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Numero do processo: 10909.720009/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONFISSÃO DE EXTINÇÃO DO LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO.
Tendo a contribuinte admitido a extinção do litígio, ao afirmar que apresentou equivocadamente o pedido de compensação, não há que se conhecer o recurso voluntário apresentado.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3401-002.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. CONFISSÃO DE EXTINÇÃO DO LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Tendo a contribuinte admitido a extinção do litígio, ao afirmar que apresentou equivocadamente o pedido de compensação, não há que se conhecer o recurso voluntário apresentado. Recurso Voluntário Não Conhecido
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CONFISSÃO DE EXTINÇÃO DO LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Tendo a contribuinte admitido a extinção do litígio, ao afirmar que apresentou equivocadamente o pedido de compensação, não há que se conhecer o recurso voluntário apresentado. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 00 09 /2 00 9- 15 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Cofins não cumulativo no valor de R$ 21.757,98, relativo ao 2º Trimestre de 2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Itajaí – DRF/Itajaí indeferiu a solicitação em razão de que a contribuinte, intimada, deixou de apresentar o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON), para todo o anocalendário 2005, bem como não apresentou qualquer cálculo para demonstrar a formação dos valores da base de cálculo do crédito da contribuição e os valores utilizados para o cálculo da contribuição devida no respectivo ano. Cientificada da decisão, a contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que não possui débitos da contribuição nãocumulativa no anocalendário 2005. Afirma que, atendendo à intimação, apresentou o respectivo DACON, no qual demonstra os valores da base de cálculo do crédito da contribuição bem como os valores da contribuição devida para o anocalendário 2005. Em 22.12.2011, a 4ª Turma da DRJ/FNS julgou o pleito da contribuinte improcedente, pois como no procedimento de ressarcimento de crédito se faz necessário que a apuração deste esteja perfeitamente demonstrada no DACON, cabe a sua apresentação em tempo hábil a fim de se assegurar que a análise do seu pleito seja realizada de fato sobre o direito creditório que acredita possuir. Resta à contribuinte formular novo pedido de ressarcimento em relação ao crédito agora contemplado no DACON apresentado, juntando as provas necessárias, para oportuna análise pela autoridade competente. A contribuinte foi cientificada da decisão, em 16.2.2012 e, em 15.3.2012, protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário, alegando que os créditos de PIS e Cofins já foram pagos no processo de importação. O erro foi solicitar o pedido de ressarcimento sem necessidade. Por fim, a contribuinte requer o cancelamento dos débitos declarados indevidamente no PER/DCOMP, uma vez que já foram compensados na prória DACON. É o relatório. Voto Fernando Marques Cleto Duarte – Relator. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10909.720009/200915 Acórdão n.º 3401002.297 S3C4T1 Fl. 158 3 Preliminarmente, cabe esclarecer que, conquanto o presente recurso não preencha todos os requisitos formais, admitoo em prestígio à essência sobre a forma e pela tempestividade de sua apresentação. Em curto resumo, o presente processo originouse por meio de Pedido de Ressarcimento – PER/DCOMP, relativo à contribuição ao Cofins, apurada no regime da não cumulatividade. Após a apresentação do pedido, a DRF/Itajaí, mediante Despacho Decisório, indeferiu a solicitação em razão de que a contribuinte, intimada, deixou de apresentar o DACON, para todo o anocalendário 2005, bem como não apresentou qualquer cálculo para demonstrar a formação dos valores da base de cálculo da contribuição e os valores utilizados para o cálculo da contribuição devida no respectivo ano. Em face disto, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e também o DACON, que não fora apresentado anteriormente. A DRJ de Florianópolis, em Sessão de 22.12.2011, entendeu por não analisar o crédito demonstrado no DACON entregue após a ciência do indeferimento do pedido do contribuinte, portanto, negou provimento à Manifestação. Posteriormente, a contribuinte protocolou Recurso Voluntário, no qual alegou que os créditos de PIS e Cofins foram pagos no processo de importação, arrecadados antecipadamente para a Receita Federal. Além disso, destaca que o Pedido de Compensação formulado por ela foi um erro. Cabe ressaltar que, quanto ao cancelamento dos débitos solicitado pela contribuinte, não é possível tratar dessa matéria por ela não fazer parte do presente processo, cujo objeto é o exame de seu Pedido de Ressarcimento Frente ao exposto, não conheço do recurso, tendo em vista, como exposto, a contribuinte ter admitido a extinção do litígio, ao afirmar ter apresentado equivocadamente o pedido de compensação. Fernando Marques Cleto Duarte – Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720712/2011-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Ementa:
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
GANHO DE CAPITAL. GASTOS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSESSORIA FINANCEIRA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os gastos com prestação de serviço de assessoria financeira não compõem o custo de aquisição para fins de cálculo do ganho de capital.
IRPF. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. AVALIAÇÃO DE AÇÕES. CUSTO ZERO.
Em respeito ao princípio da verdade material, discordando a fiscalização da documentação apresentada pelo contribuinte ou em não sendo possível para este apresentar qualquer documento que comprove o custo de aquisição, impõe-se a realização de outros procedimentos investigatórios com o fito de se apurar o ganho de capital. Inadmissível a atribuição de custo zero a bens cujo custo de aquisição é possível mensurar.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO.
A isenção prevista no artigo 4º do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2201-002.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito: I - quanto à omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso nesta parte; II - quanto ao ganho de capital, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para considerar como custo de aquisição em 31/12/2003 o valor de R$ 5.131.497,46, vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), que também admitiram a dedução a título de assessoria e acolheram a isenção relativamente às ações detidas em 1983, a Conselheira Nathalia Mesquita Ceia, que também admitiu a dedução a título de assessoria, e o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado), que também acolheu a isenção relativamente às ações detidas em 1983; III - quanto à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), que deram provimento ao recurso nesta parte. Fez sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Ana Paula Lui, OAB/SP 157.658.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 10/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Moisés de Sousa Carvalho Pereira.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. GANHO DE CAPITAL. GASTOS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSESSORIA FINANCEIRA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com prestação de serviço de assessoria financeira não compõem o custo de aquisição para fins de cálculo do ganho de capital. IRPF. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. AVALIAÇÃO DE AÇÕES. CUSTO ZERO. Em respeito ao princípio da verdade material, discordando a fiscalização da documentação apresentada pelo contribuinte ou em não sendo possível para este apresentar qualquer documento que comprove o custo de aquisição, impõe-se a realização de outros procedimentos investigatórios com o fito de se apurar o ganho de capital. Inadmissível a atribuição de custo zero a bens cujo custo de aquisição é possível mensurar. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2203; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720712/201138 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.342 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2014 Matéria IRPF Recorrente FRANCISCO JAIME NOGUEIRA PINHEIRO FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. GANHO DE CAPITAL. GASTOS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSESSORIA FINANCEIRA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com prestação de serviço de assessoria financeira não compõem o custo de aquisição para fins de cálculo do ganho de capital. IRPF. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. AVALIAÇÃO DE AÇÕES. CUSTO ZERO. Em respeito ao princípio da verdade material, discordando a fiscalização da documentação apresentada pelo contribuinte ou em não sendo possível para este apresentar qualquer documento que comprove o custo de aquisição, impõese a realização de outros procedimentos investigatórios com o fito de se apurar o ganho de capital. Inadmissível a atribuição de custo zero a bens cujo custo de aquisição é possível mensurar. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 07 12 /2 01 1- 38 Fl. 628DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito: I quanto à omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso nesta parte; II quanto ao ganho de capital, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para considerar como custo de aquisição em 31/12/2003 o valor de R$ 5.131.497,46, vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), que também admitiram a dedução a título de assessoria e acolheram a isenção relativamente às ações detidas em 1983, a Conselheira Nathalia Mesquita Ceia, que também admitiu a dedução a título de assessoria, e o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado), que também acolheu a isenção relativamente às ações detidas em 1983; III quanto à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), que deram provimento ao recurso nesta parte. Fez sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Ana Paula Lui, OAB/SP 157.658. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 10/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Moisés de Sousa Carvalho Pereira. Relatório Fl. 629DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.720712/201138 Acórdão n.º 2201002.342 S2C2T1 Fl. 3 3 Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 337/342, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 20.367.236,99, calculado até 30/06/2011. A fiscalização apurou: Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Jurídicas e Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Ações/Quotas Não Negociadas em Bolsa. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 1. em 23 de janeiro de 2007 foi celebrado o instrumento particular de compra e venda, prevendo a alienação da totalidade das ações representativas do capital social do Banco BMC S/A ao Banco Bradesco; 2. como as ações representativas do capital social pertenciam a vários acionistas em diferentes proporções, entre os quais, o impugnante, Maria Roseli Pinheiro e Jaime Pinheiro Participações S/A, esta última, na condição de acionista majoritária do Banco e, em face da relevância das participações societárias a serem alienadas e da complexidade da operação, houve por bem contratar a Goldman Sachs Representações Ltda e o escritório de advocacia Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga para prestarlhes, respectivamente, serviços de assessoria financeira e jurídica na condução da operação; (...) 5. ao contrário do equivocadamente concluído pela Fiscalização, os custos relacionados aos serviços prestados em benefício da Jaime Pinheiro Participações S/A para a concretização da operação principal (venda das ações o Banco ao Banco Bradesco) devem ser por esta integralmente suportados, sob pena de se atribuir, indevidamente, ao Impugnante ou aos demais sócios do Banco, à época, um ônus econômico relacionado a benefícios (serviços) que não lhes foram prestados diretamente; (...) 7. ainda que prevaleça o entendimento de que as supracitadas despesas teriam sido suportadas em favor do Impugnante, o que se alega a título argumentativo, o auto de infração também não merece prosperar, tendo em vista que em momento algum a Fiscalização cumpriu com o seu dever legal de provar as suas alegações, no sentido de que as despesas supostamente suportadas pela Jaime Pinheiro Participações S/A apresentam natureza de rendimentos decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício prestados pelo Impugnante em favor da referida sociedade; 8. para que haja a lavratura do auto de infração, a autoridade fiscalizadora deve ter a certeza, por meio das provas admitidas Fl. 630DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 em direito, que o contribuinte tenha cometido alguma infração à legislação tributária, não podendo prevalecer, para fins tributários, a caracterização do fato jurídicotributário, mediante a utilização de provas indiretas, que nada mais são do que meros indícios, como ocorreu no presente caso; (...) 10. o suposto pagamento de rendimentos decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício ao Impugnante não encontra qualquer indício na contabilidade da Jaime Pinheiro Participações S/A ou em qualquer outro documento; (...) 12. pela simples análise do Balancete da Jaime Pinheiro Participações S/A, referente ao exercício do ano de 2007, verificase que, à época, a sociedade possuía lucros acumulados passíveis de distribuição aos acionistas, em montante superior às despesas ora debatidas, ou seja, eventuais transferências da sociedade ao Impugnante, enquanto seu acionista controlador, poderiam perfeitamente aperfeiçoarse por meio do pagamento de dividendos, isentos da tributação pelo IRPF; 13. assim sendo, caso essa E. Turma Julgadora entenda por aplicar ao caso a presunção adotada pela Sra. Agente Fiscal requerse, ao menos, que essa presunção seja favorável ao Impugnante no sentido de se qualificar os valores em questão como lucros/dividendos recebidos e não como rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício; 14. o montante correspondente à contratação da Goldman Sachs Representações Ltda. poderia ainda ter sido considerado pela Fiscalização na apuração do ganho de capital auferido pelo Impugnante na alienação das participações societárias aqui mencionadas, conforme a IN SRF nº 84, de 11/10/2001, que prevê a dedução de despesas de corretagem (dentre as quais caracterizamse os serviços financeiros prestados pela Goldman Sachs Representações Ltda), pelos vendedores na apuração do ganho de capital, desde que o respectivo ônus não seja transferido ao comprador; 15. por tudo o exposto, deve essa E. Turma Julgadora cancelar o auto de infração em questão; 16. o custo correspondente às ações detidas em 31/12/2003, desconsiderado na apuração proposta pela Fiscalização, foi devidamente comprovado pelo impugnante por meio da apresentação da DIRPF relativa ao anocalendário de 2004 que traz, no item correspondente da Declaração de Bens e Direitos, o valor dos bens e direitos em 31/12/2003; 17. a Fiscalização não pode mais questionar, por meio dos autos de infração que foram lavrados somente no corrente exercício de 2011, ou mesmo por qualquer outro meio, a legalidade e eficácia tributária do custo de aquisição das ações declarados por ocasião de entrega da DIRPF referente ao ano base de 2003, eis que já transcorreu o prazo de Fl. 631DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.720712/201138 Acórdão n.