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Numero do processo: 13016.000004/2004-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente MADEM S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 00 04 /2 00 4- 01 Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13016.000004/200401 Acórdão n.º 9303005.319 CSRFT3 Fl. 311 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 330101.343, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, que traz a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. GLOSA PELA NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO ICMS CEDIDO. O art. 1º, § 3º, inciso VII, da Lei nº 10.637/02, incluído pela Lei nº 11.945/09, art. 16 colocou um fim na controvérsia acerca da possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS, do valor correspondente à cessão de créditos de ICMS. Contudo, a produção de efeitos fora fixada como sendo a partir de 01/01/2009. Assim, eventos ocorridos anteriormente deverão compor a base de cálculo da contribuição. (...) O contribuinte requer e reforma do acórdão sob o fundamento que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratandose de mera mutação patrimonial, não podendo assim compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. Cientificada, a Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13016.000004/200401 Acórdão n.º 9303005.319 CSRFT3 Fl. 312 3 O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Fl. 312DF CARF MF Processo nº 13016.000004/200401 Acórdão n.º 9303005.319 CSRFT3 Fl. 313 4 Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deuse em 05/12/2013. Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 Fl. 313DF CARF MF Processo nº 13016.000004/200401 Acórdão n.º 9303005.319 CSRFT3 Fl. 314 5 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 314DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.906958/2011-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.928
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 06 95 8/ 20 11 -2 0 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10183.906958/201120 Resolução nº 3201000.928 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10183.906958/201120 Resolução nº 3201000.928 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10183.906958/201120 Resolução nº 3201000.928 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10183.906958/201120 Resolução nº 3201000.928 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 35189.001186/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2005
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 -INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
TRATADO INTERNACIONAL DE ITAIPU - RELAÇÕES DE TRABALHO - LEI APLICÁVEL NO TERRITÓRIO DA CELEBRAÇÃO DO CONTRATO
As normas jurídicas aplicáveis às relações de trabalho e previdência social dos trabalhadores contratados pela Itaipu estão estabelecidas no Protocolo Adicional, que prevê que os direitos e obrigações dos trabalhadores em matéria de previdência social reger-se-ão pela lei do lugar da celebração do contrato individual do trabalho.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO.
O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configura-se como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo em nome da empresa prestadora - a contribuinte de fato -, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei.
Numero da decisão: 2301-005.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para dar-lhe parcial provimento, reconhecendo a decadência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 11/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. TRATADO INTERNACIONAL DE ITAIPU RELAÇÕES DE TRABALHO LEI APLICÁVEL NO TERRITÓRIO DA CELEBRAÇÃO DO CONTRATO As normas jurídicas aplicáveis às relações de trabalho e previdência social dos trabalhadores contratados pela Itaipu estão estabelecidas no Protocolo Adicional, que prevê que os direitos e obrigações dos trabalhadores em matéria de previdência social regerseão pela lei do lugar da celebração do contrato individual do trabalho. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configurase como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo em nome da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 18 9. 00 11 86 /2 00 6- 41 Fl. 1405DF CARF MF 2 empresa prestadora a contribuinte de fato , não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para darlhe parcial provimento, reconhecendo a decadência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 11/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da DecisãoNotificação nº 14.421.4/164/06, de 05/09/2006, (fls. 393 a 401). O processo se iniciou de crédito previdenciário lançado referente à obrigação da empresa, como contratante de serviço mediante cessão de mãodeobra, de reter 11 % sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviço. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 61 a 67), o recorrente contratou serviços sob a modalidade de cessão de mão de obra e/ou empreitada na atividade de construção civil junto às empresas ali mencionadas, sem, contudo, efetuar a retenção de 11% do valor bruto das notas/faturas emitidas pela contratada, ou efetuandoa sobre uma base de cálculo indevidamente reduzida, contrariando os normativos legais que regem a matéria. Na impugnação (fls. 342 a 363), foi alegado em síntese que: (i) a Lei 8.212/91 em seu art. 85A, determina que os tratados internacionais serão interpretados como lei especial. Nesse sentido, os arts. 12, 18 e 20 do Tratado Internacional entre Brasil e Paraguai de 26/04/1973, merecem observância, prevalecendo a regra específica de não incidência de qualquer imposição tributária sobre os pagamentos feitos a pessoa física ou jurídica pela Itaipu, conforme observado abaixo: Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 35189.001186/200641 Acórdão n.º 2301005.013 S2C3T1 Fl. 1.406 3 "ARTIGO XII As altas Partes Contratantes adotarão, quanto á tributação, as seguintes normas: c) não aplicarão impostos, taxas e empréstimos compulsórios, de qualquer natureza, sobre os lucros da ITAIPU e sobre os pagamentos e remessas por ela efetuados a qualquer pessoas física ou jurídica, sempre que os pagamentos de tais impostos, taxas e empréstimos compulsórios sejam de responsabilidade legal da ITAIPU; d) não porão nenhum entrave e não aplicarão nenhuma imposição fiscal ao movimento de fundos da ITAIPU que resultar da execução do presente Tratado. " ARTIGO XVIII As altas Partes Contratantes, através de protocolos adicionais ou de atos unilaterais, adotarão todas as medidas necessárias ao cumprimento do presente Tratado, especialmente as que digam respeito a aspectos, c) de trabalho e previdência social, d) fiscais e aduaneiros; ARTIGO XX As altas Partes Contratantes adotarão, por meio de um protocolo adicional, a ser firmado dentro de noventa dias a partir da data da troca dos instrumentos de ratificação do presente Tratado, as normas jurídicas aplicáveis às relações de trabalho e previdência social dos trabalhadores contratados pela ITAIPU." (ii) sendo o tratado uma lei especial, então ele se sobrepõe às regras de outras leis por três razões: a) tratados representam regras jurídicas de cunho nacional (e não meramente federais) que se sobrepõem às leis internas. b) o CTN em seu Art. 98, atribui expressa prevalência dos tratados sobre as leis internas, c) o tratado é lei especial, então suas regras prevalecem sobre a lei genérica. Princípio "lex especiali derrogat lex general!"; (iii) a divergência deve ser resolvida pela forma diplomática conforme art. 22 do Tratado, conforme abaixo: "ARTIGO XXII Em caso de divergência quanto à interpretação ou à aplicação do presente Tratado e seus Anexos, as altas Partes Contratantes a resolverão pelos meios diplomáticos usuais o que não retardará ou interromperá a construção e/ou a operação do aproveitamento hidroelétrico e de suas obras e instalações auxiliares, " Fl. 1407DF CARF MF 4 (iv) como existem dúvidas quanto à exigência fiscal e previdenciária, tal divergência deve submeterse ao crivo do Exmo. Sr. Presidente da República. Assim sendo, mostrase inapropriado que o agente público hierarquicamente subordinado ao presidente faça lhe as vezes para decidir sobre a interpretação de tratado internacional; (v) a regra decadencial a ser aplicada ao caso é a do artigo 150, §4o, do CTN; (vi) no tocante aos serviços construção civil, não há que se falar em cessão de mãodeobra; (vii) na construção civil não se contrata a mãodeobra, mas sim a obra executada; (viii) não se admite a exigência das contribuições do tomador, uma vez que não houve fiscalização junto ao prestador dos serviços. Isto porque quem faz o destaque da retenção de 11 % é o prestador, nos termos do §1 °, do art. 31, da Lei 8212/91. A Delegacia da Receita Previdenciária em Cascavel/PR julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido (fls. 393 a 401) recebeu a seguinte ementa: CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. TRATADO INTERNACIONAL. NÃO PREVALÊNCIA. A CF, não adota a supremacia dos tratados internacionais sobre as normas nacionais. Dita, tão somente, que os direitos e garantias fundamentais, inclusive os sociais, não se findam nos elencados em seu texto, podendo acrescer outras normas de mesma natureza previstos em tratados internacionais. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. RETENÇÃO. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. A contratante de serviços na área da construção civil deve reter e repassar aos cofres da previdência o percentual de 11 %. LANÇAMENTO PROCEDENTE Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 409 a 440) reiterando as alegações anteriormente feitas na impugnação, sobretudo o entendimento de que o ato praticado pelo fiscal revelase ilícito e sem efeito jurídico, já que é inapropriado ao agente público decidir sobre a interpretação de tratado internacional e de que parte do débito foi alcançado pela decadência, nos termos do art. 150, § 4% do CTN. Ademais, o recorrente entende que não há nos documentos examinados pelos fiscais qualquer indício de que se trate de contrato de cessão de mão de obra, sendo essencial na relação contratual em exame o resultado do serviço, e não a mãodeobra. Nesse sentido, o recorrente solicita que o julgamento seja convertido em diligência para que sejam analisados documentos que demonstrariam que alguns dos serviços prestados se referiam a empreitada total. Em 6 de maio de 2009, o julgamento do recurso foi convertido em diligência conforme a Resolução n º 240100.017 (fls. 1376 a 1380) da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente alegou que vários dos serviços prestados não se enquadram como sendo de construção civil, havendo casos em que se trata de Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 35189.001186/200641 Acórdão n.º 2301005.013 S2C3T1 Fl. 1.407 5 mero fornecimento de material ou equipamento, com instalação nas dependências da contratante, bem como há casos em que o serviço é de empreitada total, sendo que para a análise de tais alegações se faz necessária a realização de diligência para análise dos documentos juntados ao recurso voluntário. Em 24 de agosto de 2009, foi emitido documento de "Informação Fiscal" (fls. 1381 a 1383), no qual o auditor fiscal responsável pelo relatório de diligência assinala que uma análise mais profunda é prejudicada pela ausência dos contratos firmados entre as partes, assim ele afirma que toda a documentação em poder da Fiscalizada já foi objeto de análise minuciosa por parte da Fiscalização em etapa anterior, como forma de determinar a obrigação tributária, conforme pode ser observado abaixo: 1. Atendendo a Solicitação de Diligência expedida pela Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, passase à análise dos documentos juntados ao processo pela Recorrente. 2. O Contribuinte apresentou Notas Fiscais, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, Guias da Previdência Social GPS e Folhas de Medição relativas a serviços prestados por diversas empresa. 3. No desenvolvimento dos trabalhos de fiscalização, os Auditores Fiscais analisaram os Contratos e suas respectivas Notas Fiscais, verificando a existência ou não da OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DA RETENÇÃO. Nos casos identificados no Relatório Fiscal (fls. 62), constatouse a exigência desta obrigação. 4. Uma análise mais profunda, como requer a Recorrente, é prejudicada pela ausência, nos Autos, dos Contratos firmados entre as partes, para detalhes como verificação dos valores de material e mãodeobra, entre outros. 5. Entretanto, toda a documentação em poder da Fiscalizada foi objeto de análise minuciosa por parte da Fiscalização, como forma de determinar a obrigação que deveria ser exigida. As planilhas e outros documentos anexados ao Relatório Fiscal (fls. 66 a 314), demonstram tal análise. Em 30 de setembro de 2009, a recorrente apresentou manifestação (fls. 1385 a 1386) assinalando que o agente fiscal, ao receber os autos em decorrência da conversão em diligência, não examinou tais documentos, restringindose a afirmar que toda a documentação disponibilizada teria sido objeto de análise minuciosa por parte da Fiscalização, como forma de determinar a obrigação que deveria ser exigida, assim como requereu (i) a dilação de prazo por mais 30 dias para apresentar os contratos firmados com os prestadores de serviços, para que possam ser verificados os valores de material e mãodeobra entre outros; e (ii) o cancelamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. É o relatório. Fl. 1409DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Da Preliminar de Decadência Com relação à preliminar de decadência, esta merece acolhida. O lançamento em questão foi efetuado com fundamento no artigo 45 da Lei nº 8.212/1991. Todavia, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91, sendo que, nesta oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual pode ser observada baixo: Súmula Vinculante 8: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". No que tange aos efeitos da súmula vinculante, cumpre lembrar o texto do artigo 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei". Dessa forma, é possível concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. A partir da análise do caso concreto, verificase que o lançamento "in casu" referese ao período compreendido entre 02/1999 a 08/2005 e foi efetuado em 30/05/2006, data de intimação do sujeito passivo (fl. 336). Conforme se depreende da planilha apresentada pelo recorrente no Recurso Voluntário (fls. 441 a 444), há diversos casos em que houve retenção parcial da contribuição previdenciária, de forma que se aplica a regra decadencial do artigo 150, §4º, do CTN, de forma que já estão decaídos os valores até a competência 04/2001, uma vez que o lançamento ocorreu em 30/05/2006. Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 35189.001186/200641 Acórdão n.º 2301005.013 S2C3T1 Fl. 1.408 7 Do Pedido de Cancelamento da Notificação Fiscal em virtude da falta de análise dos documentos juntados no Recurso Voluntário após a conversão em diligência do julgamento Com relação ao pedido de cancelamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. feito na manifestação da recorrente (fls. 1385 a 1386) de 30 de setembro de 2009, a recorrente assinala que o agente fiscal, ao receber os autos em decorrência da conversão em diligência, não examinou tais documentos, restringindose a afirmar que toda a documentação disponibilizada teria sido objeto de análise minuciosa por parte da Fiscalização, como forma de determinar a obrigação que deveria ser exigida, assim como requereu a dilação de prazo por mais 30 dias para apresentar os contratos firmados com os prestadores de serviços, para que possam ser verificados os valores de material e mãodeobra entre outros. Ocorre que desde então, já se passaram mais de sete anos e a recorrente não apresentou mais nenhuma documentação (ex.: contratos) ao processo, ainda que seus patronos tenham solicitado cópias do autos do processo em junho de 2014 (fl. 1399). Diante do exposto, não há razão para cancelamento da notificação fiscal como requereu a recorrente, uma vez que a fiscalização foi devidamente fundamentada e comprovada conforme o Relatório Fiscal (fls. 62 a 314). Da Aplicação do Tratado de Itaipu sobre as Contribuições Previdenciárias O recorrente alega de acordo com as regras contidas no Tratado Internacional de Itaipu, a notificação deveria ser cancelada para audiência prévia do presidente da república. A partir da análise do Tratado Internacional de Itaipu, verificase que não se aplicarão impostos, taxas e empréstimos compulsórios, de qualquer natureza sobre os pagamentos e remessas efetuados pela Itaipu a qualquer pessoa física ou jurídica, sempre que o pagamento de tais tributos seja de responsabilidade da Itaipu, "in verbis": "ARTIGO XII As altas Partes Contratantes adotarão, quanto á tributação, as seguintes normas: c) não aplicarão impostos, taxas e empréstimos compulsórios, de qualquer natureza, sobre os lucros da ITAIPU e sobre os pagamentos e remessas por ela efetuados a qualquer pessoas física ou jurídica, sempre que os pagamentos de tais impostos, taxas e empréstimos compulsórios sejam de responsabilidade legal da ITAIPU; d) não porão nenhum entrave e não aplicarão nenhuma imposição fiscal ao movimento de fundos da ITAIPU que resultar da execução do presente Tratado. " Assim, a isenção prevista no referido Tratado alcança expressamente somente as espécies tributárias: impostos, taxas e empréstimos compulsórios, de forma que não há previsão de alcance para as contribuições previdenciárias. Fl. 1411DF CARF MF 8 Vale lembrar, ainda, que os artigos XVIII e XX do Tratado dispõem que as partes celebrarão um protocolo adicional com as normas jurídicas aplicáveis às relações de trabalho e previdência social dos trabalhadores contratados pela ITAIPU, conforme observado abaixo: "ARTIGO XVIII As altas Partes Contratantes, através de protocolos adicionais ou de atos unilaterais, adotarão todas as medidas necessárias ao cumprimento do presente Tratado, especialmente as que digam respeito a aspectos, c) de trabalho e previdência social, d) fiscais e aduaneiros; ARTIGO XX As altas Partes Contratantes adotarão, por meio de um protocolo adicional, a ser firmado dentro de noventa dias a partir da data da troca dos instrumentos de ratificação do presente Tratado, as normas jurídicas aplicáveis às relações de trabalho e previdência social dos trabalhadores contratados pela ITAIPU". O Protocolo sobre Relações de Trabalho e Previdência Social relativo ao Tratado de Itaipu foi aprovado pelo Decreto Legislativo nº 40/74, que assim dispõe sobre os direitos e obrigações em matéria de previdência social dos trabalhadores de Itaipu, "in verbis": "Artigo 2º Regerseão pela lei do lugar da celebração do contrato individual de trabalho: (...) e) os direitos e obrigações dos trabalhadores e da ITAIPU em matéria de previdência social, bem como os relacionados com os sistemas cujo funcionamento dependa dos órgãos administrativos nacionais;" Assim, não há qualquer menção à isenção de contribuições previdenciárias no Protocolo sobre Relações de Trabalho e Previdência Social relativo ao Tratado de Itaipu, sendo que há inclusive previsão expressa que as obrigações previdenciárias serão regidas pela lei do lugar da celebração do contrato. Vale ressaltar que a questão sobre a possibilidade de isenção das contribuições previdenciárias para o recorrente com base no Tratado de Itaipu já foi analisada algumas vezes pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, de forma que é possível observar que nos acórdãos relativos aos processos 500522558.2010.404.7002, 5002397 89.2010.404.7002 e 2006.70.05.0040800, houve o entendimento de que a isenção prevista no Tratado de Itaipu não alcança as contribuições previdenciárias, conforme pode ser observado abaixo: Processo: 500522558.2010.404.7002 Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 35189.001186/200641 Acórdão n.º 2301005.013 S2C3T1 Fl. 1.409 9 Data da Decisão: 19/06/2013 AÇÃO ORDINÁRIA. TRATADO INTERNACIONAL DE ITAIPU. PREVALÊNCIA AFASTADA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA TOMADORA DE SERVIÇOS. LEI 8.212/91, ART. 22, IV, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI 9.876/99. CONSTITUCIONALIDADE. SOLIDARIEDADE DO CONTRATANTE DOS SERVIÇOS. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO CONTRA O DEVEDOR PRINCIPAL. 1 A norma isentiva constante do Tratado de Itaipu, firmado entre Brasil e Paraguai em 26.04.1973, trata apenas de impostos, taxas e empréstimos compulsórios, não recaindo sobre contribuições previdenciárias. 2 O inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 1991, incluído por força da Lei n.º 9.876, de 1999, inserese na dicção do art. 195, I, a, da CF/88, não sendo necessária sua edição por lei complementar. Precedentes deste Regional. 3 A base de cálculo da contribuição em tela não é o faturamento da cooperativa, mas sim a remuneração dos serviços prestados pelo profissional a ela associado, não se podendo falar em utilização do mesmo fato gerador de outra contribuição social. 4 A solidariedade pelo pagamento das contribuições previdenciárias prevista no art. 30, inciso VI, da Lei nº 8.212/91, não comporta benefício de ordem, consoante dispõe o art. 124 do CTN. 5 O benefício de ordem diz respeito ao momento da exigência do cumprimento da obrigação, e não à constituição do crédito tributário. 6 Somente após a constituição do crédito tributário perante o devedor principal, poderá seu pagamento ser exigido dele ou do obrigado solidário, indistintamente. 7 Considerando que a empresa prestadora do serviço apresentou GFIPS em relação à obra, temse como válida a houve a constituição do crédito. Processo: 500239789.2010.404.7002 Data da Decisão: 26/08/2015 TRIBUTÁRIO. TRATADO DE ITAIPU. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTOS EFETUADOS A DIRETORES/CONSELHEIROS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. GASTOS COM EDUCAÇÃO. AUXÍLIO ENFERMIDADE. Hipótese em que são devidas contribuições previdenciárias sobre verbas indenizatórias pagas a diretores/conselheiros. Diante das particularidades da Política Educacional da empresa ITAIPU BINACIONAL, os gastos com educação estão abrangidos pelo fato gerador da exação ante a natureza remuneratória. Incide a contribuição previdenciária nos valores pagos a título de auxílioenfermidade aos funcionários que não preenchem os requisitos para receber o auxíliodoença. Fl. 1413DF CARF MF 10 Processo: 2006.70.05.0040800 Data da Decisão: 19/09/2012 TRIBUTÁRIO. ANULATÓRIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MULTA. PERÍCIA CONTÁBIL. DESNECESSIDADE. