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Numero do processo: 13771.000447/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
IRRF. COMPENSAÇÃO. ALUGUÉIS. SOCIEDADE CONJUGAL. DECLARAÇÃO EM SEPARADO.
O contribuinte deverá tributar em sua declaração a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns (aluguéis) e o imposto pago ou retido na fonte deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges.
Numero da decisão: 2201-000.974
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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COMPENSAÇÃO. ALUGUÉIS. SOCIEDADE CONJUGAL. DECLARAÇÃO EM SEPARADO. O contribuinte deverá tributar em sua declaração a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns (aluguéis) e o imposto pago ou retido na fonte deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 03/08), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, na qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 8.057,04, calculados até abril de 2006. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual, apurou dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. De acordo com a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” o contribuinte declarou 50% dos rendimentos recebidos a título de aluguéis da empresa Calçados Itapuã S/A e deduziu, indevidamente, 100% do Imposto de Renda Retido na Fonte. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, em síntese, que optou por tributar na declaração de sua esposa, Isabel Minassa Carone, 50% dos rendimentos de aluguéis recebidos de Calçados Itapuã S/A e compensar integralmente o Imposto de Renda Retido na Fonte na sua própria declaração, por entender que essa seria a forma correta. A 3ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJ II julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: IRRF. COMPENSAÇÃO. ALUGUÉIS. SOCIEDADE CONJUGAL. Não há previsão legal para que o contribuinte possa compensar integralmente o imposto de renda retido na fonte quando declara metade dos rendimentos de aluguéis produzidos por bem comum. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 18/08/2009 (fl. 50), Jose Carone Neto apresenta Recurso Voluntário em 16/09/2009 (fls. 51/59), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação, sobretudo “... que adotou o método em função de prática reiterada da administração (costume), ... o que veda, no caso, a incidência de penalidades.” É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos o contribuinte tributou 50 % dos rendimentos de aluguéis em sua Declaração de Ajuste e o restante na de sua esposa, contudo, utilizou integralmente o IRRF na sua própria Declaração. De pronto, sem querer ser repetitivo, peço vênia para reproduzir os fundamentos do voto condutor do julgamento de primeira instância: Fl. 95DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13771.000447/200601 Acórdão n.º 220100.974 S2C2T1 Fl. 2 3 No caso concreto, o contribuinte informou como parte dos seus rendimentos tributáveis a metade dos rendimentos de aluguéis recebidos de Calçados Itapuã S/A e compensou o valor total do respectivo imposto de renda retido na fonte, conforme se verifica em sua Declaração de Ajuste Anual 2003 (fls. 25 a 30). Na declaração de sua esposa, verificase que ela informou corretamente a sua parte relativa aos rendimentos produzidos pelo bem comum, mas não declarou nenhum valor relativo ao imposto de renda retido na fonte, segundo informação obtida nos bancos de dados da Receita Federal. De fato, da análise dos documentos acostados ao processo e dos valores declarados em Dirf (fl. 38), constatase que as alegações do contribuinte são improcedentes, uma vez que ele informou em sua declaração a metade dos rendimentos do bem comum, mas deduziu, indevidamente, o valor total do imposto de renda retido na fonte. Assim, por restar comprovado o montante de R$ 3.558,61 como imposto de renda retido na fonte indevidamente deduzido, há que se concordar com a glosa efetuada pela Fiscalização. Em verdade, a referida conclusão que chega o ilustre relator, está positivada no art. 7º do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999, conforme se observa do excerto legal transcrito: Declaração em Separado Art. 7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. § 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. (grifei) (...) Finalmente, não há como o recorrente invocar um “Costume Administrativo” (art. 100, III do CTN) para justificar sua opção, posto que a utilização deste instituto só é admissível secundum legem, ou seja, em conformidade com a lei. Ante ao exposto, NEGO provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 96DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Fl. 97DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10245.900229/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Data do Fato Gerador: 30/06/2003
OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE
DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se
pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é
possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de
nulidade.
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE
INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA
RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF
VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR
INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA
COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação
de compensação
que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo
sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado
na DCOMP.
Numero da decisão: 1101-000.527
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente
julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez
declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do Fato Gerador: 30/06/2003 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto.
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do Fato Gerador: 30/06/2003 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900229/200973 Acórdão n.º 110100.527 S1C1T1 Fl. 67 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900229/200973 Acórdão n.º 110100.527 S1C1T1 Fl. 68 3 Relatório VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada sob nº 04420.54055.070906.1.7.041480, na qual foi utilizado crédito de R$ 448,36, apurado em recolhimento de CSLL (código 2372), realizado em 22/07/2003 e relativo à apuração de 30/06/2003. Constou do referido despacho decisório que o recolhimento apontado foi localizado, mas já havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que o débito apurado no período em questão constou de DIPJ retificadora e foi recolhido a maior, ensejando a apuração de indébito utilizado na compensação questionada. Argumentou que a afirmação fiscal, no sentido de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito, deixou dúvida quanto a origem do débito considerado como quitado. Acrescentou que a simples falha no preenchimento das declarações não afasta em hipótese alguma a existência do direito material em relação à compensação, e que as informações apresentadas nas peculiares declarações permitiriam a confirmação do crédito utilizado. Discorre sobre o conceito de compensação e afirma que além de ter oferecido indevidamente valores a tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos. Daí a utilização do crédito para compensação de débitos próprios do impugnante, e que também são administrados pela Receita Federal. Ressalta que o crédito utilizado não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96, e afirma ter demonstrado a insubsistência e total improcedência do Despacho Decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, acolhendo o voto condutor da decisão recorrida que, depois de destacar o efeito extintivo da Declaração de Compensação DCOMP, e a sua homologação tácita depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, de modo a caracterizar a compensação como um procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita, assim abordou a defesa da interessada: • (...) a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2372, do período de apuração de 30/06/2003. Ocorre que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (telas impressas de fls. 34/36) verificase que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito Fl. 68DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900229/200973 Acórdão n.º 110100.527 S1C1T1 Fl. 69 4 passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. • (...) o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. • (...) é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. • (...) a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. (...) • (...) No caso concreto, como permanece válida a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. (...) em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. • Citando os arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, destacou ser ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (p. 43 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2011 (fls. 44/57 dos autos digitalizados). Argumenta que a constituição do crédito tributário por meio de DIPJ ou DCTF é provisória, e somente se torna definitiva com a homologação, sendo que, em caso de retificação da declaração antes desta homologação, seu objeto passa a ser o valor retificado. E, ressaltando que a constituição do crédito tributário por meio de DCTF não exclui a constituição por meio de DIPJ retificadora, e citando o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 166/99, a recorrente discorda da afirmação, contida na decisão recorrida, de que o crédito tributário resulta constituído com a apresentação da DCTF. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900229/200973 Acórdão n.º 110100.527 S1C1T1 Fl. 70 5 Assevera, também, que o ônus de aprovar ou não a compensação é do Fisco, cabendolhe questionar as informações veiculadas em declarações retificadoras, e exigir a apresentação de documentos comprobatórios, na medida em que não é permitido à contribuinte juntar estes elementos no momento da retificação. Enquanto o Fisco assim não procede, os valores declarados estarão revestidos de veracidade. Reconhece que a prova é de quem alega, mas, na constituição do crédito tributário mediante entrega de declaração, as provas devem ser guardadas na forma do art. 37 da Lei nº 9.430/96, durante o prazo em que o Fisco pode examinálas. Menciona, também, que a autoridade julgadora não atentou para o disposto no art. 9o do Decreto nº 70.235/72, que exige a juntada dos elementos comprobatórios do ilícito para formalização da exigência de crédito tributário, atuando de forma parcial de modo a, apenas, ratificar as decisões dos agentes fiscais. Esclarece que a afirmação fiscal de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos declarados somente é verdadeira de desconsiderada a retificação da DIPJ. Acrescenta que a declaração retificadora foi juntada à impugnação, mas que em momento algum foi mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram à aparente glosa injustificada. Reitera que, enquanto não promovida qualquer glosa em face da declaração apresentada, esta subsiste como prova do crédito alegado. E, ainda que a declaração não tivesse sido juntada, na medida em que ela está sob guarda do Fisco, caberia à autoridade julgadora comprovar se a documentação de renda apresentada está em conformidade com o que fora apresentado à época. Aduz que a autoridade julgadora deveria, ao menos, ter procedido a uma diligência para confirmação destas informações, ao invés de optar pela omissão e glosa arbitrária. Conclui estar provado que a argumentação apresentada, no despacho decisório e corroborada pelo órgão julgador de primeira instância, é fraca e insubsistente, pois não respeitou as regras legais consagradas nos diplomas legais, dentre as quais a devida motivação, juntada de provas que corroborem o despacho (Dec. 70.235/72), e negligência na análise das provas carreadas pela Recorrente aos autos, como a ventilada Declaração de Renda Retificadora. Transcrevendo os dispositivos legais que regem a compensação no âmbito da Receita Federal, reafirma a necessidade de motivação e de provas para a nãohomologação da compensação, citando também dispositivos da Lei nº 9.784/99. Novamente menciona a necessidade de que o Fisco intime a contribuinte a apresentar as provas que não foram juntadas à declaração retificadora, e a prevalência das informações nela prestadas enquanto não questionadas. Reportase, também, às hipóteses nas quais a compensação é considerada não declarada (art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96), para afirmar que não se consegue verificar no despacho decisório, nem as provas colacionadas e nem qual das hipóteses elencadas na lei que fora firmada a decisão, ou seja, com base em que regra legal a decisão está embasa (sic). Afirma que dentre as hipóteses previstas no referido dispositivo não se encontra o fato de o pagamento estar vinculado a débito declarado em DCTF, alegado pela autoridade julgadora. Destaca, mais uma vez, que a autoridade julgadora ignorou a DIPJ retificadora, e discorda da prevalência da declaração retificada, pois nada na legislação permite Fl. 70DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900229/200973 Acórdão n.º 110100.527 S1C1T1 Fl. 71 6 concluir que erro de procedimento do contribuinte resultasse na glosa de um direito líquido e certo. Reafirma a validade do que contido na DIPJ retificadora depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, e a necessidade de, na dúvida, se decidir em favor do contribuinte, que figura como parte hipossuficiente na relação jurídica. Quanto à menção à necessidade de DCTF retificadora, a recorrente aduz que não pode o julgador analisar algo, não carreados nos autos pelas partes, sem com isso avaliar as provas trazidas aos autos e anexas ao mesmo (sic). Reafirma as evidências do crédito presentes na DIPJ retificadora e na DCOMP, a possibilidade que tinha o Fisco de exigirlhe as demais provas necessárias, e, mais à frente, acrescenta que não foi apresentada a fundamentação legal para a exigência veiculada na decisão recorrida. Questiona se a DIPJ retificadora e a DCOMP nada valem na análise, e novamente aborda o ônus da prova, destacando que tem o dever de guarda, e não de juntada de provas como cópias de livros contábeis ou de demonstrações contábeis. Quanto aos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, acrescenta que poderia apresentar sua documentação contábil à época da elaboração do despacho decisório, mas ela não lhe foi requerida. Pede, assim, um julgamento eqüidistante e que, se for necessário que seja corrigido o despacho decisório, determinando que o agente fiscal intime a Recorrente para apresentar os livros, se não considerar válido os créditos pretendidos. Que aplique a multa em caso da não apresentação das retificadoras de forma correta, conforme preceitua a lei, mas que o faça sob a égide da lei, respeitando o princípio da legalidade e motivação, peculiares ao procedimento administrativo. Invoca a aplicação do art. 37 da Constituição Federal e do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e cita excertos da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, para concluir que o despacho estava divorciado com o regramento legal. Acrescenta que no caderno processual administrativo, não se encontra carreados elementos que fundamentam a decisão do agente fiscal (sic). Complementa que a decisão recorrida foi omissa quanto à apreciação do fato da Recorrente ter informado DIPJRetificadora e ter anexado a presente, ofendendo o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Na medida em que os agentes fiscais não questionaram as informações prestadas nesta declaração, uma vez apresentada esta prova pela contribuinte, o ônus de desconstituila passa ao Fisco. Por fim, aborda os efeitos das declarações retificadoras, reportase ao dever de retificar a DCTF quando retificada a DIPJ (art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001 e arts. 1o e 4o da Instrução Normativa SRF nº 166/99), mas aduz que o descumprimento desta norma não tem como penalidade a perda do crédito, até porque o próprio art. 2o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 166/99 reconhece os efeitos da retificação da DIPJ para fins de restituição. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900229/200973 Acórdão n.º 110100.527 S1C1T1 Fl. 72 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte alegou, em sua impugnação, que teria informado, em DIPJ, apuração de CSLL em valor inferior ao recolhimento de R$ 28.360,11, confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 04420.54055.070906.1.7.041480. Embora tenha juntado à sua defesa cópia da apuração de outro período, confirmase nos sistemas informatizados da Receita Federal que, no período indicado na DCOMP, constou de declaração retificadora apresentada em 25/11/2005, e processada sob nº 1276351, a apuração de CSLL incidente sobre o Lucro Presumido no valor de R$ 27.658,70. Tais elementos confirmam a alegação de que a retificação de DIPJ promovida pela recorrente evidencia pagamento a maior de CSLL no valor de R$ 701,41, utilizado parcialmente na compensação aqui tratada. Relevante anotar que tal indébito foi também utilizado na DCOMP nº 36862.20510.070906.1.7.041018 (processo administrativo nº 10245.900289/200996), pelo valor de R$ 253,05, o qual, somado ao indébito aqui utilizado (R$ 448,36), não supera o pagamento a maior verificado pela diferença entre o débito informado na DIPJ Retificadora (R$ 27.658,70) e o valor principal recolhido (1 quota(s) de R$ 28.360,11). Cabe esclarecer, ainda, que a interessada também formalizou compensações de indébitos apurados em recolhimentos de COFINS e Contribuição ao PIS, as quais restaram, de igual forma, não homologadas, resultando em litígios já apreciados, em sua quase totalidade, pela 3a Seção de Julgamento deste Conselho, cuja 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por meio dos Acórdãos nº 340101.262 a 340101.317, e 340101.365 a 340101.384, acolheu, à unanimidade, o voto do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, que concluiu pela nulidade da decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.1 Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900229/200973 Acórdão n.º 110100.527 S1C1T1 Fl. 73 8 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo, que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Contudo, ante a confirmação, junto aos sistemas da Receita Federal, das informações alegadas pela recorrente em sua impugnação, vislumbrase aqui a possibilidade de aplicação do art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900229/200973 Acórdão n.º 110100.527 S1C1T1 Fl. 74 9 quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.189 49/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900229/200973 Acórdão n.º 110100.527 S1C1T1 Fl. 75 10 Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900229/200973 Acórdão n.º 110100.527 S1C1T1 Fl. 76 11 §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900229/200973 Acórdão n.º 110100.527 S1C1T1 Fl. 77 12 expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não Fl. 77DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900229/200973 Acórdão n.º 110100.527 S1C1T1 Fl. 78 13 apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 78DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900229/200973 Acórdão n.º 110100.527 S1C1T1 Fl. 79 14 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Quando a Administração pratica algum ato que tem por base apenas declaração do próprio contribuinte e o contribuinte refuta ou retifica a declaração, o ato deve ser reformado, pois perde sua base fática. Isso porque, se é verdade que a Administração pode praticar seus atos considerando apenas as próprias declarações do contribuinte, também é verdade que as declarações podem ser retificadas ou infirmadas. Assim, se a Administração se acomoda em adotar como único elemento de convicção uma declaração, fica sujeita a ver seu ato reformado, quando o conteúdo desta declaração é alterado por quem a declarou, quer pela negativa do conteúdo, quer por uma retificação, quer por outra declaração com conteúdo divergente. Já manifestei meu entendimento sobre a questão em voto sobre situação semelhante, que transcrevo abaixo (negritei): ... Assim, o lançamento decorre da convicção do Fisco de que a compensação informada pelo contribuinte era de fato feita com base nos DARFs indicados e na constatação de que estes eram insuficientes. Noutro giro, esta convicção decorre na crença de que a DCTF informasse corretamente a forma pela qual foi feita a compensação. Talvez, até o lançamento tenha decorrido da crença de que os fatos informados em DCTF tornemse verdades absolutas e não possam ser retificados. No entanto, nenhuma destas crenças é pertinente, pois a retificação da DCTF é admitida, já que, como qualquer declaração de informação, pode conter erros. Inclusive, a retificação de DCTF não exige a prova de erro em que se fundamente, como demonstra o art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. A regra pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação de DCTF. O texto é o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 79DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900229/200973 Acórdão n.º 110100.527 S1C1T1 Fl. 80 15 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações com o instituto da espontaneidade, da inscrição em dívida ativa, e mudança do órgão que administra o título executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF. A única restrição feita no Código sobre retificação de declaração, é posta no art. 147, e referese a retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e asssim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigencia de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse a regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demosntrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Assim, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DCTF poderia estar errada e poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer Fl. 80DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900229/200973 Acórdão n.º 110100.527 S1C1T1 Fl. 81 16 tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. O Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DCTF. A fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Tal como alega o contribuinte, o Fisco, ao constatar que a compensação informada na DCTF não podia ser admitida por falta de crédito, podia e devia ter intimado o contribuinte a esclarecer a matéria. Deveria ter intimado o contribuinte a esclarecer a origem do crédito que fundamentava a compensação indicada. Ao não fazêlo, conformouse em trabalhar com uma situação instável, que poderia ser alterada unilateralmente pelo contribuinte. Bastaria que o contribuinte infirmasse, tal como fez, a compensação declarada e afirmasse que o crédito teria outra origem, que o lançamento perderia sua base fática. Também, vale destacar que a DCTF não era um instrumento pelo qual se solicitasse compensação, mas apenas um instrumento de informação. Recapitulando, é preciso ter em mente que, na época, a DCTF apenas indicava uma compensação que foi feita na contabilidade do contribuinte. Também, é preciso considerar que a DCTF não era um veículo de pedido de compensação, que pudesse ser deferido ou indeferido nos termos em que fosse solicitado, mas era um veículo meramente informativo quanto a compensação feita e registrada na contabilidade. Por isso, a compensação informada na DCTF não está sujeita ao crivo de ser ou não concedida, mas sim ao crivo de ser ou não considerada correta. ... Dentro dos poderes atribuídos ao Fisco para desempenho de sua função, não existe a prerrogativa substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável. Caso o Fisco opte por investigar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação. O ônus de provar que a compensação eventualmente estivesse errada era do Fisco. Não é razoável pretender inverter este ônus sem haver uma previsão legal para tanto. Portanto, não se pode pretender, como quis a DRJ, que o contribuinte tenha de comprovar sua compensação, sem que ninguém o tenha intimado a fazer isso, apenas porque o Fisco suspeitou da compensação declarada na DCTF. ... Não havendo regra que torne imutável o informado em declaração, não havendo regra que exija a comprovação para retificação de declaração, o uso da declaração como elemento de convicção para autuação é frágil e pode ser refutado pela simples negativa. Isso porque a matéria tributável não é o retratado na declaração, mas sim a que de fato ocorreu. Além disso, no presente caso, o ato da Administração foi praticado tendo por base a DCTF, mas desconsiderando a DIPJ, embora ambas as declarações estivessem disponíveis. Deste modo, mesmo antes do ato, o contribuinte já apresentava elementos divergentes de sorte que era absolutamente impróprio que a Administração considerasse apenas uma das declarações, em detrimento da outra. Essa situação de divergência, por sí só já obrigava que a Administração aprofundasse suas investigações, para analisar a divergência entre as declarações e para buscar elementos que entendesse corroborar sua convicção sobre os fatos. Mas, não foi este o caminho trilhado. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900229/200973 Acórdão n.º 110100.527 S1C1T1 Fl. 82 17 O ato administrativo foi praticado e foi impugnado. Para demonstrar a impertinência do conteúdo da DCTF o contribuinte alega o conteúdo de sua DIPJ. Dessa forma o contribuinte infirma a sua DCTF e, com isso, retira as bases fáticas do despacho. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 82DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 16624.001202/2006-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Não há concomitância entre os processos judicial e administrativo em relação à matéria que for distinta entre ambos, cabendo ao
órgão de julgamento apreciá-la.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3202-000.324
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, para determinar que a autoridade julgadora recorrida aprecie a matéria no que for distinta à do processo judicial.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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RESTITUIÇÃO Recorrente ENERGO AGRO INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Não há concomitância entre os processos judicial e administrativo em relação à matéria que for distinta entre ambos, cabendo ao órgão de julgamento apreciála. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para determinar que a autoridade julgadora recorrida aprecie a matéria no que for distinta à do processo judicial. José Luiz Novo Rossari – Presidente Irene Souza da Trindade Torres – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Mara Cristina Sifuentes e Wilson Sampaio Sahade Filho. Declarouse impedido o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Fl. 137DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 2 “Tratase de Pedido de Restituição de fl. 1, protocolado em 21/08/2006, no valor de R$ 57.924,39, correspondente a recolhimento feito a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, relativo ao período de apuração de setembro/2002, conforme planilha de cálculo à fl. 19. A interessada fundamentou seu pleito na alegação de inconstitucionalidade do art. 3°, inciso I, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, informando, além disso, que a matéria foi submetida ao Poder Judiciário, tendo obtido decisão final que lhe foi desfavorável. Porém, a questão ainda encontrase em discussão no âmbito da Ação Rescisória n° 2006.03.00.0084736, o que justifica a propositura do presente pleito de restituição, quando menos para afastar qualquer dúvida quanto ao cumprimento do prazo prescricional e ainda que se determine o seu sobrestamento até o final julgamento da referida ação rescisória. Argumenta também que os valores solicitados não estariam prescritos, pois a contagem do prazo prescricional de cinco anos não se dá a partir do pagamento indevido, mas sim da homologação do lançamento, que, se não feita expressamente pela autoridade fiscal, se dá após cinco anos do recolhimento. A DRF em Guarulhos emitiu o Despacho Decisório de fls. 40/45, indeferindo o pedido de restituição e não reconhecendo o direito creditório da contribuinte, sob a seguinte fundamentação: De acordo com o informado pelo interessado o fundamento jurídico deste Pedido de Restituição é conexo à "causa de pedir" de Mandado de Segurança impetrado contra este Delegado da Receita Federal. A decisão final desse Mandado de Segurança estaria sendo contestada pelo Interessado em sede de Ação Rescisória. Ou seja, sob os mesmos argumentos jurídicos que fundamentam o presente pedido, o Interessado pleiteia, na via judicial, provimento no sentido de que não seja submetido à exigência prevista em Lei. Litigar judicialmente contra a Fazenda Pública é um direito inalienável de qualquer pessoa (.). Porém, o ordenamento jurídico brasileiro não contempla o paralelismo de instâncias, não podendo haver, a sobreposição da decisão administrativa à sentença judicial. Ao Poder Judiciário é dada a exclusividade de examinar as questões a ele submetidas de forma definitiva, gravandoas com os efeitos de coisa julgada. Consagrase, assim, o monopólio da jurisdição ao Poder Judiciário e o direito de invocar a atividade jurisdicional como direito público subjetivo. O exercício dessa faculdade produz, como efeito processual obrigatório, em relação a mesma matéria litigada judicialmente, a impossibilidade de Administração Tributária conhecer seus pleitos. Destarte, em se discutindo o mesmo objeto concomitantemente em ambas esferas, o legislador reputou prudente a abstenção da autoridade administrativa em face da supremacia do Poder Judiciário. Por isso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer fase, ou nem permite que se Fl. 138DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 16624.001202/200675 Acórdão n.