º 2201002.342 S2C2T1 Fl. 4 5 decadência/preclusão de cinco anos contados do fato originário da constituição de tal custo; 18. nesse sentido, o antigo Conselho de Contribuintes já se manifestou reiteradas vezes, reconhecendo a impossibilidade de o Fisco questionar a legalidade dos fatos e atos, ocorridos após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos, que tenham gerado efeitos em anos subseqüentes; 19. o art. 22 e parágrafos da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, expressamente autorizam que a restituição de bens aos sócios de pessoas jurídicas, por ocasião de reduções de capital, seja efetuada a valor contábil ou a mercado; 20. por ocasião da redução do capital social da Jaime Pinheiro Participações S/A, o impugnante recebeu as ações do Banco pelo valor contábil então registrado pela sociedade, em operação expressamente disciplinada pela legislação societária e tributária, não havendo qualquer obrigatoriedade no sentido de que o valor contábil dos bens entregues ao acionista coincida com o custo declarado em DIRPF da respectiva participação reduzida; 21. assim, não se justifica a equivocada apuração adotada pela Fiscalização, a qual atribuiu a tal parcela de ações o custo DIRPF da participação reduzida do Impugnante na Jaime Pinheiro Participações (R$ 270.708.498,48), ao invés do aludido valor contábil (R$ 294.000.000,00); 22. muito embora o Impugnante tenha aumentado sua participação societária junto ao Banco até a correspondente alienação ao Banco Bradesco S/A por meio de novas aquisições, é fato que uma parcela das ações alienadas já era de propriedade do Impugnante em 1983, cinco anos antes da edição da Lei n° 7.713/88, que revogou a isenção do IRPF sobre o “lucro” auferido na alienação de participação societária, após decorridos cinco anos ou mais da sua aquisição, prevista no DecretoLei n° 1.510, de 27 de dezembro de 1976; 23. apesar de revogada a isenção, o Impugnante tem direito adquirido a dela usufruir, relativamente às ações que então possuía, posto que, antes mesmo da edição da Lei que a revogou, já havia cumprido a única condição imposta, qual seja, a manutenção da participação societária por cinco anos. 24. a impossibilidade de livre revogação se explica pelo fato de que, nesses casos, surge a figura jurídica do “direito adquirido”, elevado à categoria de direito individual por sua inclusão no art. 5o da Constituição Federal; 25. sob o enfoque do direito adquirido, corolário do princípio da segurança jurídica, a matéria já foi inclusive objeto da Súmula nº 544 do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual “isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas”; Fl. 632DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 26. também disposições infraconstitucionais, como a Lei de Introdução ao Código Civil (LICC, DecretoLei n° 4.657/1942) e o Código Tributário Nacional, ratificam a intangibilidade do direito adquirido; (...) 29. considerandose os itens anteriormente expostos: (i) indevida atribuição de custo zero às ações detidas em 31/12/2003; (ii) indevida desconsideração do custo de aquisição das ações recebidas por ocasião da redução do capital social da Jaime Pinheiro Participações S/A; e (iii) indevida desconsideração da isenção aplicável às ações detidas em 1983, concluise, claramente que o auto de infração em questão padece da liquidez e certeza, necessárias ao lançamento tributário, em conformidade com o artigo 142 do CTN; (...) 31. o artigo 13 da Lei 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos; (...) 34. assim, demonstrado que (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa Selic incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5o, II, e 37 da Constituição Federal; (...) 37. ante o exposto, o Impugnante aguarda que essa E. Delegacia de Julgamento determine expressamente o cancelamento dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada nos autos de infração originários do presente processo administrativo; O processo em apreço foi convertido em diligência pela 16ª Turma de Julgamento, conforme Despacho nº 20, de 06/05/2012 (fls. 465/466), para que o contribuinte fosse intimado a apresentar o Contrato de Agenciamento e o Contrato Jurídico, firmados respectivamente, com as empresas Goldman & Sachs Representações Ltda e Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga, além de outros documentos que julgassem necessários. Em resposta a diligência, vieram aos autos os documentos de fls. 469/472. A 16ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Constatado que o contribuinte recebeu recursos de natureza tributável de pessoa jurídica da qual era sócio, que foram omitidos na declaração de ajuste anual, não tendo apresentado Fl. 633DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.720712/201138 Acórdão n.º 2201002.342 S2C2T1 Fl. 5 7 elementos capazes de elidir a infração, cabe manter a omissão apurada. GANHO DE CAPITAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA. Poderá ser abatido do valor de alienação, para efeito de cálculo do ganho de capital, o valor pago a título de despesas de corretagem quando tenha sido ônus do alienante e desde que devidamente comprovado. Inexiste, contudo, norma legal que autorize a dedução do valor de alienação de gastos com prestação de serviços de assessoria. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na ausência de comprovação do valor de aquisição de ações e, não sendo possível sua determinação pela forma descrita na legislação tributária, será o custo considerado igual a zero. GANHO DE CAPITAL DEVOLUÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. A pessoa física que receber bens ou direitos em devolução de participação societária, adquirida por valor inferior ao patrimonial, e tenha optado por incluílos em sua declaração de bens pelo valor recebido, deverá tributar como ganho de capital a diferença entre o valor recebido e o valor declarado da participação extinta. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Incide o imposto de renda sobre ganhos de capital, apurados em decorrência de alienação de participação societária ocorrida após 01/01/1989, tendo em vista a expressa revogação do Decretolei que concedia a isenção. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. Antes da efetiva alienação da participação societária, não é possível se falar em direito à isenção a ser exercido e muito menos em direito adquirido à isenção. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é correta a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 06/02/2013 (fl. 546pdf), Francisco Jaime Nogueira Pinheiro Filho apresenta Recurso Voluntário em 07/03/2013 (fls. 547 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Cuidam os autos de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas e omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário de 2007. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar a arguição de nulidade do lançamento, relativamente à suposta falta de liquidez e certeza da autuação fiscal. De plano, aqui se rechaça a alegação de nulidade acima, já que a exigência fiscal levada a efeito encontrase alicerçada nos preceitos legais, o que confere liquidez e certeza ao crédito tributário apurado, que só poderá ser elidida mediante prova em sentido contrário. No Auto de Infração, constante às fls. 337/342, são mencionados os dispositivos legais infringidos, bem como discriminados os valores da exigência fiscal. Além do mais, o conteúdo da autuação está minuciosamente especificado no Termo de Verificação Fiscal, conforme se depreende das análises dos demonstrativos e planilhas às fls. 331/336. Verificase, também, que o recorrente ao questionar a autuação, tanto em sua Impugnação quanto em seu Recurso Voluntário, demonstrou ter pleno conhecimento da matéria consubstanciada no Auto de Infração, transcrevendo, inclusive, jurisprudência do CARF. Assim, ausente prejuízo à defesa do autuado e preenchidos os preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Resta analisar, todavia, o mérito da questão. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Quanto a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, penso que a exigência deve ser mantida, exatamente como concebida pela fiscalização. De acordo com o “Termo de Acordo, Aditamento e Outras Avenças”, fls. 39/45, os pagamentos de assessoria jurídica e financeira deveriam ser suportados pelo contribuinte e por Maria Roseli Cavalcante Pinheiro, comprador e vendedora, respectivamente. Vejase: ADITAMENTO A CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES Pelo presente contrato (o "Contrato") e na melhor forma de direito, as partes abaixo, (a) Maria Roseli Pinheiro, brasileira, do lar, portadora da Carteira de Identidade RG n° 36.537 SSP/CE, inscrita no CPF/MF sob o n° 120.095.47349, residente e domiciliada na Fl. 635DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.720712/201138 Acórdão n.º 2201002.342 S2C2T1 Fl. 6 9 Rua Silva Jatahi, 505 Apto. 202 Aldeota Fortaleza, Ceará, Cep 60.165070, (doravante designada "Vendedora"); (b) Francisco Jaime Nogueira Pinheiro Filho, brasileiro, casado, banqueiro, portador da Carteira de Identidade RG n° 21.883.5000 SSP/SP, inscrito no CPF/MF sob o n° 000.937.85372, residente e domiciliado na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, com endereço comercial na Avenida das Nações Unidas, n° 12.995, 25° andar (doravante designada "Comprador"); e (c) Mercantil Participações S.A., sociedade por ações com sede na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Avenida das Nações Unidas, n° 12.995, 25° andar parte, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 05.613.963/000184 ("Companhia") (...) (V) para a realização da Operação Bradesco, o Comprador contratou a Goldman Sachs, como agenciador("Contrato de Agenciamento"), tendo ajustado o pagamento de uma remuneração de R$ 16.624.998,05 (dezesseis milhões, seiscentos e vinte e quatro mil, novecentos e noventa e oito reais e cinco centavos); (...) (VII) para a realização da operação Bradesco, o Comprador contratou o escritório de advocacia Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr e Quiroga Advogados ("Contrato Jurídico"), como prestadores de serviços de assessoria jurídica, tendo ajustado o pagamento de uma remuneração estimada de R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais); para viabilizar o cumprimento das metas às quais se encontra vinculado o recebimento total do Valor da Operação Bradesco, o Comprador firmou com o Sr. Alex Sander Moreira Gonçalves, um INSTRUMENTO PARTICULAR DE PROMESSA CONDICIONAL, por meio do qual o Vendedor prometeu pagar ao Sr. Alex Sander Moreira Gonçalves um prêmio ("Prêmio") pelo atingimento das metas ("Contrato para Pagamento de Prêmio") que poderá alcançar até a quantia de R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais), a ser paga em parcelas, todas acrescidas da variação do CD, à medida em que as metas forem cumpridas; (IX) a Vendedora reconhece que o Contrato de Agenciamento, os Contratos de Hedge o Contrato Jurídico e o Contrato para Pagamento de Prêmio foram necessários para a realização da Operação Bradesco, razão pela qual deseja repartir com o Comprador, proporcionalmente a sua participação, todos os custos e resultados das referidas contratações; (grifei) Pelo que se vê, o “Termo de Acordo, Aditamento e Outras Avenças” é taxativo no sentido de que os pagamentos à Goldman Sachs e ao escritório de advocacia Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr e Quiroga Advogados deveriam ser suportados pelo contribuinte, ora recorrente, e pela vendedora, Maria Roseli Cavalcante Pinheiro. Contudo, os Fl. 636DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 valores foram comprovadamente quitados pela empresa Jaime Pinheiro Participações S/A, conforme se observa dos documentos às fls.124/137. Pela clareza e precisão dos fundamentos da decisão recorrida, reproduzo o trecho em que a questão é analisada: A empresa Mercantil Participações S/A, por sua vez, detinha 19,43% do capital social do Banco BMC, CNPJ nº 07.207.996/000150, enquanto que o contribuinte e a Jaime Pinheiro Participações (JPP) possuíam, respectivamente, 3,83% e 72,77% do capital social da referida instituição financeira (fls. 480, 483 e 485). Em 13/05/2007, mediante o Contrato de Compra e Venda de Ações de fls. 34/38, a Sra. Maria Roseli Cavalcante Pinheiro vendeu ao interessado os 49,78% de sua participação na Mercantil Participações, que correspondia indiretamente a 7,93% do capital social do Banco BMC. Destaquese, também, que o contribuinte era o sócio majoritário da empresa Jaime Pinheiro Participações S/A, CNPJ nº 07.219.769/000144, possuindo, até o ano de 2006, 99,51% do seu capital social (fls. 482). (...) A par disso, é fácil perceber que, após a compra das ações de Maria Roseli Cavalcante Pinheiro na Mercantil Participações S/A, o impugnante, que já possuía 87,71% do Banco BMC, sendo 3,83%, diretamente, e 83,88%, indiretamente, através de suas participações na Mercantil Participações (11,47%) e na JPP (72,41%), passou a deter 95,63% das ações do BMC, sendo, efetivamente, o seu principal acionista. Vêse, portanto, que o contribuinte seria o grande beneficiado da chamada “Operação Bradesco”, cujo desfecho conduziu à alienação das ações do Banco BMC ao Banco Bradesco. Assim, nada mais lógico que fosse ele o contratante dos aludidos serviços de assessoria. Além disso, se a empresa JPP fosse a contratante dos serviços, não haveria razão para a mãe do contribuinte, Maria Roseli Cavalcante Pinheiro, assumir parte do custo desses serviços, já que ela não tinha qualquer participação na JPP. A alegação do impugnante de que não há registro na contabilidade da Jaime Pinheiro Participações S/A do pagamento a ele de rendimentos decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício também não o socorre. O fato de os recursos para os pagamentos terem sido provisionados na contabilidade da JPP e debitados da contacorrente do contribuinte em datas próximas deixa claro ter havido a transferência dos recursos da empresa para o contribuinte. Ora, se a responsabilidade pelos pagamentos de assessoria jurídica e financeira era do recorrente e foram pagos pela pessoa jurídica, não há nesse caso qualquer presunção de rendimentos, como faz crer o suplicante, mas, essencialmente, que a empresa Fl. 637DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.720712/201138 Acórdão n.º 2201002.342 S2C2T1 Fl. 7 11 pagou obrigações assumidas pelo contribuinte e nada mais justo que considerar esse valor como rendimentos recebidos da pessoa jurídica. Ressaltese que não há como enquadrar o valor como lucros/dividendos recebidos, pois não houve comprovação da transferência de recursos da empresa para o contribuinte a esse título. Dedução das Despesas de Assessoria na Apuração do Ganho de Capital Sobre a possibilidade de considerar os gastos com assessoria financeira suportado pelo contribuinte como despesa de corretagem na apuração do ganho de capital, reproduzo, de antemão, o art. 17 da IN SRF nº 84/2001: Art. 17. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual, no caso de: I bens imóveis: (...) II outros bens ou direitos: os dispêndios realizados com a conservação e reparos, a comissão ou a corretagem quando não transferido o ônus ao adquirente, os juros e demais acréscimos pagos, etc. Embora alegue o suplicante que para obter o ganho de capital o contribuinte arcou com despesas relativas à assessoria financeira pagas à Goldman Sachs Representações Ltda, verificase da leitura do excerto supra que tais despesas não compõem o custo de aquisição, por falta de previsão legal. Pelo se colhe da Declaração prestada pela Goldman Sachs Representações Ltda à fl. 66, vol. VII, o serviço foi prestado a título de “... prestação de serviço de assessoria financeira na ‘Operação Bradesco’...”