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. REGRA ESPECÍFICA. ITAIPU. SUJEIÇÃO AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MEMBROS DA DIRETORIA EXECUTIVA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. NÃOCARACTERIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE SUBORDINAÇÃO JURÍDICA. VERBAS PAGAS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. NÃO COMPROVAÇÃO DO CARÁTER INDENIZATÓRIO. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. (...) 4. O Tratado de Itaipu, de 26 de abril de 1973, apenas prevê a isenção tributária da entidade binacional quanto aos impostos, taxas e empréstimos compulsórios, não abrangendo as contribuições previdenciárias, sendo certo que, segundo o Protocolo Adicional ao Tratado, referendado pelo Decreto nº 74.431/74, regemse pela lei do lugar da celebração do contrato individual de trabalho as obrigações em matéria trabalhista e previdenciária. Desta forma, não calha a argumentação de nãosujeição ao pagamento de contribuições previdenciárias, bem como da necessidade de crivo do Presidente da República sobre a cobrança, sendo plenamente aplicáveis as disposições da Lei nº 8.212/91 e Decretos nºs 2.803/98 e 3.048/99. Diante do exposto, entendo que a isenção prevista no artigo XII do Tratado de Itaipu alcança somente as espécies tributárias: impostos, taxas e empréstimos compulsórios, de forma que as contribuições previdenciárias não são alcançadas pela isenção do Tratado de Itaipu. Da Desnecessidade de Fiscalização na Empresa Prestadora no Regime de Retenção Em primeiro lugar, cumpre distinguir o instituto da responsabilidade solidária entre o contratante e a prestadora de serviços, que decorria do texto do artigo 31 da Lei 8.212/91, que foi a regra aplicável aos processos anteriores à Lei 9.711/98. Todavia, no presente caso, tratase de situação regida pelo instituto da retenção, instituída pela Lei 9.711/98 que alterou o artigo 31 da Lei 8.212/91. Portanto, são duas situações distintas que não devem ser confundidas. Sendo assim, a obrigação de efetuar a retenção de 11% e de recolher a contribuição em nome da contratada é da contratante, que no caso é a Itaipu Binacional . Com a criação do instituto da retenção previdenciária, vale ressaltar que o serviço de construção civil encontrase arrolado entre as situações de sua aplicabilidade, conforme artigo 219, §2°, III, do Decreto 3.0481/99, assim como os serviços realizados com cessão de mãodeobra quanto na empreitada. É importante destacar que a retenção é opcional na contratação dos serviços de construção civil através da chamada empreitada total definida no art.220, §1º, do Decreto 3.0481/99. Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 35189.001186/200641 Acórdão n.º 2301005.013 S2C3T1 Fl. 1.410 11 A retenção previdenciária tem por objetivo garantir o crédito previdenciário e facilitar a fiscalização, de modo que o tomador passou a ser o contribuinte responsável para que, efetuando a retenção, garantisse o recolhimento devido pelas prestadoras de serviço, sendo que as prestadoras compensamse deste crédito, afinal foram elas que sofreram o desconto, ou seja, arcaram com o custo. No tocante ao argumento de que o recorrente somente poderia ser sujeito passivo das contribuições previdenciárias caso verificada a omissão de recolhimento pelo prestador de serviço, entendo que ele não prospera, uma vez que o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.711/98, obrigaa diretamente a efetuar a retenção, atribuindo a responsabilidade principal, determinando a observação do disposto no artigo 33, § 5º, in verbis: "Art. 33. "Omissis" § 5° 0 desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo licito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei". Desse modo, a retenção de 11% sobre o total da fatura ou nota fiscal de prestação de serviços mediante empreitada ou cessão de mãodeobra consiste em antecipação de recolhimento, feita pelo tomador do serviço em nome do prestador. Por fim, vale ressaltar que o artigo 31 da Lei 8.212/91 determina a retenção e o recolhimento de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais de serviços emitidas pelas empresas prestadoras, como uma obrigação pura da empresa contratante, isto é, na referida obrigação não há condição resolutiva de sua extinção, caso as empresas prestadoras recolham, no prazo legal, as contribuições incidentes sobre as suas folhas de pagamento. Ante o exposto, , não deve prosperar o argumento de que a contribuição previdenciária somente poderia ser exigida do contratante dos serviços na hipótese em que o prestador de serviço não tivesse recolhido a contribuição previdenciária. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe parcial provimento para reconhecer preliminar de decadência no que tange aos valores até a competência 04/2001, uma vez que o lançamento ocorreu em 30/05/2006. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 1415DF CARF MF 12 Fl. 1416DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.725220/2013-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PRESCRIÇÃO OU DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
1. Em sede de processo administrativo de constituição do crédito tributário não há que se cogitar na existência de prazo prescricional.
2. Nem é mesmo necessário aferir qual o critério legal para a aplicação do prazo de decadência (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN), pois como o fato gerador mais pretérito ocorreu em janeiro de 2009, mesmo que a contagem se desse na forma do art. 150, ainda assim não teria transcorrido tempo superior a cinco anos.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÕES CONSIDERADAS PELA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA DE APONTAMENTO DOS PONTOS DE DISCORDÂNCIA.
1. Ao contrário da autoridade fiscal, que detalhou e fundamentou, adequadamente, a exigência em tela, instruindo os dois lançamentos com todos os elementos probatórios necessários à verificação do fato gerador e à imputação da penalidade correspondente, o sujeito passivo fez meras alegações genéricas e não se desincumbiu de seu ônus probatório.
2. Conforme preleciona o inc. III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve mencionar os pontos de discordância e as razões que possuir.
Numero da decisão: 2402-005.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PRESCRIÇÃO OU DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. 1. Em sede de processo administrativo de constituição do crédito tributário não há que se cogitar na existência de prazo prescricional. 2. Nem é mesmo necessário aferir qual o critério legal para a aplicação do prazo de decadência (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN), pois como o fato gerador mais pretérito ocorreu em janeiro de 2009, mesmo que a contagem se desse na forma do art. 150, ainda assim não teria transcorrido tempo superior a cinco anos. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÕES CONSIDERADAS PELA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA DE APONTAMENTO DOS PONTOS DE DISCORDÂNCIA. 1. Ao contrário da autoridade fiscal, que detalhou e fundamentou, adequadamente, a exigência em tela, instruindo os dois lançamentos com todos os elementos probatórios necessários à verificação do fato gerador e à imputação da penalidade correspondente, o sujeito passivo fez meras alegações genéricas e não se desincumbiu de seu ônus probatório. 2. Conforme preleciona o inc. III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve mencionar os pontos de discordância e as razões que possuir.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PRESCRIÇÃO OU DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. 1. Em sede de processo administrativo de constituição do crédito tributário não há que se cogitar na existência de prazo prescricional. 2. Nem é mesmo necessário aferir qual o critério legal para a aplicação do prazo de decadência (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN), pois como o fato gerador mais pretérito ocorreu em janeiro de 2009, mesmo que a contagem se desse na forma do art. 150, ainda assim não teria transcorrido tempo superior a cinco anos. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÕES CONSIDERADAS PELA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA DE APONTAMENTO DOS PONTOS DE DISCORDÂNCIA. 1. Ao contrário da autoridade fiscal, que detalhou e fundamentou, adequadamente, a exigência em tela, instruindo os dois lançamentos com todos os elementos probatórios necessários à verificação do fato gerador e à imputação da penalidade correspondente, o sujeito passivo fez meras alegações genéricas e não se desincumbiu de seu ônus probatório. 2. Conforme preleciona o inc. III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve mencionar os pontos de discordância e as razões que possuir. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 52 20 /2 01 3- 00 Fl. 1028DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 18470.725220/201300 Acórdão n.º 2402005.903 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A fiscalização lavrou em face do sujeito passivo os seguintes Autos de Infração: a) Auto de Infração DEBCAD 51.037.9303, para a cobrança das contribuições devidas à seguridade social, a cargo da empresa, inclusive a contribuição relativa ao GILRAT; e b) Auto de Infração DEBCAD 51.037.9311, para a cobrança das contribuições devidas à outras entidades ou fundos (FNDE, INCRA, SESC. SENAC e SEBRAE). Segundo se depreende do relatório fiscal e do relatório da decisão recorrida (fls. 981 e seguintes), que ora se reproduz, eis um resumo dos principais acontecimentos deste processo: Informa a Fiscalização que serviram de base para apuração e lançamento das contribuições constantes neste AI as folhas de pagamento e resumos, rescisões de contratos de trabalho, GFIP enviadas ao sistema GfipWeb antes do início do procedimento fiscal, contratos e notas fiscais de serviços de cessão de mãode obra, arquivos digitais do MANAD (contabilidade e folha de pagamento), Livro Diário referente a 2009, dentre outros. Informase ainda que os valores declarados em GFIP e recolhidos pela empresa – antes do início da fiscalização – foram deduzidos dos apurados; bem assim foram considerados, em favor do contribuinte, os créditos relativos às retenções de 11% sobre as notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa, consolidados nos documentos apresentados sob o código DNF. Tais créditos foram suficientes para quitar as contribuições relativas à parte dos segurados. Os valores referentes ao Saláriofamília e saláriomaternidade também foram considerados em favor da empresa. Foi ainda constatado que em todas as competências foram efetuadas compensações (em GFIP) cuja origem deixou de ser comprovada perante a fiscalização, e por isso deixaram de ser consideradas. De modo que somente as diferenças, isto é, os valores não informados em GFIP e/ou informados incorretamente e não recolhidos, foram apurados e lançados, conforme planilha demonstrativa (Anexo I) e respectivos fundamentos legais. Menciona a discriminação das remunerações apuradas conforme Discriminativo do Débito (DD), Relatório de Lançamentos (RL), RDA Relatório de Documentos Apresentados, RADA Relatório de Apropriação de Documentos Fl. 1030DF CARF MF 4 Apresentados, relatório de Fundamentos Legais do Débito (FLD), dentre outros. Anexados ainda contratos de cessão de mãodeobra, notas fiscais de serviços, resumos de folhas de pagamento, livros Diário e planilhas de valores retidos mensalmente. Foram feitas considerações sobre as multas legalmente previstas após a edição da Medida Provisória (MP) nº 449/2008 (DOU de 04/12/2008), convertida na lei n.º 11.941/2009, pelo que foi aplicada propriamente a multa de ofício de 75%, disposta na lei superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, por remissão ao art. 44 da lei nº 9.430/96), para as competências 12/2008 e posteriores. Menciona o quadro societário da empresa e a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). A interessada foi cientificada do lançamento em 14/06/2013 e apresentou IMPUGNAÇÃO tempestiva (fls. 941/950), aduzindo, em síntese, o que se segue. Da autuação – da não consideração das GFIP que a fiscalização não levou em consideração as compensações informadas corretamente nas GFIP. que as planilhas de retenção de 01 a 12/2009 discriminam as retenções de 11% sofridas, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/91 e 48 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 (DOU de 31/12/2008), as quais podem ser compensadas. que devem ser novamente apreciadas as folhas de pagamento, os valores declarados em GFIP, as notas fiscais apresentadas e consideradas todas as retenções de 11% a título de INSS, devidamente compensadas pela impugnante. Da multa aplicada que a partir da publicação da MP nº 449/2008, a multa pela falta de declaração ou declaração incorreta em GFIP passou a ser prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91, a R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas. que é, portanto, inaplicável a multa imposta (75%), do art. 44 da Lei nº 9.430/96, de acordo com a norma da retroatividade benéfica (art. 106, II, “c” do CTN) e com as decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). [...] A DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: PREVIDENCIÁRIO. PARTE PATRONAL. SAT/RAT. TERCEIROS. REMUNERAÇÕES DE EMPREGADOS. APURAÇÃO COM BASE EM FOLHAS DE PAGAMENTO E CONTABILIDADE. Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 18470.725220/201300 Acórdão n.º 2402005.903 S2C4T2 Fl. 4 5 A remuneração paga a segurados a serviço da empresa, verificada a partir de folhas de pagamento e demais documentos da empresa, constitui fato gerador das contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa (patronal e SAT/RAT) e à parte devida às outras entidades e fundos (“Terceiros”). COMPENSAÇÕES EM GFIP. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. RETENÇÕES DE 11%. NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. GPS. APROPRIAÇÕES. Em que pesem as compensações feitas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) terem sido desconsideradas pela fiscalização, em decorrência da falta de comprovação dos respectivos créditos, foram devidamente apropriados no presente lançamento em favor do sujeito passivo os valores retidos a título de INSS (11%) nas inúmeras notas fiscais de serviços relacionadas nos autos, bem como os recolhimentos normais feitos em Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS), de modo a abater parcialmente o débito apurado. MP n.º 449/2008. NOVA LEGISLAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75% PREVISTA NO ART. 35A DA LEI N.º 8.212/91. CABIMENTO. INFRAÇÕES ISOLADAS. MULTA ISOLADA PREVISTA NO ART. 32A DA Lei nº 8.212/91. Com a edição da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na lei n.º 11.941/2009, a conduta de apresentar GFIP com omissões ou incorreções continua a ser tipificada como infração tributária, passando a ser prevista propriamente nos novos artigos 32A ou 35A da Lei nº 8.212/91, conforme a situação encontrada. Para os casos de lançamento de ofício de contribuições não declaradas nem recolhidas (concomitantemente), a penalidade a ser cominada é aquela expressamente prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, que remete à multa de ofício de 75% do art. 44 da Lei nº 9.430/96; restando a tipificação no art. 32A da Lei nº 8.212/91 para os casos de infrações (irregularidades nas GFIP) isoladamente consideradas, isto é, aquelas em que não haja crédito (relativo a obrigações principais) a constituir. RECOLHIMENTOS. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. CTN. DECRETO N.º 70.235/72. PREVISÃO LEGAL. APROPRIAÇÃO. UNIDADE DE ORIGEM. SETOR DE COBRANÇA ADMINISTRATIVA. Os recolhimentos relativos ao objeto do lançamento tributário, efetuados após o início do procedimento fiscal, não são considerados quando da apuração dos créditos tributários, haja vista a exclusão da espontaneidade do sujeito passivo, disposta no art. 138 e § único do CTN e no art. 7º do Decreto nº 70.235/72; o que significa que devem ser mantidos, no julgamento administrativo, o tributo lançado e a multa de ofício imposta. Fl. 1032DF CARF MF 6 Tais valores recolhidos, a título de tributo e multa, devem ser apropriados pelo setor competente (cobrança administrativa) da Unidade de Origem circunscricionante do sujeito passivo, nos termos da legislação vigente. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 22 de agosto de 2014 (fl. 1021) e interpôs recurso voluntário em 22 de setembro daquele mesmo ano (fls. 999 e seguintes), arvorandose, basicamente, nos seguintes argumentos: a) valores retidos em notas fiscais: pede nova apreciação quanto às folhas de pagamento e valores declarados em GFIP e que sejam consideradas todas as retenções de 11% a título de INSS; afirma, ainda, que o Anexo I não é esclarecedor; b) prescrição ou decadência: diz que o tributo está com sua constituição definitiva e é exigível de imediato; c) nulidade do lançamento: cita o princípio da legalidade, o art. 9º do Decreto 70235/72, o princípio da ampla defesa e postula a nulidade do lançamento; d) decadência: assevera que os meses de janeiro a setembro de 2009 estão tacitamente homologados; e) cancelamento do lançamento: afirma serem claros os fatos comissivos abusivos e ilegais praticados em seu prejuízo; f) multa confiscatória: entende que a multa de 75% é confiscatória, inconstitucional, ilegal e imoral; g) juros: desfecha a sua fundamentação sustentando a tese de que os juros não poderiam ser superiores a 1% ao mês. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 18470.725220/201300 Acórdão n.º 2402005.903 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Farseá a apreciação do recurso voluntário, visto que interposto no prazo legal, o que não significa que será totalmente conhecido. Isso porque, em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo suscitou diversas teses que não foram ventiladas em sua impugnação, as quais, portanto, são insuscetíveis de conhecimento em grau recursal, a saber: nulidade do lançamento; cancelamento da autuação ante a existência de fatos comissivos praticados em seu prejuízo; multa confiscatória; e ilegalidade da taxa de juros. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto 70235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Justamente em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou a matéria ora suscitada, de forma o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Fl. 1034DF CARF MF 8 E mais, "as normas de preclusão são indispensáveis ao devido processo legal e, de modo algum, relevamse incompatíveis com o direito de ampla defesa"1 Destarte, não se conhece do recurso nessas matérias. 2 Da prescrição ou decadência Esse argumento também é inovador, uma vez que somente foi feito em grau recursal, mas como se constitui, sabidamente, em matéria de ordem pública, passível, inclusive, de conhecimento de ofício (art. 487, inc. II, do CPC), será analisado. Em sede de processo administrativo de constituição do crédito não há que se cogitar na existência de prazo prescricional. A prescrição é da ação de cobrança em juízo e pressupõe a constituição definitiva do crédito tributário (art. 174 do CTN), ao passo que o prazo de sua constituição é decadencial (art. 150, § 4º, ou art. 173, ambos do Código). Por outro lado, é assente que não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Vejase: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Com efeito, estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário, diante da apresentação de impugnação tempestiva, não se inicia o prazo prescricional para a sua cobrança. Afastase, portanto, a prescrição. Quanto à decadência, o sujeito passivo foi autuado em 10/06/2013 (v. fls. 92 e 105), ocasião em que o lustro decadencial não havia transcorrido integralmente, seja na forma do § 4º do art. 150 do CTN (homologação tácita e contagem do prazo a partir do fato gerador), seja na forma do inc. I do seu art. 173 (contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Expressandose de outra forma, nem é mesmo necessário aferir qual o critério legal para a aplicação do prazo de decadência (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I), pois como o fato gerador mais pretérito ocorreu em janeiro de 2009, mesmo que a contagem se desse na forma do art. 150, ainda assim não teria transcorrido tempo superior a cinco anos, rejeitando se, destarte, a preliminar. 3 Dos valores retidos A recorrente pede nova apreciação quanto às folhas de pagamento e valores declarados em GFIP e que sejam consideradas todas as retenções de 11% a título de INSS; afirma, ainda, que o Anexo I não é esclarecedor. Contudo, ao contrário da autoridade fiscal, que detalhou e fundamentou, adequadamente, a exigência em tela, instruindo os dois lançamentos com todos os elementos probatórios necessários à verificação do fato gerador e à imputação da penalidade 1 FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 61. Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 18470.725220/201300 Acórdão n.º 2402005.903 S2C4T2 Fl. 6 9 correspondente, o sujeito passivo fez meras alegações genéricas e não se desincumbiu de seu ônus probatório. Se o agente autuante realmente não tivesse considerando determinadas retenções, caberia ao sujeito passivo demonstrar o equívoco, indicando, exemplificativamente, as notas fiscais que não teriam sido consideradas e/ou os erros nas planilhas demonstrativas utilizadas pela fiscalização, sobretudo do Anexo I. Lembrese que, na dicção do art. 15 do Decreto 70235/72, a impugnação deve estar instruída com os documentos em que se fundamentar. Ademais, e conforme preleciona o inc. III do seu art. 16, a impugnação deve mencionar os pontos de discordância e as razões que possuir. Em sendo assim, a decisão a quo é incensurável neste ponto, devendo ser negado provimento ao recurso. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário para, na parte conhecida, REJEITAR A PRELIMINAR e NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1036DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722578/2014-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Comprovado a contradição no acórdão onde a decisão esta em desacordo com o voto prolatado, cabe a admissibilidade dos embargos com efeitos infringentes para alteração da decisão para refletir o voto condutos do Acórdão embargado.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ.
