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Numero do processo: 10580.721052/2009-30
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator..
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello, relator. - Relator.
EDITADO EM: 15/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: Carlos André Ribas de Mello, Relator.
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Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 10 52 /2 00 9- 30 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello, relator. Relator. EDITADO EM: 15/12/2014 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721052/200930 Acórdão n.º 2802002.780 S2TE02 Fl. 136 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2 e ss.), relativo ao IRPF, exercícios de 2005 a 2007, em razão de suposta classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Esclareçase que tratase de rendimentos recebidos em razão da Lei estadual baiana de número 8730/2003 e dizem respeito a diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração da contribuinte de Cruzeiro Real para URV, pagas mensalmente de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Registrese que serviram de fundamento à referida Lei Estadual as Ações Ordinárias nos 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal. Irresignada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 39 e ss., aos seguintes fundamentos: (i) que os rendimentos em questão são isentos de tributação, por seu caráter indenizatório, não havendo a mencionada classificação indevida de rendimentos; (ii) que o dever de retenção do tributo era da fonte pagadora e não da contribuinte; (iii) que a fonte pagadora levou a contribuinte, pelo demonstrativo que lhe forneceu, a classificar como isentos os rendimentos de que ora se trata, não se podendo imputar à mesma responsabilidade por tal fato; (iv) que a lei estadual supracitada expressamente apontou como de natureza indenizatória os valores de que aqui se trata e, se nisso há alguma impropriedade, é de responsabilidade do legislador estadual e não da contribuinte; (v) cita a legislação federal e requer, caso mantida a infração, que seja exonerada do pagamento da multa por não ter dado causa à situação de que aqui se trata; (vi) que a aplicação da alíquota vigente no momento da autuação, em caso de rendimentos recebidos a destempo acumuladamente com os rendimentos correspondentes ao mês trabalhado, é causa de nulidade do lançamento, de vez que deveria ter sido aplicada a alíquota vigente ao momento em que os rendimentos deveriam ter sido originariamente pagos e não o foram; (vii) cita a jurisprudência de diversos tribunais, de tribunais superiores e do Supremo Tribunal Federal; (viii) cita a jurisprudência administrativa do CARF; (ix) que tratase de receitas de tributo federal que, no entanto, devem permanecer nos cofres estaduais, pela distribuição das Fl. 135DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 receitas tributárias, e se o próprio Estado legislou no sentido do caráter indenizatório de tais valores, renunciou a estas receitas; (x) que, sendo, segundo a jurisprudência, a União parte ilegítima para figurar em relação processual em que servidor estadual pretenda a isenção ou não incidência de IRRF, também não cabe à União exigir do Estado a retenção do imposto, se este não o fez; (xi) que também não há incidência de imposto de renda sobre juros moratórios e assim, ainda que se entenda devido o imposto sobre as diferenças em questão, não incide o mesmo sobre os juros moratórios pagos em razão do lapso temporal decorrido entre o momento em que o pagamento deveria ter sido feito e o momento do efetivo pagamento; (xii) que o STF fez expedir a Resolução n.245/2002 em razão da qual os magistrados federais não sofreram a incidência do IR no recebimento de verbas de idêntica natureza, havendo violação do princípio da isonomia na tentativa de impor tal exação aos magistrados estaduais. Em sessão realizada em 23 de fevereiro de 2011 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, a turma julgou IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, fundamentando que os argumentos utilizados pelo Contribuinte afirmando que os atos estavam em acordo com a legislação estadual da Bahia não justificam o recolhimento indevido, pois, deve ser considerada a legislação federal. Quanto ao art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721052/200930 Acórdão n.º 2802002.780 S2TE02 Fl. 137 5 agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia.. A impugnante destacou que o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV12/2007. Entretanto, a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante. Da mesma forma, a Nota Técnica Cosit nº 4, de 29 de abril de 2009, que subsidiou tal informação, não vincula o presente julgamento, por não se tratar de norma complementar, nos termos do art. 100 do CTN. Quanto à Nota AGU/AV12/2007 mencionada no Parecer PGFN/CAT/nº 179/2009, que conclui pela não incidência de multa no imposto devido pelos servidores do TRE SP, em razão de recebimento da verba referente a URV, cabe observar que se trata de um comando de abrangência restrita, e não uma norma de caráter abstrato que vincule a presente Turma de Julgamento. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Intimada da supramencionada decisão (fls.123), interpôs tempestivamente o recurso de fl.87, repisando argumentos esgrimidos na impugnação, reafirmando a validade e o efeito vinculante da resposta à consulta feita pela Presidente do TJ/BA ao Ministério da Fazenda, nos mesmos termos do parecer que afirma vinculante, acima mencionado, exarado pelo AdvogadoGeral da União; que violase o princípio da economia processual no esforço de manter uma exação, a multa, que será fatalmente desconstituída pelo Poder Judiciário; que deveria ter sido levado em consideração, não apenas a alíquota vigente no momento em que as verbas deveriam ter sido pagas, mas também o total que atingiria mês a mês a remuneração do contribuinte à época em que seria devido o pagamento, para apurarse adequadamente suposto imposto a pagar. Em sessão de julgamento do dia 28 de setembro de 2011, determinouse o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010, e que Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Com a edição da portaria MF n° 545/2013, foi afastada a necessidade de sobrestamento, razão pela qual o feito é ora apresentado à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão ao Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721052/200930 Acórdão n.º 2802002.780 S2TE02 Fl. 138 7 No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza oe rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721052/200930 Acórdão n.º 2802002.780 S2TE02 Fl. 139 9 Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministro que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 10 Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10167.001677/2007-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a Conselheira Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a Conselheira Carolina Wanderley Landim. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 67 .0 01 67 7/ 20 07 -0 9 Fl. 662DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10167.001677/200709 Resolução nº 2401000.452 S2C4T1 Fl. 663 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 03 32.088 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF), que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 35.783.7274. A lavratura em questão diz respeito à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, das contribuições para outras entidades ou fundos, além das contribuições dos segurados. De acordo com o relatório fiscal, os fatos geradores tratados nos lançamentos acima dizem respeito às remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da empresa no período do lançamento, conforme se segue: a) remunerações de empregados obtidas em folhas e recibos de pagamento de salários, comissões e produtividade, férias e rescisões de contrato de trabalho; b) remunerações pagas a título de prólabore obtidos da contabilidade e da GFIP; c) remuneração de trabalhadores autônomos obtidos da contabilidade. Cientificada do lançamento em 14/02/2006, a empresa ofertou defesa, fls. 79/104, acompanhada dos documentos de fls. 105/461. Junta demonstrativo da base de cálculo para comprovar que o fisco incorreu em vários equívocos na apuração. Sustenta que os valores constantes na contabilidade como pagamento de pró labore foram estornados, não tendo havido retirada a este título no período fiscalizado. O órgão de primeira instância determinou a realização de diligência para que o fisco se manifestasse sobre as alegações e documentos acostados. Na informação fiscal de fl. 466, a autoridade lançadora defende a manutenção da lavratura, argumentando que: "Embora o contribuinte alegue não haver retirada de prólabore no período de 06/1999 a 03/2003, constatase a prestação de serviços pelos sócios administradores e, como não foram apresentados os valores dos pagamentos respectivos, foi utilizado como base o valor de R$900,00(novecentos reais) lançado no Livro Diário n° 26, fls. 367, a título de prestação de serviço. As diferenças alegadas entre os valores referentes a retirada de prólabore e as lançadas referemse a pagamentos efetuados a Terceiros e Contribuintes individuais, passíveis de incidência tributária. No tocante às alegações sobre as remunerações lançadas referentes a Salário e Aviso Prévio, conforme demonstrativo de fls. 82 a 104, aduz não ter efetuado lançamentos das remunerações de forma individual e, sim, de forma coletiva, e que Fl. 663DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10167.001677/200709 Resolução nº 2401000.452 S2C4T1 Fl. 664 3 consta das rescisões, aviso prévio indenizado, com inclusão de dias trabalhados, sobre os quais incide contribuição previdenciária." Devidamente cientificado, o sujeito passivo não se manifestou sobre esse pronunciamento do fisco. A DRJ resolveu determinar a realização de nova diligência para que a autoridade notificantes se manifestasse de forma mais precisa acerca da documentação acostada pelo sujeito passivo. A resposta consta às fls. 474/475. Ali o fisco esclarece que a base de cálculo de incidência das contribuições previdenciárias devidas não é só o valor constante na folha de pagamento, mas a soma desta com os recibos de férias, rescisões de contrato de trabalho, comissões sobre vendas a empregados, comissões sobre vendas a vendedores externos e auxíliomoradia. Informa ainda que os fatos geradores foram caracterizados na documentação apresentada durante ação fiscal e não juntada pela impugnante. O Auditor acrescentou que o sócio administrador, de fato prestava serviço à empresa, e não há registro de qualquer retirada de prólabore mesmo em outras empresas do grupo empresarial. Assim, como não foram apresentados documentos comprovando a remuneração do sócio gerente adotouse o valor constante no Livro Diário n.º 25, R$ 900,00. Cientificado do resultado da nova diligência, a empresa mais uma vez não se manifestou. A DRJ exarou decisão (fls. 491/495) reconhecendo a decadência do lançamento para o período de 06/1999 a 11/2000, aplicando a regra do inciso I do art. 173 do CTN. No mérito, negouse provimento ao recurso, com a seguinte motivação: "Não procedem, portanto, as alegações da empresa, de equívoco da fiscalização, tendo em vista que o levantamento fiscal foi realizado, utilizandose a documentação elaborada e fornecida por ela, sendo, ainda, de seu conhecimento os elementos examinados, e o fato gerador que ensejou a lavratura do crédito previdenciário. Ressalta que à empresa foi concedida a oportunidade de comprovar suas alegações (impugnação/diligências), quando se verificou a improcedência das mesmas." Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 519/545, no qual alegou: a) mesmo tendo comprovado os erros ocorridos na apuração, mediante cálculos e documentos juntados, a DRJ não lhe deu total razão, por haver deixado de apreciar pontos essenciais da contenda; b) os sócios não exerciam nenhum tipo de trabalho na empresa, portanto, não houve pagamento de prólabore no período de 06/1999 a 04/2003. Assim, não ocorreu fato gerador de contribuição em relação a essas pessoas. Este entendimento está em conformidade com o Parecer MPS n.º 2.952, de 16/01/2003; c) o lançamento contábil de prólabore na valor de R$ 900,00 foi fruto de lançamento incorreto no Livro Diário n.° 26, às fls. 367 e retificado no Livro Diário n.° 27, às fls. 377, conforme faz prova as cópias constantes às fls. 122 e 124; Fl. 664DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10167.001677/200709 Resolução nº 2401000.452 S2C4T1 Fl. 665 4 d) a inexistência de retirada de pró labore durante esse período pode ser provada pela Demonstração de Resultado referente aos anos de 1999, 2000, 2001, 2002 até 04/2003; e) a partir de 05/2003 começou a haver retirada de prólabore, todavia no valor fixo de R$ 550,00 e não em quantias variáveis, como consta na apuração fiscal; f) conforme prova as folhas de pagamento já acostadas (vide fls. 303 e 307), na ocorrência de aviso prévio indenizado, não há nenhum serviço prestado pelo emprego ao empregador, o que se tem é o saldo de salário presente na rescisão contratual e sobre o qual houve incidência da contribuição previdenciária; g) os tribunais pátrios tem afastado a incidência de contribuições sobre verbas indenizatórias, como é o caso do aviso prévio indenizado; h) somente com a publicação do Decreto 6.727, de 12/01/2009, que, revogou a alínea "f', inciso V, do parágrafo 9.º do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, é possível a exigência da contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado; i) o fisco considerou como saláriodecontribuição a remuneração dos segurados sem, no entanto, fazer o desconto das faltas injustificadas; j) de acordo com a alínea "i" do § 9.º do art. 214 do RPS não incidem contribuições sobre o abono pecuniário de férias, assim, não poderia o fisco tributar essa verba, como o fez na competência 06/2003; k) a seguir passou a ponderar acerca das inconsistências que entendeu terem ocorrido durante o procedimento fiscal. É o relatório. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10167.001677/200709 Resolução nº 2401000.452 S2C4T1 Fl. 666 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da necessidade da conversão do julgamento em diligência Conforme acima relatado, o processo foi baixado duas vezes em diligência pelo órgão de primeira instância, mas percebo que as principais questões fáticas apresentadas pela empresa não foram solucionadas e chegam a esta Turma as mesmas dúvidas manifestadas pelos julgadores da DRJ. Observase que a empresa suscita inconsistências no lançamento e apresenta documentos que supostamente reduziriam significativamente o valor do crédito fiscal. São apontados erros na formação da base de cálculo, na apropriação de guias de recolhimento, na indicação das contribuições dos segurados devidas, dentre outros. Essas situações somente podem ser elucidadas a partir da apreciação pela autoridade lançadora da documentação acostada e das alegação apresentadas na defesa e no recurso. Neste sentido cabível a realização de diligência para que o fisco identifique para as competências questionadas no recurso: a) os contribuintes individuais que receberam remuneração no período do débito, indicando o nome do beneficiário, o tipo de serviço prestado e a data da prestação; b) a origem das divergências entre os valores da contribuição dos segurados lançadas e os valores constantes nas folhas de pagamentos apresentadas pela empresa; c) se houve inclusão na base de cálculo de valores referentes a aviso prévio indenizado e das quantias recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; d) a origem das divergências entre o saláriodecontribuição dos empregados e os valores constantes nas folhas de pagamento apresentadas; e e) a origem de divergências entre os valores de guias apropriadas e os documentos juntados ao processo. Reitero que a análise deve ficar restrita às competências questionadas no recurso e, para espancar qualquer dúvida, é recomendável que o fisco elabore planilha mensal da composição da base de cálculo, indicando para cada segurado a natureza da parcela (salário, comissão, férias, etc) e a origem dos valores obtidos (folha de pagamento, recibos, rescisões, contabilidade, etc). Fl. 666DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10167.001677/200709 Resolução nº 2401000.452 S2C4T1 Fl. 667 6 Por fim, considerando que o processo digital encontrase com folhas ilegíveis, fazse necessária a juntada de novas cópias do Discriminativo Analítico do Débito DAD, do Relatório de Lançamentos RL, do Relatório de Documentos Apresentado RDA e do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA. Do pronunciamento fiscal em sede de diligência, devese facultar ao sujeito passivo a possibilidade de se manifestar no prazo legal. Conclusão Voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003741/2003-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
EMENTA
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-003.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ, JIMIR DONIAK JUNIOR, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE, RAFAEL PANDOLFO. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e SUELY NUNES DA GAMA.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 41 /2 00 3- 21 Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Pedro Anan Junior – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ, JIMIR DONIAK JUNIOR, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE, RAFAEL PANDOLFO. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e SUELY NUNES DA GAMA. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003741/200321 Acórdão n.º 2202003.035 S2C2T2 Fl. 179 3 Relatório Neste processo o interessado contesta o auto de infração do imposto de renda apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, efetuados em 1999 (fls. 412). A exigência formalizada é de R$ 111.086,86, mais acréscimos legais, totalizando R$ 262.253,85. De acordo com o relatório fiscal (fls. 405/409), o procedimento iniciouse a partir de investigação da movimentação financeira de Marta Lima Barbosa, ré em processo criminal, constatandose na ocasião que o contribuinte havia figurado como cotitular de conta no Banco Itaú no período de janeiro a julho de 1999. Intimado a comprovar a origem dos recursos, o interessado alegara que os depósitos se referiam a créditos de terceiros, pagos pelos respectivos devedores. Os valores recebidos seriam então repassados aos credores, mediante a cobrança de comissão. Para comprovar, apresentava diversas fichas de "prestação de contas" da empresa "Condor Organização e Cobrança S/C Ltda.", onde aparece a sua assinatura. Verificouse, porém, não existir registro no CNPJ da mencionada empresa, além de não haver correspondência entre os valores relacionados nas fichas e os depósitos em questão. Considerando não comprovada a origem dos recursos depositados, o órgão local efetuou o lançamento do imposto de renda sobre 50% dos depósitos, com base no artigo 42 e § 6° da Lei 9.430/1996, sendo a outra metade tributada contra a outra titular, em procedimento próprio. Em sua impugnação (fls. 418/427) o interessado requer, preliminarmente, que o seu processo seja juntado ao da outra titular, para que sejam aproveitados os documentos e esclarecimentos apresentados na fase investigatória. No mérito, transcreve, citando, os esclarecimentos já prestados durante a fiscalização. Acrescenta que as discrepâncias entre os valores depositados e aqueles relacionados nas fichas de prestações de conta decorrem do fato dos cheques haverem sido registrados nestas fichas, não pelo valor depositado pelos devedores, mas sim pelo montante repassado aos credores, já com o desconto dos encargos de cobrança. Esclarece ainda que a empresa onde exerce a sua profissão é a Condor Assessoria Comercial e Editorial Ltda., conforme cartão de registro no CNPJ (fls. 428). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em dar provimento parcial a impugnação, através da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA TRPF Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Anocalendário: 1999 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o responsável, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Devidamente intimado desse decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003741/200321 Acórdão n.º 2202003.035 S2C2T2 Fl. 180 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. O auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 No que diz respeito ao questionamento dos valores que foram lançados pela autoridade fiscal e fizeram base de cálculo do lançamento, não merece reparos a decisão da DRJ, tendo em vista que os valores foram extraídos dos extratos bancários juntados aos autos, a própria autoridade lançadora excluiu diversos valores que foram comprovados e restou os valores que não foram demonstrados a origem por parte do Recorrente. O recorrente pleiteia que os valores objeto de lançamento sejam tributados na pessoa jurídica Condor Assessoria Comercial e Editorial Ltda, mas não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar sua alegação. Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos. Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Diante do exposto no mérito nego provimento ao recurso apresentado pelo Recorrente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13808.000802/2002-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LIMITAÇÃO PERCENTUAL.
