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Numero do processo: 10980.013266/2007-64
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA FINANCEIRA.
As receitas financeiras não compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins, no caso em que a pessoa jurídica não exerça atividade econômica tendo estas como objeto.
Numero da decisão: 1803-002.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Declarou-se impedido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA FINANCEIRA. As receitas financeiras não compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins, no caso em que a pessoa jurídica não exerça atividade econômica tendo estas como objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Declarouse impedido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 195209, com a exigência do crédito tributário no valor de R$220.757,40 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 32 66 /2 00 7- 64 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.013266/200764 Acórdão n.º 1803002.517 S1TE03 Fl. 311 2 apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido referente aos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA O contribuinte não incluiu na base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, da CSLL, do PIS e da COFINS, os rendimentos de aplicações financeiras apurados conforme demonstrativos de fls. 189 a 192, tudo explicitado no Termo de Encerramento de fls.249 a 251, parte integrante e indestacável deste Auto de Infração e seus reflexos. [...] Art. 521 do RIR/99. Está registrado no Termo de Encerramento, fls. 250252: Confrontando as Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica de fls. 05 a 104 com as informações das DIRF’s apresentadas pelas Instituições Financeiras, constatamos que o contribuinte apurou incorretamente o IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, uma vez que não adicionou os rendimentos das aplicações financeiras às bases de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica e da CSLL. do Termo de fls. 120, foi a empresa intimada a justificar a falta de registro em suas DIPJ’s, das receitas decorrentes de aplicações financeiras, onde fornecemos à mesma, como subsídio, cópias das DIRF's de folhas 121 a 152 . Em 01 de outubro de 2007, o contribuinte apresentou as justificativas de fls. 153 a 154, anexando cópia dos extratos individualizados fornecidos pelas Instituições Financeiras (fls. 02 a 351 do Anexo I), planilhas totalizando mês a mês as operações, evidenciando os valores aplicados, valores resgatados, receitas financeiras e IRRF, planilhas com a base de cálculo de cada tributo e contribuições e relatório resumindo e totalizando por mês e trimestre todas as informações com aplicações financeiras (fls. 155 a 181). Da análise dessas planilhas com a documentação bancária constatamos que, as de fls 155/158 da Caixa Econômica Federal e a de fls. 159/160 do Banco do Brasil apresentaram algumas divergências nos valores, os quais foram devidamente retificados nas planilhas de fls. 182 a 188. Considerando que o contribuinte apresentou as declarações do IRPJ optando pelo Lucro Presumido, regime de caixa e não resgatou integralmente as aplicações financeiras, os rendimentos destas foram tributados proporcionalmente aos valores resgatados, bem como o imposto de renda retido na fonte foi compensado proporcionalmente às receitas declaradas. No rodapé das planilhas elaboradas pela fiscalização de folhas 182 a 187, demonstramos as fórmulas para obtermos os valores de receitas a tributar e do IRRF a compensar. Com base nos documentos e nas planilhas apresentadas, elaboramos os Demonstrativos de Rendimentos e os do IRRF incidentes sobre às Aplicações Financeiras de fls. 189 a 193 para os anos calendário de 2002 a 2005, por Instituição Financeira consolidados mensalmente e trimestralmente. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.013266/200764 Acórdão n.º 1803002.517 S1TE03 Fl. 312 3 Foi solicitado pelo contribuinte através do doc. de fls.154, que nos trimestres onde houvesse excesso do Imposto de renda retido na fonte pelas Instituições Financeiras, este fosse compensado com os valores devidos a CSLL. Os valores do IRRF sobre as aplicações financeiras, evidenciados nas planilhas de fls. 189 a 193 foram compensados nos respectivos trimestres e, os saldos do IRRF a compensar constantes do "Demonstrativo de Compensação de valores" de fls. 201 e 202 foram compensados nos demais trimestres, conforme consta no campo "Descrição dos Valores Compensados" às fls. 203. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 210223 com a exigência do crédito tributário no valor de R$38.647,94 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 PIS FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS O contribuinte não incluiu na base de cálculo do PIS os rendimentos de aplicações financeiras dos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2002, conforme explicitado no Termo de Encerramento de fls. 249, parte integrante e indestacável deste Auto. [...]. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS O contribuinte não incluiu na base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, da CSLL, do PIS e da COFINS, os rendimentos de aplicações financeiras apurados conforme demonstrativos de fls. 189 a 192, tudo explicitado no Termo de Encerramento de fls. 249 a 251, parte integrante e indestacável deste Auto de Infração e seus reflexos. [...] Arts. 1° e 3º da Lei Complementar n° 7/70; Arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I, e 9º, da Lei n° 9.715/98; Arts. 2° e 3º , da Lei n° 9.718/98; Arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02. III – O Auto de Infração às fls. 224237 com a exigência do crédito tributário no valor de R$178.378,57 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 COFINS FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS O contribuinte não incluiu na base de cálculo da COFINS os rendimentos de aplicações financeiras dos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2002, Fl. 312DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.013266/200764 Acórdão n.º 1803002.517 S1TE03 Fl. 313 4 conforme explicitado no Termo de Encerramento de fls. 249, parte integrante e indestacável deste Auto. [...]. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS O contribuinte não incluiu na base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, da CSLL, do PIS e da COFINS, os rendimentos de aplicações financeiras apurados conforme demonstrativos de fls. 189 a 192, tudo explicitado no Termo de Encerramento de fls. 249 a 251, parte integrante e indestacável deste Auto de Infração e seus reflexos. [...] Art. 1° da Lei Complementar n°70/91; Arts.2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições.; Arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3 0 , 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02. IV – O Auto de Infração às fls. 238249 a exigência do crédito tributário no valor de R$531.442,39 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 CSLL SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS CSLL SOBRE RECEITA NÃO OPERACIONAL (A PARTIR DO AC 97) O contribuinte não incluiu na base de cálculo da CSLL os rendimentos de aplicações financeiras,dos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2002,conforme explicitado no Termo de Encerramento de fls. 249, parte integrante e indestacável deste Auto.. [...]. CSLL SOBRE RECEITA NÃO OPERACIONAL (A PARTIR DO AC 97) O contribuinte não incluiu na base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, da CSLL, do PIS e da COFINS, os rendimentos de aplicações financeiras apurados conforme demonstrativos de fls. 189 a 192, tudo explicitado no Termo de Encerramento de fls. 249 a 251, parte integrante e indestacável deste Auto de Infração e seus reflexos. [...] Art. 19 da Lei n° 9.249/95; Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88 e art. 29, inciso II, da Lei n° 9.430/96; Art. 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições; Art. 37 da Lei n° 10.637/02. Cientificada, a Recorrente apresenta as impugnações em face do PIS e da Cofins, fls. 254267, com as alegações abaixo. RAZÕES DA IMPROCEDÊNCIA DA COBRANÇA É improcedente o Auto de Infração. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.013266/200764 Acórdão n.º 1803002.517 S1TE03 Fl. 314 5 Ainda que a administração tributária esteja pautada na legalidade, não pode perder de vista que a Lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, não deve mais ser aplicada. Mesmo que em relação a fatos geradores anteriores a decisão do Tribunal quando, ainda, não havia se manifestado sobre a constitucionalidade da lei. Não se alegue que a decisão do STF foi proferida em sede de controle concentrado de constitucionalidade, porque a decisão teve repercussão geral. E, segundo o STF repercussão geral significa a existência, ou não, de questões que, relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos das partes. Então, o Supremo Tribunal Federal ao declarar "...a inconstitucionalidade do § 1° do art 3° da Lei n° 9.718, de 1998, em face do disposto no artigo 195, 1, da Carta Magna, com a redação anterior à Emenda Constitucional n° 20, de 11 de dezembro de 1998", afastou da base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, as receitas decorrentes dos rendimentos de aplicações financeiras, e que excedem ao conceito constitucional de faturamento. A inconstitucionalidade devese as seguintes razões. [...] A Lei 9.718198, por meio do parágrafo 1° do art. 30 da Lei 9.718, de 1988, alterou a base de cálculo das contribuições previstas no art. 239 da CF e na LC 70/91 (que correspondiam receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza)", [...]. O § 1° do art. 3º da Lei 9.718/98, alterou de forma inconstitucional a base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, porque ampliou a materialidade possível das contribuições (faturamento), prevista no art.195, I, da CF, e incluiu, neste conceito, materialidades que não correspondiam a faturamento, como pressuposto pelo legislador constitucional originário. Surge daí a primeira inconstitucionalidade — falta de conformação do disposto no § 1 0 do art.3°. da Lei 9.718/98, com o disposto no art. 195, I, da CF (antes da EC 20/98). A União caso pretendesse exigir de forma válida as contribuições sociais sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, deveria ter alterado a base de cálculo das contribuições por meio de lei complementar. É o que dispõe a Constituição Federal no §4° do art. 195 da CF. Lei complementar porque tudo quanto extrapola o conceito constitucional de faturamento, pressuposto pelo legislador constituinte originário, é considerado nova fonte de custeio à seguridade social, exigindo à época lei complementar. E lei complementar que observasse o disposto no art 154, inc. I, da CF (que não fossem cumulativas, não tivessem a mesma base de cálculo e fato gerador das demais contribuições sociais). Surge daí a segunda inconstitucionalidade — falta de conformação do disposto no § 1° do art. 30 da Lei 9.718/98, com o disposto no art. 195, § 4º, da CF (antes da EC 20/98)— ausência de lei complementar. Quanto ao correto entendimento acerca do conceito constitucional de faturamento cabe destacar que, o STF tem decidindo que Constituição adotou sentido técnico para a definição das expressões nela contidas. Definições pressupostas pela Constituição e extraídas do Direito Privado, de estudos acadêmicos do Direito e da atuação dos Pretórios, como pode ser verificado nas decisões proferidas pelo Pleno nos RE's 166.7729/RS; 150.7551PB; 203.075/DF e 116.1213/SP. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.013266/200764 Acórdão n.º 1803002.517 S1TE03 Fl. 315 6 Ainda, não poderia o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, "...alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias", na medida em que é vedado expressamente pelo art. 110 do CTN. Foi o que ocorreu, a Lei 9718/98, a fim de definir competência tributária alterou o conceito constitucional de faturamento, extraído do Direito Privado, e que já estava previsto nas Leis Complementares 7/70 e 70/91, como sendo a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, sem que houvesse lei complementar ou Emenda Constitucional prévia e válida. Surge daí a terceira mácula, a ilegalidade da alteração promovida pelo § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98, em face das disposições contidas no art 110 do CTN, que veda a limitação ou definição de competências por meio de lei ordinária. Nem mesmo a Emenda Constitucional n 20/98, que alterou o art.195, inc. I, e passou a prever a receita como materialidade possível, ao lado do faturamento, teve o condão de validar a Lei 9.718/98. Isso porque ao tempo da publicação da Lei 9.718/98, ainda não havia sido promulgada a Emenda Constitucional. [...] Portanto, mais uma vez demonstrada e confirmada a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98, quando alterou a base de cálculo das contribuições sociais. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Assim, em vista das razões acima aduzidas a Impugnante requer que seja conhecida esta Impugnação, e julgado improcedente o Auto de Infração PIS [e...] o Auto de Infração COFINS [...] extinguindo [os créditos tributários...] a teor do art. 156, IX, do CTN. Sendo, ainda, suspensa a sua exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, inciso III, do CTN, e Decreto n. 70.235/72, até decisão final na esfera administrativa. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 06 25.010, de 23.12.2009, fls. 278284: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo da Cofins é a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, incluindose as receitas decorrentes de operações realizadas no mercado financeiro. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.013266/200764 Acórdão n.º 1803002.517 S1TE03 Fl. 316 7 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é a receita bruta da venda de bens c serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, incluindo se as receitas decorrentes de operações realizadas no mercado financeiro. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 11.01.2010, fl. 290, a Recorrente apresentou os recursos voluntários em face do PIS e da Cofins em 01.02.2010, fls. 291308, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: Autos de Infrações — PIS e COFINS Segundo consta no relatório fiscal e Autos de Infrações, as importâncias • são devidas porque "o contribuinte não incluiu na base de cálculo da COFINS e do PIS os rendimentos de aplicações financeiras, dos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2002, conforme explicitado no termo de encerramento de fls. 189, ..." E, ainda, porque: "...não incluiu na base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica da CSLL, do PIS e da COFIAIS os rendimentos de aplicações financeiras apurados conforme demonstrativos de fls. 189 a 192 tudo explicitado no Termo de encerramento de fls. 246 e 248,...". Cumpre destacar que, o fundamento legal para a lavratura dos Autos de Infrações foi o disposto no art. 1° da LC n°70/91; arts. 2°, 3°, e 8°, da Lei 9.718/98, com alterações da MP n° 1.807/99. Impugnações Em síntese, a Recorrente defendeu a tese da inconstitucionalidade do § 1° do art. 30 da Lei n° 9.718/98, nos termos das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (RREE's n° 346.084/PR; n° 357.950/RS; n° 358.273/RS; e n° 390.840/MG,), segundo as quais o legislador positivo, ultrapassou a previsão contida no art. 195, inciso I, da Constituição, quando previa Fl. 316DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.013266/200764 Acórdão n.º 1803002.517 S1TE03 Fl. 317 8 como base de cálculo da contribuição social — COFINS e PIS — o faturamento da pessoa jurídica. E, mais, que mesmo após ter sido promulgada a EC n°20/98, não teve o condão de convalidar a cobrança sobre outra materialidade que não faturamento. [...] Em síntese a Primeira Turma da DRJ/CTA, diz que as decisões invocadas ocorreram em controle difuso de constitucionalidade; que não há repercussão geral à matéria, ao menos não vincula o administrador, assim como o administrador não está vinculado à decisão do STF; • também não são oponíveis as matérias de legalidade e constitucionalidade na esfera administrativa, pois cabe ao Judiciário a análise. E, decisões proferidas em outros processos analisados pelo STF, não tem efeito erga omnes e não vincula a administração, pois o contribuinte impugnante não é parte naqueles processos. O administrador está vinculado ao disposto no art. 142 do CTN e as exações estão previstas em lei. Sendo assim, nos termos do art. 30, § 1°, da Lei 9.718/98, são exigíveis os créditos tributários. Razões Recursais Como se percebe, a matéria não é nova e reiteradamente tem sido decidida não só pelo Judiciário, como também pelos órgãos jurisdicionais administrativos. Cada qual com seu entendimento a partir das regras legais, que já foram afastadas pelo Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade, e, hoje, em face de ter sido a matéria afetada pelo instituto da repercussão geral, todas as decisões do Poder Judiciário deverão ser no mesmo sentido do Supremo Tribunal Federal, [...]. Entretanto, ciente das razões da MMa. Primeira Turma da DRJ/CTA, não se pode deixar de demonstrar, desde logo, que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes não é pacífica [...]. Também, não se pode deixar de enfrentar, desde logo, o argumento no sentido de que as Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, definiram a base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS nos mesmos moldes da Lei 9.718/98. Primeiro, porque as referidas Leis trataram das contribuições sociais no regime nãocumulativo, e a Recorrente, como destacado nos Autos de Infrações, tem seu regime de tributação pelo IRPJ com base no lucro presumido, cuja base de cálculo esta prevista na Lei • 9.718/98, tanto é verdade que o fundamento dos Autos de Infrações foi o art. 3°, parágrafo 1°, da Lei 9.718/98. Segundo, que a Lei n° 11.941/09, em seu art. 79, inciso XII, revogou o § 1º do art. 3º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998; fundamento de validade dos Autos de Infrações. Assim, não deve o Fisco Federal fechar os olhos para a realidade, passando a viver em uma realidade desconectada com o todo, sob pena de não prestigiar e não cumprir com os princípios constitucionais e legais da moralidade, da publicidade e da eficiência. Com o que causará maiores prejuízos ao Poder Público e a sociedade, na medida em que leva a discussão ao Judiciário, com os custos inerentes, além de ter de pagar as despesas e honorários de sucumbência, a pretexto de que está vinculado a letra fria da lei, quando o Supremo Tribunal Federal já pacificou a matéria, assim como os demais órgãos jurisdicionais. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.013266/200764 Acórdão n.º 1803002.517 S1TE03 Fl. 318 9 Sendo assim, não havendo razões para alterar o que foi argumentado e apresentado como defesa nas razões de impugnação, requerendo a sua adoção como razões recursais, somadas as razões que seguem. OFENSA AO ART. 195, INCISO I, DA CF A Constituição Federal, no seu art. 195, inciso I, previa, na data da publicação da Lei n° 9.718, 28.11.98, a contribuição social sobre o faturamento — LC 70/91 COFINS. Da mesma forma o art. 239 da CF, por referência expressa referência a LC 770, também previa a contribuição sobre o faturamento — PIS. Não havia qualquer previsão de que a contribuição incidiria sobre a receita bruta da pessoa jurídica, nem no art. 195, I, e nem no art. 239, ambos da CF. A Lei n° 9.718/98, em que pese dizer no seu art. 2° que a contribuição incidirá sobre o faturamento, alargou o conceito de faturamento ao definir no art. 3º que: faturamento é a receita bruta da pessoa jurídica. Já no art. 2° poderia ter dito que a contribuição incidirá sobre a receita bruta da pessoa jurídica, sem a necessidade de gastar dois artigos de lei para dizer qual a base de cálculo da contribuição (receita bruta da pessoa jurídica). Então fica claro que estamos tratando de receita bruta das pessoas jurídicas, não apenas do faturamento. Porque faturamento, conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal, no RE 150.764, quando apreciou a constitucionalidade da Lei Complementar n° 70/91, é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Não integrando outras receitas que não aquelas objeto de comercialização ou dos serviços prestados. Ou seja, receitas financeiras igualmente estão fora da materialidade constitucional atribuída a União. Não devem integrar o faturamento as receitas que não digam respeito, diretamente, com a venda de mercadorias e a prestação de serviços, excluindose, p.ex. receitas financeiras e outras receitas da pessoa jurídica. Voltando, então, a apreciação da conformidade do texto legal com o texto da Constituição. O art. 195, Inciso I, da Constituição foi alterado em 16.12.98, pela Emenda Constitucional n° 20. Com a alteração do dispositivo constitucional, foram introduzidas as letras "a" a "c", no inciso I do art. 195. Sendo que na letra "b", foi previsto que a contribuição social incidirá sobre a receita ou o faturamento. Entretanto, em relação ao art. 239 da CF nada houve de modificação. De pronto, notase que, se receita e faturamento fossem materialidades idênticas, não haveria necessidade de alteração da Constituição. A alteração foi realizada tendo em vista o que o Supremo Tribunal já havia decidido no Recurso Extraordinário n° 150.764. Então, ao tempo da publicação da Lei n°9.718, de 28.11.98, não havia qualquer permissão constitucional ou lei complementar que autorizassem a tributação sob a receita financeira da Recorrente. Se assim o fez, a Lei n°9.718, de 28.11.98, violou o disposto no art. 195, inciso I, da CF, porque a materialidade possível das contribuições, previstas na Constituição, era faturamento entendido como venda de mercadorias e prestação de serviços — e não sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica, por ser mais Fl. 318DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.013266/200764 Acórdão n.º 1803002.517 S1TE03 Fl. 319 10 ampla. A mesma regra aplicase ao PIS, recepcionado no art. 239 da Constituição Federal. Se a Lei nasceu inválida, em confronto como Texto Constitucional vigente à época, antes da Emenda Constitucional n° 20, de 16.12.98, no que diz respeito a ampliação da base de cálculo — art. 2° e 3° permaneceu inválida, mesmo após a promulgação da Emenda Constitucional n° 20, de 16.12.98. A Lei n° 9.718, 28.11.98 não é convalidada. O que nasce morto não ressuscita pela posterior criação das condições de vida. Assim, não há como validar as contribuições sobre a receita bruta das pessoas jurídicas, nos moldes da lei n° 9.718/98, posto que inconstitucional face ao que dispunha o art. 195, inciso I, da CF antes da Emenda Constitucional n° 20, de 16.12.98, e face ao disposto no art. 239 da CF e LC 7/70. O que se percebe é que, o fundamento legal dos Autos de Infrações foi o parágrafo 1° do art. 3° da Lei 9.718/98, que atacados os fundamentos na sua validade constitucional, restam improcedentes os Autos de Infrações. [...] Ainda, a Lei n°9.718, 28.11.98, afrontou a hierarquia das leis e a matéria a ela pertinente violando o disposto no art. 59 e 69 da Constituição Federal. Assim, em face destas razões restam demonstradas as ofensas ao Texto Constitucional perpetradas pela Lei n° 9.718, 28.11.98. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Ante o exposto, tendo em vista o cumprimento das condições de admissibilidade (i) tempestividade, (ii) adequação do recurso, e (iii) inexigibilidade de depósito recursal, REQUER que seja recebido este Recurso Voluntário e apreciadas as razões de fato e de direito, para reformar a decisão da Primeira Turma da DRJICTA e dar provimento ao Recurso Voluntário, extinguindo o crédito tributário, nos termos do art. 156, IX, do CTN, em face da improcedência dos Autos de Infrações do PIS e da COFINS Termos em que requer o provimento integral do Recurso. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de Fl. 319DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.013266/200764 Acórdão n.º 1803002.517 S1TE03 Fl. 320 11 março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente não se insurge especificamente contra os Autos de Infração de IRPJ e de CSLL, e assim, “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Especificamente a Recorrente discorda dos lançamentos de PIS e de Cofins. Pertinente à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), cabe ressaltar que foram criadas para o custeio da seguridade social, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, devem ser calculadas com base na receita bruta, podendo ser excluídos os valores das vendas canceladas, dos descontos incondicionais concedidos, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Por esta razão as receitas financeiras não compõem a base de cálculo destes tributos, no caso em que a pessoa jurídica não exerça atividade econômica tendo estas como objeto. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Agravo de Instrumento/Questões de Ordem nº 715.423/RS1, no Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 527.602/RS2 que reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998,3, e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF4. Os presentes créditos tributários de PIS e de Cofins foram constituídos a partir da omissão de rendimento de aplicação financeira. A Recorrente exerce atividade econômica de “indústria, comércio, importação e exportação de móveis”, fl. 111, e a aplicação financeira não é seu objeto principal. Tendo em vista o fato de que estes valores não compõem a receita bruta decorrente das atividades econômicas precipuamente exercidas pela Recorrente, os Autos de Infração de Pis e de Cofins são improcedentes. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, está comprovada. 1 BRASIL.Supremo Tribunal Federal. Agravo de Instrumento/Questões de Ordem nº 715.423/RS. Ministra Relatora: Ellen Gracie, Plenário, Brasília, DF, 11 de junho de 2008. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=546303>. Acesso em: 22 set.2011. 2 BRASIL.Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 527.602/RS. Ministro Relator Originário: Eros Grau, Ministro Relator Acórdão: Marco Aurélio, Tribunal Pleno, Brasília, DF, 5 de agosto de 2009. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=605653>. Acesso em: 22 set.2011. 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal.Jurisprudência. Repercussão Geral. Relatório da Repercussão Geral. Disponível em: < http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeralRelatorio>. Acesso em: 22 set.2011. 4 Fundamentação legal: art. 195 da Constituição Federal, art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.013266/200764 Acórdão n.º 1803002.517 S1TE03 Fl. 321 12 Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário para cancelar os lançamentos de PIS e de Confins incidentes sobre a base de cálculo decorrente da receita financeira. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 321DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13007.000080/2004-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
Ementa:
CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representando receita.
RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. NÃO INCIDÊNCIA. Os ingressos que a pessoa jurídica perceba a título de efetiva recuperação de custos e despesas não constituem receita para fins de tributação por meio da COFINS, notadamente por significarem mero estorno daqueles dispêndios anteriormente incorridos e não, como seria indispensável, aquisição de direito novo.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. CUSTOS COM TRATAMENTO DE EFLUENTES DO PROCESSO PRODUTIVO. Os dispêndios em que o industrial incorre para remover ou tratar os resíduos do processo compõem o respectivo custo de produção. Não importa se o custo é causa ou se é efeito da atividade fabril. Interessa apenas que seja pertinente a ela. Não importa, tampouco, se o tratamento é exigência de norma jurídica cogente ou se, ao contrário, constitui responsabilidade que a própria empresa se atribui.
Numero da decisão: 3301-002.137
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 Ementa: CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representando receita. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. NÃO INCIDÊNCIA. Os ingressos que a pessoa jurídica perceba a título de efetiva recuperação de custos e despesas não constituem receita para fins de tributação por meio da COFINS, notadamente por significarem mero estorno daqueles dispêndios anteriormente incorridos e não, como seria indispensável, aquisição de direito novo. COFINS NÃO-CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. CUSTOS COM TRATAMENTO DE EFLUENTES DO PROCESSO PRODUTIVO. Os dispêndios em que o industrial incorre para remover ou tratar os resíduos do processo compõem o respectivo custo de produção. Não importa se o custo é causa ou se é efeito da atividade fabril. Interessa apenas que seja pertinente a ela. Não importa, tampouco, se o tratamento é exigência de norma jurídica cogente ou se, ao contrário, constitui responsabilidade que a própria empresa se atribui.
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NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representando receita. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. NÃO INCIDÊNCIA. Os ingressos que a pessoa jurídica perceba a título de efetiva recuperação de custos e despesas não constituem receita para fins de tributação por meio da COFINS, notadamente por significarem mero estorno daqueles dispêndios anteriormente incorridos e não, como seria indispensável, aquisição de direito novo. COFINS NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. CUSTOS COM TRATAMENTO DE EFLUENTES DO PROCESSO PRODUTIVO. Os dispêndios em que o industrial incorre para remover ou tratar os resíduos do processo compõem o respectivo custo de produção. Não importa se o custo é causa ou se é efeito da atividade fabril. Interessa apenas que seja pertinente a ela. Não importa, tampouco, se o tratamento é exigência de norma jurídica cogente ou se, ao contrário, constitui responsabilidade que a própria empresa se atribui. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 7. 00 00 80 /2 00 4- 17 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por Innova S.A contra Acórdão n. 1019.800, de 10 de junho de 2009 (fls. 241/247), proferido pela 2ª Turma da DRJ/POA, que manteve o indeferimento parcial (R$ 232.295,03) do direito creditório pleiteado (R$ 259.883,06) relativo ao saldo credor de COFINS nãocumulativa vinculado a receitas de exportação. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida que transcrevo a seguir: “Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento/compensação, relativo ao saldo credor de COFINS não cumulativa. O interessado discorda da glosa parcial alegando, em preliminar, a ocorrência de litispendência administrativa, pois entende que a matéria objeto do presente processo já estaria sendo abordada no auto de infração objeto do processo n° 11080.008038/200789. No mérito, o interessado discorda da glosa parcial, oriunda do não oferecimento à tributação das receitas decorrentes das transferências de créditos do ICMS a terceiros e do creditamento indevido de valores referentes à despesas relativas ao seu processo de tratamento de efluentes, que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de PIS e COFINS. Alega que as operações de transferência de ICMS não se enquadram no conceito de receita, que se tratariam de mera cessão de crédito em pagamento de um passivo, decorrente da sistemática de apuração deste imposto e ainda que por conta do advento da Medida Provisória n° 451, de 15 de dezembro de 2008, a legislação teria sido alterada no sentido da não incidência da contribuição sobre as transferências de créditos de ICMS o que deveria beneficiar o interessado pela aplicação do princípio da lei mais benéfica. Sustenta, ainda, que o tratamento dos efluentes integra seu processo fabril, é obrigatório, incontornável e indispensável, pois diz respeito ao aspecto mais sensível da indústria petroquímica, que são as questões ambientais e o atendimento da rígida legislação pertinente. Portanto, alega que os serviços de tratamento de efluentes integram seu processo produtivo, pois sem tais serviços a própria atividade da empresa ficaria inviabilizada já que sua planta não poderia operar. Desta forma, os valores despendidos com esses serviços se tratariam de custos diretos que ensejariam direito aos créditos em questão. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13007.000080/200417 Acórdão n.º 3301002.137 S3C3T1 Fl. 3 3 Ao final, requer a acolhida de sua manifestação em todos os seus termos”. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e manteve o indeferimento parcial do direito pleiteado em acórdão com a seguinte com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts.7°, 8° e 90 da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Solicitação Indeferida Cientificado do referido acórdão em 28 de julho de 2009 (fl. 255), o interessado apresentou Recurso Voluntário em 24 de agosto de 2009 (fls. 256 a 273) pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Em sua defesa, a empresa trouxe como preliminar uma suposta litispendência administrativa. Desde já, afirmo que ratifico o entendimento da DRJ, e não acolho a arguição preliminar. Tornase importante esclarecer, que o período de apuração do crédito objeto do presente processo é diferente daquele objeto de análise no alegado processo n° 11080.008038/200789 (fls.258/259). Desta forma, mesmo que os assuntos tratados fossem ser similares, os processos tratam de procedimentos distintos de auditoria, que apreciaram pedidos de PER/DCOMP apresentados de forma independente pelo contribuinte, com períodos de apuração e valores dos créditos diferentes. Como bem exposto no acórdão da DRJ, houve alguns casos que foram referidos pelo contribuinte de forma equivocada, tentando fazer uma ligação Fl. 145DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 ao processo n° 11080.008038/200789 como sendo relativo à Cofins não cumulativa, para alegar litispendência com outro processo da mesma contribuição. Com base nessas sucintas ponderações, rejeito a preliminar levantada pelo contribuinte. Passando a questão de mérito, fica claro que lide diz respeito à inclusão, ou não, da cessão de direitos de ICMS na base de cálculo da COFINS (apurada pelo regime não cumulativo). A Lei nº 10.833, de 2003, traz atualmente as seguintes disposições de interesse: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II não operacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008). V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI – decorrentes de transferência onerosa, a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Fl. 146DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13007.000080/200417 Acórdão n.º 3301002.137 S3C3T1 Fl. 4 5 Prestações de Serviços Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008). VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1do art. 25 da Lei Complementar n. 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). Em que pese à referência hoje expressa à exclusão da base de cálculo da parcela ínsita à transferência onerosa de créditos de ICMS originados de operação de exportação (art. 1º, §3º, VI, da Lei nº 10.833/2003), estabeleceuse uma celeuma acerca da exclusão ou não dessa parcela em relação a períodos anteriores à Medida Provisória nº 451, de 2008. Essa norma incluiu o presente dispositivo, forte no argumento de que tal transferência de créditos de ICMS não se caracterizaria como receita da pessoa jurídica. A matéria já foi objeto de estudo pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais que, ao analisar o tema, proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 16/02/2005 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita. Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF, Acórdão n° 0203.783, 2ª Turma, Processo n° 13005.000684/200564 Recurso n° 202137.936, Sessão de 11 de fevereiro de 2009). Seguindo essa mesma linha de raciocínio, cito o acórdão 3202 000.500, de 22 de maio de 2012 (3ª Seção, 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, relator Gilberto de Castro Moreira Junior), que, a par de referenciar a supracitada decisão da CSRF, cita também o voto do Conselheiro Winderley Morais Pereira (acórdão 3403 00.708), que, a meu ver, desenvolve bem a matéria: “A operação de transferência dos créditos ocorre normalmente com um repasse em valores ou mercadorias das empresas recebedoras dos créditos às empresas cedentes. Entendo serem os valores recebidos em razão das transferências destes créditos de ICMS, operações de alteração patrimonial, visto que, os créditos não utilizados se constituem em direitos da empresa. Ao ceder os créditos, o valor recebido substitui no patrimônio, o valor ocupado anteriormente pelos créditos a serem recuperados que foram objeto da transferência. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Portanto, temos uma simples permuta de contas do ativo, não gerando receitas. Consequentemente, os valores recebidos nas operações de transferência não sofrem a incidência do PIS e da COFINS por sua natureza jurídica não se revestir de receita”. Tendo semelhante linha de raciocínio, vale a pena ainda destacarmos o acórdão 310101.147, de 26 de junho de 2012, Conselheiro Tarásio Campelo Borges: COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. REALIZAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS. No regime da não cumulatividade, a base de cálculo da contribuição é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A realização dos créditos do ICMS, por qualquer uma das formas permitidas na legislação do imposto, não constitui receita. Aqui é adotado como fundamento trechos da Decisão SRF/3ªRF/Disit nº 47, de 11 de dezembro de 1998, abaixo transcritos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS. INCIDÉNCIA. O recebimento, em forma de créditos do ICMS, de direitos decorrentes de transações realizadas e escrituradas pela empresa, e a recuperação de créditos do ICMS, mediante qualquer das modalidades previstas na legislação específica, não constituem fato gerador para a Contribuição para o PIS/PASEP. Dispositivos Legais: Artigos 2° e 3° da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998. (...) FUNDAMENTOS LEGAIS A princípio, cumpre observar que, conforme dispõe o 3° do artigo 231 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11/1/94 RIR/ 94, os impostos não cumulativos, recuperáveis mediante créditos na escrita fiscal, não integram o custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas na produção. Nesse sentido, sendo o ICMS não cumulativo, os valores pagos na aquisição de matérias primas e mercadorias não integram o respectivo custo, constituem crédito compensável com o que for devido na saída subsequente. Entretanto, ocorrendo a hipótese de não incidência na saída subsequente com manutenção do direito ao crédito, caso das operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primários e produtos industrializados, fica inviabilizada a compensação pela sistemática usual, restando à empresa adotar as formas alternativas de recuperação do crédito disciplinadas pelo artigo 69 do Regulamento do ICMS. Mister se faz ressaltar que a recuperação de créditos do ICMS, escriturados em conta patrimonial representativa de direitos a recuperar, mediante qualquer das modalidades previstas na legislação de regência, constitui fato administrativo permutativo, uma vez que apenas modifica a composição dos bens e direitos integrados ao patrimônio, não altera a situação líquida da empresa. Da mesma forma, não altera o patrimônio líquido, o recebimento, em forma de créditos do ICMS, de direitos decorrentes de transações realizadas pela empresa, devidamente contabilizadas e computadas no resultado do exercício, por tratarse de fato administrativo permutativo. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13007.000080/200417 Acórdão n.º 3301002.137 S3C3T1 Fl. 5 7 No mesmo sentido: CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS. A contribuição para o PIS não incide sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar, esta operação, de mera mutação patrimonial, que não representa obtenção de receita. (Processo nº 13052.000125/200327, acórdão nº 20218.714, de 12 de fevereiro de 2008 – unânime, 2º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, relator Antônio Zomer). PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação do PIS/Pasep, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto Estadual. (proc. nº 11065.004719/200413, acórdão 380101.042, de 20 de março de 2012 unânime neste ponto, 3ª Seção, 1ª Turma Especial, relator José Luiz Bordignon) Colocando uma pá de cal nos debates, a matéria em epígrafe foi objeto de recente decisão do STF referente ao RE 606.107, julgado em 22 de maio de 2013 em regime de repercussão geral, e acórdão publicado em 25/11/2013 consoante informe abaixo transcrito: “Plenário: PIS e Cofins não incidem sobre transferência de créditos de ICMS de exportadores. O Supremo Tribunal Federal (STF) negou provimento a um recurso da União em que se discutia a incidência de contribuições sociais sobre créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) obtidos por empresas exportadoras. No caso em discussão no Recurso Extraordinário (RE) 606107, uma empresa do setor calçadista questionava a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Programa de Integração Social (PIS) sobre créditos de ICMS transferidos a terceiros, oriundos de operações de exportação. No RE, que teve repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual do STF, a União alegou, em síntese, que os valores obtidos por meio da transferência dos referidos créditos de ICMS a terceiros constituem receita da empresa. Esta receita não estaria abrangida pela imunidade tributária conferida às exportações, não havendo norma excluindo tais receitas da incidência do PIS/Cofins. Já segundo o argumento do contribuinte, tratase de valor que decorre de operações visando à exportação, constituindose apenas em uma das modalidades de aproveitamento dos créditos de ICMS, utilizada por aquelas empresas que não possuem operações domésticas em volume suficiente para o uso de tais créditos, sendo que as demais não são sujeitas à tributação. Relatora Segundo o voto da relatora do RE, ministra Rosa Weber, que negou provimento ao recurso, tratase no caso de empresa exportadora que não tinha como fazer o aproveitamento próprio dos créditos, possibilidade Fl. 149DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 que lhe é assegurada pela Constituição Federal. “A Constituição Federal imuniza as operações de exportação e assegura o aproveitamento do imposto cobrado nas operações anteriores”, afirmou em seu voto. A finalidade da regra, disse a ministra, não seria evitar a incidência cumulativa do imposto, mas incentivar as exportações, desonerando por completo as operações nacionais, e permitindo que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos. “Não desonerar o PIS e a Cofins dos créditos cedidos a terceiros, seria vilipendiar o artigo 155, parágrafo 2º, inciso X, da Constituição Federal. Se estaria obstaculizando o aproveitamento do imposto cobrado nas operações anteriores”, afirmou. A ministra também entendeu que os valores obtidos com a transferência dos créditos de ICMS a terceiros não constitui receita tributável, pois é mera recuperação do ônus econômico advindo da incidência do ICMS sobre suas operações, tratandose de uma recuperação de custo ou despesa tributária. Em seu voto, também foi refutado o argumento da União segundo o qual seria necessária a existência de norma tributária para afastar a incidência do PIS/Cofins sobre os créditos de ICMS em questão. A posição da ministra foi acompanhada pelos demais ministros da Corte, vencido o ministro Dias Toffoli, para quem a cessão dos créditos de ICMS a terceiros constitui operação interna, não havendo na Constituição Federal vedação para a incidência do PIS/Cofins.” Dessa forma, forte nesses fundamentos, filiome à tese de que a cessão de créditos do ICMS não constitui receita tributável e, portanto, o seu valor não pode integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins. Outra questão que se apresenta diz respeito à inclusão, ou não, da recuperação de despesas na base de cálculo da COFINS (apurada pelo regime não cumulativo). Sobre esse assunto, trago à baila o acórdão nº 340300.912, assim ementado: COFINS. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Os ingressos que a pessoa jurídica perceba a título de efetiva recuperação de custos e despesas não constituem receita para fins de tributação por meio da COFINS, notadamente por significarem mero estorno daqueles dispêndios anteriormente incorridos e não, como seria indispensável, aquisição de direito novo. (proc. nº 11080.011707/200708, acórdão 340300.912, de 8 de abril de 2011 unânime neste ponto, 3ª Seção, 4ª Câmara, 3ª Turma Ordinária, relator Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz) Do voto condutor desse aresto, extraio as seguintes passagens de interesse à presente questão: “Nota fundamental à caracterização de receita é a de se tratar de riqueza nova, consistente seja no acréscimo de novos direitos ao patrimônio do sujeito, seja na valorização de direitos nele já previamente existentes. Este aspecto do conceito, todavia, não está presente nas situações em que a pessoa jurídica se limita a obter o reembolso de custos ou despesas previamente incorridos”. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13007.000080/200417 Acórdão n.º 3301002.137 S3C3T1 Fl. 6 9 Por todos, leiase em José Antônio Minatel: “(...) tratandose de despesa ou custo anteriormente suportado, sua recuperação econômica em qualquer período posterior, enquanto suficiente para neutralizar a anterior diminuição patrimonial, não ostenta qualidade para ser rotulada de receita, pela ausência do requisito da contraprestação por atividade ou negócio jurídico (materialidade), além de faltar o atributo da disponibilidade de riqueza nova. (...) parece evidente que o valor recebido a título de reembolso equivale a um estorno de despesa anteriormente registrado, por se caracterizar em simples recomposição de valor patrimonial, não reunido qualquer dos atributos que permita aproximar o reembolso de despesa ao conceito de receita.” (Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo: MP Editora, p.218/219) A redução do crédito pretendido em ressarcimento não deve prevalecer, portanto, no que decorra da inclusão, na base de cálculo do tributo, de valores pertinentes à recuperação de custos ou despesas.” Dessa forma, entendo que os ingressos relacionados à efetiva recuperação de despesas não se qualificam como receita tributável e, portanto, não devem integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. Com relação à questão levantada pelo contribuinte, sobre a glosa indevida dos créditos calculados em relação aos gastos com tratamento de efluentes liquido e resíduos sólidos, tenho o seguinte posicionamento: E notório que os custos com análises químicas e laboratoriais de produtos fabricados, os serviços de limpeza e higienização de fábricas e máquinas, além do tratamento de efluentes e resíduos industriais geram créditos do PIS e da Cofins. Há na jurisprudência dos tribunais e neste conselho, casos em que se reconhecem o credito proveniente desses insumos gerados através do tratamento de efluentes. Esse entendimento vem sendo adotado pelo CARF, no sentido de que os custos devem ser considerados insumos para o fim de obtenção de créditos fiscais na medida em que constituem gastos indissociavelmente ligados à atividade fim do contribuinte e que proporcionam a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção ou o seu aprimoramento. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e COFINS deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. (Acórdão nº 320200.226; CARF 2ª Câmara. Sessão de 08/12/2010) De acordo com essa decisão, podemos entender que o conceito de insumo deve ser interpretado de forma mais ampla, devendo ser levado em conta o Fl. 151DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 que é insumo segundo o Regulamento do Imposto de Renda. O supra citado descreve, em síntese, que insumo é todo custo necessário, usual e normal na atividade da empresa. Dentre os julgados cabíveis para a resolução desse caso, o contribuinte trouxe por meio de memoriais o caso da DOUX FRANGOSUL AGRO AVICOLA INDUSTRIAL, julgado em 02/08/2013, acordão n. 3403002139, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Ementa: COFINS NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. DESPESAS COM SERVIÇOS DE CAPATAZIA E ESTIVA. INADMISSIBILIDADE. Não se vinculando à atividade propriamente produtiva, as despesas incorridas com capatazia e estiva se assemelham mais a espécies de despesas com vendas, sem que, todavia, o artigo 3o da Lei no 10.833/03 contenha hipótese permissiva para o creditamento da COFINS, apurada segundo o regime não cumulativo. COFINS NÃO CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores da COFINS, compete ao sujeito passivo o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Por insuficiência de prova quanto à pertinência ao processo produtivo (inciso II, do artigo 3o, da Lei no 10.833/03) ou à espécie de negócio jurídico subjacente, não ensejam crédito os valores incorridos pela recorrente com (i) a aquisição de combustíveis e lubrificantes, (ii) a locação de mão de obra junto a pessoas jurídicas domiciliadas no País, (iii) a elaboração de projetos de engenharia e (iv) a indumentária do pessoal aplicado à produção. COFINS NÃO CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. CUSTOS COM TRATAMENTO DE EFLUENTES DO PROCESSO PRODUTIVO. Os dispêndios em que o industrial incorre para remover ou tratar os resíduos do processo compõem o respectivo custo de produção. Não importa que, cronologicamente falando, sucedam o acabamento do produto porque a questão aqui não é temporal. Não importa se o custo é causa ou se é efeito da atividade fabril. Interessa apenas que seja pertinente a ela. Não importa, tampouco, se o tratamento é exigência de norma jurídica cogente ou se, ao contrário, constitui responsabilidade que a própria empresa se atribui. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. LEI NO 10.925/04. O crédito do presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no. 10.833/03 em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê lo. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. LEI NO 10.925/04. RESSARCIMENTO. INADMISSIBILIDADE. Ao estabelecer que o crédito presumido só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, o artigo 8, 2, da Lei no 10.925/04 restringe a utilização do direito em períodos subsequentes ao de aquisição do insumo e, por conseguinte, veda a acumulação do benefício para a formação de saldos credores e para o ressarcimento ou compensação. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer à recorrente (i) o direito à apropriação de créditos do PIS e da COFINS não cumulativa sobre os custos (bens e serviços) associados à remoção e ao tratamento de efluentes da produção e (ii) o direito ao crédito presumido do artigo 8o, da Lei no 10.925/04 no equivalente a 60% do valor dos créditos previstos pelo artigo 3o, das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13007.000080/200417 Acórdão n.º 3301002.137 S3C3T1 Fl. 7 11 Neste sentido, é perfeitamente aplicável o inciso II, do artigo 3º, da Lei n. 10.883/03. Os dispêndios em que o industrial incorre para remover ou tratar os resíduos do processo compõem o respectivo custo de produção. Não importando que, cronologicamente falando, sucedam o acabamento do produto porque a questão aqui é temporal. Não importa se o custo é causa ou se é efeito da atividade fabril. Interessa apenas que seja pertinente a ela. Não importa, tampouco, se o tratamento é exigência de norma jurídica cogente ou se, ao contrário, constitui responsabilidade que a própria empresa se atribui. Sob relatoria do Cons. Henrique Pinheiro Torres, a 3ª CSRF se pronunciou em semelhante sentido. Confirase: “Isso denota que o legislador não quis registrar o creditamento do PIS/PASEP às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. (...) Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no país, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/PASEP”. (autos n. 11065.101271/200647, j. 09/11/2010)”. Nesse sentido, dou provimento ao pleito do contribuinte, reconhecendo o direito de credito provenientes do tratamento de efluentes. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2013 Fábia Regina Freitas Relatora. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10320.000355/2001-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL.
