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Numero do processo: 15374.939260/2008-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
Numero da decisão: 3803-003.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e Fábia Regina Freitas (suplente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 149 1 148 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.939260/200861 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.824 – 3ª Turma Especial Sessão de 29 de janeiro de 2013 Matéria PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente ZOE DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e Fábia Regina Freitas (suplente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 93 92 60 /2 00 8- 61 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.939260/200861 Acórdão n.º 3803003.824 S3TE03 Fl. 150 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 88 a 91) interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Rio de Janeiro II (fls. 69 a 71) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 13 a 15) apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia apresentado Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), em 27/10/2004, referente a crédito da contribuição para o PIS alegadamente recolhida a maior, do período de apuração fevereiro/2004, no valor de R$ 47.149,33, e débitos da mesma contribuição de março e abril de 2004. Por meio do Despacho Decisório eletrônico (fl. 12), a repartição de origem não homologou a compensação declarada, por não ter sido localizado nos sistemas da Receita Federal o DARF discriminado no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação, alegando, aqui abordado de forma sucinta, que os dados do DARF foram incorretamente informados no PER/DCOMP, sendo correto o DARF de código 6912, período de apuração 29/02/2004, com vencimento em 15/03/2004, no valor principal de R$ 46.819,38, recolhido em 31/03/2004, correspondendo o indébito a R$ 2.421,67, conforme DCTF retificadora do 1° trimestre/2004, transmitida em 10/12/2008. Junto à peça recursal, o então Manifestante trouxe aos autos cópias de documentos societários (fls. 16 a 25), do despacho decisório (fl. 26), do PER/DCOMP (fls. 27 a 42), do comprovante de arrecadação (fl. 43), da DCTF retificadora entregue em 10 de dezembro de 2008 (fls. 44 a 47) e de uma planilha relativa a juros (48 a 51). A DRJ Rio de Janeiro II/RJ não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Consignou o julgador a quo que, com base em pesquisas efetuadas no sistema da Receita Federal, foi possível constatar que o contribuinte apresentara uma sequência de DCTFs retificadoras, sendo a última de 27/4/2009, informando diferentes valores de contribuição e de pagamentos efetuados, sem, contudo, comprovar a origem do indébito alegado. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.939260/200861 Acórdão n.º 3803003.824 S3TE03 Fl. 151 3 Registrou, ainda, que, em consulta ao sistema SIEF da Receita Federal, verificouse que, para o pagamento de R$ 46.819,38, a parcela de R$ 44.397,71, declarada em DCTF retificadora de 10/12/2008, estaria utilizada como alocação automática DCTF "C", e que restaria um saldo disponível de R$ 1.566,46, mas que, por ausência de prova, não se demonstrou a liquidez e certeza do crédito, nos termos exigidos pelo art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e requereu a reforma do acórdão da DRJ Rio de Janeiro II/RJ, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo acrescida a alegação de que a própria autoridade julgadora de primeira instãncia reconhecera em parte a existência do indébito pleiteado. Junto ao recurso, o Recorrente traz aos autos, além de cópias de parte dos documentos que já haviam sido apresentadas na instãncia anterior, cópia de parte do Livro Diário (fls. 138 a 144). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Para a análise do mérito do recurso, necessário se torna pontuar os seguintes fatos: 1º) na data da ciência do despacho decisório, ocorrida em 21/11/2008 (fls. 52 a 53), encontravase ativa no sistema da Receita Federal a DCTF retificadora transmitida em 16/11/2004, em que se informou o valor devido da Contribuição para o PIS de R$ 44.727,66, vinculado aos pagamentos de R$ 329,95 e R$ 44.397,71 (fls. 57, 62 e 63); 2º) no PER/DCOMP, informouse um pagamento de R$ 47.149,33 (fl. 9); 3º) a informação referente ao pagamento de R$ 46.819,38, em relação ao qual o julgador a quo consignara estar alocado à parcela da contribuição de R$ 44.397,71, com saldo disponível de R$ 1.566,46, referese à DCTF retificadora transmitida em 10/12/2008, após a ciência do despacho decisório, em relação à qual inexiste qualquer elemento comprobatório do indébito requerido; 4º) na cópia de parte do Livro Diário trazida aos autos somente na segunda instãncia, não é possível extrair nenhuma informação que possa comprovar o alegado indébito, não havendo indicação, por parte do Recorrente, do dado ali contido que seria hábil a comprovar a sua alegação. Com base nesses dados, é possível concluir que o Recorrente não logrou comprovar, de forma inequívoca, o direito creditório pleiteado, pois que as declarações por ele transmitidas à Receita Federal não vieram acompanhadas dos documentos comprobatórios das informações ali contidas. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.939260/200861 Acórdão n.º 3803003.824 S3TE03 Fl. 152 4 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse contexto, mostrase oportuno e esclarecedor o seguinte excerto extraído da obra “Processo administrativo federal” de autoria de Rodrigo Francisco de Paula, editora Dey Rey, Belo Horizonte, 2006, páginas 153 a 154: Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se apresenta suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem liame entre o alegado e o ocorrido. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.939260/200861 Acórdão n.º 3803003.824 S3TE03 Fl. 153 5 Assim, o impugnante deve se desimcumbir de sua tarefa de comprovar o que alega, para que suas alegações se revistam de um tônus diverso do meramente protelatório, já que a impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13906.000712/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF DECLARAÇÃO LANÇAMENTO DE OFÍCIO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL
O lançamento de ofício realizado com base em declaração do contribuinte pode ser passível de alteração caso haja prova material que se desconstitua a declaração realizada, por atendimento do princípio da verdade material que norteia a incidência da norma tributária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.643
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1 1 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13906.000712/200832 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.643 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2012 Matéria IRPF Recorrente LUCIANO LEUGI BARRETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Exercício: 2005 IRPF DECLARAÇÃO LANÇAMENTO DE OFÍCIO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL O lançamento de ofício realizado com base em declaração do contribuinte pode ser passível de alteração caso haja prova material que se desconstitua a declaração realizada, por atendimento do princípio da verdade material que norteia a incidência da norma tributária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Célia Maria de Souza Murphy e Gonçalo Bonet Allage. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 79/83) interposto em 17/12/2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (PR) (fls. 72/74), do qual o Recorrente teve ciência em 29/11/2010 (fl.77), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 07 a 09, lavrado em 07 de julho de 2008, em decorrência de omissão de rendimentos e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, verificada no anocalendário de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRIPF Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. EFEITOS. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Apenas a prova robusta pode afastar a confissão de divida formalizada em Declaração de Ajuste Anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação (fls.79/83) argumentando, em síntese, que: a) Os documentos inclusos nos processos comprovam que o recorrente errou no preenchimento da declaração e servem como prova robusta como quer a DRJ; b) A decisão recorrida não analisou que os valores do Imposto de Renda lançado no campo CarnêLeão Pago, são os mesmos retidos pelas pessoas jurídicas; c) Não houve omissão dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, e sim, erro, o fato do recorrente embora tenha se declarado profissional liberal, não ter lançado a titulo de dedução nenhuma despesa no campo Livro Caixa, no quadro RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS FiSICAS, mesmo ele tendo despesas dedutiveis da base de cálculo do imposto relativas ao exercício da atividade, tais como: aluguel da sala, condomínio, telefone, material odontológico, etc... d) Caso o crédito tributário seja mantido, haverá contrariedade ao principio do bis in idem, o qual não permite a incidência do mesmo imposto duas vezes sobre mesma base de cálculo quando o fato gerador ocorreu somente uma vez; e) Quando existe erro de fato, devidamente comprovado, este Conselho tem cancelado as exigências. Por fim, requer o conhecimento do recurso voluntário e o cancelamento do crédito tributário. É o Relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13906.000712/200832 Acórdão n.º 2101001.643 S2C1T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O ponto fulcral desta lide reside em aceitar e/ou não as alegações da Recorrente de ter preenchida sua Declaração de Ajuste Anual com imperfeições e que, por conseqüência, motivaram a lavratura do Auto de Infração ora questionado. Com a permissa máxima data vênia e respeito, discordando da digna Autoridade Julgadora à quo, analisei o que consta dos autos e entendo assistir plena razão à Recorrente, pois, estou convicto ter havido erro de fato no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual da mesma em função de evidências que se me apresentam cristalinas. Em seu voto o julgador de 1ª Instância sustenta que “as meras alegações e os supostos indícios apontados pelo impugnante não têm o condão de inlirmar a remuneração informada na DAA, eis que apenas a prova robusta pode afastar a confissão de divida nela formalizada.” Contudo, a documentação acostada aos autos permiteme concluir que efetivamente houve erro no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual, conforme passo a destacar. Primeiro, seria extremamente incomum que o Recorrente durante o ano calendário de 2004 tivesse informado como imposto de renda pago a título de carnêleão (Quadro 3 –fl.37 e Quadro Imposto Pago – fl.36) o mesmo valor de R$ 171,50 resultante da somatória dos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – Ano Calendário 2004 , fornecidos pelas fontes pagadoras pessoas jurídicas, abaixo listadas: FONTE PAGADORA Imposto Renda Retido NOME CNPJ Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana 78.956.513/000168 18,19 Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana 78.956.513/000169 37,89 Subtotal 56,08 Uniodonto Planos Odontológicos 82.239.476/000144 115,42 TOTAL 171,50 Para melhor análise, vejase ainda, o seguinte quadro: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS EXERCÍCIO DE 2004 COMPROVADOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 CNPJ DOC. VÍNCULO TOTAL RENDIMENTOS CONT. PREVID. (*) IRRF 13º SAL. REND ISENTO N/T FLS ESPÉCIE FLS 75.771.303/000107 20 Empregatício 16 11.246,89 1.106,50 0,00 542,25 600,00 78.956.513/000168 34 Empregatício 16 13.788,88 2.012,09 56,08 938,26 0,00 82.239.476/000144 19 Cooperado 19 8.931,06 830,15 115,42 0,00 0,00 TOTAIS 33.966,83 3.948,74 171,50 1.480,51 600,00 (+) Rendimentos informados como recebidos de PF Fl.11 4.553,17 TOTAL DOS RENDIMENTOS DECLARADOS 38.520,00 Contribuição à Previdência Oficial conforme Comprovantes PJ 3.948,74 Contribuição à Previdência Oficial declarada DAA 3.248,76 DIFERENÇA (Informada a menor) 699,98 Segundo, o valor total informado pelo contribuinte à título de contribuição à Previdência Social (R$ 3.248,76), erroneamente declarado no quadro 3 (fl.37), é compatível com o valor informado pelas pessoas jurídicas nos comprovantes de rendimentos respectivos. É assaz interessante que o valor dessas contribuições são os mesmos em todos os meses do exercício de 2004, como se os rendimentos recebidos mensalmente de pessoas físicas fossem de um ou conjunto específico de pacientes, com um preço imutável que, em se tratando de tratamento odontológico onde as variáveis de preços são uma constante, seria, porque não dizer, um espanto, um fato intrigante e inimaginável. Terceiro, o total dos rendimentos de pessoas jurídicas (R$ 33.966,83) é compatível com o total dos rendimentos declarados erroneamente como recebidos de pessoas físicas, devendose levar em conta, ainda, os rendimentos informados pelo contribuinte como percebidos efetivamente de pessoas físicas, ou seja, R$ 4.552,17 (fl.11). É de se ressaltar que há erro, também, na informação no comprovante de rendimentos da fonte pagadora Autarquia Municipal de Saúde de Apucara – CNPJ 78.956.513/000168, a qual não mencionou no referido documento o valor da contribuição à Previdência Oficial, valor esse informado na DIRF Retificadora (fl. 35), no montante de R$ 2.012,09. Quarto, penso que, nas autuações de pessoas físicas, em regra sem formação jurídica ou contábil apropriada, há que se mitigar um pouco o rigor da prova exigida. Não bastassem as considerações acima, vale registrar que a matéria em exame já foi objeto de decisões proferidas pelo então Primeiro Conselho de Contribuinte bem como neste Conselho, sendo pacífico o entendimento acerca da aplicabilidade do princípio da verdade material. Em sessão plenária de 13/05/2003, a Colenda Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário nº 133.420, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 10613.309 (fls. 34 a 43), acatada por maioria de votos. O julgado foi assim ementado: IRPF DECLARAÇÃO LANÇAMENTO DE OFÍCIO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL O lançamento de ofício realizado com base em declaração do contribuinte pode ser passível de alteração caso haja prova material que se desconstitua a declaração realizada, por atendimento do princípio da verdade material que norteia a incidência da norma tributária. Recurso provido." Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13906.000712/200832 Acórdão n.º 2101001.643 S2C1T1 Fl. 3 5 Vejase, ainda, a seguinte decisão: "RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO POSSIBILIDADE Ainda que o crédito exigido tenha sido constituído com base na declaração prestada pelo próprio sujeito passivo, a impugnação ao lançamento devolvelhe a possibilidade de discutir toda a matéria tributária. Recurso provido." (Acórdão nº 102.46.667, da 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuinte Relator: José Raimundo Tosta Santos; DOU 1 02.06.2005, pág. 43) Ante todo o exposto e o mais que dos autos consta, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19515.000305/2004-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO NO PERÍODO. DECADÊNCIA.
Havendo nos autos a comprovação do pagamento do tributo à época dos fatos geradores aqui considerado, aplicam-se - na esteira do entendimento pacificado pelo Colendo STJ -, as disposições do Art. 150, par. 4o e não as disposições do Art. 173, ambos do CTN.
Nessas circunstâncias, inafastável se verifica, nos presentes autos, a ocorrência da decadência.