. Dessa forma, há de se concluir que o procedimento adotado pela autoridade fiscal quando da apuração do custo de aquisição obedeceu aos ditames da legislação de regência, não prosperando as arguições da defesa. Atribuição do Custo Zero às Ações Detidas em 31/12/2003 O fisco considerou o custo igual a zero das ações detidas pelo contribuinte em 31/12/2003 do Banco BMC, em razão da falta de comprovação do valor informado na DIRPF/2004 às fls. 150/155. Contudo, ouso discordar da tese abraçada pelo I. Relator do acórdão recorrido, pois no quadro “Declaração de Bens e Direitos” da DIRPF/2004, fl. 147pdf, informa que o contribuinte possuía em 31/12/2003 o total de 7.546.782 de ações do Banco BMC, perfazendo o montante de R$ 5.131.497,46. Com efeito, compulsandose o Termo de Verificação Fiscal, mais precisamente da tabela denominada “Ações do Banco BMC pertencente a Francisco Jaime”, fl. 335pdf, verificase que a própria fiscalização considerou, para fins de cálculo do custo de aquisição, que o contribuinte possuía em 31/12/2003 o montante de 7.546.782 de ações do Banco BMC, contudo, não atribuiu qualquer valor a elas. Ora, não há como aceitar o Fl. 638DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 12 entendimento do fisco em atribuir custo zero para as ações, mesmo porque é presumível que tenha custado algum valor. Além do mais, por meio do registro das atas é possível identificar o valor das ações, sobretudo porque, para esse tipo de aquisição, não há escritura pública lavrada em cartório informando o valor da transação. Frisese, ainda, que a legislação determina a manutenção dos comprovantes exclusivamente para dar lastro a declaração de bens e direitos referente àquele exercício e, portanto, não há como o contribuinte mantêlos indefinidamente. Em respeito ao princípio da verdade material, discordando a fiscalização da documentação apresentada pelo contribuinte ou em não sendo possível para esse apresentar qualquer documento que comprove o custo de aquisição, impõese a realização de outros procedimentos investigatórios com o fito de se apurar o ganho de capital. Portanto, no caso de quotas de capital, penso que não é licito considerar o custo zero, conforme bem pontuado pelo Acórdão n° 10416.049, cuja ementa transcrevese: IRPF APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL AVALIAÇÃO DE AÇÕES CUSTO ZERO A legislação vigente à época dos fatos geradores previa a utilização do custo médio ponderado na avaliação do custo de aquisição de ações, devendo este custo, corrigido e comprovado, ser utilizado na apuração do ganho de capital se existe a possibilidade da apuração, e não o custo zero. (Processo n° 11080.010507/9363 Acórdão n° 10416.049) Em relação ao acórdão supra, peço vênia para citar trecho do voto: “... o custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens e que o custo é considerado igual a 0 (zero) no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previstos na legislação”. Nessa conformidade, devese considerar na apuração do ganho de capital do Banco BMC, como custo de aquisição em 31/12/2003, o montante de R$ 5.131.497,46. Desconsideração do Custo de Aquisição das Ações Recebidas em decorrência da Redução do Capital Social da Jaime Pinheiro Participações S/A Em que pese a irresignação do recorrente, a devolução da participação do contribuinte na Jaime Pinheiro Participações S/A, pela redução do capital, não se sujeita à isenção fiscal pleiteada. Senão vejamos: A legislação tributária se posiciona da seguinte forma acerca dessa matéria: Lei nº 9.249/1995 Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista. a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. § 1º No caso de a devolução realizarse pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos entregues será considerada ganho de capital, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base Fl. 639DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.720712/201138 Acórdão n.º 2201002.342 S2C2T1 Fl. 8 13 no lucro real ou na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido devidos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. § 2º Para o titular, sócio ou acionista, pessoa jurídica, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão registrados pelo valor contábil da participação ou pelo valor de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica que esteja devolvendo capital. § 3º Para o titular, sócio ou acionista, pessoa física, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão informados, na declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do respectivo anobase, pelo valor contábil ou de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica. § 4º A diferença entre o valor de mercado e o valor constante da declaração de bens, no caso de pessoa física, ou o valor contábil, no caso de pessoa jurídica, não será computada, pelo titular, sócio ou acionista, na base de cálculo do imposto de renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. IN SRF nº 11/1996 Art. 61. No caso de participação societária adquirida por valor inferior ao patrimonial, em que a pessoa jurídica que estiver devolvendo capital tenha optado pela avaliação a valor contábil, a pessoa física ou jurídica que estiver recebendo os bens ou direitos deverá proceder da seguinte forma: I se pessoa física, à sua opção: a) incluir, em sua declaração de bens, os bens ou direitos pelo valor pelo qual houverem sido recebidos, tributando como ganho de capital a diferença entre este e o valor declarado da participação extinta; ou b) incluir, em sua declaração de bens, os bens e direitos pelo mesmo valor da participação extinta. Do exposto, verificase que a legislação estabelece que os bens e direitos entregues ao acionista por conta da devolução de sua participação no capital social poderão ser avaliados pelo valor contábil ou pelo valor de mercado. No caso de avaliação a valor de mercado, cabe à pessoa jurídica o cálculo e recolhimento do tributo sobre o ganho de capital, caso contrário, a tributação recairá sobre o beneficiário dos bens e direitos entregues. No caso dos autos, o recorrente recebeu 190.361.979 ações avaliadas pelo valor contábil (fls. 228/229), referente à devolução de sua participação no capital social do Banco BMC, perfazendo um total de R$ 294.000.000,00, conforme consta na DIRPF/2008 (fl. 10pdf). Entretanto, consoante se observa da tabela “Ações do Banco BMC pertencente a Francisco Jaime”, constante do Termo de Verificação Fiscal, fl. 335pdf, o valor de aquisição das citadas ações representou o montante de R$ 270.708.498,48. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Portanto, a diferença entre a devolução da participação no capital social pelo valor contábil e o custo de aquisição dessa participação constitui o ganho de capital passível de tributação. Mantémse, nesse ponto, a exigência. Desconsideração da Isenção em Relação às Ações Detidas em 1983 Alega o recorrente que a autoridade autuante, contrariando o DecretoLei n° 1.510, de 27 de dezembro de 1976, tributou o ganho de capital decorrente de ações detidas em 1983. Assevera ainda que apesar de revogada a isenção possui direito adquirido, relativamente às ações que então possuía, pois, antes mesmo da edição da Lei n° 7.713/1988, que revogou a isenção do IRPF, já havia cumprido a única condição imposta para o gozo do benefício fiscal, qual seja, a manutenção da participação societária por cinco anos. Pois bem, analisando detidamente a legislação que rege a matéria, penso que não há ofensa ao direito adquirido, pois como houve revogação expressa da isenção pela Lei nº 7.713/1988, a lei nova deve ser aplicada aos fatos geradores ocorridos durante sua vigência. Com efeito, “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada” (art. 144 do Código Tributário Nacional – CTN). O fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital somente ocorre no momento da alienação e, no caso dos autos, esta se deu em 2008, ou seja, na vigência da Lei nº 7.713/1988. Não se pode perder de vista que “A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104” (art. 178 do CTN). Em relação ao tema, reproduzo a declaração de voto da lavra do Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, no acórdão 2201001.619, de 16 de maio de 2012: No caso específico das isenções, inclusive, o CTN dispõe expressamente que estas podem ser revogadas ou modificadas, por lei, desde que não tenham sido concedidas em função de determinadas condições e por prazo certo. É o que reza o art. 178, verbis: Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. Notese que o artigo 178, acima reproduzido, referese a duas condições, cumulativamente: que a isenção seja concedida por prazo certo e (e não ou) em função de determinadas condições. E, neste caso, a lei, de fato onera a isenção com a condição de que a alienação somente ocorra após cinco anos da aquisição, porém, e este é o ponto, não delimita um prazo para a vigência da isenção. E não se diga que o artigo 178, ao utilizar o conectivo “e” não pretendeu dar ao texto o sentido de adição. É que o artigo 178 foi alterado pela Lei Complementar nº 24, de 07/05/1975 especificamente para o “ou” da redação anterior pelo “e” da redação atual. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.720712/201138 Acórdão n.º 2201002.342 S2C2T1 Fl. 9 15 Aliomar Baleeiro, comentando esta alteração, observou: A primitiva Redação do art. 178 era alternativa: ‘por prazo certo ou em função de determinadas condições’. Uma coisa ou outra. A Lei Complementar n° 24/1975 substituiu ou por e ambas as circunstâncias simultaneamente. Não há dúvida, portanto, de que a irrevogabilidade da isenção depende da observância das duas condições, e não é este o caso. Por outro lado, o art. 104, que integra o capítulo que cuida da vigência da legislação tributária, é claro ao fixa a vigência de lei que reduz ou extingue isenção, a saber: Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei referentes a imposto sobre o patrimônio e a renda: (...) III – que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no art. 178. Ora, no caso sob exame, a alienação da participação societária e, portanto, o fato gerador da obrigação tributário ocorreu na vigência da Lei nº 7.713, de 1988 e a isenção prevista no art. 4º, “d” do DecretoLei nº 1.510, de 1976 não preenche ambas as condições previstas no art. 178 do CTN: ser condicionada a determinadas condições e, cumulativamente, ser por prazo certo. Corrobora com o exposto, o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) das ADIN’s nº 3.105/DF e 3.128/DF, relativas ao art. 4º, caput, da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003. Na ocasião, entendeu o Pretório Excelso que é constitucional a incidência de contribuição previdenciária sobre inativos e pensionistas, pois, como inexiste norma de exoneração tributária absoluta, a lei deve incidir sobre fatos geradores ocorridos depois do início de sua vigência. Vejase o teor da ementa do julgado: 1. Inconstitucionalidade. Seguridade social. Servidor público. Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de contribuição previdenciária. Ofensa a direito adquirido no ato de aposentadoria. Não ocorrência. Contribuição social. Exigência patrimonial de natureza tributária. Inexistência de norma de imunidade tributária absoluta. Emenda Constitucional nº 41/2003 (art. 4º, caput). Regra não retroativa. Incidência sobre fatos geradores ocorridos depois do início de sua vigência. Precedentes da Corte. Inteligência dos arts. 5º, XXXVI, 146, III, 149, 150, I e III, 194, 195, caput, II e § 6º, da CF, e art. 4º, caput, da EC nº 41/2003. No ordenamento jurídico vigente, não há norma, expressa nem sistemática, que atribua à condição jurídico subjetiva da aposentadoria de servidor público o efeito de lhe gerar direito subjetivo como poder de subtrair ad aeternum a percepção dos respectivos proventos e pensões à incidência de lei tributária que, anterior ou ulterior, os submeta à incidência de contribuição previdencial. Noutras palavras, não há, em Fl. 642DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 16 nosso ordenamento, nenhuma norma jurídica válida que, como efeito específico do fato jurídico da aposentadoria, lhe imunize os proventos e as pensões, de modo absoluto, à tributação de ordem constitucional, qualquer que seja a modalidade do tributo eleito, donde não haver, a respeito, direito adquirido com o aposentamento. (grifei) Especificamente sobre a matéria, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que com o advento da Lei 7.713/1988 operouse a revogação da isenção. Transcrevese a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. DECRETOLEI 1.510/76. ISENÇÃO. REQUISITOS PARA IRREVOGABILIDADE. ART. 178 DO CTN. NÃOOCORRÊNCIA. LEI 7.713/1988. REVOGAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. A irrevogabilidade da isenção concedida, nos termos do art. 178 do CTN, só ocorrerá se atendidos os requisitos de prazo certo e condições determinadas. Situação não configurada nos autos. 2. O art. 4º, "d", do DecretoLei 1.510/76 fixa o termo inicial do benefício fiscal (após cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação), não determinando o termo final, ou seja, é isenção por prazo indeterminado, revogável, portanto, por lei posterior. 3. Com o advento da Lei 7.713/88 operouse a revogação da isenção. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental não provido. (Agravo Regimental no Recurso Especial n° 1.164.494/RS 09 de fevereiro de 2010) Dessarte, como houve expressa revogação da isenção pela Lei nº 7.713/1988, a lei nova deve ser aplicada aos fatos geradores ocorridos durante sua vigência. Juros sobre Multa de Ofício Quando a incidência de juros sobre a multa, entendo que são devidos em função do § 3º de art. 113 do CTN, pois, tanto a multa quanto o tributo compõem o crédito tributário, sendo, portanto, aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Esse entendimento encontrase precedentes na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), consoante a ementa destacada: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.720712/201138 Acórdão n.º 2201002.342 S2C2T1 Fl. 10 17 Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806. Recurso especial negado. (Acórdão nº 920201.991, Processo nº 16327.002244/9933) Ressaltese que em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG). Ante a todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para considerar na apuração do ganho de capital, como custo de aquisição em 31/12/2003, o montante de R$ 5.131.497,46. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 644DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 19515.720712/201138 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.342. Brasília/DF, 18 de março de 2014 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 645DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.720712/201138 Acórdão n.º 2201002.342 S2C2T1 Fl. 11 19 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 11080.720447/2013-03
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010
INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO IMPOSSIBILIDADE. NORMA REVOGADA. ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELA ENTIDADE DE CLASSE ASSOCIAÇÃO POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior que entendem pela cobrança da contribuição social relativa aos serviços prestados por cooperados de cooperativa de trabalho médico de saúde. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima entende que não há previsão constitucional nem legal para a desoneração das contribuições previdenciárias relativas à cooperativa de trabalho médico de saúde, ao contrário, há previsão legal no art. 2o da Lei 12.690/2012. O art. 1o, parágrafo único, inciso I da Lei 12.690/2012 se refere à regulação específica pela legislação de saúde complementar (Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS). A contribuição previdenciária sobre os serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho está prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91. Os serviços prestados são contratados e os valores são suportados pela empresa em benefício dos segurados. A cooperativa de trabalho, também se equipara à empresa quando da contratação de outro serviço por intermédio de cooperativa de trabalho (art. 15, § único, Lei 8.212/91).
