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Numero do processo: 16327.900665/2010-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2005
ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA.
Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2005
ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA.
Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.197
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2005 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Recurso Voluntário Negado
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(sucessora por incorporação de ABN AMRO ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2005 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como “Rendas de Garantias Prestadas” são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais nãocumulativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2005 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como “Rendas de Garantias Prestadas” e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 06 65 /2 01 0- 52 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 16327.900665/201052 Acórdão n.º 3401004.197 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O interessado transmitiu Per/Dcomp visando compensar débitos declarados com suposto crédito oriundo de pagamento a maior de 61 PIS nãocumulativa. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento informado fora integralmente utilizado na quitação de débitos da requerente, não restando saldo a ser utilizado. Irresignado com o indeferimento de seu pedido, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade onde alega, em síntese que: (a) não havia considerado na base de cálculo da contribuição as regras do Decreto nº 5.164/2004, revogado pelo Decreto nº 5.442/2005, que em seu artigo 1º reduziu a zero as alíquotas da contribuição sobre receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas a incidência nãocumulativa; (b) face ao alegado no item anterior, procedeu aos ajustes na base de cálculo das contribuições, evidenciando assim o recolhimento a maior; (c) os valores na DIPJ estão corretos, acordes com a nova apuração; (d) olvidouse de proceder à retificação na DCTF, solicitando que esta seja retificada de ofício. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, concluindose que as receitas contabilizadas como “Rendas de Garantias Prestadas” não se caracterizam como receitas financeiras, sujeitas a redução à zero das alíquotas, nos termos do Decreto nº 5.164/2004, e não podem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins apurada pelo contribuinte, indeferindo a solicitação do interessado, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário onde essencialmente reitera a argumentação expressa na manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.187, de Fl. 111DF CARF MF Processo nº 16327.900665/201052 Acórdão n.º 3401004.197 S3C4T1 Fl. 4 3 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.900662/201019, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.187): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, visando a compensar débitos nele declarados, com créditos oriundos de pagamentos a maior de contribuições sociais nãocumulativas. A ora recorrente, impugnou o não reconhecimento o direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, por não haver considerado nas bases de cálculo os ditames do art. 1º, do Decreto n° 5.164/04, que reduziu à zero a alíquota das contribuições sociais nãocumulativas, incidentes sobre receitas financeiras, conforme planilha (doc n° 4) apontando a conta COSIF 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) e cópia da página do balancete mensal, onde constariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5). Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida que os valores contabilizados como “Rendas de Garantias Prestadas” não poderiam ser considerados receitas financeiras, pelas empresas prestadoras de serviços de administração de cartões de créditos, mas sim receitas provenientes da prestação de serviços. Destaca a recorrente, somente agora em recurso voluntário, que o crédito pleiteado é oriundo da reclassificação de valores das contas COSIF 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) para 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS), informação inserida na planilha (doc n° 4), apresentada junto com a impugnação, porém, não constando a conta 7.1.1.05.006, destino da reclassificação contábil alegada, na cópia da página do balancete mensal, onde constariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5), também, apresentada junto com a impugnação. Pois bem, entendo, sejam RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS ou RENDAS DE EMPRÉSTIMOS, as receitas em discussão fazem parte do objeto social da recorrente, empresa administradora de cartões de créditos, em razão disso, não enquadrandose como receita financeira e não fazendo jus à redução à zero das alíquotas ou à exclusão das bases de cálculo das contribuições sociais. Seguindo a mesma linha de abordagem da decisão recorrida, cujo voto condutor promoveu minuciosa analise da conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS), segundo o Cosif, a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS), que faz parte do subgrupo 7.1.1.00.001 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 16327.900665/201052 Acórdão n.º 3401004.197 S3C4T1 Fl. 5 4 Rendas de Operações de Crédito, o qual pertence ao grupo 7.1.0.00.008 Receitas Operacionais, tem como função “Registrar as rendas de empréstimos, que constituam receita efetiva da instituição, no período. Base Normativa: (Circular BCB 1273)”. Notar que a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS), a qual alegase ter sido reclassificados os valores originalmente registrados na conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS), vinculase diretamente ao objeto social da recorrente, ambas, fazendo parte do bojo das suas receitas operacionais, subagrupadas em rendas de operações de crédito e outras receitas operacionais, respectivamente, constituindo receitas decorrentes do exercício da atividade empresarial das administradoras de cartões de crédito, que não se confundem com as oriundas de remuneração do capital nas operações financeiras. A incidência das contribuições sociais sobre as RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS foi mantida, por entender a decisão recorrida que, sendo cobrado do cliente da ora recorrente determinada importância, em contrapartida pela fiança/aval prestado, estaria caracterizada prestação de serviço próprio das administradoras de cartões de crédito. Ainda que seja feita uma divisão das receitas provenientes da atividade desempenhada pela recorrente, entre a prestação de fiança/aval e à concessão de empréstimos correlatos, ambas atividades, sujeitamse à incidência das contribuições sociais, mesmo que, na segunda hipótese, possa ser considerada uma atividade financeira, exclusivamente sujeita ao IOF, para fins de não ser tributável pelo ISS. Portanto, ainda que reclassificadas as rendas de empréstimos para a subconta 7.1.1.05.006 (sujeita ao IOF), estamos nitidamente diante de receitas provenientes de operações de crédito, oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da recorrente, que não se confundem com as receitas de remuneração do capital em operações financeiras dissociadas do objeto social da empresa. Ressaltase que essas operações são consideradas autônomas e possuem regras próprias de contabilização no Cosif. As rendas das garantias prestadas são contabilizadas na subconta 7.1.9.70.004 (sujeita ao ISS), e as rendas de empréstimos são lançadas na subconta 7.1.1.05.006 (sujeita ao IOF). Determinante no presente caso, se da contabilização na conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) o resultado foi a inclusão das receitas de empréstimos, fato timidamente ressaltado pela interessada e somente agora em recurso voluntário, é certo que deveria haver a demonstração destas ocorrências, acompanhada da documentação comprobatória pertinente, o que não foi o caso, nem no momento oportuno da manifestação de inconformidade (art. 16, do PAF), Fl. 113DF CARF MF Processo nº 16327.900665/201052 Acórdão n.º 3401004.197 S3C4T1 Fl. 6 5 nem agora em recurso voluntário, cabendo ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, nos termos do art. 36, da Lei nº 9.784/99, ainda mais, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Por certo, a conta de RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS, abarca prestação de serviços tributáveis pelas contribuições sociais nãocumulativas, em discussão, incidência demonstrada pela fiscalização, mantida pela decisão recorrida e ora convalidada, pelos mesmos fundamentos, não havendo, por parte do interessado, demonstração adequada, apenas, simples planilha apresentada (doc n° 4), além da inexistência de documento de prova no sentido da inclusão de RENDAS DE EMPRÉSTIMOS nesta conta, cabendo ao contribuinte segregar e provar a possível natureza distinta de tais receitas, não constando nem mesmo a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS) na cópia da página do balancete mensal, onde estariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5). Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o não reconhecendo do direito creditório pleiteado, com a conseqüente não homologação da compensação declarada." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.720485/2015-49
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1001-000.016
Decisão: .
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : . (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva
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ANOCALENDÁRIO: 2013 É devida a multa por atraso na entrega de obrigações acessórias, fora do prazo, ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. A vedação ao confisco previsto na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA ARGÜIÇÃO A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de norma legal. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo, ACORDAM os membros da 1ª TE da 1ª Seção, por unanimidade de votos, afastadas as alegações de nulidade, julgar improcedente o recurso voluntário, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 04 85 /2 01 5- 49 Fl. 38DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente processo sobre o lançamento, no qual é exigido do contribuinte, acima identificado, o crédito tributário correspondente a multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), relativa ao mês de outubro do anocalendário de 2013. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fl. 2) na qual solicitava o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de denúncia espontânea na entrega da declaração e de multa confiscatória. A DRJ de Ribeirão Preto assim decidiu: ” A impugnação apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal (PAF). Dela conheço. Tratase de analisar lançamento referente à multa por atraso na entrega de DCTF relativa ao mês de outubro do anocalendário de 2013. A impugnante alega que teria ocorrido denúncia espontânea da infração, nos termos do CTN, art. 138, portanto a multa seria inaplicável, além do que, em sua opinião, ela estaria ferindo princípios constitucionais, entre eles, o do nãoconfisco. Esclareçase que o CTN, art. 113, dispõe que a obrigação tributária é principal ou acessória e que a obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Os §§ 2º e 3º do artigo retrocitado assim dispõem: § 2º – A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º – A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária. O nãocumprimento de uma obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária., e a multa pelo atraso na entrega está contida na legislação tributária como sanção pelo inadimplemento tributário, aplicada pela inobservância dos deveres acessórios. Não se pode admitir a alegação de ter havido a denúncia espontânea, pois a entrega se deu fora do prazo legal, sendo a multa fixada em lei e indenizatória da impontualidade, ou seja, constitui uma sanção punitiva da negligência. Dessa forma, com fulcro no retrocitado art. 113, tornase aplicável a penalidade pelo nãocumprimento da obrigação acessória de apresentação de DCTF, lançada de acordo com o dispositivo legal descrito no auto de infração/notificação de lançamento. Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10855.720485/201549 Acórdão n.º 1001000.016 S1C0T1 Fl. 3 3 Interpretandose sistematicamente os dispositivos do CTN, tem se que o art. 138 não se desfez da multa por atraso no cumprimento de obrigação acessória. A respeito do assunto, os esclarecimentos formulados no Projeto Integrado de Aperfeiçoamento da Cobrança do Crédito Tributário, por Aldemario Araújo Castro, Procurador da Fazenda Nacional, demonstram a inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea ao descumprimento de obrigação acessória, com se depreende a seguir: O descumprimento de obrigação tributária acessória, não contemplado explicitamente no artigo 138 do CTN, gera um débito com a seguinte estrutura: Principal – Multa (penalidade pecuniária) e Multa – Inexistente. Assim, não há como afastar a parte punitiva do crédito, simplesmente porque ela não existe. Em suma, a denúncia espontânea não afeta o Principal do débito, e este, na obrigação principal decorrente do descumprimento de obrigação acessória é justamente a multa. Esclareçase que o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a respeito da matéria é o mesmo, já tendo sido, inclusive, objeto de Súmula, que transcrevo: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Assim, não assiste razão à impugnante quando afirma que a legislação citada no auto de infração estaria ferindo o CTN. No tocante à alegação de caráter confiscatório da sanção pecuniária, ou de ofensa a princípios constitucionais, afastar multa prevista expressamente em diploma legal sob tal fundamento implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei, o que não é da competência da autoridade julgadora administrativa e já foi, inclusive, objeto de súmula no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária .Dessa forma voto por julgar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário exigido.". Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Tratase de recurso voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. Fl. 40DF CARF MF 4 Inconformada com a decisão de primeira instância, como acima, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao Egrégio Conselho Administrativo de , Recursos Fiscais, onde alega, basicamente: Preliminar e Mérito Alega que "o artigo 138, do Código Tributário Nacional, exclui a imposição de quaisquer penalidades. A exigência de multa por atraso, no respectivo caso, fere os princípios constitucionais de vedação de confisco, da capacidade contributiva, da razoabilidade e da proporcionalidade na aplicação de multas. Haja ocorrido a denúncia espontânea do descumprimento de obrigação acessória, nem mesmo a multa fiscal moratória poderia ser exigida do contribuinte." Com base nos argumentos acima, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. As alegações do contribuinte foram devidamente analisadas pela DRJ, cujo acórdão é irretocável em sua análise. No recurso voluntário o contribuinte não acrescento nenhum argumento novo mantendo as alegações utilizadas para a impugnação. As súmulas n°2 e n° 59, abaixo reproduzidas, solucionam as questões levantadas pelo contribuinte: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Portanto, voto pela manutenção integral do lançamento, afastando os argumentos apresentados pelo contribuinte. É o meu voto. (assinado digitalmente) Jose Roberto Adelino da Silva Fl. 41DF CARF MF
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Numero do processo: 13054.000292/2003-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. CORREÇÃO. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE.
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ).
Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-005.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, apenas quanto à Selic a partir do 360º após o protocolo, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. CORREÇÃO. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, apenas quanto à Selic a partir do 360º após o protocolo, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 00 02 92 /2 00 3- 58 Fl. 409DF CARF MF Processo nº 13054.000292/200358 Acórdão n.º 9303005.900 CSRFT3 Fl. 410 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº 20402535, proferido pela 4º Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao crédito presumido referente as aquisições de cooperativas e para incluir na receita de exportação as vendas para o exterior de produtos NT, bem como a incidência da Selic a partir do protocolo do pedido. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tais registros iniciais são essenciais na medida em que a leitura do recurso voluntário apresentado deixa claro terem sido as seguintes as questões agitadas pela então recorrente: a) incidência da taxa Selic tomando como marco inicial a data do registro dos créditos a ressarcir, por aplicação das disposições previstas no art. 39 da Lei 9.250/95; b) inclusão, entre as aquisições, daquelas efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas; c) inclusão no valor da receita de exportação das vendas de produtos NT e de mercadorias que não foram submetidas a operação de industrialização para efeito da apuração do percentual a ser aplicado sobre o total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem Essas matérias claramente foram objeto de deliberação pelo colegiado. Há, no entanto, além delas, também as seguintes: a) inclusão na base de calculo de insumos aplicados na produção de produtos NT; b) inclusão na base de calculo do valor do IPI destacado nas notas fiscais de aquisição c) inclusão dos "montantes relativos as devoluções para industrialização", com o que a recorrente pretendia ver discutida a industrialização por por ela encomenda a terceiros de itens posteriormente empregados como matérias primas. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 13054.000292/200358 Acórdão n.º 9303005.900 CSRFT3 Fl. 411 3 E delas, aparentemente, não se tratou no julgamento. Essa conclusão decorre do fato de o colegiado reconhecer a última e negar as outras duas. Como o faria contra o voto do relator, que todas deferia, necessariamente deveria ser designado um relator para as duas primeiras o que não consta na decisão anotada. O acórdão recorrido restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CALCULO. PERCENTUAL DE APURAÇÃO. O alcance da expressão "receita de exportação" para determinação do percentual a ser aplicado sobre o total das aquisições de modo a apurar a base de cálculo do beneficio instituído pela Lei 9.363/96 vem expresso no artigo 3°, § 15, inciso II da Portaria MF n°38/97, como sendo o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Descabe, por isso, dele excluir as de vendas de produtos NT para efeito de IPI ou de mercadorias não submetidas a operação de industrialização no estabelecimento. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CALCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS. INCLUSÃO,. IMPOSSIBILIDADE. Destinandose o incentivo ao ressarcimento das contribuições PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na produção de produtos exportados, descabe o seu calculo quando sobre tais aquisições não tenha havido a incidência das contribuições, como é o caso das vendas praticadas por pessoas físicas. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CALCULO. AQUISIÇÕES A COOPERATIVAS. INCLUSÃO.POSSIBILIDADE. A partir da revogação da isenção da COFINS deferida as cooperativas pela Lei Complementar 70/91, descabe a glosa das aquisições a elas efetuadas. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO. ABONO DE JUROS A PARTIR DO PROTOCOLO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO. Possível a adição da variação acumulada da taxa Selic a partir do protocolo do pedido, a titulo de atualização monetária do crédito, na ausência de outro índice que preserve o valor real do incentivo postulado, o que se faz necessário diante da morosidade de seu implemento pela Administração. Recurso parcialmente provido. Inconformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, requerendo que seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar em parte o acórdão recorrido. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, aponta como paradigma o acórdão nº 330201.486. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção de julgamento deu seguimento parcial ao Recurso, especialmente quanto a á possibilidade de atualização monetária (Taxa Selic) de Ressarcimento de IPI , fls.201. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 13054.000292/200358 Acórdão n.º 9303005.900 CSRFT3 Fl. 412 4 Houve reexame de admissibilidade, fls. 202/203, o Presidente do Carf manteve na integra o despacho do Presidente da Câmara que deu seguimento parcial ao recurso. A Contribuinte apresentou não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Portanto, a matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito a atualização monetária ou não pela Taxa Selic, a partir do protocolo ou não do pedido de ressarcimento. Com efeito, na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (REsp 993.164). Embora, o STJ tenha definido aplicação da Taxa Selic acumulada a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração, entendo que os processos ao crivo de julgamento desta E. Câmara Superior, os Conselheiros devem delimitar de modo objetivo o termo "oposição estatal" ou "ilegítima resistência por parte da Administração Pública". Nos processos de minha relatoria, passo adotar o entendimento de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847/RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411/STJ). E ainda, também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a Fl. 412DF CARF MF Processo nº 13054.000292/200358 Acórdão n.º 9303005.900 CSRFT3 Fl. 413 5 administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457/07), conforme decidiu a Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Corroborando este mesmo entendimento, no julgamento do Recurso Especial nº 1.467.934RS (2014/01707525) de Relatoria do Eminente Ministro Sérgio Kukina, restou decidido, que a correção monetária deve ser contada a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ), de forma que não há como acolher o pleito pela correção dos créditos a partir do protocolo do pedido administrativo. Vejamos: "ESPECIAL Nº 1.467.934 RS (2014∕01707525) RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA AGRAVANTE : REICHERT CALÇADOS LTDA ADVOGADOS : CRISTOV BECKER PABLO EDUARDO CAMUSSO E OUTRO(S) AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO SÉRGIO KUKINA: Tratase de agravo regimental interposto por REICHERT CALÇADOS LTDA., desafiando a decisão pela qual se deu parcial provimento ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL, ao fundamento de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847∕RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411∕STJ). Está também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457∕07), conforme decidiu esta Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206∕RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ". TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. TERMO INICIAL. TAXA SELIC. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco. 2. "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Fl. 413DF CARF MF Processo nº 13054.000292/200358 Acórdão n.º 9303005.900 CSRFT3 Fl. 414 6 3. Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/07). Nesse sentido: REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Para que não ocorra nenhuma tese falaciosa quanto aplicação do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ, a Procuradoria da Fazenda Nacional, já se manifestou por meio do NOTA PGFN/CRJ/Nº 775 /2014. Vejamos: "Quanto ao tema, temse que a jurisprudência do STF1 e do STJ2 consolidouse no sentido de que a atualização monetária do crédito escritural do IPI, entendido como aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escritura contábil para fins de abatimento desse mesmo tributo em outro período de apuração, decorrente do princípio da não cumulatividade, não é cabível se não houver previsão legal, mas incidirá caso haja, por parte do Fisco, impedimento injustificado para o referido abatimento No REsp 1.035.847, submetido ao rito do art. 543C do CPC, o STJ, reafirmando o teor de sua Súmula 411, assentou não caber correção monetária sobre créditos de IPI decorrentes do princípio da não cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. No entanto, a oposição estatal à utilização desses créditos os descaracteriza como escriturais e, conseqüentemente, deverão ser eles atualizados monetariamente. No julgamento do EAg 1.220.942, não submetido ao art. 543C do CPC, a 1ª Seção do STJ diferenciou o crédito escritural (aquele da nãocumulatividade, onde há compensação com o mesmo tributo) do crédito objeto de pedido de ressarcimento (em dinheiro ou compensandose com outros tributos). Para o escritural, vale a regra assentada no REsp 1.035.847; para aquele objeto de pedido de ressarcimento, se tais créditos são reconhecidos pelo Fisco com mora, essa demora enseja a incidência de correção monetária, por restar caracterizada a “resistência ilegítima”. Nesse último caso, considerase o Fisco em mora a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento. Colhese do voto do e. Ministro Relator: Observo que a questão não se coloca na sistemática ordinária de aproveitamento do crédito escritural. Nessa hipótese, não há que se falar em correção monetária do crédito escritural porque também não há que se falar em correção monetária do valor do tributo a ser abatido na saída, já que o encontro entre crédito e débito ocorre na escrita fiscal antes mesmo do vencimento deste último, o que exclui a incidência da taxa SELIC sobre o valor abatido. (...) Fl. 414DF CARF MF Processo nº 13054.000292/200358 Acórdão n.º 9303005.900 CSRFT3 Fl. 415 7 Quanto ao termo inicial da correção monetária, este deve ser coincidente com o termo inicial da mora. Usualmente, tenho conferido o direito à correção monetária a partir da data em que os créditos poderiam ter sido aproveitados e não o foram em virtude da ilegalidade perpetrada pelo Fisco. Nesses casos, o termo inicial se dá com o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento. A questão ora em análise gira em torno do termo inicial da correção monetária, ou seja, a partir de quando devese considerar o Fisco em mora. Na Ata do Encontro realizado em outubro de 2013, registrouse que o STJ, no REsp 1.138.206, repetitivo, entendeu que, em processo administrativo fiscal (PAF), o Fisco teria o prazo de 360 dias para a sua conclusão (aplicação imediata do art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, inclusive para os processos administrativos já em curso) e, portanto, deverseia interpretar o EAg 1.220.942 juntamente com o REsp 1.138.206, ou seja, incidirá correção monetária passados 360 dias do requerimento do contribuinte". Sem embargo, como estou submetido ao artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF PORTARIA MF Nº 343, DE 09 DE JUNHO DE 2015, a qual determina que: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso da Fazenda Nacional, determinando a correção do crédito pela Taxa Selic, a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento. A incidência da taxa Selic deferida referese somente à parte do crédito em que houve indeferimento no Despacho Decisório de origem e foi reconhecida somente nas instâncias de julgamento, ou seja que teria sofrido oposição ilegítima por parte do Fisco. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 415DF CARF MF Processo nº 13054.000292/200358 Acórdão n.º 9303005.900 CSRFT3 Fl. 416 8 Fl. 416DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.721589/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Ano-calendário: 2012
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 23, INCISO V, PARÁGRAFO 3º, DO DECRETO Nº 1.455/1976.
A interposição fraudulenta pode ser presumida, na hipótese de não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a realização da importação, ou comprovada, na existência de um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com o intuito de interpor determinada pessoa entre o real adquirente e as autoridades fiscais, para que a primeira permaneça oculta aos olhos da fiscalização, com o objetivo de obter de uma vantagem indevida.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. CUMULAÇÃO DE MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA POR CESSÃO DE NOME.
Caracterizada a interposição fraudulenta, e não sendo afastadas as acusações fiscais pelas interessadas, cabível a aplicação penalidade prevista no artigo 33 do Decreto Lei nº 1455/76.