Numero da decisão: 1301-001.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior E Carlos Augusto De Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO NO PERÍODO. DECADÊNCIA. 1 Havendo nos autos a comprovação do pagamento do tributo à época dos fatos geradores aqui considerado, aplicamse na esteira do entendimento pacificado pelo Colendo STJ , as disposições do Art. 150, par. 4o e não as disposições do Art. 173, ambos do CTN. 2 Nessas circunstâncias, inafastável se verifica, nos presentes autos, a ocorrência da decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do Relator. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior E Carlos Augusto De Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 05 /2 00 4- 81 Fl. 631DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 2 Relatório Por bem descrever a situação fática apresentada nos autos, adoto o relatório apresentado pela r. decisão de origem, que aponta nos seguintes termos: O presente processo versa acerca de auto de infração lavrado em 16/02/2004 (fls. 119/126), atinente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo aos fatos geradores trimestrais do anocalendário de 1998, com crédito tributário total de R$ 2.876.137,87 (dois milhões, oitocentos e setenta e seis mil, cento e trinta e sete reais e oitenta e sete centavos), composto de principal, multa de oficio de 75% e de juros de mora vinculados, calculados até 30/01/2004. O referido auto de infração decorreu de ilícitos caracterizados em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo em epígrafe, segundo o qual restou configurado o recolhimento a menor do IRPJ devido no período de referência, consoante antecipado no despacho formalizado no encerramento dos trabalhos de revisão interna da Declaração de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ) relativo ao Exercício 1999 Ano Calendário 1998, acostada nos autos do Processo Administrativo n° 13807.012847/200354 (fls. 27/28) — juntado ao processo raiz , implicando na caracterização da infração inerente ao excesso de destinação do imposto para fins de aplicação em incentivos fiscais perante o FINAM, em detrimento do pagamento do imposto de renda, no importe de R$ 1.019.640,38, correspondente ao valor principal tributado de oficio, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais encontramse pormenorizados no corpo do mencionado auto de infração. Regularmente cientificado do aludido auto de infração, por via postal, em 19/02/2004, consoante AR anexado à fl. 127, o contribuinte apresentou impugnação em 22/03/2004 (fls. 131/151), acompanhado da documentação de fls. 152/199, 202/399, 402/455 e 459/464, na qual requer o cancelamento do auto de infração, em síntese, apoiandose nas seguintes alegações de fato e de direito: 1) Inicialmente, após breve relato dos fatos, argumenta que nos termos da legislação aplicável, particularmente a Lei n° 8.167, de 1991 e Instrução Normativa n° 90/98, a empresa gozava de direito à redução do valor apurado a titulo de IRPJ, destinando tal fração para fins de aplicação no FINOR — Fundo do Investimento do Nordeste, conforme demonstra nos autos carreando cópia de Resolução e Parecer emanados pela Secretaria Especial de Políticas Regionais — Ministério do Planejamento e Orçamento, cujos termos versam sobre o Projeto submetido pela empresa M.D. HOTÉIS S/A, da qual participava na condição de acionista com direito a voto, e que, naquela ocasião, fora considerado de interesse para o desenvolvimento do Nordeste, assim como enquadrado como merecedor de aplicação de recursos provenientes do referido fundo de investimento; 2) Afirma que a empresa, em atenção aos termos do art. 1° e seguintes da Instrução Normativa SRF n° 90, de 1998, realizou sua opção mediante aplicação no FINOR, formalizando o recolhimento da importância calculada através de preenchimento de DARF em código de receita especifico; completa que este mecanismo foi procedido também em exercícios anteriores ao da autuação, razão pela qual se considera surpreso com os fatos consubstanciados no Processo Administrativo n° Fl. 632DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.000305/200481 Acórdão n.º 1301001.100 S1C3T1 Fl. 3 3 13807.012847/200354, segundo os quais se interpreta ter ocorrido infração à legislação tributária sob a precária alegação de que a impugnante teria excedido a destinação de aplicação no FINOR; 3) Assim, indignase quanto ao fato, firmando que a empresa não excedeu os limites legalmente previstos na legislação para fins de aplicação no FINOR, não estava em débito para com a Secretaria da Fazenda Federal, bem como sequer obteve conhecimento prévio da situação fiscal da entidade estava posta em dúvida pelo próprio órgão, circunstancia que fere frontalmente os princípios constitucionais da ampla defesa e segurança jurídica; 4) Reclama que a autoridade administrativa, ao invés de analisar com isenção e profundidade a real situação da impugnante, inclusive, solicitandolhe as informações que se consideravam necessárias para a verificação de todo o histórico da aplicação no FINOR, optouse pelo cômodo caminho de desprezar toda a realidade para aplicar a presunção de que a entidade teria excedido o valor permitido na destinação no fundo de investimento, fato que evidencia inexplicável desconsideração da legislação aplicável; 5) Aduz que os fatos expostos anteriormente indicam que o procedimento constituise de lançamento precário e apressado, no qual não se investigou absolutamente nada, invertendo de forma absurda o ônus da prova para o contribuinte, haja vista que o AFRF sequer tomou a iniciativa de notificar a empresa a fim de requerer a apresentação de documentação fiscal e contábil ou solicitarlhe eventuais esclarecimentos, essenciais a qualquer lançamento que se pretenda estabelecerse na condição de ato jurídico; 6) Além de toda a discricionariedade descrita, salienta que auto de infração foi lavrado a destempo, tendo ocorrido, pois, a decadência do Fisco em lançar o suposto crédito tributário, assim, conclui, resumidamente, que o lançamento fora baseado não em provas, mas, sim, em suposições indevidas, desprezando dados de que tinha conhecimento ou que, por dever de oficio, deveria ter ciência. 7) Encerrada a fase preambular da peça impugnat6ria, em caráter preliminar, invocando os termos do art. 150, parágrafo 4° do CTN e da Lei n° 8.383, de 1991, bem como realizando citações da doutrina tributária e decisões proferidas pela DRJ/Campinas/SP, DRJ/Rio de Janeiro/RJ, Conselho de Contribuintes e Camara Superior de Recursos Fiscais, interpreta os aspectos correlatos aos referidos dispositivos legais e atesta a ocorrência da decadência do direito da Fazenda Nacional constituir os valores dos créditos tributários concernentes aos fatos geradores consolidados em 31/12/1998, uma vez que o lançamento fora constituído após o transcurso de cinco anos daquela data; 8) Na seqüência, antecipa a existência de vicio na formalização do ato de lançamento, asseverando, que a empresa não apresentou qualquer óbice para imporlhe a negativa da recepção dos valores aplicados no FINOR, uma vez que destinou importes inferiores ao limite legalmente autorizado, bem como cumpriu zelosamente o itens previstos no art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995; 9) Suplementa que, no curso do procedimento fiscal, não ficou comprovado ou demonstrado a ocorrência de qualquer fato que se subsuma as normas que determinam Fl. 633DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 4 a exigência do IRPJ, restringindo suas conclusões a pretensa falta de apresentação de pedido de revisão do extrato de aplicação em incentivos fiscais (PERC); 10) Desse modo, alega que o simples fato de não ter atendido ao Ato Declaratório Executivo CORAT n° 32, de 09/11/2001, é insuficiente para desconsiderála como beneficiária do incentivo fiscal em questão e, obrigandoa no sentido de recolher o imposto de renda objeto do auto de infração; enfatiza que a autuação carece de comprovação fática, bem como se apresenta desprovido de qualquer fundamentação relacionada à infração supostamente cometida, representando total descumprimento ao seu dever legal de corroborar o suporte fático que norteou a exigência fiscal; 11) Ainda nesse sentido, certifica que a Fiscalização realizou o lançamento sem averiguar a ocorrência do fato in concreto, optando somente por proceder ao lançamento com base nas informações enviadas pela DERAT/SP, conseqüentemente, concluindose pelo suposto recolhimento a menor do IRPJ sob o pretexto de destinação em excesso ao fundo de investimento; 12) Atesta que caberia à Fiscalização analisar todos os fatos passíveis de verificação do cumprimento da obrigação tributária pela empresa e, caso necessário, notificála para os devidos esclarecimentos, não somente, como efetivamente ocorreu, amparandose em meras informações hipotéticas ou suposições; 13) Desse modo, sustentado por decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes, afirma que ficou demonstrada a impossibilidade da Fiscalização utilizarse de provas obtidas de outros departamentos da Administração Tributária para o exercício do lançamento, sem que ocorra a efetiva investigação dos fatos ocorridos, e mesmo, sem a devida fundamentação dos procedimentos fiscais; 14) No campo do mérito, avocando as redações do art. 4° da Lei n° 9.532, de 1997 e os arts. 541 e 599 do RIR199, enfatiza a veracidade dos procedimentos adotados pela empresa, entre os quais, o cálculo adequado da destinação de parcela do imposto de renda ao FINOR, a inexistência de débitos fiscais, conseqüentemente, implicando na impossibilidade de exclusão do beneficio fiscal em razão de suposto excesso de valor destinado ao FINOR; 15) Citando doutrina tributária e decisão forense, insere argüições de direito visando defender a tese de aplicação indevida da taxa SELIC, a titulo de apuração e cálculo dos juros morat6rios incidentes sobre tributos federais; 16) Finalmente, requer o acolhimento das alegações preliminares e de mérito integrantes da presente impugnação, bem como o cancelamento integral do auto de infração ou, caso assim não entenda, a exoneração parcial da autuação em face da confirmação da inaplicabilidade da taxa SELIC para fins de cálculo dos juros morat6rios de impostos e contribuições federais, protestando o direito de ser notificada para fins de juntada de qualquer documento ou de qualquer outro fato superveniente que venha ocorrer nos autos. Recepcionando os autos da autoridade preparadora, a Sétima Julgamento da DRJ/SPOI realizou a análise inaugural da matéria, sendo que, caracterização da economia na descrição dos fatos pormenorizados no Auto de Infração (FLS. 125), bem como a identificação da carência de demonstrativo da glosa do importe do incentivo fiscal informado na DIPJ/99, a autoridade competente proferiu despacho convertendo Fl. 634DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.000305/200481 Acórdão n.º 1301001.100 S1C3T1 Fl. 4 5 o julgamento em diligência perante o órgão revisor da declaração (fl. 465), requisitando a adoção das seguintes providências: 1) Apresentar demonstrativo da apuração do valor nulo do incentivo (IF/Rec = zero) considerado As fls. 29 do Processo n° 13807.012847/200354 (apenso) em contraposição ao informado na DIPJ/99 transmitida pelo contribuinte; 2) Após a conclusão da revisão fiscal, cientificar o impugnante das ocorrências que motivaram a glosa do incentivo fiscal, reabrindolhe o prazo para complementação da defesa. Assim, concluído o exame das informações demandadas pelo órgão julgador, assim como da documentação fiscal que acompanhou o requerimento por ele formulado, a DIORT/DERAT/SP elaborou a seguinte informação processual (fls. 481/489): 1) Primeiramente, esclarece que após o envio do Extrato de Aplicação em Incentivos Fiscais (EAIF) ao contribuinte, a única versão do extrato registrado nos sistemas internos da RFB é a própria Ficha 16 dal:MPS/1999, folhas 1 a 4, transcrevendo a declaração do contribuinte (pág. 1) e as informações preenchidas após o processamento da OEIF (pág. 2/4), traduzem os dados enviados ao contribuinte; 2) No sentido de assentar que as ocorrências que bloquearam a liberação do incentivo, aduz que o montante apurado em DARF especifico (pág. 2), valor da base cálculo e do incentivo, calculados pelo OEIF (normalizados), conforme pág. 3, e a importância enviada aos fundos para liberação do beneficio fiscal, a titulo de incentivo, dependem do fato do contribuinte estar em dia com suas obrigações fiscais. Já para fins de liberação na condição de recursos próprios, demandam também que a entidade não apresente a existência de qualquer tipo de pendência impeditiva para a liberação do incentivo e que este tenha efetuado o pagamento do imposto mediante DARF especifico destinado ao fundo de investimento; 3) Atesta que, embora não tenha sido possível visualizar o AR, anexouse somente cópia da folha resumo onde consta o número do AR e a data de emissão (fl. 492). Assinalando jurisprudência da DRJ/Campinas/SP, salienta que a negação de recebimento do EAIF não deveria ser o motivo para o contribuinte não ter apresentado o PERC, tendo em vista que a impugnação é justamente para quem não recebe o referido extrato ou para quem dele discorda; 4) Acentua que o valor do IF/REC constante do demonstrativo de página 3 da Ficha 16 da DIPJ/1999, por definição, equivale A. resultante da aplicação da fórmula transcrita na folha 4 do Anexo A Norma de execução CORAT n° 7, de 22/10/2003, cuja cópia integra a folha 22 do Processo n° 13807.012847/200354. Assim, o montante indicado na folha 4 da Ficha 16 da DIPJ/1999, no caso concreto, indica um resultado igual a zero, pois não foi liberado ao contribuinte nenhum valor a titulo de incentivo, mas, sim, na qualidade de investimentos derivados de recursos próprios do próprio contribuinte, conforme se depreende de cópia do extrato integrante das folhas 490/491; 5) Fazendo menção de jurisprudência da DRJ/Campinas/SP, relata que no tocante aos eventos motivadores da glosa, as restrições fiscais que são discriminada 4 da Ficha 16 da DIPJ/1999, produzidas na ocasião do processamento OEIF, que deve ocorrer dois anos após a entrega da declaração, no caso DEZ/2001, onde constará não s6 a Fl. 635DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 6 verificação dos cálculos do montante do incentivo pleiteado, como também a regularidade fiscal do contribuinte, a fim de ratificar a liberação ou não do incentivo. Assim, considerandose confiáveis as informações contidas nos sistemas controlados pela RFB e dos outros órgãos federais conexos ao procedimento, bem como amparado pelo art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995, o contribuinte poderia discordar do resultado deste processamento, apresentando as certidões expedidas à época dos fatos, visando levar a efeito elementos comprobatórios que o eximissem das pendências restritivas da fruição do incentivo fiscal. Regularmente cientificado dos aludido despacho, por via postal, em 18/05/2009, consoante AR anexado ao verso da Intimação n° 2.644/2009 (fl. 493), o contribuinte apresentou suas contrarazões em 28/05/2009 (fls. 497/522), acompanhado da documentação de fls. 523/544, por meio das quais assegura a nulidade do auto de infração, em síntese, baseado nas seguintes argüições: 1) Em caráter preliminar, após concisa narração dos fatos constantes do processo, reitera a decadência dos créditos tributários atinentes ao anocalendário de 1998, invocando os termos do art. 150, parágrafo 4° do CTN, sustentando seus argumentos, inclusive, com base em jurisprudência proferida pelo Conselho de Contribuintes e Camara Superior de Recursos Fiscais; 2) Adicionalmente, reivindica a nulidade do auto de infração descrição dos fatos que ensejaram a constituição do lançamento, visto que não há elementos que possam aferir com certeza quais seriam os motivos pelos quais os investimentos efetuados no FINOR foram integralmente desconsiderados pela autoridade fiscal; 3) Avocando os requisitos que devem ser observados para aplicação do art. 142 do CTN, argumenta que o processo administrativo que motivou a lavratura do auto de infração (Processo Administrativo n° 13807.012847/200307) não demonstra ou justifica as circunstâncias que motivaram a redução a zero do montante aplicado em incentivo fiscal, demonstrando que, no ato do lançamento, a Fiscalização dispunha de elementos suficientes para provar que a impugnante não possuía direito de investir das importâncias destinadas ao F1NOR; 4) Citando expressamente o art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999 e o art. 37 da CF/88, enfatiza que processo de revisão da declaração e o auto de infração não obedeceram aos requisitos legais, carecendo, pois, de validade, notadamente por não terem trazido qualquer elementos fático que comprovasse o descumprimento dos requisitos para gozo do beneficio fiscal; suplementa que, desse modo, notase claro a ausência de motivação do lançamento e da referida decisão, ambos emanados no sentido de ensejar a glosa dos valores investidos; 5) No campo do mérito, resgatando o dispositivo previsto no art. 4° da Lei no 9.532, de 1997, renova a veracidade dos procedimentos adotados pela empresa, entre os quais, o cálculo adequado da destinação de parcela do imposto de renda ao FINOR, bem como a regularidade dos recolhimentos do imposto e da parcela destinada ao fundo de investimento regional; 6) No tocante A questão correlata a comprovação de regularidade a despeito das assertivas constantes no despacho decisório, questiona que seria impossível contribuinte defenderse de alegação genérica de que existem débitos em aberto, sem a indicação de quais seriam tais inadimplementos, fato que comprova, mais uma vez, a ausência de fundamentos que amparem a exigência fiscal; Fl. 636DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.000305/200481 Acórdão n.