Observa-se, que a exigência fiscal está em consonância com a lei, ou seja, ao censurar-se a parcela da compensação de prejuízos apurados em períodos anteriores que supera 30% do lucro ajustado, cumpriu-se o disposto na legislação vigente
Numero da decisão: 1301-001.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Recorrente PORTO ALGARVE ADMINISTRAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LIMITAÇÃO PERCENTUAL. Observase, que a exigência fiscal está em consonância com a lei, ou seja, ao censurarse a parcela da compensação de prejuízos apurados em períodos anteriores que supera 30% do lucro ajustado, cumpriuse o disposto na legislação vigente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 08 02 /2 00 2- 46 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relatório Verificase que em desfavor da contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração (fl. 73), relativo ao IRPJ, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 1996. Conforme descrito no Auto de Infração (fls. 75 e 76) e no Termo de Constatação (fls. 68 e 69), a contribuinte compensou prejuízos fiscais de períodos anteriores em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda. A contribuinte apresentou Impugnação (fls. 78 – 80), alegando em resumo a decadência do direito de o Fisco lavrar o comentado auto de infração e a inaplicabilidade da limitação percentual. A 5ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 102 a 108, julgou o lançamento procedente, tendo a contribuinte interposto Recurso Voluntário (fls. 111 – 130). O dito Recurso Voluntário foi apreciado pela 3ª Câmara, da 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, sendo provido para os fins de reconhecerse a decadência, e considerando extinto o crédito tributário. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 146 – 157), o qual foi admitido e dado seguimento nos termos do Despacho DDF1300 344/2009 — 3 Câmara, tendo a contribuinte apresentada as pertinentes Contrarrazões (fls. 162). A Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, nos termos do acórdão nº 9101001.938, deu provimento ao Recurso Especial da Fazenda, porquanto o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, de sorte que o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deveria observar a regra do artigo 173, inciso I do CTN, conforme precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733SC, submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No mesmo acórdão cuidouse, outrossim, de devolver o processo para enfretamento ordinário do mérito envolvido no primitivo Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000802/200246 Acórdão n.º 1301001.721 S1C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Como se observa do relatório acima circunstanciado o feito foi devolvido para apreciação do mérito da autuação, porquanto a extinção pela decadência fora afastada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sendo assim, de rigor admitirse o Recurso Voluntário para análise do mérito que transcende a questão da ocorrência da decadência. No que respeita ao mérito da autuação, como já consignado no relatório acima, apurou a Fiscalização (fls. 68 e 69 e 75 e 76), que a recorrente compensou prejuízos fiscais de períodos anteriores em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda. Tirante a questão da decadência, superada por decisão definitiva da CSRF, a contribuinte defendeu que ser lícita a compensação de prejuízos no percentual de 100% do lucro ajustado, pois os referidos prejuízos foram gerados até o anobase de 1994, ou seja, antes do advento da lei que limitou a compensação dos prejuízos a 30%, de sorte que teria direito adquirido. Aduziu ainda, que estaria desativada e deixou de ser concessionária de veículos da marca General Motores desde 1994 e não foi encerrada apenas para resolver questões pendentes, entre os quais o recebimento no anobase 1996 da receita que gerou o lucro compensado, sendo que tal receita seria decorrente de uma ação judicial proposta antes de 1994 pela General Motores contra o Fisco Federal e que ocasionou o recebimento de sua parte em dezembro de 1996, conforme cópia do razão anexado (fls. 88 a 90). Por fim, defendeu que verificandose toda a escrituração, constatase que desde 1995 não teve operação, o que significa dizer que se tivesse compensado apenas 30%, teria sofrido uma injustiça fiscal, pois não tem mais chance de compensar os prejuízos restantes existentes que ninguém mais poderá compensar, além de perder direitos e sofrer punição, apesar de ser uma empresa de quase trinta anos de existência, que nada devia e que não queria encerrar suas atividades com pendências. Observase, destarte, que a recorrente defende que a receita obtida em 1996 decorre de ação judicial proposta contra o Fisco Federal antes de 1994, o que permitiria compensar 100% do lucro líquido ajustado com os prejuízos de períodos anteriores, já que até 1994 não existia a limitação legal de 30% para a compensação do lucro líquido ajustado. Com efeito, dispõe o artigo 15, da Lei nº 9.065/95, fruto da conversão da Medida Provisória nº 998/95: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e Fl. 217DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Registrese que a lei que rege o período de apuração autuado (1996) limitase a permitir a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas anteriores devidamente comprovados na escrituração comercial e fiscal, mas até o limite de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação. Observase, portanto, que a exigência fiscal está em consonância com a lei, ou seja, ao censurarse a parcela da compensação de prejuízos apurados em períodos anteriores que supera 30% do lucro ajustado, cumpriuse o disposto na legislação vigente. Ademais, é assentado pacificamente que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de benefício fiscal, ou seja, fosse ela um direito adquirido, o imposto de renda somente poderia ser cobrado no momento de encerramento das atividades da empresa, pois somente neste instante se saberia com certeza se houve ou não acréscimo ao patrimônio inicialmente despendido na constituição da empresa. Em conclusão, portanto, assinalo que a glosa do prejuízo compensado no montante superior a 30% do lucro ajustado deve ser mantida, bem como a decisão proferida originalmente pela DRJ, eis que o artigo 15 da Lei n° 9.065/1995 vigora com plena eficácia, motivo pelo qual encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 26 de novembro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.000158/2005-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/05/1998 a 31/08/1998, 31/10/2000 a 31/12/2000, 28/02/2001 a 30/09/2002
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO ANULADO. VÍCIO FORMAL.
O prazo de decadência de cinco anos para a Administração efetuar novo lançamento conta-se a partir da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente realizado, nos termos do disposto no inciso II, do artigo 173 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/05/1998 a 31/08/1998, 31/10/2000 a 31/12/2000, 28/02/2001 a 30/09/2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO ANULADO. VÍCIO FORMAL. O prazo de decadência de cinco anos para a Administração efetuar novo lançamento contase a partir da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente realizado, nos termos do disposto no inciso II, do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 01 58 /2 00 5- 55 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 17/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório A empresa Dispar Distribuidora de Bebidas Pardal Ltda., foi autuada a recolher a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no total do crédito tributário de R$ 1.917.614,84 (contribuição, juros de mora e multa de oficio), conforme Auto de Infração, demonstrativo e termo de encerramento, acompanhados de anexos e documentos. Tratase de novo lançamento efetuado em virtude de o lançamento original ter sido anulado por vício formal, conforme processo n° 13154000089/200353, apensado a este, e em razão das diferenças apuradas entre os valores escriturados e os declarados/pagos relativas aos períodos de 31/05/1998 a 30/08/1998, 31/10/2000 a 31/12/2000, 28/02/2001 a 31/12/2001 e 31/01/2002 a 30/09/2002, nos termos dos arts. 1°e 2° da Lei Complementar n° 70/1991; art. 77, III, do DecretoLei n° 5.844/1943; art. 149 da Lei nº 5.172/1966; arts. 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718/1998 com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/1999 e suas reedições e alterações da Medida Provisória n° 1.858/1999 e suas reedições. Intimada em 10/01/2005, a interessada apresentou Impugnação em 04/02/2005 (fls. 187194), alegando, após historiar os fatos e reproduzir quase toda a decisão da autoridade administrativa que anulou o lançamento anterior, por vício formal, o seguinte: 1. Analisando o ato da autoridade que anulou do processo anterior n° 13154.000089/200353, por vício formal, aduziu que a impugnação não era intempestiva e ainda não recebeu nenhuma informação sobre as justificativas ali apresentadas, pois foi apresentada fora do prazo legal em razão do movimento de paralisação dos servidores da Agência da Receita Federal em Rondonópolis, o que afastaa intempestividade; 2. Embora os delegados das DRF possuam competência em qualquer tempo para reconhecer a nulidade das autuações efetuadas com erros formais (CTN, art. 149), a nulidade por erro de direito, presentes naqueles autos, somente pode ser reconhecida pela DRJ; 3. Quanto ao mérito e tendo em vista o art. 149, parágrafo único do CTN, que transcreveu, quando da efetivação do novo lançamento já havia decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário referente aos períodos de 1998 e 1999; 4. Por fim, protestou para que a autoridade local não apreciasse as razões da defesa produzidas no processo 13154.000089/200353 e reiterou que agora fossem apreciadas com a impugnação aqui aduzida. 5. Requereu, ainda, que fosse juntado o referido processo, sendo reconhecida a improcedência integral da autuação. A DRJ afirma incialmente que, todas as questões levantadas pela impugnante no processo 13154.000089/200353 estão superadas e são impertinentes ao exame deste. Aduz que verificou que nos autos juntados por anexação, que a impugnação juntada era intempestiva, Fl. 282DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 17/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10183.000158/200555 Acórdão n.º 3403003.493 S3C4T3 Fl. 6 3 tendo a DRJ de Cuiabá anulado este por vício formal, sem tomar conhecimento da Impugnação, de modo que toda a matéria já estaria superada, descabendo qualquer consideração a esse respeito. A questão em discussão é se realmente teria ocorrido a decadência do novo lançamento realizado, visto que o anterior foi anulado por vício formal, nos termos do inciso II, do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Assim, concluiu a DRJ, tendo sido o lançamento originário anulado corretamente por erro formal, a Administração dispõe do prazo de 5 anos para efetuar novo lançamento, conforme estabelece o inciso II, do artigo 173 do Código Tributário Nacional. A DRJ decidiu ainda que a Recorrente tinha o prazo de 30 dias para recorrer da decisão que anulou o lançamento por vício formal, e como não o fez, a decisão tornouse definitiva na esfera administrativa e contase então a partir dessa data o prazo decadencial de 5 anos. E a Recorrente foi intimada do novo lançamento em 10/01/2005 ou seja, dentro do prazo previsto na lei. Logo, incorreu a decadência Por fim, vota a DRJ por rejeitar a preliminar de decadência suscitada, e no mérito, indefere a impugnação, julgando procedente o Auto de Infração lavrado conta a Recorrente. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em que repete as alegações constantes em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A Recorrente procura, em vão, rediscutir processo findo, sob o n 13154.000089/200353, aduzindo que sua Impugnação não seria intempestiva e que teria alegado erro de direito cometido no Auto de Infração anulado. Defende que tais questionamentos ainda não foram resolvidos e intenta reabrir, como se tal fosse possível, a discussão constante no processo administrativo que foi devidamente anulado por erro formal, nos termos do inciso II, do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Contudo, conforme anotado pela própria Decisão atacada, a Recorrente se conformou com o conteúdo daquele ato decisório, tanto que devidamente intimada não Fl. 283DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 17/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 apresentou Recurso Voluntário para modificar o enquadramento jurídico calcado na ocorrência de erro formal. Dessa forma, aquela discussão administrativa está completamente encerrada, não sendo permitido à Recorrente, nesse novo lançamento, a rediscussão da matéria, protegida pelo trânsito em julgado formal e inclusive material. A única discussão remanescente nos presentes autos, que decorre da Impugnação e do Recurso Voluntário apresentados pela Recorrente, reside na alegação de decadência por ela formulada, que se resolve, sem maior esforço de raciocínio, pelos fatos constantes nos autos, devidamente reconhecidos pela própria Recorrente. Às fls. 222 do Recurso Voluntário, a Recorrente expressamente menciona informação extraída da autuação, no seguinte sentido: "Finalizando a presente autuação consta as seguintes observações: I ~Fiscalização iniciada em II/12/2002, pelo Auditor Fiscal Darly Prezotti Junior, cujo lançamento foi anulado pela Delegacia da Receita Federal, através da decisão n°866 de 06/11/2003. 2 Reabertura de Fiscalização, iniciada em 01/11/2004, conforme AR, como foi omitida a data, fica reiniciada 15 dias após a entrega nos correios.” (fls. 21) Ora, considerando que houve a anulação por vício formal do lançamento, e que a anulação se deu em 06 de novembro de 2003, temse que com a intimação da Recorrente, em 24 de novembro de 2003, e a não apresentação de Recurso no prazo legal até 23 de dezembro de 2003 , tornouse definitiva a decisão anulatória, aplicandose, portanto, o disposto no inciso II, do artigo 173 do Código Tributário Nacional, conforme segue: Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributario extinguese após 5 (cinco) anos, contados: l (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. A partir desta data, portanto, tem o Fisco o prazo de 5 anos para realizar novo lançamento, sem que o período seja atingido por decadência, sobre a qual não há que se falar em interrupção nem em suspensão, mas sim em um novo prazo de decadência. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 17/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10183.000158/200555 Acórdão n.º 3403003.493 S3C4T3 Fl. 7 5 E o novo lançamento foi devidamente intimado em face da Recorrente em 10 de janeiro de 2005, portanto, dentro do novo prazo decadencial resultante da anulação do processo anterior, de modo que legítimo o lançamento realizado. Dessa forma, não há como dar guarida ao pleito formulado pela Recorrente, uma vez que com o reconhecimento, por decisão administrativa transitada em julgado, de que houve vício formal em processo anterior, aplicase novo prazo decadencial, nos termos do inciso II, do artigo 173 do CTN, contado da data em que se tornar definitiva a decisão anulatória. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator Fl. 285DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 17/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 13603.905766/2012-87