Numero da decisão: 3401-003.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários apresentados, vencido o relator, que dava provimento ao recurso da "Pan Asia" para excluí-la do lançamento, e negava provimento ao recurso interposto pela "Canadense", mantendo o lançamento em relação a ela, na qualidade de contribuinte principal. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
MARA CRISTINA SIFUENTES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 23, INCISO V, PARÁGRAFO 3º, DO DECRETO Nº 1.455/1976. A interposição fraudulenta pode ser presumida, na hipótese de não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a realização da importação, ou comprovada, na existência de um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com o intuito de interpor determinada pessoa entre o real adquirente e as autoridades fiscais, para que a primeira permaneça oculta aos olhos da fiscalização, com o objetivo de obter de uma vantagem indevida. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. CUMULAÇÃO DE MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA POR CESSÃO DE NOME. Caracterizada a interposição fraudulenta, e não sendo afastadas as acusações fiscais pelas interessadas, cabível a aplicação penalidade prevista no artigo 33 do Decreto Lei nº 1455/76. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários apresentados, vencido o relator, que dava provimento ao recurso da "Pan Asia" para excluíla do lançamento, e negava provimento ao recurso interposto pela "Canadense", mantendo o lançamento em relação a ela, na qualidade de contribuinte principal. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 15 89 /2 01 4- 17 Fl. 471DF CARF MF 2 ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. MARA CRISTINA SIFUENTES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre da lavratura de auto de infração para aplicação e cobrança de "multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, face a aplicação do procedimento especial de controle aduaneiro previsto na IN SRF 228/2002" (fls. 06 dos autos), prevista no artigo 23, inciso V, parágrafo 3º, do Decreto nº 1.455/1976, decorrentes de operações de importação praticadas pelo contribuinte Pan Asia Trading Importacao e Exportacao Ltda. ("Pan Asia") entre 02/02/2012 e 30/08/2012, nas quais a Fiscalização aponta que teria ficado comprovado que "a CANADENSE era o verdadeiro adquirente das mercadorias importadas em nome da empresa PANASIA, configurando ocultação do verdadeiro sujeito passivo das operações com o fim de reduzir as despesas a título de ICMS, bem como burlar os procedimentos fiscais de habilitação e parametrização em sua atuação no comércio exterior". (fls. 73 dos autos) Com isso, o Auto de Infração foi lavrado contra a Pan Asia, contribuinte das operações de importação realizadas, mas também aponta como responsável solidário a sociedade Canadense Ind e Com De Alimentos Eireli ("Canadense"). Após a ciência do lançamento, tanto o importador quanto o sujeito passivo solidário apresentaram Impugnações, que foram julgadas totalmente improcedentes pela 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo ("DRJ"), na sessão de julgamento do dia 08/04/2015, em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. A interposição fraudulenta na importação caracteriza a penalidade prevista no art. 23, V, § 1° do Decretolei n°1.455/76". Dessa decisão, o importador, Pan Asia, foi cientificado no dia 22/04/2015, conforme "Termo de Ciência por Abertura de Mensagem" acostado às fls. 383 dos autos, e Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10909.721589/201417 Acórdão n.º 3401003.973 S3C4T1 Fl. 471 3 apresentou tempestivo Recurso Voluntário no dia 14/05/2015, conforme documento de fls. 385 e 416, na qual requer que seja o auto de infração seja declarado insubsistente, pelos seguintes argumentos: (i) que ela, a Pan Asia, seria a real adquirente da mercadoria, pois teria financiado, com recursos próprios, as operações de importação, não sendo possível, segundo a Recorrente, a discussão de opção logística por ela utilizada; (ii) "que o ilícito de interposição fraudulenta de terceiros possui natureza penaltributária, devendo estar diretamente ligado a prática de crimes antecedentes", segundo a Recorrente, de ocultação da origem ilícita de recursos, prática de crime contra o Sistema Tributário Nacional ou crime contra o Sistema Financeiro Nacional, o que não teria ocorrido no caso dos autos; (iii) "que o ilícito de interposição fraudulenta trata se de um crime de resultado, sendo que no caso dos autos inexiste dolo em fraudar ou dano ao Erário, uma vez que todos os tributos foram recolhidos devidamente"; e (iv) a multa cominada no Auto de Infração seria inaplicável à Pan Asia, que foi acusada de ceder seu nome nas operações de importação, diante da incidência do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Como pedido subsidiário, a Pan Asia requer a alteração do pólo passivo da demanda, para que a empresa Canadense seja indicada como contribuinte e principal interessada e que a Pan Asia seja indicada exclusivamente como responsável solidária. Já o sujeito passivo solidário, Canadense, também foi cientificado no dia 22/04/2015, mas por postagem de intimação pelos Correios, como se verifica no Aviso de Recebimento acostado às fls. 384, e apresentou tempestivo Recurso Voluntário no dia 18/05/2015, conforme documento de fls. 418 dos autos, no qual pede que o Auto de Infração seja declarado nulo e insubsistente, pelas razões a seguir: (i) a operação realizada pela Canadense seria lícita, pois a Canadense não possui interesse em atuar no comércio exterior, limitando a sua atuação à revenda de farinha de trigo no mercado interno, a Pan Asia possui know how nas áreas de comércio exterior e de desembaraço aduaneiro, tendo, assim, condições de proceder em nome próprio a operação de importação e assumir todos os riscos inerentes à mesma, as negociações e operações com o exportador foram realizadas pela Pan Asia, que financiou as operações de importação com recursos próprios; (ii) não poderia prosperar a imputação de que a Canadense teria efetuado importações fazendo uso de interposição fraudulenta, por ser ônus da autoridade fiscal apresentar provas dos fatos constituintes do direito da Fazenda, o que não teria ocorrido no lançamento em questão; (iii) com relação à acusação de falta de fechamento de câmbio e de que tais pagamentos teriam sido realizados por terceiros, a Canadense alega que tal fato não pode ser a ela imputado, pois quem efetuou as importações foi a Pan Asia e não caberia à Canadense fiscalizar o cumprimento dessa obrigação; (iv) uma operação lícita não poderia ser transformada em fraudulenta, por não se encaixar em alguma modalidade previamente definida e regulamentada pela RFB e pela simples alegação da autoridade fiscal; e (v) a imputação de responsabilidade não poderia prosperar, pois seria contrária ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal ("STF"), no julgamento do RE nº 562.276, pois a mesma não seria a contribuinte principal nem teria dado causa ao fato gerador e pela Lei não impor a solidariedade no pagamento no caso concreto. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), sendo distribuídos à minha relatoria na sessão de julgamento do dia 19/05/2016. É o relatório. Fl. 473DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Os recursos são tempestivos e preenchem os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que deles tomo conhecimento. Da acusação fiscal interposição fraudulenta comprovada Como relatado, o processo ora em julgamento decorre de "aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, face a aplicação do procedimento especial de controle aduaneiro previsto na IN SRF 228/2002", pela realização, pela Pan Asia, de operações de importação da farinha de trigo entre 02/02/2012 e 30/08/2012. Esse lançamento tem origem e se utiliza de constatações feitas pela Fiscalização no âmbito do procedimento especial de controle aduaneiro da IN nº 1.169/2011, que embasou o Processo Administrativo nº 12457734.826/201239, e se debruçou sobre operações de importação realizadas pela Pan Asia, cujo real adquirente seria a empresa Canadense, nas quais teria sido verificada a interposição fraudulenta. Assim, entendendo que a conduta investigada nesse primeiro processo ainda persistia, a Fiscalização analisou mais 22 operações de importação realizadas pela Pan Asia, que teriam também como real adquirente a Canadense, acrescentando que para tais operações não havia fechamento de câmbio e não teria a importadora se utilizado de recursos próprios para custeio delas. Apesar dessas acusações, em nenhum momento a Fiscalização apresenta como fundamento legal para a aplicação multa substitutiva da pena de perdimento o artigo 23, V, parágrafo 2º, do Decreto 1.455/1976, que trata da interposição presumida. Tanto é assim que, ao invés de ter seguido pelo procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da importadora no CNPJ, a Fiscalização ainda aplicou a multa prevista no artigo 33 da Lei nº 10.488/2007 ao final daquele primeiro procedimento, como se verifica às fls. 73 dos autos. Dessa maneira, a acusação fiscal sobre a qual se desenvolveu o processo é de interposição fraudulenta comprovada, cuja distinção faremos a seguir, em conjunto com os aspectos que entendemos pertinentes para solução do caso concreto. Da multa por conversão da pena de perdimento O fundamento legal apontado para a multa aplicada é o artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76, in verbis: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...) “§ 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10909.721589/201417 Acórdão n.º 3401003.973 S3C4T1 Fl. 472 5 § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972”. (grifos nossos) A partir da leitura desses dispositivos, percebese que a infração de dano ao erário decorrente da prática de ocultação do sujeito passivo ou real adquirente pode ser aferida de duas maneiras, de forma presumida ou comprovada. Na hipótese de nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a realização da importação, presumese que tenha havido uma interposição fraudulenta de terceiros, pois, a ausência de recursos por parte do importador para a realização da operação é um elemento eleito pela Lei como suficiente para considerar que os recursos utilizados tiveram origem em terceiro, que não apareceu perante os controles aduaneiros, a caracterizar a interposição ilegal. Não sendo esse o caso, poderão as autoridades aduaneiras, com base em outros elementos, formar um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com o intuito de interpor determinada pessoa entre o real adquirente e as autoridades fiscais, para que a primeira permaneça oculta aos olhos da fiscalização. Como já destacado, no presente caso, apesar de tecer acusações que indicavam a utilização de interposição fraudulenta presumida, em que sequer precisaria provar a fraude ou simulação, a Fiscalização seguiu a segunda linha. Não há qualquer fundamento legal apontando a interposição presumida nem a Fiscalização iniciou procedimento para declarar a inaptidão da empresa, pelo contrário, aplicou a multa por cessão do nome prevista no artigo 33, da Lei nº 11.488/2007. Logo, a acusação é baseada no artigo 23, V, § 3º, do Decreto Lei nº 1455/76, devendo o Fisco comprovar a ocorrência de interposição fraudulenta. Nesses casos, como afirmado no Acórdão nº 3401.003.174, de 17.05.2016, "muito embora a caracterização da interposição fraudulenta por si só constitua um dano ao erário passível de punição, não cabendo discussão quanto à identificação ou extensão do dano na sua ocorrência, penso que, na etapa anterior, para que se verifique a existência da própria interposição fraudulenta decorrente de simulação, a análise da existência de prejuízo, efetivo ou potencial, ao terceiro (Fazenda Pública) vinculado e decorrente do intuito de enganar o terceiro (Fazenda Pública), pode e deve ser um dos elementos a serem levados em consideração". Dessa maneira, para a cominação da pena de perdimento ou da multa substitutiva, previstas no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76, o Fisco deve provar não apenas a ocultação do sujeito passivo, mas que a mesma se deu com fraude ou simulação, o que, para esse último caso, importa demonstrar a existência do intuito de enganar o Fisco para a obtenção de uma vantagem indevida, normalmente em prejuízo à Fazenda Pública. Fl. 475DF CARF MF 6 Por esse motivo, o Desembargador Antônio Albino Ramos de Oliveira, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim se manifestou: "O que se reprime, através da drástica pena de perdimento, é a fraude, o artifício malicioso para a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, "inclusive a interposição fraudulenta de terceiros". Evidente que a infração deve ser grave em sua substância, e não sob o aspecto meramente formal. No caso concreto, porém, a despeito do esforço desenvolvido pela autoridade autuante, não vejo no procedimento da agravante qualquer objetivo fraudulento ou malicioso. Não atino onde esteja o dano ao erário, a justificar o confisco do equipamento importado". (Agravo de Instrumento nº 2005.04.01.0462051 / 046205157.2005.4.04.0000; publicado em 11/01/2006) Dos elementos levantados pela Fiscalização para imputar a ocorrência da infração e das alegações das Recorrentes Como narrado, a Fiscalização levantou provas da ocorrência de interposição fraudulenta (i) na ação fiscal que deu origem ao lançamento; e (ii) em procedimento anterior, especial de controle aduaneiro da IN nº 1.169/2011, que embasou o Processo Administrativo nº 12457734.826/201239, que consta como anexo ao Auto de Infração. Da leitura da descrição dos fatos do Auto de Infração (fls. 13 e seguintes dos autos), os seguintes elementos de prova foram apontados: (i) os contratos de câmbio relativos às operações de importação estavam em aberto, sugerindo que haviam sido quitados por terceiros; de acordo com a Fiscalização: "Como não localizamos, na documentação fornecida, qualquer indício de que o câmbio efetivamente tenha sido fechado, nem em consulta aos extratos bancários nem na contabilidade da empresa, agravado pelo fato de sequer haver qualquer indicação de pagamento direto, restou caracterizado, em tese, o pagamento por outra entidade, o real adquirente, quiçá mediante a utilização da sistemática dólarcabo"; (ii) citando o procedimento anterior, a Fiscalização se manifesta pela ocorrência de interposição fraudulenta, na qual a Pan Asia teria servido apenas para ceder a documentação fiscal; nos seguintes termos:"Toda a prova juntada pela Fiscalização levou a concluir que a PAN ASIA não participa das operações no comércio exterior, restando claro que a negociação e contratação dos intervenientes é feita pelo(s) oculto(s) interposto(s), sendo a postura da PAN ASIA totalmente passiva, aguardando as devidas autorizações para cumprir com as formalidades a seu cargo, que nada mais é do que emitir os documentos fiscais para dar a aparência de uma operação lícita, ou seja, cede o seu nome, restando comprovado que o verdadeiro responsável, adquirente importador das operações é o interposto oculto". Já no procedimento anterior, especial de controle aduaneiro da IN nº 1.169/2011, que embasou o Processo Administrativo nº 12457734.826/201239, uma série de provas foi levantada e apresentada pela Fiscalização para afastar a importação declarada como por conta própria da Pan Asia e caracterizar a interposição fraudulenta, conforme a seguir: (i) em seu sítio eletrônico, a Pan Asia se apresenta como “prestadora de serviços de comércio exterior” e expõe as vantagens de operar com ela da seguinte forma, “principalmente em questões fiscais que reduzem de forma matemáticafinanceira o imposto mais importante e significativo das importações, ou seja, o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS”; (ii) ao analisar 394 declarações de importação da Pan Asia no ano de 2012, todas registradas por conta própria, no contexto de auditoria da "Operação Moinho de Vento", a Fiscalização verificou que "todas as notas fiscais de Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10909.721589/201417 Acórdão n.º 3401003.973 S3C4T1 Fl. 473 7 venda da PAN ASIA à CANADENSE possuem o mesmo conjunto de exportadores, o mesmo despachante e a mesma transportadora internacional. Já as notas fiscais de venda de farinha de trigo para a empresa “B” possuíam seu próprio exportador, seu próprio despachante e sua própria transportadora internacional. E assim por diante para as empresas “C” e “D”. (fls. 351 dos autos) (iii) documentos apreendidos na empresa Canadense demonstrariam que a Canadense efetuava pagamentos diretamente às empresas sediadas na Argentina, responsáveis por serviços aduaneiros de transporte, logística e armazenamento de cargas, o que afastaria a afirmação de que a Canadense apenas realiza compra interna de farinha de trigo; (iv) conforme mensagens eletrônicas obtidas, o transportador TRANSUNI recebe ordens diretas da empresa Canadense, muito embora as cargas transportadas estarem registradas em nome da Pan Asia; (v) conforme mensagens eletrônicas obtidas, a despachante aduaneira tem relação direta com a Canadense, pois teria realizado 4 (quatro) operações anteriores em nome da Canadense e só passou a ser registrada pela Pan Asia após as operações de importação dessa empresa se destinarem à Canadense; além disso, tais mensagens comprovariam que a Canadense é que realizava os pagamentos da despachante aduaneira, sobre a qual a Pan Asia não tinha qualquer influência; (vi) existem mensagens eletrônicas que comprovariam que a Pan Asia apenas adianta os recursos para fechamento do contrato de câmbio que, logo em seguida, alguns dias depois é "reembolsado" pelo real adquirente, tomando as partes sempre o cuidado de utilizar esse capital de giro da Pan Asia e realizar o "reembolso" após o fechamento de câmbio; (vii) no anexo 25 há a forma de remuneração da Pan Asia, que não cobra por compra e venda de farinha, nem por serviços de importação, mas, segundo a Fiscalização, por uma comissão de para emprestar o nome, de R$1.800,00 por caminhão da farinha tipo 000 e de R$1.900,00 por caminhão da farinha tipo 0000; (viii) a Fiscalização ainda aponta que a mercadorias importadas não adentrariam o território de Santa Catarina. onde está localizada a Pan Asia, indo diretamente às reais adquirentes no Paraná. Além dos elementos levantados para caracterizar a ocultação do sujeito passivo, a Fiscalização afirma que, ao proceder dessa forma, a empresa que se ocultou buscava as seguintes vantagens: (i) a não submissão aos procedimentos de habilitação ao SISCOMEX e de revisão de habilitação ao SISCOMEX, com o objetivo de não se expor a uma fiscalização, seja pela existência de irregularidades, seja pelo receio de sofrer alguma sanção, e evitar uma análise detalhada de informações contábeis, financeiras e operacionais; (ii) busca de benefícios fiscais estaduais, com a redução do ICMS; e Fl. 477DF CARF MF 8 (iii) interferência na avaliação de risco nas operações. Por outro lado, a Pan Asia defende que realizou uma importação por conta própria, alegando que a Canadense possuía autorização no SISCOMEX, logo, não precisava que a Pan Asia se interpusesse nas operações importação. Afirma ainda que a farinha de trigo não possuía destinatário certo, pois o próprio Fisco identificou que eram vendidas para 4 (quatro) empresas diferentes, e que teria fechado o câmbio com recursos próprios. Já a Canadense afirma que sua operação seria lícita, pois a Canadense não possui interesse em atuar no comércio exterior, limitando a sua atuação à revenda de farinha de trigo no mercado interno, a Pan Asia possuiria know how nas áreas de comércio exterior e de desembaraço aduaneiro, tendo, assim, condições de proceder em nome próprio a operação de importação e assumir todos os riscos inerentes à mesma, as negociações e operações com o exportador foram realizadas pela Pan Asia, que financiou as operações de importação com recursos próprios. Além disso, com relação à acusação de falta de fechamento de câmbio e de que tais pagamentos teriam sido realizados por terceiros, a Canadense alega que tal fato não pode ser a ela imputado, pois quem efetuou as importações foi a Pan Asia e não caberia à Canadense fiscalizar o cumprimento dessa obrigação. Análise da caracterização de interposição fraudulenta Um primeiro ponto que merece destaque diz respeito ao fechamento de câmbio. Ao contrário do modus operandi constatado no procedimento anterior, realizado no âmbito do Processo Administrativo nº 12457734.826/201239, em que a Pan Asia realmente, com um capital de giro próprio, pagava o contrato de câmbio e pressionava a Canadense para a realização do pagamento, tomando as partes o cuidado de fechar o câmbio para depois realizar a transferência de valores entre Canadense e Pan Asia, no presente processo, a situação é outra. Aqui, a Fiscalização acusa a Pan Asia justamente em razão de não ter realizado o fechamento do câmbio, meses após a operação de importação e, mesmo assim, ter continuado a operar com o mesmo exportador. Tal fato indicaria, segundo a Fiscalização, que a compra e venda internacional foi paga por outros meios, como por terceiros, a margem do controle cambial, o que seria um forte indício de que o real adquirente não seria a Pan Asia, mas um terceiro, no caso, a Canada. Em seu Recurso Voluntário, a Pan Asia insiste em afirmar que teria fechado o câmbio com recursos próprios, o que seria reconhecido pela própria Fiscalização. Porém, a Fiscalização reconhece tal prática no procedimento anterior e não no presente lançamento, em que apresenta a acusação de não existir qualquer fechamento de câmbio. De qualquer maneira, não há em sua defesa provas dessa alegação. Quanto à alegação da Canadense, que esta seria obrigação da Pan Asia e que não está obrigada a fiscalizar o seu cumprimento, assiste razão à Canadense. Porém, esse não foi o único elemento trazido para afastar a relação de compra e venda de farinha no mercado interno, tal como alegado pela Canadense. Em relação aos demais elementos, como a questão da existência de pagamentos realizados diretamente pela Canadense a despachantes no exterior e no Brasil, assim como a transportador, a coincidência de, nas "compras internas" realizadas entre a Canadense e Pan Asia figurar sempre o mesmo conjunto de exportadores, despachantes e transportadora, a Canadense não trouxe argumentos capazes de refutálos. Observese que tais elementos dizem respeito diretamente à Canadense, sendo perfeitamente possível apresentar informações e documentos para afastar essa acusação. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10909.721589/201417 Acórdão n.