º 1301001.100 S1C3T1 Fl. 5 7 7) Fazendo menção de decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes e Camara Superior de Recursos Fiscais, atesta que a regularidade fiscal para usufruir dos beneficios fiscais deve ser aferida à época da manifestação da opção pela aplicação nos investimentos. Além desse aspecto, salienta que a Fiscalização deveria ter trazido provas de que a empresa não se encontrava regular perante a RFB na ocasião da entrega da DIPJ, momento no qual se realizou a opção pelo beneficio; 8) Antecipa sua discordância quanto eventual alegação de que a entidade deveria ter apresentado o PERC para contestar o EAIF, haja vista que, primeiramente, nunca tomou ciência do conteúdo de o referido ato; secundariamente, atesta que não se admite a aplicação, por analogia, do prazo previsto no art. 15, §5 0 do Decretolei n° 1.376, de 1974, para fins de restringir o direito do contribuinte A apreciação do pedido de revisão de aplicação em incentivos fiscais (PERC); 9) Nesse compasso, assegura que a empresa comprovou a regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional e a Previdência Social, por meio de extratos acostados as fls. 241/249, deixando claro o descabimento da glosa da aplicação no FINOR; 10) Avocando doutrina tributária, decisão proferida pelo STJ e acórdãos emanados pelo Conselho de Contribuintes e Camara Superior de Recursos Fiscais, renova suas argüições de direito objetivando defender a inadmissibilidade de aplicação da taxa SELIC, a titulo de apuração e cálculo dos juros moratórios incidentes sobre tributos federais; 11) Finalmente, requer o conhecimento e provimento do presente requerimento, com a conseqüente desconstituição do crédito tributário exigido e o cancelamento do aludido auto de infração. Ato continuo, a DIORT/DERART/SP retorna os autos à DRJ/SPI para julgamento da impugnação. Em face dessas razões, foram os autos apreciados pela douta DRJ de origem, que, analisando os argumentos apresentados, concluiu pela PROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, destacando no acórdão vazado os seguintes apontamentos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PRELIMINAR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Em relação aos impostos e contribuições federais submetidos a lançamento por homologação, nas ocasiões em que fique caracterizada a existência de pagamento antecipado do tributo, o prazo decadencial regese pela norma contida no artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional CTN. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em face da exoneração do crédito tributário lançado, vieram os autos ao exame necessário (Recurso de ofício), nos termos e disposições contidas no Art. 34 do Decreto 70.235/72. Esse é o relatório. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 8 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Estando presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do presente recurso de ofício. A matéria tratada nos autos, conforme apontado nas disposições precedentes, referese à suposta invalidade nas atuações da contribuinte, relacionada à utilização de incentivos fiscais (PERC) em montantes superiores aos limites estabelecidos pela legislação de regência, acarretando, por conseqüência, a redução indevida dos montantes devidos a título de IRPJ em relação ao exercício de 1999 (anocalendário 1998), nos termos destacados. Por se tratar de exclusivo recurso de ofício, verificase que a matéria trazida ao exame deste CARF limitase, apenas e tão somente, à verificação e constatação da ocorrência de decadência tributária, e, por essa razão, impossibilitado o lançamento efetivado, nos termos apontados. A questão relativa aos critérios de verificação da ocorrência da decadência dos créditos tributários sempre foi tema de relevantes embates doutrinários e jurisprudenciais, sendo importantes de registro os longos e acalorados debates sempre empreendidos a respeito da matéria. Em que pese – ainda hoje – a reminiscência de debates a respeito dessa matéria, relevante se faz o destaque ao recente pronunciamento promovido pelo Colendo STJ, que, adotando a sistemática dos chamados “Recursos Repetitivos” (Art. 543C do CPC), assim se manifestou nos autos do REsp 973.733 SC (2007/01769940), que, sobre o assunto, inclusive, assim especificamente pontificou: RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, Fl. 638DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.000305/200481 Acórdão n.º 1301001.100 S1C3T1 Fl. 6 9 inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 12 de agosto de 2009(Data do Julgamento) MINISTRO LUIZ FUX Relator Na discussão travada nos presentes autos, relevantes, verificamse, são os apontamentos trazidos pela r. decisão de origem, que, avaliando a situação fática específica Fl. 639DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 10 aplicada à contribuinte (submissão ao regime de apuração trimestral do IRPJ e efetivação de pagamentos nos períodos respectivos) assim especificamente assentou: “No caso concreto, o sujeito passivo optou pela apuração e recolhimento trimestral do imposto de renda, em conformidade com os termos dos arts. 1 0, 3° e 5° da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, in verbis: (omissis) Sob este prisma, analisando a documentação acostada aos autos, cotejadas com as informações obtidas do Sistema de Controle de Pagamentos da RFB (fls. 546/547 e 572), denotase que o impugnante promoveu o pagamento antecipado do imposto no 1 0, 2°, 30 e 4° trimestres do anocalendário de 1998, em conformidade com a confissão de divida formulada na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) dos respectivos períodos de apuração do anobase em questão (fls. 548/571), circunstância que torna admissivel a aplicação do preceito fixado pelo art. 150, §4° do CTN, conseqüentemente, justificando a utilização da regra avocada na peça impugnatória para efeitos de fixação do dies a quo do prazo de caducidade, isto 6, para fins de contagem do prazo de decadência. Nesse sentido, retomando os termos do art. 150, §4°, do CTN, no que concerne aos fatos geradores vinculados ao anocalendário de 1998, o marco inaugural para fins de declaração da decadência é a data de ocorrência do fato gerador do tributo, mais especificamente conforme norteado no demonstrativo abaixo: Assim, os termos iniciais para contagem dos prazos decadenciais iniciaramse em 31/03/1998, 30/06/1998, 30/09/1998 e 31/12/1998, tendo seus marcos finais ocorridos em 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003 e 31/12/2003, respectivamente, circunstâncias estas que inferem definir que ocorreu a extinção do direito da Fazenda constituir o lançamento de oficio sobre o valor apurado no período em litígio, tendo em vista que a ciência do aludido auto de infração ocorreu em 19/02/2004 (fl. 127), caracterizando o decurso do prazo previsto no aludido diploma legal. A partir dessas considerações, verificase, no caso, a perfeita e adequada confluência entre os fundamentos adotados pela r. decisão de origem e aqueles indicados pelas Fl. 640DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.000305/200481 Acórdão n.º 1301001.100 S1C3T1 Fl. 7 11 disposições contidas na decisão prolatada nos autos do REsp 973.733 – SC, que, conforme apontado, por estar afeto às disposições contidas no Art.543C do CPC, e, ainda, por força das expressas disposições contidas no Art. 62A do RICARF, não merece, na presente vertente, qualquer reparo específico deste CARF, devendo assim ser mantida nos termos em que apresentado. Diante dessas razões, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo assim, integralmente, a r. decisão de origem que, como apontado, concluíra pela completa desconstituição do lançamento efetivado, reconhecendo, na hipótese, a específica efetivação da decadência em relação a todos os períodos mencionados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 641DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000246/2007-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA SOCIEDADE EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. É válido o auto de infração lavrado contra pessoa jurídica extinta por incorporação, decorrente de ação fiscal acompanhada pela incorporadora com a sua efetiva participação revelada pela prestação de esclarecimentos e fornecimento de documentação à fiscalização, além da garantia do devido processo legal e da ampla defesa, assegurados a partir da instauração do litígio mediante a apresentação da impugnação.
Numero da decisão: 1103-000.554
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, DAR provimento ao recurso de ofício para devolver os autos à DRJ de origem para enfrentamento do mérito.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. É válido o auto de infração lavrado contra pessoa jurídica extinta por incorporação, decorrente de ação fiscal acompanhada pela incorporadora com a sua efetiva participação revelada pela prestação de esclarecimentos e fornecimento de documentação à fiscalização, além da garantia do devido processo legal e da ampla defesa, assegurados a partir da instauração do litígio mediante a apresentação da impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, DAR provimento ao recurso de ofício para devolver os autos à DRJ de origem para enfrentamento do mérito. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Fl. 576DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.000246/200708 Acórdão n.º 110300.554 S1C1T3 Fl. 2 2 Tratase de recurso de ofício contra o Acórdão nº 1225.726/2009 (fls. 456), da 8ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro/IRJ, relativo a auto de infração de redução do imposto de renda a compensar ou a ser restituído lavrado em desfavor de Carboderivados S/A (fls. 240). A exigência foi formalizada para proceder à “glosa de incentivo fiscal usufruído indevidamente já que a empresa não está localizada em área de atuação da SUDENE, conforme acórdão da DRJ/RJOI e Relatório de fls. 233 a 239”, segundo descrito no auto de infração (fls. 241). Elkem Participações Indústria e Comércio Ltda. apresentou tempestiva impugnação (fls. 246 e 455) na condição de sucessora por incorporação. Suscitou preliminar de ilegitimidade passiva e contestou o mérito da exação, inclusive quanto a imposição da multa de 75%. Em decisão adotada por maioria de votos, o órgão de primeira instância acolheu a preliminar para declarar nulo o lançamento, sem exame de mérito, interpondo recurso de ofício. O acórdão recebeu a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 NULIDADE POR VÍCIO FORMAL. ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. EMPRESA INCORPORADA ANTES DO LANÇAMENTO. O erro na qualificação do sujeito passivo implica vício de forma, tornando nulo o lançamento. PRAZO PARA NOVO LANÇAMENTO. Dispõe a Fazenda Nacional do prazo de 5 (cinco) anos para efetuar novo lançamento, contado da data em que a decisão declaratória da nulidade se tornar definitiva na esfera administrativa, conforme prevê o artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. A fase investigatória foi inaugurada em setembro de 2005 com a expedição do MPF – mandado de procedimento fiscal/fiscalização nº 07.2.01.002005003652 (fls. 001) determinando a fiscalização em Carboderivados S/A (CNPJ 28.504.330/000133), identificada como sujeito passivo no auto de infração (fls. 240). Fl. 577DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.000246/200708 Acórdão n.º 110300.554 S1C1T3 Fl. 3 3 No momento da expedição do MPF (setembro/2005) a fiscalizada já fora incorporada por Carbopar S/A (CNPJ 28.504.405/000186), evento ocorrido no dia 31/10/2003, segundo atas das assembléias gerais extraordinárias (AGE) das sociedades envolvidas (fls. 277 e 295). Constou do protocolo de incorporação e justificação (fls. 298), item 2.1iv (fls. 299), notícia de que a incorporadora Carbopar e sua controladora Elkem Participações, Indústria e Comércio Ltda (“Elkem Participações”) detinham conjuntamente “a quase totalidade” das ações da incorporada Carboderivados, 1.242.987.294 de um total de 1.242.987.299 ações. Acordouse também a transferência do estabelecimento sede da Carbopar para o endereço da sede da Corboderivados, além da mudança do nome da incorporadora Carbopar para Carboderivados, conforme item 3.1, vii e ix, do referido protocolo (fls. 301). Portanto, a incorporadora adotou o nome da incorporada, passando a ser denominada Carboderivados S/A, mantendo o mesmo número de inscrição no CNPJ (28.504.405/000186). Ambas, incorporada e incorporadora, eram presididas pela mesma pessoa, o Sr. Ernesto Mosaner Júnior (fls. 277 e 295). Posteriormente, Elkem Participações (CNPJ 42.593.061/000150) incorporou Carboderivados S/A (CNPJ 28.504.405/000186) nos termos aprovados pela AGE realizada no dia 31/01/2006 (fls. 314). Conforme o protocolo de incorporação e justificação (fls. 317/318), a incorporadora detinha 99,99% do capital da Carboderivados (incorporada) e ambas as sociedades eram dirigidas pelos mesmos administradores (itens 1.2 e 2.1i). Vêse, portanto, que na data da expedição do MPF, em 2005, a fiscalizada Carboderivados S/A (CNPJ 28.504.330/000133) já estava extinta, em razão da incorporação por Carbopar S/A (CNPJ 28.504.405/000186) ocorrida em 2003, muito embora a incorporadora tivesse assumido o nome da incorporada, passando a ser denominada Carboderivados S/A, mantendo o nº de inscrição no CNPJ, obviamente. Na primeira intimação, a autoridade fiscal solicitou, entre outros elementos, a indicação de pessoa para acompanhar a ação fiscal, prestar informações e esclarecimentos, receber intimações, relatórios fiscais e autos de infração, como representante da fiscalizada (fls. 005). A Sra. Dulcenea Fiorio foi indicada para a tarefa na correspondência datada de 29/09/2005, assinada pelo Sr. John Robert Strutt Kerr (fls. 175), diretor da incorporadora da fiscalizada. A Sra. Dulcenea efetivamente recebeu os termos lavrados pela fiscalização (fls. 001, 119 e 239), prestou esclarecimentos (fls. 120, 176 e 177) e assinou o auto de infração (fls. 240). Na data da lavratura do auto de infração, em 17/04/2007 (fls. 240), aqui entendida como momento da ciência, já havia ocorrido a segunda incorporação, de Fl. 578DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.000246/200708 Acórdão n.