão e a contradição no texto do v. acórdão, os Embargos de Declaração devem ser admitidos.
No caso dos autos, foram verificadas omissões e contradições entre o relatório e o voto condutor do v. acórdão embargado, hipótese em que se deve acolher os Embargos de Declaração nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), eis que os embargos visam a sanar as omissões, contradições ou obscuridades verificadas entre a decisão (parte dispositiva do acórdão) e os seus respectivos fundamentos ou, ainda, as omissões da Turma acerca de ponto sobre o qual deveria haver-se pronunciado.
Numero da decisão: 1402-003.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para reconhecer o crédito no montante de R$ 2.672,16 e homologar a compensação até o limite deste valor reconhecido.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Ao constatar que a Embargante logrou êxito em demonstrar, objetivamente, a omissão e a contradição no texto do v. acórdão, os Embargos de Declaração devem ser admitidos. No caso dos autos, foram verificadas omissões e contradições entre o relatório e o voto condutor do v. acórdão embargado, hipótese em que se deve acolher os Embargos de Declaração nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), eis que os embargos visam a sanar as omissões, contradições ou obscuridades verificadas entre a decisão (parte dispositiva do acórdão) e os seus respectivos fundamentos ou, ainda, as omissões da Turma acerca de ponto sobre o qual deveria haverse pronunciado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para reconhecer o crédito no montante de R$ 2.672,16 e homologar a compensação até o limite deste valor reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 34 74 /2 00 6- 13 Fl. 223DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11516.003474/200613 Acórdão n.º 1402003.352 S1C4T2 Fl. 224 3 Relatório A contribuinte opôs Embargos de Declaração visando sanar omissão e contradição no v. acórdão embargado, proferido por esta C. 2 Turma Ordinária ao julgar o Recurso Voluntário da Embargante. O r. despacho que admitiu os Embargos de Declaração resumiu a omissão e a contradição do v. acórdão nos seguintes termos: [...] Aduz a Embargante que a decisão incorreu em omissão e contradição, nos seguintes termos: A decisão colegiada não enfrentou a matéria suscitada pelo Embargante por ocasião de sua manifestação à informação fiscal n.º 715/2015, qual seja, a discordância da empresa acerca da divergência alegada pela RFB entre os valores declarados na DCOMP e as retenções efetivamente comprovadas acerca do CNPJ nº 00.394.460/005887 Receita Federal, na importância de R$ 3.163,43. Com efeito, de maneira transversa, o CARF cuidou apenas de apontar, data venia, equivocadamente, que a referida parcela de crédito do ano de 2002 não faria parte da Dcomp, e que não caberia utilizarse de créditos de períodos anteriores, quando em verdade, a manifestação à informação fiscal nº 715/2015 abordou o tema e comprovou o crédito (conforme documento anexo ao processo em epígrafe), tendo inclusive o relatório do presente acórdão confirmado essas informações, apesar do voto condutor, ora embargado, não tratar da matéria. Ressaltase que o equívoco acima é observado pelo fato de o CARF ter considerado exclusivamente as informações da RFB quanto à retenção na fonte feita pelo CNPJ 29.979.036/000140, quando deveria abranger, também, o crédito vinculado ao CNPJ 00.394.460/005887, o qual foi efetivamente impugnado pela empresa para ver reconhecido seu direito de R$ 43.282,34, ante o reconhecido pelo Fisco no valor de R$ 40.636,64. Assim, verificase a omissão na decisão, vez que a matéria relacionada ao CNPJ 00.394.460/005887 não foi objeto de análise, hipótese na qual o direito creditório apesar de comprovado e confirmado pela própria RFB no processo administrativo nº 11516.003475/200668 foi desconsiderado no presente acórdão. (...) Fl. 225DF CARF MF 4 Vislumbrase, data venia, ainda, contradição no aludido acórdão, na medida em que o voto destaca que, da análise da resposta à diligência, a recorrente não tem no anocalendário de 2003 crédito a mais para cobrir a parte não reconhecida e não homologada. Ocorre que o § 6º da informação fiscal DIORT/DRF (fls. 138/140) diz que a parcela correspondente ao IRPJ, na DIRF da fonte pagadora, é suficiente a amparar a dedução usada na Dcomp relativa àquela fonte pagadora. Também se vislumbra contradição no que se refere ao fato de que o saldo negativo de IRPJ seria suficiente para autorizar a compensação pleiteada, levando em conta que o crédito de saldo negativo de IRPJ 2003, de R$ 1.951.066,35, seria suficiente para homologação integral das Dcomp n.º 10056.11285.140104.1.3.022952 e 33929.28168.150104.1.3.02 7010. Apresentados os argumentos dos embargos, passamos à análise. O contribuinte teve ciência da decisão em 17 de novembro de 2017 (sextafeira), conforme AR de fls. 214, e apresentou embargos em 24 de novembro de 2017, dentro do prazo legal, razão pela qual estes devem ser considerados tempestivos. Em relação à omissão suscitada, diz a Embargante que o Acórdão não enfrentou a matéria impugnada pela manifestação que contestou o relatório de diligência, consubstanciado na Informação Fiscal n.º 715/2015, da DIORT/BSB (fls. 138 e seguintes). Naquela peça processual a interessada defendeu a existência de crédito para suportar a compensação pleiteada, nos seguintes termos: Preliminarmente, cabe registrar que a solicitação de diligência demandada por esse CARF dirigiuse a demonstração da existência de IRRF referente ao CNPJ: 29.979.036/000140, declarados na DIRF do anobase de 2003, capaz de suplantar o saldo negativo não homologado pela DRJ/FNS, alertandose, inclusive, sobre a possibilidade de enriquecimento sem causa da Fazenda Nacional, caso assim não o fizesse. E neste ponto, a Informação Fiscal foi categórica ao confirmar a existência de tributos retidos na fonte no montante de R$ 654.817,03, ano base 2003, código de receita 6188, sendo o IRPJ apurado no valor de R$ 222.916,44, que é muito mais do que suficiente para amparar o valor de R$ 895,63 (item 6 do Anexo 1). Todavia, nada obstante restou desconsiderada as informações confirmadas na DIRF da fonte pagadora diante da ausência de comprovante de retenção emitido pelo INSS, em total e latente contradição com o entendimento manifestado pela DRJ/FNS, quando procedeu a apreciação da manifestação de inconformidade apresentada (Anexo 2). Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11516.003474/200613 Acórdão n.º 1402003.352 S1C4T2 Fl. 225 5 Naquela oportunidade, a DRJ/FNS, ao fundamentar o acórdão n° 0725.925, e ao dispor sobre a validade probatória para comprovação das retenções, expressamente declarou ser "a DIRF o único comprovante hábil a ser acatado com o fim de se comprovar a retenção" (Anexo 2). Ocorre, contudo, que constitui dever da fonte pagadora dos rendimentos no fornecimento do comprovante anual de rendimentos e retenções na fonte ao beneficiário dos rendimentos, ao teor dos arts. 2o e 7o da IN SRF n° 119/2000. Desse modo, não há como negar que os valores declarados na DIRF da fonte da pagadora são suficientes a comprovar o crédito de IRRF utilizado pela empresa, a quem caberá, do mesmo modo, providenciar a emissão do comprovante anual de retenção ao beneficiário dos rendimentos indicados na DIRF, tudo em sintonia com a legislação de regência. Por outro giro, porém não de menor importância, vale destacar que a diferença apontada na Informação Fiscal em relação à retenção no valor de R$ 2.645,70 (item 4 Anexo 2) foi objeto de discussão no processo n° 11516.003475/200668, cujo crédito de saldo negativo referese ao ano de 2002. Para este período, embora se tenha apurado o crédito de IRRF (2,40%) no valor de R$ 41.537,77, compensouse somente o valor de R$ 38.402,34, restando a parcela remanescente (R$ 3.136,43) que foi integrada ao crédito de IRRF apurado para o ano de 2003, no valor de R$ 40.145,73, conforme demonstrado no comprovante das tarifas pagas emitido pela própria RFB exercícios de 2002 e 2003 (Anexo 3). O voto condutor, bastante sucinto quanto aos fatos, apreciou o resultado da diligência e assim se manifestou (verbis): Da análise da resposta a diligência, notase que a Recorrente não tem no anocalendário de 2003 crédito a mais para cobrir a parte não reconhecida e não homologada. O valor remanescente se refere ao anocalendário 2002 e não pode ser somada a este processo em epígrafe, eis que não faz parte da DCOMP e não se pode admitir inovação ao pedido de compensação nesta fase do processo. Sendo assim, entendo que não se pode somar o crédito remanescente em outro processo, de outro anocalendário e que não foi apontado na DCOMP, a presente compensação em epígrafe. Em relação a alegação de revisão de ofício da r. decisão recorrida, entendo que tal pleito não se enquadra devidamente ao caso dos autos, eis que todas as alegações da Recorrente foram devidamente analisada nos autos e o crédito que restou devidamente comprovado nos autos foi reconhecido. Não consta nos autos a situação narrada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário de que apesar de o credito estar Fl. 227DF CARF MF 6 devidamente comprovado nos autos por meio de documentos, este não foi reconhecido e foi indevidamente cobrado. Ou seja, não pude constar nos autos tal alegação/situação apontada pela Recorrente em seu recurso e, por tal motivo, não procede. A leitura do voto, cuja manifestação acerca do mérito foi integralmente reproduzida acima, realmente nos leva a concluir que há dúvidas quanto aos fundamentos da decisão, posto que as alegações da interessada não foram pontualmente rechaçadas nem tampouco foram transcritos trechos do resultado da diligência, que analisou os créditos e apresentou suas considerações. Nesse contexto, não está clara a construção do racional desenvolvido para não reconhecer o direito creditório pleiteado, pois o voto condutor não detalhou os fatos e os cálculos mencionados no próprio relatório do Acórdão. Assim, pareceme que assiste razão à Embargante e se mostra saudável e necessária a providência de integrar a decisão recorrida, para que sejam apresentados elementos aptos a demonstrar as conclusões expressas na decisão, visto que as matérias suscitadas pela Embargante foram objeto do recurso voluntário por ela apresentado (fls. 93 e seguintes) e também constam da manifestação de discordância produzida em resposta ao relatório da diligência, até porque, como demonstrado naquele parecer, a solicitação feita mediante resolução do colegiado fora apenas parcial, embora o contexto fático tenha sido integralmente abordado pela delegacia de origem. Como a matéria em litígio nos autos versa sobre questões fáticas e apuração de créditos decorrentes de retenções, tanto assim que ensejou, num primeiro momento, a conversão do julgamento em diligência, penso que os esclarecimentos requisitados pela interessada permitirão a adequada percepção do alcance do que restou decidido, raciocínio que também se aplica à contradição apontada, pois o voto entendeu que não havia créditos para 2003, enquanto que o § 6o do relatório de diligência expressamente atesta que os créditos do período seriam suficientes. Vejase como exemplo a afirmativa contida no bojo no voto condutor no sentido de que : “..O valor remanescente se refere ao anocalendário 2002 e não pode ser somada a este processo em epígrafe, eis que não faz parte da DCOMP e não se pode admitir inovação ao pedido de compensação nesta fase do processo...” Na verdade, o valor em discussão faz sim parte da Dcomp pois está lá indicado o IRRF sob o código 6188 para o CNPJ 29.979.036/000140 no montante de R$ 43.282,34; tendo sido acatado o valor de R$ 40.636,64. [...] Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11516.003474/200613 Acórdão n.º 1402003.352 S1C4T2 Fl. 226 7 De resto, para resumir a controvérsia, adoto o relatório da Resolução proferida nos autos, que abaixo transcrevo: Tratam os presentes autos de não homologação de compensação cujo crédito está em saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) oriundo de pagamentos de estimativas e de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) supostamente suportados pelo contribuinte no anocalendário de 2003. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, adoto o Relatório proferido pela 3a Turma da DRJ/FNS, através do Acórdão n° 0725.625, constante às efls. 84/85: Trata o presente processo de Declarações de Compensação — Dcomp, que utilizam como crédito o saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, do anocalendário de 2003. No Despacho Decisório de f. 41 a 45, consta que a fiscalização apurou direito creditório no montante de R$ 1.724.293,00, ao passo que o saldo negativo solicitado na Dcomp é de R$ 1.726.938,70. Deste modo, foi declarada a homologação da Dcomp n° 10056.11285.140104.1.3.022952, e a homologação parcial da Dcomp n° 33929.28168.150104.1.3.027010, permanecendo em aberto débito da importância de R$2.672,16. A fiscalização revela que (f. 43/44): O saldo negativo solicitado na DCOMP, R$ 1.726.938,70 (fl. 03), confere com o apurado na DIPJ (fl. 26). As retenções detalhadas na DCOMP conferem com o informado no ajuste anual na DIPJ. As retenções na fonte informadas na DIPJ/DCOMP não conferem, contudo, com as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentadas pelas fontes pagadoras dos rendimentos auferidos. [...]Assim, pela Intimação SAORT n° 2006288, fls. 32/33, solicitouse ao contribuinte a apresentação dos comprovantes de rendimentos e retenções na fonte do anocalendário 2003. em resposta, o contribuinte apresentou os documentos de fls. 34/35. [...]Foram aceitos os comprovantes que contém os dados prescritos pelas normas que regulam a matéria e que tratam do mesmo anocalendário que o saldo negativo usado na DCOMP. Foram também consideradas as retenções que, apesar de não comprovadas pelo contribuinte, encontram confirmação nas DIRF entregues pelas fontes pagadoras. As tabelas a seguir indicam as retenções informadas na DCOMP e aquelas aceitas como dedutíveis do imposto devido. Fl. 229DF CARF MF 8 Observações: (1) Os valores constantes do comprovante de rendimentos de fl. 35 apresentado pelo contribuinte conferem com a DIRF (fl. 36). As retenções confirmadas no código 6188 têm o montante de R$ 119.379,11, assim a parcela correspondente ao IRPJ é R$ 40.636,64, valor inferior ao indicado na DCOMP (R$ 43.282,34). [...] Irresignada, a contribuinte encaminhou a manifestação de inconformidade de f. 61 a 65, na qual faz referência a outros processos e, em relação ao presente processo, alega que (f. 63): RECEITA FEDERAL: Parte dos valores compensados como sendo 2003 referemse a valores retidos em 2002. Conforme demonstrado na planilha "Comprovante das Tarifas pagas pela Receita", o total dos valores retidos em 2002 e 2003 confere com o total dos valores compensados em 2002 e 2003. Documentos anexados: De 320 a 237 Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) Não concordamos com a não homologação das compensações de imposto retido na fonte, visto que os valores compensados foram efetivamente retidos, apesar de haver divergências de datas entre o que foi informado em nossas declarações e o que foi informado pelas fontes pagadoras. À f. 64, acrescenta o seguinte: Documentos anexados: Planilha "Comprovante das Tarifas pagas pela Receita" Planilha "Impostos Retidos na Fonte a Compensar" Consulta Histórica de Pagamentos — SISBACEN (A diferença entre o "Valor Liberação" e o "Valor Ajuste" é o valor da retenção). Demonstrativo dos Pagamentos e Arrecadações de Tributos Federais. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela total improcedência da Manifestação de Inconformidade, conforme sintetiza a seguinte Ementa (efls 83): Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11516.003474/200613 Acórdão n.