Embargos Providos
Recurso Voluntário Não conhecido
Numero da decisão: 3201-003.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para não conhecer do recurso voluntário em razão da sua intempestividade.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: Winderley Morais Pereira
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para não conhecer do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
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CONTRADIÇÃO. Comprovado a contradição no acórdão onde a decisão esta em desacordo com o voto prolatado, cabe a admissibilidade dos embargos com efeitos infringentes para alteração da decisão para refletir o voto condutos do Acórdão embargado. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ. Embargos Providos Recurso Voluntário Não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para não conhecer do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 78 /2 01 4- 06 Fl. 1118DF CARF MF 2 Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. Relatório Cuidase de embargos de declaração, interposto pelo Conselheiro Relator, em face do Acórdão nº 3102002.835, que possui a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. As razões do embargo do conselheiro relator, foram assim detalhadas no recurso: Com fulcro no art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 venho apresentar os presentes embargos em face do Acórdão nº 3201002.835, de minha relatoria, julgado na sessão de 22/05/2016, em razão de contradição na decisão, conforme exposto a seguir: O voto condutor do Acórdão decidiu pelo não conhecimento do recurso voluntário, em razão da sua intempestividade. Entretanto, na decisão constante da Ata da Sessão e do Acórdão, consta como decisão do julgado, "negar provimento ao recurso voluntário", existindo uma contradição entre o voto e a decisão. Diante do exposto, fazse necessário que os presentes embargos sejam conhecidos e acolhidos para correção da contradição existente no Acórdão embargado. Os embargos foram admitidos diante da comprovação da contradição entre a decisão e os fundamentos do voto condutor da decisão. É o Relatório. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 11080.722578/201406 Acórdão n.º 3201003.077 S3C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Consultando os autos e o acórdão embargado é possível comprovar a existência da contradição entre os fundamento do voto e a decisão consignada no Acórdão embargado. A análise da admissibilidade do recurso voluntário identificou que o prazo de 30 (trinta) dias previstos para a interposição do recurso não foi atendido, conforme bem detalhado no trecho voto condutor do Acórdão embargado, transcrito a seguir. Preliminarmente há de se verificar os pressupostos para admissibilidade do recurso. Quanto a tempestividade é mister uma análise da legislação que trata a matéria. O Recurso Voluntário deverá ocorrer no prazo de 30 (trinta) dias, conforme previsto no parágrafo 2°, do artigo 33, do Decreto n° 70.235/1972, verbis: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. A forma de contagem do prazo estabelecido pelo art. 33 foi previsto no art. 5º do mesmo decreto. “Art. 5°. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Confirmado na legislação o prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência, para apresentação do Recurso, o passo seguinte é discutir quando se considera cientificado o Contribuinte. No caso em tela, a discussão a ciência do acórdão da DRJ foi realizado por meio de intimação eletrônica, prevista no art. 23 do Decreto nº 70.235/72. "Art. 23. Farseá a intimação: ... III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. ... § 2° Considerase feita a intimação: ... III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou Fl. 1120DF CARF MF 4 c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo ... § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: ... II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. " Voltando a questão enfrentada no presente processo, a ciência da decisão da DRJ foi realizada em 09/12/2014. A fruição do prazo, tendo em vista que a ciência ocorreu em uma terçafeira, teve seu termo de início sobrestado para o próximo dia de expediente normal da repartição o dia 10/12/2014 uma quarta feira, extinguindose o prazo para interposição do recurso em 08/01/2015. O Recurso Voluntário foi apresentado em 09/01/2015, após a data limite para interposição de recurso, sendo desta forma, intempestivo, não atendendo os pressupostos de admissibilidade. Diante do exposto voto no sentido de conhecer e acolher os embargos, com efeitos infringentes, para alterar a decisão do Acórdão 3102002.835 e não conhecer do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. Winderley Morais Pereira Fl. 1121DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.007414/2008-53
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECADÊNCIA - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO A extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4º do art. 150 do CTN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juízo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo. Diante da ausência de pagamento, a contagem do prazo decadencial é feita pelo art. 173, I, do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS APURADA A PARTIR DA PRÁTICA DE PREÇOS DIFERENCIADOS E DA INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS FORMAIS PARA O CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS - NÃO CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO NOS TERMOS EM QUE FOI APURADA Embora os elementos apontassem para a realização de um conjunto de atos simulados e fraudulentos, o lançamento se fundamentou exclusivamente na operação de agosto de 2002, indicando que a Fiscalização enxergou aí uma efetiva venda dos estoques da Polti para a Bruner, cujos créditos tributários foram constituídos com a multa normal de 75%, e não com a multa qualificada de 150%, que é a prevista para os casos de fraude, simulação, interposição de pessoas, etc. Nestes termos, e no contexto de uma liquidação de sociedade, com venda total dos estoques remanescentes, é perfeitamente aceitável que a negociação seja feita em termos globais, em detrimento dos valores individuais dos bens negociados, que embasam as vendas em uma situação normal de mercado. Não é aplicável a jurisprudência administrativa sobre a prática de preços diferenciados, pelo menos do modo como fez a Fiscalização, tomando como referência os valores contidos nas notas fiscais que foram inicialmente emitidas e depois canceladas. Fl. 923 DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/2008-53 Acórdão n.º 1802-00.927 S1-TE02 Fl. 912
Numero da decisão: 1802-000.927
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em REJEITAR a preliminar de decadência, e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Nelso Kichel, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO A extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4º do art. 150 do CTN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juízo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo. Diante da ausência de pagamento, a contagem do prazo decadencial é feita pelo art. 173, I, do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS APURADA A PARTIR DA PRÁTICA DE PREÇOS DIFERENCIADOS E DA INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS FORMAIS PARA O CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS NÃO CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO NOS TERMOS EM QUE FOI APURADA Embora os elementos apontassem para a realização de um conjunto de atos simulados e fraudulentos, o lançamento se fundamentou exclusivamente na operação de agosto de 2002, indicando que a Fiscalização enxergou aí uma efetiva venda dos estoques da Polti para a Bruner, cujos créditos tributários foram constituídos com a multa normal de 75%, e não com a multa qualificada de 150%, que é a prevista para os casos de fraude, simulação, interposição de pessoas, etc. Nestes termos, e no contexto de uma liquidação de sociedade, com venda total dos estoques remanescentes, é perfeitamente aceitável que a negociação seja feita em termos globais, em detrimento dos valores individuais dos bens negociados, que embasam as vendas em uma situação normal de mercado. Não é aplicável a jurisprudência administrativa sobre a prática de preços diferenciados, pelo menos do modo como fez a Fiscalização, tomando como referência os valores contidos nas notas fiscais que foram inicialmente emitidas e depois canceladas. Fl. 923DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 912 2 Na prática de preços diferenciados, o subfaturamento é apurado, em primeiro lugar, a partir de comparação com operações efetivamente realizadas. Em segundo lugar, com operações realizadas não apenas em datas coincidentes ou próximas, mas num contexto semelhante de negociação, o que não está caracterizado nos autos. O fato de não constar o motivo do cancelamento em cada uma das notas fiscais também não se apresenta como elemento indicador de cancelamento fictício, a partir do qual poderíamos caracterizar a ocorrência de omissão de receita, posto que aqui o cancelamento abrangeu todo o conjunto das notas fiscais emitidas para a transferência do estoque, com a substituição integral delas para ajuste do valor global da transação, e não é razoável exigir que cada nota fiscal trouxesse um motivo específico para o seu cancelamento. Não havendo dados esclarecendo se os pagamentos pela aquisição do estoque foram ou não realizados; se os valores pagos foram diferentes daqueles previstos no “Contrato de Compra e Venda de Produtos da Marca Polti no Brasil” (fls. 636 a 643), ou dos indicados nas notas fiscais emitidas após o cancelamento das outras notas; ou ainda se houve pagamento de preço realizado de forma indireta, não há como manter o lançamento de IRPJ e CSLL com base na omissão de receitas, principalmente pela forma como esta foi apurada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em REJEITAR a preliminar de decadência, e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Nelso Kichel, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel, Gilberto Baptista e Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 924DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 913 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP I, que considerou parcialmente procedente o lançamento relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, conforme autos de infração de fls. 785 a 800. A autuação está fundamentada em omissão de receitas apurada no mês de agosto de 2002. Para o IRPJ e a CSLL, o lançamento teve a finalidade de reduzir o prejuízo fiscal e a base negativa do anocalendário de 2002. Quanto ao PIS e à COFINS, a omissão de receitas resultou na constituição de crédito tributário nos valores de R$ R$ 28.421,76 e R$ 131.177,50, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1622.141, às fls. 866 a 883: Fundamentos da autuação Trata o presente processo de Autos de Infração relativos a Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep –PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 785/800). O Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 781/784) traz o que segue: “ANOCALENDÁRIO 2002 LUCRO REAL OMISSÃO DE RECEITAS PRÁTICA DE PREÇOS DIFERENCIADOS A fiscalização foi iniciada e desenvolvida por determinação do MPF n° 08.1.90.002007024095, tendo sido o contribuinte intimado a apresentar livros e documentos contábeis e fiscais relativos ao anocalendário de 2002. Em virtude das alterações promovidas pela Portaria RFB n° 11.371/2007, a ação fiscal teve continuidade com base no MPF n° 08.1.90.002008033543, tendo sido o contribuinte cientificado dessa alteração, conforme termo próprio lavrado em 26/05/2008. Fl. 925DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 914 4 Durante a ação fiscal foram realizados exames nos livros e documentos contábeis e fiscais, bem como nos documentos que compõem a Ação Anulatória de Negócios Jurídicos, em trâmite na 8ª Vara Cível de São Paulo, sob nº 05.0597086, ação essa impetrada por João Zangrandi Neto CPF: 030.020.26875 (vide cópia da petição inicial juntada às fls. 488/521). Informa o contribuinte que por força da cessação de suas atividades operacionais no Brasil, celebrou transação negocial com a empresa BRUNER ELETROPORTÁTEIS LTDA CNPJ: 05.207.442/200127, visando: realizar seu ativo circulante (estoques) e; aproveitar economicamente a estrutura anteriormente montada para a consecução de suas atividades, o que se deu por meio de arrendamento do imóvel onde até então realizava seu objeto social. Com o fito de tornar possível o arrendamento em referência, celebrou ainda contrato de comodato de máquinas e equipamentos que se encontravam no referido imóvel em favor da referida empresa BRUNER.. Ainda de acordo com o contribuinte, as empresas POLTI DO BRASIL LTDA e BRUNER ELETROPORTÁTEIS LTDA nunca apresentaram qualquer vínculo societário, tendo sido apresentadas certidões de breve relato emitidas pela JUCESP, que demonstram que não foi formado qualquer tipo de sociedade de direito e de fato. De acordo com os livros, documentos e as informações prestadas pelo contribuinte, o único negócio jurídico celebrado pelas partes se refere à transação realizada no anocalendário de 2002, que envolveu a transferência onerosa de fundo de comércio (inclusive estoques) da fiscalizada para a referida empresa BRUNER. Considerando essas informações e a solicitação constante do Ofício n° 2006/2007 expedido pelo 2a Vara Federal Criminal Especializada, passamos no curso da ação fiscal a analisar a materialidade das citadas operações, o que se fez por meio da verificação dos registros e livros contábeis, fiscais e financeiros do contribuinte e dos instrumentos contratuais e fiscais que suportaram as referidas transações. Constatouse que, no mês de agosto de 2002, o contribuinte sob fiscalização transferiu seus estoques de encerramento para a empresa BRUNER, operação essa realizada nos termos de contratos firmados entre as partes, nos quais as operações comerciais e instalações da fiscalizada foram transferidas para a referida empresa BRUNER (vide documentos juntados ao processo). Para a transferência das mercadorias foram emitidas as respectivas notas fiscais de venda de número de ordem de 30.506 Fl. 926DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 915 5 a 30.544, utilizandose dos formulários de número 031200 a 031176 (vide fls. 130/285). O valor total dessas notas fiscais de vendas é de R$ 3.298.621,56 (vide resumo às fls. 129). Depois de emitidas as supracitadas notas fiscais, foram as mesmas canceladas e novas notas fiscais foram emitidas, com número de ordem de 30.507 a 30.546, utilizandose dos formulários de número 031181 a 031347 (vide fls. 287/451). O valor total consignado nessas novas notas fiscais é de R$ 1.672.218,80 (vide resumo às fls. 286). Essas notas fiscais reemitidas foram registradas pelo contribuinte em seus livros contábeis (diário, razão, registro de saídas) e fiscais (livro de apuração do ICMS). Analisando o livro Razão e a documentação de suporte dos lançamentos contábeis, verificamos que os valores decorrentes da venda de estoque foram escriturados no referido livro. De acordo com as informações prestadas pelo contribuinte, o cancelamento e a reemissão das notas fiscais se deu pelo fato de as inicialmente emitidas contemplarem apenas o preço praticado com o mercado em geral, o que não condiz com a realidade econômica da transação celebrada com a BRUNER, já que essa, além de adquirir o estoque, passaria a ser onerada por toda a gama de custos e obrigações decorrentes da assunção da atividade comercial até então exercida pela fiscalizada. Apesar das informações prestadas pelo contribuinte, a emissão de novas notas fiscais com a mesma numeração das anteriormente emitidas, contraria o que determina a legislação sobre documentos fiscais. Os artigos 191 e 200 do Regulamento do ICMS (RICMS/2002) estabelecem: Artigo 191 Os documentos fiscais serão numerados por espécie, em ordem crescente de 1 a 999.999, e enfeixados em blocos uniformes de 20 (vinte), no mínimo, e 50 (cinqüenta), no máximo (Lei 6.374/89, art. 67, § 1º Convênio de 151270 SINIEF, art. 10, com alteração dos Ajustes SINIEF3/94, cláusula primeira, VI, SINIEF4/95, cláusula primeira, lI, e SINIEF9/97. cláusula segunda; Convênio SINIEF6/89, art. 89, "caput''). § 1º Atingido o número 999.999, a numeração deverá ser recomeçada com a mesma designação de série e subsérie. § 2º A emissão dos documentos fiscais será feita pela ordem de numeração. § 3º Os impressos de documentos fiscais serão usados pela ordem seqüencial crescente de numeração, vedada a utilização de blocos ou conjunto de formulários sem que estejam simultaneamente em uso ou já tenham sido utilizados os de numeração inferior. Fl. 927DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 916 6 Artigo 200 – Conservarseão todas as vias no talonário, no formulário contínuo ou nos jogos soltos, quando o documento fiscal (Lei 6.374/89, art. 67, § 1º, Convênio de 151270 – SINIEF, art. 12, e Convênio SINIEF6/89, art. 89, “caput”): I for cancelado, com declaração dos motivos determinantes do cancelamento e referência. se for o caso. ao novo documento emitido; (grifamos) Não consta nas notas fiscais canceladas, a declaração dos motivos que determinaram seu cancelamento. Quanto ao preço inserido nas notas fiscais reemitidas, este não corresponde sequer aos custos das mercadorias transferidas à referida empresa Bruner Eletroportáteis. Em 01/10/2008, o contribuinte foi intimado a esclarecer o motivo do cancelamento das notas fiscais inicialmente emitidas para a venda dos estoques à empresa Bruner Eletroportáteis, e sua reemissão com preços diferenciados. Em resposta, o contribuinte alegou que necessitaria de livros e documentos contábeis e fiscais que teriam sido apreendidos por força de ordem judicial, os quais, segundo o contribuinte, estariam em posse de João Zangrandi Neto, autor da supracitada Ação Anulatória de Negócios Jurídicos, em trâmite na 8ª Vara Cível de São Paulo, sob n° 05.0597086. Em virtude disso, foi enviada intimação por via postal ao Sr. João Zangrandi Neto, tendo sido requisitados os livros e documentos mencionados pelo contribuinte. Respondendo a nossa intimação, o Sr. João Zangrandi Neto informou que não é e nunca foi o depositário de livros e documentos contábeis e fiscais da empresa sob fiscalização. Portanto, durante a presente ação fiscal o contribuinte não logrou esclarecer comprovar o motivo da redução de R$ 1.626.402,76 no preço de venda das mercadorias (R$ 3.298.621,56 R$ 1.672.218,80) à empresa Bruner E1etroportáteis, caracterizandose, portanto, como omissão de receitas, em decorrência da prática de preços diferenciados para faturamento de uma mesma mercadoria. A jurisprudência firmada sobre a matéria também é clara nesse sentido, conforme se verifica na ementa do acórdão n° 101 77.16287, do 1º Conselho de Contribuintes, abaixo transcrito: AC. 10177.16287, 1º C.C. A prática de preços diferenciados para o faturamento de uma mesma mercadoria em datas coincidentes ou próximas autoriza a convicção da existência de subfaturamento e, por conseqüência, de omissão de receita, quando as vendas a preços mais baixos forem feitas em desacordo com as condições de mercado. Fl. 928DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 917 7 Em virtude da omissão de receitas caracterizada pela prática de preços diferenciados relativos a venda de estoques