º 110300.554 S1C1T3 Fl. 4 4 Carboderivados S/A (CNPJ 28.504.405/000186) por Elkem Participações (CNPJ 42.593.061/000150). Conforme relatado, a turma julgadora de primeira instância, por maioria, entendeu que seria inválido o auto de infração contra pessoa jurídica extinta. Julgou nulo o auto de infração por erro na identificação do sujeito passivo, sem exame do mérito. No momento da ocorrência do fato gerador, em 31/10/2003, a primeira sociedade incorporada, Carboderivados S/A (CNPJ 28.504.330/000133), revestia a condição de contribuinte, haja vista a “relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador”, segundo a definição contida no art. 121, I, do Código Tributário Nacional. Na lavratura do auto de infração, Elkem Participações (CNPJ 42.593.061/000150) já havia assumido a condição de responsável tributária por sucessão, em razão da segunda incorporação realizada, conforme previsão expressa contida no caput do art. 132 do CTN – Código Tributário Nacional, adiante transcrito: “Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.” Com efeito, o rigor técnico recomenda a indicação do responsável no pólo passivo da obrigação tributária, em atenção ao comando do art. 10, I, do Decreto 70.235/72, que determina a obrigatoriedade de inclusão no auto de infração da “qualificação do autuado”. Resta verificar a validade do auto de infração que tem indicado como sujeito passivo pessoa jurídica extinta por incorporação. Em matéria de responsabilidade tributária decorrente de sucessão por incorporação, como no caso concreto sob exame neste processo, a indicação do sujeito passivo no auto de infração pode recair sobre a contribuinte extinta ou sobre a responsável tributária, sem qualquer efeito de nulidade do ato de lançamento, desde que assegurados ao responsável tributário o devido processo legal e a ampla defesa. O aplicador da lei deve perscrutar o sentido que o ordenamento confere à norma específica. Dos princípios norteadores do processo administrativo tributário, incluindo se o ato de lançamento que o precede, extraise seguro entendimento, apoiado em pacíficas doutrina e jurisprudência, acerca da priorização do exame da materialidade em detrimento do rigor formal. O objetivo precípuo do processo administrativo tributário consiste no exame da aplicação da norma de incidência do tributo, da materialidade da exigência, observados os princípios e as garantias constitucionais pertinentes, evidentemente. Eventual defeito do lançamento, não resultante em prejuízo ao sujeito passivo, deve ser sanado em substituição à declaração de nulidade do ato. Assim determina o art. 60 do Decreto 70.235/72, elegendo como preferencial o objetivo de obtenção do fim almejado pelo ato processual administrativo, sobrepondose este (o fim) à forma prescrita. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.000246/200708 Acórdão n.º 110300.554 S1C1T3 Fl. 5 5 A responsabilidade tributária por sucessão prescinde de ato administrativo que a declare ou reconheça, ela decorre de normas legais previstas no CTN, sendo suficiente para o seu surgimento o acontecimento dos fatos tomados por pressupostos da sua existência, tais como, incorporação de empresas, morte de pessoa natural, aquisição de fundo de comércio, etc. Dito de outra forma, não é o auto de infração o instrumento que cria o vínculo de responsabilidade pelo tributo, tal conexão surge com a ocorrência do evento previsto na lei. O importante, conforme já mencionado acima, é a garantia do devido processo legal e do direito de defesa. A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais adotou este entendimento no julgamento de caso semelhante: “NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE FORMAL. ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO AUTUADO. Não configura erro na identificação do sujeito passivo quando, embora o lançamento tenha sido formalizado em nome da empresa incorporada, não se evidencie qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da recorrente, representada pelo mesmo funcionário em todas as fases do processo, desde a fiscalização até o julgamento de segunda instância. A irregularidade no preenchimento dos requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do lançamento quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida. Recurso provido.” (Acórdão CSRF/0105.113, sessão de 19/10/2004) A impugnante não é uma terceira pessoa desprovida de qualquer vinculação com a empresa extinta. Do ponto de vista patrimonial, incorporada e incorporadora se confundem após o evento societário, ocorre a absorção da primeira pela segunda. Da incorporação surge um novo universo patrimonial reunindo bens, direitos e obrigações, inclusive as de natureza tributária – resultante da união dos acervos de ambas as envolvidas, a partir de então pertencente à incorporadora. Acrescentese que nos dois eventos ocorridos as sociedades incorporadoras eram controladoras das incorporadas, detendo quase a totalidade do seu capital, além de todas estarem submetidas a uma gestão comum. Podese dizer que as três sociedades envolvidas eram partes de um único conjunto patrimonial, antes mesmo das incorporações. Com o perdão pela repetição, a impugnante não é uma terceira pessoa desvinculada da empresa extinta. Não se deve desprezar a atuação da Sra. Dulcenea Fiorio, acima descrita, no acompanhamento de todas as etapas do procedimento fiscal, como representante da fiscalizada, o que garantiu às interessadas o pleno conhecimento do desenvolvimento da ação fiscal assim como a efetiva participação na apuração dos fatos mediante a prestação de esclarecimentos. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.000246/200708 Acórdão n.º 110300.554 S1C1T3 Fl. 6 6 A precisa definição da responsabilidade pelo crédito tributário se reputa imprescindível no momento da inscrição do crédito tributário na DAU – Dívida Ativa da União. Eventual retificação na identificação do sujeito passivo responsável pode ser realizada até no momento da execução, a exemplo do admissível direcionamento para o sócio gerente da execução movida originalmente contra a pessoa jurídica, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) resumida no seguinte aresto da Primeira Sessão daquele colegiado: “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ART. 135 DO CTN. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO GERENTE. EXECUÇÃO FUNDADA EM CDA QUE INDICA O NOME DO SÓCIO. REDIRECIONAMENTO. DISTINÇÃO. Iniciada a execução contra a pessoa jurídica e, posteriormente, redirecionada contra o sóciogerente, que não constava da CDA, cabe ao Fisco demonstrar a presença de um dos requisitos do art. 135 do CTN. Se a Fazenda Pública, ao propor a ação, não visualizava qualquer fato capaz de estender a responsabilidade ao sóciogerente e, posteriormente, pretende voltarse também contra o seu patrimônio, deverá demonstrar infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos ou, ainda, dissolução irregular da sociedade.”(EREsp 702232/RS – Embargos de Divergência no REsp 2005/00888180 – Relator: Ministro Castro Meira) Assim, é válido o auto de infração lavrado contra pessoa jurídica extinta por incorporação decorrente de ação fiscal acompanhada pela incorporadora, com a sua efetiva participação revelada pela prestação de esclarecimentos e fornecimento de documentação à autoridade fiscal, além da garantia do devido processo legal e da ampla defesa, assegurados a partir da instauração do litígio mediante a apresentação da impugnação, como de fato aconteceu no caso concreto. Conclusão Pelo exposto, dou provimento ao recurso de ofício para determinar o retorno dos autos à DRJ de origem para enfrentamento do mérito do lançamento. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 581DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.000246/200708 Acórdão n.º 110300.554 S1C1T3 Fl. 7 7 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11020.904122/2009-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A inconsistência entre as informações utilizadas pela contribuinte em sua Dcomp e aquelas contidas nos registros mantidos pela Fazenda Pública, decorrente das declarações obrigatoriamente apresentadas (DIPJ, DCTF,etc.), acarreta a incerteza do crédito afirmado. A compensação no direito tributário brasileiro, a teor do que determinam as disposições do Art. 170 do CTN e também as respectivas legislações de regência, impõe a verificação da existência de crédito líquido e certo. Apesar de devidamente intimada, a contribuinte não promoveu, ao tempo e modo devidos, as devidas regularizações de suas declarações fiscais, o que impõe, portanto, a completa impossibilidade de homologação da compensação pretendida.
Numero da decisão: 1301-000.865
Decisão: Acordam os membros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A inconsistência entre as informações utilizadas pela contribuinte em sua Dcomp e aquelas contidas nos registros mantidos pela Fazenda Pública, decorrente das declarações obrigatoriamente apresentadas (DIPJ, DCTF,etc.), acarreta a incerteza do crédito afirmado. A compensação no direito tributário brasileiro, a teor do que determinam as disposições do Art. 170 do CTN e também as respectivas legislações de regência, impõe a verificação da existência de crédito líquido e certo. Apesar de devidamente intimada, a contribuinte não promoveu, ao tempo e modo devidos, as devidas regularizações de suas declarações fiscais, o que impõe, portanto, a completa impossibilidade de homologação da compensação pretendida.
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COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A inconsistência entre as informações utilizadas pela contribuinte em sua Dcomp e aquelas contidas nos registros mantidos pela Fazenda Pública, decorrente das declarações obrigatoriamente apresentadas (DIPJ, DCTF,etc.), acarreta a incerteza do crédito afirmado. A compensação no direito tributário brasileiro, a teor do que determinam as disposições do Art. 170 do CTN e também as respectivas legislações de regência, impõe a verificação da existência de crédito líquido e certo. Apesar de devidamente intimada, a contribuinte não promoveu, ao tempo e modo devidos, as devidas regularizações de suas declarações fiscais, o que impõe, portanto, a completa impossibilidade de homologação da compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) Alberto Souza Pinto Junior Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Analisando os elementos contidos nos autos, verificase que a matéria aqui tratada referese, exclusivamente, à discussão em torno da (im)possibilidade de homologação parcial da PER/DCOMP apresentada pela contribuinte, em decorrência do fato de que um dos supostos créditos por ela apresentadas de acordo com as informações disponibilizadas na DIRF , divergiriam em relação às informações prestadas pela fonte pagadora, sendo, especificamente, a indicação do código de receita distinto daquele apontado pela contribuinte. Após a apresentação da Manifestação de Inconformidade pela interessada, analisando os argumentos apresentados, proferiu a douta DRJ de origem pela improcedência de seus termos, deixando, assim, de reconhecer o específico direito creditório apontado, em acórdão que, inclusive, assim restara ementado: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação de direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme previsto no art. 170 da Lei 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta indeferimento do pedido e a nãohomologação da compensação. Manifestação de Inconformidade improcedente. Direito Creditório não reconhecido. Nas razões da decisão apresentada, analisa a douta autoridade de origem o apontamento de nulidade inicialmente argüido pela contribuinte – entendendo ausente a motivação para a aplicação das penalidades apontadas , demonstrando a perfeita regularidade dos procedimentos adotados e, assim, afastando a argüição pretendida. No mérito, destaca a r. decisão a existência de inconformidade entre os dados lançados pela contribuinte em sua PER/DCOMP e aqueles contidos nos sistemas de controle das DIRF’s, especificamente em relação ao montante supostamente retido por uma das fontes pagadoras apresentadas pela interessada, especificamente em relação ao registro existente a respeito do código de receita indicado pela fonte pagadora (6800), o que, entretanto, deveria ter sido objeto de específica comprovação pela contribuinte, a partir da apresentação dos competentes informes de rendimento, o que efetivamente não se verifica nos autos. Regularmente intimada, apresenta então a contribuinte o seu recurso voluntário, reconhecendo, especificamente, a divergência das informações apontadas, mas apontando a efetiva existência do crédito que, conforme entende, não pode ser afastado pela autoridade fazendária de origem. Em rápida síntese, esse é o relatório. Voto Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.904122/200900 Acórdão n.º 1301000.865 S1C3T1 Fl. 2 3 Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o Recurso Voluntário, dele conheço. Conforme apontado no relatório, a questão tratada nos autos referese, exclusivamente, à nãohomologação da compensação pretendida pela contribuinte, especificamente em relação ao crédito decorrente do pagamento efetivado pela fonte de CNPJ no 92.702.067/000196, que, às fls. 39, promoveu a retenção do montante de R$ 6.148,38, tendo sido o montante recolhido sob o código de receita de no 6800 (Aplicações Financeiras em Fundos de Investimento Renda Fixa). A situação especificamente considerada importa, de fato, na verificação de inconsistência entre as informações apontadas na PER/DCOMP e aqueles que, a princípio, encontramse dispostos nos sistemas de controle fazendários, sendo certo que a comprovação da veracidade das informações apresentadas competia, na oportunidade, à contribuinte que, para fins de possibilitar a verificação da adequação dos registros por ela efetivados, deveria apresentar o competente “comprovante de rendimentos”, o que, inclusive, não se verificou na espécie. Tendo em vista a não apresentação de prova pela contribuinte da correção documental dos registros apresentados em sua PER/DCOMP, não subsistem alternativas possíveis, senão, a negativa de provimento ao recurso interposto, mantendose, assim, na integralidade, os termos da decisão recorrida. Nesses termos, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto, nos termos e fundamentos aqui, então, devidamente apresentados. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10825.900489/2006-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 Ementa: DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificá-la. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto do contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de compensação. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial, não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.166