º 3202000.324 S3C2T2 Fl. 131 3 instale, caso o processo judicial seja antecedente. Nesse sentido já se posicionou a Administração Tributária, por meio do Ato Declaratório Normativa COSIT n°3, de 14 de fevereiro de 1996 (.). No presente caso, houve o Mandado de Segurança pretendendo a tutela jurisdicional para não se sujeitar ao pagamento do tributo. Diante do insucesso, o recolhimento foi feito, e o que hora se pleiteia é a restituição dos valores pagos em obediência da decisão judicial. Ora, diante do exposto, a única esfera em que cabe a continuidade do litígio, se houver, é a do Poder Judiciário. A decisão final relativa ai, direito pleiteado está inexoravelmente atrelada ao provimento ou não da Ação Rescisória. É defeso à Administração Tributária conhecer de matéria que já foi decidida, ou está em vias de ser decidida pelo Poder Judiciário. Nem mesmo o efeito de interromper o prazo prescricional pode ser atribuído a este Pedido. Estando a matéria sobre exame do Poder Judiciário, somente os atos processuais e suas respectivas, conseqüências é que definirão se a prescrição operarseá ou não. A partir do momento em que a esfera de decisão foi para lá deslocado, é lá que devem se concentrar todos os atos processuais. Cabe mencionar que o artigo 1°, do Decreto 2.346/97, citado pelo Interessado como ato a vincular a Administração ao teor das decisões I do Supremo Tribunal Federal, em verdade, no caso da matéria aqui discutida, não tem este efeito. Isto porque, a comentada decisão do Supremo (RE n° 346.084) aplicase apenas em favor da parte que litigava naquele processo. Eventual extensão de seus efeitos a terceiros somente poderseia dar por decisão do Presidente da República, nos ditames do § 3 0 do artigo 1° do Decreto 2.346/97 (...). Tal ato presidencial não foi editado. Portanto, impossível inferir, qualquer tipo de vinculação da Administração. No caso concreto aqui analisado, nem mesmo poderseia observar a decisão do Supremo em sede de Ação Direta ou de Suspensão de, Execução da Norma por edição de Resolução do Senado. Isto porque já houve uma decisão definitiva do Poder Judiciário sobre a matéria. Neste caso, nos termos do § 1° do Decreto 2.346/97 (...), o advento de decisão definitiva anterior impediria que eventual decisão favorável beneficiasse o Interessado. Obviamente, o fundamento disto , seria a força atribuída pela Constituição Federal à "coisa julgada ". Fl. 139DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 4 Cientificada do indeferimento de seu pleito em 05/12/2006 (fl. 49), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 28/12/2006 (fls. 50/54), na qual alega que: • não houve renúncia à esfera administrativa. Realmente o item "a" do ADN n° 3, de 1996, prescreve que a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto importa renúncia às esferas administrativas, ou seja, a identidade de objeto é requisito essencial para que a via administrativa fique obstada; • a identidade de objeto de duas ações ou procedimento ocorre quando ambos têm "as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido". Essa é a definição contida no art. 301, § 2°, do Código de Processo Civil; • no caso em exame, os objetos da Ação rescisória e do pleito administrativo de restituição são completamente distintos. Na via judicial, pleiteiase o não pagamento do PIS e da Cofins com as bases de cálculos ampliadas pela Lei n° 9.718, de 1998, enquanto no caso ora em exame o pleito é de restituição dos valores, justamente porque levaram em consideração a referida base e, por conseqüência, ocasionaram um pagamento maior do que o devido; • ainda que as causas de pedir possam guardar certa semelhança, pois os pleitos são fundamentados na ilegitimidade do art. 3°, inciso I, da Lei n° 9.718, de 1998, as causas de pedir remotas (descrição dos fatos envolvidos) e, sobretudo, os pedidos são absolutamente distintos, o que impede a aplicação do item "a" do ADN n° 3, de 1996; • no que respeita ao mérito, é certo que o Supremo Tribunal Federal já decidiu pela inconstitucionalidade do art. 3°, inciso I, da Lei n° 9.718, de 1998, no sentido de que a exigência do tributo, à época em que ocorridos os fatos geradores objeto do pleito de restituição, somente poderia incidir sobre a receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços, já tendo inclusive o trânsito em julgado das decisões proferidas. Tratandose de entendimento pacificado, sua aplicação pela Administração é obrigatória, por força do disposto no art. 1°, caput, do Decreto n° 2.346, de 1997, independentemente da publicação de Resolução pelo Senado Federal, mera formalidade que não tem o condão de alterar o significado da norma, tampouco invalidar o reconhecimento, pela Suprema Corte, da inconstitucionalidade de determinado dispositivo. Além disso, a contribuinte também diz que o pleito de restituição formulado tem o efeito de suspender ou, quando menos, interromper o curso do prazo prescricional, não se opondo ela ao sobrestamento do feito até decisão final a ser proferida na Ação Rescisória, unicamente como medida de economia processual.” A DRJCampinas/SP indeferiu a solicitação da contribuinte (fls. 117/119), em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RENÚNCIA.. A propositura de ação judicial com 'o mesmo objeto, antes ou depois da apresentação de pedido de restituição, implica a renúncia à apreciação na esfera administrativa das razões de mérito. Solicitação Indeferida” Fl. 140DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 16624.001202/200675 Acórdão n.º 3202000.324 S3C2T2 Fl. 132 5 Irresignada, a interessada apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls. 123/128), alegando, em síntese: que o objeto da medida judicial é distinto daquele envolvido no presente feito administrativo, razão pela qual tem procedência o pleito de restituição formulado; que, na ação judicial proposta (MS n° 1999.61.00.0209153), pleiteou o direito de recolher o PIS e a COFINS sem a ampliação procedida em suas bases de cálculo, pelo art. 3º, I, da Lei n°9.718/98; que seu pleito, na esfera judicial, foi julgado improcedente e, à vista do trânsito em julgado, ajuizou Ação Rescisória (AR n° 2006.03.00.0084736), ainda em trâmite no Eg. TRF3a Região, com o objetivo de rescindir a decisão proferida no writ e, por conseqüência, deixar de pagar o PIS e a COFINS segundo 'os ditames da Lei n° 9.718/98; que, no caso ora em exame, o pleito é de restituição dos valores, justamente porque levaram em consideração a referida base de cálculo e, por conseqüência, ocasionaram um pagamento maior do que o devido; que formulou o pedido de restituição formulado no intuito de interromper o curso do prazo prescricional, não se opondo a recorrente ao sobrestamento do feito até decisão final a ser proferida na Ação Rescisória, unicamente como medida de economia processual; e no que respeita ao mérito, já foi referido que o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade do art. 3 0, I, da Lei n° • 9.718/98, no sentido de que a exigência do tributo, à época em que ocorridos os fatos geradores objeto do pleito de restituição, somente poderia incidir sobre a receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços, já tendo inclusive transitada em julgado as decisões proferidas (RE's nos 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840). Ao final, requereu fosse assegurado o direito à restituição pleiteada. É o Relatório Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Ao teor do relatado, cuidam os autos de pedido de restituição formulado pela empresa ENERGO AGROINDUSTRIAL LTDA (fls. 01/06), protocolizado em 21/08/2006, no valor de R$ 57.924,39, referente a alegados recolhimentos feitos a maior a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, relativo ao período de apuração de setembro/2002, conforme planilha de cálculo à fl. 19, sob a fundamentação de ter sido declarado ilegítimo pelo STF o artigo 30, inciso I, da Lei n.° 9.718/98. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 6 A DRJCampinas/SP deixou de apreciar o mérito do pleito por entender que havia concomitância entre os processos judicial e administrativo, sob o seguinte fundamento: (...) Todavia, ainda que o pedido da ação judicial (que a Autoridade Fiscal se abstenha de exigir o recolhimento do PIS e da Cofins segundo a Lei n° 9.718, de 1998) e o pedido deste processo (a restituição dos valores pagos a título de PIS e Cofins com base na Lei n° 9.718, de 1998) não sejam o mesmo, o fato é que a causa de pedir (inconstitucionalidade do art. 3°, inciso I, da Lei n° 9.718, de 1998) é a mesma, o que torna o desfecho da ação judicial prejudicial à apreciação do pleito deste processo. Noutras palavras, ainda que o objeto da ação judicial não seja todo ele idêntico ao destes autos, há coincidência entre eles, o que tem implicações diretas na apreciação do pedido de restituição. (grifo não constante do original) Assim, conforme se verifica dos autos, manifestado pela própria autoridade julgadora de primeira instância, não há identidade de objeto entre o processo administrativo e o processo judicial, a qual implicaria na renúncia à via administrativa, conforme Súmula nº. 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Notese que a restituição, objeto deste processo administrativo, somente existiria se houvesse pagamento a maior realizado pela contribuinte. A existência ou não desse pagamento a maior decorre do resultado da ação judicial proposta, mas não propriamente o direito à restituição pretendida, que se mostra inexistente sem a ocorrência daquele pagamento a maior. Assim, entendo assistir razão à contribuinte, quanto à inocorrência da concomitância, devendo a autoridade julgadora de primeira instância manifestarse quanto ao objeto deste processo administrativo, no que se diferencia do processo judicial. Isto posto, observandose o princípio do duplo grau de jurisdição e da ampla defesa, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para determinar que a autoridade julgadora a quo aprecie a matéria destes autos, no que for distinta do processo judicial. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 142DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 16624.001202/200675 Acórdão n.º 3202000.324 S3C2T2 Fl. 133 7 Fl. 143DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES
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Numero do processo: 11070.000772/2008-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Exclusão do Simples
Ano-calendário: 2003, 2004 e 2005
Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. Confirmada a prática reiterada de
infração à legislação tributária, principalmente por omissão de receita, confirma-se a exclusão da interessada do SIMPLES.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. Comprovado que a empresa, excluída do
Simples, não mantém escrituração regular', cabe o arbitramento do lucro.
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Os ', depósitos bancários mantidos em conta corrente em nome de terceira pessoa, assumidos pela recorrente, mas de
origem não comprovada por esta, permitem a presunção de omissão de receita com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430/96.
Numero da decisão: 1103-000.442
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Gervasio Nicolau Recketenvald
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11070.000772/2008-08 Recurso n° 516882 Voluntário Acórdão n° 1103-00.442 — P Camara / 3' Turma Ordinária Sessão de 31 de maryo de 2011 Matéria Auto de Infração - IRPJ Recorrente CASALI MÓVEIS E UTILIDADES DOMÉSTICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Exclusão do Simples Ano-calendário: 2003, 2004 e 2005 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. Confirmada a prática reiterada de infração à legislação tributária, principalmente por omissão de receita, confirma-se a exclusão da interessada do SIMPLES. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Comprovado que a empresa, excluída do Simples, não mantém escrituração regular', cabe o arbitramento do lucro. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Os ', depósitos bancários mantidos em conta corrente em nome de terceira pessoa, assumidos pela recorrente, mas de origem não comprovada por esta, permitem a presunção de omissão de receita com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. GvIÇ NiqoLAu RECKTENVALD - Relator EDITADO EM: U u Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva, Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso e Gervásio Nicolau Recktenvald. Ausente o Conselheiro Hugo Correa Sotero. Relatório A empresa CASALI MÓVEIS E UTILIDADES DOMESTICAS LTDA., CNPJ n° 89.675.888/0001-76, veio perante este Conselho para, através do competente recurso voluntário, demonstrar sua não conformidade com o decidido pela la Turma da DRJ de Santa Maria, que negou provimento A impugnação, por unanimidade de votos, conforme registra o Acórdão n° 18- 11.357, de 01 de outubro de 2009. Compulsando os autos, vê-se que matéria discutida envolve a exclusão da interessada do Simples, com o consequente arbitramento do lucro, sobre as receitas declaradas e mais as receitas tidas pelo fisco como omitidas, estas identificadas por depósitos bancários de origem não comprovada, mantidos em nome de terceira pessoa. 0 conjunto de autos de infração constituídos alcançou os períodos mensais de 05/2003 a 12/2005 no que concerne ao PIS e COFINS, e os períodos trimestrais, envolvendo os meses de 04/2003 a 12/2005, em relação ao IRPJ e CSLL. Quanto A. exclusão do Simples, observa-se que esta foi procedida por emissão do competente Ato Declaratório de Exclusão, devidamente formalizado nos termos da Lei (fl. 583), indicando como motivo a reiterada infração à legislação tributária e fixando como termo inicial da exclusão a data de 02 de fevereiro de 2003. Também, cabe referir que os tributos recolhidos pela sistemática do Simples foram compensados com os lançamentos constituídos no procedimento fiscal contido neste processo através da modalidade de arbitramento. Inconformada corn o lançamento, em sua defesa (fl. 649), a interessada alega, em síntese: (a) que a presunção de omissão de receitas, identificada por depósitos bancários mantidos em nome de terceira pessoa, não é motivo para a exclusão do Simples; '(b) que o fundamento do auto de infração foi o art. 530, inciso I, do RIR/99, que teria como finalidade única amparar a constituição do crédito tributário pelo arbitramento; (c) que era impossível arbitrar o lucro, pois o contribuinte mantinha escrita contábil regular; (d) que a impugnada utilizou-se de instrumento ardiloso para desenquadrar a impugnante do Simples, ao declarar que a mesma não mantinha escrituração contábil regular, o que se revelava inverdade impar; (e) que não houve omissão de receitas, o que comprovaria pela coincidência entre os valores informados ao fisco federal e ao fisco estadual; (f) que as autuações relativas aos meses de janeiro a maio de 2003 estariam decaídas; (g) que a conta bancária da senhora Ilse foi utilizada por ser ela detentora de linha de crédito junto A. CEF, imprescindível para dar suporte financeiro As vendas realizadas pela Impugnante; (h) que os demonstrativos elaborados pelo autuante são contraditórios, confusos desencontrados, inconclusivos e obscuros. No final, a defesa pede realização de perícia para avaliar a contabilidade, bem como, pede a decretação da improcedência dos lançamentos. Encaminhada a impugnação para a decisão administrativa, a DRJ de Santa Maria, em 01 de outubro de 2009, através da la Turma, efetuou o julgamento em Primeiro Grau, registrado no acórdão n° 18-11.357 (II. 856), corn as seguintes ementas: PERÍCIA CONTÁBIL. PROVAS. Quando as provas que a impugnante entende necessárias para sua defesa dependem somente de buscas em seus arquivos e de demonstração adequada pela Ow Processo n° 11070.000772/2008-08 SI-C1T3 Acórdao n.