à empresa Bruner Eletroportáteis, conforme acima especificado, o montante de R$ 1.626.402,76 será tributado de ofício, com fundamento no artigo 24 da Lei nº 9.249/95 e artigos 249, inciso II; 251 e parágrafo único; 278; 279; 280; 285 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR/99). Em decorrência da infração apurada, serão lavrados os competentes e necessários autos de infração fiscal, para constituição do crédito tributário devido, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Tendo em vista que o contribuinte havia apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), fica o mesmo intimado a efetuar os ajustes e retificações necessárias em seu livro LALUR e nos controles da base de cálculo negativa da CSLL, conforme demonstrativos integrantes dos autos de infração lavrados.” Dos Autos de Infração, consta o seguinte, em síntese: IRPJ (fls. 786) – Fato Gerador ocorrido em 31/12/2002 – Apuração Anual – Ajuste da Base de Cálculo – Art. 24 da Lei nº 9.249/95; Arts. 249, II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, 285 e 288, do RIR/99. (...) Impugnação A empresa, tendo tomado a ciência da autuação em 28/11/2008, apresentou impugnação (fls. 805/817), em 22/12/2008, por meio de sua procuradora (fls. 841/853) alegando, em sede de preliminar, que ocorreu a decadência pela aplicação do art. 150, § 4º, do CTN (tese dos cinco anos da ocorrência do fato gerador). Quanto ao Mérito, cabe transcrever os argumentos trazidos pela Impugnante: “Apenas por amor ao debate e considerando a ínfima possibilidade de não se acatar a decadência tributária expressamente caracterizada no tópico anterior, passase a justificar a impossibilidade de manutenção do presente auto no tocante à materialidade dos fatos apresentados. Em primeiro lugar cabe ressaltar o que já fora constatado pela própria fiscalização: as empresas POLTI DO BRASIL LTDA e BRUNER ELETROPORTÁTEIS nunca apresentaram qualquer vínculo societário, como se pode verificar por meio das certidões de breve relato juntadas no curso da ação Fl. 929DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 918 8 fiscalizatória, nunca tendo formado qualquer tipo de sociedade de direito e de fato. O único negócio jurídico celebrado pelas partes referiuse à transação realizada no anocalendário de 2002 que envolveu a alienação onerosa de fundo de comércio, inclusive estoques, da primeira para a segunda. Para que se possa analisar a operação apenas pelo ponto de vista da venda dos estoques, o que não é caso como veremos mais à frente, a única forma apta a demonstrar a condição de mercado da transação efetivada pelas partes, seria por meio da apresentação conjunta de livros diários e razão, notas fiscais de entrada (processos de importação) e de saída, livros de apuração de ICMS e IPI e Registro de Inventário, ou seja os documentos que comprovam o custo das mercadorias. Contudo, conforme fora esclarecido no curso da ação fiscalizatória, boa parte desses livros e documentos estão na sede da empresa em ArarasSP, vez que foram apreendidos, por força de ordem judicial. Na ocasião, o Sr. João Zangrandi Neto, residente na Rua Victorio Denardi Filho, nº 429, ArarasSP, assumiu o depósito de todos os bens que foram arrestados, inclusive os documentos fiscais que poderiam respaldar as alegações do contribuinte. Desta forma a documentação atualmente em poder da impugnante não se mostra suficiente à demonstração precisa de que não houve prática de preços diferenciados a ensejar omissão de receitas, e assim rebater em termos documentais a presunção infirmada pela autoridade fiscal por meio do presente auto de infração. Ainda assim, os documentos que se encontram em poder da impugnante foram prontamente apresentados à autoridade fiscal demonstrando sua boafé e o esforço eivado para fornecer as informações disponíveis à fiscalização. Não obstante as considerações anteriores, devese ter em mente que o negócio realizado entre as partes aqui citadas (POLTI e BRUNER), não se tratou de uma simples compra e venda de mercadorias, havendo um contexto negocial muito mais amplo a ser considerado, qual seja a transação envolvendo todo um fundo de comércio. Vejamos: No anocalendário de 2002, os proprietários estrangeiros da POLTI do Brasil Ltda. optaram por encerrar suas operações no Brasil, já que em sua ótica, o braço brasileiro de suas operações era inviável economicamente. Neste desiderato, passou a procurar interessados no país em assumir a estrutura operacional montada no Brasil, inclusive dos estoques ainda não comercializados. Considerando os compromissos financeiros que passariam a ser arcados pelo pretenso interessado nacional, no caso a empresa BRUNER ELETROPORTÁTEIS LTDA., como folha Fl. 930DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 919 9 de salários, aluguel do espaço antes utilizado pela POLTI do Brasil Ltda. em ArarasSP, bem como a obsolescência mercadológica de parte dos itens existentes em seu estoque, obviamente fezse necessário à impugnante fazer certas concessões para que a operação se concretizasse, visando tentar recuperar na medida do possível, parte do investimento efetuado no negócio. O fato é que por um posicionamento desfavorável de mercado o valor econômico da empresa não lhe propiciava condições favoráveis na negociação que se deslindou. Neste aspecto foi muito mais interessante a POLTI do Brasil Ltda. assegurar o recebimento de aluguéis futuros pela cessão de parte seus ativos (galpão) do que estancar o caixa do potencial adquirente quando da venda dos estoques, sob o risco de inviabilizar a operação para quem assumisse o fundo de comércio. Sob essa ótica, fica claro que eventual prejuízo momentâneo incorrido pela vendedora na comercialização de seus estoques, deuse em prol de um bem maior no tocante a seus interesses, qual seja, a perpetuação de uma fonte alternativa representada pelos aluguéis futuros, que propiciariam em sua visão a recuperação de parte dos valores investidos no negócio quando de seu início e fase de maturação, o que não ocorreu. Certamente, caso se faça uma integração de valores, imputando, por método de rateio, a cada item do estoque alienado em favor da BRUNER, o passivo de curto prazo da POLTI do Brasil Ltda. que foi desonerado e repassado ao novo adquirente, como folha de salários e custo de manutenção de infraestrutura operacional, certamente se obterá como valor final por item do estoque um valor denotando que a transação se deu em condições de mercado, sem qualquer tipo de favorecimento, que não seja o fundado nos motivos aqui expostos. Assim, o cancelamento promovido pela intimada da nota fiscal relativa a venda de seu estoque para BRUNER com sua substituição por outro documento fiscal envolvendo menor valor das mercadorias, deuse para condizer com a realidade de mercado da transação celebrada entre as partes, já que conforme esclarecido, a BRUNER, além de adquirir o estoque passou a ser onerada por toda um gama de custos e obrigações decorrentes da assunção da atividade comercial antes desempenhada pela POLTI do Brasil Ltda. Em suma, se caso a operação de venda fosse ofertada a BRUNER pelo valor de mercado dificilmente o negócio seria concluído, devendo tal fato ser levado em consideração pela autoridade julgadora. Fl. 931DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 920 10 Neste contexto, há de se observar ainda que o Fisco não trouxe aos autos do processo administrativo prova suficiente que demonstre o subfaturamento dentro do contexto do negócio, amparado sua suposição apenas em um mero cancelamento de notas fiscais. Quando a fiscalização afirma que “quanto ao preço inserido nas notas fiscais reemitidas, este não corresponde sequer aos custos das mercadorias transferidas à empresa Bruner Eletroportáties”, o agente fiscal sequer aponta por meio de qual critério chegou a referida conclusão. Certamente com os livros e documentos em poder da Impugnante não o foi, haja vista os documentos e registros hábeis a comprovar as aquisições das mercadorias em estoque negociadas sequer encontravamse em seu poder no curso da ação fiscalizatória por conta do arresto já esclarecido. Nesse sentido, já se posicionou a jurisprudência administrativa não ser possível a imputação de exigência tributária com base em mero indício/suposição desprovido do mínimo de fundamentação. Vejamos: "Acórdão 10805454 Câmara: OITAVA CÂMARA Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS IRPJ OMISSÃO DE RECEITA SUBFATURAMENTO: Incabível a exigência com base em omissão de receita pela prática de subfaturamento, quando o Fisco não consegue carrear aos autos provas da ocorrência de tal fato. Pedidos de mercadorias com códigos que sugerem indicações de tal prática, são apenas indícios que não confirmam a prática da irregularidade. " Na mesma linha: "Acórdão 10708427 Câmara: SÉTIMA CÂMARA Matéria: IRPJ E OUTROS Data da Sessão: 26/01/2006 OMISSÃO DE RECEITAS TRIBUTAÇÃO LAN 'AMENTO ANCORADO EM MEROS INDÍCIOS DESCONSIDERAÇÃO DAS ESPECIFICIDADES DA ATIVIDADE DO CONTRIBUINTE. A atividade de lançamento deve ter em mira a obtenção da verdade real, afastadose, sempre que possível, a imputação de crédito tributário ancorado exclusivamente em indícios ou presunções. Fl. 932DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 921 11 Lançamento formalizado sem considerar as especificidades da atividade. Lançamento improcedente." Ora, se o cancelamento e a remissão de notas por conta de mero equívoco do contribuinte no momento da emissão ordinária em cenário no qual todo o procedimento foi regularmente refletido nos livros contábeis e fiscais e o valor financeiro correspondente à operação foi devidamente recebido e registrado for prova de omissão de receita, então toda e qualquer negociação empresarial na qual haja mudança de intenção das partes após a conclusão do negócio passa a ser maculada de vício. É claro que tal dedução é teratológica não se podendo com ela coadunar, principalmente para fins de caracterização do fato gerador da obrigação tributária. 3. DO PEDIDO Demonstrado de forma inequívoca a impropriedade do ato administrativo que exarou o auto de lançamento, requer seja JULGADA PROCEDENTE a presente impugnação, declarando a nulidade do auto de infração por decadência, bem como seja julgado improcedente o lançamento de débito em termos materiais, pois amparado em presunção frágil de omissão de receitas, impugnandose expressamente as exigências de IRPJ, CSL, PIS e COFINS, remetendose o presente processo ao arquivo.” (Todos os grifos são do original) Decisão de Primeira Instância Como mencionado, a DRJ São Paulo/SP considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, estando decaídos somente os lançamentos relativos ao PIS e a COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. PREÇOS REDUZIDOS. Em não tendo sido trazida a comprovação do alegado, prevalece a autuação por omissão de receitas caracterizada pela prática de preços diferenciados relativos a venda de estoques. Lançamento Procedente em Parte Fl. 933DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 922 12 Recurso Voluntário Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 11/09/2009, a Contribuinte apresentou em 07/10/2009 o recurso voluntário de fls. 889 a 901, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 934DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 923 13 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento relativo ao IRPJ e à CSLL, fundamentado em omissão de receitas apurada no mês de agosto de 2002. Quanto a estes dois tributos, a autuação serviu apenas para reduzir o prejuízo fiscal e a base negativa do anocalendário 2002. A mesma omissão de receitas também resultou em lançamento para a constituição de crédito tributário a título de PIS e COFINS, mas a Delegacia de Julgamento já reconheceu a decadência para estas contribuições, com base no art. 173, I, do Código Tributário Nacional CTN. É que as contribuições apuradas para o mês de agosto/2002 poderiam ter sido lançadas no próprio ano de ocorrência do fato gerador, com termo inicial para a contagem da decadência no dia 01/01/2003, segundo as regras do referido artigo do CTN. Como o lançamento foi realizado em 28/11/2008, as referidas contribuições com apuração mensal já estavam fulminas pelo transcurso do prazo decadencial. A conclusão para o IRPJ e a CSLL foi diferente porque os fatos geradores destes tributos são anuais, ou seja, ocorreram em 31/12/2002. Nestes termos, o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” foi 01/01/2004, com termo final para a realização do lançamento em 01/01/2009, e a autuação foi consumada em 28/11/2008. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte insiste no argumento de que a contagem do prazo decadencial deveria seguir a regra do art. 150, § 4º, do CTN, de modo que, segundo o seu entendimento, os lançamentos referentes ao IRPJ e à CSLL também não poderiam ter ocorrido. Mas nesse caso, como já mencionado, a apuração deuse pelo regime anual, com fato gerador ocorrido em 31/12/2002, e, diante da total ausência de pagamento, a contagem da decadência deve mesmo seguir a regra contida no art. 173, I, do CTN, e não a regra do § 4º do art. 150. Isto porque o caput do art. 150 do CTN estabelece requisitos (tipicidade) para a inclusão nesta “modalidade de lançamento”, ou melhor, nesta forma de tributação, de onde surgem os seus respectivos efeitos, dentre eles aquele previsto no § 4º (extinção definitiva do crédito pela homologação tácita). Assim, a extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4º do art. 150 do CTN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juízo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo. Fl. 935DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 924 14 Com efeito, antes de se inserir no parágrafo, a situação deve estar primeiramente abrangida pelo caput do dispositivo legal, segundo um juízo de tipicidade para o caso concreto. Entretanto, no caso sob exame, nem mesmo foi apurada base de cálculo positiva, tanto no ajuste, quanto nos balancetes ao longo do ano, que foram elaborados para suspender o recolhimento das estimativas mensais, conforme indica a DIPJ apresentada pela Contribuinte, às fls. 27 a 86. Portanto, como não houve qualquer pagamento tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, a contagem da decadência deve se dar de acordo com a regra do art. 173, I, do CTN. Este, inclusive, tem sido o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme registrou a DRJ, mencionando o acórdão de 09/10/2007, exarado em Agravo Regimental no Recurso Especial 2007/01055441, com a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. TERMO INICIAL. ART. 173, I, DO CTN. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO FINANCEIRO SEGUINTE À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ART. 150, § 4º, DO CTN. APLICAÇÃO CONJUNTA. IMPOSSIBILIDADE. I Esta Corte adota entendimento de que o prazo para a constituição de crédito de tributo sujeito a lançamento por homologação, na hipótese em que não há pagamento da dívida, é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Precedentes: REsp nº 733.915/SP, Rel. Min. ELIANA CALMON, DJ de 16/08/2007; EREsp nº 413.265/SC, Rel. Min. DENISE ARRUDA, DJ de 30/10/2006; REsp nº 839.418/SC, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ de 28/09/2006 e AgRg no Ag nº 717.345/RS, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 28/09/2006. II Agravo regimental improvido. Deste modo, para os fato geradores ocorridos em 31/12/2002, o prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado pela Fiscalização esgotouse em 01/01/2009. Como o lançamento foi realizado em 28/11/2008, há de se concluir que o direito de lançar não se encontrava extinto pela decadência. Quanto ao mérito, é importante destacar que a omissão de receitas foi apurada no contexto de uma transferência onerosa de fundo de comércio (inclusive estoques) da Fiscalizada para a empresa Bruner Eletroportáteis Ltda. Vale novamente transcrever alguns trechos do Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 781/784): Constatouse que, no mês de agosto de 2002, o contribuinte sob fiscalização transferiu seus estoques de encerramento para a Fl. 936DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 925 15 empresa BRUNER, operação essa realizada nos termos de contratos firmados entre as partes, nos quais as operações comerciais e instalações da fiscalizada foram transferidas para a referida empresa BRUNER (vide documentos juntados ao processo). Para a transferência das mercadorias foram emitidas as respectivas notas fiscais de venda de número de ordem de 30.506 a 30.544, utilizandose dos formulários de número 031200 a 031176 (vide fls. 130/285). O valor total dessas notas fiscais de vendas é de R$ 3.298.621,56 (vide resumo às fls. 129). Depois de emitidas as supracitadas notas fiscais, foram as mesmas canceladas e novas notas fiscais foram emitidas, com número de ordem de 30.507 a 30.546, utilizandose dos formulários de número 031181 a 031347 (vide fls. 287/451). O valor total consignado nessas novas notas fiscais é de R$ 1.672.218,80 (vide resumo às fls. 286). Essas notas fiscais reemitidas foram registradas pelo contribuinte em seus livros contábeis (diário, razão, registro de saídas) e fiscais (livro de apuração do ICMS). Analisando o livro Razão e a documentação de suporte dos lançamentos contábeis, verificamos que os valores decorrentes da venda de estoque foram escriturados no referido livro. De acordo com as informações prestadas pelo contribuinte, o cancelamento e a reemissão das notas fiscais se deu pelo fato de as inicialmente emitidas contemplarem apenas o preço praticado com o mercado em geral, o que não condiz com a realidade econômica da transação celebrada com a BRUNER, já que essa, além de adquirir o estoque, passaria a ser onerada por toda a gama de custos e obrigações decorrentes da assunção da atividade comercial até então exercida pela fiscalizada. Apesar das informações prestadas pelo contribuinte, a emissão de novas notas fiscais com a mesma numeração das anteriormente emitidas, contraria o que determina a legislação sobre documentos fiscais. Os artigos 191 e 200 do Regulamento do ICMS (RICMS/2002) estabelecem: (...) Não consta nas notas fiscais canceladas, a declaração dos motivos que determinaram seu cancelamento. Quanto ao preço inserido nas notas fiscais reemitidas, este não corresponde sequer aos custos das mercadorias transferidas à referida empresa Bruner Eletroportáteis. Em 01/10/2008, o contribuinte foi intimado a esclarecer o motivo do cancelamento das notas fiscais inicialmente emitidas para a venda dos estoques à empresa Bruner Eletroportáteis, e sua reemissão com preços diferenciados. Fl. 937DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 926 16 (...) Portanto, durante a presente ação fiscal o contribuinte não logrou esclarecer comprovar o motivo da redução de R$ 1.626.402,76 no preço de venda das mercadorias (R$ 3.298.621,56 R$ 1.672.218,80) à empresa Bruner E1etroportáteis, caracterizandose, portanto, como omissão de receitas, em decorrência da prática de preços diferenciados para faturamento de uma mesma mercadoria. (...) Compulsando os autos, observase que os fatos que motivaram a autuação estão bastante relacionados com a Ação movida por João Zangrandi Neto, CPF 030.020.268 75, em trâmite na 8ª Vara Cível de São Paulo, sob nº 05.0597086, intitulada “Ação Anulatória dos Atos e Negócios Jurídicos Simulados e Fraudulentos promovidos pela Polti do Brasil em conluio com os CoRéus, cumulada com pedido de Indenização