A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material,
que norteia o contencioso administrativo tributário.
A despeito da possibilidade de análise posterior da documentação, deixou o
contribuinte de fazer prova cabal do seu direito creditório.
Numero da decisão: 3301-002.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Tereza Martinez Lopez e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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Recorrente BHP BILLINTON METAIS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL. A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. A despeito da possibilidade de análise posterior da documentação, deixou o contribuinte de fazer prova cabal do seu direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relator. EDITADO EM: 05/03/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 03 55 /2 00 1- 29 Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Tereza Martinez Lopez e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório Trata na origem de pedido de compensação no valor total de R$ 729.884,08 a título de crédito presumido de IPI relativo ao 2º. trimestre de 2002, apurado segundo disposições da Lei 10.276/2001. O pleito em tela foi expresso às fls. 86/88, momento em que a contribuinte, ora recorrente, retificou o pedido inicial de fls. 01 com vistas a atender a todos requisitos formais. Tal pedido foi devidamente acolhido por meio de decisão da DRJ do Rio de Janeiro às fls. 257/271. Paralelamente, a contribuinte também formulou outros pedidos de compensação, igualmente lastreados no crédito presumido do 2° trimestre de 2002. Tais pedidos estão tratados nos seguintes processos: PA 10320.001836/200232, no valor R$ 729.884,08; e PA 10320.001950/200262, no montante de R$ 2.000.000,00. Todos os pleitos formulados pela contribuinte foram apresentados na Delegacia da Receita Federal em São Luís do Maranhão, onde se encontra situada filial da empresa. Analisando inicialmente o caso, a DRF de São Luís concluiu por sua incompetência por entender que a checagem quanto à apuração do crédito presumido, por ser centralizada, deveria ser feita na Delegacia do Rio de Janeiro, onde funciona a matriz da contribuinte. Dessa feita, conforme decisão de fls. fls. 31/33, remeteu o processo para a Derat/Rio de Janeiro. Analisando o pleito da recorrente, a Delegacia (DIORT/DERAT) do Rio de Janeiro, às fls. 42/50, concluiu pela extinção do processo sem julgamento do mérito porque, segundo exame preliminar, entendeu que o pedido de compensação foi apresentado por período mensal e não trimestral, como exige a legislação pertinente. Também constou das razões do desprovimento o fato de a empresa não ter apresentado com o pedido de compensação cópias do Livro de Registro e Apuração do IPI relacionados ao período correspondente ao crédito pleiteado. A contribuinte, por sua vez, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 62/94), mediante a qual apresentou retificação do pedido de compensação e anexou aos autos o Livro de Registro e Apuração de IPI. Examinando o pleito, a DRJ de Juiz de Fora (fls. 104/114) houve por bem não conhecer da manifestação de inconformidade e julgar nula a decisão proferida pela DIORT/RETAT/RJO por entender que não era aquela a delegacia competente para análise do pedido de compensação. Isso porque a partir do momento em que a matriz transfere o crédito presumido para uma de suas filiais, quem passa a ser o estabelecimento detentor do referido crédito? A matriz ou o estabelecimento que recebeu o crédito em transferência? No entendimento desta turma de julgamento, a filial, ao creditar em seu Registro de Apuração do IPI os valores recebidos em transferência, passa a apurar saldo credor do imposto, tomando se a detentora do direito creditório. Em consequência, pedidos de' ressarcimento formalizados Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10320.000355/200129 Acórdão n.º 3301002.283 S3C3T1 Fl. 3 3 em nome desta filial devem ser deferidos/indeferidos pela unidade da SRF de jurisdição sobre esta mesma filial. Os autos retornaram à DRF de São Luís que, às fls. 130/143, negou o pedido de compensação sob o fundamento de que o crédito presumido de IPI só poderia ser utilizado pela filial para compensação com débitos de IPI no mercado interno. Assim, a empresa, ao pleitear a compensação do crédito transferido pela matriz à filial com débito de IRPJ, pugnando, ainda, pelo ressarcimento da diferença entre um e outro, teria contrariado a legislação, razão pela qual o pedido estaria fora da previsão legal contida nos artigos 11, § 7º., da IN SRF 21/97 e 14, § 1° e § 3°, da IN SRF 210/2002. Nova manifestação de inconformidade foi apresentada pela contribuinte às fls. 164/170, em que a empresa novamente trouxe a retificação do pedido de compensação procedida e já apresentada na impugnação de fls. 62/94. Analisando o pleito, a DRJ de Recife concluiu por anular a decisão proferida pela Delegacia de São Luís, tendo determinado o seguinte: 1) Primeiramente, seja dada imediata ciência à interessada, da decisão proferida por esta DRJ.; 2) Em seguida, seja enviado o presente processo à Unidade da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre a matriz da interessada, para que, atendendo ao que está previsto na Lei n° 9.78411999, intime o contribuinte a apresentar as informações adicionais que sejam necessárias para o esclarecimento dos fatos e decida sobre o mérito do pedido. Encaminhado os autos à DERAT/RJ, esta emitiu parecer às fls. 243/247, mediante o qual foi proposto o indeferimento do pedido de compensação pelas seguintes razões: " a uma, que os créditos presumidos de IPI em ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social — COFINS, instituídos pela Lei n° 9.363, de 1311211996, não foram apurados pelo estabelecimento matriz, mas, sim, diretamente pelo seu estabelecimento filial inscrito no CNPJ sob o n° 42.105.8901000901; ** a duas, que não houve qualquer transferência de créditos de IPI do estabelecimento filial, inscrito no CNPJ sob o n° 42.105.89010009 01, para o estabelecimento matriz, inscrito no CNPJ sob o n° 42.105.8901000146, seja para compensação com débitos de IPI, seja para compensação com outros tributos; (...) ** a quatro, que, face a quase totalidade dos créditos de IPI escriturados pelo estabelecimento filial serem créditos presumidos de IPI em ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social — COFINS, instituídos pela Lei n° 9.363, de 1311211996, apurados pelo próprio estabelecimento filial, ou serem créditos fictos de IPI sobre a entrada de insumos isentos, ou sujeitos à alíquota zero — o que, aliás, foi objeto de lavratura de Autos de Infração, a teor dos processos n °S 10320.001220/200695 e 10320.0012211200630 — inexistem valores de créditos líquidos e certos de IPI do estabelecimento filial a serem transferidos e/ou compensados com quaisquer outros tributos; (...) Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 A DIORT/Derat/Rio de Janeiro, adotando as razões expendidas no parecer supracitado, concluiu que, a partir de então, este processo deve ser tratado como pedido de compensação de débitos da matriz utilizando crédito presumido apurado pela matriz (fls. 257/271). Contra esse último Despacho Decisório a contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade de fls. 279/340. Solicitou, preliminarmente, a nulidade desse despacho sob o fundamento de decurso do prazo para homologação tácita da compensação. No mérito, defendeu seu direito ao crédito presumido, não se conformando em ver seu pleito denegado em virtude dos erros formais cometidos no preenchimento dos pedidos. A DRJ de Juiz de Fora, analisando o pedido, houve por bem converter o julgamento em diligência para que a fiscalização: a) proceda à apuração, de forma centralizada, do crédito presumido relativo ao período objeto deste pedido (4° trimestre de 2000), observando que a empresa informa, à n. 140, que sua apuração (fl. 49) está correta, enquanto a fiscalização informa que a apuração foi efetuada com base nos dados da filial (descentralizada); b) se for apurado algum montante do benefício, efetuar os procedimentos para compensação do débito vinculado ao pleito de ressarcimento; c) dar ciência à interessada do resultado dos procedimentos efetuados, tanto quanto ao direito creditório quanto à compensação, reabrindo o prazo de trinta dias para apresentação de razões adicionais. A Fiscalização, às fls. 643/645, apontou que a Billiton Metais não poderia ser beneficiária do crédito presumido por não se enquadrar no conceito de empresa produtora e exportadora (art. 10 da Lei 9.363/96), dado que a industrialização dos produtos exportados ocorreu no âmbito do Consórcio Alumar, e não em estabelecimento da Billiton. Aduziu, citando representação fiscal elaborada pela DRF/Poços de Caldas, que o empreendimento Alumar não poderia, segundo a legislação de regência, ser constituído sob a forma de consórcio, tratandose, em verdade, de uma sociedade de fato. Nova manifestação de inconformidade se seguiu às fls. 649/679. Em resumo, a Manifestante apresentou as seguintes alegações: A "o Consórcio Alumar tem por objeto um empreendimento determinado"; B –" o Consórcio Alumar reveste a natureza de consórcio operacional que, após a conclusão da construção do parque industrial, tem como objetivo o desenvolvimento coordenado e conjunto de uma atividade industrial de transformação de recursos minerais"; C – o Consórcio Alumar também atende ao requisito legal de prazo de duração determinado; D – a Billiton, enquanto integrante do Consórcio Alumar, faz jus crédito presumido, pois produz e exporta mercadorias nacionais e, para isso, adquire, no mercado interno, MP, PI e ME. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10320.000355/200129 Acórdão n.º 3301002.283 S3C3T1 Fl. 4 5 Os autos retornaram à DRJ de Juiz de Fora que, examinando os argumentos trazidos pela contribuinte, ora recorrente houve por bem determinar o encaminhamento dos autos de volta à Defic/Rio de Janeiro para que a fiscalização procedesse à apuração, de forma centralizada, do crédito presumido relativo ao período objeto deste pedido, levandose em conta as compras de MP, PI ou ME no mercado interno e as exportações de Alumina e Alumínio efetuadas pela Billiton, observadas as normas que orientam a apuração do benefício fiscal;procedesse a apuração do crédito presumido. Em atendimento à nova solicitação, o auditor fiscal verificou os documentos e informações apresentadas pela contribuinte e apurou o valor do crédito presumido, tecendo as seguintes considerações às fls. 982/994: Não foi apresentada a escrituração do crédito presumido no Livro Diário, e nem as notas de transferências de crédito presumido da matriz para outras filiais, pois, conforme já identificado por essa Difis, em diligências anteriores, o crédito foi, originalmente, apurado de forma irregular pela filial.Tal fato já foi submetido a apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, com a devida ciência do contribuinte; As notas fiscais de compra de combustíveis não estão, em sua maioria, em nome do contribuinte, mas, sim, em nome do Consórcio Alumar, pois é ele que realiza a produção. Tal fato já foi submetido a apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, com a devida ciência do contribuinte; Em procedimento de auditoria, verificamos a regularidade das notas fiscais de exportação e de compras de insumos, combustíveis e energia elétrica, bem como a compatibilidade do somatório dos valores das mesmas com os lançados nas planilhas de apuração apresentada pelo contribuinte, onde constatamos que as notas fiscais 8.180, de 30/03/01; 8.181, de 30103/01; 8.993, de 21/08/01; 10.305, de 25/04/02 e 10.340, de 29/04/02 (cópias em anexo) foram relacionadas indevidamente como sendo de exportação, por isso excluímos os seus valores da base de cálculo do crédito presumido apresentada pelo contribuinte; O contribuinte não apresentou sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial. A apuração dos custos foi com feita com base na data da nota fiscal de compra; A base de cálculo do crédito do IPI, até o 3° trimestre de 2001 era regida exclusivamente pela Lei 9.363/96, onde, em termo de custos, permita, em seu art. 2º. apenas o aproveitamento do valor das aquisições de matérias primas, .produtos intermediários e materiais de embalagem (Decreto n° 2.637/98). A Medida Provisória n° 2.2021, convertida na Lei n° 10.276/01, trouxe uma nova opção para o cálculo do crédito presumido do 1PI, aceitando também na metodologia de apuração da base de cálculo, em termo de custos, o aproveitamento dos gastos com combustíveis e energia elétrica. Esta nova metodologia de cálculo entrou em vigor para as exportações realizadas a partir de 1° de outubro de 2001, e os procedimentos a serem observados para a sua correta aplicação foram estabelecidos pela IN/SRF n°69101. Portanto, temos que o contribuinte incluiu indevidamente os gastos Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 com combustíveis e energia elétrica na apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI no período do 1º. trimestre de 2000 ao 3° trimestre de 2001. A Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora, de posse das informações colhidas pela Delegacia de Fiscalização, concluiu por negar o direito ao crédito por meio de acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 10/10/2000 a 31/12/2000 CONSÓRCIO DE EMPRESAS. EMPREENDIMENTO DETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. . O objeto do consórcio deve ser necessariamente identificado e limitado, sob o risco de configuração de uma sociedade de fato. A elaboração do parque industrial, a exploração das atividades de Refino de Bauxita e também de Redução de Alumina, para a obtenção do Alumínio, não pode ser caracterizada como um empreendimento determinado, para fins de respaldar a constituição de um consórcio de empresas nos termos da legislação comercial. É necessário que o empreendimento seja determinado quanto ao contrato ou negócio jurídico especificamente envolvido. Ademais, da perpetuação do empreendimento, no tempo, e do constante incremento de produção não planejado no empreendimento original, depreendese o ânimo definitivo, inerente às pessoas jurídicas constituídas com o propósito de continuidade e obtenção crescente de lucro. APROVEITAMENTO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INADMISSIBILIDADE. Inadmissível o aproveitamento de Crédito Presumido de IP I por empresa que não se enquadra nos pressupostos legais para fruição do benefício fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2001 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Admitida a retificação da declaração de compensação, o prazo para homologação é contado a partir da data da entrega da declaração retificadora. Em face dessa decisão o contribuinte interpõe o competente recurso voluntário (fl. 1082/1118) mediante o qual aponta, em apertada síntese, o seguinte: 1 – O Consórcio ALUMAR é um consórcio operacional constituído para execução de um empreendimento determinado consistente na prática de negócios jurídicos relacionados com a exploração de uma atividade industrial de transformação de recursos minerais. 2 – O Consórcio ALUMAR tem prazo determinado estipulado em contrato. Prazo esse longo, mas perfeitamente adequado para o fim a que se destina o Consórcio : implantar um conjunto de instalações Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10320.000355/200129 Acórdão n.º 3301002.283 S3C3T1 Fl. 5 7 industriais e nelas produzir alumina e alumínio. Atendido, assim, o requisito legal do prazo certo e estipulado. 3 – Equivocada a caracterização do consórcio como sociedade de fato. Isso porque no caso da entidade consorciada, que é o caso do Consórcio ALUMAR, a sociedade não apura lucro. A receita obtida por esse tipo de entidade é atribuída a cada sociedade que a integra. Os resultados, assim, não lhe pertencem, mas pertencem à cada uma das sociedades participantes. No caso do Consórcio ALUMAR é isso que se verifica em seu contrato societário, donde inviável, por essa razão descaracterizar a sociedade consorcial, atribuindolhe status de sociedade de fato, pois não o é. 4 – A descaracterização do Consórcio ALUMAR, enquadrandoo como sociedade de fato implicaria a sua absurda caracterização como sujeito passivo de obrigações tributárias. Nesse mesmo racional temse que não haveria razão para a recorrente eventualmente apropriarse de receitas e despesas na proporção de sua participação, devendo ser excluídos esses valores da escrita fiscal da recorrente para fins de apuração de IRPJ. 5 – Traz jurisprudência do CARF a respeito do tema relacionado à descaracterização da sociedade consorcial. Dentre os precedentes trazidos está um prolatado pela antiga 7ª. Câmara do 1º. Conselho de Contribuintes, que aduz que, na legislação pertinente, o termo “determinado" está empregado no sentido de designação precisa e completa do objeto do consórcio, e não para limitála à execução de uma única operação, bem como o termo "duração" não está sendo empregado no sentido de negar ao consórcio o caráter de permanência. É esse, em síntese, o relatório. Voto Conselheiro FABIA REGINA FREITAS O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Como relatado, a controvérsia trazida para análise por esse Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nesses autos, após diversos exames e reexames do pedido de compensação formulado pela contribuinte, reside em saber se a contribuinte, ora recorrente, atenderia aos requisitos de sociedade comercial exportadora para fins de aproveitamento do crédito presumido de IPI. Na hipótese tratada, essa análise de atendimento dos requisitos para o aproveitamento do crédito deve ser precedida da seguinte indagação: É possível que a Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 autoridade administrativa fiscal descaracterize o Consórcio ALUMAR, sociedade devidamente e regularmente constituída, atribuindolhe a roupagem de sociedade de fato? A esse respeito entendo assistir razão à contribuinte. É que o Consórcio ALUMAR, ao contrário do que concluiu o aresto recorrido, atende aos requisitos delineados nos arts. 278, caput e 279, III da Lei 6404/1976, eis que: 1 – A sociedade, de fato envolve diversas etapas de execução na consecução de seu objetivo maior, que é executar empreendimento determinado, tal como descrito no seu art. I da "Alteração e Consolidação do Contrato do Consórcio ALUMAR de 1° de janeiro de 1995" (fls.417/419): "ARTIGO I OBJETO E DESCRIÇAO DO CONSORCIO Pelo presente Contrato, a Alcoa, Billiton, Alcan e Abalco estabelecem um Consórcio, que tem por objeto a aquisição, montagem e construção de instalações para o Refino de Alumina , e de instalações para a Redução de Alumínio, juntamente com instalações de apoio , nas vizinhanças de São Luis, Estado do Maranhão , República Federativa do Brasil, assim como a operação de tais instalações com base em fornecimento proporcional de bauxita , a partilha da alumina produzida por Alcoa, Billiton, Alcan e Abalco, a partilha do alumínio produzido por Alcoa e Billiton e uma correspondente participação nos custos de produção da alumina e do alumínio. Em complemento à descrição do original `Escopo do Projeto São Luís' — e mais especificamente, à original `Descrição das Instalações' de Refino ali contida — assinado e feito em 1981, o ativo fixo pertencente ao Empreendimento de Refino de Alumina em sua atual capacidade é de aproximadamente 1.042.000 .toneladas. métricas por ano ("TMPA"), como resultado de condições otimizadas de processamento, índices de fluxo, utilização de equipamentos e outras variáveis operacionais, introduzidas para a obtenção de tal capacidade, encontrase listado no `Anexo A'." Nesse ponto, entendo que a complexidade das atividades desenvolvidas no consórcio é fator inerente à sua própria criação. Não se espera a criação de um consórcio, com a junção de diversas empresas, com diferentes especialidades, para a consecução de uma única atividade. O consórcio, em geral, é constituído para a realização de empreendimentos determinados de grande monta ou abrangência. No caso do Consórcio ALUMAR está claro o objetivo da junção das empresas, dentre as quais se encontra a contribuinte, ora recorrente, que consiste na montagem de um Parque Industrial para a exploração e industrialização de metais determinados. Eis o atendimento ao que definido pelo art. 278 e 279, II da Lei mencionada. O aresto recorrido, utilizandose de notícias colhidas pela rede internacional de computadores no sentido de que o Consórcio já ultrapassou a produção máxima prevista de 3.000.000 toneladas métricas anuais e atingiu, em dezembro deste ano, a marca de 3.500.000 toneladas métricas anuais, concluiu que o empreendimento estaria descaracterizado porquanto se expande sem quantificação definida, ou seja, o desejo das consorciadas é o incremento constante da produção. Em que pese o respeito quanto à irresignação contida no aresto recorrido, entendo que o requisito da abrangência da finalidade e a amplitude do objeto do empreendimento não lhe retiram a característica legal de “empreendimento determinado”. A Redatora designada Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10320.000355/200129 Acórdão n.º 3301002.283 S3C3T1 Fl. 6 9 pelo acórdão, ao analisar esses requisitos, conferiu ao caso concreto uma interpretação restritiva da legislação, que não indica a descaracterização da sociedade consorcial com base nos requisitos estabelecidos em seu voto. 2 – Quanto à possibilidade de prorrogação, entendo que igualmente assiste razão à recorrente. Isso porque o art. 279, III da Lei 6404 estabelece que o Consórcio deve ter prazo determinado. Não impôs a legislação o estabelecimento de prazo, seja ele curto ou longo. Tampouco restringiu a legislação a possibilidade de prorrogação desse prazo. No caso do Consórcio ALUMAR entendo que por se tratar de empreendimento de envergadura considerável, não se pode, como quer a DRJ, restringir as atividades a um período curto de tempo. Tratase de um projeto de relevância para o País, para o desenvolvimento do próprio Estado do Maranhão e de envergadura internacional, Por isso mesmo dependente de período maior para sua consecução. Não se trata de uma obra pública, cuja conclusão é possível de se prever. Tratase de um processo de exploração de metais de alta relevância para o desenvolvimento da economia nacional. Assim sendo, por não haver na legislação de regência qualquer norma que vede a renovação do prazo estabelecido para funcionamento da sociedade consorcial, por inexistir regra que estipule o prazo máximo para esse funcionamento e considerando, ainda, a alta relevância do empreendimento em tela, concluo que assiste razão da recorrente também nessa parte. 3 – No tocante ao objetivo de lucro, mencionado pelo aresto recorrido, temse que é evidente que a sociedade consorcial não detém esse objetivo de lucro, até mesmo porque não detém o consórcio personalidade jurídica. O objetivo de lucro, por óbvio, está nas sociedades que participam do consórcio. Por óbvio, como empresas privadas, possuem interesse na rentabilidade das atividades do Consórcio. Do contrário, não haveria razão para a exploração do empreendimento, pois sobrevivem do valor recebido. No caso do Consórcio ALUMAR, essa característica de divisão do quinhão de cada uma das sociedades participantes do consórcio está bem delineada ao longo do Contrato do Consórcio ALUMAR (fls. 417/628). Assim, ainda que seja irrelevante, no entender dessa Relatora, a descaracterização do consórcio constituído, entendo que a DRJ não andou bem ao concluir, sem observar o contexto social e legislativo que permeia a atividade de consórcio de empresas, que o Consórcio ALUMAR não atende aos requisitos legais da sociedade consorcial. Nesse aspecto, entendo que merece reforma o julgado a quo também por essa razão. Ultrapassada a questão atinente ao atendimento dos requisitos para aproveitamento do crédito, devese analisar o próprio direito ao crédito presumido pleiteado. Nesse aspecto, entendo que esse Colegiado, com base no art. 515, par. 1º. tem competência para analisar a questão, vez que a matéria foi objeto de discussão na Corte a quo. De fato, no voto vencido prolatado pelo aresto recorrido é possível verificar que, com base em diligência requerida pela própria DRJ, a Delegacia de origem checou a constituição do crédito pleiteado e concluiu que parte dos valores requeridos estão corretos, na linha do que apurado pelo auditor fiscal. Nesse diapasão, adoto, também nessa parte, as razões expendidas pelo voto vencido constante no aresto recorrido, verbis: 2 Das exclusões na apuração do beneficio Uma vez admitida a Billiton Metais enquanto beneficiária do crédito Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 presumido objeto do presente pleito, necessário adentrar nas questões de mérito que surgiram com a apuração efetuada pelo auditor fiscal. Segundo descrito no Termo de Constatação Fiscal de fls. 489/490, a fiscalização excluiu, neste trimestre, as aquisições de combustíveis e de energia elétrica da apuração do beneficio. Os valores desconsiderados estão discriminados na planilha de fl. 395, fornecida pela empresa, e os valores apurados pelo auditor constam da planilha de fl. 493. Quanto à exclusão dos combustíveis, não houve contestação da Manifestante. As razões por último apresentadas pela contribuinte voltamse, apenas, à desconsideração dos gastos com energia elétrica. Não obstante a ausência de instauração de litígio contra a exclusão dos combustíveis,cumpre observar que a fiscalização agiu corretamente. A impossibilidade de incluir os gastos com combustíveis na apuração do crédito presumido com amparo na Lei 9.363/96 é questão pacificada na esfera administrativa, tendo sido, inclusive, objeto da Súmula CARF n° 19, que possui o seguinte enunciado: Súmula CARF N° 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei N° 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. Entretanto, no tocante à exclusão da energia elétrica a matéria requer análise mais aprofundada, apesar de sua menção no enunciado da súmula acima transcrita. Ocorre que a Manifestante aduziu, no item III de sua Manifestação (fls. 502/509), que no caso específico do processo de transformação do Alumínio que efetua (mediante redução da alumina por eletrólise), a energia elétrica enquadrase nas disposições do PN CST 65/79, pois age diretamente sobre o produto em fabricação. Antes de verificar a possibilidade de enquadrar a energia elétrica consumida na eletrólise nas disposições do mencionado parecer, haveria de ser dirimida questão relativa à quantificação dessa energia elétrica. Do que consta dos autos, a contribuinte incluiu, na apuração do crédito presumido, o valor total das aquisições de energia elétrica (fls. 402 e 395), não segregando aquela consumida no processo da eletrólise. Essa segregação é indispensável, dado que a energia utilizada como força motriz, fonte de calor ou de iluminação, ainda que no setor industrial, não integra a base de cálculo do beneficio, nos termos da já mencionada Súmula CARF n° 19. Importante observar ainda que, no caso da interessada, a energia elétrica consumida no setor industrial não é destinada apenas à produção do alumínio por redução eletrolítica, mas também, ao processo de refino da bauxita (refino), que não envolve eletrólise. Além disso, no tocante ao consumo da energia elétrica na eletrólise propriamente dita colhemse informações de que representa, proporcionalmente, o menor consumo. Citese, para exemplificar, dados técnicos da produção eletrolítica do alumínio, hipótese tratada nos autos: "A voltagem de cada uma das cubas, ligadas em série, varia de 4 V a 5 V, dos quais apenas 1,6 V são necessários para a eletrólise propriamente dita. A diferença de voltagem é necessária para vencer resistências do circuito e gerar calor para manter o eletrólito em fusão ". Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10320.000355/200129 Acórdão n.º 3301002.283 S3C3T1 Fl. 7 11 Fonte:site www.abal.org.br /alumínio/produção Ou seja, além da necessidade de segregar a energia elétrica consumida na eletrólise daquela consumida nos demais setores e processos industriais, existe ainda a necessidade de aferir a energia elétrica consumida na eletrólise propriamente dita (a que circula pelos eletrodos), segregandoa do consumo de energia elétrica necessária ao aquecimento da solução eletrolítica. Será que a empresa dispõe de mecanismos para auferir, hoje, com precisão, a energia elétrica consumida na eletrólise propriamente dita na produção do ano de 2000? Acho pouco provável. Portanto, ainda que reconhecido fosse o direito, não vislumbro, hoje, como quantificálo. Quanto ao direito em si, a matéria é por demais controversa e necessita de conhecimentos técnicos aprofundados para sua correta compreensão. Acerca da produção eletrolítica de metais, são fartas as informações que se obtêm em pesquisa à internet, e não há muitas dúvidas quanto ao processo em si. Todavia, a grande dúvida reside em definir, com precisão, o papel da energia elétrica na eletrólise, papel esse cuja definição é imperiosa para que essa energia receba o tratamento de produto intermediário. Todavia, esta turma de julgamento já emitiu o entendimento, em oportunidades anteriores, de que a energia elétrica consumida na eletrólise não satisfaz as condições do PN CST 65/79, não devendo compor a base de cálculo do crédito presumido. Isso porque, nos termos do já mencionado parecer, para que um insumo seja enquadrado como produto intermediário é necessário que seu consumo decorra de "um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida'. No meu entendimento, é impróprio afirmar que a energia elétrica entre em contato físico com qualquer produto em fabricação. O contato físico, nos termos do PN CST 65/79, só abrange contato entre bens materiais, ou seja, entre bens dotados de massa. A energia, pela sua própria característica, é uma grandeza abstrata, que, sequer, pode ser medida diretamente. E sua ação é sempre indireta, Com essas considerações, não merece reparos o procedimento do auditor, não havendo como reconhecer o direito de inclusão dos combustíveis e da energia elétrica na base de cálculo do crédito presumido. Como a unidade de origem indeferiu, na sua totalidade, o crédito alegado pela contribuinte, deve ser reconhecido, neste trimestre, a legitimidade do crédito presumido no valor total de R$ 539.729,04, segundo apuração de fl. 493. Esse valor reconhecido deve ser repartido entre os processos que utilizaram o crédito presumido deste 4° trimestre de 2000 (...) Portanto, no presente processo (10320.000355/200129), voto peloreconhecimento do direito creditório no valor de R$ 539.729,04.”(fls. 1060/1062). Diante do exposto, ultrapassada a questão atinente aos requisitos para o aproveitamento, deve ser reconhecido parte do crédito pleiteado, nos termos do voto vencido prolatado pela Eg. DRJ. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 CONCLUSÃO Nesses termos, voto por dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para (i) reconhecer que estão presentes os requisitos para o aproveitamento do crédito presumido de IPI; e (ii) reconhecer parte do crédito pleiteado nos termos do voto vencido prolatado pela Eg. DRJ. Fábia Regina Freitas Relatora Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10183.005583/2004-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
RECEITAS DE EXPORTAÇÕES INDIRETAS NÃO COMPROVADAS: Não tendo sido juntado documentação hábil a comprovar a integralidade das exportações indiretas, deve-se manter a glosa daquelas exportações indiretas carentes de confirmação no sistema SISCOMEX
GLOSAS DE ÓLEO COMBUSTÍVEL, LENHA, CAVACO (espécie de lenha) E ENERGIA: Questão já se encontra resolvida por esse CARF por sua Súmula 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
GLOSA QUANTO AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS: Deve-se reconhecer a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor recolhido quando da aquisição de insumos adquiridos de cooperativas. Entendimento consagrado em sede de Recurso Repetitivo pelo STJ no REsp nº 993.164/MG.