º 1402003.352 S1C4T2 Fl. 227 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO. UTILIZAÇÃO. REQUISITO. O imposto retido na fonte sobre rendimentos ou ganhos de capital, submetidos à tributação ao final do período de apuração, poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ou outros elementos de provas hábeis a demonstrar que sofreu o ônus da retenção Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada do Acórdão em 07/05/2012 (efls 92), apresentou Recurso Voluntário em 06/06/2012 (efls. 93/101), alegando em apertada síntese que o crédito que possui é até superior ao pleiteado na DCOMP, requerendo a revisão de ofício do lançamento tributário, prezando pela verdade material. A Resolução converteu o julgamento do recurso em diligência nos seguintes termos: Como se extrai do relatório, os presentes autos versam sobre a legitimidade e existência do saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, do anocalendário de 2003. As DCOMP 10056.11285.140104.1.3.022952 e 33929.28168.150104.1.3.02 – 7010 noticiam que o crédito correspondente ao saldo negativo do período é de R$ 1.726.938,70. Referido saldo, conforme consta na DCOMP apresentada pelo contribuinte, é decorrente de imposto de renda retido na fonte por terceiros, no montante de R$ 62.284,05, e pelas estimativas de janeiro, fevereiro e março de 2003, no montante de R$ 1.664.654,65. Para comprovação do saldo negativo pleiteado, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar os comprovantes de rendimento, trazido aos autos às efls. 37/40. Houve o reconhecimento do saldo negativo de R$ 1.724.293,00, pela liquidação das estimativas dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2003, e pelo reconhecimento parcial das retenções na fonte, conforme consta do Despacho Decisório (efls 45): Foram aceitos os comprovantes que contêm os dados prescritos pelas normas que regulam a matéria e que tratam do mesmo Fl. 231DF CARF MF 10 anocalendário que o saldo negativo usado na DCOMP. Foram também consideradas as retenções que, apesar de não comprovadas pelo contribuinte, encontram confirmação nas DIRF entregues pelas fontes pagadoras. As tabelas a seguir indicam as retenções informadas na DCOMP e aquelas aceitas como dedutíveis do imposto devido. Observações: (1) Os valores constantes do comprovante de rendimentos de fl. 35 apresentado pelo contribuinte conferem com a DIRF (fl. 36). As retenções confirmadas no código 6188 têm o montante de R$ 119.379,11, assim a parcela correspondente ao IRPJ é R$ 40.636,64, valor inferior ao indicado na DCOMP (R$ 43.282,34). (2) O comprovante de fl. 34 tem período de apuração (ano calendário 2002) diverso daquele a que se refere a declaração em análise (anocalendário 2003). Entretanto, a DIRF de fl. 28 apresenta retenções em valor suficiente para comprovação da dedução utilizada na DCOMP. (3) A DIRF de fl. 37 contém retenções suficientes para amparar as deduções usadas na DCOMP (R$ 895,63) referentes a essa fonte pagadora. Como se observa, a autoridade julgadora analisou o limite do direito creditório dos 03 (três) cedentes, com base no constante na DCOMP. Especificamente quanto ao CNPJ 29.979.036/000140, porém, identificase que o valor do tributo retido na fonte é superior a R$ 895,63 – parte relativa ao IRPJ. Neste sentido, o contribuinte argumenta (efls 97/98): Considerando o exposto nos itens acima, aferese que no ano de 2003 foi efetivamente retido na fonte o valor de R$ 1.297.278,83, sendo R$ 286.411,70 de IRPJ, conforme quadro abaixo: Quadro 2 [...] Logo, temse confirmada a existência de saldo negativo de IRPJ 2003, no valor de R$ 1.951.066,35, que é inclusive muito superior ao já declarado pelo Recorrente, no valor de R$ 224.127,65, conforme se depreende do quadro a seguir: Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11516.003474/200613 Acórdão n.º 1402003.352 S1C4T2 Fl. 228 11 Quadro 3 [...] Em decorrência disso, o crédito de saldo negativo de IRPJ 2003, de R$ 1.951.066,35, é mais que suficiente para a homologação integral das declarações de compensação n° 10056.11285.140104.1.3.022952 e 33929.28168.150104.1.3.027010 apresentadas, ao teor do demonstrativo abaixo relacionado: [...] Diante destes fatores, devese analisar se o tributo retido na fonte concernente ao CNPJ 29.979.036/000140 na DIRF do anocalendário de 2003, é ou não superior aos R$ 895,63 pleiteados e homologados pela autoridade fiscal. Por merecida análise dessa questão, sob pena de enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem, através de relatório circunstanciado demonstre se o crédito relativo ao IRPJ deste CNPJ (29.979.036/000140) é superior aos R$ 895,63 já consolidados, e caso positivo, se o saldo remanescente não utilizado é suficiente para suprir o saldo não homologado destes autos. Do relatório proferido pela autoridade, deverá ser intimado o contribuinte para que exerça o contraditório, caso desejar. Após a diligência e o prazo para manifestação do contribuinte, retornemse os autos para julgamento. Em seguida veio a Informação Fiscal da DIORT/DRF Brasília de fls. 138/140 com o seguinte texto: Tratase de pedido de diligência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) (fls. 126/132) “para que a Unidade de Origem, através de relatório circunstanciado demonstre se o crédito relativo ao IRPJ deste CNPJ (29.979.036/000140) é superior aos R$ 895,63 já consolidados, e caso positivo, se o saldo remanescente não utilizado é suficiente para suprir o saldo não homologado destes autos”. 2. Para melhor compreender o pedido de diligência do Carf, faz se necessária uma síntese do presente processo. 3. Em 14/01/2004 e 15/01/2004, a Interessada transmitiu as declarações de compensação (Dcomp) 10056.11285.140104.1.3.022952 e 33929.28168.150104.1.3.02 Fl. 233DF CARF MF 12 7010 (fls. 4/15), respectivamente, visando compensar débitos diversos com pretenso crédito de saldo negativo de IRPJ, no montante original de R$ 1.726.938,70, relativo ao ano calendário de 2003. 4. Do direito creditório pleiteado, foi reconhecido o valor de R$ 1.724.293,00, não tendo sido comprovada a diferença, motivo do presente litígio. A Dcomp 33929.28168.150104.1.3.027010 foi homologada parcialmente (vide despacho decisório de fls. 44/48), em razão de divergências de retenções na fonte informadas pela Interessada, conforme demonstrado na tabela a seguir. Tabela 1 5. Embora a diferença não comprovada de retenção na fonte diz respeito à fonte pagadora nº 1, na tabela 1, o Carf solicita diligência no sentido de averiguar se o valor do tributo retido pela fonte pagadora nº 3 (CNPJ nº 29.979.036/000140) é superior ao valor de R$ 895,63 já consolidado. Em caso positivo, verificar se o saldo remanescente não utilizado, isto é, não declarado na Dcomp em referência, é suficiente para suprir o valor não homologado na presente compensação. 6. Em consulta à Dirf da fonte pagadora de CNPJ nº 29.979.036/000140 (fls. 137), disponível nos sistemas informatizados da RFB, observouse a existência de tributos retidos na fonte no montante de R$ 654.817,03, no ano calendário de 2003, no código de receita 6188. A parcela correspondente ao IRPJ é de R$ 222.916,44, valor este suficiente para amparar a dedução usada na Dcomp (R$ 895,63) referente a tal fonte pagadora. 7. Entretanto, é preciso observar que se trata de informação confirmada unicamente na Dirf entregue pela fonte pagadora. A legislação que trata do assunto (arts. 942 e 943 do Regulamento do Imposto de Renda), e que permite ao contribuinte compensar o imposto retido na fonte, dispõe claramente ao determinar que tal compensação somente poderá ser realizada se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. 8. O único comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora de CNPJ nº 29.979.036/000140 encontrase em fls. 71 dos autos, demonstrando que o valor retido foi de R$ 2.630,90, no anocalendário de 2003, o que equivale a uma parcela correspondente ao IRPJ de R$ 895,63. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11516.003474/200613 Acórdão n.º 1402003.352 S1C4T2 Fl. 229 13 9. Assim sendo, em resposta à diligência solicitada pelo Carf, podese afirmar que inexiste saldo remanescente do valor retido na fonte pelo CNPJ nº 29.979.036/000140 no anocalendário de 2003 e que o valor retido é suficiente apenas para suprir o valor homologado na presente compensação. 10. Pelo exposto, propõese: a) o encaminhamento do processo à Equipe de Apoio desta Diort para dar ciência desta informação à Interessada; b) a reabertura de prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência desta, para manifestação, se assim o desejar; c) após o prazo citado acima, o retorno do processo ao Carf para a continuidade do julgamento. Em seguida, a Recorrente se manifestou sobre a diligência feita (fls. 420/474), alegando que não concorda com a resposta da diligência, eis que tem o crédito no importe de R$ 3.136,43 do anocalendário de 2002, confirmado nos autos do processo 11516.003475/200668, montante superior ao não reconhecido e não homologado neste processo de R$ 2.672,16. Sendo assim, entende que se está se cobrando da Recorrente mais do que deve, resultando em enriquecimento ilícito do Poder Público. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF 14 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Embargos Declaratório são tempestivos e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivos pelos quais deve ser conheço. O processo em epígrafe trata de pedido de compensação de saldo negativo de IRPJ, composto por pagamentos de estimativas e Imposto Retido na Fonte IRRF, suportado pela Recorrente no anocalendário de 2003, visando quitar débitos de IRPJ. No Despacho Decisório de fls. 41/45, consta que a fiscalização apurou direito creditório no montante de R$ 1.724.293,00, ao passo que o saldo negativo solicitado na Dcomp é de R$ 1.726.938,70. Deste modo, foi declarada a homologação da Dcomp n° 10056.11285.140104.1.3.022952, e a homologação parcial da Dcomp n° 33929.28168.150104.1.3.027010, permanecendo em aberto débito da importância de R$2.672,16. Referido saldo, conforme consta na DCOMP apresentada pelo contribuinte, é decorrente de imposto de renda retido na fonte por terceiros, no montante de R$ 62.284,05, e pelas estimativas de janeiro, fevereiro e março de 2003, no montante de R$ 1.664.654,65. O saldo negativo de R$ 1.724.293,00 que foi reconhecido, é relativo ao valor das estimativas liquidadas dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2003, e ao valor parcial das retenções na fonte no valor de R$ 59.638.35, conforme consta do Despacho Decisório (fls 45). A parcela não reconhecida do IRRF, se refere a fonte retentora/pagadora com CNPJ 00.394.460/005887, sendo que a Recorrente indicou na DCOMP o valor de R$ 43.282,34 e a fiscalização reconheceu o valor de R$ 40.636,64. Vejamos a parte do r. Despacho Decisório que tratou deste ponto: Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11516.003474/200613 Acórdão n.º 1402003.352 S1C4T2 Fl. 230 15 Foram aceitos os comprovantes que contêm os dados prescritos pelas normas que regulam a matéria e que tratam do mesmo anocalendário que o saldo negativo usado na DCOMP. Foram também consideradas as retenções que, apesar de não comprovadas pelo contribuinte, encontram confirmação nas DIRF entregues pelas fontes pagadoras. As tabelas a seguir indicam as retenções informadas na DCOMP e aquelas aceitas como dedutiveis do imposto devido. Observações: (1) Os valores constantes do comprovante de rendimentos de fl. 35 apresentado pelo contribuinte conferem com a DIRF (fl. 36). As retenções confirmadas no código 6188 têm o montante de R$ 119.379,11, assim a parcela correspondente ao IRPJ é R$ 40.636,64, valor inferior ao indicado na DCOMP (R$ 43.282,34). (2) 0 comprovante de fl. 34 tem período de apuração (ano calendário 2002) diverso daquele a que se refere a declaração em análise (anocalendário 2003). Entretanto, a DIRF de fl. 28 apresenta retenções em valor suficiente para comprovação da dedução utilizada na DCOMP. (3) A DIRF de fl. 37 contém retenções suficientes para amparar as deduções usadas na DCOMP (R$ 895,63) referentes a essa fonte pagadora. As retenções na fonte comprovadas totalizam R$ 59.638,35, as estimativas pagas tem o valor de R$ 1.664.654,65. Como o imposto devido apurado no ajuste anual foi igual a zero, esses valores converteramse em saldo negativo de IRPJ de R$ 1.724.293,00. Verificouse que as DCOMP foram transmitidas dentro do prazo de vencimento dos débitos nelas compensados, devendo, portanto, esses débitos serem compensados sem acréscimos. Os extratos de fls. 38/40 demonstram a alocação do crédito apurado aos débitos indicados como pagos. As tabelas a seguir indicam o resultado das vinculações. Fl. 237DF CARF MF 16 Ao analisar a resposta da diligência consubstanciado na Informação Fiscal n.º 715/2015, da DIORT/BSB (fls. 138 e seguintes) consta a confirmação da fiscalização de que existe crédito de IRRF suficiente para compensar com o valor do saldo negativo que não foi reconhecido pela r. Despacho Decisório no importe de R$ 2.672,16. Vejamos a parte que indica tal afirmativa. Tratase de pedido de diligência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) (fls. 126/132) “para que a Unidade de Origem, através de relatório circunstanciado demonstre se o crédito relativo ao IRPJ deste CNPJ (29.979.036/000140) é superior aos R$ 895,63 já consolidados, e caso positivo, se o saldo remanescente não utilizado é suficiente para suprir o saldo não homologado destes autos”. 2. Para melhor compreender o pedido de diligência do Carf, faz se necessária uma síntese do presente processo. 3. Em 14/01/2004 e 15/01/2004, a Interessada transmitiu as declarações de compensação (Dcomp) 10056.11285.140104.1.3.022952 e 33929.28168.150104.1.3.02 7010 (fls. 4/15), respectivamente, visando compensar débitos diversos com pretenso crédito de saldo negativo de IRPJ, no montante original de R$ 1.726.938,70, relativo ao ano calendário de 2003. 4. Do direito creditório pleiteado, foi reconhecido o valor de R$ 1.724.293,00, não tendo sido comprovada a diferença, motivo do presente litígio. A Dcomp 33929.28168.150104.1.3.027010 foi homologada parcialmente (vide despacho decisório de fls. 44/48), em razão de divergências de retenções na fonte informadas pela Interessada, conforme demonstrado na tabela a seguir. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11516.003474/200613 Acórdão n.º 1402003.352 S1C4T2 Fl. 231 17 5. Embora a diferença não comprovada de retenção na fonte diz respeito à fonte pagadora nº 1, na tabela 1, o Carf solicita diligência no sentido de averiguar se o valor do tributo retido pela fonte pagadora nº 3 (CNPJ nº 29.979.036/000140) é superior ao valor de R$ 895,63 já consolidado. Em caso positivo, verificar se o saldo remanescente não utilizado, isto é, não declarado na Dcomp em referência, é suficiente para suprir o valor não homologado na presente compensação. 6. Em consulta à Dirf da fonte pagadora de CNPJ nº 29.979.036/000140 (fls. 137), disponível nos sistemas informatizados da RFB, observouse a existência de tributos retidos na fonte no montante de R$ 654.817,03, no ano calendário de 2003, no código de receita 6188. A parcela correspondente ao IRPJ é de R$ 222.916,44, valor este suficiente para amparar a dedução usada na Dcomp (R$ 895,63) referente a tal fonte pagadora. O v. acórdão embargado foi omisso em relação aos fundamentos da Informação Fiscal acima colacionado, sendo que da leitura do trecho supra descrito e elaborado em resposta a diligência de fls. 138/140, depreendese que a fiscalização confirmou que na DIRF da fonte pagadora/retentora de CNPJ 29.979.036/000140 existe crédito a mais passível de suportar o IRRF não reconhecido no r. Despacho Decisório no importe de R$ 2.672,16, devendo assim, ser reformado o v. acórdão embargado, para reconhecer o montante acima indicado e homologar a compensação pleiteada na DCOMP 33929.28168.150104.1.3.027010 até o limite deste crédito reconhecido. O não reconhecimento do valor de R$ 2.672,16 se deu pelo fato de a fiscalização não se contentar apenas com as informações contidas na DIRF, entendendo ser necessário que a fonte pagadora/retentora, no caso o INSS, apresentasse comprovante de retenção ou de rendimentos. Fl. 239DF CARF MF 18 No meu entender tal raciocínio da fiscalização não é o mais adequado, eis que prejudicar o direito ao crédito da Recorrente devido a omissão e inércia de terceiros (no caso a fonte retentora/pagadora do IRRF) não me parece jurídico. Ademais, a DIRF comprova o recolhimento de IRRF superior ao montante de crédito utilizado de R$ 895,63, restando crédito mais do que suficiente para arcar com o valor não reconhecido de R$ 2.672,16. Sendo assim, reconheço o montante de R$ 2.672,16 relativo ao IRRF que compõe o crédito de saldo negativo e homologo a compensação até o limite do crédito reconhecido. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço e acolho os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para reconhecer o crédito no montante de R$ 2. 672,16 e homologar a compensação até o limite deste valor reconhecido. É como voto. (assina digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 240DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.907122/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de contribuição (PIS/Cofins) formulado pela recorrente. A restituição foi indeferida porque o crédito pleiteado encontravase totalmente alocado a débito declarado pelo contribuinte. Na manifestação apresentada, a interessada afirma que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Salienta que a manifestação contida no despacho decisório decorre de informação prestada em DCTF nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 07 12 2/ 20 11 -4 2 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10930.907122/201142 Resolução nº 3402001.444 S3C4T2 Fl. 146 2 operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Salienta que as declarações prestadas anteriormente devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas, tendo por base planilha anexada à manifestação. Aduz, adicionalmente, que a discussão principal contida no processo diz respeito à matéria de direito, “devendo o órgão julgador apreciar a procedência da tese”, intimando a contribuinte a provar o direito mediante prova documental. A impugnação acima aludida foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, que não reconheceu o direito creditório face a ausência de sua comprovação. Cientificado desta decisão o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, onde alega que a decisão proferida pela DRJ teria alterado o critério jurídico do despacho de indeferimento atacado, o que implicaria a nulidade da decisão proferida, bem como apresenta documentos fiscais que atestariam a validade do seu crédito. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.422, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907066/201146, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.422): "5. Conforme se observa dos autos, em despacho eletrônico de fls. 05/06, o crédito vindicado pelo contribuinte foi indeferido ao fundamento que: (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (...). 6. Todavia, já em sede de julgamento de manifestação de inconformidade, o acórdão ora atacado entendeu por manter o indeferimento, mas agora sob o seguinte fundamento: (...). No caso, como a contribuinte nada apresentou no sentido de efetivamente comprovar que na composição da base de Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10930.907122/201142 Resolução nº 3402001.444 S3C4T2 Fl. 147 3 cálculo da contribuição relativa ao aludido período de apuração estavam incluídas receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo, não há como reconhecer o direito creditório buscado. Em assim sendo, dada a ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, entendese que devem ser mantidos em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado que, aliás, está fundamentado em informação prestada pela própria contribuinte em DCTF constante dos sistemas controlados pela RFB. (...) (grifos constantes no original). 7. Diante deste quadro, o contribuinte apresentou os documentos fiscais de fls. fls. 84/118, os quais compreendem guias DARF, livro razão e planilhas, que atestariam que o crédito vindicado é realmente decorrente do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS veiculado pela lei n. 9.718/98 e rechaçado pelo STF no âmbito do julgamento do RE n. 585.235. 8. Percebese, portanto, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. 10. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10930.907122/201142 Resolução nº 3402001.444 S3C4T2 Fl. 148 4 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17883.720016/2015-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2011, 2012
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. TRIBUTAÇÃO NA FONTE.
Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
Numero da decisão: 1401-002.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Vencidas as Conselheiras Livia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(assinado digitalmente)
Claudio de Andrade Camerano - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2011, 2012 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Vencidas as Conselheiras Livia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora (assinado digitalmente) Claudio de Andrade Camerano - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
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PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VILAREJO DE MACAÉ MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011, 2012 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Vencidas as Conselheiras Livia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Claudio de Andrade Camerano Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 72 00 16 /2 01 5- 31 Fl. 9396DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Relatório Tratase de auto de infração para a cobrança de imposto de renda retido na fonte (IRRF) relativo a fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro de 2011 a dezembro de 2012, lavrado com fundamento no art. 61 da Lei n 8.981/1995 c/c os arts. 674 e 675 do RIR/99, acrescido de multa de 75%. O relatório da decisão recorrida assim descreve o procedimento fiscal e os argumentos da impugnação apresentada: I. DO PROCEDIMENTO FISCAL Reportome ao Termo de Verificação Fiscal de fls. 4.440/4.446, no qual o agente fiscal detalha todo o procedimento adotado durante os trabalhos de auditoria, que, ao final, resultou no presente lançamento de exigência de IRRF, além de lançamentos na área do IRPJ, da CSLL, da contribuição para o PIS e da Cofins, cujo crédito tributário é controlado no processo administrativo nº 17883.720015/201597, bem assim de imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo crédito tributário é controlado no processo administrativo nº 17883.720017/201586. No referido Termo de Verificação Fiscal, informa a autoridade fiscal que o procedimento teve início no dia 24 de abril de 2015, ocasião em que solicitou ao sujeito passivo diversos documentos, inclusive os extratos bancários do mencionado período. Diante do silêncio do contribuinte, lavrou termo de reintimação fiscal no dia 3 de junho de 2015, com ciência postal em 11 de junho de 2015. Informa que, em resposta, o contribuinte solicitou prazo adicional de 20 dias para a entrega dos documentos, reportandose, contudo, somente aos extratos bancários, deixando à margem os demais documentos intimados, com destaque ao SPED Contábil. Diante do longo prazo sem qualquer resposta do contribuinte o agente fiscal concedeu 5 (cinco) dias adicionais para a entrega dos documentos. No dia 22 de junho de 2015 a autoridade fiscal requisitou as cópias dos arquivos da escrituração contábil digital referentes aos anos de 2011 e 2012, tendo constatado que “foram efetuados apenas 8 lançamentos no arquivo de cada Ano Calendario, com um total de R$400,00 em saldo credor, e o mesmo montante em saldo devedor.” Aduz que, findo o prazo adicional prorrogado, e sem a devida apresentação dos extratos bancários, procedeu à solicitação da emissão da RMF no dia 1o de julho de 2015. Informa que o contribuinte apresentou os extratos bancários somente no dia 8 de julho de 2015 e que no dia 24 de julho de 2015 apresentou informações sobre o SPED Contábil e solicitou novo prazo para o encaminhamento do arquivo eletrônico correspondente. Fl. 9397DF CARF MF Processo nº 17883.720016/201531 Acórdão n.º 1401002.880 S1C4T1 Fl. 9.397 3 Esclarece que as instituições financeiras (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco S. A., Banco Bradesco S.A. e Banco Santander S. A.) começaram, então, a enviar os arquivos eletrônicos com os extratos bancários. Na medida em que os extratos bancários eram recebidos, e após a devida análise, o agente fiscal intimava o sujeito passivo (em diferentes termos de intimação, específicos para cada instituição financeira), a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados em conta de titularidade do contribuinte, bem como a apresentar os comprovantes que esclarecessem os pagamentos efetuados. Nesse cenário, considerando que o contribuinte, devidamente intimado, não se manifestou ao longo de todo o procedimento administrativo fiscal e que as DIPJ entregues, referentes aos citados anoscalendário, constam sem preenchimento (“zeradas”), o agente fiscal promoveu os já mencionados lançamentos, com base nos seguintes enquadramentos legais: (1) Auto de infração de IRRF, cujo crédito tributário é controlado no presente processo administrativo nº 17883.720016/201531: tributação na fonte da saída de recursos da empresa, pelo pagamento sem causa ou de operações não comprovadas art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 c/c os arts. 674 e 675 do RIR/99; (2) Autos de infração de IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS e Cofins, cujo crédito tributário é controlado no processo administrativo nº 17883.720015/201597: a) omissão de receitas art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c o art. 537 do RIR/99; e b) arbitramento dos lucros art. 530, inciso II, do RIR/99; (3) Auto de infração de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo crédito tributário é controlado no processo administrativo nº 17883.720017/201586: art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, c/c o art. 57, III, da MP nº 2.15835, de 2011, com a redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012 II. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos autos de infração em 07/10/2015, e irresignada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 4.453/4.477, em 06/11/2015, por meio da qual oferece, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa. Ressalta que a regra matriz de incidência tributária do Imposto de Renda Retido na Fonte previsto no artigo 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro 1995 consiste na demonstração de que o sujeito passivo tenha efetuado (i) pagamentos sem uma causa justificada e/ou a (ii) beneficiário não identificado. Assevera que sem a demonstração do pagamento não se está autorizado a ingressar na análise dos demais elementos reclamados pelo art. 61 da Lei ns 8.981/95. Alega que, na hipótese dos autos, a autoridade administrativa presumiu que esses pagamentos foram realizados a partir da movimentação bancária promovida pela impugnante aliada a ausência da escrituração contábil pela omissão do seu envio no ambiente SPED, cuja transmissão contemplaria os livros DIÁRIO, RAZÃO e seus auxiliares. Afirma que, diante da omissão da impugnante no cumprimento das obrigações acessórias às quais estava sujeita, a autoridade lançadora considerou exclusivamente a sua movimentação junto as instituições financeiras, mais Fl. 9398DF CARF MF 4 propriamente dito, retiradas efetuadas nas contas bancárias como suporte para reconhecer a presença de pagamentos efetuados a terceiros, sem causa motivadora ou mesmo beneficiário identificado. Aduz que nenhuma outra prova foi produzida, optando a autoridade lançadora a se valer de forma exclusiva da presunção para levar a efeito o arbitramento da respectiva base de cálculo. Argumenta que, ao mesmo tempo em que se admite a possibilidade do uso das presunções em matéria tributária, também é verdade consabida na doutrina que somente são aceitas, por força dos princípios da estrita legalidade tributária e da verdade material, as presunções de caráter relativo, porquanto sempre presente a possibilidade de o sujeito passivo produzir prova da inocorrência do fato que justifica a presunção ou do fato presumido mesmo. Informa que, nesse momento processual, fez juntar à peça de impugnação planilha discriminando a destinação dos pagamentos realizados com seus respectivos beneficiários, o que permitiria reconhecer a causa do pagamento. Afirma que, na tabela que acompanha a peça de impugnação, são identificados valores que a Fiscalização considerou em duplicidade e valores objeto de transferências entre contas, os quais deveriam ser desconsiderados porquanto identificados a causa e o beneficiário. Ressalta que o próprio extrato apresenta essas informações de modo que a autoridade lançadora dispunha de meios para identificação e mesmo assim as desconsiderou. Aduz que também estão sendo disponibilizados os livros de Registros de Saída, para fins de apuração do ICMS contendo informações sobre todas as vendas realizadas pela impugnante nos anoscalendário de 2011 e 2012. Informa que nesse momento processual deixa de apresentar a documentação de suporte, representada por notas fiscais, recibos, boletos e outros documentos, pois os mesmos não poderiam ser retirados da sede da Empresa e mantidos na repartição da Receita Federal até o julgamento final da demanda, porquanto é comum que processos dessa natureza tenham duração significativa, percorrendo diferentes instâncias. Propugna pela produção de prova pericial e por realização de inspeção sobre os documentos comprobatórios dos valores movimentados na conta bancária (saída de recursos), confrontando os lançamentos contábeis contidos no SPED contábil que traz os livros DIÁRIO e RAZÃO, com vistas a demonstrar a causa e o destinatário do pagamento, elidindo a presunção relativa formada a partir do lançamento, considerando a presença de mais de 50.000 (cinqüenta mil) documentos e mais de 200.000 (duzentos mil) lançamentos contábeis. Indica perito, formula quesitos e requer, ao final, seja deferida a possibilidade de apresentação de documentação complementar para demonstração dos fatos alegados na impugnação. Em 30 de setembro de 2016, a DRJ em Brasília julgou a impugnação procedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011, 2012 PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. ÔNUS DA PROVA. Fl. 9399DF CARF MF Processo nº 17883.720016/201531 Acórdão n.º 1401002.880 S1C4T1 Fl. 9.398 5 Ainda que o sujeito passivo, por qualquer razão, tenha deixado de atender à intimação fiscal para comprovar a finalidade de inúmeros pagamentos, a incidência de que trata o art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, não dispensa a Fiscalização de, ao menos, produzir indícios de que se está diante de operação sem causa ou que não possa ser comprovada. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Cientificada em 19 de outubro de 2016 (fl. 9392), a contribuinte não se manifestou. Recebi o processo em distribuição realizada em 14 de junho de 2018. Voto Vencido Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Conforme relatado, a partir dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras nas quais a contribuinte mantinha contas correntes, o agente fiscal elaborou planilhas e intimou o sujeito passivo a apresentar os documentos que esclarecessem os pagamentos efetuados. Como a intimação não foi atendida, a fiscalização considerou as saídas de recursos como pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, cobrando assim o IRRF em debate neste processo. A decisão recorrida pontuou que o Termo de Verificação Fiscal não informou os critérios adotados para selecionar os lançamentos a débito nas contas correntes bancárias, embora, ao que parece, o critério tenha sido o de considerar os valores mais expressivos. Pontuou também que foram tributados os mais variados históricos de lançamentos a débito das referidas contas correntes bancárias, a saber: “Pagamento de Título”, “Cheque Pago Outra Agência”, “Transferência on line” etc.. Analisando a aplicação do artigo 61 da Lei 8.981/1995, a decisão recorrida entendeu que é necessária a comprovação de que a pessoa jurídica efetivamente realizou pagamentos; ou seja, a cobrança do IRRF depende de prova, pelo Fisco, de que a saída de valores da empresa corresponde a pagamentos efetuados. Na verdade, a fiscalização foi extremamente sucinta tratar do lançamento do IRRF no TVF, tendo se resumido à seguinte motivação: Ao assim proceder, a fiscalização tratou o artigo 61 da Lei 8.981/1995 como tendo estabelecido uma inversão do ônus da prova, como se a norma estabelecesse que, uma Fl. 9400DF CARF MF 6 vez não comprovada a natureza da saída de recursos das contas bancárias da empresa, o valor deve ser considerado pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, dando ensejo à cobrança do IRRF. Mas não é isso o que diz a norma. Vejase: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Tal dispositivo, portanto, impõe a responsabilidade da fonte pagadora pelo pagamento do imposto de renda (que deveria ter sido retido na fonte) relacionado a: (i) pagamentos a beneficiário não identificado; (ii) pagamentos ou entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, na hipótese de não ser comprovada a operação ou a sua causa. O primeiro requisito fundamental para aplicação da hipótese do artigo 61 é a existência de pagamentos efetivos, não bastando a presunção de pagamento ou meras informações em registros bancários e contábeis. Assim, um simples registro de saída de recursos de conta corrente bancária para terceiros identificados não significa que se trate de pagamento. E caberia ao fisco comprovar as alegações de que se tratava de efetivos pagamentos, ou pelo menos aprofundar minimamente as investigações, em especial neste caso de silêncio do contribuinte, por exemplo circularizando as informações que existiam, para buscar ao menos indícios de que se tratava de pagamentos. No caso, se por um lado houve total silêncio do contribuinte, a fiscalização também não se esforçou o suficiente na produção de provas da imputada infração, agindo como se existisse e não há uma presunção legal de que, se o contribuinte não se manifesta acerca de débitos na sua conta, os valores deverão ser considerados pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. De fato, muito embora a natureza do IRRF objeto do artigo 61 da Lei 8.981/1995 seja controvertida, não se questiona que ele não inverte o ônus da prova, eximindo a fiscalização de comprovar que os débitos consistem em verdadeiros pagamentos. De fato, por ser o vínculo obrigacional instaurado por irregularidades ou infrações, há quem sustente que o artigo 61 da Lei 8.981/1995 trata de penalidade aplicável às Fl. 9401DF CARF MF Processo nº 17883.720016/201531 Acórdão n.º 1401002.880 S1C4T1 Fl. 9.399 7 pessoas jurídicas que realizam pagamentos sem identificar os beneficiários ou sem comprovar a causa premissa teórica que fundamenta ora alegação da sua inconstitucionalidade, por ofensa ao próprio conceito de tributo, ora o questionamento da simultânea aplicação da multa de ofício. Os que entendem que o dispositivo permanece como cobrança de tributo especificamente, de imposto sobre a renda sustentam tratarse, a depender do caso, de (i) regra de responsabilidade tributária, por substituição, mantendose inalterada a imposição do imposto sobre a renda devido pelo contribuinte; e/ou (ii) regra autônoma, hipótese em que a tributação seria exclusiva, sem qualquer relação com o imposto devido pelo beneficiário do pagamento ou recurso. Digo a depender do caso porque, no pagamento sem causa, parece que estamos diante do primeiro caso, enquanto que no pagamento a beneficiário não identificado a hipótese é claramente a segunda. Esta parece ser a posição mais acertada, considerando, ademais, que o Código Tributário Nacional reconhece a possibilidade de atribuir à fonte pagadora a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto sobre a renda, vejase: Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Vale ressaltar que a atribuição de responsabilidade da fonte pagadora não altera a materialidade do imposto, que não é o mero “pagamento”, como prevê a literalidade do artigo 61, mas o auferimento de renda ou acréscimo patrimonial, já que, em última análise, estamos tratando do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Assim, em se tratando de cobrança de um tributo, e não sendo o caso de inversão do ônus da prova, compete ao fisco a prova de sua hipótese de incidência no caso, a prova do pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado que, supostamente, teria resultado em acréscimo patrimonial para a ponta credora. No caso, o fisco apenas provou que a Recorrente emitiu cheques e fez transferências bancárias, o que não necessariamente significa que ela fez pagamentos, no sentido de acréscimo patrimonial a terceiros. A acusação fiscal, portanto, foi falha, não merecendo subsistir o auto de infração dela resultante. Dispositivo Ante o exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fl. 9402DF CARF MF 8 Livia De Carli Germano Voto Vencedor Conselheiro Claudio de Andrade Camerano Redator designado Do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF Não obstante o bem articulado voto da Relatora acerca desta tributação, a qual revela conhecer bem a matéria em exame, devo concordar, sim, que tratase de uma tributação que, na maioria dos casos, suscita instigantes debates, entretanto, entendo que, neste caso específico, a Fiscalização aplicou corretamente o dispositivo legal que fundamentou a autuação. De se mostrar. Em trabalho inicial de ação fiscal, a Fiscalização solicitou a apresentação da Escrituração Contábil Digital (ECD) e a Escrituração Fiscal Digital (EFD), caso a Contribuinte não a tivesse entregue, informando a Fiscalização que se não fosse obrigado a sua apresentação, que, então, fornecesse os livros contábeis Diário e Razão e/ou Livro Caixa, além de solicitar também a apresentação dos extratos bancários da Contribuinte, relativamente ao período compreendido entre 01 a 12/2011 e 01 a 12/2012, conforme Termo de Início do Procedimento Fiscal, datado de 20/04/2015. Como relatoriado, uma vez que a Fiscalizada não apresentou a documentação solicitada, houve um nova intimação, em 03/06/2015, conforme Termo de Reintimação Fiscal. Em atendimento, Contribuinte informou, em 12/06/2015, que necessitava de um prazo adicional de 20 dias "para que consigamos reunir todas as cópias dos extratos bancários, cujas segunda vias já foram solicitadas aos bancos." Como nada informou acerca da escrituração contábil digital, então solicitada, a Fiscalização requisitou a sua cópia (anos de 2011 e 2012), conforme Documentos Diversos Outros SPED Termo de Requisição, fls.300. Destaca a autoridade fiscal que "foram efetuados apenas 8 lançamentos no arquivo de cada AnoCalendário, com um total de R$ 400,00 em saldo credor, e o mesmo montante em saldo devedor." Continuando, uma vez que não houve a apresentação dos extratos bancários foi formalizada a sua requisição junto às instituições financeiras por meio de RMF. De posse dos extratos bancários e, não havendo possibilidade de analisar os créditos e débitos bancários com a escrituração contábil (inconsistente, como relatado), a Fl. 9403DF CARF MF Processo nº 17883.720016/201531 Acórdão n.º 1401002.880 S1C4T1 Fl. 9.400 9 Fiscalização solicitou, por meio de várias intimações, que a fiscalizada esclarecesse as origens dos créditos bancários e as saídas (débitos) que constavam nos extratos bancários, sob as mais diversas rubricas. Como o presente processo trata de IRRF, então lavrado com base no art.674 do RIR/99, nos limitaremos aos débitos bancários, origem da autuação. Então, foram feitas várias intimações à Contribuinte para que apresentasse os "Documentos que comprovem a finalidade dos pagamentos efetuados conforme ANEXO II a este termo, em especial as notas fiscais (compra de mercadorias ou pagamentos de serviços)." TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Período de Apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 DATA BANCO PLANILHA 11/08/2015 Banco do Brasil ANEXO II (fls.2962/3008) 17/08/2015 Banco Itaú ANEXO I, II, V, VI (fls.4100/4143) 17/08/2015 CEF ANEXO IX, X (fls.4100/4143) 24/08/2015 Banco Real ANEXO I (fls.4268/4282) 24/08/2015 Santander ANEXO II, III (fls.4268/4282) 31/08/2015 Bradesco ANEXO I (fls.4283/4287) 14/09/2015 Banco do Brasil ANEXO I (fls.4289/4316) Nesta última intimação, a Fiscalização reintimou a Contribuinte a apresentar o solicitado nas intimações anteriores, e nada foi apresentado. Em sede de impugnação a Contribuinte alega que deve haver a busca pela verdade material, requer a realização de diligências/perícias, assim como apresenta planilhas relacionando/indicando eventuais operações que estariam comprovadas, quanto à sua origem e o beneficiário do débito/pagamento. Reiterese que a Contribuinte não apresentou a sua escrituração contábil devidamente escriturada, relativa aos anos de 2011 e 2012, apesar de obrigada à sua confecção, tinha uma expressiva movimentação financeira em vários bancos, apresentou sua DIPJ sem preenchimento dos dados pertinentes, e vem alegar princípio da verdade material!, ora, este princípio não é absoluto, uma vez que nada foi disponibilizado à Fiscalização para que pudesse averiguar a regularidade fiscal da Contribuinte, de forma que não há que se cogitar de eventual violação a este princípio, assim como se revela incabível a sua solicitação de perícia, que, de pronto, a indefiro, pois o que temos nos autos é matéria de produção de prova, algo que a Contribuinte em nenhum momento se dispôs a apresentar. Fl. 9404DF CARF MF 10 Suas planilhas que trouxe em sua impugnação em nada contribuem para macular o lançamento, tratamse apenas disto, de planilhas que apenas indicam eventuais operações que não se revestiriam da natureza de pagamentos, entretanto desacompanhadas de nenhuma documentação. Durante a ação fiscal, como mostrado, a contribuinte, regularmente intimada, não trouxe qualquer documento acerca da natureza dos débitos bancários, o que deixou a Fiscalização em uma posição de inércia, sem poder avalizar de maneira adequada a natureza dos débitos bancários, (afinal, qual o correto tratamento jurídico a ser dado a estes valores?). Alternativa não restou que não fosse a obedecer o receituário determinado na legislação tributária acerca desta matéria, qual seja, a incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, a todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem comprovação de sua causa. Como dito anteriormente, a Contribuinte foi intimada a esclarecer a natureza dos débitos bancários verificados em suas contas correntes mantidas junto àquelas instituições financeiras e não apresentou qualquer documentação que respaldasse tais débitos. Como então exigir da autoridade autuante a busca pela verdade material ? Se a Contribuinte tivesse apresentado a documentação solicitada, no momento em que foi intimada a fazêlo, no sentido de demonstrar que aqueles débitos bancários não se constituem em pagamentos, a autoridade autuante teria elementos suficientes para dirigir a sua fiscalização em outro sentido, mas tal não foi o caso, uma vez que a Contribuinte, durante a ação fiscal, simplesmente nada disponibilizou à autoridade fiscal acerca da natureza dos débitos bancários. A Fiscalização simplesmente ficou impedida de exercer seu papel institucional, uma vez que nada lhe foi disponibilizado em termos de documentação para que, assim, pudesse exercer plenamente seu trabalho investigativo. Tendo em vista que a empresa Fiscalizada não apresentou qualquer explicação ou qualquer elemento de prova sobre qualquer uma das saídas, foi efetuado o lançamento do IRRF, com suporte no que prescreve o art. 674 do RIR/99 (grifos acrescidos): “Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Fl. 9405DF CARF MF Processo nº 17883.720016/201531 Acórdão n.º 1401002.880 S1C4T1 Fl. 9.401 11 Destaquese que, diversamente do que supõe a Contribuinte, é da sua incumbência informar a que se referem os débitos em suas contas, bem assim a causa da operação e o beneficiário do pagamento ou entrega dos recursos. A tributação na fonte constitui forma autônoma erigida pelo legislador, mediante o disposto no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, matriz legal do art. 674 do RIR/99. Na, hipótese de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, a fonte pagadora é responsável pelo recolhimento do imposto na forma de tributação exclusiva, ou seja, não mais se exige o tributo do beneficiário do pagamento. Assim é que, constatandose, como foi o caso, a ocorrência de recursos entregues a terceiros, escriturados ou não, sem a comprovação da causa e/ou identificação do beneficiário, estáse diante da subsunção do fato concreto à hipótese abstrata contida no art. 61 da Lei nº 8.891, de 1985, sendo de rigor a constituição do crédito tributário correspondente ao IRRF. É o voto, pelo provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 9406DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001974/2011-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2401-005.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 19 74 /2 01 1- 52 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10830.001974/201152 Acórdão n.º 2401004.463 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401004.456 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10830.001962/201128, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2401004.456 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Cuidase os autos de Pedido de Restituição de Retenção relativa à Contribuição Previdenciária. O Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas concluiu pelo indeferindo do pleito da recorrente, por meio de Despacho Decisório DD. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente. Cientificado da decisão de primeira instância em 08 de janeiro de 2015, interpôs Recurso Voluntário em 19 de fevereiro de 2015, apresentando suas razões. É o relatório." Voto Miriam Denise Xavier Relatora. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2401004.456 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10830.001962/201128, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2401004.456 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2401004.456 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "De início, convém analisar a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado em 19 de fevereiro de 2015. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10830.001974/201152 Acórdão n.º 2401004.463 S2C4T1 Fl. 4 3 Por meio do Comunicado SEORT/DRF/CPS/10.830/3570/2014, encaminhouse cópias dos acórdãos de primeira instância: INTERESSADO: CONTATUS ELETRICIDADE LTDA. CNPJ / CPF: 56.167.331/000175 PROCESSOS: 10830.001962/201128 10830.001971/201119 10830.001963/201172 10830.001973/201116 10830.001965/201161 10830.001980/201118 10830.001972/201163 10830.001981/201154 10830.001974/201152 10830.001982/201107 10830.001984/201198 10830.001967/201151 ASSUNTO: RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Campinas, em 30 de Dezembro de 2014. COMUNICADO SEORT/DRF/CPS/10.830/ 3570/2014 1. Encaminhamos, em anexo, cópias dos Acórdãos de 27/12/2014 emitido pela 6ª Turma da DRJ/BHE, que culminou com a improcedência de sua manifestação de inconformidade relativa ao pedido de restituição em epígrafe. 2. Fica aberto o prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência, para o interessado apresentar recurso para a Segunda Seção do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme art. 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF Portaria MF 256 de 22 de junho de 2009, caso não concorde com a decisão de primeira instância. 3. O processo ficará à Vs. disposição para vista, pelo mesmo prazo, sendo que, após este prazo sem que haja manifestação, o processo será encaminhado para arquivo definitivo. Atenciosamente. Maria José De Rogatis Lessa Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Matrícula SIAPE 0932959 Portaria GD/RFB/CPS nº 31, de 21/05/2012 . O sujeito passivo tomou ciência do referido comunicado em 08/01/2015, conforme transcrição do Aviso de Recebimento: Em 19/02/2015, a recorrente apresentou seu Recurso Voluntário. Do exposto acima, considerando que o sujeito passivo tomou ciência da decisão de primeira instância em 08/01/2015, concluise que o recurso voluntário foi apresentado fora do prazo, em 19/02/2015. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10830.001974/201152 Acórdão n.º 2401004.463 S2C4T1 Fl. 5 4 Conclusão Em vista do exposto, por restar prejudicado, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier. Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720069/2016-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
NULIDADE. DECISÃO DA DRJ QUE INOVA NA FUNDAMENTAÇÃO. É nula a decisão da DRJ que mantém a autuação com base em fundamento que não constou do auto de infração, por operar em cerceamento do direito de defesa da contribuinte.
AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN.
Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotando-se um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração.
Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento.
Numero da decisão: 1401-002.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida, por alteração do critério jurídico da respectiva decisão. Restou prejudicada a análise do Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Cláudio de Andrade Camerano e Luiz Augusto Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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DECISÃO DA DRJ QUE INOVA NA FUNDAMENTAÇÃO. É nula a decisão da DRJ que mantém a autuação com base em fundamento que não constou do auto de infração, por operar em cerceamento do direito de defesa da contribuinte. AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotandose um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida, por alteração do critério jurídico da respectiva decisão. Restou prejudicada a análise do Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Cláudio de Andrade Camerano e Luiz Augusto Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 69 /2 01 6- 11 Fl. 3762DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário e de Ofício interposto contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE, que manteve parcialmente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração lavrado em face de CAMARGO CORRÊA S.A. para (a) CONSIDERAR PROCEDENTE EM PARTE a impugnação ora em exame, (a.1) afastando a hipótese de dolo e (a.2) excluindo da base de cálculo o anocalendário de 2010, por decaído o direito da Fazenda da União ao respectivo lançamento e, por conseguinte, reduzir o valor do IRPJ a R$ 28.531.887,18 e o da CSLL a 10.280.119,38, ambos sujeitos ao acréscimo de juros moratórios, de multa por lançamento de ofício no percentual de 75% e à multa exigida isoladamente no percentual de 50%; e (b) por AFASTAR A RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA de VITOR SARQUIS HALLACK, LUIS ROBERTO ORTIZ NASCIMENTO, ALBRECHT CURT REUTER DOMENECH, JOSÉ EDISON BARROS FRANCO e JOSÉ ALBERTO DINIS DE OLIVEIRA, qualificados nos autos. Conforme elementos dos autos, contra a sociedade acima qualificada foi lavrado Auto de Infração que lhe exige o pagamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e, em decorrência, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no montante decR$ 209.767.734,58. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, os fatos constatados pela fiscalização foram os seguintes: O procedimento fiscal teve início em 15/06/2015 (fls. 2 a 4 do processo), mediante o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal nº 0818500201500136 8, que determinou a verificação da legalidade da amortização de ágio pela fiscalizada, na aquisição da empresa “Átila Holdings S/A”. O citado benefício teria sido utilizado pela empresa para redução do lucro real nos ACs 2011, 2012 e 2013. [...] Para facilitar a intelecção das operações, listamse abaixo as sociedades envolvidas nas reorganizações societárias: a) Camargo Correa S/A (CCSA), CNPJ: 01.098.905/000109, empresa ora fiscalizada. Fl. 3763DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.763 3 b) Átila Holdings (ÁTILA), CNPJ: 07.305.671/000100, empresa adquirida pelo grupo CAMARGO CORREA. c) VBC Participações S/A (VBC PARTICIPAÇÕES), CNPJ: 01.928.820/000100 ,empresa que inicialmente era controlada por três grupos: VOTORANTIM, BRADESCO e CAMARGO CORREA. Daí o nome da empresa ter sido constituído pela inicial de cada um dos grupos. d) VBC Energia S/A (VBC ENERGIA), CNPJ: 00.095.147/000102, outra energia inicialmente controlada pelos três grupos citados. e) CPFL Energia S/A (CPFL), CNPJ: 02.429.144/000193, empresa holding que, por meio de suas subsidiárias, distribui, gera e comercializa energia elétrica no Brasil. Nas reorganizações societárias analisadas, suas ações foram comercializadas entre empresas dos grupos CAMARGO CORREA, VOTORANTIM e BRADESCO. f) Votorantim Investimentos Industriais S/A. (VOTORANTIM), CNPJ nº 03.407.049/0001 51, empresa do grupo VOTORANTIM, que assim como a CCSA, teve participação de caráter administrativo nas transações aqui analisadas (controladora). g) Camargo Correa Energia S/A (CCE), CNPJ: 04.922.357/000188, empresa do grupo CAMARGO CORREA, controlada pela CCSA e controladora das empresas VBC. h) Votorantim Energia Ltda (VOTORANTIM ENERGIA), CNPJ: 01.310.772/000192, empresa do grupo VOTORANTIM, controlada pela VOTORANTIM, inicialmente controladora das empresas VBC. i) Bradespar S/A (BRADESPAR), CNPJ: 03.847.461/000192, empresa do grupo BRADESCO que teve participação de caráter administrativo nas transações aqui analisadas (controladora). j) Antares Holdings S/A (ANTARES), CNPJ: 07.341926/000190, empresa holding, inicialmente do grupo BRADESCO, controlada pela BRADESPAR e controladora das empresas VBC. k) Brumado Holdings S/A (BRUMADO), CNPJ: 08.397.763/000120, empresa holding, inicialmente controlada pelas empresas CCSA e VOTORANTIM (50% de participação de cada uma). l) AMKS Contadores e Consultores Ltda. (AMKS), CNPJ: 66.056.086/0001 82, empresa de auditoria envolvida nas operações. 2. 2. DA ANÁLISE INICIAL Inicialmente, esta Fiscalização baseouse no Relatório de Análise Fiscal para verificação de ágio surgido em aquisição da empresa ÁTILA pelo grupo CAMARGO CORREA. Em breve resumo, o citado relatório indicava a amortização de ágio efetuada pela fiscalizada CCSA ocorrida em 2010, 2011, 2012 e 2013, nos respectivos valores de R$ 73.425.210,96, R$ 73.425.210,96 e 94.503.992,16, respectivamente. E que estes ágios teriam surgido quando da aquisição da ÁTILA, em janeiro de 2009. No entanto, ainda segundo a préanálise efetuada, não teria sido encontrada nenhuma reorganização societária que permitisse a amortização fiscal deste ágio pago Fl. 3764DF CARF MF 4 Junto à fiscalizada, pudemos obter os organogramas a seguir (“Item 6” dos “Arquivos Recibo SVA 17072015” à fl. 248 do processo), ilustrando a reorganização societária em pauta, a primeira referente à situação em Dez/2008 (antes da aquisição) e a segunda, em Jun/2009 (após a aquisição): Segundo os diagramas, houve uma simples aquisição da empresa ÁTILA, com o pagamento de ágio. Esclareceuse também que a empresa não foi adquirida somente pela CCSA, mas também pela “Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A.”(CCCC), ambas compradoras, tendo como vendedora a empresa “Votorantim Participações S.A.” (“Item 08” dos “Arquivos Recibo SVA 17072015” à fl. 248 do processo). O valor da empresa era, segundo os dados apresentados (planilha “Aquisição da Átila 1” na pasta “Item 08” dos “Arquivos Recibo SVA 17072015” à fl. 248 do processo), em 31/01/2009, igual a R$ 1.824.760.156,95 (= R$ 1.758.614.000,00 de capital social + R$ 66.146.156,95 de reservas de lucros). A parte comprada pela CCSA correspondia a 61,093% da empresa. Assim, o valor do patrimônio adquirido pela fiscalizada resultou em 61,093% * R$ 1.824.760.156,95 = R$ 1.114.807.971,18. Como o montante líquido pago pela CCSA pela aquisição da ÁTILA foi igual a R$ 1.642.796.932,25, isto gerou um ágio no valor de R$ 527.988.961,07. Prosseguindo, a empresa foi intimada a apresentar as aberturas dos ágios amortizados nos ACs 2011, 2012 e 2013, bem como a base jurídica utilizada para proceder a estas amortizações. Em sua resposta, a fiscalizada esclareceu que (“Item 04” dos “Arquivos do Recibo SVA 10092015” à fl. 257 do processo): “Intimação CCSA 08185002015001368 (Termo 2) Item 4 – Base jurídica utilizada para as amortizações de ágio dos ACs 2011, 2012 e 2013. O ágio reconhecido na Camargo Corrêa S.A., no montante de R$440.551.265,76, relacionado à empresa Átila Holdings S.A., apresentados na resposta 1, 2 e 3 da referida intimação como “Amortização Ágio Átila”, teve sua amortização iniciada em janeiro de 2008, por conta da incorporação da empresa Átila Holdings S.A. pela investidora Camargo Corrêa S.A., ocorrida em 26 de dezembro de 2007. Já os ágios apresentados como “Amortização Ágio Átila 2” e “Amortização Ágio VBC” são amortizados, para fins de atendimento à legislação societária, com base na Lei 11.638/07, art. 5º, que incluiu o art. 10A à Lei 6.385/76 (grifos nossos)” Dos esclarecimentos acima, concluiuse que havia outro ágio sendo amortizado, que não era o de R$ 527 milhões gerado na aquisição da empresa ÁTILA. Este outro ágio no valor de R$ 440 milhões havia surgido antes de dezembro de 2007, quando foi iniciada sua amortização. No entanto, segundo a empresa, esta amortização teria sido iniciada em função da incorporação da empresa “Átila Holdings S/A” pela investidora “Camargo Correa S/A”, o que causou certa incompreensão, a princípio. Fl. 3765DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.764 5 Neste ponto, o trabalho de Fiscalização foi ampliado, de modo a poder obter maiores detalhes também acerca das amortizações deste segundo ágio. Verificouse, portanto, que havia um ágio de R$ 440 milhões sendo amortizado pela empresa, denominado pela mesma de “ÁGIO ÁTILA” e ainda um outro de R$ 527 milhões, também sendo amortizado, denominado de “ÁGIO ÁTILA 2”. No relatório DRJ, a acusação fiscal foi bem resumida nos seguintes termos: O Autor do feito, com auxílio de organogramas apresentados pela interessada (fls. 1846, 1847 e 1.858 a 1861), esclarece que três grandes conglomerados empresariais – CAMARGO CORRÊA, a interessada, VOTORANTIM e BRADESCO – realizaram, por meio de sociedades holding, investimentos em companhias tais como CPFL ENERGIA S.A e VBC ENERGIA S.A. (onde “V” corresponde a VOTORANTIM, “B” a BRADESCO e “C” a CAMARGO CORRÊA). Para tanto, de acordo com tais organogramas num momento inicial VOTORANTIM e a interessada detinham partes iguais do capital de BRUMADO HOLDINGS S.A., ao passo que BRADESCO, por meio de sua subsidiária BRADESPAR, possuía a integridade das ações de ANTARES HOLDINGS S.A., a qual, por sua vez, era proprietária de todo o capital de ÁTILA HOLDINGS S.A. Em 15 de dezembro de 2006, os grupos VOTORANTIM e CAMARGO CORRÊA, de um lado, e BRADESCO, de outro, acordaram permutar entre si os controles acionários das sociedades ÁTILA HOLDINGS S.A e BRUMADO HOLDINGS S.A; posteriormente, ÁTILA HOLDINGS S.A foi cindida parcialmente, vertendose metade de seu patrimônio à interessada, o que deu origem ao ágio ora em exame. Acrescenta o Autor do feito que intimou a interessada a apresentar o laudo que embasou “o surgimento do ágio em questão [...] fiscalizada (laudo às fls. 477 a 484)”, recebendo, como resposta: “O laudo da empresa CPFL Energia S/A foi preparado com a finalidade de se apurar o valor justo das ações da CPFL Energia S/A no âmbito da permuta das ações entre a Camargo Correa S/A e a Antares Holdings S/A. No capítulo 6 do referido laudo, é determinado que o valor justo das ações da CPFL Energia S/A está entre R$ 32,78 e R$ 35,80.” “A empresa Brumado Holdings S/A, detentora de 28.420.052 ações da CPFL Energia S/A, apresentava, em seu balanço levantado em 15 de dezembro de 2006, balanço este que serviu de base para a permuta, um investimento na CPFL Energia S/A de R$ 980.491.792,00, equivalente a R$ 34,50 por ação.“ O Autor, ao examinar a documentação pertinente, no que toca “às ações da BRUMADO”, constatou o seguinte: [...] Como visto anteriormente, esta continha ações da empresa CPFL. Ao analisar o laudo de avaliação desta última, elaborado pelo Banco Pactual S/A, em 31 de outubro de 2006, no qual foram baseados seus valores das ações (fls. 477 a 484), esta Fiscalização se deparou com uma notória inconsistência. Os valores de patrimônio líquido da empresa CPFL, em 30/06/2006, segundo as demonstrações financeiras (página 8 do laudo), eram, respectivamente, iguais a R$ 4.796.072.000,00 e R$ 4.734.790.000,00. Tendo em vista que o capital social da empresa era composto por 479.756.730 ações (página 27 do laudo), calculouse que Fl. 3766DF CARF MF 6 o valor de cada ação aproximado girava em torno de R$ 9,87 por ação e não 34,50 por ação, conforme esclareceu a empresa, em sua resposta. Observa que o “valor justo por ação, conforme consta do relatório foi obtido pela metodologia do Fluxo de Caixa Descontado” e diz causarlhe espécie [...] que o valor das ações constantes na contabilidade da BRUMADO tivesse sido lançado com os valores justos das mesmas e não com os valores presentes de mercado, já que nas primeiras estariam fatores não materializados no momento presente, mas que representavam potencial de materialização no futuro. Em diligência junto a BRUMADO HOLDINGS S.A., teve acesso a Ata de Assembléia Geral Extraordinária datada de 6 de dezembro de 2006, que registrava a subscrição de ações “pelas empresas CCSA e VOTORANTIM, antes da operação de permuta, que foi realizada em 15/12/2006”, cabendo a cada uma das subscritoras “13.581.069 ações ordinárias, nominativas, sem valor nominal da CPFL, no valor de R$ 468.546.880,00”. A mesma Ata registrava que [...] teriam sido aprovados os Laudos de Avaliação elaborados pela empresa “AMKS Contadores e Consultores Ltda.”, na data de 27 de novembro de 2006, que procedeu à avaliação do valor patrimonial contábil das ações conferidas ao capital social por seus acionistas. Intimada neste sentido, a interessada apresentou cópia do contrato de compra e venda das ações de BRUMADO HOLDINGS S.A., em que VBC PARTICIPAÇÕES S.A., empresa coligada, figurava como vendedora. Recorda o Autor do feito que, destarte, A VBC PARTICIPAÇÕES [...] era a vendedora das ações da CPFL à CCSA, ações estas que foram integralizadas na BRUMADO e que foram posteriormente permutadas com o grupo BRADESCO. Assinala também que lhe foi entregue “Ordem de Transferência de Ativos Escriturais/Nominativos Negociados Fora da Bolsa de Valores” preenchido, mas sem qualquer assinatura, nem autenticação (fl. 536), bem como cópia da “Declaração de Imposto de Responsabilidade do Alienante na Transferência de Ativos Escriturais/Nominativos Negociados Fora da Bolsa de Valores”, com preenchimento incompleto e também sem assinatura ou autenticação (fl. 537). A interessada recebeu nova intimação “a apresentar cópias válidas destes documentos citados (fls. 547 a 550), mas ela não logrou fazêlo, alegando que não tinha os mesmos assinados e autenticados (fls. 631 e 632)”. Tais documentos tampouco foram obtidos junto a VOTORANTIM INVESTIMENTOS INDUSTRIAIS S.A., tendo esta última ressaltado que “a obrigação de manter o registro de acionistas e de transferência de ações é da própria companhia emissora”. Prosseguindo, o Autor do feito adverte que a companhia VBC PARTICIPAÇÕES S.A., em 28 de novembro de 2006, [...], apenas alguns dias após a venda das ações à CCSA e à VOTORANTIM, que ocorreu em 16/11/2006, [...] foi dividida em três partes iguais, cada uma das partes tendo sido absorvida pelas empresas “Camargo Correa Energia S/A”, “Votorantim Energia Ltda.” e “Antares Holdings Ltda.”