º 3401003.973 S3C4T1 Fl. 474 9 Do mesmo modo, a Pan Asia foi incapaz de afastar a acusação fiscal e dar amparo à realização de operações de importação por conta própria, tal como por ela declarado. A alegação de que a Canadense era habilitada no SISCOMEX não retira dela o interesse de interpor a Pan Asia nas operações de comércio exterior, como exaustivamente expôs o lançamento. Já a alegação de que a farinha de trigo não era previamente destinada à Canadense, por ter a Pan Asia outros clientes, também não se sustenta, diante da utilização de um conjunto específico (exportador, transportador e despachante) para cada cliente, o que indica que era o cliente quem contratava e era responsável pela operação de importação e não a Pan Asia. Portanto, tal alegação não ajuda a afastar a acusação fiscal e também essa questão do conjunto de atores da operação de importação para cada cliente ficou sem resposta. Não há qualquer explicação da Pan Asia para ter adotado um conjunto para cada cliente, restando apenas a simulação apontada pela Fiscalização ou uma grande coincidência, hipótese que acaba sendo afastada pelos outros elementos trazidos pela Fiscalização. As Recorrentes não conseguem apresentar explicações e provas para afastar os elementos apresentados pela Fiscalização, acima indicados. Por outro lado, também não fazem prova da natureza das operações por ela realizadas. Se a Pan Asia era quem corria o risco e arcava com as operações de importação, por conta própria, poderia ter trazido algum elemento comprovando a compra e venda internacional junto aos moinhos de farinha, como emails, cartas, mensagens, contratos, viagens de funcionários à Argentina, que indicassem as negociações e ajustes realizados com os exportadores para a compra da farinha de trigo. Se a Canadense realizava apenas uma compra interna de farinha de trigo, poderia ter trazido também elementos que demonstrassem as negociações e ajustes para a aquisição de farinha de trigo junto a Pan Asia que, por sua vez, poderia apresentar os preços praticados na venda interna à Canadense, para demonstrar que era remunerada pela margem de lucro entre importação e revenda e não por emprestar o nome, por caminhão de farinha de trigo. Porém, nem as acusações fiscais foram afastadas nem as Recorrentes foram capazes de apresentar explicações e provas para amparar a natureza das operações por ela declaradas e defendidas. Com isso, o conjunto de provas dos autos, a meu ver, ampara a acusação de que houve ocultação do real adquirente das mercadorias importadas. Além disso, não me parece que a declaração quanto à natureza das operações às autoridades aduaneiras tenha se dado por mero equívoco ou questão de formalidade, mas sim que toda a estruturação da operação se deu na busca de vantagens para as partes envolvidas, em práticas que configuram fraude e simulação, requisitos para o reconhecimento da interposição fraudulenta. De acordo com a Fiscalização, as vantagens buscadas pela Canadense seriam a não submissão aos procedimentos de habilitação ao SISCOMEX e de revisão de habilitação ao SISCOMEX, interferência na avaliação de risco nas operações, e busca de benefícios fiscais estaduais, com a redução do ICMS. Com relação aos dois primeiros, quando levantados de forma genérica pela Fiscalização, como sói ocorrer no presente caso, penso que, por si só, não sirvam para justificar uma acusação, pois tais vantagens existem, em tese, em todo e qualquer caso em que há uma ocultação. Assim, não haveria que se fazer qualquer distinção entre a ocultação com artifício malicioso e aquela praticada sem qualquer fraude ou simulação. Mas, com relação a última vantagem, penso que é relevante. Como narrado pela Fiscalização, o objetivo buscado era uma alíquota efetiva de ICMS de 4% na importação a Fl. 479DF CARF MF 10 partir do Estado de Santa Catarina, ao invés de se sujeitar a uma alíquota ordinária, ao realizar a operação de importação, a partir do Estado do Paraná, onde localizada a Canadense. E, esse objetivo só poderia ser alcançado se as partes envolvidas declarassem que a operação era por conta própria da Pan Asia, ocorrendo após uma revenda para a Canadense. Caso fosse declarada uma operação por conta e ordem, por exemplo, o importador já não estaria no Estado de Santa Catarina, não fazendo jus ao benefício fiscal. Contudo, como não ocorreu, de fato, a importação por conta própria e posterior revenda à Canadense, e as partes assim declararam às autoridades, com o intuito de enganar a Fazenda Pública, para obtenção de vantagens, a conduta se enquadra nas hipóteses de fraude (artigo 72 da Lei nº 4.502/1964) e simulação (artigo 167 do Código Civil), o que justifica a aplicação da multa substitutiva da pena de perdimento, por restar configurada a interposição fraudulenta. Por último, ainda que se trate de uma vantagem obtida em desfavor de uma unidade da Federação e não em desfavor da Fazenda Federal, resta configurado o intuito de enganar e a caracterização da infração, pois quem detém competência para fiscalizar e controlar as operações de comércio exterior, defendendo interesses extrafiscais e também fiscais de interesse não apenas da União, mas também dos Estados e Municípios, é o Ministério da Fazenda, com esteio no artigo 237, da Constituição Cidadã, in verbis: "Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda". Dos demais argumentos das Recorrentes Pan Asia A Pan Asia ainda sustenta "que o ilícito de interposição fraudulenta de terceiros possui natureza penaltributária, devendo estar diretamente ligado à prática de crimes antecedentes", segundo a Pan Asia, de ocultação da origem ilícita de recursos, prática de crime contra o Sistema Tributário Nacional ou crime contra o Sistema Financeiro Nacional, o que não teria ocorrido no caso dos autos. Além disso, afirma "que o ilícito de interposição fraudulenta tratase de um crime de resultado, sendo que no caso dos autos inexiste dolo em fraudar ou dano ao Erário, uma vez que todos os tributos foram recolhidos devidamente". Porém, o artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76 não exige para a cominação da pena de perdimento ou da multa substitutiva que a interposição fraudulenta tenha sido praticada de forma vinculada a outros crimes como utilização de recursos de origem ilícita, prática de crime contra o Sistema Tributário Nacional ou crime contra o Sistema Financeiro Nacional. Apesar de um dos grandes objetivos da penalidade ser coibir crimes dessa natureza, a aplicação da penalidade não está restrita a esse tipo de crime, sendo certo que, pela norma que se extrai do dispositivo, a pena ou multa devem ser aplicadas ao se constatar uma interposição fraudulenta e não uma interposição fraudulenta praticada em conjunto ou em decorrência de origem ilícita de recursos, prática de crime contra o Sistema Tributário Nacional ou crime contra o Sistema Financeiro Nacional. Quanto ao pagamento dos tributos, em nada afeta a aplicação da pena, pois, como explicado, a pena ou multa incidem na ocorrência de interposição fraudulenta por prejuízo ao controle aduaneiro que, nos termos da Lei, por si só, configura um dano ao erário. De qualquer maneira, verificouse, no presente caso, não apenas o prejuízo ao controle aduaneiro, mas também a vantagem de natureza fiscal, de redução do quantum a pagar no total de tributos incidentes nas operações de importação, pela diminuição do valor devido a título de ICMS. Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10909.721589/201417 Acórdão n.º 3401003.973 S3C4T1 Fl. 475 11 A Pan Asia ainda defende a inaplicabilidade da multa, pois foi acusada de ceder seu nome nas operações de importação, diante da incidência do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Essa matéria não é nova no CARF. Uma primeira corrente advoga a possibilidade de cumulação, pelo entendimento de que as normas visam proteger bens jurídicos diversos. A pena de perdimento ou multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria tem por objetivo proteger o controle aduaneiro, enquanto que a multa por cessão de nome visa proteger o uso do CNPJ. Além disso, o artigo 95, do Decreto Lei nº 37/1966, permitiria a atribuição de responsabilidade, de forma conjunta, entre ocultado e ocultante, em relação à pena de perdimento/multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Nesse sentido, decidiu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa de julgado abaixo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 09/01/2004 a 11/02/2006 CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 E DO PERDIMENTO DA MERCADORIA. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Desta maneira, descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional por trataremse de penalidades distintas". (Processo nº 12466.002267/200647; Acórdão nº 9303004.345; 3ª Turma da CSRF; Sessão de 06/10/2016; Relatora: Érika Costa Camargos Autran) Uma segunda corrente defende a aplicação do princípio da especialidade, pelo raciocínio que a multa por cessão de nome estaria veiculada em norma especial para punição, ao passo que a perdimento/multa equivalente ao valor aduaneiro estaria veiculada em norma geral, ambas para tratar de um mesmo ato infracional. Logo, aplicarseia a norma decorrente da regra especial para o ocultante, levando ainda em consideração que essa interpretação se adequaria à norma contida no artigo 100, do Decreto Lei nº 37/1966. Nessa segunda linha de pensamento, podese citar o julgado abaixo: Ementa: "(...) IMPORTAÇÃO INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MULTA APLICÁVEL AO IMPORTADOR OSTENSIVO CESSÃO DE NOME PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE DA SANÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO. Fl. 481DF CARF MF 12 Com o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07, em face do princípio da especialidade da sanção, não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decretolei nº 1455/76, sob pena de ilegal bis in idem. Trecho do Voto Vencedor: "(...) entendo que com o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07 aplicável à hipótese de pessoa jurídica que ceder o nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários – não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decretolei nº 1455/76, aplicável na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação cumulativa dessas sanções sobre a importadora ostensiva não somente viola o princípio da especialidade, como constitui um ilegal bis in idem. Realmente, tratandose de dispositivos legais que tipificam uma única conduta – “acobertamento” ou “ocultação” dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, evidenciase o conflito aparente de normas, que impõe a observância do princípio da especialidade que por sua vez determina a prevalência da norma especial, não sendo lícito ao fisco cumulála ou agravála sequer pela via transversa de suposta solidariedade em penalidade aplicada a outro infrator, pois como expressamente determina o art. 100 do Decretolei nº 37/66, “in verbis”: [transcrição do artigo]". (Processo nº 10314.724447/201230; Acórdão nº 3402002.362; 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 23/04/2014). Com efeito, as duas normas visam punir a mesma conduta, de acobertamento ou a ocultação do sujeito passivo nas operações de comércio exterior. Enquanto o artigo 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/1976 abrange todas as partes envolvidas na operação de importação, o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 foi específico, ao indicar como destinatário da norma a pessoa jurídica acobertante. Assim, a interpretação exclusivamente teleológica daqueles que afirmam ser a penalidade do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 um abrandamento da pena capital de inaptidão de CNPJ, a meu ver, entra em choque com a norma que resulta da leitura dos textos normativos, tal como inseridos e como ganharam vida no ordenamento jurídico. Nesse sentido, acredito que a leitura adequada do texto normativo deva levar em conta o diálogo desse dispositivo com os demais dispositivos que são influenciados e o influenciam no âmbito do sistema do direito aduaneiro e, além disso, a interpretação determinada pelo artigo 112, inciso IV, do CTN, o que me leva a adotar a segunda corrente exposta, pela impossibilidade de cumulação das penalidades em apreço, devendo o acobertante ser penalizado exclusivamente com a multa do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, motivo pelo qual proponho o cancelamento do lançamento em relação à Pan Asia. Como pedido subsidiário, a Pan Asia requer a alteração do pólo passivo da demanda, para que a empresa Canadense seja indicada como contribuinte e principal Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10909.721589/201417 Acórdão n.º 3401003.973 S3C4T1 Fl. 476 13 interessada e que a Pan Asia seja indicada exclusivamente como responsável solidária, argumento que será analisado em conjunto com o seguinte, levantado pela Canadense. Dos demais argumentos das Recorrentes Canadense Em seu Recurso Voluntário, a Canadense ainda defende que a imputação de responsabilidade não poderia prosperar, pois seria contrária ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal ("STF"), no julgamento do RE nº 562.276, pois a mesma não seria a contribuinte principal nem teria dado causa ao fato gerador e pela Lei não impor a solidariedade no pagamento no caso concreto. De início, cumpre afastar a aplicação do julgamento invocado pela Canadense, eis que versa sobre matéria diversa da aqui discutida, que é penalidade aduaneira. Nas operações de importação, é contribuinte do Imposto de Importação, nos termos do artigo 31, inciso I, do Decreto Lei nº 37/1966: "O importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional". Já nas operações por conta e ordem e para encomendante predeterminado, além do importador, respondem, de forma solidária, pelo pagamento do imposto o adquirente por conta e ordem e o encomendante predeterminado, nos termos do artigo 32, parágrafo único, alíneas "c" e "d", do Decreto Lei nº 37/19661. Assim, no que se refere ao Imposto de Importação, há o importador na qualidade de contribuinte (artigo 121, inciso I, do CTN), e o adquirente por conta e ordem e o encomendante predeterminado, na qualidade de responsável (artigo 121, inciso II, do CTN). Já no que se refere às infrações, o artigo 95, incisos I, V e VI, do Decreto Lei nº 37/1966, prevê que respondem, de forma isolada ou conjunta, quem, de qualquer forma, concorra para a sua prática ou dela se beneficie, o adquirente por conta e ordem e o encomendante predeterminado na aquisição de mercadoria estrangeira, nos termos abaixo: "Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora". Assim, para a penalidade prevista no artigo 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/1976, todos os atores que a Fiscalização entender que tiverem concorrido ou se beneficiado da prática infracional devem responder, em pé de igualdade, independentemente da 1 Art . 32. É responsável pelo imposto: (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; Fl. 483DF CARF MF 14 natureza que ostentar o infrator, de contribuinte ou responsável, em relação ao Imposto de Importação. Dessa maneira, ainda que o lançamento tenha indicado a Canadense como "responsável solidário" e não como "responsável conjunto" pela multa, não há nada a reparar no Auto de Infração, pois da "descrição dos fatos" e do TVF percebese que a acusação se volta contra os atores envolvidos na operação de importação de forma direta e não por atribuição de responsabilidade, pois o fundamento do lançamento é o artigo 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/1976. Além disso, a indicação inexata da condição do sujeito passivo, no presente caso, não implicou prejuízo a defesa da Canadense, não havendo, portanto, que se declarar qualquer nulidade do Auto de Infração (artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972). Conclusão Pelo exposto, proponho ao Colegiado dar provimento ao Recurso Voluntário da Pan Asia para excluíla do lançamento, e negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pela Canadense, mantendo o lançamento em relação a ela, na qualidade de contribuinte principal. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10909.721589/201417 Acórdão n.º 3401003.973 S3C4T1 Fl. 477 15 Voto Vencedor Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Redatora designada Em que pese os bens concatenados argumentos trazidos no voto do ilustre relator, deste ouso divergir apenas quanto a exclusão da empresa Pan Ásia do lançamento, já que quanto aos outros pontos alegados em recurso voluntário concordo com a fundamentação trazida pelo relator. Concordo com o ilustre relator que as acusações fiscais não foram afastadas pelos acusados e nem eles apresentaram explicações e provas para amparar as operações efetuadas: Porém, nem as acusações fiscais foram afastadas nem as Recorrentes foram capazes de apresentar explicações e provas para amparar a natureza das operações por ela declaradas e defendidas. Com isso, o conjunto de provas dos autos, a meu ver, ampara a acusação de que houve ocultação do real adquirente das mercadorias importadas. Além disso, não me parece que a declaração quanto à natureza das operações às autoridades aduaneiras tenha se dado por mero equívoco ou questão de formalidade, mas sim que toda a estruturação da operação se deu na busca de vantagens para as partes envolvidas, em práticas que configuram fraude e simulação, requisitos para o reconhecimento da interposição fraudulenta. Entretanto, o relator do voto vencido expõe sua posição de que há impossibilidade de cumulação das penalidades do artigo 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/1976, com a multa do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, motivo pelo qual ele propõe o cancelamento do lançamento da multa do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 em relação à Pan Ásia: Com efeito, as duas normas visam punir a mesma conduta, de acobertamento ou a ocultação do sujeito passivo nas operações de comércio exterior. Enquanto o artigo 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/1976 abrange todas as partes envolvidas na operação de importação, o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 foi específico, ao indicar como destinatário da norma a pessoa jurídica acobertante. Assim, a interpretação exclusivamente teleológica daqueles que afirmam ser a penalidade do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 um abrandamento da pena capital de inaptidão de CNPJ, a meu ver, entra em choque com a norma que resulta da leitura dos textos normativos, tal como inseridos e como ganharam vida no ordenamento jurídico. Nesse sentido, acredito que a leitura adequada do texto normativo deva levar em conta o diálogo desse dispositivo com Fl. 485DF CARF MF 16 os demais dispositivos que são influenciados e o influenciam no âmbito do sistema do direito aduaneiro e, além disso, a interpretação determinada pelo artigo 112, inciso IV, do CTN, o que me leva a adotar a segunda corrente exposta, pela impossibilidade de cumulação das penalidades em apreço, devendo o acobertante ser penalizado exclusivamente com a multa do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, motivo pelo qual proponho o cancelamento do lançamento em relação à Pan Asia. Neste ponto entendo que é possível a cumulação das duas sanções (artigo 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/1976, com a multa do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007) já que estão protegendo bens jurídicos diversos, a saber: a pena de perdimento ou multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria protegendo o controle aduaneiro, enquanto que multa por cessão de nome visa proteger o uso do CNPJ. Nesse sentido, já decidiu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa de julgado abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/01/2004 a 11/02/2006 CESSÃO DE NOME. CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 E DO PERDIMENTO DA MERCADORIA. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acórdão nº 9303 003.388 – 3ª Turma. Sessão de 25 de janeiro de 2016. Pelo exposto, voto por negar provimento aos Recursos Voluntários apresentados pelas empresas, mantendo o lançamento em sua íntegra. Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Redatora designada Fl. 486DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721102/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRATOS DE CONFIDENCIALIDADE. SEGURADOS EMPREGADOS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A fiscalização considerou o exercício de atividade remunerada por segurados empregados decorrente da pactuação de contratos de confidencialidade. Uma vez insuficiente a comprovação dos requisitos para a qualificação das pessoas físicas como segurados empregados, especialmente o pressuposto do trabalho sem autonomia, mediante subordinação, é mister decretar a insubsistência do lançamento fiscal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PARA OUTRAS ENTIDADES E TERCEIROS. RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS. AFERIÇÃO INDIRETA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, DO CRITÉRIO REAL DE APURAÇÃO E DE RAZOABILIDADE PARA CUMPRIMENTO DAS INTIMAÇÕES.
A fiscalização transfere o ônus da prova para o contribuinte, arbitrando valores em mais de 1000 (mil) reclamatórias trabalhistas, partindo do conceito equivocado da ocorrência do fato gerador (pagamento), caracterizando assim a falta de razoabilidade do arbitramento em debate, passando à margem da busca da verdade material, a qual deve pautar a atividade fiscal.
No presente caso, a teor da legislação que rege a matéria, o fato gerador é a prestação do serviço. No presente caso a autoridade fiscal não investigou os fatos relacionados à prestação dos serviços, adotando fato não previsto em lei (pagamento) e partindo de premissa equivocada e ilegal aplicou o método de arbitramento.
Nessa esteira de atuação, a instância a quo em seu julgamento inova e adota outro fato gerador, a saber o trânsito em julgado da decisão trabalhista, restando cerceado o direito de defesa do Contribuinte.
Observa-se ainda que houve falha nas intimações fiscais ao exigir as reclamatórias trabalhistas sem especificar o critério real de apuração, assim, para o contribuinte não ficou claro se deveria providenciar as cópias das reclamações trabalhistas ajuizadas, pagas, relativas aos serviços prestados ou ainda que transitaram em julgado no período objeto da autuação.
Soma-se ainda que os prazos para cumprimento das intimações não foram razoáveis, tendo em vista o grande volume de reclamações trabalhistas que envolve o contribuinte (em média 14.000 processos), os quais a guarda era mantida de forma descentralizada em todos os estados da federação. Os atos emanados pela administração pública não podem ser desprovidos de razão e proporção.
Razão pela qual entendo que está maculado o lançamento referente a contribuições previdenciárias destinadas a terceiros e fundos sobre condenações trabalhistas dos anos de 2008, julgando improcedente os lançamentos realizados à esse título.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF.
Conforme decidido pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543-C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, ainda que parcial, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN.
DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Indefere-se o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas.
RELATÓRIO DE VÍNCULOS - RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS DIRIGENTES.
A simples inclusão de dirigentes e administradores do Contribuinte no anexo Relatório de Vínculos, não equivale absolutamente à atribuição de responsabilidade automática pelo crédito tributário. Tal somente ocorrerá em casos específicos, com as devidas justificativas legais, na eventual ocasião em que se operar a execução fiscal.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
Constatada a ocorrência das hipóteses legais, a elaboração de RFFP constitui obrigação funcional do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e corresponde ao relato da constatação da ocorrência, em tese, de prática que constitua ilícito penal, apurada no curso da auditoria fiscal, não se tratando de formal acusação, o que, aliás, nem mesmo é de sua competência. Constitui mera comunicação dos fatos, das circunstâncias, dos documentos e demais elementos que possam subsidiar a eventual proposição de ação penal, devendo ser oportunamente encaminhada à Autoridade Pública, que, a seu juízo, tomará as providências tendentes à apuração dos fatos ou formalização da acusação penal.
Numero da decisão: 2401-005.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. Por maioria, dar provimento ao recurso. Vencida a relatora que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições para outras entidades e fundos pagas em virtude de reclamatórias trabalhistas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. Declarou-se impedida a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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A fiscalização transfere o ônus da prova para o contribuinte, arbitrando valores em mais de 1000 (mil) reclamatórias trabalhistas, partindo do conceito equivocado da ocorrência do fato gerador (pagamento), caracterizando assim a falta de razoabilidade do arbitramento em debate, passando à margem da busca da verdade material, a qual deve pautar a atividade fiscal. No presente caso, a teor da legislação que rege a matéria, o fato gerador é a prestação do serviço. No presente caso a autoridade fiscal não investigou os fatos relacionados à prestação dos serviços, adotando fato não previsto em lei (pagamento) e partindo de premissa equivocada e ilegal aplicou o método de arbitramento. Nessa esteira de atuação, a instância a quo em seu julgamento inova e adota outro fato gerador, a saber o trânsito em julgado da decisão trabalhista, restando cerceado o direito de defesa do Contribuinte. Observa-se ainda que houve falha nas intimações fiscais ao exigir as reclamatórias trabalhistas sem especificar o critério real de apuração, assim, para o contribuinte não ficou claro se deveria providenciar as cópias das reclamações trabalhistas ajuizadas, pagas, relativas aos serviços prestados ou ainda que transitaram em julgado no período objeto da autuação. Soma-se ainda que os prazos para cumprimento das intimações não foram razoáveis, tendo em vista o grande volume de reclamações trabalhistas que envolve o contribuinte (em média 14.000 processos), os quais a guarda era mantida de forma descentralizada em todos os estados da federação. Os atos emanados pela administração pública não podem ser desprovidos de razão e proporção. Razão pela qual entendo que está maculado o lançamento referente a contribuições previdenciárias destinadas a terceiros e fundos sobre condenações trabalhistas dos anos de 2008, julgando improcedente os lançamentos realizados à esse título. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. Conforme decidido pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543-C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, ainda que parcial, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indefere-se o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. RELATÓRIO DE VÍNCULOS - RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS DIRIGENTES. A simples inclusão de dirigentes e administradores do Contribuinte no anexo Relatório de Vínculos, não equivale absolutamente à atribuição de responsabilidade automática pelo crédito tributário. Tal somente ocorrerá em casos específicos, com as devidas justificativas legais, na eventual ocasião em que se operar a execução fiscal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Constatada a ocorrência das hipóteses legais, a elaboração de RFFP constitui obrigação funcional do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e corresponde ao relato da constatação da ocorrência, em tese, de prática que constitua ilícito penal, apurada no curso da auditoria fiscal, não se tratando de formal acusação, o que, aliás, nem mesmo é de sua competência. Constitui mera comunicação dos fatos, das circunstâncias, dos documentos e demais elementos que possam subsidiar a eventual proposição de ação penal, devendo ser oportunamente encaminhada à Autoridade Pública, que, a seu juízo, tomará as providências tendentes à apuração dos fatos ou formalização da acusação penal.