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010 INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO IMPOSSIBILIDADE. NORMA REVOGADA. ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELA ENTIDADE DE CLASSE ASSOCIAÇÃO POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior que entendem pela cobrança da contribuição social relativa aos serviços prestados por cooperados de cooperativa de trabalho médico de saúde. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima entende que não há previsão constitucional nem legal para a desoneração das contribuições previdenciárias relativas à cooperativa de trabalho médico de saúde, ao contrário, há previsão legal no art. 2o da Lei 12.690/2012. O art. 1o, parágrafo único, inciso I da Lei 12.690/2012 se refere à regulação específica pela legislação de saúde complementar (Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS). A contribuição previdenciária sobre os serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho está prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91. Os serviços prestados são contratados e os valores são suportados pela empresa em benefício dos segurados. A cooperativa de trabalho, também se equipara à empresa quando da contratação de outro serviço por intermédio de cooperativa de trabalho (art. 15, § único, Lei 8.212/91). (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010 INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO IMPOSSIBILIDADE. NORMA REVOGADA. ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELA ENTIDADE DE CLASSE ASSOCIAÇÃO POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior que entendem pela cobrança da contribuição social relativa aos serviços prestados por cooperados de cooperativa de trabalho médico de saúde. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima entende que não há previsão constitucional nem legal para a desoneração das contribuições previdenciárias relativas à cooperativa de trabalho médico de saúde, ao contrário, há previsão legal no art. 2o da Lei 12.690/2012. O art. 1o, parágrafo único, inciso I da Lei 12.690/2012 se refere à regulação específica pela legislação de saúde complementar (Agência Nacional de Saúde Suplementar ANS). A contribuição previdenciária sobre os serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho está prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91. Os serviços prestados são contratados e os valores são suportados pela empresa em benefício dos segurados. A cooperativa de trabalho, também se equipara à empresa quando da contratação de outro serviço por intermédio de cooperativa de trabalho (art. 15, § único, Lei 8.212/91). (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 04 47 /2 01 3- 03 Fl. 584DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.720447/201303 Acórdão n.º 2803003.002 S2TE03 Fl. 585 2 Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.720447/201303 Acórdão n.º 2803003.002 S2TE03 Fl. 586 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal PAF contempla o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.348.8696, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.348.8718, CFL.68, por apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 12 a 18, com período de apuração de 01/2008 a 12/2009, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 33 e 34. O PAF é composto pelos levantamentos denominados AA – COOPERATIVA UNIMED, período do débito 01/2008 a 11/2008 e AA2 – COOPERATIVA UNIMED, período do débito 12/2008 a 12/2008, bem como pela multa punitiva do CFL.68, conforme Relatório Discriminativo de Débito – DD, de fls. 04 a 06, e, a Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 09. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 28/01/2013, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, fls. 03, e, Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 09. O contribuinte apresentou petição de defesa com razões, as fls. 210 a e 227, recebida, em 25/02/2013, acompanhada dos documentos, de fls. 228 a 519. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 520; 521 e 522. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1044.050 7ª, Turma DRJ/POA, em 23/05/2013, fls. 524 a 528. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 07/06/2013, conforme AR, de fls. 530. Irresignado o contribuinte impetrou dois Recursos Voluntários, uma para cada crédito, o que se mostra desnecessário, pois as matérias arguidas são praticamente idênticas, razão pela qual serão estes apreciados em conjunto. As petições de interposição encontramse, as fls. 532 e 556, com razões recursais, as fls. 533 a 550 e 557 a 575, acompanhados, respectivamente, dos documentos, de fls. 551 a 555 e 576 a 580. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.720447/201303 Acórdão n.º 2803003.002 S2TE03 Fl. 587 4 As razões recursais, conjuntamente, sumariadas estão a seguir expostas. Preliminar. · que se faz necessário sobrestar a julgamento do feito administrativo, pois pende de julgamento no Supremo Tribunal Federal – STF a ADIN 2594, aplicandose o artigo 62A, do RICARF, sob forma de evitar decisão administrativa que contraste com a judicial · que é possível o exame de constitucionalidade por órgão judicante administrativo, conforme pensa Gilberto de Ulhoa Canto, não se busca dar a decisão administrativa os mesmos contornos da judicial, mas garantir a interpretação das diversas espécies de norma pelo órgão judicante administrativo, pois seria absurdo admitir que a Administração Pública ignore a Constituição Federal, a qual se submete e aplique a norma infraconstitucional inconstitucional, cita precedente da CSRF, a Lei 9.784/99, não se devendo aplicar norma em descompasso com sue fundamento de validade; Mérito. · que o artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 sofre de inconstitucionalidade formal, uma vez que nova contribuição deveria ser instituída por lei complementar e não ordinária como no caso em tela, cita Jose Souto Maior Borges e a ADIN 1103DF e material, pois instituiu nova base de cálculo, não contratando a recorrente com o cooperado ou a esta fazendo qualquer pagamento, mas sim com a pessoa jurídica cooperativa, cita Waldirio Bulgarelli e Fauquet, sendo a relação jurídica entre a tomadora dos serviços e a cooperativa na qualidade de pessoa jurídica, segundo equiparação do artigo 15, da Lei 8.212/91, o que não se compatibiliza com a CF/88; · que a ADIN 25945 não foi julgada, mas tem parecer do PGR favorável à inconstitucionalidade, ficando demonstrado que o artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 viola a Constituição Federal, deve o crédito ser desconstituído; · Ao final a recorrente pede: EM PRELIMINAR: a) o sobrestamento do presente julgamento, até decisão da ADIN 2594 pelo Supremo Tribunal Federal – STF; EM MÉRITO – b) total procedência ao recurso, com reforma da decisão a quo com a extinção do crédito pelos defeitos apontados. A autoridade preparadora não se manifestou sobre a tempestividade dos recursos. Os autos subiram ao CARF, fls. 583. É o Relatório. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.720447/201303 Acórdão n.º 2803003.002 S2TE03 Fl. 588 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Inicialmente, cumpre informar que o julgador a quo está correto não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples, no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade das leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.720447/201303 Acórdão n.º 2803003.002 S2TE03 Fl. 589 6 Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei a invalidade pela inconstitucionalidade, antes que o órgão competente o faça. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de constitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. Quanto ao pedido de sobrestamento este, também, não deve prosperar, haja vista que a Portaria GM/MF Nº 545/2013 revogou os parágrafos primeiro e segundo do artigo 62A, da Portaria GM/MF Nº 256/2009 RICARF. Cumpre esclarecer, ainda, que como consta do crédito e do relatório deste acórdão o presente lançamento é composto pelos levantamentos denominados AA – COOPERATIVA UNIMED, período do débito 01/2008 a 11/2008 e AA2 – COOPERATIVA UNIMED, período do débito 12/2008 a 12/2008, bem como a multa punitiva do CFL.68, conforme Relatório Discriminativo de Débito – DD, de fls. 04 a 06, e, a Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 09. A exação em tela nestes autos vem sendo objeto de muitas discussões no âmbito do contencioso administrativo e até o momento vinha me posicionando ao lado de sua validade. Todavia, após novas reflexões e análise de vários elementos entre os quais os estudos sobre a matéria realizado pelo Cons. Amílcar Barca Teixeira Júnior, passo a adotar um novo posicionamento. Realmente, de um olhar mais aguçado verifico que a questão em tela não se subsume ao que consta do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, observese os esclarecimentos. O citado texto legal diz que “...relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados...”, e, como bem disse a recorrente os serviços não são prestados a ela recorrente, mas sim aos seus associados. A diferença pode ser sutil, mas implica em uma significativa mudança de direção. Um exemplo, talvez, possa por luz sobre a matéria. Imaginese uma cooperativa de trabalho típica – como a de carregadores e descarregadores de carga, em uma transportadora. Ora a transportadora vai contratar a cooperativa que colocará nas dependências desta ou de terceiros os cooperados que realizarão os serviços. Ou seja, uma pessoa jurídica contrata uma cooperativa e recebe serviços dos cooperados por intermédio da cooperativa, hipótese da Lei 8.212/91, artigo 22, IV. No caso dos autos a empresa contrata a cooperativa ofertará os cooperados em seus consultórios próprios ou nas dependências de hospitais e clínicas conveniadas e os Fl. 589DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.720447/201303 Acórdão n.º 2803003.002 S2TE03 Fl. 590 7 serviços serão prestados aos associados pessoas físicas e não a entidade contratante da cooperativa. Destarte, penso que a exação ou a situação não se amolda ao artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, pois o serviço não é prestado a favor da empresa contratante, mas sim dos associados. A exação tornase indevida, isto é, esta deixa de ter suporte e substrato, pois não ocorre o nascimento da obrigação tributária, uma vez que a hipótese de incidência e o fato jurídico material do mundo dos fenômenos não se ajustam, pois compreendem círculos excêntricos e não concêntricos, não havendo a subsunção do fato à norma jurídica tributária. Assim com esses esclarecimentos rejeito as alegações da recorrente em preliminar e em mérito, no entanto, ainda, que por motivos e fundamentos diversos dos suscitados pela recorrente, entendo que a exação é improcedente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11020.901538/2012-63
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
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Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-002.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1579; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 92 1 91 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.901538/201263 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.783 – 2ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MÓVEIS WELFARE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI FATO GERADOR: 15/12/2004 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 15 38 /2 01 2- 63 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela primeira instância. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, nos quais não foi homologado seu pedido por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. A empresa contesta a decisão administrativa alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação, por desvio de finalidade e por prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal. No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material, bem como alega o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, bem como a inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que não concorda pela não homologação por falta de direito creditório, bem como insiste que o despacho decisório deve ser anulado por estar sem motivação. E, pela não aplicação da multa, em face do princípio constitucional do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Assim como, a imputação dos juros moratórios seriam ilegais e inconstitucionais. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em razão de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901538/201263 Acórdão n.º 3802002.783 S3TE02 Fl. 93 3 Antes de adentrar no mérito, inicialmente, em sede de preliminar, não assiste razão a recorrente em alegar que o Despacho Decisório deve ser anulado, já que o mesmo preenche todos os requisitos formais e materiais para a sua validade. O despacho decisório possui todos os elementos necessários para que a empresa possa se defender, não obstante, de forma sintética. Consta a base legal, a declaração de compensação enviada pela empresa, a data do envio, o crédito oposto pela empresa, oriundo de determinado pagamento apontado pela empresa na Dcomp, bem como o período de apuração a que se refere, assinado pela autoridade competente. No tocante à motivação/fundamentação pela não homologação da compensação há a indicação que os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp”. Enfim, o alegado pagamento indevido não fora compensado/restituído, pois já tinha sido usado para quitar outros débitos. Quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, no que diz respeito ao caráter confiscatório da multa de ofício, como alega a empresa; cabe observar que não foi aplicada a multa de ofício, e sim a multa de mora de 20% sobre os valores indevidamente compensados. Assim sendo, a multa de mora aplicada está correta sua exigência. Quanto à exigência de juros de mora, também está sendo efetuada na forma da lei, ao contrário do entendimento da empresa, pois o artigo 161 do Código Tributário Nacional determina: “ Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia prevista nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ( um por cento ) ao mês.” Foi editada a lei específica, a de Lei nº 9.065/95, que em seu artigo 13 previu que os débitos tributários junto à Fazenda Nacional, originados a partir 1° de abril de 1995, teriam seus juros de mora e correção segundo a taxa Selic: Art. 13. A partir de julho de abril de 1995, os juros de mora de que tratam a alínea “c” do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com redação dada pelo art. 6° da Lei 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei 8.981/1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Aplicado o disposto no artigo 61 da Lei 9.430/96, que trata da exigência de juros de mora à taxa Selic, ou seja, a exigência está prevista em normas legais em pleno vigor, não competindo a este julgador apreciar sua constitucionalidade, função reservada ao poder judiciário, como já comentado. Por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC como fator de correção do débito da empresa, incide na hipótese a Súmula CARF n° 4, in verbis: Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Passando ao mérito, o cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. Para a verificação do direito creditório afirmado, a recorrente não traz ao processo nenhuma comprovação da efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as quais teriam sido realizados. Inclusive, apenas indica julgados e doutrinas sobre nulidades. Ocorre que nos sistemas da Receita Federal constam que os valores recolhidos já foram utilizados para quitar outros débitos e nada a recorrente contrapõe sobre isso, dessa forma, não há o que reconsiderar ou anular. Não procede a argumentação da recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, socorrendolhe o Princípio da Verdade Material, pois não se está diante de lançamento de ofício. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Assim sendo, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. Em razão dos motivos acima expostos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901538/201263 Acórdão n.º 3802002.783 S3TE02 Fl. 94 5 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10983.910112/2009-54
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não se pode exigir do contribuinte o cumprimento de disposição normativa expedida após a emissão do documento fiscal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se pode exigir do contribuinte o cumprimento de disposição normativa expedida após a emissão do documento fiscal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 01 12 /2 00 9- 54 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.910112/200954 Acórdão n.º 3801003.242 S3TE01 Fl. 112 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP com base em direito creditório originado de suposto pagamento a maior a título de PIS não homologado. A DRF de origem proferiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP foi utilizado integralmente para quitar débitos em nome do contribuinte, não restando crédito disponível para a almejada compensação, culminando na cobrança dos valores que se objetivou compensar acrescidos de multa e de juros. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade às fls., sustentando, essencialmente, que seu direito creditório advém de inclusão indevida na base de cálculo do PIS de receitas auferidas com a venda de arroz, produto in natura de origem vegetal, uma vez que tais receitas devem ser excluídas da apuração da aludida contribuição, nos termos do artigo 9º da Lei n.° 10.925/2004, juntando com a defesa o DARF representativo do recolhimento a maior, DCTF do período de onde se verifica o lançamento supostamente equivocado do tributo e o recolhimento efetivado a este título, DCTF retificadora contemplando o valor que entende correto, DACON semestral contemplando o valor retificado da Contribuição, planilhas demonstrativas da base de cálculo do PIS e COFINS dos períodos, balancete contábil do período e notas representativas do faturamento relativo aos valores indevidamente incluídos na base de cálculo do PIS, além de outros. A DRJ em Florianópolis/SC, por sua vez, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte, através do acórdão de fls., considerando que o contribuinte apenas procedeu à retificação de sua DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o que lhe seria defeso: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Devidamente intimado para tanto interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário às fls. que se valeu basicamente dos mesmos argumentos perpetrados em sua manifestação de inconformidade quanto à origem de seu crédito, suscitando, ainda, seja Fl. 112DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.910112/200954 Acórdão n.º 3801003.242 S3TE01 Fl. 113 3 considerado o princípio da verdade real na análise do presente processo administrativo, haja vista que Autoridade Julgadora de origem apenas apegouse a critérios formais para verificação acerca da validade da compensação realizada. Essa Turma determinou que o processo fosse baixado em diligência para que a DRF de origem procedesse do seguinte modo: 1) Examine a Delegacia de origem os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação à compensação requerida e apure se a contribuinte dispunha de crédito para efetuála. 2) Abra prazo para a contribuinte se manifestar. 3) Retorne esse processo a esse Conselho para julgamento. Em relatório de diligência a DRF apresentou manifestação alegando que: (...) A presente lide versa sobre a verificação da correção da base de cálculo promovida pelo contribuinte para o recolhimento do PIS, considerada por ele como recolhida a maior, para o período de apuração de maio de 2006. Portanto, o cerne da questão cinge se à validação, ou não, pela Receita Federal do Brasil (RFB) da desconsideração da quantia de R$ 74.988,00 (Nota Fiscal nº 001054) da base de cálculo do período aludido, ou seja, se a referida receita é passível do tratamento contido no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. A meu ver, não assiste direito ao reconhecimento da suspensão da incidência da Contribuição para o o PIS/PASEP e da COFINS sobre a operação contida na Nota Fiscal nº 001054. (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º. O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 113DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.910112/200954 Acórdão n.º 3801003.242 S3TE01 Fl. 114 4 I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º. A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Com base na outorga legal conferida pelo § 2º do dispositivo legal supracitado, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, que, entre outros assuntos, estabeleceu termos e condições para a fruição do benefício de suspensão do art. 9º da Lei 10925/2004. Da análise documental, verificase, primeiramente, que não consta da Nota Fiscal nº 001054 menção à expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, consoante a obrigação do disposto no § 2º do art. 2º da IN SRF nº 660/2006. Ademais, convém salientar que o § 1º do art. 2º da IN SRF 660/2006 preconiza que, para a aplicação da suspensão, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º da referida Instrução Normativa. Observase que os dispositivos em comento estabelecem requisitos obrigatórios para fruição da suspensão do PIS e da COFINS, seja no que tange às características dos produtos e aos bene ficiários (arts. 2º e 3º), seja no que concerne aos adquirentes (art. 4º). No que diz respeito à aplicação da suspensão, verificase que o art. 4º da IN SRF 660/2006 exigia, entre outros requisitos, que as pessoas jurídicas vendedoras dos produtos arrolados no inciso I do art. 3º da menciona Instrução Normativa obtivessem do adquirente a declaração de que cuida o inciso I do § 1º do art. 4º da IN SRF 660/2006. Ocorre que, cotejando os elementos da Nota Fiscal nº 001054, verificouse que esta foi emitida no mês de maio de 2006, porém a declaração acostada às fls., fornecida pelo adquirente das mercadorias, foi firmada posteriormente, em setembro de 2006, o que enseja supor não acobertar a operação naquela consubstanciada. Assim, opinamos ser inviável o reconhecimento da aplicação da suspensão de que cuida o art. 9º da Lei nº 10925/2004, tendo em vista o não preenchimento dos termos e condições assinalados pela IN SRF 660/2006 (art. 9º, § 2º da Lei nº 10925/2004). A Recorrente se manifestou acerca da diligência informando que os documentos existentes comprovam a operação e que os requisitos para fruição foram cumpridos. É o que importa relatar. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.910112/200954 Acórdão n.º 3801003.242 S3TE01 Fl. 115 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Tratase de retorno de diligência. A diligência decorreu do entendimento da Turma que, afastando o argumento da DRJ, afastou a impossibilidade de retificação da DCTF após o despacho decisório. O objetivo da diligência era o de averiguar a existência do crédito em discussão. A DRF de origem, contrariamente ao requerido, preferiu analisar novamente o pedido e concluiu, sponte propria, pela impropriedade do direito consubstanciado na nota fiscal acostada aos autos porque “verificouse que esta foi emitida no mês de maio de 2006, porém a declaração acostada às fls., fornecida pelo adquirente das mercadorias, foi firmada posteriormente, em setembro de 2006, o que enseja supor não acobertar a operação naquela consubstanciada”, ou seja, a Nota Fiscal foi emitida em maio/2006 e a declaração firmada em setembro do mesmo ano. Evidentemente, essa suposição não pode afastar o direito da Recorrente. Tenho, inclusive, que em nenhum caso meras suposições podem servir para afastar direitos. Pelo que se pode inferir, inclusive através do mais perfunctório raciocínio, se a nota fiscal foi emitida em maio de 2006 e a Instrução Normativa somente obrigou a emissão da declaração em julho de 2006, considerando que a IN é de 17 de julho de 2006, razoável que a declaração somente tenha sido emitida em setembro porque a contribuinte não é obrigada a ter, para cumprir as determinações normativas, o dom da clarividência. Considerando isso e considerando que foi somente esse empecilho apontado pela DRF para aproveitamento do crédito, voto por julgar procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900004/2008-41
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
Composição do Saldo Negativo. Prova. Necessidade.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Decorre daí que o pedido seja, necessariamente, instruído com as provas do indébito tributário do qual se pretende o aproveitamento, sob pena de pronto indeferimento do pleito.