° 1103-00.442 FL 2 defesa, o pedido de perícia para coleta desses elementos deve ser indeferido. IMPUGNAÇÃO. ONUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. A imptignaçã o deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Meras alegações sem a devida produção de provas não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento, mesmo que parcial, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, ,sç 4°, do CTN. Dessa forma, o lançamento efetuado no prazo quinquenal é procedente. EXCLUSÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. Confirmando-se a pratica reiterada de infração a legislação tributária, confirma-se a exclusão da impugnante do SIMPLES. DEPÓSITOS BANCÁRIOS EM NOME DE TERCEIROS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Confirma-se a omissão de receitas, por presunção legal, quando esta comprovado que os valores creditados em conta corrente bancária, que está em nome de terceiros, pertencem a pessoa jurídica, mas não estão contabilizados, em relação aos quais a interessada não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, mesmo depois de intimada afazê-lo. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL A falta do registro contábil de parcela significativa da movimentação financeira da autuada em conta corrente bancária implica na desclassificação da sua escrituração, justificando o arbitramento do lucro. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL — PIS, CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO — CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Inconformada corn a decisão, da qual foi notificada em 14/10/2009 (fl. 872), tempestivamente, em 11/11/2009 (fl. 873), a interessada interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese o que segue: (a) quanto A. omissão de receita presumida corn base no art. 42 da Lei n° 9.430/96, arguiu que "o artigo referido tem por finalidade — unicamente — dar amparo a constituição do crédito tributário quando o contribuinte não mantiver escrituração contábil regular" (fl. 878), o que não seria o caso; (b) que a escrita não teria sido desclassificada pela fiscalização, convertendo-Se, portanto, em "documentação hábil e idónea para comprovar a origem das receitas" (-fl. 878); (c) que, "quando o contribuinte mantiver escrituração contábil regular não poderá o crédito tributário ser constituído através de lançamento na modalidade de arbitramento" (fl. 878); (d) que a exclusão do Simples seria improcedente, pois teria se baseado na 3 1 ausência de escrituração; (e) que não há omissão de receitas, pois os valores declarados ao fisco estadual seriam coincidentes com os infonnados ao fisco federal; (f) que não ficou comprovado saldo credor de caixa e nem passivo fictício; (g) que a conta corrente utilizada pelo fisco para inferir omissão de receitas, em nome da Sra. Ilse Jost Casali, ink do sócio da recorrente, teve que ser utilizada pela autuada em vista "da Sra. use ser detentora de linha' de crédito junto a Caixa Federal, revelando-se imprescindível para dar suporte financeiro as vendas realizadas pela Requerente" (fl. 888); (h) que a fiscalização realizada se revelaria inconclusiva e confusa, pois a movimentação financeira em que se assenta a omissão inferida "não coincide coin os demonstrativos apontados que permanecem na obscuridade, não trazendo novos elementos para elucidar e afirmar o que esta sendo atacado pela Requerente" (fl. 889); (i) que o ingresso dos valores tidos corno omissão de receitas, "restaram provados mediante ittilizacão de fonte oficial, isto é, estabelecimento de crédito oficial, tendo inclusive a recorrente pago os respectivos juros" (fl. 891). Por fim, a recorrente requer seja recebido, conhecido e provido o recurso voluntário, solicita a reforma da decisão de Primeiro Grau e pede a decretação da improcedência do auto de infração. o Relatório. 4 Processo n° 11070.000772/2008-08 SI-C1T3 Acórdão ri.° 1103-00.442 Fl. 3 Voto Conselheiro GERVASIO NICOLAU RECKTENVALD, 0 recurso voluntário interposto é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, é conhecido. Conforme relatado, a controvérsia formalizada neste processo cinge-se A identificação de omissão de receitas, por presunção, corn base no art. 42 da Lei no 9.430/96, em vista de movimentação financeira que era operada em conta bancária em nome de terceira pessoa - a rude do sócio administrador da recorrente - sem transitar pela contabilidade e sem origem comprovada, a partir do que o fisco propôs A. autoridade administrativa da DRF de Santo Angelo a exclusão do Simples, o que foi acolhido. Em prosseguimento, o fisco formalizou a autuação de IRPJ e lançamentos reflexos, alcançando os meses de 04/2003 a 12/2005, adotando como forma de tributação a sistemática do Lucro Arbitrado, por imprestável a escrituração mantida pela recorrente. No que concerne à omissão de receitas, inferida a partir de movimentação financeira de origem não comprovada que transitou pela conta corrente mantida em nome da Sra. use Jost Casa li junto a Caixa Econômica Federal de Tres de Maio, é inconteste que tal movimentação, ao menos em parte, pertencia 5. recorrente. Segundo o Termo de Constatação Fiscal (fl. 590), o procedimento fiscal se iniciou por constatada a incompatibilidade, em relação aos rendimentos declarados, da movimentação financeira na conta bancária n° 8452-3, mantida na CEF agencia de Tres de Maio, de titularidade da Sra. use Jost Casa li, em conjunto corn seu filho, Sr. Joao Antonio Casali, sócio administrador da recorrente. Intimada a esclarecer a incompatível movimentação, a Sra. Ilse informou não possuir qualquer responsabilidade sobre tais recursos, atribuindo-os, integralmente, ao outro titular, Sr. João Antonio Casa li, proprietário da recorrente. Infon-nou ainda que o Sr. João mantinha corn ela a conta em conjunto, o que se confirmou através do exame da documentação concernente à conta em foco, junto A. CEF. Posteriormente, intimado o Sr. João a comprovar a origem dos recursos, este, após assumir inteira responsabilidade sobre aquela movimentação, informou que "utilizou a referida conta por estrita necessidade de valer-se do limite de crédito oferecido pela agência bancária, para caucionar e negociar cheques provenientes de aluguéis auferidos da empresa Lojas Becker, pertencentes a ele e sua esposa e decorrentes das vendas efetuadas pelas firmas Casali Móveis e Utilidades Domésticas Ltda., CNPJ n" 89.675.888/0001-76, Roberto Adriando Krug, CNPJ n°06.948.387/0001-99, e Natal Jair Pes, CNPJ n°05.739.042/001-62, das quais era procurador, exercendo inclusiva a fimciio de administrador financeiro destas" (fl. 591/592). Para comprovar eventual contabilização dos valores movimentados na conta em foco, na parte concernente A. Casali, indicada em um livro caixa elaborado paralelamente a 1 contabilidade, onde também estavam indicadas as participações na movimentação financeira das outras duas empresas, o fisco examinou os livros e documentos postos A disposição pela Casali, não localizando nenhum documento ou registro que contemplasse a movimentação financeira operada na conta paralela. Posteriormente, o fisco intimou as três empresas que partilhavam a conta bancária em questão, dentre estas a recorrente, a comprovarem a origem dos valores nela depositados. Entretanto, embora todas tivessem assumido participação, nenhuma delas conseguiu justificar, cabalmente, a origem de valores depositados. Ante esses fatos, o fisco, com fundamento no art. 58 da Lei n° 10.637/2002, que deu nova redação ao art. 42 da Lei n° 9.430/96, atribui a movimentação financeira aos terceiros titulares, alocando a cada empresa os valores assumidos, rateando os demais depósitos, em partes iguais, As três participantes. Diante disso, restou comprovado o motivo que fundamentou a exclusão do Simples (inciso V, do art. 195, do RIR/99), restou comprovada a omissão de receita (art. 42 da Lei n° 9.430/96), bem corno, restou justificado o arbitramento do lucro (art. 530, inc. II, letra "a", do RIR/99), pois a escrituração apresentada pelo contribuinte revelou-se viciada, contendo erros e deficiências que a tornam imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, especialmente bancária. Ante esses fatos, voto por confirmar integralmente a decisão recorrida e NEGO provimento ao recurso voluntário. GERVASIO NICOLAU ECKTENVALD \j 6
score : 1.0
Numero do processo: 10805.000300/2004-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
Ementa: DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Os recibos fornecidos
por profissionais de saúde são documentos hábeis a comprovar as despesas médicas, salvo se presentes indícios de irregularidades, quando, então, o Fisco pode exigir elementos adicionais de prova da efetividade da prestação dos serviços ou dos pagamentos. Eventuais deficiências nos aspectos formais dos recibos não são suficientes para invalidá-los como meio de prova.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-001.033
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao
recurso. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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COMPROVAÇÃO. Os recibos fornecidos por profissionais de saúde são documentos hábeis a comprovar as despesas médicas, salvo se presentes indícios de irregularidades, quando, então, o Fisco pode exigir elementos adicionais de prova da efetividade da prestação dos serviços ou dos pagamentos. Eventuais deficiências nos aspectos formais dos recibos não são suficientes para invalidálos como meio de prova. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao recurso. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 17/03/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 70DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório IVONETE ZAMPIERI interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ SÃO PAULO/SP II (fls. 48) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 02 e 40, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2001, no valor de R$ 722,00, acrescido de multa de ofício de R$ 541,54 e de juros de mora, calculados até 01/2004, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 1.633,00. A lançamento decorre das glosas dos valores declarados como despesas médicas (R$ 5.480,00), como constribuição a previdência privada (R$ 549,34) e dedução de incentivo (R$ 470,00). A Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 na qual limitase a dizer que apresenta os documentos comprobabórios das deduções. A DRJSÃO PAULO/SP II julgou procedente em parte o lançamento para reconhecer a dedução como despesas médicas dos valores pagos a Marco Antonio Nobre (recibos fls. 14/15). Rejeitou os recibos emitidos por Clara Beatriz Moura sob o fundamento de que os recibos “não trazem indicação do endereço da profissional e que cópias dos canhotos de cheques nada comprovam sobre os pagamentos declarados”. A DRJ também reconheceu o direito à dedução da contribuição a previdência privada no valor declarado. Quanto à dedução de incentivo, rejeitouas sob o fundamento de que “os documentos apresentados demonstram que as doações realizadas pelo contribuinte não foram feitas aos fundos controlados pelos conselhos, mas sim diretamente às entidades”, contrariando o que determina a legislação, não sendo, portanto, dedutíveis os pagamentos. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 23/01/2007 (fls. 55) e, em 19/12/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 56/58, que ora se examina, e no qual se insurge apenas quanto à manutençãio da glosa da despesa médica referente aos pagamentos feitos a Clara Beatriz Moura, e reafirma que incorreu na despesa. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, persiste o litígio na fase recursal apenas quanto à dedução, como despesas médicas, dos valores declaradamente pagos a Clara Beatriz Moura. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10805.000300/200419 Acórdão n.º 220101.033 S2C2T1 Fl. 2 3 Examinando os recibos de fls. 05/10, emitidos pela referida profissional, notase que, de fato, especifica a natureza dos serviços prestados como “honorários profissionais”, que, certamente, não é a melhor forma de se fazer tal descrição. Todavia, penso que o fato não é suficiente para desqualificar o recibo como meio de prova. Primeiramente, porque está claro no próprio recibo que se trata de profissional da área de psicologia, pois consta do recibo o número da inscrição no CRP; e, em segundo lugar, porque, como sói acontecer, os recibos emitidos pelos profissionais médicos, em geral, não observam rigorosamente as formalidades. Nestas circunstâncias, não me parece razoável, rejeitar o recibo como comprovação da despesa, apenas com base neste fato. Concluo, portanto, pela validade dos recibos de fls. 05/10 para a comprovação da despesa médica. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 72DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 10580.003110/2006-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação decai no prazo de 5 (cinco), a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que a contagem inicia-se no primeiro dia
do exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As pessoas que tenham interesse comum na situacão que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado e são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os
mandatários, prepostos, empregados e os diretores, gerentes ou represen antes de pessoas jurídicas de direito privado.
Numero da decisão: 1302-000.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: DANIEL SALGUEIRO DA SILVA
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação decai no prazo de 5 (cinco), a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que a contagem inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situacão que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado e são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos, empregados e os diretores, gerentes ou represen antes de pessoas jurídicas de direito privado.