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificála. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto do contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de compensação. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial, não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto que integram o presente julgado. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900489/200675 Acórdão n.º 1402001.166 S1C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900489/200675 Acórdão n.º 1402001.166 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório O processo acima identificado retorna de diligência. Do relatório feito naquela ocasião, quando o processo esteve em pauta, transcrevo o quanto segue nos parágrafos subsequentes: Conforme demonstra a alteração contratual de fls. 19/23, datada de 11/11/2003, a recorrente foi constituída no ano de 1976, sob a denominação social de Laboratório Bauru de Patologia Clínica Sociedade Civil Ltda., tendo por objeto social o campo de “análises clínicas, abrangendo o campo de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia”. O acórdão recorrido, à fl. 100, diz que a DIPJ do anocalendário de 1999 foi retificada em 24/04/2004 e que as DCTF`s do primeiro trimestre do anocalendário de 1999 foram retificadas em 26/03/2008. Todavia, examinando os autos, foi possível localizar somente a existência das referidas declarações retificadoras: a) DCTF do quarto trimestre de 2001 (fls.16/36), primeiro trimestre de 2002 (fls. 37/46), segundo trimestre de 2002 (fls. 47/55) e do terceiro trimestre de 2002 (fls. 56/66); b) DIPJ do anocalendário 2001 (fls.67/79) e do anocalendário 2002 (fls. 80/97). Pelo que alega a recorrente, tendo constatado pagamento a maior, isto é, feito levando em consideração a base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), a parte tratou de fazer as respectivas compensações. Todavia, não vieram aos autos os comprovantes de pagamentos apurados com a base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento) e tampouco a DCTF do período de 1999. O acórdão de fls. 99/102 não homologou o procedimento de compensação sob o fundamento de que o direito creditório não estava devidamente comprovado. Em síntese, no caso concreto, alega a recorrente que ao calcular o imposto devido em relação ao primeiro trimestre de 1999 utilizou base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto seria 8% (oito por cento). Assim, pagou imposto a maior no ano de 1999 e, em 2004, “antes de seu crédito ser atingido pela decadência” realizou as compensações indicadas nas DCTF`s de fls. 16 e seguintes, no montante de R$ 22.912,46. Em ocasião anterior, quando este colegiado examinou a matéria, decidiu converteuse o julgamento em diligência para que viessem aos autos os seguintes elementos: a) cópia do contrato social que vigorava no período de apuração do crédito em discussão; b) cópias das DCTF`s referentes aos períodos dos alegados pagamentos a maior, junto com a DIPJ de cada um dos trimestres, identificando a base de cálculo aplicada e a natureza dos rendimentos; Fl. 535DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900489/200675 Acórdão n.º 1402001.166 S1C4T2 Fl. 0 4 c) cópia dos comprovantes de pagamento e/ou extinção dos débitos tributários por compensação; d) quadro demonstrativo referente ao período do alegado pagamento a maior, indicando a natureza da origem da receitas (comércio, prestação de serviços, atividades de laboratórios, etc.), a base de cálculo considerada, o valor pago à época, o quanto seria devido se aplicado base de cálculo de 8% (oito por cento) e não de 32% (trinta e dois por cento) e, e) nos casos de pagamentos a maior, com débitos subsequentes, deverá a requerente fazer constar do quadro acima quando isto se deu, em que valores e em que forma (DCTF, DCOMP etc). Em atendimento ao procedimento de diligência a empresa trouxe a este processo e/ou nos autos que estão sendo examinados em conjunto, as seguintes informações ou documentos: (I) planilha com demonstrativo de imposto a pagar no 4º trimestre de 1998 e do imposto a recuperar a partir do Segundo Trimestre de 1999; (II) comprovante de entrega da DIPJ retificadora de 1999, transmitido em 21052008; (III) cópia da DCTF retificadora referente a trimestre de 1999, transmitida no ano de 2008; (IV) planilha com demonstrativo com imposto apurado com base de cálculo de 8%, em confronto com a base de cálculo de 32%, nos anos calendário de 2003, 2004 e 2005; (V) cópia do auto de infração datado de 18032008, exigindo crédito tributário com base na alíquota de 32%; (VI) planilha e quadro resumo do faturamento obtido pela empresa, no ano de 1999, indicando as fontes pagadoras, o montante em cada trimestres e as retenções de imposto de renda na fonte. (VII) Livro razão referente ao anocalendário de 1999. De posse das informações fornecidas pela parte interessada a autoridade fiscal elaborou o termo de verificação datado de 06122011, destacando os seguintes pontos: a) que o alegado direito creditório da recorrente referese à diferença pelo de ter recolhido tributos considerando base de cálculo de 32%, quando o correto, segundo seu entendimento, seria 8%; b) que esta diferença resultante entre 1998 e 2003 gerou mais de 180 PER/COMP; Fl. 536DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900489/200675 Acórdão n.º 1402001.166 S1C4T2 Fl. 0 5 c) que de acordo com a DIPJ original, que utilizou base de cálculo de 32% e retificadora que utilizou base de cálculo de 8% da Receita Bruta, os valores respectivamente apurados foram: Intimada dos levantamentos feitos pela autoridade fiscal, a recorrente manifestouse destacando os seguintes pontos: a) que dos demonstrativos apurados no exaustivo trabalho da autoridade fiscal notouse algumas divergências entre a receita declarada e a receita informada em DIRF. Igualmente, percebeuse pequenas divergências entre as retenções que foram utilizadas em compensações; b) relativamente às divergências de receitas e retenções declaradas, esclarece a recorrente que a contabilização da receita era feita pela nota fiscal e o aproveitamento da retenção na fonte pelo recebimento; c) por outro lado, esclarece a recorrente que o valor da nota fiscal emitida nem sempre correspondia ao pagamento, pois existiam glosas, ainda que indevidas, pelos tomadores dos serviços; d) que os valores sem DIRF, mas representativos, são do SUS e do SEPREM, ambos órgãos públicos a quem a recorrente solicitou os devidos comprovantes, sendo que a SEPREM o forneceu e o SUS informou que tais informações somente podiam ser obtidas por meio de diligências em Brasília, pois a verba para a saúde tem origem no Ministério da Saúde que repassa para os Estados e Municípios. e) destaca, ainda, que o processo documental do SUS é diferente, pois não existe nota fiscal de serviço, mas sim relatórios que são auditados, para os quais são emitidos ofícios com estimativa de pagamento. Neste sentido a recorrente apresenta exemplos. f) Junto com a manifestação em relação ao levantamento feito pela autoridade fiscal a contribuinte juntou documentos separados por anos (1998, 1999 e 2000). Fl. 537DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900489/200675 Acórdão n.º 1402001.166 S1C4T2 Fl. 0 6 g) para cada ano e para cada empresa que apresentou problemas de falta ou de divergência de valores a contribuinte elaborou planilha contendo: 1. o ano da ocorrência; 2. o nome da empresa – fonte pagadora; 3. o nº atribuído a esta empresa que irá identificálo no razão; 4. o nº do CNPJ da fonte pagadora; 5. o Banco onde eram creditados os rendimentos; 6. o faturamento líquido e a retenção em cada mês. A planilha acima referida foi instruída com cópias de notas fiscais, onde por vezes constam anotadas as glosas, novo cálculo de retenções, valor líquido pago, data de pagamento e extrato onde se encontra registrado o crédito e, por vezes, o nome do pagador. A título de exemplo de glosa ocorrida a contribuinte menciona a nota fiscal nº 2035, de 30091998, no valor original de R$ 1008,30, com glosa de R$ 45,00. Assim, o valor da referida nota passou a ser R$ 963,30 (R$ 1.008,00 – R$ 45,00 ,00 = R$ 963,30). Sobre este valor houve retenções de R$ 81,40, o que resultou em recebimento líquido de 881,90. É o relatório. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900489/200675 Acórdão n.º 1402001.166 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Antes de adentrar ao mérito faço questão de registrar o excelente trabalho de confecção de planilhas elaboradas tanto pela fiscalização quanto pela contribuinte. O atuar de uma facilitou no trabalho da outra e ambas propiciaram melhor esclarecimentos aos fatos. Do retorno da diligência, levando em consideração seu objeto social da recorrente, os tomadores dos serviços e demais dados existentes nos autos, já analisados quando da conversão do processo em diligência, resultei convencido de que, à luz do que foi decidido no REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime de recurso repetitivo de que trata o artigo 543C, do Código de Processo Civil, que nos termos do artigo 62A, do Regimento Interno, deve ser observado por este colegiado, a base de cálculo da tributação efetivamente era de 8%. Deixo de transcrever os fundamentos constantes do REsp nº 1.116.399/BA porque já o fiz quando da resolução que converteu o processo em diligência. Porém, a questão que diz respeito ao deslinde deste processo não está relacionada à base de cálculo e tampouco ao montante dos valores retidos na fonte. À luz do parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade de lançamento, assim entendido como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo, é atividade administrativa vinculada e obrigatória. Quer nos casos de lançamento de ofício, quer nas hipóteses de lançamento por homologação em que o sujeito passivo, por conta própria, identifica a matéria tributável, a base de cálculo, a alíquota incidente, o quanto devido e realiza o pagamento, não há faculdade, em relação a nenhuma das partes, para exigir ou deixar de pagar tributo previsto em lei. A garantia constitucional consagrada no artigo 150, I, da CF, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”, também contém a obrigação do contribuinte de pagar, com exatidão, os tributos previstos no ordenamento jurídico. Tal comando constitucional advém do princípio da legalidade consagrado no artigo 5º, II, da Constituição de 1988, e não é novo em nosso direito, pois já se encontrava previsto nas Constituições anteriores e no artigo 97, do Código Tributário Nacional. Nos casos de pagamento a menor cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, por lançamento de ofício, exigir a diferença. Efetuado pagamento a maior, diante da impossibilidade de se exigir tributo além do montante fixado em lei, cabe à Administração Fl. 539DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900489/200675 Acórdão n.º 1402001.166 S1C4T2 Fl. 0 8 proceder a restituição, que nos casos de pessoa jurídica pode darse mediante compensação, conforme previsto no artigo 170, do CTN. Ainda em relação à compensação, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as modificações introduzidas pela Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, dispõe “in verbis”: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada ao caput pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002).” Quando examinei o processo pela primeira vez o fiz partindo da premissa de que a contribuinte, quando formulou os pedidos de compensação, havia retificado as DCTFs, sem proceder o mesmo em relação à DIPJ. Tendo por norte esta premissa entendi que as DCTF`s entregues eram documentos hábeis para constituir os débitos tributários nelas contidos, assim como para informar que tais débitos foram pagos mediante compensação. Assim, não havia o que se falar em decadência. Apesar dos fundamentos acima, como as DCTFs retificadoras não se encontravam nos autos, converti o julgamento em diligência solicitando que viessem aos autos ditos documentos. Se retificada a DCTF antes da extinção do direito da recorrente, ao meu sentir, em análise preliminar, não havia como negar a compensação ora analisada. Ocorre que a DCTF também foi retificada após o decurso do prazo de cinco anos. Assim, a premissa inicialmente considerada quando da conversão do processo em diligência, com a informação vinda aos autos, mostrouse inexistente. Nos termos do artigo 147 e seguintes do Código Tributário Nacional o lançamento pode darse por a) declaração; b) homologação e c) de ofício. No caso, interessanos o lançamento por homologação que à luz do artigo 150, do CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de identificar a matéria tributável, apurar o quanto devido e realizar o pagamento, cabendo à autoridade administrativa homologar a atividade praticada pelo sujeito passivo ou, em discordando, efetuar o lançamento de ofício. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900489/200675 Acórdão n.º 1402001.166 S1C4T2 Fl. 0 9 Quando o sujeito passivo, no lançamento por homologação, identifica a matéria tributável, apura a base de cálculo e calcula o valor do tributo devido, informandoo à Administração Tributária por meio de DCTF, temse a constituição de um crédito em favor do Fisco. Neste caso é o sujeito passivo que apura o valor que reconhece devido ao sujeito ativo. Por outro lado, quando o Fisco, em lançamento por declaração ou de ofício, apura o valor do imposto devido e notificao ao sujeito passivo, tem o credor o prazo de cinco anos para exigir o respectivo tributo, sob pena de prescrição. Pelo que se depreende do artigo 149, parágrafo único, este lapso temporal de 5 (cinco) anos também se verifica nos casos em que o sujeito passivo, nos lançamentos por homologação, comete erros na constituição do crédito. Por hipótese, se constituiu crédito tributário considerando base de cálculo além da devida, lhe é assegurado o prazo de cinco anos para retificar o ato de constituição do débito, no caso a DCTF. O prazo quinquenal de que trata o artigo 150, parágrafo único do CTN, é prazo aplicável tanto em favor do Fisco quanto do contribuinte para retificarem o lançamento nas hipóteses admitidas em lei. Decorrido tal prazo não é lícito o fisco fazer exigência em face do contribuinte e, tampouco, este pode retificar DCTF para diminuir o valor anteriormente constituído. O contribuinte precisa entender é ao entregar a DCTF está constituindo crédito em favor do Fisco. Se houver erro pode retificála no prazo de 5 (cinco) anos. Contudo, decorrido tal prazo extinguese o direito da parte em retificar a DCTF. Por fim, para que não se diga que o colegiado tangenciou sobre ponto relevante em relação ao qual deveria manifestarse, deixo consignado que o fato do sujeito passivo ter entregue pedido de compensação dentro do período de cinco anos não altera o resultado do julgamento. A compensação pressupõe um crédito do devedor para com o credor. Assim, no momento em que o sujeito passivo não retificou sua DCTF, dentro do período de 5 (cinco) anos, não fez aflorar o crédito pretendido que, mediante compensação, poderia utilizar para pagamento de outro tributo. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso por reconhecer a impossibilidade de retificação da DCTF depois de decorridos 5 (cinco) anos de sua entrega. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 541DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.909653/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ANULADO. FALTA DE FUNDAMETAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE PROFERIMENTO DE NOVA DECISÃO PELA DRJ COMPETENTE.
