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Numero do processo: 36940.001268/2004-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2004
OPERAÇÃO CONCOMITANTE. INDEFERIMENTO.
O requerimento de operação concomitante consiste na manifestação por escrito pelo contribuinte em documento que integrará o processo de restituição ou reembolso, indicando expressamente os valores devidos Previdência Social que pretende ver liquidados.
Para que ocorra a operação concomitante é necessária a existência de um processo de restituição deferido.
Numero da decisão: 2403-002.586
Decisão:
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2004 OPERAÇÃO CONCOMITANTE. INDEFERIMENTO. O requerimento de operação concomitante consiste na manifestação por escrito pelo contribuinte em documento que integrará o processo de restituição ou reembolso, indicando expressamente os valores devidos Previdência Social que pretende ver liquidados. Para que ocorra a operação concomitante é necessária a existência de um processo de restituição deferido.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1497; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36940.001268/200428 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.586 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente VITRAN TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2004 OPERAÇÃO CONCOMITANTE. INDEFERIMENTO. O requerimento de operação concomitante consiste na manifestação por escrito pelo contribuinte em documento que integrará o processo de restituição ou reembolso, indicando expressamente os valores devidos Previdência Social que pretende ver liquidados. Para que ocorra a operação concomitante é necessária a existência de um processo de restituição deferido. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 94 0. 00 12 68 /2 00 4- 28 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36940.001268/200428 Acórdão n.º 2403002.586 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0230.910 da 7ª Turma, que julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. OPERAÇÃO CONCOMITANTE. 0 requerimento de operação concomitante consiste na manifestação por escrito pelo contribuinte em documento que integrará o processo de restituição ou reembolso, indicando expressamente os valores devidos Previdência Social que pretende ver liquidados. Para que ocorra a operação concomitante é necessária a existência de um processo de restituição deferido. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PEDIDO DE INTIMAÇÃO ENDEREÇADA A PROCURADOR. INDEFERIMENTO. O DOMICÍLIO tributário do sujeito passivo é o endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Os fatos e a impugnação foram assim relatados no julgamento de primeira instância: Tratase de manifestação de inconformidade em face do indeferimento de requerimento de operação concomitante apresentado pelo contribuinte, em 29/10/2004, para o período de 02/1999 a 04/2004. Nos termos do Despacho Decisório no 2.337, de 29/09/2010, fls. 162 e 163, a operação pleiteada foi indeferida pelas razões a seguir discriminadas: Não apresentação de Requerimento de Restituição na forma prevista nos artigos 89 da Lei 8.212, de 1991, e 247 a 251 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Extinção do direito de pleitear a restituição, conforme artigo 253 do RPS. Em 11/10/2010, fls. 165, a requerente foi cientificada do indeferimento exarado no Despacho Decisório n° 2.337 e apresentou manifestação de inconformidade, em 09/11/2010, fls. 167 a 173, com as seguintes razões: 0 requerimento presente nos autos foi fruto da manifestação da União Federal e dos termos da decisão judicial respectiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança 2008.38.00.0228199 que tratou exatamente da pretensão da requerente de realizar a restituição dos valores retidos e sua compensação; Espera que os atos administrativos destinados à verificação do direito restituição sejam aplicados por exigência lógica do caso, por necessidade material para solução do requerimento, "por arrastamento" do processo; .(grifou) Não custa nada ao fisco privilegiar os princípios norteadores da atividade pública, como razoabilidade, proporcionalidade e da eficiência [transcreve o artigo 2' da Lei 9.784, de 1999]. Tais princípios funcionam como vetores axiológicos das políticas públicas e conclui que os administrados querem do Estado serviços prestados com justiça. Requer seja deferido o requerimento formulado nos autos, realizando todos os atos administrativos necessários para o processamento e conclusão do mesmo. Requer seja o resultado do julgamento endereçado ao signatário da impugnação. Acrescenta que provará o alegado por meio de provas documentais, periciais e testemunhais, bem como pela juntada de novos documentos. Requer como meio de prova, a exibição de documentos ou coisa. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · A menção ao processo judicial foi única e exclusivamente para servir de parâmetro para a turma julgadora quanto a finalidade do presente processo administrativo. · Se a operação concomitante exige a análise do direito de restituição, então esperase que os atos administrativos destinados à verificação do direito restituição sejam aplicados por exigência lógica do caso, por necessidade material para solução do requerimento, "por arrastamento" ao processo. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36940.001268/200428 Acórdão n.º 2403002.586 S2C4T3 Fl. 4 5 · In casu, não custa ao fisco nada privilegiar princípios sustentadores da atividade públicoadministrativa como são os princípios da eficiência e da razoabilidade. In casu, não custa nada ao fisco aplicar tais princípios, de modo que o escopo do requerimento apresentado não seja exasperado pela falta de adoção dos atos administrativos necessários. Dito de outra forma, não custa nada ao fisco rever a justificativa apresentada pelo acórdão ora contestado e privilegiar os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da eficiência. · Diante dos fatos e fundamentos apresentados, a empresa ora peticionária formula o presente recurso voluntário, para que seja revisto o acórdão 0230.910 da 7a turma da dr3/bhe e, conseqüentemente, seja deferido o requerimento formulado nestes autos, realizandose todos os atos administrativos necessários para o processamento e conclusão do mesmo. Requer esse provimento, ainda que seja necessário realizar os atos próprios do processo de restituição. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O processo trata de requerimento de operação concomitante apresentado pelo contribuinte, em 29/10/2004, para o período de 02/1999 a 04/2004, que foi indeferido. Iniciarei a análise com a definição de “operação concomitante” presente na IN INSS 100/2003, em vigor à época do requerimento: Art. 224. Operação concomitante é o procedimento pelo qual o sujeito passivo, mediante manifesto interesse, liquida valores devidos à Previdência Social, total ou parcialmente, utilizando se de crédito da mesma natureza, oriundo de processo de restituição ou de reembolso. § 1º O interesse de realizar a operação concomitante deverá ser manifestado por escrito pelo sujeito passivo e este documento integrará o processo de restituição ou de reembolso. Observase que operação concomitante é uma liquidação de valores, mediante manifestação por escrito do sujeito passivo, onde são confrontados os créditos e débitos de mesma natureza. Necessariamente, o(s) crédito(s) deverá ser oriundo de um processo de restituição ou reembolso. No caso concreto, o que se aplicaria era um processo de restituição. Observo que o pedido de restituição não está presente neste processo. Observo também a ementa da decisão de primeira instância que registrou: “Para que ocorra a operação concomitante é necessária a existência de um processo de restituição deferido.” OPERAÇÃO CONCOMITANTE. 0 requerimento de operação concomitante consiste na manifestação por escrito pelo contribuinte em documento que integrará o processo de restituição ou reembolso, indicando Fl. 231DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36940.001268/200428 Acórdão n.º 2403002.586 S2C4T3 Fl. 5 7 expressamente os valores devidos Previdência Social que pretende ver liquidados. Para que ocorra a operação concomitante é necessária a existência de um processo de restituição deferido. Sigo com observações acerca da descrição dos fatos relevantes. Para tanto, me apóio na Informação Fiscal de folhas 80 a 86, que descreve que a empresa possuía débitos em uns estabelecimentos e créditos em outros — INSS e Terceiros —, sendo que o grosso desses créditos se referia a retenções — Lei n°. 9.711/98. Complementa a Informação Fiscal dizendo que “A situação em questão se deveu basicamente ao fato da empresa prestar os serviços com empregados de um estabelecimento e emitir Notas Fiscais de outro.” INFORMAÇÃO FISCAL Referência: Pedido de operação concomitante n°. 36940.001268/200428 Empresa: VITRAN TRANSPORTES LTDA 20.010.864/000100 1.A empresa em questão foi por mim fiscalizada, através da ação fiscal n°.09135972. 2. A empresa é uma transportadora que presta serviços de transportes de cargas, em sua maioria minério de ferro e possui cinco estabelecimentos. 3. Durante a ação fiscal foi constatado que a empresa possuía débitos em uns estabelecimentos e créditos em outros — INSS e Terceiros —, sendo que o grosso desses créditos se referia a retenções — Lei n°. 9.711/98. 4. A situação em questão se deveu basicamente ao fato da empresa prestar os serviços com empregados de um estabelecimento e emitir Notas Fiscais de outro. 5. Haja vista o impedimento legal da compensação dos valores retidos em estabelecimento diverso ao que sofreu a retenção, de acordo com o disposto no § 1° do Art. 31 da Lei n°. 8.212/91, não nos restou alternativa a não ser constituir o crédito previdenciário, mesmo sabendo que a empresa possuía créditos em valor quase suficiente à quitação dos débitos. 6. Pelo exposto acima, já esperávamos que a empresa entrasse com pedido de operação concomitante. Com base na inexistência do processo de restituição e na vinculação conceitual entre a “operação concomitante” e o direito creditório oriundo de um processo de restituição, entendo correto o indeferimento. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 233DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10882.003613/2010-54
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, decorrentes de revisão de benefícios previdenciários, deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, decorrentes de revisão de benefícios previdenciários, deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1998; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 65 1 64 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.003613/201054 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.564 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de julho de 2014 Matéria IRPF Recorrente ABEL FONSECA BATISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, decorrentes de revisão de benefícios previdenciários, deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 36 13 /2 01 0- 54 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.003613/201054 Acórdão n.º 2801003.564 S2TE01 Fl. 66 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/SP2/SP. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 07 a 08, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2007, que apurou a seguinte infração: omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação da Justiça Federal, no valor de R$ 21.364,56. Consta ainda, que na apuração do imposto devido, foi compensado o imposto de renda retido sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 640,94. Cientificado do lançamento em 07/12/2010 (fl. 16), o contribuinte apresentou, em 28/12/2010, a impugnação de fls. 02 a 04, alegando que não foi de má fé que deixou de declarar, pois é do seu conhecimento que todo dinheiro que vem do governo, o imposto devido já é cobrado antecipadamente. Impugna a multa e juros e afirma que o STJ definiu a isenção do imposto de renda às pessoas que possuem hepatopatia grave. Posteriormente, atendendo a intimação regular (fls. 30, 32 e 33), o interessado apresentou os documentos de fls. 34 a 41.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 43/48, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA E DO CONTRIBUINTE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS ACUMULADOS. ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.003613/201054 Acórdão n.º 2801003.564 S2TE01 Fl. 67 3 Ficam isentos da tributação os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, inclusive a sua complementação, percebidos por portador de moléstia grave elencada em lei, devidamente reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, onde reste claramente identificado ser o contribuinte portador de moléstia grave, constante da legislação vigente. MULTA DE OFÍCIO. No que tange a aplicação de multa de 75%, prescrita no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, é aplicável, sempre, nos lançamentos de ofício. Referida multa consiste em penalidade pecuniária aplicada em decorrência da infração cometida, no caso, omissão de rendimentos. JUROS DE MORA. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC, incidentes sobre tributos e contribuições não pagos nos prazos previstos na legislação específica, na forma da legislação vigente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele acórdão em 20/12/2011 (AR, fl. 52), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 53/54, em 12/01/2012. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação. Conforme Resolução 2801000.148, às fls. 61/64, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988 é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE nº 614.406). Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.003613/201054 Acórdão n.º 2801003.564 S2TE01 Fl. 68 4 Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação judicial movida contra o Instituto Nacional do Seguro Social, objetivando a revisão de benefícios previdenciários, e cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Após reiteradas decisões no sentido de que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto, o Superior Tribunal de Justiça STJ fixou o entendimento, em sede de recurso repetitivo, de que o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, nos termos da seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial com a atribuição da sistemática do artigo 543–C do CPC, e que deve ser de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.003613/201054 Acórdão n.º 2801003.564 S2TE01 Fl. 69 5 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720065/2008-28
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE EMPRÉSTIMO. COMPROVAÇÃO
A alegação da existência de empréstimo deve vir acompanhada dos documentos comprobatório da operação, coincidente em datas e valores, não bastando que as partes tenham prestado as informações em suas declarações de rendimentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, [ por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que davam provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tania Mara Paschoalin - Presidente..
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE EMPRÉSTIMO. COMPROVAÇÃO A alegação da existência de empréstimo deve vir acompanhada dos documentos comprobatório da operação, coincidente em datas e valores, não bastando que as partes tenham prestado as informações em suas declarações de rendimentos. Recurso Voluntário Negado.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE EMPRÉSTIMO. COMPROVAÇÃO A alegação da existência de empréstimo deve vir acompanhada dos documentos comprobatório da operação, coincidente em datas e valores, não bastando que as partes tenham prestado as informações em suas declarações de rendimentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 00 65 /2 00 8- 28 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13227.720065/200828 Acórdão n.º 2801003.513 S2TE01 Fl. 391 2 Acordam os membros do colegiado, [ por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que davam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin Presidente.. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2a.Turma da DRJ/RDO. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração, às fls. 244/259, para cobrança de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2006, anocalendário 2005, no valor total de R$ 328.048,69, incluída a multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 30/04/2008. O contribuinte foi selecionado para fiscalização no ano calendário 2005, em face da existência de indícios de acréscimo patrimonial a descoberto e movimentação financeira incompatível, tendo em vista que na Declaração de Ajuste Anual do exercício 2006, havia incompatibilidade entre os rendimentos declarados. Relativamente à verificação de acréscimo patrimonial a descoberto, com base nos elementos informados pelo Cartório, através do contrato de compra e venda do imóvel Fazenda/Sítio, localizado na linha 2,setor Pimenteiras, município de Cerejeiras Rondônia, no valor de R$ 1.926.600,00, ao Sr. Maurício Ribeiro das Neves, houve parcelamento desse valor a incidir a partir de 2006, o que levou o Fisco a não identificar variação patrimonial a descoberto no anocalendário 2005. A autuação decorreu de infração às determinações contidas no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, combinado com o artigo 849 do RIR/99 e art. Io da MP n° 22/2002, convertida na Lei n° 10.451/2002, conforme descrito no Termo de Verificação e Constatação Fiscal e no auto de infração, às fls. 244/259. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13227.720065/200828 Acórdão n.º 2801003.513 S2TE01 Fl. 392 3 O contribuinte, regularmente intimado a apresentar justificativa sobre a origem de depósitos, às fls. 248, não comprovou a origem de recursos creditados de setembro a dezembro/2005, em conta mantida no Banco do Brasil, no montante de R$ 600.143,07. Cientificado do lançamento em 09/07/2008, por meio do Edital de Intimação n° 016/2008, às fls. 269, o contribuinte apresentou impugnação em 07/08/2008, às fls. 274/306, apresentando justificativas para os valores lançados no Termo de Verificação e Constatação i iscai e Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física. Alegou o contribuinte que os valores foram todos informados em sua declaração de imposto de renda, na de sua cônjuge e na da Sra. Ivete Maria Pires da Costa, que :ria efetuado diversos repasses para o contribuinte e sua cônjuge. Ao final da peça impugnatória o contribuinte alega que não entende a razão do auto de infração, pois na folha 247 do Termo de Verificação e Constatação foi relatado que "não foi identificado, portanto, variação patrimonial a descoberto para o anocalendário de 2005" e os valores lançados a crédito de sua conta corrente têm a origem demonstrada com a cópia de débito e crédito em anexo. A impugnação apresentada foi julgada improcedente em parte, conforme acórdão às ( fls.349/356numeração digital), assim ementado a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF ANOCALENDÁRIO: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PARA OS FATOS GERADORES OCORRIDOS A PARTIR DE IO DE JANEIRO DE 1997, O ART. 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996, AUTORIZA A PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PELO SUJEITO PASSIVO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. SE O ÔNUS DA PROVA, POR PRESUNÇÃO LEGAL, É DO CONTRIBUINTE, CABE A ELE A PROVA DA ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS PARA ACOBERTAR SEUS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE EMPRÉSTIMO. COMPROVAÇÃO. A ALEGAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE EMPRÉSTIMO DEVE VIR ACOMPANHADA DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO DA OPERAÇÃO, COINCIDENTE EM DATAS E VALORES, NÃO BASTANDO QUE AS PARTES TENHAM PRESTADO AS INFORMAÇÕES EM SUAS DECLARAÇÕES DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CRITÉRIOS DE APURAÇÃO. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13227.720065/200828 Acórdão n.º 2801003.513 S2TE01 Fl. 393 4 PARA EFEITO DE DETERMINAÇÃO DA RECEITA OMITIDA, NÃO SERÃO CONSIDERADOS OS CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA DE VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 (DOZE MIL REAIS), DESDE QUE O SEU SOMATÓRIO, DENTRO DO ANOCALENDÁRIO, NÃO ULTRAPASSE O VALOR DE R$ 80.000,00 (OITENTA MIL REAIS COMPROVADA DE VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 (DOZE MIL REAIS), DESDE QUE O SEU SOMATÓRIO, DENTRO DO ANOCALENDÁRIO, NÃO ULTRAPASSE O VALOR DE R$ 80.000,00 (OITENTA MIL REAIS IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO EM PARTE Cientificado da decisão de 1a instância em 10.05.2011, através do Edital de Intimação n. 22/2011, ( fls.363/364numeração digital ), o contribuinte, representado por sua advogada(fl.206),apresentou recurso em 08.06.2011, às ( fls.366/367numeração digital). Em sua defesa argumentou em síntese o seguinte O deposito no valor de R$ 287.500,00, em 10.09.2005 foi empréstimo feito pela sra Ivete, recebido das Centrais Elétricas Belém s.a CNPJ n. 04.542.038/000147. O depósito no valor de R$ 13.000,00 que havia sido emprestado na localizou o documento. O depósito no valor de R$ 30.000,00, consta na sua declaração IRPF e da sra. Ivete. O depósito no valor de R$ 19.900,00 feito em 05.10.2005 na sua conta corrente foi proveniente de empréstimo, Os depósitos nos valores de R$ 12.500,00 e 141.656,00, feitos nos dias 17.10.2005 e 25.11.2005, foram feitos pela sra Ivete. Aduz ainda que os valores depositados em sua conta corrente são originários da conta corrente do Banco do Brasil s.a da sra Ivete Maria Pires da Costa CPF 316.587.68272. Alega que após insistência de sua parte a sra Ivete forneceu uma cópia autenticada da nota promissória. Por último, argumenta que referente ao empréstimo efetuado pela sra. Ivete Maria Pires da Costa os valores foram sacados de sua conta 15.4725 Agência 11827 e depósito em sua conta corrente n. 14.9004 da mesma agencia do Banco do Brasil s.a, diz, ainda, que estão lançados na DIPF. É o relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator Fl. 393DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13227.720065/200828 Acórdão n.º 2801003.513 S2TE01 Fl. 394 5 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A controvérsia cingese à exigência do IRPF sobre omissão de rendimentos caracterizada pela existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Essa presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, da origem dos recursos. Assim, após devidamente intimado a esclarecer a origem dos depósitos, passou a ser do recorrente o ônus dessa comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com os depósitos bancários. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. A fiscalização solicitou ao contribuinte ás (fls9/10), à apresentação dos Extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, caderneta de poupança, de todas as instituições financeiras que mantém ou manteve conta, no período acima especificados, dentre, outras informações, de forma a possibilitar a identificação dos depósitos bancários. O contribuinte a (fl.11), não atendeu a intimação da fiscalização, alegando em síntese, que se tratava de quebra de sigilo bancário, o que é uma verdadeira afronta a liberdade de cada indivíduo. De acordo com o entendimento do STJ, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º) Ocorre que, diante da negativa do contribuinte, a fiscalização requisitou através Requisição de informações Sobre Movimentação Financeira”RMF’, os extratos bancários e outros documentos (fl.18), nos termos do art. 6o da Lei Complementar n. 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto n. 3.724, de janeiro de 2001. Percebese dos autos, através dos extratos bancários a fiscalização constatou vários depósitos de origem não comprovada, conforme demonstrado a seguir Data do depósito Valor Eventos Banco/Agencia Fls. 29.08.2005 287.500,00 Dep.em cheque Brasil/11827 47 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13227.720065/200828 Acórdão n.º 2801003.513 S2TE01 Fl. 395 6 05.10.2005 19.900,00 Dep.em cheque Brasil/11827 335 17.10.2005 12.500,00 Dep.em espécie Brasil/11827 335 25.11.2005 141.656,00 Dep.. Espécie Brasil/11827 340 28.12.2005 60.00,00 Dep.em cheque Brasil/11827 337 T O T A L 521.556,00 A Autoridade fiscal excluiu da presunção do art. 42, da Lei 9.430/1996, os valores individuais iguais ou inferiores a R$ 12.000,00, desde que o somatório, dentro do ano calendário não ultrapasse o total de R$ 80.000,00 (Súmula CARF n. 61). O contribuinte alega que os valores depositados na sua conta corrente foram feito pela sra Ivete Maria Píres da Costa CPF n. 316.587.68272, sua sogra através de transferências bancárias da conta corrente desta para sua conta, a título de empréstimo. Alega, ainda, que os empréstimos feito ao contribuinte estão informados na Declaração de Ajuste Anual, na rubrica “ Dívidas de Ônus”, o valor de R$ 205.000,00 tendo como credora a sra Ivete M\ria Pires da Costa e que o mesmo valor encontrase também na Declaração de Ajuste anual desta. Da analise dos autos, verificase que o contribuinte não traz aos autos qualquer comprovação do suposto empréstimo de que a sra. Ivete Maria Pires da Costa é a mutuante, quando ocorreram e quais os valores, apenas informa que determinados depósitos decorrem de empréstimos tomados à terceiros. Assim, não merece prosperar tal alegação, pois não existem provas que atestem essa justificativa. Não tendo o contribuinte qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência Desta forma, não logrando o Contribuinte comprovar, por meio do necessário lastro documental hábil e idôneo, a origem dos depósitos bancários que transitaram em contas bancárias de sua titularidade, após diversas tentativas e oportunidades de obter do contribuinte informações sobre os valores depositados nas suas contas corrente, deve ser mantida a tributação do total dos depósitos bancários não justificados, nos termos do art. 42 da Lei no 9.430/1996. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 395DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13227.720065/200828 Acórdão n.º 2801003.513 S2TE01 Fl. 396 7 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 13971.720926/2007-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
DECISÃO ADMINISTRATIVA. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO.