contra todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas nas Fraudes, e pedido de Tutela Antecipada” (fls. 488 a 521). A 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo está inclusive acompanhando o desfecho deste processo administrativo, conforme Ofício encaminhado por aquele Juízo à Derat/SP, à fl. 859. As informações começaram a ser coletadas pela Receita Federal em 12/12/2006, de acordo com o “Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos n° 0001”, à fl. 105. No decorrer dos trabalhos de Fiscalização, em 05/09/2008, o Sr. João Zangrandi Neto foi intimado a apresentar, em relação ao anocalendário de 2002, os seguintes elementos (fl. 467): 1. Documentos comprobatórios dos fatos narrados na Ação Anulatória de Negócios Jurídicos, movida pelo contribuinte contra a empresa POLTI DO BRASIL COMERCIAL LTDA — CNPJ: 74.653.734/000106 e outros, especialmente documentos que comprovem: a. a transferência de estoque da supracitada empresa à BRUNER ELETROPORTÁTEIS LTDA — CNPJ: 05.207.442/000127, por valor inferior ao custo histórico; b. a vinculação entre as empresas POLTI DO BRASIL COMERCIAL LTDA e BRUNER ELETROPORTÁTEIS LTDA, e/ou que caracterizem a prática de interposição de pessoas; c. a inexistência da dívida objeto do Contrato de Confissão de Dívida, firmado entre a POLTI DO BRASIL COMERCIAL LTDA e INTERFINANCE AND PARTICIPATION LTD, pessoa jurídica com sede na Suíça. Na resposta apresentada em 16/09/2008 (fls. 469 a 474), João Zangrandi Neto trouxe informações e documentos que também estão sendo examinados na referida Ação Anulatória de Atos e Negócios Jurídicos Simulados e Fraudulentos. Fl. 938DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 927 17 A petição inicial desta ação judicial (fls. 488 a 521), protocolizada em 06/06/2005, traz muitas informações sobre as circunstâncias em que se deu a operação que motivou o lançamento: JOÃO ZANGRANDI NETO, brasileiro, casado, engenheiro, portador da cédula de identidade RG n° 9.401.828, inscrito no CPF do ME sob o n° 030.020.268/75, residente e domiciliado na cidade de Araras, Estado de São Paulo, na rua Vitório Demardi Filho, n° 429, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fulcro no artigo 2035 do atual Código Civil c/c 105 do Código Civil de 1916, por seus advogados e bastante procuradores infraassinados (Doc. 01), propor a presente AÇÃO ANULATÓRIA DOS ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS SIMULADOS E FRAUDULENTOS PROMOVIDOS PELA POLTI DO BRASIL EM CONLUIO COM OS CORÉUS, CUMULADA COM PEDIDO DE INDENIZAÇÃO CONTRA TODAS AS PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS ENVOLVIDAS NAS FRAUDES, E PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA contra: (...) Dependência por Prevenção 1 1. Esta ação deve ser distribuída por dependência à ação de apuração de haveres (proc. n° 515.7099/00), pois concerne a uma série de fraudes perpetradas pelo liquidante e, à época, sóciogerente da Polti do Brasil, Benedicto C. Benicio Jr., em conluio com os coréus, objetivando frustrar futura execução do crédito reconhecido por sentença, que soma mais de 18 milhões de reais. (...) I. ANTECEDENTES PROCESSUAIS 2. A ação de apuração de haveres, em trâmite perante esse MM. Juízo, foi julgada procedente para condenar a Polti do Brasil ao pagamento correspondente à participação societária do autor (40% do capital social), no valor de R$ 7.056.980,80, que deverá ser corrigido monetariamente desde a data do laudo pericial (março/02) (Doc. 02 A), além dos juros de mora de 0,5% contados da citação, mais a quantia de R$ 20.710,00, referente ao pro labore do mês de maio de 1998, a ser atualizada desde a citação. A condenação abrange ainda multa de 1% sobre o valor atualizado da apuração de haveres, em decorrência da litigância de má fé da Polti do Brasil, mais a indenização ao autor prefixada em 20% sobre o valor corrigido da referida ação, nos termos do artigo 18, caput, § 2° do CPC, mais a verba honorária de 20% dos valores atualizados da ação de indenização, da ação de apuração de haveres e das respectivas ações cautelares. (Doc. 02 B). 2.1. Comprovando documentalmente uma série de atos de dissipação de patrimônio praticados pelos representantes legais Fl. 939DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 928 18 da Polti do Brasil, em conluio com os coréus, o autor propôs ação cautelar de arresto perante esse MM. Juízo, a fim de garantir a efetiva satisfação do aludido crédito.(Doc. 03) 2.2. Constatando “que a Ré vem dilapidando seu patrimônio, o que, por certo, pode dificultar futura execução de sentença”, este MM. Juízo deferiu liminarmente e independentemente de caução o arresto dos bens de propriedade da ré, suscetíveis de penhora, nomeando depositário o autor (Doc. 04 A e B), como já havia decidido o MM. Juiz prolator da sentença na ação de apuração de haveres (Doc. 02 B). A liminar acaba de ser confirmada pelo Tribunal, que manteve o depósito, independente de caução, em mãos do autor. II. DO CONTEXTO FÁTICO A liquidação ilícita da Polti do Brasil: Ponto de partida para todas as fraudes perpetradas em conluio entre a Polti, seus sócios e os demais réus para dissipar o acervo societário. 3. Logo após a apresentação do laudo pericial, em março/2002, que apurou o crédito de mais de 7 milhões de reais em favor do autor, no processo de liquidação parcial da Polti do Brasil (proc. n° 515.709/00), os coréus Franco Polti e Reto Luigi Pianta, representantes legais da Polti Services S.A., sócia majoritária da Polti do Brasil, visando frustrar a execução desse crédito, deliberaram, na ata de reunião extraordinária de 16.4.2002, a liquidação total da sociedade Polti do Brasil (Doc. 05). Notese que essa reunião ocorreu um mês após a apresentação do aludido laudo pericial, e essa deliberação foi ocultada do Juízo e dos registros públicos do comércio, em afronta à lei. Nessa ata foi nomeado para o cargo de liquidante, o sóciogerente da Polti do Brasil, Benedicto Celso Benício Jr., que executou, em conluio com os coréus, os negócios fraudulentos, dilapidando o patrimônio da sociedade e encerrando irregularmente a empresa. 3.1. Esta liquidação não decorreu da inviabilidade econômica e financeira da sociedade, como sugere o teor da ata, mas teve o objetivo de transferir ilicitamente as atividades comerciais e industriais da Polti do Brasil para a Brüner, e subtrair o imóvel fabril do patrimônio da Polti do Brasil, hipotecandoo à off shore Interfinance, tudo com a finalidade de desviar os bens do acervo societário. 3.2. Para tanto, foi engendrado o "desmanche" da Polti do Brasil, efetivado por meio de duas operações fraudulentas: Operação PoltiBrüner e Operação Poltilnterfinance. (...) OPERAÇÃO POLTI BRÜNER PréContrato: O plano estratégico da operação Brüner (Doc. 08). Fl. 940DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 929 19 4. Cientes da impossibilidade de liquidar a empresa pelas vias legais antes de quitar os haveres do autor, o liquidante, Benedicto Benício Jr., em conluio com José Brüner celebrou, em 26.7.2002, o PréContrato com Força Vinculante dos Produtos da Marca Polti no Brasil, que traçou as diretrizes de todo o plano da transferência dissimulada da empresa. 4.1. Este contrato revela que o plano dos fraudadores (Polti e Brüner) era liquidar irregularmente a Polti do Brasil, transferindo toda a empresa (conjunto de bens e atividades) para José Brüner, prometendolhe, em caráter irrevogável e irretratável, para dezembro de 2005, a alienação do imóvel da fábrica, que já tinha sido arrolado na cautelar conexa à ação de apuração de haveres (cláusula 3.2). Tanto a ilicitude do negócio era do conhecimento de todos os envolvidos, que as partes tomaram a cautela de inserir também neste précontrato cláusula expressa, punindo com multa e indenização a parte que revelasse o negócio a terceiro (cláusula 5.7). Por que a exigência de sigilo? Só a ilicitude do negócio a explica. Ora, só com base neste argumento já seria impossível sustentar a boa fé da Brüner e de seu fundador José Brüner. 4.2. Mas não é só. O précontrato foi ardilosamente elaborado, a começar, pelo título, tosco e vago, que pretendeu passar a falsa impressão de que se tratava de um simples contrato de produtos da marca Polti, quando, pelo teor camuflado de suas cláusulas, envolvia muito mais do que isso. Prova disso é o terceiro considerando, que nada mais é do que a descrição do objeto do contrato: imóvel fabril de Araras + estoque de eletrodomésticos e de matéria prima + direito de uso da marca Polti = EMPRESA. Um précontrato destinado a este objetivo só poderia ter uma intenção: operar uma empresa objeto de processo judicial de liquidação parcial por meio de interposta pessoa jurídica (Brüner), que foi constituída com o exclusivo fim de ser testa de ferro da Polti do Brasil. 4.3. A fraude também se evidencia na cláusula 5.5, do pré contrato, que dá à Polti do Brasil o poder de auditar a industrialização (sic) e os registros comerciais e contábeis do comprador para verificar a evolução dos negócios. Ora, se se tratasse de simples venda de estoque, por que “auditar a industrialização”? Do mesmo modo, se se tratasse de venda pura e simples da atividade empresarial, por que a previsão do direito da Polti de acompanhamento dos negócios e da industrialização da Brüner? Simplesmente porque a Brüner é o altar ego da Polti, sua testa de ferro. Tanto é assim, que Heraldo Geres, advogado do Escritório Benício e procurador da sócia majoritária Polti Servicès, acompanhava as operações da Brüner, principalmente o faturamento relativo às revendas do estoque transferido para a comparsa (Doc. 09). Ora, se fosse mera venda de estoques, por que a Brüner transferiria à Polti as duplicatas referentes às revendas? E por que Heraldo Geres, procurador da Polti Services, acompanharia as atividades da Brüner? Fl. 941DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 930 20 4.4. Outra fraude é o irrisório valor de venda do estoque, que não foi "avaliado segundo as condições de mercado", ao contrário do disposto na cláusula 1.9. O custo histórico de todo o estoque da Polti do Brasil era de R$ 3.637.475,15 (Doc. 10) e, no entanto, o estoque todo foi vendido por R$ 1.600.000,001. 4.5. Em cumprimento ao précontrato, as partes celebraram dez dias depois, em 05.8.2002, os seguintes contratos fraudulentos: A farsa do Contrato de Comodato (Doc. 12). 5. Em 05.08.2002, a Polti do Brasil e sua sócia majoritária, Polti Services S.A., celebraram, com o réu José Brüner, Contrato de Comodato, transferindolhe a posse gratuita de todos os bens móveis (veículos, máquinas e equipamentos da fábrica da Polti) que já estavam arrolados na medida cautelar n° 515.736/00, apensa à apuração de haveres, em trâmite perante a 8ª Vara Cível de São Paulo (Doc. 13). Na mesma data, foi criada a sociedade Brüner Eletroportáteis, com sede no imóvel fabril da Polti do Brasil (Doc. 06). (...) 5.3. O comodato celebrado pela sociedade Polti do Brasil é ilegal e inverossímil: 5.3.1. Primeiro, porque foi transferida, gratuitamente e sem autorização judicial, a posse dos bens constritos na medida cautelar de arrolamento (proc. 515.736/00 em trâmite perante esta Vara), o que evidentemente afronta a lei e desafia a autoridade do Poder Judiciário. 5.3.2. Segundo, porque o empréstimo foi feito a um fabricante de jóias, alheio ao mercado de eletrodomésticos, o que enfatiza a inverossimilhança do negócio engendrado. É tão inverossímil que é até ridículo: equivaleria à H. Stern passar a vender panelas Tramontina. 5.3.3. Terceiro, porque o comodato foi celebrado como acessório a um contrato de locação simulado, que, constituiu, na verdade, uma forma de escoar ilicitamente o valioso estoque da empresa e transferir a sua atividade comercial e industrial. (...) O Contrato de Locação entre a Polti do Brasil e a Brüner ocultado do autor e do Juízo da 8ª Vara cível da Capital do Estado de São Paulo e celebrado para encobrir a transferência do negócio empresarial 6. O Contrato de Locação foi celebrado entre a Polti do Brasil e José Brüner, em 08.08.2002, isto é, três dias depois da data da celebração do comodato, tendo por objeto o imóvel fabril da Polti, situado na Comarca de Araras (Doc. 15). (...) Fl. 942DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 931 21 6.2. O contrato de locação prevê o pagamento de um aluguel mensal de R$ 80.000,00, por 40 meses, totalizando R$ 3.200.000,00. É evidente a simulação praticada pelos contratantes, pois o valor de mercado do aluguel do imóvel da Polti em Araras oscila entre R$ 20.000,00 e R$ 25.000,00, conforme avaliação feita por imobiliária daquela cidade. (Doc. 16). 6.3. Se o valor do aluguel simulado era R$ 80.000,00 em 2002, ao final da locação, já teriam sido pagos R$ 3.200.000,00 para a locadora, sem contar os reajustes legais. Considerando que o valor de venda do imóvel foi estimado pela própria Polti do Brasil em R$ 4.253.000,00, na escritura fraudulenta de hipoteca, é fácil concluir que os supostos aluguéis pactuados entre Polti e Brüner não correspondem à remuneração pelo uso do imóvel. 6.4. É evidente que um empresário experiente do ramo de jóias, como José Brüner, jamais alugaria um imóvel cujo aluguel fosse quatro vezes mais caro que o valor de mercado, sabendo que ao final dos 40 meses de locação teria quitado o valor de compra do imóvel, sem adquirilo. A locação é inverossímil, e constitui uma farsa, pois foi, na verdade, uma dissimulação da transferência da empresa (fundo de comércio, estoques e bens móveis) para a suposta locatária, que só concordou com este aluguel exorbitante porque estava de má fé. (...) 6.5.1. A farsa se torna ainda mais evidente quando se verifica o valor irrisório do capital social da Brüner: R$ 100.000,00 (Doc. 06), para explorar o mesmo Objeto social da Polti, cujo capital era de R$ 1.842.000,00, em 1999 (Doc. 47). Pior: foram integralizados apenas R$ 75.000,00, que não eram suficientes nem para o 1° “aluguel”. É fraude ou não é? (...) 6.5.8. Apesar da expertise dos agentes fraudadores, os fatos aqui relatados revelam a verdadeira natureza jurídica do negócio, que era uma liquidação irregular da Polti, com a transferência fraudulenta de todos os elementos da empresa, para uma nova pessoa jurídica, simulada sob a aparência de locação, comodato e venda de todo o estoque. Instrumento Particular de Promessa de SubLicenciamento de Marcas que sugere a existência de negociações escusas com a controladora do grupo Polti (Polti Spa Itália) (Doc. 17) (...) Contrato de Prestação de Serviços de Manutenção e Assistência Técnica celebrado entre Polti do Brasil e Brüner, que sugere que o preço da cessão do good will da Polti está embutido no aluguel de R$ 80.000,00 mensais (Doc. 18) (...) Fl. 943DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 932 22 Da fraude perpetrada por meio do Contrato de Compra e Venda de Produtos Polti (venda num só mês de 84% do estoque existente em 05/08/02)(Doc. 20) 9. Na mesma data da celebração do Comodato, a Polti do Brasil vendeu para José Brüner, seu estoque de matéria prima e de produtos acabados (eletrodomésticos), por R$ 1.600.000,00, que seriam pagos em 12 parcelas, com vencimento entre 11/2002 a 10/2003, em conta corrente a ser indicada pelo vendedor. Estipulouse, como garantia, que as duplicadas decorrentes das revendas que viessem a ser feitas pela Brüner para terceiros ficariam em caução em favor da Polti, que poderia descontálas ou recebêlas diretamente dos devedores (item 2.4, § único), comprovando que a Brüner funcionou como testadeferro para alienar os estoques da Polti, que continuava a receber por fora o dinheiro da venda do estoque. (...) 9.6. Além disso, o preço pactuado de R$ 1.600.000,00 foi irrisório, comparado com o custo histórico do estoque da Polti do'Brasil, que era de R$ 3.637.475,15 (Doc. 10), e que foi revendido por Brüner, a partir de setembro de 2002, por R$ 10.651.357,78. Esta prova foi feita pela própria Brüner na cautelar de arresto, e confirma que o estoque da Polti foi fraudulentamente transferido para Brüner, por valor simbólico (Doc. 11). 9.7. Com base nesse contrato, a Polti emitiu para a Brüner as notas fiscais fatura de n°s 30.506 a 30.554, no período de 30.8.2002 a 25.9.2002, utilizando os formulários contínuos de n°s 31.020 a 31.176, no valor total de R$ 3.275.103,98, com IPI e ICMS destacados no valor de R$ 218.354,57 e R$ 417.954,84 (Doc. 49 A). O PIS/COFINS (3,5% do faturamento) não foi destacado na nota fiscal e representava R$ 114.628,63, na data do fato gerador. 9.7.1. Decorridos 25 dias de sua emissão, as notas fiscais nºs 30.506 a 30.544 foram canceladas, porque os requeridos constataram que os impostos apurados na operação ilícita eram muito elevados e, em substituição, emitiram novas notas fiscais, com a mesma numeração, em novos formulários contínuos de nos 31.181 a 31.344 (Doc. 49 B), com data retroativa a 31.08.2002, reduzindo, de forma ilegal, em aproximadamente 50%, o valor dos tributos devidos. 9.7.2. Ora, tal conduta, que constitui forte indicio de sonegação fiscal, revela que Polti e Brüner agiram em conluio, pois a substituição das notas fiscais anteriormente emitidas, por outras notas fiscais com valores 50% menores obviamente prejudicaria a Brüner, que, em razão do princípio da não cumulatividade que orienta a apuração do IPI e do ICMS, passaria a se creditar de valores menores na apuração desses impostos. Portanto, a substituição ilegal das notas fiscais por outras de menor valor só foi possível porque Polti e Brüner estavam conluiadas entre Fl. 944DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 933 23 si. Como agiam em conjunto, o prejuízo de uma seria compensado pela vantagem da outra. Compromisso de Compra e Venda de Produtos da Marca Polti em regime de Entreposto Aduaneiro, celebrado em 05/08/2002, que camufla uma cessão de direitos gratuita (Doc. 22). (...) OPERAÇÃO POLTI — INTERFINANCE A farsa da Escritura de Confissão de Divida com Garantia Hipotecária sobre o imóvel fabril da Polti do Brasil (Doc. 23) (...) A fraude perpetrada por meio do Contrato de Cessão de Direitos e Outras Avenças celebrado, em 01.04.2003, entre a Polti do Brasil e lnterfinance and Participation Ltda. (Lugano, Suíça), com anuência de José Brüner, Brüner Eletroportáteis Ltda. e Polti Services S.A. (Doc. 27). 12. Se os contratos retro analisados demonstram que a Polti do Brasil celebrou diversos negócios simulados e fraudulentos, este Contrato de Cessão de Direitos e Outras Avenças amarra toda a trama engendrada pelas partes neles envolvidas, sempre com o mesmo objetivo: desviar todos os recursos da Polti do Brasil, frustrando o cumprimento da obrigação de pagar os haveres do autor. (...) A Cessão de Crédito fraudulenta celebrada entre a Polti Spa (Italiana) e a Interfinance and Participation Ltda. (Doc. 28). (...) As alterações fraudulentas do contrato social da Polti do Brasil (...) Conclusão da Análise dos Negócios Fraudulentos 15. A Polti do Brasil tornouse credora de José Brüner, por força dos diversos contratos fraudulentos aqui analisados, e cedeu à Interfinance todos os direitos creditórios que teria perante José Brüner. O objetivo foi permitir remessas para o exterior, sem abater os respectivos valores da dívida formalmente contabilizada da Polti do Brasil por importações da Polti Spa (Itália). Assim, a Polti Spa (Itália), por intermédio de sua testa de ferro Interfinance continuaria com o crédito contra a Polti do Brasil, o que serviria para justificar a confissão de dívida e a eventual execução da hipoteca. Toda a engenharia contratual engendrada pelo sóciogerenteliquidante Benício Jr., em conluio com os demais réus, foi feita para atingir o objetivo de liquidar ilicitamente a empresa, deixando em aberto a dívida com a Polti Spa (correspondente ao crédito cedido para a Fl. 945DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 934 24 Interfinance). Em suma, com as fraudes perpetradas, assegurou se que o dinheiro da venda dos estoques seria desviado para a Suíça, enquanto a dívida da Polti do Brasil por importações da Polti Spa (Itália) permanecia intacta, de forma a permitir a futura execução da hipoteca fraudulenta, dissipando o acervo societário da Polti do Brasil, e tornandoa insolvente. III. DO DIREITO O crédito do autor 16. A caracterização da fraude exige a anterioridade do crédito em relação ao negócio jurídico fraudulento que se pretende desconstituir. No caso em foco, o crédito do autor é anterior aos contratos fraudulentos aqui analisados, pois foi apurado no laudo pericial de março/2002, em ação proposta em 1998 (Doc. 02 A). (...) A simulação fraudulenta 17. Tanto a Operação PoltiBrüner quanto a Operação Polti Interfinance foram maliciosamente simuladas, e acabaram por prejudicar o direito do autor ao crédito correspondente aos seus haveres sociais. Simulação na Operação PoltiBrüner (...) 