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SEGURADOS EMPREGADOS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A fiscalização considerou o exercício de atividade remunerada por segurados empregados decorrente da pactuação de contratos de confidencialidade. Uma vez insuficiente a comprovação dos requisitos para a qualificação das pessoas físicas como segurados empregados, especialmente o pressuposto do trabalho sem autonomia, mediante subordinação, é mister decretar a insubsistência do lançamento fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PARA OUTRAS ENTIDADES E TERCEIROS. RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS. AFERIÇÃO INDIRETA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, DO CRITÉRIO REAL DE APURAÇÃO E DE RAZOABILIDADE PARA CUMPRIMENTO DAS INTIMAÇÕES. A fiscalização transfere o ônus da prova para o contribuinte, arbitrando valores em mais de 1000 (mil) reclamatórias trabalhistas, partindo do conceito equivocado da ocorrência do fato gerador (pagamento), caracterizando assim a falta de razoabilidade do arbitramento em debate, passando à margem da busca da verdade material, a qual deve pautar a atividade fiscal. No presente caso, a teor da legislação que rege a matéria, o fato gerador é a prestação do serviço. No presente caso a autoridade fiscal não investigou os fatos relacionados à prestação dos serviços, adotando fato não previsto em lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 02 /2 01 2- 12 Fl. 3293DF CARF MF 2 (pagamento) e partindo de premissa equivocada e ilegal aplicou o método de arbitramento. Nessa esteira de atuação, a instância a quo em seu julgamento inova e adota outro fato gerador, a saber o trânsito em julgado da decisão trabalhista, restando cerceado o direito de defesa do Contribuinte. Observase ainda que houve falha nas intimações fiscais ao exigir as reclamatórias trabalhistas sem especificar o critério real de apuração, assim, para o contribuinte não ficou claro se deveria providenciar as cópias das reclamações trabalhistas ajuizadas, pagas, relativas aos serviços prestados ou ainda que transitaram em julgado no período objeto da autuação. Somase ainda que os prazos para cumprimento das intimações não foram razoáveis, tendo em vista o grande volume de reclamações trabalhistas que envolve o contribuinte (em média 14.000 processos), os quais a guarda era mantida de forma descentralizada em todos os estados da federação. Os atos emanados pela administração pública não podem ser desprovidos de razão e proporção. Razão pela qual entendo que está maculado o lançamento referente a contribuições previdenciárias destinadas a terceiros e fundos sobre condenações trabalhistas dos anos de 2008, julgando improcedente os lançamentos realizados à esse título. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. Conforme decidido pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, ainda que parcial, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. RELATÓRIO DE VÍNCULOS RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS DIRIGENTES. A simples inclusão de dirigentes e administradores do Contribuinte no anexo Relatório de Vínculos, não equivale absolutamente à atribuição de responsabilidade automática pelo crédito tributário. Tal somente ocorrerá em Fl. 3294DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.294 3 casos específicos, com as devidas justificativas legais, na eventual ocasião em que se operar a execução fiscal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Constatada a ocorrência das hipóteses legais, a elaboração de RFFP constitui obrigação funcional do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e corresponde ao relato da constatação da ocorrência, em tese, de prática que constitua ilícito penal, apurada no curso da auditoria fiscal, não se tratando de formal acusação, o que, aliás, nem mesmo é de sua competência. Constitui mera comunicação dos fatos, das circunstâncias, dos documentos e demais elementos que possam subsidiar a eventual proposição de ação penal, devendo ser oportunamente encaminhada à Autoridade Pública, que, a seu juízo, tomará as providências tendentes à apuração dos fatos ou formalização da acusação penal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3295DF CARF MF 4 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. Por maioria, dar provimento ao recurso. Vencida a relatora que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições para outras entidades e fundos pagas em virtude de reclamatórias trabalhistas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. Declarouse impedida a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira. Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.295 5 Relatório Inicialmente, cumpre informar que encontramse apensados a estes autos os Processos nº 16682.721105/201256 e 16682.721106/201209 (Representação Fiscais para Fins Penais). Nesta oportunidade, por bem descrever a matéria tratada nos presentes autos, adoto o relatório produzido pela respeitável decisão recorrida, apresentado nos termos seguintes: Tratase de crédito previdenciário, COMPROT 16682.721102/201212, lançado pela fiscalização, contra o contribuinte acima identificado, conforme abaixo especificado: a) DEBCAD n° 37.349.8330, no montante de R$ 200.373,11, que acrescido de multa e juros perfez o valor de R$ 441.357,40, correspondente às contribuições destinadas à Previdência Social a cargo da empresa, incluídos os valores destinados ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações apuradas por arbitramento na DIRF (ano calendário 2008), não informadas em GFIP, e os valores relacionados às diferenças decorrentes de recolhimento a menor de juros e/ou multa de mora em Guias da Previdência Social – GPS, no período de 01/2008 a 12/2008. b) DEBCAD n° 37.349.8349, no valor de R$ 5.692.615,88, que acrescido de multa e juros perfez o valor de R$ 9.869.022,02, correspondente às contribuições devidas para Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações apuradas por arbitramento na DIRF (Ano Calendário 2008), não informadas em GFIP, e sobre as remunerações pagas decorrentes de sentenças e/ou acordos formalizados em processos judiciais de reclamatórias trabalhistas, no período de 01/2008 a 12/2008. 2. De acordo com o Relatório Fiscal: 2.1. “Durante os procedimentos de fiscalização, foram apurados, nos sistemas indicados no parágrafo 23 do presente relatório, especificamente na DIRF — ano calendário 2008, pagamentos a pessoas físicas, não inseridos nas folhas de pagamento e não informados em GFIP”. 2.2. “Consequentemente ficou constatado que o sujeito passivo deixou de recolher contribuições sociais devidas, assim como deixou de declarar os fatos geradores destas contribuições nas GFIP relativas às competências de 01/2008 a 12/2008”. 2.3. “Além disso, ficou evidenciado o recolhimento a menor de valores relativos a juros e/ou multas de mora sobre os montantes recolhidos em GPS. Fl. 3297DF CARF MF 6 Tais diferenças estão discriminadas, nas competências e datas de pagamento especificadas, no levantamento DAL Diferença de Acréscimos Legais”. 2.4. Foram criados os seguintes levantamentos: CC1 e CC2 Contratos de confidencialidade. RT1 e RT2 Reclamatória trabalhista DAL Diferença de acréscimos legais. Dos levantamentos CC1 e CC2 Contratos de confidencialidade. 2.5. Na DIRF Declaração do Imposto de Renda Retida na Fonte, relativa ao ano calendário 2008, apresentada, como RETIFICADORA, pela Impugnante, consta a indicação da retenção do IR código 0588 (Rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício) realizada para 29 (vinte e nove) pessoas físicas. Destas, 14 (quatorze) não foram inseridas nas GFIP. 2.6. Intimada a justificar e fundamentar as incongruências entre as informações prestadas na DIRF Ano Calendário 2008 e nas respectivas GFIP a empresa esclareceu que “as importâncias pagas às pessoas físicas destacadas referemse, em sua grande maioria, a pagamentos de cunho indenizatório, decorrente de Contratos de Confidencialidade firmados com esta sociedade, conforme consta da cópia dos contratos anexos”. 2.7. Anexa à resposta, foram apresentados os denominados “TERMO DE COMPROMISSO E OUTRAS AVENÇAS QUE ENTRE SI CELEBRAM TELEMAR NORTE LESTE S/A E ... (nome do contratado)” firmados com 10 (dez) pessoas físicas, cujas cópias são partes integrantes do presente processo. 2.8. Os referidos Termos de Compromissos caracterizaramse pelo acordo entre o sujeito passivo e seus antigos empregados, no qual a TELEMAR pagou a seus contratados remuneração “mediante a guarda de informações confidenciais por parte destes, não intervenções em canais de venda diretos, bem como a obrigação de não prospectar, aliciar e/ou contratar, direta ou indiretamente, por que meio for, empregado pertencente aos quadros de quaisquer empresas do Grupo TELEMAR, devendo obedecer as especificações constantes deste Termo”. 2.9. Os Termos de Compromissos dispunham ainda de cláusula que determinava que dentro do período de vigência do contrato, a partir da data de sua assinatura e mediante solicitação da TELEMAR, o contratado poderia “eventualmente, ser demandado a lhe prestar serviços de consultoria dentro de sua especialização, estando, desde já, os eventuais valores incluídos nos termos do item 1.1 deste instrumento, não sendo devido, portanto, nenhum pagamento adicional por parte da TELEMAR”. 2.10. “Resta claramente configurado que os antigos empregados do sujeito passivo continuavam à disposição da empresa, seja na guarda de informações, seja na não execução de serviços, sobretudo para seus concorrentes, ou na disponibilidade de prestar consultoria sem que qualquer outra remuneração fosse devida pela TELEMAR, uma vez que já fora realizado o pagamento prévio por evento futuro”. 2.11. “Desta forma, apesar dos vínculos relacionados aos contratos de trabalho terem sido descontinuados nas datas indicadas do quadro inserido Fl. 3298DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.296 7 no parágrafo 58 do presente relatório, os trabalhadores relacionados continuaram à disposição da TELEMAR NORTE LESTE S/A com a celebração dos mencionados Termos de Compromisso, caracterizando a continuidade dos vínculos empregatícios anteriormente estabelecidos”. Do levantamento DAL – diferenças de acréscimos legais. 2.12. “Nas Guias da Previdência Social GPS recolhidas pela empresa, sob os códigos 2909 e 2917, relativas às contribuições previdenciárias a cargo da empresa e às contribuições para outras entidades e fundos, incidentes sobre os valores pagos a partir de sentenças ou acordos em processos trabalhistas de reclamatórias trabalhistas, foram identificados pagamentos a menor de multa e juros de mora”. Dos levantamentos RT1 e RT2 – Reclamatória trabalhista. 2.13. “Compete ao auditorfiscal apurar e lançar de ofício créditos relativos a contribuições destinadas a outras entidades e fundos decorrentes de condenação ou acordo homologado judicialmente em reclamatórias trabalhistas”. 2.14. “Na planilha encaminhada a esta fiscalização, em 04/10/2012, foram relacionados todos os processos judiciais que deram origem aos pagamentos efetivados pelo sujeito passivo, com a indicação expressa da "base de cálculo" em cada um dos referidos processos. Entretanto, ficaram pendentes alguns dos elementos indicados no TIF n° 06 CNPJ do estabelecimento pagador, CPF e NIT do Reclamante”. 2.15. A empresa complementou a planilha anteriormente apresentada somente para os pagamentos relativos a Processos Trabalhistas efetuados no exercício 2010. 2.16. “As cópias da inicial e da sentença ou do acordo dos Processos Trabalhistas, que culminaram com pagamentos efetuados pela empresa em favor dos Reclamantes, não foram apresentadas a esta fiscalização”. 2.17. “Este fato impossibilitou a esta fiscalização obter a efetiva base de cálculo das contribuições destinadas a outras entidades e fundos. Com isso, utilizandose da prerrogativa inscrita no art. 33, parágrafo 3°, da Lei 8.212/1991, foi considerada como base de cálculo o valor efetivamente pago em cada processo. Esse procedimento foi corroborado pelo próprio contribuinte, visto que informou o valor efetivamente pago em cada processo na coluna "base de cálculo" da planilha apresentada em atendimento ao TIF n° 06”. 2.18. “As informações referentes a cada reclamatória trabalhista devem ser declaradas em GFIP com a utilização do código de recolhimento 650, específico para tal finalidade, com a indicação dos dados concernentes à competência do pagamento, ao número do processo, ao ano do processo e à Vara Trabalhista ou à Junta de Conciliação e Julgamento, além evidentemente dos dados do trabalhador reclamante”. Fl. 3299DF CARF MF 8 2.19. As bases de cálculos das ações trabalhistas declaradas, pela própria empresa, em GFIP com código de recolhimento 650 foram lançadas no levantamento DG RT DECLARADA EM GFIP. Nesse levantamento, foram primeiramente apropriadas as contribuições destinadas a outras entidades e fundos verificados nas GPS relativas a reclamatórias trabalhistas. 2.20. “O sujeito passivo somente apresentou GFIP relativas a alguns dos processos judiciais elencados na planilha disponibilizada a esta fiscalização, indicada no parágrafo 103 do presente relatório”. 2.21. “Em relação aos recolhimentos das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, constatouse, através dos sistemas indicados no parágrafo 22 do presente relatório, que o sujeito passivo apresenta em seu conta corrente Guias da Previdência Social recolhidas nos códigos de pagamento: 2909 Ação Trabalhista CNPJ/MF 2917 Ação Trabalhista CNPJ/MF Recolhimento Exclusivo para Outras Entidades”. 2.22. Todos os recolhimentos efetuados em função de reclamatórias trabalhistas previamente efetivados pelo sujeito passivo foram considerados pela fiscalização. 2.23. Na presente ação fiscal não foi constituído qualquer débito relativo a valores declarados pela empresa em GFIP. Da comparação das multas Retroatividade benigna. 2.24. “Como as infrações verificadas nesta ação fiscal, para o período de 01/2008 a 11/2008, têm fatos geradores anteriores a 04/12/2008, data da entrada em vigor da Medida Provisória MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, para a determinação da multa aplicada foi observado o Princípio da Retroatividade Benigna”. Da Impugnação 3. Inconformada com os autos de infração que tomou ciência em 30/01/2013, a empresa contestou os lançamentos com as alegações a seguir sintetizadas: Do lançamento com base nos contratos de confidencialidade Da não ocorrência do fato gerador e da inexistência de vínculo empregatício. 3.1. A autoridade fiscal não provou que as pessoas relacionadas no item 58 do Relatório Fiscal prestaram serviços à Impugnante no período objeto de apuração. 3.2. O lançamento consubstanciouse em uma suposição, já que a autoridade fiscal atevese ao conteúdo de cláusula objeto do contrato de confidencialidade que previa que o exempregado poderia prestar serviços à empresa. 3.3. A cláusula em questão não é suficiente para demonstrar a ocorrência do fato gerador previsto em lei e não está presente em todos os termos de confidencialidade (cita como exemplo o contrato firmado com Wilson Santis Júnior). Fl. 3300DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.297 9 3.4. As verbas recebidas pelos seus exfuncionários revestemse de caráter meramente indenizatório. 3.5. É objeto dos contratos de confidencialidade o impedimento de prestar de prospectar, aliciar ou contratar empregados da TELEMAR e de serem contratados por empresas concorrentes. “Notase que certo dano foi causado ao contratado, uma vez que este foi privado de desenvolver atividades lícitas. Desse modo, visando recompor esse dano, a empresa TELEMAR efetuou os pagamentos das parcelas pactuadas, os quais, por decorrência lógica, revestemse de natureza indenizatória”. 3.6. “Portanto, não havendo relação de trabalho entre a Impugnante e os subscritores dos contratos de confidencialidade, que, em verdade, recebem verbas revestidas de caráter indenizatório, resta patente o equívoco da autoridade fiscal que entendeu que os vínculos empregatícios não foram descontinuados (...)”. 3.7. “Ainda que as verbas não fossem revestidas de caráter indenizatório, o que se admite apenas para argumentar, considerando que não há vínculo empregatício entre as partes, os pagamentos deveriam, ao menos, ser entendidos como pagamentos efetuados pela Impugnante a contribuintes individuais e não a segurados empregados, o que afasta a incidência da contribuição destinada ao financiamento de acidentes de trabalho e aos terceiros (leiase SAT + de contribuições destinadas a outras entidades ou fundos), nos termos do art. 137, inciso I da IN SRP nº 03/2005, vigente à época”. 3.8. Na relação travada entre a Impugnante e as pessoas com quem pactuou confidencialidade não encontram todos os elementos necessários à formação do vínculo empregatício previstos no artigo 3° da CLT. Do arbitramento. 3.9. Nos termos do artigo 148 do CTN, somente deve ocorrer o arbitramento quando omissos ou não merecedores de fé as declarações ou esclarecimentos prestados ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo. Não foi isso que aconteceu no presente caso. 3.10. “A Impugnante, em atendimento à fiscalização, apresentou os documentos existentes sobre o tema, quais sejam, os termos de confidencialidade os quais integram o presente processo administrativo e informam os valores objetos dos pactos. Ocorre que referida documentação não traduzia nenhuma relação de trabalho, como pretendia a fiscalização, que, diante disso, efetuou o espúrio lançamento com base no arbitramento”. 3.11. “Não consta no Relatório Fiscal e nem mesmo no relatório FLD Fundamentos Legais do Débito as normas que fundamentam o ato de lançar mediante o método de arbitramento, omissão que também fulmina a autuação de nulidade”. Do lançamento efetuado com base nas reclamações trabalhistas. Da ilegitimidade passiva da Impugnante. Fl. 3301DF CARF MF 10 3.12. “Dentre as reclamações trabalhistas objeto do AI 37.349.8349, constam ações que foram ajuizadas contra empresas contratadas pela Impugnante e que não houve configuração de vínculo trabalhista entre os reclamantes e a Impugnante, mas sim entre a empresa terceira e o prestador de serviços”. 3.13. As autoridades administrativas não identificaram de forma correta o sujeito passivo da obrigação tributária, agindo em desacordo com o que prescreve o art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72. 3.14. Cita o artigo 37, da Lei n° 9.784/99 e argumenta que “as autoridades administrativas possuíam todos os meios necessários para averiguar as informações constantes das ações trabalhistas, entretanto, mais uma vez furtaramse do seu ônus probante”. 3.15. Entende que não se enquadra como sujeito passivo da obrigação principal (artigo 121 do CTN). 3.16. Destaca a ausência de responsabilidade solidária em relação às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (artigo 178. da IN SRP nº 03/2005, vigente à época). 3.17. “Alguns pagamentos relacionados no Anexo 3 do auto de infração, sobre os quais se exige contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, foram feitos a empregados contratados por outras empresas (...)”. 3.18. Apresenta documentos, por amostragem, para comprovar que os reclamantes Rodrigo Soares da Conceição e Everaldo de Lima Rocha Júnior ingressaram com ações trabalhistas contra seus reais empregadores e requereram que a Impugnante fosse condenada solidária ou subsidiariamente no que tange ao crédito trabalhista envolvido na lide, o que não abarca as contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. 3.19. A ilegitimidade passiva macula de nulidade insanável o auto de infração. Dos fundamentos legais. 3.20. Entende que os dispositivos legais mencionados no FLD são insuficientes ou incoerentes com o lançamento fiscal. 3.21. “A insuficiência se traduz na dificuldade de compreender as alíquotas e as bases de cálculos descritas nas leis que sustentariam o presente auto de infração. Confira: • Rubrica 405 do FLD, que trata da fundamentação à contribuição ao INCRA, não foi capaz de descrever as alíquotas e bases de cálculo aplicadas. • Rubrica 412 do FLD, destinada a expor a base legal da contribuição ao SESI, indica o Decreto Lei 9.403 que prevê alíquota de 2%, superior àquela praticada pelo agente fiscal. • Rubrica 415 do FLD, que trata da fundamentação à contribuição ao SEBRAE não foi capaz de justificar a alíquota de 0,6% que está sendo exigida pela fiscalização”. 3.22. “Já a incoerência das normas apresentadas no relatório FLD é percebida na apresentação de legislações já revogadas, como as seguintes: Decreto 3.142799, (ao tratar do SalárioEducação), revogado desde 2006 Fl. 3302DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.298 11 pelo Decreto n° 6.003, bem como o Decreto n. 5256/04 (ao tratar das contribuições ao INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), revogado desde 2005 pelo Decreto n° 5.403/05, o que macula o ato administrativo, por ausência de motivação”. Do arbitramento. 3.23. “Ainda que tenha tentado, a autoridade fiscal não conseguiu lograr êxito em comprovar a ocorrência do fato gerador da contribuição guerreada, pois, repisese, investigou fatos que não se identificam com os fatos geradores das contribuições previdenciárias e muito menos relacionados aos fatos geradores próprios das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos”. 3.24. “Diante do exposto, notase que a autoridade fiscal, além de infringir o art. 142 do Código Tributário Nacional, incorreu em outro vício insanável, pois aplicou, espuriamente, o extremo método de arbitramento, sem que restasse configurada a recusa ou sonegação de documentos ou informações”. 3.25. “Como se não bastasse, para a realização do arbitramento, a autoridade baseouse na DIRF apresentada pelo contribuinte, ou seja, utilizouse de método não previsto no ordenamento jurídico”. Pagamentos não considerados pela fiscalização. 3.26. “Nem todos os pagamentos efetuados pela Impugnante foram efetivamente considerados, tais, como, comprovam, exemplificativamente, as diversas guias ora anexas (doc. 03)”. Da decadência. 3.27. Sendo a prestação de serviço o fato gerador das contribuições sociais, todas as contribuições apuradas através do auto de infração 37.349.8349 foram fulminadas pela decadência, razão pela qual o crédito tributário encontrase extinto, nos termos do art. 156, V, do CTN. Da exigência sobre verbas de caráter indenizatório. 3.28. “Dentre as ações trabalhistas objeto do presente auto de infração foram identificados processos judiciais que: 1 – tiveram como objeto parcelas de natureza indenizatória, como aquelas em que a Impugnante foi condenada a recompor dano decorrente de acidente de trabalho ou dano moral, e 2 – que não foi reconhecido vínculo empregatício, mas tão somente relação de prestação de serviços entre a empresa e um contribuinte individual”. 3.29. “As remunerações pagas nessas duas circunstâncias estão fora do campo de incidência das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos”. 3.30. A fim de comprovar os fatos ora alegados, a Impugnante apresenta como exemplos as ações trabalhistas dos reclamantes Fernando Sérgio Ferreira da Silva e Carlos Alberto Loureiro de Almeida, que têm por objeto verbas de natureza meramente indenizatória. Fl. 3303DF CARF MF 12 Da exclusão dos diretores do polo passivo do processo. 3.31. Destaca que os diretores relacionados no Relatório de Vínculos são empregados e devem ser excluídos do polo passivo da demanda, pois entende que o relatório em questão não é apenas informativo. Da diligência. 3.32. A manifestante pugna pela realização de diligência, na hipótese dos julgadores entenderem que os documentos ora acostados não são suficientes para comprovar as alegações suscitadas. Da exigência de juros de mora sobre multa punitiva. 3.33. Deve ser afastada a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, uma vez que inexiste fundamento legal para exigência dessa natureza. Do pedido 3.34. Requer: 3.34.1. A procedência da presente impugnação, reconhecendo a nulidade ou o cancelamento do crédito tributário objeto dos autos de infração 37.349.8330 e 37.349.8349. 3.34.2. A realização de diligência fiscal, conforme fundamentos expostos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1556.419 da 11ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 934/958, julgando procedente em parte a impugnação relativa ao DEBCAD nº 37.349.8349, mantendo em parte o crédito tributário exigido no valor originário de R$ 5.683.211,09 e negou provimento à impugnação relativa ao DEBCAD nº 37.349.8330, mantendo o crédito tributário nele exigido. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, inclusive as relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos mesmos prazos definidos em lei para as contribuições previdenciárias, as contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos Terceiros incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. Fl. 3304DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.299 13 CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE PROCESSO TRABALHISTA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados, em decorrência de Reclamatória Trabalhista. DOCUMENTOS. AUSÊNCIA. ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. Na ausência de documentos pode a fiscalização lançar a importância que julgar devida, conforme legislação em vigor. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. De acordo com o Parecer CJ/MPAS n.º 1.710/99, não existe responsabilidade solidária na cobrança de contribuições para Terceiros para nenhuma empresa. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao impugnante o ônus da prova em relação àquilo que alega, precluindo o direito de fazêlo em momento posterior à impugnação, quando não comprovada a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas na legislação. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” A Recorrente foi cientificada da decisão de 1ª Instância no dia 17/06/2013, conforme Aviso de Recebimento às fls. 984. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 986/1040, em suma, com as seguintes argumentações: (I) Dos lançamentos efetuados com base nos contratos de confidencialidade A) Das preliminares de nulidade A.1) Da omissão da decisão da Delegacia Regional de Julgamento Registrase que a Recorrente em sua defesa requereu que fosse decretada a nulidade desses lançamentos sob o argumento de que a autoridade fiscal não comprova a ocorrência do fato gerador – prestação de serviços – nem se desincumbiu de comprovar os requisitos inerentes à relação de emprego. Fl. 3305DF CARF MF 14 [...] O dever da autoridade fiscal é amplo. Logo, além de comprovar que ocorreu a prestação de serviços, é também seu dever comprovar que as pessoas com quem a Recorrente firmara contrato de confidencialidade estabeleceram relação de natureza empregatícia, constatando os correlatos requisitos, em especial: subordinação, não eventualidade e pessoalidade. Entretanto, nada disso ocorreu. Em que pese todo o esforço da Recorrente nesse particular, a decisão recorrida não enfrentou as preliminares argüidas, partindo diretamente para o exame do mérito da questão posta. Tal omissão por parte do julgador macula de nulidade a decisão recorrida e impõe que os autos retornem à Delegacia Regional de Julgamento com vistas a analisar pontualmente as preliminares argüidas em sede de defesa. A.2) Do Auto de Infração por falta de comprovação da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias e de terceiros Vêse que o Auto de Infração deve, obrigatoriamente e sob pena de insanável nulidade, ser instruído com todas as provas que demonstrem claramente as alegações da Administração, cabendolhe integralmente o ônus probatório, conforme se infere, inclusive, de diversos julgados proferidos pelas próprias Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Cita jurisprudência. Portanto, não basta afirmar que a relação empregatícia persiste, como fez a autoridade fiscal no caso concreto. Era seu ônus a efetiva comprovação de que realmente ocorreu a prestação de serviços, que é o fato gerador das contribuições previdenciárias e de terceiros, nos estritos termos da legislação de regência e jurisprudência administrativa e judicial sobre a matéria. Assim, não tendo sido comprovado pela autoridade fiscal a ocorrência de prestação de serviços, impõese o cancelamento da autuação fiscal. A.3) Do Auto de Infração por inexistência de vínculo empregatício entre as partes O Auditor Fiscal também não comprovou a ocorrência dos requisitos inerentes à relação de emprego, premissa da qual partiu para constituir o crédito tributário ora combatido. No caso em tela, na relação travada entre a Recorrente e as pessoas com quem pactuou confidencialidade não se encontram presentes pessoalidade, habitualidade e subordinação hierárquica, sem os quais o vínculo de emprego não fica caracterizado. A ausência de comprovação de vínculo empregatício entre as partes gera precariedade do ato administrativo de lançamento eivandoo de nulidade material, pois fere o artigo 142 do CTN e artigo 9º do Decreto nº 70.235/72. A.4) Do Auto de Infração por ausência de base legal para o arbitramento. É preciso lembrar que o arbitramento é medida extrema da qual a administração fazendária deve se valer apenas nos casos expressamente definidos em lei, e como última opção. [...] Fl. 3306DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.300 15 Compulsando os autos, é possível constatar que a Recorrente fora intimada a apresentar à fiscalização os termos de confidencialidade, documentos que foram entregues e que integram o presente processo. Referidos documentos informam as pessoas com quem a Recorrente firmara tal pacto, e respectivamente valores. Além dos termos nada mais fora solicitado. Deste modo, inverídica a alegação fiscal de que a Recorrente não apresentou documentos comprobatórios dos pagamentos efetuados. Notase que a autoridade autuante ignorou os comandos legais sobre o tema. B) Do mérito B.1) Inocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias e de terceiros nos contratos de confidencialidade. Tece extenso arrazoado no sentido de que a autoridade administrativa não comprovou a ocorrência do fato gerador das contribuições em exigência. Alega que a ocorrência do fato gerador não se concretizou em razão de que, no caso, não houve prestação de serviços de qualquer natureza, bem como não houve a permanência de suposto empregado à sua disposição. Demais disso, sustenta que as parcelas pagas por força dos termos de compromisso tem natureza jurídica indenizatória. Cita doutrina e jurisprudência a corroborar suas alegações. B.2) Eventual caracterização de relação de trabalho – contribuintes individuais. Na eventual hipótese de ser mantida a presunção de prestação de serviços, e de que tais valores foram pagos como contraprestação ao trabalho, requer que o lançamento seja revisto no intuito de adequálo sendo entendidos como pagamentos efetuados à contribuintes individuais, cujo fundamento para autuação é outro, bem como inexistindo incidência da contribuição destinada ao financiamento de acidentes de trabalho e aos terceiros. C) Lançamentos efetuados com base nas reclamações trabalhistas C.1) Precariedade na descrição dos fundamentos legais O pedido de invalidação do lançamento fiscal consubstanciado nas alegações de que os dispositivos legais mencionados no FLD são insuficientes e incoerentes foi rejeitado. Por isso, não pode prosperar o conteúdo da decisão, pois é dever da autoridade administrativa descrever minuciosamente as normas legais aplicáveis à espécie, também em respeito ao art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Identificar os fundamentos legais que sustentam o suposto débito com base nas normas descritas no FLD é tarefa árdua. Equivocase o julgador quando afirma que o FLD é suficiente e as informações ali descritas são completadas pelas citações constantes do Relatório Fiscal, permitindo ao sujeito passivo o pleno exercício do direito constitucional do contraditório e da ampla defesa. Fl. 3307DF CARF MF 16 Isto porque a insuficiência está na dificuldade de compreender as alíquotas e as bases de cálculos descritas que sustentariam o presente auto de infração. O fato de não impugnar as alíquotas não significa as ter compreendido. Aliás, a nulidade está justamente nesse particular. Como impugnar algo que não se compreende? Quanto às bases, estas foram sim impugnadas. Deste modo, a decisão tangencia o assunto e não demonstra que fundamentos de fato sustentam o presente lançamento. Já a incoerência das normas apresentadas no relatório FLD é percebida na apresentação de legislações já revogadas, como as seguintes: Decreto 3.142/99, (ao tratar do salárioeducação), revogado desde 2006 pelo Decreto nº 6.003; Decreto nº 5256/04 (ao tratar das contribuições ao INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), revogado desde 2005 pelo Decreto nº 5.403/05. Tudo isso macula o ato administrativo por ausência de motivação. A decisão concluiu que o fato de ter sido apresentado dispositivo revogado no FLD não invalida o lançamento fiscal. Tal assertiva é absurda, por violar de forma manifesta o princípio da legalidade. [...] Nesse particular requer que seja reformada a decisão recorrida e seja declarado inválido o lançamento tributário que ora se discute. C.2) Do método de arbitramento. O presente lançamento foi constituído por arbitramento, sob o manto do art. 33, § 3º da Lei nº 8212/91, que apenas o admite quando ocorrer recusa ou sonegação de documentos ou informações. O que se vê no caso concreto não foi precisamente a recusa ou sonegação de informações. Existem: (i) falta de comprovação efetiva da ocorrência de fato gerador, (ii) falhas nas intimações fiscais que deixaram de especificar o critério que deveria ter sido adotado pela Recorrente e (iii) concessão de prazos desproporcionais para apresentação de documentos. C.2.1) Da falta de comprovação efetiva sobre a ocorrência do fato gerador. Se a autoridade fiscal deixa de verificar a ocorrência de fato gerador, a consequência inevitável e direta é a invalidação do lançamento por manifesta violação ao art. 142 do CTN e 9º do Decreto nº 70.235. E foi exatamente isso o que aconteceu no caso dos autos. A norma (Lei nº 8.212) é clara que o fato gerador é a prestação de serviço. E este evento sequer foi objeto de investigação fiscal. [...] Com vistas a promover o mínimo de justiça fiscal, o que se impõe nesse momento, com base no art. 142 do CTN, é que seja reconhecida nulidade material do lançamento tributário por ausência de verificação efetiva da ocorrência do fato gerador descrito em Lei. Não sendo este o entendimento deste Egrégio Conselho, deve, inequivocadamente, baixar o presente processo em diligência para que sejam excluídos todos os fatos apurados de forma contrária ao comando legal, quais sejam todas as reclamações que tiveram por objeto prestação de serviço anteriores ao ano de 2008. Fl. 3308DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.301 17 C.2.2) Falhas relacionadas ao critério de apuração das reclamações trabalhistas. Constatamse equívocos das intimações fiscais porque estas não especificaram os documentos exigidos Sem cautela e de forma confusa, a autoridade cobrou reclamações trabalhistas sem especificar o critério real de apuração. [...] Deste modo, são improcedentes os fundamentos no sentido de que as intimações feitas foram claras. Basta compulsar os autos que se constata que o auditor fiscal não foi claro, pois não disse o critério de apuração das reclamações trabalhista que pretendia analisar e quando fez (intimação de nº 6), agiu de forma equivocada. Diante da tamanha imprecisão, a Recorrente foi prejudicada, uma vez que não sabia ao certo se providenciava as cópias das reclamações trabalhistas ajuizadas, pagas, relativa aos serviços prestados ou ainda que transitaram em julgado no período objeto da autuação. Certo é que tudo isso a prejudicou na busca dos documentos solicitados. C.2.3) Inobservância de prazos razoáveis para cumprimento das intimações fiscais. Entre a solicitação e o término da ação fiscal passaramse cerca de 4 meses, tempo insuficiente para providenciar cerca de 500.000 páginas de documentos, mantidas arquivadas de forma descentralizada em todos os estados da federação. [...] Diante do exposto, notase que a autoridade fiscal, foi arbitrária na medida em que investigou fato gerador não descrito em lei, adotou método de arbitramento espuriamente e concedera prazo exíguo e inatingível ao contribuinte. Tudo isso afronta o art. 142 do Código Tributário Nacional e justifica a necessidade de decretação de nulidade. D) Precariedade do valor exigido – Pagamentos não considerados pela fiscalização. Irresignada com a desconsideração de recolhimentos, a Recorrente comprovou o referido recolhimento. Entretanto, os julgadores alegam que entre as guias apresentadas com o campo 9 preenchido, não constam tal valor como preenchido, não constam tal valor como recolhido em consulta ao “contacorrente” no sistema Plenus. Ocorre que cabe ao contribuinte comprovar o pagamento e isso foi feito. Se foi recolhido, o ônus de identificar o pagamento e promover a referida baixa é do fisco. Nesse contexto, reitera os argumentos apresentados em sede de defesa e requer que o fisco adote todos os meios necessários à necessária apropriação dos valores comprovadamente recolhidos. E) Do mérito Fl. 3309DF CARF MF 18 E.1) Decadência das contribuições destinadas a outras entidades e fundos apuradas com base em reclamação trabalhista [...] Visando afastar a aplicação do art. 150 § 4º do CTN, que implica em contar o prazo decadencial a partir da data da ocorrência do fato gerador, afirma o julgador que não houve nenhum recolhimento de qualquer contribuição. Tal assertiva é equivocada, uma vez que quando da lavratura do auto de infração, a própria autoridade fiscal constatara que a Recorrente efetuou pagamento de contribuições destinada a outras entidades e fundos, servindose do presente auto de infração para cobrar as diferenças. Veja os itens do RF que afirma a existência de pagamentos de tais contribuições realizadas no bojo de reclamatórias trabalhistas. [...] Tendo havido pagamentos seja decorrente de reclamação trabalhista seja realizado no curso da relação laboral, impõese aplicar o prazo previsto no art. 150 § 4º do CTN, razão que justifica afastar a aplicação do art. 173, I, do CTN na forma do decisum. E.2) A partir do trânsito em julgado da sentença – Parecer PG/CCAR 21/98 Na absurda e improvável hipótese deste Conselho admitir correta a fundamentação da Delegacia Regional de Julgamento em considerar o marco para a contagem do prazo decadencial o transito em julgado, muitos dos lançamentos também estariam decaídos. No mais, reitera os argumentos lançados em sua peça de impugnação. Defende a necessidade de diligência, pede a exclusão dos diretores do pólo passivo da demanda e discorre sobre a indevida exigência de juros de mora sobre multa punitiva. Ao fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 3310DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.302 19 Voto Vencido Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 17/06/2013 conforme Aviso de Recebimento às fls. 984, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 17/07/2013 (fl. 986), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES Os AI´s objeto do presente Processo Administrativo Fiscal 16682.721.102/201212 exigem: a) 37.349.8330 – contribuição previdenciária (cota patronal + SAT) sobre pagamentos realizados em decorrência dos contratos de confidencialidade; b) 37.349.8349 – contribuições destinadas a outras entidades e fundos sobre pagamentos realizados em decorrência dos citados contratos de confidencialidade; c) Condenações trabalhistas do ano de 2008. 2.1 Da omissão da decisão da Delegacia Regional de Julgamento A Recorrente sustenta que em sua defesa requereu que fosse decretada a nulidade desses lançamentos sob o argumento de que a autoridade fiscal não comprova a ocorrência do fato gerador – prestação de serviços – nem se desincumbiu de comprovar os requisitos inerentes à relação de emprego. Discorre que o dever da autoridade fiscal é amplo. Logo, além de comprovar que ocorreu a prestação de serviços, é também seu dever comprovar que as pessoas com quem a Recorrente firmara contrato de confidencialidade estabeleceram relação de natureza empregatícia, constatando os correlatos requisitos, em especial: subordinação, não eventualidade e pessoalidade. Entretanto, nada disso ocorreu. Destaca que não obstante todo o esforço da Recorrente nesse particular, a decisão recorrida não enfrentou as preliminares arguidas, partindo diretamente para o exame do mérito da questão posta. Nesse sentido, afirma que tal omissão por parte do julgador macula de nulidade a decisão recorrida e impõe que os autos retornem à Delegacia Regional de Julgamento com vistas a analisar pontualmente as preliminares arguidas em sede de defesa. Contudo, razão não lhe assiste. Fl. 3311DF CARF MF 20 Compulsando os autos, verifico que quando da apresentação de sua impugnação (fls. 715/760), a Recorrente suscitou as seguintes nulidades: (i) Da falta de comprovação da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária de terceiros (fls. 719/722); (ii) Da inexistência de vínculo empregatício entre as partes (fls. 722/725); (iii) Ausência de base legal para o arbitramento (fls. 725/729) Por sua vez, ao analisar os autos em questão, a instância administrativa a quo, ao tratar do tema “do lançamento com base nos contratos de confidencialidade”, entendeu que no caso, a vinculação do pagamento à contraprestação de trabalho ou tempo à disposição do empregador impõe a aplicação do disposto nos artigos 195, I, "a", da Constituição Federal e 28, I, da Lei nº 8.212/91 para a incidência da contribuição previdenciária, e, dessa forma, afastou os argumentos de nulidade trazidos pela Recorrente. Confirase: Do lançamento com base nos contratos de confidencialidade. 6. A Impugnante alega que não ficou provado a ocorrência da prestação de serviços, pois a cláusula objeto do contrato de confidencialidade que previa que o exempregado poderia prestar serviços à empresa não é suficiente para demonstrar a ocorrência do fato gerador e não está presente em todos os termos de confidencialidade (cita como exemplo o contrato firmado com Wilson Santis Júnior). 7. A Impugnante evidencia que os vínculos empregatícios foram descontinuados não havendo relação de trabalho entre a Impugnante e os subscritores dos contratos de confidencialidade, pois não encontram todos os elementos necessários à formação do vínculo empregatício previstos no artigo 3° da CLT e, portanto, as verbas recebidas pelos seus exfuncionários revestemse de caráter meramente indenizatório. 8. Verificase nos Termos de Compromisso basicamente, cláusulas de confidencialidade, não competitividade ou não concorrência, prestação de serviços e cessão de direitos de propriedade intelectual. 9. Ou seja, os Termos de Compromisso apresentados não se limitaram às cláusulas de confidencialidade e não competitividade e não deixaram claramente estabelecidos que a natureza desta parcela seria indenizatória. 10. Assim, além de não deixar claro que o pagamento é de natureza indenizatória, visando somente compensar o exempregado por não trabalhar em uma atividade de concorrência ao empregador por determinado tempo, houve a inclusão de cláusula visando a prestação de serviços, ou seja, o ex empregado estaria à disposição do empregador durante o período previsto no Termo de Compromisso. 11. Assim, conforme relatado pela autoridade fiscal, restou caracterizada a continuidade dos vínculos empregatícios anteriormente estabelecidos, pois “os antigos empregados do sujeito passivo continuavam à disposição da empresa, seja na guarda de informações, seja na não execução de serviços, sobretudo para seus concorrentes, ou na disponibilidade de prestar consultoria sem que qualquer outra remuneração fosse devida pela TELEMAR, uma vez que já fora realizado o pagamento prévio por evento futuro”. Fl. 3312DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.303 21 12. A vinculação do pagamento à contraprestação de trabalho ou tempo à disposição do empregador impõe a aplicação do disposto nos artigos 195, I, "a", da Constituição Federal e 28, I, da Lei 8.212/9 para a incidência da contribuição previdenciária. 13. Isto porque, muito embora o § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91 relacione as parcelas sobre as quais não incide contribuições previdenciárias, o inciso I desse mesmo dispositivo legal definiu como salário de contribuição, para efeito de incidência da contribuição social, somente as importâncias recebidas para retribuir o trabalho por serviços prestados ou tempo à disposição de empregador. 14. Sendo assim, os valores pagos pela empresa decorrentes dos Termos de Compromisso coadunam com o conceito de salário de contribuição do art. 28, inciso I da Lei 8.212/91: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I – para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)” (grifei) 15. Diante do enquadramento no inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, por estarem os exempregados disponíveis para a realização de serviços especializados ligados à atividadefim do empregador, improcedem os argumentos de não ocorrência do fato gerador, de ausência de prestação de serviços e da hipótese que os pagamentos deveriam ser entendidos como pagamentos efetuados a contribuintes individuais. (grifei). Quanto à alegada omissão sobre o arbitramento, a decisão combatida a enfrentou em tema próprio, tratando por também afastála (fls. 945/946). Ademais, não custa lembrar que, mesmo consoante o artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, o julgador administrativo não está obrigado a rebater cada questão levantada pelo contribuinte quando a fundamentação delineada seja suficiente para embasar a decisão. Isso porque, se a fundamentação embasa a decisão, obviamente o julgador apreciou as demais teses e delas discordou. Recordese: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Fl. 3313DF CARF MF 22 (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2201002.671, Relator. Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira, Data da Sessão 11/02/2015) Portanto, a Recorrente pode discordar do teor da decisão, mas não tem razão quanto à alegada nulidade, pois o acórdão recorrido está motivado e atende ao princípio da persuasão racional do julgador. 2.2 Do Auto de Infração por falta de comprovação da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias parte patronal SAT e de terceiros. De acordo com a Recorrente, o Auto de Infração deve, obrigatoriamente e sob pena de insanável nulidade, ser instruído com todas as provas que demonstrem claramente as alegações da Administração, cabendolhe integralmente o ônus probatório, conforme se infere, inclusive, de diversos julgados proferidos pelas próprias Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Afirma que não basta afirmar que a relação empregatícia persiste, como fez a autoridade fiscal no caso concreto. Era seu ônus a efetiva comprovação de que realmente ocorreu a prestação de serviços, que é o fato gerador das contribuições previdenciárias e de terceiros, nos estritos termos da legislação de regência e jurisprudência administrativa e judicial sobre a matéria. Assim, não tendo sido comprovado pela autoridade fiscal a ocorrência de prestação de serviços, impõese o cancelamento da autuação fiscal. As argumentações não merecem acolhida. O exame dos autos revela que a Fiscalização constatou, através da análise das informações declaradas pela Recorrente nas GFIP’s, em confronto com os dados constantes da Declaração do Imposto de Renda Retida na Fonte – DIRF, que a empresa não declarou a totalidade dos dados correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados empregados e contribuintes individuais e Terceiros. Além do mais, a Autoridade Fiscal identificou que todas as 10 (dez) pessoas físicas firmam contrato de confidencialidade com a autuada, haviam sido empregados dela em período imediatamente anterior à assinatura do referido termo (fl. 26). De acordo com a Fiscalização, “os referidos termos de compromisso caracterizamse pelo acordo entre o sujeito passivo e seus antigos empregados, no qual a TELEMAR pagou a seus contratados remuneração ‘mediante a guarda de informações confidenciais por parte destes, não intervenções em canais de venda diretos, bem como a obrigação de não prospectar, aliciar e/ou contratar, direta ou indiretamente, por que meio for, empregado pertencente aos quadros de quaisquer empresas do Grupo TELEMAR, devendo obedecer as especificações constantes deste termo’”. Dessa forma, caracterizouse que os antigos empregados da Recorrente continuavam à disposição da empresa, seja na guarda de informações, seja na não execução dos serviços, sobretudo para os seus concorrentes, ou na disponibilidade de prestar consultoria sem que qualquer outra remuneração fosse devida pela contribuinte. Em vista do ocorrido, reputo como correta a autuação e a decisão de primeira instância, pois, os valores pagos pela empresa decorrentes dos Termos de Compromisso Fl. 3314DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.304 23 coadunam com o conceito de salário de contribuição do art. 28, inciso I da Lei nº 8.212/91, afastandose, assim, qualquer alegação de nulidade em relação ao tema. Tendo em vista as razões de convencimento expostas anteriormente, entendo que encontramse superadas as demais questões relativas ao DEBCAD n° 37.349.8330, razão pela qual me abstenho de pontuálas. 2.3 Precariedade na descrição dos fundamentos legais DEBCAD n° 37.349.8349 Contribuições destinadas a Terceiros sobre reclamações trabalhista A Recorrente se insurge quanto à decisão de primeiro grau argumentando que equivocase o julgador quando afirma que o FLD é suficiente e as informações ali descritas são completadas pelas citações constantes do Relatório Fiscal, permitindo ao sujeito passivo o pleno exercício do direito constitucional do contraditório e da ampla defesa. Narra que a insuficiência está na dificuldade de compreender as alíquotas e as bases de cálculos descritas que sustentariam o presente auto de infração. Sustenta que a incoerência das normas apresentadas no relatório FLD é percebida na apresentação de legislações já revogadas. Afirma que tudo isso macula o ato administrativo por ausência de motivação. A DRJ de origem concluiu que os fatos foram descritos com clareza e não houve falha na fundamentação legal que justificasse a pretensão da Impugnante. Compulsando os autos, detectei defeito no lançamento capaz de acarretar a nulidade parcial do AI 37.349.8349, no que se refere às contribuições destinada a terceiros sobre as reclamações trabalhista. Entretanto, no que se refere às contribuições previdenciária cota patronal, SAT e Terceiros sobre pagamentos realizados em decorrência dos Contratos de Confidencialidade, não observei nenhum vício capaz de alterar o lançamento nessas rubricas. A princípio cabe verificar se o lançamento referente aos AI´s foram confeccionados em consonância com as normas que regem a matéria. De início, analisemos o artigo 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo acima transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, tem razão a Recorrente ao mencionar que o Fisco não se desincumbiu do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo dos fatos, assim, no Fl. 3315DF CARF MF 24 que se refere ao AI nº 37.349.8349 o lançamento referente às contribuições destinada a terceiros sobre as reclamações trabalhista é imprestável. Todavia, não é essa a situação que os AI nº 37.349.8349 revela, no que se refere às contribuições previdenciária cota patronal, SAT e Terceiros sobre pagamentos realizados em decorrência dos Contratos de Confidencialidade. A fundamentação legal está detalhada de forma específica para esses lançamentos, não merecendo reparo o Auto em comento. Assim, por entender que o Fisco demonstrou a contento os elementos essenciais dos lançamentos constantes no AI nº 37.349.8349 referente às contribuições previdenciária cota patronal, SAT e Terceiros sobre pagamentos realizados em decorrência dos Contratos de Confidencialidade, entretanto não demonstrou os elementos essenciais no mesmo AI nº 37.349.8349, no que se refere ao lançamento de condenações trabalhistas de 2008, acolho parcialmente a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. 2.4 Do método de arbitramento, falta de comprovação do fato gerador, do critério real de apuração e de prazo razoável para cumprimento das intimações fiscais. A Recorrente reclama que o presente lançamento foi constituído por arbitramento, sob o manto do art. 33, § 3º da Lei nº 8.212/91, que apenas o admite quando ocorrer recusa ou sonegação de documentos ou informações. Sustenta que a interpretação a ser dada a este dispositivo tem que ser a de que a recusa ou sonegação refirase a todos os fatos geradores na forma prescrita em Lei. Destaca que “o arbitramento é medida extrema da qual a administração fazendária deve se valer apenas nos casos expressamente definidos em lei, e como última opção”. Narra que fora intimada a apresentar cópias de peças processuais que culminaram pagamentos nos anos de 2008 a 2010. Ocorre que, segundo alega, o pagamento não é fato gerador das contribuições em exame. Assim, na sua visão, a autoridade autuante ignorou os comandos legais sobre o tema. Alega que no caso vertente existem (i) falta de comprovação efetiva sobre a ocorrência de fato gerador; (ii) falhas nas intimações fiscais que deixaram de especificar o critério que deveria ter sido adotado pela Recorrente e (iii) concessão de prazos desproporcionais para a apresentação de documentos. A decisão recorrida entendeu que o lançamento foi constituído em conformidade com o art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN c/c o art. 37 da Lei nº 8.212/1991. Portanto, o ponto controvertido em exame referese ao procedimento adotado pela Fiscalização para apurar as contribuições previdenciárias supostamente devidas. Da análise dos autos, verificase que de fato a fiscalização transfere todo o ônus da prova para o contribuinte, arbitrando valores em mais de 1000 (mil) ações, partindo do conceito equivocado da ocorrência do fato gerador (pagamento), caracterizando assim a falta de razoabilidade do arbitramento em debate, passando à margem da busca da verdade material, a qual deve pautar a atividade fiscal. Notase que houve a falta de comprovação efetiva sobre a ocorrência do fato gerador, que no presente caso, a teor da legislação que rege a matéria e em face do disposto na Súmula TST 368, o fato gerador é a prestação do serviço. Ou seja, a autoridade fiscal sequer Fl. 3316DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.305 25 investigou os fatos relacionados à prestação dos serviços, adotando fato não previsto em lei (pagamento) e partindo de premissa equivocada e ilegal aplicou o método de arbitramento. Nessa esteira de atuação, a DRJ em seu julgamento inova e adota outro fato gerador, a saber o trânsito em julgado da decisão trabalhista, restando cerceado o direito de defesa do Contribuinte. Observase ainda que houve falha nas intimações fiscais ao exigir as reclamatórias trabalhistas sem especificar o critério real de apuração, assim, para o contribuinte não ficou claro se deveria providenciar as cópias das reclamações trabalhistas ajuizadas, pagas, relativas aos serviços prestados ou ainda que transitaram em julgado no período objeto da autuação. Somase ainda que os prazos para cumprimento das intimações não foram razoáveis, tendo em vista o grande volume de reclamações trabalhistas que envolve o contribuinte (em média 14.000 processos), os quais a guarda era mantida de forma descentralizada em todos os estados da federação. Os atos emanados pela administração pública não podem ser desprovidos de razão e proporção. Razão pela qual entendo que assiste razão ao contribuinte, estando maculado, nesse tópico, o lançamento por vício material devendo o mesmo ser declarado nulo, restando assim prejudicada a análise referente às demais alegações de mérito que reflitam no lançamento em debate, já que considero improcedente o lançamento referente as contribuições destinadas a outras entidades e fundos sobre condenações trabalhistas do ano de 2008. 