Retifica-se erro material constante do acórdão recorrido para dar efetividade ao provimento dado à Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. Retificase erro material constante do acórdão recorrido para dar efetividade ao provimento dado à Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti. Relatório ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA. transmitiu, em 16/08/2006, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER nº 03192.46752.160806.1.1.096654, de créditos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 09 26 /2 00 7- 64 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 da apuração nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins exportação no valor de R$ 170.448,56, referente ao segundo trimestre de 2006. O Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 240 a 265, inicialmente, dá conta de que a análise do pedido de ressarcimento baseouse em informações prestadas nos documentos apresentados, além das informações obtidas por meio de consultas aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (RFB). Também foram elaboradas planilhas para o enquadramento dos Códigos Fiscais de Operações (CFOP) nas respectivas linhas do Dacon. Considerou o fisco que a proporção de receitas de mercado interno e de exportação discriminadas nas fichas 16A/16B e 17A do Dacon apresentaram discrepâncias nos meses que compõem o trimestre em análise, adotando, para efeito de cálculo dos créditos de mercado interno e externo, a proporção das receitas discriminadas na ficha 17A do Dacon. A seguir, relaciona as glosas efetuadas pelos motivos que se apresentam abaixo, em breve síntese: a) Bens utilizados como insumos: glosa de serviços tidos como extração de madeira CFOP 1949. b) Despesas de energia elétrica: glosas relativas a valores não relacionados ao consumo, tais como despesas relacionadas â. doação, Cosip, juros de mora. Também consta que não apresentou o comprovante de abril/2006. c) Despesas de armazenagem e frete na operação de venda: glosas relativas a serviços de remoção de contêineres. A DRFBlumenauSC, por meio do Despacho Decisório de fls. 275, deferiu o pleito parcialmente, em R$ 72.490,48. Em Manifestação de Inconformidade (fls. 277 a 280), o interessado contestou o critério adotado pela Fiscalização para fixar os percentuais de receita relacionados com o mercado interno e externo, argumentando que se fez uma interpretação equivocada do Dacon, o que teria comprometido a correta fixação das receitas relacionadas aos mercados interno e externo, pois teria incluído, para fins de cálculo da proporção, receitas não tributadas no mercado interno, tais como receita tributada à alíquota zero e receita de vendas de bens do ativo permanente. Alega também que a autoridade fazendária considerou o valor das receitas auferidas informadas na coluna "receita" das Linhas 01 e 02, onde deveria ter considerado os valores da coluna "base de calculo"; que, assim procedendo acabou por considerar em duplicidade os valores de receita, pois que, nas linhas 01 e 02 do Dacon já estão incluídos os valores relativos As linhas 04 a 11, o que acaba por elevar excessiva e erroneamente os percentuais do mercado interno. Pugna por que se adotem os percentuais de 96,24% para o mês de abril, 97,19% para o mês de maio, e 97,40% no mês de junho. Sob o item "Das Despesas de Energia Elétrica", apenas traz o documento não apresentado à autoridade fiscalizadora, relativo ao consumo de abril/2006. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente, para acolher os cálculos dos percentuais do rateio de receita propostos pelo contribuinte e para retificar o valor do crédito sobre despesas de energia elétrica no mês de abril de 2006. O Acórdão nº 07025.522, de 5 de agosto de 2011, fls. 295 a 301, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2006 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720926/200764 Acórdão n.º 3403003.076 S3C4T3 Fl. 320 3 MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS, NO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. No calculo do rateio proporcional para atribuição de créditos previsto no âmbito das contribuições para o PIS/Pasep/Cofins nãocumulativas, na "receita bruta total" devem ser incluídas todas as receitas da pessoa jurídica que estejam associadas ao montante de custos, despesas e encargos comuns, e não aquelas que, por sua natureza, não se caracterizem como tal, como é o caso das receitas financeiras e das receitas de vendas do ativo permanente. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 312 a 316, após síntese dos fatos relacionados com a lide, cometeu equívoco na elaboração da planilha que consta no "item 3" do acórdão pois apesar de nas "linhas 2, 3 e 4" trazer os valores corretos referentes ao crédito do contribuinte, na "linha 5" onde consta o rateio dos valores dos créditos entre Mercado Externo e Mercado Interno, a autoridade fiscal não incluiu no cálculo o valor referente à Energia Elétrica (linha 3), utilizando apenas o montante relacionado na "linha 2" da planilha. Pede provimento. Os presentes autos foram encaminhados para julgamento em conjunto com os processos conexos de nºs 13971.720733/200975, 13971.720734/200910, 13971.720775/200914, 13971.720776/200951,13971.720778/200940, 13971.720779/2009 94, 13971.720782/200916, 13971.720926/200764, 13971.903959/201124, 13971.903960/201159, 13971.904248/201177, 13975.000308/200501 e 13975.000309/200547, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II à Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em razão do sorteio ocorrido em 28/05/2014. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 312 a 316 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07025.522, de 5 de agosto de 2011. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Toca verificar se há ou não o alegado erro material na apuração do crédito do mês de abril de 2006. Conforme disposto nos itens 1 e 3 de voto condutor do Acórdão nº 07 025.522, foram acolhidas as razões do manifestante contribuinte no que se referiu aos percentuais de rateio de 96,24% para o mês de abril, 97,19% para o mês de maio, e 97,40% no mês de junho dos valores dos créditos alocados para o mercado externo e interno, bem como foi aceito o documento comprobatório do consumo de energia elétrica no mês de abril/2006, reconsiderando no cálculo dos créditos de energia elétrica o valor de R$ 1.248,62 (R$16.429,23x7,6%). Eis o demonstrativo de fls. 301: CRÉDITO DEFERIDO JANEIRO FEVEREIRO MARÇO MI 3,76% ME 96,24% MI 2,81% ME 97,19% MI 2,60% ME 97,40% 1 Saldo de Crédito Disponível de Meses Anteriores 0,00 0,00 0,00 45.839,48 0,00 112.433,35 2 Crédito Apurado no Mês Fisco MI+ME 50.705,27 71.899,89 52.753,77 3 (+) Valor reconsiderado Linha 04 Energia Elétrica 1.248,62 0,00 0,00 4 Crédito Apurado no Mês DRJ (2+3) 51.953,89 71.899,89 52.753,77 5 Crédito Apurado no Mês cfe. Alíquotas MEMI 1.906,52 48.798,75 2.020,39 69.879,50 1.371,60 51.382,17 6 Total de Crédito Disponível no Mês (1+3) 1.906,52 48.798,75 2.020,39 115.718,98 1.371,60 163.815,52 7 () Crédito Descontado no Mês 1.906,52 2.959,27 2.020,39 3.285,63 1.371,60 2.956,93 8 (=) Crédito Remanescente 0,00 45.839,48 0,00 112.433,35 0,00 160.858,59 De pronto, percebo que, no demonstrativo de fls. 301, os meses de referência estão equivocados, pois se trata de ressarcimento referente ao 2° trimestre de 2006, e não aos meses de janeiro a março. Considerando que a coluna do mês de janeiro reportese, efetivamente, ao mês de abril de 2006, percebo que os valores consignados na linha 5 (MI 1.906,52 e ME48.798,75) NÃO correspondem ao produto da multiplicação entre o valor da linha 4 (crédito apurado no mês) com o respectivo percentual MI ou ME. Assim sendo, faço retificar a planilha de fls. 301, conforme segue: CRÉDITO DEFERIDO ABRIL MAIO JUNHO MI 3,76% ME 96,24% MI 2,81% ME 97,19% MI 2,60% ME 97,40% 1 Saldo de Crédito Disponível de Meses Anteriores 0,00 0,00 46,95 47.041,15 46,95 113.635,03 2 Crédito Apurado no Mês Fisco MI+ME 50.705,27 71.899,89 52.753,77 3 (+) Valor reconsiderado Linha 04 Energia Elétrica 1.248,62 0,00 0,00 4 Crédito Apurado no Mês DRJ (2+3) 51.953,89 71.899,89 52.753,77 5 Crédito Apurado no Mês cfe. Alíquotas MEMI 1.953,47 50.000,42 2.020,39 69.879,50 1.371,60 51.382,17 6 Total de Crédito Disponível no Mês (1+3) 1.953,47 50.000,42 2.067,33 115.718,98 1.418,55 165.017,20 7 () Crédito Descontado no Mês 1.906,52 2.959,27 2.020,39 3.285,63 1.371,60 2.956,93 8 (=) Crédito Remanescente 46,95 47.041,15 46,95 113.635,03 46,95 162.060,27 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720926/200764 Acórdão n.º 3403003.076 S3C4T3 Fl. 321 5 Conclusão Com essas considerações, voto por dar provimento ao recurso para retificar o demonstrativo de fls. 301. Sala de sessões, em 22 de junho de 2014 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 18050.004987/2008-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 49 87 /2 00 8- 77 Fl. 627DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 9202003.030 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0560, que decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PAGAMENTO EM ESPÉCIE ALIMENTAÇÃO EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AJUDA DE CUSTO MUDANÇA INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Integra o Salário de Contribuição a ajuda de custo paga sem os requisitos previstos no art. 28, § 9°, g, da Lei 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS REQUISITOS INDEFERIMENTO. Quanto à solicitação de produção de provas, verificase que o momento processual ocorre em sede de Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto 70.2351972 e também nos arts. 55 e 56, Decreto 7574/2011 precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, com as exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972. Como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos previstos na legislação, considerase não formulado. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 9202003.030 CSRFT2 Fl. 4 5 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no Art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009; e Por voto de qualidade negar provimento ao recurso na questão da tributação do levantamento PAT. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Sinteticamente, o recurso em questão trata da forma de cálculo da aplicação da multa, com a aplicação do determinado no Art. 106, do CTN. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Há decisões que divergem do entendimento exarado; 2. A decisão determinou, de forma equivocada, a comparação entre multa de mora e multa de ofício; 3. Assim, para correção na decisão, deve ser dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei n°11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei if 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei 8.212/91. Por despacho, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo, devidamente intimado,não apresentou suas contra razões e recurso especial da parte que lhe foi desfavorável. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Quanto a qual multa deve ser aplicada nos lançamentos de ofício, na análise da questão, verificamos que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com o acórdão recorrido a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 632DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 9202003.030 CSRFT2 Fl. 5 7 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 633DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, Fl. 634DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 9202003.030 CSRFT2 Fl. 6 9 nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado as penalidades sofridas de ofício antes da legislação, com as penalidade que podem, em procedimento de ofício, ocorrer com a nova legislação. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas, para dar razão ao pleito da recorrente, conforme solicitado. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto EM DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 636DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13982.001044/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
PROVAS. GRANDE VARIEDADE DE DOCUMENTOS. AUSÊNCIA DE PEÇA EXPLANATÓRIA. INUTILIDADE.
É inútil a juntada de uma grande variedade de documentos sem que seja fornecida uma peça explanatória contendo um mínimo de sentido na finalidade probatória que se pretende.
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
REDUÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL.
A aplicação do princípio juria novit curia no processo administrativo fiscal autoriza a redução do valor da exigência quando uma simples operação aritmética pode assegurar com segurança a liquidez dos créditos tributários.
LUCRO PRESUMIDO. RETENÇÃO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO.
Importâncias retidas na fonte caracterizam mera antecipação do imposto devido na sistemática do lucro presumido.