18.3. A análise da Operação PoltiBrüner revela que a simulação por eles engendrada apresenta duas faces: 18.3.1. De um lado, a Brüner funcionou como interposta pessoa (testa de ferro) para a realização da venda dos estoques da Polti e desvio dos recursos provenientes dessas vendas para a sócia majoritária Polti Services, com sede em Lugano, no mesmo endereço do Escritório Benício, na Suíça, e da outra coré, Interfinance, também conluiada com o liquidante da Polti. Como a Polti Sérvices e a Interfinance são empresas de fachada, como se demonstrou no item 11.4. retro, o produto da venda foi evidentemente repassado para a Polti Spa (Itália), que é a única empresa verdadeira (com patrimônio e atividade) do Grupo Polti no exterior, e que controla todo este grupo. Esta operação permitiu que o produto da venda dos estoques não ingressasse no caixa da Polti, o que teria sido impossível, se a própria Polti tivesse vendido seus estoques. 18.3.2. O valor irrisório da transferência dos estoques para a Polti também revela o conluio existente entre esta e a Brüner, pois comprova que a Brüner não os comprou efetivamente, mas os revendeu por conta e ordem da Polti. Além disso, a substituição fraudulenta de notas fiscais por outras pela metade do valor corrobora a tese do conluio entre as partes, pois, se assim não fosse, os representantes da Brüner jamais teriam concordado com a redução do valor das notas, o que lhes Fl. 946DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 935 25 acarretaria pagamento de imposto maior sobre a mesma mercadoria, como explicado no item 9.6. a 9.6.2 retro. Portanto, o conluio entre os tratantes é evidente, e esse tipo de vício é tomado pela doutrina como um dos paradigmas da simulação que se realiza por meio de testas de ferro. 18.3.3. A outra face da simulação é a transferência fraudulenta de todo o negócio empresarial da Polti do Brasil, que, na verdade, não foi exatamente uma alienação, mas uma parceria espúria, que permitia a fiscalização e o acompanhamento da atividade industrial pela suposta comodantelocadoracedente. Se se tratasse de transferência pura e simples da atividade empresarial, por que a previsão do direito da Polti de acompanhamento dos negócios e da industrialização da Brüner? A resposta é lógica: a Polti do Brasil não se limitou a usar a testa de ferro Brüner para vender seus estoques, desviando o produto da venda direto para o Grupo Polti no exterior, e desfalcando maliciosamente o patrimônio da subsidiária brasileira, utilizouse também do testa de ferro, para continuar operando a empresa por meio de interposta pessoa, como forma de perpetuar a fraude, aumentando o desfalque do patrimônio da Polti do Brasil. 18.4. O conluio entre os participantes da Operação PoltiBrüner também se verifica na extrema promiscuidade entre o patrimônio e a administração das duas empresas. Da leitura dos folhetos da Polti se depreende que eles foram reaproveitados pela Brüner, que colou uma etiqueta por cima do nome da Polti com o nome Brüner (Doc. 29 A a C). Ora, isso não é ser econômico, é ser laranja, e nem ter o escrúpulo de disfarçar! As notas fiscais da Brüner trazem o email da Polti do Brasil (Doc. 30), e as cartas endereçadas à testa de ferro a chamam de Polti/Brüner! (Doc. 31). A promiscuidade administrativa e patrimonial entre as empresas era tal, que José Brüner, nomeado depositário dos bens da Polti do Brasil no curso da apuração de haveres, deu a Cherokee blindada da empresa para Benício usar! (Doc. 32), e o seguro contratado pela Brüner era pago pela Polti do Brasil, por ordem de Benício (Doc. 33). Nem marido e mulher seriam tão solidários nessa mútua assistência! (...) Simulação na Operação Poltilnterfinance 19. A Operação PoltiInterfinance também representou uma simulação maliciosa, pois serviu para criar uma dívida inexistente, como forma de onerar o maior bem imóvel da Polti, para depois subtraílo do acervo societário. (...) 20. Configurados todos os requisitos da simulação bilateral fraudulenta tanto na Operação PoltiBrüner como na Operação PoltiInterfinance, impõese, data vênia, a anulação de todos os negócios jurídicos fraudulentos celebrados entre os coréus, desconsiderandose a personalidade das pessoas jurídicas Fl. 947DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 936 26 utilizadas como escudo para a prática de atos ilícitos, de forma a permitir que o pedido de indenização também se volte contra as pessoas físicas envolvidas. Da necessidade da desconsideração da personalidade jurídica da Polti do Brasil Comercial Ltda. e das demais pessoas jurídicas participantes dos negócios fraudulentos. (...) Da responsabilidade do mandatário pela prática de ato ilícito (...) O direito do credor de exigir a recomposição do patrimônio da devedora ou de ser indenizado diretamente pelos fraudadores 24. Tendo sido o patrimônio da Polti esvaziado por meio dessas operações fraudulentas, deve o autor, para satisfação de seu crédito, exigir dos fraudadores a recomposição do patrimônio dissipado, pois este é a garantia de pagamento de seus haveres. Tal direito se funda na concepção dualista da obrigação: débito (schuld) + responsabilidade (haftung), sendo que esta corresponde ao patrimônio do devedor. 24.1. A recomposição corresponderá à restituição do valor correspondente ao produto da venda dos estoques, desviado do caixa da Polti do Brasil, equivalente ao valor do faturamento da Brüner, de setembro de 2002 a julho de 2004, no montante de R$ 10.651.357,78. Tendo a Brüner operado como testa de ferro da Polti do Brasil, como se demonstrou, o valor por ela auferido neste período obviamente pertence a Polti do Brasil, e a ela deve ser restituído. Necessidade da concessão de Tutela Antecipada (...) a) Suspensão dos efeitos dos atos e negócios jurídicos simulados fraudulentos ora impugnados (...) b) Presença dos requisitos legais para a antecipação parcial da tutela definitiva (...) Em 22/10/2005, foi proferida a decisão judicial sobre o pedido de tutela antecipada, nos seguintes termos (fls. 747 a 754): Poder Judiciário São Paulo 8ª Vara Cível do Fórum Central, Comarca da Capital Processo nº 000.05.0597086 Fl. 948DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 937 27 (...) Em síntese, os contratos e avenças celebrados pela Polti do Brasil Comercial Ltda. com as empresas Bruner Eletroportáteis Ltda. e Interfinance and Participation Ltd., pactos que tiveram a efetiva e decisiva participação das demais pessoas físicas e jurídicas, figurantes do vértice passivo da relação jurídico processual, entre os quais se destacam os demandados (...) que foram juntamente com o dono do Grupo Polti (...) os mentores e articuladores desse esquema, prima facie, fraudulento e ilícito. Seja do ponto de vista civil, seja sob a ótica penal, estes contratos terminaram por ensejar a alienação e oneração de praticamente todo o acervo patrimonial da Polti do Brasil Comercial Ltda., levando a sociedade – o vetor probatório aponta nessa direção registrese – na hipótese de subsistirem os efeitos da deliberação de sua liquidação e dos contratos firmados pelas partes contendoras, a um estado iminente e deliberado de insolvente, o que, se se consolidar, importará inevitavelmente na frustração e obstacularização da efetividade do provimento e comando jurisdicional ínsito na respeitável sentença cuja xerocópia está jungida a fls. 99/120, que erigiu o Suplicante João Zangrandi Neto em credor da empresa em comento, sendo imperioso reiterar que os negócios jurídicos sobreditos foram todos eles celebrados quando já pendente as demandas especificadas no primeiro parágrafo deste decisório, (...) É o quanto basta, por ora, para o albergamento do pleito antecipatório. Ex positis, hei por bem em com escápula no art. 273 da Lei de Rito, antecipar parcialmente os efeitos da tutela jurisdicional perseguida peso Suplicante com o ajuizamento desta ação, para o fim de: 1) com fulcro no art. 214 , § 3º, da Lei de Registros Públicos, determinar, ex ofício, o bloqueio da matriculo do imóvel fabril (...); 2) suspender, até o julgamento definitivo desta ação, todos os efeitos dos negócios jurídicos celebrados pelos Requeridos e que são objeto deste processo e dos contratos elencados no item 31.1 da exordial (...); 3) suspender, até ordem em contrário do EstadoJuiz, as deliberações feitas na Reunião Extraordinária de Cotistas da Polti do Brasil Comercial Ltda., realizada em 16 de abril de 2002 (cf. fls. 153/154), notadamente aquela no rumo de que se procederia, a partir daquela data, a liquidação desta sociedade; 4) suspender os efeitos de eventuais renovações de contrato e recontratações envolvendo o acervo societário da Polti do Brasil Comercial Ltda.; e 5) suspender os efeitos dos atos eventualmente praticados em nome da Polti do Brasil Comercial Ltda. pelas suas sócias Fl. 949DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 938 28 atuais, as empresas Polti Services S/A e Ginoflor Investimentos Inc. por seus representantes ou pessoas por eles nomeadas. Sem prejuízo das deliberações supra, delibero, com espeque no artigo 40 do Código de Processo Penal que o Cartório diligencie no sentido de encaminhar ao Grupo de Atuação e Repressão ao Crime Organizado GAECO do Ministério Público do Estado de São Paulo xerocópias das principais peças desses autos, posto que se extrai das mesmas indiciariamente, a perpetração, pelos Requeridos, em tese, de ilícitos penais, tais como, sonegação fiscal, evasão de divisas, lavagem de dinheiro etc., havendo expressivos indícios da configuração e existência de organização criminosa nacional e internacional para a sua execução. (...) Toda essa longa transcrição serviu para apresentar o contexto em que está inserida a operação de venda do estoque da Polti para a Bruner, que ensejou a autuação da Polti por omissão de receitas. Os fatos relatados acima apontam para a realização de uma série de atos simulados e fraudulentos, com o objetivo de frustar o pagamento de dívida já reconhecida anteriormente pelo Poder Judiciário. Na linha defendida pelo Sr. João Zangrandi Neto, autor da “Ação Anulatória de Atos e Negócios Jurídicos Simulados e Fraudulentos”, a Bruner não teria nem mesmo comprado efetivamente os estoques da Polti. Aquela empresa teria figurado como interposta pessoa (“testa de ferro”), vendendo as mercadorias por conta e ordem da própria Polti. De acordo ainda com os fatos narrados na referida ação judicial, não teria havido uma alienação de estoques, mas sim uma parceria espúria, permitindo que a Polti fiscalizasse e acompanhasse a atividade industrial da outra empresa, numa promiscuidade entre o patrimônio e a administração das mesmas. Coerente com essa linha de argumentos, e diante de todos os demais fatos narrados na referida ação judicial, o autor da ação pleiteia em juízo a recomposição do patrimônio da Polti, correspondente aos valores desviados do caixa da empresa, equivalente ao valor do faturamento da Bruner de setembro de 2002 a julho de 2004, no montante de R$ 10.651.357,78, uma vez que, segundo ele, a Brüner operou como testa de ferro da Polti, e que, portanto, os valores por ela auferidos neste período pertenceriam à Polti do Brasil, devendo ser a ela restituídos. Com relação especificamente à operação de venda do estoque, que é o objeto do presente auto de infração, há duas possibilidades: ou esta operação efetivamente não ocorreu, e a Bruner estaria vendendo as mercadorias por conta e ordem da própria Polti; ou, afastada a fraude, pelo menos em relação à venda dos estoques da Polti para a Bruner, haveria sim o auferimento de receitas decorrente desta operação, que deveriam ser dimensionadas para fins de apuração de omissão de receitas. A Fiscalização, embora tenha intimado o Sr. João Zangrandi Neto para apresentar documentos comprobatórios dos fatos narrados na Ação Anulatória de Negócios Jurídicos, especialmente em relação “à vinculação entre as empresas Polti do Brasil Comercial Fl. 950DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 939 29 Ltda. e Bruner Eletroportáteis Ltda., e/ou que caracterizem a prática de interposição de pessoas”, não deixou claro qual foi a sua conclusão sobre os elementos apresentados como resposta àquela intimação. Considerando a primeira hipótese aventada, ou seja, admitindo como verdadeiros os fatos narrados na referida ação judicial, onde houve inclusive antecipação parcial de tutela, entendo que haveria uma contradição no auto de infração, porque o lançamento deveria levar em conta as reais operações de vendas, que teriam ocorrido em momento posterior, com utilização de interposta pessoa, no caso, a empresa Bruner. Entretanto, como o lançamento se fundamentou exclusivamente na operação de agosto de 2002, tal fato indica que a Fiscalização enxergou aí uma efetiva venda dos estoques da Polti para a Bruner, cujos créditos tributários foram constituídos com a multa normal de 75%, e não com a multa qualificada de 150%, que é a prevista para os casos de fraude, simulação, interposição de pessoas, etc. De imediato, registro uma dificuldade em admitir que poderia haver fraude em relação às outras operações e contratos, mas não com relação à venda dos estoques, já que esta última tem papel fundamental no denunciado esquema fraudulento utilizado pela empresa Polti do Brasil. Com efeito, é mais razoável pensar na existência do esquema fraudulento em seu conjunto, ou então na ausência dele. E se naquela primeira hipótese o lançamento se revelaria contraditório (pelos termos em que foi realizado), quanto à segunda possibilidade, entendo que os fundamentos para o lançamento por omissão de receitas se mostram insuficientes. Isto porque no contexto de liquidação de uma sociedade, com venda total dos estoques remanescentes, conforme indica o “Contrato de Compra e Venda de Produtos da Marca Polti no Brasil” (fls. 636 a 643), é perfeitamente aceitável que a negociação seja feita em termos globais, em detrimento dos valores individuais dos bens negociados, que embasam as vendas em uma situação normal de mercado. Realmente, uma operação que envolve a transferência de vários itens patrimoniais (com assunção de vários direitos e obrigações), abrangendo inclusive o fundo de comércio, caso restasse confirmada a sua efetiva ocorrência, traria certamente uma série de outras questões pertinentes para a negociação entre as empresas, que afetariam o preço individual dos bens do estoque transferidos (produtos e matérias primas). Nesse caso, não seria aplicável a referida jurisprudência administrativa sobre a prática de preços diferenciados, pelo menos do modo como fez a Fiscalização, tomando como referência os valores contidos nas notas fiscais que foram inicialmente emitidas e depois canceladas. Na prática de preços diferenciados, o subfaturamento é apurado, em primeiro lugar, a partir de comparação com operações efetivamente realizadas. Em segundo lugar, com operações realizadas não apenas em datas coincidentes ou próximas, mas num contexto semelhante de negociação, o que não está caracterizado nos autos. Fl. 951DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 940 30 Não temos, no caso, dois procedimentos de liquidação da mesma empresa, para que pudéssemos comparar os preços praticados em cada um destes procedimentos. Temos apenas a referência de notas fiscais que foram inicialmente emitidas e depois canceladas, sob o argumento de que houve uma renegociação nos valores totais da transação. A meu ver, outras informações precisavam ter sido trazidas pela Fiscalização para embasar a conclusão de que houve omissão de receitas, pelo menos na forma em que essa infração foi abordada. Nesse sentido, registro que não há dados detalhados sobre os pagamentos pela aquisição do estoque, de modo a indicar que os valores pagos foram diferentes daqueles previstos no “Contrato de Compra e Venda de Produtos da Marca Polti no Brasil” (fls. 636 a 643), ou dos indicados nas notas fiscais emitidas após o cancelamento das outras notas. Também não há qualquer informação sobre pagamento de preço realizado de forma indireta. Ao contrário disso, a informação que consta no Termo de Verificação e Constatação Fiscal é que as notas fiscais reemitidas foram registradas pelo contribuinte em seus livros contábeis (diário, razão, registro de saídas) e fiscais (livro de apuração do ICMS), e que, pela análise do livro Razão e da documentação de suporte dos lançamentos contábeis, a Fiscalização verificou que os valores decorrentes da venda de estoque foram escriturados no referido livro. Não há, portanto, elementos que indiquem que a operação de venda de estoques, se é que ele realmente ocorreu, tenha sido realizada por valores superiores aos constantes das notas fiscais reemitidas. O fato de não constar o motivo do cancelamento em cada uma das notas fiscais também não se apresenta como elemento indicador de cancelamento fictício, a partir do qual poderíamos caracterizar a ocorrência de omissão de receita. O registro individual do motivo do cancelamento na própria nota fiscal realmente é exigido na legislação do ICMS, mas essa regra faz todo o sentido para os cancelamentos eventuais, por exemplo, aqueles decorrentes de erro de digitação na emissão da nota. Aqui o cancelamento abrangeu todo o conjunto das notas fiscais emitidas para a transferência do estoque, com a substituição integral delas para ajuste do valor global da transação, e não é razoável exigir que cada nota fiscal trouxesse um motivo específico para o seu cancelamento. Portanto, diante do contexto dos fatos, não vejo como caracterizar a infração apontada no auto de infração com base no descumprimento dos deveres formais exigidos pela legislação do ICMS. Realmente, não vejo elementos para manter o lançamento de IRPJ e CSLL com base na omissão de receitas, principalmente pela forma em que esta omissão foi apurada. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência, mas, no mérito, dou provimento ao recurso. Fl. 952DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.007414/200853 Acórdão n.º 180200.927 S1TE02 Fl. 941 31 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 953DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10314.726890/2014-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
GLOSA DE DESPESAS. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. CANCELAMENTO.
