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Numero do processo: 16682.721261/2013-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007
ATIVO FISCAL DIFERIDO. CONTRAPARTIDA EM CONTA DE RESULTADO. DISTRIBUIÇAO DO LUCRO. NATUREZA JURÍDICA DE DIVIDENDOS.
Os valores distribuídos pela pessoa jurídica aos seus acionistas, com base em lucro líquido composto pelo resultado positivo da contrapartida de constituição do ativo fiscal diferido, possuem natureza jurídica de dividendos, não ensejando incidência de imposto de renda na fonte a título de pagamento sem causa.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA NORMA ISENTIVA.
Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. A Autoridade Tributária, no âmbito de sua atividade vinculada, deve observar o texto normativo não lhe sendo permitido utilizar de métodos de interpretação para criar condições ou restrições, não expressas, à isenção outorgada pelo Poder Legislativo.
Numero da decisão: 2201-002.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarou-se impedido. Fez sustentação oral pela Contribuinte o Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/DF 41.765.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 06/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007 ATIVO FISCAL DIFERIDO. CONTRAPARTIDA EM CONTA DE RESULTADO. DISTRIBUIÇAO DO LUCRO. NATUREZA JURÍDICA DE DIVIDENDOS. Os valores distribuídos pela pessoa jurídica aos seus acionistas, com base em lucro líquido composto pelo resultado positivo da contrapartida de constituição do ativo fiscal diferido, possuem natureza jurídica de dividendos, não ensejando incidência de imposto de renda na fonte a título de pagamento sem causa. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA NORMA ISENTIVA. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. A Autoridade Tributária, no âmbito de sua atividade vinculada, deve observar o texto normativo não lhe sendo permitido utilizar de métodos de interpretação para criar condições ou restrições, não expressas, à isenção outorgada pelo Poder Legislativo.
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CONTRAPARTIDA EM CONTA DE RESULTADO. DISTRIBUIÇAO DO LUCRO. NATUREZA JURÍDICA DE DIVIDENDOS. Os valores distribuídos pela pessoa jurídica aos seus acionistas, com base em lucro líquido composto pelo resultado positivo da contrapartida de constituição do ativo fiscal diferido, possuem natureza jurídica de dividendos, não ensejando incidência de imposto de renda na fonte a título de pagamento sem causa. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA NORMA ISENTIVA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. A Autoridade Tributária, no âmbito de sua atividade vinculada, deve observar o texto normativo não lhe sendo permitido utilizar de métodos de interpretação para criar condições ou restrições, não expressas, à isenção outorgada pelo Poder Legislativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarouse impedido. Fez sustentação oral pela Contribuinte o Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/DF 41.765. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 61 /2 01 3- 06 Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 06/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA. Relatório A Delegacia Especial da Receita Federal de Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro (DEMAC – RJ) lavrou Autos de Infração consubstanciando lançamentos de créditos tributários referentes ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), todos referentes ao anocalendário de 2007. Pela Resolução nº 1302000.260 de 12/09/2013, às fls.1.227, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF converteu o processo em diligência para que a unidade preparadora providenciasse a formação de autos apartados do Imposto IRRF e, ato subsequente, encaminhasse os autos referentes ao IRRF para a 2ª Seção de Julgamento deste CARF. Desta feita, o presente processo administrativo tributário, embora possua a documentação pertinente aos 03 Autos de Infração, bem como as suas respectivas defesas, aborda unicamente o crédito correspondente ao IRRF, permanecendo nos autos do PAF nº 16682.721195/201102 os créditos de IRPJ e CSSL, conforme fls. 02. Assim, por meio do Auto de Infração (fls.413 em diante) lavrado em 23/12/2011, exigese do Contribuinte LIGHT SERVICOS DE ELETRICIDADE SA o montante de R$ 158.380.556,02 de imposto de renda retido na fonte, R$ 65.981.339,63 de juros de mora e R$ 118.785.417,01 de multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 343.147.312,66 (atualizado até o momento do lançamento), referente ao anocalendário 2007, decorrente de ausência de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 314), no tocante ao IRRF, foi procedida a glosa de valor pago a título de antecipação de dividendos, caracterizado por um pagamento sem causa, em decorrência da inobservância dos princípios contábeis e em consonância com os preceitos da legislação societária e fiscal vigentes. O Contribuinte no ano calendário de 2007 constituiu contabilmente ativo fiscal diferido “Ativo Diferido” em razão de apresentar saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). De acordo com o disposto no TVF, o Ativo Diferido tem como principal objetivo conceder às empresas a oportunidade de reconhecer dos impactos fiscais de valores passíveis de alterar futuras apurações do IRPJ e da CSLL, mediante a contabilização de um passivou ou ativo fiscal diferido. Conforme disposto nas Notas Explicativas, parte integrante das Demonstrações Contábeis do Contribuinte, o que motivou a constituição do Ativo Diferido foi o fato de Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16682.721261/201306 Acórdão n.º 2201002.477 S2C2T1 Fl. 3 3 restarem atendidas as condições impostas pela Comissão de Valores Imobiliários (CVM) para registro do Ativo Diferido, especialmente a expectativa de utilização desses créditos em até 10 (dez) anos, bem como a apuração de lucro tributável em 03 (três) dos últimos 05 (cinco) anos. O lançamento contábil para constituição do Ativo Diferido compreende registro a débito de conta do ativo e crédito de conta de resultado. Sendo que a realização do Ativo Diferido implica em registro a crédito de ativo e débito em resultado. A fiscalização entende que o impacto positivo no resultado do Contribuinte, quando da constituição do Ativo Diferido, não pode ser entendido como renda tributável à luz do art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN), pois o Contribuinte não experimenta acréscimo patrimonial em face da constituição do Ativo Diferido. Na visão da autoridade fiscal, o Ativo Diferido consiste em uma conta gráfica, fictícia, que é autorizada para fins contábeis, pois oferece maior transparência à informação fornecida ao público alvo dos informes contábeis (acionistas, credores etc), pois tanto prejuízo fiscal quanto base negativa da CSLL são créditos extracontábeis, que se não pela constituição do Ativo Diferido, não seriam evidenciados nos registros das empresas. Ou seja, entende a autoridade fiscal que o Ativo Diferido não representa resultado operacional do Contribuinte. Neste sentido, assevera que como grande parte do resultado positivo apurado pelo Contribuinte advém da constituição do Ativo Diferido, ou melhor, parte do lucro total apurado não decorre de resultado apurado com operações, mas sim obtido através da escrituração contábil, os valores pagos a título de distribuição de dividendos, acima do lucro efetivamente disponível (aqui entendido o lucro resultante das operações do Contribuinte), configura a hipótese de incidência tributária prevista no parágrafo 1º do art. 674 do Decreto nº 3.000/99 (rendimento pago sem causa). Em suma, o lançamento tributário se justifica, porque o valor pago aos acionistas com base em resultado positivo oriundo da constituição do Ativo Diferido não é entendido como lucro, pois não é resultante das operações da empresa (Contribuinte). Desta feita, a distribuição desse resultado positivo não possui natureza de dividendos e, por sua vez, não faz jus à isenção disposta no art. 10 da Lei nº 9.249/95, devendo ser tributado como pagamento sem causa. A fiscalização pontua que não promoveu análise quanto à forma de contabilização ou critérios para constituição do Ativo Diferido e, se ateve a verificar os impactos tributários da constituição do Ativo Diferido. Cientificado do lançamento em 27/12/2011, o Contribuinte ingressou, em 26/01/2012, com Impugnação (fls. 470 e seguintes), alegando no que concerne ao IRRF, o seguinte, em síntese: · A Deliberação CVM nº 273/98 que aprova o Pronunciamento do IBRACON sobre a contabilização do Imposto de Renda e da Contribuição Social dispõe que "a contabilização de um ativo ou passivo enseja que a recuperação ou liquidação de seus valores possam produzir alterações nas futuras apurações de imposto de renda e contribuição social, através de sua dedutibilidade ou tributação", de modo que tal norma "determina que a entidade reconheça, com certas exceções, esse impacto fiscal Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 através da contabilização de um passivo ou ativo fiscal diferido, no período em que tais diferenças surgirem". · A definição de ativo fiscal diferido pode ser encontrada no Pronunciamento em foco bem como na Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 998/04, que aprovou a Norma Brasileira de Contabilidade (NBC) T 19.2 Tributos sobre Lucros. · As Demonstrações Financeiras do Contribuinte referentes ao exercício de 2005 (Doc. 05 – fls. 616/719) e de 2006 (doc. 06 – fls. 720/778) descrevem detalhadamente a origem e a composição do ativo fiscal diferido registrado em sua contabilidade, o qual viria a ser reconhecido somente no resultado do exercício de 2007, ao ser verificado o atendimento a todos os requisitos exigidos pelas normas aplicáveis (Deliberações CVM nº 273/98 e nº 371/02). · O ativo fiscal diferido pode ser reconhecido conquanto seja provável que no futuro haverá lucro tributável suficiente para compensar os prejuízos fiscais de IRPJ e bases negativas de CSLL nele consubstanciados. · No caso em tela restaram preenchidas todas as condições necessárias para o reconhecimento do ativo fiscal diferido contabilizado pelo Contribuinte. · Histórico de lucros tributáveis de 03 (três anos), assim como realizou estudos técnicos de viabilidade (doc. 07 – fls. 779/786) aprovados pelo seu Conselho de Administração e apreciados pelo seu Conselho Fiscal (doc. 08 – fls. 787/791) que fundamentaram a expectativa de geração de lucros tributáveis futuros aptos a autorizar o reconhecimento em tela (Nota Explicativa nº 7, "c" – doc. 09 – fls. 792/869). · O estudo de viabilidade apresentado possuía fundamento objetivo, sendo que ocorreram compensações de prejuízos fiscais de IRPJ e bases negativas de CSLL nos exercícios de 2008 (total de R$ 430.974.694,34), 2009 (total de R$ 230.277.147,76) e 2010 (total de R$ 417.067.805,10) (doc. 10 – fls. 870/881). · O regular reconhecimento do ativo fiscal diferido que sequer foi objeto de contestação pela fiscalização pressupõe a ocorrência de impacto no resultado do período, devendo seu respectivo montante ser reconhecido como receita, de modo a influenciar diretamente os valores a serem distribuídos a título de dividendos, conforme disposto na Deliberação CVM nº 273/98 e na Resolução CFC nº 998/04. · O Contribuinte procedeu à contabilização dos valores atinentes ao ativo fiscal diferido como receitas na demonstração do resultado do exercício de 2007 em estrita observância às normas contábeis em referência, não merecendo prosperar a alegação da fiscalização de que os dividendos distribuídos a seus acionistas basearamse em supostos "lucros fictícios" gerados pela contabilidade. · O Contribuinte não poderia efetuar quaisquer exclusões do lucro líquido que serviu de base para o cálculo dos dividendos, tampouco do resultado advindo do reconhecimento do ativo fiscal diferido, já que este não se enquadra nas hipóteses de reservas e retenção de lucros da companhia (arts. 193 a 197 c/c arts. 191 e 202, § 6o., todos da Lei nº 6.404, de 1976 com suas alterações posteriores). · O Contribuinte foi obrigado a distribuir integralmente a parcela do resultado que excedeu as retenções/reservas legalmente previstas, que, no presente caso, correspondeu ao valor de R$ 640.400.739,00, sendo efetivamente pagos aos acionistas dividendos no montante de R$ 450.000.000,00 em 19/11/2007, e no valor de R$ 190.401.000,00 em 31.03.2008 (doc. 11). Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16682.721261/201306 Acórdão n.º 2201002.477 S2C2T1 Fl. 4 5 · É equivocada a alegação da autoridade fiscal de que tais valores se tratam de "rendimentos recebidos pelos terceiros, sócios ou pessoas não identificadas sem comprovação da operação ou sua causa", haja vista estar devidamente comprovado que o montante entregue aos acionistas do interessado revestese de caráter de dividendos, os quais não estão sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995. · Os lucros que serviram de base para a distribuição de dividendos por parte do Contribuinte não foram "fictícios", mas, pelo contrário, encontraram total amparo nas práticas contábeis, societárias e fiscais vigentes à época em que foram apurados, de modo que sob nenhum aspecto merece subsistir a autuação ora vergastada. · O Contribuinte cita ementas de julgados administrativos de segunda instância, bem como excertos doutrinários, acosta aos autos documentação trazida com a Impugnação e encerra requerendo o julgamento procedente da Impugnação, para cancelar o Auto de Infração em referência. A 3ª Turma da DRJ/RJ1, em 22/03/2012, pelo Acórdão 1244.636, de fls. 1.042, julgou improcedente a Impugnação, nos seguintes termos: JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. (...) ATIVO FISCAL DIFERIDO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. ISENÇÃO. Não integra o resultado isento passível de distribuição a contrapartida do reconhecimento contábil do ativo fiscal diferido não oferecida à tributação O Contribuinte tomou ciência do Acórdão em 24/08/2012 (fls.1.067) vindo a apresentar Recurso Voluntário em 25/09/2012 (Certificado Digital de fls. 1.071) reafirmando os argumentos já levantados na Impugnação, bem como os que se segue: · Por ser evidente a correção do procedimento adotado pelo Contribuinte, a própria Fiscalização não suscitou quaisquer irregularidades no que tange à sua realização, limitandose a afirmar que os dividendos distribuídos tiveram fundamento em lucros fictícios, oriundos do reconhecimento do ativo diferido no resultado do período, sem, no entanto, questionar a validade dos lançamentos contábeis efetuados por esta. · O fato de que os valores atinentes ao ativo fiscal diferido (reconhecidos como receitas no resultado do período) não comporem a base de cálculo do IRPJ, e da CSLL não exclui a possibilidade de sua distribuição como dividendos aos acionistas do Contribuinte, uma vez que tais importâncias obrigatoriamente exerceram influência direta na apuração do lucro líquido do exercício findo em 31.12.07. E inexistindo quaisquer óbices à inclusão das referidas receitas na base de cálculo dos dividendos, é certo que os pagamentos feios sob essa rubrica se aplica normalmente a isenção do Imposto de Renda; · O acórdão recorrido alega que o Pronunciamento do IBRACON e as normas editadas pela CVM e pelo CFC não autorizaram a distribuição, com isenção tributária, de lucros ou dividendos apurados com base em valores que não transitaram pelo resultado tributável da pessoa jurídica, e que, caso o tivesse feito, teriam violado a legislação tributária. O Contribuinte aponta que não se discute que os mencionados Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 órgãos não possuem competência para legislar sobre matéria tributária. Entretanto, é certo que a distribuição de dividendos efetuada pelo Contribuinte encontra total respaldo na legislação societária, servindo as normas contábeis de mero instrumento para apuração do lucro líquido do exercício no qual se baseou o cálculo dos respectivos valores. A legislação tributária, por sua vez, tãosomente determina os efeitos fiscais desta distribuição de dividendos, aplicandose, no caso, a isenção do imposto de renda. · Além de não existir, em âmbito societário, qualquer vedação à distribuição de dividendos em montante superior àquele correspondente à base de cálculo dos tributos incidentes sobre o lucro, a Lei nº 9.249/95 também não estabelece qualquer restrição neste sentido ao conceder isenção do Imposto de Renda sobre os valores pagos sob a rubrica de lucros ou dividendos a sócios ou acionistas de pessoas jurídicas. O art. 10 do referido diploma legal fixa que os dividendos “pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado não ficarão sujeitos à incidência do Imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliada no país ou no exterior”. Assim, em que pese o legislador tenha pretendido manter a tributação dos valores que dão origem aos dividendos pelo Imposto de Renda apenas na pessoa jurídica, o fato de o montante distribuído aos acionistas não coincidir com a base de cálculo desse tributo não possui o condão de descaracterizar a natureza do pagamento correspondente. Vale dizer que a isenção independe do regime de apuração do IRPJ adotado pela pessoa jurídica (lucro real, presumido ou arbitrado), bem como do regime de reconhecimento de receitas adotados para fins fiscais, de modo que, independentemente do montante integral dos dividendos pagos aos seus acionistas, desde que apurados em consonância à legislação societária e contábil. Junta jurisprudência. · Não merece prosperar os argumentos da decisão recorrida no sentido de que a Deliberação nº. 273/98 não foi adotada pela mais recente norma sobre a matéria editada pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis, qual seja, o Pronunciamento Técnico nº. 32 (CPC 32), bem como a argumentação de que o CPC 32 reconhece a possibilidade ser exigido o IRRF sobre dividendos pagos aos acionistas com base em lucro auferido em virtude do reconhecimento de “tributos diferidos”. Primeiramente porque o CPC 32, de 2009, sequer estava vigente à época do exercício social de 2007. Além disso, o CPC 32 trata de regulamentação dos impactos contábeis advindos das alterações promovidas à Lei nº 6.404/76 pelas Leis de nº. 11.638/07 e 11.941/09, que foram editadas com o intuito de adequar os registros contábeis nacionais aos padrões internacionais IFRS. Logo, ao tempo do fato gerador o Contribuinte agiu em total conformidade com a Lei da S.A. ao obedecer ao disposto na Deliberação da CVM nº. 273/98, que aprovou o Pronunciamento contábil NPC 25 do IBRACON. A União, através da d. Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou às fls. 1209 Contra Razões ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: · A celeuma ora em exame envolve saber se o lucro contábil registrado pelo Contribuinte com base na receita decorrente da constituição do ativo fiscal diferido pode dar ensejo ao pagamento de dividendos isentos, na forma do artigo 10 da Lei nº 9.249/1995. Sendo incontestável a falta de tributação dessa parte do lucro contábil da sociedade, resta saber se o referido artigo 10 se aplica a sua distribuição. Se a resposta for positiva, a autuação deve ser cancelada. Se não, a conclusão do lançamento é que esta correta. · Como o deslinde da presente lide exige a interpretação finalística desse artigo, cabe aferir a intenção do legislador ao elaborar a norma (Exposição de Motivos nº 325/MF). Pela exposição de motivos da Lei nº 9.249/1995, concluise que a correta interpretação e aplicação do artigo 10 é aquela pela qual se isenta os lucros ou Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16682.721261/201306 Acórdão n.º 2201002.477 S2C2T1 Fl. 5 7 dividendos recebidos pelo sócio ou acionista com base na tributação dessa riqueza no patrimônio da empresa que os distribuiu. De acordo com a intenção do legislador, a tributação do lucro na pessoa jurídica afasta a sua tributação no patrimônio da pessoa física. Deste modo, a tributação dos lucros ou dividendos na pessoa jurídica é um pressuposto para a sua isenção quando ingressar no patrimônio da pessoa física. Isso porque, pela exposição de motivos acima citada, vêse claramente que o legislador optou por tributar determinada riqueza apenas uma vez, não obstante ela transitar por patrimônios de diferentes sujeitos passivos. Lançando mão das palavras utilizadas na exposição de motivos, por meio da completa integração entre pessoa física e a pessoa jurídica, o legislador afastou a tributação da riqueza quando absorvida pelo sócio ou acionista de uma empresa esperando alcançar os seguintes objetos extrafiscais: simplificar controles, inibir a evasão e estimular investimentos. · Dessa forma, em que pese não estar expressamente previsto na letra da Lei, a correta aplicação do artigo 10 da Lei nº 9.249/1995 exige que o lucro ou dividendo que for isento tenha sido tributado pela sociedade que o distribui. A intenção do legislador é clara no sentido de que a riqueza distribuída é isenta porque é anteriormente tributada. Uma tributação, portanto, deve ser garantida. Logo, se o lucro ou dividendo não tiver sido tributado pela pessoa jurídica, não há que se falar em sua isenção quando for distribuído à pessoa física. Como não houve a tributação que é pressuposto à isenção, o lucro deve ser tributado quando distribuído. · Caso não haja tal tributação do lucro distribuído, a isenção prevista no artigo 10 da Lei nº 9.249/1995 estará sendo completamente desvirtuada. Pois, ao contrário do que pretendeu o legislador, a riqueza não será tributada em momento algum. Ao invés de haver uma única isenção, estará sendo garantida uma dupla isenção. Não se estará tributando o lucro de forma integrada entre a pessoa física e a pessoa jurídica, uma vez que tal riqueza não será tributada em nenhuma das partes. Não se estará tributando de forma integrada, mas sim isentando de forma integrada. · Logo, no caso ora em análise, irretocável fora a conclusão fiscal acerca da tributação dos pagamentos realizados pelo Contribuinte aos seus acionistas. Sendo tais valores oriundos de lucro não tributado por ele (lucro contábil fictício oriundo de receita decorrente da constituição de ativo fiscal diferido), não há como a sua distribuição a título de dividendos ser abrangida pela isenção contida no artigo 10 da Lei nº 9.249/1995. · Sendo incontroversa nos presentes autos a ausência de tributação da receita registrada pelo Contribuinte em contrapartida da constituição do ativo fiscal diferido, a tributação da distribuição do lucro oriundo dessa receita se torna, portanto, indiscutível. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Não há preliminares a serem vencidas, então passase ao mérito. Tratase de Auto de Infração que visa à cobrança de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) a título de pagamento sem causa sobre o montante correspondente a dividendos pagos em 19/11/2007, a título de antecipações do resultado do período findo em 31/12/2007, aos acionistas do Contribuinte, sob o argumento de que a contabilização de Ativo Diferido sobre prejuízo fiscal e base negativa de CSLL teria dado origem a um lucro fictício ou inexistente que, segundo a fiscalização, não poderia ser objeto de distribuição albergada pela isenção do art. 10 da Lei nº 9.249/95. Neste contexto, a Autoridade Lançadora compreendeu que os valores pagos pelo Contribuinte aos seus acionistas, com base no resultado positivo da contrapartida da constituição do Ativo Diferido, caracterizam pagamento sem causa, pelo que estariam sujeitos à incidência do IRRF à alíquota de 35%, nos termos do §1° do art. 674 do RIR/1999. Por sua vez, defende o Contribuinte a higidez da operação asseverando que não há qualquer vedação à distribuição de dividendos em montante superior àquele correspondente à base de cálculo dos tributos incidentes sobre o lucro, pois a Lei nº 9.249/95, ao conceder isenção do Imposto de Renda sobre os valores pagos a título de lucros ou dividendos a sócios ou acionistas de pessoas jurídicas, não estabelece qualquer restrição nesse sentido. Por fim, a d. Procuradoria da Fazenda Nacional reforça o entendimento da fiscalização e do Acórdão aquo alegando que deve ser feita uma interpretação finalística da norma disposta no art. 10 da Lei nº 9.249/95, se socorrendo da Exposição de Motivos da referida Lei que apregoa que a isenção se justifica para evitar uma dupla tributação do lucro (no nível da pessoa jurídica e no nível da pessoa física). Logo, em não havendo tributação do lucro na pessoa jurídica, não há que se garantir a isenção para a pessoa física, caso contrário, estarseia diante de uma dupla isenção. Pois bem, como bem pontuou a Autoridade Lançadora, a contabilização do Ativo Diferido foi estabelecida pelo pronunciamento do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON) e aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por meio da Deliberação CVM n° 273/98, cujo objetivo principal foi conceder às empresas a oportunidade de reconhecer os impactos fiscais, decorrentes de prejuízos ou créditos fiscais não utilizados, passíveis de alterar futuras apurações do IRPJ e da CSLL, mediante contabilização de um passivo ou ativo fiscal diferido. Transcrevese a Norma e Procedimento de Contabilidade NPC nº 25 do IBRACON: IBRACON NPC nº 25 CONTABILIZAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA E DA CONSTRIBUIÇÃO SOCIAL PROCEDIMENTOS CONTÁBEIS APLICÁVEIS 1. Este pronunciamento tem por objetivo normatizar o tratamento contábil do imposto de renda e da contribuição social das entidades. Seu aspecto principal é a contabilização das conseqüências fiscais atuais e futuras decorrentes de: a) recuperação ou liquidação futura do valor contábil de ativos ou passivos reconhecidos no balanço patrimonial da entidade; b) transações e outros eventos do período que são reconhecidos nas demonstrações contábeis da entidade. 