TAXA SELIC - É de ser aplicada a taxa SELIC ao crédito que se pretende ver compensado/restituído a partir do protocolo do pedido de ressarcimento ou restituição junto à Administração Tributária. Jurisprudência do STJ em sede de Repetitivo nesse sentido: RESP nº 993.164MG.
Numero da decisão: 3301-002.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
EDITADO EM: 15/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. RECEITAS DE EXPORTAÇÕES INDIRETAS NÃO COMPROVADAS: Não tendo sido juntado documentação hábil a comprovar a integralidade das exportações indiretas, deve-se manter a glosa daquelas exportações indiretas carentes de confirmação no sistema SISCOMEX GLOSAS DE ÓLEO COMBUSTÍVEL, LENHA, CAVACO (espécie de lenha) E ENERGIA: Questão já se encontra resolvida por esse CARF por sua Súmula 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. GLOSA QUANTO AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS: Deve-se reconhecer a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor recolhido quando da aquisição de insumos adquiridos de cooperativas. Entendimento consagrado em sede de Recurso Repetitivo pelo STJ no REsp nº 993.164/MG. TAXA SELIC - É de ser aplicada a taxa SELIC ao crédito que se pretende ver compensado/restituído a partir do protocolo do pedido de ressarcimento ou restituição junto à Administração Tributária. Jurisprudência do STJ em sede de Repetitivo nesse sentido: RESP nº 993.164MG.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2382; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.005583/200450 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.265 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2014 Matéria Ressarcimento de crédito presumido de IPI. Recorrente OLVEPAR SA. INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. RECEITAS DE EXPORTAÇÕES INDIRETAS NÃO COMPROVADAS: Não tendo sido juntado documentação hábil a comprovar a integralidade das exportações indiretas, devese manter a glosa daquelas exportações indiretas carentes de confirmação no sistema SISCOMEX GLOSAS DE ÓLEO COMBUSTÍVEL, LENHA, CAVACO (espécie de lenha) E ENERGIA: Questão já se encontra resolvida por esse CARF por sua Súmula 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. GLOSA QUANTO AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS: Devese reconhecer a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor recolhido quando da aquisição de insumos adquiridos de cooperativas. Entendimento consagrado em sede de Recurso Repetitivo pelo STJ no REsp nº 993.164/MG. TAXA SELIC É de ser aplicada a taxa SELIC ao crédito que se pretende ver compensado/restituído a partir do protocolo do pedido de ressarcimento ou restituição junto à Administração Tributária. Jurisprudência do STJ em sede de Repetitivo nesse sentido: RESP nº 993.164MG. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 55 83 /2 00 4- 50 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. EDITADO EM: 15/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório Tratase, na origem, de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao ano calendário de 2000, apresentado pela empresa em 15/12/2004 (fl. 02), mediante o qual se pleiteia o reconhecimento do valor de R$ 4.776.621,81 para ressarcimento do valor de PIS/PASEP e da COFINS pagos na aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos exportados. O pedido de ressarcimento foi parcialmente acolhido (fls. 625/629), por meio de decisão assim ementada, verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 1º. ao 4º. Trimestres de 2000 Ementa: As receitas provenientes produtos vendidos com fim específico de exportação, não exportados, serão excluídas das receitas de exportação no cálculo do crédito presumido de IPI. O valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS e da Cofins, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Fretes, óleo combustível, sacarias, lenha, cavaco e energia não geram direito ao crédito presumido de IPI, pois não se enquadram no conceito de matéria prima, produto intermediário, ou material de embalagem. Solicitação Deferida em Parte A parte dispositiva do r. despacho decisório foi claro ao delimitar a extensão do deferimento, verbis: a) DEFERIMENTO PARCIAL do pedido de ressarcimento efetuado através do formulário de folha 01, reconhecendo o direito creditório contra a Fazenda Nacional a título de crédito presumido de IPI Fl. 746DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10183.005583/200450 Acórdão n.º 3301002.265 S3C3T1 Fl. 3 3 apurado pelo regime da Lei n° 9363/96 nos 1º. a 4º. trimestres de 2000, no valor de R$ 244.182,77 (duzentos e quarenta e quatro mil, cento e oitenta e dois reais e setenta e sete centavos), ressalvado à interessada, quanto à parte não reconhecida do crédito, o direito de apresentar manifestação de inconformidade junto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora (MG) no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência deste Despacho Decisório; b) Utilização do crédito para compensar de ofício débitos porventura existentes, cumprindo o disposto nos arts. 49 a 54 da IN SRF n° 900/2008; c) O ressarcimento do saldo remanescente, se houver, na forma da legislação vigente. Irresignada, a ora recorrente interpôs manifestação de inconformidade em que alegava às fls. 652/672, insurgindose, em síntese quanto às glosas relativas: (i) aos montantes pagos nas aquisições de lenha, cavaco, energia e combustível; (ii) às aquisições de insumos de cooperativas e pessoas físicas; e (iii) às receitas oriundas de exportações indiretas quer não restaram documentalmente comprovadas em vista das informações constantes no SISCOMEX. A manifestação de inconformidade foi parcialmente acolhida pela DRJ de Juiz de Fora, que reconheceu apenas o direito ao crédito oriundo da aquisição das mercadorias oriundas de pessoa física, mantendo o indeferimento quanto aos demais pontos. A ementa do aresto está assim redigida, litteris: “ASSUNTO: Imposto sobre produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 CRÉDIRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. A base de cálculo do crédito presumido será o somatório da aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo, dentre os quais não se incluem gastos com materiais utilizados para geração de energia, isto é, como força motriz na movimentação de máquinas e equipamentos (combustíveis, óleo pesado, óleo diesel, querosene, gás e palha melosa) bem como nãi incluem os gastos com materiais utilizados na manutenção de instalações, máquinas e equipamentos. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE LENHA, CAVACO, ENERGIA E COMBUSTÍVEL. Os gastos com materiais utilizados para geração de energia, isto é, como força motriz na movimenta;cão de máquinas e equipamentos (óleo combustível, lenha, cavaco e energia) não podem ser computados na base de cálculo do crédito presumido, sob a forma de insumos utilizados no processo produtivo, uma vez que não revestem a condição de matériaprima ou produto intermediário que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, nos termos da legislação de regência. CRÉDIRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS Fl. 747DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 O valor das matériasprimas adquiridas de cooperativas, não se computa no cálculo do crédito presumido, pois, conforme a legislação de regência, existe a vedação expressa à inclusão de tais insumos adquiridos anteriormente a 03/04/2003. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS Conforme o disposto no art. 19 da Lei no. 10.522/2002 c/c o art. 26A, par 66, inciso II, letra “a”, e do Ato Declaratório PGFN no. 14/2011, devese acatar a inclusão na base de cálculo do beneficiário do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. Para fins de apuração do crédito presumido, a Receita de Exportação a ser considerada é o valor das exportações cuja saída para o exterior pode ser confirmada no sistema SISCOMEX. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Ciente da r. decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 702/725, pugnando pelo reconhecimento do seu direito ao crédito presumido de IPI em relação (i) aos montantes pagos nas aquisições de lenha, cavaco, energia e combustível; (ii) aos valores relativos às aquisições de insumos de cooperativas; e (iii) às receitas oriundas de exportações indiretas que não restaram documentalmente comprovadas. Requereu, ao final, pela aplicação da taxa SELIC aos valores a serem restituídos. É o relatório Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. A questão travada nesses autos é simples e já conhecida por esse Colegiado. RECEITAS DE EXPORTAÇÕES INDIRETAS NÃO COMPROVADAS No tocante às glosas das receitas de exportações indiretas realizadas pela empresa Tradigrain do Brasil Ltda, o acórdão recorrido manteve a glosa por entender que tais exportações teriam ocorrido em sua totalidade e que apresentava documentos que comprovavam sua alegação, Ocorre que nenhum documento foi juntado e ante a inexistência de qualquer outro argumento de defesa devo concluir que está correta a conclusão da autoridade fiscal ao glosar as exportações indiretas carentes de confirmação no sistema SISCOMEX. No recurso voluntário, a recorrente limitase a apontar que as guias de exportação acostadas ao libelo inaugural atestam e garantem a ocorrência da efetiva exportação dos produtos. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10183.005583/200450 Acórdão n.º 3301002.265 S3C3T1 Fl. 4 5 Como se verifica, os fundamentos utilizados pela recorrente não ilidem as razões expedidas no aresto recorrido. De se notar que toda a documentação carreada aos autos foi devidamente analisada e confrontada com as informações constantes no SISCOMEX. Nesse diapasão é que a fiscalização concluiu que parte dessas exportações não estaria comprovada. Assim, caberia ao contribuinte, de forma objetiva, apontar o efetivo cumprimento da obrigação e a eventual inconsistência contida na informação fornecida pelo SISCOMEX. Não foi o que ocorreu no caso presente, tendo a contribuinte limitado seus fundamentos em dois parágrafos, nos quais não destaca nenhum fundamento novo capaz de modificar o julgado. Por essa razão entendo por manter a glosa perpetrada, negando provimento ao recurso da contribuinte nessa parte. GLOSAS DE ÓLEO COMBUSTÍVEL, LENHA, CAVACO (espécie de lenha) E ENERGIA O aresto recorrido indeferiu os créditos oriundos de óleo combustível, lenha, cavaco e energia, eis que os gastos com materiais utilizados para geração de energia, isto é, como força motriz na movimentação de máquinas e equipamentos (óleo combustível, lenha, cavado e energia) não podem ser computados na base de cálculo do crédito presumido, sob a forma de insumos utilizados no processo produtivo, uma vez que não revestem a condição de matériaprima ou produto intermediário que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização (...). Em que pese a irresignação da contribuinte em seu recurso voluntário, a sua pretensão não merece guarida nessa parte em vista do que determina a Súmula CARF n. 19, in litteris: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Assim, concluo por manter o aresto recorrido nessa parte por estar em consonância com o teor do verbete supracitado. GLOSA QUANTO AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS Quanto à inclusão das despesas provenientes da aquisição dos insumos adquiridos de cooperativas, a decisão recorrida manteve a glosa procedida pela fiscalização com base no disposto no art. 2º. Da IN STF n. 103/97, que reza, verbis: Art. 2º. – As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido. Ocorre que o STJ, em sede de julgamento de recurso representativo da controvérsia, assim definiu a matéria, in verbis: Fl. 749DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercia. (REsp nº 993.164/MG, Min. Luiz Fux – julgamento submetido ao rito do recurso repetitivo art. 543C do CPC) Nesse contexto, devese dar provimento ao recurso do contribuinte nessa parte por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações posteriores, eis que a controvérsia sobre a citada matéria encontrase superada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por meio de julgamento submetido ao rito do recurso repetitivo (art. 543C, do CPC). GLOSA QUANTO AOS VALORES RELATIVOS A FRETES E SACARIAS A recorrente insurgese, ainda, alegando que o v. aresto recorrido não teria examinado sua discordância no tocante as glosas de valores relativos a fretes e sacarias, tendo em vista que a ora Recorrente fez constar expressamente em sua manifestação de inconformidade sua irresignação acerca de tal matéria. Analisando o trecho da manifestação de inconformidade que, segundo o contribuinte, teria sido impugnada a glosa quanto aos valores relativos a fretes e sacarias, constatamos que não houve insurgência específica quanto à matéria. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10183.005583/200450 Acórdão n.º 3301002.265 S3C3T1 Fl. 5 7 De fato, às fls. 665/667, a contribuinte aponta, de forma genérica, trechos de legislação que abordam a base de cálculo do crédito presumido de IPI, bem como os conceitos de matériaprima e material de embalagem. Não se verifica, em qualquer momento, a insurgência específica quanto à glosa relacionada ao frete e sacarias. Ao contrário, no trecho conclusivo, a contribuinte destaca o seguinte à f. 667: Portanto, ressalvados os bens do ativo permanente da empresa, os insumos que, embora não se integrando ao produto novo, forem consumidos no processo de industrialização, são considerados pela legislação do IPI como matériasprimas e produtos intermediários. Desse modo, para fins de apuração do crédito presumido previsto na Lei 9.363/96, não há óbice à inclusão na base de cálculo dos valores referentes à aquisição de lenha, óleo combustível, energia e outros utilizados no processo produtivo, porquanto estes insumos, embora não se integrem ao novo produto, são consumidos no processo de industrialização, de forma a subsumiremse na definição de matérias primas e produtos intermediários apontados no presente pedido de ressarcimento. Assim, em vista do caráter genérico empregado pelo contribuinte no tocante à sua abordagem quanto à glosa relacionada ao frete e às sacarias, entendo que andou bem o v. aresto recorrido, eis que, de fato, ausente a insurgência específica da contribuinte quanto a essas glosas. De rigor, portanto, o desprovimento do recurso também nessa parte. TAXA SELIC No que se refere à atualização do ressarcimento pela taxa Selic, em vista do que determinado pelo disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF (RICARF), admito a aplicação da taxa SELIC ao crédito que se pretende ver compensado/restituído a partir do protocolo do pedido de ressarcimento ou restituição junto à Administração Tributária. Nesse sentido o entendimento do Eg. STJ, por ocasião do Recurso Especial nº 993.164MG, de 13/12/2010, verbis: Com efeito, a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural, (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 10358471RS, ReI. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELlC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fl. 751DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Fisco (REsp 11501881SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). Com base nestes fatos, admito a incidência da taxa Selic no valor a ser ressarcimento de crédito presumido do IPI. CONCLUSÃO Diante do exposto, dou PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apenas para: (i) reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI relativamente aos valores pagos a título de insumos adquiridos de cooperativas; e (ii) o direito à correção monetária dos valores a serem restituídos pela taxa SELIC. Brasília, 26 de março de 2014. FÁBIA REGINA FREITAS Relatora Fl. 752DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11080.728484/2013-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar com profundidade os argumentos levantados pela defesa, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972.
SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS.
A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
CONCESSÃO DE DADOS CADASTRAIS POR COMPANHIA TELEFÔNICA.
A obtenção de dados cadastrais junto a empresas de comunicação, em procedimento fiscal regularmente instaurado, não configura quebra do sigilo de comunicações telefônicas e outros , assegurados no art. 5º, incisos X e XII da CF/88.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Observados os pressupostos para lavratura do auto de infração e tendo o contribuinte sido regularmente notificado do lançamento, o momento oportuno para exercício do direito ao contraditório e ampla defesa manifesta-se na fase de impugnação da exigência.
BENEFICIÁRIO DE RECEITAS AUFERIDAS EM NOME DE TERCEIROS INTERPOSTOS. MULTA QUALIFICADA
1. Cabível a atribuição de responsabilidade tributária à pessoa jurídica que recebeu recursos em nome de terceiros, constituídos irregularmente, não localizadas em seus domicílios tributários e com inscrições enquadradas como inaptas no CNPJ, mormente quando o acusado não logra comprovar que tais receitas foram repassadas para as empresas que supostamente representava.
2. A conduta configura crime de sonegação, conforme definido no art. 71 da Lei nº 4.502/64, sujeitando-se o infrator à multa qualificada no percentual de 150%.
OMISSÃO DE RECEITA. LUCRO PRESUMIDO
A base para cálculo do lucro presumido, do IRPJ, é o montante das entradas no exercício. Ocorrendo que o Fisco junto prova documental de entradas a maior, no mesmo período, cabe a ação fiscal complementar o total não declarado.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO DE FATO E GERENTE DA SOCIEDADE. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA.
Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária.
Responde pessoal e solidariamente pelo crédito tributário o sócio de fato que constituiu e geriu a sociedade, praticando atos fraudulentos que ensejaram a falta de recolhimento dos tributos lançados.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS e CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. VENDA DE ARROZ. ALÍQUOTA ZERO.
O benefício fiscal de redução à zero da alíquota da Cofins e do PIS não alcança as operações de comercialização de arroz com casca e arroz quebrado.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.
Numero da decisão: 1301-001.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar com profundidade os argumentos levantados pela defesa, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. CONCESSÃO DE DADOS CADASTRAIS POR COMPANHIA TELEFÔNICA. A obtenção de dados cadastrais junto a empresas de comunicação, em procedimento fiscal regularmente instaurado, não configura quebra do sigilo de comunicações telefônicas e outros , assegurados no art. 5º, incisos X e XII da CF/88. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Observados os pressupostos para lavratura do auto de infração e tendo o contribuinte sido regularmente notificado do lançamento, o momento oportuno para exercício do direito ao contraditório e ampla defesa manifesta-se na fase de impugnação da exigência. BENEFICIÁRIO DE RECEITAS AUFERIDAS EM NOME DE TERCEIROS INTERPOSTOS. MULTA QUALIFICADA 1. Cabível a atribuição de responsabilidade tributária à pessoa jurídica que recebeu recursos em nome de terceiros, constituídos irregularmente, não localizadas em seus domicílios tributários e com inscrições enquadradas como inaptas no CNPJ, mormente quando o acusado não logra comprovar que tais receitas foram repassadas para as empresas que supostamente representava. 2. A conduta configura crime de sonegação, conforme definido no art. 71 da Lei nº 4.502/64, sujeitando-se o infrator à multa qualificada no percentual de 150%. OMISSÃO DE RECEITA. LUCRO PRESUMIDO A base para cálculo do lucro presumido, do IRPJ, é o montante das entradas no exercício. Ocorrendo que o Fisco junto prova documental de entradas a maior, no mesmo período, cabe a ação fiscal complementar o total não declarado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO DE FATO E GERENTE DA SOCIEDADE. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária. Responde pessoal e solidariamente pelo crédito tributário o sócio de fato que constituiu e geriu a sociedade, praticando atos fraudulentos que ensejaram a falta de recolhimento dos tributos lançados. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS e CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. VENDA DE ARROZ. ALÍQUOTA ZERO. O benefício fiscal de redução à zero da alíquota da Cofins e do PIS não alcança as operações de comercialização de arroz com casca e arroz quebrado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar com profundidade os argumentos levantados pela defesa, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. CONCESSÃO DE DADOS CADASTRAIS POR COMPANHIA TELEFÔNICA. A obtenção de dados cadastrais junto a empresas de comunicação, em procedimento fiscal regularmente instaurado, não configura quebra do sigilo de comunicações telefônicas e outros , assegurados no art. 5º, incisos X e XII da CF/88. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Observados os pressupostos para lavratura do auto de infração e tendo o contribuinte sido regularmente notificado do lançamento, o momento oportuno para exercício do direito ao contraditório e ampla defesa manifesta se na fase de impugnação da exigência. BENEFICIÁRIO DE RECEITAS AUFERIDAS EM NOME DE TERCEIROS INTERPOSTOS. MULTA QUALIFICADA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 84 84 /2 01 3- 51 Fl. 15655DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 2 1. Cabível a atribuição de responsabilidade tributária à pessoa jurídica que recebeu recursos em nome de terceiros, constituídos irregularmente, não localizadas em seus domicílios tributários e com inscrições enquadradas como inaptas no CNPJ, mormente quando o acusado não logra comprovar que tais receitas foram repassadas para as empresas que supostamente representava. 2. A conduta configura crime de sonegação, conforme definido no art. 71 da Lei nº 4.502/64, sujeitandose o infrator à multa qualificada no percentual de 150%. OMISSÃO DE RECEITA. LUCRO PRESUMIDO A base para cálculo do lucro presumido, do IRPJ, é o montante das entradas no exercício. Ocorrendo que o Fisco junto prova documental de entradas a maior, no mesmo período, cabe a ação fiscal complementar o total não declarado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO DE FATO E GERENTE DA SOCIEDADE. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária. Responde pessoal e solidariamente pelo crédito tributário o sócio de fato que constituiu e geriu a sociedade, praticando atos fraudulentos que ensejaram a falta de recolhimento dos tributos lançados. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS e CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. VENDA DE ARROZ. ALÍQUOTA ZERO. O benefício fiscal de redução à zero da alíquota da Cofins e do PIS não alcança as operações de comercialização de arroz com casca e arroz quebrado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 15656DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 12 3 Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 15657DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 4 Relatório Para melhor explicitar a matéria adoto, na íntegra, o relatório do voto condutor. Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os autos de infração a seguir indicados: IRPJ (R$ 3.054.822,09; CSLL (R$ 1.703.980,87; COFINS (R$ 4.724.963,70 e PIS (R$ 1.023.742,11). De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05/09, foram apuradas as infrações descritas a seguir. 01 Omissão de Receitas da Atividade Receita bruta mensal na revenda de mercadorias Demais Provas Indiretas Provas indiretas vinculando as receitas a Transhik Com. e Repres. Ltda. ou a Cleber Gustavo Quevedo Farias, conforme Relatório do Procedimento Fiscal de Fiscalização, fls. 128/189. Enquadramento Legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; e arts. 518, 519 e 528 do RIR/99. 02 Omissão de Receitas da Atividade Receita bruta mensal na revenda de mercadorias Recebimentos Confirmados por Transhik Comércio e Representações. Valores recebidos pela pessoa jurídica Transhik Comércio e Representações Ltda. de acordo com os Anexos I a IV apresentados em 12/07/2013 em resposta ao Termo N° 001 Termo de Início do Procedimento Fiscal, conforme Relatório do Procedimento Fiscal de Fiscalização, fls. 128/189. Enquadramento Legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; e arts. 518, 519 e 528 do RIR/99. 03 Omissão de Receitas da Atividade Receita bruta mensal na revenda de mercadorias Recebimentos Confirmados por Diligências aos Clientes. Valores recebidos pela pessoa jurídica Transhik Comércio e Representações Ltda. levantados por meio de diligência aos clientes das empresas A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP (CNPJ 11.585.715/000170), João Rogério Santos Cereais (CNPJ 11.250.978/000128), Jairo Albino dos Santos EPP (CNPJ 15.337.993/000169) e Jean Cristian Oliveira Vieira EPP (CNPJ 13.712.414/000195), conforme Relatório do Procedimento Fiscal de Fiscalização, fls. 128/189. Enquadramento Legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; e arts. 518, 519 e 528 do RIR/99. 04 Omissão de Receitas da Atividade Receita bruta mensal na prestação de serviços em geral. Fl. 15658DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 13 5 Diferença entre a receita bruta na prestação de serviços apurada pela Fiscalização e o valor declarado em DIPJ, conforme Relatório do Procedimento Fiscal de Fiscalização, fls. 128/189. Enquadramento Legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; e arts. 518, 519 e 528 do RIR/99. 05 Receita da Atividade Escriturada e Não Declarada Receita Bruta Mensal na Prestação de Serviços em Geral – Falta de Recolhimento Falta de recolhimento de tributos sobre a receita bruta de Prestação de Serviço declarada na DIPJ, conforme Relatório do Procedimento Fiscal de Fiscalização, fls. 128/189. Enquadramento Legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; Arts. 518 e 519, § 1o, inciso III, alínea "a", e §§ 4º e 5º do RIR/99. A pessoa jurídica autuada tomou ciência do lançamento em 22/08/2013, conforme aviso de recebimento às fls. 15.139. O Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias, arrolado como devedor solidário tomou ciência dos autos de infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária por intermédio de Edital, fls. 15.149, afixado em 21/08/2013, desafixado em 05/09/2013. Em 23/09/2013 foi apresentada impugnação da exigência, fls. 15.162/15.215, contrapondose aos lançamentos com base nos argumentos a seguir sintetizados. NULIDADE DO PROCESSO: VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL Violação ao sigilo bancário e ao direito ao silêncio. O procedimento fiscal é nulo, pois violou o devido processo legal e o direito ao silêncio (direito constitucional de não produzir prova contra si). Em primeiro lugar, foi violado o sigilo bancário da impugnante. Tanto o termo de início de fiscalização quanto à Requisição de Movimentação Financeira exigiram a apresentação de extratos bancários e esclarecimentos sobre dados privados sempre com o anúncio intimidativo de que, não o fazendo, a impugnante seria punida com multa agravada. Isso quando, temporalmente, todos os elementos do procedimento fiscal já indicavam e indicam que a fiscalização investigava a empresa impugnante. As intimações expedidas pela fiscalização evidenciam que a impugnante não abriu seu sigilo bancário; foi intimidada a fazêlo, como já havia sido intimidada em 10/12/12, sob as penas da lei 8.137/90 (fl. 11.352 e seguintes) a apresentar documentos, não lhe sendo assegurado o direito ao silêncio, como investigada administrativamente e, indiretamente como investigado um dos seus sócios, conforme preceitua o art. 59, LXIII, da CF/88. Ocorre que a impugnante não poderia ser punida com o agravamento da multa caso não fornecesse informações bancárias, já que o sigilo bancário é protegido pelo direito fundamental à intimidade e à vida privada, só podendo ser quebrado por meio de Fl. 15659DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 6 processo judicial, conforme reiterada jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Ora, se a impugnante não era obrigada a fornecer informações bancárias, ela não poderia ser punida por deixar de fazêlo. A autoridade fiscal ameaçou a impugnante com a possibilidade do cometimento de um crime quando requereu as informações bancárias. Isso ofendeu, dentre outros dispositivos, a própria moralidade fiscal, sem falarmos no direito constitucional de não produzir provas contra si mesma. Tendo as informações bancárias sido obtidas em processo administrativo, sem anterior ordem judicial motivada pela prévia demonstração da existência de crime, e tendo a impugnante sido compelida a abrir seu sigilo bancário pelo anúncio de que sua omissão levaria ao agravamento da multa, são ilícitas as provas obtidas em razão da abertura do sigilo bancário da Impugnante. No caso dos autos não houve procedimento administrativo prévio, por meio do qual fosse comprovada a existência da prática de um crime que permitisse um pedido judicial de abertura do sigilo bancário. Nada disso houve. Bem ao contrário: a empresa impugnante, por seu sócio administrador, agindo de boa fé, acreditou que se não entregasse as informações concernentes a sua movimentação bancária poderia ter sua situação agravada. Ora, não tendo sido o sigilo bancário aberto segundo o devido processo legal (procedimento prévio, indício de prática criminosa e autorização judicial específica) e respeitado o seu direito a não incriminação, todas as informações bancárias que foram obtidas, inclusive a requisição ao Banco Bradesco, às fls. 11.583 e seguintes, SÃO ILÍCITAS! Apesar da existência de normas explícitas obrigando o contribuinte a prestar informações às autoridades fiscais, tais dispositivos legais exigem uma interpretação à luz das normas constitucionais, precipuamente aquelas que estabelecem limitações ao poder de tributar do Estado. Desta forma, compreendidas à luz da Constituição (art. 59, LXIII, da CF), os arts. 195 e 197 do Código Tributário Nacional terão retiradas do seu âmbito de eficácia as hipóteses em que o atendimento às solicitações da autoridade fiscal puder gerar consequências na esfera penal para o sujeito passivo da obrigação tributária ou ainda para aquele indivíduo a quem é dirigida a intimação. Não pode prevalecer o dever de colaboração do contribuinte para com o fisco (artigo 195 do CTN) nas hipóteses em que tal dever lhe puder gerar consequências na esfera penal. (Conforme: STF Pleno HC nº 79.8128/SP Rei. Min. Celso de Mello Diário da Justiça, Seção 1,16 fev. 2001, p. 91). Ainda que invoque a Fiscalização o disposto no art. 69 da lei complementar 105/2001, a estear seu direto de requisitar informações aos bancos, o que fez várias vezes nesse procedimento, bem já decidiu o Supremo Tribunal Federal em 2011 acerca da sua inconstitucionalidade e acerca do caráter absoluto do direito ao sigilo, encontrandose o tema pendente do exame da existência de repercussão geral perante o mesmo Pretório Excelso. Em razão disso, devem ser desconsideradas e desentranhadas destes autos todas as informações abrangidas pelo sigilo bancário, com o que nada restará neste processo, já que o lançamento tributário se baseia, principalmente, na análise de divergências contábeis Fl. 15660DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 14 7 acerca da movimentação bancária da empresa impugnante, demonstração essa feita em cima dos extratos bancários os quais os impugnantes foram compelidos ilicitamente a apresentar. Quebra sigilo telefônico e dados Igualmente ilícitos são os documentos obtidos a respeito de informações telefônicas e de dados, obtidos diretamente com os provedores de serviços de internet e concessionárias de serviços de telefonia, uma vez que também não foram autorizados por ordem judicial. O poder investigatório da Receita Federal é restrito às informações fiscais e contábeis, necessitando a devida autorização judicial para adentrar em dados que a Constituição reputa invioláveis. Parágrafo único do art. 197 do CTN). Violação dos prazos para prestar informações O devido processo legal foi violado porque as intimações determinaram a apresentação de documentos e a prestação de esclarecimentos em prazos incompatíveis com as normas legais pertinentes. segundo a legislação, o contribuinte não pode ser obrigado a apresentar os documentos fiscais em prazo inferior a vinte dias: a norma geral é a de que o prazo deve ser de, no mínimo, vinte dias. Nesse sentido, a defesa cita o art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; os arts. 265, 266 e 844 do RIR/99; e o art. 8ª da Instrução Normativa nº 68/1995. Em seguida afirma que, se há, além da lei, uma Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal, não pode o fiscal marcar prazo diverso. Isso tudo revela que o processo fiscal não seguiu a sequência e a forma legalmente determinadas. Registrese que a única intimação com prazo de 20 dias é a de início da fiscalização que obriga a Impugnante a abrir seu sigilo bancário e que formula mais de 45 quesitos (alguns subdivididos em vários itens). Essas intimações comprometem a validade do processo administrativo. Não se trata de quaisquer irregularidades. Tratase outrossim, de vícios que restringem o direito de defesa do contribuinte. Com efeito, tendo mais prazo, a Impugnante poderia ter juntado elementos que pudessem justificar, ainda mais, as condutas que adotou. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS Das operações praticadas pela empresa Impugnante A fiscalização mesmo com as comprovações das operações, trata todas as operações de representação (inclusive operações efetuadas por outros representantes comerciais, como é o caso do Sr. Régis Pivotto e ou suas empresas), como omissões de receitas da empresa Impugnante, declarando ser esta a real beneficiadas pelas operações. Na realidade, as operações questionadas no Auto de Lançamento foram gerenciadas pelo Sr. CLEBER GUSTAVO QUEVEDO FARIAS CPF nº 521.879.93000 e pelo Sr. RÉGIS PIVOTTO (CPF nº 667.488.52072). Fl. 15661DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 8 As empresas comercializadoras, tidas por irregulares pela fiscalização, foram constituídas por orientação e supervisão do Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias e utilizadas como operadoras comerciais, emitindo as devidas Notas Fiscais Eletrônicas à clientes próprios, sendo alguns por representação comercial da Impugnante, e as demais pelas empresas de propriedade do Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias e/ou Régis Pivotto. A relação dos Impugnantes com as empresas constituídas pelo Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias, foi puramente de intermediação de negócios, sendo que a solicitação de representação comercial com a AP Cordeiro foi feito à Impugnante pelo próprio Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias. A impugnante, sempre confirmou a real existência legal dessas empresas, pois emitiam suas devidas notas fiscais de forma eletrônica, sem ingerência. A Impugnante não tinha motivos para duvidar da válida existência das empresas que representava, pois até então estavam com sua situação cadastral junto à Receita Federal válida. Em alguns casos, coube a Impugnante, por delegação do Sr. Cleber Gustavo Quevedo Faria receber o ingresso dos valores por ele assumido, e realizando pagamentos a terceiros, conforme declarações e comprovações apresentadas à Receita Federal, nos diversos termos de diligencia fiscal. Em nenhum desses casos, foi a Impugnante a beneficiária dos rendimentos. Se omissão de receitas houve, deve ser cobrada das empresas representadas ou quem irregularmente as criou, no caso, o Sr. Cleber Quevedo de Farias. A impugnante não possui ingerência nessas empresas e nem atuou como sua responsável. Por solicitação da empresa A P Cordeiro de Souza Alimentos, dentro das operações de representação comercial, atuou como sua procuradora em operações com apenas três clientes, para receber e repassar valores do Banco Bradesco, conforme detalhado em suas declarações e explicações nos termos já referenciados, exclusivamente. Nos termos dos documentos acostados ao referido processo, devidamente diligenciados pela Auditora Fiscal, restou comprovado os atos práticos pela pessoa do Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias, como o mentor e responsável pelas operações. Coube a impugnante dentro de suas atividades operacionais, intermediar operações de compra e venda, exclusivamente com clientes com os quais demonstrou suas relações. Não participou e nem teve ingerências nos demais negócios a ele atribuído, nem tem vínculos pessoais, comerciais ou de outro interesse com as empresas do Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias, nem como as empresas de propriedade do Sr. Régis Pivotto. Esses, em interesse próprio, agiam por conta exclusivamente suas, beneficiandose diretamente das operações comerciais realizadas, muitas das quais devidamente comprovamos em itens anteriores. Portanto, todo este procedimento ocorreu com absoluta transparência por parte da Impugnante. Não houve omissão de receitas, porque não é real beneficiária dos rendimentos. Nesse sentido, não deveria ter registrado em sua contabilidade os ingressos de valores recebidos pelas vendas praticadas pelas empresas em questão, nem ter registrado os pagamentos efetuados a terceiros, por conta e ordem, conforme demonstrado em suas explicações À Receita Federal, nos termos constante do Processo em questão, pelos quais, não se omitiu e nem deixou de prestar todos os esclarecimentos devidos e necessários. Fl. 15662DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 15 9 Assim posto, a impugnante não pode ser responsabilizada pelos fatos descritos no processo a eles imputados, por serem equivocados e indevidos. As presunções indevidas do Auto de Lançamento O raciocínio utilizado pelo fiscal não poderia ter sido utilizado como o foi. Qualquer presunção utilizada pela fiscalização tributária pode ser contestada no plano genérico, quando um juízo razoável de determinado fato não leva à existência do fato pretendido, e no plano individual, quando o fato concreto não autoriza a conclusão proposta. No plano genérico, o fato de que um representante comercial receber e repassar valores por conta e ordem de terceiros não conduz à conclusão de que houve omissão de receitas. O raciocínio empreendido no Auto de Lançamento parte do pressuposto de que quem faz a movimentação financeira deve, necessariamente ser o beneficiário dos receitas. O fato de essa prática não ser a mais adequada no ponto de vista da fiscalização, ou o fato dessas operações poderem ser feitas de outra forma nada diz quanto a irregularidade dos atos praticados pela Impugnante. Ela é livre para adotar os procedimentos operacionais que entender mais apropriados para o serviço que pretende prestar. A Constituição Federal assegura "o livre exercício de qualquer atividade econômica" (art. 170, § único), em cujo conteúdo está a liberdade de direção das suas atividades. A doutrina inclui, no livre exercício de qualquer atividade, a liberdade de direção da empresa e a liberdade de atuação no mercado. O que ocorreu no caso dos autos foi o esclarecimento, por parte da Impugnante, de como ela, por opção, realiza suas operações: por entender necessário mais dinamismo, obtido, por exemplo, com endosso de duplicatas e quitação de tributos que devem ser recolhidos antecipadamente (ICMS), a impugnante operou por conta e ordem de terceiros. O importante é que a Impugnante tem o direito de optar, como melhor lhe aprouver, pelos procedimentos que entender mais adequados a sua atividade. A Constituição Federal lhe assegura esse direito. O só fato dessa prática não estar conforme aos parâmetros não lhe confere qualquer ilicitude que independe da devida prova. A doutrina considera que, mesmo sendo omisso o contribuinte — o que não ocorreu no caso dos autos, face à resposta a todas as intimações —, ainda assim a prova de que retiradas não utilizadas e novamente depositadas constituem omissão de receita caberia à fiscalização. No plano individual, a análise das provas produzidas pelas fiscalização, não conduz à conclusão de que toda a movimentação financeira, incluída aquelas em outras empresas, seja omissão de receitas da impugnante. Se algum rendimento tivesse sido omitido, a contabilidade da Impugnante, não poderia ter ficado correta, como de fato ficou. Tanto é assim que, se não estivesse, a contabilidade deveria ter sido desclassificada, e não foi. A Impugnante sofreu fiscalização durante vários meses, não tendo havido qualquer desconsideração dos seus livros contábeis, onde estão lançados todos os saques e depósitos que o fiscal entendeu desconsiderar. A fiscalização intimou os clientes da Fl. 15663DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 10 Impugnante (exemplos das intimações em anexo) para verificar os pagamentos efetuados e não detectou nenhuma omissão de receita ou discordância com os valores lançados na contabilidade. No caso dos autos, a autoridade fiscal não verificou a ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda e CSLL; presumiua, somente. Da receita de responsabilidade direta das empresas de CLEBER GUSTAVO QUEVEDO FARIAS E/OU A RÉGIS PIVOTTO. O lançamento, como se observa, foi motivado em razão do entendimento da fiscalização de que a IMPUGNANTE omitiu receitas, utilizandose de empresas irregulares para tanto. A versão construída pela fiscalização não se sustenta. A Impugnante foi vítima do esquema montado pelos Sr. CLEBER GUSTAVO QUEVEDO FARIAS CPF ns 521.879.93000 e RÉGIS PIVOTTO (CPF nº 667.488.52072), conforme será devidamente esclarecido e comprovado no curso da presente Impugnação. Primeiramente, como a própria fiscalização apurou, as empresas irregulares abaixo descriminadas, foram constituídas pelo Sr. CLEBER GUSTAVO QUEVEDO FARIAS, que atuava como seu administrador. AP CORDEIRO DE SOUZA AUMENTOS EPP CNPJ 11.585.715/000170; JOÃO ROGÉRIO SANTOS CEREAIS, CNPJ Nº 11.250.978/000128; JAIRO ALBINO DOS SANTOS EPP CNPJ Nº 15.337.993/000169; JEAN CRISTIAN OLIVEIRA EPP CNPJ Nº 13.712.414/000195; A prova é farta nesse sentido! Importante destacar que essas empresas já operavam anteriormente à representação comercial feita pela Impugnante, inclusive com a pessoa e com as empresas do Sr. RÉGIS PIVOTTO (CPF nº 667.488.52072). O simples exame dos contratos existentes nas fls. 14.106 e seguintes (AP Cordeiro x Régis Pivotto), de 09/02/10; fls. 14.804 e seguintes (JC Alimentos x Régis Pivotto) de 04/07/2011 e fls. 14.325 e seguintes (JR Santos x Régis Pivotto) de 11/12/09, bem dão conta de quando essas empresas contrataram com aludido cidadão, bem antes da data da procuração outorgada ao Impugnante (27/01/12), demonstrando outrossim, que tais empresas foram constituídas HÁ MUITO TEMPO, o que demonstra a não participação do sócio impugnante em sua. Além disso, esclarecedor o depoimento da testemunha BRANCA à fl. 13.599 e seguintes desse procedimento, pessoa que operacionalizava a contabilidade de uma das empresas ditas interpostas, quando perguntada, na questão número 2, afirmou que quem lhe apresentou Cleber Quevedo foi Régis Pivotto (I), afirmando desconhecer, nas questões de números 22 e 23, Marco Aurélio Ruschel! Em todas as diligencias realizadas pela fiscalização, as informações que lhes foram prestadas informavam que a gestão das empresas irregulares eram realizadas pelo Sr. Fl. 15664DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 16 11 CLEBER GUSTAVO QUEVEDO FARIAS. Nesse sentido, a defesa faz referência a alguns desses depoimentos, todos constantes do Processo. Urge destacar que a IMPUGNANTE tem como foco do seu NEGÓCIO na gestão comercial de intermediação de venda de produtos agrícolas, como representante comercial de diversas empresas comercializadoras de arroz, realizando, inclusive, o ingresso dos recursos dessas vendas, por conta e ordem de seus clientes, valores oriundos de suas comercializações. Cumpre ressaltar que a Impugnante tem sede e opera em Porto Alegre, nesta Capital, não mantendo sede na Fronteira Oeste, onde estariam sediadas tais empresas interpostas, criadas, ao que parece, em meados de 2009/2010, limitandose seu funcionário Guilherme a repassar as notas fiscais que a ela eram enviadas pelas empresas, o que pode ser verificado pelos documentos anexos, já juntados aos autos. Frisese PRINCIPALMENTE que o impugnante, sujeito passivo e sócio da empresa impugnante, raramente viajava à Fronteira Oeste, não guardando qualquer relacionamento pessoal com as pessoas envolvidas nas ilicitudes apuradas pela fiscalização, sequer conhecendo a maioria delas. No entanto, Auditora Fiscal mesmo com as comprovações acima elencadas, atribui como todas as operações, como omissões de receitas, à empresa Impugnante e a seu sócio administrador, declarando ser esta a real beneficiadas pelas operações. Na realidade, as operações em foco foram gerenciadas pelo Sr. CLEBER GUSTAVO QUEVEDO FARIAS CPF nº 521.879.93000 e pelo Sr. RÉGIS PIVOTTO (CPF nº 667.488.52072), através de suas empresas. Ao que tudo indica, as empresas comercializadoras foram constituídas por orientação e supervisão do Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias, em meados de 2009/2010, sendo utilizadas como operadoras comerciais, emitindo as devidas Notas Fiscais Eletrônicas à clientes próprios, sendo alguns por representação da Impugnante e as demais, ao que parece, pelas empresas de propriedade do Sr Cleber Gustavo Quevedo Farias e/ou Régis Pivotto. A relação dos Impugnantes com as empresas constituídas pelo Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias foram puramente de intermediação de negócios, sendo que a apresentação desse formado de operação com a AP Cordeiro foi apresentado a Impugnante pelo próprio Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias. A impugnante, sempre confirmou a real existência legal dessas empresas, pois emitiam suas devidas notas fiscais de forma eletrônica, sem ingerência. Aqui cabe destacar as informações prestadas pela SAFEWEB SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO LTDA, em resposta ao Termo de Diligencia Fiscal/Solicitação de Documentos: 17. A informante é empresa legalmente constituída para prestar serviços de software, mediante cessão de uso, a fim de que empresas emitam as Notas Fiscais Eletrônicas. 