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3803-000.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique a remessa dos royalties e a medida do crédito utilizado, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique a remessa dos royalties e a medida do crédito utilizado, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO. Versa o imbróglio sobre a não homologação de declaração de compensação transmitida pela contribuinte, em razão do mesmo não haver logrado comprovar de maneira inconteste a certeza, liquidez e a exigibilidade do direito creditorio, oriundo de Cofins Importação de Serviços, código de receita 5442, sob a alegação de se tratar de recolhimento indevido a título de Cofins, proveniente de pagamento de royalties a empresa sediada no exterior, o que lhe daria o direito à compensação de tais valores (DARF de R$ 43.769,21 valor original), com débito de mesma natureza relacionado ao período de apuração de novembro/2008. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 05 76 6/ 20 12 -8 7 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905766/201287 Resolução nº 3803000.478 S3TE03 Fl. 15 2 A autoridade administrativa por meio de Despacho Decisório constatou a inexistência de saldo credor o bastante para solver a compensação declarada, eis que o crédito informado na DComp transmitida foi integralmente utilizado para a liquidação de outros débitos própros. Com a ciência do despacho decisório adveio a manifestação de inconformidade, quando aduziu ser o valor original do DARF declarado em DCTF, utilizado para pagamento de licença de uso da marca (royaties), não gerando com isso uma contrapartida de serviços provenientes do exterior. Assim sendo sobre tais valores não incide a Cofinsimportação de serviços. Para consubstanciar a sua tese menciona fragmentos do processo de consulta nº 263/11, exarado pela SRRF/8ª RF, que versa sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –COFINS e firma conclusão de que o pagamento ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, por simples licença de uso de marca, a título de royalties, não caracteriza contrapartida de serviços provenientes do exterior, não cabendo, portanto, a hipótese de incidência da contribuição para o PIS/Pasepimportação, bem assim para a Cofinsimportação. A contribuinte informou que à época dos fatos apesar de haver identificado o pagamento a maior e ingressado com o pedido de compensação, cometeu a falha de não retificar a DCTF original que informava o valor indevido, o que ocasionou o não reconhecimento do crédito pelo sistema da RFB. Finalmente, nos termos do caput e do § 1º do art. 11 da IN SRF nº 903/08, apresentou à repartição fiscal a DCTF retificadora, com a mesma natureza da original, que a substituiu integralmente, eficaz para declarar novos/velhos débitos, entretanto a mesma não foi recepcionada pela RFB, eis que já havia decorrido mais de cinco anos de janeiro/07, contados consoante a regra esculpida no artigo 173, I, do CTN. A título de elemento probante de seu direito apresentou cópia de uma fatura de pagamento de royalties, com base em suposto contrato vigente em 2000/2001. Conclusos foram os autos para apreciação pela 2ª Turma da DRJ/BHE que, em sessão realizada em 09/07/13, por meio do Acórdão nº 0245.957, proferiu decisão pela improcedência da manifestação de inconformidade, consoante a ementaadiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido As razões de decisão constantes do voto condutor do acórdão em questão, resumidamente, entendeu que, sendo a transmissão da Declaração de Compensação de iniciativa do contribuinte, ao mesmo cabe demonstrar a liquidez e a certeza do direito Fl. 288DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905766/201287 Resolução nº 3803000.478 S3TE03 Fl. 16 3 creditório alegado, de acordo com o disposto no artigo 333, I e II, do CPC, o que não ocorreu no caso. Ademais disso o aresto firmou posição que o prazo estabelecido pela legislação para a constituição do crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração apresentada, conforme reza o Parecer COSIT nº 48, de 07/07/99, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação, e que diante disso, decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. Uma vez ciente do teor da decisão de piso em 19/08/13 (vide AR), a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 18/09/13, para aduzir resumidamente: Em 13/12/00 celebrou um acordo de licenciamento para uso de marcas diversas de propriedade da Licenciante, empresa italiana denominada F. L. Itália S.p.A (doc. 06) e, desde então, remete ao exterior mensalmente pagamento a título de royalties pela exploração dessas máquinas (doc. 07). Deduziu que da leitura do aditivo contratual datado de 08/10/01 (doc. 06) e com efeitos retroativos à data da contratação inicial, não se tem dúvidas de que o objeto do contrato é EXCLUSIVAMENTE o licenciamento para uso de marcas, não envolvendo importação de quaisquer serviços conexos. Todavia, através de 52 despachos decisórios distintos a autoridade administrativa não homologou as compensações declaradas, pelo fato de que a recorrente não havia retificado as informações em sua DCTF, anteriormente ao protocolo dos pedidos de compensação. Alegou a contribuinte possuir direito creditório oriundo de Cofinsimportação, referentes à remessas de royalties para o exterior, apurados desde janeiro/2007 a maio/2011, atrelados ao mesmo contrato já referenciado. Por conseguinte, apresentou 52 pedidos de compensação, atinentes a recolhimentos indevidos, com idêntica fundamentação e resultados de decisões pela DRJ/BHEMG. Para consubstanciar o alegado menciona julgados no âmbito do CARF (10860.905038/200941, em 23/04/13), AC. CSRF/0304.382 (26/12/06), e a solução de divergência COSIT nº 11, de 28/04/2011. A fim de possibilitar o julgamento em conjunto dos 52 processos, por sua vinculação, a contribuinte requereu a reunião dos autos, ex vi do art. 47 do RICARF/09, com redação da Portaria MF nº 586/10. Arguiu acerca da possibilidade de juntada de provas e documentos em sede recursal, mencionando doutrina e jurisprudência no seu interesse. Arguiu sobre a possibildade de retificação da DCTF, para declaração do direito creditório existente, mesmo após o despacho decisório de não homologação da DComp. Sustentou que não há norma procedimental, seja ela de ordem legal ou regulamentar, que impeça a retificação da DCTF em período posterior ao despacho decisório. Mesmo o art. 9º da atual IN/RFB 1.110/2010, veda a retificação que vise à redução ou Fl. 289DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905766/201287 Resolução nº 3803000.478 S3TE03 Fl. 17 4 alteração de (i) débitos que já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, para inscrição em Dívida ativa da União, ou (ii) que tenham sido objeto de procedimento de fiscalização. No presente caso, nenhuma das hipóteses de vedação está presente, uma vez que os créditos não foram remetidos para inscrição em dívida ativa. No mais a decisão administrativa versa sobre pedido de compensação, que pressupõe confissão de débito confessado pelo contribuinte, a ser compensado, não pode ser considerada como procedimento fiscal procedimento destinado a apurar débito do contribuinte. Enfatizou que o próprio CARF já admitiu que não há nenhum impedimento à retificação da DCTF após o despacho decisório, não estando tal direito, portanto, condicionado à prévia retificação da declaração, conforme decisões contidas nos Acórdãos 3802001.849 (25/06/2013), 380201.005 (22/05/12), 380201.125 (28/07/12), 330200.809 (03/02/11). A defendente arguiu acerca da necessidade de recebimento da DCTF de ofício pela autoridade administrativa, ante a impossibilidade de transmissão eletrônica, relativamente a declarações originais transmitidas há mais de cinco anos, por restrição formal à verdade material, contra senso que não pode ser admitido. Nesse passo mencionou que inobstante não haja prescrição do direito ao crédito, posto que a compensçaão foi realizada dentro do prazo prescricional quinquenal, a retificação da DCTF está sendo obstada pelo sistema, de forma a impedir a comprovação da verdade material. Justificou que é por conta dessa situação que a DCTF retificadora, relativa ao crédito postulado do ano base de 2007, está sendo ora apresentada em versão impressa, a fim de que V. Sas, determinem o seu processamento e, via de consequência, analisem o seu conteúdo para fins de deferimento do direito creditório. Menciona fragmento do Acórdão 3802001.642, de 28/02/13, para consubstanciar a sua tese. A comprovação documental do direito de crédito da recorrente fazse mediante a apresentação do contrato de licença para uso de marcas (sem qualquer serviço conexo), que embasa a apuração do indébito de Cofinsimportação sobre royalties, e memórias do faturamento total da recorrente pelo uso das marcas (royalties de 1%, remetidos ao exterior, conforme invoices juntadas). Aduziu que outro não foi o entendimento firmado pelo Acórdão 3801001.813, em análise de matéria e de situações fáticas idênticas, julgado em 23/04/13. Resumidamente, esclareceu que a comprovação do pagamento indevido de Cofinsimportação sobre royalties, fezse mediante a retificação da DCTF e, com isso, deuse o reconhecimento do direito creditório. Em suma a retificação foi realizada para fins de desvincular a existência de débitos atrelados aos pagamentos de Cofinsimportação que foram realizados (doc. 04), a fim de que a declaração espelhasse a existência do crédito compensável (pagamento sem respectivo débito vinculado = crédito compensável). Fl. 290DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905766/201287 Resolução nº 3803000.478 S3TE03 Fl. 18 5 Ou seja, para a recorrente tratase de mero erro formal incorrido, que não altera a situação fática, na qual ela efetuou o pagamento do débito de Cofinsimportação indevidamente, o que lhe garante o direito de restituir/compensar tal quantia correspondente. A título de requerimentos temse: A reunião dos 52 processos conexos para julgamento em conjunto, em razão de sua interdependência, a fim de evitar eventual julgamento despido de congruência. O reconhecimento da integralidade do direito creditório e, via de consequência, a homologação integral da compensação processada via Per/DComp referenciado nos autos (doc. 05). Caso se entenda pela baixa dos autos em diligência para que a 2ª turma da DRJ/BHE reaprecie a questão à luz das provas juntadas aos autos em sede recursal, requer o provimento do presente recurso nestes termos, a exemplo do que ocorrido em sessão de julgamento de 28/06/2012, nos autos do PAF nº 16443.000318/201045, (Resolução nº 3402 000.422, da 2ª Turma Ordinária, 4ª Câmara). Caso ainda se entenda que são necessárias outras provas documentais para evidenciar o direito creditório postulado, a fim de se confirmar ainda mais a verdade material, requerse seja determinada a baixa dos autos em diligência, com intimação da recorrente para que possa providenciar o suporte documental julgado indispensável e ainda não acostado aos autos, retornando em seguida ao CARF para conclusão do julgamento. A recorrente fez colação aos autos dentre outros documentos, de cópia do comprovante de pagamento indevido da Cofinsimportação (doc. 04); cópia do contrato de licença para uso de marca comercial e respectivo aditivo contratual (doc. 06); cópia da fatura comercial de pagamento de royalties e respectivo demonstrativo de cálculo (07); e cópias das DCTF's original e retificadora de declaração do direito creditório da Cofinsimportação (08). Por fim relacionou os processos que pretende sejam julgados em conjunto, a saber: É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905766/201287 Resolução nº 3803000.478 S3TE03 Fl. 19 6 VOTO. Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A querela devolvida a este Colegiado resumese à comprovação pela recorrente da existência de certeza e de liquidez do direito creditório alegado, da existência ou não de prescrição do direito à repetição do indébito, bem assim da suficiência de crédito para a extinção dos débitos declarados por meio de Per/DComp, no período de janeiro/2007 a maio/2011. A decisão a quo ao examinar a controvérsia entendeu que, sendo a transmissão da Declaração de Compensação de iniciativa do contribuinte, ao mesmo cabe demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório alegado, de acordo com o disposto no artigo 333, I e II, do CPC, para concluir que na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Ademais disso o aresto mencionou que o prazo estabelecido pela legislação para a constituição do crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração apresentada, mediante a aplicação ao caso vertente, por analogia do contido no Parecer COSIT nº 48, de 07/07/99, que trata da declaração de rendimentos, para concluir que diante disso, decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. Em oposição às razões de decisão do acórdão recorrido a contribuinte informou que a origem do direito creditório resulta do indébito de CofinsImportação, proveniente da remessa de royalties para o exterior pela exploração de máquinas, no período de apuração compreendido entre janeiro/2007 a maio/2011, respectivamente. A título de comprovação ao alegado colacionou aos autos, em sede de recurso, cópia xerográfica do contrato de licença para uso de marcas (doc. 06 sem qualquer serviço conexo), que embasa a apuração do indébito de Cofinsimportação sobre royalties; as memórias do faturamento total da recorrente pelo uso das marcas (royalties de 1%, remetidos ao exterior, conforme invoices juntadas); cópia do comprovante de pagamento indevido da Cofinsimportação (doc. 04); cópia da fatura comercial de pagamento de royalties e respectivo demonstrativo de cálculo (07); e cópias das DCTF's original e retificadora de declaração do direito creditório da Cofinsimportação (08). Uma vez apresentados tais documentos a título de elementos probantes da existência do direito credittório suscitado, a recorrente arguiu acerca da possibilidade de juntada de provas e documentos em sede recursal, mencionando doutrina e jurisprudência administrativa no seu interesse. Arguiu também acerca da possibildade de retificação da DCTF, para declaração do direito creditório existente, mesmo após o despacho decisório de não homologação da DComp, sustentando pela inexistência de norma legal ou regulamentar que impeça o feito, notadamente tendo em vista que os créditos não foram remetidos para inscrição em dívida ativa. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905766/201287 Resolução nº 3803000.478 S3TE03 Fl. 20 7 Finalmente a recorrente, acerca da decisão administrativa, arguiu que pressupondo ser o pedido de compensão uma confissão de débito formulado pelo contribuinte, não pode ser considerado como procedimento fiscal, tendente à apuração de débito. Do exposto é possível se fazer as seguintes inferências: a) Há nos autos cópia de comprovante de pagamento indevido da Cofins Importação, confirmado pelos sistemas de arrecadação da RFB (extrato de comprovante de arrecadação), que menciona o valor do pagamento efetuado, a data de vencimento da obrigação, o código da receita arrecadada e o código de controle eletrônico de realização da operação, ou seja houve o recolhimento do valor do indébito de R$ R$ 43.769,21 (informado no pedido de compensação não homologado doc. 05), valor esse constante do despacho decisório, como sendo o valor originário utilizado (doc. 03); b) Há nos autos cópia do Contrato de Licença para Uso de Marca Comercial e para Transferência de knowhow em marketing e propaganda, e o respectivo aditivo, celebrado com a proprietária da marca, que atestam a origem e justifica a remessa de royalties para o exterior, por conseguinte a origem do indébito (doc. 06); c) Há o Certificado de Averbação nº 010589/10 (Processo INPI/DIRTEC), fornecido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, em conformidade com o art. 211, Lei nº 9.279/96, que autoriza o licenciamento exclusivo dos produtos objeto do contrato em comento, inclusive estabelece o valor percentual do faturamento líquido mensal (1%), que é remetido para o exterior mensalmente, em cumprimento de cláusula contratual de nº 3, pois representa a remuneração para a licença de uso das marcas listadas no Anexo I, com informações atualizadas até 24/04/2012 (doc. 06); d) Constam dos autos cópia da fatura comercial de pagamento de royalties (Invoice nº 1107160012 e data 17/01/2007), cujo campo de descrição menciona os royalties relacionados ao contrato em comento, e respectivo demonstrativo de cálculo dos tributos recolhidos e incidentes sobre a cofins no valor de R$ 22.801,26, para a data de 17/01/2007, em conformidade à Lei nº 10.865/ (doc. 07); e, por fim, Constam dos autos cópia da DCTF original (vide fl. 12/22, débito apurado e créditos vinculados/pagamento) e retificadora (vide fls. 15/16), correspondente ao mês de janeiro/2007, em substituição àquela original de nº 19.15.32.19.59 06, onde não mais registra valores de créditos vinculados/pagamento e sujeitos a compensação, em razão da realização de pagamento a maior ou indevido (doc. 08). No que atine à colação aos autos de documentos e de razões complementares à defesa contida na exordial, mesmo que extemporaneamente, a jurisprudência administrativa firmou escólio a respeito dessa possibilidade, em razão da natureza do informalismo ou do formalismo moderado que regem o processo administrativo, em conformidade ao disposto na Lei nº 9.784/99, utilizada subsidiariamente nos julgamentos de processos administrativos Fl. 293DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905766/201287 Resolução nº 3803000.478 S3TE03 Fl. 21 8 tributários por força de seu art. 69, que autoriza a autoridade administrativa a rever os seus próprios atos, conforme estabelece o art. 65 desse mandamus, bem assim por não prejudicar o desenvolvimento do processo em trâmite e, principalmente por dar a oportunidade para que se exerça o princípio da verdade material, inclusive no caso vertente, pois as provas acostadas foram úteis para auxiliar na formação da convicção deste julgador acerca da existência do direito creditório. Quanto ao direito creditório alegado, proveniente da não incidência de Cofins Importação, para os royalties remetidos ao exterior, em razão da concessão de direitos pelo uso de marcas, de transferência de conhecimento e de tecnologia, o mesmo encontra respaldo no contido na legislação tributária vigente. Neste sentido se transcreve excertos extraídos do Acórdão nº 3801001.813, cuja sessão de julgamento se realizou em 23/04/13 (fl. 208), cujo voto condutor ao apreciar caso semelhante, fundamentou suas razões de decidir de acordo com a legislação tributária vigente e aplicável ao caso em concreto, inclusive citando a solução de divergência nº 11, de 28 de abril de 2011, senão vejamos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –Cofins EMENTA: Royalties. Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: caput e § 1º do art. 1º e inciso II do art. 3º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Os “royalties”, no direito pátrio são remunerações decorrentes da exploração lucrativa de bens incorpóreos (direito de uso) vinculados à transmissão de tecnologia, representados pela propriedade de invento patenteado, assim como conhecimentos tecnológicos, fórmulas, processos de fabricação, e ainda, marcas de indústria ou comércio notórias, aptas a produzir riqueza através da comercialização, em virtude da aceitação dos produtos que a representam, além do direito de explorar recursos vegetais, minerais e direitos autorais, conforme se verifica do artigo 22 da Lei nº 4.506/64,in verbis: “Art. 22. Serão classificados como “royalties” os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905766/201287 Resolução nº 3803000.478 S3TE03 Fl. 22 9 e) Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos “royalties” acompanharão a classificação destes.” Da simples leitura efetuada da transcrição acima fazse possível inferir que estão contemplados os requisitos para a não incidência da CofinsImportação ao caso de que se cuida, eis a matéria sob exame e o contrato possui as características de contrato de knowhow, por cessão de direitos, concedente de autonomia administrativa e financeira ao licenciado, versam sobre o licenciamento de patentes (marcas), os produtos licenciados estão descritos no Anexo I, os valores devidos a esse título encontramse expressos, e não há serviços conexos. Assiste razão à recorrente quanto a existência de direito creditório sob tal argumentação. Passase ao exame da decadência/prescrição do direito ao exercício da compensação pelo sujeito passivo, de indébito oriundo de erro formal. Defende o Fisco que a constituição do crédito tributário em definitivo se dá com a entrega da DCTF, por constituir confissão de débito irrevogável e imprescritível, pela via do autolançamento, o que implica no afastamento do instituto da decadência, como no marco inicial para a promoção da execução fiscal, bem assim para a contagem do prazo quinquenal prescricional, o que se dá nesse caso, sob o auspício do contido nos incisos I, V, ou VII, do art. 156, ou mesmo de acordo com o disposto no art. 174, I, ambos do CTN, sendo que esta hipótese ocorre pela ausência do exercício do direito de ação do sujeito passivo. É o que se verifica do artigo 156, I , V e VII, do CTN (Lei 5.172/66), in verbis: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...); V a prescrição e a decadência; (...); VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º. (Grifei). À hipótese descrita no inciso I do artigo 156 aplicase a regra de contagem do prazo previsto no art. 168, I, c/c o disposto no art. 165, I, ambos do CTN, cujo dies a quo é a data do pagamento. À hipótese descrita no inciso V corresponde à ausência da constituição do crédito tributário ou à ausência do exercício de cobrança, ou do direito de ação do sujeito passivo, contado de acordo com as regras estabelecidas no art. 150, §§ 1º e 4º, ou do art. 173, I, do CTN. À hipótese contemplada no inciso VII, específica para os casos de lançamento por homologação, para que ocorra a extinção se faz necessário a realização tanto do pagamento antecipado, quanto da ulterior homologação pela autoridade administrativa, é o que determinam os dispositivos contidos no caput e §§ 1º e 4º do CTN, verifiquese: Fl. 295DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905766/201287 Resolução nº 3803000.478 S3TE03 Fl. 23 10 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...); § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O fundamento legal suso transcrito encontra guarida no § 2º do mesmo mandamus, vejamos: § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Como visto a condição para a extinção do crédito tributário no lançamento por homologação dáse, exclusivamente, com o pagamento antecipado e a ulterior homologação desse lançamento pela autoridade administrativa, eis que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo, visando à extinção desse crédito. Com o advento da LC nº 118/05, que veio com a finalidade dentre outras de interpretar o contido no inciso I do artigo 168 do CTN, as regras de contagem do prazo decadencial/prescricional sofreram alteração substancial, passando a contagem desse prazo, para os créditos constituídos anteriormente ao dia 09/05/2005, ter a duração de dez anos, a contar da data de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e, nos casos de constituição do crédito após essa data, o prazo da contagem passou a ser de cinco anos, a contar da data do pagamento do tributo devido. Assim sendo, com o fito de disciplinar a aplicação da regra adequada no âmbito do CARF, veio o RICARF/2009, por meio do seu art. 62A, a determinar que os conselheiros deste órgão judicante, passassem a utilizar essa regra nos julgamentos de processos administrativos fiscais. Cumpre registrar que a narrativa até então efetuada, tem a finalidade de circunstanciar as situações jurídicas, onde a cobrança ou o pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, relacionase à RESTITUIÇÃO parcial ou total, em face da legislação tributária aplicável, ou das circunstâncias materiais do FATO GERADOR efetivamente ocorrido, ex vi do art. 165, I, do CTN. Ressaltase, por relevante, que no caso sob exame, como já visto não se trata de restituição de tributo pago indevidamente/maior que o devido, porém de declaração de compensação eletrônica transmitida em 18/11/2011, cuja hipótese de extinção do crédito Fl. 296DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905766/201287 Resolução nº 3803000.478 S3TE03 Fl. 24 11 tributário encontrase prevista no art. 156, II, do CTN, tratandose neste caso de direito potestativo do sujeito passivo. Acrescentese a isto o fato de que não há incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de royalties, em conformidade com o disposto no caput e § 1º do art. 1º e inciso II do art. 3º da Lei nº 10.865/04. Vale dizer que no caso em apreço não há se falar em tributo recolhido, porém há a existência de um erro de fato, configurado em razão de recolhimento indevido realizado pelo sujeito passivo, de natureza financeira (não há incidência tributaria sobre royalties remetidos para o exterior nas condições do caso sob exame), portanto, que não tem o condão de fazer surgir à ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, pois não há subsunção desse recolhimento indevido à quaisquer das hipóteses previstas no art. 165, I, do CTN, que trata de restituição, em face da legislação aplicável e, desde que, ocorra as circunstâncias materiais efetivas do fato gerador. Descartada, então, a possibilidade de utilização do instituto da restituição neste caso. Logo, não havendo ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, por conseguinte não há a instalação da relação jurídica tributária ensejadora da subsunção do fato à norma legal primária, ou mesmo àquela sancionadora. Também não se verifica as possibilidades para se estabelecer os critérios da regra matriz de incidência tributária e aplicá los ao caso concreto, pois, in caso, não há exigidor, nem exigido. Ao tratar de tributo indevidamente pago, notadamente dos temas “prazo extintivo do direito de pleitear restituição e o direito de compensar”, o jurisconsultor e Prof. Hugo de Brito Machado, assim se referiu: A Constituição Federal assegura a todos o direito de pagar apenas os tributos que tenham sido estabelecidos em lei. Em outras palavras, assegura o direito de não pagar tributos legalmente indevidos. Em sendo assim, é induvidoso o direito do contribuinte que tenha pago um tributo indevido de obter a restituição respectiva, ou de fazer a compensação do valor respectivo com tributo que deva pagar O direito à restituição, todavia, não se confunde com o direito à compensação. Por isto mesmo o prazo extintivo, restrição legalmente prevista para o direito de pleitear a restituição do tributo pago indevidamente, não se aplica ao direito de compensar. Normas restritivas de direitos não podem ser objeto de interpretação ampliativa de alcance. Este é um princípio da hermenêutica jurídica universalmente consagrado. Dúvida, portanto, não pode haver. “Não se aplica o lapso decadencial previsto no art. 168 do CTN, que diz respeito tão somente ao direito de pleitear a restituição de tributo indevidamente pago, mas não à compensação de tributos1” Nem poderia ser de outra forma. “O direito de compensar é um direito potestativo, porque o seu exercício independe da vontade, e pode darse mesmo contra a vontade da Fazenda Pública. Só em situações excepcionais os direitos potestativos são alvo de extinção, pela decadência, que a lei estabelece apenas para 1 TRF da 4ª Região, Embargos de Declaração na AC nº 97.04.039174SC, DOU II, de 02/07/97, p. 50898, e RDDT Nº 26, P. 141 Trânsito em julgado em 04/07/2002, DOU de 16/07/2002. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905766/201287 Resolução nº 3803000.478 S3TE03 Fl. 25 12 aqueles direitos potestativos cuja falta de exercício concorre de forma mais acentuada para perturbar a paz social”2. (...). 6. Síntese conclusiva É possível, portanto, concluirse que: f) O prazo extintivo de que se cuida não se aplica ao direito de fazer a compensação de tributo pago indevidamente, que é direito potestativo e portanto imprescritível. (Grifei). É isto. O direito de compensação de indébito de natureza financeira, pago indevidamente, é direito potestativo, portanto imprescritível. Já a declaração retificadora decorre de uma necessidade imposta pelo Fisco, em face do “autolançamento”, para atender ao regime do lançamento por homologação e ao curto prazo estabelecido para a apuração do tributo devido, além do adimplemento da obrigação acessória, ante à complexidade da legislação fiscal vigente. Outrossim, a declaração retificadora não importa em novo reconhecimento de débito existente, nem tampouco em interrupção do prazo prescricional, uma vez que tem a mesma natureza da declaração originalmente apresentada ao Fisco, substituindoa integralmente, inclusive servindo para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores, sendo esta a modalidade do caso de que se cuida, tudo isto de acordo com o disposto na IN SRF nº 842/04. A DCTF retificadora não tem o condão de revisar o lançamento que não existiu, como no caso em comento (autolançamento = ausência de lançamento), por força do disposto no art. 142, ou mesmo porque a revisão de lançamento somente tem lugar quando ocorre uma ou mais das hipóteses descritas no art. 149, ambos do CTN, o que também só pode ser realizada pela autoridade administrativa, sob pena de responsabilização funcional. E mais, entendo que é a DCTF original a ensejadora à ocorrência do fato gerador, pois declara a existência da obrigação e da constituição do crédito tributários, representa a confissão de dívida irretratável e irrevogável, o que dispensa qualquer outra providência nesse sentido, inobstante tal procedimento constitua um mero dever instrumental. É dessa maneira que tem se pronunciado o Poder Judiciário, cujo entendimento do julgado, a título de exemplo, transcrevese resumidamente na forma de ementa, adiante: Ementa:TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL.DCTF.PRESCRIÇÃO.DECLARAÇÃORETIFICADORA.AR TIGO 174 , PARÁGRAFO ÚNICO , IV , DO CTN . INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO QUE NÃO SE APLICA À ESPÉCIE. 1. A exequente sustenta que o contribuinte entregou aDCTF em 13/6/2000, sendo objeto deretificaçãoem 1º/7/2003, momento em que defende que houve a interrupção do prazo prescricional, nos termos do artigo 174 , IV , do CTN . 2 Agnelo Amorim Filho, Critério científico para distinguir a prescrição da decadência e para identificar as ações imprescritíveis, em Revista Forense, nº 193, p. 39 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905766/201287 Resolução nº 3803000.478 S3TE03 Fl. 26 13 2. A Primeira Seção do STJ, em sede de recurso especial repetitivo (art. 543C do CPC ), consolidou o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é suficiente para a cobrança dos valores nela declarados, dispensandose qualquer outra providência por parte do Fisco. REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008. 3. Na hipótese de entrega de declaração retificadora com constituição de créditos não declarados na original, não estaria a se falar de prescrição, mas do instituto da decadência, pois estaria a se discutir o prazo para o contribuinte constituir aquele saldo remanescente que não constou quando da entrega da declaração originária. Importa registrar que ainda na hipótese de lançamento suplementar pelo Fisco estaria a se discutir o momento da constituição do crédito e, portanto, de prazo decadencial. 4. Ocorre que não há reconhecimento de débito tributário pela simples entrega de declaração retificadora, pois o contribuinte já reconheceu os valores constantes na declaração original, quando constituiu o crédito tributário. A declaração retificadora, tão somente, corrigiu equívocos formais da declaração anterior, não havendo que se falar em aplicação do artigo 174 , parágrafo único , IV , do CTN . 5. Recurso não provido... (STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1167677 SC 2009/02242332 , Data de publicação: 29/06/2010). (Grifei). O entendimento ora esposado, como visto, encontra respaldo em matéria similar julgada e consolidada em sede de recurso repetitivo pelo STJ, nos termos da sistemática contida no art. 543C, do CPC, bem assim consoante dispõe o art. 62A do RICARF/2009, adiante transcrito: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Os termos do decidido pelo Superior Tribunal de Justiça vincula os julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os quais devem ser reproduzidos nos julgamentos realizados por este Colegiado. Assim no que pertine a DCTF retificadora, não há se falar em prazo prescricional, por dar azo a enriquecimento sem causa ao Erário. Isto posto e, considerando a documentação acostada aos autos mesmo que a destempo, pois elucidativa quanto à existência e demonstração dos valores pagos a título de royalties (fl. 24, do RV), e demonstrada e reconhecida à existência do direito creditório pelo seu valor original nestes autos, cabe verificar o valor atualizado do mesmo e a sua contrapartida, ou seja, a existência e o valor do débito original e atualizado da contribuinte, na data da transmissão da declaração de compensação, bem assim verificar se o valor informado a título de direito creditório é o bastante para a extinção do débito declarado, na forma prevista Fl. 299DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905766/201287 Resolução nº 3803000.478 S3TE03 Fl. 27 14 no art. 156, II, do CTN, uma vez que os débitos mencionados no despacho decisório não se encontram discriminados, portanto não há a certeza de sua liquidez e exigibilidade. Proponho pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem, para que a autoridade administrativa informe acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada. Uma vez atendido ao pleito ora formulado, que seja oportunizado a contribuinte se pronunciar nos autos, em prazo razoável, se assim lhe aprouver para, em seguida, serem remetidos os autos a este Colegiado para se retomar o julgamento do feito, ora suspenso. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator Fl. 300DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11080.724054/2013-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
PEDIDO DE DESISTÊNCIA. ADESÃO A PARCELAMENTO OU PAGAMENTO À VISTA. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário, em razão da ausência de interesse recursal, quando o contribuinte renuncia expressamente à discussão por ter aderido a parcelamento ou realizado o pagamento à vista do débito.
Numero da decisão: 1103-001.203
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, não conhecer do recurso por unanimidade.