Tendo os valores que compõem a exigência fiscal, sido incluídos na base de cálculo de outro lançamento dos mesmos tributos e períodos de apuração, correto o cancelamento da autuação.
Numero da decisão: 1302-002.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques de Souza Lins, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. CANCELAMENTO. Tendo os valores que compõem a exigência fiscal, sido incluídos na base de cálculo de outro lançamento dos mesmos tributos e períodos de apuração, correto o cancelamento da autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques de Souza Lins, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 68 90 /2 01 4- 15 Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 10314.726890/201415 Acórdão n.º 1302002.315 S1C3T2 Fl. 1.747 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto em face do Acórdão nº 1282.520 da 15ª Turma da DRJRio de JaneiroI, proferido em 20 de junho de 2016, que considerou procedente a impugnação do contribuinte em face de lançamento de IRPJ e CSLL do ano calendário 2009, nos termos espelhados na seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009 MATÉRIA TRIBUTADA EM DUPLICIDADE. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Verificandose que a autuação versa sobre matéria já tributada em outro feito, reputase insubsistente o lançamento. O acórdão recorrido transcreveu as irregularidades constatadas pela fiscalização, verbis: As irregularidades apuradas pela Fiscalização encontramse detalhadas no TERMO DE CONSTATAÇÃO nº 02, de fls. 1303/1329. Segue abaixo transcrito o tópico que trata da infração objeto do presente processo: “II – DO RESULTADO DA FISCALIZAÇÃO: Conforme já demonstrei no Relatório Fiscal n° 01, de 04/11/2013 (Processo AdministrativoFiscal n° 19515.722584/201329): a) Pela natureza das operações entre a CBPO e a BELGRÁVIA, que em 2009 apresentava o saldo de R$ 184.320.160,85, ficou caracterizado, sem sombra de dúvidas, que se trata de um MÚTUO FINANCEIRO. (...) b) Verifiquei a existência de "Contrato de Conta Corrente e Gestão Única de Caixa", datado de 02/01/1999, entre a CBPO e a BELGRÁVIA e outras sociedades da Organização Odebrecht. (...) As CONTAS CORRENTES DE COLIGADAS — CAIXA ÚNICO, abaixo relacionadas, apresentaram movimentação financeira, recebendo e efetuando depósitos em contas correntes bancárias de coligadas, e cobrança de remuneração, de conformidade com o "Contrato de Conta Corrente e Gestão Única de Caixa", datado de 02/01/1999, citado na letra "b" do item anterior: CÓDIGOS DA CONTA COLIGADA SALDO EM 31/12/2009 – R$ 1.2.1.10 – CRÉDITOS DIVERSOS – CAIXA ÚNICO – 0101005 – CBPO ENGENHARIA BELGRÁVIA EMPR. IMOBILIÁRIOS LTDA 184.320,160,85 1.2.1.10 – CRÉDITOS DIVERSOS – CAIXA ÚNICO – 0101005 – CBPO ENGENHARIA CENTAURUS TÁXI AÉREO LTDA E CNO 482.840.053,00 Subtotal 667.160.213,85 1.2.1.10.1191.121102 – CAIXA ÚNICO – 0101005 CBPO ENGENHARIA DIVERSAS 353.641.383,40 Total 1.020.801.597,25 Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 10314.726890/201415 Acórdão n.º 1302002.315 S1C3T2 Fl. 1.748 3 Essas CONTAS CORRENTES CAIXA ÚNICO, são, verdadeiramente, MÚTUOS ENTRE EMPRESAS LIGADAS. Para confirmar essas minhas assertivas, transcrevo abaixo algumas cláusulas do "Contrato de Conta Corrente e Gestão Única de Caixa", de 02/01/1999: CLÁUSULA PRIMEIRA As Correntistas abrem, neste ato, contas correntes recíprocas, nas quais as Correntistas concordam em colocar suas disponibilidades diárias de recursos financeiros em Caixa Único (o "Caixa Único"), as quais serão utilizadas para extinção de obrigações das Correntistas, como forma de pagamento simplificado, evitandose os deslocamentos de fundos, despesas e riscos. Parágrafo Único Entendese por "disponibilidades diárias de recursos" todo e qualquer bem ou direito passível de transferência, inclusive pecúnia e créditos de qualquer natureza. CLÁUSULA QUINTA Sobre o saldo mensal do Caixa Único, representativo de obrigações e direitos recíprocos, deverão ser observados os critérios dispostos nesta Cláusula, com relação à incidência de juros. Parágrafo Primeiro Sobre as transações entre Correntistas residentes poderão incidir juros equivalentes a TJLP, conforme divulgado pela Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, desde que previamente avençado pelas Correntistas. Parágrafo Segundo Sobre as transações realizadas entre Correntistas residentes e não residentes ("Correntistas Overseas"), deverá ser observado o disposto no artigo 22, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, referente aos juros admitidos pela legislação tributária (taxa LIBOR acrescido de 3%). CLÁUSULA SEXTA As Correntistas repartirão: (i) as despesas administrativas decorrentes da operacionalização do Caixa Único; e (ii) quaisquer outras despesas relacionadas ao presente Contrato. Parágrafo Único – Ficará a cargo das Correntistas optar pela repartição dos eventuais custos financeiros gerados por captação de recursos que houverem sido realizadas no mercado e que forem destinados ao Caixa Único, na proporção do quanto cada Correntista absorva no mercado. Como o contribuinte, nessa época, apresentava um Passivo de Empréstimos e Financiamentos Bancários, gerando despesas financeiras, o total ou parte dessas despesas seriam evitadas se não tivesse emprestado esses recursos a coligadas. Conforme demonstro no ANEXO 01, o contribuinte apropriou o total de Despesas Financeiras em 2009 foi de ordem de R$ 146.361.416,59. Tendo em vista que possuía valores a receber de coligadas por empréstimo em conta corrente, entende esta fiscalização que a falta de recebimento desses créditos obrigou o contribuinte a contrair os empréstimos e financiamentos geradores das Despesas Financeiras daquele ano. Como o contribuinte já foi objeto de Autuação por este mesmo motivo em 04/11/2013, conforme Relatório Fiscal n° 01 e respectivo Termo de Constatação n° 01, daquela data, objeto do Processo AdministrativoFiscal n° 19515.722584/201329: Total da Despesa Financeira em 2009 ................................................................................... R$ 146.361.416,59 (–) Parcela considerada indedutível em 04/11/2013, referente à BELGRÁVIA ............ R$ (120.533.548,92) Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 10314.726890/201415 Acórdão n.º 1302002.315 S1C3T2 Fl. 1.749 4 (=) Diferença a Lançar referente demais coligadas ............................................................ R$ 25.827.867,57 Os artigos 299 e 300 do RIR/1999, 47 da Lei n° 4.506/64 e o Parecer Normativo CST n° 32/81, estabelecem que, as despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações exigidas pela atividade da empresa e que são necessários, os gastos não computados nos custos, mas igualmente necessários às transações da empresa e que, além disso, sejam usuais e normas à atividade desenvolvida, ou à manutenção de sua fonte produtiva, e ainda estejam intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços, conforme determina o artigo 13 da Lei n° 9.249/95. (...) III – DAS CONCLUSÕES Com base no acima exposto, cheguei às seguintes conclusões: 6. DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSÁRIAS Apurei que, no período de janeiro a dezembro de 2009, que o contribuinte dedu ziu indevidamente do Lucro Real, o total de R$ 25.827.867,67, referente às DESPE SAS FINANCEIRAS DESNECESSÁRIAS, conforme demonstro no ANEXO 01: MÊS/ANO DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSÁRIAS Outubro/2009 R$ 196.263,07 Novembro/2009 R$ 353.165,79 Dezembro/2009 R$ 25.278.438,81 TOTAL 2009 R$ 25.827.867,67 Assim, irei constituir os créditos tributários de IRPJ e CSLL devidos sobre essas despesas indedutíveis, com base nos seguintes dispositivos legais: Fundamentação legal: Artigos 299 e 300 do RIR/99; Artigo 47 da Lei nº 4.506/64; Artigo 13 da Lei nº 9.249/95; Parecer Normativo CST nº 32/81, entre outros. (...)” Em decorrência das irregularidades acima descritas, foram lavrados contra a Interessada os AUTOS DE INFRAÇÃO de fls. 1335/1341, para exigência do crédito tributário abaixo discriminado: [...] 001 – DESPESAS DESNECESSÁRIAS Despesas não necessárias apuradas conforme item 6 do Termo de Constatação nº 02. Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 31/10/2009 196.263,07 75,00% 30/11/2009 353.165,79 75,00% 31/12/2009 25.278.438,91 75,00% Cientificada da autuação a interessada apresentou, impugnação alegando, entre outras razões, que a despesa glosada no feito em questão já estaria sendo tributada no processo administrativo nº 19515.722584/201329. Diante das alegações da impugnante, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – DRJ/CTA baixou o processo em diligência, a fim de que a autoridade lançadora se manifestasse. Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 10314.726890/201415 Acórdão n.º 1302002.315 S1C3T2 Fl. 1.750 5 Em atendimento ao solicitado, o AuditorFiscal autuante prestou as informações devidas, concluindo o seguinte (fl. 1621): Concordo plenamente com a afirmação da impugnante de que estaria configurado o “bis in idem”, posto que o valor objeto da presente autuação, R$ 25.827.867,67, já teria sido objeto de lançamento no PAF 19515722.584/201329. De fato, o valor de R$ 25.827.867,67 já está incluído no total de R$ 146.361.416,59, que foi base de cálculo de IRPJ e CSLL naquele processo: Total da Despesa Financeira em 2009 ................................................... R$ 146.361.416,59 (–) Parcela referente à BELGRÁVIA ...................................................... R$ (120.533.548,92) (=) Diferença que deveria ser lançada, ref. às demais coligadas ....... R$ 25.827.867,57 Tendo em vista a conexão verificada entre o presente processo e o de nº 19515.722584/201329, o feito foi redistribuído para a 15ª Turma da DRJRJOI. Diante da manifestação da autoridade lançadora, a 15ª Turma da DRJRJOI cancelou o lançamento e o presidente da turma interpôs o recurso de ofício, na forma legal. É o relatório. Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 10314.726890/201415 Acórdão n.º 1302002.315 S1C3T2 Fl. 1.751 6 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Recurso de Ofício Em face da exoneração parcial do crédito pelo acórdão recorrido foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo. O recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02;2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). A exoneração parcial do crédito decorreu do reconhecimento pela própria autoridade lançadora da exigência realizada em duplicidade mediante formalização em dois processos distintos, conforme se extrai da decisão recorrida, verbis: A impugnação é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dela resolvo conhecer. Conforme admitiu expressamente o AuditorFiscal autuante, a importância de R$ 25.827.867,67 tributada no presente feito já foi objeto de lançamento no processo administrativo nº 19515.722584/201329. Diante do reconhecimento categórico da tributação de valores em duplicidade, dou provimento à impugnação para julgar improcedente o lançamento objeto do presente processo. É como voto. Diante do reconhecimento por parte da própria autoridade fiscal lançadora de que a exigência já foram incluída em outro processo administrativo fiscal (19515.722584/2013 29) , julgado por esta turma nesta mesma assentada, impunhase o cancelamento da exigência, conforme bem decidiu o colegiado julgador de primeira instância. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 10314.726890/201415 Acórdão n.º 1302002.315 S1C3T2 Fl. 1.752 7 Fl. 1752DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003336/2008-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, na forma do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, na forma do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O processo tem origem em Pedido de Ressarcimento ou Restituição Declaração de Compensação PER/DComp apresentado pela recorrente (fls 1), em que indicava como crédito passível de compensação o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF de cooperativas referente ao mês de outubro de 2003 e totalizando R$ 80.775,79. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 03 33 6/ 20 08 -7 8 Fl. 6936DF CARF MF Processo nº 11020.003336/200878 Resolução nº 2201000.283 S2C2T1 Fl. 6.937 2 A Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul solicitou uma demanda ao Serviço Federal de Processamento de Dados Serpro, que resultou na listagem "Apuração mensal de IRRF declarados nas DIRFs das fontes pagadoras em que conste como beneficiário o CNPJ 87.827.689/000100, individualizado por cód. de retenção, no anocalendário de 2003" (fls 58). Com base nisso, elaborou o resumo que se encontra na fl 92, totalizando por mês e por código os valores declarados pelas fontes pagadoras. Para o mês de outubro foi identificado o valor de R$ 31.247,78 para o código 1708 e R$ 32.962,78 para o código 3280. Com base nisso, foi exarado o Despacho Decisório nº 460, da DRF/CXL (fls 93), homologando a compensação no limite do somatório desses valores R$ 64.210,56. Cientificado dessa decisão (fl 124), o contribuinte apresentou sua impugnação (fls 125) que resultou, inicialmente, na conversão do julgamento em diligência, determinada pela 5ª Turma da DRJ/POA, através do Despacho nº 8 (fls 210), para que a Delegacia de origem intimasse a reclamante a apresentar os comprovantes de retenção emitidos em seu nome pelas fontes pagadoras dos rendimentos e, a partir deles, elaborasse relatório circunstanciado acerca do montante de crédito comprovado. A partir dos documentos fornecidos pela interessada a fiscalização elaborou o demonstrativo de fl 232, reconhecendo como comprovados para o mês de outubro de 2003 os seguintes valores: R$ 21.098,49 no código 3280 e R$ 16.501,74 no código 1708. Em relação ao resultado da diligência, a empresa se manifestou argumentando que ela não havia atingido seu fim, já que teria se limitado aos valores já obtidos através das DIRFs, deixando de fora as demais retenções que foram informadas pela empresa (fls 238). A 5ª Turma da DRJ/POA exarou o Acórdão 1026.348, de 15 de julho de 2010 (fls 240), julgando improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que caberia à empresa comprovar o IRRF para que pudesse utilizálo. A ciência dessa decisão ocorreu em 06/08/2010 (fl 248) e o recurso voluntário foi apresentado tempestivamente em 01/09/2010 (fls 249). Em suas razões de recorrer, alega que as faturas apresentadas à fiscalização são suficientes para comprovar seu direito ao crédito e protesta pela realização de nova perícia. Chegando a este Conselho, a 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária desta Seção entendeu por bem converter novamente o julgamento em diligência (Resolução 2102000.075, de 10 de julho de 2012 fls 262), para que: (...) a autoridade fiscal apure o IRRF a partir das faturas emitidas pelo recorrente, inclusive, se for o caso, compulsando a contabilização do fiscalizado e intimando as fontes pagadoras, superando a mera análise a partir dos comprovantes de rendimentos ou das DIRfs". Em resposta a essa solicitação, foi elaborada a informação de fls 6257, datada de 15 de julho de 2013, na qual se alega deficiência nas informações prestadas pela empresa interessada e são apresentadas as seguintes conclusões: Fl. 6937DF CARF MF Processo nº 11020.003336/200878 Resolução nº 2201000.283 S2C2T1 Fl. 6.938 3 · Em análise das faturas, por amostragem, percebese que a competência a que se referem não são compatíveis com a data de emissão e/ou vencimento. Por ex: a data de emissão da fatura é anterior à data da competência. · O contribuinte utilizase do IRRF, muitas vezes, em competência posterior à apurada e, por isso, torna impossível fazer o batimento das informações do contribuinte(faturas) com o período de apuração informado no PER/DCOMP. Por ex: de acordo com a contabilidade, foi lançado na conta”IRRF a compensar Lei 8541/92”, no dia 01/03/2003 o valor de R$ 70.705,75. Se o lançamento foi efetuado no 1º dia do mês, por óbvio referese a fatos geradores do mês anterior (fevereiro). Entretanto, no PER/DCOMP nº 10667.19317.140803.1.3.057920 o contribuinte informa que essa retenção referese ao mês de abril. E assim, sucessivamente para todos os meses. O demonstrativo dos lançamentos efetuados nesta conta contábil entregue pelo próprio contribuinte e o razão da conta contábil, extraída do Contágil, comprovam o erro descrito. Além disso, fica fácil perceber este “deslocamento” do período de apuração na planilha entregue pelo contribuinte, na qual os valores declarados em DIRF estão “deslocados” em um mês em relação ao valor que o contribuinte entende correto naquele mês. · A conclusão do item anterior é corroborada pelo fato de que o total das divergências apontadas pelo contribuinte nas duas planilhas entregues corresponde exatamente ao valor deferido pela DRF para cada mês analisado, com base na DIRF. Ou seja, as fontes pagadoras declararam em DIRF num mês e o contribuinte considerou a retenção no mês seguinte. Após a elaboração dessa informação fiscal, em 26 de agosto de 2013, a empresa interessada peticiona (fls 6260) apresentando a documentação complementar, que inclui a planilha de fls 6268, na qual lista por CNPJ retenções relativas ao mês de outubro de 2003, e a documentação que comprovaria essa retenção. Pelo despacho de fl 6927 o processo foi encaminhado a este CARF sem qualquer manifestação da Autoridade Fiscal quanto aos documentos que foram juntados pela interessada. De volta a este Conselho, o processo foi distribuído a esta Conselheira em sessão pública. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Conforme foi ressaltado no relatório, a informação fiscal de fls 6257 mostrouse inconclusiva sob alegação de dificuldade na apuração das informações. Fl. 6938DF CARF MF Processo nº 11020.003336/200878 Resolução nº 2201000.283 S2C2T1 Fl. 6.939 4 Após essa manifestação, houve a juntada de novos documentos que não foram analisados pela fiscalização. Em análise a essa documentação, selecionei por amostragem os seguintes itens: ITEM CONTRATANTE CNPJ IRRF 12 25970 00.808.377/000171 1.134,1 85 1181 88.626.080/000136 1.014.04 133 50140 90.608.712/000180 1.141,01 Comparando esses itens com a Dcomp apresentada, vêse que correspondem às informações 23, 242 e 408, ou seja, integram o montante sobre o qual foi solicitada a compensação. Por outro lado, confrontandoos com as planilhas "Apuração mensal de IRRF declarados nas DIRFs das fontes pagadoras em que conste como beneficiário o CNPJ 87.827.689/000100, individualizado por cód. de retenção, no anocalendário de 2003" (fls 58), não consegui identificar uma correspondência para nenhum desses itens. Em uma análise sumária, podese concluir que nenhuma dessas retenções foi considerada nos créditos homologados pela DRF. Com esses elementos, verificase haver alguma verossimilhança nas alegações da contribuinte, contudo, tendo em vista o volume de informações e o fato de que a Autoridade Fiscal não analisou os documentos juntados pela recorrente a partir da fl 6260, entendo prudente converter novamente o julgamento em diligência para que haja essa manifestação e seja por fim dado cumprimento ao que foi determinado pela Resolução 2102000.075, de 10 de julho de 2012, no seguinte sentido: Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal apure o IRRF a partir das faturas emitidas pelo recorrente, inclusive, se for o caso, compulsando a contabilização do fiscalizado e intimando as fontes pagadoras, superando a mera análise a partir dos comprovantes de rendimentos ou das DIRFs. A autoridade que presidir a diligência acima deve produzir relatório circunstanciado de suas conclusões, dando ciência ao contribuinte, para, querendo, ofertar razões adicionais, no prazo de 20 dias. Superado tal prazo, com ou sem as razões adicionais do recorrente, devolver os autos a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 6939DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16404.000627/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 17/12/1997
COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA.