18. As procurações anexadas aos respectivos termos, das empresas JOÃO RODRIGUES DOS SANTOS CEREAIS, JAIRO ALBINO DOS SANTOS, foram assinados pelo Fl. 15665DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 12 SR. Cleber Gustavo Quevedo Farias, que como procurador dessas empresas ou como seu representante. Coube a Impugnante, por delegação do Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias receber o ingresso dos valores por ele assumido, e realizando pagamentos a terceiros, conforme declarações e comprovações apresentadas à Receita Federal, nos diversos termos de diligencia fiscal. Não possui ingerência nessas empresas e nem atuou como seu responsável, salvo, em três clientes da A P Cordeiro de Souza Alimentos, que atuou como seu procurador, junto ao Banco Bradesco, conforme detalhado em suas declarações e explicações nos termos já referenciados, exclusivamente. Nos termos dos documentos acostados ao referido processo, devidamente diligenciados pela Auditora Fiscal, ficam comprovados os atos principais práticos pela pessoa do Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias, como o mentor e responsável pelas operações. Coube a impugnante dentro de suas atividades operacionais, intermediar operações de compra e venda, exclusivamente com clientes com os quais demonstrou suas relações. Não participou e nem teve ingerências nos demais negócios a ele atribuído, nem tem vínculos pessoais, comerciais ou de outro interesse com as empresas do Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias, nem como as empresas de propriedade do Sr Régis Pivotto. Esses, em interesse próprio, agiam por conta exclusivamente suas, beneficiandose diretamente das operações comerciais realizadas, muitas das quais devidamente comprovamos em itens anteriores. Portanto, todo este procedimento ocorreu com absoluta transparência, salvo o fato de não ter registrado em sua contabilidade os ingressos de valores recebidos pelas vendas praticadas pelas empresas em questão, nem ter registrado os pagamentos efetuados a terceiros, por conta e ordem, conforme demonstrado em suas explicações à Receita Federal, nos termos constante do processo em questão, pelos quais, não se omitiu e nem deixou de prestar todos os esclarecimentos devidos e necessários. Assim posto, não pode e não assume a integral responsabilidade dos fatos descritos no processo a eles imputados, por serem equivocados e indevidos, visto que em grande maioria pertencem a terceiros, com os quais não tem participação alguma, não tendo praticado ou se valido de qualquer expediente fraudulento para obter vantagens fiscais, vantagens essas de qualquer natureza. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE ORIGEM Não houve omissão de receitas. A fiscalização apenas presumiu que, tendo havido depósitos bancários não esclarecidos segundo seu ponto de vista, teriam sido eles decorrentes de rendimentos não tributados pelo Imposto de Renda. Todos os depósitos tidos com irregulares, além de terem sido devidamente contabilizados, tem origem definida: decorrem das operações de representação comercial e dos pagamentos por conta e ordem solicitados pelas empresas representadas. Não se trata de valores de origem desconhecida. Meros depósitos bancários não autorizam lançamento de imposto de renda Fl. 15666DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 17 13 A fiscalização tributária presumiu a renda; não a comprovou. Mais do que isso: pediu esclarecimentos, mas, não tendo se satisfeito com eles, não foi a fundo para comprovar sua tese. Ora, a renda só existe quando houver rendimentos ou acréscimo patrimonial em determinado exercício. Sem a comprovação da existência de renda, não se pode cobrar imposto sobre a renda apenas porque foram detectados depósitos bancários devidamente escriturados. A doutrina é absolutamente clara no sentido de que a mera existência de depósitos não pode ser havida como omissão de receitas. Como se vê, o mero depósito não constitui fato gerador do imposto sobre a renda. Para que ele possa servir de indício, no entanto, é preciso que fique absolutamente claro o nexo entre o fato verificado e os supostos rendimentos auferidos. Ora, no caso dos autos, não há qualquer comprovação nesse sentido. O que há é apenas uma presunção, que, como tem entendido a jurisprudência, não subsiste sem nexos que a unam a um fato gerador. Isso, porém, nem de longe ocorreu no caso dos autos. DA INDEVIDA RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA CENTRADA NA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DAS PARTES ENVOLVIDAS, ATRIBUIDAS INTEGRALMENTE AOS IMPUGNANTES. Somente podese atribuir a responsabilidade solidária à terceiros pessoa, quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e as pessoas a quem se imputa a solidariedade passiva, conforme previsto no Art. 124, I do CTN. No caso em tela, a fiscalização desconsiderou integralmente a responsabilidade dos demais envolvidos, atribuindo aos Impugnantes a total responsabilidade pela omissão das receitas operacionais. Essa tentativa, diante dos fatos anteriormente comprovados, não tem condão de caracterizar a exclusiva responsabilidade tributária aos impugnantes, não restando comprovado que os impugnantes operavam como "Grupo Econômico" ou únicos beneficiados pelos resultados das operações. A existência do "grupo econômico" pressupõe a existência de pelo menos uma relação de coordenação entre os entes coligados, de forma que resulte numa orientação empresarial comum. Ora, esta posição nunca foi a participação dos Impugnantes neste processo, objeto desta impugnação. A Transhik e seu Administrador foram representantes comerciais de uma da parte apenas das comercializações realizadas pelas empresas operadas pelo Sr. Cleber Quevedo Azevedo Farias, conforme os ingressos por ela recebido, mas nunca as mentoras das operações ou gestoras diretas de qualquer um das empresas envolvidas. Estas sempre agiram em conta própria, sob a gestão do Sr. Cleber, que direcionada as operações de acordo com seus interesses, sem participação direta ou indireta na Impugnantes. Fl. 15667DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 14 Também ressaltamos outro aspecto importante que merece realce quanto a desconsideração das personalidades jurídicas, atribuindose com isto apenas a uma das empresas a total responsabilidade tributária: a existência do "grupo econômico" não pode ser presumida, devendo ser comprovada. O próprio Art. 124 do CTN diz que a condição exigida para a configuração deve haver a certeza da participação dos envolvidos no círculo da configuração do fato gerador. No caso em discussão, esta certeza não foi comprovado, pois, declarada pela própria Auditora Fiscal, "em tese" atribuiu a responsabilidade integral aos ora impugnantes, o que não configura certeza frente aos fatos anteriormente apresentados. Dessa forma, a transferência tributária das operações objeto deste processo foram indevidamente atribuídas aos IMPUGANTES, mesmo com as comprovações e diligencias realizadas pela própria Auditora Fiscal. Não cabe assim, essa responsabilidade o que torna insubsistente o presente Auto de Infração, pelos equívocos e fatos relatados. INEXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E DA COFINS NAS OPERAÇÕES COM ARROZ Além do Imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro calculados sobre a suposta omissão de receitas, o auto de lançamento pretende cobrar dos Impugnantes PIS e COFINS, por entender que se trata de lançamento reflexo. Ocorre que, mesmo que fosse devido o imposto de renda e a CSLL (o que, como se demonstrou nos itens anteriores não é o caso), não seriam devidas a contribuição para o PIS e a COFINS. Isso porque a lei 10.925/2004 reduziu a 0 (zero) as alíquotas das referidas contribuições sobre a receita bruta da comercialização do arroz classificados na posição NCM 1006.20 e 1006.30. A redação da Lei 10.925/2004 não deixa margem para interpretações. Tratase de desoneração tributária prevista lei, plenamente aplicável ao presente caso. Considerando que toda a receita da Impugnante é decorrente da comercialização de arroz beneficiado, em nenhuma hipótese é devida cobrança de PIS e COFINS constantes da auto de lançamento. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PARA O AGRAVAMENTO DA MULTA Não houve intuito de fraude por parte da Impugnante. Só há fraude se houver inserção de elementos inexatos nos livros e documentos fiscais (fraude por ação) ou omissão de operação em documento ou livro exigido pela lei fiscal (fraude por omissão), com o objetivo de reduzir ou suprimir tributo (LOVATTO, Alécio Adão. Crimes Tributários. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2000. p. 88 e 90). Ora, não houve a inserção de qualquer elemento inexato nos livros e documentos fiscais. Nenhum. Dois fatos o comprovam. De um lado, todos os saques e depósitos feitos na conta corrente da Impugnante foram devidamente contabilizados no livro diário, nas contas Caixa Geral e Banco, um por um, com absoluta coincidência de valores. De outro lado, se a escrita contábil da Impugnante não merecesse confiabilidade, ela deveria ter sido desclassificada, e arbitrados os valores omitidos. Só que isso não ocorreu, tendo sido considerada totalmente regular a escrita contábil da Impugnante. Fl. 15668DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 18 15 Também não houve qualquer omissão de operação em documento ou livro exigido pela lei fiscal. Todas as operações de saque e depósito, com as quais o fiscal não concorda, constam dos livros contábeis da Impugnante. O fiscal até pode pessoalmente entender que os saques e os depósitos não deveriam ter sido feitos dessa ou daquela forma, mas não pode afirmar que as operações foram omitidas. Elas constam da escrita contábil da Impugnante. O fato de que a Impugnante não adotou qualquer comportamento no sentido de omitir informações pode ser provado não só pela contabilização de todas as operações; ele pode também ser demonstrado pela absoluta disponibilidade da Impugnante em responder às intimações para prestar esclarecimentos e apresentar documentos. O fiscal, no seu ponto de vista pessoal, até pode não ter ficado satisfeito com os esclarecimentos prestados e com os documentos apresentados pela Impugnante, quando requeridos; ele não pode, todavia, afirmar que a Impugnante adotou comportamento intencional de omitir informações. Se há um comportamento notório da Impugnante neste processo administrativo, esse comportamento é justamente o de haver sempre agido para esclarecer todas as questões suscitadas pela fiscalização, bastando verificar os esclarecimentos prestados. Sendo assim, resta absolutamente clara a inexistência de inserção de elementos inexatos nos livros e documentos contábeis ou omissão de operação em documento ou livro exigido pela lei fiscal. Da Ausência de comportamento intencional de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade Muito menos houve objetivo de reduzir ou suprimir tributo. A uma, porque se houvesse, a Impugnante teria omitido informações nos livros, ou as teria informado de modo inexato, o que não aconteceu. E isso, como já demonstrado, não ocorreu. A própria Impugnante, ciente da inexistência de qualquer omissão de receita, prestou todas as informações solicitadas a respeito dos lançamentos efetuados em sua contabilidade. A duas, porque os saques e depósitos na conta não constituem fato gerador do imposto sobre a renda. O Imposto sobre a renda não incide sobre movimentação financeira, como a CPMF; ele incide sobre rendimentos que constituam acréscimo patrimonial. A ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda não está provada no processo administrativo, como deveria. A três, porque a Impugnante, ciente da inexistência de qualquer omissão de receita prestou todas as informações solicitadas. INDEVIDA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA PESSOA FÍSICA DO SÓCIO ADMINISTRADOR SR. MARCO AURÉLIO RUSCHEL. Inicialmente entende que é indevida a sujeição passiva do impugnante Marco Aurélio Ruschel ao tributo lançado, uma vez que a ele sequer foi dado o direito de se defender das acusações, bem como foilhe respeitado o direito ao silêncio, o direito de não produzir prova contra si, sendo lançado vultoso tributo em seu nome sem mais nem menos. Fl. 15669DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 16 O processo administrativo, e aqui está incluído o fiscal, deverá iniciarse mediante o oferecimento de peça acusatória formal, que descreva a conduta infratora supostamente praticada, adequandoa ao regulamento disciplinar, de forma que o acusado possa defenderse dos fatos e do artigo de lei cuja prática que lhe é imputada. Se isso não houve, evidentemente há violação ao disposto no inciso LV do art. 59, pois não permite que o fiscalizado conheça a acusação que lhe é feita, dificultando, e, às vezes, até mesmo impossibilitando o trabalho da defesa. Vejam que tal cidadão, que tem o direito absoluto e constitucional de ser considerado inocente até que tenha contra si sentença transitada em julgado, teve todo o seu patrimônio, de sua família e mesmo, de terceiros (seu cunhado), gravado por ordem da fiscalização, conforme podemos ver no auto o Termo de Arrolamento de Bens e Direitos Processo Administrativo Fiscal nº 11080.728.484/201351. Tal medida, de efeitos graves e concretos, nada mais representa do que uma burla, na prática, ao disposto no já citado inciso LIV do art. 59 da CF/88, uma vez que até o presente momento o referido cidadão não teve direito a apresentar defesa pessoal ao Fisco, explicar qualquer coisa, apresentar provas, ser ouvido em sua sede (em Porto Alegre), havendo também uma supressão ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório (inciso LV). Em outras palavras o cidadão, ora impugnante, por ser sócio da empresa autuada, restou, sem o devido processo legal e sem a observância ao contraditório e a ampla defesa, COM SEUS BENS PESSOAIS CONSTRITOS E SEU NOME A "UM PASSO" DE SER INCLUÍDO EM CDA COMO DEVEDOR DA UNIÃO EM VALORES QUE ALCANÇAM CIFRAS MILIONÁRIAS E IMPAGÁVEIS! 0 cidadão está a "um passo" de ter decretada sua morte civil pelo Fisco, sem que tenham lhe garantido o mínimo dos mínimos previstos na Constituição Federal. Vejam que o impugnante não praticou nenhum fato com excesso de poderes ou infração a lei, como exige o art. 135 do CTN, além do que não se beneficiando de tais fatos a luz do art. 124 do CTN: Pessoalmente, por outro lado, como já citado e demonstrado nessa defesa, o sócio, ora impugnante não teve qualquer ingerência na constituição das referidas empresas interpostas, jamais comparecendo a qualquer cartório, tabelionato ou repartição pública para constituílas, não utilizandose de qualquer artifício fraudulento para obter vantagem fiscal. Prova disso, repetese, os contratos por elas firmados AP CORDEIRO, JR SANTOS, JA SANTOS e JC ALIMENTOS existentes nos autos, que bem demonstram que elas já operavam na Fronteira Oeste tempos antes de serem EVENTUALMENTE representadas por sua empresa. Prova disso o depoimento da Sra. Branca, que bem demonstra que quem indicou o Sr. Cleber a empresa de contabilidade foi o Sr. Régis Pivotto, quando seu escritório de contabilidade começou a escriturar a documentação da empresa JEAN CRISTIAN (fls. 13.599 e seguintes). Prova disso que, como afirmado, o Sr. Marco Aurélio Ruschel compareceu em Uruguaiana poucas vezes ao ano, desconhecendo a maioria dos envolvidos e citados na presente fiscalização. Cabe ressaltar, a propósito, que ao que tudo indica contribuiu para as aparentes falsidades perpetradas na constituição dessas empresas um falsário e estelionatário Fl. 15670DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 19 17 contumaz nesse Estado (FRANCISCO GLADIMIR DE OLIVEIRA CHARÃO), como dão conta os documentos das fls. 13.042 e seguintes, que tanta aparência de legalidade deu aos fatos, a existência de tais empresas (E DE OUTRAS!), ao ponto de ajuizar ação judicial perante o Foro de Porto Alegre contra o Estado do Rio Grande do Sul, obtendo medida liminar (ação n° 1.12.01937559), em favor da empresa JA COMÉRCIO E TRANSPORTES Não bastando isso, foi ajuizada ação judicial em 04/05/11 pela AP CORDEIRO DE SOUZA ALIMENTOS contra o Estado do Rio Grande do Sul (processo n° 001/1.11.01107171), não só obtendo DECISÃO LIMINAR em 12/05/11 (transcrição abaixo) (SEIS MESES ANTES DE OUTORGAR PROCURAÇÃO AO IMPUGNANTE!), onde obteve sentença judicial em seu favor (sentença anexa), encontrandose pendente de julgamento recurso perante o Egrégio Tribunal de Justiça (n° 70052406006), que está pendente de julgamento(!) (ANEXO 20). Diante de tal situação fática, jurídica, plenamente viável ao leigo, como poderia ter o Impugnante duvidado da existência de tal empresa, deixado de comercializar, deixado de trabalhar, deixado de negociar com tais empresas, suspeitando de serem empresas INEXISTENTES!!!! Assim sendo, além de vítima da fiscalização, pois a sua pessoa não foi dado o direito de ser processado, tampouco o de apresentar defesa pessoal, tendo seus bens constritos em processo de lançamento tributário manifestamente inconstitucional e injusto, o Sr. Marco Aurélio Ruschel foi também vítima de uma grande armação orquestrada na Fronteira Oeste, para a qual de forma alguma contribuiu, sendo induzido em erro, inclusive tendo atendido pessoalmente em nome da empresa impugnante indevidos pedidos de apresentação de documentos sigilosos nesse procedimento, o que fez com o intuito de colaborar com o Fisco e verse livre de qualquer autuação, multa e, mesmo, processo criminal, devendo ser excluído do auto de lançamento, pois inexistentes de fato qualquer das hipóteses dos arts. 124 e 135, do CTN! A Receita Federal terá que justificar (e não fez) a inclusão do sócio ou administrador por débito fiscal e, por conseguinte, apenas poderá redirecionar a cobrança a essas pessoas físicas nos casos em que restar devidamente comprovado o atendimento a algum dos itens acima, que são uma reprodução do artigo 135 do CTN. Nesse sentido (o que se admite por argumento), vale dizer, ainda, que o STJ Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 430: "O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio gerente." Ou seja, mesmo que a empresa fosse devedora mas não é como discorrido nesta peça impugnatória a pessoa física de Marco, mesmo assim, não seria devedora. Portanto, sob qualquer ângulo que se veja a situação, Marco Aurélio não é responsável pelo suposto débito tributário, a uma porque, como dito e aqui reforçado, não lhe fora dito e apontado porque é acusado e, ainda, lhe oportunizado o direito constitucional da ampla defesa e contraditório e, também, de silêncio, a duas, o que se admite por argumento, que a empresa defendese e nega, veementemente, a infração que lhe é imputada, e, também, na pior situação, igualmente por hipótese, a suposta devedora principal não está fechada irregularmente e o sócio citado não praticou ato irregular. CONCLUSÕES Fl. 15671DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 18 Antes de tudo, foi violado o devido processo legal: o sigilo bancário só foi aberto em razão da ameaça. Não havendo autorização judicial prévia, em razão de indícios de prática criminosa, as informações bancárias terminaram sendo obtidas por meio ilícito e, por isso, devem ser desconsideradas, como determina a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. O mesmo se diga em relação à quebra do sigilo telefônico e de dados. Além disso, as intimações para prestar informações e documentos também violaram as regras processuais aplicáveis, na medida em que, sobre serem inferiores a vinte dias, ainda se mostraram ilegais. Não houve omissão de receitas: o Auto de Lançamento presumiu que teria a impugnante seria a beneficiaria das receitas. Não há, nos autos, qualquer comprovação de que houve renda não tributada por parte da impugnante. Ao contrário, há apenas a demonstração de que houve depósitos bancários, e a afirmação de que eles levariam à conclusão de omissão de receitas. De acordo com a jurisprudência judicial e administrativa, porém, não se pode presumir omissão de receitas por meros depósitos bancários; é preciso provála, ainda mais quando a contabilidade do contribuinte, considerada regular, produz prova em favor do contribuinte, como é o caso dos autos. Não é devido PIS e COFINS na operações de comercialização de arroz, em razão no disposto no artigo l9 da Lei. 10.925. Também não há razão para a aplicação de multa agravada: não houve comportamento intencional de impedir ou retardar conhecimento de fato gerador algum. Diante de todo o exposto, resulta absolutamente clara a insubsistência da autuação, não tendo sido praticado — por consequência — nenhum crime. O que houve foi o exercício do direito de livre exercício de atividade econômica, conforme garantido pela Constituição Federal. A DRJ/FORTALEZA (CE) decidiu a matéria consubstanciada pelo Acórdão 0828.682, de 14/02/2014, julgando improcedente a impugnação apresentada, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. O direito de a Fazenda Pública intimar o contribuinte, em procedimento fiscal, para apresentar livros e documentos, se insere dentre os poderes conferidos pelo Código Tributário Nacional, não configurando ameaça, nem desrespeito ao direito ao silêncio que é concedido aos presos pela Carta Magna. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. O acesso pela autoridade fiscal a dados relativos à movimentação financeira dos contribuintes, em procedimento fiscal regularmente instaurado, não afronta, a priori, os direitos e garantias individuais de inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas e de inviolabilidade do sigilo de dados, assegurados no art. 5º, incisos X e XII da CF/88. CONCESSÃO DE DADOS CADASTRAIS POR COMPANHIA TELEFÔNICA. A obtenção de dados cadastrais junto a empresas de comunicação, em procedimento fiscal regularmente instaurado, não configura quebra do sigilo de comunicações telefônicas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 15672DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 20 19 Observados os pressupostos para lavratura do auto de infração e tendo o contribuinte sido regularmente notificado do lançamento, o momento oportuno para exercício do direito ao contraditório e ampla defesa manifestase na fase de impugnação da exigência. PRESUNÇÃO SIMPLES NO PAF. ADMISSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal admite todos os meios de prova em direito admitidas, inclusive a presunção simples, desde que, nesse caso, a presunção esteja corroborada por vários indícios convergentes. DA PROVA DOS VALORES ESCRITURADOS. A escrituração mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados quando comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. O registro contábil sem qualquer documento emitido por terceiro que o lastreie não é meio de prova. JURISPRUDÊNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. DOUTRINA. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos proferidos em outros julgados administrativos ou judiciais ou em manifestações da doutrina especializada não vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro grau pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO INICIAL. PRAZO PARA ATENDIMENTO. É de cinco dias úteis o prazo para o intimado apresentar informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, quando envolva fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 BENEFICIÁRIO DE RECEITAS AUFERIDAS EM NOME DE TERCEIROS. 1. Cabível a atribuição de responsabilidade tributária à pessoa jurídica que recebeu recursos em nome de terceiros, constituídos irregularmente, não localizadas em seus domicílios tributários e com inscrições enquadradas como inaptas no CNPJ, mormente quando o acusado não logra comprovar que tais receitas foram repassadas para as empresas que supostamente representava. 2. A conduta configura crime de sonegação, conforme definido no art. 71 da Lei nº 4.502/64, sujeitandose o infrator à multa qualificada no percentual de 150%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 VENDA DE ARROZ. ALÍQUOTA ZERO. O benefício fiscal de redução à zero da alíquota da contribuição para o PIS não alcança as operações de comercialização de arroz com casca e arroz quebrado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 VENDA DE ARROZ. ALÍQUOTA ZERO. Fl. 15673DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 20 O benefício fiscal de redução à zero da alíquota da Cofins não alcança as operações de comercialização de arroz com casca e arroz quebrado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 JURISPRUDÊNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. DOUTRINA. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos proferidos em outros julgados administrativos ou judiciais ou em manifestações da doutrina especializada não vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro grau pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. É o relatório. Fl. 15674DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 21 21 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Relator O recurso interposto conjuntamente pela contribuinte (TRANSHIK COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA) e pelo sujeito passivo solidário (MARCO AURÉLIO CHAGAS RUSCHEL), é tempestivo, razão pela qual dele tomo conhecimento. A fim de melhor expor o presente voto será distribuído em itens, de acordo com a ordem das alegações de defesa. 1. DA NULIDADE DA DECISÃO QUE APRECIOU A IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR FALTA DE EXAME DE MATÉRIA DEFENSIVA RELEVANTE E DE ORDEM PÚBLICA CERCEAMENTO DE DEFESA. Neste ponto, a peça recursal em extenso arrazoado alega que a decisão de primeira instância deixou de apreciar argumentação e documentos que prova ter sido a recorrente vítima de esquema montado pelos Srs. Cleber Gustavo Quevedo Farias e Regis Pivotto. Aduz, que as empresas consideradas pela fiscalização como irregulares foram constituídas pelos citados Senhores anteriormente à representação comercial feita pela recorrente e mesmo os contratos negociais foram pactuados antes da data da procuração outorgada a recorrente (27/01/2012). Requer ao final: "Diante de tudo isso, remanesce evidente que, se houver restrição ao exercício do direito à ampla defesa (ocorrente no julgado que decretou a improcedência da impugnação), a decisão restará nula e sem eficácia, pois decorrerá de ato hialinamente arbitrário. Se REQUER então, a integral apreciação e acolhimento, para que surtam os jurídicos e legais efeitos, do item 3.4 da peça impugnatória, o que fora omitido no julgamento que dá ensejo a este recurso. Sucessivamente, caso não acolhido, em sua integralidade, o que se admite por argumento, que, então, a responsabilidade do sócio recorrente seja delimitada a contar da data 27112, ocasião em que recebeu o instrumento procuratório." Entendo que a alegação não pode prosperar, ante a literalidade da própria decisão recorrida, que expressamente esclarece: "Doravante, no que concerne ao lançamento do IRPJ, concentrarei a análise somente na seguinte infração: 5.3. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA REVENDA DE MERCADORIAS Com base nos fatos anteriormente descritos, constatouse que as receitas auferidas pelas empresas A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira EPP Fl. 15675DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 22 devem ser adicionadas às receitas tributáveis de Transhik Comércio e Representações Ltda. Essa infração foi subdividida pela fiscalização em três tipos: a) Recebimentos Confirmados por Transhik Comércio e Representações Ltda: correspondem aos recebimentos em contas correntes de sua titularidade de vendas de A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira EPP, as quais foram informados pela própria Transhik Comércio e Representações Ltda em resposta ao Termo N° 001 Termo de Início de Procedimento Fiscal; b) Recebimentos Confirmados por Diligência aos Clientes: correspondem aos valores que clientes de A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira EPP informaram e comprovaram, por meio de diligência, que pagaram as aquisições das mercadorias a Transhik Comércio e Representações Ltda; c) Demais Provas Indiretas: Correspondem aos valores que não foram assumidos por Transhik Comércio e Representações Ltda nem diretamente comprovados documentalmente pelos clientes diligenciados como efetivamente pagos a Transhik Comércio e Representações Ltda. Porém, apresentaram um conjunto de provas indiretas, o qual foi levantado mediante diligência a esses mesmos clientes, vinculando tais recebimentos a Transhik Comércio e Representações Ltda, Marco Aurélio Chagas Ruschel e Cleber Gustavo Quevedo Farias. A fiscalização concluiu que a empresa Transhik Comércio e Representações Ltda teria promovido a interposição de pessoas, eis que foi a beneficiária de fato das receitas auferidas pelas empresas A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira EPP, com base, resumidamente, nos seguintes fatos: a) As pessoas jurídicas A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira EPP não foram localizadas nos seus endereços declarados como domicílio tributário no CNPJ; b) A pessoas jurídica João Rogério Santos Cereais foi baixada de ofício da inscrição no CNPJ; c) As pessoas jurídicas A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP e Jairo Albino dos Santos EPP foram cadastradas no CNPJ com vício, ou seja, utilizandose de documentos de identificação de seus sócios, os quais, em tese, seriam falsos; d) A pessoa jurídica Transhik Comércio e Representações Ltda gerenciava de fato as atividades de A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira EPP, recebendo os valores das vendas por elas auferidas e pagando seus credores, mesmo sem possuir qualquer Contrato de Representação ou de Prestação de Serviços; e) A pessoa jurídica Transhik Comércio e Representações Ltda não emitiu nenhuma Nota Fiscal de Prestação de Serviços cujos destinatários fossem A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira – EPP. A defesa, a rigor, não se contrapõe a esses fatos, concentrando seus argumentos no sentido de que teria sido vítima do esquema montado pelos Sr. Fl. 15676DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 22 23 CLEBER GUSTAVO QUEVEDO FARIAS CPF nº 521.879.93000 e RÉGIS PIVOTTO (CPF nº 667.488.52072). Portanto, deve ser considerado como incontroverso no presente processo o fato de que a impugnante recebeu recursos e teria efetuado pagamentos em nome das citadas empresas, restringindose o litígio à apuração do grau de responsabilidade que teria sobre tais transações: segundo a impugnante, decorreria de mera intermediação de negócios; já para fiscalização a autuada seria a real beneficiária dos rendimentos correspondentes às referidas transações. Alguns dados devem ser agora destacados. Durante o procedimento fiscal (Termo nº 03), a autuada foi intimada a apresentar demonstrativo que comprovasse, por meio de documentação hábil e idônea, como era feito o repasse dos recebimentos às empresas que, em tese, seriam as reais beneficiárias dos pagamentos. Em resposta com data de 31/07/2013, a empresa justificou que: "Com o recebimento dos valores das Notas Fiscais endossadas a Transhik e por ela recebido, nos termos já informadores e descritos na movimentação bancária, também anexada no referido termo, a empresa efetuava o pagamento a terceiros, credores e prestadores de serviços da empresas supra citadas, de forma direta, em nome e por ordem das mesmas". No entanto, apesar de receber para si os valores das Notas Fiscais de Vendas de Mercadorias emitidas por A. P. Cordeiro de Souza Alimentos — EPP, João Rogério Santos — Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira –EPP e efetuar pagamentos a terceiros credores das empresas citadas, a autuada não apresentou qualquer Contrato de Representação ou de Prestação de Serviços firmado com tais empresas. Inclusive, afirmou na data de 12/07/2013, que "a relação comercial entre as empresas era de forma informal, sem contratos expressos, sendo esta uma prática comum nestas formas de operação mercantil. Além disso, não foram emitidas notas fiscais pela prestação dos supostos serviços de intermediação de negócios, tendo a fiscalizada alegado que “(...) os valores devidos das comissões pelas operações comerciais realizadas em nome das supra citadas empresas, foram faturados diretamente aos clientes das mesmas, como ônus pela intermediações nos negócios efetuados entre o Cliente Comprador e a Empresa Fornecedora dos produtos". Nesse particular, o relatório fiscal destaca que a lista de clientes que remuneraram os serviços de Transhik Comércio e Representações Ltda não abrange inúmeros clientes que pagaram as mercadorias adquiridas pelas referidas empresas (foi anexado quadro demonstrativo pela fiscalização às fls. 177/178, parte do Relatório do Procedimento Fiscal, tendo a defesa sido regularmente cientificada). No caso específico da pessoa jurídica A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP a fiscalização apurou junto ao Banco Bradesco S.A. que o titular da referida empresa outorgou amplos, gerais e ilimitados poderes ao seu procurador Marco Aurélio Chagas Russel (sócio administrador da autuada), entre eles representála junto aos estabelecimentos bancários e instituições financeiras em geral, podendo abrir, movimentar e encerrar contas bancárias. Outro dado relevante é que a empresa Embrarroz Alimentos Ltda. afirmou que as notas fiscais relacionadas às operações com as empresas A. P. Cordeiro de Souza Alimentos — EPP, João Rogério Santos — Cereais e Jean Cristian Oliveira Vieira –EPP, eram encaminhadas, via email, por Guilherme Vieira Dill e Marco Fl. 15677DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 24 Aurélio Chagas Russel, respectivamente, empregado e sócio administrador da autuada. A defesa reconheceu na peça impugnatória que não registrou em sua contabilidade os ingressos de valores recebidos pelas vendas praticadas pelas empresas em questão, nem registrou os pagamentos efetuados a terceiros. Ora, não é razoável supor que uma empresa transfira para outra poderes para intermediar transações, inclusive receber recursos, sem nenhum contrato, sem recibo, sem prestação de contas, sem emissão de nota fiscal e sem comprovar o efetivo recebimento do numerário. Paralelamente a isso, a empresa que recebeu os poderes (no caso, a autuada), não fez nenhum registro contábil das transações, e não demonstrou de forma inequívoca que repassou os recursos recebidos às interessadas. Somese ainda, dentre outras irregularidades, a apuração de que as empresas que supostamente concederam os poderes não existem nos seus endereços informados à RFB. Esse conjunto de provas permite, indubitavelmente, que se chegue à conclusão que a autuada é a beneficiária dos recursos referentes às operações em nome daquelas empresas, não havendo como prosperarem os argumentos da defesa de que “(...) a transferência tributária das operações objeto deste processo foram indevidamente atribuídas aos IMPUGNANTES, mesmo com as comprovações e diligencias realizadas pela própria Auditora Fiscal”. A simples leitura dos excertos acima reproduzidos, que introduz o voto que originou a decisão, nos permite concluir que a matéria encontrase devidamente apreciada e fundamentada. Neste sentido, tenho para mim que a afirmação não procede, tendo o acórdão apreciado todas as razões relevantes para o deslinde da questão. Demais disso, ainda que o fosse, o julgador não está obrigado a apreciar argumento por argumento, especialmente se já formou sua convicção acerca do tema e motivou sua decisão com seus fundamentos. Nesse mesmo sentido é a jurisprudência consolidada no âmbito no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Como exemplo, citase decisão no AgRg no AREsp 57508 / RN AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2011/02273110, proferida em 08/03/2012: “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. ART. 535 DO CPC. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. 1. De acordo com os precedentes desta Corte, "(...) é de se destacar que os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todas as teses levantadas pelo jurisdicionado durante um processo judicial, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas, em obediência ao que determina o art. 93, inc. IX, da Constituição da República vigente. Isto não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC." (REsp 1.283.425/MG, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 6/12/2011, DJe 13/12/2011). 