Numero da decisão: 1102-000.900
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o percentual de presunção do lucro aplicável sobre a receita omitida com base nos depósitos bancários de origem não comprovada de 32% para 8%.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Omissão de receitas com base em depósitos bancários não comprovados e no agenciamento financeiro na compra e venda de veículos. Recorrente BERTOTTI VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. É dever do contribuinte manter em boa guarda e ordem a documentação que fundamentaria a indispensável escrituração de sua movimentação financeira, caracterizandose como devolução do ônus da prova ao Fisco, a solicitação de diligências que substancialmente implicariam na reprodução das iniciativas intentadas pela fiscalização. LUCRO PRESUMIDO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. ALIENAÇÃO DE VEÍCULOS USADOS. Aplicase o coeficiente de presunção do lucro de oito por cento quando for possível identificar que os depósitos bancários de origem não comprovada decorrem da alienação de veículos usados. LUCRO PRESUMIDO. RETENÇÃO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. Importâncias retidas na fonte caracterizam mera antecipação do imposto devido na sistemática do lucro presumido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PROVAS. GRANDE VARIEDADE DE DOCUMENTOS. AUSÊNCIA DE PEÇA EXPLANATÓRIA. INUTILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 10 44 /2 00 9- 39 Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/08/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.001044/200939 Acórdão n.º 1102000.900 S1C1T2 Fl. 1.681 2 É inútil a juntada de uma grande variedade de documentos sem que seja fornecida uma peça explanatória contendo um mínimo de sentido na finalidade probatória que se pretende. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. REDUÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. A aplicação do princípio juria novit curia no processo administrativo fiscal autoriza a redução do valor da exigência quando uma simples operação aritmética pode assegurar com segurança a liquidez dos créditos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o percentual de presunção do lucro aplicável sobre a receita omitida com base nos depósitos bancários de origem não comprovada de 32% para 8%. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por BERTOTTI VEÍCULOS LTDA contra acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ/Florianópolis que concluiu pela procedência dos lançamentos efetivados. Os créditos tributários lançados, referentes ao IRPJ, com reflexos de PIS, COFINS e CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, totalizaram o valor de R$ 2.221.648,73. Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/08/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.001044/200939 Acórdão n.º 1102000.900 S1C1T2 Fl. 1.682 3 A autuação foi fundamentada em duas infrações: (i) omissão de receitas da atividade de agenciamento financeiro na compra e venda de veículos e (ii) omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Relativamente à primeira infração, a fiscalização apurou a omissão a partir de informações constantes de DIRFs apresentadas por instituições financeiras as quais retiveram o imposto devido na fonte sobre pagamentos efetuados para a autuada a título de comissões pela prestação de serviços de agenciamentos financeiros. Depois de confrontar os valores informados nas DIRFs com a contabilidade, a fiscalização verificou que as correspondentes receitas não foram contabilizadas e tampouco oferecidas à tributação. Exceção feita à parte das receitas referentes ao ano de 2007, as quais foram devidamente desconsideradas na autuação. Relativamente à segunda infração, a fiscalização apurou a omissão com base em créditos/depósitos bancários cuja origem restou não comprovada após não aceitação de justificativas que tentavam vinculálos às notas fiscais de vendas. Nas datas de suas emissões, tais notas teriam sido contabilizadas em contrapartida à conta caixa. Ressaltese, também, que não havia identidade de datas e valores e que a autuada não apresentou qualquer comprovação documental da inequívoca vinculação das notas fiscais com os mencionados créditos/depósitos bancários. Ainda assim, a fiscalização procedeu à exclusão dos valores relativos a oito créditos/depósitos por haver alguma correspondência entre as informações prestadas e os históricos destes lançamentos nos extratos bancários. Cumpre ressaltar que não houve quebra do sigilo bancário porque os extratos da movimentação bancária foram regularmente apresentados pela empresa autuada no decorrer do procedimento de fiscalização. Em ambas as infrações, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL na sistemática do lucro presumido, considerouse o percentual de presunção de 32%, haja vista que a autuada exerce a atividade de “comércio a varejo de automóveis, camionetas e utilitários usados” e já adotava este coeficiente em suas declarações. Para justificar tal procedimento, conforme consta no Termo de Verificação e Encerramento do Procedimento Fiscal que acompanhou a autuação (fls. 575, correspondente às fls. 579 do processo digital), a fiscalização socorreuse da figura da equiparação às operações de consignação contida no artigo 5º da Lei nº 9.716/98. Sobre os tributos apurados foi aplicada a multa qualificada de 150%. A já mencionada 3ª Turma da DRJ/Florianópolis, ao apreciar a impugnação interposta em face do feito fiscal, proferiu o Acórdão nº 0722.417, de 03 de dezembro de 2010, por meio do qual decidiu pela procedência dos lançamentos efetivados. Na parte que interessa, assim figurou a ementa do referido julgado: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/08/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.001044/200939 Acórdão n.º 1102000.900 S1C1T2 Fl. 1.683 4 não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. COMISSÕES RECEBIDAS. RETENÇÃO DE IMPOSTO. ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas, a titulo de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais. O imposto assim descontado será considerado antecipação do devido pela pessoa jurídica beneficiária. (...) DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. É de se indeferir a solicitação de diligência quando vise suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de trazer aos autos. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicarseão igualmente no julgamento de todas as exações. Inconformada, a empresa autuada apresentou recurso voluntário no qual ofereceu, na essência, os mesmos argumentos da impugnação, quais sejam: a) As receitas dos depósitos possuem estrita ligação com as vendas realizadas pela recorrente, consoante notas fiscais de saída emitidas, lançadas e apresentadas à fiscalização. Inclusive, as receitas dos depósitos e as contabilizadas não apresentam uma dissonância de valores, diante de sua vinculação a diferença é mínima. b) O lançamento ignorou as compras e vendas realizadas, assim, evidente que tudo seria considerado receita, no entanto, os depósitos são justamente atinentes às vendas. Exemplifica tal assertiva alegando que se um veículo ingressou no patrimônio por R$ 10 mil e foi vendido por R$ 12 mil, a fiscalização teria considerado como receita os R$ 12 mil e não apenas R$ 2 mil. c) A atividade da recorrente, pelo menos grande parte dela, depende dos financiamentos realizados pelas entidades financeiras. Tais financiamentos não são recebidos no mesmo dia em que há a venda dos veículos e pode não haver correspondência exata do valor. Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/08/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.001044/200939 Acórdão n.º 1102000.900 S1C1T2 Fl. 1.684 5 d) Se as instituições financeiras encaminhassem um extrato individualizado das transações financeiras seria possível analisar caso a caso. No entanto, apesar do pedido expresso, elas negaramse a expedir a documentação sob o argumento de que se trata de “sigilo fiscal”. O não esclarecimento das instituições financeiras persistiu até o momento da interposição do recurso. e) Levando em consideração a necessidade da busca da verdade material, o Fisco deveria fazer a análise aprofundada das notas fiscais frente aos depósitos bancários. f) O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 impõe a necessidade de indicação das provas que se pretende produzir, além disso, eventuais diligências e perícias. Portanto, fazse necessário a apresentação posterior de tais documentos, ou ainda, diante da facilidade do Fisco em obter informações, que diligencie a essas instituições com a finalidade de apresentação dos extratos de eventuais alienações realizadas. g) Em relação às comissões recebidas, elas teriam sido objeto de recolhimento do tributo devido (DIRF), portanto, neste aspecto, também deve ser afastada a tributação porque o que poderia ter acontecido é o descumprimento de obrigação acessória. h) Os tributos e multas aplicados ofendem aos princípios constitucionais da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. Ao final, requer o acolhimento do recurso, a realização de diligências para que o Fisco solicite às instituições financeiras os extratos individualizados dos veículos comercializados e a insubsistência do lançamento ou, pelo menos, sua revisão tendo em vista os princípios da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Alega a recorrente que as receitas dos depósitos possuem estrita ligação com as vendas conforme as notas fiscais, que as diferenças de valores são mínimas no confronto com as receitas contabilizadas e que sua atividade depende dos financiamentos de instituições financeiras, os quais são recebidos sem coincidência de datas e valores. Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/08/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.001044/200939 Acórdão n.º 1102000.900 S1C1T2 Fl. 1.685 6 Para enfrentar esses argumentos, é necessário verificar a consonância do procedimento fiscal em face do dispositivo legal que fundamentou os lançamentos, qual seja, o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, verbis: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (...) Observase, neste particular, o relato dos atos praticados pela fiscalização contido no seguinte trecho do Termo de Verificação e Encerramento do Procedimento Fiscal que acompanhou a autuação (fls. 569 e 570, correspondente às fls. 573 e 574 do processo digital): Também nesse TIF n° 0003, intimouse o contribuinte a apresentar documentação hábil de comprovação das origens dos depósitos bancários listados em planilha ali anexada (fls. 095 a 106). O contribuinte, em documento de resposta (fls. 107) ao TIF nº 0003, solicitou em 22/06/2009 prazo adicional de 10 dias para a entrega dos documentos. Em 13/07/2009 o contribuinte apresentou expediente (fls. 108 e 109) com a pretensão de justificar os valores relacionados pela Fiscalização na planilha anexada ao TIF n° 0003. Pelo Termo de Intimação Fiscal TIF n° 0004 de 16/07/2009 (fls. 110 a 123), a Fiscalização reiterou a intimação dada pelo TIF n° 0003 de 12/06/2009, especialmente quanto a apresentação de documentação hábil de comprovação das origens dos depósitos bancários listados na planilha anexada, além da prestação de Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/08/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.001044/200939 Acórdão n.º 1102000.900 S1C1T2 Fl. 1.686 7 esclarecimentos quanto aos pagamentos recebidos de tomadores de serviços, conforme planilha ali juntada, e quanto a forma em que se deu a escrituração contábil dessas receitas e a sua tributação. Em 04/08/2009, o contribuinte coligiu expediente (fls. 124 a 134), em resposta ao TIF n° 0004, com a pretensa intenção de esclarecer e indicar as origens dos depósitos relacionados pela Fiscalização. A Fiscalização NÃO obteve, por parte do contribuinte, a apresentação de documentação suporte as suas afirmações, ou seja, limitouse em informar/declarar, sem contudo, comprovar. Portanto, a fiscalização procedeu rigorosamente de acordo com a previsão legal. A recorrente foi devidamente intimada a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados em suas contas bancárias. Contudo, limitouse a apresentar justificativas (sem comprovação documental) que tentavam vinculálos às notas fiscais de vendas. A fiscalização verificou que as notas fiscais foram contabilizadas em contrapartida à conta caixa. Contudo, a recorrente não contabilizou a movimentação financeira, ainda que diretamente no caixa, conforme determinação legal inequívoca reprisada no artigo 527 do RIR: Art.527.A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei n º 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único.O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei n º 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). A presunção legal contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza que o fato indiciário (depósitos bancários de origem não comprovada) seja equiparado ao fato presumido (omissão de receitas). Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/08/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.001044/200939 Acórdão n.º 1102000.900 S1C1T2 Fl. 1.687 8 Por sua vez, a recorrente não acrescentou quaisquer elementos comprobatórios que pudessem amparar suas pautas argumentativas. A presunção contida na lei tem caráter relativo. Por isso, inverte o ônus da prova. Caberia, então, à recorrente afastar a verificação da ocorrência do fato indiciário (comprovando a origem dos depósitos bancários). Mas, isso, não foi feito. Simples alegações não caracterizam prova. Quanto aos pedidos para que o Fisco diligencie às instituições financeiras para obter os extratos individualizados dos veículos comercializados, uma vez que estas não teriam atendido às solicitações da recorrente, bem como que o Fisco faça a análise aprofundada das notas fiscais frente aos depósitos bancários, há que se recorrer ao que dispõem os enunciados normativos veiculados no Decreto nº 70.235/72, o qual disciplina o processo administrativo fiscal, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Na apreciação do pedido de realização de diligência, a autoridade julgadora a quo, depois de convalidar o procedimento realizado pela fiscalização por estar em consonância com o que dispõem os artigos 42 da Lei nº 9.430/96 e o artigo 527 do RIR/99 (acima transcritos), assim se manifestou: Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/08/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.001044/200939 Acórdão n.º 1102000.900 S1C1T2 Fl. 1.688 9 Como se vê, o ônus de apresentar a documentação para comprovar a origem dos depósitos bancários é da contribuinte, não sendo atribuição da autoridade fiscal produzir prova e suprir a negligência do contribuinte na mantença dos documentos que tinha a obrigação de conservar em boa ordem. Com efeito, para afastar a presunção legal estatuída na lei, a recorrente teria que ter apresentado as provas demandadas pela fiscalização. Mas, como já ressaltado, assim não procedeu. Outrossim, poderia suprir esse encargo conjuntamente com a interposição da impugnação, apoiada na faculdade contida no inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Compulsando os autos, verifico que com a impugnação foi juntada uma imensa variedade de documentos (fls. 629 a 1634, correspondentes às fls. 634 a 1640 do processo digital). Entretanto, nem na impugnação, nem no recurso, há qualquer referência a esses documentos. Não é possível constatar sua utilidade como meio de prova sem que fosse fornecida uma peça explanatória contendo um mínimo de sentido na finalidade probatória que se pretende. Não obstante essas oportunidades, utilizandose da outra faculdade prevista no inciso IV, do mesmo artigo, a recorrente pretende devolver ao Fisco o ônus da prova com a solicitação de diligências que substancialmente implicariam na reprodução das iniciativas já intentadas pela fiscalização. A alegação de que as instituições financeiras, com as quais mantém relação na realização de seus negócios, não atenderam suas solicitações sob o argumento do sigilo fiscal, além de não comprovada, é totalmente inoportuna para afastar seu dever de manter em boa guarda e ordem a documentação que fundamentaria sua indispensável escrituração. Assim, acompanho a decisão da primeira instância no sentido de refutar as diligências solicitadas. No que tange à insinuação de que já teria havido o recolhimento do tributo devido sobre as comissões recebidas, também não assiste razão à recorrente. Nesse sentido, não há o que reparar quanto ao que foi suscitado no voto condutor do acórdão recorrido: Como se vê, as importâncias pagas a titulo de comissões/corretagens a outras pessoas jurídicas estão sujeitas incidência de imposto na fonte à alíquota de um e meio por cento. Tendo em vista que a contribuinte é optante pelo regime de lucro presumido, a alíquota incidente sobre prestação de serviços (agenciamento) é de trinta e dois por cento. Assim, fica fácil perceber que no ajuste anual ainda é devida uma grande diferença de imposto. No que diz respeito ao argumento segundo o qual os tributos e multas aplicados violariam os princípios constitucionais da vedação ao confisco e da capacidade contributiva, cumpre observar que não há competência para este órgão julgador deixar de aplicar lei regularmente inserida e em plena vigência no Ordenamento, sob a alegação de violação a princípios constitucionais. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 2, de adoção obrigatória no âmbito deste Colegiado, consoante o artigo 72 do Anexo II do Regimento Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/08/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.001044/200939 Acórdão n.º 1102000.900 S1C1T2 Fl. 1.689 10 Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RICARF: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Por fim, resta analisar a referência ao fato de que o lançamento teria ignorado as compras e vendas realizadas, considerando tudo como receita. Mesmo que a alegação tenha sido veiculada por esse raciocínio truncado, é possível perceber que a fiscalização se equivocou ao aplicar sobre a omissão de receita fundada nos depósitos bancários não comprovados o percentual de presunção de lucro (32%) aplicável nas situações em que ocorre a equiparação às operações de consignação. A recorrente possui em seu objeto social a atividade de “comércio a varejo de automóveis, camionetas e utilitários usados”. Portanto, a princípio, o percentual de presunção do lucro seria de 8%, ou seja, aquele estatuído no caput do artigo 518 do RIR/99, verbis: Art.518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o §7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Porém, é verdade que nas situações de compra e venda de veículos usados, o artigo 5º da Lei nº 9.716/98 possibilitou sua equiparação, para efeitos tributários, com as operações de consignação, verbis: Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/08/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.001044/200939 Acórdão n.º 1102000.900 S1C1T2 Fl. 1.690 11 Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. A lógica da equiparação está em não considerar toda a receita como base de imposição do percentual de presunção do lucro, mas somente a diferença entre os valores de alienação e de aquisição de cada veículo negociado. Este raciocínio está mais bem evidenciado na sistemática introduzida pelo artigo 2º da IN/SRF nº 152/98, o qual, conquanto referirse às bases de cálculo para a apuração dos tributos pagos por estimativa, bem como das contribuições para o PIS e COFINS, aplicase também na apuração da base de imposição do percentual de presunção do lucro por revelar a própria ideia contida no comando legal. Inclusive, a possibilidade da equiparação também para os contribuintes que se utilizam do lucro presumido vem expressa no artigo 1º desta mesma Instrução Normativa, confirase: Art. 1 ° A pessoa jurídica sujeita à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real, presumido ou arbitrado, que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, deverá observar, quanto à apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal – SRF, o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 2 ° Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1 ° Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 2 ° O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. De fato, obedecida a premissa de que os custos de aquisição foram deduzidos dos valores pelos quais os veículos foram alienados, há que se inferir que o coeficiente de presunção de lucro passa ser o de 32%, próprio das atividades de intermediação de negócios, na esteira do que prevê o artigo 519, § 1º, III, “b”, verbis: Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/08/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.001044/200939 Acórdão n.