2. A contabilização de um ativo ou passivo enseja que a recuperação ou liquidação de seus valores possa produzir alterações nas futuras apurações de imposto de renda e Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16682.721261/201306 Acórdão n.º 2201002.477 S2C2T1 Fl. 6 9 contribuição social, através da sua dedutibilidade ou tributação. Nessa circunstância, este pronunciamento determina que a entidade reconheça, com certas exceções, esse impacto fiscal através da contabilização de um passivo ou ativo fiscal diferido, no período em que tais diferenças surgirem. (...) 4. O ativo fiscal diferido decorrente de prejuízos fiscais de imposto de renda e bases negativas de contribuição social deve ser reconhecido, total ou parcialmente, desde que a entidade tenha histórico de rentabilidade, acompanhado da expectativa fundamentada dessa rentabilidade por prazo que considere o limite máximo de compensação permitido pela legislação. (...) 12. Ativos Fiscais Diferidos são os valores do imposto de renda e da contribuição social a recuperar em períodos futuros com relação a: a) diferenças temporárias dedutíveis; b) compensação futura de prejuízos fiscais não utilizados. (...) 35. No balanço patrimonial, o ativo e o passivo fiscais devem ser apresentados separadamente de outros ativos e passivos, e o ativo e o passivo fiscais diferidos devem distinguirse dos correntes. NPC N° 25 Pronunciamento aprovado pela Diretoria Nacional em reunião realizada em Maio de 1998. (Este pronunciamento foi referendado pela CVM conforme deliberação n° 273 de 20/8/1998). Como visto, o Pronunciamento supra determina que a entidade reconheça, com certas exceções, o impacto fiscal por meio da contabilização de um passivo ou ativo fiscal diferido, no período em que tais diferenças surgirem. A finalidade do registro é trazer para o resultado contábil da pessoa jurídica os efeitos futuros de compensações de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, vez que estas são controladas e processadas extracontabilmente, apenas para fins fiscais, mediante a escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). Portanto, os valores controlados no LALUR representam um direito no longo prazo, cuja demonstração contábil é a constituição de um ativo, cuja contrapartida é uma conta de receita. A constituição do Ativo Diferido nada mais é do que a contabilização das alíquotas do IRPJ e da CSLL sobre o saldo de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, cujo valor será recuperável no futuro. Assim, o registro contábil visa, essencialmente, minimizar os impactos decorrentes do descompasso entre o resultado contábil e o resultado fiscal. Em complemento a Deliberação CVM n° 273/1998 foi editada a Instrução CVM nº 371/02, que regulamente o registro contábil do Ativo Diferido, determinando: Art. 1º O registro contábil do Ativo Fiscal Diferido, pelas companhias abertas, decorrente de diferenças temporárias e de prejuízos fiscais e base negativa de contribuição social sobre o lucro líquido, bem como a manutenção desse registro, Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 deverão observar, além do disposto na Deliberação CVM nº 273, de 20 de agosto de 1998, as disposições contidas nesta Instrução. Art. 2º Para fins de reconhecimento inicial do Ativo Fiscal Diferido, a companhia deverá atender, cumulativamente, às seguintes condições: I apresentar histórico de rentabilidade; II apresentar expectativa de geração de lucros tributáveis futuros, fundamentada em estudo técnico de viabilidade, que permitam a realização do ativo fiscal diferido em um prazo máximo de dez anos; e III os lucros futuros referidos no inciso anterior deverão ser trazidos a valor presente com base no prazo total estimado para sua realização. (...) Art. 3º Presumese não haver histórico de rentabilidade na companhia que não obteve lucro tributável em, pelo menos, 3 (três) dos cinco últimos exercícios sociais. Parágrafo único. A presunção de que trata o "caput" deste artigo poderá ser afastada caso a companhia divulgue, em nota explicativa às demonstrações financeiras, justificativa fundamentada das ações que estiverem sendo implementadas, objetivando a geração de lucro tributário. Do exposto, verificase que para que seja reconhecido contabilmente o Ativo Diferido deverá a empresa, além de atender aos requisitos constantes da Deliberação nº 273/98, atender, cumulativamente, as seguintes condições: apresentar histórico de rentabilidade e demonstrar a expectativa de geração de lucros tributáveis futuros, trazidos a valor presente, fundamentada em estudo técnico de viabilidade que permita a realização do ativo fiscal diferido em um prazo máximo de dez anos. No caso concreto, constatase da leitura do Termo de Verificação Fiscal às fls. 405 que o Contribuinte apresentou histórico de lucros tributáveis em 03 (três) dos últimos 05 (cinco) anos, assim como realizou estudos técnicos de viabilidade (aprovados pelo seu Conselho de Administração e apreciados pelo seu Conselho Fiscal), fundamentando a expectativa de geração de lucros tributáveis futuros. Transcrevese, outrossim, a Nota Explicativa n° 7, “c”, das Demonstrações Financeiras relativas ao citado período às fls. 365/366: Do exercício social de 2002 até 2006, a Light SESA não reconheceu contabilmente novas ativações de créditos fiscais diferidos sobre diferenças temporárias (provisões contábeis) e prejuízos fiscais (exercícios de 2002 a 2003), em atendimento à instrução CVM na 371/02, por não apresentar, àquela época, Lucros Tributáveis em pelo menos 3 anos de um histórico mínimo de 5 anos. A partir do exercício social de 2007, com o atendimento cumulativo de todas as condicionais dessa regra da CVM, a Light SESA passou a reconhecer novos ativos fiscais diferidos sobre as diferenças temporárias e, também, reverteu parte da provisão para recuperação de créditos fiscais. No que tange aos efeitos fiscais dos ajustes efetuados no lucro líquido contábil para fins de determinação da base de cálculo dos tributos, cumpre reproduzir a Decisão nº 200, de 18/12/1998, da Divisão de Tributação de sua Superintendência Regional da 9ª Região Fiscal: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: 1) A legislação tributária federal não se opõe a adoção, pelas empresas em geral, dos procedimentos contábeis normatizados pelo Instituto Brasileiro de Contadores – Ibracon, e constantes de pronunciamento. A ela compete, entretanto, Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16682.721261/201306 Acórdão n.º 2201002.477 S2C2T1 Fl. 7 11 estabelecer os ajustes que devem ser procedidos no lucro líquido contábil para fins de determinação da base de cálculo dos tributos. 2) As receitas geradas pelas contrapartidas contábeis decorrentes do reconhecimento, na escrituração comercial, dos ativos fiscais diferidos encontrados com base nas diferenças temporárias dedutíveis e nos prejuízos fiscais compensáveis, apuradas de conformidade com as normas do pronunciamento do Ibracon, podem não compor as bases de cálculo tanto do Imposto sobre a Renda das Pessoa Jurídica (IRPJ) quanto da Contribuição Social sobre o lucro líquido (CSLL); desde que, obviamente, nelas estejam previamente inseridas. A contabilização desses valores, no entanto, não deve alterar para menos, em nenhum período, as bases de cálculo que seriam encontradas se a escrituração de tais ativos não fosse efetuada. Dispositivos Legais: Lei 6.404/1976, art. 177 (Lei das S/A); Decreto nº 1.041/1994 (RIR/1994), artigo 283, parágrafo 2º; Lei 9.316/1996, artigo 1º e parágrafo único; IN SRF nº 096/1993, artigo 10, parágrafo único e ADN/Cosit nº 039/1993.” Nesse mesmo sentido, foi a resposta à solução do processo de consulta nº 21/2001 da Superintendência da 9ª RF: Portanto, pelo que se observa dos autos, o Contribuinte atendeu aos critérios contábeis determinantes para a constituição do Ativo Diferido e, sob o ponto de vista fiscal, o valor incluído no lucro contábil da pessoa jurídica pode ser excluído deste para fins de determinação do lucro real, conforme preceitua o inciso II do art. 250 do RIR/1999. Assim, mantémse a neutralidade tributária dos ajustes contábeis feitos em observância às normas veiculadas pela Deliberação da CVM. Vale ressaltar que o procedimento adotado pelo Contribuinte está em harmonia com a jurisprudência administrativa, conforme se observa das ementas reproduzidas: ATIVO FISCAL DIFERIDO – A demonstração do lucro real deverá ser iniciada com o lucro líquido do período de apuração, antes de ser deduzido o valor da provisão para pagamento do imposto de renda e, antes, também, de ser adicionado o valor do Ativo Fiscal Diferido, concernente ao imposto de renda calculado sobre o prejuízo fiscal a compensar que a pessoa jurídica avaliou ser possível a sua recuperação em períodos de apuração futuros. (Processo n°: 10665.000894/200329 Acórdão n°: 10321.799). RO. ATIVO FISCAL DIFERIDO. O Ativo Fiscal Diferido não representa receita auferida razão pela qual não há de sofrer a tributação da Cofins. (Processo n° 13609.000486/200411 Acórdão n° 204 03.457). PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. Excluemse da base de cálculo da contribuição ao PIS as reversões de provisões e, também, a contrapartida em conta de resultado do exercício, da contabilização do Ativo Fiscal Diferido. Recurso de Oficio Negado. (Processo nº: 10840.0034321200123 Acórdão nº: 20178.528). Em relação à alegação de que o CPC 32, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis, ao tratar da matéria sob exame, reconheceu a possibilidade de ser exigido o tributo retido na fonte, decorrente de pagamento de dividendos aos sócios, que resultam do reconhecimento no resultado de tributos diferidos, constatase que o referido CPC 32 foi editado em 2009, portanto, não abrange o caso destes autos, já que o reconhecimento do Ativo Diferido foi realizado no anocalendário de 2007. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 A d. PGFN conclui com base em uma interpretação finalística do art. 10 da Lei nº 9.249/95, nos moldes da Exposição de Motivos nº 325/MF, que a correta interpretação do art. 10 é aquela pela qual se isenta os lucros ou dividendos recebidos pelo sócio ou acionista com base na tributação dessa riqueza no patrimônio da empresa que os distribuiu. Complementa que de acordo com a intenção do legislador, a tributação do lucro na pessoa jurídica afasta a sua tributação no patrimônio da pessoa física. Deste modo, a tributação dos lucros ou dividendos na pessoa jurídica é um pressuposto para a sua isenção quando ingressar no patrimônio da pessoa física. Confirase o disposto na Exposição de Motivos: Exposição de Motivos nº. 325/MF 12. Com relação à tributação dos lucros e dividendos, estabelecese a completa integração entre a pessoa física e a pessoa jurídica, tributandose esses rendimentos exclusivamente na empresa e isentandoos quando do recebimento pelos beneficiários. Além de simplificar os controles e inibir a evasão, esse procedimento estimula, em razão da equiparação de tratamento e das alíquotas aplicáveis, o investimento nas atividades produtivas. O fundamento exposto na peça da d. PGFN também foi utilizado pela 3ª Turma da DRJ/RJ1 ao apontar, às fls. 1.059, que “(96) É de fundamental importância observar que em momento algum o referido pronunciamento autorizou a distribuição de lucros ou dividendos com isenção tributária, referente aos valores que não transitaram pelo resultado tributável da pessoa jurídica.” E, assim, conclui que pela procedência do Auto de Infração, haja vista que “(98) O fato do interessado cumprir a norma contábil, não o desonera de observar a legislação tributária.” Por seu turno, a autuação teve como fundamento o § 1º do art. 674 Decreto nº 3.000/99: Pagamento a Beneficiário não Identificado Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. §1 A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. §2 Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância. §3 O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Ou seja, a Autoridade Lançadora questionou e afastou a contabilização de créditos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL procedida pelo Contribuinte, com base pronunciamento do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON) e aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por meio da Deliberação CVM n° 273/98, sob o argumento de que a contabilização do consequente Ativo Diferido a débito de uma conta do ativo em a contrapartida sendo a crédito de resultado não representa um lucro apurado ou incorrido, mas sim de um lucro fictício, fabricado pela escrituração contábil, (TVF fls. 405), que não justifica o pagamento de dividendos: Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16682.721261/201306 Acórdão n.º 2201002.477 S2C2T1 Fl. 8 13 O auto conclui que o reconhecimento dos ativos fiscais diferidos pelas empresas, possibilita, entre outras coisas, o aumento do lucro passível de distribuição para os acionistas, bem como os dividendos propostos sobre esses lucros, no entanto, a constituição desses ativos fiscais confronta dois princípios fundamentais da contabilidade: Conservadorismo e Continuidade. Na vertente do Conservadorismo, segundo o autor, recomendarseia não constituir esses ativos fiscais, pois haveria uma antecipação de resultados e, portanto, distribuição de dividendos que poderia descapitalizar a organização ou comprometer sua liquidez. (...) Tal pressuposto vem corroborar a tese de que a contabilização do ativo fiscal diferido a débito de uma conta do Ativo e a crédito de Resultado, esse resultado não representa lucro apurado ou incorrido, mas tratase de lucro fictício fabricado pela escrituração contábil. Notese que o critério adotado pelo Auto de Infração é a inexistência de lucro a ser distribuído e assim procedeu a tributação dos valores entregues aos sócios com base no §1º do art. 674 Decreto nº 3.000/99, pois conclui que como tais valores entregues aos sócios não representam lucro, não justificam o pagamento de dividendos, mas restam como pagamentos sem causa. O critério adotado pela fiscalização diverge do utilizado pela 3ª Turma da DRJ/RJ1 e reforçado pela d. PGFN que é a ausência de autorização na legislação tributária para concessão de isenção sobre IRRF em a distribuição de lucros ou dividendos que não representaram resultado tributável na pessoa jurídica. Desta feita, verificase 02 (dois) fundamentos a serem avaliados: (i) ventilado pela fiscalização no sentido de que o valor distribuído aos sócios do Contribuinte não é dividendos e, por isso, sujeito à tributação de IRRF à alíquota de 35% (pagamento sem causa) e (ii) defendido no Acórdão aquo e pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional na linha de que se tratam de dividendos, mas para que façam jus à isenção do art. 10 da Lei nº 9.249/95 deve restar comprovado que o lucro que foi base para a distribuição foi tributado na pessoa jurídica. No tocante à fundamentação da fiscalização no sentido de que os valores distribuídos aos sócios não possui natureza jurídica de dividendo, pois a sua base de cálculo não corresponde a lucro tributável da empresa (Contribuinte) não merece prosperar. Isso porque a legislação societária brasileira não faz distinção, para fins de caracterização de dividendos, entre distribuição de lucro operacional, lucro financeiro, lucro com reavaliação de ativos, lucro com venda de ativos etc. Os dividendos são distribuídos com base no lucro líquido do exercício (art. 201 da Lei nº 6.404/76). Desta feita, tendo em vista que o resultado positivo da contrapartida da constituição do Ativo Diferido é parte integrante do lucro líquido, sua distribuição tem natureza jurídica de dividendos. Logo, o pagamento desse lucro aos sócios tem causa – dividendos. Neste sentido, o resultado positivo referente à contrapartida do lançamento contábil para constituir Ativo Diferido representa lucro da empresa, passível de distribuição a título de dividendos. Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 Adentrandose no mérito da argumentação levantada pela d. PGFN compreende se não ser esta a melhor compreensão sobre o tema, uma vez que em nenhum momento o art. 10 da Lei nº 9.249/95 menciona como condição para a não tributação dos lucros ou dividendos a prévia tributação na pessoa jurídica que os distribuiu. Confirase: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Aplicando os métodos de interpretação e integração das normas tributárias expostas no Código Tributário Nacional (CTN) à isenção em tela, observa que o art. 111 do CTN viria de encontro à argumentação da d. PGFN, visto que determina que a regra isentiva deve ser interpretada literalmente: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; Destacase que o termo empregado pelo CTN é: “literalmente” e não “restritivamente”. Logo, não poderia o Agente Fiscal extrapolar o texto do art. 10 da Lei nº 9.249/95, para em um esforço interpretativo, incluir uma condição à fruição da isenção não imposta pelo Poder Legislativo. Tal prática importaria não só em violação ao Princípio da Estrita Legalidade, a qual a imposição tributária está jungida, como também violaria a separação dos poderes visto que o Poder Executivo estaria atuando como legislador positivo em matéria tributária. Não cabe ao intérprete restringir onde o legislador não o fez. Nesta senda a atividade administrativa vinculada para cobrar (art. 3º do CTN) e lançar (art. 142, parágrafo único do CTN) tributos impede que a Administração Tributária atue fora dos ditames legais, utilizandose da hermenêutica jurídica, para restringir o texto normativo aprovado pelo Poder Legislativo, de forma a onerar o patrimônio privado, vindo de encontro à opção legislativa de desoneração. Logo o amparo buscado pela d. PGFN na interpretação do item 12 da Exposição de Motivos do art. 10 do PL nº 913/2005, de que resultou a Lei nº 9.249/95, fere o Princípio da Estrita Legalidade e a regra relativa à interpretação literal das normas isentivas prevista no art. 111, II, do CTN. Assim, a afirmação de que a isenção para os lucros distribuídos prevista no art. 10 da Lei nº 9.249/1995 é condicionada à prévia tributação dos lucros na pessoa jurídica não encontra amparo legal. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16682.721261/201306 Acórdão n.º 2201002.477 S2C2T1 Fl. 9 15 Nathália Mesquita Ceia Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13887.000469/2002-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RI-CARF.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3201-001.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96, bem como é lícita a aplicação da taxa SELIC acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração Tributária (RESP 993.164) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 00 04 69 /2 00 2- 32 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000469/200232 Acórdão n.º 3201001.584 S3C2T1 Fl. 223 2 JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. A contribuinte em epígrafe pediu o ressarcimento de R$ 1.358.670,92, a titulo do crédito presumido do IPI de que trata a Portaria MF n° 38/97. O Despacho Decisório de fl. 36 deferiu parcialmente o pleito, concedendo o montante de R$ 386.716,78, sendo que a parcela negada deveuse à glosa das aquisições efetuadas de pessoas físicas não sujeitas as contribuições do PIS/PASEP e COFINS, conforme o relatório de fls. 33/35. Cientificada em 21/11/2006, conforme aviso de recebimento nos autos, a interessada apresentou em 18/12/2006 a manifestação de inconformidade de fls. 109/129 com a alegação de que a fiscalização não poderia ter glosado as aquisições de pessoas físicas, pois o cálculo do crédito presumido, pelo disposto na lei que não poderia ser alterado por atos administrativos, não se restringe as aquisições da matériaprima, simples e pura, mas sim de todos aqueles bens e produtos utilizados no fluxo industrial (o produto final das pessoas físicas — laranja, limão, tangerina, etc. — traz intrinsecamente o custo dos insumos utilizados para produção: sementes, fertilizantes, equipamentos para poda e irrigação, material de embalagem, óleo combustível, etc.), inclusive adquiridos de pessoas físicas, conforme doutrina, decisões do Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário. Aduz que é o produto que é onerado pelo PIS/COFINS, e não a pessoa do lavrador (pessoa física ou jurídica). Encerrou a peça de defesa com a solicitação do ressarcimento do valor glosado, devidamente atualizado pela taxa SELIC, conforme jurisprudência administrativa e judiciária que cita. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: Fl. 223DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000469/200232 Acórdão n.º 3201001.584 S3C2T1 Fl. 224 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA TAXA SELIC. É incabível a concessão do estimulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa Selic, por ausência de autorização legal. Solicitação Indeferida Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A controvérsia restringese à possibilidade de inclusão das aquisições junto a pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido de IPI, bem como à aplicação da taxa SELIC ao saldo credor, a título de atualização monetária do valor requerido. Com efeito, tais matérias não comportam maiores digressões por parte deste Colegiado posto o STJ já as ter julgado sob o rito do repetitivo, previsto no art. 543C do CPC. Aplicável a lide, portanto, a norma prevista no artigo 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Fl. 224DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000469/200232 Acórdão n.º 3201001.584 S3C2T1 Fl. 225 4 Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, tendo em vista o dispositivo acima transcrito, aplicase nesta decisão administrativa o entendimento exposto no julgamento do RE 993.164, reproduzido abaixo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". Fl. 225DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000469/200232 Acórdão n.º 3201001.584 S3C2T1 Fl. 226 5 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, Fl. 226DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000469/200232 Acórdão n.º 3201001.584 S3C2T1 Fl. 227 6 julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, Dje 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; Resp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e Resp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido Fl. 227DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000469/200232 Acórdão n.º 3201001.584 S3C2T1 Fl. 228 7 pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário no tocante à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI das aquisições junto a pessoas físicas, bem como autorizar a aplicação da Taxa SELIC na correção monetária dos créditos, acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo até a sua efetiva utilização por meio de compensação com outros tributos ou pelo ressarcimento em espécie. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 228DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 13881.000166/2001-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
PROVA. LAUDO TÉCNICO.