2. O fato de a Corte Regional haver decidido a lide de forma contrária à defendida pelo recorrente, elegendo fundamentos diversos daqueles por ele propostos, não configura omissão ou qualquer outra causa de embargabilidade, pelo que se tem por afastada a tese de violação do disposto no art. 535 do CPC. 3. Agravo regimental a que se nega provimento.” Fl. 15678DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 23 25 E, neste caso, como visto acima, a decisão de primeira instância expôs com clareza as razões pela quais não acatou as argumentações da defesa concluindo pela improcedência da Impugnação. Não se vislumbra, assim, a alegada preterição do direito de defesa. ou qualquer outro vício que pudesse ensejar a nulidade da decisão de primeira instância. É, pois, de se rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. 2. NULIDADE DO PROCESSO: VIOLAÇÃO AO SIGILO BANCÁRIO E AO DIREITO AO SILÊNCIO. PRAZOS Com relação a esta segunda questão a recorrente alega, em síntese, que "Ao contrário do afirmado pela decisão recorrida, os poderes de investigação conferidos à Receita Federal pelo Código Tributário Nacional não respaldam a atuação no presente caso, sobretudo quando ferem garantias constitucionais." Aduz, mais, "O procedimento administrativo é absolutamente nulo, pois violou o devido processo legal, e o direito ao silêncio (direito constitucional de não produzir prova contra si!) da empresa recorrente e, indiretamente, do sócio recorrente. Inclusive foi violado o seu sigilo bancário, telefônico e dados (...)" Enfim, alega que "o devido processo legal foi violado porque as intimações determinaram a apresentação de documentos e outros esclarecimentos em prazos inferiores a vinte dias." Pois bem, a Lei Complementar n.° 105, de 10 de janeiro de 2001, a qual dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências, introduziu significativas modificações no instituto do sigilo bancário em relação ao seu anterior disciplinamento, até então conferido pelo art. 38 da Lei n.° 4.595/64. Nesse contexto, a Lei Complementar nº 105/2001, apenas regulou, com mais detalhes, a solicitação de informações às instituições financeiras. A Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, e o Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, por sua vez, regraram com mais precisão a obtenção de dados, antes já autorizada. Ademais, se destinavam a verificar a ocorrência de fato gerador de imposto, já previsto na legislação, qual seja, a omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Observese, ainda, que o acesso às informações bancárias não configura, propriamente, quebra do sigilo bancário, haja vista ser imposto às autoridades administrativas seu resguardo durante todo o procedimento, não só em virtude do sigilo fiscal determinado no artigo 198 do CTN, como também do disposto no artigo 6º, parágrafo único, da própria Lei Complementar nº 105, de 2001. Acrescentese que as informações se prestam apenas à constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal. Há, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira, e passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. Fl. 15679DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 26 Ressaltese, quanto às informações obtidas pela Autoridade Tributária junto às instituições bancárias, que não configuram quebra de sigilo e independem de autorização judicial, quando já instaurado o procedimento administrativo. É verdade que o art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001, de fato, é objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314, que aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal em rito de repercussão geral, sob relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski. A decisão que reconheceu a repercussão geral desta matéria foi assim ementada: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de repercussão geral. Todavia, no referido recurso extraordinário ainda não foi editada decisão definitiva de mérito que pudesse impor a reprodução, pelos Conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, do entendimento manifestado pelo Supremo Tribunal Federal em outros casos semelhantes. Por sua vez, o Decreto nº 70.235/72 somente autoriza os órgãos administrativos de julgamento a afastar a aplicação de lei que tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da Advocacia Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Fl. 15680DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 24 27 Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Também, o art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001 foi objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal em caso concreto que ali chegou por meio do Recurso Extraordinário nº 389.808, decidido em 10/05/2011 nos termos da seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão eqüidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Contudo, a Procuradoria Geral da República opôs embargos de declaração a esta decisão, os quais aguardam julgamento, estando conclusos ao relator desde 09/11/2011, de modo que não se verificou o trânsito em julgado, não se podendo falar, aqui, da existência de decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, declarando a inconstitucionalidade do dispositivo legal que autoriza o procedimento aqui utilizado para reunião das provas que fundamentam a exigência. Sobre o tema, aplicase, ainda, o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.. Por estas razões, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade do lançamento em razão de inconstitucional acesso às informações bancárias da pessoa jurídica autuada. Já com relação ao direito ao silêncio e aos prazos, adoto como razões de decidir os fundamentos do voto recorrido, a saber: Também não há como confundir o dever de prestar informações por parte dos contribuintes, quando devidamente intimado pelo fisco, com o direito ao silêncio previsto na Carta Magna. Este decorre do disposto no art. 5º, inciso LXIII: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LXIII o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendolhe assegurada a assistência da família e de advogado; Fl. 15681DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 28 Ao cidadão que se encontra detido pela autoridade policial é garantido o direito de permanecer calado, sendo que seu silêncio não poderá ser utilizado em prejuízo da própria defesa. O silêncio durante o interrogatório é uma verdadeira garantia dos direitos fundamentais do cidadão, e está expresso na Constituição Brasileira. No entanto, se apresenta como garantia para aqueles que se encontram detidos, e não aos contribuintes sob procedimento de auditoria fiscal. [...] De acordo com a nova redação do art. 19 da Lei nº 3.470, de 1958, se as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal disserem respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo para atendimento à intimação passa a ser de 5 (cinco) dias. Ora, no presente caso, de acordo com o Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 292/311, ao autuado foi concedido um prazo de 20 (vinte) dias para apresentar os elementos requeridos pelo fisco. Nos termos subsequentes, foi fixado um prazo de 5 (cinco) dias para apresentação dos documentos (nesse sentido é o Termo de Intimação Fiscal 03 – fls. 2.514/2.515). Como as intimações envolviam documentos relacionados à escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, não restam dúvidas de que estão de acordo com a legislação vigente. Por conseguinte, considerandose que o processo de lançamento de ofício foi realizado em estrita conformidade com os dispositivos que lhe são pertinentes, não há como acolher a preliminar de nulidade em análise. 3. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS e 4. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE ORIGEM (DEPÓSITOS BANCÁRIOS) Nesta questão, importa reproduzir os seguintes fragmentos do voto recorrido: Informese, de início, que em nenhuma das infrações apontadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05/09, e no Relatório de Procedimento Fiscal, fls. 128/189, a fiscalização se utilizou da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 – Depósitos Bancários de Origem não Comprovada – para apurar as receitas omitidas pelo sujeito passivo. Com efeito, deixase de analisar os argumentos da defesa nesse sentido, por falta de objeto. Também deve inicialmente ser destacado que nem todas as infrações apontadas pela fiscalização, indicadas no Relatório de Procedimento Fiscal, fls. 182/185, têm relação com as irregularidades a que se ateve a defesa na peça impugnatória transações com as empresas constituídas pelo Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias (A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira – EPP). Desta forma, consideramse não impugnadas as infrações a seguir indicadas: 5.1. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL: Omissão de receita verificada quando comparados os valores escriturados na Conta 0009726101020000 Prestação de Serviços do Livro Razão, as Notas Fiscais de Prestação de Serviços de N° 1313 a 1350 e de N° 2251 a 2640, emitidas pela pessoa jurídica Transhik Comércio e Representações Ltda nos anos de 2009 a 2012, e a receita de Prestação de Serviço declarada em DIPJ (art. 528 do RIR/1999). 5.2. RECEITA BRUTA MENSAL DA ATIVIDADE FALTA DE RECOLHIMENTO: Falta de recolhimento de tributos sob a receita de Prestação de Fl. 15682DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 25 29 Serviço declarada em DIPJ no primeiro trimestre de 2009 e segundo trimestre de 2010. Como já descrito alhures (item 1 deste voto), no que concerne ao lançamento do IRPJ e reflexos, a infração em discussão nos presentes autos, restringese a: 5.3. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA REVENDA DE MERCADORIAS; Com base nos fatos anteriormente descritos, constatouse que as receitas auferidas pelas empresas A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira EPP devem ser adicionadas às receitas tributáveis de Transhik Comércio e Representações Ltda. Essa infração foi subdividida pela fiscalização em três tipos. [...] A defesa, a rigor, não se contrapõe a esses fatos, concentrando seus argumentos no sentido de que teria sido vítima do esquema montado pelos Sr. CLEBER GUSTAVO QUEVEDO FARIAS CPF nº 521.879.93000 e RÉGIS PIVOTTO (CPF nº 667.488.52072). Portanto, deve ser considerado como incontroverso no presente processo o fato de que a impugnante recebeu recursos e teria efetuado pagamentos em nome das citadas empresas, restringindose o litígio à apuração do grau de responsabilidade que teria sobre tais transações: segundo a impugnante, decorreria de mera intermediação de negócios; já para fiscalização a autuada seria a real beneficiária dos rendimentos correspondentes às referidas transações. [...] Neste ponto, em síntese, a peça recursal traz como argumentos que "A recorrente tem como foco de seu negócio na gestão comercial de intermediação de venda de produtos agrícolas, como representante comercial de diversas empresas comercializadoras de arroz, realizando, inclusive, o ingresso de recursos dessas vendas, por conta e ordem de seus clientes, valores oriundos de suas comercializações. A Auditora Fiscal atribui à empresa recorrente e ao sócio administrador como real beneficiários de todas as operações de omissão de receitas. Na realidade, as operações em foco foram gerenciadas pelo Sr. CLEBER GUSTAVO QUEVEDO FARIAS e pelo Sr. REGIS PIVOTTO, através de suas empresas." Da leitura do todo o processo, em especial do "Relatório de Atividade Fiscal", resta claro, que a empresa recorrente Transhik Comércio e representação Ltda., de fato, foi a real beneficiária das receitas auferidas pelas empresas com vinculação à fiscalizada que, também, foram objeto de auditoria, a saber: A P Cordeiro de Souza Alimentos, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos e Jean Cristian Oliveira Vieira, todas EPP (todas empresas de pequeno porte). A seguir, em breve síntese, passamos a demonstrar o esquema fraudulento minuciosamente descrito no TVF, o qual exemplificaremos com os dados extraídos relativos a A P Cordeiro de Souza Alimentos, pessoa jurídica inapta (não localizada no endereço constante do CNPJ), cujo sócio é o Sr. André Paulino Cordeiro de Souza. Fl. 15683DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 30 Importa salientar que até 28/11/2012 a pessoa jurídica A P Cordeiro de Souza Alimentos não tinha apresentado nenhuma declaração à RFB, somente quando em fiscalização, a partir de 29/11/2012, passa a entregar algumas declarações legalmente exigidas. Após ciência por edital do Termo de Fiscalização, a Sra. Branca Adriana Nascimento da Silva, procuradora da empresa, comparece ao Serviço de Fiscalização em Uruguaiana/RS, esclarecendo que apesar de não conhecer pessoalmente o Sr. André Paulino Cordeiro de Souza lhe fora outorgada procuração em 16/11/2012. O fato é que através de diligências nos maiores clientes da citada empresa, a fiscalização confirmou que, embora os contatos comerciais fossem feitos diretamente com o sócio André Paulino Cordeiro de Souza, os pagamentos relativos as vendas nos ano de 2010 a 2012 de A P Cordeiro de Souza Alimentos foram realizados, parcial ou totalmente, à pessoa jurídica Transhik Comércio e Representações Ltda. Ou seja, em várias diligências realizadas a empresa Transhik Comercio e Representações Ltda., foi confirmada pelos clientes de A P Cordeiro de Souza Alimentos como a receptadora dos valores referentes às vendas. Inclusive consta diversos boletos bancários do Banco do Estado do Rio Grande do Sul em que a referida empresa (Transhik) consta como cedente (Agência/Código Cedente 006041 022527.088). Da mesma forma, em diligências realizadas nos maiores fornecedores (produtores rurais) da empresa A P Cordeiro de Souza Alimentos, via de regra, nas Notas Fiscais de Produtor Rural as vendas de arroz em casca seco eram destinadas a referida empresa (A P Cordeiro de Souza Alimentos) e, com destino à empresa Embrarroz Alimentos. Porém, os pagamentos ("TED") realizados nas contas dos produtores rurais, em sua maioria, tinham como remetente a empresa Transhik Comercio e Representações Ltda. E mais, a defesa reconheceu na peça impugnatória que não registrou em sua contabilidade os ingressos de valores recebidos pelas vendas praticadas pelas empresas em questão, nem registrou os pagamentos efetuados a terceiros. Do exposto, neste ponto, ressaltese que os fatos se repetiram com relação as demais empresas auditadas e com vinculação à empresa fiscalizada (acima relacionadas) conforme descrito no relatório que faz parte integrante deste voto. Acresentese que, por meio de RMF o Banco Bradesco apresentou escritura pública de procuração de 27/01/2012, na qual André Paulino Cordeiro de Souza na qualidade de sócio titular da empresa individual A P Cordeiro de Souza Alimentos, outorga amplos, gerais e ilimitados poderes ao seu procurador Marco Aurélio Chagas Ruschel. Com relação ao Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias, indicado pela ora recorrente como gestor das empresas citadas com vínculo junto à fiscalizada, em diligência (via correio) não foi localizado (correspondência retornou com o motivo "Destinatário mudouse" em 18/12/2012. Por pertinente, importa aqui reproduzir as seguintes afirmações extraídas das peças de defesa (tanto na impugnação quanto no recurso voluntário): "Coube a recorrente dentro de suas atividades operacionais, intermediar operações de compra e venda, exclusivamente com clientes com os quais demonstrou suas relações. Fl. 15684DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 26 31 Não participou e nem teve ingerências nos demais negócios a ele atribuído, nem tem vínculos pessoais, comerciais ou de outros interesses com as empresas do Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias, nem com as empresas de propriedade do Sr. Regis Pivotto." Ao mesmo tempo em outro trecho afirma: "A recorrente e seu sócio administrador foram representantes comerciais de uma da parte apenas das comercializações realizadas pelas empresas operadas pelo Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias, conforme os ingressos por ela recebido, mas nunca as mentoras das operações ou gestoras diretas de qualquer uma das empresas envolvidas." Afirmações, no mínimo, conflitantes. Enfim, consta do Termo de Constatação Fiscal que após reiteradas intimações solicitando que se a empresa Transhik não fosse a real beneficiária dos recebimentos relativos aos pagamentos das Notas Fiscais de Vendas emitidas pelas citadas empresas (A P Cordeiro de Souza Alimentos, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos e Jean Cristian Oliveira Vieira), que apresentasse demonstrativo e comprovação de como era feito o repasse dos recebimentos às empresas reais beneficiárias. Em resposta com data de 31/07/2013, afirmou que: "Com o recebimento dos valores das Notas Fiscais endossadas a Transhik e por ela recebido, nos termos já informados e descritos na movimentação bancária, a empresa efetuava o pagamento a terceiros, credores e prestadores de serviços das empresas citadas, de forma direta, em nome e por ordem das mesmas." Ressaltese, no entanto, que a Transhik não possuía qualquer Contrato de Representação ou de Prestação de Serviços firmado com tais empresas. Pois bem, quanto a este tópico reputo não haver reparos às conclusões apresentadas pela fiscalização conforme descrito em longo relatório, de que a empresa ora recorrente (Transhik Comércio e Representações Ltda) promoveu interposição de pessoas, eis que foi a beneficiária de fato das receitas daquelas falsas empresas. Acrescento ainda, o fato é que os contribuintes podem adotar a forma jurídica que lhes parecer mais adequada aos seus negócios, desde que não seja ilícita, proibida ou vedada por lei, como reiteradamente de modo manso e já pacificado vem decidindo esse Egrégio Colegiado. Por outro lado, não se pode deixar de reconhecer que é dever das autoridades fiscais coibir práticas de utilização do ordenamento jurídico por meio de estratagemas, formadas como negócios simulados, com fraude à lei ou com dolo que causem prejuízo ao Erário Público, como no caso em apreço e acima descrito, qual seja, encadeamento lógico de fatos convergente que levam a formar convicção do acerto, quanto ao mérito, do trabalho fiscal. A recorrente alega, ainda, que a fiscalização presumiu a renda; não a comprovou. Com todo o respeito às suas digressões e retóricas a respeito das presunções legais de que trata o art. 42, da Lei 9.430/1996, equivocase a recorrente. Fl. 15685DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 32 Consta do voto condutor: No âmbito do processo judicial civil, assim dispõe o artigo 332 do Código de Processo Civil – CPC: Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda ação ou a defesa. Portanto, não há limitações referentes às provas que podem ser produzidas no processo administrativo, devendo admitirse, em princípio, qualquer classe de prova das que se aceitam na legislação vigente. É de se observar, todavia, que, no processo administrativo tributário, por sua feição peculiar, predominam, substancialmente, a prova documental, a prova pericial e a prova indiciária, não se utilizando, senão acidentalmente, a prova testemunhal e a inspeção ocular da autoridade julgadora. A jurisprudência administrativa, de longa data, vem mantendo esse entendimento, conforme se pode observar no seguinte julgado do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda da brilhante conselheira Sandra Maria Faroni (Ac. nº 10192.166, DOU 18/09/98): “O processo administrativo fiscal admite todos os meios de prova em direito admitidas, inclusive a presunção simples, desde que, nesse caso, a presunção esteja corroborada por vários indícios convergentes”. No caso em litígio, os indícios apurados pela fiscalização são graves, precisos e concordantes, pois, conforme já comentado no presente voto, demonstram que as empresas estavam irregulares; não existem documentos que comprovam a suposta intermediação de negócios; a autuada não comprovou o repasse dos recursos; não foram emitidos documentos; e não houve registro contábil das operações. A conclusão não pode ser outra, de que os rendimentos pertencem a autuada e, consequentemente, devem ser oferecidos à tributação. Portanto, não há como acolher o argumento da defesa de que não estaria comprovada a existência do fato gerador da presente obrigação tributária. Como visto alhures (item 1 deste voto) a recorrente insurgese, especificamente, com relação a seguinte infração: 5.3. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA REVENDA DE MERCADORIAS: Com base nos fatos anteriormente descritos, constatouse que as receitas auferidas pelas empresas A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira EPP devem ser adicionadas às receitas tributáveis de Transhik Comércio e Representações Ltda. Essa infração foi subdividida pela fiscalização em três tipos: a) Recebimentos Confirmados por Transhik Comércio e Representações Ltda: correspondem aos recebimentos em contas correntes de sua titularidade de vendas de A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira EPP, as quais foram informados pela própria Transhik Comércio e Representações Ltda em resposta ao Termo N° 001 Termo de Início de Procedimento Fiscal; b) Recebimentos Confirmados por Diligência aos Clientes: correspondem aos valores que clientes de A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira EPP Fl. 15686DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 27 33 informaram e comprovaram, por meio de diligência, que pagaram as aquisições das mercadorias a Transhik Comércio e Representações Ltda; c) Demais Provas Indiretas: Correspondem aos valores que não foram assumidos por Transhik Comércio e Representações Ltda nem diretamente comprovados documentalmente pelos clientes diligenciados como efetivamente pagos a Transhik Comércio e Representações Ltda. Porém, apresentaram um conjunto de provas indiretas, o qual foi levantado mediante diligência a esses mesmos clientes, vinculando tais recebimentos a Transhik Comércio e Representações Ltda, Marco Aurélio Chagas Ruschel e Cleber Gustavo Quevedo Farias. A fiscalização concluiu que a empresa Transhik Comércio e Representações Ltda teria promovido a interposição de pessoas, eis que foi a beneficiária de fato das receitas auferidas pelas empresas A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira EPP, com base, resumidamente, nos seguintes fatos: a) As pessoas jurídicas A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira EPP não foram localizadas nos seus endereços declarados como domicílio tributário no CNPJ; b) A pessoas jurídica João Rogério Santos Cereais foi baixada de ofício da inscrição no CNPJ; c) As pessoas jurídicas A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP e Jairo Albino dos Santos EPP foram cadastradas no CNPJ com vício, ou seja, utilizandose de documentos de identificação de seus sócios, os quais, em tese, seriam falsos; d) A pessoa jurídica Transhik Comércio e Representações Ltda gerenciava de fato as atividades de A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira EPP, recebendo os valores das vendas por elas auferidas e pagando seus credores, mesmo sem possuir qualquer Contrato de Representação ou de Prestação de Serviços; e) A pessoa jurídica Transhik Comércio e Representações Ltda não emitiu nenhuma Nota Fiscal de Prestação de Serviços cujos destinatários fossem A. P. Cordeiro de Souza Alimentos EPP, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira – EPP. A defesa, a rigor, não se contrapõe a esses fatos, concentrando seus argumentos no sentido de que teria sido vítima do esquema montado pelos Sr. CLEBER GUSTAVO QUEVEDO FARIAS CPF nº 521.879.93000 e RÉGIS PIVOTTO (CPF nº 667.488.52072). Do acima exposto, evidenciase que as autuações em lide no presente processo, não foram embasadas em presunções legais/depósitos bancários não comprovados, admitidas pelo art. 42 da Lei 9.430, de 1996 (art. 287 do RIR/1999). Vêse, claramente o Enquadramento Legal no Auto de Infração: art. 3o. da Lei 9.249/1995 e arts. 518, 519 e 528 do RIR/1999. Ou seja, os lançamentos tributários efetivados não tiveram por base extratos bancários como afirma a recorrente. Verificase dos autos que o lançamento teve por base (I) Omissão de receitas relativa aos valores de "Prestação de Serviços escriturados e Notas Fiscais emitidas" em Fl. 15687DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 34 confronto com o declarado em DIPJ; (II) Falta de recolhimento relativo a receita de Prestação de Serviço declarada em DIPJ; (III) Omissão de Receitas/Revenda de Mercadorias por falsas empresas com recebimentos pela recorrente. Ou seja, as omissões foram apuradas com base em elementos coletados e confirmados pela própria empresa recorrente e por meio de circularização de terceiros em diligências fiscais. Enfim, das peças processuais constatase que a autoridade administrativa procedeu com bastante cuidado quando procurou construir os elementos probatórios suficientes não só para demonstrar, mas muito mais, o bastante para provar a efetiva ocorrência das infrações imputadas à recorrente. Nesse sentido foi irreparável o procedimento fiscal. Também, em face das alegações apresentadas nas peças de defesa e, a vista do minucioso Termo de Constatação Fiscal as autoridades tributárias corretamente concluíram que as receitas omissas constatadas em diligências fiscais, com respectivos recebimentos pela empresa recorrente, todavia, não escrituradas nem oferecidas à tributação, devem ser adicionadas às receitas tributáveis de Transhik Comércio e Representações Ltda., aos coeficientes normais estabelecidas para o lucro presumido. A omissão de receitas resta caracterizada pela falta de oferecimento dos valores correspondentes à tributação. 5. DA INDEVIDA RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA CENTRADA NA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DAS PARTES ENVOLVIDAS, ATRIBUÍDAS INTEGRALMENTE AOS RECORRENTES (TRANSHIK COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA e MARCO AURÉLIO CHAGAS RUSCHEL). A recorrente, neste ponto, entre outros argumentos, insurgese alegando que "Somente podese atribuir a responsabilidade solidária à terceiros pessoa, quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e as pessoas a quem se imputa a solidariedade passiva, conforme previsto ao art. 124, I do CTN. No caso em tela, a fiscalização e a decisão recorrida desconsiderou integralmente a responsabilidade dos demais envolvidos, atribuindo aos Recorrentes a total responsabilidade pela omissão das receitas operacionais." Neste ponto, de início, releva notar que na realidade o próprio Auto de Infração e o Termo de Sujeição Passiva imputam a condição de sujeitos passivos solidários ao Sr. Marco Aurélio Chagas Ruschel e, também ao Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias. Os Termos de Sujeição Passiva descreve como contexto o seguinte: No curso do Procedimento Fiscal em depoimento colhido junto a empresa recorrente constatouse que Cleber Gustavo Quevedo Farias sempre se apresentou como procurador das empresas A P Cordeiro de Souza Alimmentos, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos e Jean Cristian Oliveira Vieira. Os diligenciados Branca Adriana Nascimento da Silva e Regis Pivotto, também, informaram que Cleber Gustavo Quevedo Farias era o representante daquelas empresas, porem, que nunca apresentou procuração outorgando poderes para tal. A fiscalização oficiou os Tabelionatos de Notas de Uruguaiana, São Borja, Quaraí, Camaquã e Porto Alegre no intuito de coletar procurações em que os sócios daquelas empresas e o Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias constassem como outorgante ou outorgado. Restou encontrada somente uma escritura pública de procuração na qual André Paulino Cordeiro de Souza, na qualidade de titular da empresa individual A. P. Cordeiro de Souza Fl. 15688DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 28 35 Alimentos, outorga amplos gerais e ilimitados poderes para tratar de todos os negócios e assuntos de interesse da empresa ao seu procurador Marco Aurélio Chagas Ruschel, inclusive a mesma procuração foi apresentada pelo Bradesco em resposta a RMF como já dito alhures, vejamos: Acresentese que, por meio de RMF o Banco Bradesco apresentou escritura pública de procuração de 27/01/2012, na qual André Paulino Cordeiro de Souza na qualidade de sócio titular da empresa individual A P Cordeiro de Souza Alimentos, outorga amplos, gerais e ilimitados poderes ao seu procurador Marco Aurélio Chagas Ruschel. Entende a autoridade fiscal que a teor do art. 124 do CTN ficou demonstrado, pelo acompanhamento e controle total do Sr. Marco Aurélio Chagas Ruschel como procurador da empresa, os interesses econômico e jurídico que diz respeito à realização comum e conjunta da situação que constitui o fato gerador. Da mesma forma com relação ao Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias o qual também exercia controle sobre as mesmas empresas, inclusive assinando recibos a autorizações para pagamento das vendas em nome de terceiros, porem, sem qualquer autorização para representálas. O fato é que Marco Aurélio Chagas Ruschel e Cleber Gustavo Quevedo Farias operacionalizaram as empresas interpostas A P Cordeiro de Souza Alimmentos, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos e Jean Cristian Oliveira Vieira, por intermédio das quais desenvolviam atividades econômicas comercialização de arroz em casca e beneficiado, transferindo as receitas para a empresa recorrente, no intuito de evadir tributos e, por consequência, fraudar o Fisco. Portanto, evidenciado que ambas as pessoas físicas tiveram participação direta na implantação e operação do esquema de sonegação. Diante de tal cenário, não há como afastar a responsabilidade tributária imputada pela Fiscalização aos Srs. Marco Aurélio Chagas Ruschel e Cleber Gustavo Quevedo Farias. Ressaltese, entretanto, que não houve impugnação nem recurso voluntário com relação ao Sr. Cleber Gustavo Quevedo Farias. 6. INEXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS NAS OPERAÇÕES COM ARROZ. Alega a recorrente que não são devidas a contribuição para o PIS e a Cofins, tendo em vista que a Lei nº 10.925/2004 reduziu a 0 (zero) as alíquotas das referidas contribuições, sobre a receita bruta da comercialização do arroz classificados na posição NCM 1006.20 e 1006.30. Da legislação citada, inferese que o benefício fiscal não foi concedido a qualquer tipo de arroz, mas apenas aos que estão classificados no código 1006.20 e 1006.30 da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM. Ou seja, a alíquota zero não abrange as operações com o arroz com casca e o arroz quebrado. De acordo com o Relatório do Procedimento Fiscal, fls. 185, as operações tributadas, objeto da lide e, relacionadas com as empresas A. P. Cordeiro de Souza Alimentos, João Rogério Santos — Cereais e Jean Cristian Oliveira Vieira, referiamse ao comércio de arroz em casca e beneficiado, seus subprodutos e resíduos. Fl. 15689DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 36 Dessa forma, a autoridade de primeira instância, assim decidiu: Na peça impugnatória a defesa não traz nenhum elemento de prova que permita concluir que as operações em questão referiamse somente a arroz descascado (arroz "cargo" ou castanho), classificado no código 1006.20 da NCM, arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido (glaceado), classificado no código 1006.30 da NCM, que estão sujeitos à alíquota zero. Quem não prova o que afirma não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamento de uma solução que atenda ao seu pedido. Aliás, o adágio romano: allegatio et non probatio, quasi non allegatio (alegar e não provar é quase não alegar). Aqui, de fato, constatase da peça de defesa inicial (impugnação) que não há nem menção a qualquer documento. A peça recursal apresentada traz a seguinte alegação adicional: "Nunca houve dúvida, conforme documentação constante dos autos, que as operações objeto da autuação envolviam arroz beneficiado, classificado no item 1006.30 da TIPI. Vejase, por exemplo, as notas fiscais que constam do processo (fl. 4894 e seguintes)". Registrese que dos autos do presente processo (digitalizado no eprocesso) não encontro tal documentação. E, mesmo porque, o código apontado com alíquota zero (1006.30) diz respeito a arroz beneficiado, enquanto que as operações que se discute relacionamse a compra e venda de arroz em casca, cujo código da NCM é 1006.10, conforme se atesta em diversas notas fiscais colhidas em diligências nas empresas auditadas. Mantenho o quanto decidido em primeira instância. DA MULTA DE OFÍCIO (150%) Neste ponto o voto ora combatido traz a seguinte fundamentação: Como se pode observar, o caso em questão não envolve uma simples apuração de omissão de receitas com base em presunção legal (o que afastaria a qualificação da multa), mas sim a constatação de uma série de práticas do contribuinte para ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. A omissão de receitas restou caracterizada a partir do momento em que a empresa deixou de registrar contabilmente as operações, não declarar os tributos devidos na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, e efetuar os recolhimentos correspondentes. Na peça impugnatória o autuado alega que não houve intuito de fraude por parte da Impugnante. Argumenta que, “Só há fraude se houver inserção de elementos inexatos nos livros e documentos fiscais (fraude por ação) ou omissão de operação em documento ou livro exigido pela lei fiscal (fraude por omissão), com o objetivo de reduzir ou suprimir tributo”. Tal afirmação não se coaduna com os fatos já analisados no presente voto. A própria defesa confirmou que a empresa não registrou as operações, e o conjunto de provas apresentadas pela fiscalização demonstraram que a autuada foi a real beneficiária das receitas auferidas pelas empresas A. P. Cordeiro de Souza Alimentos Fl. 15690DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.728484/201351 Acórdão n.º 1301001.826 S1C3T1 Fl. 29 37 EPP, João Rogério Santos Cereais, Jairo Albino dos Santos EPP e Jean Cristian Oliveira Vieira – EPP. A manutenção da tributação desses valores implica necessariamente na imposição da multa qualificada. Portanto, partindose da premissa que houve uma ação intencional para impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal e as condições pessoais de contribuinte, é de se considerar correta a aplicação da multa no percentual de 150% prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Informese por fim, que a qualificação da multa não alcançou todas as irregularidades apuradas pela fiscalização, estando fora dessa relação as seguintes infrações: omissão de receitas decorrente da apuração de diferença entre a receita bruta na prestação de serviços e o valor declarado em DIPJ; a falta de recolhimento de tributos sobre a receita bruta de prestação de serviços declarada em DIPJ; da receita de prestos tributos declarados em DIPJ; e insuficiência de recolhimento das contribuições PIS e Cofins. Ressaltese que, qualquer que seja a conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta fraudulenta se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. No caso dos autos, restou devidamente comprovado que a recorrente operacionalizou reiteradamente durante o período de 2009 a 2012 as atividades de falsas empresas interpostas, com o fito de comercializar seus produtos. Há evidências de que tais empresas foram constituídas utilizandose de documentos de identificação falsos de seus sócios. Conforme afirmado e comprovado pela fiscalização apesar das receitas com vendas de mercadorias serem auferidas por notas fiscais emitidas por essas interpostas empresas a real beneficiária era Transhik Comércio e Representações Ltda e que esta, conseqüentemente, não ofereceu tal receita à tributação da Fazenda Nacional. Em sã consciência, diante dos elementos de convicção acostados aos autos, não há dúvida da intenção da contribuinte recorrente em reduzir os tributos devidos e se beneficiar, indevidamente. Os fatos explanados caracterizam a figura da sonegação. As circunstâncias narradas nos autos evidenciam, de forma inequívoca, o intuito deliberado de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes a seu faturamento. O fato de oferecer à tributação valores extremamente inferiores aos auferidos, de forma reiterada, alem da pratica de interposição de pessoas (laranjas") como sociedade conexa, de fato, demonstram o elemento doloso, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64 e implica a aplicação da multa qualificada de que trata o art. 44, § 1°, da Lei n.° 9.430/1996. Por essas razões, entendo que a qualificação da multa aplicada foi medida acertada e perfeitamente em consonância com a legislação aplicável, pelo que deve ser mantida. Lançamentos Reflexos. Fl. 15691DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 38 Quanto aos demais lançamentos, aplicase mutatis mutandis o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre eles. De todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidades suscitadas e voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo as exigências como formalizadas. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 15692DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005218/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente
Adriano Gonzales Silvério - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira - Presidente Adriano Gonzales Silvério - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
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Resolvem os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente Adriano Gonzales Silvério Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Tratase de Auto de Infração nº 37.242.9700, no qual a autoridade fiscal exige as contribuições previdenciárias patronais no período de agosto de 2004 a dezembro de 2008, sendo arrolados como responsáveis solidários as empresas JEFFERSON CESAR GOMES, JENIFFER GREICE GOMES – TORNEIRAS, IMPERATRIZ SUL METAIS LTDA e INDUSTRIA COMERCIO E EXPORTAÇÃO DE METAIS IMPERATRIZ LTDA. Fundamenta a autuação que o sujeito passivo e terceiras empresas configuram grupo econômico, o que ensejou a representação para exclusão do Simples, bem como o RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .0 05 21 8/ 20 09 -1 1 Fl. 993DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10950.005218/200911 Resolução nº 2301000.496 S2C3T1 Fl. 994 2 lançamento das contribuições previdências correspondentes e a exigência da escrituração contábil, como aqui exigida. Devidamente intimado o sujeito passivo apresentou impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou a decadência parcial, a irretroatividade dos efeitos da exclusão do SIMPLES, a inexistência de grupo econômico, além de defender a sua permanência no regime simplificado de pagamento de tributos, sustentando, ainda, o fato de que apresentou defesa administrativa contra os atos de exclusão do citado regime. Os responsáveis solidários também apresentaram impugnações, alegando a nulidade dos termos de sujeição passiva, bem como a inexistência de grupo econômico. A DRJ de Curitiba manteve a autuação em parte, reconhecendo a decadência. Diante da decisão supra a empresa apresentou recurso voluntário repisando os argumentos suscitados na impugnação. É o Relatório. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10950.005218/200911 Resolução nº 2301000.496 S2C3T1 Fl. 995 3 Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator Como se depura dos autos a premissa fiscal foi a de que haveria a existência de grupo econômico entre o sujeito passivo e as empresas arroladas como responsáveis solidárias. Conseqüência desse entendimento resultou na representação para a exclusão da autuada do Simples, bem como no lançamento das contribuições previdenciárias. Por outro lado, o sujeito passivo sustenta que se defendeu dos atos de exclusão do Simples, o que fica evidente no acompanhamento processual do processo administrativo 10950.004255/200911. Entendo que a decisão a ser tomada naqueles autos, pode, sobremaneira, influenciar na decisão aqui a ser proferida por essa Egrégia 1º Turma, haja vista que se for decidido que o sujeito passivo deve permanecer no Simples, o presente lançamento sofrerá conseqüências, quiçá seu cancelamento se for esse o caso. Por essa razão, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA a fim de que o processo fique sobrestado na Delegacia da Receita Federal de origem até que o processo administrativo 10950.004255/200911 transite em julgado, devendo ser anexadas as decisões nele proferidas, seja de primeira, como de segunda instâncias administrativas e após o trânsito em julgado, encaminhe esse processo ao CARF para processamento e julgamento. Adriano Gonzáles Silvério Fl. 995DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.721226/2012-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2008
PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO
Na forma do comando da Súmula CARF nº 1: " Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial."
