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Numero do processo: 10935.004190/2010-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2008
SIMULAÇÃO. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS CONVERGENTES. TERCEIRIZAÇÃO. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. EVASÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Há simulação quando a vontade declarada destoa da vontade real. A contratação de empresas optantes pelo Simples apenas para o fornecimento de serviços, mantidos com a contratante os elementos caracterizadores da relação empregatícia, configura simulação para evadir-se de obrigações previdenciárias.
SIMULAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
É o contribuinte quem possui relação pessoal e direta com a situação constitutiva do fato gerador. Havendo simulação, o contribuinte é aquele que emerge do desvelo dos fatos simuladores, no caso, a contratante dos serviços impropriamente terceirizados a empresas optantes pelo Simples.
MULTA POR OMISSÃO EM GFIP. SIMULAÇÃO. VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
A ausência de informações obrigatórias em GFIP enseja a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Em caso de simulação, cabe ao verdadeiro empregador informar, em GFIP, os dados relativos aos trabalhadores registrados em empresa de fachada.
Numero da decisão: 2301-005.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na questão relativa à exigência de garantias; no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Impedida a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Marcelo Freitas de Souza Costa, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição aos impedimentos da conselheira Juliana Marteli Fais Feriato) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2008 SIMULAÇÃO. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS CONVERGENTES. TERCEIRIZAÇÃO. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. EVASÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Há simulação quando a vontade declarada destoa da vontade real. A contratação de empresas optantes pelo Simples apenas para o fornecimento de serviços, mantidos com a contratante os elementos caracterizadores da relação empregatícia, configura simulação para evadir-se de obrigações previdenciárias. SIMULAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. É o contribuinte quem possui relação pessoal e direta com a situação constitutiva do fato gerador. Havendo simulação, o contribuinte é aquele que emerge do desvelo dos fatos simuladores, no caso, a contratante dos serviços impropriamente terceirizados a empresas optantes pelo Simples. MULTA POR OMISSÃO EM GFIP. SIMULAÇÃO. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. A ausência de informações obrigatórias em GFIP enseja a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Em caso de simulação, cabe ao verdadeiro empregador informar, em GFIP, os dados relativos aos trabalhadores registrados em empresa de fachada.
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PROVA INDIRETA. INDÍCIOS CONVERGENTES. TERCEIRIZAÇÃO. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. EVASÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Há simulação quando a vontade declarada destoa da vontade real. A contratação de empresas optantes pelo Simples apenas para o fornecimento de serviços, mantidos com a contratante os elementos caracterizadores da relação empregatícia, configura simulação para evadirse de obrigações previdenciárias. SIMULAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. É o contribuinte quem possui relação pessoal e direta com a situação constitutiva do fato gerador. Havendo simulação, o contribuinte é aquele que emerge do desvelo dos fatos simuladores, no caso, a contratante dos serviços impropriamente terceirizados a empresas optantes pelo Simples. MULTA POR OMISSÃO EM GFIP. SIMULAÇÃO. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. A ausência de informações obrigatórias em GFIP enseja a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Em caso de simulação, cabe ao verdadeiro empregador informar, em GFIP, os dados relativos aos trabalhadores registrados em empresa de fachada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na questão relativa à exigência de garantias; no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Impedida a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 41 90 /2 01 0- 27 Fl. 247DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Marcelo Freitas de Souza Costa, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição aos impedimentos da conselheira Juliana Marteli Fais Feriato) e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase do Auto de Infração nº 37.212.5182, constituído em 29/07/2010 (e fl. 214), para exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória, consistente em informar, em GFIP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Especificamente, a omissão decorreu da ausência de informações dos empregados registrados em empresas optantes pelo Simples mas que, nos termos do auto de infração e anexos constante do Processo nº 10935.004176/201023, foram considerados, pelo Fisco, como empregados da Recorrente. A Recorrente apresentou impugnação (efls. 216 a 220), em que solicitou a conexão destes autos ao Processo nº 10935.004176/201023, no qual se discutia o vínculo da Impugnante com os empregados registrados nas empresas optantes pelo Simples, alegando que não tinha a obrigação de declarar, em GFIP, as informações daqueles empregados. A impugnação foi julgada improcedente nos termos do Acórdão nº 0632.043 (efls. 242 a 245). Tal acórdão admitiu a conexão entre os processos, pois os fatos que ensejaram este lançamento foram apurados no Processo nº 10935.004176/201023. Porém, naquele processo foi reconhecido o vínculo empregatício entre os empregados registrados nas empresas optantes pelo Simples e a Recorrente. Por decorrência, as informações deveriam ter constado das GFIP da Recorrente, o que não aconteceu, razão pela qual manteve o presente lançamento. No recurso voluntário, a Recorrente reafirmou os termos da impugnação, ao insistir que não detinha a obrigação de declarar as informações dos empregados registrados em outras empresas. Solicitou, ainda, a conexão deste processo a outros que tratam da matéria fundamental, ou seja, o reconhecimento do vínculo de emprego. Aduziu, ainda, a inconstitucionalidade da exigência de garantias como condição para o apelo recursal. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10935.004190/201027 Acórdão n.º 2301005.369 S2C3T1 Fl. 248 3 1 Do conhecimento Não há, nos autos, o termo a quo para a verificação da tempestividade do recurso. Porém, tendo em conta que não foi lavrado termo de perempção e que o apelo foi apresentado juntamente com outros recursos voluntários em processos conexos, dou a reclamação por tempestiva. Deixo de conhecer a questão relativa à exigência de garantias porque não está na lide. Ademais, o recurso interposto não foi condicionado à prestação de qualquer garantia. Conheço, entretanto, das demais matérias. 2 Do Mérito A Recorrente alegou que não omitiu informações em GFIP, porquanto os dados ausentes que a Fiscalização apurou foram os relativos aos empregados que estavam registrados em outras empresas, optantes pelo Simples, cuja responsabilidade de declarar não lhe cabia. Nos autos do Processo nº 10935.004176/201023 discutemse as razões da atribuição do vínculo de emprego entre a Recorrente e os empregados formalmente registrados em outras empresas. Por essa razão, algumas referências deste voto reportam àquele processo. 2.1 DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO As Autoridades Lançadoras afirmaram, em síntese, que a Recorrente teria se utilizado de uma rede de empresas de fachada (KL, LDI, Olecargas, Plasma, PP, PPMS, RTC, Spartano, Tolecargas, Tolenorte, TPC, Transcar, VS e Wsul), que aqui serão genericamente referidas por empresas decorrentes, todas optantes pelo Simples, para evadirse das obrigações previdenciárias, na medida em que utilizava a mãodeobra de trabalhadores registrados formalmente naquelas empresas, mas que, em verdade, seriam trabalhadores da própria Recorrente. As circunstâncias nas quais o Fisco se baseou para concluir pela legitimidade passiva da Recorrente foram assim resumidas (Relatório Fiscal, efls. 514 e 515 do Processo nº 10935.004176/201023): Ficou constatado que as empresas não possuem existência de fato, sendo criadas apenas para possibilitar a obtenção de benefícios fiscais pois todas realizaram Opção Pelo Simples por parte da SPERAFICO; que as receitas auferidas pelas empresas provinham da própria SPERAFICO, o que em dados momentos foi inferior ou muito próximo às despesas com pessoal; que os segurados empregados registrados nas empresas trabalhavam nas dependências da SPERAFICO ou a serviço desta, desenvolvendo as atividades operacionais da mesma, mas cujos contratos de trabalho constam nas diversas empresas; que posteriormente os empregados remanescentes foram transferidos para a SPERAFICO; que são utilizadas pessoas que não detém a real qualidade de sócios nas diversas empresas, vulgarmente conhecidos como "laranjas", pessoas que mantêm/mantinham ou mantiveram vínculos com a SPERAFICO. Fl. 249DF CARF MF 4 A investigação fiscal identificou vários elementos que sustentaram a conclusão quanto à interposição de pessoas e o uso de empresas de fachada. Por serem essenciais ao deslinde da controvérsia jurídica, é importante enumerar os principais indícios e provas apontados pelo Fisco. 2.1.1 Da criação e dos dados cadastrais das empresas decorrentes As empresas decorrentes informaram o mesmo endereço da Sperafico ou, em alguns casos, em imóveis a ela pertencentes. Em outras situações, o endereço era a residência do sócio (efls. 516 e 517 do Processo nº 10935.004176/201023). Observase no Quadro Anexo II Sócios (efls. 834 a 837 do Processo nº 10935.004176/201023) que os sócios das empresas decorrentes ou são sócios da Sperafico, ou possuem com ela vínculo empregatício, ou foram dela empregados, ou são empregados de outra empresa decorrente ou, de algum modo, possuem relações de parentesco com empregados da Sperafico. Sobre a questão, assim se pronunciou o Relatório Fiscal (efl. 518 do Processo nº 10935.004176/201023): No Quadro Anexo II (fls. 829/832) é apresentada a situação dos supostos quadros societários das empresas. É fácil visualizar a estreita vinculação entre todos, seja mediante emprego direto na SPERAFICO ou em outras das empresas, ou mesmo vínculo familiar. A subordinação à SPERAFICO das pessoas que figuram no quadro societário da maioria das empresas é evidente. Podese afirmar que a subordinação é tão evidente que em alguns casos a própria SPERAFICO assume a condição de sócio majoritário da empresa, conforme será relatado adiante. Os contadores das empresas decorrentes também possuíam algum vínculo com a Sperafico, como se constata no seguinte trecho do relatório fiscal (efl. 518 do Processo nº 10935.004176/201023) e, ainda no Quadro Anexo II Contadores (efls. 839 a 841) No Quadro III (fls. 833/836) é apresentada a vinculação entre empresas e contadores. Percebese também que a escrita contábil das empresas remete à vinculação com a SPERAFICO. No ano de 2005, esteve dividida entre os contadores Clerione Raquel Herther (LDI), Carlos Alberto Koval (KL, OLECARGAS, PP, RTC, TOLECARGAS, TOLENORTE, TRANSCAR, WSUL) e Neldo Danzer (PPMS, TPC, VS); já no período de 2006 a 2008 ficou apenas como Contador de todas as empresas o funcionário da SPERAFICO Luciano Vendramini Bassi. Na SPERAFICO atuou como Contadores no período de 2005 a 2008, além da Sra. Clerione Raquel Herther o Sr. Aloisio Antonio Bonemberger (sic.) Até mesmo as testemunhas que assinaram os contratos sociais e respectivas alterações eram vinculadas à Sperafico, como se observa no Quadro Anexo IV Testemunhas (efls. 844 e 845 do Processo nº 10935.004176/201023). 2.1.2 Das atividades das empresas decorrentes Consta dos documentos dos autos (efls. 765 do Processo nº 10935.004176/201023) que o objeto social da Sperafico coincide, em grande parte, com o objeto social das empresas decorrentes. Com base nas informações do processo, elaborouse a Tabela 1 Atividades, anexa a este voto, para bem ilustrar a compatibilidade das atividades. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10935.004190/201027 Acórdão n.º 2301005.369 S2C3T1 Fl. 249 5 2.1.3 Utilização de plano de contas em comum Segundo o Relatório Fiscal (efls. 518 e 519 do Processo nº 10935.004176/201023): Ficou constatado que o PLANO DE CONTAS da SPERAFICO é o mesmo que foi utilizado pelas demais empresas no período de 2006 a 2008 (no ano de 2005, as empresas, à exceção da LDI, tiveram escrituração realizada em escritórios contábeis distintos da estrutura da SPERAFICO). Teoricamente, isto não deveria acontecer, já que se fossem empresas distintas, com administrações distintas e contabilidades diferentes, cada qual organizaria sua própria escrituração. No entanto, aconteceu e está comprovado com a juntada do Plano de Contas da SPERAFICO em anexo (fls. 772/785), o qual corresponde aos planos de contas das outras empresas, que também são juntados em anexo (cópias às fls. KL 968/985, LDI. 1292/1310, OLECARGAS 1532/1549, PLASMA 1734/1753 PP 1998/2018, PPMS 2355/2373, RTC 2610/2628, TOLECARGAS 2946/2964, TOLENORTE 3174/3191, TPC 3607/3625, TRANSCAR 3948/3960, VS 4172/4190, WSUL 4394/4414). De fato, o uso do mesmo plano de contas em todas as empresas, embora, isoladamente, não se constitua prova definitiva, é um indício que converge para a conclusão de que as empresas eram, em verdade, uma extensão da Sperafico. O plano de contas é elemento característico de uma entidade, pois reflete a organização patrimonial e os registros do resultado empresarial, que normalmente é diferente em cada empresa, sobretudo quando os objetos sociais são distintos. No caso, em que se tem empresas dos ramos de comercialização de peças e manutenção e reparo de veículos, de transporte rodoviário de cargas, de capatazia (carga e descarga de produtos), de industrialização, empacotamento e comércio de cereais, de fabricação de móveis, é no mínimo muito incomum que um mesmo plano de contas possa servir a todas as empresas. 2.1.4 Do local onde os trabalhadores das empresas decorrentes atuavam Conta do Relatório Fiscal (efls. 519 e 520 do Processo nº 10935.004176/201023) que as empresas decorrentes ou tinham o mesmo endereço das filiais e matriz da Sperafico ou mantinham funcionários nas suas dependências. O relatório descreve cada uma das situações, envolvendo cada empregado, cada filial e cada empresa decorrente, em que os empregados prestaram serviço diretamente nas filiais da Sperafico. A título de exemplo ilustrativo, reproduzse a situação encontrada na empresa KL (efl. 527 do Processo nº 10935.004176/201023): Não possui filial. No entanto, confirmando o que fora afirmado anteriormente, os trabalhadores desta "empresa" eram alocados em diversas filiais da SPERAFICO. Vejase a propósito "Relação de Empregados" (fls. 1101/1104), que evidencia o fato, como por exemplo, trabalhadores alocados na MATRIZ (TOLEDO), e filiais como Tupãssi , Vila Nova, Nova Aurora, Cascavel, Vila Ipiranga, São Luiz, Guaíra, Santa Inês, no setor de Transportes (Toledo), Braganey, São José, Indústria e Penha. Fl. 251DF CARF MF 6 Encontrase demonstrado na planilha (fls. 4688/4719) denominada de QUADRO ANEXO V NF PRESTADORAS X FILIAIS SPERAFICO que, em razão da filial da SPERAFICO tomadora do serviço de acordo com a Nota Fiscal, eram alocados trabalhadores registrados na KL a prestarem serviços a diversas filiais da SPERAFICO em diversas localidades diferentes da sede da KL, o que confirma a informação acima e realça o aspecto de que a subordinação desses empregados era de fato com a SPERAFICO já que as empregadoras (prestadoras de serviço) aparentes não se faziam presentes nos locais das prestações de serviços. A situação verificada na empresa KL se repetiu, com o mesmo modus operandi, em outras empresas decorrentes. 2.1.5 Do fornecimento de recursos financeiros às empresas decorrentes Segundo o Relatório Fiscal (efl. 521 do Processo nº 10935.004176/201023): As diversas empresas "prestadoras de serviços", registraram, no período fiscalizado, de forma contumaz, severos resultados negativos (prejuízos) ante um pequeno valor de capital social. Ou seja, não ostentavam condições econômicas de operar com normalidade, sua existência se justificava para o fim evidente de burlar a legislação tributária, com a obtenção indevida de benefícios fiscais através da indevida inclusão no SIMPLES. Em itens adiante será evidenciada a situação por empresa. Em face disso, para a existência das "prestadoras de serviços", mesmo que apenas na aparência, era a SPERAFICO quem fornecia recursos financeiros, seja na condição de único tomador de serviços, seja, por fim na condição de sócio majoritário, como em alguns casos, com a integralização de capital social com créditos seus junto à prestadora. O Fisco entendeu que, ao apresentarem prejuízos constantes e sobreviverem apenas de recursos oriundos da Sperafico, as empresas decorrentes não exerciam, na verdade, atividade econômica. Eram apenas extensões da própria Sperafico. Filiome, neste caso, ao entendimento do Fisco. Está demonstrado (efls. 527 e 528 do Processo nº 10935.004176/201023) que as empresas decorrentes acumularam prejuízos, isto porque a Sperafico, única cliente, transferia recursos suficientes apenas para pagar o custo dos serviços que foram prestados por aquelas empresas, sem possibilidade de gerar resultado positivo. A característica essencial da atividade empresarial produtiva é a busca pelo lucro, se as empresas decorrentes tinham suas receitas provenientes exclusivamente da Sperafico e seus prejuízos cobertos por aporte de capital desta empresa, sem que gerassem resultados positivos, resta bem evidenciado que elas não tinham propósito empresarial. 2.1.6 Das folhas de pagamento e demais atos de gestão de RH Consta do Relatório Fiscal (efl. 522 do Processo nº 10935.004176/201023): Além disso, no período de 2006 a 2008, o processamento da folha de pagamento, a organização e a realização de todas as tarefas atinentes ao RH das empresas estaria, como quer fazer crer a situação que foi apresentada à auditoría fiscal, a cargo de uma única pessoa responsável pelo parte contábil e de RH, na Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10935.004190/201027 Acórdão n.º 2301005.369 S2C3T1 Fl. 250 7 pessoa do contador (funcionário da SPERAFICO) Luciano Vendramini Bassi (que se apresenta como sendo profissional autônomo, desvinculado da SPERAFICO, para fins de atender às "prestadoras de serviços"). Seria evidentemente impossível que uma única pessoa realizasse todas as tarefas, desde controle de freqüência, processamento dos diversos itens de folha de pagamento, controle e efetivação de pagamento de pessoal, controle de férias, licenças, FGTS, SEFIP/GFIP; Previdência Social, processamento e controle dos benefícios (mercado,farmácia, Unimed, gás), e além disso realizar a escrituração contábil de todas as empresas com todas as outras tarefas atinentes à área contábil e fiscal. Na realidade, os fatos apurados evidenciam que a folha de pagamento foi, como não podia ser diferente, processada dentro da SPERAFICO, no setor próprio de RH desta, com o pessoal desta. Isto fica demonstrado de modo mais claro por empresa em itens adiante, onde se vê que até determinados erros cometidos no processamento de uma folha de pagamento, o mesmo erro repercutia nas demais, como se fosse (como de fato é) apenas uma única folha de pagamento. Observese que, segundo foi apurado na investigação fiscal, a gestão de pessoal e a confecção da folha de pagamento dos empregados das empresas decorrentes acontecia dentro da Sperafico, por empregados do setor de recursos humanos desta empresa, sob a responsabilidade de seu contador. Verificase que os emails fornecidos nos documentos apresentados pelas empresas decorrentes eram sempre do domínio @sperafico.com.br. O acórdão recorrido bem apontou (efl. 7126 do Processo nº 10935.004176/201023) o exemplo das informações ao Caged em que consta eloi@sperafico.com.br. Mais uma vez corroboro o entendimento do Fisco de que essa condição denota uma incomum participação da Sperafico na gestão dos trabalhadores da empresas decorrentes, o que só se justifica se, como sustentado pelas Autoridades Lançadoras, os empregados fossem de fato da Sperafico, ainda que estivessem registrados em nome de outras empresas. 2.1.7 Da movimentação de empregados com o advento do Simples Nacional Ainda quanto à administração de recursos humanos, a Fiscalização Tributária observou a transferência de empregados das empresas decorrentes para a Sperafico. Isto porque, com o fim do Simples, em 2007, o modelo que teria sido criado pela Recorrente deixou de possibilitar o benefício tributário; não havia, pois, mais razões de seus trabalhadores estarem registrados nas empresas que foram criadas para optarem pelo Simples e, com isso, pagarem menos contribuição previdenciária (além de outros encargos e tributos). A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que passou a vigorar em 1º de julho de 2007, instituiu o Simples Nacional, que excetuou do modelo, no que se refere às contribuições previdenciárias, as microempresas e da empresas de pequeno porte que se dediquem às atividades de prestação de serviços. E foi exatamente a partir dessa data que as empresas decorrentes passaram a ser tributadas com base no lucro presumido (efl. 515, item 3.3, do Processo nº 10935.004176/201023). Fl. 253DF CARF MF 8 De fato, analisando as informações compiladas do Caged sobre a transferência de empregados (efl. 794 do Processo nº 10935.004176/201023), salta aos olhos a coincidência entre o fluxo de empregados e a vigência do Simples. Nos meses de julho e agosto de 2007, houve uma expressiva transferência dos trabalhadores que estavam na empresas decorrentes para a Sperafico. Isto, mais uma vez, demonstra inequivocamente que os trabalhadores sempre foram empregados, de fato, da Sperafico e apenas figuravam como empregados das empresas decorrentes em razão de um planejamento tributário deixou de fazer sentido com a alteração legislativa. 2.1.8 Dos descontos para a associação de funcionários Os Auditores Fiscais constataram (efl. 523 do Processo nº 10935.004176/201023) que, assim como na Sperafico, nas empresas decorrentes havia desconto da contribuição dos empregados para a Associação de Funcionários da Agrícola Sperafico (Afas). Pareceme lógica a conclusão do Fisco de que os empregados das empresas decorrentes eram, em verdade, empregados da Sperafico, do contrário, não haveria razão para deles descontar o valor da contribuição para a entidade. 2.1.9 Das atividades exercidas pelos empregados das empresas decorrentes O acórdão recorrido bem apontou outro ponto revelador da verdadeira intenção do planejamento tributário. Alguns funcionários foram registrados nas empresas decorrentes para funções que são incompatíveis com seus objetos sociais, mas absolutamente inerentes aos objetivos da Sperafico. É o que se observa no seguinte trecho (efl. 7126 do Processo nº 10935.004176/201023): Cabe acrescentar que a peça defensiva acabou se abstendo de rebater verificações/fatos ao meu ver fundamentais na análise do caso. Não há, por exemplo, qualquer justificativa para que uma empresa que tem por objeto a prestação de serviços de consertos e substituições de peças de caminhões, ônibus e outros veículos pesados possua um funcionário registrado como Classificador de Cereais. Da mesma forma, entre diversas outras incompatibilidades de funções descritas no relatório fiscal, a peça defensiva também não explica porque uma empresa que possui como objeto social serviços de carga e descarga de produtos agrícolas possui empregados nas funções de OPERADOR DE CALDEIRA, AJUDANTE DE SECADOR ou AUXILIAR DE LABORATÓRIO. Em resumo, a natureza dos serviços descritos não só se mostra incompatível com os objetos das empresas interpostas, como se afeiçoam necessárias às atividades da própria impugnante. A Recorrente, em seu favor, alegou que as atividades efetivamente realizadas pela empresa não foram as descritas em seu objeto social e apresentou, para comprovar, balancetes que indicariam que as fontes de suas receitas eram a comercialização e industrialização de produtos agrícolas. O fato de, no período, as receitas se concentrarem apenas em parte das atividades da Recorrente, ao meu ver, dá mais substância à tese da simulação. Ora, se a empresa transferiu atividades de seu objeto social para as empresas decorrentes, permanecendo Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10935.004190/201027 Acórdão n.º 2301005.369 S2C3T1 Fl. 251 9 apenas com algumas delas, não haveria mesmo de ter qualquer receita contabilizada oriunda das atividades transferidas. Demonstra, na verdade, que parte de suas atividades finalísticas foram indevidamente terceirizadas, notadamente as que demandavam grande quantidade de mãodeobra. Esta é, na essência, a tese advogada pela Autoridade Lançadora e pelo acórdão a quo. 2.1.10 Dos benefícios pagos aos empregados da Sperafico Consta do Relatório Fiscal (efl. 523 do Processo nº 10935.004176/201023): Foi constatado que a SPERAFICO mantém uma certa conduta com relação a benefícios para empregados, concedendolhes algumas formas de benefícios que se traduzem em facilidades na aquisição de gêneros alimentícios, medicamentos e gás no comércio da cidade de Toledo PR. Idêntica situação ocorre nas empresas "prestadoras de serviços", seguindo o mesmo procedimento. Foi constatado também que a SPERAFICO funciona como intermediária na aquisição de plano de saúde UNIMED para seus empregados. Assim, desconta nas respectivas folhas de pagamento valores relativos a UNIMED. O mesmo ocorre nas "prestadoras de serviços", seguindo o mesmo procedimento. Tais fatos evidenciam que se trata de uma única administração de pessoal. Conforme o Fisco apurou, os empregados registrados nas empresas decorrentes usufruíam dos mesmo benefícios e do plano de saúde oferecidos aos empregados da Sperafico, o que mais uma vez caracteriza que o patrão, de fato, era esta empresa. 2.1.11 Do preenchimento das notas fiscais de prestação de serviços Conforme o Relatório Fiscal (efls. 523, 524, 702, 703 e 704 do Processo nº 10935.004176/201023), foi identificado que muito as notas fiscais de prestação de serviços das diversas empresas decorrentes eram preenchidas sempre com a mesma caligrafia. Conclui o Relatório Fiscal, neste ponto: Este elemento evidencia que não existiam empresas distintas, mas uma única empresa, que se utilizou do expediente de emissão de notas fiscais de prestação de serviços por supostas empresas "prestadoras de serviços" para justificar a alocação de mãodeobra fora de sua folha de pagamento. De fato, verificando as notas constantes dos autos (efls. 4492 a 4710 do Processo nº 10935.004176/201023) facilmente se constata, sem necessidade de profundos conhecimentos grafotécnicos, que as notas das diferentes empresas foram escritas com a mesma caligrafia. Este é um importante indício de que, na verdade, os blocos de notas estavam ali, à disposição da mesma pessoa, para preencher os documentos de acordo com a necessidade. É um expediente comum em casos de empresas de fachada ou empresasfantasma pois, obviamente, essas empresas não possuem setor de faturamento com faturistas para emissão das próprias notas fiscais, sendo isto uma atribuição da empresa oculta. Fl. 255DF CARF MF 10 2.1.12 Do ativo imobilizado Os AuditoresFiscais constataram que todo o ativo imobilizado utilizado na prestação dos serviços pertencia à Sperafico, e não às empresas prestadoras (efl. 524 do Processo nº 10935.004176/201023): A SPERAFICO era e é a única detentora dos meios de produção utilizados no processo produtivo e no desenvolvimento dos diversos serviços que em seus estabelecimentos foram/são realizados. Assim, não é difícil perceber que as "empresas" que realizavam serviços de transportes não possuíam sequer um veículo no seu ativo permanente; as que realizavam atividades de carga e descarga não possuíam equipamentos para tal, como por exemplo carregadeiras, empilhadeiras, veículos, etc; as diversas "empresas" não tiveram/têm sede nem estrutura administrativa mínima. Este elemento evidencia que não existiam empresas distintas, mas uma única empresa, que se utilizou do expediente de criar empresas "prestadoras de serviços" para justificar a alocação de mãodeobra fora de sua folha de pagamento, sem o cuidado sequer de lhe fornecer meios próprios de operar. Ora, se as empresas decorrentes não tinham qualquer bem de produção e nem há registro de que os obtinha por intermédio de algum tipo de arrendamento, não haveria como se constituírem em legítimas empresas sem os meios para a realização de seus objetos sociais. 2.1.13 Das receitas e despesas das empresas decorrentes A investigação fiscal constatou que toda a receita das empresas decorrentes provinha exclusivamente da Sperafico ou de outra empresa do grupo (efl. 524 do Processo nº 10935.004176/201023): As empresas "prestadoras de serviços" não possuíam outra fonte de receita que não a própria SPERAFICO ou alguma empresa do GRUPO, conforme evidenciam em suas respectivas escriturações. Não existiam por si só, mas apenas e em função da SPERAFICO, que lhes deu a "suposta" existência. Ademais, suas receitas escrituradas eram apenas para cobrir despesas de pessoal, conforme fica evidenciado em itens adiante, por empresa. Nalguns (sic) casos, não havia receitas nem para cobrir tais despesas. O fato de as receitas das empresas decorrentes virem exclusivamente da Sperafico não seria, isoladamente, um elemento determinante para se concluir pela interposição. Porém, diante do contexto, somase aos demais indícios que demonstrar ser a Sperafico a real prestadora dos serviços, utilizandose de empresas de fachada. 2.1.14 Das despesas das empresas decorrentes A Fiscalização também constatou que as empresas não tinham despesas operacionais (efls. 524 e 525 do Processo nº 10935.004176/201023): Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10935.004190/201027 Acórdão n.º 2301005.369 S2C3T1 Fl. 252 11 Em se tratando de despesas, a situação apurada revela que as empresas não realizavam, apesar de comuns a qualquer organização empresarial, despesas com água, luz, telefone, aluguel, material de consumo, material de escritório, móveis, equipamentos. Outro fato constatado, foi o expediente utilizado nas escriturações das diversas "prestadoras de serviços" de lançar valores em contas como DUPLICATAS A RECEBER e ADIANTAMENTO DE CLIENTES, que na verdade significavam valores de pagamentos que a SPERAFICO fazia para elas, ou seja, a SPERAFICO pagava diretamente as despesas e os valores eram apropriados como redutores de duplicatas a receber ou como adiantamento de clientes. Tais fatos serão demonstrados por empresa, em itens adiante. Este elemento evidencia que não existiam empresas distintas, mas uma única empresa, que se utilizou do expediente de criar empresas "prestadoras de serviços" para justificar a alocação de mãodeobra fora de sua folha de pagamento, sem o cuidado sequer de lhe fornecer meios próprios de operar. No meu entender, este é um elemento que prova a inexistência de fato das empresas decorrentes. É possível que haja uma empresa sem ativos, ou sem receitas, até mesmo sem diretores, mas não possível uma empresa sem despesas operacionais. A característica essencial de qualquer atividade empresarial é a transformação de algo em produto ou serviço colocado no mercado, nesse processo de transformação surgem, inexoravelmente, as despesas e, quase sempre, os custos diretos e indiretos. No caso, as despesas aconteciam, mas não eram registradas como tal, eram registradas como deduções dos valores a receber da Sperafico, ou seja, quem arcava com o ônus das despesas era a própria Sperafico. 2.1.15 Das reclamatórias trabalhistas Os agentes do Fisco se fundamentaram, também, na ações trabalhistas em que empregados da empresas decorrentes pleitearam o vínculo com a Sperafico (efls. 703 a 712). Foram declinadas várias petições iniciais em que os reclamantes atestaram trabalharem para a Sperafico, inclusive sob subordinação. Em alguns casos, foram encontradas anotações determinando que o pagamento decorrente das ações trabalhistas fosse efetuado pelo setor de RH da Sperafico. 2.1.16 Das apólices de seguro de vida No Relatório Fiscal consta (efl. 713 do Processo nº 10935.004176/201023): Foi constatado na análise de documentos referente a seguros de vida de empregados de diversas empresas das prestadoras de serviços à SPERAFICO, que na contratação de seguros de vida, as mesmas figuram nas apólices como subestipulantes, sendo a estipulante a SPERAFICO (cópias de does. de seguro às fls. 4721/4753). Mais uma evidência do vínculo com a SPERAFICO. Há caso em que figura como estipulante outra empresa do grupo SPERAFICO, a Clean Farm do Brasil Ltda. Fl. 257DF CARF MF 12 Entendeu, o Fisco, que o fato de a estipulante ser a a Sperafico (com e exceção do contrato envolvendo a WSul, cuja estipulante era a Clean Farm) representaria mais um indício de que as empresas decorrentes eram, de fato, a longa manus da Sperafico. 2.1.17 Da simulação Os AuditoresFiscais entenderam que, diante das provas e indícios identificados, estavam diante de uma simulação. Assim asseveraram em seu Relatório Fiscal (efl. 714 do Processo nº 10935.004176/201023): Restou demonstrado que o desmembramento da organização empresarial em outras supostas sociedades empresariais consiste em estratégia de planejamento que caracteriza a evasão fiscal, pois busca usufruir indevidamente do tratamento tributário simplificado e favorecido instituído pela Lei nº 9.317/96 (Lei do SIMPLES). A simulação (criação de realidades inexistentes) utilizada, consubstanciada na constituição ou aquisição de empresas para serem, na aparência, distintas da empresa "mãe", retira toda a validade dos atos por ela viciados, devendo prevalecer a real situação fática, com base no princípio da verdade material. E, em decorrência desse princípio, temse como inexistente, para fins previdenciários, a contratação irregular de trabalhadores feita pelas empresas "prestadoras de serviços". Na realidade, a real e verdadeira contratação de empregados se deu para beneficiar a empresa SPERAFICO, que se beneficiou diretamente dos trabalhos executados pelos trabalhadores então contatados. Conclui, o Fisco, que teria havido simulação da Recorrente, mediante a criação de empresas optantes pelo Simples para, por intermédio delas, fazer uso da mãode obra necessária às suas atividades, evadindose dos compromissos previdenciários (efl. 514 e 515 do Processo nº 10935.004176/201023): Ficou constatado que esta empresa caracterizase como líder de um grupo empresarial, conhecido por SPERAFICO. A SPERAFICO AGROINDUSTRIAL LTDA, segundo se apurou, utilizouse do mecanismo da simulação, expediente este que consistiu na criação de diversas outras empresas que têm existência ou são criadas para lhe prestarem serviços, serviços estes que consistem atividades operacionais da própria SPERAFICO, haja vista a amplitude de seu objeto social, o que se verá demonstrado neste relatório. Ficou evidente, após as análises realizadas nas diversas empresas, neste relatório identificadas, o propósito de se criarem empresas para obtenção indevida do benefício da opção pelo Simples. Tais fatos evidenciam a prática da evasão fiscal, relativamente às contribuições previdenciárias, mediante o citado procedimento da simulação. A tese apresentada pelas Autoridades Lançadoras é a da ocorrência se simulação, ou seja, a vontade declarada (o que consta dos documentos formais) não corresponde à vontade real (a obtenção dos serviços dos trabalhadores com menor custo tributário, usufruindo de um regime fiscal favorecido). Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10935.004190/201027 Acórdão n.º 2301005.369 S2C3T1 Fl. 253 13 A Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil, esclarece Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; É importante destacar que a comprovação de interposição de pessoas, do uso de empresas de fachada e da simulação dificilmente se dá com elementos documentais contundentes, pois a característica essencial desse tipo de conduta é a criação de uma situação aparente, formalmente amparada em documentos, para ocultar uma situação real. Portanto, para se desvendar o fato simulado, é necessário olhar por trás do fato simulador. Assim, a formalidade documental deve ser afastada quando presentes elementos circunstanciais que a contradizem. Ao contrário do que a recorrente sustentou no seu apelo, não se trata de desconsideração das pessoas jurídicas. Tratase da correta identificação do sujeito passivo da relação tributária. Os Fiscais não desconstituíram as empresas decorrentes, elas estavam lá, constituídas formalmente e praticando atos e fatos com efeitos no mundo jurídico. Mas os vínculos de trabalho, estes sim, foram desconsiderados para que o verdadeiro empregador, a Sperafico, pudesse surgir na relação tributária. Como bem estatuiu BOZZA1: A prova da simulação é normalmente uma prova por presunção relativa, isto é, indireta, por inferência, baseada em indícios que são colhidos no contexto no qual o ato ou negócio foi executado. Conforme esclarecido pelo conselheiro Marcos Neder, no voto proferido no Ac. CSRF/0106015, de 14 de outubro de 2008, "a prova por presunção pode assegurar ao julgador a certeza necessária para proferir sua decisão, desde que fundada num conjunto de indícios graves, precisos e convergentes. Esses fatos circunstanciais considerados isoladamente podem não alcançar a certeza, mas, ao serem examinados em conjunto, podem levar a uma comprovação confiável da ocorrência do fato jurídico tributário". Entendo que, diante da constelação de indícios, todos convergentes, que apontam para a Sperafico como a real contratante dos trabalhadores, a simulação resta comprovada. Na verdade, os elementos dos autos são absolutamente contundentes, quando vistos em seu conjunto. Os fatos constatados podem assim ser resumidos: a Sperafico detinha pleno controle das empresas decorrentes, os empregados trabalhavam nas dependências dela e sob suas ordens, as empresas decorrentes não possuíam finalidade econômica real, todas elas eram optantes pelo Simples e, quando a vantagem fiscal acabou em razão de mudança legislativa, os 1 BOZZA, Fábio Piovesan. Planejamento tributário e autonomia privada. Série Doutrina Tributária, vol. XV. São Paulo: Quartier Lantin, 2015, p. 233. Fl. 259DF CARF MF 14 empregados foram transferidos para a Sperafico, revelando o verdadeiro propósito do arranjo empresarial, qual seja, manter os empregados em empresas optantes pelo Simples e, por conseguinte, evadirse dos encargos previdenciários. A seu favor, a Recorrente sustenta que a terceirização de suas atividades encontra amparo legal e que as teria promovido para proporcionar melhor gerenciamento administrativo das atividadesmeio. De fato, a terceirização está prevista no ordenamento, mas existem claros critérios, como a vedação à transferência de atividades finalísticas e a vedação à pessoalidade e subordinação diretas. Ao observar as provas dos autos, o que mais se vê é a participação ativa da Sperafico na gestão de RH dos empregados registrados nas empresas decorrentes (que sequer possuíam estrutura administrativa). Atividades como controle de ponto, pagamento e outras providências de pessoal eram exercidas diretamente pela Sperafico. Além disso, os trabalhadores atuavam nas dependências dessa empresa em distintas cidades, executando as atividadesfim da Sperafico. O gerenciamento administrativo das atividades, que foi a alegada causa das terceirizações, permaneceu com a Sperafico. Como não admitir o vínculo direto? Vale, aqui, relembrar, mais uma vez, a lição de BOZZA2: Na interposição real, não simulada, a interposta pessoa dá lugar ao intermediário. Estabelecese, assim, um vínculo negocial efetivo, de um lado, entre o interpoente e o intermediário e, de outro lado, entre o intermediário e o terceiro contraente. O intermediário que realmente participa do contrato estabelece em seu nome a relação jurídica e tornase titular de direito e obrigações, ainda que ostente um vínculo obrigacional com o interpoente, resultando em uma combinação de atos jurídicos. Essa é a razão pela qual o intermediário não pode ser considerado interposta pessoa simulada. Isso já não ocorre na interposição fictícia ou simulada, pois existe apenas uma relação jurídica direta entre o interpoente e o terceiro contraente. A interposta pessoa não participa verdadeiramente do negócio, nem se beneficia de qualquer vantagem patrimonial. Apenas finge que faz, emprestando seu nome para ser aposto no documento. A sua eventual participação apenas será feita para dar verossimilhança ao engano. Resta claro que os contratos de trabalho ligavam diretamente os trabalhadores à Sperafico. Percebese a simulação, também, ao se analisar as relações contratuais entre a Sperafico e as empresas decorrentes. Não havia, ali, um motivo econômico, ou um propósito negocial. Aquelas empresas não geraram lucro, não tinham ativos, não tinham nem os equipamentos elementares para a prestação dos serviços para os quais teriam sido contratadas. Nos contratos juntados pela Recorrente (efls. 6522 a 6552 do Processo nº 10935.004176/201023) observase que as cláusulas eram praticamente idênticas, até os erros de Português eram os mesmos, independentemente do objeto contratado. Aliás, em todos os contratos se verifica a mesma cláusula 5ª (com exceção da empresa LDI Transportes, em que o texto está na cláusula 6ª) que deixa claro que o papel das empresas decorrentes era fornecer mãodeobra à Sperafico, que arcaria com todo o material e equipamento necessário aos serviços: 2 BOZZA, Fábio Piovesan. Planejamento tributário e autonomia privada. Série Doutrina Tributária, vol. XV. São Paulo: Quartier Lantin, 2015, p. 238. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10935.004190/201027 Acórdão n.º 2301005.369 S2C3T1 Fl. 254 15 A CONTRATADA obrigase a fornecer toda a mãodeobra necessária para a execução dos trabalhos contratados, assim como a administração, o pagamento das verbas remuneratórias e encargos sociais e a CONTRATANTE obrigase a entregar todos os materiais, insumos, veículos de transporte, máquinas e equipamentos necessários para a prestação de serviços objeto deste contrato. Na verdade, os contratos entre Sperafico e empresas decorrentes não eram verdadeiros, mas apenas simulacros. As empresas nem possuíam estrutura física e ativos para fornecerem os serviços, apenas serviram de meio para registrar os empregados livrando a Sperafico dos ônus previdenciários. Ainda segundo BOZZA3 A ausência de propósito negocial também surge diante da impossibilidade material de realização da atividade empresarial, como ficou decidido no Ac. 30332460, de 19 de outubro de 2005 (Caso CDR), em face da inexistência de móveis ou maquinários adequados para o empreendimento. O Ac. 101 95208, de 19 de outubro de 2005 (Caso CDR), considerou artificial a constituição de empresas entre pessoas ligadas para se beneficiar de regime de tributação favorecido, mas que não possuía meios materiais para a prestação de serviços. (Grifo do original.) Assim como consignado no relatório fiscal e no acórdão recorrido, eu também enxergo claramente o emprego do artifício usado para ocultar a verdadeira relação trabalhista entre a Sperafico e os empregados registrados nas empresas decorrentes. Observese que os indícios e provas indicados nos itens 2.1.1 a 2.1.16 talvez fossem, se analisados isoladamente, insuficientes para sustentar a tese de que teria havido simulação. Porém, tomando em conta o conjunto de elementos, não há como se esquivar que a Sperafico era a verdadeira empregadora, pois: a) havia subordinação, porquanto os empregados trabalhavam nas dependências da Sperafico, que lhes controlava os registros de ponto, em atividades atinentes ao seu objeto social, com cargos compatíveis com a estrutura organizacional da empresa e, inclusive, fazendo jus aos mesmos benefícios que os empregados registrados na própria Sperafico; b) o trabalho era habitual e contínuo, como bem descreveu o acórdão a quo: Mesmo a partir do dia seguinte à transferência dos empregados das empresas prestadoras (conforme relato supra), jamais houve qualquer interrupção na prestação de serviços à SPERAFICO, inclusive com a continuidade no mesmo cargo, restando, portanto, também configurado o caráter da não eventualidade; 3 Idem ibdem, p. 244. Fl. 261DF CARF MF 16 c) os recursos para pagamento dos salários aos empregados provieram sempre da Sperafico, o que evidencia a onerosidade da relação de trabalho; d) os empregados registrados nas empresas decorrentes exerciam funções próprias da Sperafico mesmo quando eram transferidos entre aquelas empresas ou daquelas para a Sperafico, caracterizando a pessoalidade. Não restam dúvidas, por todo os que foi evidenciado, que a Sperafico possuía relação pessoal e direta com as situações que constituíram os fatos geradores das contribuições sociais, revestindose, pois, da condição de sujeito passivo, na qualidade de contribuinte. nos termos do art. 121, parágrafo único, inciso I do CTN. Nessa mesma condição, a Recorrente encontravase obrigada a informar, nas GFIPs, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária relativos aos empregados que estavam formalmente, e indevidamente, registrados nas empresas decorrentes. Não o tendo feito, deu azo ao lançamento da multa prevista no § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991. 3 Conclusões Voto, pois, por não conhecer do recurso na questão relativa à exigência de garantias e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10935.004190/201027 Acórdão n.º 2301005.369 S2C3T1 Fl. 255 17 Tabela 1 Atividades Empresa Objeto Social Atividade Preponderante (CNAE) Sperafico (...) a exploração no ramo de serviços de transportes rodoviários nacionais e internacionais de cargas, produção, beneficiamento e comércio de sementes selecionadas, Indústria e comércio de cereais e seus derivados, comercialização de pneus, peças, máquinas e equipamentos, comércio de corretivos, defensivos agrícolas, água mineral, produtos alimentícios, indústria e comércio de fertilizantes químicos e fertilizantes organominerais, indústria de óleo de soja, armazenamento de cereais, representações comerciais, prestação de serviços fitossanitários, importação e exportação de produtos objeto do ramo social. 1041400 Fabricação de óleos vegetais em bruto, exceto óleo de milho 1062700 Moagem de trigo e fabricação de derivados 1066000 Fabricação de alimentos para animais 4622200 Comércio atacadista de soja 4623108 Comércio atacadista de matériasprimas agrícolas com atividade de fracionamento e acondicionamento associada 4623109 Comércio atacadista de alimentos para animais 4623199 Comércio atacadista de matériasprimas agrícolas não especificadas anteriormente 4632001 Comércio atacadista de cereais e leguminosas beneficiados 4930202 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional KL De 23/03/2004 em diante: serviços de consertos e substituição de peças de caminhões, ônibus e outros veículos pesados, e comércio a varejo de peças e acessórios novos para veículos automotores. 4530703 Comércio a varejo de peças e acessórios novos para veículos automotores LDI Serviço de transporte rodoviário de cargas e afins. 4930202 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional Olecargas Carga e descarga de produtos alimentícios e transporte 5212500 Carga e descarga Plasma Industrialização, empacotamento e o comércio de cereais e serviços relacionados. 1062700 Moagem de trigo e fabricação de derivados PP Exploração do ramo de Serviços de Carga e Descarga de Produtos Agrícolas. 5212500 Carga e descarga PPMS Serviços de Transporte Rodoviário de Cargas em Geral e Serviços de Cargas e Descargas em Geral. 4930202 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional RTC Carga, Descarga e Movimentação de Produtos Agrícolas e Transporte 5212500 Carga e descarga Spartano Fabricação e comércio de assentos com estrutura em mental, móveis e utensílios em geral. 5212500 Carga e descarga Tolecargas carga, descarga, movimentação de produtos agrícolas e transporte. 5212500 Carga e descarga Tolenorte Serviços de Carga e Descarga em transporte rodoviário e movimentação de produtos agrícolas em grãos e farelo e serviços de beneficiamento, moagem e preparação de outros produtos de origem vegetal, e transportes rodoviários dos mesmos. 5212500 Carga e descarga TPC Serviços de Transporte Rodoviário de Cargas em Geral e Serviços de Carga e Descargas em Geral 4930202 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional Transcar Carga, Descarga e Movimentação de Produtos Agrícolas e Transporte 5212500 Carga e descarga VS Comércio Varejista de: Defensivos Agrícolas, Corretivos, Fertilizantes, Sementes, Insumos Agropecuários, Aplicação de Agrotóxicos e a Prestação de Serviços de Carga e Descarga de Cereais e Manutenção de Armazéns 4789099 Comércio varejista de outros produtos não especificados anteriormente WSul Prestação de serviços de manutenção e reparos em veículos, caminhões, máquinas e equipamentos agrícolas, equipamentos industriais e equipamentos de armazenagem; comércio de peças e acessórios para equipamentos industriais 4520001 Serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos automotores Fl. 263DF CARF MF 18 Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000284/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JUDICIAL. ORDEM JUDICIAL CONDICIONANDO AO TRÂNSITO EM JULGADO. VEDAÇÃO.
É vedada a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório do sujeito passivo, mormente nos casos em que a própria decisão judicial apresentada como fundamento de validade para a compensação condiciona expressamente a compensação ao seu trânsito em julgado.
Numero da decisão: 3401-005.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JUDICIAL. ORDEM JUDICIAL CONDICIONANDO AO TRÂNSITO EM JULGADO. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório do sujeito passivo, mormente nos casos em que a própria decisão judicial apresentada como fundamento de validade para a compensação condiciona expressamente a compensação ao seu trânsito em julgado.
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CRÉDITO JUDICIAL. ORDEM JUDICIAL CONDICIONANDO AO TRÂNSITO EM JULGADO. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório do sujeito passivo, mormente nos casos em que a própria decisão judicial apresentada como fundamento de validade para a compensação condiciona expressamente a compensação ao seu trânsito em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 02 84 /2 00 5- 31 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10865.000284/200531 Acórdão n.º 3401005.173 S3C4T1 Fl. 240 2 Relatório 1. Tratase do despacho decisório, situado às fls. 184 a 187, que não homologou as declarações de compensação, transmitidas entre 13/10/2003 e 15/10/2004, abaixo relacionadas, situadas às fls. 03 a 45, por meio das quais a contribuinte pretendeu compensar débitos de PIS (8109), Cofins (2172), IRPJ (2089) e CSL (2372), vencidos entre 15/10/2003 e 15/10/2004, no montante histórico de R$ 46.734,05, com crédito oriundo de provimento judicial exarado nos autos do Mandado de Segurança Coletivo n° 98.11044767, impetrado pela ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL DE AMERICANA, que tramitou na 2º Vara Federal da Subseção Judiciária de Piracicaba, com sentença em grau de recurso, que concedeu a segurança condicionando a compensação, nos termos do art. 170A do Código Tributário Nacional, ao trânsito em julgado da decisão: 09939.48269.140904.1.3.548046 20060.46697.110804.1.3.548150 11788.04679.120704.1.3.549164 40209.71920.140604.1.3.540896 1020087340.120504.1.3.549955 12400.75603.110304.1.3.548159 23723.73528.110204.1.3.543562 41002.03997.140404.1.3.546822 02322.14715.121103.1.7.549491 13126.89548.151004.1.3.548267 36168.08643.131003.1.3.549307 04691.97138.14110313.540402 39754.15433.111203.13.545120 15767.05035.140104.1.3.548300 2. Foi lavrado, ainda, auto de infração com a finalidade de formalizar a cobrança de multa isolada, com fundamento no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, em virtude de compensação indevida, objeto de discussão no Processo nº 13888.000226/200880, apenso aos presentes autos nos termos do § 3º do dispositivo em referência. 3. A contribuinte, intimada via postal em 29/04/2005, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 189, apresentou, em 24/05/2005, manifestação de inconformidade, na qual argumentou, em síntese, a nulidade do auto de infração lavrado e a inaplicabilidade do art. 170A do Código Tributário Nacional, pois o Finsocial foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 4. Em 22/11/2010, a 01ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1431.589, situado às fls. 166 a 178 do Processo nº 13888.000226/200880, apenso aos presentes autos, de relatoria do AuditorFiscal Paulo Régis Venter, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2004 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10865.000284/200531 Acórdão n.º 3401005.173 S3C4T1 Fl. 241 3 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão em que for reconhecido o direito creditório do sujeito passivo. Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA, Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2004 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Publica, de ação judicial por qualquer modalidade e a qualquer tempo, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, aplicandose ao caso a decisão judicial, que tem força de lei entre as partes. PROVIMENTO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. TERMOS. CUMPRIMENTO. As unidades da Secretaria da Receita Federal devem dar cumprimento às decisões judiciais em vigor que disponham sobre a compensação de débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, relativamente aos tributos e contribuições administrados pelo órgão, em seus exatos termos, quando a norma vigente à data em que foi proferida a decisão judicial e que regia a matéria não foi alterada por legislação superveniente, ainda que a interpretação da norma dada pelo Poder Judiciário tenha sido menos favorável ao sujeito passivo do que a interpretação da Secretaria da Receita Federal. Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004 NULIDADE. HIPÓTESES. INOCORRÊNCIA. Não configuradas nos autos as hipóteses de nulidade prescritas no art. 59, inc. II, do PAF, argüido no recurso, rejeitase pedido pela nulidade do lançamento. COMPENSAÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. REQUISITO. MULTA. Procede o lançamento de multa devida em face da indevida compensação realizada pelo sujeito passivo, a partir de um crédito não passível de compensação por expressa disposição legal, que veda o procedimento antes do trânsito em julgado da ação judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10865.000284/200531 Acórdão n.º 3401005.173 S3C4T1 Fl. 242 4 Direito Creditório Não Reconhecido 5. A contribuinte foi intimada via postal em 12/05/2011, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 218 e, em 30/05/2011, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 219 a 234 no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 7. Descabe se falar em nulidade do auto de infração, pois lavrado por autoridade competente, não tendo se caracterizado, ademais, qualquer preterição do direito de defesa, supedâneos do art. 59 do Decreto 70.235/1972. 8. As compensações em apreço foram efetuadas antes do trânsito em julgado do mando de segurança impetrado, em desalinho com o quanto preceituado pelo art. 170A do Código Tributário Nacional. 9. A discussão de fundo, contudo, sequer se faz necessária, uma vez que a própria sentença utilizada pela contribuinte como fundamento de validade é expressa a condicionar o direito à compensação ao trânsito em julgado da ação judicial, o que, no momento do encontro de contas, não havia ocorrido. 10. Neste sentido, há norma individual e concreta materializada em ordem judicial expressa que, em que pese ter sido ignorada e desobedecida pela contribuinte, a jurisdição administrativa não pode transpor, sob pena de, esta sim, praticar ato nulo nos termos no inciso II do art. 59 do Decreto 70.235/1972. 11. Transcrevese, abaixo, a parte dispositiva da sentença: Isto posto, CONCEDO A SEGURANÇA, no sentido de reconhecer inconstitucional o FINSOCIAL, naquilo em que sua alíquota superou 0,5% (meio por cento), 0,6% (seis décimos por cento) para o ano de 1988, prevalecendo assim até a entrada em vigor da lei complementar n° 70/91, que instituiu a COFINS, podendo os associados da parte impetrante compensarem o Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10865.000284/200531 Acórdão n.º 3401005.173 S3C4T1 Fl. 243 5 recolhido indevidamente com outras tributos federais vincendos que sejam administrados pela Receita Federal, na forma estipulada na presente sentença e observado o prazo prescricional. No caso em questão, em face da redação do art. 170A do Código Tributário Nacional, nos termos da Lei Complementar 104, de 10 de janeiro de 2001, a compensação somente poderá ser realizada após o trânsito em julgado da presente decisão. 12. Apenas a título de complemento, correta a decisão recorrida ao afirmar que, conforme se denota da certidão de objeto e pé apresentada pela contribuinte, os recursos de apelação foram recebidos unicamente no efeito devolutivo. 13. Pelos motivos acima expostos, não merece procedência o recurso voluntário, devendo ser mantido o despacho decisório que não homologou as compensações intentadas, bem como o auto de infração nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003. 14. Descabido, por fim, falarse em aplicação de retroatividade benigna em face de penalidade menos gravosa (50%) instituída pelo § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, não aplicável aos casos de falsidade de declaração apresentada pela contribuinte, uma vez que as hipóteses para a sua cominação não se coadunam com o caso em apreço, restando, por fim, prejudicados os demais argumentos apresentados. 15. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905839/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000
Ementa:
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO.
Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Numero da decisão: 3301-004.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 Ementa: FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1927; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 9 1 8 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.905839/201187 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.872 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria Contribuição para o PIS PER/DCOMP Recorrente MAHLE COMPONENTES DE MOTORES DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 Ementa: FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 39 /2 01 1- 87 Fl. 158DF CARF MF 2 (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de pedido de restituição realizado pela contribuinte no PER/DCOMP 02214.06395.080605.1.22.047032, informando um recolhimento a maior na monta de R$ 4.502,30 (quatro mil quinhentos e dois reais e trinta centavos) à título de contribuição ao PIS para o período de apuração 06/2000, transmitido em 08/06/2005 (fls. 0204). Em 02/12/2011 (fls. 0506), a Secretaria da Receita Federal do Brasil, pela DRFVarginha, proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição, verbis: Valor do crédito pleiteado no PER/DCOMP: 4.502,30 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 0721) para instaurar o contencioso administrativo, juntando demonstrativos para subsidiar a existência de seu crédito. Em síntese, a contribuinte afirmou: o Despacho Decisório adotou equivocada premissa de que inexiste crédito a ser restituído, porque não converteu o julgamento em diligência para solicitar esclarecimentos ou a apresentação de documentos que comprovassem o valor exato do crédito pretendido; Não considerou que o valor informado em DCTF como devido foi apurado em conformidade com a ilegal e inconstitucional base de cálculo instituída pela Lei nº 9.718; Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10660.905839/201187 Acórdão n.º 3301004.872 S3C3T1 Fl. 10 3 o Supremo Tribunal Federal, em julgamento de Recursos Extraordinários, consolidou o entendimento no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas contribuições, promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, deixando de considerar como faturamento receita de natureza diversa da venda de mercadorias e de serviços. A retificação da DCTF para a apresentação do PER/DCOMP representa requisito meramente formal que não pode se sobrepor à verdade material, uma vez comprovada, por outros meios, a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ressalta que as informações contidas nos documentos que instruem a manifestação atestam, de forma inquestionável, que a restituição abordada no Per/Dcomp deve ser deferida, quer por força do dever de busca da verdade material, quer sob pena de cerceamento do direito de defesa, mediante a análise das razões e dos documentos que acompanham este recurso, eventuais diligências administrativas e a realização de prova pericial, que se requer. Em 16/04/2014, a 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do acórdão 0646.529 (fls. 7782), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 14/07/2000 PIS/Pasep. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DIREITO CREDITÓRIO. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. PEDIDO DE PERÍCIA. É prescindível o pedido de perícia quando se tratar de matéria que não exige conhecimento técnico específico diferente da análise que deve ser realizada pela autoridade administrativa competente para o reconhecimento do crédito, ainda mais quando envolver a falta de apresentação de provas na fase litigiosa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em suas razões de voto, a DRJ trouxe os seguintes argumentos, importantes para o deslinde da causa: inexiste a obrigatoriedade por parte do fisco de intimar os contribuintes para prestar esclarecimentos dos motivos de se ter pleiteado a restituição do tributo pago. somente Fl. 160DF CARF MF 4 abrese ao sujeito passivo o devido processo legal após o lançamento, ou no caso, a emissão do Despacho Decisório, com a respectiva ciência. o reconhecimento expresso de ato emitido pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional de que todas as unidades da Secretaria da Receita Federal, incluídas as Delegacias de Julgamento, devem reproduzir o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito em matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sede de julgamento, realizado nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil. Inexistência de provas cabais nos autos de que teria havido pagamento a maior do que o devido, relativamente aos recolhimentos confirmados, que poderiam ter sido feitas, a princípio, com base na escrituração fiscal e contábil da empresa e/ou em documentos fiscais que reflitam tratarse de receitas que escapem à tributação. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário que ora se analisa (fls. 87114), repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade e insistindo na realização de perícia. É a síntese do necessário Voto Conselheiro Relator SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição. Realizada a suma adrede, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; iii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos. I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10660.905839/201187 Acórdão n.º 3301004.872 S3C3T1 Fl. 11 5 correspondente, qual seja, 06/2000. Desta feita, o montante pago foi utilizado para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Este entendimento vem sendo adotado em sede de Recurso Voluntário pelo E. CARF, conforme se destaca das ementas abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo 10283.902681/200913. Relator WALBER JOSE DA SILVA. Data da Sessão 21/05/2013. Nº Acórdão 3302 002.104) Assunto: Normas de Administração Tributária Fl. 162DF CARF MF 6 Anocalendário: 2001 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QORG. (Número do Processo 10280.905792/201126. Relatora SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA. Data da Sessão 27/07/2017. Nº Acórdão 3302004.623) (grifo não consta do original) Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10660.905839/201187 Acórdão n.º 3301004.872 S3C3T1 Fl. 12 7 II) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição ao PIS sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira. Sobre este assunto, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manisfestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria: Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede de julgamento realizado em repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/1973, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Preenchese as três hipóteses do Regimento Interno do CARF (RICARF) neste caso de alargamento da base cálculo das contribuições PIS/COFINS intentada pelo disposto no art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998. Neste sentido: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002, 01/07/2003 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: Fl. 164DF CARF MF 8 NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS E VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Sendo "receitas" não operacionais e variações cambiais ativas, e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS. (Número do Processo 13502.000463/200585. Nº Acórdão 3201 003.681. Data da Sessão 22/05/2018) Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Como o período de apuração em que se discute o pagamento indevido é 06/2000, em tal momento aplicavase para a Recorrente o regime de tributação previsto na Lei 9.818/1998. Isto posto, caso comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição ao PIS no período em referência, demonstrandose a liquidez e certeza do crédito a restituir declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se passa a analisar. III) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no mês de apuração em foco (06/2000), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que os documentos juntados aos autos atestam, de forma inquestionável, a restituição pleiteada em seu pedido, o que se tem, na verdade, é um simples demonstrativo de cálculo da contribuição, onde traz o total do faturamento, as exclusões permitidas, o valor devido da contribuição, o valor do recolhimento e o crédito objeto do pedido de restituição. Estes demonstrativos não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e fiscais. A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as obrigações acessórias já cumpridas, bastando baixar em diligência para verificar a informação também não é pertinente e não merece guarida o alegado cerceamento de defesa daí decorrente. Nos pedidos de restituição o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10660.905839/201187 Acórdão n.º 3301004.872 S3C3T1 Fl. 13 9 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu manifestação de inconformidade e recurso voluntário, qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a veracidade e existência de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). Não constam dos autos balancetes e demonstrações contábeis, nem mesmo a DIPJ do contribuinte para evidenciar o quantum de receitas financeiras levadas à tributação do PIS, sendo desnecessária, portanto, a realização da perícia requerida. A perícia será necessária quando a matéria exigir conhecimento técnico específico diferente da análise que deve ser realizada pela autoridade administrativa competente para o reconhecimento do crédito. Ademais, a demonstração do crédito, neste caso, seria possível com a simples apresentação de prova documental, não realizada pelo contribuinte. Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese negar provimento ao presente recurso voluntário Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Relator Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.720435/2015-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2013
FALTA DE INTIMAÇÃO - VÍCIO SANÁVEL POR COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS.
Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte.
Numero da decisão: 1401-002.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS. Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 04 35 /2 01 5- 56 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10120.720435/201556 Acórdão n.º 1401002.693 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a saldo negativo de IRPJ no 2º trimestre de 2012, nos valores de R$ 15.752,18, R$ 10.912,20 e R$ 35.580,21, transmitida através do PER/Dcomp nº 34992.27898.190612.1.3.020000, 20983.47997.190612.1.3.02 8600 e 41089.47037.200712.1.3.025730. A DRF de Curitiba não homologou a compensação por não ter a recorrente tentado em momento algum justificar ou comprovar as parcelas de composição de crédito que declarou ou, ao menos, comprovar o efetivo recebimento do valor sobre o qual teriam recaído as retenções alegadas, ou seja, sem observar a exigência contida no art. 943,§ 2º, do Decreto nº 3.000/99. Alega a contribuinte em seu Recurso Voluntário, única e exclusivamente sobre a falta de contraditório e ampla defesa pois não pôde ser cientificado por via postal, pois o endereço constante da correspondência era diverso de seu endereço cadastral. Assim, tendo em vista a falta de intimação válida da contribuinte, foi arguido a nulidade de todo o procedimento fiscal. É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10120.720435/201556 Acórdão n.º 1401002.693 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.687, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10120.728985/2013 51, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.687): O recurso é tempestivo e dele conheço. Da preliminar Nulidade de julgamento intimação por edital Pois bem, cumpre ressaltar que a decisão de primeira instância apreciou o recurso da contribuinte tendo sido ementada da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PARCELAS DE COMPOSIÇÃO NÃO CONFIRMADAS. Não comprovada a existência das parcelas de composição do direito creditório declarado pelo contribuinte, é impossível homologar as compensações declaradas. RETENÇÃO EM FONTE. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ou seja, apesar da alegação da contribuinte de nulidade do feito, sua manifestação de inconformidade foi devidamente recebida e julgada. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10120.720435/201556 Acórdão n.º 1401002.693 S1C4T1 Fl. 5 4 Ocorre que a intimação da Contribuinte, realmente foi feita de forma equivocada. Contudo, apesar disso, foi apresentada manifestação de inconformidade dentro do prazo legal e devidamente apreciada pela DRJ competente. Se houvesse a contribuinte alegado qualquer prejuízo pela falta de intimação válida, ou, ainda se tivesse juntado aos autos, mesmo que extemporaneamente documentação comprobatória de seu direito, deveria o julgador, por força do contraditório e ampla defesa, aceitar tais documentos. Ou ainda, quem sabe se a contribuinte tivesse apresentado sua defesa fora do prazo, ou tivesse requerido dilação do prazo mediante comprovação de que o edital foi afixado em local de difícil acesso e que não teve ciência da intimação em tempo hábil. Porém, o que se verifica no presente auto é que a contribuinte apresentou sua regular manifestação de inconformidade, sem lograr êxito em apresentar a documentação comprobatória suficiente e, ainda, apresentou recurso voluntário alegando tãosomente a nulidade do processo pelo vício da não intimação. Cumpre observar que a nulidade pela falta de intimação não é absoluta e pode ser sanada pela apresentação espontânea do contribuinte. Se essa foi prejudicada por prazo a menor, deveria ter arguido tal fato em sua defesa, e não simplesmente argumentar que o processo é inválido se teve oportunidade de se defender, através da competente manifestação de inconformidade e, ainda, quando da interposição do Recurso. A ausência de intimação, a princípio, constitui vício que levaria ao retorno do processo à Unidade preparadora para a realização do ato. Contudo, tal procedimento somente encontraria fundamento na hipótese de que a contribuinte não houvesse apresentado sua competente defesa, ou que tivessem alegado qualquer prejuízo em decorrência do vício processual. É imperioso o reconhecimento, no caso, de que a ausência de intimação foi plenamente suprida pela apresentação espontânea da manifestação de inconformidade por parte da recorrente, na mesma linha de raciocínio que fundamenta o art. 239, §1º do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao PAF ("§1º O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução"). Ademais, tal apresentação, sem a alegação de qualquer prejuízo, conduz à preclusão do direito de os responsáveis, posteriormente, virem a suscitar o vício, até em respeito ao dever Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10120.720435/201556 Acórdão n.º 1401002.693 S1C4T1 Fl. 6 5 de boafé que, nas palavras de Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, Salvador: Juspodium, 2016. vol. 1, p. 409), "impede que a parte guarde na 'algibeira' a alegação de nulidade, para momento futuro, tornando instável o processo". Como sabido, para o reconhecimento do vício processual, é imprescindível a existência de prejuízo à parte, o que, nem de longe, vislumbrase nos presentes autos. Na lição do mesmo autor (op. cit., p. 410): "A invalidade processual é sanção que somente pode ser aplicada se houver a conjugação do defeito do ato processual (pouco importa a gravidade do defeito) com a existência de prejuízo. Não há nulidade processual sem prejuízo (pas denullité sans grief). A invalidade processual é sanção que decorre da incidência de regra jurídica sobre um suporte fático composto: defeito + prejuízo. Sempre mesmo quando se trate de nulidade cominada em lei, ou as chamadas nulidades absolutas. Conclusão Pelo acima exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário para não reconhecer da nulidade arguida pela recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 273DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.677333/2009-63
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APRESENTAÇÃO DE RECURSO.
As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário.
INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PRESCRIÇÃO LEGAL.
A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal enuncia as hipóteses cabíveis para a realização da intimação do contribuinte, cuja observância compete à autoridade preparadora que jurisdiciona o contribuinte.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES.
Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo, em face da peculiaridade de cada caso, sob pena de malferi-lo, como também aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
PER/DCOMP. SALDO CREDOR. FALTA DE PROVA. PRINCÍPIO DA BOA-FÉ. CONTRIBUINTE. INAPLICABILIDADE.
A falta de demonstração, por meio de prova hábil, da existência do direito creditório pleiteado não exige conduta dolosa do declarante, bastando para sua denegação constatação que referido saldo credor fora alocado em outros pedidos de compensação, de forma que a eventual presunção de boa-fé do recorrente não o exime de provar que possuía saldo credor para acobertar o débito declarado no respectivo Per/Dcomp.
PEDIDO COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO.
Por inexistência, nos autos, de prova hábil para infirmá-la, mantém-se a constatação referenciada no despacho decisório e confirmada pela DRJ de que o saldo credor indicado em Per/Dcomp para acobertar débito nele confessado foi alocado em outros pedidos de compensação, não havendo, portanto, hipótese para a regular homologação do pedido de compensação.
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DO MÉRITO DA DECISÃO RECORRIDA. APLICAÇÃO.
Se o relator do voto condutor registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa, no que diz respeito ao mérito propriamente dito, perante o colegiado de segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão do colegiado de primeira instância.
Numero da decisão: 3001-000.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APRESENTAÇÃO DE RECURSO. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PRESCRIÇÃO LEGAL. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal enuncia as hipóteses cabíveis para a realização da intimação do contribuinte, cuja observância compete à autoridade preparadora que jurisdiciona o contribuinte. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo, em face da peculiaridade de cada caso, sob pena de malferi-lo, como também aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PER/DCOMP. SALDO CREDOR. FALTA DE PROVA. PRINCÍPIO DA BOA-FÉ. CONTRIBUINTE. INAPLICABILIDADE. A falta de demonstração, por meio de prova hábil, da existência do direito creditório pleiteado não exige conduta dolosa do declarante, bastando para sua denegação constatação que referido saldo credor fora alocado em outros pedidos de compensação, de forma que a eventual presunção de boa-fé do recorrente não o exime de provar que possuía saldo credor para acobertar o débito declarado no respectivo Per/Dcomp. PEDIDO COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Por inexistência, nos autos, de prova hábil para infirmá-la, mantém-se a constatação referenciada no despacho decisório e confirmada pela DRJ de que o saldo credor indicado em Per/Dcomp para acobertar débito nele confessado foi alocado em outros pedidos de compensação, não havendo, portanto, hipótese para a regular homologação do pedido de compensação. RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DO MÉRITO DA DECISÃO RECORRIDA. APLICAÇÃO. Se o relator do voto condutor registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa, no que diz respeito ao mérito propriamente dito, perante o colegiado de segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão do colegiado de primeira instância.