Tendo a empresa juntado laudo técnico em sede de recurso voluntário e o mesmo aceito em Resolução de diligência, há que se reconhecer o seu valor probante. Laudo Técnico acolhido com o reconhecimento dos insumos que foram efetivamente comprovados como parte da produção.
Embargos Acolhidos e providos.
Numero da decisão: 3302-002.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o acórdão embargado, reconhecendo crédito adicional, nos termos do voto da redatora designada. Vencido o conselheiro Walber José da Silva, que acolhia os embargos para suprir a omissão, sem alterar o resultado do julgamento. A conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó reconhece o direito ao crédito apenas em relação aos itens óleo de laminação, pintura e ácidos. Designada a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
Sustentação Oral: Gabriel Lacerda Troianelli OAB/RJ nº 78656
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS redatora designada
EDITADO EM: 19/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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LAUDO TÉCNICO. Tendo a empresa juntado laudo técnico em sede de recurso voluntário e o mesmo aceito em Resolução de diligência, há que se reconhecer o seu valor probante. Laudo Técnico acolhido com o reconhecimento dos insumos que foram efetivamente comprovados como parte da produção. Embargos Acolhidos e providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração para reratificar o acórdão embargado, reconhecendo crédito adicional, nos termos do voto da redatora designada. Vencido o conselheiro Walber José da Silva, que acolhia os embargos para suprir a omissão, sem alterar o resultado do julgamento. A conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó reconhece o direito ao crédito apenas em relação aos itens “óleo de laminação”, “pintura” e “ácidos”. Designada a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. Sustentação Oral: Gabriel Lacerda Troianelli – OAB/RJ nº 78656 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – redatora designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 00 01 66 /2 00 1- 99 Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13881.000166/200199 Acórdão n.º 3302002.725 S3C3T2 Fl. 11 2 EDITADO EM: 19/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de IPI, relativo ao 3º trimestre de 2001, cumulado com pedido de compensação, protocolados em 11/10/2001. O pedido de ressarcimento foi deferido parcialmente e, inconformada, a empresa interessada ingressou com Manifestação de Inconformidade, que restou indeferida pela DRJ em Ribeirão Preto – SP, nos termos do Acórdão DRJ/POR nº 8.739, de 03/08/2005. Não concordando com a decisão da DRJ, no dia 31/10/2005 a empresa ingressou com Recurso Voluntário junto ao CARF, anexando ao mesmo um Parecer Técnico emitido por Carlos Eduardo Lopes, Engenheiro – CREA/SP nº 51.490/D. Na sessão do dia 04/11/2008, o julgamento do recurso foi convertido em diligência, nos atermos da Resolução nº 20100.788, da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. A diligência foi realizada e, no dia 07/08/2009, a empresa interessada tomou ciência sobre o seu resultado para se manifestar no dia 08/09/2009. Subiram os autos ao CARF e, na sessão do dia 01/07/2010, esta 2º Turma de Julgamento julgou parcialmente procedente o recurso do contribuinte, nos termos do Acórdão nº 330200.464. Ciente, a Fazenda Nacional (União) ingressou com Recurso Especial, que foi admitido, nos termos do Despacho nº 3300124, de 07/06/2011. Ciente, a empresa interessada ingressou com embargos de declaração alegando que a Turma de Julgamento, ao adotar os fundamentos da decisão de primeira instância, quanto às glosas dos CFOP”s 1.11/2.11 e 1.99/2.00/3.99, deixou de apreciar o Parecer Técnico anexo ao Recurso Voluntário. Os embargos de declaração foram admitidos para a Turma de Julgamento apreciar o referido parecer técnico, nos termos do Despacho nº 3302057, de 20/06/2014. É o Relatório. Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13881.000166/200199 Acórdão n.º 3302002.725 S3C3T2 Fl. 12 3 Voto Vencido Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. Os embargos de declaração opostos pela empresa MÁXION COMPONENTES ESTRUTURAIS LTDA teve o exame de admissibilidade processado regularmente. Portanto, dele se conhece. Preliminarmente, há que se retificar o erro material contido no Despacho nº 3302057, de 20/06/2014, que citou os CFOP’s 1.31/1.32 e 2.31/2.32 como sendo objeto dos embargos quando, de fato, os CFOP’s objeto dos embargos são os 1.11/2.11 e 1.99/2.99/3.99, para os quais não foi reconhecido o direito de crédito. O acórdão embargado ratificou os fundamentos da decisão da DRJ, nos seguintes termos. Quanto às glosas dos créditos de IPI efetuados sobre materiais registrados nos CF0Ps 1.11/2.11 e 1.99/2.99/3.99, bem como as glosas relativas ao Auto de Infração, não vejo reparos a fazer na decisão recorrida, razão pela qual adoto integralmente os seus fundamentos, conforme autoriza o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Inicialmente, devese registrar que a Manifestação de Inconformidade estabelece a fase litigiosa do procedimento e o momento de sua apresentação é aquele estabelecido no art. 15 do Decreto no 70.235/72. Estabelece, também, o art. 17 deste mesmo diploma legal, que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. O Laudo Técnico de Engenharia que a Embargante quer ver analisado veio aos autos com o Recurso Voluntário e não possui data de sua confecção. O Despacho Decisório é de agosto de 2003, a Manifestação de Inconformidade é de Setembro de 2003 e só foi julgado dois anos depois, em agosto de 2005. Mesmo tendo transcorrido mais de dois anos do encerramento da ação fiscal, as informações do referido Laudo Técnico de Engenharia foi levado em consideração quando da conversão do julgamento em diligência, conforme Resolução nº 20100.788. Conforme consta do referido Laudo, o mesmo foi elaborado com o objetivo de demonstrar que os materiais glosados pela Receita Federal foram incorporados aos produtos finais, como também, consumidos integralmente no processo produtivo dos bens fabricados pela Embargante. Vêse, portanto, que o escopo do laudo é demonstrar o consumo de diversos materiais no processo produtivo da Embargante. Dentre os materiais que o Senhor Perito de Engenheiro relaciona, efetivamente consta os dos CFOP 1.11/2.11 que ele afirma foram efetivamente incorporados aos produtos finais, como também, consumidos no processo produtivo da Embargante. Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13881.000166/200199 Acórdão n.º 3302002.725 S3C3T2 Fl. 13 4 Os materiais relativos aos CFOP 1.11/2.11 foram relacionados pela Recorrente na planilha intitulada “Maxion/Créditos de IPI – destino/função” e, para o 3º Trimestre de 2001, está acostada às flse 401/409. Esclareçase que motivo da glosa não foi a falta de consumo dos materiais relacionados pela Fiscalização, mas sim que os mesmos não são insumos, produtos intermediários ou material de embalagem, definidos na legislação do IPI. Basicamente, as matérias objeto da glosa são partes e peças de máquinas e equipamentos, ferramentas, máquinas, etc. e o laudo não prova o contrário. Na verdade, o laudo (e seu anexo) relaciona diversos materiais, incluídos e não incluídos na glosa, reconhecendo o emprego de diversos deles em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da Embargante, além de ferramentas, máquinas e equipamentos. Esses bens, embora necessários ao processo produtivo, não são MP/PI/ME com direito ao crédito básico do IPI e, portanto, correto a glosa efetuada pela Fiscalização e mantida pela decisão recorrida. Quanto aos materiais dos CFOPs 1.99/2.99/3.99, nada foi dito no referido Laudo Técnico. Ante o exposto, acolho os embargos de declaração para reratificar o acórdão embargado, para acrescentarlhe os fundamentos acima, sem alterar o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Voto Vencedor Pedi vista destes autos para melhor me inteirar acerca da matéria fática neles discutida. Conforme se verifica do relatório, tratase de Embargos de Declaração acolhidos para o fim de reanálise dos produtos referentes às CFOP’s 1.11/2.11 e 1.99/2.99/3.99 frente ao Laudo Técnico acostado aos autos. Indeferimento de créditos relativos a produtos não considerados como Insumos CFOP’s 1.11/2.11 Em relação a estes insumos, os Embargos em discussão foram acolhidos para que o Laudo Técnico fosse considerado na análise dos produtos bem como em sua utilização no sistema produtivo. O Ilustre Conselheiro Relator entendeu que para sua conclusão o Laudo Técnico é irrelevante, por entender que os produtos em questão não são insumos, a saber: “Vêse, portanto, que o escopo do laudo é demonstrar o consumo de diversos materiais no processo produtivo da Embargante. Dentre os materiais que o Senhor Perito de Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13881.000166/200199 Acórdão n.º 3302002.725 S3C3T2 Fl. 14 5 Engenheiro relaciona, efetivamente consta os dos CFOP 1.11/2.11 que ele afirma foram efetivamente incorporados aos produtos finais, como também, consumidos no processo produtivo da Embargante. Esclareçase que o motivo da glosa não foi a falta de consumo dos materiais relacionados pela Fiscalização, mas sim que os mesmos não são insumos, produtos intermediários ou material de embalagem, definidos na legislação do IPI. Basicamente, os matérias objeto da glosa são partes e peças de máquinas e equipamentos, ferramentas, máquinas, etc. e o laudo não prova o contrário. Na verdade, o laudo (e seu anexo) relaciona diversos materiais, incluídos e não incluídos na glosa, reconhecendo a utilização de diversos deles em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da Embargante, além de ferramentas, máquinas e equipamentos.” Não compartilho totalmente com o entendimento apresentado. Em razão de já ter analisado caso idêntico, do mesmo contribuinte, em que foi apresentado o mesmo laudo, adoto as razões de decidir apresentadas naquela oportunidade (Processo Administrativo no 13881.000040/200114). A base, apontada no próprio Relatório de Fiscalização, que serviu para as conclusões de que tais produtos não seriam insumos, são listagens dos produtos, em que há uma coluna que indica o “Destino” de cada produto, ou “Onde é utilizado”. A descrição, evidentemente, não é detalhada, e limitase a indicar se o produto é usado em uma “máquina”, “peça de chassi”, ou em “solda”, por exemplo. No entanto, seja porque não é possível definir, da simples leitura da planilha, o que seria utilização em “serviço/ferramental”, seja porque a utilização em “pintura” e em “acabamento/decapagem”, me parece que lhes confere a qualidade de insumos, entendo que a mera análise das referidas planilhas não poderia levar à conclusão, com a devida clareza e certeza, de que um ou outro produto seria ou não insumo. Passo à análise dos Grupos de Insumos indicados pelo contribuinte em seu Parecer Técnico. 1) FERRAMENTAIS – há referência na planilha utilizada pela Fiscalização, para avaliação da classificação de produtos como insumos de utilização de diversos produtos em “serviços/ferramentais”, “ferramentais” e/ou “ferramental/brocas”. Segundo informações constantes nos laudos técnicos, a Recorrente chama de ferramentais os produtos específicos de seus clientes remetidos para industrialização por encomenda de determinados bens que se tornarão ativos de seus clientes (são peças montadas e acopladas à prensas de estamparia de autopeças). Nessa categoria de insumos estão incluídos, segundo referido Laudo, os seguintes produtos e serviços: aço, alargadores de furo, serviço de adaptação de ferramental, anéis de retenção, buchas, colunas, serviço de construção e montagem de ferramenta, dispositivo auxiliar e de montagem, mancais, módulos de junção e de estrados, limitadores, máscaras de furação, bases dos moldes dos ferramentais, pinos. A questão aqui é que o insumo não é custo da Recorrente, mas de seu cliente. Não vejo como conceder crédito para a Recorrente se o custo efetivo foi de terceiros. Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13881.000166/200199 Acórdão n.º 3302002.725 S3C3T2 Fl. 15 6 Da mesma forma, no que se refere aos serviços, embora tenham sido elevados à categoria de insumo pela legislação do PIS e da COFINS, em relação aos créditos de IPI tal equiparação não é válida. Portanto, em relação aos serviços incluídos na categoria de ferramentais, entendo que deve ser mantida a negativa de ressarcimento de créditos de IPI. 2) ÁCIDOS Segundo o laudo técnico tais produtos são utilizados na preparação e no acabamento de diversas matériasprimas, utilizadas no processo produtivo, e considerados indispensáveis na produção. São citados o ácido clorídrico e o ácido nítrico. Pareceme que, embora não se incorporem ao produto final, na medida em que sua função é transformar a matériaprima, integram o processo de produção. Desta feita, entendo que deve ser garantido o direito ao crédito especificamente sobre estes dois tipos de ácidos indicando no relatório fiscal como sendo empregados no acabamento/ecapagem. 3) ÓLEOS DE LAMINAÇÃO: segundo o laudo tais produtos são utilizados na laminação dos componentes que são utilizados na conformação das peças – que é processo através do qual se produz as peças produzidas pela Recorrente. Seriam consumidos no processo, por meio de arraste na superfície da peça e/ou por evaporação (devido às altas temperaturas). Os produtos classificados neste grupo são: Aditivo Lorn, Óleo de Corte, Óleo Emulsão/Mineral, Óleo Hidráulico, Óleo para estampagem, Óleo protetivo, Óleo ultraform, Lubrificante de deformação. Mais uma vez, pareceme que tais produtos podem ser considerados insumos, pois possuem uma função específica, de transformação das peças que são produzidas pela Recorrente. Se a finalidade de tais óleos é justamente a preparação da chapas de aço que são usadas na fabricação das peças, entendo que fazem parte do processo produtivo, ainda que não se integrem ao produto final (pois, de todo modo, o transforma). Concluo, portanto, que deve ser garantido o direito ao crédito sobre tais insumos. 4) SISTEMA DE TRANSPORTADORES – nesta categoria estão classificados diversos bens que servem, segundo informações constantes no laudo técnico, pra transportar os produtos que estão em fase de fabricação. Tais produtos têm um peso médio elevado, razão pela qual é necessário utilizar um sistema especial de transporte. Enquadramse neste grupo os seguintes bens: rolamentos, tubo cilíndricos, eixos, cabo de aço, carros, correntes, esteiras, grampos, hastes, transportadores, trilhos, trolley, reparos de rolamento, rodízios, empilhadeiras e gás combustível destes veículos. Neste caso, entendo que, embora tais bens entrem em contato direto com os produtos em fabricação (e se desgastem bastante, como informado no laudo técnico), não os transformam, alteram, ou modificam de qualquer maneira. Sendo assim, não me parece que possam ser considerados como insumos utilizados na produção. Ademais, pareceme que poderiam, inclusive, estar contabilizados como ativo – dadas suas características – o que, por si só, impediria a apuração dos créditos sobre tais bens. 5) SISTEMAS DE IÇAMENTO E TRANSPORTE enquadramse nesta categoria as correntes, ganchos, guias, hastes e carregadores, além de válvulas pneumáticas e tombadores de peças. São todos relacionados ao sistema de transporte, cuja finalidade é a movimentação interna dos bens durante o processo produtivo. Pelas mesmas razões expostas em relação aos bens que se enquadram na categoria anterior (Sistemas de Transportadores), entendo que não há direito ao crédito pleiteado em relação a estes bens. Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13881.000166/200199 Acórdão n.º 3302002.725 S3C3T2 Fl. 16 7 6) GRAXA em relação à graxa, ainda que utilizada em diversos pontos da linha de produção, entendo que, por não ter o condão de modificar ou transformar os produtos fabricados, não pode ser considerada como parte integrante do processo de produção, no sentido do conceito de insumo. Embora necessária ao bom funcionamento de máquinas, entendo que não entram em contato com as peças produzidas – senão eventual e aleatoriamente, mas nunca com a finalidade de modificálas. Assim, concluo que em relação a este produto, não há que se falar em crédito a ser apurado/ressarcido. 7) QUÍMICOS – neste item, o laudo do contribuinte esclarece que os produtos químicos são produtos utilizados na limpeza das peças, o que lhes daria direito a crédito de IPI. Todavia, a glosa fiscal foi realizada em virtude de os produtos químicos estarem sendo utilizados para o tratamento de efluentes. O contribuinte não contrapõe a razão indicada pela glosa e o Laudo não é suficiente para comprovar que os produtos foram mesmo utilizados na limpeza das peças e não nos efluentes. Registro que no voto proferido nos autos do processo administrativo nº 13881.000040/2001 14, esta questão não foi debatida, razão pela qual os créditos, naquela oportunidade foram concedidos. 8) PINTURA neste grupo encontramse os produtos que são utilizados na fase de produção em que ocorre a pintura dos bens em fabricação. São incluídos neste grupo: esmaltes sintéticos, thinner, wash primer, pastas, solventes, água raz, tintas, xilen, fosfatizante, refinador, acelerador, passivante, desengraxante, butilglicol, solventes especiais, coagulantes, polieletrólito, ácido clorídrico, soda caustica, cloro. Também são utilizados os filmes stretch para proteção dos furos dos produtos objeto de pintura (selagem). Por se tratar de fase do processo de produção, por transformarem o produto e por se integrarem a ele (ainda que indiretamente), entendo que os insumos em questão são passíveis de crédito de IPI. 9) PARAFUSO E CALÇO QUE FIXAM O ÂNGULO DO INSERTO/PASTILHA segundo consta no laudo técnico tais produtos são utilizados para prender os insertos de usinagem, desgastandose no processo produtivo, seja pelas vibrações, aquecimento e/ou elevados esforços, derivados do processo de usinagem do aço. Entendo que faz parte de partes e peças, portanto do ativo imobilizado, razão pela qual indefiro o crédito pleiteado. 10) GASES utilizados no processo de solda dos produtos em fabricação. Fazem parte deste grupo os seguintes gases: Argônio Liquido, Gás Carbônico, Nitrogênio, Oxigênio Industrial. Ainda que não se integrem ao produto final, parecemme serem essenciais ao processo de solda e, portanto, na transformação dos bens em produção. Assim, entendo que o crédito de IPI sobre estes produtos deve ser garantido. 11) ARAME, FLUXO, ELETRODOS E GASES DE SOLDA neste grupo estão inseridos produtos que são utilizados de forma diferente, nas diversas etapas da fabricação. Na fase chamada MIG (Metal Inert Gas) são utilizados o arame de solda e gases de proteção (Argônio 80% e CO2 20%). Segundo consta do laudo técnico “através de um processo elétrico de abertura de arco, o arame é depositado na região de solda. A mistura de gases é aplicada sobre a área para evitar o contato imediato da junta soldada com o ar, impedindo a oxidação”. Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13881.000166/200199 Acórdão n.º 3302002.725 S3C3T2 Fl. 17 8 No processo chamado de arco submerso, são utilizados como insumos: arame de solda, fluxo e antirespingo. Segundo descrição do laudo técnico se realiza “um processo elétrico de abertura de arco, o arame é depositado na região de solda. O fluxo recobre a área para evitar o contato imediato da região soldada com o ar, impedindo a oxidação.” Em relação aos produtos classificados nesta categoria, entendo que podem ser considerados insumos na medida em que se desgastam no processo produtivo e não são partes e peças. 12) ACESSÓRIOS PARA O PROCESSO DE SOLDA nesta categoria se incluem os produtos utilizados no processo de solda e/ou recuperação de componentes. São eles: bico, bocal, spray protetivo, fluxo, mangueira, cabo flexível. Pareceme que bico, bocal, mangueira e cabo flexível fazem parte da máquina de solda, logo são partes e peças e portanto não geram direitos à crédito. Por outro giro, spray protetivo e fluxo, não consistem em partes e peças e se consomem no processo de industrialização. 13) ACESSÓRIOS PARA O PROCESSO DE CORTE A QUENTE se enquadram nesta categoria: isqueiro, bico, bocal, mangueira, molas e porta bico. Segundo o laudo técnico são produtos utilizados de formas distintas no processo de corte do aço, bico, bocal e mangueiras conduzem os gases, no processo. O isqueiro é o ignitor do processo. Entendo que são partes e peças, razão pela qual não geram direito a crédito. 14) SABÃO DE ESTAMPAGEM tratase de insumo utilizado no processo de estampagem de componentes que auxilia na conformação da peça. Assim como outros produtos acima já apontados, este transforma os produtos em fabricação, na medida em que são utilizados no processo de conformação. Logo, entendo que geram direito ao crédito de IPI pleiteado. 15) GRANALHAS DE AÇO – são utilizados no processo de decapagem mecânica de parte da matéria prima utilizada na manufatura. Assim, por se tratar de produto utilizado na transformação dos produtos em fabricação, geram direito ao crédito. 16) MATERIAIS UTILIZADOS PARA IDENTIFICAÇÃO DOS PRODUTOS ACABADOS neste grupo estão componentes utilizados para fazer marcação nos produtos acabados (códigos e identificações). Classificamse nesta categoria: marcadores industriais e gravadores. Entendo que por se referirem a marcações que não alteram ou modificam os produtos, especialmente em razão da referência do laudo de que se aplicam sobre produtos acabados, não poderiam ser qualificados como insumos e, portanto, não geram direito ao crédito de IPI. 17) MATERIAIS UTILIZADOS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DO PROCESSO PRODUTIVO – nesta categoria estão enquadrados diversos produtos que se qualificam como componentes dos equipamentos utilizados na produção e que, por seu desgastes, são constantemente substituídos. São eles: motores, pinos, adaptadores, bolsas plásticas, bujões, caixas de ferramentas, carcaças, conectores, cotovelos, curvas, distribuidores, eixos, engates, fixação, flange, fresas, jogos de reparo, junções, juntas, mancais, mangueiras, metalon, óleos, prisioneiros, revestimentos, saídas, sensores, sinaleiros, sondas de imersão, tampas, trenas, tubos, uniões, válvulas, garras, graxas, kit peças, kits reparo, brocas, movitrac, parafusos, porcas. Neste caso, embora haja consumo no processo produtivo, entendo que só geram direito ao crédito as aquisições de produtos que não se destinem ao ativo imobilizado da Recorrente Fl. 2061DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13881.000166/200199 Acórdão n.º 3302002.725 S3C3T2 Fl. 18 9 e, pelo que entendo, este item trata de partes e peças de máquinas, que compõe o ativo imobilizado. Diante do exposto, reconheço o direito ao crédito de IPI sobre os produtos referenciados nos itens 2, 3, 8, 10, 11, 14 e 15 acima referenciados. Não reconheço o direito ao crédito sobre produtos incluídos nos itens 1, 4, 5, 6, 7, 9, 13, 16 e 17. Concedo parcialmente o crédito pleiteado no item 12, nos termos mencionados. INDEFERIMENTO DE CRÉDITOS RELATIVOS A PRODUTOS RECEBIDOS EM CONSIGNAÇÃO CFOPS 1.99/2.99/3.99 Em relação aos produtos classificados nos CFOP’s 1.99/2.99/3.99, a glosa foi mantida porque os julgadores administrativos entenderam não serem os produtos insumos para fins de IPI, a saber: TRECHO DO ACÓRDÃO DA DRJ “Analisandose os demonstrativos de fls. 212/220 não é possível sustentar a tese da contribuinte, de que os produtos foram efetivamente utilizados na produção. Nas entradas com CFOP 1.99, 2.99 e 3.99 encontramse moldes, ferramentas, brocas, peças de máquinas etc. Estes produtos, como já discorrido anteriormente, não se coadunam com o conceito de insumo, e por isso, também não geram o direito ao crédito.” Já o relator do acórdão embargado manteve a decisão da forma como proferida porque os produtos em discussão não constaram do Laudo Técnico, lembrando que os Embargos de Declaração foram acolhidos porque o acórdão embargado não considerou o Laudo Técnico, a saber: Trecho do Voto do Relator Walber José da Silva “Quanto aos materiais dos CFOPs 1.99/2.99/3.99, nada foi dito no referido Laudo Técnico.” Concordo com o ilustre Conselheiro Relator neste particular. Fato é que a revisão da decisão proferida no acórdão no 330200.464 somente está sendo realizada em razão dos Embargos de Declaração apresentados. A decisão embargada foi omissa porque não considerou o Laudo Técnico. Assim, se os produtos aqui listados não são parte do Laudo Técnico, não há que se cogitar em revisão da decisão neste ponto. Ante o exposto, divirjo do entendimento apresentado pelo Conselheiro Relator para o fim de acolher os Embargos de Declaração e DARLHES PARCIAL PROVIMENTO, conferindolhes efeitos infringentes e reratificando o acórdão no nº 3302 00.464 em relação aos seus fundamentos mas mantendo o resultado de julgamento como PARCIAL PROVIMENTO. Fl. 2062DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13881.000166/200199 Acórdão n.º 3302002.725 S3C3T2 Fl. 19 10 É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 2063DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 13973.000079/2006-17
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
DIRPF. ERRO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. LANÇAMENTO QUE CONSIDEROU COMO OMITIDOS VALORES EQUIVOCADAMENTE DECLARADOS.