(33,33% para cada empresa). Segundo a mesma ata supracitada [...], ficou determinado que “a guarda e a conservação dos livros e documentos da VBCP caberá ao Diretor Financeiro de sua controlada, VBC Energia S/A [...]. A Autoridade Fazendária tece as seguintes considerações a respeito do laudo emitido por AMKS CONTADORES E CONSULTORES LTDA.: Do exposto no último parágrafo, podese verificar que a empresa auditora teria baseado sua análise: a) em registros contábeis da CCSA, que foram lançados pelaempresa, registros estes que, por sua vez, teriam tido o endosso do próprio laudo da AMKS; assim aqui terseia criado um círculo vicioso inócuo; b) no registro Fl. 3767DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.765 7 escritural que a empresa alega ter apresentado em sua resposta, registro este que, segundo a empresa, seria uma relação das transferências de ações integralizadas efetuadas em 24/11/2006 e que, conforme visto antes, não continham os valores das ações, somente as quantidades transferidas, sem qualquer autenticação ou validação e c) no contrato de compra e venda de ações, elaborado entre as empresas coligadas VBC PARTICIPAÇÕES e CCSA, e que, neste ponto, em virtude de todas as ocorrências encontradas ao longo deste procedimento fiscal, passou a levantar suspeitas de estar maculado. Conclui o Autor do feito pela inexistência de prova da efetividade dos [...] valores das ações transacionadas entre a empresa VBC PARTICIPAÇÕES a suas coligadas CCSA e VOTORANTIM, seja quanto aos registros de transferência destas ações, seja quanto ao recolhimento dos impostos referentes ao ganho de capital auferido na operação. Cumpre observar que, no caso em epígrafe, a VBC PARTICIPAÇOES necessariamente “teria auferido ganho de capital”, tendo em vista que o valor das ações negociado teria superado, em muito, o valor presente das mesmas, conforme já anteriormente exposto. Observa também: E há aqui um outro ponto a ser considerado: por que pagar mais caro por ações que praticamente já seriam, de certa forma, da empresa? Se observarmos o organograma do dia 16/11/06, data de venda das ações da VBC PARTICIPAÇÕES a CCSA [...], podemos verificar que a CCSA controlava a CCE que, por sua vez, detinha participação de 33,33% na VBC PARTICIPAÇÕES. Como não houve pagamento de valores, tal operação poderia ensejar a criação de “ágio intragrupo”, a partir da supervalorização no valor das ações adquiridas e posterior operação de permuta com ações de menor valor, nos termos dos fatos aqui analisados. Menciona o artigo 386 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza – RIR/1999) e observa: [...] para gozar da dedutibilidade preconizada no artigo 386 do RIR/99, não basta a pessoa jurídica, por exemplo, simplesmente incorporar uma controlada na qual detenha participação societária com ágio. Entre as condições e requisitos previstos, deve essa pessoa jurídica ter efetivamente suportado o ágio por ele registrado, ou seja, o ágio deve existir, deve ter propósito negocial e substrato econômico a justificar a sua origem; deve também esse ágio ter como fundamento econômico a rentabilidade futura da controlada; o laudo que atesta esse fundamento econômico deve estar arquivado como comprovante da escrituração do ágio; por fim, a sua amortização deverá obedecer ao mínimo de 1/60 para cada mês do período de apuração. [...] O ágio registrado pela CCSA com a aquisição da empresa ÁTILA não pode ser considerado dedutível para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL nos termos do artigo 386 do RIR/99, o qual repete os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. O ágio amortizado não observa as condições e requisitos impostos pela legislação para o gozo do aludido benefício fiscal. O aspecto, que impede que o ágio registrado pela CCSA seja dedutível, está ligado ao fato de que não houve comprovação efetiva da origem do ágio. Como se Fl. 3768DF CARF MF 8 pode depreender de todo o exposto no tópico 2 (DO PROCEDIMENTO FISCAL) do presente relatório, o ágio teria surgido em função de uma operação de permuta de ações entre a CCSA e a BRADESPAR, após a aquisição, pela CCSA, das ações permutadas, da empresa VBC PARTICIPAÇÕES. Não foram comprovados os elevados valores pagos na aquisição destas ações, que, segundo a fiscalizada, teriam suscitado o ágio, resultante da diferença dos valores trocados. Tampouco houve pagamento efetuado, somente a operação de permuta citada. Não tendo sido comprovado que o ágio efetivamente exista, portanto, não existe base jurídica, para o gozo do benefício fiscal previsto no art. 386 do RIR/99. O Autor do feito assinala existir “um motivo autônomo que viesse a justificar a realização da operação como um todo, isto é, a saída do Bradesco do grupo VBC” e relaciona “as etapas da operação com as suas respectivas datas”: [...] a constituição da BRUMADO (17/10/06), a venda das ações da VBC PARTICIPAÇÕES à CCSA (16/11/06), a cisão total da VBC PARTICIPAÇÕES (28/11/06), a subscrição das ações adquiridas pela CCSA na BRUMADO (14/12/06), a permuta das ações com o grupo BRADESCO (15/12/06) e a cisão parcial da ÁTILA com incorporação da parte cindida pela CCSA (26/12/07) [...]. Diz que “algumas destas etapas permaneciam sem sentido, analisandoas individualmente, como a venda das ações entre coligadas, ou o súbito desaparecimento da VBC PARTICIPAÇÕES”, reiterando que, [...] praticamente, as ações que foram adquiridas pela CCSA da empresa VBC PARTICIPAÇÕES com valor superestimado, já pertenciam, de certa forma, à empresa CCSA, tendo em vista que esta controlava 100% da empresa CCE, que, por sua vez, controlava 33,33% da empresa vendedora [...]. Analisa “a operação como um todo, sem que se percam de vista, no entanto, as peculiaridades de cada etapa de que a operação se compõe” e “que o conjunto dessas etapas realizadas corresponde a apenas uma pluralidade de meios para atingir um objetivo”, o que exige [...] “um exame abrangente [...] de modo a verificar, na realidade, qual a operação que se está pretendendo opor ao Fisco”. Assim, no presente caso, analisando o conjunto das etapas, temos uma situação em que é como se o ágio surgido tivesse sido criado a partir de si mesmo, ou seja, teria nascido de operações entre empresas coligadas, sem a existência de qualquer pagamento ou desembolso financeiro. A premência com que as operações foram realizadas já denotava que elas faziam parte de uma sequência de etapas, encadeadas com as anteriores e a depender das posteriores, visando à busca de um fim determinado, pois nenhum evento externo a coagir ou exercer pressão sobre a interessada ocorreu que justificasse a velocidade com que as operações foram realizadas. [...] 3.4. DA AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL Inobstante a possibilidade de amortização do ágio após a ocorrência da alienação ou liquidação do investimento se caracterize como beneficio fiscal outorgado pela lei, é óbvio que o beneficio se aplica às reais hipóteses de aquisição de investimento com ágio, não àquelas em que tenha havido uma artificial estruturação para possibilitar a amortização de um ágio “surgido a partir de si mesmo”, com o único objetivo de criar despesas dedutíveis. A reorganização societária, para ser legítima, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. E essa análise não há que ser Fl. 3769DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.766 9 feita para cada negócio isoladamente, mas em relação ao conjunto de negócios encadeados, como um todo. Fixandose na natureza do método por meio do qual os fatos efetivamente ocorreram, o que encontramos? Uma operação pela qual se utilizou a fórmula de uma reorganização empresarial (saída do grupo BRADESCO do controle da VBC ENERGIA), como disfarce para se encobrir uma operação irregular, cujo resultado teria sido a realização de um plano preconcebido, e não tão somente a reorganização de uma empresa. [...] 3.5. DO ÁGIO INTRAGRUPO No contexto geral, não houve, portanto, decisão independente pela venda de ações da empresa VBC PARTICIPAÇÕES á CCSA com sobre preço patrimonial, que indicasse propósito negocial. Cumpre relembrar que foi esta venda, seguida da permuta de ações, que deu origem ao ágio aqui tratado. Registrado nessas condições, o ágio seria inadmissível contabilmente, pois não houve a formação de um preço justo dos ativos, bem como observamos grave imperfeição negocial. O surgimento de um ágio legitimamente adquirido em uma transação que tem por objeto uma participação societária pressupõe a ocorrência de uma negociação de livre iniciativa entre partes interessadas, independentes e detentoras de conhecimentos suficientes sobre o negócio em um mercado livre. Em uma transação intragrupo que tenha por objeto uma participação societária, qualquer laudo e/ou relatório utilizado para fundamentar a avaliação do investimento negociado — e consequentemente justificar o preço, nele incluído eventual ágio — será, evidentemente, avalizado por todos os envolvidos [...]. Resta justificado, dessa forma, pelo exposto, que, definitivamente, à luz da Teoria da Contabilidade, é inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizadareconhecer uma antecipação se previamente à operação o comprador já era detentor do direito alegadamente adquirido. Por fim, não se nega aos agentes econômicos a possibilidade de organizar seus negócios da maneira que lhe aprouver. No caso, houve a compra de ações de empresa coligada, seguida de operação de permuta de empresas, cisão parcial da empresa adquirida e posterior incorporação da parte cindida. São, pois, duas questões distintas. A primeira diz respeito, em princípio, à liberdade de organização do ato privado. A segunda, afeita às repercussões tributárias, pelo que se situam no âmbito do ato público. No caso em tela, as características anteriormente expostas apenas corroboram a conclusão de que transações intragrupo dessa natureza são artificialmente arquitetadas e consequentemente desprovidas de propósito negocial, sendo motivadas exclusivamente pela (ilícita) dedutibilidade tributária da amortização do “ágio intragrupo”. 5. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA Fl. 3770DF CARF MF 10 Como se pôde verificar do procedimento fiscalizatório como um todo [...], ocorreram algumas dificuldades para conseguir recompor os fatos de modo a proceder à recapitulação dos mesmos, principalmente no tocante à venda das ações da empresa VBC PARTICIPAÇÕES á CCSA, antes da operação de permuta. Alguns obstáculos tiveram de ser vencidos para que a Fiscalização pudesse, finalmente, compreender, com maiores detalhes, como foi efetuada a reestruturação societária em epígrafe. [...] E o que se pôde inferir de todo o exposto, é que o contribuinte buscou, de certa forma, um modo para que esta Fiscalização não pudesse chegar ao âmago dos detalhes da reorganização societária em si. Qual a razão disto? Não outra que a de tentar ocultar as inconsistências encontradas na ação fiscal, principalmente com relação à aquisição das ações pela CCSA, que conduziram ao surgimento do ágio após a permuta das empresas. Anteriormente, o Autor do feito havia ressaltado: De todo o exposto acima, pôdese concluir que, no período entre 20/12/06 a 26/12/06, foram efetuadas transações de liquidação de mútuo entre empresas do grupo CAMARGO CORREA, bem como distribuição de dividendos, que “convenientemente” vieram a zerar, de forma definitiva, o valor lançado a título da aquisição das ações da CPFL. É de se atentar que as operações foram efetuadas em curto espaço de tempo, logo após a cisão da empresa VBC PARTICIPAÇÕES. E também: De pronto, podese afirmar que a empresa não forneceu todas as informações em seus primeiros organogramas. Somente a partir das investigações e elucidações é que estes foram tomando forma. Este fato poderia ensejar, também, que a fiscalizada estaria por querer ocultar certas ocorrências. Em complemento, o Autor do feito apontou a responsabilidade solidária, com fundamento no artigo 135, III, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional (CTN), das pessoas físicas de VITOR SARQUIS HALLACK, LUIS ROBERTO ORTIZ NASCIMENTO, ALBRECHT CURT REUTERDOMENECH, JOSÉ EDISON BARROS FRANCO e JOSÉ ALBERTO DINIS DE OLIVEIRA, qualificados nos autos, “diretores e conselheiros