(assinado digitalmente)
ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. ADESÃO A PARCELAMENTO OU PAGAMENTO À VISTA. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. Não deve ser conhecido o recurso voluntário, em razão da ausência de interesse recursal, quando o contribuinte renuncia expressamente à discussão por ter aderido a parcelamento ou realizado o pagamento à vista do débito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, não conhecer do recurso por unanimidade. (assinado digitalmente) ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. ADESÃO A PARCELAMENTO OU PAGAMENTO À VISTA. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. Não deve ser conhecido o recurso voluntário, em razão da ausência de interesse recursal, quando o contribuinte renuncia expressamente à discussão por ter aderido a parcelamento ou realizado o pagamento à vista do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, não conhecer do recurso por unanimidade. (assinado digitalmente) ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 40 54 /2 01 3- 61 Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.724054/201361 Acórdão n.º 1103001.203 S1C1T3 Fl. 1.604 2 Relatório Lançamento A questão sob análise diz respeito a autos de infração lavrados em 20/04/2013 para a exigência de débitos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, acrescidos de multa de 150% e juros de mora (fls. 1.0101.091). Despesas glosadas como não comprovadas e, ou, indedutíveis Conforme consta no Relatório Fiscal (fls. 1.0921.130), nos anoscalendário objeto de fiscalização (2008 a 2010), a contribuinte possuía a seguinte estrutura societária: Durante a fiscalização, a contribuinte foi questionada sobre os pagamentos efetuados à sua sócia, House Group, a título de remuneração pelo uso de marcas, sendo solicitados o contrato, a relação de pagamentos e os respectivos comprovantes. A contribuinte, por sua vez, alegou que o contrato de uso de marca era verbal, que não havia planilha com os dados solicitados e que os pagamentos das receitas eram realizados mediante encontro de contas com mútuos. Em pesquisa no sítio do INPI, a autoridade fiscal verificou que as marcas atualmente detidas pela House Group (desde 2007) eram, inicialmente, de propriedade da contribuinte, que as utiliza desde 1995. A autoridade fiscal concluiu que não havia necessidade da transferência da marca “Car House” da contribuinte para a sua sócia, House Group, e que essa operação foi realizada apenas para viabilizar a criação de despesa com o intuito de reduzir a base de cálculo tributável de IRPJ e CSLL. Diante do exposto, a autoridade fiscal considerou (i) indedutíveis tais despesas pagas pela contribuinte à sua sócia e (ii) que a contribuinte intencionalmente quis dificultar o House Group Empreendimentos e Participações Ltda. Paulo de Tarso Teixeira (atual espólio Car House Veículos Ltda. Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.724054/201361 Acórdão n.º 1103001.203 S1C1T3 Fl. 1.605 3 conhecimento dessa informação ao não preencher referidas despesas nas linhas apropriadas da DIPJ. Foi lançada a multa de ofício qualificada de 150%. Ademais, as despesas pagas a título de “gestão holding efeito resultado”, no anocalendário de 2010, também foram consideradas indedutíveis, pois a contribuinte afirmou não ter encontrado os respectivos documentos comprobatórios, de modo que não soube explicar a sua natureza, impedindo, assim, qualquer juízo de necessidade por parte da autoridade fiscal. Omissão de receitas Para análise da infração que será relatada neste item, a autoridade fiscal abriu o procedimento fiscal de diligência nº 1000100201200069 na House Group, controladora da contribuinte. Durante a diligência efetuada, a autoridade fiscal verificou que a House Group auferiu receitas a título de serviços diversos prestados a instituições financeiras (código 234), os quais se referiram a consultoria e assessoria para a captação de clientes e intermediação financeira. Conforme fls. 1.1041.116 do Relatório de Ação Fiscal, as receitas auferidas, no entanto, não deveriam ter sido contabilizadas na House Group, e, sim, na contribuinte, pelos motivos que serão descritos abaixo. Inicialmente, a autoridade fiscal esclarece que a House Group não tinha estrutura organizacional para prestar serviços de captação e intermediação financeira, tampouco suas despesas administrativas podiam ser relacionadas a esses serviços. Assim, na tentativa de identificar as operações que deram origem às receitas recebidas pela House Group a título de prestação de serviços a instituições financeiras, a autoridade fiscal intimou referidas instituições, para que prestassem esclarecimentos. O Banco Bradesco de Financiamentos S/A informou que os pagamentos efetuados se referem a comissão sobre venda de veículos e apresentou planilha (fls. 575577) e contrato com a contribuinte (fls. 567574), no qual constava a House Group como um dos favorecidos para recebimento dos valores dos serviços prestados pela contribuinte. Já em relação às Instituições Financeiras Toyota, Banco Toyota e Toyota Leasing do Brasil S/A Arrendamento Mercantil, a despeito de o contrato de prestação de serviços ter sido firmado com a contribuinte, os seus direitos creditórios foram transferidos à House Group (fl. 608). Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.724054/201361 Acórdão n.º 1103001.203 S1C1T3 Fl. 1.606 4 Neste ponto, a autoridade fiscal ressalta que a cessão de direito creditório entre a contribuinte e a House Group significa apenas que esta está autorizada a receber pelos serviços prestados por aquela, sem, no entanto, desempenhar as atividades de intermediação financeira para as Instituições Financeiras Toyota. Assim, com base nas notas fiscais emitidas pela House Group como prestação de serviços a instituições financeiras, a autoridade fiscal constatou que elas se referem a serviços prestados, em verdade, pela contribuinte. Ademais, esclarece que até 28/07/2008 a House Group não tinha como objeto social a intermediação financeira e administração de direitos de terceiros, a qual passou a integrar o seu contrato social apenas com a alteração datada de 29/07/2008. Além disso, a despeito de, a partir de 29/07/2008, essa atividade constar no contrato social da House Group, segundo a autoridade fiscal, o financiamento e o arrendamento mercantil são operações intrinsicamente relacionadas à comercialização dos veículos. Só haverá a operação financeira se houver a venda do veículo ao consumidor final. Tornase mais claro ainda que o financiamento e o arrendamento mercantil são parte indivisível da comercialização do veículo quando se verifica que a comissão pela intermediação financeira paga pela instituição financeira à revendedora de veículos faz parte do valor a ser financiado pelo adquirente. Além disso, ao atender clientes interessados na aquisição de veículos, usualmente, é a própria concessionária/revenda que apresenta as linhas de crédito disponíveis para eventual financiamento da operação. A House Group não pode afirmar que fazia essa apresentação aos interessados nos diversos estabelecimentos do grupo, pois, para tal, deveria ter pelo menos um funcionário em cada estabelecimento diariamente disponível para acompanhar qualquer cliente das empresas ligadas que estivessem na procura de operações de crédito para aquisição de veículos, o que, conforme declarado pela própria House Group na folha 443 do processo, não havia. A autoridade fiscal concluiu, então, que ficou evidente o intuito de redução de tributos da contribuinte ao simular o sujeito passivo da obrigação tributária, tendo em vista que a House Group era, durante o período fiscalizado, optante pelo lucro presumido. Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.724054/201361 Acórdão n.º 1103001.203 S1C1T3 Fl. 1.607 5 Nesse sentido, descontando os valores recolhidos pela House Group, foi constituído crédito tributário de IRPJ com reflexos da CSLL, do PIS e da Cofins com multa de ofício de 150%, nos termos do artigo 44, §1º da Lei nº 9.430/96. Impugnação da contribuinte (fls. 1.1331.198) I – Preliminares Do erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária – omissão de receitas A contribuinte alega que os autos de infração, no tocante ao lançamento a título de omissão de receitas de consultoria para a captação de clientes e intermediação de negócios financeiros, estão eivados de vício, tendo em vista que essas receitas foram “devidamente auferidas, escrituradas e oferecidas à tributação pela House Group”. Adicionalmente, a contribuinte aduz que neste lançamento restou evidente a desconsideração da personalidade jurídica da House Group pela autoridade fiscal, tendo em vista o deslocamento de receitas por ela pretendido. A contribuinte ainda esclarece que “a House Group não apresentou prejuízos fiscais que implicassem na postergação do recolhimento dos tributos decorrentes da operação, o que poderia justificar o seu deslocamento para as empresas operacionais do grupo econômico”. Diante do exposto, a contribuinte requer a anulação do lançamento referente à omissão de receitas, em virtude de erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Do erro do regime de apuração da Contribuição ao PIS e da Cofins – omissão de receitas A contribuinte alega que, ao deslocar as receitas de prestação de serviços a instituições financeiras de assessoria e consultoria para captação de clientes e intermediação de negócios auferidas e escrituradas pela House Group, a autoridade fiscal alterou o regime de tributação, pela contribuição ao PIS e à Cofins, dessas receitas. Isso porque a House Group era optante pelo lucro presumido e, consequentemente, apurava as contribuições acima mencionadas pelo regime cumulativo, enquanto a contribuinte estava sujeita à sistemática não cumulativa. Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.724054/201361 Acórdão n.º 1103001.203 S1C1T3 Fl. 1.608 6 Nesse sentido, a contribuinte conclui que não há previsão legal que permita que a alteração de regimes por ato unilateral da autoridade fiscal, estando os autos de infração, portanto, eivados de nulidade. II Mérito Da dedutibilidade das despesas de royalties pagos a sócio pessoa jurídica – aplicação do artigo 71, § único, ‘d’, da Lei nº 4.506/64 No tocante à aplicação dos artigos 299, §1º, e 352 do Regulamento do Imposto de Renda, a contribuinte alega que não assiste razão à autoridade fiscal em considerar que as despesas com royalties são indedutíveis, por não se caracterizarem como necessárias, em razão de não ter havido propósito negocial (i) na criação da holding House Group e (ii) na transferência da titularidade de suas marcas para referida holding. A contribuinte alega que a holding “foi legitimamente criada com o objetivo de planejamento sucessório, a fim de proteger tanto o patrimônio dos herdeiros do seu controlador Paulo de Tarso Teixeira, em especial seus filhos Ana Paula Gründling Teixeira e Fábio Gründling Teixeira, quanto a própria continuidade das empresas do grupo econômico”. Nesse sentido, por serem legítimas e legais, a estrutura jurídica proposta não poderia ter sido arbitrariamente desconsiderada pela autoridade fiscal, sob pena de violação do princípio da tipicidade cerrada e de desconsideração da personalidade jurídica. Adicionalmente, a contribuinte aduz que a transferência da titularidade das marcas detidas pela contribuinte à House Group teve como fundamento a sua exploração por mais de uma pessoa jurídica do mesmo grupo econômico, nos termos dos artigos 128 a 130 da Lei nº 9.279/96. No tocante à aplicação do artigo 353, inciso I, do RIR/99, a contribuinte alega que também não assiste razão à autoridade fiscal em glosar as despesas de royalties sob o fundamento de, além de não necessárias, serem pagas à sua sócia majoritária House Group. Isso porque a contribuinte considera que o dispositivo infralegal acima mencionado extrapolou a sua função regulamentadora do artigo 71, parágrafo único, ‘d’, da Lei nº 4.506/64 ao incluir a expressão “ou jurídica”, tendo em vista que este se refere apenas aos royalties pagos a sócios ou dirigentes de empresas, a seus parentes ou dependentes – pessoas físicas. A contribuinte conclui, então, que como as receitas de royalties correspondentes às despesas glosadas foram devidamente oferecidas à tributação, não houve prejuízo ao Fisco. Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.724054/201361 Acórdão n.º 1103001.203 S1C1T3 Fl. 1.609 7 Adicionalmente, a título de pedido subsidiário, a contribuinte requer que, caso seja mantida a glosa, a operação (pagamento de royalties) seja desconsiderada pela DRJ e os tributos lançados sejam abatidos do montante já recolhido pela House Group, quando da tributação das respectivas receitas. Por fim, também a título de pedido subsidiário, a contribuinte requer que seja afastada a multa de ofício qualificada de 150%, pois, ao não informar as despesas com royalties nas linhas da DIPJ a elas referentes, ela não teve a intenção de dificultar o conhecimento da fiscalização sobre a ocorrência de referidas despesas. Pelo contrário, foi a própria contribuinte que informou em quais linhas da declaração as despesas foram informadas. Desconsideração da operação com o abatimento dos valores pagos a título de receita de “gestão holding” pela House Group No mesmo sentido do pedido subsidiário para a glosa de despesas de royalties, a contribuinte requer que a DRJ desconsidere a operação que originou os valores pagos por ela à House Group a título de “gestão holding”, a fim de que os créditos tributários lançados sob esta rubrica sejam abatidos dos montantes já recolhidos pela House Group, quando da tributação das respectivas receitas. Da inexistência de receitas omitidas A contribuinte alega que restou comprovado, ao longo da fiscalização, que as receitas relativas à prestação de serviços a instituições financeiras de assessoria e consultoria de captação de clientes e intermediação de negócios foram auferidas pela holding House Group, sendo, inclusive, apresentadas as notas fiscais emitidas. Ademais, a contribuinte esclarece que, a despeito de não haver contratos firmados entre a holding House Group e as instituições financeiras (mas apenas entre a contribuinte e as instituições financeiras), é evidente que a House Group monopolizou as tratativas com as instituições financeiras, pois o seu objetivo é unificar os procedimentos das empresas operacionais, mediante o controle e gestão financeira concentrada do grupo econômico. Nesse sentido, a contribuinte conclui que, em virtude de as receitas de prestação de serviços a instituições financeiras de assessoria e consultoria de captação de clientes e intermediação de negócios terem sido devidamente auferidas e escrituradas pela House Group, não podem os tributos sobre elas incidentes serem exigidos da contribuinte. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.724054/201361 Acórdão n.º 1103001.203 S1C1T3 Fl. 1.610 8 Por fim, a título de pedido subsidiário, a contribuinte requer, caso seja mantida a autuação pela DRJ, o afastamento da multa qualificada de 150%, pois não houve a efetiva comprovação de conduta dolosa por ela praticada. Créditos da Contribuição ao PIS e à Cofins Também a título de pedido subsidiário, a contribuinte requer que, caso seja mantida a autuação em relação à omissão de receitas, que o lançamento fiscal seja revisto, pois não se considerou os créditos decorrentes da operação. Da necessidade da diligência Em virtude da complexidade da matéria em julgamento, a contribuinte requer a “realização de diligência para a adequada comprovação da contabilização e do adequado pagamento dos tributos devidos na ‘holding’ desconsiderada, sem o qual impossível a apuração do quantum debeatur pretendido pela autoridade tributária”, bem como demais informações que a DRJ entender necessárias para o deslinde da questão. Decisão da DRJ (fls. 1.2441.291) A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) entendeu que a realização de diligência deveria ser indeferida, pois a legislação não permite que ela venha a substituir a produção de simples prova documental, por ocasião da interposição da impugnação. Além disso, os julgadores entenderam que os documentos juntados ao processo são suficientes para a compreensão dos fatos descritos nos autos. Da dedutibilidade das despesas de royalties decorrentes do uso das marcas Car House No tocante à alegação de afronta ao princípio da legalidade pelo artigo 353, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda, por extrapolar a função regulamentadora do artigo 71 da Lei nº 4.506/64, os julgadores entenderam que não poderiam afastar a aplicação de norma validamente editada de acordo com o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.724054/201361 Acórdão n.º 1103001.203 S1C1T3 Fl. 1.611 9 Ressaltouse, ainda, que há entendimento administrativo no sentido de que a restrição à dedutibilidade das despesas de royalties pagos a sócios pessoa jurídica não é ilegal. Citou jurisprudência deste Conselho. Nesse sentido, os julgadores concluíram que assistiu razão à autoridade fiscal, pois não houve propósito negocial na estipulação desses royalties, mas, sim, favorecimento irregular do sócio em detrimento do fisco, tendo em vista a redução do lucro tributável da contribuinte. No tocante ao argumento de que as despesas não eram necessárias, os julgadores entenderam que o fato de terem sido transferidas para a House Group em 2010 marcas que eram usadas pela contribuinte desde período anterior (1995) evidencia a ausência de necessidade das despesas. Ademais, foi ressaltado que, antes de receber qualquer intimação, mas posteriormente às intimações recebidas pela contribuinte e pela House Group, a House Car (outra empresa do chamado grupo econômico) apresentou retificadoras de suas DIPJ (anos calendários 2008 a 2010) à Receita Federal, bem como retificou todos os respectivos LALUR, a fim de considerar indedutíveis as suas despesas pagas a título de royalties e “gestão holding efeito resultado”, pois não havia prova documental que as justificassem. Esse fato corroboraria, segundo a DRJ, a tese de que a contribuinte tinha conhecimento da indedutibilidade dessas despesas. Nesse sentido, os julgadores entenderam que as despesas de royalties não poderiam ser consideradas dedutíveis, seja porque foram pagas a sócia pessoa jurídica, seja porque não eram necessárias. No tocante à multa de ofício qualificada de 150%, os julgadores entenderam que assistia razão à autoridade fiscal, pois o fato de a contribuinte informar, durante três períodos consecutivos, as despesas de royalties em linha equivocada da DIPJ, somado ao contexto geral das autuações, demonstrou que a contribuinte tentou dissimular a contabilização de despesas indedutíveis e não necessárias à sua atividade comercial. Por fim, os julgadores entenderam que não assistia razão à contribuinte em seu pedido subsidiário de abatimento do, (i) valor dos débitos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins decorrentes da glosa das despesas de royalties, (ii) dos tributos apurados pagos pela House Group sobre as receitas de royalties. Isso porque, além de ser vedada a compensação de débitos de um sujeito passivo com créditos de outra pessoa jurídica, a indedutibilidade de uma despesa não afasta o reconhecimento da receita por terceiro, dela beneficiário. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.724054/201361 Acórdão n.º 1103001.203 S1C1T3 Fl. 1.612 10 Da glosa das despesas pagas a título de “gestão holding efeito resultado” e os tributos recolhidos pela House Group sobre esses valores No mesmo sentido do pedido subsidiário da glosa de despesas de royalties, os julgadores mantiveram o crédito tributário, pois além de ser vedada a compensação de débitos de um sujeito passivo com créditos de outra pessoa jurídica, a indedutibilidade de uma despesa não afasta o reconhecimento da receita por terceiro, dela beneficiário. Da omissão de receitas com a prestação de serviços às instituições financeiras vinculados à venda de veículos automotores. Valores escriturados na House Group Diante da análise das informações e documentos constantes no processo, os julgadores entenderam não ser possível concluir que as receitas de consultoria e assessoria para captação de clientes e intermediação financeira (ou comissões) pagas por instituições financeiras vinculamse a serviços prestados pela House Group. Isso porque, além da ausência de contratos firmados entre House Group e as instituições financeiras, a ausência de despesas, na controladora, tais como estadias em hotéis, combustíveis ou veículos, corroboram o entendimento de que não houve a prestação efetiva do serviço, mas apenas a escrituração da receita a ele relativa. Nesse sentido, os julgadores entenderam que as receitas em discussão devem ser atribuídas a quem efetivamente prestou o serviço, ou seja, à contribuinte, devendo, para tanto, ser mantida a imputação de omissão de receitas. Ademais, os julgadores consideraram que, em decorrência de a escrituração das receitas pela House Group configurar simulação do sujeito passivo da obrigação tributária, os efeitos desses atos viciados operam consequências apenas no plano da eficácia tributária, não ocorrendo a desconsideração da personalidade jurídica da House Group alegada pela contribuinte. Diante do exposto, os julgadores entenderam manter a multa de ofício qualificada (150%, pois restou comprovada a ocorrência de simulação com o intuito de reduzir a incidência dos impostos e das contribuições devidas pela contribuinte. Das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS referentes às receitas da prestação de serviços às instituições financeiras vinculadas à venda de veículos automotores e “créditos decorrentes da operação” Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.724054/201361 Acórdão n.º 1103001.203 S1C1T3 Fl. 1.613 11 Os julgadores entenderam que não assiste razão à recorrente ao alegar que houve alteração unilateral do regime de apuração da Contribuição ao PIS e da Cofins, pois a definição desse regime de apuração está atrelada ao regime de tributação do IRPJ e da CSLL. Ou seja, quando a pessoa jurídica optar pelo lucro real, as suas contribuições serão apuradas pelo regime não cumulativo; se lucro presumido ou arbitrado, o regime de apuração da Contribuição ao PIS e da Cofins será o cumulativo. Nesse sentido, considerando que a House Group era optante pelo lucro presumido e a recorrente pelo lucro real, quando da tributação da omissão de receitas pelas Contribuição ao PIS e Cofins, o regime adequado para a recorrente era o não cumulativo. Ademais, em relação ao aproveitamento de créditos relacionados a essas receitas, os julgadores entenderam que, além de a contribuinte não ter especificado os respectivos insumos, as despesas necessárias à sua atividade já foram contabilizadas, de forma que os eventuais créditos já foram computados nos respectivos períodos de apuração. Por fim, os julgadores ressaltaram que, quando da constituição do lançamento, a autoridade fiscal descontou os montantes já pagos pela House Group. Lançamentos reflexos Em relação aos lançamentos de CSLL, contribuição ao PIS e à Cofins que decorrem dos mesmos fatos que motivaram a autuação de IRPJ, os julgadores determinam que deve ser aplicada idêntica solução, em razão da estreita relação de causa e efeito. Do Recurso Voluntário (fls. 1.3051.526) O recurso voluntário apresentado pela recorrente reproduziu os argumentos articulados na impugnação e acrescentou que, no tocante ao indeferimento do pedido de diligência, o acórdão da DRJ é nulo, pois cerceou o seu direito de defesa ao impossibilitar que a recorrente comprovasse (i) o propósito negocial da criação da holding House Group e o papel por ela exercido no grupo, e (ii) os tributos pagos pela House Group, em relação às infrações imputadas à recorrente, para que eles fossem abatidos dos créditos tributários lançados de ofício. Petição de Desistência (fls. 1.5791.587) Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.724054/201361 Acórdão n.º 1103001.203 S1C1T3 Fl. 1.614 12 Em 11/09/14, a recorrente apresentou, às fls. 1.5791.587, petição de desistência total do recurso voluntário interposto contra os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins decorrentes dos autos de infração lavrados em 20/04/13. Referida desistência decorreu do alegado parcelamento desses créditos tributários, em 180 (cento e oitenta) parcelas mensais e sucessivas, após a publicação da Lei nº 12.996/14, que reabriu o prazo de adesão do parcelamento da Lei nº 11.941/09. É o relatório. Voto Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos O recurso é tempestivo, mas não deve ser conhecido em razão da ausência de um dos requisitos de admissibilidade, qual seja, o interesse de uma das partes. Isso porque, conforme relatado, com a publicação da Lei nº 12.996/14 e a reabertura do prazo de adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, a recorrente requer a desistência do recurso voluntário apresentado neste processo, alegando haver optado pelo parcelamento, em 180 (cento e oitenta) parcelas mensais e sucessivas, dos créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins referentes aos autos de infração lavrados em 20/04/13. Foi presentado o comprovante de recolhimento alegadamente referente à primeira parcela da antecipação de 15% da dívida (fl. 1.587). Nesse sentido, nos termos do artigo 78 do Regimento Interno deste Conselho, o recurso voluntário não comporta julgamento. Conclusões Em face das razões acima expostas, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, em razão do pedido de desistência da recorrente. Sala das Sessões, em 25 de março de 2015. (assinado digitalmente) Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.724054/201361 Acórdão n.º 1103001.203 S1C1T3 Fl. 1.615 13 Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13864.000380/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
LANÇAMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. NULIDADE.