A demonstração pelo declarante de que equivocouse ao fazer a declaração, apresentando documentos que indicam a plausibilidade do engano, caracterizam erro de fato. Hipótese em que houve lançamento de ofício sobre valor parcialmente já oferecido à tributação, na DIRPF original.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 2801-003.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a omissão de rendimentos no valor de R$ 3.974,11, e para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 3.285,72, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ERRO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. LANÇAMENTO QUE CONSIDEROU COMO OMITIDOS VALORES EQUIVOCADAMENTE DECLARADOS. A demonstração pelo declarante de que equivocouse ao fazer a declaração, apresentando documentos que indicam a plausibilidade do engano, caracterizam erro de fato. Hipótese em que houve lançamento de ofício sobre valor parcialmente já oferecido à tributação, na DIRPF original. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a omissão de rendimentos no valor de R$ 3.974,11, e para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 3.285,72, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 00 79 /2 00 6- 17 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13973.000079/200617 Acórdão n.º 2801003.835 S2TE01 Fl. 193 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/CTA (Fls. 107), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Por meio do Auto de Infração de fls. 06/14 exigese do contribuinte R$128,53 de Imposto de Renda Pessoa Física, R$7.371,11 de Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, R$5.531,33 de multa de ofício de 75% e R$4.824,79 de juros de mora calculados até 12/2005, decorrentes da revisão da sua declaração de ajuste anual de rendimentos relativa ao exercício 2002, anocalendário 2001. O Demonstrativo das Infrações (fl. 07) acusa as seguintes ocorrências na declaração de ajuste anual: a) omissão de rendimentos, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, recebidos da Prefeitura Municipal de Jaraguá do Sul no montante de R$5.942,82, com R$80,79 de IRRF. b) dedução indevida de dependente; c) dedução indevida de despesas com instrução; d) dedução indevida de despesas médicas; e) dedução indevida de incentivo à cultura; Esclarece o mesmo demonstrativo: Em vista do contribuinte não ter sido localizado no endereço informado à Receita Federal, foi afixado edital em 12/09/2005, convocandoo para recebimento pessoal da intimação. Até a presente data o autuado não compareceu e, portanto, não apresentou qualquer documento exigido na intimação. No prazo regulamentar, o sujeito passivo impugna a autuação, para requerer a declaração de sua nulidade, tendo em vista que o impugnante não teria sido devidamente intimado para prestar informações. Alternativamente requer que o imposto seja recalculado, considerando apenas a omissão de R$1.968,71 e determinando o arquivamento do processo. Preliminar Fl. 193DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13973.000079/200617 Acórdão n.º 2801003.835 S2TE01 Fl. 194 3 Em preliminar alega que a autuação seria nula, por falta de intimação pessoal do contribuinte, no seu domicilio tributário, na forma do art. 23, do Decreto 70.235, de 1972. Diz que há muitos anos reside no mesmo endereço e estranharia a atitude do agente fiscal que diz q1ue ele não foi encontrado no seu endereço habitual. Supõe, mais, que o auto de infração nem teria sido iniciado se tivesse sido regularmente intimado, porque todas as informações de sua declaração de ajuste anual se encontrariam comprovadas e amparadas pela legislação. Mérito Quanto à omissão de rendimentos, admitea apenas no montante de R$1.968,71. Diz que a diferença, por equívoco, teria sido informada em sua declaração de ajuste como recebida do SUS. Para comprovar essa alegação junta cópia do “Discriminativo de Pagamento de Serviços” emitido pelo SUS para a Secretaria Municipal de Saúde, bem como relatório descritivo dos serviços emitidos pelo Fundo Municipal de Saúde de Jaraguá do Sul, fonte pagadora dos rendimentos. Com relação aos dependentes, para comprovar a dependência estaria juntando cópia das certidões de nascimento dos filhos menores de 21 anos ou menores de 24 anos cursando ensino superior. Para comprovar as deduções a título de despesas com instrução, junta cópias das faturas mensais pagas a instituições de ensino freqüentadas por seus filhos. No tocante às despesas médicas, estas foram realizadas em benefício do impugnante e seus dependentes. Para comprovar essa assertiva, junta cópias de notas fiscais e recibos, quais sejam, de pagamentos efetuados à SDP Hospital e Maternidade São José e PLAC – Plano de Saúde Unimed de Jaraguá do Sul. Quanto à glosa da dedução do incentivo à cultura, diz que este foi efetuado com base no art. 12 e incisos da Lei nº 9.250, de 1995, em favor do Centro Cultural SCAR – Sociedade Cultural Artística de Jaraguá do Sul. Para comprovar, junta cópia do recibo da contribuição feita. Além disto, junta cópias de todos os pagamentos feitos e de comprovantes de rendimentos do ano calendário de 2001 e conclui: Assim, vêse comprovada todas as deduções efetivadas na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física do impugnante, relativo as exercício 2002, ano calendário 2001, não havendo razão para persistir o auto de infração. Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar a Impugnação Procedente em Parte, em decisão que restou assim ementada: Fl. 194DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13973.000079/200617 Acórdão n.º 2801003.835 S2TE01 Fl. 195 4 LANÇAMENTO DE OFÍCIO INDEPENDENTEMENTE DE INTIMAÇÃO PRÉVIA O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário DEPENDENTES E DESPESAS COM INSTRUÇÃO Devem ser restabelecidas as deduções de dependentes e de despesas com instrução destes, quando devidamente comprovado por documentos idôneos o direito a essas deduções. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos a seu próprio tratamento e ao de seus dependentes, e está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Os comprovantes devem especificar nome e CPF do profissional e os nomes do responsável pelo pagamento e do paciente. DEDUÇÃO DE INCENTIVO A CULTURA Deve ser restabelecida a dedução do valor da doação feita pelo sujeito passivo em favor de projetos culturais aprovados pelos órgãos responsáveis, quando comprovada por meio de documento hábil e idôneo. Cientificado em 14/06/2011 (Fls. 172 a 175), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 13/07/2011 (fls. 150 a 167), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. Em 19 de Setembro de 2013, (Fls. 1141) aprouve aos membros do Colegiado desta egrégia 1ª Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência no sentido do retorno dos autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora juntasse aos autos todas as provas acerca do conteúdo das intimações, acerca das tentativas de intimações realizadas, seja pessoal ou por correio AR; assim como a prova da intimação realizada via edital. Como resposta a intimação, a DRF/JOINVILLE – SC, anexou: Consulta Postagem por: NI 45084807720; AR Normal e Especial; (fls. 177), com o seguinte resultado: (...) Det. NI AR Sistema Exercício Lote Situação Tipo Postagem Imagem 450.848.07720 423428270 42904 2002 103 Devolvido AR Especial Não 450.848.07720 541565972 42915 2002 030 Entregue AR Especial Sim Fl. 195DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13973.000079/200617 Acórdão n.º 2801003.835 S2TE01 Fl. 196 5 450.848.07720 009560965 37086 2011 014 Devolvido AR Especial Não Consulta Postagem por: NI 45084807720; AR Normal e Especial; Contribuinte MARCOS FERNANDO FERREIRA SUBTIL (fls. 178), com o seguinte resultado: (...) Lote Emissão 103 Exercicio 2002 Sistema 42904 PEDIDO DE ESCLARECIMENTO Data Emissão 08/12/2004 Data Postagem 27/12/2004 Nº Distribuição 9103000043 Região Fiscal 09ª UA Destino 0920203 Tipo Lançamento Intimação Situação Devolvido Data da devolução (informação ECT) 18/01/2005 Imagem Motivo Ausente Ex/Lote/Pasta 5/0096/0013 Nº ECT 423428270 Consulta Postagem por: NI 45084807720; AR Normal e Especial; Contribuinte MARCOS FERNANDO FERREIRA SUBTIL (Fls. 179), com seguinte resultado: (...) Lote Emissão 030 Exercicio 2002 Sistema 42915 IRPF EMISSAO Data Emissão 21/12/2005 Data Postagem Nº Distribuição 0006880205 Região Fiscal 09ª UA Destino 0920203 Tipo Lançamento Suplementar Situação Entregue Data da entrega (informação ECT) 01/02/2006 Imagem Ex/Lote/Pasta 6/0197/06 Nº ECT 541565972 Imagem do AR Digital, Contribuinte MARCOS FERNANDO FERREIRA SUBTIL, com entrega no dia 01/02/2006. Ainda em resposta à diligência a SAFIS/DRF/JOI/SC anexou: Consulta Postagem por: NI 45084807720; AR Normal e Especial; do Contribuinte MARCOS FERNANDO FERREIRA SUBTIL (Fls. 184), com o seguinte resultado: Fl. 196DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13973.000079/200617 Acórdão n.º 2801003.835 S2TE01 Fl. 197 6 (...) Lote Emissão 103 Exercício 2002 Sistema 42904 PEDIDO DE ESCLARECIMENTO Data Emissão 08/12/2004 Data Postagem 27/12/2004 Nº Distribuição 9103000043 Região Fiscal 09ª UA Destino 0920203 Tipo Lançamento Intimação Situação Devolvido Data da devolução (informação ECT) 18/01/2005 Imagem Motivo Ausente Ex/Lote/Pasta 5/0096/0013 Nº ECT 423428270 Em 06/03/2014 o SAFIS/DRF/JOI/SC juntou o DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO (fls. 185) abaixo: Sr Chefe da SAFIS.Em cumprimento ao solicitado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na Resolução de fls 172 a 175, informo que juntei, as fls 184, a tela do sistema SUCOP, onde consta a devolução do AR do Pedido de Esclarecimentos em tela. Informo ainda que não há mais cópia do Edital solicitado, pois sua guarda se fazia somente em papel. Era o que havia a informar. proponho retorno a SACAT, para prosseguimento. Em 17 de abril de 2014, a ARF de JARAGUA DO SUL/SC juntou o Despacho de encaminhamento (fls. 188) com o conteúdo abaixo: (...) Tendo em vista a resolução constante às fls. 172175, foi realizada pesquisa no sistema SUCOP da SRFB e verificouse o seguinte: •todas as postagens registradas constam à fl. 177; •a postagem referente a intimação fiscal, consta como devolvida, fl. 178 e 184; •de acordo com o setor de malha fiscal, fl. 185, os editais da época eram guardados em papel. Sendo assim, encaminho o processo para localização de edital em nome do contribuinte supra citado, cientificando sobre a intimação da malha fiscal do exercício de 2002 ano calendário 2001. A busca poderá ser realizada a partir da data de 18/01/2005 que é a data de informação de devolução da correspondência pelo correio. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13973.000079/200617 Acórdão n.º 2801003.835 S2TE01 Fl. 198 7 Em 28 de maio de 2014, a ARF de JARAGUA DO SUL/SC juntou o ofício de INFORMAÇÃO (fls. 190) com o conteúdo abaixo: (...) Este processo retornou do CARF para juntada da prova da ciência do interessado da intimação para prestar esclarecimentos. Verificase que no sistema SUCOP consta que o pedido de esclarecimento encaminhado em 08/12/2004, controlado pelo AR 423428270, consta como devolvido em 18/01/2005 (fls. 177 e 178). Encaminhouse o processo à SAFIS da DRF/JOI para juntada de cópia do edital (fl. 181). Essa seção informou que não há mais cópia do Edital solicitado, pois sua guarda era apenas em papel (fl. 185). Em 17/04/2014 o processo foi encaminhado para busca na ARF/Jaraguá do Sul/SC do edital. Em despacho, a ARF respondeu que não encontrou o mencionado edital (fl. 189). Desta forma, entendo que a diligência como solicitada pela Resolução do CARF foi cumprida. Retorno o processo ao CARF para julgamento. Finalizada a diligência o processo voltou a este conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, verifico que o Recorrente não alega qualquer tipo de preliminar, e não visualizo qualquer matéria de ordem pública que possa ser suscitada; razão pela qual passo a análise do mérito. Conforme consta nos autos, restam em litígio apenas a omissão de rendimentos, no valor de R$3.974,11, já que o Recorrente reconheceu a omissão de R$1.968,71, e a glosa de dedução com despesas médicas. Quanto a omissão de rendimentos, alega o Recorrente que, por equívoco, não informou o nome e o CNPJ da fonte pagadora na sua DIRPF; mas que a fonte pagadora, Fl. 198DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13973.000079/200617 Acórdão n.º 2801003.835 S2TE01 Fl. 199 8 conforme documentos anexados na impugnação e no recurso, seria a Prefeitura Municipal de Jaraguá do Sul. Compulsando os autos, verifico que na DIRPF consta a informação do recebimento do valor de R$3.974,11 da fonte pagadora SUS, e que não há a indicação de CNPJ para esta fonte. (doc. pág. 20 dos autos). Em seu julgamento, a DRJ assim se manifesta: “Observo, antes de mais nada, que na declaração de ajuste anual do impugnante não consta nenhum valor especificado como rendimentos recebidos do SUS. Assim, não há nos autos nenhuma prova de que pelo menos parte dos valores dados como omitidos tivessem sido declarados como se fossem oriundo do Sistema Único de Saúde.” (pág. 143 dos autos) Após a análise dos autos, chego a entendimento divergente da DRJ. De pronto, como já dito, observo que o Recorrente indicou em sua declaração o recebimento do SUS, no valor de R$3.974,11, e que não há a indicação de CNPJ para esta fonte. (doc. pág. 20 dos autos). Também observo que a ampla documentação apresentada indica claramente que tais valores foram pagos pela Prefeitura Municipal de Jaraguá do Sul. Ainda mais quando se sabe que a Lei 8.080/1990 atribuiu aos Municípios a gestão e repasse de parte dos recursos do SUS. Desta forma, entendo que o mero erro de fato do contribuinte, de não indicar corretamente a fonte pagadora, não inviabiliza o entendimento de que não houve sonegação de parte dos rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal de Jaraguá do Sul. Assim, em respeito ao princípio da verdade material, os valores correspondentes aos rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte e indicados na DIRPF como se fossem da fonte pagadora SUS, devem ser entendidos como recebidos da fonte pagadora Prefeitura Municipal de Jaraguá do Sul. Razão pela qual deve ser afastada do lançamento a omissão de rendimentos no valor de R$3.974,11. Quanto a glosa da dedução com despesas médicas, observo que a DRJ, primeira autoridade a examinar a documentação apresentada pelo contribuinte, tratou de manter a glosa, dentre outros motivos, porque o informe da UNIMED não esclarecia quais seriam os beneficiários dos planos de saúde e quais seriam os valores individualizados. Ocorre que, por ocasião do Recurso Voluntário o recorrente fez juntar aos autos declaração emitida pela UNIMED, que esclarece os beneficiários dos planos de saúde e os valores individualizados de cada um.(doc. pág. 167 dos autos) Porém, dos beneficiários indicados pela UNIMED, sem contar o próprio Recorrente, apenas três foram considerados dependentes do Recorrente pela DRJ. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13973.000079/200617 Acórdão n.º 2801003.835 S2TE01 Fl. 200 9 Por seu turno, a legislação de regência afirma que somente podem ser deduzidas as despesas relativas ao próprio contribuinte e aos seus dependentes; in verbis: Lei n° 9.250, de 1995 Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: 1 (..) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2° O disposto na alínea a do inciso II: I(...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Assim, entendo que, questionado acerca da dos beneficiários dos planos e dos valores individualizados de cada um, o contribuinte trouxe aos autos documento que supre tal defeituação, e aponta o próprio Recorrente com uma despesa de R$821,43, Julia de Azevedo Subtil com uma despesa de R$821,43, Lorena de Azevedo Subtil com uma despesa de R$821,43, e Thiago de Azevedo Subtil com uma despesa de R$821,43. Quanto as demais despesas médicas, consubstanciadas no recibo de página 89 e nos documentos de folhas 91 e 93, entendo, assim como a DRJ, que as glosas devem ser mantidas. É que, como se observa na legislação de regência acima destacada, somente os pagamentos referentes a tratamento médico do próprio contribuinte e de seus dependentes podem ser deduzidos. Nos casos em análise percebo que o primeiro recibo não se refere a tratamento médico, e sim a contribuição espontânea, e os demais documentos se referem a pagamento de tratamento médico realizado em pessoa que não é dependente do contribuinte. Ante o acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para afastar a omissão de rendimentos no valor de R$3.974,11, e para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$3.285,72. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13973.000079/200617 Acórdão n.º 2801003.835 S2TE01 Fl. 201 10 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 201DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10314.002800/2010-65
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 01/03/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. São devidos sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5).