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APRESENTAÇÃO DE RECURSO. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PRESCRIÇÃO LEGAL. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal enuncia as hipóteses cabíveis para a realização da intimação do contribuinte, cuja observância compete à autoridade preparadora que jurisdiciona o contribuinte. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo, em face da peculiaridade de cada caso, sob pena de malferilo, como também aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PER/DCOMP. SALDO CREDOR. FALTA DE PROVA. PRINCÍPIO DA BOAFÉ. CONTRIBUINTE. INAPLICABILIDADE. A falta de demonstração, por meio de prova hábil, da existência do direito creditório pleiteado não exige conduta dolosa do declarante, bastando para sua denegação constatação que referido saldo credor fora alocado em outros pedidos de compensação, de forma que a eventual presunção de boafé do recorrente não o exime de provar que possuía saldo credor para acobertar o débito declarado no respectivo Per/Dcomp. PEDIDO COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 73 33 /2 00 9- 63 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.677333/200963 Acórdão n.º 3001000.465 S3C0T1 Fl. 168 2 Por inexistência, nos autos, de prova hábil para infirmála, mantémse a constatação referenciada no despacho decisório e confirmada pela DRJ de que o saldo credor indicado em Per/Dcomp para acobertar débito nele confessado foi alocado em outros pedidos de compensação, não havendo, portanto, hipótese para a regular homologação do pedido de compensação. RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DO MÉRITO DA DECISÃO RECORRIDA. APLICAÇÃO. Se o relator do voto condutor registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa, no que diz respeito ao mérito propriamente dito, perante o colegiado de segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão do colegiado de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1145.357, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE DRJ/REC que, na sessão de julgamento realizada em 19.03.2014 (efls. 98 a 100), julgou improcedente a manifestação de inconformidade e, por conseguinte, não reconheceu o direito creditório indicado no Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação PER/DComp em questão. Da síntese dos fatos Adotase, como de costume neste colegiado extraordinário, para o acompanhamento inicial dos fatos, matérias, pedidos e trâmite dos autos, o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito: Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 07/09, interposta aos 03/12/2009 em face de Despacho Decisório eletronicamente proferido pela Unidade de Origem, fl. 04, do qual a contribuinte tomou ciência aos 05/11/2009, fl. 06, que não homologou a compensação objeto da Declaração de Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10880.677333/200963 Acórdão n.º 3001000.465 S3C0T1 Fl. 169 3 Compensação DCOMP tratada nos correntes autos, na qual foi indicado o valor de R$ 7.593,35 como crédito originário inicial a ser compensado, atinente a suposto pagamento a maior da contribuição para o PIS/PASEP, que foi realizado no montante original de R$ 22.550,37 em relação ao período de apuração de outubro de 2003. 2. A compensação foi não homologada porque detectado que o citado pagamento fora totalmente aproveitado para quitação dos seguintes débitos da contribuinte, descritos nas “Informações Complementares da Análise do Crédito”, fl. 05: Processo (Pr) / PerDcomp (PD) / Débito (Db) Valor Original Utilizado PD: 08020.00530.150604.1.3.043650 3.686,30 PD: 09853.21115.100205.1.7.040107 614,96 PD: 19915.34481.100205.1.3.044604 2.691,71 PD: 21621.16232.100205.1.3.040402 301,69 PD: 09513.42982.100205.1.3.046755 298,69 Db: cód 6912 PA 31/10/2003 14.957,02 Valor total 22.550,37 3. No recurso, a defendente requer a suspensão da exigibilidade dos débitos cujas compensações foram não homologadas (art. 74, da Lei nº 9.430/96, c/c o art. 151, III, do CTN). 4. Quanto ao crédito empregado na compensação, diz que “a decisão combatida não deve prosperar, tendo em vista que os créditos pelos quais a Requerente procedeu à compensação são legítimos e suficientes para extinguir o crédito tributário compensado”. 5. Outrossim, aduz que, consoante DCTF “do anocalendário de 2003”, o valor da contribuição para o PIS/PASEP apurado em relação ao mês de outubro de 2003 foi de R$ 14.957,02, sendo que, por equívoco, recolheu o montante de R$ 22.550,37 a este título, ressaltando que os valores recolhido e pago estão corretamente informados em DCTF, donde concluiu que a não homologação seria resultado de problemas técnicos do sistema da RFB. 6. Ao final, pugnou pela reforma da decisão recorrida e pela convalidação/homologação da compensação discutida. 7. Este julgador anexou a estes autos extrato emitido no sistema SIEF/PERDCOMP, bem como cópia de outras 05 (cinco) DCOMP em que foi utilizado o mesmo crédito contendido, bem como de Despacho Decisório que homologou apenas parcialmente uma delas. Da ementa do acórdão recorrido A 2ª Turma da DRJ/REC, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10880.677333/200963 Acórdão n.º 3001000.465 S3C0T1 Fl. 170 4 COMPENSAÇÃO COM DIREITO CREDITÓRIO TOTALMENTE UTILIZADO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. IMPROCEDÊNCIA. É improcedente a Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório que não homologa compensação cujo correspondente crédito já tenha sido totalmente utilizado em outras Declarações de Compensação transmitidas pelo próprio sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 107 a 117), para, em suma, reprisar os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e realçar a necessidade de se atentar para os princípios da verdade material e da presunção de boafé, além de comentar a suposta negativa do colegiado a quo em atender ao seu pedido de realização de diligência e para solicitar que a intimação referente ao resultado do presente julgamento seja encaminhado ao endereço do contribuinte; requerendo, por fim, a reforma da decisão recorrida, reconhecendose integralmente o crédito pleiteado e a consequente homologação da compensação apresentada. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 12.09.2017 (efl. 165), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 05.09.2017, conforme depreendese do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 106), depois da ciência ocorrida em 10.08.2017, conforme observase do Aviso de Recebimento "AR" (efl. 104), portanto, é Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10880.677333/200963 Acórdão n.º 3001000.465 S3C0T1 Fl. 171 5 tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Preâmbulo I da suspensão da exigibilidade Embora neste processo não se aventa qualquer discussão acerca da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em face da não homologação da compensação declarada pelo contribuinte, tratarseá do tema em breves linhas, haja vista a preocupação demonstrada pelo recorrente. A partir de 31.10.2003, com a edição da MP 135 convertida na Lei 10.833 de 2003, a suspensão da exigibilidade de débito compensado tornouse possível uma vez que a declaração de compensação feita pelo contribuinte passou a ter caráter de confissão de dívida e ser instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Neste passo, o inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN, norma complementar, dispõe que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Nestes termos, cabe tão somente reafirmar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão até que ocorra sua definitividade na esfera administrativa. Preâmbulo II da intimação ao contribuinte A título de esclarecimento, em atenção ao prescrito nos incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, as intimações realizadas no transcurso do presente processo sempre são endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, salvo sua impossibilidade, não havendo, portanto, margem discricionária para que a ciência da presente decisão ocorra de forma diversa daquelas prescritas na referida norma processual de regência, cuja observância compete à autoridade preparadora que jurisdiciona o contribuinte. Preâmbulo III do princípio da verdade material O recorrente, inadvertidamente, alega que um dos motivos que justifica a reforma do acórdão recorrido, é sua não observância do princípio da verdade material. De plano, afirmase que a alegação do recorrente não se sustenta. Primeiro porque, como sobejamente demonstrado no voto condutor do acórdão recorrido, o motivo da não compensação pretendida decorre única e exclusivamente não foi homologada porque foi detectado que o citado pagamento fora totalmente aproveitado para quitação de outros débitos do contribuinte; segundo, porque pela análise de todas as decisões emanadas nos presentes autos, verificase que houve sim, análise das provas apresentadas, mas estas não foram suficientes para provar o direito alegado pelo contribuinte. Nesse passo, não cabe a este Colegiado alongarse em demasia sobre o princípio da verdade material a esta altura do trâmite processual, ou seja, em sede de recurso voluntário, isto porque a busca pela verdade material no processo administrativo não significa a concessão infindável de oportunidades ao contribuinte de trazer documentos, declarações e informações que provem o seu direito, sem respeito aos prazos estabelecidos na legislação de regência. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10880.677333/200963 Acórdão n.º 3001000.465 S3C0T1 Fl. 172 6 Depreendese do elogiável voto condutor do acórdão recorrido que os Per/Dcomp's indicados na planilha apresentada pelo contribuinte comprometiam na sua totalidade o valor do Darf em que eles se basearam para efetuar a compensação, e que, igualmente após as homologações ocorridas continuou a inexistir saldo disponível para o aproveitamento em compensação do valor pleiteado na Dcomp objeto de análise neste processo. Portanto, é dever do recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade, trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação postula. Essa, digase, é a dicção do caput do artigo 170 do CTN, ao franquear aos entes federados a realização compensação. De outra forma, os pressupostos, pois, do direito crédito a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Desta feita, não podese, aqui, sob o pálio da verdade material suplantar as regras procedimentais aplicáveis ao processo administrativo e permitir, ao arrepio do princípio da isonomia, fazernos substituir à autoridade fiscal ou ao próprio colegiado recorrido, para refazer todo o trabalho que deveria ter sido concretizado e trazido ao feito pelo sujeito passivo, pretensamente, detentor do crédito. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta pelo tão aventado princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas não contempladas pela instância a quo, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno, e, na espécie, tais provas não foram, reprisese, produzidas, sequer na fase recursal antecedente. Preâmbulo IV do princípio da presunção de boafé do contribuinte O recorrente desenvolve argumento no sentido de ver homologada a compensação declarada também sob o manto da prática da boafé, pelo fato de elaborar o Per/Dcomp em questão em face do pagamento de tributo/contribuição em montante superior ao efetivamente devido. Entretanto, uma vez mais, equivocase o recorrente quando aduz que "inexiste razão plausível que justifique a não homologação da PER/DCOMP analisada, que foi elaborada à luz do Princípio da BoaFé". Primeiro, porque ambas decisões, do despacho decisório e do acórdão recorrido, fundamentaram a não homologação da compensação e o não reconhecimento do direito creditório pretendido, respectivamente. Segundo, porque em momento algum esta decisões negaram a existência do "pagamento a maior". Terceiro, porque a constatação da inexistência de crédito disponível para realizar a compensação dos débitos informado no Per/Dcomp em questão é circunstância dotada de natureza absolutamente objetiva, bastando a confirmação de que o valor recolhido a maior, discriminado no Darf indicado na referida Per/Dcomp, foi utilizado para a quitação de outros débitos do contribuinte. Preâmbulo V do pedido de diligência Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.677333/200963 Acórdão n.º 3001000.465 S3C0T1 Fl. 173 7 O recorrente afirma, para justificar a interposição do presente recurso, que o colegiado a quo manteve a decisão contida no despacho decisório de número de rastreamento 849813815, não obstante ter "apresentado provas e solicitado diligência". Compulsando a respectiva manifestação de inconformidade, apresentada em 03.12.2009 (fls. 06 a 08, Volume V1), notase que referido pedido de realização de diligência não foi solicitado. Porém, não obstante tal afirmação demonstrarse equivocada, ainda que verdadeira fosse, convém ressaltar, por oportuno, que o disposto nos artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972, impõe que a realização de diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessária e imprescindível à formação da sua convicção, logo, não podendo servir de mero instrumento para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Do mérito propriamente dito O recorrente apresenta, quanto ao mérito propriamente dito, os mesmos argumentos já trazidos na manifestação de inconformidade, sem acrescentar nenhum elemento de prova adicional. Desta forma, ao amparo do disposto no parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, do Regimento Interno do Carf, a seguir reproduzido, por concordar com os fundamentos da primeira instância, adoto o teor de seu voto condutor, verbis: § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) início da transcrição do voto da primeira instância, na parte de interesse no presente julgado (...) 10. Feito o esclarecimento acima, saliento que não foi a ausência de pagamento indevido a título da contribuição para o PIS/PASEP realizado em relação ao período de apuração de outubro de 2003 que ensejou a nãohomologação da compensação aqui discutida, mas, sim, a circunstância de que o direito creditório a este título já havia sido empregado em outras compensações descritas no Demonstrativo “Informações Complementares da Análise do Crédito”, fl. 05 (vide tabela do item 2 acima), no qual se percebe que, do pagamento da contribuição analisada realizado pela contribuinte no valor de R$ 22.550,37 relativamente ao mês de outubro de 2003, apenas R$ 14.957,02 foi aproveitado para a extinção do correspondente débito o que evidencia que o Despacho Decisório considerou devido o mesmo valor do tributo mencionado pela manifestante. 11. Ademais, no mesmo reportado Demonstrativo (que, consoante expresso no texto do Despacho Decisório, sempre esteve na internet à disposição da contribuinte para consulta em “www.receita.fazenda.gov.br, opção Empresa ou Cidadão, Todos os Serviços, assunto ‘restituição...Compensação’, item Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.677333/200963 Acórdão n.º 3001000.465 S3C0T1 Fl. 174 8 PER/DCOMP, despacho decisório”) se verifica que a diferença de R$ 7.593,35 entre o pagamento da contribuição e o correspondente valor devido (= R$ 22.550,37 R$ 14.957,02) foi aproveitada nas compensações de débitos constantes de outras 05 (cinco) DCOMP e, a respeito desta utilização, a defendente nada disse. 12. O que constatei a respeito do aproveitamento do valor de R$ 7.593,35 nas supraditas DCOMP que imprimi no sistema “CPERDCOMP”, bem como na consulta que fiz ao sistema “SIEF/PERDCOMP”, fls. 74/98 e100, é que os valores do campo “Total do Crédito original Utilizado nesta DCOMP” coincidem com os montantes utilizados indicados em nupercitado Demonstrativo, exceto no tocante à DCOMP nº 19915.34481.100205.1.3.044604, na qual consta a utilização de R$ 3.275,31, enquanto o valor aproveitado que figura no citado Demonstrativo é de apenas R$ 2.691,71, o que se explica pelo fato de que, consoante Despacho Decisório cuja cópia anexei à fl. 99, o crédito original utilizado nesta DCOMP foi reconhecido apenas parcialmente no valor de R$ 2.691,71, correspondente ao saldo do crédito total restante após a homologação integral das outras 04 (quatro) compensações. 13. Então, patenteada a anterior utilização integral do direito creditório nas compensações de débitos objeto de outras DCOMP transmitidas pelo sujeito passivo, não resta saldo de crédito a ser aproveitado na compensação aqui contendida. (...) Da conclusão Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para manter, por seus exatos termos, a decisão recorrida que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório vindicado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Fl. 174DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.903346/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.426
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
(assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 46 /2 00 8- 01 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.897, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 6 5 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 7 6 do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 8 7 interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 9 8 e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 10 9 tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 11 10 vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000496/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
Sujeitam-se ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício.
MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP.
Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 2201-004.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 04 96 /2 00 7- 24 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 105 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 67/75, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo I /SP, de fls. 44/61, a qual julgou parcialmente procedente o lançamento por descumprimento de obrigação acessória (apresentou as Guias de Recolhimento ao Fundo Garantia GFIP, com omissão de fatos geradores das contribuições previdenciárias – CFL 68), conforme descrito no auto de infração DEBCAD 37.040.9914, de fls. 2/7, lavrado em 22/10/2007, referente ao período de janeiro/1999 a dezembro/2006, com ciência do RECORRENTE em 22/10/2007, conforme termo de fl. 12. O crédito não tributário objeto do presente processo administrativo foi aplicado com base no Decreto nº 3.048/1999, art. 284, inciso II e na Lei nº 8.212/1991, art. 32, inciso II, no valor histórico de R$ 942.932,48 atualizado até a lavratura do auto de infração, conforme demonstrativo de cálculo às fls. 15/21 (lançado sem a caracterização de circunstâncias agravantes). Dispõe o relatório da infração (fls. 13/14) que, pelo confronto dos valores das Folhas de Pagamento de empregados e contribuintes individuais, bem como rubricas registradas no Livro Diário e Razão, se constatou a omissão de fatos geradores em GFIP em relação aos seguintes pagamentos efetuados pela empresa RECORRENTE: A. ABO — Abono Especial, que revelam os pagamentos a seus Empregados a título de Abono Especial, conforme CCT, Cláusula 1 a. a partir de ano de 2000, periodicamente pago. em verdadeira substituição à majoração salarial que ocorre no Dissídio Coletivo, na data base de cada ano (novembro), Conta Contábil 411.114. Não há previsão legal isentiva; B. I45 — Indenização por Rescisão 45 anos de Idade, que revelam que a Empresa realizou 11, pagamentos a seus Empregados título de Indenização sem submetêlos às Contribuições Previdenciárias, Rubrica 6945. Não há previsão legal isentiva; C. PA2 — Participação dos Administradores pós GFIP, Pagamento de PARICIPAÇÃO DA DIRETORIA (art. 152 da Lei das S/A). Não há previsão legal isententiva; D. PLR Sorocaba pós GFIP, que revela que a Empresa realizou pagamentos a seus Empregados a titulo de PARTICIPAÇAO NOS LUCROS OU RESULTADOS , na Unidade de Sorocaba em desacordo com a Lei 10.101/2000, nos anos 1998 a 2005, respectivos acordos dos anos 1997 até o ano 2004, vez que sem intermediação obrigatória do Sindicato dos Empregados ou indicação de representante dele nos acordos coletivos; E. SG1 — Seguro de Vida pós GFIP, A Empresa paga Seguro de Vida em Grupo para seus Empregados. O seguro de vida em grupo não é considerado saláriodecontribuição a partir de Fl. 105DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 106 3 11/1999 com edição do decreto 3.265, CONDICIONADO à previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho e com disponibilidade a todos os empregados e dirigentes da empresa. No caso em tela, verificouse inexistência de previsão nas Convenções e/ou Acordos Coletivos. A fiscalização entendeu que os valores acima não se amoldam em nenhuma das hipóteses excludentes da prestação previdenciárias, nos termos do art. 214, § 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, Decreto 3048/99, portanto são fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias e deveriam ter composto suas respectivas bases de cálculo. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 28/32 em 13/11/2007. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em São Paulo I/SP, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: A Notificada contestou o lançamento através do instrumento de fls. 25/29,DRF/GUARULHOS — CAC/SIPE 1097962, em 13/11/2007, alegando em síntese Que recebeu a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito Fiscal, referente a Contribuições Sociais devidas ao INSS e, descreve as infrações como consta da Descrição Sumária da Infração e Dispositivo Legal Infringido de fls. 1. PRELIMINAR Do Pedido de Sobrestamento dos autos 1. Alega necessidade de aguardar o transito em julgado das NFLDs: 37.040.9825; 37.040.9833; 37.040.9850; 37.040.986 8 e 37.040.9892; 2. que a presente NFLD esta calcada naqueles lançamentos que estão sendo objeto de impugnação pela autuada; 3. e, que o presente processo administrativo deverá ser suspenso até o transito em julgado das decisões administrativas das NFLDs mencionadas pois qualquer modificação naquelas infrações altera o valor da presente autuação independente do julgamento do mérito da presente infração que foi supostamente cometida em virtude das demais. DO MÉRITO Que a autuação se deve pela autuada ter apresentado GFIP com supostas omissões de fatos geradores de contribuições previdenciárias do Abono Especial, Indenização por aposentadoria, Participação da Diretoria no Lucro, PLR de Sorocaba e Seguro de Vida e, que tais informações não foram fornecidas pelo fato que a autuada entende que estes pagamentos não são fatos geradores de contribuições Fl. 106DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 107 4 previdenciárias e, por não reconhecer apresentou defesa em todos os lançamentos efetuados. Que a presente infração deverá ser totalmente anulada já que a empresa já fora autuada pela suposta ausência dos recolhimentos . das contribuições previdenciárias sobre aquelas rubricas e, se já esta sendo punida pela suposta ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias não pode ser punida novamente por não demonstrar os respectivos comprovantes. Que está sendo punida duas vezes pelo mesmo fato e que é regra do direito pátrio que o bis in idem é ilegal. Que a infração maior — suposto não recolhimento das contribuições previdenciárias absorve a menor — não apresentação dos comprovantes. Que as explicações aduzidas pelo Impugnante são suficientes para que se perceba que o embasamento do auto é manifestadamente equivocado. REQUER (i) o acolhimento da preliminar para que o presente processo administrativo seja suspenso até o transito em julgado dos processos administrativos decorrentes das NFLDs: 37.040.982 5; 37.040.9833; 37.040.98544 37.040.9868 e 37.040.9892, vez que o resultado destas pode modificar o valor da presente autuação (ii) no mérito que seja julgado o auto de infração improcedente uma vez que a autuada está sendo punida duas vezes pelo mesmo fato e que a autuação pelo não recolhimento das contribuições absorve a presente peça acusatória. (iii) Requer que todas as intimações, notificações e/ou citações, sejam encaminhadas ao patrono da autuada, Dr. Alfredo Camargo Penteado Neto, cujo escritório situase na Rua Dr. Alceu de Campos Rodrigues, 473, Itaim Bibi São PauloSP, CEP: 04544001, para que as devidas providências sejam tomadas em tempo hábil, mormente a decisão da presente defesa. Da Decisão da DRJ de São Paulo I /SP Quando do julgamento do caso, a DRJ em São Paulo I /SP, às fls. 44/61, julgou improcedente as impugnações apresentadas, mantendo integralmente o lançamento através de acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 31/12/2006 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 108 5 DECADÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. 1. É afastada a constitucionalidade do prazo de 10 anos para a constituição de crédito previdenciário pela Súmula Vinculante n° 8, de 12/06/2008. DOU 20/06/2008. 2. O prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve antecipação de pagamento pelo Contribuinte, devese aplicar o prazo decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme artigo 173, inciso I, do CTN. 3. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária, ao artigo 32, inciso IV, § 50, da Lei 8.212/91, sujeitando o infrator à multa prevista no artigo 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99 Lançamento Procedente em Parte” A DRJ de origem entendeu, preliminarmente, pela decadência dos créditos constituídos antes de dezembro/2001 (janeiro/1999 a novembro/2001), visto que transcorridos mais de 5 anos entre a data do fato gerador e a notificação do contribuinte do lançamento, contados nos termos do art. 173, I do CTN. No mérito, entendeu que não merece prosperar a alegação de bis in idem, visto que os processos apontados pelo recorrente buscam cobrar o crédito tributário principal, ao passo que o presente processo busca cobrar a multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória. Possuem, portanto, naturezas diferentes. Ademais, a cobrança da multa decorre de expressa previsão legal, devendo ser cobrada independente da intenção do agente ou responsável, sob pena de infringir o princípio da estrita legalidade. Tomando como base este mesmo argumento autonomia das obrigações decorrentes dos processos administrativos de cobrança das obrigações principais e deste processo – entendeu pelo indeferimento do pedido de sobrestamento. Por fim, quanto ao valor da multa, entendeu a DRJ que a mesma deve ser recalculada excluindo do lançamento as competências atingidas pela decadência. Desta forma, deve ser mantido o crédito no valor de R$ 599.868,14. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 109 6 Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 13/11/2008, conforme AR de fls.65, apresentou Recurso voluntário de fls. 67/75 em 10/12/2008. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE reiterou os argumentos da Impugnação, acrescentando que deveria ter sido reconhecida a decadência da competência de 12/2001. Da Decisão do CARF Ao apreciar o recurso, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, através da resolução nº 2403000.069 (fls. 84/88), entendeu pela necessidade de baixar o processo em diligência para que a Secretaria da Câmara informasse o resultado do julgamento pelo CARF dos seguintes processos: § NFLD 37.040.9833 (Processo nº 16095.000499/200768) § NFLD 37.040.9868 (Processo nº 16095.000501/200707); e § e NFLD 37.040.9892 (Processo nº 16095.000494/200735) Do retorno da diligência Quando do retorno da diligência, foi anexado aos autos o Acórdão nº 2301 002.889, proferido nos autos do Processo nº 16095.000494/200735. Neste sentido, ao receber o presente caso em retorno de diligência, esta Turma julgadora proferiu a Resolução nº 2201 000.216 (fls. 95/99), de 13/4/2016, no seguinte sentido: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 110 7 Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Preliminar: da Decadência A RECORRENTE, apesar do reconhecimento da decadência dos créditos de competência até novembro/2001, volta a insistir, em seu recurso, que o período de dezembro/2001 também estaria decaído. Em seus fundamentos alega que a DRJ de origem cometeu um equívoco no início da contagem do prazo decadencial do período de dezembro/2001. Sob a ótica do RECORRENTE, a contagem do prazo decadencial s iniciou em 1º/1/2002 e não em 1º/1/2003 como entendeu o julgador, visto que este é o primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o crédito poderia ter sido lançado art. 173. I do CTN. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 111 8 Pois bem, a teor da Súmula Vinculante nº 08 do STF, abaixo transcrita, o prazo decadencial aplicável às contribuições previdenciárias é quinquenal e não decenal: Súmula Vinculante 8: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". No que tange aos efeitos da súmula vinculante, cumpre lembrar o texto do artigo 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei". Dessa forma, é possível concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por consequência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Sobre o termo inicial de contagem do prazo decadencial, importante esclarecer que os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias sujeitamse ao regime de decadência referido no art. 173 do CTN, pois tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta a incidência da contagem do prazo estabelecida no art. 150, § 4º, do CTN. Neste sentido, é a jurisprudência deste CARF, conforme ementa abaixo: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008 (...) MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO DO ART. 173, I DO CTN. O prazo aplicável para a verificação do decurso do prazo decadencial para lançamento de multas dado o descumprimento de obrigações acessórias regese pelo art. 173, I do CTN, por não comportarem elas pagamento antecipado. (...) (Acórdão nº 2402005.815; 2ª Seção / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; julgado em 09/05/2017) Então, no presente caso, débitos de obrigações acessórias referentes a fatos geradores ocorridos ao longo do anocalendário 2001 teriam o início da contagem do prazo Fl. 111DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 112 9 decadencial a partir de 01/01/2002 e poderiam ser lançados até 01/01/2007, com exceção da competência de dezembro/2001. Isto porque, o prazo para apresentar a GFIP é até o dia 7 do mês subsequente àquele em que a remuneração foi paga, nos termos do art. 2º da Instrução Normativa MPS/SRP Nº 9/2005. Desta forma, apenas a partir de 8/1/2002 é que a fiscalização poderia ter lançado o crédito tributário por descumprimento de obrigação acessória, visto que, antes desta data, não houve qualquer descumprimento por parte do contribuinte. Nesta toada, o primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o crédito relativo à competência de dezembro/2001 poderia ter sido lançado é 1º/1/2003, razão pela qual a competência de dezembro/2001 não foi fulminada pela decadência, pois o prazo decadencial findou em 01/01/2008. Portanto, correto o entendimento da DRJ. Mérito: Da Multa Aplicada Depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação O cerne do recurso, apresentado pela RECORRENTE, repousa em alegação de que a empresa já foi autuada pelo descumprimento das obrigações principais em processos Fl. 112DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 113 10 administrativos próprios, e já está sendo punida pela ausência de recolhimento do tributo naqueles autos. Nas palavras do próprio RECORRENTE: “A recorrente está sendo punida duas vezes pelo mesmo fato. É regra do direito pátrio que o bis in idem, é ilegal.”. Não merecem prosperar as alegações do RECORRETE, explico: Existe distinção clara entre as obrigações principais e acessórias. A obrigação principal é de pagar o tributo, ao passo que a obrigação tributária acessória é declarar em GFIP a ocorrência do fato gerador, são condutas independentes. Ora, tanto o são que poderia o contribuinte ter declarado em GFIP a ocorrência do fato gerador mas não têlo pago, conduta que viola apenas a obrigação principal, como poderia ter regularmente pago o tributo sem têlo declarado em GFIP, conduta que fere a obrigação acessória. O fato do contribuinte, no presente caso, não ter praticado nenhuma das condutas não implica que a conduta menos grave (descumprimento da obrigação acessória) será absorvida pela punição da conduta mais grave (descumprimento da obrigação principal). Proceder desta forma viola o princípio da isonomia, posto que beneficia o contribuinte que praticar as duas condutas vedadas em detrimento daquele que apenas não cumpre a obrigação principal. O Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da RECORRENTE ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a RECORRENTE apresentou as GFIPs, para as competências janeiro/1999 a dezembro/2006, com informações omissas das contribuições sociais previdenciárias, eis que ela deixou de inserir as seguintes remunerações nas GFIPs: A. ABO — Abono Especial, que revelam os pagamentos a seus Empregados a título de Abono Especial, conforme CCT, Cláusula 1 a. a partir de ano de 2000, periodicamente pago. em verdadeira substituição à majoração salarial que ocorre no Dissídio Coletivo, na data base de cada ano (novembro), Conta Contábil 411.114. Não há previsão legal isentiva; B. I45 — Indenização por Rescisão 45 anos de Idade, que revelam que a Empresa realizou 11, pagamentos a seus Empregados título de Indenização sem submetêlos às Contribuições Previdenciárias, Rubrica 6945. Não há previsão legal isentiva; C. PA2 — Participação dos Administradores pós GFIP, Pagamento de PARICIPAÇÃO DA DIRETORIA (art. 152 da Lei das S/A). Não há previsão legal isententiva; D. PLR Sorocaba pós GFIP, que revela que a Empresa realizou pagamentos a seus Empregados a titulo de PARTICIPAÇAO NOS LUCROS OU RESULTADOS , na Unidade de Sorocaba em desacordo com a Lei 10.101/2000, nos anos 1998 a 2005, respectivos acordos dos anos 1997 até o ano 2004, vez que sem intermediação obrigatória do Sindicato dos Fl. 113DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 114 11 Empregados ou indicação de representante dele nos acordos coletivos; E. SG1 — Seguro de Vida pós GFIP, A Empresa paga Seguro de Vida em Grupo para seus Empregados. O seguro de vida em grupo não é considerado saláriodecontribuição a partir de 11/1999 com edição do decreto 3.265, CONDICIONADO à previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho e com disponibilidade a todos os empregados e dirigentes da empresa. No caso em tela, verificouse inexistência de previsão nas Convenções e/ou Acordos Coletivos. Tais valores das remunerações foram devidamente delineados e registrados no Relatório Fiscal da Multa Aplicada de fls. 13/14 e demonstrado nas planilhas anexas às fls. 15/20. Com isso, a RECORRENTE incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 32 A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (g.n.) (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1º a 4º: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; §1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das Fl. 114DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 115 12 contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. §2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) §3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. §4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídico previdenciário acima delineado, constata se, então, que a RECORRENTE – ao deixar de inserir nas GFIPs os valores e remunerações supracitados – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei n° 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1º a 4º, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Sendo assim, é legal a multa aplicada. Retroatividade Benigna Entendo que o caso merece especial atenção em razão da possível retroatividade benigna em decorrência das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009. Tal particularidade cria uma situação em que é preciso averiguar qual a multa mais benéfica à RECORRENTE: se a anterior ou a posterior à Lei nº 11.941/09. Importante observar que o inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91 foi revogado pela lei nº 11.941/2009. Assim, a multa de mora passou a ser regida pelo caput do art. 35 da lei nº 8.212/1991, o qual remete para o art. 61 da Lei nº 9.430/96, que somente trata de hipótese de pagamento das contribuições em atraso, porém sem o lançamento de ofício: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 116 13 Para os casos de lançamento de ofício, a multa aplicada passou a ser aquela prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, no percentual de 75%, conforme disciplina o art. 35A da Lei nº 8.212/91: Lei nº 8.212/91 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Nos termos do art. 106 do CTN, se aplica a retroação benéfica das leis nos seguintes casos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Porém, a despeito de ter avido alteração da penalidade, importante mencionar que, antes da Lei nº 11.941/2009, eram aplicadas ao contribuinte a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/91 mais a multa pela não inclusão em GFIP de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, §5º, da mesma Lei nº 8.212/91 (também revogada pela Lei nº 11.941/2009). É válido mencionar tal fato pois, a fim de deixar claro ao contribuinte que a verificação da retroatividade benigna enseja a comparação das seguintes penalidades: a nova multa de 75% sobre o valor do principal devido; a multa de mora do antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 + a multa pela não inclusão em GFIP de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, conforme antiga redação do art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 117 14 O menor valor de penalidade dentre as duas hipóteses acima citadas é o que deve prevalecer para ser cobrado do contribuinte. Válido também mencionar que a multa de mora do antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 foi aplicada em cada uma das Notificações (NFLDs) relativas às obrigações principais lançadas, estando controlada em cada um dos processos. Já a multa do art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91, é controlada neste processo e tem como base todos os outros processos (NFLDs) relativos às obrigações principais. Neste sentido, em razão da possível retroatividade benigna em decorrência das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009, entendo que deve haver a comparação de qual a penalidade mais benéfica ao RECORRENTE: a anterior ou a posterior à Lei nº 11.941/2009, devendo sempre ser observada a exigência da obrigação principal. Portanto, a unidade preparadora deve efetuar a comparação conforme determina o art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (...) §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º Para definição do multiplicador a que se refere a alínea "a" do inciso I, e de apuração do limite previsto nas alíneas "b" e "c" do inciso I do caput, serão considerados, por competência, todos os segurados a serviço da empresa, ou seja, todos os empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais verificados em procedimento fiscal, declarados ou não em GFIP. Desta forma, a unidade preparadora deve ficar atenta ao resultado dos julgamentos vinculados a este processo, sobretudo aqueles mencionados pelo RECORRENTE, pois, conforme demonstrado através de resultado de diligência nestes autos, o RECORRENTE Fl. 117DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 118 15 obteve êxito em relação ao processo nº 16095.000494/200735 (relativo ao levantamento SG1 Seguro de Vida) e seu Recurso Voluntário foi parcialmente provido no processo nº 16095.000501/200707 (relativo ao PLR do empregados). Ademais, o recurso voluntário do processo nº 16095.000499/200768 (apenso ao presente e apreciado na mesma ocasião) foi julgado procedente por esta mesma Turma julgadora. Portanto, é fundamental retirar da base de cálculo da multa deste processo àqueles valores em que decidiuse pela procedência dos argumentos do contribuinte, para, só então, fazer a comparação acima determinada da multa mais benéfica. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário conforme razões acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.903285/2012-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO
Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação - Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, comprovação esta que é ônus do contribuinte, sendo incabível a transferência da responsabilidade ao Fisco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.621
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1339; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.903285/201262 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.621 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente MECANICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, comprovação esta que é ônus do contribuinte, sendo incabível a transferência da responsabilidade ao Fisco. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 32 85 /2 01 2- 62 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, insurgiuse contra o caráter confiscatório da multa exigida, bem como contra a taxa Selic. A Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 10 049.302. Cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, a impugnante ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, em síntese, que: ü A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento; ü A decisão elaborada não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que, como visto, carente de fundamentação; ü Não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte; ü Pelo exposto, resta claro o prejuízo aos direitos da Contribuinte ao exercício de sua defesa, vez que impossibilitada de defenderse da forma apregoada no Texto Magno. Neste contexto, não pairam quaisquer dúvidas quanto ao direito dos administrados à ampla defesa Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 4 3 no processo administrativo, sendo este verdadeiro critério de validação dos atos e processos administrativos; ü A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova; ü O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei ou melhor, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte; ü A inaplicabilidade da TAXA SELIC aos supostos débitos como juros de mora e a limitação dos juros de mora dada pelo código tributário nacional; ü A possibilidade do enfrentamento pelo tribunal administrativo do argumento de inconstitucionalidade de norma legal. DO PEDIDO Pelo exposto, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a consequente reforma do Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.615, de 23 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.903279/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.615): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA foi cientificada Acórdão n° 1049.299, em 15/04/2014, via Aviso de Recebimento, às folhas 76 do processo digital. A empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA apresentou o seu Recurso Voluntário em 09/05/2014, às folhas 78 do processo digital. O recurso é tempestivo. Da controvérsia. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos; A decisão elaborada é carente de fundamentação; Ausência der diligência por parte da Fiscalização; A inexistência de crédito e o ônus da prova; O valor lançado a título de multa fere o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; A inaplicabilidade da TAXA SELIC; O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. Das preliminares. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos É alegado às folhas 03 do Recurso Voluntário: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 6 5 A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento. Assim, de forma mais pormenorizada, passaremos em seguida a expor que a decisão que não homologou as compensações pretendidas pela ora Recorrente deixou de atender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios também constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal. Sem razão a Recorrente. O Acórdão n° 1049.299, ora guerreado, de pronto explicita o motivo pelo qual a Administração não homologou a compensação: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, a fiscalização aponta um fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. Reafirmando a própria argumentação do Voto exarado no Acórdão n° 1049.299, a fundamentação fática a pouco transcrita explicita o indeferimento do pleito, não necessitando de esclarecimento adicional, uma vez que os controles de conta corrente exercido pela autoridade administrativa indicavam a alocação para outro débito do suposto crédito oponível pela interessada. De outra sorte, a Recorrente não explicita o porquê que os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal foram desrespeitados. Assim sendo, por ora, tomase essa argumentação como mera retórica. A decisão elaborada é carente de fundamentação. É alegado às folhas 04 do Recurso Voluntário: Ora, Nobres Julgadores, como pode afirmar a Fiscalização que é inexistente o crédito que a Contribuinte pretende compensar se sequer possui meios de determinar qual seria a natureza deste crédito e sua origem??? Ademais, em atenção ao princípio processual administrativo da verdade material, o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, bem como seu fundamento de validade. Isto porque não pode a Administração ‘presumir’ a inexistência de crédito e de plano não homologar as compensações declaradas pela Contribuinte. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 7 6 Todavia, este foi o nefasto procedimento da Administração que, desta maneira, emitiu decisão desprovida da necessária fundamentação que deve conter o Ato Administrativo. Digase ainda que a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos é obrigatória para o exame de sua legalidade, finalidade e da moralidade administrativa. A argumentação esposada não guarda sintonia com o texto do Acórdão n° 1049.299, a começar pela motivação presente no Voto do Acórdão n° 10 49.299: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, o Acórdão n° 1049.299 contém uma fundamentação explicita que inaugura o próprio voto. No mais, depreendese da própria fundamentação transcrita que os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Quanto à alegação de que o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, digase, em tempo, que esse é o propósito tanto da Manifestação de Inconformidade como do próprio Recurso Voluntário e em ambos os casos a empresa MECÂNICA COMERCIAL se limitou a se valer de retórica, sem trazer fatos concretos que suportassem sua argumentação e/ou desabonassem a fundamentação trazida no Voto do Acórdão n° 1049.299. Em tempo, há que se diga, que o Voto do Acórdão n° 1049.299 já faz essa advertência ao então impugnante, empresa MECÂNICA COMERCIAL, ao citar e transcrever os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Ausência de diligência por parte da Fiscalização. É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: Frisase novamente que não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte. Desta maneira, resta prejudicado o contraditório administrativo e, consequentemente, o devido processo legal e, ainda, a ampla e irrestrita defesa da Contribuinte. A decisão da DRJ deveria exprimir o entendimento Fiscal quanto ao crédito postulado pelo Contribuinte, deixando claro qual o Juízo de Valor utilizado para sua não aceitação. Não houve qualquer diligência nesse sentido, porque a Delegacia Regional de Julgamento se convenceu da existência de fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. E como o Recurso Voluntário é árido em trazer elementos de prova que desabonem esse entendimento, não se percebe a necessidade de qualquer Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 8 7 diligência, tomando essa demanda como uma tentativa de procrastinar o presente processo. Do mérito. A inexistência de crédito e o ônus da prova É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova. Neste sentido, o artigo 333 do Código de Processo Civil, invocado pelo Juízo administrativo a quo, é manifestamente inaplicável ao procedimento administrativo. A comprovação dos fatos é o próprio objeto do processo administrativo, não havendo que se distribuir o ônus probatório entre as partes. (Negrito próprio) Como já mencionado em questão enfrentada alhures: os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Por esse motivo, não paira para a fiscalização qualquer dúvida quanto à existência, qualidade, valor e destinação do crédito, não havendo motivos para a realização de diligência. Quanto à solicitação de perícia, o artigo 36 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim explicita: Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 1o Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder, e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 9 8 § 2o Indeferido o pedido de diligência ou de perícia, por terem sido consideradas prescindíveis ou impraticáveis, deverá o indeferimento, devidamente fundamentado, constar da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 18 e 28, com as redações dadas pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. A Lei 9.874 que se aplica subsidiariamente ao Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim dispõe: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. A relevância do fato é caracterizada por haver correspondência entre este e a situação enfocada no processo, bem como por seu reconhecimento desencadear efeitos jurídicos peculiares. A pertinência, por sua, vez, diz respeito ao relacionamento entre o fato e a lide instalada. O mesmo se pode dizer da concludência, entendida como a possibilidade de conduzir o julgador à conclusão acerca dos fatos discorridos no processo. Fato concludente, nessa concepção, não significa o enunciado que, por si só, seja suficiente para formar a convicção do julgador, mas todo fato que, ao lado de outros, possa atuar como argumento para a procedência ou improcedência da demanda, em nada se distinguindo do chamado fato pertinente. Considerado fato inconcludente aquele que leva ao convencimento da ocorrência ou inocorrência de situações não envolvidas na discussão processual (fato impertinente), sua prova seria totalmente inócua. Nesse ponto, notase o intrínseco relacionamento entre os requisitos do fato susceptível de ser objeto de prova e a função que a prova assume no sistema jurídico: sendo destinada ao convencimento do julgador, só tem cabimento a realização de enunciação probatória relativa a fatos que possam levar a essa persuasão. Não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que propiciasse a realização da perícia, a luz do que já foi exposto, mesmo porque toda perícia tem por objetivo auxiliar o julgador na formação de sua melhor convicção racional e na busca da verdade material, ação que já se processou. Das penalidades. Da arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Quanto ao princípio do nãoconfisco, e por conseguinte o princípio da razoabilidade – proporcionalidade, agasalhase o entendimento o de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se podendo dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 10 9 A inaplicabilidade da TAXA SELIC Sobre o assunto, o art. 161, § 1º, do CTN, abaixo reproduzido, outorga à lei a faculdade de estabelecer os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, fixando o percentual de 1% na hipótese de a lei não dispor de forma diversa. Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária”. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Em atenção a tal dispositivo, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 61, § 3º, estabeleceu expressamente, para o cálculo dos juros de mora, a aplicação da taxa Selic. Oportuno registrar, conforme reconhecido pela interessada, que, sobre o assunto, já existe Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), como segue: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, estando a exigência devidamente fundamentada, conforme já anteriormente mencionado, não cabe a este órgão administrativo perquirir da legalidade ou inconstitucionalidade dessa norma, uma vez que, enquanto esta não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicálas ao caso concreto. Nesse mesmo sentido, está, como já citado, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Confirmando este posicionamento, já foi editada Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), dispondo, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Todavia, ainda que nos fosse possível enveredar por tais caminhos, cumpririanos lembrar que a jurisprudência do STJ já há muito se consolidou no sentido da legitimidade da aplicação da SELIC nos créditos tributários, como é possível depreender dos julgados abaixo: AgRg no Ag 932732 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 18/12/2008: Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 11 10 “1. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade.(...)” REsp 1028724 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 06/05/2008: “(...) 10. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários.(...)” REsp 1086308 SEGUNDA TURMA – Julgado em 09/12/2008: “(...) 2. É legítima a utilização da taxa Selic como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(...)” Diante da mais recente jurisprudência, não haveria como considerar de outra forma. E, como argumento de reforço no sentido da aplicação justa, vale observar que o STJ posicionase no sentido da aplicação da SELIC tanto a favor da Fazenda Pública, quanto a favor dos contribuintes, como se depreende do julgado abaixo: AgRg no Ag 599960 – SEGUNDA TURMA – Julgado em 07/12/2004: “(...)A Primeira Seção deste egrégio Superior Tribunal de Justiça, na assentada de 14.05.2003, consolidou o entendimento no sentido da aplicação da Taxa SELIC, na restituição/compensação de tributos, a partir da data da entrada em vigor da lei que determinou sua incidência no campo tributário, conforme dispõe o artigo 39 da Lei n. 9.250/95.(...)” Também não merece prosperar a alegação de que o CTN, no art. 161 §1o, estabelece taxa de 1% e que uma norma com força de lei complementar não poderia ser contrariada ou modificada por uma lei ordinária, pois que o próprio texto do código já excepciona sua aplicabilidade: CTN Art. 161 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifo nosso) Passando à questão da revogação dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/91 pela MP 449/08, temos que, inicialmente, estabelecer a natureza dos juros de mora ora revogados. Há de se explicitar que os juros de mora não têm caráter punitivo, mas sim, de compensação pela falta de disponibilidade dos recursos por parte da Fazenda. Destarte, no que tange a retroatividade, as regras de aplicação da legislação tributária previstas art. 106 inciso II do CTN não alcançam os juros de mora, fazendo valer a regra geral de aplicação temporal das leis tributárias prevista no art. 144 do mesmo diploma legal: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 12 11 CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Inobstante o fato de a mudança trazida pela nova legislação ser muito pouco significante (diferença de apenas 1% aplicável no mês do recolhimento) tal mudança não se opera retroativamente, continuando a valer a metodologia vigente à época do fato gerador. Não há, portanto, como acatar o afastamento da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. A presente questão relacionase com as hipóteses de aplicação, pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, de norma declarada inconstitucional pelo STF em controle difuso, quando não há resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RF), dispensando a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional. No Brasil, em regra, o controle de constitucionalidade de leis e atos normativos compete ao Poder Judiciário e pode realizarse por duas vias distintas: a concentrada (controle abstrato) e a difusa (controle concreto). Na via concentrada, a constitucionalidade da norma é examinada em tese e o que se busca é expelir do sistema jurídico o ato inconstitucional. Não se cuida do julgamento de uma relação concreta, mas sim da validade de uma norma em abstrato frente à Constituição. É por isso que, nesse âmbito, a declaração de inconstitucionalidade tem eficácia objetiva (erga omnes), o que impossibilita a aplicação da norma viciada pelos órgãos de julgamento administrativo. Por outro lado, no controle difuso, o autor da ação não procura a tutela do Poder Judiciário preocupado com a inconstitucionalidade da lei em tese. Seu objetivo é a efetivação de determinado direito subjetivo concreto, exigível em face de alguém. A questão constitucional é apreciada apenas de forma acessória, incidental, a fim de que o Poder Judiciário possa decidir o mérito da causa, reconhecendo ou não o direito subjetivo do autor. Disso se extrai que, na via difusa, a declaração de inconstitucionalidade de ato normativo proferida no bojo de decisão judicial definitiva só alcança as partes do processo (eficácia inter partes) e, por consequência, não vincula objetivamente os órgãos de julgamento administrativo – a não ser na hipótese prevista no art. 52, inciso X, da Constituição Federal (resolução do Senado Federal), ou, no caso das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil, na hipótese prevista no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Essa última exceção merece maior detalhamento, pois se relaciona diretamente com a questão apresentada. O art. 77 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, autorizou o Poder Executivo a disciplinar as hipóteses em que a Administração Tributária federal pode afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional por decisão definitiva do STF: Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar as hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 13 12 declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: I absterse de constituílos; II retificar o seu valor ou declarálos extintos, de ofício, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais. A regulamentação de tal dispositivo legal veio com o referido Decreto nº 2.346/1997, que, em seu art. 4º, estabeleceu o seguinte: Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Ou seja, na hipótese de o Secretário da Receita Federal do Brasil determinar o afastamento da aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso, os julgadores das DRJs ficam vinculados a essa determinação. Tratase aqui de interpretação do parágrafo único do dispositivo à vista do caput. No entanto, a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterou o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, retirando a vedação antes existente de afastamento de aplicação de acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, somente para os casos em que a norma já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal alteração gerou divergência de entendimento acerca da possibilidade de extensão dos efeitos subjetivos de declaração de inconstitucionalidade aos processos administrativos em curso na RFB nas hipóteses em que não se verificam as mencionadas vinculações objetivas, ou Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 14 13 seja, fora dos casos previstos no art. 52, inciso X, da Constituição Federal, e no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/1997. De um lado, estão os que defendem que sim, que, em determinados casos, os julgadores das DRJs podem afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Fundamentamse, para tanto, na interpretação do §6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (redação dada pela Lei nº 11.941/2009): Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Entendem, portanto, que tal dispositivo, por ser posterior ao Decreto nº 2.346/1997, tacitamente revogou o seu art. 4º, que exigia a edição de ato do Secretário da RFB que autorizasse a não aplicação de norma declarada inconstitucional, com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Argumentam também que persistir na aplicação de dispositivos legais cuja inconstitucionalidade vem sendo reiteradamente declarada incidentalmente pelo STF traria prejuízos futuros à Fazenda Pública, em razão de eventuais ônus sucumbenciais. A rigor, o caput do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 veda aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de ato normativo sob fundamento de inconstitucionalidade. No entanto, o inciso I do §6º desse mesmo artigo, dispõe que tal vedação não se aplica a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF”. A par disso, para a primeira corrente temse que é perfeitamente cabível o entendimento de que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 estaria circunscrito às decisões tomadas em controle concreto ou difuso de constitucionalidade. Não se vislumbra possível interpretar a vedação de que trata o caput do artigo 26A no sentido de que estaria se referindo às decisões proferidas em controle abstrato ou concentrado de constitucionalidade, porquanto isso significaria esvaziálo de conteúdo, em afronta ao postulado hermenêutico de que não se deve interpretar uma norma de modo a negarlhe aplicabilidade. Afinal, não se pode perder de vista que as declarações de inconstitucionalidade em abstrato excluem a norma viciada do mundo jurídico (em regra, com efeitos ex tunc). Nesse sentido, referida norma não poderia mais ser aplicada pelos órgãos de julgamento administrativo, independentemente do disposto no inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 Ademais, importa salientar que não se quer dizer que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 determina que os órgãos de julgamento administrativo neguem aplicação a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. O que ele faz é afastar a vedação prevista no caput do artigo. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 15 14 Assim, concluindo, para esta corrente o inciso I do §6º permite que os órgãos de julgamento administrativo deixem de aplicar ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. Por outro lado, tem os que são contrários à possibilidade de os julgadores das DRJs afastarem a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Defendem que, em face do princípio da legalidade, nenhuma autoridade administrativa pode negar aplicação a norma vigente; que, para tal negativa, fazse necessário que referida norma seja devidamente excluída do ordenamento jurídico – quer por sua revogação, quer por declaração de inconstitucionalidade na via concentrada, quer ainda na hipótes2e do art. 52, inciso X, da Constituição Federal –, ou que seja ela objeto do ato do Secretário da RFB previsto no art. 4º do Decreto nº 2.346/1997. Em reforço, os adeptos dessa segunda corrente mencionam a Solução de Consulta Interna nº 5 Cosit, de 03 de março de 2009, que consigna em seu parágrafo 17 e 18: 17. Diante desse fato, a Administração Tributária Federal deve reconhecer que, uma vez declarada a inconstitucionalidade das disposições contidas no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mesmo que em decisão de controle difuso pelo STF, também está prejudicado o comando previsto no art. 10 do Decreto nº 4.524, de 2002, na parte em que define o faturamento (receita bruta) como sendo a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, em relação às pessoas jurídicas detentoras de declaração de inconstitucionalidade prolatada pelo Poder Judiciário, por ser o mencionado Decreto norma de caráter apenas regulamentar. 18. Entretanto, as pessoas jurídicas enquadradas no regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, que não possuam quaisquer medidas judiciais declaratórias da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, continuam obrigadas aos recolhimentos mensais das referidas contribuições, tendo como base de cálculo o montante do faturamento (receita bruta) entendido como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade por elas exercida e a classificação contábil adota para as receitas. (o grifo é do original) É de se registrar que, recentemente, foram aprovados pelo Ministro da Fazenda os Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2010, de 22 de março de 2010, e o Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011. O primeiro concluiu no sentido de que a PGFN: (i) não mais apresente recursos, ordinários ou extremos, contra as decisões judiciais, desfavoráveis à Fazenda Nacional, que se mostrarem consentâneas com precedente judicial formado sob a nova sistemática de julgamento prevista nos arts. 543B e 543C do CPC; (ii) não mais interponha RESP/RE contra acórdãos proferidos em consonância com jurisprudência reiterada e pacífica do STF/STJ (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ); (iii) não mais interponha agravo regimental contra decisões monocráticas de Relator (dos TRF´s, do STJ ou do STF) que, com respaldo em jurisprudência reiterada e pacífica daqueles Tribunais Superiores (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ), também adotada pela respectiva Turma, neguem seguimento Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 16 15 a recursos, nos termos do art. 557 do CPC; (iv) não mais apresente impugnação/contestação contra pedido(s) formulado(s) com respaldo em precedente judicial oriundo de julgamento submetido à sistemática prevista nos arts. 543B e 543C do CPC. Por seu turno, o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda, estabeleceu orientações a serem observadas pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pelos demais órgãos do Ministério da Fazenda, quando caracterizada hipótese de dispensa de contestação e recursos, bem como desistência dos já interpostos, de que trata a Portaria PGFN nº 294/ 2010. Em resumo, como conseqüência da aprovação dos referidos Pareceres pelo MF, a Receita Federal do Brasil passa a estar vinculada às decisões do STJ e STF nas causas repetitivas julgadas na forma dos arts. 543B e 543C do CPC, quando não houver ressalvas por parte da PGFN. No entanto, discutese, ainda, se essa vinculação ocorre para as atividades de julgamento, considerandose que o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011 trata de aplicação às atividades de constituição e cobrança de créditos no âmbito da RFB, nada mencionando sobre a hipótese de julgamento administrativo. Observase que, até a edição da Lei nº 11.941/2009, que introduziu o § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, a posição majoritária na Primeira Instância do contencioso administrativo era no sentido de não afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. A partir dessa alteração legal, essa tendência já não se confirma, uma vez que são identificadas várias decisões que defendem o afastamento da aplicação de ato normativo quando o caso se subsume ao disposto no § 6º, I, do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Decisões favoráveis ao não afastamento aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso: Trecho de ementa: CONTROLE INCIDENTAL DE CONSTITUCIONALIDADE. MODO DIFUSO. EFICÁCIA ENTRE AS PARTES. A decisão do STF em sede de controle difuso de constitucionalidade tem efeito apenas entre as partes, ou seja, não beneficia terceiros não integrantes da lide; para que essa decisão tenha efeitos erga omnes deve haver edição de Resolução do Senado suspendendo a execução do dispositivo declarado inconstitucional, ou, em outra hipótese, para que decisões da espécie obriguem a administração pública ao seu cumprimento, carece que a inconstitucionalidade seja declarada em controle concentrado ou que o STF edite súmula vinculante, nos termos da Lei nº 11.417, de 2006. (Acórdão DRJ/CTA nº 06 34.502, 24/11/2011) Trecho de ementa: EFEITOS DE DECISÕES JUDICIAIS. INCONSTITUCIONALIDADE INCIDENTAL. SÚMULA VINCULANTE. As decisões judiciais produzem efeitos somente às partes envolvidas. A declaração incidental de inconstitucionalidade possui efeito erga omnes quando advinda de Resolução do Senado Federal ou mediante Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal. (Acórdão DRJ/FNS nº 0726.431, de 27/10/2011) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 17 16 Trecho de ementa: ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. (Acórdão DRJ/FNS n° 07 19.634, de 23/04/2010) Trecho de ementa: COISA JULGADA MATERIAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO. SEGURANÇA JURÍDICA. INAFASTABILIDADE. A segurança jurídica, como direito fundamental, é limite que não permite a anulação do julgado, sobretudo na esfera administrativa, ainda que a norma legal que serviu de pressuposto à decisão judicial tenha sido posteriormente acoimada de inconstitucionalidade, em decisão do STF. (Acórdão DRJ/CTA nº 0615.022, 15/08/2007) Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.728178/2016-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR. ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE.
A edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. Ademais, o Código Tributário Nacional possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, jamais o principal de tributo. O artigo 24 da LINDB dirige-se à revisão de ato, processo ou norma emanados da Administração, bem como de contrato ou ajuste entabulados entre a Administração e o particular, não se aplicando ao lançamento fiscal, já que este não se ocupa da revisão de atos administrativos e não declara a invalidade de ato ou de situação plenamente constituída.
ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL.
O registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. Súmula CARF n. 116: "Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve-se levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança."
GLOSA DE DESPESAS. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE INVESTIDORA (EMPRESA VEÍCULO) POR SUA INVESTIDA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE.
É indedutível a amortização do ágio, quando uma sociedade, investidora, tendo como único objetivo a obtenção de benefício fiscal (amortização do ágio), incorpora a sociedade investida (empresa veículo), em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura da própria investida.
MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO.
Cancela-se a qualificação da multa de ofício quando não comprovado o dolo do sujeito passivo, no sentido de consciência da prática de um ilícito, necessário à caracterização das hipóteses de sonegação, fraude e conluio.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE
As multas de ofício constituem-se em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais.
Em não havendo nos autos as condições permissivas ao abrandamento de penalidade previsto no art.112 do CTN, de se rejeitar a sua aplicação.
JUROS SOBRE MULTA. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
RESPONSABILIDADE. ARTIGO 135 DO CTN. MEMBROS DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Membros do conselho de administração de sociedades anônimas não têm poder de execução de atos, não sendo cabível sua responsabilização tributária com base no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional.
RESPONSABILIDADE. ARTIGO 135 DO CTN. DIRETORES.
Não prevalece a responsabilização de diretores quando o auto de infração não imputa individualmente quais atos teriam sido praticados com infração à lei ou a estatutos.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011, 2012
LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL.
CSLL. EXTENSÃO LEGAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO INOPONÍVEL AO FISCO. DECORRÊNCIA LÓGICA.
Cabível a extensão da glosa das despesas com amortização de ágio à base de cálculo da CSLL por conta do disposto no artigo 57 da Lei 8.981/95, que tem por intento evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas têm de comum. Entretanto, independentemente de qualquer interpretação, uma vez considerado inoponível ao Fisco o planejamento tributário tendente a reduzir a base de cálculo do IRPJ, por decorrência lógica o mesmo não pode ser validado para fins de CSLL.
Numero da decisão: 1401-002.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de aplicação do artigo 24 da LINDB ao caso em apreço, bem assim as arguições de decadência para, no mérito, também por unanimidade de votos, afastar a qualificação da multa de ofício, negar provimento em relação à cobrança de juros sobre a multa de ofício e dar provimento ao recurso apresentado pelos apontados como responsáveis tributários. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à glosa de despesas de amortização de ágio para fins de IRPJ e deCSLL; vencidos os Conselheiros Lívia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga; Os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga acompanharam a Relatora pelas conclusões; também por voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à imposição da multa de ofício; vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Designado o Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(assinado digitalmente)
Claudio de Andrade Camerano - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR. ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE. A edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. Ademais, o Código Tributário Nacional possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, jamais o principal de tributo. O artigo 24 da LINDB dirige-se à revisão de ato, processo ou norma emanados da Administração, bem como de contrato ou ajuste entabulados entre a Administração e o particular, não se aplicando ao lançamento fiscal, já que este não se ocupa da revisão de atos administrativos e não declara a invalidade de ato ou de situação plenamente constituída. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. O registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. Súmula CARF n. 116: "Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve-se levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança." GLOSA DE DESPESAS. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE INVESTIDORA (EMPRESA VEÍCULO) POR SUA INVESTIDA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. É indedutível a amortização do ágio, quando uma sociedade, investidora, tendo como único objetivo a obtenção de benefício fiscal (amortização do ágio), incorpora a sociedade investida (empresa veículo), em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura da própria investida. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO. Cancela-se a qualificação da multa de ofício quando não comprovado o dolo do sujeito passivo, no sentido de consciência da prática de um ilícito, necessário à caracterização das hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE As multas de ofício constituem-se em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Em não havendo nos autos as condições permissivas ao abrandamento de penalidade previsto no art.112 do CTN, de se rejeitar a sua aplicação. JUROS SOBRE MULTA. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. RESPONSABILIDADE. ARTIGO 135 DO CTN. MEMBROS DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Membros do conselho de administração de sociedades anônimas não têm poder de execução de atos, não sendo cabível sua responsabilização tributária com base no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional. RESPONSABILIDADE. ARTIGO 135 DO CTN. DIRETORES. Não prevalece a responsabilização de diretores quando o auto de infração não imputa individualmente quais atos teriam sido praticados com infração à lei ou a estatutos. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011, 2012 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. CSLL. EXTENSÃO LEGAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO INOPONÍVEL AO FISCO. DECORRÊNCIA LÓGICA. Cabível a extensão da glosa das despesas com amortização de ágio à base de cálculo da CSLL por conta do disposto no artigo 57 da Lei 8.981/95, que tem por intento evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas têm de comum. Entretanto, independentemente de qualquer interpretação, uma vez considerado inoponível ao Fisco o planejamento tributário tendente a reduzir a base de cálculo do IRPJ, por decorrência lógica o mesmo não pode ser validado para fins de CSLL.