Nulo é o lançamento cujo ato cancelatório que motivou sua lavratura já não possuía eficácia para declarar a perda do direito a isenção.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-003.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a nulidade formal do lançamento, vez que o mesmo não se encontra amparado pela legislação igente
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:. LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA
E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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AUSÊNCIA DE ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. NULIDADE. Nulo é o lançamento cujo ato cancelatório que motivou sua lavratura já não possuía eficácia para declarar a perda do direito a isenção. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a nulidade formal do lançamento, vez que o mesmo não se encontra amparado pela legislação igente Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:. LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 03 80 /2 00 9- 19 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 2 Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 37.123.6061, consolidado em 14/10/2009, em face de CENTRO DE DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIA E RECURSO HUMANOS, no valor de R$ 768.360,85 (setecentos e sessenta e oito mil trezentos e sessenta reais e oitenta e cinco centavos) referente às contribuições previdenciárias destinadas a terceiros (Salário Educação, Incra, Sesc, Sebrae) incidentes sobre pagamentos a segurados empregados, no período de 01/2006 a 13/2007. Segundo relatório fiscal, a empresa é uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, cuja finalidade é promover a filantropia, prestando serviços gratuitos e permanentes aos necessitados, nos limites de sua capacidade e dentro dos parâmetros legais, sem discriminação de sexo, cor, credo religioso ou político, com sede em São José dos Campos SP. A Associação era portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEAS, renovado para o período de 01/01/04 a 31/12/06, conforme Resolução CNAS 158/2005. Todavia, teve Ato Declaratório de Concessão de Isenção Previdenciária cancelado, a partir de 01 de janeiro de 1995 com emissão do Ato Cancelatório de isenção de contribuições sociais previdenciárias em 05.05.2006. Afirmou a Auditoria Fiscal que, em que pese o cancelamento, a Associação auto declarouse entidade filantrópica isenta das contribuições previdenciárias em Guia de. Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social — GFIP, quando informou o código de, FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social), 639, e deixou de recolher as contribuições relativas a cota patronal, no período de 01/2006 a 13/2007. Ocorre que, a posteriori, a Empresa juntou aos Autos prova de que a referida Decisão Notificação, que ensejou o Ato Cancelatório n° 01/2006 da isenção, foi julgada nula, pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão 20601.303, anulando, também, todos os atos que a sucederam. Assim sendo, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP entendeu por anular o lançamento, por entender inexistir, ao tempo deste lançamento, ato cancelatório de isenção. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 LANÇAMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA AO TEMPO DA CONSTITUIÇÃO DO LANÇAMENTO DE ATO CANCELATóRIO DE ISENÇÃO. NULIDADE. Tornada nula a Decisão que propôs o Ato Cancelatório de Isenção, não operam se os efeitos do referido ato, não subsistindo o lançamento dele decorrente. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso de Ofício. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 13864.000380/200919 Acórdão n.º 2302003.278 S2C3T2 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes É cediço que a fiscalização motivou o lançamento ora em questão diante da existência de Ato Cancelatório de Isenção, este emitido em 05/05/2006. Cabe, inicialmente, portanto, avaliarse se tal Ato encontravase passível de produzir efeitos no momento do lançamento. Pois bem, como indicam os documentos juntados ao processo pelo contribuinte a Decisão Notificação de Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção n° 21.437.4/002/2006, fls. 220/242, que ensejou o Ato Cancelatório de Isenção suprareferido, foi anulada por Acórdão exarado pela sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 04/09/2008, processo no 35437.000365/200692, fls. 246/253, assim também foi reconhecida a nulidade de todos os atos subseqüentes, conforme trecho do acórdão abaixo transcrito: (...) Nesta esteira de entendimento, deixando o julgador recorrido de intimar cientificar a contribuinte do resultado da diligência requerida, para devida manifestação, após a apresentação de sua impugnação e antes de proferida a decisão, incorreu em cerceamento do direito de defesa da recorrente, em total afronta ao principio do devido processo legal, o que enseja a nulidade da decisão recorrida, bem como de todos os atos subseqüentes, devendo o presente processo ser remetido a origem para intimar a entidade das razões da fiscalização consubstanciadas na Informação Fiscal, cis f 1.513/1.522, para que seja proferida nova decisão pela autoridade julgadora de primeira instância na boa e devida forma. (g. n) Deste modo, por ser nulo, o Ato Cancelatório n° 01/2006 não poderia surtir efeitos, uma vez que os efeitos da nulidade retroagem as suas origens. Desta feita, a partir da ciência do Acórdão exarado em 04/09/2008, o Ato Cancelatório de Isenção 01/2006, que embasou a presente autuação, não tinha mais eficácia, somente mantendose higida a informação fiscal para o cancelamento da isenção/IF. A Informação Fiscal para o Cancelamento de Isenção é procedimento que antecede o Ato Cancelatório e não poderia servir de elemento para fundamentar o presente auto, isto porque a partir da Informação Fiscal, há oportunidade de o contribuinte se manifestar e interpor Recurso com efeito suspensivo à Instância Superior, como se verifica do artigo 206, § 8°, do Decreto n° 3.048/99, verbis: Art. 206. (..) O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, observado o seguinte procedimento: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 4 1 se a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social verificar que a pessoa jurídica a que se refere este artigo deixou de cumprir os requisitos nele previstos, emitirá Informação Fiscal na qual relatará os fatos que determinaram a perda da isenção; II a pessoa jurídica de direito privado beneficente será cientificada do inteiro teor da Informação Fiscal, sugestões e conclusões emitidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social e terá o prazo de quinze dias para apresentação de defesa e produção de provas; III apresentada a defesa ou decorrido o prazo sem manifestação da parte interessada, o Instituto Nacional do Seguro Social decidirá acerca do cancelamento da isenção, emitindo Ato Cancelatório, se for o caso; e IV cancelada a isenção, a pessoa jurídica de direito privado beneficente terá o prazo de trinta dias contados da ciência da d ecisão, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social. Previsão idêntica é encontrada no Regulamento da Previdência Social: a Instrução Normativa SRP n° 03/2005, posteriormente ratificada pela Instrução Normativa RFB n° 971, de 24/11/2009, impõe o como rito procedimental, inicialmente, a Emissão de Informação Fiscal/IF, seguida da ciência do contribuinte, para, posteriormente, a manifestação decisão pela autoridade competente confirmando o cancelamento. A partir daí, há a emissão do Ato Cancelatório de Isenção. Vejase que a perda do direito a isenção é declarada em Ato Cancelatório devendo constar deste a data em que a entidade deixou de cumprir os requisitos para tal. Diante de todo o exposto, concluise que, ao tempo do lançamento, o ato cancelatório 01/2006, que motivou a lavratura dos presentes autos, já não tinha mais eficácia para declarar a perda do direito a isenção. No que concerne ao Ato Cancelatório 01/2009, emitido posteriormente em 06/11/2009, há que se perquirir se este poderia suprir a motivação do presente lançamento. Pois bem, o Lançamento se deu em 27/10/2009 e a emissão do Ato Cancelatório n° 01/2009, em 06/11/2009, com ciência do contribuinte em 13/11/2009, assim sendo, somente a partir deste momento poderia a fiscalização lançar as contribuições devidas, sob pena de ofensa ao devido processo legal e nítido cerceamento do direito defesa. Fato é que, no momento do Lançamento, o contribuinte sequer tinha tomado conhecimento do Cancelatório 01/2009, bem como, não havia ocorrido a manifestação da autoridade competente para o cancelamento da isenção. Importa consignar que ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 13864.000380/200919 Acórdão n.º 2302003.278 S2C3T2 Fl. 4 5 Deverá, pois, se for o caso, ser lavrado novo AIOP com base no ATO CANCELATORIO 01/2009, respeitandose a legislação pertinente. Por tudo, é inegável que o Lançamento aqui tratado não se apresenta em conformidade com as exigências legais e normativas exigíveis, razão pela qual deve ser decretada, de oficio, a sua nulidade. Neste diapasão, dispõe a Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, Art. 53: "A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vicio de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos". Do mesmo entendimento, partilha o Supremo Tribunal Federal no enunciado n.°473, ,vejase: "A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos: ou revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial". Dessa forma, tendo em vista todo o exposto, verificase a necessidade de se manter a nulidade, do AI DEBCAD nº 37.123.6061. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do recurso de ofício, para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO, mantendo a nulidade formal do lançamento do Auto de Infração DEBCAD nº 37.123.6061, vez que o mesmo não se encontra amparado pela legislação vigente. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de julho de 2014. Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Fl. 269DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 6 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 13963.000463/2006-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
RRA - APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS - NECESSIDADE - STF - RE 614.406/RS - ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF - APLICAÇÃO.
O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543-B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos-calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62-A do Regimento Interno do CARF torna compulsória a aplicação deste entendimento.
LANÇAMENTO AMPARADO NO ART. 12 DA LEI Nº 7.713/88 - NULIDADE ALTERAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS - IMPOSSIBILIDADE.
O lançamento amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, fulminado pelo STF deve ser considerado nulo. Não compete ao CARF refazer o lançamento, substituindo a administração na eleição do fundamento jurídico, alíquota e base de cálculo aplicáveis. A necessidade de substituição desses elementos implica cabalmente na invalidade do lançamento.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-002.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Antonio Lopo Martinez, que proviam parcialmente recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Maria Anselma Coscrato Do Santos (Suplente convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada) e Rafael Pandolfo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiro Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldsmidtch.