Numero da decisão: 3803-006.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 01/03/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. São devidos sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5).
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/03/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. São devidos sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 28 00 /2 01 0- 65 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 324DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.002800/201065 Acórdão n.º 3803006.562 S3TE03 Fl. 324 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: : 01/03/2010 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 325DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 17/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 01/11/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 326DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.002800/201065 Acórdão n.º 3803006.562 S3TE03 Fl. 325 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 328DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.002800/201065 Acórdão n.º 3803006.562 S3TE03 Fl. 326 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 329DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento em face da suspensão da exigibilidade , a Súmula CARF nº 5 determina a sua aplicação sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, conquanto presente aquela circunstância, ressalvada apenas a existência de depósito no montante integral. Assim, nada obsta que a sua incidência futura já venha prenunciada no lançamento, não decorrendo da sua natureza peculiar como parte da exigência como acima defendido prejuízo algum à Recorrente. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.002800/201065 Acórdão n.º 3803006.562 S3TE03 Fl. 327 9 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário, e por negar provimento, quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 332DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10980.003827/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2002
COFINS. RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nela contida sobre prescrição expressa no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Tatiana Midori Migiyama e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2002 COFINS. RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nela contida sobre prescrição expressa no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Tatiana Midori Migiyama e Paulo Roberto Stocco Portes.
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RESTITUIÇÃO. Recorrente VIDRAÇARIA LINDE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2002 COFINS. RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nela contida sobre prescrição expressa no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 38 27 /2 00 7- 17 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10980.003827/200717 Acórdão n.º 3202001.355 S3C2T2 Fl. 83 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Tatiana Midori Migiyama e Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Restituição (efls. 01/ss), protocolado em 10/04/2007, no valor de R$ 29.972,59, por meio do qual a interessada pretende restituir valores recolhidos da Cofins em virtude de supostas “ilegalidades e inconstitucionalidades da Lei 9.718/98”, relativos ao período de apuração de 01/01/1999 a 28/02/2002. Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório: Trata o processo de Pedido de Restituição (apresentado por meio de formulário) de COFINS, fl. 01, protocolizado em 10/04/2007, trazendo como motivo do pedido: "Ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei n" 9.718/98 Cofins", em relação aos períodos de apuração de 02/1999 a 02/2002, no montante atualizado de R$ 29.972,59, conforme planilha de fl. 10. A Delegacia da Receita Federal em Joinville/SC, em análise ao pedido, emitiu o Despacho Decisório, datado de 19/04/2007 (fls. 28), indeferindo a restituição pleiteada, em virtude da decadência de seu direito, pois transcorridos mais de cinco anos desde os pagamentos efetuados entre 10/03/1999 E 15/3/2002. Cientificada (fl. 30) em 15/05/2007, a interessada apresentou, em 05/06/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 31/48, argumentando, em síntese, o equívoco no indeferimento de seu pedido de restituição, já que, amparada na doutrina e na jurisprudência, conclui ser de 10 anos (5 + 5) o prazo para o ressarcimento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, pagos indevidamente ou a maior. A seguir, argumenta que a Lei n° 9.718/98, ao mudar a base de cálculo da Cofins, deixando de ser faturamento e passando a ser a totalidade das receitas auferidas, extrapolou os limites fixados pelo art. 195, I, da Constituição Federal. Entende que a exigência de contribuições sobre receitas só passou a ser possível após a edição da Emenda Constitucional nº 20/98. Citando jurisprudência e doutrina a respeito, conclui que deve ser reconhecido o pedido de restituição, uma vez que o STF já declarou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins pela Lei n° 9.718/98, para que a mesma seja compensada ou ressarcida com a devida atualização pela taxa Selic, que é a mesma utilizada para recuperação de créditos. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10980.003827/200717 Acórdão n.º 3202001.355 S3C2T2 Fl. 84 3 É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba proferiu o Acórdão nº 0628.848 em 15/09/2010 (efolhas 50/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COF1NS Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada cientificada do Acórdão em 28/09/2010 (efolhas 69/70), interpôs Recurso Voluntário em 11/10/2010 (efolhas 71/ss), onde repisa os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi sorteado e, posteriormente, distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Preliminarmente devemos analisar a questão da prescrição do pedido administrativo do contribuinte para restituir tributos. Este conselheiro sempre vinha exarando seus votos no sentido de que o prazo para que o sujeito passivo exercesse seu direito de requerer a restituição de tributos supostamente recolhidos a maior ou indevidamente seria aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, ambos do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a COFINS e o PIS, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Esclareçase, ainda, que o prazo previsto no art. 168, I, do CTN, representa prazo prescricional, mas que se aplica, também, ao pedido administrativo, de forma que, esgotado o prazo para apresentação da ação de repetição de indébito, também se esgota o prazo do pedido administrativo. Neste diapasão, com o intuito de dirimir as controvérsias existentes quanto ao momento em que ocorreria a extinção do crédito tributário, o próprio legislador, na tentativa de interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10980.003827/200717 Acórdão n.º 3202001.355 S3C2T2 Fl. 85 4 Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. Entretanto, o STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatado pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC nº 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso do vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN”. Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC aos recursos relativos a esta matéria. Em consequência da decisão proferida no RE 566.621, resta obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. No caso em tela, o Pedido de Restituição foi protocolado em 10/04/2007, para o período de apuração de 01/01/1999 a 28/02/2002, portanto, temos que já ocorreu a prescrição do direito do contribuinte para solicitar a restituição de tributos, considerandose o prazo de 5 anos estipulado pelo STF. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 85DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10980.003827/200717 Acórdão n.º 3202001.355 S3C2T2 Fl. 86 5 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
score : 1.0
Numero do processo: 19647.010778/2006-53
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
PER/DCOMP. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
Numero da decisão: 1803-002.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 PER/DCOMP. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
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TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 07 78 /2 00 6- 53 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 142 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 2105.03389.300104.1.3.040477, em 30.10.2004, e 01316.48575.300104.1.3.048740 em 30.04.2004, fls. 0312, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2362, no valor de R$132.116,42 recolhido em 31.03.2003, referente ao período de apuração de fevereiro de 2003, apurado pelo lucro real para fins de compensação do débito ali confessado. No Relatório de Informação Fiscal, fls. 0809, consta: 1. Consiste o presente processo de Declaração(ões) de Compensação (DCOMP) impetrada(s) pela empresa interessada, de supostos créditos de Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ no valor R$132.116,42, [...]. 2. Na(s) Declaração(ções) de Compensação — DCOMP, constantes do Anexo III do processo n.° 19647.004738/200591, estão discriminado(s) o(s) débito(s) compensados com o referido crédito. 3. Pelo que cabe a esta fiscalização, buscamos diligenciar a contabilidade da empresa com vistas a informar no presente processo o montante do crédito a ser acatado pela SRF. [...] 4. Como podemos observar no item "1" acima, o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ a título de estimativa mensal efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. 5. Conforme preceitua o artigo 10 IN SRF n° 600 de 28.12.2005, a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. 6. Portanto, o valor dito como sendo de pagamento indevido ou maior de estimativa mensal, referido no item "1" acima, não poderá ser utilizado como crédito em Declaração de Compensação DCOMP de natureza de "PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR" para compensação de débitos. [...] 7. Em face do exposto, entendemos INEXISTENTE o direito creditório pleiteado pelo contribuinte para ser utilizado nas compensações dos débitos fiscais do contribuinte informados nas Declarações de Compensações, discriminados no Demonstrativo da Compensação do Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de Estimativa Mensal IRPJ do Mês de Fevereiro de 2003 (parte B), em anexo. Está registrado no Despacho Decisório, fl. 17: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 143 3 No uso da competência delegada pelo inciso XXI do art. 250 do Anexo da Portaria MF n.° 30, de 25 de fevereiro de 2005, e concordando com os fundamentos expostos no Relatório de Informação Fiscal [...], que passa integrar este ato, conforme o artigo 5º, § 1º, da Lei n.° 9.784/99: 1. NÃO HOMOLOGO as compensações efetuadas através das DCOMP’s discriminadas no Demonstrativo da Compensação do Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de Estimativa Mensal IRPJ do mês de fevereiro de 2003, que encontrase anexo ao referido Relatório de Informação Fiscal; 2. DETERMINO a cobrança dos débitos cujas compensações declaradas foram consideradas indevidas pela inexistência de crédito. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 2237, com as alegações a seguir sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre os fatos suscitando que: Em outubro de 2006, a contribuinte recebeu Autos de Infração, de IRPJ e de CSLL, envolvendo diversas supostas infrações, que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Entre elas constavam os itens (6) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (7) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal. Tais exigências, porém, não foram devidamente fundamentadas (não havia nenhuma informação, fundamento, documento ou prova para embasar as exigências), o que impedia a adequada defesa pela contribuinte. Em março de 2007, a Delegacia da Receita Federal em Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal. Nele, os fiscais responsáveis informam que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual prevê metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização. Por tal razão, excluíra do processo n° 19647.009690/200699 certos valores, que passariam a ser tratados em processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem o recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica — IRPJ a maior, em 31.03.03, referente ao período de apuração de 28.02.03, no valor de R$132.116,42. Por isso, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse valor recolhido a maior com débitos de IRPJ. A Delegacia da Receita Federal em Recife não homologou as compensações efetuadas, com fundamento em Relatório de Informação Fiscal. Nesse breve Relatório, é afirmado que o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ a título de estimativa mensal, efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. Entretanto, conforme o artigo 10 da Instrução Normativa no 600, de 28.12.05, da Secretaria da Receita Federal, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devida ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 144 4 Desse modo, o crédito da contribuinte, referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, não poderia ser utilizado como crédito em DCOMP. Por essa razão, o direito creditório pleiteado foi considerado inexistente e a compensação não foi homologada. Ocorre que as razões apresentadas pela DRF/Recife não representam o melhor direito e merecem ser reformadas pela Delegacia Regional de Julgamento. I Previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei [...] Tal regra — segundo a interpretação dada pela DRF/Recife — limitaria a possibilidade de compensação de créditos fiscais do contribuinte, ao prever que certos recolhimentos indevidos ou a maior de IRPJ ou de CSLL só poderiam ler uma certa utilização. Com isso, o artigo 10 teria vedado o direito do contribuinte de compensar certos valores de IRPJ e de CSLL recolhidos a maior. Tais valores apenas poderiam ser utilizados para deduzir o IRPJ ou a CSLL devidos ao final do período/de apuração ou para compor o saldo negativo do período desses tributos. Ocorre que a Lei n° 9.430/96, na qual a IN deveria se basear, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos não fez tal restrição. Bem ao inverso, ela prevê de forma genérica o direito de compensação, conforme se verifica do "caput" de seu artigo 74 [...]. Se o contribuinte apurou crédito fiscal, o que ocorre quando há o recolhimento indevido ou a maior de tributo, ele pode utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios. O mesmo artigo 74 previu os casos em que a compensação não poderia ser realizada. Assim, entre outras hipóteses previstas no § 3º, consta que o saldo a restituir apurado na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física não pode ser compensado com outros tributos devidos pelo contribuinte. O § 12 do artigo 74 também previu as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada, entre as quais estavam aquelas em que o crédito do Contribuinte refirase a crédito prêmio de IPI ou que seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Percebese, então, que o legislador concedeu um direito genérico de compensação de tributos recolhidos a maior ou indevidamente pelo contribuinte e já estabeleceu os casos em que tal direito era vedado. Contudo, não proibiu a compensação do IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos. Nesse cenário, a Secretaria da Receita Federal não poderia criar restrições e proibições não previstas na Lei. Ela poderia apenas regulamentar os procedimentos para I exercício dos direitos previstos na Lei. Daí a previsão do § 14 do mesmo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 [...]. Disciplinar os direito previstos em lei não leva à permissão para restringilos, vedálos, mas tãosomente estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior. Dessa maneira, a questão que remanesce é apenas se o IRPJ e a CSLL recolhidos a longo do ano podem se qualificar como tributo indevido ou recolhido a maior. A resposta, indubitavelmente, deve ser afirmativa. Tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido recolhido com base em tais regras, estará configurada a situação de recolhimento indevido ou a maior. Isso é uma decorrência do sistema de tributação do IRPJ e da CSLL. É o que ocorre, por exemplo, em razão da retenção de imposto sobre a renda na fonte — Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 145 5 IRRF. Como a retenção ocorre independentemente do total de lucro — estimado, real ou presumido —apurado no período, pode ocorrer que o IR recolhido por meio da retenção na fonte supere o valor que deveria ser recolhido com base no lucro estimado, real ou presumido. Podese imaginar que o legislador poderia ter estabelecido uma regra especial para essa situação peculiar, de configurarse um recolhimento a maior de tributo sem que todo o seu período de apuração tenha transcorrido. No entanto, se ele não o fez, a Secretaria da Receita Federal, por meio de uma instrução normativa, não pode fazêlo. Em síntese, o artigo 10 da INSRF 600/05 não poderia ter estabelecido uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse previsto em lei. Apenas por tal razão, o Despacho Decisório da DRF/Recife já deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação realizada pela contribuinte. No entanto, ainda há mais. II Quando da compensação realizada pela contribuinte a regra do artigo 10 da INSRF 600/05 ainda não existia Mesmo que, por absurdo, se entenda legal o artigo 10 da INSRF 600/05, ainda assim o Despacho Decisório deve ser reformado. Assim é porque, quando da compensação realizada pela contribuinte, ainda não existia, no Ordenamento jurídico nacional, a regra estabelecida no referido artigo 10. De fato, a INSRF 600/05 é datada de 28.12.05. Antes dela, a Instrução Normativa anterior sobre o tema de restituição e compensação de tributos — IN SRF 460/04 — trazia regra semelhante igualmente no artigo 10. Essa IN é datada de 18.10.04. No entanto, as mais antigas, INSRF 210/02 e INSRF 21/97, não traziam uma norma nos termos do artigo 10. Ora, a contribuinte realizou as compensações objeto do presente processo em dezembro de 2003 e janeiro de 2004, quando vigia a INSRF 210/02 que, como visto, não previa a restrição ao direito de compensação do contribuinte trazida pela INSRF 460, no ano de 2004, e repetido no artigo 10 da INSRF 600/05. A DRF/Recife, portanto, ao decidir não homologar as compensação pleiteada pela contribuinte com base em sua interpretação do artigo 10 da INSRF 600/05 efetuou uma aplicação retroativa de dispositivo fiscal restritivo ao direito do contribuinte. Isso não pode ser feito, seja em razão do que prevê Constituição ("a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a co a julgada; (...)" — art. 5º, XXXVI), seja em razão do Código Tributário Nacional em suas regras sobre vigência e aplicação da legislação tributária. [...] O artigo 105 do CTN, a propósito da aplicação da legislação tributária, prevê que a lei (nem sequer se refere a atos administrativos) se aplica imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes. Essa é a regra. A retroatividade é medida excepcional possível apenas nos casos do artigo 106 [...]. O artigo 10 da INSRF 600/05 e o anterior artigo 10 da INSRF 460/04 nada têm de expressamente interpretativos. Trazem novas normas, inexistentes anteriormente, tanto é assim que, como visto, foi prevista a entrada em vigor com a data da publicação das duas IN’s. Fossem interpretativas, isso deveria estar e expresso, nos termos do artigo 106, I, do CTN, inclusive na previsão da data da entrada e vigor das regras. Por fim, o Despacho Decisório da DRF/Recife ao aplicar retroativamente a INSRF 600/05, também contraria o artigo 146 do CTN [...]. O tratamento dado pelo Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 146 6 artigo 10 da INSRF 600/05 (originalmente contido no art. 10 da INSRF 460/04) é uma novidade antes inexistente no ordenamento jurídico, representando, por isso, uma modificação, introduzida de oficio, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa. Logo, só pode ser efetivada para o futuro. A conclusão que se chega é que a manifesta aplicação retroativa do artigo 10 da INSRF 600/05, pelo Despacho Decisório ora recorrido, contraria a legislação tributária, notadamente o CTN, em diversos de seus dispositivos. É mais uma razão, independente das demais, para concluir pela reforma do referido Despacho e a homologação da compensação realizada. III A Secretaria da Receita Federal aceita a compensação de IRPJ/CSLL recolhido indevidamente ou a maior nos meses posteriores Mesmo que se entenda que a Secretaria da Receita Federal poderia estabelecer a restrição contida no artigo 10 da Instrução Normativa n° 600/05, a interpretação adotada pela DRF/Recife a essa regra está equivocada. Com efeito, o Despacho Decisório não guarda consonância com a interpretação da própria Secretaria da Receita. O artigo 10 da INSRF 600/05, quando muito, impediria (contrariando a Lei n° 9.430/96) a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo dos meses do períodobase anual com outros tributos distintos deles próprios. Assim, não poderia haver compensação com a COFINS, a contribuição para o PIS ou IPI, por exemplo. Todavia, o IRPJ ou a CSLL eventualmente recolhidos indevidamente ou a maior poderiam ser compensados com eles próprios, em outros meses do mesmo períodobase anual. Entender de modo diverso levaria a uma espécie de empréstimo compulsório disfarçado: teria ocorrido um recolhimento indevido/equivocado, mas o contribuinte nada poderia fazer, se não aguardar o final do ano, para que tal recolhimento compusesse o IRPJ ou a CSLL de todo o ano, gerando um saldo negativo que poderia, então, ser restituído ou compensado. Tal compreensão, por absurda e assistemática, não pode prevalecer. A compensação do recolhimento de IRPJ ou CSLL indevido ou a maior pode ser feito ao menos com os valores desses mesmos tributos devidos nos meses seguintes, o que é vedado pela IN 600/05. Esse, inclusive, é o entendimento adotado pela Secretaria da Receita Federal. É o que se pode verificar da resposta A. pergunta n° 606, do "Perguntas & Respostas" relacionado ao contribuinte pessoa jurídica ("DIPJ 2006 — Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica"), constante do "site" desse órgão [...] impressão da página correspondente). Estes os termos da resposta, verbis: "606 Como pode ser compensada a parcela do imposto pago ou retido na fonte excedente ao apurado com base na estimativa no respectivo mês? No caso em que o valor retido na fonte sobre receitas que integraram a base de cálculo ou pago pelo contribuinte for maior que o imposto a ser pago no período de apuração mensal pela estimativa, a diferença a maior pode ser compensada com o imposto relativo aos períodos de apuração mensais subseqüentes. Ora, as compensações requeridas pela contribuinte, no presente processo, foram do valor recolhido a maior de IRPJ referente ao período de fevereiro de 2003, pago em março, com o IRPJ de agosto e setembro de 2003, ou seja, o que ocorreu Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 147 7 foi justamente um caso que a resposta transcrita procurou alcançar: IRPJ ou CSLL pago com uma diferença a maior, que pode ser compensada com o mesmo imposto ou contribuição relativo aos períodos de apuração mensais subseqüentes. A DRF/Recife, todavia, insurgiuse contra a própria orientação da Receita Federal contida em seu "site", por meio de informativo amplamente conhecido e que serve de parâmetro para os atos dos contribuintes, por conter o entendimento desse órgão. Bem se vê, portanto, que mesmo entendendose legal o artigo 10 da Instrução Normativa n° 600/05 — o que se admite para argumentar —, o Despacho Decisório proferido no presente processo não se sustenta e deve ser cancelado, para homologar essa compensação especifica realizada pela contribuinte. IV Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de fevereiro de 2003 recolhido a maior, haveria compensação com saldo negativo apurado ao final do ano Por fim, mesmo que se houvesse por bem discordar das razões postas até aqui (o que se admite novamente apenas para argumentar), existiria mais um motivo para dar provimento a esta Manifestação de Inconformidade, homologando a compensação realizada pela contribuinte. Conforme os termos do artigo 10 da INSRF 600/05, o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do ano somente podem ser utilizados [...]