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EMPRESA VEÍCULO. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. Recorrente COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA COELBA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR. ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE. A edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. Ademais, o Código Tributário Nacional possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, jamais o principal de tributo. O artigo 24 da LINDB dirigese à revisão de ato, processo ou norma emanados da Administração, bem como de contrato ou ajuste entabulados entre a Administração e o particular, não se aplicando ao lançamento fiscal, já que este não se ocupa da revisão de atos administrativos e não declara a invalidade de ato ou de “situação plenamente constituída”. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. O registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. Súmula CARF n. 116: "Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança." AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 81 78 /2 01 6- 64 Fl. 8988DF CARF MF 2 GLOSA DE DESPESAS. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE INVESTIDORA (EMPRESA VEÍCULO) POR SUA INVESTIDA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. É indedutível a amortização do ágio, quando uma sociedade, investidora, tendo como único objetivo a obtenção de benefício fiscal (amortização do ágio), incorpora a sociedade investida (“empresa veículo”), em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura da própria investida. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO. Cancelase a qualificação da multa de ofício quando não comprovado o dolo do sujeito passivo, no sentido de consciência da prática de um ilícito, necessário à caracterização das hipóteses de sonegação, fraude e conluio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE As multas de ofício constituemse em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Em não havendo nos autos as condições permissivas ao abrandamento de penalidade previsto no art.112 do CTN, de se rejeitar a sua aplicação. JUROS SOBRE MULTA. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. RESPONSABILIDADE. ARTIGO 135 DO CTN. MEMBROS DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Membros do conselho de administração de sociedades anônimas não têm poder de execução de atos, não sendo cabível sua responsabilização tributária com base no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional. RESPONSABILIDADE. ARTIGO 135 DO CTN. DIRETORES. Não prevalece a responsabilização de diretores quando o auto de infração não imputa individualmente quais atos teriam sido praticados com infração à lei ou a estatutos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011, 2012 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Fl. 8989DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.989 3 CSLL. EXTENSÃO LEGAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO INOPONÍVEL AO FISCO. DECORRÊNCIA LÓGICA. Cabível a extensão da glosa das despesas com amortização de ágio à base de cálculo da CSLL por conta do disposto no artigo 57 da Lei 8.981/95, que tem por intento evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas têm de comum. Entretanto, independentemente de qualquer interpretação, uma vez considerado inoponível ao Fisco o planejamento tributário tendente a reduzir a base de cálculo do IRPJ, por decorrência lógica o mesmo não pode ser validado para fins de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de aplicação do artigo 24 da LINDB ao caso em apreço, bem assim as arguições de decadência para, no mérito, também por unanimidade de votos, afastar a qualificação da multa de ofício, negar provimento em relação à cobrança de juros sobre a multa de ofício e dar provimento ao recurso apresentado pelos apontados como responsáveis tributários. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à glosa de despesas de amortização de ágio para fins de IRPJ e deCSLL; vencidos os Conselheiros Lívia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga; Os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga acompanharam a Relatora pelas conclusões; também por voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à imposição da multa de ofício; vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Designado o Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Claudio de Andrade Camerano Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado). Fl. 8990DF CARF MF 4 Relatório Tratase de autos de infração para a cobrança de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 2011 e 2012, em razão de amortizações de ágio consideradas indedutíveis (o auto de infração indica "ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL DESPESA INDEDUTÍVEL DE ÁGIO DE SI MESMA" fl. 237). A multa foi qualificada porque, no entender da autoridade autuante, "Esta conduta de criar operações sem substrato econômico razoável (transferência de ágio para empresa veículo e incorporação às avessas da controladora) para tentar alterar o fundamento econômico do ágio visando apenas à redução da carga tributária consubstanciou a conduta fraudulenta das empresas envolvidas nas operações, ..." (fl. 76). O relatório da decisão recorrida assim descreve as infrações imputadas e os argumentos da impugnação: 1 ) Relatório de Verificação Fiscal. O Fisco constatou, que a empresa deduziu, na apuração do Lucro Líquido, nos anos de 2011 e 2012, valores referentes a ágio, no montante anual respectivo de R$ 55.539.840,12 e 53.582.152,80, conforme demonstrativo de fl. 43. Através da análise do LALUR apresentado, concluiu que as amortizações do ágio não foram adicionadas na apuração do Lucro Real. Descreve os pormenores do Edital nº 01/97, que tratou da alienação de ações ordinárias da COELBA, que, previu a negociação de 65,64 % do capital ordinário da empresa. Afirma que a COELBA, apesar de regularmente intimada, não apresentou laudo ou demonstrativo arquivado de avaliação de seu patrimônio, que demonstrasse tempestivamente os fundamentos econômicos para o ágio amortizado nos anos calendário 2011 e 2012, oriundo da aquisição de ações no âmbito do leilão de privatização realizado em 31 de julho de 1997. Apesar da não apresentação do laudo ou demonstrativo como determina a legislação, o fisco teve acesso ao laudo elaborado pela Trevisan Consultores, com avaliação de R$ 1.773.665.000,00 para 100% do capital da COELBA, que justificariam a expectativa de rentabilidade futura do ágio pago pela adquirente da participação (Guaraniana S.A, atualmente denominada de NEOENERGIA S.A). Entretanto, segundo o autuante, o laudo/demonstrativo da Trevisan Consultores não tem o condão de justificar economicamente todo o ágio contabilizado e amortizado pela COELBA, no período de 2011 e 2012, uma vez que o valor constante do laudo (R$ 1.773.665.000,00), se refere a 100% das ações da COELBA e a aquisição pela Guaraniana S A, teria sido de apenas 51,7% do total das ações. Segundo o fisco: ... Ora, se 100% do capital da COELBA foi mensurado, através da técnica do fluxo de caixa projetado, por Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira e, a empresa Guaraniana S.A, após ajustes, adquiriu apenas 51,7% do capital total, não restam dúvidas que apenas essa participação teria os pressupostos econômicos identificados. Ou seja, do total avaliado por consultoria (R$ 1.773.665.000,00), apenas o montante de R$ 916.984.805,00 (novecentos e dezesseis milhões, novecentos e oitenta e quatro Fl. 8991DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.990 5 mil, oitocentos e cinco reais) guardava relação com a rentabilidade futura, conforme demonstrativo abaixo. No entanto, sabese que a mais valia registrada pela empresa Guaraniana S.A, no âmbito do leilão de privatização, representou 69,71% do custo total de aquisição da participação no capital da COELBA (1.213.019.937,14 / (526.966.189,77+1.213.019.937,14)), por isso, ao aplicar tal percentual no montante de capital adquirido (51,7% ou R$ 916.984.805,00), verificouse que apenas o valor de R$ 639.269.953,55 (seiscentos e trinta e nove milhões, duzentos e sessenta e nove mil, novecentos e cinquenta e três reais e cinquenta e cinco centavos) se referia a ágio, cujo fundamento econômico poderia estar baseado em rentabilidade futura. Abaixo, demonstrase sinteticamente o raciocínio utilizado. ... Conclui o fisco que, "diante dos fatos narrados e documentos analisados, relativamente a aquisição de ações da COELBA, no âmbito do leilão de privatização, ocorrido em 31 de julho de 1997, concluiuse que apenas 52,70% do ágio contabilizado possuía pressuposto econômico na rentabilidade futura" da empresa adquirida. Dessa forma o ágio se reduziria a R$ 639.269.953,55. Prossegue o fisco elencando novas aquisições efetuadas pela empresa Guaraniana S A. Inicialmente aumentando sua participação na COELBA para 56,48 % do capital total, através de aquisições com deságio, entre maio de 1998 e fevereiro de 1999, em Bolsas de Valores e posteriormente, aumentando o capital para 87,832% em 06/10/1999, através de leilão especial realizado na BOVESPA, com ágio de R$ 40.692.244,674. Para esta última aquisição, o Fisco alega que o laudo apresentado é datado de 23/12/1999, posterior, então, à data do negócio. Alega ainda o Fisco, que "no que se refere ao Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira do capital total da COELBA, realizado em 09 de julho de 1997 pela Trevisan e Associados Consultores de Empresas LTDA, foi possível verificar que se prestou a fundamentar economicamente apenas parte do ágio oriundo do leilão de privatização, amortizado no biênio 2011 e 2012, sendo que, por essa razão não teria o condão de embasar a mais valia surgida no leilão especial". Conclui o autuante, com base na legislação vigente, tratarse de ilicitude a amortização do ágio sem comprovação tempestiva da fundamentação econômica na rentabilidade futura da controlada. Prossegue o Fisco: ... No caso do Laudo de avaliação econômicofinanceira do capital total da COELBA, realizado pela consultora Trevisan e Associados Consultores de Empresas LTDA, verificouse que parte do ágio (52,70% ou R$ 639.269.953,55) fora fundamentado em Fl. 8992DF CARF MF 6 rentabilidade futura, sendo certo, que somente esse quinhão teria dedutibilidade fiscal possibilitada. No entanto, houve outra aquisição de ações da COELBA, em leilão especial, ocorrido em 06 de outubro de 1999, sem demonstração tempestiva arquivada, razão pela qual reduziuse o percentual do ágio amortizável, em face de fundamentação econômica, conforme demonstrativo abaixo. Após o tudo o que foi exposto no presente relato, concluiuse que apenas 42,78% ou o equivalente a R$ 536.367.942,85 (quinhentos e trinta e seis milhões, trezentos e sessenta e sete mil, novecentos e quarenta e dois reais e oitenta e cinco centavos) se referiam a ágio com pressuposto econômico na rentabilidade futura de controlada que, em tese, poderia ser amortizado do lucro real da COELBA. O montante equivalente a diferença entre o que foi efetivamente deduzido e o ágio amortizável não reunia requisitos legais para redução da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Entretanto, demonstrarseá que todo o ágio amortizado pela COELBA, oriundo do leilão de privatização e leilão especial, não encontra respaldo na legislação vigente a época dos fatos geradores (2011 e 2012) para redução da base de cálculo dos tributos acima mencionados. O Fisco analisa também o grupo de controle da COELBA, após as aquisições das ações, assim como o tratamento contábil e fiscal do ágio gerado. Descreve a evolução da participação societária da Guaraniana S A e demonstra através do diagrama a seguir a relação societária existente entre as empresas: De acordo com a exposição realizada nos itens 2 a 4.2 do presente relato, houve aquisição de ações da COELBA pela Guaraniana S.A com expressivo ágio. Após manifestação da CVM16 acerca de debêntures anteriormente emitidas pela COELBA, conversíveis em ações, as quais, quando convertidas, reduziriam (para 51,7%) a participação da Guaraniana S.A no capital total da investida, podese constatar que o montante do ágio registrado contabilmente17, ao final do ano de 1997, equivalia a R$ 1.213.019.937,14 (um bilhão, duzentos e treze milhões, dezenove mil, novecentos e trinta e sete reais e quatorze centavos). ... Apesar de contabilmente amortizado, o ágio em epígrafe foi adicionado ao LALUR da Guaraniana S.A, conforme se verificou às fls. 10 e 13, motivo pelo qual não compôs a base de cálculo dos tributos IRPJ e CSLL. No ano calendário de 1998, a Guaraniana S.A amortizou, a título de ágio oriundo da COELBA, o equivalente a R$ 52.124.614,61 (cinquenta e dois milhões, cento e vinte e quatro mil, seiscentos e quatorze reais e sessenta e um centavos), contudo, à fl. 13, do LALUR, realizou adição do montante por não reunir os requisitos legais para compor a base de cálculo dos tributos IRPJ e CSLL. Ressaltase que os lançamentos verificados no livro fiscal se referiam a amortização do ágio relativo a COELBA e COSERN. ... Fl. 8993DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.991 7 Após os lançamentos acima mencionados, relativos ao ágio e a conta de investimento correlata, verificouse a seguinte composição nas contas de ativo e de resultado: No ano calendário de 1999, a empresa Guaraniana S.A informou na DFP, à fl. 37, que adquirira 3.862.480.000 (três bilhões, oitocentos e sessenta e dois milhões, quatrocentas e oitenta e mil) ações ordinárias e 2.034.946.000 (dois bilhões, trinta e quatro milhões, novecentas e quarenta e seis mil) ações preferenciais, emitidas pela COELBA, passando a deter 87,832% do seu capital total. Conforme menção contida no item 4.1 do presente relato, esta operação foi realizada com ágio, não fundamentado economicamente através de demonstrativo tempestivo arquivado, no valor de R$ 40.692.244,64 (quarenta milhões, seiscentos e noventa e dois mil, duzentos quarenta e quatro reais e sessenta e quatro centavos), a ser amortizado pelo prazo remanescente da concessão da COELBA. ... Depois do registro dos fatos econômicos ocorridos em 1999, referentes a aquisição de ações da COELBA, nos leilões de privatização e especial, foi possível constatar as seguintes modificações nos saldos das contas relativas ao ágio incorrido e amortizado: ... Após a aquisição de ações da COELBA no âmbito do leilão especial, ocorrido em outubro de 1999, observouse a inclusão da empresa 521 Participações S.A20, CNPJ nº 01.547.749/00011621, no grupo de controle da Guaraniana S.A. ... Fl. 8994DF CARF MF 8 Nesse período, a Guaraniana S.A, em obediência aos diplomas legais vigentes, adicionou os montantes acima descritos no LALUR22, às fls. 02 e 03, desfazendo, sob a ótica fiscal, o efeito da amortização contábil da mais valia aqui analisada. Também foi verificado na Parte “B” do livro fiscal, à fl. 15, registro, na conta de “ágio na aquisição de investimentos a realizar”, relativo a dedução da mais valia correspondente (valores consolidados COELBA e COSERN). Em 31 de março de 2000, a empresa Guaraniana S.A transferiu, através de capitalização, o investimento (inclusive o ágio) que detinha na COELBA para a empresa ligada Nordeste Participações S.A, CNPJ nº 02.150.255/000166, entretanto, manteve o controle na Parte “B” do LALUR do montante acumulado referente as amortizações mensais ocorridas até aquele momento. ... Conclui o Fisco, observando que a empresa Guaraniana S A adquiriu ações da COELBA com expressivo ágio, sendo que parte substancial desse ágio, conforme discussão sobre os laudos, não possuía fundamento econômico em resultados futuros da controlada. Já em 2000 a Guaraniana S A, buscando alterar o contexto da impossibilidade de dedução fiscal do ágio em epígrafe, deu início a uma série de operações intragrupo que se materializou na capitalização da Nordeste Participações S.A., com a participação remanescente que detinha na COELBA. No item 6 do TVF o Fisco descreve a formação da empresa Nordeste Participações S A, utilizada como "empresa veículo" na transferência do ágio. ... Após as mudanças acima descritas no capital social da Nordeste Participações S.A, o controle societário da empresa passou a ser exercido majoritariamente pela 521 Participações S.A, consoante demonstrativo abaixo. Além de controlar diretamente a Nordeste Participações S.A, a empresa 521 Participações S.A era, em verdade, o veículo por meio do qual o BB/PREVI/25 mantinha participação acionária na empresa Guaraniana S.A. Ou seja, onde se lia 521 Participações S.A, em verdade, se falava do BB/PREVI, conforme diagrama abaixo. Buscou o Fisco demonstrar, através do exame da documentação disponível, que a empresa Nordeste participações S A não apresentou nenhuma atividade Fl. 8995DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.992 9 operacional anterior à sua capitalização no ano de 2000, tendo se prestado tão somente à transferência do ágio analisado. ... Diante dos fatos trazidos nesse item, restou confirmado que desde sua constituição até o dia 30 de março de 2000, portanto, antes da capitalização, a empresa Nordeste Participações S.A não apresentou qualquer receita da atividade ou movimento operacional, demonstrando pouca ou nenhuma solidez econômico financeira. No entanto, em 31 de março de 2000, de acordo com Ata da AGE, a empresa Nordeste Participações S.A aprovou aumento de capital social no montante de R$ 2.105.024.344,00 (dois bilhões, cento e cinco milhões, vinte e quatro mil, trezentos e quarenta e quatro reais), mediante emissão particular de 2.105.024.344 (dois bilhões, cento e cinco milhões, vinte e quatro mil, trezentas e quarenta e quatro) ações ordinárias ao preço unitário de R$ 1,00 (um) real, para integralização a vista através de bens. Ainda de acordo com a Ata acima mencionada, a empresa Guaraniana S.A subscreveu a totalidade das ações integralizando no ato a quantia, mediante conferência de 13.716.702.215 (treze bilhões, setecentos e dezesseis milhões, setecentos e duas mil, duzentas e quinze) ações ordinárias e 2.811.250.317 (dois bilhões, oitocentos e onze milhões, duzentos e cinquenta mil, trezentas e dezessete) ações preferenciais de emissão da empresa COELBA, da qual era titular, atribuindo valor para as ações vertidas de R$ 2.105.024.344,00 (dois bilhões, cento e cinco milhões, vinte e quatro mil, trezentos e quarenta e quatro reais). ... Esta subscrição foi embasada em Laudo de avaliação do Patrimônio Líquido da COELBA, realizado pela empresa ERNST & YOUNG Auditores Independentes S/C, com data de referência de 29 de fevereiro de 2000, através da aplicação da equivalência patrimonial. Há de se ressaltar que o montante capitalizado pela Guaraniana S.A, da participação com ágio que detinha da COELBA, na empresa Nordeste Participações S.A, refletia na data de referência (29/02/00) o saldo remanescente da amortização realizada na controladora desde o ano de 1997, consoante demonstrativo abaixo. Conforme relato, concluiuse que a Guaraniana S.A, mediante transferência das ações da COELBA que detinha, integralizou capital na empresa Nordeste Participações S.A, que nesse momento passou a condição de controladora desta, conforme diagrama. Fl. 8996DF CARF MF 10 Foi possível constatar então que a Nordeste Participações S.A, empresa sem qualquer estrutura ou capacidade operacional, que não apresentou qualquer atividade no período compreendido entre a constituição e 30 de março de 2000, recebeu aporte de capital vultuoso, através de transferência de ações da Coelba que a Guaraniana S.A detinha, com objetivo, a priori, de controlar uma gigante do setor energético. Não se percebeu substância econômica ou razoabilidade nesta operação da forma como foi realizada. Entretanto, de acordo com item 6, à fl. 42, da DFP 2000, apresentada a CVM, a COELBA esclareceu os objetivos reais da operação de transferência do ágio pago pelo grupo Iberdrola, PREVI e Banco do Brasil, através da Guaraniana S.A, in verbis. Devido ao interesse de transferir para a COELBA o benefício fiscal resultante da amortização do ágio pago por seus acionistas quando da aquisição das ações, seus controladores subscreveram aumento de capital na Nordeste Participações S/A, sociedade de propósito específico, integralizandoo por meio da transferência das ações de emissão da COELBA. Estas informações foram corroboradas pelas Demonstrações Financeiras a Nordeste Participações S.A, auditadas pela Ernst & Young, à fl. 07, item 04. ... Conclui o Fisco que a "transferência de ações promovida pela empresa Guaraniana S.A à Nordeste Participações S/A, ambas ligadas e integrantes do mesmo grupo econômico (Iberdrola, BB e PREVI) não passou de formalismo jurídico, não representando de modo algum a vontade fática dos partícipes da operação", uma vez que a "transferência do ágio da Guaraniana S.A para a Nordeste Participações ainda não possibilitava a amortização fiscal do mesmo, a teor da legislação vigente, foi necessária mais uma etapa de operações jurídicas formais (realizadas apenas no papel) cujo propósito era a aproximação do contexto preceituado pelos artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532/97". Continua a análise, através do item 6.1: Em abril de 2000, a Nordeste Participações S.A, registrou a segregação do valor do investimento e do ágio, bem como a amortização contábil da mais valia, conforme demonstrativo abaixo. Como se vê, em abril de 2000, o investimento na COELBA, contabilizado a empresa Nordeste Participações S.A, equivalia a R$ 977.645.444,78 (novecentos e setenta e Fl. 8997DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.993 11 sete milhões, seiscentos e quarenta e cinco mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e setenta e oito centavos) e o ágio amortizável, o total de R$ 1.126.867.543,90 (um bilhão, cento e vinte e seis milhões, oitocentos e sessenta e sete mil, quinhentos e quarenta e três reais e noventa centavos), totalizando o montante de R$ 2.104.512.988,68 (dois bilhões, cento e quatro milhões, quinhentos e doze mil, novecentos e oitenta e oito reais e sessenta e oito centavos). ... Uma vez que não era do interesse da Guaraniana S.A27 manter o ágio oriundo das aquisições das ações da COELBA no patrimônio da Nordeste Participações S.A, havia a necessidade de mais uma etapa de operações realizadas apenas no papel, ou sem substância econômica a não ser a elisão do pagamento de tributos, qual seja, a incorporação reversa da controladora (Nordeste Participações) pela controlada (COELBA). Em junho de 2000, foi aprovada em assembleia a incorporação da Nordeste Participações S.A. pela Coelba: ... O Laudo para avaliação do Patrimônio Líquido da empresa Nordeste Participações S.A, elaborado pela empresa Ernst & Young, adotou o critério de valor contábil para identificação do patrimônio incorporado que equivaleu, na data base (30 de abril de 2000), a R$ 2.104.532.133,78 (dois bilhões, cento e quatro milhões, quinhentos e trinta e dois mil, cento e trinta e três reais e setenta e oito centavos). Esse patrimônio contém basicamente o valor remanescente do investimento mais ágio originado na aquisição de ações da COELBA (977.645.444,78 + 1.126.867.543,90). Após fazer uma descrição pormenorizada sobre o fluxo das operações realizadas até a chegada do ágio à Coelba, infere o fisco: ... Do todo acima exposto, verificouse que a Nordeste Participações S.A inicialmente foi capitalizada com as ações da COELBA, adquiridas em leilões pela Guaraniana S.A com expressivo ágio, e, um mês depois foi incorporada, transferindo a mais valia remanescente para sua controlada (COELBA). Sob a ótica do grupo econômico (Iberdrola, BB e PREVI) em que estavam inseridos os partícipes da operação (COELBA, Guaraniana S.A e Nordeste Participações S.A), em face de alterações legislativas, em especial do artigo 7º e 8º, da Lei nº 9.532/97, o referido ágio, após as operações ocorridas, reunia as condições para amortização fiscal. O Fisco prossegue, com a intenção de demonstrar que o ágio de si mesma amortizado pela COELBA não reunia condições de dedutibilidade, a teor da legislação vigente a época dos fatos. Inicialmente alega que a empresa Guaraniana não tinha qualquer interesse de deduzir o ágio "por não apurar lucro real em suas atividades de participação". ... Isto posto, e, com o fito de alterar o contexto em que estava inserida (não dedutibilidade do ágio), em 01 de dezembro de 1999, em conformidade com Ata de Reunião nº 012/99 do Conselho de Administração da empresa Guaraniana S.A, constatouse as seguintes deliberações: a) A empresa Guaraniana S.A ao adquirir a COELBA pagou expressivo ágio; b) Posteriormente, a companhia adquiriu, em leilão realizado no dia 06 de outubro de 1999, ações ordinárias e preferenciais de emissão da COELBA, com expressivo ágio; Fl. 8998DF CARF MF 12 c) À vista do interesse da Guaraniana S.A em transferir para COELBA o benefício fiscal resultante da amortização de tal ágio pago na aquisição desta, concluiuse, a priori, que deveria haver incorporação daquela; d) Após conclusão supracitada, os conselheiros demonstraram não haver interesse para o grupo na incorporação da Guaraniana S.A, e, subsequente extinção, já que, esta era titular de outros ativos além das ações de emissão da COELBA. e) Assim, a estratégia utilizada contemplaria uma reestruturação que se iniciaria com a transferência das ações de emissão da COELBA de que é titular a Guaraniana S.A, para a Nordeste Participações S.A, cujo ativo seria integrado apenas por tais ações. f) A segunda etapa se daria com a incorporação da empresa Nordeste Participações S.A, pela COELBA, possibilitando assim o aproveitamento do ágio gerado de si mesma. Estas informações foram corroboradas às fls. 65 e 66, item 22, da DFP 1999 apresentada pela empresa Guaraniana S.A a CVM. Após a expressão do desejo que o grupo econômico tinha de apenas transferir o ágio registrado pela controladora para a controlada com vistas a se beneficiar, a Guaraniana S.A, capitalizou a empresa Nordeste Participações S.A, apenas com as ações da COELBA. ... Após a transferência de ações, para empresa veículo, a Guaraniana S.A, então controladora direta da COELBA, passou a condição de controladora indireta, através do controle exercido na Nordeste Participações S.A, conforme diagrama abaixo. ... Por sua vez, em março de 2000, a Nordeste Participações S.A, contabilizou o ativo, o investimento direto na COELBA. Em abril de 2000, segregou o investimento do ágio, bem como o amortizou contabilmente. Consoante citação já feita, a COELBA e a Guaraniana S.A foram intimadas a apresentar demonstração arquivada que determinasse os pressupostos econômicos para o ágio amortizado em 2011 e 2012. Em resposta a intimação fiscal apresentaram Laudo de Avaliação Econômica da COELBA, realizado em 23 de dezembro de 1999, portanto, extemporaneamente, ao nascimento do ágio (31/07/97 e 06/10/99), pela empresa Arthur Andersen Business Consulting S/C LTDA. Abaixo reproduzse trecho inicial do referido documento que denota sua finalidade. Resta claro que o referido laudo apresentado extemporaneamente pela empresa Guaraniana S.A buscou, no momento da transferência de ações para a Nordeste Participações S.A, alterar a falta de pressupostos econômicos do ágio contabilizado, cuja consequência (da falta) seria a indedutibilidade fiscal a teor no parágrafo 2º, alínea “b” e do parágrafo 3º, ambos, do artigo 20, do Decreto –Lei nº 1.598 de 26 de dezembro de 1977 (situação de fato), através do estudo da rentabilidade futura da controlada para que fosse possível a amortização fiscal da mais valia, a teor dos artigo 7º e 8º, da Lei nº 9.532 de 10 de dezembro de 1997 (situação pretendida). Ou seja, através de operações sem qualquer substrato econômico, a não ser o de elidir Fl. 8999DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.994 13 tributos, tentou modificar a situação de fato ocorrida, qual seja, ausência de pressuposto econômico do ágio adquirido. No entanto, como já mencionado, não houve alienação da participação que a Guaraniana S.A possuía na COELBA e por consequência não existiu ágio novo que pudesse ser fundamentado economicamente. De fato, a operação ocorrida foi a transferência de ações, e, por conseguinte, do ágio (31/07/97 e 06/10/99), conforme disposto pela própria COELBA, em excertos abaixo, às fls. 8130 e 8131 do processo administrativo nº 10580.729192/201171. ... Diante dos fatos acima relatados, concluiuse que o ágio transferido da Guaraniana S.A para a COELBA era remanescente das amortizações contábeis ocorridas na controladora e que estava fundamentado parcialmente (42,78%) na rentabilidade futura da controlada. O que se viu nessa etapa do planejamento elisivo foi a tentativa de alterar os fundamentos econômicos do ágio, através de laudo intempestivo, mediante estruturação de operações formais (apenas no papel) realizadas entre empresas ligadas e integrantes do mesmo grupo econômico. Após a incorporação da Nordeste Participações S.A pela COELBA, a Guaraniana S.A voltou a ser sua controladora direta possuindo a mesma participação no capital anteriormente detidas, conforme diagrama abaixo. O diagrama acima sedimentou o entendimento já esposado anteriormente que as operações de transferência de ações da Guaraniana S.A para Nordeste Participações S.A e posterior incorporação da controladora pela COELBA, não passaram de formalismo jurídico ou ficção com vistas à transferência de ágio para amortização fiscal. Esta afirmação se consolidou quando analisamos a foto antes de iniciadas as operações intragrupo, que demonstrava a empresa Guaraniana S.A com participação societária direta de 87,84% do capital da COELBA, contabilizado no Ativo Permanente, subdividido em investimento mais ágio, e, ao final das operações acima mencionadas, indicando a permanência do investimento e ágio representados pelos mesmos 87,84%. Tal afirmação está corroborada nas DFP 1999 e 2000, às fls. 40 e 20, respectivamente, enviadas pela Guaraniana S.A a CVM, conforme excertos. ... Em 10 de dezembro de 1997, foi publicada a Lei nº 9.532, que no caput do artigo 7º e inciso III33, dispunham que a pessoa jurídica que absorvesse patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detivesse participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, poderia amortizar a mais valia, cujo fundamento fosse a rentabilidade futura da controlada (alínea "b", do § 2º, do artigo 20, do Decreto lei nº 1.598, de 1977), do Lucro Real. Entende o Fisco que, com base na legislação vigente, a Guaraniana S.A adquiriu a participação na COELBA com ágio, por isso, apenas se vislumbra a possibilidade legal de amortização da mais valia caso ocorresse a reorganização societária, prevista em lei (art. 7º, III da Lei 9.532/97), envolvendo essas empresas. Fl. 9000DF CARF MF 14 Por não ter interesse na referida reorganização, teria sido buscado a transferência das ações para a Nordeste Participações: ... A conclusão de que a Nordeste Participações S.A não adquiriu qualquer participação societária com ágio, se comportando apenas como instrumento (veículo) para transferência da mais valia, evidenciou a não satisfação do aspecto da pessoalidade requerido no artigo 7º, da Lei nº 9.532/97. Essa conclusão, por si só, já afasta a amortização fiscal do ágio realizada pela COELBA, nos anos calendário 2011 e 2012. ... O Fisco observou outro viés nas operações que, segundo seu entendimento, conduzem à mesma conclusão quanto à indedutibilidade do ágio: No primeiro momento, da sequência de operações realizadas, a Guaraniana S.A adquiriu ações da COELBA com ágio passando a controlála diretamente. Posteriormente, transferiu as mesmas ações para a Nordeste Participações S.A, passando a controlála diretamente e indiretamente à COELBA. No último movimento, a COELBA incorporou a Nordeste Participações S.A, com vistas a amortizar indevidamente a mais valia do lucro real, voltando a ser controlada diretamente pela Guaraniana S.A, consoante diagrama abaixo. A combinação do artigo 20, do DecretoLei nº 1.598/77 e artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532/97, possibilitaram a constatação que na ocorrência de aquisição de ações com ágio, fundamentado economicamente na rentabilidade futura da controlada, e, posterior, reorganização societária, como a incorporação por exemplo, envolvendo investidor (adquirente do investimento) e investida, poderia haver amortização da mais valia do lucro real. A lei explicitamente indicou, no caso de incorporação, a necessidade de reunião em um só patrimônio da participação societária adquirida e do ágio pago por essa participação. Contudo, no caso concreto, a empresa incorporada (Nordeste Participações S.A) não adquiriu a participação societária com ágio. Pelo contrário, a Guaraniana S.A, adquirente da participação, após a incorporação da controlada manteve o registro contábil do investimento e o ágio (em duplicidade) na COELBA, conforme se verificou à fl. 3, do Livro Razão apresentado. Essa ausência de reunião em um só patrimônio, da participação adquirida e do ágio correspondente tem o condão de afastar a dedutibilidade da mais valia do lucro real. Fl. 9001DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.995 15 Infere, com base no relatado, que a conduta utilizada para o aproveitamento do ágio, está em completo desalinho com a legislação vigente e conclui que as despesas contabilizadas com ágio de si mesma, pela COELBA, oriundo dos leilões ocorridos em 31/07/97 e 06/10/99, nos anos calendário 2011 e 2012, não são dedutíveis na apuração do lucro real. Em suas considerações finais sobre a utilização do ágio para a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, item 8 do TVF, deduz o Fisco: De acordo com o que foi relatado neste Termo de Verificação Fiscal não resta qualquer dúvida que o ágio oriundo das aquisições de ações da COELBA realizadas pela Guaraniana S.A estava fundamentado parcialmente na rentabilidade futura da controlada. A princípio, apenas 42,78% ou o equivalente a R$ 536.367.942,85 (quinhentos e trinta e seis milhões, trezentos e sessenta e sete mil, novecentos e quarenta e dois reais e oitenta e cinco centavos) do total do ágio a ser amortizado pela COELBA estaria fundamentado economicamente na rentabilidade futura. Após encadeamento das operações ocorridas, quais sejam, aquisição de ágio (1), transferência da mais valia para empresa veículo ligada (2), seguida de incorporação às avessas da controladora veículo (3), constatouse que não houve a reunião em um só patrimônio do investimento e ágio como pressupõe a legislação vigente a época dos fatos aqui analisados. Entende, então, ser ilícita a amortização do ágio pela COELBA e fraudulenta a criação de operações visando a alteração do fundamento econômico do ágio, com o fim único da redução de sua carga tributária. Apresenta, ao final, a base legal utilizada. Prossegue, através do item 9 do TVF, alegando que as condutas do contribuinte tiveram a finalidade de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Em resumo, entende o Fisco que o ato da empresa se utilizar de empresa veículo, com o único fim de possibilitar a incorporação às avessas desta pela COELBA, demonstra o intenção fraudulenta, conforme segue: ... Buscando os efeitos desejados pelo grupo econômico34, a Guaraniana S.A, inicialmente, transferiu as ações que detinha da COELBA para a empresa veículo Nordeste Participações S.A, passando a controlálas, indiretamente e diretamente, respectivamente. Analisandose unicamente a transferência do investimento e do ágio, da Guaraniana S.A para Nordeste Participações S.A, não se percebeu qualquer substrato econômico razoável da forma como a operação foi executada, mormente não ser possível vislumbrar uma empresa sem qualquer atividade operacional controlar uma gigante do setor energético. No entanto, após análise mais minuciosa da operação e seus efeitos exclusivos na redução da carga tributária, verificouse que a transferência do ágio remanescente pela Guaraniana S.A para Nordeste Participação S.A cumpriu os dois objetivos perseguidos pelo grupo econômico, quais sejam, inserção de empresa veículo para participação na reorganização societária e modificação dos pressupostos econômicos da mais valia através de laudo de avaliação econômica intempestivo do patrimônio da COELBA. ... Fl. 9002DF CARF MF 16 Em outro viés, observouse a inclusão da empresa veículo Nordeste Participações S.A no contexto das operações com o fito exclusivo de transferência do ágio. Frisase que essa empresa é controlada diretamente pela empresa 521 Participações S.A, que por sua vez, é acionista da Guaraniana S.A, demonstrando indubitavelmente que se tratou de operação intragrupo, conforme diagrama abaixo. Fato curioso na transferência de ações mencionadas é que a Guaraniana S.A não apurou ganho de capital na operação, mantendo na parte “B” do LALUR o montante do investimento a realizar para fins de mensuração do custo de aquisição em caso de alienação. Aduzse que, contrario sensu, não houve aquisição de participações com ágio por parte da Nordeste Participações S.A e sim mera transferência da mais valia remanescente juntamente com o investimento adquirido nos leilões mencionados. Entende o Fisco que, consoante arrazoado efetuado, a conduta da COELBA para reduzir seu lucro tributável, encaixase no conceito de fraude, além da prática de conluio, por ter havido ajusto doloso dentro do grupo empresarial (Guaraniana, COELBA e Nordeste). Concluiuse então pela qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, inciso II da Lei 9.430 de 1996. Prossegue o Fisco responsabilizando pessoalmente os administradores da COELBA pela prática da transação ora em análise, conforme item 10 do TVF, por entender ter havido fraude e conluio praticados pelas empresas COELBA, Guaraniana S. A. e Nordeste Participações S. A., todas integrantes do mesmo grupo econômico liderado pela Iberdrola, Banco do Brasil, PREVI e 521 Participações S.A. Afirma que a conduta se materializou pela criação de operações realizadas apenas no papel que visaram tão somente a redução da carga tributária, modificando dessa forma, as características do fato gerador através da legitimação de despesas indedutíveis. ... Diante da situação imposta, o Conselho de Administração da Guaraniana S.A se reuniu, em 01 de dezembro de 1999, momento em que estabeleceu a necessidade de transferência do ágio pago na aquisição das ações da COELBA, sobretudo porque a companhia não tinha interesse na reorganização societária preconizada na lei, conforme se observa em trecho destacado abaixo. “ À vista do interesse de transferir para COELBA o benefício fiscal resultante da amortização do ágio pago por sua controladora quando esta adquiriu as ações, deveria ser procedida a incorporação da controladora (GUARANIANA S.A) pela controlada (COELBA). Tendo em conta, entretanto, não haver interesse em que a GUARANIANA seja incorporada e, portanto, extinta, já que a companhia, além das ações de emissão da COELBA, é titular de outros ativos, a contemplada reestruturação deverá se iniciar pela transferência de ações de emissão da COELBA de que é titular a GUARANIANA para a NORDESTE PARTICIPAÇÕES S.A (“NORDESTE”), cujo ativo será integrado apenas por tais ações, não tendo a sociedade qualquer exibilidade. ... Nesse mesmo dia (01/12/99), houve reunião do Conselho de Administração da COELBA corroborando a intenção do grupo econômico em reduzir a carga tributária se utilizando de operações apenas formais. Há de se ressaltar que o Conselho de Fl. 9003DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.996 17 Administração da Guaraniana S.A e da COELBA era composto pelas mesmas pessoas, inclusive o presidente Eduardo Lopez – Aranguren