3. DO MÉRITO 3.1. Da decadência A Recorrente defende a aplicação da decadência, com fulcro no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Sustenta que tendo havido os pagamentos, seja em decorrência das reclamações trabalhistas, seja em virtude da relação laboral, a aplicação do dispositivo legal descrito é medida que se impõe. Neste ponto, entendo que assiste razão à Recorrente. Sobre o tema, o julgado guerreado assim se pronunciou: Da decadência. 63. A Impugnante entende que sendo a prestação de serviço o fato gerador das contribuições sociais, todas as contribuições apuradas através do auto de infração 51.015.5553 foram fulminadas pela decadência. 64. A fim de comprovar seu entendimento apresenta como exemplos as ações trabalhistas dos reclamantes Ananias Pereira Batista e João Carlos Carli de Souza, em que a prestação de serviços abrangeu período anterior ao ano de 2001. 65. Conforme estabelecido no artigo 102 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Fl. 3317DF CARF MF 26 “Art. 102. Serão adotadas como bases de cálculo: I – quanto às remunerações objeto da condenação, os valores das parcelas remuneratórias consignados nos cálculos homologados de liquidação de sentença; II – quanto às remunerações objeto de acordo: a) os valores das parcelas discriminadas como remuneratórias em acordo homologado ou, inexistindo estes; b) o valor total consignado nos cálculos ou estabelecido no acordo;” 66. Observese que para as contribuições em comento, estabelecidas em virtude de sentença, está claro que não houve nenhum recolhimento anterior de qualquer contribuição social. Sendo assim, não se pode aplicar o estatuído no §4º, do artigo 150 do CTN – lançamento por homologação, que estabelece o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para a homologação, pois não há valores a serem homologados. 67. Logo, o presente lançamento se subsome ao contido no inciso I, do artigo 173 do CTN, que determina o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário até 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 68. De acordo com o Parecer PG/CCAR 21/98, de 05/05/98, na reclamação trabalhista, a Previdência só poderá constituir seu crédito após o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do empregado. O prazo decadencial, portanto, será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquela data. “EMENTA: “A contagem do prazo decadencial iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido constituído o crédito previdenciário. Na reclamação trabalhista o crédito só poderá ser constituído a partir do trânsito em julgado da sentença condenatória que determinar o pagamento da verba remuneratória sobre a qual incidirá a contribuição previdenciária.” 69. Portanto, não cabe razão à Impugnante alegar que todas as contribuições apuradas através do auto de infração 51.015.5553 foram fulminadas pela decadência com base em apenas quatro processos e vinculando a contagem do prazo decadencial à data da prestação dos serviços. Com a mais respeitosa licença ao entendimento firmado pela instância a quo, ouso discordar do posicionamento adotado. É que para o bom emprego do instituto da decadência previsto no CTN é preciso verificar o dies a quo do prazo decadencial de 5 (cinco) anos aplicável ao caso: se é o estabelecido pelo artigo 150, § 4º ou pelo artigo 173, I, ambos do CTN. Em 12 de agosto de 2009, o Superior Tribunal de Justiça julgou o Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), com acórdão submetido ao regime do artigo 543C Fl. 3318DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.306 27 do antigo Código de Processo Civil (CPC/1973) e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 3319DF CARF MF 28 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, 1ª Seção, REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, , julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Portanto, sempre que o contribuinte efetuar o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorrido 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do artigo 150, § 4º, do CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para se constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos moldes do artigo 173, I, do CTN. Por ter sido sob a sistemática do artigo 543C do antigo Código de Processo Civil, a decisão do Colendo Superior Tribunal de Justiça acima deve ser observada por este CARF, nos termos do artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso presente, não há no Relatório Fiscal qualquer indicação de que a Recorrente teria agido com dolo, fraude ou simulação a ensejar a aplicação do contido no artigo 173, I, do CTN. No que diz respeito ao pagamento das contribuições destinadas a outras entidades e fundos durante o período fiscalizado, é forçoso reconhecer que a Recorrente promoveu o recolhimento parcial de tal exação, pois, de acordo com o noticiado no relatório fiscal, a empresa apresentou cópias de GPS referente aos processos trabalhistas (fls. 39/26). Confirase: Fl. 3320DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.307 29 106 em 13/12/2012 a empresa apresentou cópias de algumas GPS referente a processos trabalhistas, sendo que todas já constavam dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil. [...] 112 O sujeito passivo somente apresentou GFIP relativas a alguns dos processos judiciais elencados na planilha disponibilizados a esta fiscalização, indicada no parágrafo 103 do presente relatório. 113 Em relação aos recolhimentos das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, constatouse, através dos sistemas indicados no parágrafo 22 do presente relatório, que o sujeito passivo apresenta em seu contacorrente Guias da Previdência Social recolhidas nos códigos de pagamento: 2909 – Ação Trabalhista CNPJ/MF 2917 – Ação Trabalhista – CNPJ/MF Recolhimento Exclusivo para Outras Entidades. Ou seja, houve o recolhimento das contribuições sobre os valores declarados em GFIP e GPS no período fiscalizado, o que atrai a regra do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional para a aplicação do prazo decadencial. Nesse sentido é o teor da Súmula nº 99 do CARF: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, o Auto de Infração fora lavrado em 29/01/2013 e a ciência do contribuinte se deu em 30/01/2013 (fl. 374). Logo, reputo que as exigências anteriores à competência 01/2008 encontramse fulminadas pela decadência. 3.2. Da diligência A recorrente insiste na necessidade de realização de diligências. Segundo alega, referidas diligências são aptas a demonstrar a insubsistência dos lançamentos. Com a devida vênia, e em que pesem os esforços lançados em sua peça recursal, entendo que os argumentos não são capazes de infirmar a decisão recorrida. O acórdão a quo julgou improcedente o pedido de diligência ao seguinte fundamento (fl. 954): Fl. 3321DF CARF MF 30 86. Em relação ao protesto pela realização de diligência cabe referência ao disposto nos artigos 18 e 28 do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, que assim dispõem: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso.” (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) 87. Ao sujeito passivo cabe o ônus da prova em relação ao que alega, devendo fazêlo oportunamente, por ocasião da impugnação, conforme estabelecem os incisos III, IV e parágrafo 4º do artigo 16, do Decreto 70.235/72, na redação dada pelas Leis 8.743/93 e 9.532/97. 88. No caso em exame, considerase desnecessária a diligência proposta por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. Nenhum fato novo foi trazido que justificasse a realização da diligência pleiteada e a insuficiência de documentos para comprovar as alegações suscitadas pela Impugnante não é motivo para tal. Em face do acima exposto indefiro o pedido de diligência. Entendo que a decisão do Colegiado de primeira instância não merece reparo. Conforme demonstrado, a autoridade julgadora de primeira instância administrativa indeferiu o pedido realizado pois considerou “desnecessária a diligência proposta por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento”. O artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que a realização de diligências ou perícias é uma prerrogativa da autoridade julgadora, e não da impugnante, o que afasta a alegação de o indeferimento de perícia consubstanciaria o cerceamento de defesa: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine”. Posto isso, alinhome à posição de primeira instância administrativa no sentido de que a prova pretendida pela contribuinte seria prescindível. A avaliação da necessidade de se realizar a diligência participa da esfera da discricionariedade do aplicador e, assim, façome acompanhar de precedentes das três Seções de Julgamento que compõe este Conselho, conforme se depreende: PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. Fl. 3322DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.308 31 (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2401004.612, Rel. Conselheiro Cleberson Alex Friess, Sessão 08/02/2017) PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada a desnecessidade da produção de novas provas para formar a convicção da autoridade julgadora. (CARF, 3ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 3201000.617, Rel. Conselheiro Daniel Mariz Gudino, Sessão 02/02/2011) PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido, por demonstrar intenção protelatória, o pedido de perícia para obter informações sem a demonstração da sua necessidade. (CARF, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 10323.470, Rel. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Sessão 28/05/2008) Assim, pelas justificativas acima descritas, dadas as circunstâncias do caso concreto, com base no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos precedentes ora referenciados, voto por negar provimento ao pedido de diligência e entendo, ademais, neste particular, não ter havido qualquer prejuízo à ampla defesa da Recorrente. 3.3. Da exclusão dos diretores do pólo passivo A recorrente reputa indevida a inclusão dos diretores da empresa no Relatório de Vínculos e requer a exclusão do vínculo de responsabilidade tributária. Discordando da decisão de primeira instância, entende que o Relatório de Vínculos tem o condão de incluir as pessoas ali elencadas no pólo passivo da demanda. Tanto é assim que os Diretores são parte na representação criminal instaurada e, em momento futuro, caso o débito não seja rechaçado na esfera administrativa, certamente serão inclusos na Certidão de Dívida Ativa. Afirma que a autoridade administrativa não comprovou que os referidos diretores agiram com dolo, ou seja, com intenção consciente de cometer ato ilícito. No mais, destaca que os diretores elencados no relatório de vínculos são empregados da Recorrente, e, por corolário lógico, obedecem ordens emanadas de seus superiores, o que demonstra a total incongruência quanto à eventual responsabilização dos mesmos. Em que pese os argumentos trazidos, reputo correta a decisão administrativa de primeira instância. Fl. 3323DF CARF MF 32 Com efeito, tratase de questões já sedimentadas neste Conselho. Primeiramente, quanto ao relatório de vínculos, temos a Súmula CARF nº 88 já citada pela instância julgadora a quo: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Quanto à Representação Fiscais para Fins Penais: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim, vem a Súmula nº 88 a corroborar com o que já pleiteia a Recorrente, ou seja, a inexistência de atribuição de responsabilidade às pessoas físicas relacionadas no Relatório de Vínculos. E, quanto à Representação Fiscais para Fins Penais, eventuais controvérsias sobre a mesma, não estão no âmbito da competência deste Conselho para análise. 3.4. Do juros de mora sobre a multa de ofício Por fim, sustenta ainda, que em caso de procedência do lançamento, seja excluída a incidência de juros sobre a multa de ofício, haja vista esta penalidade não retratar obrigação principal, mas mero encargo que se agrega ao valor da dívida como forma de punir o contribuinte. Além disso, a incidência dos juros sobre a multa carece de disposição legal. Relativamente à matéria, entendo assistir razão à Recorrente. Isso porque o artigo 61 da Lei nº 9.430 não prevê a incidência de juros sobre multa de ofício, mas apenas a da multa de mora sobre o débito decorrente de tributos e contribuição. A respeito do tema, cumpre transcrever trecho do voto vencido no Acórdão 920201.806, da lavra do Conselheiro Gustavo Lian Haddaad, exarado pela 2ª Turma CSRF, ao qual me filio e peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir: “Assim, no mérito, a discussão no presente recurso está limitada à incidência dos juros moratórios equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC sobre a multa de oficio. Tal discussão já foi examinada pelo antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em diversas oportunidades, sendo que três posições/entendimentos restaram assentados sobre o tema, quais sejam: de que é possível a incidência de juros sobre a multa de oficio a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SEL1C; de que é possível a incidência de juros sobre a multa de oficio a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados à razão de I% ao mês; e Fl. 3324DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.309 33 de que não é possível a incidência de juros sobre a multa de oficio. Tanto a primeira quanto a segunda tese admitem a incidência dos juros sobre a multa de oficio por entenderem que o artigo 161 do Código Tributário Nacional assim autoriza, divergindo, no entanto, sobre a possibilidade desses juros serem calculados pela SELIC (Lei n°9.430/1996) ou à razão de 1% ao mês nos termos do enunciado do §10 do Código Tributário Nacional — CIN (1% ao mês). Data máxima vênia, entendo que nenhuma das duas posições é a que mais se coaduna com o ordenamento vigente (não em suas disposições isolados, mas em seu conjunto). Sobre a incidência de juros de mora o citado artigo 161 do CTN determina: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito." O dispositivo acima referido autoriza a incidência de juros sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento". "Crédito", por sua vez, é definido no artigo 139 do CTN, que assim dispõe: "Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta." Obrigação tributária, por fim, vem definida no art. 113,verbis: "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2° A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 3325DF CARF MF 34 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária." A questão a ser enfrentada é a possibilidade dos juros de mora incidirem sobre a multa de oficio, aplicada pela autoridade fiscal proporcionalmente ao tributo lançado, considerando a expressão "penalidade pecuniária" incluída no parágrafo 1" art. 113. A meu ver a expressão "penalidade pecuniária" ali referida é a penalidade decorrente da inobservância de determinada obrigação acessória (de fazer ou não fazer), que se converte em obrigação principal nos termos do parágrafo 3' do mesmo artigo 113. Tal expressão jamais poderia ser interpretada como a penalidade pecuniária exigida em conjunto com o tributo não pago, até porque ficaria desprovida de sentido no contexto do dispositivo. Se a penalidade (no caso a multa do oficio) já estivesse incluída na expressão "crédito" sobre o qual incidem os juros de mora nos termos do artigo 161 do mesmo CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante no referido dispositivo no sentido de que o crédito deve ser exigido "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis". Outrossim, com base nessa mesma interpretação, poderiase inclusive, cogitar da possibilidade de incidência de penalidade (multa) sobre crédito tributário que já englobasse tributo e multa, o que obviamente caracterizaria um non senso jurídico. Ademais, cumpre observar que o conceito de juros advém do direito privado e, conforme preceitua o artigo 110 do CTN, quando as categorias de direito privado estão apenas referidas na lei tributária deve o aplicador se socorrer do direito privado para compreendêlas. No âmbito do direito privado os juros existem para indenizar o credor pela inexecução da obrigação no prazo estipulado. Já a multa não serve para repor ou indenizar o capital alheio, mas para sancionar a inexecução da obrigação. Assim, se os juros remuneram o credor (no caso o Fisco) pela privação do uso de seu capital devem eles incidir somente sobre o que tributo não recolhido no vencimento, e não sobre a multa de oficio, que tem caráter punitivo. A vocação da multa, já suficiente severa, é punir o descumprimento, enquanto a dos juros é remunerar o capital não recebido pelo Estado. Dizer que a multa deve ser "corrigida" é ignorar que a legislação tributária brasileira extinguiu a correção monetária desde 1995, sendo preocupação freqüente das administrações tributárias que se seguiram evitar a indexação automática própria dos regimes inflacionários que foram extremamente prejudiciais à economia brasileira. Com base no raciocínio acima exposto, entendo que o C77V não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio aplicada proporcionalmente ao tributo, ficando prejudicada a discussão acerca do índice aplicável. Fl. 3326DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.310 35 Por outro lado e à guisa de argumentação, ainda que se entendesse que o CTN autoriza a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, mister se ftiz analisar a legislação ordinária em vigor no período em que a multa exigida foi aplicada. Nesse sentido, argumentase que a exigência de juros sobre a multa aplicada proporcionalmente estaria amparada no art. 61, §3° da Lei n. 9.430/1996, que assim estabelece: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo, incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Do exame do dispositivo resulta que os débitos a que se refere o § 3' são aqueles decorrentes de tributos e contribuições mencionados no caput. Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de oficio não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei 1209.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata. Os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas, não se confundindo nos termos do art. 3° do CTN. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, da violação do dever de pagar o tributo no prazo legal. Ao utilizar a expressão "os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" a Lei n° 9.430/96 somente pode estar aludindo a débitos não lançados, visto que está normatizando a incidência sobre estes da multa de mora, Fl. 3327DF CARF MF 36 sendo ilógico entender que ali se contém a multa de oficio lançada proporcionalmente. Ademais, caso a expressão "débitos" constante do art. 61 contemplasse o principal e a multa de oficio, seria imperioso admitir que a multa de oficio, caso não paga no vencimento, sofreria também o acréscimo de multa de mora, tendo em vista que o caput do dispositivo expressamente dispõe que" os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculados a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso." Realmente, este seria o resultado da interpretação do parágrafo 3° do art. 61 de forma isolada, sem se atentar ao que determina o "caput". Seguindo este raciocínio terseia que admitir que também sobre os juros de mora, que se incluiriam nos débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições”, novamente pudessem ser exigidos juros e multa de mora, o que indica data venia a improcedência da interpretação. Assim, qualquer que seja a ótica sob a qual se interpretam os dispositivos literal, teleológica ou sistemática — entendo que a melhor exegese é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de oficio lançada, até porque referido artigo disciplina os acréscimos mora tórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento. O parágrafo único do art. 43 do mesmo diploma legal Lei 9.430/1996 é absolutamente coerente com a interpretação do art. 61 desenvolvida acima e corrobora a conclusão. Prevê o referido dispositivo a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente, verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora isolada ou conjuntamente. Parágrafo único — Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento". Ora, se a expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" constante no "caput" do artigo 61 contemplasse também a multa de oficio, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 supra transcrito, posto que a incidência dos juros sobre a multa de oficio lançada isoladamente nos termos do "caput" do artigo já decorreria diretamente do artigo 61. Em face das considerações acima, concluo que não há, seja em lei complementar (CTN) seja na legislação ordinária, interpretação possível a amparar conclusão diversa, merecendo Fl. 3328DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.311 37 ser excluída da exigência a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio lançada proporcionalmente. Os fundamentos acima também foram adotados pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos, no Acórdão n. 9101 00.722, de 08 de novembro de 2010, Relatora a Conselheira Karem Jurendini Dias, que concluiu pela não incidência de juros de mora sobre a multa de oficio (...) No presente caso, os paradigmas apresentados pela recorrente concluíram que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício, limitandoos entretanto ao patamar mensal de 1% ao mês. Embora o entendimento manifestado no presente voto resultaria em provimento do recurso voluntário em maior extensão (exclusão completa da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício), deve o resultado aterse ao limite da pretensão recursal ora examinada, devendo o recurso ser conhecido e provido nesta extensão.” Assim, em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da recorrente para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 3329DF CARF MF 38 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess – Redator Designado Peço vênia a I. Relatora para divergir quanto à incidência de tributação sobre os contratos de confidencialidade, identificados pelos Levantamentos Fiscais "CC1" e "CC2" (itens 51 a 70 do Relatório Fiscal, às fls. 25/28). Os Termos de Compromisso e Outras Avenças relacionados aos contratos de confidencialidade estão juntados às fls. 176/253. Em breve síntese, os instrumentos de vontade entre as partes contêm cláusulas de confidencialidade, não competitividade ou não concorrência, prestação de serviços e cessão de direitos de propriedade intelectual. Via de regra, sob o prisma das contribuições previdenciárias, os valores percebidos pelas pessoas físicas, limitados no tempo, em virtude de cláusulas de confidencialidade e não concorrência, não possuem natureza remuneratória, porque não destinados a retribuir o trabalho. As quantias pagas representam uma compensação financeira pelas obrigações de não fazer. Todavia, no caso sob apreço, as pessoas físicas poderão prestar, eventualmente, serviços de consultoria à Telemar definidos de comum acordo dentro da sua área de especialização, não sendo devido nenhum pagamento adicional pela obrigação, quando demandada pela pessoa jurídica fiscalizada. Sem dúvida, tal cláusula contratual indica uma possibilidade de que os extrabalhadores da Telemar permanecem à disposição da empresa para a execução de tarefas laborais, o que pode dar às importâncias pactuadas um aspecto de remuneração. Acontece que o fato gerador da contribuição previdenciária, conforme motivação do lançamento fiscal, reclama a demonstração clara da ocorrência da prestação de serviços remunerados por parte de segurados empregados, cabendo, no caso concreto, o ônus probatório ao Fisco, o qual tem interesse em fazer prevalecer os fatos que alega. Em vista disso, até pela própria natureza do objeto contratual, o exercício de atividade remunerada na condição de segurado empregado não fica comprovado pelo fato de que as 10 (dez) pessoas físicas, que firmaram os contratos de confidencialidade, mantinham vínculo empregatício com a recorrente em período imediatamente anterior à assinatura dos Termos de Compromisso. Segundo minha convicção, a imputação fiscal é falha quanto à comprovação dos requisitos para a qualificação das pessoas físicas como segurados empregados, especialmente o pressuposto inafastável do exercício de trabalho sem autonomia, mediante subordinação, cuja realidade não ficou demonstrada pelo agente fazendário, o que implica a decretação da insubsistência do lançamento. Fl. 3330DF CARF MF Processo nº 16682.721102/201212 Acórdão n.º 2401005.094 S2C4T1 Fl. 3.312 39 Afastado o principal, a análise da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício tornase prescindível. Portanto, voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 3331DF CARF MF
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Numero do processo: 10976.000520/2008-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . ERRO MATERIAL E LAPSO MANIFESTO.
Verificando-se lapso no período alcançado pela decadência é de se acolher os embargos para promover a necessária correção.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO.
O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN.
Numero da decisão: 9202-006.058
Decisão: Recurso Especial provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-004.456, de 27/09/2016, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida, excluindo do alcance da decadência as competências de 11 e 12 de 2003, bem como para fins de registrar como recorrente do Recurso Especial a CSRF a contribuinte TECNOWATT ILUMINAÇÃO LTDA.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 30/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . ERRO MATERIAL E LAPSO MANIFESTO. Verificando-se lapso no período alcançado pela decadência é de se acolher os embargos para promover a necessária correção. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN.