. Portanto, foi exatamente o que ocorreu, pois o IRPJ de fevereiro de 2003 recolhido a maior foi transformado em saldo negativo de IRPJ, informação essa, prestada na DIPJ, e, passível de compensação com qualquer tributo a partir do ano calendário subsequente, ou seja, janeiro do ano de 2004. Neste caso, haveria apenas um erro na informação, da origem do crédito, pois o saldo negativo apurado no final ao ano seria suficiente para suportar as compensações efetuadas. Possivelmente — o Despacho Decisório não contém nenhuma fundamentação e o Relatório de Informação Fiscal é bastante lacônico — tal decisão não foi adotada em parte em razão de a DRF/Recife julgar que a contribuinte, a, o final do ano, teria saldo negativo de IRPJ inferior ao apurado pela contribuinte. Assim teria concluído em razão de Auto de Infração lavrado em 2006, que deu origem ao já referido processo administrativo n° 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte sucedida pela TIM Nordeste S/A foi considerada indedutível. Isso teria alterado os resultados finais das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL dos anos envolvidos. Se assim for — e apenas na hipótese de se considerar improcedentes as razões anteriormente apresentadas, suficientes, por si sós, para levar ao provimento da presente Manifestação de Inconformidade — decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará a dependência do destino a ser dado ao referido processo n° 19647.009690/200699, após a Impugnação apresentada pela contribuinte. Se a decisão vier a ser pelo cancelamento do Auto de Infração, o provimento desta Manifestação de Inconformidade será um imperativo. Desse modo — insistase: somente na hipótese de discordância com as razões anteriormente expostas —, requerse que seja reformado o Despacho Decisório recorrido, homologando a compensação realizada, na medida em que seja dado provimento à Impugnação apresentada ao Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. V Indevida revisão de lançamento Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 148 8 Como relatado, o Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELEPISA Celular S/A). Segundo consta do Relatório de Informação Fiscal, referida revisão de oficio decorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação dotada pela solução de consulta interna n° 18. Essa solução de consulta, datada de 13.10.06, é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, continua o Relatório, a revisão de oficio seria indispensável [...]. Assim, foi apartado do processo administrativo ° 19647.009690/200699 parte do crédito tributário apurado nos Autos (alguns valore . de IRPJ, CSLL e de multa isolada de ambos os tributos, relacionados aos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal). Essa parte do crédito passaria a ser tratada nos processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Como decorrência desse desmembramento, a contribuinte foi intimada de 30 despachos decisórios (atinentes apenas à empresa sucedida TELEPISA), a maioria fruto de supostas compensações indevidas, com a cobrança s e valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Entretanto, o novo valor total exigido por intermédio dos 30 despachos decisórios recebidos pela contribuinte é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009691/200699. Portanto, concluise que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em 30 processos específicos diferentes. Tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN). [...] O lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei. No caso concreto houve afronta a esse dispositivo. Na constituição do crédito tributário original foram exigidos da contribuinte valores a título de principal (IRPJ e CSLL) e de multa isolada. Entretanto, face a revisão de oficio fruto de uma alteração de entendimento da própria Administração, a contribuinte é intimada da redução do crédito tributário em um processo administrativo já instaurado contra si, mas, em contrapartida, é surpreendida com o recebimento de 30 novos processos específicos diferentes com a cobrança de um valo total maior do que aquele que fora exonerado. O que ocorreu foi a migração de certos valores constantes em um processo para 30 outros processos, com um aumento de exigência total. Ou seja, a Administração Fiscal, ao rever os seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que nenhuma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Por esse prisma, é ilegal o procedimento da fiscalização. A alteração não se deu em razão da impugnação do sujeito passivo (que leva à diminuição do valor total da exigência), de recurso de oficio, ou mesmo por uma das hipóteses do artigo 149 do CTN, que justificassem a alteração no lançamento Como o próprio Relatório Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 149 9 deixa claro, a revisão se deu devido a uma alteração d procedimento com base em uma solução de consulta interna. Além da contrariedade aos artigos 145 e 149 do CTN, também restou violado o artigo 146. Com efeito, devido à solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, posterior aos Autos de Infração, de 09.10.06, foi introduzida de oficio uma modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. Em tal caso, tal modificação somente pode ser efetivada em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A DRF/Recife atentou contra o artigo 146 do CTN por pretender aplicar o novo critério jurídico — que representa um aumento na carga tributária global — para um contribuinte em relação a fatos geradores passados isso não ,pode ser aceito. Resta provado, por conseqüência, que não houve motivo, dentre aqueles previstos pelo CTN, para uma revisão do lançamento que aumente o valor total dos supostos débitos da contribuinte. Além disso, o artigo 146 não permite a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. Ao assim proceder, a DRF/Recife violou a legislação de regência. Tal situação leva à necessidade da anulação de todos os Despachos Decisórios recebido s pela contribuinte, para que em todos ocorra a homologação das compensações realizadas. VI Conclusão O Despacho Decisório proferido pela DRF/Recife deve ser reformado, homologandose integralmente a compensação realizada pois: a) A previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei. b) Quando da compensação realizada pela contribuinte a regra do artigo 10 da INSRF 600/05 ainda não existia. c) A Secretaria da Receita Federal aceita a compensação de IRPJ/CSLL recolhido indevidamente ou a maior com o débito desses mesmos tributos nos meses posteriores. d) Se a compensação do IRPJ de fevereiro de 2003 recolhido a maior não fosse realizada haveria aumento do saldo negativo ao final do ano, passível de ser compensado com outros débitos fiscais. e) O Despacho Decisório da DRF/Recife é fruto de uma revisão de ofício de lançamento realizado, que aumentou o valor total da exigência (quando são considerados todos os Despachos Decisórios proferidos pela DRF), o que configura uma violação ao artigo 149 do CTN. Por todos esses motivos, deve ser dado provimento à presente Manifestação de Inconformidade, para homologar integralmente as compensações realizadas pelo contribuinte. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 11 28.420, de 09.12.2009, fls. 8897: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 150 10 ESTIMATIVAS MENSAIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. NÃO CABIMENTO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que sofrer retenção a maior de imposto de renda sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto, ou efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido ao final do correspondente período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONAL1DADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 30.06.2010, fl. 100, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.07.2010, fls. 101118, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: Em outubro de 2006, a contribuinte recebeu Autos de Infração, de IRPJ e de CSLL, envolvendo diversas supostas infrações, que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Entre elas constavam os itens (6) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (7) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal. Tais exigências, porém, não foram devidamente fundamentadas, o que impedia a adequada defesa pela contribuinte. Em março de 2007, a Delegacia da Receita Federal em Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal [...]. Nele, os fiscais responsáveis informam que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual previa metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização. [...] Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 151 11 Por tal razão, foram excluídos do processo n° 19647.009690/200699 certos valores, que passariam a ser tratados em processos específicos, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem o recolhimento de IRPJ a maior em março de 2003. Por isso, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse valor recolhido a maior com débitos de IRPJ. A Delegacia da Receita Federal em Recife não homologou a compensação efetuada, com fundamento em outro Relatório de Informação Fiscal. Nesse breve Relatório, é afirmado que o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ a título de estimativa mensal, efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. Entretanto, conforme o artigo 10 da Instrução Normativa n° 600, de 28.12.05, da Secretaria da Receita Federal, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o prejuízo fiscal do período. Desse modo, o crédito da contribuinte, referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, não poderia ser utilizálo como crédito em DCOMP. Assim, o direito creditório pleiteado foi considerado inexistente e a compensação não foi homologada. Apresentada a competente manifestação de inconformidade, houve por bem a DRJ não homologar a compensação efetuada, ratificando o procedimento da DRF/Recife de cobrar os débitos. Entretanto, a exigência fiscal em tela não pode subsistir, devendo ser integralmente cancelada. É o que se passa a demonstrar. I – A premissa adotada pela DRJ implica a apuração de saldo negativo de IRPJ pelo contribuinte em 2003, passível de compensação com os débitos Preliminarmente, a despeito dos termos do Relatório de Informação Fiscal anteriormente transcrito (datado de 13.12.2006), tornase necessário ressaltar o entendimento adotado pela DRJ, que refuta qualquer influência do processo administrativo no 19647.009690/200699 no presente pleito de compensação. Aceitandose essa premissa — ausência de vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699 — o julgador administrativo, necessariamente, deverá analisar o presente litígio, aceitando o saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 899.434,30 apurado pela contribuinte no anocalendário de 2003 (conforme a ficha 12A da DIPJ/2004 [...]. Isso porque, de acordo com o posicionamento adotado pela DRJ, não existe qualquer influência decorrente do processo administrativo n° 19647.009690/200699 na apuração do IRPJ 1 do anocalendário de 2003 e que, eventualmente, pudesse alterar o saldo negativo apurado. Assim, a apuração do saldo negativo de IRPJ, devidamente escriturado na DIPJ do período, é fato que não pode ser contraditado pelo julgador administrativo, cujo montante é passível de compensação com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 152 12 No caso concreto, portanto, percebese a licitude do procedimento efetuado pela contribuinte, que utilizou apenas parte do saldo negativo de IRPJ de 2003 para compensar com os débitos em questão. Por outro lado, no que se refere aos óbices opostos pela Fiscalização para a compensação ora em análise, os mesmos não podem prosperar, sendo fruto de uma interpretação equivocada da legislação. Senão vejamos. II Previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei [...] Tal regra — segundo a interpretação dada pela DRF/Recife — limitaria a possibilidade de compensação de créditos fiscais do contribuinte, ao prever que certos recolhimentos indevidos ou a maior de 1RPJ ou de CSLL só poderiam ler uma certa utilização. Com isso, o artigo 10 teria vedado o direito do contribuinte de compensar certos valores de IRPJ e de CSLL recolhidos a maior. Tais valores apenas poderiam ser utilizados para deduzir o IRPJ ou a CSLL devidos ao final do período/de apuração ou para compor o saldo negativo do período desses tributos. Ocorre que a Lei n° 9.430/96, na qual a IN deveria se basear, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos não fez tal restrição. Bem ao inverso, ela prevê de forma genérica o direito de compensação, conforme se verifica do "caput" de seu artigo 74 [...]. Se o contribuinte apurou crédito fiscal, o que ocorre quando há o recolhimento indevido ou a maior de tributo, ele pode utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios. O mesmo artigo 74 previu os casos em que a compensação não poderia ser realizada. Assim, entre outras hipóteses previstas no § 3º, consta que o saldo a restituir apurado na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física não pode ser compensado com outros tributos devidos pelo contribuinte. O § 12 do artigo 74 também previu as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada, entre as quais estavam aquelas em que o crédito do Contribuinte refirase a crédito prêmio de IPI ou que seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Percebese, então, que o legislador concedeu um direito genérico de compensação de tributos recolhidos a maior ou indevidamente pelo contribuinte e já estabeleceu os casos em que tal direito era vedado. Contudo, não proibiu a compensação do IRPJ e e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos. Nesse cenário, a Secretaria da Receita Federal não poderia criar restrições e proibições não previstas na Lei. Ela poderia apenas regulamentar os procedimentos para I exercício dos direitos previstos na Lei. Daí a previsão do § 14 do mesmo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 [...]. Disciplinar os direito previstos em lei não leva à permissão para restringilos, vedálos, mas tãosomente estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior. Dessa maneira, a questão que remanesce é apenas se o IRPJ e a CSLL recolhidos a longo do ano podem se qualificar como tributo indevido ou recolhido a maior. A resposta, indubitavelmente, deve ser afirmativa. Tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido recolhido com base em tais regras, estará configurada a situação de recolhimento indevido ou a maior. Isso é uma decorrência do sistema de tributação do IRPJ e da CSLL. É o que ocorre, por exemplo, em razão da retenção de imposto sobre a renda na fonte — Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 153 13 IRRF. Como a retenção ocorre independentemente do total de lucro — estimado, real ou presumido —apurado no período, pode ocorrer que o IR recolhido por meio da retenção na fonte supere o valor que deveria ser recolhido com base no lucro estimado, real ou presumido. Podese imaginar que o legislador poderia ter estabelecido uma regra especial para essa situação peculiar, de configurarse um recolhimento a maior de tributo sem que todo o seu período de apuração tenha transcorrido. No entanto, se ele não o fez, a Secretaria da Receita Federal, por meio de uma instrução normativa, não pode fazêlo. Ademais, não se deve alegar, como fez o acórdão recorrido, que se trata de arguição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas insertas no ordenamento jurídico, o que impediria a DRJ de apreciar os argumentos apresentados. No caso em tela, impõese a apreciação da questão, pois, diferentemente do entendimento exposto pela DRJ, esta envolve apenas a impossibilidade de mera Instrução Normativa inovar na ordem jurídica, estipulando vedações não previstas em lei. A DRJ tergiversa sobre o assunto e afirma que o disposto no artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 guarda consonância com o quanto disciplinado por atos infra legais. Equivocase a DRJ. Em primeiro lugar, devese esclarecer que o dispositivo legal que disciplina a compensação de tributos administrados pela atual RFB é o art. 74 da Lei nº 9.430/96 e não os dispositivo citados pela DRJ, que tratam da forma de pagamento apuração do imposto calculado por estimativa. Ora, conforme já demonstrado, nos termos do art. 74 da Lei no 9.430/96, podem ser compensados os tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, passíveis de restituição ou de ressarcimento. Assim, o procedimento adotado pela contribuinte guarda consonância também com o quanto disciplinado pelos citados atos infralegais, na medida em que houve o recolhimento a maior de IRPJ em março de 2003 (portanto, passível de restituição) e que foi compensado com débitos de IRPJ. Ou seja, os citados dispositivos infralegais, quando interpretados em conjunto com o art. 74 da Lei n° 9.430/96, como devem sêlo, ao invés de serem contrários ao procedimento efetuado pela contribuinte, na verdade o corrobora, reafirmando a impossibilidade de a Administração Fiscal restringir o direito de compensação ora em comento com base em mera instrução normativa da antiga da SRF (atual RFB). Em síntese, o artigo 10 da INSRF 600/05 não poderia ter estabelecido uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse previsto em lei. Apenas por tal razão, o Despacho Decisório da DRF/Recife já deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação realizada pela contribuinte. No entanto, ainda há mais. III A Secretaria da Receita Federal aceita a compensação de IRPJ/CSLL recolhido indevidamente ou a maior nos meses posteriores Mesmo que se entenda que a Secretaria da Receita Federal poderia estabelecer a restrição contida no artigo 10 da Instrução Normativa no 600/05, a interpretação adotada pela DRF/Recife a essa regra está equivocada. Com efeito, o Despacho Decisório não guarda consonância com a interpretação da própria Secretaria da Receita Federal. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 154 14 O artigo 10 da INSRF 600/05, quando muito, impediria (contrariando a Lei no 9.430/96) a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo dos meses do período base anual com outros tributos distintos deles próprios. Assim, não poderia haver compensação com a COFINS, a contribuição para o PIS ou IPI, por exemplo. Todavia, o IRPJ ou a CSLL eventualmente recolhidos indevidamente ou a maior poderiam ser compensados com eles próprios, em outros meses do mesmo período base anual. Entender de modo diverso levaria a uma espécie de empréstimo compulsório disfarçado: teria ocorrido um recolhimento indevido/equivocado, mas o contribuinte nada poderia fazer, se não aguardar o final do ano, para que tal recolhimento compusesse o IRPJ ou a CSLL de todo o ano, gerando um saldo negativo que poderia, então, ser restituído ou compensado. Tal compreensão, por absurda e assistemática, não pode prevalecer. A compensação do recolhimento de IRPJ ou CSLL indevido ou a maior pode ser feito ao menos com os valores desses mesmos tributos devidos nos meses seguintes, o que é vedado pela IN 600/05. Esse, inclusive, é o entendimento adotado pela Secretaria da Receita Federal. É o que se pode verificar da resposta à pergunta n° 606, do "Perguntas & Respostas" relacionado ao contribuinte pessoa jurídica ("DIPJ 2006 — Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica"), constante do "site" desse órgão. Estes os termos da resposta, verbis: "606 Como pode ser compensada a parcela do imposto pago ou retido na fonte excedente ao apurado com base na estimativa no respectivo mês? No caso em que o valor retido na fonte sobre receitas que integraram a base de cálculo ou pago pelo contribuinte for maior que o imposto a ser pago no período de apuração mensal pela estimativa, a diferença a maior pode ser compensada com o imposto relativo aos períodos de apuração mensais subseqüentes. Ora, as compensações requeridas pela contribuinte, no presente processo, foram do valor recolhido a maior de IRPJ referente ao período de fevereiro de 2003, pago em março, com o IRPJ de agosto e setembro de 2003, ou seja, o que ocorreu foi justamente um caso que a resposta transcrita procurou alcançar: IRPJ ou CSLL pago com uma diferença a maior, que pode ser compensada com o mesmo imposto ou contribuição relativo aos períodos de apuração mensais subseqüentes. A DRF/Recife, todavia, insurgiuse contra a própria orientação da Receita Federal contida em seu "site", por meio de informativo amplamente conhecido e que serve de parâmetro para os atos dos contribuintes, por conter o entendimento desse órgão. Bem se vê, portanto, que mesmo entendendose legal o artigo 10 da Instrução Normativa n° 600/05 — o que se admite para argumentar —, o Despacho Decisório proferido no presente processo não se sustenta e deve ser cancelado, para homologar essa compensação especifica realizada pela contribuinte. IV Quando da compensação realizada pela contribuinte a regra do artigo 10 da INSRF 600/05 ainda não existia Mesmo que, por absurdo, se entenda legal o artigo 10 da INSRF 600/05, ainda assim o Despacho Decisório deve ser reformado. A.sim é porque, quando da Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 155 15 compensação realizada pela contribuinte, ainda não existia, no Ordenamento jurídico nacional, a regra estabelecida no referido artigo 10. De fato, a INSRF 600/05 é datada de 28.12.05. Antes dela, a Instrução Normativa anterior sobre o tema de restituição e compensação de tributos — IN SRF 460/04 — trazia regra semelhante igualmente no artigo 10. Essa IN é datada de 18.10.04. No entanto, as mais antigas, INSRF 210/02 e INSRF 21/97, não traziam uma norma nos termos do artigo 10. Ora, a contribuinte realizou as compensações objeto do presente processo em dezembro de 2003 e janeiro de 2004, quando vigia a INSRF 210/02 que, como visto, não previa a restrição ao direito de compensação do contribuinte trazida pela INSRF 460, no ano de 2004, e repetido no artigo 10 da INSRF 600/05. A DRF/Recife, portanto, ao decidir não homologar as compensação pleiteada pela contribuinte com base em sua interpretação do artigo 10 da INSRF 600/05 efetuou uma aplicação retroativa de dispositivo fiscal restritivo ao direito do contribuinte. Isso não pode ser feito, seja em razão do que prevê Constituição ("a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a co a julgada; (...)" — art. 5º, XXXVI), seja em razão do Código Tributário Nacional em suas regras sobre vigência e aplicação da legislação tributária. [...] O artigo 105 do CTN, a propósito da aplicação da legislação tributária, prevê que a lei (nem sequer se refere a atos administrativos) se aplica imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes. Essa é a regra. A retroatividade é medida excepcional possível apenas nos casos do art go 106 [...]. O artigo 10 da INSRF 600/05 e o anterior artigo 10 da INSRF 460/04 nada têm de expressamente interpretativos. Trazem novas normas, inexistentes anteriormente, tanto é assim que, como visto, foi prevista a entrada em vigor com a data da publicação das duas INs. Fossem interpretativas, isso deveria estar e expresso, nos termos do artigo 106, I, do CTN, inclusive na previsão da data da entrada e vigor das regras. Por fim, o Despacho Decisório da DRF/Recife ao aplicar retroativamente a INSRF 600/05, também contraria o artigo 146 do CTN [...] O tratamento dado pelo artigo 10 da INSRF 600/05 (origina1mentt contido no art. 10 da INSRF 460/04) é uma novidade antes inexistente no ordenamento jurídico, representando, por isso, 1 uma modificação, introduzida de oficio, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa. Logo, só pode ser efetivada para o futuro. A conclusão que se chega é que a manifesta aplicação retroativa do artigo 10 da INSRF 600/05, pelo Despacho Decisório ora recorrido, contraria a legislação tributária, notadamente o CTN, em diversos de seus dispositivos. É mais uma razão, independente das demais, para concluir pela reforma do referido Despacho e a homologação da compensação realizada. V Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de fevereiro de 2003 recolhido a maior, haveria compensação com saldo negativo apurado ao final do ano Mesmo que se houvesse por bem discordar de todas as razões postas até aqui (o que se admite novamente apenas para argumentar), existiria mais um motivo para dar provimento ao pleito da contribuinte, homologando as compensações por ela realizadas. Ora, o IRPJ de fevereiro de 2003 recolhido a maior foi utilizado, como já visto, em compensação com débito de IRPJ. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 156 16 A decisão proferida pela DRF/Recife é arbitrária, pois, à partir dos termos do artigo 10 da INSRF 600/05, o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do ano somente podem ser utilizados ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. No máximo, portanto, haveria uma antecipação na utilização de um direito de crédito previsto pelo próprio artigo 10 da IN SRF nº 600/05, pois o IRPJ de fevereiro de 2003 recolhido a maior transformarseia em saldo negativo, passível de compensação com qualquer tributo a partir do final desse ano. Com a devida vênia, o indeferimento procedido pela DRJ não pode prosperar, tendo em vista que não pode ser negado um direito de crédito que se materializou no tempo. Ademais, o que importa é o reconhecimento de que aquela parcela tratada como um recolhimento a maior na escrituração fiscal do contribuinte em determinado período veio a se confirmar como um indébito no futuro (saldo negativo de IRPJ), a materializar um efetivo direito de crédito. Isso leva à conclusão de que é irrelevante o fato do crédito de IRPJ ter sido utilizado antes do encerramento do anocalendário de 2003, se o recolhimento se revelar efetivamente a maior ao final do período de apuração. VI Da vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699 A DRJ refuta a existência de qualquer vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699. Assim, o presente argumento, bem como o seguinte, sustentase apenas na hipótese desse Conselho de Contribuintes entender de forma contrária e confirmar a vinculação entre os processos. Com efeito, a decisão pelo reconhecimento de que ao final do anocalendário de 2003 houve recolhimento a maior de IRPJ, passível de compensação com os débitos em questão, não foi adotada em parte em razão da DRF/Recife julgar que a contribuinte, ao final do ano, não teria saldo negativo de IRPJ. Assim teria concluído em razão de Auto de Infração lavrado em 2006, que deu origem ao já referido processo administrativo n° 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte sucedida pela TIM Nordeste S/A foi considerada indedutível. Isso teria alterado os resultados finais das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL dos anos envolvidos. Se assim for — e apenas na hipótese de se considerar improcedentes as razões anteriormente apresentadas, suficientes, por si sós, para levar ao provimento do presente recurso —, a decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará na dependência do destino a ser dado ao referido processo n° 19647.009690/200699, após a defesa administrativa apresentada pela contribuinte (o recurso voluntário já foi apresentado em 20 de novembro p.p. e aguarda julgamento no Conselho de Contribuintes). Se a decisão vier a ser pelo cancelamento do Auto de Infração, o provimento deste recurso voluntário será um imperativo. Desse modo, requerse que seja reformada a decisão recorrida, homologando a compensação realizada, na medida em que seja dado provimento à defesa ad/ninistrativa apresentada ao Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Quando menos, a cobrança decorrente do Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 157 17 presente pleito de compensação deverá ficar sobrestada até a decisão final a ser proferida no processo administrativo n° 19647.00690/200699. VII Indevida revisão de lançamento Como relatado, o Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELEPISA Celular S/A). Conforme já demonstrado com a transcrição de trecho do Relatório de Informação Fiscal [...], referida revisão de oficio decorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação dotada pela Solução de Consulta Interna n° 18. Essa Solução de Consulta, datada de 13.10.06, é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, continua o Relatório, a revisão de oficio seria indispensável [...]. Assim, foi apartado do processo administrativo 19647.009690/200699 parte do crédito tributário apurado nos Autos (alguns valores de IRPJ, CSLL e de multa isolada de ambos os tributos, relacionados aos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal). Essa parte do crédito passaria a ser tratada nos processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Como decorrência desse desmembramento, a contribuinte foi intimada de 30 despachos decisórios (atinentes apenas à empresa sucedida TELEPISA), a maioria fruto de supostas compensações indevidas, com a cobrança s e valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Entretanto, o novo valor total exigido por intermédio dos 30 despachos decisórios recebidos pela contribuinte é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009691/200699. De fato, o valor apartado do processo administrativo n° 19647.009690/2006 99 é de R$4.229.642,21, em relação à Telepisa, conforme quadro resumo constante do Relatório de Informação Fiscal [...]. Já o valor total exigido pelos despachos decisórios recebidos para contribuinte é de R$5.719.025,18 (conforme planilha preparada pela contribuinte [...]. Portanto, concluise que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em 30 processos específicos diferentes. Tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN). [...] O lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei. No caso concreto houve afronta a esse dispositivo. Na constituição do crédito tributário original foram exigidos da contribuinte valores a título de principal (IRPJ e CSLL) e de multa isolada. Entretanto, face a revisão de oficio fruto de uma alteração de entendimento da própria Administração, a contribuinte é intimada da redução do crédito tributário em um processo administrativo já instaurado contra si, mas, em contrapartida, é surpreendida com o recebimento de 30 novos processos específicos diferentes com a cobrança de um valo total maior do que aquele que fora Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 158 18 exonerado. O que ocorreu foi a migração de certos valores constantes em um processo para 30 outros processos, com um aumento de exigência total. Ou seja, a Administração Fiscal, ao rever os seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que nenhuma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Por esse prisma, é ilegal o procedimento da fiscalização. A alteração não se deu em, razão da impugnação do sujeito passivo (que leva à diminuição do valor total da exigência), de recurso de oficio, ou mesmo por uma das hipóteses do artigo 149 do CTN, que justificassem a alteração no lançamento Como o próprio Relatório deixa claro, a revisão se deu devido a uma alteração d procedimento com base em uma solução de consulta interna. Além da contrariedade aos artigos 145 e 149 do CTN, também restou violado o artigo 146. Com efeito, devido à solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, posterior aos Autos de Infração, de 09.10.06, foi introduzida de oficio uma modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. Em tal caso, tal modificação somente pode ser efetivada em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A DRJ não se manifestou sobre o assunto, pois supostamente ele seria pertinente a um outro processo administrativo não interferindo na presente lide. Tratase, entretanto, de alegação que não enfrenta o cerne da questão. Conforme já comentado, a ora recorrente teve auto de infração lavrado contra si, em 2006, por intermédio do qual foram feitas cobranças relacionadas as compensações realizadas pela empresa sucedida pela Recorrente. Após, tais valores foram excluído do PA derivado do AI e transferidos para o presente processo. [...] Ademais, existe uma pertinência lógica entre os fatos (atos cronologicamente concatenados), a comprovar a vinculação entre os processos: as declarações de compensação foram transmitidas em 2003 e 2004 e, posteriormente, em 2006, houve a lavratura do auto de infração do ágio, o que acarretou o indeferimento das compensações efetuada (os despachos decisórios são datados de 2007). Assim, demonstrase a fragilidade do argumento da DRJ, que não enfrenta o mérito da questão. Resta provado, por conseqüência, que não houve motivo, dentre aqueles previsto pelo CTN, para uma revisão do lançamento que aumente o valor total dos supostos débitos da contribuinte. Além disso, o artigo 146 não permite a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. Ao assim proceder, a DRF/Recife violou a legislação de regência. Tal situação, leva à necessidade da anulação de todos os Despachos Decisórios recebidos pela contribuinte, para que em todos ocorra a homologação das compensações realizadas. VIII Conclusão Ante todo o exposto, o Despacho Decisório proferido pela DRF/Recife deve ser reformado, homologandose integralmente as compensações realizadas. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 159 19 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Preliminarmente, tem cabimento examinar a alegação da Recorrente de que há nexo de causalidade entre o processo nº 19647.009690/200699 de formalização dos Autos de Infração de IRPJ e de CSLL dos anos calendário de 2001 a 2004 e os presentes autos. O instituto da conexão está originalmente previsto no Código de Processo Civil, que prevê: Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Há conexão pelo objeto quando existe identidade de pedido mediato, ou seja, afirmação de um direito, que é o bem da vida pleiteado em dois ou mais processos. O objeto é o pedido, a pretensão material deduzida pelo sujeito passivo. Por outro lado, são conexos pela causa de pedir, dois ou mais processos, quando lhes são comuns os fundamentos de fato e de direito. A causa de pedir constitui premissa para o correto entendimento do pedido e deve estar com ela correlacionada em circunstância de causa e efeito. Surge portanto a necessidade da narração dos fatos e da fundamentação jurídica das situações que ocorreram em determinado período de tempo causando determinadas consequências jurídicas e que foram projetados para o processo. Sobre a matéria, o Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, prevê: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. [...]. Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...]. § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 160 20 apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (grifos acrescentados) Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consultando o eprocesso, temse que contra a Tim Nordeste S/A foram formalizados, no processo nº19647.009690/200699, os Autos de Infração de IRPJ e de CSLL, fls. 424463 (numeração daquele processo), referentes aos anoscalendário de 2001 a 2004, que se encontram pendentes de julgamento na 2ª TO/4ª Câmara/1ª Sejul/CARF1. Ressaltese que a referida pessoa jurídica é decorrente da incorporação da Telasa Celular S/A, da Teleceará Celular S/A, da Telern Celular S/A, da Telepisa Celular S/A, da Telpa Celular S/A e da Telpe Celular S/A, de acordo com o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 482538 (numeração daquele processo). Ainda, naquele processo em que foram apuradas infrações consolidadas e acompanhadas com demonstrativos referentes a cada pessoa jurídica incorporada, também foram analisados todos os fatos que as circunstanciam, inclusive os créditos utilizados para extinção de débitos mediante Per/DComp da Telepisa Celular S/A, em conformidade com as Tabelas abaixo. Tabela 1 Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo do IRPJ Valor Declarado pelo Contribuinte no Lalur [R$] Infrações Apuradas [Antes da] Base de Cálculo [R$] Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do IRPJ Lucro Real Falta de Adição de Despesa Não Dedutível no Mês (Ágio Amortizável) Exclusão Indevida no Mês Lalur Base de Cálculo do IRPJ – Lucro Real Apurado [AnoCalendário 2001] Jan 786.291,52 335.741,71 22.481,46 1.144.514,69 Fev 191.119,93 335.741,71 22.481,46 907.566,27 Mar (178.575,67) 335.741,71 22.481,46 896.093,84 Abr (165.474,45) 335.741,71 22.481,46 1.267.418,23 Mai (73.922,84) 335.741,71 22.481,46 1.717.193,01 Jun 4.261.866,50 335.741,71 22.481,46 6.411.205,52 Jul 4.857.980,09 335.741,71 22.481,46 7.365.542,28 Ago 5.580.128,09 335.741,71 22.481,46 8.445.913,45 Set 7.007.956,00 335.741,71 22.481,46 10.231.964,53 Out 7.367.257,71 335.741,71 22.481,46 10.949.489,41 Nov 7.837.703,15 335.741,71 22.481,46 11.778.158,02 Dez 8.112.338,49 335.741,71 22.481,46 12.411.016,52 [AnoCalendário 2002] Jan 955.208,37 335.741,71 0,00 1.290.950,08 Fev 1.760.501,67 335.741,71 0,00 2.431.985,09 1 Disponível em:<http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInformacoesProces suais.jsf>. Acesso em: 21 afo. 2014. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 161 21 Mar 3.419.408,04 335.741,71 0,00 4.426.633,17 Abr 5.079.913,49 335.741,71 0,00 6.422.880,33 Mai 5.879.703,00 335.741,71 0,00 7.558.411,55 Jun 6.821.350,46 335.741,71 0,00 8.835.800,72 Jul 7.071,087,19 335.741,71 0,00 9.421.279,16 Ago 8.289.119,81 335.741,71 0,00 10.975.053,49 Set 10.376.058,39 335.741,71 0,00 13.397.733,78 Out 11.874,638,12 335.741,71 0,00 15.232.055,22 Nov 13.705.322,14 335.741,71 0,00 17.398.480,95 Dez 12.377.422,05 335.741,71 269.777,51 16.676.100,08 [AnoCalendário 2003] Jan 1.232,501,24 335.741,71 22.481,46 1.590.724,41 Fev 2.225.713,41 335.741,71 22.481,46 2.942.159,75 Mar 3.643,483,71 335.741,71 22.481,46 4.718.153,22 Abr 4.468.895,52 335.741,71 22.481,46 5.901.788,20 Mai 5.465.943,78 335.741,71 22.481,46 7.257.059,63 Jun 6.250.062,16 335.741,71 22.481,46 8.399.401,18 Jul 7.862.905,69 335.741,71 22.481,46 10.370.463,88 Ago 8.468.686,75 335.741,71 22.481,46 11.334.472,11 Set 9.851.955,08 335.741,71 22.481,46 13.075.963,61 Out 11.583.674,57 335.741,71 22.481,46 15.165.906,27 Nov 15.933,181,74 335.741,71 22.481,46 19.873.636,61 Dez 13.183.531,88 335.741,71 22.481,46 17.482.209,92 Notas : Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 972974 (eprocesso) Tabela 2 Demonstrativo do IRPJ e da Multa pelo Não Recolhimento da Estimativa Mensal Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do IRPJ – Lucro Real Apurado [A] IRPJ Devido [B] [IRPJ Estimativa Declarado pela Contribuinte Considerada De Ofício] [C] Multa Por Não Recolhimento da Estimativa [D=(BC)*50%] [AnoCalendário 2001] Jan 1.144.514,69 284.128,67 204.524,82 39.801,93 Fev 907.566,27 (61.237,10) 0,00 0,00 Mar 896.093,84 (66.105,21) 0,00 0,00 Abr 1.267.418,23 24.725,88 0,00 12.362,94 Mai 1.717.193,01 110.443,70 0,00 55.221,85 Jun 6.411.205,52 1.171.503,13 882.664,00 144.419,57 Jul 7.365.542,28 236.584,19 152.648,76 41.967,72 Ago 8.445.913,45 268.092,80 184.157,36 41.967,72 Set 10.231.964,53 444.512,76 397.518,30 23.497,23 Out 10.949.489,41 177.381,22 93.445,79 41.967,72 Nov 11.778.158,02 205.167,15 121.231,72 41.967,72 Dez 12.411.016,52 156.214,63 72.210,24 42.002,20 [AnoCalendário 2002] Jan 1.290.950,08 216.388,79 216.388,79 0,00 Fev 2.431.985,09 188.603,43 188.603,43 0,00 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 162 22 Mar 4.426.633,17 373.530,32 373.530,32 0,00 Abr 6.422.880,33 344.420,46 344.420,46 0,00 Mai 7.558.411,55 167.101,96 167.101,96 0,00 Jun 8.835.800,72 52.372,61 52.372,61 0,00 Jul 9.421.279,16 56.492,06 56.492,06 0,00 Ago 10.975.053,49 192.506,71 192.506,71 0,00 Set 13.397.733,78 358.272,43 358.272,43 0,00 Out 15.232.055,22 312.504,31 312.504,31 0,00 Nov 17.398.480,95 317.084,92 317.084,92 0,00 Dez 16.676.100,08 0,00 0,00 0,00 [AnoCalendário 2003] Jan 1.590.724,41 261.919,05 (261.919,05) 0,00 Fev 2.942.159,75 245.837,00 245.837,00 0,00 Mar 4.718.153,22 251.508,73 251.508,73 0,00 Abr 5.901.788,20 236.002,13 209.689,47 17.156,33 Mai 7.257.059,63 241.400,21 (44.744,88) 98.327,67 Jun 8.399.401,18 85.299,68 0,00 42.649,84 Jul 10.370.463,88 258.707,57 0,00 129.353,79 Ago 11.334.472,11 216.958,14 (5.425,48) 105.766,33 Set 13.075.963,61 289.086,21 (97.716,79) 95.684,71 Out 15.165.906,27 383.621,88 0,00 191.810,94 Nov 19.873.636,61 623.326,70 (245.124;,60) 189.101,05 Dez 17.482.209,92 (675.468,67) 0,00 0,00 Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10041010 (eprocesso) Tabela 3 Demonstrativo do Saldo a Pagar de IRPJ Descrição AnoCalendário 2001 AnoCalendário 2002 AnoCalendário 2003 IRPJ Devido 3.078.754,13 4.145.025,02 4.346.552,48 () Incentivos Ficais (0,00) (1.838.659,44) (1.928.353,85) () IRRF (0,00) (52.745,51) (168.659,61) () IRPJ Determinado sobre a Base de Cálculo Estimada (1.506.106,02) (2.579.278,00) (1.361.966,00) (=) IRPJ a Pagar Calculado de Ofício 1.572.648,11 (325.657,93) 887.573,02 IRPJ Declarado (DCTF) 0,00 0,00 0,00 IRPJ a Restituir Glosado (67.375,42) (2.303.180,35) (899.434,37) Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10041010 (eprocesso) Tabela 4 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a IRPJ Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2001] Saldo Negativo 19542.92958.221203.1.3.023306 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2002] 23436.76063.221203.1.7.023999 Compensação Admitida Totalmente Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 163 23 18426.59977.261203.1.3.029710 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$14.506,65 [AnoCalendário 2003] 17015.64529.251104.1.3.026930 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Saldo Negativo 06862.83890. 151204.1.3.028699 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10161061 (eprocesso) Tabela 5 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a IRPJ Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Pagamento a Maior de IRPJ Determinado Sobre a Base de Cálculo Estimada Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2002] 21225.67935.291203.1.3.047407 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$67.046,91 Janeiro 32706.28238.150104.1.3.040130 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Fevereiro 32208.16963.150104.1.3.048068 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$166.356,90 20526.53890.150104.1.3.040956 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$12.825,71 25933.61227.290104.1.3.042601 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Março 11479.90392.130204.1.3.040761 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 30792.09958.130204.1.3.049400 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$29.710,44 Abril 37661.02703.250204.1.3.045331 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 40686.21854.250204.1.3.04 2061 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$83.632,96) Maio 08799.47925.120304.1.3.049770 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Junho 19229.48833. 120304.1.3.046328 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$83.632,96 Julho 01020.51908.120304.1.3.049703 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Agosto 35683.30933.120304.1.3.048676 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$234.310,91 Setembro 32497.99089.120304.1.3.041202 Compensação Admitida Totalmente Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 164 24 03378.18349.140404.1.3.042791 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$148.899,04 34345.60137.140404.1.3.046200 Compensação Admitida Totalmente Outubro 26001.93432.111104.1.3.040208 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$147.434,15 Novembro 02424.80411.111104.1.3.042461 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$10.785,31 [AnoCalendário 2003] 05649.33488.300104.1.3.049906 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$73.339,12 Janeiro 22301.19695.300104.1.3.042420 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 32105.03389.300104.1.3.040477 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$103.647,82 Fevereiro 01316.48575.300104.1.3.048740 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 13938.02879.300104.1.3.04 6325 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$28.046,84 Março 35705.65852.300104.1.3.046240 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 40787.06362.300104.1.3.045692 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Abril 21453. 03816.151204.1.3.040941 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10161061 (eprocesso) Tabela 6 Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo da CSLL Valor Declarado pelo Contribuinte no Lalur [R$] Infrações Apuradas [Antes da] Base de Cálculo [R$] Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo da CSLL Lucro Real Falta de Adição de Despesa Não Dedutível no Mês (Ágio Amortizável) Exclusão Indevida no Mês Lalur Base de Cálculo do CSLL Apurada [AnoCalendário 2001] Jan 788.991,48 335.741,71 19.781,50 1.144.514,69 Fev 196.519,85 335.741,71 19.781,50 907.566,27 Mar (170.475,79) 335.741,71 19.781,50 896.093,84 Abr (154.674,61) 335.741,71 19.781,50 1.267.418,23 Mai (60.423,04) 335.741,71 19.781,50 1.717.193,01 Jun 4.278.066,26 335.741,71 19.781,50 6.411.205,52 Jul 4.876.879,81 335.741,71 19.781,50 7.365.542,28 Ago 5.601.727,77 335.741,71 19.781,50 8.445.913,45 Set 7.032.255,64 335.741,71 19.781,50 10.231.964,53 Out 7.394.257,31 335.741,71 19.781,50 10.949.489,41 Nov 7.867.402;71 335.741,71 19.781,50 11.778.158,02 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 165 25 Dez 8144.738,05 335.741,71 19.781,50 12.411.016,52 [AnoCalendário 2002] Jan 955.208,37 335.741,71 0,00 1.290.950,08 Fev 1.760.501,67 335.741,71 0,00 2.431.985,09 Mar 3.419.408,04 335.741,71 0,00 4.426.633,17 Abr 5.079.913,49 335.741,71 0,00 6.422.880,33 Mai 5.879.703,00 335.741,71 0,00 7.558.411,55 Jun 6.821.350,46 335.741,71 0,00 8.835.800,72 Jul 7.071,087,19 335.741,71 0,00 9.421.279,16 Ago 8.289.119,81 335.741,71 0,00 10.975.053,49 Set 10.376.058,39 335.741,71 0,00 13.397.733,78 Out 11.874,638,12 335.741,71 0,00 15.232.055,22 Nov 13.705.322,14 335.741,71 0,00 17.398.480,95 Dez 12.409.821,61 335.741,71 237.377,95 16.676.100,08 [AnoCalendário 2003] Jan 1.235.201,20 335.741,71 19.781,50 1.590.724,41 Fev 2.231.113,33 335.741,71 19.781,50 2.942.159,75 Mar 3.651.583,59 335.741,71 19.781,50 4.718.153,22 Abr 4.479.695,36 335.741,71 19.781,50 5.901.788,20 Mai 5.479.443,58 335.741,71 19.781,50 7.257.059,63 Jun 6.266.261,92 335.741,71 19.781,50 8.399.401,18 Jul 7.881.805,41 335.741,71 19.781,50 10.370.463,88 Ago 8.490.266,43 335.741,71 19.781,50 11.334.472,11 Set 9.876.254,72 335.741,71 19.781,50 13.075.963,61 Out 11,610.674,17 335.741,71 19.781,50 15.165.906,27 Nov 15.962.881,30 335.741,71 19.781,50 19.873.636,61 Dez 13.215.931,40 335.741,71 19.781,50 17.482.209,92 Notas : Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10811083 (eprocesso) Tabela 7 Demonstrativo da CSLL e da Multa pelo Não Recolhimento da Estimativa Mensal Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do CSLL Apurada [A] CSLL Devida [B] [CSLL Estimativa Declarado pela Contribuinte Considerada De Ofício] [C] Multa Por Não Recolhimento da Estimativa [D=(BC)*50%] [AnoCalendário 2001] Jan 1.144.514,69 103.006,32 74.348,94 14.328,69 Fev 907.566,27 (21.325,36) 0,00 0,00 Mar 896.093,84 (22.357,87) 0,00 0,00 Abr 1.267.418,23 11 .061,32 0,00 5.530,66 Mai 1.717.193,01 11.061,32 0,00 20.239,87 Jun 6.411.205,52 422.461,13 29.817,77 196.321,68 Jul 7.365.542,28 85.89031 55.673,56 15.108,38 Ago 8.445.913,45 97.233,40 34.296,34 31.468,53 Set 10.231.964,53 160.744,60 13.171,44 73.786,58 Out 10.949.489,41 64.577,21 0,00 32.288,62 Nov 11.778.158,02 74.580,17 30.627,27 21.976,45 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 166 26 Dez 12.411.016,52 56.957,37 26.565,50 15.195,89 [AnoCalendário 2002] Jan 1.290.950,08 116.185,51 85.968,75 15.108,38 Fev 2.431.985,09 102.693,15 72.312,84 15.190,16 Mar 4.426.633,17 179.518,33 148 .972,46 15.272,94 Abr 6.422.880,33 179.662,34 148.987,96 15.337,14 Mai 7.558.411,55 102.197,81 83 936,69 9.130,56 Jun 8.835.800,72 114.965,02 83.888,50 15.538,26 Jul 9.421.279,16 52.693,06 21.199,14 15.746,96 Ago 10.975.053,49 139.839,69 113.575,10 13.132,30 Set 13.397.733,78 218.041,23 186.332,70 15.854,27 Out 15.232.055,22 165.088,93 132.745,29 16.171,82 Nov 17.398.480,95 194.978,32 162.383,99 16.297,17 Dez 16.676.100,08 (65.014,28) 0,00 0,00 [AnoCalendário 2003] Jan 1.590.724,41 143.165,20 112875,80 15.144,70 Fev 2.942.159,75 121.629,18 91.359,77 15.131,71 Mar 4.718.153,22 159.839,41 129.378,77 15.330,32 Abr 5.901.788,20 106.527,15 76.251,25 15.137,95 Mai 7.257.059,63 121.974,43 0,00 60.987,22 Jun 8.399.401,18 102.810,74 0,00 51.405,37 Jul 10.370.463,88 102.810,74 0,00 88.698,00 Ago 11.334.472,11 86.760,38 0,00 13.380,19 Set 13.075.963,61 156.734,23 0,00 15.998,55 Out 15.165.906,27 188.094,84 0,00 94.047,42 Nov 19.873.636,61 423.695,73 0,00 198.000,51 Dez 17.482.209,92 (215,228,40) 0,00 0,00 Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10851091 (eprocesso) Tabela 8 Demonstrativo do Saldo a Pagar de CSLL Descrição AnoCalendário 2001 AnoCalendário 2002 AnoCalendário 2003 CSLL Devida 1.116.991,49 1.500.849,01 1.573.398,89 () Incentivos Ficais (0,00) 0,00 0,00 () CSLL Retida na Fonte (0,00) 0,00 0,00 () CSLL Determinada sobre a Base de Cálculo Estimada (264.500,82) (1.240.303,42) (562.297,45) (=) CSLL a Pagar Calculada de Ofício 852.490,67 260.545,59 1.011.101,44 CSLL Declarada (DCTF) 0,00 0,00 0,00 CSLL a Restituir Glosado (23.188,08) (124.384,28) (247.225,49) Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10851091 (eprocesso) Tabela 9 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a CSLL Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2001] Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 167 27 Saldo Negativo 29766.65071 .201203.1.3.037904 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2002] 26783.96027.201203.1.3.039636 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Saldo Negativo 01638.29859.201203.1.3.030593 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2003] Saldo Negativo 02451 .41354.151204.1.3.034073 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10931121 (eprocesso) Tabela 10 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a CSLL Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Pagamento a Maior de CSLL Determinada Sobre a Base de Cálculo Estimada Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2002] 37900.64064.300104.1.3.045466 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Maio 08532.74624.300104.1.3.043556 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2003] Janeiro 41857.05167.300104.1.3.040699 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Fevereiro 37551.63064.300104.1.3.040887 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Março 37992.53567.30010.1.1.3.043087 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 05501.34033.300104.1.3.040293 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Abril 05750.76066.151204.1.3046840 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10921121 (eprocesso) Caracterizado está o nexo de causalidade entre o processo nº 19647.009690/200699 de formalização dos Autos de Infração de IRPJ e de CSLL dos anos calendário de 2001 a 2004 e o presente processo conexo. Superada essa preliminar, tem cabimento examinar o argumento da Recorrente no sentido de que tem aplicação ao presente caso o enunciado da Súmula CARF nº 84. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 168 28 pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 169 29 A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. Na decisão de primeira instância de julgamento afastou a possibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito e assim não foi analisada a efetiva existência do direito creditório pleiteado. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19726. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010778/200653 Acórdão n.º 1803002.337 S1TE03 Fl. 170 30 conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso7. Em assim sucedendo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora para apreciar o mérito do litígio e ainda para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código 2362, no valor de R$132.116,42 recolhido em 31.03.2003, referente ao período de apuração de fevereiro de 2003, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso8. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 7 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 8 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10882.003542/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
PREVIDENCIÁRIO, PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO
ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO
GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.325
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por não declarar a decadência. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entendem ser irrelevante a antecipação de pagamento.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: kLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por não declarar a decadência. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entendem ser irrelevante a/a-INcipação de pagamento. ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a Conselheira Cleusa Vieira de Souza. 2 Processo na 10882003542/2007-94 S2-C4T1 Acórdão n " 2401-01325 Fl 494 Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada contra a contribuinte acima identificada, a qual foi cadastrada com número de processo constante no cabeçalho. O valor consolidado em 19/12/2007 assumiu o montante de R$ 336,925,00 (trezentos e trinta e seis mil e novecentos e vinte e cinco reais)De acordo com o relatório fiscal, fis, 49/57, os fatos geradores integrantes da NFLD foram as remunerações indiretas fornecidas pela notificada aos seus empregados mediante a disponibilização de veículos com caráter de contraprestação. Informa-se ainda que, além da presente NFLD foram lavradas na mesma ação fiscal outras oito notificações todas decorrentes de pagamento de salário indireto (seguro de vida, cartão de premiação). A notificada apresentou impugnação, fls. 304/355, cujas razões não foram acatadas pela DR,T, que declarou, por unanimidade, procedente o lançamento. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 449/468, no qual alega que as contribuições lançadas foram alcançadas pela decadência que os automóveis fornecidos aos funcionários não podem ser caracterizados como salário contribuição, uma vez que são fornecidos para a execução do trabalho e não como contraprestação pelos serviços prestados pelos funcionários. É o relatório, 3 N 1‘ 4 Vo to Conselheiro Kleber Peneira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Vamos a alegação relativa à decadência do direito de lançar as contribuições em questão. Na data da lavratura, o fisco previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art, 45 da Lei n.° 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.° 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do decreto- lei n" 1,569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei n" 8,212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário É cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Ari 103-A O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. ) Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.° 8.212/1991, aplica-se às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional — CTN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4,', para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, 1, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL n2 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS AR]'. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART 543-C DO CPC (RECURSOS REPETITIVOS) OMISSÃO NÃO OCORRÊNCIA REDISCUSSÀO DO MÉRITO. CARÁTER PROTELATÓRIO MULTA, 1 O aresta embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o fisco dispõe de cinco anos contados do KLEBER FERREIRA DE A .10 Relator Processo n° 10882 003542/2007-94 S2-C4T1 Acórdão r." 2401-01325 F I 495 primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art 150, .sç 4", do CTN)". 2.. Devem ser repelidos os embargos declaratórias manejados com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida. 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado. No caso vertente, a ciência do lançamento deu-se em 30/03/2007 e a única competência presente no crédito é 12/2001. O relato fiscal afirma que na fiscalização foram apuradas apenas contribuições sobre salário indireto, levando-me a concluir que houve recolhimento sobre a remuneração direta dos empregados, posto que sobre esses pagamentos não houve lançamento. Entendo, por isso, que o prazo deeadencial deva ser aferido pela regra do art. 150, § 4.°, do CTN. Diante desse cenário, devem ser excluídas do crédito em razão da decadência a totalidade das contribuições lançadas. Acolhida a preliminar, deixo de me pronunciar sobre o argumento de mérito. Voto, assim, pelo provimento do recurso, ao reconhecer a decadência de todas as contribuições integrantes da NFLD. Sala das Sessões, em 18 de agosto de 2010 5 5N MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo ri°: 1088100.3542/2007-94 Recurso n°: 171.186 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de .junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.325 Brasília, 22—de setembro de 2010 -(2 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [j Com Recurso Especial [ Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10880.012968/2001-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO REGULAR
A pessoa jurídica titular de direito creditório deve produzir a prova completa da pretensão deduzida no pleito administrativo, pois a ela incumbe o ônus de provar o fato constitutivo do direito reclamado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3101-001.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral a Drª.Carla Cristina de Souza Couto, OAB/SP 320.247, advogada do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator
EDITADO EM: 01/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO REGULAR A pessoa jurídica titular de direito creditório deve produzir a prova completa da pretensão deduzida no pleito administrativo, pois a ela incumbe o ônus de provar o fato constitutivo do direito reclamado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1913; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3 1 2 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.012968/200163 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3101001.740 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2014 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente DR. OETKER BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. REQUISITOS. Créditos de IPI não escriturados, são insuscetíveis de habilitação ao ressarcimento, por serem desprovidos de liquidez e certeza. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 DECADÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. Não há a previsão legal de decadência ou prescrição para que a Administração Tributária aprecie um pedido de direito creditório. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃOOCORRÊNCIA. Inexiste homologação tácita se a apreciação do pleito acontecer antes do prazo qüinqüenal contado da data de formalização do pedido de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO REGULAR A pessoa jurídica titular de direito creditório deve produzir a prova completa da pretensão deduzida no pleito administrativo, pois a ela incumbe o ônus de provar o fato constitutivo do direito reclamado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 29 68 /2 00 1- 63 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral a Drª.Carla Cristina de Souza Couto, OAB/SP 320.247, advogada do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator EDITADO EM: 01/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de Imposto sobre produtos industrializados relativos ao 2º trimestre de 2001, formalizado em 19/12/2001 (fls.01), fundamentado no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF nº 33/99, que autorizaram a utilização de crédito de IPI acumulado no final de cada trimestrecalendário, incidente na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização. Posteriormente, em 17/05/2002, foi solicitado a compensação do crédito com débito referente a tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal (fls.45). A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributaria em São Paulo indeferiu a solicitação de créditos de IPI e não homologou a compensação efetuada, pela constatação de que a interessada teria feito a escrituração do livro Registro de Apuração do IPI de forma mensal, e sem a comprovação do estorno dos créditos pleiteados (fls.160 a 163).. A interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, na qual alega, a ocorrência de homologação tácita do pedido de restituição antes da prolaçâo do despacho decisório, a decadência, e a nulidade do trabalho fiscal. A 2ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1426.411, referente a sessão de julgamento ocorrida em 14 de outubro de 2009, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. REQUISITOS. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10880.012968/200163 Acórdão n.º 3101001.740 S3C1T1 Fl. 4 3 É inadmissível o ressarcimento de créditos de IPI que deixaram de transitar pela escrita fiscal, com a regular apuração por períodos de apuração: compensação de débitos por saídas com créditos por entradas. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. Somente são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃOOCORRÊNCIA. O prazo qüinqüenal para a homologação tácita de compensação efetuada tem como dies a quo a data de formalização do pedido de compensação, posteriormente, pendente de apreciação, convertido em declaração de compensação (DCOMP); inexiste homologação tácita se a apreciação do pleito acontecer antes do dies ad quem do referido prazo. DECADÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. Inexiste previsão legal de decadência para a apreciação de pedido de ressarcimento, mas, sim, apenas para que o titular de direito creditório invoqueo administrativamente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificada da decisão da DRJ, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos de sua manifestação de inconformidade. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso é tempestivo e, por atender aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A recorrente reprisa integralmente os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, sem apresentar qualquer novo elemento de prova aos autos. Apresenta quatro preliminares, e nenhum argumento meritório: (i) homologação tácita do Pedido de Restituição; (ii) decadência; (iii) autuação por presunção; e (iv) inversão do ônus da prova. Da Decadência e da Homologação Tácita Fl. 237DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 A recorrente alega que o ressarcimento pleiteado é originário de eventos fiscais ocorridos há mais de cinco anos da data de lavratura da decisão, estando, portanto, fulminados pela decadência, além de ter ocorrido a homologação tácita de seu pedido. Não assiste razão a recorrente. O caso em julgamento, não se trata de lançamento de ofício, o qual poderia ser aplicado o parágrafo 4° do artigo 150 do CTN. Tratase de créditos escriturais passíveis de ressarcimento, com pedido de compensação. Não há a previsão legal de decadência ou prescrição para que a Administração Tributária aprecie um pedido de direito creditório, mas apenas o prazo qüinqüenal para homologação tácita de compensações efetuadas com base em direito creditório reclamado. Como o pedido de compensação foi protocolizado em 17/05/2002 (fls.45) e a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pleito ocorreu em 25/04/2007 (AR às fls.165), não transcorreu o prazo qüinqüenal para a homologação tácita da compensação. Da autuação por presunção e da inversão do ônus da prova A Recorrente afirma que, lastreada nos documentos que foram apresentados à fiscalização, teria comprovado a lisura dos créditos fiscais que foram objeto do presente processo administrativo, e que a fiscalização autuou com base em presunção. Não assiste razão a recorrente também nesta preliminar. A Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, dispõe o seguinte, com os devidos destaques: Art.11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n59.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. O que seria objeto de ressarcimento é o "saldo credor trimestral" e não os valores dos créditos constantes de cada nota fiscal, o que pressupõe que haja a devida escrituração dos créditos no livro de apuração e se faça a apuração trimestral dos saldos. A fiscalização solicitou, através do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 187/2006, de 12/09/2006 (fls.47), reiterado pelo TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 341/2006, 26/10/2006 (fls.140), que a interessada apresentasse o livro Registro e Apuração do IPI (mod. 8), relativo ao período de 01/04/2001 a 31/12/2001, escriturado de acordo com as formalidades previstas no art. 1° da Lei 8.850/94 (apuração por decêndio) e art. 2°, §1º e 2° da Instrução Normativa da Secretária da Receita Federalnº 33/99; e o registro do estorno dos créditos pleiteados referentes ao 2°, 3º e 4° Trimestres de 2001. conforme legislação vigente, na data do pedido de ressarcimento de IPI. Apesar do prazo concedido pela fiscalização, Fl. 238DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10880.012968/200163 Acórdão n.º 3101001.740 S3C1T1 Fl. 5 5 inclusive duas prorrogações solicitadas pela interessada, não foram apresentados os registros fiscais. Conforme consta do Despacho Decisório que indeferiu o pleito, nos livros fiscais carreados aos autos e na resposta ao Termo de Intimação fiscal n° 341/2006, datada de 22/1/2007 (fls. 152 a 153), “não foram registrados na escrita fiscal da interessada os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados na época da escrituração, conforme prevê o art, 2°, § 1° e 2° da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 33/99 e conseqüentemente, não foram estornados os créditos pleiteados no livro de Apuração do IPI (mod. 8)”. Não foram apresentados, nem durante o procedimento fiscal, nem no curso do julgamento administrativo, a retificação do Livro Registro de Apuração do IPI que havia sido solicitada, de forma a comprovar o saldo credor do IPI. Corretamente o acórdão recorrido afirma que, créditos de IPI não escriturados, são insuscetíveis de habilitação ao ressarcimento, por serem desprovidos de liquidez e certeza. Mesmo créditos extemporâneos devem ser registrados na escrita fiscal e posteriormente, com a formalização de pedido de ressarcimento, estornados. A pessoa jurídica titular de direito creditório deve produzir a prova completa da pretensão deduzida no pleito administrativo, pois a ela incumbe o ônus de provar o fato constitutivo do direito reclamado, não sendo o caso de lançamento de oficio. Desta forma, como a recorrente não fez prova de seu direito aos valores requeridos no pedido de ressarcimento e compensação pleiteada nos presentes autos, correto está o despacho decisório que indeferiu o pedido e a decisão recorrida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das sessões, em 18 de setembro de 2014. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [assinado digitalmente] Fl. 239DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10530.723345/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que seja acostado aos autos prova da ciência, pelo sujeito passivo, da decisão de primeira instância.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que seja acostado aos autos prova da ciência, pelo sujeito passivo, da decisão de primeira instância. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .7 23 34 5/ 20 11 -6 1 Fl. 851DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10530.723345/201161 Resolução nº 2302000.333 S2C3T2 Fl. 852 2 Relatório e Voto O presente Processo Administrativo Fiscal trata dos seguintes autos de infração, lavrados em 27/06/2011 e cientificados ao sujeito passivo em 29/06/2011: *Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.226.2973, relativo às contribuições previdenciárias patronais e para o SAT incidentes sobre valores pagos a empregados e agentes políticos constantes da contabilidade da autuada, mas não declarados pela mesma em GFIP, nas competências de 01/2007 a 12/2009. Este AIOP referese, também, a diferenças de acréscimos legais na guias de recolhimento das seguintes competências 05/2007; 11/2009 e 13/2009; *Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.326.2990, relativo à diferença de 1% na alíquota de SAT, nos valores já recolhidos pelo contribuinte, nas competências de 06/2007 a 12/2009; *Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.326.2981, lavrado no Código de Fundamentação Legal 78, por não ter a autuada prestado as informações relativas a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias na GFIP, para as competências de 01/2007 a 12/2009. Após a impugnação, Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA, às fls. 805/818, julgou o lançamento procedente em parte, quanto ao AIOA DEBCAD 37.326.2981, para excluir da autuação as competências de 01/2007 a 11/2008, porquanto as GFIP's entregues neste período não podem se sujeitar à MP 449/2008, nestas palavras: Consultado o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, GFIPWEB, constatase que as GFIP referentes ao período de 01/2007 a 11/2008 foram apresentadas antes da vigência da Medida Provisória n.º 449, de 2008. Sendo assim, resta claro que a infração relativa ao período de 01/2007 a 11/2008 ocorreu antes da publicação da MP nº 449, em 04/12/2008. Logo, a responsabilidade pela multa não poderia ter sido atribuída ao órgão público, pois isto implica dar eficácia retroativa à revogação do art. 41, da Lei nº 8.212, de 1991, operada pela MP nº 449, de 2008. Devido ao valor exonerado não houve interposição de Recurso de Ofício. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, onde alega em apertada síntese: Fl. 852DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10530.723345/201161 Resolução nº 2302000.333 S2C3T2 Fl. 853 3 a) a nulidade do Auto de Infração devido à falta de consistência e clareza e a necessidade de fundamentação legal, sob pena da supressão do direito à ampla defesa e ao contraditório; b) inobservância do artigo 142, do CTN; c) que a cobrança de multa com caráter confiscatório afronta as garantias constitucionais; d) que a taxa SELIC não pode ser utilizada como juros moratórios; e) que a Receita Federal do Brasil deve analisar a arguição de inconstitucionalidade das normas. Requer a improcedência do lançamento. Compulsando os autos, constatei que não consta dos mesmos qualquer indicação de quando o Acórdão de Impugnação foi cientificado ao sujeito passivo. Nas fls. 819, há um comunicado através do qual o Acórdão está sendo encaminhado ao órgão público, mas não consta data nem neste documento, tampouco a data da ciência pelo sujeito passivo. Às fls. 820, temos a interposição do Recurso Voluntário com carimbo de recebimento pela Agência da Receita Federal do Brasil em Santo Amaro/BA, em 13/11/2003, mas não há nos autos informação que possibilite ver da tempestividade ou não do recurso apresentado, até porque, às fls. 849, há um despacho de encaminhamento sucinto: "Encaminho recurso voluntário para análise. DATA DE EMISSÃO : 25/02/2014 Realizar Ciência / AGATHA PINHEIRO LIEBSCHER GABIN. ARF SANTO AMARO BA STº AMARO ARF" Pelo exposto, entendo que os autos devem baixar em diligência para que seja acostado aos autos documento que comprove a data em que o contribuinte teve ciência do Acórdão de Impugnação de fls.805/818, elemento essencial para o conhecimento ou não do Recurso Voluntário e prosseguimento deste julgamento. Do resultado da diligência, bem como desta Resolução, deve ser dado conhecimento ao sujeito passivo e conferido prazo para manifestação. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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