º 1102000.900 S1C1T2 Fl. 1.691 12 Art.519.Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. §1 º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, §1º): (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: (...) b) intermediação de negócios; Contudo, a citada premissa não pode ser observada quando se apura a receita, que é a base na qual se aplica o coeficiente de presunção do lucro, a partir da totalização dos depósitos não comprovados. Essa metodologia, apesar de fundada na lei, não possibilita aferir a diferença entre os valores de alienação e aquisição de cada veículo, requisito que seria necessário para equiparar a atividade de compra e venda com a atividade de intermediação de negócios própria das operações de consignação. Assim, não podendo se proceder à equiparação, resta considerar a receita omitida como proveniente da atividade social da pessoa jurídica, isto é, a compra e venda de veículos usados. E, para tal atividade, como já exposto, o percentual de presunção do lucro a ser aplicado é o de 8%. Nada obstante, seria possível argumentar que a própria autuação também havia apurado infração caracterizada como prestação de serviços a título de comissões de agenciamentos financeiros. Por isso, verificada a prática de dois tipos de atividades na mesma empresa, a fiscalização teria agido corretamente ao aplicar o maior dos coeficientes de presunção de lucro às receitas omitidas com base nos créditos/depósitos bancários de origem não comprovada, ex vi, do que prevê o § único do artigo 528 do RIR/99: Art. 528. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 519 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 1º). Contudo, um olhar mais atento para o que enuncia o dispositivo em comento revela a existência de uma condição para a aplicação da regra que prevê a adoção do percentual Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/08/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.001044/200939 Acórdão n.º 1102000.900 S1C1T2 Fl. 1.692 13 de presunção mais elevado, qual seja, a impossibilidade de se identificar a atividade a que se refere a receita omitida. Não é difícil inferir a identificação da atividade a que se referem os créditos/depósitos bancários que resultaram, por obra da presunção legal, na receita omitida. Nos demonstrativos que acompanharam os termos de intimação da fiscalização (fls. 95 a 103, correspondentes às fls. 97 a 105 do processo digital; e fls. 111 a 120, correspondentes às fls. 113 a 122 do processo digital), é possível perceber, pela descrição do histórico da imensa maioria dos lançamentos, que os citados créditos/depósitos correspondem a “depósitos de cheques”, transferências eletrônicas por meio de “TED” (de pessoas físicas e de instituições financeiras) ou “liberação de financiamentos”. E mais, a maioria desses lançamentos apresenta valores arredondados nas casas dos milhares ou das centenas de reais. Ora, é cediço que os pagamentos nas vendas a vista de veículos usados são pactuados em uma ou mais parcelas, normalmente, de valores arredondados. Tais pagamentos, via de regra, costumam ser feitos por meio de cheques ou transferências eletrônicas interbancárias. Por sua vez, nas vendas financiadas, é das instituições financeiras que as empresas alienantes recebem os pagamentos correspondentes ao preços pactuados, os quais, caracterizamse também por serem valores arredondados. Por outro lado, os valores referentes às comissões dos agenciamentos financeiros, de acordo com as próprias fontes probatórias que inspiraram a autuação, ou seja, as DIRFs (fls. 475 a 489, correspondentes às fls. 479 a 493), não possuem essa mesma característica. São valores, na maioria das vezes, expressos em unidades de real e suas frações, os centavos. Além disso, por que razão as instituições financeiras haveriam de “sonegar” a informação, em DIRF, de que teriam pago outros valores a título de comissões dos agenciamentos financeiros? Em outras palavras, se são as instituições financeiras as tomadoras dos serviços de agenciamento financeiro, por que efetuariam créditos/depósitos nas contas bancárias da recorrente, para pagamento desses serviços, sem informálos em DIRFs, uma vez que o fizeram na parte que foi devidamente alcançada pela autuação? É razoável supor que a receita auferida com essa prestação de serviço está totalmente informada nas DIRFs. Mesmo em relação à parte que foi contabilizada (exclusivamente no ano de 2007), a fiscalização diligentemente percebeu seu oferecimento à tributação e providenciou sua exclusão da autuação (cf. Termo de Verificação e de Encerramento do Procedimento Fiscal às fls. 570, correspondente às fls. 574 do processo digital). Cumpre, ainda, afastar a eventual comparação que se possa fazer entre a identificação da atividade e a origem dos créditos/depósitos bancários. Como se vê, é possível atestar, com bastante grau de certeza, que a imensa maioria dos lançamentos nas contas bancárias resultam da atividade social da empresa, qual seja, a compra e venda de veículos usados. Ressalvese que, tratandose de créditos nas contas bancárias, está se referindo aqui às vendas dos veículos. Em outro giro, não é possível, como demonstrou a fiscalização, atestar de forma individualizada, a origem de cada crédito/depósito bancário, eis que, para isso, seria necessária a providente participação da recorrente relacionando cada lançamento com a correspondente alienação. Além do que, por certo, comprovar que esta teria sido efetivamente oferecida à tributação. Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/08/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.001044/200939 Acórdão n.º 1102000.900 S1C1T2 Fl. 1.693 14 Portanto, não há como aplicar à receita omitida, caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, o percentual de presunção do lucro de 32%. É possível identificar a atividade a que se refere a receita omitida. Tratase da atividade social da pessoa jurídica, isto é, a compra e venda de veículos usados. Novamente, para tal atividade, o percentual é de 8%. Há que se observar que não se trata de reformatio in pejus, pois a adoção do percentual de 8% como presunção do lucro reduz o valor da exigência fiscal. Tampouco configurase ofensa ao princípio do contraditório, pois as demais razões de defesa não seriam diferentes caso a fiscalização tivesse aplicado o correto coeficiente de presunção do lucro à omissão de receita com base nos depósitos bancários não comprovados. O que ocorreu foi que a fiscalização equivocouse ao subsumir os fatos a um dos elementos formadores do critério quantitativo das regrasmatriz de incidência do IRPJ e da CSLL. Não é razoável anular os correspondentes lançamentos quando uma simples operação aritmética pode assegurar com segurança a liquidez dos créditos tributários. Tratase de aplicação do princípio do juria novit curia (“dême os fatos que eu te darei o direito”), também aplicável ao processo administrativo fiscal (Cf. Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López, Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª ed., São Paulo: Dialética, 2010, p. 285.), no sentido de que não se altera o critério jurídico do lançamento, já que a acusação e a infração são as mesmas, mas apenas sua fundamentação legal. Afinal, a autuada não se defende da capitulação legal da infração, mas, sim, dos fatos e da descrição fática narrados. De modo semelhante, apesar de tratar de matéria distinta, também já decidiu a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 0105971, julgado em 12 de agosto de 2008, cujo trecho elucidativo transcrevese: Cumpre observar, inicialmente, que não se trata de reformatio in pejus, pois a adoção do percentual de 42,74% como base para correção monetária, reduz o valor da exigência fiscal. Também não vislumbro a possibilidade de ofensa ao princípio constitucional do contraditório, haja vista toda a discussão no processo versa exatamente sobre a correção monetária do balanço do ano de 1989. O índice IPC é aceito pela interessada e pela decisão recorrida com apto a ser utilizado na correção monetária do mês de janeiro de 1989, apenas divergem quanto ao período abrangido pelo índice. Afinal, o percentual de 70,28%, adotado pelo autuada, reflete a inflação ocorrida no período compreendido entre 30 de novembro (média estatística entre os dias 15 de novembro e 15 de dezembro) e 20 de janeiro (média estatística entre os dias 17 e 23 de janeiro). Sobre essa matéria, a jurisprudência dessa Turma reiteradamente se posicionado no sentido de impedir que o julgador atue positivamente em relação à exigência fiscal, de modo que se deve apreciar o lançamento tal como foi formulado, sem possibilidade de inovação na acusação no momento do julgamento. A competência das instâncias de julgamento para revisar o lançamento surge com a impugnação como previsto no inciso I do art. 145 do CTN, ou seja, revisão por Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/08/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.001044/200939 Acórdão n.º 1102000.900 S1C1T2 Fl. 1.694 15 iniciativa do contribuinte em contestar a exigência. O dever de julgar imparcialmente a exigência fiscal não se coaduna com a vinculação do auditor fiscal ao procedimento de constituição do crédito tributário. A revisão de oficio fica adstrita àqueles agentes fiscais que têm competência para realizar o lançamento fiscal, como o auditor fiscal competente para fiscalizar ou o Delegado da Receita Federal. No Direito Tributário, o art. 142 do Código Tributário Nacional descreve, nesse sentido, procedimento que compreende uma série de ações desenvolvidas pela autoridade fiscal em face do contribuinte, de modo à verificação de ocorrência do fato jurídico tributário, cálculo do tributo devido e identificação do sujeito passivo. Esse procedimento resulta no ato jurídico administrativo de lançamento que introduz norma individual e concreta no sistema do direito positivo. Desse modo, o ato produzido com a finalidade de constituição do crédito tributário indica o fato jurídico tributário, cujas notas se subsumem aos critérios da regramatriz de incidência, e institui a obrigação tributária. Um desses critérios é o quantitativo, em que a autoridade lançadora calcula o montante do tributo a partir da indicação da base de cálculo e alíquota. No caso em análise, a fiscalização quantificou a exigência com fundamento na legislação de regência que não prevê os expurgos inflacionários para fins de correção monetária de balanço, enquanto o contribuinte ajustou seus ativos considerando os efeitos desses expurgos. O julgador entende que o contribuinte poderia considerar tal acréscimo com fulcro em precedentes judiciais, mas não concorda com os cálculos efetuados. O percentual de 70,28% abrange período superior ao mensal conforme descrito em sua metodologia e não pode ser utilizado para corrigir o saldo de janeiro. Neste processo, os fatos estão postos de forma clara e para decidir qual o índice aplicável o julgador deve verificar qual a metodologia prevista na legislação fiscal. Como vimos, a pessoa jurídica se equivocou ao utilizar o índice de 70,28% para o mês de janeiro, quando sua abrangência temporal é maior.Tratase, a meu ver, de matéria estritamente de direito, em que o julgador não está restrito a decidir apenas escolhendo entre os argumentos trazidos pelos interessados, podendo aplicar fundamento jurídico distinto no julgamento da questão posta a seu exame (juria novit cúria). No caso em comento, o julgador deve ajustar o que foi pedido no recurso voluntário pela contribuinte para adequar a legislação de regência. Penso que não é razoável anular o lançamento na hipótese em que basta simples operação aritmética para separar o valor devido do que não é devido. Não vejo como enquadrar a redução do valor exigido como novo lançamento da autoridade administrativa. Devese apenas ajustar o crédito tributário ao valor tido por correto. Essa também tem sido a opinião dos tribunais superiores em casos análogos. No REsp 535.943, publicado pelo STJ no DJ 13.09.2004, ao acolher o recurso da Fazenda Paulista, o relator do processo, ministro Teori Albino Zavascki, argumentou que a certidão de dívida fiscal não perde a característica de ser líquida e certa quando há necessidade de serem afastadas parcelas tidas como indevidas. No caso dos valores de contribuição do IAA, incluídos na base de cálculo do ICMS, os valores verdadeiramente devidos podem ser apurados por cálculos aritméticos de simplicidade horizontal, não devendo, em razão disso, ser exigido que se anule a certidão da divida, cancelandose a execução fiscal. Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/08/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.001044/200939 Acórdão n.º 1102000.900 S1C1T2 Fl. 1.695 16 No mesmo sentido, o AGA 525587/SP, Min. Luiz Fux, publicado no DJ de 05.04.2004, a saber: "AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL.ICMS. Documento: 1311146 RELATÓRIO E VOTO ELEVAÇÃO DA AL1QUOTA DE 17% PARA 18% INCONS77TUCIONALIDADE. CDA. NECESSIDADE DE RECALCULO DA DIVIDA. PRESERVADA A LIQUIDEZ DO TITULO. I. A alegação de nulidade da CDA envolve matéria de prova, apreciação obstada pela Súmula 7/5 Ti 2. A jurisprudência orientase no sentido de que o excesso na cobrança expressa na CDA não macula a sua liquidez, desde que os valores possam ser revistos por simples cálculos aritméticos.(..) 4. Agravo regimental desprovido ." (AGA 525587/SP) Importante destacar, ainda, que a Lei n° 9.784/99, artigo 2°, inciso VI, estabelece, como critério de atuação da Administração, a "adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público" Anular o lançamento fiscal integralmente quando o ajuste do valor devido depende de mero cálculo aritmético pareceme excesso de formalismo que ofende critérios de razoabilidade e de proporcionalidade. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, unicamente para reduzir o percentual de presunção do lucro aplicável sobre a receita omitida com base nos depósitos bancários de origem não comprovada, de 32% para 8%. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/08/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 13896.722525/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando emitido por autoridade competente e observados os requisitos constitucionais, legais e, em especial, o quanto previsto na legislação que rege o processo administrativo fiscal (art. 59 do Decreto nº 70.235/72).
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os termos e demonstrativos integrantes das autuações oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, o que resta confirmado através de impugnação na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.
MULTA POR OMISSÕES OU INFORMAÇÕES INCORRETAS EM MEIO MAGNÉTICO. ARTIGOS 11 E 12 DA LEI Nº 8.218/1991. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO DE LIVROS OU ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS DE NATUREZA CONTÁBIL OU FISCAL QUANDO EXIGIDO O SISTEMA DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO. PENALIDADE DO ARTIGO 57 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.158-35. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO, DEMONSTRATIVO OU ESCRITURAÇÃO DIGITAL.
O aspecto material do art. 57 da MP nº 2.158-35, de 2001, na redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, é deixar de apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital.
O aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, é deixar de escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal quando exigido o sistema de processamento eletrônico, motivo pelo qual continua em vigência.
A comprovação da ocorrência do aspecto material da multa dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, deve ser feita de forma inequívoca. A simples não apresentação de arquivo, demonstrativo ou escrituração digital sem outras provas que comprovem que a escrituração não ocorreu se amolda ao aspecto material do art. 57 da MP nº 2.158-35, de 2001. O mero indício sem a comprovação da falta da escrituração digital enseja a aplicação do art. 57 da MP nº 2.158-35, de 2001, em respeito ao art. 112, inciso II, do CTN. Inteligência do Parecer Normativo RFB nº 3, de 2013.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Recurso provido parcialmente.
Numero da decisão: 1402-001.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, a solicitação de diligência e a arguição de decadência. No mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar exigência da multa regulamentar, nos termos do relatório e voto que passam a compor o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez que davam provimento em maior extensão para excluir o PIS e a Cofins, lançados de ofício, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS E JUROS EXIGIDOS DE OFÍCIO. EXCEÇÃO AO REGIME DE COMPETÊNCIA. DEDUTIBILIDADE APÓS CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A dedução dos valores de tributos e juros exigidos de ofício não segue a regra geral do regime de competência, somente podendo ser efetivada na apuração do resultado referente ao período em que se operar a constituição definitiva do crédito tributário lançado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue se no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, exceto quando o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, ou quando ausente o pagamento antecipado, hipóteses em que o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 25 25 /2 01 2- 56 Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 2 Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando emitido por autoridade competente e observados os requisitos constitucionais, legais e, em especial, o quanto previsto na legislação que rege o processo administrativo fiscal (art. 59 do Decreto nº 70.235/72). CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os termos e demonstrativos integrantes das autuações oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, o que resta confirmado através de impugnação na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. MULTA POR OMISSÕES OU INFORMAÇÕES INCORRETAS EM MEIO MAGNÉTICO. ARTIGOS 11 E 12 DA LEI Nº 8.218/1991. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO DE LIVROS OU ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS DE NATUREZA CONTÁBIL OU FISCAL QUANDO EXIGIDO O SISTEMA DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO. PENALIDADE DO ARTIGO 57 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO, DEMONSTRATIVO OU ESCRITURAÇÃO DIGITAL. O aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, na redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, é deixar de apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital. O aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, é deixar de escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal quando exigido o sistema de processamento eletrônico, motivo pelo qual continua em vigência. A comprovação da ocorrência do aspecto material da multa dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, deve ser feita de forma inequívoca. A simples não apresentação de arquivo, demonstrativo ou escrituração digital sem outras provas que comprovem que a escrituração não ocorreu se amolda ao aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. O mero indício sem a comprovação da falta da escrituração digital enseja a aplicação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, em respeito ao art. 112, inciso II, do CTN. Inteligência do Parecer Normativo RFB nº 3, de 2013. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Recurso provido parcialmente. Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/201256 Acórdão n.º 1402001.681 S1C4T2 Fl. 1.506 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, a solicitação de diligência e a arguição de decadência. No mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar exigência da multa regulamentar, nos termos do relatório e voto que passam a compor o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez que davam provimento em maior extensão para excluir o PIS e a Cofins, lançados de ofício, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 4 Relatório PLASFAN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Houve também interposição de recurso de ofício em razão do montante do crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância. Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Versa o presente Processo Administrativo Fiscal (PAF) sobre impugnação à exigência de crédito tributário no valor total de R$ 54.247.583,25 – inclusos os consectários legais (juros de mora calculados até “10/2012”; multa de ofício no percentual de 75%) – ante a constatação de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada –, e constituído por autos de infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ; R$ 30.333.943,24; fls. 1.190 1.195), de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL; R$ 10.939.509,24; fls. 1.1961.200), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins; R$ 9.811.254,70; fls. 1.2011.207), Contribuição para o PIS/PASEP (PIS; R$ 2.130.075,07; fls. 1.2081.214), e de Multa Regulamentar referente a omissão/incorreção de dados fornecidos em meio magnético (R$ 1.032.801,00; fls. 1.2151.217). O quadro abaixo (excerto do Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo; fls. 23 do PAF) ilustra a síntese da composição do referido crédito tributário, relativo a períodos de apuração compreendidos no ano de 2007: A discriminação analítica da exigência consta de cada Auto de Infração (fls. 1.1901.217), bem como em seus elementos integrantes (especialmente no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal – TVEF, fls. 1.0891099) – inclusive descrição dos fatos e do enquadramento legal, bases de cálculo, períodos de apuração, alíquotas, juros de mora, percentuais das multas aplicadas etc. Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/201256 Acórdão n.º 1402001.681 S1C4T2 Fl. 1.507 5 De acordo com a autoridade autuante, o citado TVEF compreende os Anexos I (Depósitos bancários sem origem comprovada; fls. 1.1001.137) e II (Documentos com informação errada/omissa nos arquivos magnéticos apresentados; fls. 1.1381.188); e, de outra parte, o TVEF integra todos os autos de infração acima descritos (conforme neles consignado) – sendo que, em seu bojo, encontrase descrição sobre: o histórico do procedimento fiscal (título 1); a análise dos documentos (título 2; dos extratos bancários, das contas de titularidade da fiscalizada, “e outros documentos apresentados (...), buscando a origem e contabilização dos seus respectivos lançamentos de crédito bancário”; as Constatações fiscais (título 3), discriminadas nos itens 3.1 (Do IRPJ e tributos reflexos; com remissão ao citado Anexo I), 3.2 (Do IPI), 3.3 (Da Multa de Ofício), 3.4 (Dos Juros de Mora) e no item 3.5 (Da multa pela apresentação de arquivo magnético com informações erradas; com remissão ao mencionado Anexo II). Por fim, os títulos 4 e 5 versam, respectivamente, sobre a Lavratura e Formalização dos Autos de Infração e acerca do Encerramento da ação fiscal. Esclareçase que a exigência (decorrente) do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) é objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 13896.722527/201245, e que a impugnação respectiva será apreciada na mesma sessão de julgamento relativa ao presente processo. Cientificada da exigência, em 29/10/2012 (A.R. à fl. 1.220), a interessada, apresentou (em 28/11/2012) impugnação (de fls. 1.247 a 1.266; subscrita por procurador com poderes outorgados pelo instrumento de mandato incluso, à fl. 1.268), e respectivos anexos (fls. 1.2711.363), manifestando sua inconformidade contra a autuação, mediante as alegações sumariadas a seguir: · (1. DA TEMPESTIVIDADE) A Impugnante foi notificada da lavratura do presente auto no dia 29/10/2012, podendose inferir a tempestividade da impugnação pela data de seu protocolo (28/11/2012); · (2. DOS FATOS) É empresa que atua no ramo de fabricação e comércio de plásticos. Foi autuada em razão de presunção de omissão de receita em virtude de depósito em conta corrente de origem não comprovada. Todavia, como restará cabalmente demonstrado, da tempestiva impugnação, referida autuação não merece prosperar; · (3. PRELIMINARMENTE. 3.1 – DO ERRO QUANTO À BASE DE CÁLCULO) De acordo com o artigo 288 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), verificada a omissão de receita de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430/96 (depósito bancário de origem não comprovada), a autoridade fiscal deve determinar o “imposto de acordo com o regime de tributação do contribuinte à época do fato” (grifo no original). Contudo, não foi esse o caminho eleito pela autoridade fazendária, pois, não se atentou à forma de apuração da Impugnante, constituindo o crédito tributário sem considerar as despesas com tributos e juros, os quais devem ser computados no período em questão, por força do princípio contábil da competência, razão pela qual deve ser anulado o AI, ora guerreado. · O lançamento não comporta discricionariedade, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), e, assim, a conduta do agente fiscal não se coaduna com os princípio que regem o Direito Administrativo, uma vez que, no presente caso, “determinou a matéria tributável e o montante do suposto imposto devido sem observar o tratamento legal tributário dado a omissão de receita, qual seja apuração do imposto conforme apuração do contribuinte, haja vista não considerar as Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 6 despesas com PIS/COFINS e juros de mora como dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL, majorando, conseqüentemente, o crédito tributário supostamente devido, o que macula integralmente o AI em apreço.” (grifo no original); · O próprio Conselho de Contribuintes têm reiteradamente anulado autos de infração em razão de autuações baseadas em suposições, conforme as ementas transcritas (“ERRO NA IDENTIFICAÇÃO TEMPORAL DO FATO GERADOR ... (ACÓRDÃO 10248.064 EM 09.11.2006)”; “PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 15 DO CARF ... (ACÓRDÃO 380300316)”). “Depreendese (...) que o agente fiscal não pode ao seu bel prazer escolher a base de cálculo, pois quando da constituição do crédito tributário deve observar a legislação tendo em vista tratarse de ato vinculado. (...) Pelo exposto, flagrante a mácula constante do AI ora guerreado, razão pela qual deve ser anulado integralmente.”; · (4. DO DIREITO 4.1. DA DECADÊNCIA QUANTO AO IRPJ/CSLL COM RELAÇÃO AOS DEPÓSITOS MENSAIS E APURAÇÃO DO LUCRO REAL E BC CSLL) O AuditorFiscal, quando do lançamento para fins de apuração do IRPJ e CSLL supostamente devidos a título de omissão de receitas por falta de comprovação de valores creditados à conta corrente da Impugnante, considerou todo o período de 2007, o que não lhe era permitido. De acordo com o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, “esta claro que a contagem do prazo decadencial apresenta como termo inicial os respectivos lançamentos credores em períodos mensais e não anual, como considerado pelo Sr. AFRF. Nesse sentido, o antigo Conselho de Contribuintes já se posicionou por diversas vezes, consoante se pode verificar dos julgados colacionados abaixo: “IRPJ – DECADÊNCIA – LUCRO REAL MENSAL ... (ACÓRDÃO 10708.591 em 25.03.2006)”; “CSLL PIS e COFINS – DECADÊNCIA ... No caso concreto, a obrigação tributária ocorreu em 30/06/97. Como o lançamento foi feito em 19/12/02, decaiu o direito da Fazenda Nacional ... e, por maioria de votos, ACOLHER a decadência de IRPJ e CSLL para fatos geradores até 30/06/98 ... (ACÓRDÃO 107 09.241 em 05.12.2007)” . Diante do exposto, “é incontestável que o período de janeiro a outubro de 2007 fora consumado pela decadência, razão pela qual deve ser afastada qualquer exação a esse título.”; · Com relação ao “período de novembro e dezembro de 2007, importante ressaltar que o fiscal quando da determinação do ‘quantum’ devido deveria refazer a apuração da Impugnante. Isso porque, como já demonstrado acima, nos casos de presunção de receita, o artigo 288 do RIR estabeleceu o tratamento tributário para tanto, ou seja, de acordo com o regime de tributação da Impugnante. Tal questão não teria impacto caso a Impugnante tivesse apurado lucro em 2007. No entanto, conforme pode ser demonstrado pelo LALUR (DOC 03) da Impugnante, no respectivo período, foi apurado prejuízo, o que significa dizer que eventual imposto a pagar seria verificado a partir do resultado positivo do confronto das receitas supostamente omitidas com o prejuízo apurado pela Impugnante. Para facilitar e demonstrar o resultado/receita obtida, apresentase a tabela abaixo: Depósitos de origem não comprovada Prejuízo Fiscal Receita Supostamente Omitida janeiro R$4.891.200,45 R$ 959.399,44 R$ 3.931.801,01 fevereiro R$ 4.214.980,41 R$ 1.698.119,27 R$ 2.516.861,14 março R$4.544.419,38 R$ 1.827.042,24 R$ 2.717.377,14 abril R$ 4.328.124,15 R$ 0,00 R$4.328.124,15 maio R$4.592.716,95 R$4.198.261,37 R$ 394.455,58 junho R$4.019.395,22 R$4.526.601,83 R$ 507.206,61 julho R$4.433.735,74 R$ 3.713.059,14 R$ 720.676,60 agosto R$ 6.194.986,46 R$ 5.348.241,02 R$ 846.745,44 setembro R$ 4.714.845,38 R$ 757.871,84 R$ 3.956.973,54 outubro R$ 5.372.190,52 R$ 3.411.120,34 R$ 1.961.070,18 novembro R$4.750.371,98 R$5.034.670,72 R$ 284.298,74 Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/201256 Acórdão n.º 1402001.681 S1C4T2 Fl. 1.508 7 dezembro R$4.533.559,15 R$ 2.147.229,83 R$ 2.386.329,32 TOTAL R$ 56.590.525,79 R$ 33.621.617,04 R$ 22.968.908,75 Assim, “Considerando a decadência do período de janeiro a outubro de 2007 e que em novembro, com a inclusão das receitas supostamente omitidas, a Impugnante não saiu do quadro de prejuízo, a base de cálculo do IRPJ/CSLL do período a ser considerada é de R$ 2.386.329,32.”; · (4.2. DA DECADÊNCIA DO PIS/COFINS) “Cumpre à Impugnante ressaltar que se operou a decadência do direito de a D. Autoridade Fiscal constituir o crédito tributário em relação ao período de janeiro a outubro de 2007”, uma vez que o “AI ora impugnado foi recebido em 29/10/2012, ou seja, após o decurso do prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e da COFINS relativo ao interregno de janeiro a outubro de 2007.”; · As contribuições sociais PIS e Cofins “são tributos cujo lançamento é por homologação, fato este que pressupõe a aplicação da regra contida no §4º, do artigo 150 do CTN (...)”, que estabelece que a contagem do prazo decadencial ocorre a partir da ocorrência dos seus respectivos fatos geradores. Dispondo o artigo 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 que o fato gerador do PIS/COFINS é mensal, ocorreu a decadência do período de janeiro a outubro de 2007. Nesse sentido, a jurisprudência do “Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF é pacífica, consoante podemos observar dos julgados abaixo colacionados (...)”. Assim, “resta claro que o suposto direito do Fisco de constituir o crédito tributário de PIS/COFINS, em 29/10/2012 (ciência do AI), já havia decaído, razão pela qual não poderia ser objeto de autuação por parte do Fisco, devendo ser cancelado o débito de janeiro a outubro de 2007, uma vez que extinto”, nos termos do artigo 156, incisos V e VII, do CTN; · (4.3 – DA EXCLUSÃO DO PIS/COFINS, IPI E DOS JUROS DE MORA DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL) O AuditorFiscal não observou o disposto no art. 344 do RIR/99 (transcrito), uma vez que “simplesmente utilizou os valores supostamente omitidos como base de cálculo para todos os lançamentos”, sendo que “deveria ter refeito a apuração da Impugnante e computado, segundo o regime de competência, as contribuições ao PIS/COFINS e IPI, porquanto dedutíveis da base de cálculo do lucro real e da base de cálculo da CSLL, conforme legislação que rege a matéria”; · Idêntico procedimento deveria ter sido observado quanto aos juros de mora, haja vista tratarse de mera recomposição patrimonial, ou seja, tem natureza compensatória. Com efeito, o parecer normativo n° 61/79 determina que as multas e os acréscimos legais considerados dedutíveis e que tem natureza compensatória são: as que decorrem do recolhimento do tributo fora do prazo legal; os juros de mora resultantes do recolhimento espontâneo fora do prazo. A partir do entendimento consubstanciado no parecer mencionado, poríamos concluir precipitadamente e equivocadamente que tendo em vista que o suposto tributo não foi recolhido no prazo os juros de mora não seriam dedutíveis. No entanto, os juros de mora nada mais são do que despesas financeiras, as quais em virtude da sua natureza são dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL nos termos do artigo 374 do RIR/99 (transcrito); · Diante do exposto, para fins de apuração do IRPJ/CSLL, os valores devidos a título de PIS/COFINS e IPI e juros de mora de PIS/COFINS/CSLL/IRPJ/IPI devem ser excluídos do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos termos da legislação que rege a matéria. Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 8 · (4.4 – NÃO APLICABILIDADE DA MULTA POR INCORREÇÕES EM ARQUIVO MAGNÉTICO) A impugnante entregou, no curso da ação fiscal, pautado pela boafé e no afã de responder aos questionamentos do Sr. AFRF, arquivo eletrônico sem o destaque dos códigos NCM’s, razão pela qual fora multada, nos termos do artigo 12 da Lei nº 8.218/91. É importante destacar que, para fins de aplicação da respectiva penalidade, é insofismável que seja verificada que a omissão ou a informação incorreta impossibilitem a lavratura do auto de infração, o que não se verifica no caso em questão, razão pela qual o AuditorFiscal não poderia ter aplicado referida penalidade; · Ademais, o Sr. AFRF não se atentou para o fato de que período no qual ocorreram as operações fiscais está consumido pela decadência (artigo 150, §4º do CTN). Em conseqüência, não poderia ser utilizado como base para aplicação da penalidade, nos termos do parágrafo único do artigo 12 da Lei nº 8.218/91 (transcrito). Ora, Senhores Delegados, é indubitável que conforme §4º, artigo 150 do CTN o período de janeiro a outubro de 2007 resta decaído, o que, de acordo com o dispositivo destacado acima, nos leva a crer que as operações ocorridas neste ínterim, não podem ser base de cálculo para aplicação da penalidade em questão, devendo ser cancelada do presente AI.; · (4.5 – DA DILIGÊNCIA) Requer, com base no princípio do juiz natural e no livre convencimento, que o presente processo seja convertido em diligência para sanar eventuais dúvidas e provar o alegado por todos os meios de provas admitidos em direito. · (5 – DO PEDIDO) Requer o recebimento da impugnação, anulandose a infração impugnada ‘in totum’, e determinando seu cancelamento imediato, assim como os consectários legais. Caso não seja esse o entendimento, que no mérito seja reconhecida a decadência do IRPJ, CSLL, PIS/COFINS e multa (período das operações usado como base de cálculo) referente o período de janeiro a outubro de 2007 e extinto o crédito tributário deste período; sejam excluídos do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL com relação a dezembro (novembro apurou prejuízo mesmo com a inserção das receitas supostamente omitidas) os valores devidos de PIS/COFINS, IPI e juros de mora (incidentes sobre todos os tributos). Alternativamente, seja o processo convertido em diligência para sanar eventual dúvida ou provar o alegado. A decisão recorrida julgou a impugnação parcialmente procedente, acolhendo a preliminar de decadência quanto às contribuições PIS e Cofins referentes aos fatos geradores ocorridos até 30/09/2007. O contribuinte foi cientificado da decisão em 10 de julho de 2013, apresentando recurso voluntário em 06 de agosto de 2013 (fls.14251440). Em resumo, utilizouse dos mesmos argumentos expendidos em impugnação, complementando, tão somente, discordar da decisão da DRJ quanto à ausência de impugnação de algumas matérias (alega que impugnou todos os pontos do lançamento). Houve interposição de recurso de ofício. É o relatório. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/201256 Acórdão n.º 1402001.681 S1C4T2 Fl. 1.509 9 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso de ofício deve ser conhecido, uma vez que exonerada parcela de crédito tributário superior a R$ 1.000.000,00. De igual forma, deve ser conhecido também o recurso voluntário, posto que tempestivo e dotado dos demais pressupostos legais de admissibilidade. 1 RECURSO DE OFÍCIO A turma de julgamento a quo recorreu de ofício a este Colegiado em razão da exoneração de crédito tributário superior a R$ 1.000.000,00. O provimento parcial à impugnação se deu pelo reconhecimento da decadência de PIS e Cofins relativamente aos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2007, posto que o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 29 de outubro de 2012. Mostrase correta a decisão recorrida. Isso porque, conforme bem analisado pelo ilustre relator a quo, na ausência de dolo, fraude ou simulação, e, comprovado o pagamento antecipado de PIS e Cofins, aplicase o art. 150, § 4º, do CTN para contagem do prazo decadencial, conforme já pacificado pelo STJ no julgamento do REsp 973.733. Convém ressaltar que tal precedente do STJ foi julgado na forma do art. 543 C do Código de Processo Civil, implicando, portanto, a adoção cogente de tal entendimento por este Colegiado, conforme determina o art. 62A do Regimento Interno do CARF. Desse modo, voto por negar provimento ao recurso de ofício. 2 RECURSO VOLUNTÁRIO 2.1 ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA Aduz a Recorrente que deve ser extinto o crédito tributário de IRPJ e CSLL, bem como da multa regulamentar aplicada, relativa aos períodos de apuração de janeiro a outubro de 2007. Requer também o reconhecimento da decadência em relação ao PIS e a Cofins do mês de outubro de 2007. Não assiste razão à Recorrente. Em relação ao IRPJ e CSLL, tratandose de apuração anual, ainda que ausente dolo, fraude ou simulação, e ainda que ocorrendo pagamento antecipado, a contagem da decadência somente se inicia ao final do período de apuração, no caso, dezembro de 2007. Considerandose que o lançamento foi realizado em 29 de outubro de 2012, não há que se falar em decadência. Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 10 No que tange ao PIS e Cofins do mês de outubro de 2007, consideradas as mesmas premissas utilizadas em relação ao IRPJ e CSLL, ainda que o período de apuração de tais contribuições seja mensal, não há que se falar em decadência, posto que a formalização do lançamento deuse em menos de 5 anos da data de ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). No que tange à decadência da multa regulamentar, perfeitas as considerações da decisão recorrida. A multa aplicada não diz respeito aos fatos geradores ocorridos em 2007, mas sim à suposta apresentação incorreta de arquivos digitais no curso do procedimento fiscal, iniciado em 2011. Incabível, assim, qualquer discussão a respeito de decadência, posto que o lançamento foi realizado em 29 de outubro de 2012. Portanto, deve ser rejeitada a arguição de decadência. 2.2 NULIDADE Alega a Recorrente que o lançamento seria nulo em razão de a autoridade fiscal não ter considerado os prejuízos fiscais apurados pelo contribuinte, bem como não ter deduzido das bases de cálculo de IRPJ e CSLL os valores de PIS e Cofins exigidos de ofício. Tais matérias, ainda que fossem consideradas pertinentes, dizem respeito ao mérito da exigência, não comportando, por qualquer ângulo, sua análise sob o enfoque da nulidade. A nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A despeito do já exposto, no caso concreto não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, conseguiu defenderse plenamente. Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/201256 Acórdão n.º 1402001.681 S1C4T2 Fl. 1.510 11 Nesse aspecto, frisese que a possibilidade de defesa foi amplamente viabilizada pela descrição dos fatos realizada pela autoridade fiscal. Portanto, no caso em concreto, não há que se falar em cerceamento de defesa, não havendo qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e ampla defesa, aliás, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Assim sendo, sob os aspectos formais, não há qualquer mácula nos autos de infração lavrados. No mais, o agir da autoridade fiscal se deu no desempenho das funções estatais, de acordo com as normas legais e com respeito a todas as garantias constitucionais e legais dirigidas aos contribuintes. Desse modo, rejeito preliminar de nulidade. 2.3 DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA O interessado requereu em sua impugnação, reforçandose em sede de recurso voluntário, a fim de que fosse aferida a correta base de cálculo do IRPJ e CSLL, uma vez que a autoridade fiscal não teria considerado os prejuízos fiscais e bases negativas de cSLL apurados, bem como não deduzido de suas bases de cálculo os valores exigidos de ofício a título de PIS e Cofins. O pedido foi indeferido pela decisão recorrida de forma fundamentada. O recurso voluntário apresentado repete o pedido de diligência, devendo, de igual forma, ser rejeitado. O inciso IV do art. 16 e o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993), assim dispõem: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). § 1° – Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (parágrafo introduzido pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/1993). [...] Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 12 necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, tanto a perícia quanto a diligência objetivam a comprovação de elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos. No caso ora examinado tratase da exigência de tributos sobre suposta omissão de receitas baseada em presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Os pontos levantados pela Recorrente a fim de justificar a possível diligência diz respeito à correta base de cálculo de IRPJ e CSLL, matéria, conforme já abordado alhures, atinente ao mérito da lide e que será abordada em ponto específico deste voto. Dessa forma, resta demonstrada a desnecessidade de diligência, uma vez que, conforme dispõe o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, compete à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Diante do exposto, indefiro o pedido de diligência. 2.4 DELIMITAÇÃO DA LIDE Embora a Recorrente se insurja quanto às conclusões da DRJ relativas à definitividade das infrações não impugnadas, não há reparos a fazer em relação à decisão recorrida. Basta verificar que a infração relativa a omissão de receitas não foi atacada pela interessada, quer em sede de impugnação, quer no presente recurso voluntário. De qualquer forma, frisese que tal conclusão não redunda em qualquer prejuízo à Recorrente. 2.5 DAS BASES DE CÁLCULO DE IRPJ E CSLL 2.5.1 DA SUPOSTA NÃO CONSIDERAÇÃO DOS PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DE CSLL Aduz a Recorrente que “eventual imposto a pagar seria verificado a partir do resultado positivo do confronto das receitas supostamente omitidas com o prejuízo apurado pela Impugnante”, consoante teria demonstrado na tabela inserta no referido item da impugnação e reproduzida em seu recurso voluntário. Ocorre que, conforme já abordado, a Recorrente optou pela apuração anual do IRPJ e da CSLL (opção essa mantida pelo Fisco no lançamento). E, como pode ser verificado dos autos de infração desses tributos, o prejuízo fiscal e a base negativa da CSLL (tal como) declarados pela contribuinte (R$ 2.147.229,83; fls. 1.192 e 1.198) foram compensados com o valor tributável apurado (R$ 56.590.525,79), resultando no valor tributável após compensação de R$ 54.443.295,96. Assim, inexiste reparo a fazer no procedimento fiscal acerca dessa questão. Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/201256 Acórdão n.º 1402001.681 S1C4T2 Fl. 1.511 13 2.5.2 DA DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES (PIS E COFINS) E DO IPI LANÇADOS DE OFÍCIO E RESPECTIVOS JUROS DE MORA Alega a Recorrente que os valores lançados de ofício relativos às contribuições PIS e Cofins e ao imposto IPI, e respectivos juros de mora, deveriam ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL já no momento do lançamento. Entendo não assistir razão à Recorrente. É que a despesa para ser considerada incorrida e, portanto, dedutível na apuração do lucro real, deve ser revestida dos atributos de certeza e liquidez. Esse, aliás, o entendimento contido no Parecer Normativo Cosit nº 07/76 o qual conclui que “a despesa cuja realização está condicionada à ocorrência de evento futuro, indisponível para o beneficiário o correspondente rendimento, não pode ser considerada incorrida, vedada, por conseqüência, sua dedutibilidade na apuração dos resultados anuais”. Desse modo, enquanto perdurar a discussão administrativa sobre a exigência dos tributos lançados de ofício, não há que falar em sua dedutibilidade das bases de cálculo de IRPJ e CSLL. Conforme bem observado pela decisão recorrida, “a contribuinte impugnou os lançamentos das contribuições PIS e Cofins e do imposto IPI (este, objeto do PAF 13896.722527/201245), em relação aos quais pleiteia a dedutibilidade imediata da base de cálculo do IRPJ e da CSLL apurados nos mencionados lançamentos de ofício”. Ressaltase que mesmo antes da impugnação o crédito tributário não se mostrava exigível. Isso porque o art.10 , inciso V, do Decreto nº 70.235, de 1972 dispõe que na lavratura do auto de infração deva constar “a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias”. E, durante tal prazo, o contribuinte já faz jus à certidão positiva com efeito de negativa a que alude o art. 206 do CTN. Nesse sentido, assim dispõe o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 5, de 27/01/1995: “Poderá ser expedida certidão positiva de débitos, com efeitos de certidão negativa (art. 206 do CTN), no decorrer do prazo previsto no art. 31, parágrafo único, do Decreto n.º 70.235/72, quando requerida por sujeito passivo intimado na forma desse dispositivo”. Conforme se observa, em tal interregno o contribuinte fará jus à certidão positiva com efeito de negativa, o que implica, a teor do que dispõe o art. 206 do estatuto tributário, que ou já haverá penhora, ou o crédito deve se encontrar com exigibilidade suspensa. No mesmo sentido, a Instrução Normativa RFB nº 734, de 2007, determina que: Art. 3º A certidão conjunta positiva com efeitos de negativa, de que trata o art. 3 º da Portaria Conjunta PGFN/RFB n º 3, de 2007, será emitida quando não existirem pendências cadastrais em nome do sujeito passivo e constar, em seu nome, somente a existência de débito: Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 14 [...] II cujo lançamento se encontre no prazo legal para impugnação ou recurso, nos termos do Decreto n º 70.235, de 6 de março de 1972. [grifo nosso] Vêse, assim, que a suspensão da exigibilidade do lançamento nos primeiros trinta dias após a ciência do lançamento advém da própria redação do art. 10 do Decreto 70.235, de 1972, o qual determina, na formalização do lançamento, que o contribuinte seja intimado para pagar ou impugnar no prazo de 30 dias. Ora se a administração concede o prazo de 30 dias também para o pagamento, não há outra conclusão a se chegar: durante tal prazo o crédito não pode ser exigido Já tendo sido constituído, a única hipótese para não se cobrar tal crédito, de forma imediata, é a suspensão de sua exigibilidade. Destaco ainda que o prazo de prescrição somente se inicia após 30 dias da data do lançamento (o que corrobora a suspensão da exigibilidade em tal período). Nesse sentido, destaco excerto do voto condutor do aresto no RECURSO ESPECIAL Nº 1.399.591: O Código Tributário Nacional, no caput de seu art. 174, dispõe que a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Sobre o termo a quo do prazo prescricional quinquenal para a cobrança dos créditos tributários constituídos e exigíveis na forma do Decreto n. 70.235∕72, não corre a prescrição enquanto não forem constituídos definitivamente tais créditos, ou seja, enquanto não se esgotar o prazo de trinta dias previsto no art. 15 daquele diploma normativo, prazo este fixado para a impugnação da exigência tributária. Desse modo, considero que os tributos lançados de ofício estão com exigibilidade suspensa desde a ciência do lançamento. Frisase ainda que, além da impossibilidade de dedução de despesa que ainda dependa de evento futuro para ser considerada incorrida, há dispositivo específico que impede a dedução de tributos com exigibilidade suspensa, excetuandose a regra geral de dedutibilidade com base no regime de competência (art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 base legal do art. 344, § 1º, do RIR de 1999): “Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º. O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1996, haja ou não depósito judicial.” [grifos nossos] Com efeito, a partir de janeiro de 1995, a dedução pelo regime de competência não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa em virtude de impugnação, reclamação ou recurso, nos termos das leis reguladoras do processo administrativo. Nessa situação se inserem os valores objeto de lançamento de ofício. Ressalta se que tal mecanismo não impede que o contribuinte usufrua da dedução dessas despesas. Implica, tão somente, que não será possível deduzilas com base no regime de competência, Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/201256 Acórdão n.º 1402001.681 S1C4T2 Fl. 1.512 15 podendo fazêlo somente quanto efetivamente extinto o débito ou, ainda que assim não ocorra, desde que não mais estejam com a exigibilidade suspensa, logo que contabilizálas. Ora, conforme visto, nos casos de lançamento de ofício, além da suspensão imediata do crédito tributário nos primeiros trinta dias após sua constituição, com a interposição de impugnação tempestiva mantémse tal inexigibilidade, nos termos do inciso III do art. 151 do CTN. Por decorrência, além de não caracterizar despesa incorrida no momento do lançamento, havendo apresentação de impugnação tempestiva em relação aos tributos lançados de ofício, estes somente são dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL no momento em que houver a decisão final da lide, e somente na hipótese de ser essa desfavorável ao contribuinte. Tratase, na realidade, de situação idêntica ao que ocorre quando presentes medidas judiciais suspensivas, em que os respectivos tributos contestados deixam de ser dedutíveis pelo regime de competência, permitindose sua influência nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL somente se o contribuinte não obtiver sucesso em sua demanda judicial. Com efeito, caso o contribuinte contabilize tais despesas, deverá adicionálas na parte A do Lalur, mantendoas na parte B até que sobrevenha a decisão final do processo administrativo em que se discute a exigência. Caso o contribuinte seja vencido, a partir de então as despesas com tributos passam a ser dedutíveis, permitindo sua exclusão na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Destaco ainda que não há base legal para "suspensão" ou interrupção do prazo decadencial em caso de reforma do lançamento questionado (por exemplo, excluir determinada infração de omissão de receita, ou reformar parcialmente a exigência de PIS/Cofins em razão de não terem sido considerados eventuais créditos, ou, até mesmo, a exoneração completa da exigência de PIS e Cofins por qualquer outro motivo), o que, por decorrência, diminuiria os valores de PIS e Cofins lançados de ofício e eventualmente deduzidos da base de cálculo do IRPJ no momento do lançamento. Assim, nas hipóteses em que decorridos mais de cinco anos entre o lançamento e a decisão definitiva que por ventura exonerasse parcela de PIS e Cofins lançados, não teria como o Fisco constituir o crédito tributário de IRPJ e de CSLL relativo ao PIS e Cofins indevidamente excluídos no momento do lançamento. No tocante a dedutibilidade dos juros de mora, o mesmo entendimento deve ser aplicado, dada sua natureza acessória, que segue a regra aplicada ao principal. Por decorrência, no silêncio do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, no que atine à dedutibilidade dos acréscimos moratórios, estes devem seguir a regra de dedutibilidade do principal. Isso posto, entendo não ser possível a dedutibilidade, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, dos tributos e juros de mora exigidos de ofício. Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 16 2.6 DA MULTA “POR INCORREÇÕES EM ARQUIVO MAGNÉTICO”: No que tange à exigência de penalidade por incorreções em arquivo magnético, assim concluiu a decisão recorrida: No que se refere à multa aplicada pela apresentação de arquivo magnético com informações erradas (conforme descrito no item 3.5 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, bem como resumido anteriormente, no Relatório; e com fundamento nos artigos 11 e 12, inciso II, da Lei nº 8.218, de 1991, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15834/2001 e reedições) –, além de não merecer acolhimento a alegação de decadência (como esclarecido anteriormente), melhor sorte não encontra o argumento, apregoado na peça impugnatória, de que “é insofismável que seja verificada que a omissão ou a informação incorreta impossibilitem a lavratura do auto de infração”. Conforme se pode inferir do dispositivo legal mencionado, para a sua aplicação, suficiente que tenha ocorrido a inobservância do dever legal nele previsto – situação fática, aliás, incontroversa. Improcede, pois a insurgência da impugnante. Contudo, entendo que a penalidade aplicada não deve prevalecer. Isso porque, segundo entendimento firmado pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, somente se aplicam as penalidades previstas nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, caso as pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal não observem o dever de manter à disposição daquela Secretaria os arquivos digitais e sistemas durante o prazo decadencial. No caso de não apresentação dos demonstrativos a penalidade a ser aplicada deveria ser a prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Tal entendimento é expresso no o Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, cujos excertos de interesse transcrevo a seguir: Fundamentos (i) Ocorreu revogação tácita dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, tendo em vista a falta de disposição específica? 4. Para responder o primeiro questionamento, utilizarseão os elementos da regra matriz de incidência para verificar se as multas tratam do mesmo objeto. A regra matriz possui no antecedente da norma os elementos material, espacial e territorial, enquanto o consequente possui o quantitativo (base de cálculo e alíquota) e o pessoal. Vide o quadro abaixo: Elementos Art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, na redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012 Arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991: Material: (i) deixar de apresentar nos prazos fixadosdeclaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no9.779, de 19 de janeiro de 1999; Inobservância de manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/201256 Acórdão n.º 1402001.681 S1C4T2 Fl. 1.513 17 (ii) os apresentar com incorreções ou omissões. Espacial Geral Geral Temporal será intimado para: (i) apresentálos; ou (ii) para prestar esclarecimentos que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias. manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação + expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. Pessoal O sujeito passivo As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras,escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. Quantitativo (i) por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mês calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (ii) por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; (iii) por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. (i) meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; (ii) multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informaçõessolicitadas, limitada a um por cento da receita bruta; (iii) multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. 4.1. O legislador poderia ter dado nova redação ao art. 72 da MP nº 215835, de 2001, o qual deu a atual redação dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, em vez de ter alterado o art. 57 da MP. Se não o fez, chegase à conclusão que tais dispositivos continuam vigentes, com exceção das situações de incompatibilidade com o novo art. 57. Isso tendo em vista o critério cronológico, já que eles têm o mesmo grau hierárquico e são normas específicas. Analisamse de forma comparada, portanto, os elementos do atual art. 57 da MP nº 215835, de 2001, com os arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991; Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 18 4.2. No elemento pessoal, o sujeito passivo da Lei nº 8.218, de 1991, é a pessoa jurídica que utiliza sistema eletrônico de processamento de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. Já a multa da Lei nº 12.766, de 2012, não possui delimitação. É apenas o sujeito passivo, ou seja, qualquer um cuja conduta contrária ao direito enseje a sanção. 4.3. O elemento material possui verbos distintos. Enquanto a nova lei fala em “deixar de apresentar” declaração demonstrativo ou escrituração digital, ou os “apresentar com incorreções ou omissões”, a Lei nº 8.218, de 1991, traz, no art. 11, a conduta esperada, que é “manter à disposição” os respectivos arquivos digitais e sistemas das pessoas jurídicas destinatárias da conduta: os “sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras,escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal”. A multa é pela sua inobservância. 4.4. Na literalidade do disposto na Lei nº 12.766, de 2012, a multa é para aqueles sujeitos, quaisquer que sejam, que não apresentem ou o façam incorreta ou intempestivamente declaração, demonstrativo ou escrituração digital. Eles não apresentam, mas possuem a escrituração eletrônica. Já a Lei nº 8.218, de 1991, é para aquelas pessoas jurídicas que nem mantêm os arquivos digitais e sistemas à disposição da fiscalização de maneira contínua. Objetivamente a infração ocorre (seu “fato gerador”) com a não apresentação, apresentação incorreta ou intempestiva, mas os elementos materiais são distintos. [grifei] 4.5. Caso a Fiscalização comprove que a pessoa jurídica não apresentou o demonstrativo ou escrituração digital por não ter escriturado e, concomitantemente, não mantém os arquivos à disposição de maneira contínua à RFB, tal conduta se amolda no aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Ressaltese que a falta de existência de comprovação da falta de escrituração digital de maneira contínua quando seja obrigatória (caso da Escrituração Contábil Digital (ECD), por exemplo) deve ser demonstrada e comprovada. [grifei] 4.6. Na situação do item 4.5, é importante que a aplicação da multa prevista nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, se coadune com a distinção dos aspectos materiais dela em relação ao novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. A simples não apresentação de documentos sem a comprovação de que faltou a escrituração não pode gerar a multa mais gravosa, mas sim a geral de que trata o novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. Havendo dúvidas quanto a esse fato ou não se conseguindo comproválo, aplicase a multa mais benéfica da Lei nº 12.766, de 2012, em decorrência do que determina o art. 112, inciso II, da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). [grifei] [...] Desse modo, resta evidente que, tratandose de arquivos apresentados pela Recorrente, mas com correções ou omissões, a penalidade a ser aplicada deveria ser a prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Desse modo, voto por cancelar a penalidade cominada. Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/201256 Acórdão n.º 1402001.681 S1C4T2 Fl. 1.514 19 2.7 DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Por fim, alegou o contribuinte que a cobrança de juros sobre a multa de ofício seria ilegal. Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner. O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 20 integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/201256 Acórdão n.º 1402001.681 S1C4T2 Fl. 1.515 21 tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 22 Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n.) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722525/201256 Acórdão n.º 1402001.681 S1C4T2 Fl. 1.516 23 No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Isso posto, voto por manter a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada. 3. CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar as arguições de nulidade e de decadência, e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, exonerando a penalidade relativa por “incorreções em arquivos magnéticos”. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13767.000967/2007-56
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
NULIDADE. MATÉRIA DE MÉRITO.
Versando a alegada nulidade sobre matéria de mérito, como tal deverá ser tratada.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO
O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo.
SUSTENTAÇÃO ORAL.
A sustentação oral por causídico está jungida às normas constantes no parágrafo único do art. 55 do Anexo II do RICARF.
PEDIDO DE DILIGÊNCIAS E DE PRODUÇÃO DE PROVAS.
Não prospera pedido genérico de diligências e de produção de provas, tanto mais quando realizado em momento processual em que já se operou a preclusão.
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO SUPERVENIENTE DE RECIBOS SEM VÍCIO FORMAIS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Autuação amparada exclusivamente na constatação de vícios formais nos recibos médicos trazido pelo contribuinte, não pode subsistir caso sejam sanadas tais deficiências, ainda que mediante declaração dos profissionais emitentes.
DESPESAS MÉDICAS. MANUTENÇÃO DA GLOSA. REQUISITO NÃO CUMPRIDO.
Não suprido requisito formal do documento em sede recursal, mantém-se a glosa da despesa.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício baseia-se na análise da constitucionalidade das normas que lhe dão suporte.
REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO ATÉ A DECISÃO FINAL ADMINISTRATIVA. DESCABIMENTO.