A falta de motivação da decisão recorrida enseja a anulação do processo a partir desta, havendo a necessidade de proferimento de nova decisão devidamente fundamentada pela DRJ competente.
Processo anulado.
Numero da decisão: 3202-000.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, por falta de motivação, e determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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FALTA DE FUNDAMETAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE PROFERIMENTO DE NOVA DECISÃO PELA DRJ COMPETENTE. A falta de motivação da decisão recorrida enseja a anulação do processo a partir desta, havendo a necessidade de proferimento de nova decisão devidamente fundamentada pela DRJ competente. Processo anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, por falta de motivação, e determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 96 53 /2 00 8- 83 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.909653/200883 Acórdão n.º 3202000.654 S3C2T2 Fl. 138 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, RS (DRJ/POA), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte manifestação de inconformidade para reconhecer o direito creditório complementar para ressarcimento/compensação de IPI, no valor de R$ 35.019,61 (fls. 78/79) em favor de GRAFOBRÁS INDÚSTRIA GRÁFICA E EDITORA LTDA, ora Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão citado, in verbis: O contribuinte acima identificado transmitiu, em 08/01/2005, pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI (PER/DCOMP 29386.19386.080105.1.3.014203), vinculado com declarações de compensação, no valor de R$ 60.867,38 (sessenta mil, oitocentos e sessenta e sete reais e trinta e oito centavos), referente ao 4o trimestre de 2004. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo/RS, pelo Despacho Decisório Eletrônico da fl. 01, emitido em 24/11/2008, indeferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 20.228,27 (vinte mil, duzentos e vinte e oito reais e vinte e sete centavos), homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido, tendo em vista a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Inconformado, o interessado apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, fls. 02, contra a decisão acima referida, na qual alega que preencheu o Demonstrativo de Débito do PER/DCOMP em questão, informando no campo ESTORNO DE CRÉDITO o valor de R$ 40.639,11, ao invés de informar como ressarcimento de créditos. Junta cópia do livro RAIPI de 2004, e cópia do PER/DCOMP. Ao final, requer a revisão do despacho decisório. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.909653/200883 Acórdão n.º 3202000.654 S3C2T2 Fl. 139 3 Em sua decisão, a 3ª Turma da DRJ/POA houve por bem manter a glosa de parte do crédito como decidido no despacho decisório, através do acórdão n° 1034.888, de 13 de outubro de 2011, cuja ementa foi assim formulada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI. PER/DCOMP ERRO DE PREENCHIMENTO. Constatado erro no preenchimento do PER/DCOMP, que resultou no indeferimento parcial do crédito pleiteado, cabível o reconhecimento do direito creditório complementar. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada com a decisão a quo, a Recorrente interpôs recurso voluntário, objetivando sua reforma, alegando, em breve síntese, que: a) o valor de R$ 40.639,11 cobrado como valor principal no despacho decisório referente à PER/DCOMP nº 29386.19386.080105.1.3.014203 não é devido, visto que decorreu de um preenchimento incorreto, tendo sido informado no campo Estorno de créditos ao invés do campo Ressarcimento de créditos; b) em que pese ter a 3ª Turma da DRJ/POA reconhecido o direito creditório complementar da Recorrente no valor de R$ 35.019,61, a quantia de R$ 6.319,50, referese a operações do CFOP 2.922 (Simples faturamento decorrente de compra para recebimento futuro), escriturada no mês de novembro de 2004, seria passível de ressarcimento, ao contrário do que restou decidido pela DRJ/POA, com fulcro no disposto no artigo 187, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI) (sic), aduzindo ainda que, pela legislação, é indiferente se o destaque de IPI ocorre no CFOP 6.922 (Simples faturamento decorrente de compra para recebimento futuro) ou 6.116 (Venda de produção do estabelecimento originada de encomenda para entrega futura); c) junta cópias do Despacho Decisório, do recibo e de fls. 0105 e 13 da PER/DCOMP, além das notas fiscais de nº 90307, 90306, 90799, 90798, 90515. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.909653/200883 Acórdão n.º 3202000.654 S3C2T2 Fl. 140 4 É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator A 3ª Turma da DRJ/POA decidiu dar parcial procedência à manifestação de inconformidade da Recorrente, por ter entendido não ser passível de ressarcimento o valor de R$ 6.319,50, correspondente ao IPI destacado nas notas fiscais de fls. 99 e 103, as quais foram emitidas em operações de venda para entrega futura, vez que a efetiva entrega dos produtos se deu posteriormente. Ocorre, entretanto, que a DRJ/POA, ao analisar a questão central da demanda, simplesmente deixou consignado que “A diferença entre esse valor e o pleiteado pelo contribuinte se deve ao ajuste dos créditos ressarcíveis, em razão do valor de R$ 6.319,50, referente ao CFOP 2.922 escriturado no mês de novembro de 2004 (fl. 22), que não é passível de ressarcimento”, sem, contudo, fundamentar porque referido CFOP impossibilitaria o ressarcimento do montante controverso. Diante disso, voto por declarar nulo o processo a partir da decisão da DRJ, inclusive, por falta de motivação, restando prejudicado o exame do recurso voluntário. Remeta se o processo à DRJ competente para que seja proferida nova decisão. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 140DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10730.000476/2006-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o
titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (artigo 42, da Lei nº 9.430/96). Matéria já assente na CSRF.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA. As
presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CARNÊ-LEÃO CONCOMITÂNCIA
IMPOSSIBILIDADE
Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-001.322
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar
provimento parcial ao recurso para afastar a multa exigida isoladamente. Vencida a conselheira Rayana Alves de Oliveira França (Relatora) e Francisco Assis de Oliveira Júnior que davam provimento em maior extensão. Designado para elaborar o voto
vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (artigo 42, da Lei nº 9.430/96). Matéria já assente na CSRF. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CARNÊ-LEÃO CONCOMITÂNCIA IMPOSSIBILIDADE Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa exigida isoladamente. Vencida a conselheira Rayana Alves de Oliveira França (Relatora) e Francisco Assis de Oliveira Júnior que davam provimento em maior extensão. Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2495; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.000476/200653 Recurso nº 517.501 Voluntário Acórdão nº 220101.322 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de outubro de 2011 Matéria IRPF Recorrente WAGNER ALBERTO DE MORAES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (artigo 42, da Lei nº 9.430/96). Matéria já assente na CSRF. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CARNÊLEÃO CONCOMITÂNCIA IMPOSSIBILIDADE Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa exigida isoladamente. Vencida a conselheira Rayana Alves de Oliveira França (Relatora) e Francisco Assis de Oliveira Júnior que davam provimento em maior extensão. Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 2 (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora. (Assinado Digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redator Designado EDITADO EM: 13/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Tratase de Auto de Infração (fls.134/138), lavrado contra o contribuinte acima qualificado, no qual se apurou credito tributário, no montante total de R$894.066,88, incluído multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados até 30/12/2005, além de multa exigida isoladamente, no montante de R$32.742,50, originados das seguintes infrações: 001. omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas; 002.omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; e 003. multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão. O Termo de Constatação e Verificação Fiscal, anexo ao auto de infração, fls.12/15, descreve os procedimentos de fiscalização, concluindo: ”Diante dos fatos apresentados e das verificações realizadas, constatamos que: a) O contribuinte não apresentou documentação idônea que comprovasse a origem dos créditos efetuados durante o período de referência, coincidentes em data e valor, nas contas bancárias em seu nome; b) O contribuinte declarou rendimentos tributáveis recebidos, durante o ano de 2001, no valor de R$91.330,00. Sendo R$85.330,00 recebidos de pessoas físicas e R$6.000,00 de pessoa jurídica; c) Foi apresentada Declaração de Ajuste Anual, exercício 2003, informando rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas, durante o ano calendário de 2002, no valor de R$53.540,00; d) Foram apurados rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas no valor total de R$297.560,00, sendo R$158.810,00 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10730.000476/200653 Acórdão n.º 220101.322 S2C2T1 Fl. 2 3 durante o ano de 2001, e R$138.750,00 durante o ano de 2002, conforme relação de clientes elaborada e apresentada pelo contribuinte. Ressaltamos que todos os rendimentos tributáveis verificados como recebidos durante o período fiscalizado, foram deduzidos dos depósitos bancários apurados.” DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte apresentou tempestivamente impugnação, fls.158/164, cujos principais argumentos estão sintetizados no relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte : preliminarmente, que não foi respeitado o direito à ampla defesa conforme preceituado no art. 5o , LV, da CF/88, uma vez que os livros e documentos utilizados na ação fiscal só foram devolvidos em 25/01/2006 e não, como consta do Termo de Encerramento, em 24/01/2006; assim, não foi respeitado o prazo legal de defesa de trinta dias da ciência do Auto de Infração; o Projeto TAMIM é uma organização não governamental que tem como principal objetivo social o combate à violência; inicialmente, pela inexistência de conta corrente bancária em nome da TAMIM e devido ao fato de os necessitados carecerem de atendimento imediato, todas as doações recebidas foram direcionadas para a conta corrente n° 10.6569, agência 05410, do Bradesco, cujo titular é o interessado, presidente da ONG; este fato pode ser constatado pelo exame do folder juntado à fl. 190; foram apresentados ao autuante os recibos originais das doações recebidas e cujas cópias foram juntados às fls. 194 a 242; foi juntada planilha evidenciando as datas dos recibos, os nomes dos doadores e os respectivos valores (fls. 192 e 193); a fiscalização não levou a documentação apresentada em consideração limitandose a comentar que não havia coincidência de data e valor com os créditos verificados nas contas correntes; o pronunciamento oficial da autoridade fiscal significa expresso reconhecimento da existência e veracidade dos aludidos recibos de doações, já que devidamente comprovados e confirmados; seria improvável haver coincidência de data e valor, uma vez que qualquer entidade, lucrativa ou não, tem por prática Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 4 operacional agrupar recursos financeiros, recebidos em espécie ou mediante cheques, e, de acordo com a conveniência administrativa, depositálos em momento adequado e oportuno; esta prática não representa infração a qualquer dispositivo legal sujeito a penalidade, não cabendo ao agente público interferir na forma imperativa e direta na gestão de recursos privados, criando condicionantes não previstos em lei; o autuado recebeu efetivamente a título de adiantamento por conta de lucro, ao longo do ano de 2001, o montante de R$ 89.688,27, consoante fls. 27 e 28 do Livro Razão número 3 e, ao longo do ano de 2002, o montante de R$ 193.642,20, consoante fls. 26 a 29 do Livro Razão número 4, além dos extratos bancários da pessoa jurídica e recibos de adiantamentos a título de antecipação de lucros, todos originais; a alegação da fiscalização de que não foi apresentada documentação que comprovasse o efetivo recebimento dos créditos efetuados descabe completamente, tendo em vista que, uma vez ocorrida a distribuição antecipada de lucros não há qualquer obrigatoriedade de se efetuar a distribuição de lucros no próprio exercício em que ocorreu a antecipação, pois o que se configurará será a existência de reconhecimento de um direito da pessoa jurídica em relação ao sócio recebedor das antecipações; tal direito da pessoa jurídica que efetuou as antecipações será revertido, contabilmente, à época da efetiva apuração e distribuição dos lucros nos exercícios competentes, levandose tal crédito da pessoa jurídica a débito da constituição da respectiva provisão de lucros/dividendos, não havendo, assim, o que se falar, no momento da antecipação, em descaracterizarse a efetividade de uma transação pelo simples fato de a autoridade fiscal desconsiderar a documentação hábil e idônea apresentada no curso da fiscalização; foram efetivados mútuos de recursos da Clínica Cirúrgica Wagner de Moraes Ltda tendo como beneficiário o autuado, perfazendo os montantes de R$290.229,40 no ano de 2001 e R$132.312,90 no ano de 2002, estando tais valores devidamente consignados nos Livros Diários, assim como respaldados por recibos apresentados à época da ação fiscal e nos contratos firmados entre as partes, cujas cópias foram juntadas; não há como ser desprezada a documentação apresentada, uma vez que a mesma comprova de maneira definitiva e inquestionável as transações efetivadas, cabendo ao agente do fisco, caso não concorde, elencar os motivos pelos quais não as considerou, apresentando as devidas provas processuais pra tal e não, simplesmente, indicando de forma vaga e sem fundamento que não foi comprovada a origem dos recursos. embora correta a observação da autoridade lançadora quanto à falta de registro nos órgãos competentes, não há que se considerar como inservível a escrituração apresentada, vez que fiel à verdade dos atos e fatos praticados, conforme já amplamente exposto em julgados anteriores, pois a simples ausência de registros dos termos de abertura e de encerramento Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10730.000476/200653 Acórdão n.º 220101.322 S2C2T1 Fl. 3 5 de qualquer livro contábil ou fiscal não desqualifica a verdade dos fatos contabilmente explicitados. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar a matéria, os Membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/RJOII n° 1325.728, de 23 de julho de 2009, fls. 274/282, para alterar o percentual da multa exigida isoladamente de 75% para 50%, em decisão assim ementada: “NULIDADE. INOCORRÊNCIA Afastase a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento quando resta configurado que não houve o alegado cerceamento de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. REDUÇÃO. Impõese reduzir a multa exigida isoladamente aplicada no percentual de 75%, para o percentual de 50%, em decorrência do princípio da retroatividade benigna da lei tributária. Lançamento Procedente em Parte” DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado dessa decisão na data de 09/11/2009 (“AR” fl. 285) e apresentou em 07/12/2009, Recurso Voluntário Tempestivo, fls.286/293, acompanhado dos documentos de fls.294 e seguintes, que já haviam sido entregues, mas foram desconsiderados pela autoridade lançadora, a saber: 2.1) R$ 242.350,00, relativos ao ano de 2001, recebidos a título de doações para a ONG Projeto TAMIM; 2.2) R$ 63.330,00, relativos ao ano de 2002, recebidos a título de doações para a ONG Projeto TAMIM; 2.3) R$ 89.688,27, relativos ao ano de 2001, recebidos a título de adiantamento por conta de lucro da Pessoa Jurídica CLÍNICA CIRÚRGICA WAGNER DE MORAES LTDA; 2.4) R$ 193.642,20, relativos ao ano de 2002, recebidos a título de adiantamento por conta de lucro da Pessoa Jurídica CLÍNICA CIRÚRGICA WAGNER DE MORAES LTDA; 2.5) R$ 290.229,40, relativos ao ano de 2001, recebidos a título de empréstimos realizados pela Pessoa Jurídica CLÍNICA CIRÚRGICA WAGNER DE MORAES LTDA; e Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 6 2.6) R$132.312,90, relativos ao ano de 2002, recebidos a título de empréstimos realizados pela Pessoa Jurídica CLÍNICA CIRÚRGICA WAGNER DE MORAES LTDA.. O contribuinte apresentou ainda, os seguintes documentos: Anexo A – Estatuto Social da TAMIM – Tributo a Michelle Moraes (organização não governamental) – fls.295/326 Anexo B – Diversas matérias Jornalísticas e Certificados do TAMIM – fls.296/364; Anexo C – Livro Diário da TAMIM, registrado na Junta Comercial em 03/12/2009: fls.365/403 (anocalendário 2001) e fls.406/440 (anocalendário 2002) e Relação de Doações Recebidas em 2001, fls.443/444, totalizando R$242.380,00 e em 2002, fls.441/442, totalizando R$63.330,00 e canhotos de recibos diversos de doações, fls.445/468. Anexo D Livro Diário da CLÍNICA CIRÚRGICA WAGNER DE MORAES LTDA, registrado na Junta Comercial em 03/12/2009: fls.470/535 (anocalendário 2001) e recibos diversos assinado pelo contribuinte, fls.536/582, e contratos de mútuo entre o contribuinte e a Clínica, fls.583/719. O processo foi encaminhado a este colegiado, conforme fl. 720, acompanhado dos anexos I, no qual consta cópia dos extratos bancários do contribuinte, cópia dos recibos de adiantamento da CLÍNICA CIRÚRGICA WAGNER DE MORAES LTDA e recibos de doações recebidas . É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Não há argüição de preliminar. Em sua defesa o recorrente não se insurge quanto à omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física e à multa por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão. A matéria central aqui discutida versa, sobre depósito bancário de origem não comprovada, cujo fundamento legal está no artigo 42, da Lei nº 9.430/96, de pleno conhecimento deste colegiado e amplamente abordada na decisão de primeira instância deste processo, bem como multa isolada. A partir da edição de referida norma, o tratamento dos depósitos bancários foi modificado e passou a ser admitido que depósitos bancários de origem não comprovada fossem tributados por presunção legal, como omissão de receita, conforme a transcrição abaixo: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10730.000476/200653 Acórdão n.º 220101.322 S2C2T1 Fl. 4 7 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Valores alterados pela Lei n.º 9.481, de 13 de agosto de 1997); § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. ’ § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Acrescido pela Lei n.º 10.637, de 30 de dezembro de 2002) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Acrescido pela Lei n.º 10.637, de 30 de dezembro de 2002).” A partir deste diploma legal, tornouse possível o lançamento com base em depósitos e investimentos que não possuam origem comprovada. No entanto, antes de criar o crédito tributário o fisco deve intimar o contribuinte para que comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 8 O fato é que não se trata de inversão do ônus da prova, conforme aduz o Recorrente em seu Recurso, mas uma hipótese de presunção relativa ("juris tantum"), que admite prova em contrário, a cargo do contribuinte. Neste sentido, não cabe igualmente a argumentação que ocorreu o cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que durante a fiscalização, bem como durante todo o processo administrativo, lhe foi propiciada a oportunidade de apresentar provas para elidir o lançamento. Da análise dos autos, constatase que o procedimento foi realizado observando os princípios constitucionais da ampla defesa e todos os outros que norteiam a atividade da administração pública. Concluise portanto, que o lançamento foi regularmente constituído, não havendo qualquer vício que comprometesse a validade do mesmo e o processo tramitou de forma a assegurar ao Recorrente todo o direito de defesa sobre as matérias discutidas nos autos. A jurisprudência administrativa atual, com fundamento na Lei nº 9.430/96, é pacífica, no sentido de considerar válido o lançamento por presunção legal, quando o contribuinte, devidamente intimado, não lograr êxito em comprovar a origem dos depósitos ou investimentos, conforme transcrevemos abaixo: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996).”( Acórdão nº CSRF/0400.029, de 21.06.2005) “TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” (Sexta Câmara, Acórdão 106 15433, Data da Sessão: 23/03/2006). “OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA ESTABELECIDA PELO ART. 42 DA LEI 9.430 DE 1.996 INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Não logrando o sujeito passivo comprovar a origem dos depósitos realizados na conta corrente bancária de sua titularidade, deve ser mantido o lançamento. Excluem–se, contudo, os depósitos menores de R$ 12.000,00 e que somem, no ano calendário, até R$ 80.000,00, conforme admite o parágrafo 3º, inciso II da mesma legislação mencionada. Na hipótese de conta corrente conjunta, aplicação deste último dispositivo legal por CPF, observandose tratamento isonômico aos contribuintes titulares, lançados conforme rateio praticado pela autoridade fiscal.” (Segunda Câmara, Acórdão 10248799, Data da Sessão: 07/11/2007) “DEPÓSITO BANCÁRIO PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10730.000476/200653 Acórdão n.º 220101.322 S2C2T1 Fl. 5 9 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” (Segunda Câmara, Acórdão 10248982, Data da Sessão: 23/04/2008.) “DEPÓSITO BANCÁRIO. A existência de depósito bancário não contabilizado e cuja origem não foi comprovada configura presunção de omissão de receita não elidida pela interessada.” (Oitava Câmara, Acórdão 10809736, Data da Sessão: 19/09/2008) O âmago da questão é de prova e a cargo do contribuinte. Justamente por isso, é que se trata de uma presunção relativa, perfeitamente aceitável no nosso sistema jurídico. Desse modo, por ser uma presunção legal relativa, cabe ao contribuinte comprovar a origem dos depósitos apontados pela fiscalização, bem como demonstrar de maneira indubitável que suas movimentações financeiras eram relativas a pessoa jurídica TAMIM – Tributo a Michelle Moraes (organização não governamental) e a CLÍNICA CIRÚRGICA WAGNER DE MORAES LTDA. Ocorre, que referente a essa última sequer foi apresentado DIPJ, não demonstrando assim que foram apurados e tributados os lucros da PJ para que pudessem os dividendos serem distribuídos ao sócio. Os livros apresentados durante a fiscalização estavam incompletos. Apesar dos mesmos terem sido apresentados no presente recurso voluntário, de forma completa, ou seja, constando os termos de abertura e enceramento, só foram registrados em 2009, e não há qualquer prova efetiva da entrega da Declaração de Imposto de Renda, necessária para que houvesse distribuição de lucros não tributada, nos termos dos incisos XXVIII e XXIX do art.39 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. A isenção é concedida na distribuição, tendo em vista que os lucros e dividendos distribuídos já sofreram tributação na pessoa jurídica, evitando que esses valores fossem também tributados na pessoa física, o que acarretaria uma bitributação. Ocorre, que nos autos não há provas de tributação da CLÍNICA CIRÚRGICA WAGNER DE MORAES LTDA. Desconsiderado os livros apresentados e consequentemente a distribuição de lucros, referente a questão dos empréstimos, o contribuinte também não apresentou os extratos bancários da Clínica para permitir verificar se efetivamente os recursos saíram da conta dessa pessoa jurídica para sua pessoa física; e se assim tivesse feito, ainda seria necessário comprovar se efetivamente a atividade econômica relacionada á movimentação financeira era empréstimos. Os livros apresentados, registrado muito a posteriori, desacompanhados dos extratos da pessoa jurídica e da DIPJ, não logram comprovar a origem dos recursos indicadas pelo contribuinte. Assim, sem a devida comprovação, com a simples alegação e conjunto frágil Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 10 e insuficiente, o imposto deve ser exigido do titular da conta, como fez a autoridade lançadora neste caso. Apesar de apreciar e admirar pessoalmente as causas que levaram o contribuinte a fundar a organização não governamental, TAMIM – Tributo a Michelle Moraes, a mesma tem as mesmas obrigações de apresentar os livros, nos moldes da legislação em vigor, bem como apresentar DIPJ. Assim, não a como acolhêlos como prova a favor do contribuinte. Não obstante, diante das provas dos autos, há de reconhecer que o contribuinte recebia doações para manutenção da sua ONG e que por mais precário que fosse, havia um controle dos recebimentos das doações, através de recibos e listagem de doadores. Não tendo a pessoa jurídica conta bancária, podese concluir que os valores foram depositados na conta do contribuinte que era o idealizador e presidente de referida pessoa jurídica. Para melhor verificar os valores envolvidos, apresento tabela abaixo: Descrição 2001 2002 Movimentação Bancária 883.272,16 605.443,92 Relação de Doações Recebidas, acompanhada dos recibos R$ 242.380,00 R$ 63.330,00 fls.444 fls.442 Receita de Doações – Livro Caixa R$ 290.950,75 R$ 130.843,60 fls.399 fls.436 Assim, entendo que os valores recebidos a título de doação, relacionados na planilha de fls.442/445, mesmo que não sejam coincidentes em data e valor com os depósitos efetuados em sua conta, devem ser excluídos da base de cálculo do impostos, nos montantes de R$242.380,00, ano calendário 2001 e R$63.330,00, anocalendário 2002. Nesse tocante, em sua justificativa, alegou o contribuinte (fls.160): “Ao analisarmos o pronunciamento oficial da autoridade fiscal, deparamonos com o expresso reconhecimento da existência e veracidade dos aludidos recibos de doações, já que devidamente comprovados e confirmados. Alega, ainda, a fiscal autuante, que as doações recebidas não coincidem com data e valor dos créditos existentes em conta corrente, sendo, certo, porém, que improvável seria haver tal coincidência, uma vez que qualquer entidade, lucrativa ou não, tem por prática operacional, agrupar recursos financeiros, recebidos em espécie ou mediante cheques, e, de acordo com a conveniência administrativa, depositálos, em momento oportuno e adequado, na contacorrente bancária, o que, em hipótese alguma, é infração a qualquer dispositivo legal, sujeito a penalidade em decorrência de obrigatoriedade deste ou daquele procedimento, não cabendo ao agente público interferir de forma imperativa e direta na gestão de recursos privados, criando condicionantes não previstas em lei.” 2. MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊLEÃO Por último, quanto a multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão, a mesma deve ser afastada. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10730.000476/200653 Acórdão n.º 220101.322 S2C2T1 Fl. 6 11 Apesar de não ter sido alegado pelo contribuinte nas suas peças impugnatórias, verificase que no presente caso que está sendo exigida do recorrente no item 003, do auto de infração, a multa de ofício isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão, no percentual de 75%, com base no art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430/96. Inclusive mesmo não tendo se insurgido contra a mesma na sua impugnação, a decisão de primeira reduziu o percentual da multa exigida isoladamente de 75% para 50%. Isso ocorre porque a base de cálculo da referida multa é exatamente o montante dos rendimentos considerados omitidos e objeto do item 001, do auto de infração, os quais já estão penalizados com a multa de ofício de 75%. Ou seja, sobre a mesma base de cálculo, o auto de infração imputa contra o recorrente a multa de oficio de 75% duas vezes. É entendimento deste Conselho que não há como cumular a aplicação de multas quando o imposto está sendo exigido no mesmo lançamento e também está sujeito à multa de ofício. Neste sentido, cabe destacar as conclusões constantes do acórdão nº 104 20.773, de 16.06.2005, da lavra do Conselheiro Nelson Mallmann que bem esclarecem a questão: “Da análise dos dispositivos legais retro transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do ano calendário, que deixou de recolher o ‘carnêleão’ que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada. É cristalino o texto legal quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal concluise que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Por outro lado, quando o lançamento de exigência tributária for aplicação de multa isolada, só há espaço legal para aquelas infrações que não foram levantadas de ofício, a exemplo da apresentação espontânea da declaração de ajuste anual com previsão de pagamento de imposto mensal (carnêleão) sem o devido recolhimento, caso típico da aplicação de multa de lançamento de ofício isolada sem a cobrança de tributo, cabendo neste além da multa isolada a cobrança de juros de mora de forma isolada, entre o vencimento do imposto até a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, já que após esta data o imposto não recolhido está condensado na declaração de ajuste anual.” Assim, tratandose da mesma base de cálculo, improcede a imposição da multa de ofício, exigida isoladamente, devendo ser provido o recurso nesse item. Diante do exposto, dou provimento parcial para afastar a multa exigida isoladamente e excluir da base de cálculo do item 002, referente omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os recursos recebidos a título de doações da organização não governamental, TAMIM – Tributo a Michelle Moraes, nos montantes de R$242.380,00, ano calendário 2001 e R$63.330,00, anocalendário 2002. (assinado digitalmente) Fl. 11DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 12 Rayana Alves de Oliveira França Relatora Voto Vencedor O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Divergi do bem articulado voto da i. Relatora apenas quanto à exclusão da base de cálculo do lançamento dos valores alegadamente recebidos como doações da organização não governamental, TAMIM – Tributo a Michelle Moraes. É que, como reconhece a própria Relatora, não há prova dos autos dos depósitos de valores recebidos a esse título. A Relatora apegase apenas a indicações, genéricas, de que a tal organização recebia doações e conclui que, “ão tendo a pessoa jurídica conta bancária, podese concluir que os valores foram depositados na conta do contribuinte que era o idealizador e presidente de referida pessoa jurídica”. Ora, primeiramente, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 é claro ao determinar a comprovação, “de forma individualizada”, das origens dos depósitos, e, neste caso, mesmo admitindo a hipótese do recebimento de doações, não se estabelece nenhuma correlação entre tais recebimentos e os depósitos. Portanto, ao se reconhecer a alegada origem neste caso, se dá a este contribuinte tratamento diverso do que determina a lei, e que não se dá a outros contribuintes em situação semelhante. Por outro lado, a presunção de que, não tendo a organização não governamental conta bancária os recursos são depositados na conta do Contribuinte, ora recorrente, não tem nenhuma consistência lógica. As tais doações poderiam não ser depositados em conta nenhuma ou na conta de qualquer outra pessoa. E, ademais, se como afirma o Contribuinte, os recursos de uma organização não governamental, com fins filantrópicos e que recebe doações de terceiros, eram depositados em sua conta, o mínimo que se poderia esperar era que a organização tivesse um rigoroso controle da destinação desses recursos, o que como se viu, não é o caso. Assim, em conclusão, entendo que não restaram comprovadas neste casos as origens dos depósitos bancários. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso apenas para afastar a multa isolada. Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 12DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10830.014952/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.236