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decisao_txt : Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-004.456, de 27/09/2016, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida, excluindo do alcance da decadência as competências de 11 e 12 de 2003, bem como para fins de registrar como recorrente do Recurso Especial a CSRF a contribuinte TECNOWATT ILUMINAÇÃO LTDA. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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ERRO MATERIAL E LAPSO MANIFESTO. Verificandose lapso no período alcançado pela decadência é de se acolher os embargos para promover a necessária correção. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, reratificando o Acórdão nº 9202004.456, de 27/09/2016, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida, excluindo do alcance da decadência as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 05 20 /2 00 8- 12 Fl. 394DF CARF MF 2 competências de 11 e 12 de 2003, bem como para fins de registrar como recorrente do Recurso Especial a CSRF a contribuinte TECNOWATT ILUMINAÇÃO LTDA. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional para sanar vício de contradição e de erro material, este último apontado de ofício no despacho de Exame de Admissibilidade dos Embargos, em relação à decisão de mérito desta c. Corte Superior de Recursos Fiscais. Alegou a Fazenda Nacional a contradição da decisão desta Corte Superior, em virtude do reconhecimento da decadência quanto aos fatos geradores das competências de 04/2003 a 12/2003, com base no art. 150, § 4º do CTN. Porém, conforme consta às fls. 02 (numeração eprocesso), o contribuinte tomou ciência do auto de infração em 24/11/2008, de modo que, segundo a tese firmada no acórdão embargado, a decadência somente teria alcançado as competências de 04/2003 a 10/2003. O processo originário referese à NFLD constituída em 24/11/2008 para exigir contribuição previdenciária cota patronal incidente sobre pagamentos realizados a segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2003 a 12/2003. A Contribuinte apresentou impugnação, fls. 143/247, pleiteando a total insubsistência da autuação. A 6ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG, fls. 250/255, julgou o lançamento parcialmente procedente para excluir a totalidade dos créditos tributários exigidos no “Levantamento PL”, bem como parte dos créditos tributários exigidos no “Levantamento FP1”, em virtude de decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 270/316, alegando que: parte dos créditos tributários estão decaídos, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; o abono de férias pago não possui qualquer caráter remuneratório; o abono de férias foi pago nos termos Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10976.000520/200812 Acórdão n.º 9202006.058 CSRFT2 Fl. 10 3 do art. 144 da CLT, não podendo ser considerado como salário de contribuição, nos termos do art. 28, § 9º, item 6, da Lei nº 8.212/91; e não incide contribuição previdenciária sobre o abono único especial. O Contribuinte ainda protocolou petição, fls. 649/650, mencionando precedente do E. Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que não incide contribuição previdenciária sobre o abono único previsto em convenção coletiva, bem como o teor do Ato Declaratório nº 16/2011, por meio do qual a Procuradoria da Fazenda Nacional autorizou os demais procuradores a não apresentar mais recurso nas demandas que versem sobre essa questão. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 651, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, fim de reconhecer a decadência de todos os créditos tributários exigidos no período de 01/2003 a 10/2003, bem como para excluir todos os valores exigidos por meio do “Levantamento FP2 – ABONOS NÃO DECL GFIP”. O Contribuinte interpôs Recurso Especial às fls. 1324, alegando que a decisão recorrida não reconheceu a decadência, divergindo frontalmente ao acórdão paradigma que entendeu que a exigência da contribuição sobre o salário indireto apenas amplia a base de cálculo menor, em todas as competências do auto de infração, atraindo, pois, a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 363/364, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso do Contribuinte, entendendo haver divergência jurisprudencial, pois, enquanto o acórdão recorrido entendeu que não seria aplicado o art. 150, §4º do CTN pelo fato de não ter sido antecipado qualquer valor sobre os abonos (salário indireto), o paradigma entendeu que a exigência da contribuição sobre o salário indireto apenas amplia a base de cálculo tributada pelo contribuinte, havendo contribuição recolhida a menor em todas as competências do AI, atraindo, pois, a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 1374, vindo os autos conclusos para julgamento. Colocado em pauta, em 27/09/2017, fls. 378/382, esta c. CSRF DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela União, para declarar a decadência das competências de 04/2003 a 12/2003. Às fls. 384/386, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração alegando contradição da decisão desta Corte Superior, tendo em vista que houve reconhecimento da decadência quanto aos fatos geradores das competências de 04/2003 a 12/2003, com base no art. 150, § 4º do CTN. Porém, conforme consta às fls. 02 (numeração e processo), o contribuinte tomou ciência do auto de infração em 24/11/2008, de modo que, segundo a tese firmada no acórdão embargado, a decadência somente teria alcançado as competências de 04/2003 a 10/2003. Às fls. 389/392, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acolheu os Embargos apresentados pela Fazenda Nacional e, de ofício, ainda apontou erro material tanto no relatório como no voto, ao citar que o Recurso Especial foi proposto pela Fazenda Nacional, quando, de fato, foi interposto pelo sujeito passivo. Fl. 396DF CARF MF 4 Vieram os autos conclusos para saneamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes – Relatora. Tratase de Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional para sanar vício de contradição e de erro material, este último apontado de ofício, no despacho de Exame de Admissibilidade dos Embargos. Alegou a Fazenda Nacional a contradição da decisão desta Corte Superior, em virtude do reconhecimento da decadência quanto aos fatos geradores das competências de 04/2003 a 12/2003, com base no art. 150, § 4º do CTN. Porém, conforme consta às fls. 02 (numeração eprocesso), o contribuinte tomou ciência do auto de infração em 24/11/2008, de modo que, segundo a tese firmada no acórdão embargado, a decadência somente teria alcançado as competências de 04/2003 a 10/2003. Já a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais apontou erro material tanto no relatório como no voto, ao citar que o Recurso Especial foi proposto pela Fazenda Nacional, quando, de fato, foi interposto pelo sujeito passivo. Quanto ao erro material apontado, assiste razão a presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tratase de recurso especial interposto pelo Contribuinte, o que deve ser corrigido, assim onde se lê no acórdão e na ata da sessão de julgamento Recorrente: leiase TECNOWATT ILUMINAÇÃO LTDA. O mesmo ocorre quanto a contradição apontada pela Fazenda Nacional o contribuinte tomou ciência do auto de infração em 24/11/2008, fls. 2, destes autos de modo que, assiste razão a embargante, a decadência alcança tão somente as competências de 04/2003 a 10/2003, diferentemente do que ficou consignado no acórdão recorrido – devendo ser excluída as competências 11 e 12 de 2003. Diante de inexatidão material na decisão devese acolher os Embargos Inominados apresentados pela Fazenda Nacional com efeitos infringentes no decisum, para fins modificar o Acórdão 9202004.456, excluindo do alcance da decadência as competências de 11 e 12 de 2003, bem como para fins de registrar como recorrente do Recurso Especial à CSRF a contribuinte TECNOWATT ILUMINAÇÃO LTDA. É como voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10976.000520/200812 Acórdão n.º 9202006.058 CSRFT2 Fl. 11 5 Fl. 398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002483/2004-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Numero da decisão: 9303-006.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto de Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto de Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
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PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 24 83 /2 00 4- 88 Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11030.002483/200488 Acórdão n.º 9303006.215 CSRFT3 Fl. 3 2 (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto de Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3101000774, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos deu provimento parcial ao recurso voluntário para: · Afastar o impedimento ao uso do benefício em face da saída de produtos NT; · Desconsiderar a vedação de se incluir na base de cálculo do crédito presumido as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de cooperativas; · Determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito. O Colegiado, assim, consignando acórdão com a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir "receita de exportação" e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do 1P1, no sendo confundidos com produtos "NT" que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. "IPI — CRÉDITO PRESUMIDO — RESSARCIMENTO — AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS — A base de cálculo do credito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11030.002483/200488 Acórdão n.º 9303006.215 CSRFT3 Fl. 4 3 aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1° da Lei n° 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente A. relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2° da Lei n° 9.363/96). A lei citada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n° 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IN será calculado, exclusivamente, em relação as aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e as Contribuições ao PIS/PASEP (IN n 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao credito presumido (TN n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provis6ria, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando que a exportação de produtos classificados na TIPI como NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI, eis que não devem ser considerados como produtos industrializados. Em Despacho às fls. 146 a 148, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo · A Lei 9.363/96 não deferiu o crédito presumido apenas para o industrial, nem tampouco o limitou aos produtos industrializados exportados; · A Lei visou criar um benefício fiscal que abrangesse indistintamente todas as empresas produtoras e exportadoras de produtos nacionais desde que passe por um “processo produtivo”, aumentando, assim, sua competitividade no mercado internacional. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11030.002483/200488 Acórdão n.º 9303006.215 CSRFT3 Fl. 5 4 Requer o sujeito passivo a mantença do acórdão atacado, o qual reconheceu o crédito encapsulado no pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, reformando na parte vencida para reconhecer a atualização monetária pela taxa Selic desde a protocolização do pedido. Insatisfeito também, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, requerendo a aplicação da correção monetária pela taxa Selic desde o protocolo dos pedidos de ressarcimento. Em Despacho às fls. 189 a 192, foi negado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Em Despacho de Reexame de Admissibilidade às fls. 193 a 194, foi decidido pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais manter na íntegra o despacho do Presidente da Câmara que negou seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É o relatório, Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que o recurso deva ser conhecido, conforme reza o art. 67, Anexo II, do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015. O que concordo com o Despachos de Admissibilidade. Ventiladas essas considerações, passo a discorrer sobre a questão posta em recurso, qual seja, se o sujeito passivo tem ou não direito ao crédito previsto na Lei 9.363/96; ou seja, se haveria ou não a possibilidade de se reconhecer o direito à fruição do incentivo fiscal instituído pela Lei 9.363/96, crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, às pessoas jurídicas que elaboram produtos cuja notação na TIPI é NT (não tributado) Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11030.002483/200488 Acórdão n.º 9303006.215 CSRFT3 Fl. 6 5 No que tange ao crédito presumido de IPI, entendo que o sujeito passivo, em razão da exportação e industrialização, possui o direito ao crédito fiscal do período de 1997, nos termos da Lei 9.363/96. Dessa forma, importante analisar se a caracterização da pessoa jurídica requerente como estabelecimento industrial, à luz da legislação do IPI, poderia influir no direito ao incentivo fiscal. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ” Somente com a leitura desse dispositivo, é possível, a princípio, entender que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, não circunscrevendo seu alcance aos produtos industrializados. Não obstante, vêse que a Lei trouxe que, para a fruição do crédito presumido do IPI a dependência de as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam utilizadas no processo produtivo. Nesse ínterim, vêse que a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS e a Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11030.002483/200488 Acórdão n.º 9303006.215 CSRFT3 Fl. 7 6 COFINS considerou o processo de produtivo ou seja, a industrialização desses materiais, para fins de se produzir determinado produto a ser exportado. Vêse que o crédito presumido do IPI tem o escopo de ressarcir o contribuinte, do montante pago a título de PIS e COFINS, em todas as operações em que este adquiriu insumos, com o intuito de empregálos na produção de mercadorias exportadas. O dispositivo em referência, trouxe efetivamente um benefício às empresas que industrializam produtos e os vendem para o mercado externo. E, ademais, notase que não condiciona tal fruição para produtos tributos pelo IPI. Ou seja, o crédito trazido pela Lei não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. A Lei n° 9363/96, em seu artigo 1º estabelece que o requisito para a fruição do direito ao crédito presumido é a produção e exportação de mercadorias nacionais, sendo irrelevante que o produto esteja ou não sujeito ao IPI. Ademais, importante recordar que o sujeito passivo adquire geodos de pedras bruta, passando por todo o processo de corte, queima, transformação das pontas da ametista em citrino, transformando a pedra bruta em pedra preciosa para confecção de jóias, antes de serem exportadas, passaram efetivamente por um processo produtivo industrial. Conforme laudo acostado aos autos, a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo é típico processo produtivo. Nesse processo, as pedras passam pela fase de debulhamento = onde os geodos são desmontados através de equipamentos especiais para a separação de cristais. Posteriormente, são transferidas para a fase de tratamento térmico – para fins de outorga de Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11030.002483/200488 Acórdão n.º 9303006.215 CSRFT3 Fl. 8 7 tendências alaranjadas, avermelhadas ou amarronadas. E, por fim, a fase de martelamento para retiradas das partes não aproveitáveis do cristal para lapidação. Somente após as três etapas, modificando a natureza das pedras – que essas serão comercializadas no mercado interno e externo. O que, por conseguinte, impossível ignorar que o caso vertente trata de processo de industrialização. Em vista do exposto, nego provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas tenho entendimento diferente a respeito do assunto. Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11030.002483/200488 Acórdão n.º 9303006.215 CSRFT3 Fl. 9 8 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11030.002483/200488 Acórdão n.º 9303006.215 CSRFT3 Fl. 10 9 intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos do RIPI/98 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11030.002483/200488 Acórdão n.º 9303006.215 CSRFT3 Fl. 11 10 legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11030.002483/200488 Acórdão n.º 9303006.215 CSRFT3 Fl. 12 11 justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 210DF CARF MF
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Numero do processo: 10945.720805/2011-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade do lançamento se observados os requisitos formais do artigo 10 do decreto 70.235/76 e ausente qualquer das circunstâncias do artigo 59 do mesmo diploma.
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO DO VALOR DE AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE LEGAL.
É vedada a atualização do valor de aquisição dos bens e direitos adquiridos após 31.12.1995.
PATRIMÔNIO A DESCOBERTO. PERÍODO DE APURAÇÃO. ATIVIDADE RURAL.
Não há incompatibilidade entre o exercício da atividade rural com a sistemática de apuração de bases de calculo mensais para a infração de acréscimo patrimonial a descoberto, quando não se tem identificada, por esse procedimento, a natureza do rendimento presumidamente omitido.
Numero da decisão: 2402-006.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento se observados os requisitos formais do artigo 10 do decreto 70.235/76 e ausente qualquer das circunstâncias do artigo 59 do mesmo diploma. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO DO VALOR DE AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE LEGAL. É vedada a atualização do valor de aquisição dos bens e direitos adquiridos após 31.12.1995. PATRIMÔNIO A DESCOBERTO. PERÍODO DE APURAÇÃO. ATIVIDADE RURAL. Não há incompatibilidade entre o exercício da atividade rural com a sistemática de apuração de bases de calculo mensais para a infração de acréscimo patrimonial a descoberto, quando não se tem identificada, por esse procedimento, a natureza do rendimento presumidamente omitido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 08 05 /2 01 1- 28 Fl. 326DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10945.720805/201128 Acórdão n.º 2402006.023 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Cuida o presente de Auto de Infração lavrado em 21.09.2011, pra constituição de IRPF no valor de R$ 194.103,47, acrescidos de multa de ofício (75%) e dos juros legais Selic. A autuação decorre da constatação das infrações a seguir: 1 Acréscimo Patrimonial a Descoberto; e 2 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em Reais. Para tanto, a Fiscalização apurou os seguintes fatos: Com base nas análises dos documentos apresentados, apurouse saldos negativos de caixa nos meses de janeiro/2006, abril/2006, janeiro/2007 e dezembro/2008, consoante demonstra fls. 196/198. Referidos saldos foram levados ao ajuste pela Fiscalização, nos respectivos exercícios. Alienação do Imóvel Rural no município de Campo de Julio/MT em 21.12.2007, por R$ 2.931.979,5, adquirido em 15.12.2004. A Fiscalização não considerou qualquer valor para o custo de aquisição, eis que o contribuinte, após intimado às fls. 178/179 e advertido quanto ao artigo 129 do RIR/99 1, não teria comprovado o valor da aquisição. Com a aplicação dos índices de redução da Lei 11.196/05, chegouse ao ganho de capital de R$ 2.500.934,89 (fls. 199), que corresponde a 85.29% do valor alienado. Após apurar que o valor recebido, em 2007, foi da ordem R$ 2.381.37,50, aplicouse o percentual acima (85,29%), quanto então chegou no ganho de capital em 2007 na monta de R$ 2.031,072,60 e correspondente IR de R$ 304.660,89. Com a identificação da copropriedade entre três irmãos, o IR que coube ao recorrente foi da ordem de R$ 101.553,63 (1/3 x R$ 304.660,89). Regularmente intimado, apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. 1 Art. 129. Na ausência do valor pago, ressalvado o disposto no art. 120, o custo de aquisição dos bens ou direitos será, conforme o caso (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16 e § 4º): I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação no inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V o seu valor corrente, na data da aquisição; VI igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos anteriores. Fl. 328DF CARF MF 4 Contrariamente à autoridade lançadora, o Acórdão de piso considerou comprovado o custo de aquisição no valor de R$ 194.000,00, relativo ao imóvel alienado, exonerando, do valor originalmente lançado, a importância de R$ 6.715,47. Inconformado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário às fls. 297/318, no qual sustenta, em síntese: 1 Nulidade do Auto de Infração sobre o Ganho de Capital na alienação de bens. Alega o contribuinte que a DRJ, ao aceitar como custo de aquisição aquele que constou da DIRPF do contribuinte e ao proceder à exoneração parcial do crédito lançado, acabou por "refazer o lançamento" em discussão. Que a Fiscalização teria agido com falta de diligência na determinação da matéria tributável (art 142, CTN) e assim agindo, concluiu pela equivocada determinação do custo de aquisição do imóvel. Que ao quantificar erroneamente a base de cálculo do tributo, violou a higidez do crédito tributário, tornando nulo o lançamento, em função do erro material suscitado. Que os julgamentos administrativos, em função de realizarem o controle de legalidade, estão limitados a concluir pela adequação ou inadequação da conduta da autoridade fiscal, resultando em duas respostas possíveis: o lançamento está correto ou o lançamento está errado. 2 Ausência de Atualização do Valor de Compra. Que a não correção monetária do valor de aquisição implicou a incorreta determinação da base de cálculo do tributo. Que, desta forma, haveria flagrante vício material no lançamento, como sustentado acima. 3 Da Inexistência de Variação Patrimonial a Descoberto Erro no período de apuração. Que o recorrente é produtor rural. Que para a variação patrimonial, utilizouse um período de apuração não empregado na apuração do resultado da atividade rural. Que a AuditoraFiscal valeuse do intervalo de um mês. É dizer: apurou mensalmente as receitas e despesas. Que os valores eventualmente levantados a título de acréscimo patrimonial a descoberto deveriam ser tomados de forma anual, em função da atividade rural empreendida pelo recorrente. Que há vários acórdãos administrativos nesse sentido. Lá os relaciona. É o relatório. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10945.720805/201128 Acórdão n.º 2402006.023 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ em 03.02.2014 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 28.02.2014 (fls. 297/318). Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. O recorrente requer ao final do seu recurso, a anulação do lançamento fundado, em última análise, nos supostos i) erro na determinação da base de cálculo do tributo, seja por não considerar o valor de custo de aquisição, então considerado pela DRJ, seja por não o corrigir monetariamente; e ii) erro no período de apuração do tributo, quando da verificação do acréscimo patrimonial a descoberto. Inicialmente, cumpre destacar que o contribuinte, em sua Impugnação de fls. 218/220, após questionar os valores e a sistemática de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto e o custo de aquisição utilizado na apuração do ganho de capital, requereu, ao final, fosse "refeito os cálculos do referido auto de infração". Quanto à nulidade do lançamento, importante frisar que o Decreto 70.235/72, ao elencar os elementos obrigatórios no auto de Infração, bem como as hipóteses que o tornam nulo, assim estabelece: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse sentido, não se vislumbrando qualquer uma dessas situações, não há que se falar em nulidade do lançamento. Fl. 330DF CARF MF 6 Por outro lado, o próprio artigo 145 do CTN, ao prescrever as hipóteses em que o lançamento, regularmente notificado ao sujeito passivo, poderá ser alterado, veja, alterado e não somente cancelado, aponta, no seu inciso I, para aquela que decorreria da Impugnação do Sujeito Passivo. É o caso. Note que o artigo 142 do CTN, por sua vez, apenas define o proceder da autoridade fiscal no curso do procedimento administrativo, consignando, ao final, que referida atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Em outras palavras: A autoridade administrativa, em caráter privativo e no curso do procedimento administrativo: 1 identificará a ocorrência do fato gerador; 2 determinará a matéria tributável; 3 calculará o montante do tributo devido; 4 identificará o sujeito passivo; e 5 proporá a aplicação da penalidade cabível, se for o caso. Desta feita, constituirá o crédito tributario por meio do lançamento de ofício. Assim, tenho que, a contrario sensu, se não houver o apontamento de qualquer um dos elementos acima (obrigatórios), terseá por viciado o lançamento, sujeitando se à sua anulação. Referida conclusão não equivale a afirmar, por outro lado, que eventual incorreção em qualquer daqueles elementos macularia, de plano, o lançamento a ensejar a sua anulação, mas tão somente se verificado que, no caso concreto, deuse com preterição do direito de defesa ou produzido por agente incompetente. No que tange à não correção do valor de custo utilizado no Acórdão recorrido, cumpre ressaltar que o artigo 131 do RIR/99 2 veda a atualização desse valor para bens ou direitos adquiridos após 31.12.1995. Quanto à sistemática de apuração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto, vejo que, de igual sorte, não há reparos a serem feitos. O recorrente não contesta os valores considerados pela Fiscalização em seu fluxo mensal. Não se insurgiu quanto ao que se considerou como origens e aplicações de recursos. A Fiscalização, ao apurar e tributar o excesso de aplicações em relação às origens nos meses de janeiro e abril de 2006, janeiro de 2007 e dezembro de 2008, conforme demonstrou às fls.196/198, agiu com fulcro no inciso XIII do artigo 55 do RIR/99, que assim dispõe: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): 2 Art. 131. Não será atribuída qualquer atualização monetária ao custo dos bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 17, inciso II). Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10945.720805/201128 Acórdão n.º 2402006.023 S2C4T2 Fl. 5 7 (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; (...) Parágrafo único. Na hipótese do inciso XIII, o valor apurado será acrescido ao valor dos rendimentos tributáveis na declaração de rendimentos, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva de que trata o art. 86. Conforme se denota daqueles demonstrativos, os excessos deramse nos meses em que as despesas (aplicações) com a atividade rural suplantaram os rendimentos declarados (origens), incluídos aqueles com a atividade rural. A tributação, tal como prevista no dispositivo acima, não implica reconhecer, em que pese a atividade rural que declarou exercer o autuado, que o valor a descoberto, vale dizer, o rendimento presumidamente omitido, se referiria, necessariamente, a rendimentos daquela atividade rural. Notese que o art. 18 da Lei 8.023/90, ao determinar a tributação dos demais rendimentos separadamente dos da atividade rural, assim estabelece: Art 18. A inclusão, na apuração do resultado da atividade rural, de rendimentos auferidos em outras atividades que não as previstas no art. 2º, com o objetivo de desfrutar de tributação mais favorecida, constitui fraude e sujeita o infrator à multa de cento e cinqüenta por cento do valor da diferença do imposto devido, sem prejuízo de outras cominações legais. Nesse sentido, foram apontados, como fatos geradores, os excessos identificados naqueles meses, mas que foram levados à apuração anual, conforme se extrai dos demonstrativos de fls. 206/208. Podese perceber que os artigos 4º e 5º da Lei 8.023/90 ao estabeleceram a sistemática anual para a apuração do resultado tributável é cristalino ao restringir referida metodologia ao resultado atinente à Atividade Rural, assim entendido o cotejo entre os rendimentos recebidos e as respectivas despesas pagas, relacionadas àquelas atividades de seu artigo 2º. O artigo 49 da Lei 7.713/88 estabelece que o disposto naquele diploma não se aplicaria aos rendimentos da atividade agrícola e pastoril, que seriam tributados na forma da legislação específica. Note que aquele diploma, além de instituir para as pessoas físicas o fato gerador mensal relativamente aos rendimentos percebidos durante o anocalendário, determinou, ainda, a tributação mensal dos valores auferidos. Fl. 332DF CARF MF 8 Ocorre que com a entrada em vigor da Lei 8.134/90, a partir do exercício 1991, as verbas recebidas passaram a ser tributadas pelo IR "na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta lei". Podese perceber, que a principal modificação introduzida foi a criação da DIRPF anual, sendo que o IR das pessoas físicas continuou devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital fossem percebidos, na forma de seu artigo 2º. Nesse sentido, temos que o fato gerador e apuração dos rendimentos e ganhos de capital percebidos continuou a ser mensal, sendo que anual é o ajuste da tributação dos resultados e a apresentação daquela DIRPF. Destarte, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre o exercício da atividade rural com a sistemática de apuração de bases de calculo mensais para a infração de acréscimo patrimonial a descoberto, quando não se tem identificada, por esse procedimento, a natureza do rendimento presumidamente omitido. Por fim, no que toca aos acórdãos trazidos pelo contribuinte, cumpre esclarecer que por não se tratarem de normas complementares às leis, aos tratados e às convenções internacionais a aos decretos, a teor do artigo 100 do CTN, não têm o condão de vincular as decisões este colegiado. Pelo exposto, VOTO por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.005197/2005-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2000
Ementa:
DECADÊNCIA – LUCRO INFLACIONÁRIO. Não estando satisfeitas as
condições para o lançamento por homologação, o prazo de decadência no que se refere ao IRPJ será o estabelecido no art. 173, I, do CTN. O fato gerador da tributação do Lucro Inflacionário Acumulado, o qual inicia a contagem do
prazo decadencial, é sua realização.
PERÍCIA. AUSÊNCIA DE NECESSIDADE. A realização de perícia
pressupõe a necessidade de exames e verificações de matéria cujo
conhecimento não seja do domínio do julgador, que não abrange o presente caso.
LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO. A pessoa jurídica que, até o
ano-calendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados
na parte "B" do LALUR.