Numero da decisão: 1801-001.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 Composição do Saldo Negativo. Prova. Necessidade. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Decorre daí que o pedido seja, necessariamente, instruído com as provas do indébito tributário do qual se pretende o aproveitamento, sob pena de pronto indeferimento do pleito.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1775; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.900004/200841 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.846 – 1ª Turma Especial Sessão de 11 de fevereiro de 2014 Matéria Compensação Recorrente ELZA FORTUNATO AGUILAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. PROVA. NECESSIDADE. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Decorre daí que o pedido seja, necessariamente, instruído com as provas do indébito tributário do qual se pretende o aproveitamento, sob pena de pronto indeferimento do pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 00 04 /2 00 8- 41 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 4a. Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SPI que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada, contra despacho decisório que não homologou as compensações declaradas nos autos. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em São Paulo/SPI: ... A empresa em epígrafe apresentou PER/DCOMP n° 30713.83383.311003.1.3.020087, em 31/10/2003, para compensação de débitos com o crédito de saldo negativo de IRPJ, anocalendário de 2001, no valor de R$ 6.798,51. 2. Em análise processada pela DERAT foi apurada inconsistência entre a informação registrada no PER/DCOMP, saldo negativo do IRPJ de R$ 6.798,51 e o valor de R$ 27.398,44 informado na DIPJ/2002. 3. A DERAT em decorrência do apurado emitiu o Despacho Decisório (f1.08), em 07/03/2008, com o seguinte teor: "Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado". 4. A Empresa teve ciência do Despacho Decisório em 18/03/2008 e tempestivamente apresentou a Manifestação de Inconformidade, em 11/04/2008 (fls. 12/13), informando que interpretando a orientação do manual de preenchimento da DIPJ/2002, informou o saldo negativo do IRPJ de R$ 27.398,44 que incluía o valor de R$ 20.599,93 de saldo credor anterior, ainda não utilizado, mais R$ 6.798,51 referente ao anocalendário de 2001. 5. Destaca que, apresentou a DIPJ/2002 retificadora, em 24/03/2008, onde está demonstrado o saldo negativo do IRPJ, do anocalendário de 2001, no valor de R$ R$ 6.798,51. ... A Turma Julgadora de 1a. instancia julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob a justificativa de que a interessada teria sido intimada pelo Termo emitido pela DERAT/SP em 07/12/2006 a sanar, no prazo de 20 (vinte) dias, as irregularidades apuradas no preenchimento do PERDCOM, mediante as devidas correções no próprio documento ou na DIPJ respectiva mas que somente teria providenciado a retificação da DIPJ, em 24/03/2008, após ter sido emitido, em 18/03/2008, o despacho decisório denegatório da compensação Alegou, ainda, aquela Turma Julgadora, que a interessada não trouxe aos autos, com a Manifestação de Inconformidade documentos para comprovar a real existência dos saldos negativos de anoscalendário anteriores, como comprovantes de imposto de renda retido na fonte e de recolhimentos de IRPJ realizados através de Darfs que originaram os saldos negativos. Notificada da decisão, em 29/11/2010, como demonstra a cópia do AR à fl. 140 do processo digital, apresentou a interessada, em 20/12/2010, recurso voluntário alegando, em preliminares, que somente recebeu a ciência do despacho decisório em 18/03/2008, tendo apresentado a manifestação de inconformidade em 11/04/2008, dentro, assim, do prazo legal. No mérito, reproduziu os argumentos de defesa deduzidos na manifestação de inconformidade. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.900004/200841 Acórdão n.º 1801001.846 S1TE01 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A Turma Julgadora de 1a. instância indeferiu a manifestação de inconformidade ao argumento inicial de que a interessada teria sido intimada, em 12/2006 pela DERAT/SP a sanar as irregularidades no preenchimento do PERDCOMP e teria se quedado inerte. Aduz que somente após ter sido cientificada do despacho decisório denegatório, em 03/2008, providenciou a recorrente a retificação da DIPJ do anocalendário 2001. A cópia da referida intimação emitida pela DERAT/SP em 07/12/2006 encontrase acostada à fl. 135 do processo digital. Contudo, não há qualquer prova nos autos da ciência dessa intimação pela empresa recorrente. Não há cópia de AR ou de tela de pesquisa do sistema de postagens – SUCOP. Em razão da ausência dessa comprovação, devese considerar que a recorrente não foi cientificada da intimação e, nessas condições, a intimação não foi eficaz, não produziu efeitos e, portanto, não é válida. É, portanto, razoável concluir que a recorrente somente soube da incompatibilidade entre informações prestadas na DIPJ e no PERDCOMP quando foi cientificada do despacho decisório de não homologação das compensações. Nesse momento a recorrente providenciou a retificação da DIPJ, razão pela qual a retificação deveria ser considerada tempestiva. Contudo, ainda que se considere que a retificação da DIPJ foi tempestiva, a recorrente não fez prova da liquidez e certeza do saldo negativo de IRPJ consignado na declaração retificadora e ora pleiteado. Nesse sentido verificase que na DIPJ retificadora do anocalendário 2001 a recorrente efetuou a seguinte apuração final do IRPJ (fl. 92 processo digital): Lucro Real 0,00 IR (15%) 0,00 () Deduções Fl. 308DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 () IRFonte (188,20) () Imposto Pago Estimativa (6.610,31) = Saldo Negativo IRPJ (6.798,51) No ajuste final acima retratado a recorrente nada apurou de imposto e teve deduções de IRRF e Recolhimentos por Estimativa. De acordo com a DIPJ retificadora, os valores devidos de estimativa mensal foram os seguintes: Mês Valor Janeiro 327,02 Fevereiro 32,43 Março 367,39 Abril 91,63 Maio 1.602,89 Junho 467,87 Julho 467,87 Agosto 240,00 Setembro 240,00 Outubro 225,96 Novembro 506,38 Dezembro 2.040,87 Total 6.610,31 Entretanto, nenhum dos recolhimentos acima foi comprovado pela recorrente, que anexou aos autos, cópias de DARFs de recolhimentos de estimativas de IRPJ dos anos calendário 2003, 1999, 1998, 1997 e 1996 (fls. 277 a 300 do processo digital), mas não apresentou qualquer comprovante de quitação das estimativas apuradas no anocalendário 2001, como também não apresentou qualquer comprovante de rendimentos pagos e imposto retido a fim de provar a retenção na fonte, no valor consignado na DIPJ. Como a recorrente não comprovou as parcelas que compõem o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, como já havia alertado a Turma Julgadora de 1a. instância, não há certeza e liquidez no indébito pleiteado, razão pela qual não deve ser Fl. 309DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.900004/200841 Acórdão n.º 1801001.846 S1TE01 Fl. 4 5 reconhecido o direito creditório e não homologadas as compensações pleiteadas nos presentes autos. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 310DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 15471.000568/2006-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
AFASTAMENTO DE PRELIMINAR. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO PARA JULGAMENTO DO MÉRITO.
Afastada a alegação de decadência suscitada pelas instâncias anteriores, retornam os autos para análise do mérito o desde a DRF de origem para na análise do mérito do pedido formulado pelo contribuinte na DIRPF2000.
Recurso Voluntário Provido.
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 2102-002.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para analise do pedido de restituição formulado pelo contribuinte na DIRPF do exercício de 2000.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 06/03/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 AFASTAMENTO DE PRELIMINAR. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO PARA JULGAMENTO DO MÉRITO. Afastada a alegação de decadência suscitada pelas instâncias anteriores, retornam os autos para análise do mérito o desde a DRF de origem para na análise do mérito do pedido formulado pelo contribuinte na DIRPF2000. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para analise do pedido de restituição formulado pelo contribuinte na DIRPF do exercício de 2000. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 06/03/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
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DEVOLUÇÃO DO PROCESSO PARA JULGAMENTO DO MÉRITO. Afastada a alegação de decadência suscitada pelas instâncias anteriores, retornam os autos para análise do mérito o desde a DRF de origem para na análise do mérito do pedido formulado pelo contribuinte na DIRPF2000. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para analise do pedido de restituição formulado pelo contribuinte na DIRPF do exercício de 2000. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 06/03/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 05 68 /2 00 6- 55 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 08/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15471.000568/200655 Acórdão n.º 2102002.820 S2C1T2 Fl. 11 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 24 a 26: O contribuinte supra identificado, por intermédio do pedido de fl. 1, solicitou o recebimento do saldo de sua restituição do anocalendário de 1999 corrigido até 29/09/2006. Por meio da decisão de fls. 15 e 16, a DIORT/DERAT/RJO indeferiu o pedido de restituição apresentado. Após ciência da decisão de fls. 15 e 16, o contribuinte interpôs a petição de fls. 18 e 19, pleiteando, em síntese, que no decorrer do procedimento fiscal, o auditor informou que o contribuinte estaria correto, todavia estaria liberando parte da restituição no valor de R$ 446,29, restando a importância de R$ 5.019,40. O auditor teria lhe informado para localizar a empresa responsável pela retenção do imposto já que a Receita não teria logrado êxito. Alega não ser responsável pela retenção por parte da empresa Louças e Ferragens Juquinha Ltda., na qual trabalhou sem vinculo empregatício. Teria utilizado os RPAs para fazer a sua declaração dentro do prazo, pois não encontrou a empresa para que lhe fosse entregue o informe de rendimentos.Não recebeu comunicado da Receita relativo a sua restituição, apesar de ter solicitado dentro do prazo a contar da última movimentação. A intimação e o extrato anexados foram decorrentes do primeiro pronunciamento da Receita, logo, entrou dentro do prazo, 21/09/06. A sua moléstia ocorreu após o fato da restituição, tendo solicitado esta importância para se cuidar. Pede o deferimento do pleito. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, indeferiu a solicitação de restituição, pela extinção do prazo para repetição do indébito. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 28 a 29, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e reconhecimento do seu direito a restituição da diferença glosada do IRPF2000, fl. 22. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 08/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15471.000568/200655 Acórdão n.º 2102002.820 S2C1T2 Fl. 12 3 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Do que consta nos autos, concluo o seguinte: Desde o princípio do presente processo, considerouse como início do pedido do contribuinte de fl. 01 e com base na respectiva data de apresentação desse pedido considerouse que o prazo para o pedido teria sido ultrapassado, tanto na DERAT/RJ, fl. 15, quanto na DRJ/RJO II, fl. 24. Ocorre que na verdade, no presente caso, o pedido de restituição inicial do contribuinte veio com a apresentação da sua DIRPF2000, entregue em 22/03/200, fl 05. A RFB, por sua vez, caso entendese que não era devida a isenção posta na declaração entregue pelo contribuinte, deveria, após os esclarecimentos necessários junto ao sujeito passivo, emitido uma Notificação de Lançamento com prazo legal de impugnação de 30 dias, dentro do rege as regras do contraditório e ampla defesa. Contudo, isso não foi feito, após os esclarecimentos solicitados, via intimação de fl. 06, a RFB, normatizou a DIRPF do contribuinte e apenas o intimou do saldo remanescente da sua restituição, fl. 03, sem demonstrar as razões da glosa, demonstrativos de lançamento e tampouco abrindo o prazo legal para a sua impugnação. Esse procedimento, cerceou sem dúvidas o direito de defesa do sujeito passivo, contrariando o que dispões o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (...) Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...) Art. 14.A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. A rigor a falta notificação de lançamento acerca da omissão de rendimentos, com a devida ciência pelo contribuinte permite dizer que sequer, no presente caso, se instaurou a fase litigiosa e não há que se falar em extinção do prazo para requerimento da petição do indébito. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 08/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15471.000568/200655 Acórdão n.º 2102002.820 S2C1T2 Fl. 13 4 O verdadeiro pedido de restituição ocorreu com a entrega da DIRPF2000. A normatização feita com o extrato de fls. 06 não inicia qualquer prazo decadencial, o que teria acontecido no caso de ter sido feito a glosa e efetivado por notificação de lançamento ou auto de infração, com o devido prazo para impugnação. O pedido de 2006, fl.01, na verdade é só um requerimento intermediário feito pelo contribuinte pedindo a tramitação do sua restituição na DIRPF2000. Pelo exposto, voto para o AFASTAMENTO DA DECADÊNCIA determinada pelas instâncias anteriores e retornamos o processo para a DRF de origem para que analise o pedido de restituição da DIRPF2000, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 08/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 11060.002735/2005-01
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002, 2003, 2004
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA PARA ATUALIZAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE. NECESSIDADE DE ADOÇÃO DE CRITÉRIO ISONÔMICO.
No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária (STF - Repercussão Geral).