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TERMO INICIAL. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação decai no prazo de 5 (cinco), a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que a contagem iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situacão que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado e são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos, empregados e os diretores, gerentes ou represen antes de pessoas jurídicas de direito privado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELO Presidente. (Assinado digitalmente) Fl. 529DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SIL VA 2 DANIEL SALGUEIRO DA SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Melo (Presidente), Wilson Fernandes Guimaraes, Eduardo Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Irineu de Bianchi Relatório Decorre o processo em referência de Autos de Infração lavrados contra o contribuinte em referência, por omissão de receitas operacionais nos anoscalendários de 2000 a 2002, identificadas pela fiscalização através de suas movimentações bancárias, tendo a autuação repercutido em termos de sujeição passiva solidária a seus sócios, nos termos dos artigos 124, inciso I, 134, inciso III e 135, incisos I, II e III, da Lei nº 5.172/66 CTN Código Tributário Nacional. De acordo com relatório da fiscalização, a empresa autuada foi constituída foi no ano de 1999, tendo por sócios os Srs. José Amaro Vieira Filho, Engenheiro Eletricista e Miguel David de Oliveira Silva, Engenheiro Mecânico, tendo por objeto serviços de construção civil, saneamento básico e eletrificação e, conforme demonstrado nas suas declarações de informações econômicofiscais — DIPJ, nos períodos fiscalizados, optou pela tributação com base no Lucro Presumido. Analisando as DIPJ e DCTF apresentadas, a fiscalização constatou que o contribuinte declarou como receita bruta em cada anocalendário os valores constantes da planilha denominada ANEXO III, mas conforme pesquisa no sistema Dossiê Integrado da SRFB, constatouse diferenças significativas entre o total destes valores e o total da movimentação financeira da empresa, nestes mesmos períodos. Conforme evidenciado na fase de fiscalização, a partir do anocalendário de 2001, a empresa autuada passou a prestar serviços exclusivamente as Prefeituras de Potiraguá e de Mucuri, no Estado da Bahia, sendo que nesse mesmo exercício os sócios originais se retiraram da sociedade transferindo suas participações, aos Srs. Paulo dos Reis Farias e Rubens Batista de Oliveira, mais tarde identificados como empregados do Sr. Roberto Carlos Figueiredo, que vem ser o então Prefeito da cidade de Mucuri, município para o qual a empresa prestava serviuços. Entretanto, embora a alteração contratual de mudança do quadro societário tenha sido formalmente registrada na Junta Comercial, o novo quadro societário nunca foi comunicado à Receita Federal, e o que é mais grave, continuou a empresa a ter a sua movimentação financeira administradas pelos sócios dela já formalmente afastados, posto que a referida alteração não encaminhada aos Bancos onde a mesma possuía contas, tendo ainda os “exsócios” continuado a dar suporte técnico à empresa na condição de engenheiros, mediante remuneração fixa mensal. Conforme se vê das declarações a termo prestadas pelo Sr. José Amaro Vieira Filho, este tinha conhecimento de que a alteração contratual que formalizou sua saída da sociedade, tinha sido promovida por meios não convencionais, através de um "flanelinha", pessoa que limpa os carros nas dependências da Junta Comercial do Estado da Bahia — JUCEB e que dizia possuir "influência" naquele órgão, de maneira que a alteração contratual ficava lá arquivada, sem que a Receita Federal pudesse dela tomar conhecimento. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SIL VA Processo nº 10580.003110/200605 Acórdão n.º 1302000.482 S1C3T2 Fl. 525 3 Confessou ainda o referido sócio em seu depoimento, que após a alteração contratual referida, a empresa adotou mecanismos fraudulentos para utilizar o caixa da Prefeitura de Mucuri, com apoio do então prefeito desta cidade, em supostos serviços de limpeza, jardinagem, varredura e coleta, prestados à Prefeitura de Mucuri, que eram feitos mediante emissão do BM — Boletim de Medição, sendo que vários destes boletins apresentavam medições que não correspondiam a serviços efetivamente prestados, originando, assim, receitas sem a efetiva contra prestação dos serviços, e mesmo assim continuaram como responsáveis pela movimentação bancária, inclusive após a alteração contratual, sendo responsáveis pelos saques na conta corrente da empresa para pagamento de empregados ou para repassar ao prefeito de Mucuri que se encarregava de efetuar outros pagamentos ou dar destinação diversas a esses recursos. Diante dos fatos apurados, houve por bem a fiscalização lavrar os competentes Autos de Infração com a empresa, com repercussão em desfavor de seus sócios originais, que inconformados com a responsabilidade solidária que lhe fora atribuída, impugnaram tempestivamente a exigência fiscal, sustentando em síntese que : Pelo que se verifica dos fatos, os Requerentes alienaram a empresa em 2001, e que após a dita alienação não exerceram nova atividade empresarial nos 6 (meses) subseqüentes, razão pela qual não podem ser consideradas responsáveis pelos débitos tributários nos termos do artigo 133 do CTN; Pelo que consta do auto de infração, o recolhimento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS nos exercícios de 2000 a 2002, são de exclusiva responsabilidade dos novos sócios, os Senhores Rubens Batista de Oliveira e Paulo dos Reis Faria, que diversamente do alegado pela AuditoraFiscal, não são pessoas humildes e nem desconhecidas, pois ostentam um certo nível na sociedade baiana e são de fácil localização, pois como dito, são funcionários dos políticos supra mencionados. Não procede o arbitramento do lucro da autuada, porque o artigo 148 do CTN só autoriza esse procedimento quando há omissão manifesta de receitas ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados e que nenhuma providência foi adotada pelo AuditorFiscal no intuito de localizar os novos sócios da empresa e ainda que o arbitramento deve seguir um procedimento regular, iniciandose com o exaurimento das tentativas de localização do contribuinte/responsáveis, fato que não ocorreu. Por fim, que todos os valores tributáveis referentes aos fatos geradores ocorridos em 2000, constantes do Auto de Infração lavrado em 12.04.2006, estão decaídos, pois a decadência, caracterizase pela perda do Direito e é causa de extinção do crédito tributário nos termos do artigo 173 do CTN e ainda que a caducidade do direito de constituir o crédito tributário consumase em 5 (cinco) anos e flui, sem suspensões ou interrupções, entre a ocorrência do fato gerador (nascimento da obrigação tributária) até a constituição definitiva do crédito que se dá com o lançamento, que se conta a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao qual poderia ter sido este efetuado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador Bahia, recepcionando a impugnação por sua tempestividade, por unanimidade de votos de sua 2ª. Turma, a julgou procedente em parte, sustentando que : Fl. 531DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SIL VA 4 Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente, como se deu no presente processo. O lucro da pessoa jurídica foi arbitrado corretamente, uma vez que a mesma tendo optado pela tributação com base no lucro presumido, não apresentou os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal ou o Livro Caixa, contendo a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. É procedente a configurada omissão de receita da empresa autuada, por presunção legal relativa, já que os valores creditados em suas contascorrentes mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais os titulares, regularmente intimados, não comprovaram, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no 'principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. A multa de ofício qualificada no percentual de 150% foi corretamente aplicada por estar caracterizado no procedimento fiscal o intuito de fraude, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Há de se acatar, porém, a decadência suscitada pela impugnante, em relação aos lançamentos do IRPJ, relativos a todos os fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 2000 e, também, ao lançamento efetuado sem a multa qualificada referente ao fato gerador ocorrido no 4° trimestre do anocalendário de 2000, que por se tratar de ocorrência de práticas dolosas, devese aplicar a regra do artigo 173, inciso I, do CTN. De oficio, foi reconhecida a decadência do crédito tributário correspondente à matéria tributável apurada no primeiro trimestre de 2001, sem a imputação de ocorrência de fraude. E por fim, em relação à CSLL, à COFINS e ao PIS, como tais contribuições são destinadas a financiar a seguridade social, lhes são aplicáveis as normas contidas na Lei n.° 8.212, de 1991, que em seu art. 45, atendendo à faculdade conferida no art. 150, § 4°, do CTN, estabelece o prazo decadencial para constituição dos créditos em 10 (dez) anos, sendo improcedente, portanto o apelo da impugnante em ver afastada a cobrança contida no Auto de Infração. Em síntese este é o relatório. Voto Conselheiro Daniel Salgueiro da Silva Antes de ingressar no mérito da autuação, preliminarmente, há que se analisar a preliminar de decadência do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2000. Com efeito, são as disposições dos artigos 150 e 173 do Código Tributário Nacional (CTN), que assim prescrevem : Fl. 532DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SIL VA Processo nº 10580.003110/200605 Acórdão n.º 1302000.482 S1C3T2 Fl. 526 5 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. ................................................................... § 4º Se a lei não fixar prazo para homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art.173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados: I— do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II — da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Em matéria de IRPJ, considerase ocorrido o fato gerador do imposto no último dia do período de apuração, marco inicial do prazo de cinco anos para a Fazenda Pública se pronunciar, conforme dispõe o § 4° do art. 150 do CTN. Entretanto, quando há a prática dolosa, como a verificada no presente processo a contagem do prazo de decadência é deslocada para a regra geral do art. 173, I, do CTN, também por observância ao disposto no § 4º do art. 150 do CTN, que excepciona os casos de fixação de outro prazo em lei se comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Conforme sustentado na fase impugnatória pela Delegacia de Julgamento, no caso concreto, parte do crédito tributário constituído a título de IRPJ corresponde ao lançamento do imposto incidente sobre a parcela do lucro arbitrado determinado com base nos valores das receitas informadas nas DIPJ e declaradas em DCTF, acompanhado da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), portanto sem a acusação de ocorrência de evidente intuito de fraude. Dessa forma, para o exame do direito da Fazenda Pública constituir referidos créditos tributários a contagem do prazo decadencial deve se dar a partir da ocorrência do fato gerador, e desta forma, depreendese que na data em que a pessoa Fl. 533DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SIL VA 6 jurídica foi cientificada dos lançamentos — 18/05/2006 (fl. 260) — o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos nos quatro trimestres de 2000, assim como aquele referente ao 1° trimestre do anocalendário de 2001, já se encontravam decadentes. O mesmo não ocorre em relação ao crédito tributário referente ao IRPJ incidente sobre a parte do lucro arbitrado levantado com base nas receitas omitidas, representadas pelos depósito/créditos bancários, cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, e a fiscalização, acertadamente enxergou na ação o evidente intuito de fraude, o que afasta a a figura da homologação prevista no artigo 150, § 4º, do CTN. E esse manifesto intuito de fraude, se vê por todos os lados : a. quando segundo informação da ECT — Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, o número do imóvel constante do endereço da impugnante, fornecido para fins cadastrais, junto à Secretaria a Receita Federal (SRF), não existe; b. quando o próprio sócio da contribuinte — de direito e de fato, até 18/10/2001, e de fato, a partir desta data— Sr. José Amaro Vieira Filho, em depoimento, à autoridade administrativa, confessou ter "vendido" a empresa autuada, em 2001, para os senhores Paulo dos Reis Farias e Rubens Batista de Oliveira, os quais seriam apenas sócios e fachada, e a correspondente alteração contratual feita em 18/10/2001 foi realizada por intermédio de um "flanelinha" que limpava os carros nas dependências da JUCEB e que possuía influência naquele órgão, de maneira que a alteração contratual ficava lá arquivada, sem que pessoas ligadas à Receita Federal dela tomasse conhecimento; c. quando mesmo após a alteração de sua saída da sociedade, o sócio afastado continuou movimentando elevados recursos em instituições financeiras, cuja origem não foi comprovada, e em valores bem superiores aos das receitas declaradas nas Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) e DCTF relativas ao período fiscalizado. Pelo que dos autos do processo se extrai, tenho por irreparável a decisão da Delegacia de Julgamento, em aplicar a regra do artigo 173, inciso I, do CTN, considerando para os fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres do anocalendário de 2000, o termo inicial da contagem do prazo decadencial de 01/01/2001 onde o Fisco teria até 31/12/2005 para efetuar o lançamento de oficio enquanto que a ciência do Auto de Infração do IRPJ se deu em 18/05/2006, e assim acatar a preliminar de decadência suscitada pela interessada no tocante aos lançamentos do IRPJ, relativos a todos os fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 2000 e, também, ao lançamento efetuado sem a multa qualificada referente ao fato gerador ocorrido no 4° trimestre do anocalendário de 2000, bem como o ato de oficio, declarando a decadência do crédito tributário correspondente à matéria tributável apurada no primeiro trimestre de 2001, sem a imputação de ocorrência de fraude. Quanto à CSLL, à COFINS e ao PIS, consideradas como contribuições destinadas a financiar a seguridade social, e por isso regidas pelas normas contidas na Lei n.° 8.212, de 1991, não deve prosperar a decisão da autoridade julgadora, na contagem do prazo de 10 anos para a decadência do crédito. É que o prazo prescricional das contribuições sociais, já se encontra devidamente pacificado em 5 anos, a exemplo do fixado para os tributos, tendo a propósito o Supremo Tribunal Federal editado a súmula vinculante nº 8, com o seguinte enunciado: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 52 do DecretoLei nº 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei Fl. 534DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SIL VA Processo nº 10580.003110/200605 Acórdão n.º 1302000.482 S1C3T2 Fl. 527 7 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Desse modo, prejudicado restou o entendimento da Delegacia de Julgamento de Salvador nesse aspecto, em não reconhecer a decadência das contribuições para o PIS, COFINS e CSLL no prazo quinquenal, entendimento este declarado inconstitucional mediante a edição, inclusive, de sumula vinculante, seguida de forma reiterada pelo antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF – Conselho Administrativos de Recursos Fiscais. Por tudo quanto acima exposto, consubstanciado nos Autos, sou pelo acolhimento do recurso voluntário interposto, para no mérito lhe DAR PARCIAL PROVIMENTO, reformando, em parte, a decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de SalvadorBa, estendendose a responsabilidade como devedores solidários aos Srs. JOSÉ AMARO VIEIRA FILHO e MIGUEL DAVID DE OLIVEIRA SILVA, sócios representantes da Autuada. Sala das Sessões, 22 de fevereiro de 2011. (Assinado digitalmente) Daniel Salgueiro da Silva Fl. 535DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SIL VA
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Numero do processo: 10540.001072/2006-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano calendário:2004
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE.