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2403-002.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ação judicial com o mesmo objeto ( Sumula 01 do CARF)
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2008 PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Na forma do comando da Súmula CARF nº 1: " Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ação judicial com o mesmo objeto ( Sumula 01 do CARF) CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva
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AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Na forma do comando da Súmula CARF nº 1: " Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ação judicial com o mesmo objeto ( Sumula 01 do CARF) CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 12 26 /2 01 2- 01 Fl. 6725DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Trata o presente processo de dois Autos de Infração AI n°s 37.324.43553 ( período 07/2008 a 11/2008) e 37.324.4363 (período 05/08 a 05/08) referentes às contribuições sociais e Sat/Rat devidas pela cooperativa, por subrogação, incidentes na aquisição de produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas e da contribuição ao SENAR. Segundo o relatório fiscal, o lançamento foi baseado na análise dos sistemas informatizados da Receita Federal, folhas de pagamento da cooperativa, escrita contábil e fiscal e documentos da comercialização da produção rural. Assim, foi constatado que o sujeito passivo deixou de declarar em GFIP e de recolher parte das contribuições destinadas à previdência social. A autoridade lançadora também esclarece que houve o efetivo desconto das contribuições devidas ao INSS quando da aquisição da produção rural e registra que a cooperativa informou à fiscalização que estava discutindo judicialmente a cobrança destas contribuições. Relatou , ainda a Autoridade autuante que : " Na resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, o sujeito passivo informa que está questionando judicialmente a legalidade da cobrança destas contribuições nos Autos do Processo n° 2000.70.07.0025036 e que os valores descontados dos produtores estão sendo depositados em juízo. Junta as cópias das respectivas guias de depósito judicial (Anexo 2c), além de algumas peças processuais relevantes. Analisando as guias dos depósitos judiciais apresentadas verificase que os valores correspondem ao montante integral do Funrural nas competências 01 a 06/2008. Já em relação às competências 07 a 11/2008. os valores foram depositados somente em parte, na proporção de 70% (trinta por cento). Ou seja, para esse período uma parcela do Funrural não foi recolhida e nem depositada. Como o contribuinte efetuou depósitos judiciais da contribuição em tela, a fiscalização optou por: • Entre 01 e 11/2008, os valores com depósito em juízo, foram incluídos no processo 10935.721.225/201258 para prevenir eventual decadência. • Para o período de 07 a 11/2008, valores sem depósito judicial, foi efetuado o lançamento no presente processo." Fl. 6726DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.721226/201201 Acórdão n.º 2403002.790 S2C4T3 Fl. 3 3 Consta ainda que na apuração do crédito tributário deste processo foram consideradas apenas as contribuições não declaradas em GFIP mas que foram objeto de depósito judicial e estão demonstradas na planilha "Anexo Comercialização da Produção Rural". Embora não tenha sido convenientemente esclarecido no Relatório fiscal, a forma descrita no encimado implica entendimento de que o crédito fora constituído em face dos 30 ( trinta) por cento deixado de ser depositado e , em razão disso o fato de não ter sido efetuado depósito integral para as competências 07 a 11/2008 não se observa a suspensão da exigibilidade do crédito tributário prevista nos termos do art. 151, II, do CTN. A Autoridade autuante registrou que em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 04 (Anexo 2f), o sujeito passivo justificou a ausência de depósito judicial de parte do funrural (30%), alegando que se trata de compensação de crédito tributário, cuja origem é "decorrente de valores vinculados à receita de exportação direta, anteriormente, pagos de forma indevida; Que os créditos foram apurados com base na Emenda Constitucional 33, de 2001. Tal dispositivo é claro ao referir que não incide contribuição sobre a receita decorrente de exportação". Justificando o lançamento, a Autoridade autuante alegou que : "No entanto, a nós parece que o sujeito passivo interpretou de forma equivocada o dispositivo citado. De fato, sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos não incidem as contribuições previdenciárias, mas apenas quando a produção é comercializada diretamente (pelo produtor) com adquirente domiciliado no exterior. A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. É o que diz o art. 170 e parágrafos da IN RFB n° 971/2009. No presente caso tratase de comércio interno, em que a produção foi adquirida pela Cooperativa diretamente dos produtores rurais, tendo inclusive, transitado pela sua contabilidade. O fato de a produção adquirida ser posteriormente destinada à exportação é irrelevante, não fazendo mais jus a isenção.Além disso, a compensação de contribuições previdenciárias é formalizada por intermédio da GFIP, em campo próprio destinado a esse fim. No caso, tal informação não foi prestada, sendo que no documento declaratório nada consta a título de compensação." DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Na forma do registro de fls. 6.660, em 26 de fevereiro de 2013, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA, exarou o Acórdão n 0639.351 7 mantendo o crédito tributário exigido. Fl. 6727DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 DO RECURSO VOLUNTÁRIO No Recurso Voluntário a Recorrente guerreia a tributação sofrida alegando que esta incidiu sobre exportações as quais estariam imunes e lhe deram o direito de compensar os valores alhures recolhidos. É o Relatório. Fl. 6728DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.721226/201201 Acórdão n.º 2403002.790 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Entretanto não reúne os pressupostos de admissibilidade PRELIMINARES Não existem prejudiciais de mérito para analisar. DO MÉRITO Cumpre ressaltar que o presente constitui créditos referentes às contribuições sociais e Sat/Rat devidas pela cooperativa, por subrogação, incidentes na aquisição de produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas e da contribuição ao SENAR e não sobre receita de exportações. Podese até mesmo questionar a integralidade dos argumentos postos pela Autoridade autuante sobre receitas de exportação, entretanto é inquestionável que a autuação é diversa e a compensação de contribuições previdenciárias é formalizada por intermédio da GFIP, em campo próprio destinado a esse fim e se no caso, tal informação não fora prestada, não ha que falar em compensações ou argumentar as origens que motivaram a empresa entender de compensar e não informar. Relevante notar que no Recurso Voluntário a autuada exorta os arts. 79 e 83 da Lei n 5.764/71 para sustentar que as operações entre os cooperados e autuada significaram mera entrega dos produtos rurais na cooperativa caracterizando ou ato cooperativo : "Cooperativas, 5.764/71: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo." (grifouse) Ratificase, portanto, que o cooperado não vende à cooperativa, mas entrega seus produtos para obter melhores resultados. Fl. 6729DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 "é incorreta a cobrança de tributos da Cooperativa por atos realizados em nome dos cooperados, visto que é indevida a qualificação de que a cooperativa adquire mercadorias de seus cooperados, por ofensa ao texto constitucional e ao artigo 79 da Lei n° 5.764/71, logo é inexigível a cobrança de Funrural sobre as operações realizadas em nome de seus sócios por ausência de lei que assim estabeleça, estando a pretensão impositiva da RFB violando o princípio básico do Estado de Direito da legalidade estrita e da segurança jurídica. Esta definição é complementada de modo claro pelo parágrafo único do artigo 79 ao determinar que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Dessa forma, o dispositivo que atua como verdadeira norma geral no tratamento ao ato cooperativo, estabelece de modo cristalino o que venha a ser ato cooperativo e exclui da incidência tributária este ato, visto que não representa operação de mercado ou contratação negocial de mercadorias." Embora as encimadas alegações, as provas materiais colacionadas nos autos concorrem , definitivamente, para desconstituir os argumentos trazidos pela autuada. Comprovando as aquisições mediante operações de compra constam às fls. 1.411 a 1.462, dezenas de cópias da notas fiscais emitidas pela autuada por ocasião das entregas dos produtos pelos cooperados. Por outro destaque, às fls 562 a 1.410 produziramse planilha que registra centenas das operações vinculadas as respectivas notas fiscais. Por fim , o Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, às fls 22, sustentando o lançamento, traz efetiva fundamentação sobre aquisição de produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas e da contribuição ao SENAR e não sobre receita de exportações: " FLD FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO 213 CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO ESPECIAL (SOBRE A PRODUÇÃO RURAL) 213.11 Competências : 07/2008 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25 (com as alterações posteriores da Lei n. 10.256, de 09.07.01), I (com as alterações da Lei n. 9.528, de 10.12.97) parágrafos 3. e 4. (com as alterações da Lei n. 8.540, de 22.12.92 e posteriores da Lei n. 10.256, de 09.07.01); Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 9., VII, art. 200, parágrafos 4., 5., e 7. e art. 216, III e IV e parágrafo 5.. A PARTIR DE 06.2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25 (com as alterações posteriores da Lei n. 10.256, de 09.07.01), I (com as alterações da Lei n. 9.528, de 10.12.97) parágrafos 3. (com as alterações da Lei n. 8.540, de 22.12.92 e posteriores da Lei n. 10.256, de 09.07.01), 10 e 11 (com as alterações da Lei n. 11.718, de 20.06.08, art. 30, incisos X e XII (acrescentado pela Lei n. 11.718, de 20.06.08); Regulamento da Previdência Social RPS, Fl. 6730DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.721226/201201 Acórdão n.º 2403002.790 S2C4T3 Fl. 5 7 aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 9., VII, art. 200, parágrafos 4., 5., 7., III, e 9. (acrescentado pelo Decreto n. 6.722, de 30.12.08). e art. 216, IV " . DA AÇÃO INTERPOSTA NO JUDICIÁRIO Às fls. 363, datada de 08/08/2000, consta Ação Declaratória de Inconstitucionalidade, Processo n° 2000.70.07.0025036, Seção Judiciária do Paraná, contra o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, sendo autora a autuada. Na oportunidade a autuada informou que por disposição legal, enquadrase entre as empresas que possuem o encargo de reter dos produtores rurais e repassar ao INSS valores referentes ao PróRuralContribuição Sobre a Comercialização do Produto Rural, instituída pela Lei Complementar n° 11, de 1971 . Entretanto, arguiu que a citada contribuição, padece de validade, eis que claramente inconstitucional, bem como notadamente contrária ao sistema previdenciário vigente. Na referida Ação, o pedido é : "A concessão de TUTELA ANTECIPADA, com fundamento no artigo 273 do CPC, a fim de nos termos do artigo 151, do CTN, seja suspensa a partir desta data, a exigibilidade da contribuição social incidente sobre a comercialização do produto rural, em valor equivalente a 2,2% (dois vírgula dois por cento) e 2,7% (dois vírgula sete por cento), sobre a comercialização dos produtos rurais, valor este retido pela autora de seus associados e recolhido mensalmente através de GRPS." Às 368, consta que analisando a questão, em 20/04/2010, no RE 527902 sob a Relatoria do Ministro AYRES BRITTO a autuada obteve êxito na forma abaixo transcrito: " Tenho que a insurgência merece acolhida. Isso porque, na Sessão Plenária do dia 03/02/2010, o Tribunal concluiu o julgamento do RE 363.852, sob a relatoria do ministro Marco Aurélio, e deu provimento ao "recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural' de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do art . I o da Lei 8 .540/92, que deu nova redação aos art igos 12, V e VII, 25, I e I I , e 30, IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional 20/98, venha a inst i tuir a contribuição". Na ocasião, "entenderamse ter havido bi tributação, afronta ao princípio da isonomia e criação de nova fonte de custeio sem lei complementar" (Informativo STF 573). Isso posto, e frente ao § 1°A do art. 557 do CPC, dou provimento ao recurso. O que faço para determinar que sejam restituídos à parte recorrente os valores das Fl. 6731DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 contribuições indevidamente recolhidas e que a parte agravada suporte o pagamento de honorários advocatícios no montante de 5% (cinco por cento) sobre o valor total da condenação (§ 4o do art. 20 do CPC) . As demais questões serão apuradas pelo Juízo da execução. Brasília, 20 de abril de 2010."( grifos de minha autoria) É relevante notar que às fls. 6.670 a Recorrente, em 04/06/2013, interpôs o presente Recurso Voluntário mas não exorta trânsito em julgado. Busca no sítio http://www2.trf4.jus.br/ , em 27/10/2014, não consta revelado que ocorrera o trânsito em julgado : "APELANTE:COOPERATIVA AGROPECUAIRIA SUDOESTE LTDA/Advogado: Marcelo Romano Dehnhardt e outrosAPELADO:UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL)Advogado: ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional = AÇÃO ORDINÁRIA (PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO) Nº 2000.70.07.0025036 (PR) 17/10/2013 17:39 Atribuição Sucessão n. 70642 Motivo: 61 Portaria Nº 596, DE 12.07.2010 14/04/2003 14:19 PROCESSO REMETIDO AO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA GUIA NR.: 030044441 DESTINO: SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Como se observa a causa de pedir e a motivação da constituição do crédito em comento são IDÊNTICAS . "Súmula CARF nº1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Em razão de tudo que foi exibido, descabe analisar o Recurso ora interposto. CONCLUSÃO Em face de tudo que foi exposto, com suporte na Súmula nº1 deste Conselho, NÃO CONHEÇO DO RECURSO É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 6732DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.721226/201201 Acórdão n.º 2403002.790 S2C4T3 Fl. 6 9 Fl. 6733DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10715.005474/2010-25
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Considera-se intimado o contribuinte com a comprovação da entrega da intimação no seu domicílio tributário constante do cadastro da Receita Federal. Da declaração de intempestividade da impugnação pelo acórdão de primeira instância cabe recurso ao CARF, que fica limitado à manifestação de contrariedade a essa declaração..
IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 9.
"É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Considera-se intimado o contribuinte com a comprovação da entrega da intimação no seu domicílio tributário constante do cadastro da Receita Federal. Da declaração de intempestividade da impugnação pelo acórdão de primeira instância cabe recurso ao CARF, que fica limitado à manifestação de contrariedade a essa declaração.. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 9. "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Recurso Voluntário Negado.
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Considerase intimado o contribuinte com a comprovação da entrega da intimação no seu domicílio tributário constante do cadastro da Receita Federal. Da declaração de intempestividade da impugnação pelo acórdão de primeira instância cabe recurso ao CARF, que fica limitado à manifestação de contrariedade a essa declaração.. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 9. "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 54 74 /2 01 0- 25 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005474/201025 Acórdão n.º 3801005.348 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 209DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005474/201025 Acórdão n.º 3801005.348 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente a multa regulamentar, que está lastreada na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. Conforme se depreende da leitura da descrição dos fatos do auto de infração e dos demais documentos constantes dos autos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de mercadorias despachadas através de Declarações de Exportação (DE's) listadas na planilha de folhas 10, no SISCOMEX, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no artigo 37 da IN SRF n° 28/94 com redação dada pela IN SRF n° 510/2005. Conforme demonstrado na planilha anexa ao auto de infração, as mercadorias foram embarcadas, mas os "dados de embarque" no SISCOMEX foram registrados após o prazo de 2 dias para tal registro. Assim, entendendo estar caracterizada a infração, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 para cada veículo transportador em que a informação de dados de embarque não foi prestada, no SISCOMEX, no prazo (2 dias). Cientificada, via postal (AR fl. 13) em 20/09/2010 a interessada não apresentou impugnação tempestivamente, vindo somente a apresentar a peça de defesa em 27/10/2010, onde, entre outras alegações, suscita como preliminar a tempestividade da peça de defesa. Aduz que só tomou conhecimento do presente feito ao efetuar consulta rotineira sobre sua situação fiscal. Que não possui em seus quadros funcionário ou representante legal com o nome daquele que "recebeu" a correspondência. Requer seja acolhida a preliminar de nulidade do auto de infração, subsidiariamente seja reconhecida a improcedência do auto de infração e, que as intimações sejam enviadas ao seu advogado. Posteriormente à apresentação da peça de defesa a interessada anexou aos autos: a) documento requerendo seja concedido o benefício da retroatividade benigna em razão. da modificação introduzida pela Instrução Normativa RFB n° 1.096/10, que ampliou o prazo para registro da informação (7 dias); b) cópias de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais relacionadas à casos semelhantes. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005474/201025 Acórdão n.º 3801005.348 S3TE01 Fl. 5 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) não conheceu da Impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/12/2007 IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, não se devendo dela conhecer. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando: · a preliminar de tempestividade da impugnação apresentada e a necessidade de análise do mérito; · que a correspondência foi enviada para o endereço correto, mas foi entregue no endereço errado, não tendo sido recebida por prepostos da Recorrente; · que com a edição da Instrução Normativa n° 1.096/2010 deixouse de definir como infração a inserção de dados de embarque de mercadorias no Siscomex, quando realizada dentro do prazo de 07 dias; · e pleiteando ainda a aplicação do instituto da denúncia espontânea ao presente caso ; · que não houve qualquer dano ao Erário devendo ser encaminhado ao Secretário da Receita Federal do Brasil para apreciação do presente pedido de relevação da pena, o qual encontra amparo no artigo 736, do Regulamento Aduaneiro/2009. É o Relatório. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005474/201025 Acórdão n.º 3801005.348 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Preliminarmente, verificase que impugnação apresentada não foi conhecida pela autoridade julgadora de 1ª Instancia face a intempestividade da mesma. A recorrente alega que a correspondência foi enviada para o endereço correto, mas foi entregue no endereço errado, não tendo sido recebida por prepostos da Recorrente. A intimação/citação teria sido recebida pelo Sr. Francisco S. Lima, que não pertence aos seus quadros de funcionários e/ou representantes legais e que seria porteiro do prédio localizado no número 311, em 20/09/2010, no endereço localizado na Avenida Rio Branco n.° 311, no entanto o endereço da Recorrente fica localizado na LOJA B do n.°311, onde estava localizada a sua sede. Tendo sido suscitada como preliminar a tempestividade da impugnação foi analisada a questão no acórdão recorrido,chegandose a conclusão de que a intimação realizada é plenamente válida e tendo sido apresentada a peça de defesa fora do prazo previsto no artigo 15 do Decreto n° 70.235/72, resta caracterizada a sua intempestividade. De fato, nesse aspecto, não assiste razão à recorrente. O artigo 15 do Decreto n.º 70.235/1972 dispõe sobre o prazo para interposição de impugnação da exigência pela lavratura de auto de infração:. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. No presente caso foi lavrado Auto de Infração, cuja ciência se deu por via postal comprovada por aviso de recebimento –AR com data de 20/09/2010, de fls. 13. A impugnação, às fls. 16/42 foi protocolada em 27/10/2010, ultrapassado portanto o prazo regulamentar previsto para a interposição do recurso. O inc. II do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72 autoriza a intimação por via postal, com prova do recebimento, in verbis: Art. 23. Farseá a intimação: (...) Fl. 212DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005474/201025 Acórdão n.º 3801005.348 S3TE01 Fl. 7 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (grifado) Alega a recorrente que a pessoa que firmou o AR não pertence aos seus quadros de funcionários e/ou representantes legais e que a intimação foi enviada a endereço incorreto ensejando a nulidade da citação. O domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo era, como se depreende do extrato de folhas 15: AV RIO BRANCO, 311 LOJA B SUBSOLO E SOBRELOJA CENTRO RIO DE JANEIRO – RJ, CEP 20040009, que coincide com o endereço para o qual foi enviada via postal a intimação, constando no aviso de recebimento –AR a assinatura do recebedor da correspondência, o Sr. GERSON DA SILVA. Comprovado que o endereço para o qual foi enviada via postal a intimação coincide com o endereço postal por ele fornecido, afastase a nulidade nesse aspecto. Quanto ao fato de que o aviso de recebimento não tenha sido firmado por preposto da empresa, o entendimento é que é regular o recebimento do AR por qualquer pessoa que se encontre no domicílio do contribuinte. Neste sentido segue jurisprudência: INTIMAÇÃO ENVIADA AO DOMICÍLIO FISCAL – REGULARIDADE. A intimação por via postal considerase perfeita quando o AR tenha sido encaminhado para o domicílio fiscal do contribuinte, ainda que recebido pelo porteiro. (Acórdão n.º 10806.254, Sessão de 18/10/2000) Este entendimento também consta na Súmula nº 09 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), ,que deve ser observada pelos Conselheiros, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF: SÚMULA CARF N.o 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005474/201025 Acórdão n.º 3801005.348 S3TE01 Fl. 8 7 Não há, portanto, o que se falar em qualquer tipo de nulidade no ato notificatório, já que o contribuinte foi notificado regularmente, conforme previsto no art. 23, inciso II do Decreto Nº 70.235/72. Assim, não vislumbro qualquer vício quanto à ciência da intimação e, conseqüentemente, foi intempestiva a impugnação. No processo administrativo fiscal, decorrido o lapso temporal previsto em lei, sem que ocorra a apresentação da Impugnação, não se instaura o litígio, tal como estipulado no art. 14 do Decreto n.º 70.235/1972, ficando assim prejudicada a análise das questões de mérito, não merecendo reforma o Acórdão recorrido. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 214DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15563.720153/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PAF. PROCEDIMENTO DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO SUSPENSIVO DE IMUNIDADE. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Quando da decisão do Delegado da Receita Federal, sobre a suspensão da imunidade (ou isenção) tributária, havendo juntada de alegações e provas no prazo adequado, após a Notificação Fiscal de suspensão da imunidade, não basta simples alegação de não provimento pelos fundamentos da Notificação Fiscal. É necessário afastar as alegações e provas novas, não constantes da Notificação Fiscal, sob pena de cerceamento de defesa. Nulidade da decisão exarada pelo Delegado da Receita Federal.
PAF. DECISÃO EM ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. FALTA DE CIÊNCIA DA ENTIDADE. NULIDADE. Sendo negado provimento às provas e alegações protocoladas pela fiscalizada, o art. 32, §3º da Lei nº 9.430/96 determina a expedição do ADE, bem como que seja dada ciência à entidade. Neste sentido, devido ao comando cumulativo, a publicação somente suprimirá a necessidade de intimação de acordo com o caput do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, nos casos do §1º deste mesmo dispositivo. Nulidade do procedimento quando não respeitado o procedimento necessário.
NULIDADE. ADE. AUTOS DE INFRAÇÃO IRPJ. CSLL. Declarada a nulidade do ato declaratório executivo de suspensão de imunidade, devem ser anulados os autos de infração para exigência de IRPJ e CSLL.
Numero da decisão: 1102-001.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do Ato Declaratório Executivo nº 61/2012, por preterição ao direito de defesa, e, nesta conformidade, cancelar os lançamentos de ofício efetuados, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermam Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho .
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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PROCEDIMENTO DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO SUSPENSIVO DE IMUNIDADE. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Quando da decisão do Delegado da Receita Federal, sobre a suspensão da imunidade (ou isenção) tributária, havendo juntada de alegações e provas no prazo adequado, após a Notificação Fiscal de suspensão da imunidade, não basta simples alegação de não provimento pelos fundamentos da Notificação Fiscal. É necessário afastar as alegações e provas novas, não constantes da Notificação Fiscal, sob pena de cerceamento de defesa. Nulidade da decisão exarada pelo Delegado da Receita Federal. PAF. DECISÃO EM ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. FALTA DE CIÊNCIA DA ENTIDADE. NULIDADE. Sendo negado provimento às provas e alegações protocoladas pela fiscalizada, o art. 32, §3º da Lei nº 9.430/96 determina a expedição do ADE, bem como que seja dada ciência à entidade. Neste sentido, devido ao comando cumulativo, a publicação somente suprimirá a necessidade de intimação de acordo com o caput do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, nos casos do §1º deste mesmo dispositivo. Nulidade do procedimento quando não respeitado o procedimento necessário. NULIDADE. ADE. AUTOS DE INFRAÇÃO IRPJ. CSLL. Declarada a nulidade do ato declaratório executivo de suspensão de imunidade, devem ser anulados os autos de infração para exigência de IRPJ e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 01 53 /2 01 2- 11 Fl. 953DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do Ato Declaratório Executivo nº 61/2012, por preterição ao direito de defesa, e, nesta conformidade, cancelar os lançamentos de ofício efetuados, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho . Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 924/950) interposto contra o Acórdão 1255.765 (fls. 882/917), proferido pela 8ª Turma da DRJ/RJ1, na sessão de 10/05/2013, que, por maioria manteve o Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 61/2012; e, também, por maioria, julgou o auto de infração procedente em parte. Considerando que foram expedidos diversos Mandados de Procedimento Fiscal (MPF) relacionados a este processo, é importante esquematizálos para facilitar a compreensão, como fazemos na tabela abaixo: MPF n° Finalidade Observação MPFF 07.1.03.002008004551 Averiguar a ocorrência de fato geradores de PIS/COFINS e Contribuições Previdenciárias e de IRRF. Processos nº 15563.000468/2010861 15563.000467/2010312 15563.000407/2010193 1 Tratase da cobrança de R$ 13.168.534,87 a título de PIS/COFINS (fl. 710 deste processo). Os integrantes da 3S3C2TO, por meio da Resolução nº 3302000.279, de 20/03/2013, decidiram, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Os autos encontramse no Serviço de FiscalizaçãoDRFNova Iguaçu/RJ desde 11/07/2013, conforme informações do COMPROT. 2 Tratase da cobrança de R$ 218.229,48 a título de IRRF (fl. 710 deste processo). Encontrase no Serviço de FiscalizaçãoDRFNova Iguaçu/RJ desde 15/10/2012, conforme informações do COMPROT. Tudo indica que o processo ainda não foi julgado pela DRJ. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 4 3 15563.000408/2010634 15563.000409/2010165 15563.000331/2010216 MPFD 07.1.03.002010016740 Averiguar o cumprimento dos requisitos para o gozo da imunidade. ADE objeto de julgamento neste processo. MPFF 07.1.03.002012010765 Averiguar a ocorrência de fato geradores de IRPJ e CSLL. Autos de infração objetos deste processo. Apresentado o esclarecimento acima, vejamos o resumo dos fatos. Em 30/07/2008, o Fisco instaurou procedimento para averiguar a ocorrência de fato geradores de PIS/COFINS e Contribuições Previdenciárias, no anocalendário de 2007, que resultou na lavratura de autos de infração, em 12/2010, para exigências de tais tributos. 3 Tratase da cobrança de R$ 26.187.190,36, acrescido de juros e multa, referente “às contribuições devidas à Segurança Social, correspondente à parte da empresa e, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, no período de 01/2007 a 13/2007” fl. 3 do Acórdão CARF nº 2403002.596. Este mesmo Acórdão deu provimento ao Recurso Voluntario por maioria de votos em 13/05/2014, exonerando o crédito tributário. A decisão foi formalizada em 11 /09/2014. 4 Trata da cobrança de R$ 2.968.934,16 a título de Contribuição de Segurados (fl. 710 deste processo). O processo foi julgado em 18/03/2014. O Acórdão nº 2403000.240 ainda não foi formalizada. 5 Tratase da cobrança de R$ 3.368.119,97, acrescido de juros e multa, referente “às contribuições sociais destinadas a outras Entidades ou Fundos, quais sejam FNDE e INCRA, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados, nas competências 01/2007 a 13/2007” – fls. 3/4 do Acórdão CARF nº 2403003.597. Este mesmo Acórdão deu provimento ao Recurso Voluntário por maioria de votos em 13/05/2014, exonerando o crédito tributário. A decisão foi formalizada em 11 /09/2014. 6 Tratase da cobrança de R$ 930.663,50 a título de CFL 68 (fl. 710 deste processo). Observando o site do CARF, percebese que está para “Formalizar Decisão” desde 23/05/2014. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 5 4 No término do procedimento supra, foi expedido o MPFD nº 07.1.03.00 2010016740 para averiguar o cumprimento dos requisitos para o gozo da imunidade tributária no anocalendário de 2007, tendo o Sr. Fiscal concluído que, em tese, a ora Recorrente “deixou de cumprir os requisitos previstos na legislação tributária para o gozo do benefício da imunidade” – fl. 12. Por tal motivo foi lavrada a Notificação Fiscal nº 15873/314/2012, em 13/07/2012 (fls. 2/12 mais documentos das fls. 13/21), assim fundamentada (fls. 11/12): “1. Embora a entidade possua os livros Diário e Razão do ano de 2007, a escrituração, que compreende não somente os livros contábeis mas também os documentos que evidenciem fatos e atos administrativos e que deem suporte aos lançamentos contábeis, apresentasse incompleta. A falta de documentos que torna a escrituração incompleta são de valores significativos (descumprimento do inciso III do art. 170 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) sic; 2. As falhas de escrituração descritas acima, relacionadas em planilha anexa ao Termo de Notificação Fiscal, caracteriza o descumprimento da aplicação integral dos recursos na manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais da entidade, uma vez que as falhas de documentação comprobatória são justamente na saída de recursos da entidade (descumprimento do inciso II do art. 170 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999). 3. Em visita fiscal efetuada em 05/01/2012, ao local onde se encontra o arquivo morto da diligenciada, foi constatado que a entidade não conserva em boa ordem os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem como a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial (descumprimento do inciso IV do art. 170 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999)”. Ou seja, o Sr. Fiscal entendeu que a ora Recorrente não atendeu ao requisito para gozo da imunidade previsto no art. 14, do CTN: “Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: (...) III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”. Também por conta de falhas na escrituração contábil, entendeu que a entidade não aplica integralmente os “recursos na manutenção e desenvolvimento dos objetos sociais da entidade, uma vez que as falhas de documentação comprobatória são justamente na saída de recursos da entidade”, descumprindo, desse modo, o previsto no art. 14, inciso II: “aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais”, por falta de comprovação de efetividade na prestação de serviço. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 6 5 Intimada em 19/07/2012, uma quintafeira (fl. 22), a Contribuinte apresentou alegações às fls. 66/67 e provas (relatório fotográfico e atos constitutivos) às fls. 68/122, em 20/08/2012, uma segundafeira. As alegações foram, apenas, que “quando da diligência fiscal, o contribuinte, relativamente ao arquivo morto do seu documentário fiscal, vivia uma atípica fase de transição. Antes e depois disso, como atestam as fotos anexas, sempre guardou o seu documentário fiscal na mais perfeita ordem” – fl. 67. À fl. 123, foi expedido despacho de encaminhamento do processo ao “Delegado desta unidade de forma a decidir sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando de sua decisão, ciência à entidade, conforme preceitua o § 3º do Decreto nº 3.000/99” – fl. 123. Ato contínuo, na fl. 124, foi emitido despacho de encaminhamento datado de 19/09/2012, cujo conteúdo integral é o seguinte: “Nego provimento às alegações constantes de fls. 66 a 105 e determino a expedição de Ato Declaratório suspensivo do benefício da imunidade, estaiada nos fundamentos de fls. 2 a 21, na forma do art. 32, §3º, Lei nº 9.430/96, com posterior e necessária ciência da presente decisão à entidade interessada.” – fl. 124 A consequência da decisão supra foi a expedição do Ato Declaratório Executivo nº 61, de 19 de setembro de 2012 (fl. 126), publicado no D.O.U. de 21/09/2012, suspendendo a imunidade da instituição quanto ao IRPJ no período entre 01/01/2007 e 31/12/2007 (fl. 130). Em 27/09/2012 foi autorizada a emissão de MPFF “referente ao IRPJ e à CSLL, relativos ao anocalendário de 2007, em decorrência da suspensão da imunidade consubstanciada no ADE [...] nº 61/2012”, levado ao conhecimento da ora Recorrente em 14/11/2012 (fls. 140/141). Também em 14/11/2012 a entidade foi intimada a apresentar diversos documentos e informações, por meio do “Termo de Início de Fiscalização”, como pode ser visto tanto nas folhas 141/143 e no trecho abaixo reproduzido: “A entidade possui os registros contábeis, do qual esta fiscalização se valeu para a auditoria. Utilizouse dos arquivos digitais do ano de 2007 devidamente validados, entregues em 14/10/2008, no curso da ação fiscal comandada pelo MPFF 07.1.03.002008004551, conforme recibo. Assim, permitese que esta fiscalização apure o lucro real da fiscalizada, estando afastada a hipótese extrema do arbitramento. Regra geral, o período base de apuração do lucro real é trimestral, sendo a apuração do lucro real anual reservada para o caso das pessoas jurídicas que tenham optado pelo regime especial de pagamento com base em estimativa. De acordo com a lei, a opção é do sujeito passivo, não podendo, portanto, esta fiscalização exercê la. Da mesma forma, a opção pelo lucro presumido pode ser Fl. 957DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 7 6 feita pelas pessoas jurídicas em geral caso não estejam enquadradas em alguma forma de vedação. Tal opção é vedada, no entanto, às entidades imunes, situação jurídica em que se encontrava a fiscalizada no ano de 2007 e portanto, não exercida. Com base na escrituração digital entregue este fiscal apurou a DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO TRIMESTRAL – ANUAL 2007, base para a qual, a partir das adições e exclusões se apura o lucro real e base de cálculo da CSLL. A planilha encontrase anexa a este Termo de Início de Fiscalização. Encontrase ainda anexo a este Termo, todos os lançamentos em que há: · FALTA DE COMPROVAÇÃO DE EFETIVIDADE NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO; · DESPESAS CUJOS CONTRATOS NÃO FORAM APRESENTADOS e · VALORES CUJA EFETIVIDADE DO PAGAMENTO NÃO FORAM COMPROVADAS.” Tendo tomado conhecimento da suspensão da imunidade em 14/11/2012, como dito acima, a ora Recorrente impugnou o ADE em 03/12/2012, conforme petição de fls. 149/152, aduzindo, em síntese: Tempestividade: pois só tomou ciência do ADE em 14/11/2012; Nulidade: i) “violação ao art. 32, § 32, da Lei 9.430/96, o contribuinte não foi cientificado da decisão que decidiu pela suspensão da imunidade” – fl. 150; e ii) não foi proferida efetiva decisão antes da expedição do ato declaratório executivo 61/2012; Mérito: “quando da diligência fiscal, o contribuinte, relativamente ao arquivo morto do seu documentário fiscal, vivia uma atípica fase de transição. Antes e depois disso, como atestam as fotos anexas, sempre guardou o seu documentário fiscal na mais perfeita ordem” – fl. 151 Em 04/12/2012, a ora Recorrente respondeu o “Termo de Início de Fiscalização” recebido 14/11/2012 (fls. 162/163 e documentos fls. 164/233). Em resumo, a entidade: i) optou pelo regime de tributação do lucro real trimestral; ii) pediu que fossem consideradas na apuração do lucro as despesas com PIS/COFINS, objeto do processo nº 15563.000468/201068 (R$ 13.168.534,87); iii) pediu que fosse considerada na apuração do lucro a despesa com contribuição previdenciária, objeto dos processos nºs Fl. 958DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 8 7 15563.000407/201019 (R$ 41.587.899,25) e 15563.000409/201016 (R$ 5.348.913,95); iv) anexou contratos e notas fiscais; e v) informou que estava com dificuldade de juntar os outros documentos solicitados; Após analisar a resposta e os documentos da petição protocolada pela ora Recorrente em 04/12/2012, o Sr. AFRF expediu novo termo de intimação em 06/12/2012 (fls. 234/239), merecendo transcrição o seguinte trecho do citado ato administrativo: “Em vista do exposto, fica o contribuinte intimado a apresentar no prazo improrrogável de 5 (cinco) dias úteis os elementos abaixo relacionados (já solicitados no Termo de Intimação de 21/09/2010, com ciência em 23/09/2010), e reiterados nos Termos de intimação de 30/09/2011; 09/12/2011 e Termo de Início de Fiscalização” – fl. 237. Em resposta ao termo lavrado pelo Sr. AFRF, a entidade protocolou petição (fls. 240/243) no dia 13/12/2012, instruída com diversos documentos, notadamente os Livros Razão e Diário, DIPJ, todos do AC 2007, contratos de prestação de serviço e notas fiscais (fls. 244/706). Em 19/12/2012, o Sr. AFRF, após analisar a última petição protocolada pela ora Recorrente em 13/12/2012, como pode ser visto no item 24 da fl. 723, lavrou autos de infração para exigência de IRPJ e CSLL (fls. 732/748) instruídos com o “Termo de Verificação Fiscal” (TVF) de fls. 707/731. No TVF explicou não haver decadência do direito do Fisco, posto que deveria ser seguido o art. 173, I do CTN, e não o art. 150 do mesmo Código (fls. 723/724). Também, que não poderia ser considerados como deduzíveis os créditos tributários referentes aos autos de infração do PIS, COFINS e Contribuição Previdenciária, posto que estes ainda estavam com sua exigibilidade suspensa. Quanto ao Lucro Real apurado pelo Fisco, a própria fiscalizada resume, adequadamente, como foi alcançado, razão pela qual transcrevemos abaixo (fl. 766/767): “A base de cálculo das autuações, levantada na forma de lucro real trimestral, é composta pelo superávit informado pela autuada na sua DIPJ do anocalendário 2007, exercício 2008, tendo sido adicionada das despesas com bolsas de estudo, tidas por indedutíveis pela autoridade lançadora, bem como pelas seguintes despesas, glosadas pela autoridade lançadora: (i) serviços gráficos especializados, prestados por Editora Gráfica Imperador Ltda., glosados sob a alegação de falta de documentos “hábeis ... para comprovar a necessidade, usualidade e normalidade dos serviços contratados”; (ii) locação e manutenção de equipamentos, contratados com Euromak Aluguel de Máquinas e Equipamentos Ltda., despesas essas em parte glosadas sob a alegação de falta de prova da “necessidade, usualidade e normalidade dos serviços Fl. 959DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 9 8 contratados” (NF 144, 146 e 150) e, ainda, “como despesas não comprovadas” (CF 135, 136 e 139); (iii) serviços de desenvolvimento e manutenção de sistema de informática para apoio de cadastramento de pessoal, prestados por Multipla Consultoria e Assessoria S/C, glosados sob a alegação de “terem a natureza de gastos ativáveis”; (iv) serviços de digitalização para apoio ao cadastramento de pessoal (quinze mil), prestados por Metodata Tecnologia em Sistemas E O & M S/C Ltda., glosados em razão da suposta falta de documentação “hábil para comprovar a necessidade, usualidade e normalidade dos serviços contratados”; (v) serviços de digitalização, prestados por PSA Revelações Fotográficas Ltda., também glosados em razão da suposta falta de documentação “hábil para comprovar a necessidade, usualidade e normalidade dos serviços contratados”; (vi) serviços de treinamento de pessoas para auxílio no cadastramento de folha de pessoal, prestados por Artesp Produção e Promoção de Eventos Artísticos e Esportivos Ltda., glosados por conta de suposta falta de documentação “hábil para comprovar a necessidade, usualidade e normalidade dos serviços contratados”; (vii) serviços de criação de banco de dados da equipe responsável pelos serviços técnicos, consultoria em administração e recursos humanos, e de locação de veículos, prestados, respectivamente, por South Comércio de Serviços de Informática Ltda., Luxfor Assessoria de RH e Petruscar Locadora, todos glosados em razão da não apresentação dos contratos respectivos”. Os valores exigidos podem ser vistos na tabela abaixo (fls. 737 e 744): PRINCIPAL MULTA TOTAL IRPJ R$ 6.103.607,45 R$ 4.577.705,57 R$ 10.681.313,02 CSLL R$ 2.256.887,85 R$ 1.692.665,87 R$ 3.949.553,72 TOTAL R$ 14.630.866,74 Às fls. 755 a 760 encontramos os “Termos de Ciência e os “Avisos de Recebimento” recebidos em 21/12/2012: Termo de ciência nº 15873/799/12: AI e TVF do IRPJ e CSLL, enviado para a sede da entidade7; Termo de ciência nº 15873/801/12: AI e TVF do IRPJ e CSLL, enviado para o endereço do responsável informado à RFB8; 7 Sede da entidade: Av. Amaral Peixoto, 305, salas 209 e 209, Areal/RJ – 32.088/000121. 8 Endereço do CPF na SRF, Sr. Sady Paulo Soares Kapps: Rua Barão do Rio Branco nº 3050, Bloco III, apto 203, Centro, Petrópolis/RJ; Fl. 960DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 10 9 Termo de ciência nº 15873/802/12: AI e TVF do IRPJ e CSLL, enviado para o endereço do contador/procurador informado à RFB9; A Contribuinte, como já tinha impugnado o ADE 61/2012 em 03/12/2012 (fl. 149/152), impugnou em 22/01/2013 apenas os autos de infração (fls. 765/783 e documentos das fls. 784/879). As razões da impugnação ao ADE foram apresentadas acima, motivo pelo qual apresentamos apenas os fundamentos da petição que se contrapôs aos autos de infração, vejamos: a) suspensão da imunidade não deve ocorrer em razão da nulidade do ato, pelos fundamentos descritos na impugnação ao ADE; b) Requerendo decadência parcial, pois a intimação ocorreu só em 03/01/2013; c) Defende as bolsas de estudo como despesa operacional, pois, conforme consta no estatuto, sua finalidade é “estimular, apoiar, coordenar e executar A atividades de naturezas assistencial, beneficente, filantrópica, social, cultural e educacional”, dentre outras; d) O Sr. Fiscal não se desincumbiu do ônus de comprovar as infrações imputadas, apenas alegando glosas indevidas, haja vista que “o simples fato de a contribuinte ter cumprido fiel e integralmente o contrato com a Fundação José Pelúcio Ferreira, bem como todas as obrigações (...) senão prova inconteste, é pelo menos indício veemente da efetividade desses serviços realizados como despesas operacionais”; e) Erro na apuração da base da CSLL, pois não considerou as bases negativas nos 2º e 3º trimestres; f) Necessidade de suspensão do processo até o julgamento dos autos de infração de PIS, Cofins e Contribuições previdenciárias, pois as autuações podem ser mantidas e, consequentemente, a entidade terá prejuízo. A 8ª Turma da DRJ/RJ1 por maioria dos votos, nos termos do relatório e do voto integrantes do acórdão, julgou procedente o Ato Declaratório Executivo nº 61, de 19/09/2012 e deu provimento parcial à impugnação, corrigindo, apenas, a base de cálculo da CSLL dos 2º e 3º trimestres. 9 Endereço do contador/procurador, Sr. Gutemberg Bezerra Coelho: Avenida Rio Branco nº 185, sala 922, Centro, Rio de Janeiro/RJ. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 11 10 O Acórdão de nº 1255.765 (fls. 882/917), proferido na sessão de 10 de maio de 2013, assim foi ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. Comprovado que os lançamentos foram efetuados antes de extinguirse o direito de a Fazenda Nacional constituir os créditos tributários, rejeitase a alegação de decadência apresentada pelo contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. Acolhida a preliminar de tempestividade, a Manifestação de Inconformidade apresentada deve ser conhecida. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE ATO DECLARATÓRIO VÁLIDO O Ato Declaratório de suspensão de Imunidade/Isenção emitido com observância dos pressupostos legais e sem preterição do direito de defesa, faz com que se rejeite a preliminar argüida pela impugnante. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO TRIBUTÁRIAS. Sujeitamse à suspensão do benefício fiscal as entidades que, no ano calendário não atenderem aos requisitos exigidos pela legislação. IMPUGNAÇÃO COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. A apresentação de alegações visando desconstituir as provas apresentadas pela Fiscalização devem vir acompanhadas de documentos hábeis e idôneos, nos termos do Art. 16, inciso III, do Decreto 70.235 de 1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2007 ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE/ ISENÇÃO EFEITOS. Suspenso o benefício fiscal, a instituição é inserida na regra geral de tributação das pessoas jurídicas, devendo ter todo o seu Fl. 962DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 12 11 resultado tributado dentro de uma das modalidades previstas na legislação. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, face à legislação do imposto, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Devem ser adicionadas ao lucro real as despesas não comprovadas por documentação hábil e idônea. BASE DE CÁLCULO DE IRPJ. EXCLUSÃO DE TRIBUTOS LANÇAMENTOS DE OFÍCIO CUJA EXIGIBILIDADE ESTEJA SUSPENSA Não encontra amparo na legislação vigente a pretensão de excluir da base de cálculo do IRPJ os valores lançados de ofício, cuja exigibilidade esteja suspensa, ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. EQUÍVOCO NA APURAÇÃO DO TRIBUTO . CORREÇÃO Sendo constatado equívoco na base de cálculo do tributo lançado, cabe a autoridade administrativo efetivar a devida correção. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da 8a Turma, por maioria, e nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado, em: · Declarar PROCEDENTE o Ato Declaratório Executivo n° 61, de 19/09/2012. · DAR PROVIMENTO PARCIAL à impugnação e JULGAR PROCEDENTE EM PARTE o lançamento efetuado, considerando a correção da base de cálclo da CSLL, 2° e 3° trimestres, para considerar, afinal, Fl. 963DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 13 12 devidos os valores abaixo demonstrados, sujeitos à incidência de multa de ofício de 75% e juros de mora, na forma da legislação vigente. TRIBUTO CÓDIGO PRINCIPAL IRPJ 2917 6.103.607,45 CSLL 2973 2.205.938,67 TOTAL 8.309.546,12 Vencido o Julgador Guilherme Henrique da Silva Ribeiro que declarou NULO o Ato Declaratório Executivo n° 61, de 19/09/2012 e IMPROCEDENTE os Autos de Infração, em razão do nexo de causalidade existente entre eles, nos termos de sua declaração de Voto. Os fundamentos da decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ/RJ1 quanto à Impugnação ao ADE podem assim ser resumidos: TEMPESTIVIDADE “Assim, impõese o conhecimento da impugnação da Interessada contra o Ato Declaratório Executivo n° 61, fls. 126, ainda que não tenha sido apresentada dentro dos trinta dias contados da publicação em DOU, visto que a mesma afirma que só tomou conhecimento do Ato Declaratório por meio da autorização do procedimento de fiscalização que autorizou a emissão do MPF de Fiscalização, razão pela qual apresentou a Manifestação de Inconformidade ao Auditor em 03/12/2012” – fl. 901. NULIDADE DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO “Pela transcrição acima notase que o artigo 32 da Lei 9430/96 não estabelece que o Ato Declaratório de exclusão de imunidade deva ser precedido de decisão que, sendo o caso, reconheça a improcedência da defesa preliminar apresentada na forma do §2° do dispositivo; mas apenas, que o Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade” – fl. 903. (...) “Assim, constatase que a improcedência da razão apresentada pela interessada, ao Impugnar a Notificação Fiscal, já estava devidamente rebatida na própria. Deste modo, entendo que o Ato Declaratório, apesar de sucinto, (...) demonstra que não é possível acatar as razões da Impugnante, pois esta, de fato, não rebateu a Fl. 964DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 14 13 Notificação de lançamento e nem comprovou que as razões apresentadas na mesma estavam incorretas. Logo, o Ato Declaratório em nenhum momento cerceou o direito de defesa do contribuinte” – fl. 903. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE “Não é possível acatar as razões contra a suspensão da imunidade, visto que só tentam justificar porque a Impugnante não conservava em ordem os documentos que comprovam a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, justificativas estas que já haviam sido apresentadas ao Auditor e rejeitadas pelo mesmo durante o procedimento fiscal, (...) Não é possível acatar o argumento da Impugnante de que: “Ainda que as razões do Auditor estivessem corretas, as mesmas não poderiam levar a suspensão da imunidade em relação ao anocalendário 2007, porquanto baseadas em fato verificado em 2012, visto que: O §5°, do artigo 32 da Lei 9430/2012, que estabelece os procedimentos de fiscalização de suspensão da imunidade/isenção, cujo texto é repetido no artigo 172, §5° do RIR/99, aprovado pelo Decreto 3000/99, dispõe: ‘A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração’” – Fl. 904. (...) Isto posto, considerando que a Impugnante não apresentou em sua manifestação de inconformidade argumentos capazes de provar a improcedência das razões que deram origem a suspensão da imunidade, DECLARO PROCEDENTE o Ato Declaratório Executivo nº 61, fls. 126, que suspendeu a Imunidade do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no período de 01/01/2007 a 31/12/2007.” (grifos no original) – fls. 904/905. Já os fundamentos da decisão proferida, quanto à Impugnação aos Autos de Infração, temos: SUSPENSÃO INDEVIDA DA IMUNIDADE “Considerando a Declaração de procedência do Ato Declaratório Executivo n° 61, fls. 126, não cabe o argumento de suspensão indevida da imunidade” – fl. 905. DECADÊNCIA PARCIAL “Logo, não importa a data em que o contador encaminhou ao contribuinte os documentos que recebeu, visto que o próprio contribuinte, assim como seu presidente, também Fl. 965DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 15 14 receberam os autos no dia 21/12/2012, como comprovam os avisos de recebimento apontados acima Considerando que o contribuinte recebeu os autos de infração no dia 21/12/2012 e os mesmos lançam infrações de fatos geradores ocorridas no ano calendário 2007, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se deu em 01/01/2008, extinguindose, portanto em 01/01/2013” – fl. 905. PAGAMENTO DE BOLSAS DE ESTUDO – DESPESA OPERACIONAL “Como afirmou o Auditor, com a suspensão da imunidade, a fiscalizada passa a ser tributada como contribuinte normal. No caso, ao ser consultada pelo Auditor, optou pela tributação pelo lucro real anual, sendo que o artigo 365, em função do artigo 13, VI da Lei 9249/95, estabelece que são vedadas as deduções decorrentes de quaisquer doações e contribuições, exceto as que relaciona, dentre as quais não se encontra a concessão de bolsas de estudo. (...) Mesmo se assim não fosse, a impugnante para sustentar suas ponderações, teria que comproválas; sendo que a mesma, apesar de devidamente intimada, não comprovou ao Auditor, a dedutibilidade dos valores lançados na conta 3.2.1.07.001 Bolsas Gratuidade Projetos, uma vez que não respondeu este tópico das intimações efetivadas. Como a própria impugnante alegou, ‘para saber se uma despesa é necessária e, assim dedutível na apuração do lucro real, é decisivo saber se a mesma é inerente à atividade da empresa’. Logo, seria necessário que a Impugnante demonstrasse através de documentação hábil os valores que lançou a título de bolsas gratuidade Projetos, demonstrando a quem concedeu; fato que também não ocorreu na Impugnação.” (grifos no original) – fl. 906 FISCALIZAÇÃO SUPERFICIAL E GLOSAS INDEVIDAS “A Impugnante insurgese contra as parcelas que foram consideradas como despesas indedutíveis da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, denominandoas de glosas indevidas, por entender que as atividades que exerce; o aumento de receita no anocalendário, sob análise; assim como o aumento do número de funcionários; representam fatos que constituem elementos suficientes para comprovar a dedutibilidade de tais despesas. No entanto, apenas a descrição de fatos não é suficiente para Fl. 966DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 16 15 comprovar a dedutibilidade de despesas. Os fatos podem indicar o preenchimento de requisitos de necessidade, usualidade e normalidade, condições gerais mínimas para que qualquer despesa possa ser considerada dedutível na determinação do Lucro Real. Mas, é fundamental a comprovação, por parte do contribuinte. Os fatos tributários não são notórios de maneira a prescindir de prova” – fl. 907. “Por ser obrigação do contribuinte provar os fatos registrados em sua escrituração contábil, não houve inversão do ônus da prova, como deu a entender o mesmo em sua impugnação. O fisco não é obrigado a realizar investigações mais aprofundadas para comprovar os fatos registrados na contabilidade do contribuinte e que por este não foram comprovados” – fl. 907. (...) “A nota fiscal, embora seja um documento legal hábil para comprovar as operações mercantis, precisa, além da discriminação detalhada dos serviços prestados, estar acompanhada de elementos subsidiários” – fls. 908. EDITORA GRÁFICA IMPERADOR LTDA. “Examinando o anexo 4, fls. 844/856 citado pela Impugnante, notase apenas cópia do contrato e cópias de notas fiscais que não foram consideradas hábeis pelo Auditor para justificar a dedutibilidade, por não possuírem quantificação dos serviços e nem descrição do material gráfico recebido pelo contribuinte. Já no termo de Verificação Fiscal de 19/12/2012, constata se a intimação para que o contribuinte apresentasse documentos de controle e recebimento do material o qual justificasse o pagamento da ordem de R$ 1.235.000,00, com a observação de que para prestação destes serviços fazse necessária a apresentação de documentos de controle dos serviços prestados e não tão somente a apresentação de notas fiscais cuja descrição dos serviços e fornecimento de material gráfico e editoração digital para apoio ao cadastramento de pessoal. Deste modo, mantenho a glosa de despesas por falta de documentação contábil considerando a falta de comprovação por parte do contribuinte, conforme detalhadamente exposto pelo Auditor, fls. 726.” – fls. 909/910. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 17 16 LOCAÇÃO E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS: EUROMAK “Considerando que tais notas fiscais não foram apresentadas durante o procedimento fiscal [NFs 135, 136 e 139, anexo 5, da impugnação], cabe apreciálas, com o intuito de verificar se as mesmas são capazes de comprovar a necessidade, usualidade e normalidade dos serviços contratados, para serem consideradas como dedutíveis da base de cálculo do IRPJ, uma vez que a Impugnante ao não apresentálas em época oportuna, impossibilitou tal análise. Notase no contrato assinado com a Euromak, fls. 864, que a cláusula sexta prevê que ‘antes do início da locação prevista neste contrato, o NUCAS poderá encomendar uma pesquisa à EUROMAK para verificar a exata extensão de suas necessidades de locação de equipamentos, a qual será remunerada mediante a apresentação das correspondentes Notas Fiscais’. No entanto, entendo que para comprovar que tais despesas são dedutíveis para cálculo do IR, além dos contratos e notas fiscais a Impugnante teria que apresentar o resultado da pesquisa, para provar que a mesma foi efetivamente realizada e também, que foi capaz de demonstrar a extensão de suas necessidades de locação de equipamentos. Quanto a glosa [das] despesas por falta de comprovação, também não é possível acatar as razões da Impugnante, visto que a transformação experimentada pelo autuado, nos anos 2006 e 2007 não comprovam as despesas sob análise. Importante destacar que a cláusula segunda do contrato estipula que ‘pela locação, o NUCAS pagará à EUROMAK um aluguel proporcional à quantidade de equipamentos entregues, em valor unitário a ser definido entre as partes’. Logo, para que haja a comprovação dos serviços é necessária, no mínimo a descrição dos equipamentos e a quantidade dos mesmos” – fls. 910/911. DESENVOLVIMENTO E MANUTENÇÃO DE SISTEMA DE INFORMÁTICA: MÚLTIPLA “Logo, rejeito as razões apresentadas e ratifico o procedimento do Auditor, pois entendo que a segregação de serviços de desenvolvimento e manutenção só pode ocorrer, se for devidamente efetivada no contrato e/ou nas notas fiscais, o que não ocorreu no caso” – fl. 911. SERVIÇO DE DIGITALIZAÇÃO: METODATA “(...) a apresentação à Fiscalização em 22/11/2011, do distrato da Metodata Tecnologia e Sistemas, com a qualificação dos sócios da empresa, não demonstra capacidade da empresa para efetivar o serviço. Importa Fl. 968DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 18 17 destacar que a interessada nada falou sobre a diferença dos termos ‘digitalização’, que S.m.j., seria apenas cópia de documentos e “digitação”, tarefa que, s.m.j., necessita um número maior de pessoas. A impugnante nada falou a respeito de as notas fiscais de número 528 e 530 não possuírem sequer data de emissão.” – fl. 911. SERVIÇO DE TREINAMENTO: ARTESP “No entanto, a questão da glosa ora em análise, despesas de prestação de serviços pela empresa Artesp Produção e Promoção de Eventos não se deu em virtude de o Auditor ter entendido que os funcionários da Impugnante não necessitavam de treinamento, mas sim pelo fato de a Impugnante não ter comprovado, apesar de devidamente intimada, que a empresa Artesp Produção e Promoção de Eventos Artísticos e Esportivos Ltda, contratada para dar o treinamento, possuía capacidade técnica para efetivar tal atividade.” (grifos no original) – fl. 912. SOUTH COMÉRCIO DE SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA, LUXFOR ASSESSORIA DE RH E PRETRUSCAR LOCADORA “Pela transcrição acima notase que as notas fiscais já haviam sido apresentadas ao Auditor, sendo que sobre a não apresentação do contrato que detalha os serviços de consultoria a serem prestados, bem como os respectivos relatórios gerados; sobre a não apresentação dos contratos que detalham o banco de dados a ser criado, bem como do manual de utilização do mesmo; e sobre a não apresentação do contrato que detalha os veículos a serem locados, bem como a forma de locação dos mesmos; a Impugnante não se manifestou” – fl. 913. NECESSIDADE DE SUSPENSÃO DO PROCESSO “Não é possível acatar o argumento da Impugnante, visto que as hipóteses de suspensão do crédito tributário encontramse no artigo 151 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito, dentre as quais não está prevista a requerida pela Impugnante.” – fl. 913. ERRO NA APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DE CSLL “Assiste razão à Impugnante quando afirma que houve erro na base de cálculo da CSLL. Só que o erro não foi porque o Auditor desconsiderou base negativas informadas na DIPJ, relativas aos 2° e 3° trimestre de 2007, visto que a Impugnante que se declarou isenta, não apurou e declarou em sua DIPJ base negativas de CSLL” – fl. 913. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 19 18 (...) “Deste modo, cabe apurar o valor CSLL do 2° e 3° trimestre: Contribuição Lançada BC correta Alíquota Contribuição Devida 415.200,50 4.062.130,8 9 0,09 365.591,78 17.168,95 175.871,03 0,09 15.828,39 Isso posto, acato em parte a impugnação da interessada e mantenho em parte o lançamento, considerando a correção dos valores lançados acima destacados” – fl. 914. Em sede de declaração de voto, foi alegado: “Em que pese o excelente voto proferido pela nobre relatora, dele devo discordar, tendo em vista que, a meu juízo, o Ato Declaratório Executivo de Suspensão de Imunidade, proferido pela autoridade a quo, é nulo, em razão de padecer de vício na motivação, nos termos do art. 2º, inciso I e VII e art. 50, inciso I e V, §1º, ambos da Lei nº 9.784/1999, e de ter cerceado o direito de defesa do interessado, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972 (...)” – fl. 915. (...) “Entendo que a decisão possa ser sucinta, mas, no meu modo ver, deve explicitar os fatos e fundamentos em que se baseou para negar provimento ao recurso do interessado, a fim de que, em última instância, permita ao interessado contrapor os argumentos apresentados pela autoridade a quo, o que, data vênia, não ocorreu” – fl. 915. (...) “Além disso, a falta de indicação dos fatos e fundamentos na decisão da autoridade a quo cerceou o direito de defesa do interessado. Não se desconhece que, para se falar em cerceamento de defesa, o prejuízo deve estar comprovado. E, no caso, a meu juízo, é notório. Isto porque, não foi dada a oportunidade ao interessado para que apresentasse contra razões, em manifestação de inconformidade à DRJ, aos fundamentos utilizados pela autoridade a quo para não aceitar suas alegações no recurso contra a notificação fiscal. Isso ocorreu simplesmente porque o interessado Fl. 970DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 20 19 desconheceu tais fundamentos, impedindo que, eventualmente, os contraargumentasse” – fl. 916. (...) “Por tudo que foi exposto acima, VOTO para DECLARAR NULO o Ato Declaratório Executivo de Suspensão de Imunidade, devendo ser proferido outro em boa e devida forma. Por conseguinte, uma vez que votei para declarar nulo o Ato Declaratório Executivo de Suspensão de Imunidade, por conseguinte, o auto de infração lavrado é improcedente, em razão do nexo de causalidade existente entre eles” – fls. 916/917. Não foi interposto recurso de ofício. A Fiscalizada, intimada da decisão em 27/05/2013, uma segundafeira (fl. 920), objetivando ver reformado o acórdão nº 1255.765, da 8ª Turma da DRJ/RJ1, interpôs, em 26/06/2013 (fl. 924) Recurso Voluntário (fls. 924/950, sem anexos), invocando os mesmos argumentos da impugnação, inovando, apenas, nos trechos que seguem abaixo. Aproveitamos, também, para citar outras passagens constantes nas impugnações: Ato Declaratório Executivo “Ao se furtar dessa nova diligência fiscal e se basear, apenas, na insuficiente diligência que amparou a emissão da Notificação Fiscal antes referida, o Ato Declaratório suspensivo da imunidade acabou desprovido do necessário lastro probatório, acabando por se basear em mera e inadequada presunção” – fl. 935. (...) “Isto porque, os aludidos dispositivos, corroborando o que fora alegado na defesa prévia e na impugnação, exigem que a suspensão da imunidade se refira ao anocalendário em que foi praticada a infração e, no caso, o recorrente teve suspensa a sua imunidade para ano calendário 2007 por conta de infração ocorrida em 2012!” – fl. 936. Citou, também, o voto vencido que decidiu pela declaração da nulidade e, consequentemente, anulou o auto de infração. Auto de Infração “Tais considerações, d. m. v., revelam o manifesto erro de perspectiva em que incorreram a autoridade lançadora e o acórdão recorrido, ao tratarem como simples doações a concessão e o pagamento de bolsas de estudo pelo recorrente, Fl. 971DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 21 20 aplicando ao caso, sem maiores reflexões sobre as suas finalidades estatutárias, a regra de indedutibilidade do art. 13, VI, da Lei 9.249/95 e do art. 365 do RIR/99. É evidente, porém, que referidos dispositivos não se aplicam a entidade que, como a recorrente, têm por finalidade estatutária justamente conceder bolsas de estudo, caso em que tais pagamentos, para estas específicas entidades, configuram despesa operacional, inteiramente dedutível” – fl. 938/9. Quanto às glosas, afirma que os julgadores da DRJ cometeram o mesmo erro do Sr. Fiscal, pois os “elementos de prova [são] mais do que suficientes para a comprovação da efetividade das despesas indevidamente glosadas” – fl. 943. Requereu, enfim: “seja dado provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade material do Ato Declaratório suspensivo da imunidade ou, ao menos, julgando o mesmo improcedente, julgandose, em ambos os casos, improcedentes os autos de infração de IRPJ e CSLL. Caso se decida pela manutenção do Ato Declaratório suspensivo da imunidade – o que se admite por apego ao princípio da eventualidade – pedese, ao menos, que seja provido o recurso para acolher parcialmente a impugnação apresentada aos autos de infração de IRPJ e CSLL, para que: (i) seja reconhecida a natureza de despesa necessária e a consequente dedutibilidade dos gastos com bolsas de estudo; (ii) afastada a glosa sobre as despesas especificadas no Termo de Verificação Fiscal que lastreia as autuações fiscais; (iii) a suspensão deste processo e que o julgamento deste recurso seja feito após o término dos processos administrativos 15563.000468/201086, 15563.000407/201019 e 15563.000409/201016 e, caso mantidos os correspondentes autos de infração, que sejam deduzidos na apuração do lucro real os créditos tributários de PIS, COFINS, Contribuição Previdenciária e Contribuição de Terceiros neles formalizados” – fl. 950. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto Relator O recurso voluntário I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade, determinados pelo Decreto n° 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF fazemse presentes, senão vejamos. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 22 21 Nos termos do art. 7º, §2º10, do Regimento Interno do CARF, combinado com o art. 2º, incisos I, II e IV, desse mesmo diploma, cabe à Primeira Seção processar e julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância que verse sobre aplicação da legislação de IRPJ e CSLL, ainda que decorrente de suspensão de imunidade. No que tange à legitimidade, a petição está assinada por advogado com procuração outorgada por quem de direito, nos termos do estatuto da entidade, como podemos ver às fls. 68, 72, 86 e 950. Bem apresentada a questão da tempestividade pela própria Fiscalizada: tendo sido intimada da decisão de primeiro grau no dia 27/05/2013 (fl. 920), uma segundafeira, a contagem do prazo iniciouse no dia seguinte, findando, desse modo, em 26/06/2013, data em que o recurso foi protocolado (fl. 924). Vêse, que o ato foi praticado dentro do prazo de trinta dias previsto no art. 33, do Decreto n° 70.235/70. Desta feita, por presentes os pressupostos e requisitos de admissibilidade determinados pelo Decreto 70.235/1972, do Recurso Voluntário tomo conhecimento. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, impõese determinar os pontos controvertidos, a partir dos argumentos constantes no Recurso Voluntário e na fundamentação do Acórdão combatido. As questões, sucessivamente, são as seguintes: 1. É causa de nulidade do ADE: 1.1 Ausência de decisão sobre a alegações e provas juntadas pela Entidade antes da expedição do ADE? 1.2 Entendendo que o ADE é a decisão, ou que esta foi proferida, há fundamentação? 1.3 A publicação do ADE no Diário Oficial sem a intimação da Entidade por outro meio? 10 Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. (...) § 2° Os recursos interpostos em processos administrativos de cancelamento ou de suspensão de isenção ou de imunidade tributária, dos quais não tenha decorrido a lavratura de auto de infração, incluise na competência da Segunda Seção. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 23 22 1.4 Acolhida a nulidade, quais atos são alcançados e quais providências são necessárias ao prosseguimento ou solução do processo? 2. Considerando que o Sr. Fiscal apresentou como causas e fundamentos legais para a suspensão da imunidade: i) Ausência de escrituração de receitas e despesas em livros revertidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, bem como a conservação (e existência) dos documentos que venham a modificar sua situação patrimonial (descumprimento do inciso III do art. 170 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999);e ii) Aplicação integral dos recursos na manutenção dos objetivos institucionais, uma vez que as falhas de documentação comprobatória são justamente na saída de recursos da entidade (descumprimento do inciso II do art. 170 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); iii) A não conservação em boa ordem dos documentos que comprovam a origem de seus receitas e a efetivação das despesas, verificada em visita fiscal (descumprimento do inciso IV do art. 170 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); As provas e argumentos constantes nos autos são suficientes para afastar tais tipificações? 3. Entendendo pela legalidade da suspensão da imunidade, é possível e/ou necessário suspender o curso deste processo até o julgamento dos PAFs que têm por objeto autos de infração para a exigência de PIS, COFINS e Contribuições previdenciárias do anocalendário 2007, pois as autuações podem ser mantidas e, consequentemente, impactar no resultado da Recorrente no AC 2007? 4. Entendendo pelo prosseguimento deste processo, em relação às glosas: 4.1 O ônus da prova é do Fisco ou da Recorrente? 4.2 Sendo do Fisco, os indícios constantes nos autos são suficientes? 4.3 Sendo da Recorrente, os contratos e as NF são suficientes para provar as despesas? Fl. 974DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 24 23 4.4 É necessário apresentar controle de recebimento de material e de prestação de serviço? 4.5 As provas e argumentos constantes nos autos são suficientes para afastar as exclusões das despesas? III. DAS NULIDADES Da nulidade por ausência de fundamentação da decisão que suspendeu o gozo da imunidade Preliminarmente, cabe analisar a argumentação acerca de nulidade do Ato Declaratório Executivo Suspensivo da Imunidade Tributária. Pelo que se observa da petição da Fiscalizada, esta afirma que o procedimento de emissão do ADE está eivado de vícios intransponíveis, quais sejam: i) falta de decisão sobre as alegações e provas; ii) caso entendamos que o próprio ADE é a decisão, pediu que a nulidade fosse decretada, agora sob o argumento que o ato não foi, efetivamente, fundamentado. Ademais, identificamos, de ofício, um possível terceiro vício: a Recorrente não foi intimada da decisão que suspendeu o gozo da imunidade para o anocalendário de 2007. Pois bem. Como sabido, o art. 32, da Lei nº 9.430/96 estabelece o procedimento que deve ser adotado em caso de suspensão de imunidade tributária. Com o objetivo de facilitar a compreensão, apresentamos o fluxograma abaixo: Ato praticado pela Entidade 1 2 3 Fiscalização → Notificação Fiscal → Alegações e provas 6.1 Impugnação ao ADE Expedição do ADE 5.1 ↓ ← ← Decisão do Delegado ou Inspetor 6.2 Início de Fiscalização para exigência de IRPJ/CSLL Ciência da decisão à entidade 5.2 4 ↓ Lavratura de Auto de Infração → Impugnação ao AI → Julgamento DRJ ADE e AI 7 8 9 Preliminarmente, é necessário decidir se o art. 32, da Lei nº 9.430/96 impõe que a suspensão da imunidade ou de isenção seja prescindida de uma decisão ou se o próprio ADE é a decisão. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 25 24 Da leitura do §3º do citado artigo, entendemos que são necessários dois atos: i) a decisão que faz o cotejo entre os argumentos do agente do Fisco, apresentados na Notificação Fiscal, e as alegações e provas constantes na petição protocolada pela Entidade; e ii) a expedição de ato declaratório. Vejamos a citada norma: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. (...) § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. Tal enfrentamento é feito, pois os membros da 8ª Turma da DRJ/RJ1, entenderam que o ADE é a própria decisão. O órgão recorrido utilizou o fundamento que o ADE é a própria decisão para rejeitar o pedido de declaração de nulidade feito pela ora Recorrente. No entender do voto vencedor, a despeito de a decisão de fls. 124 não está fundamentada, o ADE está, o que levou à rejeição da nulidade. Contudo, ainda que se entenda que o ADE é a decisão exigida pelo § 3º, do art. 32, o pedido de nulidade deve ser acolhido, como será demonstrado abaixo. A decisão proferida pelo Sr. DelegadoAdjunto da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu padece de nulidade, pois não apresenta a fundamentação indispensável aos atos administrativos, como pode ser visto à fl. 124 e abaixo transcrito integralmente: “Nego provimento às alegações constantes de fls. 66 a 105 e determino a expedição de Ato Declaratório suspensivo do benefício da imunidade, estaiada nos fundamentos de fls. 2 a 21, na forma do art. 32, §3º, Lei nº 9.430/96, com posterior e necessária ciência da presente decisão à entidade interessada.” – fl. 124 Igual entendimento é alcançado caso se decida, como enfrentado acima, que o ADE de fl. 126 é a decisão exigida pelo § 3º, do art. 32, da Lei nº 9.430/96, pois sua fundamentação se resume ao citado abaixo: “3) O contribuinte apresentou suas alegações constantes de fls. 66 a 105 do processo 15563.720153/201211, às quais nego provimento, decidindo pela suspensão do benefício da imunidade no anocalendário de 2007”. Antes de seguirmos, é importante consignar que a Lei nº 9.784/99 aplicase ao caso, haja vista o quanto disposto no art. 69: “Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei”. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 26 25 A aplicação subsidiária se impõe, pois, como pode ser visto no § 7º, da Lei nº 9.43011, o rito do Dec. 70.235/72 aplicase a partir da impugnação ao ADE, ou seja, até a suspensão da imunidade/isenção não é aplicado o Decreto do PAF. Voltemos à análise da nulidade. É cedido que o art. 50 da Lei nº 9.784/99, possibilita que o fundamento da decisão administrativa seja a “concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato”. Todavia, no caso em análise, tal não poderia ocorrer, pois o Sr. Delegado Adjunto, ao decidir fazendo referência aos fundamentos do Termo de Notificação Fiscal de fls. 02/21, não apreciou as alegações e as provas acostadas pela ora Recorrente. Como já informado no relatório, após ser intimada da notificação fiscal, a Entidade apresentou alegações às fls. 66/67 e provas (relatório fotográfico e atos constitutivos) às fls. 68/122. As alegações foram, apenas, que “quando da diligência fiscal, o contribuinte, relativamente ao arquivo morto do seu documentário fiscal, vivia uma atípica fase de transição. Antes e depois disso, como atestam as fotos anexas, sempre guardou o seu documentário fiscal na mais perfeita ordem” – fl. 67. Ainda que frágil o argumento, de modo a respeitar o devido processo legal e o exercício do direito de defesa, o Sr. DelegadoAdjunto deveria ter valorado as provas que instruíram a petição da Entidade. Não tendo agido desse modo, o ato da autoridade afronta o quanto previsto na Lei nº 9.784/99, vejamos: Lei nº 9.784/99 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; 11 Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. (...) § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 27 26 VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; (...) Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (..) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. O art. 2º, VII indica que serão observados, nos processos administrativos, a obrigatória indicação dos pressupostos fáticos e jurídicos determinantes da decisão. Por sua vez, o art. 50 determina que as decisões desfavoráveis aos direitos e interesses – dos particulares, supõese – serão motivados com indicação de fatos e fundamentos jurídicos. Mais, conforme o §1º, a motivação deve ser explícita, clara e congruente. Assim, vêse que, data venia, o voto vencedor da decisão recorrida (acórdão da DRJ/RJ1) não considerou que a Entidade juntou provas às suas alegações. Tal entendimento decorre da leitura do seguinte trecho: “Apesar de reconhecer que o Ato Declaratório foi bem sucinto, (...) a impugnação só tentou justificar porque não conservava em ordem os documentos que comprovam a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, justificativa esta que já havia sido rejeitada pelo Auditor no procedimento fiscal” – fl. 903. Contudo, como foi consignado pelo voto divergente, o ato não foi fundamentado, gerando, em consequência, prejuízo à defesa, pois, ao não apresentar as razões de decidir, impediu que a Fiscalizada as conhecesse e se preparasse melhor para impugnar o ADE perante a DRJ. Seguimos este segundo entendimento. Não houve fundamentação na decisão. Se é verdade que o art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99 permite que a decisão apenas consinta em “declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas”, tal previsão não se aplica no caso. Observase que a Fiscalizada apresentou alegações e, frisase, provas posteriores à Notificação Fiscal. Portanto, ao restringir a fundamentação da decisão às razões da Notificação Fiscal, o Delegado deixou de analisar estes elementos que, por serem posteriores, não estavam ali abarcados ou previstos. Desse modo, acolho a nulidade invocada pela Entidade. Todavia, antes de declarar os efeitos, analisarei os demais argumentos de nulidade. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 28 27 Da nulidade em decorrência do início da fiscalização para lavratura de auto de infração para exigência de IRPJ e CSLL antes de a entidade ser intimada da suspensão da imunidade Não bastasse o vício quanto à fundamentação, é perceptível outro vício insanável no procedimento do ADE: a entidade fiscalizada não foi cientificada da decisão, requisito estabelecido pelo art. 32, §3º. Pior, o próprio delegado determinou que a entidade fosse cientificada, como se observa do despacho de fl. 124, porém este ato não se realizou. Registrase que a publicação no Diário Oficial da União (DOU) não é forma adequada de intimar a Fiscalizada do ADE, muito menos da decisão. Tal publicação apenas declara a própria suspensão da imunidade. Conforme estabelece o art. 32, §7º da Lei nº 9.430/96, neste procedimento seguirseão as normas do processo administrativo fiscal. Por sua vez, o Decreto 70.235/72 determina, em seu artigo 23, as formas de intimação, quais sejam: pessoal, postal e por meio eletrônico. Excepcionalmente, caso restem improfícuas as tentativas por estes três meios – ou quando o cadastro fiscal do sujeito passivo for declarado inapto – então, sim, poderá ser feita a intimação por meio de imprensa oficial. Como o caso em tela não se coaduna com as situações excepcionais, deve ser regida pela regra geral. A ciência da decisão não foi feita. É verdade que que a Fiscalizada compareceu aos autos e impugnou o ADE, o que poderia invocar o argumento que não houve prejuízo. Todavia, entendemos que essa não poder ser a decisão correta. Isso porque, até que a entidade tenha ciência da suspensão do benefício, o Fisco não possui competência para exigir IRPJ e CSLL, razão pela qual entendemos que o vício é insanável, mesmo com o comparecimento espontâneo da entidade. Em suma, o procedimento padece de nulidade, razão pela qual deve ser anulado o ADE 61/2012 e, por consequência, os autos de infração. Os demais pontos controvertidos não serão apreciados, haja vista a anulação do Ato Declaratório Executivo. IV. DISPOSITIVO Dado o exposto, reconheço as nulidades do procedimento, anulando o ADE 61/2012 de suspensão de imunidade e, consequentemente, os autos de infração para exigência de IRPJ e CSLL do AC 2007. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 979DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15563.720153/201211 Acórdão n.º 1102001.240 S1‐C1T2 Fl. 29 28 Fl. 980DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
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Numero do processo: 10494.001472/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Ausente, temporariamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2206; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 2.118 1 2.117 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10494.001472/200541 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.209 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de abril de 2014 Assunto RETORNO DE DILIGÊNCIA. INSUFICIÊNCIA. Recorrente SPRINGER CARRIER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Ausente, temporariamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A empresa em epigrafe é fabricante de aparelhos de ar, nesse contexto efetuou importações com suspensão de tributos exigíveis na importação, tendo em vista que se encontravam amparadas pelo regime aduaneiro especial de drawback, de acordo com os atos concessórios 169000/0000255 (fls. 110) 169000/0001235 (fls. 200) 3 169001/0001190 (fls. 361). Ao obter a pleiteada suspensão tributária, a beneficiária do regime em comento assumiu o compromisso de exportar 212.500 unidades de aparelhos de ar condicionado até 08.10.2000 (fls. 113); e 340.000 unidades de aparelhos de ar condicionado, 50.000 evaporadoras, 240 chillers/condensadoras e 20.000 purificador, sendo que 50% (cinqüenta por cento) deste montante até 06.07.2001 (fls. 201) e o restante (50%) até 04.05.2002 (fls. 362). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 94 .0 01 47 2/ 20 05 -4 1 Fl. 2389DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10494.001472/200541 Resolução nº 3202000.209 S3C2T2 Fl. 2.119 2 Ocorre, porém, que após a realização de auditoria nas operações da empresa, foi lavrado auto de infração (fls. 04/75) levando em consideração a existência de 2 infrações. (i) decorrente do pagamento espontâneo a menor dos impostos incidentes e respectivos acréscimos legais, cujos tributos passaram a viger haja vista às inadimplências parciais das condições aventadas nos citados atos concessórios; (ii) constatouse que diversas mercadorias importadas com benefício, não foram incorporadas aos produtos exportados, quando de sua industrialização, e nem nacionalizadas no prazo legal de extinção do regime em tela, formalizando crédito tributário no valor de R$ 243.414,86. Cientificada do lançamento em 23.12.2005, a interessada apresentou impugnação (fls. 1996 a 2011), a qual a DRJ julgou totalmente improcedente (fl. 2.016 e ss). O acórdão recorrido não reconheceu a decadência, porque, contandoa na forma do art. 173, I, do CTN, percebese que o seu termo inicial seria contado do exercício seguinte ao vencimento do recolhimento dos tributos (07.11.2000), devidos por não cumprimento do dia final (08.10.2000) para extinção do regime de drawbacksuspensão, concedido por meio do AC 169000/0000255 e o seu Aditivo nº 169000/0001766. Isto é, o termo inicial do prazo decadencial seria 01.01.2001 e o seu termo final em 31.12.2005. Considerando que a empresa tomou ciência do auto de infração em 23.12.2005, não haveria que se falar em ocorrência da decadência, segundo a DRJ. No que concerne à realização de perícia contábil para o deslinde da controvérsia citada nos autos, alega o arresto recorrido que os documentos acostados no processo são esclarecedores e suficientes para demonstrar os fatos elencados. No mérito, a DRJ aduz que não há comprovação que a beneficiária atestou a utilização dos insumos importados na produção dos bens exportados, e, por isso, não tem como atestar que o contribuinte cumpriu o compromisso assumido, ensejando dessa forma a cobrança de tributos concernentes às mercadorias importadas e demais encargos legais. Quanto à multa de mora, pelo fato de a contribuinte ter pago, espontaneamente, os tributos em face do inadimplemento do compromisso de exportar, afirma a DRJ que a espontaneidade que trata o art. 138 do CTN não obsta a cobrança de multa de mora relativo ao inadimplemento do compromisso de exportar, referente ao regime de drawback suspensão. Contra a Decisão da DRJ/FNS (acórdão nº 0712.442, de 18 de abril de 2008), a contribuinte apresentou recurso voluntário, (fls. 2.076 e ss), ratificando sua argumentação já apresentada na impugnação. Apreciando o recurso voluntário, a 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por meio da Resolução nº 320100.024 (fls. 2.090 e ss.), decidiu por converter o julgamento em diligência, e reabriu prazo para apresentação de recurso voluntário após a conclusão dos trabalhos. 1. sejam respondidos os quesitos de fls. 201 e seguintes, com o perito nomeado pela recorrente e outro (AFRFB) nomeado pela autoridade preparadora, devendo utilizar perito habilitado pela RFB para dirimir questões de ordem técnica relacionadas à fabricação e funcionamento dos produtos industrializados; 2. se foi observado o principio da vinculação física, por ato concessório; Fl. 2390DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10494.001472/200541 Resolução nº 3202000.209 S3C2T2 Fl. 2.120 3 3. sendo negativa a resposta ao quesito anterior, se ainda assim os produtos importados foram agregados a produtos exportados, em quais casos e se houve autorização do órgão competente; 4. quanto aos cálculos realizados pela autoridade autuante, se foram excluídos componentes de produtos a serem exportados porque não atendiam especificações técnicas; 5. na imputação de pagamento, utilizar tabelas valendose de juros e multa de mora, e outras com a inclusão de multa de oficio para os casos de pagamento fora do prazo; 6. outros quesitos a critério da autoridade autuante e da recorrente; 7. reabrase prazo para apresentação de recurso voluntário após a ciência da conclusão dos trabalhos. Em cumprimento à sobredita Resolução, foi exarado o Relatório Fiscal de fls. 2.095, cujo teor segue abaixo: item 1 a. No item 1 do que foi pedido existe uma incongruência nos tipos de perícias requisitadas. A recorrente, na folha 2010, pede que seja realizada perícia contábil, para comprovar que os produtos importados sob o regime de drawback foram aplicados integralmente em produtos por ela exportados, indicando para tanto, como assistente técnico, o Sr. José Roberto Pires dos Santos, Contador, CRC/RS no 31.217. Ou seja, a recorrente não pede perícia de ordem técnica. b. Já a 2a Câmara / 2' Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pede que seja realizada uma perícia de ordem técnica, para dirimir questões de ordem técnica relacionada â fabricação e funcionamento dos produtos industrializados. Dessa maneira, não haveria como confrontar os resultados de perícia realizada por perito credenciado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, um engenheiro, por exemplo, com os resultados de perícia, de ordem contábil, realizada por um contador contratado pela recorrente. c. Para reforçar a inconsistência das duas perícias, os quesitos apresentados na folha 2011 são de ordem contábil, não há porque requisitar um perito credenciado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, para dirimir questões de ordem técnica relacionada à fabricação e funcionamento dos produtos industrializados, já que tais questões não constam dos quesitos (e nem poderiam) relacionados pela recorrente. Mas fica, desde agora, autorizada a recorrente a realizar a perícia que requisita na folha 2010, de acordo com a 2a Câmara / 2a Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. d. Mas em nada ficará prejudicada a autoridade preparadora pela não realização da perícia de ordem técnica, pois, como será mostrado abaixo, o relatório de fiscalização, fls. 076 a 106, é suficiente para explicar e demonstrar as razões pelas quais a fiscalização considerou, para efeitos da comprovação do adimplemento do ato concessório n° 1690 01/0001190, vários componentes como não tendo sido utilizados na fabricação de produtos exportados, amparados por este ato concessório. Fl. 2391DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10494.001472/200541 Resolução nº 3202000.209 S3C2T2 Fl. 2.121 4 item 2 a. a fiscalização observou o principio da vinculação física, por ato concessório. E na poderia ser diferente, pois o ato concessório existe como um compromisso entre a sociedade empresária e a Secex. Cada ato concessório representa um compromisso diferente daquele compactuado em outro ato concessório, mesmo sendo relativo a mesma sociedade. O não atendimento, em conjunto, ao principio da vinculação física, por ato concessório, representaria o descontrole total das operações amparadas pelo regime aduaneiro especial em análise. 3. Item 3. prejudicado pela resposta em 2 (a), acima. 4. Item 4 a. A fiscalização, em momento algum, excluiu componente de produto a ser exportado porque não atendia a especificações técnicas. Todas as desconsiderações efetuadas durante a fiscalização foram baseadas na falta de comprovação, por parte da Springer, do efetivo emprego daqueles componentes nos produtos exportados. A sociedade que detém um ato concessório de drawback suspensão deve comprovar, por ato concessório, que efetivamente empregou componente importado, com suspensão dos tributos, em produto exportado (no regime de drawback), como podemos ver pela regulamentação da comprovação do ato concessório: [...]Mas, para não deixarmos dúvida de que a fiscalização excluiu componente de produto exportado apenas naqueles casos em que a Springer não comprovou, documentalmente, o efetivo emprego de componente importado, com suspensão dos tributos, em produto exportado (no regime de drawback), passamos a analisar resumidamente, cada item glosado pela fiscalização: Código de Explicação STA A Springer não comprovou a transferência das mercadorias importadas para outros atos concessórios nem a vinculação destas mercadorias a qualquer exportação. Código de Explicação INE Como apenas um controle remoto podia acompanhar o produto, a fiscalização aceitou apenas a vinculação dos controles de código 06320019, pois os mesmos faziam parte da estrutura do produto DQS187R na época de sua exportação. Importante deixar claro que o controle de código 06320019 substituiu o de código 06320021, ou seja, um ou outro poderia ser utilizado na fabricação e exportação do produto DQS187R, mas não os dois ao mesmo tempo. Não houve juízo subjetivo por parte da fiscalização, mas sim um juízo lógico, baseado na documentação apresentada pela própria fiscalizada. Apenas para argumentação, poderíamos dizer que se fosse aceito o modelo de código 06320021, automaticamente seria desconsiderado o de código 06320019. O mesmo ocorreu em relação a 27 válvulas de drenagem termostaticas de código GW46101000 e de 3 placas eletrônicas de código GW79037001. Código de Explicação CRS A Springer não comprovou que o modelo de controle remoto de código 35401657 poderia substituir o modelo utilizado nas evaporadoras em análise. O controle remoto de código Fl. 2392DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10494.001472/200541 Resolução nº 3202000.209 S3C2T2 Fl. 2.122 5 35401657 não aparecia na estrutura das evaporadoras, e a Springer tampouco apresentou algum outro documento que comprovasse a possibilidade da substituição do modelo original pelo de código 35401657. A não aceitação foi baseada novamente em informações que a Springer forneceu. Neste caso, a falta de informação documental. No caso do restante dos controles remotos glosados, como apenas um controle remoto para acompanhar o produto, a fiscalização aceitou apenas a vinculação dos controles que faziam parte da estrutura dos respectivos produtos na época de sua exportação. Código de Explicação IEA2 A própria Springer admitiu a não utilização dos 11 compressores na fabricação de produtos exportados. Código de Explicação IEA7 A Springer não apresentou nenhum documento que indicasse que a bomba d'água 82394010 poderia ter sofrido modificações para que pudesse substituir a bomba d'água 82394006. Este foi o motivo da não aceitação daquelas bombas por parte da fiscalização e apenas este. Código de Explicação IEA9 A Springer não conseguiu comprovar documentalmente a utilização da válvula de serviço de código XL12AE003 nem da válvula de código 32GB401234 em produtos exportados, amparados no ato concessório fiscalizado. Código de Explicação IEA11 A fiscalização aceitou a substituição da válvula de código 32GB402394 pela de código 32GB401234, mas como apenas uma válvula de código 32GB401234 podia acompanhar o produto, a fiscalização aceitou apenas a vinculação de uma válvula de código 32GB401234 para cada produto exportado. Código de Explicação IEA18 A estrutura da resfriadora de líquidos não informa a utilização da válvula de código XA12BM131 nem a válvula de código XA12DN016 na fabricação dessa máquina, razão pela qual a fiscalização deixou de considerar estas válvulas na comprovação do ato concessório em análise. Código de Explicação IEA20 A Springer não comprovou a vinculação de uma das válvulas de código 32GB400794 a qualquer exportação amparada no ato concessório em análise. Código de Explicação IEA21 Ao analisar a estrutura do produto 30GXB082385S, a fiscalização verificou que o relé tripolar de código 35401084 não estava relacionado entre aquelas peças e insumos que são utilizadas em sua fabricação, razão pela qual as duas peças indicadas pela Springer, como tendo sido utilizadas nessa resfriadora de líquidos, não puderam ter sua utilização na fabricação de produtos exportados comprovada. Código de Explicação DIF 1 O condicionador de ar de janela de código FCC097BB, exportados por meio do RE 02/0387260, não contemplava em sua lista técnica a utilização do compressor de código 05502001 em sua fabricação. Além disso, 301 unidades desse mesmo compressor, importadas por meio dessa mesma DI 01/11406859, não foram sequer mencionadas nos mapas de aplicação de componentes apresentados pela fiscalizada (folhas 693 a 1561). Fl. 2393DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10494.001472/200541 Resolução nº 3202000.209 S3C2T2 Fl. 2.123 6 Código de Explicação NCE Em sua resposta ao Termo de Intimação no 105/2005 (folhas 1575 a 1587), a Springer assinalou com o código "NCE" todos os itens importados para os quais reconhecia não poder fazer prova de que tenham sido utilizados na fabricação de produtos exportados. 5. Item 5 a. Abaixo, apresentamos as tabelas com os juros e a multa de mora e com os juros e a multa de oficio: [...]6. Item 6 a. Quanto à autoridade autuante, pedimos que qualquer laudo emitido por assistente técnico da recorrente indique, para qualquer componente que entenda que tenha sido utilizado em produto exportado, o respectivo n° do ato concessário, o n° da declaração de importação, descrição completa do componente, NCM, quantidade, valor, n° do respectivo registro de exportação vinculado ao ato concessário. Tal conjunto de informações são necessárias, visto que não basta o componente ter aplicado em produto exportado. O componente deve constar de ato concessário emitido pela Secex, para a Springer, e deve ser empregado em produto exportado também constante do mesmo ato concessário vinculado à importação daquele componente. c. Para finalizar, enfatizamos que a fiscalização foi exaustiva na análise do ato concessório n° 16900110001190, dando inúmeras oportunidades à fiscalizada para que comprovasse efetivamente o seu compromisso de drawback. As glosas efetuadas pela fiscalização foram realizadas dentro do estrito aspecto legal, com base na documentação apresentada pela Springer, ou na falta dela, nunca em suposições de qualquer ordem. Outros aspectos levantados pela fiscalização o foram para enriquecer o entendimento e a justificação da glosa. 7 Item 7 a. Fica aberto o prazo de 30 (trinta) dias, improrrogável, para que a recorrente proceda ao que entender de direito, dentro do que foi autorizado pela 2' Câmara / 2' Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Cientificado do acórdão e do relatório de diligência, a recorrente apresentou recurso voluntário, (2.109 e ss.) afirmando que: De acordo com o art. 18º do Decreto nº 70.235, ocorreu nulidade do relatório de diligência, por se resumir a mera repetição de tudo o que já consta nos autos, por dificultar o direito de elaboração de provas da recorrente e por cumular dois prazos específicos e distintos à que a Recorrente faz jus. Afirma que no ato concessório nº 169000/0000255, foram realizados pagamentos em 22/12/2000, e que a recorrente apenas foi autuada em 23/12/2005, 5 anos após o citado pagamento, aplicando ao caso o art. 150, §4º do CTN. Alega que todas as exportações pertinentes aos atos concessórios foram devidamente cumpridas. Por fim, quanto à multa de mora, afirma, que de acordo com o art. 319 do Regulamento aduaneiro, o prazo para pagamento do imposto é “até trinta dias do Fl. 2394DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10494.001472/200541 Resolução nº 3202000.209 S3C2T2 Fl. 2.124 7 prazo fixado para exportação”. Portanto, sendo cumprido esse prazo, e havendo o pagamento espontâneo, não há que se falar em multa de mora. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser apreciado. O julgamento anterior do presente recurso voluntário foi convertido em diligência, contendo diversas providências que o colegiado julgou pertinentes para a solução da controvérsia. Entre as diligências determinadas, consta a seguinte (fl. 2.094): 1. sejam respondidos os quesitos de fls. 201 e seguintes, com o perito nomeado pela recorrente e outro (AFRFB) nomeado pela autoridade preparadora, devendo utilizar perito habilitado pela RFB para dirimir questões de ordem técnica relacionadas à fabricação e funcionamento dos produtos industrializados Em resposta a essa diligência específica, a Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, através de sua Seção de Fiscalização Aduaneira, elaborou seu Relatório de Diligência, assentando que os quesitos de fls. 201 da empresa eram de natureza contábil. Assim, para a Inspetoria, não teria sentido a designação de perícia técnica para responder quesitos contábeis, razão pela qual se restringiu a responder as questões solicitadas na Resolução, utilizando os relatórios de fiscalização e, posteriormente, abrindo prazo de 30 dias para pronunciamento da contribuinte. Confirase: item 1 a. No item 1 do que foi pedido existe uma incongruência nos tipos de perícias requisitadas. A recorrente, na folha 2010, pede que seja realizada perícia contábil, para comprovar que os produtos importados sob o regime de drawback foram aplicados integralmente em produtos por ela exportados, indicando para tanto, como assistente técnico, o Sr. José Roberto Pires dos Santos, Contador, CRC/RS no 31.217. Ou seja, a recorrente não pede perícia de ordem técnica. b. Já a 2a Câmara/2º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pede que seja realizada uma perícia de ordem técnica, para dirimir questões de ordem técnica relacionada â fabricação e funcionamento dos produtos industrializados. Dessa maneira, não haveria como confrontar os resultados de perícia realizada por perito credenciado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, um engenheiro, por exemplo, com os resultados de perícia, de ordem contábil, realizada por um contador contratado pela recorrente. Fl. 2395DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10494.001472/200541 Resolução nº 3202000.209 S3C2T2 Fl. 2.125 8 c. Para reforçar a inconsistência das duas perícias, os quesitos apresentados na folha 2011 são de ordem contábil, não há porque requisitar um perito credenciado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, para dirimir questões de ordem técnica relacionada à fabricação e funcionamento dos produtos industrializados, já que tais questões não constam dos quesitos (e nem poderiam) relacionados pela recorrente. Mas fica, desde agora, autorizada a recorrente a realizar a perícia que requisita na folha 2010, de acordo com a 2a Câmara/2a Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. d. Mas em nada ficará prejudicada a autoridade preparadora pela não realização da perícia de ordem técnica, pois, como será mostrado abaixo, o relatório de fiscalização, fls. 076 a 106, é suficiente para explicar e demonstrar as razões pelas quais a fiscalização considerou, para efeitos da comprovação do adimplemento do ato concessório n° 1690 01/0001190, vários componentes como não tendo sido utilizados na fabricação de produtos exportados, amparados por este ato concessório. Todavia, entendo que não caberia à Inspetoria fazer juízo de valor acerca da diligência técnica determinada pelo CARF. Caberia tão somente à Inspetoria designar o perito técnico (engenheiro especializado e credenciado) com o objetivo de dirimir as questões formuladas na Resolução, facultando às partes envolvidas efetuar novos quesitos e se manifestarem sobre as conclusões do laudo técnico (item 6 da Resolução). Ademais, se os quesitos da empresa de fl. 201 são impertinentes, por serem de natureza contábil, a consequência é sua não resposta pelo perito técnico a ser designado, o qual explicará, eventualmente, suas razões de não o fazer, sendo completamente despropositado desconsiderar a elaboração de laudo técnico, determinado na resolução para responder dúvidas técnicas específicas nela especificadas. Ante o exposto, proponho NOVA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para designar o perito técnico (engenheiro especializado e credenciado) com o objetivo de dirimir as questões formuladas na Resolução, facultando às partes envolvidas, em 30 dias, efetuarem novos quesitos, antes da elaboração do laudo, e se manifestarem, no prazo de 30 dias, sobre as conclusões do laudo técnico. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 2396DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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