Numero da decisão: 1803-002.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2002, 2003, 2004 EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. IMUNIDADE. DESCABIMENTO. As empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) não têm direito às imunidades previstas nos arts. 149, § 2º, inciso I, e 153, § 3º, inciso III, da Constituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002, 2003, 2004 TAXA SELIC. INCIDÊNCIA PARA ATUALIZAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE. NECESSIDADE DE ADOÇÃO DE CRITÉRIO ISONÔMICO. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 27 35 /2 00 5- 01 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11060.002735/200501 Acórdão n.º 1803002.088 S1TE03 Fl. 505 2 rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária (STF Repercussão Geral). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11060.002735/200501 Acórdão n.º 1803002.088 S1TE03 Fl. 506 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 364 a 367): Em atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização – MPFF nº 10.1.03.002005000654 (fl. 1), o contribuinte acima identificado foi fiscalizado nos anoscalendário de 01/2001 a 12/2004. Foi lavrado o Auto de Infração de folhas 275 a 315 pelas seguintes infrações: a) Diferença de base de cálculo, caracterizada por receitas registradas nos livros fiscais, mas não declaradas, conforme demonstrativo às folhas 243 e 249; b) Insuficiência de recolhimento por insuficiência de valores recolhidos (recolhimentos a menor) e de alteração de alíquota decorrente das receitas omitidas. Relatório da Ação Fiscal, parte integrante do auto de infração, consta às folhas 273 e 274. Exigese do contribuinte o crédito tributário de R$ 322.171,18, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fl. 02). O contribuinte tomou ciência do auto de infração em 06/12/2005, conforme Aviso de Recebimento – AR à folha 316. Observase, ainda, que a empresa apresentou pedido de exclusão do Simples, em 13/09/2004, conforme apontado no “Relatório de Fiscalização – Descrição dos fatos” (fl. 273). Esse pedido foi objeto do processo administrativo nº 13048.000146/200492. Consta no mesmo relatório que o pedido de que trata o referido processo foi juntado aos autos do presente processo às folhas 73 a 153. Também foi incluída no presente processo cópia da manifestação de inconformidade, apresentada em 04/01/2006, conforme folhas 318 a 322, e a respectiva instrução (fls. 323 a 332). A impugnação foi apresentada em 05/01/2006, conforme consta às folhas 333 a 352, e foi instruída com cópias ou originais de documentos de folhas 353 a 360. Os argumentos do impugnante são, em síntese, os seguintes: segundo a fiscalização, a opção pelo Simples impõe a tributação das receitas oriundas de exportação, tendo supostamente a impugnante informado a menor suas receitas nas declarações dos exercícios de 2002 a 2004; argumenta que a própria fiscalização reconheceu que houve pedido de exclusão do sistema Simples, com efeitos retroativos a janeiro de 2003 (Processo 13048.000146/200492); acrescenta que esse pedido encontrase pendente de decisão definitiva; sobre esse pedido, lembra, ainda, que o mesmo teria sido indeferido pelo Delegado da DRF, pela constatação de pendência formal; ainda sobre o pedido de exclusão do Simples, com efeitos retroativos a partir de 1º/01/2003, diz que a empresa passou a apurar seus resultados com base no lucro Fl. 506DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11060.002735/200501 Acórdão n.º 1803002.088 S1TE03 Fl. 507 4 real, tendo apresentado DCTFs do 1º ao 4º trimestre de 2003 e do 1º e 2º trimestre de 2004, e declaração simplificada/2004; argumenta que o indeferimento do pedido de exclusão fere princípios constitucionais e princípios da legislação tributária; diz que o ato que indeferiu a exclusão do contribuinte do Simples seria ilegal e arbitrário; aponta a violação dos Princípios da segurança jurídica e da legalidade e inobservância das disposições do inciso III do artigo 100 do CTN; conclui que problemas meramente formais não têm o condão de invalidar o pedido de exclusão do Simples; informa que a pendência formal teria ocorrido pelo fato de que a alteração cadastral, encaminhada em 27/12/2002, não foi atendida; insiste que, a partir de 1º/01/2003, a empresa possui contabilidade e apura seus resultados com base no lucro real; cita a doutrina de Celso Ribeiro Bastos, no sentido de que a administração deve levar em “conta tanto a segurança jurídica, tão prestigiada pelo direito, quanto a boafé do administrado”; conclui que a boafé da impugnante está amplamente demonstrada; argumenta que, no presente caso, devem ser observados os princípios da boafé, da estabilidade das relações jurídicas e da teoria da aparência, pois vem se comportando como optante pelo Lucro Real; insiste que o indeferimento do pedido de exclusão do Simples, com efeitos retroativos a 1º/01/2003, apresentado em 13/09/2004, fere disposições do artigo 100 do CTN, que transcreve; entende que a DRF, a partir de 1º/01/2003, aceitou que a interessada tem contabilidade e optou por apurar seus resultados com base no lucro real; entende que houve concordância implícita com a alteração cadastral pretendida; sustenta que tal atitude representa norma complementar e, como tal, deve ser respeitada; também insiste no argumento de que o enquadramento do contribuinte no Simples é uma opção, sendo descabido o indeferimento do pedido de exclusão do referido sistema; diante desses argumentos, entende descabida a afirmação de que teria omitido receitas; Sob o título “Da inexistência de omissão de receita” argumenta: argumenta que a afirmação de omissão de receita foi feita pela fiscalização sem que “haja qualquer desclassificação da escrita fiscal do contribuinte”; entende que a fiscalização só poderia concluir pela ocorrência de omissão de receita após a imprescindível desqualificação da contabilidade do contribuinte; sobre a matéria acrescenta que a contabilidade regular faz prova a favor do contribuinte; nesse sentido, cita ementas de Acórdãos do 1º Conselho de Contribuintes; argumenta que, “para configurar a omissão de receitas, é fundamental a ausência de escrituração, ou então, a contabilização irregular da operação”; Fl. 507DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11060.002735/200501 Acórdão n.º 1803002.088 S1TE03 Fl. 508 5 lembra que “as contribuições sociais e de intervenção de domínio econômico de que trata o caput deste artigo não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação” (art. 149, § 2º, inciso I); Sob o título “Da impossibilidade de utilização da taxa SELIC” argumenta: diz ser improcedente a cobrança de juros de mora com base na Lei nº 8.981/95, combinado com o artigo 13 da Lei nº 9.065/95; argumenta que é taxa remuneratória do capital aplicado e não serve para medir qualquer indenização pela mora; sustenta tratarse de aumento do crédito tributário através de simples ato expedido pela própria administração, o que representaria a majoração do tributo sem lei; sobre os juros, cita a doutrina de Geraldo Ataliba e Hector Villegas, no sentido de que os juros têm caráter meramente indenizatório; diz que a exigência de juros pela taxa SELIC fere os princípios do direito adquirido, da irretroatividade, da anterioridade quando pretende o aumento da carga tributária através de mero ato administrativo; acrescenta que também estaria sendo violado o princípio da estrita legalidade tributária, da isonomia e o da vedação ao enriquecimento sem causa; também afirma que a utilização da taxa SELIC caracteriza típica situação de confisco vetado pela CF (art. 15, IV); acrescenta que a cobrança de juros pela taxa SELIC fere as disposições do artigo 161 do CTN que transcreve; lembra que as disposições desse dispositivo não poderiam ser modificadas por lei ordinária, porque o CTN passou a ter o status de lei complementar; argumenta que uma lei ordinária apenas poderia diminuir o percentual dos juros de mora fixados no CTN, nunca aumentálo; sobre a matéria cita a doutrina de José Eduardo Queiroz Regina e de Bernardo Ribeiro de Morais; conclui que a cobrança de juros pela taxa SELIC é ilegal, por extrapolar o limite de 1% ao mês; Sob o título “Do excesso de penalidade” traz os seguintes argumentos: diz que a multa de ofício de 75% seria confiscatória; lembra o princípio constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco (CF, art. 150. IV); lembra que, inicialmente, o Código de Defesa do Consumidor estabelecia a multa de mora de 10%, mais tarde reduzido para 2%, porque, conforme seus argumentos, a alíquota inicial seria um exagero. Requer a nulidade do auto de infração, considerando a regularidade da escrita fiscal do contribuinte, considerando que apura seus resultados pelo Lucro Real e considerando que o processo administrativo referente à exclusão do Simples encontrase em fase recursal. Alternativamente requer a exclusão da taxa SELIC, ou, ainda alternativamente, que os juros não extrapolem 1% ao mês e que a multa de ofício seja reduzida, de forma a não representar o confisco. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 363 e 364): Fl. 508DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11060.002735/200501 Acórdão n.º 1803002.088 S1TE03 Fl. 509 6 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2001, 31/03/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/11/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 IRPJSIMPLES. RECEITA BRUTA. Considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. IRPJSIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. Da receita bruta podem ser excluídas apenas as parcelas que correspondem a vendas canceladas e descontos incondicionais concedidos, caracterizandose como omissão de receita a exclusão de qualquer outra parcela. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA E INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A verificação de diferença na base de cálculo, representada por omissão de receita, ou insuficiência de recolhimento do imposto pela sistemática do SIMPLES constituem infrações que autorizam a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. DUPLICIDADE DE ÍNDICES. INOCORRÊNCIA. Cobramse juros de mora com a aplicação da taxa Selic por expressa determinação legal. Não há dupla incidência da taxa Selic e juros moratórios de 1%, mas substituição desta por aquela. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL, COFINS, e CSSINSS Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Lançamento Procedente. 3. Cientificada da referida decisão em 29/08/2008 (fls. 381), a tempo, em 12/09/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 383 a 401, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. 4. Consta, de fls. 468, despacho pelo qual foi efetuado o sobrestamento do presente julgamento, nos termos do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). 5. Tendo, porém, a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogado os §§ 1º e 2º do referido art. 62A do RICARF, retorna o processo para prosseguimento do julgamento, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Em mesa para julgamento. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11060.002735/200501 Acórdão n.º 1803002.088 S1TE03 Fl. 510 7 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Limites da lide 6. Em discussão, no presente processo, autos de infração de IRPJ e decorrentes relativos aos anoscalendário de 2001 a 2003, na sistemática de apuração do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). 7. Não será objeto de exame o pedido de exclusão do Simples com efeitos retroativos, apresentado pela Recorrente, e que deu origem ao processo de nº 13048.000146/200492. Por decorrência, não serão analisados os argumentos que digam respeito exclusivamente àquele processo. 8. De todo modo, como informa a decisão recorrida, “tratase de processo que se encontra findo administrativamente, por não ser possível a interposição de qualquer recurso” (fls. 368). 9. Remanesce, portanto, apenas a matéria relativa à omissão de receitas, à multa de ofício aplicada e aos juros de mora exigidos. Preliminar de nulidade arguida 10. Afirma a Recorrente que a fiscalização só poderia concluir pela ocorrência de omissão de receita após a imprescindível desqualificação da contabilidade do contribuinte e que, para configurar a omissão de receitas, é fundamental a ausência de escrituração ou então a contabilização irregular da operação. 11. Argui, ainda, a nulidade do auto de infração, considerando a regularidade da escrita fiscal e considerando que apura seus resultados pelo Lucro Real. 12. Sucede que a ocorrência de omissão de receita independe de eventual desqualificação da contabilidade do contribuinte, bastando, tão somente, a falta de contabilização de receitas tributáveis, como ocorreu no presente caso (receitas de exportação fls. 156). 13. Não procede a preliminar de nulidade arguida. Imunidade sobre receitas decorrentes de exportação 14. Lembra a Recorrente que “as contribuições sociais e de intervenção de domínio econômico de que trata o caput deste artigo não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação” (art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal) Fl. 510DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11060.002735/200501 Acórdão n.º 1803002.088 S1TE03 Fl. 511 8 15. Contudo, a jurisprudência judicial sobre a questão é, toda ela, contrária à pretensão da Recorrente: TRIBUTÁRIO. SIMPLES . IMUNIDADE . ARTIGOS 149, § 2º, I e 153, § 3º, III, da CF/88. INAPLICABILIDADE. Tratandose de empresa que optou pelo SIMPLES para efetuar o recolhimento dos tributos devidos, a ela não se aplicam as imunidade s previstas nos artigos 149, § 2º, I e 153, § 3º, III, da CF/88, uma vez que o recolhimento ocorre de forma unificada, com base na receita bruta da empresa, não sendo possível individualizar a parcela referente a cada um dos tributos e, da mesma forma, sobre o que estaria abrangido pela imunidade. (TRF4, 2ª TURMA, AMS Nº 2004.71.07.0067889/RS, REL. DES. FEDERAL DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, POR UNANIMIDADE, DJU 7/12/2005) [...]. TRIBUTÁRIO EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES ART. 149, § 2.º E ART. 153, § 3.º, III, DA CONSTITUIÇÃO IMUNIDADE IPI CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS COFINS CSLL CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS IMPOSSIBILIDADE. 1 A Corte Especial do TRF da 4ª Região rejeitou a argüição de inconstitucionalidade do art. 5º, § 5º, da Lei nº 9.317/96, segundo o qual a “inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS”. 2 A empresa optante do SIMPLES não pode se beneficiar da imunidade prevista nos arts. 149, § 2.º, I, e 153, § 3.º, III, da Constituição Federal. (TRF DA 4ª REGIÃO, AMS Nº 2004.71.07.0067865/RS, 2ª TURMA, REL. DESEMBARGADOR FEDERAL ANTÔNIO ALBINO RAMOS DE OLIVEIRA, DJU DE 15.02.2006) [...]. TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. LEI N.º 9.317/96. ART. 149, §2.º E ART. 153, §3.º, INC. III, AMBOS DA CF/88. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. IPI. PIS. COFINS. CSLL. IMPOSSIBILIDADE. 1. O legislador constituinte procurou destacar duas situações distintas: a das empresas de médio e grande porte, que poderão gozar do conjunto de imunidades supramencionado, e a das microempresas e empresas de pequeno porte que, merecendo tratamento diferenciado, possui outra gama de benefícios. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11060.002735/200501 Acórdão n.º 1803002.088 S1TE03 Fl. 512 9 2. Não se pode admitir que uma empresa se enquadre nas duas situações de forma simultânea, gozando de ambos os benefícios, construindose, assim, um sistema híbrido inaceitável e flagrantemente em confronto com o intuito do legislador constituinte, claramente expressado no corpo da Constituição. 