da fiscalizada”. Na oportunidade, ressaltou que, [...] na qualidade de gestores executivos, igualmente, compartilhavam do pleno domínio funcional dos fatos adstritos ao negócio societário, bem assim dos efeitos tributários que seriam decorrentes da execução do ilícito derivado de atos praticados com simulação. Tece considerações a respeito da aplicação isolada de multas e da retificação dos saldos de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL. Ciente em 24 de agosto de 2016 (fl. 1.960), a interessada apresentou, em 22 de setembro de 2016 (fl. 1.998), a impugnação de fls. 1.999 a 2.071, alegando, em essência, o que segue. Em preliminar, refuta a alegação de que teria oposto obstáculos ao Autor do feito, acrescentando que “houve a apuração de ganho de capital pela VBC Participações S/A”. Fl. 3771DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.767 11 Considera também que [...] a Autoridade Fiscal não poderia ter questionado a legalidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, que surgiu em 15/12/2006, eis que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos entre (i) o fato que propiciou o seu surgimento e (ii) a ciência, pela Impugnante, dos autos de infração em questão (29/08/2016). Vale dizer, muito embora o ágio tenha sido amortizado em anos base seguintes, o fato contábilsocietário, que deu origem ao referido ágio, ocorreu no anobase de 2006, com a permuta de ações da Brumado Holdings S/A pelas ações da Átila Holdings S/A. [...] Portanto, é fato notório que o Fisco não poderia efetuar os lançamentos de ofício, em 2016, sobre fatos pretéritos, já consumados no tempo em razão do decurso do prazo decadencial (fato societário que gerou o direito à utilização do ágio, que ocorreu em 2006), para alcançar os efeitos decorrentes desses fatos, em períodos subsequentes (amortização do ágio). Considera que os Autos de Infração seriam nulos, ao argumento de que deles só constariam “normas gerais”, ao passo que “a dedutibilidade das despesas com ágio foi regulamentada, de forma específica, pela norma veiculada pelo artigo 386, inciso III, § 2º do RIR/994”. Menciona a “Instrução Normativa RFB n° 1.687/14” (sic) e afirma que[...] o Sr. Agente Fiscal extrapolou o objeto de fiscalização previsto no TPDF n° 08.1.85.002015001368, buscando autuar tributo não compreendido no escopo do procedimento fiscal. Com efeito, o procedimento de fiscalização que deu origem aos autos de infração ora combatidos possuía como objeto de fiscalização o IRPJ referente aos anos de 2011 a 2013 [...]. Ocorre que, em nenhum momento foi autorizado que o Sr. Agente Fiscal fiscalizasse a CSLL, devendose reconhecer a nulidade do lançamento fiscal, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235/726. A seguir, apresenta “uma síntese da operação efetuada pelos grupos econômicos Camargo Corrêa, Votorantim e Bradesco”, afirmando que “a Fiscalização deixou de analisar a integralidade da operação, bem como o contexto econômico e gerencial em que esta encontravase inserida”. Aduz que [...] toda a operação teve como propósito a aquisição da participação societária que o Grupo Bradesco detinha no investimento conjunto que este possuía com os grupos econômicos Camargo Corrêa e Votorantim. Ou seja, tratouse de uma efetiva operação de aquisição de participação societária realizada entre partes independentes, com fundamentado em expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido. Reporta que “os grupos Camargo Corrêa, Votorantim e Bradesco implementam uma estrutura de investimento comum para que pudessem investir em conjunto em empresas no setor elétrico” e, com tal propósito, “foram constituídas as sociedades VBC Participações S/A ("VBCP") e VBC Energia S/A ("VBCE")”, por cujo intermédio passouse a “investir naquele setor, em especial, na CPFL Energia Fl. 3772DF CARF MF 12 S/A (“CPFL”), empresa consolidada na distribuição, geração e comercialização de energia elétrica”. Exibe, a tal propósito, o seguinte diagrama: Informa que “VBCE emitiu [...] debêntures conversíveis em ações da VCBE e permutáveis por ações da CPFL, as quais foram integralmente subscritas pelo BNDES Participações S/A ("BNDESPAR")”. Acrescenta que, em razão “do direito de permuta assegurado ao BNDESPAR”, VBC ENERGIA S.A. obrigouse a (fl. 2.018): [...] bloquear 34.340.202 (trinta e quatro milhões, trezentos e quarenta mil e duzentas e duas) ações ordinárias de emissão da CPFL Energia S.A. de titularidade da EMISSORA através de averbação de livro próprio na forma do disposto no artigo 40, inciso II, da Lei n° 6.404, de 15/12/1976, o qual abrangerá automaticamente as ações decorrente de desdobramentos, grupamentos e bonificações relativos às ações bloqueadas. Revela que, em razão de “divergências entre a VBCE e o BNDESPAR”, este último revendeu “parte de suas debêntures [...] à VBCE, por meio do Instrumento Particular de Transação celebrado entre as partes (doc. 04)”, sendo então liberada “parte das ações da CPFL [...], remanescendo bloqueadas, contudo, 17.841.489 ações, como forma de garantir o direito de permuta conferido ao debenturista BNDESPAR”. Esclarece que, no início de 2006, [...] o Grupo Bradesco [...] decidiu abandonar o investimento conjunto até então mantido pelos três grupos econômicos, razão pela qual foi necessária a realização de uma reorganização da estrutura de investimento anteriormente instituída. Com efeito, era necessário que o Grupo Bradesco saísse do investimento com ações livres e desembaraçadas da CPFL que pudessem ser alienadas pelo grupo a terceiros. Entretanto, conforme acima mencionado, parcela das ações da CPFL detidas pela VBCE havia sido bloqueada como garantia da permuta por ações assegurada aos subscritores das debêntures (no caso, o BNDESPAR). [...] Assim, passado algum tempo discutindose qual seria a melhor forma de se implementar a saída do Bradesco, decidiuse que a estrutura consistiria, essencialmente, nos seguintes passos: (a) Transferência pela VBCE de ações ordinárias da CPFL, livres e desembaraçadas, à VBCP; (b) Alienação, pela VBCP, das ações ordinárias da CPFL, livres e desembaraçadas, à Impugnante, à Votorantim Investimentos Industriais ("Votorantim Investimentos") e à Antares Holdings Ltda. ("Antares" entidade do Grupo Bradesco); (c) Transferência, pela Impugnante e pela Votorantim Investimentos, de ações ordinárias da CPFL livres e desembaraçadas, ao Grupo Bradesco, em troca da participação correspondente às ações bloqueadas. Fl. 3773DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.768 13 [...] Em 31/08/2006 [...], ocorreu a redução do capital social da VBCE no montante de R$ 535.322.668,96, tendo sido o valor total da redução restituído aos acionistas por meio da transferência de: (i) 43.886.842 ações ordinárias da CPFL, livres e desembaraçadas; (ii) cessão do direito aos dividendos intermediários a serem distribuídos pela CPFL; e (iii) R$ 2.131,70. [...] A entrega das ações em devolução do capital se deu a valor contábil, com base no artigo 22 da Lei n° 9.249/959. Em 16/11/2006, a VBCP alienou um terço das ações ordinárias da CPFL (livres e desembaraçadas), recebidas na redução de capital da VBCE mencionada no item anterior, para cada uma as seguintes empresas: (i) Impugnante (fl. 530 dos autos); (ii) Votorantim Investimentos; e (iii) Antares: Esta etapa foi necessária para que a os grupos Camargo Corrêa e Votorantim pudessem receber ações livres, que seriam, posteriormente, transferidas ao Grupo Bradesco. [...] Ressaltese inclusive que, considerando que estas empresas faziam parte dos grupos econômicos controladores da VBCP, a venda das ações foi realizada a preço de mercado, condição necessária para afastar a Distribuição Disfarçada de Lucros DDL, nos estritos termos do que dispõe o artigo 464, incisos I e IV, do RIR/99 [...]. Desta forma, a Impugnante adquiriu 14.628.947 ações ordinárias da CPFL (fl. 530 a 535 dos autos), todas livres e desembaraçadas de qualquer ônus ou gravame, pelo valor de R$ 504.698.671,2013, conforme registrado em sua contabilidade (doc. 05). Cumpre frisar que o valor praticado foi determinado por meio de Laudo de Avaliação elaborado pela instituição financeira Banco Pactuai S/A, com base na metodologia do Fluxo de Caixa Descontado, datado de 31/10/200614 (doc. 06). Em decorrência deste Contrato de Compra e Venda de Ações (fl. 530 dos autos), foi (i) emitida Ordem de Transferência de Ativos Escriturais/Nominativos, por meio do qual a VBCP solicitou à instituição financeira depositária Bradesco que transferisse 14.628.947 ações da CPFL à Impugnante (fl. 536 dos autos), bem como foi (ii) registrada nos livros do Bradesco a transferência das ações (fl. 576 dos autos), nos exatos termos do que dispõe o artigo 31 da Lei n° 6.404/76, com redação dada pela Lei n° 10.303/0115. [...] Ainda, no que diz respeito ao mencionado recolhimento de impostos, cumpre frisar que a VBCP apurou [...] ganho de capital [...]. Em 27/11/2006 [...] foi deliberada a cisão total da VBCP, com posterior incorporação das parcelas cindidas, respectivamente, por suas três acionistas (Camargo Corrêa Energia S/A ("CCE"), Votorantim Energia Ltda. e Antares). [...] Fl. 3774DF CARF MF 14 Em 06/12/2006, a Impugnante e a Votorantim Investimentos transferiram a uma terceira empresa, a Brumado Holdings S/A ("Brumado"), as ações da CPFL, livres e desembaraçadas, que haviam adquirido da extinta VBCP [...]. O valor das participações societárias foi avaliado com base em Laudo de Avaliação elaborado pela AMKS Contadores e Consultores Ltda., em 27/11/2006 (doc. 08). De acordo com o referido documento, as ações conferidas ao capital da Brumado foram avaliadas por seu valor contábil, obtendose o valor de R$ 34,50 por ação. A interessada afirma que o “fato de o valor contábil de R$ 34,50 por ação livre e desembaraçada da CPFL apurado no laudo da AMKS Contadores e Consultores Ltda. ser igual ao valor apurado no laudo do Banco Pactual S/A” seria devido ao fato que o segundo deles “prestavase à apuração do valor de mercado das ações a serem adquiridas pela Impugnante, mediante pagamento em dinheiro e com a respectiva apuração de ganho de capital pela VBCP”. E completa: Uma vez adquiridas pela Impugnante por seu valor de mercado, o montante pago tornouse o custo de aquisição das ações da CPFL para a Impugnante, i.e., o seu valor contábil, que foi então apurado no laudo de avaliação da AMKS Contadores e Consultores Ltda., que visava justamente “determinar o valor contábil, em 27 de novembro de 2006, de parcela da participação societária detida pela CAMARGO CORRÊA na CPFL, representada por 13.581.069 [...] ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, a serem conferidas em aumento do capital social da BRUMADO”. [...] Desta forma, a Brumado passou a concentrar em seu ativo, as ações livres e desembaraçadas da CPFL que haviam sido adquiridas pelos grupos Camargo Corrêa e Votorantim. Paralelamente, a Antares transferiu as ações da VBCE que possuía à sua controlada Átila, que passou a deter, indiretamente, ações da CPFL bloqueadas em razão do direito de garantia do debenturista BNDESPAR. Notase, assim, que o Grupo Bradesco, de um lado, e os Grupos Camargo Corrêa e Votorantim, de outro, passaram a ser titulares de ativos distintos: enquanto o primeiro possuía (por meio da sua participação na VBCE) ações da CPFL bloqueadas a fim de assegurar a possibilidade de permuta das debêntures detidas pelo BNDESPAR por ações, os últimos, por meio da Brumado, eram titulares das ações livres e desembaraçadas da CPFL as que interessavam ao Grupo Bradesco, que se retirava da associação, por serem passíveis de negociação no mercado. Assim [...], foi assinado em 15/12/2006, o Instrumento Particular de Permuta de Ações (fl. 425 dos autos), por meio do qual a Impugnante e a Votorantim Investimentos entregaram à Antares 100% das ações da Brumado e receberam em troca 100% das ações da Átila (detentora da participação na VBC E): [...] Sob outro ângulo, a operação consistiu na permuta de ações livre da CPFL por ações bloqueadas: Fl. 3775DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.769 15 Como o valor da participação societária transferida pela Impugnante (lastreado nas ações livres adquiridas a valor de mercado) era superior ao valor patrimonial do investimento adquirido na permuta (correspondente a 50% das ações emitidas pela Átila), foi registrado um ágio no valor de R$ 440.551.265,76 (o "Ágio Átila" de que se trata no presente processo). O ágio, portanto, surge nesse momento, em decorrência de operação de permuta, que é forma de aquisição de participação societária, entre partes independentes (Grupo Bradesco, de um lado, e a Impugnante e o Grupo Votorantim, de outro). Por fim, em 26/12/2007, quase um ano após a reestruturação, os grupos Votorantim e Camargo Corrêa decidiram realizar uma cisão parcial da Átila, tendo sido a parcela cindida incorporada pela Impugnante que passou então a amortizar o ágio (fls. 276 a 282 dos autos). Ressalta que o “’Ágio Átila’” haveria surgido “com a permuta [...] por meio da qual a Impugnante e a Votorantim Investimentos entregaram à Antares 100% das ações da Brumado e receberam em troca 100% das ações da Átila”. Invoca o artigo 20 do Decretolei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977 para afirmar: O fato de o ágio ter sido gerado a partir de uma permuta, e não de uma aquisição com pagamento em dinheiro, em nada infirma a validade da maisvalia gerada e suas consequências fiscais. Com base nas alegações anteriores, entende demonstrada a existência de “propósito negocial” na operação ora em foco. Afirma que, [...] ao questionar as operações realizadas da forma como o fez [...], o Sr. Agente Fiscal extrapola suas competências, adentrando de forma indevida na liberdade individual dos contribuintes [...]