LUCRO PRESUMIDO. O regime tributário do lucro presumido não foi
instituído como benefício, mas como uma forma de tributação simplificada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL das pessoas jurídicas que não estiverem obrigadas, no ano-calendário, à apuração do lucro real.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1401-000.593
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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Não estando satisfeitas as condições para o lançamento por homologação, o prazo de decadência no que se refere ao IRPJ será o estabelecido no art. 173, I, do CTN. O fato gerador da tributação do Lucro Inflacionário Acumulado, o qual inicia a contagem do prazo decadencial, é sua realização. PERÍCIA. AUSÊNCIA DE NECESSIDADE. A realização de perícia pressupõe a necessidade de exames e verificações de matéria cujo conhecimento não seja do domínio do julgador, que não abrange o presente caso. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO. A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados na parte "B" do LALUR. LUCRO PRESUMIDO. O regime tributário do lucro presumido não foi instituído como benefício, mas como uma forma de tributação simplificada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL das pessoas jurídicas que não estiverem obrigadas, no anocalendário, à apuração do lucro real. Recurso voluntário negado. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15114.Y23W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – VicePresidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Karem Jureidini Dias (VicePresidente), Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Ausente momentaneamente a Conselheira Viviane Vidal Wagner (Presidente). Fl. 2DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15114.Y23W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.005197/200538 Acórdão n.º 1401000.593 S1C4T1 Fl. 135 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0218.543, proferido pela 2ª Turma da Delegada da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte/MG. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: O Auto de Infração de folhas 03/06 exige da empresa retromencionada o recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), na importância de R$1.804.155,65, cumulado com multa de oficio e encargos legais, calculados até 31 de março de 2005. O lançamento decorre do procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributária, correspondente ao Exercício de 2001, anocalendário de 2000, tendo sido constatado: 001. LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO — DIFERENÇA APURADA Constatado que o contribuinte mudou o regime de tributação de Lucro Real para Lucro Presumido tornase devido a realização de todos os valores cuja tributação tenha sido diferida, nos termos da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 54 c/c Instrução Normativa SRF n° 93, de 24 de dezembro de 1997 e arts. 451 e 520 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999). De acordo com o Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 07/10, no 1° trimestre de 2000, detectouse a falta de realização do saldo de lucro inflacionário acumulado, no valor de R$2.803.838,25, decorrente do saldo credor da diferença IPC/BTNF relativa ao ano de 1990, cujo saldo inicial declarado em 31/12/1991 foi de Cr$2.885.806.188,00. Como enquadramento legal foram apontados: art. 3 0, inc. II da Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991; arts. 21, §30, 32, 33, 38, inciso II c/c parágrafo único; arts. 451, 456, inciso II, § 2° e 520 do RIR/1999; art. 6° parágrafo único e art. 70 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 1° e 2° da Lei n° 9.430, de 1996, art. 36, §8° da IN n° 93, de 24 de dezembro de 1997. Fl. 3DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15114.Y23W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Cientificado do lançamento em 20/04/2005 (fl. 03), o contribuinte protocolou a impugnação em 23/05/2005 (fls. 48/52), documentação de fls. 53/73, com as argumentações a seguir sintetizadas. Da Prescrição. Alega que a fiscalização como pretexto para apurar o IRPJ sobre o lucro inflacionário do 'ano de 1999 para o ano de 2000' retroagiu a apuração "de todos os valores cuja tributação tenha sido diferida" a partir de 1991. Entretanto, os créditos tributários, inclusive o lucro inflacionário, relativo ao exercício de 1991, já estão extintos pela prescrição, conforme dispõe o art. 174 inciso I do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 CTN). Contesta o entendimento do auditor fiscal da expressão: "saldos dos valores cuja tributação havia diferido" presente no art. 54 da Lei n° 9.430, de 1996, ao traduzir que deveriam ter sido adicionados à base de cálculo do imposto de renda correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver (a PJ) optado pela tributação com base no lucro presumido. Assim, o fisco passou a dispor, a partir de 10 de abril de 2000, do prazo de cinco anos para rever o lançamento; vencido em 1° de abril de 2005, não poderia, portanto, ser revisto, por expressa proibição e incidência do disposto no art. 149, parágrafo único do CTN. Dessa forma, em 20 de abril de 2005, data da ciência do auto de infração, já havia sido consumado o prazo prescricional. Inflação não é Lucro. Citando entendimento do Superior Tribunal de Justiça defende a tese que os índices inflacionários ou de correção monetária não podem ser considerados lucros ou rendimentos, posto que apenas recompõem o valor do bem ou do direito. Concluindo que a incidência do imposto de renda sobre o denominado "lucro inflacionário" se revela abusiva, posto que está incidindo sobre o valor real de bens e direitos, o que não se inclui no conceito de renda estabelecido no art. 43, inciso I, do CTN. Da Opção pelo Lucro Presumido. Sustenta que o Auto de Infração esteiase no art. 54 da Lei n° 9.430, de 1996 para considerar infração a não inclusão do lucro inflacionário acumulado e sua suposta diferença na declaração do IRPJ, referente ao 1° trimestre de 2000. Entretanto, a determinação não é expressa. Ademais, a simples mudança do regime de tributação — do lucro real para o lucro presumido — não poderia provocar aumento de tributação, uma vez que o lucro presumido foi instituído como beneficio e, não como forma de penalizar. Desse modo, o denominado lucro inflacionário, além de na realidade não constituir lucro ou renda, não está incluído nas disposições do art. 54 da Lei n° 9.430, de 1996 ou no RIR11999, não podendo uma IN dispor autonomamente a respeito, posto Fl. 4DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15114.Y23W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.005197/200538 Acórdão n.º 1401000.593 S1C4T1 Fl. 136 5 que é norma complementar da lei ou decreto (CTN, art. 100), não podendo alcançar situações, por eles não disciplinadas expressamente. Da Impugnação dos valores — Provas e Perícias. Alega que o valor de R$1.804.155,65 apurado no Auto de Infração é absurdo e foge à realidade, posto que não condiz com a realidade da empresa e as declarações apresentadas, o que será apurado em perícia contábil, ora requerida. Para tanto, indica perito e formula quesitos. Requer, também, a juntada de cópias das declarações do IRPJ de 1988 a 2003, e a anexação da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ de 2000 tendo em vista que a cópia da impugnante encontrase extraviada. Do pedido. Requer, que a impugnação seja acolhida e julgada procedente, cancelado o Auto de Infração, tornandoo sem efeito. É o relatório. Ao apreciar a demanda, a DRJ houve por bem rejeitar a argüição de decadência em relação ao 1° trimestre de 2000, expurgar as realizações mínimas de períodos anteriores do saldo de lucro inflacionário já decaídas e consideradas ex officio, indeferir o pedido de perícia e no mérito considerar procedente em parte o lançamento, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2000 Decadência. Não estando satisfeitas as condições para o lançamento por homologação, o prazo de decadência no que se refere ao IRPJ será de cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lucro Inflacionário Acumulado a Realizar. Decadência. O início da contagem do prazo decadencial, em se tratando da tributação do Lucro Inflacionário Acumulado, é o exercício em que sua realização é tributada, e não o da sua apuração. Saldo de lucro inflacionário acumulado. Devem ser excluídas do saldo do lucro inflacionário acumulado os valores das parcelas de realização mínima já atingidas pela decadência. Realização do saldo de lucro inflacionário acumulado. Fl. 5DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15114.Y23W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados na parte "B" do LALUR. Lançamento Procedente em Parte Inconformado com o acórdão, o contribuinte, ora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário dirigido a este Conselho, a fim de que fosse reexaminada a matéria de fato e de direito para reforma da r. decisão na parte em que manteve o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, relator: O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Da Perícia Alega a Recorrente que a perícia, indeferida pela DRJ, seria necessária para “elucidar as controvérsias existentes nos autos, visto que a impugnante, como acima transcrito, impugnou o valor de R$1.804.155,65, apurado no auto de infração, taxandoo absurdo e surreal, não condizente com a realidade da empresa e suas declarações ao IR.” Ocorre que, como bem argumentado pelos julgadores de 1ª instância, A realização de perícia pressupõe a necessidade de exames e verificações de matéria cujo conhecimento não seja do domínio do julgador. No presente caso, a verificação do lucro inflacionário, caso fosse divergente do valor apurado no auto de infração ora contestado, poderia ser realizada pelos próprios julgadores, que detém conhecimento necessário para essa análise. Portanto, indefiro o pedido pericial. Da Decadência/Prescrição Novamente, alega o Recorrente a prescrição do crédito tributário, sob o argumento de que os “lançamentos anteriores já haviam sido efetivados” e, portanto, “estando auto de infração datado de 20 de abril de 2.005, foi ele efetuado quando já consumado o prazo prescricional, impedindo a revisão do lançamento por meio de auto de infração.” Conforme já fora afirmado pela DRJ, o prazo para a Fazenda homologar o lançamento realizado pelo contribuinte é sujeito à decadência, conforme se depreende pela análise do art. 150 do Código Tributário Nacional: Fl. 6DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15114.Y23W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.005197/200538 Acórdão n.º 1401000.593 S1C4T1 Fl. 137 7 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. e § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No presente caso, quando a Recorrente optou pela tributação com base no Lucro Presumido, os saldos dos valores cuja tributação havia sido diferida, controlados na parte B do LALUR, deveriam ser adicionados à base de cálculo do primeiro período de apuração pelo lucro presumido. Confirase o disposto do RIR/99: Art. 451. A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido ou for tributada com base no lucro arbitrado, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados na parte "B" do LALUR (Lei nº 9.430, de 1996, art. 54). Considerando que o entendimento firmado no Superior Tribunal de Justiça sobre a contagem do prazo decadencial em matéria tributária é no sentido de que, não havendo pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN, consoante se depreende do Recurso Especial nº 973.733/SC, julgado em 12 de agosto de 2009, sob relatoria do Ministro Luiz Fux, cuja emenda é transcrita abaixo: Fl. 7DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15114.Y23W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Fl. 8DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15114.Y23W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.005197/200538 Acórdão n.º 1401000.593 S1C4T1 Fl. 138 9 Ressalvado meu entendimento e considerando o que determina o art. 62A do Regimento Interno deste Conselho, tenho que não deve ser reconhecida a decadência para o crédito tributário aqui examinado. Isso porque, o Recorrente era obrigado a incluir o saldo de lucro inflacionário no primeiro período de apuração do anocalendário de 2000, quando optou pela tributação com base no Lucro Presumido. Todavia, conforme tela do sistema Sinal06 (Consulta de Pagamento) da Receita Federal do Brasil, fl. 76, verificase que a Recorrente não antecipou pagamentos pertinentes ao IRPJ relativos ao primeiro trimestre de 2000 (no qual deveria constar a adição do Lucro Inflacionário). Não tendo sido verificadas as antecipações de pagamento do IRPJ em relação ao 1º trimestre de 2000, a contagem da decadência deve ser regida pelo inciso I do art. 173 do CTN. Assim, não se encontra decaído o presente crédito tributário. Do Lucro Inflacionário A Recorrente alega que índices inflacionários ou de correção monetária não podem ser considerados lucro ou rendimentos, posto que apenas recompõem o valor do bem ou do direito. A DRJ bem sintetizou os argumentos que fundamentam a impossibilidade de acolhimento de tais alegações: A questão remonta à contabilização da correção monetária do Balanço, realizada em conta especial (Resultado da Correção Monetária RCM), sobre as contas do Ativo Permanente AP), bem como sobre as contas do Patrimônio Líquido (PL), procedimento esse que visava corrigir os efeitos da inflação no patrimônio da empresa (Lei n° 7.799, de 1989, arts. 3° e 4°). Assim, os efeitos tributários decorrentes de tais variações no patrimônio da empresa era procedido da seguinte maneira: As contas do Ativo (devedoras), tinham seu valor aumentado em função da correção monetária apurada, sendo a contrapartida (crédito) contabilizado na conta Resultado da Correção Monetária (RCM), por corresponder tal valor a uma receita. As contas do PL, por sua vez, tinham seu valor aumentado com o valor da correção monetária, sendo creditadas, portanto. A contrapartida desse lançamento corresponde ao débito de mesmo valor na conta RCM, por representar, naturalmente, tal valor, a uma despesa. Desse confronto entre os saldos da correção monetária nas contas do AP e do PL espelhado em conta própria (RCM), obtinhase o efeito tributário final. Fl. 9DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15114.Y23W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Nesse sentido, se do cotejo entre tais rubricas, a conta RCM mostrar como resultado, saldo devedor, este deveria ser computado como despesa dedutível na Apuração do Resultado do Exercício; se, ao contrário, a referida conta mostrasse saldo credor, este, naturalmente, deveria ser considerado receita tributável, por ter essa natureza jurídica, nascendo daí o conceito de lucro inflacionário, permitindo, a legislação tributária pertinente, que sua tributação fosse diferida em vários exercícios (RIR/1994, arts. 416 a 421). No que se refere ao tratamento fiscal do resultado da correção monetária Diferença IPC/BINF, a razão de ser desse procedimento guarda semelhança com o acima expendido, porquanto instituído para corrigir os efeitos da inflação no patrimônio das empresas, verificada no períodobase de 1990 (Lei n° 8.200, de 1991, art. 30, incisos I e II). Dessa forma, se o resultado dessa correção (diferença ipc/BTNF), resultasse devedor, tal valor poderia ser excluído do lucro líquido na apuração do Lucro Real, à razão de 25%, em 1993; e de 15%, nos anos seguintes, de 1994 a 1998 (Lei n° 8.200, de 1991, art. 30, I, c/c a Lei n° 8.682, de 1993). Todavia, se o resultado dessa correção (diferença IPC/BTNF), resultasse credor, este deveria ser adicionado ao Lucro Líquido na apuração do Lucro Real, a partir do período base de 1993, conforme as regras de realização do lucro inflacionário do períodobase (Lei n° 8.200, de 1991, art. 3 0, II). Assim, a despeito de se ter revogado a partir de 1° de janeiro de 1996, a correção monetária das demonstrações financeiras, a legislação tributária pertinente disciplinou que o saldo do lucro inflacionário acumulado, remanescente em 31 de dezembro de 1995, corrigido monetariamente até essa data, será realizado em conformidade com as regras da legislação então vigente (Lei n° 9.249/95, arts. 4°, 7( e 35), in verbis: "Art. 4° Fica revogada a correção monetária das demonstrações financeiras de que tratam a Lei n° 7.799, de 10 de julho de 1989, e o art. 1° da Lei 8.200, de 28 de junho de 1991. Parágrafo único. Fica vedada a utilização de qualquer sistema de correção monetária de demonstrações financeiras, inclusive para fins societários. (.) Art. 7° O saldo do lucro inflacionário acumulado, remanescente em 31 de dezembro de 1995, corrigido monetariamente até essa data, será realizado de acordo com as regras da legislação então vigente. § 1° Para fins do cálculo do lucro inflacionário realizado nos períodosbase posteriores, os valores dos ativos que estavam sujeitos a correção monetária, existentes em 31 de dezembro de 1995, deverão ser registrados destacadamente na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 10DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15114.Y23W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.005197/200538 Acórdão n.º 1401000.593 S1C4T1 Fl. 139 11 § 2° O disposto no parágrafo único do art. 6° aplicase à correção dos valores de que trata este artigo. § 3° À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado existente em 31 de dezembro de 1995, corrigido monetariamente até essa data, com base no , parágrafo único do art. 6°, poderá ser considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento. § 4° A opção de que trata o parágrafo anterior, que deverá ser feita até 31 de dezembro de 1996, será irretratável e manifestada através do pagamento do imposto em cota única, podendo alcançar também o saldo do lucro inflacionário a realizar relativo à opção prevista no art. 31 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992. § 5° O imposto de que trata o § 3° será considerado como de tributação exclusiva. (.) Art. 35. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1° de janeiro de 1996". Nesse sentido, para efeito de tributação do lucro inflacionário em cada ano calendário, considerarseá realizada parte do lucro inflacionário, proporcional ao valor, realizado no mesmo período, dos bens e direitos do ativo sujeitos à correção monetária até 31 de dezembro de 1995 (RIR/1994, art. 417, c/c a Lei n° 9.065, de 1995, art. 50). Demonstrado, pois, que o lucro inflacionário constituise em receita tributável, plenamente enquadrável nas disposições do art. 43, inciso I do CTN, insubsistem os argumentos da defesa no sentido de descaracterizar o presente instrumento de autuação neste aspecto. Pelos mesmos fundamentos expostos não merece prosperar o argumento da Recorrente de que o lucro inflacionário não seria tributável. Da opção pelo Lucro Presumido Finalmente, alega a Recorrente que a simples mudança do regime de tributação não poderia provocar aumento de tributação, sob o fundamento de que o lucro presumido “foi instituído como beneficio e, não, como forma de penalizar, o que também seria irrazoável e desproporcional e, mais que isso, até irracional, usar de uma medida, instituída pela lei, para beneficiar o contribuinte, para prejudicálo”. Conforme já exposto nas linhas acima, dispõe o art. 451 do RIR/99 é que a mudança da forma de apuração do IRPJ, do lucro real para o lucro presumido, implica a adição na base de cálculo do imposto dos valores diferidos na Parte B do LALUR. Fl. 11DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15114.Y23W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 Vale frisar que o regime tributário do lucro presumido não “foi instituído como benefício” como alega o Recorrente. Ao contrário do alegado, o lucro presumido é uma forma de tributação simplificada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL das pessoas jurídicas que não estiverem obrigadas, no anocalendário, à apuração do lucro real. A depender dos índices de lucratividade e dos tipos de receitas auferidas, a opção pelo lucro presumido pode ser benéfica ou prejudicial ao contribuinte. Cabe, portanto, antes da opção, a análise dos impactos tributários a que estarão sujeitos. Desta feita, não acolho as pretensões expostas pela Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 12DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15114.Y23W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 04/08/2011 11:04:08. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 04/08/2011. Documento assinado digitalmente por: KAREM JUREIDINI DIAS em 09/09/2011 e ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 04/08/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 01/02/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP01.0218.15114.Y23W Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: EDD912869883D6EB74DFBFC9777AA258F68B7723 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10680.005197/2005-38. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10950.001888/2007-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO.
As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento.
CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA.
Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.821
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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DIREITO A CRÉDITOS. Recorrente FERTIMOURAO AGRICOLA EIRELI EM RECUPERACAO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantémse a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 18 88 /2 00 7- 05 Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10950.001888/200705 Acórdão n.º 9303005.821 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3801004.383, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade das contribuições sociais, excluise da proporção as receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase somente aos custos, despesas e encargos que sejam vinculados às receitas de mercado interno e exportação. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis são utilizadas efetivamente no processo produtivo. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10950.001888/200705 Acórdão n.º 9303005.821 CSRFT3 Fl. 4 3 CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. VEDAÇÃO. Há vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido para as cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal. VENDAS COM SUSPENSÃO. VIGÊNCIA. DO ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. O art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 teve eficácia a partir de 4 de abril de 2006, data prevista na norma regulamentadora, in casu, a Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. VEDAÇÃO EXPRESSA. É incabível, por expressa vedação legal, a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Negado. ” Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando que a decisão prolatada incorreu em contradição entre a decisão e seus fundamentos. Todavia, os embargos foram rejeitados. O sujeito passivo interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência em relação às seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Vendas efetuadas com suspensão; e · Atualização monetária. Mediante Despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento parcial ao recurso. Foram admitidas as matérias “rateio dos créditos apurados”, “glosa das aquisições de combustíveis”, “aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial”, “possibilidade de ressarcimento do crédito”, e “atualização monetária (SELIC)”. Apenas a matéria “vendas efetuadas com suspensão – eficácia do art. 9º da Lei 10.925/04” teve o seguimento negado. Contrarrazões ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10950.001888/200705 Acórdão n.º 9303005.821 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303 005.815, de 17/10/2017, proferido no julgamento do processo 10950.001882/200720, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.815): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, na parte admitida em Despacho, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Ora, em relação à discussão acerca: · Do rateio dos créditos apurados, foi comprovada a divergência, vez que a decisão recorrida entendeu pela exclusão das receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação do cálculo do rateio proporcional e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 concluiu pela não exclusão dos valores de receita que se originaram de operações com o fim específico de exportação; · Das aquisições de combustíveis, foi comprovada a divergência, eis que enquanto o aresto recorrido adotou um conceito restritivo de insumo e o indicado como paradigma de nº 203.12.896 reconheceu o direito de aproveitar créditos decorrentes de aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo e nas operações de vendas e entrega direta da produção; · Do crédito presumido da atividade agroindustrial, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu pela vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido por enquadrar o sujeito passivo como cerealista que exerce cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 divergiu da interpretação relativa ao processo produtivo de grão e o conceito de agroindústria, sem a restrição ao direito creditório; · Da possibilidade de ressarcimento do crédito presumido, também foi comprovada a divergência, eis que o aresto recorrido não conheceu das alegações em relação à forma de utilização do crédito presumido, divergindo, assim, da interpretação adotada no acórdão paradigma de nº 3803002.336 que, por sua vez não aplicou a restrição prevista na IN Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10950.001888/200705 Acórdão n.º 9303005.821 CSRFT3 Fl. 6 5 SRF 660/06 quanto ao direito a compensação e/ou ressarcimento do Crédito Presumido de PIS e COFINS; · Da atualização monetária, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu não ser cabível a aplicação de correção monetária, com base na taxa Selic, nos casos de pedidos de ressarcimento de contribuição nãocumulativa, por expressa vedação legal, enquanto que o acórdão paradigma de nº 3802001.418 entendeu pela possibilidade de atualização do crédito pela taxa Selic. Em vista do exposto, entendo que devo conhecer o recurso especial em relação às matérias admitidas em Despacho de Exame de Admissibilidade – ou seja, sobre as seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Atualização monetária. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas." Do Mérito "Antes de se adentrar a cada matéria, importante trazer breve histórico do caso vertente: · O sujeito passivo desenvolve atividades agroindustriais e produz as mercadorias de NCM dos capítulos 8 a 12 referidas no art. 8º da Lei 10.925/074, realizando operações no mercado interno e exportações diretas e indiretas; · Observa a sistemática não cumulativa das contribuições, nos termos da Lei 10.833/03 e da Lei 10.637/02, sendo que para a sua atividade, adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços – insumos – para a produção de mercadorias; · Tendo acumulado créditos por aquisições – custos, despesas e demais encargos, protocolou pedido de ressarcimento do saldo de crédito. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o critério de rateio dos créditos apurados e em seguida sobre as demais matérias conhecidas." (...)1 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno das seguintes matérias: i) rateio das receitas de exportação; ii) glosa de créditos sobre combustíveis; iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria; iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria; e, v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. 1 Deixouse de transcrever, do voto do paradigma, a parte na qual a relatora enfrentou as questões admitidas no recurso, pois todos os entendimentos foram vencidos na votação, não se aplicando, portanto, na solução do presente litígio (íntegra do voto no acórdão do processo paradigma). Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10950.001888/200705 Acórdão n.º 9303005.821 CSRFT3 Fl. 7 6 i) rateio das receitas de exportação O contribuinte questionou o critério utilizado pela autoridade administrativa para o rateio das receitas, utilizado para apuração dos créditos da Cofins, passiveis de desconto e/ ou ressarcimento. Conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte, as receitas de exportação decorrem de vendas de mercadorias próprias e de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. A Lei nº 10.833, de 29/12/2003, assim dispõe sobre os créditos da Cofins não cumulativa, vinculados às exportações: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3o. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação."(destaque não original). Ora, nos termos deste dispositivo, é vedado o aproveitamento (desconto) de créditos vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por da parte da exportadora (comercial/trading). Assim, se tais receitas não geram créditos para a exportadora, obviamente, que não podem integrar as receitas de exportação, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado para a apuração dos créditos da contribuição a que o contribuinte faz jus. No mês de outubro de 2006, as receitas de exportação do contribuinte decorreram integralmente da exportação de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. Portanto, neste mês, o índice apurado foi de zero, caso contrário, estaria permitindo o aproveitamento com base num índice de 100,0%, em total desacordo com o § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente. ii) glosa de créditos sobre combustíveis. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10950.001888/200705 Acórdão n.º 9303005.821 CSRFT3 Fl. 8 7 A Lei nº 10.833, de 2003, prevê o aproveitamento de créditos sobre custos com combustíveis, desde que utilizados na produção ou fabricação dos bens vendidos, conforme estabelece o art. 3º, inciso II, literalmente: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; " (...)." No presente caso, conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte as glosas foram efetuadas sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados/consumidos no processo de produção ou fabricação dos produtos vendidos e sim em outros setores da empresa. Comprova esta afirmativa excertos transcritos do relatório produzido pela fiscalização, abaixo transcrito: iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria O contribuinte pleiteia créditos presumidos da Cofins sobre as aquisições de produtos agrícolas (soja e milho) adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, beneficiados e vendidos por ele. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10950.001888/200705 Acórdão n.º 9303005.821 CSRFT3 Fl. 9 8 códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, do exame da Trigésima Quarta Alteração do Contrato Social às fls. 129/138, constatase que o contribuinte exerce, dentre outras, as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, bem como a atividade agrícola, o que o enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, que veda o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tais atividades. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo; as mercadorias devem ser destinadas à alimentação humana ou animal; e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir os insumos (conforme alusão ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003) de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que não é o caso em discussão. iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria. Embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar os créditos presumidos da Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10950.001888/200705 Acórdão n.º 9303005.821 CSRFT3 Fl. 10 9 agroindústria, ora reclamados, demonstrase, a seguir, a falta de amparo para o ressarcimento/compensação de tais créditos. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10950.001888/200705 Acórdão n.º 9303005.821 CSRFT3 Fl. 11 10 Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. A atualização monetária do ressarcimento de saldo credor da Cofins não cumulativa, calculados à taxa Selic, é expressamente vedado pela própria Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu o regime nãocumulativo, assim dispondo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Contra disposição expressa da lei não é cabível aplicar analogias com decisões judiciais não aplicáveis ao caso concreto, como pretende a relatora. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 696DF CARF MF
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