Inexistência de previsão legal para que a redução da multa de ofício possa se dar até a decisão final administrativa. Antecipação do pagamento considerada a finalidade arrecadatória do sistema tributário, a ser correspondida, nos termos do art. 6 da Lei nº 8.218/91, com a redução da multa de ofício lavrada.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
Sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, por força de lei e a partir de 1º de janeiro de 1995, incidem juros de mora à taxa Selic. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-002.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor total de R$4.050,00(quatro mil e cinquenta reais), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 NULIDADE. MATÉRIA DE MÉRITO. Versando a alegada nulidade sobre matéria de mérito, como tal deverá ser tratada. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral por causídico está jungida às normas constantes no parágrafo único do art. 55 do Anexo II do RICARF. PEDIDO DE DILIGÊNCIAS E DE PRODUÇÃO DE PROVAS. Não prospera pedido genérico de diligências e de produção de provas, tanto mais quando realizado em momento processual em que já se operou a preclusão. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO SUPERVENIENTE DE RECIBOS SEM VÍCIO FORMAIS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Autuação amparada exclusivamente na constatação de vícios formais nos recibos médicos trazido pelo contribuinte, não pode subsistir caso sejam sanadas tais deficiências, ainda que mediante declaração dos profissionais emitentes. DESPESAS MÉDICAS. MANUTENÇÃO DA GLOSA. REQUISITO NÃO CUMPRIDO. Não suprido requisito formal do documento em sede recursal, mantém-se a glosa da despesa. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício baseia-se na análise da constitucionalidade das normas que lhe dão suporte. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO ATÉ A DECISÃO FINAL ADMINISTRATIVA. DESCABIMENTO. Inexistência de previsão legal para que a redução da multa de ofício possa se dar até a decisão final administrativa. Antecipação do pagamento considerada a finalidade arrecadatória do sistema tributário, a ser correspondida, nos termos do art. 6 da Lei nº 8.218/91, com a redução da multa de ofício lavrada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, por força de lei e a partir de 1º de janeiro de 1995, incidem juros de mora à taxa Selic. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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MATÉRIA DE MÉRITO. Versando a alegada nulidade sobre matéria de mérito, como tal deverá ser tratada. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral por causídico está jungida às normas constantes no parágrafo único do art. 55 do Anexo II do RICARF. PEDIDO DE DILIGÊNCIAS E DE PRODUÇÃO DE PROVAS. Não prospera pedido genérico de diligências e de produção de provas, tanto mais quando realizado em momento processual em que já se operou a preclusão. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO SUPERVENIENTE DE RECIBOS SEM VÍCIO FORMAIS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Autuação amparada exclusivamente na constatação de vícios formais nos recibos médicos trazido pelo contribuinte, não pode subsistir caso sejam sanadas tais deficiências, ainda que mediante declaração dos profissionais emitentes. DESPESAS MÉDICAS. MANUTENÇÃO DA GLOSA. REQUISITO NÃO CUMPRIDO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 7. 00 09 67 /2 00 7- 56 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Não suprido requisito formal do documento em sede recursal, mantémse a glosa da despesa. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplicase a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício baseiase na análise da constitucionalidade das normas que lhe dão suporte. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO ATÉ A DECISÃO FINAL ADMINISTRATIVA. DESCABIMENTO. Inexistência de previsão legal para que a redução da multa de ofício possa se dar até a decisão final administrativa. Antecipação do pagamento considerada a finalidade arrecadatória do sistema tributário, a ser correspondida, nos termos do art. 6 da Lei nº 8.218/91, com a redução da multa de ofício lavrada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, por força de lei e a partir de 1º de janeiro de 1995, incidem juros de mora à taxa Selic. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor total de R$4.050,00(quatro mil e cinquenta reais), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ Brasília, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 18.044,19, relativo ao anocalendário 2004. A autuação decorreu da dedução indevida de despesas médicas, sendo R$ 24.078,25 glosados por falta de comprovação do efetivo pagamento, e R$ 7.050,00 glosado por não falta de aposição do endereço dos emitentes nos recibos. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13767.000967/200756 Acórdão n.º 2802002.934 S2TE02 Fl. 107 3 Inconformado, informou o contribuinte em sua impugnação o endereço dos emitentes recibos e trouxe documentos vinculados ao pagamento tido por não comprovado, insurgindose, ainda, contra a multa de ofício lavrada. A decisão recorrida cancelou parcialmente o lançamento, exonerando os R$ 24.078,25 relativos aos pagamentos efetuados à Casa de Saúde São Bernardo, CNPJ nº 31.488.208/000125, entendoos como suficientemente comprovados. No que tange às demais despesas médicas, foi ponderado que “a indicação do endereço deve vir no próprio recibo ou em declaração firmada pelo profissional atestando os serviços médicos”, não em relação constante da peça impugnatória, sendo mantido o gravame bem como a multa de ofício, esta por ter sido aplicado dentro dos estritos limites legais no decorrer de atividade vinculada. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 22/8/2011, apresentando declarações dos profissionais que emitiram os recibos e opondose novamente à multa de ofício, por ser esta confiscatória e com o entendimento de que faria jus a sua redução, até a implementação da decisão final administrativa. Demanda, ao final: a nulidade do lançamento guerreado, por restarem as despesas médicas comprovadas com a documentação trazida; o reconhecimento de que a não análise dos documentos e a não realização de diligências a eles vinculada implicaria cerceamento de defesa; caso determinado o recolhimento da multa, que seja autorizada sua redução sem vinculação a prazos, até a conclusão do julgamento, excluindose ainda a incidência da taxa Selic; a “cientificação de todos os procedimentos administrativos” e fornecimento de certidão de todas as decisões proferidas, por meio de remessa ao seu advogado; a prova do direito por todos os meios admitidos, propugnando a determinação de realização e diligências e, por meio de intimação oportuna, o implemento de sustentação oral. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Nulidade. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O contribuinte pleiteia seja decretada a nulidade do “Auto de Infração” [sic], por ter apresentado todos os documentos necessários para a aferição das despesas médicas e o endereço dos emitentes dos recibos, restando elas cabalmente comprovadas. A matéria levantada se confunde com o mérito e como tal será oportunamente enfrentada, portanto, rejeito a argüição. Da intimação pessoal do patrono do contribuinte e da sustentação oral. É demandada a ciência pessoal do patrono do contribuinte acerca dos procedimentos e decisões administrativas, inclusive para que seja possibilitado o implemento de sustentação oral. O art. 23, incisos I a III do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (na redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997), estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Regimento Interno do CARF RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). O parágrafo único do art. 55 do Anexo II desse regimento1, por outro lado, regra que a pauta de julgamento deve ser publicada no Diário Oficial da União com dez dias de antecedência, bem como no sítio da internet do CARF, sendo perfeitamente possível ao patrono do autuado acompanhar tais publicações para, caso lhe aprouver, formular sustentação oral na sessão de julgamento. Improcedentes, portanto, os pedidos. Da produção de todas as provas permitidas pelo direito e das diligências. O contribuinte protesta pela prova do alegado por todos os meios admitidos pelo direito e determinação de diligências, sob pena de cerceamento de defesa. Não merece guarida tal pretensão. O autuado não apresenta quesitos específicos para serem analisados e formula pedido de diligências em etapa descabida do rito processual, não observando o disposto nos arts. 16, § 4º e 18 do Decreto nº 70.235/72. Merece ser lembrado que a produção de provas com vistas a infirmar a autuação é ônus do contribuinte, cabendolhe sustentar a defesa de seu direito com documentação hábil a fundamentar suas razões. As diligências não se prestam para a busca de novos elementos de prova em face de alegações genéricas do contribuinte, tanto mais, repita se, quando o momento processual apropriado já está precluso. Indefiro, por conseguinte, o pleito. Mérito. Das despesas médicas glosadas. A Notificação de Lançamento, no ponto que permanece sob controvérsia na presente instância recursal, foi decorrente da dedução indevida de despesas médicas, sendo 1 Art. 55. A pauta da reunião indicará: (...) Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13767.000967/200756 Acórdão n.º 2802002.934 S2TE02 Fl. 108 5 glosados os recibos vinculados aos seguintes profissionais, com os respectivos valores: Rodrigo Bissi Bortolini R$ 3.200,00; Altamir Fagundes Filho, R$ 700,00; Domingos Lopes Furtado, R$ 150,00; e Rogério Liberato Porto, R$ 3.000,00, todos por ausência de endereço dos emitentes. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) O contribuinte apresentou no corpo da impugnação relação dos endereços dos profissionais prestadores dos serviços, procedimento que não satisfaz os requisitos legais acima mencionados. Como bem observado no julgamento contestado, a indicação deve vir no próprio recibo ou em declaração firmada pelo profissional emitente. Acrescento ser, ainda, admissível Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 a apresentação de segunda via dos recibos, desde que atendidos os requisitos estipulados pelas normas de regência. A relação apresentada consubstanciase, na verdade, em mera declaração do próprio contribuinte sobre o conhecimento de determinados fatos, no caso, os supostos endereços dos prestadores de serviço. Mas, conforme dispõem os arts. 368 e 373 do Código de Processo Civil, semelhante documento pode tãosomente comprovar a declaração em si, mas não a veracidade das informações nele consignados. Muito embora tais considerações, destaquese que quando da interposição do recurso voluntário, o contribuinte apresentou novos documentos a título de comprovação de despesas médicas, os quais reputa terem o condão de sanar eventuais vícios constantes nos anteriormente entregues. Vale observar, por oportuno, que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 impõe restrições à apresentação de documentos em momento posterior à impugnação. A prescrição legal traduz norma de preclusão temporal, atinente às relações processuais desenvolvidas no bojo do contencioso administrativotributário, e que objetiva, principalmente, impulsionálo de forma segura e ordenada para a solução do conflito instaurado, dentro de um contexto de proteção à boafé. “Como técnica que é, a preclusão deve ser pensada e aplicada em função dos valores a que busca proteger”, conforme já alertou o processualista Fredie Didier Jr. 2. Nessa linha, a aceitação como prova de documento apresentado em momento posterior à impugnação deve ser cogitada, excepcionalmente, desde que respeitadas três condições. Primeiro, possuir o documento a característica de permitir o pronto deslinde do caso controverso, viabilizandose assim o atendimento aos princípios da verdade material, da informalidade moderada e da instrumentalidade. Segundo, que sua análise não implique retorno à etapa processual já superada, salvo para diligência complementar de natureza essencial e âmbito restrito, sob pena de violação frontal aos princípios da preclusão, da duração razoável do processo e da eficiência, os quais servem de esteio ao mencionado art. 16 do Decreto nº 70.235/72. E terceiro, que não reste evidenciado o fato de ter sido a entrega do documento nessa etapa do rito conduta com fins procrastinatórios, em atenção aos deveres de lealdade e ética no curso do processo. Com efeito, o atendimento a essas condições permite maximizar a eficácia do princípio preclusivo, assim entendido como técnica a serviço da composição administrativa dos conflitos tributários. Na espécie, reconhecese que as declarações firmadas pelos profissionais Rodrigo Bissi Bortolini, Altamir Fagundes Filho e Domingos Lopes Furtado (fls. 93/97, e fls. 100/103), permitem o atendimento adequado e suficiente aos requisitos normativos estabelecidos pelo inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, ao completar a exigência que restava faltante, o endereço dos emitentes dos recibos. O mesmo não sucede com os dois novos documentos apresentados que possuem a assinatura de Rogério Liberato Porto (fls. 98/99), que parecem mais consubstanciar se em novos recibos do que em declarações, seja anotado. 2 JR., Fredie Didier. Curso de Direito Processual Civil, vol. 1, p. 317. Salvador: Jus Podium, 2014. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13767.000967/200756 Acórdão n.º 2802002.934 S2TE02 Fl. 109 7 No documento de fl. 98, não consta endereço algum; já no documento de folha 99, o único endereço consignado consta no pé da página, escrito à mão em redação bastante diversa frente a do signatário. Ainda: a redação dessa anotação possui a mesma grafia das observações sobre endereços constantes ao pé das fls. 97, 101 e 103, documentos relacionados com os outros profissionais emitentes de recibo, o que se revela firme indicativo de que a menção ao endereço na folha 99 não foi de lavra de Rogério Liberato Porto, mas de terceira pessoa, o que compromete seriamente sua validade para fins de preenchimento dos requisitos legais demandados. Em síntese, deve ser restabelecida a dedução de despesas médicas no montante de R$ 4.050,00, correspondentes ao total dos pagamentos efetuados a Rodrigo Bissi Bortolini, Altamir Fagundes Filho e Domingos Lopes Furtado, mantendose a glosa de R$ 3.000,00 referente aos pagamentos realizados a Rogério Liberato Porto. Da multa de ofício e da taxa Selic. O autuado irresignase com a multa de ofício aplicada no valor de 75%, percentual que considera violar o princípio constitucional do não confisco, demandando também que o seu pagamento com redução seja possibilitado até que se implemente “a coisa julgada administrativa”, no que entende estar amparado pelos arts. 60 da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991. A alegação de caráter confiscatório da multa de ofício não prospera, por ingressar tal argumento na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF3: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A redução da multa de ofício, por sua vez, está estabelecida apenas para as hipóteses em que o contribuinte efetuar o pagamento ou requerer o parcelamento nos trinta dias que se seguem à notificação do lançamento, ou nos trinta dias que se seguem à notificação acerca da improcedência de sua impugnação, por decisão de primeira instância no processo administrativo, consoante regra o art. 6º da Lei nº 8.218/91 e alterações posteriores, não havendo dispositivo legal que permita cogitar de prazo diverso, conforme tenciona o contribuinte. 3 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° Compete ao Pleno da CSRF a edição de enunciado de súmula quando se tratar de matéria que, por sua natureza, for submetida a duas ou mais turmas da CSRF. § 2° As turmas da CSRF poderão aprovar enunciado de súmula que trate de matéria concernente à sua atribuição. § 3° As súmulas serão aprovadas por 2/3 (dois terços) da totalidade dos conselheiros do respectivo colegiado. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Vale anotar, de passagem, que a imposição de sanções administrativas pecuniárias (multas) visa proteger o interesse da arrecadação (bem jurídico tutelado). Conforme leciona Luciano Amaro4, Noutras palavras, a sanção deve ser estabelecida para estimular o cumprimento da obrigação tributária; se o devedor tentar fugir ao seu dever, o gravame adicional representado pela multa que lhe é imposta se justifica, desde que graduado segundo a gravidade da infração. Nesse compasso, é perfeitamente coerente com essa sistemática que o legislador preveja a redução de multa para o contribuinte que, tendo contra si lavrado crédito tributário, abra mão do contencioso administrativo e recolha ou parcele o débito, atendendo aos interesses da arrecadação tributária. Quanto mais grave a infração, mais severa a multa; quanto mais se antecipa o adimplemento do crédito tributário, mais ela se abranda. Alertese o autuado, ainda, que o art. 60 da Lei nº 8.383/91, por ele aludido como esteio para suas pretensões, encontrase revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. No que diz respeito à taxa Selic, registrese que a referida tem expressa previsão legal nos arts. 13 da Lei nº 9.065, de 19 de junho de 1995, e 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; não bastasse, a matéria já foi sumulada pelo CARF, incidindo na espécie o já mencionado art. 72 do RICARF. Leiase o teor da súmula: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sem razão, portanto, o contribuinte em sua inconformidade com a multa de ofício e com a aplicação da taxa Selic. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, restabelecendo a dedução de despesas médicas no valor total de R$ 4.050,00. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson 4 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro.13ª ed. São Paulo; Saraiva, 2007. pp.439/440. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10680.912775/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.648
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Redator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator
EDITADO EM 24/04/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Redator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator EDITADO EM 24/04/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
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GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA – Relator EDITADO EM 24/04/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Relatório. Tratase de Recurso Voluntário (fls. 62/84) contra o v. Acórdão DRJ/BHE nº 0238.038 de 20/03/12 constante de fls. 56/60 exarado pela 2ª Turma da DRJ do Belo Horizonte MG que, por unanimidade de votos, houve por bem “indeferir a manifestação de inconformidade” de fls. 01/03, mantendo o Despacho Decisório Eletrônico da DRF de Belo Horizonte MG (fls. 04/05), que indeferiu e deixou de homologar a PER/DCOMP nº 13235.05531.200905.1.3.041866, através da qual a ora Recorrente pretendia ver reconhecido o direito creditório relativo ao PIS – Folha de Salários no valor original na data de transmissão RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 12 77 5/ 20 09 -1 8 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.912775/200918 Resolução nº 3402000.648 S3C4T2 Fl. 3 2 de R$ 1.713,36, representado por Darf recolhido em 14/03/2003 e compensar o valor restituendo com o débito discriminado no referido PER/DCOMP. Por seu turno a r. decisão de fls. 56/60 da 2ª Turma da DRJ do Belo Horizonte MG, houve por bem “indeferir a manifestação de inconformidade” de fls. 01/03, mantendo o Despacho Decisório Eletrônico da DRF de Belo Horizonte MG (fls. 04/05), aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 62/84) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) o afastamento da exigência do PIS incidente sobre a folha pela Receita Federal e o efeito vinculante da solução de consulta nº 412/2004 nos termos do art. 100, inc. II do CTN ; b) a ilegalidade da exigência concomitante do PIS folha/faturamento e a ausência de dedução das rubricas previstas no Decreto nº 4524/02 pela Recorrente em violação à legalidade e à tipicidade cerrada. Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 62/84) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) o afastamento da exigência do PIS incidente sobre a folha pela Receita Federal e o efeito vinculante da solução de consulta nº 412/2004 nos termos do art. 100, inc. II do CTN ; b) a ilegalidade da exigência concomitante do PIS folha/faturamento e a ausência de dedução das rubricas previstas no Decreto nº 4524/02 pela Recorrente em violação à legalidade e à tipicidade cerrada. É o Relatório. Voto. Como se verifica dos autos, a Recorrente afirma que recolhia a contribuição ao PIS/Pasep com base na folha de pagamento e, com base na Solução de Consulta nº 412, de 15 de dezembro de 2004, a própria Receita Federal manifestouse no sentido de que o contribuinte em questão se insere no rol daqueles para os quais a Contribuição em questão incide sobre o faturamento. Assim sendo, uma vez que houve recolhimento de PIS sobre a folha de pagamento e não sobre o faturamento, mostrase viável que possa ter ocorrido efetivamente, ao menos em tese, algum recolhimento indevido a título da referida contribuição, do que redundaria haver crédito em favor da contribuinte, razão pela qual se faz necessária uma verificação mais detalhada para aferimento de valores devidos sobre o faturamento, comparando com aqueles que seriam devidos sobre a folha, para então, aquilatar a existência ou não de créditos. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.912775/200918 Resolução nº 3402000.648 S3C4T2 Fl. 4 3 Desta forma, entendo que o processo não se encontra em condições de receber um julgamento justo, pelo que proponho a conversão do julgamento em diligência, pois há que se verificar se a contribuinte teria, efetivamente, algum valor a recolher, o que depende de cálculo para aferimento do montante devido, o que não está afeto a esta esfera de julgamento. Assim sendo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora adote as seguintes providências: Recomponha a(s) apuração(ões) da contribuição para o PIS/Pasep do contribuinte para o(s) período(s) de apuração(ões) objeto(s) destes autos, mediante a aplicação dos comandos da Solução de Consulta n° 412/2004, de que é titular a Recorrente; Contraponha o valor aferido conforme alínea “a”, acima, com o valor que foi recolhido pelo contribuinte a título da contribuição ao PIS/Pasep, manifestandose sobre a existência, legitimidade e suficiência de créditos decorrentes de eventual pagamento indevido ou a maior para a restituição e/ou compensação levada a efeito nestes autos; Ao final, emitir Relatório Conclusivo da diligência, intimando a Recorrente para que sobre ele se manifeste, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, e após, com ou sem manifestação, seja o feito remetido a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10218.720244/2011-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006, 2007
PRELIMINAR.