3. No caso em foco, a Impetrante optou pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, devendo, pois, conformarse com os benefícios previstos na Lei n.º 9.317/96. 4. Apelo improvido. (AMS 200572060000999, MARCOS ROBERTO ARAUJO DOS SANTOS, TRF4 SEGUNDA TURMA, DJ 26/07/2006 PÁGINA: 724.) [...]. TRIBUTÁRIO. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. LEI N.º 9.317/96. ART. 149, § 2.º E ART. 153, § 3.º, INC. III, AMBOS DA CF/88. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. IPI. PIS. COFINS. CSLL. IMPOSSIBILIDADE. 1. O legislador constituinte procurou destacar duas situações distintas: a das empresas de médio e grande porte, que poderão gozar do conjunto de imunidades supramencionado, e a das microempresas e empresas de pequeno porte que, merecendo tratamento diferenciado, possui outra gama de benefícios. 2. Não se pode admitir que uma empresa se enquadre nas duas situações de forma simultânea, gozando de ambos os benefícios, construindose, assim, um sistema híbrido inaceitável e flagrantemente em confronto com o intuito do legislador constituinte, claramente expressado no corpo da Constituição. 3. No caso em foco, a Impetrante optou pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, devendo, pois, conformarse com os benefícios previstos na Lei n.º 9.317/96. 4. Apelo improvido. (AMS 200571070004896, DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, TRF4 SEGUNDA TURMA, DJ 16/08/2006 PÁGINA: 399.) [...]. TRIBUTÁRIO. LEI Nº 9.317/96. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. ARTIGOS 149, § 2º, INCISO I (INCISO ACRESCENTADO PELA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 33/2001), E 153, § 3º, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMUNIDADES. IMPOSSIBILIDADE. 1. A lei do SIMPLES obedece aos parâmetros de adequação, proporcionalidade e razoabilidade e sob esse aspecto não se há de afastar os seus dispositivos. Não se pode construir um Fl. 512DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11060.002735/200501 Acórdão n.º 1803002.088 S1TE03 Fl. 513 10 “SIMPLES híbrido”, ao desamparo da lei, sob o pretexto de ser mais favorável ao contribuinte. 2. Devese ter o distanciamento necessário para perceber que o tratamento diferenciado a ser ofertado às microempresas e às empresas de pequeno porte não pode chegar ao ponto de que lhes sejam estendidas as imunidades em discussão, visto que corresponderia a um favorecimento incompatível com a totalidade do sistema. 3. As imunidades prevista nos artigos 149, § 2º, inciso I (inciso acrescentado pela Emenda Constitucional nº 33/2001), e 153, § 3º, inciso III, da Constituição Federal não se aplicam à impetrante. (AMS 200572060001001, MARGA INGE BARTH TESSLER, TRF4 SEGUNDA TURMA, 20/09/2006) [...]. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. IMUNIDADE NAS EXPORTAÇÕES IPI, COFINS, PIS, CSLL. IMPOSSIBILIDADE. A adesão ao Sistema é facultativa e, uma vez admitida, sujeita o contribuinte ao regime tributário imposto. Inexiste, portanto, direito líquido e certo de o contribuinte valerse do regramento tãosomente para alguns tributos, deixando de obedecêlo nos pontos que entenda abrangido por benefício fiscal mais vantajoso, sob pena de se subverter o desiderato legislativo consubstanciado na Lei nº 9.317/96 (que visou a um grupo diferenciado de contribuintes, nos exatos termos do art. 179 da Constituição Federal de 1988), inventando um sistema “misto”. O impedimento de os contribuintes gozarem imunidades de tributos arrecadados de forma simplificada não ofende e nem limita as normas constitucionais imunizatórias. (AMS 200572060000987, VILSON DARÓS, TRF4 – PRIMEIRA TURMA, 14/02/2007) [...]. TRIBUTÁRIO. PIS, COFINS, CSLL E CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IMUNIDADE. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. 1. A empresa optante do SIMPLES não pode se beneficiar da imunidade prevista nos arts. 149, § 2º, I, e 153, § 3º, III, da Constituição Federal, uma vez que o recolhimento das contribuições por ela devidas ocorre de forma unificada, com base na receita bruta da empresa, não sendo possível individualizar a parcela referente a cada um dos tributos e, da mesma forma, sobre o que estaria abrangido pelo benefício constitucional. 2. Ao exercer a opção pelo sistema unificado, a empresa não pode pretender manter os benefícios previstos na Lei 9.317/96 e, Fl. 513DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11060.002735/200501 Acórdão n.º 1803002.088 S1TE03 Fl. 514 11 concomitantemente, obter aquele estabelecido pelos arts. 149, § 2º, e 153, § 3º, III, da Constituição Federal, sob pena de instituir um sistema híbrido sem respaldo na legislação de regência. AMS Nº 2005.72.06.0000975/SC, 1ª TURMA, REL. JUÍZA VIVIAN JOSETE PANTALEÃO CAMINHA, D.E. 08082007) [...]. TRIBUTÁRIO. SIMPLES. IMUNIDADES. ARTS. 149, § 2º, I, e 153, § 3º, III, DA CF. As imunidades da receita de exportação (art. 149, § 2º, I, da CF) e da saída de produtos industrializados destinados ao exterior (art.153, § 3º, III, da CF) abrangem, respectivamente, o COFINS e a PIS e o IPI, não alcançando a CSLL e as contribuições previdenciárias, que incidem sobre outras bases econômicas. Quanto à compatibilidade entre tais imunidades e o SIMPLES, vejamos. Em primeiro lugar, no regime SIMPLES, para as faixas de iniciais de receita, sequer há qualquer percentual correspondente ao PIS, pois o art. 23 da Lei 9.317/96 indica 0% destinados ao PIS. Em segundo lugar, o SIMPLES não é tributo que incida sobre a receita, mas modo simplificado de recolhimento de tributos, opcional para o contribuinte. No SIMPLES, a receita bruta é mera referência para a definição de valor que implique menor ônus tributário para a ME e para a EPP, com base nela sendo apurado montante a recolher que faz as vezes de inúmeros tributos incidentes sobre as mais diversas bases de cálculo. Em terceiro lugar, a Impetrante sequer alega que não realize operações no mercado interno, não abrangidas pelas imunidades. É, pois, contribuinte do PIS, da COFINS e do IPI. Em quarto lugar, a destinação de percentual daquilo que é arrecadado no SIMPLES à conta de tal ou qual tributo não é, propriamente, uma apuração do valor devido a título de cada qual, mas mero rateio para as diversas destinações custeadas pelos tributos abrangidos pelo SIMPLES. Basta ver que, apurados efetivamente tais tributos, conforme a legislação de cada qual, consideradas suas bases de cálculo e alíquotas, o montante devido individualmente implicaria, na soma, valores bem superiores aos pagos no SIMPLES. AMS Nº 2004.71.07.0067853/RS, 2ª TURMA, REL. DES. LEANDRO PAULSEN, D.E. 11102007) [...]. TRIBUTÁRIO EMPRESA OPTANTE DO SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS Fl. 514DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11060.002735/200501 Acórdão n.º 1803002.088 S1TE03 Fl. 515 12 DE PEQUENO PORTE IMUNIDADE ARTS. 149, § 2º, I, e 153, § 3º, III, DA CONSTITUIÇÃO. As empresas optantes do SIMPLES não têm direito às imunidades previstas nos arts. 149, § 2º, I, e 153, § 3º, III, da Constituição. (AMS Nº 2005.71.01.0043360/SC, 2ª TURMA, REL. DES. FEDERAL ANTÔNIO ALBINO RAMOS DE OLIVEIRA, D.E. 11 102007) [...]. TRIBUTÁRIO. SIMPLES. IMUNIDADES. ARTS. 149, § 2º, I, E 153, § 3º, III, DA CF. INCOMPATIBILIDADE. É incompatível o regime do SIMPLES com as imunidades das receitas de exportação previstas nos art. 149, § 2º, I, da CF e 153, § 3º, III, da Constituição. (AMS 200471070067890, ELOY BERNST JUSTO, TRF4 SEGUNDA TURMA, D.E. 09/07/2008.) [...]. TRIBUTÁRIO. EMPRESA OPTANTE DO SIMPLES. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ARTS. 149, § 2º, I, E 153, § 3º, III, DA CF. INCOMPATIBILIDADE. A empresa optante do SIMPLES não pode gozar das imunidades previstas nos arts. 149, § 2º, I, e 153, § 3º, III, da CF, porquanto se sujeita a regime unificado de recolhimento das exações, o qual não permite a individualização da parcela referente a cada exação. Admitir a pretensão implicaria conjugar dois benefícios fiscais incompatíveis, concebendo sistema híbrido, o que não pode ser admitido. (AMS Nº 2005.72.01.0043371, 2ª TURMA, REL. DES. FEDERAL OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, D.E. 101208) [...]. TRIBUTÁRIO. SIMPLES. LEI Nº 9.317/96. IMUNIDADE. ART. 149, § 2º, I, DA CF. INCOMPATIBILIDADE. 1. O art. 149 da Constituição Federal deixou para a legislação ordinária não apenas a definição do critério para a empresa ser considerada micro ou pequena empresa, mas também o estabelecimento de outros critérios e parâmetros a serem igualmente por ela observados, a fim de, querendo, fazer jus à opção pelo SIMPLES. 2. Assim, no momento em que o contribuinte opta pela inscrição no SIMPLES, deve se sujeitar às condições e requisitos estabelecidos na Lei nº 9.317/96, já que a possibilidade de conjunção de suas regras com outros regramentos tributários certamente desnaturaria o sistema. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11060.002735/200501 Acórdão n.º 1803002.088 S1TE03 Fl. 516 13 3. A apuração de cada tributo segundo sua legislação de regência certamente resultaria em montante bem mais elevado do que o resultante do regime da Lei nº 9.317/96, não mais sendo possível, portanto, nesse regime, a consideração isolada de alguns tributos de modo a separar, da receita bruta auferida pela empresa, apenas as receitas decorrentes de exportação, extraindose a funcionalidade e efetividade do sistema justamente pela aplicação global e integral de seus benefícios. 4. Apelação improvida. Agravo retido prejudicado. (AMS 00034043920064036108, DESEMBARGADORA FEDERAL CONSUELO YOSHIDA, TRF3 SEXTA TURMA, EDJF3 JUDICIAL 1 DATA:28/10/2010 PÁGINA: 1586 ..FONTE_REPUBLICACAO:.) [...]. TRIBUTÁRIO. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA NAS VENDAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. 1. Embora se entenda que, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro (art. 4º do DL 288/67 c/c art. 40 do ADCT), tal regra não se aplica às empresas optantes pelo regime do SIMPLES Nacional. 2. É que tal regime, nos termos da LC 123/2006, já contempla tratamento diferenciado às microempresas e às empresas de pequeno porte, com um sistema tributário simplificado e uma gama de benefícios que lhes assegura competitividade no mercado, a teor dos artigos 170 e 179 da Constituição Federal. Nesse sentido, não são estendidas às empresas enquadradas no regime do SIMPLES as imunidades tributárias nas exportações para o estrangeiro, a exemplo do previsto nos artigos 149, parágrafo 2º, I, e 153, parágrafo 3º, III, da CF/88, o que é reservado apenas às empresas de médio e grande porte que se submetem ao regime normal de tributação. 3. Por conseguinte, se não há previsão legal de benefícios fiscais para as empresas inseridas no SIMPLES Nacional em relação às exportações para o exterior, não há se falar em imunidade tributária nas vendas efetuadas, por tais empresas, à Zona Franca de Manaus. 4. Ademais, como bem salientado na sentença, “ao aderir ao Simples, deve a empresa se submeter às suas normas, não lhe sendo permitido aproveitar apenas aquilo que lhe é favorável em cada regime, criando uma modalidade híbrida de tributação. Em verdade, a jurisprudência pátria vem se cristalizando no sentido de que 'o SIMPLES consubstanciase em benefício fiscal que estabelece tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, com regramento próprio. O SIMPLES não é uma imposição, mas constitui uma faculdade, devendo aquele que usufrui de suas Fl. 516DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11060.002735/200501 Acórdão n.º 1803002.088 S1TE03 Fl. 517 14 benesses submeterse ao seu sistema.' (TRF da 4ª Região AMS 2004.72.01.0066809/TRF Rel. Juíza Federal Maria Helena Rau de Souza, j. 12.2.2008)”. 5. Apelação improvida. (AC 200881000057910, DESEMBARGADOR FEDERAL FRANCISCO CAVALCANTI, TRF5 PRIMEIRA TURMA, DJE DATA::25/03/2011 PÁGINA::388.) [...]. AGRAVO REGIMENTAL. JULGAMENTO POR DECISÃO MONOCRÁTICA. ART. 557, §1ºA, DO CPC. IMPROVIMENTO. [...]. 3. “Ao aderir ao Simples, deve a empresa se submeter às suas normas, não lhe sendo permitido aproveitar apenas aquilo que lhe é favorável em cada regime, criando uma modalidade híbrida de tributação. Em verdade, a jurisprudência pátria vem se cristalizando no sentido de que “o SIMPLES consubstanciase em benefício fiscal que estabelece tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, com regramento próprio. O SIMPLES não é uma imposição, mas constitui uma faculdade, devendo aquele que usufrui de suas benesses submeterse ao seu sistema.” (TRF/4R, AMS 2004.72.01.0066809, Rel. Juíza Federal MARIA HELENA RAU DE SOUZA, j. 12/02/2008). 4. Como se vê, a decisão agravada resolveu de maneira fundamentada as questões discutidas na sede recursal, na esteira da orientação jurisprudencial já consolidada em nossas cortes superiores acerca da matéria. O recurso ora interposto não tem, em seu conteúdo, razões que impugnem com suficiência a motivação exposta na decisão monocrática. 5. Agravo regimental improvido. (AMS 00008682620044036108, JUIZ CONVOCADO LEONEL FERREIRA, TRF3 QUARTA TURMA, eDJF3 Judicial 1 DATA:19/04/2012 ..FONTE_REPUBLICACAO:.) 16. Do AMS 200572060000987, VILSON DARÓS, TRF4 – PRIMEIRA TURMA, 14/02/2007, acima referenciado, transcrevo os seguintes excertos: Com efeito, a objeção da Fazenda encontra guarida na lei. O tratamento favorecido conferido à impetrante pela Constituição Federal é um dos princípios norteadores da ordem econômica nacional. Por sua vez, como já visto anteriormente, as imunidades constitucionais são normas negativas de competência tributária a limitar o poder ordinário de tributar. O impedimento de os contribuintes gozarem imunidades de tributos arrecadados de forma simplificada não ofende ou limita as normas constitucionais imunizatórias. Tãopouco há incompatibilidade entre esses dispositivos. A questão deve ser Fl. 517DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11060.002735/200501 Acórdão n.º 1803002.088 S1TE03 Fl. 518 15 analisada de forma a contemplar a totalidade de um sistema diferenciado de arrecadação que traz uma gama de benefícios a determinado segmento econômico. O exegeta deve harmonizar as normas aparentemente antinômicas, buscando o alcance de cada uma diante do sistema como um todo. [...]. A adesão ao Sistema é facultativa e, uma vez admitida, sujeita o contribuinte ao regime tributário imposto. Inexiste, portanto, direito líquido e certo de o contribuinte valerse do regramento tãosomente para alguns tributos, deixando de obedecêlo nos pontos que entenda abrangido por benefício fiscal mais vantajoso, sob pena de se subverter o desiderato legislativo consubstanciado na Lei nº 9.317/96 (que visou a um grupo diferenciado de contribuintes, nos exatos termos do art. 179 da Constituição Federal de 1988), inventando um sistema “misto”. Multa de ofício confiscatória 17. Tratandose de alegação de inconstitucionalidade de lei, incide na espécie a Súmula CARF nº 2, de seguinte teor: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Taxa de juros Selic 18. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 19. Relativamente à questão da incidência da taxa Selic para atualização de débitos tributários, é o seguinte o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), na sistemática de Repercussão Geral (art. 543B do CPC): 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. [...]. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11060.002735/200501 Acórdão n.º 1803002.088 S1TE03 Fl. 519 16 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 582461, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 18/05/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL0256802 PP00177) Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 519DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10580.720769/2009-64
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello, Relator.