Passados mais de cinco anos do trânsito em julgado, está prescrito o pedido de ressarcimento formulado, na forma do inciso II do artigo 168 do CTN.
Numero da decisão: 3201-001.168
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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I -', '- .MXNISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO l Processo n° Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Recorrente Recorrida 16404.000627/2008-13 0000000 Voluntário 3201-001.168 - r Câmara / P Turma Ordinária 29 de novembro de 2012 Compensação UNISUL PROJETOS E CONSTRUÇÕES LTDA. Fazenda Nacional Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 17/12/1997 COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Passados mais de cinco anos do trânsito em julgado, está prescrito o pedido de ressarcimento formulado, na forma do inciso II do artigo 168 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2a Câmara / la Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOSA R~o~rt:::ADAO -Pres;dente. f\ 1\0 Á/CL ~1vDq~. ~, M.~RC::ELO RlBEIRO NOGUEIRA - Rela'tQrl Pmticiparam da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Daniel Mariz Gudifío e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata-se de processo referente à não homologação de Per/Dcomp em que a contribuinte utilizou-se de crédito oriundo da ação judicial de n° 96.0007470-4 para compensar diversos débitos de PIS. O crédito da contribuinte tem como fundamento pagamentos indevidos da contribuição para o PIS, recolhidos desde a edição dos Decretos-Leis 2.445/88 e 2.449/88, em razão de ter o STF declarado a inconstitucionalidade destes dispositivos legais. Invocando os créditos oriundos da dita ação judicial como supedâneo para a compensação de débitos de PIS, A CONTRIBUINTE TRANSMITIU AS SEGUINTES Per/Dcomp: PERlDCOMP DT TRANSMISSÃO 25375.72418.101103.1.3.57-7090 10/11/2003 29070.92481.091203.1.3.57-9920 09/12/2003 01092.48703.130104.1.3.57-9648 13/01/2004 03407.19370.130204.1.3.57-9527 13/02/2004 31435.26205.100304.1.3.57-7007 10/03/2004 04210.54772.140404.1.3.57-3896 14/04/2004 18336.73068.120504.1.3.57-3365 12/05/2004 18144.43256.080604.1.3.57-0855 08/06/2004 13144.06231.080704.1.3.57-4910 08/07/2004 18238.70752;120804.1.3.57-0068 12/08/2004 A DRF em Ponta Grossa, ao analisar as declarações de compensação, por meio de Despacho Decisório n° 860/2008 (fls. 88/89), destacou que a sentença da referida Ação Judicial julgou procedente o direito da autora, autorizando-a a compensar os valores pagos de PIS com base nos indigitados Decretos-lei com débitos vincendos do próprio PIS. Afirma ainda que o TRF da 4° Região, em sede de remessa ex-officio, confirmou o entendimento perfilhado pelo juízo a quo. Houve, após, recurso especial interposto pela União, o qual não foi admitido. Desse modo, a dita ação judicial transitou emjulgado em 17/12/1997. Entretanto, a autoridade administrativa de origem não homologou as compensações pleiteadas, uma vez que as & 2 Processo nO 16404.000627/2008-13 Acórdão n.o 3201-001.168 DCOMP foram transmitidas pela contribuinte tendo decorrido mais de cinco anos da data do trânsito emjulgado da ação. Inconformada com a decisão proferida, da qual foi cientificada em 25/09/2008 (fl. 116), a interessada interpôs, em 24/10/2008, Manifestação de Inconformidade (fls. 119/121), argumentando, em síntese, o seguinte: Alega que a decisão proferida equivoca-se a respeito da ocorrência de prescrição, haja vista que o próprio Decreto 20.910/32, em seu artigo 4~ prevê a "interrupção da prescrição ". Afirma que, após o trânsito em julgado da ação judicial, "a DRF, em 15/07/1998, intimou a contribuinte a apresentar informações, cujo objetivo era possibilitar os cálculos visando a conferência da compensação autorizada judicialmente ". Informa, também, que a DRF emitiu, em 27/01/1999, o parecer de n° 002/99 (fls. 128/129), no qual enquadra a atividade da interessada (construção de imóveis) na de "venda de mercadorias ", fazendo incidir o cálculo do PIS sobre o faturamento e não sob a forma de pagamento do PIS Repique, como queria a contribuinte. Inconformada com esta decisão, a recorrente aduz que interpôs pedido de reconsideração ao Delegado de Ponta Grossa, em 20/10/1999, solicitando que a referida contribuição fosse calculada sob a forma de PIS-Repique. Tal relato, argumenta a contribuinte, serve "para demonstrar que não houve inércia da contribuinte para fazer uso do direito conquistado no Poder Judiciário ", de modo que a contagem simplificada do prazo prescricional, conforme consta do despacho decisório, não pode prosperar. Alega ainda que o Decreto 20.910, de 1932, "certamente não contempla as situações e termos praticados no Século 21. Daí a necessidade de adequação da interpretação da norma em questão, estando claro que os procedimentos ocorridos desde o trânsito em julgado da decisão judicial se enquadram na exceção do art. 4~ para fins de suspensão da contagem do prazo prescricional ". À vista do exposto, requer que seja reconhecida a compensação efetivada com respaldo na decisão judicial definitiva. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 17/12/1997 COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. O direito de pleitear a restituição/compensação de valores pagos a maior que o devido, extingue-se com o decurso do <GV' S3-C2T1 F1.2 3 prazo de cinco anos contados do trânsito em julgado da decisãojudicial, que ocorreu em 17/12/1997. Manifestação de Incoriformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. o contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. o presente recurso trata, conforme já relatado, de crédito em favor do contribuinte, ora recorrente, relativo ação judicial que transitou em julgado em 10/12/1997, conforme certidão do Tribunal Regional da 4a Região (fl.84), tendo o pedido de restituição mais antigo sido protocolado na repartição fazendária em 10 de novembro de 2003. Assim, passados mais de cinco anos do trânsito em julgado, está prescrito o pedido de ressarcimento formulado, na forma do inciso II do artigo 168 do CTN, verbis: Art. 168 - O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Assim, VOTO por conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento. ~ \\ 1\ ~ .Gv I ~ .MlM,f:i\l' . MARCELO RIBEI O NOGUEIRA - relat~ 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001589/2003-41
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
INTEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO
CONHECIMENTO DAS RAZÕES DE DEFESA NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Somente a manifestação de inconformidade tempestiva instaura o
contencioso administrativo fiscal. Não podem ser conhecidas, no Recurso Voluntário, as razões de defesa apresentadas em manifestação de inconformidade intempestivamente apresentada.
Numero da decisão: 1801-000.368
Decisão: ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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NÃO CONHECIMENTO DAS RAZÕES DE DEFESA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. Somente a manifestação de inconformidade tempestiva instaura o contencioso administrativo fiscal. Não podem ser conhecidas, no Recurso Voluntário, as razões de defesa apresentadas em manifestação de inconformidade intempestivamente apresentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 18/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Editado em 09/11/2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra a decisão da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Campinas/SP que, por unanimidade de votos, não conheceu das razões apresentadas pela recorrente na manifestação de inconformidade em face do indeferimento de sua reinclusão na sistemática simplificada, da qual teria sido excluída pelo Ato Declaratório de Exclusão do Simples no. 136.291/1999. O Acórdão encontra-se assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1999 ATO DE EXCLUSÃO. INTEMPESTIVIDADE. Não impugnado tempestivamente o ato de exclusão do Simples, torna-se incabível o pedido de revisão, por se tratar de matéria já preclusa na esfera administrativa. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida a comunicação da exclusão do Simples quando entregue, pelos Correios, no domicilio eleito pelo contribuinte. Impugnação não Conhecida. Por bem resumir os fatos adoto o relatório da DRJ em Campinas/SP: Trata o processo de pedido de inclusão retroativa no Simples, formalizado em 22/05/2003, com efeitos retroativos a 01/01/1997, solicitando o contribuinte a aplicação do disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16 de 2002 (fl. 01). A Delegacia da Receita Federal em São Bernardo do Campo, indeferiu a solicitação do contribuinte, fundamentando que ele não se enquadra nas hipóteses de retificação de ofício Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16 de 2002. Isso porque se constatou que ele fora optante da sistemática até 01/03/1999, quando foi excluído em razão de débitos junto ao INSS e/ou PGFN, Ato Declaratório n° 136.291, do que teve ciência em 22/01/1999 (fls. 10/14). Cientificado do indeferimento de seu pleito em 31/07/2003 (fl. 16), e reintimado a apresentar declarações e efetuar recolhimento em decorrência desse Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 18/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 13819.001589/2003-41 Acórdão n.º 1801-00.368 S1-TE01 Fl. 112 3 indeferimento, em 04/12/2003 (fls. 17/19), o contribuinte apresentou manifestação em 24/09/2004 (fls. 31/77), alegando, em síntese e fundamentalmente, que: • Não fora cientificado da exclusão, pois havia mudado de endereço, conforme comprova a documentação que anexa, não sabendo quem recebeu o comunicado da exclusão, pois que a assinatura é ilegível e não consta outra identificação. Prova do seu não conhecimento é que continuou recolhendo seus tributos na sistemática simplificada; • Quanto à exclusão, consta que foi solicitada pela Procuradoria do INSS e da Fazenda Nacional a titulo muito vago de "pendências" ou "múltiplos eventos". Em diligências que efetuou nesses órgãos, obteve resposta de que as pendências que existem não motivariam sua exclusão do Simples; • A Receita Federal o excluiu em 01/03/1999, mas está lhe cobrando parcelas do Simples até 10/12/1999; além disso, está sendo cobrado por débitos de Simples que já constam na Dívida Ativa da União. A DRF de origem oficiou o INSS questionando acerca da existência de débito que tivesse motivado a exclusão do contribuinte (fl. 81). Aquele órgão informou sucintamente em consulta ao sistema DIVIDA, verificamos que a maioria dos débitos constituídos desta empresa encontram-se na situação "CRÉDITO LIQUIDADO POR PARCELAMENTO", com exceção da CDF 55.646391-8, que se encontra como "PARCELAMENTO RESCINDIDO" (fl. 83). Considerando que o contribuinte suscitou preliminar de tempestividade, aquela DRF encaminhou o presente processo à analise desta DRJ (11s.84/85). A DRJ em Campinas/SP limitou-se a analisar a tempestividade da manifestação de inconformidade, consignando, nesse sentido, que a empresa teria sido regularmente intimada, em 31/07/2003, do indeferimento do pedido de reinclusão no Simples, tendo apresentado seu inconformismo apenas em 24/09/2004, o que motivou o não conhecimento das razões de defesa. Cientificada, em 04/10/2007, do resultado do julgamento, como comprova o Aviso de Recebimento de fl. 89, apresentou, a contribuinte, em 19/10/2007, Recurso Voluntário em face deste Colegiado, alegando que não teria sido regularmente cientificada de sua exclusão da sistemática simplificada, razão pela qual teria ingressado com pedido de reinclusão retroativa, indeferido em 31/07/2003. Aduz que a decisão da autoridade “a quo” não teria levado em consideração os documentos acostados aos autos que comprovariam que o endereço no qual foi entregue o ato de exclusão do simples não mais pertencia à sede da empresa, desde 30/06/1998, o que macularia de vício insanável todo o procedimento. No mérito defende que o ADE de exclusão da empresa do Simples foi vagamente justificado por haver “pendências” de existência de débitos e, ainda, “múltiplos eventos”, eivando-o, pois, de nulidade. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 18/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Observo, por relevante, que o presente litígio se circunscreve ao julgamento da tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte em face do indeferimento do pedido de reinclusão no Simples. As questões de mérito apresentadas no Recurso Voluntário, contra o Ato Declaratório de Exclusão, não podem ser conhecidas por este Colegiado, sob pena de supressão de instância de julgamento, pois, não foram conhecidas pela autoridade julgadora “a quo”. Nesse contexto verifica-se que a recorrente foi cientificada, em 04/12/2003, do indeferimento do pedido de inclusão retroativa no Simples, formalizado em 22/05/2003 (fls. 17/19), somente apresentando manifestação de inconformidade em 24/09/2004 (fls. 31/77). Não tem amparo as alegações da contribuinte, no sentido de que a autoridade “a quo” não teria levado em consideração os documentos acostados aos autos que comprovariam que o endereço no qual foi entregue o ato de exclusão do simples não mais pertenceria à sede da empresa, desde 30/06/1998, o que macularia de vício insanável todo o procedimento. A recorrente foi regularmente intimada no endereço fornecido à RFB. Qualquer atualização junto aos cadastros mantidos pela RFB, deveria ter sido providenciada tempestivamente, o que não foi observado pela defesa, razão pela qual considero intempestiva a manifestação de inconformidade de fls. 31/77, apresentada em 24/09/2004. Por tais razões deixo de tomar conhecimento das demais argüições de defesa em relação ao mérito do ato de indeferimento do pedido de inclusão retroativa no Simples. Observo todavia, que fica a critério da DRF de origem rever, de ofício, o ato que excluiu a empresa da sistemática simplificada, em razão da existência da Súmula CARF no. 22. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 9 de novembro de 2010. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 18/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 13819.001589/2003-41 Acórdão n.º 1801-00.368 S1-TE01 Fl. 113 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 18/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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