PAGAMENTO SEM CAUSA. Correta a tributação do IR-Fonte por
pagamento sem causa, diante da constatação de que a empresa realizou os pagamentos, mediantes cheques que foram efetivamente compensados, porém, intimada não apresenta os elementos comprobatórios.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.446
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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PAGAMENTO SEM CAUSA Recorrente PIROPAUTO PIROPO AUTOMOVEIS LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. Correta a tributação do IRFonte por pagamento sem causa, diante da constatação de que a empresa realizou os pagamentos, mediantes cheques que foram efetivamente compensados, porém, intimada não apresenta os elementos comprobatórios. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10540.001072/200614 Acórdão n.º 140200.446 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório PIROPAUTO PIROPO AUTOMOVEIS LIMITADA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF correspondente ao ano calendário de 2004, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 213.696,21, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada a falta de recolhimento de IRRF incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados, que totalizaram R$ 187.319,13. O contribuinte foi intimado a comprovar os efetivos beneficiários dos recursos debitados em suas contas bancárias através dos cheques discriminados, às fls. 25/35. Em razão de o contribuinte ter comprovado apenas parte dos beneficiários, foi lançado de ofício o IRRF incidente sob a parcela dos recursos cujos beneficiários não foram identificados, às fls. 36/41, procedendose o reajustamento da base de cálculo do imposto, nos termos do art. 20 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, às fls. 336/343, alegando, em síntese, que: a) o auto de infração é nulo em razão da falta de demonstração do reajustamento na base de cálculo do imposto lançado, bem como, que a Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, carece de fundamentação legal; b) o Livro Caixa apresentado no curso da fiscalização comprovam que os cheques objeto da autuação foram emitidos pelo contribuinte, e que foram lançados a débito no caixa geral e serviram para pagamentos de obrigações; c) os cheques nominais ao SISCOB, no valor de R$ 711,00, e outros nominais à Casa Lotérica foram lançados a débito de caixa, pois serviram para completar pagamentos de valores de títulos ou despesas junto a estas instituições bancárias; d) os cheques emitidos em 16/09/2004, que totalizam R$ 34.388,31, foram debitados ao caixa e creditados pelos títulos que foram pagos nesta mesma data, portanto, não foram pagos a beneficiário não identificados. A decisão recorrida está assim ementada: PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Verificandose pagamento a beneficiário não identificado, presumese a retenção do IRRF, sendo cabível a recomposição da base de cálculo para sua apuração. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória quanto a destinação dos cheques emitidos, qual seja, pagar obrigações da empresa regularmente contabilizadas. Ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10540.001072/200614 Acórdão n.º 140200.446 S1C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. O presente processo é conexo ao do IRPJ, de No. 10540.001071/200670, que foi julgado por esta Turma em 5//07/20010 (acórdão 140200.200). Ambos são oriundos da mesma ação fiscal (fl.1). Conforme relatado, o presente processo trata de exigência de IRFonte, com fulcro no artigo 61 da Lei 8.981/1995, em face da constatação de pagamentos efetuados pela empresa, por meio de cheques, devidamente compensados, cuja origem não foi comprovada. O contribuinte alega, desde a impugnação, que esses valores foram utilizados para pagamento de obriga obrigações da empresa regularmente contabilizadas. A decisão de 1a. instância refutou tais alegações com os seguintes fundamentos: “As demais alegações têm como pressuposto que o Livro Caixa constitui prova dos fatos nele registrados, entretanto, a escrituração contábil e fiscal somente faz prova em favor do contribuinte, se acompanhada dos documentos lhe deram origem. Ou seja, o Livro Caixa desacompanhado das “cópias dos cheques compensados” ou “respectivos documentos de comprovação de pagamentos/despesas” solicitados pela fiscalização, não é documento hábil para comprovar que os cheques compensados foram lançados a débito do caixa geral ou que serviram para pagamentos de obrigações. Desta mesma forma, as alegações específicas relativas a cheques nominais a instituições bancárias ou para pagamentos de títulos carecem de comprovação documental, não podendo ser acolhidas no presente julgamento.” Todavia, mesmo ciente, desde a auditoria, que não bastavam os livros contábeis, ou seja, que para fazer prova de suas alegações deveria apresentar os comprovantes das despesas pagas, bem com no caso específico cópia dos cheques compensados, o contribuinte nada trouxe aos autos, nem mesmo junto ao recurso voluntário. Neste sentido, está consolidada a jurisprudência desse conselho: "CHEQUES COMPENSADOS Comprovado o lançamento à débito de caixa de cheques cuja compensação se deu em favor de pessoas estranhas aos pagamentos efetuados no mesmo dia e no mesmo valor, configurase a omissão de receitas, não na forma presuntiva, mas na concreta, no valor do suprimento inexistente. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Primeira Turma/ACÓRDÃO CSRF/01 04.012 em 19/08/2002. Publicado no DOU em: 05.08.2003. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10540.001072/200614 Acórdão n.º 140200.446 S1C4T2 Fl. 0 4 O contribuinte sequer faz prova de sua alegação de que os cheques foram nominais aos beneficiários dos pagamentos. Importante registrar que caso o contribuinte fizesse prova de que os cheques compensados de fato se destinaram ao pagamento de obrigações contabilizadas a crédito da conta caixa, a exigência seria cancelada nos montantes comprovados. Mas isso não ocorreu, sendo que em algumas situações não seria possível haja vista que os valores não coadunam. Ou seja, a toda evidência os cheques tiveram outras destinação e as contas foram pagas com recursos a margem da contabilidade. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721725/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2006
Ementa: DESPESAS MÉDICAS EM NOME DA ESPOSA QUE APRESENTA DECLARAÇÃO EM SEPARADO, PELO MODELO SIMPLIFICADO. INDEDUTIBILIDADE NAS DECLARAÇÕES DO ESPOSO AUTUADO E DA ESPOSA. DEDUÇÃO DESSAS DESPESAS PELO CONTRIBUINTE AUTUADO EM ANOS ANTECEDENTES AO FISCALIZADO. RESTITUIÇÕES RECEBIDAS. IMPOSSIBILIDADE DE A INFRAÇÃO SE PROTRAIR PARA O FUTURO, SEM CORRIGENDA POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO FEDERAL. No momento em que a
esposa do fiscalizado apresentou a declaração pelo modelo simplificado, utilizando o desconto referido, ficou impedida de deduzir qualquer valor a título de despesa médica em sua declaração (ou de qualquer outra despesa dedutível), pois o desconto simplificado substitui todas as deduções admitidas na legislação. De outra banda, o esposo autuado somente pode
deduzir da base de cálculo do imposto de renda, em termos de despesas médicas (e outras despesas dedutíveis), aquelas consigo e com seus dependentes (art. 80, II, do Decreto nº 3.000/99), sendo certo que a esposa não era dependente do fiscalizado, pois apresentou declaração em separado. Ademais, no momento em que a esposa apresentou declaração em separado, fazendo uso do desconto simplificado, jamais o contribuinte autuado poderia deduzir a despesa com o plano de saúde dela, até porque ela também não
poderia fazer uso da benesse. Ainda, o fato de o contribuinte ter perpetrado a mesma infração em anos pretéritos ao autuado, percebendo restituições, não lhe outorga um benefício para usufruir para o futuro dela. Simplesmente, o fenômeno extintivo da decadência qüinqüenal impediu a Fazenda Pública Federal de cobrar as diferenças de impostos dos anos antecedentes. Porém,
dentro do qüinqüênio decadencial legal, pode e deve a Fazenda Federal cobrar as diferenças de impostos.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.364
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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INDEDUTIBILIDADE NAS DECLARAÇÕES DO ESPOSO AUTUADO E DA ESPOSA. DEDUÇÃO DESSAS DESPESAS PELO CONTRIBUINTE AUTUADO EM ANOS ANTECEDENTES AO FISCALIZADO. RESTITUIÇÕES RECEBIDAS. IMPOSSIBILIDADE DE A INFRAÇÃO SE PROTRAIR PARA O FUTURO, SEM CORRIGENDA POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO FEDERAL. No momento em que a esposa do fiscalizado apresentou a declaração pelo modelo simplificado, utilizando o desconto referido, ficou impedida de deduzir qualquer valor a título de despesa médica em sua declaração (ou de qualquer outra despesa dedutível), pois o desconto simplificado substitui todas as deduções admitidas na legislação. De outra banda, o esposo autuado somente pode deduzir da base de cálculo do imposto de renda, em termos de despesas médicas (e outras despesas dedutíveis), aquelas consigo e com seus dependentes (art. 80, II, do Decreto nº 3.000/99), sendo certo que a esposa não era dependente do fiscalizado, pois apresentou declaração em separado. Ademais, no momento em que a esposa apresentou declaração em separado, fazendo uso do desconto simplificado, jamais o contribuinte autuado poderia deduzir a despesa com o plano de saúde dela, até porque ela também não poderia fazer uso da benesse. Ainda, o fato de o contribuinte ter perpetrado a mesma infração em anos pretéritos ao autuado, percebendo restituições, não lhe outorga um benefício para usufruir para o futuro dela. Simplesmente, o fenômeno extintivo da decadência qüinqüenal impediu a Fazenda Pública Federal de cobrar as diferenças de impostos dos anos antecedentes. Porém, dentro do qüinqüênio decadencial legal, pode e deve a Fazenda Federal cobrar as diferenças de impostos. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 15/06/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte UBIRAJARA CONTINENTINO CORDOVA, CPF/MF nº 000.272.60097, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 18/05/2009, auto de infração, com ciência postal em 25/05/2009, decorrente da revisão de sua declaração de ajuste anual do anocalendário 2005. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 1.518,18 MULTA DE OFÍCIO R$ 1.138,63 Ao contribuinte foi imputada uma glosa de despesa médica, assim motivada pela autoridade autuante: Glosa do valor de R$ 5.520,66, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) Em relação ao Plano de Saúde, conforme informação da Golden Bradesco Saúde S/A, aceito o valor (em R$) de 5.520,66, cujo beneficiário é Ubirajara Continentino Cordova. Glosados os demais valores pagos a esse plano, 5.520,66, tendo em vista as parcelas correspondentes à Leda Schwarz Cordova, pois no caso de apresentação de declaração em separado no modelo simplificado pelo outro cônjuge, na qual todas as deduções a que este teriam direito são substituídas pelo desconto simplificado, a Fl. 70DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11080.721725/200955 Acórdão n.º 2102001.364 S2C1T2 Fl. 2 3 parcela do plano de saúde correspondente ao outro cônjuge é considerada indedutível na declaração do titular do plano. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, deduzindo os seguintes argumentos: a) mantém o plano de saúde Bradesco apólice nº 305 544 105899 00 5, desde 09/06/1999; b) a apólice possui cobertura apenas para hospitalização, não estando nela incluídas despesas com médicos, dentistas, exames laboratoriais, etc; c) é o titular da apólice acima referida e único e principal responsável pelo pagamento das mensalidades inerentes ao plano; d) os pagamentos são efetuados através de débitos mensais em sua conta corrente no Banco Bradesco S.A; e) desde o primeiro ano de vigência do plano, declarou renda incluindo entre as suas deduções e/ou abatimentos o montante anual das mensalidades pagas; f) sua esposa jamais se beneficiou de 50% do valor das mensalidades pagas para abatimentos em declarações de renda, mesmo quando declaradas em formulários completos. A 4ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1026.396, de 21 de julho de 2010, que restou assim ementado: REVISÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA DESPESAS MÉDICAS. Nos termos do artigo 80, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, a dedução de despesas médicas da declaração de ajuste anual restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 18/10/2010. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 21/10/2010 . No voluntário, o recorrente alega: Fl. 71DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 18/10/2010, segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 21/10/2010, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 17/11/2010, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. A controvérsia restringese ao debate sobre a possibilidade de o contribuinte autuado poder deduzir em sua declaração de ajuste anual a despesa médica do cônjuge (plano de saúde), quando este apresenta declaração em separado, pelo modelo simplificado. Ainda, se o fato de a Administração Fiscal ter chancelado implicitamente tal procedimento em anos pretéritos ao autuado teria o condão de afastar a infração ora em debate. É de conhecimento amplo de que o desconto simplificado substitui todas as despesas dedutíveis, como se pode ver no art. 10 da Lei nº 9.250/95: Art. 10. Independentemente do montante dos rendimentos tributáveis na declaração, recebidos no anocalendário, o contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que consistirá em dedução de 20% (vinte por cento) do valor desses rendimentos, limitada a R$ 9.400,00 (nove mil e quatrocentos reais), na Declaração de Ajuste Anual, dispensada a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie.(Redação dada pela Lei nº 10.451, de 10.5.2002) § 1º O desconto simplificado a que se refere este artigo substitui todas as deduções admitidas na legislação. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11080.721725/200955 Acórdão n.º 2102001.364 S2C1T2 Fl. 3 5 § 2º O valor deduzido não poderá ser utilizado para comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido.(grifouse) Ora, no momento em que o cônjuge do fiscalizado apresentou a declaração pelo modelo simplificado, utilizando o desconto referido, ficou impedido de deduzir qualquer valor a título de despesa médica (ou de qualquer outra despesa dedutível), pois o desconto simplificado substitui todas as deduções admitidas na legislação. De outra banda, também é notório que o contribuinte somente pode deduzir da base de cálculo do imposto de renda, em termos de despesas médicas (e outras despesas dedutíveis), aquelas consigo e com seus dependentes (art. 80, II, do Decreto nº 3.000/99). Ora, no momento em que o cônjuge apresentou declaração em separado, fazendo uso do desconto simplificado, jamais o contribuinte autuado poderia deduzir a despesa com o plano de saúde em benefício do cônjuge, até porque este também não poderia fazer uso da benesse. Claramente, agiu com acerto a autoridade autuante ao efetuar a glosa da despesa na declaração do contribuinte que teve com o cônjuge, este que apresentou declaração em separado. Por último, o fato de contribuinte ter perpetrado a infração acima em anos pretéritos ao autuado, percebendo restituições, não lhe outorga um benefício para usufruir para o futuro de tal infração. Simplesmente, o fenômeno extintivo da decadência qüinqüenal impediu a Fazenda Pública Federal de cobrar as diferenças de impostos dos anos antecedentes. Porém, dentro do qüinqüênio decadencial legal, como se viu nestes autos, pode e deve a Fazenda Federal cobrar as diferenças de impostos. Com as considerações acima, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 73DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10735.001831/2005-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 30/08/1998 a 30/06/2000
DECADÊNCIA
Por força da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial da COFINS é de 5 (cinco) anos a contar do respectivo fato gerador.