Nome do relator: Rafael Pandolfo
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O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62A do Regimento Interno do CARF torna compulsória a aplicação deste entendimento. LANÇAMENTO AMPARADO NO ART. 12 DA LEI Nº 7.713/88 NULIDADE ALTERAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS IMPOSSIBILIDADE. O lançamento amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, fulminado pelo STF deve ser considerado nulo. Não compete ao CARF refazer o lançamento, substituindo a administração na eleição do fundamento jurídico, alíquota e base de cálculo aplicáveis. A necessidade de substituição desses elementos implica cabalmente na invalidade do lançamento. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 04 63 /2 00 6- 39 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Antonio Lopo Martinez, que proviam parcialmente recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Maria Anselma Coscrato Do Santos (Suplente convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada) e Rafael Pandolfo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiro Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldsmidtch. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13963.000463/200639 Acórdão n.º 2202002.951 S2C2T2 Fl. 72 3 Relatório 1. Auto de Infração Em 15/09/06, foi lavrado auto de infração em face do contribuinte Gianni Elmi, referente ao anocalendário 2004. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista no valor de R$ 130.400,49. Na apuração do imposto devido, foi compensado o IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 3.933,81. O crédito tributário restou apurado no valor de R$ 57.344,19, incluídos IRPF, multa e juros calculados até 29/09/06 (fls. 0307 do eprocesso). 2. Impugnação Indignado com a autuação, a viúva do contribuinte apresentou Impugnação (fls. 0102 do eprocesso) esgrimindo os seguintes argumentos: a) o Magistrado da 1ª Vara do Trabalho condenou a empresa Primo Tedesco S/A ao pagamento do IRRF sobre os rendimentos tributáveis; b) os demais rendimentos são isentos não tributáveis; c) de acordo com os arts. 620, 628 e 722 do RIR/99, é a fonte pagadora e não o beneficiário que fica obrigada ao recolhimento do IRRF. Em anexo, apresentou os seguintes documentos: a) notificação de lançamento (fls. 0307 do eprocesso); b) Termo de Audiência da Justiça do Trabalho, Planilha de Cálculo, DARF de recolhimento de IRRF (fls. 0815 do eprocesso); c) certidão de óbito do contribuinte e certeira de identidade e CPF da impugnante (fls. 1819 do eprocesso). 3. Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado procedente pela 5ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade (fls. 2226 do eprocesso), mantido o crédito tributário. Os fundamentos foram os seguintes: a) a interessada não discorda da omissão de rendimentos apurada, discordando apenas do não reconhecimento pela autoridade fiscal do imposto retido na fonte; Fl. 73DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 b) de acordo com a legislação tributária (arts. 640 e 718 do RIR/99), os rendimentos decorrentes de ações judiciais são tributados na fonte no mês de seu recebimento, sendo de responsabilidade da parte condenada ao cumprimento da sentença a retenção do imposto na fonte. Contudo, a retenção na fonte não exime o beneficiário dos rendimentos da obrigação de incluílos na declaração de ajuste anual; c) o imposto na fonte, excluindose aqueles de tributação exclusiva, é retido e recolhido sem prejuízo da inclusão do rendimento na declaração de ajuste; d) não havendo determinação expressa da Justiça de que os rendimentos recebidos acumuladamente por força da decisão judicial estariam sujeitos à tributação exclusiva na fonte, competia ao contribuinte incluílos na declaração de ajuste anual e apurar o imposto correspondente; e) não se está exigindo do contribuinte o imposto devido na fonte, mas sim a tributação dos valores recebidos na ação trabalhista no ajuste anual a que estava obrigado, podendo então ser compensado o imposto no valor que lhe foi efetivamente retido na fonte; f) a impugnante reclama a consideração de IRRF sem mencionar os valores. Ademais, os documentos apresentados, por si só, não comprovam que quando do recebimento da ação trabalhista em 2004, o contribuinte havia sofrido retenção do imposto de renda na fonte em valor maior do que o já considerado pela autoridade fiscal revisora; g) os cálculos de fl. 14 não confirmam o valor efetivamente retido; o DARF de fl. 15, recolhido em 2006, mesmo fazendo menção à ação trabalhista, não prova que houve a retenção daquele valor sobre os rendimentos pagos ao Sr. Gianni Elmi no anocalendário 2004. 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 11/03/11, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls. 3246 do e processo) em 11/04/11, alegando que: a) não omitiu o valor recebido a título de revisão de benefícios, pois declarou como pagamentos isentos e não tributados; b) o imposto exigido já foi recolhido pela empregadora, no valor de R$ 10.369,0, conforme a DARF trazida aos autos que contem toda informação necessária para identificação do seu pagamento; c) os valores recebidos pelo de cujus a título de ação trabalhista são tidos como rendimentos recebidos acumuladamente, conforme art. 56 do RIR/99, e conforme a IN nº 1.127/11 tais rendimentos devem ser tributados pelo regime de competência, e não através do regime de caixa; d) a notificação é nula, pois aplicou o regime de caixa e não o de competência; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13963.000463/200639 Acórdão n.º 2202002.951 S2C2T2 Fl. 73 5 e) os valores a título de honorários advocatícios devem ser descontados do valor supostamente devido, em conformidade com a legislação (art. 56 do RIR/99); f) o Fisco aplicou a penalidade de 100% sobre o valor principal, o que constitui uma penalidade confiscatória. A imposição de tal penalidade é absolutamente imprópria, pois configura o confisco, que é expressamente refutado pela Constituição Federal. 6 Resolução Em 08/02/14, esta Turma, na Resolução nº 220200.162 (fls. 6670 do e processo) determinou o sobrestamento do feito, com base no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256, tendo em vista que o recurso tratavase da tributação de rendimento recebidos acumuladamente, matéria que se encontrava sob julgamento no STF, em sede de Recurso Extraordinário que tramita em regime de repercussão geral. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo 1. Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF 1.1 Esclarecimentos iniciais O presente processo teve seu julgamento sobrestado devido ao disposto no § 1º do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamentosobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. O Recurso Extraordinário acima referido teve seu julgamento encerrado em 09/12/14, através de decisão que negou provimento ao Recurso da União, chancelando o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região (TRF4, Corte Especial, ARGINC 2002.72.05.0004340, Relator Desembargador Federal Álvaro Eduardo Junqueira), que através da técnica da inconstitucionalidade sem redução de texto, entendeu que o critério correto ao dimensionamento da obrigação tributária em questão deve observar a capacidade contributiva (base de cálculo) de cada exercício, bem como as respectivas alíquotas. O Regimento Interno desse Conselho, em seu artigo 62, acima transcrito (caput), torna compulsória a aplicação do entendimento sufragado pelo STF. Diante do exposto, o recurso voluntário há de ser analisado a partir dos critérios fixados pela Corte Constitucional, de onde exsurge a importância do esclarecimento da sua ratiodecidendi. 1.2A decisão proferida pelo STF no RE nº 614.406/RS A decisão proferida pelo Supremo, que manteve a declaração de inconstitucionalidade, sem redução de texto do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconhecida pelo TRF da 4ª Região, foi assentada no fundamento de que ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da Fl. 76DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13963.000463/200639 Acórdão n.º 2202002.951 S2C2T2 Fl. 74 7 obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A supracitada decisão1, nos termos do voto da Ministra Carmen Lúcia, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Segundo a decisão, não é juridicamente crível que os contribuintes que receberam a renda em atraso paguem um montante maior de IR – uma vez que calculado sobre o total acumulado , enquanto os contribuintes que receberam as verbas devidas em dias sejam isentos ou suportem carga inferior de imposto. Ressaltou ainda a Ministra que a aplicação dada pela Fiscalização ao art. 12 da Lei nº 7.713/88 viola os princípios da capacidade contributiva, pois a incidência do imposto de renda deve considerar as alíquotas vigentes na data em que verba decorrente dos rendimentos recebidos acumuladamente deveria ter sido paga. Abaixo, transcrevo trechos do voto da Ministra Carmen Lúcia: 19. No presente caso, a retenção do imposto de renda pelo regime de caixa afronta o princípio constitucional da isonomia, pois outros segurados/contribuintes com o mesmo direito receberia tratamento díspares. Como destacado pelos Ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli, não se pode imputar ao Recorrido a responsabilidade pelo atraso no pagamento de proventos, sob pena de premiar e incentivar o Fisco no retardamento injustificado no cumprimento de suas obrigações legais. Ademais, a efetivação do direito do contribuinte/segurado, pela via judiciária, conforme ocorrido, passa também pelo restabelecimento da situação jurídica quo ante, o que pressupõe a aplicação das corretas alíquotas. 1 O posicionamento exarado pelo Supremo chancela a jurisprudência do STJ, consubstanciada no julgamento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP (Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 24/03/10), o qual reconheceu, em sede de recurso repetitivo, que o IRPF incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 À luz dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, significa dizer que a incidência do imposto de renda deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na data em que essa verba deveria ter sido paga (disponibilidade jurídica, como advertido pelo Ministro Marco Aurélio), observada a renda auferida no mês pelo segurado. Disso resulta não ser razoável, tampouco proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo, como se dá na espécie examinada. (Voto Vista Ministra Carmen Lúcia, p. 22. RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A decisão proferida pelo STF confirmou a decisão que utilizou como técnica a inconstitucionalidade sem redução de texto. Atuando no campo semântico da norma, a ferramenta exclui do seu raio deôntico determinado significado. Sendo assim, é inválido (inconstitucional) todo e qualquer ato administrativo que tiver por fundamento a interpretação do art. 12 da Lei n° 7.713/88 infirmada pelo STF. Segundo a Corte, a validade do crédito tributário prescinde da aplicação da base de cálculo e alíquotas vigentes à época em que foram sonegados ao contribuinte os rendimentos posteriormente por si recebidos – de forma acumulada. 2. Efeitos da decisão do STF sobre o crédito tributário O crédito tributário debatido no presente recurso foi apurado através da aplicação das alíquotas vigentes no anocalendário do pagamento acumulado dos rendimentos sonegados ao contribuinte, em virtude de decisão judicial trabalhista. Esse pagamento se deu em 2004 e dizia respeito a diferenças que deixaram de ser pagas ao contribuinte ao longo de 1993 a 1995. A alíquota aplicada ao presente caso (27,5%), teve como fundamento legal o art. 1º da Lei nº 10.828/03 e incidiu sobre uma base de cálculo acumulada de R$ 139.028,61 (fls. 0307 do eprocesso). Ocorre que o lançamento foi amparado na intepretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88 que foi fulminada pelo STF. Como consequência utilizou bases de cálculo, alíquotas e fundamentos legais distintos daqueles que deveria ter utilizado, de acordo com o Supremo. O lançamento, portanto, é nulo,como entendeu essa turma em recente julgamento relatado pela Ilustre conselheira Dayse Fernandes Leite: RENDIMENTO RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13963.000463/200639 Acórdão n.º 2202002.951 S2C2T2 Fl. 75 9 Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, as tão somente afastar a exigência indevida. (CARF. 2ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara, 2 ª Turma Ordinária. Ac: 2202002.725. Rel. Conselheira Dayse Fernandes Leite. Julg.: 12/08/14). Grifo nosso. A nulidade é insanável e não caberia ao CARF refazer o lançamento, substituindo a administração na eleição do fundamento jurídico, alíquota e base de cálculo aplicáveis. A necessidade de substituição desses elementos implica cabalmente na invalidade do lançamento, uma vez que, a teor do art. 2º, parágrafo único, VII e art. 50, ambos da Lei nº 9.784/99, e do art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/73, é imprescindível a indicação dos fundamentos de fato e de direito que dão fundamento ao lançamento. Em suma, a modificação do lançamento não pode ser efetuada em sede de julgamento de recurso voluntário, pois o recalculo da obrigação tributária com base em novas alíquotas, implica alteração do critério jurídico que serviu de fundamento ao lançamento, conforme entendimento já adotado por essa Turma: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004 MUDANÇA DE MOTIVOS DETERMINANTES. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO. A motivação constitui o fundamento do lançamento tributário, ato administrativo vinculado. A adoção, pela decisão recorrida, de fundamento distinto do utilizado pelo auto de infração (infirmado pelo contribuinte), visando à manutenção da relação tributária, revelase inconciliável com o estado democrático de direito. Recurso voluntário provido (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 220201.548. Rel. Rafael Pandolfo. Julg. em 18/01/12.) No âmbito infralegal, a competência para realização do lançamento é estipulada pelos arts. 241 e 243 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Art. 241. Às Divisões de Orientação e Análise Tributária Diort, aos Serviços de Orientação e Análise Tributária Seort e às Seções de Orientação e Análise Tributária Saort competem as atividades de orientação e análise tributária, e em especial: V realizar diligências e proceder ao lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências; Art. 243. Às Divisões de Controle e Acompanhamento Tributário Dicat, aos Serviços de Controle e Acompanhamento Tributário Secat e às Seções de Controle e Acompanhamento Tributário Fl. 79DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Sacat competem as atividades de controle e acompanhamento tributário e, em especial: IX realizar diligências e proceder o lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências.(grifo nosso) Em outras palavras, cabe às autoridades eleitas pelos supracitados dispositivos a verificação do fato gerador e a quantificação da obrigação tributária que será atribuída ao contribuinte, com base nos critérios jurídicos indicados no lançamento (CTN, art. 142). A contrario sensu, o CARF não é competente para refazer o lançamento quando alterados os critérios jurídicos utilizados pela autoridade lançadora, porquanto não há lei que assim estipule. A função deste Conselho é definida pelo art. 1º do seu Regimento Interno Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobrea aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Esse entendimento está cristalizado na jurisprudência desta Turma: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF Ano calendário: 2002. ERRO ESCUSÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Depreendese dos autos que omissão de valores na Declaração de Ajuste Anual da recorrente é fruto de falta de informações prestadas pela Fonte Pagadora, em evidente descumprimento ao disposto no art. 941 do Decreto 3.000/99. INCOMPETÊNCIA DA DRJ PARA LANÇAR MULTA. A DRJ não possui competência para modificar o fundamento do lançamento, pois seu papel é corrigir o lançamento, não refazê lo a partir de esteio inaugural. (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 2202002.289. Rel. Rafael Pandolfo. Julg. em 17/04/13) Assim, tendo em vista a impossibilidade de alteração, por este Conselho, dos critérios jurídicos que embasaram o lançamento, entendo que Auto de Infração deve ser declarado nulo, ficando dispensada a análise da natureza jurídica das verbas recebidas pelo contribuinte. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13963.000463/200639 Acórdão n.º 2202002.951 S2C2T2 Fl. 76 11 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 16327.720694/2012-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO § 1o DO ART. 3o DA LEI no 9.718/1998.
A base de cálculo da COFINS em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2o e 3o, caput da Lei no 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5o e 6o do referido art. 3o. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência da COFINS, não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, como já reconheceu o STF.
Numero da decisão: 3403-003.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho (relator), Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Sustentou pela recorrente o Dr. Maucir Fregonesi Júnior, OAB/SP no 142.393. Esteve presente ao julgamento o Dr. Frederico Souza Barroso, Procurador da Fazenda Nacional.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator.
ROSALDO TREVISAN - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho (relator) e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: Domingos de Sá Filhio
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO § 1o DO ART. 3o DA LEI no 9.718/1998. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2o e 3o, caput da Lei no 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5o e 6o do referido art. 3o. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP, não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, como já reconheceu o STF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO § 1o DO ART. 3o DA LEI no 9.718/1998. A base de cálculo da COFINS em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2o e 3o, caput da Lei no 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5o e 6o do referido art. 3o. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência da COFINS, não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, como já reconheceu o STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 94 /2 01 2- 02 Fl. 681DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho (relator), Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Sustentou pela recorrente o Dr. Maucir Fregonesi Júnior, OAB/SP no 142.393. Esteve presente ao julgamento o Dr. Frederico Souza Barroso, Procurador da Fazenda Nacional. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO Relator. ROSALDO TREVISAN Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho (relator) e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Tratase recurso voluntário visando modificar a decisão de piso que manteve intacto o lançamento do crédito tributário referente Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2010. A discussão gira em torno se as receitas provenientes da atividade DESEMPENHADA sofrem incidência das contribuições destinadas para a COFINS e o PIS. A fiscalização sustenta que no período fiscalizado a contribuinte recolheu o PIS e a COFINS somente sobre as receitas de prestação de serviços escrituradas na conta Cosif no 7.1.7.00.00.9, motivo pelo qual se impõe lançar de ofício os créditos tributários relativos às demais receitas operacionais excluídas da base de cálculo. Sustentando o contrário do entendimento do fisco, garante a empresa recorrente que as receitas provenientes da atividade financeira não se classificam como receitas a fazer incidir as contribuições sociais, PIS e COFINS, haja vista a declaração de inconstitucionalidade da expansão da base de cálculo prevista pelo parágrafo 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998. Contrariamente ao entendimento da recorrente, assevera o fisco: “As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) são classificadas como receitas de serviços para fins tributários, estando sujeitas à incidência da Cofins na forma dos artigos 2o e Fl. 682DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.720694/201202 Acórdão n.