DA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL DA RECORRENTE
Para o exercício regular da profissão de advogado, basta a sua inscrição na OAB, art. 4o, Lei nº 8.906/94, que não se perde com a superação de prazo de validade do documento de identidade coorporativa. Portanto, o vencido, em 08/05/09, do documento profissional do causídico, não enseja a ilegalidade da representação da recorrente.
INVASÃO AO DIREITO À INTIMIDADE - ART. 5O, X, CR
Não à afronta ao direito à intimidade e, por conseguinte, nulidade do lançamento fiscal, quando a recorrente, livremente, oferece ao Fisco, informações financeiras por ele requeridas.
SOBRESTAMENTO DO FEITO, ART. 62-A, REGIMENTO INTERNO DO CARF
Não há que se falar em sobrestamento do julgamento quando as informações financeiras são prestadas livremente pela recorrente ao Fisco.
DO MÉRITO
É correto o lançamento de ofício, com exclusão da recorrente do SIMPLES, quando se comprova, pelos meios indiciários lícitos, a obtenção de receita que supera o limite permitido pela lei para a adesão ao SIMPLES.
DA MULTA QUALIFICA DE 150%
Havendo a recorrente cumprindo, ainda que deficientemente, suas obrigações instrumentais, possibilitando ao Fisco a verificação da ocorrência do fato gerador tributário, é ilícita a aplicação de multa qualificada, devendo ser-lhe imposta multa de ofício.
Numero da decisão: 1103-000.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a ao seu percentual ordinário de 75%, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura, que negaram provimento. O Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva acompanhou o Relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábio Nieves Barreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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DA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL DA RECORRENTE Para o exercício regular da profissão de advogado, basta a sua inscrição na OAB, art. 4o, Lei nº 8.906/94, que não se perde com a superação de prazo de validade do documento de identidade coorporativa. Portanto, o vencido, em 08/05/09, do documento profissional do causídico, não enseja a ilegalidade da representação da recorrente. INVASÃO AO DIREITO À INTIMIDADE ART. 5O, X, CR Não à afronta ao direito à intimidade e, por conseguinte, nulidade do lançamento fiscal, quando a recorrente, livremente, oferece ao Fisco, informações financeiras por ele requeridas. SOBRESTAMENTO DO FEITO, ART. 62A, REGIMENTO INTERNO DO CARF Não há que se falar em sobrestamento do julgamento quando as informações financeiras são prestadas livremente pela recorrente ao Fisco. DO MÉRITO É correto o lançamento de ofício, com exclusão da recorrente do SIMPLES, quando se comprova, pelos meios indiciários lícitos, a obtenção de receita que supera o limite permitido pela lei para a adesão ao SIMPLES. DA MULTA QUALIFICA DE 150% Havendo a recorrente cumprindo, ainda que deficientemente, suas obrigações instrumentais, possibilitando ao Fisco a verificação da ocorrência do fato gerador tributário, é ilícita a aplicação de multa qualificada, devendo serlhe imposta multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 02 44 /2 01 1- 81 Fl. 3480DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10218.720244/201181 Acórdão n.º 1103000.907 S1C1T3 Fl. 3.481 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao seu percentual ordinário de 75%, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura, que negaram provimento. O Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva acompanhou o Relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fábio Nieves Barreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Fl. 3481DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10218.720244/201181 Acórdão n.º 1103000.907 S1C1T3 Fl. 3.482 3 Tratase de auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade (COFINS). A recorrente foi cientificada do auto de Infração em 28/07/2011, conforme documento de fls. 744. Isto porque, teria praticado as seguintes condutas ilegais, consoante “Termo de Verificação Fiscal”: 2 – INFRAÇÕES APURADAS – ANOCALENDÁRIO DE 2006 2.1 – DIFERENÇAS DE BASE DE CÁLCULO ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS VALORES DECLARADOS DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – “SIMPLES” Conforme item 78, o fiscalizado escriturou nos meses de MAIO a DEZEMBRO em seus livros RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE MERCADORIAS de R$ 4.986.705,92. Como a RECEITA BRUTA MENSAL AUFERIDA, nos meses de MAIO a DEZEMBRO, é a RECEITA DECORRENTE DA VENDA DE MERCADORIAS (VALOR TOTAL DE R$ 4.986.705,92) e tal receita é maior que a receita declarada (VALOR TOTAL R$ 0,00), lançamos de ofício esta diferença entre o valor escriturado (RECEITA DECORRENTE DA REVENDA DE MERCADORIAS) e o valor declarado na DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA DE PESSOA JURÍDICA. 2.2 – SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS – ORIGEM NÃO COMPROVADA “.....o sujeito passivo em momento algum apresentou documentos aptos a comprovar a origem dos valores movimentados em suas contas bancárias, nos meses de JANEIRO a ABRIL do ano calendário de 2006. Além disso, não comprovou a origem dos SUPOSTOS aportes financeiros escriturados no LivroCaixa com a rubrica OUTRAS ENTRADAS, conforme item 82. 3 – INFRAÇÕES APURADAS – ANOCALENDÁRIO DE 2007 3.1 – IRPJ – LUCRO ARBITRADO – RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS) – VENDAS DE MERCADORIAS Conforme item 87, o fiscalizado escriturou nos meses de JANEIRO A JUNHO em seus livros RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE MERCADORIAS DE R$3.988.625,95. Como a RECEITA BRUTA MENSAL AUFERIDA, nos meses de JANEIRO a JUNHO, é a RECEITA DECORRENTE DA VENDA DE MERCADORIAS (VALOR TOTAL DE R$ 3.988.625,95) e tal Fl. 3482DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10218.720244/201181 Acórdão n.º 1103000.907 S1C1T3 Fl. 3.483 4 receita é maior que a receita declarada(VALOR TOTAL DE R$ 0,00), lançamos de ofício esta diferença entre o valor escriturado (RECEITA DECORRENTE DA VENDA DE MERCADORIAS) e valor declarado na DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA DE PESSOA JURÍDICA (DSPJ). 3.2 – IRPJ – LUCRO PRESUMIDO – RECEITAS OPERACIONAIS LANÇADA E NÃO DECLARADA – RECEITA DA ATIVIDADE Conforme item 87, o fiscalizado escriturou nos meses de JULHO a DEZEMBRO em seus livros RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE MERCADORIAS de R$ 4.681.040,57. Como a RECEITA BRUTA MENSAL AUFERIDA, nos meses de JULHO a dezembro, é a RECEITA DECORRENTE DA VENDA DE MERCADORIAS (VALOR TOTAL DE R$ 4.986.705,92) e tal receita é maior que a receita declarada (VALOR TOTAL DE R$ 0,00) lançamos de ofício esta diferença entre o valor escriturado (RECEITA DECORRENTE DA VENDA DE MERCADORIAS) e o valor declarado na DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICAS – FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA (DIPJ). 4 – MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150% Conforme itens 4, 5, 6 e 7 o sujeito passivo não entregou DCTF e apresentou DSPJ e DIPJ zeradas ( sem valor), ou seja, sem nenhuma informação pertinente a fatos geradores e aos tributos devidos pela empresa, agindo de modo a impedir ou retardar o conhecimento por parte das autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, configurando a prática dolosa, se enquadrando, portanto na hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Portanto, aplicamos a multa prevista no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996 (com as alterações da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). A recorrente ofertou impugnação, julgada totalmente improcedente pela 1ª Turma da DRJ de Belém, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais,quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional,salvo Fl. 3483DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10218.720244/201181 Acórdão n.º 1103000.907 S1C1T3 Fl. 3.484 5 quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo,pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto,uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE INOCORRÊNCIA Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis,independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste,porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas.Exoneramse os valores comprovados na Impugnação. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art.334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A omissão acintosa e reiterada da receita tributável revela o caráter doloso da conduta do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária do fato gerador da obrigação tributária principal, sujeitando o tributo de incidente sobre essa omissão à penalidade de multa qualificada. Fl. 3484DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10218.720244/201181 Acórdão n.º 1103000.907 S1C1T3 Fl. 3.485 6 Correta a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% quando restar evidenciado nos autos os motivos da aplicação da referida multa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada, a recorrente ofertou Recurso Voluntário, aduzindo: a) preliminarmente: nulidade do lançamento fiscal, pois houve quebra de sigilo fiscal, sem prévia autorização judicial, violando a reserva constitucional de jurisdição, conforme RE nº 601.314, RE nº 389.808 e RE nº 555.112, consagrado no art. 5º, X, CR; aplicação dos artigos 62 e 62A do Regulamento deste Conselho, em face das decisões proferidas pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, com o fim de afastar a aplicação de norma que tenha dado fundamento de validade à quebra do sigilo fiscal pela agente autuante; b) no mérito: a movimentação bancária da recorrente não se presume fato gerador de tributos; ilegalidade da aplicação da multa qualificada, por: i) falta de prova, nos autos, de dolo ou fraude (art. 44, II, Lei nº 9.430/96), que retardasse ou impedisse o nascimento do fato gerador, ou a exclusão ou modificação de suas características essenciais, para reduzir o montante devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento (art. 72, Lei nº 4.502/64); ii) a falta de apresentação da movimentação financeira não teria o condão de impedir o nascimento do fato gerador, sua repercussão corresponderia à falta de declaração de rendimentos; iii) o lançamento de ofício (art. 149, CTN) é realizado com base nos documentos fiscais do contribuinte, do qual a movimentação financeira não espécie; c) pede o cancelamento do auto de infração. Fl. 3485DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10218.720244/201181 Acórdão n.º 1103000.907 S1C1T3 Fl. 3.486 7 Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira I. DAS PRELIMINARES I.I DA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL DA RECORRENTE Antes de iniciar, é necessário se manifestar sobre a regularidade da representação processual da recorrente, vez que o despacho de fls. 3467 informa que a validade da OAB do representante da recorrente teria vencido em 08/05/09, o que poderia ensejar na ilegalidade da representação da recorrente. Nos termos da Resolução nº 02/2006, da Ordem dos Advogados do Brasil, e do Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil, Lei nº 8.906/94, a validade do documento, carteira da OAB, documento obrigatório ao advogado, não se relaciona com a legalidade do exercício de profissão do advogado. Para o exercício regular da profissão de advogado, basta a sua inscrição na OAB, art. 4o, Lei nº 8.906/94, que não se perde com a superação de prazo de validade do documento de identidade coorporativa. Acrescentase, também, que o vencimento de validade do predito documento, não resulta em impedimento ou suspensão, art. 4o, parágrafo único, art. 8o e art. 13, Lei nº 8.906/94. Portanto, válido o Recurso voluntário apresentado pela recorrente. I.II DA INVASÃO, INCONSTITUCIONAL, AO DIREITO À INTIMIDADE DA RECORRENTE – ART. 5O, X, CR Alega a recorrente que os agentes fiscais solicitaram, com fulcro no art. 6o, da Lei Complementar nº 105/01, sem sua anuência ou autorização judicial, informações às instituições financeiras, das movimentações de suas contas. Defende, a recorrente, que a conduta fere o seu direito à intimidade, art. 5o, X, CR, sendo reprimida pelo Supremo Tribunal Federal, conforme os seguintes precedentes: RE nº 601.314, RE nº 389.808 e RE nº 555112. Dos documentos acostados aos autos, se infere que a recorrente, livremente (fls. 80/81), exibiu nos autos extrato bancário do Banco Bradesco S/A (fls. 95/215) e do Banco do Brasil S/A (fls. 221/265), dos anoscalendários de 2006/2007 (fls. 95/265). As intimações remetidas às instituições financeiras supramencionadas se restringiram a requerer a exibição dos cheques emitidos, entre 01/01/2006 e 31/12/2007, pela recorrente (fls. 553/554 e 549/550), determinação cumprida conforme fls. 2648/3361. Informações que, para fins de tributação pelo SIMPLES ou Lucro Presumido, são irrelevantes para o cálculo dos tributos. Fl. 3486DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10218.720244/201181 Acórdão n.º 1103000.907 S1C1T3 Fl. 3.487 8 Dito de outro modo, as informações prestadas pelas instituições financeiras não integraram o lançamento de ofício. Tanto é verdade, que no “Termo de Verificação Fiscal” não há indicação do uso das informações prestadas pelas instituições financeira para o cálculo das infrações (itens 99/135 do “Termo de Verificação Fiscal). Por esta razão, entendo que não está presente a afronta ao direito à intimidade, art. 5o, X, CR, sendo válido o lançamento de ofício. I.III DO SOBRESTAMENTO DO FEITO – ART. 62A, REGIMENTO INTERNO DO CARF Não vislumbro, no caso em tela, as condições do sobrestamento do feito, previstas no art. 62A, do Regimento Interno desta Casa. Como discorrido no item anterior, a recorrente alega invasão de sua intimidade, postulando a inconstitucionalidade do art. 6o, da Lei Complementar nº 105/011, fundamento de validade do ato administrativo fiscal, produzido para obtenção de suas informações bancárias junto às instituições financeiras. Defende que a conduta é reprimida pelo Supremo Tribunal Federal, exibindo como precedentes: RE nº 601.314, RE nº 389.808 e RE nº 555112. Os artigos 62 e 62A, do Regimento Interno do CARF, veiculam normas endereçadas ao julgador, determinando que: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado,acordo internacional,lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: 1 “Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” Fl. 3487DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10218.720244/201181 Acórdão n.º 1103000.907 S1C1T3 Fl. 3.488 9 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Porém, como já se falou, as informações foram livremente fornecidas ao Fisco pela recorrente, razão pela qual não se pode deferir o seu pedido. II. DO MÉRITO Em angusta síntese, a recorrente aduz que a os valores que transitaram em sua conta bancária não possuem natureza jurídica de renda, portanto imprestáveis à apuração da infração e cálculo dos tributos. Mais uma vez me socorrendo do “Termo de Verificação Fiscal” constato que está exposto no documento que a recorrente apresentou, DIPJ, nos anoscalendários de 2006 e 2007 sem movimentação. No entanto, exibiu DCTF, no mesmo período, com movimentação financeira (débito em conta bancária própria) de R$2.306.972,15, para o anocalendário de 2006, e de R$ 3.121.342,11, para o anocalendário de 2007. As suas compras, realizadas no mesmo período, corresponderam, respectivamente, a R$ 4.667.697,68 e R$ 9.131.565,01. Nos livros fiscais apresentados pela recorrente à fiscalização, os valores recebidos sob a rubrica de venda de mercadorias, contabilizado pelo regime de caixa, para o Fl. 3488DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10218.720244/201181 Acórdão n.º 1103000.907 S1C1T3 Fl. 3.489 10 anocalendário de 2006, totaliza R$ 4.986.705,92 e, para o anocalendário de 2007, R$ 8.669.666,52. Com esteio nessas informações fiscais (DIPJ, DCTF e livros fiscais) e, também, nas movimentações bancárias, o Fisco lavrou o lançamento de ofício, pela omissão de receita, pelos seguintes critérios (“Termo de Verificação Fiscal”, fls. 657/667): a) janeiro a abril / anocandário 2006: o lançamento fiscal lavrado com base na movimentação bancária da recorrente, excluindose o saldo devedor, empréstimo, liquidação de cobrança, estorno de débito, resgate de título capitalizado, cheque devolvido etc.; b) para o anocalendário de 2007, os tributos foram calculados com base no arbitramento das vendas realizadas e não declaradas. Assim, apenas de janeiro a abril do anocalendário de 2006, o Fisco, autorizado no art. 530 do RIR, fez uso da movimentação financeira, fornecida pelo contribuinte, como critério para definição de faturamento e arbitramento da base de cálculo dos tributos exigidos. Portanto, correto o lançamento fiscal e a exclusão da recorrente do SIMPLES, retroativa, a partir do período em que com ele deixou de se compatibilizar. III. DA MULTA QUALIFICA DE 150% A multa qualificada foi justificada pela apresentação de DSPJ e DIPJ, nos anoscalendários de 2006 e 2007 sem movimentação. Todavia, se demonstrou que esse fato não era verdadeiro. Concluiu, então, a fiscalização, que a recorrente pretendia, de forma ardilosa, retardar ou encobrir a ocorrência do fato gerador. Mais uma vez com arrimo no “Termo de Verificação Fiscal”, fls. 652/654, onde se encontra que a recorrente: a) exibiu DCTF, no mesmo período, com movimentação financeira (débito em conta bancária própria) de R$ 2.306.972,15, para o anocalendário de 2006, e de R$ 3.121.342,11, para o anocalendário de 2007; b) apresentou extrato bancário, livros fiscais e prestou esclarecimentos; e c) escriturou nos seus livros, com exceção do primeiro trimestre do ano calendário de 2006, as receitas decorrentes das vendas das mercadorias. Esses fatos demonstram que a conduta da recorrente não se amolda à norma do art. 44, §1o, da Lei nº 9.430/96, que requer o dolo, a vontade livre e consciente da prática de ato ilícito, criminoso, com fim exclusivo de deixar de pagar tributos. Fl. 3489DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10218.720244/201181 Acórdão n.º 1103000.907 S1C1T3 Fl. 3.490 11 A pessoa que escritura a realidade das suas operações prestando esclarecimentos de toda sorte ao Fisco, inclusive bancárias, não se pode ser descrita como criminosa. Por essa razão, enquadro a atitude da recorrente no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, reduzindo a multa ao patamar de 75%. IV. DO DISPOSITIVO Diante do exposto, julgo por RECEBO O RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO, para, REJEITAR AS PRELIMINARES e, no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, REDUZINDO A MULTA AO PATAMAR DE 75%. É como voto. (assinado digitalmente) Fábio Nieves Barreira Relator Fl. 3490DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA
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