MULTA DE OFICIO
É cabível a cobrança de multa, no percentual de 75%, quando em lançamento de oficio, sempre que verificada a falta de pagamento ou recolhimento de contribuição nos termos do art. 44, inc. I da Lei 9430/96.
Numero da decisão: 3201-000.641
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Daniel Mariz Gudiño
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 30/08/1998 a 30/06/2000 DECADÊNCIA Por força da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial da COFINS é de 5 (cinco) anos a contar do respectivo fato gerador. MULTA DE OFICIO É cabível a cobrança de multa, no percentual de 75%, quando em lançamento de oficio, sempre que verificada a falta de pagamento ou recolhimento de contribuição nos termos do art. 44, inc. I da Lei 9430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 06/04/2011 Fl. 140DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, 06/04/2011 por DANIEL MARI Z GUDINO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice presidente), Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Marcelo Ribeiro Nogueira, Maria Regina Godinho de Carvalho e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: 1.Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em nome do contribuinte em epígrafe, relativo à diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago correspondente à contribuição para a COFINS, no período de agosto de 1998 a dezembro de 1988 e de abril de 2000 a setembro de 2000, no valor de R$ 1.207.728,38, incluindo multa proporcional e juros de mora calculados até 30.06.2005. 2. Às fls. 19/20 consta o demonstrativo das diferenças encontradas. 3. Irresignado com a autuação em comento, o contribuinte apresentou a peça contestatória, de fls. 40 a 54, alegando em síntese: • A decadência do lançamento referente aos períodos de 30.08.1998 a 31.12.1998 e de 30.04.2000 a 30.06.2000. • Recolheu o IPI sobre os descontos concedidos incondicionalmente, motivo pelo qual ajuizou ação ordinária, de n° 2002.51.10.0054475, pleiteando a declaração de não incidência do IPI sobre tais descontos, bem como a restituição das quantias indevidamente cobradas. • Passou a compensar débitos vincendos do PIS com créditos de IPI. • O débito do PIS discriminado no auto de infração está devidamente quitado através da compensação com quantias pagas indevidamente de IPI. Deve ser o presente procedimento suspenso, até o reconhecimento definitivo do crédito do IPI, nos autos da ação ordinária n°2002.51.10.0054475. • Ser inaplicável a cobrança da multa de 75%, devendo a mesma ser reduzida para 20%, nos termos da Lei n° 9430/96. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, 06/04/2011 por DANIEL MARI Z GUDINO Processo nº 10735.001831/200581 Acórdão n.º 3201000.641 S3C2T1 Fl. 137 3 Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 26/03/2008, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) julgou improcedente a impugnação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 13 19.431 (fls. 110/116): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/08/1998 a 30/06/2000 COFINS. DECADÊNCIA. Tendo sido constituído o crédito tributário dentro do prazo de dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos da Lei n° 8.212/91, não se caracteriza a decadência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/08/1998 a 31/12/1998, 30/04/2000 a 30/09/2000 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. A simples impetração de ação ordinária na qual se pleiteia a compensação de pagamentos supostamente indevidos de IPI com débitos de quaisquer outros tributos, não autoriza o impetrante a efetuar compensações, sequer é impeditiva da constituição do correspondente crédito tributário via lançamento de oficio. MULTA DE OFICIO Falta de pagamento APLICÁVEL É cabível a cobrança de multa, no percentual de 75%, quando em lançamento de oficio, sempre que verificada a falta de pagamento ou recolhimento de contribuição nos termos do art. 44, inc. I da Lei 9430/96. Lançamento Procedente A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão acima transcrito, em 03/09/2008 (fl.117), tendo protocolado seu recurso voluntário em 29/09/2008 (fls. 123/132). Em síntese, a Recorrente pugna pela reforma do acórdão de 1ª instância, de modo que seja: • reconhecida a decadência do lançamento consubstanciado pelo auto de infração que deu origem ao presente processo administrativo, referente às multas isoladas aplicadas no período de 30.08.1998 a 31.12.1998 e de 30.04.2000 a 30.06.2000, nos termos do art. 150, §4º do CTN e nos precedentes dos Conselhos de Contribuintes. • afastada a multa aplicada nos períodos remanescentes (não atingidos pela decadência), por serem absolutamente ilegais ou, caso assim não seja entendido; Fl. 142DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, 06/04/2011 por DANIEL MARI Z GUDINO 4 • determinada a sua redução ao patamar de 20% (vinte por cento), tal como preconiza o art. 61, da Lei n° 9.430/96. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 27/08/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, CONHEÇO o recurso voluntário e passo a analisálo. Preliminarmente, assiste razão à Recorrente no tocante ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos a contar da data do fato gerador, eis que a autuação referese a tributo sujeito a lançamento por homologação. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 8 com o seguinte teor: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Como a fiscalização empregou, ainda que de forma subentendida, o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991 para justificar a cobrança da COFINS em períodos de apuração anteriores aos cinco últimos anos da lavratura do auto de infração, o lançamento deve ser parcialmente cancelado por força do art. 103A da Constituição Federal de 1988 e do art. 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, a seguir transcritos: Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) Fl. 143DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, 06/04/2011 por DANIEL MARI Z GUDINO Processo nº 10735.001831/200581 Acórdão n.º 3201000.641 S3C2T1 Fl. 138 5 § 6º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) No mérito, não assiste razão à Recorrente quanto à alegação de que as multas aplicadas são ilegais. Isso porque a fiscalização aplicou corretamente a penalidade prevista para a falta de recolhimento de tributo não declarado. Senão, vejamos como era a redação do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, ao tempo da lavratura do auto de infração: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) Não havendo dúvidas de que a situação da Recorrente se enquadra no dispositivo acima transcrito, tenho como correta a aplicação da multa de ofício imposta pela fiscalização, não merecendo, pois, reforma o acórdão recorrido. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que seja cancelado o lançamento no tocante aos períodos de apuração alcançados pelo prazo decadencial de cinco anos. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 144DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, 06/04/2011 por DANIEL MARI Z GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.003607/2003-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001
NULIDADE. AÇÃO FISCAL POR AMOSTRAGEM. IMPROCEDÊNCIA
A indicação constante do Termo de Encerramento de que a ação fiscal foi empreendida por amostragem, significa dizer que a fiscalização foi promovida em relação aos fatos ali indicados, possibilitando que, em razão de análises supervenientes possam ser empreendidos outras ações fiscais, resguardando o direito de a Fazenda Nacional constituir, se for o caso, os créditos tributários daí decorrentes.