º 3403003.522 S3C4T3 Fl. 682 3 3o da Lei no 9.718/98. A declaração de inconstitucionalidade, pelo Poder Judiciário, do § 1o do art. 3o dessa Lei afasta a incidência da contribuição em relação às receitas não operacionais”. No caso houve recolhimento do PIS e COFINS somente sobre as receitas de prestação de serviços escrituradas na conta Cosif no 7.1.7.00.00.9, motivo pelo qual foram lavrados os autos de infração para constituir o crédito tributário sobre o total das receitas (fls. 537 a 547, e 548 a 5581, nos valores totais de R$ 6.759.081,99 e R$ 41.665.888,80), pois no entendimento da fiscalização as contribuições ora exigidas incidem sobre as demais receitas operacionais. Assevera a recorrente que submeteu apenas as receitas decorrentes da prestação de serviços pelo simples fato de possuir, em seu favor, decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, transitada em julgado, nos autos do Recurso Extraordinário no 405.5686, que lhe assegura o recolhimento de tais exações, tãosomente sobre as receitas decorrentes das vendas de bens e prestação de serviços, nos termos do art. 2o da Lei Complementar no 70/91, traz à colação o excerto da decisão: “Certo é que citada majoração há de ser observada, entretanto, tendo em consideração a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei 9.718/98. É dizer, a majoração da alíquota ocorrerá, apenas, relativamente às bases de cálculo inscritas no art. 2o da Lei Complementar 70, de 1991”. Diz que obteve provimento judicial, ainda, em caráter liminar sobre a matéria: “... o Recorrente impetra Mandado de Segurança (Processo n. 99.00223080) em 22/09/1999, em face do Delegado da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro Delegacia Especial das Instituições Financeiras, objetivando recolher as contribuições devidas ao PIS e a COFINS sem as modificações trazidas pela Lei 9.718/98, ou melhor, na forma das Leis Complementares no 07/70 e 70/91. Obteve êxito logo em sede de liminar, sendo lhe autorizado que procedesse ao recolhimento das contribuições tãosomente sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços, o que garantiu a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes”. Assegura que ordem foi concedida nos seguintes termos: “Assente na doutrina e na jurisprudência das Cortes Superiores o conceito de faturamento receita bruta proveniente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, expressamente declinado na norma instituidora da COFINS (LC 70/91, art. 2o) e adotado para efeitos da contribuição para o PIS, não poderia a lei 9.718/98, ao arrepio dos artigos 108, § 1o e 110 do Código Tributário Nacional, ampliálo, nele incluindo as demais receitas procedentes de outras fontes, desbordando da definição 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 683DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 consagrada na sede normativa das duas contribuições e, em agravante, da previsão constitucional do art. 195, I, na redação anterior à EC 20/98.” Dessa decisão houve Embargos de Declaração, cujo resultado segue: “ISTO POSTO, declarando incidenter tantum à inconstitucionalidade dos artigos 3o, 8o e 17 da lei 9.718, de 27/11/1998, CONCEDO a SEGURANÇA, retificando a liminar deferida às fls. 46, para que os impetrantes continuem recolhendo o PIS e a COFINS de acordo com a sistemática prevista na Lei 9.701/98, até 31 de dezembro de 1999 (ADCT, art. 72, V) e, posteriormente, na Lei Complementar 07/70 e na Lei Complementar 70/91, abstendose a autoridade impetrada de qualquer medida coercitiva correlacionada, mantido o poder fiscalizatório quanto à exatidão dos valores”. Alega impertinência da aplicação da multa de ofício por possuir decisão judicial favorável quanto à matéria debatida. Assim, como sustenta que a exigência ofende a coisa julgada. Apresentado recurso de apelação pela União Federal, restou provido. Dessa decisão a interessada interpôs Recurso Extraordinário, que tomou o número 405.5686. O feito foi sobrestado administrativamente no aguardo do julgamento em repercussão geral pelo STF no Recurso Extraordinário no 609.096, como Tema nº 372, com a descrição “a) Exigibilidade do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras; b) Exigência de reserva de plenário para as situações em que se afasta a incidência do disposto no art. 3o, §§ 5o e 6o, da Lei no 9.718/1998”, por força do disposto no parágrafo primeiro do art. 62A do Regimento Interno do CARF, revogada essa determinação, retorna o processado a essa Turma para conclusão do julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filhio, relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A contenda se refere ao fato de o recorrente ter submetido à incidência das contribuições para o PIS e a COFINS, incluindo somente receitas decorrentes de prestação de serviços, enquanto que, sob a ótica fiscal, a base de cálculo das contribuições é formada por todas as receitas provenientes da atividade. Sendo assim, a exclusão das demais receitas não tem amparo legal. Esse assunto foi apreciado pelo Poder Judiciário. Há provimento judicial transitado em julgado reconhecendo o direito de proceder à apuração das contribuições com base nas Leis Complementares no 7/70 e 70/91, motivo pelo qual segundo a interessada incluiu na base de cálculo tãosó as receitas provenientes de serviços, por estar amparada na decisão do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no 405.5866, que lhe assegurou o Fl. 684DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.720694/201202 Acórdão n.º 3403003.522 S3C4T3 Fl. 683 5 recolhimento de tais exações somente sobre as receitas de vendas de bens e prestação de serviços. Em relação à exação sobre a totalidade das receitas da recorrente, assunto resolvido pelo Poder Judiciário, transitado em julgado, não há que se falar em concomitância, inexistindo ofensa a norma do art. 26A do Decreto no 70.235/71, com a novel redação dada pela Lei no 11.941/2009 e Súmula do CARF no 01. Em sendo assim, passase ao exame da matéria. Da Ofensa Coisa Julgada pela Autoridade Fiscal Alega o banco recorrente que a exigência da autoridade fiscal constitui em ofensa à coisa julgada. Argúi em seu favor a existência de decisão judicial favorável pelo STF no RE no 405.5686, bem como, obtenção desde o início de liminar para recolher as contribuições somente sobre as receitas de prestação de serviços contabilizadas no grupo de contas 7.1.7.00.00.9 “Rendas de Prestação de Serviços”. O ponto nodal da discussão encontra assentado ao fato das Instituições Financeiras não comercializarem mercadoria, isso na concepção restrita de comércio como sendo ato de vender mercadorias, pois o conceito de faturamento pelo STF é de que esse engloba venda de mercadorias ou prestação de serviço. Fatura é a relação que acompanha a remessa de mercadorias, e, faturamento sendo o ato de faturar, está diretamente vinculado com o comércio de mercadoria. Portanto, enquanto essa questão depender da decisão da Suprema Corte, a discussão vai se alongando e o embate entre contribuinte e fisco se perpetuando. Nessa discussão, neste tribunal administrativo, temse examinado se a decisão judicial foi expressa em reconhecer se as receitas financeiras foram excluídas da base de cálculo, ou em outras palavras, se consignouse que no conceito de faturamento das Leis Complementares no 7/70 e 70/91, relativas ao PIS e à COFINS não estão incluídas as receitas financeiras, ou que as receitas típicas das instituições financeiras (bancárias) e assemelhadas tenham sido consideradas fora do campo de incidência relativas a vendas de mercadorias e prestação de serviços. Resumidamente, essa é a questão referente à inclusão ou não das receitas financeiras na base de cálculo da Cofins e do PIS. Os pleitos submetidos ao Poder Judiciário em sua maioria se referem a expansão da base de cálculo trazida com evento da Lei no 9.718/98, e pedem para proceder o pagamento das contribuições com base nas Leis Complementares no 70/91 e 7/70. Com efeito, o que se discutiu foi o retorno da sistemática das leis complementares que até então norteavam o tema, modificadas pelo advento da Lei no 9.718/98. O emprego literal do conceito de Direito Comercial é utilizado nas decisões judiciais, principalmente, pelo STF, de que o faturamento corresponde à receita bruta tal como definida pela Lei Complementar no 70/91, idêntica ao disposto no Decreto Lei no 2397/87, art. 22, alínea “a”. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 Penso, assim, que se o pleito é no sentido do retorno aplicação da norma das leis complementares, desnecessário que julgado consigne de modo expresso que as receitas financeiras das instituições financeiras e assemelhadas encontram encartadas no conceito de faturamento. Tenho que assiste razão ao recorrente. Da leitura das decisões é fácil concluir que obteve êxito no seu propósito. Sendo assim, não há que se contestar a decisão que autorizoua calcular as contribuições com base na regra que antecedeu a Lei no 9.718/98, cujo parágrafo 1o do art. 3o foi considerado pelo STF inconstitucional, aplicandose o conceito de faturamento do Direito Comercial. Vislumbro no julgado que se considerou que faturamento é o ato ou efeito de comércio de mercadorias ou de prestação de serviços, ou ambos simultaneamente, e, assim sendo, só contempla as receitas das instituições financeiras e assemelhadas a prestação de serviços. A discussão, quanto a esse ponto, só será apaziguada com a decisão final da Corte Superior, com aplicação em sede administrativa é obrigatória. Nesse caso concreto, o lançamento de ofício exigindo contribuições além das receitas provenientes da prestação de serviços configura ofensa a coisa julgada. Como se sabe a coisa julgada constitui matéria de contestação (resistência), razão pela qual é cabível ao caso concreto. Se em sede administrativa deixase de observar a decisão com trânsito em julgado, o caminho adequado é a via do judiciário, e a propositura de nova demanda se revela caminho longo e tormentoso. Certo é o reconhecimento do direito do contribuinte obtido na esfera judicial. Deixar de acatar é transferir a decisão ao Poder Judicial. Com essas considerações acolho o pleito do recorrente para reconhecer ofensa à coisa julgada, e afastar à exigência em relação às receitas provenientes da prestação de serviços. Diante do exposto, conheço o recurso e dou provimento para afastar da base de cálculo as demais receitas distintas daquelas decorrentes de prestação de serviços, consubstanciado em sentença favorável transitada em julgado. É como voto. Domingos de Sá Filhioo Fl. 686DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.720694/201202 Acórdão n.º 3403003.522 S3C4T3 Fl. 684 7 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado, Com a devida vênia, divirjo, no mérito, em relação ao voto externado pelo relator, mantendo o posicionamento já externado nesta Terceira Turma no recente Acórdão no 3403003.375, entre outros. O contencioso se resume à existência (ou não) de relação entre discussão judicial (transitada em julgado) sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência das contribuições (COFINS e Contribuição para o PIS/PASEP) e a base de cálculo das contribuições para instituições financeiras. O Termo de Verificação narra que a recorrente impetrou o MS no 99.00223080, almejando efetuar o recolhimento das contribuições com base nas Leis Complementares no 7/1970 e no 70/1991, afastando a aplicação das alterações advindas da Lei no 9.718/1998. Obtendo decisão favorável em juízo, a matéria restou decidida definitivamente pelo STF, no bojo do RE no 405.5686/RJ. Afirma o fisco que o STF adotou o entendimento pela inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, sendo aplicável ao caso o Parecer PGFN/CAT no 2.773/2007, no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade não tem o condão de modificar a realidade de que para as instituições financeiras a base de cálculo das contribuições continua sendo a receita bruta, com as exclusões contidas nos §§ 5o e 6o do art. 3o, sem abarcar, todavia, as receitas não operacionais. Na mesma linha a decisão de piso, que é basicamente fundamentada no Parecer PGFN/CAT no 2.773/2007. A recorrente sustenta, por sua vez, que houve descumprimento da coisa julgada, exigindose as contribuições sobre receitas que foram judicialmente afastadas da base de cálculo. Vejamos, então, qual o conteúdo da coisa julgada. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 Do provimento judicial obtido Verificandose o Mandado de Segurança impetrado (fls. 429 a 449), percebe se que a tutela buscada em juízo era (fls. 448/449): E a sentença obtida em primeiro grau (fls. 450 a 457) assegurou, na parte dispositiva (fl. 457): Em sede de embargos, acrescese à sentença que a Contribuição para o PIS/PASEP deve obedecer à sistemática da Lei Complementar no 07/1970 (fl. 460). Após apelação da União (fls. 464 a 471), restrita à discussão sobre a constitucionalidade de dispositivos da Lei no 9.718/1998, a matéria é decidida no TRF da 2a Região, que dá provimento ao recurso e à remessa oficial, nos seguintes termos (fl. 479): Fl. 688DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.720694/201202 Acórdão n.º 3403003.522 S3C4T3 Fl. 685 9 Rejeitados os embargos apresentados (fl. 492), a recorrente apresentou Recurso Extraordinário (fls. 493 a 517), novamente demandando (fl. 517): Sobre o pedido o STF se manifesta, no RE no 405.5686/RJ, dando parcial procedência, da seguinte forma (fls. 602/603): Fl. 689DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 Esse o resumo da ação judicial com trânsito em julgado. Não é preciso muito esforço na leitura para perceber que o provimento judicial obtido não discute se as rubricas em análise nestes autos administrativos (v.g., 7.1.1.00.00.1 Rendas de operações de créditos; 7.1.3.00.00.0 Rendas de câmbio; 7.1.5.00.00.3 Rendas de títulos e valores mobiliários; e 7.1.9.00.00.5 outras receitas operacionais) são receitas operacionais ou de prestação de serviços de uma instituição financeira, como a recorrente. Tal discussão, por certo, sequer foi travada no processo judicial. Da implementação administrativa do provimento judicial obtido Assim, a fiscalização, em face do provimento judicial definitivo, busca aplicálo ao caso concreto, identificando qual seria a base de cálculo a tomar em conta, nos termos das Leis Complementares de regência (tal qual assegurado em juízo), considerando a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, reconhecida pelo STF. Contudo, aí surge uma segunda controvérsia, exatamente aquela sequer encarada em juízo: as receitas de operações de créditos, títulos e valores mobiliários, câmbio etc. (que seriam “receitas financeiras” para a maior parte das empresas), no caso de instituições financeiras (como a recorrente), seriam receitas operacionais, ou de prestação de serviços? E é com base na resposta a essa questão (que não tem relação necessária com a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998) que a unidade local, alicerçada no Parecer PGFN/CAT no 2.773/2007, efetua o lançamento. Não há, assim, qualquer prejuízo à coisa julgada, pois apenas busca o fisco forma de implementar a decisão judicial, nos termos em que ela foi proferida. Percebese que, ao contrário do que afirma a recorrente, a fiscalização não contrariou o entendimento expresso na decisão judicial, mas tão somente viabilizou forma de aplicálo no caso concreto. Apesar de o STF ter posicionamento assentado no sentido da inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, não o tem sobre a delimitação do que seriam “receitas financeiras” de instituições financeiras (como a recorrente), e se comporiam a base de cálculo das contribuições. O tema, presente no RE no 609.096/RS, é de reconhecida repercussão geral (tema no 372). Assim, resta ilógico entenderse que o segundo tema resta abarcado por decisão proferida em relação ao primeiro. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.720694/201202 Acórdão n.º 3403003.522 S3C4T3 Fl. 686 11 A matéria referente às receitas de instituições financeiras, pouco tempo atrás, era inclusive ensejadora de sobrestamento neste colegiado administrativo (o que ocorreu inclusive com o presente processo administrativo). Contudo, com a revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF pela Portaria MF no 545, de 18/11/2013, passou esse tribunal a ter que decidir a matéria, independente do julgamento do referido RE. E não há ainda manifestação definitiva do STF sobre a matéria, existindo tão somente o reconhecimento da repercussão geral da questão, e a manifestação em outro RE (no 400.4798/RJ), que o próprio STF entendeu como similar. Cabível, destarte, a imediata análise da questão por este tribunal administrativo. É de se destacar, contudo, o teor da Súmula 2 deste CARF (que comunga com o teor do art. 26A do Decreto no 70.235/1972): “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, a matéria em apreciação pelo STF, de repercussão geral e trato constitucional reconhecidos, será analisada por este tribunal administrativo sem que seja possível o entendimento pela inconstitucionalidade de lei tributária. O silogismo é inevitável: se o STF reconhece a repercussão geral, por óbvio que há discussão sobre constitucionalidade. E se há discussão sobre constitucionalidade, o CARF é incompetente para manifestarse negativamente, devendo acolher todas as leis tributárias como constitucionais. E, como não há mais a possibilidade de sobrestamento, o CARF deve julgar a matéria, sempre considerando as leis (cuja constitucionalidade o STF está a apreciar) como constitucionais. É de se destacar, de início, manifestação do STF no sentido de distinguir, como se faz neste voto, as discussões sobre o conceito de faturamento (e seu alargamento pelo § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998) e sobre a abrangência do faturamento no que se refere a receitas de instituições financeiras: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. LEGISLAÇÃO APLICADA APÓS O RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO SUPREMO. INCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS AUFERIDAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO. MATÉRIA ESPECÍFICA NÃO PREQUESTIONADA. DECISÃO DE RECONSIDERAÇÃO QUE ALTERA O CONTEÚDO DECISÓRIO E CONTRARIA AS RAZÕES DE DECIDIR DA DECISÃO RECONSIDERADA. REABERTURA DE PRAZO PARA RECORRER. AGRAVO IMPROVIDO. I O STF não tem competência para determinar, de imediato, a aplicação de eventual comando legal em substituição de lei ou ato normativo considerado inconstitucional. II A discussão sobre a inclusão das receitas financeiras auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Ausência de prequestionamento da Fl. 691DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 12 primeira matéria, que impossibilita a análise do recurso quanto ao ponto. III Alteração da parte dispositiva de decisão, de forma a contrair ou exceder os fundamentos mantidos na decisão modificada, não configura mera correção de erro de fato, mas caracteriza nova decisão, a justificar a reabertura do prazo para recurso. IV Agravo regimental improvido.(RE 582258 AgR AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em 06/04/2010, PROCESSO ELETRÔNICO DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010)” (grifo nosso) Após a referida declaração de inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, foram efetuadas diversas alterações em tal lei (uma delas expressamente revogando o § 1o do art. 3o pela Lei no 11.941/2009). O caput do referido art. 3o, reconhecido como constitucional, estabelecia, em sua redação original, que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, tendo sido o texto recentemente alterado pela Lei no 12.973, de 13/05/2014. Assim, em que pesem algumas alterações de texto, permanecem hígidos os comandos da Lei que estabelecem a base de cálculo (faturamento art. 2o) e sua identidade com a receita bruta (art. 3o, caput), assim como as exclusões (art. 3o, § 2o ). Tendo em vista as peculiaridades tanto do setor financeiro como do setor de seguros, passaram a existir ainda disposições específicas para eles. Os §§ 5o e 6o do art. 3o, incluídos em 2001, externaram tratamentos aplicáveis a pessoas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212/1991 (“bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas”). A lista de exclusões, por óbvio, é exaustiva e não exemplificativa, e o comando legal, em virtude da já propalada Súmula CARF no 2, não admite questionamento administrativo em relação à constitucionalidade. Qualquer das exclusões e deduções, de caráter geral (§5o) ou específico (§6o), é aplicável sobre a receita bruta, para efeito de apuração das contribuições em instituições como a recorrente. É de se concluir, assim, que: (a) o provimento judicial obtido no caso concreto silenciou em relação à abrangência do que seriam receitas de prestação de serviços e venda de mercadorias das instituições financeiras (e, por exclusão, do que seriam “receitas financeiras” de instituições financeiras) para fins de tributação pelas contribuições; e (b) a discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência das contribuições não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, como já reconheceu o STF. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 692DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.720694/201202 Acórdão n.º 3403003.522 S3C4T3 Fl. 687 13 Fl. 693DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN
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