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 07 69 /2 00 9- 64 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello, Relator. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720769/200964 Acórdão n.º 2802002.776 S2TE02 Fl. 130 3 EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2 e ss.), relativo ao IRPF, exercícios de 2005 a 2007, em razão de suposta classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Esclareçase que tratase de rendimentos recebidos em razão da Lei estadual baiana de número 8730/2003 e dizem respeito a diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração da contribuinte de Cruzeiro Real para URV, pagas mensalmente de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Registrese que serviram de fundamento à referida Lei Estadual as Ações Ordinárias nos 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal. Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 41 e ss., aos seguintes fundamentos: (i) que os rendimentos em questão são isentos de tributação, por seu caráter indenizatório, não havendo a mencionada classificação indevida de rendimentos; (ii) que o dever de retenção do tributo era da fonte pagadora e não da contribuinte; (iii) que a fonte pagadora levou a contribuinte, pelo demonstrativo que lhe forneceu, a classificar como isentos os rendimentos de que ora se trata, não se podendo imputar à mesma responsabilidade por tal fato; (iv) que a lei estadual supracitada expressamente apontou como de natureza indenizatória os valores de que aqui se trata e, se nisso há alguma impropriedade, é de responsabilidade do legislador estadual e não da contribuinte; (v) cita a legislação federal e requer, caso mantida a infração, que seja exonerada do pagamento da multa por não ter dado causa à situação de que aqui se trata; (vi) que a aplicação da alíquota vigente no momento da autuação, em caso de rendimentos recebidos a destempo acumuladamente com os rendimentos correspondentes ao mês trabalhado, é causa de nulidade do lançamento, de vez que deveria ter sido aplicada a alíquota vigente ao momento em que os rendimentos deveriam ter sido originariamente pagos e não o foram; (vii)cita a jurisprudência de diversos tribunais, de tribunais superiores e do Supremo Tribunal Federal; (viii) cita a jurisprudência administrativa do CARF; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 (ix) que tratase de receitas de tributo federal que, no entanto, devem permanecer nos cofres estaduais, pela distribuição das receitas tributárias, e se o próprio Estado legislou no sentido do caráter indenizatório de tais valores, renunciou a estas receitas; (x) que, sendo, segundo a jurisprudência, a União parte ilegítima para figurar em relação processual em que servidor estadual pretenda a isenção ou não incidência de IRRF, também não cabe à União exigir do Estado a retenção do imposto, se este não o fez; (xi) que também não há incidência de imposto de renda sobre juros moratórios e assim, ainda que se entenda devido o imposto sobre as diferenças em questão, não incide o mesmo sobre os juros moratórios pagos em razão do lapso temporal decorrido entre o momento em que o pagamento deveria ter sido feito e o momento do efetivo pagamento; (xii) que o STF fez expedir a Resolução n.245/2002 em razão da qual os magistrados federais não sofreram a incidência do IR no recebimento de verbas de idêntica natureza, havendo violação do princípio da isonomia na tentativa de impor tal exação aos magistrados estaduais; Em sessão realizada em 16 de fevereiro de 2011 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, a turma julgou IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, fundamentando que os argumentos utilizados pelo Contribuinte afirmando os atos estavam em acordo com a legislação estadual da Bahia não justificam o recolhimento indevido, pois, deve ser considerada a legislação federal. Quanto ao art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720769/200964 Acórdão n.º 2802002.776 S2TE02 Fl. 131 5 Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia. O impugnante destacou que o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV12/2007. Entretanto, a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante. Da mesma forma, a Nota Técnica Cosit nº 4, de 29 de abril de 2009, que subsidiou tal informação, não vincula o presente julgamento, por não se tratar de norma complementar, nos termos do art. 100 do CTN. Quanto à Nota AGU/AV12/2007 mencionada no Parecer PGFN/CAT/nº 179/2009, que conclui pela não incidência de multa no imposto devido pelos servidores do TRE SP, em razão de recebimento da verba referente a URV, cabe observar que se trata de um comando de abrangência restrita, e não uma norma de caráter abstrato que vincule a presente Turma de Julgamento. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Intimado da supramencionada decisão (fls.135), interpôs tempestivamente o recurso de fl.96, repisando argumentos esgrimidos na impugnação, reafirmando a validade e o efeito vinculante da resposta à consulta feita pela Presidente do TJ/BA ao Ministério da Fazenda, nos mesmos termos do parecer que afirma vinculante, acima mencionado, exarado pelo AdvogadoGeral da União; que violase o princípio da economia processual no esforço de manter uma exação, a multa, que será fatalmente desconstituída pelo Poder Judiciário; que deveria ter sido levado em consideração, não apenas a alíquota vigente no momento em que as verbas deveriam ter sido pagas, mas também o total que atingiria mês a mês a remuneração do contribuinte à época em que seria devido o pagamento, para apurarse adequadamente suposto imposto a pagar. Em sessão de julgamento do dia 28 de setembro de 2011, determinouse o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010, e que ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 Com a edição da portaria MF n° 545/2013, foi afastada a necessidade de sobrestamento, razão pela qual o feito é ora apresentado à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão ao Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado Fl. 149DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720769/200964 Acórdão n.º 2802002.776 S2TE02 Fl. 132 7 da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza oe rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter Fl. 150DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720769/200964 Acórdão n.º 2802002.776 S2TE02 Fl. 133 9 Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no Resp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 10 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 35601.000216/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Ronaldo de Lima Macedo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 56 01 .0 00 21 6/ 20 07 -6 5 Fl. 967DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35601.000216/200765 Resolução nº 2402000.424 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 01/1999 a 06/2006. O Relatório Fiscal informa que os valores apurados referemse às verbas pagas aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados (PLR), previdência privada complementar, assistência médicohospitalar, e seguro de vida, em desconformidade com a citada legislação. Os valores apurados foram constituídos por meio dos seguintes levantamentos: 1. PLRParticipação nos Lucros e Resultados à o Fisco informa que o plano adotado pela empresa descumpre as exigências da legislação tanto nos critérios de fixação quanto na periodicidade dos pagamentos o que torna essa participação em pagamentos de natureza salarial; 2. PPRPrevidência Privada à informa que o pano de suplementação de aposentadorias e Pensão(PSAP – ELEKTRO) dos contratos de adesão ao Programa de Previdência Privada, das folhas de pagamento e da escrituração contábil certificouse que a empresa adota política diferenciada quanto à concessão do plano de previdência excluindo os empregados contratados por prazo determinado. Ainda com exclusividade aos seus dirigentes oferece plano previdenciário aberto contrariando o disposto no inciso I § 9°, alínea "p" do artigo 28 da Lei 8.212/91; 3. AMHAssistência Médica à a Assistência Médica Hospitalar por meio dos programas de saúde denominados AMH e AO disponibiliza a todos os funcionários, inclusive os contratados por tempo determinado, assistência medicaodontológica, contudo ao corpo gerencial da empresa oferece um Plano de Assistência Médica e Hospitalar Especial que objetiva assegurar melhor proteção a estes e seus familiares com coberturas amplas e diferenciadas de despesas médicas e hospitalares. Segue informando que as despesas com serviços médicos despendidas pela empresa com gerentes e diretores integram a base de cálculo da contribuição previdenciária, em conformidade ao disposto no inciso I §9° alínea “q” do artigo 28 da Lei 8.212/91, na medida que o beneficio é limitado a essa categoria de segurados empregados; Fl. 968DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35601.000216/200765 Resolução nº 2402000.424 S2C4T2 Fl. 4 3 4. SVGSeguro de Vida Contabilidade e SVGSeguro de Vida Doc. Apresentado à o seguro de vida é oferecido pela empresa a um grupo restrito de segurado empregados com seguradora por ela contratada, não previsto em acordo coletivo de trabalho contrariando o disposto no inciso XXV § 9o artigo 214 do Decreto 3.048/99, com a redação do Decreto 3.265/99, constituindose de acréscimo indireto de remuneração e, como tal, integrante da base de cálculo da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários. Esse Relatório Fiscal informa ainda que houve a caracterização da formação de Grupo Econômico, evidenciado pelos seguintes motivos: existência de administradores comuns, volume de transações com transferência de empregados mantendose inclusive as condições acordadas, o uso comum de recursos materiais e utilização de sistema contábil comum. Desta forma relaciona as empresas solidariamente responsáveis e com fundamento no artigo 30, inciso IX, da Lei 8.212/91, foram cientificadas deste lançamento e dos demais lavrados durante esta ação fiscal. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 29/12/2006 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 92/174), alegando, em síntese, que: 1. Preliminarmente. Da exclusão do Nome dos Administradores do Pólo Passivo. Posicionase contrário a inclusão dos corresponsáveis no polo passivo da exação fiscal, tendo como fundamento o artigo 13 da Lei 8.620/93, posto que viola o disposto no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional, por entender que deve constar dos autos a comprovação dos poderes e da prática excessiva de gerência e violação da lei; 2. Decadência Parcial do Direito de Lançar. As contribuições exigidas no período de 01/99 a 01/02 estão extintas pela decadência. Com o amparo deste argumento discorre sobre a matéria citando e transcrevendo jurisprudência e doutrina; 3. Do mérito. Da Correta Base de Cálculo das Contribuições Previdenciárias. Transcreve farta legislação e jurisprudência a respaldar o argumento de que e essencial caracterizar a remuneração como contraprestação habitual pelos serviços prestados pelo empregado não sendo, pois qualquer verba que se transmuta em pagamento de salário. Fixada a premissa a Impugnante passa a demonstrar que as verbas tidas pela fiscalização como de natureza salarial não são pagas como contraprestação sendo assim, forçoso o cancelamento do lançamento. 4. Da Natureza das Verbas Pagas a Título de Participação nos Lucros e ou Resultados. Não merece amparo a pretensão da fiscalização ao tentar desconsiderar as convenções e acordos coletivos firmados pela Impugnante como será demonstrado. As regras para o pagamento do PLR estavam não só claras, mas de acordo com a Fl. 969DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35601.000216/200765 Resolução nº 2402000.424 S2C4T2 Fl. 5 4 legislação que rege a matéria, artigo 2o da Lei 10.101/2000. Observa ainda que a periodicidade legal da norma foi observada pela Impugnante equivocandose a fiscalização quanto às suas alegações, pois os acordos coletivos abrangem a totalidade dos funcionários, havendo apenas critérios diferenciados na forma de aferição na participação nos lucros, uma vez que as funções e tarefas desempenhadas pelos colaboradores da empresa contribuem para o modelo adotado na aferição dos valores a receber. Segue em defesa do argumento de que em nenhum momento a Lei 10.101/00, proíbe o estabelecimento de metas ou critérios diferenciados para a atribuição de participação a determinados grupos de empregados. Ademais entende que o artigo 661 da Instrução Normativa 03/05, que trata da elaboração do Relatório Fiscal da Notificação foi infringido na medida que a fiscalização não descreveu minuciosamente quais as regras que foram desobedecidas na elaboração dos contratos coletivos e motivaram a inclusão dos valores pagos a título de PLR na base de cálculo do salário de contribuição. Ao levar à tributação o PLR pago de acordo com as convenções e acordos coletivos a fiscalização infringiu ao artigo 7, inciso IX, da Constituição Federal, posto que esta não contém qualquer limitação aos trabalhadores na percepção do PLR, não sendo legal a interpretação efetuada pela fiscalização; 5. PLRSíntese da Conclusão do Auditor Fiscal Da instituição de Condições Diferenciadas do PLR Da existência de Regras claras e especificas. Reproduz parte da conclusão fiscal que segundo o Impugnante se alicerça em duas asserções, primeiro, que o beneficio foi pago de maneira diferenciada e segundo, a ausência de regras claras e objetivas quanto a aferição e condições de distribuição. Garante, entretanto que esta prática é absolutamente legal e ao exigir a igualdade de tratamento estaria a se violar o principio da legalidade, garantido constitucionalmente no inciso II do artigo 5o da Constituição Federal. Reitera o argumento de que a lei não proíbe a fixação de metas diferenciadas sendo aceitável que os contratados por tempo determinado estivessem excluídos dos Acordos Coletivos e ainda que para esses empregados a Diretoria teria autonomia para fixar as metas individualmente. Quanto aos cargos de maior responsabilidade da empresa, nada mais natural que sejam fixadas metas especificas e até mesmo individualizadas de acordo com a função que ocupam. É flagrante a improcedência do lançamento sendo suficiente ler a lei por inteiro, sendo defeso à fiscalização modificar a interpretação dos dispositivos. Ademais levar à tributação parcela excluída pela própria Constituição é violar os princípios da legalidade e da tipicidade tributária, posto que não há no caso nenhuma contraprestação do empregado para que faça jus ao recebimento do PLR, não se amoldando ao conceito de remuneração de que trata o artigo 22, I, da Lei 8.212/91; 6. Da Incorreta apuração da contribuição previdenciária sobre a totalidade do programa de participação nos lucros ou resultados. Entende que os Acordos Coletivos não podem ser desconsiderados Fl. 970DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35601.000216/200765 Resolução nº 2402000.424 S2C4T2 Fl. 6 5 por completo, estendese em vasta argumentação e doutrina para fundamentar a teoria de que o lançamento deve se limitar aos valores pagos a titulo de PLR às categorias profissionais, que segundo a fiscalização, estariam recebendo o mesmo em desacordo com a legislação; 7. Da concessão de planos de previdência privada aos funcionários. Não incidência de contribuições previdenciárias. Aplicação do § 2o do artigo 202 da CF/88 com a redação incluída pela EC 20/98. Observância do § 1o do artigo 69 da Lei Complementar 109/01. Revogação tácita da alínea "p" §9° do artigo 28 da Lei 8.212/91. Verificação da Nota /CJ/414/97 do Ministério da Previdência Social, Que a fiscalização ao admitir a inclusão dos valores a titulo de Previdência Privada na base de cálculo das contribuições previdenciárias esta desrespeitando os postulados legais existentes na alínea "p", do § 9° da Lei 8.212/91, uma vez que a previsão ale contida foi revogada pela Emenda Constitucional 20/98 em conjunto com a Lei 109/2001, bem como pela Lei 10.243/01; 8. Do Seguro de Vida em Grupo e da Assistência MédicoHospitalar. Não caracterização de Salário in natura. Inexistência de natureza salarial. Forma supletiva de seguridade social. Inexistência de Habitualidade. Não incidência de contribuição previdenciária. Sustenta que mesmo antes da vigência da legislação que veio a isentar a citada rubrica não há como considerála base imponível, porque certas concessões não se incorporam ao conceito de salário uma vez que as suas atribuições têm natureza indenizatória. Transcreve vasta doutrina e jurisprudência para ao final do tópico, requerer a desconstituição do débito; 9. Da Ilegalidade da utilização da Taxa SELIC para o cômputo dos juros moratórios. Contesta ainda a aplicação da taxa SELIC por violar o artigo 150, inciso I, da Constituição Federal, citando jurisprudência a fundamentar o argumento; 10. Da Inconstitucional idade da contribuição destinada ao SEBRAE. Alude à ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição destinada ao SEBRAE solicitando o cancelamento do lançamento a esse título, pois a exação é de interesse de categoria econômicas especificas atendendo ás necessidades de grupos prédeterminados; 11. Da Inconstitucional idade da cobrança da Contribuição destinada ao INCRA. Do mesmo modo solicita a exclusão da contribuição destinada ao INCRA, por entendêla igualmente ilegal e inconstitucional no sentido de que as empresa urbanas contribuem para a previdência social e são desvinculadas de qualquer atividade rural, não sendo, portanto beneficiarias da contraprestação. 12. requer a nulidade do lançamento ou no mérito a improcedência da notificação cancelandose integralmente os créditos previdenciários indevidamente constituídos. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35601.000216/200765 Resolução nº 2402000.424 S2C4T2 Fl. 7 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão 0521.510 da 8a Turma da DRJ/CPS (fls. 595/609) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Posteriormente, a DRF em Campinas, por meio do Despacho Decisório no 396/2010 (fls. 735/736), excluiu os valores apurados para as competências 01/1999 a 10/2001 em decorrência da decadência, a teor da regra prevista no 4o do art.150 do CTN, restando os valores apurados nas competências 11/2001 a 06/2006. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 774/827). É o relatório. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35601.000216/200765 Resolução nº 2402000.424 S2C4T2 Fl. 8 7 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isso porque, nos autos não constam as planilhas referentes aos Quadros I a IX, especificadas no item 43 do Relatório Fiscal, nem a planilha do Anexo C, especificada no item 76 do Relatório Fiscal, nos seguintes termos: “[...] 43. No Anexo A, estão demonstrados nos Quadros de I a VIII, por ano civil, os valores da PLR, pagos, por competência, em cada estabelecimento. Os valores apurados a maior, na contabilidade, encontramse no Quadro IX. As parcelas pagas a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR não foram informadas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. (...) 76. No Anexo C, encontramse discriminados, por competência, os valores que serviram de base para o lançamento. As parcelas referentes à Assistência MédícoHospítalar não foram informadas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. [...]” Com isso, decido converter o presente julgamento em diligência, a fim de que o Fisco insira aos autos as planilhas dos Quadros I a IX e do Anexo C. Após essa providência, caso seja pertinente, a seu juízo de valor, o Fisco deverá elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos que justificam sua posição. Por fim, após a emissão de suas conclusões (Parecer Fiscal), o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão, da inserção das planilhas dos Quadros I a IX, do Anexo C e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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