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente Adriano Gonzales Silvério Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Tratase de Auto de Infração nº 37.241.3935, o qual exige contribuições previdências incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados, incluindose o SAT, bem como a segurados contribuintes individuais no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007. Aponta o Relatório Fiscal às fl. 26 que “foi constatado que em 27/12/2005, a Delegacia da Receita Previdenciária em CampinasSP havia cancelado a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da lei 8.212/91, por infração ao inciso II do artigo 55 da Lei 8.212/91, pelos motivos especificados na Decisão Notificação n° 21.424.4/007/2005.” Ainda de acordo com o citado Relatório verificouse que a associação não possuiu o Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, no período de 01/01/2004 a 31/12/2006, conforme Resolução n. 7 de 03/02/2009. Ademais, aduz que o sujeito passivo voltou a possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a partir de 01/01/2007, mas não requereu ao INSS a isenção das contribuições previdenciárias, conforme previsto no parágrafo 1º, do artigo 55 da Lei 8.212/91. Devidamente intimado em 10/11/2010 o sujeito passivo apresentou impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou o seguinte: i) preliminarmente, que impetrou, em 01.11.2006, mandado de segurança, que recebeu o n° 001363974.2006.403.6105, para discutira imunidade das contribuições previdenciárias, com base no §7º, do art. 195 da CF/88, sendo necessária a suspensão do presente processo administrativo para evitar decisões conflitantes; ii) no mérito, que é sociedade de assistência social sem fins lucrativos, fundada há mais de 100 anos, cujo principal objetivo é a prática permanente da gratuidade e filantropia e goza da isenção prevista no § 7º do artigo 195 da Carta Magna. Sustenta que a renovação do CEBAS para o período de 01/01/2004 a 31/12/2006 foi requerida através do protocolo n° 71010.002644/200312, e apesar de não constar da Resolução n° 7/2009, foi automaticamente renovado nos termos do artigo 39, da MP 446/2008. A DRJ de Campinas manteve a autuação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 IMUNIDADE/ISENÇÃO. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. REQUERIMENTO AO INSS. CEBAS. Para a fruição da imunidade/isenção em relação às contribuições previdenciárias, a entidade deve preencher todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, entre eles ter requerido ao INSS tal benefício e ser portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Fl. 488DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10830.014952/201071 Resolução n.º 2301000.236 S2C4T2 Fl. 3 3 Crédito Tributário Mantido. Diante da decisão supra a empresa apresentou recurso voluntário repisando os argumentos suscitados na impugnação. É o Relatório. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator Como se depura dos autos foi lavrado Auto de Infração exigindo as contribuições previdenciárias do período, uma vez que entendeu a Fiscalização não ter cumprido o sujeito passivo ao menos dois requisitos previstos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91 para obter a isenção, quais sejam, deter o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e requerer a isenção junto ao INSS. Segundo consta no Relatório Fiscal a isenção do sujeito passivo fora cancelada pela DRP de Campinas em 27/12/2005 mediante Ato Cancelatório retroativo a 01/01/1993, o qual se encontra anexado às fl. 33 desses autos. O sujeito passivo, por sua vez, em que pese não repetir a informação no recurso voluntário, aduziu na impugnação que ingressou com ação judicial para discutir o § 7º do artigo 195 da Constituição, o qual regula, em nível Magno, a isenção das contribuições previdenciárias das entidades beneficentes de assistência social. A r. decisão a quo ao enfrentar o pedido da ora recorrente de suspensão do processo administrativo em decorrência do ajuizamento da mencionada ação judicial relata que “não se poder julgar se há identidade exata de objetos entre este processo administrativo e o mandado de segurança impetrado”. Entendo que antes mesmo de se ingressar no mérito da questão ora trazida pelo recurso voluntário, há de se buscar informações e documentos que podem influenciar a decisão a ser tomada, seja em relação ao processo administrativo que cancelou a isenção do sujeito passivo, seja em relação ao processo judicial por este promovido. Assim, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade fiscal informe nesses autos acerca do andamento processo administrativo que deu origem ao Ato Cancelatório de fl. 33, bem como anexe as decisões e os recursos nele protocolados, bem como intime o sujeito passivo para trazer aos autos cópia da petição inicial do mandado de segurança n° 001363974.2006.403.6105, bem como da sentença, recursos e acórdãos por ventura existentes. Adriano Gonzales Silvério Conselheiro Fl. 490DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10730.911199/2009-59
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentou-se na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
Numero da decisão: 1801-001.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 Restituição. Compensação. Admissibilidade. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentou-se na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentouse na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 91 11 99 /2 00 9- 59 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1232.822/10 exarado pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, fls. 98 a 102, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 90 a 94. Aproveito trechos do relatório do aresto vergastado para historiar os fatos: “Em 12/01/2007, a Interessada apresentou ao Fisco o PER/DCOMP de n° 19303.37777.120107.1.3.047655 (fls. 90/94), por meio do qual pretende compensar parte do débito de CSLLESTIMAT1VA do mês de OUTUBRO/2005, mediante aproveitamento de um crédito no valor de R$ 107.289,27, decorrente do PAGAMENTO A MAIOR da ESTIMATIVA de CSLL do mês de OUTUBRO/2006. O pleito do contribuinte foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niterói RJ, com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, tendo em vista "tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período" — cfr. DESPACHO DECISÓRIO (ELETRÔNICO) n° 848593698, de 07/10/2009 (fl. 85) Insatisfeita com o referido despacho decisório, do qual tomou ciência, por via postal, em 20/10/2009 (AR fl. 96), a Interessada apresentou, em 19/11/2009, manifestação de inconformidade dirigida a esta Delegacia de Julgamento (fls. 01/09), alegando, em síntese: QUE à época do recolhimento da estimativa mensal de outubro de 2006, estava amparada por sentença judicial que lhe assegurava compensar prejuízos mensais acumulados nos anoscalendário de 1993, 1995 e 1996 contra lucros apurados nos anoscalendário de 1998 em diante, sem as limitações previstas nos arts. 42 e 58 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, e nos arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065, de 20/06/1995; QUE, sob os efeitos de tal decisão, apurou e recolheu a estimativa de CSLL do mês de outubro de 2006, no valor de R$ 357.630,91; QUE em virtude da reforma da referida sentença, resolveu recalcular as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, levando em conta as limitações previstas nos arts. 42 e 58 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, e nos arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065, de 20/06/1995; QUE, após o recalculo efetuado, o valor da estimativa de CSLL do mês de outubro de 2006 foi reduzido para R$ 250.341,64; QUE como já havia recolhido a importância de R$ 357.630,91, passou a ter um crédito frente à Fazenda, no valor de R$ 107.289,27; QUE o art. 74, § 3o, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, ao enumerar as hipóteses de compensações vedadas, não fez qualquer restrição ao aproveitamento de créditos decorrentes de pagamentos a maior de estimativas mensais; QUE a vedação referida no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, não tem nenhum amparo legal; QUE a Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008, que regulamenta atualmente os procedimentos de restituição e compensação no âmbito da Receita Federal, eliminou a restrição que havia quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de recolhimentos a maior de estimativas mensais.” (grifos não pertencem ao original) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911199/200959 Acórdão n.º 1801001.293 S1TE01 Fl. 3 3 A Quarta Turma de Julgamento não acolheu as razões da manifestante, não reconheceu o direito creditório, nem homologou a compensação pleiteada. Assim restou ementado o acórdão recorrido: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2007 PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. OBSERVÂNCIA DOS ATOS NORMATIVOS DA RECEITA FEDERAL. O julgador administrativo de primeira instância está obrigado a observar o entendimento da Receita Federal expresso em seus atos normativos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO: 2007 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. Na vigência da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que tivesse efetuado recolhimento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor do indébito na dedução do IRPJ ou CSLL devidos ao fim do anocalendário ou para compor o saldo negativo do período em questão. O fato de a Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008, haver removido a restrição que existia anteriormente, quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior, não legitima a pretensão do contribuinte de fazer retroagir a nova norma, com o intuito de convalidar compensações que, em sua origem, eram indevidas. O processamento da compensação subordinase à legislação vigente no momento do encontro de contas, sendo incabível a apreciação da Declaração de Compensação com fundamento em legislação superveniente. A empresa interpôs tempestivamente (AR – 22/09/10, fls 104; Recurso – 22/10/10, fls. 105) o Recurso de fls. 105 a 121, reiterando os termos da defesa exordial, argumentando o descabimento da vedação de compensarse estimativas por absoluta falta de previsão legal impeditiva, em síntese. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Trata o presente litígio de não reconhecimento de direito creditório e conseqüente não homologação de compensação entre crédito e débitos, oriundo de estimativa de tributo paga a maior ou indevidamente. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Esta turma julgadora já se defrontou com a matéria e firmou posição bem retratada em voto da conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que passo a transcrever1: “A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada ano calendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo 1 Processo nº 19647.010657/200610, Acórdão nº 180100.597, em 28/06/11. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911199/200959 Acórdão n.º 1801001.293 S1TE01 Fl. 4 5 subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911199/200959 Acórdão n.º 1801001.293 S1TE01 Fl. 5 7 Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o Fl. 154DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911199/200959 Acórdão n.º 1801001.293 S1TE01 Fl. 6 9 crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, conclui se que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". Fl. 156DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911199/200959 Acórdão n.º 1801001.293 S1TE01 Fl. 7 11 § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com Fl. 157DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Aproveito, ainda, o desfecho do retro mencionado acórdão, adotandoo neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro o valor da estimativa ora discutido nos autos: “Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 3.328,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação.” Fl. 158DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911199/200959 Acórdão n.º 1801001.293 S1TE01 Fl. 8 13 Superado o ponto da admissibilidade das Per/Dcomp cujo crédito são as estimativas mensais pagas durante o anocalendário, ressaltese que o procedimento da Administração Tributária em emitir os Despachos Decisórios eletronicamente, sem a intimação prévia dos contribuintes para justificarem as Per/Dcomp que o sistema rejeita tem causado vários transtornos. Não há que se falar em nulidade do Despacho Eletrônico, pois, na forma que foi emitido em nada cerceia o direito de defesa dos contribuintes. Há no texto expresso a motivação da Per/Dcomp não ter sido admitida. E o litígio instaurouse regularmente. Mas, de um lado, indeferese o pedido de restituição e aproveitamento de estimativas porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram da DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta. Por outro lado, impedese simultaneamente que, ao ser notificado do Despacho Decisório emitido de forma sumária, o contribuinte possa retificar (ou até mesmo cancelar) a Per/Dcomp para adequála de forma devida. E por fim, ainda que a unidade de jurisdição do contribuinte, ou a turma julgadora de primeira instância, verifiquem a sequência de Per/Dcomp emitidas pelos contribuintes solicitando a restituição das estimativas mensais pagas do mesmo anocalendário e tributos, não adaptam os pedidos, ex officio, para devolução do saldo negativo de IRPJ/CSLL apurado, retirando do administrado a repetição de possível indébito tributário, pela eventual ocorrência da prescrição. A Administração Tributária consciente destes problemas modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento. Atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, o contribuinte é intimado para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo de trinta dias após o recebimento, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Tomou medidas também para reunir todas as Per/Dcomp que veiculam o mesmo crédito em um só processo pela edição da Portaria RFB nº 666/08, sem, no entanto, atentar para as Per/Dcomp que tem como objeto as estimativas [ainda mais porque à época a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou, equivocadamente, normas infra legais vedando a restituição/compensação de estimativas, erro reconhecido e corrigido com a edição da Portaria RFB nº 900/08]. Divirjo do entendimento da turma julgadora a quo ao atribuir à Instrução Normativa o condão de poder instituir nova norma tributária. É da natureza destes atos normativos a competência de interpretar a legislação tributária e/ou regulamentar alguns procedimentos, mas não inovar em matéria reservada à edição de leis. Daí, por seu caráter interpretativo, não há qualquer restrição para a retroação de suas orientações, pois apenas elucidou a norma tributária respectiva, dentro dos limites da mesma, no ponto em que expressamente admitiu o erro legislativo cometido anteriormente com edição de normas infra legais que limitaram o direito dos contribuintes em compensar as estimativas. Se a própria Administração Tributária, autoridade competente para revisar seus próprios atos, reconheceu que a norma não veda a compensação de estimativas, com muito mais propriedade podem as autoridades julgadoras seguir a orientação e aplicála nos processos em andamento, evitando futura demanda judicial contra o fisco. Concluindo, os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade do pedido de restituição/compensação cujo objeto é o pagamento de estimativas em valor Fl. 159DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 indevido, ou a maior do que o devido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para que esta seja devidamente intimada a exibir a sua contabilidade, viabilizando a análise do mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo ao final do anocalendário etc. Com relação à matéria de mérito trazida pela recorrente e apreciada, secundariamente, pela primeira instância, a turma julgadora excedeu aos limites da lide, uma vez que o Despacho Decisório limitouse a indeferir a Per/Dcomp pelo fato de o pedido ter como objeto a compensação de estimativas simplesmente. A autoridade a quo não se manifestou a respeito das razões meritórias aventadas pela recorrente na manifestação de inconformidade, pelo que não devolver os autos a esta configura flagrante supressão de instância de julgamento. Voto, pelo exposto, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito da Per/Dcomp objeto deste litígio. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 160DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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