Marcos. ... Uma vez demonstrada que a conduta fraudulenta foi intencional impõese a qualificação da multa e a responsabilização pessoal dos administradores da COELBA, a teor do inciso III, do artigo 135, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Analisa, o Fisco, as atribuições do Conselho de Administração e da Diretoria da COELBA e conclui pela responsabilização pessoal pelo crédito tributário dos seguintes membros, do Conselho e da Diretoria: ... a) Marco Geovanne Tobias da Silva, Presidente do Conselho de administração da COELBA, no período de 2011 e 2012; b) Gonzalo Pérez Fernandez – VicePresidente do Conselho de Administração da COELBA, no período de 2011 e 2012; c) José Maurício Pereira Coelho – membro do Conselho de Administração da COELBA, no período de 2011 e 2012; d) Marcelo Maia de Azevedo Corrêa membro do Conselho de Administração da COELBA, no período de janeiro de 2011 a agosto de 2012; e) Solange Maria Pinto Ribeiro membro do Conselho de Administração da COELBA, no período de setembro a dezembro de 2012 e Diretora de Planejamento e Controle da COELBA, no período de 06 a 31 de dezembro de 2012; e) Gonzalo Gómez Alcântara – membro do Conselho de Administração da COELBA, no período de 2011 e 2012; f) Marcelo Souza Marinho – membro do Conselho de Administração da COELBA, no período de 2011 e 2012; g) Moisés Afonso Sales Filho – Diretor Presidente da COELBA, no período de 2011 e 2012; h) Paulo Roberto Dutra – Diretor de Planejamento e Controle da COELBA, no período de janeiro de 2011 a 06 de dezembro de 2012; ... Conclui, através do item 11, pela indedutibilidade do dos valores do ágio, gerado em si mesma, recompondo as bases de cálculos do IRPJ e CSLL, adicionandose ao lucro líquido os valores de R$ 55.539.840,12 e R$ 53.582.152,80, respectivamente para os anos de 2011 e 2012. Qualifica a multa de ofício, duplicandoa, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96, com nova redação dada pela Lei 11.488/2007, por entender que as operações envolveram fraude e conluio. E, em face das constatações de fraude e conluio, foram responsabilizados pessoalmente pelo crédito tributário, os membros do Conselho de Administração, Diretor Presidente e Diretor de Planejamento e Controle da empresa, a teor do inciso III, artigo 135, do CTN. Fl. 9004DF CARF MF 18 Os argumentos da impugnação foram assim resumidos no relatório da decisão ora recorrida: Inicialmente descreve suas atividades: A Impugnante é sociedade anônima que tem por objeto "estudar, projetar, construir e explorar os sistemas de distribuição e a comercialização a consumidores cativos de energia elétrica e serviços corre/atos que lhe venham a ser concedidos ou autorizados por qualquer título de direito, prestar serviços técnicos de sua especialidade e praticar os demais atos necessários à consecução de seu objetivo." No item II da impugnação, preliminarmente, a reclamante alega a "Preclusão" do direito do fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio. Para tal, faz uma retrospectiva dos fatos, concluindo que: ... Vale dizer, muito embora o ágio tenha sido amortizado nos anosbase de 2011 e 2012, conforme autuado pelo Sr. Agente Fiscal, o fato contábil societário, que deu origem ao referido ágio, ocorreu no anobase de 2000 ou anteriormente a essa data. Desta forma, não poderia o Sr. Agente Fiscal questionar a legalidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, que surgiu, repitase, em 2000 ou antes desta data, eis que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos entre (1) o fato que propiciou o seu surgimento e (Na ciência, pela Impugnante, dos autos de infração em questão (23/11/2016). ... Faz ainda um arrazoado, no sentido de demonstrar suas conclusões, trazendo entendimentos doutrinários e jurisprudenciais que comprovariam sua interpretação e finaliza: ... Desse modo, não pode ser acatada a posição adota pelo Sr. Agente Fiscal que afastou a preclusão no caso em apreço, pois o Fisco está impedido de efetuar lançamentos de ofício sobre fatos pretéritos, já consumados no tempo em razão do decurso do prazo decadencial (fato societário que gerou o direito à utilização do ágio, que ocorreu em 2000 ou antes), para alcançar os efeitos decorrentes desses fatos, em períodos subsequentes (amortização do ágio em 2011 e 2012). ... Ante o exposto, patente que ocorreu, no presente caso, a decadência do direito do Fisco de questionar a legalidade dos atos societários que originaram o ágio em 2000 e, como consequência, o direito ao seu aproveitamento, ainda que em momento subsequente (amortização fiscal no anobase de 2011 e 2012), motivo pelo qual deverá essa E. Turma Julgadora determinar o cancelamento dos autos de infração em questão. Através do item III da impugnação, a reclamante se esforça na tentativa de demonstrar que as operações societárias foram praticadas de forma legal e com o aval dos órgãos reguladores e que não se deve entender que as operações societárias seriam um mero estratagema que pudesse, aos olhos da Fiscalização, desaprovar a dedutibilidade com a amortização do ágio. Fl. 9005DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.997 19 Faz, no item III.1.1, breves considerações acerca da operação que gerou o ágio, ressaltando que este decorreu da aquisição do controle da Impugnante, em processo licitatório de privatização: Conforme ressaltado pelo Sr. Agente Fiscal, a aquisição da participação societária da Impugnante se deu com o pagamento de ágio ao Estado da BAHIA (antigo titular de suas ações), em razão da expectativa de rentabilidade estimada com base em resultado de exercícios futuros. Confirase o seguinte quadro ilustrativo da operação: ... Posteriormente, e como não poderia deixar de ser, os adquirentes manifestaram seu interesse em aproveitar o benefício fiscal de dedutibilidade da despesa com a amortização do ágio gerado na aquisição das participações societárias, conforme lhes era expressamente autorizado pelo artigo 386 do RIR/99. Dessa forma, para que fosse possível o aproveitamento do benefício fiscal previsto no artigo 386 do RIR/99, os adquirentes resolveram subscrever e integralizar capital na empresa NORDESTE PARTICIPAÇÕES S.A, mediante entrega das ações da Impugnante acrescidas do ágio. A operação societária acima ilustrada foi previamente submetida à aprovação do órgão regulador do setor elétrico Agência Nacional de Energia Elétrica — ANEEL, conforme exigência prevista no artigo 27 da Lei no 8.987/953. ... Com a transferência do controle acionário da Impugnante à NORDESTE PARTICIPAÇÕES S.A, criouse o ambiente necessário para que a Impugnante incorporasse sua controladora e, assim, aproveitasse o benefício fiscal previsto no artigo 386 do RIR/99, razão pela qual não pode prosperar a glosa das despesas pretendida pela D. Fiscalização. Fl. 9006DF CARF MF 20 ... Continua, informando que a ANEEL, após apreciação, autorizou a Impugnante a promover a incorporação de sua controladora por meio da Resolução no 195, de 7 de junho de 2000, conforme reprodução a seguir: ... Prossegue a reclamante informando que o ágio recebido, em razão da incorporação da controladora (NORDESTE PARTICIPAÇÕES S/A) estava devidamente contabilizado, nos termos do artigo 385 do RIR/99 (desmembrandose valor do investimento e ágio), bem como estava devidamente amparado por novo laudo de avaliação de ações fornecido pela Ernst & Young, de 30 de abril de 2000, e continua: Verifiquese que uma das formalidades previstas na legislação societária é a publicação do fato relevante da reestruturação societária ao mercado. Conforme se pode verificar dos documentos acostados aos autos, foi publicado o Fato Relevante em jornal de grande circulação, tratando da incorporação da NORDESTE pela Impugnante, bem como descrevendo todas as operações acima relatadas (DOC. 09). Ou seja, nada foi omitido de ninguém, muito menos do Fisco. Após a incorporação, a Impugnante passou a deduzir o ágio da base de cálculo do IRPJ e da CSLL nos termos do artigo 386, § 60, inciso II, do RIR/99. Essa decisão, conforme exposto, encontrase fundamentada, em síntese: (i) na necessidade de aproveitamento do benefício fiscal concedido à Impugnante por determinação expressa de lei; (ii) na observância de todos os dispositivos normativos e regulatórios para a realização das operações societárias (total legalidade das operações); e (iii) no fato de a estrutura societária adotada ser a mais simples e coerente do ponto de vista econômico para o aproveitamento do ágio. Tecidos esses breves comentários sobre a estrutura da operação, pelos quais restou evidente que a NORDESTE PARTICIPAÇÕES S/A (empresa incorporada pela Impugnante) passou a ser a legítima detentora das ações da COELBA, escrituradas contabilmente na forma do artigo 385 do RIR/99, a Impugnante passará a abordar, a seguir, as razões pelas quais não poderá prosperar a cobrança dos créditos tributários em questão. Já no item III.1.2 da impugnação, a reclamante tece comentários sobre a natureza do ágio e seu tratamento tributário. Afirma que o benefício fiscal da dedutibilidade do ágio pago na aquisição de sociedades, tem como objetivo incentivar a prática de fusões e aquisições, especialmente quando se tratasse de estatais em processos de privatização, tendo sido o ato regular e de acordo com as normas de concessão de serviço público. Fl. 9007DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.998 21 Alega que a legislação autoriza a dedução do ágio quando fundamentado no valor de rentabilidade de exercícios futuros, tendo sido uma forma utilizada pelo governo para incentivar as privatizações, afirmando ainda: ... Ressaltese que, no caso em questão, o fundamento econômico para o pagamento do ágio foi o valor de rentabilidade futura da Impugnante, o qual está devidamente comprovado pelo Laudo de avaliação econômica da COELBA de 23 de dezembro de 1999, elaborado pela Arthur Andersen Business Consulting S/C Ltda., e o Laudo de avaliação elaborado pela Ernst & Young Auditores Independentes S/C de 31 de março de 2000, que apurou o ágio remanescente em 29 de fevereiro de 2000. O fundamento econômico para o aproveitamento do ágio, segundo o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, é o seguinte: "o ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora, pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. ... Portanto, o benefício fiscal previsto no artigo 386 do RIR/99 de aproveitamento do ágio como uma despesa dedutível tinha como objetivo beneficiar situações como a da Impugnante, pois tornava mais atraente a realização dos vultosos investimentos necessários para as privatizações. ... Foi exatamente esse o mesmo beneficio fiscal que a Impugnante pretendeu usufruir. Contudo, a forma como foi realizado o processo de privatização não permitia o aproveitamento de forma automática. Conforme mencionado, a Impugnante não poderia incorporar automaticamente sua controladora, pois não é razoável a incorporação de empresas como a GUARANIANA S/A, que detém investimentos em diversas companhias de geração e de transmissão de energia elétrica por uma concessionária de energia elétrica. Dessa forma, foi necessário criar legalmente uma estrutura societária que permitisse a segregação desse investimento em uma sociedade que não tivesse outros ativos/atividades sociais que tornasse incompatível, economicamente, a incorporação da controladora pela controlada e, com isso, se transferisse o ágio para a controlada. Dessa forma, verificase que a única forma jurídica possível para tornar viável economicamente a aquisição da Impugnante no processo de privatização, com o aproveitamento do benefício fiscal de dedutibilidade do ágio, foi a forma adotada no caso concreto: reestruturação societária legal, de forma que a participação acionária adquirida com ágio pela empresa NORDESTE PARTICIPAÇÕES S/A (gerado com fundamento econômico na privatização) fosse absorvida pelo patrimônio da Impugnante. De fato, a análise da operação como um todo demonstra o evidente fundamento econômico para a realização dos atos societários: o ágio legitimamente pago na aquisição da Impugnante no processo de privatização foi adquirido pela empresa NORDESTE PARTICIPAÇÕES S/A, a qual foi absorvida pela Impugnante, que passou a amortizar esse valor com fundamento no artigo 386, § 60, inciso II, do RIR/99. Fl. 9008DF CARF MF 22 Ademais, o motivo para a realização das operações demonstrase coerente com as estruturas societárias adotadas, pois decorrente da natureza do próprio processo de privatização. Insistase: o aproveitamento do beneficio fiscal não poderia ter sido realizado de outra maneira. Portanto, trata o presente caso de mera fruição de um benefício fiscal previsto em lei7, que possui todos os requisitos legais, motivação econômica e coerência das estruturas adotadas com a finalidade pretendida. Dessa forma, o ganho econômico da Impugnante, decorrente do aproveitamento do ágio, reflete um benefício fiscal já considerado no momento do pagamento do preço no processo licitatório de privatização (benefício este considerado por todos os participantes do leilão público). Não poderia agora o próprio Fisco pretender cercear a fruição desse benefício fiscal sob a alegação de que a Impugnante o teria prejudicado. Através do item III.1.3 a impugnante pretende demonstrar o motivo, finalidade e congruência do negócio jurídico realizado. Descreve os motivos, finalidades e congruência dos atos, afirmando que, apesar da existência do motivo tributário, este não seria preponderante: ... No presente caso, admitindose os pressupostos dessa doutrina mais restrita, ainda assim, encontramse presentes o motivo, a finalidade e congruência dos atos, pelo que não se pode admitir o entendimento do Sr. Agente Fiscal: · todos os atos praticados tiveram por motivo a aquisição da COELBA em processo de privatização, para o conseqüente aproveitamento do benefício fiscal de dedução do ágio gerado nessa aquisição nos estritos termos da Lei. Inclusive, ao longo desta defesa, demonstrouse os motivos pelos quais foram adotadas outras estruturas ou outros caminhos quando da realização de todas as operações, tendo em vista as peculiaridades do caso; · a finalidade da operação era a aquisição de uma concessionária de energia elétrica de grande porte e participação no mercado brasileiro, como forma de consolidar as atividades do grupo de empresas controlados pela GUARANIANA S/A, atualmente denominada NEOENERGIA S.A, e · todos os atos societários praticados inseremse congruentemente neste contexto da aquisição de uma concessionária de energia por um grupo detentor de grandes empresas concessionárias de energia elétrica (geradoras e transmissoras): (i) a forma de participação no leilão; (ii) os fluxos de caixa ocorridos; (iii) a necessidade da constituição de todas as sociedades envolvidas; e (iv) todas as operações realizadas para reduzir estruturas desnecessárias e obter uma sinergia no grupo NEOENERGIA S/A. Portanto, todos os atos praticados, analisados como um "filme", demonstram claramente a congruência do motivo e da finalidade da operação realizada pelo grupo NEOENERGIA S/A, os quais não eram predominantemente tributários. Dessa forma, não há que se falar em falta de propósito negocial ou ausência de pressuposto econômico, como afirmou o Sr. Agente Fiscal, estando presentes todos os requisitos exigidos pela nova corrente doutrinária. Superadas essas matérias preliminares, necessárias para situar a questão da amortização do ágio que envolve o presente caso, passase a demonstrar, a partir do tópico seguinte, as razões pelas quais não poderá prevalecer, quanto ao mérito aqui tratado, o auto de infração impugnado. Passa a descrever, no item III.1.4, a legitimidade da operação realizada como planejamento tributário. Inicialmente analisa os "vícios" apontados pelo Fisco para desconsiderar as operações societárias praticadas. Segundo a impugnante, foi sempre Fl. 9009DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.999 23 apresentado à fiscalização todas as etapas que se pretendia realizar, inclusive o objetivo final pretendido, que seria o aproveitamento do ágio. Reforça, que esse aproveitamento do ágio, que decorre de previsão em lei, já era vislumbrado desde a realização do processo licitatório, sendo que todos os atos praticados cumpriram todas as formalidades exigidas. Discorre sobre a transferência de ações da COELBA promovida pela Guaraniana para a Nordeste participações "transferência do ágio", afirmando: ... O valor pago com base na expectativa de rentabilidade futura, sempre estará intrinsecamente associado à expectativa de lucros futuros gerados por determinado investimento, motivo pelo qual a sua amortização darseá em contrapartida dessa expectativa de lucros a serem gerados. Nesse sentido, confirase o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações — FIPECAFI8: "O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. (...)" ... Salientese, ainda, que a posição adotada em julgados proferidos pelo E. CARF corroboram o entendimento aqui exposto, isto é, admitem a transferência do ágio. De fato, nas operações realizadas pelo Banco Santander S/A, Tele Norte Leste Participações S/A, CPQ Brasil S/A, TIM, Vivo S/A, Itaucard, e CTEEP (estas últimas operações analisadas em recentíssimas decisões de 01/03/2016 e 08/06/2016) o ágio foi transferido para diversas empresas como forma de reorganização societária, o que não invalidou o seu aproveitamento. Confirase algumas delas: Apresenta nesse ponto algumas decisões do CARF sobre a questão. Continua, tentando demonstrar estar equivocada a alegação do fisco, no que se refere a que teria sido criado um negócio jurídico sem substância econômica: ... Novamente equivocase o Sr. Agente Fiscal ao dizer que a Guaraniana teria criado artificialmente um negócio jurídico, sem substância econômica, que evidenciaria divergência entre a forma apresentada e a vontade fática demonstrada. Na verdade, tratase novamente de situação de benefício fiscal expressamente autorizada por lei, pois a dedutibilidade do ágio também é extensivo à aquisição de participação societária com ágio quando "a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária" (§ 60 do artigo 386 do RIR/99). Ocorre que, a despeito das afirmações acima mencionadas, sem qualquer referência a fatos concretos, a operação realizada pela Impugnante não foi realizada sem nenhum propósito negocial. Ao contrário, foi amplamente utilizada nos processos licitatórios de privatização ocorridos no Brasil e encontra previsão legal no § 40 do artigo 264 da Lei das S/A9 e no mencionado § 60 do artigo 386 do RIR/99. ... De fato, conforme mencionado pela própria fiscalização, a empresa NORDESTE PARTICIPAÇÕES S/A adquiriu as ações da Impugnante com o ágio pago no processo licitatório de privatização e, assim, passou a ser sua controladora. Fl. 9010DF CARF MF 24 Verificase que todos os atos praticados foram devidamente autorizados pelo órgão regulador do setor de energia elétrica (Resolução ANEEL no 195/00). Dessa forma, é possível afirmar que a Instrução CVM no 349/01 foi instituída com a finalidade adaptar a regulamentação existente de forma que refletisse adequadamente as operações realizadas com ágio nas demonstrações financeiras, como a realizada pela Impugnante, a qual foi praticada em conformidade com o disposto as regras da CVM, inclusive a própria Instrução CVM no 349/01. Sobre a alegação de geração de "ágio de si mesmo", discorre a contribuinte, afirmando tratarse de operação pra o aproveitamento do ágio, com expressa previsão legal. Afirma também ser natural, as operações do tipo ora analisadas, serem tratadas por empresas do mesmo grupo, sendo a questão, inclusive, tratada pelo § 6º do art. 386 do RIR/99, no que se refere à incorporação da controladora pela controlada. Continua: ... Ademais, a tentativa de caracterização como ágio interno deve derivar do fato de que a COELBA, ao incorporar sua controladora, a Nordeste Participações S/A, que por sua vez era controlada pela 521 Participações, acionista da Guaraniana S/A, antiga denominação da Neoenergia S/A, acabou trazendo o ágio para dentro do seu próprio patrimônio. E esse processo de incorporação é que está sendo interpretado como operação interna. Essa incorporação é operação entre entidades sob controle comum, mas ela em nenhum momento gerou qualquer tipo de ágio; tudo foi feito a valor de livros. O ágio que acaba aparecendo na COELBA era o mesmíssimo que estava na Nordeste e anteriormente na Guaraniana e que, exatamente por causa da incorporação, vai para a COELBA. Nenhum ágio novo. Logo, de forma alguma existe qualquer geração de ágio derivado de operações internas. Logo, inadmissível denominarse o ágio em discussão de ágio gerado em operações internas. Contesta a afirmação do fisco da inexistência de laudo de avaliação econômica da Coelba: ... Não obstante, reconhece o próprio fiscal a existência de dois laudos de avaliação, o Laudo de avaliação econômica da COELBA de 23 de dezembro de 1999, elaborado pela Arthur Andersen Business Consulting S/C Ltda., e o Laudo de avaliação elaborado pela Ernst & Young Auditores Independentes S/C de 31 de março de 2000, que apurou o ágio remanescente em 29 de fevereiro de 2000 (DOC. 10). ... Afirma também que, não obstante tenha havido a contratação de empresas de auditoria externa renomadas para a elaboração de laudos de avaliação do ágio, a própria legislação não cria esta obrigação, conforme DecretoLei n° 1.598/77 menciona, no par. 3° do art. 20 (reproduzido no art. 385 do RIR/99). Continua em sua exposição, itens III.1.5 e III.1.6, tentando demonstrar a inexistência de "abuso de direito" ou qualquer tipo de "simulação". No item III.1.7, discorre sobre a desnecessidade de pagamento para a realização de um negócio jurídico: Com efeito, com relação às formas de aquisição da participação societária, o artigo 20 do DL no 1.598/77, não traz qualquer referência a um negócio jurídico específico para que esta aquisição seja realizada. Conforme já se demonstrou, o direito privado traz Fl. 9011DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.000 25 diversas formas jurídicas possíveis de aquisição e qualquer uma delas será válida para fins do Direito Contábil Fiscal/Tributário. ... De fato, a necessidade de haver pagamento somente faria sentido caso a legislação tributária dissesse que "deverá, por ocasião da aquisição da participação [por meio de venda e compra], desdobrar o custo de aquisição em (...)", pois, conforme demonstrado, o pagamento é a contraprestação de uma "venda e compra". Contudo, não é esta a redação do artigo 20 do DL no 1.598/77. Ao fim no item III.1.9, alega que a própria Receita Federal, no que tange à tributação do deságio, dentro do mesmo grupo, entende que este deságio (quando fundamentado na expectativa de rentabilidade futura — inciso II do § 2° do artigo 386 do RIR/99) deveria ser amortizado e tributado durante os 5 anos subseqüentes à incorporação: ... Com efeito, conforme se percebe na manifestação da Receita Federal em casos análogos ao presente (aquisição de participação societária dentro do mesmo grupo), é entendimento do Fisco de que a aquisição de participação societária por valor inferior ao patrimônio líquido (deságio) é suficiente para que esse valor seja configurado como receita tributável, após um evento de incorporação. Contudo, a Receita Federal pretende, no presente caso, não admitir a dedutibilidade do ágio gerado dentro do mesmo grupo econômico, por entender que não haveria motivo econômico para uma aquisição que não fosse a valor de patrimônio líquido. Tratase de evidente tratamento desigual para situações idênticas — aquisição de participação societária a valor de mercado ("dois pesos, duas medidas"). Ora, e se o valor de mercado das ações da COELBA fosse inferior ao valor do seu patrimônio líquido contábil, seria apurado um deságio na operação de incorporação de ações sob análise, a mesma Receita Federal do Brasil se preocuparia em isentar a tributação do referido deságio por parte da Impugnante após o processo de incorporação da COELBA ? Após a análise e descrição dos aspectos do ágio, através do item III.2, o contribuinte levanta a discussão sobre a inexistência de previsão legal para a adição, na base de cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, das despesas com amortização do ágio considerada indedutível pelo fisco. Questiona também, através do item III.3, a impossibilidade de ingerência do fisco na atividade do contribuinte, além da possibilidade de se aplicar a teoria do propósito negocial. ... Como se vê, o E. CARF admite que, se o contribuinte pode encontrar na legislação mais do que um caminho, sendo um deles, inclusive, menos oneroso, mas perfeitamente legítimo, poderá escolhêlo porquanto este representa uma opção (legal) que lhe é mais conveniente. Aliás, cabe destacar, ad argumentandum, que, ainda que as operações societárias que deram origem ao ágio amortizado pela Impugnante não tivessem servido a nenhum fim empresarial (o que se admite apenas para argumentar), o ordenamento jurídico, atualmente vigente, não traz em nenhum de seus dispositivos o conceito ou a definição de "propósito negocial", de modo que não poderia o Sr. Agente Fiscal pretender interferir na atividade do contribuinte, também por esse motivo. Ou seja, estabelecer o "propósito negocial" como fundamento para a análise da dedutibilidade da despesa com o ágio significa considerálo fato gerador de obrigação tributária Fl. 9012DF CARF MF 26 sem a respectiva previsão em norma geral e abstrata (hipótese de incidência), em clara afronta ao Princípio da Legalidade Tributária. Portanto, como o suposto evento infracional, relatado pelo Sr. Agente Fiscal (falta de propósito negocial), não se subsume a nenhuma hipótese de incidência tributária, atualmente em vigor, não se pode admitir que a Impugnante tenha realizado o fato jurídico tributário do IRPJ e da CSLL tal como descrito no Termo de Verificação. Em outras palavras, os atos praticados estão em total conformidade com o ordenamento jurídico vigente. ... Diante de todo o exposto, constatase que não pode o Fisco interferir na maneira pela qual os contribuintes realizarão aquisições, por exemplo, vedando, sem qualquer respaldo em Lei, o aproveitamento de ágio gerado em reorganizações societárias que envolvam diferentes ou o mesmo Grupo Econômico, ainda que não tenham propósito negocial. No item III.4 a reclamante inexistir a prova de evidente intuito de fraude utilizado pelo fisco e consequentemente a impossibilidade de aplicação da multa qualificada, alegando entendimentos doutrinários e jurisprudenciais e finalizando: ... Verificase, com base no acima esposado, que a afirmação do fiscal no sentido de que teria ocorrido fraude somente poderia prevalecer caso se entendesse que a Impugnante, a Aneel e a CVM estavam em conluio para reduzir o montante de imposto devido pela Impugnante, o que configura rematado absurdo!!! Ante o exposto, não restou comprovada qualquer prática dolosa pela Impugnante, não houve sonegação, fraude ou conluio, fatores necessários à imposição da multa agravada, razão pela qual deve essa E. Turma Julgadora determinar a extinção da representação fiscal para fins penais. No item III.5, a reclamante se manifesta contrariamente à cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. No caso de ser mantido o crédito tributário cobrado, o que se alega a título argumentativo, é certo também que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. Isso porque, o artigo 61 da Lei no 9.430/96 prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC apenas sobre tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Ora, como já exaustivamente debatido, não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. É o que se verifica com clareza pela leitura da definição de "tributo", contida no artigo 30 do Código Tributário Nacional. Ademais, o § 10 do artigo 113 do Código Tributário Nacional, ao diferenciar "tributo" de "penalidade pecuniária", ratifica o que ora se demonstra, deixando claro que as duas figuras não se confundem. Assim, demonstrado que (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa SELIC incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 50, II, e 37 da Constituição Federal, o que não pode ser admitido por esta I. Turma Julgadora. ... Fl. 9013DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.001 27 Ante o exposto, caso não sejam acolhidos os demais argumentos aduzidos na presente Impugnação, o que se admite apenas a título argumentativo, a Impugnante aguarda que essa I. Turma Julgadora determine expressamente o cancelamento dos juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, sobre a multa de ofício lançada. Após todo o descrito, requer a impugnante, o conhecimento e provimento da impugnação, em razão das preliminares ou do mérito, com a consequente descontistuição do crédito tributário exigido. 3 ) Impugnações Responsabilidade Tributária. Os nove membros do conselho fiscal ou da diretoria COELBA, incluídos no pólo passivo da obrigação tributária como responsáveis solidários, apresentaram impugnações tempestivas bastante semelhantes, sendo relatadas a seguir em conjunto, em apertada síntese: ... Com efeito, a Autoridade Fiscal atribuiu a responsabilidade solidária ao Impugnante, com fundamento no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional ("CTN"), o qual responsabiliza, de forma solidária e pessoal, os atos praticados com "excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos". Contudo, além da patente insubsistência do crédito tributário lançado em face da COELBA, conforme arguido na Impugnação apresentada por essa empresa, cujos argumentos são ratificados e fazem parte da presente defesa, também não poderá prosperar a responsabilização do Impugnante, uma vez que (i) não restou caracterizada a hipótese de sujeição passiva solidária prevista no artigo 135, do CTN. ... Com exceção dos responsabilizados Moisés Afonso Sales Filho e Paulo Roberto Dutra, que não apresenta a presente alegação em suas impugnações, o restante dos responsabilizados apresentam, como preliminar, item II.1 da impugnação, a ausência de poderes de gestão do conselho administrativo para efetuar os atos que ensejariam a responsabilização prevista no art. 135, III do CTN. Tentam demonstrar o entendimento, através de jurisprudência e doutrina, de que o citado art. do código teria aplicação restrita às pessoas que possuírem efetivos poderes de gestão sobre a empresa, cabendo indagar se os membros do Conselho Administrativo exercem funções passíveis de serem capituladas como tal. Entendem que, com base na doutrina, jurisprudência e legislação pátria, o Conselho de Administração de uma companhia é um órgão meramente de orientação e aconselhamento, e não de gestão e gerência, como a diretoria. Solicitam, através do item III.1 da impugnação, que as razões oferecidas na impugnação da COELBA, sejam ratificadas em suas defesas, e que seja consideradas parte integrante destas, a saber: ... >Preliminarmente: Preclusão da Possibilidade do Fisco Questionar a Legalidade Dos Atos Societários Que Deram Origem Ao Ágio; > Aproveitamento Do Ágio Pago Na Aquisição Da Coelba; > Breves Considerações Da Operação em Tela; > Natureza Do Ágio E Seu Tratamento Tributário; Fl. 9014DF CARF MF 28 > Motivo, Finalidade E Congruência Do Negócio Jurídico; > Legitimidade Da Operação Como Planejamento Tributário; > Inexistência De Abuso De Direito; > Inexistência De Simulação; > Desnecessidade De Pagamento; > Isonomia Com Tratamento Fiscal Do Deságio; > Inexistência de Previsão Legal Para A Adição, Na Base De Cálculo Da CSLL, Das Despesas Com Amortização De Ágio Considerada Indedutível Pela Fiscalização; > Impossibilidade De Ingerência Do Fisco Na Atividade Do Contribuinte — Da Opção Legal — E Impossibilidade De Se Aplicar A Teoria Do Propósito Negociai; > Ausência De Prova De Evidente Intuito De Fraude E Consequentemente Impossibilidade De Aplicação Da Multa Agravada; e > Impossibilidade De Cobrança de Juros Sobre A Multa. ... Prosseguem, nos itens III.2 e III.2.1, afirmando existir incompatibilidade entre a tributação da pessoa jurídica como devedora principal, concomitantemente com a responsabilização de terceiros com fundamento no art. 135, III do CTN, alegando erro de identificação do sujeito passivo. ... Conforme delineado anteriormente, (1) ainda que se entenda que há coerência nas alegações (infrações fiscais) e na conclusão da Autoridade Fiscal (infrações penais) para atribuir a responsabilidade atribuída em face do Impugnante e que, (h) na qualidade de membro do Conselho de Administração, o Impugnante tivesse poderes equivalentes aos poderes de gestão versados no artigo 135, III, do CTN, o que se alega a título argumentativo, é notório que no caso em tela não há como prosperar a possibilidade de coexistir, em um mesmo processo administrativo, a tributação de uma pessoa jurídica, como devedora principal, e a sujeição passiva solidária de terceiros com fundamento referido dispositivo legal. ... Alegam os impugnantes que a finalidade do art. 135 é a proteção da pessoa jurídica, em face de atos praticados com excesso de poderes por indivíduos a ela ligados. ... Destarte, em sentido metafórico, no presente caso a Autoridade Fiscal procurou atingir dois alvos com apenas uma tentativa, o que não deve ser admitido por essa E. Turma Julgadora. Deveras, ou o lançamento fiscal deveria ter sido em face da COELBA, ou dos que entendeuse ser seus responsáveis tributários. Jamais os dois. ... Prosseguem os reclamantes, alegando a impossibilidade de aperfeiçoamento do lançamento fiscal pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento e por fim: ... Fl. 9015DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.002 29 Em razão dos argumentos expostos, tendo em vista a impossibilidade de coexistência, em um mesmo processo administrativo, de lançamento do crédito tributário em face da pessoa jurídica e de terceiros supostamente pessoalmente responsáveis, com fundamento no artigo 135. III, do CTN, requerse o cancelamento integral dos autos de infração e do Termo de Responsabilidade Tributária lavrado. ... Alegam também, através do item III.2.2 das impugnações, a falta de comprovação por parte do Fisco do intuito doloso, com consequente impossibilidade do enquadramento do artigo 135 do CTN, conforme segue: ... Em momento algum foi comprovado ou demonstrado qual o efetivo fato ou conduta dolosa que o Impugnante teria supostamente agido com excesso de poderes ou infração à lei ou estatuto social da COELBA. No tópico imediatamente anterior ao da responsabilidade solidária ("5. Da Qualificação da Multa7f1s. 39 a 42 do TVF), a Autoridade Fiscal trouxe todos os argumentos e fundamentos capazes de demonstrar, no seu entendimento, o suposto motivo de ter havido conduta e atos dolosos praticados pelo Impugnante. Ou seja, para Autoridade Fiscal, até dado momento da fundamentação do TVF, a existência de dolo era ponto indispensável ao deslinde da autuação. Contudo, alguns parágrafos depois, e justamente no momento de justificar a imputação de responsabilidade solidária a terceiros, cuja comprovação do dolo se faz imprescindível para que tal medida ocorra, a mesma Autoridade Fiscal afirmou, que a mera infração de lei seria suficiente para justificar a responsabilização de terceiros, sendo a existência de culpa ou dolo indiferente para que a responsabilidade seja imputada. Ocorre que essa premissa é, além de contraditória com todos os demais argumentos trazidos pela Autoridade Fiscal, inaplicável ao caso em tela, já que, no cenário em questão, a presença do dolo não é indiferente, mas sim indispensável para que, caso houvesse o cometimento de um ato com excesso de poderes ou infração à lei, a responsabilização de um terceiro fosse admitida. ... Logo, se não houve a comprovação do dolo por parte do Impugnante, impossível se faz a aplicação da responsabilidade tributária nos termos do artigo 135 do CTN, uma vez que a Autoridade Fiscal se olvidou de traçar qualquer comentário a respeito do elemento dolo (ou mesmo culpa, o que se admite apenas por argumentar), pelo fato de não ter existido qualquer ato eventualmente praticado pelo Impugnante em sua autuação em tais termos. Portanto, da leitura do TVF, concluise de forma inquestionável que a fundamentação dos autos de infração relativa à suposta responsabilidade solidária do Impugnante está lastreada em mera presunção, o que é absolutamente inadmissível e insuficiente para a aplicação do artigo 135 do CTN no presente caso. ... Apresentam também, julgados do CARF e do STJ para tentar reforçar seu entendimento. Já, através do item III.2.3, questionam a ocorrência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 9016DF CARF MF 30 ... Na remota hipótese de não se cancelar a responsabilidade solidária atribuída ao Impugnante em razão dos argumentos expostos nos tópicos anteriores, o que se alega apenas a título argumentativo, a responsabilização solidária também se afigura inoportuna pelo fato de não terem sido preenchidos os requisitos versados no caput do mencionado artigo 135 do CTN (excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos), conforme se passa a demonstrar. Como já anteriormente destacado, a Autoridade Fiscal visou responsabilizar o Impugnante solidariamente pelo simples fato do Impugnante deter um cargo no Conselho Administrativo da COELBA à época das deliberações das operações societárias que resultaram no ágio amortizado. ... Alegam, apresentando julgados do CARF, que não bastaria simplesmente a imputação da responsabilidade solidária, sem a descrição individualizada de qualquer conduta concreta, que teria sido praticada pelos Impugnantes. ... A Fiscalização se limitou a traçar uma afirmativa extremamente genérica, que não guarda relação com aquela específica tratada pelo CTN, deixando de apresentar qualquer documento capaz de comprovar e individualizar os atos praticados pelo Impugnante. ... Chama atenção, ainda, o fato da D. Autoridade Fiscalizadora ter imputado a suposta responsabilidade pelo ato praticado pelo Conselho de Administração da COELBA e não por atos praticados de forma individual pelo Impugnante. ... Apresenta entendimentos doutrinários e do STJ sobre a questão, concluindo: ... Ante todo o exposto, resta claro que também não é possível atribuir solidariedade ao Impugnante com base no artigo 135 do CTN, o que de plano impede que esta E. Turma Julgadora aceite a responsabilização solidária pretendida pela Autoridade Fiscal, motivo pelo qual impõese a exclusão do Impugnante do pólo passivo do lançamento tributário objeto do presente processo. Afirmam inexistir sonegação fiscal ou fraude, o que impossibilitaria a aplicação da multa de 150%, conforme item III.3 de suas impugnações: ... No entanto, no presente caso não restou caracterizada nos autos a ocorrência de sonegação ou fraude por parte específica do Impugnante, responsabilizado solidariamente, razão pela qual, por mais esse motivo se faz necessário o cancelamento da solidariedade em questão. Com efeito, conforme minuciosamente demonstrado na defesa apresentada pela pessoa jurídica nestes autos, as alegações da Fiscalização neste sentido são completamente infundadas. A sonegação, nos termos do que estabelece o artigo 71 da Lei no 4.502/64, é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e (ii) das Fl. 9017DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.003 31 condições pessoais de contribuintes, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Contudo, nenhuma dessas ações ou omissões foi praticada pelo Impugnante. Ademais, também não ficou comprovado pela Autoridade Fiscal o intuito do Impugnante em agir de modo fraudulento, o qual baseou o seu posicionamento em presunções e suposições que não guardam qualquer vínculo com a realidade. ... Com efeito, age com dolo todo aquele que tem o ânimo de prejudicar ou fraudar alguém; todo aquele que intencionalmente adota uma conduta com o objetivo de fraudar. Nesse sentido, o que distingue os institutos viciantes dos negócios jurídicos é que: (i) no erro a circunstância que acarreta o vício é espontânea, (ii) no dolo o vício é provocado, é praticado intencionalmente pela parte, o que notadamente não ocorreu no caso em tela pelo Impugnante. Considerandose que o dolo é elemento imprescindível para que se caracterize a sonegação e a fraude, e, portanto, devem ser minuciosa e cabalmente O comprovados pela Autoridade Fiscal, é notório que no presente caso a multa qualificada é tão indevida como a solidariedade, em razão da absoluta ausência de comprovação da prática dolosa do Impugnante. ... Ainda que se considere que a Autoridade Fiscal buscou comprovar o dolo para fundamentar o agravamento da multa, o fato é que quem age com intuito de simular realiza operações proibidas, não as escritura em seus registros contábeis e fiscais, não responde o procedimento fiscalizatório de forma diligente, procurando sob todas as formas ocultar as operações. No presente caso, nenhuma dessas condutas foi praticada pelo Impugnante ou pela COELBA, tendo em vista que foram prestadas informações e fornecidos documentos à Fiscalização, sem retardar, impedir, atrapalhar, nem confundir o trabalho fiscal, haja vista que todas as operações questionadas são legítimas e legais. ... Ao fim, afirmam não ter sido comprovada qualquer prática de sonegação ou fraude por parte dos impugnantes. Levantam o princípio da pessoalidade da pena, conforme item III.4 das impugnações: Por fim, no tocante à multa agravada, independentemente de os fatos acima serem suficientes para afastar a atribuição de responsabilidade solidária do Impugnante, vale ressaltar que, em linha com os preceitos constitucionais que regem o direito brasileiro, nenhuma penalidade deverá ser transferida da pessoa do condenado. ... Trás o contido no artigo 50, inciso XLV da Constituição Federal e prossegue: ... Com efeito, ainda que o crédito tributário em questão fosse devido e passível de ser exigido do Impugnante na qualidade de responsável solidário, o que se alega apenas Fl. 9018DF CARF MF 32 para argumentar, devese, ao menos, ser afastada a multa indevidamente imposta ao Impugnante. Por fim, com base, com base no art. 112 do CTN, alegam no item III.5 , ser defeso ao Fisco a exigência de multa em caso de dúvida: ... Isto porque, a exigência de valores a título de penalidades não se coaduna com a dúvida, conforme se afere do artigo 112 do CTN, segundo o qual "A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...)". ... Ou seja, uma vez que haja dúvida quanto à possibilidade ou não do Impugnante ser responsabilizado solidariamente pelas infrações de que a COELBA é acusada, necessário se faz, ao menos, o cancelamento integral da multa de ofício exigida, na medida em que a responsabilidade tributária é ônus imputado a terceiro cujo lançamento prescinde de absoluta certeza, não cabendo qualquer outro cenário se não a conclusão inequívoca para o remoto cenário de manutenção da acusação e penalidade ao Impugnante. Deste modo, caso reste inequívoca a presença da dúvida, requerse que esta E. Turma Julgadora reconheça, ao menos, que não será possível manter a multa de ofício exigida do Impugnante na qualidade de responsável solidário. Ao fim de suas explanações, ratificam todos os argumentos apresentados pela COELBA e pedem o reconhecimento da inexistência de suas responsabilidades solidárias e, caso assim não se entenda, requerem o cancelamento da multa agravada, em razão do princípio da pessoalidade da pena. Em 29 de junho de 2017 a DRJ em Campo Grande MS julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 Ementa: DECADÊNCIA. ART. 173 DO CTN. FATO EXTINTIVO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora originária, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Por possuir natureza de despesa, ainda que o ágio tenha sido criado em operação envolvendo terceiros independentes, com efetivo pagamento do preço, se houver a transferência do ágio registrado na investidora originária para outra empresa, pertencente ao mesmo grupo econômico, por meio de operações simuladas, meramente contábeis e sem circulação de riqueza, não mais se torna possível o pretendido aproveitamento tributário do ágio. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício. Fl. 9019DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.004 33 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual deve incidir juros à taxa Selic. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Diante de evidências que comprovem que as ações dos membros da diretoria e do conselho de administração foram determinantes para o cometimento dos atos ilícitos, dos quais resultaram os fatos geradores da obrigação tributária, nos termos do inciso III do artigo 135 do CTN, é legítima suas inclusões, na condição de sujeito passivo responsável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 Ementa: CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 4 de julho de 2017 (fl. 8555), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 2 de agosto de 2017 (fl. 8557.), alegando, em síntese: (i) preclusão do direito de questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio, (ii) no mérito, sustenta a legitimidade da operação como planejamento tributário, a impossibilidade de ingerência do fisco na atividade do contribuinte (impossibilidade de se aplicar a teoria do propósito negocial), (iii) ad argumentandum, alega a possibilidade de utilização de empresa veículo, a inexistência de previsão legal para adição, na base de cálculo da CSLL, das despesas com amortização de ágio consideradas indedutíveis, a impossibilidade de exigência de multa no caso de dúvida por aplicação do artigo 112 do CTN e a impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa. As pessoas físicas indicadas como responsáveis foram intimadas e apresentaram recursos voluntário nas datas abaixo: a) Marco Geovanne Tobias da Silva intimado em 14 de julho de 2017 (fl.8676) RV em 10 de agosto a fl. 8704 b) Gonzalo Pérez Fernandez intimado em 2 de setembro de 2017 (fl. 8677) RV em 10 de agosto a fl. 8912 c) José Maurício Pereira Coelho – intimado em 14 de julho de 2017 (fl.8672) RV em 10 de agosto a fl. 8826 Fl. 9020DF CARF MF 34 d) Marcelo Maia de Azevedo Corrêa intimado em 14 de julho de 2017 (fl.8671) RV em 10 de agosto a fl. 8735 e) Solange Maria Pinto Ribeiro intimada em 14 de julho de 2017 (fl.8675) RV em 10 de agosto a fl. 8795 e) Gonzalo Gómez Alcântara – RV em 10 de agosto a fl. 8912 f) Marcelo Souza Marinho – intimado em 13 de julho de 2017 (fl. 8670) RV em 10 de agosto a fl. 8765 g) Moisés Afonso Sales Filho – intimado em 12 de julho de 2017 (fl.8674) RV em 10 de agosto a fl. 8680 h) Paulo Roberto Dutra – intimado em 14 de julho de 2017 (fl.8673) RV em 10 de agosto a fl. 8888 Em seus recursos voluntários os responsáveis sustentam: (i) ausência de poderes de gestão do Conselho Administrativo (argumento presente apenas nas defesas de quem era membro do Conselho) (ii) no mérito: reiteram as defesas apresentadas pela contribuinte; (iii) inexistência de responsabilidade tributária, por : a) erro na identificação do sujeito passivo Incompatibilidade entre a tributação da pessoa jurídica como devedora principal e concomitantemente a responsabilização de terceiros como responsável com fundamento no artigo 135, III, do CTN ("pessoalmente responsáveis") b) inaplicabilidade do artigo 135, III por falta de intuito doloso e pela não ocorrência de atos praticados com excessod e poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos c) impossibilidade de aplicação da multa agravada por inexistência de sonegação e fraude, pelo princípio da pessoalidade da pena e também em razão do art. 122 do CTN (impossibilidade de exigência da multa em caso de dúvida) Recebi o processo em distribuição realizada em 17 de maio de 2018. Colocado o processo em pauta em 13 de junho de 2018, a Recorrente apresentou petição argumentando que a autuação deveria ser cancelada por força da Lei 13.655/2018, que incluiu o artigo 24 na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), e considerando que o procedimento por ela adotado se deu com base nas orientações da época, tendo sido pautado na jurisprudência majoritária do CARF, cujas ementas transcreve. Então, por meio da Resolução 1401000.581, este colegiado baixou o processo em diligência a fim de oportunizar à Procuradoria da Fazenda Nacional a manifestação sobre a petição de fls. 8.9558.961, garantindose assim a igualdade de tratamento às partes do processo. A PFN apresentou a manifestação de fls. 8.9698.984, sustentando a inaplicabilidade do dispositivo às decisões proferidas pelo CARF. O processo então retornou para julgamento. Fl. 9021DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.005 35 Voto Vencido Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto deles conheço. Preliminarmente, impõese a análise da aplicabilidade e do alcance do artigo 24 da LINDB ao/no caso concreto. O dispositivo tem a seguinte redação: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Defende a Recorrente que tal dispositivo tem aplicação imediata ao caso, devendo ser cancelada a autuação fiscal, já que o procedimento por ela adotado se deu com base nas orientações da época, ou seja, foi pautado na jurisprudência majoritária deste CARF sobre "dedutibilidade do ágio pago na aquisição de sociedade estatal em processos de privatização". Todavia, entendo que não é este o alcance da norma. É que o campo tributário possui regramento próprio na Constituição Federal que não pode ser ignorado, em especial quando se analisa a hierarquia das fontes normativas. De fato, o artigo 146 da Constituição Federal estabelece que a edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. E não é à toa. É que em um ambiente em que todos os entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) têm competência e capacidade tributária ativa, a edição de normas gerais não pode emanar de um desses entes (lei federal), devendo advir de norma especial com caráter de legislação nacional, papel da lei complementar. É esse o status do Código Tributário Nacional e de qualquer norma que pretenda veicular norma geral em matéria tributária. Fl. 9022DF CARF MF 36 Assim, já causa estranheza que o legislador tenha pretendido o alcance que defende a Recorrente por meio da edição de uma lei ordinária federal. Vale lembrar, também, que o CTN possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Jamais o principal de tributo. Da mesma forma, o artigo 146 do CTN traz regramento próprio sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos – leiase, nova interpretação – no processo de constituição do crédito tributário. Diante disso, dar ao artigo 24 da LINDB o alcance que a Recorrente pretende é, ao fim e ao cabo, acreditar que lei ordinária federal poderia trazer uma espécie de exceção à norma do artigo 100 do CTN, o que vai de encontro a regras básicas de interpretação das normas em um sistema constitucional complexo como o brasileiro. Na verdade, a análise mais detida do teor do artigo 24 da LINDB também leva à conclusão de que ele não tem o alcance que a Recorrente pretende. A começar pelo contexto em que tal norma foi editada, eis que a exposição de motivos do projeto de lei indica que suas disposições tiveram como pano de fundo os processos de controle das contratações públicas, em especial aqueles das instâncias de controle dos gastos públicos, como o TCU e a CGU. Ademais, a análise do texto indica que o dispositivo se dirigese à revisão de ato, processo ou norma emanados da própria Administração, bem como de contrato ou ajuste entabulados entre a Administração e o particular, não se aplicando ao lançamento fiscal, eis que lançamento não configura procedimento de “revisão”, uma vez que não cuida de “revisar” a validade de quaisquer atos ou contratos da Administração. Assim, o lançamento tributário não se ocupa da revisão de atos administrativos e jamais declara a invalidade de ato ou de “situação plenamente constituída”. A entrega de declaração pelo contribuinte, pelo que se opera o "autolançamento" ou o "lançamento por homologação", não gera situação plenamente constituída, já que por definição a apuração feita pelo contribuinte é sempre provisória e precária, sujeita a homologação da autoridade competente, não havendo que se falar em "situação plenamente constituída" antes da homologação (expressa ou tácita) pela autoridade fiscal. Vale notar que dar ao artigo 24 da LINDB o alcance pretendido pela Recorrente em nome da segurança jurídica acabaria por engessar o contencioso administrativo, impossibilitandoo de evoluir com eficiência, retirando dos debates tributários a tecnicidade da especialização dos tribunais administrativos, que diuturnamente lidam com casos que envolvem critérios contábeis, situações e documentos específicos, levandoos obrigatoriamente ao Poder Judiciário onde não se encontra tal especialização, o que acabaria por aumentar a vulnerabilidade dos contribuintes, trazendo vejam só insegurança jurídica. Ante o exposto, oriento meu voto por rejeitar a preliminar de aplicação do artigo 24 da LINDB ao caso em questão. Passo à análise dos recursos voluntários. Recurso voluntário da contribuinte Fl. 9023DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.006 37 Em breve síntese, a acusação fiscal é de que a Guaraniana S.A., empresa que adquiriu participação societária na COELBA em 1997 por meio de leilão de privatização, teria, em 31 de março de 2000, transferido o ágio para a Nordeste Participações S.A., a qual foi taxada em "empresa veículo". Após descrever a operação, o TVF afirma: "Esta auditoria demonstrará que as operações a partir da capitalização acima mencionada foram realizadas apenas no papel, sob o manto da fraude, inviabilizando dessa forma a dedutibilidade pretendida para o ágio oriundo de aquisições de ações da COELBA" (TVF, fl. 7.842). Para tanto, a autoridade autuante questiona: (i) a fundamentação do ágio, apontando problemas com relação ao demonstrativo de rentabilidade futura elaborado; (ii) o papel da Nordeste Participações, que chama de "empresa veículo"; (iii) a incorporação da Nordeste Participações pela COELBA, que afirma ter ocorrido apenas "no papel". Afirma a fiscalização, ademais, que "não houve alienação de participação que a Guaraniana S.A. possuía na COELBA e por consequência não existiu ágio novo que pudesse ser fundamentado economicamente. De fato, a operação ocorrida foi a transferência de ações, e, por conseguinte, do ágio (31/07/97 e 06/10/99), conforme disposto pela própria COELBA, em excertos abaixo, às fls. 8130 e 8131 do processo administrativo no. 10580.729192/201171." (fl. 7861) [e transcreve trechos do recurso da COELBA em tal processo administrativo, no qual a empresa se defende da acusação de "ágio interno" afirmando que não houve ágio novo]. Além disso, a multa foi qualificada porque, no entender da autoridade autuante, "Esta conduta de criar operações sem substrato econômico razoável (transferência de ágio para empresa veículo e incorporação às avessas da controladora) para tentar alterar o fundamento econômico do ágio visando apenas à redução da carga tributária consubstanciou a conduta fraudulenta das empresas envolvidas nas operações, ..." (fl. 7966). A Recorrente inicia sua defesa com a observação de que, quando ocorreu a autuação, já havia decaído o direito do fisco de questionar os fatos que deram origem ao ágio. Tal argumento não procede. Isso porque o registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. Ora, sendo o prazo decadencial aquele após o qual o fisco perde o direito de constituir o crédito tributário, e sendo tal constituição possível apenas quando ocorre o fato gerador, fica fácil perceber que não há que se falar em início de contagem do prazo decadencial pelo mero registro contábil de uma potencial despesa. Assim se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito dos prejuízos fiscais, cujo paralelo pode ser traçado com o ágio: ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. (acórdão 9101 002.387, julgado em 13/07/2016) Coerentemente, este CARF aprovou o enunciado do Súmula n. 116, de seguinte teor: "Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança." Fl. 9024DF CARF MF 38 Por tais razões não há como se reconhecer a decadência no caso em questão. Passo então à análise do mérito da autuação, examinando mais detidamente cada um dos questionamentos indicados no TVF como base para a glosa efetuada. O primeiro deles é relativo ao demonstrativo de rentabilidade futura. No caso, a autoridade autuante aparentemente confunde o ágio apurado em 1997 e 1999, por ocasião da aquisição das ações da COELBA via leilões de privatização, com o ágio apurado em 31 de março de 2000, data em que a Guaraniana adquiriu as ações da Nordeste Participações (mediante capitalização das ações da COELBA) e então a Nordeste Participações registrou o ágio que ora se discute. Afirma o TVF que "demonstrarseá que todo o ágio amortizado pela COELBA, oriundo de leilão de privatização e leilão especial não encontra respaldo na legislação vigente à época do fatos geradores (2011 e 2012) para redução de base de cálculo dos tributos acima mencionados". (fl. 53). Bem como que "não restam dúvidas quanto a intempestividade dos documentos acima discriminados [laudos realizados em 1999 e 2000], principalmente, por não se prestarem a comprovar a escrituração contábil dos fatos ocorridos em 31 de julho de 1997" (fl. 68). Ocorre que em nenhum momento se pretendeu amortizar o ágio relativo ao leilão de privatização ocorrido em 1997. Isso sequer seria possível. O ágio é um desdobramento do custo de aquisição, ou seja, um lançamento contábil com efeitos fiscais que é realizado por quem adquire um investimento por valor acima do valor de patrimônio líquido. Assim dispunha a legislação vigente à época dos fatos: DecretoLei 1.598/1977 (grifamos) Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. (...) Assim, por exemplo, se a investidora "α" paga $500 para adquirir 100% da empresa "X", a qual tem patrimônio líquido no de $400, então α, ao registrar esse ativo, desdobrará tal custo de aquisição da seguinte forma: Registros contábeis em α: Investimento em X $500 Valor de patrimônio líquido de X = $400 Ágio (αX) = $100 Fl. 9025DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.007 39 Posteriormente, se α decide transferir esse ativo para a investidora "ß", por exemplo por $450, e neste momento, por hipótese, X tem o mesmo valor de patrimônio líquido (400), então ß, ao registrar o investimento em X, desdobrará o custo de aquisição da seguinte forma: Registros contábeis em ß: Investimento em X $450 Valor de patrimônio líquido de X = $400 Ágio (ßX) = $50 Nesse exemplo, não se pode dizer que houve "transferência de ágio" ou que o segundo ágio (ágio ßX, de $50), estava "dentro" do primeiro (ágio αX, de $100), porque cada aquisição gera para a respectiva adquirente, e apenas para ela, naquela específica data, o desdobramento do valor pago em valor de patrimônio líquido + ágio (ou deságio). O ágio não é um ativo a ser transferido, ele é, a princípio, apenas uma consequencia, um efeito contábil, de se pagar por uma ação mais do que o seu valor de patrimônio líquido. Continuando o raciocínio, se uma empresa que adquire um investimento "com ágio" vier a incorporar a investida ela apurará, contabilmente, uma perda. Para utilizar o exemplo acima, se ß vier a incorporar X ela receberá um PL de 400 e "perderá" os 50 do ágio. É essa perda que, se antes da Lei 9.532/1997 era reconhecida integralmente no momento da incorporação, passou a ser amortizável apenas à razão máxima de 1/60 ao mês após o advento de tal diploma legal, desde que cumpridos determinados requisitos ali previstos. A própria exposição de motivos da Lei 9.532/1997 esclarece tal circunstância, vejase: “11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método de equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos ‘planejamentos tributários’, vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo.” 1 Neste sentido, podemos citar o seguinte caso como exemplo do "planejamento tributário" referido em tal exposição de motivos: Ementa: “IRPJ/CS – INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE – AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO – DEDUTIBILIDADE – Na incorporação de 1 Vale notar que na conversão em lei o art. 8o acabou sendo reproduzido como art. 7º da Lei 9.532/97. Fl. 9026DF CARF MF 40 sociedade, com acervo líquido da sociedade incorporada avaliado a valor de mercado, o ágio anteriormente registrado pela controladora e baixado em razão da liquidação do investimento é dedutível na apuração do lucro real e na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro." (Processo 10980.00656119768, Acórdão 10705875, de 22/02/2000). Merecem destaque os seguintes trechos do voto vencedor do acórdão cuja ementa se transcreveu acima: “Obviamente que não se pode olvidar que as operações praticadas pela recorrente redundaram na absorção do ágio que anteriormente se formara, reduzindo o seu lucro tributável. Mas, ao tempo em que tais operações se realizaram, além das regras insertas no citado art. 380 do RIR/94, não havia nenhuma outra vigente, o que em negócios do gênero (aquisições de sociedades seguidas de sua absorção) abria espaços para a estruturação de operações que, desde logo, permitiam a dedutibilidade do ágio pago. O legislador, ciente de que a reboque de tais negócios realizavamse operações de planejamento tributário, por intermédio da Lei 9532/97 veio a disciplinar a figura do ágio, estabelecendo o tratamento tributário de conformidade com a sua natureza. Portanto, considerando que a dedução do ágio que motivou o presente lançamento se verificou em momento anterior ao de vigência da referida lei, tendo as operações estruturadas se pautado pelas regras impostas na legislação societária e em conformidade com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, não havendo, por parte da autoridade que presidiu o ato de lançamento, nenhuma acusação quanto a eventual ilicitude ou simulação dos atos praticados, realmente não vejo como se manter o lançamento. (...) o que se via no momento da realização das operações em questão era um absoluto vazio legislativo, que propiciava em operações da espécie a dedutibilidade imediata e integral do ágio, tanto que o legislador, talvez até tardiamente, tratou de adequadamente regulálas.” (grifamos) Pois bem. Passando à hipótese dos autos, o ágio que ora se discute foi apurado em 2000, pela Nordeste Participações, quando esta recebeu da Guaraniana as ações que esta detinha na COELBA (tendo a Nordeste Participações entregue capital social como contrapartida pela aquisição de tal investimento), conforme demonstrou a Recorrente: Fl. 9027DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.008 41 No caso, é verdade, as ações da COELBA estavam registradas na contabilidade da Guaraniana com ágio (porque em 1997 e 1999, quando a Guaraniana adquiriu as ações da COELBA, ela também pagou ao vendedor mais do que o valor de patrimônio líquido das ações da COELBA naquela data). Mas isso, para fins de apuração do ágio pela Nordeste Participações, é quase que irrelevante. Por isso, quando intimada a apresentar o demonstrativo de rentabilidade futura relativo ao ágio amortizado para fins fiscais (isto é, o ágio registrado pela Nordeste Participações), o documento apresentado foi o laudo elaborado pela Arthur Andersen Business Consulting S/C LTDA em 23 de dezembro de 1999, o qual indica tratarse de "resultado de nossos trabalhos relativos à prestação de serviços profissionais de avaliação econômico financeira da Cia. de Eletricidade do Estado da Bahia (doravante denominada “Coelba” ou “empresa” como forma de assessorálos no processo de fundamentação do ágio gerado na alienação da participação acionária detida pela Guaraniana S.A, perante a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL” (fl. 71, grifos nossos). Ou seja, tratase de laudo elaborado para apurar o valor para fins de alienação (e não aquisição) das ações da COELBA pela Guaraniana, alienação esta que ocorreu em favor da Nordeste Participações. Tal documento considera o universo de dez anos e realiza uma análise do fluxo de caixa descontado a valor presente, chegando à conclusão de que o valor econômico estimado da COELBA em função da capacidade de geração de resultados futuros equivaleu aproximadamente a R$ 3.618.310.000,00. A fiscalização poderia, talvez, questionar aspectos relativos a este demonstrativo preparado em 1999, mas nunca pretender colocar em dúvida a fundamentação de um ágio registrado em 2000 apenas com base em questionamentos quanto a uma aquisição anterior do mesmo ativo realizada anos antes por outra empresa. O raciocínio fica mais claro se pensarmos a contrario sensu: se se pretendesse, em 2000, registrar ágio relativo à aquisição das ações da COELBA pela Nordeste Participações com base em demonstrativo elaborado em 1997, tal registro seria aceito? Penso que não. Afinal, a legislação vigente à época estabelecia que o lançamento do ágio com fundamento em rentabilidade futura "deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração" (art. 20, § 3º, do DecretoLei 1.598/1977), o que indica que o demonstrativo deve ser contemporâneo ao registro contábil do ágio, ou seja, contemporâneo à aquisição do investimento. Assim, entendo que não assiste razão à autoridade autuante quando esta questiona a fundamentação do ágio, ou a tempestividade do laudo de avaliação, sob o argumento de que este deveria ter sido elaborado em 1997/1999. De fato, se estivéssemos aqui a tratar do ágio registrado pela Guaraniana, aí sim, estaríamos a questionar sobre demonstrativo de rentabilidade futura das ações da COELBA contemporâneo à aquisição de tais ações pela Guaraniana, em 1997 e em 1999. No entanto, o presente caso não trata do ágio registrado pela Guaraniana, mas do ágio registrado pela Nordeste Participações quando esta adquiriu as ações da COELBA em 2000. A questão aqui é que a autoridade autuante parte da premissa de que tratase do ágio registrado pela Guaraniana que foi meramente transferido à Nordeste Participações. Neste sentido, afirma textuamente que "não houve alienação da participação que a Fl. 9028DF CARF MF 42 Guaraniana S.A possuía na COELBA e por consequência não existiu ágio novo que pudesse ser fundamentado economicamente. De fato, a operação ocorrida foi a transferência de ações, e, por conseguinte, do ágio (31/07/97 e 06/10/99), conforme disposto pela própria COELBA, em excertos abaixo, às fls. 8130 e 8131 do processo administrativo nº 10580.729192/201171." (fl. 71). Transcreve, em seguida, os trechos que menciona, no qual a empresa, para se defender da acusação de "ágio interno", afirma que não houve "ágio novo" pois "o ágio que acaba por ser contabilizado na COELBA era o mesmíssimo que estava na NORDESTE e anteriormente na GUARANIANA e que, exatamente por causa da incorporação, vai para a COELBA". Ocorre que, quando a empresa afirma que se trata do "mesmíssimo ágio" ela apenas quer dizer que o valor pago em 2000 (pela Nordeste Participações) para adquirir as ações da COELBA espelha o valor pago (pela Guaraniana) para adquirir essas mesmas ações em 1997 e 1999. Tecnicamente, é bom repetir, não se pode falar que se trata do mesmo ágio, eis que o ágio não é um ativo independente passível de transferência, mas um mero efeito da aquisição de uma participação societária. Pretender transferir tal efeito isoladamente é como querer transferir apenas o cheiro de uma flor sem transferir a flor. Isso nos leva à análise do segundo questionamento apontado pela fiscalização, de que a Nordeste Participações S.A. seria "empresa veículo" na transferência do ágio, eis que ela "não apresentou receita ou movimento operacional". Todavia, ainda segundo a descrição constante do TVF, a Nordeste Participações foi constituída em 30 de setembro de 1997 sob outra denominação, tendo como objeto social a participação em outras sociedades, ou seja, tratavase de uma "holding pura" controlada pela Previ. Muito embora não tenha auferido receitas operacionais no período de 1997 a março de 2000 (o que sequer era esperado, já que se tratava de holding pura), ela registrou despesas, apurando assim prejuízo nos exercícios. No caso, a fiscalização não questiona a existência em si da Nordeste Participações, apenas utiliza o fato de não haver receitas para imputar a ela o rótulo de "empresa veículo". Acontece que tal qualificação jurídica sequer existe. O termo "empresa veículo" designa aquela pessoa jurídica que existe apenas no papel, ou seja, cuja materialidade é forjada para ser utilizada como etapa (simulada) de reestruturações societárias as quais, por envolver simulação, são consideradas planejamento tributário ilegítimo. Para que se prove estar diante de empresa veículo é necessário que a autoridade fiscal reúna indícios de que, na prática, a pessoa jurídica não passa de uma simulação, isto é, uma "casca", existente apenas no papel, o que envolve a constatação de que ela não atuou como sujeito de direitos e obrigações de nenhuma ordem. Neste sentido, em tese o fato de não ter auferido receitas até pode servir de indício de que a pessoa jurídica não existe, desde que reunido com outros indícios que convirjam para esta mesma conclusão. Ocorre que o próprio TVF afirma que a Nordeste Participações registrou despesas no período, o que aponta para o lado oposto à tese que a autoridade autuante pretendeu sustentar, já que demonstra que tal pessoa jurídica atuou como sujeito de direitos e deveres. Não há nenhum outro fato indicado pela fiscalização que aponte para a conclusão de que a Nordeste Participações não teria existência efetiva, material. Fl. 9029DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.009 43 Assim, não se pode afirmar que a Nordeste Participações seja mera "empresa veículo" no caso, até porque, ao que consta do próprio TVF, a pessoa jurídica aparentemente existiu tanto formal como materialmente, tendo inclusive incorrido em despesas. Em terceiro lugar, a fiscalização questiona a incorporação da Nordeste Participações pela COELBA, o que reputa ter ocorrido "apenas no papel, ou sem substância econômica a não ser a elisão do pagamento de tributos, qual seja, a incorporação reversa da controladora (Nordeste Participações) pela controlada COELBA)." (fl. 7854). A despeito de tal afirmação, a fiscalização não traz quaisquer indícios de que tal incorporação tenha sido de fato simulada. Na verdade, a única base para tal afirmação é a de que a Nordeste Participações seria mera "empresa veículo" o que, como vimos, não foi comprovado. Caminhando para a conclusão, temos que a Nordeste Participações adquiriu ações da COELBA e desdobrou o custo de aquisição em valor de patrimônio líquido e ágio, sendo necessário verificar se foram cumpridos os requisitos legais para a amortização do ágio (previstos na Lei 9.532/1997 e no DecretoLei 1.598/1977) e se tais operações efetivamente fossem praticadas (ausência de simulação art. 149, VII, do CTN). Não há qualquer acusação no TVF de que os requisitos legais para o registro e a amortização de ágio não foram cumpridos no caso em questão. Pelo contrário, o TVF afirma (i) que foi elaborado demonstrativo de rentabilidade futura contemporâneo à aquisição das ações da COELBA pela Nordeste Participações; (ii) que houve pagamento (contraprestação) na aquisição das ações da COELBA pela Nordeste Participações; (iii) que por ocasião da aquisição do investimento a Nordeste Participações segregou o investimento do ágio, e (iv) que a amortização do ágio passou a ocorrer após a incorporação da investidora pela COELBA. Vale observar que a afirmação do TVF de que o ágio referente às ações da COELBA teria sido duplicado também não tem fundamento, já que o valor que a Guaraniana havia registrado como ágio na aquisição das ações da COELBA passou a ser meramente custo de aquisição do investimento que a Guaraniana passou a deter na Nordeste Participações, nos termos do artigo 426, I, do RIR/99. O ágio, vale repetir, é produto da aquisição de uma participação societária por um valor acima de seu valor patrimonial, é um desdobramento do custo de aquisição, dessa forma, por consequência lógica e necessária, ele sempre segue a participação societária em questão. Assim, a Guaraniana nunca poderá amortizar fiscalmente qualquer ágio referente às ações da COELBA que foram transferidas à Nordeste Participações. Por outro lado, uma pessoa que viesse a adquirir da Guaraniana as ações da COELBA poderia registrar ágio em tal aquisição (desde que pagasse mais do que o valor de patrimônio líquido de tais ações) e, observados os requisitos legais, amortizar tal ágio para fins fiscais o que de fato ocorreu com a Nordeste Participações. Ante o exposto, a conclusão necessária a que se chega é de que a autuação fiscal sob exame não tem fundamento jurídico. Como tenho sustentado em meus votos sobre o assunto (acórdãos 1401 001.908, 1401002.078, dentre outros), apesar do viés político que é atribuído a sua introdução na legislação, há que se salientar que a amortização do ágio pago na aquisição de sociedade Fl. 9030DF CARF MF 44 brasileira tem lógica na própria sistemática de tributação do IRPJ e da CSLL, e existia muito antes da Lei 9.532/1997, a qual veio tão somente impor critérios objetivos para tal fruição quais sejam, a fundamentação da mais valia na rentabilidade futura da investida, bem como do prazo para a amortização fiscal, contado a partir da liquidação do investimento. A legislação tributária estabelecia que o ágio pago em razão da rentabilidade futura da sociedade adquirida poderia ser amortizado e deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL após a alienação ou a liquidação do investimento. Tais condições não são aleatórias. Na verdade, tanto a alienação do investimento quanto a sua liquidação são eventos que dão margem ao reconhecimento de um ganho ou uma perda, correspondentes à diferença entre o valor pago na aquisição da participação societária ("custo") e o valor pelo qual esta é alienada ou liquidada (respectivamente, valor de venda ou valor de patrimônio líquido). A ocorrência de tais eventos, nos termos do DecretoLei 1.598/1977 (em especial, arts. 25, 33 e 34), acarretava a tributação do ganho (quando realizado), assim como permitia considerar a perda uma despesa dedutível. Como visto, antes da edição da Lei 9.532/1997, para fins tributários o ágio era integralmente amortizado no momento em que houvesse a incorporação, e era assim não porque nesse momento a despesa com o ágio seria confrontada com a receita que lhe deu origem, ou porque neste momento ocorreria a "confusão patrimonial" entre investidora e investida, mas tão somente porque, a partir de então, aquele investimento necessariamente seria baixado, originando uma perda. Vale notar que tal tratamento tributário do ágio poderia ser aplicado ainda que o ágio tivesse sido amortizado contabilmente, sendo ainda aplicável inclusive às sociedades que não estivessem obrigadas a seguir o método de equivalência patrimonial, como reconheceu o §6º, I, do artigo 386 do RIR/99. Em resumo, longe de criar um "benefício fiscal" visto que a amortização já era prevista na legislação, e em condições muito mais amplas , o que os arts. 7º e 8o da Lei 9.532/1997 (reproduzidos no art. 386 do RIR/99) trouxeram foram as condições objetivas para a amortização fiscal do ágio pago na aquisição de participações societárias. Condições que, conforme indica a própria exposição de motivos da norma, foram estabelecidas buscandose evitar os "planejamentos tributários" praticados com respaldo na anterior lacuna legislativa. Assim, uma vez que tais condições tenham sido observadas, a princípio a amortização fiscal do ágio há de ser admitida. E digo a princípio apenas porque, como se sabe, as autoridades fiscais estão autorizadas a efetuar e rever de ofício o lançamento tributário nas hipóteses do artigo 149 do CTN, inclusive quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação (inciso VII). No caso em questão, não tendo restado caracterizadas tais circunstâncias que permitiriam questionar a dedutibilidade fiscal do ágio, não vejo como subsistir a autuação. Colocada a questão para votação nesta Turma, restei vencida quanto ao argumento acima, razão porque passo a analisar os pedidos subsidiários aventados no recurso voluntário. CSLL Fl. 9031DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.010 45 A Recorrente defende a inexistência de previsão legal para adição, na base de cálculo da CSLL, das despesas com amortização de ágio consideradas indedutíveis. Concordo com a Recorrente quando esta sustenta que o legislador determinou a base de cálculo da CSLL doe forma exaustiva, como não poderia deixar de ser, fixando cada um dos ajustes aplicáveis. Todavia, diferentemente da Recorrente, entendo que a legislação arrola, sim, como hipótese de adição ao lucro líquido o valor correspondente a amortização do ágio art. 13 da Lei no. 9.249/1995: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; (...) Não obstante, o lançamento da CSLL não deve prevalecer no caso em questão, tendo em vista que a base legal não foi citada quer no auto de infração quer no TVF. Isso porque, no caso, a fiscalização autuou a CSLL como mero reflexo do IRPJ, como se as bases de cálculo de tais tributos fosse idênticas (mas não são). Vejase, neste sentido, as bases legais indicadas para o lançamento da CSLL: Auto de infração fl. 30: Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Art. 2º da Lei nº 9.249/95. Art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96 Art. 28 da Lei nº 9.430/96. Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012: Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Art. 2º da Lei nº 9.249/95. Art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96 Art. 28 da Lei nº 9.430/96. Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 Art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 39 da Medida Provisória nº 563/12. Art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei nº 12.715/12. Termo de Verificação Fiscal fl. 76 Infração Despesa Indedutível com amortização de ágio na apuração da CSLL: • Artigo 2º e 3º, inciso II, da lei 7.689 de 15 de dezembro de 1988 e alterações posteriores; • Artigo 57, da Lei 8.981 de 20 de janeiro de 1995 e alterações posteriores; Fl. 9032DF CARF MF 46 • Artigo 1º da Lei 9.316 de 22 de novembro de 1996; • Artigo 28, da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996. Assim, oriento meu voto para, não obstante vencida quanto ao IRPJ, cancelar a autuação quanto à CSLL por falta de indicação da base legal no auto de infração. Multa qualificada Conforme relatado, a multa foi qualificada porque, no entender da autoridade autuante, "Esta conduta de criar operações sem substrato econômico razoável (transferência de ágio para empresa veículo e incorporação às avessas da controladora) para tentar alterar o fundamento econômico do ágio visando apenas à redução da carga tributária consubstanciou a conduta fraudulenta das empresas envolvidas nas operações, ..." (fl. 7966). Ocorre que, no caso, não houve dolo, no sentido de consciência da prática de um ilícito, necessário à caracterização das hipóteses de sonegação, fraude e conluio que levam à qualificação da multa de ofício. Na verdade, o que ocorreu foi divergência na qualificação de fatos, portanto no enquadramento tributário a ser dado a determinado comportamento. No caso, mesmo que se admitisse como possível a chamada "transferência de ágio" ou a utilização da chamada "empresa veículo", tais condutas não são, em si, ilícitas; são, no máximo, passíveis de requalificação pela Administração, autorizando, assim, o a revisão do lançamento ou o lançamento de ofício, nos termos do artigo 149 do CTN. Revelase difícil admitir a presença de dolo em um caso como o dos autos, em que o contribuinte inclusive demonstrou, na petição onde requer a aplicação do artigo 24 da LINDB (fls. 8.9558.961), que exatamente nos anoscalendário em que ocorreu a amortização do ágio ora em discussão (2011 e 2012) este CARF publicou diversos acórdãos validando a efetivação de reorganizações societárias mediante a utilização de "empresa veículo", "desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio", em especial em se tratando de aquisições realizadas no contexto de programas de privatização. Assim, é fato que, no caso dos autos, havia uma expectativa razoável da contribuinte de que as operações por ela realizadas eram plenamente lícitas, não sendo razoável aplicarlhe a multa duplicada. Ante o exposto, tendo restado vencida quanto ao principal de tributo, oriento meu voto para excluir a qualificação da multa de ofício. Multa de ofício Observo que, no específico caso dos autos, a aplicação de qualquer penalidade contraria o disposto no artigo 112 do CTN. O dispositivo prevê: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; Fl. 9033DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.011 47 III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Não estou dizendo, com isto, que há qualquer dúvida quanto à ocorrência do fato gerador. Não é isso. Todavia, é fato que, dado o status da jurisprudência deste CARF à época dos fatos geradores (conforme demonstrado pela contribuinte na petição de fls. 8.9558.961), a Recorrente tinha uma expectativa razoável de que as operações realizadas não apenas eram lícitas mas seriam, inclusive, referendadas por este CARF. Em um contexto como este, em que o próprio CARF validava operações semelhantes à discutida nos presentes autos, não apenas não se pode admitir como caracterizado o dolo como também não se pode manter a aplicação de qualquer penalidade. O Superior Tribunal de Justiça tem admitido temperamento na aplicação de penalidades, a despeito de ser objetiva a responsabilidade do contribuinte quanto a ilícitos fiscais nos termos do artigo 136 do CTN, vejase como exemplos: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECOLHIMENTO REITERADO DO ISS. COSTUME. ART. 100, III E PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. ICMS. BOAFÉ. CONTRIBUINTE. MULTA. EXCLUSÃO. JUROS MORATÓRIOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. DIES A QUO. NOTIFICAÇÃO. I — Presumese a boafé do contribuinte quando este reiteradamente recolhe o ISS sobre sua atividade, baseado na interpretação dada ao DecretoLei 406/68 pelo Município, passando a se caracterizar como costume, complementar à referida legislação. II — A falta de pagamento do ICMS, pelo fato de se presumir ser contribuinte do ISS, não impõe a condenação em multa, devendose incidir os juros e a correção monetária a partir do momento em que a empresa foi notificada do tributo estadual.” (RESP 215.655, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, j. 18.09.2003). “(...) I — Apesar da norma tributária expressamente revelar ser objetiva a responsabilidade do contribuinte ao cometer um ilícito fiscal (artigo 136 do CTN), sua hermenêutica admite temperamentos, tendo em vista que os artigos 108, IV e 112 do CTN permitem a aplicação da eqüidade e a interpretação da Lei Tributária segundo o princípio do in dúbio pro contribuinte. Precedente: REsp 494.080/RJ, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 16/11/2004. II — In casu, o Colegiado a quo, além de expressamente haver reconhecido a boafé do contribuinte, sinalizou a inexistência de qualquer dano ao Erário ou mesmo de intenção de o provocar, perfazendose, assim, suporte fáctico jurídico suficiente a se fazerem aplicar os temperamentos de interpretação da norma tributária antes referidos. Fl. 9034DF CARF MF 48 (...)” (RESP 699.700, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, j. 21.06.2005). Assim, tendo restado vencida quanto ao principal de tributo, oriento meu voto para excluir também a aplicação de qualquer penalidade no caso. Juros sobre multa Quanto aos juros sobre a multa, este CARF aprovou o enunciado da Súmula 108, de observância obrigatória por este colegiado, nos seguintes termos: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assim, tendo restado vencida quanto ao principal de tributo, voto pela manutenção dos juros sobre a multa. Recursos voluntários dos responsáveis A exclusão da responsabilidade já seria conseqüência do não reconhecimento do dolo no caso concreto já que, inexistindo ilícito, não se verifica a hipótese do artigo 135, III, do CTN. De qualquer forma, a exclusão da responsabilidade também é de rigor porque não presentes os requisitos legais para tanto, como passo a analisar. Recursos voluntários dos responsáveis membros do Conselho de Administração O artigo 135 do CTN, ao atribuir responsabilidade pessoal aos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, condiciona a aplicação de tal dispositivo às hipótese sem que se verifica a efetiva existência de poderes de gerência/direção sobre a empresa, e tão somente quanto pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. A leitura das atribuições conferidas pela Lei das S/A a membros do conselho de administração revela que tal órgão se presta a viabilizar, instruir e aconselhar os negócios da companhia, mas jamais a executálos, já que a efetiva execução dos negócios compete à diretoria, órgão diverso. Vale transcrever o artigo 142 da Lei das S/A (Lei 6.404/1976): Art. 142. Compete ao conselho de administração: I fixar a orientação geral dos negócios da companhia; II eleger e destituir os diretores da companhia e fixarlhes as atribuições, observado o que a respeito dispuser o estatuto; III fiscalizar a gestão dos diretores, examinar, a qualquer tempo, os livros e papéis da companhia, solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração, e quaisquer outros atos; IV convocar a assembléiageral quando julgar conveniente, ou no caso do artigo 132; Fl. 9035DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.012 49 V manifestarse sobre o relatório da administração e as contas da diretoria; VI manifestarse previamente sobre atos ou contratos, quando o estatuto assim o exigir; VII deliberar, quando autorizado pelo estatuto, sobre a emissão de ações ou de bônus de subscrição;(Vide Lei nº 12.838, de 2013) VIII – autorizar, se o estatuto não dispuser em contrário, a alienação de bens do ativo não circulante, a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) IX escolher e destituir os auditores independentes, se houver. (...) Assim, não se pode admitir a responsabilização tributária dos membros do conselho de administração da contribuinte com base no artigo 135, III, do CTN. Recurso voluntário dos responsáveis com cargo de diretoria No caso, também foram incluídos no polo passivo da obrigação tributária indivíduos com cargo de diretoria. Embora, em tese, o artigo 135, III, do CTN se aplique a diretores de sociedades, entendo que não é o caso dos autos. Isso porque, para a aplicação do artigo 135, III, do CTN, também é necessário que a autoridade fiscal prove que o diretor em questão efetivamente atuou em fraude à lei, contrato social ou estatutos. Não encontra guarida a responsabilização apenas pelo cargo ocupado. Neste sentido, oriento meu voto para dar provimento aos recursos voluntários apresentados pelos imputados responsáveis. Dispositivo Ante o exposto, oriento meu voto para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, restando prejudicados os recursos voluntários dos apontados como responsáveis. Não obstante, tendo restado vencida quanto ao principal de IRPJ, oriento meu voto para cancelar o auto de infração de CSLL, excluir a qualificação da multa de ofício, excluir a aplicação da própria multa de ofício, manter a aplicação de juros sobre multa e dar provimento aos recursos voluntários apresentados pelos imputados responsáveis. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 9036DF CARF MF 50 Voto Vencedor Conselheiro Claudio de Andrade Camerano Redator Designado De se destacar que o presente voto vencedor referese apenas (i) à glosa de despesa com amortização de ágio para fins de IRPJ e de CSLL e (ii) aplicabilidade da multa de ofício de 75%. Nestes itens, por maioria de votos (voto de qualidade), foi negado provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Relatora. Assim, de se acatar o que foi decidido pela Relatora e ratificado, por unanimidade de votos por esta Turma Ordinária para (a) rejeitar as preliminares, (b) afastar a qualificação da multa de ofício e (c) pelo afastamento dos responsáveis tributários apontados nos autos de infração. A questão a ser enfrentada é verificar se há embasamento legal para a Interessada deduzir, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a amortização de ágio registrado em sua contabilidade, decorrente de operações que culminaram com a transferência à Fiscalizada, por meio de incorporação, de ativo que continha o registro de ágio. Contrariamente ao entendimento da Relatora, o ágio que foi objeto de amortização com reflexos tributários no IRPJ e na CSLL, foi, data venia, o ágio surgido na aquisição da COELBA em processo licitatório de privatização. Do Termo de Verificação Fiscal TVF (fls.38 a 84) em parte reproduzido no Relatório do Voto Vencido, percebese facilmente que estamos diante de caso relativo à aquisição de participação societária (com ágio), seguido de incorporação entre as empresas envolvidas, tendose constatado neste cenário, segundo a autoridade fiscal, a figura da já conhecida e assim chamada por grande parte da doutrina de empresa veículo. Em vários julgados envolvendo esta questão específica, temse normalmente a seguinte situação: a aquisição de um investimento com reconhecimento de ágio, que, posteriormente, é transferido e aproveitado (fiscalmente, por incorporação), ora entre empresas ligadas, ora entre empresas sem ligação societária comum, mas por meio de utilização de empresa veículo, o que, na maioria dos casos vistos, vem a subverter, de maneira primária, a norma tributária que rege o assunto. De se ver, então, se estamos diante do caso exposto pela Fiscalização. Informa a autoridade autuante no Termo de Verificação Fiscal (TVF), que na Demonstração do Resultado do Exercício DRE da empresa fiscalizada encontrase o registro de amortização de ágio (anos calendário de 2011 e 2012), sobre investimentos, decorrente de ativo que constava, conforme relatoriado, na empresa Nordeste Participações S/A, então incorporada pela COELBA. As amortizações deste ágio nesses anoscalendário reduziram as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL em R$ 55.539.840,12 (ano de 2011) e de R$ 53.582.152,80 (ano de 2012), conforme consta no TVF, item 1. Da identificação dos montantes de despesas com ágio de si mesma amortizados pela COELBA nos anos calendário 2011 e 2012. Fl. 9037DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.013 51 Que transações foram estas que houveram com a Nordeste Participações S/A, então incorporada pela COELBA, ora Recorrente, que lhe permitiram o registro de amortizações desta natureza e desta magnitude? Já vimos, conforme relatoriado, que tratouse de contabilização de amortização de ágio e que apareceu por força de uma incorporação em uma empresa, a Nordeste Participações S/A, que mantinha em seu ativo o investimento adquirido com ágio. E como este ágio lá na empresa Nordeste Participações S/A foi originado? De se ver. Inicialmente, retrocedendo à época das privatizações, e já relatoriado, a empresa Guaraniana S/A, tendo por objeto a participação em outras empresas e com um capital de R$ 15.000,00, recebeu um aporte de capital, em 1997, da ordem de R$ 1.243.848.175,00, "visando a liquidação financeira do lance ofertado no leilão de privatização da COELBA." Este aumento de capital foi integralizado, em grande parte, por IBERDROLA INVESTIMENTOS SOCIEDADE UNIPESSOAL, com 39,00031%, por FUNDO MÚTO DE INVESTIMENTOS EM AÇÕES CARTEIRA LIVRE BB AÇÕES PRICE (BBDTVM S.A), com 32,95387% e por PREVI CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, com 19,99992%. Com esta aquisição, com pagamento de ágio, a Guaraniana S/A passou a ter o controle direto da COELBA, passando a amortizar contabilmente o ágio e, conforme destacado no TVF, "a Guaraniana S.A, em obediência aos diplomas legais vigentes, adicionou os montantes acima descritos no LALUR, às fls. 02 e 03, desfazendo, sob a ótica fiscal, o efeito da amortização contábil da mais valia aqui analisada." Oportuno trazer excerto do TVF: Em 31 de março de 2000, a empresa Guaraniana S.A transferiu, através de capitalização, o investimento (inclusive o ágio) que detinha na COELBA para a empresa ligada Nordeste Participações S.A, CNPJ nº 02.150.255/000166, entretanto, manteve o controle na Parte “B” do LALUR do montante acumulado referente as amortizações mensais ocorridas até aquele momento. Em 31 de março de 2000, a Guaraniana S.A buscando alterar o contexto da impossibilidade de dedução fiscal do ágio em epígrafe, deu início a uma série de operações intragrupo que se materializou primeiramente na capitalização da Nordeste Participações S.A com a participação remanescente que detinha na COELBA. Em 07 de junho de 2000, após dois meses do registro desta transferência de ações (capitalização), a Nordeste Participações S.A foi incorporada pela investida (sua controlada), a COELBA (Recorrente), atos societários que, conforme consta acertadamente no TVF, "não passaram de formalismo jurídico ou ficção com vistas à transferência de ágio para amortização fiscal." Fl. 9038DF CARF MF 52 A autoridade autuante destacou uma série de fatos/situações que a levou a concluir pela constatação de que a empresa Nordeste Participações S.A serviu apenas para possibilitar a amortização do ágio nos termos do art.386 do RIR/99, ou seja, que se estaria diante de uma empresa veículo, assim denominada pela jurisprudência/doutrina como aquelas empresas que são constituídas exclusivamente para permitir a utilização do benefício fiscal contido naquele artigo. Tais empresas nestas condições só serviriam para conduzir o investimento adquirido com ágio, por meio de uma incorporação (no caso), o que, segundo os mentores desta operação societária, daria o devido respaldo legal para a questionada amortização do ágio. A autoridade autuante concluiu que a empresa Nordeste Participações S.A foi apenas uma empresa veículo e que, na realidade, o real adquirente da COELBA (fiscalizada) foi a Guaraniana S/A. A convicção da autoridade autuante está associada a um conjunto de situações e fatos, que a seguir destacamos, extraídos do TVF item 6. Da constituição, desenvolvimento e papel desempenhado pela Nordeste Participações S.A, CNPJ: 02.150.255/000166 Empresa veículo na transferência do ágio: A Nordeste Participações S.A é a denominação atual de Energipe Participações S.A, que se denominava Curupira Participações S.A, que por sua vez foi constituída com a denominação de DOC2 Participações, tendo como acionistas, dentre outros a PREVI CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, com 20% e 521 PARTICIPAÇÕES S.A, com 15% do capital votante. Após mudanças posteriores no capital da Nordeste Participações S/A, o controle majoritário passou a ser da 521 PARTICIPAÇÕES S.A, com 95,75%. A Nordeste Participações S.A não apresentou, em 1997, qualquer atividade operacional no período compreendido entre a sua constituição e capitalização. A Nordeste Participações S.A não apresentou, em 1998, receita de atividade, apenas algumas pequenas despesas, e com passivo a descoberto e prejuízo, e em 1999 e 2000 recebeu aportes de capital da 521 PARTICIPAÇÕES S.A. Ainda em 2000, a Nordeste Participações S.A recebeu, como já mencionado, vultoso aporte de capital pela transferência de ações da COELBA (Recorrente) então detidas pela Guaraniana S.A Com a palavra, a autoridade autuante: Foi possível constatar então que a Nordeste Participações S.A, empresa sem qualquer estrutura ou capacidade operacional, que não apresentou qualquer atividade no período compreendido entre a constituição e 30 de março de 2000, recebeu aporte de capital vultuoso, através de transferência de ações da Coelba que a Guaraniana S.A detinha, com objetivo, a priori, de controlar uma gigante do setor energético. Não se percebeu substância econômica ou razoabilidade nesta operação da forma como foi realizada. Entretanto, de acordo com item 6, à fl. 42, da DFP 2000, apresentada a CVM, a COELBA esclareceu os objetivos reais da operação de transferência do ágio pago pelo grupo Iberdrola, PREVI e Banco do Brasil, através da Guaraniana S.A, in verbis. Fl. 9039DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.014 53 "Devido ao interesse de transferir para a COELBA o benefício fiscal resultante da amortização do ágio pago por seus acionistas quando da aquisição das ações, seus controladores subscreveram aumento de capital na Nordeste Participações S/A, sociedade de propósito específico, integralizandoo por meio da transferência das ações de emissão da COELBA." [...] Diante dos fatos aqui relatados, não restam dúvidas que o BB e a PREVI, partícipes do grupo de controle da Guaraniana S.A, diretamente e indiretamente através da 521 Participações S.A, constituíram a Nordeste Participações S.A para servir unicamente de passagem para o ágio que viria a ser transferido para COELBA. [...] Uma vez que não era do interesse da Guaraniana S.A manter o ágio oriundo das aquisições das ações da COELBA no patrimônio da Nordeste Participações S.A, havia a necessidade de mais uma etapa de operações realizadas apenas no papel, ou sem substância econômica a não ser a elisão do pagamento de tributos, qual seja, a incorporação reversa da controladora (Nordeste Participações) pela controlada (COELBA). 6.2. Da incorporação da Nordeste Participações S.A pela COELBA e a amortização fiscal indevida do ágio de si mesma. A justificação aos acionistas para a incorporação da Nordeste Participações S.A pela COELBA, foi dada em documento obrigatório para as operações de reorganização societária e continha as seguintes principais características: • Depois da incorporação, os acionistas da Nordeste Participações S.A, leiase, Guaraniana S.A, seriam acionistas diretos da COELBA, mantendose desta forma inalterado o controle societário da companhia; • Considerando que o ativo da Nordeste Participações S.A é integrado pelas ações de emissão da COELBA, adquiridas tanto no leilão de privatização quanto no leilão especial realizado em 99, e, que nestas operações se verificou expressivo ágio impossível de amortização fiscal, seria do interesse do grupo econômico a reorganização societária para a transferência da mais valia e consequente aproveitamento fiscal em face de novação legal (Lei nº9.532/97); Aqui reside a parte mais contundente de toda a estória, que dá razão e credibilidade ao lançamento tributário (glosa de despesas indevidas com amortização de ágio). A minha concordância ao lançamento tributário (glosa de despesa indevida com amortização de ágio) repousa naquelas fundamentações apontadas pela autoridade autuante e descritas linhas atrás. Fl. 9040DF CARF MF 54 Até a aquisição das ações da COELBA, o ágio daí surgido não provocava nenhum efeito tributário, uma vez que as contrapartidas da amortização do ágio não são computadas na determinação do lucro real, conforme disposto no art.391 do RIR/99, ressalvado o disposto no art.426 (eventual alienação do investimento adquirido). Após a incorporação da Nordeste Participações S.A pela COELBA, é que começam as divergências entre as partes, a Fazenda e a COELBA (incorporadora e Recorrente). Continuando com o relato fiscal no TVF: 7. Da consolidação das operações realizadas e a consequente infração de indedutibilidade com amortização de ágio de si mesma. [...] Conforme menção anterior, a Guaraniana S.A adquiriu ações da COELBA com expressivo ágio, contudo, não podia deduzir o lucro fiscal da empresa em face da legislação vigente. Além de não poder deduzir o ágio, consoante alusão, não tinha interesse, sobretudo porque não apurava lucro real em suas atividades de participação. Isto posto, e, com o fito de alterar o contexto em que estava inserida (não dedutibilidade do ágio), em 01 de dezembro de 1999, em conformidade com Ata de Reunião nº 012/99 do Conselho de Administração da empresa Guaraniana S.A, constatouse as seguintes deliberações: a) A empresa Guaraniana S.A ao adquirir a COELBA pagou expressivo ágio; b) Posteriormente, a companhia adquiriu, em leilão realizado no dia 06 de outubro de 1999, ações ordinárias e preferenciais de emissão da COELBA, com expressivo ágio; c) À vista do interesse da Guaraniana S.A em transferir para COELBA o benefício fiscal resultante da amortização de tal ágio pago na aquisição desta, concluiuse, a priori, que deveria haver incorporação daquela; d) Após conclusão supracitada, os conselheiros demonstraram não haver interesse para o grupo na incorporação da Guaraniana S.A, e, subsequente extinção, já que, esta era titular de outros ativos além das ações de emissão da COELBA. e) Assim, a estratégia utilizada contemplaria uma reestruturação que se iniciaria com a transferência das ações de emissão da COELBA de que é titular a Guaraniana S.A, para a Nordeste Participações S.A, cujo ativo seria integrado apenas por tais ações. f) A segunda etapa se daria com a incorporação da empresa Nordeste Participações S.A, pela COELBA, possibilitando assim o aproveitamento do ágio gerado de si mesma. Uso de empresaveículo Fl. 9041DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.015 55 No presente c a so , a única função da empresa Nordeste Participações S.A, no conjunto de operações realizadas, foi permitir a amortização de ágio pela COELBA, sem que sua existência tenha qualquer função econômica que não essa. Aliás, não se pode nem dizer que há, de fato, uma incorporação: a investidora (Nordeste Participações S.A) não tem ativo algum, a não ser o ágio a ser amortizado. Os livros contábeis e o Balanço da empresa Nordeste Participações S.A vão conter o que? Ambos, certamente, refletem apenas operações com a COELBA: registros referentes ao investimento com ágio na fiscalizada e sua respectiva incorporação pela mesma. Eventuais registros de valores imateriais de despesas revelamse irrelevantes. Uma empresa funcionará como veículo em certa operação se receber e repassar algo, em geral um ativo, sem que exista um propósito extratributário suficiente para explicar essa circulação, independentemente de ter duração efêmera ou não, de ser uma sociedade operacional ou não, de em regra cumprir suas obrigações ou não. Vale dizer: até mesmo uma empresa longeva, operacional e que costuma cumprir suas obrigações, pode ser usada como veículo em certa operação se receber e repassar recursos sem propósito extratributário. Sendo assim, para refutar a acusação de uso de empresaveículo é inócuo comprovar que a referida empresa teve longa duração, era operacional e em regra cumpria suas obrigações, se, por outro lado, não ficar demonstrado que, em certa operação, havia um propósito extratributário para ela receber e repassar recursos. No caso dos autos, essa empresa veículo ou de passagem (Nordeste Participações S.A), por sua vez, ao receber as ações adquiridas com ágio em conferência de seu capital aportadas pela empresa GUARANIANA S.A (sua controladora), foi, posteriormente, incorporada por sua investida, a qual considerou, indevidamente, a dedutibilidade da contrapartida da amortização do ágio das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, em uma interpretação totalmente equivocada do art.386 do RIR/99. A empresa GUARANIANA S.A, controladora da Nordeste Participações S.A, se houvesse feito a incorporação diretamente, poderia terse beneficiado da amortização do ágio para fins tributários (reunião dos patrimônios de ambas as empresas). Entretanto, não era de interesse do grupo, como já evidenciado no TVF, de forma que o grupo pensou em outra possibilidade (a utilização de empresa veículo), que permitisse abater, fiscalmente, aquele ágio legitimamente gerado, mas, como vimos, tratouse de uma interpretação distorcida da legislação tributária e societária. Registrese, ainda, que a autorização dada pela Resolução da ANNEL às operações efetivadas pela Recorrente não interfere em nada no lançamento que ora se discute. Aceitar, como afirma a Recorrente, que tal ato meramente regulador/operacional entres as empresas envolvidas teria força jurídica para legitimar os efeitos fiscais é, de certo, um tremendo equívoco, além de retirar todas as consequências previstas no art.386 do RIR/99, o que é inaceitável. O Passo Final: o “achado” do disposto no art.386 do RIR/99 Daí, as empresas perceberam que para se valer da outra possibilidade legal (além da alienação, que não interessava) para a amortização deste ágio, era necessário utilizar se dos institutos de incorporação, fusão ou cisão, não necessariamente nesta ordem e poderia ser qualquer um deles. E, outro atrativo, não se precisava desfazer da participação societária, bastava que ela ora figurasse em balanço de uma empresa ligada, o que era efetivado por meio Fl. 9042DF CARF MF 56 de operações entre as empresas ligadas, até que, enfim, retornasse à empresa (operacional/lucrativa) que ansiava pela amortização do ágio, no caso a Autuada, no sentido de reduzir seus lucros. Então, promoveuse a incorporação da empresa Nordeste Participações S.A, sendo transferido à Autuada o ativo onde constava o investimento com ágio, que nada mais é do que o ágio surgido da valorização/aquisição do patrimônio da....Autuada! Foi o que fizeram, se agarraram a possibilidade legal que permite a dedução, para fins fiscais, da amortização de ágio, que vamos encontrar no art.386 do RIR/99 e aí foi cometido o grande erro. Assim, e apenas para poder valerse da norma de dedutibilidade do ágio na aquisição de investimentos, prevista no art. 8o da Lei no 9.532/97, a empresa GUARANIANA S.A utilizouse de uma empresa controlada, constituída ou utilizada exclusivamente para este fim, o que não se pode aceitar como situação que pudesse se encaixar no disposto no art.386 do RIR/99, pois foge totalmente da finalidade daquela norma, como já mostramos. Da Jurisprudência Administrativa A Interessada reproduz excertos/ementas de diversos casos julgados pelo CARF, segundo os quais as amortizações de ágio seriam dedutíveis em situações parecidas com a dos autos, em seu entendimento. De se reconhecer que reorganizações societárias envolvendo aquisições de participações societárias com surgimento de ágio, suscita, sim, entendimentos nem sempre unânimes, seja em decisões administrativas do CARF, seja em correntes doutrinárias. Cumpre considerar que o art. 100, inc. II, do Código Tributário Nacional, dispõe que as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa são fontes secundárias de direito tributário, como normas complementares das chamadas fontes primárias, quando a lei lhes atribuir eficácia normativa. Os acórdãos do CARF podem constituir precedentes na uniformização da jurisprudência, sem, entretanto, na ausência de súmula vinculante, subordinar suas diversas turmas de julgamento a um eventual e reiterado entendimento acerca da matéria, que não é o caso. Portanto, sem propósito arrimar razões de discordância em excertos de acórdãos do CARF, que são eficazes apenas em relação à matéria circunscrita nos autos do processo respectivo em que foram proferidos. Portanto, só me resta partilhar da conclusão do TVF: Do todo acima exposto, concluiuse que as despesas contabilizadas com ágio de si mesma, pela COELBA, oriundo dos leilões ocorridos em 31/07/97 e 06/10/99, nos anos calendário 2011 e 2012, não são dedutíveis do resultado a teor da legislação vigente. Da Contribuição sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 9043DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.016 57 Análise do aproveitamento da despesa de amortização do ágio na apuração da CSLL No item III.4 DA INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A ADIÇÃO, NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL, DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO E DE RESSARCIMENTO CONSIDERADAS INDEDUTÍVEIS PELA FISCALIZAÇÃO, a Recorrente alega que inexiste disposição legal no sentido de impor qualquer vedação ao aproveitamento da amortização do ágio para fins de apuração da CSLL. Nesse sentido, a Recorrente alega que a DRJ "...não citou qualquer disposição legal específica para a apuração da base de cálculo da CSLL...", concluindo que, "...uma eventual despesa que tenha integrado o lucro líquido somente será considerada indedutível da base de cálculo da CSLL caso haja previsão expressa em lei para este tributo." Adiciona aos seus argumentos ementa de julgado do CARF no sentido da tese que defende, uma vez que o referido julgado se fundamenta no entendimento de que não se aplicaria à presente questão o art. 57 da Lei n° 8.981/1995, pois tal dispositivo não determina que a base de cálculo da CSLL seja idêntica à base de cálculo do IRPJ, nem que as adições devem ser as mesmas. A correta exegese do art. 57 da Lei n° 8.981, de 1995 (artigo citado no Auto de Infração e é o dispositivo legal que basta para dar o devido respaldo ao lançamento, contrariamente ao alegado), é matéria há tempos envolta em alguma controvérsia entre os doutrinadores, até mesmo em conselheiros do CARF. É a seguinte a redação do caput do referido dispositivo: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. [...] O real significado das expressões "mesmas normas de apuração" e "mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor" constituem o objeto de um amplo debate. Ao ler esse dispositivo, há quem entenda que ele provocou uma uniformização, para ambos os tributos (IRPJ e CSLL), das regras relativas à indedutibilidade de custos, despesas e encargos que impõem a adição à base de cálculo, e das referentes a benefícios, incentivos fiscais e diferimentos que autorizam as exclusões. No entanto, esse entendimento encontra forte resistência no meio jurídico. Há quem entenda, como parece ser o caso da Recorrente, que o referido dispositivo não tenha ido tão longe, e apenas tenha estabelecido identidade no que se refere aos regimes de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL a partir do resultado trimestral e/ou resultado anual, ou com base no lucro presumido ou arbitrado. A despeito do entendimento firmado no julgado administrativo colacionado, segundo o qual não se poderia utilizar o artigo 57 da Lei 8.981/95 para justificar a adição das despesas com amortização do ágio na base de cálculo da CSLL, é de reconhecer exatamente o contrário. Fl. 9044DF CARF MF 58 Ora, o citado dispositivo reflete a intenção do legislador de evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas tinham de comum. Por exemplo: como as bases imponíveis do IRPJ e da CSLL partem do lucro líquido ou o resultado contábil do período de apuração tornase dispensável repetir os conceitos de receita bruta, receita líquida, custos e despesas operacionais, etc, aplicáveis à CSLL, se os mesmos estão devidamente definidos na legislação do IRPJ. Também seria desnecessário a existência de um comando legal que autorize a exclusão, por exemplo, dos resultados positivos de participação societária (investimentos), na determinação da base de cálculo da CSLL, exatamente por adoção do artigo 57 da Lei 8.981/95 em questão, que, no caso, decorre da própria lógica contábil da metodologia de escrituração daqueles investimentos, construída pela legislação comercial e fiscal, buscando a manutenção dos referidos ganhos à margem da incidência tributária. Em sentido contrário, como a legislação do IRPJ determina a adição dos resultados negativos de participação societária (avaliados pelo Equity) na determinação do lucro real, objetivando igualmente a que esses valores deduzidos na escrituração contábil não influenciem o lucro real do período, igualmente devem ser adicionados na apuração da base de cálculo da CSLL, em conformidade com a intenção do legislador de mantêlos distanciados da tributação das aludidas operações, agora pelo lado da redução da base imponível. Ainda, não nos olvidemos que houve desconsideração por parte da fiscalização, por esta entender tratarse de um planejamento tributário inoponível ao Fisco. Ora, se as despesas com amortização do ágio não podem ser deduzidas do lucro real pelo fato do Fisco entender ter havido a utilização da denominada “empresa veículo”, sem propósito negocial, com o fim de se obter economia tributária por meio de utilização indevida do benefício fiscal previsto no art.386 do RIR/99, não há qualquer sentido em se admitir esta oponibilidade apenas para a CSLL, há um vício nas operações que levaram à dedutibilidade, o que não pode ser admitido nem para o IRPJ e nem para a CSLL, por decorrência lógica. Desta maneira, reputamse perfeitos os lançamentos efetuados no que diz respeito a esta questão. Oportuno reproduzir excertos do decidido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão realizada no dia 4 de outubro de 2017, no julgamento de Recurso Especial interposto no processo nº 16561.720133/201311, e de cuja ementa se extrai o seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. REPERCUSSÃO DOS AJUSTES NO LUCRO REAL PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL. MOMENTOS DA EXISTÊNCIA DO INVESTIMENTO. AQUISIÇÃO. DESENVOLVIMENTO. DESFAZIMENTO. I Construção empreendida pelo Decretolei nº 1.598, de 1977, encontrase em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram delineados três momentos cruciais para o investidor: nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, assim Fl. 9045DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.017 59 tratados: (1º) o da aquisição do investimento, normatizandose a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, (2º) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3º) e desfazimento do investimento. II O segundo momento operacionalizou sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. De um lado, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. De outro, determinouse que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida, viabilizandose a neutralidade do sistema e a convergência para fins fiscais das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. III A mesma premissa deve ser considerada para o primeiro (aquisição) e terceiro (desfazimento) momentos. No desfazimento, o ágio deve ser considerado na apuração da base de cálculo do ganho de capital. Na aquisição, o sobrepreço contabilizado só poderá ser objeto da amortização se ocorridas as hipóteses de aproveitamento previstas expressamente na legislação. IV Nítida e transparente a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos, em seus diferentes momentos: aquisição, desenvolvimento e desfazimento. REGRAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE. ÁGIO. DESPESA. Ágio é despesa, submetida a amortização, submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, e com repercussão tanto na apuração do IRPJ quando da CSLL, conforme art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995. (destaques acrescidos) Ante o exposto, há que ser referendada a conclusão da Autoridade Fiscal no que se refere à glosa da amortização do ágio, então debatido na apreciação do lançamento do IRPJ, também quanto à CSLL. Da alegação de impossibilidade de exigência de multa no caso de dúvida aplicação do artigo 112 do CTN Fl. 9046DF CARF MF 60 Invoca este artigo, entendendo que "." Caso este C. Administrativo de Recursos Fiscais decida pela manutenção dos lançamentos que deram origem a esse processo, por meio de julgamento em que houver empate de votos, é razoável considerar que há, no mínimo, dúvida quanto à ocorrência da infração Nada mais equivocado. A base de cálculo da multa de ofício, ora aplicada, é o próprio valor do tributo/contribuição lançado, nos termos e com a utilização dos percentuais estabelecidos no art.44 da Lei 9.430/96 que adiante se transcreverá. Em se tratando de falta de pagamento ou recolhimento de imposto/contribuição, apurada em procedimento de ofício, a autoridade lançadora deve aplicar a multa de lançamento de ofício, prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio. De tal sorte, como as multas de ofício estão previstas em ato legal vigente, regularmente editado, descabida mostrase qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação/eficácia. LEI 9.430 DE 27/12/1996 – DOU 30/12/1996 Multas de Lançamento de Ofício (com a nova redação da Lei 11.488/2007) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra geral é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I transcrito, e que foi considerada mantida no presente lançamento. No caso dos autos, a qualificação da multa de ofício já foi afastada consoante voto da relatora, e por unanimidade de votos. Fl. 9047DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.018 61 Restou, portanto, exigível a multa de ofício em seu patamar típico, de 75%. O princípio que norteia a imputação desta penalidade tem o condão de compelir o contribuinte a se afastar de cometer atos ou atitudes lesivos à coletividade, constituindose em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias. A alegação de eventual aplicação do disposto no art.112 do CTN não tem a menor chance de ser acolhida, até porque não existiu nenhuma dúvida quanto à natureza da infração e nem quanto à penalidade aplicável (no caso foi mantida a multa de ofício de 75%, nos termos da legislação supra citada). O fato do resultado da votação ter sido equilibrado (no caso da multa de ofício, decidiuse à favor da Fazenda pelo voto de qualidade) não significa intuir, como fez a Recorrente, de que haveria dúvida na aplicação da penalidade de ofício. Seja por unanimidade de votos, por maioria de votos ou pelo voto de qualidade, a conclusão dada pelo Colegiado ao litígio é a mesma, ou seja, o voto tem o mesmo peso decisório. De tal sorte, há que se ter como correta a manutenção da multa de ofício, no caso, em seu patamar típico de 75%. Conclusão O presente voto, portanto, é por negar provimento ao recurso em relação (i) à glosa de despesas de amortização de ágio para fins de IRPJ e de CSLL, e (ii) e em relação à imposição da multa de ofício mantida. (assinado digitalmente) Claudio de Andrade Camerano Fl. 9048DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.909840/2011-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 15/07/2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 15/07/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 40 /2 01 1- 62 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10840.909840/201162 Acórdão n.º 9303007.205 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.493, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/07/2002 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.909840/201162 Acórdão n.º 9303007.205 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.909840/201162 Acórdão n.º 9303007.205 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909840/201162 Acórdão n.º 9303007.205 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909840/201162 Acórdão n.º 9303007.205 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 157DF CARF MF
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