OMISSÃO DE RECEITAS. DIPJ E LIVROS FISCAIS. DIVERGÊNCIA
APURADA E NÃO ESCLARECIDA. Costada diferenças entre as receitas
escrituradas pelo contribuinte, regularmente declaradas ao fisco estadual, e os valores grafados na DIPJ apresentada à Recita Federal, não tendo o contribuinte apresentado provas da alegação de erro na escrituração contábil e fiscal, correto a lavratura de autos de infração para exigência dos tributos devidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.462
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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Recorrente TAGUASUL COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001 NULIDADE. AÇÃO FISCAL POR AMOSTRAGEM. IMPROCEDÊNCIA A indicação constante do Termo de Encerramento de que a ação fiscal foi empreendida por amostragem, significa dizer que a fiscalização foi promovida em relação aos fatos ali indicados, possibilitando que, em razão de análises supervenientes possam ser empreendidos outras ações fiscais, resguardando o direito de a Fazenda Nacional constituir, se for o caso, os créditos tributários daí decorrentes. OMISSÃO DE RECEITAS. DIPJ E LIVROS FISCAIS. DIVERGÊNCIA APURADA E NÃO ESCLARECIDA. Costada diferenças entre as receitas escrituradas pelo contribuinte, regularmente declaradas ao fisco estadual, e os valores grafados na DIPJ apresentada à Recita Federal, não tendo o contribuinte apresentado provas da alegação de erro na escrituração contábil e fiscal, correto a lavratura de autos de infração para exigência dos tributos devidos. Recurso Voluntário Negado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13839.003607/200391 Acórdão n.º 140200.462 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Viviani Aparecida Bacchmi, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório TAGUASUL COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Tratase do auto de infração à legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, fls. 117/119, lavrado em 22/12/2003 contra a contribuinte acima qualificada, formalizando o crédito tributário no total de R$ 28.964,23, já incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora calculados até 28/11/2003. 2. A ação fiscal teve início em 15/02/2002, data da ciência do “Termo de Início de Ação Fiscal” de fls. 21/22, que solicitava à pessoa jurídica a apresentação de livros comerciais e fiscais e os respectivos documentos que serviram de base para os lançamentos neles realizados, relativos aos anoscalendário de 1997 a 2001. 3. No TERMO CONCLUSIVO DA AÇÃO FISCAL, fls. 107/113, o auditor fiscal responsável pelo procedimento junto à fiscalizada, esclarece o que se sintetiza adiante: Verificações Preliminares Foram realizadas do período de março/1997 a dezembro de 2001, elaborandose os demonstrativos anexos: Base de Cálculo; Apuração de Débitos; Pagamentos/Parcelamentos e Situação Fiscal Apurada, vislumbrandose nas verificações feitas, respeitados os limites e as amostragens realizadas, as diferenças a seguir explicitadas: IRPJ e CSLL No anocalendário de 2001, entre a DIPJ/2002 apresentada (ND 1183130), nos meses de fevereiro e junho/2001, ocorreu uma divergência de valores de receitas com os livros fiscais e, conseqüentemente com as Guias de Informações Mensais (GIM) anexas, conforme a seguir se demonstra: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13839.003607/200391 Acórdão n.º 140200.462 S1C4T2 Fl. 0 3 [segue demonstrativo das diferenças mensais entre a DIPJ/2002 e o Livros/GIM, totalizadas nos 1º e 2º trimestres] Observase divergências nos meses de fevereiro e junho, cujas diferenças realmente se confirmaram conforme se verificou pelas vendas registradas nos diversos estabelecimentos: [segue demonstrativo das filiais 000220; 000300; 000491; 000572; 000653 e 000734, totalizando R$ 1.970.689,66 em fevereiro e R$ 2.318.000,00 em junho] No anocalendário de 2001, a DIPJ/2002 foi apresentada na opção de Lucro Real Trimestral ( ... ) Considerando que as receitas maiores acima demonstradas não foram incluídas na apuração do IRPJ e CSLL do trimestre correspondente, e que elas tão somente bem aumentar em igual valor o lucro líquido do período, recalcularseá os valores com elas incluídas, levandose em conta a compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, dentro do limite de 30%, vez que, conforme Demonstrativos SAPLI anexos, existiam saldos suficientes, os quais, após utilizados serão devidamente alterados no sistema de controle da Receita Federal a fim de que períodos futuros observem as alterações procedidas: As diferenças suplementares de IRPJ e CSLL serão motivos de lançamentos dos créditos tributários correspondentes, através da formalização em processos distintos, muito embora o presente Termo seja comum a todos. PIS e COFINS Partindose das bases de cálculos conhecidas conforme demonstrativo “Composição da Base de Cálculo – (Apuração Sintética)” anexo, apurouse os débitos, levouse em consideração os pagamentos efetuados e as DCTF apresentadas, para ao final, elaborarse o “Demonstrativo de Situação Fiscal apurada”, também anexo. No período de março a dezembro/1997, além do sistema não acusar a entrega das DCTFs, o contribuinte também não logrou comprovar as suas entregas, como ainda, os recolhimentos efetuados quanto ao período, tanto de PIS como de COFINS, foram insuficientes. Também apresentaram insuficiências de recolhimentos de débitos não constantes das DCTFs apresentadas, os períodos de março/2000, fevereiro e junho/2001. Anocalendário de 1998 Passivo Fictício Dentro do limite das verificações e das amostragens realizadas, e das dificuldades encontradas na obtenção dos livros e documentos, conforme se constata pelos constantes Termos lavrados, procedeuse à auditoria contábil e fiscal. Já pelo Termo cientificado em 30/07/2002 o contribuinte foi intimado a comprovar a dívida no valor de R$ 6.045.968,57, com saldo existente em 31/dezembro/1998, e registrada no Passivo Circulante na conta “Fornecedores”, para o qual solicitou prorrogação de prazo para cumprimento, sob a alegação de dificuldades face a modalidade de escrituração “por partida mensal, com lançamento único ao final de cada mês, com base nas compras, sem individualização dos fornecedores” (vide item 1 da correspondência recepcionada em 28/08/2002, protocolo auxiliar 4814). Mesmo com todos os prazos concedidos e todo o tempo decorrido, não logrou êxito comprovar referido Passivo ( ... ). Assim, nos termos do artigo 281, III, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/março/1999, fica caracterizado a omissão no registro da receita de igual valor. ( ... ) Do Lucro Arbitrado Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13839.003607/200391 Acórdão n.º 140200.462 S1C4T2 Fl. 0 4 Conhecida a receita bruta e detectada a omissão de receitas, ambas se sujeitarão ao disposto contido no artigo 532, do citado RIR/1999, qual seja, da aplicação do percentual de 8% acrescido de 20% (9,6%), próprio para a atividade comercial, sendo que a omissão de receitas assim se obriga face ao disposto no artigo 537 do mesmo Regulamento. Seguese a demonstração do lucro arbitrado ( ... ). Em decorrência do arbitramento do lucro serão devidos o IRPJ e a CSLL, sem que deles algum valor seja descontado, eis que, quanto ao gênero de tributo, nada foi recolhido. Assim, sob a formalização de um único processo, serão lançados os créditos tributários correspondentes, inclusive as contribuições para o PIS e a COFINS incidentes sobre a omissão de receitas. Conclusão Diante dos fatos serão constituídos os seguintes créditos tributários: TRIBUTO Valor em R$ IRPJ – Verificações Preliminares 73.305,88 CSLL – Verificações Preliminares 28.964,23 PIS – Verificações Preliminares 514.455,23 COFINS – Verificações Preliminares 1.498.326,70 IRPJ – Arbitramento 1.406.062,02 CSLL – Arbitramento 588.887,66 PIS – Omissão de Receitas 104.361,86 COFINS – Omissão de Receitas 321.113,47 Total do Crédito Tributário 4.535.477,05 Considerando o valor total do crédito tributário ora constituído, além de 30% do patrimônio líquido atual do contribuinte, nos termos da Instrução Normativa nº 264, de 20 de dezembro de 2002, será procedido o arrolamento dos bens. Face ao arbitramento do lucro do anocalendário de 1998, desaparecem os prejuízos fiscais trimestrais apurados sob a modalidade de Lucro Real, assim como, pelo aumento da compensação dos prejuízos fiscais nos 1º e 2º Trimestres/2001, fica o contribuinte INTIMADO a corrigir os seus controles, especialmente o Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, parte “B”, a fim de que períodos futuros se influenciem pelos valores já alterados.” 4. Na ‘DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL’ do auto à fl. 119, o autuante atribui à contribuinte a prática da seguinte irregularidade: “001 – CSLL DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados conforme documentos presente ao processo e Termo Conclusivo da Ação Fiscal Anexo. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/03/2001 R$ 2.000,00 75,00 30/06/2001 R$207.244,30 75,00 Enquadramento Legal: Art. 77, inciso III, do DecretoLei nº 5.844/43; 149 da Lei nº 5.172/66; art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; Art. 19 da Lei nº 9.249/95; Art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13839.003607/200391 Acórdão n.º 140200.462 S1C4T2 Fl. 0 5 Art. 6º da Medida Provisória nº 1.858/99 e suas reedições.” 5. Tendo tomado ciência da autuação em 29/12/2003, a contribuinte interpôs, por meio de seus advogados e bastantes procuradores, em 28/01/2004, a impugnação de fls. 125/127, apresentando as razões de fato e de direito a seguir relatadas. 6. Inicialmente afirma que o fato considerado pelo fiscal tratase de mero erro de preenchimento de formulários, contudo, aquele agente não se ateve que os tributos incidentes sobre a receita efetivamente grada foram devidamente recolhidos, como se pode constatar dos DARF a ele disponibilizados. Reportandose a trecho do Termo de Encerramento, que transcreve, a impugnante entende que em razão de ter sido verificado por amostragem o cumprimento das obrigações tributárias constantes da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, sem se proceder a uma fiscalização como deveria, mas apenas por simples dedução, a conclusão do autuante de que tenha ocorrido diferença de receita encontrase equivocada, pelo que requer a anulação do presente lançamento A decisão recorrida está assim ementada: Ementa: NULIDADE – INOCORRÊNCIA. Não provada a violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem nos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS – DIPJ E LIVROS FISCAIS – DIVERGÊNCIA NÃO ESCLARECIDA.Não havendo prova em contrário trazida pela contribuinte, correto é o lançamento de tributos incidentes sobre a diferença de receitas omitidas na DIPJ e apurados no confronto com a escrituração da empresa. Lançamento Procedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória quanto a nulidade do procedimento executado por “amostragem” e que os valores corretos de suas receitas foram informados à Receita Federal, tendo incorrido em erro na Escrituração e também na GIA. Ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13839.003607/200391 Acórdão n.º 140200.462 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de auto de infração da CSLL, lucro real, em virtude de divergências entre as receitas declaradas à Receita Federal, oferecidas à tributação, e os valores efetivamente auferidos (escriturados e declarados à Receita Federal). O contribuinte, de inicio, repisa sua preliminar de nulidade do lançamento em decorrência de suposta fiscalização por amostragem, o que teria ocasionado conclusão equivocada quanto à apuração realizada pela empresa no período. A indicação constante do Termo de Encerramento de que a ação fiscal foi empreendida por amostragem representa, tãosomente, informação de que o procedimento guarda relação estreita com o escopo da fiscalização definido no Mandado de Procedimento Fiscal, significando dizer que a fiscalização foi promovida em relação aos fatos ali indicados, possibilitando que, em razão de análises supervenientes, outros procedimentos fiscalizatórios possam ser empreendidos, ficando, assim, resguardado o direito de a Fazenda Nacional constituir, se for o caso, os créditos tributários daí decorrentes. A lei não estabeleceu rito especial a ser seguido no procedimento administrativo que visa determinar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente. A escolha do modo de proceder a investigação fiscal situase na competência da autoridade administrativa, respeitados os princípios da legalidade e da proporcionalidade. O procedimento de apuração de infrações por amostragem é um método de fiscalização, para apurar as irregularidades porventura existentes e nada tem a ver com lançamento por presunção, não implicando, portanto, existência de nulidade. Tal qual asseverado na decisão recorrida “o levantamento por amostragem não significa apuração aproximada ou ainda que o resultado obtido tenha desprezado alguns registros da empresa no período verificado, acarretando apuração imprecisa, como parece crer a autuada, mas sim que a fiscalização, diante das inúmeras verificações necessárias em um longo período, optou por fazer a conferência mais detalhada de períodos específicos.” Reiteresse também “que no procedimento fiscal foram constatadas divergências nas totalizações das receitas informadas na DIPJ/2001 e nos livros fiscais da empresa, bem como aquelas inseridas nas Guias Informativas Mensais do ICMS – “GIM”, prestadas pela contribuinte à Secretaria da Fazenda do Distrito Federal, relativas às atividades de suas filiais localizadas naquela jurisdição, sendo exigidos os impostos e as contribuições devidos sobre os rendimentos não tributados na esfera federal.” Desde a auditoria o contribuinte afirma que efetuou o recolhimento dos tributos e contribuições sobre toda a receita efetivamente auferida. Todavia, não apresentou qualquer justificativa sobre a diferença dos valores registrados em seus livros, e informados ao órgão fiscalizador do ICMs do Distrito Federal, e aqueles declarados à Receita Federal. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13839.003607/200391 Acórdão n.º 140200.462 S1C4T2 Fl. 0 7 A decisão de 1a. instancia demonstrou a consistência da apuração das irregularidades apuradas pelo Fisco. Vejamos a transcrição desses fundamentos: A partir dos documentos juntados aos autos foi elaborado o demonstrativo das receitas auferidas pelas cinco filiais da pessoa jurídica (000220 a 00734), nos dois primeiros trimestres do ano de 2001, constante à fl. 108 (Termo Conclusivo da ação Fiscal), do qual se transcreve abaixo apenas os meses de fevereiro e junho, nos quais foram detectadas diferenças: Mês/2001 DIPJ/2002 LIVROS/GIM Diferença Fevereiro 1.968.689,66 1.970.689,66 2.000,00 Junho 2.110.755,70 2.318.000,00 207.244,30 Com base nas citadas guias de informações entregues pelas filiais da empresa à Secretaria da Fazenda Estadual, juntadas às fls. 41/94, as totalizações mensais da receita da pessoa jurídica foram desmembradas por filial, também à fl. 108, sendo que a impugnante não traz qualquer argumentação no sentido de contestar os valores ali apurados. Tratandose, pois, de informações sobre as mesmas receitas prestadas a órgãos públicos distintos, a alegação de erro no preenchimento de formulários apresentase bastante vaga uma vez que a impugnante não comprova qual teria sido o erro e em que documento ele teria sido cometido. Ademais, convém destacar que a afirmação da impugnante de que teria procedido à tributação regular sobre todas as receitas efetivamente auferidas, numa tentativa de ratificar a apuração declarada à Receita Federal, obrigatoriamente resultaria na existência de incorreções nos registros mensais escriturados nos livros fiscais da empresa, como também nas informações prestadas ao mencionado órgão estadual, as quais haveriam que estar igualmente acompanhadas de comprovação nos autos. Ressaltese que as declarações prestadas à Receita Federal devem expressar a real apuração efetuada pela contribuinte com base em sua escrituração contábil/fiscal, mantida de conformidade com as normas legais e devidamente lastreada em documentos hábeis, pelo que a constatação de registro de receitas em montante superior ao adotado para apuração da base tributável de tributos ou contribuições configura omissão de receitas à tributação e autoriza o lançamento de ofício pela fiscalização. Estou convencido da correção do procedimento fiscal. Isso aliado ao fato de o contribuinte não trazer qualquer justifica para os erros que alega ter cometido na escrituração de suas receitas autoriza a conclusão que a exigência deve ser mantida. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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