. Adiante, alega que: O argumento da Fiscalização, no que diz respeito à alegação de que teria havido ágio intragrupo, não passível de amortização, parte de dois equivocados (e contraditórios) pressupostos: o de que o "Ágio Átila", ora questionado, teria surgido em razão da venda das ações da VBCP à Impugnante, i.e., em transação entre partes dependentes, e o de que não houve desembolso na criação do ágio, que se originou da permuta entre as ações da Brumado e as ações da Átila. Entende que [...] tais argumentos já foram suficientemente descontruídos: o ágio não se originou na venda das ações da VBCP à Impugnante, e sim da permuta realizada entre partes independentes (Grupo Bradesco de um lado, Impugnante e Grupo Votorantim de outro) [...]. Cumpre apontar, por fim, que mesmo que se estivesse diante de ágio intragrupo (ou "ágio interno") [...], fato é que este é reconhecido pelo Direito Tributário, conforme já decidido pelo CARF [...]. Fl. 3776DF CARF MF 16 Apreciada a impugnação, o lançamento foi julgado procedente em parte, (a.1) afastando a hipótese de dolo e (a.2) excluindo da base de cálculo o anocalendário de 2010, por decaído o direito da Fazenda da União ao respectivo lançamento e, por conseguinte, reduzir o valor do IRPJ a R$ 28.531.887,18 e o da CSLL a 10.280.119,38, ambos sujeitos ao acréscimo de juros moratórios, de multa por lançamento de ofício no percentual de 75% e à multa exigida isoladamente no percentual de 50%; e (b) por AFASTAR A RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA de VITOR SARQUIS HALLACK, LUIS ROBERTO ORTIZ NASCIMENTO, ALBRECHT CURT REUTERDOMENECH, JOSÉ EDISON BARROS FRANCO e JOSÉ ALBERTO DINIS DE OLIVEIRA. Em face à desoneração, houve recurso de ofício. Inconformada com a decisão proferida pela DRJ/BHE, a contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual alega, basicamente, que: (a) preliminar de nulidade da atuação dada a existência de equívocos cometidos pelo agente fiscal (b) está decaído o direito da Fazenda Pública de questionar as operações societárias que originaram o ágio; (c) não havia previsão para apuração da CSLL no Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização TDPFF); (d) houve propósito negocial nas operações que deram origem ao ágio; (e) não houve a formação de “ágio interno”, sendo, portanto, legais as deduções de despesa com amortização de ágio; (f) não é possível aplicar penalidade quando a turma julgadora do CARF decidir por voto de qualidade, pois haveria dúvida quanto à ocorrência da infração; (g) não é possível aplicar concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício; e (h) é ilegal a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Foram apresentadas razões pela PGFN É o relatório do essencial. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Preliminar de nulidade por alteração do critério jurídico pela decisão de 1a. Instância. Preliminar de nulidade de cerceamento de defesa em razão da Decisão DRJ não ter exaurido a análise dos argumentos da impugnação no que se refere aos erros cometidos pela autoridade fiscal durante o procedimento de fiscalização. A acusação fiscal aponta que o contribuinte não teria atendido de forma regular as solicitações feitas pela autoridade fiscal durante o processo de fiscalização, fato contestado pela Recorrente desde sua impugnação demonstrando que todas as etapas da operação questionada puderam ser integralmente reconstituídas com base nos documentos constantes dos autos do processo administrativo, inclusive seu propósito negocial ignorado pela fiscalização e pela DRJ. Fl. 3777DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.770 17 Para dar sustentação ao seu argumento, demonstra através da análise do TVF, que as atividades fiscais foram concentradas na verificação da amortização de um ágio de R$ 527 milhões, registrado na contabilidade da Recorrente como Ágio Átila 2, como demonstrado na Impugnação apresentada, tratase de ágio decorrente de operação realizada em 30/01/2009, por meio da qual a Recorrente adquiriu ações de emissão da Átila detidas pela Votorantim Participações S/A, conforme "Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações e outras Avenças", fls. 719 a 749 dos autos. Este evento societário foi devidamente comunicado e comprovado pela Recorrente, de forma que ao analisar as informações e documentos apresentados, entendeu o Sr. Agente Fiscal que para fins fiscais não foram detectadas inconsistências quanto ao tratamento dispensado pela empresa, com relação às amortizações do ágio analisado (fl. 09 TVF). Assim, verificada a regularidade na amortiação do "Ágio Atila 2", houve uma mudança no curso do procedimento fiscal, que passou a se concentrar em uma operação anterior, ocorrida em 2006, que deu origem ao denominado "Ágio Atila", objeto do lançamento fiscal. O ágio glosado tem origem na aquisição pela Recorrente e pela Votorantim Investimentos Industriais S/A da participação societária que o Grupo Bradesco detinha em investimento conjunto que este possuía com aqueles dois grupos econômicos. Foi demonstrado pela Recorrente que o investimento alienado consistia na totalidade das ações emitidas pela Átila, sociedade integralmente detida por empresa do Grupo Bradesco, ocasião em a ela adquiriu junto à Votorantim investimentos 100% das ações emitidas por aquela sociedade. Conforme narrado pela Recorrente, transcorrido um ano, os acionistas decidiram realizar uma cisão parcial da Átila, tendo sido a parcela cindida incorporada pela Recorrente (fls. 276 a 282 dos autos), de forma que o Grupo Votorantim passou a deter integralmente aquela sociedade. Ato continuo, em 30 de janeiro de 2009, a Recorrente adquiriu do Grupo Votorantim a referida sociedade dando origem ao ágio Átila 2. Assim, se trataram de duas operações distintas, com partes não relacionadas (Grupo Bradesco e Grupo Votorantim) e em datas distintas (2006 e 2009), mas que possuiam em comum o objeto, a aquisição de participações societárias na sociedade Átila, por isso, demoninadas "Ágio Átila" e "Ágio Átila 2" nos registros contábeis, não representando necessáriamente uma tentativa de ocultação de informações como apontado pelo agente fiscal. No que diz respeito as operações, a Recorrente trouxe durante o processo de fiscalização: Contrato de Compra e Venda de Ações (fls. 530/535); Ordem de Transferencia de ativos escriturais/ nominativos negociados fora da bolsa de valores (fl.. 536); extrato emitido pela instituição financeira depositária Bradesco, comprovando a transferência de ações (fl. 576) demonstração de resultado e LALUR da VBC Participações S/A, indicando a apuração de ganho de capital (fls. 943/945 e 1671). Dados os argumentos da Recorrente, em relação ao atendimento regular às solicitações da Fiscalização, temse que de fato, em nenhum momento ela se esquivou a prestar os esclarecimentos solicitados, tendo inclusive anexado a eles os documentos pertinentes para sustentálos. Fl. 3778DF CARF MF 18 Aconteceu que, conforme descrito no TVF, a acusação fiscal foi no sentido da ausência de comprovação quanto à: i) origem do ágio; ii) ausência de propósito negocial e iii) existência de ágio interno. Para o agente fiscal, o ágio teria surgido na etapa em que ocorreu a alienação das ações livres e desembaraçadas pela VBCP à Recorrente, Votorantim e Antares na busca de justificar a acusação de ágio interno. A Recorrente por sua vez, defendeu desde a sua impugnação que essa etapa tratouse de operação prévia para conferir lastro ao "Ágio Átila", necessária à operação do Grupo Bradesco, com o recebimento de ações livres e desembaraçadas da CPFL. A DRJ após realizar a análise dos fatos descritos e demonstrados como efetivamente ocorridos na Impugnação, na qual restou demonstrado que o ágio surgiu em decorrência de permuta das ações, entre partes independentes, em que a Recorrente e a Votorantim Investimentos entregaram à Antares 100% das ações da Brumado (ações livres e desembaraçadas da CPFL) e receberam em troca 100% das ações da Átila (detentora da participação da VBCE ações da CPFL bloqueadas). Desse modo da leitura do Acórdão recorrido, verificase que o entendimento da DRJ foi que o "Ágio Atila" não teria preenchido as condições legais estabelecidas no artigo 386 do RIR/99, sob o fundamento de que as ações da Átila não teriam sido avaliadas por um laudo de avaliação capaz de suportar a suposta expectativa de rentabilidade futura. Ou seja, na a Decisão de 1a Instância manteve a atuação por fundamentos diferentes do TVF que diz que não houve pagamento e não foram comprovados os elevados valores negociados pela BRUMADO. Nas palavras do TVF: "Foram analisados documentos que comprovavam os valores das ações trocados no lado das empresas ANTARES e ÁTILA. Neste exame, não foram encontradas maiores irregularidades (fls. 466 a 473). Entretanto, não ocorreu o mesmo quanto ao outro lado da permuta, no tocante às ações da BRUMADO. Como visto anteriormente, esta continha ações da empresa CPFL. Ao analisar o laudo de avaliação desta última, elaborado pelo Banco Pactual S/A, em 31 de outubro de 2006, no qual foram baseados seus valores das ações (fls. 477 a 484), esta Fiscalização se deparou com uma notória inconsistência. Os valores de patrimônio líquido da empresa CPFL, em 30/06/2006, segundo as demonstrações financeiras (página 8 do laudo), eram, respectivamente, iguais a R$ 4.796.072.000,00 e R$ 4.734.790.000,00. Tendo em vista que o capital social da empresa era composto por 479.756.730 ações (página 27 do laudo), calculouse que o valor de cada ação aproximado girava em torno de R$ 9,87 por ação e não 34,50 por ação, conforme esclareceu a empresa, em sua resposta. O valor justo por ação, conforme consta do relatório foi obtido pela metodologia do Fluxo de Caixa Descontado." (...) "Desta forma, é de se estranhar que o valor das ações constantes na contabilidade da BRUMADO tivesse sido lançado com os valores justos das mesmas e não com os valores presentes de mercado, já que nas primeiras estariam fatores não materializados no momento presente, mas que representavam potencial de materialização no futuro". (...) Fl. 3779DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.771 19 O ágio registrado pela CCSA com a aquisição da empresa ÁTILA não pode ser considerado dedutível para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL nos termos do artigo 386 do RIR/99, o qual repete os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. O ágio amortizado não observa as condições e requisitos impostos pela legislação para o gozo do aludido benefício fiscal. O aspecto, que impede que o ágio registrado pela CCSA seja dedutível, está ligado ao fato de que não houve comprovação efetiva da origem do ágio. Como se pode depreender de todo o exposto no tópico 2 (DO PROCEDIMENTO FISCAL) do presente relatório, o ágio teria surgido em função de uma operação de permuta de ações entre a CCSA e a BRADESPAR, após a aquisição, pela CCSA, das ações permutadas, da empresa VBC PARTICIPAÇÕES. Não foram comprovados os elevados valores pagos na aquisição destas ações, que, segundo a fiscalizada, teriam suscitado o ágio, resultante da diferença dos valores trocados. Tampouco houve pagamento efetuado, somente a operação de permuta citada. Não tendo sido comprovado que o ágio efetivamente exista, portanto, não existe base jurídica, para o gozo do benefício fiscal previsto no art. 386 do RIR/99. Assim, temos que o TVF não olha a permuta, a DRJ diz que não comprovou pagamento do ágio interno e a contribuinte fundamenta a legitimidade de suas operações na existência de permuta o que não é considerado pela acusação, daí o prejuízo da defesa e o cerceamento configurado. Evidente a divergência de premissa adotada na acusação fiscal e a utilizada pela DRJ para manter o lançamento. Neste sentido: AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotandose um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Acórdão 9303001.690 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE SANEAMENTO LANÇAMENTO. INOVAÇÃO. MUDANÇA CRITÉRIO JURÍDICO. É defeso à autoridade julgadora de primeira instância, em sua Decisão, complementar o Relatório Fiscal e/ou outro anexo da autuação, trazendo as normas legais e/ou novos elementos, critérios de apuração e/ou complementação da acusação fiscal, afora aqueles utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário e que serviram como fundamento ao lançamento fiscal, sob pena de afronta ao disposto no artigo 146 do Códex Tributário. Fl. 3780DF CARF MF 20 Recurso Voluntário Provido. Acórdão 2401003.463 Assim, por todo o exposto nesta análise, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, por alteração de critério jurídico da respectiva decisão, restando prejudicada a análise do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 3781DF CARF MF
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Numero do processo: 10803.720087/2013-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 87 /2 01 3- 76 Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10803.720087/201376 Acórdão n.º 2402006.357 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10803.720087/201376 Acórdão n.º 2402006.357 S2C4T2 Fl. 4 3 Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10803.720087/201376 Acórdão n.º 2402006.357 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 584DF CARF MF
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